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Numero do processo: 10166.908062/2009-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
ERRO FORMAL - PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL - PREVALÊNCIA.
Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3302-002.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negava provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede acompanhou a relatora pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negava provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede acompanhou a relatora pelas conclusões. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 80 62 /2 00 9- 79 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata se de compensação de crédito decorrente de pagamento a maior de PIS e Cofins em virtude de apuração equivocada por parte da contribuinte. Ocorre que a contribuinte, constatado o erro de apuração, não retificou as respectivas DCTF’s. O despacho decisório foi pelo indeferimento da compensação em vista do crédito ter sido considerado inexistente. Após o Despacho Decisório a contribuinte retificou as DCTF’s e recorreu do indeferimento da compensação promovida. Com detalhes segue o relato da decisão de primeira instância administrativa que reproduzo, verbis: “Tratase de Declaração de Compensação – Dcomp no 310.56053.180706.1.3.046119, transmitida eletronicamente em 18/07/2006, com base em suposto crédito de Pis oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico pela não homologação da compensação, fundamentando na inexistência de crédito. Cientificada desse Despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade alegando em síntese, que de janeiro de 2004 a fevereiro de 2006, foram pagos Pis e Cofins sobre toda a receita de venda de mercadorias, sem a devida exclusão da base de calculo dos produtos monofásicos. Esclarece que a atividade da empresa é bar e restaurante, com grande volume de venda de chopp, cervejas e refrigerantes, tendo sido pago Pis a maior, haja vista a não observância do tratamento tributário adequado. Informada do erro na apuração dos impostos, apresentou Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ retificadora do período, corrigindo as informações referentes ao Pis e Cofins, passando a compensar os valores pagos a maior na quitação do Pis e Cofins dos meses seguintes a partir de março/2006, por meio de PER/DCOMP. Inteirada do referido Despacho Decisório, procurou o plantão fiscal da Receita Federal, com todos os documentos a respeito do assunto, sendo informada da necessidade de apresentar DCTF retificadoras. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10166.908062/200979 Acórdão n.º 3302002.386 S3C3T2 Fl. 11 3 Desta forma, com a apresentação das DCTF retificadoras, solicita a baixa dos débitos referentes aos Despachos Decisórios, estaremos a disposição para a apresentação de outros documentos.” Após analisar as razões de impugnação, a 4ª Turma da Delegacia da Receita de Julgamento de Brasília DRJ/BSB – proferiu o acórdão no 0347.838 o qual seguiu assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2004 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Em resumo, as autoridades administrativas de primeira instância entenderam que a Recorrente apenas retificou sua DCTF, sem contudo comprovar a existência de seu direito, razão pela qual indeferiram a compensação pleiteada. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário reiterando as razões de impugnação e rogando pela aplicação do princípio da verdade material. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Conforme aviso de recebimento – AR – de fls. 25, a Impugnante foi intimada do acórdão de primeira instância administrativa em 29/05/2012 e apresentou recurso voluntário em 28/06/2012, por meio do qual reiterou suas razões de impugnações. É o relatório. Voto CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. O recurso é tempestivo tendo sido interposto no último dia do prazo regulamentar, 28/06/2012. Da análise dos autos verificase que a DIPJ e a DCTF indicam a existência de saldo credor de contribuições de Pis e Cofins. Informa a Recorrente não ter realizado, à época devida, a exclusão das respectivas bases de cálculo dos valores referentes aos produtos monofásicos. Vale notar que em momento algum do processo a autoridade fiscal questionou as informações da Recorrente. A abordagem da DRJ foi estritamente no sentido de que a simples retificação de DCTF não seria suficiente para a constituição do crédito tributário. Ou seja, não questionou o fato de a Recorrente deduzir da base de cálculo os valores referentes aos produtos monofásicos. Pois bem, muito embora tenha razão a DRJ ao afirmar que a simples retificação de DCTF e DIPJ não é suficiente para comprovar a existência do crédito tributário, fato é que se o contribuinte comprova que há um erro na DCTF e procede à retificação das informações, constitui outro valor como devido, o que não pode ser desconsiderado. Vale dizer, o processo administrativo tributário, regido pelo princípio da verdade material, não permite análise rasas de documentos, tampouco a prevalência de declarações equivocadas, uma vez que se constate que os fatos se deram de forma distinta daquilo que foi declarado. Assim, mero erro formal do contribuinte, consubstanciando erro nas informações prestadas em declarações obrigatórias não prevalece, quando comprovada a verdade dos fatos. A jurisprudência deste Tribunal corrobora este entendimento, tendo cancelado diversos lançamentos quando comprovada a ocorrência de mero erro formal, por equivoco do contribuinte na prestação de informações em suas declarações. Destaco: “AUDITORIA DE DCTF. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. No caso de lançamento decorrente de auditoria interna de DCTF, estando demonstrado nos autos que o valor recolhido pelo sujeito passivo a título de IRPJ corresponde ao informado na DIPJ, é de se admitir como incorreto o valor divergente Fl. 58DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10166.908062/200979 Acórdão n.º 3302002.386 S3C3T2 Fl. 12 5 informado pelo contribuinte na DCTF.(...)” (CARF 1ª Seção, 2ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 140200.189) “(...) AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE. FORMALIDADE PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. De se cancelar a exigência fundada em erro formal cometido pelo sujeito passivo, que, embora não corrigido mediante a entrega de DCTF retificadora antes do inicio do procedimento fiscal, teve sua comprovação demonstrada nos autos de maneira a evidenciar a duplicidade de lançamento. Prestígio dos princípios da verdade material e da moralidade administrativa em detrimento de formalidade dispensável diante das circunstâncias.(...)” (CARF 3ª Seção, 1ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 340100.891) “(...) AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE. FORMALIDADE PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. De se cancelar a exigência fundada em erro formal cometido pelo sujeito passivo, que, embora não corrigido mediante a entrega de DCTF retificadora antes do inicio do procedimento fiscal, teve sua comprovação demonstrada nos autos de maneira a evidenciar a duplicidade de lançamento. Prestígio dos princípios da verdade material e da moralidade administrativa em detrimento de formalidade dispensável diante das circunstâncias. (...)” (CARF – 3ª Seção – 1ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 340100.891) “(...) IRPJ ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real. Recurso provido.” (1º Conselho de Contribuintes, 8ª Câmara, Acórdão 10808.689) “(...)VALOR DA TERRA NUA. DITR ERRO NO PREENCHIMENTO Constatado erro no preenchimento da DITR, a autoridade administrativa deve rever o lançamento, para adequálo aos elementos fáticos reais. Havendo erro no Valor da Terra Nua declarado e inexistindo nos autos elementos que permitam a manutenção da base de cálculo do tributo, adotase o valor fixado na IN pertinente. Embargos de declaração da Fazenda Nacional acolhidos.Recurso especial da Fazenda Nacional negado.” (CSRF, 3ª Turma, Acórdão CSRF/0304.471) As decisões acima apresentadas fundamentamse no princípio da verdade material, que impede que o formalismo se sobreponha à matéria e à verdade dos fatos. O processo administrativo fiscal tem por fim a busca da verdade material justamente por permitir, nesta instância, a análise irrestrita e profunda dos fatos, visando justamente estabelecer como se deram de modo que a tributação não ultrapasse seus limites. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Em observância a tais princípios, uma vez constatado que houve erro nas informações prestadas pelo contribuinte, de se considerar a verdade dos fatos, ainda que elas sejam diversas das informações em que se baseou o Fisco na execução de seus atos – seja na lavratura de um auto de infração, ou, como no presente caso, na não homologação de uma compensação. Ressaltase, contudo, que esta decisão não significa a homologação da compensação pleiteada, uma vez que o crédito tem de ser avaliado pela autoridade administrativa competente. A questão é que não há impedimento legal para que a retificação seja realizada posteriormente, sendo permitido o procedimento adotado pela Recorrente. Ante o exposto, conheço do presente para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário da Recorrente, para reconhecer o direito ao procedimento de compensação, ficando ressalvado à fiscalização a apuração do crédito tributário pleiteado. É como voto, 28 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 60DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 13805.012163/95-29
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 31/08/1991 a 31/03/1992
Ementa:
FINSOCIAL. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF N.2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
