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Numero do processo: 19515.002200/2005-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
DECADÊNCIA. INÍCIO DA CONTAGEM. FATO GERADOR.
Considerando que, tendo havido pagamento do tributo, a contagem do prazo decadencial se inicia na data da ocorrência do fato gerador, na data da autuação ocorrera a decadência de se constituir parte dos créditos tributários objeto da autuação.
LANÇAMENTOS CONTÁBEIS. IRRF. NÃO INCIDÊNCIA.
Só cabe a tributação a título de IRRF se houver a efetiva entrega de recursos, com a aquisição, pelo beneficiário, da respectiva disponibilidade econômica ou jurídica (fato gerador do imposto de renda). Não basta, para caracterizar a ocorrência do fato gerador do IRRF, a simples contabilização.
VALORES DECLARADOS EM DCTF E VALORES ESCRITURADOS. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. ERRO NA APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL.
Não tendo a fiscalização depurado os dados escriturados antes de compará-los com a DCTF, o lançamento ficou irremediavelmente prejudicado, ao não ser possível determinar a exata matéria tributável (nem sequer se houve diferença a tributar).
IRRF NÃO RETIDO. RESPONSABILIDADE PARCIAL DA FONTE PAGADORA.
Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação de imposto, a responsabilidade da fonte pagadora cessa na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado. Verificada a falta de retenção após o citado período serão exigidos da fonte pagadora a multa de oficio e os juros de mora isolados.
Numero da decisão: 2402-006.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sérgio da Silva.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. INÍCIO DA CONTAGEM. FATO GERADOR. Considerando que, tendo havido pagamento do tributo, a contagem do prazo decadencial se inicia na data da ocorrência do fato gerador, na data da autuação ocorrera a decadência de se constituir parte dos créditos tributários objeto da autuação. LANÇAMENTOS CONTÁBEIS. IRRF. NÃO INCIDÊNCIA. Só cabe a tributação a título de IRRF se houver a efetiva entrega de recursos, com a aquisição, pelo beneficiário, da respectiva disponibilidade econômica ou jurídica (fato gerador do imposto de renda). Não basta, para caracterizar a ocorrência do fato gerador do IRRF, a simples contabilização. VALORES DECLARADOS EM DCTF E VALORES ESCRITURADOS. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. ERRO NA APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. 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Votaram pelas conclusões os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sérgio da Silva. Relatório Tratase de Recurso de Ofício em face do Acórdão 1631.708 (fls. 3.257), emitido pela 5ª Turma da DRJ/SP1, que julgou procedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nos termos do relatório do Acórdão, temse que: Conforme Termo de Verificação de fls. 73/75, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, constatou se o seguinte: A contribuinte declarou valores insuficientes relativos ao imposto de renda da fonte, os quais foram retidos sobre pagamentos e/ou créditos oriundos de salários, férias, 13° salário, serviços prestados por terceiros (pessoas físicas e jurídicas) e outras importâncias pagas pela fiscalizada. Os valores retidos foram contabilizados nos grupos de contas contábeis 213.01 e 213.02, conforme lançamentos contábeis constantes dos arquivos em meio magnético da contabilidade do período de 01/02/2000 a 31/05/2005, os quais foram cotejados com os valores declarados em DCTFs, apurandose diferenças. A contribuinte foi intimada em 01/06/2005, através do termo de intimação fiscal n.° 004, para justificar as diferenças apuradas Fl. 3331DF CARF MF Processo nº 19515.002200/200548 Acórdão n.º 2402006.881 S2C4T2 Fl. 3.332 3 entre os valores contabilizados e os declarados em DCTFs, apresentando comprovação de parte das diferenças apuradas. Em função do exposto, há que se proceder ao lançamento das diferenças apuradas, as quais não foram declaradas em DCTFs, com base nos seguintes dispositivos legais: artigo 77, inciso III, do Decretolei n.° 5.844/43; artigo 149 do CTN; artigos 620, 621, 624, 625, 628, 637, 638, 647, 649, 730 e 841 do RIR/99; artigos 1° ao 50 da Lei n° 9.779/99 e artigo 6° da MP n° 1.855/99. Os valores devidos e os períodos de apuração estão demonstrados nas planilhas anexadas ao presente Termo (fls. 76/228). Em face do acima exposto, foi efetuado o seguinte lançamento, relativo aos anoscalendário de 2000 a 2005: Cientificada do lançamento em 29/07/2005 (AR de fl. 244), a contribuinte, par meio de seus advogados, regularmente constituídos (fls. 301/305), apresentou, em 29/08/2005, a impugnação de fls. 246/284, alegando, em síntese, o seguinte: Dos Fatos Constatou a fiscalização haver discrepância entre os valores das contas que registravam provisões para pagamento de IRRF e aqueles declarados em DCTF em determinado período, procedendo, assim, ao lançamento do montante apurado do cotejo entre tais itens. Ocorre que o lançamento de IRRF calcado, exclusivamente, em diferenças apuradas entre os valores creditados em conta do passivo (provisões) em determinado período, e aqueles informados em DCTF referente ao mesmo período, não preza pela coerência exigida para suportar a pretensão fazendária, pelo simples fato de que nestes casos não se averigua a real ocorrência do fato gerador da espécie tributária. Situações há, e não são poucas, em que os valores de impostos a pagar contabilizados em um mês ou anocalendário, somente serão objeto de inclusão em declaração em período subsequente, por expressa disposição legal. Daí porque ser plenamente razoável a apuração de eventuais diferenças entre os registros contábeis de provisões das empresas e as declarações de um Fl. 3332DF CARF MF Processo nº 19515.002200/200548 Acórdão n.º 2402006.881 S2C4T2 Fl. 3.333 4 mesmo período; não podendo, obviamente, esta diferença consistir em fundamento para o lançamento tributário. De igual maneira, verificamse situações em que o valor lançado a crédito na conta do passivo, relativo às obrigações de IRRF, foi, no mesmo período, estornado desta conta, através de lançamento à débito, de forma que o valor anteriormente escriturado não poderia, naturalmente, ser informado em DCTF, fato ao qual não se ateve a fiscalização ao lavrar o Auto de Infração. Além das incongruências descritas acima, as quais serão inteiramente comprovadas pela documentação anexada â presente defesa, de se notar que a metodologia utilizada pela fiscalização para proceder ao lançamento impugnado é de evidente ilegalidade: (1) uma, por ter utilizado como critério para lançamento os valores escriturados na contabilidade da impugnante como provisão para pagamento do 1RRF, sem atentarse para a real base de cálculo que teria originado tal provisão e que estava consubstanciada em conta contábil diversa, a qual, eventualmente, poderia amparar a autuação em tela (a conta que registrava efetivamente o fato gerador do tributo, ou seja, o pagamento a terceiros); (2) duas, por não levar em consideração as disposições contidas no Parecer Normativo n° 1 de 24/09/2002, cujo conteúdo expressamente determina que, nos casos de falta de retenção do imposto de renda, que tiver a natureza de antecipação, sua exigência somente poderá recair sobre a fonte pagadora (a impugnante) até a data de encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado; encerrado este período, a exigência voltase à parte beneficiária. Da Decadência Ocorreu a decadência do direito de o Fisco constituir créditos tributários relativos aos meses de março, maio e junho de 2000, visto que o IRRF é um tributo sujeito ao lançamento por homologação (artigo 150, § 4°, do CTN), e, portanto, entre a ciência impugnante (01/07/2005) e a data do fato gerador transcorreuse mais de 5 anos. DA IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DE SE EFETUAR LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO COM BASE EM VALORES REGISTRADOS CONTABILMENTE COMO PROVISÃO DE IMPOSTOS A PAGAR NULIDADE ABSOLUTA Conforme descrito anteriormente, a fiscalização baseou parte do lançamento nas diferenças apuradas por meio de confronto entre os valores declarados em DCTF como devidos e a provisão de IRRF contabilizada no passivo da impugnante, no período correspondente, concluindo que os valores contabilizados e não declarados na DCTF no mesmo mês da contabilização foram retidos e não recolhidos. Fl. 3333DF CARF MF Processo nº 19515.002200/200548 Acórdão n.º 2402006.881 S2C4T2 Fl. 3.334 5 Vale lembrar que os fatos geradores do IRRF, nas hipóteses analisadas pela fiscalização, são: (1) pagamento de rendimentos a pessoas físicas; e (2) crédito ou pagamento de rendimentos a outras pessoas jurídicas decorrentes da prestação de determinados serviços. Não há como estabelecer correlação entre o saldo existente em conta de passivo relativo ao IRRF e a ocorrência do fato gerador desse imposto, como quis supor a fiscalização. Ao partir do valor do tributo lançado no passivo da impugnante, como fez a fiscalização, subverteuse totalmente a sistemática de apuração do crédito tributário; em verdade, tal procedimento trouxe a indevida equivalência da provisão à ocorrência do fato gerador, bem como a equivocada assertiva que o valor registrado em conta do passivo da autuada poderia servir como base de cálculo para apuração do tributo. De fato, assumir esta premissa equivaleria a se afirmar, contrario sensu, que a não contabilização de obrigação tributária no passivo de uma empresa demonstraria a inexistência de valores devidos a título de tributo. Assim, o lançamento não merece prosperar uma vez que a fiscalização, para fins de apuração do tributo devido, limitouse a presumir (1) que os fatos geradores teriam necessária, inabalável e inalteravelmente ocorrido; e (2) que os valores contabilizados a crédito do passivo da impugnante, a título de provisão de IRRF, comprovam a efetiva retenção do imposto de renda incidente sobre valores pagos ou creditados a pessoas físicas ou jurídicas, não procedendo ã verificação da efetiva ocorrência do fato gerador. Ainda que se admitisse como indicio da ocorrência do fato gerador a existência de saldo em conta de passivo relativa ao IRRF, dissonante daquele declarado em DCTF, não há como se aferir se houve, de fato, a retenção ou não, pela mera constatação de tais diferenças. Tal verificação só seria possível por meio da análise de documentos que comprovassem os valores efetivamente destinados (pagos) aos beneficiários. O lançamento contábil da operação em pauta (pagamento a beneficiário e retenção do imposto incidente) é constituído por três pernas. De uma lado, creditase a conta do passivo representativa da obrigação com o beneficiário do pagamento, bem como a conta indicativa do imposto incidente sobre a operação. De outro, debitase conta de resultado pela somatória dos valores lançados a crédito. Desta feita, para que a fiscalização pudesse afirmar que impugnante deixou de recolher valores indicados como devidos no Auto de Infração, a conta representativa da obrigação com o beneficiário (remuneração paga ou atribuída a terceiros), apta a configurar a ocorrência do fato gerador, necessariamente deveria ter sido objeto de análise pela fiscalização, a partir da Fl. 3334DF CARF MF Processo nº 19515.002200/200548 Acórdão n.º 2402006.881 S2C4T2 Fl. 3.335 6 verificação dos valores baixados desta conta, donde se extrairia se o beneficiário sofreu ou não a retenção devida. O procedimento utilizado pela fiscalização, não se mostra suficiente para formar a convicção de que foi efetivamente realizada a retenção do imposto, sem o respectivo recolhimento, baseandose, portanto, em presunção. Tanto é assim que não foi apresentada representação fiscal para fins penais, conforme previsto na legislação vigente, tendo em vista a ausência de elementos suficientes para configurar o ilícito. Ademais, os saldos existentes nas contas de provisão de tributos, constantes do passivo, não tem relação necessária com o valor declarado em DCTF, tendo em vista que os valores contabilizados no passivo não necessariamente representam valores exigíveis. Nesse sentido, não são suficientes para demonstrar o tributo efetivamente devido. Resta portanto demonstrado que lançamento baseado em diferenças apuradas entre valores declarados em DCTF e valores contabilizados em conta de passivo é nulo, insubsistente pelos seus próprios fundamentos, porquanto se sustenta, primordialmente, em presunção não autorizada em lei. Em virtude dos princípios constitucionais e legais norteadores do Sistema Tributário Brasileiro, as presunções jurídicas podem ser utilizadas pelo legislador ordinário, desde que obedecidos os limites estabelecidos pelo constituinte na Lei Maior, o que não se verifica no presente caso. Já as presunções do homem ou meros indícios não são suficientes a embasar o procedimento administrativo que constitui o crédito tributário. Fica evidente que a fiscalização fundamentouse em presunções não legais, mas humanas, de que, eventualmente, não houve o recolhimento dos valores retidos, apesar de todos os documentos oferecidos para análise da fiscalização e carreados aos autos. Assim, fica comprovado que o Auto de Infração é nulo, sem adequação às normas legais. DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA, DA FONTE PAGADORA, DO IMPOSTO DE RENDA NÃO RETIDO DO BENEFICIÁRIO, DEPOIS DE ENCERRADO 0 PERÍODO DE APURAÇÃO DO TRIBUTO Já se afirmou que os lançamentos a crédito em conta do passivo, representativos de provisões para recolhimento do IRRF, não indicam, de forma alguma, a efetiva retenção deste imposto. Esta retenção só estaria devidamente caracterizada caso verificado, pela análise dos lançamentos contábeis relativos à obrigação que dá azo à retenção do imposto, que o valor debitado desta conta foi o valor liquido, isto é, já descontada a retenção do imposto sobre ele incidente. Fl. 3335DF CARF MF Processo nº 19515.002200/200548 Acórdão n.º 2402006.881 S2C4T2 Fl. 3.336 7 Não tendo sido esta a situação verificada in casu, a premissa de que parte a fiscalização para consubstanciar a autuação, qual seja, retenção e não recolhimento do imposto, cai por terra. Assim, as alegações a seguir expostas fundamse, portanto, não nesta equivocada premissa construída pela fiscalização, pelo contrário, escorase na ausência de retenção do imposto devido sobre a operação, já que o contrário não pode ser afirmado, tampouco comprovado. No caso de retenções de imposto que não se afiguram como definitivas, mas sim como meras antecipações do saldo devido ao final do período, estando o contribuinte (parte beneficiaria) obrigado a oferecer o rendimento à tributação na declaração de ajuste anual, sua responsabilidade passa a ser compartilhada com a responsabilidade legal atribuída fonte pagadora. Decorre dessa situação a impossibilidade de exigência, da fonte pagadora, do IR não retido como antecipação, depois da data prevista para a entrega da declaração anual de ajuste, no caso de retenção feita a pessoa física, ou encerramento do período de apuração (trimestral ou anual) no caso de retenção feita à pessoa jurídica, haja vista que, posteriormente a essa data, a lei outorga ao contribuinte o dever de oferecer o rendimento a tributação, passando esse a se responsabilizar, exclusivamente, pelo seu recolhimento. Aliás, por esta mesma linha segue o Parecer Normativo n° 1/2002, ao estipular a impossibilidade de responsabilização da fonte pagadora pelo recolhimento do IRRF, depois de encerrado o período de apuração em que o rendimento for tributado. O Conselho de Contribuintes do Ministério da. Fazenda também adotou este mesmo entendimento em reiteradas ocasiões, havendo, inclusive, julgamento, nesse sentido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Dadas estas circunstancias, tendo em vista que a ação fiscal desenvolveuse no ano de 2005, inquestionável que os valores relativos aos fatos geradores verificados entre 25/03/2000 a 25/12/2004 jamais poderiam ser exigidos da impugnante, eis que referentes a períodos de apuração já encerrados, devendo a pretensão fiscal voltarse, neste momento, aos beneficiários dos rendimentos, os quais deveriam têlos incluídos na respectiva declaração apresentada à Receita Federal. Frisese, por oportuno, que a impossibilidade de exigência da impugnante, em 2005, de valores supostamente não retidos dos beneficiários dos rendimentos pagos entre 2000 e 2004, recai sobre as receitas correspondentes aos códigos 0561, 1708, 0588 e 3208, porquanto se referem ao regime de retenção do imposto por antecipação e não exclusivo na fonte, a teor do disposto nos artigos 620, §3 0 (para os códigos 0561, 0588, 3208), 650 (para o código 1708) do RIR/1999. Pelo exposto, ainda que se assuma, por força de argumentação, existir divergência entre os registros contábeis da impugnante e Fl. 3336DF CARF MF Processo nº 19515.002200/200548 Acórdão n.