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Numero do processo: 16643.000289/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as alegações de nulidade e converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix.
Relatório
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as alegações de nulidade e converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 43 .0 00 28 9/ 20 10 -1 1 Fl. 5199DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.430 S1C3T2 Fl. 5.191 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interpostos em face de acórdão proferido nestes autos pela 1ª Turma da DRJ/RPO, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, considerar procedente em parte a impugnação, conforme ementa abaixo reproduzida: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2005 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO CPL. DESQUALIFICAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. Não logrando a contribuinte comprovar documentalmente os cálculos dos preços de transferência segundo o método CPL (Custo de Produção mais Lucro), correta a desqualificação do referido método pela fiscalização, atendendo, inclusive, a uma solicitação da própria contribuinte. Incabível, no entanto, a aplicação de multa regulamentar por não haver a contribuinte entregue a totalidade da documentação solicitada pela fiscalização, pois essa penalidade, genérica, só poderia ser aplicada se não houvesse previsão específica para essa falta, o que não é o caso, pois a conseqüência foi a desqualificação do método adotado pela contribuinte. AGREGAÇÃO DE VALOR. VEDAÇÃO DE UTILIZAÇÃO DO MÉTODO PRL20. O método do PRL20 (Preço de Revenda menos Lucro, com margem de 20%) não pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, agregação de valor ao custo dos bens, não configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos. DESQUALIFICAÇÃO. ADOÇÃO DE OUTRO MÉTODO PELA FISCALIZAÇÃO. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. Em face da desqualificação do método adotado pela contribuinte, pode a fiscalização eleger outro método para a apuração dos preços de transferência. A escolha do método mais favorável ao contribuinte é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização. MÉTODO PRL60. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL, devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. Fl. 5200DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.430 S1C3T2 Fl. 5.192 3 MATÉRIA TRIBUTÁVEL. ERRO NA APURAÇÃO. INCORREÇÃO SANÁVEL. Constatado erro sanável da apuração da matéria tributável, exonerase parcialmente a exigência. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. O acórdão recorrido descreve as apurações fiscais realizadas, dos quais colho os seguintes excertos, verbis: 2.2.3. Preços de transferência: (Apuração pela contribuinte) Segundo os valores declarados na DIPJ (fl. 9), a contribuinte adicionou ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, a título de ajustes de preços de transferência, o montante de R$ 2.457.818,86, a seguir sintetizado (valores em reais): [...] Tendo em vista que a contribuinte, na DIPJ, preencheu apenas as informações relativas aos 49 itens mais relevantes, no tocante ao método utilizado, a fiscalização solicitoulhe que abrisse as informações relativas às mercadorias "não especificadas", indicando, por método, o total ajustado (fl. 1716), informações essas a seguir sintetizadas (valores em reais): Método Ajuste CPL 1.254.984,80 PIC 1.085,35 PRL20 319.892,91 PRL60 192.178,31 Total 1.768.141,37 Método Ajuste CAP 689.677,49 PVA 0,00 Total 689.677,49 Total Imp + exp 2.457.818,86 2.2.4 Preços de Transferência: (Apuração pela fiscalização) 2.2.4.1 Método PIC Para os casos em que a empresa adotou o método PIC, a fiscalização não desqualificou o método e simplesmente procedeu aos recálculos dos preços praticados, utilizando os dados fornecidos pela contribuinte e concluiu que, com relação aos insumos para os quais esse método foi empregado, não foram necessários ajustes adicionais de preços de transferência. 2.2.4.2 Método PRL A fiscalização buscou respeitar as escolhas da contribuinte, no tocante aos métodos utilizados. No entanto, devido às irregularidades apontadas na comprovação do método CPL, não restou outra alternativa, senão a de proceder ao recálculo dos ajustes relativos aos insumos para os quais esse método foi utilizado, elegendo outro método no caso, o PRL , nos moldes do artigo 40 da IN SRF n° 243/2002, sem deixar, no entanto, de levar em conta os valores de ajustes já efetuados pela contribuinte. Fl. 5201DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.430 S1C3T2 Fl. 5.193 4 No tocante ao método PRL foram efetuados recálculos dos preços praticados e dos preçosparâmetro, de modo a se verificar se havia a necessidade de ajustes adicionais àqueles efetuados pela contribuinte, tendo sido encontradas divergências de valores, principalmente quanto aos preçosparâmetro apresentados pela contribuinte. Além disso, conforme anteriormente citado, em alguns casos a contribuinte utilizou indevidamente a margem de lucro de 20%, quando deveria ter sido aplicada a margem de 60%. Os insumos foram divididos em 2 grupos: aqueles que não sofreram agregação de valores do Brasil e foram simplesmente revendidos (método PRL20) e aqueles que sofreram agregação de valores antes de serem revendidos (método PRL60), englobando nesse último grupo os casos mistos (revenda + produção). 2.2.4.2.1 Método PRL20 Para os produtos para os quais a contribuinte elegeu o método PRL e que não sofreram agregação de valores, ou para aqueles que, nessas mesmas condições, foram provenientes do método CPL, a fiscalização recalculou os preços praticados pelo método PRL20 (R$/kg), na forma determinada pelo § 4° do artigo 4° da IN SRF n° 243/2002 (CIF Os preçosparâmetro foram calculados de acordo com o item "a" do inciso IV do artigo 12 da IN SRF n° 243/2002. Os ajustes foram calculados em função das quantidades vendidas, incluindose as quantidades de estoques iniciais, pois determina a lei que, no cálculo do preço praticado do item importado, no anocalendário sob fiscalização, as quantidades importadas de insumos, de empresas vinculadas devam ser ponderadas com as quantidades e valores dos respectivos estoques iniciais (§ 3° do artigo 12 da IN SRF n° 243/2002). Em particular para esta empresa, a fiscalização constatou que, para um mesmo item, ocorreram casos em que, ao mesmo tempo, este foi importado de empresas vinculadas, importado de empresas nãovinculadas e comprado no mercado interno e/ou fabricado, sendo que todas as quantidades estavam controladas sob o mesmo "código do item". Dessa forma, para o cálculo das quantidades, a fiscalização solicitou à contribuinte o preenchimento das tabelas "PRL20 Quantidade de Insumo Revendida", com as informações de quantidades referentes somente às importações de empresas vinculadas mais estoque inicial. Pequenas divergências foram consideradas como perdas de estoque, ajuste de inventário, etc, e a fiscalização decidiu ajustar as quantidades limitando tais valores à soma das quantidades importadas de vinculadas mais estoque inicial. Pelo método PRL20 foi apurado o valor de ajuste de R$ 1.063.869,07, já deduzidos os valores declarados, conforme demonstrativo de apuração e respectivas memórias de cálculo de fls. 2639/2642 (Relatório "Consolidação PRL20"). 2.2.4.2.2 Método PRL60 Para os insumos para os quais a contribuinte elegeu o método PRL e que sofreram agregação de valores, ou para aqueles que, nessas mesmas condições, foram provenientes do método desqualificado CPL, a fiscalização recalculou os preços praticados pelo método PRL60 (R$/kg), na forma determinada pelo § 4° do artigo 4° da IN SRF n° 243/2002 (CIF Os preçosparâmetro foram calculados de acordo com o item "b" do inciso IV do artigo 12 da IN SRF n° 243/2002. Os valores dos coeficientes insumoproduto foram fornecidos pela contribuinte, de acordo com a contabilidade e relatórios de produção, em arquivo magnético e impresso em papel. Fl. 5202DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.430 S1C3T2 Fl. 5.194 5 A fiscalização apresenta, às fls. 1799/1801, a metodologia utilizada no cálculo do preçoparâmetro para 3 situações distintas: Matériaprima importada de vinculada utilizada na produção de um único produto para venda A fiscalização traz como exemplo a matériaprima de código 4139106290, utilizada na fabricação do produto de código 4139003838 (vide "Demonstrativo do Preço Parâmetro PRL60", fl. 2816, e "Demonstrativo da Quantidade de Ajuste PRL60", fl. 3276). Matériaprima importada de vinculada utilizada na produção de mais de um produto para venda É o caso da matériaprima importada de código 001842391043, utilizada em 5 produtos. Dessa forma, foram calculados 5 preçosparâmetro (PRL60), um para cada produto. Como a legislação brasileira de preços de transferência não admite que um produto ou matériaprima tenha mais de um preçoparâmetro, a solução encontrada pela fiscalização foi fazer a média ponderada para chegar num preçoparâmetro único, para comparação com o preço praticado na importação. Matériaprima importada de vinculada utilizada na produção de mais de um produto para venda e também revendida É o caso da matériaprima importada de código 0501007354, utilizada em 6 produtos. Dessa forma, foram calculados 6 preços parâmetro (PRL60), mais um que corresponde à revenda (PRL20). A fiscalização apurou a média aritmética ponderada entre o valor obtido pelo PRL20 e os valores obtidos pelo PRL60 (representando a média aritmética ponderada dos 6 preçosparâmetro), de modo a chegar num único preçoparâmetro, utilizado para comparação com o preço praticado na importação (nos moldes da SCI COSIT n° 30, de 30/07/2008). Igualmente ao ocorrido para o método PRL20, foram detectados casos de itens importados de empresas vinculadas, importados de empresas nãovinculadas e comprados no mercado interno e/ou fabricados, sendo que todas as quantidades estavam controladas sob o mesmo "código do item". Dessa forma, para o cálculo das quantidades, a fiscalização solicitou à contribuinte o preenchimento de duas tabelas "PRL60 Quantidade Consumida de Insumo" e "PRL60 Quantidade de Insumo nos EF dos Produtos" , com as informações de quantidades referentes somente às importações de empresas vinculadas mais estoque inicial. A partir dos dados fornecidos, a fiscalização calculou a quantidade de ajuste para cada item ("Demonstrativo de Quantidade de Ajuste PRL60"). Pequenas divergências encontradas em função de perdas de estoque, ajuste de inventário, etc, foram sanadas, limitando tais valores à soma das quantidades importadas de vinculadas mais estoque inicial. Destarte, pelo método do PRL60, a fiscalização apurou ajuste de R$ 39.572.945,48 (já deduzidos os valores de ajustes declarados pela contribuinte no LALUR), conforme demonstrativo de apuração e respectivas memórias de cálculo de fls. 2643/2647 (Relatório "Consolidação PRL60 e PRL20/60"). O montante consolidado passível de ajuste no LALUR atinente às operações de importação da contribuinte (Relatório "Consolidação PT Importação", fls. 2629/2638), resultou em R$ 40.636.814,55, conforme a seguir sintetizado: Fl. 5203DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.430 S1C3T2 Fl. 5.195 6 Método Ajuste (R$) PRL20 1.063.869,07 PRL60 39.572.945,48 Total 40.636.814,55 2.3 DA MULTA REGULAMENTAR No decorrer do processo fiscalizatório, foi solicitado à empresa a comprovação do método CPL, com relação a toda as empresas coligadas do grupo. Tendo em vista que não houve o cumprimento total da entrega do material solicitado no prazo original e considerando as diversas prorrogações concedidas, a fiscalização instituiu a multa regulamentar no valor de R$ 2.694,79, de acordo com o artigo 968 do RIR/99 (fls. 957/960). [...] A interessada impugnou tempestivamente o lançamento. Em face da alegação da impugnante de que, na apuração dos preçosparâmetro, o Auditor Fiscal teria, equivocadamente, efetuado uma dupla dedução do mesmo montante relativo ao valor dos tributos (PIS, COFINS e ICMS), o processo foi encaminhado pela DRJ RPO à DEMAC/SÃO PAULO, para que o Auditor Fiscal autuante se manifestasse acerca dessa alegação e refizesse, se fosse o caso, a apuração dos preços de transferência (basicamente os preçosparâmetro) e respectivos ajustes. A fiscalização constatou que a fiscalizada, para os itens de códigos "4149106096" e "4180004006", preencheu incorretamente os valores de "saida após desconto comercial", com os valores da venda já deduzidos os tributos incidentes, tendo ocorrido, portanto, a dupla dedução dos tributos. Este fato ocorreu para outros itens e a empresa foi intimada a retificar a tabela "Vendas" de modo a corrigir o problema. De posse dos dados, a fiscalização refez os cálculos e retificou os valores apurados no auto de infração, conforme tabela abaixo: Método Ajuste (RS) Consolidação PRL20 362.390,06 Consolidação PRL60 31.176.602,49 Total PT importações 31.538.992,55 A interessada apresentou manifestação sobre o resultado da diligência, concluindo, verbis: [...] Assim, diante do exposto, resta claro que: (1) a diligência realizada de fato confirmou a existência dos erros perpetrados quando da autuação original e apontados pela impugnante em sua defesa; (2) esses erros existentes quando da autuação original, por sua própria natureza, geram a nulidade insanável do lançamento tributário; e (3) em vista disso, temse por certo que o Auto de Infração originalmente lavrado não pode subsistir, devendo ser de imediato cancelado. A DRJRPO exonerou a parcela lançada a maior, conforme apurado na diligência, uma vez que ficou caracterizado o erro na apuração da matéria tributável, pela duplicidade de consideração dos tributos. Foi exonerada pela DRJ, também, a multa regulamentar aplicada. Fl. 5204DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.430 S1C3T2 Fl. 5.196 7 Em face das exonerações, o colegiado a quo recorreu de ofício a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), de acordo com o artigo 34 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações introduzidas pelas Leis nºs 8.748/1993 e 9.532/97, e pela Portaria MF nº 03/2008. Cientificada do resultado do julgamento de primeiro grau em 10/07/2012, apresentou seu recurso voluntário em 08/08/2012, tendo suas razões sido assim sintetizadas na Resolução nº 1302000.289, de 12/03/2104, verbis: 1) Importações originalmente submetidas ao método CPL e posteriormente ao método PRL60 Nulidade da Apuração a) utilizando o método CPL, verificou ajuste no valor total de R$1.254.984,80 (constante da DIPJ); b) apresentou a maior parte da documentação solicitada, mas não conseguiu obter a documentação de algumas empresas (ZF Sachs Powertrain México SA, ZF Padova SPA e ZF Hurth Marine); c) o agente fiscal não se contentou em realizar o exame com base em amostragem e não lhe concedeu prazo adicional, passando a desconsiderar o método CPL a aplicar o método PRL60; d) Antevendo o procedimento do auditor, revisou sua apuração de IRPJ e CSLL conforme o método PRL60, de acordo com o art. 18, Lei n° 9.430/96 e art. 2, Lei n° 9.959/00 e contratou a Deloitte Touche Tohmatsu (Deloitte) para calcular o preço dessas importações conforme o método PRL60; e) de acordo com o trabalho da Deloitte, a recorrente não teria qualquer ajuste adicional, em comparação com os cálculos anteriormente feitos com base no método CPL o agente fiscal chegou a resultado diverso (necessidade de ajuste de R$40.636.814,55, sendo R$1.063.869,07 relativos ao método PRL20 e R$39.572.945,48 relativos ao método PRL60) pois utilizouse não da Lei n° 9.430/96, mas da IN SRF n° 243/02 (art. 12, §11, II e III); f) o agente fiscal chegou a resultado diverso (necessidade de ajuste de R$40.636.814,55, sendo R$1.063.869,07 relativos ao método PRL20 e R$39.572.945,48 relativos ao método PRL60) pois utilizouse não da Lei nº 9.430/96, mas da IN SRF nº 243/02 (art. 12, §11, II e III); g) na impugnação foram apontados os erros de cálculo da fiscalização, o que resultou na conversão do julgamento em diligência, a qual confirmou os erros, por duplicidade na consideração dos tributos incidentes sobre a venda, devendo, assim, preliminarmente, o auto de infração ser cancelado porque houve alteração da matéria tributável, não passível de ser feita, encerrada a fiscalização; II Mérito 1)Aplicação do método PRL60 nos termos da Lei n° 9.430/96 h) no mérito, a decisão deve ser reformada, pois o cálculo da IN SRF n° 243/02 gera um preço parâmetro maior, e, por conseqüência, gera aumento indevido do lucro real e base de cálculo da CSLL; 2)Aplicação do método PRL60 para produtos originalmente submetidos pela Recorrente ao cálculo conforme o método PRL20 i) relativamente a alguns produtos, o agente fiscal reclassificouos, sujeitandoos ao método PRL60 ao invés do método PRL20. Tais produtos não se destinam a Fl. 5205DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.430 S1C3T2 Fl. 5.197 8 produção, mas a reunião em kits e a embalagem manual, sem alteração de sua natureza ou características. Cita a Solução de Consulta COSIT n° 22/2008; 3)Valor FOB X Valor CIF para fim do preço praticado j) na determinação do ajuste o fiscal considerou o valor CIF dos produtos importados mais impostos incidentes sobre importação, e não com base no seu valor FOB, que é o valor efetivamente pago pela mercadoria. O preço CIF inclui valores correlatos (seguro, transporte) pagos a terceiros não vinculados, gerando aumento no valor do preço praticado e excesso na comparação com o preço parâmetro, obtido através do método PRL. k) A DRJ compreendeu de forma equivocada o § 6° do art. 18 da Lei n° 9.430/96, pois ele somente afirma que os valores de frete e seguro devem ser considerados dedutíveis. A IN SRF n° 243/02, por sua vez, manda adicionar frete e seguro cujo ônus tenha sido da importadora tão somente para compor o preço parâmetro. Cita o acórdão proferido pela CSRF no processo 16327.000966/200274 em 2011 (IN SRF n°38/97) ; 4)Escolha do preço parâmetro com base no PRL60 l) o contribuinte pode escolher o método de cálculo que forneça o maior preço parâmetro, e também a autoridade fiscal deve esgotar todos os métodos possíveis para só então aplicar o que forneça o maior preço parâmetro; m) as exigências de documentos feitas pela fiscalização violaram os princípios da verdade material e da razoabilidade, pois envolviam documentos de empresas exportadoras, os quais a recorrente estava impossibilitada de obter; 5) Cálculos com base em médias ponderadas nas situações em que a mesma matériaprima importada foi empregada na produção de mais de um produto, ou foi destinada tanto à produção como à revenda; n) nas situações em que a mesma matériaprima importada era empregada ora na produção de mais de um produto, ora tanto na produção como na revenda, a fiscalização efetuou a média aritmética ponderada para chegar a um preço parâmetro único, conforme determina a legislação, sendo que tal procedimento não encontra respaldo na legislação. Neste caso, o agente fiscal deveria ter considerado apenas o método mais benéfico ao contribuinte, no caso o PRL20; 6)Apuração incorreta do valor do saldo inicial de estoque o) o agente fiscal considerou as importações realizadas no ano e o estoque inicial existente, para comparar o preço com o preço parâmetro. Ocorre que ao considerar o estoque existente, tomou por base o valor total contabilizado como custo do estoque inicial, sem considerar que este continha itens que não deveriam ser somados, como frete interno, armazenagem, despesas aduaneiras, montagem, etc; 7) Índice de participação insumo/produto p) o auditor não apurou, quando da diligência, o preço parâmetro "normal", mas um preço parâmetro "ajustado", que decorre da divisão do preço parâmetro "normal" pelo índice de participação insumo/produto, critério este não previsto em lei e nem mesmo na IN SRF nº 243/02. Com isso, houve uma duplicação do efeito do coeficiente insumoproduto, além de clara ilegalidade. Fl. 5206DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.430 S1C3T2 Fl. 5.198 9 A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário, também sintetizadas na resolução retro referida, verbis: a) nulidades no processo administrativo fiscal somente ocorrem quando não observados os requisitos do art. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, ou ausente pressuposto de validade de ato administrativo, hipóteses que não ocorreram. Os erros decorreram da falta de critérios da própria recorrente que, nas tabelas apresentadas ao Fisco, ora relacionou valores de venda já deduzidos dos tributos, ora os relacionou sem tal dedução. Além disso, a retificação resultou em favor da autuada; b) ao contrário do exposto, a metodologia da IN SRF nº 243/02 simplesmente regulamenta o disposto no art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, estando conforme a lei; c) a submissão de um bem à atividade produtiva não pressupõe necessariamente a transformação da matéria, caracterizandose, principalmente, pela adição de novos elementos (corpóreos ou incorpóreos), conforme se depreende do art. 18, II, “d”, 1, da Lei nº 9.430/96: quando o bem for aplicado há produção, há que se deduzir, no cálculo do preçoparâmetro, o valor agregado por essa aplicação. No que tange aos produtos da recorrente, a eles foram adicionados novos elementos, que, vendidos num conjunto (kit), os tornaram mais apropriados à venda ao consumidor final, agregandolhes valor, tendo, assim, sido submetidos a processo produtivo; d) no que tange à adoção dos custos pelo valor CIF ao invés do valor FOB, adotada a linha da recorrente, estaria esvaziado por completo o §6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96, porque muito antes da Lei nº 9.430 a dedutibilidade dos custos relativos ao frete, seguro e tributos incidentes na importação era assegurada pela legislação tributária, nos termos do art. 13 do DecretoLei nº 1.598/77 (art. 289 do RIR/99), porquanto a regra sempre foi a dedutibilidade dessas parcelas, razão pela qual não haveria necessidade de se repetir a regra na disciplina dos preços de transferência. Além disso, seria uma redundância, face ao disposto no caput do art. 18, que menciona que a restrição aos custos, despesas e encargos incidirá nas operações efetuadas com pessoas vinculadas. Por outro lado, a argumentação do contribuinte desconsidera a idéia de comparabilidade, traço essencial na sistemática dos preços de transferência. Para a comparação, as grandezas devem ser equivalentes; e) embora o §4º do art. 18 franqueie ao contribuinte a utilização do método mais favorável, o dispositivo não instituiu uma imposição à fiscalização, o que fica explícito na expressão “na hipótese de utilização de mais de um método”, que revela uma faculdade, não obrigando à utilização de mais de um método, havendo, tão somente o dever da fiscalização em aceitar a opção exercida pelo contribuinte; f) no caso de insumos utilizados em mais de um produto final ou revendidos e utilizados como insumos ao mesmo tempo, tratase de um caso particular de uma situação mais geral, já examinada pela COSIT na SCI Cosit nº 30, de 30/07/2008. Assim, é correto apurarse o preço parâmetro pelo método PRL20 e pelo método PRL60 e depois, procederse à média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens submetidos ao PRL20 e ao PRL60, tal qual fez a autoridade lançadora; g) quanto aos argumentos relativos aos saldos iniciais de estoques considerados, tratase de matéria inovadora, não postulada na impugnação nem na manifestação sobre o resultado da diligência, não devendo ser conhecida, por não se tratar de matéria de ordem pública, nos termos dos art. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72; h) os argumentos sobre o índice de participação insumo/produto também configuram inovação trazida apenas em sede de recurso voluntário, não tendo sido contestados quando da impugnação e quando da manifestação sobre o resultado da Fl. 5207DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.430 S1C3T2 Fl. 5.199 10 diligência. Nos termos dos art. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72 não são suscetíveis de conhecimento. Em 12/03/2014, esta turma julgadora, por meio da Resolução nº 130200.289, resolveu converter o julgamento em diligência em face da alegação contida no item 7 do recurso voluntário apresentado pela interessada, na qual esta alega "que o auditor não apurou, quando da diligência, o preço parâmetro "normal", mas um preço parâmetro "ajustado", que decorre da divisão do preço parâmetro "normal" pelo índice de participação insumo/produto, critério este não previsto em lei e nem mesmo na IN.SRF n° 243/02. Com isso, entende que houve uma duplicação do efeito do coeficiente insumoproduto, além de clara ilegalidade". O relator, então designado, entendeu que as alegações mereciam ser examinadas pela fiscalização, pois se confirmadas poderiam atingir a própria materialidade dos valores lançados, concluindo, verbis: [...] Assim, ao calcular o item "I" (Preço Unitário Líquido de Venda do Produto), parecenos que a fórmula I = C/FxH fornece a participação de 01 unidade de insumo no preço de venda do produto, e, portanto, a fórmula K = I J fornece o preço parâmetro de 01 unidade de insumo (R$30,232) e não de 02 unidades, o que parece sugerir se depreende da fórmula seguinte, L=K/E, em que há a divisão por 2 (porque em cada produto há 02 unidades de insumo). Desta forma, a prevalecer este entendimento, de fato está o lançamento a merecer alguma análise, e, por certo, revendo os dados e as provas do processo (e não apenas as alegações da recorrente), bem como outros que possam vir a elucidar a questão, possa a autoridade fiscal firmar convicção acerca da materialidade apurada, expurgando, se for o caso, dela, a parcela indevida. Além disso, o envio das alegações à fiscalização atende aos princípios do contraditório e da ampla defesa. De se ressaltar que neste caso a alegação, embora preclusa, atinge a própria materialidade do lançamento, não podendo, desta forma, ser ignorada, vez que a recorrente levanta dúvida fundada e relevante sobre a integridade dos valores lançados. Assim, voto para converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal, de posse das novas alegações ofertadas pela recorrente na peça recursal, em específico no tocante ao item 7 do recurso (índice de participação insumo/produto), reveja os cálculos efetuados e se manifeste quanto às alegações. De sua conclusão, deverá notificar a recorrente para que se manifeste no prazo de 30 dias. A autoridade fiscal encarregada de realizar a diligência apresentou Relatório Conclusivo (fls. 5110/5116), refutando as alegações da recorrente, conforme excertos transcritos abaixo, verbis: [...] O quadro apresentado pela empresa com os valores utilizados nos cálculos do referido índice não corresponde aos resultados obtidos pela Fiscalização em seus relatórios demonstrativos. Fl. 5208DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.430 S1C3T2 Fl. 5.200 11 A recorrente utiliza como exemplo para suas argumentações, o par insumo produto composto pelos insumo "1268304491 Anel Intermediário" e pelo produto "1268008657 Cx. Cambio S61550". No entanto, segundo o "Volume V15" do presente processo digital, se verificarmos as 2809 e 2810 da numeração original do processo em papel que lhe deu origem, podemos constatar da 1a linha da página 50 do relatório "Demonstrativo do Preço Parâmetro PRL.60", que as memórias de cálculo do preço parâmetro não conferem com aquelas apresentadas pela recorrente: [...] Apesar dos valores de coeficiente insumoproduto (2,00) e do percentual de participação do custo do insumo no produto (0,0109900537) estarem corretos, o valor do preço parâmetro do item é igual a R$ 19,9102 e o preço parâmetro ajustado é igual a R$ 9,9551, que corresponde ao preço parâmetro utilizado no cálculo dos ajustes de PT. Os valores de preço unitário líquido de venda do produto (R$ 4.529,14), participação do insumo no preço de venda (R$ 49,78) e da margem de lucro (R$ 29,87) não correspondem com os valores apontados pela empresa (preço unitário líquido de venda R$ 75,580; participação do insumo no preço de venda R$ 30,232; margem de lucro R$ 45,348). Detectamos, portanto, total inconsistência entre os valores do quadro apresentado pela recorrente e o resultante do processo fiscalizatório. Ademais, pudemos constatar também que a empresa estaria interpretando, de forma errônea, certos conceitos básicos. Abaixo, reproduzimos as descrições dos campos dos relatórios demonstrativos, que constam do Termo de Verificação Fiscal (volume V18 numeração original do processo em papel às fls. 3430 e 3431): [...] Das descrições acima, podemos inferir que todos os cálculos do preço parâmetro, para o método PRL60 se baseiam no preço líquido de venda do produto. Tomase o preço unitário liquido de venda do mesmo (item "j"), multiplicase este valor pelo percentual de participação do custo do insumo no produto (item T), obtendose a participação do insumo no preço de venda (item T). A partir dai, calculase a margem de lucro (item "I" = 60% x T). O preço parâmetro do item será dado pela diferença entre a participação do insumo no preço de venda e a margem de lucro ("nf = "k" "I"). Aqui cumpre observar que todos os cálculos foram feitos sempre em valores unitários, com referência ao produto. O preço parâmetro é unitário, mas tem sua referência à unidade do insumo. Para a determinação do preço parâmetro, portanto, há a necessidade de se ajustar o valor obtido, dividindoo pelo coeficiente insumo produto, que nada mais é do que um fator que nos indica quanto de insumo há em cada unidade de produto. Assim, o preço parâmetro do item ajustado é o preço parâmetro utilizado no cálculo dos ajustes de PT, em comparação com o preço praticado: Preço par. do item (por unid. Produto) / coef. Insumo produto = Preço par. do item (por unid. Produto) / [(unid. Insumo)/ (unid. Produto)] = Preço par. do item (por unid. Produto) * [(unid. Produto) / (unid. Insumo)] = Preço par. do item (por unid. Insumo) = Preço par. do item ajustado = Preço par. PRL60 Se no caso em tela há duas unidades de insumo consumido para cada unidade de produto vendido (coeficiente insumo produto = 2,00), há a necessidade do ajuste exposto acima (divisão por 2) para se determinar o preço parâmetro. O valor obtido Fl. 5209DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.430 S1C3T2 Fl. 5.201 12 como preço parâmetro sem o ajuste é igual a R$ 19,91, enquanto que ajustado ele seria igual a R$ 9,95. Suponhamos que tenha havido venda de 100 unidades para formação do preço parâmetro. O valor calculado é igual a R$ 19,91 para cada unidade vendida. No entanto, para cada unidade vendida, há duas unidades de insumo que foram consumidas. No total, foram 200 unidades de insumo. Assim, se tivermos de calcular o preço parâmetro, por unidade de insumo, teremos de dividir R$ 19,91 (que se referia a uma das 100 unidades de produto), por 2, para obtermos R$ 9,95 (que passa a se referir a uma das 200 unidades de insumo). Cumpre observar que os ajustes de PT são calculados mediante a comparação entre preço praticado e preço parâmetro. Se os preços praticados são valores unitários calculados sempre em função da unidade de insumo, não teria cabimento fazermos a comparação se o preço parâmetro também não tivesse sido calculado utilizandose a mesma referência (unidade de insumo). No tocante ao percentual de participação do custo do insumo no produto propriamente dito, não procedem as alegações da recorrente, tendo em vista que seu próprio nome é autoexplicativo. Tratase do percentual de custos dos insumos e o custo do produto final, ou seja, qual a participação, em termos de custos, dos insumos em análise, em relação ao custo total do produto. No caso exemplificado acima, seria a relação entre o custo dos insumos empregados que, no caso, seria correspondente a 2 unidades de insumo, e o custo de 1 unidade produzida do produto final (a empresa estaria argumentando que o percentual seria correspondente à relação entre o custo de 1 unidade de insumo e o custo de 1 unidade do produto, o que não pode prosperar, tendo em vista que são necessárias 2 unidades de insumo para produzir 1 unidade do produto). Notese que o percentual de custos considera a relação entre as quantidades de insumo consumidas e as quantidades de produto produzidas (coeficiente insumoproduto). É exatamente por tal fato, que a Fiscalização, ao obter o preço parâmetro pelo método PRL60, procedeu a um ajuste do mesmo, dividindo o valor encontrado por 2 (coeficiente insumoproduto), de modo a ter ambos os preços (praticado e parâmetro) na mesma base referencial (unidade do insumo). Portanto incabíveis são as argumentações da recorrente, referentes a possível equívoco na utilização dos índices de participação insumo/produto, não havendo qualquer alteração a ser efetuada nos valores dos autos em epígrafe. Intimada a se manifestar sobre o relatório da diligência, a recorrente refutou as suas conclusões e reiterou seus argumentos da existência de vícios e erros insanáveis nos cálculos realizados pelo agente fiscal quando da apuração da base tributável, propugnando pelo cancelamento integral da autuação. Devolvidos os autos a este conselho para prosseguimento, o processo foi objeto de sorteio a este relator na sessão de 07/04/2016, tendo em vista a extinção do mandato do relator original. É o relatório. Fl. 5210DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.430 S1C3T2 Fl. 5.202 13 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Os recursos voluntário e de ofício foram conhecidos por este colegiado, nos termos da Resolução nº 1302000.289, de 12/03/2014. Os autos retornaram a este conselho após a realização de diligência fiscal determinada por este colegiado, nos termos da resolução acima referida. Não obstante tenha sido cumprido o objeto da diligência determinada na resolução citada, ao examinar os argumentos trazidos pela recorrente em seu recurso voluntário, entendo que o presente processo não se encontra em condições de julgamento, necessitando a realização de novas diligências, conforme passo a expor. Preliminarmente, observo que as arguições de nulidade trazidas pela parte recorrente foram analisadas e afastadas por ocasião da sessão de julgamento que decidiu pela conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que as mesmas poderiam ser sanadas e/ou se confundiriam com a própria análise de mérito das questões discutidas no âmbito deste processo. Assim, deixo de trazer à baila, novamente, a discussão dessas preliminares neste momento, sem prejuízo de sua ulterior análise por este colegiado, quando da conclusão do julgamento, após a realização das novas diligências a serem solicitadas. Outrossim, a interessada, por meio de memorial apresentado por sua patrona por ocasião do julgamento iniciado na sessão de junho/2016, alegou a nulidade da decisão de primeiro grau por não enfrentar a alegação de ilegalidade da IN.SRF. 243/2002. O colegiado decidiu por unanimidade conhecer, por se tratar de questão de ordem pública, e rejeitar a alegação de nulidade, uma vez que o acórdão de primeiro grau restou devidamente fundamentado quanto ao não conhecimento da matéria, conforme se extrai do excerto do voto, verbis: Da alegação de ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 quanto ao método PRL60 Quanto à alegação de ilegalidade da sistemática de aplicação do método PRL60 prevista na IN SRF Nº 243/2002, cumpre observar que à esfera administrativa não cabe apreciar questões relativas à legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas, competência esta exclusiva do Poder Judiciário. A autoridade administrativa, inclusive este Órgão julgador, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo (através da edição de regras administrativas, como a referida instrução normativa), deve limitarse a aplicar as disposições ali contidas, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Cumpre ainda observar que a alegação de que a própria RFB teria reconhecido a ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 deve ser rechaçada, pois não há nenhum ato normativo expedido pelas autoridades administrativas nesse sentido. Assim como não pode ser considerado o acórdão proferido pelo o TRF da 3ª Região, em julgamento do processo nº 2007.61.00.0340487, pois, além de não ser Fl. 5211DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.430 S1C3T2 Fl. 5.203 14 definitivo, há que se ressaltar que as decisões judiciais proferidas no exercício do controle difuso têm validade somente inter partes e não vinculam as Delegacias de Julgamento. Quanto à necessidade de realização de novas diligências, refirome especificamente ao conjunto de argumentos trazidos pela recorrente nos tópicos do item 2 (Aplicação do método PRL60 para produtos originalmente submetidos pela recorrente ao cálculo conforme o método PRL20) e nos tópicos do item 5 (Cálculos com base em médias ponderadas em que a mesma matériaprima importada foi empregada na produção de mais de um produto, ou foi destinada quanto à produção como à revenda) do seu recurso. No item 2 do recurso a recorrente alega que relativamente a alguns produtos, o agente fiscal reclassificouos, sujeitandoos ao método PRL60 ao invés do método PRL20. (pags. 11/12 do TVF anexo ao auto de infração). Sustenta que tais produtos não se destinam a produção, mas a reunião em kits e a embalagem manual para revenda, sem alteração de sua natureza ou características. Ocorre que no TVF (efls. 4281/4282), a autoridade fiscal cita, exemplificativamente, a ocorrência dessa situação com relação a alguns produtos, verbis: [...] Como exemplo, citamos o insumo "133082149541" (CONJ. PLATO M210X), que entrou na produção do produto "133082149541A1" (tabela "Insumo Produto Anual" contendo dados de produção) e foi vendido no mercado interno e exportado (tabela "Vendas"). Os cálculos de ajustes deveriam ser realizados utilizandose margem de 60% e não de 20% como foi constatado (tabela "Ajustes de Importação do Ano Fiscalizado" — fls. 1743 a 1806). Outro caso foi o do item "043157'180231" (CONJ. MANCAL KZIS0) que produziu o item "043151180231CC", o qual entrou na produção do item "009000161001A5" (KIT EMBREAGEM), do item "003000000049A5" (CONJ. KIT DE EMBREAGEM), do item "BA3000030001A5"( CONJ. KIT DE EMBREAGEM) e de outros, sendo que todos os produtos finais citados foram vendidos. A empresa aplicou erroneamente a margem de 20% ao invés de 60%. Solicitamos, outrossim, que o contribuinte apresentasse os descritivos de cálculo dos preços parâmetros dos itens "4139298943" (PRL20 — "KIT DE VEDAÇÃO") — R$ 271,08 e "4149203023" (PRL60 — "TAMPA DE SAÍDA") — R$ 256,22 (fls. 1714 e 1715). Da análise do material fornecido, pudemos constatar que, no caso do item "4139298943", para o qual foi empregada a margem de 20% do método "PRL", a empresa utilizou o valor das vendas brutas sem a dedução dos impostos para calcular o preço parâmetro, como se pode verificar da planilha apresentada pela empresa, á fl. 1718: [...] A autoridade lançadora descreveu as apurações do método PRL60 no subitem 2.2.3.4.2 do TVF, cujos resultados foram consolidados no Relatório de consolidação PRL60 e PRL20/60) efls. 2772/2781 nos quais não consegui identificar quais os itens de insumos tiveram a apuração do preço de transferência reclassificados do PRL20 para o PRL60. Fl. 5212DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.430 S1C3T2 Fl. 5.204 15 Por outro lado, a recorrente também se reportou no recurso aos exemplos citados pela autoridade fiscal no TVF para questionar a aplicação do PRL60 e não do PRL20, conforme havia calculado (tópicos 117.1 a 122 da peça recursal). informando que anexou um resumo, por amostragem, do processo de embalagem e circulação dos itens no seu estoque (doc. 8 da impugnação) efls. 4808/4820). Assim, na hipótese deste colegiado vir a acatar as alegações da recorrente, é imprescindível que sejam identificados os itens de insumos que sofreram a reclassificação do método de apuração (PRL20 para PRL60), bem como o montante a ser reduzido na base de cálculo em face de eventual acolhimento parcial do recurso, de forma a tornar a decisão líquida. Com relação à matéria suscitada no item 5 do recurso, a recorrente alega que nos casos em que a mesma matéria prima foi empregada na produção de mais de um produto, ou foi destinada tanto a produção quanto à revenda, a autoridade fiscal utilizouse de uma média aritmética ponderada para chegar a um preço parâmetro único, para fins de atender a exigência da legislação. Sustenta que tal procedimento não tem amparo na legislação. Sendo assim, a solução adotada pela autoridade fiscal, teria extrapolado o poder discricionário a ele conferido, caracterizando inovação ou criação de regras novas, inexistentes nas normas legais que regem a matéria. Sustenta que, nestas situações, deveria o agente fiscal ter considerado o resultado mais benéfico ao contribuinte, "conforme determina a lei e é o espírito das regras de preço de transferência". A questão levantada pela recorrente está descrita na Situação n° 2: Matéria prima importada de vinculada utilizada na produção de mais de um produto para venda (fls. 21/22 do TVF), na qual a autoridade fiscal conclui, verbis: Esta é uma das situações encontradas na empresa ZF do Brasil Ltda. para elaboração dos cálculos do preço parâmetro com margem de 60% (PRL60). Da análise do quadro abaixo (fl. 2786 do processo), veri ficouse que, no AC 2005, a matériaprima importada "001842391043" ("CUBO") foi utilizada na fabricação de mais de um produto de venda: [...] Nesse caso, a matériaprima de código "001842391043" foi utilizada em 5 produtos. Desta forma, foram calculados 5 pregos parâmetros, um para cada produto. Como a legislação brasileira de preços de transferência não admite que um insumo ou matériaprima tenha mais de um preço parâmetro, a solução encontrada pela fiscalização foi fazer a média aritmética ponderada para chegar num preço parâmetro único (R$ 19.1190/pc), para comparação com o preço praticado na importação. A referida situação volta a ser mencionada às pag. 22 e 23 do TVF, verbis: Situação nº 3: Matériaprima importada de vinculada utilizada na produção de mais de um produto para venda e também revendida Fl. 5213DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.430 S1C3T2 Fl. 5.205 16 Outra situação encontrada na empresa ZF do Brasil Ltda. para elaboração dos cálculos do prego parâmetro com margem de 60% (PRL60) foi aquela em que o insunno importado é utilizado na produção e também é revendido. Da análise do quadro abaixo (fl. 2797 do processo), verificouse que, no AC 2005, a matériaprima importada "0501007354" ("CONVERSOR DE TORQUE BINÁRIO") foi utilizada na fabricação de mais de um produto de venda, bem como foi revendida (a situação da revenda está representada no quadro com o código do produto igual ao código do insumo "0501007354"): [..] A matériaprima de código "0501007354" foi utilizada em 6 produtos. Neste caso, foram calculados 6 preços parâmetros (PRL60) e mais um que corresponde á revenda (PRL20). Esta Fiscalização, apurou a média aritmética ponderada entre o valor obtido do PRL20 (R$ 528,1200/cj) e os valores obtidos a partir do PRL60 (representando a média aritmética ponderada dos 6 preços parâmetros R$ 917,7031/cj), de modo a chegar a um único valor de preço parâmetro (R$ 904,49691cj), utilizado para comparação com o preço praticado na importação (nos moldes da SCI Cosit n° 30, de 30/07/08). De acordo com o TVF (pag. 25), este valores também foram consolidados no " demonstrativo de apuração e respectivas memórias de cálculos estão às fls. 2643 a 2647 do processo (Relatório "Consolidação PRL60 e PRL20/60") efls. 2772/2781. Também neste caso não consegui identificar se estas situações ocorreram apenas em relação aos insumos citados nas situações 2 e 3, acima descritas, ou com relação aos demais itens. Assim, na hipótese deste colegiado vir a acatar as alegações da recorrente, é imprescindível que sejam identificados os itens de insumos que tiveram o preço parâmetro calculado com base na média ponderada, bem como o montante a ser reduzido na base de cálculo em face de eventual acolhimento da pretensão da recorrente de que seja aplicado o menor valor apurado como preço parâmetro, possibilitando tornar líquida eventual decisão neste sentido. Por todo o exposto, voto no sentido e converter o presente julgamento em diligência, determinandose o envio dos autos à unidade de origem para que seja designada autoridade fiscal competente para a adoção das seguintes providências: a) Com relação à matéria discutida no item 2 do recurso voluntário (Aplicação do método PRL60 para produtos originalmente submetidos pela recorrente ao cálculo conforme o método PRL20): a.1) sejam identificados os itens de insumos que sofreram a reclassificação do método de apuração (PRL20 para PRL60); a.2) seja intimada a recorrente, com o envio da relação dos itens de insumos que sofreram a reclassificação do método de apuração (PRL20 para PRL60), elaborada conforme o item a.1 acima, para que esta indique expressamente os insumos que entende que não deveriam sofrer a alteração do método de apuração, por se tratarem de itens para revenda, apresentando os elementos comprobatórios de que tais insumos passam por mero processo de Fl. 5214DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.430 S1C3T2 Fl. 5.206 17 acondicionamento, sem aposição de marca (nos termos da Solução de Consulta Cosit nº 22/2008); a.2) de posse dos elementos apresentados pela recorrente, sejam realizados os cálculos dos valores que deveriam se excluídos da base de cálculo, caso venha a ser acolhida a alegação da recorrente com relação aos itens de insumos por ela apontados; a.3) caso ainda persistam diferenças tributáveis (pelo método PRL20) com relação a estes itens, em decorrência de outros fatores apurados pela fiscalização, em relação a quaisquer deles, identificar e demonstrar as diferenças apuradas e seus fundamentos. b) Com relação ao item 5 do recurso (Cálculos com base em médias ponderadas em que a mesma matériaprima importada foi empregada na produção de mais de um produto, ou foi destinada quanto à produção como à revenda) do seu recurso: b.1) sejam identificados os itens de insumos que tiveram o preço parâmetro calculado pela média ponderada em face da sua utilização na produção de mais de um produto ou que foi destinada tanto à produção como à revenda; b.2) seja calculado o montante a ser reduzido na base de cálculo em face de eventual acolhimento da pretensão da recorrente de que seja aplicado o menor valor apurado como preço parâmetro. c) Elaborar relatório conclusivo com relação às providências indicadas nos tópicos a e b acima. d) Seja encaminhada cópia do relatório conclusivo da diligência à contribuinte interessada, para que esta, querendo, se manifeste sobre o seu teor, no prazo de 30 dias, nos termos do parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Escoado o prazo para manifestação, retornemse os autos a este conselho para continuidade do julgamento. Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. Fl. 5215DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Numero do processo: 16327.721619/2011-70
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
FINOR. DIVERGÊNCIA SOBRE O MOMENTO EM RELAÇÃO AO QUAL DEVE SER COMPROVADA A REGULARIDADE FISCAL. NÃO CONHECIMENTO DE PARTE DO RECURSO ESPECIAL.
