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Numero do processo: 10640.002459/2010-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS DE PROVA ADICIONAIS. POSSIBILIDADE
A apresentação de recibo, por si só, não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais, tais como provas da efetiva prestação do serviço e de seu pagamento.
Numero da decisão: 9202-007.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
Patrícia da Silva - Relatora.
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Ausente a conselheira Ana Paula Fernandes.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS DE PROVA ADICIONAIS. POSSIBILIDADE A apresentação de recibo, por si só, não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais, tais como provas da efetiva prestação do serviço e de seu pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. Patrícia da Silva Relatora. Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 24 59 /2 01 0- 46 Fl. 245DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Ausente a conselheira Ana Paula Fernandes. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, efls. 205/217, contra o acórdão nº 2801002.199, julgado na sessão do dia 20 de janeiro de 2012 pela 1ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF, que restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. O princípio do contraditório preside a fase processual a partir da impugnação, quando se instaura o litígio. A fase de fiscalização é presidida pelo princípio inquisitorial, não constituindo cerceamento do direito de defesa a ausência de comunicação ao contribuinte de todos os atos praticados pela fiscalização nesta fase. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. Todas as despesas médicas estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova dos respectivos pagamentos. Nessa hipótese, a apresentação tãosomente de recibos, mesmo que acompanhadas por declarações prestadas pelos respectivos profissionais acerca da realização dos serviços, sem a prova do efetivo pagamento, não é suficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma não lhe cabe apreciar alegações de violação a princípios constitucionais que tenham por objetivo afastar a aplicação da lei tributária. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, posto que inexiste lei que Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10640.002459/201046 Acórdão n.º 9202007.922 CSRFT2 Fl. 244 3 lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Preliminar rejeitada. Recurso negado. Como descrito pela Câmara a quo: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 04/07, relativa à Declaração de Ajuste AnualDAA do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2009, anocalendário 2008, em que foi apurado um crédito tributário correspondente a R$ 7.797,94, decorrente da glosa de despesas médicas, no valor de R$ 15.000,00, por falta da comprovação do efetivo desembolsos de tais quantias, e da compensação indevida de imposto complementar, no valor de R$ 95,76, em virtude da existência de divergência entre o valor declarado e o valor comprovado, conforme descrição dos fatos de fls. 05, reproduzida a seguir: (...) Em relação às despesas médicas, esclareceu que a glosa teve como fundamento a não comprovação da efetividade da entrega de recursos aos profissionais liberais emitentes dos recibos apresentados pelo contribuinte ao Fisco, e não o exagero dos valores declarados. Destacou que a autoridade fiscal pode exigir outros meio de prova das despesas médicas, além dos recibos, quando existir dúvida por parte do Fisco acerca da veracidade dos valores declarados e que, neste caso, o ônus da prova é do contribuinte, nos termos do artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) vigente, cuja matriz legal é o artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei n° 9.250/95. Ressaltou que os recibos os recibos “são documentos particulares e, como tais, no contorno jurídico, dão notícias apenas dos fatos e da forma como esses possivelmente teriam ocorrido, mas não fazem prova da efetividade de sua ocorrência (CPC, art.368), e as declarações presumemse verdadeiras apenas em relação ao signatário (Código Civil, art. 219), sendo que, quando enunciam o recebimento de um crédito, fazem prova tãosomente contra quem os escreveu (CPC, art. 376) e valem entre as partes neles consignadas, não em relação a terceiros, estranhos ao ato (Código Civil, art. 221)”. Intimado, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, efls. 205/217, requerendo a reforma do acórdão, alegando que os recibos são suficientes para comprovar despesas médicas. Apresenta como paradigma os acórdãos abaixo: Acórdão n.º 10617.215 ASSUNTO IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS FÍSICAS (IRPF) Fl. 247DF CARF MF 4 Anocalendário: 2000, 2001, 2002. DESPESAS DEDUTÍVEIS. RECIBOS DOS PAGAMENTOS DAS DESPESAS QUE CUMPREM AS FORMALIDADES DA LEGISLAÇÃO. GLOSA UNICAMENTE BASEADA NA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS E EM EVENTUAL DESPROPORÇÃO ENTRE AS DESPESAS E OS RENDIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. É ônus de a autoridade autuante comprovar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, determinar a matéria tributável, calcular o montante do imposto devido e identificar o sujeito passivo, na forma do art. 142 do Código Tributário Nacional. Assim, cabe a autoridade fiscalizadora fazer a prova necessária para infirmar os recibos de despesas dedutíveis acostados aos autos pelo fiscalizado, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Não se pode, simplesmente, glosar as despesas médicas com base em eventual desproporção entre as despesas e os rendimentos do fiscalizado, ou pelo fato deste não comprovar documentalmente o pagamento, já que o contribuinte, em relação a este último ponto, não está obrigado a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Ainda, diversas declarações dos profissionais ratificando a prestação do serviço foram juntadas aos autos, o que confirma higidez das despesas dedutíveis, devendo restabelecêlas. Recurso voluntário provido. Acórdão n.º 10416.279 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Havendo a identificação do beneficiário do pagamento e do contribuinte, devem ser admitidos os recibos como meio comprobatório da despesa médica. Recurso provido. Conforme despacho de efls. 232/233, o Recurso foi admitido, conforme trecho transcrito abaixo: Os acórdãos paradigmas, ao contrário do recorrido, consideram que os recibos devem ser admitidos como meio comprobatório das despesas médicas, e que a glosa não pode ser baseada unicamente na ausência de comprovação dos pagamentos. A decisão foi proferida por órgão julgador diferente daquele do presente processo, não foi reformada e a matéria tratada não é objeto de súmula. Portanto, patente a divergência jurisprudencial. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10640.002459/201046 Acórdão n.º 9202007.922 CSRFT2 Fl. 245 5 Na forma dos arts. 67 e 68 do Anexo II do RICARF, DOU seguimento ao recurso especial do contribuinte. A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões de efls. 235/241, requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e conforme despacho de admissibilidade de efls. 232/233, preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A matéria em discussão é a comprovação efetiva das despesas médicas para fins de dedução na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física. O presente Recurso Especial interposto pelo Contribuinte limitase à discussão de serem os recibos juntados aos autos provas suficientes para caracterização da prestação de serviços ao contribuinte. Destaco o disposto no art. 8º da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 249DF CARF MF 6 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Pela leitura dos dispositivos acima, bastaria a apresentação dos recibos pelos respectivos profissionais, devendo tais documentos trazerem elementos suficientes para identificação do prestador de serviço que recebeu os valores despendidos pelo contribuinte. Destaco que das efls. 80/138 e 144/148, constam os recebidos apresentados pelo Contribuinte para comprovar os gastos, que apresentam os dados dos profissionais que prestaram os serviços e os cheques de alguns pagamento. Nesse sentido, apresento o meu posicionamento exarado no acórdão nº 9202 005.323, prolatado na sessão do dia 30 de março de 2017: Na hipótese dos autos, a contribuinte comprovou a efetividade e pagamento dos serviços médicos mediante apresentação dos recibos do profissional, não tendo a fiscalização declinado qualquer fato que pudesse macular a idoneidade de aludida documentação. Corroborou, ainda, os recibos ofertados com Laudos, fichas e Exames Médicos, acostados aos autos junto à impugnação, confirmando a prestação do serviço e o recebimento do respectivo pagamento. É bem verdade, que o artigo 73 do RIR/1999 autoriza a autoridade lançadora, a juízo próprio, refutar os comprovantes apresentados pela contribuinte. Entrementes, tal que a levaram a não admitir as provas ofertadas pela autuada. Este entendimento, aliás, encontrase sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “DESPESAS MÉDICAS RECIBO IDÔNEO Não existindo fundado receio quanto à legitimidade dos recibos comprobatórios de despesas dedutíveis, tais instrumentos deverão ser aceitos como meios de prova. Recurso provido” (4ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Recurso nº 145.606 – Acórdão n° 10421.833, Sessão de 17/08/2006) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2004 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR LAUDOS, FICHAS E EXAMES MÉDICOS. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10640.002459/201046 Acórdão n.º 9202007.922 CSRFT2 Fl. 246 7 COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO. A apresentação de recibos médicos, corroborados por Laudos, fichas e Exames Médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física. Recurso especial provido. Não se pode inverter o ônus da prova, quando inexistir dispositivo legal assim contemplando, a partir de uma presunção legal. In casu, havendo dúvidas quanto a efetividade e pagamento dos serviços médicos prestados, caberia a fiscalização se aprofundar no exame das provas, intimando, inclusive, os profissionais médicos ou outros a prestar esclarecimentos, como ocorre em inúmeras oportunidades, sendo defeso, no entanto, presumir que os serviços médicos/odontológicos não foram prestados tão somente porque não houve apresentação de cheques nominativos na totalidade das despesas médicas ou extratos bancários, o que fora comprovado exclusivamente por recibos e Laudos/Exames Médicos. Destarte, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento a autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, identificando perfeitamente a sujeição passiva, como segue: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Decorre daí que quando não couber a presunção legal, a qual inverte o ônus da prova ao contribuinte, deverá a fiscalização provar a ocorrência do fato gerador do tributo, com a inequívoca identificação do sujeito passivo, só podendo praticar o lançamento posteriormente a esta efetiva comprovação, sob pena de improcedência do feito, como aqui se vislumbra. Ademais, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito, o ônus da prova cabe a quem alega, in casu, ao Fisco, especialmente por inexistir disposição legal contemplando a presunção para a glosa de despesas médicas escoradas exclusivamente em recibos, incumbindo à fiscalização buscar e comprovar a realidade dos fatos, podendo para tanto, inclusive, intimar os prestadores de serviços para confirmar a idoneidade dos documentos ofertados pela contribuinte. Fl. 251DF CARF MF 8 A doutrina pátria não discrepa dessas conclusões, consoante de infere dos ensinamentos de renomado doutrinador Alberto Xavier, em sua obra “Do lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, nos seguintes termos: “ B) Dever de prova e “in dúbio contra fiscum” Que o encargo da prova no procedimento administrativo de lançamento incumbe à Administração fiscal, de modo que em caso de subsistir a incerteza por falta de prova beweilöigkeit), esta deve absterse de praticar o lançamento ou deve praticálo com um conteúdo quantitativo inferior, resulta claramente da existência de normas excepcionais que invertem o dever da prova e que são as presunções legais relativas. [...]” (Xavier, Alberto – Do lançamento no direito tributário brasileiro – 3ª edição. Rio de Janeiro: Forense, 2005) (grifos nossos) Não bastasse isso, a existência de eventual DÚVIDA, ao contrário do que sustenta a Procuradoria, só pode vir a beneficiar o acusado, qual seja, o contribuinte, em observância ao artigo 112, do Códex Tributário, que assim preconiza: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” Partindo dessas premissas, uma vez comprovada pela contribuinte a prestação dos serviços médicos mediante recibos e Laudos/Exames Médicos, sem que a fiscalização tenha levantado qualquer suspeita ou se aprofundado na análise das provas apresentadas, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de afastar as glosas procedidas pelo fiscal autuante. Em relação a ausência de indicação do endereço do profissional ou nome do paciente nos recibos, destaco o acórdão nº 9202003.693, de relatoria do Ilmo. Conselheiro Gerson Macedo Guerra, que foi negado provimento ao RESp da PGFN por unanimidade, conforme ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 A mera falta da indicação do endereço do profissional e/ou do nome do paciente nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas não são, por si sós, fatos que autorizem à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas médicas. Admite se ainda a juntada de novos documentos contendo os requisitos faltantes no curso do processo fiscal. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10640.002459/201046 Acórdão n.º 9202007.922 CSRFT2 Fl. 247 9 (...) Inobstante à análise dos novos comprovantes trazidos aos autos pelo contribuinte, vejo que a glosa de despesas médicas pela falta de informações nos recibos do endereço profissional do prestador do serviço e da indicação do beneficiário do tratamento não é razoável. Isso porque a autoridade fiscal tinha condição de encontrar a profissional já que em todos os recibos havia seu carimbo contendo seu nome completo e número de sua identidade profissional. Logo, apesar da falta de tais elementos nos recibos, poderia a autoridade fiscal ter diligenciado junto ao prestador de serviços odontológicos para questionar sobre a efetividade do tratamento e do seu respectivo pagamento. Não simplesmente desconsiderar os documentos e efetuar a glosa das despesas.. Contudo, pautandose em um formalismo exagerado a autoridade fiscal preferiu autuar o contribuinte em questão. Por esse motivo apenas já fundamentaria minha decisão pela improcedência do recurso da União. Assim, a apresentação de recibos idôneos fornecidos por profissionais de saúde, contendo os elementos necessários à identificação de quem recebeu o pagamento, constituem documentos hábeis a comprovar a realização das despesas permitidas como dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda Diante de todo exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado. Divergi da relatora quanto ao mérito, relativamente à comprovação das despesas médicas. Como muito bem fundamentado no voto condutor do Acórdão Recorrido, os recibos são meios de prova, mão não a prova em si, podendo ser questionados em situações em que se apresentem indícios de irregularidade, como é o caso de dedução de despesas em valor elevado em relação aos rendimentos declarados. Nessas situações poderá o Fisco exigir elementos adicionais de prova, como da efetividade dos pagamentos ou da prestação dos serviços. No presente caso, o contribuinte foi intimado a fazer tal prova e nada apresentou, alegando que os pagamentos eram feitos em espécie. Ora, nada impede que as pessoas façam seus pagamentos em espécie, porém, se estão sujeitas a eventual comprovação dessas operações devem ter a cautela de escolher Fl. 253DF CARF MF 10 outros meios, que possam produzir provas, como a transferência bancária ou mesmo o cheque. Mas, mesmo com o pagamento em dinheiro, é possível apresentar elementos adicionais de prova, como saques equivalentes aos valores pagos; podem ser produzidas ainda provas da efetividade da prestação dos serviços, como a requisição médica, dentre outras. O fato de o contribuinte trazer declarações dos profissionais emitentes dos recibos nada muda nesses quadro. Essas declarações têm o mesmo valor dos recibos, provam apenas a declaração e não o declarado, como bem ressaltou o acórdão recorrido. Ainda como ressaltou o acórdão recorrido, o art. 73 do DecretoLei nº 5.844, de 1947, ainda em vigor, é claro quando à possibilidade de exigência por parte do Fisco de elementos adicionais de prova em casos como este. Confirase: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º).” § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). E nem poderia ser de outro modo, pois o recibo é documentos particular, válido, em princípio, entre as partes. Porém para servir de prova perante terceiros, há de ser corroborado por outros elementos. De modo que divirjo frontalmente da Relatora quando afirma que os recibos são documentos hábeis e idôneos para comprova as despesas. Não são. São meios de prova, que podem ser questionados, situação em que precisam ser corroborado por outros elementos de prova. Houvese bem, portanto, o acórdão recorrido que negou provimento ao recurso voluntário. De minha parte, conheço do Recurso Especial do contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13153.000188/2001-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS.
Não se conhecem as matérias suscitadas em Recurso Administrativo mas que não foram impugnadas.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL.
É devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco, incidindo somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência. Tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164.
Numero da decisão: 3302-007.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso em face da preclusão. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à atualização do ressarcimento do crédito pela Selic a contar após 360 dias da data do protocolo do pedido.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Gerson Jose Morgado de Castro, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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Não se conhecem as matérias suscitadas em Recurso Administrativo mas que não foram impugnadas. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. É devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco, incidindo somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência. Tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso em face da preclusão. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à atualização do ressarcimento do crédito pela Selic a contar após 360 dias da data do protocolo do pedido. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Gerson Jose Morgado de Castro, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 15 3. 00 01 88 /2 00 1- 83 Fl. 225DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.418 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13153.000188/2001-83 Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. Relatório Trata-se de pedido de ressarcimento e compensação referente a crédito presumido de IPI de que trata a portaria 38, de 1997, no valor de R$ 42.760,87 (e-fls. 02). Às e-fls. 96 há manifestação da Recorrente acerca da intimação de e-fls. 93, na qual esclarece que a divergência entre o valor pleiteado a título de crédito presumido do primeiro trimestre de 2001 e o valor apurado na DCTF decorreu de erro de preenchimento da DCTF, bem como prestou outras informações. O Termo de Diligência Fiscal de e-fls. 121 salienta que houve aquisições junto a pessoas jurídicas optantes pelo Simples que não atingiram o patamar de receita bruta capaz de gerar PIS e COFINS a 2,65%, e entende que as aquisições de pessoas jurídicas optantes pelo Simples com faturamento inferior a R$ 600.000,00 não devem compor a base de cálculo para o crédito presumido. Isto porque a DRF entendeu que enquanto os insumos utilizados na produção de produtos exportados são tributados duas vezes, as aquisições de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES não são tributadas, e que o espírito da lei era ressarcir as empresas que eram tributadas duas vezes, o que não foi o caso da Recorrente. A DRF em Cuiabá, as e-fls. 128 reconheceu crédito a ser ressarcido no valor de R$ 30.364,76, negando os créditos relativos às matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem que foram onerados pelas alíquotas integrais do PIS e da COFINS, conforme cálculos realizados às e-fls. 119 e seguintes, e tabela de efls. 128, merecendo destaque a ementa produzida: “O contribuinte somente faz jus ao crédito presumido do IPI, como ressarcimento da Cofins e do PIS incidentes sobre as aquisições de matérias primas, produtos intermediários, e materiais de embalagem, quando adquiridos no mercado interno, diretamente de pessoas jurídicas. Exclui-se da base de cálculo do crédito presumido as aquisições efetuadas das empresas que não recolhem o PIS e a Cofins pelas alíquotas integrais.” A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade por meio da qual, sinteticamente, sustenta o seu direito à restituição dos créditos, independente de se relacionarem a empresas optantes pelo Simples e com faturamento inferior a seiscentos mil reais anuais. No Acórdão da Manifestação de Inconformidade a DRJ em Juiz de Fora reconheceu o direito da Recorrente em creditar-se dos valores por ela pleiteados, nos seguintes termos: “reconhecendo-lhe o direito de se ressarcir de parcela do crédito presumido instituído pela Lei n. 9.363, de 1996, no valor de R$ 1.243,54, correspondentes as aquisições de R$ 26.866,64 efetuadas através de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, que acrescidos aos R$ 30.364,76 já deferidos no Despacho Decisório perfazem o saldo Fl. 226DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.418 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13153.000188/2001-83 credor de R$ 31.608,30, conforme demonstrado ao final desta decisão. Todavia, sobre as quantias deferidas no desapcho decisório e na presente decisão não incidirão juros equivalentes à taxa referencial SELIC.” Na decisão restou expresso que o direito deferido foi tão somente o crédito sobre produtos adquiridos de pessoas jurídicas optantes pelo Simples: “Não implica tal deferimento acatar plenamente o arrazoado apresentado pela reclamante, no que respeita às aquisições de pessoas físicas, de cooperativas etc Em relação à tese da aplicação da taxa SELIC aos valores ressarcidos, a DRJ também salientou que enquanto o RESSARCIMENTO é decorrente do confronto débito e crédito, a restituição ou repetição de indébito é a devolução de tributo e contribuição pagos indevidamente, ou seja, uma receita que ingressou indevidamente nos cofres públicos, e que o saldo credor no caso concreto não é pagamento indevido, mas sim um incentivo fiscal. Em seu Recurso Voluntário a Recorrente insurge-se, sinteticamente, contra o fato da DRJ, em seu despacho decisório, ter glosado de forma expressa tão somente os valores relativos às aquisições de empresas optantes pelo SIMPLES com faturamento inferior a R$ 600.000,00, não possibilitando o seu direito de defesa em relação aos demais, bem como reitera o seu argumento de que os valores devem ser corrigidos pela taxa SELIC. A questão foi submetida ao Segundo Conselho de Contribuintes que, em 3 de junho de 2008 converteu o julgamento em diligência (e-fls. 198) Quando da diligência, a SEORT da DRF em Cuiabá afirmou que em nenhum momento o Contribuinte afirma que não conseguiu identificar com precisão o motivo da glosa. (e-fls. 205-206) e o processo foi remetido ao CARF. Quando submetido novamente a julgamento, este Colegiado identificou que a Recorrente não havia sido intimada da Informação Fiscal, ao arrepio da Resolução que converteu o processo em diligência. Às e-fls. 222 há menção de que a Recorrente, mesmo intimada, não se manifestou acerca da Informação Fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad. Relator. 1. Admissibilidade. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e a matéria é de competência deste Colegiado, razão pela qual dele conheço. 2. Conhecimento de matéria que não foi objeto de impugnação. Fl. 227DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.418 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13153.000188/2001-83 Sinteticamente, trata-se de discussão acerca da necessidade, ou não, da DRF tratar expressamente de todos os argumentos utilizado para a glosa dos créditos apontados pelo contribuinte, ou se a mera indicação da glosa é suficiente para garantir-lhe o direito ao contraditório. No caso concreto, apesar da DRF ter atribuído ênfase ao fato da Recorrente haver adquirido parte dos seus insumos de pessoas jurídicas optantes pelo Simples e com faturamento inferior a seiscentos mil reais, ao glosar os créditos afirmou que a razão geral da glosa foi entendimento de que era necessário que as aquisições fossem oneradas pelas alíquotas integrais do PIS e Cofins: nos seguintes termos: “... desde que oneradas pelas alíquotas integrais de PIS e Cofins.” (e-fls. 129), tendo inclusive elaborado uma tabela e se referido a outra tabela de e-fls. 118. Em outras palavras a DRF firmou o entendimento de que só eram ressarcíveis os valores sobre os quais haviam incidido os tributos sob a alíquota integral e, com este argumento, glosou diversos créditos, tanto de produtos adquiridos de cooperativas (cujo direito já se encontra reconhecido por Recurso Especial nº 993.164/MG submetido à sistemática dos recursos repetitivos) como de aquisições de empresas optantes pelo SIMPLES com faturamento inferior a R$ 600.000,00. Admito que era ônus da Recorrente examinar os valores das glosas realizadas sobre os créditos que desejou compensar, para que pudesse impugná-las individualmente, não sendo possível atribuir ao fisco o ônus de detalhar cada hipótese de não aplicação da alíquota integral. Desta forma, não tendo a Recorrente impugnado os demais créditos, não deve ser conhecido o Recurso Voluntário em relação a tais matérias, eis que não inaugurado o Processo Administrativo Fiscal. 3. Aplicação da TAXA SELIC aos valores objeto de RESSARCIMENTO. Este colegiado já possui o entendimento de que é direito do contribuinte a incidência da correção monetária pela Selic dos valores objetos de oposição ilegítima a partir de 360 dias do protocolo do pedido, como se pode aferir pelo acórdão unânime n. 3302006.916 prolatado na sessão de 21 de maio de 2019 de lavra do Conselheiro José Renato Pereira de Deus, proferido no processo 10850.000804/200311: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. É devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco, incidindo somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência. Tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164. A Câmara Superior de Recursos Fiscais também já firmou entendimento no sentido de que a taxa Selic apenas é aplicável 360 dias a contar da data do protocolo do pedido de aproveitamento. Fl. 228DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.418 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13153.000188/2001-83 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC, SE CARACTERIZADA OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Não existe previsão legal para incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciado foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a Taxa SELIC incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, pois, antes deste prazo, não existe permissivo, nem mesmo jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência. (Acórdão 9303-008.626, prolatado no processo n. 11543.005431/2002-11 em 15.05.2019. Rel. Cons. Rodrigo da Costa Possas.) Aliás, este é o entendimento da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça – STJ que, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda. Por este motivo entendo ser devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ. 4. Conclusões. Voto por não conhecer da matéria que não foi objeto de impugnação, apenas suscitada no Recurso Voluntário e, na parte conhecida, dar parcial provimento para reconhecer o direito à atualização do ressarcimento do crédito pela Selic a contar após 360 dias da data do protocolo do pedido. (documento assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 229DF CARF MF https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenciaCarf.jsf
score : 1.0
Numero do processo: 10166.005505/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Exercício: 2007
TRIBUTOS RETIDOS NA FONTE COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO. COMPENSAÇÃO DIRETA COM OUTROS TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE.
Não se tratando de retenção indevida, o tributo de renda retido por fontes pagadoras como antecipação do devido, isoladamente considerado, não se presta a eventual compensação tributária. Somente o eventual saldo negativo encontrado ao final do período de apuração do imposto é que pode ser objeto de compensação com outros tributos.
A legislação somente permite deduzir/compensar valores retidos na fonte na base de cálculo da CSLL, PIS e Cofins diretamente na escrituração contábil ou na Declaração de Isenta ou DACON da pessoa jurídica que prove haver assumido referido encargo ou no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la.
APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR.
Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-003.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Abel Nunes de Oliveira Neto Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado). Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, substituído pelo conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado).