º 2402006.881 S2C4T2 Fl. 3.337 8 as declarações apresentadas a Receita Federal, e, em decorrência, suposta falta de retenção do imposto de renda incidente sobre valores pagos a beneficiários, o que de fato não ocorreu, consoante restará demonstrado a seguir, a exigência dos valores não retidos entre 2000 e 2004 não poderia, sob hipótese alguma, recair sobre a impugnante em 2005, devendo, portanto, ser cancelada a exigência fiscal neste ponto. DA INEXISTÊNCIA DE DIVERGÊNCIA ENTRE OS VALORES DECLARADOS E OS VALORES ESCRITURADOS PELA IMPUGNANTE De fato, da análise da densa documentação anexada à presente, verificase que os equívocos da fiscalização ao determinar o quantum debeatur, podem, grosso modo, serem discriminados da seguinte maneira: (1) Valores lançados contabilmente em determinado mês que, contudo, compuseram a declaração de rendimento do mês subsequente aquele em registrado, dada a expressa orientação da Receita Federal nesse sentido; (2) valores que, conquanto tenham sido creditados em conta do passivo em determinado momento, foram, por razões diversas, estornados por meio de lançamento a débito nesta mesma conta, sem que a fiscalização tenha se atentado para este evento; (3) reajustes realizados pela impugnante em sua contabilidade, decorrente das mais diversas situações, e que não foram considerados pelo Fisco por ocasião da lavratura do Auto de Infração; (4) retenções que, conquanto tenham sido efetuadas em montante incorreto (e assim contabilizadas), foram recolhidas e declaradas pelo valor correto. (1) Valores contabilizados em determinado mês e declarados no período subsequente. Em se tratando de IRRF, a legislação de regência estabelece critério temporal diverso do critério usualmente adotado para a apuração dos demais tributos, estabelecendo que esta apuração deve ser feita a cada semana (artigo 865 do R1R11999). Sendo, por expressa disposição legal, semanal o período de apuração do IRRF, a própria Receita Federal, ao instituir a DCTF, tratou de esclarecer que, para tais situações, deveriam os contribuintes informar na referida declaração, além do mês, a semana correspondente ao mês em que foi apurado o tributo. Essa orientação encontrase prevista no item 7.1 dos Manuais de Preenchimento das DCTF's 2.1 (relativa aos anos de 1999 a 2003) e 3.0 (relativa ao ano de 2004). Como forma de padronização, estabeleceu a Receita Federal que, para definição das semanas, deverseia observar os fatos geradores ocorridos de domingo a sábado. Isto é, para Fl. 3337DF CARF MF Processo nº 19515.002200/200548 Acórdão n.º 2402006.881 S2C4T2 Fl. 3.338 9 identificação da semana de ocorrência do fato gerador, o critério utilizado seria o momento do mês que recaiu o sábado, dia adotado como termo final da contagem do prazo de apuração. Assim, fica evidente que os valores lançados na contabilidade do contribuinte em determinada data, não necessariamente comporá a DCTF do mês em que ocorrido o lançamento. Isso porque, em razão do critério adotado para definição da semana do fato gerador do 1RRF, situações há em que a retenção do imposto ocorre em uma semana em que o ultimo dia (o sábado) já se refere ao mês subsequente, o que desloca a declaração de tais lançamentos para esse mês, conforme regramento estabelecido pela própria Receita Federal. Assim, natural que entre os lançamentos contábeis do contribuinte de um dado período e a DCTF relativa a este mesmo período, haja diferença nos valores indicados em cada um destes registros, razão pela qual não poderia jamais a fiscalização ter lançado mão deste critério para apuração de eventual saldo de IRRF devido, eis que o resultado obtido não corresponde à realidade tática. No caso especifico da impugnante, a fiscalização respaldou o lançamento a partir dos valores lançados no Livro Razão, em conta do passivo, relativa a provisão para recolhimento do IRRF. Esclareçase que as datas indicadas nesta conta, obedecem ao momento em que foi constituída a obrigação, e não ao dia em que efetuada a retenção do imposto, situação que, de acordo com a orientação legal, caracteriza o fato gerador da obrigação tributária. Em verdade, o momento de retenção do imposto incidente sobre os valor s pagos pela impugnante, pode ser notado pela análise do Q1RRF (programa de controle do imposto retido sobre pagamentos efetuados a terceiros pela impugnante). Deste documento, verificase que parte significativa dos valores lançados a crédito, em conta do passivo, em determinado mês, foram, de fato, retidos dos beneficiários somente ao final deste mês, cujo último dia da semana (sábado), referese ao mês subsequente ao do lançamento contábil. A título meramente exemplificativo, confirase, à fl. 273 (item 93), os esclarecimentos acerca do lançamento efetuado pela fiscalização, referente a agosto de 2000, pela suposta ausência de retenção do imposto incidente sobre o rendimento descrito sob o código 0588 (trabalho sem vínculo empregatício). Além da questão referente à definição da semana relativa ao recolhimento do imposto retido, constatase, também, que em algumas ocasiões os valores provisionados em determinado mês só foram efetivamente retidos e recolhidos nos meses subsequentes a de seu registro contábil. É o caso, por exemplo, das retenções efetuadas sob o código 3208, relativas ao pagamento de aluguel e royalties, em que toda provisão dos valores devidos a título de IRRF foi efetuada em determinado Fl. 3338DF CARF MF Processo nº 19515.002200/200548 Acórdão n.º 2402006.881 S2C4T2 Fl. 3.339 10 mês, ainda que os pagamentos e correspondentes indicações em DCTF's só tenham sido realizados ao longo dos 12 meses subsequentes ao de seu lançamento. Daí porque ser perfeitamente compreensível a constatação de divergências entre os valores contabilizados e os valores declarados em um mesmo período. Situações idênticas às descritas são observadas em todos os períodos autuados, bem como em todos os códigos de retenção indicados no Auto de Infração. Desta feita, imprescindível se faz a análise ponderada de toda documentação anexada aos autos a qual comprova cabalmente a assertiva quanto ao equivocado método utilizado para apuração do quantum debeatur cancelandose, em decorrência, a autuação fiscal ora impugnada. (2) Valores estornados da contabilidade da impugnante. Embora a fiscalização tenha, indevidamente, tomado os valores creditados na conta de provisão para o IRRF para consubstanciar a autuação, deixou, em contrapartida, de considerar, para fins de determinação do quantum debeatur, os valores que, pelos mais diversos motivos, foram estornados da contabilidade da impugnante no mesmo período, e que, portanto, anularam os efeitos do lançamento a crédito nesta conta (isto, se admitida a absurda hipótese de que o lançamento de valor de IRRF em conta de passivo pode gerar algum efeito no tocante à quantificação do saldo do imposto eventualmente devido). Para melhor elucidar a situação, exemplificase, à fl. 275 (item 99) o ocorrido com relação ao lançamento efetuado pela fiscalização, referente ao mês de março de 2000, decorrente da suposta ausência de retenção do imposto incidente sobre o rendimento descrito sob o código 0588 (trabalho sem vínculo empregatício). Assim, ainda que possível fosse amparar o lançamento com base em conta representativa da provisão do 1RRF de determinado período, imprescindível seria considerar os valores estornados dessa conta, o que não foi observado pela fiscalização, invalidando, pois, o crédito por ela constituído. (3) Ajustes diversos realizados na conta de provisão e outras situações que evidenciam a inexistência de qualquer saldo devido a título de IRRF. Embora em menor grau de repetição, inúmeros outros casos também evidenciam a inexistência da infração cominada no Auto ora impugnado. Em diversas ocasiões a impugnante efetuou alguns ajustes em sua contabilidade, excluindo de sua provisão valores antes lançados a crédito em seu passivo. Da mesma forma, seus lançamentos contábeis acusam diversas situações relacionadas a (1) recolhimento a maior de imposto, (2) reembolso referente à retenção realizada a maior, (3) transferências entre contas Fl. 3339DF CARF MF Processo nº 19515.002200/200548 Acórdão n.º 2402006.881 S2C4T2 Fl. 3.340 11 contábeis no passivo, passando pela provisão de IRRF, (4) reclassificação de contas, (5) imposto recolhido em código errado, e (6) imposto provisionado em código errado. Tais situações, devidamente esclarecidas pelas planilhas e farta documentação que acompanham esta defesa, prestam com perfeição para elucidar as diferenças apontadas pela fiscalização, demonstrando serem as mesmas fruto da incompleta análise dos documentos contábeis e fiscais da empresa. (4) Valores retidos incorretamente, mas recolhidos pelo montante correto. Em algumas ocasiões isoladas, a impugnante, por equivoco, efetuou a retenção do imposto de renda sobre pagamentos feitos a seus beneficiários em valor que não correspondia ao realmente devido, registrando em seu passivo, em conta de provisão, a quantia correspondente a esta retenção. Nada obstante, por ocasião do recolhimento do imposto devido, quando se constatou o equívoco na retenção do tributo, a impugnante tratou de recolher à Receita Federal o valor correto incidente sobre a operação, mesmo que superior à quantia retida do beneficiário, procedendo, ainda, à declaração do valor em DCTF no montante correto, isto é, aquele recolhido. Posteriormente, nos meses seguintes, era realizado o acerto de contas, debitandose do beneficiário o valor dele não descontado no mês anterior, ou, ao contrário, restituindoo da quantia indevidamente retida. Assim, parte das diferenças levantadas pela fiscalização entre a provisão do IRRF e o valor declarado em DCTF, justificase pelos esclarecimentos tecidos acima, sendo, pois, despropositada a cobrança de tais valores, dado que o imposto incidente sobre cada operação foi devidamente recolhido e declarado pela autuada. Dos documentos acostados aos autos. A fim de melhor auxiliar no deslinde da presente demanda, esclarece a impugnante que os documentos acostados aos autos que dão conta da impropriedade do lançamento (fls. 476/3135), estão dispostos da seguinte forma: (1) os documentos estão agrupados de acordo com os lançamentos relativos a cada código de retenção, isto 6, 0561 (rendimento trabalho assalariado), 0473 (royalties, assistência técnica e rendimento de trabalho de qualquer natureza), 1708 (remuneração de serviços prestados por pessoa jurídica), 0588 (rendimento de trabalho sem vínculo empregatício) e 3208 (alugueis e royalties pagos à pessoa física), e na ordem dos períodos autuados (de 2000 a 2005); (2) para cada período autuado, foi anexada previamente, como folha de rosto, planilha explicativa, na qual estão discriminados Fl. 3340DF CARF MF Processo nº 19515.002200/200548 Acórdão n.º 2402006.881 S2C4T2 Fl. 3.341 12 os valores declarados em DCTF, os valores contabilizados (conforme apurados pela fiscalização) e a diferença apurada. Encontramse discriminados, também, os valores que compõem esta diferença, bem como as correspondentes justificativas traçadas, em linhas gerais, nos itens anteriores; (3) na planilha anexada, para auxílio na localização dos registros e documento que a amparam, foram indicados números e letras ao lado de cada valor que compõe a diferença apontada pela fiscalização, os quais correspondem aos números e letras grafados na documentação que a acompanha; (4) para suporte das planilhas foram juntados todos os documentos necessários comprovação da veracidade das alegações nelas imputadas, tais como, Livro Razão, QIRRF (programa de controle do imposto retido sobre pagamentos efetuados à terceiros), DCTF's, e DARF's. A propósito, esclarece a impugnante que todo o lançamento efetuado teve por base, exclusivamente, os registros contábeis e fiscais da empresa. Não foi, em momento algum, questionada a validade de tais registros, tanto que assim serviram para consubstanciar a lavratura do Auto de Infração. A impugnante traz, neste momento, exatamente os mesmos documentos apresentados à fiscalização, por ocasião do cumprimento da auditoria realizada na empresa, os quais não foram analisados com o devido zelo pela fiscalização. DA MULTA E DOS JUROS A multa, em si mesma, segue a sorte do IRRF, que, uma vez inexigível, acarreta inexigibilidade daquela. Com relação aos juros moratórios, a utilização da SELIC representa uma majoração totalmente indevida do débito do contribuinte, haja vista que se verifica na referida taxa uma variação muito superior àquela constitucionalmente prevista, de 1%. Não obstante a taxa SELIC ser determinada, via lei ordinária, como juros moratórias que devem incidir sobre débitos tributários, a mesma não possui tal natureza por se tratar de taxas de juros de natureza remuneratória. Posto isso, requer a impugnante sejam afastados os juros de mora calculados com base na taxa SEL1C, por ser manifestamente inconstitucional e ilegal sua exigência. DOS ADENDOS À IMPUGNAÇÃO Em 02/07/2009 e 13/04/2010, a contribuinte apresentou adendos à impugnação (fls. 3149/3156 e 3158/3171, respectivamente), expondo, em síntese, o seguinte: Adendo de fls. 3149/3156 Fl. 3341DF CARF MF Processo nº 19515.002200/200548 Acórdão n.º 2402006.881 S2C4T2 Fl. 3.342 13 Muito embora a impugnante tenha apresentado, de forma organizada, a totalidade da documentação comprobat6ria de que os valores provisionados a título de IRRF em conta de passivo não correspondiam com os declarados em DCTF em razão de ajustes, estornos e diferenças entre a data da retenção e o efetivo recolhimento do tributo, a impugnante organizou novamente os documentos já anteriormente apresentados e elaborou duas planilhas: (1) a primeira, visando à apuração das diferenças apontadas pela fiscalização, a qual contém os dados de cada um dos lançamentos, separados por código de recolhimento e aponta as folhas do diário em que esses lançamentos foram contabilizados; (2) a segunda, preparada com o fito de nortear a compreensão da primeira, já que, de forma simplificada, demonstra como foram compostos os lançamentos contábeis de cada um dos meses do anocalendário, para cada código de receita. Importante frisar que a documentação contábil ora juntada é exatamente a 411 mesma que deixou de ser apreciada A época da fiscalização. Na planilha que coteja os dados de cada um dos lançamentos, separados por código de recolhimento e data, na coluna denominada "folha diário" podese verificar em qual folha e em que diário o lançamento foi registrado. Também nessa planilha estão demonstrados os estornos. Portanto, nesse trabalho a impugnante recompôs o valor constante da contabilidade para cada mês autuado e para cada código de receita, demonstrando que em muitos casos houve estorno do lançamento e ainda que muitos daqueles valores retidos, em conformidade com as determinações legais, referem se a pagamentos que somente vieram a acontecer no mês seguinte e por isso a diferença entre as DCTFs e a contabilidade. A impugnante apresenta, As fls. 3154/3155, a título meramente exemplificativo, o lançamento efetuado pela fiscalização, referente a março de 2000, pela suposta ausência de retenção do imposto incidente sobre o rendimento descrito sob o código 0588 (trabalho sem vínculo empregatício). Reiterase que todo o lançamento efetuado teve por base, exclusivamente, os registros contábeis e fiscais da empresa. Não foi, em momento algum, questionada a validade de tais registros, tanto que supostamente serviram para consubstanciar a lavratura do Auto de Infração. Ademais, em momento algum a fiscalização diligenciou no sentido de verificar as DIRFs dos períodos objeto da presente autuação, que bem demonstram a regularidade e a efetiva quitação das obrigações relativas ao I RRF. Fl. 3342DF CARF MF Processo nº 19515.002200/200548 Acórdão n.º 2402006.881 S2C4T2 Fl. 3.343 14 Esclarece a impugnante, outrossim, que se coloca A disposição para esclarecimentos adicionais que se julgarem necessários. A impugnante juntou aos autos os documentos constantes dos Anexos I a IV. Adendo de fls. 3158/3171 A impugnante vem expor o quanto segue e requerer a juntada aos autos do anexo Acórdão n° 1622.862 (fls. 3173/3221), proferido em 18/09/2009, em caso idêntico ao presente. Ainda, a fortalecer todo o até aqui exposto e já comprovado, a impugnante informa que, em 18/09/2009, foi julgado procedente em parte, pela 4 a Turma da DRJ/P1 (acórdão n° 1622.862), caso idêntico ao presente, decorrente de Auto de Infração lavrado em face da empresa Editora Scipione S/ A (coligada da impugnante), com a qual a impugnante celebrou contrato de mútuo. Após a empresa Scipione, naquele processo, apresentar os documentos e explicações da mesma forma como foi feito no presente caso, os autos foram levados a julgamento e, por maioria de votos, foi julgada parcialmente procedente a impugnação apresentada e parcialmente extinto o crédito tributário, restando objeto de autuação apenas parte do valor lançado a título de IRRF sobre juros de mútuo entre a Scipione e a ora impugnante. Ou seja, com exceção do IRRF supostamente incidente sobre os juros pagos em razão de mútuo entre a Editora Scipione e a impugnante (sua coligada), todo o lançamento foi cancelado. As diferenças de IRRF foram, ainda que por razões diferentes entre voto vencido e voto vencedor, a unanimidade canceladas. O voto vencedor, proferido pelo julgador Nelson Quadro Vinhas, nos autos do processo da Editora Scipione, entendeu que a fiscalização (1) não considerou as características da DCTF; (2) não efetuou qualquer tipo de depuração nos dados escriturados, o que prejudicou as conclusões que deram origem à atuação; e (3) tendo sido comprovada, por amostragem, a compatibilização entre os valores escriturados e aqueles apontados em DCTF, a atuação referente ao lançamento das diferenças de IRRF deveria ser em sua totalidade exonerada. Salientese, ainda, que, embora existam votos com fundamentações diferentes do voto vencedor, todos concluíram da mesma forma. Nesse sentido, o julgador Marcelo Munhoz Teixeira concluiu que o lançamento, como havia sido feito não poderia subsistir, vez que os fatos geradores não foram adequadamente determinados e que, mesmo que legalmente fosse possível modificarse o lançamento, havia "fortes indícios, dada uma análise por amostragem das provas juntadas aos autos, que os valores lançados a crédito à conta de IRRF a recolher não são devidos". Fl. 3343DF CARF MF Processo nº 19515.002200/200548 Acórdão n.