1- Os critérios de necessidade/utilidade traduzem o interesse processual. Não deve ser conhecida a parte do recurso especial que, sendo provida, não ensejará qualquer proveito no deslinde da controvérsia.
2- De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.
PERC. PRAZO. INÍCIO DA CONTAGEM. FALTA DE MARCO INICIAL.
O PERC é, em essência, uma medida processual. À falta de determinação legal expressa, aplica-se a regra do art. 15 do Decreto nº 70.235/72. Não se observando marco inicial para a contagem do prazo pela falta de Extrato de Emissão ou outro documento que cientifique a Contribuinte do indeferimento de sua opção - impossível identificar a intempestividade do PERC.
DIPJ RETIFICADORA. INSUFICIÊNCIA PARA INDEFERIMENTO DE BENEFÍCIO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
O art. 60 da Lei nº 9.069/95 exige tão somente a prova da regularidade fiscal. Em que pese a existência de regulação infralegal, ela não tem o condão de impedir a concessão de benefício, especialmente após a emissão da IN SRF nº 166/1999.
DEFERIMENTO DE PERC. INEXISTÊNCIA DE DÉBITO.
Tendo em vista o deferimento do PERC, com a conseqüente determinação de aceitação da Opção pelo investimento e aproveitamento do valor pago em DARF específico, prejudicado resta o Auto de Infração.
Numero da decisão: 9101-002.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial da Fazenda Nacional em relação ao tema, quando deve ser comprovada a regularidade fiscal, recurso não conhecido por unanimidade de votos; com relação aos temas do prazo de apresentação do PERC e os efeitos de declaração retificadora fora do exercício de competência e com alteração dos valores de incentivos fiscais, recurso conhecido por unanimidade de votos; com relação aos temas do prazo de apresentação do PERC, negado provimento ao recurso por unanimidade de votos; com relação ao mérito do tema dos efeitos de declaração retificadora fora do exercício de competência e com alteração dos valores de incentivos fiscais, negado provimento ao recurso por unanimidade de votos.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 FINOR. DIVERGÊNCIA SOBRE O MOMENTO EM RELAÇÃO AO QUAL DEVE SER COMPROVADA A REGULARIDADE FISCAL. NÃO CONHECIMENTO DE PARTE DO RECURSO ESPECIAL. 1 Os critérios de necessidade/utilidade traduzem o interesse processual. Não deve ser conhecida a parte do recurso especial que, sendo provida, não ensejará qualquer proveito no deslinde da controvérsia. 2 De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. PERC. PRAZO. INÍCIO DA CONTAGEM. FALTA DE MARCO INICIAL. O PERC é, em essência, uma medida processual. À falta de determinação legal expressa, aplicase a regra do art. 15 do Decreto nº 70.235/72. Não se observando marco inicial para a contagem do prazo pela falta de Extrato de Emissão ou outro documento que cientifique a Contribuinte do indeferimento de sua opção impossível identificar a intempestividade do PERC. DIPJ RETIFICADORA. INSUFICIÊNCIA PARA INDEFERIMENTO DE BENEFÍCIO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 16 19 /2 01 1- 70 Fl. 605DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 3 2 O art. 60 da Lei nº 9.069/95 exige tão somente a prova da regularidade fiscal. Em que pese a existência de regulação infralegal, ela não tem o condão de impedir a concessão de benefício, especialmente após a emissão da IN SRF nº 166/1999. DEFERIMENTO DE PERC. INEXISTÊNCIA DE DÉBITO. Tendo em vista o deferimento do PERC, com a conseqüente determinação de aceitação da Opção pelo investimento e aproveitamento do valor pago em DARF específico, prejudicado resta o Auto de Infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial da Fazenda Nacional em relação ao tema, quando deve ser comprovada a regularidade fiscal, recurso não conhecido por unanimidade de votos; com relação aos temas do prazo de apresentação do PERC e os efeitos de declaração retificadora fora do exercício de competência e com alteração dos valores de incentivos fiscais, recurso conhecido por unanimidade de votos; com relação aos temas do prazo de apresentação do PERC, negado provimento ao recurso por unanimidade de votos; com relação ao mérito do tema dos efeitos de declaração retificadora fora do exercício de competência e com alteração dos valores de incentivos fiscais, negado provimento ao recurso por unanimidade de votos. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), alegando divergência jurisprudencial em relação a decisão do CARF que reconheceu incentivo fiscal para investimentos que a contribuinte fez no FINOR (Fundo de Investimentos do Nordeste) e que, por via de conseqüência, cancelou auto de infração a título de IRPJ lançado em razão do não reconhecimento do referido incentivo pela Delegacia da Receita Federal. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 4 3 A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 1102001.298, de 03/03/2015, por meio do qual a 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de reconhecer o incentivo fiscal e cancelar o auto de infração de IRPJ. O acórdão recorrido contém a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PERC. PRAZO. INÍCIO DA CONTAGEM. FALTA DE MARCO INICIAL. O PERC é, em essência, uma medida processual. À falta de determinação legal expressa, aplicase a regra do art. 15 do Decreto nº 70.235/72. Não se observando marco inicial para a contagem do prazo pela falta de Extrato de Emissão ou outro documento que cientifique a Contribuinte do indeferimento de sua opção impossível identificar a intempestividade. REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA OPÇÃO PELO INCENTIVO. Conforme Súmula CARF nº 37, só pode ser exigida comprovação de regularidade fiscal no período em que se referir a Declaração de Rendimentos que deu causa à opção pelo incentivo. Acórdãos paradigma são polissêmicos, aceitando tanto o momento da apresentação da Declaração quanto no anocalendário em que foi apurado o lucro ou ainda regularidade posterior. Entendese que, por se tratar de benefício, o art. 60 da Lei nº 9.069/95 deve ser interpretado da forma mais benéfica ao contribuinte. REGULARIDADE FISCAL. NECESSÁRIA PROVA DE IRREGULARIDADE PARA O INDEFERIMENTO DO PERC. Ainda com base na Súmula CARF nº 37, entendese o indeferimento da opção pelo investimento deve ser embasada em provas de irregularidade no período da opção, não bastando à Administração Pública exigir que a Contribuinte comprove sua regularidade. DIPJ RETIFICADORA. INSUFICIÊNCIA PARA INDEFERIMENTO DE BENEFÍCIO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O art. 60 da Lei nº 9.069/95 exige tão somente a prova da regularidade fiscal. Em que pese a existência de regulação infralegal, ela não tem o condão de impedir a concessão de benefício, especialmente após a emissão da IN nº 166/1999. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DEFERIMENTO DE PERC. INEXISTÊNCIA DE DÉBITO. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 5 4 Tendo em vista o deferimento do PERC, com a conseqüente determinação de aceitação da Opção pelo investimento e aproveitamento do valor pago em DARF específico, prejudicado resta o Auto de Infração. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto: 1) ao prazo de apresentação do PERC; 2) ao momento em relação ao qual deve ser comprovada a regularidade fiscal; 3) ao ônus da prova da regularidade fiscal (matéria que não foi admitida no exame de admissibilidade do recurso); e 4) aos efeitos de declaração retificadora fora do exercício de competência e com alteração dos valores de incentivos fiscais. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL DO PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DO PERC o v. acórdão ora recorrido proferido entendeu pela tempestividade do PERC, afirmando que não é aplicável, no caso em tela, a regra do art. 15, §5º, do Decreto Lei nº 1.376 para a contagem do prazo de apresentação do PERC, tal como entendido pela autuação. Entendeu que diante da inexistência de prazo expresso em lei devese aplicar o art. 15 do Decreto nº 70.235/72; nesse jaez, observase a existência de dissídio jurisprudencial entre o entendimento encampado pela Turma a quo, em contraposição ao posicionamento firmado por outros órgãos julgadores deste eg. Conselho Administrativo, quanto ao dispositivo legal aplicável e o prazo para apresentação do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC. Senão vejamos: Acórdão 10514196 IRPJ INCENTIVOS FISCAIS PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC) PRAZO A contagem do prazo para que o contribuinte procure pelos certificados e títulos correspondentes à opção exercida iniciase com a entrega de sua declaração e termina no prazo estipulado na lei, 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao exercício financeiro a que corresponder a opção (Decretolei n° 1.376/74, art. 11 e art. 15, § 5°; Decretolei n° 1.752/79, art. 1°). Recurso não provido. a ementa por si só, demonstra com clareza solar, a existência do dissídio jurisprudencial invocado; Fl. 608DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 6 5 com efeito, tratando de casos fáticos similares, nos quais se discutia qual o prazo para a apresentação do PERC e o respectivo fundamento legal aplicável, os órgãos julgadores prolatores da decisão recorrida e do acórdão paradigma chegaram a conclusões jurídicas inteiramente distintas. Enquanto a tese ventilada pela decisão vergastada foi de que o prazo para a apresentação do PERC, por analogia, seria de 30 (trinta) dias a contar da ciência do Extrato de Incentivos Fiscais, com fulcro no art. 15 do Decreto nº 70.235/72, regra afastada no caso concreto diante da inexistência de prova de ciência pelo contribuinte daquele documento, a conclusão do paradigma, também diante da inexistência de prova da ciência naquele feito pelo contribuinte da emissão do citado Extrato, foi inteiramente diversa. No paradigma, restou assentado que é intempestivo o PERC apresentado fora do prazo prescrito pelo DecretoLei n° 1.376/74, art. 11 e art. 15, § 5°; e DecretoLei n° 1.752/79, art. 1°; DO MOMENTO EM RELAÇÃO AO QUAL DEVE SER COMPROVADA A REGULARIDADE FISCAL – ART. 60 DA LEI º 9.069/95 apresentado o PERC, a DIORT entendeu, no processo administrativo fiscal nº 16327.7230153/201276, que tal pleito deveria ser indeferido porque a contribuinte não comprovou a sua regularidade fiscal no momento da opção, qual seja, a DIPJ; todavia, a Turma recorrida entendeu que, a Súmula CARF nº 37, ao afirmar que a prova “deve se ater ao período a que se referir a Declaração”, referese não apenas ao dia exato da Declaração em si, mas também ao ano calendário sobre o qual trata a declaração de rendimentos; assim, segundo o entendimento firmado no acórdão recorrido, ao contribuinte basta demonstrar sua regularidade fiscal a qualquer tempo, independentemente da época em que tenha ocorrido tal regularização; a e. Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes analisou caso idêntico ao apreciado nos presentes autos, e concluiu no sentido de que o contribuinte deve demonstrar a sua regularidade fiscal no momento em que faz a opção pelo benefício, ou seja, a data da entrega da DIPJ pelo contribuinte. Confirase a ementa do acórdão paradigma, abaixo transcrita em sua integralidade: Acórdão nº 10807970 “PERC – DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL – Para obtenção de benefício fiscal, o art. 60 da Lei 9.069/95 previa a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Se não logrou demonstrar a regularidade, a empresa não pode gozar do benefício. Recurso negado”. há identidade fática entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma, eis que, em ambos os casos, o cerne da questão diz respeito ao momento da regularidade fiscal do contribuinte; no mesmo sentido do precedente acima, apresentase ainda como paradigma o acórdão nº 910100.458, proferido pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja ementa segue transcrita integralmente: Fl. 609DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 7 6 Acórdão nº 910100.458 “IRPJ. INCENTIVOS FISCAIS. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS. PERC. MOMENTO DE COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE. Os fatos geradores em relação aos quais deve ser comprovada a regularidade fiscal, pelo sujeito passivo, com vistas ao gozo do benefício fiscal, são aqueles ocorridos até a data da apresentação da DIRPJ, na qual foi manifestada a opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos correspondentes, sendo do contribuinte o ônus da comprovação da regularidade, conforme art. 60 da Lei n. 9.069/95.” verificase claro dissídio jurisprudencial sobre a interpretação do art. 60 da Lei 9.069/95. De um lado o acórdão recorrido considerou que a regularização poderia ser feita a qualquer tempo, enquanto as decisões paradigmas firmaram o entendimento de que cabe ao contribuinte demonstrar que, no momento em que fez a opção pelo benefício (dia da entrega da DIPJ), estava regular perante o Fisco. Neste ponto, ressaltese que, de acordo com a redação da súmula nº 37 do CARF, a prova da regularidade pode ser a qualquer momento do processo administrativo. Não é a própria regularidade que pode ser promovida a qualquer tempo, porquanto o contribuinte deve estar regular à época da opção pelo benefício; demonstrada também a divergência jurisprudencial neste ponto; DO ÔNUS DA PROVA DA REGULARIDADE FISCAL (matéria não admitida) DA DECLARAÇÃO RETIFICADORA FORA DO EXERCÍCIO DE COMPETÊNCIA E COM ALTERAÇÃO DOS VALORES DE INCENTIVOS FISCAIS o r. acórdão recorrido entendeu também que não perde o direito à opção pela aplicação em incentivos fiscais o contribuinte que entrega declaração retificadora após o encerramento do exercício de competência com alteração dos valores destinados aos fundos de investimento; entretanto, o acórdão recorrido não empreendeu a melhor análise da matéria objeto dos autos e divergiu do entendimento manifestado por outro Colegiado do Conselho, merecendo ser reformado, consoante restará demonstrado a seguir; o Acórdão paradigma nº 10809.111, proferido pela Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que analisando caso em tudo similar ao dos presentes autos, decidiu de forma diametralmente oposta, no sentido de que a pessoa jurídica que apresenta DIPJ retificadora fora do exercício de competência, com alteração dos valores a serem aplicados em incentivos fiscais regionais, não faz jus a essa opção. Confirase: Acórdão n.º 10809.111 “INCENTIVOS FISCAIS A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo, ou benefício fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da regularidade fiscal. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 8 7 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS APRESENTADA FORA DO EXERCÍCIO DE COMPETÊNCIA, COM ALTERAÇÃO DE VALORES DA OPÇÃO A pessoa jurídica que apresentar declaração de rendimentos original ou retificadora fora do exercício de competência, com alteração dos valores a serem aplicados em incentivos fiscais regionais, não fará jus a essa opção, mesmo com imposto parcial ou totalmente recolhido no exercício correspondente. PAF – REVISÃO DA NEGATIVA DO DIREITO A FRUIÇÃO DE INCENTIVO FISCAL – O despacho do PERC só será favorável ao contribuinte, com a correspondente emissão da OEA, caso este contribuinte esteja com situação regular perante a SRF, isto é, se estiver em condições de receber certidão negativa ou positiva com efeito de negativa nos termos da IN n. 93, de 26/1/93, na data do despacho". (Norma de Execução SRF/Cosar/Cosit n. 4, de 26/02/97, item 5.4.10). A data da comprovação da regularidade é a do despacho no PERC. Tratando de incentivo fiscal, cabe ao próprio concedente estabelecer as regras pertinentes ao procedimento. Recurso negado.” mostrase evidenciada também quanto a este ponto a divergência jurisprudencial existente entre a Segunda Turma da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF e a antiga Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no que toca à possibilidade, ou não, de manter a opção pelo incentivo fiscal, quando apresentada declaração retificadora fora do exercício e com alteração dos valores a serem aplicados nos referidos incentivos fiscais; DOS FUNDAMENTOS PARA REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO DO PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DO PERC percebese que a jurisprudência administrativa ainda é divergente sobre o prazo para apresentação dos PERC, em face da interpretação que deve ser dada ao artigo 15, §5º, do DecretoLei n.º 1.376/74, com a redação dada pelo art. 1º do DecretoLei n.º 1.752/79; segundo o acórdão hostilizado, os diplomas acima destacados tratam de situação jurídica diversa da veiculada no feito. Não é essa a melhor exegese da legislação tributária, conforme aponta a reiterada prática administrativa; o prazo para protocolização do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, foi estabelecido originalmente no art. 15, §5°, do Decretolei nº 1.376, de 12 de dezembro de 1974, com a redação dada pelo art. 1º do Decretolei nº 1.752, de 31 de dezembro de 1979; o prazo previsto no citado artigo diz respeito à data limite para que as pessoas jurídicas procurem os títulos representativos das quotas dos fundos de investimentos de que são detentoras, a partir da opção feita por ocasião da entrega das declarações de rendimentos. Uma vez não procurados tais títulos no prazo, os valores das ordens de emissão são revertidos para os fundos; é pacífico na Secretária da Receita Federal o entendimento de que se deve aplicar o prazo em questão àquelas pessoas jurídicas que pedem revisão da ordem de emissão de incentivos fiscais; Fl. 611DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 9 8 nesse sentido, oportuno citar, por exemplo, o Ato Declaratório Executivo Corat n.º 52, de 30 de julho de 2003, que ao prorrogar o prazo para entrada com Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), relativo à opção de aplicação de parcela do IRPJ do anocalendário 2000 no FINOR, FINAM ou FUNRES, confirma o entendimento de que o termo final para a apresentação do PERC é o dia 30 de setembro do terceiro ano subseqüente ao anocalendário a que corresponder e opção; no caso em questão, tendo sido o exercício financeiro da opção o ano de 2007, a contribuinte teria até 30 de setembro de 2009 para apresentar o PERC; destarte, uma vez que a protocolização da referida solicitação ocorreu em 27/12/2011, após o transcurso do prazo previsto pela legislação vigente, é intempestivo; a fiscalização, constantemente referendada pelas DRJ’s, tem sistematicamente realizado essa operação de integração, aplicando o disposto no artigo 15, §5º, do DecretoLei nº 1.376/74, com a redação dada pelo art. 1º, do DecretoLei nº 1.752/79, deixandoa inclusive expressa e explicitamente consignada nos Extratos de Aplicações em Investimentos Fiscais, para que essa informação chegue efetivamente ao conhecimento do contribuinte, o qual, muito embora, quedase inerte por longo período e, posteriormente, deseja “integrar” a legislação tributária utilizando “a” analogia que lhe é mais favorável; logo, deve ser considerado como prazo peremptório para apresentação do PERC o disposto no artigo 15, § 5º, do DecretoLei nº 1.376/74, com a redação dada pelo art. 1º, do DecretoLei nº 1.752/79, consoante as razões acima expostas, o entendimento encampado pela decisão paradigma e o posicionamento firmado pela decisão de primeira instância; corroborando a tese acima exposta, cabe trazer à colação preciosos excertos do Acórdão nº 10514196, o qual encampou a decisão administrativa de primeira instância que, por sua vez, entendeu que o termo final para apresentação do PERC é 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao exercício financeiro a que corresponder e opção (decisão transcrita); DO MOMENTO EM RELAÇÃO AO QUAL DEVE SER COMPROVADA A REGULARIDADE FISCAL – ART. 60 DA LEI º 9.069/95 com efeito, ao se analisar os documentos constantes dos autos, percebese que o sujeito passivo não logrou demonstrar a sua regularidade fiscal quando fez sua opção pela destinação de parte do seu imposto de renda ao FINOR na DIPJ/2007; alguns dos documentos juntados já se encontravam vencidos quando, outros se referem a período posterior ao da aludida declaração, razão pela qual não se legitimam para demonstrar que o interessado estava regular no momento da opção; este é o momento em que o contribuinte deveria demonstrar sua regularidade fiscal para fins de gozo do incentivo escolhido; a decisão recorrida, no entanto, entendeu cumpridos os requisitos para o deferimento do PERC; Fl. 612DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 10 9 esse raciocínio, contudo, parece equivocado, pois concluir desta forma, seria entender que bastaria que o contribuinte apresentasse uma certidão legítima, em qualquer momento do processo, para que pudesse fazer jus ao benefício, sem considerar como irregular o fato dele não estar quite com os tributos federais, no momento em que solicitou a concessão dos incentivos fiscais; contudo, nos parece lógico que a existência dos requisitos para o reconhecimento de um benefício seja aferida no momento em que o contribuinte solicita a sua concessão. Caso contrário, conforme muito bem asseverado no trecho do voto condutor do acórdão paradigma acima transcrito, seria deixar a concessão do benefício em aberto, aguardando que uma condição futura e incerta se implementasse; esta, sem dúvida, não pode ser a ratio do dispositivo legal em comento, pois tal entendimento contraria as mais comezinhas regras de bom senso e de tempestividade probatória; enfim, este seria o melhor dos mundos para o contribuinte, e um completo desvirtuamento do art. 60 da Lei 9.069/95. Com esse juízo, poderia ser deferido o benefício fiscal, mesmo que à época do julgamento o contribuinte não estivesse quite com suas obrigações tributárias, bastando, para tanto, que algum dia, ele houvesse adimplido ou viesse a adimplir com seus débitos; assim, está correta a e. Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao aduzir que “para se obter algum incentivo fiscal, é evidente que o contribuinte deve ter as condições legais, no momento da solicitação, para que lhe seja concedido o benefício”; a decisão proferida no acórdão paradigma homenageia os princípios da certeza e da segurança jurídica, ao contrário do acórdão recorrido, que merece, portanto, ser reformado; DO ÔNUS DA PROVA DA REGULARIDADE FISCAL (matéria não admitida) DA DECLARAÇÃO RETIFICADORA FORA DO EXERCÍCIO DE COMPETÊNCIA E COM ALTERAÇÃO DOS VALORES DE INCENTIVOS FISCAIS por fim, como demonstrado, a Turma recorrida conferiu à contribuinte o direito à emissão de certificado de incentivo fiscal (PERC), ao entendimento de que o direito à opção ficaria mantido, mesmo quando apresentada declaração retificadora fora do exercício de competência e com alteração dos valores de incentivos fiscais, desde que a declaração primitiva tenha sido apresentada no exercício respectivo; ocorre que a antiga Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em análise de caso similar, fixou entendimento diverso do esposado no acórdão ora refutado, sob o fundamento de que, “a pessoa jurídica que apresentar declaração de rendimentos original ou retificadora fora do exercício de competência, com alteração dos valores a serem aplicados Fl. 613DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 11 10 em incentivos fiscais regionais, não fará jus a essa opção, mesmo com imposto parcial ou totalmente recolhido no exercício correspondente”; não há que se reconhecer o direito à opção para aplicação em incentivos fiscais à pessoa jurídica que apresenta declaração retificadora fora do exercício de competência, ainda que conste imposto parcial ou totalmente recolhido no exercício correspondente e mesmo que a declaração primitiva tenha sido apresentada no exercício correlato; é o que se pode extrair do Ato Declaratório Normativo CST nº 26/85 e ainda do Parecer COSIT nº 31/2002, todos devidamente transcritos e elucidados no voto condutor do acórdão paradigma; tal conclusão é tanto mais incidente quando se considera que, entre a declaração original e a retificadora, há alteração dos valores a serem aplicados nos mencionados incentivos, por expresso descumprimento também às disposições constantes da Nota SRF/COSAR nº 131/2001, nestes termos: “Somente serão acatadas as aplicações em incentivos fiscais provenientes de declarações retificadoras, entregues após 31/12 do respectivo exercício, obedecidas as seguintes condições: 1 – Declaração original entregue dentro do exercício; 2 – Não houver retificação que altere o valor ou Fundo de Investimento da opção exercida na última declaração entregue dentro do exercício de competência.” nesta esteira, observese que no caso ora posto à apreciação, os valores dos incentivos transcritos na retificadora, apresentada fora do exercício competente, foram alterados, em evidente afronta às determinações existentes no que tange às regras para fruição dos incentivos fiscais disponibilizados aos contribuintes; com efeito, considerando o efetivo descumprimento das regras para opção pela aplicação nos incentivos fiscais, constante de diversos normativos expedidos pela Administração Tributária, necessária se mostra a reforma do acórdão em tela no sentido de vedar a opção irregular do contribuinte; DO PEDIDO ante o exposto, requer a União (Fazenda Nacional) seja conhecido o presente recurso especial, em face da divergência jurisprudencial demonstrada, dandolhe provimento para reformar o acórdão recorrido, restaurandose o inteiro teor da decisão de primeira instância, para manter o indeferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais – PERC, e, por via de conseqüência, restaurar o lançamento do IRPJ. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 02/06/2015, admitiu parcialmente o recurso especial, reconhecendo a existência de divergência para as matérias já mencionadas, nos seguintes termos: A recorrente aponta divergências relativamente a diferentes temas: 1) prazo de apresentação do PERC; 2) momento em relação ao qual deve ser Fl. 614DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 12 11 comprovada a regularidade fiscal; 3) ônus da prova da regularidade fiscal; e 4) efeitos de declaração retificadora fora do exercício de competência e com alteração dos valores de incentivos fiscais. (PRIMEIRA DIVERGÊNCIA) Inicialmente no que diz respeito ao prazo de apresentação do PERC, o acórdão recorrido afastou a intempestividade do PERC por entender inaplicável a regra do art. 15, §5º do Decretolei nº 1.376/74, dada a inexistência de prova de que a contribuinte fora cientificada do extrato informandolhe os valores aceitos como investimento, e admitindo a apresentação daquele pedido nos 30 (trinta) dias subseqüentes à intimação do auto de infração decorrente da falta de apresentação do PERC. A recorrente aduz que a aplicação do Decretolei nº 1.376/74 foi reconhecida no paradigma nº 10514.196, assim ementado: [...] De fato, o paradigma em referência impõe ao sujeito passivo o dever de procurar pelos títulos de investimento dentro do prazo estipulado na citada lei, e confirma a intempestividade do PERC, diversamente do entendimento adotado nestes autos. Ressalto que embora o acórdão recorrido cite decisões da CSRF em favor do entendimento ali adotado, identificase, além do acórdão mencionado (nº 910101.115) e do precedente ao qual se refere (nº 01 05.754), apenas mais um acórdão da CSRF acerca do tema (nº 9101 000.210), revelandose inaplicável o §10 do art. 67 do Anexo II do RICARF. Portanto, entendo caracterizada a divergência acerca do prazo de apresentação do PERC. (SEGUNDA DIVERGÊNCIA) Prosseguindo, a recorrente discute o momento em relação ao qual deve ser comprovada a regularidade fiscal e assevera que o acórdão combatido diverge do que decidido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, citando como paradigma o Acórdão nº 910100.458, assim ementado: [...] Confirmo na decisão de 1ª instância que, como alegado pela recorrente, a contribuinte não comprovou sua regularidade fiscal na data da entrega da DIPJ 2007 original (28/06/2007), visto que as certidões apresentadas não abrangem essa data. O acórdão recorrido, por sua vez, reportandose aos paradigmas que deram origem à Súmula CARF nº 37, adota o entendimento de que esta, ao afirmar a prova “deve se ater ao período a que se referir a Declaração”, referese não apenas ao dia exato da Declaração em si, mas também ao anocalendário sobre o qual trata a declaração de rendimentos, e conclui: Frisase, apresentando certidões de regularidade em momento posterior, a contribuinte deixa claro que não tem nenhum ônus perante a Fazenda Nacional, o que retroage para o período da opção, que se deu no pagamento do DARF específico, em Fl. 615DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 13 12 30/03/2007 (fl. 17, do apenso nº 16327.720997/201136). Assim, a norma estará efetivamente alcançando seu objetivo, que é captar recursos para o fundo e, ao mesmo tempo, incentivará as Contribuintes a quitar suas pendências tributárias. Já o acórdão paradigma pautase no entendimento de que o contribuinte deve estar regular no momento em que fez a opção pelo benefício (dia da entrega da DIPJ). No mesmo sentido é o outro paradigma citado pela recorrente, consubstanciado no Acórdão nº 10807.970, de cujo voto condutor extraise: [...] Constato, assim, que também neste ponto a recorrente identifica a divergência acerca do momento em relação ao qual deve ser comprovada a regularidade fiscal, bem como demonstra que a discussão extrapola o conteúdo da Súmula CARF nº 37. (TERCEIRA DIVERGÊNCIA) A recorrente indica, ainda, que há divergência acerca do ônus da prova da regularidade fiscal. Isto porque, no presente caso, analisando as provas apresentadas para verificação da regularidade fiscal, o i. Relator consignou que a DIORT no processo em apenso nº 16327.720997/201136, não logrou apresentar a prova da irregularidade da contribuinte, mas tão somente em falta de prova de regularidade. [...] De fato, confirmo na decisão de 1ª instância, a partir da síntese das razões do indeferimento do PERC, que esta conclusão foi motivada pela falta de apresentação de certidões de regularidade contemporâneas à data de entrega da DIPJ: [...] Examinando os paradigmas apresentados pela recorrente, constato no Acórdão nº 10321.478 que, frente ao indeferimento do PERC em razão de pendências fiscais especificadas na decisão, a contribuinte demonstrou a suspensão de sua exigibilidade, bem como apresentou certidões de regularidade junto à Receita Federal e ao INSS, e diante desta comprovação o PERC foi deferido. Logo, o contexto fático presente no paradigma é distinto daquele exposto pelo acórdão recorrido, porque no primeiro a autoridade fiscal indicou quais pendências impediriam o indeferimento do PERC, e no segundo não houve esta individualização. De forma semelhante, no Acórdão paradigma nº 10195.969 o indeferimento do PERC resultou, inicialmente, da constatação de pendências especificadas à contribuinte, que não logrou regularizálas até o momento da decisão. Logo, a recorrente não demonstra o dissídio jurisprudencial acerca do ônus da prova da regularidade fiscal porque, nos paradigmas, a imputação deste ônus ao sujeito passivo decorreu da prévia acusação fiscal acerca das pendências identificadas, ao passo que no acórdão recorrido a conclusão Fl. 616DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 14 13 diversa decorre, justamente, da ausência da indicação das pendências existentes. (QUARTA DIVERGÊNCIA) Por fim, a recorrente aduz que o acórdão recorrido expressa entendimento divergente acerca dos efeitos de declaração retificadora fora do exercício de competência e com alteração dos valores de incentivos fiscais, na medida em que no Acórdão nº 10809.111 se decidiu de forma diametralmente oposta, no sentido de que a pessoa jurídica que apresenta DIPJ retificadora fora do exercício de competência, com alteração dos valores a serem aplicados em incentivos fiscais regionais, não faz jus a essa opção. Segundo consta da decisão de 1ª instância, a questão foi assim abordada na análise do PERC: A Deinf/SPO/Diort também verificou que a contribuinte apresentou três DIPJ relativas ao anocalendário de 2006: a original entregue em 28/06/2007 e duas retificadoras, transmitidas em 14/08/2008 e 29/04/2011, sendo que, nesta última retificadora, houve alteração no valor do incentivo fiscal declarado, de R$9.385.721,74 para R$9.186.923,91. Alega que não pode ser acolhida a opção pelo incentivo fiscal, visto que foi entregue DIPJ 2007 retificadora após 31/12/2007 com alteração no valor relativo ao fundo de investimento regional, a teor do disposto no Ato Declaratório Normativo CST nº 26/85 e na Nota SRF/Cosar nº 131/2001. O acórdão recorrido, invocando posicionamento da CSRF no sentido de que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originalmente apresentada, substituindoa integralmente, e considerando que na DIPJ original foi feita a opção pelo investimento, concluiu que inexistiria prejuízo na apresentação de DIPJ retificadora. No paradigma citado, as circunstâncias foram semelhantes às presentes neste caso, consoante exposto no relatório do Acórdão nº 108 09.111: [...] Já as conclusões do paradigma confirmam a aplicação dos atos normativos que amparam a objeção fiscal: [...] A ementa do paradigma confirma a divergência apontada pela recorrente: RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS APRESENTADA FORA DO EXERCÍCIO DE COMPETÊNCIA, COM ALTERAÇÃO DE VALORES DA OPÇÃO A pessoa jurídica que apresentar declaração de rendimentos original ou retificadora fora do exercício de competência, com alteração dos valores a serem aplicados em incentivos fiscais regionais, Fl. 617DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 15 14 não fará jus a essa opção, mesmo com imposto parcial ou totalmente recolhido no exercício correspondente. Frente ao exposto, sendo tempestivo o recurso, e satisfeitos os pressupostos de sua admissibilidade apenas em relação ao temas: 1) prazo de apresentação do PERC; 2) momento em relação ao qual deve ser comprovada a regularidade fiscal; e 3) efeitos de declaração retificadora fora do exercício de competência e com alteração dos valores de incentivos fiscais, proponho que seja DADO PARCIAL seguimento ao recurso especial. Vale registrar que a negativa de seguimento de parte do recurso especial, por inexistência de uma das divergências suscitadas, foi confirmada por despacho de reexame de admissibilidade exarado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caráter definitivo, nos termos do art. 71 do Anexo II do RICARF. Em 16/072015, a contribuinte foi intimada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, e em 31/07/2015 ela apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: PRELIMINARMENTE: DO NÃO CABIMENTO DO RESP AVIADO DA FALTA DE INTERESSE RECURSAL (UTILIDADENECESSIDADE) DA PFN NO RESP AVIADO. DA COISA JULGADA FORMADA ACERCA DA REGULARIDADE FISCAL DA RECORRIDA PARA FINS DA OPÇÃO DIANTE DO NÃO CONHECIMENTO DO RESP DA PFN NESTE PONTO inicialmente, cumpre destacar que restou chancelada, em definitivo, a insubsistência da alegação fiscal de que a Recorrida estaria em situação de irregularidade fiscal para fins da Opção pelo FINOR em debate neste feito, único pretenso fundamento da autuação em disputa; Isso, porque o RESP ora contrarrazoado não foi conhecido no ponto em que pretendeu discutir o "ônus da prova" acerca da regularidade fiscal, onde buscou, a D. PFN, retirar da D. Autoridade Fiscal o ônus de provar a existência da irregularidade fiscal alegada e transferilo à ora Recorrida; Com isso, tornouse definitivo o decisum vergastado quanto à assertiva de que a D. Autoridade Fiscal não logrou comprovar qualquer irregularidade fiscal que motivasse o indeferimento da Opção e, pois, o AI, o que torna insubsistente a autuação por perda de objeto, ausência de motivação. E, mesmo não provada a alegação fiscal, a ora Recorrida diligenciou a comprovação da sua situação de regularidade fiscal, o que, in casu, sequer seria necessário, dada a ausência de prova em contrário por parte do Fisco; no v. acórdão recorrido, a C. Turma a quo afirmou, expressamente, que "(...) a Autoridade lançadora não logrou apresentar nenhuma prova de irregularidades da Contribuinte ao tempo da opção pelo investimento (...)", conforme excerto à fl. 27 (página 26) do referido decisum; além de asseverar que a D. Autoridade Lançadora não comprovou que a Recorrida estava em situação irregular, o aresto em questão afirma, com outras palavras, que, quando a Administração Pública não prova a existência de irregularidades, descabe exigir do Fl. 618DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 16 15 contribuinte a constituição de prova negativa, ou seja, de que não estava em situação irregular, presumindose a sua regularidade fiscal para fins de fruição do benefício fiscal; é fato incontroverso