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Numero do processo: 10735.001992/2002-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 01/01/1993, 01/01/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. AUSÊNCIA. DECADÊNCIA.
Os embargos de declaração são cabíveis para suprir omissão de questões relevantes para o julgamento da causa e que tenham sido oportunamente levantadas pelas partes em suas manifestações, não se prestando para colocar questões novas em julgamento nem para rediscussão da decisão embargada.
Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando inexistir qualquer pagamento, aplica-se o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN.
Numero da decisão: 3401-003.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos de declaração opostos, para negar provimento ao recurso e reconhecer, de ofício, a decadência em relação aos créditos tributário lançados cujos fatos geradores são anteriores a Dezembro de 1996. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Hugo Leonardo Zaponi, OAB/DF nº 33.899.
Robson Jose Bayerl - Presidente.
Augusto Fiel Jorge d' Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl (Presidente), Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Eloy Eros Da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso De Almeida e Elias Fernandes Eufrasio.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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OMISSÃO. AUSÊNCIA. DECADÊNCIA. Os embargos de declaração são cabíveis para suprir omissão de questões relevantes para o julgamento da causa e que tenham sido oportunamente levantadas pelas partes em suas manifestações, não se prestando para colocar questões novas em julgamento nem para rediscussão da decisão embargada. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando inexistir qualquer pagamento, aplicase o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos de declaração opostos, para negar provimento ao recurso e reconhecer, de ofício, a decadência em relação aos créditos tributário lançados cujos fatos geradores são anteriores a Dezembro de 1996. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Hugo Leonardo Zaponi, OAB/DF nº 33.899. Robson Jose Bayerl Presidente. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 19 92 /2 00 2- 21 Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYER L 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl (Presidente), Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Eloy Eros Da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso De Almeida e Elias Fernandes Eufrasio. Relatório Por bem resumir o lançamento e os argumentos expostos na inicial pela ora Embargante, inicialmente, transcrevo o relatório elaborado pela Delegacia de Julgamento: "Tratase de auto de infração de fls. 39/61, lavrado contra a empresa epigrafada, em virtude de ter sido apurada falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), relativa aos meses de janeiro de 1993 a janeiro de 1999, consubstanciando exigência da contribuição no valor de R$ 1.998.017,33, acrescido de multa de oficio e juros de mora, calculados até a data da lavratura do auto de infração. Embasando o feito fiscal (fls. 58/60) consignou o autuante que as bases de cálculo da contribuição relativas aos meses de janeiro de 1993 a dezembro de 1998 foram apuradas com fundamento na legislação expressamente consignada às fls 43 e 55/57 do auto de infração. Consignou ainda que as bases de cálculo referentes aos meses de julho a dezembro de 1994 foram arbitradas (fls.60), com fundamento no art. 148, da Lei n° 5.172/66, combinado com o art. 10, § único. da LC n° 70/91, e com os artigos n°841, inc. II e 845, inc. III, do Decreto n° 3.000/99, em função de não se encontrarem evidenciadas no livro diário da contribuinte. Tal arbitramento, explicou o autuante, consistiu na divisão do total de receitas auferidas no segundo semestre do ano de 1999, pelo número de meses respectivos. Com relação ao mês de janeiro de 1999, relatou que a base de cálculo da contribuição foi calculada na forma do demonstrativo de fl. 59 elaborado a partir dos registros efetuados pela contribuinte no livro diário. Inconformada com o lançamento, apresentou a interessada a impugnação de fls. 68/101, instruída com os documentos de fls. 102/126 onde alega, em síntese ser beneficiária da imunidade prevista no art. 195, § 7°, da Constituição Federal, por ser reconhecida como entidade beneficente de assistência social de educação pelo órgão competente para fixar a política assistencial no pais e ainda "... por cumprimento às normas legais que regem a matéria.... "; reunir as condições necessárias para caracterizarse como empresa imune, tanto à luz do art. 14 da Lei n° 5.172/66, quanto do art. 6°, inciso III da LC n° 70/91, conforme se entenda ter uma ou a outra regulamentado o art. 195, § 7°, da CF; Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 10735.001992/200221 Acórdão n.º 3401003.184 S3C4T1 Fl. 1.254 3 ser sociedade civil filantrópica, sem finalidade lucrativa, tendo por objetivo promover a educação, desenvolver a cultura e assegurar assistência médica a população carente da baixada fluminense, oferecendo ensino às pessoas carentes; ter sido declarada de utilidade pública federal, pelo Decreto n° 86.431/81; que a definição de assistência social está consagrada no art. 203 da CF, não cabendo a norma infraconstitucional restringila". Ao apreciar a impugnação, a Delegacia de Julgamento manteve o lançamento, pela decisão de fls 134/137, que foi assim ementada: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins Período de apuração: 31/01/1993 a 31/01/1999 Ementa: INCIDÊNCIA. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. RECEITA. A pessoa jurídica de direito privado, mesmo sem fins lucrativos, que aufere receitas de mensalidades de seus alunos, enquadrase na disposição do art. 20 da Lei Complementar n° 70, de 1991, sujeitandose a incidência da Cofins sobre essas receitas. Lançamento Procedente". Foi interposto recurso voluntário, reiterando as alegações da impugnação, sendo os autos remetidos à Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que, na sessão de julgamento do dia 15 de junho de 2005, por unanimidade de votos, resolveu converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos a seguir: "No que concerne a natureza jurídica da recorrente, concordo com as razões do recurso no sentido de que cabe ao Conselho Nacional de Assistência Social e não à Receita Federal definir se a instituição é ou não entidade beneficente de assistência social. Ao Fisco incumbe verificar apenas se a entidade cumpre os requisitos para o gozo da imunidade. No caso, dispõe o art. 55, da Lei n°8.112/91: (...) Pelo exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência a fim de que seja verificado o cumprimento do art. 55 da Lei n° 8.212/91, particularmente nos incisos III, IV e V, pois, ao que tudo indica, os documentos exigidos nos incisos I e II já constam dos autos". Em seguida, na diligência fiscal realizada foram levantadas as informações abaixo (fls. 704 dos autos): "a) em virtude de estar efetuando diligência na Associação Fluminense de Educação, recebeu oficio encaminhado pela Delegacia da Receita Previdenciária, referente à representação administrativa feita ao Ministério Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYER L 4 da Justiça, em virtude da constatação de favorecimento indireto de membros com função de direção na entidade em tela. b) a matéria que seria verificada através da Diligência solicitada já foi objeto de análise pela extinta Secretária da Receita Previdenciária, como demonstra a documentação de fls. 229 a 657. Nos documentos enviados pela extinta Secretária da Receita Previdenciária, são descritos os seguintes motivos para o cancelamento da isenção fiscal: a) a utilização de seus recursos em atividades que não estão entre seus objetivos institucionais, como a construção do Shopping Unigranrio, onde a entidade permitiu a construção de um Shopping Center em seu terreno, atividade que não faz parte das atividades descritas em seu estatuto, bem como notas fiscais de serviços de construção civil realizados nas dependências do shopping pagos pela entidade; b) vantagens e benefícios recebidos por seus diretores ou conselheiros, como o pagamento do curso de mestrado do presidente da entidade, pagamentos referentes a despesas com ações pertencentes aos membros diretores, bolsa de estudo concedida à dependente de membro do conselho, uso de empregados da entidade em questões de processos trabalhistas referentes a outras empresas não ligadas à entidade, e por fim, uso das instalações da entidade, sem o devido pagamento das despesas de funcionamento, por empresa cujo quadro societário é composto pelo Presidente da Associação Fluminense de Educação; c) não aplicação do percentual de 20% da receita em gratuidades d) o vencimento do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos". Em seguida, após ser intimado do resultado da diligência fiscal, o Embargante apresentou a manifestação de fls. 748 a 783, na qual reiterou os argumentos de seu recurso voluntário e acrescentou o seguinte, conforme relatório da decisão embargada (fls. 788 789): "a) O presidente da entidade exerce a máxima cátedra na UNIGRANRIO, e na condição de dirigente de uma instituição comprometida com o exercício do ensino, da pesquisa e da extensão, tem o dever de buscar atualização em cursos de pósgraduação. b) Os dirigentes não remunerados devem possuir os mesmo benefícios dos funcionários, e portanto existe a possibilidade para a bolsa de estudo. c) Os empregados citados são profissionais liberais, sem cláusula de exclusividade com a entidade, e portanto tem o direito de trabalhar para outras empresas. d) O espaço foi cedido por meio de comodato, devendo ser devolvido para a entidade ao fim do contrato sem ônus para esta, além de ter parte de suas instalações reformadas e transformadas em salas de aula. Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 10735.001992/200221 Acórdão n.º 3401003.184 S3C4T1 Fl. 1.255 5 e) Não é competência do INSS averiguar o cumprimento dos 20% investidos em gratuidades, e por este motivo os documentos exigidos não foram entregues ao fiscal". Na seqüência, os autos retornaram para julgamento do recurso voluntário, após terem sido distribuídos à Primeira Turma da Quarta Câmara desta Seção de Julgamento. Na sessão do dia 1º de julho de 2010, o Colegiado, levando em consideração a matéria que ainda restava controversa nos autos cumprimento dos requisitos previstos nos incisos III, IV e V do artigo 55, da Lei 8.212/1991 e o resultado da diligência, entendeu que, embora a ora Embargante se enquadrasse no requisito previsto no inciso III do artigo 55, da Lei 8.212/1991, não havia cumprido os requisitos existentes nos demais incisos, pois, como exposto pelo i. Relator da decisão embargada: "Segundo a diligência houve favorecimento indireto de membros diretores da entidade, manifestado através de vários procedimentos, como, por exemplo, por meio do pagamento do curso de mestrado do presidente da entidade, pagamentos referentes a despesas com ações pertencentes aos membros diretores, bolsa de estudo concedida a dependente de membro do conselho, uso de empregados da entidade em questões de processos trabalhistas referentes a outras empresas não ligadas à entidade, além do uso das instalações da entidade, sem o devido pagamento das despesas de funcionamento, por empresa cujo quadro societário é composto pelo presidente da Associação Fluminense de Educação, ferindo assim o inciso IV do art. 55 da Lei n°. 8.212/91. E por fim utilizou seus recursos em atividades que não estão entre seus objetivos institucionais, como a construção do Shopping Unigranrio, onde a entidade permitiu a construção de um Shopping Center em seu terreno, atividade que não faz parte das atividades descritas em seu estatuto, bem como notas fiscais de serviços de construção civil realizados nas dependências do shopping pagos pela entidade, indo contra o inciso V do art. 55 da Lei n°. 8.212/91". (grifos nossos) Assim, entendendo que para que fosse beneficiada pela isenção a entidade deveria cumprir todos os requerimentos presentes no texto legal, o Colegiado, por unanimidade, negou provimento ao recurso. Inconformada com essa decisão, a ora Embargante opôs Embargos de Declaração, nos quais sustentou a existência de uma série de omissões, que serão descritas no voto a seguir. É o relatório. Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYER L 6 Voto Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira De acordo com o artigo 65, caput, do Regimento Interno do CARF: "Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma". Com relação à omissão, a doutrina entende que esse vício está presente “quando o tribunal deixa de apreciar questões relevantes para o julgamento, suscitadas por qualquer das partes ou examináveis de ofício (...) ou quando deixa de pronunciarse acerca de algum tópico da matéria submetida à sua deliberação (...)”. Por outro lado, o órgão judicial não tem “o dever expressar sua convicção acerca de todos os argumentos utilizados pela partes, por mais impertinentes e irrelevantes que sejam; mas, salvo quando totalmente óbvia, há de declarar a razão pela qual assim os considerou”. 1 Dessa maneira, é firme na jurisprudência o entendimento no sentido de que "não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução"2. Destaquese ainda que os embargos de declaração não são o instrumento adequado para rediscussão do mérito com o objetivo de reformar o julgado, mas se prestam a sanar os vícios de omissão, contradição, obscuridade e/ou erro material, para fins de aprimoramento da decisão, sendo possível atribuirlhes efeitos modificativos da decisão apenas em casos excepcionais. Nesse sentido, leiase decisão do e. Supremo Tribunal Federal ("STF"): "(...)1. Os embargos de declaração são o recurso cabível quando houver no acórdão obscuridade, dúvida, contradição ou omissão que devam ser sanadas (art. 535 do CPC e art. 337 do RISTF). 2. O inconformismo que tem como real escopo a pretensão de reformar o decisum não pode prosperar, porquanto inocorrentes as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material, sendo inviável a revisão da decisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do art. 535 do CPC. 3. In casu, os embargos de declaração demonstram mera tentativa de rediscussão do que foi decidido pelo acórdão embargado, inobservando a embargante que os restritos limites desse recurso não permitem o rejulgamento da causa. 4. O efeito modificativo pretendido pela embargante somente é possível em casos excepcionais e uma vez comprovada a obscuridade, contradição ou omissão do julgado, o que não ocorre no caso sub examine. 5. Embargos de declaração desprovidos". (ACO 2065 AgRAgR, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 06/10/2015) No presente caso, sustenta a Embargante que a decisão embargada teria incorrido em uma série de omissões, em decorrência da ausência de manifestação em relação aos seguintes pontos. 1 Moreira, José Carlos Barbosa. Comentários ao Código de Processo Civil. Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. vol. V: arts 476 a 565. Rio de Janeiro. Forense. 2006. p 555560. 2 AgRg no AREsp 659.116/SP, Rel. Ministro OLINDO MENEZES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/11/2015, DJe 03/12/2015. Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 10735.001992/200221 Acórdão n.º 3401003.184 S3C4T1 Fl. 1.256 7 "a) A imunidade da AFE está garantida por duas sentenças judiciais nos processos n° 2000.34.00.0436285 e 2002.34.00.0227100, ambos os feitos em trâmite no Tribunal Regional Federal da lª Região, sendo que no primeiro caso a sentença que reconheceu a imunidade da recorrente já foi confirmada pelo Tribunal (docs anexo); b) Na sistemática das contribuições sociais, só é possível lançar qualquer crédito após o cancelamento prévio da imunidade da beneficiária em processo próprio, no presente caso inexiste qualquer ato administrativo prévio que cancele a imunidade da recorrente não sendo possível fazêlo no bojo do presente processo, havendo no presente caso flagrante desrespeito ao devido processo legal; c) Os fato usados pelo acórdão para justificar a conclusão desrespeito das normas dos incisos IV e V do artigo 55 da lei n° 8.212/91 ou já precluiram, ou já foram afastados por decisões da própria administração, inclusive por decisões do CARF, ou ainda estão pendentes de julgamento em processo administrativo; d) Os efeitos remissivos da MPV 446/08 sobre as situações julgadas; e) A notória decadência do presente crédito já que esse foi lançado em maio de 2002 reportandose a fatos geradores ocorridos entre 1/93 e 1/99, ou seja, um lançamento de período com abrangência de 9 anos; e f) A decadência do artigo 24 da Lei n° 11.457/2007". Iniciaremos nossa análise pelas alegações de decadência suscitadas pelo Embargante (itens e e f acima), pelos quais o Embargante defende a ocorrência de decadência de todos os créditos tributários lançados, com fundamento no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, Súmula 8 do STF e no artigo 24 da Lei 11.457/2007. Pela análise dos autos, constatase que tais alegações são novas. Em nenhum momento no decorrer do processo, o Embargante suscitou a extinção do crédito tributário pela decadência. O lançamento não foi impugnado com esse fundamento e não há qualquer alegação nesse sentido tanto no recurso voluntário de fls. 142185 quanto na manifestação de fls. 748 a 783. Por conseguinte, não há que se falar em omissão da decisão embargada nesse ponto. Em regra, se a questão não é levada a conhecimento do órgão julgador no momento oportuno, não pode a parte inovar em sede de embargos de declaração, pedindo a apreciação de matéria de defesa que só veio alegar após o julgamento do processo pelo Colegiado, a uma, porque a matéria encontrarseá preclusa (artigo 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/1972), a duas, por manifesta impossibilidade de ocorrência de omissão, requisito para oposição dos embargos declaratórios (artigo 65 do Regimento Interno do CARF). Contudo, por entender que a decadência é uma matéria de ordem pública que pode ser conhecida pelo órgão julgador de ofício (artigos 332, parágrafo 1º, e 487, inciso II, do CPC), em caráter excepcional, penso ser possível superar a ausência de omissão e apreciar a questão de decadência só levantada pela parte em embargos de declaração. Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYER L 8 Além disso, como lembrado por Hugo de Brito Machado, “não se pode esquecer que a relação tributária não decorre da vontade das partes, mas da lei. Seria, portanto, um contrassenso admitir a convalidação do crédito tributário pela ausência de alegação, ou de decadência, pelo interessado” 3. A decadência é, segundo o conceito clássico de Câmara Leal4, “a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício se tivesse verificado”. No direito tributário, a decadência se caracteriza pela extinção do direito de crédito da Fazenda Pública face ao contribuinte, motivado pela inércia e inatividade durante certo decurso de tempo. Em verdade, não chega nem a ser uma extinção de um direito de crédito, pois, uma vez ocorrida a decadência, o crédito tributário sequer será constituído pelo lançamento. Dessa forma, caso o contribuinte não efetue o recolhimento de determinado tributo ou o efetue a menor, o fisco terá certo lapso de tempo para realizar o lançamento tributário, a fim de constituir definitivamente o crédito tributário e promover todos os procedimentos competentes para a sua cobrança. E, na hipótese de se manter inerte e não tomar nenhuma providência, deixando de fazer o lançamento no prazo previsto na Lei, dizse que se operou a decadência, pois não poderá o contribuinte ficar ad eternum sujeito às ações do fisco, sob pena de séria afronta ao princípio da segurança jurídica. O Código Tributário Nacional estabelece como regra geral que o início da contagem do prazo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, segundo dispõe o artigo 173, inciso I5. Essa regra é aplicável para todos os tributos com exceção daqueles tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em que prevalece a regra especial esculpida no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN6, nos quais o prazo para a contagem da decadência tem início com a ocorrência do fato gerador. Ressaltese que a regra especial quanto aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação será aplicável quando o contribuinte efetuar o recolhimento a menor, pois, na situação em que esse nada recolhe, doutrina e jurisprudência firmaram entendimento no sentido de ser impossível a aplicação do artigo 150, par. 4º, do CTN, pois nada haveria para se homologar. Nesse sentido, oportuno destacar o seguinte julgado: 3 “Decadência e Prescrição no Direito Tributário Brasileiro” in “Curso de Direito Tributário. Coordenador Ives Gandra da Silva Martins”. Ed. Saraiva. 12ª Edição. p.225. 4 “Da prescrição e decadência”, Ed. Forense. 1959, 2ª ed., p. 115. 5 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 6 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 10735.001992/200221 Acórdão n.º 3401003.184 S3C4T1 Fl. 1.257 9 "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa" e "operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa" — , há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento". (AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/03/2006, DJ 10/04/2006, p. 111) Portanto, no presente processo, tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação e não havendo qualquer pagamento por parte do sujeito passivo, devese aplicar a regra contida no artigo 173, inciso I, do CTN. Assim, considerando que a ciência do lançamento se deu no dia 13/05/2002, conforme fls. 39 dos autos, há que se reconhecer a ocorrência da decadência em relação aos créditos tributário lançados cujos fatos geradores são anteriores a Dezembro de 1996. A Embargante ainda sustenta a decadência com fundamento no artigo 24 da Lei 11.457/2007, que tem a seguinte redação:"Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte". Entende a Embargante que o alcance do dispositivo seria no sentido de que a ultrapassagem de tal prazo acarretaria a extinção do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário. Essa interpretação não merece prosperar, pois encontra limite no próprio texto da Lei, que se dirige a situação totalmente distinta e, ainda que se pudesse extrair desse dispositivo norma relativa à decadência, tal interpretação seria manifestamente Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYER L 10 inconstitucional, em ofensa ao artigo 143, inciso III, b, da Carta da República7, que outorga a Lei Complementar a disciplina de regras a respeito de decadência, sendo certo que a Lei 11.457/2007 não possui tal característica. Outra suposta omissão levantada pela Embargante diz respeito a existência de duas sentenças judiciais que já teriam reconhecido a sua imunidade. Segundo a Embargante, isso teria ocorrido nos autos dos processos n° 2000.34.00.0436285 e 2002.34.00.0227100. Ao examinar os autos, verifico que não há qualquer menção a tais processos no Recurso Voluntário. Apenas na manifestação de fls. 748 a 783, a Embargante informa a existência de uma decisão que lhe socorreria, aquela proferida nos autos do processo nº 2002.34.00.0227100. Como se verifica da documentação acostada aos embargos, a decisão proferida nos autos do processo n° 2000.34.00.0436285 é expressa ao afirmar que não está reconhecendo a imunidade à Embargante, mas que está tãosomente cancelando créditos tributários lançados pelas NFLDs 31.721.2010, 31.721.2028, 31.721.2036 e 31.721.2044, em razão da declaração de nulidade do ato cancelatório, por violação ao devido processo legal. Já a sentença proferida nos autos do processo nº 2002.34.00.0227100, sem aqui se adentrar quanto à pertinência de seu conteúdo para o que se discute no presente processo administrativo, foi reformada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região8, como é possível verificar em consulta ao sítio eletrônico do tribunal em referência. Portanto, além desse ponto não ter sido ventilado em momento oportuno no processo, percebese que a sua apreciação não tem qualquer relevância para o desfecho da lide, de modo que, apesar de não terem sido apreciados, não há que se falar em omissão. A Embargante ainda sustenta que só seria possível lançar qualquer crédito tributário após o cancelamento prévio da imunidade da beneficiária em processo próprio e que a MPV 446/08 teria renovado de forma incondicional o CEAS e teria reconhecido a imunidade da Embargante, o que impediria o cancelamento da imunidade no presente processo. Mais uma vez, tratamse de questões novas, que não foram ventiladas pela Embargante no decorrer do processo, não se verificando qualquer omissão no julgado quanto a esse ponto. Por último, o Embargante alega que os fatos utilizados pelo acórdão para concluir pelo desrespeito as normas dos incisos IV e V do artigo 55 da lei n° 8.212/91 já teriam 7 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; 8 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ENTIDADE BENEFICENTE. RENOVAÇÃO DO CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL CEAS. DIREITO ADQUIRIDO EM REGIME ANTERIOR. INEXISTÊNCIA. IMUNIDADE E ISENÇÃO. REQUISITOS DO ART. 14 DO CTN E DO ART. 55 DA LEI 8.212/1991. NÃO PREENCHIMENTO. 1. É desnecessária a intimação da parte embargada para responder a embargos declaratórios opostos, quando a pretensão recursal, sem que veicule novos argumentos, destinase efetivamente a sanar vício de omissão acerca de questão que deveria haver sido solucionada pelo acórdão embargado (AgRg 490129). Preliminar de cerceamento de defesa afastada. 2. O Ministério Público Federal não tem legitimidade para recorrer sobre questões de política tributária, referentes à concessão de imunidades e isenções. 3. O fato de a entidade ter sido reconhecida como entidade filantrópica em regime anterior não a isenta da necessidade de renovação dos certificados pertinentes ao usufruto da imunidade em comento nem do preenchimento dos requisitos para sua concessão. Ausência de direito adquirido. 4. A empresa autora não preencheu os requisitos para concessão da imunidade, nos termos do art. 14 do CTN, e nem para isenção, nos termos do art. 195, § 7º, da Carta Magna, contidas no art. 55 da Lei 8.212/1991. 5. Apelação do Ministério Público Federal não conhecida. 6. Apelação da União Federal e remessa oficial, tida por interposta, a que se dá parcial provimento. 7. Apelação da autora a que se julga prejudicada. (AC 002265515.2002.4.01.3400 / DF, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL MARIA DO CARMO CARDOSO, Rel.Conv. JUIZ FEDERAL ANDRÉ PRADO DE VASCONCELOS (CONV.), OITAVA TURMA, eDJF1 p.4091 de 12/06/2015) Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 10735.001992/200221 Acórdão n.º 3401003.184 S3C4T1 Fl. 1.258 11 precluído ou teriam sido afastados por decisões da própria administração ou ainda estão pendentes de julgamento em processo administrativo. Também nesses pontos não merece prosperar o apelo da Embargante. Na realidade, a Embargante, sem demonstrar qualquer omissão, pretende é rediscutir a matéria já decidida no acórdão embargado, qual seja, a manutenção do lançamento pelo não cumprimento pela Embargante dos requisitos dos incisos IV e V do artigo 55 da lei n° 8.212/91, o que não se admite em sede de Embargos de Declaração. Pelo exposto, voto pelo conhecimento dos embargos de declaração opostos, para negar provimento ao recurso e reconhecer, de ofício, a decadência em relação aos créditos tributário lançados cujos fatos geradores são anteriores a Dezembro de 1996. É como voto. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01 /06/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYER L
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Numero do processo: 16682.720155/2011-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001
LANÇAMENTO. AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF.
