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Numero do processo: 13808.004584/00-95
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1995 a 31/03/2000
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Incabíveis embargos de declaração se não estiver manifestada a omissão ou outra das situações previstas no art. 65 do Anexo II do RICARF.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. FATO NOVO. NÃO CABIMENTO.
Incabíveis embargos de declaração para apresentação de fato novo.
Numero da decisão: 3403-001.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (presidente), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/1995 a 31/03/2000 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Incabíveis embargos de declaração se não estiver manifestada a omissão ou outra das situações previstas no art. 65 do Anexo II do RICARF. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. FATO NOVO. NÃO CABIMENTO. Incabíveis embargos de declaração para apresentação de fato novo.
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OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Incabíveis embargos de declaração se não estiver manifestada a omissão ou outra das situações previstas no art. 65 do Anexo II do RICARF. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. FATO NOVO. NÃO CABIMENTO. Incabíveis embargos de declaração para apresentação de fato novo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (presidente), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 45 84 /0 0- 95 Fl. 611DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de embargos de declaração opostos pela Administradora e Construtora Soma LTDA ao Acórdão nº 340301.627, de 26 de junho de 2012, sob o fundamento de omissão. Aduz a embargante que alegou no curso do despacho a nulidade da autuação em razão da desconsideração por parte do fisco de DCTF retificadoras apresentadas em 12/4/2000, antes do início da fiscalização, tendo o CARF determinado a apuração do alegado, em diligência. Após o retorno da diligência, essa corte proferiu o acórdão embargado, entendendo que as DCTF retificadoras não poderiam ser consideradas por não constarem nos sistemas informatizados da RFB e estarem amparadas em documentos com características que impedem sejam tidos como idôneos, entendimento esse que “é fruto de evidente omissão no v. acórdão ora embargado”. Alega a embargante que a RFB havia se manifestado (conforme documento que anexa) nos autos do PA 13808.004585/0058 esclarecendo que as alegações de contribuintes que entregaram declarações naquele período, e extraviadas, devem ser consideradas como legítimas caso não haja nenhum indício claro de falsificação dos documentos ou carimbo, e que ocorreram problemas com bases do TRANSDADOS em 98/99. As DCTF retificadoras, assim, não podem ser desconsideradas em razão de meras insinuações inconclusivas da RFB, e é um absurdo exigir que o contribuinte saiba qual o tipo de carimbo usado na RFB. Por esse motivo, deveria ter se manifestado o CARF sobre o fato de a própria RFB ter reconhecido que os documentos da embargante devem ser considerados em razão de falha em seus sistemas informatizados. Alega a embargante, por fim, um fato novo (a publicação de acórdão do TRF 3ª Região nos autos de ação rescisória no 2007.03.00.0364531, ajuizada pela embargante, para afastar a cobrança da COFINS com a base de cálculo ampliada nos termos do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/98), sustentando que tal acórdão alardeia reflexos nos créditos tributários relativos aos períodos de apuração 04/1999, 07/1999, 10/1999 e 01/2000, devendo ser considerado pelo CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os embargos de declaração preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles se toma conhecimento. A ementa do Acórdão embargado, exatamente no excerto objeto dos embargos, dispõe: “ESPONTANEIDADE. AUSÊNCIA DE DCTF. Não se considera espontânea a alteração indicada em DCTF se não comprovado seu regular registro na RFB.” Fl. 612DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13808.004584/0095 Acórdão n.º 3403001.854 S3C4T3 Fl. 612 3 Do voto condutor (acolhido unanimemente) do acórdão embargado, extraise ainda que: “A recorrente alega que foram apresentadas DCTF retificadoras antes do início do procedimento fiscal, não tomadas em consideração na autuação. Tais DCTF retificadoras são exatamente as que motivaram a baixa do processo em diligência, e se referem, como informado pela recorrente, à compensação em virtude de sentença judicial. Ocorre que a unidade preparadora, além de não localizar as DCTF retificadoras apresentadas nos sistemas informatizados da RFB (constatação que já era presente nestes autos), percebeu que os carimbos dos recibos não apresentam as mesmas características dos carimbos usados para recepção no período indicado. A partir daí, comunicou o fato à recorrente, solicitou documentos e elaborou Representação Fiscal para Fins Penais pela configuração, em tese, de conduta criminosa (art. 296 do Código Penal). Para o deslinde do presente feito importa predominantemente o fato de não se poder acolher as DCTF retificadoras mencionadas. A solução da presente contenda independe do que venha a ocorrer no processo criminal, que, digase, não versa sobre crime contra a ordem tributária e, portanto, não tem trâmite vinculado a estes autos. Assim, retomando a questão paralisada que motivou a baixa em diligência, concluise que as DCTF retificadoras não devem ser consideradas como válidas, tendo em vista: (a) não constarem nos sistemas informatizados da RFB; e (b) estarem amparadas por documentos com características (carimbos diferentes dos usados para recepção no período indicado) que impedem que sejam tidas como idôneas.” (grifo nosso) É de se recordar que o art. 65 do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 256/2009, dispõe sobre as hipóteses ensejadoras de embargos de declaração: obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou omissão de ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Assim, não é compatível com o instrumento a apresentação de fato novo pela embargante, visto que tal fato não é inerente à substância da decisão ou de seus fundamentos. Portanto, não merecem acolhida os embargos nesse aspecto. No que se refere à alegada omissão sobre ponto em relação ao qual entende a embargante que a turma devia se manifestar (“o fato de a própria RFB ter reconhecido que os documentos da embargante devem ser considerados em razão de falha em seus sistemas informatizados”), é de se destacar que reflete equivocada compreensão do conteúdo da decisão deste tribunal e do conteúdo do documento expedido pela RFB (e novamente acostado aos autos pela embargante). Fl. 613DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Em relação ao documento expedido pela RFB, acostado aos autos, sua simples leitura revela que a falta de registro nos sistemas da RFB não enseja necessariamente a aceitação do documento, como deseja a embargante: “Alegações de contribuintes, que entregaram declarações de Pessoa Física ou IRPJ, PJ em bancos ou na SRF e DIRF na SRF, sobre extravio devem ser consideradas como legítimas caso não haja nenhum indício claro de falsificação do documento ou carimbo.” Isto porque naqueles anos (98 e 99) ocorreram inúmeros problemas com bases dos TRANSDADOS nos Bancos e no próprio atendimento da SRF.” “Por esses fatos, não há como considerar ilegítima a impugnação de multas por atraso de entrega que alegam o extravio da original nos referidos anos, quando a operação envolve TRANSDADOS e o recibo não apresenta indícios de falsidade.” “No caso em questão, o carimbo apresentado na DCTF do contribuinte acima fl. 905 não apresenta as mesmas características de carimbo usado para recepcionar outras declarações entregues no mesmo período, fl. 906 e 907, já arquivadas no arquivo (sic) da DITEC/DERAT/SPO.” (grifo nosso) O acórdão embargado manifestase claramente sobre o entendimento externado pela RFB, entendimento esse que revela, diante de problemas identificados nos sistemas da RFB, a admissão de documentos originais apresentados pelos contribuintes desde que não haja indícios de falsidade. O problema é que, no presente caso, afiguraramse tais indícios. Não há, assim, omissão no acórdão embargado. No máximo, há inconformismo da embargante em relação ao teor do acórdão, tema que não é passível de ataque via embargos de declaração. Pelo exposto, voto pela rejeição aos embargos de declaração, mantendose intacto o teor do Acórdão nº 340301.627, de 26 de junho de 2012. Rosaldo Trevisan Fl. 614DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13808.004584/0095 Acórdão n.º 3403001.854 S3C4T3 Fl. 613 5 Fl. 615DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 15504.014603/2009-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/05/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COMPENSAÇÃO - REGRAMENTO LEGAL.
O Plano de Custeio da Seguridade Social, no art. 89 da Lei n. 8.212/91, traz comando no sentido de que somente serão compensados os valores pagos ou recolhidos indevidamente a título de contribuição para a Seguridade Social.
A compensação entre crédito e débito tributário efetiva-se por iniciativa do contribuinte, sendo que feita no âmbito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como no caso, fica a depender da homologação da autoridade fiscal, que pode e deve fiscalizar o contribuinte, examinar seus livros e documentos, verificar os cálculos e efetuar o lançamento de valor de compensação indevida, no todo ou em parte.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o cálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), e se compare com a multa de ofício, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Cid Marconi Gurgel de Souza.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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anomes_sessao_s : 201206
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2007 a 31/05/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COMPENSAÇÃO - REGRAMENTO LEGAL. O Plano de Custeio da Seguridade Social, no art. 89 da Lei n. 8.212/91, traz comando no sentido de que somente serão compensados os valores pagos ou recolhidos indevidamente a título de contribuição para a Seguridade Social. A compensação entre crédito e débito tributário efetiva-se por iniciativa do contribuinte, sendo que feita no âmbito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como no caso, fica a depender da homologação da autoridade fiscal, que pode e deve fiscalizar o contribuinte, examinar seus livros e documentos, verificar os cálculos e efetuar o lançamento de valor de compensação indevida, no todo ou em parte. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o cálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), e se compare com a multa de ofício, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Cid Marconi Gurgel de Souza.
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO COMPENSAÇÃO REGRAMENTO LEGAL. O Plano de Custeio da Seguridade Social, no art. 89 da Lei n. 8.212/91, traz comando no sentido de que somente serão compensados os valores pagos ou recolhidos indevidamente a título de contribuição para a Seguridade Social. A compensação entre crédito e débito tributário efetivase por iniciativa do contribuinte, sendo que feita no âmbito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como no caso, fica a depender da homologação da autoridade fiscal, que pode e deve fiscalizar o contribuinte, examinar seus livros e documentos, verificar os cálculos e efetuar o lançamento de valor de compensação indevida, no todo ou em parte. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 46 03 /2 00 9- 31 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o cálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), e se compare com a multa de ofício, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014603/200931 Acórdão n.º 2403001.467 S2C4T3 Fl. 91 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – CONSTRUTORA CASTRO REZENDE LTDA. contra Acórdão nº 0231.611 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento De Belo Horizonte MG, fls. 158 a 163, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.215.8153, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 11.293,64. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social referente às contribuições parte dos segurados empregados, incidentes sobre a remuneração da mão de obra utilizada na prestação de serviços contida nas notas fiscais referentes às obras citadas no período de 10.2007 a 12.2007 e 04.2008 a 05.2008. O Relatório Fiscal, às fls. 25 a 33, informa que a empresa sob ação fiscal tem como objeto social a prestação de serviços na área de engenharia civil, tais como: construção, reformas, execução de obras de arte, saneamento, terraplenagem, drenagem, pavimentação, elaboração de projetos, gerenciamento, consultoria e fiscalização, manutenção e conservação de edificação, estradas de ferro e de rodagem. E ainda, lançamento e empreendimentos imobiliários. Foram examinados os seguintes documentos: Livros Diário, notas fiscais de prestação de serviços, contratos das obras, GFIP. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 25 a 33, através da análise da escrituração contábil da empresa, verificouse que a mesma não registra os lançamentos referentes a obras de construção civil em contas individualizadas, infringindo assim ao artigo 32, inciso ll da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, combinado com o artigo 225, inciso II e §13 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Ainda o Relatório Fiscal, às fls. 25 a 33, informa que procedeuse à aferição indireta da remuneração da mãodeobra utilizada nas obras fiscalizadas com base no contrato, corroborado com as notas fiscais de prestação de serviços apresentadas, conforme descrito abaixo: Obra CEI 50.901.50542/73 Tratase de obra de reforma em agência bancária, com contrato formalizado em 10/09/2007, no valor de R$330.700,00(trezentos e trinta mil e setecentos reais). No contrato da obra e nas notas fiscais de serviço apresentadas verificamos a discriminação das parcelas referentes a aplicação de materiais e correspondente mão de obra, conforme quadro abaixo. A remuneração contida no valor da mãodeobra utilizada na prestação de serviços corresponde ao mínimo de 40% (quarenta por cento). Obra CEI 51.075.01451/76 Tratase de obra de reforma em agência bancária, com contrato formalizado em 19/10/2007, no valor de R$281.296,44(duzentos e oitenta e um mil duzentos e Fl. 365DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 noventa e seis reais e quarenta e quatro centavos). No contrato da obra e nas notas fiscais de serviço apresentadas verificamos a discriminação das parcelas referentes à aplicação de materiais e correspondente mão de obra, conforme quadro abaixo. A remuneração contida no valor da mãodeobra utilizada na prestação de serviços corresponde ao mínimo de 40% (quarenta por cento). Em relação ao cálculo do salário de contribuição devido, o Relatório Fiscal, às fls. 25 a 33, mostra que foram excluídos da remuneração da nota fiscal os valores declarados em GFIP, nos meses correspondentes. Os anexos I e II apresentam os segurados declarados em GFIP e os valores correspondentes, para cada obra fiscalizada. As notas fiscais dos meses 04/2008 e 05/2008, fora do período da obra, foram emitidas após os acertos finais com a tomadora do serviço. A contribuição do segurado foi calculada aplicandose a aliquota mínima de 8%(oito por cento). Esta contribuição não foi descontada do segurado, não caracterizando, desta forma, apropriação indébita. A Recorrente teve ciência do TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, às fls. 14 a 15, na qual consta o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0610100.2008.02551. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 06, é de 10/2007 a 05/2008. A Recorrente apresentou Impugnação, às fls. 42 a 48, em apertada síntese conforme o relatório da decisão de primeira instância, às fls. 158 a 163: (i) Afirma que, de fato, não fez a contabilização na forma exigida no inciso II do art. 32 da Lei n° 8.212/91, o que deu origem ao Auto de Infração de n° 37.215.8137, por descumprimento da obrigação acessória de lançar mensalmente, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. (ii) No entanto, todas as demais obrigações concernentes à prestação de serviços com cessão de mão de obra, tanto a principal, quanto as acessórias foram rigorosamente cumpridas. Cita as obrigações que diz terem sido atendidas: desembolso das contribuições devidas a terceiros, destaque e retenção pelo tomador dos 11% do valor das contribuições calculadas sobre o valor da nota fiscal, confecção de folhas de pagamento separadas por obra civil, etc... (iii) Encontramse anexas aos autos provas de que não houve sonegação de arrecadação ao INSS. As contribuições previdenciárias, no percentual de 20%, foram recolhidas a tempo e modo, pois as retenções sofridas sobejam as obrigações mensais devidas pelos empregados. As contribuições devidas a terceiros, não compensáveis com os valores retidos nas notas fiscais, foram objeto de recolhimento especifico em separado, cujas guias quitadas foram anexadas à defesa correspondente. (iv) Entende a Impugnante que pagou mais do que devia, restando crédito com o INSS. Alega que os valores totais retidos nas notas fiscais, comprovadamente recolhidos, somam mais que Fl. 366DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014603/200931 Acórdão n.º 2403001.467 S2C4T3 Fl. 92 5 os valores devidos pela empresa e pelos empregados. Mesmo assim foi apenada com a exigência de contribuição previdenciária comprovadamente descontada de seus empregados e devidamente repassada aos cofres públicos, por meio de compensação dos valores retidos sobre as notas fiscais. (v) Entende ser inaplicável a aferição indireta, sempre que não houver a escrituração contábil em livro Diário e Razão, conforme previsto no §13 do art. 225 do RPS, c/c o art. 60 da IN SRP n° 03/2005. Tal fato não torna a contabilidade inidônea, nem significa que seus documentos não mereçam fé, especialmente a compensação feita na forma da lei, das contribuições previdenciárias devidas sobre a remuneração dos segurados empregados com os valores retidos sobre as notas fiscais e recolhidas pelo tomador de serviços. (vi) Pede a anulação do lançamento, pois entende que as retenções sofridas pela impugnante são suficientes para suportar as compensações das contribuições previdenciárias devidas por ela, inclusive sobejando crédito, ou, remanescendo algum valor devido, seja deferida a compensação com os créditos havidos pela Impugnante. Houve solicitação de Diligência Fiscal, às fls. 149 a 150, no sentido de se esclarecer sobre o aproveitamento das contribuições retidas pelos tomadores dos serviços, se poderiam ser aproveitadas no presente crédito e se tais valores foram abatidas na apuração do lançamento. Em resposta, a Informação Fiscal às fls. 152: 1 — Em atenção ao questionamento da 7' Turma da DRJ/BHE, informamos que as contribuições retidas pelos tomadores dos serviços foram consideradas no presente levantamento, observandose os valores referentes à mão de obra efetivamente utilizada em cada obra. Para tanto, as tabelas constantes do relatório fiscal apresentam, na coluna Remuneração em GFIP, a remuneração dos empregados utilizados em cada obra, confrontada com a folha de pagamento da obra. As contribuições devidas com base nestes valores foram validadas por esta fiscalização com o aproveitamento das guias de retenção. 2 — Esclarecemos que só podemos considerar para efeito de abatimento na remuneração da aferição indireta os valores referentes à mão de obra efetivamente utilizada em cada obra e com a validação do recolhimento das contribuições devidas. Houve Manifestação do sujeito passivo, às fls. 156, reiterando os argumentos feitos em sede de Impugnação. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0231.611 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento De Belo Horizonte MG, fls. 158 a 163, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/05/2008 AFERIÇÃO INDIRETA A apuração da remuneração da mãodeobra dos segurados empregados, na execução de obra de Construção Civil, pode ser feita por aferição indireta, quando, no exame da escrituração contábil, a Fiscalização constatar que a contabilidade não registra o montante real da remuneração dos segurados a seu serviço, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. ÔNUS DA PROVA. 0 ato administrativo se presume legitimo, cabendo à parte que alegar o contrário, a prova correspondente. A simples alegação contrária ao lançamento, sem carrear,,aos autos provas documentais comprobat6rias das alegações, não são suficientes para desconstituir o feito fiscal. PEDIDO DE JUNTADA DE PROVA POSTERIOR. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante faze10 em outro momento processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 7' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido no Auto de Infração de n° 37.215.8153. Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em apertada síntese: Do Mérito. (i) todos as contribuições previdenciárias de responsabilidade da Recorrente foram recolhidas a tempo Fl. 368DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014603/200931 Acórdão n.º 2403001.467 S2C4T3 Fl. 93 7 (ii) Do pedido de compensação não analisado pela decisão de primeira instância – no sentido de que se algum débito remanescer, possa ser compensado com créditos da Recorrente junto ao INSS. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 363. É o Relatório. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 363. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a de segurados. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 37.215.8153 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP nº 37.215.8153) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: Fl. 370DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014603/200931 Acórdão n.º 2403001.467 S2C4T3 Fl. 94 9 · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. RDA – Relatório de Documentos Apresentados. f. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); g. REPLEG Relatório de Representantes Legais (Este relatório lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação.); h. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); i. TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal; j. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. k. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 l. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº 37.215.8153, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. DO MÉRITO (i) todos as contribuições previdenciárias de responsabilidade da Recorrente foram recolhidas a tempo Analisemos. Este ponto fático já foi debatido em sede de Diligência Fiscal quanto em sede de decisão de primeira instância, na qual a decisão de primeira instância, às fls. 158 a 163, após analisar todos os elementos de prova colacionados aos autos pelo sujeito passivo, concluiu que os documentos apresentados não são suficientes para comprovar que os valores devidos pela empresa foram liquidados: Fl. 372DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014603/200931 Acórdão n.º 2403001.467 S2C4T3 Fl. 95 11 Constam dos autos, As fls. 86/144, cópias das seguintes provas juntadas pela Impugnante, em sua defesa, para comprovar suas alegações: (...) Os documentos acima relacionados não são suficientes para comprovar que os valores devidos pela empresa foram liquidados. No Relatório Fiscal de fls. 25/36, a Fiscalização calculou o valor da mão de obra empregada em cada obra de construção civil, CEI n° 50.901.50542/73 — Obra nail Montes Claros e CEI n° 51.075.01451/76 — Obra hail Lagoa Santa. Do valor da mão de obra, foi extraído o valor da base de cálculo da remuneração dos trabalhadores utilizada em cada obra, no percentual de 40%, conforme previsto no art. 600 da IN/SRP no 03/2005, legislação vigente ao tempo da prestação dos serviços. Encontrada a base de cálculo da contribuição devida, a Fiscalização abateu os valores declarados em GFIP pela empresa, em época própria. A diferença entre o valor aferido pela nota fiscal e o já declarado pela empresa em GFIP é que foi objeto da exigência neste lançamento. Desta forma, somente está se exigindo a diferença de contribuição entre o apurado pela Fiscalização e o que já tinha sido declarado em GFIP pela empresa. Com este procedimento, resta claro que todos os valores declarados pelo contribuinte, que foram pagos ou retidos em época própria, foram abatidos do presente lançamento. Vêse que o período do lançamento é 10/2007 a 12/2007 e 05/2008 para a obra da matricula CEI n° 50.901.50542/73 — Itaú Montes Claros e de 11/2007 a 12/2007 e 04/2008 a 05/2008, matricula CEI no 51.075.01451/76 — Itaú Lagoa Santa. As provas apresentadas não cobrem todo o período do lançamento, nem foram apresentadas em sua integralidade. Observese que a Impugnante deve pagar contribuição sobre a remuneração paga a todos seus segurados, seja dos empregados, dos contribuintes individuais e das demais categorias de segurados que contratar. Ademais, em relação ao recolhimento de todas as contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa em relação às obras fiscalizadas, a Recorrente não trouxe novos elementos fáticos que pudessem se contrapor ao lançamento fiscal bem como à decisão de primeira instância a qual mantenho integralmente. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) Do pedido de compensação não analisado pela decisão de primeira instância – no sentido de que se algum débito remanescer, possa ser compensado com créditos da Recorrente junto ao INSS. Analisemos. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Observese que, por ocasião do levantamento do AIOP 37.215.8153, a Fazenda Pública deve proceder ao lançamento de débito, pois, nos termos do parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional razão pela a autoridade fiscal procedeu à lavratura do Auto de Infração. A compensação como modalidade de extinção do crédito tributário está prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional. O mesmo diploma legal, artigos 170 e 170A, prevê regras gerais sobre a matéria; as regras específicas são objeto de lei ordinária. Transcrevemos abaixo os artigos do CTN que tratam da compensação: “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação;” “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” “Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.” (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) O Plano de Custeio da Seguridade Social, Lei n. 8.212/91, art. 89, que ora transcrevemos, traz comando no sentido de que somente serão compensados os valores pagos ou recolhidos indevidamente a título de contribuição para a Seguridade Social. “Art.89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido”. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) O direito à compensação surgirá após o pagamento indevido de contribuição destinada à Seguridade Social, de atualização monetária, de multa ou de juros de mora, observadas as seguintes condições, conforme art. 193 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 03/2005: · a compensação deverá ser realizada com contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, excluídas as destinadas para Outras Entidades ou Fundos (Terceiros); · o sujeito passivo deverá estar em situação regular, considerando todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil, em relação à NFLD, LDC, AI, LDCG e Fl. 374DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014603/200931 Acórdão n.º 2403001.467 S2C4T3 Fl. 96 13 DCG, cuja exigibilidade não esteja suspensa;(LDCG – Lançamento de Débito Confessado em GFIP e DCG – Débito Confessado em GFIP: documentos em implementação) · o sujeito passivo deverá estar em dia com as parcelas relativas a acordos de parcelamento, considerados todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil; · somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição; · a compensação somente poderá ser realizada em recolhimento de períodos subseqüentes àqueles a que se refiram os valores pagos indevidamente. Os valores indevidamente compensados devem ser recolhidos pelo contribuinte, sobre os quais incidirão juros e multa de mora. Caso o contribuinte não recolha espontaneamente os valores compensados de forma indevida, cabe ao Fisco a glosa da compensação efetuada. Também cabe referida glosa na hipótese de compensação efetuada sem que houvesse recolhimento ou pagamento indevido; ou atualizada em desconformidade com os índices de correção previstos na legislação previdenciária; ou sem decisão judicial que tenha autorizado a compensação. Por fim, não houve qualquer ato perfeito e acabado, posto que uma compensação indevida não pode ser considerada como um ato jurídico perfeito, já que se sujeita à verificação de sua regularidade pela fiscalização. Como se vê, a compensação entre crédito e débito tributário efetivase por iniciativa do contribuinte, mas com risco para ele. A compensação feita, no âmbito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como no caso, fica a depender da homologação da autoridade fiscal, que pode e deve fiscalizar o contribuinte, examinar seus livros e documentos, verificar os cálculos e efetuar o lançamento de valor de compensação indevida, no todo ou em parte. Ainda em sede de argumentação, temse que o Código Tributário Nacional, nos art. 121 a 123, dispõe que as convenções particulares não podem ser opostas à Fazenda Pública: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Dessa forma, considerando a inobservância das condições de compensação previstas na legislação acima, não prospera a argumentação da Recorrente. (iii) Do cálculo da multa Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se calcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com Fl. 376DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014603/200931 Acórdão n.º 2403001.467 S2C4T3 Fl. 97 15 base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se calcule a multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), e se compare com a multa de ofício com o fim de prevalecer o valor mais benéfico ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 377DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10120.009914/2010-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 18/06/2010
IPI - ISENÇÃO - DEFICIENTE FÍSICO