e consolidado neste feito que a D. Autoridade Fiscal não logrou comprovar que a Recorrida possuía pendências que obstariam seu direito ao Incentivo Fiscal, presumindose, portanto, a sua regularidade fiscal, pelo que seria inclusive desnecessário à Recorrente fazer prova de sua regularidade in casu, a despeito de têlo feito, conforme se abordará a seguir; a negativa de seguimento do Recurso Especial da D. Procuradoria, neste quesito, formou coisa julgada quanto à falta de prova de irregularidade da Recorrida, o que já é suficiente, de per se, ao reconhecimento de que a Recorrida cumpriu o requisito da regularidade fiscal para fins de fruição do Incentivo Fiscal, conforme categoricamente asseverado no v. aresto recorrido; sendo assim, em vista da coisa julgada formada neste feito a favor da situação de regularidade fiscal da Recorrida, para fins do Incentivo Fiscal em debate, ou, ao menos, pela ausência de prova fiscal de eventual pendência fiscal que pudesse motivar a negativa da Opção pelo FINOR, é fato que a autuação discutida perdeu o objeto, eis que a alegação de irregularidade fiscal foi o seu único fundamento; frisese: O reconhecimento da regularidade fiscal da Recorrida é suficiente ao cancelamento da autuação promovido pelo v. aresto recorrido, eis que este foi o único fundamento do lançamento; logo, cabe a esta C. CSRF, de antemão, não conhecer do recurso fazendário aviado, pois, faltalhe o essencial binômio necessidadeutilidade, o que o torna carente do chamado "interesse recursal"; a evidenciar a falta de interesse recursal in casu, vejase que, na prática, ainda que se desse provimento ao Recurso Especial da D. Procuradoria, o resultado do julgamento vergastado não seria alterado, na prática, posto que o único fundamento da autuação alegada irregularidade fiscal continuaria fulminado, na forma reconhecida pelo v. acórdão recorrido, no que foi confirmado pelo não conhecimento do RESP da D. PFN neste aspecto; e, se não bastasse isso, a Recorrida comprovou a sua regularidade fiscal para fins do Incentivo Fiscal, inclusive em relação ao átimo da entrega da DIPJ 2007 (i.e., 06/2007) vide Doc. 04 do Recurso Voluntário o que torna insubsistente, também, outro argumento ventilado pela D. PFN em seu recurso; noutro prisma, mister notar que o Recurso Especial aviado pela D. PFN voltase, apenas, contra excertos do voto condutor do v. acórdão recorrido nos quais o Ilustre Relator discorre sobre qual, no seu entendimento pessoal, seria o momento em relação ao qual o contribuinte deve comprovar sua regularidade fiscal perante a Administração, para fins de fruição do benefício fiscal. Ou seja, o Recurso fazendário voltase contra obter dictum e não em face do efetivo decisum consignado no v. acórdão n° 1102001.298, de 3/3/2015, o que torna a irresignação inepta; afigurandose incontroversa a regularidade fiscal da Recorrida para fins do Incentivo Fiscal, ou, no mínimo, não tendo sido provada eventual situação de irregularidade Fl. 619DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 17 16 fiscal que tolhesse o direito da recorrida, cai por terra a higidez da autuação, sendo prescindível discutir o momento da comprovação da regularidade fiscal, sob pena de se privilegiar uma disputa meramente teórica, em detrimento da análise do caso concreto, o que não se pode admitir; ainda, insta ressaltar a vasta jurisprudência desta C. Câmara Superior pelo não conhecimento de Recurso Especial carente de interesse recursal, conforme ilustram os julgados abaixo colacionados (ementas transcritas); portanto, afigurase carente de interesse recursal a irresignação fazendária ora respondida, não merecendo ser conhecida, mas mantido o decisum ora vergastado por seus próprios fundamentos; contudo, ad argumentandum tantum, ainda que esta C. Turma Superior opte por apreciar esse argumento fiscal, haverá de confirmar a higidez do direito da Recorrida também neste aspecto, dado que está provado nos autos, também, a sua regularidade fiscal no átimo da transmissão da DIPJ 2007, nos exatos termos da Súmula CARF n° 37, conforme demonstrado a seguir; DA VIOLAÇÃO AO § 2º DO ART. 67 DO RI/CARF: APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N° 37 PELO V. ACÓRDÃO RECORRIDO salta aos olhos o fato de o RESP aviado voltarse contra matéria sumulada, o que afronta a disposição expressa contida no §2º do art. 67 do RI/CARF; como já destacado, a C. Turma a quo, acertadamente, com espeque na Súmula CARF n° 37, considerou improcedente a alegação de irregularidade fiscal da Recorrida, sendo esse o único fundamento à lavratura do AI objeto do presente feito; para tanto, a Recorrida comprovou que, à época da formalização da Opção, mediante o recolhimento do DARF Específico, em 30/03/2007, encontravase em situação fiscal regular, conforme certidões de regularidade fiscal vigentes à época (vide Doc. 04 do Recurso Voluntário). Também, comprovou sua regularidade fiscal no curso do presente feito, mediante a juntada de certidões de regularidade fiscal atualizadas; de fato, a comprovação da regularidade fiscal da Recorrida in casu atende à mens da Súmula CARF n° 37, dado que feita mediante juntada das competentes Certidões Negativas ou positivas com Efeitos de Negativa referentes ao átimo da Opção — concernente ao ajuste do anocalendário de 2006 (i.e., 31/12/2006), à data de recolhimento do DARF Específico (i.e., 30/03/2007) e à data de entrega da DIPJ 2007/Original (i.e., 28/06/2007); de fato, diante das provas carreadas, o v. aresto ora recorrido, em absoluta consonância com o entendimento sumulado, entendeu que a comprovação da regularidade deve se ater ao período em que se deu a opção pelo Incentivo Fiscal, admitindose prova da regularidade em qualquer momento do processo administrativo; por sua vez, o Recurso Especial ora contrarrazoado voltase, justamente, contra o reconhecimento da regularidade fiscal da Recorrida com base na Súmula CARF n° 37, sob a alegação de que a C. Turma a quo teria aplicado entendimento divergente da jurisprudência do CARF relativamente ao momento em relação ao qual deve ser comprovada a regularidade fiscal; Fl. 620DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 18 17 frisese: a Recorrida demonstrou que estava regular à época da realização da Opção, isto é, na data do recolhimento do DARF Específico. E, por meio da juntada de certidões de regularidade fiscal atualizadas, corroborou a sua regularidade fiscal também no presente, atestando o seu direito ao Incentivo Fiscal à luz do art. 60 da Lei n° 9.069/95; sendo assim, considerando a vedação expressa à interposição de Recurso Especial contra acórdão que aplica súmula do CARF, o presente apelo não pode ser conhecido neste aspecto, o que deve ser reconhecido por esta C. CSRF; DO DESCUMPRIMENTO DO CAPUT DO ART. 67 DO RI/CARF: AUSÊNCIA DE DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NA MATÉRIA VENTILADA QUANTO À CARACTERIZAÇÃO DO MOMENTO DA OPÇÃO ainda com relação ao tema da regularidade fiscal, também não se verifica no recurso fazendário uma divergência jurisprudencial autorizadora da sua interposição; a leitura dos supostos paradigmas no qual se apoia o Recurso Especial da Fazenda Nacional nesta parte, verificase que os julgados carreados asseveram que o momento da opção é o momento da apresentação da DIPJ na qual se reflete a destinação ao respectivo fundo de investimento e, portanto, é em relação a este momento que o contribuinte deve comprovar sua regularidade fiscal; entretanto, como visto, os paradigmas tratam de hipótese fática distinta do presente feito, no qual a opção não se deu com a apresentação da DIPJ, mas foi manifestada em momento anterior, mediante o recolhimento do DARF específico; consoante à dicção do art. 4º da Lei n° 9.532/97, o contribuinte pode manifestar a opção pelo incentivo fiscal mediante a sua declaração em DIPJ, ou, alternativamente, por meio do recolhimento de DARF Específico; no presente caso, é incontroverso que a Recorrida manifestou sua opção mediante o recolhimento de DARF Específico, em 30/03/2007, e não com a apresentação da DIPJ 2007/Original, em 28/06/2007, tampouco por meio da DIPJ 2007/Retificadora, nas quais apenas se consignou a Opção antes formalizada; Já nos supostos paradigmas carreados pela D. Procuradoria, diferentemente do presente caso, a Opção teria se dado mediante a entrega da DIPJ e não com o recolhimento de DARF Específico, motivo pelo qual, naqueles feitos, o CARF elegeu como momento da Opção, naturalmente, a entrega da DIPJ; ou seja, a aparente "divergência" alegada pela D. PFN entre o v. aresto recorrido e os supostos paradigmas colacionados decorreria das diferentes situações analisadas em cada caso; ora, como cediço, o dissídio jurisprudencial só é caracterizado quando, diante da mesma situação fática, o colegiado exara entendimentos distintos. Contrario sensu, se não há identidade fática entre o aresto recorrido e o decisum adotado como paradigma, obviamente não haverá divergência jurisprudencial; para que se fizesse presente o dissídio jurisprudencial autorizador da interposição do RESP in casu, a D. Procuradoria deveria ter carreado paradigmas nos quais se Fl. 621DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 19 18 entendesse que, mesmo diante do recolhimento de DARF específico, a opção só se manifestaria com a entrega da DIPJ do respectivo período, o que não ocorreu; ademais, cumpre salientar que as supostas irregularidades fiscais apontadas pela D. Autoridade Fiscal foram verificadas em análise efetuada em 15/11/2008 e 04/12/2008 e não em relação à data da transmissão da DIPJ 2007 (i.e., junho de 2007), pelo que, também sob este aspecto, os supostos paradigmas carreados não socorrem a irresignação em tela; logo, também sob este aspecto, o Recurso Especial ora contrarrazoado não merece conhecimento, o que deve ser reconhecido por esta C. CSRF; DA VIOLAÇÃO À SÚMULA N° 7 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ) PRETENSÃO DE REEXAME FÁTICOPROBATÓRIO em adição, mister salientar que o conhecimento do recurso ora contrarrazoado, no que tange à regularidade fiscal da Recorrida, esbarra na vedação contida na famigerada Súmula n° 7 do C. STJ, plenamente aplicável no âmbito do CARF, conforme jurisprudência pacífica; a estrita via do Recurso Especial tem por escopo a uniformização da jurisprudência deste colegiado e não a reanálise de matéria fáticoprobatória, sendo, neste sentido, análogo ao recurso especial de competência do STJ previsto no art. 105, III, "c", da Constituição Federal, para os casos em que a decisão recorrida "der à lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal"; com efeito, eventual reversão do entendimento firmado no v. aresto recorrido quanto à regularidade fiscal da Recorrida somente seria possível mediante o reexame do conjunto fáticoprobatório dos autos, o que é vedado a esta C. CSRF, pelo que, também por esse motivo, não merece conhecimento o Recurso Especial da D. Procuradoria neste quesito; DO DESCUMPRIMENTO DO ART. 67, § 6º, DO RI/CARF: AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO ENTRE OS ACÓRDÃOS RECORRIDO E PARADIGMAS ainda, importa notar que a D. Procuradoria não procedeu ao necessário cotejo analítico entre o Acórdão Recorrido e o Acórdão Paradigma, requisito para o conhecimento do Recurso Especial, nos termos do art. 67, § 6º, do RI/CARF; da análise das razões recursais, observase que, os supostos dissídios jurisprudenciais estariam apoiados nos acórdãos n° 10514196, n° 10807970, n° 910100.458 e n° 108.09.111; não obstante, o esforço da D. Procuradoria limitase a mera transcrição das ementas e excertos dos votos extraídos daquelas decisões. E, da leitura daquelas escassas informações não é possível aferir se há ou não similitude fática entre os acórdãos recorridos e paradigmas, tampouco a necessária divergência jurisprudencial autorizadora deste Recurso Especial; a C. CSRF já consolidou seu entendimento no sentido de que o Recurso Especial, para ser conhecido, deve proceder ao cotejo analítico entre acórdãos recorrido e paradigmas, sendo que, para tanto, é insuficiente mera transcrição de ementa das decisões paradigmáticas, se desacompanhada de análise comparativa substancial (ementas transcritas); Fl. 622DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 20 19 assim, tendo em vista que a D. Procuradoria não demonstra a divergência objeto deste recurso de modo analítico, tal qual preceitua o artigo 67, §6°, do RI/CARF, este Recurso Especial não merece ser conhecido; DA NECESSÁRIA MANUTENÇÃO DO V. ACÓRDÃO VERGASTADO NA PARTE RECORRIDA DA IMPROCEDÊNCIA DO AI DA COMPROVADA REGULARIDADE FISCAL DA RECORRIDA SÚMULA CARF N° 37 na remota hipótese de conhecido o Recurso fazendário, no mérito haverá de ser desprovido, pelos bastantes fundamentos contidos no Recurso Voluntário de fls., confirmados pelo v. acórdão recorrido; a D. Fiscalização indeferiu a Opção FINOR devido a supostas pendências fiscais detectadas em 15/11/2008 e 04/12/2008. Ocorre que tal análise deveria referirse ao anocalendário de 2006 — átimo da Opção FINOR — e não ao momento da aferição fiscal, conforme já pacificado por este C. CARF; a própria D. DRJ/SP1 reconheceu que D. Autoridade Fiscal descumpriu tal orientação, mas, ao invés de cancelar o lançamento, adicionou novo fundamento ao AI: a Recorrida não estaria em situação regular perante a RFB quando da entrega de sua DIPJ Original, o que não procede; a Opção pelo Incentivo Fiscal, in casu, deuse mediante recolhimento de DARF específico (em 30/03/2007), e não por DIPJ, estando comprovado que, à época da Opção FINOR, a Recorrida encontravase em situação plenamente regular junto à RFB, conforme comprovam as Certidões de Regularidade Fiscal acostadas aos autos (Doc. 04 do Recurso Voluntário); conforme o art. 4º da Lei n° 9.532/97, o recolhimento de DARF específico configura a Opção, o que é reconhecido por este E. CARF (Acórdão n° 180100.471, de 21/02/2011 ementa transcrita); à época da Opção pelo Finor, com o recolhimento do DARF Específico (30/03/2007), bem como na transmissão da DIPJ Original (29/06/2007), a Recorrida encontravase em situação plenamente regular perante à RFB, conforme comprovam as Certidões de Regularidade Fiscal, já acostadas aos autos, quais sejam: (i) Certidões Conjuntas Positivas com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e à Divida Ativa da União ("Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa"), emitidas em 10/11/2006 e 29/05/2007, com validade até 09/05/2007 e 25/11/2007, respectivamente; e (ii) Certidões Negativas de Débitos Relativos às Contribuições Previdenciárias e de Terceiros ("Certidão de Regularidade Fiscal Previdenciária"), emitidas em 21/08/2006 e 12/02/2007, com validade até 17/02/2007 e 11/08/2007, respectivamente; é inconteste que tais Certidões são suficientes à comprovação da regularidade fiscal exigida no artigo 60 da Lei n° 9.069/95, especialmente a Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa, conforme art. 1º do Decreto n° 6.106/07 e art. 1º da Portaria Fl. 623DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 21 20 Conjunta PGFN/RFB n.° 03/07 (atualmente, a Portaria Conjunta RFB/PGFN n° 1.751/14, o que é amplamente reconhecido por este C. Conselho (ementas transcritas); depositando pá de cal sobre o tema, a Lei n° 12.844/13 assegura de forma expressa a comprovação da regularidade fiscal via certidões, mormente para fins de gozo de incentivos fiscal; a Súmula n° 37 deste E. CARF, sedimentou o entendimento de que a comprovação de regularidade fiscal pode ser realizada a qualquer momento do processo administrativo; logo, improcede o único fundamento da autuação, estando provado que, a Recorrida enquadrase na exata dicção da Súmula CARF n° 37 e cumpriu a condição disposta no art. 60, da Lei n° 9.069/95, eis que evidencia a sua plena regularidade fiscal, restando fazer jus ao Incentivo Fiscal requerido, pelo que, caso conhecido o Recurso Especial da D. Procuradoria neste aspecto, deve ser mantido o v. acórdão recorrido; DO NECESSÁRIO CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO INDEPENDENTEMENTE DA ANÁLISE DO PERC este E. CARF já apreciou caso análogo — com indeferimento de opção a incentivo fiscal e autuação de IRPJ — em que asseverou não haver preclusão do direito de defesa do contribuinte quando não há PERC, sendo certo que a matéria de defesa há de ser trazida na competente impugnação — o que ocorreu in casu (Acórdão n° 10197.033. Sessão de 13/11/08 ementa transcrita); logo, o mérito da autuação em tela restringese à alegada falta de regularidade fiscal no momento de análise do PERC, o que improcede, conforme exposto nos tópicos anteriores, bastando à decretação da improcedência do lançamento, mesmo sem adentrar na análise do PERC; DA IMPROCEDÊNCIA DO INDEFERIMENTO DO PERC DA AUSÊNCIA DE PREJUDICIALIDADE À OPÇÃO PELA ENTREGA DE DIPJ 2007/RETIFICADORA a D. DRJ/SP trouxe aos autos novo argumento para indeferir o pleito da Recorrida, qual seja: a mera existência de DIPJ 2007/Retificadora, de per se, anularia o direito ao Incentivo Fiscal, o que não se pode admitir; a despeito de a formalização da Opção pelo FINOR ser irretratável, nos exatos termos da legislação específica, de acordo com o art. 4º, §5°, da Lei n° 9.532/97, a D. Autoridade Julgadora infra limitouse a alegar que a simples entrega da DIPJ 2007/Retificadora anularia o direito ao Incentivo Fiscal, na forma do Ato Declaratório Normativo CST n° 26/85 e da Nota SRF/COSAR n° 131/01; ocorre que tais dispositivos não são aplicáveis: a uma, por que a Opção pelo FINOR foi formalizada por meio do recolhimento de DARF específico e não mediante DIPJ; e, a duas, por que a manifestação da Opção FINOR deuse no anocalendário de 2007. E, a DIPJ 2007/Retificadora nada alterou a Opção, mantendo o fundo investido (i.e., FINOR) e o percentual de IRPJ destinado (i.e., 12%); Fl. 624DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 22 21 a Recorrida efetuou o recolhimento do IRPJ devido no ajuste de 2006, mediante DARF Específico, sob o código de receita 9344, correspondente ao FINOR, no montante de R$ 9.385.721,74 (principal), equivalente a 12% do IRPJ apurado, o que está evidenciado no próprio DARF Específico recolhido à época; ato contínuo, uma vez formalizada a Opção, a Recorrida também a evidenciou por meio da correspondente DIPJ 2007/Original; dessa forma, a Recorrida cumpriu os exatos termos da legislação específica, à formalização da Opção, em especial observando a competência do exercício correspondente: 2007. Inconteste o devido exercício da Opção e de forma irretratável, inclusive, consoante pacífico entendimento deste C. CARF; o Ato Declaratório Normativo CST 26/1985 e a Nota SRF/COSAR 131/2001 dispõem, respectivamente, acerca da vedação à opção para aplicação em Incentivos Fiscais pela pessoa jurídica que apresentar declaração de rendimentos ou retificação desta fora do exercício de competência, e da possibilidade de realização de aplicações para Incentivos Fiscais por meio de declarações retificadoras entregues após 31/12 do respectivo exercício, desde que cumpridas as condições que especifica; do que se infere, ambas as normas visariam impedir que os contribuintes exerçam Opção por Incentivos Fiscais via DIPJ (original ou retificadora) entregue fora da competência correspondente. Porém, o presente caso não se enquadra em nenhuma dessas situações! In casu, a Opção FINOR não foi formalizada em DIPJ, mas em DARF específico, e dentro da competência a que se refere; a retificação da DIPJ 2007, ocorrida em 29/04/2011, não representou, de forma alguma, uma "nova" Opção ao Incentivo Fiscal, tampouco acarretou o aumento desta. Ao contrário, a entrega da DIPJ Retificadora promoveu irrisória redução do valor destinado, não havendo qualquer alteração quanto à Opção em si (seu percentual de destinação e/ou modalidade); portanto, inconteste que não houve alteração do percentual de IRPJ destinado (i.e. 12%) e tampouco do fundo investido (i.e. FINOR), pelo que se verifica que não houve, in casu, nova Opção com a entrega da DIPJ 2007 Retificadora, sendo inaplicáveis as disposições do Ato Declaratório Normativo CST n° 26/85 e da Nota SRF/COSAR n° 131/01; a própria DRJ/SP aquiesceu, em caso análogo, a destinação ora pretendida, envolvendo também a Recorrida, e reconheceu a higidez da Opção pelo FINOR mesmo diante de declarações fiscais retificadoras transmitidas após a respectiva competência, in verbis: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2007 INCENTIVOS FISCAIS. OPÇÃO. PAGAMENTO EM DARF COM CÓDIGO ESPECÍFICO. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. IRRETRATABILIDADE. A OPÇÃO, PELA APLICAÇÃO DO IMPOSTO EM INVESTIMENTOS REGIONAIS, FEITA POR MEIO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS ENTREGUE DENTRO DO EXERCÍCIO DE COMPETÊNCIA OU POR MEIO DE Fl. 625DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 23 22 RECOLHIMENTO EFETUADO EM DARF COM CÓDIGO ESPECÍFICO, NOS TERMOS DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 267/2002, É IRRETRATÁVEL E NÃO PODE SER ALTERADA POR DECLARAÇÃO RETIFICADORA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE PROCEDENTE EM PARTE SEM CRÉDITO EM LITÍGIO" (DRJ/SPI; Acórdão 1650.053, Sessão de 29/08/2013, Relator Wilson Tsutomu Hachisuga) confirase, nesse sentido, o seguinte trecho extraído do v. Acórdão n° 16 50.053: "(...)9.1 (...) De modo que, no presente caso, ao efetuar o recolhimento, em 31/03/2008, de (...), sob o código 9344 IRPJ Finor ajuste, o contribuinte exerceu, de forma irretratável, a opção de destinação destes mesmos valores, como incentivos fiscais, ao FINOR. A entrega da DIPJ feita posteriormente, em 27/06/2008, serviu apenas para evidenciar tal opção conforme acertadamente alega o manifestante. 9.1.1. Cabe ressaltar que a entrega da DIPJ retificadora em nada interfere na opção efetivada via pagamento por DARF com código específico, isto porque o ADN CST n° 26/1985 ao mencionar que a pessoa jurídica que entregar declaração de rendimentos ou retificação desta fora do exercício de competência não faz jus a opção para aplicação em incentivos fiscais, remete ao estabelecido no RIR/80 (Decreto n° 85.450/80) vigente à época. Tal documento só previa o exercício da opção através da declaração de rendimentos, diferentemente da legislação atual que possibilita exercer opção também por meio de pagamento efetuado sob código específico, como efetivamente praticado pelo manifestante. Em outras palavras, o ADN CST n° 26/1985 não presta para descaracterizar a opção feita pelo ora reclamante, visto que à época de sua edição só havia uma forma de optar pela destinação (declaração de rendimentos), (...) 9.2 O despacho decisório ora combatido traz em sua ementa que a pessoa jurídica que apresentar a declaração de rendimento fora do exercício de competência não fará jus a essa opção, fazendo nítida referência à opção efetuada via DIPJ, o que não se coaduna com a situação do presente caso, onde a opção foi efetuada via pagamento, portanto há que se considerar inalterada a opção feita pelo contribuinte de destinação do valor (...) ao FINOR a qual o manifestante faz jus, ao contrário do consignado no despacho decisório. (...) 10.1 Com relação ao ADN CST n° 26/85, entendemos estar superada a discussão, visto que o texto menciona o não acatamento da opção, sendo que, no presente caso, esta se fez por meio do pagamento e não da declaração. Ademais a interpretação do referido ato leva a crer que, conforme já discutido no âmbito do CARF, o mesmo está fazendo referência aos casos em que a opção é feita apenas na original ou na retificadora entregue fora do exercício de Fl. 626DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 24 23 competência, situações em que a mesma pode ser realmente considerada extemporânea. (...) 12. Por oportuno, cabe acrescentar que a própria DIORT da DEINF em despacho posterior, encontrado no processo administrativo n° 16327.721252/201194, relacionado ao mesmo assunto (PERC), ao mesmo contribuinte, ora manifestante, só que para anocalendário distinto (2008), já proferiu entendimento neste sentido, conforme se verifica no trecho do despacho decisório abaixo colacionado: "6. A interessada apresentou duas DIPJ/2009, fl.147, a retificadora fora do exercício em questão. Houve redução da aplicação de incentivos fiscais na retificadora, de (...) para (...), mas foi mantido o mesmo fundo, e o percentual de aplicação. Utilizando como paradigma uma das várias decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (acórdão n° 101 95.974) que tem como ementa o seguinte: ' Não perde o direito à opção pela aplicação em incentivos fiscais ao FINOR, o contribuinte que entregar declaração retificadora fora do exercício de competência, com redução do valor do imposto mantido o fundo e o percentual. Nesse caso, ficam reduzidos na mesma proporção, os valores considerados como incentivo Recolhido integralmente dentro do exercício financeiro o imposto devido constante da declaração retificada (parte a título de imposto e parte a título de dedução do imposto para aplicação no fundo), a única conseqüência razoável da posterior retificação da declaração é que o valor já recolhido e aplicado no fundo não pode ser restituído e a parcela reduzida passaria a ser considerada uma aplicação com recursos próprios'. Não há óbice neste particular para que a análise prossiga, tendo como referência a declaração retificadora." (...) " (sic) (Acórdão 1650.053 8ª Turma da DRJ/SP1, Sessão: 29/08/2013, Relator Wilson Tsutomu Hachisuga) DA AUSÊNCIA DE EMBASAMENTO LEGAL AO INDEFERIMENTO DA OPÇÃO POR MERA ENTREGA DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA a legislação específica que trata da matéria não estabelece que a retificação da declaração faça com a pessoa jurídica perca o direito à Opção, conforme as esclarecedoras palavras da Ilustre Conselheira Sandra Maria Faroni sobre o assunto, in verbis: "Voto (...) Por último, porque os dispositivos legais que regem o assunto não estabelecem que a retificação da declaração faz com que a pessoa jurídica perca o direito à opção. (...) Não há qualquer disposição legal que vede a manutenção da opção (fundo e percentuais) em declaração retificadora, que, afinal, substitui em tudo a retificada. (...)" (Acórdão 10194.979; Sessão de 19/05/2005; Relatora: Sandra Maria Faroni) Fl. 627DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 25 24 também neste quesito, a D. DRJ/SP, no sobredito v. acórdão 1650.053, asseverou a ausência de base legal ao indeferimento da Opção pela mera existência de declaração retificadora, senão vejamos: "(...)13. Além de todo o exposto, há ainda que acatar a argumentação sobre a ausência de embasamento legal ao indeferimento da opção por mera entrega de declaração retificadora. De fato, conforme já observado a legislação que cuida do assunto não estabelece que a retificação da declaração faça com que a pessoa perca o direito à opção. O teor das normas de execução e das notas expedidas pelas coordenações da RFB não são de conhecimento público, de modo que, mesmo interpretando existir nelas o comando para o indeferimento do Perc no caso de retificadora entregue fora do exercício de competência, não se poderia penalizar o contribuinte por agir em desconformidade com tais atos. Nem mesmo a Instrução Normativa que trata do assunto, e que poderia esclarecer o sentido da lei, faz qualquer menção a esta hipótese. Portanto, por mais este motivo, não há como deixar de conferir o direito à opção ao manifestante, quando cumpridas todas as exigências legais." (Acórdão 1650.053 8ª Turma da DRJ/SP1, Sessão: 29/08/2013, Relator Wilson Tsutomu Hachisuga) a CSRF também já decidiu nesse mesmo sentido (ementas transcritas); inconteste, pois, o acerto do v. acórdão recorrido ao afastar este suposto óbice à fruição do Incentivo Fiscal, o que há de ser reconhecido por esta C. CSRF, mediante o desprovimento do Recurso Especial ora contrarrazoado; DA TEMPESTIVIDADE DO PERC analisando a Manifestação de Inconformidade atinente ao Processo de PERC, a D. DRJ/SP asseverou que o prazo legal para apresentação de PERC é o disposto no art. 15, §5º, do DecretoLei n° 1.376/74, qual seja, até 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao anocalendário a que corresponder a Opção; o prazo encimado é destinado à Administração Fiscal e aos gestores dos fundos de investimentos, para que aqueles órgãos revertam ao respectivo fundo os valores de ordens de emissão não procurados pelos contribuintes que optaram pelo Incentivo Fiscal. Não se refere ao prazo que os contribuintes possuiriam para apresentar o competente PERC; não se pode considerar aplicável o artigo 15, §5º, do DecretoLei n° 1.376/74 à apresentação do PERC, até porque este dispositivo trata de hipótese em que a ordem de emissão do certificado for homologada pela Receita Federal, porém não resgatada pelo beneficiado. Ora, homologado e não resgatado, não quer dizer não homologado ou indeferido, de sorte que a regra para aquela situação não pode ser aplicada para esta situação. Contra o não reconhecimento do direito ao Incentivo Fiscal, cabe uma medida processual, que é justamente o PERC; Fl. 628DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 26 25 logo, não há previsão legal que estipule prazo para apresentação de PERC, devendose buscar o CTN para solucionar a questão, mais precisamente o art. 168, do CTN; no caso, o dies a quo seria a data da Opção feita pela Recorrida, ou seja, a data do recolhimento do DARF específico (30/03/2007). Portanto, a partir desta data, a Recorrida dispunha de 5 (cinco) anos para apresentar o competente PERC (até 30/03/2012), sendo que o fez neste ínterim (em 27/12/2011), pelo que não há que se falar em intempestividade do presente; a vasta e recente jurisprudência deste CARF é neste sentido (ementas transcritas); SUBSIDIARIAMENTE: DA NECESSÁRIA DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À CÂMARA BAIXA NA REMOTA HIPÓTESE DE PROVIMENTO DO RECURSO ESPECIAL como reiteradamente exposto, o único fundamento da autuação objeto do presente feito foi a suposta irregularidade fiscal da Recorrida, a qual foi rechaçada pelo v. acórdão recorrido, com base na Súmula CARF n° 37; com efeito, a manutenção do v. aresto vergastado neste aspecto é suficiente ao cancelamento da autuação em debate, o que é aguardado pela Recorrida, notadamente pelo fato do decisum recorrido ter aplicado, ao presente caso, entendimento pacífico e sumulado por este C. Conselho; entretanto, na remota hipótese de ser reformado o v. acórdão recorrido e, conseqüentemente, ser restabelecida a exigência fiscal intentada in casu, devem os autos do presente feito retornar à C. Câmara a quo, para apreciação dos demais argumentos aduzidos pela Recorrida, em seu Recurso Voluntário, à demonstração da improcedência da autuação, que deixaram de ser apreciados em vista do provimento do Recurso Voluntário, no mérito, dentre os quais aqueles referentes à nulidade do AI, ao descabimento da multa de ofício imposta e, ainda, ao necessário afastamento dos juros de mora sobre a multa de ofício. CONCLUSÃO em vista de todo o exposto, aguardase o não conhecimento do Recurso Especial, por inobservância dos pressupostos de admissibilidade prescritos no RI/CARF, e, subsidiariamente, no mérito, o seu desprovimento, mantendose o v. acórdão recorrido na parte em que vergastado. É o relatório. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 27 26 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ referente ao anocalendário de 2006. O relatório contido no acórdão recorrido explicita bem os contornos do litígio a ser aqui examinado. Ele esclarece: que a contribuinte optou por destinar parcela do IRPJ apurado ao FINOR; que indeferindo o pedido, a fiscalização da Receita Federal lavrou auto de infração para cobrar a parcela que deixou de ser paga quando a contribuinte destinou os recursos ao fundo de investimento; que o presente processo reúne o processo de julgamento do PERC, no qual a contribuinte defendeu a revisão da decisão de seu indeferimento, e o processo de contestação do Auto de Infração, pelo qual a contribuinte defendeu a nulidade do Auto de Infração e, subsidiariamente, a inaplicabilidade da multa de ofício e dos juros sobre a multa; e que, em resumo, o que a contribuinte pleiteou no curso do processo foi o deferimento do investimento no FINOR e o cancelamento do Auto de Infração. Com o objetivo de facilitar a compreensão do caso, o relatório do acórdão recorrido também apresenta a seguinte tabela indicativa dos processos envolvidos com o litígio sob exame: Processo n° Objeto 16327.720997/201136 Apenso Processo instaurado para auditoria da DIPJ 2007 AC 2006. A fiscalização constatou que parte do IRPJ devido pela Contribuinte no anocalendário 2006 foi destinada ao Fundo de Investimentos do Nordeste – FINOR. Todavia, a opção não foi reconhecida, em decorrência de supostas pendências fiscais. 16327.721619/201170 Principal Considerando que a Contribuinte não fez o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), foi lavrado auto de infração para exigência de IRPJ no montante de R$ 9.262.897,58, outrora destinado ao FINOR. Contribuinte intimada em 25/11/2011. 16327.720153/201276 Apenso Ciente do AI para exigência de IRPJ, a Contribuinte protocolou impugnação ao auto de infração e aproveitou para protocolar o PERC, ambos em 27/12/2011. O PERC protocolado deu origem ao processo nº 16327.720153/2012 76. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 28 27 A decisão de primeira instância administrativa manteve o indeferimento do incentivo fiscal e, por conseqüência, manteve o lançamento de IRPJ. Já a decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido) reconheceu o incentivo fiscal e cancelou a autuação fiscal. O recurso especial da PGFN a ser aqui examinado pretende reverter essa decisão, restabelecendo a autuação fiscal. Para isso, a PGFN suscitou divergências quanto: 1) ao prazo de apresentação do PERC; 2) ao momento em relação ao qual deve ser comprovada a regularidade fiscal; 3) ao ônus da prova da regularidade fiscal (matéria que não foi admitida no exame de admissibilidade do recurso); e 4) aos efeitos de declaração retificadora fora do exercício de competência e com alteração dos valores de incentivos fiscais. PRELIMINARES DE NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO A terceira divergência, acima indicada, não foi admitida no juízo de admissibilidade do recurso especial, e a contribuinte, em sede de contrarrazões, alega que essa decisão inviabiliza o conhecimento do recurso especial. De acordo com as contrarrazões, afigurandose incontroversa a regularidade fiscal da Recorrida para fins do Incentivo Fiscal, ou, no mínimo, não tendo sido provada eventual situação de irregularidade fiscal que tolhesse o direito da Recorrida, cai por terra a higidez da autuação, sendo prescindível discutir o momento da comprovação da regularidade fiscal, sob pena de se privilegiar uma disputa meramente teórica. Em suma, não haveria interesse recursal para a PGFN, eis que a controvérsia sobre o "momento em relação ao qual deve ser comprovada a regularidade fiscal" em nada modificaria a já constatada regularidade fiscal da contribuinte, especialmente diante do que estipula a Súmula CARF nº 37, e muito menos modificaria a falta de comprovação de irregularidade pelo Fisco, o que também fundamentou a decisão favorável à contribuinte. A questão sobre a regularidade fiscal da contribuinte está diretamente relacionada às divergências "2" e "3" acima apontadas, e é preciso registrar que a negativa de admissibilidade para a terceira divergência não tem o efeito de prejudicar por completo o conhecimento do recurso especial sob exame, conforme será esclarecido adiante, mas algumas considerações da contribuinte tem pertinência. É importante transcrever os fundamentos do acórdão recorrido quanto à questão da prova da regularidade fiscal: IV.2.1.2. DAS PROVAS APRESENTADAS Fl. 631DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 29 28 Tendo estabelecido os momentos em relação aos quais se aceitará prova da regularidade, convém analisar ainda o que significa prova de regularidade fiscal. A DIORT fundamenta o indeferimento do PERC no art. 60, da Lei nº 9.069/97, o qual afirma, in litteris: [...] Portanto, a concessão ou reconhecimento do benefício fiscal depende da comprovação, pela contribuinte, de quitação de tributos e contribuições fiscais. A DRJ reafirma a mesma fundamentação legal, acrescentando o art. 47, I, “a” da lei nº 8.212/91, que também exige Certidão Negativa de Débitos para a concessão de benefícios. A contribuinte, em seu Recurso, explana que, conforme art. 1º do Decreto 6.106/07 e art. 1º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 03/07, bem como no art. 47 da lei 8.212/91, são suficientes para comprovar a Regularidade Fiscal as certidões emitidas pela Receita Federal/PGFN, Previdência Social e FTGS. Tendo em vista a redação das leis colacionadas, parece ter razão o entendimento da contribuinte. Resta saber, neste ponto, se a contribuinte comprova regularidade em algum momento dentre aqueles estabelecidos acima. Para tanto, consignamos antes a lição apresentada no acórdão nº 10323546, de 14/08/2008, que também serviu de paradigma para a Súmula CARF nº 37. Esse acórdão afirma, no voto: “A análise do favor fiscal caminhou em sentido diverso da jurisprudência deste Conselho, segundo a qual, para seu gozo, a beneficiada deve estar regular na data da entrega da declaração (e não na data do pedido de revisão ou do despacho administrativo ou em outro qualquer). (...) Não há no processo comprovação cabal de que a empresa estava regular em 1998; por outro lado, também não há prova em contrário. Cabe fixar a quem deve realizar tal prova. É cediço que a SRF orienta a apresentação da prova da regularidade relativamente à data do pedido, assim como no curso do processo e não na data da entrega da declaração. Assim, se o pedido houvesse sido indeferido com base em algum débito comprovadamente contemporâneo da declaração de rendas, caberia à defesa fazer prova em contrário no recurso voluntário. No entanto, não é o caso nos presentes autos.” Este acórdão traz lição no sentido de determinar a distribuição dos ônus de prova. Entendese que, tendo a Administração Pública comprovado, quando do indeferimento do pedido, que a Contribuinte tinha débitos ou pendências ao tempo da opção ou do Pedido de Revisão, qualquer que seja, então ainda restaria à Contribuinte a possibilidade de comprovar que os débitos não existiam, ou não eram exigíveis. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 30 29 Entretanto, caso nenhuma das duas partes consiga comprovar nada, então a presunção é que deve ser aceito o pleito da Contribuinte. Compulsando os autos do processo nº 16327.720997/201136, no qual realizouse auditoria que fundamenta o presente litígio, observase que a Autoridade Lançadora não logrou apresentar nenhuma prova de irregularidades da Contribuinte ao tempo da opção pelo investimento. Apontou apenas, à fl. 15, haver as seguintes ocorrências: · CNPJ C/ PROCESSO FISCAL SIST. PROFISC · CONTR. COM PENDÊNCIAS JUNTO AO INSS À fl. 18, explica que o processo fiscal é de nº 16327001505/200723, com data inicial da situação em 06/09/2007 e processamento em 15/11/2008. Já à fl. 19, esclarece que as pendências junto ao INSS decorrem de Declaração Retificadora entregue em 31/12/2007, com processamento em 14/12/2008. Tampouco fundamentou a DIORT, no processo 16327.720153/2012 76, sua decisão em nenhuma prova de irregularidade, mas tão somente em falta de prova de regularidade. Assim, considerando os acórdãos que servem de embasamento para a Súmula, é possível afirmar que o indeferimento inicial do incentivo pressupõe prova de que a Contribuinte estava irregular no momento da opção – o que não foi feito. Considerando ainda que, no decorrer o PERC a contribuinte pode comprovar a sua regularidade (mesmo que obtida em momento posterior), analisamos o Recurso Voluntário detidamente. A Recorrente junta no Recurso Voluntário Certidão Conjunta Positiva com efeitos de Negativa emitida pela Receita Federal/PGFN em 29/05/2007 e validade até 25/11/2007 (fl. 409), bem como Certidão Positiva de Débito com efeito de Negativa, emitida pela Previdência Social em 12/02/2007 e com validade até 11/08/2007 (fl. 410) e ainda Certificação de Regularidade do FTGS, perante a Caixa Econômica Federal válida entre 31/07/2013 e 29/08/2013 (fl. 411). Ademais, no decorrer da elaboração deste voto, averiguamos a regularidade da contribuinte diretamente no site da Receita Federal/PGFN, sendo emitida Certidão Positiva com efeitos de Negativa, com validade até 14/02/2015. Observando o site da Previdência Social, foi emitida Certidão Positiva com efeitos de Negativa em 27/08/2014 e tem validade até 23/02/2015. Já em consulta ao site da CAIXA Federal, observouse Certidão de Regularidade com relação ao FGTS, com validade até 04/11/2014. Enfim, observase ainda que já tinha apresentado, em sede de Impugnação, Certidão Positiva com efeito de negativa de tributos federais da BV emitida em 10/11/2006 e válida até 09/05/2007 (fl. 137); Certidão Negativa de debito previdenciário da BV emitida em 21/08/2006 e válida até 17/02/2007 (fl. 138) e Certidão de Regularidade do FGTS emitida em 12/12/2011 e válida até 10/01/2012 (fl. 139). Portanto, seja em decorrência de prova de regularidade em 31/12/2006 – data final do período de apuração do tributo –, de prova de regularidade ao tempo da apresentação da DIPJ, seja em função de Fl. 633DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 31 30 regularidade no momento desta análise do PERC, impende entender que a Contribuinte está regular com a Fazenda Nacional, não sendo adequado indeferir o seu PERC por este argumento. (grifos acrescidos) De acordo com o acórdão recorrido, a decisão da Delegacia de origem estava amparada na falta de prova de regularidade fiscal pela contribuinte, e não em prova de irregularidade apresentada pelo Fisco. Nesse contexto, o acórdão recorrido encampou o entendimento de que incumbe primeiramente ao Fisco o ônus de comprovar a irregularidade fiscal da contribuinte, o que não teria acontecido no caso destes autos. Além disso, haveria prova da regularidade fiscal da contribuinte em vários momentos do processo, o que também serviu de fundamento para o reconhecimento do incentivo. É correto, portanto, o entendimento sobre a falta de interesse recursal em relação à divergência nº "2", quanto "ao momento em relação ao qual deve ser comprovada a regularidade fiscal". Como não foi admitida a terceira divergência, relativa "ao ônus da prova da regularidade fiscal", ficou consumada a decisão de que o Fisco não teria se desincumbido de primeiro comprovar a irregularidade, e esse fundamento, por si só, justifica o reconhecimento do incentivo, independentemente do "momento em relação ao qual deve ser comprovada a regularidade fiscal". Os critérios de necessidade/utilidade traduzem o interesse processual. Não deve ser conhecida a parte do recurso especial que, sendo provida, não ensejará qualquer proveito no deslinde da controvérsia. Outro aspecto que prejudica o conhecimento da divergência nº "2", é que o acórdão recorrido está fundamentado na Súmula CARF nº 37, e o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, é bastante claro em seu art. 67, §3º, ao estabelecer que não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. A referida Súmula tem o seguinte conteúdo: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Em seu recurso especial, a PGFN contesta o entendimento do acórdão recorrido no sentido de que o contribuinte poderia demonstrar sua regularidade fiscal a qualquer tempo, independentemente da época em que tenha ocorrido tal regularização. Alega ainda que, "de acordo com a redação da súmula nº 37 do CARF, a prova da regularidade pode Fl. 634DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 32 31 ser a qualquer momento do processo administrativo. Não é a própria regularidade que pode ser promovida a qualquer tempo, porquanto o contribuinte deve estar regular à época da opção pelo benefício". O que está em questão é (1) se essa comprovação deve estar baseada em informações colhidas contemporaneamente à opção, ou (2) se a comprovação da regularidade fiscal (incluindose aí a própria quitação das pendências) pode ser feita no curso do processo administrativo. Vale aqui transcrever trechos de um dos acórdãos que embasou a referida Súmula CARF nº 37: Acórdão nº 19500110, de 10/12/2008 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS "PERC" COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL A comprovação da regularidade fiscal deve se reportar à data da opção do beneficio, pelo contribuinte, com a entrega da declaração de rendimentos. Comprovada a regularidade fiscal em qualquer fase do processo ou não logrando a administração tributária comprovar irregularidades que se reportem ao momento da opção pelo beneficio, deve ser deferida a apreciação do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC. [...] VOTO [...] Na análise fática da regularidade fiscal da recorrente, verificase, que os débitos que ensejaram o indeferimento do PERC, no curso desse processo tiveram a regularidade fiscal comprovada. Destarte, que este conselho reiteradamente tem se manifestado no sentido de que não é razoável exigir do contribuinte a comprovação de sua regularidade fiscal no momento (incerto) de exame do PERC, devendo esta comprovação se reportar ao momento da opção pelo incentivo fiscal, com a entrega da DIPJ. Por outro lado, a falta de definição legal acerca do momento em que a regularidade fiscal deve ser comprovada, torna possível (ao contribuinte) que essa comprovação se faça em qualquer fase do processo. Com efeito, esse entendimento já se encontra assentado neste conselho, como se extrai do brilhante voto da lavra do Conselheiro Caio Marcos Cândido, no acórdão n° 101 96.863 de 13/08/2008, da 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que assevera (in verbis): "O sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o beneficio fiscal, mas sim, condicionar seu gozo à quitação do débito. Dessa forma, a comprovação da regularidade fiscal, visando o deferimento do PERC deve recair sobre aqueles débitos existentes na data da entrega da declaração, o que poderá ser feito em qualquer fase do processo." (Nossos Grifos) Fl. 635DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 33 32 (sublinhados acrescidos) A decisão acima esclarece que a comprovação da regularidade (incluindose aí a própria quitação das pendências) pode ser feita no curso do processo administrativo. E o acórdão recorrido adotou esse mesmo entendimento quando admitiu que a comprovação da regularidade pela contribuinte fosse feita por "certidão negativa" e "certidão positiva com efeito de negativa" emitidas no curso do processo. É importante perceber que a Súmula CARF nº 37 admite que a prova da "quitação" seja feita em qualquer momento do processo administrativo. Ao contrário do alegado pela PGFN, o escopo da súmula não é apenas admitir que uma prova préexistente, colhida lá atrás quando da opção pelo incentivo (p/ ex., uma certidão negativa contemporânea à entrega da DIPJ), pudesse ser apresentada em qualquer etapa do processo, até porque seria desnecessário dizer isso, em razão do princípio da verdade material que rege o processo administrativo. Com efeito, a súmula não precisava dizer que uma prova desse tipo poderia ser apresentada em qualquer momento do processo. O que a súmula precisava dizer (segundo a jurisprudência que se consolidou no CARF), e disse, é que fica admitida a prova da "quitação" (das pendências) em qualquer momento do processo administrativo. E o recurso da PGFN tenta justamente contestar esse comando da Súmula CARF nº 37, pelo que, por mais esse motivo, ele não deve mesmo ser conhecido em relação à matéria constante da segunda divergência, relativa "ao momento em relação ao qual deve ser comprovada a regularidade fiscal". Além das questões envolvendo o interesse recursal e a aplicação da Súmula CARF nº 37, a contribuinte suscita outras preliminares de não conhecimento do recurso quanto à comprovação da regularidade fiscal, que também estão diretamente relacionadas à segunda divergência. Mas como o conhecimento da segunda divergência já ficou prejudicado pelas considerações acima, é desnecessário o exame das outras preliminares. MÉRITO Já foi dito anteriormente que a terceira divergência, relativa ao "ônus da prova da regularidade fiscal", não foi admitida no juízo de admissibilidade do recurso especial. Também foi dito que essa negativa de admissibilidade para a terceira divergência, que comprometeu parcialmente o interesse recursal da PGFN, não tinha o efeito de prejudicar por completo o conhecimento do recurso especial sob exame. É que tanto a primeira preliminar de não conhecimento do recurso, que envolveu a questão do interesse recursal, quanto as outras preliminares estavam relacionadas especificamente à segunda divergência, cujo conhecimento restou prejudicado. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 34 33 Mas a primeira e a quarta divergências devem ser conhecidas, porque elas trazem questões que seriam suficientes, por si só, para alterar o resultado do julgamento, mesmo diante do que já foi dito até agora neste voto. Entre as preliminares de não conhecimento do recurso, a contribuinte também alega que a PGFN não teria feito o cotejo analítico entre o acórdão recorrido e os paradigmas, e que, portanto, não seria possível aferir se há ou não similitude fática entre os acórdãos cotejados, e se há ou não a necessária divergência jurisprudencial autorizadora do recurso especial. O relatório anterior, onde estão descritos os argumentos contidos no recurso especial da PGFN, indica que esse argumento da contribuinte não procede. Especificamente em relação à primeira e a quarta divergências, que serão agora examinadas, a simples confrontação das ementas já é suficiente para caracterizar objetivamente as divergências jurisprudenciais, cuja constatação independe de uma análise aprofundada do contexto fático examinado pelas decisões cotejadas. Não bastasse isso, a PGFN explicitou em detalhes os pontos onde residem essas divergências. E a própria contribuinte trata delas especificamente como questões de mérito, de modo que o recurso deve ser mesmo conhecido nesta parte: 1) prazo de apresentação do PERC; e 4) efeitos de declaração retificadora fora do exercício de competência e com alteração dos valores de incentivos fiscais. PRIMEIRA DIVERGÊNCIA Se o argumento apresentado pela PGFN em relação à intempestividade na apresentação do PERC fosse acolhido, isso poderia implicar em prejuízo das considerações de mérito feitas até agora pelas decisões administrativas proferidas neste processo. É que a contestação das razões que motivaram a negativa do incentivo estaria inviabilizada desde o início. O exame dos argumentos apresentados pela contribuinte estaria prejudicado por preclusão. Contudo, o próprio conteúdo das decisões já proferidas evidencia que o argumento da preclusão por intempestividade, embora utilizado pelas decisões da DRF e da DRJ, não esgotou os fundamentos dessas decisões, que efetivamente adentraram no exame do mérito dos argumentos de defesa apresentados pela contribuinte. A divergência suscitada pela PGFN está fundamentada no entendimento de que não se poderia mais analisar a motivação da negativa do incentivo, se houve ou não irregularidade fiscal, etc., porque a contribuinte não teria provocado esse debate na época oportuna, por meio da apresentação de PERC, e, por isso, não poderia fazêlo posteriormente. Para a delimitação do prazo de apresentação do PERC, tanto a Delegacia da Receita Federal quanto a Delegacia de Julgamento, e agora também a PGFN, adotam como base legal as disposições do § 5º do art. 15 do Decretolei nº 1.376/1974, com a redação dada pelo art. 1º do Decretolei nº 1.752/1979: Fl. 637DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 35 34 Art. 15 A Secretaria da Receita Federal, com base nas opções exercidas pelos contribuintes e no controle dos recolhimentos, encaminhará, para cada exercício, aos Fundos referidos neste Decretolei e à EMBRAER, registros de processamento eletrônico de dados que constituirão ordens de emissão de certificados de investimentos e ações novas da EMBRAER, em favor das pessoas jurídicas optantes. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.752, de 1979) (...) § 5º Reverterão para os Fundos de Investimento os valores das ordens de emissão cujos títulos pertinentes não forem procurados pelas pessoas jurídicas optantes até o dia 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao exercício financeiro a que corresponder a opção. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.752, de 1979) (grifos acrescidos) De acordo com o entendimento sustentado pela PGFN, em relação ao IRPJ do anocalendário 2006, a data final para a apresentação do PERC seria 30/09/2009, mas ele só foi apresentado em 27/12/2011. Entretanto, conforme registrado pelo acórdão recorrido, o § 5º do art. 15 do Decretolei nº 1.376/1974, com a redação dada pelo art. 1º do Decretolei nº 1.752/1979, trata de situação jurídica diversa da aqui analisada. A referida norma regulamenta o prazo para que as pessoas jurídicas optantes procurem os seus certificados de investimentos, cujo incentivo já foi reconhecido pelo Fisco, sob pena de os valores correspondentes serem revertidos para os Fundos de Investimentos, enquanto o caso presente envolve o não reconhecimento do incentivo pela Receita Federal. A distinção fica mais evidente quando se percebe que na primeira das situações acima (que é a tratada pelo referido §5º do art. 15 do DL 1.376/1974) não há qualquer conflito entre Contribuinte e Fisco, relativamente à negativa no reconhecimento do incentivo, e que justifique a instauração de um contencioso administrativofiscal. O acórdão recorrido colacionou várias decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais nesse sentido, e apresentou ainda as seguintes considerações sobre a alegação de intempestividade do PERC: Efetivamente, neste aspecto, assiste razão à contribuinte. Não deve ser aplicada a regra do DecretoLei nº 1.376, posto que não detém relação com o caso em tela. Neste sentido, diversos julgamentos da CSRF, como o Acórdão CSFR nº 9101001.412, de 17/07/2012, que afirmou: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA – IRPJ Exercício: 1994 PERC. PRAZO. APRESENTAÇÃO. ARTIGO 15 DO DECRETO N° 70.235/72. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO SOBRE A DATA DA CIÊNCIA DO EXTRATO DAS APLICAÇÕES EM INCENTIVOS FISCAIS. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 36 35 O PERC é medida processual contra o indeferimento da opção do contribuinte pelo incentivo fiscal. Como tal, regese, o respectivo prazo, pelo artigo 15 do Decreto n° 70.235/72. Não constando dos autos informação sobre a data da ciência de tal indeferimento, não há como se concluir pela intempestividade do PERC. No voto, explicou: “Com efeito, o artigo 15, §5º, do DecretoLei nº 1.376/74 dispõe sobre a hipótese em que o contribuinte (pessoa jurídica) que optou pelo incentivo fiscal não procurarem pelos valores das ordens de emissão, de sorte que estes retornarão para os Fundos de Investimento. Não se cuida, pois, de indeferimento do respectivo pedido. Contra este cabe uma medida própria, de defesa, que é o PERC. Obviamente, meio de defesa que é, imprescindível que haja contra o quê o contribuinte deve defenderse. Na hipótese, o indeferimento da sua opção. Este, inequivocamente, mais propriamente a ciência por parte do contribuinte do indeferimento, devese considerar o termo inicial para a apresentação, por parte do contribuinte, do PERC. Pois bem, neste sentido, não se pode considerar a aplicabilidade do artigo 15, §5º, do DecretoLei nº 1.376/74. (...) Contra o não reconhecimento do direito, cabe uma medida processual, que é justamente o PERC. Não havendo regra própria, e cuidandose de uma medida processual, mais acertada a incidência, conforme decidido no acórdão impugnado [pela Fazenda Nacional], do artigo 15 do Decreto nº 70.235/72. (...) Como, nos autos, não se tem comprovação de quando ocorrera a ciência do contribuinte por meio de AR, não se tem como considerar como intempestivo o PERC apresentado.” No mesmo sentido, ver Acórdão CSRF nº 910100.353, de 26/08/2009: PERC. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. Se o legislador estabeleceu que compete à Receita Federal expedir extrato à pessoa jurídica optante pelo incentivo, quando tal fato não ocorre, não se pode aplicar o prazo de que trata o § 5° do art. 15° do DecretoLei n° 1.376, de 1974. Na ausência de disposição legal específica, por analogia, aplicase o disposto no art. 15 do Decreto n° 70.235/72, salvo se Administração Tributária não tiver concedido prazo maior, contandose o prazo de 30 dias, a partir da ciência da decisão que denega a emissão do certificado. Quando não há essa ciência, devese tomar como tempestivo o PERC. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 37 36 Citando o art. 3º do DecretoLei nº 1.752/795, o supracitado acórdão entende que é ônus da fazenda pública informar a contribuinte quanto à sua decisão dos incentivos fiscais através de um extrato. Conclui: “Mas a discussão não é quanto ao prazo para pleitear algum direito e sim um prazo para manifestar sua discordância quanto à negativa da Administração Tributária à emissão de certificados de incentivos fiscais, como bem coloca a ementa do acórdão recorrido. E, se estamos tratando de prazo para manifestar uma discordância a um ato da Administração Tributária, a regra é processual, e o gênero mais próximo, aplicandose a analogia, seria utilizar a regra de apresentação de manifestação de inconformidade ou impugnação de que trata o Decreto n° 70.235/72, art. 15, ou seja, 30 dias contados da data da ciência da decisão que negou a emissão do certificado de incentivo. A decisão que nega a emissão dos certificados, na verdade, ocorre quando a então Secretaria da Receita Federal emite o Extrato. Assim, a data para a empresa se insurgir com o ato da Administração Tributária seria 30 dias da ciência dessa decisão, salvo, é claro, se a Administração Tributária tiver estabelecido prazo maior, pois, neste caso, em razão da especificidade da orientação, e como é emanada em benefício do sujeito passivo, tal data é que deve prevalecer. Ocorre que não consta dos autos qualquer informação quanto à data de ciência da empresa optante do extrato de que trata o art. 3° do DecretoLei n° 1.752, de 1979, ou de qualquer outro documento que comunique ao contribuinte o indeferimento de seu pedido ao benefício fiscal.” Ainda outro acórdão CSRF, nº 9101001155, de 03/08/2011: INCENTIVOS FISCAIS. PERC. DECADÊNCIA. Conforme precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o PERC tem natureza de recurso processual contra o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal efetuada na declaração de rendimentos. Nos termos do Decreto n° 70.235/72, a perda de prazo processual para interposição de recurso administrativo ocorre apenas após transcorridos 30 dias da ciência da decisão, aplicandose esse mesmo prazo para o exercício do direito de defesa por meio do PERC. Ainda, conforme o acórdão CARF nº 1102000.771, de 04/07/2012, esta mesma turma já decidiu neste sentido: PERC. NORMA PROCESSUAIS. PRAZO. O PERC tem natureza de recurso administrativo contra o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal efetuada na declaração de rendimentos, e deve ser interposto no prazo de 30 dias a contar da ciência das alterações promovidas pela autoridade administrativa, consubstanciadas no Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais emitido. Enquanto não decidido Fl. 640DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 38 37 recursos administrativo interposto pelo contribuinte, não transcorre, contra a Fazenda Pública, nenhum prazo de caducidade. Pois bem, sigo o mesmo entendimento: não é aplicável, no caso em tela, a regra do art. 15, §5º do DecretoLei nº 1.376 para a contagem do prazo de apresentação do PERC. Tendo em vista que a Contribuinte fez o pedido de incentivo fiscal na DIPJ 2007, cabia à Administração Pública, conforme art. 3º do DecretoLei nº 1.752/79, emitir extrato para a Pessoa Jurídica optante do investimento, informando os valores considerados como imposto e aqueles aceitos como investimentos. A partir deste momento, caso discorde, a Contribuinte terá direito de pedir reconsideração, a este pedido dáse o nome de PERC – Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais. Assim, observase que, sendo procedimento para contestar decisão da Administração Pública, é necessário antes que haja dita decisão, para somente então começar a correr o prazo. À falta de prazo determinado em lei, seguimos novamente os acórdãos citados, aplicando o art. 15, do Decreto nº 70.235/72, garantindo assim um prazo de 30 dias contados da data da ciência do extrato – ou de qualquer outra decisão que negue o pedido do benefício. Compulsando os autos, não se encontra dito extrato. Pelo contrário, notase carta do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), na qual há informação de que “a última emissão de cotas do FINOR liberada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB ocorreu em 27/01/2011, referente ao exercício de 2007, anocalendário 2006” (fl. 13). Na mesma carta, a instituição financeira informava à Contribuinte, inclusive, que haviam sido emitidas cotas em seu nome referentes ao exercício 2007 (fl. 15). Analisando o processo administrativofiscal nº 16327.720997/201136 (apensado aos presentes autos – fls. 48/49), que trata da auditoria na qual fundamentouse o Auto de Infração contestado neste presente processo, tampouco ali se apresenta data fiável de intimação da Contribuinte. É possível identificar um AR (fl. 5 daquele processo) destinado à BV Financeira. Acontece que não é possível identificar a data nele constante – apesar de ser deduzível tratarse de alguma data anterior a 01/01/2010. Tampouco há referência ao documento nele contido. Considerando ainda que o relatório final, que entende pelo lançamento do Auto de Infração (fl. 3 daquele processo), faz referência à NE Codac nº 01, de 11 de janeiro de 2011, e que as Consultas (fls. 6 e seguintes daquele processo) são datadas de 07/02/2011, certo que aquele AR não representa intimação à contribuinte de decisão de indeferimento do benefício fiscal, pois, reiterese, tratarse de alguma data anterior a 01/01/2010. Assim, não se observou nenhuma data anterior a 25/11/2011, uma sextafeira, em que a contribuinte restasse intimada do indeferimento da opção pelo investimento. Considerando ainda que o PERC foi protocolado em 27/12/2011, uma terçafeira, tempestivo o PERC. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 39 38 O acórdão recorrido deve ser mantido por seus próprios fundamentos. Adotando as mesmas razões acima transcritas, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, relativamente ao prazo de apresentação do PERC. QUARTA DIVERGÊNCIA Quanto aos efeitos decorrentes da apresentação de declaração retificadora fora do exercício de competência e com alteração dos valores de incentivos fiscais, também é importante reproduzir os fundamentos do acórdão recorrido: IV.2.2. DA APRESENTAÇÃO DE DIPJ RETIFICADORA Em sede de Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte insurge se contra o terceiro ponto. Alega que a opção pelo investimento foi realizada no momento do Recolhimento do DARF específico e a confirmou no momento da entrega da DIPJ original. Explica que a DIPJ 2007 retificadora, apresentada em 29/04/2011 não gera nova Opção ao incentivo Fiscal, nem tampouco aumenta o valor desta, em verdade reduzindo o valor do incentivo optado, concluindo: “Portanto, inconteste que não houve alteração do percentual de IRPJ destinado (i.e. 12%) e tampouco do fundo de investimento (i.e. FINOR), pelo que se verifica que não houve, in casu, nova Opção com a entrega da DIPJ Retificadora, sendo inaplicável as disposições do Ato Declaratório Normativo CST nº 26/1985 e da Nota SRF/COSAR nº 131/2001.” – fl. 426 do processo 16327.7230153/201276. A DRJ, por sua vez, reconhecendo que a contribuinte apresentou DIPJ Retificadora, mantém a decisão da DIORT com base nos mesmos fundamentos. Argumenta a Contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, que a DRJ equivocouse ao cumular a declaração de intempestividade do PERC com a aceitação do argumento da DIORT, no processo administrativofiscal nº 16327.7230153/201276, no sentido de ser improcedente o PERC pela apresentação de DIPJ retificadora. Em seu entendimento, a DRJ inovou o fundamento do Auto de Infração, de sorte a indeferir o pleito da ora Recorrente. Após apresentar este fundamento, que seria causa de nulidade do acórdão recorrido, reafirma o quanto afirmado na Manifestação de Inconformidade: que formalizou a opção no momento em que Recolheu o DARF específico, posteriormente confirmada pela DIPJ; que é inaplicável Ato Declaratório Normativo CST nº 26/1985 e Nota SRF/Cosar nº 131/2001. Inicialmente, afastase alegação de que a DRJ inovou na fundamentação do Auto de Infração. Em verdade, o acórdão julga ao mesmo tempo o PERC e o Auto de Infração, em decorrência do apensamento dos processos. O mesmo fazemos neste acórdão do CARF. Portanto, ainda que não conste do Auto de Infração, o presente tópico foi aventado na Decisão da DIORT. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 40 39 Ademais, a própria Contribuinte apresentou, em sua Manifestação de Inconformidade, contestação ao indeferimento do PERC com base nesta infração. Destarte, repetese, não há inovação da DRJ, mas apenas enfrentamento de todos os pontos controvertidos. Tendo definido esta “preliminar”, passase à análise do fundamento apresentado pela DIORT: o incentivo não deve ser deferido em decorrência da apresentação de DIPJ Retificadora em 29/04/2011 que, ademais, alterou o valor destinado ao FINOR. Tal fato vai de encontro ao Ato Declaratório (Normativo) CST nº 26/1985 e a Nota SRF/Cosar nº 131/2001. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) já decidiu sobre o tema no acórdão nº 9101001.438, de 19/07/2012, que ficou assim ementado: DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. REGRAS ATUAIS. EFEITOS. A partir da edição da Instrução Normativa da Receita Federal nº 166, de 1999, os efeitos da declaração retificadora têm a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa da Receita Federal nº 094, de 1997. No voto, explica a sua fundamentação: “Como visto, o ponto nodal do presente feito consiste em saber se é possível as empresas obterem a Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais na situação em que a pessoa jurídica beneficiada apresentou a declaração retificadora após o encerramento do exercício de competência. O acórdão recorrido posicionase no sentido de que é possível, já que entende que, a partir da IN nº 166, de 1999, os efeitos da declaração retificadora, nos dizeres dessa normativa, art. 1º, §2º, I, tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para efeitos da revisão sistemática de que trata a IN SRF nº 094, de 24 de dezembro de 1997. Não há dúvidas de que o Ato interpretativo, (Nota SRF/Cosar nº 131/2001), informou que somente seriam acatadas aplicações em incentivos provenientes de declaração retificadores entregues depois de encerrado o exercício referido se, cumulativamente, a declaração original fosse entregue dentro do exercício e não houvesse retificação que alterasse o valor da opção exercida na última declaração entregue dentro do exercício. Por outro lado, o artigo 60 da Lei nº 9.069, de 1995, vincula a concessão do reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, tãosomente, à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais. A bem da verdade, apenas nas normas interpretativas consta a proibição do gozo do incentivo quando há declaração retificadora fora do prazo. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 41 40 Ora, tem toda a razão a Recorrente quando invoca o artigo 1º da IN nº 166, de 1999, que autorizou retificar todas as informações contidas na declaração originária. E o §1º estendeu a autorização aos anos calendários anteriores. Os efeitos da declaração retificadora, nos dizeres da própria norma normativa, teria a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo integralmente, inclusive para efeitos da revisão sistemática de que trata a IN SRF nº 094, de 1997. (...) Ora, a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais temse solidificado no sentido de que não se pode desconhecer os princípios da verdade material, do formalismo moderado e da razoabilidade da sanção, quando se trata de descumprimento de obrigação acessória. Nesta linha de raciocínio não há razões aparentes para não aceitar que a declaração retificadora substitui a original em todos os seus efeitos. (...) Assim sendo e provado o direito material não perde o direito à opção pela aplicação em incentivos fiscais o contribuinte que entregar declaração retificadora fora do exercício de competência, desde que a declaração original tenha sido apresentada no exercício respectivo. Nesse caso, ficam reduzidos, na mesma proporção, os valores de incentivos transcritos na retificadora.” Pedindo vênia pela longa transcrição, esta era necessária posto que o acórdão e votos citados aplicamse integralmente ao ponto ora em julgamento: há discussão, por parte da Fazenda Nacional/DIORT, alegando aplicabilidade da Nota SRF/Cosar nº 131/2001, pela qual a apresentação de DIPJ retificadora após o fim do exercício, especialmente se modificar o valor do investimento, é suficiente para que o benefício seja indeferido. A CSRF, fundamentando em Lei, bem como em IN e ainda em princípios do processo administrativo, afasta tal entendimento. Considerando por um lado que a empresa (tanto no caso do acórdão da CSRF quanto no presente processo) apresentou DIPJ original no prazo e com a opção pelo investimento, que não há prejuízo na apresentação de DIPJ retificadora. Assim, seguindo a decisão da CSRF, neste processo entendo pelo afastamento deste ponto, reconhecendo a procedência do PERC. Temse por prejudicada a análise do Auto de Infração; já que o benefício deve ser concedido à contribuinte, não há mais crédito a ser constituído. Há vários aspectos que corroboram o entendimento manifestado no acórdão recorrido. O artigo 60 da Lei nº 9.069/1995 vincula a concessão do reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, tãosomente, à comprovação da quitação de tributos e Fl. 644DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 42 41 contribuições federais, e essa questão sobre a apresentação de declaração retificadora nem mesmo consta das Instruções Normativas da Receita Federal. O Ato Declaratório Normativo CST 26/1985, por sua vez, foi editado num contexto legal que só previa o exercício da opção através da declaração de rendimentos, diferentemente da legislação atual que possibilita exercer opção também por meio de pagamento efetuado sob código específico, como ocorreu no presente caso. Também é importante destacar que a partir da IN nº 166, de 1999, a declaração retificadora passou a ter a mesma natureza da declaração original, substituindoa integralmente, de modo que a retificação da DIPJ, por si só, não poderia implicar em perda total do incentivo cuja opção foi realizada no momento oportuno. Juntase a isso o fato de o despacho decisório da Delegacia da Receita Federal que examinou o PERC não ter demonstrado nenhum prejuízo efetivo ao Fisco, em razão da retificação da DIPJ. A transcrição das telas de consulta das DIPJ que consta do referido despacho decisório indica apenas que houve redução da "Base de Cálculo dos Incentivos Fiscais" de R$ 78.214.347,86 para R$ 76.557.699,22, e que, em conseqüência disso, também houve redução do valor do "Finor" de R$ 9.385.721,74 para R$ 9.186.923,91, mantido o mesmo percentual para a apuração do incentivo (12%). O limite de 12% para o cálculo do incentivo continuou sendo observado, e a alteração do valor do Finor foi mera decorrência da alteração do valor do IRPJ a pagar, que é a base de cálculo do incentivo. Em observância aos princípios da verdade material, do formalismo moderado e da razoabilidade da sanção, que foram mencionados pelo acórdão recorrido, poderia a Delegacia de origem, quando examinou o PERC, já tendo conhecimento da DIPJ retificadora, simplesmente fazer os devidos ajustes para a emissão do certificado, mas optou ela por negar por completo o incentivo. No caso, a indicação é de que não houve excesso de destinação ao Finor em detrimento do IRPJ, porque a redução de ambos se deu na mesma proporção. Aliás, em razão da redução do IRPJ a pagar (que é a base de cálculo do incentivo), a primeira impressão é de que pode ter havido recolhimento a maior de IRPJ no período, o que aumenta a dificuldade de se vislumbrar algum prejuízo ao Fisco. Desse modo, o acórdão recorrido também não merece reparo em relação à matéria tratada nesse tópico. Assim, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à divergência sobre "o momento em relação ao qual deve ser comprovada a regularidade fiscal", e de NEGAR provimento ao recurso quanto às divergências sobre "o prazo de apresentação do PERC" e sobre "os efeitos de declaração retificadora fora do exercício de competência e com alteração dos valores de incentivos fiscais". (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 645DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16327.721619/201170 Acórdão n.º 9101002.339 CSRFT1 Fl. 43 42 Fl. 646DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O
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Numero do processo: 16327.000790/2007-65
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário:2002
Ementa:
NORMAS GERAIS. PENALIDADES. MULTA QUALIFICADA.