FINSOCIAL. DECISÃO JUDICIAL MATÉRIA IDÊNTICA À DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF N.1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 3403-002.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausentes os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Marcos Tranchesi Ortiz.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 31/08/1991 a 31/03/1992 Ementa: FINSOCIAL. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF N.2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. FINSOCIAL. DECISÃO JUDICIAL MATÉRIA IDÊNTICA À DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF N.1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausentes os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Marcos Tranchesi Ortiz. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1779; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 210 1 209 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13805.012163/9529 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.599 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria AIFINSOCIAL Recorrente COTONIFÍCIO GUILHERME GIORGI SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 31/08/1991 a 31/03/1992 Ementa: FINSOCIAL. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF N.2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. FINSOCIAL. DECISÃO JUDICIAL MATÉRIA IDÊNTICA À DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF N.1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausentes os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Marcos Tranchesi Ortiz. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 01 21 63 /9 5- 29 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração lavrado em 21/12/1995 (fls. 66 a 68)1, com ciência em 27/12/1995, para exigência de FINSOCIAL, com a ressalva de que “os créditos tributários lançados estão suspensos quanto a sua cobrança, em virtude de se encontrarem sub judice”. Foi apurada falta de recolhimento, em relação aos fatos geradores relacionados à fl. 67, de acordo com o detalhado em Termo de Constatação de Irregularidades (fl. 46). No referido Termo, esclarecese que a empresa: (a) no período de 08/1991 a 03/1992, excluiu da base de cálculo do FINSOCIAL a parcela correspondente ao ICMS, por força de medida liminar em Mandado de Segurança; e (b) no período de 01/1992 a 03/1992, deixou de recolher os valores da contribuição. Apesar de se indicar a suspensão da exigibilidade, tanto na folha inicial do Auto de Infração (fl. 66), quanto no Termo (fl. 46), o autuante lança multa de ofício para todos os valores, no percentual de 100%, com base no art. 4o da Lei no 8.218/1991. A empresa apresenta impugnação em 24/01/1996 (fls. 70 a 77), argumentando que a contribuição para o FINSOCIAL é manifestamente inconstitucional, sequer questionando especificamente as rubricas lançadas. Para que o processo fosse bem instruído, a DRJ solicitou que o contribuinte fosse intimado a apresentar Certidão de Objeto e Pé dos Processos Judiciais no 91.07013272 (Ação Ordinária) e no 91.0706047 (Mandado de Segurança), bem como cópias das respectivas sentenças e/ou acórdãos (fl. 90). Em resposta, a empresa apresenta Certidão de Objeto e Pé da Ação Ordinária no 91.07013272 (fls. 95) e do Mandado de Segurança no 91.0706047 (fls. 97), e cópias da sentença de primeira instância da Ação Ordinária (fls. 99 a 102), denegatória do pleito da empresa, e do acórdão correspondente no TRF3 (fl. 103), igualmente denegatório. Em 25/07/2003, ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 113 a 117), no qual se decide pela parcial procedência da manifestação de inconformidade, acordandose que: (a) em relação à exclusão do ICMS, verificase que, além de não ter sido especificamente impugnada a matéria, as ações judiciais propostas foram julgadas improcedentes; (b) no que se refere à falta de recolhimento, para a qual se alega a inconstitucionalidade da exação, carecem as DRJ de competência para afastar norma vigente por inconstitucionalidade, matéria reservada ao Poder Judiciário; e (c) a despeito de uma das infrações tratar de matéria discutida judicialmente, não há provas de que a exigibilidade do crédito tributário estivesse suspensa à época do lançamento, nem evidência de depósitos judiciais ou liminar em Mandado de Segurança ou em Medida Cautelar, pelo que se mantém a multa lançada, mas em patamar reduzido de 100% para 75%, em virtude do advento do art. 44 da Lei no 9.430/1996, e do Ato Declaratório Normativo COSIT no 01, de 10/01/1997. Cientificada da decisão de piso em 15/04/2004 (AR à fl. 124), a empresa apresenta recurso voluntário em 10/05/2004 (fls. 129 a 135), no qual sustenta preliminarmente o cabimento do recurso sem depósito prévio, demandando que o recurso seja recebido com efeito suspensivo (nos termos do art. 151, III do CTN). No mérito, passa a afirmar que a 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 211DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13805.012163/9529 Acórdão n.º 3403002.599 S3C4T3 Fl. 211 3 Administração deve absterse de praticar atos inconstitucionais, e que “a alíquota superior a 0,5% (meio por cento) não é exigível do contribuinte, visto a Resolução do Senado no 49, de 1995, que suspendeu a eficácia dos DecretosLei no 2.455/88 e 2449/88” (sic) (destaques no original), e que “com a publicação da Resolução Senatorial, a lei perde eficácia, com efeito erga omnes”, seguindose argumentação em relação à inconstitucionalidade de majoração de alíquotas. Em relação à exclusão do ICMS, sustenta, também inauguralmente, que se trata de bitributação, vedada no sistema tributário, e ainda que no período em que recorrente excluiu o ICMS da base de cálculo (08/1991 a 03/1992), havia medida judicial em vigor suspendendo a exigibilidade do tributo, conforme disposto no próprio auto de infração (proc. no 91.0700604 7). Acrescenta, por fim, que “a única providência passível de ser tomada pela autoridade, após a revogação da medida liminar, é a cobrança do débito, mas jamais a autuação do contribuinte, como ocorreu no presente caso”. O seguimento do recurso voluntário é negado por falta de arrolamento de bens/direitos, sendo os débitos inscritos em Dívida Ativa. Com a declaração de inconstitucionalidade da exigência de depósito recursal, cancelase a inscrição em Dívida Ativa, e, na sequência, a decisão que negou seguimento ao recurso voluntário, conforme se explica à fl. 203. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Os argumentos em sede de recurso voluntários são basicamente inovadores. Preliminarmente, solicitase dispensa do depósito recursal (o que acabou ocorrendo, como relatado) e efeito suspensivo ao recurso (o que é assegurado pelo art. 151, III do CTN). No mérito, argumentava em sua manifestação de inconformidade tão somente a inconstitucionalidade do FINSOCIAL. A ponto de, no julgamento de primeira instância, o julgador esclarecer que o STF (no RE no 150.7641) havia de fato declarado inconstitucionalidade, mas apenas da majoração de alíquota nos percentuais excedentes a 0,5%, para as empresas comerciais e mistas (Lei no 7.689/1998, art. 9o), mas preservando a cobrança de FINSOCIAL nos termos do DecretoLei no 1.940/1982, com as alterações ocorridas até a Constituição de 1988. E é de se destacar que a autuação foi efetuada com base exatamente no DecretoLei no 1.940/1982 (e utilizando a alíquota de 0,5%), citando ainda o art. 28 da Lei no 7.738/1988, que trata de empresas prestadoras de serviço. E a menção feita pelo julgador a quo parece ter levado o contribuinte a equívoco, quando este alega, em seu recurso voluntário, que “a alíquota superior a 0,5% (meio por cento) não é exigível do contribuinte, visto a Resolução do Senado no 49, de 1995, que suspendeu a eficácia dos DecretosLei no 2.455/88 e 2449/88”, e que “com a publicação da Fl. 212DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 Resolução Senatorial, a lei perde eficácia, com efeito erga omnes”, seguindose argumentação em relação à inconstitucionalidade de majoração de alíquotas. As alegações estão em absoluto descompasso com a autuação, na qual a alíquota aplicada é de 0,5%. E a alegação de inconstitucionalidade do tributo denominado FINSOCIAL encontra óbice neste tribunal administrativo, em face da Súmula CARF no 2 (“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”), assim como a aventada ideia de que há bitributação na relação entre FINSOCIAL e ICMS. No que se refere à exclusão do ICMS, matéria sequer questionada na impugnação, a DRJ informa que “além de a impugnante não ter feito qualquer menção específica quanto à citada infração, o pronunciamento do Poder Judiciário na ação proposta pela própria autuada põe fim a qualquer discussão sobre a matéria”. São procedentes ambas as observações do julgador de piso. Ademais, a matéria estava sob a alçada do Poder Judiciário, não cabendo a discussão do mesmo tema administrativamente. É nesse sentido a Súmula no 1 deste CARF: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” E, de fato, não consta nos autos qualquer medida que suspendesse a exigibilidade do crédito tributário ao tempo da autuação. A ação ordinária que objetivava a exclusão do ICMS foi denegada em primeira e segunda instâncias. E vejase que a decisão denegatória, em primeira instância, na Ação Ordinária no 91.07013272 (que objetivava exclusão do ICMS da base de cálculo do FINSOCIAL) ocorreu em 03/03/1995, portanto, antes da autuação (efetuada e cientificada em dezembro de 1995). Percebese ainda que a empresa foi intimada a apresentar depósitos judiciais em 21/06/1995 (fl. 41), bem assim cópia da Liminar no Mandado de Segurança, em 18/12/1995 (fl. 44), não constando qualquer destes documentos no processo. Nem na argumentação em sede de recurso voluntário carreia a empresa aos autos a liminar que alega ter obtido no mandado de segurança. E ainda que obtida a liminar, o fato de já não estar vigente no momento da autuação já autorizaria a aplicação da multa de ofício única matéria que resta a ser analisada por este CARF , como de fato foi aplicada (e posteriormente reduzida pela DRJ, em nome da retroatividade benigna do art. 44 da Lei no 9.430/1996). Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendo a decisão de primeira instância. Rosaldo Trevisan Fl. 213DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13805.012163/9529 Acórdão n.º 3403002.599 S3C4T3 Fl. 212 5 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001443/2004-14
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
NORMAS PROCESSUAIS. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE -
O recurso a ser enfrentado pela Câmara Superior tem como pressuposto o exame da mesma legislação por colegiados administrativos distintos com resultados conflitantes. Ainda que os fatos sejam semelhantes, acusações formalizadas com base em dispositivos distintos não se prestam a configurar a divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9101-001.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso.