A redação da Lei 8.989/95 enumera as deficiências que atraem a aplicação da isenção do IPI. Uma vez comprovado que o contribuinte tem uma das deficiências ali relacionadas, deve ser reconhecida a isenção do IPI na aquisição de veículos automotores.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-001.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, em dar provimento ao Recurso. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordingnon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Uma vez comprovado que o contribuinte tem uma das deficiências ali relacionadas, deve ser reconhecida a isenção do IPI na aquisição de veículos automotores. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, em dar provimento ao Recurso. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 99 14 /2 01 0- 11 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 06 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.009914/201011 Acórdão n.º 3801001.539 S3TE01 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordingnon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes. Relatório A Recorrente – ROBERTA GONZAGA DE CASTRO – requereu junto à Receita Federal do Brasil a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, sob a alegação de que é portadora de doença física, nos termos da Lei 8.989/95. O pleito inicial foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal em Goiânia (GO), sob o argumento de que a doença que acomete a Recorrente não está inserida no rol previsto pela legislação e que, por isso, não haveria direito à isenção pleiteada. Irresignada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade que foi analisada pela douta Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG). Houve o indeferimento do requerimento da Recorrente, nos seguintes termos: “No caso em concreto, temse que o Interessado(a), de acordo com o laudo de fls.26, é portador(a) de “tendinopatia com diminuição de força”(CID10 M70.9), sendo que tal deficiência, por si só, sem que tenham sido apontadas, no parecer médico, sequelas legitimadoras do pedido, não está contida nem no rol do art.4º, inciso I, do Decreto nº 3.298/99, com redação do Decreto nº 5.296/2004, nem no art.1º, §1º, da Lei nº 8.989/95.Ou seja, não é hipótese necessária, nem tampouco hipótese prevista. Assim sendo, VOTO pelo indeferimento da solicitação de isenção do IPI”. Em face da citada decisão, a Recorrente apresentou Recuso Voluntário no qual alega, em síntese, que os laudos médicos acostados aos autos são conclusivos, no sentido de atestar a sua incapacidade e, por consequência, a deficiência física parcial. Alegou ainda que a deficiência não é estética e que, nos termos da lei, pela doença que é acometida, faz jus à isenção pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 06 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.009914/201011 Acórdão n.º 3801001.539 S3TE01 Fl. 113 3 Como relatado, o presente processo administrativo versa sobre a possibilidade de a Recorrente fazer jus à isenção do pagamento do IPI incidente sobre a aquisição de veículos automotores, nos exatos termos estipulados pela legislação em vigor. Cumpre, de pronto, trazer à colação o disposto no artigo 1º da Lei 8.989/95: Art. 1o Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (Vide art 5º da Lei nº 10.690, de 16.6.2003) I motoristas profissionais que exerçam, comprovadamente, em veículo de sua propriedade atividade de condutor autônomo de passageiros, na condição de titular de autorização, permissão ou concessão do Poder Público e que destinam o automóvel à utilização na categoria de aluguel (táxi); (Redação dada pela Lei nº 9.317, de 5.12.1996) II motoristas profissionais autônomos titulares de autorização, permissão ou concessão para exploração do serviço de transporte individual de passageiros (táxi), impedidos de continuar exercendo essa atividade em virtude de destruição completa, furto ou roubo do veículo, desde que destinem o veículo adquirido à utilização na categoria de aluguel (táxi); III cooperativas de trabalho que sejam permissionárias ou concessionárias de transporte público de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), desde que tais veículos se destinem à utilização nessa atividade; IV – pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) V – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003 e vetado) § 1o Para a concessão do benefício previsto no art. 1o é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 06 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.009914/201011 Acórdão n.º 3801001.539 S3TE01 Fl. 114 4 Por sua vez, o Decreto 3.298/99, que teve como um dos objetivos, regulamentar o disposto na referida Lei, tem a seguinte redação: Art. 4o É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: I deficiência física – alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções; E, ainda, a Instrução Normativa 988/2009 remete aos requisitos dos dispositivos acima citados para “verificação da condição de pessoa portadora de deficiência física e visual”. Como se percebe, uma vez acometido por uma das doenças listadas, tanto na Lei, como no Decreto (que, ressaltese, são as mesmas), e quando a deformidade não seja estética ou produza dificuldades no desempenho das funções, o contribuinte faz jus à isenção do IPI. No caso em análise, a Recorrente, através de laudos e relatórios médicos acostados aos autos, comprovou que é portadora de doença que lhe causa incapacidade parcial dos membros superiores. Como mencionado no Recurso Voluntário apresentado o “novo laudo feito por mais dois médicos foi providenciado, indicando que o ‘Paciente apresenta comprometimento doloroso que atinge os membros superiores, interessando estruturas interfaciais e nervosas e causando incapacidade parcial (déficit de forma em MMSS); comprometimento agudo e crônico de estrutura MMSS; hipotrofia em cintura escapular. Dificuldade para exercer suas atividades na vida real, inclusive aposentada ou doença equiparada a acidente de trabalho”. Ressaltese que em todos os laudos acostados aos autos, a conclusão foi a mesma, qual seja, a Recorrente possui deformidade nos membros superiores, caracterizada pela CID M21.9, deformidade adquirida não especificada de membro. Por outro lado, os médicos que emitiram os laudos acostados aos autos, mencionam como causa da deficiência da Recorrente a Síndrome do túnel do carpo (CID10 M 754), o Transtorno fibroblástico não especificado (CID M72.9), a Epicondilite lateral (CID M77.1) e o Transtorno não especificado dos tecidos moles relacionados com o uso, uso excessivo e pressão (CID M70.9). Pois bem. A Lei 8989/95, ao citar as deficiências capazes de “capacitar” o contribuinte a fazer jus à isenção do IPI, elenca a monoparesia, que nada mais é do que a “perda parcial das funções motoras de um só membro (inferior ou posterior)”. In casu, restou comprovado que a Recorrente perdeu a mobilidade parcial dos membros superiores, perda esta causada pela doença adquirida no âmbito do ambiente de trabalho. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 06 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.009914/201011 Acórdão n.º 3801001.539 S3TE01 Fl. 115 5 Não importa, para análise do cumprimento dos requisitos da concessão da isenção, o CID da Doença indicado pelo profissional médico. O que se tem que perquirir são as consequências que a moléstia causa ao contribuinte, ou seja, se ela é caracterizadora de deficiência física, seja parcial ou total, e se essa deficiência compromete o exercício das funções, não possuindo caráter meramente estético. O que não se pode admitir são os argumentos da Douta Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora, no sentido de que a doença da qual a Recorrente é portadora não está listada no rol trazido pela legislação, porque a legislação não listou e nem poderia ter listado todas as doenças que acarretam em perda de funcionalidade do contribuinte. Além do mais, data venia, é absurda a afirmação das decisões exaradas, no sentido de que a deficiência tem que ser “evidenciada pela observação simples”. Ora, é muita pretensão admitir que a fiscalização ou este órgão colegiado de julgamento, com uma simples observação, possa contrariar os laudos e relatórios exarados por médicos especialistas que atestaram a incapacidade da Recorrente. Dar a interpretação exarada pelas decisões proferidas pela fiscalização é restringir as hipóteses de isenção. O que a legislação elencou como hipóteses que atraem a aplicação da norma de isenção nada mais são do que deficiências que podem ser causadas por várias doenças. O que se tem que ter em mente é se o contribuinte tem alguma deficiência e se esta deficiência não é puramente estética, sem trazer prejuízos às suas funções. No caso em análise, como já mencionado, todos os laudos apresentados são conclusivos pela perda de capacidade motora da Recorrente. Foi acostado aos autos, inclusive, perícia médica realizada em Processo Judicial, em que a médica perita de confiança do juízo afirmou, de forma insofismável, que a Recorrente encontrase incapacitada para o trabalho de forma total e definitiva. Não se desconhece o disposto no inciso II, do artigo111 do CTN, no sentido de que a legislação que versa sobre isenção deve ser interpretada de forma literal. Contudo, no presente caso, o legislador elencou as deformidades que ensejam a isenção do IPI e, uma vez presentes no contribuinte, independentemente da doença que acarretou a deformidade, haverá a isenção do tributo federal. Neste sentido, nos termos dos ensinamentos do professor Paulo de Barros Carvalho, “a regra de isenção investe contra um ou mais dos critérios da normapadrão de incidência, mutilandoos, parcialmente. (...) o que o preceito de isenção faz é subtrair parcela do campo de abrangência do critério do antecedente ou do conseqüente.” (In Curso de Direito Tributário). Por isso, não há que se falar em incidência da norma tributária no presente caso, já que ausente o critério pessoal. A Recorrente comprovou, através de farta documentação, que é portadora de deficiência, que lhe retira parcialmente as funções dos membros superiores (monoparesia) e, por isso, faz jus à isenção prevista na Lei 8.989/95. Assim, dou provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a isenção da Recorrente com relação ao IPI. É como voto. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 06 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.009914/201011 Acórdão n.º 3801001.539 S3TE01 Fl. 116 6 Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 89DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 06 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10980.721418/2010-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 30/06/2009
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. COTA PATRONAL. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA.
A legislação vigente determina que a autoridade tributária efetue o lançamento para prevenir a decadência nos casos em que o contribuinte esteja discutindo na via judiciária a legalidade do tributo (art. 142 do CTN e art. 63 da Lei n.º 9.430/93).
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-003.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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COTA PATRONAL. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. A legislação vigente determina que a autoridade tributária efetue o lançamento para prevenir a decadência nos casos em que o contribuinte esteja discutindo na via judiciária a legalidade do tributo (art. 142 do CTN e art. 63 da Lei n.º 9.430/93). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 14 18 /2 01 0- 00 Fl. 734DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela SOCIEDADE EVANGÉLICA BENEFICENTE DE CURITIBA (SEB) em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada, referente ao lançamento de crédito tributário, a fim de prevenir a decadência, do período de 01/02/2005 a 30/06/2009. 2. Narra o relatório fiscal que o auto de infração teve como finalidade a constituição do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias (parte patronal, inclusive para o custeio das prestações decorrentes da incidência de incapacidade laborativa proveniente dos riscos ambientais do trabalho – RAT), previstas no art. 22, I, II e III, da Lei 8.212/91, não recolhidas e incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços à entidade supra identificada, no período de apuração acima discriminado. 3. O relatório do auto de infração trata da motivação do lançamento da seguinte forma: “3. Cabe inicialmente ressaltar que a Sociedade Evangélica Beneficente de Curitiba – SEB, na condição de mantenedora e seus estabelecimentos acima relacionados, configurase atualmente em entidade civil, de direito privado, sem fins lucrativos, de caráter filantrópico, beneficente, religioso e educacional, contribuindo para a seguridade social, no FPAS – Fundo de Previdência e Assistência Social nº 639, que abriga as Entidades Filantrópicas e Entidades Beneficentes de Assistência Social. 4. Entretanto, a entidade foi objeto do Ato Cancelatório n° 005/2005, fundamentado no que dispõe o artigo 55, parágrafos 4° e 6° da Lei nº 8.212/91, definitivamente julgado na área administrativa, que cancelou a imunidade das contribuições sociais da entidade desde 01/02/2005. Inconformada, a Entidade ingressou com a Ação Ordinária n° 2007.70.00.0023069, perante a 6ª Vara Federal de Curitiba, buscando a suspensão do referido Ato Cancelatório. Em 07/02/2007, o juízo de primeira instância concedeu liminar suspendendo a eficácia do Ato Cancelatório. Após Agravo de Instrumento n° 2007.04.00.0064070/PR, protocolizado perante o Tribunal Regional da 4ª Região foi suspensa tal liminar por decisão singular, em 13/03/2007, restabelecendo o cancelamento da imunidade tributária até o julgamento da matéria. Em 19/08/2008 foi proferida sentença, julgando parcialmente procedentes os pedidos da autora, entretanto, sem tornar nulo o Ato Cancelatório nº 005/2005 e salientando que a imunidade reconhecida poderia ser reexaminada caso a entidade deixasse de preencher os requisitos legais. Em 09/09/2008, a Procuradoria da Fazenda Nacional entrou com recurso de apelação n° 08/1504893, o qual foi recebido apenas no efeito devolutivo, ainda em tramitação. Concluise, portanto, que a sentença de primeira instância continua vigente, mas a Receita Federal do Brasil não está impedida de lançar a contribuição para a Seguridade Social incidente sobre a quota patronal, nos termos do artigo 142 do CTN Código Tributário Nacional, a fim de prevenir a decadência, em decurso do prazo previsto no artigo 173 do CTN. Todavia não há lançamento de multa sobre as contribuições patronais, de acordo com o Fl. 735DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.721418/201000 Acórdão n.º 2301003.096 S2C3T1 Fl. 735 3 previsto no artigo 63, da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, publicado no Diário Oficial da União em 30/12/1996, na redação dada pela MP Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. A exigibilidade do crédito tributário deverá permanecer suspensa até o trânsito em julgado da ação judicial em comento.” 4. Do teor da liminar concedida em primeiro grau, ff. 688 “(...) deverá o réu se abster de qualquer ato tendente à cobrança das exações beneficiadas pela imunidade referida no art. 195, § 7º, da Constituição Federal. 5. Sobre este assunto, a 5ª Turma da DRJ/CTA entendeu que: “(...) ato tendente à cobrança das exações é toda e qualquer iniciativa que tenha por fim compelir o sujeito passivo ao pagamento das contribuições. Nessa categoria se encontra qualquer providência convocandoo para o pagamento, como por exemplo emissão de correspondências nesse sentido ou mesmo inscrição do débito em dívida ativa e ajuizamento da ação de cobrança. Para tais atos, efetivamente, existe um comando judicial impeditivo. Mas não para o simples lançamento do crédito, com o devido cuidado do sobrestamento dos autos administrativos até a sentença definitiva na via judicial, conforme já orientara o auditor fiscal. Porquanto, até aí, isto não configura ato tendente à cobrança das exações. 