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Numero do processo: 10825.901253/2017-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.624
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente IRMANDADE DA SANTA CASA DE MACATUBA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de pedido de Restituição de PIS. A DRF em Bauru/SP, mediante Despacho Decisório, indeferiu o pleito sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER encontravase totalmente alocado/vinculado a débito declarado da contribuinte. Na manifestação apresentada a contribuinte afirma que a contribuição ao PIS é indevida porque no julgamento do RE nº 636.941/RS houve decisão do STF, com repercussão geral, no sentido de que as “entidades beneficentes de assistência social possuem imunidade tributária em relação à contribuição destinada ao Programa de Integração Social (PIS).” Informa que solicitou a extinção da dívida constante do processo de parcelamento nº 10825.722624/201615 com base na nota explicativa PGFN/CASTF 637/2014. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 25 .9 01 25 3/ 20 17 -1 7 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10825.901253/201717 Resolução nº 3201001.624 S3C2T1 Fl. 3 2 Esclarece ainda, que em razão dessa decisão retificou a DCTF e solicitou a restituição dos valores pagos. Informa que está anexando Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, Ata e Estatuto Social, solicitando o deferimento do pedido. Após exame da defesa apresentada a DRJ proferiu acórdão, cuja ementa se transcreve, na parte de interesse: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 636.941/RS. REQUISITOS. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o recurso extraordinário nº 636.941/RS, no rito do art. 543B da revogada Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 antigo Código de Processo Civil, decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social, desde que comprovem o atendimento aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão acima a contribuinte apresentou diversos documentos, que informa preencherem os requisitos dos artigos 9º e 14 do CTN. Apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese, que cumpriu todos os requisitos estabelecidos em lei para usufruir da imunidade em comento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.598, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10825.901227/201781, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.598): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10825.901253/201717 Resolução nº 3201001.624 S3C2T1 Fl. 4 3 Inicialmente verifico que o contribuinte apresentou parte dos documentos exigidos inicialmente pela DRF para demonstrar a imunidade. No entanto, foi indeferido o pleito por “porque o pagamento indicado para dar suporte ao pleito encontravase totalmente alocado/vinculado a débito da contribuinte.” Ainda o Contribuinte demonstrou que houve parcelamento do débito, sendo que a DRJ proferiu voto reconhecendo o parcelamento, porém, indeferindo o pedido por entender que o Contribuinte não tinha apresentado todos os documentos nos termos do art. 9º e 14 do CTN, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Contudo, após proferido Acórdão pela DRJ o Contribuinte apresentou os demais documentos necessários para concessão dos benefícios da imunidade, juntamente com o Recurso Voluntário. Nesse sentido, já se manifestou a 1ª Turma da CSRF: Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário:1999, 2000, 2001, 2002 RATEIO DE DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. É válida a adoção de método de aferição indireta de rateio de despesas quando o contribuinte não fornece à fiscalização os documentos necessários para ser aferido o cumprimento do critério de rateio convencionado. INGRESSOS DE VALORES RECEBIDOS POR CONSTITUIÇÃO DE USUFRUTO ONEROSO. Os ingressos oriundos da constituição de usufruto oneroso devem ser tributáveis ao longo do período de usufruto .Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. Descabe falar em alteração de critério jurídico quando a decisão recorrida mantém o enquadramento legal e a interpretação dos fatos adotados pela Fiscalização, mas exonera parcela do crédito tributário por entender que alguns valores deveriam ser reconhecidos em outros períodos de apuração.Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 DECADÊNCIA. A decadência prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional somente ocorre quando há pagamento antecipado do tributo, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça ao julgar o Recurso Especial nº 973.733SC, representativo de controvérsia. 16327.001227/200542. Data da Sessão 08/08/2017. Adriana Gomes Rêgo Relatora. André Mendes de Moura Redator Designado. Acórdão 9101 003.003 Verificando que o Contribuinte sempre atendeu o pleito da fiscalização, converto o feito em julgamento para que a DRF , verifique os documentos juntados são hábeis e se em seu entender são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Verificando que o Contribuinte sempre atendeu o pleito da fiscalização, converto o feito em diligência para que a DRF, verifique os documentos juntados são hábeis e se em seu entender são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Ainda, podendo intimar o contribuinte que apresente outros documentos que ache necessário." Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10825.901253/201717 Resolução nº 3201001.624 S3C2T1 Fl. 5 4 Importante salientar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também juntou declarações e documentos fiscais que embasam a alegação da imunidade que entende possuir direito. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência do paradigma, também a justificam nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado converteu o julgamento em diligência para que a DRF verifique se os documentos juntados são hábeis e se, em seu entender, são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101, podendo, ainda, intimar o contribuinte a apresentar outros documentos que ache necessários. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19395.900273/2015-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/08/2012
JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS OU INDÍCIOS DE PROVA
A juntada posterior de documentos pode ser admitida quando o contribuinte apresenta aos autos mínima documentação com força probatória, não cabendo o pedido genérico de realização de diligência.
Numero da decisão: 3201-005.075
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
(assinado digiltamente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/08/2012 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS OU INDÍCIOS DE PROVA A juntada posterior de documentos pode ser admitida quando o contribuinte apresenta aos autos mínima documentação com força probatória, não cabendo o pedido genérico de realização de diligência.
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NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS OU INDÍCIOS DE PROVA A juntada posterior de documentos pode ser admitida quando o contribuinte apresenta aos autos mínima documentação com força probatória, não cabendo o pedido genérico de realização de diligência. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator (assinado digiltamente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 5. 90 02 73 /2 01 5- 82 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 19395.900273/201582 Acórdão n.º 3201005.075 S3C2T1 Fl. 0 2 Relatório O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) ele declarado(s) com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins nãocumulativa. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito da empresa, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que constatou a ocorrência de erro material no preenchimento da DCTF, com a imputação do Darf em valor maior que o devido. Para comprovação do alegado, apresenta DCTF retificadora que corrige o erro cometido. Esse erro não causou danos aos cofres públicos e não invalida o crédito tributário, que está revestido de liquidez e certeza, conforme preceituam o art. 66 da Lei nº 9.069/95 e o inciso II do art. 165 do CTN. Cita decisão do antigo Conselho de Contribuintes sobre a aceitação a qualquer tempo das retificações de erros materiais em declarações. Por fim, requer o regular processamento do procedimento compensatório. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 02074.284. Irresignado com r. julgado, o Contribuinte apresenta Recurso Voluntário querendo reforma: a) com base na DCTF demonstrou seu direito ao crédito; b) que retificou em tempo hábil a DCTF; c) em Recurso Voluntário colaciona NFe´s demonstrando seu direito; É o relatório. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 19395.900273/201582 Acórdão n.º 3201005.075 S3C2T1 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201005.067, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 19395.900263/201547, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201005.067): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente é fato incontroverso que o Contribuinte apresentou a DCTF retificadora, contundo, ao analisar a manifestação de inconformidade à DRJ enfrentou o tema: A DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) caracterizase como instrumento de confissão de dívida, para os devidos efeitos tributários, conforme consta no seu próprio recibo de entrega e a teor do que dispõe o DecretoLei nº 2.124, de 1984, em seu art. 5º, §1º. O Dacon (Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais), por sua vez, era o instrumento hábil para a consolidação e a apuração da contribuição para o fato gerador de 31/07/2011. O art. 165, II, do CTN, garante o direito à restituição do tributo no caso de erro no cálculo do montante do débito. Mas o art. 170 do CTN é expresso ao afirmar que a lei poderá autorizar a compensação, nas condições e sob as garantias nela estipuladas, exigindo ainda que os créditos sejam líquidos e certos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Desse modo, o art. 170 do CTN não deixa dúvidas de que, para haver compensação de dívidas fiscais, tornase indispensável a sua autorização por lei específica, bem como que os créditos sejam líquidos e certos. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 19395.900273/201582 Acórdão n.º 3201005.075 S3C2T1 Fl. 0 4 Contudo, na Manifestação de Inconformidade em nenhum momento apresentou documento capaz de demonstrar tal direito, porém, em Recurso Voluntário colacionou diversas Notas Fiscais para demonstrar o erro que incorreu. Na minha ótica, a verdade material é protagonista no Processo Administrativo Fiscal podendo ser apreciada por este CARF, mesmo que não colacionada na instauração do devido processo legal administrativo. Porém, ao meu entender, os documentos carreados no Recurso Voluntário não tem o condão de demonstrar o direito ao Crédito do Contribuinte, não existindo conferir certeza e liquidez nos termos do art. 170 do CTN. Concluo, o voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909041/2006-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, sobrestar o julgamento até a decisão de mesma instância no processo administrativo nº 10880.909042/2006-05, divergindo os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Eduardo Morgado Rodrigues, que sobrestavam até a decisão definitiva no âmbito administrativo.
(Assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues e Edeli Pereira Bessa (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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(Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues e Edeli Pereira Bessa (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade (fl. 22) contra o Despacho Decisório (fls. 42/46) que não reconheceu o direito creditório de saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido no valor de R$ 37.519,40 informado no PER/DCOMP nº 34088.47050.091003.1.3.03.5590, bem como o crédito de saldo negativo de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 09 04 1/ 20 06 -5 2 Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 10880.909041/200652 Resolução nº 1402000.808 S1C4T2 Fl. 1.022 2 Imposto de Renda da Pessoa Jurídica no valor de R$ 102.190,36, informado no PER/DCCOMP nº 16580.03434.091003.1.3.020087. A DERAT apurou as seguintes inconsistências: a) Em relação ao crédito de CSLL, constatou que o saldo negativo apurado na DIPJ 2003, no valor de R$ 37.519,40 corresponde exatamente aos pagamentos mensais de estimativa do período que foram pagas com saldo credor do ano anterior, sendo que a contribuinte não apurou crédito algum. b) Em relação ao crédito de IRPJ, verificou que as antecipações computadas na apuração do saldo negativo foram pagas com crédito do anocalendário de 2001. No entanto, foi apurado o montante de R$ 5.057,05 valor substancialmente inferior aos R$ 95.719,26 empregados pela contribuinte. Além disso, alegou que a irregularidade das compensações de IRPJ de 1999 a 2002, agravada pela análise do processo 10880.909041/200652 (atualmente sob o nº 10880.909042/200605, que analisa o saldo de IRPJ ao anocalendário de 2000), retira a liquidez e certeza do crédito que deveria embasar o pleito da contribuinte. Cientificada (AR fls. 48), a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 59/69, na qual alegou, resumidamente, o seguinte: a) Houve erro no preenchimento da DCTF relativamente à compensação dos débitos de IRPJ dos meses de fevereiro e março de 2002, uma vez que havia informado que as antecipações de IRPJ de fevereiro e março foram compensadas sem processo com saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, quando, na verdade, o crédito utilizado se refere ao anocalendário de 2000, período em que apurado saldo negativo de IRPJ em montante suficiente para a compensação das estimativas; b) Estando quitadas as antecipações do 1º trimestre de 2002, fica demonstrado que detém o crédito sobre saldo negativo do anocalendário de 2002 apurado pela empresa no valor de R$ 102.190,36; c) Quanto ao processo citado pela autoridade administrativa, em que estaria sendo analisado crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ, apurado no anocalendário de 2000, foi protocolizada manifestação de inconformidade para que sejam revistas as compensações. d) Houve erro no preenchimento da DCTF relativamente à compensação dos débitos de CSLL dos meses de fevereiro e março de 2002. A contribuinte havia informado que as antecipações de CSLL de fevereiro e março foram compensadas sem processo com saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001, quando, na verdade, o crédito utilizado se refere ao anocalendário de 2000, período em que apurado saldo negativo de IRPJ em montante suficiente para a compensação das estimativas; e) Estando quitadas as antecipações de CSLL do 1º trimestre de 2002, fica demonstrado que detém o crédito sobre saldo negativo do anocalendário de 2002 apurado pela empresa no valor de R$ 37.575,29 Em 10 de fevereiro e 2010, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) negou provimento à manifestação de inconformidade com base nos seguintes fundamentos (fls. 548/552): a) a contribuinte entregou a DCTF retificadora apenas em 30/10/08 (fls. 