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Numero do processo: 10907.000844/2003-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 04/04/2003
RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO. VALOR DE ALÇADA. PORTARIA MF Nº 63 DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017.
O Recurso de Ofício não alcança o limite de R$2.500.000,00 (dois milhões e meio de reais) ampliado pela Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017 e, portanto, não deve ser conhecido.
SÚMULA CARF Nº 103
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
DEPOSITÁRIO. EXTRAVIO. RESPONSABILIDADE.
O depositário é responsável pelo crédito tributário decorrente do extravio de mercadoria que se encontrava sob sua custódia.
MERCADORIA EXTRAVIADA. CALCULO DO IMPOSTO.
Nos casos em que o depositário extravia a mercadoria armazenada e os dados do manifesto ou dos documentos de importações forem insuficientes para se encontrar o valor base para cálculo 'da exigência do II deve-se obter tal valor em mercadoria contida em volume idêntico.
FURTO. HIPÓTESE DE EXCLUSÃO FORÇA MAIOR.
O furto não se enquadra nas hipóteses de exclusão de responsabilidade prevista no Regulamento Aduaneiro para os casos de força maior.
MULTA DE OFÍCIO. NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Nos termos dos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, o lançamento realizado por meio de auto de infração deverá indicar a penalidade aplicável e o valor do crédito correspondente. Inexistindo tais indicações no Auto de Infração, inviável o lançamento da multa a posteriori.
Numero da decisão: 3201-004.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício e em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para excluir a multa aplicada em face de ausência do seu lançamento no Auto de Infração original.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 04/04/2003 RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO. VALOR DE ALÇADA. PORTARIA MF Nº 63 DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017. O Recurso de Ofício não alcança o limite de R$2.500.000,00 (dois milhões e meio de reais) ampliado pela Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017 e, portanto, não deve ser conhecido. SÚMULA CARF Nº 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. DEPOSITÁRIO. EXTRAVIO. RESPONSABILIDADE. O depositário é responsável pelo crédito tributário decorrente do extravio de mercadoria que se encontrava sob sua custódia. MERCADORIA EXTRAVIADA. CALCULO DO IMPOSTO. Nos casos em que o depositário extravia a mercadoria armazenada e os dados do manifesto ou dos documentos de importações forem insuficientes para se encontrar o valor base para cálculo 'da exigência do II deve-se obter tal valor em mercadoria contida em volume idêntico. FURTO. HIPÓTESE DE EXCLUSÃO FORÇA MAIOR. O furto não se enquadra nas hipóteses de exclusão de responsabilidade prevista no Regulamento Aduaneiro para os casos de força maior. MULTA DE OFÍCIO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Nos termos dos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, o lançamento realizado por meio de auto de infração deverá indicar a penalidade aplicável e o valor do crédito correspondente. Inexistindo tais indicações no Auto de Infração, inviável o lançamento da multa a posteriori.
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VALOR DE ALÇADA. PORTARIA MF Nº 63 DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017. O Recurso de Ofício não alcança o limite de R$2.500.000,00 (dois milhões e meio de reais) ampliado pela Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017 e, portanto, não deve ser conhecido. SÚMULA CARF Nº 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. DEPOSITÁRIO. EXTRAVIO. RESPONSABILIDADE. O depositário é responsável pelo crédito tributário decorrente do extravio de mercadoria que se encontrava sob sua custódia. MERCADORIA EXTRAVIADA. CALCULO DO IMPOSTO. Nos casos em que o depositário extravia a mercadoria armazenada e os dados do manifesto ou dos documentos de importações forem insuficientes para se encontrar o valor base para cálculo 'da exigência do II devese obter tal valor em mercadoria contida em volume idêntico. FURTO. HIPÓTESE DE EXCLUSÃO FORÇA MAIOR. O furto não se enquadra nas hipóteses de exclusão de responsabilidade prevista no Regulamento Aduaneiro para os casos de força maior. MULTA DE OFÍCIO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Nos termos dos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, o lançamento realizado por meio de auto de infração deverá indicar a penalidade aplicável e o valor do crédito correspondente. Inexistindo tais indicações no Auto de Infração, inviável o lançamento da multa a posteriori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 08 44 /2 00 3- 51 Fl. 676DF CARF MF Processo nº 10907.000844/200351 Acórdão n.º 3201004.172 S3C2T1 Fl. 677 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício e em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para excluir a multa aplicada em face de ausência do seu lançamento no Auto de Infração original. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário e Recurso de Ofício apresentado em face do acórdão nº 3.269, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) (fls. 222 e seguintes eprocesso) , que assim relatou o feito: Fl. 677DF CARF MF Processo nº 10907.000844/200351 Acórdão n.º 3201004.172 S3C2T1 Fl. 678 3 Fl. 678DF CARF MF Processo nº 10907.000844/200351 Acórdão n.º 3201004.172 S3C2T1 Fl. 679 4 Fl. 679DF CARF MF Processo nº 10907.000844/200351 Acórdão n.º 3201004.172 S3C2T1 Fl. 680 5 Fl. 680DF CARF MF Processo nº 10907.000844/200351 Acórdão n.º 3201004.172 S3C2T1 Fl. 681 6 Após exame da Impugnação (fls. 88 e seguintes eprocesso) apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado (fls. 222 e seguintes eprocesso): Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 04/04/2003 Ementa: DEPOSITARIO. EXTRAVIO. RESPONSABILIDADE. O depositário é responsável pelo crédito tributário decorrente do extravio de mercadoria que se encontrava sob sua custódia, mesmo que esta esteja em condições de ser aplicada a pena de perdimento. MERCADORIA EXTRAVIADA. CALCULO DO IMPOSTO. Nos casos em que o depositário extravia a mercadoria armazenada e os dados do manifesto ou dos documentos de importações forem insuficientes para se encontrar o valor base para cálculo 'da exigência do II devese obter tal valor em mercadoria contida em volume idêntico. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 04/04/2003 Ementa: FURTO. HIPÓTESE DE EXCLUSÃO FORÇA MAIOR. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 10907.000844/200351 Acórdão n.º 3201004.172 S3C2T1 Fl. 682 7 O furto não se enquadra nas hipóteses de exclusão de responsabilidade prevista no Regulamento Aduaneiro para os casos de força maior. MULTA AGRAVADA. INTUITO DE FRAUDE. Para a aplicação da multa agravada deve estar os autos consubstanciados em documentos que comprovem o intuito de fraude promovido pelo sujeito passivo. Lançamento Procedente em Parte A DRJ, portanto, reduziu a multa de ofício aplicada ao patamar ordinário de 75%. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 238 e seguintes eprocesso) reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Houve também interposição de Recurso de Ofício em razão da redução da multa agravada do percentual de 150% para 75%. Em primeira análise do feito pelo então Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, foi proferido julgamento de mérito do feito, por meio do Acórdão nº 30333.808, de 5 de dezembro de 2006 (fls. 339 e seguintes eprocesso), que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. O Julgado restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Importação — II Data do fato gerador: 04/04/2003 Ementa: CONTÊINERES FURTADOS DOS PÁTIOS DA RECORRENTE. RESPONSABILIDADE DO DEPOSITÁRIO. A IMPOSSIBILIDADE DA DETENÇÃO POR ALGUM MOTIVO FORTUITO JUSTIFICA MAS NÃO EXIME DE RESPONSABILIDADE A PESSOA QUE DELA SE INCUMBIA. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO PELA INSTÂNCIA JULGADORA. Não se admite a qualquer instância julgadora, administrativa ou judicial, o condão de substituir a base legal da penalidade a ser imposta, descrita no lançamento realizado, porque em tudo e por tudo equivale a lançar, atividade privativa e vinculada que extrapola a competência e a própria significância da atividade imparcial de julgamento. A se admitir a DRJ lançando tributo, ou penalidade, de nada teria valido o imenso esforço legislativo e de transformação estrutural da SRF, justamente para separar em órgãos distintos, as Delegacias ou Inspetorias da Receita Federal, das Delegacias de Julgamento da Receita Federal. A fortiori, uma vez eliminada a multa agravada pelo julgamento proferido na instância a quo, e sendo descabido qualquer Fl. 682DF CARF MF Processo nº 10907.000844/200351 Acórdão n.º 3201004.172 S3C2T1 Fl. 683 8 lançamento por parte da DRJ, também falece ao Conselho de Contribuintes a competência para lançar multa de ofício com suporte normativo distinto do verificado no instrumento de constituição do crédito tributário. Ou seja, em primeiro exame do mérito este CARF houve por bem afastar integralmente a multa de ofício por entender que a DRJ, ao reduzir o patamar originalmente aplicado de 150% para 75% teria inovado, efetuado novo lançamento, o que seria vedado em sede de contencioso tributário administrativo. A Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração (fls. 354 e seguintes e processo) afirmando que o Recurso Voluntário interposto teria sido intempestivo. A intempestividade do Recurso foi reconhecida por despacho de fls. 358 e seguintes (eprocesso), tendo sido determinada a prolação de nova decisão pela Turma. Em novo Acórdão, de nº 30335.319, de 19 de maio de 2008, os Embargos de Declaração da Fazenda Nacional foram acolhidos e o Recurso Voluntário do Contribuinte foi declarado intempestivo, invalidando, portanto, o julgamento de mérito anterior: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO Data do fato gerador: 04/04/2003 II EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Retificase o Acórdão n° 30333.808 PROCESSO FISCAL. PRAZOS. PEREMPÇÃO. Recurso apresentado fora do prazo acarreta em preclusão, impedindo o julgador de conhecer as razões cja defesa. Perempto o recurso, não há como serem analisadas as questões envolvidas no processo (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1.972). EMBARGOS ACOLHIDOS Intimado, o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração (fls. 381 e seguintes eprocesso) alegando que o Recurso Voluntário foi protocolado tempestivamente. Em despacho de fls. 386 (eprocesso) a própria Autoridade Preparadora atestou assistir razão ao contribuinte quanto à tempestividade: Assim, conquanto tenha sido juntado ao processo uma via do Recurso com carimbo aposto por servidor com data de 18/03/04 (fl. 229), os indícios levam a crer que houve equívoco na preparação do processo. Desta forma, a data de apresentação do Recurso Voluntário a ser considerada, para efeitos de admissibilidade, deve ser s.m.j. o dia 16/03/04. Retornando os Autos à este CARF, esta Turma Julgadora, então, acatou a tempestividade do Recurso Voluntário e proferiu novo julgamento de mérito, conforme Fl. 683DF CARF MF Processo nº 10907.000844/200351 Acórdão n.º 3201004.172 S3C2T1 Fl. 684 9 Acórdão nº 320100.001, de 25 de março de 2009 (fls. 391 e seguintes eprocesso), acolhendo os Embargos do Contribuinte e "rerratificando" o primeiro acórdão de mérito proferido. O julgamento restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 04/04/2003 II. CONTAINERES FURTADOS DOS PÁTIOS DA RECORRENTE. RESPONSABILIDADE DO DEPOSITÁRIO. A IMPOSSIBILIDADE DA DETENÇÃO POR ALGUM MOTIVO FORTUITO O JUSTIFICA MAS NÃO EXIME DE RESPONSABILIDADE A PESSOA QUE DELA SE INCUMBIA. RECUSO DESPROVIDO. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Todavia, o Contribuinte ingressou com ação judicial visando à anulação do referido acórdão, conforme relatado em Termo Fiscal de fls. 587: Tratase de notificação de lançamento (fls. 7482), lavrado em decorrência do extravio de mercadorias depositadas no TCP, conforme constatado em procedimento de Vistoria Aduaneira realizado em março/2003 (fls. 0712, 5455). Na esfera administrativa, a decisão definitiva foi proferida conforme o acórdão nº 3201000.001 da 3ª Seção de Julgamento do CARF (fls. 391395), que manteve parcialmente o lançamento, reratificando a decisão constante no Acórdão nº 30333.808 da 3ª Câmara do Conselho dos Contribuintes (fls. 339/348). Prosseguiuse com a cobrança amigável e, não havendo o pagamento, o CT foi inscrito em DAU (fls. 451458). Contudo, o contribuinte impetrou a Ação Ordinária nº 500039361.2010.404.7008/ PR, com o objetivo de anular o acórdão nº 320100.001. A sentença, favorável à autora, reconheceu a nulidade dos acórdãos nº 30333.808, 30335.319 (fls. 362366) e 3201 00.001. As partes apelaram. O E. TRF4 negou provimento ao apelo da União e deu parcial provimento ao apelo da autora, decretando a nulidade do acórdão nº 30333.808 e posteriores e determinando o retorno do processo administrativo ao Terceiro Conselho de Contribuintes, para retomada do julgamento em relação ao ponto omisso, qual seja, “o argumento da nulidade do lançamento por imprecisão, diante dos documentos novos trazidos pela autora, os quais comprovariam que os valores lançados são muito superiores àqueles das cargas furtadas”. Esta decisão transitou em julgado em 19/11/2013 (fls. 555578). Fl. 684DF CARF MF Processo nº 10907.000844/200351 Acórdão n.º 3201004.172 S3C2T1 Fl. 685 10 Diante disso, a inscrição em dívida ativa foi cancelada. O processo regressou a esta Alfândega para os devidos ajustes e posterior encaminhamento ao CARF (fls. 579583). Com a finalidade de manter um registro do julgamento anulado, foi juntado o Extrato do Processo antes de proceder às alterações no SIEF, preparatórias ao retorno deste PAF ao CARF (fls. 584585). Feito isso, os ajustes foram realizados, conforme abaixo: No SIEF Cobrança: desfazer o envio à PFN / Cancelar DD / Desalocação do Pagamento 4825612592 No SIEF Processo: Desfazer evento do processo (eventos desfeitos até a situação processual “Suspenso – Julgamento de Recurso Voluntário”. O extrato do processo após as alterações segue à fl. 586. Considerando o exposto, proponho encaminhamento ao CARF, para prosseguimento conforme a decisão judicial de fls. 566576. Logo, os autos retornaram a este CARF e a mim redistribuídos por sorteio, a fim de que seja proferido novo julgamento do Recurso Voluntário de fls. 238 e seguintes e processo), devendose atentar à determinação judicial de que ocorra o julgamento em relação ao ponto omisso, qual seja, “o argumento da nulidade do lançamento por imprecisão, diante dos documentos novos trazidos pela autora, os quais comprovariam que os valores lançados são muito superiores àqueles das cargas furtadas”. Assim, em minha primeira relatoria, foi proposta e acatada à unanimidade pela Turma a realização de diligência para que a Autoridade Lançadora se manifestasse acerca das Invoices apresentadas em sede de Recurso Voluntário que são exatamente os documentos novos trazidos pela autora mencionados na determinação judicial e, sendo o caso, adequasse o valor lançado. Tratase da Resolução nº 3201001.024, de 29 de agosto de 2017. Requereuse, expressamente, que a Autoridade Lançadora informasse, nos termos do art. 596 do RA/02, se tais documentos são aptos para a valoração da base de cálculo do tributo. Consoante Parecer de fls. 609/613, as Invoices foram detidamente analisadas pela Autoridade Lançadora que concluiu "que elas não podem ser aceitas para fins de apuração da base de cálculo do imposto lançado". Intimado a se manifestar, o Recorrente apresentou a petição de fls. 620/635, que será examinada no voto subsequente. Os autos, então, retornaram à minha relatoria para inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10907.000844/200351 Acórdão n.º 3201004.172 S3C2T1 Fl. 686 11 Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora RECURSO DE OFÍCIO Existe questão prejudicial a ser apreciada quanto ao juízo de admissibilidade do presente Recurso de Ofício. Para o cabimento do recurso de ofício, a decisão que exonera o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa deve suplantar o limite de alçada da autoridade judicante, redefinido pela Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Acrescentase, por oportuno, o enunciado da Súmula CARF nº 103: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Assim, considerando que no presente caso o valor exonerado foi inferior ao limite de alçada redefinido pela Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso de Ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. Para melhor exame das razões recursais, passo à análise de cada um dos tópicos apresentados em sede de Recurso. IV. RAZOES DE RECURSO A IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO POR AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DO RECORRENTE 5. A CONDUTA DO DEPOSITÁRIO (TCP) DIANTE DOS FATOS CRIMINOSOS Fl. 686DF CARF MF Processo nº 10907.000844/200351 Acórdão n.º 3201004.172 S3C2T1 Fl. 687 12 6. AS ATIVIDADES EMPREENDIDAS PELO TCP E AS NORMAS DE SEGURANÇA FIXADAS PELA RECEITA FEDERAL 7. AUSENCIA DE RESPONSABILIDADE D O TCP DECORRENTE DE FORCA MAIOR A Recorrente, após discorrer acerca dos fatos que demonstram que o desaparecimento dos conteiners sob sua guarda decorreu de furtos realizados em sua dependência, devidamente noticiados às autoridades competentes, bem como apresentar as condutas de cuidado por ela praticadas, em consonância com as normas estabelecidas pela RFB, alega que não pode ser responsabilizada em decorrência de fato ocorrido por força maior (furto). Pelo exame do acórdão recorrido, verificase não existir dúvidas quanto ao fato de os conteineres terem sido furtados enquanto se encontravam sob guarda da Recorrente. De igual modo, não se discutem os dispositivos legais que fundamentam a exigência tributária daquele que era responsável pela guarda das mercadorias. A discussão centrase na verificação da ocorrência ou não de fato caracterizador de força maior que, nos termos dos artigos 591, 593 e 595 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002, afastam a referida responsabilidade. Assim dispõem os referidos dispositivos do RA/02: Art. 591. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que, em conseqüência, deixar de ser recolhido, ressalvado o disposto no art. 586 (Decretolei no37, de 1966, art. 60, parágrafo único). Art. 593. O depositário responde por avaria ou por extravio de mercadoria sob sua custódia, bem assim por danos causados em operação de carga ou de descarga realizada por seus prepostos. Parágrafo único. Presumese a responsabilidade do depositário no caso de volumes recebidos sem ressalva ou sem protesto. Art. 595. A autoridade aduaneira, ao reconhecer a responsabilidade nos termos do art. 591, verificará se os elementos apresentados pelo indicado como responsável demonstram a ocorrência de caso fortuito ou de força maior que possa excluir a sua responsabilidade. § 1oPara os fins deste artigo, e no que respeita ao transportador, os protestos formados a bordo de navio ou de Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10907.000844/200351 Acórdão n.º 3201004.172 S3C2T1 Fl. 688 13 aeronave somente produzirão efeito se ratificados pela autoridade judiciária competente. § 2oAs provas excludentes de responsabilidade poderão ser produzidas por qualquer interessado, no curso da vistoria. Logo, na hipótese, insta verificar a ocorrência de causa excludente da responsabilidade, nos termos do art. 595 acima transcrito. Aduz o acórdão recorrido: Realmente, a sua responsabilidade é relativa. Entretanto, a hipótese de exclusão desta responsabilidade, prevista pelo RA e argumentada pela contribuinte, compreende apenas os casos fortuitos ou de força maior. O Parecer Normativo CST n° 39/1978, publicado no DOU de 04.05.1978, com trechos abaixo transcritos, item 3 e 4, estabelece que o furto não se enquadra nos eventos definidos como caso fortuito ou de força maior. 3. (...) Fortuito é, no sentido exato de seu significado (acaso, imprevisão, acidente), o evento que não se pode prever e que, quando ocorre, se mostra superior às forças ou vontade do homem, para que seja evitado. Caso de força maior é o fato que se prevê ou é previsível, mas que não se pode, igualmente, evitar, visto que é mais forte que a vontade ou ação do homem. Assim, ambos se caracterizam pela irresistibilidade e se distinguem pela previsibilidade ou imprevisibilidade. (...), ao passo que os casos de outras espécies mostram ação de quem os praticou ou se converteram em efeito, em função das causas de imprevidência, negligência, imprudência, imperícia, complacência, conivência, inércia, omissão, etc. Entre outros, se consideram casos fortuitos e de força maior os seguintes: tempestade, borrasca, inundação, terremoto, granizo, maremoto, naufrágio, incêndio, geada, nevasca, tufão, furacão, etc, ou quaisquer outros acontecimentos dessa ordem, imprevisíveis ou previsíveis, mas inevitáveis. 4. Por princípio, ninguém responde pelos casos fortuitos ou de força maior, pois que inevitáveis por natureza e essência, aconteceram porque tinham que acontecer, sem que sejam imputáveis a algo ou alguém, (grifos nossos ) Por conseguinte, somente se atribuirá uma situação a caso fortuito, ou de força maior, se cumpridas duas condições indissociáveis, a saber: 1. ausência de imputabilidade: o evento não pode decorrer da ação humana. É o chamado acto of God, como classificam os ingleses. | 2. inevitabilidade ou irresistibilidade: o sujeito passivo não pode concorrer, sob qualquer forma negligência, imperícia, imprudência, culpa in vigilando ou in neligendo , inércia, omissão, etc. , para o episódio lamentado. Fl. 688DF CARF MF Processo nº 10907.000844/200351 Acórdão n.º 3201004.172 S3C2T1 Fl. 689 14 Em síntese, podese afirmar que o caso fortuito, ou de força maior, ocorre inexoravelmente, sem que o homem tenha, de alguma forma, interferido, e sem que possa, de qualquer modo, impedilo. Confirma esse entendimento o já citado parecer normativo ao preceituar, em seus itens 1 e 4, que os prejuízos sofridos de créditos não recebidos, ônus de avais ou fianças, abalroamento de veículos, indenizações civis, roubo, furto, etc, não decorrem de caso fortuito ou de força maior. Pois bem. O Código Civil de 2002, no caput do art. 393, define que "caso fortuito ou de força maior verificase no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir." Na hipótese, tenho que o furto de mercadorias fato alegado pela Recorrente não pode ser caracterizado como inevitável, não possível de impedir. Nesse sentido, valhome da manifestação do Conselheiro Diego Diniz no acórdão nº 3402004.067, de 25 de abril de 2017: 11. Logo, é possível observar que, dentre as atividades desempenhadas pela recorrente, encontravase o dever de guarda de todos os contêineres recebidos no Porto de Paranaguá, o que deveria ser cumprido com rigor, haja vista que, no âmbito do comércio exterior (como ocorre no caso em tela), tal atividade tem profunda relação com a internação de mercadorias estrangeiras no país. Assim, a existência de um rígido controle de armazenamento é imprescindível, de modo a impedir que o controle aduaneiro e fiscal incidente em tais operações sejam prejudicados. 12. Nesse sentido, o ordenamento jurídico prevê a responsabilidade do depositário em relação ao pagamento do imposto de importação para aquelas mercadorias sob sua responsabilidade de guarda. É o que prevê o art. 32, inciso II do Decretolei n. 37/66, in verbis: Art . 32. É responsável pelo imposto: (...). II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. (...). 13. Partindo de tais premissas, pareceme que o Relator do caso que me antecedeu neste processo havia bem resolvido a questão, nos termos das razões de decidir abaixo transcritas: (...). Apesar de o relato dos fatos e as provas de adulteração da numeração dos contêineres verificadas pela própria Recorrente em sua denúncia de 15/07/2003 (fls. 29/63) e ocorridas no Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10907.000844/200351 Acórdão n.º 3201004.172 S3C2T1 Fl. 690 15 interior de suas instalações, apontarem para a responsabilidade da Recorrente, esta alega ter sido vitima, uma vez que não praticou os atos ilegais. Ocorre que, como ficou comprovado nos autos, à época dos fatos os contêineres encontravamse sob sua guarda por ser Recinto Alfandegado, cuja única obrigação é zelar pelo objeto depositado para que não sofra adulterações, avarias e extravios. O art. 591 do Regulamento Aduaneiro dispõe: Art. 591. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que, em conseqüência, deixar de ser recolhido, ressalvado o disposto no art. 586 (Decretolei le 37, de 1966, art. 60, parágrafo único). Desta forma, apesar de não ter sido provado qualquer participação da Recorrente no ato criminoso a ponto de lhe ser aplicadas as multas agravadas por incurso dos artigos 71, 72, e 73 da Lei 4.502/64, não pode, da mesma forma, a partir da auto classificação de vitima excluir lhe a responsabilidade. Tratase de culpa in vigilando da Recorrente em relação a qual não cabe a excludente de força maior ou de caso fortuito. Não se pode excluir a responsabilidade daquele que tinha a obrigação de zelar pela coisa por não têlo feito. Notese que uma simples lista de contêineres na portaria da empresa evitaria a saída de contêiner com número adulterado. É de ser afastada a alegação de excludente de responsabilidade. De outro lado é imperativo concordar com a Recorrente que não há qualquer prova de sua participação no ilícito cometido, sendo que sua culpa in vigilando não pode ensejar a imediata conclusão de dolo, fraude e sonegação. Indevidas, portanto, quaisquer penalidades com fundamento nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. (...). 14. Assim, valendome de tal fundamento, afasto a pretensão da recorrente em relação a ocorrência de casos fortuito a sustentar a sua ausência de responsabilidade para o pagamento do tributo em cobro. O trecho transcrito aborda, essencialmente, a hipótese de culpa in vigilando, que é exatamente a hipótese em que o responsável pela guarda responde por omissão relativamente a fato de outrem que deveria ter evitado. E, na hipótese dos autos, onde ocorreu o furto das mercadorias sob a guarda do Recorrente, sequer resta demonstrada qualquer excludente desta culpa, ou seja, demonstração de que não haveria meios de evitar a sua ocorrência. Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10907.000844/200351 Acórdão n.º 3201004.172 S3C2T1 Fl. 691 16 Assim, com base na fundamentação supra, deixo de acolher a alegação de ausência de responsabilidade da Recorrente e, consequentemente, reputo que deva ser mantida a sua responsabilidade pelos tributos lançados, nos termos da legislação supra citada. V. A NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO POR IMPRECISÃO Nesse tópico a Recorrente postula pelo reconhecimento da nulidade do lançamento tributário sob o fundamento de que não foram apresentados de forma precisa o critério de valoração da base de cálculo arbitrada pela Fiscalização. Para tanto, apresenta cópia de 2 invoices que comprovam que os valores arbitrados foram bastante superiores àqueles efetivamente praticados nas operações em questão. Com efeito, o Relatório Fiscal de fls. 75 e seguintes, após discorrer longamente sobre os fatos ensejadores da autuação, dispõe, acerca da apuração da base de cálculo do Imposto lançado, apenas que anexa "planilhas de cálculo dos impostos devidos com o extravio da carga". Não é indicado qualquer dispositivo legal que fundamente o cálculo do imposto, tampouco dito acerca dos critérios de valoração aduaneira ou de como se chegou ao valor da base de cálculo indicada. Não obstante, o Termo de Vistoria Aduaneira de fls. 54, parte integrante do Auto de Infração, e seguintes assim estabelece: O Termo de Vistoria ainda apresente os demonstrativos de cálculo correspondente às mercadorias declaradas. O citado art. 596, § 1º do RA/02 dispõe: Art. 596. Observado o disposto na alínea "c" do inciso II do art. 73, o valor do imposto de importação referente a mercadoria avariada ou extraviada será calculado à vista do manifesto ou dos documentos de importação (Decretolei no37, de 1966, art. 112). § 1o Se os dados do manifesto ou dos documentos de importação forem insuficientes, o cálculo terá por base o valor de mercadoria contida em volume idêntico, da mesma partida (Decretolei no37, de 1966, art. 112). Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10907.000844/200351 Acórdão n.º 3201004.172 S3C2T1 Fl. 692 17 Pois bem. De início, tenho que o procedimento adotado pela Fiscalização foi legítimo, realizado em conformidade com disposição normativa expressa. Não há dúvidas, pela própria manifestação da Recorrente, que o cálculo não poderia ter sido feito à vista do manifesto ou dos documentos de importação, uma vez que tais documentos mostraramse indisponíveis no momento do lançamento, sendo aplicável o critério de cálculo estabelecido no §1º do transcrito art. 596. Não obstante, há que se considerar que a Recorrente trouxe aos autos 2 invoices que atestariam o real valor das mercadorias, consoante seguinte trecho do seu Recurso Voluntário: É preciso salientar que a admissão de tais invoices, apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, foi objeto de exame nos autos da Ação Ordinária nº 5000393 61.2010.4.04.7008, que determinou a este CARF exatamente a apreciação desse ponto recursal, conforme seguinte trecho da sentença de fls. 555 e seguintes: Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10907.000844/200351 Acórdão n.º 3201004.172 S3C2T1 Fl. 693 18 (...) Logo, a meu ver, seja em razão do meu convencimento quanto à necessidade do exame dos fatos e documentos pertinentes trazidos durante o curso do procedimento administrativo, em respeito ao princípio da verdade material, seja em razão da decisão judicial acima transcrita, reputo essencial o exame de tais invoices. Não obstante, julgo pertinente transcrever também o seguinte trecho da referida decisão judicial: Logo, é preciso pontuar que não se trata, aqui, de admitir a validade probatória dos documentos apresentados sem qualquer exame acerca de sua legitimidade. Compete à Autoridade Fiscal "a análise técnica em face destes documentos" de modo a permitir que esta Autoridade Julgadora possa "ao menos enfrentar a questão". Nesse sentido, portanto, é que foi determinada a realização de diligência fiscal nos seguintes termos: Não obstante, tenho que, em obediência aos princípios do contraditório e ampla defesa, reputo necessário o exame das Invoices apresentada pela Autoridade lançador, para que esta informe, nos termos do transcrito art. 596 do RA/02, se tais documentos são aptos para a valoração da base de cálculo do tributo. Logo, voto pela conversão do feito em diligência para que a Autoridade Lançadora se manifeste acerca das Invoices apresentadas em sede de Recurso Voluntário, sendo o caso, adequando o valor lançado. Após, seja concedido o prazo de 30 dias para a Contribuinte se manifestar, em respeito ao contraditório e a ampla defesa. Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10907.000844/200351 Acórdão n.