º 2402006.881 S2C4T2 Fl. 3.344 15 Também, o relator Sansão Glezer teve o mesmo entendimento dos demais, exonerando o lançamento das diferenças de IRRF, porém por entender que houve erro no critério jurídico de apuração dessas diferenças. Verificase de todo o acima exposto que, independentemente das razões, para todos os julgadores da impugnação apresentada pela Editora Scipione a base de cálculo não foi determinada corretamente e, ainda, pelas provas apresentadas podese verificar que não haveriam diferenças de IRRF a serem recolhidas. Sendo assim, considerando que o caso é idêntico ao acima citado, e tendo a impugnante se preocupado em juntar a documentação da mesma forma em que juntada no processo de sua coligada, mais uma vez verificase a insubsistência da presente autuação, devendo, ante a justificação das supostas divergências encontradas, ser integralmente cancelado o lançamento, além da decadência e demais questões já arguidas. Em face da impugnação apresentada pelo sujeito passivo, a DRJ, por meio do Acórdão nº 1631.708 (fls. 3.257), julgou improcedente o lançamento fiscal, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. INÍCIO DA CONTAGEM. FATO GERADOR. Considerando que, tendo havido pagamento do tributo, a contagem do prazo decadencial se inicia na data da ocorrência do fato gerador, na data da autuação ocorrera a decadência de se constituir parte dos créditos tributários objeto da autuação. Exigência parcialmente improcedente por esse motivo. LANÇAMENTOS CONTÁBEIS. IRRF. NÃO INCIDÊNCIA. Só cabe a tributação a título de IRRF se houver a efetiva entrega de recursos, com a aquisição, pelo beneficiário, da respectiva disponibilidade econômica ou jurídica (fato gerador do imposto de renda). Não basta, para caracterizar a ocorrência do fato gerador do IRRF, a simples contabilização. Exigência totalmente improcedente por esse motivo. VALORES DECLARADOS EM DCTF E VALORES ESCRITURADOS. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. ERRO NA APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Não tendo a fiscalização depurado os dados escriturados antes de comparálos com a DCTF, o lançamento ficou irremediavelmente prejudicado, ao não ser possível determinar a exata matéria tributável (nem sequer se houve diferença a tributar). Exigência totalmente improcedente por esse motivo. Fl. 3344DF CARF MF Processo nº 19515.002200/200548 Acórdão n.º 2402006.881 S2C4T2 Fl. 3.345 16 IRRF NÃO RETIDO. RESPONSABILIDADE PARCIAL DA FONTE PAGADORA. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação de imposto, a responsabilidade da fonte pagadora cessa na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado. Verificada a falta de retenção após o citado período serão exigidos da fonte pagadora a multa de oficio e os juros de mora isolados. Exigência parcialmente improcedente por esse motivo. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em razão da exoneração do crédito tributário, os autos vieram para esse Egrégio Conselho por força do Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator Da Admissibilidade e Conhecimento Conforme se infere do relatório supra, por meio do Acórdão nº 1631.708, a DRJ julgou improcedente o lançamento fiscal, exonerando integralmente o crédito tributário, no valor de R$ 3.357.374,53, correspondente à soma do principal e multa, conforme tabela abaixo: Crédito Tributário Exonerado Principal Multa TOTAL 1.918.499,81 1.438.874,72 3.357.374,53 Assim, o recurso de ofício deve ser admitido e conhecido. Do Mérito Como visto linhas acima, a presente autuação, relativa ao período de março de 2000 a maio de 2005, decorre da apuração, por parte da fiscalização, de diferenças entre os valores contabilizados pela contribuinte nos grupos de contas 213.01 e 213.02 a título de IRRF (códigos 0561, 0422, 0473, 1708, 3208 e 0588) e os valores declarados em DCTFs. Em sua defesa a contribuinte alega: • Decadência do direito de o Fisco constituir créditos tributários relativos aos meses de março, maio e junho de 2000; • Impossibilidade jurídica de se efetuar lançamento tributário com base em valores registrados contabilmente como provisão de impostos a pagar; Fl. 3345DF CARF MF Processo nº 19515.002200/200548 Acórdão n.º 2402006.881 S2C4T2 Fl. 3.346 17 • Impossibilidade de exigência, da fonte pagadora, do imposto de renda não retido do beneficiário, depois de encerrado o período de apuração do tributo; e • Inexistência de divergência entre os valores declarados e os valores escriturados pela impugnante. Da Decadência O Contribuinte sustenta, como visto, a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário relativo aos meses de março, maio e junho/2000. A DRJ, sobre o tema, concluiu que, para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento do tributo, aplicase o artigo 150, § 4°, do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, inciso I, do CTN. Para ambos os casos, o prazo decadencial é de 5 anos, qualquer que seja o tributo. Considerando que o Auto de Infração vem exigir a diferença de pagamento de IRRF, há que se entender que houve algum pagamento, de modo que há que se aplicar ao caso em tela o § 4° do artigo 150 do CTN. Dessa forma, assiste razão à impugnante quanto à alegação de que na data da autuação, em 29/07/2005 (data da ciência, conforme AR de fl. 244), ocorrera a decadência de se constituir os créditos tributários relativos aos meses de março, maio e junho de 2000. Não há qualquer reparo a ser feito na decisão de piso neste particular, mantendoa incólume por seus próprios fundamentos. Do Lançamento Efetuado com Base Exclusivamente em Valores Registrados na Contabilidade Neste ponto, a DRJ, citando os artigos 620, 624, 628, 637, 638, 647 e 649 do RIR/99, pontuou que os supracitados artigos são claros ao prescrever que só cabe a tributação a título de IRRF se houver a efetiva entrega de recursos (pagamento ou crédito financeiro dos rendimentos), com a aquisição, pelo beneficiário, da respectiva disponibilidade econômica ou jurídica (fato gerador do imposto de renda, nos termos do artigo 43 do CTN). Não basta, para caracterizar a ocorrência do fato gerador do IRRF, a simples contabilização, ou seja, o crédito contábil. Na sequência, citando doutrina e jurisprudência desse Egrégio Conselho, concluiu aquele órgão julgador que mesmo tendo a pessoa jurídica, em obediência ao regime de competência, registrado em sua contabilidade os valores a que se obrigou a pagar, como despesa incorrida, e provisionado o valor a ser eventualmente pago a título de IRRF, só haverá retenção do imposto de renda na fonte quando ocorrer o cumprimento da obrigação, o efetivo pagamento. A apropriação das receitas e despesas segue critérios próprios (regime de competência), inaplicáveis à tributação do imposto de renda na fonte. No caso em tela, a fiscalização baseou a autuação exclusivamente em valores contabilizados pela contribuinte Livro Razão (grupos de contas 213.01 e 213.02), sem verificar se e quando ocorreu a efetiva entrega de recursos aos beneficiários (fato gerador do IRRF). Tratase de contas do passivo, relativas à provisão para recolhimento do IRRF, conforme se observa, por exemplo, em relação ao lançamento efetuado pela Fl. 3346DF CARF MF Processo nº 19515.002200/200548 Acórdão n.º 2402006.881 S2C4T2 Fl. 3.347 18 fiscalização, referente a agosto de 2000, pela suposta ausência de retenção do imposto incidente sobre o rendimento de código 0588 (trabalho sem vínculo empregatício). Analisandose o Razão Contábil (fls. 1477/1478), observase que, conforme alega a impugnante, as datas indicadas nessas contas, obedecem ao momento em que foi constituída a obrigação (provisão), e não ao dia em que efetuada a retenção do imposto, que pode ser verificado através da análise do QIRRF (programa de controle do imposto retido sobre pagamentos efetuados a terceiros pela impugnante), à fl. 1492. Dessa forma, por não restar comprovado quando ocorreu a efetiva entrega de recursos aos beneficiários, fato gerador do IRRF, cujo ônus da prova cabe à fiscalização, nos termos do artigo 142 do CTN (que dispõe que "Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível' grifei), há que se considerar improcedente a autuação, exonerandose integralmente o crédito tributário correspondente. Como se vê, a DRJ fez uma robusta análise do caso concreto, tendo concluído pela improcedência da autuação. Isto porque, conforme exposto, a fiscalização partiu de uma premissa equivocada, cotejando os valores provisionados na contabilidade com aqueles declarados na DCTF. Ocorre que, conforme pontuado pelo órgão julgador de primeira instância, as provisões seguem o regime de competência, sendo que o IRRF deve ser apurado sobre os valores efetivamente pagos pela Recorrente a terceiros, os quais, por certo, não necessariamente devem corresponder àqueles. Como fartamente já exposto, a Autoridade Fiscal baseou o lançamento nas diferenças apuradas por meio de confronto entre os valores declarados em DCTF, como devidos, e a provisão de IRRF contabilizada no passivo da Recorrente, no período correspondente, concluindo que os valores contabilizados e não declarados na DCTF no mesmo mês da contabilização foram retidos e não recolhidos. Ocorre, entretanto, que, não há que se falar em obrigação tributária se não verificada a ocorrência, no mundo fenomênico, de um acontecimento que se amolde à descrição contida no antecedente normativo (hipótese de incidência estabelecida em lei). Ao partir do valor do tributo lançado no passivo da Recorrente, como fez a Autoridade Fazendária, subverteuse totalmente a sistemática de apuração do crédito tributário; em verdade, tal procedimento trouxe a indevida equivalência da provisão à ocorrência do fato gerador, bem como a equivocada assertiva que o valor registrado em conta do passivo da Autuada poderia servir como base de cálculo para apuração do tributo. De fato, assumir esta premissa equivaleria a se afirmar, contrario sensu, que a não contabilização de obrigação tributária no passivo de uma empresa demonstraria a inexistência de valores devidos a título de tributo. Neste contexto, outra não pode ser a conclusão senão aquela alcançada pela decisão de primeira instância pela improcedência da autuação. Fl. 3347DF CARF MF Processo nº 19515.002200/200548 Acórdão n.º 2402006.881 S2C4T2 Fl. 3.348 19 Da Exigência, da Fonte Pagadora, do IRRF, depois de Encerrado o Período de Apuração do Tributo Neste ponto, a DRJ iniciou suas ponderações da seguinte forma: além de não restar comprovada a ocorrência do fato gerador do IRRF (efetiva entrega de recursos ao beneficiário), nem existir liquidez e certeza quanto à matéria tributável, o que já invalida por completo a autuação, há que se tecer, ainda, algumas considerações adicionais, que reforçam a improcedência da parte da autuação. E prossegue: caso tenha havido a retenção do imposto de renda por parte da autuada, ela fica necessariamente responsável pelo seu recolhimento aos cofres públicos, sujeitandose as penalidades decorrentes do não cumprimento de sua obrigação. Ocorre que, do mesmo modo que não constam dos autos prova da efetiva entrega de recursos ao beneficiário (fato gerador do IRRF), também não constam dos autos prova de que o correspondente imposto de renda tenha sido retido pela fonte pagadora (a autuada). Como tal comprovação seria ônus da fiscalização, há que se considerar que não houve a correspondente retenção. Analisemos, então, à luz dessa situação (imposto de renda não retido), a tributação relativa aos IRRFs de códigos 0561, 1708, 0588 e 3208, que são tratados como antecipação do imposto devido pelo beneficiário, conforme disposto no RIR/99, artigo 620, § 3° (supra transcrito) e 650 (que dispõe que "O imposto descontado na forma desta Seção será considerado antecipação do devido pela beneficiária"). Ficam de fora dessa análise os IRRFs de códigos 0422 e 0473, considerados de tributação definitiva, nos termos do artigo 682, I, do RIR/99. Neste espeque, citando o Parecer Normativo COSIT nº 1 de 24/09/2002, concluiu aquele Colegiado que, esse Parecer Normativo deixa claro que, nos casos em que a falta de retenção foi constatada após o encerramento do período de apuração em que o rendimento deveria ser tributado pela pessoa jurídica beneficiária, somente pode ser exigido da fonte pagadora a multa de oficio e os juros moratórios incidentes até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado. Dessa forma, considerando que o lançamento foi efetivado em 29/07/2005 (data da ciência, AR de fl. 244), não cabe o lançamento de IRRF relativo aos códigos 0588 e 3208 nos períodos de apuração anteriores a 31/12/2004 (inclusive). Reiterase que esse é apenas um argumento a mais, pois, por não restar comprovada a ocorrência do fato gerador do IRRF nem existir liquidez e certeza quanta a matéria tributável, qualquer que seja o código e qualquer que seja o período, a autuação é invalida por completo. Mais uma vez, não merece qualquer reparo a decisão de piso. E apenas para enriquecer a fundamentação daquele decisum, segue ementa de recente julgado emanado da CSRF, no qual o entendimento perfilhado pela DRJ resta claro e evidente: Acórdão 9202005.625 Sessão de 25/07/2017 Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF Exercício: 2002, 2003, 2004 IRRF. FALTA DE RETENÇÃO. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. MULTA ISOLADA Fl. 3348DF CARF MF Processo nº 19515.002200/200548 Acórdão n.º 2402006.881 S2C4T2 Fl. 3.349 20 Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, mantida pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste. Nesta hipótese, não há que se falar em retroatividade benéfica da Lei no. 11.488, de 2007. (grifei e destaquei) Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 3349DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904270/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.346
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 04 27 0/ 20 12 -9 1 Fl. 147DF CARF MF Processo nº 16327.904270/201291 Resolução nº 3201001.346 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera do recolhimento indevido da Contribuição calculada nos termos da Lei nº 9.718/1998, dado o reconhecimento da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do seu art. 3º, que pretendeu estender a base de cálculo da contribuição para além do faturamento, ou seja, para além do resultado da venda de mercadorias e/ou de serviços. Arguiu o então Manifestante que seu pedido não deveria ter sido indeferido de plano, sem intimação para apresentar documentos e prestar os esclarecimentos necessários, sob pena de cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Segundo ele, a controvérsia sobre a inclusão das receitas financeiras na receita bruta (conceito de faturamento) das instituições financeiras encontravase pendente de decisão do Supremo Tribunal Federal e que, independentemente disso, não podiam integrar a base de cálculo das contribuições as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e/ou de terceiros em hipóteses que não envolvessem intermediação financeira. Alegou também que, além de auferir receitas decorrentes do exercício de suas atividades sociais típicas, ele realizava também operações no seu próprio interesse, auferindo receitas financeiras em relação à aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias. A Delegacia de Julgamento (DRJ) considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 não alcançava as receitas típicas das instituições financeiras (faturamento), dentre elas as receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras), como os juros sobre capital próprio decorrentes da participação no patrimônio líquido de outras sociedades e o depósito compulsório rentável. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 16327.904270/201291 Resolução nº 3201001.346 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.345, de 25/07/2018, proferida no julgamento do processo nº 16327.904269/201266, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.345): Tratase de demanda que discute acerca da base de cálculo das contribuições para realizar o PER/DCOMP para instituições financeiras. Sobre o tema já se posicionou a Terceira Turma Câmara Superior no Acórdão 9303 005.051, sendo o Relator Designado o Conselheiro Charles Mayer, vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA.EFEITO SUBSTITUTIVO. Matéria que foi objeto de Recurso de 1º Grau, prevalece a decisão de segundo grau em substituição da decisão recorrida. BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento promovida pela Lei nº 9.718/98. Não se incluem no conceito de receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras as provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiro Em recente julgado essa Turma adotou posicionamento de converter o feito em diligência nos autos 16327.720228/201481, por entender que é necessário apresentar de modo detalhado o que são operações financeiras próprias. Em que pese, ter decisão judicial com trânsito em julgado, vejo a necessidade de adotar o mesmo posicionamento do mencionado autos 16327.720228/201481, devendo o feito ser convertido em diligência (...): (...) para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias.(Processo 16327.720228/201481) Fl. 149DF CARF MF Processo nº 16327.904270/201291 Resolução nº 3201001.346 S3C2T1 Fl. 5 4 Diante de tal, a prorrogação pode ser prorrogada por igual prazo em favor do Contribuinte. Finalmente apresentado os documentos, dê vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em igual prazo para que se manifeste acerca dos documentos juntados, após, retornem para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual prazo. Finalmente apresentado os documentos, dê vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em igual prazo para que se manifeste acerca dos documentos juntados, após, retornem para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.724388/2013-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE APOSENTADORIA. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA.
