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Numero do processo: 10980.920394/2012-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.992
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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(assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO Tratase de Pedido de Restituição enviado pela contribuinte que restou indeferido pela unidade de origem da RFB, em razão da inexistência do crédito pleiteado. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, tecendo comentários acerca da legislação de regência do PIS e da Cofins, sobre o conceito de receita, faturamento e renda, e enfatizando que o ICMS está embutido no preço das mercadorias, integrando a base de cálculo do imposto o próprio imposto e por isso constitui ônus fiscal e não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 20 39 4/ 20 12 -2 3 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.920394/201223 Resolução nº 3302000.992 S3C3T2 Fl. 3 2 faturamento. Sendo assim, não se pode aceitar a incidência do PIS e da Cofins sobre outro imposto, no caso o ICMS, o que tornase alheio ao que deve ser o faturamento. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Pela leitura da ratio decidendi do acórdão recorrido, o direito creditório não foi reconhecido, por inexistir pronunciamento definitivo da PGFN sobre a matéria que autorize as DRJ’s a aplicarem entendimento já consolidado pelo Poder Judiciário. Todavia, em sede de recurso voluntário, é imprescindível assinalar a determinação expressa do artigo 62, §1º, II, ‘b’ e do § 2º do Regimento Interno do CARF, prevê a possibilidade de ser afastada lei sob o fundamento de inconstitucionalidade por turmas daquele Órgão, desde que a matéria tenha sido tratada de forma definitiva pelo Supremo Tribunal Federal. Foi o que ocorreu no julgamento do RE nº 574.576, onde ficou decidido que o ICMS não integra a base de cálculo para incidência da contribuições ao PIS e à Cofins; b) Diante do princípio da verdade material, requer a juntada dos documentos que comprovarão a existência de créditos no período correspondente a PER/Dcomp apresentada, oriunda da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302000.967, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920372/201263, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302000.967): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. ICMS na Base de Cálculo das Contribuições. Conforme relatado, a matéria posta em debate cingese ao cabimento da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins. A discussão se encontra superada no âmbito do CARF, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal já proferiu decisão acerca desta matéria, em sede de recurso com repercussão geral reconhecida, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10980.920394/201223 Resolução nº 3302000.992 S3C3T2 Fl. 4 3 Importante ressaltar que a decisão ainda não transitou em julgado, pois está pendente a análise de embargos opostos para decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. Contudo, a decisão proferida pela Suprema Corte se tornou definitiva quanto ao direito do contribuinte de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. No RE nº 574706 Tema 069 ficou consignado que o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017). Para fins de clarear a posição da RFB sobre o tema, trago à baila a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018: Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10980.920394/201223 Resolução nº 3302000.992 S3C3T2 Fl. 5 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10980.920394/201223 Resolução nº 3302000.992 S3C3T2 Fl. 6 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10980.920394/201223 Resolução nº 3302000.992 S3C3T2 Fl. 7 6 Diante da obrigação de observar decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015, me curvo ao entendimento de que o ICMS recolhido deve ser excluído da base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. Provas do Indébito Tributário. A instância a quo, utilizou, também, como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: Não bastasse isso, é oportuno observar que não há nos autos prova do direito afirmado. Em outros termos, não basta indicar os argumentos jurídicos que seriam o fundamento legal do pagamento indevido, mas deve a interessada, adicionalmente, demonstrar contabilmente que o valor pleiteado corresponde ao valor da contribuição que foi paga sobre o ICMS que teria feito parte de sua base de cálculo. Isso porque, o direito deve ser demonstrado em documentos fiscais e contábeis. Por isso, ainda que houvesse a manifestação da Procuradoria acerca de julgado do STF declarando a inconstitucionalidade do ICMS na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, mesmo assim não seria possível lhe conceder o direito creditório postulado. Afinal, é obrigação da manifestante trazer aos autos o direito em que se fundamenta e as provas que possuir. É o que determina o art. 16, do inc. III, do Decretolei n° 70.235/72. Há que se destacar, ainda, que o Despacho Decisório foi emitido pela autoridade fiscal com fundamento nas informações prestadas em DCTF pela Manifestante, ou seja, em declaração válida a produzir efeitos na data da emissão do referido documento. Por tal motivo, o débito encontrase validamente constituído exatamente nos termos do Despacho Decisório proferido. Isso porque, a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decretolei nº 2.124/84 e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF). Sobre esta questão, importante destacar que o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966, não permite que depois de iniciado qualquer procedimento fiscal seja apresentada declaração retificadora quando esta vise a reduzir ou a excluir tributo, sendo apenas admissível mediante comprovação do erro em que se funde. Enfim, não basta a mera alegação do direito. Ele deve ser demonstrado em documentos fiscais e contábeis, na linha do que determina o art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n º 3.000, de 26 de março de 1999). O recorrente, em sede de recurso voluntário, apresentou alguns documentos para provar seu direito, quais sejam: memória de cálculo de apuração da COFINS e do consequente crédito pleiteado, a DIPJ Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10980.920394/201223 Resolução nº 3302000.992 S3C3T2 Fl. 8 7 referente ao período discutido, o comprovante do recolhimento da Cofins e o resumo de apuração do ICMS. Requer que esse Colegiado defira a juntada dos documentos, os analise e se posicione acerca de seu direito creditório. A questão que surge é se houve preclusão do direito à apresentação de provas, conforme prevê os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se o recorrente tem o direito a apresentar documentos em qualquer momento processual em nome da verdade material. Posta assim a questão, passo a análise. Tratase de processo de restituição em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que o pedido de restituição se refere a créditos decorrentes de pagamentos a maior de Cofins, em razão da inclusão do ICMS na respectiva base de cálculo. A DRJ de Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob os seguintes fundamentos: o ICMS deve compor a base de cálculo da exação e que o sujeito passivo não apresentou provas do direito alegado. Em sede de recurso voluntário, o sujeito passivo pleiteou a observância do RE nº 574706 e apresentou documentos que lastreariam o direito requerido. No procedimento de despacho eletrônico de pedido de restituição, o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado. O primeiro momento que tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. No caso em análise, é bem verdade que o sujeito passivo não apresentou documentos que comprovassem que houve recolhimento da Cofins tendo o ICMS em sua base de cálculo. Ocorre que, como mencionado, ao interpor o presente recurso voluntário, foram acostados aos autos a memória de cálculo de apuração da COFINS e do consequente crédito pleiteado, a DIPJ referente ao período discutido, o comprovante do recolhimento da Cofins e o resumo de apuração do ICMS. Esse documentos, caso autênticos, podem sugerir que houve a inclusão na base de cálculo da Cofins o valor do ICMS recolhido, gerando um indébito tributário. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento nesta assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10980.920394/201223 Resolução nº 3302000.992 S3C3T2 Fl. 9 8 diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Assim, entendo que as alegações produzidas pelo recorrente devem ser analisadas com mais profundidade, para que possa afastar a fumaça que tomou conta de minha convicção, pois vejo verossimilhança nos fundamentos jurídicos acostados aos autos. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que o órgão de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000007/2009-04
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2004, 30/11/2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. NÃO CONHECIMENTO.
O prazo para apresentação de recurso voluntário à segunda instância administrativa é de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância. O recurso voluntário apresentado após referido prazo considera-se intempestivo, o que impossibilita seu conhecimento, visto que a decisão a quo tornou-se definitiva.