458), um dia antes de protocolar sua Manifestação de Inconformidade. Sendo assim, a retificação Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 10880.909041/200652 Resolução nº 1402000.808 S1C4T2 Fl. 1.023 3 que legitimaria o crédito foi efetuada após a ciência do despacho decisório que apontou a incorreção das compensações, o que a tornaria inválida para refutar as informações contidas na DCTF original. b) após a ciência do despacho decisório contestado a contribuinte poderia arguir erro de preenchimento nas declarações regularmente processadas no momento da análise fiscal, desde que apresentasse a documentação apta a comprovar o erro. c) não foram apresentados os documentos contábeis que poderiam demonstrar como efetivamente foram quitadas as antecipações de IRPJ e CSLL devidas nos meses do 1º trimestre de 2002. Cientificada a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 554/562 no qual alega que, ao contrário do apontado na decisão recorrida, anexou à manifestação de inconformidade todos os documentos fiscais que comprovam a formação do crédito tributário e das consequentes compensações. Logo em seguida, promove a juntada, em fase recursal dos seguintes documentos: a) Contrato social (fls. 565/585); b) Cópia do PER/DECOMP 11803.26305.091003.1.3.020641 (Anexo III fls. 592/598) c) Cópia da DIPJ/2001 (Anexo IV fls. 603/661) d) Cópia da DCTF Original 1º trimestre de 2000 (Anexo VI fls. 671/752) e) Cópia da DIPJ/1998 (Anexo VII fls. 754/773) f) Planilha de Atualização pela taxa SELIC do Saldo Negativo de IRPJ (Anexo VII fls 775/778); g) Cópia da DIPJ/1999 (Anexo IX fls. 780/856) h) Planilha de atualização pela taxa SELIC do Saldo Negativo de IRPJ do ano calendário de 1998; (Anexo X fls. 858/861) i) Cópia da DIJP/2000 (fls. 863/923) j) Planilha de atualização pela taxa SELIC do Saldo Negativo de IRPJ do ano calendário de 1999 (Anexo XII fls. 925/926) l) Cópia da DCTF Retificadora 1º trimestre de 2000 (Anexo XIII fls 928/993) m) DARF de CSL (fls. 995) n) Fls. 310 do Livro Diário Geral 29/02/2000, com termos de abertura e encerramento (Anexo XVI fls. 1008/1010) o) Folha 154 do Livro Diário Geral 31/03/2000, com Termos de Abertura e Encerramento (Anexo XVII fls 1013/ 1016) Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 10880.909041/200652 Resolução nº 1402000.808 S1C4T2 Fl. 1.024 4 É o relatório Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Conforme exposto no relatório e na decisão recorrida, o Despacho Decisório (fls. 44) indeferiu a homologação das compensações de IRPJ, uma vez que as DCTF´s informam que os débitos foram quitados usando saldo negativo do ano anterior e que a situação se agrava com o lançamento proferido no processo nº 10.880.909.041/200652 (atualmente sob o nº 10880.909042/200605 que analisa o saldo de IRPJ do anocalendário de 2000) (...) Como os valores empregados nas compensações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica que se acumulam de 1999 a 2002 estão completamente irregulares, ainda mais agravado na análise do processo nº 10.880.909.041/200652, que demonstrou a inexistência de créditos que foram seguidamente empregados sem processo, retirando totalmente o caráter de liquidez e certeza que deveria embasar o processo, como prescreve o artigo 170 do Código Tributário Nacional, Lei nº 5.172. de 25 de outubro de 1966. Conforme se verifica pelo site deste Conselho, o processo n 10880.909042/200605 foi objeto de resolução que determinou a conversão do processo em diligência à Unidade de Origem para verificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado à título de saldo negativo. Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 10880.909041/200652 Resolução nº 1402000.808 S1C4T2 Fl. 1.025 5 Sendo assim, não é possível afirmar que o crédito por ela utilizado carece de liquidez e certeza até que os referidos tenham decisão definitiva, tendo em vista o disposto no artigo 151, III, do CTN. Temse aqui uma relação de dependência na medida que a premissa essencial (sine qua non) para a constatação da existência do crédito estampada na DCOMP, ora sob análise, depende do resultado do lançamento de ofício que dos saldos negativos dos anos anteriores. Por sua vez, o RICARF/MF, no art. 6º do seu Anexo II, faz apenas as seguintes previsões sobre conexão: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando se a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas;e III reflexo, constatado entre processos formaliza dos em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III d o § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 10880.909041/200652 Resolução nº 1402000.808 S1C4T2 Fl. 1.026 6 necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho d o Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. Essa turma já firmou o entendimento no sentido de que não há como se prosseguir com o julgamento deste processo sem o desfecho dos demais processos. Caso contrário, não só será mantido um profundo anacronismo na apreciação de verdadeira cadeia creditória (esta, fruto das disposições do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e regulamentação infralegal), como também poderseia ensejar a indevida denegação de compensação ulteriomente procedente. Sequer a quantificação do crédito pode ser objeto de aferimento antes da apreciação do crédito debatido naqueles outros feitos. Em que pese meu entendimento pessoal de que o processo deveria ficar sobrestado até o julgamento definitivo, me curvo ao entendimento da turma no sentido de que o termo final do sobrestamento seria o julgamento em mesma instância. Diante de todo o exposto, voto por sobrestar o presente feito até a prolatação de acórdão meritório de mesma instância apreciando a procedência do crédito e a homologação das compensações, nos autos do processo administrativo nº10880.909042/200605, para, somente então, retomarse o julgamento. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 1026DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.003643/93-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Exercício: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA DECORRÊNCIA. APLICAÇÃO.
Tratando-se de lançamento reflexo, qual seja, calcado nas mesmas infrações autuadas em outro processo, dito principal, cumpre aplicar no julgamento deste o princípio da decorrência, repercutindo a mesma decisão daquele quanto ao mérito.
Numero da decisão: 1402-003.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: Marco Rogério Borges
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Exercício: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA DECORRÊNCIA. APLICAÇÃO. Tratando-se de lançamento reflexo, qual seja, calcado nas mesmas infrações autuadas em outro processo, dito principal, cumpre aplicar no julgamento deste o princípio da decorrência, repercutindo a mesma decisão daquele quanto ao mérito.
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PRINCÍPIO DA DECORRÊNCIA. APLICAÇÃO. Tratandose de lançamento reflexo, qual seja, calcado nas mesmas infrações autuadas em outro processo, dito principal, cumpre aplicar no julgamento deste o princípio da decorrência, repercutindo a mesma decisão daquele quanto ao mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 00 36 43 /9 3- 35 Fl. 191DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro RJ, que julgou PROCEDENTE, EM PARTE, a impugnação do contribuinte em epígrafe. Em virtude do valor exonerado, não houve o atingimento dos limites para a interposição de Recurso de Ofício, nos termos da Portaria MF nº 63/2017, atualmente vigente. Da autuação: Trata o presente processo de Autos de Infração Finsocial sobre o faturamento, referente aos períodos de apuração compreendidos nos anos calendários 1988 a 1992. A Fiscalização efetuou o presente lançamento em decorrência do lançamento de IRPJ apurado no processo nº 10783.003642/9372, e envolve em essência o arbitramento do lucro, por não possuir escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, bem como inclusão de valores omitidos reconhecidos pela própria recorrente. Por bem retratar a descrição dos eventos que motivaram a autuação fiscal, transcrevo a parte concernente no relatório da decisão a quo: O presente processo tem origem no auto de infração de fls. 01/08, lavrado pela DRFVitóriaES em 26/07/1993, por meio do qual está sendo exigido da interessada acima qualificada o crédito tributário no valor de 3.227,23 UFIR, multa de 3.011,48 UFIR e demais encargos moratórios, referente à falta de recolhimento do Finsocial sobre o Faturamento dos períodosbase de janeiro/1988, maio/1988, dezembro/1988, fevereiro a abril/1989, janeiro/1990, janeiro/1991, maio a dezembro/1991 e janeiro a março de 1992, apurada no processo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica nº 10783.003642/9372. Da Impugnação: Inconformada com a autuação, a recorrente apresentou impugnação, a qual aproveito a sua descrição no relatório do v. acórdão recorrido: 2. Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 24/29, onde alega em síntese, com relação à contribuição para o Finsocial, que deixou de recolhêla em virtude de sua flagrante inconstitucionalidade, baseada na sua bitributação com o programa de Integração Social – PIS, que utilizase da mesma base de cálculo (faturamento). Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10783.003643/9335 Acórdão n.º 1402003.753 S1C4T2 Fl. 192 3 3. Faz ainda menção à ilegalidade do aumento progressivo das alíquotas, já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal através do Recurso Extraordinário 150.7641. Da conversão em diligência pela DRJ 4. Em 24/07/2000, esta Delegacia, através da Resolução nº 063/2000 (fl. 36) converteu o julgamento em diligência para que fosse apurada a correição dos valores referentes à Receita Bruta da empresa. 5. Não tendo sido a interessada localizada nos endereços constantes dos sistemas da Receita Federal, foi o advogado da mesma intimado a apresentar a documentação solicitada (fls. 41/42), tendo respondido à fl. 43 que nunca teve a posse dos livros contábeis e fiscais da empresa e que há vários anos não mantêm contato com o representante legal da mesma. 6. Em seguida, os sócios foram intimados e reintimados a prestar esclarecimentos (fls. 44/55) e, não juntando aos autos a documentação solicitada, informaram (às fls. 56/57) que a empresa encontrase com as atividades paralisadas desde junho de 1999 e alegaram que, à época da impugnação (dezembro de 1993), puseram à disposição todos os documentos contábeis para análise e somente agora, sete anos após, quando a empresa está desativada e seus sócios aposentados, esta Delegacia solicita tais documentos. Assim, em face do tempo transcorrido sem nenhum julgamento, requer seja concedido o benefício da prescrição. 7. O Relatório de Diligência Fiscal (fls. 60/62), cientificado à interessada pelo Aviso de RecebimentoAR de fl. 63, em 13/11/2000, contra o qual a interessada não se pronunciou nem aditou razões de defesa, esclarece que os levantamentos das bases de cálculo foram produzidos pelo contador, Sr Paulo Fernando do Carmo, e conferidos pela fiscalização que naquele momento não reproduziu os livros fiscais da empresa pela inexistência de máquina copiadora no escritório do contador onde transcorreu o trabalho fiscal, e que, posteriormente, tais livros deixaram de ser disponibilizados sob alegação de estarem em poder do fisco estadual. Da decisão da DRJ: A ementa da decisão é a seguinte: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Exercício: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992 Ementa: CONSTITUCIONALIDADE DO FINSOCIAL Conforme entendimento do STF, a exigência do Finsocial devido pelas empresas de venda de mercadorias e de venda de mercadorias e serviços foi considerada constitucional dentro do limite das alíquotas previstas antes da promulgação da Constituição Federal de 1988. RETROATIVIDADE BENIGNA: REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO A lei nova aplicase a ato ou fato não definitivamente julgados, quando lhes comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Incidência do artigo 44 da Lei n°. 9.430/1996, por força do Fl. 193DF CARF MF 4 disposto no artigo 106, inciso II, letra c do Código Tributário Nacional e no Ato Declaratório (Normativo) SRF/COSIT n°. 01, de 07 de janeiro de 1997. JUROS DE MORA Deverão ser subtraídos dos juros de mora os valores referentes à aplicação da Taxa Referencial Diária TRD, no período compreendido entre 04 de fevereiro a 29 de julho de 1991. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE Da análise da análise do voto condutor da decisão a quo, que foi acompanhado por unanimidade pelo seus pares, destacase os seguintes pontos que fundamentam seu voto: o presente processo decorre da autuação fiscal no processo nº 10783.003642/9372; no que tange a inconstitucionalidade e ilegalidade do Finsocial, o STF, em decisão de 28/12/1990, considerou inconstitucionais apenas as majorações de alíquotas (de 0,5% para 1,0% (Lei nº. 7.787, de 30 de junho de 1989), para 1,2% (Lei nº. 7.894, de 24 de novembro de 1989) e para 2,0% (Lei nº. 8.147, de 28 de dezembro de 1990)), que foram absorvidas no regramento tributário (principalmente a IN nº 31/1997). Destarte, cancelou as parcelas de majoração das alíquotas autuadas; os valores que serviram de base da autuação foram levantados pelo contador da empresa, e conferidos pela fiscalização com os livros Saída de Mercadorias e Apuração do ICMS, tendo sido cientificado à interessada durante a diligência e esta nada se pronunciou; A exoneração promovida foi de 2.383,50 Ufirs (principal) e 2.408,14 Ufirs (multa). Com isso, a parcela mantida com a decisão da DRJ foi de 843,73 Ufirs (principal) e 603,34 Ufirs (multa). Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 08/04/2001, a recorrente apresentou recurso voluntário em 08/05/2001, ou seja, tempestivamente. Em essência, sua peça recursal contempla os seguintes pontos: remete às razões da sua defesa apresentada no processo nº 10783.003642/9372; repisa os mesmos argumentos da sua peça impugnatória, no sentido que a autuação fiscal foi uma arbitrariedade, pois a autoridade fiscal autuante desprezou sua contabilidade, acusandoo, inclusive, de não ter conhecimento da legislação tributária do país; traz várias razões de cunho pessoal para não ter mais os documentos para comprovar suas alegações. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10783.003643/9335 Acórdão n.º 1402003.753 S1C4T2 Fl. 193 5 É o relatório. Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O recurso voluntário foi apresentado pelo contribuinte tempestivamente, do qual tomo conhecimento. Da questão inerente à vinculação ao processo 10783.003642/9372 IRPJ Verificase nos autos que o presente processo (10783.003643/9335) é reflexo do processo 10783.003642/9372. Justificase. No que tange ao processo de IRPJ, julgado neste Conselho em 13/05/2005, este relator teve acesso apenas aos acórdãos da DRJ e do Carf, pois o processo não se encontra disponível no sistema eprocesso. A sua situação atual é ter sido despachado para a Procuradoria da Fazenda Nacional ES, em 25/05/2007, conforme pesquisa efetuada no sistema comprot. Considerando este andamento, o processo já transitou em definitivo na esfera administrativa. Tela do atual status abaixo: O processo 10783.003642/9372 teve a seguinte decisão: Fl. 195DF CARF MF 6 ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar a tributação relativa aos exercícios de 1990 e 1991, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Verificandose o teor do voto, foi mantida a exigência referente apenas ao exercício de 1989, anobase 1988, no seguintes termos: ISTO POSTO, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, mantendo a exigência relativa ao exercício de 1989 e tornando insubsistente os lançamentos relativos aos demais exercícios. Cotejando os elementos identificáveis em ambos os processos, verificase os seguintes elementos: ambos decorreram do mesmo procedimento de fiscalização; ambos tiveram ciência dos autos de infração no dia 26/07/1993; a motivação da autuação fiscal em ambos é a mesma, ou seja, arbitramento por conta da ausência da escrituração fiscal e comercial, o que ensejou a autuação fiscal no presente processo por falta de recolhimento e/ou recolhimento a menor, para a contribuição do FINSOCIAL, conforme levantamento procedido na empresa relativo aos períodos de 1988 a 1992; na peça impugnatória, há a discussão por conta de como se obteve a receita que serviu de base para a constituição do IRPJ e do Finsocial, abordando conjuntamente os dois processos; houve diligência promovida pela DRJ em ambos os processos, exatamente com a mesma intenção, ou seja, de verificar a correição dos valores constantes dos demonstrativos de fls./16/19, referente à receita bruta da matriz e filial nos meses dos anos calendários de 1989, 1990, 1991 e 1992 (...); as intimações e respostas desta diligência sempre se referiram ao processo de IRPJ (10783.003642/9372); a decisão a quo assim consigna: O presente processo tem origem no auto de infração de fls. 01/08, lavrado pela DRFVitóriaES em 26/07/1993, por meio do qual está sendo exigido da interessada acima qualificada o crédito tributário no valor de 3.227,23 UFIR, multa de 3.011,48 UFIR e demais encargos moratórios, referente à falta de recolhimento do Finsocial sobre o Faturamento dos períodos base de janeiro/1988, maio/1988, dezembro/1988, fevereiro a abril/1989, janeiro/1990, janeiro/1991, maio a dezembro/1991 e janeiro a março de 1992, apurada no processo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica nº 10783.003642/9372.(grifo meu) Igualmente, na decisão a quo assim consigna no seu voto, ao analisar o mérito da discussão do processo presente: Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10783.003643/9335 Acórdão n.º 1402003.753 S1C4T2 Fl. 194 7 O presente auto de infração tem origem na ação fiscal instaurada contra a interessada, relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, objeto do processo matriz nº 10783.003642/9372, tendo o lançamento do mesmo sido julgado procedente conforme Decisão DRJ/RJ nº 311/2001, cuja cópia encontrase às fls. 65/69. Em conseqüência, a mesma sorte colhe este lançamento reflexo de Finsocial sobre o faturamento. Considerando que tal matéria, se o presente processo é reflexo do processo de IRPJ 10783.003642/9372, já houve despacho da 3ª Seção em 24/08/2010, a quem foi originalmente distribuído, que analisou tal questão, declinando da competência para a 1ª Seção (efl. 171 a 173). Contudo, por alteração regimental do Carf, foi devolvido, via despacho, para a 3ª Seção de Julgamento em 14/12/2015 (efl. 179 a 182). Porém, com nova alteração regimental, houve acórdão (3402003.123), sessão de 23/06/2016, declinando da competência à 1ª Seção de Julgamento deste Carf, pela mesmas razões do despacho anterior (efl. 184 a 189). Diante deste preâmbulo para demonstrar que ambos os processos (o presente (10783.003643/9335) e o de IRPJ (10783.003642/9372)) estão umbilicalmente interligados, devendo o de Finsocial ser considerado reflexo do de IRPJ. Tal questão está regrada no art. 6º do anexo II do Ricarf: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado Fl. 197DF CARF MF 8 deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. Para esclarecer a amplitude material do §1º deste artigo 6º, recorre ao excertos do voto do i. conselheiro André Mendes de Moura, relator do acórdão nº 9101 002.755: Faço a distinção, amparado no conceito empregado pelo RICARF, valendose de exemplos. Nos processos reflexos, há uma autuação fiscal principal, por exemplo, de IRPJ, acompanhada de reflexos de CSLL, PIS e Cofins, com base nos mesmos elementos de prova constituídos em um mesmo procedimento fiscal. No processo reflexo, a decisão do processo principal tem repercussão direta nos reflexos. A vinculação por decorrência ocorre quando há obrigatoriamente um processo principal e demais processos acessórios, que tiveram origem a partir do processo principal. Tanto que se o julgamento do processo principal afastar a autuação, automaticamente os processos acessórios perdem o objeto. Por exemplo: (1) processo principal trata de exclusão do SIMPLES, e o acessório de auto de infração lavrado em razão da exclusão da empresa do regime especial; (2) processo principal trata da suspensão ou perda de imunidade/isenção, e o acessório de auto de infração lavrado em razão da suspensão/perda do benefício; (3) processo principal trata de autuação fiscal que altera o ajuste anual do imposto, alterando a apuração de saldo negativo, e o acessório de declaração de compensação que se utilizou de saldo negativo que, em razão da autuação fiscal, teve seu valor diminuído ou extinto. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10783.003643/9335 Acórdão n.º 1402003.753 S1C4T2 Fl. 195 9 Na decorrência, duas são as características principais: (1) não é prático (para não dizer que é impossível) fazer o julgamento do processo acessório antes do julgamento do processo principal e (2) o decidido no principal tem repercussão direta nos processos decorrentes. Qual a praticidade em julgar os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins se tais lançamentos tiveram origem em uma suspensão de imunidade ainda pendente de julgamento? Na realidade, a vinculação por reflexão e decorrência tem muitas semelhanças, principalmente por disporem de um processo principal precisamente definido, e de processo(s) acessório(s) cujo julgamento tem uma estreita dependência com o principal. Enfim, a conexão ocorre quando se tem um suporte fático X e um enquadramento legal Y que é idêntico, ou para vários sujeitos passivos (A, B, C, D, E ...), ou para o mesmo sujeito passivo em anoscalendário diferentes (AC1, AC2, AC3...). Naturalmente, são formalizados vários processos, mas as autuações fiscais (suporte fático e enquadramento legal) são as mesmas, diferenciandose, em linhas gerais, o sujeito passivo e o ano calendário. Como exemplo, pode ser um auto de infração de glosa de despesas, com o mesmo suporte fático, de uma mesma empresa, com os mesmos fatos e elementos de prova, formalizado em processos diferentes, cada qual para um anocalendário (AC1, AC2, AC3 e AC4). Ou, o auto de infração de glosa de despesas, com o mesmo suporte fático, mas lavrado em face de empresas que desenvolvem a mesma atividade econômica e tiveram uma interpretação idêntica da legislação tributária, ou seja, processos com sujeitos passivos A, B, C, D e E. Ainda, processo de reconhecimento de direito creditório que se utilizou do crédito X para compensar débitos D1, D2, D3, D4 e D5, cada qual em um processo diferente. O que se observa nos processos por conexão é que não há um processo que pode ser classificado como o principal. O julgamento pode ser dar em qualquer um dos processos. Pode ser julgado o processo AC3, sem prejuízo nenhum para os demais. Ou o processo contra o sujeito passivo D, ou o processo tratando da compensação do débito D2. Na realidade, os processo por conexão são aqueles que podem ser reunidos para julgamento em lotes, ou na sistemática dos repetitivos. Podese escolher qualquer um dos processos para julgamento, e aplicar a decisão para os demais. Tal procedimento, obviamente, não pode ser adotado para os reflexos ou decorrentes, tendo em vista a existência de um processo principal. Dada e explicação acima dos conceitos envolvidos nos 3 tipos de processos vinculados conexão, decorrência e reflexo, resta evidenciado que o presente processo é reflexo, nos termos o inciso III do art. 6º do anexo II do Ricarf. Tem a mesma matéria fática e jurídica do processo principal de IRPJ. Fl. 199DF CARF MF 10 Notese que se ambos os processos do presente processo e o principal tivessem sido seguidos os mesmos passos processuais, deveriam ter sido julgados em conjunto, conforme a melhor prática processual. Algo que ocorreu na decisão de primeiro grau administrativo. E se assim fosse, o julgado no processo reflexo teria a mesma sorte do processo principal. Tal vinculação decisória decorre do chamado princípio da decorrência, consagrado neste Conselho, por razões lógicas e jurídicas. Não é dado a dois colegiados distintos de igual hierarquia, proferir decisões distintas sobre os mesmos fatos e período de abrangência, cabendo um deles declinar da competência, nos termos do art. 6º do anexo II do Ricarf, ou por economia processual, adotar a mesma decisão anteriormente proferida. Resta, portanto, quanto ao cerne da discussão aqui suscitada, dar provimento parcial, nos termos do acórdão 10515.025, ou seja, manter nos autos apenas os valores autuados e mantidos na decisão de 1º grau administrativo, referentes ao anocalendário de 1988. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 200DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000340/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido.
Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-006.359
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 40 /2 01 0- 10 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 16349.000340/201010 Acórdão n.º 3402006.359 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 03062.640, proferido pela Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para manter a Decisão que indeferiu o Pedido de Restituição (PER) por inexistência do crédito solicitado. Regularmente cientificada, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário ora em apreço, onde pede a reforma da decisão de primeira instância, com o reconhecimento do direito à plena restituição de PIS/COFINS calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718, declarada pelo STF e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Em síntese, o Recurso Voluntário está fundamentado nos seguintes argumentos: i) Os montantes que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou a maior, efetuado com base no art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998; ii) A despeito das sólidas alegações de direito que embasaram a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, e não obstante tais alegações terem sido suportadas por documentos hábeis à comprovação do crédito pleiteado, o v. acórdão manteve o entendimento do despacho decisório eletrônico; iii) Na base de cálculo da contribuição somente deveriam ter sido incluídos os valores correspondentes ao seu faturamento, ou sejam os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei n. 9718, já declarada pelo STF em decisão plenária definitiva, bem como em recurso em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria. É o relatório. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 16349.000340/201010 Acórdão n.º 3402006.359 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.345, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 16349.000329/201050, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.345): "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Mérito O Pedido de Restituição nº 30231.53932.100506.1.2.04 5076 tem por origem crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo no valor de R$ 9.207,56, referente ao Darf do período de apuração de abril de 2001, arrecadado em 15/05/2001, no valor de R$ 610.330,36, mantendo a glosa de créditos referentes à Contribuição do Financiamento da Seguridade Social (COFINS). A decisão recorrida não considerou a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, proferida pelo Supremo Tribunal Federal, por concluir que o artigo 26A Decreto 70.235/1972 veda ao órgão de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, sendo que até aquele momento não havia autorização do Secretário da Receita por meio de ato específico determinando os procedimentos, nos termos do artigo 77 da Lei 9.430/1996 e o Decreto 2.346/1977. A matéria suscitada é questão decidida em repercussão geral (Tema 110) pelo Supremo Tribunal Federal através do RE nº 585235, transitado em julgado em 12/12/2008, conforme Ementa abaixo: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de Fl. 302DF CARF MF Processo nº 16349.000340/201010 Acórdão n.º 3402006.359 S3C4T2 Fl. 0 4 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008, ) Neste caso, considerando que a decisão recorrida foi proferida em 31/07/2014, deveria a autoridade julgadora a quo aplicar o artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997, afastando o § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 e, por sua vez, reconhecendo o direito ao crédito informado em PERD/COMP. De outro turno, igualmente por se tratar de decisão definitiva e vinculante do Supremo Tribunal Federal, não incide a Súmula CARF nº 2 e artigo 26A do Decreto nº 70.235/72. Deve ser aplicado neste caso o artigo 62, § 2 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/20151. Neste sentido, colaciono precedente da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em julgamento ao Recurso Especial nº 137.866 (PAF: 13808.005507/200103): Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/05/2000 a 31/08/2000, 01/01/2001 a 28/02/2001 Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 303DF CARF MF Processo nº 16349.000340/201010 Acórdão n.º 3402006.359 S3C4T2 Fl. 0 5 Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso Especial do Procurador Negado (Acórdão nº 9303002.859 – 3ª Turma) Com relação ao ônus da prova da Contribuinte, restou reconhecido em despacho decisório que o pedido foi instruído com a relação de PERDCOMP de fls. 42/45, DARF de fl. 60, planilha demonstrativa do crédito de fls. 62/66 e lançamentos destacados no Livro Razão, às fls. 67/199. Portanto, deve a Unidade de Origem apurar o valor do crédito invocado e demonstrado pela Recorrente, afastando a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal. Dispositivo Ante o exposto, conheço e dou provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 304DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.914397/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2009
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA.
A homologação da compensação declarada pelo contribuinte condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo mesmo, comprovação esta cujo ônus é do próprio sujeito passivo. Erro de fato não comprovado não pode ter considerado para alteração de resultado de julgamento "a quo", inviabilizando a busca da verdade material.
SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Indeferida a solicitação de diligência quando não se justifica a sua realização, mormente quando o fato probante puder ser demonstrado pela juntada de documentos por parte do interessado.