º 3201004.172 S3C2T1 Fl. 694 19 A Autoridade Lançadora cumpriu detidamente aquilo que fora orientado por esta Turma Julgadora e proferiu Parecer com a seguinte análise: As Invoices apresentadas pelo interessado constam das folhas 104 e 105 do Volume 1 de folhas 183 a 366 deste processo. Considerando que as Invoices digitalizadas estavam pouco legíveis, foi necessário desarquivar o processo “físico” a fim de verificar se as Invoices apresentadas em papel estavam com uma nitidez melhor. De posse das faturas comerciais em papel, foi constatado que se tratavam de cópia simples e não do documento original, assim como a legibilidade também estava comprometida. De qualquer forma, as Invoices foram novamente digitalizadas e anexadas às folhas 607 e 608. Por análise técnica das Invoices, devese verificar se estas atendem aos requisitos estabelecidos na legislação. Na época dos fatos, o Regulamento Aduaneiro vigente era o Decreto nº 4.543/2002, e o seu artigo 497 elencava as informações obrigatórias que deveriam constar na fatura comercial. Considerando que tal Decreto foi revogado pelo Decreto nº 6.759/2009, atualmente em vigor, a transcrição abaixo do artigo 497 apresentase hachurada. Também foi reproduzido o artigo 557 do atual Regulamento Aduaneiro Decreto nº 6.759/2009, o qual manteve, praticamente, as mesmas exigências para a fatura comercial. (omissis) Decreto nº 6.759/2009 Art. 557. A fatura comercial deverá conter as seguintes indicações: I nome e endereço, completos, do exportador; II nome e endereço, completos, do importador e, se for caso, do adquirente ou do encomendante predeterminado; III especificação das mercadorias em português ou em idioma oficial do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio, ou, se em outro idioma, acompanhada de tradução em língua portuguesa, a critério da autoridade aduaneira, contendo as denominações próprias e comerciais, com a indicação dos elementos indispensáveis a sua perfeita identificação; IV marca, numeração e, se houver, número de referência dos volumes; V quantidade e espécie dos volumes; VI peso bruto dos volumes, entendendose, como tal, o da mercadoria com todos os seus recipientes, embalagens e demais envoltórios; Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10907.000844/200351 Acórdão n.º 3201004.172 S3C2T1 Fl. 695 20 VII peso líquido, assim considerado o da mercadoria livre de todo e qualquer envoltório; VIII país de origem, como tal entendido aquele onde houver sido produzida a mercadoria ou onde tiver ocorrido a última transformação substancial; IX país de aquisição, assim considerado aquele do qual a mercadoria foi adquirida para ser exportada para o Brasil, independentemente do país de origem da mercadoria ou de seus insumos; X país de procedência, assim considerado aquele onde se encontrava a mercadoria no momento de sua aquisição; XI preço unitário e total de cada espécie de mercadoria e, se houver, o montante e a natureza das reduções e dos descontos concedidos; XII custo de transporte a que se refere o inciso I do art. 77 e demais despesas relativas às mercadorias especificadas na fatura; XIII condições e moeda de pagamento; e XIV termo da condição de venda (INCOTERM). Parágrafo único. As emendas, ressalvas ou entrelinhas feitas na fatura deverão ser autenticadas pelo exportador. (...) Ao analisar a primeira Invoice apresentada pelo contribuinte, anexada à folha 104 do Volume 1 de folhas 183 a 366, de número 09/2001 e emitida pelo exportador Seven Impex Corporation, constatase que ela não cumpre os requisitos dispostos nos incisos VI, VII, VIII, IX, X e XIII do artigo 497 do Decreto nº 4.543/2002, ou seja, não informa os pesos bruto e líquido da carga, os países de origem, aquisição e procedência da mercadoria, nem as condições de pagamento da importação. Quanto à segunda Invoice apresentada, anexada à folha 105 do Volume 1 de folhas 183 a 366, de número YA0208084 e emitida pelo exportador Yasen International Co. Ltd., constatase que ela não cumpre os requisitos dispostos nos incisos VI, VII, IX e XIV do artigo 497 do Decreto nº 4.543/2002, ou seja, não informa os pesos bruto e líquido da carga, o país de aquisição da mercadoria, nem o termo da condição de venda (incoterm). Ademais, o país de procedência está praticamente ilegível. A ausência de tais informações nas faturas comerciais, além de caracterizar a irregularidade desses documentos, acabam por comprometer a correlação entre elas e o Conhecimento de Carga (B/L) das mercadorias importadas. A Invoice nº 09/2001, emitida pela Seven Impex Corporation, traz anotado “a mão” o número do contêiner GESU 4186794, Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10907.000844/200351 Acórdão n.º 3201004.172 S3C2T1 Fl. 696 21 o qual foi manifestado no Conhecimento de Carga (B/L) nº NOC 014146, juntado às folhas 35/42/183 do Volume 1 de folhas 1 a 182 deste processo. Em que pese a Autoridade Lançadora tenha informado no documento de Vistoria Aduaneira à folha 07 do Volume 1 de folhas 1 a 182, que o Conhecimento de Carga (B/L) para aquele contêiner era o de número YCQD20109060, este B/L não foi localizado no processo. Logo, a análise só pôde ser feita sobre o B/L nº NOC 014146. Ao analisar simultaneamente a Invoice nº 09/2001 e o B/L nº NOC 014146, verificase que o consignatário do B/L e o importador da Invoice são diferentes, assim como o peso bruto da mercadoria no B/L é de 5.000,00 kg enquanto a Invoice não traz peso algum. No B/L notase que a mercadoria procede de Qingdao na China, já a Invoice não informa o país de origem nem de procedência da carga. Desta forma, não é possível afirmar que a Invoice nº 09/2001 referese, de fato, ao contêiner GESU 4186794. A Invoice nº YA0208084, emitida pelo exportador Yasen International Co. Ltd., traz em seu texto um número de contêiner pouco legível, o qual se “presume” ser o contêiner AMFU 8473174, que foi manifestado no Conhecimento de Carga (B/L) nº MIAFSFC008178, juntado às folhas 18 e 179 do Volume 1 de folhas 1 a 182 deste processo. Ao analisar simultaneamente a Invoice nº YA0208084 e o B/L nº MIAFSFC008178, verificase que o consignatário do B/L e o importador da Invoice são iguais, todavia, o peso bruto da mercadoria no B/L é de 10.770,00 kg enquanto a Invoice não declara peso algum. No B/L observase que a mercadoria procede de Miami, já na Invoice não é possível identificar a procedência da carga, em razão da pouca nitidez do documento. Assim sendo, não é possível afirmar que a Invoice nº YA0208084 referese, de fato, ao contêiner AMFU 847317 4. Portanto, diante das irregularidades das Invoices nº 09/2001 e nº YA0208084, descritas acima, somadas ao baixo grau de nitidez dos documentos, concluo que elas não podem ser aceitas para fins de apuração da base de cálculo do imposto lançado. (sem grifos no original) O Recorrente foi intimado a se manifestar acerca do resultado da diligência e se manifestou em extensa petição de fls. 620/635, conforme já relatado. Contudo, é possível observar que não se manifestou, expressamente, acerca de nenhuma das irregularidades apontadas pela Autoridade Lançadora acerca das Invoices apresentadas, conforme Parecer transcrito, limitandose a reiterar os argumentos de nulidade do lançamento. Em sua manifestação, o Recorrente aduz: (i) Preliminarmente, que se trata de resultado de diligência solicitada por esta Turma Julgadora; Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10907.000844/200351 Acórdão n.º 3201004.172 S3C2T1 Fl. 697 22 (ii) Apresenta resumo do "Auto de Infração", da "Decisão Recorrida", além de "Breve Retrospecto dos Fatos"; (iii) Defende a "Nulidade da Notificação de Lançamento por Imprecisão"; Inicialmente, reputo necessário trazer o seguinte esclarecimento acerca da manifestação trazida pela Recorrente nesse ponto. A Recorrente aduz que esta Relatora teria "se debruçado" sobre esta matéria ao determinar a diligência realizada. Então, transcreve trechos da Resolução que, supostamente, indicariam o entendimento de que o lançamento seria nulo. Com a devida vênia às razões da Recorrente, é possível perceber que ao transcrever trechos da Resolução, foram omitidos exatamente os trechos nos quais esta Relatora afastou os argumentos de nulidade apresentados. Transcrevo o trecho da Resolução que foi objeto de transcrição pelo Recorrente em sua petição, com destaques naquelas partes que não foram trazidas na sua manifestação: Com efeito, o Relatório Fiscal de fls. 75 e seguintes, após discorrer longamente sobre os fatos ensejadores da autuação, dispõe, acerca da apuração da base de cálculo do Imposto lançado, apenas que anexa "planilhas de cálculo dos impostos devidos com o extravio da carga". Não é indicado qualquer dispositivo legal que fundamente o cálculo do imposto, tampouco dito acerca dos critérios de valoração aduaneira ou de como se chegou ao valor da base de cálculo indicada. Não obstante, o Termo de Vistoria Aduaneira de fls. 54, parte integrante do Auto de Infração, e seguintes assim estabelece: O Termo de Vistoria ainda apresente os demonstrativos de cálculo correspondente às mercadorias declaradas. O citado art. 596, § 1º do RA/02 dispõe: Art. 596. Observado o disposto na alínea "c" do inciso II do art. 73, o valor do imposto de importação referente a mercadoria avariada ou extraviada será calculado à vista do manifesto ou dos documentos de importação (Decreto lei no37, de 1966, art. 112). § 1o Se os dados do manifesto ou dos documentos de importação forem insuficientes, o cálculo terá por base o Fl. 697DF CARF MF Processo nº 10907.000844/200351 Acórdão n.º 3201004.172 S3C2T1 Fl. 698 23 valor de mercadoria contida em volume idêntico, da mesma partida (Decretolei no37, de 1966, art. 112). Pois bem. De início, tenho que o procedimento adotado pela Fiscalização foi legítimo, realizado em conformidade com disposição normativa expressa. Não há dúvidas, pela própria manifestação da Recorrente, que o cálculo não poderia ter sido feito à vista do manifesto ou dos documentos de importação, uma vez que tais documentos mostraramse indisponíveis no momento do lançamento, sendo aplicável o critério de cálculo estabelecido no §1º do transcrito art. 596. Ou seja, diferentemente do que procura aduzir a Recorrente em sua Manifestação, já em sede de Resolução esta Relatora havia afastado os argumentos de nulidade suscitados, como bem demonstram os trechos sublinhados e negritados acima. Resta claro pelo trecho exposto que o que se pretendia na diligência é verificar se, mediante a legítima aplicação do art. 596, § 1º do RA/02, as invoices apresentadas pela Recorrente em seu Recurso Voluntário se prestariam para a aplicação do §1º, ou seja, para que o cálculo da mercadoria avariada tivesse "por base o valor de mercadoria contida em volume idêntico, da mesma partida". E, conforme demonstrado, restou concluído que tais invoices eram imprestáveis por diversos fatores e, portanto, não preenchiam as condições de validade impostas pelo art. 557 do Decreto nº 6.759/2009. As irregularidades apontadas são: ausência de indicação de pesos bruto e líquido das cargas, paísdes de origem, aquisição e procedência, condições de pagamento da importação, divergências de dados entre invoices e Declarações de Importação, além de possuírem dados ilegíveis ou manuscritos. Assim, reputo que, de fato, não poderia a Autoridade Lançadora valerse de tais invoices para fins de valoração realizada pela aplicação do art. 596, § 1º do RA/02, já que não há comprovação de que estas correspondem a mercadorias de volume idêntico e tampouco de mesma partida. Concluise, portanto, que a Recorrente não foi capaz de infirmar qualquer dos critérios utilizados pela Fiscalização, em conformidade com a legislação aduaneira, já citada alhures. A suposta prova dos alegados equívocos (invoices apresentadas em recurso voluntário), conforme demonstrado pela diligência fiscal, não preenchem os requisitos essenciais para tanto. Pelo exposto, afasto o argumento de nulidade do lançamento tributário. VI. A NÃO INCIDÊNCIA DA PENALIDADE DO ART. 645, INCISO I, DO REGULAMENTO ADUANEIRO A Recorrente postula pela não aplicação da penalidade prevista no art. 645, inciso I do RA/02: Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10907.000844/200351 Acórdão n.º 3201004.172 S3C2T1 Fl. 699 24 Art. 645. Nos casos de lançamentos de ofício, relativos a operações de importação ou de exportação, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou a diferença dos tributos ou contribuições de que trata este Decreto (Lei no9.430, de 1996, art. 44): I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento, de pagamento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso II; e Alega que não se trata de hipótese de falta de pagamento ou pagamento após o vencimento do prazo, tampouco de falta de declaração ou de declaração inexata, mas, sim, de "atribuição de responsabilidade àquele que não a detém (sic)". Discordo, todavia, do entendimento exposto pela Recorrente. Na hipótese dos autos, a responsabilidade do Recorrente pelo pagamento dos tributos devidos é prevista em lei (art. 591 do Regulamento Aduaneiro/02), não se trata de mera atribuição de responsabilidade de terceiros. Não obstante, observo que o Auto de Infração em questão não contemplou a aplicação de qualquer penalidade, mas, apenas, do crédito correspondente à obrigação principal (fl. 74 e 78): É preciso observar que, de fato, tanto o relatório fiscal do Auto de Infração, o Termo de Vistoria Aduaneira e o próprio acórdão proferido pela DRJ mencionaram a aplicação de multa de 150%. A DRJ, inclusive, deu parcial provimento à Impugnação para reduzir tal penalidade ao percentual de 75%. Contudo, como visto, o Auto de Infração e o próprio "demonstrativo de débito" que acompanhou a intimação da decisão proferida pela DRJ (fl. 235) não traz qualquer valor de multa, mas, apenas, o valor principal relativo ao imposto. Às fls. 370/372 dos autos é possível constatar que tal falha foi, inclusive, identificada pela Autoridade lançadora, que efetuou o cadastramento da multa a posteriori: Dessa maneira, ao darmos prosseguimento à exigência dos créditos tributários julgados pela DRJ/FNS, verificamos que a Fl. 699DF CARF MF Processo nº 10907.000844/200351 Acórdão n.º 3201004.172 S3C2T1 Fl. 700 25 multa descrita na Notificação de Lançamento não foi cadastrada no sistema Profísc (fl. 358). Assim, como necessitamos dar continuidade à cobrança dei acordo com a decisão da DRJ/FNS, proponho, inicialmente, encaminhar o presente processo à SAVIG/ALF/PGA para o cadastramento no sistema Profísc do percentual de multa constante na Notificação de Lançamento, com posterior retorno a esta Seção. (fl. 370) Vejamse, ainda, as anotações manuais de fl. 371: Por fim, conforme demonstrativo de fl. 372, a multa foi cadastrada apenas em agosto de 2008, ou seja, mais de 5 (cinco) anos após a lavratura do Auto de Infração. Nos termos do Decreto nº 70.235/72, são requisitos essenciais do Auto de Infração: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; Fl. 700DF CARF MF Processo nº 10907.000844/200351 Acórdão n.º 3201004.172 S3C2T1 Fl. 701 26 III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Na hipótese presente, como já demonstrado, não consta, do Auto de Infração, a indicação da penalidade aplicada e, tampouco, o valor correspondente. Ainda que nos Termos de Verificação Fiscal existam a indicação acerca da incidência da multa, que, em tese, poderia significar o atendimento ao inciso IV do art. 10, supra, não há, em qualquer lugar do lançamento original, a quantificação da multa, ou seja, o valor resultante da aplicação da multa, conforme exige o inciso II do art. 11, também supra. Acrescentase que a CSRF deste CARF, ao examinar a nulidade formal e material do lançamento, chancelou que a ausência de indicação "do montante correspondente à infração (base imponível)" não configura mera nulidade formal. Portanto, inviável a pretendida "correção" efetuada pela Fiscalização mais de 5 anos após a lavratura do Auto de Infração: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL. Vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. A indicação defeituosa ou insuficiente da infração cometida, da Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10907.000844/200351 Acórdão n.º 3201004.172 S3C2T1 Fl. 702 27 data em que ela ocorreu, do montante correspondente à infração (base imponível); e dos documentos caracterizadores da infração cometida (materialidade), não configura vício formal. (Acórdão nº de 9101002.146 de 07 de dezembro de 2015) Desse modo, em que pese meu entendimento pela validade da penalidade aplicada, de ofício, não vejo como manter a cobrança correspondente em face da ausência de sua indicação no Auto de Infração. A retificação efetuada mais de 5 (cinco) anos após a lavratura não têm o condão de validar o seu lançamento, nulo desde o nascimento. Pelo exposto, voto por dar PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO apenas para excluir a multa aplicada em face de ausência do seu lançamento no Auto de Infração original. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 702DF CARF MF
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Numero do processo: 10630.900691/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS AUFERIDOS NAS APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO. IMUNIDADE RECÍPROCA. EXTENSÃO ÀS AUTARQUIAS. POSSIBILIDADE.
Basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras.
Numero da decisão: 1201-002.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS AUFERIDOS NAS APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO. IMUNIDADE RECÍPROCA. EXTENSÃO ÀS AUTARQUIAS. POSSIBILIDADE. Basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 06 91 /2 01 1- 41 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10630.900691/201141 Acórdão n.º 1201002.415 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP que julgou improcedente a manifestação de inconformidade para indeferir o pedido de restituição. O crédito trazido no PER/DCOMP teria origem em pagamento indevido a título de imposto de renda incidente sobre rendimentos auferidos sobre aplicação em fundos de investimento. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a restituição foi indeferida em face de que "não foi confirmada a existência do crédito pleiteado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil." Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente tendo como principal fundamento: "apenas mediante a condução de robusto conjunto probatório tendente à demonstração ampla e transparente do cumprimento dos preceitos estipulados nos §§2º e 3º do art. 150 da nossa Carta Política se revelaria verossímil corroborar com a incidência, de plano, da imunidade recíproca em favor da entidade autárquica, o que não é o caso dos presentes autos." Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado: o recorrente mesmo sendo uma autarquia municipal instituto de previdência dos servidores públicos municipais de Águas Formosas (Lei nº 1.204/2007), tendo feito aplicações em fundos de investimento através da conta de investimentos nº 9.000x, mantida no Banco do Brasil, suportou descontos em virtude de retenções a título de imposto de renda no biênio 2003/2004; o entendimento que resultou na decisão de improcedência da manifestação de inconformidade apresentando como esteio a sustentação de ausência dos diplomas legais alusivos à criação do INPREMAF, contemplando a pormenorização de seus objetivos e finalidades, não deve permanecer carecendo ser reformada a aludida decisão; com efeito, a respeitável decisão está estribada na necessidade de comprovação da existência de lei municipal, hipótese em que deverá ser aplicado, supletivamente, os preceitos expressos no CPC, onde o artigo 337, dispondo sobre as normas gerais das provas, preceitua que o teor e a vigência de norma municipal será exigida como prova quando o julgador assim o determinar; temse ainda que no artigo 399 do mesmo diploma legal, está consignado que o julgador "requisitará às repartições públicas em qualquer tempo ou grau de jurisdição as certidões necessárias à prova das alegações das partes"; Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10630.900691/201141 Acórdão n.º 1201002.415 S1C2T1 Fl. 4 3 ademais, nos dados inseridos no CNPJ, consta que a recorrente tem como atividade econômica principal a arrecadação proveniente da "seguridade social obrigatória"; destarte, no que pertine ao entendimento da necessidade da comprovação de tais diplomas legais, deveria ter sido solicitado ao recorrente, à Câmara Municipal ou ao Executivo Municipal, antes do julgamento final, os diplomas legais ausentes nos autos e entendidos como imprescindíveis para o deferimento da pretensão do recorrente. Portanto, a apresentação dos documentos ora acostados não é intempestiva; de outro lado, não deverá ser mantido o entendimento quanto à necessidade de comprovação da existência de elementos comprobatórios no sentido de que os recursos financeiros aplicados no fundo de investimento "vinculamse efetivamente as atividades ou serviços de prestação obrigatória e exclusiva do Estado"; não é prudente indeferir o pedido da restituição das retenções efetivadas ao arrepio da Constituição Federal exigindo prova da inexistência do desvio de finalidade na atuação do recorrente, quando esta, como bem salientou a relatora Maria Lucia Aguilera, compete à fiscalização tributária, conforme legislação vigente. com o fito de sanar a prova documental entendida como necessária, anexa aos autos cópia da legislação pertinente à Recorrente e dos balancetes resumidos das receitas relativas aos exercícios financeiros de 2003/2004. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.399, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10630.900675/2011 59, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.399): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. O crédito pleiteado pela Contribuinte se refere às retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras em virtude de ser uma autarquia municipal criada para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10630.900691/201141 Acórdão n.º 1201002.415 S1C2T1 Fl. 5 4 A declaração de voto da ilustre julgadora Maria Lucia Aguilera na decisão de primeira instância, a meu ver, irretocável, cujos trechos trago a colação, contém todos os elementos necessários para se proferir a decisão: (...) A imunidade recíproca tem previsão no art.150, VI, “a”, §§2ºe 3º da Constituição Federal – CF, verbis: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; (...) § 2º A vedação do inciso VI, “a”, é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. § 3º As vedações do inciso VI, “a”, e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel (...) Quanto às pessoas alcançadas pela imunidade recíproca, a própria Constituição Federal – CF expressamente consignou a proteção ao entes que compõem a Federação – União, Estados, Distrito Federal e Municípios, os quais gozam de autonomia uns em relação aos outros, nos termos dos arts. 1ºe 18 da CF. Aos entes políticos, formadores da Federação, a Constituição Federal – CF atribuiu patrimônio e competências executivas, que não podem ser afetados pela tributação. Assim, o patrimônio, os serviços prestados e a renda auferida pelos entes da Federação estão protegidos pela imunidade recíproca. Além dos entes da Federação, a imunidade recíproca alcança as autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público (art. 150, §2º da CF). A definição de autarquia se encontra no art. 5º, inciso I, DecretoLei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967, in verbis: Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10630.900691/201141 Acórdão n.º 1201002.415 S1C2T1 Fl. 6 5 Art. 5º Para os fins desta lei, considerase: I Autarquia o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada. (...) A característica mais marcante, que determina a natureza jurídica autárquica, é a atividade ser típica da Administração Pública e exercida pela entidade, por atribuição legal. Nos termos do art. 6º da Constituição Federal – CF, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 64, de 2010, a previdência social se inclui entre os direitos sociais. (...) No presente caso, invoca a defesa ser a requerente uma autarquia criada por Lei editada pelo Município de Águas Formosas/MG, para instituir Regime Próprio de Previdência Social, de acordo com os preceitos do art. 40 da CF: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003). Para a implementação deste regime de previdência próprio do funcionalismo público, a competência exclusiva da União, para a instituição da contribuição previdenciária, no caso dos servidores públicos, foi transferida aos Estados, Distrito Federal e Municípios, instituidores do regime previdenciário em favor de seus servidores. É o que dispõe, verbis: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10630.900691/201141 Acórdão n.º 1201002.415 S1C2T1 Fl. 7 6 o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da União (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003). De fato, a regulamentação da instituição e funcionamento dos regimes próprios veio a ocorrer somente após dez anos da sua promulgação, com a edição da Lei Federal nº 9.717/98 de 28 de novembro de 1998, seguida da Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, e da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003. (...) Por sua vez, art. 40, caput, da CF, assegurou aos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, um regime de previdência próprio, de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas. Assim, foi criada a possibilidade de o ente público deixar de verter as contribuições previdenciárias ao RGPS e adotar sistema próprio de previdência social para os seus servidores, que em decorrência do chamado pacto federativo, representado pela autonomia política e administrativa de cada ente federativo, a eles foi facultado legislar concorrentemente sobre a organização e funcionamento, princípio aplicado também sobre os seus sistemas de previdência, desde que obedecidos os limites constitucionais e regras gerais. (...) E nos termos do art. 5º da Lei nº 9.717, de 1998, os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal não poderão conceder benefícios distintos dos previstos no Regime Geral de Previdência Social, de que trata a Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, salvo disposição em contrário da Constituição Federal. Diante desse quadro jurídico, em se tratando de autarquia, instituída por Lei Municipal, para gerir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, de filiação compulsória, em substituição ao regime geral de previdência social, e por isso de caráter público, e não privado, a imunidade recíproca, prevista no art. 150, VI, “a”, §§2º e 3º da CF, deve se estender aos seus rendimentos de aplicações financeiras, vinculados a suas finalidades essenciais. (...) Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10630.900691/201141 Acórdão n.º 1201002.415 S1C2T1 Fl. 8 7 Comprovado o status de autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, não há que se falar também em exploração de atividade econômica, porque se trata de entidade dedicada a regime público de previdência, conforme acima já explicado. Com relação à impossibilidade de contraprestação pelo usuário, registrese, por oportuno, que, nos termos do art. 40 da CF, as fontes de “receita” da autarquia são as contribuições do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, vinculadas ao custeio, em benefício destes, do regime previdenciário próprio, o que configura “contribuição”, mas não “contraprestação” do usuário. Apesar de tudo, cumpre aquiescer com o Relator que, no caso dos presentes autos, não é possível deferir os pedidos de restituição, porque o Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas/MG – INPREMAF não trouxe aos autos a legislação municipal (leis, decretos e outros instrumentos) comprobatória de que a Requerente é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998. Cumpre deixar claro a divergência em relação ao voto proferido pelo Exmo. Relator, no que diz respeito à extensão da prova requerida, para o deferimento do pedidos de restituição. Para esta Relatora, basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras. A prova aqui requerida é de que a Lei Municipal e os atos normativos dela decorrentes, que instituíram e regulamentaram o regime próprio de previdência social dos servidores públicos municipais, observaram os requisitos constitucionais e os previstos na Lei nº 9.717, de 1998. No âmbito do presente processo, descabe imputar à entidade o ônus da prova de regularidade de atuação ou de observância das normas instituidoras do referido regime previdenciário, mediante a apresentação da competente escrituração. O ônus da prova de qualquer desvio de finalidade compete à fiscalização tributária, mediante os procedimentos de suspensão da imunidade, previstos no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Para comprovar que se trata de uma autarquia municipal criada para instituir regime de previdência próprio dos Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10630.900691/201141 Acórdão n.º 1201002.415 S1C2T1 Fl. 9 8 servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998 a recorrente trouxe aos autos, na fase recursal, a cópia dos atos normativos abaixo relacionados: 1) Lei nº 1.095/2002 dispõe sobre a criação do Regime próprio Previdenciário dos Servidores Públicos do Município de Águas Formosas, cria o instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF, e regulamenta o Fundo Municipal d Previdência dos Servidores Públicos de Águas Formosas PREVAF, e dá outras providências (doc. de fls. 67/100) e Certidão de Publicação expedida pela Prefeitura Municipal de Águas Formosas (doc. de fls. 101); 2) Lei Complementar nº 1.204, de 23 de abril de 2007 dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005 (doc. de fls. 102/147); 3) Lei nº 1.239, de 14 de fevereiro de 2008 altera dispositivos da Lei nº 1.204, de 23 de abril de 2007 que "Dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005." (doc. de fls. 148/149); 4) Lei nº 1.240, de 14 de fevereiro de 2008 altera dispositivos da Lei nº 1.204, de 23 de abril de 2007 que "Dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005." (doc. de fls. 150/151); 5) Lei nº 1.418, de 27 de maio de 2013 altera dispositivos da Lei nº 1.204, de 23 de abril de 2007 que "Dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005", alterada pela Lei nº 1.240/2008. (doc. de fls. 152/153). Também anexou os balancetes resumidos das receitas relativas aos exercícios financeiros de 2003/2004 (doc. de fls. 65/66). Assim, entendo, na esteira da declaração de voto proferido pela eminente relatora, que a recorrente apresentou prova normativa de que a Lei Municipal e os atos normativos dela decorrentes, que instituíram e regulamentaram o regime próprio de previdência social dos servidores públicos municipais, observaram os requisitos constitucionais e os previstos na Lei nº 9.717, de 1998. Ademais, descabe imputar à entidade o ônus da prova de regularidade de atuação ou de observância das normas Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10630.900691/201141 Acórdão n.º 1201002.415 S1C2T1 Fl. 10 9 instituidoras do referido regime previdenciário, mediante a apresentação da competente escrituração. O ônus da prova de qualquer desvio de finalidade compete à fiscalização tributária, mediante os procedimentos de suspensão da imunidade, previstos no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Diante de todo o exposto, a recorrente faz jus a imunidade recíproca e teria direito a restituição das retenções de fonte efetuadas sobre as suas aplicações financeiras. Assim, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário no sentido de deferir o pedido de restituição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 171DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000310/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
INSUMO. CONCEITO.
Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO
PROPORCIONAL.
Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS
O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
Numero da decisão: 3401-004.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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A nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividadefim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo nãocirculante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃOCUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 10 /2 00 9- 70 Fl. 358DF CARF MF Processo nº 16349.000310/200970 Acórdão n.º 3401004.882 S3C4T1 Fl. 0 2 o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, vinculadas à receita do mercado externo, com débitos administrados pela RFB. Foi emitido Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou as compensações até o limite reconhecido. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 16349.000310/200970 Acórdão n.º 3401004.882 S3C4T1 Fl. 0 3 Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Créditos a descontar na importação: a empresa apurou créditos decorrentes de suas operações de importação de insumos e produtos para revenda, norteandose pelo art. 15 da Lei n° 10.865/2004. O Fisco questionou tais créditos com base nas seguintes premissas: (a) importação de bens classificados na NCM 38.08 assim como das matériasprimas utilizadas para sua produção que supostamente deveriam ser tributados à alíquota zero da contribuição; e (b) crédito tomado sobre produtos que não se caracterizam no conceito de insumos. Ocorre que o NCM 38.08 não diz respeito apenas a defensivos agrícolas, bem como a empresa não fabrica somente o tipo de produto classificado em tal NCM. Estão inseridos no rol de produtos abarcados pela NCM 38.08 diversas outras mercadorias e não só defensivos agrícolas abarcados pela alíquota zero da contribuição. A empresa é produtora de inseticidas, raticidas, produtos de jardinagem amadora e repelentes, os quais se inserem, como os defensivos agrícolas, no rol 38.08 da NCM, mas que são tributados pela alíquota regular. Não foram confrontados os NCMs indicados pela empresa em suas DIs, se pautando o despacho decisório apenas em premissa de que todos os produtos comercializados estariam classificados no NCM 38.08 como defensivos agrícolas e que, por isso, não dariam direito ao crédito pleiteado. Acosta planilha e folders. 2) Créditos decorrentes da aquisição de insumos: a Fiscalização glosou créditos da empresa relativos à aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo. Estas glosas são refutadas porque: a) conceito de insumos: tomandose como referência os intentos do Legislador, constantes de Exposição de Motivos da norma instituidora da sistemática nãocumulativa da COFINS (delimitou o regime de apuração de créditos totalmente diferente daquela adotada pela legislação do IPI), reputase claramente ilegal o conceito utilizado pela Fiscalização na definição de insumos. A definição sugerida pela Fiscalização se pautou, além da impossível utilização por analogia das normas do IPI, também na IN n°247/2002, que trata quase que de forma idêntica da conceituação de insumos para creditamento da COFINS da conceituação elaborada para fins de IPI. Isso fica latente quando se contempla como um dos prérequisitos para o enquadramento de determinada mercadoria como insumo seu contato direto com o produto final que está sendo elaborado. A intenção do legislador era a desoneração do faturamento e não do produto final, razão pela qual difícil conceber como necessários, para a conceituação de insumos, a restrição contida no referido dispositivo infralegal, que obriga a ocorrência do contato direto da mercadoria com o produto final que se está a elaborar. A norma infralegal agiu ao total arrepio de suas competências ao regular preceito em total desacordo com os intentos da legislação que lhe dá fulcro, sofrendo, por conseguinte, de uma ilegalidade contida em sua gênese. Deve ser afastada a aplicabilidade da possível interpretação restritiva do crédito aqui discutido, pautada pela definição contida na IN, que obrigue o contato direto do insumo com o produto final que se está a produzir. È de todo evidente que o crédito de insumos apropriados pela empresa não pode ser contestado pelos argumentos levantados pela Fiscalização, vez que este se baseou em norma ilegal emitida pela RFB em desacordo com a legislação que lhe dá sustento, devendo este ser reconhecido em sua totalidade; b) contato direto dos insumos glosados ao produto final: após análise exaustiva dos diversos produtos enumerados pela Fiscalização em sua planilha de Fl. 360DF CARF MF Processo nº 16349.000310/200970 Acórdão n.º 3401004.882 S3C4T1 Fl. 0 4 exclusões, a empresa houve por bem elaborar demonstrativo (anexado), no qual justifica o enquadramento dos produtos desconsiderados do conceito de insumos sugerido, refutando os argumentos de que estes não poderiam gerar direito ao crédito de COFINS apropriado. Assim: 1) materiais de embalagem: em sua totalidade, os materiais de embalagem considerados pelo despacho decisório como de mero acondicionamento para transporte, compõem na verdade o produto final e servem não para o transporte, mas sim para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção até o consumo final. Os produtos elaborados pela empresa, por serem de cunho tóxico, se sujeitam a diversas normas regulatórias emanadas por Agências Governamentais, as quais lhe obrigam a acondicionar suas mercadorias em embalagens padronizadas e resistentes. As caixas (que compõem grande parte dos produtos glosados pelo despacho em questão) são reforçadas por divisórias e colunas de proteção, além de se utilizarem de gramatura superior as caixas comuns contidas no mercado, evitando que o produto químico produzido sofra alterações em decorrência do contato excessivo com, por exemplo, a luz solar. Tal proteção não visa o transporte da mercadoria, a qual seria inutilizada por seu consumidor final após o recebimento destas, mas sim o acondicionamento de produtos tóxicos que devem ser sempre guardados por estas na sequência ao seu manejo, evitando assim prejuízos ao meio ambiente decorrentes de possíveis contaminações. Também se pode ver que na embalagem do produto final comercializado existem rótulos que são colocados em cada uma delas contendo informações importantes acerca das recomendações para a utilização dos produtos, assim como dos perigos que este pode causar caso sejam manejados de forma imprópria. Se estas caixas servissem apenas para o mero transporte não se fariam necessárias explicações atinentes aos procedimentos que devem ser adotados pelo consumidor final para utilização dos produtos. Os materiais de embalagem servem ao propósito de acondicionamento da mercadoria em si e não para o mero transporte destas. Não há que se falar em ilegalidade do crédito, devendo as caixas e todos os outros produtos que a compõem (rótulos, tinta, etiquetas e etc.) ser reconhecidos como insumos dos produtos comercializados, com geração de créditos; 2) materiais de limpeza: podem ser separados naqueles que são utilizados para a limpeza do pátio industrial e nos que são utilizados como produtos intermediários que visam a higienização das tubulações por onde passam os produtos químicos elaborados pela empresa ou o tratamento da água utilizada para aquecer em "banho maria" as matérias primas colocadas na caldeira de produção. Quanto a estes últimos, por serem de aplicação necessária ao processo produtivo, não há que se questionar que geram direito ao crédito de COFINS. Os produtos glosados pela fiscalização, como se comprova pela planilha anexa, dizem respeito ao segundo tipo de materiais de limpeza, ou seja, aqueles que estão inseridos no processo produtivo e não são simplesmente utilizados para desinfetar o pátio fabril, mas sim para impedir que bactérias contaminem os produtos químicos que estão sendo produzidos; 3) créditos sobre matéria prima alíquota zero: esse beneficio é aplicado apenas nas aquisições destinadas à produção de defensivos agrícolas, sendo que nas aquisições regulares destas mercadorias no mercado interno ou externo ocorre a incidência normal de COFINS. Como dito, é empresa que, dentre outros, produz mercadorias saneantes também classificadas no NCM 38.08 (engloba os defensivos agrícolas), as quais se sujeitam à alíquota regular da contribuição aqui tratada (inseticidas, raticidas, fungicidas e etc.). Assim, equivocada está a Fiscalização ao glosar, sem uma análise aprofunda, todas as matérias primas adquiridas após a data de vigência da alíquota zero atribuída para a produção de defensivos agrícolas. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 16349.000310/200970 Acórdão n.º 3401004.882 S3C4T1 Fl. 0 5 3) Despesas com aluguéis: a Fiscalização glosou parcela dos créditos aferidos na rubrica "Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas" sob o argumento de estarem contidos em sua composição valores que não se prestam a este tipo creditório. A maioria das glosas diz respeito a despesas tidas com energia elétrica, as quais foram incorretamente inseridas na rubrica em questão. Os créditos decorrentes de despesas de energia elétrica não vislumbram qualquer restrição pela legislação vigente da contribuição, devendo ser considerados em sua íntegra. A situação em tela se caracteriza como sendo mero equivoco formal cometido pela empresa no preenchimento de seu DACON. Não se presta como argumento suficiente para a glosa de créditos pleiteados, eis que nos processos referentes a ressarcimento/restituição, o principio da verdade material deve ser aplicado, tanto quanto nos casos relativos à constituição de créditos tributários. 4) Rateio Proporcional: a Fiscalização recalculou as porcentagens adotadas pela empresa para fins de apuração dos tipos creditórios aferidos no período em questão, sob o argumento de que não poderiam ter sido incluídos no cômputo das "Receitas de Vendas Não Tributadas no Mercado Interno", receitas tidas com operações financeiras e com vendas de ativos imobilizados. Fundamentou no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Mas este artigo prevê apenas a possibilidade de manutenção dos créditos de COFINS dos contribuintes quando estes possuam receitas abrangidas por normas isentivas ou de não incidência. Não faz ele qualquer distinção entre as receitas que deverão ser incluídas ou não no computo da sistemática de cálculo intitulada "rateio proporcional". Além disso, caso estivesse correto o entendimento da Fiscalização, a exclusão destas receitas do cálculo do rateio proporcional não poderia ocasionar a anulação do direito creditório aferido, porquanto o crédito permaneceria válido, passando de um crédito decorrente de receitas não tributadas para um crédito de receitas tributadas e/ou de exportações. 5) Diligências e perícias: pelo volume de documentos juntados aos autos, não resta outra alternativa para a análise efetiva de todo material apresentado, assim como para desvendar a verdade material dos fatos, que se: a) baixe o processo em diligência para análise dos documentos apresentados, como também outros que os sejam entendidos necessários para a validação do crédito pleiteado; b) realize trabalhos periciais, visando a validação dos argumentos apresentados pela empresa em relação ao correto enquadramento de seus insumos, a fim de que se reconheça seu direito creditório; c) sejam analisados os quesitos que apresenta (art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972). Sobreveio Acórdão nº 10046.557, exarado pela DRJ/POA, que considerou improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 16349.000310/200970 Acórdão n.º 3401004.882 S3C4T1 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.871, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 16349.000309/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.871): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo seu conhecimento. Do Mérito A maior parte dos créditos glosados pela Fiscalização devemse ao fato de que essa autoridade descaracterizou como insumos as aquisições de mercadorias que ensejaram o respectivo crédito de COFINS nãocumulativa. Nessa linha, foram glosados créditos referentes à aquisição de produtos de limpeza industrial e material de embalagens. Diante disso, convém discorrer brevemente sobre a não cumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias 66/2002 e 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal, especialmente nos casos em que o contribuinte leis ordinárias est de forma conflituosa com os dispositivos constitucionais sobre tais tributos nos últimos cinquenta. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitou Fl. 363DF CARF MF Processo nº 16349.000310/200970 Acórdão n.º 3401004.882 S3C4T1 Fl. 0 7 se a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, Fl. 364DF CARF MF Processo nº 16349.000310/200970 Acórdão n.º 3401004.882 S3C4T1 Fl. 0 8 pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momente, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Fl. 365DF CARF MF Processo nº 16349.000310/200970 Acórdão n.º 3401004.882 S3C4T1 Fl. 0 9 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 16349.000310/200970 Acórdão n.º 3401004.882 S3C4T1 Fl. 0 10 IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 16349.000310/200970 Acórdão n.º 3401004.882 S3C4T1 Fl. 0 11 Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente tratase do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não Fl. 368DF CARF MF Processo nº 16349.000310/200970 Acórdão n.º 3401004.882 S3C4T1 Fl. 0 12 cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº Fl. 369DF CARF MF Processo nº 16349.000310/200970 Acórdão n.º 3401004.882 S3C4T1 Fl. 0 13 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 16349.000310/200970 Acórdão n.º 3401004.882 S3C4T1 Fl. 0 14 forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) Fl. 371DF CARF MF Processo nº 16349.000310/200970 Acórdão n.º 3401004.882 S3C4T1 Fl. 0 15 § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Passo a analisar item a item que fora glosado pela fiscalização e mantido pela decisão de primeiro grau: (A) MATERIAL DE EMBALAGEM Tal como ficou demonstrado pelas declarações e documentação fornecida pela Recorrente, os materiais de embalagem e transporte que foram objeto de glosa de créditos são absolutamente necessários para o atendimento da legislação vigente que regula a produção e comercialização dos produtos ofertados pela Recorrente, de modo que não há como não considerálos como custo operacional. Diante da exposição anterior, sobre a nãocumulatividade das contribuições sociais, não vejo razão para manter a glosa. (B) MATERIAL DE LIMPEZA Da mesma forma, a atividade da Recorrente requer a obediência de diversas regras exigidas pelas autoridades Fl. 372DF CARF MF Processo nº 16349.000310/200970 Acórdão n.º 3401004.882 S3C4T1 Fl. 0 16 sanitárias. Tal fato por si só já justifica a apropriação de créditos pela Recorrente, eis que, tais dispêndios são verdadeiros custos indiretos que deve ensejar o direito ao desconto de crédito. Por conta disso, merece reforma a decisão recorrida. (C) DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA REGISTRADAS COMO ALUGUÉIS Tendo sido comprovado que houve apenas erro material na demonstração dos créditos na DACON, não há como não reconhecer o direito ao crédito de energia elétrica eis que tal despesa está expressamente prevista no rol das possibilidades de apropriação de crédito não cumulativo. Ainda, como a fiscalização não analisou a documentação suporte das despesas de energia elétrica, não cabe somente em sede de recurso avaliar a procedência e sua regularidade documental, razão pela qual não entendo ser nem mesmo caso de diligência. (D) AQUISIÇÃO DE PRODUTOS IMPORTADOS E VENDIDOS COM ALÍQUOTA ZERO Em obediência ao artigo 15, inciso II, da Lei Federal 10865/2004, nos casos de insumos importados, classificados na posição 38.08, em que houver pagamento da COFINS, não há qualquer óbice para a manutenção do crédito, nessa hipótese. Ainda, nos termos do artigo 17, da Lei 11.033/2004, não há menor dúvida de que são garantidos os créditos sobre insumos que implicam em vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da COFINS . (E) RATEIO PROPORCIONAL Por fim, não vejo razão da manutenção da decisão no que tange ao rateio dos créditos da nãocumulatividade segundo a proporção entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e não cumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei Federal 10.833/2003, mesmo porque não houve qualquer menção no despacho decisório de que a Recorrente teria parte de suas receitas tributadas no regime cumulativo. Por todo o exposto, conheço do Recurso e doulhe parcial provimento, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso." Fl. 373DF CARF MF Processo nº 16349.000310/200970 Acórdão n.º 3401004.882 S3C4T1 Fl. 0 17 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 374DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10111.000075/2005-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 15/12/2004
AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. SÚMULA CARF Nº 01.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto deste importa em renúncia à instância administrativa na parte sub judice, sendo cabível a apreciação apenas da matéria não suscitada no processo judicial.
PROCEDIMENTOS FISCAIS DIVERSOS. ART. 146 DO CTN. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE.
Para que haja a alteração de critérios jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar.
Eventuais conclusões de procedimentos fiscais anteriores efetuados em face da contribuinte e seus atos decorrentes (glosas, lançamento ou decisão motivada de não lançar), ainda que em decisão administrativa definitiva, não vinculam a autoridade fiscal em ações fiscais posteriores, relativas a outros fatos geradores.
Recurso voluntário negado na parte conhecida
Numero da decisão: 3402-005.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário. Na parte conhecida, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne que dava provimento ao Recurso por entender que houve violação ao art. 146, CTN, sendo aplicável a decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferida para o mesmo contribuinte.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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PROPOSITURA. EFEITOS. SÚMULA CARF Nº 01. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto deste importa em renúncia à instância administrativa na parte sub judice, sendo cabível a apreciação apenas da matéria não suscitada no processo judicial. PROCEDIMENTOS FISCAIS DIVERSOS. ART. 146 DO CTN. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE. Para que haja a alteração de critérios jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar. Eventuais conclusões de procedimentos fiscais anteriores efetuados em face da contribuinte e seus atos decorrentes (glosas, lançamento ou decisão motivada de não lançar), ainda que em decisão administrativa definitiva, não vinculam a autoridade fiscal em ações fiscais posteriores, relativas a outros fatos geradores. Recurso voluntário negado na parte conhecida Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário. Na parte conhecida, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne que dava provimento ao Recurso por entender que houve violação ao art. 146, CTN, sendo aplicável a decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferida para o mesmo contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 00 75 /2 00 5- 18 Fl. 1088DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Fortaleza que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Versa o processo sobre autos de infração referentes às diferenças de tributos em face da reclassificação fiscal de mercadoria importada mediante a Declaração de Importação (DI) nº 04/12848230, registrada em 15/12/2004, multas de ofícios correspondentes e multa administrativa por erro de classificação fiscal. Entendeu a fiscalização que a classificação adequada para a mercadoria seria no código NCM/SH 8526.91.00, com fundamento no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 221, de 23 de agosto de 2004, e também no Acórdão da DRJ nº 6607, de 23 de abril de 2004, não se afigurando correta a classificação adotada pela contribuinte na DI (NCM/SH 8525.20.13) para o produto descrito como máquina móvel para sistema de controle e acesso dos serviços móveis de processamento de texto e posicionamento de veículos. A interessada impugnou o lançamento, alegando, em síntese: a) nulidade do auto de infração por inépcia; b) a função predominante da "máquina móvel" é a de telecomunicações, e não de radionavegação (acessória); c) seguiu as orientações constantes na Seção XVI da NCM, em especial, as Notas 3, 4 e 5; d) inaplicabilidade do Ato Declaratório Interpretativo 14/20032; e) laudo técnico apresentado confirma o enquadramento tarifário 1 Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 22, de 20 de agosto de 2004 DOU de 23.8.2004 Dispõe sobre a classificação fiscal dos aparelhos denominados receptores GPS, que desempenham a função de autolocalização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, por meio de sinais de rádio emitidos por uma constelação de satélites. O SECRETARIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF no 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o que consta no processo no 10168.002623/200408, declara: Art. 1º Aparelhos receptores GPS (Global Positioning System Sistema de Posicionamento Global), que desempenham a função de autolocalização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, por meio de sinais de rádio emitidos por uma constelação de satélites (radionavegação), para quaisquer usos, classificamse no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Art. 2° Fica Revogado o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 14, de 2 de setembro de 2003. 2 Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 14, de 02 de setembro de 2003 DOU de 4.9.2003 Dispõe sobre a classificação fiscal dos aparelhos e equipamentos que fazem uso do Sistema de Posicionamento Global (Global Positioning System GPS) na Nomenclatura Comum do Mercosul. Revogado pelo ADI SRF Nº 22, de 20 de agosto de 2004. Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10111.000075/200518 Acórdão n.º 3402005.588 S3C4T2 Fl. 1.089 3 adotado pelo importador; f) argumentos de natureza econômica também confirmam a função principal do MCT (Terminal de Comunicação Móvel); e, g) por fim, requer o afastamento das penalidades e encargos moratórios, em conformidade com o disposto no incido III e no parágrafo único do art. 100 do CTN. A Delegacia de Julgamento converteu o julgamento em diligência para a verificação de eventual concomitância com a via judicial, tendo a fiscalização apresentado suas informações e a impugnante sua manifestação. Após, foi proferida decisão desfavorável à impugnante sob os seguintes fundamentos principais: Com base nos elementos trazidos aos autos por ambas as partes, o indício de concomitância com a via judicial foi afastado, vez que a classificação fiscal do MCT não está sendo discutida em nenhuma das ações judiciais em que se identificou tal possibilidade. Um aspecto crucial não foi devidamente valorado na definição da função mais importante do MCT. Tratase da FINALIDADE ESPECÍFICA que levou à criação dele e que ainda hoje é o PRINCIPAL OBJETIVO desse tipo de equipamento: possibilitar a supervisão em movimento do veículo onde ele é instalado. A função de comunicação é importante, mas atua como MEIO para atingir os fins a que o aparelho se destina. Sendo o MCT caracterizado como uma combinação de máquinas para realizar diferentes funções, e a autolocalização via GPS considerada a função mais importante, é na classificação fiscal referente ao dispositivo que desempenha essa função que o equipamento como um todo deve ser enquadrado. Não é relevante o fato de o MCT poder ser utilizado sem esse aparelho, ainda mais quando se sabe que mesmo assim ele ainda poderia desempenhar a referida função, como deixou claro o laudo técnico apresentado pela impugnante. Diferentemente do que alega a impugnante, tanto seu Estatuto Social como a Autorização da ANATEL na realidade comprovam a importância da função de autolocalização geográfica, que é desempenhada pela placa GPS, mas que o MCT também seria capaz de realizar mesmo sem essa placa, de acordo com os laudos técnicos trazidos pela própria impugnante. Conforme demonstrado, todas as Soluções de Consulta suscitadas pela defesa confirmam que a principal função dos equipamentos analisados é o rastreamento dos veículos em que eles são instalados. A definição de código para enquadramento diferente do adotado pela fiscalização devese a peculiaridades próprias dos aparelhos examinados ou das decisões. Ademais, nenhum dos aparelhos objeto das consultas trazidas pela impugnante foi considerado como uma combinação de máquinas, como é o caso do MCT. O SECRETARIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o que consta da Nota Coana/Cotac/Dinom n° 244, de 27 de agosto de 2003, declara: Artigo único. Os aparelhos e equipamentos que fazem uso do Sistema de Posicionamento Global (Global Positioning System GPS), desempenhando a função de autolocalização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, classificamse como aparelhos de radionavegação no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Fl. 1090DF CARF MF 4 A impugnante apresentou laudos técnicos emitidos pela Universidade de Brasília (UNB) que, embora concluam que a função principal do MCT é a de comunicação, trazem informação que reforçam o entendimento quanto à relevância de função de autolocalização. Ambos os pareceres afirmam que, mesmo sem a placa receptora GPS, o equipamento ainda seria capaz de fornecer a localização do veículo, conforme reproduzido a seguir. Ou seja, essa placa até pode ser um acessório, mas o mesmo não pode ser dito sobre a função de autolocalização. Independentemente da análise quanto à efetiva caracterização do costume jurídico em relação às importações do MCT anteriores ao ADI SRF nº 14/2003, fica evidente a inocorrência desse instituto para as operações realizadas após a edição desse Ato, como é o caso ora examinado. Portanto, indeferese o pedido da impugnante para dispensa das penalidades e encargos moratórios. Cientificada pela via postal em 15/05/2013, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/06/2013, suscitando as seguintes preliminares: i) impossibilidade de juntada tardia de documentos pela autoridade preparadora; ii) necessidade de desconsideração dos documentos em idioma estrangeiro; e iii) ilegalidade na referência à opinião da OMA. No mérito, as alegações da recorrente foram assim resumidas por ela: 1. Não se pode conceber a utilização de documentos juntados tardiamente pela fiscalização, em idioma estrangeiro e, ainda, que a autuação utilize como fundamento informações em site inexistente ou que tenham que ser traduzidos pelo contribuinte, via Google, do lituano para o português. Assim, havendo outros fundamentos não viciados para a autuação, apenas esses devem ser levados em consideração. 2. O MCT é equipamento que permite o envio e recebimento de mensagens alfanuméricas entre central e frota, ou a partir de pontos fixos distantes (ilhas, estações em florestas, etc), consulta a banco de dados (relevante para secretarias de segurança, empresas de energia elétricas, etc), telemetria, e localização. No conceito genérico de rastreamento (que não guarda real precisão técnica) incluise toda essa gama de atividades, que possuem como base a comunicação. A telecomunicação, por excelência, é sempre um meio, um canal, para permitir a comunicação entre dois pontos distantes entre si, razão pela qual o argumento do v. acórdão referenda o aqui alegado. 3. Essas funcionalidades, inclusive a localização (que é função acessória), não caracterizam radionavegação. O MCT não indica rota e direção para o motorista de um veículo. E tampouco permite, em termos práticos, sua utilização para a radionavegação nem mesmo com o auxílio à distância de um operador na central. Cogitarse isso é desconhecer o funcionamento técnico do equipamento, a função para o qual foi projetado e, especialmente, a sua utilização prática. 4. Por essa razão, casos idênticos ao presente, envolvendo a Recorrente, já foram apreciados pelo Conselho de Contribuintes, atual CARF. A Egrégia Segunda Câmara do antigo Conselho de Contribuintes, por seis votos a um, e a Câmara Superior de Recursos Fiscais, à unanimidade e quanto ao mérito, entenderam como correta a classificação fiscal do MCT utilizada pela Recorrente no Recurso n° 130.748 (Recurso Especial n° 302130.748). E a Egrégia 2a Turma da 1a Câmara da 3a Seção do CARF, também à unanimidade e sobre o mérito, entendeu da mesma forma quando do julgamento dos Recursos Voluntários n.s 143.883; 143.902; 143.903 e 143.905; 5. A Receita Federal já reconheceu, em Solução de Consulta relativa a equipamento em tudo semelhante ao MCT, como correta a classificação adotada pela Recorrente. E referida Solução de Consulta foi proferida posteriormente ao recebimento da opinião da OMA alegadamente sobre assunto idêntico; 6. Em equipamentos com função de localização praticamente idêntica à do MCT e sem nenhuma função de comunicação a Receita Federal também Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 10111.000075/200518 Acórdão n.º 3402005.588 S3C4T2 Fl. 1.090 5 reconheceu, em Soluções de Consulta, que a classificação não é de radionavegação, aplicando enquadramentos semelhantes, com os devidos ajustes, ao utilizado pela Recorrente. Isso porque localização e radionavegação são distintos; 7. Por mais que se esforce o v. acórdão em distorcer a lógica adotada pelas Soluções de Consulta, as conclusões destas foram pela classificação dos equipamentos similares como de comunicação. É inverídico que a Solução de Consulta baseada no laudo do ITUFES mencionado no acórdão mas não trazido aos autos, e que simplesmente informa que o equipamento é de rastreamento, conceito absolutamente distinto de radionavegação concluiu que a finalidade do equipamento seria localização. 8. Para a Anatel e para os Estados, os serviços prestados por meio do MCT são de comunicação de dados, estando portanto sujeitos aos tributos daí decorrentes; 9. Conforme laudo técnico da Universidade de Brasília, a ser considerado nos termos do artigo 30 do Decreto n° 70.235/72, o MCT deve ser enquadrado nas posições 8525.20.13 (anterior à Resolução CAMEX n° 43/2006) ou 8517.62.71, por adequarse, palavra por palavra, na descrição da NCM; 9.1 O laudo técnico atesta que a função principal do MCT é a de comunicação, e que o posicionamento ou localização do veículo constitui função acessória; 9.2 Para tanto, atesta que a comunicação funciona independentemente da existência da placa GPS (localização), mas que a função de posicionamento ou localização tornase inoperante sem a função de comunicação; 9.3 O laudo conclui, ainda, que o MCT não possui função de radionavegação; 9.4 Não possui qualquer fundamento lógico ou técnico a tentativa do v. acórdão de valerse de resposta do laudo para fundamentar sua tese. O MCT tão somente permite uma outra forma de localização, sem o uso do GPS, que não é utilizada em termos práticos e não significa em absoluto maior relevância da função de localização. Caso se queira trilhar essa linha irrelevante de argumentação, em realidade a Recorrente oferece redundância tripla e com utilização prática para a comunicação, o que denotaria então uma maior importância da comunicação pela lógica do v. acórdão. 10. Ainda que ultrapassados os óbices que impedem seja levada em consideração a opinião da OMA quando do julgamento deste Recurso, temse que aquela não é suficiente para abalar o direito da Recorrente à classificação fiscal adotada; 11. A opinião da OMA não foi extraída no âmbito de procedimento vinculativo aos países membros e tampouco foi internalizada no ordenamento pátrio, não estando inserida no anexo à Instrução Normativa SRF n° 873/08. Logo, a mera opinião pode, sim, ser desconsiderada pelas autoridades alfandegárias e pelas autoridades julgadoras; 12. A consulta de 10 linhas formulada à OMA pela COANA seria considerada ineficaz se apreciada no âmbito da IN SRF n° 740/07,uma vez que não continha os elementos mínimos que permitissem uma completa análise do equipamento. É possível que a forma lacônica da consulta e as informações contidas no site cujo conteúdo se desconhece tenham induzido a OMA a erro quanto à correta classificação do equipamento 11. Financeiramente, a receita de comunicação gerada pelo MCT no ano da primeira autuação, idêntica à presente, foi de 88,2967% contra 11,7033% da receita de localização (com uso do GPS). Assim, a comunicação é a função principal do equipamento não só tecnicamente, mas também do ponto de vista econômico e de utilização pelo cliente. O v. acórdão nada dispõe sobre esse fundamento; 12. O GPS corresponde a tão somente cerca de 4,5% do custo total do MCT, o que demonstra a inviabilidade comercial deste caso se tratasse de equipamento cuja Fl. 1092DF CARF MF 6 função principal fosse a localização. O v. acórdão também nada dispõe sobre esse fundamento. Em 31/03/2015 foi juntada petição pela recorrente mediante a qual se aponta a "concomitância quanto ao mérito da demanda e requerse o prosseguimento do feito administrativo no que diz respeito às mencionadas violações ao artigo 146 e ao artigo 100 do Código Tributário Nacional, ensejadoras, respectivamente, do cancelamento do auto ou ao menos do afastamento de multa e juros". É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Após a interposição do recurso voluntário, a interessada apresentou petição noticiando da propositura de ação judicial com os seguintes pedidos: Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 10111.000075/200518 Acórdão n.º 3402005.588 S3C4T2 Fl. 1.091 7 Conforme determina o § 2º do art. 1º do Decretolei nº 1.737/1979, a "propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto". Também o art. 38 da Lei nº 6.830/80 traz a mesma determinação em relação às ações judiciais de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida. Nessa linha, o CARF aprovou o enunciado de Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, no sentido de que "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". O art. 87 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, no mesmo sentido, assim regulamentou a matéria: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Dessa forma, tendo em vista que a matéria central discutida no presente processo, acerca da classificação fiscal, é objeto da ação ordinária nº 0047878 47.2014.4.01.3400, não se pode aqui conhecer da referida matéria. O mesmo acontece em relação ao requerimento de afastamento da penalidades como base no art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64, que não deve ser conhecido no âmbito deste recurso voluntário. Conhecese, no entanto, o recurso voluntário na parte relativa às alegações de nulidades do auto de infração e de violações ao art. 100 e 146 do CTN. As alegações de nulidade não prosperam acerca da juntada tardia de Parecer da OMA em idioma estrangeiro, já que tal Parecer não tem caráter vinculante e a interessada pode se manifestar sobre ele, em observância ao princípio do contraditório. Fl. 1094DF CARF MF 8 As decisões anteriores prolatadas pelo CARF não possuem caráter vinculante para a Receita Federal em relação a outros lançamentos, ainda que em relação ao mesmo sujeito passivo, eis que não se trata de decisões para as quais a lei tenha atribuído eficácia normativa, nos termos do art. 100, II do CTN, nem tampouco de práticas reiteradas da autoridade administrativa (inciso III). Ademais, para que haja a alteração de critérios jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar. Eventuais conclusões de procedimentos fiscais anteriores efetuados em face da contribuinte e seus atos decorrentes (glosas, lançamento ou decisão motivada de não lançar), ainda que em decisão administrativa definitiva, não vinculam a autoridade fiscal em ações fiscais posteriores, relativas a outros fatos geradores. Assim, pelo exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente o recurso voluntário, e nessa parte, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 1095DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.723214/2015-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
COFINS. RECURSO DE OFÍCIO. FRAUDE. AUSÊNCIA DE PROVAS. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO.