Comprovado em diligência a procedência parcial das alegações do recurso, deve-se conceder os créditos pleiteados nos termos apurados na diligência fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-002.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Igor Saldanha, OAB/DF nº 20191.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF. Comprovado em diligência a procedência parcial das alegações do recurso, devese conceder os créditos pleiteados nos termos apurados na diligência fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Igor Saldanha, OAB/DF nº 20191. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 01 55 /2 01 1- 35 Fl. 3315DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) de crédito originário de pagamento efetuado a maior relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (código 21721) devida para o período de março de 2001. A DEMAC/RJO exarou o despacho decisório de fl. 67, com base no Parecer Conclusivo nº 11/2011 (fls. 64/66) decidindo não reconhecer o direito creditório pleiteado e, em decorrência, não homologar a compensação declarada. No despacho decisório consta consignado, em resumo, que: a) O contribuinte foi intimado a justificar a redução do débito de COFINS declarado na DCTF retificadora. Em resposta, apresentou as justificativas em fls. 37/38, cópia de ajustes SAS, planilha com os ajustes extracontábeis, demonstrativo sumário de apuração da base de cálculo e cópia das quatro primeiras páginas do balancete de verificação. Posteriormente apresentou documentos de fls. 9/30; b) A intimação nº 1.041/2010 no presente processo requisita a prestação de esclarecimentos e apresentação de documentos idênticos aos exigidos no conjunto das intimações semelhantes, efetuadas em outros processos de compensação, recebidas pela contribuinte ao longo do ano de 2010, todas respondidas pelo sr. Carlos Alberto dos Santos, Gerente Setorial de Relacionamento com Órgãos Federais da empresa Petrobras. A partir das informações constantes da planilha demonstrativa da apuração da base de cálculo e do balancete de verificação apresentados nos demais processos, foi possível proceder à análise da retificação efetuada pela contribuinte que resultou na redução de débito analisada; c) Na resposta à intimação efetuada no presente processo, a contribuinte, tendo solicitado por duas vezes prorrogação de prazo para resposta, apresentou, para cada uma das DCOMP em questão, entre outros documentos, demonstrativo de receitas sumário sem o detalhamento de todas as contas contábeis, bem como, no caso da presente DCOMP, apenas parte inicial do balancete de verificação, a qual não contém a relação detalhada dos saldos de todas as contas de receitas, necessária para a apuração da base de cálculo do débito em questão. Dispondo apenas destas informações incompletas, não é possível proceder à análise das reduções de débitos realizadas pela contribuinte, que originaram os supostos créditos objeto das compensações ora pleiteadas; d) Considerando que a contribuinte já tinha conhecimento do tipo de informação que deveria prestar, por ter sido intimada reiteradas vezes em períodos recentes a apresentar as mesmas Fl. 3316DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16682.720155/201135 Acórdão n.º 3201002.056 S3C2T1 Fl. 3.315 3 informações, tendo as apresentado, em casos anteriores, da forma detalhada necessária a viabilizar a análise e não da forma sumária que agora apresenta, considerando já ter sido concedido prazo suficiente para a resposta e face à exiguidade do prazo restante para análise das DCOMP, dado o volume de informações e a iminência da homologação tácita, mostrase incabível e inviável nova intimação da contribuinte, bem como não é possível reconhecer o direito creditório informado nas declarações de compensação, tendo em vista a ausência de comprovação de erro existente em sua DCTF original e de esclarecimentos que justifiquem a redução do débito. A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório em 29/03/2011 (fl. 75/76) e apresentou Manifestação de Inconformidade em 27/04/2011 (fls. 77/82), alegando, em síntese que: a) O recolhimento da contribuição era efetuado em base de cálculo estimada. Após o fechamento contábil eram realizados diversos ajustes para obtenção da base de cálculo definitiva; b) Embora a venda de óleo leve, código de produto 65D, seja contabilizada na conta do óleo diesel, a tributação do PIS e da COFINS é efetuada pela alíquota geral, conforme tabela 1 e legislação em vigor. Junta cópia das notas fiscais; c) Embora a venda de gasolina de aviação, código de produto 623, seja contabilizada na conta de gasolina, a tributação do PIS e da COFINS é efetuada pela alíquota geral, conforme tabela 2 e legislação em vigor. Junta cópia das notas fiscais; d) Embora a venda de propeno, código de produto 614, seja contabilizada na conta de GLP, a tributação do PIS e da COFINS é efetuada pela alíquota geral, conforme tabela 3 e legislação em vigor. Junta cópia das notas fiscais; e) A IN 219/2002 assegura o procedimento adotado, pois os gases liquefeitos de petróleo (GLP) para efeito de tributação da CIDE Combustíveis são os classificados nos códigos 27.11.1; f) Todos os ajustes extra contábeis (SAS) aumentaram a base de cálculo. Tais ajustes referemse a receitas identificadas após o fechamento contábil, mas que devem compor a base de cálculo na competência devida. Estas receitas foram contabilizadas no mês seguinte; g) A base de cálculo de outras receitas teve alteração (estimado x definitivo), conforme tabela 5; h) O procedimento adotado no que se refere ao saldo credor da variação cambial,estornando da base de cálculo das contribuições o saldo credor, encontra amparo na jurisprudência e na doutrina; i) O valor do PIS e da COFINS devidos após os ajustes está demonstrado na tabela 6; j) A planilha de apuração definitiva está coerente com o Balancete patrimonial; k) Segue em anexo planilha comparativa do valor estimado x definitivo, cópia do balancete, planilha de exportações e ajustes extracontábeis. l) Requer seja julgada procedente a manifestação de inconformidade e homologada a compensação declarada." Fl. 3317DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pela manutenção do despacho decisório. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 REGIME ESPECIAL DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. ÓLEO DIESEL. O produto classificado no código 2710.00.41 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) corresponde a óleo diesel, cuja receita de venda, pelas refinarias de petróleo, está sujeita ao regime especial de tributação concentrada relativo ao PIS/Pasep. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. A manifestação de inconformidade apresentada contra decisão que reconheceu em parte o direito creditório pleiteado deverá conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e deverá vir acompanhada dos dados e documentos comprovadores dos fatos alegados. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO SUB JUDICE. É vedado, para fins de compensação, aproveitar crédito, objeto de disputa judicial, antes de transitar em julgado a decisão favorável ao sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido " Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação, e destacando as divergências encontradas em relação a 3 (três) produtos, que podem ser assim resumidos: Óleo Leve A Recorrente escriturou na conta 3110.101 as receitas advindas da venda de Óleo Diesel e de Óleo Leve (produto 65D) e aplicou aos dois produtos a alíquota de 10,29%, entretanto deveria ter aplicado ao Óleo Leve a alíquota de 3%, o que causou um recolhimento a maior da contribuição. Gasolina de Aviação O mesmo problema ocorreu com a gasolina de aviação (produto de código 623, sobre a qual incidiria a alíquota de 3%), que foi escriturado na conta contábil 3110102, junto com a gasolina em geral que sofre uma tributação de 12,45%. Sendo assim, erroneamente aplicado uma alíquota superior, que gerou o pagamento indevido. Propeno Mesma situação ocorreu com o Propeno (produto de código 614, sujeito a alíquota geral da contribuição) que foi escriturado na mesma conta contábil do Gás Liquefeito de Petróleo GLP, sobre o qual aplicase a alíquota de 11,84%, sendo assim, também neste Fl. 3318DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16682.720155/201135 Acórdão n.º 3201002.056 S3C2T1 Fl. 3.316 5 caso o Propeno também foi submetido a uma alíquota superior a devida, ocorrendo o pagamento indevido. A Recorrente finaliza o recurso apresentado planilhas de cálculos em que estariam detalhadas os ajustes na base de cálculo da contribuição em razão da utilização equivocada das alíquotas para o óleo leve, a gasolina de aviação e o Propeno. Na apreciação do recurso voluntário, a turma resolveu converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora processe a análise dos documento fiscais de fls. 698 a 851 à luz dos argumentos apresentados no recurso voluntário e realizase as verificações pertinentes tendentes a verificar a procedência dos erros alegados na escrituração e na aplicação de alíquotas divergentes para o óleo leve, a gasolina de aviação e o propeno, fazendo as intimações e diligências necessárias, elaborando relatório sobre as atividades realizadas. A Unidade de Origem procedeu a diligência, consubstanciado no relatório fiscal (fls. 886 a 887). Nos termos da diligência, a Fiscalização realizou a auditoria confirmando parcialmente as alegações da Recorrente, que foram assim detalhados no relatório. "Assim sendo, confirmamos as notas fiscais do óleo leve apresentadas, de n°s 36662 à 37048, com intervalos, no total de 255 NF´s e valor de R$ 27.302.499,19 conforme a planilha apresentada de fls. 849 (em documento zipado, 1a aba). Portanto, valor inferior ao constante na planilha de fl. 42 ou 147 que é de R$ 27.321.957,66 para óleo leve e R$ 1.560.659.939,50 para o óleo diesel. Em relação ao propeno, apresenta conforme notas fiscais do propeno Reduc (fls. 744/779) e planilha de notas fiscais (fls. 849 zipado 4a aba) 36 notas fiscais com intervalos de 118365 à 119804 no valor total de R$ 12.675.775,89. Já em relação ao propeno RLAM, conforme notas fiscais de fls. 781/806 e planilha de fl. 849 – 5a aba apresenta para as 26 NF´s de n°s 87869 à 88653, em intervalos, o valor total de R$ 4.665.135,97. Somando os valores do propeno Reduc com propeno Rlam teremos R$ 17.340.911,86 valor este inferior ao constante da tabela fl. 42 e 147 que era de 18.181.944,48 para o propeno e 224.451.051,40 para o GLP. Em relação à gasolina de aviação, das fls. 698 a 851 não constam as notas fiscais, logo não podemos confirmar o valor de R$ 5.292.070,00 apresentado na planilha (fl. 849) e tabela (fl. 42 ou 147)" Cientificada das conclusões da diligência, a Recorrente veio aos autos e se manifestou (fls. 895 a 898), alegando que a diligência fiscal não procedeu a análise dos documente e fatos apresentados pelo contribuinte, mas, apenas a constatação de valores apresentados pela própria requerente em suas planilhas, desconsiderando as informações relativas a gasolina de aviação. Alega que não foi considerada a totalidade da documentação fiscal apresentadas. Fl. 3319DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 A diligência desconsiderou os valores correspondentes às notas fiscais de N BUTANO (produto 61E), que segundo a Recorrente, seria produto de mesma natureza e tratamento tributário idêntico ao propeno REDUC e RLAM. As saídas deste produtos complementariam o montante declarado nas planilhas apresentadas pela Recorrente sob a rubrica GLP Nacional (conta 3110107). Quanto a gasolina de aviação, afirma que o auditor não cumpriu corretamente a diligência ao se ater as notas fiscais constantes dos autos, pois, consta dos autos cópia do Livro Fiscal, bem como os espelhos das notas fiscais, os quais sequer foram objeto de avaliação. A Recorrente prossegue afirmando, que por se tratar de período muito antigo (março de 2001), muitos documentos fiscais não puderam ser recuperados, no entanto, a ausência de notas fiscais não pode ser motivo suficiente para a Receita Federal se negar a cumprir a diligência fiscal. A Recorrente traz documento junto com sua manifestação sobre a diligência, afirmando que os documentos apresentados seriam prova suficiente para comprovar o direito creditório, inclusive para à gasolina de aviação. Por fim, pede a realização de diligência para verificar os novos documentos apresentados. Com estas considerações, os autos retornaram ao CARF para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A teor do relatado a diligência fiscal não somente se ateve a verificar os documentos que foram trazidos junto com o recurso voluntário, fez ainda, intimação a Recorrente para apresentar documentos complementares (fl. 877) , assim, não pode prosperar a alegação que o trabalho não procedeu a análise das informações trazidas nos autos ou não tenha cumprido corretamente a diligência. A Recorrente quando da apresentação do seu recurso voluntário afirmou que os documentos trazidos aos autos comprovavam o seu direito creditório e a turma ao determinar a diligência determinou que a Unidade de Origem realizase a auditoria nos documentos. A autoridade fiscal identificando a ausência de Notas Fiscais que comprovariam o crédito pleiteado, conforme detalhado no relatório de diligência. Consultando os autos, é possível identificar que a Recorrente teve várias chances de apresentar as notas fiscais referentes ao seu direito creditório, em diversos momentos do processo. Destarte não pode prosperar o pedido de nova diligência para verificar novos documentos, trazidos quando da sua manifestação sobre a diligência. A Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância e apresentou seu recurso voluntário, ou seja, conhecendo as conclusões da Fiscalização e da decisão da Fl. 3320DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16682.720155/201135 Acórdão n.º 3201002.056 S3C2T1 Fl. 3.317 7 primeira instância, apresentou seu recurso voluntário, trazendo documentos fiscais, que segundo suas alegações comprovariam o seu direito creditório. A turma de julgamento no CARF, de forma diligente determinou a realização de diligência para verificar os documentos apresentados no recurso voluntário. A autoridade fiscal ao realizar a diligência, ainda apresentou nova intimação à recorrente para trazer documentos complementares. A observação do procedimento adotado pela Fiscalização mostra que foi dado conhecimento a Recorrente, das alegações e das conclusões para não homologar os pedidos de compensação. Não pode prosperar, a alegação que o trabalho como superficial e baseado apenas em indícios. A fiscalização atuou de forma diligente e dentro dos procedimentos legais. A recorrente, apesar de todo o tempo decorrido, não apresentou todos documento ou esclarecimentos necessários para comprovar o seu direito creditório. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação. Autorizar a compensação com créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A comprovação dos créditos pleiteados necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte alega a existência do indébito tributário, sem apresentar provas a comprovar as suas alegações. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por falta de comprovação do crédito alegado pela Recorrente. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória não é suficiente para alterar o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, muito menos, obrigar a Fiscalização da Receita Federal que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 A unidade preparadora, em atendimento a diligência determinada pelo CARF, procedeu à verificação dos documentos apresentados pela recorrente, concluindo pela procedência parcial do recurso voluntário, nos termos consubstanciados no relatório da diligência fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos constantes do relatório de diligência fiscal de fls. 886 a 887. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 3321DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 Fl. 3322DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 18470.724577/2014-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do Relatório e do Voto do relator.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do Relatório e do Voto do relator. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 70 .7 24 57 7/ 20 14 -4 3 Fl. 1946DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 18470.724577/201443 Resolução nº 2402000.555 S2C4T2 Fl. 1.947 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração que integra o presente processo. O lançamento em questão referese à exigência de Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte IRRF, em razão de irregularidade consubstanciada em "pagamento não identificado ou sem causa operação não comprovada". Transcrevo excerto do relatório da decisão recorrida que bem reflete a situação fática que deu ensejo lançamento: "Informou o Termo de Constatação e Informação Fiscal – TVIF (fls. 475/480): A contribuinte foi intimada e reintimada a apresentar os documentos de suporte aos lançamentos encontrados na conta de passivo 2.01.01.01.03 FORNECEDORES NACIONAIS INTEGRAÇÃO em especial em relação ao fornecedor FLEXPACK Ind. de Embalagens, CNPJ 36.123.339/000122 (como consta dos registros) bem como os da conta de passivo de longo prazo 2.02.01.01.03 FINANCIAMENTOS e, ainda, com os esclarecimentos quanto à sua motivação. Foram elaboradas planilhas extraídas da contabilidade com os referidos lançamentos. A contribuinte não apresentou os documentos nem os esclarecimentos solicitados, alegando em princípio que estariam disponíveis para exame e, a final, como consta da sua última resposta, que não teriam sido localizados, sendo, pois, considerados inexistentes para fins da comprovação necessária. A conta 2.01.01.01.03 FORNECEDORES NACIONAIS INTEGRAÇÃO começa o ano com saldo de R$ 1.071.629,00 e termina com R$ 1.215.090,93. No mês de janeiro o saldo inicial vai sendo paulatinamente reduzido por pagamentos com contrapartidas principalmente nas contas 1.01.01.02.04 BANCO ITAU S/A MARECHAL HERMES e 1.01.01.02.05 BANCO BRADESCO S/ANTLOPOLIS com os seguintes históricos: LANÇAMENTOS DOS SISTEMAS GERADORES CAP AP número FLEXPACK IND. DE EMBALAGENS LTDA CHEQUE, atribuídos aos mais diversos centros de custos (administração, RH, diretoria, jurídico, representantes), a princípio, incoerentes. No último dia do mês, o saldo é alimentado com um crédito com contrapartida na conta 2.02.01.01.03 FINANCIAMENTOS com histórico de valor referente transferência para melhor classificação, e recomeça a redução do mesmo com os mesmos tipos de pagamentos e referencias, e assim se repete até o fim do exercício. Fl. 1947DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 18470.724577/201443 Resolução nº 2402000.555 S2C4T2 Fl. 1.948 3 A contribuinte não apresentou os documentos nem os esclarecimentos a respeito dessas contas, não se podendo determinar a causa nem comprovar a operação. Essa conta tem movimentação única de pagamentos atribuídos a Flexpack por cheques principalmente contra o Itaú e o Bradesco, sendo alimentada pela conta de passivo “Financiamentos”, representando também suas únicas movimentações. A par desse relacionamento contábil vinculado a Flexpack, é certo que o numerário saiu das contas Banco Itaú e Banco Bradesco significando, portanto, um pagamento. Assim, ainda que se considerasse identificado o beneficiário do pagamento, a causa deste, a operação que deu causa ao pagamento não ficara comprovada. Diante disso, o Fisco, com base no Decreto nº 3.000, de 1999, art. 674 § 1º (que tem por base legal a Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º) considerou ocorrido pagamento sem causa, procedendo à lavratura do auto de infração. Tendo em vista o disposto no § 3º do referido artigo 674, foi considerado líquido o valor pago, sendo reajustada a base de cálculo do IRRF. Foi dada ciência do Termo de Constatação Fiscal à contribuinte (fl. 480), tendo sido esclarecido que além dos demonstrativos e planilhas anexas ao termo, seriam juntados no processo administrativo os termos, as declarações, as respostas, cópias dos contratos e alterações e os demais documentos pertinentes, que poderiam ser consultados pelo representante da contribuinte. Consequentemente, foi lavrado o auto de infração (fls. 481/507) que exigiu IRRF no valor de R$ 14.292.370,41; Multa de ofício de R$ 10.719.278,21 e juros de mora de R$ 5.203.197,74 (cálculo válido até maio de 2014), totalizando o crédito tributário de R$ 30.214.846,36." O contribuinte apresentou impugnação de fls. 515/522, cujas razões não foram acatadas pela DRJ, que manteve o lançamento na íntegra. Irresignado, o sujeito passivo interpôs o recurso de fls. 1.489/1.499, no qual, após breve relato dos fatos processuais, abordou os pontos abaixo sintetizados. O lançamento deve ser nulificado, posto que, após a ciência do lançamento pelo sujeito passivo, foram incluídos nos autos provas fundamentais. Tal medida representa inconcebível cerceamento ao seu direito de defesa. Sustenta que o fisco afirma em Termo de Constatação de Infração Fiscal que houvera anexado planilhas apresentando lançamentos contábeis que teriam motivado a autuação, todavia, o recorrente jamais tomou conhecimento desses demonstrativos. A falta de conhecimento das referidas planilhas impediu a empresa de conhecer o inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, o que conduz à nulidade da lavratura. No mérito, afirma que não procede a conclusão da DRJ de que o contribuinte não teria comprovado a existência da obrigação que motivou os pagamentos tidos como sem causa, haja vista que foram anexadas (doc. 03 da defesa) todas as notas fiscais que deram origem à dívida liquidada com os pagamentos em questão. Fl. 1948DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 18470.724577/201443 Resolução nº 2402000.555 S2C4T2 Fl. 1.949 4 Sustenta que o fisco jamais questionou a idoneidade das notas fiscais, portanto, se estas são idôneas a obrigação é legítima. Nesse sentido não caberia ao órgão de julgamento manter a autuação com base em argumento que a própria autoridade lançadora não mencionou em seu relato. Para espancar qualquer dúvida acerca do registro contábil das obrigações, junta cópias de folhas do Livro Diário (doc. 05), onde restam demonstrados os lançamentos das notas fiscais que deram causa aos pagamentos sob análise. Desse modo, ficaria comprovada contabilmente a escrituração das operações, inclusive aquelas relativas a anos anteriores. Reproduz excerto de sua impugnação, onde em síntese afirma que comprova mediante notas fiscais, extratos bancários e registros contábeis não só a existência da obrigação, mas também os seus correspondentes pagamentos. Ao final, pugna pelo provimento integral do recurso, com reforma da decisão da DRJ. É o relatório. Fl. 1949DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 18470.724577/201443 Resolução nº 2402000.555 S2C4T2 Fl. 1.950 5 VOTO Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Nos termos do despacho de fl. 1.487, o sujeito passivo teve acesso à intimação da decisão de primeira instância no dia 06/02/2014, conforme o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fl. 1.487. A interposição do recurso ocorreu em 09/03/2015, conforme carimbo de recebimento aposto pela repartição da RFB, fl. 1.489. Deve, portanto, ser conhecido o recurso por atender aos requisitos de tempestividade e legitimidade. Necessidade da conversão do julgamento em diligência Segundo o fisco, a empresa teria deixado de apresentar os documentos que deram suporte aos lançamentos contábeis considerados pagamentos sem causa, dando ensejo ao lançamento de ofício. Na impugnação foram acostadas lista de pagamentos efetuados com indicação das notas fiscais correspondentes e cópias das referidas notas. A DRJ manteve o lançamento ao principal argumento de que a impugnante não teria demonstrado contabilmente as obrigações correspondentes as notas fiscais acostadas. O sujeito passivo em seu recurso apresenta cópias dos livros diários onde supostamente estariam escrituradas as operações comerciais das quais decorreram os pagamentos. Assim, considerando que o fisco não tomou conhecimento dos documentos acostados à defesa e ao recurso, é prudente que, por respeito ao princípio da verdade material, convertase o presente julgamento em diligência de modo que a autoridade lançadora possa se manifestar, emitindo parecer conclusivo se os documentos em questão (notas fiscais e cópias do Livro Diário) são hábeis a alterar o lançamento. Após o pronunciamento do fisco, devese oportunizar o prazo legal para a recorrente se pronunciar. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1950DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 10855.724953/2012-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2008
MULTA ISOLADA QUALIFICADA. APLICABILIDADE.
Quando da utilização de créditos de compensação inexistentes, não declarados, não recolhidos ou não parcelados e não tendo sido promovida qualquer retificação das GFIPs pelo contribuinte, caracterizada a má-fé, aplicável a multa no referido percentual de 150%, consoante disposto no art. 89, § 10 da Lei nº 8.212/91.
Numero da decisão: 9202-003.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que deram provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2008 MULTA ISOLADA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. Quando da utilização de créditos de compensação inexistentes, não declarados, não recolhidos ou não parcelados e não tendo sido promovida qualquer retificação das GFIPs pelo contribuinte, caracterizada a máfé, aplicável a multa no referido percentual de 150%, consoante disposto no art. 89, § 10 da Lei nº 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que deram provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 49 53 /2 01 2- 10 Fl. 643DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10855.724953/201210 Acórdão n.º 9202003.932 CSRFT2 Fl. 644 2 Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2401003.243, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 16 de outubro de 2013 (efls. 571 a 581). Ali, pelo voto de qualidade, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, a fim de que fosse afastada a aplicação das penalidades consubstanciadas no DEBCAD 51.031.1717 na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2008 COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS DE EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO PARA ELETROBRÁS. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos que sabidamente não eram passíveis de compensação com contribuições sociais, como é o caso dos valores decorrentes de empréstimo compulsório à Eletrobrás. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE CONFIGURAÇÃO. Diante da ausência de omissão ou incorreção dos valores declarados em GFIP, não há como sustentar a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para afastar a aplicação das penalidades consubstanciadas no DEBCAD nº 51.031.1717 (multa CFL 68 Omissão de GFIP). Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim (relatora), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Igor Araújo Soares, que davam provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Enviados os autos à contribuinte para fins de ciência da decisão, ocorrida em 29/07/2014 (efl. 591), a autuada apresenta, em 12/08/2014 (efl. 593), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 593 a 601). Fl. 644DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10855.724953/201210 Acórdão n.º 9202003.932 CSRFT2 Fl. 645 3 Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 07 de abril de 2012, no Acórdão 120100.238, de lavra da 1a. Turma Ordinária da 2a. Câmara da 1a. Seção deste CARF, de ementa e decisão a seguir transcritas. Acórdão 1201000.238 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PERD/COMP. EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO ELETROBRÁS. Créditos decorrentes de indébitos do empréstimo compulsório para a Eletrobrás não são compensáveis com débitos de outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Pedidos de compensação de tais tributos, formulado pelo contribuinte via PERDCOMP, não ensejam multa qualificada de 150%. Remessa ex officio a que se nega provimento. Decisão: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio e não conhecer do recurso voluntário por causa do pedido de desistência do mesmo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Em linhas gerais, argumenta a contribuinte que: a) A Recorrente só promoveu a compensação a partir do momento em que já tramitava a ação judicial pleiteando o direito que entendia lhe caber, deixando de fazêlo assim que foi intimada, na pessoa de seu advogado, do trânsito em julgado da decisão que homologou a sua desistência do recurso; b) agiu de forma pública, clara e transparente, declarando ao Fisco todo o seu proceder, não havendo que se falar em fraude , dolo e/ou simulação, pois a Recorrente prestou as informações corretas, não agiu na surdina e tampouco teve a intenção de lesar os cofres da União, já que era e é portadora das Cautelas descritas , que lhe conferem, em tese, créditos tributários; c) não praticou qualquer crime contra a ordem tributária e entendia estar juridicamente amparada, razão pela qual não se configura nenhuma das hipóteses apontadas (sonegação, fraude e conluio dos artigos 71,72 e 73 da Lei no. 4.502, de 30 de novembro de 1964), como inclusive exatamente reconhecido pelo vergastado. Entende que pode ter agido de forma culposa, talvez por negligência, mas essa conduta típica, praticada sem o dolo específico, não caracteriza crime, como dispõe o parágrafo único, do art. 18 do Código Penal; d) Acreditava realmente ter os créditos que buscou utilizar para fins de compensação, ressaltando a tese de possibilidade de compensação com base no art. 374 do Código Civil, cuja revogação reputa inconstitucional. Requer, assim, o conhecimento do recurso e seu provimento para que seja cancelada ou ao menos reduzido o percentual da multa isolada aplicada. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 629 a 631. Encaminhados os autos à PGFN para fins de ciência, a Fazenda Nacional apresenta contrarrazões de efls. 636 a 638, onde: Fl. 645DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10855.724953/201210 Acórdão n.º 9202003.932 CSRFT2 Fl. 646 4 a) Cita o posicionamento deste CARF no sentido de inadmissibilidade de utilização de direitos de crédito contra a Eletrobrás para fins de compensação, já inclusive sumulado (Súmula CARF no. 24); b) Entende como notório que os títulos da Eletrobrás não são instrumentos hábeis para a compensação tributária citando que "(...) Qualquer um que milite na área tributária e previdenciária sabe da existência de um verdadeiro mercado paralelo de comercialização desses títulos, os quais, até mesmo por conta da sua baixa liquidez, são oferecidos por valores bastante inferiores ao seu valor de face."; c) Entende, assim, que o contribuinte que utiliza títulos desta natureza para fins de compensação, anteriormente ao trânsito em julgado de decisão judicial favorável, sabe de antemão que o seu crédito não existe e que o mesmo não pode ser aceito para tal finalidade. Assim, a sua declaração em GFIP é falsa, inexistindo necessidade de comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação para que a multa isolada em questão possa ser aplicada; Defende assim o não provimento do Recurso Especial, sendo de se manter a multa isolada sob análise É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente, prequestionamento e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Em análise o § 10 do art. 89 da Lei nº. 8.212, de 1991, verbis: Lei 8.212/91 Art. 89 (...) (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Como já tive oportunidade de me manifestar, em outros feitos no âmbito desta Câmara Superior, entendo que busca o dispositivo acima penalizar a inserção dolosa de informações falsas na declaração efetuada pelo sujeito passivo, quando de caracterização de compensação indevida. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10855.724953/201210 Acórdão n.º 9202003.932 CSRFT2 Fl. 647 5 A hipótese levantada pela Douta Procuradoria no sentido de que, independentemente da existência de dolo específico quanto à falsidade na GFIP apresentada, aplicarse ia o percentual em dobro, levaria à conclusão de que qualquer compensação considerada indevida em sede de contribuições previdenciárias, por posterior conclusão, pela Administração Tributária, no sentido de não liquidez e certeza do crédito utilizado, estaria sujeita à penalidade do dobro do percentual previsto no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o que rechaço. Entendo que a melhor interpretação do dispositivo é no sentido de que somente quando ciente da divergência entre a alegada existência e/ou a liquidez e certeza dos créditos compensados e a realidade fática, ou seja, quando da inexistência de dúvida razoável acerca da inexistência, iliquidez ou incerteza dos direitos creditórios e, ainda assim, o contribuinte os insere, de forma dolosa, como direitos creditórios em sua declaração (GFIP), de forma a tentar alterar a verdade do fato jurídico tributariamente relevante, ou seja, a verdade acerca da existência de crédito tributário não extinto em favor da Fazenda Pública, estaria o contribuinte a inserir informação falsa naquela GFIP. Uso aqui da linguagem empregada juridicamente pelo Egrégio TRF da 4a. Região, no âmbito do MS no. 500044046.2012.404.7111, onde se teve de abarcar análise do termo "falsidade" para fins de declarações de compensação tributária, para manter o entendimento que se limita a multa isolada, no caso de compensações de natureza não previdenciária, às compensações realizadas pelo contribuinte com "máfé". Noto que ainda que se esteja, no referido mandamus, a se analisar o §17 do art. 74 da lei no. 9.430, de 1996, tal fato não limita sua aplicabilidade ao presente caso, visto se estar a tratar, ali também, de multa que se depreende até menos gravosa do que a decorrente de falsidade em sede de declaração de compensação (dada a coincidência de vocábulos entre o referido § 17 do art. 74 da Lei no. 9.430, de 1996, e o §10 do art. 89, da Lei no. 8.212, de 1991, sob análise). Reproduzse abaixo o teor do decisum de mérito "(...) DISPOSITIVO: Ante o exposto, CONCEDO a segurança pleiteada nos autos do presente mandado de segurança, extinguindo o feito com resolução de mérito, nos termos do art. 269, I, do CPC, para, dando interpretação conforme à Constituição, afastar a aplicação das multas previstas nos parágrafos 15º e 17º do artigo 74 da Lei 9.430/96, com redação dada pelo artigo 62 da Lei 12.249/10, em caso de mero indeferimento de pedidos de ressarcimento, restituição ou compensação, já protocolados e sem decisão administrativa ou que venham a ser protocolados, ressalvada a possibilidade de incidência da multa, acaso caracterizada máfé da contribuinte.(g,n,) Ilustro que o feito supra se encontra admitido já com reconhecimento de repercussão geral junto ao STF, no âmbito do RE 796.939/RS, pendente de apreciação. Destarte, entendo que somente nesta hipótese (se agir o contribuinte contra a existência de dúvida razoável, ou seja com máfé na declaração) de se aplicar o §10 do art. 89 Fl. 647DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10855.724953/201210 Acórdão n.º 9202003.932 CSRFT2 Fl. 648 6 em questão, com a consequente aplicação do percentual de 150% para fins de cálculo da penalidade, no caso de compensação de contribuições previdenciárias. Como exemplo de tal hipótese, pode ser citada a adoção de tese jurídica estapafúrdia, pouco razoável (o que não se confunde com uma tese jurídica bastante contestada judicialmente, ou com um crédito de natureza controvertida) Ou seja, excluo de tais situações (de aplicação da multa no percentual de 150%, quando de compensação indevida) aquelas onde há dúvida razoável, devidamente comprovada, acerca da liquidez e certeza do direito creditório, existente e utilizado para fins de compensação (onde, entendo, age o contribuinte de boafé) também no caso de contribuições previdenciárias, em plena consonância com o decisum acima reproduzido. Notese que a não aplicação da multa no percentual de 150%, no caso de inexistência de máfé, não exclui, in casu, a responsabilidade pela infração da compensação indevida, permanecendo, assim, plenamente observado o teor do art. 136 do Código Tributário Nacional. Feita tal digressão, resta definir se, no caso sob análise, restou caracterizada a inexistência dos direitos creditórios utilizados para compensação e/ou hipótese de dúvida pouco razoável ou não devidamente comprovada acerca de sua liquidez e certeza, no caso das competências para as quais se aplicou o percentual duplicado, por compensação indevida. Ou seja, definir se o contribuinte agiu de boafé ou não. In casu, verifico, que ainda que tenha restado caracterizada a interposição de ação judicial pela autuada (Ação Ordinária 2006.61.10.0014772): a) os direitos creditórios que se tencionava utilizar (oriundos de títulos de emissão da Eletrobrás) já eram objeto de pacífica rejeição por parte da jurisprudência administrativa, inclusive consoante Súmula CARF no. 24, cujos Acórdãos Paradigmas que lhe deram origem, notese, datam todos de período anterior às competências em que a autuada tentou efetuar tal compensação 12/2006 a 12/2008 (Acórdão nº 30332277, de 10/08/2005, Acórdão nº 30132112, de 13/09/2005, Acórdão nº 30132156, de 19/10/2005, Acórdão nº 302 37140, de 10/11/2005 e Acórdão nº 30332636, de 10/12/2005 Acórdão nº 30332636, de 10/12/2005); b) Em nenhum momento se vislumbra, na referida Ação Ordinária (efls. 258 a 305), evidência de atendimento ao pedido de antecipação de tutela ali deduzido, de forma a que se pudesse cogitar da possibilidade de compensação antes do trânsito em julgado da referida ação (em dissonância ao disposto no art. 170A do CTN). Pelo contrário, conforme muito bem levantado pela autoridade julgadora de primeira instância (efl.385), à época da compensação já havia decisão reconhecendo a prescrição dos direitos creditórios que se tencionou utilizar para fins de compensação, sendo pouco razoável que se pudesse admitir a reversão desta decisão, visto se estar a tratar, no presente caso, de títulos emitidos há mais de 30 anos (preliminar impeditiva da compensação, notese, ainda que se cogitasse da aplicação do art. 374 do Código Civil), verbis: (...) tratamse de 32 Cautelas de Ação ao Portador do Empréstimo Compulsório, instituído pela União Federal em favor das Centrais Elétricas Brasileiras – Eletrobrás, emitidas em 16 de junho de 1972, dos quais seria portador. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10855.724953/201210 Acórdão n.º 9202003.932 CSRFT2 Fl. 649 7 São tais supostos créditos que ele oferece para pagamento – mediante compensação – de suas obrigações tributárias devidas à Seguridade Social a partir de procedimento iniciado em dezembro de 2006. Tal fato, a toda vista, é despropositado. Tais créditos não são compensáveis, posto que não oriundos de recolhimentos indevidos ou a maior do que o devido das contribuições sociais previdenciárias, conforme preconiza a legislação de regência. Ademais, tal já teria ficado claro ao sujeito passivo, na medida em que intentou ação semelhante por intermédio do Judiciário, buscando interpor os mesmos supostos créditos aos débitos tributários de que já era devedor. Esse pleito transitou pelo processo 2006.61.10.0014772 intentada junto à Vara da Justiça Federal de Sorocaba, tendo sido peremptoriamente extinto pelo juízo a quo diante do reconhecimento da prescrição. Encontrase assim passada a decisão judicial publicada no D. Oficial de sentença em 03/03/2006: Pelo exposto, indefiro a petição inicial (artigo 295, IV, do CPC), julgando extinto o processo com julgamento de mérito, diante do reconhecimento da prescrição (artigo 269, IV, do CPC). Sem honorários advocatícios, ante a ausência da relação processual. Custas na forma da lei. Publiquese. Registrese. Intimese. Tal decisão tornouse definitiva a partir da desistência do Recurso interposto pelo próprio Autor, em 26/06/2008. (...) Com efeito, o contribuinte promoveu, a partir de dezembro de 2006 e até dezembro de 2008, a compensação das contribuições sociais de sua responsabilidade com tais créditos prescritos. Assim, sabedor de que o seu crédito não era apto a pagar dividias vencidas resolveu utilizálos para amortizar as dívidas vincendas, em flagrante afronta à Lei e às normatizações de regência, senão ao próprio Direito. Ora, o que se discute, em termos prescricionais no Direito Tributário, é se ela se opera em 5 ou 10 anos, a partir da interpretação ao art. 168, I do CTN, introduzida pela Lei Completar nº 118/2005. Nunca sequer se cogitou prazo superior a 30 anos, conforme aplicou o sujeito passivo, discricionariamente. Nem a redação do revogado art. 374 do Código Civil, citado por fundamento, lhe ampararia a pretensão! Se, por um lado, talvez se pudesse sustentar o direito às compensações de débitos previdenciários com créditos de outra origem, a prescrição também aqui restaria evidenciada. (..) c) Finalmente, de se aceder, ainda, à argumentação de que mesmo tendo desistido da mencionada Ação Ordinária em 21/06/2008, com ciência à autuada do trânsito em julgado em 16/01/2009, a contribuinte não retificou suas GFIPs até o início da ação fiscal (ocorrido somente em 04/2012 conforme efls. 07/08), evidência que, julgo, também aponta Fl. 649DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10855.724953/201210 Acórdão n.º 9202003.932 CSRFT2 Fl. 650 8 para a inexistência de boafé do contribuinte quanto ao restabelecimento da veracidade de suas declarações anteriormente enviadas, para fins de possibilitar eventual cobrança por parte da Administração Tributária. Destarte, de acordo com as evidências acima dispostas, que apontam para a inexistência de qualquer dúvida razoável acerca da impossibilidade de utilização dos direitos creditórios sob análise, entendo que, in casu, restou caracterizada a existência de máfé pela contribuinte, sendo de se manter a multa isolada, na forma aplicada pela autoridade autuante. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Especial de iniciativa da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Fl. 650DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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Numero do processo: 13603.002029/2006-82
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002
REAQUISIÇÃO DA ESPONTANEIDADE. NORMAIS PROCESSUAIS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÕES. Inexiste divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas quando os casos confrontados apresentam especificidades que justificam decisões diversas.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9101-002.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Recurso Especial da Fazenda Nacional não conhecido por unanimidade de votos.
(Assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
(Assinado digitalmente)
ADRIANA GOMES RÊGO - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Recurso Especial da Fazenda Nacional não conhecido por unanimidade de votos. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente (Assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002 REAQUISIÇÃO DA ESPONTANEIDADE. NORMAIS PROCESSUAIS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÕES. Inexiste divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas quando os casos confrontados apresentam especificidades que justificam decisões diversas. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Recurso Especial da Fazenda Nacional não conhecido por unanimidade de votos. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (Assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 20 29 /2 00 6- 82 Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13603.002029/200682 Acórdão n.º 9101002.337 CSRFT1 Fl. 1.288 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial (efls. 1169/1183), contra o acórdão de nº 110100.690 (efls. 1155/1167), que, por unanimidade votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: Assunto: Auto de Infração PIS COFINS Ano calendário: 2001 e 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REAQUISIÇÃO DA ESPONTANEIDADE. Transcorrido o prazo de 60 dias previsto no art. 7°, § 2° do Decreto n° 70.235/72 sem que a fiscalização pratique qualquer ato escrito que indique o prosseguimento da ação fiscal, o contribuinte readquire a espontaneidade. ADESÃO AO PARCELAMENTO EXCEPCIONAL. MULTA DE OFICIO. A adesão a programa de parcelamento de débito tributário no curso da ação fiscal, quando readquirida a espontaneidade, afasta a cobrança de multa de lançamento de oficio. A Recorrente aponta divergência jurisprudencial no que se refere aos acórdãos 10708.647 e 10616.727, relativos à matéria Espontaneidade Reaquisição Outros, cujas ementas são as seguintes: 10708.647 ESPONTANEIDADE A reaquisição da espontaneidade somente ocorre quando houver interrupção do trabalho fiscal por mais de 60 (sessenta) dias, o que não se verificou no caso concreto. IRPJ MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA CONCOMITÂNCIA DA MULTA ISOLADA COM A DEVIDA POR FALTA DE PAGAMENTO DE TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO — Descabe, sob pena de aplicarse dupla penalidade sobre uma mesma infração, a concomitância da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa de que trata o art. 2° da Lei n° 9.430/96 com a multa proporcional ao imposto devido, pois, na espécie, decorreram ambas de compensação de prejuízos fiscais, além do limite de 30% (trinta por cento) estabelecido em lei. 10616.727 Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF – Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 NULIDADE Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento os elementos necessários para que o contribuinte Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13603.002029/200682 Acórdão n.º 9101002.337 CSRFT1 Fl. 1.289 3 exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, assegurado pela Constituição Federal, afastamse as preliminares de nulidade argüidas. IRPF DECLARAÇÃO RETIFICADORA APRESENTADA APÓS O INICIO DO PROCEDIMENTO FISCAL DESCARACTERIZAÇÃO DA ESPONTANEIDADE DO CONTRIBUINTE Uma vez instaurado procedimento de fiscalização, pela prática de ato de oficio pela fiscalização, não há que se falar em reaquisição de espontaneidade para fins de aplicação da regra do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional. ESPONTANEIDADE MULTA DE OFÍCIO Não se considera espontânea a denúncia apresentada, via declaração retificadora, após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. MULTA QUALIFICADA GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS E INSTRUÇÃO Diante das circunstâncias constantes nos autos, restou caracterizado o intuito de fraude do contribuinte, em razão de haver prestado declaração falsa com a intenção de reduzir o pagamento do imposto devido, devendo ser mantida a qualificação. EXCESSO DE EXAÇÃO. A autuação fiscal precisaria ser levada a e feito conforme dispõe o Código Penal, art. 316, § 1°, para restar caracterizado o excesso de exação. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. IMPUGNAÇÃO. Os Conselhos de Contribuintes não têm competência para apreciar recurso de representação fiscal para fins penais, por se tratar de ato informativo e obrigatório do servidor que tomar conhecimento de fato que, em tese, caracteriza ilícito penal. Recurso negado. Em suas justificativas para a reforma da matéria em questão, aduz a Fazenda Nacional que: a) a reaquisição da espontaneidade se dá pela inércia do fisco, e não pela falta de intimação ao sujeito passivo acerca da continuidade dos trabalhos pelo prazo de 60 dias; b) pela lei, a cada 60 dias o fisco deve formalizar por escrito um ato que demonstre que as investigações contra determinado sujeito passivo não foram encerradas, mas não necessariamente o ato deve ser uma intimação; c) os atos da Administração Pública gozam de presunção de legalidade, legitimidade e veracidade; e, d) que seja restabelecido o lançamento em sua integralidade. O recurso foi admitido por meio do Despacho de efls. 1220/1223, havendo a contribuinte apresentado Contrarrazões às fls. 1235/1257, em que rebate os argumentos fazendários nos seguintes termos: a) o Recurso Especial da Fazenda ataca entendimento uniformizado pelo CARF através da súmula nº 75; b) na formação da súmula citada, vários paradigmas convergiam no sentido de que deveria haver a intimação do contribuinte, e não vários atos sem a ciência do contribuinte; c) não houve similitude fática entre os paradigmas e o acórdão recorrido, prejudicando um dos pressupostos recursais; d) o contribuinte aderiu ao PAEX em virtude de sua espontaneidade; e) todos os atos praticados pelo contribuinte foram convalidados, retroagindo à data da ciência do último ato expedido pela autoridade fiscal; e) o Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13603.002029/200682 Acórdão n.º 9101002.337 CSRFT1 Fl. 1.290 4 efeito da reaquisição de espontaneidade é diferente da denúncia espontânea, pois aquela valida a retificação da declaração acrescida de multa e juros de mora, enquanto a última exclui completamente os juros e a multa; f) a recorrente busca promover um novo julgamento, ao invés de discutir teses jurisprudenciais diferentes; e, g) que não seja conhecido o Recurso Especial ou que o mesmo seja desprovido. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora O recurso é tempestivo e, como tem sua admissibilidade questionada, inicio por reanalisála. Alega a contribuinte que o acórdão recorrida traz entendimento pacificado por meio da Súmula nº 75, cujo enunciado dispõe: Súmula CARF nº 75: A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. Entretanto, para aplicação dessa súmula é preciso verificar, primeiro, se houve inoperância da autoridade fiscal por mais de 60 dias e ainda, se a discussão é quanto à aplicação retroativa ou não. Ocorre que para saber se houve ou não essa inércia do Fisco, é preciso conhecer o processo para subsumir o caso concreto à súmula, motivo pelo qual não vejo como de pronto dizer que a hipótese é de não conhecimento do recurso. Alega, ainda, a recorrente, que não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas. Afirma a PFN em seu recurso que o acórdão recorrido, mesmo constatando a inexistência da inércia do Fisco, reconheceu a espontaneidade da contribuinte. Ocorre que a situação do recorrido não é bem essa, porque, na verdade, a relatora entendeu que houve a reaquisição da espontaneidade porque não tinha a certeza de que houve intimação à contribuinte, que a Fiscalização disse ter postado em 12/9/2006, como se pode depreender do seguinte trecho: No caso em tela, a despeito do encaminhamento do Termo de Intimação Fiscal n° 606/2006 à Empresa Brasileira de Correio e Telégrafos, não é possível assegurar que de fato houve a efetiva intimação da contribuinte, ante a ausência do Aviso de Recebimento. Em suas manifestações a Recorrente asseverou que nunca foi intimada de tal Termo. Segundo informou a DRF em Contagem, mencionado Termo de Intimação foi postado em 12/09/2006. No entanto, frente ao não Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13603.002029/200682 Acórdão n.º 9101002.337 CSRFT1 Fl. 1.291 5 acostamento do AR a estes autos ou qualquer outro meio que comprovasse a intimação da Postulante, este ato não surtiu efeito. No caso do acórdão paradigma nº 10708.647, o colegiado entendeu que não havia a reaquisição da espontaneidade porque entre a data do termo de início e a do auto de infração, não houve interrupção dos trabalhos fiscais, havendo sido lavrado Termo de Continuidade da Ação Fiscal nesse intervalo. Ou seja, não houve questionamento, por parte do contribuinte, quanto a ter ou não a Fiscalização intimado. O colegiado não tinha dúvidas quanto à efetividade do termo dado pela Fiscalização. A discussão centrouse na apresentação de declarações retificadoras apenas, conforme se depreende dos seguintes trechos do relatório e voto, respectivamente: Relatório: Irresignada, a empresa recorre a este Colegiado contra a decisão de primeira instância (fls. 815/838), reiterando haver retificado sua DIPJ e DCTF em 09/05/2004 e 10/05/2004, respectivamente, de modo que o lançamento baseouse em premissa falsa, discorrendo a respeito da validade das retificações efetuadas. Voto: A empresa apresentara as retificações em 09 e 10/05/2004 quando já se encontrava sob procedimento fiscal, desde 12/02/2004 como comprova o Termo de inicio de Fiscalização de fls. 4, o que implica na perda da espontaneidade, de acordo com o disposto no art. 7° e seu parágrafo primeiro, do Decreto n° 70.235/72. E entre a data desse termo e a do auto de infração não houve interrupção dos trabalhos de fiscalização, tendo sido lavrado, em 30/03/2004, termo de continuidade da ação fiscal (fls. 5). Quanto ao segundo paradigma trazido pela PFN, acórdão nº 10616.727, da mesma forma que o primeiro, não havia o questionamento de que houve um termo lavrado pela Fiscalização que suspendia a espontaneidade do sujeito passivo; pelo contrário: sequer havia a discussão de interrupção ou reaquisição da espontaneidade. Nesse caso, a alegação do sujeito passivo, é que entregara a declaração antes do lançamento, e o colegiado afirmou que ele não estava espontâneo, porque quando entregou, já estava sob procedimento fiscal. Por essa razão, é que o termo de início de ação fiscal foi colocado como marco para exclusão da espontaneidade. Logo, não vislumbro que essas decisões adotaram soluções diversas por interpretarem a legislação de forma diversa, pois, como se verifica, havia no caso do acórdão recorrido, uma discussão, provocada pelo sujeito passivo, sobre a efetividade ou não de um termo, se ele de fato tomou ciência, e essa circunstância foi que levou o colegiado a, na dúvida, entender que havia o sujeito passivo readquirido a espontaneidade. Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13603.002029/200682 Acórdão n.º 9101002.337 CSRFT1 Fl. 1.292 6 Em face ao exposto, manifestome por não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10925.001517/2007-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
Ementa:
INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS.
A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes.
CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE.
No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição.
CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO.
Os serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO.
As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS.
Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer o direito ao crédito (i) na Aquisição da Amônia e Outros Insumos, (ii) de combustíveis e lubrificantes, (iii) de peças de reposição, (iv) gastos vinculados com Produtos de Conservação e Limpeza e (v) das embalagens de apresentação
Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito em relação aos serviços especificados no Arquivo 6.A, exceto para (i) serviços de manutenção na ETE, (ii) serviços de locação e terraplanagem, (iii) desenvolvimento de matrizes para embalagem e (iv) serviços de manutenção de câmara fria para armazenagem de produtos acabados, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado, que reconheciam o direito de crédito nos gastos com serviços de manutenção na ETE.
Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito na aquisição de Embalagem de Transporte, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Relator, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Ricardo Paulo Rosa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro o Walker de Araújo.
Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito para os fretes sobre venda de produto acabado e produto agropecuário.
Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito para os gastos com fretes na aquisição de produtos tributados à alíquota zero, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Relator, José Fernandes do Nascimento e Ricardo Paulo Rosa, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walker Araújo.
Por unanimidade, em manter a glosa em relação aos gastos com frete na aquisição de insumos, cuja descrição refere-se a "Diversos, Outras Cargas, Conforme NF" ou sem descrição do produto adquirido.
Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito nos gastos com frete (i) de transferência de leite "in natura" dos postos de coleta até os estabelecimentos industriais e entre postos de coleta; (ii) de remessa e retorno à análise laboratorial e (iii) de remessa e retorno para conserto para manutenção dos bens de produção.
Por unanimidade de votos, em manter a glosa ao direito de crédito nos gastos com frete (i) na transferência entre os Centros de Distribuição, (ii) produto acabado, (iii) transferência do produto agropecuário para revenda (iv) fretes intitulados "Venda Locais Presumidos", (v) e aquisição de material para uso e consumo.
Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito para os gastos com frete intitulado "Consignação", vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Relator, José Fernandes do Nascimento e Ricardo Paulo Rosa, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walker Araújo.
Por unanimidade de votos, em manter a glosa ao direito de crédito nos gastos com fretes (i) na aquisição de produto agropecuário para revenda, (ii) na aquisição de ativo imobilizado (iii) na devolução de vendas (iv) de remessa e retorno de armazenagem de produtos acabados e (v) fretes diversos. Os Conselheiros Domingos de Sá, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado votaram pelas conclusões em relação ao frete na devolução de vendas.
Por unanimidade de votos, em manter a glosa em relação à depreciação da balança rodoviária (foto 5), Máquina Paletizadora WLP 150 (foto 8), Máquina Paletizadora (foto 19), Empilhadeira Elétrica Retrak Still (foto 24), e Transportadores de Roletes (foto 27).
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
(assinado digitalmente)
Walker Araújo
Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 15 17 /2 00 7- 22 Fl. 4168DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 3 2 As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer o direito ao crédito (i) na Aquisição da Amônia e Outros Insumos, (ii) de combustíveis e lubrificantes, (iii) de peças de reposição, (iv) gastos vinculados com Produtos de Conservação e Limpeza e (v) das embalagens de apresentação Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito em relação aos serviços especificados no Arquivo 6.A, exceto para (i) serviços de manutenção na ETE, (ii) serviços de locação e terraplanagem, (iii) desenvolvimento de matrizes para embalagem e (iv) serviços de manutenção de câmara fria para armazenagem de produtos acabados, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado, que reconheciam o direito de crédito nos gastos com serviços de manutenção na ETE. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito na aquisição de Embalagem de Transporte, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Relator, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Ricardo Paulo Rosa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro o Walker de Araújo. Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito para os fretes sobre venda de produto acabado e produto agropecuário. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito para os gastos com fretes na aquisição de produtos tributados à alíquota zero, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Relator, José Fernandes do Nascimento e Ricardo Paulo Rosa, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walker Araújo. Por unanimidade, em manter a glosa em relação aos gastos com frete na aquisição de insumos, cuja descrição referese a "Diversos, Outras Cargas, Conforme NF" ou sem descrição do produto adquirido. Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito nos gastos com frete (i) de transferência de leite "in natura" dos postos de coleta até os estabelecimentos industriais e entre postos de coleta; (ii) de remessa e retorno à análise laboratorial e (iii) de remessa e retorno para conserto para manutenção dos bens de produção. Fl. 4169DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 4 3 Por unanimidade de votos, em manter a glosa ao direito de crédito nos gastos com frete (i) na transferência entre os Centros de Distribuição, (ii) produto acabado, (iii) transferência do produto agropecuário para revenda (iv) fretes intitulados "Venda Locais Presumidos", (v) e aquisição de material para uso e consumo. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito para os gastos com frete intitulado "Consignação", vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Relator, José Fernandes do Nascimento e Ricardo Paulo Rosa, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walker Araújo. Por unanimidade de votos, em manter a glosa ao direito de crédito nos gastos com fretes (i) na aquisição de produto agropecuário para revenda, (ii) na aquisição de ativo imobilizado (iii) na devolução de vendas (iv) de remessa e retorno de armazenagem de produtos acabados e (v) fretes diversos. Os Conselheiros Domingos de Sá, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado votaram pelas conclusões em relação ao frete na devolução de vendas. Por unanimidade de votos, em manter a glosa em relação à depreciação da balança rodoviária (foto 5), Máquina Paletizadora WLP 150 (foto 8), Máquina Paletizadora (foto 19), Empilhadeira Elétrica Retrak Still (foto 24), e Transportadores de Roletes (foto 27). (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator (assinado digitalmente) Walker Araújo Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de pedido de ressarcimento de créditos de Cofins não cumulativa, relativo ao segundo trimestre de 2007, cumulado com declarações de compensação. As glosas efetuadas pela fiscalização se referiram a: 1. Aquisições de bens para revenda sujeitos à alíquota zero; Fl. 4170DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 5 4 2. Aquisições de produtos não consideradas insumos: material de embalagem de transporte de produtos acabados(caixas de papelão, filme stretch, bobina lisa); produtos à alíquota zero; peças de manutenção em geral; materiais de construção; outros itens (bonés, aventais, botas, luvas, cadeado, grama); 3. Aquisições de serviços não considerados insumos: conservação e limpeza, manutenção das instalações da indústria, carga de resíduos, dedetização, fretes estabelecimentos; 4. Fretes sobre vendas relativos a transporte entre unidades de coleta e produção e entre produção e unidades de venda; 5. Encargos de depreciação de bens do imobilizado relativo a bens adquiridos anteriormente a 1º/05/2004, a bens usados, veículos de transporte da administração, máquinas e equipamentos não ligados diretamente à produção e alguns itens por falta de comprovação documental; 6. Reclassificação de créditos presumidos da agroindústria, inseridos no ressarcimento e glosados para manter apenas a possibilidade de desconto; 7. Despesas com energia elétrica sem comprovação documental. Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou: 1. Ofensa ao princípio da nãocumulatividade das contribuições, propugnando pela tese de que os créditos deveriam ser calculados sobre os custos e despesas gerais necessários à obtenção da receita, não podendo ser restringido por normas infraconstitucionais; 2. Que embora reconhecesse correta a glosa de aquisições à alíquota zero, cometeu equívoco ao inserir na base de débitos de valores relativos a revenda de produtos sujeitos à alíquota zero; 3. Que dentre os valores relativos às glosas de material de embalagem, estavam contidos valores relativos a embalagens para apresentação; 4. Que as embalagens destinadas apenas ao transporte de produtos industrializados também deveriam ser consideradas como insumos; 5. Que os produtos glosados como insumos adquiridos à alíquota zero foram, de fato, tributados e se inseriam no conceito de insumos; 6. Que as peças de reposição em geral se referiam à manutenção de máquinas e equipamentos da linha de produção; 7. Que os combustíveis e lubrificantes glosados foram utilizados em geradores de energia e empilhadeiras utilizadas no setor produtivo; 8. Que os produtos de limpeza foram utilizados em máquinas e equipamentos da área produtiva; que os demais produtos glosados como insumos foram utilizados no processo produtivo, relacionandoos em planilha com descrição da utilização; Fl. 4171DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 6 5 9. Que os serviços glosados referiamse à manutenção industrial, resfriamento do leite, dentre outras utilizações; 10. Que foram glosados indevidamente fretes nas aquisições de insumos e fretes de transferência de insumos entre a coleta do leite e a indústria; que os fretes entre a indústria e os pontos de venda deveriam ser considerados fretes sobre vendas e que o despacho decisório desconsiderou os documentos apresentados; 11. Que, embora reconhecesse corretas as glosas relativas aos bens adquiridos anteriormente a 1º/05/2004, aos bens usados, aos veículos da administração, à correção monetária do imobilizado e outros, seria cabível o creditamento quanto aos bens informados na planilha anexada à impugnação referentes à máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo; 12. Que em impugnação apresentou as notas relativas às despesas de energia elétrica. Ao final, pediu o reconhecimento dos créditos a favor da recorrente. A Quarta Turma da DRJ em Florianópolis proferiu o Acórdão nº 0722.871, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2007 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. DACON. ANÁLISE DO CRÉDITO. A utilização dos créditos das contribuições do PIS e da Cofins, apurados na sistemática da nãocumulatividade, é estabelecida pelo contribuinte por meio do DACON, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses crédito, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados no respectivo DACON. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS ANOCALENDÁRIO: 2007 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Fl. 4172DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 7 6 No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, ou seja, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão direito a crédito. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Em interpretação literal da legislação, somente dará direito a crédito o frete contratado relacionado a uma "operação de venda". O mero deslocamento dos produtos acabados do estabelecimento industrial até o estabelecimento distribuidor da empresa, onde ocorrerá a efetiva venda, não integra a "operação de venda". REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Das máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, somente os que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. INSUMOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As partes e peças adquiridas para manutenção de máquinas e equipamentos, para que possam ser consideradas como insumos, permitindo o desconto do crédito correspondente da contribuição, devem ser consumidas em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação/beneficiamento, e, ainda, não podem representar Fl. 4173DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 8 7 acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte. Irresignada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando, preliminarmente a ofensa ao princípio da verdade material e da ampla defesa, e reprisou as alegações de mérito já deduzidas na manifestação de inconformidade. Pugnou, ainda, pelo afastamento das restrições de reconhecimento do crédito fundadas em equívocos no preenchimento do Dacon, conforme decidido em primeira instância, relativamente ao preenchimento de fretes de aquisições de insumos na linha de serviços como insumos e fretes sobre operações de venda, bem como dos fretes de entre os pontos de coleta e a produção. Na seção de 20/03/2012, esta turma converteu o julgamento em diligência para: 1. Estornar os valores relativos às revendas de produtos sujeitos à alíquota zero da base de cálculo dos débitos e apurar o saldo credor efetivo; 2. Que a recorrente possa demonstrar efetivamente que embalagens são de apresentação; 3. Distinguir as peças em geral que são utilizadas em manutenções da produção das que se refiram a máquinas e equipamentos que não se encontram na produção; 4. Verificar o uso da empilhadeiras que utilizem o gás Ultrasystem como combustível; 5. Verificar onde utilizase a amônia; 6. Demonstrar onde são aplicados os serviços glosados em geral; 7. Que a recorrente demonstre separadamente os valores de fretes sobre vendas, fretes sobre aquisições e fretes entre estabelecimentos; 8. Que a recorrente comprove a origem e a composição dos valores relativos aos encargos de depreciação; O relatório final da fiscalização partiu do seguinte quadro de valores controversos, obtido do recurso voluntário e informou para cada item: Fl. 4174DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 9 8 Item Valor Controverso Inicial em Recurso Voluntário Embalagem de apresentação 1.549.169,58 Embalagem de transporte 245.878,90 Materiais de Reposição 523.479,94 Produtos de conservação e limpeza 186.781,05 Combustíveis e Lubrificantes 33.650,33 Outros insumos 40.947,35 Serviços 6.902.174,37 Fretes 6.753.304,15 Encargos de depreciação 77.093,94 1. Exclusão da revenda de produtos sujeitos à alíquota zero: o relatório final informou que tal exclusão apenas aumentou o saldo de créditos presumidos, mas não alterou o saldo sujeito ao pedido de ressarcimento; 2. Embalagens de apresentação: a diligência não reconheceu como de apresentação as destinadas a "proteger contra o impacto e sujeiras externas, facilitando o transporte (grifei) e estocagem e expressar as informações de endereço, SIF e código de barras", conforme própria informação da recorrente, reconhecendo o valor de R$ 1.420.181,23; 3. Materiais de reposição: a diligência reconheceu aplicáveis em máquinas e equipamentos da produção o valor de R$ 275.556,19, porém não diretamente como insumos, mas como acréscimo ao ativo imobilizado, sujeito a futuras depreciações; 4. Combustível usado nas empilhadeiras, gás Ultrasystem: a diligência informou o uso das empilhadeiras para transporte de bobina (embalagem lona vida) do almoxarifado à produção, bem como no recolhimento de leite da ponta da esteira até o local de reserva do leite, denominado "quarentena"; 5. Amônia: a diligência informou que o produto foi utilizado em compressores para geração de água fria, usada na refrigeração de leite e derivados e nas câmaras frias para maturação de queijos; 6. Serviços em geral: a diligência informou manteve a glosa de R$ 417.206,62 referente a serviços que não possuem relação direta com o processo produtivo ou que deveriam ser imobilizados por se tratarem de reformas, ampliações e modernização de instalações sujeito a futuras amortizações; 7. Outros serviços como exames laboratoriais para admissão de funcionários, exames radiológicos, transporte de funcionários: mantida a glosa de R$ 47.122,01; Fl. 4175DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 10 9 8. Ainda no tópico "aquisições de serviços como insumos", foi mantida a glosa de R$ 18.402,90 por não se identificar a relação entre o serviço e o processo produtivo; 9. Fretes entre o estabelecimento industrial e o estabelecimento que efetuou a venda: mantida a glosa de R$ 20.489,40; 10. Frete entre o estabelecimento adquirente e o estabelecimento revendedor, no caso de bens adquiridos para revenda: mantida a glosa de R$ 9.434,00; 11. Frete na aquisição de imobilizado: mantida a glosa de R$ 9.541,09; 12. Encargos do ativo imobilizado: a diligência informou apenas que a recorrente apresentou relação dos bens e respectivo serviço de reforma, bem como fotografias identificando os referidos. A recorrente, por sua vez, manifestouse sobre o resultado da diligência, alegando inconsistências e erros nas planilhas apresentadas e requerendo a inclusão de arquivos complementares; alegou a juntada das informações prestadas em diligência no processo 10925.000034/201359, pois que as prestadas pela diligência foram parciais e imprecisas quanto à caracterização das embalagens para apresentação; que a diligência comprovou que as peças de reposição informadas em arquivo, cuja mídia foi juntada ao processo 10925.000034/201359 seriam consumidas em máquinas e equipamentos utilizados na industrialização. Continua, alegando que a diligência comprovou que os serviços relacionados no item 6.a informados em arquivo, cuja mídia foi juntada ao processo 10925.000034/201359 seriam consumidos/aplicados no processo produtivo; que o valor correto é R$ 289.421,13 e não R$ 417.206,62; que em relação a estes itens, entende tratarem de insumos, mas caso prevaleça o entendimento de que compõem o ativo imobilizado, deva ser reconhecido o direito ao crédito sobre a depreciação dos referidos; que o item 6.b "demais serviços" são insumos; que reconhece a não comprovação do item 6.c serviços cuja função não foi identificada. Concernente aos fretes, a recorrente entendeu comprovados os fretes não abordados no relatório fiscal, e reiterou o direito ao creditamento das glosas mantidas. Ao final, pede o saneamento das inconsistências, a juntada da mídia constante do processo 10925.000034/201359 a este processo, que as intimações recaíssem no subscritor da manifestação. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 4176DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 11 10 Inicialmente, destacase que a recorrente pugna pela juntada da mídia constante do processo 10925.000034/201359, sob pena de se caracterizar cerceamento de defesa. Porém, as provas e informações constantes no processo são suficientes à formação de convicção sobre as matérias litigadas, como se demonstrará em cada tópico a ser abordado, razão pela qual entendo desnecessária tal providência. Passando à análise dos pontos controvertidos, é necessário expor o entendimento sobre o conceito de insumos para o PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos A nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei. A apuração de créditos básicos foi dada pelos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, cujas atuais redações seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a Fl. 4177DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 12 11 terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 4178DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 13 12 IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) A regulamentação da definição de insumo foi dada pelo artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, de forma idêntica: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o Fl. 4179DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 14 13 produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A partir destas disposições, três correntes se formaram: a defendida pela Receita Federal, corroborada em julgamentos deste Conselho, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99. Por fim, uma terceira corrente, defende, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Fl. 4180DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 15 14 Constatase também que há divergência no STJ sobre o tema, tendo a matéria sido afetada como recurso repetitivo no REsp 1.221.170/PR. Assim, verificase que no REsp 1.246.317MG, de relatoria do Ministro Mauro Campbell, decidiuse pela ilegalidade parcial do artigo 66º da IN SRF nº 247/2002 e do artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, na parte em que trata do conceito de insumos, adotando no acórdão um mais abrangente: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Fl. 4181DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 16 15 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. De forma antagônica, no REsp Nº 1.128.018 RS, decidiuse pela legalidade das referidas INs e do conceito restrito de insumos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211/STJ. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando o Tribunal de origem se manifesta, fundamentadamente, sobre as questões que lhe foram submetidas, apreciando de forma integral a controvérsia posta nos presentes autos. 2. “Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo” (Súmula 211/STJ). 3. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 4. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumos previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 5. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos os bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Fl. 4182DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 17 16 6. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 7. Recurso especial a que se nega provimento. Dado o panorama, entendo que a melhor interpretação está com a terceira corrente, pelos motivos a seguir. Inicialmente, destacase que a materialidade do fato gerador dos tributos envolvidos é distinta, isto é, a incidência sobre o produto industrializado para o IPI, sobre o lucro (real, presumido ou arbitrado), para o IRPJ, ao passo que o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre a receita bruta. Esta distinção se refletiu na redação original do artigo 3º, na definição das hipóteses de crédito, especialmente a relativa a insumos, dada por "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". De plano, salta aos olhos a impropriedade de utilização da legislação do IPI como parâmetro, em razão da inclusão de serviços na mesma categoria normativa de bens, inaplicável à definição de IPI dada a bens. Outra distinção marcante relativo ao IPI reside na inclusão de combustíveis e lubrificantes na definição de insumos. A legislação do IPI delimitou o alcance da definição, especialmente no Parecer Normativo CST nº 65/1979, em função do contato físico direto com o produto em fabricação, o que levou à impossibilidade de tomada de crédito de IPI sobre tais bens, inclusive objeto de edição da Súmula CARF nº 19: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. É cediço que combustíveis não entram em contato físico direto com os produtos durante o processo produtivo, razão pela qual não podem ser inseridos no conceito de insumo adotado pelo IPI. Sendo assim, concluise que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ao inserirem os termos combustíveis e lubrificantes na categoria de insumo, estabelecem um marco jurídico distinto da legislação do IPI. Verificase que, de fato, a própria Receita Federal flexibilizou a questão do contato direto com o produto em fabricação. Vejamos a Solução de Divergência nº 14/2007 e nº 35/2008, as quais permitem a dedução de partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos, desde que não incluídas no imobilizado: Solução de Divergência nº 14/2007: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Crédito presumido da Cofins. Partes e peças de reposição e serviços de manutenção. As despesas efetuadas com Fl. 4183DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 18 17 a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito a créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. Solução de Divergência nº 35/2008: Cofins nãocumulativa. Créditos. Insumos. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Esta distinção fica evidenciada na redação da Lei nº 10.276/2001, ao estabelecer o regime alternativo de crédito presumido de IPI sobre o ressarcimentos das contribuições para o PIS e a Cofins, delimitando a definição de insumos para o IPI a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, excluindo a energia elétrica e os combustíveis, distinguindose da redação dos incisos II dos artigos terceiros das leis instituidoras da nãocumulatividade, a qual inclui combustíveis na qualidade de insumos. Por outro lado, a tese de que insumo equivaleria a custos e despesas dedutíveis necessários à obtenção da receita é por demais abrangente e não reflete a estrutura do artigo 3º das referidas leis. Este enumera as hipóteses de creditamento, sendo que todas se referem a custos ou despesas necessárias, o que afasta a definição abrangente, já que todas as demais hipóteses estariam abrangidas no inciso II, revelandose, assim desnecessárias. Assim, energia elétrica, aluguéis, contraprestação de arrendamento relativas a área administrativa são despesas necessárias, mas entretanto não são insumos e somente geram crédito por estarem previstas em hipóteses autônomas. O mesmo ocorre com a despesa de armazenagem e frete na operação de venda. A terceira corrente, buscando uma definição própria para insumos, se refletiu em vários acórdãos deste conselho, em maior ou menor abrangência: Acórdão nº 930301.740: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Fl. 4184DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 19 18 Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Acórdão nº 3202001.593: CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Recurso Voluntário parcialmente provido. Acórdão nº 3201001.879: COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumos no contexto da Cofins nãocumulativa é mais abrangente do que o conceito da legislação do IPI, devendo ser admitido todo dispêndio na contratação de serviços e aquisição de bens essenciais ao processo produtivo do sujeito Fl. 4185DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 20 19 passivo, independentemente de ter contato direto com o produto em fabricação. Acórdão nº 3401002.860: CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. O conceito de insumo deve estar em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS. Portanto, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam o conceito da legislação do IPI. Outrossim, não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, deve ser definido como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. Acórdão nº 3301002.270: COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda. Acórdão nº 3403003.629: NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Entendo, pois, que a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto fabricado, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes, expressos no texto legal Assim, devem ser entendidos como insumos, os custos de aquisição e custos de transformação que sejam inerentes ao processo produtivo e não apenas genericamente inseridos como custo de produção. Esta distinção é dada pela própria lei e também pelo STJ (AgRg no REsp nº 1.230.441SC, AgRg no REsp nº 1.281.990SC), quando excluem, por exemplo, dispêndios com valetransporte, valealimentação e uniforme da condição de insumos, os quais poderiam ser considerados custos de produção, mas que somente foram Fl. 4186DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 21 20 alçados a insumos a partir da Lei nº 11.898/2009, e apenas para as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção. Destacase, ainda, que determinados custos de estocagem, embora, sejam considerados para avaliação de estoques, não podem ser considerados custos de transformação, pois são aplicados aos produtos já acabados. Estabelecidas as premissas acima, passase à análise específica dos pontos controvertidos. EXCLUSÃO DOS VALORES DE REVENDA DE PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO DA BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS Concernente a este item, restou constatado pela fiscalização que esta exclusão não alterou o saldo credor objeto do pedido de ressarcimento, mas apenas aumentou o saldo de créditos presumidos da agroindústria, passíveis apenas de serem descontados, não havendo reflexo no pedido de ressarcimento. EMBALAGEM DE APRESENTAÇÃO E EMBALAGEM DE TRANSPORTE A fiscalização efetuou a glosa por entender que as embalagens se destinam precipuamente ao transporte de produtos acabados nos termos do artigo 4º, inciso IV e artigo 6º do Decreto nº 4.544/2002: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): [...] IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou Art. 6º Quando a incidência do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto, entenderseá (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso II): I como acondicionamento para transporte, o que se destinar precipuamente a tal fim; e II como acondicionamento de apresentação, o que não estiver compreendido no inciso I. § 1º Para os efeitos do inciso I, o acondicionamento deverá atender, cumulativamente, às seguintes condições: I ser feito em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e Fl. 4187DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 22 21 rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional; e II ter capacidade acima de vinte quilos ou superior àquela em que o produto é comumente vendido, no varejo, aos consumidores. § 2º Não se aplica o disposto no inciso II aos casos em que a natureza do acondicionamento e as características do rótulo atendam, apenas, a exigências técnicas ou outras constantes de leis e atos administrativos. § 3º O acondicionamento do produto, ou a sua forma de apresentação, será irrelevante quando a incidência do imposto estiver condicionada ao peso de sua unidade. O acórdão de primeira instância manteve a glosa, salientando que algumas embalagens poderiam gerar créditos, mas pela falta de documentação probatória, tais embalagens não poderiam ser consideradas. Em recurso voluntário, a recorrente defende que a legislação não diferenciou conceito de embalagem de apresentação e de embalagem de acondicionamento, sendo que ambas gerariam créditos da nãocumulatividade das contribuições. Alega ainda que as embalagens destinadas a transporte não são passíveis de utilização e oneram o custo final do produto, constituindo custo de aquisição de insumos. Quanto à glosa de outras embalagens que acondicionam os produtos comercializados, a recorrente entende tratarem de embalagens de apresentação, não se destinando apenas ao transporte, mas garantindo a integridade dos produtos e destaque frente aos consumidores, não sendo passíveis de reutilização. Separou o que considera embalagens de apresentação R$ 1.549.169,58 de embalagens para transporte R$ 245.878,90. A resolução determinou a diligência para que a recorrente pudesse comprovar as embalagens que fossem de apresentação. O relatório fiscal elaborado reconheceu o direito a R$ 1.420.181,23, mantendo a glosa de R$ 128.988,23 relativa à embalagens que a recorrente alegou serem de apresentação, bem como de R$ 245.878,90, relativo a embalagens consideradas de transporte. A distinção importa na caracterização da ocorrência ou não da operação de industrialização e definição da incidência do IPI quando condicionada à forma de embalagem, ou seja, situações que não são tratadas nas legislações do PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos. Salientase que a legislação do PIS/Pasep e Cofins quando quis utilizar definições do IPI o fez expressamente, como no §3º do artigo 10 da Lei nº 11.051/2004: Art. 10. Na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida pela pessoa jurídica encomendante, no caso de industrialização por encomenda, aplicamse, conforme o caso, as alíquotas previstas: (Vigência) [...] Fl. 4188DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 23 22 § 3o Para os efeitos deste artigo, aplicamse os conceitos de industrialização por encomenda do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Por outro lado, as IN SRF nº 247/2002, artigo 66, e nº 404/2004, artigo 8º, ao disporem sobre o conceito de insumo, não distinguiram embalagem para apresentação de material para transporte, o que não afasta a obrigação de se analisar se o dispêndio com este material compõe ou não o processo produtivo, no sentido de lhe ser inerente ou essencial. As embalagens referentes a caixas de papelão referidas pela informação fiscal foram descritas pela recorrente como destinadas à proteção contra impactos, sujeiras externas e facilitando o transporte, confirmando a função precípua de transporte e armazenamento dos produtos acabados, não integrando o processo produtivo, mas a fase seguinte de estocagem e acondicionamento para remessa. Na mesma função estão as embalagens já reconhecidas pela recorrente como de transporte. Portanto, dou provimento ao recurso para admitir o creditamento sobre R$ 1.420.181,23. PEÇAS EM GERAL PARA REPOSIÇÃO A resolução que deferiu a diligência requereu que fosse discriminado que peças teriam sido utilizadas em manutenções e que peças não teriam sido utilizadas. A diligência concluiu que do valor de R$ 523.479,94 glosados, R$ 275.556,19 se referiam à manutenção de máquinas e equipamentos, mas que, aparentemente, pela natureza, teriam sido considerados como acréscimos na vida útil dos equipamentos superior a um ano, nas máquinas e equipamentos usados na industrialização e que deveriam ser contabilizados no Ativo Imobilizado para futuras depreciações. Por seu turno, a recorrente se manifestou no sentido de que a diligência teria confirmado que todas as peças se referem à manutenção de máquinas e equipamentos, e, que caso se entendesse pela necessidade de ativação no imobilizado, que fosse concedido o crédito relativo à depreciação. A recorrente apresentou arquivo contendo a relação de peças destinadas à manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na industrialização, sendo que a autoridade fiscal questionou apenas R$ 275.556,19 (valor correspondente à soma da planilha constante na informação fiscal) como passível de imobilização, de modo que os demais restariam configurados como dispêndios de manutenção industrial. Relativamente ao questionamento fiscal, o artigo 346 do Decreto nº 3.000/1999 dispõe: Art. 346. Serão admitidas, como custo ou despesa operacional, as despesas com reparos e conservação de bens e instalações destinadas a mantêlos em condições eficientes de operação (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48). § 1º Se dos reparos, da conservação ou da substituição de partes e peças resultar aumento da vida útil prevista no ato de Fl. 4189DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 24 23 aquisição do respectivo bem, as despesas correspondentes, quando aquele aumento for superior a um ano, deverão ser capitalizadas, a fim de servirem de base a depreciações futuras (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48, parágrafo único). § 2º Os gastos incorridos com reparos, conservação ou substituição de partes e peças de bens do ativo imobilizado, de que resulte aumento da vida útil superior a um ano, deverão ser incorporados ao valor do bem, para fins de depreciação do novo valor contábil, no novo prazo de vida útil previsto para o bem recuperado, ou, alternativamente, a pessoa jurídica poderá: I aplicar o percentual de depreciação correspondente à parte não depreciada do bem sobre os custos de substituição das partes ou peças; II apurar a diferença entre o total dos custos de substituição e o valor determinado no inciso anterior; III escriturar o valor apurado no inciso I a débito das contas de resultado; IV escriturar o valor apurado no inciso II a débito da conta do ativo imobilizado que registra o bem, o qual terá seu novo valor contábil depreciado no novo prazo de vida útil previsto. § 3º Somente serão permitidas despesas com reparos e conservação de bens móveis e imóveis se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). Assim, as despesas de manutenção que acarretem o aumento da vida útil do bem, prevista na data de sua aquisição deve ser ativada e sujeita a depreciações futuras. A motivação da autoridade fiscal foi a seguinte: "Na relação de peças e materiais de reposição (arquivo “item 3 a – Peças e materiais de rep.aplic.manut.maq.e equipamentos.pdf”) que teriam sido aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos, aparentemente teriam sido considerados como insumos equipamentos, aparelhos ou peças que pela natureza acresceriam vida útil superior a 1 ano as máquinas e equipamentos usados na industrialização de seus produtos. Por esta razão, não poderiam ser levadas diretamente a conta de despesa e, portanto computadas na base de cálculo dos créditos das contribuições Pis e Cofins, mas deveriam ser contabilizadas no Ativo imobilizado para futuras depreciações." Entendo que a motivação é por demais sucinta e sem comprovação, ainda que indiciária, do aumento de vida útil, pois não evidencia como ocorreria o aumento, transparecendo, inclusive falta de convicção na alegação, ao afirmar que "aparentemente" teriam sido considerados insumos que acresceriam vida útil. Neste sentido, citamse acórdãos: Acórdão nº 1401000.769: Fl. 4190DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 25 24 GASTOS COM REPAROS AUMENTO DA VIDA ÚTIL DO BEM Não comprovado, pelo Fisco, que o bem teve sua vida útil aumentada em mais de um ano, são admitidos como despesas operacionais os gastos com reparos, destinados a mantêlo em condições normais de funcionamento. Ainda que se comprovasse o aumento da vida útil dos bens, estarseia diante da inobservância do regime de competência, vez que deveria ser reconhecido o direito de deduzir as despesas por meio de depreciação. Nestes casos, o procedimento que deve ser adotado pela Autoridade Fiscal é o disposto no Parecer Normativo COSIT nº 02/96, sob pena se exigir o recolhimento do tributo que se sabe será restituído, vez que a empresa terá direito a apropriar as depreciações daqueles bens ativados. Acórdão nº 130200.463: DESPESAS COM REPAROS E CONSERVAÇÃO. ATIVAÇÃO. No caso de despesas com reparos e conservação de bens, a capitalização dos montantes correspondentes só deverá ser efetivada se dos reparos ou da conservação resultar aumento da vida útil do respectivo bem. Tratandose de procedimento de ofício, cabe à autoridade fiscal demonstrar tal ocorrência e, sendo o caso, a determinação do novo valor contábil do bem, do novo prazo de sua vida útil e, por decorrência, da taxa de depreciação a ser utilizada. Acórdão nº 10517.423: BENS IMOBILIZÁVEIS POR SUA NATUREZA Serão admitidas, como custo ou despesa operacional, as despesas com reparos e conservação de bens, de forma a mantêlos em condições eficientes de operação. Se isso não ficar caracterizado ou os consertos redundarem em aumento da vida útil do bem em mais de um ano, devese imobilizálo. Recurso de oficio conhecido e improvido. Acórdão nº 10322.314: GASTOS COM REPAROS AUMENTO DA VIDA ÚTIL DO BEM Não comprovado, pelo Fisco, que o bem teve sua vida útil aumentada em mais de um ano, são admitidos como despesas operacionais os gastos com reparos, destinados a mantêlo em condições normais de funcionamento. Portanto, considero que o valor total de R$ 523.479,94 se refere a custos de manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na produção, e, à vista das premissas anteriormente abordadas, devem ser reconhecidos os créditos relativos a tais despesas. AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES A recorrente pugnou pelo reconhecimento de R$ 25.444,80 relativos à utilização de gás Ultrasystem em equipamentos do setor produtivo como empilhadeiras, máquinas do setor de leite longa vida etc. Fl. 4191DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 26 25 A diligência in loco confirmou a utilização das empilhadeiras no transporte de bobina para embalagem de lona vida do almoxarifado até a produção e também de esteira até o local de reserva do leite (chamado quarentena). Assim, comprovada a utilização no setor produtivo, devem ser reconhecidos os créditos relativos a tais aquisições. AQUISIÇÃO DE AMÔNIA E OUTROS INSUMOS Quanto a este item, a diligência in loco constatou que o produto é utilizado na sala de máquinas, em compressores para geração de água fria, posteriormente utilizada na refrigeração do leite e derivados e nas câmaras frias de maturação de queijos. Pela descrição, podese inferir que a amônia é utilizada no processo produtivo, devendo ser reconhecido o creditamento no valor de R$ 10.151,80. A recorrente apresenta planilha com utilização de outros insumos no valor de R$ 30.795,55, referentes a produtos de análise físicoquímica e tratamento de água utilizada na caldeira e limpeza e manutenção de máquinas e peças. O relatório de diligência fiscal informou que tais limpezas e análises são exigência do Serviço de Inspeção Federal SIF obrigatório para manter o registro do produto no MAPA Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento MAPA e, portanto, devem ser considerados inerentes ao processo produtivo. Neste sentido, citase decisão proferida pelo STJ no REsp 1.246.317, na qual entendeuse pela possibilidade de creditamento no caso de limpeza em indústria de gêneros alimentícios sujeita a rígidas normas da vigilância sanitária: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. [...] 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica Fl. 4192DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 27 26 em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido Assim, deve ser reconhecido o creditamento de outros insumos no valor de R$ 30.795,55. PRODUTOS DE CONSERVAÇÃO E LIMPEZA Este item não foi objeto da diligência. Em recurso voluntário, a recorrente apresenta planilha com utilização destes produtos como soda líquida, ácido nítrico, soda cáustica, e outros, na limpeza de carretas, silos e tanques, para esterilizar embalagens, como desincrustante de máquinas de iogurte, como detergentes lubrificantes para esteiras da produção de leite UHT, e como limpeza dos equipamentos de produção. Os relatórios de comprovantes de avaliação de rótulos do Serviço de Inspeção Federal SIF do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento MAPA indicam a exigência do referido órgão quanto aos controles de higiene operacional, como higiene externa de caminhões e interna de tanques, devendo, portanto, ser considerados bens inerentes ao processo produtivo, conforme decisão proferida pelo STJ no REsp 1.246.317, acima transcrito. Assim, reconheço o creditamento sobre R$ 186.781,05. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS LINHA 03 E DESPESAS DE FRETES E ARMAZENAGEM NA OPERAÇÃO DE VENDA LINHA 07 A fiscalização glosou serviços informados na linha 03 das fichas 4 e 6 do DACON Serviços utilizados como insumos no valor de R$ 6.902.174,37, constantes do Anexo III relativos a manutenções das instalações industriais, carga de resíduos, dedetização, etc e ainda fretes nas aquisições de insumos, fretes entre estabelecimentos (coleta e produção, produção e venda, armazenamento de queijo e retorno do produto à empresa). Em relação à linha 07, a fiscalização glosou R$ 6.753.304,15 a este título por falta de informações que pudessem relacionar o frete adquirido com as notas fiscais de venda, destacando ainda que fretes entre estabelecimentos não podem gerar créditos por falta de previsão legal, glosa esta mantida na primeira instância. Fl. 4193DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 28 27 A recorrente apresentou em cumprimento da diligência, o detalhamento correspondente a R$ 9.729.688,62, enquanto a glosa total para estes dois itens foi de R$ 13.655.478,52, o que implica manutenção da glosa de R$ 3.925.789,90 por falta de comprovação. Quanto aos serviços utilizados como insumos, a glosa mantida na primeira instância fundamentouse no fato de a recorrente não ter indicado ou explicado em que consistiriam estes serviços e onde seriam aplicados. A recorrente defende que tais serviços são utilizados na manutenção industrial, no resfriamento de leite, análises laboratoriais, armazenagem, locação de equipamentos industriais e outros, sendo essenciais ao processo produtivo. A resolução, então, solicitou a demonstração de que tais serviços seriam aplicados diretamente no processo produtivo dos bens destinados à venda, cujo cumprimento resultou na Intimação Saort 20130038CCV, da qual transcrevese a parte relativa aos serviços utilizados como insumos: 6. QUANTO AOS SERVIÇOS GERAIS, tais como: ”manutenção industrial (de empilhadeira, de equipamentos de queijaria, de caldeira, do setor de produtos UHT, etc), resfriamento do leite, reforma do equipamento queijomatic, dentre outros que são utilizadas nas etapas de manipulação do produto dentro da linha de produção daquelas que não se encontram dentro da linha de produção; 6.1 APRESENTAR relação de todas as notas fiscais de ENTRADA, correspondente aos serviços gerais (item 6) que sejam aplicados diretamente no processo produtivo de bens destinados à venda, contendo: CPF fornecedor/CNPJ emissor; nome do fornecedor; CNPJ estabelecimento de entrada; número da nota fiscal; data da emissão; data da entrada; CFOP; descrição do serviço; valor total; totalizador ao final de cada mês; discriminar os serviços gerais utilizados na produção dos que não se encontram na produção da empresa, por seção/setor onde podem ser localizadas. Em resposta, a recorrente informou ter apresentado as planilhas contendo os serviços utilizados diretamente no processo produtivo 6.a, uma planilha com os demais serviços 6.b, uma planilha com serviços cuja função não foi reconhecida 6.c. O relatório fiscal resultado da diligência consignou que no arquivo 6.a serviços utilizados como insumos diretamente na produção a recorrente relacionou serviços que não seriam utilizados diretamente na produção ou que deveriam ser amortizados por ampliar a vida útil em mais de um ano, montando o valor de R$ 289.421,13. Da planilha 6.b, manteve a glosa de R$ 47.122,01 e mais R$ 18.402,90 identificados como serviços sem função identificada, da planilha 6.c. A recorrente propugna em sua manifestação sobre o resultado da diligência pela reconhecimento do creditamento sobre os itens 6.a e 6.b, reconhecendo como não comprovados os serviços do item 6.c. Fl. 4194DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 29 28 Dentre os serviços relacionados na planilha 6.a, entendo que devem ser mantidas as glosas relativas a serviços de manutenção na ETE, serviços de locação e terraplanagem, desenvolvimento de matrizes para embalagem, serviços de manutenção de câmara fria para armazenagem de produtos acabados, pois que se referem a dispêndios anteriores ou posteriores à produção, totalizando R$ 48.378,22, conforme tabela abaixo: DESCRIÇÃO DO SERVIÇO VALOR R$ SERVIÇO MANUTENÇÃO CAMINHÃO 2.139,00 SERVIÇO INSTALAÇÃO GEOMEM.LAGOA 2.699,22 SERV. PARA TUBULAÇÃO DE ESGOTO 1.800,00 ARMAZENAGEM DE RESÍDUO INDUSTRIAL 1.105,00 SERVIÇOS GERAL EXTERNO 930,00 ARMAZENAGEM DE RESÍDUO INDUSTRIAL 890,00 MATRIZES P/IOGURTE 7 SABORES 6.800,00 SERVIÇOS DE TERRAPLANAGEM 6.000,00 SERVIÇO LOCAÇÃO TERRAPLANAGEM 1.515,00 ISOLAMENTO DE TUBULAÇÕES CÂMARAS FRIAS 24.500,00 GLOSA TOTAL 48.378,22 Sobre a alegação fiscal de que os serviços aumentariam a vida útil dos bens, valem as considerações anteriormente feitas. Concernente ao item 6.b tratamse de serviços relativos a exames admissionais, radiológicos, transporte de funcionários, elaboração de projetos, ginástica laboral, hospedagem, monitoramento, sistema de alarme, manutenção de ramais telefônicos, laudos de segurança, diárias, etc, que não possuem inerência ao processo produtivo, devendo ser mantida a glosa de R$ 47.122,01. Relativamente ao item 6.c, a recorrente reconhece a procedência da glosa de R$ 18.402,90. Assim, quanto ao item 6 serviços utilizados como insumos reconheçase o creditamento de R$ 327.818,47, relativos à planilha 6.a. Concernente aos fretes, as glosas ocorreram pela falta de informações que pudessem relacionar o frete adquirido com as notas fiscais de venda ou de insumos, destacando ainda que fretes entre estabelecimentos não podem gerar créditos por falta de previsão legal, glosa esta mantida na primeira instância por entender ainda que a informação em linha equivocada do Dacon ensejaria a manutenção da glosa. A recorrente defendeu que a glosa empreendida pelo Fisco foi arbitrária, que o mero equívoco na inserção de fretes de aquisição de insumos e transferência de insumos na linha de despesas de fretes sobre a venda não pode obstar o reconhecimento ao direito Fl. 4195DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 30 29 creditório, e ,por fim, pugna pelo creditamento quanto aos fretes nas aquisições de insumos, entre transferências de insumos entre os pontos de coleta e a indústria, aos fretes entre a produção e os pontos de venda e aos próprios fretes sobre a venda, solicitando ainda a baixa em diligência, caso se entendesse que as provas juntadas fossem insuficientes. Neste sentido, a resolução determinou a diligência para que a recorrente pudesse comprovar os fretes em operações de venda, bem como elaborasse demonstrativo, separando o frete sobre a aquisição de insumos, sobre as operações de vendas e sobre as transferências entre estabelecimentos. Intimada a realizar a separação, com apresentação de documentação probatória, a recorrente apresentou as seguintes planilhas: a) VENDA PROD. ACABADO: Frete na venda de produtos acabados (leite e derivados). b) VENDA PROD. AGROP.: Frete na venda de produtos agropecuários (ração e farelo de trigo). c) VENDA LOCAIS PRESUMIDOS: frete entre a empresa e seus distribuidores. A empresa encaminhava seus produtos para que os distribuidores realizassem a comercialização (operações de venda fora do estabelecimento). c) TRANSFERÊNCIA CD: Frete na transferência de produtos acabados dos seus estabelecimentos industriais até o Centro de Distribuição (CNPJ n° 83.011.247/001455) localizado na cidade de Curitiba PR. d) TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO: Frete na transferência de produtos acabados entre seus estabelecimentos industriais. e) TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA: Frete na transferência de produtos agropecuários (farelo e farelo de trigo) da matriz até os demais estabelecimentos, destinados à revenda. f) COMPRA INSUMOS: Frete na compra de insumos (leite in natura, lenha e cavaco, embalagens, ingredientes, etc). g) COMPRA USO E CONSUMO: Frete na compra de insumos (peças, etc.) classificados como de uso e consumo. h) TRANSFERÊNCIA PC: Frete na transferência de leite in naturais dos Postos de Coleta até os estabelecimentos industriais. i) TRANSFERÊNCIA PCPC: frete de leite in natura entre postos de coleta. h) CONSIGNAÇÃO: Frete na transferência de produtos (leite in natura e manteiga) do estabelecimento do remetente (fornecedor) até o estabelecimento destinatário (prestador de serviço de armazenagem e/ou resfriamento), tendo a TIROL como consignatário arcado com o ônus da operação. Fl. 4196DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 31 30 j) COMPRA PROD. AGROP. P/ REVENDA: Frete na compra de produtos agropecuários (farelo de soja, farelo de trigo, ração, sal mineral, calcário, suplementos para ração, etc), destinados à revenda aos produtores de leite. k) COMPRA IMOBILIZADO: Frete na compra de bens para o ativo imobilizado. 