TRIBUTAÇÃO.
Relativamente ao ano-calendário de 2010, os rendimentos recebidos acumuladamente pagos por entidade de previdência complementar, decorrentes de complementação do valor de aposentadoria, quando correspondentes a anos-calendário anteriores ao do recebimento, não estão enquadrados na sistemática de tributação exclusiva na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, prevista no art. 12-A da Lei nº 7.713, de 1988. A incidência da tributação exclusivamente na fonte com respeito a essa natureza de rendimentos recebidos acumuladamente deu-se apenas a partir de 11 de março de 2015, com a publicação da Medida Provisória nº 670, de 2015.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA.
A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Apura-se o imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano-calendário de 2010, relativamente a diferenças de aposentadoria paga por entidade de previdência complementar, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculados de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, a multa de ofício é de aplicação obrigatória nos casos de exigências de tributos decorrentes de lançamento de ofício, não podendo ser dispensada ou reduzida.
Numero da decisão: 2201-004.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do tributo devido aplicando-se a tabela progressiva vigente no mês do recebimento de cada parcela que compõe o montante recebido.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE APOSENTADORIA. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA. TRIBUTAÇÃO. Relativamente ao ano-calendário de 2010, os rendimentos recebidos acumuladamente pagos por entidade de previdência complementar, decorrentes de complementação do valor de aposentadoria, quando correspondentes a anos-calendário anteriores ao do recebimento, não estão enquadrados na sistemática de tributação exclusiva na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, prevista no art. 12-A da Lei nº 7.713, de 1988. A incidência da tributação exclusivamente na fonte com respeito a essa natureza de rendimentos recebidos acumuladamente deu-se apenas a partir de 11 de março de 2015, com a publicação da Medida Provisória nº 670, de 2015. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Apura-se o imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano-calendário de 2010, relativamente a diferenças de aposentadoria paga por entidade de previdência complementar, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculados de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, a multa de ofício é de aplicação obrigatória nos casos de exigências de tributos decorrentes de lançamento de ofício, não podendo ser dispensada ou reduzida.
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DIFERENÇAS DE APOSENTADORIA. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA. TRIBUTAÇÃO. Relativamente ao anocalendário de 2010, os rendimentos recebidos acumuladamente pagos por entidade de previdência complementar, decorrentes de complementação do valor de aposentadoria, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, não estão enquadrados na sistemática de tributação exclusiva na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, prevista no art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988. A incidência da tributação exclusivamente na fonte com respeito a essa natureza de rendimentos recebidos acumuladamente deuse apenas a partir de 11 de março de 2015, com a publicação da Medida Provisória nº 670, de 2015. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Apurase o imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no anocalendário de 2010, relativamente a diferenças de aposentadoria paga por entidade de previdência complementar, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculados de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 43 88 /2 01 3- 58 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10120.724388/201358 Acórdão n.º 2201004.836 S2C2T1 Fl. 177 2 Nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, a multa de ofício é de aplicação obrigatória nos casos de exigências de tributos decorrentes de lançamento de ofício, não podendo ser dispensada ou reduzida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do tributo devido aplicandose a tabela progressiva vigente no mês do recebimento de cada parcela que compõe o montante recebido. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0842.718 6a Turma da DRJ/FOR, o qual julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração pelo qual se exige Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF decorrente de omissão de rendimentos. A decisão de primeira instância de forma objetiva assim sintetizou os fatos: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração para formalização do crédito tributário do anocalendário 2010, relativo ao Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza de Pessoa Física, doravante mencionado simplesmente como Imposto sobre a Renda, com os seguintes valores: Imposto 27.884,97 Juros 5.298.14 Multa 20.913.73 Valor do Crédito Apurado 54.096,84 Conforme o Termo de Verificação Fiscal: O contribuinte recebeu da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco BEG em abril de 2010 o valor total de R$ 557.694,35. Depois da análise do Termo de Opção e Quitação apresentado por ele, foi concluído que a situação não Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10120.724388/201358 Acórdão n.º 2201004.836 S2C2T1 Fl. 178 3 se enquadra no art. 12A da Lei n° 7.713/1988, pois se trata de recebimento de verbas de entidade de previdência complementar de caráter privado. No item 2 do citado Termo de Quitação consta que o contribuinte não possui vínculo empregatício com a patrocinadora do plano e está na qualidade de autopatrocinado, enquadrandose, portanto, no art. 12 da Lei n° 7.713/1988. Em relação à dedução de previdência privada da base de cálculo do Imposto sobre a Renda, há a limitação de 12% (doze por cento) dos rendimentos tributáveis (R$ 12.000,00 já declarado mais R$ 557.694,35), motivo pelo qual foi deduzido somente o valor de R$ 68.363,32. O contribuinte foi notificado em 25/05/2013, conforme Aviso de Recebimento AR juntado aos autos (fl. 35). Em 21/06/2013, ele apresentou impugnação, na qual alega, em síntese: Com o advento da Lei n° 9.250/1995 as contribuições das pessoas físicas às entidades fechadas de previdência privada passaram a ser dedutíveis na determinação da base de cálculo mensal do Imposto sobre a Renda e na Declaração de Ajuste Anual, sendo tributadas no recebimento do benefício pelo contribuinte. A Lei n° 9.250/1995, todavia, não dispôs sobre as contribuições já pagas pelos contribuintes anteriormente, que já haviam sido tributadas por ocasião do recebimento dos salários mensais. Tal situação configura ilegal bis in idem e é inconstitucional. Foi, então, editada a Medida Provisória n° 2.15970, de 24/08/2001, que excluiu da incidência do Imposto sobre a Renda o resgate de contribuições de previdência privada cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefícios da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1701/1989 a 31/12/1995. Os tribunais vêm reconhecendo não incidir o imposto também no recebimento da complementação de aposentadoria, proporcionalmente ao montante recolhido com ônus do beneficiário no mesmo período. O capital acumulado junto à entidade de previdência privada tem natureza eminentemente patrimonial (formação de poupança), sendo mera devolução de capital o pagamento de benefícios ou o resgate (caso do não recebimento da complementação de aposentadoria). O valor investido ao longo do tempo é atualizado monetariamente, não havendo acréscimo patrimonial que justifique nova cobrança. Assim, não pode ser cobrado Imposto sobre a Renda sobre os benefícios de suplementação de aposentadoria derivados dos fundos de pensão capitalizados com rendimentos do trabalho assalariado do contribuinte no período da vigência da Lei n° 7.713/1988. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10120.724388/201358 Acórdão n.º 2201004.836 S2C2T1 Fl. 179 4 Os valores recebidos decorrem de acordo firmado em processo administrativo com a PREBEG, entidade de previdência complementar fechada, constituída nos termos do art. 31, I, da Lei Complementar 109/2001, abrangendo servidores do Banco do Estado de Goiás S/A BEG, sociedade de economia mista controlada pelo Estado de Goiás até ser liquidado pelo Banco Central do Brasil, quando o controle acionário passou para a União Federal, conforme disposições da Lei Estadual n° 13.347/1998, e ter suas ações leiloadas. Logo, durante todo o período em que o impugnante contribuiu para formar o fundo resgatado, a PREBEG não era um plano de previdência privada, mas sim um plano de previdência complementar patrocinado pelo Estado de Goiás, nos termos do art. 12A da Lei n° 7.713/1998, c/c art. 68 da Lei Complementar n° 109/2011. A PREBEG sujeitase às normas de direito público, já que recebeu e administrava os recursos do Estado de Goiás remanescentes em seu patrimônio social e reservas. O Decreto n° 6.386/2008, que regulamenta a consignação em pagamento, arts. 1°, 2° e, especialmente o art. 3°, VIII e IX, demonstram o entendimento do Governo Federal de que entidades fechadas de previdência complementar fazem parte da Administração Pública. A decisão administrativa irrecorrível proferida em favor do contribuinte revestese de prerrogativas de decisão transitada em julgado na esfera judicial, conforme já pacificado na doutrina e jurisprudência pátrias. A lei é clara quando diz que a tributação definitiva na fonte somente se dá se o contribuinte fizer essa opção. Caso contrário, será antecipação a ser considerada no ajuste anual. Mesmo que não se entenda que o caso se enquadra no art. 12A da Lei n° 7.713/1988, os rendimentos devem ser considerados isentos em face do princípio da isonomia. Não se pode tributar os rendimentos auferidos pelo cidadão comum (Lei n° 7.713/1988, art. 12) enquanto similar patrocinado por entidades públicas permanece isento do Imposto sobre a Renda (Lei n° 7.713/1988, art. 12A). Caso não se entenda pela isenção em decorrência do princípio a isonomia, deve ser observado o princípio da vedação à bitributação, uma vez que as contribuições ao plano já haviam sido tributadas no momento dos recebimentos dos salários mensais antes da edição da Lei n° 9.250/1995. É o relatório. Foi prolatado o Acórdão 0842.718 6a Turma da DRJ/FOR (fls. 109/116), que a julgou a impugnação improcedente, mantendo integralmente o Auto de Infração. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10120.724388/201358 Acórdão n.º 2201004.836 S2C2T1 Fl. 180 5 A ciência dessa decisão ocorreu em 16/05/2018 (fl. 123) e o recurso voluntário (fls. 265/281) foi tempestivamente protocolizado em 15/06/2018, via Correios (fl. 168/170), tendo o contribuinte se limitado a reiterar os argumentos apresentados por ocasião da impugnação. É relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Admissibilidade O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Do mérito Esta Turma de Julgamento já teve a oportunidade de se debruçar acerca do tema controvertido nos presentes autos, através do processo nº 11030.722037/201627, acórdão nº 2201004.150, sessão de 07/02/2018, da Relatoria do Dr. Marcelo Milton da Silva Risso. Naquela ocasião, esta Turma, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. Ao fundamentar seu voto, o insigne Relator se utilizou da decisão (acórdão nº 2401005.171 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária), proferida pelo Conselheiro Cleberson Alex Friess, nos autos do processo nº 17437.720448/201519. Referida decisão traz em seu bojo um apanhado legislativo acerca da matéria para, alfim, concluir pela aplicabilidade ao caso entelado, da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de Repercussão Geral. Por ter entendimento concordante em relação ao tema tratado, peço vênia, igualmente, ao Conselheiro Relator, para transcrever excertos do seu voto no tocante aos apectos de direito: O art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, estabelecia que para os rendimentos recebidos acumuladamente, relativos a anos calendário anteriores ao do seu recebimento, a incidência do Im posto sobre a Renda ocorria no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, subtraído o valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive advogados: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Entretanto, o art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, acrescido pela Medida Provisória (MP) nº 497, de 27 de julho de 2010, pos teriormente convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, alterou a sistemática de tributação dos rendimentos Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10120.724388/201358 Acórdão n.º 2201004.836 S2C2T1 Fl. 181 6 recebidos acumuladamente, a partir de 28 de julho de 2010, corr espondentes a anoscalendários anteriores ao do recebimento: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendime ntos recebidos no mês. § 1º O imposto será retido, pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito, e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. (...) Como se observa do texto de lei, tais rendimentos acumulados pa ssaram a serem tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, submetidos à tabela progressiva do Imposto sobre a Renda. Porém, a novel sistemática de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente tinha um alcance limitado, não atingindo qualquer verba recebida pelo beneficiário. De fato, a incidência da tributação exclusivamente na fonte e em separado dos demais rendimentos aplicavase exclusivamente a: (i) rendimentos do trabalho; e (ii) rendimentos provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Por essa razão, no anocalendário de 2012, os rendimentos pagos pelas entidades de previdência complementar não estavam englobados no regime de tributação do Imposto sobre a Renda exclusiva na fonte e em separado das demais verbas percebidas pelo contribuinte, sendo descabida a utilização, desse modo, da sistemática do art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988. Somente a partir de 11/03/2015, com a publicação da MP nº 670, de 10 de março de 2015, depois convertida na Lei nº 13.149, de 21 de julho de 2015, que deu nova redação ao art. 12 A da Lei nº 7.713, de 1988, a restrição existente quanto à natureza dos rendimentos recebidos acumuladamente foi extinta, passando a abranger qualquer verba percebida, desde que submetida à incidência do Imposto sobre a Renda com base na tabela progressiva: Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10120.724388/201358 Acórdão n.º 2201004.836 S2C2T1 Fl. 182 7 Art. 12A. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (...). A mesma MP nº 670, de 2015, também revogou o art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988 (art. 4º, após renumerado para o art. 7º da Lei nº 13.149, de 2015). Até a data de 11/03/2015, os rendimentos pagos acumuladament e por entidade de previdência complementar, decorrentes de dife renças de complementação de aposentadoria, não estavam sujeit os à incidência na forma do art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, na redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010. O § 3º do art. 2º da IN RFB nº 1.127, de 2011, incluído pela IN R FB nº 1.261, de 20 de março de 2012, tão somente explicitou o q ue estava prescrito em lei, não havendo quese falar em inovação jurídica que restringiu direitos dos contribuintes por intermédio de ato infralegal: Art. 2º Os RRA, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anos calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, quando decorrentes de: I aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios; e II rendimentos do trabalho. (...) § 3º O disposto no caput não se aplica aos rendimentos pagos pelas entidades de previdência complementar. Logo, os rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte, no anocalendário de 2012, estão submetidos ao disposto no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, que prescreve que o imposto incidirá no mês da percepção dos valores acumulados,utilizando as tabelas e alíquotas vigente s na época do recebimento dessas parcelas, quando auferida a re nda, independentemente do período que deveriam ter sido adimp lilidos, adotandose como parâmetro o montante global pago a de stempo. Acontece que em sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada no dia 23/10/2014, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 614.406/RS, com repercussão geral reconhecida, redator para o acórdão Ministro Marco Aurélio, o Plenário da Corte concluiu pela invalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, no que tange à sistemática de cálculo Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10120.724388/201358 Acórdão n.