Numero da decisão: 3001-000.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Orlando Rutigliani Berri e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2004, 30/11/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. NÃO CONHECIMENTO. O prazo para apresentação de recurso voluntário à segunda instância administrativa é de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância. O recurso voluntário apresentado após referido prazo considera-se intempestivo, o que impossibilita seu conhecimento, visto que a decisão a quo tornou-se definitiva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2004, 30/11/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. NÃO CONHECIMENTO. O prazo para apresentação de recurso voluntário à segunda instância administrativa é de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância. O recurso voluntário apresentado após referido prazo considerase intempestivo, o que impossibilita seu conhecimento, visto que a decisão a quo tornouse definitiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Orlando Rutigliani Berri e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 138 a 153) interposto contra a decisão consubstanciada no Acórdão 0361.270, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 00 07 /2 00 9- 04 Fl. 311DF CARF MF Processo nº 16095.000007/200904 Acórdão n.º 3001000.759 S3C0T1 Fl. 312 2 de Julgamento em Brasília/DF DRJ/BSB, referente à Sessão de Julgamento realizada em 16.05.2014 (efls. 125 a 129). Da síntese dos fatos O acórdão recorrido julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendose integralmente as exigências de Cofins referentes aos meses de outubro e novembro de 2004, de que trata o Auto de Infração de fls. 85 a 90, perfazendose, à época, o montante exigido de R$ 15.614,21, sob o fundamento da ausência de prova do fato alegado, salientando, para tanto, que não pode prosperar a simples alegação da impugnante de que cometeu o equívoco de informar na DIPJ o saldo da contribuição de forma incorreta, bem como não lhe faz proveito a juntada dos DARFs para comprovar o pagamento das diferenças apontadas, pois conforme informações nas planilhas elaboradas no presente voto, os pagamentos em questão referemse aos exatos valores declarados em DCTFs, não tendo a contribuinte apresentado qualquer elemento lastreado em sua escrituração contábil e fiscal, atestando que os valores informados em DCTFs é que devem prevalecer, justificando, dessa forma as diferenças apontadas pela autoridade fiscal. Bem como que, a fim de comprovar as improcedências das diferenças apontadas no procedimento de ofício, a impugnante, obrigatoriamente, deveria ter instruído sua impugnação com documentos fiscais e/ou contábeis que respaldassem sua argumentação. Do recurso voluntário Irresignado com a decisão recorrida, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que fundamentalmente repete os argumentos apresentados em sede de impugnação e apresenta, em subsídio as suas alegações, os documentos juntados às efls. 154 a 307. Do encaminhamento O presente processo digital foi encaminhado em 30.07.2014 para ser analisado por este Carf (efl. 310), sendo, posteriormente, distribuído para este relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da intempestividade do recurso voluntário e sua repercussão A Intimação nº 393/2014 foi elaborada para cientificar o sujeito passivo da decisão de primeira instância, para tanto, envioulhe cópia do respectivo Acórdão de Impugnação, alertandolhe, inclusive, quanto ao prazo de 30 dias contados a partir do recebimento desta, mediante assinatura do Aviso de Recebimento AR, para que exercitasse o direito de apresentar recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (efls. 131 a 134). Fl. 312DF CARF MF Processo nº 16095.000007/200904 Acórdão n.º 3001000.759 S3C0T1 Fl. 313 3 O Aviso de Recebimento "AR", informa que a correspondência acima mencionada foi recebida no domicílio tributário do sujeito passivo em 27 de junho de 2014 (e fl. 135/136). O Recurso Voluntário, em sua "Folha de Rosto", traz a informação de que este foi protocolado na DRF/Guarulhos, em 30 de julho de 2014, é o que depreendese do carimbo protocolizador nele aposto pelo CAC/SIPE 0936271 (efl. 138). Os "TERMO DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA" e "TERMO DE ANÁLISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA", corroboram a informação acima, quando neste último, por exemplo, consigna o que segue, verbis: Em 30/07/2014 09:22:55 foi registrada a Solicitação de Juntada de Documentos ao processo citado acima. Essa solicitação envolve os documentos abaixo relacionados: Recurso Voluntário Documentos Diversos Documentos Diversos Documentos Diversos A Solicitação de Juntada de Documentos teve os seguintes documentos aceitos: Recurso Voluntário Documentos Diversos Documentos Diversos Documentos Diversos E os seguintes documento não foram aceitos: Nenhum documento foi rejeitado. Data de Emissão: 30/07/2014 09:56:59 Aguardar Pronunciamento MARI OLIVEIRA MOTA KUSSUKI GCFAZECOBSECATDRFGUASP ECOBSECATDRFGUASP SECATDRFGUASP SP GUARULHOS DRF Para a análise a seguir expendida, é conveniente consignar as disposições processuais normativas aplicáveis. Dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972, verbis: (...) Fl. 313DF CARF MF Processo nº 16095.000007/200904 Acórdão n.º 3001000.759 S3C0T1 Fl. 314 4 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que ocorra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 2º Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Com efeito, estando a intimação do referido acórdão de impugnação, também submetida à regra de contagem disciplinada no § 2º, II do artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o momento em que se considera efetuada a intimação por via postal, constatase que a data da ciência da decisão recorrida ocorreu em 27 de junho de 2014 (sexta feira), data de recebimento do AR em comento, cujo conteúdo informa também o endereço do domicílio tributário do sujeito passivo indicados no citado documento, não havendo dúvida quanto a este aspecto. Neste sentido temse que a contagem do prazo para apresentação de recurso voluntário iniciase no dia útil subseqüente, conforme artigo 5º do Decreto nº 70.235, de 1972, ou seja, em 30 de junho de 2014 (segunda feira), tendo portanto como termo final o dia 29 de julho de 2014 (terça feira), último dia para entrega tempestiva da peça processual que teria o condão de dar prosseguimento ao litígio administrativo instaurado quando da apresentação da impugnação, por tratarse do 30º (trigésimo) dia, em atenção ao preceituado no parágrafo único do artigo 5º do Decreto nº 70.235, de 1972. Ocorre que a apresentação do presente Recurso Voluntário somente ocorreu em 30 de julho de 2014 (quarta feira), ou seja, depois de findo o prazo preconizado no artigo 73 do Decreto nº 7.574, de 29.09.2011, que dispõe que o recurso voluntário total ou parcial, que tem efeito suspensivo, poderá ser interposto contra decisão de primeira instância contrária ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da decisão (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 33). Da conclusão Pelo exposto, à luz das normas acima transcritas e do que emergem dos autos, não conheço do Recurso Voluntário, por intempestivo. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 16095.000007/200904 Acórdão n.º 3001000.759 S3C0T1 Fl. 315 5 (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 315DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.905194/2012-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/06/2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO.
O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, deve-se acatar a alteração dos dados anteriormente informados.
Numero da decisão: 3201-004.752
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, deve-se acatar a alteração dos dados anteriormente informados.
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente ALGAR TELECOM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, devese acatar a alteração dos dados anteriormente informados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 51 94 /2 01 2- 02 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10675.905194/201202 Acórdão n.º 3201004.752 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do Acórdão nº 09053.144, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG). O presente processo cuida de DCOMP amparada em crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior de Cofins. O pleito foi indeferido por intermédio de Despacho Decisório eletrônico, do qual consta a informação de que os pagamentos indicados no PER/DCOMP foram localizados, mas que haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Regularmente cientificado do indeferimento de seu pleito o contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade. Alegou haver transmitido DCTF retificadora na qual há a confirmação de seu crédito e que o quantum informado e pleiteado no PER/DCOMP é suficiente para a homologação da compensação declarada. Requereu a juntada do presente processo a outro processo administrativo alegando haver conexão entre eles. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão 09053.144. Em síntese, o colegiado entendeu que o contribuinte não comprovara, mediante documentos hábeis e idôneos, o direito creditório utilizado na DCOMP. Inconformado, o Contribuinte apresentou sucinto Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do crédito tributário postulado e anexando documentação complementar com vista à comprovação do seu direito creditório. Em primeiro exame, esta Turma Julgadora converteu o feito em diligência para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. A referida diligência foi devidamente cumprida sendo que a autoridade fiscal reconheceu o direito creditório alegado pelo contribuinte, em montante suficiente para homologar a compensação dos débitos informados na DCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.732, de Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10675.905194/201202 Acórdão n.º 3201004.752 S3C2T1 Fl. 4 3 30/01/2019, proferido no julgamento do processo 10675.905169/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.732): "(...) Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS não cumulativa. De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que: Foram anexadas à Impugnação cópias das declarações mencionadas. A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir na data da transmissão dessa Declaração" Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP, muito embora esta tenha ocorrido anteriormente à emissão do Despacho Decisório Eletrônico. Não obstante, embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento, a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado: Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10675.905194/201202 Acórdão n.º 3201004.752 S3C2T1 Fl. 5 4 No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, acrescenta aos autos cópia do seu balancete contábil. Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos, além do fato de que a retificação da sua DCTF ocorreu antes da emissão do despacho decisório. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Por tais razões é que se resolveu pela conversão do feito em diligência justamente para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. E, a verificação fiscal, confirmou o direito postulado pelo Contribuinte, nos seguintes termos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação com utilização de pagamento indevido ou a maior de COFINS. A compensação foi não homologada, a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente e a empresa apresentou Recurso Voluntário. Em 27/02/2018, através da Resolução nº 3201001.164 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fls. 128/132, o processo foi devolvido a esta DRF para analisar a Declaração de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora transmitida anteriormente ao Despacho Decisório. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10675.905194/201202 Acórdão n.º 3201004.752 S3C2T1 Fl. 6 5 A COFINS (5856) do período de apuração 11/2007 não teve seu valor alterado no Sistema SIEF FISCEL conforme declarado na DCTF retificadora apresentada em 04/02/2011, documentos de fls. 134/141. Com os elementos trazidos no processo, bem como os cálculos efetuados às fls. 142/145, verificase o resultado de um crédito no valor de R$ 33.651,25 suficiente para extinguir os débitos do processo 10675.905384/201211. Logo, diante do reconhecimento, pela Autoridade de origem, acerca da suficiência do crédito solicitado pela Recorrente para a extinção dos débitos declarados, devese reconhecer a procedência do presente Recurso Voluntário. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Importante observar que, tal como ocorreu no caso do paradigma, o presente processo foi baixado em diligência (Resolução 3201001.184) e a autoridade fiscal, também nestes autos, reconheceu o direito creditório postulado pela Recorrente, em montante suficiente para a extinção dos débitos informados na DCOMP. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 172DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.007865/2007-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Ano-calendário: 2013
VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA.