(documento assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 NORMAS PROCESSUAIS. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso a ser enfrentado pela Câmara Superior tem como pressuposto o exame da mesma legislação por colegiados administrativos distintos com resultados conflitantes. Ainda que os fatos sejam semelhantes, acusações formalizadas com base em dispositivos distintos não se prestam a configurar a divergência de interpretação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 14 43 /2 00 4- 14 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI 2 Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Relatório Em sessão plenária de 06 de abril de 2010, por meio do Acórdão 1402 00.152, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, cancelando sua exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Inconformada, a Fazenda Nacional ingressa com recurso especial, alegando que a interpretação atribuída pela Turma à legislação tributária diverge da adotada pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, consubstanciada no Acórdão nº 201 75.461. O acórdão recorrido tem a seguinte ementa. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE DECORAÇÃO DE INTERIORES. A atividade de decoração de interiores não consta do rol de atividades impeditivas, nem se assemelha à do arquiteto. Não há, na espécie, fundamento para a exclusão da sistemática do Simples. Por seu turno, o acórdão paradigma, em sentido oposto, decidiu: Acórdão nº 20175.461 SIMPLES. EXCLUSÃO. SERVIÇOS DE DECORAÇÃO EM INTERIORES. É vedada a opção pelo SIMPLES às pessoas jurídicas que exercem atividade de decoração de interiores, visto que se enquadram na previsão do art. 9º, V e § 4°, da Lei n° 9.317/96. Recurso negado. A Presidente da 4ª Câmara admitiu o recurso. Em contrarrazões, o contribuinte postula a inadmissibilidade do recurso com base no § 10 do art. 67 do RI, mencionando os acórdãos 30238.884, 30238.288 e 30334.534, como superadores da tese do paradigma. É o relatório. Voto Fl. 99DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.001443/200414 Acórdão n.º 9101001.629 CSRFT1 Fl. 3 3 Conselheiro Valmir Sandri, Relator. Preliminarmente, registro que os acórdãos mencionados pela interessada em contrarrazões não se prestam para a inadmissibilidade do recurso com base no § 10 do art. 67 do Regimento, por não serem oriundos da CSRF. Conforme Ato Declaratório de fls. 21, o contribuinte foi excluído do sistema por exercer a atividade vedada “Serviços de decoração de interiores”, com base no inciso XIII do art. 9º. da Lei nº 9.317/96. A DRJ de Belo Horizonte manteve a exclusão, ao fundamento de que a atividade de “decoração de interiores” está compreendida no inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317/96, considerandoa assemelhada à de arquiteto e consultor. O Acórdão recorrido expressa o entendimento de que a atividade de decoração de interiores não consta do rol das atividades impeditivas, nem se assemelha à de arquiteto. O acórdão trazido como paradigma decidiu que não podem optar pelo simples as pessoas jurídicas que exercem atividade de decoração de interiores, por se enquadrarem na previsão legal do inciso V e § 4º do art. 9º, ou seja, por exercer atividade de construção de imóveis, considerando que o § 4º do art. 9º equipara à construção civil a execução de benfeitorias. Assim, o paradigma não se presta a instruir o especial, visto que interpreta outro dispositivo da legislação tributária. Digo isso porque, caso se pudesse dar uma maior amplitude à análise, considerando que a questão seria “a atividade de decoração de interiores veda ou não a opção pelo Simples”, o que permitiria caracterizar a divergência de interpretação entre os acórdãos confrontados, e sendo assim, uma eventual reforma do acórdão guerreado em prol do entendimento do paradigma implicaria cerceamento de defesa, pois em momento algum do processo foi dada oportunidade ao contribuinte de se defender da acusação de exercer atividade de construção de imóvel. Isto posto, NÃO CONHEÇO do recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 17 de abril de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Fl. 100DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI 4 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10120.725566/2012-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007,2008
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ARBITRAMENTO DOS LUCROS.
O descumprimento das obrigações acessórias constantes do art. 527, parágrafo único, enseja o arbitramento do lucro na hipótese do art. 530, III, ambos do RIR/99. Será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 527, parágrafo único, e 530, III).
MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1101-001.005
Decisão: Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa e Mônica Schpallir Calijuri, José Ricardo da Silva. Ausente justificadamente a Conselheira Nara Cristina Takeda, substituiu-a a Conselheira Meigan Sack Rodrigues.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2007,2008 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ARBITRAMENTO DOS LUCROS. O descumprimento das obrigações acessórias constantes do art. 527, parágrafo único, enseja o arbitramento do lucro na hipótese do art. 530, III, ambos do RIR/99. Será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 527, parágrafo único, e 530, III). MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa e Mônica Schpallir Calijuri, José Ricardo da Silva. Ausente justificadamente a Conselheira Nara Cristina Takeda, substituiu-a a Conselheira Meigan Sack Rodrigues.
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O descumprimento das obrigações acessórias constantes do art. 527, parágrafo único, enseja o arbitramento do lucro na hipótese do art. 530, III, ambos do RIR/99. Será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 527, parágrafo único, e 530, III). MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 55 66 /2 01 2- 87 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa e Mônica Schpallir Calijuri, José Ricardo da Silva. Ausente justificadamente a Conselheira Nara Cristina Takeda, substituiua a Conselheira Meigan Sack Rodrigues. Relatório Amparada pelo Madado de Procedimento Fiscal n. 0120100.2011.00965, a Fiscalização intimou (fls. 2 e ss.) a contribuinte a apresentar livros e documentos fiscais. A contribiunte apresentou parte da documentaçao exigida e pediu noo prazo para apresentar os documentos restantes. A Fiscalização lavrou novo termo de intimação (fls. 24 e ss), por meio do qual pede à contribuinte que apresente os extratos bancários das contas correntes e das movimentações financeiras que a empresa mantinha durante o período fiscalizado, uma vez que o Livro Caixa apresentado não continha escrituração bancária referentes aos anos calndário 2007 e 2008. Tendo a empresa apresentado os extratos bancários, a Fisclaização apurou movimentação financeira que julgou ser incompatível com o porte econômico da empresa, intimandoa (fls. 144 e ss.) a comprovar os valores creditados nas contas corrrentes da empresa, conforme discriminação apresentada às folhas 146 e seguintes. Em resposta ao terceiro Termo de Intimação Fiscal (fls. 166 e 167), a contribinte alega que os documentos comprobatórios dos depósitos bancários efetuados em suas contas correntes haviam sido extraviados, de maneira que não seria possível apresentálos. Informou, outrossim, que não mantinha contabilidade regular e, por isso, não possui Livro Diário ou Razão. Foi, então, lavrado Auto de Infração com exigência de crédito tributário no valor de R$ 237.077,76 e R$ 1.094.206,15, atinente ao PIS e à COFINS, respectivamente, referente aos períodos de apuração do segundo semestre/2007 e do anocalendário de 2008, sob a acusação de omissão de receitas. A contribuinte era optante pela apuração pelo Lucro Presumido, mas teve seu lucro arbitrado, conforme dispõe o Auto de Infração (fls. 287 e ss.) em razão de: (i) na escrituração do Livro Caixa não conter a escrituração bancária e financeira; (ii) não ter sido possível efetuar conciliação entre os extratos bancários e o Livro Caixa apresentados pela empresa; e (iii) intimada, a empresa não comprovou a origem dos depósitos/créditos bancários. A contribuinte apresentou impugnação, em que alega, em síntese, que: No segundo semestre de 2007 optou por realizar o pagamento dos tributos devidos com base no Lucro Presumido, visto que não se enquadrava mais no Simples, tendo como atividade o comércio de aparelhos domésticos, idealizou a possibilidade de recolhimentos dos tributos com base nas alíquotas legais, o que proporcionaria um maior controle, iniciando uma relação diferente com o fisco, sendo a base de cálculo a receita bruta auferida no período. Alegou ainda que a multa era inconstitucional e confiscatória. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.725566/201287 Acórdão n.º 1101001.005 S1C1T1 Fl. 3 3 A DRJ negou provimentou à Impugnação, por entender que o descumprimento das obrigações acessórias, mormente em relação à falta de escrituração bancária no Livro Caixa, implica a impossibilidade de apuração do lucro da empresa na forma em que a empresa optou em sua DIPJ. Quanto à multa, a DRJ posicionaouse pela manutenção da multa de ofício, porque à esfera administrativa é defesa a análise de contitucionalidade de lei posta. Intimada da decisão de primeira instância a contribuinte apresenta Recurso Voluntário a este Conselho, em que repisa os argumentos levantados em sede de impugnação. Este processo foi, então, sorteado ao conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção, que houve por bem declinar a competência a este Relator, em razão da anterior distribuição do processo administrativo n. 10120.725565/201232 a este conexo, e que trata dos lançamentos de IRPJ e CSLL. O presente processo, em que pese conter exigência de PIS e de COFINS, vale refrisar, é decorrente do processo n. 10120.725565/201232, que encerra as exigências de IRPJ e de CSLL. Por essa razão, o presente processo foi encaminhado a esta 1ª Seção de Julgamento, competente para apreciar os processos, em que a exigência de PIS e de COFINS seja decorrente de apuração do IRPJ. É o relatório. Voto BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator O recurso é tempestivo (fl. 349 cf. fl. 352), e dele tomo conhecimento. A contribuinte alega desconhecer “o direito que lhe assistia de não ser obrigado à entrega dos extratos bancários”, e postula que o atendimento à intimação da Fiscalização, em que, livremente, apresenta os extratos bancários que deram vazão à autuação, seria uma forma “transversa” de quebra de sigilo bancário. Ora, a apresentação por parte da contribuinte de seus livros fiscais e dos extratos bancários das contas mantidas por ela está em clara concordância com os bons princípios do Direito, não podendo imputar qualquer má fé ou ilegalidade aos atos da Fiscalização. Anotese que a apresentação dos extratos bancários se operou livremente, e por iniciativa da contribuinte em atenção às intimaçãoes da Fiscalização. Evidente, pois, que o tema aqui em debate em nada se amolda à discussão sobre a quebra de sigilo bancário pela administração sem lastro em ordem judicial. Dessa feita, é legal a prova produzida e não procede a alegação da contribuinte de que houve quebra de sigilo bancário. A contribuinte poderia ter apresentado documentação idônea e hábil a comprovar a origem dos depósitos/créditos bancários, como lhe foi oportunizado desde antes da lavratura do Auto de Infração. Em resposta ao Termo de Intimação n. 3, a contribuinte afirma não possuir qualquer documentação e afirma que não procedia à escrituração bancária em seu livro Diário, como lhe é exigido. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 Ademais, o ônus da prova é invertido, por expressa previsão legal, sendo de responsabilidade da contribuinte comprovar a regularidade de suas operações, apresentando documentação que comproasse a origem dos depósitos/créditos bancários apontados pela Fiscalização. DO ARBITRAMENTO A contribuinte fora intimada a apresentar documentação que comprovasse a origem dos depósitos indicados pelo Fiscal, mas não o fez em razão de alegado extravio da documentação. A não comprovação ensejaria o lançamento com base no art. 42 da lei 9.430/96; porém, ante a falta de escrituração regular e ante a constatação de que o percentual da receita omitida perfazia o montate de 54% e 51% da receita total (para o segundo semestre de 2007 e para o anocalendário de 2008, respectivamente), houve por bem o Fiscal arbitrar o lucro da contribuinte. Quanto ao arbitramento, temos que a contribuinte fez opção pela tributação com base no lucro presumido. O art. 527 do RIR/99 apresenta as obrigações acessórias a que estão sujeitas as empresas que fizeram opção por este regime de tributação. O parágrafo único do art. 527 é expresso ao exigir a pessoa jurídica deverá manter Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Eis o dispositivo aludido: “Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária.” (destacamos) Este dispositivo deve ser lido conjuntamente com o art. 530, que elenca as hipóteses de arbitramento. O inciso III do art. 530 prevê a hipótese de arbitramento do lucro caso a contribuinte deixe de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527. “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) Fl. 375DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.725566/201287 Acórdão n.º 1101001.005 S1C1T1 Fl. 4 5 III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...)” O presente caso amoldase claramente ao inciso III do art. 530, na medida em que a contribuinte não só não possuia Livro Diário ou Razão, que pudesse ser apresentado à Fiscalização, como não escriturava a movimentação financeria e bancária em seu Livro Caixa. Eis, então, a subsunção perfeita dos fatos à norma constante do art. 530, III, do RIR/99. Sobre este assunto já debruçou este Conselho que, em julgado da 1ª Turma Especial da 1ª Seção, decidiu a falta dos requisitos impostos pelo art. 527, parágrafo único, enseja o arbitramento do lucro, como previsto no art, 530, III, ambos do RIR/99. Reproduzo parcialmente a ementa do acórdão proferido nos autos do processo administrativo n. 10803.000088/200833: “OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei no. 9.430, de 1996, foi regularmente introduzida no sistema normativo e determina que o contribuinte deve ser regularmente intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimentos. Tratandose de presunção relativa, o sujeito passivo fica incumbido de afastála, mediante a apresentação de provas que afastem os indícios. Não logrando fazêlo, fica caracterizada a omissão de receitas. Tributamse como omissão de receita os valores creditados em contas correntes em instituições financeiras, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove a origem mediante documentação hábil e idônea. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 527, 529 e 530, III). (...)” (Acórdão n. 1801000.763, proferido na sessão de 22 de novembro de 2011) DA MULTA CONFISCATÓRIA Fl. 376DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 6 Como salientado acima, a contribuinte entende que a multa de ofício é confiscatória e fere a Constituição. Colaciona lições doutrinárias e jurisprudenciais sobre os limites à imposição de multa. Porém, esta esfera adminsitrativa não possui competência para proceder exames de constitucionalidade. Essa matéria já foi, inclusive, objeto da Súmula CARF n. 2 deste Conselho, que expressa: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO do Recurso Voluntário. BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Fl. 377DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 11075.720296/2009-78
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DO RECURSO. PEREMPÇÃO.
Não se conhece do recurso apresentado fora do prazo previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 1802-001.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO conhecer do recurso intempestivo, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o Conselheiro Marco Antônio Nunes Castilho.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DO RECURSO. PEREMPÇÃO. Não se conhece do recurso apresentado fora do prazo previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO conhecer do recurso intempestivo, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o Conselheiro Marco Antônio Nunes Castilho.