O desmembramento, em pessoas jurídicas distintas, das atividades de produção e distribuição, por si só, não é uma simulação, com o intuito único e exclusivo de reduzir artificialmente a carga tributária. Precedentes.
Para a caracterização da fraude fiscal, haveria de o fisco comprovar nos autos, por elementos sólidos que comprovassem que as operações não tinham propósito negocial, substância econômica.
Numero da decisão: 3401-005.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, negando-se provimento ao recurso de ofício. Os Cons. Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan acompanharam pelas conclusões, por entenderem haver carência probatória da fraude por parte do fisco, devendo o relator acrescentar tal circunstância a seu voto, refletindo-a na ementa, na forma regimental.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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R. NORDESTE S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 COFINS. RECURSO DE OFÍCIO. FRAUDE. AUSÊNCIA DE PROVAS. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. O desmembramento, em pessoas jurídicas distintas, das atividades de produção e distribuição, por si só, não é uma simulação, com o intuito único e exclusivo de reduzir artificialmente a carga tributária. Precedentes. Para a caracterização da fraude fiscal, haveria de o fisco comprovar nos autos, por elementos sólidos que comprovassem que as operações não tinham propósito negocial, substância econômica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, negandose provimento ao recurso de ofício. Os Cons. Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan acompanharam pelas conclusões, por entenderem haver carência probatória da fraude por parte do fisco, devendo o relator acrescentar tal circunstância a seu voto, refletindoa na ementa, na forma regimental. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 32 14 /2 01 5- 46 Fl. 2986DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Adoto o Relatório da DRJ/JFA (efl. 2.854), por bem retratar a realidade dos autos: Em nome da interessada foram lavrados autos de infração referentes à Cofins e à Contribuição para o PIS/Pasep, que lhe exigem, respectivamente, um crédito tributário de R$ 10.097.253,14 e R$ 2.156.693,60, com juros de mora calculados até novembro de 2015 e multa de ofício no percentual de 150%. Em face da fiscalização levada a efeito foi formalizada representação fiscal para fins penais, constante do processo nº 10510.723230/201539. Conforme Demonstrativo de Responsáveis Tributários, constante dos autos de infração, no polo passivo da relação jurídico tributária foi incluído como responsável solidário o Sr. MAURO SÉRGIO DE OLIVEIRA RIBA, CPF 438.118.33715, com fundamento nos arts. 124, I, e 135, III, ambos do CTN. Já na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” foi apontada omissão de receita sujeita à incidência não cumulativa concentrada das contribuições supracitadas (perfumaria, toucador e higiene pessoal). No Termo de Verificação Fiscal – TVF, anexo aos autos de infração, o auditor fiscal assim relatou o ocorrido, em resumo: Versa o presente relatório sobre procedimentos fiscais realizados em empresas do GRUPO LEITE DE ROSAS por indícios de cometimento de infração à legislação tributária. Compõem este grupo as empresas: a LR Nordeste S/A, CNPJ 03.470.672/000159, doravante denominado LRNE, a Faugher Distribuidora de Produtos de Higiene Pessoal Ltda, CNPJ 10.648.706/000118, doravante denominado FAUGHER, e a LR Cia. Brasileira de Produtos de Higiene e Toucador, CNPJ sob o n° 33.089.053/000180. [...]5. Dos Fatos Jurídicos e Tributários No curso da ação fiscal, desenvolvida na LRNE (fabricação) e FAUGHER (atacadista), ficou constatado a existência de Planejamento envolvendo Tributação Monofásica do PIS/COFINS, pois elementos fáticos levam a descaracterização da divisão das empresas nas atividades de industrialização e comercialização por atacado dos produtos de que trata o art. 1o da Lei n° 10.147, de 2000. Fl. 2987DF CARF MF Processo nº 10510.723214/201546 Acórdão n.º 3401005.293 S3C4T1 Fl. 2.987 3 Pois foram verificados os seguintes indícios que levam à confirmação da existência de fraude ou simulação, situação que descaracterizará a aparente forma de legalidade na cisão das atividades mencionadas acima: a) empresas industrial e comercial atacadista localizadas no mesmo endereço; b) empresas industrial e comercial atacadista com mesmos dirigentes ou uma delas com sócios sem capacidade econômica para exercer a atividade (laranjas); c) empresa comercial atacadista com área incompatível para armazenagem do volume de produtos que alega vender; d) empresa industrial ou empresa comercial atacadista com número de funcionários incompatível com a atividade supostamente exercida. (Negritos deste Relator). Dessa forma, estando presentes no caso concreto os itens a, b, c e d, acima referidos devese ofício cobrar o PIS e a COFINS na empresa LRNE, tendo por base os valores de revenda da FAUGHER, muito acima dos valores de venda que foram efetuados pela LRNE, pois conforme já ficou exposto e provado a FAUGHER foi uma empresa criada para venda dos produtos fabricados pelo Grupo Leite de Rosas a preço de mercado, sem tributação de PIS e da COFINS (tributação monofásica). (Negrito do original e sublinhado do Relator). No anocalendário de 2011, ficou constatado que a FAUGHER é praticamente única cliente da LRNE, pois da sua receita declarada de R$ 47.008.225,28 na DIPJ/12, na Ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral, apenas R$373,81 se referem a notas fiscais de mercadorias emitidas para terceiros, o restante foi para a FAUGHER, ou seja 99,92% de suas vendas de mercadorias. Analisando as notas fiscais emitidas e tendo como destinatário a FAUGHER, ficou constatado que os únicos produtos comerciais comprados que não eram da LRNE foram: Des. Leite de Rosas 0001X0048X100ML, Des. Leite Rosas Rollon, Sab. Leite Rosas, Leite de Rosas 100ML, Leite de Rosas 60ML, Des. Leite de Rosas Spray Fresh 12X90ML, Des. Leite de Rosas Roll On S Perfume 50ML UM 0001 e Caixa Sabonete Leite de Rosas Hidratante 72X90G. Pelo já exposto, concluímos em cobrar o PIS e a COFINS na empresa LRNE, tendo por base a diferenças entre as Planilhas Mensais dos valores de revenda da FAUGHER/LRNE, retirando estes produtos acima mencionados do SPED da FAUGHER e considerando as notas fiscais de saídas (vendas) diferentes das canceladas e de devolução, por mês do ano calendário de 2011, com as Planilhas Mensais do PIS e da COFINS da LRNE apresentadas, dessa forma obtêmse os valores mensais omitidos: Fl. 2988DF CARF MF 4 [...] 6. Da Legislação Tributária Os contribuintes pessoas jurídicas industriais ou importadores sofrem a incidência monofásica das contribuições para o PIS e para a COFINS sobre produtos de perfumaria, toucador, cosméticos e higiene pessoal, de acordo com a Lei. 10.147/2000, com vigência a partir de 01/05/2001, com alterações posteriores, seguir transcritas em seus artigos primeiro e segundo: [...] 7. Da Multa Qualificada Nas condutas desenvolvida na LRNE (fabricação) e FAUGHER (atacadista) ficou constatado a existência de Planejamento envolvendo Tributação Monofásica do PIS/COFINS, pois os elementos fáticos levam a descaracterização da divisão das empresas nas atividades de industrialização e comercialização por atacado dos produtos de que trata o art. 1º da Lei nº 10.147/2000. Desse modo, tiveram a finalidade, em tese, de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da Autoridade Fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, conforme já foi amplamante descrito. Pois ficou constatado que a empresa LRNE fabricou e a FAUGHER terceirizou as vendas de mercadorias. Também, no curso desta Auditoria ficou cabalmente demonstrado que as empresas supracitadas são intimamente ligadas, e, que as operações como foram dispostas geram substancial ganho tributário ao grupo econômico. Percebese que esta divisão das atividades de fabricação e distribuição demonstram, em tese, conduta intencional de criar operações sem qualquer substância econômica ou propósito negocial, a não ser o de elidir as contribuições sociais, diminuindo o preço de venda da LRNE, reduzindo sensivelmente o valor das contribuições a recolher, mediante omissão dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da Autoridade Fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal. Dessa forma, nos termos em que foram configurados em tese todos fatos jurídicos já descritos, temse a convicção de uma intenção, isto é: todas as ações foram fruto de uma vontade, houve um desejo, cujo resultado não se deu por acaso; revelando condutas delituosas enquadradas no disposto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, e praticadas com o objetivo de eximir total ou parcialmente o contribuinte do pagamento dos tributos e contribuições federais devidos. Assim, em função dessas condutas, a Fiscalização procedeu à qualificação da multa para 150%, conforme o art. 957, inciso II do RIR/99, com fundamento no art. 44, inciso I, § 1o da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, [...] Fl. 2989DF CARF MF Processo nº 10510.723214/201546 Acórdão n.º 3401005.293 S3C4T1 Fl. 2.988 5 O responsabilizado e a contribuinte foram cientificados dos lançamentos, respectivamente, em 17/11/2015 e 11/11/2015. Em 07/12/2015, foi apresentada impugnação em nome da LR Nordeste SA, por meio de procuradores constituídos pelo instrumento de fl. 2.484. Consoante os argumentos aduzidos ao longo da impugnação, a contribuinte ao final assim concluiu: 5.1 Diante de todo o exposto, o Impugnante requer, preliminarmente, a exclusão do Sr. Mauro Sérgio de Oliveira Ribas da relação de responsáveis tributários, sob pena de ofensa ao artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. 5.2 Requer, também, seja processada e julgada a presente impugnação, para, ao final, ser reconhecida: i. A nulidade das autuações, tendo em vista a inexistência de simulação e a impossibilidade de a Fiscalização desconsiderar os negócios jurídicos firmados entre a Impugnante e a FAUGHER, sob pena de ofensa ao art. 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional; ii. A nulidade das autuações, haja vista que a Autoridade Fazendária tributou receitas para as quais a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS ocorre à alíquota zero, em clara ofensa ao artigo 2° da Lei n.° 10.147/00, afrontando, ainda, o princípio da legalidade tributária, insculpido pelo artigo 150, inciso I, da Constituição da República, assim como, ao não apresentar a motivação legal do cálculo realizado, é incontestável a ofensa ao direito de defesa da Impugnante, nos termos do artigo 5º, incisos LIV e LV, da Constituição da República, e artigos 10 e 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72; e iii. Na hipótese de se entender pela procedência das autuações, o que se admite por mera eventualidade, a inaplicabilidade da multa qualificada prevista no artigo 44, § 1º, da Lei n.º 9.430/96, a qual deverá ser substituída pela multa prevista no artigo 44, inciso I, da referida lei. 5.3 A Impugnante protesta, ainda, pela posterior juntada aos autos de documentos suplementares, bem como pela exposição de razões adicionais àquelas aqui expendidas. (...) Em 20/04/2016, o processo retornou em diligência à DRF de origem, consoante despacho à fl. 2.605, em resumo, nos seguintes termos: À fl. 30 (página 11 do TVF) constam planilhas de apuração das bases de cálculo mensais das contribuições. Da vista dessas planilhas, sobressaem inconsistências nos valores e/ou nos cálculos efetuados para os meses de março e setembro. Fl. 2990DF CARF MF 6 Sendo assim, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72, encaminhese o presente processo à DRF/Aracaju/SE para que: a) sejam confirmadas ou alteradas as bases de cálculo das contribuições, e, sendo o caso, apurado o novo crédito tributário daí advindo; b) seja dada ciência à contribuinte do apurado e reaberto o prazo de 30 dias para apresentação de razões adicionais de defesa. Em 27/05/2016, o Sr. MAURO SÉRGIO DE OLIVEIRA RIBAS, requereu a juntada de procuração (fl. 2.612) a fim de regularizar sua representação processual. Por sua vez, a autoridade diligenciadora, em Termo de Verificação Complementar (fls. 2.626/2.627), consignou a existência de erro de cálculo nas planilhas de apuração das bases de cálculo mensais do PIS/Pasep e da Cofins, as quais foram calculadas originalmente a menor em relação aos períodos de apuração de março e setembro. Via de consequência, com fundamento no art. 41, § 1º, inciso I, alínea “a”, do Decreto nº 7.574/2011, lavrou auto de infração complementar para cada contribuição (fls. 2.635/2.648), constituindo um crédito tributário adicional de R$ 1.291.232,58 e R$ 275.797,21, incluídos juros de mora calculados até abril de 2016 e multa de ofício no percentual de 150%, referentes à Cofins e ao PIS/Pasep, respectivamente. Cientificados do resultado da diligência em 02/05/2016 e 06/05/2016, os sujeitos passivos apresentaram, em 27/05/2016, impugnação conjunta ao lançamento complementar (fls. 2.683/2.838), a qual contém os mesmos argumentos aduzidos na primeira impugnação. Em face do disposto no art.41, §4º, do Decreto nº 7.574/2011, o processo 10510.721024/201675 foi juntado, por anexação a este. Por seu turno, a decisão da DRJ/JFA, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, para: (a) afastar a responsabilidade tributária do Sr. Mauro Sérgio de Oliveira Ribas, em relação ao crédito tributário correspondente aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a junho de 2011; (b) quanto às demais matérias, julgar improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário relativo à Cofins e ao PIS/Pasep, constituído por meio dos lançamentos originais e complementares; ementa que possui o seguinte teor: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 LANÇAMENTO. NULIDADE. Está afastada a hipótese de nulidade do lançamento quando o auto de infração, lavrado por pessoa competente, Fl. 2991DF CARF MF Processo nº 10510.723214/201546 Acórdão n.º 3401005.293 S3C4T1 Fl. 2.989 7 atende a todos requisitos legais e possibilita ao sujeito passivo o pleno exercício do direito de defesa. INTIMAÇÃO NO ESCRITÓRIO DO PROCURADOR. IMPOSSIBILIDADE. No processo administrativo fiscal, a intimação deve obedecer a disposições estabelecidas em normas processuais específicas, devendo, quando por via postal, ser endereçada ao domicílio fiscal do sujeito passivo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A PESSOA JURÍDICA INDUSTRIAL E A DISTRIBUIDORA. Cabível o lançamento de ofício na pessoa jurídica industrial, tendo por base as receitas da distribuidora, quando demonstrada que a separação entre estas se deu meramente no campo formal, implicando prejuízo ao Fisco pelo deslocamento da base tributável, de uma fase em que a receita de vendas era tributada de forma concentrada, para uma fase sujeita à alíquota zero. SIMULAÇÃO. FRAUDE. PROVA ROBUSTA. LANÇAMENTO. Comprovada a fraude ou a simulação por meio de vasto acervo indiciário convergente, cabível a identificação da verdade dos fatos e a exigência dos tributos devidos. A não edição da lei a que se refere o parágrafo único do art. 116 do CTN não constitui óbice para o lançamento fiscal quando comprovado que o sujeito passivo agiu com dolo, fraude ou simulação. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A multa de ofício no percentual de 75% deve ser duplicada quando verificada a ocorrência de um dos casos previstos nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, comprovandose, no caso concreto, o intuito doloso do sujeito passivo. RESPONSABILIDADE ATRIBUÍDA A ADMINISTRADOR DA PESSOA JURÍDICA. ART. 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. MULTA QUALIFICADA. A cominação da penalidade qualificada baseada em conduta dolosa que denote sonegação, fraude ou conluio com repercussões, em tese, na esfera criminal, ensejam a Fl. 2992DF CARF MF 8 responsabilização dos administradores da pessoa jurídica à época da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária em questão. A ciência do acórdão se deu em 26/09/2016 (efl. 2.960), sendo protocolizado recurso de ofício e voluntário, este, em 25/10/2016 (efls. 2.979/2.880). O Recurso de Ofício tem por objeto a parte do acórdão que afastou a responsabilidade tributária do Sr. Mauro Sérgio de Oliveira Ribas, em relação ao crédito tributário correspondente aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a junho de 2011, que conforme consta no voto do relator da processo junto a DRJ o valor principal dos valores cancelados são: R$ 452.679,13 de PIS e R$ 2.119.340,09, Cofins, que devem ser acrescidos dos encargos legais devidos. fls 2.870. Já o Recurso Voluntário, requereu o conhecimento e provimento integral de seu recurso, para reformar o acórdão recorrido, enfatizando: 1) nulidade da atuação por inexistir a simulação, não sendo possível a desconsideração do negócio jurídico por ofensa ao artigo 116, parágrafo único do CTN. 2) não há impedimento legal para que duas ou mais pessoas jurídicas tenham dirigentes em comum ou sócios. 3) não houve demonstração da existência de laranja nos autos. 4) o contrato de prestação de serviço entre a Termaco e a Faugher demonstra que detinha espaço de armazenagem compatível com o volume de transações realizadas. 5) o número de funcionários é compatível atividade exercida. 6) a existência de planejamento fiscal e de desmembramento das atividades não caracteriza qualquer ilícito fiscal. 7) a autuação do IPI a DRJ/JFA reconheceu a inexistência de fraude. 8) a desconsideração de negócio jurídico nos termos do art.116 de CTN deve ser feito por autoridade administrativa observados procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Como inexiste a lei ordinária não há como concretizarse a desconsideração do negócio jurídico. 9) a fiscalização ao tributar a receita da distribuidora a tratou como se fosse equiparada a indústria o que não está enquadrado dentro das situações previstas na Lei 7.798/89, art.7º. 10) exigir o PIS e a COFINS, quando a lei determina alíquota zero para a operação viola o princípio da legalidade (art.150,I CF) e o artigo 142, parágrafo único do CTN. 11) a Lei 10.147/00, art.2º prevê alíquota zero para o PIS e COFINS na saída de estabelecimentos atacadistas. 12) inaplicabilidade da multa qualificada por inexistir simulação, existência de interdependência não caracteriza fraude. Fl. 2993DF CARF MF Processo nº 10510.723214/201546 Acórdão n.º 3401005.293 S3C4T1 Fl. 2.990 9 13) há ausência de responsabilidade do Sr. Mauro Sérgio de Oliveira Ribas. Há processo em apenso (10510.723230/201539), o qual trata de representação fiscal para fins penais. É o relatório. Voto Conselheiro André Henrique Lemos, Relator O recurso voluntário é tempestivo, logo, dele tomo conhecimento. Os Recursos de Ofício e Voluntário preenchem os requisitos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deles tomo conhecimento. DO RECURSO DE OFÍCIO A DRJ julgou procedente a Impugnação exclusivamente para determinar a inexistente de responsabilidade do Sr. Mauro Sérgio de Oliveira Ribas, relativamente aos fatos geradores das contribuições de janeiro de 2011 a junho de 2011. O motivo da exclusão da responsabilidade, de acordo com o voto do relator (efl. 2.870): De fato conforme alegado nas Impugnações, o Sr. Mauro Sérgio de Oliveira Ribas assumiu a administração da LRNE e da FAUGUER em julho de 2011, conforme comprovam a Ata da Assembléia Geral Extraordinária da LRNE e a 5ª alteração do Contrato Social da FAUGUER (FLS. 2.552/2.563). De forma consentânea, no sistema CNPJ da RFB consta que o Sr. Mauro Sérgio de Oliveira Ribas passou a condição de responsável pelas referidas empresas, perante a Receita Federal, também no }es de julho de 2011 (fls. 33/38). Ora, para a hipótese de responsabilização do art. 135,III, não basta a condição de sócio, é necessário que o sócio seja administrador ao tempo do ilícito tributário. Nesse sentido são as conclusões do Parecer PGFN/CRJ/CAT Nº55/2009, cujo inteiro teor pode ser encontrado na “internet”: a responsabilidade do dito “sóciogerente”, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, decorre de sua condição de “gerente” (administrador), e não da sua condição de sócio. (Grifei). j) a jurisprudência do STJ aponta para a responsabilidade solidária, inclusive em precedentes desfavoráveis à Fazenda Nacional, em que se afirma que o “sócio” só pode ser responsabilizado solidariamente se detiver poderes de gerencia e Fl. 2994DF CARF MF 10 se tiver praticado ato ilícito no exercício dessa gerencia, na forma do art. 135,III do CTN. Dessarte, deve ser afastada a responsabilidade tributária do Sr. Mauro Sérgio de Oliveira Ribas relativa ao crédito tributário correspondente aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a junho de 2011”. Esta, portanto, a matéria objeto do Recurso de Ofício. Comungase da fundamentação da DRJ, vez que não há como responsabilizarse o administrador antes do seu ingresso nesta função. Todavia, no caso presente o Sr. Mauro Sérgio de Oliveira Ribas não é responsável pela integralidade do período autuado por não estar presente a fraude e simulação apontadas no auto de infração, conforme se verificará ao longo do presente voto, bem assim, como já decidido por este E. Tribunal em outro processo da Recorrente, matéria que será de forma mais detalhada a seguir. Desta forma, voto por negar provimento ao recurso de ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A DRJ negou procedência à impugnação quanto às preliminares apontadas, e no mérito, manteve a integralidade da autuação. Da nulidade O primeiro aspecto levantado no Recurso Voluntário a ser enfrentado é o pedido de nulidade da atuação por inexistir a simulação, não sendo possível a desconsideração do negócio jurídico por ofensa ao artigo 116, parágrafo único do CTN. A despeito de inexistir a lei ordinária de que trata o parágrafo único do CTN, o negócio jurídico pode ser desconsiderado pela autoridade administrativa se está a encobrir uma ilegalidade. Sobre o assunto, leciona Hélcio Lafetá Reis, distinguindo a evasão da elisão (Planejamento Tributário abusivo: violação da imperatividade da norma jurídica – RDDT 209/57, fev. 2013): A “evasão tributária” vem a ser o conjunto de práticas violadoras do sistema jurídicotributário, em que se mostra evidente a intenção de se burlar a norma e se esquivar do pagamento do tributo, havendo previsão legislativa que mune as Administrações Tributárias de medidas coercitivas aptas a combater tais ilícitos fiscais [..] Por elisão entendese o planejamento fiscal legítimo, ou seja, aquele efetuado em conformidade com a legislação tributária, em que inexiste vedação à escolha da forma de submissão ao comando da lei que propicie melhor proveito econômicofinanceiro.” É permitido a administração pública combater a evasão tributária, incluindo a desconsideração de negócios jurídicos, quando se depara com fraudes e simulações com o intuito de impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Assim, por exemplo, a legislação permite a autoridade administrativa cancelar CNPJ de empresas inexistentes ou fantasmas e desconsiderar os negócios jurídicas realizados para encobrir ilegalidade. Fl. 2995DF CARF MF Processo nº 10510.723214/201546 Acórdão n.º 3401005.293 S3C4T1 Fl. 2.991 11 O que precisa ser averiguado é a existência de lei inibidora da conduta do contribuinte, a análise dos fatos e as provas da simulação. Portanto, o combate a evasão tributária não depende de lei ordinária de que trata o parágrafo único do 116 do CTN, não havendo nulidade no ato da autoridade administrativa no presente caso. Da fraude Outro argumento trazido no Recurso Voluntário, referese a inexistência de fraude o que ocasionaria o cancelamento da autuação. A autuação baseouse na desconsideração das vendas efetuadas da Recorrente LR Nordeste S/A (LRNE) que fabrica produtos de perfumaria, toucador e higiene pessoal para a Faugher Distribuidora de Produtos de Higiene Pessoal Ltda, comércio atacadista, pertencente ao mesmo grupo. O caso a ser analisado, considerando os motivos e fundamentos que embasaram o auto de infração, é se houve omissão de receita na venda de produtos sujeitos a incidência monofásica de PIS e Cofins, entre a indústria e o estabelecimento atacadista. Presume, a autoridade fiscal, baseadose em dados como localização das empresas, sócios em comum, número de empregados, tamanho físico do estabelecimento atacadista, contador em comum e revenda quase com exclusividade da produção da LRNE para a Faugher, que não há distinção entre ambas. A tributação do PIS e Cofins dos produtos industrializados pela LRNE acontece de forma monofásica, por força do artigo 1º e 2º da Lei 10.147/2000, ou seja, a indústria paga o PIS e Cofins e a lei estabelece alíquota zero para as revendas posteriores. Assim, por entender que a criação do estabelecimento atacadista tem por intuito diminuir a carga tributária do PIS e Cofins de forma ilícita, inclusive com a prática de crime tributário, se deu a autuação. O lançamento foi realizado na LRNE, tendo por base as diferenças entre as Planilhas Mensais dos valores de revenda da FAUGHER/LRNE, retirando estes produtos acima mencionados do SPED da FAUGHER e considerando as notas fiscais de saídas (vendas) diferentes das canceladas e de devolução, por mês do anocalendário de 2011, com as Planilhas Mensais do PIS e da COFINS da LRNE apresentadas, dessa forma obtevese os valores mensais omitidos, conforme narrado no auto de infração. Além do PIS e Cofins foi lançado o IPI, que deu nascimento ao processo administrativo nº 10510.723215/201591. O motivo da autuação de todos os tributos foi o mesmo, a base legal para o lançamento, por se tratar de tributos diferentes foram distintos. O processo relativo ao IPI foi também julgado pela DRJ, a qual concluiu pela inexistência de fraude, porém manteve o lançamento baseado na previsão do artigo 195 e 196 do RIPI. Propostos recursos voluntários e de oficio, foram estes julgados pela 3ª Seção de Julgamento, 3ª Câmara da 1ª Turma Ordinária deste Conselho, a qual decidiu pela inexistência de fraude, por inexistir prova nos autos neste sentido, por meio da seguinte ementa (acórdão 3301004.486): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 2996DF CARF MF 12 Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 RECURSO DE OFÍCIO FRAUDE. AUSÊNCIA DE PROVAS. DESQUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. O desmembramento, em pessoas jurídicas distintas, das atividades de produção e distribuição, por si só, não é uma simulação, com o intuito único e exclusivo de reduzir artificialmente a carga tributária. Para a caracterização da fraude fiscal, haveria que se carrear aos autos elementos sólidos que comprovassem que as operações não tinham propósito negocial, substância econômica. Assim, deve ser mantida a decisão de piso e negado o recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PARA ACOMPANHAMENTO DO JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. Não há que ser decretada a nulidade da decisão de primeira instância, se não houve preterição do direito de defesa e tampouco falhas no ato administrativo que o eivassem de nulidade. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 116 DO CTN. Não procede o argumento de que o auto de infração é nulo, porque foi fundamentado no § único do art. 116 do CTN, o qual ainda carece de lei ordinária para ser aplicado. O lançamento foi capitulado nos artigos 190 a 196 do RIPI/10. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 135 DO CTN. AUSÊNCIA DE PROVA DE PRÁTICA DE ATO DOLOSO Observase pela ementa que o Recurso Ofício não foi provido, sendo os fundamentos utilizados pelo Relator, referendado pelos demais Conselheiros de forma unânime, para desconsiderar a fraude foi diferente da decidida pela DRJ. A DRJ entendeu, resumidamente, que não havia fraude pelo fato de todas as operações estarem registradas nas notas fiscais e livros. O Relator, Conselheiro Marcelo Costa Marques d’Oliveira, conforme se pode constatar de seu voto seguido neste aspecto pelos demais membros do Colegiado , concluiu pela inexistência de fraude nas operações realizadas entre a LRNE e a Faugher, fundamentos que se utiliza como motivo de decidir no presente processo: “[...] Meu voto é no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Entretanto, com a devida vênia, não sigo as razões da DRJ. Assim como a PGFN, entendo que a simples existência de notas fiscais e o fato de nelas ter sido indicado que houve vendas e não outro tipo de operação não seria suficiente para comprovar, definitivamente, que as operações não foram simuladas. Fl. 2997DF CARF MF Processo nº 10510.723214/201546 Acórdão n.º 3401005.293 S3C4T1 Fl. 2.992 13 Mais de uma vez, em litígios idênticos, manifesteime de forma absolutamente contrária à desconsideração da personalidade jurídica de empresas e/ou de negócios jurídicos, em razão tão somente dos indícios que recorrentemente são levantados nestes tipos de caso e que também os foram no presente: aparente falta de local para armazenagem e/ou divisão de espaço no mesmo endereço, com rateio de despesas comuns; sócios e diretores e interesses comerciais comuns; e poucos empregados. Em alguns casos, contudo, ratifiquei o trabalho fiscal, pois haviam sido reunidas evidências cabais de que as transações não eram reais, tais como: i) Margens de lucro comprovadamente abaixo das praticadas no mercado e insuficientes para cobrir os custos do negócio. ii) Movimentação financeira incompatível com a capacidade financeira da empresa e de seus sócios de honrar com compromissos financeiros e de entrega de bens e serviços. Porém, não há nos autos sequer indícios de que situações daqueles gêneros teriam ocorrido. O agente fiscal simplesmente alegou que o "planejamento" proporcionou uma economia do IPI, já que este não incidiu sobre o preço de venda normal de mercado, caso a operação fosse realizada entre empresas não vinculadas." Mas, o que seria o preço adequado, o qual faria o Fisco admitir a existência de fato e de direito da atacadista? Este parâmetro também não se encontra nos autos. ‘Há ainda que se consignar que não há lei que proíba empresários de organizar seus negócios na forma que se afigurar como a mais econômica, sob o ponto de vista fiscal. E tampouco de reestruturálos para aproveitar oportunidades surgidas com novas legislações sobre tomada de créditos ou incentivos fiscais. E todas as ações nestas direções devem ser consideradas como lícitas e produzir efeitos no âmbito tributário, desde que reais, com substância econômica. Indubitavelmente, o tema em discussão é controverso e há decisões deste colegiado em ambos os sentidos. E a recorrente colacionou três importantes decisões administrativas favoráveis aos contribuintes. A primeira foi proferida por meio do Acórdão n° 3403002.519, de 22/10/13, que foi objeto d de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual, todavia, não o conheceu, por falta de divergência jurisprudencial. Tratase de operação idêntica à discutida no presente processo, qual seja, separação das atividades de produção e de distribuição. Assim foi ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 PIS. REGIME MONOFÁSICO. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. Fl. 2998DF CARF MF 14 SIMULAÇÃO ABSOLUTA. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. ART. 116, P.U. DO CTN. UNIDADE ECONÔMICA. ART. 126, III, DO CTN. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não se configura simulação absoluta se a pessoa jurídica criada para exercer a atividade de revendedor atacadista efetivamente existe e exerce tal atividade, praticando atos válidos e eficazes que evidenciam a intenção negocial de atuar na fase de revenda dos produtos. A alteração na estrutura de um grupo econômico, separando em duas pessoas jurídicas diferentes as diferentes atividades de industrialização e de distribuição, não configura conduta abusiva nem a dissimulação prevista no art. 116, p.u. do CTN, nem autoriza o tratamento conjunto das duas empresas como se fosse uma só, a pretexto de configuração de unidade econômica, não se aplicando ao caso o art. 126, III, do CTN. Recurso voluntário provido. Recurso de ofício prejudicado." As duas outras decisões trazem o posicionamento que acima externei no sentido de que não é ilícito organizar ou reorganizar as atividades, com o fim único e exclusivo de reduzir a carga tributária, desde que as unidades de negócios e os atos jurídicos praticados sejam reais e não falsos, simulados: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício. 2002 Ementa: SIMULAÇÃO — INEXISTÊNCIA — Não é simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica com o desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária. OMISSÃO DE RECEITAS — SALDO CREDOR DE CAIXA — DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA— A reunião das receitas supostamente omitidas por duas empresas para serem tributadas conjuntamente como se auferidas por uma só importa em erro na quantificação da base de . cálculo e na identificação do sujeito passivo, conduzindo à nulidade do lançamento. Recurso provido." (Acórdão n.° 103.23.357, 3° Câmara, 1° Conselho de Contribuintes, sessão de 23.01.08) "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 IPI. SIMULAÇÃO.' INEXISTÊNCIA. Não é 'simulação a instalação .de duas empresas na mesma área geográfica com o desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária. Fl. 2999DF CARF MF Processo nº 10510.723214/201546 Acórdão n.º 3401005.293 S3C4T1 Fl. 2.993 15 (...). (Acórdão n.° 20181.306, l° Câmara, 2° Conselho de Contribuintes, sessão de 06.08.08). [...] Demais disso, para a caracterização da fraude fiscal, haveria de o fisco comprovar nos autos, por elementos sólidos que comprovassem que as operações não tinham propósito negocial, substância econômica, entretanto, tal prova não fora feita. Por tais razões, temse que da mesma forma como já decidido no processo do IPI entendese que não há se falar em fraude ou simulação no presente caso. Outro assunto debatido no processo foi a previsão no RIPI em seu artigo 195 e 196 que estabelece o valor tributável mínimo do IPI quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência. No caso do IPI há legislação específica prevendo a operação entre empresas interdependentes. O relator expõe seu entendimento de que deve ser anulado o lançamento, considerando não foram tomados os procedimentos previstos nos artigos 195 e 196 do RIPI para apuração do “preço corrente” no mercado atacadista, no que foi vencido. Assim, no processo do IPI foi mantido o lançamento, com base no artigo 195 do RIPI por ser operação entre empresas, porém com multa de 75%. Todavia, diferentemente da legislação ordinária que trata do IPI, na legislação que trata do PIS e Cofins, não há tal previsão. O lançamento tributário tem por base o princípio da legalidade eleito como princípio tributário pela Constituição de 1988, previsto no CTN, em seu artigo 142 ao estabelecer que a atividade de lançar é vinculada, ou seja, deve obedecer estritamente os ditames legais. Como no caso do PIS e Cofins não há previsão na lei, inexiste parâmetro legal para amparar o lançamento de ofício perpetrado. Neste sentido tem decidido este CARF em outras situações semelhantes. O processo administrativo 16004.720395/201393 (acórdão 1402002.337), tratou sobre um auto de infração que, dentre outras situações, aborda a questão de empresas do mesmo grupo, também do ramo da indústria e comércio de produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos. Um dos pontos da fundamentação da autuação foi de que a empresa Cosmed vendeu para a empresa Hypermarcas, que é empresa ligada e controladora da Cosmed, mercadorias por preços significativamente inferiores ao de mercado e aos praticados com demais clientes. A maioria dos preços praticados foi 30% abaixo dos praticados com os demais clientes e 32% abaixo do preço praticado pela Hypermarcas com seus próprios clientes, e que o preço praticado pela Cosmed com terceiros chega a ser 324% maior que o praticado com a Hypermarcas. Há outras empresas no caso concreto que foram adquiridas pela Hypermarcas, com as quais também tiveram operações com preços diferenciados na mesma perspectiva do já narrado. A autoridade fiscal concluiu ainda que para os produtos submetidos à tributação concentrada, a Cosmed vende à Hypermarcas por um preço bem abaixo do praticado no mercado (em média 1/3 do valor), enquanto, para os produtos tributados pela alíquota Fl. 3000DF CARF MF 16 normal de PIS e da COFINS, a diferença diminui consideravelmente, chegando em alguns casos a serem iguais os preços de venda. Assim, entendeu a autoridade administrativa que o Grupo Hypermarcas teria realizado planejamento tributário “abusivo” e como consequência autuou com fundamento na insuficiência de recolhimento das contribuições para o PIS e COFINS pela existência de Distribuição Disfarçada de Lucros (DDL). Também foi objeto de autuação o IR e CSL, motivo pelo qual o julgamento foi submetido a 1ª Seção de Julgamento. O relator do processo em seu voto, a respeito da exigência do PIS e da COFINS, menciona outros precedentes trazidos pela Recorrente: 3402001.908, 3403002.519 (casos Unilever), 3403002.8.54 (caso Avon) e 203.13.027 (Caso Daudt). E ressalta que em todos esses casos o CARF tratou como mero planejamento tributário cancelandose as respectivas exigências. (efl. 1.748 do referido processo). Destacamse partes da ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 (...) PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO LÍCITO. ELISÃO FISCAL. É lícita a reorganização societária efetivamente levada a efeito pelo contribuinte sem a ocorrência simulação, fraude, abuso direito ou de formas ou ainda fraude à lei. (...) PIS E COFINS. INOCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO. REGIME MONOFÁSICO. INEXISTÊNCIA DE NORMA QUE ESTIPULE VALORES MÍNIMOS NAS OPERAÇÕES INTRAGRUPO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Demonstradas que as operações questionadas pelo Fisco não configuram distribuição disfarçada de lucros, tampouco simulação, e na ausência de normas que estipulem valores mínimos a serem praticados entre empresas do mesmo grupo para fins da incidência de PIS e de Cofins no regime monofásico, cancelase o crédito tributário correspondente. (...) SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA DE INTERESSE JURÍDICO COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUA O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUSÊNCIA DE OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS RESULTANTES DE ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE Fl. 3001DF CARF MF Processo nº 10510.723214/201546 Acórdão n.º 3401005.293 S3C4T1 Fl. 2.994 17 PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. IMPOSSIBILIDADE. Cancelada a única infração que poderia, em tese e em relação aos coobrigados, demonstrar seus interesses jurídicos na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal, bem como demonstrado não haver qualquer ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, por consequência, excluemse os coobrigados do polo passivo da obrigação tributária. Analisando o caso concreto pondera o Relator à efl. 7.150: As operações levadas a efeito não podem ser tachadas de simuladas, e de fato não o foram, mas também não consigo enxergálas sem propósito negocial, conforme consta na autuação. A Recorrente demonstra em seu arrazoado que a prática é absolutamente comum no mercado em que atua, e que a estrutura utilizada e questionada pelo Fisco era, inclusive, já utilizada por uma das empresas incorporadas antes mesmo da aquisição de seu controle, conforme discorrerei oportunamente. A despeito das questões organizacionais colacionadas pela Recorrente para justificar o modelo de sua estrutura, entendo que estamos diante de legítima reestruturação societária levada a efeito pela Recorrente ante as opções que a legislação societária e tributária lhe oferece. Não é porque Hypermarcas, inicialmente, mantinha em uma só estrutura a produção e a comercialização de produtos por ela fabricados que não poderia vir a fazer uma cisão parcial e dividir suas operações em duas: a de produção e a de distribuição/comercialização dos produtos. Aliás, o próprio mercado em que atua assim se estabeleceu (citou como exemplos os grupos Johnson & Johnson, Procter & Gamble, L'oreal, Colgate Palmolive, Avon, Beiersdorf, O Boticário, Unilever, SonofiAventis, Medley, Bayer e Eurofarma), bem como o surgimento de diversas empresas produtoras voltadas para o mercado (por exemplo, Total Pack, a Provider, a Sinter Futura, a K&G, a Freedom Cosméticos, a Eurofarma, a Mappel e a Greenwood). Nesse cenário, manter sua estrutura unificada implicaria, sem sombra de dúvida, uma desvantagem competitiva que dificilmente lhe permitiria sobreviver no mercado. Comprovado nos autos a ausência de simulação, e que a reestruturação levada a efeito pelo Grupo Hypermarcas levouo a se enquadrar e no mesmo desenho organizacional que seus concorrentes, o fato de haver uma minoração da carga tributária daí incidente em suas operações, a meu ver, não tem o condão de classificar o planejamento tributário sequer como abusivo, haja Fl. 3002DF CARF MF 18 vista a inexistência de qualquer vício classificável como abuso direito ou de formas, ou ainda fraude à lei. Por essas mesmas razões, corroboro o entendimento da Recorrente de que a Lei n° 10.147/2000 não instituiu qualquer "regime diferenciado", "restrição" ou "exceção" na tributação das receitas provenientes das vendas de produtos monofásicos pela "Indústria" para a "Comercializadora", ainda que se trate de pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo empresarial. Há de se ressaltar que, ao contrário da legislação do IPI, não há na legislação dessas contribuições qualquer conceito ligado à “interdependência3” e “valor tributável mínimo4”, ou ainda critérios para arbitramento5 da apuração de PIS e de Cofins. Assim, não havendo simulação e inexistindo lei que preveja tratamento diferenciado entre empresas do mesmo grupo quando fixa a incidência monofásica do PIS e Cofins, voto pelo cancelamento do auto de infração. Voto por conhecer do recurso de ofício, negandolhe provimento; conheço do recurso voluntário, negandolhe provimento quanto às preliminares, entretanto, doulhe provimento, quanto à ausência de motivação do auto de infração, determinando o seu cancelamento, e por fim, doulhe provimento quanto à ausência de responsabilidade do Sr. Mauro Sérgio de Oliveira Ribas. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Fl. 3003DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.662131/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa.
Numero da decisão: 1201-002.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 21 31 /2 01 2- 12 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10880.662131/201212 Acórdão n.º 1201002.526 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Pedido de Restituição eletrônico PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte a fim de compensar pretenso saldo credor de CSLL referente ao 2º trimestre/2007. Por meio do despacho decisório de fls., o pedido foi indeferido, sob a alegação de que o DARF informado como origem do crédito já teria sido integralmente utilizado para quitar outro débito declarado. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Alega, em síntese: (i) que o crédito é legítimo, uma vez que, por exercer atividade consistente na prestação de serviço hospitalar, faria jus ao direito de aplicação do percentual de presunção do lucro de 12% para CSLL, e não de 32%, como equivocadamente considerou nas suas apurações; e (ii) que retificou as declarações (DIPJ e DCTF), ainda que em momento posterior ao despacho decisório. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que o contribuinte não faria jus ao enquadramento do percentual de presunção de 12%. Cientificada da decisão de piso, a empresa interpôs recurso voluntário por meio do qual reitera as razões de defesa, bem como alega que possui decisão judicial que reconheceu o direito de aplicar o percentual de 12%, e não 32%. É o relatório. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10880.662131/201212 Acórdão n.º 1201002.526 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.511, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.662116/2012 74, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.511): Conforme visto no tópico do relatório, o presente litígio diz respeito ao enquadramento ou não do objeto social da Recorrente no conceito de serviços hospitalares. Assim, caso seja verificado que a empresa presta serviço hospitalar, cabível o reconhecimento do direito creditório. Caso contrário, ou seja, uma vez verificado que a atividade desenvolvida é outra, correto o indeferimento do pedido de restituição. Nesse contexto, e por mais esforços que a autoridade fiscal responsável pelo lançamento e a decisão da DRJ tenham empreendido no sentido de afastar o enquadramento da atividade da empresa enquanto serviço hospitalar, o fato é que a Recorrente ajuizou ação judicial que tem por objeto justamente o reconhecimento do direito de se valer do referido percentual de 8% às suas atividades. De fato, o contribuinte possui sentença que deu provimento à ação judicial por ele ajuizada e, inclusive, já transitou em julgado o reconhecimento do direito de se valer do percentual de 8% para fins de lucro presumido. Abaixo copio o quadro do movimento do processo disponibilizado eletronicamente e transcrevo o resumo da demanda, respectivamente: PROCESSO 002259987.2013.4.03.6100 MOVIMENTAÇÃO PROCESSUAL Todas as Movimentações Seq Data Descrição 40 23/01/2015 ARQUIVAMENTO DOS AUTOS Receb.Guia: 542/2014 (7a. Vara) Pac.: 610007000412 39 05/12/2014 BAIXA DEFINITIVA ARQUIVO conf. Guia n.542/2014 (7a. Vara) Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10880.662131/201212 Acórdão n.º 1201002.526 S1C2T1 Fl. 5 4 38 28/11/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: DESPACHO DE FLS. 91 37 30/10/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE DESPACHO/DECISAO ,PAG. 39/41 36 08/10/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE DESPACHO/DECISAO 35 08/10/2014 RECEBIMENTO DO JUIZ C/ DESPACHO/DECISAO 34 06/10/2014 AUTOS COM (CONCLUSAO) JUIZ PARA DESPACHO/DECISAO 33 06/10/2014 TRANSITO EM JULGADO Data do Último Prazo: 23/09/2014 Complemento Livre: PARA PARTES 32 27/08/2014 RECEBIMENTO DA FAZENDA NACIONAL 31 27/08/2014 RECEBIMENTO NA SECRETARIA 30 18/08/2014 REMESSA EXTERNA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL VISTA 29 12/08/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: 28 16/07/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE SENTENCA ,PAG. 35/55 27 02/07/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE SENTENCA Tratase de ação ordinária, com pedido de tutela antecipada, em que postula a autora a inexigibilidade do percentual de presunção de 32% na aplicação do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pelo regime de apuração do lucro presumido às atividades hospitalares, reconhecendose como corretos os percentuais de 8% e 12%, respectivamente.Alega que, por se tratar de pessoa jurídica prestadora de serviços médicos de pronto socorro junto ao Hospital São Luiz Unidade Itaim, atendendo em média 7.600 pacientes por mês, tem direito ao recolhimento dos tributos pelas alíquotas menores asseguradas aos prestadores de serviços hospitalares.Sustenta que a Receita Federal vinha reconhecendo às clínicas médicas o enquadramento tributário na qualidade de prestadores de serviços hospitalares, entendimento que foi alterado após a edição do Ato Declaratório Interpretativo 19/2007 e da Instrução Normativa RFB n 791/2007, com as alterações da IN n 1234/2012, que restringiram a possibilidade de enquadramento da grande maioria das clínicas na tributação presumida da renda sob os percentuais minorados.Entende que a Receita Federal não poderia criar um novo conceito de serviços hospitalares dissociado do Direito Privado, o que determina sejam afastados os atos impugnados. Como se nota, a discussão que foi travada no processo judicial direito à aplicação do percentual de 8% para fins de IRPJ no lucro presumido tem o mesmo objeto do que se postula no recurso voluntário ora interposto. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10880.662131/201212 Acórdão n.º 1201002.526 S1C2T1 Fl. 6 5 Nesses casos, cabível a aplicação da Súmula CARF nº 1, que assim dispõe: importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em razão, então, da concomitância apontada, NÃO CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 226DF CARF MF
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Numero do processo: 13855.002706/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2002 a 31/01/2007
MPF. CIENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
O sujeito passivo será cientificado do MPF através de seu representante legal, mandatário ou preposto.
PROCESSO DE CONSULTA FISCAL.
Não produz efeito a consulta formulada por quem estiver sob procedimento fiscal iniciado para apurar fatos que se relacionem com a matéria consultada.
NULIDADE. PREJUIZO. INOCORRÊNCIA.
Presentes os requisitos legais da NFLD e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito.
LAVRATURA DA NFLD. CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO.
O lançamento contempla todas as informações previstas na Legislação Previdenciária e no Código Tributário Nacional, com correta identificação e demonstração do sujeito passivo, da matéria tributada, do montante devido e da fundamentação legal que ampara o lançamento do crédito previdenciário, viabiliza ao contribuinte o direito de defesa e a produção de provas, não há que se falar em nulidade.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos termos Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. REPLEG. SÚMULA CARF Nº 88.
Nos termos da Súmula CARF nº 88, a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o"Relatório de Representantes Legais - RepLeg"e a "Relação de Vínculos -VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28.
Conforme Súmula CARF nº 28, o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
BOLSAS DE PESQUISA FORNECIDAS A EMPREGADOS. BOLSA DE ESTUDOS PAGAS A MÉDICOS RESIDENTES. EDUCAÇÃO BÁSICA E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL. NÃO ENQUADRAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Não se enquadram no conceito de educação básica, e educação profissional e tecnológica, para fins de não incidência de contribuição previdenciária, as bolsas de pesquisa concedidas aos segurados empregados e as bolsas de estudo pagas a médicos residentes.
As bolsas de pesquisa pagas aos segurados empregados, não concedidas nos termos da Lei nº 8.958/94, integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária.
Incide contribuição previdenciária sobre as bolsas de estudos pagas aos médicos residentes, na qualidade de contribuintes individuais.