O TAXOTERE (20mg e 80 mg), medicamento utilizado no tratamento anticâncer, cuja principal matéria prima é a substância DOCETAXEL é classificado no código da NCM 3004.40.90.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-005.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2013 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. O TAXOTERE (20mg e 80 mg), medicamento utilizado no tratamento anticâncer, cuja principal matéria prima é a substância DOCETAXEL é classificado no código da NCM 3004.40.90. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 78 65 /2 00 7- 00 Fl. 524DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para a cobrança da multa prevista pelo Artigo 84, Inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835/01, combinado com os Artigos 69 e 81, Inciso IV, da Lei nº 10.833/03, no valor de R$ 809.428,02. Isso porque, em ato de revisão aduaneira, efetuada na forma do Artigo 570 do Decreto n.º 4.543/02 – Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, coube à fiscalização analisar diversas DI da interessada, listadas às fls. 08 a 10 (eprocesso), registradas no período de 04/12/2003 a 22/11/2005. Neste trabalho, constatou a fiscalização que a posição tarifária adotada pelo importador para o produto TAXOTERE (20mg e 80 mg), medicamento utilizado no tratamento anticâncer, cuja principal matéria prima é a substância DOCETAXEL, não estava correta. A empresa autuada classificou o referido produto no código (NCM) 3004.40.90, aplicando a alíquota de 8% (TEC) para o Imposto de Importação e 0% (TEC) para o Imposto sobre Produtos Industrializados, já a fiscalização entendeu que a classificação correta seria (NCM) 3004.90.59. As alíquotas para o Imposto de Importação, bem como as alíquotas para o Imposto sobre Produtos Industrializados são as mesmas para as duas classificações, não havendo portanto crédito tributário decorrente de diferenças entre as alíquotas. Alegou a fiscalização que a classificação fiscal do medicamento e de sua principal substância já estavam normatizadas pela Secretária da Receita Federal do Brasil – RFB através da Instrução Normativa IN SRF n.º 80, de 27 de dezembro de 1996, que instituiu a Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatístico – NVE, cujo anexo único foi alterado pela Instrução Normativa IN SRF n.º 701, de 27 de dezembro de 2006. No caso, a substância DOCETAXEL aparece no subitem (NCM) 2932.99.99, enquanto que o medicamento TAXOTERE é encontrado no subitem (NCM) 3004.90.59. A NVE tem por base a Nomenclatura Comum do Mercosul NCM acrescida de atributos e suas especificações. Acrescentou a autoridade fiscal que o "DOCETAXEL" caracterizase,quando apresentado isoladamente, como um composto heterocíclico exclusivamente de heteroátomos de oxigênio, devendo por isso ser classificada na posição (NCM) 2932 – “Compostos heterocíclicos exclusivamente de heteroátomo(s) de oxigênio", mais especificamente no código Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10314.007865/200700 Acórdão n.º 3301005.716 S3C3T1 Fl. 3 3 (NCM) 2932.99.99 – "Outros". Por sua vez, os medicamentos contendo produtos (compostos orgânicos) da posição 2932 são classificados no item (NCM) 3004.40.5, e por não se encontrar especificamente em nenhum dos códigos específicos deste item o produto TEXATORE deve ser classificado no código (NCM) 3004.90.59. Ciente do Auto de Infração, em 21/09/2007 (fl. 200 do e processo), a interessada apresentou a impugnação de fls. 210 a 257 (eprocesso). Na sua peça de defesa alegou: 1. Em que pese a correta classificação fiscal adotada pela impugnante, foi autuada sob alegação de que a classificação não seria adequada ao produto importado; 2. O TAXOTERE consiste em medicamento constituído por um composto orgânico, derivado de alcalóide diterpenóide complexo, usado para fins terapêuticos em quimioterapia, que tem como matéria prima principal o DOCETAXEL. Cita regras gerais para interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH), instituído pelo Decreto 97.409/88; 3. Considerando a Regra Geral de Interpretação RGI “3a”, ainda que se admita a classificação do DOCETAXEL sob o código (NCM) 2932.99.99, em razão da existência de um heterocíclico com heteroátomo de oxigênio, é inquestionável a sua adequação no código (NCM) 2939.99.90, considerando que se trata de um alcalóide vegetal, sendo as duas classificações específicas; 4. Assim sendo, ainda que possíveis as classificações (NCM) 2932.99.99 e 2939.99.90, por serem classificações igualmente específicas, devemos considerar mais adequada a classificação (NCM) 2939.99.90, nos termos da RGI “3c”, por se tratar da posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as posições tidas como adequadas; 5. Considerando a classificação do DOCETAXEL no código (NCM) 2939.99.90, o medicamento importado TAXOTERE, que contém o ingrediente ativo em questão, deve ser classificado na posição (NCM) 3004.40, mais especificamente no código (NCM) 3004.40.90, que abrange os medicamentos que contem alcalóides ou seus derivados; 6. Apesar de entender correta a classificação do TAXOTERE no código (NCM) 3004.40.90, atualmente vem classificando o produto como (NCM) 3004.90.59 apenas para evitar problemas advindos de eventuais fiscalizações, considerando a publicação da IN 603/05, que alterou o anexo da IN 80/96, que instituiu a Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística, na qual o princípio ativo DOCETAXEL (NVE 0014 114977285) está classificado no código (NCM) 2932.99.99, bem como o produto que contém este princípio ativo está classificado no código 3004.90.59 (NVE 0055 114977285); 7. A IN SRF 603/05 foi publicada em dezembro de 2005, sendo que no período abarcado pela autuação (dezembro de 2003 a Fl. 526DF CARF MF 4 novembro de 2005), não havia nenhuma previsão para a classificação do DOCETAXEL sob o código (NCM) 29.32.99.99, não havendo que se falar, portanto, na classificação do TAXOTERE no código (NCM) 3004.90.59; 8. Qualquer iniciativa das autoridades alfandegárias no sentido de exigir a classificação do TAXOTERE sob o código (NCM) 3004.90.59 em período anterior a dezembro de 2005, quando foi publicada a IN SRF 603/05, constitui flagrante afronta ao princípio da irretroatividade da lei tributária, pois se está fazendo retroagir o disposto no referido instrumento normativo. Apenas a lei mais benéfica é que pode retroagir, por força do que estabelece o Art. 106 do CTN. Cita legislação; 9. Considera descabida a exigência concernente à multa regulamentar prevista no Artigo 84, Inciso I, da MP n.º 2.15835/2001, considerando que a classificação adotada pela impugnante é adequada e plenamente aplicável à mercadoria importada; 10. Ainda que adequada a classificação tarifária procedida pela autoridade alfandegária, não poderia prevalecer a aplicação da penalidade imposta à impugnante, isto porque é evidente a ausência de máfé com relação às informações prestadas à impugnada, sendo certo que a suposta imprecisão na classificação do produto não culminou em qualquer diferença relacionada aos impostos apurados nestas importações; 11. Importante observar que as multas administrativas visam inibir a prática de atos que lesem o erário, o que não ocorreu no caso concreto. Não se apurou qualquer diferença de II ou de IPI devidos nas importações, uma vez que as alíquotas relativas aos referidos impostos não sofreram nenhuma alteração em decorrência da divergência de classificação; 12. Evidente o caráter confiscatório da multa em questão, vez o patente descompasso entre o suposto ilícito e a punição cominada, considerando que não há que se falar em diferença de crédito tributário concernente ao II e IPI no caso concreto; 13. A instituição de tributos quanto a previsão de multas deve conformarse não apenas ao princípio da legalidade, mas também aos demais princípios, sob pena de invalidade. Assim, o fato de a multa estar prevista na MP n.º 2.15835/2001 não basta para que se considere válida; ao contrário, é evidente a sua inaplicabilidade, por constituir nítida afronta ao princípio constitucional da vedação ao confisco, nos termos do Art. 150, Inc. IV, da Constituição Federal. Cita julgado do STF; 14. Ao final, requer seja acatada a matéria aduzida, cancelando se integralmente o auto de infração, afastandose a exigência concernente à multa prevista pelo Artigo 84, Inciso I, da MP n.º 2.15835/2001." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a impugnação, mantendo integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 04/12/2003 a 22/11/2005 Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10314.007865/200700 Acórdão n.º 3301005.716 S3C3T1 Fl. 4 5 Revisão Aduaneira Multa. Declarações de Importação. Cabível a multa prevista no Art. 84, Inc. I, da Medida Provisória 2.15835/2001, se o importador não logrou classificar corretamente a mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul. Vedação ao confisco Multa. A multa de ofício constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no Artigo 150, Inciso IV, da Constituição Federal. Tal vedação, como norma programática, é dirigida ao Poder Legislativo, que deve levar em consideração tal preceito, quando da feitura das leis. À Administração Pública compete apenas aplicar a legislação vigente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto Recurso Voluntário repisando as alegações já apresentadas na impugnação. A turma de julgamento no CARF ao apreciar as alegações do recurso, entendeu ser imprescindível a elaboração de laudo técnico para solucionar as questões suscitadas no recurso. Assim, foi determinado a conversão do julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora intimasse a Recorrente a apresentar laudo técnico do INT, com os seguintes quesitos: a) O produto Docetaxel é um composto heterocíclico exclusivamente de heteroátomos de oxigênio ? b) O produto Docetaxel é um alcalóide ? c) O produto Taxotere contém alcalóides ou seus derivados, ? d) O produto Taxotere contém antibióticos, hormônios, prostaglandinas, tromboxanas e leucotrienos, naturais ou reproduzidos por síntese ou seus derivados e análogos estruturais, incluindo os polipeptídios de cadeia modificada, utilizados principalmente como hormônios ? Concluído o laudo técnico, os autos foram devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Fl. 528DF CARF MF 6 Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecidas. PRELIMINARES A Recorrente alega em sua defesa, em sede preliminar, a existência de nulidade do auto de infração em razão da ausência de motivação e suporte probatório, afirmando a ausência de materialidade e dos pressupostos básicos e cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa. Entendo não assistir razão ao recurso. A Recorrente foi intimada do auto de infração, das motivações da fiscalização para o lançamento, da base legal que lastreia a exigência fiscal e os motivos para aplicação das penalidades. A Recorrente protocolou sua impugnação questionando as afirmações da Fiscalização que motivaram o lançamento e após a decisão da DRJ apresentou recurso voluntário trazendo os mesmos questionamentos