Acolhidos os efeitos infringentes aos embargos de declaração, determinando alteração substancial na conclusão do julgamento anterior, surge a pretensão de interposição de novo recurso pela parte sucumbente. Não o fazendo, consuma-se a perda do interesse no recurso especial proposto anteriormente à interposição dos embargos declaratórios apresentados pela parte vencedora.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9101-002.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Recurso Especial da Fazenda Nacional não conhecido por unanimidade de votos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freiras Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ E CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário:2002 Ementa: NORMAS GERAIS. PENALIDADES. MULTA QUALIFICADA. Acolhidos os efeitos infringentes aos embargos de declaração, determinando alteração substancial na conclusão do julgamento anterior, surge a pretensão de interposição de novo recurso pela parte sucumbente. Não o fazendo, consuma-se a perda do interesse no recurso especial proposto anteriormente à interposição dos embargos declaratórios apresentados pela parte vencedora. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Recurso Especial da Fazenda Nacional não conhecido por unanimidade de votos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Cristiane Silva Costa. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freiras Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ E CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2002 Ementa: NORMAS GERAIS. PENALIDADES. MULTA QUALIFICADA. Acolhidos os efeitos infringentes aos embargos de declaração, determinando alteração substancial na conclusão do julgamento anterior, surge a pretensão de interposição de novo recurso pela parte sucumbente. Não o fazendo, consumase a perda do interesse no recurso especial proposto anteriormente à interposição dos embargos declaratórios apresentados pela parte vencedora. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Recurso Especial da Fazenda Nacional não conhecido por unanimidade de votos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Cristiane Silva Costa. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freiras Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 07 90 /2 00 7- 65 Fl. 869DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ E CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO. Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do recurso especial de efls. 406/412, vol. 2, contra o acórdão nº 10809.823, de 04 de fevereiro de 2009, efls. 371/402, vol. 2, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2002 OMISSÃO DE RECEITAS – PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS – PRESUNÇÃO LEGAL Pagamentos não escriturados correspondentes a remessas ao exterior autorizam a presunção legal de omissão de receitas prevista no art. 40 da Lei nº 9.430/96. É ônus do sujeito passivo a prova da improcedência da presunção – As infrações caracterizadas como pagamentos a beneficiários não identificados ou operações sem causas devem se adequar de maneira determinada ao tipo legal que as subsume, previsto no art. 61 da Lei nº 8.981/95. Após a reforma do Processo Administrativo Fiscal da União, empreendido pela Lei nº 8.748/1993, que apartou as competências de autoridade julgadora e de autoridade lançadora, antes cumulativas, o lançamento tributário passou a ser de competência exclusiva da autoridade lançadora, sendo defeso à autoridade julgadora modificar, inovar ou aperfeiçoar o lançamento tributário em seus aspectos fáticos e jurídicos. Preliminares Rejeitadas Recurso Voluntário provido em Parte. O referido acórdão manteve a autuação relativa ao IRPJ e a CSLL, exonerou o crédito tributário relativo aos lançamentos do IRRF, do PIS e da COFINS, além de afastar a qualificação da multa de ofício. Tratase do rumoroso caso BANESTADO, em que diversas empresas sediadas no Brasil foram acusadas de remeter divisas ao exterior à margem de qualquer controle por parte do Banco Central do Brasil, utilizandose de contas CC5 mantidas na agência do Banestado em Nova Iorque. Segundo o acórdão recorrido, teria ficado devidamente estabelecido pelo Fisco o nexo causal entre as movimentações financeiras e a participação da empresa, estando devidamente provada a efetividade dos pagamentos e dos depósitos nas contas mantidas no exterior. Em relação ao IRRF, sua exigência foi exonerada ao entendimento de que teria havido falha por parte da fiscalização ao demonstrar a precisa subsunção dos fatos descritos à norma legal aplicável. Já em relação ao PIS e à COFINS, o lançamento não prosperou haja vista que teria sido feito em bases anuais, ao passo que o fato gerador das referidas contribuições é mensal. Já a multa qualificada foi desconstituída ao argumento de que é incabível sua exigência nos casos de lançamentos efetuados por presunção legal, caso dos autos. Fl. 870DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000790/200765 Acórdão n.º 9101002.253 CSRFT1 Fl. 869 3 O recurso foi interposto com fundamento no art. 7º, inciso I do antigo RICSRF (decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova), por afrontar o art. 44, II, da Lei nº 9.430/96. Argumenta a Fazenda Nacional que o acórdão, apesar de ter reconhecido a ocorrência da infração tributária, consubstanciada na presunção estabelecida pelo art. 40 da Lei nº 9.430/96, afastou a qualificação da multa por não reconhecer o caráter fraudulento dessa infração, caracterizada por uma presunção legal. Importante salientar que o recurso especial abrangeu apenas e tão somente a desqualificação da multa de ofício, não se insurgindo a Fazenda Nacional contra a a exoneração do IRRF, do PIS e da COFINS lançados contra a contribuinte. O recurso foi admitido por meio do Despacho nº 12000.269/2009 – 2ª Câmara, de 03/08/2009, efls. 415/416, vol.2. Após a apresentação e a admissão do recurso especial por parte da Fazenda Nacional, a Interessada protocolou embargos de declaração com pedido de efeitos infringentes, efls. 456/460, vol. 3, contra o acórdão de recurso voluntário, sob a alegação de que o mesmo teria incorrido no vício de contradição. A contradição residiria no fato de que o acórdão recorrido teria mantido a autuação no que tange ao IRPJ e CSLL, considerando satisfatórias e suficientes as provas constantes dos autos em relação à ocorrência de omissão de receitas (art. 40 da Lei 9.430/96) por falta de escrituração dos pagamentos realizados (remessas ao exterior). Por outro lado, ao desqualificar a multa isolada, o Colegiado considerou que não haveriam provas nos autos de que as operações de remessas e de recebimentos de recursos ao e do exterior teriam sido propositadamente ocultadas mediante a utilização de contas de interpostas pessoas. Assim, alega que não seria possível a manutenção da autuação relativa à suposta omissão de receitas, em havendo o reconhecimento da não existência de provas nos autos da utilização de laranjas para a operacionalização das transferências. Os embargos foram admitidos pelo despacho de efls. 481/482, vol. 3. A par dos embargos propostos contra o acórdão de recurso voluntário, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional, efls. 484/492, vol. 3. Em apertada síntese, rebate os argumentos da Fazenda Nacional em seu recurso, trazendo, novamente, alegações já veiculadas anteriormente. Segundo a interessada, a fiscalização teria partido de absurdas presunções, sem sequer ter diligenciado para melhor instruir a autuação, limitandose a intimar o contribuinte a justificar o injustificável, tendo em vista que este sequer sabia das remessas de valores para o exterior; a bem da verdade, teria sido vítima de movimentações fraudulentas efetuadas por terceiros (negativa de autoria). Assevera que a decisão recorrida foi clara ao afastar a qualificação da multa por verificar que nos autos não restou demonstrado o evidente intuito de fraude por parte do Agente. Essa teria sido a razão para a desqualificação, e não o simples fato de se tratar de autuação pautada em omissão, como pretende a Fazenda Nacional. Em aditamento aos embargos propostos, a interessada peticionou às e fls. 497/503, vol. 3, protestando pela juntada de prova superveniente. A contribuinte noticia que em 13/04/2010 o Juízo Federal Criminal de São Paulo – 2ª vara, teria absolvido os sócios proprietários da empresa da acusação de evasão de divisas, por ausência de provas da materialidade do delito. Propugna pelo cancelamento do auto de infração. Na sequência do processo, a Fazenda Nacional apresenta impugnação aos embargos, efls. 639/645. Na impugnação, a Fazenda Nacional alega ser despropositado o pedido da recorrente para anular o auto de infração baseado em decisão judicial do Fl. 871DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 TRF3 que absolveu os sócios da empresa do crime de evasão de divisas. Alega a Fazenda Nacional que na respectiva decisão teria ficado assentado (com a força do trânsito em julgado) a existência dos depósitos bancários no exterior, confirmando a acusação fiscal, lastreada na Lei nº 9.430/96, art. 42. Nova petição é juntada aos autos pela contribuinte às efls. 707/711, protestando pela juntada de mais uma prova superveniente. Desta feita, noticia a prolação de acórdão pelo TRF3, em 13/08/2013, que reconheceu inexistir nos autos do processo criminal prova documental “capaz de demonstrar, sem sombra de dúvidas, ou até minimamente, que a empresa questionada, ou algum de seus sócios, tenha realmente ordenado as transferências em comento” (extraído da decisão judicial), e que, ao final, absolveu os sócios da empresa por ausência de provas. Segundo a recorrente, como os fundamentos do auto de infração correspondem exatamente aos mesmos elementos analisados no processo judicial, as considerações trazidas pelo acórdão do TRF3 tornam ainda mais evidentes a contradição existente no acórdão embargado, devendo o auto de infração ser cancelado. A certidão do trânsito em julgado da referida decisão foi juntada aos autos e consta das efls. 822/827. Finalmente, às efls. 831/836, juntouse aos autos o acórdão proferido em sede de embargos de declaração com efeitos infringentes para modificar a decisão proferida em sede de recurso voluntário. Esta nova decisão deu provimento integral ao pedido da interessada, cancelando o auto de infração na sua totalidade. Em votação unânime, restou consignado que “na falta de provas categóricas, na esteira de julgado pelo Poder Judiciário, não há como se manter a acusação de remessas ilegais de supostas receitas omitidas em transferências bancárias internacionais”. Ciente da decisão retro, quedouse silente a Fazenda Nacional Termo de Ciência da PGFN, efls. 839. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora O recurso é tempestivo e tem a sua admissibilidade a ser analisada, à luz do novel Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Conforme destacado no Relatório, o recurso especial foi interposto para contestar, única e exclusivamente, a desqualificação da multa de ofício (de 150% para 75%) aplicada sobre o crédito tributário remanescente (do IRPJ e da CSLL) após o julgamento do recurso voluntário. Entretanto, em decorrência do julgamento dos embargos de declaração propostos pela Interessada, o acórdão objeto do recurso especial sofreu substancial alteração, resultando na exoneração total do crédito tributário constituído pela fiscalização, ou seja, o novo acórdão cancelou e não complementou o acórdão anterior. Nesse caso, o recurso especial, apresentado anteriormente aos embargos de declaração, perdeu completamente o seu objeto, haja vista ter sido proposto contra decisão cujo conteúdo restou totalmente modificado. Caberia à Fazenda Nacional, após ter sido cientificada da decisão dos embargos declaratórios, ter apresentado, se cabível na espécie, aditamento ao recurso especial. Entretanto, não o fez, quedandose silente e determinando a ocorrência da preclusão consumativa do recurso. Fl. 872DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.000790/200765 Acórdão n.º 9101002.253 CSRFT1 Fl. 870 5 Analisando o Regimento Interno do CARF, tanto o atual como o anterior, vigente na época da propositura dos recursos constantes deste processo, verificase que o art. 65, § 5º, determina que os embargos de declaração opostos tempestivamente interrompem o prazo para a interposição do recurso especial. Isso significa dizer que a oposição de embargos por qualquer uma das partes aproveita à outra no que diz respeito ao prazo para a interposição do recurso especial. Isso é assim para que, em caso de alteração da decisão embargada, se abra a oportunidade da parte prejudicada pela nova decisão recorrer com os meios cabíveis, no mesmo prazo originalmente disponível para a espécie recursal. Mas, e se o recurso especial for proposto antes da apresentação dos embargos (como no caso dos autos)? Nesse caso, quem nos apresenta a solução são as mais altas Cortes do país, STJ e STF, aqui adotada subsidiariamente para ajudar a desvendar a questão posta. O STJ, ao analisar questão de ordem afetada pela 4ª turma, nos autos do REsp nº1.129.215DF, relativa à extemporaneidade da apelação por ausência de sua ratificação pelo recorrente, após o julgamento dos embargos de declaração opostos pela parte contrária, acabou por alterar sua jurisprudência, alinhandoa com a do STF. Até então, a jurisprudência que prevalecia no STJ era a de que a apelação interposta antes do julgamento dos embargos de declaração era extemporânea, caso não ratificada no prazo recursal. Esse entendimento tinha como suporte, interpretação dada à Súmula 418 do STJ, que estabelece ser "inadmissível o recurso especial interposto antes da publicação do acórdão dos embargos de declaração, sem posterior ratificação". Esse novo entendimento prevê que o ônus da ratificação do recurso interposto na pendência de embargos declaratórios darseá apenas quando houver alteração na conclusão do julgamento anterior, sob pena de impor uma exigência despropositada e incabível, não contribuindo para a efetiva prestação jurisdicional. Por óbvio que, ocorrendo efeitos infringentes aos embargos declaratórios, surgirá a pretensão de interposição de novo recurso pela parte sucumbente, haja vista que perderia o interesse recursal naquele seu primeiro recurso. Por conseguinte, voltando ao caso concreto, após a decisão dos embargos restou clara a perda do interesse recursal por parte da Fazenda Nacional; isso porque, após a alteração radical na conclusão do acórdão de recurso voluntário, não houve qualquer manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional, mesmo depois da ciência da respectiva decisão. Assim, em face de todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 873DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10508.720344/2012-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Inteligência dos precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543-B e 543-C do CPC. Aplicação do art. 62, §2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015.
CARF NÃO POSSUI ATRIBUIÇÃO PARA REFAZER LANÇAMENTO FISCAL. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. ATRIBUIÇÃO PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA.
O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação incorreta da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido, o que caracteriza incongruência no aspecto quantitativo do fato gerador. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Inteligência dos precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. Aplicação do art. 62, §2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015. CARF NÃO POSSUI ATRIBUIÇÃO PARA REFAZER LANÇAMENTO FISCAL. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. ATRIBUIÇÃO PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação incorreta da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido, o que caracteriza incongruência no aspecto quantitativo do fato gerador. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 72 03 44 /2 01 2- 23 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10508.720344/201223 Acórdão n.º 2402005.214 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 31/34, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício de 2009, anocalendário de 2008, que implicou apuração de imposto suplementar, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais, em face da constatação da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação trabalhista, no valor de R$ 16.278,78. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendose os valores apontados pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 03/09/2015 (fls. 116), o interessado interpôs, em 21/09/2015, o recurso de fls. 118/138. Nas razões recursais aduz, dentre outras questões postuladas, que o valor considerado omitido referese a rendimentos acumulados decorrentes de ação trabalhista, devendo receber tratamento idêntico ao contribuinte que recebeu o rendimento na época devida. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. IRPF SOBRE RENDIMENTOS ACUMULADOS Segundo a decisão de primeira instância, os rendimentos recebidos acumuladamente por força de decisão judicial antes de 2010, no caso dos autos ano calendário 2008, devem ser oferecidos à tributação no mês do seu recebimento e na declaração de ajuste anual, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, nos seguintes termos: “Versam os autos sobre omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente decorrentes de ação trabalhista movida contra a Prefeitura Municipal de Aurelino Leal. A contribuinte alega a improcedência dos valores omitidos apurados. Afirmou que o rendimento acumulado referiuse a anoscalendário anteriores, e que os rendimentos isoladamente seriam inferiores ao limite de isenção. Iniciandose uma análise do questionamento da interessada, ressaltese que a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente ocorre por força do artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Esse dispositivo, que se encontra em plena vigência, é claro e estabelece, sem qualquer margem de dúvida, que a tributação deve se dar no mês da percepção dos rendimentos, pelo regime de caixa, não admitindo a utilização do regime de competência pretendido pelo impugnante.” (g.n.) Sendo esse contexto travado exclusivamente sobre a forma correta de incidência do imposto de renda sobre os rendimentos percebidos acumuladamente em ação judicial antes de 2010, passo a analisar a pretensão deduzida na peça recursal pelo mesmo fato. E, ao fazêlo, entendo que assiste razão à Recorrente, visto que esta Turma do CARF, ao julgar a mesma questão postulada no processo 13064.720062/201442 (Relator João Victor Ribeiro Aldinucci, acórdão 2402004.893, julgado em 27/01/2016), pronunciouse, conforme decisões do STF e do STJ, pela adoção do regime de competência, ao afirmar que o imposto de renda sobre os rendimentos pagos acumulativamente em ação judicial deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10508.720344/201223 Acórdão n.º 2402005.214 S2C4T2 Fl. 4 5 Vejamos fragmentos da decisão proferida nos autos do processo 13982.720041/201112: “Essa controvérsia jurídica, reiteradamente debatida no Judiciário e neste Conselho, foi solucionada definitivamente pelo STF por ocasião do julgamento do RE 614.406, com repercussão geral e trânsito em julgado, Rel. Min. Rosa Weber, tema 368, redigido nos seguintes termos: Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física obre rendimentos percebidos acumuladamente. Como se vê, o citado tema trata exatamente da incidência do IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, hipótese esta idêntica a dos autos, na qual os rendimentos acumuladamente percebidos pela recorrente foram objeto de lançamento de ofício que se baseou na premissa de que eles deveriam ser tributados no mês do seu recebimento (regime de caixa), e não de acordo com a época em que eles deveriam ter sido efetivamente pagos (regime de competência). Naquele recurso extraordinário, com trânsito em julgado em 09/12/2014, a Suprema Corte manteve o acórdão do TRF4, que decidiu pela inconstitucionalidade, sem redução de texto, da regra do art. 12 da Lei nº 7.713/88, no tocante aos rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de remuneração, vantagem pecuniária, proventos e benefícios previdenciários, mormente para afastar o regime de caixa e determinar a incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor (regime de competência). Foi seguida a divergência aberta pelo Min. Marco Aurélio, para quem os contribuintes, em casos idênticos aos dos autos, são penalizados duplamente, pois, não recebendo as parcelas nas épocas devidas, são compelidos a ingressar em Juízo e ainda sofrem a junção dos valores para efeito de incidência do imposto, o que viola o princípio da isonomia. Mais ainda, e considerando que o imposto de renda tem como fato gerador a disponibilidade econômica ou jurídica, não se poderia, na visão do citado Min., desconsiderar o fenômeno das épocas próprias, reveladas pela disponibilidade jurídica. A título de ilustração, segue a ementa do julgado: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) Fl. 146DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 A análise do tema, da ementa e do acórdão do recurso extraordinário demonstram que o caso julgado sob o regime da repercussão geral é idêntico ao dos autos. Mas não é só, pois a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), sob a sistemática de que trata o art. 543C do CPC, já havia decidido que "o imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." Segue a ementa do decisum: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 14/05/2010) Cumpre observar que o regime jurídico instituído pela Lei nº 12.350/2010, conversão da Medida Provisória nº 497/2010, que acrescentou o art. 12A à Lei 7.713/1988, não é aplicável ao presente lançamento, pois aplicável apenas aos rendimentos recebidos nos anoscalendário 2010 e seguintes. Vejase: Art. 12A. [...]. § 7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória no 497, de 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. Em sendo assim, deve ser aplicado o art. 62, §2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC, devem ser reproduzidas pelas suas Turmas. Noutro giro verbal, o imposto deve ser apurado com base nas tabelas e nas alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, e não no mês do seu recebimento. Ocorre que o lançamento em apreço, ao determinar a tributação do imposto de renda no mês do recebimento, adotou Fl. 147DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10508.720344/201223 Acórdão n.º 2402005.214 S2C4T2 Fl. 5 7 critério jurídico totalmente equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ. Esse critério equivocado impactou a identificação da base de cálculo e das alíquotas vigentes, impactando, por conseguinte, o cálculo do tributo devido, ex vi do art. 142 do CTN. Isto é, o lançamento está eivado de vício material, o que o torna nulo de pleno direito. (g.n.) A adoção do regime de competência, em substituição ao regime de caixa, poderia inclusive colocar os rendimentos numa faixa de isenção do imposto, ou, ainda, numa faixa de tributação menos onerosa ao contribuinte. Não pode passar despercebido, também, o fato de que a distribuição dos valores mês a mês certamente atingiria exercícios pretéritos ao exercício objeto do recurso, o que demonstra que seria necessário outro lançamento de ofício, e não mera retificação do lançamento anteriormente efetuado. Cumpre lembrar que lançamento é justamente o procedimento administrativo (ou ato administrativo) tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, na dicção do art. 142 do CTN. No caso, repitase, houve incorreta identificação da base de cálculo, da alíquota e, por consequência, do montante do tributo devido. Nesse contexto, e como não compete a este Conselho refazer o lançamento com base em outros critérios jurídicos, mormente porque tal procedimento é da competência privativa da autoridade administrativa, entendo que deve ser declarada a sua nulidade. (g.n.) Em caso análogo, assim se decidiu: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do Fl. 148DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso Voluntário Provido. (Número do Processo 13002.720640/201122, RECURSO VOLUNTÁRIO, Sessão de 11 de março de 2015, Relator(a) Marcelo Vasconcelos de Almeida, Acórdão nº 2802003.359) Por tais razões manifestadas nos autos do processo 13064.720062/201442 (acórdão 2402004.893, julgado em 27/01/2016), bem como por se tratar de questões idênticas, entendo que se dê a mesma orientação definitiva quanto ao mérito, prestando a jurisdição de modo uniforme, para dar provimento ao recurso voluntário, já que o Fisco adotou o regime de caixa, e os precedentes do STF (RE 614406/RS) e do STJ (REsp 1118429/SP) assentaram pela aplicação do regime de competência na incidência do imposto de renda decorrente dos rendimentos percebidos acumuladamente por força de decisão judicial antes de 2010. Em outras palavras, na visão do STF e do STJ, manifestada em sede de repercussão geral e de recurso repetitivo, é que, no cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos pagos acumulativamente em ação judicial, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês, mesmo que o fato gerador tenha ocorrido antes de 2010, pois não é legitima a cobrança do imposto de renda com parâmetros no montante global pago extemporaneamente. Nesse passo, como o Fisco adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, isso ocasionou o cálculo do tributo devido incorreto e caracterizou incongruência no aspecto quantitativo do fato gerador. Diante disso, não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, impondolhe dar provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 11080.721672/2013-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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TÚNEIS, TERRAPLANAGENS E PAVIMENTAÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a decisão de piso, fls. 17211739: Trata o presente processo de exigências de imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ) e de contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), referentes a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2008 a 2010, conforme autos de infração, anexos e relatório da ação fiscal de fls. 15031561. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 21 67 2/ 20 13 -5 9 Fl. 2212DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.721672/201359 Resolução nº 1401000.382 S1C4T1 Fl. 3 2 As irregularidades fiscais descritas são os seguintes: 1. Adições não computadas na apuração do lucro real. Excesso de juros sobre capital próprio Fato gerador 31/12/2009. Valor de juros pagos ou creditados a título de remuneração do capital próprio. Enquadramento legal IRPJ: arts. 176 e 177 da Lei nº 6.404/76; arts. 3º e 9º da Lei n° 9.249/95; e arts. 247, 249, inciso I, e 347, do RIR/99. 2. Exclusões/Compensações não autorizadas na apuração do lucro real Fatos geradores: anoscalendário de 2008 e 2009. Enquadramento legal IRPJ: art. 179, III, da Lei 6.404/1976; art. 7º do Decretolei 2.303/86; art. 3º do Decretolei 2.308/86; IN SRF 179/1987; art. 3º da Lei n° 9.249/95; arts. 247 e 250 do RIR/99; arts. 1 a 3 da IN SRF 31/2001 e arts. 991 a 996 da Lei 10.406/02. 3. Compensação indevida de prejuízo operacional com resultado da atividade geral Compensação de prejuízos operacionais em montante superior ao saldo desse prejuízo. Fato gerador: 31/12/2010. Enquadramento legal IRPJ: art. 64, §§ 1º a 3º do DecretoLei n° 1598/77; IN SRF nº 28, de 13/06/1978; art. 6º e parágrafo único, da Lei n° 9.249/95; art. 3º da Lei nº 9.249/95; e arts. 247 e 250, inciso III, 251, 509 e 510 do RIR/99. Valores lançados: a) IRPJ – lucro real – R$ 5.573.776,39 (fl. 1504). b) CSLL – R$ 2.028.619,18 (fl. 1520). Os enquadramentos legais referentes ao lançamento da CSLL (que decorre das mesmas infrações tributárias que motivaram a autuação relativa ao IRPJ) estão às fls.1521 e 1522. Aos valores acima estão acrescidos os juros de mora e a multa da ofício com o percentual de 75%, conforme “Demonstrativos de Multa e Juros de Mora” – fls. 1517 e 1530, onde constam os respectivos enquadramentos legais. O total do crédito tributário lançado é de R$ 15.439.747,87 (fl. 1503). Do relatório fiscal Destacamse as seguintes informações que constam no relatório fiscal, conforme itens/títulos descritos: 3.1.1 Do consórcio Nova Via e da constituição da SCP Fl. 2213DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.721672/201359 Resolução nº 1401000.382 S1C4T1 Fl. 4 3 O contribuinte, no período examinado, era participante do Consórcio Nova Via, que foi constituído para participar em licitação promovida pela Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S/A (TRENSURB), visando a realização do empreendimento "Execução das Obras Civis e Fornecimento de Sistemas da Extensão Norte da Linha 1 – Trecho São Leopoldo à Novo Hamburgo”. Em 10/08/09, o fiscalizado lavrou "Contrato de Constituição de Sociedade em Conta de Participação SCP" (SCP TBSAPedrasul – fls. 231/237) em conjunto com a empresa Pedrasul Construtora S/A., tendo por objeto a execução de sua parte no contrato de empreitada referente à extensão na linha de trens urbanos acima descrita. Sócio ostensivo: o impugnante. Sócio Participante: Pedrasul Construtora S/A. Percentuais ponderados da participação na SCP – 53,37% e 46,63%, respectivamente (item 6 do contrato). 3.1.2 Da legislação aplicável às sociedades em conta de participação Nesse item estão descritos os atos legais aplicáveis a esse tipo de sociedade, inclusive os tributários. 3.1.3 Dos registros contábeis da SCP TBSAPedrasul O contribuinte criou, no anocalendário de 2009, o centro de custo nº 07080708.4001 para fins de controlar e individualizar os lançamentos nas contas de sua escrituração que estariam correlacionados com as atividades do Consórcio Nova Via. Disse o contribuinte que "o centro de custo 0708 representa a participação da TBSA no Consórcio Nova Via, absorvendo a movimentação mensal do balancete do consórcio no respectivo percentual de participação por obra/segmento Obras Civis 26,44% e Sistemas 33,33%" (fl. 358). O fiscalizado procurou vincular os resultados da SCP TBSA Pedrasul a tal centro de custos, por meio da apresentação de demonstrativos de cálculo e balancetes do referido (fls. 270/351), dada a inexistência de escrituração em livro separado da movimentação contábil da SCP. Nos balancetes e demonstrativos de saldos do centro de custo 07080708.4001 não há, porém, menção de espécie alguma a sociedades em conta de participação (fls. 299/350). O contribuinte afirmou que, de setembro de 2009 a dezembro de 2011, a TBSA repassou R$ 55.235.898,16 a Pedrasul referente a sua participação na SCP TBSAPedrasul e recebeu R$ 34.776.988,06 da Pedrasul referente a sua participação nos aportes da TBSA ao Consórcio Nova Via. Não há menção à existência de qualquer transação entre as partes constituintes da SCP anteriores a setembro de 2009. Pelo exame da contabilidade da Toniolo Busnello S/A, foi aferido que não há qualquer lançamento anterior a setembro de 2009 que possua menção ou histórico tal que possa associálo à SCP TBSAPedrasul. Em 2008 não existe conta atinente à Pedrasul Construtora S/A., no plano de contas do fiscalizado, o que atesta que até o fim desse ano calendário não haviam ocorrido aportes de recursos ou repasses de Fl. 2214DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.721672/201359 Resolução nº 1401000.382 S1C4T1 Fl. 5 4 resultados, ou quaisquer operações relativas à SCP (fls. 628/657). A conta nº 1.1.02.404 aparece nesse plano apenas no anocalendário de 2009, sendo o primeiro lançamento nela registrado o débito, no valor de R$ 3.000.000,00, com o correspondente crédito na conta n° 1.1.1.02.041 (Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A), em setembro de 2009, relatando o respectivo histórico tratarse de "REF. APORTE P/CONSÓRCIO NOVA VIA PEDRASUL /SULTEPA" (fls. 659/694). 3.1.4 Anocalendário de 2008. Da apuração do lucro da SCP TBSA Pedrasul Na DIPJ 2009, na linha 44 da Ficha 09 A, consta a exclusão de R$ 3.984.381,27. Intimado a esclarecer o valor deduzido, inicialmente, o contribuinte informou que decorria de resultado da equivalência patrimonial de suas participações societárias. Posteriormente, mudou a versão dos fatos informando (fls. 545/550): Na DIPJ2009, ano calendário 2008, apresentamos na linha 37 [sic na verdade, linha 44 a Ficha 09A] o montante de R$ 3.984.381,27, no qual incluímos a participação do resultado da SCP TBSAAPedrasul, no valor de R$ 2.228.542,44, conforme instrução do próprio programa DIPJ da RFB, além dos valores lançados a título de resultado positivo de equivalência patrimonial. De acordo com demonstrativos e balancetes (fls. 270/278) o resultado de R$ 2.228.542,44 decorre dos seguintes valores: Ocorre que a sociedade começou a existir de fato e de direito a partir de setembro de 2009. Reitera que não há registros contábeis de espécie alguma, seja do sócio ostensivo ou do oculto, pretéritos a setembro de 2009 – muito menos no anocalendário de 2008 que possam ser associados à SCP TBSAPedrasul. De outra parte, os próprios sócios admitem que os aportes de recursos para investimento, por parte do sócio oculto, e o recebimento de resultados, em benefício deste, só passaram a ocorrer a partir daquele período de 2009, o que está em consonância com os documentos bancários apresentados (fls. 419/483). Fl. 2215DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.721672/201359 Resolução nº 1401000.382 S1C4T1 Fl. 6 5 Além da falta desses registros contábeis, está evidenciado que a data de constituição da SCP ocorreu somente em 10/08/2009. Os efeitos do contrato firmado aplicamse somente às partes signatárias, porém nunca oponíveis perante o fisco. Está citado o art. 123 do CTN. Acrescenta que não é por acaso que o IRPJ referente ao 4º trim/2008 foi pago em 30/10/2009 (fls. 886/874). Conclui o autuante: Por conseguinte, cabe glosar parcialmente as exclusões realizadas na apuração do lucro real do anocalendário 2008, a título de "Ajustes por Aumento no Valor de Investimentos Avaliados p/PL" amparadas pelos alegados resultados positivos da SCP TBSAPedrasul no 4º trimestre de 2008, em um total de R$ 2.228.542,44, dada a inexistência de fato e de direito da referida na época do fatos geradores examinados. Os valores em questão receitas, custos e despesas são pertinentes a operações levadas a efeito tão somente pelo próprio fiscalizado, devendo ser tributados pelo regime do lucro real na Toniolo Busnello S/A. 3.1.5 Do anocalendário de 2009 3.1.5.1 – Dos resultados positivos em participações e em SCP De acordo com a linha 42 da Ficha 09A – Demonstração do Lucro Real – PJ dessa declaração, a impugnante excluiu o valor de R$ 27.068.968,39 em virtude de "Ajustes por Aumento Valor de Invest. Aval. p/ PL" (fls. 1241/1327). No entanto, pela análise do LALUR, o valor de R$ 22.527.122,09 está associado a “resultados positivos em participações societárias e em SCP”. Conforme os balancetes do centro de custo 07080708.4001, com o balanço patrimonial e demonstração de resultado da SCP e com os demonstrativos de cálculo do lucro presumido desta entregues pelo contribuinte (fls. 284/351), tal resultado teria sido obtido pela SCP TBSAPedrasul no ano em evidência, conforme demonstrativo de fl. 1548: Foram glosados os valores relativos ao 1º e 2º trimestres/2009, R$ 481.052,90 e R$ 3.448.443,28, respectivamente, tendo em vista a inexistência material e jurídica da SCP. Os valores, segundo o autuante, são pertinentes às operações do autuado, sendo tributados pelo regime do lucro real. Com referência ao 3º trimestre/2009, diz o autuante: Fl. 2216DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.721672/201359 Resolução nº 1401000.382 S1C4T1 Fl. 7 6 No que diz respeito ao 3o trimestre de 2009, temse no seu primeiro mês, jul/09, a completa ausência de qualquer evidência da existência da SCP TBSAPedrasul, na linha do já constatado para os dois trimestres precedentes desse ano, e no 4º trimestre de 2008. Para ago/09, o único indício que se tem da existência da SCP é seu documento de constituição, já mencionado e datado do dia 10 desse mês (fls. 231/237), o que é por si só uma prova totalmente insuficiente para tal fim, ainda que válida. [...] a existência de fato e de direito só resta hábil e idóneamente comprovada a partir de setembro de 2009, quando, além do documento de constituição da SCP TBSA Pedrasul, têmse registros contábeis e bancários de suas atividades. Assim, os resultados referentes a julho e agosto/2009 foram glosados, conforme o seguinte demonstrativo (fl. 1549): O autuante conclui que, do montante de R$ 22.527.122,09 excluídos como "Resultados Positivos em Participações Societárias e em SCP", na apuração do lucro real do anocalendário 2009 foi glosado o valor de R$ 11.156.278,92, sendo R$ 481.052,90 relativos ao 1º trimestre, R$ 3.448.443,28 ao 2º trimestre, e R$ 7.226.782,74 ao 3º trimestre desse ano, devido ao fato de serem, na verdade, resultados da própria Toniolo Busnello S/A. 3.1.5.2 Das outras exclusões (AC 2009) No anocalendário de 2009, conforme informação da linha 69 da Ficha 09 A – Demonstração do Lucro Real – PJ da DIPJ 2010, o contribuinte excluiu R$ 11.163.404,41 da apuração do lucro real do exercício sob a discriminação "Outras Exclusões" (fls. 1241/1327). O cotejo dessa informação com o LALUR desse ano revelou que esse valor é oriundo da soma de R$ 2.412.779,59 devidos a "Diferimento Contratos Empreitadas c/ Soe. Ec. Mista") com R$ 8.750.624,82 vinculados a "Outras Exclusões Mov. Lucros Acumulados" (fls. 86/119) = total R$ 11.163.404,41. Após a apresentação de resposta do contribuinte, evidenciouse que parte do montante de R$ 8.750.624,82 referese ao mesmo valor contabilizado em 2008, a título de equivalência patrimonial R$ 2.228.542,44. Essa questão está no item 3.1.4 acima. Fl. 2217DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.721672/201359 Resolução nº 1401000.382 S1C4T1 Fl. 8 7 Assim, esse valor de R$ 2.228.542,44 foi glosado na DIPJ do ano calendário de 2009, por falta de amparo legal. Também foi verificado que nesse total R$ 8.750.624,82 consta ainda outra parcela de R$ 4.950.985,77 contabilizado como “baixa de receita operacional TRENSURB...