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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COMPENSAÇÃO DIRETA COM OUTROS TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. Não se tratando de retenção indevida, o tributo de renda retido por fontes pagadoras como antecipação do devido, isoladamente considerado, não se presta a eventual compensação tributária. Somente o eventual saldo negativo encontrado ao final do período de apuração do imposto é que pode ser objeto de compensação com outros tributos. A legislação somente permite deduzir/compensar valores retidos na fonte na base de cálculo da CSLL, PIS e Cofins diretamente na escrituração contábil ou na Declaração de Isenta ou DACON da pessoa jurídica que prove haver assumido referido encargo ou no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva- Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 55 05 /2 00 7- 14 Fl. 143DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.666 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.005505/2007-14 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Abel Nunes de Oliveira Neto Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado). Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, substituído pelo conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão proferido pela Delegacia Regional da Receita Federal em Brasília – DF que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte em virtude de não homologar a compensação apresentada para crédito de contribuições (CSLL, COFINS e PIS) retidas na fonte em maio de 2007, no valor total de R$ 82.742,93, com débito de retenções na fonte ( PJ a PJ de direito privado), relativo às mesmas contribuições, feitas pela contribuinte na quinzena de maio de 2007, no mesmo valor. A autoridade administrativa a quo examinou a questão e no despacho decisório (fls. 40 a 45) não reconheceu o crédito compensado e, em conseqüência, não homologou a declaração de compensação por concluir que a contribuinte não fazia jus ao crédito de retenções de CSLL, PIS e COFINS sofridas em maio de 2007, por ser incabível a compensação direta com valor a recolher de retenções feitas sobre pagamentos a outras pessoas jurídicas ou órgãos públicos, uma vez que a legislação somente permite deduzir da base de cálculo da CSLL, Pis e Cofins Os valores retidos, cuja dedução deve ser feita na escrituração contábil ou na Declaração de Isenta ou DACON da pessoa jurídica. Ciente do despacho decisório em 06/03/2008 o interessado apresentou manifestação de inconformidade (fls. 46), alegando as seguintes razões: a) Que “o despacho decisório “apesar de reconhecer de modo expresso o direito à compensação dos valores retidos a título de CSLL, PIS e COFINS, houve por bem não homologar a operação, com a alegação de que, ao realizar a compensação, não teriam sido observados preceitos normativos como o § I" do artigo 5 0 da MP n° 413/2008 e o artigo 50 da IN SRF n° 600/2005”; b) Do Direito à compensação tributária - artigo 74 da Lei n° 9.430/1996: Afirma que “o Fisco deixou de lado o principal aspecto da controvérsia, ou seja, a existência de um direito legalmente assegurado, que deve ser viabilizado e não obstado pelas autoridades públicas, pois, consoante o artigo 74 da Lei n° 9.430/1996, verificado o crédito por parte do contribuinte é seu direito compensá-lo com qualquer débito próprio de tributo administrado pela Receita Federal”. c) Da situação da AMHP-DF/Retenções indevidas: Diz que “os diversos tomadores de serviços celebram, por seu intermédio, contratos de Fl. 144DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.666 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.005505/2007-14 prestação de serviços médicos a serem prestados pelos associados, em razão do oneroso operacional para o pagamento direto, preferem fazer o depósito da remuneração devida aos associados, para a AMHP-DF. Assim, relativamente às contribuições (CSLL, PIS e COFINS), muitas vezes sofre nos pagamentos que recebe como mera intermediária de seus associados, retenções conjugadas desse tributo, código de receita 5952, no montante de 4,65% (artigo 30 da Lei n° 10.833/2003)”. d) DO PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO/REGULAR: Aduz que “a dedução c a compensação são formas de extinção de obrigações tributárias a partir da contraposição de créditos do sujeito passivo (tributo a restituir ou a compensar) à obrigação (tributo a recolher). A compensação é o gênero - já que na forma do artigo 74 da Lei n° 9.430/1996, quaisquer créditos e débitos administrados pela Receita Federal pode ser compensado e tem seu procedimento vinculado à apresentação de declarações de compensação' ao Fisco, por meio de formulários próprios. A dedução é a espécie, por envolver apenas alguns tributos, em determinadas circunstâncias (apuração de saldos de CSLL e de PIS e COF1NS)”. e) Inexistência de irregularidade/compensação de retenções de PIS e COFINS: Aduz que “ao interpretar a compensação realizada, a Diort ignorou que os valores pagos a título de PIS c COFINS. Os créditos compensados eram referentes unicamente às aplicações financeiras da associação, tributos que se submetiam a um regime jurídico diverso daquele a que se refere a MP n° 413/2008. Ainda se aplicasse ao caso a MP invocada, ficaria configurada, pelo menos em relação a uma parte dos débitos, a "impossibilidade da dedução" prevista no § 1" do artigo 50 de tal diploma, diante da flagrante desproporção entre os valores pagos a título de PIS e COFINS e os créditos apurados a partir das retenções indevidas sobre os pagamentos realizados à associação”. f) DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES DE PIS/COFINS/ILEGAL APLICAÇÃO RETROATIVA DA MII N° 413/2008: Afirma que “a decisão adotada no despacho decisório não sobrevive a um simples confronto com a mais rudimentar formulação do princípio da irretroatividade da lei tributária. Motivo suficiente para que se reconheça o seu direito às compensações do Pis e Cofins, que devem ser expressamente homologadas, reformando-se a descabida decisão da autoridade fiscal”. g) Os VALORES A PAGAR DE PIS/COFINS/Aplicações FINANCEIRAS: Aduz que “a norma se refere ao PIS/COFINS "comuns", incidentes sobre o faturamento, suas disposições não são aplicáveis a tributos que, embora tenham a mesma denominação, são juridicamente diversos. O PIS e a COFINS sobre rendimentos financeiros não têm como fato gerador o faturamento, mas sim o rendimento auferido em aplicações financeiras, que, no caso das entidades sem fins lucrativos, não se configuram como Fl. 145DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.666 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.005505/2007-14 espécie do gênero faturamento. Os tributos são juridicamente distintos, não sendo assim intercambiáveis as normas que a eles se aplicam”. h) NÃO COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS NA FONTE/VALORES A PAGAR: Aduz que “ainda que se ponha a aplicar ao caso em tela a MP n° 413/2008, será necessário concluir pela homologação da compensação. É que, inequivocamente configurado no caso o § 1" do artigo 5°, a restrição constante do caput do mesmo artigo não se aplica, podendo ser feita a compensação independentemente da dedução contábil”. i) Direito de compensação dos valores indevidamente retidos a titulo de CSLL: Afirma que “na compensação da CSLL não houve qualquer irregularidade, pois como não era possível a apuração de saldo negativo de CSLL, por ser associação civil sem fins lucrativos, entidade isenta do 1RPJ e da CSLL, é inviável e inexigível o cumprimento da norma indicada como aplicável porque, para que se realizasse a apuração de saldo negativo tal como sugerido no despacho decisório, seria indispensável uma declaração inexata da associação, no sentido de que ela seria contribuinte da CSLL”. j) A AMHP-DF - ENTIDADE ISENTA DO IR/CSLL: Aduz que “o dispositivo normativo invocado pela autoridade fiscal menciona apenas que em caso de apuração de saldo negativo de IRPJ ou CSLL - hipótese aplicável unicamente àquelas pessoas que sejam contribuintes desses tributos, obviamente - o valor correspondente poderá ser objeto de restituição apenas no mês subseqüente ao trimestre em que se apurou o saldo negativo. Não se aplica tal dispositivo às compensações de créditos oriundos de retenção indevida, como se extrai expressamente de seu texto”. k) SALDO NEGATIVO DE CSLL - DECLARAÇÃO FALSA AO FISCO: Afirma que “o cumprimento das obrigações opostas no despacho decisório ao procedimento de compensação adotado, além de ser inexigível em face da situação específica da mesma, depende de apresentação de declaração falsa. Tal entendimento, por ferir os mais elementares princípios do Estado de Direito e a legalidade estrita que deve reger a relação entre o Fisco e os contribuintes, não pode prevalecer, devendo ser totalmente afastado”. l) Requereu a reforma do despacho decisório e a homologação da compensação, com o conseqüente provimento da M.I apresentada. O Acórdão (03-28.189 - 48 Turma da DRJ/BSA) ora requerido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007 Fl. 146DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-003.666 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.005505/2007-14 Restituição/Compensação - CSLL, COFINS e PIS - Retidas na Fonte. A legislação somente permite deduzir/compensar valores retidos na fonte na base de cálculo da CSLL, PIS e Cofins diretamente na escrituração contábil ou na Declaração de Isenta ou DACON da pessoa jurídica que prove haver assumido referido encargo ou no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la. Solicitação Indeferida. Isso porque, segundo entendimento da turma julgadora, “os pagamentos são, na verdade, direcionados às pessoas prestadoras de serviço via associação que faz jus apenas a remuneração pelo serviço de intermediação. Aduz que a retenção deve ocorrer, portanto, sobre os reais prestadores dos serviços, como se o órgão tivesse contratado diretamente com os profissionais - pessoas físicas e jurídicas, (...) e que a incidência prevista no art. 652 do RIR, de 1999 alcança apenas associações de profissionais, ou seja, aquelas que possuem unicamente associados pessoas físicas. Assim, como a AMHPDF é uma associação que congrega tanto associados pessoa física como pessoa jurídica, os pagamentos efetuados por órgãos públicos aos seus associados estão sujeitos às retenções do art. 628 do RIR, de 1999, no caso de profissional pessoa física; e às retenções de que trata a IN SRF n9- 306, de 2003, no caso de pagamentos efetuados às pessoa jurídicas. Nessas hipóteses, a obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento por força do disposto no art. 64, § I , da Lei n2 9.430, de 1996”. Inconformado com a decisão, o interessado interpõe Recurso Voluntário às fls. 132 dos autos, alegando as seguintes razões, as quais são basicamente repetições das razões de impugnação: a) Do reconhecimento expresso do direito à compensação e o cumprimento, pela AMHP-DF, do iter indicado pelo Fisco para a realização das deduções / compensações em exame — as operações foram devidamente registradas na escrituração contábil da Associação: Afirma que “não pode prevalecer a não homologação da compensação realizada pela Associação dos Médicos de Hospitais Privados do Distrito Federal — AMHP-DF. Seu direito à compensação foi expressamente reconhecido e o iter indicado pelo Fisco para a regularidade da operação foi seguido e até mesmo excedido em diligência para com os órgãos arrecadadores. Necessário, assim, que se dê provimento ao presente Recurso Voluntário, com a reforma do Acórdão recorrido e do Despacho Decisório que o precedeu, extinguindo-se, definitivamente, o débito tributário compensado”. b) Da atividade da AMHP-DF e as circunstâncias que levaram às compensações tributárias: Aduz que “a AMHP-DF, diante de uma série de retenções indevidas de tributos que não incidem sobre boa parte das atividades que intermedeia (prestação de serviços por pessoas físicas) nem podem ser cobrados sobre suas próprias atividades — já que a AMHP-DF é entidade sem fins lucrativos, isenta das formas ordinárias de incidência do PIS, da COFINS e da CSLL, nas formas, respectivamente, dos artigos Fl. 147DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-003.666 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.005505/2007-14 13, IV, da Medida Provisória n° 2.158-34/2001, da mesma Medida Provisória e 15, § 1°, da Lei n° 9.532/1997 — passou a apurar créditos tributários e compensá-los com tributos que deveria reter, na fonte, dê diversas pessoas jurídicas às quais faz repasses (clínicas prestadoras de serviços médicos com honorários recebidos por intermédio da associação). Isso porque essas últimas é que são as reais prestadoras de serviços, ou seja, contribuintes que realizam o fato gerador que motiva as retenções”. c) Da compensação de créditos oriundos de retenções indevidas é um direito assegurado pelo artigo 74 da Lei n° 9.430/1996: Diz que “o direito à compensação foi reconhecido pelas duas decisões proferidas no caso em tela (pela Diort/DRF/BSB e pela 4ª a Turma da DRJ/BSA), mas foi obstado por suposta inobservância — inocorrente, como já demonstrado — de determinadas formalidades. Ao assim proceder, o Fisco deixou de lado o principal aspecto da controvérsia, a saber, a existência de um direito legalmente assegurado, que deve ser viabilizado e não obstado pelas autoridades públicas. De acordo com o dispositivo de lei supra-transcrito, verificado o crédito por parte do contribuinte é seu direito compensá-lo com qualquer débito próprio de tributo administrado pela Receita Federal”. d) O procedimento de compensação adotado foi regular e denota a boa-fé com a qual a AMHP-DF conduz a sua relação com o Fisco: Afirma que “quanto à diferença entre a dedução e a compensação, já se expôs de maneira clara a observância, pela Associação, dos fundamentos necessários para uma e outra. Tanto a dedução quanto a compensação são formas de extinção de obrigações tributárias a partir da contraposição de créditos que o sujeito passivo tenha em face do Fisco (tributo a recuperar, a restituir ou a compensar) à própria obrigação (tributo a recolher). Como já indicado, enquanto a compensação é o gênero — já que envolve, na forma do artigo 74 da Lei n° 9.430/1996, quaisquer créditos e débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal — e tem seu procedimento vinculado à apresentação de declarações de compensação ao Fisco, por meio de formulários próprios, a dedução é a espécie, por envolver apenas alguns tributos, em determinadas circunstâncias (apuração de saldos de CSLL e de PIS e COFINS, por exemplo), não exigindo procedimentos específicos perante o Fisco, mas procedimentos contábeis internos e mera informação nas declarações gerais de tributos federais. No caso em tela, a compensação, enquanto gênero era perfeitamente possível, principalmente por abarcar todos os requisitos necessários para a dedução”. e) Requereu o provimento do Recurso voluntário interposto para homologar a compensação correspondente, extinguindo-se, de modo definitivo, o respectivo débito tributário. É o relatório do essencial. Fl. 148DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-003.666 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.005505/2007-14 Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva - Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao e- processo. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade por isto dele conheço. Da análise dos autos é fácil constatar que o Recurso Voluntário apresentado constitui-se de repetição dos argumentos utilizados em sede de impugnação, os quais foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo. Em sede recursal, as poucas inovações trazidas pela parte em nada inovam a tese defendida na impugnação, apenas a reafirmam. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I - verificação do quórum regimental; II - deliberação sobre matéria de expediente; e III - relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Assim, desde já proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, considerando-se como se aqui transcrito integralmente o voto da decisão recorrida: Fl. 149DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-003.666 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.005505/2007-14 (início da transcrição da decisão da DRJ) A manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 1972, motivos pelos quais dela se toma conhecimento. Inicialmente, convém esclarecer que relativamente ao direito de repetir indébito e compensá-lo com débitos tributários administrados pela Receita Federal não há o que se discutir, pois esse direito está assegurado ao sujeito passivo na legislação tributária de regência (CTN, art. 170, Lei n" 9.430, de 1996, e IN SRF n° 600, de 2005); todavia, para dele se usufruir deve o postulante, necessariamente, cumprir os requisitos previstos nos atos legais pertinentes. Na espécie, o ponto capital para o deslinde da contenda, em análise, gira em torno da controvérsia relativa ao reconhecimento do pretenso crédito compensado, pertinente à CSLL, Pis e Cofins, retido na fonte por pessoas jurídicas e entes públicos, maio de 2007, com débito de retenção na fonte dessas mesmas contribuições, apurado na 2a. quinzena de maio de 2007, bem como à homologação da declaração de compensação. A respeito da possibilidade de compensação de créditos tributários vencidos ou vincendos, deve-se verificar o que disciplina o 170 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 1966), que é a regra delimitadora do instituto em nosso ordenamento jurídico, verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (destaque não original) Nota-se no dispositivo acima, que uma das condições e garantias fundamentais para que possa ocorrer a compensação é que crédito seja de titularidade do sujeito passivo e, líquido e certo. O crédito é certo quando não há dúvida quanto à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, certeza diz respeito à existência do crédito e liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do sujeito passivo (premissa básica à compensação), proceder-se-á ao encontro das contas devedora e credora. O instituto da compensação, tratado no diploma legal em referência, encontra-se disciplinado no artigo 74 da Lei n.° 9.430, de 1996, que ampliou o campo das compensações entre tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, estando os procedimentos administrativos vigentes disciplinados pela IN SRF n.° 600, de 28/12/ 2005 e outros atos pertinentes. O art.74 da Lei n° 9.430, de 1996, assim dispõe: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão.(Redação dada pela Lei n" 10.637, de 2002). § 1o. A ,compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos a serem compensados. (incluído pela Lei n°10.637, de 2002) § 2o. A Compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei n. 10.637, de 2002) Fl. 150DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-003.666 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.005505/2007-14 § 6o. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei n°10.833, de 2003) § 14. A Secretaria da Receita Federal - SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei n°11.051, de 2004). Em atenção ao disposto no § 14, acima, foi emitida a IN SRF n° 600, de 2005, que, nos artigos 2, 3, 5, 7, 8, 9 e 10, determina quais as quantias de recolhimentos de tributos c contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil poderão ser restituídas e os procedimentos e condições para a compensação com débitos tributários, verbis: Art. 2º Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: I - cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido; II - erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. § 1º Também poderão ser restituídas pela SRF, nas hipóteses mencionadas nos incisos I a III, as quantias recolhidas a título de multa e de juros moratórios previstos nas leis instituidoras de obrigações tributárias principais ou acessórias relativas aos tributos e contribuições administrados pela SRF. § 2º A SRF promoverá a restituição de receitas arrecadadas mediante Darf que não estejam sob sua administração, desde que o direito creditório tenha sido previamente reconhecido pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita. Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: I - a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II - mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF). § 1º A restituição de que trata o inciso I será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Pedido de Restituição constante do Anexo I, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º Na hipótese de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo, o requerente deverá apresentar à SRF procuração conferida por instrumento público ou por instrumento particular com firma reconhecida, termo de tutela ou curatela ou, quando for o caso, alvará ou decisão judicial que o autorize a requerer a quantia. § 3º Tratando-se de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do Programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 2º serão apresentados à SRF após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. Fl. 151DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-003.666 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.005505/2007-14 § 4º A restituição do imposto de renda apurada na DIRPF reger-se-á pelos atos normativos da SRF que tratam especificamente da matéria, ressalvado o disposto nos arts. 9º, 11 e 12. Art. 5º Os saldos negativos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I - na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II - na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. Art. 7º A restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrados pela SRF que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente poderá ser efetuada a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la. Art. 8º A pessoa jurídica que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo ou contribuição administrados pela SRF no pagamento ou crédito a pessoa física poderá efetuar a compensação desse valor, independentemente de apresentação à SRF da Declaração de Compensação, com o mesmo tributo ou contribuição devidos pela pessoa física, a título de retenção, em período subseqüente de apuração, desde que: I - a quantia retida indevidamente tenha sido recolhida; e II - na hipótese de retenção indevida ou a maior de imposto de renda com fundamento em dispositivo da legislação tributária que disciplina a tributação de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, a compensação seja efetuada até o término do ano-calendário da retenção. § 1º Para fins do disposto no caput, consideram-se tributos diferentes o imposto de renda incidente sobre rendimentos sujeitos ao ajuste anual e o imposto de renda incidente sobre rendimentos sujeitos à tributação exclusiva. § 2º A pessoa jurídica que retiver indevidamente ou a maior imposto de renda no pagamento ou crédito a pessoa física e que adotar o procedimento previsto no caput deverá, ao preencher a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), informar: I - no mês da referida retenção, o valor retido; II - nos meses da compensação, o valor do imposto de renda na fonte devido diminuído do valor compensado. Art. 9º Não ocorrendo a compensação prevista no art. 8º, a restituição do indébito de imposto de renda retido com fundamento em dispositivo da legislação tributária que disciplina a tributação de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, bem como a restituição do indébito de imposto de renda pago a título de recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão), será requerida pela pessoa física à SRF exclusivamente mediante a apresentação da DIRPF. § 1º Na hipótese de rendimento isento ou não-tributável declarado na DIRPF como rendimento sujeito à incidência de imposto de renda e ao ajuste anual, a restituição do indébito de imposto de renda será pleiteada exclusivamente mediante a apresentação da DIRPF retificadora. § 2º Aplica-se o disposto no § 1º do art. 3º e no § 1º do art. 26 ao indébito de imposto de renda retido no pagamento ou crédito a pessoa física de rendimentos sujeitos à Fl. 152DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1401-003.666 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.005505/2007-14 tributação exclusiva, bem assim aos valores pagos indevidamente a título de quotas do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Como se observa nos dispositivos legais acima transcritos, conforme informa a autoridade fiscal no despacho decisório questionado, realmente não há previsão legal que permita a pessoa jurídica compensar diretamente valores de tributos ou contribuições sociais retidos na fonte com débitos dessas contribuições. Como regra os valores (CSLL, Cofins e Pis) retidos na fonte são considerados antecipações e o valor correspondente a cada contribuição somente poderá ser deduzido ou compensado com a contribuição devida da mesma espécie, incidente sobre as receitas que deram origem às retenções (Pis e Cofins - mensal - e CSLL - trimestral ou anual) c não como pretende a manifestante. A matéria encontra-se disciplinada nos artigo 30 e 36 da Lei n° 10.833, de 2003, para o caso de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, e no artigo 64 da Lei n. 9.430, de 1996, quando os pagamentos são efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal, cujos dispositivos transcrevo abaixo: Art. 30. Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mão-de-obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos a retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. § 1 o O disposto neste artigo aplica-se inclusive aos pagamentos efetuados por: I - associações, inclusive entidades sindicais, federações, confederações, centrais sindicais e serviços sociais autônomos; II - sociedades simples, inclusive sociedades cooperativas; III - fundações de direito privado; ou IV - condomínios edilícios. § 2 o Não estão obrigadas a efetuar a retenção a que se refere o caput as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES. § 3 o As retenções de que trata o caput serão efetuadas sem prejuízo da retenção do imposto de renda na fonte das pessoas jurídicas sujeitas a alíquotas específicas previstas na legislação do imposto de renda. Fl. 153DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1401-003.666 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.005505/2007-14 Art. 36. Os valores retidos na forma dos arts. 30, 33 e 34 serão considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação ao imposto de renda e às respectivas contribuições. (...) Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social - COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. (...) § 3o. O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. § 4o. O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. (destaque não original) Por sua vez, a Instrução Normativa SRF n° 480, de 2004, que regulamenta o dispositivo, acima transcrito, e disciplina os modus operandi da Administração tributária e/ou dos administrados, no seu artigo 7°, caput, determina o seguinte: Art. 7° Os valores retidos na forma desta Instrução Normativa poderão ser deduzidos, pelo contribuinte, do valor do imposto e contribuições de mesma espécie devidos, relativamente aflitos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Para deduzir ou compensar os valores das contribuições retidas, a manifestante primeiramente deveria ter registrado na sua escrituração contábil ou informado na declaração de isenta ou DACON. A declaração de compensação não é o instrumento hábil para deduzir valores de contribuições retidos na fonte. Na verdade, o Per/Dcomp teve como objeto facilitar ao contribuinte titular de créditos relativo a recolhimento indevido ou a maior que o devido, pleitear perante a SRF o encontro de contas entre débitos e créditos. Os valores retidos na fonte não são líquidos e certos. Ademais, a Coordenação Geral de Tributação, órgão máximo no âmbito da RFB, com competência para interpretar à legislação tributária, enfrentou a matéria, quando da solução de consulta interposta pelo STJ (proc. n. 10168.002301/2003-70), cujos fundamentos legais e conclusões que com as devidas homenagens, adoto como razão de aqui decidir: Fl. 154DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1401-003.666 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.005505/2007-14 Fl. 155DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1401-003.666 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.005505/2007-14 Fl. 156DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 1401-003.666 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.005505/2007-14 Como se observa na conclusão acima, nos pagamentos de prestação de serviços médicos efetuados para pessoas jurídicas ou físicas associadas, por intermédio das associações de médicos de hospitais a que elas estão filiadas, sujeitam-se às retenções do IRPJ, da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, e valor do imposto e das contribuições retidos somente poderão ser compensados pelas pessoas prestadoras do serviço, devendo a fonte pagadora fornecer o comprovante anual de retenção a cada uma das pessoas beneficiárias, informando o CNPJ ou CPF e os valores pagos c de retenção na fonte. Fl. 157DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 1401-003.666 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.005505/2007-14 No caso concreto, consoante a solução de consulta, a manifestante, na condição de intermediária, não é contribuinte dos valores retidos na fonte, pois a retenção deveria ocorrer sobre os reais prestadores dos serviços, como se o órgão tivesse contratado diretamente com os profissionais pessoas físicas e jurídicas. Nos termos do 7° da IN SRF n° 600, de 2005, a restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrados pela SRF que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente poderá ser efetuada a quem prove haver assumido referido encargo ou no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la. De outro lado, consoante o artigo 8o. da citada Instrução Normativa somente a pessoa jurídica que promoveu retenção indevida de tributo ou contribuição no pagamento ou crédito a pessoa física poderá efetuar a compensação desse valor, com o mesmo tributo ou contribuição devidos pela pessoa física, a título de retenção, em período subseqüente de apuração, desde que a quantia retida indevida tenha sido recolhida. O fato de as fontes pagadoras terem retido na fonte valores de contribuições em nome da reclamante quando o correto seria em nome dos reais prestadores do serviços, não autoriza à compensação realizada na declaração de compensação, pois, um erro não pode servir de justificativa para se cometer outro. Ademais, as controvérsias havidas entre a reclamante e as tomadoras dos serviços não podem ser solucionados pelo Fisco, devendo a solução ser obtida na seara privada. Na solução de consulta, a empresa manifestante, na condição de intermediária, foi orientada a emitir notas fiscais em nome dos associados reais prestadores de serviços médicos e apresentar as fontes pagadoras informando o CNPJ (pessoa jurídica), o CPF (pessoa fisica) e os valores a serem pagos, facultando as pessoas prestadoras dos serviços compensarem os valores dos tributos e contribuições retidos comprovados mediante comprovante anual de retenção fornecido pelas fontes pagadoras (Lei n" 7.450, de 1985, art. 55, matriz legal do artigo 943 do R1R/1999, e 1N SRF n" 306, de 2003, art. 28). Não se olvide que a situação das retenções na fonte tratada nestes autos foi objeto de solução de consulta formulada pelo STJ, tendo como beneficiária à reclamante. Assim, decorrido , mais de 2 (dois) anos do resultado da solução de consulta, não há como se alegar o desconhecimento do procedimento que deveria ser adotado, uma vez que as notas fiscais deveriam ser emitidas em nome dos associados reais prestadores de serviços. Para provar o crédito compensado, a manifestante junta apenas ao presente processo demonstrativos de contribuições retidas na fonte (fls. 20 a 31). Contudo, esses documentos não servem de provas, pois o documento hábil para provar os valores retidos na fonte, é o comprovante de rendimentos e de retenção fornecido pela fonte pagadora. No tocante à alegada isenção a que a reclamante fazia jus, não é relevante para o caso hora em deslinde, posto que o fato de não ser ela devedora do imposto de renda não lhe desobriga de efetuar a escrituração fiscal e apurar a base de cálculo da CSLLe as demais contribuições, haja vista que a imunidade do imposto não alcança essas contribuições. Fl. 158DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 1401-003.666 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.005505/2007-14 Com relação à MP n° 413, de 2008, não houve qualquer prejuízo a manifestante, uma vez que a autoridade fiscal apenas informou que a partir da entrada em vigor dessa medida provisória poderia ser compensado o saldo dos valores retidos na fonte a título da contribuição para o P1S/PASEP e da COF1NS, apurados em períodos anteriores ou ser também restituído ou compensado com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela Receita Federal Brasil. Quanto aos demais argumentos são inapropriados para o deslinde da questão em análise, principalmente de que não poderia apresentar declaração falsa. A autoridade fiscal em momento algum fez qualquer referência à declaração falsa, apenas argumentou que os valores retidos na fonte somente poderiam ser deduzidos/compensados diretamente na escrituração contábil ou na declaração de isenta ou DACON. No mais, corno a atividade do julgador administrativo é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, esse deverá observar e cumprir rigorosamente o que tiver sido determinado nos atos legais e normativos vigentes da SRF (art. 7o. da Portaria MF n° 258, de 24/08/2001). Feitas essas considerações, em que pese os argumentos de defesa da recorrente, conclui-se que a decisão proferida pela autoridade administrativa de primeira instância no despacho' decisório questionado atendeu as disposições administrativas que tratam do tema, estando correta em sua plenitude, não merecendo, dessa forma, qualquer reforma, por parte desta Turma de Julgamento. Diante do exposto, considerando que declaração de compensação (Dcomp) não é o instrumento autorizado pela legislação para deduzir ou compensar imposto ou contribuições retidos na fonte e considerando ainda que a manifestante não é a real contribuinte dos valores retidos na fonte, voto no sentido de indeferir a manifestação de inconformidade apresentada e manter a decisão proferida no despacho decisório questionado. (término da transcrição da decisão da DRJ). De toda a sorte, a questão afeta a compensações de retenções de fonte com outros tributos já foi objeto de análise pelo CARF (vide processo n° 10166.904912/200889), onde restou assente o entendimento de que, em não se tratando de retenção indevida, isto é, retenção feita em desacordo com a lei, o imposto de renda retido pelas fontes pagadoras como antecipação do IRPJ devido, por si só, não se afigura passível de restituição, logo, não se presta tampouco a eventual compensação tributária. Existem outros julgados do CARF que adotam tal entendimento, litteris: IRPJ. SALDO NEGATIVO. Os recolhimentos mensais em bases estimadas efetuadas pela empresa optante do regime de tributação do lucro real anual, bem assim o imposto de renda retido por fontes pagadoras (IRRF), caracterizam meras antecipações do tributo devido no final do período de competência e, tomadas isoladamente, são Fl. 159DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 1401-003.666 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.005505/2007-14 inservíveis para eventual compensação tributária que não na composição do próprio IRPJ do período. COMPENSAÇÃO IRRF O imposto de renda retido na fonte incidente sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, não pode ser compensado diretamente com tributos e contribuições. Os valores retidos devem ser levados à declaração de ajuste anual, sendo possível ao contribuinte, verificando o pagamento de imposto em montante superior ao devido no exercício de apuração, pugnar pela restituição do saldo negativo de IRPJ. O IRRF não é, por si só, passível de restituição/compensação. O art. 74 da Lei n° 9.430/96 expressamente determina que, para fins da compensação nele prevista, devam ser observadas as restrições impostas pelas leis específicas de cada tributo ou contribuição. No caso das retenções decorrentes da remuneração de serviços prestados por pessoa jurídica a outra pessoa jurídica, por exemplo, desde a criação por lei da referida retenção, pelo Decreto-Lei n° 2.462, de 1988, já estava ali prevista a observância ao comando do Decreto- Lei nº 2.462, de 1988, bem como da Lei n 2.030, de 1983, art. 2º, § 1º. E, no caso das retenções feitas por órgãos públicos, que é especificamente o caso concreto, o art. 64 da Lei n° 9.430/96 também contém determinação no mesmo sentido, ou seja, de que o valor retido seja compensado apenas com o devido relativo a cada respectivo imposto ou contribuição. O referido dispositivo encontra-se reproduzido no art. 653 do RIR/99. Portanto, não há dúvidas quanto à obrigatoriedade de que as retenções do imposto de renda e demais tributos incidentes sobre as receitas auferidas sejam contrapostas ao imposto ou respectivas contribuições devidas no final do período de apuração. Apenas no caso de apuração de saldo a seu favor seja por antecipar mais ou por não haver incidência dos tributos (caso alegado pela Recorrente) , é que se pode pleitear a sua restituição, nos exatos termos do que dispõe o art. 6° da mesma Lei n° 9.430/96. E, uma vez sendo passível de restituição, é este saldo que, nos exatos termos do disposto no caput do art. 74 da mesma Lei n° 9.430/96, passa a poder ser objeto de compensação com outros tributos. Fora das hipóteses mencionadas, não há possibilidade de aproveitamento dos tributos retido na fonte, sobre as receitas auferidas, para compensação com outros tributos. Assim, não tendo sido demonstrado que as retenções em questão seriam indevidas, necessário seria primeiro confrontá-las com o valor do imposto devido ao final do período de apuração, para verificar a existência ou não de eventual saldo negativo, ou seja, de imposto recolhido a maior, o que não foi feito no caso. Ademais, no caso concreto outras questões também prejudicam o pleito da Recorrente. Fl. 160DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 1401-003.666 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.005505/2007-14 Como bem analisado pela DRJ, a solução de consulta interposta pelo STJ (proc. n. 10168.002301/2003-70) aplicável exatamente ao caso do Recorrente, além de determinar a retenção na fonte, orienta a emissão das notas fiscais em nome dos reais prestadores de serviço. Isto porque, o fundamento do alegada isenção aos referidos tributos, é exatamente o fato que não se trata de receita da associação, mas sim, do associado. E dessa maneira, como pretende a Recorrente pleitear, em nome próprio, a utilização de créditos decorrentes de recolhimento supostamente indevidos sobre receitas que não são suas? Ainda, mesmo que fosse possível a pretendida compensação, a documentação trazida pela Recorrente não é sequer hábil para comprovar o crédito. Desta feita, face a tudo o quanto exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário, mantendo, em razão da faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF, a decisão recorrida nos demais termos, pelos seus próprios fundamentos, com os acréscimos aqui expostos, que apenas a ratificam. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 161DF CARF MF
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Numero do processo: 11075.002597/2008-35
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 19/07/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. A apresentação extemporânea do recurso não instaura o litígio, acarretando a preclusão processual, ficando assim prejudicada a análise do recurso apresentado perante este Conselho.