Numero da decisão: 2202-004.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto (relator), que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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CIENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo será cientificado do MPF através de seu representante legal, mandatário ou preposto. PROCESSO DE CONSULTA FISCAL. Não produz efeito a consulta formulada por quem estiver sob procedimento fiscal iniciado para apurar fatos que se relacionem com a matéria consultada. NULIDADE. PREJUIZO. INOCORRÊNCIA. Presentes os requisitos legais da NFLD e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito. LAVRATURA DA NFLD. CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO. O lançamento contempla todas as informações previstas na Legislação Previdenciária e no Código Tributário Nacional, com correta identificação e demonstração do sujeito passivo, da matéria tributada, do montante devido e da fundamentação legal que ampara o lançamento do crédito previdenciário, viabiliza ao contribuinte o direito de defesa e a produção de provas, não há que se falar em nulidade. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. REPLEG. SÚMULA CARF Nº 88. Nos termos da Súmula CARF nº 88, a Relação de CoResponsáveis CORESP", o"Relatório de Representantes Legais RepLeg"e a "Relação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 27 06 /2 00 7- 81 Fl. 642DF CARF MF Processo nº 13855.002706/200781 Acórdão n.º 2202004.645 S2C2T2 Fl. 643 2 Vínculos VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28. Conforme Súmula CARF nº 28, o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. BOLSAS DE PESQUISA FORNECIDAS A EMPREGADOS. BOLSA DE ESTUDOS PAGAS A MÉDICOS RESIDENTES. EDUCAÇÃO BÁSICA E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL. NÃO ENQUADRAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não se enquadram no conceito de educação básica, e educação profissional e tecnológica, para fins de não incidência de contribuição previdenciária, as bolsas de pesquisa concedidas aos segurados empregados e as bolsas de estudo pagas a médicos residentes. As bolsas de pesquisa pagas aos segurados empregados, não concedidas nos termos da Lei nº 8.958/94, integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária. Incide contribuição previdenciária sobre as bolsas de estudos pagas aos médicos residentes, na qualidade de contribuintes individuais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto (relator), que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Fl. 643DF CARF MF Processo nº 13855.002706/200781 Acórdão n.º 2202004.645 S2C2T2 Fl. 644 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº l3855.002706/200781, em face do acórdão nº 1420.109, julgado pela 9ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), em sessão realizada em 21 de agosto de 2008, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Trata a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD n° 37.105.2475, de contribuições sociais referentes ao período de 11/02 a 12/03 e 10/06 a 01/07, correspondentes à cota patronal, à parte dos segurados empregados, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e às contribuições destinadas às Entidades Terceiras SALÁRIOEDUCAÇÃO, SESC, INCRA e SEBRAE, incidentes sobre parcela integrante do salário de contribuição paga aos segurados empregados; cota patronal e contribuição do segurado contribuinte individual incidentes sobre os valores pagos aos mesmos. O débito foi apurado de acordo com o explicitado no Relatório Fiscal e todos os Anexos integrantes da Notificação em tela, no montante de R$ 348.229,80 (trezentos e quarenta e oito mil, duzentos e vinte e nove reais e oitenta centavos), consolidado em 28/09/07. Noticia o Relatório Fiscal (fls. 42 a 49) que a ACEF efetuou pagamentos aos seus professores e a residentes, sob a denominação de “Bolsas de Estudo e Pesquisa”. Outrossim que o valor ,das bolsas concedidas aos. pesquisadores (docentes da UNIFRAN) e a residentes do hospital veterinário e fisioterapia não se enquadram na hipótese de isenção prevista na alínea “t” do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91. Informa o Relatório Fiscal que, embora os valores das “bolsas de estudo” terem sido repassados, diretamente, pela FUNADESP Fundação Nacional de Desenvolvimento do Ensino Superior Particular, na conta dos bolsistas, as bolsas foram pagas diretamente pelas doações da ACEF para FUNADESP. Constatou a Auditoria Fiscal que as bolsas de estudo não foram estendidas a todos os empregados e dirigentes da empresa. Conclui a Auditoria Fiscal que as bolsas concedidas a Pesquisadores e Residentes da UNIFRAN Universidade de Franca são consideradas Salário de Contribuição, nos termos do art. 28, incisos I e III da Lei n° 8.212/91. Constam às fls. 50 a 63 Anexos I e II Planilhas com a discriminação dos segurados empregados e contribuintes Fl. 644DF CARF MF Processo nº 13855.002706/200781 Acórdão n.º 2202004.645 S2C2T2 Fl. 645 4 individuais (residentes) beneficiados, os valores individualmente percebidos, os salários de contribuição e o cálculo das contribuições devidas. IMPUGNAÇÃO Dentro do prazo regulamentar a Empresa Notificada contestou o Lançamento através do instrumento de fls. 247 a 274, consubstanciada nas seguintes alegações: Das Preliminares. Da Nulidade do Procedimento Em Debate MPF Entregue a Pessoa Inapta Inteligência Decreto n° 70.235/1972. É nula a NFLD tendo em vista que os Mandados de Procedimento Fiscal e os termos enviados pela fiscalização não são válidos, pois entregues a pessoas sem autorização para a prática de tais atos. Menciona neste particular inúmeros artigos de seu Estatuto Social e o artigo 23 do Decreto 70.235/72 e acrescenta que a apresentação de defesa não supre a nulidade em questão; Da Existência de Procedimento de Consulta. Pende de apreciação junto à Secretaria da Receita Federal, consulta formulada sobre o objeto da presente autuação (documentos em anexo), protocoladas antes do início da ação fiscal, levandose em conta a nulidade do início da fiscalização como argumentado e provado no tópico anterior. Uma vez que nulo de início o procedimento fiscalizatório, de rigor o cancelamento da NFLD, na medida em que não pode o contribuinte ser autuado enquanto pendente resposta de consulta administrativa. Dos Fatos. Supostamente deixou de recolher as contribuições previdenciárias dos empregados da empresa, relativos a suposto salário indireto pagos a seus funcionários através de bolsas de estudo e pesquisa concedida por pessoa jurídica diversa, qual seja a FUNADESP, que concede bolsas a funcionários mediante preenchimento de vários requisitos pelos bolsistas/pesquisadores, ficando claro que tais bolsas não compõem o salário, eis que só os pesquisadores aptos recebem tal incentivo. No caso dos autos não ocorreu a hipótese de incidência dos tributos cobrados, esclarecendo desde já que não cometeu eventual crime de apropriação indébita, na medida que não descontou dos empregados qualquer valor, pois ficará demonstrada a não ocorrência do fato gerador das contribuições sociais previdenciárias. Da Não Incidência de Contribuição Social Bolsas Pagas a Título de Pesquisa. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 13855.002706/200781 Acórdão n.º 2202004.645 S2C2T2 Fl. 646 5 Preliminarmente Da Introdução Sobre o Caso. Reportase inicialmente ao mandamento constitucional da obrigação do estado em oferecer educação de qualidade à população. É mantenedora de instituições de ensino com fins lucrativos , periodicamente, doa a entidade sem fins lucrativos denominada FUNADESP Fundação Nacional de Desenvolvimento do Ensino Superior Particular recursos para 0 desenvolvimento da educação superior do país, através de convênio com ela firmado. A FUNADESP é uma instituição sem fins lucrativos, tendo sido criada em 1998, por Instituições de Ensino Superior (IES) distribuídas por todo o país e tem por finalidade promover a busca continuada da excelência do ensino superior particular. Das Condições Legais Para Concessão de Bolsas de Estudo e Pesquisas. Não há legislação específica no ordenamento jurídico brasileiro sobre bolsas de estudo e pesquisas; seu tratamento advém de construção doutrinária e jurisprudencial e das disposições previstas na legislação do Imposto de Renda. Cita e transcreve dispositivos das Leis n° 3.830/60 e 9.250/95. A doação de recursos para a concessão de bolsas pode ser feita por qualquer pessoa fisica, jurídica, pública ou privada. Não há impeditivo na legislação. Uma instituição privada de ensino superior poderia conceder bolsas de estudo e de pesquisa a seus próprios alunos e professores. O fato de preferir não fazêlo diretamente advém da dificuldade de cumprir os requisitos de impessoalidade e mérito, na escolha dos beneficiários. Para assegurar as regras de impessoalidade e mérito, a impugnante como diversas mantenedoras optaram pela FUNADESP. Entidade especializada no estímulo à pesquisa, que distribui recursos entre as várias instituições de ensino mediante a análise rigorosa dos projetos apresentados e o acompanhamento de cada projeto, terá melhores condições de conceder bolsas a alunos e professores, com base em critérios de mérito e impessoalidade, tudo através de convênio . Entidades desse tipo são uma garantia de qualidade dos projetos apresentados e da certeza de que as bolsas estão a servir de estímulo ao desenvolvimento da capacitação científica nacional, extirpando a dúvida de que as Universidades estejam a usar bolsas de estudo em substituição a salários. Fatores que Asseguram a Isenção Concedida às Bolsas. Natureza das Bolsas: caráter de impessoalidade; ausência de beneficio direto para o doador; e limitação à pesquisa e estudos, não podendo destinarse à contraprestação de serviços, para não configurar salário. Impessoalidade. Para que as bolsas sejam isentas, devem ser concedidas sem favorecimento, com base em mérito pessoal comprovado em concurso ou em aprovação de projeto específico. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 13855.002706/200781 Acórdão n.º 2202004.645 S2C2T2 Fl. 647 6 Para isso, é preciso que os escolhidos sejamos melhores e que as escolhas se baseiem em projetos avaliados e aprovados. A definição legal de bolsas não prevê que haja retomo ou beneficio econômico ao doador.A limitação a atividades de estudos e pesquisa significa que não é possível o uso de bolsas para um programa de desenvolvimento intemo de uma instituição, como 0 treinamento de pessoal administrativo. Os professores que já sejam contratados pela instituição de ensino e venham a receber bolsas de estudo e pesquisas deverão comprovar que, além de suas atividades de ensino, pelas quais são remunerados por salários, dedicamse a desenvolver , também, um projeto de pesquisa específico. A distinção entre a atividade laboral (remunerada por meio de salários) e a bolsa de estudo são claras. A relação de trabalho prevê subordinação, não eventualidade e salário, quando se trata de empregado, admite eventualidade, não subordinação e remuneração por serviço específico, quando se trata de autônomo. As bolsas de estudo são caracterizadas pela eventualidade, não subordinação e interesse coletivo de aperfeiçoamento, portanto livre da incidência de contribuições sociais, vide o disposto nos artigos 26 da Lei n° 9.250/95 e § 9°, alínea “Í” da Lei n° 8.212/91. Para evitar dúvida entre bolsa de estudos e complementação salarial, é crucial examinarse o programa de estudos e pesquisa da instituição de ensino, acompanhado dos projetos individualizados por bolsista. O programa de pesquisas detalhado vai demonstrar as funções de cada bolsista, sua participação e sua contribuição para a busca de novos conhecimentos. A fiscalização não deve limitarse a examinar o número de horas trabalhadas e os pagamentos realizados, o que levaria a interpretar a bolsa como prestação de serviços de típico contrato laboral. Seu instrumento de análise principal devem ser os programas de estudos e pesquisas da instituição de ensino, que terão dado origem às bolsas de estudo e de pesquisa de cada bolsista. Transcreve doutrina. Da Autuação da FUNADESP. Faz um breve histórico sobre a criação e a atuação da Fundação, quanto aos programas, seleção, valores das bolsas de estudo, controle e publicações. Assim, ante todo o acima, temos que é ilegal a cobrança formulada na NFLD em debate, eis que inocorrente a hipótese de incidência a título de contribuições previdenciárias, eis que tais pagamentos são feitos pela FUNADESP somente após o preenchimento de certos requisitos, não sendo portanto complemento salarial, não sofrendo incidência dos tributos reclamados na NFLD. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 13855.002706/200781 Acórdão n.º 2202004.645 S2C2T2 Fl. 648 7 No caso em tela, a Auditoria Fiscal sequer preocupouse em examinar os projetos de pesquisa merecedores de bolsa concedida pelo F UNADESP. O sistema gerido pela FUNADESP é praticamente idêntico ao do CNPq e da Capes e esses renomados órgãos públicos jamais foram acusados, pela fiscalização de complementar salários sob a forma de bolsas. De todo o exposto, parece claro que as bolsas de estudo e de pesquisa concedidas pela FUNADESP acham se inteiramente cobertas pela legalidade e sao, por sua natureza, não sofrem a incidência de contribuições previdenciárias. A incorporação do benefício denominado bolsa de pesquisa é também absolutamente impraticável e citamos alguns exemplos para chegarmos a tal conclusão. Como incorporar o beneficio ao professor ou ao funcionário que não faz jus ao recebimento da bolsa? Como incorporar um benefício ao salário de alguém que não se dedica à pesquisa? É óbvio que não há habitualidade em situações, bem como inexiste a hipótese de incidência do tributo, eis que não é salário bolsa recebida a título de pesquisa. Traz o conceito trabalhista de salário e conclui que pelas disposições legais mencionadas que a concessão de bolsas de pesquisa a pesquisadores não é salário, inexistindo portanto a hipótese de incidência do tributo em debate. A impugnante não recebe qualquer pagamento ou contra prestação de serviço pelas bolsas concedidas pela FUNADESP, ao contrário, abre oportunidade para que seus pesquisadores desenvolvam trabalhos, toda sociedade sairá ganhando. A Auditora Fiscal interpreta equivocadamente o disposto no art. 28, I e III, já que no caso em debate, as bolsas previstas recebidas por pesquisa não integram o conceito de salário de contribuição. Por fim, caso ocorra a tributação de tal incentivo a pesquisa, deve ele ser cobrado da pessoa jurídica correta, qual seja, a FUNADESP, pois é ela quem concede as bolsas de pesquisa, ficando patente a ilegitimidade passiva da impugnante em responder pelo tributo em discussão. Assim consoante disposições constitucionais, todas as contribuições pagas para o custeio da seguridade social devem ser de natureza salarial, que é caracterizada pela habitualidade, o que não ocorre com as bolsas, que não são habituais e por conseqüência lógica, ilegal e inconstitucional qualquer cobrança que eventualmente poderá vir a ser feita. Da Multa Aplicada Efeito Confiscatório da Multa Vedação Constitucional. a multa aplicada é confiscatória, portanto, inconstitucional, posto que superior a 20% (vinte por cento), devendo assim ser cancelada. Tece argumentação sobre a Fl. 648DF CARF MF Processo nº 13855.002706/200781 Acórdão n.º 2202004.645 S2C2T2 Fl. 649 8 matéria, transcreve jurisprudência, e conclui que a multa deve ser cancelada em obediência às disposições constitucionais. Da Impossibilidade de Comunicação ao Ministério Público de Eventual Prática de Crime Fiscal. Afigurase a impossibilidade de comunicação ao Ministério Público Federal de suposta prática criminosa, posto que ainda não exaurida a via administrativa. Transcreve precedente do E. STF. Da Impossibilidade de Apontamento de CoResponsáveis Legais Por Mero Auditor Fiscal Ofensa ao Principio da Legalidade. Existe óbice para o apontamento de coresponsável legal por mero agente fiscalizador (cita os artigos 128 e 135 do CTN), representando arbitrariedade a desconsideração da personalidade jurídica da entidade. Tece elaborada argumentação. Transcreve Jurisprudência e por final conclui que é totalmente nulo o item 11 do relatório fiscal, já que os sócios e demais órgãos da sociedade impugnante desta NFLD não podem figurar no pólo passivo. Do Pedido: declaração da nulidade da NFLD em decorrência da nulidade dos mandados de procedimento fiscal que deram termo inicial à NFLD e, uma vez reconhecida tal nulidade, seja a Secretaria da Receita Federal impossibilitada de autuar a autuada até a resposta das consultas por ela formuladas. caso não acolhida a nulidade argüida, decretação da improcedência da NFLD, vez que inviável a tributação de contribuições sociais sobre verbas que não compõem o salário ou porque não tem legitimidade passiva a impugnante em pagar tais contribuições, tudo porque as bolsas são concedidas pela FUNADESP. caso superado seja cancelada a multa por ter efeito confiscatório. cancelamento do CORESP feito pela fiscalização e, independente do resultado do procedimento administrativo, que não seja feita nenhuma comunicação ao Ministério Público Federal antes de exaurido o presente. Junta os documentos de fls. 292 a 446. É o Relatório.” A DRJ de origem entendeu pela procedência do lançamento fiscal, mantendo o crédito tributário exigido. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls.522/547, reiterando, as alegações expostas em impugnação. Na oportunidade realiza a juntada de Parecer Jurídico sobre as Bolsas de Estudo e de Pesquisa da FUNADESP. É o relatório. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 13855.002706/200781 Acórdão n.º 2202004.645 S2C2T2 Fl. 650 9 Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares. Preliminarmente alega que há nulidade da autuação porque o MPF foi entregue a pessoa que não detinha poderes para recebêlo. Na visão da recorrente o MPF somente poderia ter sido entregue ao seu Diretor Presidente ou Diretor Superintendente, aos quais cabem os poderes de representação. Questão similar relativa à ciência da própria notificação fiscal de lançamento já foi superada nesse Conselho, o qual admite sua validade ainda que o recebedor não detenha poderes de representação. Nesse sentido a Súmula CARF 09: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Por decorrência lógica, se é valida a ciência do lançamento ainda que o recebedor não detenha poderes para tanto, quanto mais o MPF que demarca o início da fiscalização. Assim, presentes os requisitos legais da NFLD e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito. O lançamento contempla todas as informações previstas na Legislação Previdenciária e no Código Tributário Nacional, com correta identificação e demonstração do sujeito passivo, da matéria tributada, do montante devido e da fundamentação legal que ampara o lançamento do crédito previdenciário, viabiliza ao contribuinte o direito de defesa e a produção de provas, não há que se falar em nulidade. Rejeitase, portanto as preliminares de nulidade suscitadas. Consulta fiscal. Sustenta o recorrente que não poderia ter sido lavrada a NFLD uma vez que havia processo de consulta pendente com o mesmo matéria objeto do lançamento. Acerca do processo de consulta dispõe do artigo 48 do Decreto 70.235/72: Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: Fl. 650DF CARF MF Processo nº 13855.002706/200781 Acórdão n.º 2202004.645 S2C2T2 Fl. 651 10 I de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso; II de decisão de segunda instância Como se vê nenhum procedimento será instaurado quando o sujeito passivo tenha iniciado, previamente, o processo de consulta, cuja matéria seja semelhante. No caso dos autos, como bem apontado pela r. decisão recorrida o pedido de consulta protocolado pelo recorrente foi posterior ao procedimento fiscal, em setembro/2007, enquanto que a fiscalização teve início em 07 de março de 2007, antes portanto, das consultas trazidas aos autos. Uma vez que o sujeito passivo já estava sob procedimento fiscal quando da formulação das consultas em questão, não se verifica qualquer óbice à lavratura fiscal consubstanciada na presente NFLD. Logo, rejeito também a preliminar. Alegações de inconstitucionalidade. Caráter confiscatório da multa. A análise da alegação do efeito confiscatório da multa aplicada e sua consequente inconstitucionalidade esbarra no fato de que este órgão julgador não dispõe de competência para analisála, pois isso implicaria em adentrar na suscitada colisão da legislação de regência e a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário. Ademais, prevê a Súmula CARF nº 02 o seguinte: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante disto, não há acolher os argumentos da contribuinte quanto as alegações de inconstitucionalidade. Representação Fiscal Para Fins Penais. Quanto à questão argüida pela Autuada, referente à Representação Fiscal Para Fins Penais RFFP noticiada nos autos, cabe esclarecer que este órgão julgador não dispõe de competência para apreciar o inconformismo externado pelo sujeito passivo, conforme Súmula CARF nº 28 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Portanto, rejeitase a alegação da contribuinte. Relatório de Representantes Legais. A contribuinte também se mostra irresignada em relação ao item "11" do Relatório Fiscal, redigido nos seguintes termos: Fl. 651DF CARF MF Processo nº 13855.002706/200781 Acórdão n.º 2202004.645 S2C2T2 Fl. 652 11 "Os responsáveis legais pelo débito encontramse discriminados no Relatório de Coresponsáveis — CORESP, anexo." Cumpre esclarecer que o Relatório de Coresponsáveis CORESP, previsto na redação original do artigo 660, X da Instrução Normativa MPS SRP 03/2005 (DOU de 15/07/2005) foi substituído pelo Relatório de Representantes Legais REPLEG, conforme alteração do citado dispositivo pela Instrução Normativa SRP 20, de 11/01/2007 (DOU de 16/01/2007). Assim, não existe nos autos o relatório CORESP, mas sim o REPLEG, o qual, em seus próprios dizeres, "...lista todas as pessoas fisicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificacdo e período de atuação." Esclarecese que a menção ao CORESP no Relatório Fiscal não gera qualquer efeito em relação ao lançamento fiscal realizado, conclusão extraída da análise dos artigos 59 e 60 do Decreto 70.235/72 e artigos 27 e 28 da Portaria RFB 10.875/2007, sobre os quais já se discorreu anteriormente no presente voto. Salientase o disposto na Súmula CARF nº 88, abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP", o"Relatório de Representantes Legais RepLeg"e a"Relação de Vínculos VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, não existe fundamentação jurídica nem fática para a argumentação e o pedido de exclusão de sócios, cumprindo notar que a autoridade administrativa age por força de ato vinculado e obrigatório, devendo revestilo de todas as formalidades legais, face ao artigo 202 do CTN, ressaltandose, porém, que eventual responsabilidade de cada um somente será posteriormente apurada, em sede de execução fiscal. Deste modo, rejeitase a alegação da contribuinte. Mérito. Relativamente aos benefícios concedidos a título de bolsa de estudos, a autoridade recorrida, acompanhando o entendimento da autuante, ficou adstrita à previsão constante no art. 28, § 9º, “t” da Lei 8.212/1991: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ..... t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à Fl. 652DF CARF MF Processo nº 13855.002706/200781 Acórdão n.º 2202004.645 S2C2T2 Fl. 653 12 educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Não obstante as limitações impostas na referida lei, acompanho integralmente o entendimento pacifico do STJ no sentido de que o auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado, já que a verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. Transcrevemse as ementas dos julgados: PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. (STJ AgRg no Ag: 1330484 RS 2010/01332373, Relator: Ministro LUIZ FUX, Data de Julgamento: 18/11/2010, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 01/12/2010) TRIBUTÁRIO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. VALORES GASTOS COM A EDUCAÇÃO DO EMPREGADO (BOLSAS DE ESTUDO). CARÁTER SALARIAL. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. Fl. 653DF CARF MF Processo nº 13855.002706/200781 Acórdão n.º 2202004.645 S2C2T2 Fl. 654 13 1. Os valores despendidos pelo empregador a título de bolsas de estudo destinadas a seus empregados ou aos filhos destes não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. 2. Recurso especial provido. (STJ – RESP 921.851/SP. Relator: Ministro João Otávio de Noronha, Julgamento: 11/09/2007) PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. 2. In casu, a bolsa de estudos é paga pela empresa para fins de cursos de idiomas e pósgraduação. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no AREsp 182495 / RJ Relator(a) Ministro Herman Benjamin (1132) Órgão Julgador Data da Publicação/Fonte DJe 07/03/2013 Corroborando, o voto proferido pelo Ministro Luis Roberto Barroso no RE nº 593.068, afirmou que “o conjunto normativo é claríssimo no sentido de que a base de cálculo para a incidência da contribuição previdenciária só deve computar os ganhos habituais e os que têm reflexos para aposentadoria.” Com efeito, a Consolidação das Leis Trabalhistas, em seu art. 458, §2º, II, afasta a natureza salarial de benefícios pagos a título de bolsa de estudos, verbis: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) (...) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) Fl. 654DF CARF MF Processo nº 13855.002706/200781 Acórdão n.º 2202004.645 S2C2T2 Fl. 655 14 (...) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) Este Conselho possui julgados afastando a incidência de contribuição previdenciária sobre tal rubrica, conforme ementa de julgado abaixo transcrita, julgado por unanimidade pela 1a. Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento, de Relatoria do Conselheiro Eduardo Tadeu Farah: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2006 BOLSAS DE ESTUDOS FORNECIDAS A EMPREGADOS E DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores pagos a título de bolsa de estudos, com a finalidade de custear a educação dos empregados e dependentes dos em nível básico, fundamental, médio e superior, não se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária, pois não têm caráter salarial, seja porque não retribuem o trabalho efetivo, seja porque não têm a característica da habitualidade ou, ainda, porque assim se estabelece em convenção coletiva. Isso posto, os valores pagos a título de bolsa de estudos, com a finalidade de custear a educação dos empregados e dependentes do nível básico, fundamental, médio e superior, não se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária.. Conclusão. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Redatora designada Congratulo o i. Conselheiro Martin da Silva Gesto, pelo brilhantismo com que fundamentou seu voto. Entretanto, peço vênia para divergir de seu posicionamento quanto ao mérito. O i. Relator votou por dar provimento ao recurso entendendo que o valor pago a título de bolsa de estudos aos empregados e dependentes não integra o salário de Fl. 655DF CARF MF Processo nº 13855.002706/200781 Acórdão n.º 2202004.645 S2C2T2 Fl. 656 15 contribuição. Entretanto, no caso dos autos, tratase de pagamento de bolsa de pesquisa para os professores (empregados), e pagamento de bolsa a médicos residentes (contribuintes individuais). Isso é o que se extrai do relato fiscal: 5.1 O valor das bolsas concedidas aos pesquisadores (docentes da UNIFRAN) e a residentes do hospital veterinário e fisioterapia não se enquadra na hipótese de isenção prevista na alinea e "t" do § 9o deste mesmo artigo: 5.1.1 A alinea mt" do § 9o do art. 28 da Lei 8.212/91 dispõe que não integra o saláriodecontribuição "o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n° 9.394, de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo ". 5.1.2 Em relação à primeira condição: valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, as bolsas em questão não se enquadram, uma vez que a educação básica é formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, ou seja, não inclui a educação superior, conforme estabelece o art. 21, inciso I da Lei 9.394/96: "Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II Educação Superior." 5.1.3 Não se enquadra também na segunda condição: cursos de capacitação e qualificação profissionais, por se tratar de bolsas de estudos destinadas a remunerar as atividades de pesquisa realizadas pelos docentes da UNIFRAN e a remunerar os residentes do Hospital Veterinário e da Fisioterapia, e não a bolsas de estudos para cursos de capacitação ou qualificação. 5.1.4. Não se enquadra ainda" ' na 'terceira condição: que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo, pois, a notificada a seu livre arbitrio, estabelece os requisitos e aprova os projetos cujos autoresempregados se tornam aptos a receberem a bolsa. Disto resulta que a empresa escolhe e indica o beneficiário a quem a bolsa será dada, não a oferece a todos empregados, deixando de cumprir também este requisito de não incidência. (Grifei) Como ressaltado pela auditoria, a natureza desses pagamentos não se enquadra como plano educacional que vise à educação básica, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. Assim, não estão amparados pela não incidência da letra “t” do parágrafo 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Aliás, a norma exclui da base de cálculo da contribuição previdenciária as seguintes bolsas: Fl. 656DF CARF MF Processo nº 13855.002706/200781 Acórdão n.º 2202004.645 S2C2T2 Fl. 657 16 Art. 28 [...] § 9º [...] i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; [...] t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto noart. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990;(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Pelo que se verifica, as bolsas concedidas pela recorrente não se enquadram em nenhuma das bolsas de que trata a norma de não incidência. Ademais, tendo em vista que a recorrente afirma a não incidência de tributação sobre as bolsas, vez que não existe contraprestação de serviço, nem benefício direto para o doador, há que se observar que a auditoria fiscal relata o pagamento de bolsas de estudo a médicos residentes. Nesse aspecto, ressalto que existem dispositivos normativos que demonstram o contrário do afirmado pela defesa, e, por isso colacionoos: Lei nº 8.212/91 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: V como contribuinte individual: g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). h) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Decreto nº 3048 Art.9ºSão segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: Vcomo contribuinte individual: [...] Fl. 657DF CARF MF Processo nº 13855.002706/200781 Acórdão n.º 2202004.645 S2C2T2 Fl. 658 17 j)quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego;(Incluída pelo Decreto nº 3.265, de 1999) l)a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não;(Incluída pelo Decreto nº 3.265, de 1999) [...] §15.Enquadramse nas situações previstas nas alíneas "j" e "l" do inciso V do caput, entre outros:(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) [...] Xo médico residente de que trata a Lei nº 6.932, de 7 de julho de 1981.(Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) [...] Art.201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: [...] IIvinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual;(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) IIIquinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhes são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, observado, no que couber, as disposições dos §§7ºe 8ºdo art. 219;(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) §2ºIntegra a remuneração para os fins do disposto nos incisos II e III do caput, a bolsa de estudos paga ou creditada ao médico residente participante do programa de residência médica de que trata o art. 4º da Lei nº 6.932, de 7 de julho de 1981, na redação dada pelaLei nº 10.405, de 9 de janeiro de 2002.(Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) (Grifei). Assim, não há como negar a incidência de contribuição previdenciária, dada a natureza dessas bolsas apuradas pela fiscalização. Em relação à bolsa de pesquisa concedida aos empregados (professores), também não está inclusa nas hipóteses de não incidência de contribuição previdenciária de que trata o § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, uma vez que não se enquadra como educação profissional e tecnológica ou educação básica, como corretamente exposto no relato fiscal. Adiciono que, a Lei nº 8.958, de 20 de dezembro de 1994 e o Decreto nº 5.205, de 14 de setembro de 2004, que a regulamentou, ambos vigentes à época dos fatos geradores, estabeleciam o seguinte: Fl. 658DF CARF MF Processo nº 13855.002706/200781 Acórdão n.º 2202004.645 S2C2T2 Fl. 659 18 Lei nº 8.958/94 Art. 4º As instituições federais contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º desta lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidores das instituições federais contratantes nas atividades previstas no art. 1º desta lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão. Decreto nº 5.205/2004 Art.6oAs bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4o, § 1o, da Lei 8.958, de 1994,constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e sua disseminação à sociedade, cujos resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços. [...] §2oA bolsa de pesquisa constituise em instrumento de apoio e incentivo à execução de projetos de pesquisa científica e tecnológica. [...] §4oSomente poderão ser caracterizadas como bolsas, nos termos deste Decreto, aquelas que estiverem expressamente previstas, identificados valores, periodicidade, duração e beneficiários, no teor dos projetos a que se refere este artigo. Art.7oAs bolsas concedidas nos termos deste Decreto são isentas do imposto de renda, conforme o disposto no art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e não integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 28, incisos I a III, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. (Grifei) Assim, para saber se a bolsa de pesquisa fornecida a seus empregados (professores) não estava passível de contribuição previdenciária, restaria verificar se era concedida nos termos da Lei nº 8.958/94 e do Decreto nº 5.205/2004. Essa análise foi abordada pelo julgador a quo, de cujo voto extraio os seguintes trechos, que acolho como razões de decidir: Em razão da defesa fazer menção à Lei nº 9.250/95 art. 26 e também que a forma de atuar da FUNADESP é análoga a outras Entidades Públicas, vale dizer que encontramos no inc. XXVII do art. 72 da Instrução Normativa MPS SRP 3 de 14 de julho de 2005 (DOU de 15/07/2005), a previsão de não incidência de Fl. 659DF CARF MF Processo nº 13855.002706/200781 Acórdão n.º 2202004.645 S2C2T2 Fl. 660 19 contribuições previdenciárias sobre importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão, mas que diz respeito especificamente às bolsas concedidas em conformidade com a Lei nº 8.958, de 20/12/94, que dispõe sobre as relações entre as instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica e as fundações de apoio, e o Decreto nº 5.205 de 14/09/04, que Regulamenta a Lei nº 8.958, de 20 de dezembro de 1994, o que não se aplica a este caso. A Lei nº 8.958/94, e o Decreto nº 5.205/04 regem, tão somente, as relações entre instituições federais de ensino superior e pesquisa científica e as fundações de apoio, dispondo sobre a participação de servidores/professores das instituições federais contratantes nas atividades da contratada, não amparando a concessão de bolsa de ensino, pesquisa e extensão a alunos de qualquer outra instituição de ensino. (Grifei) Mais uma vez extraio trecho do acórdão recorrido que acertadamente estabelece a natureza remuneratória das bolsas de pesquisa concedidas aos empregados: Não se pode esquecer que a Defendente tem fins lucrativos e realiza atividades de ensino e pesquisa para atingir esses fins. Beneficiase com o trabalho dos pesquisadoresbolsistas, pois a realização das pesquisas e a divulgação de seus resultados servem para difundir e elevar o nome da Instituição, aumentando a procura por seus cursos de graduação e pósgraduação e maximizando seus lucros. Dessa forma, não é possível falarse em simples doação ou em inexistência de prestação de serviços: A Notificada beneficiavase do trabalho dos bolsistas. Neste passo e, ante a descrição dos fatos feita pela fiscalização, restou evidenciado que os resultados das atividades desenvolvidas pelos segurados empregados e também dos residentes, representam uma vantagem para o "doador" e uma contraprestação de serviços por parte dos mesmos, não importando o nome que se dê à atividade e ao pagamento, por força da legislação previdenciária, referida parcela tem natureza salarial e integra o salário de contribuição para fins de incidência de contribuições sociais. Considerando que não há qualquer dispositivo que albergue a não incidência de contribuição previdenciária sobre as verbas aqui debatidas, não merece reparos o acórdão recorrido. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 13855.002706/200781 Acórdão n.º 2202004.645 S2C2T2 Fl. 661 20 Fl. 661DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.723725/2011-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS.