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PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DO RECURSO. PEREMPÇÃO. Não se conhece do recurso apresentado fora do prazo previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO conhecer do recurso intempestivo, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o Conselheiro Marco Antônio Nunes Castilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 72 02 96 /2 00 9- 78 Fl. 647DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11075.720296/200978 Acórdão n.º 1802001.893 S1TE02 Fl. 648 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário (fls. 268/270) contra decisão da 5ª Turma da DRJ/Campinas de fls. 626/632 que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta dos autos que AuditorFiscal da RFB (DRF/Uruguaiana), em 05/01/2010, lavrou Autos de Infração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, atinentes ao anocalendário 2006, no regime de apuração do Lucro Real trimestral, em face da imputação das seguintes infrações (fls. 02/32), in verbis: (...) 001 OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS Omissão de Receita caracterizada pela falta ou insuficiência de contabilização de FRETES INTERNACIONAIS, apurada conforme Relatório de Atividade Fiscal anexo, o qual é parte integrante do presente Auto de Infração. Fato Gerador Valor Tributável Multa (%) 31/03/2006 R$ 555.271,75 75,00 30/06/2006 R$ 13.196,08 75,00 30/09/2006 R$ 5.656,82 75,00 31/12/2006 R$ 12.948,80 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 24 da Lei n° 9.249/95; Arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280, 283 e 288, do RIR/99 002 OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS Omissão de Receita caracterizada pela falta ou insuficiência de contabilização de FRETES NACIONAIS, apurada conforme Relatório de Atividade Fiscal Anexo. Fato Gerador Valor Tributável Multa (%) 31/03/2006 R$ 17.280,00 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL : Art. 24 da Lei n° 9.249/95; Arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280, 283 e 288, do RIR/99 Fl. 648DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11075.720296/200978 Acórdão n.º 1802001.893 S1TE02 Fl. 649 3 003 CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS Despesas de fretes com terceiros escrituradas em valor superior ao comprovado, apurado conforme Relatório de Atividade Fiscal anexo, o qual é parte integrante do presente Auto de Infração. Fato Gerador Valor Tributável Multa(%) 31/03/2006 R$ 11.089,16 75,00 31/12/2006 R$ 49.842,95 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL : Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300,do RIR/99. (...) Com relação a essas infrações imputadas pelo fisco federal, consta do Relatório de Procedimento Fiscal, parte integrante dos autos de infração, descrição minuciosa dos fatos que, no que pertinente, transcrevo (fls. 33/40): (...) 4.DESCRIÇÃO DOS FATOS (...) Em 16/11/2009, o sujeito passivo foi intimado por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 003 a apresentar (...) documentos/esclarecimentos: 1Receitas Não Escrituradas Com base nos Livros Diário/Razão e nos Conhecimentos de Transporte Internacional por Rodovia CRT apresentados pelo sujeito passivo verificouse que alguns conhecimentos de transporte não foram escriturados, conforme demonstrativo constante no ANEXO I deste Termo. (...) 2Subcontratação de Fretes Após análise dos Contratos de Frete Subcontratados com terceiros verificouse que a moeda contratada para diversos fretes foi o dólar americano. No entanto, a taxa de conversão constante nos referidos contratos é 1,00 (um) acarretando diferenças entre os valores escriturados e os valores demonstrados na planilha apresentada em resposta ao Termo de Início do Procedimento Fiscal. (...) Fl. 649DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11075.720296/200978 Acórdão n.º 1802001.893 S1TE02 Fl. 650 4 Em 18/12/2009, o sujeito passivo apresentou os esclarecimentos solicitados e os seguintes documentos: Subcontratos de fretes; Relatório de fretes subcontratados; Demonstrativo de subcontratação de fretes. (...) 5. INFRAÇÕES APURADAS O sujeito passivo adotou o Lucro Real como Forma de Tributação do Lucro e Apuração Trimestral do Imposto Sobre a Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido para o anocalendário de 2006, conforme escrituração contábil/fiscal e respectiva Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ. (...) 5.1. OMISSÃO DE RECEITAS 5.1.1. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE CARGAS Com base nos conhecimentos de transporte internacional por rodovia CRT e na escrituração contábil apresentados pelo sujeito passivo foi possível identificar que diversos CRT não foram escriturados. (...) Os valores de receita omitida estão demonstrados na planilha anexa "Demonstrativo de Fretes Não Escriturados ou Escriturados com valor menor AC 2006 Regime de Competência". Os referidos conhecimentos de transporte não estão escriturados na conta contábil 4.1.1.02.002 SERVIÇOS TRANSPORTES FRETES EXTERIOR, conforme é possível verificar no Livro Razão, anexo a este Relatório. A taxa de câmbio utilizada para conversão dos valores dos fretes foi a cotação de fechamento do Dolar/USA de compra estipulada pelo Banco Central do Brasil. 5.1.2. TRANSPORTE NACIONAL DE CARGAS Também foi possível verificar que o conhecimento de transporte nacional n° 609 foi escriturado por valor inferior ao valor de emissão. O valor da omissão de receita está demonstrado na planilha anexa "Demonstrativo de Fretes Não Escriturados ou Escriturados com valor menor AC 2006 Regime de Competência". Fl. 650DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11075.720296/200978 Acórdão n.º 1802001.893 S1TE02 Fl. 651 5 O conhecimento de transporte n° 609 está escriturado na conta contábil 4.1.1.02.001 SERVIÇOS DE TRANSPORTESFRETES NACIONAIS do Livro Razão anexo a este Relatório. 5.2.DESPESAS NÃO COMPROVADAS O sujeito passivo foi intimado por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal a apresentar a documentação comprobatória das despesas escrituradas nas contas contábeis 3.1.1.01.007 FRETES TERCEIROS PESSOA FÍSICA e 3.1.1.01.008 FRETES TERCEIROS PESSOA JURIDICA. Em resposta apresentada no dia 09/10/2009, o sujeito passivo entregou todos os contratos de fretes com terceiros, pessoas físicas e jurídicas, e respectiva planilha demonstrativa de valores subcontratados. O sujeito passivo foi intimado por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 003 a esclarecer as diferenças entre os valores escriturados e os valores constantes dos contratos de fretes com terceiros tendo em vista que alguns contratos foram feitos em dólar. (...) Em 18/12/2009, o sujeito passivo informou que o sistema de cadastramento dos fretes com terceiros não permitia cadastrar a taxa de câmbio do dólar impossibilitando a conversão automática para reais. Portanto, os valores constantes nos contratos de fretes com terceiros, quando realizados em dólar, não refletiam o valor em reais. Após análise dos contratos de fretes com terceiros e do demonstrativo apresentado pelo sujeito passivo comparados com os valores escriturados nas contas contábeis 3.1.1.01.007 FRETES TERCEIROS PESSOA FÍSICA e 3.1.1.01.008 FRETES TERCEIROS PESSOA JURIDICA constatouse que o sujeito passivo escriturou valores de despesas superiores aos valores efetivamente comprovados, conforme "Demonstrativo de Despesas Glosadas Fretes Terceiros AC 2006 Regime de Competência". Os valores escriturados nas contas 3.1.1.01.007 FRETES TERCEIROS PESSOA FÍSICA e 3.1.1.01.008 FRETES TERCEIROS PESSOA JURIDICA estão demonstrados em anexo ao presente Relatório. (...) 5.4. REFLEXO NA APURAÇÃO DA COFINS E PIS A Omissão de Receita discriminada no ITEM 5.1.2 gerou REFLEXO na apuração da COFINS e PIS, regime não cumulativo, conforme art. 24, § 2° da Lei n° 9.249/95 (...) A Omissão de Receita discriminada no ITEM 5.1.1 NÃO gerou REFLEXO na apuração da COFINS e PIS visto que as receitas Fl. 651DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11075.720296/200978 Acórdão n.º 1802001.893 S1TE02 Fl. 652 6 de transporte internacional de carga são isentas da contribuição para o PIS e a COFINS, conforme artigo 14, inciso V e § 1° da Medida Provisória 2.15835, de 13 de agosto de 2001. Conforme contas contábeis 1.1.3.08.014 COFINS RECUPERAR CRÉDITO PRESUMIDO e 1.1.3.08.015 PIS RECUPERAR CRÉDITO PRESUMIDO não há saldo para compensar com o valor das contribuições devidas no mês de janeiro/2006. (...) Os demonstrativos, analíticos, dos valores tributáveis das infrações imputadas constam dos Anexos ao Relatório de Procedimento Fiscal (fls. 41/47). O crédito tributário lançado de ofício pelos autos de infração perfaz o montante de R$ 472.658,59, conforme demonstrativo abaixo: Auto de Infração Principal (R$) Juros de Mora – R$ (calculados até 30/12/2009 ) Multa de Ofício de 75% (R$) Total IRPJ 157.643,20 64.229,36 118.232,38 340.104,94 PIS 285,12 125,79 813,84 624,75 CSLL 59.875,68 24.268,82 44.906,75 129.051,25 Cofins 1.313,28 579,41 984,96 2.877,65 TOTAL 472.658,59 Ciente do lançamento fiscal em 13/01/2010 – Aviso de RecebimentoAR (fl. 437), a contribuinte apresentou impugnação em 08/02/2010 (fls. 438/441), juntando ainda documentos de fls. 441/622), aduzindo em suas razões os seguintes argumentos que estão resumidos no relatório da decisão recorrida que transcrevo, in verbis: (...) Discordando dos lançamentos, o Contribuinte apresentou, por intermédio de seu procurador, a impugnação de fls. 438441, com os seguintes argumentos: No relatório apresentado à Fiscalização, equivocouse ao informar que no dia 31/03/2006 auferiu uma receita no valor de R$248.022,00. Na verdade, o valor correto é R$24.802,00 e está comprovado por intermédio do CTRC n. 1861.01197 (fls. 442 443). Deve ser considerado que o entendimento jurisprudencial favorável ao Contribuinte deve ser aplicado, seguindo o princípio da verdade material, devendo, no caso, considerar o valor da receita comprovado documentalmente. Forneceu os valores das despesas que realizou para a efetivação dos referidos serviços, devendo ser efetuado o lançamento sobre o valor da receita líquida, ou seja, deduzidas as despesas com pagamentos para terceiros. Finalizando requer a nulidade do Auto de Infração em face dos erros apresentados, bem como a correção do valor lançado de forma equivocada e a consideração das despesas comprovadas Fl. 652DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11075.720296/200978 Acórdão n.