Numero da decisão: 3003-000.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges Presidente
(documento assinado digitalmente)
Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Marcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 19/07/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. A apresentação extemporânea do recurso não instaura o litígio, acarretando a preclusão processual, ficando assim prejudicada a análise do recurso apresentado perante este Conselho.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Presidente (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Marcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-28T02:39:29Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-28T02:39:29Z; Last-Modified: 2019-08-28T02:39:29Z; dcterms:modified: 2019-08-28T02:39:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-28T02:39:29Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-28T02:39:29Z; meta:save-date: 2019-08-28T02:39:29Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-28T02:39:29Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-28T02:39:29Z; created: 2019-08-28T02:39:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2019-08-28T02:39:29Z; pdf:charsPerPage: 1415; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-28T02:39:29Z | Conteúdo => S3-TE03 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11075.002597/2008-35 Recurso Voluntário Acórdão nº 3003-000.376 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 16 de julho de 2019 Recorrente SUPER MERCADO RISPOLI LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 19/07/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. A apresentação extemporânea do recurso não instaura o litígio, acarretando a preclusão processual, ficando assim prejudicada a análise do recurso apresentado perante este Conselho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges – Presidente (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Marcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 25 97 /2 00 8- 35 Fl. 394DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.376 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11075.002597/2008-35 Relatório Trata-se de declaração de compensação (DCOMP) que pretende reconhecer crédito de FINSOCIAL, apurado judicialmente, com débitos de COFINS no valor de R$ 57.066,99 na data da transmissão da DCOMP. Em análise do pedido creditório a unidade de origem apurou que o débito indicado na DCOMP estava inscrito em dívida ativa, conforme atesta fls. 11/13. A Recorrente foi notificada da lavratura do Auto de Infração, por via postal, com AR que atesta o recebimento em 03/02/2009, conforme fl. 42. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade às fls. 44/53, com data de protocolo em 10/06/2009. A DRJ reconheceu a intempestividade da peça impugnatória, nos termos do art. 15 do Decreto 70.235/1972. Inconformada, a Recorrente socorre-se a este Conselho por meio de Recurso Voluntário, no qual pugna pela reforma decisão de primeira instância e o reconhecimento do direito creditório alegado. São os fatos. Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva, Relator. Verifica-se que à Manifestação de Inconformidade apresentada não foi dado seguimento pela autoridade preparadora face sua intempestividade. A ciência ao contribuinte do Despacho Decisório que não homologou as compensações efetuadas no presente processo se deu em 03/02/2009, conforme fl. 42. Por outro turno, apenas em 10/06/2009 foi protocolada a peça impugnatória, conforme ateste de fl. 44/53. No processo administrativo fiscal, decorrido o lapso temporal previsto em lei, sem que ocorra a apresentação da Impugnação ou manifestação de inconformidade, não se instaura o litígio, tal como estipulado no art. 14 do Decreto n.º 70.235/1972, ficando assim prejudicada a análise do recurso apresentado perante este Conselho. Ante ao exposto, não conheço do Recurso Voluntário em razão de sua intempestividade. É como voto. (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva Fl. 395DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.376 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11075.002597/2008-35 Fl. 396DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.003656/2005-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado em converter o julgamento em diligência, por maioria, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque e Allan Marcel Warwar Teixeira.
(documento assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado em converter o julgamento em diligência, por maioria, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque e Allan Marcel Warwar Teixeira. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente (documento assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório 1. Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 06/14), relativo aos anos- 2004, exigindo-lhe o crédito 3,52, incluindo encargos legais e multa de 75%. 2. A referida exigência originou-se em função de ter sido detectada a seguinte irregularidade (descrição dos fatos e enquadramento l ): “2.1 – PIS/Faturamento – Diferença Obrigatórias) 2.1.1 durante o procedimento de verificações obrigatórias constatou-se que o contribuinte deixou de recolher ou recolheu a menor os valores relativos ao PIS, bem RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 03 65 6/ 20 05 -2 3 Fl. 1083DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 1201-000.674 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.003656/2005-23 como não apresentou as C F’ de todos os períodos com as informações corretas dos débitos concernen contribuição, referente aos períodos de apuração dos anos- 2.1.2 adotou-se para efeito de tributação no - de 2004 os dados constantes das Guias de Informação Mensal do ICMS, uma vez que no citado período em função de o contribuinte não ter apresentado os livros contábeis e/ou fiscais que justificasse a tributação do IRPJ pelo Lucro Real, bem como não ter efetuado a opção pelo Lucro Presumido, o que ensejou inclusive para o IRPJ a tributação, via lançamento de oficio, pelo Lucro Arbitrado, conforme julgamento proferido no processo nº 10380.003654/2005-34, sendo então utilizado os valores constantes nas citadas GIM`s para efeito de cálculo do PIS no citado ano- ; 2.1.3 – ressalte-se que as bases de cálculo apuradas do PIS nos anos- 2002, 2003 e 2004, encontram-se discriminados, conforme assinalado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, c/c os Demonstrativos de Apuração da Contribuição, da Multa e Juros de Mora, bem como os Demonstrativos de Composição da Base de Cálculo, Apuração do Débito e de Situação Fiscal Apurada, partes integrantes do instrumento de autuação (fls. 07/23);” ) 3. Devidamente cientificado em 17/05/2005 (fls. 210), o sujeito passivo apresentou, tempestivamente (13/06/2005), a impugnação administrativa de fls. 215/229. 4. Em virtude das provas trazidas pela contribuinte, o processo foi convertido em diligência, conforme teor da Resolução nº 665, de 17/08/2005 (fls. 936/940), cujo resultado consta do Relatório proferido pelo órgão preparador às fls. 943/946 dos autos. 5. Em sessão de 18 de janeiro de 2008, a 4ª Turma da DRJ/FOR, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, nos termos do Acórdão nº 08- 12.696 (e-fls. 1000/1012), cuja ementa e resultado de julgamento receberam o seguinte descritivo: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano- Diferença apurada entre os valores declarados e os escriturados (Verificações Obrigatórias) Mantém-se em parte a exigência decorrente das diferenças verificadas entre os valores da Cofins declarados e os escriturados, quando Fiscalização. - : 2004 Tendo em vista que a Fiscalização no - de 2004 utilizou os dados totais das saídas de mercadorias e/ou serviços registrados pelo contribuinte nas Guias de Informação Mensal do ICMS vendas efetivas, recompõe-se excluindo-se dos valores originalmente lançados Lançamento Procedente em Parte.” “ACORDAM os Membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar PROCEDE ) - - ) Fl. 1084DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 1201-000.674 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.003656/2005-23 - jun., jul., ago., set. e out. do referido - nos valores de R$ 199,23; R$ 330,00; R$ 0,00; R$ 0,00; R$ 304,42; R$ 495,49; R$ 2.799,08; R$ 3.206,06; R$ 378,03; e R$ 485,83, respectivamente, no total de R$ 8.198,14; e c) sobre os valores do PIS originalmente lançados dos anos-calendário de 2002 e 2003, bem como sobre os valores mantidos da referida contribuição no ano-calendário de 2004, acrescentar a multa de oficio no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), acrescidos ainda dos juros de mora calculados com base na Taxa Selic, nos termos do Relatório e Voto que passam a integrar o presente julgado.” 6. Como à época o crédito tributário exonerado superava o limite de alçada prescrito pela Portaria-MF n° 3, de janeiro de 2008, a r. decisão sujeitou-se ao recurso de oficio, submetendo-se à apreciação do E. CARF, na forma determinada pelo art. 34, inciso I, do Decreto n° 70.235/1972. 7. De outra parte, inconformada com a decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou, tempestivamente (AR de 05/05/2008, e-fls. 1022 e interposição em 02/06/2008, e-fls. 1023), Recurso Voluntário (e-fls. 1023/1046), onde requer, em preliminar, diligência para apurar os reais valores da base de cálculo do PIS nos anos- 2003, nos mesmos moldes do ocorrido com o - 2004, que resultou no cancelamento da quase totalidade da exigência; quanto ao - 2004, reprisa a alegação de higidez da sua escrita fiscal, juntando cópias de todos os livros fiscais dos períodos lançados e, novamente, requer a improcedência da ação fiscal. 8. Encaminhado os autos para o órgão de julgamento, a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção prolatou a Resolução nº 3101-01.081 (e-fls. 1051/1060, sessão de 24 de abril de 2012), por meio da qual declinou da competência do julgamento deste processo para a 1ª Seção tendo em vista ser decorrente do processo 10380.003654/2005-34 (IRPJ e Reflexos), apreciado no âmbito da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção em julgamento formalizado no Acordão nº 1202-00.0141 (sessão de 25 de agosto de 2009), assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica- IRPJ Anos-calendário: 2003, 2004 IRPJ E CSLL - OMISSÃO DE RECEITAS - CONFRONTO ENTRE DADOS DA GUIA DE INFORMAÇÃO MENSAL DO ICMS E DA DIPJ - Incabível a tributação por omissão no registro de receitas, detectada pela constatação de diferenças entre o total das vendas informadas nos Livros Fiscais do ICMS em comparação com aquele declarado pela empresa nas DIPJ apresentadas ao Fisco Federal, quando o procedimento fiscal toma como base valores constantes das Guias de Informação Mensal do ICMS - GIMs - cujo código de operação não corresponde a saídas por vendas e sim a simples remessas não tributadas pelo IRPJ e pela CSLL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO VOLUNTÁRIO OFERTADO FORA DO PRAZO - A intempestividade na apresentação do recurso voluntário suprime do sujeito passivo o direito de ver apreciada sua contestação ao acórdão recorrido, ficando consolidada a situação jurídica definida na decisão dos julgadores de primeira instância. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário não conhecido ” Fl. 1085DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 1201-000.674 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.003656/2005-23 9. Após o despacho de encaminhamento de e-fls. 1062, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção em julgamento, prolatou a Resolução nº 1202-000.245 (e-fls. 1065/1066, sessão de 03 de junho de 2014) para converter o julgamento do recurso em diligência “Os presentes autos devem retornar à unidade da RFB de circunscrição da Recorrente, aguardando a decisão definitiva do processo de autos n° 10380.003654/2005-34. Após a referida decisão, os presentes autos deverão retornar a este Colegiado para continuação deste julgamento” 10. Às fls. 1074, o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário – SECAT, proferiu o seguinte despacho: Trata o presente processo de Auto de Infração-Cofins, que se encontrava pendente de julgamento de Recurso Voluntário no CARF, e foi encaminhado a este Secat/DRF/For, tendo em vista sobrestamento do prosseguimento por decisão expressa na Resolução nº 102-000.245, 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, até proferimento de decisão definitiva do litígio no processo nº 10380.003654/2005-34, conforme se lê às fls. 1065 a 1066 dos autos. Todavia, cabe esclarecer que o referido processo se encontrava consolidado no parcelamento especial nos termos da Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, permanecendo neste unidade preparadora até a data de 15 de julho de 2014, momento em que foi encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União/PFN-CE, conforme tela Comprot anexa às fls. 1068, em razão de cancelamento do parcelamento por rescisão, conforme telas às fls. 1069 e 1070. Face ao exposto, tendo em vista que o processo se encontra na situa “ F ” h 7 7 h C F h ” Voto 11. Diante da informação acerca da existência de parcelamento com relação ao processo principal (PAF nº 10380.003654/2005-34) reflexo ao presente e pelo fato do Recurso Voluntário não ter sido lá sequer conhecido por intempestivo, VOTO por converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora adote as seguintes providências: (i) Junte aos presentes autos cópia integral do processo principal nº 10380.003654/2005-34, bem como cópia do Termo de Opção, respectivo Recibo de Consoli 11.941/09 e status ou outros documentos hábeis a comprovar a efetiva adesão ao parcelamento; e (ii) Com relação aos créditos lançados no presente feito, deve confirmar eventual adesão ao Parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09, anexar aos autos C Parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09 e status ou outros documentos hábeis a comprovar a efetiva adesão ao parcelamento. É como voto. Fl. 1086DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 1201-000.674 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.003656/2005-23 (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 1087DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002396/2004-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2001, 2002
DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO
O irmão é considerado dependente, sem arrimo dos pais, em qualquer idade, quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho, o que foi comprovado através de laudo médico juntado aos autos durante o procedimento fiscal e quando da interposição do Recurso Voluntário.
as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda dizem respeito aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e se limitam a serviços comprovadamente realizados, bem como a pagamentos especificados e comprovados.
Numero da decisão: 2401-006.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente convocada), Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2001, 2002 DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO O irmão é considerado dependente, sem arrimo dos pais, em qualquer idade, quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho, o que foi comprovado através de laudo médico juntado aos autos durante o procedimento fiscal e quando da interposição do Recurso Voluntário. as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda dizem respeito aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e se limitam a serviços comprovadamente realizados, bem como a pagamentos especificados e comprovados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente convocada), Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-09-14T20:06:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-09-14T20:06:32Z; Last-Modified: 2019-09-14T20:06:32Z; dcterms:modified: 2019-09-14T20:06:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-09-14T20:06:32Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-09-14T20:06:32Z; meta:save-date: 2019-09-14T20:06:32Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-09-14T20:06:32Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-09-14T20:06:32Z; created: 2019-09-14T20:06:32Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2019-09-14T20:06:32Z; pdf:charsPerPage: 1764; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-09-14T20:06:32Z | Conteúdo => S2-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 19515.002396/2004-90 Recurso Voluntário Acórdão nº 2401-006.873 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de agosto de 2019 Recorrente MARCELO BORTMAN Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2001, 2002 DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO O irmão é considerado dependente, sem arrimo dos pais, em qualquer idade, quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho, o que foi comprovado através de laudo médico juntado aos autos durante o procedimento fiscal e quando da interposição do Recurso Voluntário. as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda dizem respeito aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e se limitam a serviços comprovadamente realizados, bem como a pagamentos especificados e comprovados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente convocada), Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 23 96 /2 00 4- 90 Fl. 295DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.873 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002396/2004-90 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II - SP (DRJ/SPOII) que julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, conforme ementa do Acórdão nº 17- 24.854 (fls. 236/243): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001, 2002 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consoante o disposto no artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972, com as modificações introduzidas pela Lei n° 9.532/1997, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. DEPENDENTES. IRMÃO. DEDUÇÃO. REQUISITOS NECESSÁRIOS. O termo de guarda judicial e a prova de incapacidade física ou mental para o trabalho são requisitos cumulativos que uma vez preenchidos, autorizam o contribuinte a considerar irmão como dependente para fins de imposto de renda - pessoa física, consoante disposto no inciso V do artigo 35 da Lei n° 9.250/1995 e inciso V do artigo 77 do RIR/99. Lançamento Procedente O presente processo trata de Auto de Infração- Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF (fls. 174/176), lavrada em 23/11/2004, referente aos Exercícios 2001 e 2002, que apurou um Crédito Tributário no valor de R$ 65.254,69, sendo R$ 28.808,10 de Imposto, código 2904, R$ 21.606,07 de Multa Proporcional, passível de redução, e R$ 14.840,52 de Juros de Mora calculados até 29/10/2004. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 175/176) foram constatadas as seguintes infrações: 1. Deduções indevidas de Dependentes nos valores de R$ 1.080,00 em 2001 e R$ 1.080,00 em 2002; 2. Deduções indevidas de Despesas Médicas nos valores de R$ 35.434,40 em 2001 e R$ 65.462,33 em 2002; 3. Dedução indevida de Despesas com Instrução nos valores de R$ 1.700,00 em 2002. Devidamente intimado, o Contribuinte não apresentou documentos hábeis e idôneos para comprovar a totalidade das deduções efetuadas, motivo pelo qual, os valores acima discriminados foram glosados. O Contribuinte tomou ciência da Notificação de Lançamento, via Correio (AR - fl. 182), em 29/11/2004 e, em 29/12/2004, apresentou tempestivamente sua Impugnação de fls. 186/192, instruída com os documentos nas fls. 195 a 214. Fl. 296DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.873 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002396/2004-90 O Processo foi encaminhado à DRJ/SPOII para julgamento, onde, através do Acórdão nº 17-24.854, em 12/05/2008 a 8ª Turma, considerando que o Auto de Infração foi lavrado com observância dos preceitos legais vigentes, julgou integralmente PROCEDENTE O LANÇAMENTO FISCAL, declarando o Contribuinte devedor do crédito tributário no valor de R$ 65.254,69. No Acórdão da DRJ/SPOII foi destacado que o Contribuinte efetuou recolhimentos após o Lançamento Fiscal, que deverão ser abatidos do Crédito Tributário devido (DARF’s fls. 219/220). O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/SPOII, pessoalmente, em 06/06/2008 (Termo de Ciência e Recebimento de Intimação - fl. 256) e, inconformado com a decisão prolatada, em 04/07/2008, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 258/266, instruído com os documentos nas fls. 267 a 289, onde, faz uma síntese dos fatos para em seguida alegar que: 1. À época, de acordo com os dispositivos legais vigentes, podia deduzir da base de cálculo do Imposto de Renda o valor de R$ 1.080,00 por dependente; 2. A Irmã do Contribuinte, maior de 21 anos, sem arrimo dos pais e incapacitada fisicamente para o trabalho, poderia ser considerada sua dependente, independentemente de possuir guarda judicial, pois para tal bastava ser comprovada a sua incapacidade física ou mental para o trabalho conforme disposto na segunda parte do inciso V, do artigo 35 da Lei 9.250/95; 3. De acordo com o Laudo Médico apresentado, a Irmã do Contribuinte possuía doença grave e esteve internada por longo período, o que demandou diversos custos suportados pelo Contribuinte uma vez que seus Pais não podiam arcar com tais despesas; 4. A Autoridade Administrativa reconheceu a incapacidade da Irmã do Contribuinte bem como os pagamentos efetuados a título de despesas médicas com a Irmã destinadas a médicos e hospitais; 5. A jurisprudência é uníssona no sentido de permitir a dedução pelo Contribuinte que arcou com despesas médicas de irmão incapaz em virtude da ausência de condições dos genitores; 6. Caso possuísse a guarda judicial de sua irmã maior de 21 anos e incapaz, ela seria considerada dependente, nos termos do inciso VII, do artigo 35, da Lei 9.250/95 e não nos termos do inciso V. O Contribuinte finalizou seu Recurso Voluntário requerendo seu provimento a fim de reconhecer a dedutibilidade das despesas oriundas dos gastos com tratamento médico- hospitalar de dependente, cancelando in totum o Auto de Infração combatido. É o relatório. Fl. 297DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.873 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002396/2004-90 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto, Relatora. Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito Conforme se verifica dos autos, trata o presente processo administrativo da exigência de Imposto de Renda Pessoa Física correspondente aos anos calendário 2000 e 2001, em que foram apuradas infrações relativas às deduções indevidas da base de cálculo do Imposto de Renda. A Recorrente se insurge contra as glosas de despesas deduzidas a título de gastos com tratamento e internação de sua irmã, Claudia Bortman, maior de 21 anos e incapacitada para o trabalho. Anexou o Relatório Médico de fl. 285, atestado de óbito de ERNESTO LERMAN BORTMAN à fl. 286, extratos de benefício previdenciário de FANY SZCZUPAK BORTMAN. Despesas com dependentes O então vigente Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, em seu artigo 77, estabelecia o seguinte: Art.77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). §1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, §3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): I-o cônjuge; II-o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III-a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV-o menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V - o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI - os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII - o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. A Lei nº 9.250/95 assim estabelece: Fl. 298DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.873 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002396/2004-90 Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I - o cônjuge; II - o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III - a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV - o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V - o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI - os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII - o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. (Grifamos) No caso em tela, a glosa foi efetuada por entender a autoridade fiscal que o contribuinte não comprovou a relação de dependência alegada. No entanto, depreende-se da norma citada que é considerado dependente, o irmão, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho. Ou seja, a guarda judicial para a comprovação da dependência do irmão é necessária quando este é menor de 21 anos. O irmão é considerado dependente, sem arrimo dos pais, em qualquer idade, quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho, o que foi comprovado através de laudo médico juntado aos autos durante o procedimento fiscal e quando da interposição do Recurso Voluntário. Ou seja, ficou evidenciada nos autos a relação da dependência, o que, por via de consequência, além do desconto anual no valor de R$ 1.080,00, também deve ser considerada a dedução a título de despesas médicas vinculadas à referida pessoa, nos termos do artigo 80 do RIR/1999, conforme será adiante apreciado. Despesas médicas Com efeito, a dedução das despesas médicas encontra-se insculpida no art. 8°, II, da Lei nº 9.250/95. Vejamos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as Fl. 299DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.873 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002396/2004-90 despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. No mesmo sentido, o artigo 80 do Decreto n° 3.000/1999, vigente à época dos fatos, assim dispunha: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideram-se despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Fl. 300DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.873 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002396/2004-90 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Da análise da legislação em apreço, percebe-se que as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda dizem respeito aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e se limitam a serviços comprovadamente realizados, bem como a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Destarte, todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Embora o ônus da prova caiba a quem alega, a lei confere à fiscalização a faculdade/dever de intimar o contribuinte para comprovar as deduções, caso existam dúvidas razoáveis quanto à efetiva realização das despesas, deslocando o ônus probatório para o contribuinte. A interpretação que se confere ao art. 73, § 1º do RIR/99 é de que o agente fiscal tem que tomar todas as medidas necessárias visando à proteção do interesse público e o efetivo cumprimento da lei, razão porque a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, que, em princípio, podem ser confirmadas através de recibos. Entretanto, havendo dúvidas razoáveis a respeito da legitimidade das deduções efetuadas, inclusive acerca da efetiva prestação do serviço, cabe à fiscalização exigir provas adicionais e, ao contribuinte, apresentar comprovação ou justificativa idônea, sob pena de ter suas deduções glosadas. Feitas essas considerações acerca da legislação de regência que trata da matéria, passo à análise do caso concreto. Durante o procedimento fiscal, o contribuinte juntou os documentos comprobatórios das despesas médicas realizadas com o tratamento médico de sua irmã, Cláudia Bortman. Através do Demonstrativo de Dedução de Despesas Médicas, a autoridade fiscal constatou que foram efetuadas, durante o ano calendário de 2000, um total de R$ 35.151,60, e no ano de 2001, o montante de R$ 65.099,20 de despesas médicas deduzidas pelo Recorrente de seu Imposto de Renda. Conforme já asseverado, a irmã do recorrente é considerada legalmente dependente, e a lei determina que a dedução restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Dessa forma, com relação às despesas médicas realizadas com a sua irmã, cabe a dedução do total do tratamento médico realizado, razão pela qual, deve ser restabelecida a dedução realizada dos valores constantes no quadro do Termo de Verificação Fiscal: item “b” da fl. 168 e item “b” da fl. 169. Fl. 301DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-006.873 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002396/2004-90 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e DAR-LHE PROVIMENTO para determinar o desconto anual no valor de R$ 1.080,00, com relação à dependente Claudia Bortman; restabelecer as deduções dos valores constantes no quadro do Termo de Verificação Fiscal: item “b” da fl. 168 e item “b” da fl. 169. (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 302DF CARF MF
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Numero do processo: 13677.000227/99-76
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1994 a 31/03/1999
CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC, SOMENTE SE CARACTERIZADA OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO.
Não existe previsão legal para incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciado foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento.
Numero da decisão: 9303-008.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/1994 a 31/03/1999 CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC, SOMENTE SE CARACTERIZADA OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. Não existe previsão legal para incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciado foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1994 a 31/03/1999 CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC, SOMENTE SE CARACTERIZADA OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. Não existe previsão legal para incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciado foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 7. 00 02 27 /9 9- 76 Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 13677.000227/9976 Acórdão n.º 9303008.944 CSRFT3 Fl. 1.380 2 Relatório Tratase de Recurso Especial por contrariedade à lei em decisão não unânime interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 1.364 a 1.370), contra o Acórdão 204 03.162, proferido pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 1.351 a 1.359), sob a seguinte ementa (grifei): NORMAS PROCESSUAIS: PRECLUSÃO Inadmissível a apreciação em grau de recurso, da pretensão do reclamante no que pertine à inclusão de despesas havidas com energia elétrica, aquisição de óleo diesel e gás GLP no cálculo do crédito presumido do IPI, visto que tais matérias não foram suscitadas na manifestação de inconformidade apresentada à instância a quo. Recurso não conhecido. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DCP. A não apresentação do demonstrativo de crédito presumido do IPI (DCP) caracteriza utilização indevida dos créditos e sujeito a contribuinte ao recolhimento do IPI que deixou de ser recolhido com os devidos acréscimos legais, nos termos determinados pela norma que regulamenta a matéria, expedida por expressa outorga de competência constante da lei que instituiu o beneficio fiscal. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. É cabível a incidência da taxa Selic sobre os créditos do IPI objeto de ressarcimento, a partir da data de protocolização do pedido. Recurso provido em parte. ACORDAM os Membros ... I) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, na parte preclusa; e II) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a Selic. No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 1.371 e 1.372), a PGFN defende que ressarcimento e restituição são institutos distintos, não sendo cabível, portanto, no caso dos créditos decorrente do primeiro, a incidência da Taxa SELIC, expressamente prevista em lei somente para a repetição de indébito (art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95). O contribuinte não apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 13677.000227/9976 Acórdão n.º 9303008.944 CSRFT3 Fl. 1.381 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Preenchidos todos os requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial. No mérito, a jurisprudência majoritária desta Turma está mais que sedimentada, sendo que me utilizo, como exemplo, do recente Acórdão nº 9303007.926, de 24/01/2019, de relatoria do ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, assim ementado (no que interessa à discussão): CRÉDITO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos. A questão nodal, no caso concreto, é a seguinte: ficou caracterizada a oposição estatal ilegítima (que só se verifica quando houve reversão, nas instâncias administrativas de julgamento, de decisão denegatória da autoridade competente para decidir sobre o Pedido de Ressarcimento) ?? Não. A Unidade de Origem deferiu parcialmente o Pedido de Ressarcimento, conforme Despacho Decisório às fls. 1.260 a 1.262; A DRJ/Juiz de Fora julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, deixando claro no Dispositivo (fls. 1.292) que “mantémse o ressarcimento de R$ 39.902,56, sem o acréscimo de juros equivalentes à taxa Selic ou de qualquer taxa de juros ou índice que o majore indevidamente”; O CARF, como visto, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, mas apenas para determinar a aplicação da Taxa SELIC, em nada alterando o valor original do direito creditório reconhecido pela autoridade competente. Assim, simplesmente não há parcela do direito creditório pleiteado passível de sofrer a incidência da Taxa SELIC (sendo despicienda, por óbvio, a recorrente discussão sobre o prazo inicial para a contagem de algo que não se aplica). Adoto o Voto Condutor do citado Acórdão como razão de decidir: “A questão da atualização monetária, pela Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, tem rendido inúmeras discussões, tanto na esfera administrativa como judicial. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 13677.000227/9976 Acórdão n.º 9303008.944 CSRFT3 Fl. 1.382 4 na análise dos pedidos administrativos. Vêse que no âmbito das turmas de julgamento do CARF, tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp n° 1.035.847 e no REsp n° 993.164. Ambos julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Portanto, sem dúvida, o reconhecimento da incidência da aplicação da Taxa Selic nos processos de ressarcimento decorrem de uma construção jurisprudencial e não por disposição expressa da Lei. Vêse que o STJ nos dois julgados acima citados reconhecem expressamente a falta de previsão legal a autorizar tal incidência. Vejamos o que dispôs referidos julgados: REsp 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção ...) 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 13677.000227/9976 Acórdão n.º 9303008.944 CSRFT3 Fl. 1.383 5 REsp n° 993.164: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO ... CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: Resp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco, ao aproveitamento de referidos créditos, permite que seja reconhecida a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. Porém da leitura que se faz, para a incidência da correção que se pretende, há que existir necessariamente o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento tem se que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 13677.000227/9976 Acórdão n.º 9303008.944 CSRFT3 Fl. 1.384 6 administrativas de julgamento. Portanto somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima citadas e transcritas. (...) Somente a título de esclarecimento, contestase especificamente o argumento, de que seria aplicável à espécie o art. 39 da Lei n° 9.250/95, o qual, segundo o entendimento de alguns tributaristas, deveria ser utilizado também para o fim de ressarcimento de tributos. O § 4° do art. 39 da Lei n° 9.250/95 é aplicável à restituição do indébito (pagamento indevido ou a maior) e não ao ressarcimento, que é do que trata a Lei n° 9.363/96. Ao contrário do que muitos defendem, o ressarcimento não é "espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). O direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em lei.” À vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1384DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.908025/2011-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
PIS/COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE.