1) DEVOLUÇÃO DE VENDAS: Frete referente devolução de venda de produtos acabados (leite longa vida, manteiga, etc). o) REMESSA ARMAZENAGEM: frete de produtos acabados para armazenagem em estabelecimentos de terceiros. p) RETORNO ARMAZENAGEM: frete de retorno dos produtos acabados armazenados em estabelecimentos de terceiros. m) REMESSA ANÁLISE: Frete na remessa de amostras de produtos (leite in natura) dos estabelecimentos industriais ou postos de coleta da empresa para análise em estabelecimentos terceirizados. n) RETORNO ANÁLISE: Frete no retorno de caixas/vasilhames nos quais foram remetidas as amostras de produtos (leite in natura) para análise em estabelecimentos terceirizados. o) REMESSA CONSERTO: Frete na remessa de bens (prensa, cilindro, pistão, etc.) para conserto. p) RETORNO CONSERTO: Frete no retorno de bens (filadeira, etc.) remetidos para conserto. q) DIVERSOS: Outros fretes não enquadrados nas classificações acima. O relatório final da diligência abordou apenas os fretes relacionados nas planilhas TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO, TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA e COMPRA IMOBILIZADO, entendendo pela impossibilidade de creditamento. Em manifestação ao relatório final de diligência, a recorrente reafirma o direito ao creditamento, seja como frete na aquisição de insumos, seja como fretes sobre vendas, bem como entende confirmado o creditamento sobre as demais planilhas. Inicialmente, salientase que, embora o relatório seja omisso quanto às demais planilhas, algumas descrições são suficientes para formação de convicção quanto à possibilidade de creditamento. Assim, os fretes nas aquisições de insumo devem ser reconhecidos por se tratarem de custo de aquisição, bem como os fretes de transferências de insumos entre estabelecimentos, por se tratarem de serviços aplicados durante o processo produtivo, incluindo aqui os fretes entre os pontos de coleta até a produção, conforme explicitado no FLUXO DO PROCESSO DE PRODUÇÃO NA INDÚSTRIA: DE LACTICÍNIOS TIROL LTDA Fl. 4197DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 32 31 01.1. TRANSPORTE 1º PERCURSO: Nesta primeira etapa há o custo de transporte, que é o valor pago ao transportador para fazer a coleta do leite na propriedade do produtor rural e sua transferência até os postos de resfriamento, ou dependendo da localização da propriedade e da indústria, o leite já é transferido diretamente para a indústria, sem passar pelo posto de resfriamento [...] 02.1. TRANSPORTE 2º PERCURSO: Nesta segunda etapa, há custo de transporte, que é o valor pago às transportadoras pelo serviço de transporte entre o posto de resfriamento e a indústria. Neste sentido, deve ser reconhecido o direito ao creditamento das planilhas, já reconhecidos na diligência: VENDA PROD. ACABADO e VENDA PROD. AGROP, por se tratarem de fretes sobre vendas, nos termos do inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. COMPRA DE INSUMOS: segundo a recorrente são fretes nas compras de insumos que compõem o custo de aquisição e geram direito a crédito. Entretanto, verificase na informação prestada pela recorrente, a aquisição referese a leite in natura, lenha, cavaco, embalagens, ingredientes e descrições genéricas como diversos, outras cargas, conforme nf, ou simplesmente sem descrição do produto adquirido. No caso de aquisição de leite, tratase de produto sujeito à alíquota zero, de acordo com o inciso XI do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004. Assim, como a própria recorrente expôs em sua peça recursal, o frete na compra de insumos compõe o custo de aquisição deste insumo, bem como o seguro pago pelo comprador. A base de cálculo do crédito é composta pelo custo de aquisição e sobre este aplicase a alíquota a que está sujeita o produto, no caso do leite, alíquota zero. Portanto, não há que se falar em hipótese autônoma de frete, mas sim hipótese de creditamento sobre a aquisição de um insumo, cuja base contém o frete e o seguro pagos. Porém, para os bens sujeitos à alíquota zero, não há crédito algum, nem do valor do bem, nem de frete, nem de seguro. Destarte, devem ser excluídas da planilha acima, os fretes vinculados à aquisição sujeitas à alíquota zero, bem cuja descrição referese a "diversos", "outras cargas", "conforme nf" ou simplesmente sem descrição do produto adquirido, por não ser possível identificar a condição de insumos. TRANSFERÊNCIA PC e PCPC: Frete na transferência de leite in natura dos Postos de Coleta até os estabelecimentos industriais e entre postos. REMESSA ANÁLISE e RETORNO ANÁLISE: fretes na remessa e retorno de amostras de produtos (leite in natura) dos estabelecimentos industriais ou postos de coleta da empresa para análise em estabelecimentos terceirizados. Fl. 4198DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 33 32 REMESSA CONSERTO e RETORNO CONSERTO por se tratar de frete utilizado em manutenção de bens da produção, segundo informação da recorrente, não havendo qualquer objeção no relatório fiscal da diligência. Porém, relativamente às planilhas abaixo, entendo que a glosa deve ser mantida: * VENDA LOCAIS PRESUMIDOS: por se tratar de frete de produtos acabados anterior à operação de venda; TRANSFERÊNCIA CD frete na transferência de produtos acabados dos seus estabelecimentos industriais até o Centro de Distribuição (CNPJ n° 83.011.247/001455) localizado na cidade de Curitiba PR), TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO frete na transferência de produtos acabados entre seus estabelecimentos industriais e TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA frete na transferência de produtos agropecuários (farelo e farelo de trigo) da matriz até os demais estabelecimentos, destinados à revenda. A Lei nº 10.833, de 2003 assim dispôs em seu artigo 3º, inciso IX sobre a hipótese de creditamento sobre fretes nas operações de vendas: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) ... IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Da redação do inciso destacase a expressão “quando o ônus for suportado pelo vendedor”. Entendo que a especificidade da expressão indica que o inciso trata do negócio jurídico de compra e venda de mercadoria, posto que não faria sentido a restrição para as despesas operacionais de logística interna que, certamente, são suportadas pela pessoa jurídica, não havendo que se cogitar de ônus a ser suportado por um comprador, quando inexiste a compra, nem quando se refere a operações de logística interna. Por outro lado, para classificar como insumo, o serviço de frete deve possuir a natureza de custo e não de despesas operacionais, as quais excluo do conceito de insumo, não em razão de sua indispensabilidade à atividade econômica, mas em razão de ser uma despesa incorrida posteriormente ao processo produtivo. No mesmo sentido da impossibilidade de creditamento, citamse os seguintes acórdãos: Acórdão nº 220100.081, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento: COFINS NÃOCUMULATIVA. FRETE PARA ESTABELECIMENTO DA CONTRIBUINTE. O frete de mercadorias acabadas para armazenamento em estabelecimento da contribuinte não dá direito a créditos de COFINS por falta de previsão legal nesse sentido. Fl. 4199DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 34 33 Acórdão nº 3803003.595, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento: INSUMOS ALCANCE FRETE DE TRANSFERÊNCIA. PRODUTO ACABADO. IMPOSSIBILIDADE Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda, que pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para realização de transferências de mercadorias (produtos acabados) dos estabelecimentos industriais para os estabelecimentos distribuidores da mesma pessoa jurídica, não geram direito a créditos a serem descontados do PIS devido. Destacase o excerto abaixo deste acórdão: “Destaco que o frete empregado pela empresa é de produto acabado para estabelecimento da mesma empresa, ou seja, de mero procedimento interno de logística que constitui despesa operacional, entretanto, não passível de ser utilizada para creditamento da contribuição para o PIS/PASEP no regime da nãocumulatividade, por absoluta falta de previsão legal.” Salientase que esta turma, em recente julgado de Acórdão nº 3302002.464, assim também se posicionou: CRÉDITO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados não geram direito a crédito da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. Portanto, incabível o creditamento relativo a tais despesas. * COMPRA USO E CONSUMO: a recorrente afirmou que se trata de frete material e uso e consumo (peças etc), porém a descrição apresentada na planilha não permite a identificação da natureza da carga e sua utilização no processo produtivo, impossibilitando o creditamento como insumos. * CONSIGNAÇÃO: tratase de custos de aquisição no caso de leite in natura, por ser frete na transferência de leite in natura, de diversos produtores para o estabelecimento destinatário para resfriamento, valendo as mesmas considerações tecidas para a compra de leite in natura, sujeito à alíquota zero. * COMPRA PROD. AGROP. P/ REVENDA por se tratar de frete na aquisição de bens para revenda, compondo o custo de aquisição destes bens, informados na linha 01 do DACON. A inclusão destes fretes em diligência representa inovação, pois as alegações no recurso especial referiam a fretes na aquisição de insumos, fretes internos de insumos (pontos de coleta até a unidade de produção) e fretes em operações de venda. A inclusão neste momento somente seria possível, em homenagem ao princípio da verdade material, se a recorrente comprovasse o erro cometido no preenchimento da linha 01 do Fl. 4200DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 35 34 DACON, o que até então não fora cogitado, nem provado na diligência. Assim, entendo incabível esta inovação em sede de diligência. * DEVOLUÇÃO DE VENDAS: a informação prestada referese a devoluções de leite e queijos, produtos com alíquota zero, cujo custo de aquisição não gera crédito, além de representar inovação nas razões recursais manifestadas em manifestação de inconformidade e impugnação, por não se tratar de frete na aquisição de insumos, ou de transferências de insumos ou produtos acabados, nem de frete na operação de venda. * COMPRA IMOBILIZADO, pois não se refere a serviços utilizados no processo produtivo nem a frete nas operações de vendas, razão pela qual tais aquisições não geram créditos, ressalvada a possibilidade de creditamento sobre as futuras depreciações, desde que relativas a bens utilizados no processo produtivo, o que, entretanto, não restou comprovado na diligência, além do que o pedido representa inovação, pois a defesa inicial pautouse na existência de fretes como insumos, aquisição de insumos e sobre vendas. * REMESSA E RETORNO DE ARMAZENAGEM, pois se refere a fretes de produtos acabados. * DIVERSOS, pois a generalidade da descrição não permite a comprovação de sua utilização no processo produtivo ou nas operações de venda. Assim, devem gerar créditos os fretes relativos às planilhas VENDA PROD. ACABADO, VENDA PROD. AGROP, TRANSFERÊNCIA PC e PCPC, REMESSA ANÁLISE, RETORNO ANÁLISE, REMESSA CONSERTO e RETORNO CONSERTO, totalizando R$ 4.177.590,25, ressalvando a necessidade de a unidade de execução do acórdão apurar o crédito relativo à COMPRA DE INSUMOS, exceto relativo à aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero e produtos com a descrição genérica de "diversos", "outras cargas", "conforme nf" ou simplesmente sem descrição do produto adquirido. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DOS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO A fiscalização glosou o creditamento sobre encargos de depreciação relativos a bens adquiridos anteriormente a 1º/05/2004, a bens usados, a veículos da administração , à correção monetária do imobilizado e outros bens não utilizados na linha de produção, e também relativos a bens sem comprovação documental, no montante de R$ 186.509,58. A resolução determinou diligência para que a recorrente comprovasse a composição e origem do valor controverso remanescente após a decisão de primeira instância, de R$ 77.093,94, devendo prestar os devidos esclarecimentos. O relatório fiscal da diligência apenas informou que a recorrente apresentou a planilha contendo a descrição dos bens, sua função, bem como anexou fotografias, não tendo a recorrente se manifestado sobre este item. Em manifestação sobre o relatório, a recorrente nada informou sobre este tópico. Fl. 4201DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 36 35 Diante da falta de clareza no relatório fiscal, inferese que a autoridade tenha comprovado as informações prestadas na planilha 8.a, constante das efls. 3.948 em diante, apresentados pela recorrente, juntamente com fotografias dos bens relacionados. Desta relação, deve ser mantida as glosas relativas a BALANÇA RODOVIÁRIA (foto 5), MÁQUINA PALETIZADORA WLP 150 (foto 8), MÁQUINA PALETIZADORA (foto 19), EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL (foto 24), TRANSPORTADORES DE ROLETES (foto 27), usados para transporte, armazenamento ou estocagem de produtos acabados, totalizando R$ 19.391,43. Assim, reconhecese o direito ao creditamento de R$ 57.702,41. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório sobre embalagens de 1.420.181,23, material de reposição de R$ 523.479,94, amônia de R$ 10.151,80, combustíveis e lubrificantes de R$ 25.444,80, outros insumos de R$ R$ 30.795,55, produtos de conservação e limpeza no valor de R$ 186.781,05, serviços como insumos de R$ 327.818,47, fretes de R$ 4.177.590,25 e encargos de depreciação de R$ 57.702,41, todos valores referentes a base de cálculo. De forma ilíquida, reconheço o creditamento sobre fretes da planilha COMPRA DE INSUMOS, exceto sujeitos à alíquota zero e com a descrição genérica de "diversos", "outras cargas", "conforme nf" ou simplesmente sem descrição do produto adquirido ", a serem calculados pela unidade responsável pela execução do acórdão, nos termos da Solução de Consulta Interna Cosit nº 18/2012. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Voto Vencedor Conselheiro Walker Araujo Redator designado Em que pese as razões arroladas pelo ilustre Relator, peço licença para divergir em relação ao não reconhecimento de crédito sobre (i) aquisição de embalagem de transporte; (ii) frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero; e (iii) frete intitulado como "Consignação", posto que referidos bens e serviços, por integram o processo produtivo da Recorrente, devem ser considerados passíveis de creditamento. Vejamos: (i) aquisição de Embalagem de Transporte Em síntese apartada, entendeu o ilustre Relator que, por se tratar de fase posterior ao processo produtivo da Recorrente, as embalagens utilizadas com função precípua de transporte e armazenamento dos produtos acabados, não integram o processo produtivo, seja direta ou indiretamente e, nessa condição, não geram créditos. Por outro lado, entendeu que as embalagens de apresentação, por integram o processo produtivo da Recorrente, visto que por não se destinarem apenas ao transporte do produto e por alteram a apresentação do produto que embala, são passíveis de creditamento. Fl. 4202DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 37 36 Nessa de linha de raciocínio, o ilustre Relator manteve a glosa relativa (i) as embalagens consideradas pela fiscalização como de transporte no valor de R$ 128.988,23, as quais foram registradas pela Recorrente como de apresentação, (ii) as embalagens de transporte propriamente dita no montante de R$ 245.878,90, concedendo o direito a crédito sobre embalagens de apresentação no valor de R$ 1.420.181,23, conforme apurado no relatório fiscal carreada aos autos. Ou seja, do montante de R$ 1.795.048,48 pleiteado pela Recorrente a título de embalagens de apresentação e de transporte, foi mantida a glosa de R$ 374.867,25, conforme se verifica no demonstrativo abaixo: Item Custo de Aquisição Reconhecido Glosado Embalagem de apresentação 1.549.169,58 1.420.181,23 128.988,23 Embalagem de transporte 245.878,90 0,00 245.878,90 Total glosa 374.867,25 Entretanto, com todo respeito as razões adotadas pela ilustre Relator, entendo que independentemente de serem de apresentação ou de transporte, ou por ter sido utilizada em etapa posterior a fabricação do produto, os materiais de embalagens, seja com a finalidade de alterar o produto que embala ou de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, devem ser admitidos como insumos de produção e, consequentemente gerar créditos de PIS/COFINS. Isto porque, considerando que operação realizada pela Recorrente envolve o manuseio de produtos alimentícios, as embalagens de transporte são necessárias para proteger e evitar qualquer contato externo com o produto e principalmente evitar qualquer risco de contaminação. Desta forma, diferentemente do entendimento pelo d. Relator, este Relator entende que, para fins de apropriação de crédito do PIS e da Cofins, é irrelevante o fato de o material de embalagem ser de apresentação ou de transporte, se tais materiais são utilizados no âmbito do processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser comercializado, como ocorreu com os materiais de embalagem destinados à proteção contra impactos, sujeiras externas e facilitando o transporte, conforme devidamente explicitado pela Recorrente em sede recursal. Ora, se tais materiais representam custos incorridos na fase de produção do bem destinado à venda, certamente, inexiste razão plausível para excluir da base de cálculo dos referidos créditos pelo simples fato de serem embalagens utilizadas no transporte do referido produto. Portanto, além do valor reconhecido pelo Relator a título de embalagens de apresentação, deve ser admitido também o crédito relativo (i) as embalagens consideradas pela fiscalização como de transporte no valor de R$ 128.988,23, as quais foram registradas pela Recorrente como de apresentação, e (ii) as embalagens de transporte propriamente dita no montante de R$ 245.878,90. (ii) frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero Fl. 4203DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 38 37 Neste ponto, o d. Relator afastou o direito de crédito relativo ao frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero com base nos seguintes fundamentos: A base de cálculo do crédito é composta pelo custo de aquisição e sobre este aplicase a alíquota a que está sujeita o produto, no caso do leite, alíquota zero. Portanto, não há que se falar em hipótese autônoma de frete, mas sim hipótese de creditamento sobre a aquisição de um insumo, cuja base contém o frete e o seguro pagos. Porém, para os bens sujeitos à alíquota zero, não há crédito algum, nem do valor do bem, nem de frete, nem de seguro. É de se ver que a fundamentação para manutenção da glosa de créditos calculados sobre fretes foi no sentido de que os bens sujeitos à alíquota zero, cuja base de cálculo do crédito já engloba o valor do frete e do seguro, não dá direito ao crédito. Em relação à esta matéria, esta Turma já adotou posicionamento contrário ao entendimento apresentado pelo i. Relator, por meio do acórdão nº 3302002.922, de relatória da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, o qual adoto como fundamento para solucionar a questão sob análise, a saber: Conforme acima demonstrado a fundamentação da glosa de créditos calculados sobre fretes prendese ao fato de que as aquisições dos insumos são tributados à alíquota zero, estando em desacordo com o art. 3º, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.637, de 2002. No entanto há precedente no CARF conforme Acórdão nº 3403001.944, de 09/03/13, que confere uma outra interpretação ao dispositivo legal em destaque, a qual me filio por entender consentânea com os objetivos visados pela lei de regência da matéria, no tocante ao dispositivo em exame, cuja ementa a seguir se transcreve, na parte de interesse: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.NÃOCUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição. Nesse sentido, registro excertos da referida decisão, nos termos do voto condutor: A fiscalização não reconhece o crédito por ausência de amparo normativo, e afirma que o frete e as referidas despesas integram o custo de aquisição do bem, sujeito à alíquota zero (por força do art. 1º da Lei nº 10.925/2004), o que inibe o creditamento, conforme a vedação estabelecida pelo inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 (em relação à Contribuição para o PIS/Pasep), e pelo inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 (em relação à Cofins):(grifei). “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor:(...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), Fl. 4204DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10925.001517/200722 Acórdão n.º 3302003.097 S3C3T2 Fl. 39 38 isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei no 10.865, de 2004)”(grifei). Contudo, é de se observar que o comando transcrito impede o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento da contribuição e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Não trata o dispositivo de serviços sujeitos a tributação efetuados em/com bens não sujeitos a tributação (o que é o caso do presente processo). )(grifei). Improcedente assim a subsunção efetuada pelo julgador a quo no sentido de que o fato de o produto não ser tributado “contaminaria” também os serviços a ele associados. Vejase que é possível um bem não sujeito ao pagamento das contribuições ser objeto de uma operação de transporte tributada. E que o dispositivo legal citado não trata desse assunto. Portanto, por ser passível de creditamento, a glosa de créditos relativo ao frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero deve ser totalmente revertida. (iii) frete intitulado como "Consignação" Adoto as mesmas considerações tecidas para a compra de leite in natura, sujeito à alíquota zero. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório relativo (i) as embalagens consideradas pela fiscalização como de transporte no valor de R$ 128.988,23, as quais foram registradas pela Recorrente como de apresentação, e (ii) as embalagens de transporte propriamente dita no montante de R$ 245.878,90, todos valores referentes a base de cálculo. De forma ilíquida, reconheço o creditamento sobre fretes (i) relativos à aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero, e (ii) dos intitulados como "Consignação", a serem calculados pela unidade responsável pela execução do acórdão, nos termos da Solução de Consulta Interna Cosit nº 18/2012. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Redator designado. Fl. 4205DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 30/03/2016 por WALKER ARAUJO
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Numero do processo: 11968.000827/2008-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 25/04/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.714
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/04/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 08 27 /2 00 8- 77 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/200877 Acórdão n.º 9303003.714 CSRF‐T3 Fl. 144 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3802002.320. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 145DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/200877 Acórdão n.º 9303003.714 CSRF‐T3 Fl. 145 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 146DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/200877 Acórdão n.º 9303003.714 CSRF‐T3 Fl. 146 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/200877 Acórdão n.º 9303003.714 CSRF‐T3 Fl. 147 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 148DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/200877 Acórdão n.º 9303003.714 CSRF‐T3 Fl. 148 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 149DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/200877 Acórdão n.º 9303003.714 CSRF‐T3 Fl. 149 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/200877 Acórdão n.º 9303003.714 CSRF‐T3 Fl. 150 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 151DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/200877 Acórdão n.º 9303003.714 CSRF‐T3 Fl. 151 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/200877 Acórdão n.º 9303003.714 CSRF‐T3 Fl. 152 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 153DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/200877 Acórdão n.º 9303003.714 CSRF‐T3 Fl. 153 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 154DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000827/200877 Acórdão n.º 9303003.714 CSRF‐T3 Fl. 154 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 155DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 19515.722768/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
Ementa:
GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN.
No julgamento do REsp nº 973.733/SC, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, utiliza-se a sistemática prevista no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, o dies a quo será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Aplicação do art. 62 da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. NUA-PROPRIEDADE. UTILIZAÇÃO DE LEGISLAÇÃO ESTADUAL. ITCMD/SP. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Incabível a utilização da legislação do Estado de São Paulo para definir a base de cálculo de IRPF, por falta de previsão legal.
Numero da decisão: 2201-002.827
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar arguída. No mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado) que votaram pela anulação do auto de infração por vício formal e o Conselheiro CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, que votou pela anulação do auto por vício material.
Assinado Digitalmente
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente em Exercício.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 22/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente em exercício), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), EDUARDO TADEU FARAH, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente).