que foram objeto da exigência fiscal e de julgamento pela primeira instância. Não vislumbro nenhum questão que possa levar a nulidade da exigência fiscal. As motivações estão bem delineadas e bem aclaradas, as alegações da recorrente que não pode exercer plenamente a sua defesa não podem prosperar diante dos procedimentos adotados em estrita obediência ao Processo Administrativo Fiscal, onde foi garantida à Recorrente ampla e plena defesa, trazendo as alegações que questionam o lançamento fiscal e ainda sendolhe franqueado apresentar documentos que possam corroborar e atestar a veracidade das suas afirmações. A simples alegação de que a Fiscalização não adotou os procedimentos que entende a Recorrente seriam os mais corretos e ainda, que não pode se manifestar durante a fiscalização não implica em vício no lançamento. Para discutir a exigência fiscal constante do auto de infração, basta o contribuinte utilizar os procedimentos previstos no Decreto nº 70.235/72, e foi o que fez a Recorrente ao impugnar o lançamento, momento a partir da qual é permitido à Recorrente apresentar seus argumentos de defesa, documentos e informações que entende serem suficiente para refutar as conclusões da Fiscalização. A plenitude de defesa é assegurada durante o Processo administrativo Fiscal, onde a Recorrente possui todas as prerrogativas necessárias a sua defesa. Assim, não existe vício no lançamento fiscal. As afirmações quanto as divergências das conclusões da Fiscalização forma o litígio fiscal que e apreciado nos ritos previstos no Decreto nº 70.235/72. O que se mostra corretamente adotado no presente processo. Assim, não existe nenhuma nulidade no procedimento fiscal ou no instrumento de exigência, estando todo o procedimento dentro das normativas do PAF. MÉRITO Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10314.007865/200700 Acórdão n.º 3301005.716 S3C3T1 Fl. 5 7 A teor do relatado, a discussão nos autos esta adstrita a classificação de mercadoria adotada para o produto farmacêutico Taxotere. A Fiscalização adotou a classificação na posição NCM 3004.90.59 e a Recorrente alega que a classificação correta seria no código NCM 3004.40.90. Os argumento da autoridade lançadora foram embasados na IN SRF nº 701/2006 que ao tratar da Nomenclatura de Valor e Estatística NVE incluiu o produto Taxotere na posição NCM 3004.90.59. Também consta do trabalho fiscal, a discussão quanto a classificação do produto Docetaxel, que é o principio ativo do medicamento em questão. A Fiscalização entendeu que este produto estaria classificado na posição 2932.99.99, em razão também de NVE estar vinculando tal produto a este código. A Recorrente por sua vez, entende que a correta classificação seria o código 2939.99.90, amparado no argumento de que o produto trata se de um alcalóide vegetal. As códigos NCM em litígio são os seguintes. 29.32 Compostos heterocíclicos exclusivamente de heteroátomo(s) de oxigênio. 2932.99 Outros 2932.99.1 Eucaliptol; quercetina; dinitrato de isossorbida; carbofurano 2932.99.11 Eucaliptol 12 2932.99.12 Quercetina 14 2932.99.13 Dinitrato de isossorbida 2 2932.99.14 Carbofurano 2 2932.99.9 Outros 2932.99.91 Cloridrato de amiodarona 14 2932.99.92 1,3,4,6,7,8Hexaidro4,6,6,7,8,8hexametilciclopentagama2benzopirano 12 2932.99.93 Dibenzilidenosorbitol 14 2932.99.94 Carbosulfan ((dibutilaminotio)metilcarbamato de 2,3diidro2,2dimetilbenzofuran7ila) 2 2932.99.99 Outros 2 29.39 Alcalóides vegetais, naturais ou reproduzidos por síntese, seus sais, éteres, ésteres e outros derivados. 2939.9 Outros: 2939.91 Cocaína, ecgonina, levometanfetamina, metanfetamina (DCI), racemato de metanfetamina; sais, ésteres e outros derivados destes produtos 2939.91.1 Cocaína e ecgonina; sais, ésteres e outros derivados destes produtos 2939.91.11 Cocaína e seus sais 2 2939.91.12 Ecgonina e seus sais 2 2939.91.19 Outros 2 2939.91.20 Levometanfetamina, seus sais, ésteres e outros derivados 2 2939.91.30 Metanfetamina, seus sais, ésteres e outros derivados 2 2939.91.40 Racemato de metanfetamina, seus sais, ésteres e outros derivados 2 2939.99 Outros 2939.99.1 Escopolamina e seus derivados; sais destes produtos 2939.99.11 Brometo de Nbutilescopolamônio 2 2939.99.19 Outros 2 2939.99.20 Teobromina e seus derivados; sais destes produtos 2 2939.99.3 Pilocarpina e seus sais 2939.99.31 Pilocarpina, seu nitrato e seu cloridrato 14 2939.99.39 Outros 2 2939.99.40 Tiocolquicósido 14 2939.99.90 Outros 2 Fl. 530DF CARF MF 8 30.04 Medicamentos (exceto os produtos das posições 30.02, 30.05 ou 30.06) constituídos por produtos misturados ou não misturados, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, apresentados em doses (incluindo os destinados a serem administrados por via percutânea) ou acondicionados para venda a retalho. 3004.40 Que contenham alcalóides ou seus derivados, mas que não contenham hormônios nem outros produtos da posição 29.37, nem antibióticos 3004.40.10 Vimblastina; vincristina; derivados destes produtos; topotecan ou seu cloridrato 0 3004.40.20 Pilocarpina, seu nitrato ou seu cloridrato 14 3004.40.30 Metanossulfonato de diidroergocristina 8 3004.40.40 Codeína ou seus sais 14 3004.40.50 Granisetron; tropisetrona ou seu cloridrato 0 3004.40.90 Outros 8 3004.90 Outros 3004.90.5 Que contenham produtos das posições 29.30 a 29.32, mas que não contenham produtos dos itens 3004.90.1 a 3004.90.4 3004.90.51 Quercetina 14 3004.90.52 Tiaprida 8 3004.90.53 Etidronato dissódico 14 3004.90.54 Cloridrato de amiodarona 14 3004.90.55 Nitrovin; moxidectina 14 3004.90.57 Carbocisteína; sulfiram 14 3004.90.58 Ácido clodrônico ou seu sal dissódico; estreptozocina; fotemustina 0 3004.90.59 Outros 8# Consultando na TEC as posições em discussão é possível identificar que a posição 3004.90.5 é utilizado para os medicamentos que contenham produtos das posições 29.30 a 29.32. Condição considerada pela Fiscalização que classificou o produto Docetaxel na posição 2932.99.99. A recorrente alega que o Docetaxel poderia ser classificado também na posição 2939.99.90, por tratarse de um alcalóide vegetal. Sustentando, que mesmo sendo considerado possível a classificação adotada pela Fiscalização, a Regra RGI 3.c determinaria a classificação na posição superior, confirmando a posição adotada pela Recorrente. Em que pese o fato da IN SRF nº 701/2006 ter tratado o Taxotere e o Docetaxel nas NVE, indicando as posições defendidas pela Fiscalização. A inclusão dos produtos na NVE ocorreu em data posterior as importações que foram objeto de reclassificação e não configura uma análise efetiva e especifica da classificação dos referidos produtos por um procedimento realizado pela Coordenação Aduaneira ou pelo órgão responsável pela classificação na Coordenação do Sistema de Tributação da Receita Federal utilizando as regras gerais de classificação do sistema harmonizado, conforme determina a legislação aduaneira. A observação da determinação contida na IN SRF nº 701/2006 a partir da sua publicação tem um caráter obrigatório por parte da Receita Federal, entretanto, é mister ressaltar que as importações que foram objeto do lançamento fiscal controlado no presente processo ocorreram em data anterior a publicação da referida instrução normativa. A turma original de julgamento, entendeu, diante da ausência do procedimento de classificação em proceder esta análise e para prosseguir neste caminho resolveu converter o julgamento em diligência para que fosse providenciado laudo técnico que Fl. 531DF CARF MF Processo nº 10314.007865/200700 Acórdão n.º 3301005.716 S3C3T1 Fl. 6 9 pudesse confirmar as características do produto e permitir, seguindo as regras gerais de classificação, identificar a correta posição da mercadoria dentro da TEC. O laudo apresentado pelo INT deixa elucidado duas posições centrais na discussão da classificação do Taxotere, conforme consta dos trechos abaixo, extraídos do laudo técnico, o Taxotere é um produto obtido a partir do Docetaxel, que por sua vez é um "composto heterocíclico exclusivamente de heteroátomos de oxigênio" e também é um "alcalóide". De acordo com as conclusões do laudo técnico o Taxotere é "constituído essencialmente de seu princípio ativo Docetaxel". Ressaltese que apesar da classificação fiscal do Docetaxel permearem todos a discussão dos autos, o presente lançamento, cingese a aplicação da multa por erro de classificação do produto Taxotere. Portanto, este voto não vai adentrar a discussão sobre a efetiva classificação do Docetaxel, por entender, que a matéria não é necessária para a classificação do produto Taxotere. A relevância da análise e das informações trazidas no laudo técnico sobre o Docetaxel foi confirmar tratarse de um produto composto de heterocíclico exclusivamente de heteroátomos de oxigênio e tratavase de um alcalóide. Fl. 532DF CARF MF 10 A partir destas conclusões, podese prosseguir com a análise da classificação do Taxotere aplicando as regras gerais de classificação, que determinam ser os textos das posições, subposições, itens e subitens como característica determinante para a classificação das mercadorias. No caso em tela, a classificação adotada pela Receita Federal e a Recorrente convergem para a classificação do Taxotere na posição 30.04 "Medicamentos (exceto os produtos das posições 30.02, 30.05 ou 30.06) constituídos por produtos misturados ou não misturados, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, apresentados em doses (incluindo os destinados a serem administrados por via percutânea) ou acondicionados para venda a retalho". A divergência passa a ocorrer na subposição adotada. A Receita Federal entende que o Taxotere classificase na subposição 30.04.90 "Outros" e a Recorrente utiliza a subposição 30.04.40 "Que contenham alcalóides ou seus derivados, mas que não contenham hormônios nem outros produtos da posição 29.37, nem antibióticos ". Analisando as duas subposições é possível identificar que a subposição 30.04.40 trata dos medicamentos que contenham alcalóide e não contém os produtos hormônios, nem produtos da posição 29.37, nem antibióticos. Assim, as especificações da subposição 30.04.40, ao meu sentir, descrevem as características do Taxotere, que é composto de um alcalóide, o Docetaxel. Informação confirmada no laudo técnico descrito acima. A posição 30.04.90, somente pode ser utilizada quando o produto a ser classificado não se reveste de nenhuma das características descrita nas subposições anteriores. Adotando a subposição 30.04.40 para o Taxotere e não sendo compatível com os itens e subitens específicos desta subposição, resta a utilização da código 30.04.40.90. Assim, entendo, que a classificação fiscal do Taxotere é 3004.40.90 e portanto, correta a classificação adotada pelo Recorrente, devese afastar a multa por erro de classificação fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 533DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.900194/2011-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004.
Os artigos 2º, parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e Cofins, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições.