A não-cumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
PIS/COFINS. INSUMO. CONCEITO. STJ. RESP. 1.221.170/PR. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA.
Conforme estabelecido de forma vinculante pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da PIS/COFINS deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica.
Numero da decisão: 3401-006.239
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para: (a1) afastar o lançamento em relação ao contrato JUR-988/98, vencido o Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares; e (a2) afastar o lançamento em relação ao contrato JUR-328/2002, exceto no que se refere a conferência de materiais e auxílio administrativo, vencido o Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, que mantinha integralmente o lançamento nesse item; e (b) por unanimidade de votos, para: (b1) afastar o lançamento em relação ao contrato JUR-229/2005-F, exceto no que se refere a manutenção predial; (b2) afastar o lançamento em relação ao contrato JUR-1012/2007-A; (b3) afastar o lançamento em relação a fretes nacionais na aquisição de insumos importados; (b4) afastar o lançamento no que se refere a custos de instalação de equipamentos do ativo imobilizado; e (b5) manter a autuação em relação aos contratos Contrato JUR-562/98 e JUR 230/2005-F, e em relação aos demais itens lançados.
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 PIS/COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. A não-cumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. PIS/COFINS. INSUMO. CONCEITO. STJ. RESP. 1.221.170/PR. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. Conforme estabelecido de forma vinculante pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da PIS/COFINS deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica.
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NÃOCUMULATIVIDADE. A nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. PIS/COFINS. INSUMO. CONCEITO. STJ. RESP. 1.221.170/PR. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. Conforme estabelecido de forma vinculante pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da PIS/COFINS deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para: (a1) afastar o lançamento em relação ao contrato JUR988/98, vencido o Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares; e (a2) afastar o lançamento em relação ao contrato JUR328/2002, exceto no que se refere a conferência de materiais e auxílio administrativo, vencido o Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, que mantinha integralmente o lançamento nesse item; e (b) por unanimidade de votos, para: (b1) afastar o lançamento em relação ao contrato JUR229/2005F, exceto no que se refere a manutenção predial; (b2) afastar o lançamento em relação ao contrato JUR1012/2007A; (b3) afastar o lançamento em relação a fretes nacionais na aquisição de insumos importados; (b4) afastar o lançamento no que se refere a custos de instalação de equipamentos do ativo imobilizado; e (b5) manter a autuação em relação aos contratos Contrato JUR562/98 e JUR 230/2005F, e em relação aos demais itens lançados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 80 25 /2 01 1- 28 Fl. 275DF CARF MF Processo nº 13888.908025/201128 Acórdão n.º 3401006.239 S3C4T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Irresignado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, vindo a repetir os seguintes argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade: (a) Ressalta o conceito extensivo a “insumo” para fins de sua aplicação à legislação do PIS/COFINS nãocumulativos, e que os serviços contratados pela Recorrente seriam atinentes a sua atividade; (b) Sobre os fretes na aquisição de insumos importados, afirma que esses valores integram o custo efetivo de aquisição de insumos não se confundindo com o frete internacional da importação; (c) Sobre os seguros, alega que tais valores integram o custo do frete na venda de mercadorias, assim geram direito ao crédito, a teor do art. 3o, IX, da Lei Federal no 10.833, de 2003; e (d) Quanto aos créditos sobre ativo imobilizado, afirma que: Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13888.908025/201128 Acórdão n.º 3401006.239 S3C4T1 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.231, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13888.908017/201181. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.231): "Do Mérito Em síntese, o Recurso busca a reforma da decisão que manteve as glosas em relação a: (1) Serviços de manutenção e conservação predial, manutenção de rede elétrica, aluguel de empilhadeiras e veículos, movimentação de mercadorias, controle de estoque, almoxarifado, limpeza e jardinagem , que não foram considerados insumos do processo produtivo pela fiscalização, a teor da Instrução Normativa (IN) SRF no 404, de 2004, ou seja, tais serviços não foram aplicados diretamente ao processo produtivo da empresa; (2) Fretes sobre a aquisição de insumos importados; (3) Seguros pagos sobre as mercadorias vendidas ao exterior; (4) Depreciação de máquinas e Fl. 277DF CARF MF Processo nº 13888.908025/201128 Acórdão n.º 3401006.239 S3C4T1 Fl. 5 4 equipamentos que não participam do processo industrial da empresa; (5) Depreciação acelerada calculada sobre bens em que não há previsão legal; e (6) Inclusão de serviços de instalação que não integram o custo de aquisição do ativo imobilizado. Do Conceito de insumos na legislação que rege as contribuições Com relação a esse item do Recurso, é necessário estabelecer os limites interpretativos para o conceito de insumo no âmbito das contribuições sociais, para, em seguida, expor as conclusões quanto à plausibilidade do direito ao crédito. A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias no 66/2002 e no 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais no 10.637/2002 e no 10.833/2003. Anteriormente, a nãocumulatividade tributária, no Brasil, foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu na doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, porque até o advento da não cumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional das contribuições limitouse a delegar à lei ordinária o estabelecimento de quais setores de atividade econômica teriam o regime nãocumulativo aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: “§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas”. Vejase que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: “Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: Fl. 278DF CARF MF Processo nº 13888.908025/201128 Acórdão n.º 3401006.239 S3C4T1 Fl. 6 5 (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2o O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; (...)” De tal forma, ainda, que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio qual seja, o de viabilizar a tributação sobre o valor agregado , é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Ed. Dialética, 2009, p.427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3o das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, que serão objeto de análise pontual mais adiante. Nesse primeiro momento, vejamos o citado artigo 3o: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei no 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei no 11.727, de 2008). Fl. 279DF CARF MF Processo nº 13888.908025/201128 Acórdão n.º 3401006.239 S3C4T1 Fl. 7 6 b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei no 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei no 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei no 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei no 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei no 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei no 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços.” E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se Fl. 280DF CARF MF Processo nº 13888.908025/201128 Acórdão n.º 3401006.239 S3C4T1 Fl. 8 7 refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar no 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: “(...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...)” De fato, do ponto de vista puramente econômico, o referido conceito nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito, ao menos no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente se trata do ICMS ou do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei no 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 13888.908025/201128 Acórdão n.º 3401006.239 S3C4T1 Fl. 9 8 Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT no 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: “Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos.” Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica”. De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o mencionado artigo 3o, quando se observa que os incisos e parágrafos endossam a ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando Fl. 282DF CARF MF Processo nº 13888.908025/201128 Acórdão n.º 3401006.239 S3C4T1 Fl. 10 9 mencionam “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da não cumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse sentido decisão recente e vinculante do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial 1.221.170/PR, de que o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da COFINS deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF no 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF no 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais no 10.637/2002 e no 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: “Art. 66. (...) § 5o Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...)” 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 13888.908025/201128 Acórdão n.º 3401006.239 S3C4T1 Fl. 11 10 Partindo desse posicionamento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta no 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços Fl. 284DF CARF MF Processo nº 13888.908025/201128 Acórdão n.º 3401006.239 S3C4T1 Fl. 12 11 geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art. 8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF no 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8o, § 4o, que assim dispôs: “Artigo 8o (...) § 4o Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I Utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II Utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...)” Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente que a do IPI e do ICMS, o construído à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Passo a analisar, a seguir, os itens glosados pela fiscalização e mantidos pela decisão de primeiro grau. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 13888.908025/201128 Acórdão n.º 3401006.239 S3C4T1 Fl. 13 12 Das glosas efetuadas (1) Glosa de créditos sobre serviços de manutenção e conservação predial, manutenção de rede elétrica, aluguel de empilhadeiras e veículos, movimentação de mercadorias, controle de estoque, almoxarifado, limpeza e jardinagem. A Recorrente deseja ver reformadas as glosas relacionadas a: Contratos de Prestação de Serviço JUR562/98 e JUR988/98, que se referem a gerenciamento do inventário físico dos insumos utilizados na produção, incluindo compra, recebimento, estocagem, manuseio até a sua utilização na produção; Contrato de Serviços JUR 328/2002, relacionado à limpeza industrial e remoção de resíduos industriais; Contrato de Serviço JUR 229/2005F, relacionado a operações de instalação, manutenção predial e tratamento de resíduos, manutenção de equipamentos industriais (empilhadeiras, motobombas, geradores, guindastes), além de serviços de serralheria e carpintaria relacionados a equipamentos utilizados na produção; Contrato de Serviço JUR 230/2005F, relacionado a jardinagem, correio, administração do arquivo, almoxarifado de materiais indiretos; e Contrato de Serviço JUR 1012/2007A, relativo à manutenção de equipamentos industriais (empilhadeiras, paletizadoras, geradores, guindastes). Ora, dos itens relacionados acima, com base no entendimento esposado na parte anterior do voto, aliado à compreensão dada por insumo nos termos da Solução de Consulta COSIT no 5/2018, é possível entender como passíveis de apropriação de crédito, por guardarem essencialidade em relação à atividade da Recorrente, as despesas dos contratos de serviço JUR988/98, JUR328/2002 (exceto no que se refere a conferência de materiais e auxílio administrativo), JUR229/2005F (exceto no que se refere a manutenção predial), e JUR1012/2007A, sendo corretas as glosas referentes aos contratos JUR562/98 e JUR 230/2005F, por serem atinentes a atividades que não denotam o grau de essencialidade relevância discutido no tópico anterior. Assim, devem ser reformadas parcialmente as glosas relativas a este tópico, como exposto acima. (2) Fretes sobre a aquisição de insumos importados Devese reconhecer que a legislação da modalidade não cumulativa das contribuições sociais não previu a possibilidade de desconto de créditos sobre os serviços de frete decorrentes da aquisição de insumos que, por sua vez, geraram créditos. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 13888.908025/201128 Acórdão n.º 3401006.239 S3C4T1 Fl. 14 13 Talvez nem precisasse. Isso porque, conforme, será explicitado à frente, esse regime nãocumulativo está sensivelmente ligado à dualidade custo receita; não há a menor dúvida que o frete suportado pelo adquirente na compra de insumos deve ser integrado ao custo de aquisição desses últimos. Vejamos o Pronunciamento Técnico CPC 16, aprovado pelo CFC pela NBC TG 16: “11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição.” Além disso, é possível inferir que tenha havido silêncio eloquente pelas normas que regulam as contribuições, ao não vetar expressamente essa possibilidade, vis a vis ser absolutamente claro que, como regra, os gastos no transporte de insumos serem integrantes do custo de estoque. Dessa forma, o frete nacional na aquisição de insumos, por compor o seu custo, implica o direito ao crédito das contribuições. Esse entendimento acabou sendo replicado na Solução de Consulta COSIT no 99048, de 20.03.2017, ao reconhecer a possibilidade do crédito sobre frete quando esse integrar o custo de aquisição de insumos, a despeito da falta de “previsão legal específica para a apuração de créditos da não cumulatividade da COFINS em relação aos dispêndios com frete ocorridos na aquisição de bens”: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: CRÉDITOS. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. Os dispêndios com serviço de transporte de bens de terceiros entre estabelecimentos da pessoa jurídica executora de serviços de manutenção dos referidos bens não geram para esta direito à apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep. Não há previsão legal específica para a apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep em relação aos dispêndios com frete ocorridos na aquisição de bens. No entanto, considerando que o frete do bem adquirido, em regra, integra o custo de aquisição do bem: a) quando permitido o creditamento em relação ao bem adquirido, o custo de seu transporte, incluído no seu valor de aquisição, servirá, indiretamente, de base de apuração do valor do crédito; b) Fl. 287DF CARF MF Processo nº 13888.908025/201128 Acórdão n.º 3401006.239 S3C4T1 Fl. 15 14 quando vedado o creditamento em relação ao bem adquirido, também não haverá, sequer indiretamente, tal direito em relação aos dispêndios com seu transporte. (VINCULADA À SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA COSIT No 7, DE 23 DE AGOSTO DE 2016, PUBLICADA NO DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO DE 11 DE OUTUBRO DE 2016.) DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei no 10.637/2002, art. 3o, II; RIR, art. 289, § 1o; IN SRF no 247/2002, art. 66, I, ‘b’, e § 5o. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS EMENTA: CRÉDITOS. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. Os dispêndios com serviço de transporte de bens de terceiros entre estabelecimentos da pessoa jurídica executora de serviços de manutenção dos referidos bens não geram para esta direito à apropriação de créditos da Cofins. Não há previsão legal específica para a apuração de créditos da não cumulatividade da Cofins em relação aos dispêndios com frete ocorridos na aquisição de bens. No entanto, considerando que o frete do bem adquirido, em regra, integra o custo de aquisição do bem: a) quando permitido o creditamento em relação ao bem adquirido, o custo de seu transporte, incluído no seu valor de aquisição, servirá, indiretamente, de base de apuração do valor do crédito; b) quando vedado o creditamento em relação ao bem adquirido, também não haverá, sequer indiretamente, tal direito em relação aos dispêndios com seu transporte. (VINCULADA À SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA COSIT No 7, DE 23 DE AGOSTO DE 2016, PUBLICADA NO DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO DE 11 DE OUTUBRO DE 2016.) DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei no 10.833/2003, art. 3o, II; RIR.” Diante disso, deve ser reformada a decisão recorrida, para reconhecer os créditos oriundos da contratação de frete nacional na aquisição dos insumos importados, uma vez que os gastos relacionados sua efetiva entrega no estabelecimento da Recorrente integram o custo de aquisição. Excluemse da geração de créditos os fretes relativos à operação de importação (fretes internacionais). Assim, devem ser revertidas as glosas referentes a fretes nacionais na aquisição de insumos importados. (3) Seguros pagos sobre as mercadorias vendidas ao exterior Fl. 288DF CARF MF Processo nº 13888.908025/201128 Acórdão n.º 3401006.239 S3C4T1 Fl. 16 15 Por outro lado, a contratação de seguro relacionada aos produtos acabados a serem vendidos ao exterior não se insere o conceito de custo de aquisição de insumos ou mercadorias, uma vez que esses gastos que ocorrem após a finalização do produto, não sendo possível sua integração ao custo do produto acabado. Em sua defesa, a Recorrente traz à baila o fato de que os valores de seguro estão compreendidos no valor total do frete relacionado à exportação dos seus produtos, como se demonstra no trecho do contrato de serviços de frete internacional (JUR 777/2003): Nesse sentido, alega que o seguro, na verdade, se inclui no total da remuneração cobrada pela transportadora, e, como tal, deveria ser passível de creditamento. Por outro lado, o fato de o contrato entre as partes prever que o seguro será cobrado conjuntamente não desnatura o “seguro”, de modo que não há como tratálo como frete. Assim, tratase de típica “despesa com vendas”, cuja natureza (seguro) não está prevista no rol de possibilidades de apropriação de créditos de PIS/COFINS, posto que não é tampouco possível caracterizála como insumo. Acertada, portanto, a decisão de primeiro grau, que manteve a glosa de créditos originados dessas despesas. (4) Depreciação de máquinas e equipamentos que não participam do processo industrial da empresa A Recorrente alega que os bens que foram desconsiderados pela fiscalização são pertinentes ao processo produtivo, porém nada junta aos autos para comprovar essa alegação, sendo incluída na Impugnação uma tabela com descrição sumária de itens do imobilizado, e nada mais no Recurso Voluntário. Não há dúvida que é possível a apropriação de créditos decorrentes de despesas de depreciação de bens do ativo imobilizado, desde que respeitadas as condições estabelecidas pela legislação em vigor, em especial aquela relacionada à ligação intrínseca entre o ativo em questão e a atividadefim desenvolvida. Esse aspecto, arduamente atacado pela fiscalização, não foi rebatido a contento pela Recorrente nas diversas oportunidades que teve para fazêlo. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 13888.908025/201128 Acórdão n.º 3401006.239 S3C4T1 Fl. 17 16 Portanto, inexistindo comprovação mínima que pudesse, ao menos, ensejar dúvida para suscitar diligência, nego provimento ao Recurso nesse ponto, por carência probatória. (5) Depreciação acelerada calculada sobre bens sem previsão legal Quanto a esse item, a Recorrente protesta contra a estratégia da fiscalização de desconsiderar a opção pela apropriação de créditos das contribuições sociais sob a alternativa de “depreciação acelerada”, prevista nas subsequentes alterações nas leis que regem as contribuições sociais, em que foi permitido a apropriação em 1/48 avos mensais ou 1/24 avos mensais, para outros bens que não máquinas e equipamentos. Na oportunidade da fiscalização, foi desconsiderada a metodologia de cálculo com base em “depreciação acelerada” em 24 meses para bens do ativo imobilizado que não restaram identificados como máquinas ou equipamentos cuja NCM não constava na lista taxativa da norma que concedeu esse benefício, e das máquinas e equipamentos em geral para os casos de apropriação em 12 parcelas até a modalidade de apropriação integral. Com relação a isso, importante lembrar que, como regra geral, a apropriação de créditos deve ser proporcional às taxas de depreciação previstas na legislação tributária, sendo facultada a metodologia de 1/48 avos mensais. Em um momento seguinte, visando estimular a expansão e a renovação do parque industrial brasileiro, houve a edição da Medida Provisória no 219/2004, posteriormente convertida na Lei no 11.051/2004, a qual, entre outras providências, dispôs sobre o desconto dos créditos do PIS/PASEP e da COFINS sobre a aquisição de máquinas e equipamentos. A Medida Provisória em referência, em seu artigo 2o, possibilitou a utilização, no prazo de dois anos, do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP e COFINS sobre os custos de aquisição das máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos novos, taxativamente arrolados nos Decretos Federais no 4.955/2004 e no 5.173/2004, reduzindo, especificamente para estes bens, o prazo de quatro anos anteriormente estipulado. Posteriormente, em 2008, foi editada outra Medida Provisória sobre o assunto (Medida Provisória no 428/2008, posteriormente convertida na Lei no 11.774/2008), possibilitando, a partir de 18/09/2008, a tomada de créditos na hipótese de aquisição de máquinas e equipamentos destinados à produção de bens e serviços, sobre o valor correspondente a 1/12 (um doze avos) do custo de aquisição do bem. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 13888.908025/201128 Acórdão n.º 3401006.239 S3C4T1 Fl. 18 17 Sumarizando tais evoluções legislativas, temos o seguinte quadro: Método de creditamento Ativos elegíveis 1/48 avos/mês Qualquer ativo imobilizado adquirido a partir de maio/2004 1/24 avos/mês Máquinas e equipamentos adquiridos a partir de outubro/2004 até dezembro/2010, limitados àqueles NCM’s listados nos Decretos Federais nº 4.955/2004 e 5.173/2004, aplicados em processo industrial. 1/12 avos/mês Máquinas e equipamentos adquiridos a partir de maio/2008 Em ambos os atos normativos, Lei Federal no 11.051/2004, artigo 2o, § 1o, e Lei Federal no 11.774/2008, artigo 1o, § 1o, faz se menção expressa a que os bens do ativo imobilizado que fazem jus à depreciação acelerada respectiva são da espécie “máquinas e equipamentos”, e que o crédito será calculado sobre o seu “custo de aquisição”: “LEI FEDERAL no 11.051/2004 Art. 2o As pessoas jurídicas poderão optar pelo desconto, no prazo de 2 (dois) anos, dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam o inciso III do § 1o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o § 4o do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, na hipótese de aquisição dos bens de que trata o art. 1o desta Lei. § 1o Os créditos de que trata este artigo serão apurados mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre o valor correspondente a 1/24 (um vinte e quatro avos) do custo de aquisição do bem. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 13888.908025/201128 Acórdão n.º 3401006.239 S3C4T1 Fl. 19 18 LEI FEDERAL no 11.774/2008 Art. 1o As pessoas jurídicas poderão optar pelo desconto, no prazo de 12 (doze) meses, dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS de que tratam o inciso III do § 1o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o inciso III do § 1o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o § 4o do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, na hipótese de aquisição de máquinas e equipamentos destinados à produção de bens e serviços. § 1o Os créditos de que trata este artigo serão apurados mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre o valor correspondente a 1/12 (um doze avos) do custo de aquisição do bem.” Assim, não poderia a Recorrente tomar créditos na modalidade acelerada sobre aquisição de outros bens do ativo imobilizado como benfeitorias prediais, mobiliário, etc., tampouco poderia ter apropriado créditos sobre máquinas e equipamentos que não estivessem contidos na lista taxativa dos Decretos no 4.955/2004 e no 5.173/2004. Portanto, acertada a decisão recorrida nesse particular, de modo que não merece reforma. (6) Inclusão de serviços de instalação que não integram o custo de aquisição do ativo imobilizado A Recorrente, por outro lado, refuta os argumentos da fiscalização quanto as glosas efetuadas sobre os serviços de instalação relacionados aos bens do ativo imobilizados em razão de não se integrarem os respectivos custos de aquisição, ressaltando que, contabilmente, tais serviços se integram ao custo do equipamento. Nesse item, há de se concordar com a Recorrente. Explico. O conceito de ativo imobilizado figura na Lei no 6.404/1976 (Lei das S.A.), que, em seu art. 179, IV, com as alterações promovidas pela Lei no 11.638/2007, estabelece que devem ser registrados no ativo imobilizado os “...direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens”. Na prática, as premissas para o registro contábil de um determinado dispêndio como ativo imobilizado sempre foram encontradas na Resolução CFC no 1.025/20054, até 31/12/2009, 4 (...) Fl. 292DF CARF MF Processo nº 13888.908025/201128 Acórdão n.º 3401006.239 S3C4T1 Fl. 20 19 e, desde então, no Pronunciamento no 27 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC, aprovado pela Deliberação CVM no 583/2009 e pela Resolução CFC no 1.177/2009. O referido CPC no 27, em seu item 6, define ativo imobilizado: “Ativo imobilizado é o item tangível que: é mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou serviços, para aluguel a outros, ou para fins administrativos; e se espera utilizar por mais de um período.” Mais adiante, o mencionado CPC no 27 trata das hipóteses em que um bem deve ser reconhecido como um item do ativo imobilizado: “7. O custo de um item de ativo imobilizado deve ser reconhecido como ativo se, e apenas se: for provável que futuros benefícios econômicos associados ao item fluirão para a entidade; e o custo do item puder ser mensurado confiavelmente. 8. Sobressalentes, peças de reposição, ferramentas e equipamentos de uso interno são classificados como ativo imobilizado quando a entidade espera usálos por mais de um período. Da mesma forma, se puderem ser utilizados somente em conexão com itens do ativo imobilizado, também são contabilizados como ativo imobilizado.” Ainda sobre a definição dos itens a serem registrados no ativo imobilizado, é interessante analisar o disposto nos itens 16 e 17 do mesmo CPC no 27: 16. O custo de um item do ativo imobilizado compreende: (a) seu preço de compra, acrescido de impostos de importação e impostos não recuperáveis sobre a compra, após deduzidos os descontos comerciais e abatimentos; (b) quaisquer custos diretamente atribuíveis para colocar o ativo no local e condição necessárias para o mesmo ser capaz de funcionar da forma pretendida pela administração; (c) a estimativa inicial dos custos de desmontagem e remoção do item e de restauração do local (sítio) no qual este está localizado. Tais custos representam a obrigação em que uma entidade incorre quando o item é adquirido ou como 19.1.2.4. Ativo imobilizado, objeto desta norma, compreende os ativos tangíveis que: a) são mantidos por uma entidade para uso na produção ou na comercialização de mercadorias ou serviços, para locação, ou para finalidades administrativas; b) têm a expectativa de serem utilizados por mais de doze meses; c) haja a expectativa de auferir benefícios econômicos em decorrência da sua utilização; e d) possa o custo do ativo ser mensurado com segurança. (...) Fl. 293DF CARF MF Processo nº 13888.908025/201128 Acórdão n.º 3401006.239 S3C4T1 Fl. 21 20 conseqüência de o usar durante um determinado período para finalidades diferentes da produção de estoques durante esse período. 17. Exemplos de custos diretamente atribuíveis são: (a) custos de benefícios aos empregados (tal como definidos no Pronunciamento Técnico CPC 33 – Benefício PósEmprego) decorrentes diretamente da construção ou aquisição de um item do ativo imobilizado; (b) custos de preparação do local; (c) custos iniciais de frete e de manuseamento; (d) custos de instalação e montagem; (e) custos com testes para verificar se o ativo está funcionando corretamente, após dedução das receitas líquidas provenientes da venda de qualquer item produzido enquanto se coloca o ativo nessa localização e condição (tais como amostras produzidas quando se testa o equipamento); e (f) honorários profissionais.” Lembrando que, para fins tributários, o conceito de ativo imobilizado não poderia ser outro que não o definido pela legislação societária e subsidiariamente pelos princípios contábeis de aceitação geral no Brasil; mesmo porque não há uma definição própria em lei tributária, muito menos na legislação de regência do PIS/PASEP e COFINS não cumulativos. Nesse sentido, os gastos relacionados à instalação e outros serviços necessários para possibilitar o funcionamento inicial das respectivas máquinas e equipamentos que, nos termos dos itens anteriores, podem ter créditos apropriados, igualmente podem ser apropriados na mesma sistemática “acelerada”, posto que integram o custo de aquisição desses itens. Portanto, deve ser reformada a decisão nesse particular, afastandose o lançamento no que se refere a custos de instalação de equipamentos do ativo imobilizado. Das considerações finais Diante de todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para afastar o lançamento em relação aos contratos JUR988/98; JUR328/2002 (exceto no que se refere a conferência de materiais e auxílio administrativo); JUR 229/2005F (exceto no que se refere a manutenção predial); e JUR1012/2007A; bem assim para afastar o lançamento em relação a fretes nacionais na aquisição de insumos importados, e custos de instalação de equipamentos do ativo imobilizado. Nota do redator designado Ad Hoc: Como o presente processo foi julgado em conjunto com outros seis, da mesma empresa, na Fl. 294DF CARF MF Processo nº 13888.908025/201128 Acórdão n.º 3401006.239 S3C4T1 Fl. 22 21 sessão de julgamento de 17/06/2019, sendo um deles de maior abrangência e referente a lançamento (no 13888.720188/2012 61, onde podem ser encontrados, na íntegra, os contratos mencionados neste voto), o resultado do processo abrangente acabou espelhado nos demais, inclusive no presente. Assim, a menção, no resultado do julgamento, a afastamento de “lançamento” para um determinado tema deve ser compreendida como afastamento “das glosas” efetuadas pela fiscalização em relação ao respectivo tema. O esclarecimento aqui apresentado objetiva facilitar a compreensão e a liquidação administrativa do acórdão." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicase também aos autos a observação contida na “Nota do redator designado Ad Hoc” constante do paradigma. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por dar parcial provimento ao recurso, para afastar o lançamento em relação aos contratos JUR988/98; JUR 328/2002 (exceto no que se refere a conferência de materiais e auxílio administrativo); JUR 229/2005F (exceto no que se refere a manutenção predial); e JUR1012/2007A; bem assim para afastar o lançamento em relação a fretes nacionais na aquisição de insumos importados, e custos de instalação de equipamentos do ativo imobilizado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 295DF CARF MF Processo nº 13888.908025/201128 Acórdão n.º 3401006.239 S3C4T1 Fl. 23 22 Fl. 296DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000236/2008-71
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2003
COOPERATIVA DE TRABALHO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TERCEIROS TOMADORES. ATO NÃO COOPERATIVO. TRIBUTAÇÃO.