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DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN. No julgamento do REsp nº 973.733/SC, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, utilizase a sistemática prevista no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, o dies a quo será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Aplicação do art. 62 da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. NUAPROPRIEDADE. UTILIZAÇÃO DE LEGISLAÇÃO ESTADUAL. ITCMD/SP. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Incabível a utilização da legislação do Estado de São Paulo para definir a base de cálculo de IRPF, por falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar arguída. No mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e MÁRCIO DE LACERDA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 27 68 /2 01 2- 16 Fl. 630DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 MARTINS (Suplente convocado) que votaram pela anulação do auto de infração por vício formal e o Conselheiro CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, que votou pela anulação do auto por vício material. Assinado Digitalmente CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente em Exercício. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 22/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente em exercício), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), EDUARDO TADEU FARAH, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – Ganhos de Capital, fato gerador 31/03/2007, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 181/184 e Demonstrativo de Apuração de fls. 179/180, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 6.298.987,47, calculado até 30/11/2012. A fiscalização apurou omissão de ganhos de capital na alienação de participações societárias – ações/quotas não negociadas em bolsa. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta Impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: ... que discorda da autuação, em face: II.a) Da Decadência; II.b) Da Legalidade do Procedimento do Requerente; II.c) Da Invenção da Base de Cálculo do IRPF e o Erro quanto à Redução de Valor da NuaPropriedade, por inexistência de apuração do bem a valor de mercado e interpretação equivocada da Legislação de ITCMD/SP; II.d) da Inexistência de Acréscimo Patrimonial; II.e) Da Ilegalidade da Hipótese de Incidência e da Base de Cálculo, pela utilização da Lei Estadual do ITCMD e descabimento da utilização da analogia e da equidade; II.f) Do Desrespeito ao Princípio da Isonomia; II.g) Da inconsistência do arbitramento da base de cálculo do IRPF; II.h) Da Inexistência de Fraude, Dolo e Simulação. III) para, ao final, requerer seja cancelado integralmente o lançamento de IRPF, além das condenações dele advindas; e/ou cancelada a multa qualificada de 150%. A 18ª Turma da DRJ em São Paulo/SP1 julgou improcedente a Impugnação apresentada, conforme ementas abaixo transcritas: Fl. 631DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.722768/201216 Acórdão n.º 2201002.827 S2C2T1 Fl. 3 3 DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude e simulação, com a finalidade de dissimular e ocultar o fato gerador do ganho de capital na alienação de bens e direitos, não se aplica o prazo decadencial de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, previsto no art. 150, § 4º, do CTN, deslocandose a contagem para a regra geral estatuída no art. 173, inciso I, do mesmo diploma legal. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. Considerase ganho de capital a diferença positiva entre o valor de alienação de bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição. Se a transferência de bens e direitos, a título de integralização de capital, não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior é tributável como ganho de capital. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Configurada a ocorrência de dolo, fraude e simulação, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada prevista na legislação de regência. Impugnação Improcedente O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 01/08/2013 (fl. 493) e, em 29/08/2013, interpôs o recurso de fls. 496/559, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de ganhos de capital na alienação de participações societárias não negociadas em bolsa, relativamente a fato gerador ocorrido em 31/03/2007. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar a preliminar de decadência do crédito tributário. De início, impende assentar que em se tratando de decadência de tributo lançado por homologação, o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN) fixa prazo de homologação de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, no caso em que a lei não fixar outro limite temporal: Fl. 632DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entretanto, o § 2º do art. 62 da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015, passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Em relação à decadência dos tributos lançados por homologação, temos como parâmetro o Recurso Especial nº 973.733/SC de 12/08/2009, julgado pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática prevista pelo art. 543C do CPC. O julgamento determinou que nos casos em que houver pagamento antecipado e/ou imposto de renda retido na fonte, ainda que parcial, o termo inicial será contado a partir do fato gerador, na forma do § 4º do art. 150 do CTN. Contudo, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, o dies a quo será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I do art. 173 do CTN: Art. 173 — O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; No caso dos autos, independentemente da análise do dolo, fraude ou simulação, como não houve pagamento antecipado, que tenha conexão com o fato gerador, portanto, apto a atrair o § 4º do art. 150 do CTN, devese aplicar à regra contida no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, contase o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, aplicando ao caso a regra expressa no inciso I do art. 173 do CTN, a contagem do decurso do prazo de cinco anos tem início em 1º/01/2008, expirando em 31/12/2012, portanto o crédito tributário não havia sido ainda atingido pela decadência, já que a ciência do auto de infração ocorreu em 06/12/2012 (fl. 225). Encerrada a apreciação da preliminar, passase ao exame das questões de mérito. Segundo se colhe dos autos, a autoridade fiscal identificou a existência de ganho de capital, não oferecido à tributação, decorrente da subscrição e integralização de ações da empresa Daycoval Holding Financeira S/A, CNPJ 08.693.834/000131, com a nua propriedade de ações do Banco Daycoval S/A, CNPJ 62.232.889/000190. De acordo com a fiscalização, como não foi apresentado pelo contribuinte nenhum documento comprobatório do Fl. 633DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.722768/201216 Acórdão n.º 2201002.827 S2C2T1 Fl. 4 5 custo da nuapropriedade das ações do Banco Daycoval S/A, a autoridade fiscal se valeu do art. 16 da Lei nº 7.713/1988, ou seja, utilizouse como custo de aquisição o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão (ITCMD/SP). Por sua vez, alega o suplicante, em linhas gerais, que inexiste norma que distinga a nuapropriedade da propriedade plena de ações para efeito de integralização de capital. In casu, no momento da cessão da nuapropriedade das ações do Banco em favor da Holding, utilizouse o valor de custo contido em sua DIRPF para efeito de aumento de seu capital social, conforme determina a Lei n° 9.249/1995. Assevera ainda que é ilegal e ilegítimo a base de cálculo utilizada com base na Lei Estadual do ITCMD, já que é incabível, neste caso, a utilização da analogia e da equidade. Por fim, questiona a qualificação da multa, já que inexiste fraude, dolo ou simulação. Como visto dos autos, a controvérsia cingese na integralização de Ações da Daycoval Holding Financeira S/A com a transferência da NuaPropriedade das Ações do Banco Daycoval S/A. Na visão da fiscalização e da autoridade recorrida, a Ata de Assembléia Geral Extraordinária de 20/03/2007, da Daycoval Holding Financeira S/A (fls. 64/67), juntamente com o respectivo Laudo de Avaliação nela descrito (fls. 78/81), constatouse que a avaliação exigida pelo art. 8º da Lei nº 6.404/1976, foi realizada para a propriedade plena das ações do Banco Daycoval S/A, e não para a nuapropriedade desses títulos mobiliários (Termo de Verificação Fiscal de fl. 198). Em razão do fato acima, asseverou a autoridade fiscal que “Assim, no processo em questão de integralização do aumento do capital social da empresa Daycoval Holding Financeira S/A, o(a) contribuinte alienou, em 20/03/2007, a NUA PROPRIEDADE de 15.352.310 ações PN de sua titularidade no Banco Daycoval S/A, pelo valor total de R$ 41.081.246.33”. Por fim, concluiu que “Dessa forma, para se apurar o ganho de capital ocorrido no processo de integralização de capital da empresa Daycoval Holding Financeira S/A, é necessário que se determine o custo da nuapropriedade das ações integralizadas”. Com fito de se apurar o custo da nuapropriedade das ações integralizadas, já que, na visão da autuante, não foi produzido um laudo de avaliação da nuapropriedade, a autoridade fiscal se valeu do art. 16 da Lei nº 7.713/1988: Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; (grifei) (...) § 3º No caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, (que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei), o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. (grifei) § 4º O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. (grifei) Fl. 634DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Para fins de quantificar o custo da nuapropriedade das ações integralizadas, a fiscalização utilizouse os critérios definidos pela legislação do imposto sobre transmissão causa mortis e doação de quaisquer bens ou direitos do Estado de São PauloITCMD/SP, regido pela Lei Estadual nº 10.705/2000, mormente por considerar o domicílio tributário do contribuinte na capital: Artigo 9º A base de cálculo do imposto é o valor venal do bem ou direito transmitido, expresso em moeda nacional ou em UFESPs (Unidades Fiscais do Estado de São Paulo). § 1º Para os fins de que trata esta lei, considerase valor venal o valor de mercado do bem ou direito na data da abertura da sucessão ou da realização do ato ou contrato de doação. § 2º Nos casos a seguir, a base de cálculo é equivalente a: (grifouse) 1. 1/3 (um terço) do valor do bem, na transmissão não onerosa do domínio útil; 2. 2/3 (dois terços) do valor do bem, na transmissão não onerosa do domínio direto; 3. 1/3 (um terço) do valor do bem, na instituição do usufruto, por ato não oneroso; 4. 2/3 (dois terços) do valor do bem, na transmissão não onerosa da nuapropriedade. (grifouse) Citase, outrossim, art. 9º da Lei municipal nº 11.154, de 1991, relativa ao ITBI/SP: Art. 9º O valor da base de cálculo será reduzido: (Redação dada pela Lei nº 14256/2006) I Na instituição de usufruto e uso, para 1/3 (um terço); II Na transmissão de nua propriedade, para 2/3 (dois terços); (grifouse) III Na instituição de enfiteuse e de transmissão dos direitos do enfiteuse, para 80% (oitenta por cento); IV Na transmissão de domínio direto, para 20% (vinte por cento). Parágrafo Único Consolidada a propriedade plena na pessoa do proprietário, o imposto será calculado sobre o valor do usufruto, uso ou enfiteuse. Pelo que se vê, a fiscalização considerou que o custo de aquisição da nua propriedade das ações do Banco Daycoval S/A representou 2/3 do valor do custo de aquisição da propriedade plena dessas ações, de acordo com as formas de cálculos previstas nos impostos de transmissão de bens e direitos. Como forma de referendar o procedimento adotado pela fiscalização, consignou a autoridade recorrida que “Na ausência de disposição expressa, a lei tributária autoriza que a autoridade administrativa lance mão de instrumentos de integração, entre os Fl. 635DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.722768/201216 Acórdão n.º 2201002.827 S2C2T1 Fl. 5 7 quais a analogia e a equidade utilizada pela Fiscalização. Que, no caso concreto, diante da falta de previsão expressa na legislação do imposto sobre a renda de pessoa física de regramento de determinação da base de cálculo de nuapropriedade de bens, aplicou a norma legal prevista na legislação do ITCMD/SP e ITBI/SP, no tocante à determinação da base de cálculo envolvendo a transmissão da nuapropriedade de bens”. Diferentemente do que argumentou a autoridade recorrida, in casu, o emprego da analogia esbarrase no princípio da legalidade, expresso no § 1° do art. 108 do CTN que taxativamente dispõe "... o emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei". No caso concreto, como não há qualquer de previsão expressa na legislação federal no sentido de se utilizar o regramento de lei estadual para definir base de calculo do imposto de renda, constante dispõe o art. 142 do CTN, não pode a autoridade fiscal adotar medidas ou formas alternativas para constituir o crédito tributário. Por sua vez, o princípio da equidade também deve obedecer a reserva legal, já que sua utilização não pode afastar ou modificar a lei. A utilização do art. 16 da Lei nº 7.713/1988 é expediente legítimo; entretanto o que dispõe a lei é a utilização do "... valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão" e, com a devida venia, não consta dos autos esse valor. Com efeito, os princípios da legalidade e da tipicidade, determinam que a lei disponha de todos os elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, a lei não pode deixar a critério da autoridade fiscal os requisitos necessários à sua exigência, conforme determina o art. 150, I, da Constituição Federal (É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça). A bem da verdade, a fiscalização, por ausência de uma legislação federal dispondo sobre a matéria, se valeu da legislação estadual para chegar a grandeza econômica sobre a qual se assentou a exigência. Com efeito, a utilização de tal expediente poderia, em algum momento, conflitar com o principio da uniformidade tributária (é vedado à União instituir tributo que não seja uniforme em todo território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou ao Município art. 151, I da Constituição Federal), já que cada estado dispõe de modo diferente sobre a quantificação da base de cálculo da nuapropriedade. Embora tenha os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Márcio de Lacerda Martins e Carlos Alberto Mees Stringari, nos debates, suscitado a existência de nulidade do lançamento, em razão da descrição incorreta do fundamento que assentou a exigência fiscal, além de inovação, por parte da autoridade recorrida, quando argumentou que não houve arbitramento e sim o emprego da analogia e equidade, penso que a questão tratada nestes autos referese à ausência de disposição legal autorizadora para se utilizar de legislação estadual para definir a base de cálculo de IRPF. Assim, ante a esses argumentos, penso que é incabível o critério adotado pela autoridade fiscal para apuração do custo da nuapropriedade das ações do Banco Daycoval S/A. Ante a todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de decadência, e, no mérito, dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 636DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Fl. 637DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15924.720015/2013-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência. Sustentou pela recorrente o Dr. Roberto Silvestre Maraston, OAB/SP n. 22.170.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
DIEGO DINIZ RIBEIRO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência. Sustentou pela recorrente o Dr. Roberto Silvestre Maraston, OAB/SP n. 22.170. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. DIEGO DINIZ RIBEIRO Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por retratar bem os fatos que permeiam o presente processo, adoto como meu parte do relatório esposado no Resolução nº 1146.342, veiculado pela DRJRecife, in verbis: 1. Dos fatos: Quando da análise do processo administrativo nº 10831.002322/2009 19 em nome da empresa HP, que dizia respeito ao pleito de retificação da DI nº 09/09322826, de 2009, desembaraçada através do canal verde, DI essa formulada ao amparo do AWB nº 0236586 0686 867660553273, a fiscalização constatou que a retificação pleiteada, nos termos do INSRF nº 680/06, art. 45, visava a inclusão de “60 unidades de P/N 383280B21 bateria recarregável cachê para controladora smart array contendo cabos e documentação”; VUCV US$ RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 24 .7 20 01 5/ 20 13 -7 6 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 15924.720015/201376 Resolução nº 3402000.796 S3C4T2 Fl. 153 2 70,85; VMCV US$ 4.251,00; Pelo liquido da adição 18,10 kg.; NCM 8507.80.00”. A empresa, intimada (Termo de Intimação Fiscal (TIF) SAORT n 384/2012) a prestar esclarecimentos (fl. 25), apresentou catálogo técnico e detalhamento do material “material detail” (fl. 28), onde constava o peso unitário líquido do produto: 1,10 lb., equivalente a 0,498 kg. Novamente intimada (TIF Saort nº 126/2013) a apresentar cópia das Notas Fiscais de entrada, referentes à importação (fl. 48), nada respondeu ou apresentou. 2. Da retificação: As cargas constantes dessa DI (objeto do pedido de retificação) desembarcaram, conforme extrato do Sistema Mantra, ao amparo do AWB nº 0236586 0686 867660553273, com peso originalmente declarado de 36,28 kg, sendo apurado, quando do seu armazenamento, o peso real de 35,00 kg, avalizado pela cia aérea. O importador efetuou o registro da DI em comento, que foi parametrizada para o canal verde, onde não há conferência física ou documental, tendo sido os bens entregues e recebidos sem qualquer ressalva (INSRF nº 680/06, art. 19, 20 inciso I, c/c § 1º e 2º) A retificação de DI após o desembaraço das mercadorias nela contidas está prevista no artigo 45, inc. II, § 2º, e incisos dessa norma: “...mediante solicitação do importador, formalizada em processo e instruída com provas de suas alegações e, se for o caso, do pagamento dos tributos, direitos comerciais, acréscimos moratórios e multas, inclusive as relativas a infrações administrativas ao controle das importações, devidos, e do atendimento de eventuais controles específicos sobre a mercadoria, de competência de outros órgãos ou agências da administração pública federal...” (inc. II), devendo ser verificados os seguintes aspectos, quando o pedido se referir à quantidade/natureza dos bens: “...a compatibilidade com o peso e a quantidade de volumes informados nos documentos de transporte...” (inc. I) e “...o pleito deve ser instruído com a nota fiscal de entrada no estabelecimento importador da mercadoria a que se refere, emitida ou corrigida, nos termos da legislação de regência, com a quantidade e a natureza corretas...” (inc. II). Há necessidade de comprovação inequívoca do que se pretende ver retificado na DI, inclusive com a prova da emissão de documentação complementar, fato não demonstrado pelo contribuinte. 3. Da análise do peso das mercadorias: Intimado a comprovar o peso líquido das mercadorias que pretendia ver incluídas na DI, mediante a apresentação de catálogos/manuais ou documentos similares, o importador apresentou detalhamento do material (fl. 28), onde constava o peso unitário líquido do produto de 1,10 lb, equivalente a 0,498 kg. A fiscalização fez o seguinte cálculo: as 60 unidades originalmente declaradas, somadas às 60 unidades que o importador pretendia ver incluídas na DI, perfaziam peso líquido equivalente a 59,76 kg, maior Fl. 153DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 15924.720015/201376 Resolução nº 3402000.796 S3C4T2 Fl. 154 3 do que o constante do Conhecimento de Carga que acobertou o transporte das mercadorias, 35,00 kg. 4. Da emissão da Nota fiscal de entrada: A empresa foi intimada a apresentar cópia das Notas Fiscais de entrada referentes as mercadorias originalmente declaradas, bem como das Notas Fiscais de entrada referentes às mercadorias que pretendia ver incluídas na DI, todavia, nenhum documento foi apresentado. Tanto o Decreto nº 7.212/10 Regulamento do IPI (RIPI), art. 327 e parágrafos, quanto o Decreto nº 45.490/2000 Regulamento do ICMS (RICMS), arts. 136 e 137, tratam da obrigatoriedade de emissão de NF de entrada (textos dos artigos transcritos no Relatório fiscal). Argumentou, ainda, a fiscalização que a emissão de NF complementar está restrita às hipóteses previstas no RICMS, art. 182, que não englobam a utilizada pelo contribuinte, porque esse documento deveria ter sido emitido quando da entrada física dos bens no estabelecimento. Transcreveu o art.182 desse Regulamento e os seus incisos I a VI. A utilização das normas do fisco estadual complementando as disposições previstas no Regulamento do IPI (Decreto 7.212/10) está prevista nos arts. 388 e 391 do RIPI. Transcreveuos. 5. Da conclusão: Por todo o exposto (não apresentação de documentos e inconsistência de peso e informações), a fiscalização concluiu que não havia provas da chegada da carga não declarada por meio do Conhecimento de Carga que amparou a DI objeto do pedido de retificação, razão do indeferimento do pleito. Pelo não recolhimento dos impostos e contribuições incidentes sobre as mercadorias que o importador pretendia incluir na DI objeto do pleito de retificação, foram lavrados os Autos de Infração, que fazem parte do presente processo, nos termos do Decretolei nº 37, de 1966, art. 1º, § 4º, inc. III, com a redação da Lei nº 10.833, de 2003, art. 77, para a cobrança desses tributos, acrescidos da multa de ofício de 75%; além disso, o consumo pela empresa das mercadorias sem prova de sua regular importação, ensejou o lançamento de multa proveniente da conversão da pena de perdimento prevista no Decretolei nº 1.455, de 1976, art. 23, § 3º, com a redação da Lei nº 10.637, de 2002, art. 59, tomando a fiscalização por base o valor declarado na petição inicial pelo próprio contribuinte: VUCV US$ 70,85; VMCV US$ 4.251,00; Peso líquido da Adição 18,10 kg; NCM 8507.80.00; Taxa câmbio data lançamento: 2,1616 (22/10/2013); Valor mercadoria : R$ 9.188,96, tudo consoante o demonstrativo abaixo reproduzido: Imposto de Importação R$ 1.654,01 Multa de ofício de 75% R$ 1.240,51 Multa 100% do valor aduaneiro (conversão perdimento) R$ 9.188,96 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 15924.720015/201376 Resolução nº 3402000.796 S3C4T2 Fl. 155 4 Total do 1º AI................................................. R$ 12.083,48 Imposto sobre Produtos Industrializados R$ 1.626,44 Multa de ofício de 75% R$ 1.219,83 Total do 2º AI................................................. R$ 2.846,27 PIS R$ 151,62 Multa de ofício de 75% R$ 115,72 Total do 3º AI................................................. R$ 265,34 Cofins R$ 698,36 Multa de ofício de 75% R$ 523,77 Total do 4º AI................................................. R$ 1.222,13 Total do crédito tributário............................ R$ 16.417,22 2. Devidamente notificada, o contribuinte apresentou Impugnação de fls. 43/45, oportunidade que, em síntese, alegou: (i) que não poderia advir a presente autuação até que seu pedido de retificação de DI fosse definitivamente analisado, sob pena de nulidade da presente autuação; e, ainda (ii) que efetuou o pagamento dos tributos correlatos para as mercadorias que não haviam sido declaradas em despacho aduaneiro e que foram objeto de pedido de retificação, o que resultaria na incidência do instituto da denúncia espontânea. 3. Referida Impugnação foi julgada improcedente, consoante se observa do acórdão de fls. 99/119 da lavra da DRJ Recife e que restou assim ementado: Data do fato gerador: 22/10/2013 Entrega a consumo de mercadoria importada irregularmente. Dano ao erário. Perdimento convertido em multa equivalente ao valor aduaneiro dos bens. Incidência de tributos. Considerase dano ao erário a importação irregular de mercadorias, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, na hipótese em que as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Na hipótese de aplicação da pena de perdimento e conversão dessa pena em multa de 100% do valor aduaneiro dos bens, há incidência dos tributos sobre a mercadoria estrangeira consumida ou revendida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/10/2013 Argüição de nulidade. Direito ao contraditório e à ampla defesa. Com a lavratura dos autos de infração ficou assegurado ao sujeito passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa no processo administrativo fiscal, não cabendo falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa na fase de fiscalização. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 15924.720015/201376 Resolução nº 3402000.796 S3C4T2 Fl. 156 5 4. Uma vez intimado da referida decisão, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 134/139, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em Impugnação e acresceu os seguintes fundamentos: (i) nulidade da autuação por ausência de capitulação legal; e (ii) que em relação a divergência dos pesos declarados, em respeito ao princípio da verdade material, pretende juntar documentos aptos a comprovar a regularidade da sua conduta. 5. É o relatório. Resolução 6. Como se observa do relatório alhures desenvolvido, um dos fundamentos trazidos pela Recorrente em seu recurso diz respeito a nulidade da presente autuação. Isso porque, segundo o contribuinte, a referida exigência só poderia ser veiculada em concreto após o resultado final do seu pedido de retificação da DI nº 09/09322826, em que almejava a inclusão das mercadorias tratadas no PA em epígrafe. Referido pedido de retificação teria originado o PA n. 10831.002322/200919. 7. Acontece que não consta a existência de qualquer cópia do referido processo administrativo no caso em julgamento. Como este Relator tem acesso apenas aos processos administrativos de sua turma, fica impossível vislumbrar se assertiva do contribuinte de fato tem ou não fundamento, o que impede a realização de um julgamento adequado para o caso em comento. 8. Este Relator não ignora trecho do acórdão recorrido em que o voto atacado assim consignou: (...). A autoridade aduaneira, conforme consta à fl. 34 do Termo de Verificação e Descrição dos Fatos, indeferiu o pedido da interessada (retificação da DI), não reconhecendo sequer a possibilidade de chegada da carga não declarada no CC que amparou a DI objeto do pleito de retificação para inclusão de bens. Contra o despacho decisório que denegou a retificação pleiteada, a interessada não interpôs o recurso administrativo previsto na Lei nº 9.784/1999, art. 56, c/c, art. 45, § 4º, da INSRF 680/2006, tornando se aquela decisão definitiva na esfera administrativa. (...) (grifos nosso). 9. Acontece que repito não consta nos autos cópia do referido PA, o que me impede de atestar a adequação de referido excerto com a realidade do caso. Aliás, esta preocupação ganha corpo quando se observa do trecho alhures transcrito referência a um Termo de Verificação Fiscal de fl. 34 que, s.m.j., inexiste nos autos aqui tratados. 10. Assim, não resta alternativa senão converter o presente julgamento em diligência para que o órgão preparador providencie a vinculação de cópia integral do PA n. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 15924.720015/201376 Resolução nº 3402000.796 S3C4T2 Fl. 157 6 10831.002322/200919, que teve por escopo processar o pedido de retificação da DI nº 09/09322826. 11. Determino, inclusive, que o órgão preparador também proceda a juntada da DI nº 13/00000009, Adição 001, registrada na Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos, Campinas/SP, referida no acórdão recorrido (fls. 106) e o processo administrativo que lhe seja correlato. 12. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência ao contribuinte, abrindo lhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito, o que deve ser feito com especial ênfase para as questões fáticas aqui tratadas. Ato contínuo, o presente processo deverá ser devolvido para o seu processamento e julgamento por este Tribunal Administrativo. 13. É a resolução. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 157DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Numero do processo: 10830.723738/2013-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 30/08/2010 a 30/04/2013
NORMAS GERAIS. DESISTÊNCIA. RENÚNCIA AO DIREITO. A desistência configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, não analisaremos a questão, pelo não conhecimento do recurso neste ponto.
No presente caso, há renúncia parcial do recurso, motivo, também, de seu conhecimento parcial.
IRPF. LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ALTERAÇÃO PARÂMETROS DO QUANTO DEVIDO. PRIMEIRA INSTÂNCIA. DESCABIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância não pode, em respeito ao devido processo legal, aumentar parâmetros para o cálculo do tributo devido, mesmo que seja reduzido o montante devido, pois em outra questão o sujeito passivo obteve êxito em seu pleito.
IRPF. LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ALIENAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. ISENÇÃO. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei a qualquer tempo.