Numero da decisão: 3201-004.936
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NA REVENDA. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente DIBEM DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS MARANHENSE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004. Os artigos 2º, parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e Cofins, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 90 01 94 /2 01 1- 47 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10320.900194/201147 Acórdão n.º 3201004.936 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O presente processo trata de pedido de ressarcimento de COFINS mercado interno. A DRF em São Luís, por intermédio de Despacho Decisório, indeferiu o pleito alegando impossibilidade de confirmar a existência do direito creditório, tendo em vista que a interessada, mesmo intimada, não apresentou Dacon contendo informações do período de apuração do crédito pleiteado. Adotou por fundamento legal os arts. 39 e 40 da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, e art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade argumentando que agiu de boafé quando transmitiu o Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS e Cofins, com amparo no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. E que a falta de preenchimento do Dacon, à época, se deu por situações alheias a sua vontade. A DRJ/Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não homologou a compensação declarada, nos termos do Acórdão 06050.489. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. OBRIGATORIEDADE DA APRESENTAÇÃO DO DACON. Cabe ao sujeito passivo o ônus de comprovar a existência do direito creditório, demonstrando a base de cálculo dos créditos aproveitados, vinculados aos respectivos elementos de prova, podendo a autoridade administrativa condicionar o reconhecimento dos créditos à apresentação de documentos, escrituração fiscal ou informações que julgar necessárias. COFINS. MERCADO INTERNO. VENDAS A VAREJO E NO ATACADO DE BEBIDAS E REFRIGERANTES. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS MONOFÁSICOS PARA REVENDA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. O art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, realizadas por comerciantes atacadistas e varejistas de bebidas e refrigerantes, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito de aquisições, nas vendas submetidas à incidência monofásica, desde a sua definição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10320.900194/201147 Acórdão n.º 3201004.936 S3C2T1 Fl. 4 3 Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a compensação declarada. Suscita que a manutenção dos créditos de PIS/Cofins na escrita fiscal tem respaldo no art. 17 da Lei 11.033/04. Aduz que o fato de as aquisições serem efetuadas com alíquota zero não impede o creditamento dessas Contribuições. Por ser tal norma posterior, que regulamenta a mesma matéria, revogou o art. 3º, I, b da Lei nº 10.833/03. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.933, de 25/02/2019, proferido no julgamento do processo 10320.900191/201111, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.933): "(...) O litígio, conforme pontuado pela decisão recorrida, versa sobre o indeferimento no despacho decisório de direito creditório (ressarcimento/compensação) em razão da impossibilidade de análise do crédito pleiteado em face da omissão da contribuinte na entrega de Dacon. Todavia, o fundamento da DRJ para negativa ao pleito, contrapondo as razões arguidas na manifestação de inconformidade, foi de que as saídas por revenda de produtos da contribuinte (bebidas e refrigerantes) inseremse no regime de tributação concentrada (na indústria) com alíquota zero em suas operações e, portanto, vedada a apropriação de crédito de PIS/Cofins a teor do art. 3º, inciso I, alínea b, das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03. A recorrente insiste que o art 17 da Lei nº 11.033/04 revogou os dispositivos que vedam o crédito de que trata o referido art. 3º, mantendo, assim, os créditos apurados. A solução do litígio cingese, então, acerca da possibilidade ou não da apuração e manutenção de crédito nas aquisições de água, refrigerante, cerveja e preparações compostas, classificados nos códigos 22.01, 22.02, 22.03 e 2106.90.10 da TIPI, pela recorrente Não há controvérsia nos autos sobre a vedação do créditos ns aquisições da recorrente nos termos do art. 3º, I, b, das referidas Leis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10320.900194/201147 Acórdão n.º 3201004.936 S3C2T1 Fl. 5 4 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b no § 1o do art. 2o desta Lei.” A divergência entre a decisão recorrida e a contribuinte é acerca da possibilidade de manutenção dos créditos nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/04. Destarte, a solução do litígio é decidir quanto à aplicação no caso dos autos da vedação de crédito expressa nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 frente ao disposto no art. 17. A matéria foi tratada com acurada análise no voto condutor do Acórdão nº 3401 003.517, de lavra do Conselheiro Rosaldo Trevisan, sessão de 25/04/2017, sobre fatos ocorridos no mesmo período do presente processo, que ao final conclui pela natureza interpretativa do art. 17 da Lei nº 11.033/04, além de que se trata de uma lei geral, na trazendo nenhuma disposição nova e mais específica que as constantes nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Assim, adoto as razões de decidir naquele Acórdão fazendo meus fundamentos na situação dos autos, o que peço vênia para reproduzilas: " Da natureza do comando presente no artigo 17 da Lei no 11.033/2004 No próprio despacho decisório, destaca a autoridade fiscal que o artigo 17 da Lei no 11.033/2004 trata de manutenção de créditos existentes, e não de criação de créditos novos. Por outro lado, a recorrente dispõe que a Medida Provisória no 206, de 09/08/2004 (no art. 16), posteriormente convertida na Lei no 11.033, de 22/12/2004 (art. 17), alastrada à Instrução Normativa SRF no 594/2005 (art. 38), veio a corrigir situação desigual entre os diferentes elos da cadeia produtiva automobilística, que, de fato, não é monofásica, mas com um dos elos sujeitos à alíquota zero. Sobre o correto emprego do termo “monofásico”, é de se informar que a legislação aqui já transcrita não se preocupou efetivamente em definilo, precisamente, mas expressamente estabeleceu vedação ao desconto de créditos em relação a determinadas situações (sejam elas ou não “monofásicas”, na acepção restrita do termo, defendida pela recorrente) previstas em lei, entre as quais a Lei no 10.485/2002, na qual indiscutivelmente se enquadram as operações da recorrente. Assim, é irrelevante ao deslinde do presente contencioso a discordância terminológica, visto que as menções da lei não são simplesmente a operações monofásicas, mas a operações expressamente previstas em determinadas leis, entre as quais aquela na qual se enquadra a situação da operação realizada pela recorrente. Aliás, o termo “monofásica” aparece uma única vez na Lei no 10.833/2003, no artigo 12, § 7o (que trata do desconto correspondente ao estoque de abertura). E basta a leitura de tal parágrafo para que se perceba que o legislador não teve a mesma visão restritiva do termo albergada pela recorrente: “§ 7o O disposto neste artigo aplicase, também, aos estoques de produtos que não geraram crédito na aquisição, em decorrência do disposto nos §§ 7o a 9o do art. 3o desta Lei, destinados à fabricação dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outros submetidos à incidência monofásica da contribuição.” (grifo nosso) Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10320.900194/201147 Acórdão n.º 3201004.936 S3C2T1 Fl. 6 5 Portanto, as discussões suscitadas pela recorrente em relação a monofasia, ou à sistemática de apuração das contribuições, assumem reduzida importância diante dos textos expressos dos comandos legais, que indiscutivelmente vedavam o desconto de créditos para as operações em análise, textos legais esses que não podem ser afastados pelo julgador administrativo em função de eventuais inconstitucionalidades apontadas pela empresa, como aqui já destacado. Resta, assim, à defesa, um único argumento que não esbarraria na discussão sobre a constitucionalidade das vedações existentes, de que teria a Lei no 11.033/2004, resultante da conversão da Medida Provisória no 206/2004, efetivamente criado uma nova hipótese de desconto de crédito, derrogando a existente nas leis de regência das contribuições. Sobre a alegação, cabe salientar que, em 09/08/2004 foi publicada a Medida Provisória no 206/2004 (vigente a partir de 09/08/2004), que, em seu art. 16, dispôs: “Art. 16. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” A Exposição de Motivos da Medida Provisória (EM No 00111/2004 MF) parece não deixar dúvidas sobre o caráter declaratório (e não constitutivo) do comando: “19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.”(sic) (grifo nosso) Não se cria obrigação, assim, com o art. 16, nem se derroga eventual vedação existente nas leis de regência das contribuições. Apenas se garante a “manutenção” (palavra essa que já sugere o caráter interpretativo do comando) dos créditos vinculados, já se destacando que a “manutenção” do crédito pressupõe a prévia existência do direito ao crédito. E isso decorre claramente da conclusão lógica/semântica de que é impossível “manter” aquilo que não se tem. E, com a publicação da Lei no 11.116, de 18/05/2005 (vigente a partir de 19/05/2005), também não há revogação de vedação ou alteração substancial no direito de crédito previsto nas leis de regência das contribuições. Já enfrentamos o tema em mais de uma oportunidade, chegando a entendimento consolidado no sentido de que: “Sintetizando nosso entendimento: é possível a apuração de créditos previstos nas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 em relação a insumos tributados na aquisição (ainda que a saída do produto final esteja sujeita a alíquota zero), cabendo apenas observar se tal direito de crédito não encontra óbice nas vedações estabelecidas no corpo das próprias leis (v.g. inciso II do § 2o do art. 3o). E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória no 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004), que somente esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem pelo art. 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldocredor acumulado no trimestre.” (grifo nosso) (Acórdão no 3403003.488, Rel. Cons. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10320.900194/201147 Acórdão n.