Apenas sobre os atos cooperativos típicos, assim entendidos como aqueles praticados na forma do art. 79 da Lei 5.764/71 não ocorre a incidência de tributos, consoante a jurisprudência consolidada do STJ.
Os valores recebidos pelas cooperativas de trabalho, por serviço prestado por seus associados a outra pessoa, associada ou não, por se tratar de ato não cooperativo, estão sujeitos ao IRPJ.
Numero da decisão: 9101-004.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Demetrius Nichele Macei e Lívia De Carli Germano, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à DRJ, para apreciação das demais questões da impugnação, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Lívia De Carli Germano e Amélia Wakako Morishita Yamamoto, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Demetrius Nichele Macei e Lívia De Carli Germano.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TERCEIROS TOMADORES. ATO NÃO COOPERATIVO. TRIBUTAÇÃO. Apenas sobre os atos cooperativos típicos, assim entendidos como aqueles praticados na forma do art. 79 da Lei 5.764/71 não ocorre a incidência de tributos, consoante a jurisprudência consolidada do STJ. Os valores recebidos pelas cooperativas de trabalho, por serviço prestado por seus associados a outra pessoa, associada ou não, por se tratar de ato não cooperativo, estão sujeitos ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Demetrius Nichele Macei e Lívia De Carli Germano, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à DRJ, para apreciação das demais questões da impugnação, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Lívia De Carli Germano e Amélia Wakako Morishita Yamamoto, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Demetrius Nichele Macei e Lívia De Carli Germano. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (documento assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 02 36 /2 00 8- 71 Fl. 426DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.349 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15540.000236/2008-71 Relatório Trata-se de recurso especial de divergência apresentado pela FAZENDA NACIONAL em face do acórdão nº 1302-001.435 (da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, fls. 230 e seguintes), através do qual o colegiado decidiu negar provimento ao recurso de ofício, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 COOPERATIVAS DE TRABALHO. ATOS COOPERADOS. ISENÇÃO. Os valores recebidos pelas cooperativas de trabalho, por serviço prestados por seus associados, a outra pessoa ainda que não associado, é ato cooperativo e não estão sujeitos ao IRPJ. ASSUNTO: CSLL COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. Até o ano de 2004, inclusive, as sociedades cooperativas sujeitavam-se à incidência de CSLL, independente de se tratar da prática de atos cooperados ou não. ASSUNTO: COFINS COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. As sociedades cooperativas sujeitam-se à incidência desta contribuição com exclusões e deduções da base de cálculo específicas, conforme Instrução Normativa SRF n° 635/2006 . ASSUNTO: PIS/PASEP COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. As sociedades cooperativas sujeitam-se à incidência desta contribuição com exclusões e deduções da base de cálculo específicas, conforme Instrução Normativa SRF nº 635/2006. Trata-se de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, lavrados em face do contribuinte pelos seguintes fatos, consoante descrito nos Termos de Constatação Fiscal, em síntese: - o contribuinte não declarou na DIPJ 2004, com opção de apuração da base de cálculo do IRPJ pelo lucro real anual, suas receitas tributáveis; - intimado, incoerentemente, respondeu que não se sujeita à tributação pelo lucro real, razão pela qual não escritura o Lalur; - intimado, não apresentou comprovação de suas despesas até a data da lavratura do Auto de Infração; Fl. 427DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.349 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15540.000236/2008-71 - respondeu que a Cooperativa funciona como prestadora de serviços e tem como objetivo o planejamento e intermediação de negócios entre seus cooperados e terceiros, remunerando-se por meio de comissão ou taxa de administração; - com base na receita conhecida, devidamente descontada dos salários e tributos retidos na fonte, no total de R$ 2.503.069,12, a fiscalização apurou o crédito tributário lançado, utilizando como forma de tributação do lucro o montante real auferido no ano; - o parecer Normativo n° 73/75 definiu que o lucro operacional a ser considerado para efeitos de tributação corresponderá ao resultado da receita derivada das operações efetuadas com terceiros diminuída dos custos diretos e, ainda, dos custos e encargos indiretos; - o art. 79, da Lei n° 5.764/71, dispõe que atos cooperativos são os praticados com seus associados e o art. 111, da mesma lei, diz que é renda tributável a receita de serviços fornecidos a terceiros não associados. Conforme relatado no acórdão ora recorrido, na impugnação ao lançamento, o contribuinte alegou, em síntese: DA NATUREZA DOS ATOS PRATICADOS PELA IMPUGNANTE - que os atos praticados pela Interessada, cuja receita foi objeto do lançamento, são atos cooperativos e, portanto, não suscetíveis à tributação. - que a definição adotada pela Receita Federal, ou mais precisamente pelo Conselho de Contribuintes, é a de que ato cooperativo se identifica como aquele praticado entre a cooperativa e seus associados. - que esse órgão fazendário entende que, especificamente para as cooperativas de trabalho, como é o caso da Interessada, ato cooperativo é também a prestação de serviço por seus associados a outra pessoa ainda que não associado com a intermediação da cooperativa, desde que o serviço seja da mesma atividade econômica. - que é justamente o que ocorre na presente discussão, pois a Interessada contrata com terceiros a prestação de serviços por parte de seus associados que participam de todas as fases. - que, segundo o art. 30, do Estatuto Social da Interessada, seu objeto social é também a prestação de serviço à terceiros, caso em que integra a relação jurídica como representante de seus cooperados. - que a documentação acostada demonstra, de forma inequívoca, que os atos praticados enquadram-se dentre os cooperativos e que, portanto, o lançamento é improcedente. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO - que, caso esta Delegacia entenda que a Interessada pratica também atos não cooperativos, conclua pela nulidade do auto de infração. - que o Fiscal autuante não delineou o alcance dos atos cooperativos, para saber que valores estariam sujeitos à tributação. - que o Fiscal limitou-se a identificar as receitas do período e descontar as despesas relativas a salários e tributos retidos na fonte, quando, para que o lançamento pudesse ser considerado válido, deveria ter destacado o resultado dos atos não cooperativos e Fl. 428DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.349 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15540.000236/2008-71 exigido o tributo somente sobre este resultado, descontando, ainda, todas as receitas transferidas a terceiros e a cooperados. DO ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO - que, não obstante não terem sido descontados os valores referentes aos atos cooperativos praticados pela Interessada, a tributação relativa ao PIS e à Cofins somente poderia incidir sobre a receita própria da cooperativa e ao IRPJ e à CSLL, sobre o resultado líquido, descontando-se todas as receitas transferidas a terceiros e aos cooperados. - que a Interessada apresentou relação detalhada de todos os seus custos diretos e indiretos que também podem ser considerados receitas transferidas a terceiros, em planilha acostada à fl. 112. - que, ao final, descontando-se todos os custos, a cooperativa apurou lucro real de R$ 189.979,01, que, em caso de se desconsiderar as demais alegações, deve ser considerado como base de cálculo do IRPJ e da CSLL. DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA CONTÁBIL - que com base no princípio da verdade material, a Interessada pretende produzir prova perícia contábil, a fim de que seja realizada uma verificação na contabilidade para demonstrar todos os custos da atividade, bem como a natureza da receita. - que, para tal, apresenta os quesitos e a qualificação técnica do perito indicado (fls. 146, 156, 166 e 176). A turma julgadora de primeira instância (9ª Turma da DRJ/RJ1) deu parcial provimento à impugnação, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-Calendário: 2003 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2003 COOPERATIVAS DE TRABALHO. ATOS COOPERADOS. ISENÇÃO. Os valores recebidos pelas cooperativas de trabalho, por serviço prestados por seus associados, a outra pessoa ainda que não associado, é ato cooperativo e não estão sujeitos ao IRPJ. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2003 COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. Até o ano de 2004, inclusive, as sociedades cooperativas sujeitavam-se à incidência de CSLL, independente de se tratar da prática de atos cooperados ou não. Fl. 429DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.349 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15540.000236/2008-71 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano-calendário: 2003 COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. As sociedades cooperativas sujeitam- se à incidência desta contribuição com exclusões e deduções da base de cálculo específi cas, conforme Instrução Normativa SRF n° 635/2006. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2003 COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. As sociedades cooperativas sujeitam-se à incidência desta contribuição com exclusões e deduções da base de cálculo específicas, conforme Instrução Normativa SRF nº 635/2006. Diante do crédito tributário exonerado, o Presidente da Turma recorreu de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. O contribuinte não apresentou recurso voluntário. No julgamento do recurso de ofício, o colegiado decidiu negar-lhe provimento, conforme ementa acima transcrita. Em face dessa decisão, a PGFN relata que o acórdão recorrido afastou a exigência do IRPJ por entender que a contratação de serviços com não associados, operação da qual se originou o auto de infração questionado pelo contribuinte, constitui ato cooperado pelo simples fato de aproximar os cooperados dos usuários dos serviços da cooperativa. Aponta que há divergência jurisprudencial entre este e o acórdão paradigma nº 202-15.678 (da 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes), o qual demonstra que as hipóteses de isenção requerem interpretação restritiva, não havendo como enquadrar em ato cooperado uma atividade que não está contemplada no art. 79 da Lei nº 5.764/71, como é caso de ato praticado entre cooperado e não associado, mesmo que tenha por fim o atendimento da finalidade social da cooperativa. Segue a ementa: Acórdão nº 202-15.678 PIS. ATOS NÃO-COOPERATIVOS. Consideram-se atos não cooperativos os praticados com terceiros não associados, embora objetivem atendimentos sociais e a finalidade da sociedade cooperativa, por faltar-lhes o requisito básico de estar em ambos os lados da relação negocial, a cooperativa e seus associados, para consecução dos seus objetivos. ISENÇÃO. O adequado tratamento tributário ao ato cooperativo previsto na Constituição Federal não implica imunidade ou isenção, não prevista em lei, relativas às contribuições para a seguridade social, já que esta haverá de ser financiada por toda a sociedade, estando imunes apenas as entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei, dentre as quais não se encontram as sociedades cooperativas. As Fl. 430DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-004.349 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15540.000236/2008-71 cooperativas estão obrigadas ao recolhimento do PIS, além de 1% sobre a folha de salários, à tributação normal quando praticarem atos não-cooperados. O recurso foi admitido pelo Presidente da Câmara recorrida, que considerou caracterizado o dissídio jurisprudencial a ensejar a apreciação do recurso especial pela Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, pelos seguintes fundamentos: - confrontando-se as decisões em questão, verifica-se que ambas aplicam as disposições da Lei nº 5.764, de 1971, para diferenciar os atos cooperativos e não-cooperativos e, assim, aplicar regras próprias de tributação a cada um dos conjuntos de atos. Ambas também tratam de atos praticados por cooperativas de trabalho. - do confronto das ementas, enquanto no recorrido se considera que "os valores recebidos pelas cooperativas de trabalho, por serviço prestados por seus associados, a outra pessoa ainda que não associado, é ato cooperativo", o paradigma manifesta-se no sentido de que é requisito básico para o ato cooperativo a cooperativa e seus associados "em ambos os lados da relação negocial". O contribuinte, cientificado, não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Conhecimento Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, nos termos do art. 67 do Anexo II do RICARF. O recurso foi admitido pelo despacho do Presidente da Câmara recorrida e sua admissibilidade não foi questionada pela parte contrária. O despacho de admissibilidade deu seguimento após constatar a divergência em relação ao acórdão recorrido que considerou que "os valores recebidos pelas cooperativas de trabalho, por serviço prestados por seus associados, a outra pessoa ainda que não associado, é ato cooperativo", enquanto "o paradigma manifesta-se no sentido de que é requisito básico para o ato cooperativo a cooperativa e seus associados "em ambos os lados da relação negocial". De fato, em que pese tratar de PIS, o paradigma firma o entendimento quanto ao que se compreende por atos não cooperativos: Fl. 431DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-004.349 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15540.000236/2008-71 Consideram-se atos não cooperativos os praticados com terceiros não associados, embora objetivem atendimentos sociais e a finalidade da sociedade cooperativa, por faltar-lhes o requisito básico de estar em ambos os lados da relação negocial, a cooperativa e seus associados, para consecução dos seus objetivos. Nesse sentido, verifica-se a similitude suficiente para demonstrar a divergência jurisprudencial. Assim, presentes os pressupostos recursais, adoto as razões do despacho de admissibilidade para conhecer do recurso especial interposto no presente caso. Mérito A divergência, como visto, cinge-se à definição do que se deve compreender por ato cooperativo e ato não cooperativo, para fins de incidência de tributação a título de IRPJ . As sociedades cooperativas devem se constituir conforme as disposições da Lei nº 5.764, de 1971, especialmente seu art. 3º, observando-se, ainda, o disposto nos arts. 1.093 a 1.096 do Código Civil, sendo vedada a distribuição de benefícios ou vantagens a qualquer associado ou terceiro. De início, é primordial compreender as disposições da Lei nº 5.764, de 1971, visando diferenciar os atos cooperativos e não-cooperativos, que prevê: Art. 85. As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem. Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.168-40, de 24 de agosto de 2001) Art. 88-A. A cooperativa poderá ser dotada de legitimidade extraordinária autônoma concorrente para agir como substituta processual em defesa dos direitos coletivos de seus associados quando a causa de pedir versar sobre atos de interesse direto dos associados que tenham relação com as operações de mercado da cooperativa, desde que isso seja previsto em seu estatuto e haja, de forma expressa, autorização manifestada individualmente pelo associado ou por meio de assembleia geral que delibere sobre a propositura da medida judicial. (Incluído pela Lei nº 13.806, de 2019) [...] Fl. 432DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2168-40.htm#art13 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2168-40.htm#art13 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13806.htm#art3 Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-004.349 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15540.000236/2008-71 Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. À luz dos referidos dispositivos legais, dessume-se que atos cooperativos são os atos praticados entre a cooperativa e seus associados, entre seus associados e a cooperativa, e pelas cooperativas entre si quando associadas, sempre visando a consecução dos objetivos sociais. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Já os atos não cooperativos são aqueles que importam em operação com terceiros não associados, ou seja, inclui a contratação de bens e serviços de terceiros não associados. A partir disso, os cooperativas pagarão o imposto de renda sobre o resultado positivo das operações e das atividades estranhas a sua finalidade (ato não cooperativo), isto é, serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os arts. 85, 86 e 88 da Lei nº 5.761, de 1971. Assim, as sociedades cooperativas devem contabilizar em separado os resultados das operações com não associados, de forma a permitir a tributação na forma disposta no Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000/99: Seção V Sociedades Cooperativas Não Incidência Art. 182. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica não terão incidência do imposto sobre suas atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de lucro (Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, art. 3º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 69). § 1º É vedado às cooperativas distribuírem qualquer espécie de benefício às quotas- partes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de doze por cento ao ano atribuídos ao capital integralizado (Lei nº 5.764, de 1971, art. 24, § 3º). § 2º A inobservância do disposto no parágrafo anterior importará tributação dos resultados, na forma prevista neste Decreto. Incidência Art. 183. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica pagarão o imposto calculado sobre os resultados positivos das operações e atividades estranhas à sua finalidade, tais como (Lei nº 5.764, de 1971, arts. 85, 86, 88 e 111, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 2º): I - de comercialização ou industrialização, pelas cooperativas agropecuárias ou de pesca, de produtos adquiridos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir capacidade ociosa de suas instalações industriais; II - de fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos sociais; Fl. 433DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5764.HTM#art3 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5764.HTM#art3 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art69 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5764.HTM#art24%C2%A73 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5764.HTM#art85 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5764.HTM#art86 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5764.HTM#art88 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5764.HTM#art111 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9430.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9430.htm#art2 Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-004.349 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15540.000236/2008-71 III - de participação em sociedades não cooperativas, públicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares. No tocante ao PIS e COFINS, a MP nº 2.158-35, de 2001, em seu art. 15, § 2º, dispõe que os valores excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS, relativos às operações com os associados, deverão ser contabilizados destacadamente, pela cooperativa, devendo tais operações ser comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com identificação do adquirente, de seu valor, da espécie de bem ou mercadoria e das quantidades vendidas. Cumpre registrar que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a repercussão geral da discussão sobre a incidência da Cofins, do PIS e da CSLL sobre o produto de ato cooperativo. Veja-se a ementa: EMENTA: TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DA COFINS, DA CONTRIBUIÇÃO AO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL E DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO SOBRE O PRODUTO DE ATO COOPERADO OU COOPERATIVO. DISTINÇÃO ENTRE “ATO COOPERADO TÍPICO” E “ATO COOPERADO ATÍPICO”. CONCEITOS CONSTITUCIONAIS DE “ATO COOPERATIVO”, “RECEITA DE ATIVIDADE COOPERATIVA” E “COOPERADO”. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. VALORES PAGOS POR TERCEIROS À COOPERATIVA POR SERVIÇOS PRESTADOS PELOS COOPERADOS. LEIS 5.764/1971, 7.689/1988, 9.718/1998 E 10.833/2003. ARTS. 146, III, c, 194, par. ún., V, 195, caput, e I, a, b e c e § 7º e 239 DA CONSTITUIÇÃO. Tem repercussão geral a discussão sobre a incidência da Cofins, do PIS e da CSLL sobre o produto de ato cooperativo, por violação dos conceitos constitucionais de “ato cooperado”, “receita da atividade cooperativa” e “cooperado”. Discussão que se dá sem prejuízo do exame da constitucionalidade da revogação, por lei ordinária ou medida provisória, de isenção, concedida por lei complementar (RE 598.085-RG), bem como da “possibilidade da incidência da contribuição para o PIS sobre os atos cooperativos, tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 2.158-33, originariamente editada sob o nº 1.858-6, e nas Leis nºs 9.715 e 9.718, ambas de 1998” (RE 599.362-RG, rel. min. Dias Toffoli). (RE 672215 RG, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 29/03/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-083 DIVULG 27-04-2012 PUBLIC 30-04-2012 ) Assim, tendo sido reconhecida a repercussão geral da discussão sobre a incidência da Cofins, do PIS e da CSLL sobre o produto de ato cooperativo, por violação dos conceitos constitucionais de “ato cooperado”, “receita da atividade cooperativa” e “cooperado”, somente com o julgamento do recurso extraordinário RE 672215, o Supremo Tribunal Federal se manifestará definitivamente sobre matéria. Todavia, posteriormente ao reconhecimento da repercussão geral em matéria mais ampla, o Plenário do STF, em sessão realizada em 2014, por unanimidade de votos, deu provimento a recursos da União relativos à tributação de cooperativas pela contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e pela Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em que se questionava decisões da Justiça Federal que afastaram a incidência dos tributos da Unimed de Barra Mansa (RJ) e da Uniway – Cooperativa de Profissionais Liberais, em recursos com repercussão geral reconhecida, solucionando os processos sobrestados na origem. Nessa toada, o STF reafirmou o entendimento segundo o qual as cooperativas não são imunes à incidência dos tributos, e firmou a tese de que incide o PIS sobre atos praticados Fl. 434DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-004.349 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15540.000236/2008-71 pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços, resguardadas exclusões e deduções previstas em lei (RE 599362 e RE 598085). No julgamento do RE 599362, em 06/11/2014, fixou-se a tese de que “a receita auferida pelas cooperativas de trabalho decorrentes dos atos (negócios jurídicos) firmados com terceiros se insere na materialidade da contribuição ao PIS/PASEP”. Tratamento adequado O ministro Dias Toffoli menciona em seu voto no RE 599362 o precedente do STF no RE 141800, no qual, afirma, reconheceu-se que o artigo 146, inciso III, alínea “c”, da Constituição Federal não garante imunidade, não incidência ou direito subjetivo à isenção de tributos ao ato cooperativo. É assegurado apenas o tratamento tributário adequado, de forma que não resulte em tributação mais gravosa do que aquela que incidiria se as atividades fossem realizadas no mercado. “Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas tratamento tributário privilegiado”, afirmou. No caso das cooperativas de trabalho, ou mais especificamente, no caso de cooperativas de serviços profissionais, a operação realizada pela cooperativa é de captação e contratação de serviços para sua distribuição entre os cooperados. Nesse caso, específico da cooperativa recorrida no RE, o ministro também entendeu haver a incidência do tributo. “Na operação com terceiros, a cooperativa não surge como mera intermediária, mas como entidade autônoma”, afirma. Esse negócio externo pode ser objeto de um benefício fiscal, mas suas receitas não estão fora do campo de incidência da tributação. Como o PIS incide sobre a receita, afastar sua incidência seria equivalente a afirmar que as cooperativas não têm receita, o que seria impossível, uma vez que elas têm despesas e se dedicam a atividade econômica. “O argumento de que as cooperativas não têm faturamento ou receita teria o mesmo resultado prático de se conferir a elas imunidade tributária”, afirmou o relator, ministro Dias Toffoli. Veja-se a ementa: EMENTA Recurso extraordinário. Repercussão geral. Artigo 146, III, c, da Constituição Federal. Adequado tratamento tributário. Inexistência de imunidade ou de não incidência com relação ao ato cooperativo. Lei nº 5.764/71. Recepção como lei ordinária. PIS/PASEP. Incidência. MP nº 2.158-35/2001. Afronta ao princípio da isonomia. Inexistência. 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de Fl. 435DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-004.349 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15540.000236/2008-71 trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos - não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social “será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei” (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.158-35/2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. 9. É possível, senão necessário, estabelecerem-se diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração. Ao analisar os embargos de declaração apresentados em face desse RE 599362, em 18/08/2016, o Plenário fixou tese no sentido de que “a receita auferida pelas cooperativas de trabalho decorrentes dos atos (negócios jurídicos) firmados com terceiros se insere na materialidade da contribuição ao PIS/PASEP”, esclarecendo, ainda, que a matéria acerca do adequado tratamento tributário do ato cooperativo e de outras modalidades seria analisada em outro recurso, sob relatoria do ministro Luís Roberto Barroso, que ainda não foi julgado. Restou consignado na ementa: EMENTA Embargos de declaração no recurso extraordinário. Artigo 146, III, c, da CF/88. Possibilidade de tributação do ato cooperativo. Cooperativa. Contribuição ao PIS. Receita ou faturamento. Incidência. Fixação de tese restrita ao caso concreto. Embargos acolhidos sem efeitos infringentes. 1. A norma do art. 146, III, c, da Constituição, que assegura o adequado tratamento tributário do ato cooperativo, é dirigida, objetivamente, ao ato cooperativo, e não, subjetivamente, à cooperativa. 2. O art. 146, III, c, da CF/88, não confere imunidade tributária, não outorga, por si só, direito subjetivo a isenções tributárias relativamente aos atos cooperativos, nem estabelece hipótese de não incidência de tributos, mas sim pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo, dispondo que lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. 3. O tratamento tributário adequado ao ato cooperativo é uma questão política, devendo ser resolvido na esfera adequada e competente, ou seja, no Congresso Nacional. 4. No contexto das sociedades cooperativas, verifica-se a materialidade da contribuição ao PIS pela constatação da obtenção de receita ou faturamento pela cooperativa, consideradas suas atividades econômicas e seus objetos sociais, e não pelo fato de o ato do qual o faturamento se origina ser ou não qualificado como cooperativo. 5. Como, nos autos do RE nº 672.215/CE, Rel. Min. Roberto Barroso, o tema do adequado tratamento tributário do ato cooperativo será retomado, a fim de se dirimir controvérsia acerca da cobrança de contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, incidentes, também, sobre outras materialidades, como o lucro, tendo como foco os conceitos constitucionais de “ato cooperativo”, “receita de atividade cooperativa” e “cooperado” e, ainda, a distinção entre “ato cooperado típico” e “ato cooperado atípico”, proponho a seguinte tese de repercussão geral para o tema 323, diante da preocupação externada por alguns Ministros no sentido de adotarmos, para o caso concreto, uma tese minimalista: “A receita ou o faturamento auferidos pelas Cooperativas de Trabalho decorrentes dos atos (negócios jurídicos) firmados com terceiros se inserem na materialidade da contribuição ao PIS/Pasep.” 6. Embargos de declaração acolhidos para prestar esses esclarecimentos, mas sem efeitos infringentes. Fl. 436DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 9101-004.349 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15540.000236/2008-71 No julgamento, em 06/11/2014, do RE 598085, de relatoria do ministro Luiz Fux, fixou-se a tese de que “são legítimas as alterações introduzidas pela Medida Provisória 1.858/1999, no que revogou a isenção da COFINS e da contribuição para o PIS concedidas às sociedades cooperativas”. O tema do recurso foi a vigência do artigo 6º, inciso I, da Lei Complementar 70/1991, segundo o qual eram isentos de contribuição os atos cooperativos das sociedades cooperativas. No julgamento, decidiu-se que são legítimas as alterações introduzidas pela Medida Provisória 1.858/1999, no ponto em que foi revogada a isenção da Cofins e do PIS concedida às sociedades cooperativas. Veja-se a ementa do julgado referido: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTÁRIO. ATO COOPERATIVO. COOPERATIVA DE TRABALHO. SOCIEDADE COOPERATIVA PRESTADORA DE SERVIÇOS MÉDICOS. POSTO REALIZAR COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (NÃO COOPERADOS) VENDA DE MERCADORIAS E DE SERVIÇOS SUJEITA-SE À INCIDÊNCIA DA COFINS, PORQUANTO AUFERIR RECEITA BRUTA OU FATURAMENTO ATRAVÉS DESTES ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS. CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE “ATO NÃO COOPERATIVO” POR EXCLUSÃO, NO SENTIDO DE QUE SÃO TODOS OS ATOS OU NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (COOPERADOS), EX VI, PESSOAS FÍSICAS OU JURÍDICAS TOMADORAS DE SERVIÇO. POSSIBILIDADE DE REVOGAÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL (ISENÇÃO DA COFINS) PREVISTO NO INCISO I, DO ART. 6°, DA LC Nº 70/91, PELA MP Nº 1.858-6 E REEDIÇÕES SEGUINTES, CONSOLIDADA NA ATUAL MP Nº 2.158-35. A LEI COMPLEMENTAR A QUE SE REFERE O ART. 146, III, “C”, DA CF/88, DETERMINANTE DO “ADEQUADO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO AO ATO COOPERATIVO”, AINDA NÃO FOI EDITADA. EX POSITIS, DOU PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1. As contribuições ao PIS e à COFINS sujeitam-se ao mesmo regime jurídico, porquanto aplicável a mesma ratio quanto à definição dos aspectos da hipótese de incidência, em especial o pessoal (sujeito passivo) e o quantitativo (base de cálculo e alíquota), a recomendar solução uniforme pelo colegiado. 2. O princípio da solidariedade social, o qual inspira todo o arcabouço de financiamento da seguridade social, à luz do art. 195 da CF/88, matriz constitucional da COFINS, é mandamental com relação a todo o sistema jurídico, a incidir também sobre as cooperativas. 3. O cooperativismo no texto constitucional logrou obter proteção e estímulo à formação de cooperativas, não como norma programática, mas como mandato constitucional, em especial nos arts. 146, III, c; 174, § 2°; 187, I e VI, e 47, § 7º, ADCT. O art. 146, c, CF/88, trata das limitações constitucionais ao poder de tributar, verdadeira regra de bloqueio, como corolário daquele, não se revelando norma imunitória, consoante já assentado pela Suprema Corte nos autos do RE 141.800, Relator Ministro Moreira Alves, 1ª Turma, DJ 03/10/1997. 4. O legislador ordinário de cada pessoa política poderá garantir a neutralidade tributária com a concessão de benefícios fiscais às cooperativas, tais como isenções, até que sobrevenha a lei complementar a que se refere o art. 146, III, c, CF/88. O benefício fiscal, previsto no inciso I do art. 6º da Lei Complementar nº 70/91, foi revogado pela Medida Provisória nº 1.858 e reedições seguintes, consolidada na atual Medida Provisória nº 2.158, tornando-se tributáveis pela COFINS as receitas auferidas pelas cooperativas (ADI 1/DF, Min. Relator Moreira Alves, DJ 16/06/1995). 5. A Lei nº 5.764/71, que define o regime jurídico das sociedades cooperativas e do ato cooperativo (artigos 79, 85, 86, 87, 88 e 111), e as leis ordinárias instituidoras de cada tributo, onde não conflitem com a ratio ora construída sobre o alcance, extensão e efetividade do art. 146, III, c, CF/88, possuem regular aplicação. 