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa quando o Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do Auto de Infração e o relatório Fundamentos Legais do Débito - FLD encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente.
ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02
Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERADOS. INTERMEDIAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. DECISÃO DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) N° 598.838/SP. INCONSTITUCIONALIDADE.
A decisão definitiva de mérito no RE n° 598.838/SP, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da contribuição da empresa - prevista no inciso IV do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991 - sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, relativamente a serviços que lhe sejam prestados por cooperadores, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
AVISO PRÉVIO INDENIZADO. ADICIONAL. NATUREZA JURÍDICA.
O número de dias adicional ao aviso prévio indenizado tem a mesa natureza jurídica deste, e não deve ser considerado salário-de-contribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária.
Numero da decisão: 2201-004.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente a preliminar de decadência para declarar extinto os valores lançados para o período de apuração de 01 a 09/2006. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do tributo lançado os valores referentes a pagamentos por serviços prestados por cooperativas de trabalho e os referentes às rubricas 140 - INDENIZ. CLAUS. 50 CCT, 334 - DIF INDEN CLAUS 50 CCT e 345 - IND. CLAUSULA 51 CCT.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa quando o Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do Auto de Infração e o relatório Fundamentos Legais do Débito FLD encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02 Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERADOS. INTERMEDIAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. DECISÃO DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) N° 598.838/SP. INCONSTITUCIONALIDADE. A decisão definitiva de mérito no RE n° 598.838/SP, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da contribuição da empresa prevista no inciso IV do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991 sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 37 25 /2 01 1- 37 Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 15504.723725/201137 Acórdão n.º 2201004.668 S2C2T1 Fl. 1.239 2 relativamente a serviços que lhe sejam prestados por cooperadores, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. ADICIONAL. NATUREZA JURÍDICA. O número de dias adicional ao aviso prévio indenizado tem a mesa natureza jurídica deste, e não deve ser considerado saláriodecontribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente a preliminar de decadência para declarar extinto os valores lançados para o período de apuração de 01 a 09/2006. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do tributo lançado os valores referentes a pagamentos por serviços prestados por cooperativas de trabalho e os referentes às rubricas 140 INDENIZ. CLAUS. 50 CCT, 334 DIF INDEN CLAUS 50 CCT e 345 IND. CLAUSULA 51 CCT. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o acórdão 0244.280 proferido pela 8ª Turma da DRJ/BHE, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora recorrente. O lançamento em questão encontrase bem delineado no seguinte excerto do relatório da decisão de 1ª instância: Tratase de autos de infração (Ais) lavrados contra a empresa em epígrafe, cujos créditos tributários, decorrentes do descumprimento de obrigação principal, são os descritos a seguir, conforme Relatório Fiscal de fls. 46/53: • DEBCAD 37.3270771– no valor de R$ 502.358,28, período de 1/2006 a 12/2008, consolidado em 13/10/2011, referente à contribuição social destinada à seguridade social Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 15504.723725/201137 Acórdão n.º 2201004.668 S2C2T1 Fl. 1.240 3 correspondente à contribuição da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre valores pagos a segurados empregados a título de remuneração e sobre os valores pagos à Unimed BH Cooperativa de Trabalho Ltda, correspondente à parte devida pelo tomador dos serviços, não declarada em GFIP; • DEBCAD 37.327.0810 – no valor de R$ 116.040,44, período de 1/2006 a 12/2008, consolidado em 13/10/2011, referente à contribuição previdenciária não descontada pela empresa dos segurados empregados, não declarada em GFIP; • DEBCAD 37.327.0828 – no valor de R$ 42.303,21, período de 1/2006 a 12/2008, consolidado em 13/10/2011, referente à contribuição destinada a outras entidades e fundos (terceiros), incidente sobre a base de cálculo da remuneração dos segurados empregados, não declarada em GFIP. Os autos de infração por descumprimento de obrigação principal integram um único processo por possuírem os mesmos elementos de prova, conforme preceitua o art. 9º do Decreto n° 70.235/72 e alterações. Segundo o Relatório Fiscal, as contribuições foram apuradas com base nas remunerações dos segurados empregados constantes nos livros diário e razão, folhas de pagamento de salários e nas notas fiscais/faturas contabilizadas referentes aos pagamentos feitos pela empresa à Unimed BH Cooperativa de Trabalho Ltda. Os documentos foram examinados juntamente com as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP e com as Guias da Previdência Social GPS. A impugnação do sujeito passivo foi julgada improcedente e o acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2008 CERCEAMENTO DE DEFESA. A divergência de interpretação acerca da natureza jurídica do fato gerador da contribuição previdenciária não configura nulidade do lançamento. DECADÊNCIA. Para verificação do prazo decadencial, aplicase o disposto no CTN, artigo 173, inciso I, nos casos em que não houve antecipação do pagamento do tributo. COOPERATIVA DE TRABALHO. Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 15504.723725/201137 Acórdão n.º 2201004.668 S2C2T1 Fl. 1.241 4 A empresa é obrigada a contribuir com quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. CONSTITUCIONALIDADE. O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis, principalmente em se tratando de Administração Pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade. MULTA. CÁLCULO. REGULARIDADE. O cálculo da multa encontrase em consonância com o disposto no art. 106, II, alínea “c” do CTN e está devidamente evidenciado nos anexos que compõem a autuação. Impugnação Improcedente Cientificada da decisão de piso (fl.806) em 16/05/2013, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 732/736) alegando em síntese: Não foi feita qualquer menção no relatório fiscal sobre os termos “retorno de férias”, “indenização cláusula 50” e “abono especial” e outros que ficaram impossíveis de se distinguir. Alega a nulidade do trabalho fiscal por ausência das citadas rubricas e falta de motivação. A presença de fundamentação das rubricas acima é fundamental, haja vista que as mesmas não integram o salário de contribuição. O aviso prévio adicional convencional tratase de verba indenizatória e também não se sujeita à incidência de contribuição previdenciária. Não há o que se falar em contribuição previdenciária sob pagamento realizado a cooperativa de trabalho médico, já que o beneficiário é o trabalhador e tal pagamento não tem natureza salarial, nos termos do Decreto 3.048/99, em seu artigo 214, parágrafo 9, inciso XVI. Teve seu contraditório e ampla defesa prejudicados pela falta de fundamentação do ato fiscal. Nulidade da multa moratória, tendo em vista a revogação da redação dada pela Lei 9.876/99 ao artigo 35, incisos I a III, da Lei 8.212/91. Decadência parcial do lançamento. Necessidade de enfrentamento de matéria constitucional. Razoabilidade e proporcionalidade das multas aplicadas Por fim, requer a nulidade do auto de infração, o reconhecimento da decadência parcial dos fatos geradores anteriores a outubro de 2006 e o cancelamento o lançamento ante as incongruências apontadas no cômputo da multa. Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 15504.723725/201137 Acórdão n.º 2201004.668 S2C2T1 Fl. 1.242 5 A Resolução nº 2803000.261 (fls.900/904), da 3ª Turma Especial, resolveu converter o julgamento em diligência para: a) informar se há recolhimento prévio de contribuições sociais previdenciárias e de Terceiros nas competências lançadas, ainda que parcial, mesmo que não se refiram às rubricas constantes dos lançamentos fiscais (Súmula 99 do CARF); b) identificar todas as rubricas, individualmente, que geraram diferenças de salário de contribuição dos segurados empregados, por exemplo “retorno de férias” e outras, informando as razões de integrarem a base de cálculo, fundamentação e outras informações necessárias para que não paire dúvida ao contribuinte quanto aos lançamentos fiscais; c) informar se os valores pagos à Unimed BH Cooperativa de Trabalho Ltda se referem ao art. 22, IV da Lei 8.212/91 (15% NFS Cooperativa) e se estão dissociados do levantamento de diferença das remunerações de segurados empregados. As informações requeridas foram apresentadas pela autoridade lançadora (fls. 909/1.039). O sujeito passivo apresentou manifestouse em relação à diligência (fls.1.156/1.206), aduzindo, em síntese, a nulidade pelo “relançamento fiscal” e demais teses levantadas no recurso voluntário. É o relatório. Voto Admissibilidade O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Prejudicial de mérito decadência A decisão de piso não reconheceu a decadência, ainda que parcial, dada a inexistência de prova nos autos da existência de antecipação de pagamento. Dentre outros aspectos, a Resolução exarada às fls. 900/904, se prestou para informar se há recolhimento prévio de contribuições sociais previdenciárias e de Terceiros nas competências lançadas, ainda que parcial, mesmo que não se refiram às rubricas constantes dos lançamentos fiscais (Súmula 99 do CARF). Restou consignado na Informação Fiscal de (fls. 910/911), que há recolhimentos antecipados em todas as competências do presente lançamento. Desse modo, a regra de contagem do prazo decadencial a ser observada é a do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. A ciência do presente lançamento se deu em 17/10/2011 (fl.3). Portanto, estão decadentes todas as competências anteriores a 10/2006. Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 15504.723725/201137 Acórdão n.º 2201004.668 S2C2T1 Fl. 1.243 6 Destarte, no que toca à decadência o recurso voluntário deve ser parcialmente provido, reconhecendose a decadência do período compreendido entre 01/2006 a 09/2006. Preliminarmente Arguição de nulidade cerceamento ao direito de defesa De acordo com a recorrente, não foi feita qualquer menção no relatório fiscal sobre os termos “retorno de férias”, “indenização cláusula 50” e “abono especial”, e outros que ficaram impossíveis de se distinguir. Alega a nulidade do trabalho fiscal por ausência das citadas rubricas e falta de motivação. A presença de fundamentação das rubricas acima é fundamental, haja vista que as mesmas não integram o salário de contribuição. Todavia, deve ser ressaltado que, os anexos carreados aos autos pela autoridade lançadora são partes integrantes do relatório fiscal. As planilhas de fls. 54/135 identificam todas as rubricas por segurados, cujas remunerações constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias ora lançadas. A planilha de fls. 143/162, por sua vez, identifica o nome das diversas rubricas. Como exemplo, verificamos que a rubrica 166 (fl. 146) referese ao retorno de férias. A rubrica 301 (fl. 349) é a do abono especial, e a rubrica 334 (fl.150) é a rubrica relativa à indenização da cláusula 50. Impende ressaltar, ainda, que a Fiscalização deixou claro, nos relatórios integrantes das autuações, quais os valores da base de cálculo utilizada na apuração da contribuição lançada e as alíquotas aplicadas. O Auto de Infração foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem as Autuações, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do Auto de Infração e o relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à autuada. De igual modo, não procede o argumento recursal de que a multa de mora é nula pela revogação do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Não obstante o art. 35 do citado diploma legal ter sido revogado, o art. 35A, expressamente prevê: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Depreendese do comparativo das multas empreendido às fls. 136/142 que a autoridade lançadora perquiriu acerca da multa mais benéfica ao sujeito passivo, obedecendo ao comando normativo inserto no art. 106 do Código Tributário Nacional. Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 15504.723725/201137 Acórdão n.º 2201004.668 S2C2T1 Fl. 1.244 7 Assim, não procede o argumento de que a decisão a quo é nula por cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. No mérito Da afronta a princípios constitucionais Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei n° 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Entretanto, a argumentação do recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2, in verbiss: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, deixo de conhecer as alegações afetas à constitucionalidade de normas, como infringência aos princípios da estrita legalidade, proporcionalidade e razoabilidade. Inconstitucionalidade da contribuição lançada Nos termos das razões recursais, deve ser reconhecida a impossibilidade de se tributar os valores relativos às faturas emitidas pela cooperativa que prestou serviços à autuada. É que em sessão plenária realizada em 23/04/2014, com decisão definitiva em 25/02/2015, o STF, ao decidir sobre o RE n. 595.838, declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei n.° 8.212/1991, o qual foi utilizado para ensejar o lançamento. Em sessão do STF realizada no dia 23/4/2014, o plenário da Corte, no julgamento do RE n° 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida, da relatoria do Ministro Dias Toffoli, reconheceu a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, acrescentado pela Lei n° 9.876, de 26 de novembro de 1999. Eis a sua ementa: Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 15504.723725/201137 Acórdão n.º 2201004.668 S2C2T1 Fl. 1.245 8 Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4°, CF. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico "contribuinte " da contribuição. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. O art. 22, IV da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei n° 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4° com a remissão feita ao art. 154,1, da Constituição. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 9.876/99. (grifei) Em 18/12/2014, ao apreciar os embargos de declaração interpostos pela União este RE n° 595.838/SP, a Corte rejeitou o pedido de modulação de efeitos da decisão que declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991. Por fim, o RE n° 595.838/SP transitou em julgado em 9/3/2015. Diante desse contexto fático, o § 2° do art. 62 do Anexo II do Regimento Internodeste Conselho (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015, assim estabelece: Art. 62 (...) Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 15504.723725/201137 Acórdão n.º 2201004.668 S2C2T1 Fl. 1.246 9 § 2° As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Como se vê, o dispositivo de lei que justificava o lançamento de oficio foi considerado em descompasso com o texto constitucional, em decisão definitiva de mérito proferida pelo STF, na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, devendo o entendimento ser reproduzido no âmbito deste Conselho. Logo, afastado o fundamento jurídico que sustenta a autuação, assiste razão à recorrente, devendo ser dado provimento ao recurso voluntário nesse aspecto, para afastar a exação relativa aos serviços prestados por intermédio de cooperativas de trabalho. Das parcelas integrantes do salário de contribuição O resultado da diligência fiscal trouxe, sob um aspecto, o reconhecimento pela autoridade fiscal de uma parcela integrante do presente lançamento está protegida pela isenção prevista no § 9º do 28, da Lei n°. 8.212, de 24 de julho de 1991. Extraímos da Informação Fiscal os seguintes excertos, que entendemos como relevantes para o deslinde do feito: (...) De outro modo, não devem integrar os salários de contribuição os valores comandados nas folhas de pagamentos sob as rubricas 140 INDENIZ. CLAUS. 50 CCT; 334 DIF INDEN CLAUS 50 CCT e 345 IND. CLAUSULA 51 CCT, por se incluírem na regra isentiva prevista no § 9o do 28, da Lei n°. 8.212, de 24 de julho de 1991, publicada no DOU de 25/07/91. (...) Por todo o exposto, temse configurado que, os benefícios concedidos aos seus trabalhadores, por ocasião do retorno de férias e a título de abono especial, por estar em desacordo com a legislação pertinente, integram os saláriosdecontribuição para todos os fins e efeitos, conforme art. 214, § 10 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048 de 06/05/1999, não havendo motivos que justifiquem a não incidência das contribuições sociais sobre os mesmos. (...) Quanto, ao disposto no artigo 144, a verba conhecida como abono ou gratificação de férias, desde que não excedente a 20 dias do salário, a princípio, não integra o salário de contribuição. Contudo, se a concessão for, determinada em função de fatores como eficiência, assiduidade, pontualidade, tempo de serviço e produção, estabelecido ou não em cláusula Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 15504.723725/201137 Acórdão n.º 2201004.668 S2C2T1 Fl. 1.247 10 contratual ou'convenção coletiva de trabalho, tal parcela integra o saláriodecontribuição. No presente caso, conforme Cláusula da Convenção Coletiva de Trabalho já transcrita acima, a concessão da referida verba encontrase vinculada ao tempo de serviço do empregado na empresa. Tal situação revela que tal verba possui a natureza de premiação para os trabalhadores. Quanto ao Abono Especial previsto na cláusula 64 dá Convenção Coletiva de Trabalho, indubitavelmente, não se trata de abono único, já que no mesmo instrumento de negociação existe também a previsão de outro abono, o de retorno de férias, além de estar, daramente vinculado ao salário, já que, corresponde a 22,5% (vinte e dois virgula cinco por cento) incidente sobre os salários nominais de cada empregado, portanto, valores variados, é concedido de forma anual e contumaz. Entendo que as conclusões da autoridade fiscal estão em consonância com a legislação previdenciária, notadamente o art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/21 que trata das parcelas isentas da incidência da exação. Por óbvio, o que não se enquadrar nas exceções estabelecidas pelo diploma legal devem ser tributadas. Assim sendo, deve ser excluída da base de cálculo apenas a indenização da cláusula 50 da CCT, DIF INDEN CLAUS 50 CCT e 345 IND. CLAUSULA 51 CCT, por ser considerado como aviso prévio indenizado, os dias concedidos em adição ao prazo de aviso prévio mínimo estabelecido em lei. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe parcial provimento: 1) reconhecendo a decadência parcial do crédito tributários no período de 01/2006 a 09/2006; 2) excluir da base de cálculo os levantamentos referentes aos serviços prestados por cooperativas de trabalho; 3) excluir da base de cálculo a tributação referente ao aviso prévio indenizado (cláusula 50 da CCT). (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 15504.723725/201137 Acórdão n.º 2201004.668 S2C2T1 Fl. 1.248 11 Fl. 1248DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.724896/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. SONEGAÇÃO.
Constatada sonegação, fundamento para qualificação da multa de ofício, o termo inicial da decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007
NULIDADE. NÃO-OCORRÊNCIA.
É descabida a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa quando são franqueados ao contribuinte todos os elementos necessários à correta compreensão da imputação fiscal, capazes de instruírem sua defesa.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO-COPROVADA.
Em sede de Recurso Voluntário, é necessária não só a prova da origem do recurso depositado em conta corrente, mas do oferecimento da respectiva receita à tributação, ou de se caracterizar como receita não-tributável, imune ou isenta, uma vez que a tributação no regime específico ocorreria na fase fiscalizatória, ainda que a origem fosse informada.