6. Cumpre salientar que foram feitos os seguintes levantamentos, ff. 279/281: “EG – EMP OE GFIP 515: contribuições devidas pela empresa, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, que prestaram serviços à entidade na área da saúde (...); FG – EMP OE GFIP 574: referese às mesmas contribuições descritas no subitem anterior, com a diferença de que são incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, que prestaram serviços à entidade na área da educação (...); EM – EMP OE N GFIP 515: este levantamento cuida do pagamento de verbas a segurados empregados, que prestaram serviços à entidade, na área da saúde (...); FM – EMP OE N GFIP 574: trata das mesmas contribuições descritas no subitem anterior, com a diferença de que são incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados (...); DE – EMP OE DIÁRIAS 515: referese à remuneração paga, devida ou creditada à segurada empregada Dulce Zacharow, a título de pagamento de viagens e estadias, sem a correspondente prestação de contas, em desacordo como disposto no art. 28, inciso I, parágrafo 9º, alínea “m”, da Lei 8.212/91 (...); CG – EMP CI GFIP: trata de contribuição patronal, incidente sobre a remuneração paga ou creditada a segurados contribuintes individuais, no período de 02/2005 a 06/2009, conforme valores declarados em GFIP (...).” Fl. 736DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 7. O acórdão de primeira instância refutou os argumentos trazidos pelo contribuinte, restando ementado nos termos que transcrevo abaixo: “PROCESSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA EM DISCUSSÃO JUDICIAL. Tratando o lançamento de matéria idêntica àquele que se acha sob discussão judicial, qual seja exigibilidade das contribuições ou sua inexigibilidade pela via da declaração da imunidade tributária, carece de competência o julgador administrativo para examinar e se pronunciar sobre tal matéria. CRÉDITO LANÇADO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE Estando o crédito lançado exclusivamente para prevenir a decadência já com a exigibilidade suspensa, por efeitos da decisão judicial, não há razão para que se determine, em sede de julgamento administrativo, a sua suspensão, por ser redundante qualquer determinação nesse sentido. AÇÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE IMPEDITIVO AO LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA A decisão proferida em liminar, que impede apenas a emissão de ato tendente à cobrança das exações beneficiadas pela imunidade, não impede o lançamento do crédito objeto de discussão judicial para efeitos de prevenir a sua decadência, desde que fique a cobrança respectiva sobrestada até decisão definitiva na ação judicial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 8. Buscando reverter a decisão a quo, que manteve o lançamento de débito, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando em síntese: a) pugna pela suspensão do processo até o julgamento do recurso, dada a previsão do art. 33 do Decreto n.º 70.235/72; b) inconstitucionalidade da exigência de arrolamento de bens, considerando que, em virtude da ADI 1976, foi declarada inconstitucional tal exigência para recebimento do recurso administrativo; c) cancelamento do auto de infração, por não haver possibilidade de se proceder ao lançamento do crédito, diante da ordem judicial proferida nos autos n.º 2007.70.00.0023069, pois se trata de meio de cobrança do crédito tributário; d) o contribuinte é imune a contribuições sociais decorrentes da cota patronal, diante do contido no art. 195, § 7º, da Constituição Federal. 9. Não houve apresentação de contrarrazões pelo fisco e os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.721418/201000 Acórdão n.º 2301003.096 S2C3T1 Fl. 736 5 Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. O contribuinte, em suas alegações, dispõe: “considerando que, em virtude da ADIN 1976, foi declarada inconstitucional a exigência de arrolamento de bens para recebimento do recurso administrativo, pedese o recebimento deste recurso sem a exigência deste antigo requisito”. 2. Entretanto, a garantia de instância para admissibilidade de recurso administrativo foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº. 1976, resultando na edição da súmula vinculante nº 21. 3. Consta da redação da súmula que “É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévio de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.”. 4. Dessa forma, não sendo mais exigível o depósito recursal, conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DAS PRELIMINARES 5. O contribuinte requer que seja atribuído efeito suspensivo ao recurso voluntário, em face do disposto no art. 33 do Decreto n.º 70.235/72. 6. Contudo, como se depreende do relatório fiscal: “a exigibilidade do crédito tributário deverá permanecer suspensa até o trânsito em julgado da ação judicial em comento”. Assim, o lançamento originouse com a exigibilidade suspensa, sendo inócua tal arguição. DO LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA 7. No mérito, a demanda conduzida nos autos diz respeito ao lançamento para prevenir a decadência, pois a questão discutida referese ao Ato Cancelatório de Isenção n.º 005/2005. Objeto da Ação ordinária n.º 2007.70.00.0023069, perante a 6ª Vara Federal de Curitiba, buscando a suspensão do referido Ato Cancelatório, definitivamente julgado na área administrativa, que cancelou a imunidade das contribuições sociais da entidade desde 01/02/2005. O juízo de primeira instância concedeu liminar suspendendo a eficácia do Ato Cancelatório, e, após o Agravo de Instrumento n.º 2007.04.00.006407 0/PR, foi suspensa a liminar por decisão singular. Em 19/08/2008 foi proferida sentença julgando parcialmente procedentes os pedidos da autora, entretanto sem tornar nulo o Ato Cancelatório. E em 09/09/2008, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso de apelação, o qual foi recebido com efeito devolutivo, ainda em tramitação. 8. Diante desse contexto, o fisco entendeu pela possibilidade do lançamento da contribuição para a Seguridade Social, nos termos do art. 142 do CTN, a fim de prevenir a decadência, em decurso do prazo previsto no art. 173 do mesmo diploma legal. Fl. 738DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Não houve lançamento de multa sobre tais contribuições, de acordo com o previsto no artigo 63, da lei 9.430/1996, bem como a exigibilidade do crédito restou suspensa até o trânsito em julgado da ação judicial em comento. 9. Em seu recurso voluntário, o contribuinte aduziu que a realização do lançamento do crédito descumpriu a ordem judicial proferida nos autos da ação ordinária, e, assim, requer o seu cancelamento, pois a sentença proferida em primeira instância reconhece a inexistência da relação jurídicotributária entre as partes, ou seja, não há substrato fáticojurídico que embase o lançamento, posto que a imunidade, conferida pelo artigo 195, § 7º, da Constituição Federal, não autoriza o lançamento de tributos. 10. O art. 142 do CTN define que a autoridade administrativa é competente para constituir o crédito tributário pelo lançamento, atividade essa vinculada e obrigatória. Sendo assim, é mandatório o lançamento de ofício para prevenir a decadência de créditos tributários, cuja exigibilidade encontrase suspensa até o trânsito em julgado da ação judicial em questão. 11. O entendimento, segundo o qual a Fazenda está impedida de efetivar o lançamento do tributo implica admitir a interrupção do prazo decadencial, o que, nesse caso, não se coaduna com a natureza do instituto, conforme se depreende dos artigos 142 do CTN e 63 da Lei n.º 9.430/93. 12. O Superior Tribunal de Justiça já se pronunciou pela obrigatoriedade do lançamento para prevenção da decadência, conforme ementa abaixo transcrita: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. VIOLAÇÃO DE FRONTAL DISPOSIÇÃO DE LEI. ART. 485, V, DO CPC. DECADÊNCIA. RELAÇÃO TRIBUTÁRIA. INTERRUPÇÃO OU SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE. ARTS. 173, PARÁGRAFO ÚNICO, E 174, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. PEDIDO PROCEDENTE. [...] 4. O simples processamento de ação judicial em que se discute a existência ou inexistência de relação jurídicotributária não tem o condão de impedir o Fisco de constituir o crédito tributário, que é atividade privativa e vinculada, nos termos do art. 142 do CTN. Ainda que presentes quaisquer das causas de suspensão da exigibilidade previstas no art. 151 do CTN, estaria a autoridade fiscal obrigada a constituir o crédito mediante lançamento com o objetivo de prevenir a decadência tributária. Precedente da Seção. [...]9. Pedido rescisório que se julga procedente.” (AR 2.159/ SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, 1ª TURMA, julgado em 22/08/2007, DJe: 10/09/2007) Confirase também o festejado Alberto Xavier: "A suspensão regulada pelo artigo 151 do Código Tributário Nacional paralisa temporariamente o exercício efetivo do poder de execução, mas não suspende a prática do próprio ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142 do mesmo Código, e necessária para evitar a decadência do poder de lançar. Nem o depósito, nem a liminar em mandado de segurança têm a eficácia de impedir a formação do título executivo pelo lançamento, pelo que a autoridade Fl. 739DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.721418/201000 Acórdão n.º 2301003.096 S2C3T1 Fl. 737 7 administrativa deve exercer o seu poderdever de lançar, sem quaisquer limitações, apenas ficando paralisada a executoriedade do crédito. (...) Embora de constitucionalidade discutível, do ponto de vista formal (dado a matéria de lançamento ser reservada a lei complementar), a verdade é que, do ponto de vista material, o preceito citado é compatível com o Código Tributário Nacional, pois é corolário do caráter 'obrigatório' do exercício do poder de lançar, tal como estabelecido no artigo 142 daquele Código" (in Do lançamento Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, 2ª edição, p. 428). 13. Assim, o lançamento foi regularmente efetivado, restando sobrestadas as ações de cobrança até a decisão judicial final, quando lhe seja possibilitada a cobrança. DA INCIDÊNCIA DOS JUROS DE MORA 14. Com relação à incidência dos juros, como disposto no Discriminativo do Débito, entendo que o lançamento fiscal também deve ser mantido, aplicandose a Súmula n.º 5 do CARF: “São devidos juros de mora sobreo crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral”. 15. Com efeito, ao que consta dos autos, não houve depósito dos valores envolvidos no lançamento fiscal, por parte da empresa recorrente, de maneira que os juros são devidos. CONCLUSÃO 16. Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 740DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 12571.000256/2009-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CRÉDITO PRESUMIDO. COMBUSTÍVEL DE EMPILHADEIRAS. INSUMO. CONCEITO.
Não se caracteriza como matéria-prima ou produto intermediário, para efeito da legislação do IPI e, consequentemente, para efeito da geração de direito a crédito presumido da Lei no 10.276, de 2001, o combustível empregado em empilhadeiras para transporte de insumos dentro do parque industrial.
INSUMOS UTILIZADOS EM PRODUTOS NÃO VENDIDOS NO ÚLTIMO TRIMESTRE DO ANO. AJUSTE. ERRO.
O valor dos insumos utilizados em produtos não acabados e acabados mas não vendidos, excluído no final de um ano, será acrescido à base de cálculo do crédito presumido correspondente ao primeiro trimestre em que houver exportação para o exterior. A não exclusão de parte do valor no período anterior implica a exclusão correspondente do período atual.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.910
Decisão: Vistas, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
Participaram da presentes sessão de julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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COMBUSTÍVEL DE EMPILHADEIRAS. INSUMO. CONCEITO. Não se caracteriza como matériaprima ou produto intermediário, para efeito da legislação do IPI e, consequentemente, para efeito da geração de direito a crédito presumido da Lei no 10.276, de 2001, o combustível empregado em empilhadeiras para transporte de insumos dentro do parque industrial. INSUMOS UTILIZADOS EM PRODUTOS NÃO VENDIDOS NO ÚLTIMO TRIMESTRE DO ANO. AJUSTE. ERRO. O valor dos insumos utilizados em produtos não acabados e acabados mas não vendidos, excluído no final de um ano, será acrescido à base de cálculo do crédito presumido correspondente ao primeiro trimestre em que houver exportação para o exterior. A não exclusão de parte do valor no período anterior implica a exclusão correspondente do período atual. Recurso Voluntário Negado Vistas, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 02 56 /2 00 9- 78 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram da presentes sessão de julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de retorno de diligência em recurso voluntário, aprovada pela Resolução n. 330200.177, de 11 de novembro de 2011, cujo relatório teve o seguinte teor: Tratase de recurso voluntário (fls. 237 a 241) apresentado em 06 de maio de 2011 contra o Acórdão no 1432.384, de 01 de fevereiro de 2011, da 8ª Turma da DRJ/RPO (fls. 224 a 231), cientificado em 11 de abril de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de crédito presumido IPI da Lei no 10.276, de 2001, referente ao 2º trimestre de 2005, considerou procedente em parte a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI “Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 “MATÉRIA NÃO CONTESTADA. “Considerase como não contestada a matéria que não tenha sido expressamente questionada. “IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESÍDUO COMERCIALIZADO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. “Não pode ser excluído da base de cálculo do crédito presumido o valor da comercialização de resíduo do processo de industrialização, por não se caracterizar como aquisição de MP, PI, ME não aplicada no processo industrial. “IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. COMBUSTÍVEL DE MAQUINÁRIO NÃO CARACTERIZADO COMO UTILIZADO NA INDUSTRIALIZAÇÃO. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. “Não integra a base de cálculo do crédito presumido o valor do combustível consumido por maquinário, tal como o constituído de empilhadeiras e carregadeiras, não expressamente caracterizado como utilizado na industrialização, conforme conceituada pela legislação do IPI. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12571.000256/200978 Acórdão n.