º 1802001.893 S1TE02 Fl. 653 7 para a efetivação dos serviços e valores pagos para terceiros, reduzindo a base de cálculo para fins de apuração do lucro real. A DRJ/Porto Alegre, 1ª Turma, enfrentando as questões suscitadas pela impugnante, julgou a impugnação procedente em parte pelo Acordão de 26/11/2010, que transcrevo a seguir, com respectiva ementa (fls. 626/632): (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA Demonstrado que os Autos de Infração foram lavrados de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação das disposições dos artigos 10 e 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, garantindo ao Contribuinte o contraditório e a ampla defesa, não há que se acatar o pedido de nulidade apresentado pelo Contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS DE FRETES DECLARADAS A MENOR Constatado que o Contribuinte ofereceu à tributação receitas de fretes a menor, cabível o lançamento de ofício para exigir a diferença de imposto sobre a receita não tributada. GLOSA DE DESPESAS. COMPROVAÇÃO Somente são dedutíveis as despesas que, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, sejam comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. No caso, diante da ausência de apresentação de provas, não há como acatar as alterações dos valores referentes às despesas escrituradas. LANÇAMENTOS DECORRENTES .CSLL. PIS/PASEP. COFINS Tratandose de tributação decorrente das irregularidades descritas e analisadas no Auto de Infração do IRPJ, e dada a relação de causa e efeito, aplicase o mesmo procedimento, no que couber, aos lançamentos decorrentes quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 653DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11075.720296/200978 Acórdão n.º 1802001.893 S1TE02 Fl. 654 8 Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo nº 11075.720296/2009 78, acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por maioria de votos, nos termos do relatório e voto que passam integrar o presente julgado: a) rejeitar a preliminar de nulidade; b) julgar procedentes em parte o Auto de Infração do IRPJ e da CSLL, alterando os valores lançados para R$ 101.838,21 (cento e um mil, oitocentos e trinta e oito reais e vinte e um reais) e R$ 39.785,88 (trinta e nove mil, setecentos e oitenta e cinco reais e oitenta e oito centavos) respectivamente; c) manter integralmente os Autos de Infração do PIS/PASEP e da COFINS; Vencidos os julgadores João Bellini Júnior e Victor Augusto Lampert, quanto ao item “b” acima, uma vez que entendiam inviável a exclusão do valor R$223.220,00 que foi escriturada a maior. (..) Para melhor compreensão da decisão recorrida, consta da fundamentação do voto condutor que houve redução do valor tributável apenas da infração Omissão de Receitas Fretes Internacionais, em face dos argumentos e provas juntadas aos autos pela contribuinte, quando da impugnação. A propósito, nessa parte transcrevo a fundamentação do voto condutor: (...) IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Omissão de receita Alega o Contribuinte que no relatório apresentado à Fiscalização, equivocouse ao informar que no dia 31/03/2006 auferiu uma receita no valor de R$248.022,00, quando, na verdade, o valor correto é R$24.802,00, como consta no CRT n.1861.01197 (fls. 442443). No Demonstrativo intitulado “Conhecimentos Transporte Internacional Emitidos em 2006 (documentos diversos – outros – demonstrativo CRT apresentados pelo contribuinte (fls. 250268, 03/19) o valor considerado para o CRT n. BR 1861.01197 foi de R$24.802,00. Porém, no Livro Razão nº 18, folha 10 – conta 4.1.1.02.002 Serviços Transportes Fretes Exterior, apresentado pelo Contribuinte (fls. 504552), constatase que realmente o valor escriturado foi de R$248.022,00, comprovando o argumento apresentado na impugnação, devendo ser considerado para Fl. 654DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11075.720296/200978 Acórdão n.º 1802001.893 S1TE02 Fl. 655 9 fins de apuração da receita realmente auferida, o valor de R$24.802,00 (US$11.810,86 x R$2,10). Deduzindo do valor lançado a título de omissão de receita a importância escriturada a maior pelo Contribuinte no Livro Razão de R$223.220,00 (248.022,00 – 24.802,00), o valor omitido, referente ao 1º trimestre de 2006, deve ser reduzida para R$349.331,75 (R$572.551,75 – R$223.220,00). (...) LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, PIS/PASEP E COFINS Em relação aos lançamentos da CSLL, PIS/PASEP e COFINS que decorrem da totalidade ou parte das infrações tributárias que motivaram a autuação relativa ao IRPJ (lançamento principal), deve ser aplicada idêntica solução, no que couber, em face da estreita relação de causa e efeito. Conforme Relatório do Procedimento Fiscal, a omissão de receita referente aos fretes internacionais não gerou reflexo nos lançamentos do PIS/PASEP e da COFINS, visto que essas receitas são isentas para fins de apuração dessas contribuições. (...) Vale dizer, como não houve lançamento reflexo de PIS e Cofins em relação à infração do IRPJ Omissão de Receitas – Fretes Internacionais, logo não há que se falar em redução do crédito tributário dessas exações fiscais, pois não foram lançadas. Por outro lado, o crédito tributário mantido de PIS e Cofins (lançamentos reflexos) é concernente à infração do IRPJ Omissão de Receitas – Fretes Nacionais cuja infração no âmbito do IRPJ foi integralmente mantida, permanecendo, por conseguinte, a exigência dos lançamentos reflexos (CSLL, PIS e Cofins) dessa infração. Ciente desse decisum em 23/12/2010 por via postal Aviso de Recebimento AR (fl. 636), a contribuinte em 02/02/2011 protocolizou o Recurso Voluntário de fls. 637/642 por via postal (SEDEX), conforme comprova o documento de postagem com aposição de carimbo de recepção pela Agência dos Correios, de 02/02/2011(fl. 643). Nas razões do recurso, a contribuinte pediu a reforma da decisão recorrida, na parte que restou vencida, ou seja, pugnou para que seja dado provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11075.720296/200978 Acórdão n.º 1802001.893 S1TE02 Fl. 656 10 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. Recurso Voluntário intempestivo. A contribuinte tomou ciência da decisão a quo em 23/12/2010 por via postal Aviso de Recebimento AR (fl. 636) e, apenas, em 02/02/2011 protocolizou o Recurso Voluntário de fls. 637/642 por via postal (SEDEX), conforme comprova o documento de postagem com aposição de carimbo de recepção pela Agência dos Correios, de 02/02/2011(fl. 643). Em 01/03/2011, a autoridade preparadora/saneadora dos autos, na unidade de origem da RFB (DRFUruguaiana), constatou a intempestividade do recurso, conforme despacho dessa data (fl. 644), in verbis: (...) DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Em análise realizada no processo acima identificado, verificamos que a ciência do Acórdão nº 1028.662 – 1ª Turma da DRJ/POA ocorreu na data de 23/12/2010, e que a manifestação apresentada pelo contribuinte foi protocolada em 02/02/2011, através do correio, portanto intempestivamente. Conforme art. 35 do PAF o recurso mesmo perempto será encaminhado ao órgão de 2ª instância, portanto proponho o encaminhamento do presente processo ao CARF/DF – 1ª Seção. DATA DE EMISSÃO : 01/03/2011 (...) Vale dizer, ainda que apresentado intempestivamente o recurso subirá ao CARF para julgamento da perempção – Decreto nº 70.235/72 (art. 35), in verbis: Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Prazo para apressentação tempestiva do recurso: O Decreto n° 70.23/72, diploma legal que regula o Processo Administrativo Tributário Federal, no seu art. 33, dispõe que da decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância, quando contrária ao contribuinte, caberá Recurso Voluntário, dentro do prazo de trinta dias contado a partir da sua ciência, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. A propósito, trancrevo o disposto no art.33 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Fl. 656DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11075.720296/200978 Acórdão n.º 1802001.893 S1TE02 Fl. 657 11 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Do texto legal citado sobressaem dois pressupostos básicos a serem, necessariamente, observados pelo contribuinte, quando no exercício do direito ao recurso, quais sejam: a) que o recurso seja dirigido à autoridade competente para apreciar e decidir sobre a matéria recorrida; b) que o recurso seja apresentado no órgão competente, dentro do prazo de trinta dias, quando muito, contado a partir da ciência da decisão de primeira instância. O descumprimento de qualquer dos pressupostos citados acarreta a ineficácia do recurso, impedindo o seu conhecimento por parte da autoridade a quem foi dirigido. No caso em tela, restou caracterizada a inobservância do prazo legal para interposição do recurso. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 23/12/2010 (quintafeira), conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 636), tendo, todavia, protocolizado o encaminhamento de suas razões do Recurso Voluntário de fls. 637/642 a este Colegiado, por via postal – Sedex, somente no dia 02/02/2011 (quartafeira), tudo conforme registro ou carimbo de protocolo aposto pela Agência dos Correios (fl. 643). A contagem do prazo legal aponta o dia 22/01/2011 (terçafeira) como data final para apresentação tempestiva da peça recursal com suas razões, o que, no caso, não foi observado tal prazo, pois foi protocolada somente em 02/02/2011 (quartafeira), ou seja, 8 (oito) dias após expirado o prazo para apresentação tempestiva. Portanto, tratase de recurso serôdio, vale dizer, apresentado a destempo. A não observância do prazo legal para interposição do recurso voluntário impede o seu conhecimento, na medida em que a tempestividade constitui um dos pressupostos objetivos de admissibilidade. Por tudo que foi exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 657DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11075.720296/200978 Acórdão n.º 1802001.893 S1TE02 Fl. 658 12 Fl. 658DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.721037/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior
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Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a) MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .7 21 03 7/ 20 12 -8 9 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.721037/201289 Resolução nº 2301000.414 S2C3T1 Fl. 281 2 RELATÓRIO Tratamse de Autos de Infração AI lavrados contra o sujeito passivo em referência, cujos créditos tributários são os descritos a seguir: AIOP 51.014.9391, referente a contribuições destinadas à Previdência Social, correspondente à parte da empresa e do SAT; AIOP 51.014.9405, referente a contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos, Terceiros – SENAI, SESI, SEBRAE, INCRA e SALÁRIO EDUCAÇÃO, incidentes sobre a remuneração paga aos empregados; AIOP DEBCAD nº 51.014.9413, CFL 38, por descumprimento de obrigação acessória estabelecida pela Lei nº 8.212/1991, artigo 33, §§ 2 e 3, com redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, combinado com o art. 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6/5/1999; Segundo Relatório Fiscal, a empresa fiscalizada foi excluída do SIMPLES NACIONAL, por motivo de débito com a Fazenda Pública Federal, com efeitos a partir de 01/01/2009 e, mesmo assim continuou a declarar na GFIP como se ainda fosse do referido sistema de tributação, gerando uma diferença de contribuição devida. A autoridade autuante esclarece que as bases de cálculos utilizadas foram extraídas das GFIPs, e que os valores recolhidos pela autuada a título de contribuição previdenciária patronal – CPP, por meio do Documento de Arrecadação do SIMPLES NACIONAL –DAS, foram devidamente descontados, conforme demonstrado no RDA, podendo ser verificados nos extratos PGDAS de 01/2009 a 12/2010, cujas cópias seguem anexas. Em relação ao Auto de Infração, informa que a recorrente, apesar de intimada por meio de TIPF, deixou de apresentar documentos como folhas de pagamento, Livros Diário e Razão, entre outros listados. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1039.901 7ª Turma da DRJ/POA, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo, alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, afirma que surgiu fato novo, conforme comprovam documentos anexos, informando que a recorrente foi reincluída no SIMPLES em 28/05/2012, de forma retroativa a 01/01/2009, devendo ser anulados os créditos exigidos. Alega que sua exclusão do Simples por existência de débito foi um ato ilegal, sendo nulos os autos lavrados contra a recorrente. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.721037/201289 Resolução nº 2301000.414 S2C3T1 Fl. 282 3 Entende que é possível aos órgãos do Executivo deixar de aplicar um dispositivo legal em virtude de considerálo inconstitucional e reitera que é ilegal e inconstitucional a exclusão da microempresa do SIMPLES NACIONAL. Alega ilegalidade da exigência da contribuição ao INCRA e das devidas por pessoas jurídicas prestadoras de serviços, entendendo que o fato gerador da contribuição lançada é o pagamento de remuneração de empregados e contribuintes individuais pelas pessoas jurídicas prestadoras de serviço. Finaliza requerendo o processamento do recurso e que seja decretada a nulidade do processo e cancelados definitivamente os Autos de Infração. É o relatório. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.721037/201289 Resolução nº 2301000.414 S2C3T1 Fl. 283 4 VOTO Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Em seu recurso, a recorrente afirma que foi reincluída no SIMPLES em 28/05/2012, de forma retroativa a 01/01/2009, devendo ser anulados os créditos exigidos, e junta cópias de documentos que, segundo entende, comprovam suas afirmações. Em que pese esses documentos não terem sido apresentados em sede de defesa, entendo que as cópias juntadas ao recurso deixam dúvidas quanto à correção dos valores lançados e, consequentemente, quanto à liquidez do débito. Dessa forma, em respeito ao princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal, entendo que o processo deva ser convertido em diligência para que a autoridade fiscal se pronuncie quanto aos argumentos expendidos em sede recursal, analisando os documentos juntados pela recorrente e se manifestando, de forma conclusiva, quanto à suficiência da documentação apensada para a retificação do débito. E, ainda, para que não fique configurado o cerceamento do direito de defesa, que seja dada ciência ao sujeito passivo do teor dos esclarecimentos a serem prestados pela fiscalização, abrindo prazo para sua manifestação. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 298DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10580.723715/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006
OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO
Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória.
PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA PROCEDENTE. MANUTENÇÃO DA MULTA PELA FALTA DE DECLARAÇÃO DOS MESMOS FATOS GERADORES.
Sendo declarada a procedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP, por conseguinte, merece ser afastada a multa cujas contribuições não tenham subsistido.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.195
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir as multas decorrentes de erro de declaração da condição de isenta da entidade e da falta de declaração das contribuições lançadas no AI n. 37.187.485-8.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA PROCEDENTE. MANUTENÇÃO DA MULTA PELA FALTA DE DECLARAÇÃO DOS MESMOS FATOS GERADORES. Sendo declarada a procedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP, por conseguinte, merece ser afastada a multa cujas contribuições não tenham subsistido. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir as multas decorrentes de erro de declaração da condição de isenta da entidade e da falta de declaração das contribuições lançadas no AI n. 37.187.485-8. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA PROCEDENTE. MANUTENÇÃO DA MULTA PELA FALTA DE DECLARAÇÃO DOS MESMOS FATOS GERADORES. Sendo declarada a procedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP, por conseguinte, merece ser afastada a multa cujas contribuições não tenham subsistido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 37 15 /2 00 9- 51 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir as multas decorrentes de erro de declaração da condição de isenta da entidade e da falta de declaração das contribuições lançadas no AI n. 37.187.4858. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.723715/200951 Acórdão n.º 2401003.195 S2C4T1 Fl. 244 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.233.9794, lavrado contra o sujeito passivo acima para aplicação de multa em razão da suposta falta de apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Segundo o fisco, as contribuições correspondentes aos fatos geradores que deixaram de ser declarados na GFIP foram lançadas nos seguintes Autos de Infração: a) AI n. 37.187.4840, no qual foram lançadas as contribuições decorrentes do enquadramento incorreto na entidade como entidade isenta da cota patronal previdenciária; de remunerações apuradas em folha de pagamento e não declaradas em GFIP e remuneração correspondente ao 13. salário de 2005 não declarada em GFIP; b) AI n. 37.233.9778, no qual foram lançadas as contribuições retidas dos segurados e não recolhidas correspondentes às competências 13/2005; 09/2006. 11/2006 e 13/2006; c) AI n. 37.187.4858: no qual foram lançadas contribuições dos segurados, decorrentes de diferenças entre o valor efetivamente descontado e o valor declarado em GFIP. Informase que a multa foi aplicada aplicandose o § 5. do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, por ser mais benéfica ao sujeito passivo que aquela calculada com esteio na legislação atual. A entidade ofertou impugnação, cujas razões não foram acatadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA), tendo o crédito sido mantido na sua integralidade. O sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual, em síntese, alegou que: a) sempre atendeu a todos os requisitos do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, conforme documentos acostados; b) não seria necessário o Ato Declaratório de Isenção expedido pelo INSS, posto que ao tempo da autuação da fiscalização cumpria todos os ditames legais; c) a recorrente possui o Certificado de Entidade de Assistência Social, conforme pedidos de renovação colacionados; d) a Lei n.º 12.101/2009, que atualmente regula a isenção das contribuições sociais não requer qualquer exigência para o benefício, que já não seja cumprida pela recorrente; e) o que o Fisco está lhe exigindo é mera formalidade que não encontra amparo na atual legislação, nem na Constituição Federal; Fl. 245DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 f) a documentação juntada comprova ser a recorrente uma entidade beneficente de assistência social, sem fins lucrativos, reconhecida como de utilidade pública, portadora do Certificado do CNAS, que promove, gratuitamente, assistência social beneficente a idosos e cujos diretores e conselheiros não percebem qualquer vantagem ou benefício, além de que os resultados da entidade são aplicados integralmente na manutenção de seus objetivos institucionais; g) o art. 55 da Lei n.º 8.212/1991 encontrase revogado pela Lei n.