º 3201004.936 S3C2T1 Fl. 7 6 Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao entendimento em apreço, sessão de 27 jan. 2015) No mesmo sentido, de que não houve revogação de vedação a direito de crédito existente nas leis de regência pela Lei no 11.033/2004, em casos de revendedora de veículos e autopeças, já decidiu unanimemente este tribunal administrativo: “COFINS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. REVENDEDORA DE VEÍCULOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de máquinas e veículos relacionados no art. 1º da Lei 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS e da Cofins,, dada a expressa vedação, consoante o art. 3o , inciso I, alínea "b”” das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, respectivamente. A previsão contida no art. 17 da Lei n° 11.033/04 tratase de regra geral não se aplicando nos casos de tributação monofásica por força da referida vedação legal.” (grifo nosso) (Acórdãos n. 3801004.111 a 139, todos unânimes, Rel. Cons. Marcos Antonio Borges, sessão de 19 ago. 2014) “DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004. Os artigos 2º, parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e COFINS, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições.” (Acórdão n. 3302002.272, unânime, Rel. Cons. Gileno Gurjão Barreto, sessão de 21 ago. 2013) Em síntese, a falta de uniformidade sobre o que se designa exatamente como “monofásico” é absolutamente marginal diante das vedações, que remetem a dispositivos legais, e não à “monofasia”, em geral. E a Lei no 11.033/2004 não afetou a vigência de tais vedações, previstas nas leis de regência das contribuições. Não socorre a recorrente, a nosso ver, então, a tese de que a Lei no 11.033/2004 teria revogado dispositivos legais que vedavam o aproveitamento de créditos, nas leis de regência das contribuições. A Lei no 11.033/2004 não traz disposição “mais específica” que as constantes nas leis de regência, mas disciplina adicional a elas, com caráter explicativo, e não derrogador de disposição legal expressa, não sendo difícil concluir que a palavra “manterão”, nem de longe, parece ter o condão de transformar vedação expressa em permissão. Derradeiramente, adicionese que as disposições constantes em medidas provisórias diversas, e que não foram convertidas em lei, relacionadas pela recorrente, não se prestam a formar conclusões a contrário senso. O complexo processo que leva à não conversão de medidas provisórias em lei (de concordância parcial, discordância, desnecessidade, irrelevância, inadequação redacional, entre outros) não pode ser simploriamente resumido à conclusão de que cada comando da MP não convertida em lei deveria ser interpretado como comando legal vigente com a redação oposta. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10320.900194/201147 Acórdão n.º 3201004.936 S3C2T1 Fl. 8 7 Ressaltase, ainda, que o creditamento nos casos em que a saída é tributada à alíquota zero como a revenda de produtos tributados de forma concentrada implicaria verdadeira isenção (posicionamento jurisprudencial dos tribunais superiores), sendo ilógico assegurarlhe crédito, quando inexiste disposição expressa e específica em Lei. Por fim, há posicionamentos da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça que mantém, em seus precedentes, a impossibilidade de aproveitamento dos créditos postulados, inclusive com o fundamento de que é irrelevante à solução da controvérsia decidir quanto a aplicação do art. 17 da Lei nº 11.033/04 apenas ao REPORTO. Transcrevo precedentes: EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. AUSÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO PELO SUJEITO INTEGRANTE DO CICLO ECONÔMICO QUE NÃO SOFRE A INCIDÊNCIA DO TRIBUTO 1. O Superior Tribunal de Justiça possui jurisprudência no sentido de que as receitas provenientes das atividades de venda e revenda sujeitas ao pagamento das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS em Regime Especial de Tributação Monofásica não permitem o creditamento pelo revendedor das referidas contribuições incidentes sobre as receitas do vendedor por estarem fora do Regime de Incidência Não Cumulativo, a teor dos artigos 2º, § 1º, e incisos; e 3º, I, "b" da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003. 2. Com efeito, não se lhes aplicam, por incompatibilidade de regimes e por especialidade de suas normas, o disposto nos artigos 17, da Lei 11.033/2004, e 16, da Lei 11.116/2005, cujo âmbito de incidência se restringe ao Regime Não Cumulativo, salvo determinação legal expressa. 3. Ademais, ressalvase a impertinência para a solução da controvérsia da verificação da abrangência do Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO. 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1.698.583/DF, Rel. Ministro HERMAM BENJAMIN, segunda TURMA, julgado em 16/11/2017, DJe 19/12/2017) TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DE INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. APLICAÇÃO A EMPRESAS INSERIDAS NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO DENOMINADO REPORTO. SÚMULA 83/STJ. 1. A Segunda Turma do STJ firmou o entendimento de que a incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento, e que o benefício instituído no art. 17 da Lei 11.033/2004 somente é aplicável às empresas que se encontram inseridas no regime específico de tributação denominado Reporto (Precedente: REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 2.9.2010, DJe 22/9/2010). 2. Agravo Interno não provido Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10320.900194/201147 Acórdão n.º 3201004.936 S3C2T1 Fl. 9 8 (AgInt no Agravo em REsp 1.199.305/SP, Rel. Ministro HERMAM BENJAMIN, segunda TURMA, julgado em 22/05/2018, DJe 23/11/2018) Portanto, mantémse a vedação ao crédito de PIS e Cofins nas aquisições de produtos sujeitos à tributação monofásica, conforme disposições estabelecidas nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, que não foram revogadas pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que este não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, e não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." (...)1 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza 1 Deixouse de transcrever a declaração de voto, apresentada no processo paradigma, por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio deste processo. No entanto, sua íntegra consta do acórdão do processo paradigma (9303004.933). Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006101/2008-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-001.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 61 01 /2 00 8- 17 Fl. 133DF CARF MF 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2005, anocalendário de 2004, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário no montante de R$ 69.209,96, atualizado até março de 2008. Foi constatada a seguinte irregularidade, conforme a Descrição dos Fatos: dedução indevida de despesas médicas, especialmente pela falta de comprovação do pagamento no valor de R$32.809,00 bem como Omissão de Rendimentos de Aluguéis Recebidos de Pessoa Física DIMOB no valor de R$ 84.177,28. A interessada foi cientificada da notificação e apresentou impugnação juntando diversos documentos de fls. 31/55, por intermédio de procurador qualificado em fls. 15, alegando, em resumo, que concorda com a notificação de omissão de rendimentos de aluguel bem como parte das despesas médicas, restando a lide na discussão da despesas médicas no montante de R$ 22.844,00. A São Paulo, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os recibos apresentados pela contribuinte não foram suficientes para comprovar o quanto alegado e para comprovar que efetivamente ocorreram as despesas em análise. Em sede de Recurso Voluntário, salienta a contribuinte que além dos recibos completos, foram entregues declarações devidamente assinadas por cada profissional, contendo todos os detalhes da prestação de serviços bem como salienta que os outros processos da mesma natureza, com mesma discussão, que tramitavam no CARF, em que era parte interessada, foram devidamente providos. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10980.006101/200817 Acórdão n.º 2001001.198 S2C0T1 Fl. 3 3 Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” A Recorrente salienta que além dos recibos completos, foram entregues declarações devidamente assinadas por cada profissional, contendo todos os detalhes da prestação de serviços bem como salienta que os outros processos da mesma natureza, com mesma discussão, que tramitavam no CARF, em que era parte interessada, foram devidamente providos. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e Fl. 135DF CARF MF 4 análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na justificativa extremamente fundamentada pela Recorrente entendo que deve ser DADO provimento ao Recurso Voluntário . CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para considerar como dedutíveis as despesas médicas em análise. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10980.006101/200817 Acórdão n.º 2001001.198 S2C0T1 Fl. 4 5 Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10821.720498/2013-43
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
IMPOSTO RETIDO NA FONTE. PROVAS.
O imposto retido na fonte pode ser comprovado com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2001-001.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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Numero do processo: 15374.901700/2008-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PERDCOMP. INOVAÇÃO. COMPENSAÇÃO.
Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo.
Numero da decisão: 1201-002.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PERDCOMP. INOVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior
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INOVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 17 00 /2 00 8- 16 Fl. 111DF CARF MF 2 Tratase de Declaração de Compensação n° 28143.01672.121103.1.3.04 4117 transmitida em 12/11/2003, (efl. 03), através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito proveniente de pagamento indicado como indevido em 28/06/2002: DARF com período de apuração 31/05/2002, código de receita 2484, Estimativa mensal de CSLL, valor do principal R$ 3.560,77. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório n° 757788235, de 24/04/2008 (efl. 03), que analisou as informações e reconheceu que o pagamento (n° 1269993581) foi integralmente utilizado para quitação de débito de estimativa mensal do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efl. 12) na qual alegou que ao Final do Exercício foi efetuado o balanço anual onde se apurou o CSLL tributável em valor inferior aos valores antecipados, gerando saldo negativo de CSLL compensável. O litígio foi assim relatado pelo Acórdão Recorrido (efl. 41): 3. Inconformada, a Interessada apresentou, em 30/05/2008, a Manifestação de Inconformidade de fls. 11/12, com anexos de fls. 13/32, na qual alega o seguinte: “O BICHO COMEU BIJOUTERIAS LTDA, inscrita no CNPJ sob o número 31.523.566/000121 estabelecida na Av. Rio Branco, 45 Sala 1105 a 1109, Centro, Rio de Janeiro, RJ Cep 20.090 003, vem muito respeitosamente apresentar a sua manifestação de inconformidade com o despacho decisório com rastreamento número 757788235 de 24/04/2008, pelos fatos abaixo relacionados: 1 No ano calendário de 2002 o contribuinte optou pelo recolhimento mensal do Imposto de Renda e Contribuição Social Sobre Lucro Líquido, POR ESTIMATIVA. 2 Foram recolhidos mensalmente o IRPJ por estimativa com base na receita bruta, conforme legislação em vigor, no total nominal de R$ 29.491,38 (cópias das guias em anexo). 3 Foram recolhidos mensalmente o CSLL por estimativa com base na receita bruta, conforme legislação em vigor, no total nominal de R$ 22.868,56 (cópias das guias em anexo). 4 Ao Final do Exercício foi efetuado o balanço anual onde se apurou o Lucro Real Anual tributável de R$ 79.067,93 que gerou um IRPJ de R$ 11.875,51 (Ficha 06A) e CSLL de R$ 7.116,11 (Ficha 17) da DIPJ2003. 5 Como o contribuinte recolheu de CSLL durante o ano calendário a importância de R$ 22.868,56 (cópias das guias em anexo) e o valor da CSLL apurado com base no Lucro Real anual foi de R$ 7.116,11 (Ficha 17 da DIPJ 2003), foi gerado um CRÉDITO nominal para o contribuinte de R$ 15. 752,45. 6 Com o crédito, o contribuinte teria 02 caminhos a seguir: a) solicitaria a devolução do pagamento efetuado a maior b) faria compensação através da PER/DCOMP. Então o contribuinte optou pelo segundo caminho, ou seja, Fl. 112DF CARF MF Processo nº 15374.901700/200816 Acórdão n.º 1201002.871 S1C2T1 Fl. 112 3 compensou os recolhimentos efetuados a maior no ano calendário de 2003. 7 Assim o recolhimento de R$ 3.631,63 efetuado através do DARF código 2484 apuração 31/05/2002 é vencimento em 28/06/2002 e recolhido em 01/07/2002 foi parcialmente usado para compensar o débito do CSLL sobre lucro presumido do período de apuração Setembro/2003, com vencimento em 31/10/2003, conforme PER/DCOMP número 19042. 