Numero da decisão: 2202-005.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA. A homologação da compensação declarada pelo contribuinte condicionase à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo mesmo, comprovação esta cujo ônus é do próprio sujeito passivo. Erro de fato não comprovado não pode ter considerado para alteração de resultado de julgamento "a quo", inviabilizando a busca da verdade material. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indeferida a solicitação de diligência quando não se justifica a sua realização, mormente quando o fato probante puder ser demonstrado pela juntada de documentos por parte do interessado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (Assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 43 97 /2 00 9- 12 Fl. 136DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 75/86), acompanhado de documentos comprobatórios (efls. 87/133), interposto contra o Acórdão no. 1266.121 da 9a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ – DRJ/RJ1 (efls. 61/64), que considerou improcedente Manifestação de Inconformidade interposta face a Despacho Decisório que não homologou pedido formulado pela recorrente em PERD/COMP. 2. Adoto o Relatório do referido Acórdão da DRJ/RJ1 , por bem sintetizar os fatos sob análise. Relatório O presente processo trata do PER/DCOMP (PD) 05028.07734.150709.1.3.046278 (fls. 19/24), transmitido em 15/07/2009, pelo qual a Interessada pretende aproveitar um suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF, código 6800 (Aplicações financeiras em fundo de renda fixa), efetuado em 31/03/2009. O valor declarado do crédito original na data de transmissão era R$ 508.948,48. 2. O Despacho Decisório da fl. 26 não homologou a compensação declarada porque o pagamento foi integralmente aproveitado para quitação de débitos próprios, conforme tabelas abaixo: A Interessada tomou ciência da decisão em 19/10/2009 (fl. 28) e, em 18/11/2009 (fl. 50), interpôs a Manifestação de Inconformidade de fls. 2/8, alegando, em síntese, que: 3.1 O IRRF em discussão foi retido a maior da empresa Utilico Emerging Makts Utilits Limites, CNPJ 07.746.010/000110, devido a um erro quanto ao custo histórico do papel GETI3, que acarretou um pagamento a maior de IRRF sobre o lucro da venda de ações no mercado brasileiro. 3.2 O equívoco perpetrouse de 11/2008 a 04/2009, conforme planilhas anexadas (doc. 06, fls. 33/36); Fl. 137DF CARF MF Processo nº 16327.914397/200912 Acórdão n.º 2202005.036 S2C2T2 Fl. 137 3 3.3 Identificado o equívoco, retificou a respectiva DCTF, para excluir o pagamento em questão; 3.4 Mero erro material já sanado pela retificação da DCTF não pode culminar na negativa do direito creditório da Interessada; 3.5 A não homologação da compensação revela rigor formal extremado da administração, incompatível com o caso concreto. 4. É o relatório. 3. O Voto da 9a. Turma, no sentido de improcedência da Manifestação de Inconformidade, é transcrito a seguir: Voto (...) 6. Conforme declarações de fls. 56/60, a retificação da DCTF, para redução do IRRF do 3° decêndio de março de 2009, ocorreu em 20/10/2009, após a ciência do Despacho Decisório. 7. Em 15/07/2009, data de transmissão do PD sob exame, estava em vigor a IN RFB 900/2008 que assim dispunha sobre o crédito de IRRF pago indevidamente ou a maior: a) Só pode ser usado em compensação o crédito passível de restituição ou ressarcimento (art. 34); b) O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de IRRF no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição (art. 8°); c) A devolução do IRRF deverá ser acompanhada da retificação, pela fonte pagadora, das declarações já apresentadas à RFB, nas quais a referida retenção tenha sido informada (art. 8°, § 1°, II); d) O sujeito passivo poderá utilizar o crédito correspondente à quantia devolvida na compensação de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB (art. 8°, § 2°). 8. As disposições da IN RFB 900/2008 foram mantidas nos arts. 8° e 41 da IN RFB 1.300/2012. 9. Portanto, para fazer jus ao crédito pleiteado, a Interessada deve comprovar que: a) Promoveu retenção indevida ou a maior de IRRF; b) Efetuou o recolhimento do valor retido; c) Devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior; d) Retificou as declarações já apresentadas à RFB, nas quais a referida retenção tenha sido indicada. 10. Compulsando a documentação juntada aos autos, verificamos que: a) Nenhum documento foi apresentado para comprovar o preço de venda nem o custo de aquisição dos bens negociados. Fl. 138DF CARF MF 4 Segundo a Interessada, teria havido recolhimento indevido ou a maior de IRRF devido a erro quanto o custo histórico do papel GETI3. Contudo, nas planilhas das fls 34/36, não consta que aquele papel tenha sido negociado no 3° decêndio de março de 2009. b) O documento da fl. 42 comprova que a Interessada recolheu R$ 508.948,48 em 31/03/2009 a título de IRRF, código 6800. c) A Interessada não apresentou qualquer documento para comprovar que devolveu ao beneficiário dos rendimentos a quantia supostamente retida a maior ou indevidamente. 11. Portanto, a Interessada não comprovou que tem direito ao crédito pleiteado. 4. Cientificada da decisão a quo, a contribuinte apresenta, através de seu procurador, os seguintes argumentos recursais, transcritos em síntese: apresenta breve histórico do processo; suscita que o Acórdão de Primeira Instância não considerou a realidade fática, mas apóiase apenas em razões formais, principalmente porque a divergência de valores informados em PER/DCOMP e DCTF deveria ter sido corrigida antes da ciência do despacho decisório; alega que embora realmente a DCTF original contenha erros no preenchimento, a finalidade da norma que prevê a compensação foi atingida, não se podendo colocar a forma do ato em plano superior à realidade da situação, tendo em vista os princípios do processo administrativo; defende que no caso de dúvidas quanto às comprovações apresentadas na impugnação, deveria ter sido determinada a realização de diligência fiscal, cf. Art 65 da IN RFB 900/08, vigente à época (cita Acórdãos do Conselho de Contribuintes); dessa forma, entende que deve ser anulado o Acórdão "a quo" e determinada a reapreciação do PER/DCOMP pela autoridade competente, ou senão que seja baixado o processo em diligência em busca da verdade material; ressalta que desde sua manifestação de inconformidade já provou com documentos a existência do crédito e que já providenciou a retificação necessária na DCTF; e que o equivoco cometido envolveu erro operacional no recolhimento de IRRF sobre ganho de capital de clientes estrangeiros, quando reteve valores a maior, e apresenta, em sede de recurso, planilhas e demonstrativos que, segundo a recorrente, evidenciam a composição dos custos/preços de venda dos papéis negociados ; sustenta que a origem do crédito resta demonstrada, a declaração respectiva foi retificada e o pagamento a maior ou indevido foi comprovado, inclusive com estorno do valor indevidamente retido, por meio de câmbio de regresso; e defende que a jurisprudência do CARF vem reconhecendo a prevalência da verdade material sobre a formal, bem como o formalismo moderado (exemplifica com Acórdãos). 5. Requer, por fim, o provimento do recurso com a anulação da Decisão recorrida, a fim de que seja procedida a diligência necessária, ou subsidiariamente, a reforma Fl. 139DF CARF MF Processo nº 16327.914397/200912 Acórdão n.º 2202005.036 S2C2T2 Fl. 138 5 do Acórdão com ou sem diligência, mas com reconhecimento do direito creditório, para homologação da compensação realizada. 6. O sujeito passivo apresenta, juntamente com seu Recurso, cópias dos seguintes documentos: contrato de câmbio de venda transferências para o exterior, linhas de mensagens eletrônicas institucionais sobre câmbio de regresso, planilhas e demonstrativos da composição dos custos/preços de venda dos papéis negociados e comprovantes de recolhimento de DARF. 7. Foi apresentado ainda Memorial da Recorrente, onde foi ressaltado que a verdade material deve prevalecer e onde foi reforçado o pedido recursal de anulação da Decisão recorrida, a fim de que seja procedida a diligência necessária, com apreciação das provas juntadas ao seu recurso, ou ainda que já se reconheça seu direito creditório. 8. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima – Relator 9. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo. Portanto dele conheço. 10. Quanto à jurisprudência trazida aos autos, é de se observar o disposto no artigo 506 da Lei 13.105/2015, o novo Código de Processo Civil, o qual estabelece que a “sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros". Não sendo parte nos litígios objetos dos Acórdãos, o interessado não pode usufruir dos efeitos das sentenças ali prolatadas, posto que os efeitos são "inter partes” e não "erga omnes ”. 11. Com isso, fica claro que decisões administrativas e judiciais, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas por este Conselho. E mais, tais decisões, ou mesmo respeitáveis citações doutrinárias, não são normas complementares, como as tratadas o art. 100 do CTN, motivo pelo qual não vinculam as decisões das instâncias julgadoras. 12. Conforme já explanado, trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando a contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual a contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). 13. Para que se tenha a compensação tornase necessário que a contribuinte comprove que o seu crédito é líquido e certo, condição sem a qual a mesma não pode ocorrer. O ônus probatório do crédito alegado pela contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente da primeira, embora todas as partes devam cooperar para que se obtenha decisão Fl. 140DF CARF MF 6 de mérito justa e efetiva, e mais, buscando a revelação da verdade material na tutela do processo administrativo fiscal. 14. O caso em pauta envolve suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, e existindo débito próprio, a contribuinte transmitiu PER/DCOMP objetivando a extinção da obrigação por força do instituto da compensação. No entanto, o Despacho Decisório negou o direito creditório, sob o fundamento de que o DARF que corroboraria o indébito estava completamente alocado. 15. A contribuinte argumenta que a DCTF foi retificada, de modo que há valor recolhido pelo referido DARF que se apresenta disponível, podendo então pleitear direito ao crédito. Já a DRJ argumenta que a citada retificação ocorreu após o Despacho Decisório, além de não ser acompanhada de provas pertinentes e, por isso, manteve a decisão inicial da origem. 16. A recorrente teve diversas oportunidades de manifestação tempestiva para acostar a documentação pertinente, mas não o fez. Seria necessário que tivessem sido colacionados aos autos, no momento oportuno, documentos hábeis à comprovação dos registros contábeis relativos às operações de câmbio e aos recolhimentos de DARF e que justificassem plenamente a retificação de suas Declarações de pessoa jurídica a destempo. Sem a comprovação documental cabível, não há como ser comprovada a verdade material dos fatos. 17. Quanto às novas provas carreadas aos autos juntamente com o Recurso sob análise, recordese que no processo administrativo os motivos e as provas pertinentes devem ser apresentadas em sede de impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê lo em outro momento processual, conforme Decreto nº 70.235/1972, art. 16, inciso III e § 4º. 18. Com base neste mesmo §4º acima citado, tais provas ora carreadas poderiam até ser consideradas e apreciadas no caso de imprescindíveis para a solução da lide, mas destaquese que as mesmas não envolvem os devidos registros contábeis que poderiam esclarecer os fatos sob análise, apenas denotando a apresentação de documentos de circulação interna da interessada. A exceção seria a cópia de um contrato de câmbio envolvido em parte da remessa ao exterior, mas sua motivação e sua execução também não foram comprovadas contabilmente. 19. A realização de diligência deve ser indeferida, por desnecessária, com base no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine.(Redação dada pelo art.1.º da Lei n.º 8.748/1993). 20. A realização de diligência foi considerada desnecessária, tanto em sede de impugnação quanto neste momento recursal. A diligência não se destina a suprir prova que pode ser produzida pela juntada de documentos e apresentação de dados que possam ser carreados facilmente ao processo, principalmente pela contribuinte, que tem a obrigação jurídica de manter os meios probatórios. Citese propriamente o art. 18 do Decreto 70.235/72: "A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do Fl. 141DF CARF MF Processo nº 16327.914397/200912 Acórdão n.º 2202005.036 S2C2T2 Fl. 139 7 impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis,( ...)" (grifei). 21. Dessa forma, desnecessária a diligência, e sem êxito na comprovação fiscal e contábil do pagamento indevido ou a maior pela contribuinte, íntegro deve permanecer o Acórdão da DRJ/RJ1, sem reconhecimento do direito creditório e sem homologação da compensação. Conclusão 22. Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima. Fl. 142DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.904024/2010-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois da instauração do processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto deste, cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da controvertida no processo judicial. Súmula CARF nº 01.