A isenção prevista no artigo 4º, d, do Decreto-Lei nº 1.510/76 não se aplica a fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989, por ter sido revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713/88, ainda que a alienação da participação acionária tenha sido realizada depois de decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, para na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso, para considerar o valor de alienação o constante do lançamento fiscal.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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DESISTÊNCIA. RENÚNCIA AO DIREITO. A desistência configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, não analisaremos a questão, pelo não conhecimento do recurso neste ponto. No presente caso, há renúncia parcial do recurso, motivo, também, de seu conhecimento parcial. IRPF. LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ALTERAÇÃO PARÂMETROS DO QUANTO DEVIDO. PRIMEIRA INSTÂNCIA. DESCABIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância não pode, em respeito ao devido processo legal, aumentar parâmetros para o cálculo do tributo devido, mesmo que seja reduzido o montante devido, pois em outra questão o sujeito passivo obteve êxito em seu pleito. IRPF. LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ALIENAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. ISENÇÃO. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei a qualquer tempo. A isenção prevista no artigo 4º, “d”, do DecretoLei nº 1.510/76 não se aplica a fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989, por ter sido revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713/88, ainda que a alienação da participação acionária tenha sido realizada depois de decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 37 38 /2 01 3- 52 Fl. 970DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, para na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso, para considerar o valor de alienação o constante do lançamento fiscal. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 971DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10830.723738/201352 Acórdão n.º 2402005.247 S2C4T2 Fl. 936 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), fls. 0816 1, que julgou impugnação procedente em parte, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Período de apuração: 30/08/2010 a 30/04/2013 NULIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pleito de nulidade quando se constata que o lançamento fiscal observou todos os requisitos exigidos pela legislação. Erros na elaboração dos cálculos, se existentes, não importam em nulidade, pois o lançamento falho é passível de alteração. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INCORREÇÕES DETECTADAS NA APURAÇÃO DA SUPOSTA PARCELA ISENTA (DECRETOLEI Nº 1.510/76). MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a infração que não tenha sido expressamente contestada. Matéria não discutida na peça impugnatória é atingida pela preclusão, não mais podendo ser debatida na fase recursal. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AOS PROCURADORES. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal do Brasil, inexistindo determinação legal expressa para que as intimações sejam dirigidas aos procuradores. PESSOA COM IDADE IGUAL OU SUPERIOR A 60 ANOS. PRIORIDADE. TRAMITAÇÃO DE PROCEDIMENTOS. FATOS COMPLEXOS. A pessoa com idade igual ou superior a 60 anos interessada na obtenção de prioridade na tramitação de procedimento administrativo que figure como parte ou interessado deverá requerêlo à autoridade administrativa competente. 1 Numeração conforme proceso eletrônico. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 O período de tempo necessário e suficiente utilizado na análise de fatos complexos não configura desrespeito à prioridade na tramitação de procedimento administrativo. COMPRA E VENDA. CONDIÇÃO SUSPENSIVA. A condição suspensiva pressupõe a existência de dois elementos: evento futuro e incerto. Não sobressaindo, a toda clareza, o elemento incerteza, não há como dizer que sobre o negócio jurídico pairava a condição suspensiva. CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA. CLÁUSULA QUE PREVÊ A RESCISÃO DO CONTRATO POR FALTA DE PAGAMENTO DO PREÇO AJUSTADO. A cláusula que prevê a rescisão do contrato por falta de pagamento do preço ajustado configura modalidade de ato jurídico sob condição resolutória. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO A PRAZO. Na alienação a prazo, o ganho de capital deve ser apurado como se a venda fosse à vista e o imposto deve ser pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebida. PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS RESULTANTES DE AUMENTO DE CAPITAL POR INCORPORAÇÃO DE LUCROS OU RESERVAS. CUSTO IGUAL A ZERO. INTERPRETAÇÃO DO COMANDO NORMATIVO. No caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas apurados até 31 de dezembro de 1988, e nos anos de 1994 e 1995, o custo é considerado igual a zero. Como o comando legal contempla a expressão reservas, não é permitido à autoridade administrativa empregála apenas à reserva de lucros, pois não é possível conferir uma interpretação restritiva quando o ato normativo assim não dispôs de forma expressa. GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ALIENAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. ISENÇÃO. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei a qualquer tempo. A isenção prevista no artigo 4º, “d”, do DecretoLei nº 1.510/76 não se aplica a fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989, por ter sido revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713/88, ainda que a alienação da participação acionária tenha sido realizada depois de decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. PARTICIPAÇÃO ACIONÁRIA EM 31/12/1983. OUTORGA DE ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO. A atualização monetária até 1º de janeiro de 1996 a ser aplicada sobre o custo de aquisição dos bens e direitos adquiridos ou as Fl. 973DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10830.723738/201352 Acórdão n.º 2402005.247 S2C4T2 Fl. 937 5 parcelas pagas até 31 de dezembro de 1991, avaliados pelo valor de mercado para essa data e informados na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 1992, ano calendário de 1991, de acordo com o artigo 96 da Lei nº 8.383/91, não se emprega sobre a composição acionária detida em 31/12/1983, por falta de previsão legal expressa para tal fim. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. JURISPRUDÊNCIA NÃO VINCULANTE. O contribuinte não juntou nos autos posição que vincule as decisões prolatadas por este colegiado. CAPITAL SOCIAL. AUMENTO. TERMO DE DECLARAÇÃO PARTICULAR. PROVA INSUFICIENTE. LIVRE CONVENCIMENTO. CRITÉRIO LEGAL. Termo de declaração particular não é prova suficiente para demonstrar o aumento do capital social, pois, quando a lei exigir, como da substância do ato, o instrumento público, nenhuma outra prova, por mais especial que seja, pode suprir lhe a falta. Na apreciação dos fatos segundo as regras de livre convencimento, a observância de certos critérios legais sobre provas e sua validade não pode ser desprezada pela autoridade julgadora. GANHO DE CAPITAL. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Evidenciado nos autos que o contribuinte agiu de forma dolosa tendente a ocultar do fisco o real valor do ganho de capital, por utilizar no cálculo do custo de aquisição da participação societária o aumento de capital não realizado, deve ser aplicada a multa qualificada sobre o valor apurado do imposto de renda a pagar. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. As Delegacias da Receita Federal de Julgamento não têm competência para apreciar impugnação de Representação Fiscal para Fins Penais. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar a impugnação procedente em parte e manter o crédito tributário em parte, no valor de R$658.483,31, a ser acrescido de multa de ofício e de juros de mora, nos termos da legislação tributária, observado o disposto Fl. 974DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 no quadro reproduzido no item do voto denominado “Conclusão”. Segundo a fiscalização, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal (TVF), fls. 0624, o lançamento referese a ganhos de capital, obtidos nas alienações das participações societárias. Apurouse equívoco, segundo a fiscalização, devido à fiscalizada equivocadamente considerar parte do ganho auferido na operação como rendimento isento, com fundamento no art. 4º, "d", Decreto Lei 1.510/76. Além disso a fiscalização identificou diversos equívocos no cálculo do ganho de capital, que certamente farão, ainda que o contribuinte se sagre vitorioso em eventual defesa da mencionada isenção, remanescer parcela considerável do crédito tributário lançado. Já no que se refere à alienação da participação societária na Viação Lira Ltda, identificou o Fisco que o contribuinte acresceu indevidamente, ao custo de aquisição, suposto aumento de capital social. Segundo a decisão recorrida, esses são os fatos para a exigência: A autuada, instada a apresentar a documentação comprobatória do referido custo, alegou que a Declaração de Ajuste Anual DAA do anocalendário 2009 consignava tal informação, furtandose a observar os preceitos dispostos no artigo 195 do Código Tributário Nacional, artigo 37 da Lei nº 9.430/96 e artigo 264 do Decreto nº 3.000/99, entendimento este corroborado por decisões proferidas em sede administrativa. Considerou o valor da participação societária atualizado a valor de mercado na DAA do exercício 1992, anobase 1991, fls. 47 a 48, que a contribuinte apresentou com base na previsão contida no artigo 96 da Lei nº 8.383/91, de 2.463.008,00 UFIRs, equivalente a Cr$1.186.135.392,64, e acrescentou a este custo o valor das subscrições de capital posteriores, conforme alterações contratuais, com exceção da realizada em novembro de 1994, de custo igual a zero (artigo 130, §2º, II, do Decreto nº 3.000/99, atualizando os montantes conforme os índices dispostos na Instrução Normativa SRF nº 84/01. Apurou o custo da participação societária alienada no valor de R$7.125.448,22 (= R$7.723.284,50 [custo total da participação societária] x 92,2593% [percentual concernente às quotas alienadas]) que, confrontado com o custo apurado pela autuada (R$8.974.270,90), perfaz a diferença de R$1.848.822,68, o que representa pagamento a menor de imposto de renda sobre ganho de capital. Rebate a tese de que a contribuinte teria direito adquirido à isenção prevista no DecretoLei nº 1.510/76, elencando suas razões às fls. 708 a 715, no documento denominado Adendo A – Análise da isenção concedida pelo art. 4º, alínea “d”, do Decretolei nº 1.510/76. Esclarece que, apesar de não concordar com a tese advogada pela contribuinte de que faria jus à isenção do DecretoLei nº 1.510/76, resolveu auditar os cálculos efetuados pela autuada e Fl. 975DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10830.723738/201352 Acórdão n.º 2402005.247 S2C4T2 Fl. 938 7 realizálos novamente, ante a constatação de erros graves na metodologia empregada pela contribuinte. Segundo os cálculos realizados pela contribuinte, o valor da participação societária que detinha em 31/12/1983, corrigido até a data da alienação, seria de R$3.728.555,54, sendo que a parcela isenta seria R$3.500.654,52 (=R$3.728,555,54 x 93, 888%), percentual este encontrado na proporção entre o lucro bruto (R$8.425.729,10) e o custo informado na DAA/2010 (R$8.974.270,90). A autuada, sem amparo legal, atualizou os valores das quotas mediante aplicação da OTN/BTN/UFIR, até o primeiro semestre de 1996, e, além disso, atualizou tanto a participação que detinha em 31/12/1983 quanto os aumentos de capital decorrentes das reservas de correção monetária, provocando uma atualização monetária duplicada e capitalizada. A autuada, que valorizou o investimento a preço de mercado, DAA/1992, excluiu 125.982,11 UFIRs referentes a aumentos de capital com aproveitamentos de lucros no período de 31/12/1983 a 31/12/1991, quando a parcela correta a ser excluída deveria ser de 336.705,24 UFIRs, diferença esta que ocorreu devido a equívocos nas fórmulas e ausência de exclusão dos aumentos de capital decorrentes de outras reservas de capital e aumento em espécie. Registra, ademais, outras incorreções: a) em relação à parcela excluída em setembro de 1992, deveria ser acrescentado Cr$1.696.779.191,72 (aumento decorrente de outras reservas de capital); b) em relação à parcela excluída em setembro de 1993, deveria ser majorada para R$205.003.646,38; c) ainda em relação a setembro de 1993, o valor da UFIR deveria ser alterado para 61,19 [de 10 de setembro de 1993, data da alteração contratual]. Pondera que os cálculos realizados pela fiscalização utilizaram mecanismo semelhante àquele adotado de forma correta pela própria contribuinte, qual seja: a) acréscimo à participação societária de 31/12/1983 das integralizações posteriores feitas com reserva de correção monetária; b) não acréscimo das integralizações posteriores a 31/12/1983 feitas com outras reservas de capital, lucros acumulados ou dinheiro em espécie; c) desconsideração de parte das integralizações com reserva de correção monetária que incidiram sobre integralizações que representaram quotas novas, ou seja, aquelas adquiridas após 31/12/1983. Concluiu que das 4.982.000 quotas da Viação Caprioli Ltda. que a contribuinte alienou em 2010, 29,8278% representavam as quotas que a contribuinte detinha em 31/12/1983, acrescidas daquelas subscritas com reservas de correção monetária, excluídos os reflexos dessa correção monetária sobre aumentos de capital de natureza diversa posteriores àquela data. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Por fim, nos termos dos itens 39 e 40, apurou o imposto de renda incidente sobre a alienação da participação societária da Viação Caprioli Ltda., considerando, respectivamente, a inexistência do direito à isenção do DecretoLei nº 1.510/76 e para a hipótese de ser eventualmente reconhecido o direito à isenção do mencionado decreto. Viação Lira Ltda. A autuada, no anocalendário 2010, alienou a participação societária que detinha na Viação Lira Ltda., pelo valor de R$1.000.000,00, sendo que na alteração contratual que retratou este negócio jurídico há a menção de que a alienação se refere a 200.000 quotas, no valor de R$1,00 (um real) cada uma, embora a contribuinte, em razão de ter informado na DAA/2011 suposto aumento de capital na ordem de R$1.548.000,00, sendo que sua participação seria de R$618.400,00, sustente que o custo se refira a R$818.400,00. O referido aumento de capital não foi escritura nos livros contábeis e não foi levado a registro perante a Junta Comercial. Havia na escrituração contábil a rubrica denominada “Adiantamentos” com créditos de montante próximo a R$1.546.000,00; contudo, com a cessão da participação societária, tais créditos passaram a ser de titularidades dos novos sócios. Na alteração contratual realizada em 11/07/2011, houve subscrição de capital com tais créditos pelos novos sócios. Concluiu, ao refazer os cálculos, que o ganho de capital apurado em agosto/2010 é o montante de R$800.000,00, com imposto de renda a lançar de R$92.760,00 (=R$120.000,00 [IR devido 15%] – R$27.240,00 [IR pago]). Da qualificação da multa de ofício. Com base nos fatos descritos no tópico anterior – “Viação Lira Ltda.”, a fiscalização aplicou a multa de 150% para aquele fato gerador por entender que a conduta praticada pela contribuinte enquadrase no conceito de fraude e de sonegação, na medida em que revela todo o percurso que resultou na falta de recolhimento de tributos mediante falsidade ideológica e cometimento de fraude. Representação Fiscal para Fins Penais. Foi formalizada Representação Fiscal para Fins penais, nos termos da Portaria RFB nº 2.349, de 21/12/2010. Responsabilidade tributária do cônjuge. Em razão de a contribuinte ser casada no regime de comunhão de bens, reputouse a responsabilidade tributária do cônjuge pelo “interesse comum”, nos termos do artigo 124, I, CTN. O Termo de Ciência de Responsabilidade Tributária encontrase juntado nos autos, fls. 672 a 673, do qual foi dada ciência ao Fl. 977DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10830.723738/201352 Acórdão n.º 2402005.247 S2C4T2 Fl. 939 9 cônjuge, Antonio Augusto Gomes dos Santos, em 04/07/2013, fls. 675. Cientificada do auto de infração em 04/07/2013, fls. 674, a contribuinte, por meio de seu representante, fls. 803 a 807, apresentou impugnação em 02/08/2013, fls. 679 a 728, acompanhada dos documentos de fls. 729 a 801, contestando parcialmente o lançamento. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos nos autos. Em 04/07/2013, fls. 0929, foi dada ciência à recorrente do lançamento. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 0679, em 02/08/2013, acompanhada de anexos, argumentando, como muito bem demonstra a decisão a quo, em síntese, que: Recapitula os fatos e defende a tempestividade da impugnação. Questiona o fato de a autoridade fiscal ter dado ciência do lançamento à contribuinte por meio de aviso postal, com aviso de recebimento, e não a entrega pessoal da conclusão dos trabalhos aos patronos. Pondera que a fiscalização de um simples ganho de capital se arrastou por mais de 18 meses, em desrespeito à Lei nº 12.008/09 que determina que se dê prioridade no andamento de procedimentos e processos de pessoas idosas. Viação Caprioli Ltda. Alega a nulidade do lançamento em relação à alienação das quotas da Viação Caprioli, elencando, em síntese, os seguintes argumentos: Condição suspensiva do negócio jurídico. A fiscalização ocorreu prematuramente, pois o negócio jurídico ainda não havia se aperfeiçoado, uma vez que sobre ele pairava uma condição suspensiva, eis que a alienação das quotas do capital ocorreu a prazo, com marco inicial de vencimento o dia 03/08/2010 e com termo final o dia 20/12/2013. Cita doutrina. Requer o cancelamento do crédito tributário complementar lançado, alcançando, inclusive, a glosa do incentivo fiscal do DecretoLei nº 1.510/76. Cerceamento de defesa por existência de erro de cálculo. O Auditor tentou mitigar o custo de aquisição das quotas e, nesse intento, cometeu erros. O primeiro erro se refere ao fato de que o agente do fisco não poderia imputar o custo igual a zero à subscrição de capital realizada em novembro de 1994, pois o artigo 130, §2º, I, do Fl. 978DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 Decreto nº 3.000/99 considera custo zero para LUCROS ou RESERVAS DE LUCROS apurados até 31/12/1988 e nos anos de 1994 e 1995, sendo que aquele aumento de capital cuidou de incorporar ao capital única e exclusivamente parte do saldo da conta reserva de correção monetária do capital. A reserva de correção monetária do capital é coisa distinta de lucros e reservas de lucros. A correção monetária do capital sempre se agregou ao custo de aquisição de ações ou quotas, por representar mera atualização do valor no tempo e não ingresso ou geração de recurso novo. Os aumentos de capital de um ano com utilização de lucros e reservas de lucros quase sempre se referem a valores apurados no balanço anterior, e por certamente terem sido apuradas em 1993, se admite a agregação ao custo de aquisição, com base no caput do artigo 130 do RIR/99. Cita jurisprudência administrativa. O segundo erro se relaciona ao fato de que a atualização monetária ocorrida no anocalendário de 1996 foi regular e se baseou no comando contido no artigo 17, I, da Lei nº 9.249/95. A Secretaria da Receita Federal editou a IN SRF nº 31/96 e disciplinou o tema nos seus artigos 8º e 9º. A UFIR vigente do primeiro semestre é 0,8287. A correção de 22,46% aplicada sobre os bens declarados no anocalendário de 1996 para 1997 é a variação da UFIR de 0,6767 para a UFIR 0,8287. No anocalendário 1994, a impugnante declarou as quotas de capital da Viação Caprioli Ltda. em quantidade de UFIR, num total de 5.417.096,86, as quais foram convertidas em real utilizandose a UFIR de 0,6767, alcançando a importância de R$3.665.749,45. Para o anocalendário 1997, o valor de R$3.665.749,45 foi multiplicado pelo índice 1,2246, chegandose ao valor declarado de R$4.489.076,77. O terceiro erro se relaciona ao fato de que a autoridade lançadora se equivocou ao consignar como valor de alienação a importância de R$17.000.000,00 e não R$17.400.000,00, comprometendo o valor a ser tributado em todos os períodos de apuração, desde agosto de 2010 até abril de 2013, o mesmo ocorrendo com o imposto exigido, invalidando o lançamento. Sustenta que tem direito adquirido a usufruir do incentivo fiscal previsto no DecretoLei nº 1.510/76 mesmo após a sua revogação. Entende que o artigo 4º, “d”, do DecretoLei nº 1.510/76 cuida de uma não incidência condicionada a cumprimento de uma condição. Fl. 979DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10830.723738/201352 Acórdão n.º 2402005.247 S2C4T2 Fl. 940 11 Rememora a dicção do artigo 178 do CTN e cita o enunciado da súmula 544 do Supremo Tribunal Federal. Defende que poderia considerar todas as quotas possuídas em 31/07/2010 como isentas, uma vez que de 1983 até 2010 não ingressou com dinheiro novo na empresa, salvo a irrisória quantia de R$90,30 no ano de 1989. Cita jurisprudência. Viação Lira Ltda. As quotas da Viação Lira Ltda. foram vendidas à vista, no mês de agosto de 2010, pelo preço de R$1.000.000,00, custo declarado e contabilizado é de R$818.400,00. Na DIRPF 2010, anobase 2009, a impugnante declarou a importância de R$200.000,00 como sua participação na referida sociedade, não obstante, no balanço patrimonial levantado em 31/07/2010, figurar como credor da empresa em R$618.400,00. Inadvertidamente, os profissionais que cuidaram da elaboração da alteração contratual para alienação da totalidade das quotas consignaram tãosomente 200.000 mil quotas no valor de R$1,00 cada uma, quando o correto era considerar o custo de R$818.400,00. Entende que os documentos que instruem a impugnação, notadamente o balancete, balanço patrimonial, termo de declaração assinado pela adquirente e pelos alienantes, e DIRPF 2011, corroboram seus argumentos. Alega que a Junta Comercial não volta no tempo para substituir alteração contratual já arquivada, razão pela qual a correção do erro verificado se deu na alteração contratual arquivada em 11/07/2011. Na Viação Caprioli, ocorreu aumento de capital concomitantemente com a alienação das quotas, com aproveitamento dos saldos existentes em favor dos sócios alienantes, em data base de 31/07/2010. Pontua que a autoridade lançadora afrontou o disposto nos artigos 923 e 924 do RIR/99 por deixar de apreciar o balancete e balanço apresentados no curso do procedimento fiscal. Representação Fiscal para Fins Penais. Pleiteia o arquivamento do processo de Representação Fiscal para Fins Penais, pois entende em que não havendo exigência do principal, extinguemse os acessórios, multa qualificada e juros selic. Qualificação da multa de lançamento de ofício. Considera indevida a qualificação da multa de lançamento de ofício. Fl. 980DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 Esclarece que a autuada é empresária séria, responsável e com enorme responsabilidade social à frente do grupo Caprioli. Argumenta que a imputação a ela de crime contra a ordem tributária por apurar imposto de R$92.760,00, decorrente de uma base de cálculo de R$618.400,00, é irrazoável, pois tal valor é irrisório em comparação com o seu patrimônio. Pondera que pagará imposto de renda em valor superior a R$766.000,00 sobre a alienação das suas quotas junto ao grupo Caprioli. Defende que a autuada não participou ou opinou sobre o cálculo do ganho de capital, uma vez que contrata profissionais para executar tais tarefas. Entende que a multa qualificada é uma exceção à regra, devendo ser empregada apenas na situação em que estiver caracterizada e comprovada a existência do elemento subjetivo do dolo, da fraude ou da sonegação. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente em parte a impugnação, pelos seguintes motivos: "Assiste razão à atuada quanto à alegação de que a autoridade lançadora se equivocou ao consignar nos itens 39 e 40 do Termo de Verificação Fiscal – TVF como valor de alienação a importância de R$17.000.000,00 e não R$17.400.000,00. Tal equívoco, contudo, não invalida o lançamento, pois, conforme já fora apontado neste voto, o lançamento pode ser alterado quando da análise da impugnação apresentada pelo sujeito passivo. O artigo 60 do Decreto nº 70.235/72 estabelece, como requisito para que sejam sanadas as irregularidades, a comprovação do prejuízo. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Assim, devem ser refeitos os cálculos considerando o valor de alienação em R$17.400.000,00 e o custo de aquisição da participação societária alienada em R$7.489.666,91. Em 18/11/2013, fls. 0929, a recorrente foi cientificada da decisão. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0856, em 13/12/2013, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. Parte das quotas sociais alienadas, por terem sido adquiridas antes de 1983 e constarem da declaração em 31.12.83, foram alcançadas pela ISENÇÃO prevista no artigo 4o, alínea "d" do Decretolei n° 1.510, de 1976; 2. Referida norma legal trata de ISENÇÃO CONDICIONADA que, se implementada, a condição após a sua revogação, como é o caso presente, torna Fl. 981DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10830.723738/201352 Acórdão n.º 2402005.247 S2C4T2 Fl. 941 13 se direito adquirido, ou ainda, pela ultratividade da lei, consistente na sua vigência mesmo após a sua revogação, por cumprido requisito nela previsto, qual seja, possuir as quotas a mais de cinco anos, quando da sua revogação, que se deu pela Lei n° 7.713, de 1988; 3. No caso da Viação Caprioli o custo deve ser tomado o que consta da DIRPF; 4. Após a decisão recorrida, restaram glosados custos de aquisição de quotas de capital tanto da Viação Caprioli Ltda. como da Viação Lira Ltda. e, glosa de incentivo fiscal DL 1.510/76, relativamente apenas à parte das quotas de capital da Viação Caprioli Ltda; 5. Primeiro esclarecerseá a situação da alienação das quotas da Viação Caprioli; 6. O julgamento de primeira instância deve ser invalidado, por majorar o credito tributário e por complementar a capitulação legal; 7. A decisão recorrida efetuou lançamento complementar de imposto ao alterar o valor de alienação das quotas de capital de R$ 17.000.000,00 (dezessete milhões de reais) para R$ 17.400.000,00 (dezessete milhões e quatrocentos mil reais); 8. A DRJ remendou o lançamento que era imprestável e eivado de erros, na tentativa de salvar o crédito tributário lançado, procedendo, na realidade a um lançamento suplementar ao crédito tributário original; 9. Este ato de lançamento não compete à DRJ; 10. A DRJ, fls. 0837, admite o erro cometido pela fiscalização e tenta justificar o seu ato com fundamento no artigo 60 do Decreto n° 70.235/72, interpretandoo às avessas, uma vez que a correção importa em prejuízo para o sujeito passivo, o que não é permitido pela norma citada; 11. Outra exacerbação cometida na decisão recorrida foi a complementação da capitulação legal do lançamento, ao defender o ilegal e atemporal artigo 6º da Instrução Normativa n° 84/2001; 12. Ora, a correção monetária prevista no artigo 17 da Lei n° 9.249/95, visa atualizar os bens para refletir a variação da UFIR do período, pouco importando se o bem foi avaliado a valor de mercado ou não em 1991; 13. Assim, o artigo 6º acima descrito, na sua impertinência, por cuidar de fatos pretéritos, e na sua ilegalidade por ferir o artigo 17 da Lei n° 9.249/95, tenta suprimir custo de aquisição que é direito líquido e certo dos contribuintes, e no caso presente, da recorrente; 14. Compulsando pormenorizadamente o auto de infração e também o Termo de Verificação Fiscal, não se encontra em ambos esta capitulação prevista na IN referida, embora tal regra fira de morte o artigo 17 acima citado; 15. Vejam Ilustres Julgadores, o absurdo de uma Instrução Normativa de 2001 interferir em fatos já consumados desde o anocalendário de 1997; 16. Como se observa o julgado a quo também tenta de toda forma mitigar o custo de aquisição das quotas de capital, na tentativa de salvar a autuação, acrescentando capitulação legal, onde não havia; Fl. 982DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 14 17. Com fundamento no próprio Regimento Interno da RFB, já citado, concluise que o julgamento proferido é inválido por ter extrapolado as suas competências puras e simples de CONHECER e JULGAR, uma vez que, além disso, procedeu a lançamento suplementar ao alterar o valor de alienação de R$ 17.000.000.00 para R$ 17.400.000.00 bem como procedeu a reforço de capitulação legal inserindo norma inexistente na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração e do Termo de Verificação Fiscal; 18. O negócio ainda não tinha sido acabado, havi condição suspensiva, o que impossibilitava o lançamento; 19. O negócio envolvendo a venda do controle societário da empresa Viação Caprioli Ltda. para a VB Transportes e Turismo Ltda. somente se IMPLEMENTARÁ quando for paga a última parcela avençada no Instrumento de Alteração Contratual, que será em 20/12/2013; 20. Diante desta realidade, resta inexoravelmente nulo o lançamento, devendo esta nobre Corte Administrativa proclamar e determinar o cancelamento do crédito tributário complementar lançado, alcançando, inclusive a glosa do incentivo fiscal do Decretolei n° 1.510/76, relativamente à venda prazo das quotas de capital da Viação Caprioli Ltda; 21. Por mais que se tente, não se consegue chegar aos números indicados pela fiscalização como base de cálculo do imposto ou como proporção entre valor de alienação e valor de custo; 22. A fiscalização cometeu dois erros, a saber: a) o artigo 130 considera custo zero para LUCROS ou RESERVA DE LUCROS apurados até 31 de dezembro de 1988 e nos anos de 1994 e 1995, mas o aumento de capital levado a efeito pela Alteração Contratual firmada em 25/11/1994 e arquivada na JUCESP em 16/12/1994 sob o n° 194.444/946, cuidou de incorporar ao capital única e exclusivamente parte do saldo da conta reserva de correção monetária do capital; b) Além disso, a correção monetária do capital sempre se agregou ao custo de aquisição de ações ou quotas, por representar mera atualização do valor no tempo e não ingresso ou geração de recurso novo. Tratase efetivamente do valor do próprio capital, atualizado no tempo, tendo em vista a desvalorização da nossa moeda, que era grande, face à inflação galopante; 23. Portanto, não há qualquer fundamento para a fiscalização glosar o custo das quotas de capital relativamente ao aumento ocorrido em 1994, acima citado, referente à utilização de parte do saldo da conta rijserva de correção monetária do capital; 24. O segundo erro cometido é o que consta do item 30 do Termo de Verificação Fiscal, no qual o Auditor Fiscal diz que o contribuinte também houve por bem atualizar os valores das quotas mediante aplicação da OTN/BTN/UFIR, até o primeiro semestre de 1996, sem qualquer amparo. Além disso, atualizou tanto a participação que detinha em 31.12.1983 quanto os aumentos de capital decorrente das reservas de correção monetária, provocando uma atualização monetária duplicada e capitalizada; 25. A Autoridade Administrativa, autora do feito, deveria saber que a atualização monetária ocorrida no anocalendário de 1996 foi regular e devidamente autorizada pelo Congresso Nacional, através do Artigo 17, inciso I, da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; 26. A SRFB regulamentou a legislação pela Instrução Normativa SRF n° 31, de 22 de maio de 1996; Fl. 983DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10830.723738/201352 Acórdão n.º 2402005.247 S2C4T2 Fl. 942 15 27. Portanto, as atualizações monetárias dao capital foram apuradas conforme a legislação; 28. As autoridades fiscais, quando inseguras, preferem pecar por excesso, achando que isto não tem importância para o contribuinte administrado; 29. Esquecem, todavia, que a exigência de tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido, implica incorrer em crime, não contra o administrado, mas contra a Administração em Geral (§ Io, do artigo 316 do CP), definido como excesso de exação; 30. Tramita atualmente no Congresso Nacional o P.L. 5900/2013, já aprovado na Câmara, que pretende colocar tal crime no rol dos crimes hediondos; 31. No caso presente, embora pela confusão feita não se consiga determinar exatamente este valor, as glosas efetuadas no custo de aquisição das quotas, que segundo a fiscalização (item 15 do TVF) foi de R$ 1.848.822,68, posto que reduzido de R$ 8.974.270,90 para R$ 7.125.448,22, significa que, de forma indevida, foi exigido imposto sobre esta diferença (calculado até abril/2013); 32. Indevida porque o aumento de capital realizado com (i) PARTE DO SALDO DA CONTA RESERVA DE CORREÇÃO MONETÁRIA DO CAPITAL, conforme demonstrado e sob a ótica da legislação, deve compor o custo das quotas; 33. A correção monetária do primeiro semestre de 1996 também é perfeitamente legal, conforme demonstrado à saciedade, e igualmente deve se agregar ao custo de aquisição; 34. Houve glosa de custo das quotas de capital E como provado à luz da legislação, esta glosa é totalmente descabida, devendo retornar ao custo de aquisição para cálculo do ganho de capital; 35. Adicionalmente, mais um erro macula o lançamento, qual seja, no item 39, página 16 do TVF, depois de reduzir indevidamente o custo para R$ 7.125.448,22, o Auditor tentou estabelecer nova proporção entre o valor de alienação e o novo custo, e, equivocouse ao consignar como valor de alienação a importância de R$ 17.000.000,00 e não R$ 17.400.000,00, que é o valor correto da venda; 36. Este erro na proporcionalidade comprometeu o valor a ser tributado em todos os períodos de apuração, desde agosto de 2010 até abril de 2013, o mesmo se dando com o imposto exigido, o que torna o lançamento totalmente inválido, ou seja, todos os dados da planilha das folhas 17 do TVF estão comprometidos, estão errados; 37. Erro semelhante deuse no item 40 do TVF, página 18, quando o Auditor tenta defender a tese de que, mesmo que a Recorrente venha a ser vitoriosa na tese da isenção da Lei n° 1.510/76, o valor apurado estaria errado e que, no seu entender, o incentivo seria menor; 38. A tabela por ele apresentada neste tópico ao invés de tomar o valor de alienação de R$ 17.400.000,00, tomou novamente o valor redondo de R$ 17.000.000.00. comprometendo a proporcionalidade por ele pretendida e, conseguintemente, Fl. 984DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 16 todos os cálculos apresentados para os períodos de agosto de 2010 até abril de 2013 e constantes da planilha de fls. 19, o que torna nulo todo o procedimento; 39. Defluise de toda essa confusão generalizada que o trabalho da fiscalização restou totalmente imprestável, devendo ser considerada insubsistente toda a exigência contida no Auto de Infração; 40. A isenção da Lei 1.510/76 é do tipo onerosa e condicional, não podendo ser suprimida para aqueles que cumpriram a condição necessária ao seu gozo; 41. Quanto ao valor da parcela isenta, em que pese os esforços do Auditor Fiscal e, agora, da Turma Julgadora de primeira instância, para mitigar o valor calculado, este não merece reparos; 42. Na realidade, a Recorrente poderia considerar todas as quotas possuídas em 31/07/2010 como sendo isentas, tendo em vista que, de 1983 até 2010 não ingressou com dinheiro novo na empresa, seja por aumento de capital em dinheiro, seja por subscrição de novas quotas, salvo a irrisória quantia de R$ 90,30 do ano de 1989, que seu deu em moeda corrente; 43. Portanto, bastava defender a tese de que o ACESSÓRIO SEGUE O PRINCIPAL (assim todos os filhotes das quotas, seja por aumento de capital com lucro, seja por aumento de capital com reserva de correção do próprio capital) tudo isto estaria sob o MANTO DA ISENÇÃO ou da NÃO INCIDÊNCIA, como preferir; 44. Aliás, sobre esta tese o Acórdão foi silente; 45. É evidente que, se não o combateu é porque concorda com ele, todavia seguiu a linha da fiscalização buscando ao arrepio das leis e normas mitigar o custo de aquisição das quotas com o intento de aumentar o crédito tributário; 46. Entretanto, procurando ser conservador, a Recorrente houve por bem favorecer o Fisco calculando, conforme planilha anexa ao processo e fornecida à fiscalização, uma isenção de 41,55% das quotas possuídas em 31/07/2010; 47. Apresenta jurisprudência que vai ao encontro de sua tese, tantos do CARF quanto do Poder Judiciário; 48. Assim sendo, deve o Auto de Infração ser considerado insubsistente, impondo se o cancelamento por esta Colenda Câmara do CARF do crédito tributário dele decorrente em sua totalidade, seja pelo direito ao incentivo fiscal aqui debatido (seguindo a mesma trilha do CARF), seja pelos equívocos e erros cometidos pelo Auditor Fiscal, e ignorados pela Acórdão Recorrido conforme fartamente esclarecido e demonstrado anteriormente; 49. | Doravante, depois de guerreados e comprovados a improcedência da exigência em relação à alienação das quotas de capital da Viação Caprioli Ltda., este Recursos focará na matéria tributária concernente à glosa de custo de aquisição na alienação das quotas e a qualificação absurda da multa de lançamento de oficio da Viação Lira Ltda., nos termos adiante esposados; 50. As cotas da Viação Lira foram vendidas à vista; 51. De plano, cumpre esclarecer aos ilustres julgadores que a Recorrente tinha declarado na DIRPF2010 (anocalendário de 2009), para a sua participação societária nesta empresa, a importância de R$ 200.000,00; Fl. 985DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10830.723738/201352 Acórdão n.