39390.121103.1.3. 046721 transmitido em 12/11/2003. 8 A empresa esclarece que o recolhimento de R$ 3.631,63 citado no item 7 acima, referese às quitações abaixo, conforme PER/DCOMP 25255.40263.2 71 103. 1.3. 040136, PER/DCOMP 19042.39390.121103. 1.3.04 6721 e PER/DCOMP 2814301672.121103.1.3.044117, não constando em nosso poder qualquer outro debito que vinculasse tal recolhimento. (...) 9 No despacho decisório não foi mencionado o débito em que teria sido utilizado o crédito gerado pelo recolhimento do DARF código 2484 apuração 31/05/2002 e vencimento em 28/06/2002 no valor de R$ 3.560, 77, arrecadado em 01/07/2002 com valor total de R$ 3. 631,63. " A manifestação foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 12 27.830 9ª Turma da DRJ/RJ1, efl. 41), que dispôs em voto que o que a manifestante sustenta é que cometeu um equívoco ao preencher o PER/DCOMP, pois indicou como crédito um DARF que não correspondia ao crédito que pleiteava (visava o saldo negativo de CSLL purado no ajuste anual) e que a contribuinte requer direito de retificar a PERDCOMP via processo administrativo fiscal regulado pelo Decreto 70.235/72. Sustenta a decisão que a retificação da PERDCOMP só é permitida antes de instaurado o litígio administrativo (IN SRF n° 900, de 30 de dezembro de 2008.). Cientificada em 16/01/2010 (efl. 49), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 09/02/2010 (efl. 51), em que aduz: O BICHO COMEU BIJOUTERIAS LTDA, inscrita no CNPJ sob o numero 31.523.566/000121, estabelecida na Av. Rio Branco, 45 Sala 1105 a 1109, Centro, Rio de Janeiro, RJ Cep 20.090 003, representada pelo seu representante legal Alvaro Fiães Inácio, não se conformando com os termos do acórdão em referência, vem muito respeitosamente apresentar RECURSO AO CARF, pelos motivos a seguir: 1) No ano calendário de 2003 a empresa optou pelo sistema de apuração pelo Lucro Real Anual, utilizando balancete de suspensão ou redução, ficando demonstrado que em todos os meses do ano calendário de 2003 a empresa teve base de cálculo do IRPJ e da CSLL negativa. (folhas 7 a 15 do DIPJ 2004 ano calendário de 2003em anexo). Fl. 113DF CARF MF 4 2) Conforme a DCTF do 3° trimestre de 2003 (de julho a setembro/2003), em anexo, não existe débito algum declarado nesse período. 3) Desta forma, o débito de Estimativa mensal de CSLL (código 24841), período de apuração de agosto de 2003, vencimento em 30/09/2003, no valor de R$ 537,70 é INEXISTENTE, ficando sem efeito a Declaração de Compensação n°.28143.01672.12110313.044117. 4) Assim NÃO PROCEDE a cobrança do débito de Estimativa mensal de CSLL (código 24841), período de apuração de agosto de 2003, vencimento em 30/09/2003, no valor de R$ 537,70. 5) Com os motivos acima expostos, o contribuinte vem requerer: > Que seja considerada sem efeito a Declaração de Compensação n°.28143.01672.121103.1.3.044117. > A REVISÃO do ACÓRDÃO, > O CANCELAMENTO DA RESPECTIVA COBRANÇA. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo. Passo a analisar seu conhecimento. O contribuinte pretendeu, através de PERDCOMP, compensar débitos de sua responsabilidade com crédito proveniente de pagamento indicado como indevido referente a Darf do período de apuração código 2362 (estimativa mensal). Com relação à possibilidade de que eventual pagamento indevido ou a maior que o devido a título de estimativa possa embasar pedido de restituição ou compensação, prudente considerar o disposto na Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Porém concordo com o entendimento da decisão de primeira instância que na essência entendeu ser incabível compensar os débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos (saldo negativo da CSLL) daquele indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integraram originalmente seu conteúdo. No caso presente o que se pretendeu foi modificar, após a apreciação do direito à compensação (despacho decisório) a natureza do crédito. Tratase de outro pedido, e a retificação nesta condição é vedada pela legislação. Se há algum outro recolhimento indevido, cabe destacar que depois de proferida a decisão administrativa não se admite a retificação da Fl. 114DF CARF MF Processo nº 15374.901700/200816 Acórdão n.º 1201002.871 S1C2T1 Fl. 113 5 declaração de compensação, conforme disposto no art. 77 da IN RFB n° 900, de 30/12/2008, in verbis: Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Observo que o recorrente traz em seu recurso voluntário argumento novo, não apresentado à primeira instancia: o de que utilizou balancetes de suspensão ou redução em todos os meses do ano calendário de 2003; que teriam resultado em base de cálculo do IRPJ e da CSLL negativas em cada mês. Mas à primeira instância alegou que o saldo negativo somente foi apurado no ajuste anual. Nas palavras do contribuinte em sua manifestação de inconformidade: 4 Ao Final do Exercício foi efetuado o balanço anual onde se apurou o Lucro Real Anual tributável de R$ 79.067,93 que gerou um IRPJ de R$ 11.875,51 (Ficha 06A) e CSLL de R$ 7.116,11 (Ficha 17) da DIPJ2003. 5 Como o contribuinte recolheu de CSLL durante o ano calendário a importância de R$ 22.868,56 (cópias das guias em anexo) e o valor da CSLL apurado com base no Lucro Real anual foi de R$ 7.116,11 (Ficha 17 da DIPJ 2003), foi gerado um CRÉDITO nominal para o contribuinte de R$ 15. 752,45. Apela agora a recorrente à apuração refletida em DCTF que teria sido apresentada em 02/09/2008 (após à apresentação da manifestação de inconformidade, de 30/05/2008). Desta forma, segundo o prescrito pelo art. 16, III, do Decreto 70.235/72, e seu § 4º, tal argumento não pode aqui na segunda instância administrativa ser analisado. Por fim, requer o recorrente a desconsideração da própria PERDCOMP e de qualquer cobrança do débito declarado. Mas tal pleito deveria dirigirse às unidades administrativas de cobrança, e não ao CARF. Isto porque o pleito não compõe o litígio. Este se iniciou com a manifestação de inconformidade contra a negativa de reconhecimento do crédito e indeferimento da compensação conseqüente. Devese destacar que a petição de fls 74/80 não se constitui, em seu teor, razões complementares ao recurso voluntário, mas resumo dos argumentos já trazidos na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 115DF CARF MF 6 Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.721728/2011-00
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Nos termos do § 5º, do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Tendo o despacho decisório sido proferido dentro deste prazo, não há que se falar em homologação tácita.
Numero da decisão: 3002-000.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Nos termos do § 5º, do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Tendo o despacho decisório sido proferido dentro deste prazo, não há que se falar em homologação tácita.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1448; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 442 1 441 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.721728/201100 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.634 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 21 de fevereiro de 2019 Matéria IPI. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente EMBALAGEM CARTON PACK LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Nos termos do § 5º, do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Tendo o despacho decisório sido proferido dentro deste prazo, não há que se falar em homologação tácita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 17 28 /2 01 1- 00 Fl. 442DF CARF MF Processo nº 11065.721728/201100 Acórdão n.º 3002000.634 S3C0T2 Fl. 442,5 2 Por economia processual, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 418 dos autos: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que parcialmente homologou as compensações declaradas, em razão de glosas de créditos efetuadas pela fiscalização. Tempestivamente apresentou sua manifestação de inconformidade alegando basicamente que teria ocorrido a homologação, por decurso de prazo, da apuração mensal do IPI, conforme legislação e jurisprudência citadas, rezumindo suas razões como se segue: O contribuinte juntou, com a manifestação de inconformidade, documentos de constituição e representação da empresa, de identificação do procurador e documentos contábeis (fls. 385/413). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerase como não contestada a matéria que não tenha sido expressamente questionada. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. O prazo para não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. IPI. RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 11065.721728/201100 Acórdão n.º 3002000.634 S3C0T2 Fl. 443 3 Em pedidos de ressarcimento de IPI, cuja discussão se refere a direito de crédito a favor do sujeito passivo e não a constituição de crédito tributário, não se aplicam os prazos decadenciais dos artigos 150, § 4º, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Em seus fundamentos, o acórdão (fls. 417/421) consignou não terem sido contestadas as glosas de créditos não ressarcíveis, tornando a matéria definitiva em âmbito administrativo. Consignou, também, o não acolhimento da arguição de decadência do direito do fisco de revisar as compensações, o que teria, supostamente, levado à homologação da compensação, sob o fundamento de que a PERDCOMP foi retificada em 22/01/2010 e a ciência do Despacho decisório se deu em 11/05/11. O órgão julgador esclareceu que não corre, no caso, prazo decadencial para o Fisco. Explicou que, como o credor nesta situação é o contribuinte, contra ele corre o prazo decadencial de pleitear ressarcimento. Assim, uma vez apresentado o pleito, iniciase o prazo prescricional para o Fisco homologar o procedimento. Entendeu não ter se operado nem a decadência para o contribuinte, nem a prescrição para o Fisco, julgando improcedente, assim, a peça defensiva. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 31/10/2014 (vide Termo de ciência à fl. 426 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 03/11/2014, Recurso Voluntário (fls. 428/438). Em seu recurso, o contribuinte alegou que, caso se adote a data da retificação da PERDCOMP para contagem do prazo decadencial, isto só pode se dar em relação à parte alterada na declaração. Arguiu a violação à ampla defesa e ao contraditório, afirmando não ter acesso à declaração inicialmente enviada, e pugnando, por isso, pela conversão do julgamento em diligência para que a autoridade preparadora junte aos autos a primeira declaração enviada. No mérito, o contribuinte insistiu no argumento de ter ocorrido decadência do crédito tributário, alegando que o IPI enquadrase na hipótese de lançamento por homologação, prevista no artigo 150 do CTN. Reiterou, assim, os termos da sua impugnação relativas ao tema. Pediu, ao fim, conversão do julgamento em diligência para que seja juntada, pela autoridade preparadora, a declaração enviada inicialmente, bem como pediu o reconhecimento dos alegados créditos e a homologação das compensações. Não juntou novos documentos em seu recurso. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 11065.721728/201100 Acórdão n.