º 2201004.836 S2C2T1 Fl. 183 8 para a incidência do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, por violar os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, previstos na Carta Política de 1988. Com efeito, afastando o regime de caixa, o Tribunal acolheu o regime de competência para o cálculo mensal do impo sto sobre a renda devido pela pessoa física, com a utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valo res deveriam ter sido adimplidos. Eis a ementa desse julgado: IMPOSTO DE RENDA PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exe rcícios envolvidos. Em 9/12/2014, o Recurso Extraordinário nº 614.406/RS transitou em julgado. Diante desse contexto, assiste razão ao recorrente porquanto deve ser aplicado ao presente caso a decisão proferida pelo STF em sede de repercussão geral. Por conseguinte, o cálculo deve considerar as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos percebidos, realizandose o cálculo de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente, como considerou a autoridade fiscal lançadora. O § 2º do art. 62 do Anexo II do RICARF, assim estabelece: Art. 62. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Destarte, a exigência de que o imposto incidirá no mês da percepção dos valores, sobre o total dos rendimentos acumulados, aplicandose a tabela progressiva vigente no mês desse recebimento, foi considerada inconstitucional, em decisão proferida pelo STF, na sistemática do art. 543 B, do Código de Processo Civl, devendo esse entendimento ser reproduzido por este Conselho, nos termos do supra transcrito art. 62, § 2º, do RICARF. Cumpre ressaltar, contudo, que a presente decisão importa tão somente em alteração da forma de apuração do imposto devido, utilizandose o regime de competência para se promover as retificações devidas. Quanto à alegação da recorrente, que seriam isentos os rendimentos por se referirem a contribuições vertidas para a PREBEG no período de 1º/01/1989 a 31/12/1995, a decisão de piso restou assentada nos seguinte termos: A Lei n° 7.713/1988, art. 6°, VII, “b”, na sua redação original, isentava da incidência de Imposto sobre a Renda os benefícios recebidos de entidades de previdência privada relativamente aos Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10120.724388/201358 Acórdão n.º 2201004.836 S2C2T1 Fl. 184 9 valores correspondentes às contribuições cujo ônus tivesse sido do participante e desde que os rendimentos e ganhos de capital produzidos pelo patrimônio da entidade tivessem sido tributados na fonte. Somente em 1995, com a vigência da Lei n° 9.250/1995, houve a extinção dessa isenção, passando a ser tributáveis o recebimento do benefício ou o resgate das contribuições. Por outro lado, as contribuições não podiam ser deduzidas da base de cálculo do Imposto sobre a Renda. Com relação ao período de 01/1989 a 12/1995, a Medida Provisória 1.94352 determinou a exclusão da base de cálculo do imposto do valor do resgate das contribuições à previdência privada quando do desligamento do plano de benefício. Depois de acirrada discussão no Poder Judiciário, restou pacífica a tese de que, apesar de não estar explícito na lei, as pessoas que se aposentaram a partir de 01/1996 têm direito adquirido à isenção parcial do Imposto sobre a Renda sobre a previdência complementar recebida de entidade privada e relativa às contribuições vertidas no período compreendido entre as duas citadas leis. Assim, a parte da importância recebida que porventura derivasse de contribuições pagas pelo contribuinte no período 01/1989 a 12/1995 realmente seria isenta. Não há nos autos, contudo, qualquer documento que quantifique as contribuições pagas nesse período e quanto do montante recebido decorre dessas contribuições. No âmbito do processo administrativo fiscal, ao apresentar sua impugnação, o contribuinte tem o ônus de provar o alegado com a anexação de documentos e com os motivos e razões que os qualificam como prova (Decreto n° 70.235/1972, art. 16, III). Deve ser, ainda, salientado que parte do valor recebido decorreu das próprias contribuições descontadas do valor apurado no acordo, relativas ao período de 19/02/1997 a 1°/09/1999, o que evidencia a necessidade de demonstração do direito de contribuinte, acompanhado da especificação do montante que seria sujeito a isenção. Dessa forma, não há como atender o pleito do impugnante. Depreendese da decisão recorrida que faltou o contribuinte juntar a prova de das contribuições pagas no período de 01/1989 a 12/1995. De outro lado, suplica o recorrente que seja reconhecido o termo de acordo como documento suficiente para separar os valores recebidos antes e depois do desligamento do Requerente dos quadros de funcionários do BEG, aplicandose a isenção já declarada pela Delegacia de Julgamento. Todavia, o termo de acordo ventilado pelo recorrente não demonstra os valores pagos pelo contribuinte no período entelado. Os rendimentos originários de previdência privada complementar, à exceção do período, cuja prova não fora produzida, são rendimentos tributáveis e não podem ser confundidos com rendimentos de poupança, como quer fazer crer o Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10120.724388/201358 Acórdão n.º 2201004.836 S2C2T1 Fl. 185 10 recorrente. Rendimentos originários de poupança são isentos, porquanto obedecem a sistemática totalmente diversa. Assim sendo, entendo que agiu com acerto a decisão da DRJ, não merecendo nenhum reparo quanto a este tocante. Da multa de ofício No que pertine a alegação de que a multa de lançamento de ofício não é devida, não assiste razão ao recorrente. A aplicação da multa sobre os valores das contribuições lançadas de oficio, tenm por amparo legal o art. 44, inc. I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007)[...] Portanto, a multa de oficio no percentual de 75% deve ser mantida, não podendo ser afastada ou reduzida. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, no mérito, darlhe provimento parcial, determinando o recálculo do valor do imposto devido, com observância ao regime de competência. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 185DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.910087/2012-81
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2009
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
Numero da decisão: 3003-000.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antonio Borges - Presidente. Vinícius Guimarães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 00 87 /2 01 2- 81 Fl. 252DF CARF MF Processo nº 13896.910087/201281 Acórdão n.º 3003000.066 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação com aproveitamento de suposto pagamento a maior do PIS/PASEP, no valor de R$ 8.961,51, referente ao período de apuração de agosto de 2009. A Delegacia da RFB de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte, inexistindo, desse modo, crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente argumentou que é prestadora de serviços na área de engenharia, tendo, como tomadora de serviços, o Grupo Petrobrás, acumulando créditos com as aquisições de bens e serviços utilizados como insumos nas atividades exercidas. Sustentou que a sistemática da nãocumulatividade do PIS/COFINS pretendeu desonerar a cadeia produtiva, ao permitir que fossem descontados créditos atinentes às aquisições, efetuadas no mês, de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, ex vi do artigo 3º da Lei 10.833/03. Para comprovar seu direito creditório, a recorrente apresentou, então, Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais retificador, Declaração de Débitos e Créditos retificada, além de PER/DCOMP. A 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora proferiu decisão cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 27/10/2011 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA, DEVIDAMENTE ESCRITURADA. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e não constitui elemento de prova suficiente para justificar a retificação dos valores dos tributos devidos constantes de DCTF as informações declaradas pelo Contribuinte por meio do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, quando desacompanhada dos documentos e demonstrativos contábeis aptos a lhe darem sustentação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 13896.910087/201281 Acórdão n.º 3003000.066 S3C0T3 Fl. 4 3 Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, argumentando, em síntese: 1 que a compensação se deu com créditos existentes, demonstrados pela retificação dos DACON´s; 2 que houve apenas erro material nas informações em DCTF, fato que pode ser comprovado pelas informações apresentadas nos DACON´s, devendose observar o princípio da verdade material; 3 que a natureza do crédito pleiteado está comprovada em "todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes" que trouxe aos autos com o recurso voluntário. A recorrente aduz, ainda, que "todos os documentos contábeis e fiscais poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa". É o relatório. Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. A compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional , pressupõe a existência de créditos e débitos tributários em nome do sujeito passivo. Segundo o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. Como se sabe, a compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose, tal procedimento, a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu eletronicamente a DCOMP descrita no relatório acima, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. Em verificação fiscal da DCOMP transmitida, apurouse que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, uma vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito, tendo sido emitido, eletronicamente, Despacho Decisório que não homologou a compensação dos débitos confessados. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. Na impugnação, a recorrente sustentou erro material ao transmitir a DCTF e Fl. 254DF CARF MF Processo nº 13896.910087/201281 Acórdão n.º 3003000.066 S3C0T3 Fl. 5 4 DACON originais. Em tais declarações, o débito informado foi erroneamente apurado, de maneira que a retificação da DCTF e DACON seria suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado. Na impugnação, a recorrente trouxe aos autos as declarações retificadoras com apuração de débito de contribuição social a menor, deixando de apresentar, todavia, documentos para comprovar sua alegação, infirmando as declarações originais. Ao apreciar a impugnação, a decisão recorrida entendeu que a simples entrega de declarações retificadoras não seria suficiente para demonstrar a existência de pagamento a maior do qual teria derivado o direito creditório pleiteado pela recorrente em sua DCOMP. No entendimento do colegiado, a recorrente deveria ter demonstrado a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, por meio da apresentação de escrituração contábil fiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos, comprovando que a contribuição devida era realmente menor do que o valor constante nas declarações originais. Analisando os autos, observase que, de fato, a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Como bem assinalou a decisão a quo, para que os dados declarados em DACON fossem tidos como corretos, infirmando aqueles informados em DCTF e demonstrando a certeza e liquidez do crédito a compensar, deveria a recorrente ter apresentado documentos que corroborassem a apuração do tributo declarado. Com efeito, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, com redução de débitos originalmente apurados. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Importa destacar que incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Tal é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 255DF CARF MF Processo nº 13896.910087/201281 Acórdão n.º 3003000.066 S3C0T3 Fl. 6 5 (...)III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não obstante, em homenagem ao princípio da verdade material e considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, passo à análise dos documentos apresentados após a impugnação os quais podem representar, de certo modo, uma forma de contrapor as razões consignadas na decisão recorrida, aplicandose, no caso concreto, a exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.237/72. Compulsando os documentos apresentados, observase que a recorrente não logrou demonstrar a certeza e liquidez do direito pleiteado. Explico. Apesar de ter trazido aos autos diversas notas fiscais, a recorrente deixou de apresentar escrituração contábilfiscal e demonstrativos de apuração a fim de justificar a retificação do DACON e DCTF. De fato, não há, nos autos, provas que demonstrem a natureza e extensão de eventuais créditos que pudessem reduzir seus débitos apurados e informados nas declarações originais. Nesse sentido, a simples juntada de notas fiscais variadas, sem qualquer explicação e demonstração de como influenciam a apuração das contribuições sociais, não é suficiente para comprovar e elucidar os fundamentos da retificação realizada no DACON e DCTF. Para comprovar seu direito, a recorrente deveria ter apresentado demonstrativo de apuração das contribuições sociais, contrastando o cálculo original com o retificado, identificando as rubricas de despesas que foram alteradas para reduzir o tributo devido, indicando todos os documentos que comprovem sua natureza e valor, e demonstrando sua escrituração contábilfiscal. Do material probatório apresentado, não há como saber a natureza e extensão de eventuais deduções na apuração da contribuição social de que resultou o crédito pleiteado nos autos. Não há demonstrativo de apuração, não há escrituração contábil e fiscal, não há elucidação analítica para explicar a suposta redução do débito informado nas declarações retificadas. Sublinhese que notas fiscais apresentadas pelo contribuinte, quando desacompanhadas de outros elementos que demonstrem sua escrituração e, sobretudo, seu cômputo na apuração do tributo devido, não possuem força probatória para demonstração de direito creditório oponível à fazenda pública. A compensação tributária impõe a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. A recorrente, apesar de juntar notas fiscais diversas sem documentos contábeis e fiscais que demonstrem sua escrituração , não faz qualquer vinculação de tais notas a eventuais contas de despesas dedutíveis no regime da nãocumulatividade que poderiam servir para a redução do tributo devido. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 13896.910087/201281 Acórdão n.º 3003000.066 S3C0T3 Fl. 7 6 No caso dos autos, ocorreu simples juntada de notas fiscais avulsas, desacompanhadas de escrituração contábilfiscal e de esclarecimentos analíticos para demonstrar seu eventual impacto na apuração do tributo devido. A recorrente deveria ter apresentado descrição minuciosa da apuração da contribuição social, estabelecendo conexões entre os diversos elementos que devem compor a prova do direito creditório alegado: notas fiscais, escrituração contábilfiscal, demonstrativo de apuração do tributo devido. Em seu recurso, a recorrente aduz que "disponibiliza todos os documentos contábeis e fiscais", os quais "poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa". Quanto a tal questão, registrese que a recorrente teve toda a possibilidade de apresentação dos citados documentos em seu recurso. Não o fez. Neste caso, ocorreu a preclusão do direito de apresentar prova documental além daquela trazida no recurso voluntário. Por fim, no tocante ao pedido de sustentação oral, deduzido no recurso voluntário, há que se lembrar o que dispõe o art. 61A, §2º., do Anexo II do Regimento do Interno do CARF (RICARF): Art. 61A. As turmas extraordinárias adotarão rito sumário e simplificado de julgamento, conforme as disposições contidas neste artigo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 1º Os processos serão pautados em reunião composta por sessões não presenciais virtuais. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 2º A pauta da reunião será elaborada em conformidade com o disposto no art. 55, dispensada a indicação do local de realização da sessão, e incluída a informação de que eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, e ainda, de que é facultado o envio de memoriais, em meio digital, no mesmo prazo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Vinícius Guimarães Relator Fl. 257DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.906201/2012-79
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em recurso voluntário.
DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. MATÉRIAS DE ORDEM PÚBLICA.
Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo.
PRAZO PRESCRICIONAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. RESTITUIÇÃO. LEI 118/05. APLICAÇÃO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, reconhecidas como de Repercussão Geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62, § 2º, Anexo II, Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data.
Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
RESTITUIÇÃO. EXAURIMENTO DO PRAZO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se admite a compensação com crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 anos da data da entrega do PER/DCOMP e que não tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo.
Numero da decisão: 3003-000.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em recurso voluntário. DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. MATÉRIAS DE ORDEM PÚBLICA. Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo. PRAZO PRESCRICIONAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. RESTITUIÇÃO. LEI 118/05. APLICAÇÃO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, reconhecidas como de Repercussão Geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62, § 2º, Anexo II, Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 RESTITUIÇÃO. EXAURIMENTO DO PRAZO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite a compensação com crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 anos da data da entrega do PER/DCOMP e que não tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em recurso voluntário. DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. MATÉRIAS DE ORDEM PÚBLICA. Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo. PRAZO PRESCRICIONAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. RESTITUIÇÃO. LEI 118/05. APLICAÇÃO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, reconhecidas como de Repercussão Geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62, § 2º, Anexo II, Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 62 01 /2 01 2- 79 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13896.906201/201279 Acórdão n.º 3003000.117 S3C0T3 Fl. 3 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 RESTITUIÇÃO. EXAURIMENTO DO PRAZO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite a compensação com crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 anos da data da entrega do PER/DCOMP e que não tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Tratam os autos de declaração de compensação PER/DCOMP nº 00233.84236.290710.1.3.045055 , transmitido eletronicamente em 29/07/2010, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. O PER/DCOMP visava compensar o débito nele discriminado, com crédito de COFINS, Código de Receita 2172, no valor de R$ 874,20, decorrente de recolhimento com Darf, no valor de R$ 91.425,40, efetuado em 15/10/2002. A partir da análise do PER/DCOMP, foi emitido Despacho Decisório, de acordo com o qual constatouse que, na data de transmissão do pedido de compensação, já havia sido extinto o direito creditório ali informado, em virtude de terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF e a data de transmissão do PER/DCOMP, resultando em não homologação da compensação declarada, tendo como fundamento os arts. 165 e 170 do CTN, e art. 74 da Lei nº. 9.430. Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou, em síntese, que o PER/DCOMP em litígio encontravase respaldado pelo PER/DCOMP nº 06457.82617.010607.1.3.046044, já homologado, e que desta compensação havia restado saldo de R$ 2.006,15, para ser usado em compensações futuras. A 2ª Turma da DRJ em Belo Horizonte proferiu decisão nos termos da seguinte ementa: Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13896.906201/201279 Acórdão n.º 3003000.117 S3C0T3 Fl. 4 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO APÓS A EXTINÇÃO DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO. Não se admite a compensação com crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 anos da data da entrega do PER/DCOMP e que não tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, pugnando, em síntese, que não houve decadência do direito creditório indicado na declaração de compensação, pois o crédito pleiteado decorre de tributo cujo lançamento se dá por homologação, para o qual o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do direito creditório deve ser o de homologação ou constituição definitiva do crédito tributário. A recorrente cita jurisprudência a fim de sustentar sua tese de que o prazo para a restituição/compensação de tributos com lançamento por homologação seria de dez anos (tese do 5 + 5) a partir da ocorrência do fato gerador. Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. Importa destacar, primeiramente, que a recorrente não trouxe, em sede de recurso voluntário, as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade acerca da legitimidade da utilização dos créditos informados no PER/DCOMP em litígio em face de ter ocorrido homologação de PER/DCOMP anterior, na qual havia restado saldo credor para ser utilizado em compensações futuras. Nesse aspecto, a recorrente aquiesce com a decisão a quo, a qual estabeleceu que a existência de DCOMP transmitida antes da extinção do direito de pleitear restituição de determinado pagamento não legitima compensações com ele efetuadas depois da extinção do direito de postular restituição. De fato, a existência de crédito remanescente em compensação homologada não afasta a necessidade de seu pedido de restituição se dar dentro do prazo decadencial. Essa matéria, no entanto, é questão preclusa, nos termos do art. 17 do Decreto nº. 70.235/72, estranha ao recurso ora analisado. Como já destacado no relatório, a recorrente traz, em sede de Recurso Voluntário, novos argumentos para afastar a decisão recorrida. Com efeito, em sua impugnação perante a instância a quo, a recorrente não apresentou a tese apresentada em seu Recurso, segundo a qual, aos tributos sujeitos a lançamento por homologação deveria ser Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13896.906201/201279 Acórdão n.º 3003000.117 S3C0T3 Fl. 5 4 aplicado o prazo decadencial de dez anos para extinção do direito à restituição/compensação. Tratase, portanto, de matéria não ventilada em sede de manifestação de inconformidade. Tendo em vista que a decadência e a prescrição constituem matérias de ordem pública, podendo, assim, serem conhecidas a qualquer tempo, entendo que os argumentos trazidos no Recurso Voluntário devem ser conhecidos. Não obstante, analisando a tese defendida pela recorrente à luz do caso concreto e das normas a ele aplicáveis, constatase que ocorreu, de fato, a extinção do prazo para o aproveitamento dos créditos apontados na DCOMP transmitida. Explico. A questão da prescrição (ou, no dizer da recorrente, "decadência") concernente ao aproveitamento de créditos de tributos sujeitos a lançamento por homologação foi matéria bastante discutida no direito brasileiro, suscitando calorosos embates em passado razoavelmente recente. Ocorre que, a partir do julgamento do RE 566.621/RS com repercussão geral, pelo Supremo Tribunal Federal, tal matéria foi definitivamente decidida, tendo sido consignado que deve se aplicar o prazo de cinco anos para os casos de repetição ou compensação de indébitos aos processos ajuizados a partir de 9 de junho de 2005, aplicando se o prazo de dez anos para os processos anteriores. Eis a ementa da decisão de relatoria da Min. Elle Gracie: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se auto proclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13896.906201/201279 Acórdão n.º 3003000.117 S3C0T3 Fl. 6 5 Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Tal questão da prescrição foi também definitivamente dirimida no âmbito do CARF, tendo sido exarada a Súmula CARF nº. 91, com efeito vinculante, cujo teor segue transcrito: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Importa registrar que a mencionada súmula é de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72, Anexo II do RICARF. Por força do art. 62, §2º, Anexo II do RICARF, também é obrigatória a reprodução, pelos conselheiros no âmbito do CARF, das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Nesse caso, inafastável a aplicação do teor da decisão no RE 566.621/RS, acima transcrita, cujo julgamento se deu segundo a sistemática prevista no art. 543B do antigo Código de Processo Civil. As decisões acima transcritas deverão iluminar a análise do caso concreto. Compulsando os autos, constatase que a recorrente transmitiu, em 29/07/2010, o PER/DCOMP nº 00233.84236.290710.1.3.045055, visando compensar débitos de COFINS, indicando que teria créditos da mesma contribuição originado de pagamento decorrente de recolhimento em DARF. Como relatado, tal compensação não foi homologada, tendo a recorrente apresentado, em manifestação de inconformidade, o argumento de que o crédito indicado na referida compensação é, na verdade, proveniente de crédito de pagamento indevido ou a maior, efetuado em 15/10/2002, e utilizado em parte no PER/DCOMP nº 06457.82617.010607.1.3.046044, já homologado. Tendo em vista que o PER/DCOMP nº 00233.84236.290710.1.3.045055 foi transmitido em data posterior a 9 de junho de 2005, devese aplicar ao caso concreto o prazo para a repetição ou compensação de indébito de cinco anos do fato gerador. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13896.906201/201279 Acórdão n.º 3003000.117 S3C0T3 Fl. 7 6 Assim, considerando que o crédito alegado é do período de apuração de 10/2002 e que o PER/DCOMP nº 00233.84236.290710.1.3.045055 foi transmitido apenas em 29/07/2010, ou seja, após o prazo de cinco anos do pagamento indevido ou a maior, conclui se que ocorreu a prescrição para a compensação/repetição de indébito. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Vinícius Guimarães Relator Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001434/2007-83
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3002-000.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência para a Unidade de Origem juntar aos autos as cópias das DCTF´s, original e retificadora, e dos comprovantes de quitação dos débitos declarados (DARF´s ou PERDCOMP´s).
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência para a Unidade de Origem juntar aos autos as cópias das DCTF´s, original e retificadora, e dos comprovantes de quitação dos débitos declarados (DARF´s ou PERDCOMP´s). (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 01 43 4/ 20 07 -8 3 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10920.001434/200783 Resolução nº 3002000.032 S3C0T2 Fl. 90 2 Relatório O processo administrativo ora em análise trata do Auto de Infração nº 1005982, lavrado em decorrência de auditoria interna nas DCTF's transmitidas pela contribuinte, visando exigir o pagamento da multa de mora pelo pagamento intempestivo de tributos declarados. Após ser intimada da autuação, a ora recorrente apresentou tempestivamente Impugnação em 20/04/2007 (fl. 02/08), a qual foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), por Acórdão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/09/2004 a 30/09/2004 MULTA DE MORA. PAGAMENTO INTEMPESTIVO. CABIMENTO. A exigência de multa de mora é devida quando comprovado que 0 pagamento do débito foi realizado a destempo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 74/84), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados, em especial, o argumento da aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea ao caso. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Primeiramente, devese esclarecer que ocorreu, ao longo do tempo, desde a prolação do Acórdão recorrido, uma mudança interpretativa sobre a possibilidade de aplicação Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10920.001434/200783 Resolução nº 3002000.032 S3C0T2 Fl. 91 3 do instituto da denúncia espontânea em situações como a que se apresenta nos autos ora analisados. Com efeito, com base nesse instituto jurídico, atualmente, vislumbrase possível a exclusão da multa de mora para débitos não declarados anteriormente, antes do início de qualquer procedimento de fiscalização, desde que sejam efetivamente pagos, quando da apresentação da declaração correspondente. No caso em tela, contudo, não encontramse presentes nos autos os documentos que podem aferir a satisfação das condições necessárias ao aproveitamento do benefício da denúncia espontânea. Em outras palavras, não fazem parte do processo as declarações de débitos e créditos federais, original e retificadora, a fim de se verificar a exata data da confissão dos débitos em questão, assim como não fazem parte os comprovantes de quitação de tais débitos, visando verificar se a quitação ocorreu pelo efetivo pagamento e, em caso positivo, se este aconteceu até a transmissão da declaração que o constituiu. Dessa forma, voto por converter o julgamento em diligência para a Unidade de Origem juntar aos autos as cópias das DCTF´s, original e retificadora, e dos comprovantes de quitação dos débitos declarados (DARF´s ou PERDCOMP´s). Por fim, deverá ser dada ciência à contribuinte dessa diligência e oportunizado prazo de 30 dias para, querendo, manifestarse. Após, os autos deverão retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900005/2014-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra divergiram quanto ao quesito da reunião do contribuinte e da Procuradoria da Fazenda Nacional, indicado no parágrafo 19 do voto.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra divergiram quanto ao quesito da reunião do contribuinte e da Procuradoria da Fazenda Nacional, indicado no parágrafo 19 do voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório 1. Tratase de Manifestação de Inconformidade contra despacho que denegou PERD/COMP's apresentados pelo contribuinte referente ao PIS/Pasep nãocumulativo, vinculados à exportação no 4 o trimestre de 2011. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 00 00 5/ 20 14 -5 6 Fl. 893DF CARF MF Processo nº 16682.900005/201456 Resolução nº 3402001.674 S3C4T2 Fl. 875 2 2. Em suma, estamos diante da conhecida discussão a respeito do conceito de insumo para fins de incidência de PIS e COFINS, a qual gravita em torno de uma postura mais restritiva por parte da Receita Federal do Brasil, o que se dá com fundamento nas INs n.s 247/02 e 404/04, bem como de uma visão mais ampla por parte dos contribuintes, que atrelam o conceito de insumo a ideia de despesa dedutível, nos termos da legislação do Imposto sobre a Renda. 3. Partindo do sobredito pressuposto, ou seja, de que insumo para fins de crédito de PIS e COFINS é aquele conceito estrito e aproximado da legislação do IPI (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) diretamente empregados na fase de industrialização, a fiscalização glosou inúmeros créditos tomados pela recorrente. 4. Assim, partindo desta premissa e analisando documentos fiscais eletrônicos, planilhas e notas fiscais entregues pela recorrente ao longo do procedimento administrativo, a fiscalização glosou inúmeros itens creditados pela recorrente: 5. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou a citada manifestação de inconformidade de fls. 03/84, oportunidade em que, após discorrer acerca da metodologia que entende pertinente para o creditamento de PIS e COFINS, refutou as glosas perpetradas pela fiscalização. 6. Uma vez processada, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ de Florianópolis (acórdão n. 0739.418 fls. 583/621), o que se deu nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 Fl. 894DF CARF MF Processo nº 16682.900005/201456 Resolução nº 3402001.674 S3C4T2 Fl. 876 3 PIS/PASEP. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. PIS/PASEP. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. PIS/PASEP. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS À CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. É vedado o direito a créditos da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa sobre as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição; nos casos de isenção, quando os bens sejam revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. BENS UTILIZADOS EM TRANSPORTE INTERNO. Os veículos, máquinas, equipamentos e embarcações utilizados no transporte interno de matériasprimas, produtos em elaboração e produtos acabados, não geram direito ao crédito, dado não se poder considerar tais bens empregados na fabricação de produtos. PIS/PASEP. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM ALUGUÉIS COM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. VEÍCULOS E EMBARCAÇÕES. INAPLICABILIDADE. A possibilidade de tomada de créditos sobre despesas de aluguéis com máquinas e equipamentos, não alcança os veículos e embarcações. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 7. Diante de tal situação, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em análise (fls. 641/738), oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de Fl. 895DF CARF MF Processo nº 16682.900005/201456 Resolução nº 3402001.674 S3C4T2 Fl. 877 4 impugnação, bem como trouxe aos autos laudo técnico de fls. 740/772, o qual confirmaria as suas razões. 8. Não obstante, em julho de 2018, a recorrente apresentou parecer técnico contábil realizado pela Pricewaterhouse Coopers Contadores Públicos Ltda. PWC, retratado em planilha que analisa cada uma das glosas perpetradas pela fiscalização e que atestaria a juridicidade dos seus créditos, parecer este que está acostado aos autos como documento não paginável que segue a petição de fls. 846/857. 9. Por fim, em novembro do corrente ano, o contribuinte apresentou outro parecer técnico (fls. 872/892) para tratar do conceito de essencialidade em cada uma das etapas da atividade empresarial exercida pela empresa. 10. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 11. Conforme se observa dos autos, a questão não é nova neste Tribunal. Trata se da infindável discussão de creditamento de PIS e COFINS e do conceito legal de insumo. Durante muito tempo esta questão foi indevidamente discutida em um altiplano normativo, na medida em que a autoridade fiscal pautava suas autuações com base no disposto na Instrução Normativa RFB nº 404, de 12 de março de 2004. Em suma, a autoridade fiscal e a Delegacia de Julgamento partem da premissa de que para serem considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem, aplicando, pois, conceito de insumo similar àquele desenvolvido no Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. 12. Acontece que o conceito de insumo admitido por este Tribunal denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Neste mesmo diapasão foi o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em recente julgado de caráter vinculante (REsp n. 1.221.170, julgado sob o rito de recursos repetitivos), cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, Fl. 896DF CARF MF Processo nº 16682.900005/201456 Resolução nº 3402001.674 S3C4T2 Fl. 878 5 efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. 13. Destacase o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. 14. Diante deste quadro, é prudente que os processos administrativos envolvendo créditos referentes a nãocumulatividade do PIS ou da Cofins sejam analisados casuisticamente, considerando cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo (critério de pertinência), para então definir a possibilidade de aproveitamento ou não do crédito pretendido. Fl. 897DF CARF MF Processo nº 16682.900005/201456 Resolução nº 3402001.674 S3C4T2 Fl. 879 6 15. Assim, retornando aos autos, tenho que este processo não se encontra em condições de receber um justo julgamento, em especial depois da apresentação de variados laudos técnicos acostados pelo contribuinte no sentido de aparentemente atestar seu direito, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade preparadora, para que: (i) seja esclarecida pela Autoridade Fiscal a participação de cada um dos itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa. 16. Ademais, deverá a fiscalização (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. 17. Ao efetuar estas constatações, solicito que a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencados, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. 18. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. 19. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal, (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), dos laudos técnicos aqui acostados e do parecer técnico que será preparado pela unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF1, para que cooperem2 com a atividade 1 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 2 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 898DF CARF MF Processo nº 16682.900005/201456 Resolução nº 3402001.674 S3C4T2 Fl. 880 7 judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e, portanto, indevidas, bem como quais glosas entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. 20. Concluída a diligência, (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 21. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui e antes do retorno dos autos para este Tribunal, (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão. 22. É a resolução. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 899DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.002220/2009-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
BOLSAS DE ESTUDO. ISENÇÃO. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO
Somente são isentas do imposto de renda as bolsas caracterizadas como doação quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos, pesquisas ou extensão e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços.