º 3302001.910 S3C3T2 Fl. 300 3 “RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. “É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. “PROVAS. OPORTUNIDADE “Com a impugnação ocorre a oportunidade da apresentação de provas, precluindo o direito de o impugnante apresentá las em outro momento processual. “Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte” A declaração de compensação foi transmitida em 16 de fevereiro de 2009 e inicialmente indeferida em parte pelo despacho decisório de fls. 183 a 189, de 11 de janeiro de 2010, cientificado à Interessada em 19 de janeiro (fl. 190). Segundo o despacho, o combustível (óleo Diesel para carregadeira e gás para empilhadeira) não se enquadraria no conceito de insumo. Além disso, não se enquadrariam no conceito de gastos com energia elétrica consumida no estabelecimento os valores relativos a taxa de iluminação pública, multa por atraso no pagamento e encargo de capacidade emergencial (“seguro apagão). Ademais, o percentual de energia elétrica aplicada na administração também teria que ser excluído. Em relação aos produtos em elaboração e acabados mas não vendidos, o valor excluído do 4º trimestre de 2004 teria sido inferior ao adicionado pela Interessada no 1º trimestre de 2005, tendo sido efetuada a glosa da diferença. No mais, a Primeira Instância assim resumiu o litígio: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório resultante da apreciação dos Pedidos de Ressarcimento e Declaração de Compensação PER/DCOMP a seguir relacionados, por meio dos quais a contribuinte pretende ter compensado o saldo credor de IPI, no valor total de R$ 589.118,90, em débitos do estabelecimento. “[...] “O valor a ser compensado é originário da apuração de saldo credor de IPI apurado pela contribuinte, referente ao 2º trimestre de 2005. “A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa PR, em 11/01/2010, mediante Despacho Decisório de fl. 183/189, no qual a autoridade competente deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, reconheceu parcialmente o direito creditório e homologou parcialmente, no limite do crédito reconhecido de R$ 281.240,92, as Fl. 302DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 compensações declaradas neste processo. A motivação da decisão foi terem sido indevidamente incluídos na base de cálculo do crédito presumido os seguintes valores: “ saídas de estoque não utilizadas na produção; “ aquisições de combustível; e insumos aplicados em produtos não comercializados. “Cientificada do Despacho Decisório, em 19/01/2010 (fl. 190), a contribuinte ingressou, em 18/02/2010, com a manifestação de inconformidade de fls. 191/196 e documentos anexos, na qual alega, em síntese, o disposto a seguir. “1. Insurgese contra a exclusão da base de cálculo do crédito presumido das saídas de material do estoque que não foram aplicadas no mês, sob o argumento de que se referem à venda do excesso de cavacos de madeira produzidos na própria empresa e não utilizado no aquecimento das caldeiras e que, portanto, tratase de material produzido e vendido pela empresa. Aduz que teria sido duplamente prejudicada, pois esses valores não teriam sido excluídos da receita bruta considerada no cálculo da proporção das exportações realizadas. “2. Reclama também a possibilidade de poder incluir na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de combustíveis utilizados em seu diversificado maquinário, já que inexiste na legislação aplicável um critério estabelecido para a identificação dos tipos de máquinas efetivamente utilizadas no processo industrial. Complementa trazendo a lume o disposto na Solução de Consulta nº 85, de 07 de abril de 2008, que se posiciona no sentido de considerar como equipamentos indispensáveis ao processo industrial aqueles empregados no transporte de insumos e produtos em elaboração. “3. Quanto à glosa do valor dos insumos aplicados em produtos em elaboração e acabados incluído no cálculo trimestral, alega que o valor utilizado foi o mesmo constante do seu balancete, enquanto que a fiscalização utilizou o valor informado ao Fisco quando da informação do crédito presumido do trimestre anterior. Afirma que a análise deve ser feita com base nas informações do período correspondente e eventuais reflexos da apuração em trimestres anteriores serão ajustados quando da análise daqueles períodos pela RFB." Conforme ementa anteriormente reproduzida, a DRJ considerou cabível a inclusão das vendas de cavacos e resíduos de madeira na base de cálculo do crédito presumido. Esclareceu, inicialmente, não terem sido contestados os ajustes relativos à energia elétrica. Ademais, considerou impossível a inclusão dos combustíveis na base de cálculo, considerando que “o contribuinte não trouxe aos autos elementos que permitissem identificar com clareza a atividade na qual teriam sido utilizados os equipamentos para os quais foi adquirido o combustível pleiteado como integrante da base cálculo do crédito Fl. 303DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12571.000256/200978 Acórdão n.º 3302001.910 S3C3T2 Fl. 301 5 presumido”, e não demonstrada a alegação de erro na informação dos insumos empregados em produtos em elaboração e não vendidos constante da DCP do trimestre anterior. Por fim, afastou a possibilidade incidência da Selic sobre o valor do ressarcimento. No recurso, a Interessada defendeu a inclusão dos combustíveis na base de cálculo, explicando que “as empilhadeiras percorrem dezenas de quilômetros dentro do parque industrial, interligando os diversos setores da indústria [...]”, e que atuam “as carregadeiras, máquinas que desempenham um papel semelhante a de um poderoso e enorme braço humano, apanhando e transportando grande quantidade de materiais”. Quanto aos créditos de insumos aplicados em produtos não comercializados (em elaboração e não vendidos), ressaltou que se valeu de informações de seus balancetes e que os ajustes do 4º trimestre teriam que ser efetuados no processo de análise própria do período. O voto justificou a diligência nos seguintes termos: Tratase de recurso semelhante ao contido no processo 12571.000257/200912. Entretanto, no presente processo há uma questão adicional, que não permite o julgamento do recurso antes da realização de diligência. Nas fls. 119 e 120, verificase a inclusão do valor de R$ 608.305,32, relativo à exclusão do período anterior (que seria o último trimestre de 2004 e não o primeiro de 2005). Entretanto, no período anterior, foi excluído o valor de R$ 226.885.01 (fl. 118). A Fiscalização justificou a glosa da diferença, relativamente ao presente trimestre, considerando que o valor excluído no trimestre anterior (na realidade, o último trimestre do ano anterior) seria menor. A interessada alegou que haveria o ajuste na análise relativa ao 4º trimestre de 2004 e que o valor declarado no trimestre estaria de acordo com sua escrituração, o que, aparentemente, não foi verificado pela Fiscalização. Como, de fato, o valor relaciona os valores de ressarcimento dos trimestres e não se conseguiu obter informação alguma a respeito do pedido de ressarcimento do último trimestre do ano anterior, é preciso converter o julgamento do recurso em diligência, para se verificar o seguinte: 1) Informar o valor objeto do pedido de ressarcimento do último período de 2004 o valor excluído, relativamente aos produtos em elaboração e acabados e não vendidos; Fl. 304DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 2) Esclarecer se, de fato, não houve pedido de ressarcimento em relação ao 1º trimestre de 2005; 3) Informar o andamento do referido pedido, juntando, se possível, cópias das decisões exarados no âmbito do respectivo processo. Além disso, deverá ser realizada diligência para verificar se a contabilidade da Interessada reflete os valores alegados pela recorrente. Por fim, a Fiscalização deverá lavrar relatório conclusivo, do qual será dada ciência à Interessada, para manifestarse no prazo de trinta dias, devendo, a seguir, os autos retornarem para julgamento. A Fiscalização realizou a diligência nas fls. 272 a 288, produzindo o relatório de fls. 289e 290, com o seguinte teor parcia: Conforme escriturado no Livro Registro de Apuração do IPI de janeiro de 2005, fl. 160, constatase a escrituração de R$198.814,41 referente ao crédito presumido de IPI apurado no 4o trimestre de 2004. O valor corresponde exatamente ao valor apurado pelo contribuinte, conforme cópia do Demonstrativo do Crédito Presumido de IPI transmitido pelo contribuinte à fl. 95. O crédito correspondente foi detalhado na DCOMP n°,28674.36048.290405.1.3.011459, vinculado ao 1 o trimestre de 2005, período em que ocorreu a escrituração. Conforme a ficha concernente ao crédito presumido de IPI da referida DCOMP, à fl. 288, confirmase o valor pleiteado. No último mês em que ocorreu exportação, o contribuinte excluiu o valor de R$220.240,07 da rubrica "Exclusão no mês do valor utilizado em produtos em elaboração e acabados não vendidos", deverseia, portanto, informar o mesmo valor na rubrica "Acréscimo no mês do valor excluído no ano anterior" , em consonância ao que dispõe os Arts. 11 e 12 da Instrução Normativa n° 420/2004: “Art. 11. No último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, conforme o caso, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica produtora e exportadora deverá excluir da base cálculo do crédito presumido o valor dos insumos correspondentes a MP, PI, ME, bem assim da energia elétrica, dos combustíveis e da prestação de serviços na industrialização por encomenda, utilizados em produtos não acabados e acabados mas não vendidos. “[...] “Art. 12. O valor de que trata o caput do art. 11, excluído no final de um ano, será acrescido à base de cálculo do crédito presumido correspondente ao primeiro trimestre em que houver exportação para o exterior.” Embora o contribuinte alegue eventuais ajustes, constatase que não houve a devida retificação no valor apurado no DCP referente ao 4o trimestre de 2004, assim como em relação ao valor pedido por meio de PER/DCOMP. Há que se ressaltar que o valor do crédito referente ao 4 o trimestre seria inferior ao Fl. 305DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12571.000256/200978 Acórdão n.º 3302001.910 S3C3T2 Fl. 302 7 pleiteado, se, na hipótese da correção do valor excluído ao final deste trimestre, fosse adotado o valor incluído em janeiro de 2005. A apuração efetuada por esta DRF considerou a aplicação do disposto do Art. 12 da Instrução Normativa n° 420/2004. Destarte, mantémse o valor deferido parcialmente no despacho decisório às fls. 183 a 189. As DCOMPs 28674.36048.290405.1.3.011459, 23678.61020.130505.1.3.011649, 27223.00654.150605.1.3.01 5757 e 08173.97987.140705.1.3.015455, vinculadas ao 4° trimestre de 2004 do Crédito Presumido de IPI e escrituradas no Livro Registro de Apuração do IPI no 1 o trimestre de 2005, embora pendentes de análise, encontramse homologadas por disposição legal, nos termos do Art. 150 do Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172, de 25 de Outubro de 1966, tendo em vista que foram transmitidas no ano calendário 2005. A Interessada apresentou contestação ao relatório, alegando o seguinte: MADEIRAS GUAMIRANGA LTDA., já devidamente qualificada, dirigese, com o devido respeito, em atenção ao relatório de diligência datado de 21/05/2012, para dizer que as informações do fiscal corroboram as alegações da recorrente no sentido de que está correto o valor de R$ 608.305,32 incluído no 1º trimestre de 2005, a título de produtos em elaboração e acabados não vendidos no exercício anterior; valor que restou confirmado pelo fiscal mediante a análise dos documentos fiscais da empresa. A insurgência do fiscal permanece, apenas, no fato de que esse valor incluído no 1º trimestre de 2005 não corresponde ao valor excluído do 4o trimestre de 2004, exigindo a retificação do valor lançado no referido trimestre de 2004. No entanto, a incorreção do valor excluído no 4º trimestre de 2004 deve ser resolvida naquele pedido de ressarcimento, não havendo que influenciar no pedido do 1º trimestre de 2005, já que apurada a correção do valor de inclusão pelos documentos fiscais da empresa. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em relação à matéria objeto de diligência, conforme descrito no relatório, descabe razão à Interessada, especialmente pelo que foi constatado pela Fiscalização: Embora o contribuinte alegue eventuais ajustes, constatase que não houve a devida retificação no valor apurado no DCP referente ao 4º trimestre de 2004, assim como em relação ao Fl. 306DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 8 valor pedido por meio de PER/DCOMP. Há que se ressaltar que o valor do crédito referente ao 4º trimestre seria inferior ao pleiteado, se, na hipótese da correção do valor excluído ao final deste trimestre, fosse adotado o valor incluído em janeiro de 2005. A apuração efetuada por esta DRF considerou a aplicação do disposto do Art. 12 da Instrução Normativa n° 420/2004. Destarte, mantémse o valor deferido parcialmente no despacho decisório às fls. 183 a 189. Observese que a redação do art. 12 citado pela Fiscalização deixa claro que apenas o valor “excluído no final de um ano” será acrescido à base de cálculo no ano seguinte. Não se trata apenas de considerar o valor correto em cada trimestre, uma vez que o valor apurado em um trimestre implica alteração do valor apurado no outro, de forma inversamente proporcional. Assim, se já foi apurado um valor maior no trimestre anterior, a correção do valor do trimestre atual implicaria um duplo aproveitamento sobre os valores dos insumos, como se houvessem sido exportados nos dois trimestres. Dessa forma, não se pode admitir o entendimento da Interessada. Sobre a caracterização dos combustíveis utilizados em empilhadeiras como matériaprima ou produto intermediário para efeito da integração de seu custo à base de cálculo do crédito presumido de IPI. Dispõe o art. 1º, § 5º, da Lei no 10.276, de 2001: § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. Já a Lei no 9.363, de 1996, dispõe o seguinte (com destaques): Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Vêse, primeiramente, que o que origina crédito são apenas as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem e não todo ou qualquer insumo utilizado na produção. Tanto é assim que o art. 3º, parágrafo único, dispõe o seguinte: Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Portanto, não se aplicam as definições de insumo para efeito de créditos de PIS e Cofins não cumulativos, mas, sim, as relativas ao IPI. Notese que a solução de consulta Fl. 307DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12571.000256/200978 Acórdão n.º 3302001.910 S3C3T2 Fl. 303 9 citada pela Interessada referese à Cofins e PIS não cumulativos e os dispositivos legais analisados foram a Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, a IN SRF nº 247, de 2002, arts. 66 e 67, e a IN SRF nº 358, de 2003, art. 1º. Sobre o conceito de insumo no âmbito do IPI, importa ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (Resp nº 1.075.508) decidiu que os materiais que são consumidos no processo industrial, ainda que não integrem o produto final, geram direito ao crédito presumido de IPI ora sob análise, verbis: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’.. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (destaquei) Fl. 308DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 10 Como se deduz do trecho destacado acima, somente os insumos incorporados ao produto final ou que se desgastam no processo de industrialização é que geram direito de crédito. Em seu voto, o Ministro relator destacou o seguinte: [...] Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. [...] In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. [...] Com o combustível de empilhadeiras, a situação é semelhante à de peças e partes de maquinário, que não se desgastam no processo. Vale dizer, somente se o combustível fosse utilizado diretamente na produção é poderia gerar crédito, mas nunca o combustível utilizado em máquinas para efetuar transporte de produtos e insumos. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 309DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.909069/2009-34
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2004
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF).
Recurso Voluntário Negado.
A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório.
Numero da decisão: 3801-001.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
EDITADO EM: 08/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório.