Numero da decisão: 1302-003.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, em negar provimento recurso, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Extraordinária. (Ausência justificada do conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa)
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006, 2007 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. SONEGAÇÃO. Constatada sonegação, fundamento para qualificação da multa de ofício, o termo inicial da decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007 NULIDADE. NÃO-OCORRÊNCIA. É descabida a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa quando são franqueados ao contribuinte todos os elementos necessários à correta compreensão da imputação fiscal, capazes de instruírem sua defesa. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO-COPROVADA. Em sede de Recurso Voluntário, é necessária não só a prova da origem do recurso depositado em conta corrente, mas do oferecimento da respectiva receita à tributação, ou de se caracterizar como receita não-tributável, imune ou isenta, uma vez que a tributação no regime específico ocorreria na fase fiscalizatória, ainda que a origem fosse informada.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO CONPROVADA Recorrente RÁDIO FM DE ESTÂNCIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. SONEGAÇÃO. Constatada sonegação, fundamento para qualificação da multa de ofício, o termo inicial da decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 NULIDADE. NÃOOCORRÊNCIA. É descabida a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa quando são franqueados ao contribuinte todos os elementos necessários à correta compreensão da imputação fiscal, capazes de instruírem sua defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃOCOPROVADA. Em sede de Recurso Voluntário, é necessária não só a prova da origem do recurso depositado em conta corrente, mas do oferecimento da respectiva receita à tributação, ou de se caracterizar como receita nãotributável, imune ou isenta, uma vez que a tributação no regime específico ocorreria na fase fiscalizatória, ainda que a origem fosse informada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 48 96 /2 01 1- 81 Fl. 955DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, em negar provimento recurso, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Extraordinária. (Ausência justificada do conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa) Relatório Adoto o relatório da Resolução nº 1302000.422 desta turma, exarada na sessão de 7 de junho de 2016, que bem retrata os fatos: Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 1ª Turma da DRJ/SDR, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, rejeitar as alegações de decadência, nulidade e o pedido de juntada posterior de provas, e, no mérito, considerar procedente em parte a impugnação apresentada, para manter o valor do IRPJ em R$ 170.916,76, e exonerar o valor de R$ 52.282,51; manter o valor da CSLL, em R$ 62.075,03, e exonerar o valor de R$ 15.684,75; manter o valor da COFINS em R$ 42.828,05 e exonerar o valor de R$ 16.338,28, e, manter o valor do PIS em R$ 9.547,50, e exonerar o valor de R$ 3.539,96, juntamente com os acréscimos legais correspondentes, inclusive a multa qualificada de 150%, conforme ementa que abaixo reproduzo: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 DECADÊNCIA. FRAUDE. PRAZO. Constatada a ocorrência de fraude, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, vinculase à regra do art. 173, I do CTN, extinguindose em 05 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Fl. 956DF CARF MF Processo nº 10510.724896/201181 Acórdão n.º 1302003.039 S1C3T2 Fl. 956 3 Incabível a arguição de nulidade do Auto de Infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazêlo, e em consonância com a legislação vigente, de tal forma que permitiu à contribuinte impugnálo em sua inteireza demonstrando conhecer plenamente a matéria que lhe deu causa. PROVAS. PROTESTO PELA PRODUÇÃO. Resta esvaziado o protesto para a produção de provas, se no decorrer do processo não foi anexado qualquer documento ou elemento que demonstrasse o seu exercício. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONTESTAÇÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configurase omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. Verificado pelo agente fiscal que o contribuinte incorreu em conduta dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, é cabível a aplicação da penalidade qualificada, nos termos da lei. AUTOS DECORRENTES CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Fl. 957DF CARF MF 4 Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à Contribuição para o PIS e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito advindas dos mesmos fatos geradores e elementos probantes. Foram lavrados autos de infração para cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins no valor total (incluídos multa de ofício qualificada e juros de mora) de R$1.143.465,28 (fl. 846). O lucro foi arbitrado porque o contribuinte deixou de apresentar os livros e documentos da escrituração (fl.846). A matéria lançada é relativa a: a) receita omitida, apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada (fatos geradores entre 01/01/2006 e 30/06/2007 fl. 846); b) receita de prestação de serviços em geral, por falta de declaração e recolhimento quanto ao faturamento apurado em notas fiscais de prestação de serviços (fatos geradores entre 01/01/2006 e 30/06/2007 fl. 846). Informa a fiscalização que a DIPJ 2007 (anocalendário 2006), com opção pelo lucro real anual, declarou valores de receitas e despesas iguais a zero. DCTF/2006 também foi apresentada com ausência de débitos. No primeiro semestre do ano calendário 2007 optou pelo Lucro Presumido, e declarou na DIPJ 2008 receitas no valor total de R$ 265.122,53. Entretanto, na DCTF referente a esse período declarou novamente inexistência de débitos tributários. A partir do 2º semestre de 2007 optou pelo Simples Nacional. O contribuinte não apresentou livro diário e razão, embora intimado reiteradas vezes a fazêlo. Efetuouse Requisição de Movimentação Financeira (RMF) ao Banco do Estado do Sergipe (Banese) e Caixa Econômica Federal (CEF), nas quais o contribuinte mantinha contas abertas. Expurgadas as transferências entre contas, foi o contribuinte intimado a justificar a origem dos recursos depositados. No decorrer do procedimento, verificouse existência de notas fiscais de prestação de serviços Série A1, que não compuseram o faturamento declarado, as quais foram somadas e lançadas. Aplicouse multa qualificada pela prestação de DCTF falsa (2006 e 2007) e DIPJ/2007 zerada, pois evidenciam intuito doloso de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais. Nos lançamentos de PIS e Cofins foram abatidos todos os pagamentos constantes de DARF pagos espontaneamente, antes do procedimento fiscal. Não foi identificado pagamento de IRPJ e CSLL. O contribuinte apresentou impugnação (fls.575684) em 26/01/2012, na qual alegou comprovar alguns depósitos (item 1 do auto de infração), mas não contestou a matéria lançada no item 2. A DRJ acatou parcialmente o pedido e excluiu R$544.609,36 da base sobre a qual incidiu a tributação. Fl. 958DF CARF MF Processo nº 10510.724896/201181 Acórdão n.º 1302003.039 S1C3T2 Fl. 957 5 Intimado do acórdão recorrido em 28/01/2014, interpôs recurso voluntário em 17/02/2014. Na peça recursal a ser submetida à apreciação deste colegiado, reiterou as alegações trazidas na impugnação, aduzindo que: a) Remanesce como matéria litigiosa os valores de depósitos bancários tidos como não comprovados pela DRJ nos meses de janeiro e setembro de 2006 e a imposição da multa qualificada, bem como as alegações preliminares suscitadas de nulidade e de decadência. b) Com relação à alegação de nulidade o acórdão de primeiro grau resumiu as alegações da recorrente desta forma: I. “No caso vertente, o processo se iniciou sem que o mesmo tenha sido instruído com qualquer documento que fosse, a exceção do termo de verificação e auto de infração, o que somente veio a ser retificado quando já tinha fluído metade do prazo impugnativo”. II. “Cumpre destacar que o prazo da Impugnante teve o seu termo inicial em 28.12.11, porém o feito somente foi devidamente instruído com as peças necessárias a partir do dia 10.01.12 à tarde, ou seja, não havia nos autos do processo administrativo qualquer elemento comprobatório de que as argumentações da autoridade fiscalizadora pudesse ser confrontada”. III. “Tal procedimento administrativo de instruir o feito sem qualquer documentação que desse arrimo ao auto de infração causou sérios prejuízos à Impugnante, que não teve tempo hábil para, por exemplo, solicitar as instituições financeiras os respectivos comprovantes da origem dos créditos que, em sua grande maioria, são apenas transferências de contas bancárias da sua titularidade ou ainda empréstimos bancários, e provar que não se tratavam de receitas tributáveis, isto porque desconhecia totalmente o conteúdo do processo já que o mesmo foi instaurado sem qualquer documentação que embasasse o auto de infração”. IV. “Desta forma, evidente a contrariedade aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, princípios estes constitucionais cujas formalidades legais são essenciais para a validade do ato (a exemplo do lançamento), e que são uma esperança e garantia de justiça no processo e em qualquer decisão, e devem ser compreendidos como uma garantia fundamental do cidadão, servindo de instrumento para superação de eventuais injustiças processuais substanciais.”. b) De acordo com o acórdão recorrido, quanto à decadência, a recorrente alegou em sua impugnação, em síntese: VII. “Preliminarmente, é preciso que se observe que, com relação aos lançamentos, relativos aos fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 2006, a Fazenda Nacional, por decurso de prazo, perdeu o direito de lançar a exigência tributária, em face de ter ocorrido a decadência, uma vez que, tratandose do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e das contribuições do PIS e da COFINS, ocorre o chamado "lançamento por homologação". VIII. “Como é cediço, a regra básica, para contagem do prazo decadencial do direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento, é a prevista no Artigo 173, Inciso I, do Código Tributário Nacional. Porém, quando se trata de lançamento por homologação, como no caso dos autos, a norma a ser aplicada está contida no Artigo 150, § 42, do mesmo diploma legal”. Fl. 959DF CARF MF 6 IX. “Por todo o exposto, podese concluir que perdeu a Fazenda Pública o direito de rever o procedimento adotado pela Impugnante, para os três trimestres do ano calendário de 2006, para o IRPJ e para CSLL, enquanto que para as contribuições sociais do PIS e da COFINS, até os fatos geradores ocorridos até o dia 30/11/2006, não são mais passíveis de controvérsia, estando, de fato, caracterizada a decadência, uma vez que seu objeto é exatamente o direito concedido à Administração Tributária de constituir e/ou retificar o lançamento apurado sob condição resolutória, para posterior homologação”. c) Quanto ao mérito, alega no recurso: c.1) que os depósitos bancários tidos como não justificados nos meses de janeiro (R$ 78.117,50) e setembro de 2006 (R$ 150.000,00, foram devidamente justificados, mediante a apresentação das respectivas notas fiscais de prestação de serviços que correspondem aos créditos verificados na conta corrente; c.2) que, conforme demonstrado, todos os seus clientes são órgãos ou empresas públicas que, por questões de disponibilidade e dotação financeira, em regra, pagam seus títulos após o vencimento, num prazo médio de 45/50 dias, o que justifica os depósitos ocorridos em datas posteriores a emissão das notas fiscais; c.3) com relação ao depósito no valor de R$ 150.000,00 no mês de setembro de 2006, estes correspondem a notas fiscais emitidas em maio, junho, julho e agosto de 2003 que foram recebidas da Secretaria de Estado da Comunicação Social, após três anos de inadimplência; c.4) que todos os títulos representativos das vendas realizadas são cobrados e recebidos através de instituições financeiras, o que justifica o fato de alguns depósitos englobarem várias duplicatas de clientes diversos que são recebidos/liquidados na mesma data; c.5) que seria recomendável a realização de diligências junto aos Clientes, no sentido de averiguar as alegações e registros da recorrente. d) com relação à multa qualificada alega que a fiscalização não deduziu as razões pelas quais qualificou a multa de ofício, e que deve ser aplicado o disposto na súmula Carf nº 25. A Turma então converteu o julgamento em diligência, tendo em conta a verossimilhança dos argumentos trazidos pelo Recorrente, oportunizando a produção de provas com o seguinte teor: Ante ao exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que: a) seja designada autoridade fiscal competente para a realização das seguintes diligências: a.1) Intimação da interessada para: apresentação de outros elementos de que disponha de modo a comprovar o vínculo entre os créditos bancários e as notas fiscais de serviços prestados; comprovar o oferecimento à tributação das receitas informadas nas notas fiscais, no ano de sua emissão; indicar o nome das agências de publicidades que intermediaram a realização dos serviços; e, ainda, identificar as fontes pagadoras dos recurso que deram origem a cada um dos créditos (se as agências de publicidade ou o próprio órgão governamental contratante); Fl. 960DF CARF MF Processo nº 10510.724896/201181 Acórdão n.º 1302003.039 S1C3T2 Fl. 958 7 a.2) Intimação de terceiros (agências de propaganda e/ou órgãos contratantes) para confirmar a data e forma de pagamento pelos serviços referidos nas notas fiscais; a.3) Intimação do Banco do Estado de Sergipe, mediante Requisição de Movimentação Financeira RMF complementar ou mediante solicitação de autorização da própria interessada, para informar os remetentes dos recursos creditados na conta bancária da recorrente, conforme indicado nos extratos bancários de fls. 132 e 159, bem como a apresentação dos documentos microfilmados relativos aos lançamentos respectivos; a.4) elaborar relatório circunstanciado sobre as apurações efetuadas e as conclusões quanto a comprovação da origem dos recursos creditados no mês de janeiro/2006 e setembro de 2006, indicados anteriormente. Concluídas as diligências a interessada deve ser cientificada do relatório conclusivo, abrindose prazo para sua manifestação nos termos do parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Esgotado o prazo para manifestação o processo deve retornar a este Conselho para prosseguimento do julgamento. Realizada a diligência, a autoridade responsável apresentou relatório (fls. 946/949) em que registra a dificuldade em encontrar a sede da Recorrente e que, então, intimou o sócio, Sr. José Edivan do Amorim a apresentar livros e/ou documentos conforme fl.947. Informa que o sócio compareceu à DRF Aracaju, pediu explicações e prorrogação de prazo, que foi concedida, mas, passados mais de sessenta dias, nada mais informou ou apresentou. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator A análise da admissibilidade do recurso já foi realizada por ocasião da Resolução. Quanto à alegação de nulidade, de decadência, de qualificação da multa de ofício e de apresentação posterior de provas, compartilho do entendimento do acórdão recorrido, pelo que, adoto seus fundamentos: Da alegação de nulidade Como visto, a impugnante de forma direta, pugna pela nulidade do lançamento, alegando possível cerceamento ao direito de defesa, já que o presente procedimento fiscal, não teria obedecido as regras do contraditório e devido processo legal, uma vez que teria sido instruído sem qualquer documentação que desse arrimo ao auto de infração. Acrescenta que não teve tempo hábil para, por exemplo, solicitar as instituições financeiras os respectivos comprovantes da origem dos créditos que, em sua grande maioria, são apenas transferências de contas bancárias da sua titularidade ou ainda empréstimos bancários, e provar que não se Fl. 961DF CARF MF 8 tratavam de receitas tributáveis, isto porque desconhecia totalmente o conteúdo do processo já que o mesmo foi instaurado sem qualquer documentação que embasasse o auto de infração. Ao examinar os documentos que compõem o processo, verificamos que as alegações apresentadas pelo sujeito passivo não procedem, pois constam do PAF todas as comprovações de ele foi cientificado do início e fim do procedimento fiscal. Além do mais todas as informações que embasaram o lançamento foram diretamente ele requisitadas ao longo do procedimento de fiscalização, conforme comprovam os diversos Termos de Intimação que integram o PAF. Acrescentese, ainda, que no procedimento administrativo de fiscalização vige o princípio da inquisitoriedade, o qual permite que a autoridade fazendária apure eventos de interesse tributário com a finalidade instrutória, estando fora do alcance de questionamentos processuais do interessado. Já na fase do processo administrativo passam a vigorar as garantias processuais do interessado, como o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. Neste sentido, citase o autor James Marins, no Livro Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), Ed. Dialética, 2ª edição, 2002, p. 182. Enquanto que a inquisitoriedade que preside o procedimento permite – dentro da lei – uma atuação mais célere e eficaz por parte da Administração, as garantias do processo enfeixam o atuar administrativo, criando para o contribuinte poderes de participação no iter do julgamento (contraditório, ampla defesa, recursos, etc...). (grifo do relator) No caso específico, a Impugnante foi regularmente intimada e obteve acesso a todas as peças da autuação, o que lhe possibilitou apresentar as suas alegações, prazo dentro do qual poderia trazer aos autos todas as provas que entendesse capazes de elidir o lançamento. Ofereceu sua defesa em tempo hábil e demonstrou ter pleno conhecimento dos fatos apresentados, motivo pelo qual afasto a presente argüição de nulidade. Do protesto pela juntada posterior de provas Como já aqui visto, “a Contribuinte protesta pela apresentação de quesitos suplementares”, ou seja, protesta pela produção de provas posteriores a Impugnação. A apresentação de provas no processo administrativo fiscal está disciplinada no artigo 16, do Decreto n° 70.235, de 1972, com as alterações da Lei n° 9.532, de 1997, que transcrevo, no pertinente, verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; Fl. 962DF CARF MF Processo nº 10510.724896/201181 Acórdão n.º 1302003.039 S1C3T2 Fl. 959 9 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997). § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Como já foi mencionado neste voto, a Impugnante até a presente data não trouxe aos autos nenhuma nova prova após a entrega da sua Impugnação, o que, de pronto, esvazia o seu protesto dada a ausência de seu exercício. É de se acrescentar, apenas, que foi proporcionada nova oportunidade de instrução do processo por ocasião da diligência, o que não foi aproveitado pela Recorrente, que nada juntou. Da multa qualificada Sobre a aplicação da multa qualificada, afirma o fisco, ter declarado falsamente nas DCTF referentes a 2006 e 2007 a ausência de qualquer receita e da correspondente apuração de débito, bem como a DIPJ 2007 também ter sido entregue totalmente "zerada", impõem a aplicação da multa qualificada, uma vez que ficou caracterizado o evidente intuito de, dolosamente, impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias à sua mensuração. A defesa sustenta que a imputação de multa qualificada, sinaliza de forma clara, o rigor da autoridade autuante, na análise do procedimento adotado, que aproximase de arbítrio e excesso de poder, pratica incompatíveis em um Estado democrático e de garantias constitucionais claras e bem definidas, concluindo que o seu procedimento em momento algum, pode ser caracterizado como evidente intuito de impedir ou retardar, dolosamente, a ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias a sua mensuração, posto que, entregou aos auditores fiscais, todos os talonários das Notas Fiscais Emitidas, tanto da Série Única, como da Séria "A1. Do exame dos autos constatase, que apesar de ter auferido receitas consideráveis nos anoscalendário de 2006 e 2007, a impugnante, de forma deliberada, ao prestar informações ao fisco com valores ínfimos ou com valores zerados, buscou impedir o conhecimento por parte do Fisco Federal, da ocorrência do fato gerador. Ademais, como já foi relatado, a Impugnante foi intimada pela autoridade fiscal a apresentar a sua escrituração contábil (Livros Razão, diário e caixa), relativa aos anoscalendário de 2006 e de 2007, e não o fez, conforme comprovado pela análise da documentação existente no PAF. Tais práticas demonstram a intenção da Impugnante em impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, das condições pessoais de contribuinte capazes de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente (Art. 71, inc. II da Lei 4.502/1964), fato sujeito a aplicação de multa de 150%, conforme estabelecido no art. 44, inciso II, da Lei 9.430, de 1996, abaixo transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 963DF CARF MF 10 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). Os artigos citados da Lei nº 4.502, de 1964, por sua vez, têm a seguinte redação: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Logo, estando devidamente fundamentada nos autos a infração cometida, e tendo sido aplicada a regra legal prevista na legislação tributária, mantenho em sua totalidade, a multa qualificada aplicada. Da Decadência Entre os argumentos de defesa apresentados, alega a impugnante que em relação aos fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 2006, a Fazenda Nacional, por decurso de prazo, já teria perdido o direito de lançar a exigência tributária, em face da decadência. Fl. 964DF CARF MF Processo nº 10510.724896/201181 Acórdão n.º 1302003.039 S1C3T2 Fl. 960 11 Conclui que “a Fazenda Pública perdeu o direito de rever o seu procedimento, para os três primeiros trimestres do ano calendário de 2006, para o IRPJ e para CSLL, ,enquanto que para as contribuições sociais do PIS e da COFINS, até os fatos geradores ocorridos até o dia 30/11/2006, já que caracterizada a decadência”. O impugnante sustenta que se está diante de lançamentos por homologação, a teor do disposto no art. 150, § 4o do CTN, cuja contagem do prazo decadencial, tem início à partir da ocorrência do fato gerador. Assim, tendo sido intimado em 27/11/2012, conclui pela decadência dos tributos e consectários legais cujos fatos geradores ocorreram antes de novembro de 2006. A decadência constitui uma das hipóteses de extinção do crédito tributário a que se refere o art. 156 do CTN, cuja regra geral foi definida no art. 173, nos seguintes termos: Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Nos casos em que o sujeito passivo tem o dever de anteciparse à atuação da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, interpretando a legislação aplicável para apurar o montante e efetuar o recolhimento do tributo ou contribuição devidos, o prazo decadencial foi definido em cinco anos a contar da data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, transcrito em seguida: Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar o prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.(grifos acrescentados). Na situação discutida nos autos, não há que se falar em homologação no prazo de cinco anos, contados do fato gerador, em virtude da ressalva contida no § 4º do art. 150 do CTN, in fine, lembrando que a multa qualificada aplicada pelo fisco tem Fl. 965DF CARF MF 12 assento legal no art. 44, inciso I, § 1º da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 18 da Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006. Isso porque entendeu a fiscalização (segundo os fatos narrados no Termo de Verificação Fiscal e as provas contidas nos autos), que estão presentes no lançamento os pressupostos que configuram, em tese, crime de sonegação fiscal, capitulada na Lei nº 4.502, de 1964, notadamente o art. 71, inciso I. Anotese que, adiante, em tópico específico deste voto, será examinada com maiores detalhes a aplicação da multa qualificada. Neste sentido, a teor da regra geral prevista no art. 173 do CTN, deve ser considerado como termo inicial, para fins de contagem do prazo decadencial, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ademais, para dirimir controvérsias referentes ao prazo inicial da contagem da decadência no âmbito administrativo, em 18 de agosto de 2008 o Ministro da Fazenda aprovou o Parecer PGFN/CAT Nº 1617, que estabeleceu orientações a serem observadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em face da edição pelo Supremo Tribunal Federal da Súmula Vinculante nº 08, cuja ementa é a seguinte: SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5º DO DECRETOLEI Nº 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O aludido parecer, juntamente com os Pareceres PGFN/CRJ/CDA Nº 1436 e 1437, ambos de 2008, orientam os órgãos vinculados à Administração Tributária, quanto aos efeitos e extensão da decisão prolatada pelo STF, esclarecendo que tais conclusões não se restringem aos chamados créditos previdenciários declarados por GEFIP, mas abrangem também os créditos declarados por DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, ou seja, abrangem também os tributos cuja lançamento se dá por homologação. As orientações do Parecer PGFN/CAT Nº 1617, podem ser resumidas da seguinte forma: a)A Súmula Vinculante nº 8 não admite leitura que suscite interpretação restritiva, no sentido de não se aplicar efetivamente o prazo de decadência previsto no Código Tributário Nacional; é o regime de prazos do CTN que deve prevalecer, em desfavor de quaisquer outras orientações normativas, a exemplo das regras fulminadas; b) apresentada a declaração pelo contribuinte (GFIP ou DCTF, conforme o tributo) não há necessidade de lançamento pelo fisco do valor declarado, podendo ser lançado apenas a eventual diferença a maior não declarada (lançamento suplementar); c) na hipótese do subitem anterior, caso o Fisco tenha optado por lançar de ofício, por meio de NFLD, as diferenças declaradas e não pagas em sua totalidade, aplicase o prazo decadencial dos arts. 150, § 4º, ou 173 do CTN, conforme tenha havido antecipação de pagamento parcial ou não, respectivamente; o prazo prescricional, ainda, e por sua vez, contase da constituição definitiva do crédito tributário; d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. . 173, inc. I do CTN, pouco importando se Fl. 966DF CARF MF Processo nº 10510.724896/201181 Acórdão n.º 1302003.039 S1C3T2 Fl. 961 13 houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; f) para fins de cômputo do prazo de decadência, todas as vezes que comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação devese aplicar o modelo do inciso I, do art. 173, do CTN; Com referência aos lançamentos de IRPJ e CSSL dos anoscalendário de 2006 e 2007, cujos fatos geradores são trimestrais, o vencimento das obrigações tributárias ocorre no ultimo dia do mês da ocorrência do fato gerador, data a partir da qual, em tese, os lançamentos já poderiam ser efetuados, conforme quadro abaixo: Assim, para os fatos geradores com vencimentos previstos nos 03 primeiros trimestres do anocalendário de 2006, cujos lançamentos poderiam ser efetuados no mesmo ano (2006), a contagem do prazo decadencial teria inicio no primeiro dia do ano de 2007 com final no último dia do anocalendário de 2011. Já com referencia ao 4º trimestre de 2006 e o 1º e 2º trimestres de 2007, a contagem do prazo decadencial teria início no primeiro dia do anocalendário de 2008 com final no último dia do anocalendário de 2012. No presente caso, a ciência do auto de infração se deu em 27/12/2011, o que afasta qualquer possibilidade de decadência para o IRPJ ou CSLL. O mesmo raciocínio se aplica às contribuições do PIS e da COFINS, cujos fatos geradores ocorrem mensalmente e tem o seu vencimento por volta do dia 15 do mês seguinte, o que permitiria o lançamento dos fatos geradores ocorridos até 11/2006, dentro do próprio anocalendário de 2006, o que implicaria no início da contagem do prazo decadencial no primeiro dia do ano de 2007 com final no último dia do anocalendário de 2011. Para os fatos geradores ocorridos no mês 12/2006 até 06/2007, a contagem do prazo decadencial teria início no primeiro dia do anocalendário de 2008 com final no último dia do anocalendário de 2012, afastando, também, a decadência para as contribuições do PIS da COFINS, exigidas no auto de infração sob análise, cuja ciência, como já dito, ocorreu em 27/12/2011. Em seu Recurso Voluntário a Empresa renova os argumentos da impugnação e aduz que o valor remanescente dos depósitos bancários, no total de R$228.117,60, correspondem a créditos recebidos conforme a seguintes tabela: Fl. 967DF CARF MF 14 Todavia, embora lhe fosse ofertada uma segunda oportunidade para comprovar com outros elementos (apresentação de outros elementos de que disponha de modo a comprovar o vínculo entre os créditos bancários e as notas fiscais de serviços prestados; comprovar o oferecimento à tributação das receitas informadas nas notas fiscais, no ano de sua emissão; indicar o nome das agências de publicidades que intermediaram a realização dos serviços; e, ainda, identificar as fontes pagadoras dos recurso que deram origem a cada um dos créditos, se as agências de publicidade ou o próprio órgão governamental contratante) não o fez. De se notar que, embora a autoridade responsável não tenha intimado terceiros, como solicitado na resolução, entendo que a falta de interesse probatório por parte da Recorrente não deve ser suprido por esforço de agentes públicos, ante a inversão no onus probandi que decorre da presunção legal do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Por outro lado, a apresentação extemporânea de origem de recursos não é suficiente para elidir a imputação fiscal quando desacompanhada da comprovação de que o valor foi oferecido à tributação, uma vez que a tributação direta por ocasião da fiscalização só ocorreria caso a prova da origem fosse produzida oportunamente, nos termos do § 2º do artigo 287 do RIR/99, in verbis: Art. 287. Caracterizamse também como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição Fl. 968DF CARF MF Processo nº 10510.724896/201181 Acórdão n.º 1302003.039 S1C3T2 Fl. 962 15 financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, § 1º). § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo do imposto a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, § 2º). (...) (grifei) Por óbvio, não basta a verossimilhança no caso. Há que ser comprovado o oferecimento à tributação e a Empresa não o provou. Feitas essas considerações, rejeito as preliminares de nulidade e decadência e, no mérito, nego provimento ao Recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 969DF CARF MF
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Numero do processo: 11075.000067/2008-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO. PRODUTO CLASSIFICADO NA TIPI COMO NT. SUMULA CARF 124.
A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não-tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996.
Numero da decisão: 3401-005.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro André Henrique Lemos esteve ausente momentaneamente.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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EXPORTAÇÃO. PRODUTO CLASSIFICADO NA TIPI COMO NT. SUMULA CARF 124. A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "nãotributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro André Henrique Lemos esteve ausente momentaneamente. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 00 67 /2 00 8- 52 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11075.000067/200852 Acórdão n.º 3401005.372 S3C4T1 Fl. 3 2 Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/POA, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos A Contribuinte buscou o ressarcimento de crédito presumido de IPI apurado no período 2º Trimestre de 2007 no valor de R$ 37.132,96. Com o correspondente crédito postula a compensação de débito via PER/DCOM nº 37252.95312.120707.1.3.013207, de IRPJ 2º Trimestre/2007, data de vencimento 31/07/2007, no valor de R$ 37.132,96. Do Despacho Decisório A DRF de Uruguaiana em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (efls.68) pelo indeferimento e não homologação do débito, assim fundamentado: (i) que o crédito presumido de IPI foi instituído pela Lei nº 9.363/1996, como forma de ressarcimento da contribuição para o PIS e COFINS, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para aplicação no processo produtivo; (ii) que o alcance do benefício do crédito presumido do IPI está limitado às operações que destinem ao exterior, ainda que por intermédio de Comerciais Exportadoras, produtos industrializados, abrangidos pelo campo de incidência do IPI; (iii) que estão fora desse campo de incidência os produtos relacionados na TIPI como não tributados (NT) e não integram a receita de exportação para efeito de crédito presumido, nos termos do art.17, §1º da IN SRF nº 313/2003 e 419/2004; (iv) que a jurisprudência do CARF confirma esse entendimento, conforme acórdão que relaciona; (v) que as diligências fiscais atestam que as operações praticadas pela Requerente, com destinação ao exterior referem a produtos especificados na TIPI como não tributáveis (NT); ;Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com a resposta a ela endereçada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade da qual se destaca os seguintes pontos: (i) que a tese do fisco não encontra respaldo em nosso ordenamento jurídico, pois o objetivo da norma é desonerar a cadeia produtiva em face do PIS e da COFINS, independente da tributação de IPI na etapa final; (ii) no caso dos autos o produtor rural, ao adquirir sementes, insumos, combustíveis, maquinário, entre outros necessários e indispensáveis ao cultivo da soja, trigo e milho, tem embutido no preço as contribuições do PIS e da COFINS; (iii) que o crédito presumido de IPI para ressarcimento de PIS e COFINS independem da incidência de IPI na saída dos produtos que exporta, conforme se observa em decisão emanada da CSRF do CARF, fazendo a transcrição de ementa e acórdão; (iv) não havendo na legislação impedimento ao aproveitamento do crédito presumido de IPI, que tem por finalidade o ressarcimento do PIS e da COFINS, requer o deferimento do pedido. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/POA, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elaborada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11075.000067/200852 Acórdão n.º 3401005.372 S3C4T1 Fl. 4 3 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. A exportação de produtos que estão enquadrados na Tabela de Incidência do IPI como NT, não gera direito ao crédito presumido do IPI, instituído para ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Direito Creditório Não Reconhecido. Observase dos fundamentos do voto condutor do acórdão que o julgador cita e transcreve toda a legislação atinente ao tema e finaliza com a citação de duas Súmulas do CARF, a de nº 13 que: "Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT” e a de nº 20: "Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.” Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, com o intuito de ver seu pedido atendido. Repisa os fatos e argumentos da manifestação de inconformidade, em sua literalidade e pugna por seu acolhimento, julgandose ao final, procedente o pleito. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A contribuinte, com base em seus registros fiscais, ingressou com pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, nos termos conferidos pela Lei nº 9.363 de 13 de dezembro de 1996, instituído para compensar valores de PIS e COFINS incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de Matéria Prima, Produto Intermediário e Material de Embalagem utilizados no processo produtivo de produtos destinados ao mercado externo. Estabelece a Lei nº 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11075.000067/200852 Acórdão n.º 3401005.372 S3C4T1 Fl. 5 4 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) Vimos, portanto, que a mencionada lei contempla um incentivo fiscal e assim deverá ser tratada, respeitando a literalidade de seus termos, a fim de se evitar eventual prejuízo as partes por falha de interpretação, mesmo que se adote suporte conceitual de outros dispositivos legais. Partindo do texto da Lei nº 9.363/96, art. 1º, temos que quem faz jus ao crédito presumido de IPI é o produtor e exportador de mercadorias nacionais, tendo por finalidade a compensação do PIS e COFINS incidentes nas operações de aquisições, no mercado interno, de MP, PI e ME, para utilização no processo produtivo. Já a forma de se calcular o crédito presumido de IPI, art. 2º da Lei nº 9.363/96, dividese em três partes: a 1ª é estabelecer o percentual correspondente a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor/exportador; a 2ª é fazer incidir o percentual encontrado na 1ª etapa sobre o valor total das aquisições de MP, PI e ME adquiridas no mercado interno, cujo resultado podemos chamar de base de cálculo; e a 3ª é aplicar o percentual previsto no § 1º (5,37%) sobre a base de cálculo encontrada na 2ª etapa. O ponto central no presente processo em que persiste a lide está voltada única e exclusivamente para a classificação do produto exportado, na TIPI como não tributado (NT), que para o fisco é fator determinante para o indeferimento do pedido de crédito e por conseqüência a não homologação das compensações praticadas. Para a Recorrente esse fato é irrelevante, bastando o produto exportado ter passado pelo processo de industrialização, já que o crédito presumido de IPI objetiva compensar a incidência do PIS e da COFINS em operação de aquisição de insumos para o processo industrial. Toda essa celeuma relacionada as bases de convencimento tanto do fisco quanto da recorrente, perdem relevância , face à nova posição do CARF em relação ao direito ao crédito presumido de IPI na exportação de produtos classificados na TIPI como NT. Essa questão específica da classificação dos produtos envolvidos, "Soja em grãos e Trigo em grãos", de serem beneficiados e aparecerem da TIPI como "NT", é consenso entre as partes. Como mencionado foi publicado novas Súmulas do CARF e dentre elas está a de nº 124, vinculante aos órgãos julgadores administrativos, impondo sua aplicação sob pena de insubordinação hierárquica. Vejamos o teor da respectiva Súmula: Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11075.000067/200852 Acórdão n.º 3401005.372 S3C4T1 Fl. 6 5 Súmula CARF nº 124 A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "nãotributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996. Independentemente das teses levantadas pelas partes e seus convencimentos quanto ao direito ou não de crédito presumido de IPI sobre as operações realizadas, ou ainda, da jurisprudência administrativa presente até então no CARF, passa a prevalecer a aplicação da Súmula acima transcrita. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 131DF CARF MF
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