Numero da decisão: 9202-007.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11060.002335/2009-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ISENÇÃO. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO Somente são isentas do imposto de renda as bolsas caracterizadas como doação quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos, pesquisas ou extensão e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11060.002335/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 22 20 /2 00 9- 26 Fl. 617DF CARF MF Processo nº 11060.002220/200926 Acórdão n.º 9202007.083 CSRFT2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 9202007.078 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 25 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 11060.002335/200911, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 9202007.078 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais "Tratase de auto de infração lavrado para cobrança de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física acrescido de multa de ofício e juros de mora em decorrência da apuração de rendimentos classificados indevidamente pelo sujeito passivo em sua respectiva declaração anual como não tributados. Os rendimentos se referem a valores pagos por pessoa jurídica a título de bolsa de estudos/pesquisa, mais especificamente valores pagos pela Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (FATEC), entidade privada contratada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) para execução de projetos de extensão em diversas áreas. Entre outras obrigações, estava sob a responsabilidade da FATEC o dever de contratar bolsistas e pessoal de apoio. A partir da análise dos contratos apresentados a fiscalização afastou a aplicação da regra de isenção do art. 26 da Lei nº 9.250/95 em razão da caracterização de remuneração pela prestação de serviços e a notória vantagem econômica perseguida pela UFSM, FATEC e financiadores privados dos programas. Concluiuse a partir dos objetivos e finalidades dos projetos que não se tratava de doação de financiadores pessoas físicas e jurídicas à UFSM, mas verdadeiros contratos de prestação de serviço da UFSM para com aqueles, contratos intermediados pela FATEC a qual acabava por contratar os próprios docentes pertencentes aos quadros da universidade para comporem a equipe técnica. Após o trâmite processual, a turma a quo negou provimento ao recurso voluntário por concordar que a natureza dos valores pagos à recorrente não se caracterizam doação nos termos do citado art. 26 da Lei n° 9.250/95 e, por conseguinte, verbas isentas do imposto de renda. Os elementos para formação da convicção do Colegiado foram: previsão de pagamento de taxa de administração à FATEC e remuneração da UFSM pela utilização da sua infraestrutura; previsão de que na data da conclusão ou término dos contratos, seriam incorporadas ao patrimônio da universidade os bens materiais remanescentes, e ainda o fato de que os valores das bolsas foram devidamente cotados nos custos dos projetos, não onerando o patrimônio das Fl. 618DF CARF MF Processo nº 11060.002220/200926 Acórdão n.º 9202007.083 CSRFT2 Fl. 4 3 entidades envolvidas, o que demonstra a perda do caráter de liberalidade quanto à transferência patrimonial do doador para o donatário, característica essencial para configuração da natureza da doação civil. Assim, as atividades desenvolvidas pelos participantes dos mencionados projetos não seriam exclusivamente voltadas a estudos ou pesquisas, mas visavam à consecução de resultados econômicos em favor dos contratantes. Intimado da decisão o contribuinte apresentou recurso especial. Citando como paradigmas diversas decisões proferidas em casos onde foram analisados contratos semelhantes que previam pagamento de bolsas de pesquisas decorrentes de relação firmada entre a UFSM e a FATEC, a recorrente reitera sua tese de que os valores auferidos não são tributados pelo imposto de renda, pois não representaram proveito econômico nem contraprestação de serviços para a Fundação, defende que seu vínculo obrigacional é apenas com a UFSM, e que não ocupa cargo, emprego ou função na FATEC, sendo a bolsa resultado de uma doação, imune ou isenta do IRPF nos termos da lei. Contrarrazões da Fazenda Nacional pugnando pela manutenção do acórdão. Argui que nos ternos da legislação de regência, para que as bolsas de estudo e de pesquisa não sofram a incidência do imposto de renda, é necessário: a) que sejam caracterizadas como doação; b) que sejam recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas; c) que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador; e d) que os resultados dessas atividades não importem contraprestação de serviços. Afirma que, nos termos do TVF os valores pagos à recorrente não cumpriram esses requisitos. É o relatório." Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9202007.078 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 25 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo n° 11060.002335/200911, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor condutor da decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 9202007.098 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 25 de julho de 2018: Acórdão nº 9202007.078 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Fl. 619DF CARF MF Processo nº 11060.002220/200926 Acórdão n.º 9202007.083 CSRFT2 Fl. 5 4 "Peço licença a ilustre conselheira relatora Relator para divergir do seu entendimento com relação ao mérito do recurso especial da contribuinte. A questão devolvida a este Colegiado cingese à discussão sobre a natureza dos rendimentos percebidos pelo sujeito passivo da Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência FATEC, em virtude de projetos em que esse atuou por intermédio da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, autarquia da qual é servidor. Alega o recorrente em resumo que as bolsas concedidas pela FATEC são isentas de imposto de renda, haja vista decisões recentes do próprio CARF. Aduz que o próprio CARF entende que as bolsas concedidas pela FATEC aos servidores da UFSM que atuam em seus projetos não são passíveis de incidência de imposto de renda, por se tratarem de DOAÇÃO, logo isenta de tal imposto. De início, importa esclarecer que, se por um lado, conforme arguido no recurso especial, há algumas decisões no sentido de reconhecer o direito a isenção em situações análogas a aqui analisadas (acórdãos nº 210202.200, 210202.101, 2102 002.513), por outro lado, existem inúmeros outros julgados em sentido diametralmente oposto, a exemplo das decisões consubstanciadas nos acórdãos nº 2801003.850, 2801003.680, 2801003.338, 2801003.343, 2402005.761, 2402005.760, 2402005.762. Assim, o fato de um colegiado deste Conselho adotar determinado posicionamento não tem o condão de derrogar entendimento que tenha sido exarado por colegiado diverso, ainda que em virtude de matérias semelhantes, tampouco de vincular quaisquer das turmas de julgamento do CARF. É que, nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, a fim de uniformizar a jurisprudência administrativa, prestigiandose o principio da segurança jurídica. Em relação às questões de mérito, a despeito de, via de regra, as bolsas de estudo estarem sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda das pessoas físicas, o legislador conferiu tratamento diverso a essa espécie de benefício uma vez verificadas, simultaneamente, as seguintes condições: i) constituir mera liberalidade do cedente em favor do beneficiário, sem significar o pagamento de contraprestação, caracterizando se como doação; ii) sua concessão se dê exclusivamente para a realização de estudos e pesquisas; e iii) os resultados destas atividades não representem vantagens para o doador. Nesse sentido é o inciso VII do art. 39 do RIR (fundamentado no art. 26 da Lei n.º 9.250/95), que a seguir se reproduz: Fl. 620DF CARF MF Processo nº 11060.002220/200926 Acórdão n.º 9202007.083 CSRFT2 Fl. 6 5 Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] VII as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços (Lei nº 9.250, de 1995, art. 26). Referido entendimento é também aplicável às bolsas de ensino e pesquisa referidas na Lei nº 8.958/1994 e no Decreto nº 5.205/2004, conforme se infere dos dispositivos reproduzidos a seguir: Lei nº 8.958/1994 Art. 4º As IFES e demais ICTs contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente e limites e condições previstos em regulamento, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º. desta Lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidores das IFES e demais ICTs contratantes nas atividades previstas no art. 1º. desta Lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, conceder bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão, de acordo com os parâmetros a serem fixados em regulamento. Decreto n.º 5.205/2004 Art. 6º As bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4º , § 1º , da Lei 8.958, de 1994, constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e sua disseminação à sociedade, cujos resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços. (...) Art. 7º As bolsas concedidas nos termos deste Decreto são isentas do imposto de renda, conforme o disposto no art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e não integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 28, incisos I a III, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. (Grifos Nossos) Vêse, pois, que as bolsas de estudo somente serão consideradas como rendimentos isentos ou não tributáveis nas hipóteses em que tais verbas possam, na forma da legislação aplicável, ser consideradas como doações por parte da instituição de ensino ao beneficiário e, como já se viu, sem qualquer exigência de contraprestação por parte deste em favor do doador. Não é Fl. 621DF CARF MF Processo nº 11060.002220/200926 Acórdão n.º 9202007.083 CSRFT2 Fl. 7 6 outro o juízo que tem imperado nas decisões do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA BOLSA DE ESTUDOS DO BANCO CENTRAL DO BRASIL ISENÇÃO DOAÇÃO NÃO CARACTERIZADA CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A isenção do imposto de renda prevista no art. 26 da Lei 9.250/95 exige que a bolsa de estudos seja espécie de doação, sem vantagens para o doador. 2. Hipótese em que o recorrente continuou recebendo salário a título de bolsa de estudos para desenvolver atividades acadêmicas no exterior, assumindo por escrito a obrigação de reverter ao empregador os resultados dos estudos e pesquisas por este financiados. 3. A manutenção da natureza salarial da verba paga para cobrir os custos da oportunidade dada pelo Banco Central do Brasil ao seu servidor descaracteriza a doação. 4. Recurso especial improvido.” (STJ, 2ª Turma, REsp 959.195/MG, Rel. Ministra ELIANA CALMON, julgado em 25/11/2008, DJe 17/02/2009) (Grifos Nossos) Ademais, entendimento semelhante é o que tem preponderado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Vejamos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 IRPF. BOLSA DE EXTENSÃO. ISENÇÃO. De acordo com a jurisprudência deste CARF e em consonância com julgados do STJ, apenas são isentos os rendimentos provenientes de bolsas de estudos concedidas se tais valores decorrerem de liberalidade, bem como se os trabalhos exercidos pelo beneficiário não representem, de nenhuma forma, benefício econômico para a instituição de ensino ou contraprestação pela prestação de serviços. Hipótese em que as bolsas recebidas pelo contribuinte não caracterizam mera liberalidade da instituição de ensino. (Acórdão 2101002.370, Processo: 11080.005297/200910, data de Publicação: 24/02/2014, Relator(a): ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 BOLSAS DE ESTUDO. ISENÇÃO. REQUISITOS. Somente são isentas do imposto de renda as bolsas caracterizadas como doação quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos, pesquisas ou extensão e desde que os resultados dessas de serviços. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 11060.002220/200926 Acórdão n.º 9202007.083 CSRFT2 Fl. 8 7 (Acórdão 2402005.760, Processo: 11060.002104/200915, data de Publicação: 05/04/2017, Relator(a): MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO) No caso concreto, o Relatório de Fiscalização, assim como os contratos e demais documentos acostados aos autos, revelam que as “bolsas” pagas ao contribuinte decorreram de sua participação em projetos desenvolvidos a partir de contratos firmados entre a Universidade Federal de Santa Maria e a FATEC, cujos recurso foram obtidos junto a pessoas físicas ou jurídicas para o desenvolvimento de projetos voltados aos interesses de tais pessoas. Por certo, não há como considerar que esses pagamentos tenham constituído mera liberalidade em favor do contribuinte, tampouco que o produto das atividades por ele desenvolvidas não tenha representado vantagem à contratante e aos financiadores dos projetos. Ao contrário, todos os serviços remunerados sob a forma de bolsa de extensão exigiam resultados específicos em benefício dos financiadores, ou seja, os valores recebidos pelo sujeito passivo tratamse, em verdade, de pagamentos efetuados em razão da prestação de serviços, não havendo como caracterizálos como doação por mera liberalidade, com exige a norma isentiva. Além do que, os contratos estabelecidos entre a FATEC e a UFSM para realização dos referidos projetos preveem pagamento de taxa de administração à FATEC e remuneração à UFSM pela utilização de sua infraestrutura, caracterizandose em retorno econômico a essas duas entidade, as quais são remuneradas em valores proporcionais ao custo total dos projetos, sendo esse mais um elemento a denotar que a situação em apreço não obedece aos requisitos estabelecidos em lei para o reconhecimento da isenção. Conclusão Ante todo o exposto, voto no sentido CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto no sentido CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 623DF CARF MF Processo nº 11060.002220/200926 Acórdão n.º 9202007.083 CSRFT2 Fl. 9 8 Fl. 624DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.901668/2006-51