º 3002000.634 S3C0T2 Fl. 443,5 4 Consoante acima relatado, o contribuinte arguiu preliminarmente que teria havido violação à ampla defesa e ao contraditório, visto que não teve acesso à declaração inicialmente enviada. Sendo assim, requereu a conversão do julgamento em diligência para que fosse juntada aos autos, pela autoridade preparadora, a referida declaração. Entendo que não assiste razão ao recorrente. Ora, considerando que a declaração inicial fora transmitida pelo próprio contribuinte, não restam dúvidas que este possui acesso à declaração e pleno conhecimento quanto ao seu conteúdo, apresentandose no mínimo desarrazoado o pleito de que este documento seja anexado aos autos pela autoridade preparadora. Ademais, verificase que esta declaração consta dos autos, às fls. 02 e seguintes, tendo em vista que foi justamente ela que deu origem ao presente processo. Sendo assim, não há que se falar em violação à ampla defesa e ao contraditório do contribuinte no presente caso. Não bastasse a inexistência da violação arguida, verificase que a diligência requerida se apresenta completamente desnecessária à solução da presente contenda, visto que já se encontra anexada aos autos, pelo que deverá ser indeferida. Ultrapassada essa questão preliminar, passo à análise do único argumento constante do Recurso Voluntário remanescente de discussão. Como se viu acima, as glosas de créditos não ressarcíveis não sofreu contestação por parte do contribuinte, o que tornou a matéria definitiva em âmbito administrativo. Permaneceu em julgamento, portanto, tão somente o argumento atinente à homologação tácita da compensação apresentada. Em que pese a alegação da Recorrente de que teria se configurado a decadência no caso vertente, concordo com os esclarecimentos feitos pela DRJ na decisão recorrida em que faz uma correta distinção entre as hipóteses relacionadas à decadência e as hipóteses relacionadas à homologação tácita. A seguir, transcrevo passagem da decisão recorrida nesse sentido: Quanto à alegada decadência do direito do Fisco de revisar o crédito pleiteado, a requerente parece confundir a apreciação de direito creditório vinculado a compensação de débitos com o lançamento de tributo pela Administração Tributária. Para esclarecer a aparente confusão, há que se compreender a decadência aplicada no âmbito tributário. O instituto da decadência tem por objetivo último garantir a estabilidade jurídica, impedindo que direitos permaneçam latentes ad eternum no plano do deverser e possam se materializar a qualquer momento, invocados pelos seus titulares, produzindo efeitos para os sujeitos do pólo passivo desses direitos e até terceiros envolvidos em relações jurídicas subseqüentes. Assim, a decadência sempre opera no sentido de extinguir direitos do sujeito do pólo ativo de uma relação obrigacional com o decurso de um prazo prédeterminado. Ou seja, a decadência sempre atua contra o credor. No caso da relação obrigacional tributária usual, a Administração Tributária é o pólo ativo, o credor, e, portanto, a decadência atua contra ela, impedindoa de constituir o crédito tributário pelo lançamento, após decorrido o prazo decadencial estipulado no art. 150, inciso IV, e no art. 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional CTN. Ocorre que, no caso do ressarcimento do saldo credor de IPI e de sua utilização para compensação de tributos federais, a situação é inversa. A primeira Fl. 445DF CARF MF Processo nº 11065.721728/201100 Acórdão n.º 3002000.634 S3C0T2 Fl. 444 5 relação obrigacional que surge a partir do saldo credor apurado ao final do trimestre calendário é tal que a contribuinte é o pólo ativo e o Fisco o pólo passivo. Para essa situação também existe um prazo decadencial estabelecido, porém é o prazo de cinco anos do art. 1o do Decreto no 20.910, de 06/01/1932, consoante o Parecer Normativo CST n° 515, de 10 de agosto de 1971. E esse prazo decadencial corre contra o titular do direito, ou seja, contra a contribuinte, que deve materializar seu direito dentro desse prazo por meio da formalização do correspondente pedido de ressarcimento, sob pena de perda do direito. No presente caso, os pedidos foram feitos dentro do prazo, portanto não ocorreu a decadência do direito ao ressarcimento, o que não interfere na necessária análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Superada a decadência do direito creditório da contribuinte pela formulação do pedido de ressarcimento e com a superveniente declaração de compensação que pretende a utilização desse crédito, no todo ou em parte, para quitação de tributos federais, o prazo estabelecido pelo sistema normativo para garantir a estabilidade jurídica é o prazo de homologação tácita da compensação declarada, e está disposto no § 5º do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, introduzido pelo art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Esse prazo, por seu turno, corre contra a Administração Tributária, tem natureza prescricional e referese ao direito de cobrar a eventual diferença a maior entre o tributo compensado e o crédito reconhecido em favor da contribuinte. Também esse prazo não decorreu in albis na situação em tela, conforme já analisado. No caso dos presentes autos, portanto, em que se analisa pedido de compensação, é certo que a situação a ser apreciada diz respeito à ocorrência ou não da homologação tácita, ou seja, ao prazo que a Receita Federal teria para apreciar o pedido de compensação apresentado, sob pena deste ser considerado tacitamente homologado. E, como esclarecido acima, este prazo encontra previsão no § 5º, do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...). § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Nesse contexto, o prazo que a Receita Federal dispõe para analisar o pedido de compensação apresentado é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da compensação. E, consoante também corretamente analisou a DRJ in casu, não houve a sua configuração. Isso porque, extraise dos autos que a PERDCOMP em referência fora transmitida em 04/07/2006, tendo sofrido retificação em 22/01/2010. Logo, tendo o contribuinte tomado ciência do despacho decisório em 11/05/2011, não há que se falar em homologação tácita, seja esta contada da data da retificação realizada (22/01/2010), ou mesmo da transmissão da DCOMP originalmente realizada (04/07/2006). Fl. 446DF CARF MF Processo nº 11065.721728/201100 Acórdão n.º 3002000.634 S3C0T2 Fl. 444,5 6 Por outro lado, tampouco subsiste o argumento do Recorrente de que, em casos de retificação da DCOMP, apenas o montante retificado não seria atacado pela homologação tácita. Ora, uma vez retificadas as informações anteriormente enviadas, não restam dúvidas que o prazo de apreciação por parte da Receita Federal para fins de homologação tácita tem novo termo inicial, pois é a partir daquele momento que ela passa a ter conhecimento das novas informações prestadas pelo contribuinte, para que possa validálas ou não. Da conclusão Com fulcro nas razões supra expedidas, voto no sentido de rejeitar a preliminar apresentada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 447DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.903733/2009-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/1999
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-006.153
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 37 33 /2 00 9- 30 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.903733/200930 Acórdão n.º 3402006.153 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1629.932, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP, que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão administrativa pela não homologação da compensação pretendida. Cientificada desta decisão, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, através do qual pede a reforma da decisão de primeira instância, o que fez com os seguintes argumentos: i) Com fulcro na Lei 9.430/96 e alterações posteriores, apresentou diversos pedidos de compensação de créditos tributários oriundos de pagamento indevidos de tributos, os quais foram utilizados para compensação de débitos tributários decorrentes de suas atividades empresariais; ii) O agente administrativo limitouse a lançar um despacho padronizado indeferindo as compensações sob o argumento de que não existia o crédito perseguido pelo contribuinte; iii) Em nenhum momento foi propiciado à Recorrente a oportunidade de demonstrar o seu crédito, se limitando a Autoridade Administrativa a consultar os sistemas informatizados do próprio Fisco; iv) O julgado foi precipitado e invocou como fundamento o fato (verdadeiro) que para homologar as compensações é imprescindível a demonstração pelo contribuinte da "liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas."; v) O objeto do presente processo administrativo é justamente garantir ao contribuinte a oportunidade de demonstrar a liquidez e certeza de seus créditos. Todavia, da maneira em que conduzido o processo não está sendo permitido ao contribuinte demonstrar o seu crédito e usase a falta dessa prova para indeferir o pedido. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10880.903733/200930 Acórdão n.º 3402006.153 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.148, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.686726/200968, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.148): "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório o recurso é tempestivo, bem como o preenche os demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Mérito Da análise dos autos, constatase que o objeto principal deste litígio se resume ao ônus da prova sobre o direito creditório perseguido pela Contribuinte. Cabe observar que a origem da base de cálculo do crédito e inconstitucionalidade do artigo 3°, § 2°, inciso III da Lei 9.718/98 não é ponto controvertido a ser analisado, uma vez que não foi a razão do indeferimento e tampouco matéria enfrentada em razões recursais. Em síntese, o argumento principal da parte em Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário versa sobre a conclusão da Autoridade Administrativa pela inexistência do crédito "sem sequer solicitar ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito utilizado na compensação". A Contribuinte havia requerido em Manifestação de Inconformidade a anulação do despacho decisório e a determinação para que a Autoridade Fiscal efetuasse as diligências necessárias para comprovar a origem e a existência do crédito utilizado nas compensações ou, alternativamente, a homologação da compensação efetuada. Por sua vez, a Autoridade Julgadora de Primeira Instância salientou que a compensação que se pretende é a proveniente de lançamento por homologação, em que o Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.903733/200930 Acórdão n.º 3402006.153 S3C4T2 Fl. 0 4 contribuinte apura por sua conta e risco o valor a ser restituído e efetua a compensação, incumbindo ao Fisco verificar se o encontro de contas foi realizado corretamente ou não, consoante o artigo 66 da Lei n° 8.383/1991. Com efeito, em razão da busca pela verdade material, sempre deverá prevalecer a possibilidade de apresentação de todos os meios de provas necessários para comprovação do direito pleiteado. Constatase que a Recorrente instruiu tanto a manifestação de Inconformidade quanto o Recurso Voluntário apenas com o instrumento de procuração, identificação da procuradora, cópias das decisões recorridas, identificação dos sócios proprietários e atos constitutivos da empresa. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente em nenhum momento anexou aos autos quaisquer documentos e/ou planilhas de apuração, tampouco apresentou retificação da DCTF para demonstrar o crédito perseguido. Ou seja, não há nos autos sequer um indício da existência de tal crédito. Aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 9303007.218, proferido pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais1. Com isso, está correta a decisão de primeira instância. Dispositivo Ante o exposto, conheço e nego provimento ao Recurso Voluntário. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/04/2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.903733/200930 Acórdão n.º 3402006.153 S3C4T2 Fl. 0 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 73DF CARF MF
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