(fl. 603)”. O contribuinte informou que seria de nota fiscal emitida em 2008, que teria sido oferecida à tributação em duplicidade... uma vez pelo consórcio (lucro presumido) e a segunda vez pela LALUR da autuada. Por isso, foi contabilizada na conta “lucros acumulados” para correção. Diz o autuante: Não fosse o suficiente, temse, no caso, motivo adicional para rejeitar as alegações do contribuinte. Disse o contribuinte que os R$ 4.950.985,77 foi incluído no resultado da SCP, apurado pelo regime do lucro presumido. Compulsando os balancetes e demonstrativos por ele trazidos e atinentes ao anocalendário de 2008 (fls. 270/278), notase que não há valor nenhum sequer próximo desses R$ 4.950.985,77 que tivesse sido vinculado às atividades da SCP e, portanto, e segundo suas conclusões, pudesse ser excluído da apuração do lucro real, seja no anocalendário 2008, seja, como ocorreu, no anocalendário 2009, a título de ajuste de exercícios anteriores realizado na conta Lucros/Prejuízos Acumulados. De fato, o próprio contribuinte trouxe nos demonstrativos e balancetes mencionados a referência de que a receita operacional da SCP no 4º trimestre de 2008, "tributada" pelo regime do lucro presumido, teria sido de apenas R$ 2.633.692,70 (fls. 270/278), o qual, por lógica matemática e incontroversa, não poderia conter o valor de R$ 4.950.985,77 da nota fiscal que teria originado a exclusão ora examinada. Portanto, resta afastar também essa exclusão da apuração do lucro real do anocalendário 2009. Em resumo, o contribuinte também excluiu indevidamente, ao final do anocalendário 2009, um total de R$ 7.179.528,21 (R$ 2.228.542,44 + R$ 4.950.985,77) na apuração do lucro real. 3.2 Do pagamento de juros sobre o capital próprio em 2009 3.2.1 Da legislação aplicável Nesse item está descrita a legislação aplicável ao tema em destaque. 3.2.2 Das despesas com juros sobre o capital próprio No anocalendário de 2009, conforme a linha 42 da Ficha 06 A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral da DIPJ 2010 (fls. 1241/1327), o contribuinte deduziu do resultado do exercício R$ 5.097.000,00 a título de "Juros sobre o Capital Próprio". Após intimação, o fiscalizado esclareceu que os JCP pagos em 31/05/2009 foram calculados com base nas contas do patrimônio Fl. 2218DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.721672/201359 Resolução nº 1401000.382 S1C4T1 Fl. 9 8 líquido e respectivas mutações, ao longo dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, conforme demonstrativos de fls. 238/253. Diz o autuante (fl. 1559): [...]o fiscalizado não respeitou o regime de competência ao deduzir despesas de juros sobre o capital próprio calculadas sobre o patrimônio líquido de outros anoscalendário e não o do próprio anocalendário de 2009, ano de sua disponibilização (fl. 695). [...] Portanto, não materializada a opção do contribuinte nos anoscalendário 2004, 2005 e 2006 por esse regime especial de tributação, mediante a contabilização do pagamento ou do crédito dos juros em questão aos sócios da pessoa jurídica, não é possível validar a opção extemporânea pelo pagamento de juros sobre o capital próprio acima do limite permitido, sob pena de deturpação da sistemática de tributação em vigor. Ao final, o autuante descreve que, como o pagamento ou crédito dessas parcelas relativas aos anoscalendário de 2004 a 2006 ocorreu somente no anocalendário de 2009, houve redução indevida do lucro real deste ano. 3.3. Do crédito tributário 3.3.1 Da compensação de prejuízos fiscais realizada em 2010 O contribuinte informou em sua DIPJ 2010 (anocalendário 2009) prejuízo fiscal de R$ 8.519.841,07 (fls. 1241/1327), o qual embasou posterior compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores no valor de R$ 5.416.368,74, realizada no anocalendário 2010 (DIPJ 2011 – fls. 1328/1418), sendo tais informações compatíveis com os respectivos LALUR (fls. 86/119 e 725/796). Entretanto, o crédito tributário atinente às infrações constatadas e descritas nos itens 3.2 a 3.3 do relatório fiscal absorveu todo o valor de prejuízo fiscal originalmente informado para o anocalendário 2009. Consequentemente, a compensação no montante de R$ 5.416.368,74 efetuada no anocalendário 2010 foi indevida. Da impugnação O contribuinte, tempestivamente (despacho de fl. 1716), por meio de suas procuradoras (fl. 1657), impugnou os lançamentos (fls. 1573 1631) e juntou os documentos de fls. 16321705. Alega, em síntese, o seguinte: I – Do procedimento fiscal Não se conforma com a autuação porque foi descaracterizada a sociedade em conta de participação (SCP) e aplicado o regime de apuração pelo lucro real sem a observação das prerrogativas a esse título: Fl. 2219DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.721672/201359 Resolução nº 1401000.382 S1C4T1 Fl. 10 9 a) o diferimento de receita em relação ao custo, previsto no Decreto Lei nº 1.598/77, art. 10, parágrafo 1º, consubstanciado no artigo 407 do Decreto nº 3.000/99, Regulamento do Imposto de Renda, bem como previsto na Instrução Normativa SRF nº 21/79, que determinaria a ausência de recolhimento tributário; b) as retenções de imposto de renda e de contribuição social na fonte pela Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S/A, que foram utilizadas para compensação nos resultados da SCP TBSAPedrasul pelo regime de lucro presumido e deixaram de ser deduzidas na apuração pelo regime do lucro real; c) a dedução dos pagamentos em guia DARF relativos ao terceiro trimestre de 2009, proporcional aos meses de julho e agosto glosados; d) a não identificação de saldos negativos de IRPJ e CSLL no ano calendário de 2008, em razão de que o valor autuado foi obtido pela aplicação das alíquotas de IRPJ e CSLL sobre o valor da glosa em 31/12/2008, quando o correto seria efetuar a recomposição do lucro real e da base de cálculo da CSLL. II – Da tempestividade A impugnação é tempestiva, nos termos do art. 15 do Decreto 70.235/72. III – Dos benefícios sócioeconômicos da obra TRENSURB – expansão até Novo Hamburgo e da participação efetiva da impugnante para esse empreendimento A fiscalização ao lavrar auto de infração desconsiderou uma SCP existente desde a constituição do Consórcio, demonstrou desconhecimento da legislação societária e a prática de consórcios de engenharia civil de obras públicas. Um dos motivos que demandam maior irresignação é a inobservância da realidade fática, aliada às normas legais e à jurisprudência que determinam o reconhecimento da legitimidade dos procedimentos adotados pela impugnante, inclusive na condição de sócia da SCP TBSAPedrasul, bem como de integrante do Consórcio Nova Via constituído também pelas empresas Norberto Odebrecht, Andrade Gutierrez, e T’Trans, no desenvolvimento da obra da TRENSURB. IV – Da sociedade em conta de participação, da realidade fática e da ausência de infração IV.1 Da sociedade em conta de participação (SCP) No caso dos autos, tratase de SCP em que a impugnante é sócia ostensiva e a participante é a Pedrasul S/A. A escrituração das operações da SCP foram feitas nos livros da sócia ostensiva, evidenciados os lançamentos e resultados referentes à SCP em centro de custos específico vinculado ao Consórcio Nova Via. Nos documentos relacionados com a atividade da SCP, a impugnante, sócia ostensiva, trouxe indicações de modo a permitir identificar sua Fl. 2220DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.721672/201359 Resolução nº 1401000.382 S1C4T1 Fl. 11 10 vinculação com a referida sociedade, tal como consta dos documentos trazidos no processo, além do contrato da SCP que sofreu modificações em decorrência dos parâmetros ajustados no Consórcio Nova Via, objeto do contrato da SCP TBSAPedrasul S/A. O recolhimento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido da SCP, ocorreu com base no lucro presumido trimestral, de acordo com os termos previstos na IN SRF nº 31/2001. Os resultados da SCP foram apurados pelo sócio ostensivo (impugnante), que também foi responsável pela declaração de rendimentos e pelo recolhimento dos tributos e contribuições devidos pela SCP, uma vez que esta não possui CNPJ. IV.1.1 Do Consórcio Nova Via e das alterações contratuais que influenciaram na Sociedade em Conta de Participação A impugnante, tanto no período examinado pela autoridade fiscal, como nos dias atuais, integra o Consórcio Nova Via, o qual foi constituído para participação em licitação da TRENSURB – Trens Urbanos de Porto Alegre – RS objetivando a construção do trecho entre São Leopoldo e Novo Hamburgo, em 28/12/2007 (fls. 360/374). O Consórcio Nova Via venceu licitação para "Execução das Obras Civis e Fornecimento de Sistemas de Extensão Norte da Linha 1 Trecho São Leopoldo à Novo Hamburgo”. Em razão da saída da empresa “Bombardier” e da exclusão da “Façon”, conforme ata de 30/01/2009 (doc. 06), foram realizados ajustes de responsabilidades e participação no Consórcio, conforme ata de 26/06/2009 (doc 07). Os fatos relatados culminaram no Primeiro Aditamento ao Contrato de Constituição do Consórcio Nova Via, em outubro de 2009 (fls. 360/374 e doc 08). Diz a defesa (fls. 1582): Consequentemente, essas alterações refletiram na relação jurídica e definição de parâmetros em relação à Sociedade em Conta de Participação entre a Impugnante (sócia ostensiva) e a Pedrasul (sócia participante), levando à formalização do contrato préexistente, em 10/08/2009, com o objetivo de melhor definir as condições entre ambas, de acordo com o documento de fls. 231/237, "Contrato de Constituição em Sociedade em Conta de Participação", cláusula 6, ... Em 10/8/2009, a impugnante somente formalizou o “Contrato de Constituição de Sociedade em Conta de Participação" que já mantinha com a Pedrasul Construtora S/A, desde 27 de dezembro de 2007, nos termos do instrumento de fls. 231/237 dos autos. Desde a constituição do Consórcio Nova Via, a Toniolo Busnello e a Pedrasul já haviam pactuado que a participação no referido consórcio seria feita por meio de uma sociedade em conta de participação, onde consta que a impugnante seria a sócia ostensiva, enquanto que a Fl. 2221DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.721672/201359 Resolução nº 1401000.382 S1C4T1 Fl. 12 11 Pedrasul Construtora S/A seria a sócia participante, e que a escrituração e registros contábeis seriam efetuados nos livros e documentos contábeis da impugnante (sócia ostensiva). Reitera que o contrato formalizado em 10 de agosto de 2009 contém cláusula de retroatividade a dezembro de 2007 (fls. 231/237), data em que houve a efetiva constituição do Consórcio Nova Via, bem como o surgimento da SCP. Lembra que a esse tipo de sociedade não estabelecidas formalidades, nos termos do artigo 992 do Código Civil. O contrato da sociedade em conta de participação, em sua cláusula 3, revela o objeto da referida SPC como sendo a execução do contrato de empreitada número 08.070.037/2007, de 28/12/2007, processo administrativo 1024/2000, concorrência pública nº 4/2001, tendo como contratante a TRENSUB S/A e contratado o Consórcio Nova Via. IV.1.2 – Da equivocada interpretação à legislação aplicável às sociedades em conta de participação na autuação fiscal Alega que se a constituição da SCP, nos termos do art. 992 do CC, independe de qualquer formalidade e pode ser provada por todos os meios de direito, revelase rigorismo da autoridade fiscal utilizarse do contrato, realizado entre TBSA, sócia ostensiva, e Pedrasul, participante, como forma de definição de parâmetros entre ambas, para buscar afastar ou desconstituir a sociedade. Em que pese a farta documentação trazida pela impugnante em resposta aos termos de intimação fiscal, que revela a existência da SCP, entre Toniolo Busnello S/A e Pedrasul, desde dezembro de 2007, alega que a escrituração contábil da sócia participante, Pedrasul S/A, consta nos documentos contábeis da sócia ostensiva, TBSA, mais precisamente no centro de custos 07080708.4001 (fls. 270/351). A opção pelo lucro presumido em relação à SCP é de prerrogativa expressamente prevista na Instrução Normativa nº 31/2001, que autoriza o procedimento utilizado pela impugnante, sócio ostensivo, quando da opção pelo regime de tributação. IV.1.3 – Dos registros contábeis da SCP na sócia ostensiva A autoridade fiscal está equivocada ao afirmar, à fl. 9, item 3.1.3, que o centro de custos 07080708.4001 (fls. 270/351) foi criado no ano calendário de 2009, pois existe desde 2008 (fl. 277) para controlar e individualizar os lançamentos nas contas de sua escrituração relativamente à participação da SCP TBSAPedrasul no Consórcio Nova Via. Corrobora a existência do centro de custos 07080708.4001, em dezembro de 2008, a emissão da fatura nº 6184, em 26/12/2008, pela sócia ostensiva TBSA, correspondente ao primeiro faturamento do Consórcio Nova Via, no montante de R$ 4.950.985,77 (doc. 10 anexo – fls. 16811682). Ficou estipulado no contrato da SCP entre TBSA e Pedrasul que todas as operações relativamente à participação no Consórcio Nova Via são atinentes à SCP, não sendo necessário fazer menção na contabilidade Fl. 2222DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.721672/201359 Resolução nº 1401000.382 S1C4T1 Fl. 13 12 que as operações do Consórcio Nova Via referemse ao objeto da SCP. Esta menção estaria respaldada pelo contrato. Nos primeiros meses de existência da SCP, a sócia participante Pedrasul, em virtude de dificuldades financeiras não efetuou aportes de capital relativamente a sua participação na SCP, ficando estes ao encargo exclusivo da Toniolo Busnello S/A. Os valores são controlados pela TBSA, conforme demonstrativo de fl. 1592. À fl. 1593 estão os esclarecimentos sobre os valores dessa planilha, estando destacado que o valor de R$ 55.235.898,16, que o autuante não identificou a origem, referese ao valor recebido pela Pedrasul S/A, em decorrência das operações na SCP relativas ao período “de dezembro de 2008 até dezembro 2012”. Reitera que os aportes da sócia participante, Pedrasul S/A, em favor da TBSA, somente iniciaramse em setembro de 2009, porém relativos às operações desde o início do Consórcio Nova Via, permitindo o encontro de contas entre as participantes da SCP, conforme demonstrativo citado (fl. 1592). Ao concluir esse item, a defesa alega: Sendo assim, inaceitáveis as glosas efetuadas nos anos calendário de 2008 e 2009 a esse título, eis que indevida a imposição da apuração pelo regime do lucro real na TBSA, relativamente às operações efetuadas pela SCP TBSA Pedrasul no Consórcio Nova Via. Como se não bastasse, ainda que por hipótese a impugnante aceitasse a imposição do regime de tributação pelo lucro real, em detrimento da SCP, ainda assim permaneceria inadequado e, portanto, passível, de anulação o auto de infração, visto que a tributação pelo regime do lucro real assiste prerrogativas legais à Impugnante, as quais deixariam de ser verificadas pela autoridade fiscal, gerando um débito irreal, pelas razões a seguir aduzidas. IV.1.4 – Do anocalendário 2008 Após verificar os demonstrativos e balancetes da impugnante (fls. 270/278), a autoridade fiscal “afastou o resultado de R$ 2.228.542,44 para a SCP TBSA Pedrasul”, tendo em vista o errôneo entendimento da "inexistência da SCP em comento previamente a setembro de 2009". Em confronto a assertiva de que inexistente a SCP pelo fato de o imposto de renda relativamente ao período do 4º trimestre de 2008 ter sido pago em 30/10/2009, a impugnante reitera o argumento de que a partir de junho de 2009, pela consolidação dos percentuais da SCP, em decorrência dos percentuais fixados no consórcio Nova Via é que foi possível fazer os ajustes quantos aos repasses e aportes e inclusive o recolhimento de tributos. Ademais, não há norma que impeça o contribuinte de proceder recolhimento de tributos de períodos pretéritos. Fl. 2223DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.721672/201359 Resolução nº 1401000.382 S1C4T1 Fl. 14 13 Por outro lado, supondo a inexistência da sociedade em conta de participação no anocalendário de 2008, mantémse imprópria a autuação, em razão de que pela tributação através do regime do lucro real haveria o fisco observar a legislação em favor do contribuinte, contrapondose aos princípios da legalidade e eficiência previstos no artigo 37 da Constituição Federal, sem os quais não se aperfeiçoa o ato administrativo, incorrendo nos equívocos a seguir descritos: a) IRPJ No anocalendário de 2008, o fisco tributou o valor de R$ 2.228.542,44, que representa o valor excluído na apuração do lucro real referente às operações da SCP, que foi criada em dezembro de 2008. Do IRPJ apurado foi descontado o valor de R$ 14.447,78, recolhido pelo regime do lucro presumido apurado na SCP. A autoridade fiscal deveria também ter descontado o valor de R$ 32.226,07, referente ao imposto retido na fonte sobre rendimentos recebidos pela TBSA da TRENSURB (doc 11), valor que foi compensado na apuração pelo lucro presumido na SCP, em 2008. Caso não existisse a SCP em dezembro de 2008 e que o montante de R$ 2.228.542,44 estivesse adicionado à base de cálculo do IRPJ, não resultaria em valor a recolher pois, conforme demonstrativo de fl. 1597, a impugnante já havia recolhido IRPJ por estimativa a maior que o devido. Conclui a defesa: Contudo, este fato não foi observado pela Autoridade Fiscal, que se ausentou de efetuar a recomposição do Lucro Real, limitandose à aplicação da alíquota de 15% (quinze por cento) de IRPJ e 10% de Adicional de IRPJ sobre o valor da exclusão glosada (R$ 2.228.542,44 x 25%), resultando no valor autuado indevidamente. b) CSLL A base de cálculo também é R$ 2.228.542,44, que representa o valor excluído relativamente ao lucro das operações da SCP (constituída em dezembro de 2008). Da contribuição apurada, o autuante descontou o valor de R$ 1.588,88 recolhido pelo regime do lucro presumido na SCP (doc 09). A autoridade fiscal também deveria ter descontado o valor de R$ 26.855,00 relativo à contribuição social retida na fonte sobre os rendimentos recebidos pela TBSA da TRENSURB, conforme documento 11 anexo, valor este que foi compensado na apuração pelo lucro presumido na SCP, em dezembro de 2008. Caso não existisse a SCP em dezembro de 2008 e que o montante de R$ 2.228.542,44 estivesse adicionado às bases tributáveis da CSLL, não resultaria em valor a recolher, visto que pela análise da DIPJ 2009 – anocalendário 2008, mesmo que não se considerasse a exclusão do referido valor, a impugnante já havia recolhido CSLL por estimativa, a Fl. 2224DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.721672/201359 Resolução nº 1401000.382 S1C4T1 Fl. 15 14 maior que o resultado do ano de 2008, conforme demonstrativo de fl. 1598. Conclui a defesa: Conforme exposto... ainda que se desconsidere a SCP, não resultaria em contribuição a pagar, ao contrário, a impugnante teria redução do saldo negativo de CSLL resultando em R$ 49.697,63. Contudo, este fato não foi observado pela Autoridade Fiscal, que se ausentou de efetuar a recomposição da base de cálculo da CSLL, limitandose à aplicação da alíquota de 9% sobre o valor da exclusão glosada (R$ 2.228.542,44 x 9%), resultando no valor autuado indevidamente. IV.1.5 – Do anocalendário de 2009 IV.1.5.1 Dos Resultados Positivos em Participação Societária e em SCP A autoridade fiscal menciona no tópico 3.1.5.1, pela análise da linha 25 da Ficha 07 A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral da DIPJ 2010 (fls. 1241/1327) que do total de R$ 22.527.122,09 de exclusão efetuada pelo contribuinte no anocalendário de 2009, a título de "Resultados Positivos em Participação Societária e em SCP", deve ser glosado o montante de R$ 11.156.278,92, sendo este o resultado da SCP no período de janeiro a agosto de 2009, reiterando o entendimento que neste período a SCP ainda não estaria constituída. Ocorre que no período de janeiro a agosto de 2009, a autuada apresentou prejuízo fiscal no montante de R$ 28.573.235,60, conforme consta no LALUR de 31/08/2009, fls. 86/119, ou seja, mesmo que a impugnante não tivesse feito a exclusão do montante glosado pelo fisco de R$ 11.156.278,92, resultaria em prejuízo fiscal de R$ 17.416.956,68, em 31/08/2009. Esses fatos evidenciam que a criação da SCP, cujo resultado foi devidamente tributado, não foi visando à redução de carga tributária e sim, pelos motivos já expostos anteriormente. IV.1.5.2 Das outras exclusões A impugnante excluiu R$ 11.163.404,41 na apuração do lucro real, conforme informação da linha 69, da Ficha 09 A – Demonstração do lucro Real PJ da DIPJ 2010 (fls. 1241/1327) relativo a "Outras Exclusões". Essas exclusões (fls. 86/119) são oriundas de ajustes de lançamentos relativos a exercícios anteriores que já foram encerrados e que são contabilizados no ano corrente, na conta de “Lucros Acumulados”, conforme razão (fls. 555/606). Valores glosados: a) R$ 2.228.542,44 Está correta a glosa desse valor. Houve equívoco da impugnante ao efetuar esta exclusão na apuração do anocalendário de 2009 para Fl. 2225DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.721672/201359 Resolução nº 1401000.382 S1C4T1 Fl. 16 15 ajuste dos valores de 2008, tendo em vista que não constatou que o valor já havia sido ajustado na própria DIPJ 2009 – anocalendário de 2008, onde o resultado apurado na SCP Toniolo, Busnello S.A./Pedrasul S.A., no valor de R$ 2.228.542,44, foi excluído na linha 44 da Ficha 09 A da DIPJ 2009, anocalendário de 2008. Salienta a ausência de débito fiscal em decorrência do erro descrito, visto que possui prejuízo fiscal e base negativa de CSLL no montante integral de R$ 8.519.841,07. Ou seja, ainda que se faça a dedução do valor de R$ 2.228.542,44, restarlheia ainda R$ 6.291.298,63 a título de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, os quais poderiam ser aproveitados no ano calendário de 2010. b) R$ 4.950.985,77 Esse valor se refere à nota fiscal nº 6184, emitida em 26/12/2008, contra a Trensurb S.A. (do. 10 anexo – fl. 1682), que foi contabilizada equivocadamente pela impugnante como receita do exercício de 2008, da Toniolo, Busnello S.A., quando deveria ter sido contabilizada como receita do Consórcio Nova Via. A receita que representa a participação da Toniolo, Busnello S.A. No Consórcio Nova Via é de R$ 2.633.692,70, conforme demonstrativos de resultado constante das fls. 270/351, a qual foi oferecida à tributação na SCP pelo regime do lucro presumido. Essa informação esclarece porque esse valor está contido no montante glosado indicando a “lógica matemática” que não teria sido compreendida pelo autuante. Portanto, o lançamento de estorno do valor de R$ 4.950.985,77 na conta de "Lucros Acumulados", foi necessário para ajustar o erro de fato ocorrido no exercício de 2008. A glosa fiscal está apoiada na inadequada conclusão de inexistência da SCP. Para esclarecer esses fatos diz a defesa: A receita operacional do Consórcio Nova Via no valor de R$ 14.854.442,76, conforme a folha 5 do balancete do consórcio (Doc. 12 anexo), contempla o faturamento de R$ 4.950.985,77 feito pela Toniolo, Busnello S.A., porém o valor contabilizado por esta representa somente a parcela correspondente ao seu percentual de participação no consórcio, que está demonstrado na folha 2 do demonstrativo de rateio (Doc. 13 anexo), onde do valor de R$ 14.854.442,76 da receita contabilizada no Consórcio, R$ 2.633.692,70 representa a participação da Toniolo, Busnello S.A. Ou seja, não podemos confundir o valor faturado pela Toniolo, Busnello S.A., que compõe a receita do Consórcio, com o percentual de receita que é tributado pela Toniolo, Busnello S.A. A sequência a defesa alega: Fl. 2226DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.721672/201359 Resolução nº 1401000.382 S1C4T1 Fl. 17 16 ... supondose a inexistência da Sociedade em Conta de Participação no anocalendário de 2009, mantémse imprópria a autuação, em razão de que pela tributação através do regime do lucro real haveria a ilustre autoridade fiscal de observar a legislação em favor do contribuinte, o que não fez, contrapondose aos princípios da legalidade e eficiência previstos no artigo 37 da Constituição Federal, sem os quais não se aperfeiçoa o ato administrativo, incorrendo nos equívocos ... As incorreções seriam as seguintes: a) IRPJ A base de cálculo apurado pelo fisco, no anocalendário de 2009, é R$ 14.912.966,06, decorrente das seguintes infrações: Diz a defesa: O valor excluído da base de cálculo do IRPJ relativamente ao resultado das operações da SCP, que está sendo glosado, referente ao período de janeiro a agosto de 2009, no montante de R$ 11.156.278,92, resultou em imposto a pagar no montante de R$ 1.763.576,65, que representa a soma dos valores glosados em cada trimestre pela inexistência da SCP. Ocorre que do montante do débito apontado pela autoridade fiscal no valor e R$1.763.576,65, houve desconto exclusivamente do valor de R$ 27.242,64, recolhido pelo lucro presumido na SCP, em Guia DARF, relativamente ao 2º trimestre de 2009, conforme (doc. 09 anexo). Todavia, é importante salientar que o período glosado não compreende somente o resultado da SCP relativo ao 1º e o 2º trimestre, mas também os resultados dos meses de julho e agosto do 3° trimestre de 2009, sobre o quais também houve recolhimento de imposto no valor de R$ 200.526,84, conforme guia DARF de pagamento (doc. 09), valor este que não foi abatido pelo autoridade fiscal, na proporção que deveria ter sido, qual seja: Fl. 2227DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.721672/201359 Resolução nº 1401000.382 S1C4T1 Fl. 18 17 Sendo assim, a autoridade fiscal deveria ter abatido o montante de R$ 118.992,66, resultante da diferença entre o valor recolhido no 3º trimestre e o valor calculado somente para o mês de setembro de 2009. Ademais, a autoridade fiscal também deveria ter descontado o valor de R$ 275.441,12, relativo ao imposto de renda retido na fonte dos rendimentos recebidos pela TBSA da Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S.A., conforme demonstrado no (Doc. 11 anexo), valor este que foi compensado na apuração pelo lucro presumido na SCP no período de janeiro a agosto de 2009. Acrescenta que, se por hipótese a impugnante tivesse constituído a SCP somente a partir de setembro de 2009, conforme aponta a autoridade fiscal, o lucro real deveria ser recalculado ao final do anocalendário de 2009 contemplando o diferimento da receita do Consórcio Nova Via, em 31/08/2009, conforme o cálculo do diferimento (Doc. 14 anexo) no montante de R$ 17.818.839,50, o qual não havia sido efetuado pela impugnante já que a receita estava sendo tributada pelo regime do lucro presumido na SCP. No referido período, a impugnante poderia ter se utilizado da prerrogativa que lhe é assegurada pelo DecretoLei 1.598/77, art. 10, consolidada no art. 407 do RIR/99, que sequer foi observada na autuação. Esses dispositivos legais permitem o diferimento da receita na contabilidade, de acordo com a relação entre os custos incorridos e o custo total orçado da obra. A regulamentação da aplicação do diferimento da receita está contemplada na Instrução Normativa RFB nº 21, de 13 de março de 1979. À fl.1607 a defesa apresenta demonstrativo e considerações para mostrar como deveria ter sido apurado o lucro real, caso tivesse sido constituída a SCP em setembro de 2009. b) CSLL Às fls. 16081610, a defesa alega e elabora demonstrativos, na mesma sequência da impugnação relativa ao IRPJ. Destacase o seguinte: Sendo assim, a autoridade fiscal deveria ter abatido o montante de R$ 4.598,35, resultante da diferença entre o valor recolhido no 3º trimestre e o valor calculado somente sobre o mês de setembro de 2009. Ademais, a autoridade fiscal também deveria ter descontado o valor de R$ 229.534,27, relativo a contribuição social retida na fonte dos rendimentos recebidos pela TBSA da Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S.A., conforme demonstrado no (Doc. 11 anexo), valor este que foi Fl. 2228DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.721672/201359 Resolução nº 1401000.382 S1C4T1 Fl. 19 18 compensado na apuração pelo lucro presumido na SCP no período de janeiro a agosto de 2009. [...] Assim como no cálculo do Lucro Real, o diferimento da receita estabelecido pelo DecretoLei nº 1598/77, art. 10, § 1º, no Regulamento do Imposto de Renda, retro mencionado, deve ser levado em conta também na base de cálculo da Contribuição Social. A defesa também apresenta considerações para demonstrar como deveria ter sido apurada a CSLL, caso a SCP tivesse sido constituída somente a partir de setembro de 2009. Ao concluir esse item, alega que não pode ser aceita a descaracterização da SCP, previamente a setembro de 2009, porque é nítido que sua criação não trouxe nenhuma vantagem tributária em favor da impugnante, conforme explicitado nos demonstrativos de cálculo das apurações do IRPJ e da CSLL retro. IV.2 – Do pagamento de juros sobre capital próprio no ano calendário de 2009 Não assiste razão à autoridade fiscal relativamente à glosa dos juros sobre o capital próprio distribuídos pela no anocalendário de 2009. A autorização legal está no art. 347 do RIR/99. A despesa ocorreu quando instaurada a relação jurídica através da qual a impugnante tornouse devedora dos juros e o sócios, então, puderam exigir o pagamento de JCP, após a deliberação em Ata de Assembléia Geral Ordinária realizada em 09/05/2009 (fls. 248/248), conforme item 5.4, DIRPJ 2010 (fls.1241/1327). Assim, o período de competência, no qual o montante dos juros deve ser registrado como despesa financeira é aquele em que houve a deliberação determinando o pagamento dos juros, no caso, 2009. A impugnante inspirase em decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, acórdão 1402001.178, 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferida em setembro de 2012, em caso análogo ao presente, na qual o Conselheiro Relator Antônio José Praga de Souza, com embasamento nas palavras de Edmar Oliveira Andrade Filho, analisa a questão relativa ao regime de competência a que se refere a legislação sob análise. Parte do voto está transcrito às fls. 16141616. Após transcrever outras decisões administrativas sobre o tema, diz a defesa: Por conseguinte, com o devido acatamento, errôneo é o entendimento atribuído pela autoridade fiscal "a quo" quanto ao tema, eis que a legislação e a jurisprudência Pátria autorizam a dedução para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, dos juros sobre capital próprio (JCP) calculados com base nas contas de patrimônio líquido de anos fls. 799/832 ao tempo da deliberação do pagamento ou crédito desses juros, bem como foi feito pela Impugnante no caso vertente. Fl. 2229DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.721672/201359 Resolução nº 1401000.382 S1C4T1 Fl. 20 19 Resta evidenciado que o fato de ter deduzido os juros sobre o capital próprio, relativos aos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, nas bases tributáveis do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2009, não produziu efeito diverso daquele que produziria se tivesse deduzido a despesa com os juros nos períodos pretéritos de competência, haja vista que a impugnante auferiu lucro tributável em todos aqueles anos calendário. IV.3 Do crédito tributário IV.3.1 Da compensação de prejuízos fiscais realizada em 2010 Após rever os registros contábeis e fiscais, a impugnante concluiu que procede o apontamento efetuado pela autoridade fiscal no que se refere ao valor de R$ 2.228.542,44 relativo às outras exclusões descrita no item 3.1.5.2, mas para as demais infrações instauradas pela autoridade fiscal, utilizase do presente instrumento de defesa, a fim de demonstrar que não resultam em infrações fiscais para a Toniolo, Busnello S.A. Em que pese o reconhecimento do ajuste a ser efetuado no valor de R$ 2.228.542,44, restarlheia ainda R$ 6.291.298,63 a título de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, os quais foram utilizados adequadamente no anocalendário de 2010, pelo montante de R$ 5.416.368,74. V – Do ato administrativo A autoridade fiscal não observou a determinação contida na Lei 10.925/2004, art. 8º, § 3º, I, afrontando aos princípios da legalidade e eficiência elencados no art. 37, da Constituição Federal/88, sem os quais não se aperfeiçoa de validade o ato administrativo. Acrescenta que o ato administrativo não poderá manter interpretação diversa daquela prevista em lei. Diante disso, o auto de infração sob análise há de ser reformado, visto que atribui interpretação contrária a alguns aspectos da legislação aplicável ao caso vertente, conforme elencado no decorrer da impugnação, contrariando a ordem legal. VI – Da necessidade de diligência/perícia Espera que os fundamentos de fato e de direito explicitados sejam acolhidos para fins de afastamento do auto de infração, com validade na prova contida nos autos e apresentada através da defesa. Contudo, caso esse não seja o entendimento, postula pela realização de diligência/perícia consoante os termos descritos as fls. 16241629. Os assistentes técnicos estão indicados. VII – Do pedido A impugnante requer: a) o recebimento, apreciação e julgamento de procedência da presente Impugnação/Defesa, com afastamento integral do Auto de Infração 1010100020120027861 e consequentemente a extinção dos débitos Fl. 2230DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.721672/201359 Resolução nº 1401000.382 S1C4T1 Fl. 21 20 nele apontados, além da baixa e arquivamento do Processo Administrativo Fiscal nº 11080.721672/201359; b) ad cautelam, se por hipótese esse não for o entendimento dos ilustres julgadores, caso seja reconhecida a descaracterização da Sociedade em Conta de Participação anteriormente a setembro de 2009, sejam consideradas todas as prerrogativas asseguradas em lei a Impugnante na apuração dos tributos pelo regime do Lucro Real, conforme amplamente discorrido nas razões de defesa; c) a suspensão da exigibilidade dos apontados débitos conforme previsto no artigo 151 do Código Tributário Nacional e alteração do status do processo epigrafado junto ao site da Receita Federal do Brasil, até julgamento final, em última instância na esfera administrativa, se for o caso; d) A Impugnante entende que a prova carreada nos autos é suficiente ao julgamento de procedência e afastamento da autuação fiscal, entretanto caso esse não seja o entendimento dos ilustres julgadores, requerer seja acolhido o pedido de conversão em diligência/perícia, eis que atendidos todos os requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto n9 70.235/72, com a redação alterada pela Lei n5 8.748/93, com a determinação pelos doutos julgadores para que o ilustre Sr. Perito responda aos quesitos apresentados no item VI da presente Impugnação; e) a juntada dos documentos relacionados no rol a seguir, com o fito de reforçar a prova carreada nos autos, além daqueles previamente juntados ao processo pela autoridade fiscal, citados no decorrer da presente defesa bem como o daqueles que sempre estiveram à disposição da fiscalização na sede da requerente. A 5ª Turma da DRJ/JFA, por maioria de votos, quanto aproveitamento do saldo negativo do IRPJ e da CSLL, e por unanimidade de votos nas demais questões, julgou procedente em parte a impugnação para manter os seguintes valores, acrescidos da multa de ofício e dos juros de mora regulamentares: a) IRPJ – R$ 5.222.221,28. b) CSLL – R$ 1.826.849,61. O Acórdão nº 1044.691 recebeu a seguinte ementa, fls. 17191720: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. PROVA DO INÍCIO DAS ATIVIDADES. A existência da sociedade em conta de participação independe de qualquer formalidade e pode provarse por todos os meios de direito. Para fins tributários é imprescindível que as operações estejam contabilizadas de forma a identificar que se referem a essa sociedade não personificada. Fl. 2231DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.721672/201359 Resolução nº 1401000.382 S1C4T1 Fl. 22 21 JUROS REMUNERATÓRIOS DO CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. LIMITE TEMPORAL. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXERCÍCIOS ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio que tome como base de referência a movimentação do patrimônio líquido havida em exercícios anteriores ao do efetivo pagamento. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO. DEDUÇÃO. Somente os saldos disponíveis do tributo podem ser deduzidos do valor devido decorrente da autuação fiscal. PAGAMENTO DE TRIBUTO. APROVEITAMENTO. Alocase em favor da contribuinte pagamento de imposto que a contribuinte apropriou em favor da SCP no período em que não se comprova sua existência. DEDUÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. LANÇAMENTO DE OFICIO. Não comprovada a existência da SCP, as fontes que originalmente foram deduzidas na apuração dos tributos a pagar podem ser aproveitadas pela autuada, no limite dos valores formalmente reconhecidos. CONTRATOS DE LONGO PRAZO. O diferimento da receita na contabilidade de acordo com a relação entre custos incorridos e custo total orçado da obra, para apuração dos valores tributáveis, implica na elaboração de demonstrativos e procedimentos contábeis adequados para o controle dos valores que envolvem o contrato de longo prazo, requisitos que deveriam ser demonstrados pelo interessado. LANÇAMENTO DECORRENTE. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase ao lançamento decorrente, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada do Acórdão em 20/07/2013 (fls. 1775), a contribuinte, em 16/08/2013, interpôs o recurso voluntário de fls. 17771839, basicamente reiterando as alegações apresentadas na fase processual anterior. Em relação à SCP TBSAPedrasul, anexou a seguinte documentação, visando demonstrar a efetiva existência da referida SCP previamente a setembro de 2009: Fl. 2232DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.721672/201359 Resolução nº 1401000.382 S1C4T1 Fl. 23 22 Apresentou esclarecimentos detalhados acerca do demonstrativo denominado “encontro de contas” (fl. 1592), visando demonstrar que o mesmo possui, sim, vinculação com registros contábeis capazes de evidenciar a existência da SCP, de 2008 a agosto de 2009. Sobre o tema, assim se manifestou a recorrente, fls. 17921793: Para melhor elucidar os registros contábeis das operações mapeadas na planilha "encontro de contras", ressaltase que está dividida em cinco colunas, quais sejam: 1) Aportes (Doc. 04 Anexo) 2) Notas Fiscais Emitidas (Doc. 05 Anexo) 3) Recebimentos (Doc. 06 Anexo) 4) Recebimentos x Aportes 5) TBSA x PSA Cada uma dessas colunas está subdividida em TBSA e Pedrasul, o que significa que os valores informados representam o percentual liquido de participação de cada uma das empresas, Toniolo Busnello S.A e Pedrasul S.A. no Consórcio Nova Via, A Recorrente acosta ao presente recurso os demonstrativos que lhe deram origem, denominados Aportes (Doc. 04 Anexo), Notas Fiscais Emitidas (Doc. 05 Anexo) e Recebimentos (Doc. 06 Anexo). Em cada um desses três demonstrativos, tratou de apontar duas colunas extras, uma indicando a página do Razão Contábil de onde extraiu o valor apontado na planilha ou sua origem e outra que remete ao valor da Nota Fiscal no Relatório de Faturas de Serviços Emitidas por Período. Portanto, para visualizar os valores contabilizados, fazse necessário examinar primeiramente as planilhas que antecedem a planilha "encontro de contas" e que suportam os valores nela lançados. A primeira análise será na planilha "Aportes" (Doc. 04 Anexo], onde se observa o valor total dos aportes ao Consórcio Nova Via feito pela TBSA, sócia ostensiva, e neste demonstrativo consta o percentual definido entre as partes de 54,43%, para a TBSA e de 45,57% para a Pedrasul sobre as Obras Civis e 50% para a TBSA e 50% para a Pedrasul sobre os Sistemas. Este total de aportes pode ser verificado no Livro Razão Contábil da conta "1.1.2.09.003.453 Aportes P/ Fl. 2233DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.721672/201359 Resolução nº 1401000.382 S1C4T1 Fl. 24 23 Consórcio Toniolo. Busnello" do centro de custos do Consórcio Nova Via (Doc. 07 Anexo). Para melhor ilustrar estes registros contábeis, utilizase o primeiro mês como exemplo. No razão, na conta "1.1.2.09.003.453 Aportes P/ Consórcio Toniolo Busnello” do centro de custos do Consórcio Nova Via (Doc. 07 Anexo), identificase uma série de lançamentos que totalizam R$ 679.098,75 até o final do ano de 2008: Na planilha “Aportes” (Doc. 04 Anexo), observase no total do ano de 2008 o mesmo valor de R$ 679.098,75: Essa quantia foi dividida nos valores de R$ 369.633,45 e R$ 309.465,30, que representam os percentuais de 54,43%, em favor da TBSA, e de 45,57%, em favor da Pedrasul, os quais estão contemplados na planilha denominada “encontro de contas” (à fl. 1592 do PAF): Assim, sucessivamente, ocorre com todos os aportes, restando comprovado que os valores constantes nesta planilha estão devidamente contabilizados mensalmente. Portanto, inaceitável a afirmação de que se tratem de valores “extra contábeis”. Às fls. 17931795, a recorrente continua a analisar individualmente cada coluna do demonstrativo “encontro de contas”, com o intuito de demonstrar que tal documento, apesar de ser extra contábil, está respaldado em registros contábeis e fiscais. Na sequência de sua peça recursal, a contribuinte repisou todos os argumentos de defesa, com base em vasta documentação fiscal e registros contábeis trazidos aos autos, visando demonstrar que os valores dos repasses em favor da Pedrasul reportam à origem das atividades da SCP, em dezembro de 2008. É o relatório. Fl. 2234DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.721672/201359 Resolução nº 1401000.382 S1C4T1 Fl. 25 24 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Conforme relatado, uma substancial parcela do presente litígio referese à data de início das atividades da sociedade em conta de participação TBSAPedrasul, fato que determinou parte do presente lançamento. A autoridade autuante considerou que só havia prova da existência da SCP a partir do mês de setembro de 2009, com base nas seguintes constatações, fls. 1739: O contrato da SCP TBSAPedrasul foi lavrado somente em 10/08/2009 (fls. 231237), onde consta, na cláusula 5: Os efeitos do presente contrato darseão, retroativamente, a partir da assinatura do Contrato entre TRENSURB e o Consórcio Nova Via, em 28 de dezembro de 2007, extinguindo ao fim da execução do mesmo... Nos balancetes e demonstrativos de saldos de centro de custo 0708 0708.4001 (fls. 299/350), não há menção alguma a sociedade em conta de participação (fl.1542). Na contabilidade da autuada, antes de setembro de 2009, não há qualquer lançamento que possua menção ou histórico que possa associála à SCP TBSAPedrasul. Em decorrência de diligência realizada (fls. 419/483), foi constatado que os aportes de recursos financeiros do sócio participante somente ocorreram a partir do mês de setembro de 2009 (fls. 429430). Em sede recursal, contudo, a contribuinte trouxe aos autos esclarecimentos detalhados acerca do demonstrativo denominado “encontro de contas” (fl. 1592), visando demonstrar que o mesmo possui, sim, vinculação com registros contábeis capazes de evidenciar a existência da SCP, de 2008 a agosto de 2009. No entanto, a análise destes fatos requer acesso à contabilidade da contribuinte, o que, por razões práticas, não é facultado aos integtrantes dete colegiado. Assim sendo, considero necessária a realização de diligência, com o intuito de checar se os dados constantes do demonstrativo denominado “encontro de contas” (fl. 1592), efetivamente possuem vinculação com registros contábeis da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, em respeito ao princípio da verdade material orientador do Processo Administrativo Fiscal, e ante a dúvidas suscitadas pelos documentos trazidos aos autos pela recorrente, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, solicitando que a autoridade competente da unidade de origem aprecie os dados constantes do demonstrativo “encontro de contas” (fl. 1592), informando se os referidos dados possuem vinculação com registros contábeis da contribuinte. Fl. 2235DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11080.721672/201359 Resolução nº 1401000.382 S1C4T1 Fl. 26 25 Poderá a autoridade encarregada da realização da diligência, se desejar, apreciar e se manifestar acerca da extensa documentação apresentada pela recorrente, fls. 18412180, com destaque para os demonstrativos extracontábeis, com o intuito de demonstrar eventuais inconsistências entre os citados demonstrativos e os registros contábeis e fiscais da contribuinte. No desfecho da diligência, a autoridade administrativa deverá produzir um relatório que ateste, de forma conclusiva e fundamentada, se existe (e em que medida) vinculação entre os dados constantes do demonstrativo denominado “encontro de contas” (fl. 1592) e os registros contábeis da contribuinte. Devese promover ciência à empresa acerca do mencionado relatório e dos demais elementos eventualmente juntados na diligência, para que esta, querendo, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. Deve a autoridade encarregada da realização da diligência absterse de tecer quaisquer considerações acerca da efetiva existência da SCP, em períodos anteriores a setembro de 2009. Nos termos da legislação norteadora do processo administrativo fiscal, a decisão acerca deste aspecto do lançamento compete a este colegiado. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 2236DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 11543.003129/00-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1996
PRAZO PARA EFETUAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 91.
Aplica-se o prazo de dez anos contados do fato gerador ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação tácita.
PASEP. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. DECRETO Nº 71.618/72.
A Contribuição para o PASEP será calculada, em cada mês, com base na receita e nas transferências apuradas no sexto mês imediatamente anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária no intervalo dos seis meses, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95.
Numero da decisão: 3201-002.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1996 PRAZO PARA EFETUAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 91. Aplica-se o prazo de dez anos contados do fato gerador ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação tácita. PASEP. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. DECRETO Nº 71.618/72. A Contribuição para o PASEP será calculada, em cada mês, com base na receita e nas transferências apuradas no sexto mês imediatamente anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária no intervalo dos seis meses, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95.
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SÚMULA CARF Nº 91. Aplicase o prazo de dez anos contados do fato gerador ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação tácita. PASEP. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. DECRETO Nº 71.618/72. A Contribuição para o PASEP será calculada, em cada mês, com base na receita e nas transferências apuradas no sexto mês imediatamente anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária no intervalo dos seis meses, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 31 29 /0 0- 87 Fl. 577DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.003129/0087 Acórdão n.º 3201002.231 S3C2T1 Fl. 578 2 Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Tratase de contencioso administrativo instaurado com a impugnação de TELEMAR NORTE LESTE S/A (fls. 403/428) ao despacho decisório do delegado da DERAT/RIO que indefere pedido de restituição de TELECOMUNICAÇÕES DO ESPÍRITO SANTO S/A (fl. 394). O pedido de restituição/compensação foi formalizado no valor total de R$ 19.299.433,60, referente aos recolhimentos de PIS/PASEP que teriam sido efetuados a maior no período de abril/1989 a dezembro/1995 (fl. 01). O contribuinte ressalta como causa do pedido de restituição: "PIS/REPIQUE X PIS/PASEP RECEITA OPERACIONAL diferença decorrente do tratamento próprio para empresa privada, como todas as demais prestadoras de serviços que exploram atividade econômica (CF, art. 173, §§ 1o e 2o), a partir da CF, art. 239 (prevendo nova finalidade e natureza jurídica diversa para o PIS/PASEP), até fevereiro de 1996 (MP 1.212/95, art. 13), segundo critério da LC 07/70 (já que declarados inconstitucionais os DLs 2445 e 244/88, Resolução/SF 49 de 101095)". Foram anexados demonstrativos e DARFs, demonstrando os recolhimentos relativos ao PASEP, relativos ao período de 13 041989 a 151295 (fls. 02181). A contribuinte requer a restituição com base no critério da semestralidade, nos termos do art. 14 do Decreto 71.618/72 (fl. 371). Tendo em vista o Ato Declaratório SRF 09699, que fixa como termo inicial do pedido de requisição o pagamento, fundado nos arts. 165,1 e 168,1 do CTN, e tendo em vista o art. 3o da Lei Complementar 118/2005, o Delegado da DeratRio indeferiu pedido de restituição dos valores recolhidos no período compreendido entre 13041989 a 15091995, em função de decadência do direito de restituição (fls. 39 e 394). Foi feito o cálculo da restituição com base no período remanescente entre 1310 1995 e 15121995, com base nos valores informados na DIPJ, ficha 12, ano calendário 1995 (fls. 387388) donde se concluiu não restar comprovado recolhimento indevido ou a maior (fl. 392). Na fundamentação da decisão que concluiu pela ausência de créditos por parte do contribuinte a restituir, a autoridade preparadora citou textualmente o Parecer PGFNCATN0 437, de 1998 (fls. 392): Fl. 578DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.003129/0087 Acórdão n.º 3201002.231 S3C2T1 Fl. 579 3 "Diante da clareza dos textos legais acima reproduzidos, cremos sejam ociosas maiores discussões. Está evidenciado, à toda prova, que desde a edição da Lei 7.691, em 151288, o prazo para pagamento deixou de ser o de seis meses contado a partir do fato gerador, sendo devida a correção monetária no cálculo da contribuição para o PIS, desde a ocorrência do fato gerador até a data do efetivo pagamento." (fl. 392) Tal é o teor da orientação dada pela DIORT, adotada expressamente pelo Delegado da DERAT (fl. 394). Aos 10 de janeiro de 2008, TELEMAR NORTE LESTE S/A foi notificada pela RFB do ato administrativo que indeferiu o pedido da TELEST S/A (fl. 399). Aos 22 de janeiro de 2008, TELEMAR NORTE LESTE S/A apresentou impugnação à citada decisão, argumentando, em síntese (fls. 403/428): A Resolução do Senado n" 49 que surtiu efeito erga omnes à declaração de inconstitucionalidade, a qual, por sua vez, gerou o alegado crédito tributário da contribuinte foi publicada em 1010 1995. E este o termo inicial que deve ser considerado para a contagem do prazo decadencial, já que é a data que reconheceu para o sujeito passivo do presente processo o direito à restituição, independentemente do exercício financeiro em que se deu o pagamento indevido. Tal posição está em sintonia com a jurisprudência administrativa, segundo a impugnante, que, para corroborar sua tese, traz aos autos decisões do Conselho Superior de Recursos Fiscais. Também se mostra condizente com o ponto de vista do STJ, que entende que o termo inicial do lapso prescricional para pleitear a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de PIS è a publicação da Resolução 4995 do Senado, que suspendeu a execução dos DecretosLeis 2445 e 2449, declarados inconstitucionais pelo STF por meio do controle difuso. Argumenta o contribuinte, ainda, que o art. 3" da Lei Complementar 118/2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiulhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a interpretação dada — frisa , não há como negar que a lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. "Tratandose de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3° da Lei Complementar 118 2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir de sua vigência. O art. 4" da Lei Complementar 1182005, que determina a aplicação retroativa de seu art. 3", para alcançar inclusive fatos passados, ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2") e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5", XXXVI)... " Fl. 579DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.003129/0087 Acórdão n.º 3201002.231 S3C2T1 Fl. 580 4 (página 1 do voto do Ministro Teori Albino Zavascki. Resp n" 327043DF. Ressalta a impugnante que a autoridade preparadora não considerou a semestralidade e conclui não ter restado comprovado o recolhimento indevido ou a maior, com base na Lei Complementar 08/70. O Decreto 71.618/72 se refere à definição da base de cálculo do PASEP e não ao prazo de recolhimento (fl. 421). "(...) E preciso considerar que a própria Fazenda Nacional, recentemente, colocando uma pá de cal sobre o assunto, reconheceu que a semestralidade do PIS diz respeito à sua base de cálculo, e não a prazo de pagamento, sendo que tal entendimento pode ser aplicado também quanto ao PASEP", referendose ao PARECER PGFN/CRJN2143/2006, DE 30 de outubro de 2006. " Sobreveio decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II/RJ, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1995 a 31/01/1996 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear restituição de indébito fiscal ocorre em cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento, inclusive, na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. As arguições de inconstitucionalidade, que visam a afastar a aplicação de norma legal inserida no ordenamento jurídico, não são oponíveis na esfera administrativa, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 580DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.003129/0087 Acórdão n.º 3201002.231 S3C2T1 Fl. 581 5 O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Duas são as questões postas em julgamento: o prazo prescricional para efetuar o pedido de restituição e a aplicação da regra da semestralidade na apuração da Contribuição para o Pasep em relação aos recolhimentos efetuados de acordo com a LC nº 08/1970 e o Decreto nº 71.618/72. Ambos os questionamentos não necessitam de maiores digressões, posto já se encontrarem pacificados nesta casa, inclusive com entendimentos previstos em súmulas que vinculam este colegiado, , a teor do artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno. O prazo para formular pedido de restituição foi definido pela na Súmula CARF nº 91, nestes termos. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador Assim, aos pleitos administrativos protocolados antes de 09/06/2005, devese aplicar o prazo de restituição de indébito de cinco anos previsto no artigo 168 do CTN a partir da homologação tácita do pagamento antecipado de que trata o artigo 150 do CTN, a qual ocorre cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, ressalvada a hipótese da data da homologação expressa como termo inicial para contagem do prazo de cinco anos de que trata o artigo 168. Este processo trata de pedido de restituição protocolado em 02/10/2000, relativo ao Pasep recolhido de 1990 a 1995. Assim, devese afastar a decadência declarada em despacho decisório, relativa aos recolhimentos efetuados de novembro de 1990 a setembro de 1995, que se refiram a fatos geradores posteriores a 02/10/1990, ou seja, fato gerador de outubro/1990, inclusive, em diante. No que tange à semestralidade, após a declaração de inconstitucionalidade dos Decretoslei nº 2.445/88 e nº 2.449/88 pelo Supremo Tribunal Federal e a suspensão da execução dos referidos decretos pela Resolução nº 49/1995 do Senado Federal, as Contribuições para o PIS e para o Pasep voltaram a ser reguladas pelas Leis Complementares nº 07/70 e nº 08/70, respectivamente, até a edição da MP nº 1.212/95. Para o PIS, a questão restou pacificada no REsp nº 1.127.713/SP e com a edição da Súmula CARF nº 15, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. De fato, a Lei nº 07/70 assim dispunha em seu artigo 6º: Art. 6.º A efetivação dos depósitos no Fundo correspondente à contribuição referida na alínea b do art. 3º será processada mensalmente a partir de 1º de julho de 1971. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.003129/0087 Acórdão n.º 3201002.231 S3C2T1 Fl. 582 6 Parágrafo único A contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro; a de agosto, com base no faturamento de fevereiro; e assim sucessivamente. Por sua vez, o Decreto nº 71.618/72, regulamentando a Lei Complementar nº 8/70, assim dispôs: Art. 13. A contribuição dos Estados e Municípios, bem como das respectivas entidades de administração indireta e fundações supervisionadas, para o PASEP, será devida a partir de 1 de julho de 1971 (Artigo 2º, item II, da Lei Complementar nº 8, de 3 de dezembro de 1970), qualquer que seja a data de expedição na norma legislativa, referida no artigo 8º da mencionada Lei Complementar. Art. 14. A contribuição ao PASEP será calculada, em cada mês, com base na receita e nas transferências apuradas no 6º (sexto) mês imediatamente anterior. Art. 15. As contribuições devidas ao PASEP serão recolhidas até o último dia do mês em que forem devidas. Portanto, é de se reconhecer que as razões que levaram à edição da Súmula CARF nº 15 devem ser aplicadas ao Pasep, no sentido de que o cálculo da contribuição deve ser efetuado considerando a aplicação da semestralidade, ou seja, a base de cálculo deve ser as receitas e transferências apuradas no sexto mês imediatamente anterior ao fato gerador, sem correção monetária, até a edição da MP nº 1.212/95. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, afastando a decadência do pedido de restituição relativa aos recolhimentos efetuados de novembro de 1990 a setembro de 1995, que se refiram a fatos geradores posteriores a 02/10/1990, ou seja, fato gerador de outubro/1990, inclusive, em diante, ressalvado o direito de a autoridade administrativa apurar a liquidez e certeza do direito creditório, mediante a aplicação da semestralidade prevista no Decreto 71.618/72 até a edição da MP nº 1.212/95, sem correção monetária. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 582DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10907.721296/2014-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. PROVA DOCUMENTAL
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a infração relativa a Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício definida na Notificação de Lançamento.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. PROVA DOCUMENTAL Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a infração relativa a Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício definida na Notificação de Lançamento. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 12 96 /2 01 4- 50 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10907.721296/201450 Acórdão n.º 2202003.298 S2C2T2 Fl. 68 2 Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), fl. 48/9, complementandoo ao final: Tratase de impugnação apresentada em face de notificação de lançamento, expedida em procedimento de revisão de declaração, por meio da qual está sendo exigido o IRPF Suplementar no valor de R$ 13.932,14, acompanhado da multa de 75% e dos juros de mora correspondentes. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes da notificação (fls. 22/31), a exigência decorre da apuração das seguintes infrações: 1. Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 2.000,00. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. Fonte pagadora: Instituto Nacional do Seguro Social. 2. Dedução Indevida com Dependentes Glosa do valor de R$ 1.808,28, correspondente a dedução indevida com dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência. 3. Dedução Indevida com Despesa de Instrução Glosa do valor de R$ 5.661,68, correspondente a dedução indevida com instrução, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. 4. Dedução Indevida de Despesas Médicas Glosa do valor de R$ 41.192,39, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução, conforme abaixo discriminado. Em sua impugnação, o contribuinte contesta apenas a primeira infração e concorda expressamente com as demais. Alega, em sua defesa, que os rendimentos em questão seriam isentos por corresponderem a rendimentos de aposentadoria e por ele ser Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10907.721296/201450 Acórdão n.º 2202003.298 S2C2T2 Fl. 69 3 portador de moléstia grave, conforme laudo juntado (fl. 09). Solicita prioridade na análise de sua defesa, com base no art. 71 da Lei nº 10.471, de 2003 (Estatuto do Idoso). Antes do julgamento, providenciouse, no âmbito do órgão local, a juntada de cópia da declaração de ajuste (fls. 13/18) e a transferência da cobrança da parcela do crédito tributário não impugnada para o processo nº 10980.722471/201443, conforme se verifica no sistema Sief (fls. 33/37): A 20ª Turma da DRJ 1 no Rio de Janeiro/RJ analisou a manifestação de inconformidade, concluindo, em resumo, assim (fl. 50 e ss.): ... essa isenção é cabível apenas em relação a proventos de aposentadoria ou reforma, sendo ainda aplicável à complementação de aposentadoria e à pensão. Além disso, a doença tem de estar tipificada legalmente e tem de ser reconhecida por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. (...) No presente caso, o contribuinte não traz aos autos documento oficial que comprove a data da aposentadoria. Apresenta, por outro lado, cópia de comprovante de rendimentos emitido pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS (fl. 06), que indica que ele recebeu daquele instituto em 2010 o valor de R$ 68.557,42, em consonância com o valor apontado na notificação de lançamento. Apresenta também dois laudos médicos periciais. O primeiro foi emitido na localidade de Matinhos, em 22/07/2014, pelo Dr. Gildo G. Angelino, cujo carimbo aposto no documento indica a especialidade de Medicina do Trabalho e, como local de seu exercício, a Clínica São Francisco (fl. 09). O laudo apresentado informa que o contribuinte é portador de Cardiopatia Grave, mas não esclarece se esta situação já existia no anocalendário de 2010. O segundo laudo apresentado pelo contribuinte (fl. 44) foi emitido em 13/10/2014 pelo médico José Carlos Braga Bettega, não havendo nele indicação clara quanto ao serviço médico, hospital ou clínica em que ele atua. (...) Nesse sentido, os dois laudos apresentados não correspondem a “laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios”, nos termos exigidos pela legislação tributária. E assim decidiu o Acórdão recorrido pela improcedência da impugnação. Cientificado dessa decisão em 09 de dezembro de 2014 (fl. 55), o contribuinte interessado apresentou Recurso voluntário em 18 de dezembro de 2014 (protocolo na folha 57). Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10907.721296/201450 Acórdão n.º 2202003.298 S2C2T2 Fl. 70 4 Em sede de recurso, informa que equivocouse a Autoridade Julgadora de 1ª instância ao efetuar pesquisa na internet e concluir que o hospital onde trabalha o médico que emitiu o laudo debatido é particular; apresenta novo laudo, para sanar as pendências detectadas, acompanhado de pesquisas eletrônicas que demonstram pertencer o hospital á Prefeitura Municipal de Matinhos/PR e PEDE que seja acolhido seu recurso para que seja reconhecida sua condição de portador de moléstia grave cardiopatia grave desde 07/2009. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. Na Notificação de Lançamento de folhas 23 e seguintes, foram constatadas quatro infrações. Porém, o contribuinte, desde a impugnação, manifesta inconformidade apenas em relação a uma delas: a Omissão de Rendimentos, expressamente concordando com as demais. A DRJ informa em sua decisão que: Nos termos do art. 58 do Decreto nº 7.574, de 2011, a matéria não impugnada situase fora dos limites da lide, descabendo a sua apreciação pelo órgão julgador. Nesta hipótese, o crédito tributário correspondente configurou se definitivamente constituído na esfera administrativa e, como já relatado, teve sua cobrança transferida para outro processo. Em relação à parte do lançamento em litígio, o contribuinte alega que não cabe apurar omissão de rendimentos, uma vez que tais rendimentos seriam albergados por isenção concedida aos proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave, definida em lei. DA ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. Verificase que existem duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: uma é ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios e outra é os rendimentos serem provenientes de aposentadoria ou reforma. Lei nº 7.713/1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10907.721296/201450 Acórdão n.º 2202003.298 S2C2T2 Fl. 71 5 irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(destaquei) É de ser observada também a Súmula CARF Nº 63, abaixo transcrita: “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios”. No Acórdão recorrido, conforme relatado, a Autoridade Julgadora consignou que não acataria a isenção dos rendimentos pelos seguintes motivos: a) No presente caso, o contribuinte não traz aos autos documento oficial que comprove a data da aposentadoria. Apresenta, por outro lado, cópia de comprovante de rendimentos emitido pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS (fl. 06), que indica que ele recebeu daquele instituto em 2010 o valor de R$ 68.557,42, em consonância com o valor apontado na notificação de lançamento. b) a não apresentação do Laudo Pericial, conforme o artigo 30 da Lei nº 9.250, de 1995. Lei nº 9.250, de 1995: Art. 30 – A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...) Acórdão Nesse sentido, os dois laudos apresentados não correspondem a “laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios”, nos termos exigidos pela legislação tributária. Quanto a serem os rendimentos provenientes de aposentadoria ou seu complemento, verifico que a divergência de R$ 2.000,00 foi apontada entre a declaração de ajuste anual do contribuinte e a informação prestada pela fonte pagadora INSS, em 2010. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10907.721296/201450 Acórdão n.º 2202003.298 S2C2T2 Fl. 72 6 Na folha 7, observo que existe cópia de "carta de concessão do benefício", informando que o contribuinte fora aposentado por tempo de serviço em 29/10/1996 e o comprovante de rendimentos emitido pelo INSS, na folha 6, aponta que a natureza do rendimento é "aposentadoria por tempo de contribuição". Portanto, em relação aos rendimentos em debate, tratase de benefício de aposentadoria, estando, em 2010, o contribuinte recebendoos por essa rubrica. Juntamente com seu recurso, o contribuinte apresenta novo laudo (fl. 61), dessa feita com o carimbo de identificação em campo próprio (Secretaria de Saúde de Matinhos/PR Hospital Nossa Senhora dos Navegantes), emitido em 16/12/2014, assinado pelo médico André Luiz F. Silva, CRMPR 22537, com indicação do CID e identificação nominal "insuficiência cardíaca congestiva", com início em julho de 2009 e não passível de controle, portanto o laudo não contém prazo de validade. Indica ainda que para efeitos da Lei nº 7.713, de 1988, tratase de "cardiopatia grave", que impede o paciente de exercer atividades diárias, inclusive aquelas pertinentes à sua sobrevivência. Na folha 62, consta informação de que o Hospital em questão pertence à Prefeitura de Matinhos e faz parte da administração direta da saúde. Assim, entendo satisfeito o requisito da apresentação de laudo médico oficial emitido por serviço médico municipal, com as indicações necessárias acima evidenciadas. CONCLUSÃO Em conclusão, VOTO por dar provimento ao recurso para cancelar a infração relativa a Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício definida na Notificação de Lançamento de folhas 23/24. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 31 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10120.911218/2011-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
ERRO DE FATO.
O erro de fato, via de regra, é facilmente perceptível, e fica caracterizado quando se verifica que o interessado preencheu o documento em desconformidade com a sua intenção original, hipótese inocorrente no caso.
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO.