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1002-000.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, com o objetivo de reavaliar a compensação pretendida, considerando a documentação acostada em sede de Recurso Voluntário e a Ficha n° 43 do Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, com o objetivo de reavaliar a compensação pretendida, considerando a documentação acostada em sede de Recurso Voluntário e a Ficha n° 43 do Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário (efls. 278 e 279) interposto contra o Acórdão n° 0522.056, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP (efls. 261 à 272), que, por unanimidade de votos, reconheceu em parte a homologação das compensações pleiteadas pelo Recorrente, até o limite de R$ 7.515,00. Decisão essa ementada nos seguintes termos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 01 66 8/ 20 06 -5 1 Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10830.901668/200651 Resolução nº 1002000.030 S1C0T2 Fl. 294 2 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. A restituição de saldo negativo do IRPJ, com a posterior compensação, condicionase à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte levado à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, preenchidos nos termos da legislação aplicável. Rest/Ress. Def. em Parte Comp. Homolog. em Parte O Conteúdo decisório do Acórdão de piso analisou detidamente as compensações apresentadas pelo Recorrente, bem como os termos do Despacho Decisório. Nesse deslinde, concluiuse pela homologação parcial dos valores pretendidos, verbis: 14. No anocalendário de 1999, os comprovantes apresentados montam a R$ 185.113,90, valor este superior em R$ 1.285,85 ao já admitido como comprovado pela autoridade fiscal. 15. Destaquese que os documentos de fls. 121/122 não comprovam a retenção da importância de R$ 6.045,27, relativo ao IRRF que teria incidido sobre aplicações financeiras de rendafixa (pessoa Jurídica), pois tal imposto foi recolhido pela própria empresa, indicando que é a contribuinte a fonte pagadora dos rendimentos, e não a beneficiária. 16. Acrescentese que não há maiores esclarecimentos sobre tal importância na manifestação de inconformidade apresentada. 17. No anocalendário de 2000, o total do IRRF reconhecido pela autoridade fiscal, de R$ 222.352,81, mostrase coincidente com o declarado pela contribuinte. 18. No anocalendário de 2001, o total dos comprovantes apresentados mostrase coincidente com o declarado pela contribuinte, de R$ 166.833,96, e superior ao apurado pela autoridade fiscal em R$ 5.615,19. 19. Por fim, no anocalendário de 2002, cabe ressaltar que o IRRF retido de R$ 427,64, documento de fl. 134, tratase de imposto incidente sobre rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na fonte, não passíveis de dedução. 20. A partir dos valores comprovados do IRRF, e do saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 1999, elaboramse as planilhas a seguir, onde se demonstram as compensações possíveis, a partir dos saldos negativos apurados em cada anocalendário, observandose, ainda o disposto no Ato Declaratório SRF n.° 003, de 07 de janeiro de 2000: (...) 23. Das consolidações acima, depreendese que: Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10830.901668/200651 Resolução nº 1002000.030 S1C0T2 Fl. 295 3 23.1. no anocalendário de 2000, o saldo negativo do 1999 mostrouse suficiente para compensação de estimativas no montante de R$ 192.885,08 e não de R$ 199.254,44, declarado pela empresa; 23.2. no anocalendário de 2001, o saldo negativo de 2000 mostrouse suficiente para a compensação de estimativas no montante de R$ 129.955,77 e não de R$ 136.614,49, declarado pela contribuinte; 23.3. no anocalendário de 2002, o saldo negativo de 2001 mostrouse suficiente para a compensação de estimativas no montante de R$ 341.262,75 e não de R$ 344.442,31, como pretende a empresa. 24. Concluindo, a partir do reconhecimento adicional das importâncias de IRRF explicitadas acima, desde o anocalendário de 1999, o saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 2002 era de R$ 531.857,30. 25. Como a DRF de Origem já reconheceu um crédito de R$ 524.342,30, este Acórdão restringese à diferença de R$ 7.515,00, conforme abaixo: 26. As consultas que subsidiaram o presente acórdão constam às fls. 152/238 dos autos. 27. Em face do exposto, VOTO no sentido de RECONHECER EM PARTE o direito creditório, na importância de R$ 7.515,00, em valores originais do anocalendário de 2002, além do já deferido pela DRF de Origem em HOMOLOGAR EM PARTE as Compensações efetuadas até esse limite. (GN) Já em sede de Recurso Voluntário, o Contribuinte contesta apenas o valor de R$ 6.045,27, não reconhecido outrora em virtude da falta de provas acostadas aos autos. Pelo sintético teor recursal, transcrevoo: No item “l5” do Acórdão n° 0522.056 7 4°. Turma da DRJ/CPS restou consignado que os documentos de. fls, 121/122 não comprovam a retenção da importância de R$ 6.045,27 (...), pois tal imposto foi recolhido pela própria empresa, indicando que é a contribuinte a fonte pagadora dos rendimentos, e não a beneficiária. Todavia, na realidade, conforme se comprova do código da receita do DARF 3426 o valor recolhido se refere ao imposto que caberia a fonte pagadora reter, mas, no caso em questão, por ser ela pessoa física não o fez, cabendo a própria beneficiária fazêlo. Tanto foi assim, que para a devida comprovação, anexamos presente, fotocópia das folhas n°s.153 e 227 do Livro Diário 46, nas quais se encontram grafados no pertinente lançamento 12582/3, de 24.11.1999, a liquidação do contrato de mútuo, valor do principal de R$ 439.773,64, e, ainda, o lançamento n° 12584/5, referente aos juros recebidos do Mutuário pessoa física no valor de R$ 30.226,36, Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10830.901668/200651 Resolução nº 1002000.030 S1C0T2 Fl. 296 4 ficando este valor sujeito à incidência de imposto de renda retido na fonte à alíquota de 20%, que corresponde a R$ 6.045,27, na conformidade do lançamento n° 12823, de 30.11.1999. Ademais, de se realçar que na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ano 2000, exercício de 1999, inexistia ficha' Demonstrativo Imposto de Renda Retido na Fonte, situação essa que se inovou no ano seguinte, em razão da ficha n° 43. Destarte, resta comprovado pelos lançamentos do Livro Diário, bem como do recolhimento do DARF, que a empresa efetuou a retenção no importe de R$ 6.045,27, relativo a IRRF incidente sobre os juros recebidos na operação de mútuo, conforme Contrato de Mútuo que anexamos ao presente, onde a empresa é a Mutuante, tendo como Mutuário o Sr. Tsu Hung Sieh inscrito no CPF(MF) sob n° 008.304.888O4, ou seja, imposto retido incidente sobre rendimentos computados na declaração, indicando que a contribuinte é a beneficiária. Como reforço de argumentação, pedimos vênia para transcrevermos o entendimento encontrado no parágrafo 3° do artigo 1° da Instrução Normativa SRF n° 007, de 3 de fevereiro de 1999, a saber: A responsabilidade pela retenção do Imposto de Renda na Fonte é da pessoa jurídica que efetuar o pagamento dos rendimentos, e, no caso de o mutuário (o que paga os rendimentos) ser pessoa física, a pessoa jurídica mutuante (que recebe os rendimentos) fica responsável pela retenção. Dessa forma, resta claro que, ao contrário do lançado no R.Acórdão, a empresa é a beneficiária, devendo, portanto, assim ser considerada, para fins do presente Recurso. Sem mais, colocamonos à inteira disposição para outros eventuais esclarecimentos julgados oportunos. Nessa oportunidade Recursal, o Recorrente apresentou informações complementares, tais como cópia do livro diário e do contrato de mútuo, os quais entende por aptas a justificar o valor não reconhecido pela Autoridade de origem (efls. 281 à 290). É o Relatório. VOTO Conselheiro Breno do Carmo Moreira Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Por primeiro, cumpre destacar o detido trabalho realizado na instância a quo, a qual procedeu de forma imparcial e diligente na análise das DCOMPs. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10830.901668/200651 Resolução nº 1002000.030 S1C0T2 Fl. 297 5 Outrossim, cumpre asseverar que o único ponto controvertido sob análise deste Recurso é a quantia decorrente dos rendimentos do mútuo firmado entre o Recorrente e pessoa física, conforme atesta o contrato n° 001/99 (efl. 287). O ponto focal reside na contabilização da retenção do Imposto de Renda na fonte, que, conforme disposto no Acórdão da DRJ, não restou amparada documentalmente e, portanto, não foi possível depurar seus efeitos compensatórios. Contudo, o Recorrente, quando da apresentação de seu Recurso Voluntário, colacionou documentos aptos a suprir as omissões apontadas pela Autoridade de piso (itens 15 e 16 do Acórdão). Pois bem; como se sabe, o CARF já dispõe de vasta jurisprudência no sentido de admitir apresentação documental em sede de Recurso Voluntário, desde que isso não seja reflexo de inegável desídia do Contribuinte, inovação jurídica, ou que se trate de acervo essencial à instrução do PAF ab initio. Nenhum desses aspectos macula o presente caso, que ainda se acrescenta o aspecto do Recorrente ter juntado suas provas após a leitura dos itens 15 e 16 do Acórdão da DRJ, buscando justamente contrapôlos. Portanto, tais fatos corroboram a intelecção jurisprudencial adotada por este Colegiado Administrativo. Por fim, assevero que não é possível esta Turma Extraordinária proceder prontamente com a homologação da compensação dos valores pleiteados no Recurso Voluntário. Isso porque haveria inegável supressão de instância, razão pela qual se torna imperativo o retorno dos presentes autos à instância a quo, para que proceda nova análise compensatória, considerando, doravante, os consectários dos IRRF decorrentes do contrato de mútuo. Conclusão Ante o exposto, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, o meu voto é por converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, com o objetivo de reavaliar a compensação pretendida, considerando a documentação acostada em sede de Recurso Voluntário e a Ficha n° 43 do Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte. Esclareço que, por força do parágrafo único do art. 35 do Decreto n.º 7.574, de 2011, o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização da diligência, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese em que deverá ser concedido prazo de trinta dias para sua manifestação. É como Voto. (Assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 297DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.010647/2010-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/04/2010
DACON MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso na entrega.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.137
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso na entrega. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 06 47 /2 01 0- 26 Fl. 38DF CARF MF Processo nº 15504.010647/201026 Acórdão n.º 3402006.137 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento para exigência de multa por atraso de entrega do DACON. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, alegando uma indisponibilidade no sistema do RECEITANET, que não concluía a recepção dos arquivos. A defesa foi julgada improcedente nos termos do Acórdão da DRJ n.º 02037.813. Intimada desta decisão a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo reiterando sua alegação de defesa, afirmando que procedeu com o protocolo físico, juntamente com a tela de indisponibilidade do sistema da RFB. Tratandose o presente caso de caso fortuito ou força maior, caberia ser excluída a responsabilidade do sujeito, que agiu de boafé. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.129, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 15504.010532/201031, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.129): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Como relatado, pretende a Recorrente que seja afastada a multa aplicada de atraso na entrega do DACON em razão da indisponibilidade do sistema da Receita Federal (RECEITANET), que teria sido devidamente comprovado pelas telas anexas à Impugnação (efls. 06/07). Contudo, as telas anexadas pelo sujeito passivo não evidenciam, de forma contundente, que o equívoco ocorreu no sistema da Receita Federal, na data sugerida pelo sujeito passivo (08/06/2010). Com efeito, a primeira tela anexada aos autos (efl. 06) não identifica o sujeito passivo a que corresponde: Fl. 39DF CARF MF Processo nº 15504.010647/201026 Acórdão n.º 3402006.137 S3C4T2 Fl. 0 3 Esta é a única tela que traz a suposta data de tentativa de envio (08/06/2010). Contudo, observase que esta tela não identifica a quem ela se refere, não sendo possível confirmar que corresponderia, apenas, à Recorrente. Neste aspecto, essencial frisar que exatamente por não identificar o sujeito a que se refere, esta mesma tela foi anexada em outros processos administrativos, relacionados a sujeitos passivos distintos do presente, inclusive com o mesmo horário de tentativa de envio (21:09). É o que se confirma, de forma exemplificativa, da análise de processos que compõe o lote de repetitivos do presente processo, nos quais a mesma tela foi acostada aos autos: Processo nº 15504.010538/201017 da empresa GEMAPE MAQUINAS E PECAS LTDA: tela idêntica à acima reproduzida foi acostada às efls. 10 daqueles autos; Processo nº 15504.011788/201066 da empresa CHARM REPRESENTACOES LTDA: tela idêntica à acima reproduzida foi acostada às efls. 06 daqueles autos; e Processo nº 13603.001542/201032 da empresa WRS AUTO PECAS LTDA: tela idêntica à acima reproduzida foi acostada às efls. 08 daqueles autos. Por sua vez, a única tela que identifica a empresa por meio de seu nome e CNPJ (efl. 07), não identifica a data de tentativa de envio, somente um horário da tela do computador (22:09): Fl. 40DF CARF MF Processo nº 15504.010647/201026 Acórdão n.º 3402006.137 S3C4T2 Fl. 0 4 Assim, as telas acostadas aos presentes autos não comprovam que o atraso no envio poderia ser imputado ao sistema da Receita Federal. Essencial mencionar que, quando comprovado que ocorreu um erro técnico que prejudicou todos os contribuintes, a própria Receita Federal procede com o cancelamento das multas, como ocorreu no Ato Declaratório Executivo n.º 90/2009, para as declarações entregues em outubro/2009. No presente caso, a Receita não emitiu qualquer ato suscetível a comprovar erro técnico generalizado em seu sistema. E, por sua vez, os documentos acostados aos autos não são suficientes para demonstrar que esse erro técnico seria imputável à Receita Federal, ou mesmo que teria ocorrido especificamente quanto ao sujeito passivo autuado. Nesse sentido, cabe ser mantida a multa aplicada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 41DF CARF MF
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