Numero da decisão: 1302-003.405
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lúcia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois da instauração do processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto deste, cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da controvertida no processo judicial. Súmula CARF nº 01. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 40 24 /2 01 0- 09 Fl. 426DF CARF MF 2 Relatório A recorrente apresentou Declaração de Compensação nº 04973.59279.170907.1.7.020718 na qual pretende utilizar crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005, no valor de R$ 78.175,32. Após análise, a DRF/Campinas não reconheceu o direito creditório, pois, de acordo com decisão, parte das parcelas que compõem o crédito não foram confirmadas, conforme quadro a seguir: De acordo com a DIPJ/2006, foi apurado IRPJ a pagar de R$ 7.055.739,44, valor superior ao montante confirmado a título de estimativas, de R$ 6.581.611,77, motivo pelo qual não foi reconhecido o direito creditório. Consta ainda no despacho decisório que o somatório das parcelas de composição do crédito informados na DIPJ/2006 é de R$ 7.133.914,76, valor superior ao informado na DCOMP, de R$ 6.771.577,03. Em sessão de 31 de março de 2014, por meio do Acórdão nº 1145.607, a 3ª Turma da DRJ/REC julgou improcedente a manifestação de inconformidade da recorrente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2005 RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado se o contribuinte possuir comprovante hábil de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. COBRANÇA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. No tocante à compensação, a competência das DRJ limitase ao julgamento de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação, não se estendendo a questões atinentes ao cabimento da cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2005 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10830.904024/201009 Acórdão n.º 1302003.405 S1C3T2 Fl. 427 3 A decisão recorrida não reconheceu o direito creditório diante da ausência de comprovação dos valores retidos a título de imposto de renda pelas fontes pagadoras, e bem como pela inclusão das receitas sobres as quais teria incido o IRRF no cômputo do lucro real apurado. Além disso, se declarou incompetente para se manifestar acerca do cabimento da cobrança de débitos cuja compensação não foi homologada. A ciência da decisão ocorreu em 18/07/2014 (sextafeira), conforme atesta o Termo de Abertura de Documento, fls. 335. O recurso voluntário foi apresentado em 19/08/2014, fls. 337/352, com as seguintes alegações: requer juntada dos documentos trazidos junto com o recurso voluntário, considerando o Princípio da Verdade Material. as provas coadunam com as alegações de direito da recorrente, já que montante extinto com o pagamento de parte do parcelamento supera a contribuição (sic) devida, demonstrando seu direito ao crédito tributário promovido pela DCOMP, objeto dos autos. caso haja dúvidas, requer a conversão do julgamento em diligência para que sejam apurados os valores requeridos. já teve decisão favorável em processo administrativo, sendo as provas aceitas e o julgamento convertido em diligência de forma que, através da Informação Fiscal, o colegiado se certificou e reconheceu o direito creditório, homologando sua compensação. também não cabe a cobrança objeto do processo administrativo nº 10830.904218/201004 em razão do fato de que a recorrente é pessoa jurídica imune de impostos federais, nos termos da imunidade veiculada pelo artigo 150, inciso VI, alínea "a" da CF/88, motivo pelo qual ajuizou ação ordinária nº 2008.61.05.0118663. em sede de Agravo de Instrumento nº 2008.03.00.0488923, foi deferido parcialmente a antecipação da tutela para reconhecer a imunidade quanto à incidência de impostos. a ação ordinária foi julgada parcialmente procedente, declarando a inconstitucionalidade da cobrança dos impostos federais, reconhecendose a imunidade tributária da recorrente. apresentou Embargos, que foram acolhidos para confirmar a antecipação de tutela anteriormente concedida. a União apresentou apelação, que foi recebida apenas no efeito devolutivo, donde se conclui pela completa e irrestrita eficácia do mencionado decisum, proferido nos autos da ação ordinária nº 2008.61.05.0118663. tendo restado amplamente demonstrado e comprovada a condição da recorrente de pessoa jurídica imune a impostos federais, deve ser cancelada a cobrança no processo administrativo nº 10830.904218/201004. Fl. 428DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheira Maria Lucia Miceli Relatora DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO E AÇÃO JUDICIAL O recurso voluntário é tempestivo, e apresentado pelas pessoas com os devidos poderes de representação. Mas, para verificar os demais requisitos, é necessário verificar qual o pedido da ação judicial de nº 00186623.2008.4.03.6105, na qual a recorrente informa que teria sido reconhecida a imunidade tributária recíproca, nos termos do artigo 150, VI, "a" da Constituição Federal. A peça inicial desta ação judicial está acostada aos autos às fls. 182/209, onde verificase que foi ajuizada em 14/11/2008, e tratase de AÇÃO DECLARATÓRIA C.C. REPETIÇÃO DE INDÉBITO COM PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA INITIO LITIS E INAUDITA ALTERA PARS. Abaixo, transcrevo o pedido da citada ação: (a) declarar a inconstitucionalidade da cobrança de impostos federais e contribuições sociais, por violação aos artigos 1º, 18 e 150, VI, "a" da Constituição de 1988, e; (b) condenar a Ré, com fundamento no artigo 165, I do Código Tributário Nacional, a restituirlhe as quantias que pagou indevidamente, no montante a ser apurado em liquidação de sentença, devidamente atualizados, pelos índices cabíveis, desde a data de cada pagamento, até a data da efetiva devolução, com juros e correção monetária, condenandoa, ainda, ao ônus da sucumbência. (grifei) Restou noticiado nos autos do processo administrativo nº 10830.723881/201263, da relatoria desta conselheira, que, com relação à ação judicial em questão, foi negado provimento à apelação da União e ao reexame necessário, com trânsito em julgado em 15/08/2018, sendo definitiva, portanto, decisão parcialmente favorável à autora, reconhecendo a condição de imune com relação aos impostos federais, nos termos do artigo 150, VI, "a" da Constituição Federal. A seguir, transcrevo a ementa e acórdão do TRF da 3ª Região: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. REEXAME NECESSÁRIO. RECURSO DE APELAÇÃO. IMUNIDADE RECÍPROCA. IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. ART. 150, VI, "A", CF/88. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. ATIVIDADE DE MONOPÓLIO ESTATAL. SERVIÇO PÚBLICO DE SANEAMENTO BÁSICO. ABASTECIMENTO DE ÁGUA E TRATAMENTO DE ESGOTO. CAPITAL PREDOMINANTEMENTE ESTATAL. FINALIDADE NÃO LUCRATIVA. COBRANÇA DE TARIFAS. NÃO DESCARACTERIZAÇÃO DA IMUNIDADE RECÍPROCA. EXTENSÃO DA IMUNIDADE. SOMENTE IMPOSTOS E APENAS QUANTO A BENS E SERVIÇOS USADOS NA Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10830.904024/201009 Acórdão n.º 1302003.405 S1C3T2 Fl. 428 5 SATISFAÇÃO DOS OBJETIVOS INSTITUCIONAIS DA ENTIDADE. ART. 150, § 2°, CF. APELAÇÃO E REEXAME NECESSÁRIO NÃO PROVIDOS. 1. A CF/88 retirou da competência dos entes tributantes a criação de impostos sobre renda, patrimônio e serviços uns dos outros e estendeu a imunidade às autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados a suas finalidades essenciais ou delas decorrentes. Art. 150, VI, "a" e §2° CF/88. 2. A doutrina e a jurisprudência pátria reconhecem que essa imunidade também é aplicável às sociedades de economia mista, desde que preenchidos os seguintes requisitos: i) ser delegatária de serviço público em regime de monopólio; ii) possuir capital predominantemente estatal; e iii) não ter finalidade preponderantemente lucrativa. 3. A SANASA é uma sociedade de economia mista constituída com a finalidade de prestar serviço público de abastecimento de água e tratamento de esgoto, com capital predominantemente estatal, e com finalidade não preponderantemente lucrativa. Leis Municipais 4.356/73 e 13.007/07 e o Decreto 4.437/74. 4. A autora atende a todos os requisitos necessários para o reconhecimento da imunidade recíproca prevista no artigo 150, inciso VI, alínea "a", da Constituição Federal. 5. O fato de a prestadora de serviço de fornecimento de água e tratamento de esgoto cobrar tarifas dos usuários, por si só, não descaracteriza a imunidade recíproca prevista no artigo 150, VI, "a" da Constituição Federal. Precedentes do STF. 6. Ressalvase, contudo, que a imunidade tributária recíproca é aplicável somente às propriedades, bens e serviços utilizados na satisfação dos objetivos institucionais da sociedade de economia mista. RE 253.472 e ACO 2243. 7. A imunidade recíproca deve ter sua extensão limitada para abranger apenas os impostos, e não as contribuições sociais, nos exatos termos do artigo 150, VI, "a" da CF/88. 8. A repetição do indébito, todavia, deve ser realizada apenas em relação aos montantes recolhidos indevidamente nos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação, nos moldes preconizados pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 566.621. 9. Considerando a data do ajuizamento da ação, ademais, a compensação dos valores recolhidos indevidamente deverá ser realizada nos termos do artigo 74, da Lei n° 9.430/96 com as modificações perpetradas pela Lei n° 10.637/02. Precedente do STJ (REsp 1137738/SP, julgado pelo rito do art. 543C, CPC). 10. É aplicável a taxa SELIC como índice para a repetição do indébito, nos termos da jurisprudência do e. Superior Tribunal Fl. 430DF CARF MF 6 de Justiça, julgada sob o rito do artigo 543C, do Código de Processo Civil. .(grifei) 11. Apelação e reexame necessário não providos. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3a Região, por unanimidade, negar provimento à apelação e ao reexame necessário, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Diante dos fatos acima narrados, verificase que a recorrente também pediu a restituição dos valores pagos indevidamente, com fundamento no artigo 165, inciso I do CTN, na ação judicial nº 00186623.2008.4.03.6105. Destaco que a ação judicial foi protocolada após a apresentação da DCOMP original, objeto do presente processo, em 25/04/2006. O direito à restituição dos impostos federais pagos foi reconhecido, mas limitado àqueles recolhidos no prazo de cinco anos anterior ao ajuizamento da ação judicial, que ocorreu em 14/11/2008, conforme acórdão transitado em julgado. O crédito analisado neste processo é de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2005, período abarcado no acórdão do TRF da 3ª Região, de forma que há concomitância entre os pedidos na instância administrativa e judicial. Nestes termos, devese invocar a Súmula CARF nº 1, que assim dispõe: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ainda, chamo a atenção que a decisão judicial determinou que a compensação dos valores recolhidos deverá ser realizada nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 com as modificações perpetradas pela Lei nº 10.637/2002. No entanto, no entendimento desta conselheira, ainda que a recorrente tenha decisão favorável condicionada à apresentação de Declaração de Compensação, este fato não afasta a concomitância, já que a ação judicial foi protocolada quando ainda o presente processo administrativo estava em curso. Por todo acima exposto, concluo que houve renúncia na esfera administrativa, motivo pelo qual voto por não conhecer do recurso voluntário. Maria Lucia Miceli Relatora Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10830.904024/201009 Acórdão n.º 1302003.405 S1C3T2 Fl. 429 7 Fl. 432DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.901351/2013-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA.
A alegação de que se deva respeitar o princípio da verdade material implica na oferta de elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.637
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. A alegação de que se deva respeitar o princípio da verdade material implica na oferta de elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 13 51 /2 01 3- 38 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10882.901351/201338 Acórdão n.º 3301005.637 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Restituição (PER) de parcelas pagas a maior da Contribuição para o PIS, pelo fato de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido utilizado para quitar outros débitos do sujeito passivo. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, arguindo, inicialmente, a nulidade do despacho decisório, em razão (i) da superficialidade da busca de informações necessárias para embasar a decisão, violando o princípio da verdade material, uma vez que a autoridade fiscal deveria ter diligenciado para apurar a existência do crédito pretendido e (ii) de não constar do despacho decisório um relatório ou fundamentação que alicerçasse o indeferimento do pedido, violando os princípios da motivação e da legalidade. No mérito, o contribuinte afirmou o direito ao crédito em razão do disposto no Decreto nº 5.442, de 9 de maio de 2005, que reduziu a zero as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa, a partir de 1º de abril de 2005. Assim, explicou o interessado que, ao efetuar a apuração das contribuições sobre a receita, constatara que grande parte dos recolhimentos, com base no imposto de renda devido (por força de liminar no Mandado de Segurança no 2003.61.00.0023490), era indevida porque a base de cálculo era composta, em sua maior parte, por receitas financeiras auferidas, sujeitas à alíquota zero. O contribuinte argumentou, ainda, que a demonstração do cálculo podia ser verificada no documento que juntou aos autos, devidamente comprovada no Dacon, o qual evidenciava as receitas auferidas sujeitas à alíquota zero. Explicou que, por erro de fato, informara na DCTF do período o valor do pagamento e, assim, pedia sua retificação de ofício. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 07036.645, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em razão da falta de prévia retificação da DCTF, tendo sido afastada a alegação de nulidade do despacho decisório que se encontrava, segundo a autoridade julgadora, devidamente formalizado e fundamentado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10882.901351/201338 Acórdão n.º 3301005.637 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.636, de 30/01/2019, proferida no julgamento do processo nº 10882.901350/201393, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.636): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0736.644 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA RESTITUIÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em pedido de restituição está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode deferir a restituição, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação do Pedido de Restituição, retifica regularmente a DCTF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 PRELIMINAR. NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. NÃO OCORRÊNCIA. Descabe a arguição de nulidade do despacho decisório, quando resta evidenciada a descrição dos fatos e os fundamentos do indeferimento do pedido de restituição e da não homologação da compensação. PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO ELETRÔNICO. DESNECESSÁRIA INTIMAÇÃO PRÉVIA. É legítimo o despacho decisório eletrônico efetuado com os elementos necessários e suficientes à decisão, sem prévia intimação do contribuinte para prestar esclarecimentos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. DESCARACTERIZAÇÃO COMO NORMAS COMPLEMENTARES DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As decisões administrativas, não formalmente dotadas de caráter normativo, prolatadas em ações individuais não produzem efeitos para outros que não aqueles que compõem a relação processual. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10882.901351/201338 Acórdão n.º 3301005.637 S3C3T1 Fl. 5 4 Diante da decisão que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte trata preliminarmente acerca de alegada superficialidade da instrução probatória e ausência de requisitos motivadores da decisão, o que implicaria em nulidade da decisão por violar o princípio da verdade material. Assim expressa o Contribuinte em trecho do seu recurso (fls. 156 e 157): Como relatado, a Autoridade Fiscal que reputou inexistente o crédito pleiteado no pedido de restituição da Requerente, em momento algum ficou evidenciado no Despacho Decisório que a D. Fiscalização teria procedido a todas as diligências para apurar a existência do crédito em questão. (...) Na busca da verdade material, deveria a D. fiscalização se amparar em toda a documentação contábil e fiscal da Requerente, e somente após uma análise completa da mesma, proferir decisão, e não se basear apenas no que consta nos sistemas eletrônicos da Receita Federal do Brasil. (grifouse). Em seguida o Contribuinte adentra no mérito alegando que tem direito a restituição do crédito pleiteado diante da aplicação da alíquota zero em relação ao PIS incidente sobre receitas financeiras e, por fim, requer: Seja retificada de ofício a DCTF de Ago/2009, para excluir o débito na quantia de R$ 30.350,29, valor este pago indevidamente, pois conforme demonstrado em toda a escrituração contabil e fiscal anexada ao respectivo processo, evidenciase que não há débito de PIS no respectivo período e; Seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, para que seja reformado integralmente o Acórdão nº 0736.644 proferido pela 4ª Turma da DRJ/FNS, deferindose assim o pedido de restituição pleiteado; Se mesmo após análise de toda a documentação contábil e fiscal juntada aos autos (LALUR, Balancete, DACON e demonstrativos de cálculos de PIS do período em discussão), este E. Egrégio Conselho não se convença do direito creditório da Contribuinte, requerse que seja convertido o respectivo julgamento em diligência, especificando outros documentos que avaliem necessários, como medida de Direito e Justiça. Em que pese os argumentos do Contribuinte, tanto em preliminar, quanto ao mérito, entendo correto o entendimento da decisão ora recorrida. Cito trechos da mesma como razões para decidir: 1 – Preliminar de nulidade: Como do relatório se viu, a contribuinte alega a nulidade do DD, em razão (a) da superficialidade da busca de informações necessárias para embasar a decisão, violando o princípio da verdade material, uma vez que a autoridade fiscal deveria diligenciar para apurar a existência do crédito pretendido e (b) de que não consta do DD um relatório ou fundamentação que alicerce o indeferimento do pedido, violando os princípios da motivação e da legalidade. Diante do argumento posto, esclarecese que não compete à DRF apurar o crédito pleiteado, mas tão somente verificar se o interessado comprovou ou não o direito creditório. Se tiver dúvidas sobre as informações prestadas pelo interessado, a autoridade administrativa poderá intimar o contribuinte, tendo em vista o disposto no artigo 76 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, in verbis: Art. 76 A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10882.901351/201338 Acórdão n.º 3301005.637 S3C3T1 Fl. 6 5 reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. [grifei] O dispositivo legal acima transcrito é bem claro, no sentido de que a diligência é uma faculdade da autoridade administrativa. E não poderia ser diferente, já que o próprio artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748/1993, estabelece que as autoridades administrativas determinarão a realização quando entendêlas necessárias. Se pelo PER apresentado já é possível concluir que o crédito pleiteado carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência. Ademais, verificase que o Despacho Decisório é claro ao informar que a restituição foi indeferida porque o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Assim, a interessada teve pleno conhecimento dos fundamentos para indeferimento do pedido de restituição e pode exercer, sem qualquer restrição, seu direito de defesa, o que se constata, facilmente, pelo arrazoado apresentado. Por fim, esclarecese que o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, não torna o DD ora analisado, nulo. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Em outras palavras, o princípio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, não se aplica à presente situação, pois, como adiante se verá, nos casos em que a existência do indébito incluído em pedido de restituição está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode deferir a restituição, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação do PER, retifica regularmente a DCTF. Respeitados pela autoridade administrativa os princípios da legalidade, da motivação e do devido processo legal, portanto, improcedente é a alegação de nulidade do feito fiscal. 2 – Do pedido de restituição: No mérito, a contribuinte alega, em síntese, que, por erro de fato, informou na DCTF do período o valor do pagamento e não o valor do débito, assim, pede sua retificação de ofício. Da mesma forma, podese dizer que não tem razão a contribuinte em sua manifestação. Explicase. Primeiro, registrese que, como disposto de forma literal no artigo 165, inciso I, do CTN, o sujeito passivo tem direito à restituição do tributo, em razão de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável. Ocorre que, pagamentos efetuados mediante DARF (vinculados a débitos declarados em DCTF) somente se caracterizam como indevidos ou a maior, quando o contribuinte retifica a DCTF, informando corretamente o débito (a Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10882.901351/201338 Acórdão n.º 3301005.637 S3C3T1 Fl. 7 6 menor). Desta forma, somente a partir da apresentação de uma DCTF retificadora poderseia reputar existente eventuais créditos do contribuinte, decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior por terem sido vinculados a débitos declarados anteriormente em DCTF. Com isso, restaria, então, conformada juridicamente a existência de crédito tributário passível de restituição. Isto porque, como se sabe, a DCTF é o documento no qual são declarados, com força de confissão de dívida, os valores dos tributos devidos. No caso que aqui se tem, entretanto, a contribuinte não retificou a DCTF antes de apresentar o PER, de modo que não restou juridicamente firmada a existência do pagamento indevido alegado, o que retira do aludido crédito requisito essencial que a lei impõe a ele para que possa ser objeto de repetição. Ressaltese que a certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passa a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação efetuada pode produzir efeitos em relação a PER apresentado posteriormente à retificação, mas não para validar pedido de restituição anterior. Independentemente da discussão acerca da apresentação ou não de uma DCTF retificadora, percebese que o Contribuinte alega, que em nome da verdade material, a fiscalização deveria comprovar o alegado crédito existente. Com a devida vênia, entendo que a alegação de respeito ao princípio da verdade material deve vir acompanhada de elementos de prova, e, estes, devem ser apresentados por quem alega a existência do direito. Portanto, diante dos autos do processo e da legislação vigente, voto por negar provimento ao recurso do Contribuinte. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.996941/2012-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.786
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento integral da compensação pleiteada pela recorrente. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, onde argumenta que os créditos compensados foram gerados pela percepção da ocorrência de equívoco na apuração original do débito que, uma vez corrigido, permitiu a identificação de valores recolhidos a maior. Ou seja, quando apurou os valores corretos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 96 94 1/ 20 12 -7 0 Fl. 5700DF CARF MF Processo nº 10880.996941/201270 Resolução nº 3401001.786 S3C4T1 Fl. 3 2 percebeu que o DARF pago, referente ao período de apuração, foi recolhido em valor maior do que o devido. Explica ainda que os procedimentos de correção da referida situação foram cumpridos por meio de DCTF retificadora e, ao que tudo indica, a análise da fiscalização não observou a referida retificação. Afirma que, após o recolhimento original, percebeu que parte de suas receitas estavam erroneamente tributadas pelo regime não cumulativo, quando o deveriam ser pelo regime cumulativo. O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 06052.960. Regularmente cientificada do teor desta decisão, apresentou Recurso Voluntário onde alega: 1) nulidade por ausência de intimação quanto as supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório; 2) inovação pela DRJ, já que a fiscalização me momento algum mencionou por qual motivo estava glosando o crédito pleiteado; 3) promoveu regularmente a retificação da DCTF e DACON antes da transmissão do PER/DCOMP; 4) o crédito tributário é legítimo. Apresenta prova da materialidade do direito creditório; 5) solicita diligência ou perícia para que comprove que todo o crédito glosado deve ser reconhecido. E solicita juntada posterior de documentação comprobatória. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.775, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.959884/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.775): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo Despacho Decisório, emitido em 04/09/2012 (com ciência da contribuinte em 13/09/2012), não Fl. 5701DF CARF MF Processo nº 10880.996941/201270 Resolução nº 3401001.786 S3C4T1 Fl. 4 3 homologou a compensação declarada na Dcomp em análise (cujo crédito original na data da transmissão era de R$ 259.137,00), devido à inexistência do crédito declarado para quitar os débitos informados no PER/Dcomp. O DARF discriminado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS/Pasep do período de apuração de novembro de 2009. Sustenta a recorrente que parte de suas receitas estavam tributadas pelo regime não cumulativo, quando, na verdade, deveriam ser tributadas pelo regime cumulativo, por se tratar de receita decorrentes da prestação de serviços de concretagem, equiparado ao conceito legal de prestação de serviços em obras de construção civil, de forma que a nova apuração demonstrou o valor devido de PIS não cumulativo de R$ 875.479,51 gerando o saldo de crédito de R$ 259.137,00. Por sua vez, o crédito apurado foi utilizado para pagamento do PIS, apurado no regime cumulativo, de novembro de 2009, e da Cofins cumulativa de janeiro de 2012. Relendo o despacho decisório verificase que a autoridade administrativa limitou a sua análise aos valores originalmente informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório. Não há no processo o motivo que as retificadoras não foram aceitas. A recorrente alega não ter sido intimada ou cientificada a respeito da não aceitação das retificadoras da DCTF. O artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 1599/2015, dispõe acerca do procedimento a ser tomado pelo Fisco quando a DCTF for retida para análise, com base nos critérios internos da RFB, verbis: Art. 10. As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º O sujeito passivo ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o caput. § 2º A intimação poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. Paira a dúvida se essa intimação ocorreu e por conseguinte houve a não homologação pelo não atendimento à intimação, já que não existem esses documentos no processo. Para que não hajam dúvidas a respeito do procedimento adotado pela unidade da RFB, que por certo segue os ditames das Instruções Fl. 5702DF CARF MF Processo nº 10880.996941/201270 Resolução nº 3401001.786 S3C4T1 Fl. 5 4 Normativas RFB, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período de 11/2009 foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período em discussão foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 5703DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.720103/2016-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2013, 2014, 2015
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. NULIDADE.
É nula, por implicar cerceamento do direito de defesa e supressão de instância, o Acórdão da DRJ que manteve a qualificação da multa de ofício fundada no argumento equivocado de que não teria havido contestação. Houve, na verdade, omissão da decisão de primeira instância quanto à análise dos argumentos invocados pelo contribuinte contra a multa qualificada, o que enseja a nulidade da decisão de piso.
Numero da decisão: 1201-002.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, para que a DRJ se manifeste acerca da impugnação da qualificação da multa de ofício, cientificando-se a Recorrente para interposição de novo recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2013, 2014, 2015 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. NULIDADE. É nula, por implicar cerceamento do direito de defesa e supressão de instância, o Acórdão da DRJ que manteve a qualificação da multa de ofício fundada no argumento equivocado de que não teria havido contestação. Houve, na verdade, omissão da decisão de primeira instância quanto à análise dos argumentos invocados pelo contribuinte contra a multa qualificada, o que enseja a nulidade da decisão de piso.