Não tendo sido demonstrada pelo sujeito passivo a existência do direito creditório alegado, impõe-se a não homologação das compensações com ele pleiteadas.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 1201-001.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. ERRO DE FATO. O erro de fato, via de regra, é facilmente perceptível, e fica caracterizado quando se verifica que o interessado preencheu o documento em desconformidade com a sua intenção original, hipótese inocorrente no caso. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. Não tendo sido demonstrada pelo sujeito passivo a existência do direito creditório alegado, impõe-se a não homologação das compensações com ele pleiteadas. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto - Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
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SALDO NEGATIVO DE CSLL Recorrente NAVESA NACIONAL DE VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PERÍCIA. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA. Perícias e diligências são instrumentos postos à disposição do julgador para auxiliálo na formação do seu livre convencimento, se entendêlas necessárias ou imprescindíveis para a elucidação de pontos duvidosos. O pressuposto para realização de perícia é a insuficiência de conhecimento técnico do julgador a respeito de algum elemento que compõe o litígio, o que não ocorre no caso concreto. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se a repartição já dispõe de todos os elementos necessários para decidir sobre a homologação ou não da compensação, nenhum óbice há para que a autoridade fiscal profira a sua decisão. Não há na lei comando que obrigue a autoridade fiscal a efetuar prévia intimação do contribuinte antes da prolação do despacho decisório. Não é nulo o despacho do qual constem claramente as razões da não homologação da compensação pretendida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. ERRO DE FATO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 12 18 /2 01 1- 40 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911218/201140 Acórdão n.º 1201001.372 S1C2T1 Fl. 3 2 O erro de fato, via de regra, é facilmente perceptível, e fica caracterizado quando se verifica que o interessado preencheu o documento em desconformidade com a sua intenção original, hipótese inocorrente no caso. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. Não tendo sido demonstrada pelo sujeito passivo a existência do direito creditório alegado, impõese a não homologação das compensações com ele pleiteadas. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por NAVESA NACIONAL DE VEÍCULOS LTDA, contra acórdão proferido pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ/Brasília DF, cuja ementa a seguir se transcreve: “Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911218/201140 Acórdão n.º 1201001.372 S1C2T1 Fl. 4 3 A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” O caso foi assim relatado pela autoridade julgadora a quo: “Tratam os autos da Declaração de Compensação nº 30014.56493.260208.1.3.036201 transmitida eletronicamente em 26/02/2008, com base em créditos decorrentes de saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (exercício 2005 01/ 01/2004 a 31/12/2004). Analisadas as informações prestadas e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, não ficou demonstrada a existência de crédito suficiente para ser utilizado na compensação integral dos débitos confessados na Declaração de Compensação. Assim, em 01/11/2011, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 295), cuja decisão não homologou o PER/DCOMP objeto dos autos, em razão da não comprovação parcelas de retenções na fonte e das estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 10,00. Relatório emitido pela Delegacia de Goiânia, parte do processo nº 10120.726780/201170, apensado aos presentes autos, esclarece que a análise do PER/DCOMP nº foi iniciada eletronicamente, porém, a validação de parte do crédito pleiteado foi direcionada pelo Sistema de Controle de Crédito – SCC para análise do usuário, tendo sido detectadas inconsistências referentes às antecipações das “retenções na fonte, pagamentos e débitos de estimativas compensadas. A análise feita chegou às seguinte conclusões: • retenções na fonte: divergência entre os valores informados a título de retenção na fonte na DCOMP sob análise e dos dados constantes nas DIRF apresentadas pelas respectivas fontes pagadoras; • pagamentos: foram confirmados nos sistemas da RFB; • débito de estimativa compensada: não foi confirmada a compensação da estimativa mensal de CSLL informada no PER/DCOMP objeto dos autos, em razão da inexistência de compensação desta estimativa em DCTF ou em DCOMP, que são documentos legais para confissão de dívida de tributos e contribuições federais. O valor de estimativa informada em DCTF (CSLL – Dezembro/2004 – R$20.000,00) foi considerado como dedução a título de pagamento de estimativa. Cientificado, via postal, dessa decisão em 24/11/2011 (fl. 306), bem como da cobrança dos débitos declarados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 26/12/2011, manifestação de inconformidade às fls. 2 a 10, acrescida de documentação anexa. Em síntese, a contribuinte alega: Fl. 344DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911218/201140 Acórdão n.º 1201001.372 S1C2T1 Fl. 5 4 a) Nulidade do Despacho Decisório. Ausência de Fundamentação. Afronta ao art. 93, inciso IX da Constituição Federal. Cerceamento do direito de Defesa. Alega que a autoridade fiscal teria deixado de justificar, de modo preciso e livre de qualquer margem de dúvidas, o motivo pelo qual a compensação não foi homologada. Desse modo, a interessada não teria condições mínimas de expor sua contrariedade contra o ato, o que implicaria cerceamento do seu direito de defesa, circunstância passível de nulidade. Para ilustrar sua argumentação, apresenta jurisprudência administrativa, cita doutrinadores e a fundamentação legal que entende pertinente; b) Nulidade do Despacho Decisório. Vício Formal. Necessidade de Intimação Prévia. Alega que a autoridade preferiu não homologar a compensação, ao invés de intimar a interessada para esclarecer ocorrido, nos termos do art. 65 da IN RFB nº 900, de 2008. Cita princípios constitucionais, doutrinadores e jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes. c) Mérito. Faz considerações sobre a sistemática de apuração saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL e esclarece que, no caso específico, o crédito teria sido constituído a partir do ano calendário 2004. Apresenta quadro demonstrativo da constituição do crédito. Enfatiza que, de fato, o crédito existe, e que eventual erro formal não pode prejudicálo na fruição de seu direito. Cita jurisprudência administrativa para ilustrar sua argumentação. Trata, ainda, da aplicação da “tese dos 5+5”, no caso de ser alegada a decadência do direito de pleitear administrativamente a compensação de crédito auferido neste período. Ressalta que o Fisco dispõe do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, para homologar o pagamento antecipado pelo sujeito passivo. Desse modo, à falta de homologação, a decadência do direito de repetir o indébito tributário ocorreria somente depois de 5 anos, desde a ocorrência do fato gerador, acrescido de outros cinco anos, contados do termo final do prazo deferido ao Fisco para apuração do tributo devido –homologação. d) Pedido de Perícia. Requer que seja realizada perícia contábil a fim de se confirmar a existência e liquidez dos créditos em questão. Propõe que sejam respondidos os seguintes questionamentos: 1) Qual o valor do saldo negativo de CSLL detido pela contribuinte nos seguintes anoscalendários: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007; 2) Do saldo negativo apurado, qual o montante já utilizado? O que sobejou?; 3) Qual do valor atual do saldo negativo de CSLL detido pela contribuinte?; 4) A forma de apuração e aproveitamento utilizada pela contribuinte condiz com a legislação relativa à matéria? Caso negativo, tal circunstância tem o condão de descaracterizar a existência do crédito? Indica o Sr. José Elias da Silva, inscrito no CRC/GO sob o nº 0075558/0, estabelecido profissionalmente na Avenida Pires Fernandes, nº 655, Setor Aeroporto, Goiânia – GO, para acompanhamento dos trabalhos periciais. Ao final, requer: a) preliminarmente, a declaração de nulidade do Despacho Decisório questionado, em virtude da ausência de fundamentação (art. 93, IX da CF e 59 do Decreto nº 70.235/1972), por cerceamento do direito de defesa; b) preliminarmente, a declaração de insubsistência do Despacho Decisório, conforme fundamentado nos autos; c) no mérito, o julgamento da improcedência do Despacho Decisório questionado, a fim de que seja reconhecida e homologada a compensação declarada Fl. 345DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911218/201140 Acórdão n.º 1201001.372 S1C2T1 Fl. 6 5 pela contribuinte, levandose, ainda, em consideração, a tese explicitada dos “cinco mais cinco”; d) alternativamente, a análise da documentação acostada, a fim de que sejam comprovadas as informações declaradas em PER/DCOMP, DIPJ e DCTF, etc. além da realização de perícia técnica, a fim de que seja comprovada a existência e liquidez do saldo negativo da contribuinte, com a consequente homologação da compensação declarada.” A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pelos fundamentos sinteticamente expostos na ementa ao norte transcrita. Em síntese, ratificou o motivo exposto no despacho decisório pelo quaL não foi homologada a compensação contida na DCOMP 30014.56493.260208.1.3.036201, qual seja: a inexistência do crédito alegado, em face das divergências existentes entre os valores de retenção do tributo na fonte, e de não ter sido comprovada a compensação da estimativa de CSLL de dezembro de 2004. Em sede de recurso, o contribuinte renova seus argumentos com vistas à obtenção da homologação da compensação pretendida, aduzindo em síntese, o seguinte: (i) nulidade do despacho decisório por vício formal, em razão da falta de intimação prévia da recorrente para prestar esclarecimentos sobre o crédito detido que se pretendia compensar; (ii) existência do débito de estimativa na Dcomp informada, ao contrário do que se afirmou no Despacho Decisório; (iii) efetiva existência do crédito (saldo negativo de CSLL do ano calendário 2004), plenamente demonstrada nos documentos apresentados, vez que fruto de acúmulos de saldos negativos de períodos anteriores, que com este foi somado para fins de apuração do saldo credor; (iv) mesmo que se entenda que tenha havido erro na transmissão das informações relativas ao crédito em questão, este não pode ser óbice ao reconhecimento do crédito e do direito da recorrente à sua fruição; (v) no caso de superação de todos os argumentos acima discorridos, que seja realizada perícia técnica contábil a fim de se confirmar a existência e liquidez dos créditos em questão, para cujos fins indica perito e quesitos a serem respondidos. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Nulidade do despacho decisório A recorrente requer a declaração de nulidade do despacho decisório, tendo em vista a falta de intimação prévia da recorrente para prestar esclarecimentos sobre o crédito que pretendia compensar. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911218/201140 Acórdão n.º 1201001.372 S1C2T1 Fl. 7 6 Noutro giro, sustenta que a autoridade fiscal competente, antes de se manifestar sobre a compensação materializada através das Per/Dcomps constantes do Despacho Decisório atacado, proceda à necessária investigação do débito e crédito apresentados pela recorrente. Sem razão a recorrente. Não há na lei comando que obrigue a autoridade fiscal a efetuar prévia intimação do contribuinte antes de proferir o seu despacho decisório. A própria recorrente transcreve na sua peça recursal apenas um artigo de ato normativo do órgão fazendário (art. 65 da Instrução Normativa RFB no 900/2008), o qual apenas menciona a possibilidade de a fiscalização empreender diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo, ou então de intimar o sujeito passivo para que apresente documentos comprobatórios do referido direito, antes de decidir. Se a repartição já dispõe de todos os elementos necessários, nenhum óbice há para que a autoridade fiscal profira sua decisão. Ademais, as razões da não homologação da compensação pretendida estão perfeitamente delineadas no despacho decisório exarado, que não padece, portanto, de qualquer vício. Perícia técnica contábil A recorrente requer a realização de perícia técnica contábil para que se confirme a existência e liquidez dos créditos em questão, indicando perito e formulando os quesitos que pretende ver respondidos. A realização de perícia é desnecessária. O pressuposto para realização de perícia é a insuficiência de conhecimento técnico do julgador a respeito de algum elemento que compõe o litígio. Tal não ocorre no caso concreto. Perícias e diligências são instrumentos postos à disposição do julgador para auxiliálo na formação do seu livre convencimento, se entendêlas necessárias ou imprescindíveis para a elucidação de pontos duvidosos. Conforme se verá a seguir, os autos estão devidamente consubstanciados com todos os documentos necessários para embasar o convencimento do julgador. Indefiro, portanto, o pedido. Saldo negativo de CSLL. Alega a recorrente que não houve uma efetiva análise dos documentos apresentados, os quais, se corretamente analisados, demonstrariam de modo claro a efetiva existência do crédito. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911218/201140 Acórdão n.º 1201001.372 S1C2T1 Fl. 8 7 Contudo, os documentos apresentados nada mais são do que cópias de declarações que já são do conhecimento da autoridade fiscal (DIPJ e DCTF’s), além de uma planilha elaborada com a finalidade de demonstrar a composição do saldo negativo de 2004. Nesta planilha elaborada pela recorrente, a parcela de R$ 491.763,99 aparece referenciada na coluna “Nr. documento” pelo número 10701.18091.260208.1.3.031433, mesmo número da DCOMP informada na parte da DCOMP 30014.56493.260208.1.3.036201 em que são discriminadas as parcelas que compõe o crédito alegado. Ocorre é que justamente esta parcela de R$ 491.763,99 que, na análise feita pela unidade de origem, não restou comprovada, e isto foi claramente exposto tanto na Informação Fiscal que integra o processo nº 10120.726780/201170 (fls. 159 dele), e em diversos documentos correlatos (por exemplo, as telas de consulta dos Sistema PER/DCOMP às fls. 154 dele), sendo que o referido processo se encontra apensado ao presente, quanto no próprio Despacho Decisório que se encontra às fls. 295 e seguintes, do presente processo. É este o débito de estimativa que “não consta na Dcomp informada ou em sua retificadora ativa”. sendo ali mencionada a DCOMP 10900.54764.020908.1.7.035853 como sendo a retificadora ativa. No recurso, aduz a recorrente que o débito claramente consta na DCOMP informada, referindose, contudo, ao débito de estimativa de R$ 10,00 que consta na DCOMP 30014.56493.260208.1.3.036201, ora em análise, como se fosse este o débito a que se referisse o despacho decisório. A defesa, portanto, apresentase totalmente desconexa em relação à acusação. Conforme se percebe dos documentos trazidos pelo contribuinte, nenhum deles traz qualquer elemento de prova para contestar os motivos que levaram à não homologação da compensação pretendida, quais sejam: (i) a falta de comprovação da retenção de contribuição na fonte, no valor de R$ 1.860,01, e (ii) a falta de comprovação de que teria efetivamente compensado a estimativa de dezembro de 2004, no valor de R$ 491.763,99, com saldo negativo de período anterior. Por conseguinte, inexistente o alegado crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2004. Nada obstante a existência de sólida jurisprudência no CARF, inclusive precedentes de minha própria relatoria, no sentido de reconhecer, em certas situações, a possibilidade de o crédito ser analisado sob uma ótica distinta da que foi apresentada na DCOMP (por exemplo, efetuando a análise do crédito como saldo negativo, quando o pedido foi de repetição de imposto de renda retido na fonte, ou, então, redirecionando a análise para outro período de apuração, ante o erro de fato devidamente comprovado, entre outros casos já julgados por este relator), o fato é que, no caso ora sob análise, os desacertos, se considerada a tese da defesa, são de tal ordem que não é possível compreendêlos como mero erro material ou erro de fato, senão como uma total incompreensão ou desconhecimento das normas que regem a matéria. Não há dúvidas de que as informações prestadas no PERDCOMP situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Do mesma forma, o eventual erro de fato praticado há de ser adequadamente demonstrado. O erro de fato, via de regra, é facilmente perceptível, e fica caracterizado quando se verifica que o Fl. 348DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911218/201140 Acórdão n.º 1201001.372 S1C2T1 Fl. 9 8 interessado preencheu o documento em desconformidade com a sua intenção original, mas não quando o contribuinte simplesmente formula pedido ou declaração em total desconformidade com as normas de regência. No caso, a defesa apresentada, no sentido de que o saldo negativo reclamado seria “fruto de acúmulos de saldos negativos de períodos anteriores, que com este foi somado para fins de apuração do saldo credor TOTAL”, revela total descompromisso para com as normas que regem a compensação tributária. Em linha com o aqui exposto, os seguintes precedentes: CSLL. FINSOCIAL. TÍTULO JUDICIAL TRANSITADO EM JULGADO. AUSÊNCIA DE REGISTRO DO PROCEDIMENTO COMPENSATÓRIO. A existência de incontroverso direito creditório decorrente do recolhimento indevido a título de FINSOCIAL não é suficiente para comprovar a realização de procedimentos compensatórios, haja vista a necessidade de prévia declaração com a individualização dos períodos de competência abrangidos. (Acórdão 1102000.464, sessão de 30 de junho de 2011, relatora Silvana Rescigno Guerra Barretto) ERRO MATERIAL. Ocorre erro material suscetível de retificação quando há divergência facilmente perceptível entre o que foi escrito e aquilo que se queria ter escrito, normalmente revelada no próprio contexto da declaração ou através das circunstâncias em que a declaração é feita. Hipótese inocorrente nesses autos. (Acórdão 1102000.970, sessão de 07 de novembro de 2013, relator João Carlos de Figueiredo Neto) ÔNUS DA PROVA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. É ônus do sujeito passivo, na condição de autor do feito, provar o direito creditório que alega possuir nos processos que envolvem restituição ou compensação de tributos. (Acórdão 1102001.109, sessão de 08 de maio de 2014, relator Ricardo Marozzi Gregorio) Conclusão Pelo exposto, rejeito a preliminar de nulidade do despacho decisório, indefiro o pedido de perícia, e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 349DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911218/201140 Acórdão n.º 1201001.372 S1C2T1 Fl. 10 9 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.001617/2003-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. LAPSO MANIFESTO.
Verificada a ocorrência de lapso manifesto no acórdão embargado, acolhem-se os embargos de declaração para sanar o vício apontado.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 3402-003.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, sem efeito modificativo, para sanar o lapso manifesto existente no voto condutor do acórdão recorrido, reconhecendo que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorreu de medidas judiciais e não de depósitos em juízo. Sustentou pela embargante a Dra. Lorrane Oliveira Vasconcelos, OAB/DF nº 48.526.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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LAPSO MANIFESTO. Verificada a ocorrência de lapso manifesto no acórdão embargado, acolhem se os embargos de declaração para sanar o vício apontado. Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, sem efeito modificativo, para sanar o lapso manifesto existente no voto condutor do acórdão recorrido, reconhecendo que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorreu de medidas judiciais e não de depósitos em juízo. Sustentou pela embargante a Dra. Lorrane Oliveira Vasconcelos, OAB/DF nº 48.526. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 16 17 /2 00 3- 15 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de embargos de declaração opostos em tempo hábil pelo contribuinte ao Acórdão nº 3402002.877, sob alegação de que o julgado estaria eivado de omissões e contradições. Segundo a embargante, houve omissão e contradição em relação à aplicação do RESP 973.733 e quanto à hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Houve erro de premissa fática no acórdão, pois na fundamentação constou que a exigibilidade do crédito tributário teria sido suspensa em virtude de depósitos judiciais, quando na verdade a suspensão da exigibilidade ocorreu em virtude de liminares concedidas ao contribuinte. Além disso, apesar de não ter ocorrido pagamento antecipado, houve contradição na aplicação do art. 173, I, do CTN, pois o RESP 973.733 prevê que o prazo do art. 150, § 4º, do CTN se aplica tanto na hipótese de pagamento antecipado, quanto na de declaração prévia. No caso concreto, não houve pagamento antecipado, mas houve apresentação de DCTF. Sendo assim, o RESP 973.733 manda que se aplique o art. 150, § 4º do CTN e não o art. 173, I, do CTN. Além disso, houve contradição e omissão quanto à nulidade do Acórdão da DRJ, em virtude de ter inovado a fundamentação do auto de infração. O fundamento do lançamento foi "proc jud Outro CNPJ", mas o contribuinte conseguiu demonstrar que os Mandados de Segurança foram impetrados em nome diversos estabelecimentos da embargante, inclusive o ora autuado. Mesmo assim, a DRJ manteve o auto de infração com a exigibilidade suspensa, sob outro fundamento. Requereu o acolhimento dos embargos com efeitos infringentes para o fim de que seja reconhecida a nulidade do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Relativamente à questão da decadência, verificase que a defesa está totalmente equivocada quanto ao entendimento de que o STJ teria decidido que a "declaração prévia" do débito, desacompanhada do pagamento, atrairia a aplicação da regra do art. 150, § 4º do CTN. Análise do inteiro teor do RESP nº 973.733, revela que o Tribunal acolheu sem nenhuma ressalva as cinco regras de decadência do direito do fisco, estabelecidas pelo Professor Eurico Marcos Diniz de Santi, na obra "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed. Max Limonad, São Paulo, 2004. No referido livro o Professor Eurico de Santi, em momento algum, considerou que a existência de declaração prévia do débito é fato relevante para definir a regra de decadência aplicável ao caso concreto. Essas cinco regras foram expressamente citadas na ementa do RESP 766.050/PR, a qual se encontra transcrita no bojo do voto condutor do RESP 973.733 e basta uma simples leitura do referido julgado para se constatar que a declaração prévia do débito nunca foi considerada fato determinante para definir a aplicação da regra do art. 150, § 4º do CTN. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.001617/200315 Acórdão n.º 3402003.168 S3C4T2 Fl. 3 3 A menção à "declaração prévia" foi feita na seguinte passagem do RESP 973.733: "(...) (...)" A leitura isolada do parágrafo colacionado, ou a leitura isolada da ementa do repetitivo, pode levar o leitor desavisado a considerar que o Tribunal entendeu que a declaração prévia do débito foi considerada elemento essencial para caracterizar o lançamento por homologação, de modo que se houvesse tal declaração a regra de decadência aplicável seria a do art. 150, § 4º. Contudo, a leitura da íntegra do repetitivo e das cinco regras estabelecidas pelo Professor Eurico de Santi, revela que não é esse o entendimento do STJ, pois o único dado relevante considerado para definir a regra de decadência aplicável foi a existência ou não de pagamento antecipado. A única razão para que a expressão "declaração prévia" tenha sido utilizada em julgados que decidiram acerca da decadência, é o entendimento consolidado no STJ no sentido de que a declaração prévia do débito desobriga o fisco de efetuar o lançamento de ofício do tributo. Tal entendimento está consolidado no RESP nº 850.423/SP, rel. Min. Castro Meira, Primeira Seção, 28/11/2007, cuja ementa, na parte em que interessa ao julgamento desses embargos, transcrevese a seguir: TRIBUTÁRIO. ARTIGO 535. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE DESACOMPANHADA DE PAGAMENTO. PRESCRIÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. 1. Não caracteriza insuficiência de fundamentação a circunstância de o aresto atacado ter solvido a lide contrariamente à pretensão da parte. Ausência de violação ao artigo 535 do CPC. 2. Tratandose de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte desacompanhada do seu pagamento no vencimento, não se aguarda o decurso do prazo decadencial para o lançamento. A declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de Fl. 274DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte. (...) Desse modo, é evidente que a menção à "declaração prévia do débito", contida no parágrafo do voto condutor do RESP nº 973.733 acima transcrito, significa que se houver a declaração prévia, não se cogita de prazo de decadência e nem de lançamento, pois o fisco estará desobrigado de efetuar o lançamento de ofício, uma vez que no entendimento do STJ a própria declaração já é instrumento hábil para a constituição do crédito tributário. A fim de evitar novos embargos, sob o argumento de contradição, esclareço que apesar do entendimento vertido no RESP 850.423, o Acórdão embargado manteve o lançamento de ofício com base na determinação contida no art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, in verbis: "Art.90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal." Desse modo, em que pese o entendimento do STJ, no sentido da desnecessidade de lançamento de ofício para constituir o crédito tributário em relação a débitos declarados, a Administração Tributária está sujeita ao cumprimento do art. 90 da referida Medida Provisória, não podendo no caso concreto dispensar o lançamento de ofício. Portanto, não existem os vícios alegados pela embargante. Entretanto, existe um lapso manifesto no voto condutor do acórdão embargado que merece ser reparado. Na fl. 240, após a transcrição da ementa do RESP 973.733 existe o seguinte parágrafo: "(...) No caso concreto, é incontroversa a inexistência de pagamentos antecipados, pois os débitos não foram recolhidos por estarem com sua exigibilidade suspensa em razão de depósitos judiciais.(...)" Como bem apontou a embargante, neste processo administrativo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não decorreu de depósitos judiciais, mas sim de medidas liminares, o que restou reconhecido pela autoridade administrativa às fls. 168. Desse modo, o lapso manifesto merece ser corrigido de forma que no parágrafo seguinte à transcrição da ementa do RESP 973.733 (fl. 240), passe a constar o seguinte texto: "(...) No caso concreto, é incontroversa a inexistência de pagamentos antecipados, pois os débitos não foram recolhidos por estarem com sua exigibilidade suspensa em razão de medidas judiciais.(...)" No que concerne à omissão no julgado quanto à eventual nulidade do Acórdão de primeira instância pelo fato de a DRJ ter mantido o lançamento sob fundamento Fl. 275DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.001617/200315 Acórdão n.º 3402003.168 S3C4T2 Fl. 4 5 diverso do originalmente invocado no auto de infração, os ilustres patronos sabem muito bem que a omissão não existe, uma vez que tal vício só foi alegado em sede de sustentação oral na assentada do dia 27 de janeiro de 2016. Conforme foi dito verbalmente aos ilustres patronos durante o julgamento ocorrido no dia 27 de janeiro de 2016, a teor do art. 1º do Regimento Interno, o CARF não é uma instância revisora de autos de infração, mas sim julgadora de recursos voluntários e de ofício das decisões proferidas pelas DRJ. Sendo assim, é ônus dos recorrentes alegarem em sede de recurso voluntário as razões de inconformismo, em relação aos julgamentos proferidos pelas DRJ. No caso concreto, a defesa não dedicou uma só linha do recurso voluntário à matéria ventilada na sustentação oral e agora trazida como omissão em sede de embargos. Não tendo apresentado sua insurgência em sede de recurso voluntário, não há que se falar na existência de omissão no acórdão embargado. Com esses fundamentos, voto no sentido de acolher em parte os embargos de declaração, sem efeito modificativo, para sanar o lapso manifesto existente no voto condutor do acórdão recorrido, reconhecendo que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorreu de medidas judiciais e não de depósitos em juízo. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 276DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10830.006018/96-30
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 1992
PERC. INCENTIVO PLEITEADO. EXIGÊNCIAS ANTES DA VIGÊNCIA
DA LEI Nº 9.069/95.
Para os anoscalendários
anteriores à vigência da Lei n. 9.069/95, a condição para fruição do incentivo fiscal restringia-se a verificar os recolhimentos
realizados pelos contribuintes e/ou efetiva destinação dos valores.
Numero da decisão: 1801-000.501
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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INCENTIVO PLEITEADO. EXIGÊNCIAS ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI Nº 9.069/95. Para os anoscalendários anteriores à vigência da Lei n. 9.069/95, a condição para fruição do incentivo fiscal restringiase a verificar os recolhimentos realizados pelos contribuintes e/ou efetiva destinação dos valores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, André Ricardo Lemes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 282DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 O presente litígio versa sobre o indeferimento de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC pleiteado pela recorrente, consoante Despacho Decisório de fls. 219 e Manifestação de Inconformidade de fls. 222 a 231. Aproveito o relatório do Acórdão nº 1616.577, prolatado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo para historiar os fatos – fls. 245 a 253: “O processo foi inicialmente analisado em 2003, tendo sido o Contribuinte intimado a regularizar as pendências então verificadas (Intimação de íls. 129 e 130, ciência em 30/04/2003). A Autoridade de jurisdição informa que não houve manifestação quanto à intimação, Em junho de 2007, o processo foi novamente analisado e foram verificados dois débitos em aberto no CONTACORPJ (fl. 133/166), três processos em cobrança no PROFISC (fl. 133,), cento e quarenta e três débitos em cobrança no SIEF (fl. 135 a 155), setenta e sete processos em cobrança na PGFN (fls. 156 a 168), sete inscrições no INSS e dois CNPJ com pendências junto ao FGTS. Através da Intimação datada de 08/06/2007 (fl. 174), o Contribuinte foi intimado a solucionar as pendências impeditivas ao deferimento do PERC acima indicadas. Informa a Autoridade Administrativa que o Contribuinte não havia se manifestado até a data em que foi proferida a decisão. Feita nova verificação, foi constatado que o Contribuinte continuava com várias pendências, conforme relatório de fl. 218. Como não houve comprovação de sua regularidade fiscal, de acordo com o art. 60 da Lei n° 9.069/95, o pedido do contribuinte foi indeferido. [...] Entende a Manifestante que a decisão administrativa não poderia ter se baseado no art. 60 da Lei n° 9.069/95, já que o art. 15 do DecretoLei n° 1.376/74, que vigia à época da opção efetuada pela aplicação no fundo, não fazia qualquer restrição à expedição dos referidos certificados. Logo, não há que se falar em óbice estipulado por lei posterior. Tendo a Requerente efetuado os recolhimentos na proporção de 24% do montante apurado a título de IRPJ, negar agora e emissão dos certificados de aplicação implicaria em ferir o princípio constitucional do direito adquirido, conforme art. 5o da CF/88. Além disso, exigência fundamentada em lei posterior fere o art. 106 do CTN, que prevê a possibilidade de aplicação da legislação tributária a ato ou fato pretérito somente em benefício do contribuinte, o que não foi o caso. Em seguida, a Manifestante diz que as datas das análises efetuadas sobre a regularidade fiscal são posteriores a data do pedido protocolado para a emissão das certidões. Assim, além de aplicar legislação posterior a fato pretérito em prejuízo do contribuinte, a decisão recorrida leva em conta a existência de débitos posteriores a data da constituição do direito da Requerente, entendendo que deverá ser considerado o momento do recolhimento efetuado, ou seja, dez anos antes da data da verificação de débitos constante da decisão (2003).” A Turma de Julgamento em primeiro grau ao decidir a questão, conforme acórdão mencionado, manteve o indeferimento do pedido pelos seguintes fundamentos: “A legislação que trata dos incentivos fiscais não especifica o momento em que se deve fazer a verificação da situação fiscal do contribuinte. Porém, desde já manifestamos nossa posição, que é a de que a análise da regularidade fiscal deve ser feita no instante em que se está proferindo a Fl. 283DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10830.006018/9630 Acórdão n.º 180100.501 S1TE01 Fl. 270 3 decisão que lhe confere ou reconhece o benefício, pois a decisão deve espelhar e estar em harmonia com a regularidade fiscal no momento em que é proferida. Pensar de forma diversa, ou seja, conceder um benefício ao contribuinte através de determinada decisão, sabendose que nesse momento o contribuinte está com a sua situação fiscal irregular, seria uma situação no mínimo estranha: a Autoridade reconhecendo um benefício fiscal num momento em que o beneficiário está em dívida com o ente concedente. O Contribuinte foi intimado a solucionar as pendências levantadas pela Autoridade Fiscal em mais de uma oportunidade, porém a situação fiscal do Contribuinte permaneceu irregular, conforme relatório de fl. 218, de 20/08/2007. A Manifestante defendeuse com a tese de que a aplicação do art. 60 da Lei n° 9.069/95 ao caso constitui violação da Constituição Federal e do Código Tributário Nacional. Em seguida, a Manifestante disse que as datas das análises efetuadas sobre a regularidade fiscal são posteriores a data do pedido protocolado para a emissão das certidões. Assim, além de aplicar legislação posterior a fato pretérito em prejuízo do contribuinte, a decisão recorrida levou em conta a existência de débitos posteriores a data da constituição do direito da Requerente, entendendo que o momento da análise deve ser o do recolhimento efetuado. Conforme já declarado acima, entendo que a análise da regularidade fiscal deve ser feita no momento da concessão do beneficio pela Autoridade Fiscal.” (grifos não pertencem ao original) Irresignada, a recorrente interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fls. 259 a 267 argumentando, em suma, que: 1) apurou e recolheu o IRPJ relativo ao anocalendário de 1992 optando pela destinação de 24% dos valores calculados a título deste tributo ao FINAM – Fundo de Investimento da Amazônia; 2) a expedição dos Certificados de Aplicação a que faz jus, correspondente à parcela deste investimento está regulada no artigo 15 do Decretolei nº 1376/74; 3) o retro mencionado decreto não estipulou qualquer restrição à emissão dos referidos certificados; 4) a autoridade a quo indeferiu o pedido com fulcro no artigo 60 da Lei nº 9.069/95; 5) a recorrente não pode ser prejudicada por norma editada posteriormente aos fatos; Fl. 284DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 6) o artigo 15 do Decretolei nº 1376/74 concede direito à recorrente à emissão dos certificados correspondentes à parcela de IRPJ destinada ao FINAM, assim que os recolhimentos foram realizados, o que constitui em direito adquirido, garantia constitucional flagrantemente ferida pelo indeferimento e acórdão ora vergastado; 7) reforça a argumentação que a norma editada em 1995 editada no sentido de restringir a concessão dos benefícios fiscais não pode retroagir para prejudicar o direito já adquirido pela recorrente; 8) destaca que no momento em que foram efetuados os recolhimentos destinados ao FINAM não havia qualquer restrição de débitos no seu cadastro; os débitos alegados pela autoridade a quo surgiram somente em momentos posteriores tanto aos recolhimentos já efetuados, quanto à data do pedido protocolizado para a emissão dos certificados; esta verificação deuse somente após dez anos da entrega da DIPJ/93. É o relatório. Passo a análise das razões recursais. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, relatora. Conheço do recurso voluntário, por tempestivo. A contestação da recorrente alicerçase em três pontos: (i) a irretroatividade do artigo 60 da Lei nº 9.069/95; (ii) direito adquirido em decorrência da literalidade do artigo 15 do Decretolei nº 1.376/74; (iii) a regularidade fiscal no momento da opção. Cumpre destacar que em nenhum momento, desde a protocolização do pedido sob análise, a recorrente apresentou qualquer certidão negativa de débitos para com a Fazenda Nacional (ou mesmo certidão positiva com efeitos de negativa). Todavia, antes de adentrarse ao mérito, exsurge a necessidade de esclarecer o posicionamento firmado deste órgão colegiado quanto à matéria: Súmula CARF nº 37 Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. (grifos não pertencem ao original) Destarte, a jurisprudência administrativa impõe a reforma do acórdão neste concernente, visto que a turma julgadora de primeira instância adotou tese frontalmente divergente ao enunciado da Súmula nº 37/CARF acima transcrita. Fl. 285DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10830.006018/9630 Acórdão n.º 180100.501 S1TE01 Fl. 271 5 O fundamento da divergência entre as duas teses é que o entendimento deste segundo grau de julgamento pousa na interpretação teleológica do dispositivo legal controverso – artigo 60 da Lei nº 9.69/95 – defendendo que o seu objetivo não é subtrair o direito aos certificados, mas condicionar o gozo do benefício fiscal à quitação dos tributos federais até o momento da sua solicitação. A despeito dos autos trazerem incontáveis pesquisas aos sistemas de débitos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, pesquisas concernentes à Dívida Ativa da União cujos processos já foram/estão ajuizadas, inclusive aqueles de natureza previdenciária, informações a respeito de inclusão de débitos anteriores ao anocalendário de 2000 no primeiro REFIS, informação (pontual) sobre a rescisão deste em momento posterior, verifico que, na maioria dos dados eletronicamente informados, não há remissão aos períodos em aberto (devedores) – no caso de alguns dos processos administrativos e inscrições DAU já ajuizadas depreendese o ano da instauração dos processos/procedimentos fiscais. Não há, pois, prova contundente de que a recorrente estava com débitos em aberto, sem exigibilidade suspensa, na entrega da DIRPJ/93 quando fez a opção inequívoca por destinar parte do IRPJ a ser recolhido, em duodécimos, para as aplicações no fundo incentivado – Finam. E a recorrente afirma categoricamente que estava em situação regular com o fisco no momento de fazer esta opção de destinação dos recursos. Não obstante, o ponto crucial para dirimir o conflito instaurado repousa, como apontado pela recorrente, nos efeitos retroativos do artigo 60 da Lei n. 9.065/95, cujo teor a seguir se transcreve: Lei n° 9.069/1995 "Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais." (grifos não pertencem ao original) Até a edição deste dispositivo legal, a legislação tributária cuidava do assunto de forma a disciplinar as aplicações, mas, realmente, sem condicionar a fruição da contrapartida à regularidade fiscal. A Lei n. 8.167/91, por exemplo, assim dispôs: Art. 1º A partir do exercício financeiro de 1991, correspondente ao períodobase de 1990, fica restabelecida a faculdade da pessoa jurídica optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido: I no Fundo de Investimentos do Nordeste FINOR ou no Fundo de Investimentos da Amazônia FINAM (Decretolei nº 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 11. , I, alínea "a"), bem assim no Fundo de Recuperação Econômica do Espírito Santo FUNRES (Decretolei nº 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 11. , V); e [...] Fl. 286DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Art. 3º A pessoa jurídica que optar pela dedução prevista no art. 1º recolherá nas agências bancárias arrecadadoras de tributos federais, mediante DARF específico, o valor correspondente a cada parcela ou ao total do desconto. [...] § 3º Os valores das deduções do Imposto de Renda, expressos na respectiva declaração, serão recolhidos pelo contribuinte devidamente corrigidos pelo mesmo índice de atualização aplicado ao valor do Imposto de Renda, de acordo com a sistemática estabelecida para o recolhimento desse tributo. § 4º O recolhimento das parcelas correspondentes ao incentivo fiscal ficará condicionado ao pagamento da parcela do Imposto de Renda. O Decretolei n. 1.376/74, por sua vez, não atrelou à emissão dos certificados de aplicações quaisquer condições, com exceção à efetividade dos recolhimentos de IRPJ destinados aos fundos incentivados. A cópia de DIRPJ/93 juntada pela recorrente às fls 55 a 67, bem como as cópias dos DARF de fls. 68 a 75 demonstram os recolhimentos de duodécimos de IRPJ com o código específico para o Finam, razão pela qual, à época, a recorrente cumpriu as exigências vigentes legais que lhe garantiam a emissão dos tais certificados de aplicação. Neste diapasão, concordo que a norma tributária editada posteriormente não poderia retroagir in malam partem ferindo o seu direito em obter os tais certificados. As regras se limitavam à efetividade dos recolhimentos de parte do IRPJ e nada mais. As alterações posteriores só podem atingir àqueles que optaram pelos incentivos fiscais também após publicadas as novas regras, inclusive, a veiculada no artigo 60 da lei n. 9.069/95. Assim é no Direito Administrativo, cuja medula está na publicidade dos atos administrativos em relação aos administrados. A mudança, ou incremento de condições, ainda que para usufruir de incentivos fiscais aderidos antes destas serem normatizadas pelo Poder Público não podem ser opostas de forma retroativa. Neste caso, por exemplo, se a pessoa jurídica, por hipótese, estivesse em situação irregular junto ao fisco e soubesse que do seu status fiscal dependeria a concessão do incentivo, poderia escolher em destinar ou não parte do IRPJ recolhido ao Finam. Mas, assim não disciplinavam as normas pertinentes à época da sua opção (entrega da DIRPJ/93 e realização dos recolhimentos com DARF específicos). Ainda mais, para sedimentar as razões que fundamentam este voto, se o fisco não houvesse demorado tanto a analisar os fatos, poderia antes da edição da Lei n 9.069/95 ordenar a emissão dos referidos certificados, visto que a Administração Pública, sobretudo Tributária, só pode agir em estrita observância aos ditames legais e não havia a condição imposta pelo artigo 60 daquela norma para restringir o direito da pessoa jurídica que destinou parte do IRPJ aos fundos incentivados. Destarte, voto em dar provimento ao recurso voluntário, cabendo à unidade de jurisdição da contribuinte verificar os valores dos recolhimentos efetivos em favor do Finam, em duodécimos, por DARF com códigos específicos para este fim. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 287DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10830.006018/9630 Acórdão n.º 180100.501 S1TE01 Fl. 272 7 Fl. 288DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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