6. Acaso adotado o entendimento de que as cooperativas não possuem lucro ou faturamento quanto ao ato cooperativo praticado com terceiros não associados (não cooperados), inexistindo imunidade tributária, haveria violação a determinação constitucional de que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, ex vi, art. 195, I, b, da CF/88, seria violada. 7. Consectariamente, atos cooperativos próprios ou internos são aqueles realizados pela cooperativa com os seus associados (cooperados) Fl. 437DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 9101-004.349 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15540.000236/2008-71 na busca dos seus objetivos institucionais. 8. A Suprema Corte, por ocasião do julgamento dos recursos extraordinários 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG, Relator Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 15-08-2006, e 346.084/PR, Relator Min. ILMAR GALVÃO, Relator p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 01-09-2006, assentou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços. 9. Recurso extraordinário interposto pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), com fulcro no art. 102, III, “a”, da Constituição Federal de 1988, em face de acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, verbis: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COOPERATIVA. LEI Nº. 5.764/71. COFINS. MP N°. 1.858/99. LEI 9.718/98, ART. 3°, § 1° (INCONSTITUCIONALIDADE). NÃO-INCIDÊNCIA DA COFINS SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS. 1. A Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998 (DOU de 16/12/1998) não tem força para legitimar o texto do art. 3°, § 1°, da Lei nº. 9.718/98, haja vista que a lei entrou em vigor na data de sua publicação, em 28 de novembro de 1998. 2. É inconstitucional o § 1° do artigo 3º da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RREE. 357.950/RS, 346.084/PR, 358.273/RS e 390.840/MG) 3. Prevalece, no confronto com a Lei nº. 9718/98, para fins de determinação da base de cálculo da Cofins o disposto no art. 2° da Lei n° 70/91, que considera faturamento somente a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. 4. Os atos cooperativos (Lei nº. 5.764/71 art. 79) não geram receita nem faturamento para as sociedades cooperativas. Não compõem, portanto, o fato imponível para incidência da Cofins. 5. Em se tratando de mandado de segurança, não são devidos honorários de advogado. Aplicação das Súmulas 512 do STF e 105 do STJ. 6. Apelação provida. (fls. 120/121). 10. A natureza jurídica dos valores recebidos pelas cooperativas e provenientes não de seus cooperados, mas de terceiros tomadores dos serviços ou adquirentes das mercadorias vendidas e a incidência da COFINS, do PIS e da CSLL sobre o produto de ato cooperativo, por violação dos conceitos constitucionais de “ato cooperado”, “receita da atividade cooperativa” e “cooperado”, são temas que se encontram sujeitos à repercussão geral nos recursos: RE 597.315-RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 02/02/2012, Dje 22/02/2012, RE 672.215-RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 29/03/2012, Dje 27/04/2012, e RE 599.362-RG, Relator Min. DIAS TOFFOLI, Dje-13-12-2010, notadamente acerca da controvérsia atinente à possibilidade da incidência da contribuição para o PIS sobre os atos cooperativos, tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 2.158-33, originariamente editada sob o nº 1.858-6, e nas Leis nºs 9.715 e 9.718, ambas de 1998. 11. Ex positis, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a incidência da COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela recorrida com terceiros tomadores de serviço, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas. Ressalvo, ainda, a manutenção do acórdão recorrido naquilo que declarou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta. (RE 598085, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 06/11/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-027 DIVULG 09-02-2015 PUBLIC 10-02-2015) Posteriormente, o Plenário do STF, em sessão virtual de 18 a 24.08.2017, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, desproveu os embargos de declaração da Unimed de Barra Mansa Sociedade Cooperativa de Serviços Médicos e Hospitalares. Fl. 438DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 9101-004.349 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15540.000236/2008-71 Assim, quanto ao PIS/Pasep e a Cofins, o quanto decidido definitivamente pelo STF no RE 598085, conforme acima, aplicar-se-ia aos julgamentos do CARF, com fulcro no art. 62, §2º, do Anexo II do RICARF/2015: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543 - B e 543 - C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Como no presente caso o recurso especial não trata desses tributos, a tese não se aplica de forma automática, mas todo o racional é adotado neste voto para subsidiar a presente decisão. Considerando-se que não há ainda decisão definitiva em sede de exame de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecido, em relação à CSLL (que também não é objeto deste recurso), compreende-se que deve prevalecer, tanto quanto à CSLL, como ao seu tributo- irmão (IRPJ), o entendimento do Superior Tribunal de Justiça - STJ, a seguir exposto. Veja-se que, no julgamento do Recurso Especial REsp nº 1.081.747 - PR (2008/0179707-7), o STJ decidiu nos termos da seguinte ementa: TRIBUTÁRIO - COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO E ASSEMELHADOS - PIS E COFINS - ATOS PRATICADOS COM NÃO- ASSOCIADOS: INCIDÊNCIA - PRECEDENTES. 1. É legítima a incidência do PIS e da COFINS, tendo como base de cálculo o faturamento das cooperativas de trabalho médico, conceito que restou definido pelo STF como receita bruta de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, por ocasião do julgamento da ADC 01/DF e mais recentemente, dos Recursos Extraordinários 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, dentre outros. 2. De igual maneira, na linha da jurisprudência da Suprema Corte, o adequado tratamento tributário ao ato cooperativo, a que se refere o art. 146, III, “c”, da Carta Magna e o tratamento constitucional privilegiado a ser concedido ao ato cooperativo não significam ausência de tributação. 3. Reformulação do entendimento da Relatora nesse particular. 4. A partir dessas premissas, e das expressas disposições das Leis 5.764/71 e LC 70/91, e ainda do art. 111 do CTN, não pode o Poder Judiciário atuar como legislador positivo, criando isenção sobre os valores que ingressam na contabilidade da pessoa jurídica e que, posteriormente, serão repassados a seus associados, relativamente às operações praticadas com terceiros. 5. Apenas sobre os atos cooperativos típicos, assim entendidos como aqueles praticados na forma do art. 79 da Lei 5.764/71 não ocorre a incidência de tributos, consoante a jurisprudência consolidada do STJ. 6. Recursos especiais não providos. (Publicado no DJE de 29/10/2009) (grifou-se) No julgamento acima (Recurso Especial nº 1.081.747 – PR), o extenso estudo da Ministra Relatora Eliana Calmon é por ela sintetizado nos seguintes termos: Fl. 439DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 9101-004.349 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15540.000236/2008-71 1) equivocados a doutrina e os precedentes do STJ que entendem como ato cooperativo, indistintamente, todo aquele que atende às finalidades institucionais da cooperativa; 2) constitui-se ato cooperativo típico ou próprio, nos termos do art. 79 da Lei 5.764/71, o serviço prestado pela cooperativa diretamente ao cooperado, quando: a) a cooperativa estabelece, em nome e no interesse dos associados, relação jurídica com terceiros (não cooperados) para viabilizar o funcionamento da própria cooperativa (com a locação ou a aquisição de máquinas e equipamentos, contratação de empregados para atuarem na área-meio, por exemplo) visando à concretização do objetivo social da cooperativa; e b) a cooperativa recebe valores de terceiros (não cooperados) em razão da comercialização de produtos e mercadorias ou da prestação de serviços por seus associados e a eles repassa. 3) estão excluídos do conceito de atos cooperativos a prestação de serviços por não-associado (pessoa física ou jurídica) através da cooperativa a terceiros, ainda que necessários ao bom desempenho da atividade-fim ou, ainda, a prestação de serviços estranhos ao seu objeto social; e 4) os atos cooperativos denominados “auxiliares”, quando a cooperativa necessita realizar gastos com terceiros, como hospitais, laboratórios e outros - mesmo que decorrentes do atendimento médico cooperado, não se inserem no conceito de ato cooperativo típico ou próprio. Em julgados posteriores, o STJ tem decidido que o ato cooperativo deve ser interpretado de forma bastante restritiva, considerando que se limita àquele firmado entre cooperativas e entre cooperativa e associados, não envolvendo terceiros. Cite-se como exemplos os seguinte julgados: REsp 58.265/SP, DJe 01/02/2010; REsp 786.612/RS, DJe 24/10/2013 e EDcl no REsp 1423100/SE, DJe 25/04/2014. Assim, considerando-se o quanto já decidido com repercussão geral pelo STF e a jurisprudência do STJ com tendência à interpretação restritiva dos dispositivos legais que regem a matéria e, ainda, tendo em vista a concepção de que o CTN impõe a interpretação literal nos casos de isenções (art. 111, inciso II), compreende-se que, no caso em litígio, no tocante ao IRPJ, impõe-se também a adoção da intepretação mais restritiva, como tem sido dada pelo Poder Judiciário. Nesse sentido, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido, entende-se que os valores recebidos pelas cooperativas de trabalho, por serviço prestados por seus associados a outra pessoa, ainda que não associado, por representar ato não cooperativo, estão sujeitos ao IRPJ. Como o contribuinte apresentou outras alegações na impugnação, as quais não foram objeto de apreciação pela turma julgadora de primeira instância (DRJ) que decidiu por afastar a autuação por razões de direito (conforme acórdão de fls. 209 e ss), uma vez revertida aquela decisão, compete ao colegiado de piso se manifestar quanto às demais alegações contidas na impugnação. Fl. 440DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 9101-004.349 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15540.000236/2008-71 Conclusão Em vista do exposto, voto por conhecer e dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, com retorno à turma julgadora da DRJ para apreciação das demais questões alegadas na impugnação. (documento assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Declaração de voto Conselheira Livia De Cali Germano Optei por apresentar a presente declaração de voto para esclarecer as razões pelas quais, com o devido respeito ao voto da i. Relatora, divirjo de seu entendimento quanto à admissibilidade do presente recurso especial e também no mérito. Sobre a admissibilidade, compreendo que os acórdãos recorrido e paradigma tratam de autuações substancialmente diferentes relativas à tributação de cooperativas, não se verificando possível extrair, do voto condutor do acórdão paradigma, uma conclusão quanto ao caso dos autos. Isso porque, no caso do acórdão paradigma, o objeto da autuação – e o que foi considerado ato não cooperativo – foram os serviços diversos dos praticados pelos cooperados, isto é, os atos apenas intermediados pelos médicos cooperados, mas praticados por terceiros. Nesse contexto, assim concluiu o voto condutor daquele precedente (grifamos): Assim, conclui-se serem improcedentes as alegações da impugnante de que serviços diversos dos praticados pelos médicos cooperados constituam atos cooperativos, porquanto se tratar de intermediação de serviços de terceiros não-cooperados. Diversamente, no caso dos autos o questionamento se deu exclusivamente quanto aos serviços praticados pelos cooperados com terceiros. De fato, o caso dos autos trata de uma cooperativa de trabalho (não médico), em que o objeto da cooperativa é exatamente intermediar, isto é, ser o canal entre o profissional e o mercado, sendo os serviços prestados diretamente pelas pessoas físicas cooperadas, como se observa: Fl. 441DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 9101-004.349 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15540.000236/2008-71 (...) a Cooperativa funciona como prestadora de serviços e tem como objetivo o planejamento e intermediação de negócios entre seus cooperados e terceiros, remunerando-se por meio de comissão ou taxa de administração. Analisando-se o teor do voto condutor do acórdão paradigma, compreendo que não se extrai, naquele caso, uma conclusão sobre como aquela turma decidiria sobre a tributação dos resultados exclusivamente dos atos praticados pelos médicos cooperados em favor de terceiros. Dito de outra forma, compreendo que o raciocínio exposto no voto condutor do acórdão paradigma, se aplicado ao caso dos autos, não seria capaz de indicar uma conclusão daquela turma quanto à autuação ora em discussão, daí porque não vislumbro divergência jurisprudencial capaz de autorizar o conhecimento do presente recurso especial. No mérito, com a devida vênia ao posicionamento adotado pela Relatora, e referendado pela maioria desta Turma da CSRF, compreendo que também não assiste razão à Fazenda Nacional. É que, no caso das cooperativas de trabalho, estas são criadas justamente para viabilizar o exercício dos serviços pelos cooperados, muitas vezes sendo ela, a cooperativa, a contratada perante os terceiros – embora quem exerça os serviços sejam, na prática, os cooperados. O fato de a cooperativa firmar contratos com os terceiros não descaracteriza a natureza do ato, já que ao assim fazer a cooperativa nada mais faz do que realizar a sua finalidade. A própria Receita Federal já reconheceu a peculiaridade inerente às cooperativas de trabalho por meio do Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 6, de 24 de maio de 2007, o qual “Dispõe sobre a não-incidência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) sobre as importâncias decorrentes da prestação a terceiros de serviços oferecidos por cooperativa, os quais resultem do esforço comum dos seus associados”, nos seguintes termos (grifamos): O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL - SUBSTITUTO, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007, e tendo em vista o disposto no art. 3º da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, e no art. 182 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 - Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), e o constante no processo nº 10880.007544/2003-49, declara: Art. 1º As importâncias decorrentes da prestação a terceiros de serviços oferecidos por cooperativa, os quais resultem do esforço comum dos seus associados, não se sujeitam à incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Art. 2º As importâncias de que trata o art. 1º, quando pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição, estão sujeitas à incidência do imposto de renda na fonte, à alíquota de um e meio por cento, conforme previsto no art. 45 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, com a redação dada pelo art. 64 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Assim, no caso de cooperativa de trabalho, a prestação a terceiros de serviços que resultem do esforço comum dos cooperados é considerada ato cooperativo, de modo que os respectivos resultados não estão sujeitos à tributação. Isso porque são, na verdade, a própria razão de ser da cooperativa de trabalho. Neste sentido, apenas resultados outros, não Fl. 442DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 9101-004.349 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15540.000236/2008-71 relacionados ao desempenho de atividade pelos próprios cooperados, isto é, não concernentes ao esforço de trabalho pessoal das pessoas físicas cooperadas, mas apenas intermediados por elas, é que devem ser considerados atos não cooperativos e, portanto, tributáveis. Observo que o Superior Tribunal de Justiça – STJ proferiu decisões sobre aspectos tributários aplicáveis às cooperativas, inclusive em regime de repercussão geral, no entanto compreendo que nenhuma delas é aplicável ao caso e, portanto, este colegiado não se encontra regimentalmente vinculado a reproduzir tais resultados para o caso dos autos. Na verdade, a análise da jurisprudência revela que o tratamento tributário a ser conferido às cooperativas é de ser definido conforme o caso concreto, havendo diversas nuances conforme se altere o objeto da cooperativa, os serviços prestados e os resultados assim obtidos. Nesse passo, vemos que, no âmbito do REsp nº 58.265/SP, apreciando a possibilidade de tributação sobre resultado positivo decorrente de aplicações financeiras realizadas por cooperativas, o STJ relembrou o conteúdo da Sumula STJ 262, segundo a qual “O imposto de renda incide sobre o resultado positivo das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas, por não caracterizarem 'ato cooperativos típicos'” e firmou-o como Tese (Tema /Repetitivo 240). Em diversas outras ocasiões o STJ também decidiu que “o fornecimento de serviços a terceiros e de terceiros não-associados caracteriza-se como ato não-cooperativo, sujeitando-se, portanto, à incidência do Imposto de Renda” (grifamos), sendo que ali todos os casos envolviam cooperativas de trabalho médico, em que não apenas os serviços eram prestados a terceiros mas também por terceiros, não se tratando de esforços dos próprios cooperados (exemplos: AgRg no Agravo de Instrumento nº 1.221.603 – SP, AgRg no REsp 751.460/MG, REsp 635.986/PR, AgRg no AgRg no Resp 1033732/SP, REsp 746.382/MG). Nessa linha -- e muito embora aplicações financeiras sejam, essencialmente, operações entre as cooperativas e terceiros não cooperados -- o STJ tem inclusive entendido que o enunciado da Súmula STJ 262 (segundo o qual "Incide o Imposto de Renda sobre o resultado das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas") não se aplica às cooperativas de crédito, como se depreende do seguinte precedente daquela Corte Superior: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATOS COOPERATIVOS. IMPOSTO DE RENDA. NÃO-INCIDÊNCIA. SÚMULA 262/STJ. INAPLICABILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que os atos cooperativos típicos - assim entendidos aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados ou entre os associados e as cooperativas, ou ainda entre cooperativas, para a consecução dos objetivos sociais - não geram receita ou lucro, consoante disposto no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971. 2. A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito - incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado - constitui ato cooperativo. Fl. 443DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 9101-004.349 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15540.000236/2008-71 3. Infere-se que, se as aplicações financeiras das cooperativas de crédito, por serem atos cooperativos típicos, não geram receita, lucro ou faturamento, o resultado positivo decorrente desses negócios jurídicos não sofre a incidência do Imposto de Renda. 4. Acresça-se que os julgados que deram origem ao enunciado da Súmula 262/STJ não analisaram a situação específica das cooperativas de crédito, cuja atividade básica está relacionada à gerência financeira dos recursos creditícios dos associados. 5. Provido o Recurso Especial para reformar o acórdão recorrido quanto ao mérito, faz- se necessária a apreciação pelo STJ dos honorários advocatícios devidos pelo sucumbente. Trata-se de aplicação do direito à espécie. (...) (AgRg no AgRg no REsp 717126 / SC - Relator Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, Data do Julgamento 09/02/2010, Data da Publicação/Fonte DJe 24/02/2010) E, de maneira coerente com tal orientação, esta 1ª Turma da CSRF também tem decidido que as aplicações financeiras realizadas por cooperativas de crédito têm natureza de ato cooperativo, o que afasta a incidência de IRPJ e CSLL sobre os respectivos resultados (16327.001594/2006-27 e 16327.000211/2006-01, de 18/01/2019; 9101-002.782, de 06/04/2017; 9101-001.825, de 20/11/2013, dentre outros). Em síntese, compreendo que, no caso das cooperativas de trabalho, os resultados de atos praticados com terceiros resultante de esforços pessoais dos cooperados pessoas físicas são, sim, atos cooperativos, não podendo ser objeto de tributação. Estas são as razões pelas quais divergi do substancioso voto da Relatora no caso dos autos, para não conhecer do recurso especial e, uma vez vencida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Declaração de voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Fl. 444DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 9101-004.349 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15540.000236/2008-71 Com o devido respeito, ouso discordar do entendimento que prevaleceu neste julgamento, razão pela qual apresento a seguinte declaração de voto para registrar meu posicionamento sobre o caso concreto. De pronto, registro que o problema no presente caso, a meu ver, não gira em torno da caracterização do ato cooperativo. Há ato cooperativo e isso foi reconhecido já em primeira instância pela DRJ. A real controvérsia reside sobre quem deveria ser o destinatário da tributação do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Recapitulando, então, temos que a 9ª Turma da DRJ/RJ1, sob o acórdão nº 12- 27.680 (e-fl. 194) ao analisar o artigo 79 da Lei nº 5.764/71 entendeu que: (...) 16. Entretanto, na maioria das cooperativas de serviço, caso em que se encontra a Interessada, os associados são os próprios prestadores de serviços, como também ocorre nas cooperativas de taxistas e de médicos, e não os usuários. Em face disso, não se pode fazer uma interpretação literal do dispositivo, que certamente desvirtuaria o instituto da cooperativa, fazendo, por exemplo, com que a própria operação mediante a qual uma cooperativa de produtores de leite contrata com a empresa adquirente a colocação dos produtos de seus cooperados fosse descaracterizada como ato cooperativo. Da mesma forma, em consequência de uma interpretação restritiva, os serviços do taxista só poderiam ser qualificados como atos cooperativos se prestados a outro taxista cooperado. Deste modo, deve ser levado em conta que, nas cooperativas voltadas para a atividade de prestação de serviços profissionais específicos, o objetivo é criar condições que favoreçam o exercício dessas atividades profissionais por pessoas de um mesmo segmento econômico, aproximando potenciais usuários desses serviços e os profissionais que os prestam. Assim, há que se considerar que os atos praticados pela Interessada são considerados cooperativos sempre que dela se obtenha a aproximação dos usuários com os cooperados, com que são beneficiados não so os próprios associados, como também as pessoas estranhas aos quadros da cooperativa que usufruem dos serviços. 17. Os atos não cooperativos, por outro lado, seriam somente aqueles em que a intermediação se desse entre os mesmos usuários e outros profissionais que não houvessem se associado à cooperativa. 18. De acordo com o que relata o Auditor autuante, todos os atos praticados pela Interessada enquadram-se dentre os cooperados como também é alegado na Impugnação. Confira que, no Termo de Constatação n° 0002 (fls. 6/7), a Fiscalização assevera: A partir deste momento voltamos a Intimar e Reintimar a empresa quando no período entre 2910612007 e 0911012007, recebemos a documentação solicitada, quando constatei que a Cooperativa funciona como Prestadora de Serviços, e que tem como objetivo o planejamento e Intermediação de Negócios entre seus cooperados e terceiros, remunerando-se para isso através Fl. 445DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 9101-004.349 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15540.000236/2008-71 de Comissão ou Taxa de Administração, conforme planilhas, em anexo, e resumo abaixo. Concluindo que os atos praticados pelo sujeito passivo eram atos cooperativos, o IRPJ foi afastado, permanecendo a cobrança parcial de CSLL, PIS e COFINS, somente por imposição legal expressa que não prevê isenção para tais tributos. Na sequência, o v.acórdão recorrido, repetiu o voto exarado pela primeira instância sem qualquer ressalva, tendo sido negado provimento ao recurso de ofício, por maioria de votos. Pois bem. A PGFN em seu recurso especial visa o reestabelecimento da exigência do IRPJ por entender que a relação entre os cooperados e terceiros são atos-meio e não atos propriamente cooperativos. Eis o ponto! A autuação recaiu sobre a cooperativa, não sobre os cooperados. Contudo, quem presta serviços – já que se está falando de uma cooperativa de trabalho – são os cooperados, não a cooperativa. Como a relação dela com seus cooperados (não terceiros) é definitivamente um ato cooperativo, nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/71, não há que se falar em tributação da cooperativa, mesmo porque, só será tributado pelo IRPJ a empresa que auferir acréscimo patrimonial, mais especificamente, lucro, que se compõe por intermédio de variadas receitas e, como cooperativas não auferem lucro mas sim sobras que retornam aos seus cooperados, não faz sentido – porque fora da hipótese de incidência tributária – exigir IRPJ da autuada, da cooperativa. Como já mencionei em “Tributação e Ato Cooperativo”, a classificação de Walmor Franke sobre os negócios jurídicos praticados pelas cooperativas nos auxilia muito na compreensão do que é ato cooperado. Na visão do autor, há quatro modalidades de negócios jurídicos, que podem ser assim resumidos: Negócio interno (ou negócio-fim): enquadra-se estritamente no conceito legal de ato cooperativo, na proporção em que se revela com o relacionamento entre o cooperado e a cooperativa. Exemplificando: numa cooperativa de produção agropecuária, o negócio interno se dá quando o cooperado entrega à cooperativa seus produtos para a venda, e após vendidos os produtos, dar-se-á quando a cooperativa repassar o resultado da venda ao cooperado. Negócio externo (ou negócio-meio, ou de mercado): precede ou sucede o negócio externo, depende do objeto da cooperativa. Há relação íntima com o negócio interno, pois um não se justifica sem o outro. Utilizando o mesmo exemplo, o negócio externo seria a venda do produto do cooperado ao mercado consumidor. Neste caso o negócio externo sucede a entrega do produto pelo produtor e precede a entrega do produto da venda ao mesmo. Negócios auxiliares: são todos os negócios que, mesmo não sendo negócios fim ou meio, são realizados para a consecução dos objetivos sociais da cooperativa. Para uma cooperativa agropecuária, equivale à aquisição de implementos agrícolas de uso comum, aquisição de material de escritório etc. Fl. 446DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 9101-004.349 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15540.000236/2008-71 Negócios acessórios: não se confundem com negócio-fim ou negócio-meio, mas, além disso, também não se relacionam com o objetivo imediato da cooperativa. São negócios relativos à regular administração do empreendimento, tais como a venda de máquina obsoleta, ou a aquisição de imóvel mais amplo para a administração da cooperativa etc. Partindo destes conceitos, é possível ilustrar a estrutura negocial da cooperativa da seguinte forma: Neg. Aux./Acess. Ato Coop. Ato Não-Coop. Neg. Fim Neg. Meio Relação de Fato Disto, temos no caso concreto, que o objeto da autuada, ou seja, a cooperativa, nos termos de seu estatuto é (e-fl. 119): Art. 3 – O objeto da cooperativa corresponde à atividade econômica composta em face da produção profissional dos cooperados, sem qualquer restrição, podendo abranger as atividades administrativas, operacionais para realização de serviços desmembrados em caráter geral, podendo especialmente operar nas áreas de administração, produção, manutenção, controle, projetos, comunicação, entretenimento, informática, telecomunicações, marketing entre outros. §1º - No cumprimento de suas finalidades, a sociedade poderá assinar em nome dos seus cooperados, contratos com pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou mesmo com pessoas físicas, tendo como objetivo uma atividade econômica composta da atuação coletiva de seus associados. §2º - Poderá, também em nome de seus cooperados, realizar os negócios-meio, diretamente ligados à sua finalidade social, assinando contratos com atividades que objetive a evolução profissional dos seus associados, bem como que lhes propicie o exercício da atividade econômica objeto da cooperativa, colocando o produto desses negócios à disposição de seus associados. §3º Poderá realizar, na conformidade do parágrafo anterior, negócios-meio indiretamente ligados à sua finalidade social, colocando o produto dos mesmos à disposição dos cooperados. COOPERADO COOPERATIVA FORNECEDORES MERCADO Fl. 447DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 9101-004.349 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15540.000236/2008-71 §4º - Nos contratos celebrados, a cooperativa agirá de conformidade com sua finalidade de representar os cooperados coletivamente, agindo, na prática, com instrumento de sua contratação. (...) Perceba-se que o próprio estatuto social da cooperativa admite expressamente a possibilidade da prática de negócios externos/negócios-meio, ou seja, que ocorrem com terceiros, porém sempre para proteger os interesses dos cooperados em relações com terceiros, a quem prestarão os serviços previstos no caput do artigo 3º do mencionado estatuto. E aqui relembre-se o papel e nível de relevância dos negócios-meio, principalmente em tipos de cooperativas como a analisada: os negócios-meio precedem ou sucedem o negócio externo, dependem do objeto da cooperativa. Há relação íntima com o negócio interno, pois um não se justifica sem o outro. (Grifos nossos) Por oportuno, confira-se também sua finalidade: Art. 2 – SERVICE COOP – COOPERATIVA DOS PROFISSIONAIS DE TRABALHO PARA O EXERCÍCIO DE ATIVIDADES ECONÔMICAS DESMEMBRADAS, tem como finalidade social à congregação de profissionais das áreas de administração, operacionalização, controle, manutenção e projetos, que se proponham a associar bens e serviços para o exercício de sua atividade econômica, no interesse comum e sem finalidade lucrativa, compreendendo a execução de atos, cooperativos, direcionados, entre outros, à oferta coletiva de seus serviços, bens e produtos, firmatura de contratos com usuários, cobrança e recebimento do preço contratado, registro, controle e distribuição dos resultados, sob a forma de produção ou de valor referencial, e apuração e atribuição aos cooperados das despesas da sociedade, tudo mediante rateio na proporção direta da fruição dos serviços da sociedade (artigo 4º, inciso VII e 80, da Lei n. 5.764/71). Assim, independentemente da origem das receitas que a fiscalização considerou omitidas, se de negócios internos ou externos, entendo que dentro da esfera de finalidade da cooperativa autuada - e sim, a finalidade é fator importantíssimo, já que em primeira análise, distingue as cooperativas das outras empresas com fins lucrativos – tanto os negócios praticados restritamente entre ela e seus cooperados quanto os negócios-meio apresentados em seu estatuto social, configuram atos cooperativos não passíveis de tributação pelo IRPJ, já que traduzem a finalidade da cooperativa com excelência. Por fim, por identificar todos elementos do ato cooperativo, quais sejam: a) necessidades individuais comuns (pressuposto e objeto básico do ato cooperativo); b) ausência de finalidade de lucro (como sistema econômico e socialmente mais justo para limitar um bem particular do grupo por meio da satisfação das primeiras); c) solidariedade (como valor essencial permanente e indispensável para o ganho da integração social, o bem-estar particular dos membros do grupo e o geral, da comunidade); d) integração social do grupo (por meio do espírito de colaboração ativa e como técnica de transformação da sociedade política em comunidade); e e) bem-estar geral (como fim do sistema), voto no sentido de negar provimento ao recurso fazendário. Fl. 448DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 9101-004.349 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15540.000236/2008-71 É a declaração. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 449DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.720563/2017-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015, 2016
JUNTADA DE DOCUMENTOS. FASE RECURSAL. APRECIAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. OBRIGATORIEDADE DE ACATAR ARGUMENTOS. NÃO HÁ.