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 90 69 /2 00 9- 34 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.909069/200934 Acórdão n.º 3801001.572 S3TE01 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. EDITADO EM: 08/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.909069/200934 Acórdão n.º 3801001.572 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 29238.42009.161006.1.7.046065, transmitida eletronicamente em 16/10/2006, com base em créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/11/2004 6912 2.718,27 15/12/2004 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foi identificado pelos sistemas internos da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado para pagamento de outro débito e PER/DComp, conforme demonstrado no quadro a seguir, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO SALDO DO CRÉDITO ORIGINAL DISPONÍVEL PARA COMPENSAÇÃO 1737475331 2.718,27 DB: cód 6912 – PA 30/11/2004 2.718,27 0,00 Assim, em 20/4/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 12), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 811,27. Cientificado, via postal, dessa decisão em 29/4/2011 (fl. 37), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 29/5/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2, acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, esclarecendo que na data do envio do PER/DCOMP ainda não teria transmitida DCTF retificadora, pertinente ao crédito do pagamento a maior. Informa que esta providência Fl. 90DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.909069/200934 Acórdão n.º 3801001.572 S3TE01 Fl. 13 4 teria sido tomada em 28 de maio de 2009. Anexa as vias referentes aos créditos, juntamente com o recibo de entrega. A DRJ em Brasília (DF) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, cujo teor é sintetizado a seguir. Após breve relato do processo, discorre sobre o instituto da compensação tributária. Enfatiza que a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário e exige a existência de crédito líquido e certo, nos termos do art. 170 do CTN. Sustenta que pelos documentos que foram juntados, restou cabalmente comprovado que, por meio de DCTF retificadora, há a existência de pagamento indevido ou a maior. Argumenta que as provas juntadas no recurso voluntário, planilhas discriminando os valores a serem compensados e o Livro Diário da empresa, consubstanciam provas robustas da existência dos créditos que deverão ser compensados. Defende a tese de que não há qualquer óbice que impeça ao recorrente de trazer novas provas, ainda que em âmbito recursal, dada a prevalência do princípio da verdade material ou liberdade da prova. Colaciona doutrina sobre o princípio da verdade material. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.909069/200934 Acórdão n.º 3801001.572 S3TE01 Fl. 14 5 Insiste na tese de que pelo princípio da verdade material, que além do contribuinte poder trazer novas provas, a todo o momento, inclusive na fase recursal, a Fazenda não deve ficar adstrita às provas trazidas aos autos pelas partes, com o fito de descobrir a verdade dos fatos, inclusive realizando perícias e diligências. Por fim, requereu que fosse acolhido e provido seu recurso para reformar o acórdão da Turma e julgar procedente o pedido de direito creditório pleiteado. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.909069/200934 Acórdão n.º 3801001.572 S3TE01 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Em que pese a alegação de erro de fato no preenchimento das DCTFs, o seu pleito não pode prosperar, uma vez que tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não apresentou os documentos essenciais para o reconhecimento de seu crédito, tais como: demonstrativo da base de cálculo do suposto pagamento a maior, notas fiscais de venda, escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito, etc. A requerente teve a oportunidade de comprovar o seu direito creditório, todavia limitouse a apresentar um demonstrativo da compensação, uma demonstração de resultado para efeito de suspensão/ redução de IRPJ/CSLL, período base de 01/01/2005 a 31/10/2005, e o Livro Diário do período de apuração de outubro de 2005. Destaco que os lançamentos colacionados no Livro Diário não fazem quaisquer referências à composição da base de cálculo do período de apuração do suposto pagamento a maior. Os lançamentos referemse à apropriação dos créditos no mês outubro de 2005. Destarte, verificase que a recorrente não apresentou qualquer documento fiscal ou contábil referente ao fato gerador (auferimento de receita) do seu pretenso crédito, de sorte que o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve ser homologado. Com efeito, a simples apresentação de uma declaração retificadora não produz os efeitos pretendidos pela interessada, visto que seu crédito não goza de liquidez e certeza. Convém ressaltar que não há óbice legal para a retificação da DCTF após a emissão do despacho decisório, porém a simples retificação deste documento não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito créditório. Além do mais, o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que efetuou pagamento a maior de Contribuição, a recorrente tinha por obrigação legal de colacionar ao processo administrativo os respectivos documentos comprobatórios que sustentariam seu direito. Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre o ônus da prova in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 271: A produção de prova não é um comportamento necessário para o julgamento favorável. Na verdade, o ônus da prova indica que Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.909069/200934 Acórdão n.º 3801001.572 S3TE01 Fl. 16 7 a parte que não produzir prova se sujeitará ao risco de um julgamento desfavorável. Ou seja, o descumprimento desse ônus não implica, necessariamente, um resultado desfavorável, mas no aumento do risco de um julgamento contrário [...](grifo do original) Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para a compensação que o crédito seja líquido e certo, in verbis: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda.” (grifouse) No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não o comprovou por meio de provas documentais hábeis, em especial, demonstração da base de cálculo do período de apuração em que se apurou, em tese, um pagamento a maior. É preciso insistir no fato de que a simples retificação de DCTFs é insuficiente para se comprovar o direito creditório. Quanto ao princípio da verdade material, é importante salientar que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na impugnação, salvo os casos expressos abaixo mencionados: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim sendo, a lei estabelece o momento de apresentação da prova documental, qual seja, a interposição da manifestação de inconformidade. In casu, a recorrente não alegou uma das exceções do aludido dispositivo, portanto precluiu o seu direito de produção de prova documental. A propósito, Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal em A Prova no Processo Tributário – São Paulo: Dialética, 2010, p. 51, esclarecem: (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.909069/200934 Acórdão n.º 3801001.572 S3TE01 Fl. 17 8 solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.(grifouse) Em remate, o direito creditório não restou comprovado. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, não homologando a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13808.004587/00-83
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/1999 a 30/06/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Incabíveis embargos de declaração se não estiver manifestada a omissão ou outra das situações previstas no art. 65 do Anexo II do RICARF.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. FATO NOVO. NÃO CABIMENTO.
Incabíveis embargos de declaração para apresentação de fato novo.
Numero da decisão: 3403-001.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (presidente), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Incabíveis embargos de declaração se não estiver manifestada a omissão ou outra das situações previstas no art. 65 do Anexo II do RICARF. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. FATO NOVO. NÃO CABIMENTO. Incabíveis embargos de declaração para apresentação de fato novo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (presidente), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 45 87 /0 0- 83 Fl. 550DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de embargos de declaração opostos pela Administradora e Construtora Soma LTDA ao Acórdão nº 340301.628, de 26 de junho de 2012, sob o fundamento de omissão. Aduz a embargante que alegou no curso do despacho a nulidade da autuação em razão da desconsideração por parte do fisco de DCTF retificadoras apresentadas em 12/4/2000, antes do início da fiscalização, tendo o CARF determinado a apuração do alegado, em diligência. Após o retorno da diligência, essa corte proferiu o acórdão embargado, entendendo que as DCTF retificadoras não poderiam ser consideradas por não constarem nos sistemas informatizados da RFB e estarem amparadas em documentos com características que impedem sejam tidos como idôneos, entendimento esse que “é fruto de evidente omissão no v. acórdão ora embargado”. Alega a embargante que a RFB havia se manifestado (conforme documento que anexa) nos autos do PA 13808.004585/0058 esclarecendo que as alegações de contribuintes que entregaram declarações naquele período, e extraviadas, devem ser consideradas como legítimas caso não haja nenhum indício claro de falsificação dos documentos ou carimbo, e que ocorreram problemas com bases do TRANSDADOS em 98/99. As DCTF retificadoras, assim, não podem ser desconsideradas em razão de meras insinuações inconclusivas da RFB, e é um absurdo exigir que o contribuinte saiba qual o tipo de carimbo usado na RFB. Por esse motivo, deveria ter se manifestado o CARF sobre o fato de a própria RFB ter reconhecido que os documentos da embargante devem ser considerados em razão de falha em seus sistemas informatizados. Alega a embargante, por fim, um fato novo (a publicação de acórdão do TRF 3ª Região nos autos de ação rescisória no 2007.03.00.0364531, ajuizada pela embargante, para afastar a cobrança da contribuição com a base de cálculo ampliada nos termos do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/98), sustentando que tal acórdão alardeia reflexos nos créditos tributários relativos a todos os períodos constantes na autuação, devendo ser considerado pelo CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os embargos de declaração preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles se toma conhecimento. A ementa do Acórdão embargado, exatamente no excerto objeto dos embargos, dispõe: “ESPONTANEIDADE. AUSÊNCIA DE DCTF. Não se considera espontânea a alteração indicada em DCTF se não comprovado seu regular registro na RFB.” Do voto condutor (acolhido unanimemente) do acórdão embargado, extraise ainda que: Fl. 551DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13808.004587/0083 Acórdão n.º 3403001.855 S3C4T3 Fl. 551 3 “A recorrente alega que foram apresentadas DCTF retificadoras antes do início do procedimento fiscal, não tomadas em consideração na autuação. Tais DCTF retificadoras são exatamente as que motivaram a baixa do processo em diligência, e se referem, como informado pela recorrente, à compensação em virtude de sentença judicial. Ocorre que a unidade preparadora, além de não localizar as DCTF retificadoras apresentadas nos sistemas informatizados da RFB (constatação que já era presente nestes autos), percebeu que os carimbos dos recibos não apresentam as mesmas características dos carimbos usados para recepção no período indicado. A partir daí, comunicou o fato à recorrente, solicitou documentos e elaborou Representação Fiscal para Fins Penais pela configuração, em tese, de conduta criminosa (art. 296 do Código Penal). Para o deslinde do presente feito importa predominantemente o fato de não se poder acolher as DCTF retificadoras mencionadas. A solução da presente contenda independe do que venha a ocorrer no processo criminal, que, digase, não versa sobre crime contra a ordem tributária e, portanto, não tem trâmite vinculado a estes autos. Assim, retomando a questão paralisada que motivou a baixa em diligência, concluise que as DCTF retificadoras não devem ser consideradas como válidas, tendo em vista: (a) não constarem nos sistemas informatizados da RFB; e (b) estarem amparadas por documentos com características (carimbos diferentes dos usados para recepção no período indicado) que impedem que sejam tidas como idôneas.” (grifo nosso) É de se recordar que o art. 65 do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 256/2009, dispõe sobre as hipóteses ensejadoras de embargos de declaração: obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou omissão de ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Assim, não é compatível com o instrumento a apresentação de fato novo pela embargante, visto que tal fato não é inerente à substância da decisão ou de seus fundamentos. Portanto, não merecem acolhida os embargos nesse aspecto. No que se refere à alegada omissão sobre ponto em relação ao qual entende a embargante que a turma devia se manifestar (“o fato de a própria RFB ter reconhecido que os documentos da embargante devem ser considerados em razão de falha em seus sistemas informatizados”), é de se destacar que reflete equivocada compreensão do conteúdo da decisão deste tribunal e do conteúdo do documento expedido pela RFB (e novamente acostado aos autos pela embargante). Em relação ao documento expedido pela RFB, acostado aos autos, sua simples leitura revela que a falta de registro nos sistemas da RFB não enseja necessariamente a aceitação do documento, como deseja a embargante: Fl. 552DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 “Alegações de contribuintes, que entregaram declarações de Pessoa Física ou IRPJ, PJ em bancos ou na SRF e DIRF na SRF, sobre extravio devem ser consideradas como legítimas caso não haja nenhum indício claro de falsificação do documento ou carimbo.” Isto porque naqueles anos (98 e 99) ocorreram inúmeros problemas com bases dos TRANSDADOS nos Bancos e no próprio atendimento da SRF.” “Por esses fatos, não há como considerar ilegítima a impugnação de multas por atraso de entrega que alegam o extravio da original nos referidos anos, quando a operação envolve TRANSDADOS e o recibo não apresenta indícios de falsidade.” “No caso em questão, o carimbo apresentado na DCTF do contribuinte acima fl. 905 não apresenta as mesmas características de carimbo usado para recepcionar outras declarações entregues no mesmo período, fl. 906 e 907, já arquivadas no arquivo (sic) da DITEC/DERAT/SPO.” (grifo nosso) O acórdão embargado manifestase claramente sobre o entendimento externado pela RFB, entendimento esse que revela, diante de problemas identificados nos sistemas da RFB, a admissão de documentos originais apresentados pelos contribuintes desde que não haja indícios de falsidade. O problema é que, no presente caso, afiguraramse tais indícios. Não há, assim, omissão no acórdão embargado. No máximo, há inconformismo da embargante em relação ao teor do acórdão, tema que não é passível de ataque via embargos de declaração. Pelo exposto, voto pela rejeição aos embargos de declaração, mantendose intacto o teor do Acórdão nº 340301.628, de 26 de junho de 2012. Rosaldo Trevisan Fl. 553DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 12269.003964/2008-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/10/2006
DECISÃO ANULADA. DEVER DE EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS.