º 2402005.247 S2C4T2 Fl. 943 17 52. Ocorre que no balanço patrimonial levantado em 31/07/2010, a Recorrente figuraVa como credora da empresa (parte que lhe toca) em R$618.400,00; 53. Como se sabe, ninguém vende o total de suas quotas numa empresa a outro grupo econômico e ao mesmo tempo continua credor dela; 54. Isto não existe, pois é impraticável; 55. Desta forma, conforme provam os documentos já anexados, principalmente o balancete, o balanço patrimonial, o Termo de Declaração assinado pela adquirente e pelos alienantes, e a própria DIRPF2011, os valores dos créditos da Recorrente junto à Viação Lira Ltda. foram incorporados ao capital e compõem, conseguintemente, o custo de aquisição das suas quotas alienadas; 56. Ocorre que, inadvertidamente, os profissionais que cuidaram da feitura da Alteração Contratual para alienação da totalidade das quotas tomaram como parâmetro a Alteração Contratual anterior, que consignava tão somente as 200.000 mil quotas no valor de R$ 1,00 cada uma, e as transferiram ao grupo adquirente VB Transportes e Turismo Ltda. com custo de R$ 200.000,00, quando o correto era considerar o custo de 818.400,00; 57. Houve, então, um erro de fato na elaboração da Alteração Contratual que serviu de base para a transferência das quotas e que só foi percebido depois de arquivado na JUCESP, o que se deu em 29/11/2010, sob o n° 413.249/104; 58. Deverseia ter procedido como se fez com a Viação Caprioli, ou seja, criar uma cláusula no instrumento de Alteração Contratual, antes da cláusula de transferência, para promover o aumento de| capital de R$ 500.000,00 para R$ 2.046.000,00, com aproveitamento dos créditos dos sócios na empresa, cujo quinhão da Recorrente no novo capital aumentado seria de 40%, ou seja, R$ 818.400,00; 59. Como se sabe, a Junta Comercial não tem como voltar no tempo e substituir a Alteração Contratual já arquivada. A correção só é possível para o porvir, para o futuro; 60. Desse modo, esta correção do erro verificado se deu na Alteração Contratual arquivada em 11/07/2011, para aumentar o capital em 1.546.000,00, elevandoo para R$ 2.046.000,00, o que deveria ter sido feito na Alteração Contratual de 2010, retro referida; 61. Assim, para esclarecer estes fatos à fiscalização, foi informada de todas medidas acordadas em proceder à correção do equívoco, erro de fato cometido anteriormente; 62. Nada obstante, a fiscalização e, agora, o Acórdão Recorrido, não levaram em conta nada disso e houve por bem glosar o custo de aquisição das quotas, no montante R$ 618.400,00 e, como não bastasse, sapecou multa qualificada de 150%, enxergando, no seu modo excessivamente prófisco e arbitrário de ver, neste comum e ordinário erro de fato, dolo, fraude ou sonegação, o que, evidentemente, é um absurdo; 63. Para a sustentação da sua tese de glosa do custo, a fiscalização, a partir do item 41 do TVF esclareceu pontos; Fl. 986DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 18 64. No item 41o Auditor retrata a Alteração Contratual de 2010, que evidentemente, conforme já esclarecido, não contemplou o aumento de capital de R$ 1.546.000,00; 65. No item 42 diz que a Recorrente informou na DAA/2011, aumento de capital de R$ 1.546.00,00, sendo sua parte R$ 618.400,00, o que também foi informado em resposta à fiscalização (item 43); 66. Afirma no item 44 que o aumento de capital não foi registrado nos livros e que também não o foi na JUCESP. "Noutras palavras, esse aumento de capital não existiu"; 67. Confirma, todavia, no item 45 do TVF, que a escrituração contábil apontava, na rubrica denominada "Adiantamentos", créditos em favor dos antigos sócios, os quais montam o valor de R$ 1.546.000,00; 68. Contudo, no seu modo ver, com a cessão da participação societária, tais créditos passaram a ser de titularidade dos novos sócios." (o negrito é do original). Que tal importâncija foi incorporada ao capital em 11/07/2011, no mesmo valor, implicando, no seu entender, custo, agora aos novos adquirentes (item 46); 69. Dá desfecho ao seu argumento dizendo que não houve equívoco, , mas alienação]de participação societária, com inclusão de tais créditos dos sócios alienantes, implicando isso, equivocada diminuição da base de cálculo do IR sobre o ganho de capital (item 47 do TVF); 70. Assim escudado nestes parcos e frágeis argumentos, procedeu à glosa do custo de R$ 618.400,00, por concluir que não houve o aumento de capital concomitante à transferência das quotas em 2010; 71. Como já foi exaustivamente esclarecido e documentado no curso da ação fiscal, os profissionais encarregados da elaboração da Alteração Contratual, no caso, os contadores e advogados que representaram à época a adquirente VB Transportes e Turismo Ltda. (já que quem adquire o controle da errfpresa tem o dever legal de proceder ao arquivamento no Registro do Comércio, no caso a JUCESP), olvidaramse de criar a CLÁUSULA do aumento de capital na mesma Alteração Contratual contabilidade da empresa, que serviu para transferir as quotas, com base na semelhante ao da Viação Caprioli; 72. Podem os Nobres Julgadores deste Colendo Conselho, notar que na Alteração Contratual da Viação Caprioli Ltda., arquivada em 23/09/2010, os saldos existentes em favor dos sócios alienantes foram aumentados ao capital em R$ 2.500.000,00, saltando de R$ 11.000.000,00 para R$ 13.500.000,00. Antes da transferência, ele sofreu a redução em face da cisão parcial, sendo transferido aos adquirentes o valor de R$ 12.455.000,00, como se pode ver do item (01), página 1, da citada Alteração. Esta era a situação patrimonial em 31/07/2010; 73. Este procedimento é normal e se coaduna à legislação vigente e compõe o custo das quotas, tanto que a fiscalização em nenhum momento questionou à Caprioli, o custo apropriado com o aumento de capital ocorrido concomitantemente com a alienação das quotas, com aproveitamento dos saldos existentes em favor dos sócios alienantes, em data base 31/07/2010; 74. Idêntico procedimento deveria ter sido levado a efeito na Viação Lira, mas, como dito, esclarecido e comprovado, houve erro de fato na Alteração Contratual que transferiu as quotas, uma vpz que não se criou a CLÁUSULA do aumento de capital, tal como ocorreu na Viação Caprioli; Fl. 987DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10830.723738/201352 Acórdão n.º 2402005.247 S2C4T2 Fl. 944 19 75. No curso da ação fiscal, como se pode ver nas respostas a termos de intimação (fatos), foi esclarecido à fiscalização que houve este equívoco. Como a fiscalização não se dava por satisfeita com os esclarecimentos por escrito e com a juntada do balanço e balancete da Viação Lira houvese por bem tomar por escrito o ocorrido e colher assinatura das pessoas envolvidas; 76. Assim, em 29 de novembro de 2012, foi elaborado o TERMO DE DECLARAÇÃO com as assinaturas de todos os alienantes e a assinatura autorizada da adquirente VB Transportes e Turismo Ltda, com reconhecimento de todas as firmas em cartório; 77. Por meio deste termo de declaração, que é, digase de passagem, um documento hábil e idôneo ao fim a que se propõe, fica meridianamente claro que a VB adquiriu junto aos alienantes 2.046.000 quotas de capital e não 500.000 quotas, como se fez constar da Alteração Contratual de 29/11/2010, arquivada na JUCESP sob o n° 413.249/104; 78. A fiscalização, por seu, turno, desconsiderou por completo todos os esclarecimentos prestados e também o r. Termo de Declaração; 79. Repitase: a JUCESP não volta atrás nos seus atos, não tem como antedatar um arquivamento. A correção do erro só pode ser feita para frente, para o futuro. Assim é que, já sob o comando do novo grupo adquirente, em julho de 2011, procedeuse ao aumento de capital no mesmo valor que seria se feito em 2010, ou seja, o capital foi aumentado em R$ 1.546.000,00, com valores existentes em favor dos antigos sócios; 80. Estes valores, por outro lado, não foram restituídos aos antigos sócios pela adquirente, demonstrando com isso tratarse de efetivo custo da alienação que deve ser considerado na apuração do ganho de capital, como fez a Recorrente, já que os adquirentes prestaram o Termo de Declaração sem qualquer questionamento; 81. Outra prova robusta de que se tratou de um erro na Alteração Contratual de 2010 é o fato de que os sócios deram baixa em suas DIRPF2011, entregues tempestivamente, dos créditos que detinham contra a pessoa jurídica vendida; 82. Para tanto, segue anexa cópia da declaração de bens juntamente com o recibo de entrega para comprovar tal assertiva; 83. E, digase de passagem, a entrega da DIRPF foi tempestiva e se deu antes da alteração contratual de 2011. que corrigiu a falha da Alteração Contratual anterior; 84. Também faz prova do alegado em favor dos alienantes, o balancete levantado em 31/07/2010, bem como do balanço patrimonial, regular e devidamente assinado pelo sócio administrador e pelo contador da empresa à época, o qual espelha fielmente a situação patrimonial no momento em que as quotas foram vendidas; 85. A fiscalização não analisou todas essas provas apresentadas; 86. A alegação de que o aumento de capital não existiu pelo fato de não ter sido confirmado pela JUCESP em 2010 não procede, uma vez que deve prevalecer a realidade dos fatos, documentalmente provados; Fl. 988DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 20 87. Também não procede a afirmação de que tais créditos teriam passado para a adquirente e que agregaria ao custo de aquisição para ela, uma vez que as provas apresentadas elidem esta tese; 88. Quanto a agregar ao custo para a adquirente, também não faz nenhum sentido, uma vez que esta desembolsou R$ 1,000.000,00 para a aquisição das quotas, cujo custo total é de R$ 818.400,00; 89. Então, não há como somarse ao custo, uma vez que o valor pago é maior que o custo e este deve figurar no seu balanço como Investimento em Empresas Afiliadas, ou seja, R$ 1.000.000,00, no que corresponde às quotas da recorrente; 90. Resta patente, frente à documentação apresentada, que o aumento de capital efetivamente existiu em 2010 e que, por erro de fato na Alteração Contratual, não fez constar cláusula específica para o aumento de capital, antes de transferir as quotas à empresa adquirente; 91. E, ainda, diante da fragilidade da argumentação da fiscalização que buscou de toda forma, sem sucesso, mitigar o custo de aquisição das quotas, deve ser restabelecido o custo de aquisição declarado pela Recorrente, ou seja, R$ 818.400,00 e não R$ 200.000,00 como quer a fiscalização; 92. Além disso, a falta de (apreciação do balancete e do balanço apresentado à fiscalização é uma afronta aos termos dos artigos 923 e 924 do Regulamento do Imposto de Renda RIR (Decreto n° 3.000/99), pois não houve análise da prova; 93. A qualificação da multa de ofício foi indevida; 94. Diante dos argumentos, solciita o acolhiemnto eo provimento de seu recurso. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 989DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10830.723738/201352 Acórdão n.º 2402005.247 S2C4T2 Fl. 945 21 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Quanto às preliminares, há questão que deve ser analisada. Na leitura do dispositivo do acórdão recorrido verificamos que foi dado provimento parcial ao recurso, com o valor do imposto exigido sendo reduzido de R$ 680.789,51, fls. 0622, para R$ 658.483,31, fls. 0818, como consta no dispositivo do acórdão recorrido. No recurso e na decisão recorrida há a informação de que a fiscalização equivocouse, pois o valor de venda não era de R$ 17.000.000,00, como alegado pelo Fisco, mas de R$ 17.400.000,00, o que levou à alteração do lançamento pela decisão recorrida. Por lógica, surgiume dúvidas: a) como instância julgadora considera base de cálculo como valor maior? e b) como esse valor maior da base de cálculo acarretaria tributo menor a ser exigido? Na leitura integral da decisão recorrida, verificamos que não só a base de cálculo foi corrigida, para maior, por conter erro no lançamento, mas também o valor de alienação, segundo a decisão recorrida, conceituado pelo fisco equivocadamente de forma menor. Para o Fisco, o custo de aquisição era de R$ 7.125.448,22, fls. 0639, já para a decisão, após elaborados cálculos, fls. 0833 a 0836, ficou consignado que esse valor era de R$ 7.489.666,91. Assim, com essas alterações de base de cálculo e custo de aquisição, o valor a ser considerado como parcela de ganho de capital foi reduzida, de 58,09%, para, pela decisão, após os cálculos, para 56,96%. Sem contar que a decisão recorrida também faz tabela, com os cálculos, para demonstrar que a recorrente também teria algo a recolher caso se aplicase a suposto direito à isenção, expresso no Decreto Lei 1.510/1976, fls. 0839. Ora, se a decisão recorrida não considerou que a recorrente fazia jus à isenção, por qual motivo fazer cálculo, sem necessidade e valia alguma? Fl. 990DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 22 Retornando ao que importa, a meu ver o lançamento foi alterado pela decisão recorrida em ponto em que não poderia fazêlo. Sim, o Decreto 70.235/1972 possui regra que possibilita a alteração do lançamento, citada na decisão recorrida. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Claríssimo é o texto, incorreções serão sanadas quando resultarem em prejuízo ao sujeito passivo, ou seja, quando o prejudiquem. Não há como corrigir ponto do lançamento, na fase julgadora, com medida que prejudique o sujeito passivo, como a majoração do valor de venda, mesmo que, devido a outro ponto em exame nos autos, o valor do crédito seja reduzido. Assim, voto pelo provimento parcial do recurso, a fim de que o valor a ser considerado de alienação seja o valor considerado pelo Fisco, R$17.000.000,00, com o cálculo sendo feito pela autoridade preparadora. DO MÉRITO Quanto ao mérito, consta dos autos desistência parcial do recurso, no que tange ao valor lançado na competência 08/2010, onde há exigência de multa qualificada. Assim, como o Regimento Interno do CARF (RICARF) determina que a desistência configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, não analisaremos a questão, pelo não conhecimento do recurso neste ponto. Quanto à questão do direito adquirido à isenção, na alienação de participação societária, devido a recorrente ter preenchido os requisitos do Decreto Lei 1.510/1976, não assiste razão à recorrente. Chego a essa conclusão por acompanhar recente julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), já que a grande maioria dos conselheiros que a compõem, incluindo conselheiros indicados pelos contribuintes, assim votaram, nos seguintes termos (Acórdão 9202003.769, de 16/02/2016, Relatora: Rita Eliza Reis da Costa Bachieri): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETO LEI 1.510/76. ISENÇÃO POR PRAZO INDETERMINADO. Sendo a isenção do art. 4º, 'd', do Decreto Lei nº 1.510/76 do tipo incondicionada, afastase a aplicação da exceção do art. 178 do CNT, não havendo que se falar em isenção do IRPF aos fatos geradores posteriores à Lei nº 7.713/88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 991DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10830.723738/201352 Acórdão n.º 2402005.247 S2C4T2 Fl. 946 23 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Patrícia Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. A Conselheira Patrícia Silva apresentará declaração de voto. ... Em que pese decisões em sentido contrário, compartilho do entendimento de que a isenção do extinto art. 4º, alínea 'd' do Decreto lei nº 1.510/76 não é espécie de isenção condicionada com prazo certo. Até entendo existir a condicionante (manutenção da titularidade da participação societária pelo período mínimo de cinco anos), entretanto, não vislumbro tratar se de isenção por prazo determinado. Diante disto adoto os ensinamentos do Jurista Roque Antônio Carrazza (Curso de Direito Constitucional Tributário 24 ª edição) para o qual "sendo com prazo indeterminado a isenção, a pessoa política que a concede pode revogála, total ou parcialmente, a qualquer tempo, a seu inteiro alvedrio, desde que, naturalmente, o faço por meio de lei, respeitando, quando for o caso o princípio da anterioridade". E acrescenta: A revogação de isenção com prazo indeterminado, ainda que onerosa (condicional), não gera, para o contribuinte, nem direito de ser indenizado, nem, muito menos, o de continuar fruindo, pura e simplesmente, do benefício. O contribuinte tem, apenas, o direito de ver respeitado o princípio da anterioridade (em relação, obviamente, aos tributos sobre os quais ele incide). Inaplicável, portanto, ao caso, a exceção do artigo 178 do CTN. Independentemente de suas características, os fatos geradores (ganho de capital) ocorridos na vigência da Lei nº 7.713/88 estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda, não havendo que se falar em direito adquirido, o qual só nasce se o ato jurídico se consumar em tempo hábil, ou seja, na vigência da norma instituidora. No presente caso, mesmo tendo as ações sido adquiridas no passado, há mais de cinco anos da data da respectiva alienação, essa somente ocorreu em maio de 2007, data em que a isenção instituída pelo DecretoLei 1.510/76 já havia sido revogada pelo artigo 58 da Lei 7.713/88. Percebese que para caracterização do direito adquirido, a meu ver, o fato jurídico alienação da participação societária deveria ter ocorrido até o dia 31.12.1988, data em que se encerrou a vigência da norma isentiva. Portanto, nego provimento ao recurso neste ponto. Ponto a esclarecer referese as parcelas exigíveis no lançamento. Para a contribuinte o Fisco precipitouse, pois o negocio somente estaria terminado em 12/2013, quando seria paga a última parcela. Fl. 992DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 24 Ora, mas como demonstram os autos, fls 0622, a fiscalização está exigindo somente a diferença que ela encontrou nas parcelas já pagas, obedecendo a legislação. Decreto 3000/1999: Art. 140. Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver (Lei nº 7.713, de 1988, art. 21). § 1º Para efeito do disposto no caput, deverá ser calculada a relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação que será aplicada sobre cada parcela recebida. Assim procedeu o Fisco, não havendo razões para conceituar seu procedimento como equivocado. Assim, nego provimento ao recurso, neste ponto. Quanto às alegações sobre o custo de aquisição, a decisão recorrida fez alterações nos cálculos efetuados pelo Fisco, em meu entender corretas, como segue abeixo: Da apuração do ganho de capital. Custo de aquisição. Erros de cálculo. A) Subscrição de capital realizada em novembro de 94. Custo igual a zero. O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, dedicou o Título X, Capítulo I, Seções I a VI, ao tratamento tributário do ganho de capital na alienação de bens ou direitos. Na Seção IV, que cuida do custo de aquisição dos bens ou direitos, foi destacada a Subseção II, que trata dos bens ou direitos adquiridos no período de 1º de janeiro de 1992 até 31 de dezembro de 1995. O custo a ser atribuído à subscrição de capital realizada em novembro de 1994 se resolve pela interpretação da regra disposta no artigo 130 e parágrafos do mencionado decreto. Art.130. O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e de bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, §2º). §1º No caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas de lucros, que tenham sido tributados na forma do art. 35 da Lei nº 7.713, de 1988, ou apurados no ano de 1993, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, §3º, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 75). §2º O custo é considerado igual a zero (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, §4º): (grifei) Fl. 993DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10830.723738/201352 Acórdão n.º 2402005.247 S2C4T2 Fl. 947 25 Ino caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas apurados até 31 de dezembro de 1988, e nos anos de 1994 e 1995; (grifei). IIno caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente; IIIquando não puder ser determinado por qualquer das formas descritas neste artigo ou no anterior. Concluise da leitura do inciso I do §2º do artigo 130 que o custo deve ser considerado igual a zero nos casos de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas apurados no ano de 1994, dentre outras situações indicadas no dispositivo. Em razão de a norma contemplar a expressão reservas, não é permitido à autoridade administrativa empregála apenas à reserva de lucros, tese esta defendida pelo contribuinte, pois não é possível conferir uma interpretação restritiva quando o ato normativo assim não dispôs de forma expressa. O capital social representa valores recebidos pela sociedade dos sócios, ou por ela gerados e que foram formalmente incorporados ao capital, por decisão dos proprietários, tais como: a) os lucros a que os sócios renunciaram e incorporaram como capital; b) a reserva de correção monetária do capital realizado, quando prevista, pois fora revogada pela Lei nº 9.249/95, artigo 4º, parágrafo único; c) a incorporação das reservas de capital; etc. Assim, se o capital social pode ser representado por valores oriundos de vários tipos de reservas, não haveria razão para que o legislador, naquele período indicado no dispositivo legal, atribuísse o custo igual a zero apenas para lucros ou reservas de lucros, sob pena de tratar situações iguais – aumentos de capital, sob quaisquer formas de maneiras distintas. A situação aqui guerreada contradiz o tratamento que a própria contribuinte deu ao aumento de capital pela incorporação da reserva de correção monetária do capital. Na resposta elaborada ao Termo de Intimação Fiscal de 01/03/2012, fls. 35 a 1 juntou o documento denominado “Viação Caprioli Ltda. – Demonstrativo de investimento atualizado da sócia Maria Antonia Caprioli Gomes dos Santos”, fls. 58, onde consta, em novembro de 1994, a exclusão da parcela de R$3.490.909,10 do capital social, com a aposição da nota explicativa nº 05, a seguir transcrita: NOTA 05 – Aumento do capital social com correção monetária do capital, conforme alteração contratual de 25/11/1994, não considerado no custo em razão do §2º, inciso I do artigo 130 do RIR/99. (fls. 61). A própria contribuinte anexou nos autos prova de que o aumento de capital se deu pela incorporação da reserva de correção monetária do capital. É o que se visualiza na cláusula 2 da Fl. 994DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 26 alteração contratual registrada na Jucesp em 16/12/1994, fls. 746. [...] 2 – Resolvem ainda os sócios aumentar o Capital Social para R$3.600.000,00 (treis milhões e seiscentos mil reais), mediante a incorporação de parte do saldo da conta Reserva da Correção Monetária do Capital no valor de R$3.490.909,10 (treis milhões, quatrocentos e noventa mil, novecentos e nove reais e deis centavos). [...] A mencionada alteração contratual se amparou nos dados contidos nos balancetes de outubro de 1994 e novembro de 1994, fls. 759 a 760, quando a conta “Capital Social” modificouse de 109.090,90 para 3.600.000,00 e, em contrapartida, a conta “Reservas Corr. Monet. Do Capital”, no valor de 3.672.711,81, foi debitada em 3.490.909,10. A jurisprudência citada do CARF, Acórdão 10417.245, não ampara o pleito do contribuinte, pois de sua leitura integral se verifica que a reserva de correção monetária do capital admitida como custo de aquisição, diferente do valor igual a zero, se refere àquela apurada em outubro de 1991. (fls. 10 do mencionado acórdão). A conclusão do parágrafo anterior se baseia no fato de que no acórdão citado pelo autuado, o relator pontuou que não foram considerados os custos efetivos da aquisição das cotas alienadas no valor de Cr$681.000,00 por capitalização de lucros e reserva de correção monetária do capital, valor este dividido pelo Fator de Atualização Patrimonial – FAP1 correspondente ao mês de outubro de 1991 (FAP out/91 = 384,1574). Isto posto, correta a conduta adotada pela autoridade lançadora neste subitem. B) Custo de aquisição até o primeiro semestre de 1996. A Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, instituiu a Unidade Fiscal de Referência, e definiu em seu artigo 96 que o contribuinte poderia apresentar a declaração na qual os bens e direitos seriam avaliados a valor de mercado no dia 31/12/1991, e convertidos em quantidade de Ufir pelo valor desta no mês de janeiro de 1992. Art. 96. No exercício financeiro de 1992, anocalendário de 1991, o contribuinte apresentará declaração de bens na qual os bens e direitos serão individualmente avaliados a valor de mercado no dia 31 de dezembro de 1991, e convertidos em quantidade de Ufir pelo valor desta no mês de janeiro de 1992. § 1° A diferença entre o valor de mercado referido neste artigo e o constante de declarações de exercícios anteriores será considerada rendimento isento. [...] No documento de fls. 47, a autuada considerou o valor da participação societária na Viação Caprioli Ltda., a valor de Fl. 995DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10830.723738/201352 Acórdão n.º 2402005.247 S2C4T2 Fl. 948 27 mercado, no montante de 2.463.008,00 UFIRs. O valor da UFIR no mês de janeiro de 1992 era Cr$597,062. Multiplicandose 2.463.008,00 UFIRs por seu valor em janeiro de 1992, encontrase o equivalente a Cr$1.470.563.556,48, o que diverge do valor apurado pela autoridade lançadora no item 14 do TVF (Cr$1.186.135.392,643). A Instrução Normativa SRF nº 84, de 11 de outubro de 2001, definiu que o custo de aquisição dos bens e direitos adquiridos até 31/12/1991, avaliados pelo valor de mercado, é esse valor, atualizado até 1º de janeiro de 1996. Art. 6º O custo de aquisição dos bens e direitos adquiridos ou as parcelas pagas até 31 de dezembro de 1991, avaliados pelo valor de mercado para essa data e informados na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 1992, anocalendário de 1991, de acordo com o art. 96 da Lei nº 8.383, de 1991, é esse valor, atualizado até 1º de janeiro de 1996. Parágrafo único. Aplicase o disposto no caput na hipótese de contribuinte desobrigado de apresentar a declaração do exercício de 1992, anocalendário de 1991, e seguintes. Assim, a participação societária indicada a valor de mercado na DAA/1992 (2.463.008,00 UFIRs), atualizada até 01/01/1996, tal como pleiteado pela contribuinte, passa a ser o montante de R$2.041.094,73 (2.463.008,00 UFIRs x 0,8287). A utilização do índice de janeiro de 1992 (720,4779) presente na IN SRF nº 84/01 sobre o valor da participação societária em 31/12/1991 nos levaria ao mesmo resultado, desprezado o arredondamento na casa dos centavos (Cr$1.470.563.556,48 / 720,4779 = R$2.041.094,61). As subscrições de capital realizadas em 09/924, 09/93, 01/03, 12/09 e 07/10, indicadas no quadro de fls. 687, já se encontram atualizadas até 01/01/1996, pois utilizaram os índices discriminados na IN SRF nº 84/01, em atenção ao disposto no seu artigo 7º. Art. 7º No caso de bens ou direitos adquiridos ou de parcelas pagas até 31 de dezembro de 1991, não avaliados a valor de mercado, e dos bens e direitos adquiridos ou das parcelas pagas entre 1º de janeiro de 1992 e 31 de dezembro de 1995, o custo corresponde ao valor de aquisição ou das parcelas pagas até 31 de dezembro de 1995, atualizado mediante a utilização da Tabela de Atualização do Custo de Bens e Direitos, constante no Anexo Único. Para espancar qualquer dúvida que pudesse pairar sobre a afirmação contida no parágrafo anterior, atentese para os seguintes cálculos: a) o índice adotado para o mês de setembro de 1992 (3783,7818) representa a divisão da UFIR de setembro de 1992 (3.135,62) pela UFIR do primeiro semestre de 1996 (0,8287); b) o índice adotado para o mês de setembro de 1993 Fl. 996DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 28 (68,1549) representa a divisão da UFIR de setembro de 1993 (56,48) pela UFIR do primeiro semestre de 1996 (0,8287). Desse modo, o custo da participação societária alienada é R$7.489.666,91 (=R$8.118.061,71 x 92,2593%5). Com base nos pressupostos fáticos e jurídicos até aqui elencados, está comprovado que foi adotada a atualização do custo de aquisição da participação societária alienada até o primeiro semestre de 1996, com base na variação da UFIR, nos termos do artigo 17 da Lei nº 9.249/95, considerando a situação jurídica de que a contribuinte não tem direito à revogada isenção prevista no DecretoLei nº 1.510/76. Art. 17. Para os fins de apuração do ganho de capital, as pessoas físicas e as pessoas jurídicas não tributadas com base no lucro real observarão os seguintes procedimentos: I tratandose de bens e direitos cuja aquisição tenha ocorrido até o final de 1995, o custo de aquisição poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro desse ano, tomandose por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data; II tratandose de bens e direitos adquiridos após 31 de dezembro de 1995, ao custo de aquisição dos bens e direitos não será atribuída qualquer correção monetária. Por outro lado, o expurgo efetuado pela autoridade lançadora em desconsiderar a atualização do custo de aquisição da participação societária, mediante aplicação da OTN/BTN/UFIR, até o primeiro semestre de 1996, no cálculo do imposto de renda a pagar no caso de prevalecer a tese advogada pela contribuinte de que faz jus à isenção do DecretoLei nº 1.510/76, está correto e não merece reparo. Vejamos: Em primeiro lugar, porque a autoridade fazendária já havia acrescentado às quotas detidas pela contribuinte na Viação Caprioli Ltda., em 31/12/1983, as quotas subscritas com reservas de correção monetária, evento este que atualizou a participação societária da contribuinte em relação aos efeitos deletérios da inflação de preços. Em segundo lugar, porque a previsão normativa contida no artigo 17, I, da Lei nº 9.249/95 não menciona que a atualização deva ser empregada sobre a composição acionária detida em 31/12/1983 para fins do DecretoLei nº 1.510/76. Se o legislador ordinário tivesse tal intuito, deveria ter se posicionado de forma expressa, pois sabe que paira sobre a autoridade administrativa a regra hermenêutica de que se interpreta literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção (CTN, artigo 111, II). Assim, sobre os cálculos referentes à apuração da parcela isenta realizados pela fiscalização não há de se aplicar atualização monetária até o primeiro semestre de 1996. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10830.723738/201352 Acórdão n.º 2402005.247 S2C4T2 Fl. 949 29 Para deixar claro, a decisão recorrida não utilizou de Instruções Normativas posteriores para fundamentar o lançamento. O uso foi do esclareciemnto contido na IN, perfeitamente normal, para esse tipo de legislação. Portanto, não há razão o arguemtno da recorrente. Quanto à viação Lira, a recorrente afirma que possuía valores a receber e que estes devem ser considerados como custo de aquisição. Novamente, reitero a exatidão da análise de priemira instância, onde se afirma, corretamente, em síntese, que o valor do capital social deve estar registrado, a fim de ser considerado: O cerne do debate em relação à alienação da participação societária envolvendo a Viação Lira Ltda. é verificar se o custo de aquisição é R$200.000,00 ou R$818.400,00, valor este defendido pela autuada, pois entende que aos R$200.000,00 admitidos pela autoridade lançadora deveria ser somado o montante de R$618.400,00, uma vez que figurava como credora da mencionada sociedade empresária. A autuada juntou nos autos, fls. 729 a 731, termo de declaração particular com intuito de comprovar que a sociedade VB Transportes e Turismo Ltda adquiriu 2.046.000 quotas e não 500.000 quotas como consta da alteração contratual arquivada na Jucesp em 29/11/2010. Tal termo, contudo, não serve para comprovar o pleito da contribuinte, pois, quando a lei exigir, como da substância do ato, o instrumento público, nenhuma outra prova, por mais especial que seja, pode suprirlhe a falta. É a regra prevista no Código de Processo Civil, Lei nº 5.869/73, artigo 366, diploma este em uso no processo administrativo diante de lacunas na disciplina processual administrativa. Na apreciação dos fatos segundo as regras de livre convencimento (Decreto nº 70.235/72, artigo 29), a observância de certos critérios legais sobre provas e sua validade não pode ser desprezada pela autoridade julgadora. Como se verá a seguir, o ordenamento jurídico exige que o aumento de capital social seja averbado no registro do comércio. É o que está previsto na Lei das Sociedades por Ações e no Código Civil Brasileiro. ... O instrumento particular de alteração de contrato social da sociedade limitada, denominada Viação Lira Ltda., assinala que a contribuinte cedeu e transferiu à sociedade VB Transportes e Turismo Ltda. 200.000 quotas sociais no Fl. 998DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 30 valor de R$1,00 (hum real) cada uma, totalizando R$200.000,00 (Duzentos mil reais), fls. 538. Desse modo, o termo de declaração particular não pode se sobrepor à alteração contratual averbada na Jucesp. Quanto ao balanço patrimonial encerrado em 31/07/2010, fls. 732, indicando que o capital social é o montante de R$2.046.000,00, não faz prova a favor da contribuinte, pois não se comprovou que compõe o Livro Diário, com seu termo de abertura e de encerramento, e submetido à autenticação no órgão competente do registro do comércio, como prevê o RIR/99, artigo 258, §4º, c/c o artigo 274, §2º. ... Contrapondose ao documento de fls. 732, vêse que o balanço patrimonial de 31/12/2010, fls. 106 do processo nº 10830.723735/201319, peça contábil que integrou o livro Diário Geral, número de ordem 35 – Nov a Dez/10, devidamente autenticado na Jucesp, fls. 104 a 110, indica que o capital social é da ordem de R$500.000,00, com a discriminação no passivo não circulante da conta denominada “Adiantamentos”, no valor de R$1.546.000,00. O valor indicado na rubrica denominada “Adiantamentos” pertence aos novos sócios da Viação Lira Ltda., haja vista que o contribuinte já havia se retirado da sociedade. Por serem os titulares do montante de R$1.546.000,00, os novos sócios da Viação Lira Ltda. aumentaram o capital da sociedade com tais créditos, fato este presente na alteração contratual registrada na Jucesp em 18/07/2011, fls. 289. Por fim, destaquese, com base no que dispõe o Parecer Normativo CST nº 23/81, publicado no Diário Oficial da União em 02/07/1981, que ocorrendo a eventualidade de adiantamentos para futuro aumento de capital, qualquer que seja a forma pela qual os recursos tenham sido recebidos, os mesmos devem ser mantidos fora do patrimônio líquido, como exigibilidades, por serem considerados obrigação para com terceiros, passando a se constituir como aumento de capital, tãosomente, após a sua formalização e averbação no registro do comércio. Ante tais considerações, entendo que a autuada não se pode valer da parcela de R$618.400,00 para compor o custo de aquisição da Viação Lira Ltda, mantendoo no montante de R$200.000,00, tal como indicado pela autoridade lançadora. Fl. 999DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10830.723738/201352 Acórdão n.º 2402005.247 S2C4T2 Fl. 950 31 CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto: 1. Pelo conhecimento parcial do recurso, devido a pedido de desistência, nos termos do voto; 2. Por dar provimento parcial ao recurso, para considerar o valor de alienação o constante do lançamento fiscal, nos termos do voto; e 3. Por negar provimento ao recurso nas demais questões. Marcelo Oliveira. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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