O Princípio da Verdade Material permite ao julgador conhecer documentos apresentados após o prazo para impugnação, como prova complementar que pode permitir e contribuir para o convencimento do julgador, mas o fato de apreciar tais documentos não implica obrigatoriedade para acatar os seus argumentos.
DECISÃO DRJ. ALTERAÇÃO DE ALÍQUOTA. DIFERENÇA DE TRIBUTO. AGRAVAMENTO INDEVIDO.
Se a DRJ modificar a alíquota aplicada pela Fiscalização para ajustar o lançamento e exigir a diferença de tributo, será considerado agravamento indevido e passível de anulação da exigência.
ALIENAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. BASE DE CÁLCULO. DESPESA COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ASSESSORIA. INDEDUTÍVEIS.
A prestação de serviços de assessoria, consultoria e assemelhadas não se configura corretagem, portanto, as despesas decorrentes de tal prestação de serviço não podem ser deduzidas do valor da alienação para efeito de apurar o ganho de capital.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO A PRAZO. PAGAMENTO PARCELADO.
Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado de acordo com o recebimento das parcelas mediante a aplicação da alíquota de 15%.
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. RECEBIMENTO EM PARCELAS. TRIBUTAÇÃO. RETENÇÃO NA FONTE.
Os valores correspondentes à atualização monetária das parcelas recebidas serão tributados pelo Imposto de Renda mediante Retenção na Fonte, quando o pagamento for realizado por pessoa jurídica.
Numero da decisão: 2202-005.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo apurada na ação fiscal os valores correspondentes à atualização monetária das parcelas anuais, vencidos os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros e Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), que deram provimento parcial em maior extensão.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Rorildo Barbosa Correia - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson..
Nome do relator: RORILDO BARBOSA CORREIA
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FASE RECURSAL. APRECIAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. OBRIGATORIEDADE DE ACATAR ARGUMENTOS. NÃO HÁ. O Princípio da Verdade Material permite ao julgador conhecer documentos apresentados após o prazo para impugnação, como prova complementar que pode permitir e contribuir para o convencimento do julgador, mas o fato de apreciar tais documentos não implica obrigatoriedade para acatar os seus argumentos. DECISÃO DRJ. ALTERAÇÃO DE ALÍQUOTA. DIFERENÇA DE TRIBUTO. AGRAVAMENTO INDEVIDO. Se a DRJ modificar a alíquota aplicada pela Fiscalização para ajustar o lançamento e exigir a diferença de tributo, será considerado agravamento indevido e passível de anulação da exigência. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. BASE DE CÁLCULO. DESPESA COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ASSESSORIA. INDEDUTÍVEIS. A prestação de serviços de assessoria, consultoria e assemelhadas não se configura corretagem, portanto, as despesas decorrentes de tal prestação de serviço não podem ser deduzidas do valor da alienação para efeito de apurar o ganho de capital. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO A PRAZO. PAGAMENTO PARCELADO. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado de acordo com o recebimento das parcelas mediante a aplicação da alíquota de 15%. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. RECEBIMENTO EM PARCELAS. TRIBUTAÇÃO. RETENÇÃO NA FONTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 05 63 /2 01 7- 29 Fl. 1469DF CARF MF 2 Os valores correspondentes à atualização monetária das parcelas recebidas serão tributados pelo Imposto de Renda mediante Retenção na Fonte, quando o pagamento for realizado por pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo apurada na ação fiscal os valores correspondentes à atualização monetária das parcelas anuais, vencidos os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros e Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), que deram provimento parcial em maior extensão. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson.. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão nº 0663.199 proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR DRJ/CTA, o qual julgou procedente em parte a impugnação que contestou o lançamento decorrente omissão/apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa de valores e a dedução indevida de despesas de assessoria financeira na apuração do ganho de capital. O crédito foi exigido do Contribuinte por meio do Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal (fls. 02/42, 1.286/1.315 e 1.325/1.357). De acordo com o relatório que acompanha a decisão da DRJ/CTA, o lançamento tributário contestado foi exigido nos seguintes termos (fl. 1.287): Tratase de impugnação parcial apresentada contra o Auto de Infração de folhas 2 a 18. por meio do qual se exige dos interessado R$ 2.268.282.41 de Imposto de Renda. R$ 509.227,25 de juros de mora. R$ 1.701.211,63 de multa proporcional, totalizando R$ 4.478.721.29 de crédito tributário apurado, em virtude de omissão/apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa de valores. Ação Fiscal De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 19/42), a auditoria foi realizada junto ao Contribuinte, o Sr. Roger Alberto Mendes Aguilera, com o objetivo da Fl. 1470DF CARF MF Processo nº 10280.720563/201729 Acórdão n.º 2202005.385 S2C2T2 Fl. 1.470 3 "verificação do cumprimento das obrigações tributárias referentes ao Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza da Pessoa FísicaIRPF." Na ação fiscal (fls. 20/22), ficou demonstrado que a empresa Distribuidora Big Benn S.A., a qual o Sr. Roger Alberto Mendes Aguilera era acionista com o percentual de 22,5% (vinte e dois vírgula cinco por cento) do capital social, transferiu a totalidade das suas ações ordinárias para a Drogaria Guararapes Brasil S.A., da seguinte forma: 62,13% das ações por meio de alienação no valor total de R$ 293.023.605,25 (duzentos e noventa e três milhões, vinte e três mil, seiscentos e cinco reais e vinte e cinco centavos) e 37,87% das ações por meio de incorporação, recebendo em troca 1.205.292 ações da Drogaria Guararapes Brasil S.A, avaliadas no montante de R$ 178.600.005,00 nos seguintes termos: a) Por meio do Acordo de Investimento, conforme aditado, foi definido que a Guararapes adquiriria o equivalente a 62,13% (sessenta e dois inteiros e treze centésimos por cento) do capital votante da Big Benn por meio da alienação das ações ordinárias detidas pelo fiscalizado e pelos demais acionistas, pelo valor total de R$293.023.605,25 (duzentos e noventa e três milhões, vinte e três mil, seiscentos e cinco reais e vinte e cinco centavos), a serem pagos da seguinte forma: (a) RS100.909.000,00 (cem milhões e novecentos e nove mil reais) à vista na data do fechamento da operação ("Parcela à Vista"); (b) três parcelas anuais de R$58.045.000,00 (cinquenta e oito milhões e quarenta e cinco mil reais) ; e (c) R$17.979.605,25 (dezessete milhões, novecentos e setenta e nove mil, seiscentos e cinco reais e vinte e cinco centavos) a serem pagos diretamente aos assessores financeiros dos vendedores na operação. Ficou demonstrado também que a BR Pharma incorporou as ações da Drogaria Guararapes Brasil S.A recebidas pelos acionistas vendedores da Distribuidora Big Benn S.A., que passaram a fazer parte do quadro societário da BR Pharma, nos seguintes termos (fls. 21/22): Ato contínuo, a BR Pharma realizou a incorporação da totalidade das ações da Guararapes recebidas pelos Vendedores. Com isto, os Vendedores passaram a ser sócios da BR Pharma. Detalhados os fatos, em ordem cronológica, temos, portanto, que a BR Pharma, no final do processo, adquiriu a totalidade de ações do Grupo Big Benn por intermédio de sua subsidiária integral, Guararapes. Esta aquisição se deu em duas partes: (1) A Guararapes adquiriu a totalidade das ações da Big Benn, sendo 62,13% mediante compra direta de ações, pelo valor de R$ 293.023.605,25 e 37,87% mediante incorporação do restante das ações. Nesta incorporação, os Vendedores receberam 1.205.292 ações da Guararapes, no valor de R$ 178.600.005,00. (2) Em seguida, a BR Pharma incorporou as ações da Guararapes de titularidade dos Vendedores, mediante um aumento em seu capital, com emissão de 23.813.334 novas ações, que foram entregues aos Vendedores, no mesmo valor de R$ 178.600.005,00. Ainda de acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 21), verificouse que o Sr. Roger Alberto Mendes Aguilera recebeu o montante de R$ 61.884.900,00 (sessenta e Fl. 1471DF CARF MF 4 um milhões, oitocentos e oitenta e quatro mil e novecentos reais) pela transferência de sua participação de 22,5% (vinte e dois vírgula cinco por cento) decorrentes da alienação de 62,13% do capital social da Distribuidora Big Benn S.A. para a Drogaria Guararapes Brasil S.A Em função do custo de aquisição de R$ 3.346.318,61 (três milhões, trezentos e quarenta e seis mil, trezentos e dezoito reais e sessenta e um centavos), foi apurado ganho de capital no valor de R$ 58.538.581,39 (cinquenta e oito milhões, quinhentos e trinta e oito mil, quinhentos e oitenta e um reais e trinta e nove centavos). O ganho de capital gerou imposto a pagar no valor total de R$ 8.780.787,20, sendo R$ 3.221.522,56 devidos no ano de 2012 e R$ 5.559.264,64 diferidos para anos posteriores. Dedução Indevida de Despesas de Assessoria Financeira da Apuração do Ganho de Capital De acordo com a Auditoria Fiscal, conforme consta no Acordo de Investimento celebrado com as sociedades Drogaria Guararapes Brasil S.A. e Brasil Pharma S.A., em 02/02/2012, estava previsto, como parte do preço de compra da operação, que seria realizado o pagamento aos assessores financeiros (fls. 29/30): R$ 10.379.605,26 (dez milhões, trezentos e setenta e nove mil, seiscentos e cinco reais e vinte e seis centavos), acordados no mandato celebrado com o Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S.A. ("Credit Suisse"), em 02/09/2010, R$ 7.600.000,00 (sete milhões e seiscentos mil reais), objeto do Contrato de Prestação de Serviços celebrado com a AGL Empreendimentos Imobiliários e Participações Ltda ("AGL"), em 16/06/2011. Na apuração do ganho de capital, o Sr. Roger Alberto Mendes Aguilera deduziu do valor total recebido pela sua participação na venda R$ 65.930.311,18, os pagamentos realizados aos assessores financeiros, proporcionalmente à sua participação (22,5% vinte e dois e meio por cento), apurando o valor líquido declarado de R$ 61.884.900,00 (fls. 30/31). De acordo com a análise realizada pela Fiscalização (fls. 29/32), foi considerada indevida a dedução dos valores pagos aos assessores financeiros, por não se tratar de contrato de corretagem. Na apuração do ganho de capital relativo á operação de venda de ações da Big Benn para a Guararapes o contribuinte deduziu, do valor total recebido pela sua participação na venda (R$ 65.930.311,18), os seguintes valores, devidos como remuneração aos assessores financeiros, proporcionalmente à sua participação {22,5% vinte e dois e meio por cento), apurando o valor de alienação declarado de R$ 61.884.900,00: RS 2.335.411,18 (dois milhões, trezentos e trinta e cinco mil, quatrocentos e onze reais e dezoito centavos), devidos ao Credit Suisse, R$ 1.710.000,00 (um milhão, setecentos e dez mil reais), devidos à AGL. Fl. 1472DF CARF MF Processo nº 10280.720563/201729 Acórdão n.º 2202005.385 S2C2T2 Fl. 1.471 5 O valor total deduzido, portanto, do valor de alienação a título de remuneração aos assessores financeiros foi de R$ 4.045.411,18 (quatro milhões, quarenta e cinco mil, quatrocentos e onze reais e dezoito centavos). Da análise dos dispositivos, concluise ser indevida a dedução dos valores pagos aos assessores financeiros, por não se tratarem de contrato de corretagem ou mesmo de comissão. Ainda, em relação ao contrato com o Credit Suisse, consta do documento tratarse de mandato. No que se refere ao contrato com a AGL, o próprio título esclarece tratarse de contrato de prestação de serviço. Além disso, no Acordo de Investimento celebrado com as sociedades Drogaria Guararapes Brasil S.A. e Brasil Pharma S.A., em 02/02/2012, o Credit Suisse e a AGL são tratados como "assessores financeiros" e não corretores ou comissários. Deve se ressaltar que na relação de corretagem o corretor assume perante o comitente a obrigação de tão somente intermediar negócios, agindo com autonomia. No item 4.1 do Contrato de Prestação de Serviços celebrado com a AGL as partes declaram não haver vínculo entre a contratada e os contratantes. No entanto, no ano da celebração do contrato, o quadro societário da AGL era composto pelo próprio contribuinte e por seus familiares, inexistindo outros empregados, conforme Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) apresentada pela AGL em resposta ao Termo n° 01 Intimação Fiscal. Verificase facilmente, portanto, que a AGL não possuía a independência exigida pelo artigo 722 do Código Civil, citado acima, para intermediar o negócio. Ainda, da análise da referida escritura e alterações, constatase que o objeto social da AGL era a "incorporação de empreendimentos imobiliários; aluguéis de imóveis próprios; e gestão e administração da propriedade imobiliária", não constando do mesmo a atividade de corretagem e nem mesmo de assessoria. Por todo o exposto, concluise que houve redução indevida do valor de alienação, no caso do contribuinte, da quantia de R$ 4.045.411,18 (quatro milhões, quarenta e cinco mil, quatrocentos e onze reais e dezoito centavos). Lançamento do Tributo Após considerar indevida a dedução do valor total de RS 17.979.605,25 com despesas de assessoria financeira, a Fiscalização refez os cálculos e apurou o valor considerado correto no montante de RS 65.930.311.18 correspondente ao valor recebido pela alienação da parte das ações do Sr. Roger Alberto Mendes Aguilera para o ano de 2012, a partir do qual apurou o percentual do diferimento para calcular a diferença do imposto devido para os anos de 2013 a 2016 (fls. 33/41): Fl. 1473DF CARF MF 6 Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal anexado ao processo n° 10280.720109/201778, diante da conclusão de que era incabível a dedução de RS 17.979.605,25 do valor de alienação das ações da Distribuidora Big Benn S/A, foi recalculado o imposto devido na operação, relativo á parcela recebida em março de 2012. O valor de alienação declarado no ano de 2012 foi de R$ 61.884.900,00 (sessenta e um milhões, oitocentos e oitenta e quatro mil e novecentos reais), correspondente a 22,5% (vinte e dois e meio por cento) percentual de participação de Roger Alberto Mendes Aguilera da diferença entre o valor total da venda subtraído das despesas com assessoria (R$ 293.023.605,25 R$ 17.979.605,26 = R$ 275.043.999,99 * 22,5% = R$ 61884.900,00). Sem a dedução dos R$ 17.979.605,25, o valor de alienação passa a ser, então, de RS 65.930.311,18 (R$ 293.023.605,25 * 22,5%). O percentual de diferimento, dessa forma, foi alterado para 94,924461%. Depois de encontrado o percentual do diferimento, a Fiscalização apurou, para o período de 2013 a 2016, a diferença do imposto devido incidente sobre o ganho de capital correspondente ao recebimento das parcelas anuais corrigidas pelo IGPM, aplicando a alíquota de 15% (fls. 33/38). Apurou ainda, em relação ao período de 2012 a 2106, o Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital correspondente ao recebimento das parcelas mensais, aplicando a alíquota de 15% (fls. 38/41). Os valores foram consolidados e exigidos por meio do lançamento consignado no Auto de Infração (fls. 02/18). Multa de Ofício A Fiscalização aplicou a multa de ofício, nos seguintes termos: "sobre o imposto devido, foi aplicada multa de oficio de 75%, na forma do art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96 (art. 957, inciso I, do RIR/99) (...)" Impugnação Regularmente intimado do Auto de Infração, o contribuinte apresentou impugnação, em 12/05/2017 (fls. 732/759), contestando o lançamento do Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital decorrente da variação do IGPM e sobre a exclusão das deduções supostamente indevidas da base de cálculo do IR: 103. Diante dos argumentos apresentados acima, o IMPUGNANTE requer a V.Sa. que se digne a reconhecer a quitação parcial do auto de infração e, no mais, a julgar improcedente o lançamento efetuado, uma vez que. conforme exaustivamente demonstrado: (i) o valor recebido pelo IMPUGNANTE a título de correção monetária (IGPM) aplicável sobre as parcelas do Preço de Compra se sujeita à retenção de Imposto de Renda na fonte pelo Adquirente sobre os rendimentos pagos (com aplicação das alíquotas progressivas), como de fato ocorreu, e não à apuração de Imposto de Renda sobre ganho de capital; Fl. 1474DF CARF MF Processo nº 10280.720563/201729 Acórdão n.º 2202005.385 S2C2T2 Fl. 1.472 7 (ii) o reajuste de preço pactuado no Segundo Aditamento jamais esteve sujeito à correção monetária pelo IGPM, não sendo possível que se promova sua atualização para fins de tributação pelo Imposto de Renda; e (ii) a dedução de despesas com corretagem foi realizada nos Termos permitidos por lei e, por isso. os referidos valores não devem compor o valor tributável apurado pelo IMPUGNANTE quando da alienação de parte do investimento detido na Big Benn. Diligência / Despacho 934 6ª Turma da DRJ/CTA A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR solicitou a realização de diligência (fls 1.047/1.049): 8. Assim, informandonos pelos princípios da ampla defesa e da verdade material, impõese. como medida necessária ao julgamento, a sua conversão em diligência para que a Delegacia Especial da Receita Federal de Maiores Contribuintes em Belo Horizonte MG (DEMAC/BHE/MG) providencie à intimação da Sr. Roger Alberto Mendes Aguilera. CPF n° 689.992.91200. visando à comprovação efetiva e detalhada, com documentação hábil e idônea, da retenção e recolhimento, pela efetiva fonte pagadora, do IRRF referente à tributação da correção monetária aplicada sobre as parcelas anuais da alienação de ações da empresa Big Benn. Relatório Fiscal de Diligência Em resposta ao Despacho nº 934 emitido pela 6ª Turma da DRJ/CTA solicitando a diligência, a Fiscalização apresentou Relatório Fiscal com as seguintes informações (fls. 1.265/1.267): As solicitações foram atendidas por meio da documentação datada em 06/12/2017, anexada às fls. 1.056 a 1.264. Em resposta ao item 2 acima, esclareceu o contribuinte que não teria sido informada no curso do processo n° 10280.720563/201729 "a realização de uma última operação ocorrida quando da reestruturação societária do Grupo Big Benn, realizada em 28 de fevereiro de 2013, qual seja, a incorporação reversa da Guararapes pela Big Benn, na qual esta absorveu aquela, sucedendoa em todos os direitos e obrigações e resultando na extinção da Guararapes, conforme ata da assembleia geral extraordinária da Big Benn anexa (Doe 01). A operação de incorporação da Guararapes pela Big Benn justifica a retenção dos valores pela sociedade sobrevivente, vez que esta, após a incorporação, assumiu integralmente todos os direito e deveres daquela, passando assim a realizar os pagamentos das parcelas vincendas em decorrência da compra de parte das ações de Roger Aguilera." Fl. 1475DF CARF MF 8 De fato, durante o procedimento fiscal, a incorporação reversa da Guararapes pela Big Benn não chegou ao conhecimento desta fiscalização. Como consequência, também não foi verificada por esta fiscalização a retenção e pagamento do imposto devido na operação pela Big Benn. Por fim, diante do exposto, entendemos ser desnecessária a implementação do disposto no art. 41 do Decreto n° 7.574, de 2011, mencionado no parágrafo 9 do Despacho da DRJ/CTA. Verificamos que os valores apresentados estão compatíveis com os informados nas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte Dirí e nas Declarações de Ajuste Anuais DAA do contribuinte. Manifestação do Recorrente sobre o Resultado da Diligência Após tomar conhecimento do resultado da diligência, o Contribuinte se manifestou, por meio do documento às folhas 1.270/1.278, apresentando seus esclarecimentos e requerendo: No que tange especificamente ao item 1 acima, a I. Fiscalização entendeu que a correção monetária das parcelas recebidas pelo Impugnante estaria sujeita à tributação pelo imposto de Renda à alíquota de 15%, como se ganho de capital fosse, que representa evidente erro. Em sede de Impugnação, o Impugnante demonstrou que o entendimento da D. Fiscalização não está em linha com a legislação aplicável. Com efeito, tratandose de uma alienação de ações feita a uma pessoa jurídica, os valores de correção monetária estão sujeitos à retenção do Imposto de Renda á alíquota de até 27.5%, pela fonte pagadora, como rendimentos do alienante (ora Impugnante). Nesse sentido, após o cumprimento da diligencia, em cumprimento ao artigo 20 do Decreto 70.235/72, foi designado um AuditorFiscal para proceder aos exames relativos à diligência. Dessa forma, considerando que os documentos apresentados no escopo da diligencia e o parecer exarado pelo I. Auditor Fiscal corroboram as alegações do IMPUGNANTE, ou seja, concluem que, em linha com a legislação aplicável, os valores recebidos pelo IMPUGNANTE a título de correção monetária (IGPM) aplicável sobre as parcelas do Preço de Compra se sujeitaram à retenção de Imposto de Renda na fonte pelo Adquirente sobre os rendimentos pagos (com aplicação das alíquotas progressivas), deve ser cancelado esse item do auto de infração. Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento A DRJ/CTA, ao apreciar a admissibilidade da impugnação, verificou o seguinte (fls. 1.298/1.299): Fl. 1476DF CARF MF Processo nº 10280.720563/201729 Acórdão n.º 2202005.385 S2C2T2 Fl. 1.473 9 9.1. No que se refere ao crédito tributário relativo aos fatos geradores apurados para o ano calendário de 2015, o interessado não impugnou a parte relativa ao ganho de capital decorrente de aumento do valor da parcela anual recebida em novembro de 2015 e recolheu o valor correspondente de R$ 1.051.379,22. Assim, no presente julgamento, do valor total de imposto lançado com relação àquele mês, de RS 1.450.715,71, analisase tão somente a legalidade do restante do imposto lançado, equivalente ao valor de R$ 399.336,49. 9.2. Assim, no presente caso, tendo sido lançado pela Fiscalização o valor total de R$ 2.268.282,41, descontandose o valor não impugnado e já recolhido pelos Impugnantes de R$ 1.051.379,22, chegase ao valor controverso de R$ 1.216.903,19. sobre o qual versará o presente julgamento administrativo. Quando da análise do presente caso, a DRJ/CTA apreciou o lançamento e proferiu o acórdão nos seguintes termos (fls. 1.286): "Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, no limite do litígio submetido a esta instância julgadora, com a declaração de voto do julgador "pro tempore" Wagner Lopes da Silva, julgar procedente em parte a impugnação parcial, alterando o valor do imposto de renda remanescente de RS 1.216.903,19 para RS 233.131,29, mais multa de ofício de RS 174.848.46 e demais acréscimos legais pertinentes, nos termos do voto do Relator." A DRJ/CTA julgou a impugnação procedente em parte e manteve em parte o lançamento, conforme ementas a seguir transcritas (fls. 1.286): ASSINTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012. 2013. 2014. 2015. 2016 GANHO DE CAPITAL. REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS DE ASSESSORIA. INDEDUTIBILIDADE. Despesas com consultoria, assessoria e outras, distintas de despesa de corretagem, são indedutíveis na apuração do ganho de capital. FATOS APURADOS EM DILIGÊNCIA FISCAL. REPERCUSSÃO NO LANÇAMENTO. A constatação, em diligência fiscal, de fatos desconhecidos no decorrer do procedimento fiscal, dentre eles o recolhimento espontâneo do tributo, determina a alteração do lançamento. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. INCOMPETÊNCIA. A análise de pedidos de restituição de créditos alegadamente detidos pelos sujeitos passivos refoge à competência da autoridade julgadora, devendo somente ser requeridos em procedimento específico e perante a autoridade competente para tanto, nos termos da legislação regulamentar. Impugnação Procedente em Parte Fl. 1477DF CARF MF 10 Crédito Tributário Mantido em Parte Recurso Voluntário O contribuinte Roger Alberto Mendes Aguilera, devidamente intimado da decisão da DRJ/CTA, por meio do Termo de Ciência por Abertura de Mensagem (fl. 1.321), apresentou, em 21/08/2018 (fl. 1.323), recurso voluntário (fls. 1.325/1.357). Em sede de recurso voluntário, o Recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ/CTA, alegando que: Inicialmente, o Contribuinte fez considerações sobre a tempestividade do Recurso e apresentou uma breve descrição das operações societárias, destacando (fls. 1.327): 8. Realizada a Reorganização Societária, a Drogaria Guararapes adquiriu participação societária equivalente a 62,13% (sessenta e dois inteiros e treze centésimos por cento) do capital votante da Big Benn por meio da alienação das ações ordinárias detidas pelo RECORRENTE e pelos demais acionistas, pelo valor total de RS293.023.605.25 (duzentos e noventa e três milhões, vinte e três mil, seiscentos e cinco reais e vinte e cinco centavos), como se verifica no termo de fechamento (Doe. 06 da Impugnação). 9. Nos termos do mencionado termo de fechamento, restou definido que o valor pela aquisição da participação societária seria pago de forma parcelada pelos compradores, sendo certo que o RECORRENTE faria jus a uma parcela à vista no valor de RS22.704.525.00 (vinte e dois milhões, setecentos e quatro mil e quinhentos e vinte e cinco reais) no ano de 2012, além de três parcelas anuais e subsequentes no valor de RS13.060.125.00 (treze milhões, sessenta mil e cento e vinte e cinco reais) corrigidas pela variação do índice Geral de Preços do Mercado da Fundação Getúlio Vargas ("IGPM"). 10. Posteriormente, em 11 de novembro de 2015, por ocasião da assinatura do Segundo Aditamento ao Acordo de Investimento ("Segundo Aditamento"') (Doe. 07 da Impugnação), foi definido um reajuste no preço de alienação das ações, importando em um acréscimo de RS32.817.649.93 (trinta e dois milhões, oitocentos e dezessete mil, seiscentos e quarenta e nove reais e noventa e três centavos) ao preço de compra, dos quais R$7.383.971,23 (sete milhões, trezentos e oitenta três mil. novecentos e setenta e um reais e vinte e três centavos) devidos em favor do RECORRENTE. 11. Acordouse, ainda, que a última parcela, devida no ano de 2015, seria dividida em duas, com pagamentos em 2015 e 2016 em favor do RECORRENTE no valor de RS6.530.062.50 (seis milhões, quinhentos e trinta mil. sessenta e dois reais e cinquenta centavos) devidamente corrigidas pelo IGPM. 12. Não é demais destacar que sobre todos os valores recebidos a título de principal o RECORRENTE realizou a apuração e pagamento do Imposto de Renda ("IRPF") incidente sobre o ganho de capital (Doc. 08 da Impugnação). Indevida Inovação do Critério Jurídico no Acórdão Recorrido Fl. 1478DF CARF MF Processo nº 10280.720563/201729 Acórdão n.º 2202005.385 S2C2T2 Fl. 1.474 11 O Recorrente alegou que há insubsistência na formalização de verdadeiro lançamento complementar pela autoridade julgadora, porque: "verificase que o acórdão recorrido incorreu em flagrante inovação do critério jurídico que fundamentou o presente lançamento fiscal, realizando, na prática, um verdadeiro (e indevido) lançamento complementar ao crédito originalmente discutido." e que (fls. 1.333/1.339): 23. Por ocasião do julgamento em primeira instância, os I. julgadores da DRJ, ao analisarem as informações prestadas por meio da diligência fiscal realizada nestes autos, entenderam por bem reconhecer a improcedência parcial do lançamento fiscal, concluindo, assim, que "o saldo de imposto a pagar, apurado sobre o recebimento das parcelas anuais decorrentes da venda de suas ações totalizou R$21.985,31" (fls. 26 do acórdão recorrido). 24. Para assim concluir, a Turma Julgadora, a teor do exposto às fls. 22 a 26 da decisão, efetuou "nova apuração" das bases tributáveis eleitas pela Autoridade Fiscal, segregando a exigência fiscal em (i) "Imposto de Renda sobre o valor da parcela recebida (tributação pelo ganho de capital)", no valor total de R$19.499.22; e (ii) "Imposto de renda sobre o valor do reajuste1 da parcela recebida (tributação normal)", no valor de R$2.486.09 (cuja insubsistência será abordada mais adiante). 32. Em outras palavras, não cabe à Autoridade Julgadora (como ocorreu no caso em tela) realizar uma "nova apuração" dos fatos tributados, com a recomposição da base tributável e adição de valores que não compunham inicialmente a exigência fiscal (a exemplo da infração (i) mencionada acima). 33. Efetivamente, a C. Turma Julgadora não tem competência para alterar os fundamentos jurídicos utilizados pela Fiscalização (como ocorreu no presente caso), já que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, conforme preceituam os artigos 142 e 149 do CTN, bem como representa ato formal, dotado de requisitos próprios. 