Os atos da Administração devem ser motivados e terem eles completamente expostos, sob pena de anulação do ato, sob a égide da publicidade e garantia de ampla defesa e contraditório.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 2803-001.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de anular parcialmente a decisão a quo no tocante à manutenção integral das penalidades impostas das competências 08/2003 a 10/2003, 04/2004 a 06/2004, 08/2004, 11/2004, 02/2006 e 03/2006, devendo as mesmas serem re-apreciadas com a devida exposição de motivos, demonstrando as faltas não corrigidas. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2003 a 31/10/2006 DECISÃO ANULADA. DEVER DE EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS. Os atos da Administração devem ser motivados e terem eles completamente expostos, sob pena de anulação do ato, sob a égide da publicidade e garantia de ampla defesa e contraditório. Recurso Voluntário Provido Em Parte - Aguardando Nova Decisão
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de anular parcialmente a decisão a quo no tocante à manutenção integral das penalidades impostas das competências 08/2003 a 10/2003, 04/2004 a 06/2004, 08/2004, 11/2004, 02/2006 e 03/2006, devendo as mesmas serem re-apreciadas com a devida exposição de motivos, demonstrando as faltas não corrigidas. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
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DEVER DE EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS. Os atos da Administração devem ser motivados e terem eles completamente expostos, sob pena de anulação do ato, sob a égide da publicidade e garantia de ampla defesa e contraditório. Recurso Voluntário Provido Em Parte Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de anular parcialmente a decisão a quo no tocante à manutenção integral das penalidades impostas das competências 08/2003 a 10/2003, 04/2004 a 06/2004, 08/2004, 11/2004, 02/2006 e 03/2006, devendo as mesmas serem reapreciadas com a devida exposição de motivos, demonstrando as faltas não corrigidas. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 39 64 /2 00 8- 11 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.003964/200811 Acórdão n.º 2803001.767 S2TE03 Fl. 366 2 Relatório O presente Recurso Voluntário (fls.126 e seguintes) foi interposto contra decisão da DRJ(fls. 112 e seguintes do processo digital), que manteve parcialmente o crédito tributário oriundo da não informações de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias (contribuintes individuais – autônomos e transportadores autônomos), aplicandose a multa por descumprimento do disposto no art. 32, IV, §§ 3oe 5o, da Lei n. 8.212 1991, no período 01/08/2003 a 31/10/2006 (períodos não contínuos). A decisão recorrida relevou a multa nas competências 11/2003 a 03/2004, 07/2004, 09/2004, 10/2004, 12/2004, 01/2005, 03/2005 a 06/2005, 10/2005, 12/2005, 01/2006, 04/2006, 07/2006, 09/2006 e 10/2006, por ter a parte corrigido as omissões e incorreções no prazo de impugnação, mas manteve a penalidade referente à competências 08/2003 a 10/2003, 04/2004 a 06/2004, 08/2004, 11/2004, 02/2006 e 03/2006, tomando por base informação prestada em diligência que teria informado que apesar da entrega de GFIP retificadora, a mesma não teria corrigido todas as faltas (fls.68 dos autos digitais) A ciência do auto de infração inaugural foi em 01.10.2008 (fls. 22 dos autos digitais). Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: preliminar de nulidade da decisão recorrida por não ter fundamentado e demonstrado quais foram as faltas não corrigidas; a ilegal responsabilização dos sócios, e o dever de aplicação da norma mais benéfica quanto à sanção na forma da redação do art. 32A, da Lei n. 8.212/1991, incluso pela Lei n. 11.941/2009. Esse é o relatório. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.003964/200811 Acórdão n.º 2803001.767 S2TE03 Fl. 367 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Relator O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. Em relação à preliminar de nulidade parcial da decisão a quo, entendo que há razão na denúncia da Recorrente. Tanto à informação resultante da diligência quanto à decisão a quo não informaram quais foram as falhas não corrigidas e que motivaram a manutenção integral da penalidade referente à competências 08/2003 a 10/2003, 04/2004 a 06/2004, 08/2004, 11/2004, 02/2006 e 03/2006, devendo as mesmas serem demonstradas, sob pena de prejuízo às garantias de ampla defesa e contraditório por falta de publicidade e exposição de seus motivos de manutenção integral de tais multas. (art. 5o, LV, da CF/1988). Como pode se defender de acusações sem saber quais são as mesmas e seus motivos fáticos e jurídicos? Inclusive, o sistema GFIPSEFIP é preenchido nominalmente por segurado, logo o fiscal poderia apresentar com facilidade quais seriam as faltas de cada competência de forma específica. Fato inclusive que assume nova importância na sistemática do art. 32A, da Lei n. 8.212/1991, com redação posterior à MP n. 449/2008. Na forma do art. 59, II, do Decreto 70.325, tal situação gera a nulidade parcial da decisão recorrida, no que tange as penalidades mantidas referentes à competências 08/2003 a 10/2003, 04/2004 a 06/2004, 08/2004, 11/2004, 02/2006 e 03/2006, pois houve prejuízo à defesa. Para evitar supressão de instância (art. 1o, do Regimento Interno do CARF/MF), entendo que a decisão recorrida deve ser parcialmente anulada, devendo serem os autos devolvidos à primeira instância administrativa, que deverá baixar os autos em diligência buscando os esclarecimentos das faltas que não foram supostamente corrigidas, apesar de ter sido entregue as GFIP´s retificadoras das competências 08/2003 a 10/2003, 04/2004 a 06/2004, 08/2004, 11/2004, 02/2006 e 03/2006, para após apreciar e julgar a aplicação e relevação da falta. Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de anular parcialmente a decisão a quo no tocante à manutenção integral das penalidades impostas das competências 08/2003 a 10/2003, 04/2004 a 06/2004, 08/2004, 11/2004, 02/2006 e 03/2006, devendo as mesmas serem reapreciadas com a devida exposição de motivos, demonstrando as faltas não corrigidas. Sala de Sessões, 15 de agosto de 2012. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 367DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.003964/200811 Acórdão n.º 2803001.767 S2TE03 Fl. 368 4 Fl. 368DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 16366.000230/2009-14
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM SERVIÇOS DE CORRETAGEM NECESSÁRIOS À COMPRA DE MATÉRIA-PRIMA. INSUMO APLICADO NA PRODUÇÃO DE BENS DESTINADOS À VENDA. DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep, por serem considerados insumos, os gastos com serviços de corretagem de compra de matéria-prima, utilizada na fabricação de produtos destinados à venda, integram a base de cálculo do crédito da referida Contribuição, nos termos do art. 3º, § 1º, I da Lei nº 10.637, de 2002.
CRÉDITO ESCRITURAL BÁSICO. SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO PELA A TAXA SELIC. POSSIBILIDADE.
O art. 13 da Lei nº 10.833/2003, que veda a atualização monetária e a incidência dos juros, não se aplica quando a mora decorre de impedimento ou de óbice da Administração Fazendária.
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-001.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para: (i) reconhecer o direito à dedução do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, calculado sobre o valor dos gastos com os serviços de corretagem de compra; e (ii) deferir o pedido de atualização do valor do crédito ora reconhecido, com base na variação da taxa Selic, a partir da data da ciência pelo contribuinte do despacho decisório de indeferimento do pedido de ressarcimento pela Unidade de origem. Vencido, quanto ao ponto (ii), o Conselheiro José Fernandes do Nascimento (relator). Designado para redação do voto vencedor, nesse específico ponto, o Conselheiro Solon Sehn.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
(assinado digitalmente)
Solon Sehn Redator Designado.
EDITADO EM: 01/11/2012
Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM SERVIÇOS DE CORRETAGEM NECESSÁRIOS À COMPRA DE MATÉRIA-PRIMA. INSUMO APLICADO NA PRODUÇÃO DE BENS DESTINADOS À VENDA. DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep, por serem considerados insumos, os gastos com serviços de corretagem de compra de matéria-prima, utilizada na fabricação de produtos destinados à venda, integram a base de cálculo do crédito da referida Contribuição, nos termos do art. 3º, § 1º, I da Lei nº 10.637, de 2002. CRÉDITO ESCRITURAL BÁSICO. SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO PELA A TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. O art. 13 da Lei nº 10.833/2003, que veda a atualização monetária e a incidência dos juros, não se aplica quando a mora decorre de impedimento ou de óbice da Administração Fazendária. Recurso Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para: (i) reconhecer o direito à dedução do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, calculado sobre o valor dos gastos com os serviços de corretagem de compra; e (ii) deferir o pedido de atualização do valor do crédito ora reconhecido, com base na variação da taxa Selic, a partir da data da ciência pelo contribuinte do despacho decisório de indeferimento do pedido de ressarcimento pela Unidade de origem. Vencido, quanto ao ponto (ii), o Conselheiro José Fernandes do Nascimento (relator). Designado para redação do voto vencedor, nesse específico ponto, o Conselheiro Solon Sehn. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. (assinado digitalmente) Solon Sehn Redator Designado. EDITADO EM: 01/11/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
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IGUAÇU DE CAFÉ SOLÚVEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM SERVIÇOS DE CORRETAGEM NECESSÁRIOS À COMPRA DE MATÉRIAPRIMA. INSUMO APLICADO NA PRODUÇÃO DE BENS DESTINADOS À VENDA. DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep, por serem considerados insumos, os gastos com serviços de corretagem de compra de matériaprima, utilizada na fabricação de produtos destinados à venda, integram a base de cálculo do crédito da referida Contribuição, nos termos do art. 3º, § 1º, I da Lei nº 10.637, de 2002. CRÉDITO ESCRITURAL BÁSICO. SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO PELA A TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. O art. 13 da Lei nº 10.833/2003, que veda a atualização monetária e a incidência dos juros, não se aplica quando a mora decorre de impedimento ou de óbice da Administração Fazendária. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para: (i) reconhecer o direito à dedução do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, calculado sobre o valor dos gastos com os serviços de corretagem de compra; e (ii) deferir o pedido de atualização do valor do crédito ora reconhecido, com base na variação da taxa Selic, a partir da data da ciência pelo contribuinte do despacho decisório de indeferimento do pedido de ressarcimento pela Unidade de origem. Vencido, quanto ao ponto (ii), o Conselheiro José Fernandes do Nascimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 02 30 /2 00 9- 14 Fl. 426DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 (relator). Designado para redação do voto vencedor, nesse específico ponto, o Conselheiro Solon Sehn. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. (assinado digitalmente) Solon Sehn – Redator Designado. EDITADO EM: 01/11/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão proferido pelos membros da 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba/PR, em que, por unanimidade de votos, não acolheram as razões de inconformidade, negando a solicitação de reforma do Despacho Decisório recorrido, com base nos fundamentos expostos no enunciado da ementa a seguir transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITOS. INSUMOS. DESPESAS COM CORRETAGEM. No cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, o sujeito passivo somente poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES À TAXA SELIC. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos à contribuição em epígrafe, por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos registrados até a prolação do Acórdão de primeiro grau, transcrevo a seguir o relatório encartado no referido julgado: Fl. 427DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 16366.000230/200914 Acórdão n.º 3802001.420 S3TE02 Fl. 21 3 Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de crédito de Pis/Pasep Não Cumulativo Exportação (PER de n° 16779.22967.270309.1.5.085224), apurados com fundamento no § 1º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, correspondente ao 3º trimestre 2008, no valor de R$ 863.563,54 (fls. 02/05). Após a análise dos documentos trazidos aos autos e de acordo com a Informação Fiscal (fls. 318/330) da Seção de Fiscalização da DRF Londrina, foi emitido o Despacho Decisório de fl. 333, no qual o direito creditório pleiteado foi reconhecido parcialmente. O reconhecimento parcial do valor a ser ressarcido decorreu das seguintes constatações: a) aproveitamento indevido de crédito integral sobre aquisição de produtor rural, quando o creditamento teria que ter se dado sob a forma de crédito presumido; b) recálculo dos percentuais de créditos relativos aos mercados interno e externo, em virtude de a empresa ter considerado como vendas não tributadas no mercado interno as operações com empresas situadas em áreas de livre comércio; c) glosas de créditos relativos a materiais consumidos na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na fabricação de bens destinados à vendas que não foram aplicados em máquinas ou equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo; d) glosas de créditos relativos a bens do ativo imobilizado, em virtude da constatação de que alguns bens não se inserem no conceito de máquinas e equipamentos; e) glosa de créditos relativos a insumos sujeitos à alíquota zero da contribuição (leite em pó e composto lácteo) e de serviços não considerados insumos (gastos com corretagens); e f) em relação à base de cálculo, a autoridade fiscal constatou que a recorrente efetuou vendas para clientes estabelecidos em Estados situados em Áreas de Livre Comércio e não as incluiu na base de cálculo das contribuições. Em função dessas ocorrências, conforme planilhas de valores consolidados anexadas ao processo, o direito creditório de PIS/Pasep, do 3º trimestre 2008, reconhecido foi de R$ 854.767,89. Ressaltese que, conforme declaração de fl. 331 não há Dcomps vinculadas a este Pedido de Ressarcimento. Cientificada em 30/11/2009 (fl. 338), a interessada ingressou com a Manifestação de Inconformidade de fls. 339/349, em 23/12/2009, alegando, em síntese, o seguinte. Insurgese contra as glosas referentes aos créditos de corretagens. Diz que do valor total glosado (R$ 8.795,65) a autoridade fiscal “deixou de reconhecer os créditos oriundos dos serviços de corretagens decorrentes das aquisições de seus produtos, no valor de R$ 3.204,71, em evidente ato ilegal”. Sustenta que o conceito de insumo não está limitado aos bens e serviços utilizados diretamente na atividade produtiva, pois “a lei incluiu expressamente o crédito sobre combustíveis e Fl. 428DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 lubrificantes, que, na maioria das vezes, são materiais auxiliares ou intermediários, conforme disposto no art. 3o, II, da Lei 10.833/2003”. Alega que, corroborando o seu entendimento, a alínea b, do inc. I, do §4o, do art. 8o da IN 404/2004, determina que se consideram insumos “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Em virtude disso, afirma que o conceito de insumo não está relacionado diretamente à produção, entendendo que pode descontar créditos de insumos que integram o processo produtivo (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem) e créditos relativos a custos e despesas incorridos, pagos ou creditados às pessoas jurídicas domiciliadas no País, separadamente daqueles efetuados às pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. Diante desse entendimento, alega que sendo o serviço de corretagem inerente às operações de venda e compra da sua principal matériaprima (café em grãos) para a produção do café solúvel e sendo prática do mercado cafeeiro um agente intermediário entre o vendedor e o comprador, tais serviços são essenciais para a realização da atividade da empresa. Entende, por conseguinte, que “nada mais justo que a recorrente possa descontar créditos originários destas despesas, sob pena de afronta à sistemática constitucional e legal da não cumulatividade da contribuição”. Utiliza passagem doutrinária abaixo do Prof. Aires F. Barreto para fundamentar suas alegações, para quem os incisos III a IX do art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 têm meramente caráter exemplificativo, não afastando abatimentos como os decorrentes de gastos com água, telefone, material de escritório, limpeza, contabilidade, dentre tantos outros, entendendo que insumos são “os componentes necessários à obtenção de produtos, à circulação de mercadorias ou à prestação de serviços”. Em consequência, a recorrente sustenta que é “indubitável que a corretagem configura um serviço utilizado como insumo na prestação de serviços”. Em seguida, a recorrente pede que seu crédito seja corrigido pela Selic. Anexa diversos Acórdãos do Conselho de Contribuintes, Decisão do TRF da 4a região e Parecer da Advocacia Geral da União para fundamentar tal pedido. Isto posto, requer o “o deferimento total” do PER no valor de R$ 857.972,60, acrescido de correção monetária pela Selic. Em 13/09/2011, a Interessada foi cientificada do referido Acórdão. Inconformada, em 07/10/2011, apresentou o presente Recurso Voluntário, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na Manifestação de Inconformidade colacionada aos autos. No final, requereu o provimento do presente o Recurso, com o deferimento do ressarcimento integral do valor crédito pleiteado, acrescido da taxa Selic. Em 18/05/2012, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de junho de 2012, mediante sorteio, foram distribuídos para este Conselheiro. É o relatório. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 16366.000230/200914 Acórdão n.º 3802001.420 S3TE02 Fl. 22 5 Voto Vencido Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, incluindo o limite alçada, portanto, dele tomo conhecimento. Do objeto da presente controvérsia. A presente controvérsia cingese (i) à glosa do valor do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, calculado sobre o valor das despesas de corretagem de compra, e (ii) ao indeferimento da atualização do valor do crédito, com base na variação da taxa Selic, desde a data do protocolo dos pedidos de ressarcimento. Da glosa do crédito calculado sobre os gastos com corretagem realizados na compra da principal matériaprima. A Turma de Julgamento de primeira instância manteve a glosa do valor do crédito questionado com base no argumento de que os gastos com corretagem pagos na aquisição da matériaprima (café em grãos) não se enquadrava no conceito de insumo, pois, tratavase de mera despesa operacional, que, por falta de previsão legal, não proporcionava o direito ao desconto do crédito em questão. Por outro lado, alega a Recorrente que todos os serviços que ingressam no processo produtivo caracterizamse como insumo, incluindo os serviços de corretagem necessários à aquisição da principal matériaprima. A divergência de entendimento, a meu ver, decorre da utilização de regimes jurídicos distintos para definir o significado e alcance jurídicos do termo insumo, pois, enquanto a fiscalização adota como referência o regime jurídico próprio do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a Recorrente utiliza como referencial o regime jurídico da não cumulatividade que rege a cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep. Assim, por utilizar um referencial jurídico estranho ao regime de cobrança da referida Contribuição, o entendimento esposado pela fiscalização, a meu ver, discrepa do sentido e alcance jurídico do termo insumo, explicitado no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, a seguir transcrito: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata Fl. 430DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] (grifos não originais. A questão foi analisada com brilhantismo pelo i. Conselheiro Regis Xavier Holanda no voto vista que serviu de fundamento para o Acórdão nº 3802001.309, proferido por esta Turma Especial, na Sessão de 26 de setembro de 2012, de onde extraio os trechos a seguir reproduzidos: A previsão de tomada de créditos inserta no artigo 3º, II, pode ser assim quadripartida: a) bens utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; b) bens utilizados como insumo na prestação de serviços; c) serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; d) serviços utilizados como insumo na prestação de serviços. Neste ponto, muito controvérsia se estabeleceu no contencioso administrativo e judicial em relação, por enquanto, à situação relacionada à utilização de bens como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda (item a). O nascedouro das discordâncias repousa principalmente na interpretação dada pela Receita Federal a esse dispositivo especialmente ao item a acima indicado através das Instruções Normativas nºs 247, de 2002, e 404, de 2004. Vejamos, e.g., o primeiro desses normativos: IN SRF Nº 247/02 “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 431DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 16366.000230/200914 Acórdão n.º 3802001.420 S3TE02 Fl. 23 7 a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...)” A interpretação dada pela Receita Federal ao conceito de insumo, no caso de bens assim utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adotou conceito ínsito à legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI – tributo que apresenta contornos normativos – materialidade – distinta da Contribuição para o PIS e da COFINS. Com efeito, como já visto, a legislação da Contribuição para o PIS e da COFINS têm como referencial de incidência (fato gerador e base de cálculo) o faturamento entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e o cálculo de créditos está adstrito – parcialmente a esse mesmo referencial ao se relacionar aos custos de bens e serviços utilizados no processo produtivo da empresa e hábeis a gerar sua receita operacional. Já a legislação do IPI adota como referencial, não a receita, e sim o produto, ao estabelecer como fato gerador a sua saída de estabelecimento industrial (ou equiparado) e como base de cálculo o valor dessa operação. Portanto, enquanto o IPI grava uma operação de industrialização, as referidas contribuições incidem sobre as receitas auferidas pelo sujeito passivo. E não por outro motivo, tais exações apresentam modelos distintos de apuração e apropriação de créditos (regime de débito e crédito no caso do IPI, e o método indireto subtrativo no caso das presentes contribuições). Dessa forma, a interpretação adotada pela Receita Federal acaba por restringir o conceito de insumo, no caso de bens utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda (item a), a apenas uma parcela dos custos de bens utilizados no processo produtivo da empresa os Fl. 432DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 que sofram industrialização (as matérias primas, os produtos intermediários, os materiais de embalagem). O escopo da lei, sem dúvidas, é mais abrangente. Não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. As Instruções Normativas em debate trouxeram, portanto, neste específico ponto, restrição ao creditamento de custos de produção não amparada em lei. Ademais, as referidas Instruções Normativas ao preverem o creditamento relativo a bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços (item b) dão ensancha à tomada de créditos em uma base maior do que a restringida na primeira hipótese (item a). Da mesma forma, a previsão de creditamento relativo a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto (item c) acaba por permitir, em consonância com a base legal, o crédito de custos de produção relativos a serviços que, potencialmente, podem utilizarse de insumos que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação – industrialização. Assim, referidos normativos deveriam ter adotado para essa primeira hipótese de creditamento de insumos, a mesma técnica redacional utilizada para as outras três hipóteses: a previsão de creditamento relativo aos bens aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de produtos. Dessa forma, atento à dicção legal que expressamente remete à utilização do insumo na produção ou fabricação de bens, entendo que devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva1. Noutro giro, a par de conferir à legislação ordinária uma interpretação mais ampla que a dada pelos normativos da Receita Federal (fulcrada na legislação do IPI), também afasto a idéia, a meu ver, data máxima vênia, demasiadamente elástica e sem base legal, de se conferir ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda. Com efeito, a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas 1 Assim, podem ser considerados insumos, por exemplo, as partes, peças de reposição e serviços relacionados à manutenção de máquinas e equipamentos industriais utilizados no processo produtivo da empresa quando possuírem tempo de vida útil inferior a 1 (um) ano (Acórdão 3102.01.143) caso contrário, devem integrar o ativo imobilizado sujeitandose à depreciação e também o frete e seguro na aquisição de insumos por integrarem o custo dos mesmos. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 16366.000230/200914 Acórdão n.º 3802001.420 S3TE02 Fl. 24 9 que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa2. Se assim tivesse querido o legislador, teria se utilizado de redação outra e.g., custos e despesas necessários a manutenção da atividade empresarial. Ainda, tanto é verdade que o conceito de insumo utilizado pelo artigo 3º, II das Leis em estudo não se confunde com o de despesa previsto na legislação do imposto de renda que, acaso assim o fosse e o dispositivo em testilha tivesse tão larga amplitude, restaria desnecessária a remissão expressa às despesas outras previstas nos demais incisos desse mesmo artigo (aluguéis, depreciação de máquinas e equipamentos, energia elétrica e outras). Com efeito, se o legislador quisesse alargar o conceito de insumo para abranger todas as despesas previstas na legislação do IR, o artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não traria um rol detalhado de despesas que podem gerar créditos ao contribuinte. Nessa trilha, no Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do RESP nº 1.246.317 (ainda em curso), o Ministro Relator apresentou voto – já acompanhado por outros dois Ministros de um total de cinco entendendo que o conceito de insumo na legislação do PIS e da COFINS não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva, e também não corresponde exatamente aos conceitos de ‘Custos e Despesas Operacionais’ utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos3. Na mesma toada, a Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, em julgamento dos processos fiscais nºs 13053.000112/200515 e 13053.000211/200672, em 09 de novembro de 2011, também afastou a aplicação da legislação do IPI e do IRPJ na conceituação de insumo previsto na legislação das contribuições em análise. Dessa forma, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, 2 Assim, , em termos gerais, por não serem utilizados diretamente no processo produtivo da empresa, não são considerados insumos nos termos da legislação do PIS e da COFINS nãocumulativa – art. 3º, II das Leis em estudo, exempli gratia, despesas administrativas, serviços de almoxarifado, propaganda e publicidade, despesas com viagens, custos com programa de formação profissional, despesas com assessoria, consultoria e planejamento (Acórdão 330200.175), serviços de limpeza – a depender do tipo de atividade empresarial, combustíveis para veículos não utilizados diretamente no processo produtivo (Acórdão 310201.143), despesas de comercialização e cobrança (Acórdão 340200.259). 3 No caso, se pleiteia o direito de aproveitamento de créditos de PIS/COFINS advindos da aquisição de materiais de limpeza e desinfecção e serviços de dedetização aplicados no ambiente produtivo de empresa que tem objeto relacionado à indústria alimentícia. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 10 ainda que – no caso dos bens não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Como bem ressaltado pelo nobre Conselheiro, a legislação da Contribuição para o PIS/Pasep tem como referencial de “incidência (fato gerador e base de cálculo) o faturamento entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e o cálculo de créditos está adstrito – parcialmente a esse mesmo referencial ao se relacionar aos custos de bens e serviços utilizados no processo produtivo da empresa e hábeis a gerar sua receita operacional”. Com base nesse entendimento, é inevitável a conclusão no sentido de que, no âmbito do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep, todos os bens e serviços que compõem o custo de produção são considerados insumos habilitados a gerar crédito, nos termos do art. 3º, § 1º, da Lei nº 10.637, de 2002. Corrobora ainda com o entendimento aqui esposado, o teor do art. 290, I, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (Decreto nº 3.000, de 1999), a seguir transcrito: Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 13, §1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; [...] (grifos não originais) É evidente que o gasto com os serviços de corretagem necessários à aquisição da principal matériaprima, utilizada na fabricação do produto vendido pela Recorrente, enquadrase tanto no conceito de custo de produção, estabelecido pela legislação do Imposto sobre a Renda, quanto no conceito de insumo estabelecido no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, portanto, deve ser computado na base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep. Da incidência da taxa Selic. Em relação aos créditos escriturais da Contribuição para o PIS/Pasep, decorrentes da aplicação do regime da nãocumulatividade, cabe consignar que, independentemente da forma de aproveitamento (dedução, compensação ou ressarcimento), existe vedação expressa a qualquer forma de atualização ou incidência de juros, conforme expressamente consignada no artigo 13, combinado com o disposto no inciso VI do art. 15, ambos da Lei n° 10.833, de 2003, que seguem transcritos: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 435DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 16366.000230/200914 Acórdão n.º 3802001.420 S3TE02 Fl. 25 11 Por se tratar de norma jurídica vigente e apta a incidir (eficácia potencial), à este Colegiado é vedado apreciar a sua validade, conforme expressamente determinado no art. 26A4 do Decreto nº 70.235, 06 de março de 1972 (PAF), com redação dada Lei nº 11.941, de 2008, pois, tal atribuição é da exclusiva competência do Poder Judiciário. No âmbito deste Conselho, tal vedação encontrase determinada no art. 625 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de 4 "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)" 5 "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 436DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 12 junho de 2009, e consolidada na sua jurisprudência, conforme disposto no enunciado da Súmula CARF nº 2, que tem o seguinte teor, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Deixo de aplicar o disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, por entender que os fundamentos consignados nos REsp nºs 1.035.847/RS e 1.250.191/RS, julgados no regime do recurso repetitivo, previsto no artigo 543C do CPC, não se aplicam ao caso em tela. Da conclusão. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao presente Recurso, para: (i) reconhecer o direito à dedução do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, calculado sobre o valor dos gastos com os serviços de corretagem de compra; e (ii) indeferir o pedido de atualização do valor dos créditos reconhecidos, com base na variação da taxa Selic, por expressa vedação legal. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993". Voto Vencedor Conselheiro Solon Sehn, Redator Designado. Acompanho e cumprimento o Ilustre Relator pelo brilhante voto. Os gastos com corretagem na compra de matériaprima, inequivocamente, enquadramse no conceito de insumo do art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. Este, ressalvados os casos vedados pela legislação (como, por exemplo, mãodeobra pago à pessoa física), corresponde ao custo de produção (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto nº 3.000/1999, arts. 290 e 291), abrangendo as matériasprimas e quaisquer outros bens, direitos ou serviços aplicados ou consumidos no processo de fabricação, diretos ou indiretos, independentemente de desgaste, dano ou perda de propriedades físicoquímicas. Peço vênia para divergir apenas no tocante ao cabimento da Selic. O art. 13 da Lei nº 10.833/2003, que veda a atualização monetária e a incidência dos juros, não se aplica quando a mora decorre de impedimento ou de óbice da Administração Fazendária. Isso porque, consoante destacado em acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: “[...] se sujeito passivo atuou no sentido de obter o ressarcimento de seus créditos e não logrou êxito em virtude de óbice imposto pela administração, as consequências dessa postergação não podem Fl. 437DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 16366.000230/200914 Acórdão n.º 3802001.420 S3TE02 Fl. 26 13 ser por ele suportadas, já que não deu causa ao retardamento.” (2ª T. APELREEX nº 2009.71.08.0011880/RS. Rel. Des. Fed. Vânia Hack de Almeida. D.E. 02/12/2009). Nessa mesma linha, cumpre destacar o seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. CRÉDITO ESCRITURAL. DEMORA NA ANÁLISE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXEGESE DO RESP 1.035.847/RS. [...] 2. O entendimento firmado no REsp 1.035.847/RS, de relatoria do Min. Luiz Fux, atrai conclusão no sentido de que é devida a incidência de correção monetária aos créditos escriturais que não são gozados pelo contribuinte, na forma de ressarcimento, compensação ou aproveitamento, por resistência ilegítima do Fisco ainda que a demora seja em decorrência de análise de processo administrativo. 3. "O ressarcimento em dinheiro ou a compensação, com outros tributos dos créditos relativos à nãocumulatividade das contribuições aos Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) art. 3º, c/c art. 5º, §§ 1º e 2º, da Lei n. 10.637/2002 e para a Seguridade Social (COFINS) art. 3º, c/c art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei n. 10.833/2003, quando efetuados com demora por parte da Fazenda Pública, ensejam a incidência de correção monetária." (REsp 1129435/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 03/05/2011, Dje 09/05/2011). Recurso especial da FAZENDA NACIONAL conhecido em parte, mas improvido. [...]” (STJ. 2ª T. REsp 1.268.980/SC. Rel. Min. HUMBERTO MARTINS. DJe 22/06/2012). Votase, assim, pelo reconhecimento do direito de atualização do valor dos créditos admitidos no presente recurso, com base na variação da taxa Selic, adotandose como termo inicial a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento. (assinado digitalmente) Solon Sehn Fl. 438DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 23/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 12269.002103/2009-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2302-000.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente Substituta
Adriana Sato - Relator.
EDITADO EM: 21/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara Dos Santos
Nome do relator: Não se aplica
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