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OMISSÃO. NULIDADE. É nula, por implicar cerceamento do direito de defesa e supressão de instância, o Acórdão da DRJ que manteve a qualificação da multa de ofício fundada no argumento equivocado de que não teria havido contestação. Houve, na verdade, omissão da decisão de primeira instância quanto à análise dos argumentos invocados pelo contribuinte contra a multa qualificada, o que enseja a nulidade da decisão de piso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, para que a DRJ se manifeste acerca da impugnação da qualificação da multa de ofício, cientificandose a Recorrente para interposição de novo recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 01 03 /2 01 6- 06 Fl. 1208DF CARF MF 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, reproduzo o relatório da DRJ: Contra a contribuinte SÃO BERNARDO DO CAMPO TRANSPORTES SPE LTDA, em epígrafe, doravante denominada SBC, foram lavrados autos de infração, com exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$ 25.012.953,25, fls. 002; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$ 9.029.946,39, fls. 017, relativos a fatos geradores ocorridos nos anos calendários 2013, 2014 e2015. Nos valores citados já estão incluídos juros de mora e multa de ofício, calculados até a data de elaboração do lançamento. A multa de ofício foi qualificada para alguns fatos geradores, como veremos abaixo. I. DO PROCEDIMENTO FISCAL: Reportome ao Termo de Verificação e Constatação Fiscal (TVF), fls. 031/055, no qual a fiscalização detalha todo o procedimento adotado durante os trabalhos de auditoria, que, ao final, resultou no presente lançamento. Informa a fiscalização que a contribuinte concessionária que explora serviço de transporte coletivo na cidade de São Bernardo do Campo, SP foi selecionada para ser fiscalizada com referência aos tributos IRPJ e CSSL, relativos aos anos calendários de 2013, 2014 e2015. [...] A fiscalização esclarece que o procedimento fiscal foi provocado pela área de programação, a fim de verificar suposto planejamento tributário ilícito, que consistiria na contratação de empresas para prestação de vários serviços, sem a efetiva prestação dos mesmos. Informa, também, que parte das empresas que prestariam estes serviços à contribuinte possuem em sua composição societária os mesmos sócios ou familiares da contribuinte, que são: CONSTANTINOPLA, ORANGE e SUN, conforme demonstram informações do TVF, fls. 034 a 037. Ressalta a fiscalização que as empresas CONSTANTINOPLA, ORANGE e SUN recolhem tributos pelo Lucro Presumido e pertencem aos mesmos sócios que controlam o transporte coletivo da cidade de São Bernardo do Campo: Sra. Maria Beatriz Setti Braga CPF: 637.792.93820; Sr. João Antonio Setti Braga, CPF: 208.934.85853; e Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 10932.720103/201606 Acórdão n.º 1201002.758 S1C2T1 Fl. 3 3 Sr. José Romano Netto, CPF: 177.979.74861. Os dois primeiros são irmãos e José Romano Netto é filho de Maria Beatriz Setti Braga. Conforme demonstram informações dos autos, fls. 037 a 038, a contribuinte possui Capital de R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais), sendo que R$ 29.400.000, (vinte e nove milhões de reais) pertencem à empresa AUTO VIAÇÃO ABC LTDA, que possui em seu quadro societário Maria Beatriz Setti Braga e João Antonio Setti Braga. Com essas informações a fiscalização passou à análise de cada prestador de serviços, chegando às conclusões abaixo. EMPRESAS ORANGE, SUN E CONSTANTINOPLA: Nos anos calendários sob análise foram transferidos a essas empresas o valor total de R$ 18.912.000,00 (dezoito milhões e novecentos e doze mil reais), fls. 038. Conforme determina a legislação, a fiscalização buscou verificar o serviço prestado, para a conceituação desse como despesa dedutível. A autoridade fiscal demonstrou suposto ganho tributário que a contribuinte obteve. A seguir a autoridade fiscal analisa cada empresa. ORANGE: Informa a autoridade fiscal que intimou a contribuinte e a ORANGE na busca da comprovação sobre a efetiva prestação dos serviços. Da análise dos documentos apresentados, a fiscalização chegou às seguintes conclusões: 1. As notas fiscais trazem como descrição dos serviços a informação de que se trata de prestação de serviço de assessoria administrativa, necessitando a análise do contrato entre as empresas; 2. Conforme o contrato, o seu objeto é a prestação de serviços de assessoria administrativa relativa ao transporte coletivo municipal atuando a Contratada como uma ouvidoria do Poder Concedente e dos usuários, bem como a implantação de metodologias para certificação da ISO e respectivo treinamento de colaboradores; 3. Os documentos apresentados para demonstrar os serviços prestados resumemse a apenas alguns relatórios estatísticos de ouvidoria das reclamações dos usuários e o atendimento dado a eles; Fl. 1210DF CARF MF 4 4. Foram anexadas, também, cópia de apostilas de treinamentos efetuados a motoristas, lavadores, etc; e 5. Conforme intimação fiscal, a prestadora deveria relacionar os empregados utilizados na prestação dos serviços, com a descrição dos cargos exercidos, no caso de contratação de empresa terceirizada, relacionar o nome das mesmas, contratos e documentos fiscais, mas nenhum documento atendeu à intimação nesta parte, como, também, não atendeu a apresentação de comprovação de capacidade técnico profissional para efetuar os serviços prestados. A autoridade fiscal cita decisão prolatada no acórdão n° 107 06.869, do Primeiro Conselho de Contribuinte, 7a Câmara, que, em síntese, segundo a autoridade fiscal, vai ao encontro de sua conclusão, pois há similaridade entre os fatos observados na contratação da Orange, já que "os documentos que embasaram a prestação de serviços não expressam com minúcias a operação realizada, nem foram acompanhados de relatórios profissionais exaustivos e conclusivos, inclusive nominando os profissionais, suas qualificações e forma de vínculos destes com a empresa prestadora de serviços". Conseqüentemente, a autoridade fiscal glosou as despesas atribuídas à ORANGE, nos anos calendário de 2013, 2014 e 2015. SUN: Informa a autoridade fiscal que intimou a contribuinte e a SUN na busca da comprovação sobre a efetiva prestação dos serviços. Da análise dos documentos apresentados, a fiscalização chegou às seguintes conclusões: 1. As notas fiscais trazem como descrição dos serviços a informação de que se trata de prestação de serviço de consultoria relacionada ao transporte coletivo municipal e que os serviços foram prestados por sócios da empresa, necessitando a análise do contrato entre as empresas; 2. Conforme o contrato, o seu objeto é a prestação de serviços de auditoria em relação ao sistema de bilhetagem eletrônica, implantado a bordo dos veículos operados pela contribuinte nas linhas de transporte municipal de passageiros, em sua condição de concessionária, conforme contrato e respectivos termos de aditamentos firmados com o Município de São Bernardo do Campo; 3. O contrato determina que é obrigação da prestadora de serviços indicar mão de obra da contribuinte, específica e especializada para o exercício da atividade contratada; 4. Os documentos apresentados com a finalidade de demonstrar os serviços prestados são apenas relatórios operacionais do uso de cartões eletrônicos; 5. Conforme intimação fiscal, a prestadora deveria relacionar os empregados utilizados na prestação dos serviços, com a Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 10932.720103/201606 Acórdão n.º 1201002.758 S1C2T1 Fl. 4 5 descrição dos cargos exercidos; no caso de contratação de empresa terceirizada, relacionar o nome das mesmas, contratos e documentos fiscais, mas nenhum documento atendeu à intimação nesta parte, como, também, não atendeu a apresentação de comprovação de capacidade técnico profissional para efetuar os serviços prestados,. Conclui, portanto, a autoridade fiscal que os documentos apresentados, relacionados a contratação da referida empresa, não expressam a operação realizada, nem foram acompanhados de relatórios profissionais exaustivos e conclusivos, inclusive nominando os profissionais, suas qualificações e forma de vínculos destes com a empresa prestadora de serviços, razão pela qual foram glosadas as despesas destinadas à empresa SUN, nos anos calendário de 2013 e 2014. CONSTANTINOPLA: Informa a autoridade fiscal que intimou a contribuinte e a CONSTANTINOPLA na busca da comprovação sobre a efetiva prestação dos serviços. Da análise dos documentos apresentados, a fiscalização chegou às seguintes conclusões: 1. As notas fiscais trazem como descrição dos serviços a informação de que se trata de prestação de serviço de consultoria relacionada ao transporte coletivo municipal e que os serviços foram prestados por sócios da empresa, necessitando a análise do contrato entre as empresas; 2. Conforme o contrato, o seu objeto é a prestação de serviços de planejamento e gestão operacional da escala mensal da frota de veículos utilizada diariamente na operação das linhas de transporte coletivo municipal na cidade de São Bernardo do Campo, da qual a contribuinte é concessionária, conforme contrato de concessão e respectivos termos de aditamento celebrados com o Município de São Bernardo do Campo; 3. O contrato determina que é obrigação da prestadora de serviços indicar mão de obra da contribuinte, específica e especializada para o exercício da atividade contratada; 4. Os documentos apresentados com a finalidade de demonstrar os serviços prestados, como relatórios técnicos, apenas trazem, em síntese, planilhas e gráficos referentes a modalidade de passageiros transportados e relatórios operacionais; e 5. Conforme intimação fiscal, a prestadora deveria relacionar os empregados utilizados na prestação dos serviços, com a descrição dos cargos exercidos; no caso de contratação de empresa terceirizada, relacionar o nome das mesmas, contratos e documentos fiscais, mas nenhum documento atendeu à intimação nesta parte, como, também, não atendeu a apresentação de comprovação de capacidade técnico profissional para efetuar os serviços prestados. Fl. 1212DF CARF MF 6 Conclui a autoridade fiscal que os fatos acima relatados lhe dão convicção que as despesas com a contratação da referida empresa não estão acompanhadas de documentos que expressem com minúcias a operação realizada, nem foram acompanhados de relatórios profissionais exaustivos e conclusivos, inclusive nominando os profissionais, suas qualificações e forma de vínculos destes com a empresa prestadora de serviços, razão pela qual a autoridade fiscal glosou as despesas destinadas à empresa CONSTANTINOPLA, nos anos calendário de 2013 e 2014. Destaca a autoridade fiscal que constatou que essas empresas recolheram os tributos relativos as receitas auferidas. CONNECTION: Informa a autoridade fiscal que intimou a contribuinte na busca da comprovação sobre a efetiva prestação dos serviços, que importaram R$ 20.525.000,00. Em atendimento à intimação foram apresentados: a) Contrato de Patrocínio e Marketing firmado entre a contribuinte e a CONNECTION; b) Notas Fiscais de Serviços; e c) DVD para comprovar a prestação de serviços. O objeto do contrato é a divulgação, com exclusividade, das marcas e/ou produtos que a contribuinte detém no Brasil, em campanhas publicitárias, feiras ou eventos em que participa e/ou organiza no país. A autoridade fiscal informa que na análise dos documentos constatou as seguintes inconsistências: 1. O contrato foi firmado com a CONNECTION Promoções e Eventos EIRELLI CNPJ 16.861.915/000121, com data de assinatura em 11 de abril de 2013; 2. Foram apresentadas Notas Fiscais, relacionadas no TVF, fls. 048, mas emitidas pela empresa denominada CONNECTION Distribuição e Comércio de Informática EIRELLIEpp, com o mesmo CNPJ 16.861.915/000121 e com o mesmo endereço do contrato; 3. Consta nas notas fiscais, no campo "Discriminação dos Serviços "Prestação de Serviços e Eventos", entretanto no "campo" Código do Serviço consta o código 07496 Conserto, restauração, manutenção e conservação de máquinas, equipamentos, elevadores e congêneres; 4. Consultando o site da JUCESP verificamos que na ficha cadastral da empresa o seu objeto social é "Comércio varejista especializado de equipamentos e suprimentos de informática"; 5. Já no cadastro da Receita Federal do Brasil também consta o mesmo objeto social; 6. O titular da empresa é Luiz Otávio Pereira, CPF 100.878.248 33; Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 10932.720103/201606 Acórdão n.º 1201002.758 S1C2T1 Fl. 5 7 7. Em 22/12/2016, através do documento 527.028/162. foi arquivado o distrato social da empresa, não constando na JUCESP registro de denominações anteriores; 8. Importante ressaltar que o ajuste contratual foi celebrado com a empresa CNPJ 16.861.915/000121 Connection Promoções e Eventos EIRELLI, e nessas Notas Fiscais consta Connection Distribuição e Comércio de Informática EIRELLIEPP também com o CNPJ 16.861.915/000121 e assinou o contrato pela contratada o sr. Luiz Otávio Pereira, o mesmo que consta como titular da empresa Connection Distribuição e Comércio de Informática EIRELLI EPP; 9. Na Junta Comercial a titular da empresa Connection Promoções e Eventos EIRELLI é a Édina Kuyama, CPF 415.368.90847, tendo como objeto social serviços de organização de feiras, congressos, exposições e festas, casas de festas e eventos, produção e promoção de eventos esportivos, outras atividades de recreação e lazer não especificadas anteriormente; 10. As notas fiscais relacionadas foram emitidas pela empresa Connection Promoções e Eventos EIRELLI, MAS COM CNPJ 18.146.407/000172 que consta na Junta Comercial e no cadastro da Receita Federal do Brasil, MAS a data da constituição da empresa foi em 15/05/2013, sendo que o contrato foi assinado em 11/04/2013, portanto data anterior a abertura da empresa; 11. O endereço que consta das notas fiscais é rua Manuel Correia, conjunto 01 Vila Palmeiras São Paulo SP, entretanto na ficha cadastral da JUCESP a mesma nunca esteve instalada nesse endereço; 12. Analisando a numeração seqüencial das notas fiscais, fls. 049 a 051, denotase que a empresa praticamente só emitiu notas fiscais para a contribuinte; 13. O contrato estipula como prazo de vigência 12 meses, com início em 11 de abril de 2013 e término em 31 de dezembro de 2013, podendo ser prorrogado, a critério das partes, desde que mediante aditivo específico e assinado, mas o aditivo não foi apresentado e os pagamentos foram até 2014; 14. O contrato estipulava que a divulgação da marca seria efetuada em carro de corrida com a equipe denominada SBC Trans/Mercedes Bens e que "tendo em vista o caráter exclusivo deste contrato, a CONTRATADA/CONNECTION não poderá negociar outras quotas de patrocínio para seus eventos". mas examinando o DVD entregue foi constatado que o veículo utilizado nas competições exibia além da publicidade da contribuinte, a divulgação das marcas "PIRELLI", "PLAYBOY", entre outras, em desacordo com a referida cláusula contratual; 15. Em 04/01/2016 enviamos o termo de Intimação Fiscal à empresa Connection Distribuição e Comércio de Informática Fl. 1214DF CARF MF 8 EIRELLIEPP, pelos Correios, através de Aviso de Recebimento AR, intimandoa a apresentar documentos e esclarecimentos, correspondência que foi devolvida pelos Correios com a informação "desconhecido"; 16. Em 26/01/2016 encaminhamos o Termo de Intimação, nos mesmos termos, à empresa Connection Promoções e Eventos EIRELLI, a correspondência retornou dos Correios com a informação "mudouse"; 17. Em face do objeto social da empresa Connection Promoções e Eventos EIRELLIEPP, esperarseia visibilidade de uma empresa dessa área; 18. Pouquíssimos registros foram encontrados em buscas pela empresa CONNECTION em lista telefônica, internet, etc; 19. No sistema informatizado da Receita Federal não consta nenhuma declaração entregue pela empresa CONNECTION, tais como IRPJ, DCTF, DIRF; 20. Para entender a necessidade dessa despesa, em 04/01/2016 intimamos a contribuinte a relacionar empresas concorrentes no transporte público que operem as mesmas linhas da SBC, para que se justifique os dispêndios com publicidade com a finalidade de incrementar o aumento no número de passageiros e comprovar com documentos hábeis e idôneos o acréscimo de receita auferida, decorrente da publicidade, sendo que a empresa não apresentou nenhum documento a mais do que os já entregues anteriormente; 21. A autoridade fiscal constatou, também, que a contribuinte não declarou pagamentos a CONNECTION Promoções e Eventos nas DIRF's dos anos calendário de 2013 e 2014; 22. Por fim, considerando as irregularidades no contrato e nas Notas Fiscais citadas e que as despesas em tela não contemplam o estipulado na legislação, art. 299, do Decreto 3000/99 (RIR), pela publicidade em carros de corrida não serem necessárias à atividade da empresa, assim como pela contribuinte não ter comprovado o acréscimo de receita advinda da referida publicidade, a autoridade fiscal glosou as despesas referentes à empresa Connection Promoções e Eventos EIRELLI; 23. Ainda assim, em 08/05/2017, a autoridade fiscal cientificou a contribuinte para apresentar mais alguma informação que pudesse justificar a dedutibilidade da despesa, sem resposta. Portanto, os documentos apresentados não tiveram o condão de comprovar os serviços prestados pelas empresas CONNECTION, ORANGE, SUN e CONSTANTINOPLA. A autoridade fiscal faz detalhado demonstrativo de glosas efetuadas, por empresa prestadora de serviço e competência, fls. 053. A autoridade fiscal, por fim, demonstra seus fundamentos, jurídicos e fáticos, para qualificar a multa, somente quanto aos pagamentos feitos à empresa CONNECTION. Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 10932.720103/201606 Acórdão n.º 1201002.758 S1C2T1 Fl. 6 9 II. DA IMPUGNAÇÃO: Cientificada dos autos de infração em 07/08/2017, fls. 01044, irresignada, a contribuinte apresentou a impugnação, fls. 01055/01103, em 06/09/2017, por meio da qual apresenta suas razões de defesa. Inicia seus argumentos destacando que sua impugnação é tempestiva e descrevendo os fatos que levaram à formação do litígio. Em primeiro momento defende que a fiscalização cometeu equívocos diversos que invalidam o lançamento, devido a falta de comprovação da ocorrência do fato gerador, pois fundado em meras presunções, que faz com que desnature o próprio fato jurídico tributário. 1. DO VÍCIO DE PROCEDIMENTO NA GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS: Para a Impugnante, não há menção a qualquer prova fática ou documental de que as prestadoras de serviços não prestaram serviços necessários ou de que os serviços nem foram prestados, fazendo com que a exigência se baseasse exclusivamente em presunções simples. De início, quanto aos motivos dos lançamentos com origem nas empresas SUN, ORANGE e CONSTANTINOPLA reduzse a seus quadros societários serem compostos por sócios ou familiares de sócios da Impugnante e defende que não há qualquer irregularidade nesse fato, apresentando argumentos jurídicos para tanto. Quanto à comprovação dos serviços pelas empresas SUN, ORANGE e CONSTANTINOPLA afirma que há um relevante equívoco, pois o fundamento da autuação foi de que as despesas não eram necessárias, erro que invalida o lançamento. Destaca que a documentação que comprova que os serviços foram prestados foi entregue e a fiscalização simplesmente ignorou tais entregas. Quanto aos supostos ganhos tributários, aduz a Impugnante que a fiscalização equivocouse nos cálculos e que o ganho tributário seria irrisório para tal operação. 2. GLOSA DE DESPESAS ORANGE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA: Quanto às glosas de despesas dessa prestadora destaca que se trataram de serviços específicos relacionados com sua atividade econômica, em relação aos quais não se encontrou no mercado empresa que prestasse tais serviços. Além dos comprovantes de pagamentos, foram apresentados à fiscalização os relatórios estatísticos de ouvidoria das reclamações dos usuários e o atendimento dado a eles. Também, Fl. 1216DF CARF MF 10 foram apresentadas cópias das apostilas de treinamentos efetuados a motorista, lavadores e demais funcionários da Impugnante, além das notas fiscais e comprovantes de pagamentos dos serviços prestados. Os serviços prestados foram realizados pelos próprios sócios da Orange, justamente por se tratarem de serviços específicos relacionados com sua atividade econômica, em relação aos quais não havia no mercado empresa especializada em tais serviços, e pelo fato de os sócios da Orange possuírem profundo conhecimento da atividade econômica da Impugnante, sem contar que resta claro que os serviços representam despesas essenciais e necessárias para a atividade da Impugnante. Portanto, as despesas com os serviços prestados pela Orange estão em total consonância com a legislação, ou seja, tratamse de despesas operacionais necessárias à atividade da Impugnante, que foram devidamente comprovadas, motivo para correção da exação. 3. GLOSA DE DESPESAS SUN EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA: A Impugnante informa que tanto ela como a prestadora de serviço foram intimadas a apresentar vários documentos para comprovar a real prestação de serviços pela SUN. Alega que tudo que foi solicitado foi disponibilizado à autoridade fiscal, mas que, mesmo assim, a conclusão do Fisco foi de que esses documentos não se prestam à comprovação de dedutibilidade da despesa. Defende que há equívoco na conclusão da fiscalização, pois se trataram de serviços específicos, relacionados com a atividade econômica da Impugnante, em relação aos quais não se encontrou no mercado empresa que prestasse o mesmo serviço. Destaca que foram apresentados à fiscalização relatórios operacionais de uso de cartões eletrônicos utilizados a bordo dos veículos operados pela impugnante, demonstrando que os serviços contratados foram efetivamente prestados. Ressalta que os serviços prestados foram realizados pelos sócios da SUN pelo fato dos sócios da SUN possuírem profundo conhecimento da atividade econômica da Impugnante. No serviço prestado foi utilizada mão de obra fornecida pela Impugnante, mas sob supervisão e responsabilidade dos sócios da SUN. Devese levar em conta que esses serviços representam despesas essenciais e necessárias para a atividade da Impugnante, qual seja, serviços de transporte coletivo de passageiros,. que, por se tratar de um serviço público, deve se submeter a um controle rigoroso quanto à quantidade de passageiros transportados diariamente, e a verificação da correta apuração do quantitativo de viagens pagas através do sistema de bilhetagem eletrônica. Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 10932.720103/201606 Acórdão n.º 1201002.758 S1C2T1 Fl. 7 11 Conclui que as despesas com os serviços prestados pela SUN estão em total consonância com o que determina a legislação. 4. GLOSA DE DESPESAS CONSTANTINOPLA PARTICIPAÇÕES LTDA. A Impugnante informa que tanto ela como a prestadora de serviço foram intimadas a apresentar vários documentos para comprovar a real prestação de serviços pela Constantinopla. Alega que tudo que foi solicitado foi disponibilizado à autoridade fiscal, mas que, mesmo assim, a conclusão do Fisco foi de que os documentos não se prestam à comprovação de dedutibilidade da despesa. Defende que há equívoco na conclusão da fiscalização, pois se trataram de serviços específicos, relacionados com a atividade econômica da Impugnante, em relação aos quais não se encontrou no mercado empresa que prestasse o mesmo serviço. No serviço prestado foi utilizada mão de obra fornecida pela Impugnante. Destaca que foram apresentados à fiscalização relatórios técnicos, planilhas e controles referentes a modalidade de passageiros transportados, e relatórios operacionais de movimentação dos veículos operados pela Impugnante, demonstrando cabalmente que os serviços contratados foram efetivamente prestados. Aduz que os serviços foram realizados pelos próprios sócios da Constantinopla, justamente por se tratarem de serviços específicos relacionados com a atividade econômica da Impugnante pelo fato dos sócios possuírem profundo conhecimento da atividade econômica da Impugnante. Conclui que as despesas com os serviços prestados pela SUN estão em total consonância com o que determina a legislação. 5. GLOSA DE DESPESAS CONNECTION PROMOÇÕES E EVENTOS EIRELI. Alega a Impugnante que a autoridade fiscal considerou, equivocadamente, como não necessárias as despesas com serviços de patrocínio e marketing prestados pela empresa CONNECTION. Deve se deixar registrado, desde já, que a CONNECTION não tem como sócio qualquer pessoa ligada à Impugnante, mas a fiscalização glosou as despesas baseandose em meros indícios e presunções, sem apresentar provas do que alega. A Impugnante afirma que apresentou toda a documentação solicitada. Fl. 1218DF CARF MF 12 O objeto do contrato entre as partes é de patrocínio e marketing, para divulgação em caráter de exclusividade das marcas e/ou produtos da Impugnante. Para embasar a glosa dessas despesas a fiscalização atevese a detalhes insignificantes, como equívoco na denominação da prestadora, claro e evidente erro formal na impressão das referidas notas fiscais, pois deve prevalecer o CNPJ da emitente. Outro erro formal que se ateve a fiscalização foi no preenchimento de notas fiscais, devido a equívoco de preenchimento do código CNAE. Para comprovação dos serviços foi apresentado à fiscalização, em mídia digital (DVD), fotos de eventos patrocinados pela Impugnante, comprovando a efetiva prestação dos serviços contratados, mas a fiscalização se apegou mero detalhe, relativo à exclusividade. Tal argumento é totalmente descabido, pois é de amplo conhecimento que o patrocínio das equipes de automobilismo não é exclusivo de uma única marca. Além disso, e é o que importa, a fiscalização em nenhum momento afirma que os serviços não foram prestados. Aduz a impugnante que outro ponto que serviu de argumento fiscalização é que a prestadora não foi localizada, mas que caberia à fiscalização esse trabalho, inclusive pela procura dos sócios. [...] A impugnante faz esclarecimentos sobre as definições de marketing, afirma que foi o realizado, e propaganda, que a fiscalização conceituou erroneamente como marketing. Portanto, há que se considerar as despesas com os serviços prestados pela CONNECTION como necessários à atividade da Impugnante, pois atendem os requisitos do art. 299 do RIR/99, motivo de sua dedutibilidade e do equívoco da conclusão fiscal. 6. VÍCIO: ERRO NA MOTIVAÇÃO PARA A INDEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS. Ressalta a Impugnante que o motivo da autoridade fiscal para a glosa de despesas com as empresas ORANGE, SUN e CONSTANTINOPLA foi a ausência de comprovação de que os serviços foram prestados. Já para a empresa CONNECTION a Impugnante busca destacar que o fundamento da fiscalização foi que os serviços não são necessários para sua atividade. Ocorre que já há motivo para invalidar o lançamento, pois todas as glosas foram enquadradas como "Despesas não Necessárias". Cita acórdão do Conselho de Contribuintes que, em sua visão, vai ao encontro do que defende. 7. AUSÊNCIA DE PROVAS. Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 10932.720103/201606 Acórdão n.º 1201002.758 S1C2T1 Fl. 8 13 Nesse ponto a Impugnante alega que a fiscalização ignorou todas as provas que adicionou ao processo e que, por outro lado, a autoridade fiscal não apresentou qualquer prova de que os serviços não foram efetivamente prestados e/ou não são necessários à atividade da Impugnante. Para Impugnante, cabe à autoridade fiscal apresentar provas para embasar o lançamento tributário. Cita acórdão do Conselho de Contribuintes quem, em sua visão, vai ao encontro do que defende. Diante do exposto, até o momento, solicita a Impugnante que seja julgada procedente a presente impugnação e cancelado o respectivo lançamento tributário. 8. INAPLICABILIDADE DAS REGRAS DE DEDUTIBILIDADE DO IRPJ EM RELAÇÃO À CSLL Nesse ponto a Impugnante alega, em síntese, que a exigência da CSLL deve ser comprovada, no que tange à falta de comprovação da necessidade das despesas com serviços prestados, tendo em vista a ausência de fundamento legal (e fático) para a glosa das despesas incorridas pela Impugnante as quais, frisese, em momento algum tiveram sua não efetividade comprovada. Aduz que o critério de "necessidade" não se aplica na apuração da CSLL, de modo que, ao menos em relação à CSLL, as glosas de despesas operacionais comprovadamente incorridas não possuem fundamento (legal e fático) e, portanto, devem ser canceladas. Afirma que a própria RFB, pela Instrução Normativa (IN) 390, de 2004, em vigor à época dos fatos, regulamentando a legislação atinente à CSLL, nada mencionou a respeito do cumprimento do requisito da necessidade, para fins de dedução de despesas da base de cálculo da CSLL. Portanto, o critério de "necessidade", previsto no art. 299 do RIR/99, apenas e tão somente para IRPJ, não foi incorporado pela legislação própria e específica disciplinadora da apuração da base de cálculo da CSLL, pois para efeito de dedutibilidade a legislação da apuração da base de cálculo da CSLL exige, basicamente, a comprovação da despesa incorrida e a identificação do beneficiário do pagamento, o que, aliás, no caso concreto, não foi objeto de contestação pela fiscalização. Cita acórdão do Conselho de Contribuintes quem, em sua visão, vai ao encontro do que defende. Cita acórdão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que, em sua visão, vai ao encontro do que defende. Os autos vieram para essa Delegacia, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 1220DF CARF MF 14 Em Sessão de 23/02/2018, as impugnações foram julgadas improcedentes por meio do Acórdão de fls. 1.107/1.126, que restou assim ementado: DESPESAS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA DE DESPESAS. Conforme determina a Legislação, somente despesas necessárias, usuais e existentes podem ser dedutíveis para cálculo do tributo devido. Cabe a glosa de despesas com serviços quando não comprovada a efetividade da respectiva prestação. LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de lançamento reflexo realizado com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO MATERIAL. OCORRÊNCIA. O Decreto 70.235/1972, em seu Art. 17, determina que considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. No presente caso, a impugnante não contesta a qualificação da multa de ofício, motivo de se considerar preclusa materialmente tal questão. Cientificada da decisão de piso em 05/04/2018 (fl. 1.132), a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 1.136/1.195) em 26/04/2018 (fl. 1.135), por meio do qual reitera as alegações de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Antes, porém, de enfrentar as questões de mérito postas, cumpre observar que a decisão de piso considerou que a multa qualificada não teria sido questionada pelo contribuinte, conforme atesta o seguinte trecho da ementa da decisão recorrida (fl. 1.107): Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 10932.720103/201606 Acórdão n.º 1201002.758 S1C2T1 Fl. 9 15 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO MATERIAL. OCORRÊNCIA. O Decreto 70.235/1972, em seu Art. 17, determina que considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. No presente caso, a impugnante não contesta a qualificação da multa de ofício, motivo de se considerar preclusa materialmente tal questão. Ocorre, porém, que ao verificar as impugnações apresentadas, há sim questionamento do contribuinte contra a qualificação da penalidade, mais precisamente nas duas impugnações apresentadas (fls. 1.018/1.028 e 1.102), fato este que afasta a conclusão acerca da preclusão dessa matéria. O que se tem no caso, pois, é uma decisão administrativa de primeira instância omissa no que diz respeito à aplicação da multa de 150%, e não de 75%, fato este que viola os princípios da motivação e da ampla defesa. Nessas condições, o Decreto nº 70.235/72 prescreve que são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (cf. artigo 59, II). Ademais, a ausência de análise das razões que levaram as autoridades julgadoras de primeira instância a refutarem a tese da Recorrente contra a qualificação da penalidade compromete o julgamento da presente lide por este Colegiado por caracterizar supressão de instância. Feitas essas considerações, voto em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, para que a DRJ se manifeste acerca da impugnação da qualificação da multa de ofício, cientificandose a Recorrente para interposição de novo recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 1222DF CARF MF
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