34. Em razão dessa previsão e das formalidades que são atribuídas ao lançamento, verificase que a C. Turma Julgadora jamais poderia ter inovado no lançamento realizado pela Autoridade Fiscal, com a finalidade de aperfeiçoálo. Dessa forma, o que ocorreu no presente caso foi a evidente usurpação da competência outorgada à Autoridade Lançadora. Nulidade O Recorrente alegou nulidade porque entendeu que houve inovação do critério jurídico adotado pela DRJ para a exigência complementar do tributo (fls. 1.338/1.339): 40. Nada obstante, ainda que fosse possível se falar em eventual complementação do lançamento fiscal, o que se admite como argumento, deveria ter sido realizado um lançamento complementar, com abertura de prazo para apresentação de Impugnação, o que não ocorreu, resultando na nulidade da cobrança ora combatida. Fl. 1479DF CARF MF 12 41. Com a devida vênia ao D. Julgador de primeira instância, o próprio artigo 41 do Decreto n.° 7.754/2011 determina, em homenagem ao contraditório, que tal procedimento somente seria possível por meio da baixa dos autos à delegacia de origem para que se realizasse o recalculo dos valores lançados, dando origem a um novo (e detalhado) lançamento, oportunizando ao RECORRENTE que se manifestasse sobre a sua correição junto à DRJ por meio de tempestiva impugnação. 42. O desrespeito à previsão legal indicada acima, bem como a relativização do direito do contribuinte à ampla defesa é mal que, sob perspectiva alguma, deve ser estimulado. Nesse sentido, espera o RECORRENTE que seja julgada nula a inovadora exigência complementar de lavra da DRJ, no montante R$19.499.22 (dezenove mil, quatrocentos e noventa e nove reais e vinte e dois centavos), a título de Imposto de Renda. Regularidade da Dedução dos Valores Pagos aos Assessores Financeiros da Base de Cálculo do IRPF O Recorrente alegou que: "como já restou demonstrado, grande parte dos valores objeto do presente recurso decorre da negativa do Fisco em reconhecer a possibilidade de dedução dos valores pagos aos Assessores Financeiros do ganho de capital auferido pelo Recorrente na operação." e explicou os seguintes pontos (fls. 1.339/1.340): 47. Explicase: R$233.131,29 (duzentos e trinta e três mil. cento e trinta e um reais e vinte e nove centavos) exigidos a título de principal após o julgamento de primeira instância, (i) RS19.499,22 (dezenove mil, quatrocentos e noventa e nove reais e vinte e dois centavos) decorrem do recalculo do percentual de diferimento do ganho de capital auferido na alienação em razão da glosa dos valores pagos aos Assessores Financeiros (inovação mencionada no item III.A acima): (ii) R$2.486,09 (dois mil, quatrocentos e oitenta e seis reais e nove centavos) decorrem sobre o valor de atualização das parcelas recebidas (cuja insubsistência será abordada mais adiante): e (iii) RS211.145,13 (duzentos e onze mil. cento e quarenta e cinco reais e noventa e treze) decorrem da glosa de despesas incorridas com assessoria da AGL. para fins de apuração do ganho de capital auferido pelo RECORRENTE. O Recorrente asseverou que: "conforme demonstrado na Impugnação, o artigo 123, §5° do RIR/99 permite que o contribuinte deduza, do valor da alienação de um ativo, as despesas incorridas a título de corretagem em determinada operação desde que não haja transferência dos ônus de tais despesas ao comprador." (fl. 1.341). 55. Da leitura do § 5° do artigo 123 do RIR/993, se extrai que é necessária a observância de 2 (dois) requisitos para que se permita a dedução, do valor da alienação, dos valores pagos aos Assessores Financeiros: (i) que possuam natureza de corretagem e (ii) que não tenha havido transferência do ônus do pagamento ao adquirente (no caso concreto, a BR Pharma). 56. Assim, como restará demonstrado a seguir, os contratos celebrados com o Credit Suisse e com a AGL cumprem de forma inequívoca os requisitos legais exigidos para redução do ganho Fl. 1480DF CARF MF Processo nº 10280.720563/201729 Acórdão n.º 2202005.385 S2C2T2 Fl. 1.475 13 de capital apurado com a alienação, razão pela qual não há que se falar na glosa de tais deduções. No caso do primeiro requisito, natureza de corretagem dos contratos, o Recorrente entendeu que: "contrato de corretagem tem por finalidade aproximar comprador e vendedor, de forma que, somente quando da concretização de determinado negócio jurídico (compra e venda, por exemplo) é que o corretor fará jus à sua remuneração, comumente denominada "comissão." (fls. 1.342/1.350): 58. O objeto deste contrato não é propriamente o serviço prestado pelo corretor, mas o resultado desse serviço. 59. Tanto o é que. se do resultado do trabalho do corretor não surtir qualquer efeito, ou seja. se o negócio jurídico não se concretizar, não há que se falar em remuneração, pois o pagamento da comissão não se dá com base no serviço prestado, mas sim em razão do resultado obtido, como nos ensina Maria Helena Diniz. 66. Um segundo ponto importante é que os dois contratos mencionam, em seus objetos, o interesse dos acionistas da Big Benn em encontrar um novo investidor para o Grupo, ficando acordado que, tanto o Credit Suisse. quanto a AGL. foram contratados para auxiliar na busca de tal investidor. (fl. 1.344) 71. O terceiro ponto fundamental para a análise da natureza dos contratos diz respeito á remuneração dos Assessores Financeiros (corretores). 97. Assim, necessário concluir que. ao contrário do que entendeu o julgador de primeira instância, os contratos celebrados com os Assessores Financeiros possuem natureza de corretagem, estando cumprido o primeiro dos 2 (dois) requisitos estipulados pelo artigo 123, §5° do RIR/99 para dedução dos valores pagos ao Credit Suisse e à AGL da base de cálculo do IRPF recolhido. No caso do segundo requisito, ausência de transferência do ônus do pagamento para o adquirente, o Recorrente entendeu que é incontestável, pois "a existência de previsão expressa nos contratos celebrados com os Assessores Jurídicos demonstra de forma clara e inequívoca a assunção do ônus pelos alienantes." (fls. 1.350/1.353) e também que: 100. Com efeito, a redação da Cláusula 3.2, item XII, do Acordo de Investimento celebrado entre os Acionistas e a Brazil Pharma (Doc. 04 da Impugnação) afasta qualquer alegação de que houve o repasse do ônus do pagamento dos Assessores Financeiros para a BR Pharma, (...): 101. O ônus do pagamento dos valores devidos ao Credit Suisse e à AGL foram suportados pelos próprios Acionistas, dentre os quais se encontrava o RECORRENTE. O Recorrente asseverou ainda que: "como restou demonstrado, os contratos celebrados com os Assessores Financeiros possuem natureza de corretagem. Além disso, afirmou que: "restou documentalmente comprovado que o ônus do pagamento dos valores Fl. 1481DF CARF MF 14 acordados nos referidos contratos foi incorrido pelos Acionistas, incluindo o Recorrente." (fls. 1;353.1.355). 113. Assim o RECORRENTE agiu bem ao deduzir, proporcionalmente, os valores despendidos na contratação dos Assessores Financeiros da base de cálculo do IRPF. 114. A própria Receita Federal do Brasil, em resposta a Solução de Consulta formulada em 2007. já se manifestou no sentido de que. observados os 2 (dois) requisitos elencados no artigo 123, §5°. do RIR/99, o valor pago a título de corretagem na alienação poderá ser excluído do ganho de capital tributável,(...). Suficiência do Imposto Retido na Fonte Sobre o Valor da Atualização Pelo IGPM O Recorrente alegou que os valores recebidos a título de correção monetária (IGPM) referentes as parcelas anuais sofreram retenção na fonte sob a alíquota de 27,5% e que os valores recolhidos foram suficientes para quitar a exigência (fls. 1.355/1.356): 120. Conforme restou comprovado pelo relatório fiscal de fls. 1.265/1.267, os valores percebidos pelo RECORRENTE a título de correção monetária (IGPM) das parcelas anuais recebidas se sujeitou á retenção na fonte sob a alíquota de 27,5%. 121. No entanto, no Acórdão de fls. 1.286/1.315, a DRJ, ao realizar o recalculo do imposto, apurou suposto saldo a pagar de principal no montante de RS 2.486.09 122. A cobrança desse valor, no entanto, não merece prosperar. 124. Neste sentido, notese que os valores lançados correspondem, não por coincidência, exatamente às parcelas a deduzir, quais sejam: RS 790,58 em março de 2013: RS826.15 em maio de 2014: e RS869.36 em janeiro de 2016. Por fim, o contribuinte requer "integral provimento ao presente Recurso Voluntário para cancelar o lançamento efetuado e por conseguinte, a totalidade das exigências fiscais", conforme demonstrado (fls. 1.356/1.357): (i) é nula a inovação/lançamento complementar levado a efeito pela DRJ por ocasião do julgamento em primeira instância: (ii) a dedução de despesas com corretagem foi realizada nos termos legais e. por esta razão, os valores cobrados em razão da glosa da dedução devem ser cancelados; e (ii) houve suficiente retenção do IRRF em razão dos rendimentos decorrentes da atualização, pelo IGPM. das parcelas recebidas no bojo da alienação de parcela do investimento detido na Big Benn pelo RECORRENTE. O Recorrente, além da referência às normas legais, apresentou doutrina dos autores Silvio de Salvo Venosa e Maria Helena Diniz, para embasar sua contestação. No dia 05 de agosto de 2019, o Recorrente apresentou petição com informações sobre julgamentos administrativos que versaram sobre temas semelhantes, apresentou ainda ementas destes julgamentos e expôs e requereu o seguinte (fls. 1.362/1.366): Fl. 1482DF CARF MF Processo nº 10280.720563/201729 Acórdão n.º 2202005.385 S2C2T2 Fl. 1.476 15 Nesse sentido, o RECORRENTE vem informar que em casos semelhantes ao presente, decorrentes de autos de infração lavrados pela D. Autoridade fiscal em razão da mesma operação que originou o presente litígio, em face de outros contribuintes, foram prolatadas decisões que reconheceram a possibilidade de dedução dos valores pagos à AGL no escopo da operação. Diante do exposto, o RECORRENTE reforça o pedido para que sejam cancelados os valores lançados em razão da glosa das despesas incorridas com a AGL e aproveita a oportunidade para reiterar suas razões de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Rorildo Barbosa Correia Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Pedido de Juntada de Documentos na Fase Recursal Inicialmente cabe registrar que o Recorrente solicitou a juntada de documentos com o objetivo de complementar as suas alegações (fls.1.362/1.366). Á vista disso, fazse necessário analisar se tais documentos podem ou não ser juntados aos autos e conhecidos por este Colegiado. No caso de apresentação de provas, em sede de recurso, cabe mencionar que a jurisprudência apresenta certo grau de atenuação dos rigores das normas processuais acerca da preclusão, afastandoa em alguns casos referentes a fatos notórios que podem permitir e contribuir para o convencimento do julgador. Assim, após a verificação, entendo que os documentos apresentados podem ser juntados, pois se trata de prova complementar aos documentos já apresentados, em consonância com a matéria questionada nos autos desde o primeiro pronunciamento do contribuinte e já apreciada pela primeira instância, observando o principio da verdade material. Para corroborar o fundamento para tal decisão, cabe citar o acórdão nº 920201.634 proferido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, nos seguintes termos: "Por força do princípio da legalidade não vejo como a autoridade julgadora deixaria de analisar as provas apresentadas, ainda que apenas na fase recursal, deixando de buscar a verdade material e limitandose a apreciar somente o alegado ou apresentado como prova." Conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1999 APRESENTAÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL E PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Fl. 1483DF CARF MF 16 Nos processos de determinação e exigência de crédito tributário, a impugnação fixará os limites da controvérsia, sendo considerada como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. No entanto, a noção de preclusão não pode ser levada às últimas conseqüências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material. Todavia, cabe esclarecer que o fato de apreciar os documentos juntados na fase recursal, não implica acatar os argumentos defendidos pelo Recorrente, uma vez que o julgador é livre para formar seu convencimento e valorar as provas apresentadas. Imposto de Renda sobre o Ganho de Capital Parcelas Anuais O Recorrente alegou que houve lançamento complementar pela autoridade julgadora: "verificase que o acórdão recorrido incorreu em flagrante inovação do critério jurídico que fundamentou o presente lançamento fiscal, realizando, na prática, um verdadeiro (e indevido) lançamento complementar ao crédito originalmente discutido." (fls. 1.333/1.339). Neste ponto, observase que assiste razão ao Contribuinte, explico: De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (TVF), a Fiscalização calculou o ganho de capital decorrente das parcelas anuais recebidas pelo contribuinte, aplicando o percentual do diferimento (94,924461%) sobre o valor da parcela acrescida da atualização monetária pelo IGPM. Depois de calcular o valor do ganho de capital, a Fiscalização apurou o Imposto de Renda devido, aplicando a alíquota de 15%. Após apurar o Imposto de Renda devido, a Fiscalização comparouo com o imposto recolhido pelo Contribuinte e constatou que havia diferença de Imposto de Renda a pagar. Assim, a Fiscalização lançou a diferença encontrada entre o Imposto de Renda apurado e o Imposto de Renda recolhido (fls. 03/15 e 33/41). Todavia, a 6ª Turma da DRJ/CTA, após o retorno da diligência, ajustou os valores lançados, segregando o lançamento entre o valor correspondente a parte principal (valor originário) e o valor referente à parte da atualização monetária pelo IGPM. Após a segregação dos valores, a 6ª Turma da DRJ/CTA aplicou a alíquota de 15% sobre os valores referentes à parte principal (valor originário) e a alíquota de 27,5% sobre os valores relativos à atualização monetária (fls. 1.305/1.310). À vista disso, notase que a revisão realizada 6ª Turma da DRJ/CTA não atendeu aos pressupostos legais, pois ao alterar a alíquota de 15% para 27,5%, para ajustar o lançamento, realizouse agravamento indevido, fato esse não permitido pelas normas legais. No tocante ao agravamento da exigência tributária, com a alteração da alíquota de 15% para 27,5%, cabe observar o disposto no artigo 41 do Decreto nº 7.574, de 2011 e o § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, os quais estabelecem que as incorreções, omissões ou inexatidões que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, devem ser exigidas por meio de lançamento complementar: Art. 18 do Decreto nº 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas Fl. 1484DF CARF MF Processo nº 10280.720563/201729 Acórdão n.º 2202005.385 S2C2T2 Fl. 1.477 17 necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Neste sentido, entendo que, em sede julgamento, não se permite utilizar os procedimentos adotados pela DRJ/CTA, ajustando o lançamento com a modificação da alíquota, pois a aderência do fato à norma aplicável, com a descrição dos fatos, a indicação do fundamento legal da autuação, a construção da base de cálculo, a alíquota aplicável, a precisa indicação do sujeito passivo e a motivação são elementos substanciais do lançamento tributário, por determinação do comando previsto no art. 142 do CTN. Inclusive, o AuditorFiscal, quando realizou a diligência (fl. 1.267), entendeu que: “Por fim, diante do exposto, entendemos ser desnecessária a implementação do disposto no art. 41 do Decreto nº 7.574, de 2011, mencionado no parágrafo 9 do Despacho da DRJ/CTA.” Art. 41. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será efetuado lançamento complementar por meio da lavratura de auto de infração complementar ou de emissão de notificação de lançamento complementar, específicos em relação à matéria modificada (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 18, § 3º, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, art. 1º). Contudo, no presente caso, em relação ao lançamento tributário, o Auditor Fiscal não observou que a tributação se daria de duas formas, pois o pagamento das parcelas anuais ao Recorrente, pela venda de sua participação acionária, foi realizado com atualização monetária pela variação do índice Geral de Preços do Mercado da Fundação Getúlio Vargas ("IGPM"). Assim: a) o ganho de capital diferido decorrente do recebimento das parcelas anuais deveria ser apurado tendo por base o valor originário de cada parcela e tributado pelo Imposto de Renda mediante a aplicação da alíquota de 15%; b) Os valores correspondentes a atualização monetária das parcelas, a tributação se daria pelo Imposto de Renda Retido na Fonte, pois a alienação das ações foi para pessoa jurídica, que neste caso seria mediante a alíquota de 27,5%, nos termos dos artigos 1º ao 3º da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, c/c § 3° do artigo 19 da Instrução Normativa n° 84, de 11 de outubro de 2001, in verbis: Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de1988: Fl. 1485DF CARF MF 18 Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3° O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) Instrução Normativa SRF n° 84, de 11 de outubro de 2001: Art. 19. Considerase valor de alienação: [...] § 3º Os valores recebidos a título de reajuste, no caso de pagamento parcelado, qualquer que seja sua designação, a exemplo de juros e reajuste de parcelas, não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante o recolhimento mensal obrigatório (Carnê Leão), quando a alienação for para pessoa jurídica ou para pessoa física, respectivamente, e na Declaração de Ajuste Anual. Dessa forma, observase que os valores relativos à atualização monetária das parcelas anuais, consideradas pela Fiscalização, devem ser excluídas, pois caberia à empresa adquirente das ações (pessoas jurídica) fazer a retenção do Imposto de Renda incidente sobre os valores correspondentes a atualização monetária e realizar o recolhimento, como de fato reteve, conforme consta no quadro resumo do Relatório Fiscal da Diligência (fl. 1.266). Por isso, tornase necessário refazer os cálculos do valor do ganho de capital decorrente das parcelas anuais recebidas, excluindo da base de apuração do ganho de capital o valor referente à atualização monetária considerado pela Fiscalização. Neste caso, para efeito de calcular o ganho de capital, o percentual do diferimento (94,924461%), conforme estabelecido pela Autoridade fiscal (fls. 33/41), deverá ser aplicado sobre a parcela anual recebida no valor originário pelo contribuinte, sem computar a atualização monetária considerada pela Fiscalização. Após o cálculo, o ganho de capital apurado deverá ser tributado pelo Imposto de Renda mediante a aplicação da alíquota de 15%. Diante do exposto, entendo que deve ser excluída da base de apuração do ganho de capital calculada na ação fiscal, o valor correspondente a atualização monetária considerado pela Fiscalização, tornando sem efeito a modificação da alíquota de 15% para 27,5% realizada pela DRJ/CTA. Deduções com Assessoria Financeira / Ganho de Capital Neste caso, a controvérsia reside no fato de que a Fiscalização entendeu (fls 29/33) e os Julgadores de Primeira Instância (fls. 1.300/1.304) mantiveram o entendimento de que os valores despendidos com assessoria financeira em pagamento à empresa AGL Empreendimentos, Participações e Administração Ltda e ao Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S/A, no montante de R$ 17.979.605,25 não são passíveis de dedução da base de Fl. 1486DF CARF MF Processo nº 10280.720563/201729 Acórdão n.º 2202005.385 S2C2T2 Fl. 1.478 19 apuração do ganho de capital, porque tais despesas se referem à assessoria financeira, enquanto que a norma legal dispõe que somente podem ser dedutíveis as despesas pagas a título de corretagem, desde que o ônus não tenha sido transferido ao adquirente, nos termos do § 5°, do art. 123 do Decreto n° 3.000 de 26 de março de 1999 de (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 vigente à época / § 5° do art. 134 do Decreto n° 9.580 de 22/11/2018 RIR vigência atual): Art. 123. Considerase valor de alienação (Lei n° 7.713. de 1988. art. 19 e parágrafo único): (...) § 5° O valor pago a título de corretagem na alienação será diminuído do valor da alienação, desde que o ônus não tenha sido transferido ao adquirente. (grifei). Por outro lado, o Recorrente entendeu que as despesas pagas com assessoria financeira à AGL Empreendimentos, Participações e Administração Ltda e ao Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) SA. (Credit Suisse) se enquadram no conceito de corretagem, e por isso as despesas estão sujeitas a dedução da base de cálculo de apuração do ganho de capital, pois preencheram os requisitos necessários que permitem tal dedução (fls. 1.339/1.341) 55. Da leitura do § 5° do artigo 123 do RIR/99 se extrai que é necessária a observância de 2 (dois) requisitos para que se permita a dedução, do valor da alienação, dos valores pagos aos Assessores Financeiros: (i) que possuam natureza de corretagem e (ii) que não tenha havido transferência do ônus do pagamento ao adquirente (no caso concreto, a BR Plianna). No mesmo sentido o Recorrente explicou a finalidade dos contratos firmados com as empresas de assessoria: "o contrato de corretagem tem por finalidade aproximar comprador e vendedor, de forma que somente quando da concretização de determinado negócio jurídico (compra e venda, por exemplo) é que o corretor fará jus à sua remuneração, comumente denominada "comissão." De modo que o "objeto deste contrato não é propriamente o serviço prestado pelo corretor, mas o resultado desse serviço." (fl. 1.342). Diante do exposto, percebese que para o deslinde da questão se faz necessário apurar, para efeito de dedução ou não da base de cálculo do ganho do capital, se os valores pagos à empresa AGL Empreendimentos, Participações e Administração Ltda e ao Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) SA. (Credit Suisse) pelo serviço de assessoria financeira se enquadram no conceito de corretagem. Para isso, fezse necessário definir corretagem e assessoria financeira, para depois confrontar com o tipo de serviço contratado e prestado pelas referidas empresas. De acordo com art. n° 722 do Código Civil (Lei n° 10.406/2002) trata de: "Pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obrigase a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas". Por assessoria financeira entende que se trata de um serviço prestado por empresas ou profissionais capacitados com o objetivo de assessorar os clientes, avaliando suas Fl. 1487DF CARF MF 20 necessidades, a tomar decisões de cunho financeiro. Podendo também ser considerado consultor financeiro aquele que orienta seus clientes na solução de problemas financeiros tendo como remuneração uma taxa sobre os serviços, conforme entendimento sobre o tema extraído de sítios especializadas na rede mundial de computadores internet: Assessoria tem origem da palavra latina assessore, cuja a definição é dar alguém uma recomendação sobre o que deve ser feito em uma situação especifica. 1 A consultoria empresarial é definida como fornecer aconselhamento profissional ou especializado a uma pessoa ou a uma empresa. No negócio de consultoria, a orientação do consultor é dada em troca de taxas para ajudar o cliente a resolver um problema específico. 2 Cabe ao consultor financeiro (chamado de financial advisor ou financial adviser, em inglês) apresentar todas as informações com segurança para o cliente. Além disso ele deve tirar todas as dúvidas para que ele tome suas decisões de forma consciente3. Assessoria é a ação realizada por um indivíduo ou um grupo, que consiste em dar ou receber aconselhamento e auxílio sobre um determinado ramo ou assunto. 4 Após o entendimento sobre as definições de corretagem e assessoria financeira, passouse a analisar os contratos estabelecidos entre os interessados (fls. 277/278 e 289/290) e a AGL Empreendimentos, Participações e Administração Ltda e o Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) SA. (Credit Suisse) com a finalidade de verificar qual foi a natureza dos serviços contratados. Analisando o contrato realizado entre os interessados e o Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S/A (fls. 277/288), percebese que dos serviços estabelecidos na cláusula 1 não consta prestação de serviço de corretagem, todavia, de acordo com a informação que se extrai da referida cláusula, tratase de prestação de serviço para auxiliar e assessorar a contratante nas condições ali estabelecidas (fl. 278): Cláusula 1 Serviços Os serviços a serem prestados pelo Credit Suisse no âmbito da Operação, na medida em que solicitados e apropriados, consistirão em auxiliar a Contratante na: (a) análise e avaliação dos negócios, operações e posição financeira da Sociedade; (b) preparação e implementação de um plano de marketing relacionado à Operação, respeitado a regulamentação aplicável; (c) coordenação do data room e das análises (due diligence) pelos potenciais investidores nas Sociedades ("Potenciais Investidores"); (d) avaliação das propostas recebidas dos Potenciais investidores; e (e) estruturação e negociação da Operação. 1 https://webinsider.com.br/diferencasentreassessoriaeconsultoria/ 2 https://webinsider.com.br/diferencasentreassessoriaeconsultoria/ 3 https://www.dicionariofinanceiro.com/consultoriafinanceira/ 4 https://www.significados.com.br/assessoria/ Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 10280.720563/201729 Acórdão n.º 2202005.385 S2C2T2 Fl. 1.479 21 Analisando o contrato realizado entre os interessados e a AGL Empreendimentos, Participações e Administração Ltda (fls. 289/299) percebese que o contrato tem por objeto a prestação de serviços de consultoria e dentre o serviços não consta prestação de serviço de corretagem (fl. 292): I. Objeto 1.1 O presente Contrato tem por objeto a prestação, peia Contratada, de serviços de consultoria em relação à Transação, incluindo (i) auxiliar os Contratantes na Reestruturação, incluindo eventual planejamento familiar; (ii)a apresentação da Transação a potenciais investidores, incluindo a coordenação de visitas ao Grupo Big Benn; (iii) coordenação dos trabalhos envolvendo outros assessores, incluindo assessores financeiros, jurídicos e contábeis; (iv) intermediação das negociações junto aos Contratantes, os potenciais interessados na Transação, bem como seus respectivos assessores; e (v) auxiliar no planejamento imobiliário do Grupo Big Benn (em conjunto "Serviços"). Após analisar os contratos realizados com as duas empresas, AGL Empreendimentos, Participações e Administração Ltda e o Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S/A, para prestação de serviço de assessoria e consultoria, verificouse que a contratação tinha por objetivo auxiliar os contratantes na avaliação e preparação dos negócios e possível planejamento familiar (auxiliar os Contratantes na Reestruturação, incluindo eventual planejamento familiar), porém não se encontrou nos contratos informações sobre prestação de serviço de corretagem, nos termos estabelecidos pelo art. 722 do Código Civil. Assim, os valores referentes às despesas com a execução dos contratos pela prestação de serviço de assessoria e consultoria, não podem ser deduzidos do valor da alienação, base de apuração do ganho de capital, uma vez que o disposto no § 5°, do art. 123 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99 vigente à época / § 5° do art. 134 do Decreto n° 9.580 de 22/11/2018 RIR vigência atual), é taxativo, permitindo somente a dedução de valor pago a título de corretagem, desde que o ônus não tenha sido transferido ao adquirente. Diante do exposto, entendo que não merecem ser acolhidas as alegações do Recorrente, pois os contratos celebrados com as empresas contratadas revelam prestação de serviço de assessoria e consultoria, sendo que tais serviços não se enquadram como corretagem, portanto fica impedido o Contribuinte de deduzir do valor da alienação, para efeito de apuração do ganho de capital, os valores despendidos com tais serviços, por falta de previsão legal. Parcelas Mensais Dessa forma, entendo como correta a exigência do tributo em relação as parcelas mensais pagas à empresa AGL Empreendimentos, Participações e Administração Ltda, mantendo o valor do crédito lançado, conforme o Auto de Infração (fls. 02/15 ) e Termo de Verificação Fiscal (fls. 38/41). Assim, neste ponto, não há espaço para modificação do lançamento e nem qualquer reforma na decisão recorrida, devendo ser mantida a exigência na forma como foi lançada no auto de infração e apreciada pelo Acórdão proferido pela DRJ. Suficiência do Imposto Retido na Fonte Sobre o Valor da Atualização Pelo IGPM O Recorrente alegou que os valores recebidos a título de correção monetária (IGPM) referentes às parcelas anuais sofreram retenção na fonte, mediante a aplicação da Fl. 1489DF CARF MF 22 alíquota de 27,5% e que os valores recolhidos foram suficientes para quitar a exigência (fls. 1.355/1.356), todavia, pelo fato da exclusão dos valores correspondentes à atualização monetária da base de apuração do ganho capital, a análise destes argumentos se torna prejudicada. Decisão Ante o exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo apurada na ação fiscal os valores correspondentes a atualização monetária das parcelas anuais. (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 10280.720563/201729 Acórdão n.º 2202005.385 S2C2T2 Fl. 1.480 23 . Fl. 1491DF CARF MF
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