º 12.101/2009, cujos requisitos são integralmente atendidos pela recorrente; h) devese aplicar na espécie a legislação mais benéfica, conforme determina o art. 106, II, “b”, do CTN; i) houve equívoco na apuração do crédito, haja vista que todo o montante descontado dos segurados empregados foi recolhido à Previdência Social; j) desde a impugnação que apontou as falhas do fisco ao considerar como remuneração quantias relativas a férias, suspensões, faltas e afastamentos diversos, cuja ocorrência repercute na folha de pagamento, ocasionando a suposta diferença; k) o órgão recorrido não considerou as provas que demonstram o acerto do procedimento do sujeito passivo, o qual promoveu o devido recolhimento das contribuições devidas, conforme vasta documentação colacionada. Ao final, requereu o provimento do recurso. O julgamento foi convertido em diligência, mediante resolução n. 2401 000.263, de 22/11/2012, para que o fisco apresentasse o ato administrativo que teria cancelado a isenção da recorrente. Em resposta à diligência foi acostado à fl 226 o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n. 04.001.002/2005, o qual aponta como motivos para a sua lavratura a infração aos incisos I e II do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991 c/c os incisos I e III do art. 206 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/2008. Desse Ato o sujeito passivo tomou ciência em 23/11/2005, conforme fl. 225. O sujeito passivo se pronunciou para reiterar os termos do recurso voluntário. Os autos retornaram para julgamento. É o relatório. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.723715/200951 Acórdão n.º 2401003.195 S2C4T1 Fl. 245 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Do resultado do julgamento dos processos conexos O entendimento que tem prevalecido nesta turma é de que a lavratura decorrente do inadimplemento da obrigação de declarar os fatos geradores na GFIP deve seguir o mesmo destino que os lançamentos que com ele guardam conexão. Assim, curial para a solução da presente contenda que apresentemos a situação processual dos AI relativos à exigência da obrigação principal vinculados ao que ora se julga. O AI n. 37.187.4840 foi a pouco julgado improcedente, posto que restou comprovado que os motivos que levaram à emissão do Ato Cancelatório de Isenção inexistiam. Portanto, improcedentes as contribuições lançadas. Nesse sentido, devese afastar a multa decorrente do suposto erro no enquadramento do sujeito passivo. Ocorre que neste AI, foram ainda cobradas contribuições relativas à falta de declaração na GFIP de remunerações constantes em folha de pagamento. Esses fatos geradores, independentemente da condição de isenta da autuada, teriam que ser declarados, posto que a isenção não afasta o cumprimento das obrigações acessórias. Verificase que a empresa alega que as divergências apontadas decorreram de erro na apuração, por não terem sido abatidas situações de afastamento dos trabalhadores. Essa alegação não me convence. É que está carente de provas. O sujeito passivo não indicou individualmente qualquer falha cometida na apuração. Limitouse a lançar argumentações genéricas, as quais não merecem aceitação. Demais disso, os documentos juntados na defesa apresentada contra o presente AI dizem respeito apenas a provas da condição de isenta da autuada, não se prestando para demonstrar algum erro na apuração do saláriodecontribuição. Assim, para o AI n. 37.187.4840 devem ser afastas a multa decorrente do enquadramento da entidade na condição de isenta. O AI n. 37.233.9778 (Processo n. 10580723713/200961), relativo ao lançamento das contribuições dos segurados teve o recurso do sujeito passivo negado por essa Turma em julgamento realizado no dia 22/11/2012. Deve então ser mantida a multa concernente à falta de declaração dessas contribuições. Já o AI n. 37.187.4858, no qual foram lançadas contribuições dos segurados não descontadas, a DRJ declarou parcialmente procedente a lavratura, reduzindo o valor do crédito de R$ 654,27 para R$ 1,68, o qual foi baixado pelo sistema. Assim, deve ser excluída Fl. 247DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 do lançamento a multa relativo à falta de declaração das contribuições lançadas no AI n. 37.187.4858. Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso de modo que sejam excluídas as multas decorrentes: a) do suposto erro de declaração da condição de isenta da entidade; b) falta de declaração das contribuições lançadas no AI n. 37.187.4858. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 248DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001907/2010-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. EXONERAÇÃO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. VINCULAÇÃO.
No presente caso, evidencia-se que a obrigação acessória consistente na ausência das remunerações referentes à alimentação na folha de pagamento não deve ser considerada, eis que tal rubrica, julgada no processo principal, cujo acórdão decidiu pelo afastamento da incidência de contribuição previdenciária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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EXONERAÇÃO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. VINCULAÇÃO. No presente caso, evidenciase que a obrigação acessória consistente na ausência das remunerações referentes à alimentação na folha de pagamento não deve ser considerada, eis que tal rubrica, julgada no processo principal, cujo acórdão decidiu pelo afastamento da incidência de contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 19 07 /2 01 0- 18 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15586.001907/201018 Acórdão n.º 2403002.344 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração DEBCAD 37.306.8050, lavrado em face de ORION DO BRASIL INTERNACIONAL LTDA, no valor de R$ 1.431,79 (mil quatrocentos e trinta e um reais e setenta e nove centavos), por ter o contribuinte deixado de informar em folha de pagamento os valores pagos a título de alimentação aos segurados empregados e contribuintes individuais. Nos autos consta Relatório Fiscal da Infração nas fls. 12/13, o fiscal informa que o contribuinte está sendo autuado porque omitiu remunerações de segurados empregados a título de alimentação, infringindo o disposto no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 225, inciso I e parágrafo 9º do RPS e art. 283, inciso I, alínea “a” do RPS. DA IMPUGNAÇÃO Inconformados com o lançamento, os sujeitos passivos contestaram o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 52/54. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 10ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, DRJ/RJ1, prolatou o Acórdão n° 12 47.327, de fls. 75/80, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2010 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo órgão competente da Seguridade Social. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 298/301, requerendo a reforma do Acórdão, com os seguintes argumentos, em suma, a ausência de habitualidade no pagamento e, portanto, não se caracterizando como verba salarial, a ausência de provas e a confiscatoriedade da multa. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE De acordo com o documento de fl., temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Conforme acima narrado, a empresa deixou de informar nas folhas de pagamentos as remunerações pagas ou creditadas a título de alimentação a todos os empregados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, nos termos do art. 32, I, da Lei nº. 8.212/91. A incidência da contribuição previdenciária sobre as referidas remunerações estão sendo questionadas no processo principal nº. 15586.001903/201021, também de minha relatoria, na qual restou julgado, em mesma sessão, pela improcedência do lançamento e exoneração do dito crédito tributário. Portanto, uma vez afastada as exações da obrigação principal, no caso concreto, à respeito da obrigação acessória presentemente discutida, temse por prejudicada a multa imputada. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento do Recurso Voluntário. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13888.904194/2009-74
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 04 19 4/ 20 09 -7 4 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904194/200974 Resolução nº 1802000.404 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1430.265, às fls. 81 a 87: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos (Cofins e PIS/PASEP) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Por intermédio do despacho decisório de fls. 72, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fl. 1, na qual alega, em síntese, que: a) Houve erro de fato ao preencher a DCTF do 1° trimestre de 2002, no que se refere ao IRPJ do período de apuração 31/03/2002. A DIPJ foi retificada mas por um lapso a DCTF não. b) Após a ciência do Despacho Decisório de fl. 72, a empresa tomou ciência do erro e procedeu à retificação da DCTF do 1° trimestre de 2002. c) O crédito informado na PER/DCOMP está correto, porém em razão da informação incorreta na DCTF do 1° trimestre de 2002, a Secretaria da Receita Federal não encontrou crédito disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP. d) Demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito, requer que seja acolhida a presente manifestação de inconformidade. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 270DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904194/200974 Resolução nº 1802000.404 S1TE02 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 31/03/2002 Ementa: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 15/09/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 15/10/2010, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS o crédito utilizado na compensação é referente a pagamento indevido/a maior realizado pela Recorrente por meio de guia DARF, recolhida no código 2089, haja Vista apuração equivocada da base de cálculo do IRPJ, pelo lucro presumido, no percentual de 32% (trinta e dois por cento), quando os serviços prestados pela mesma se enquadram em serviços hospitalares, impondose a aplicação do beneficio fiscal concedido pela Lei 9.249/95, com a conseqüente utilização da alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo; PRELIMINARMENTE DA COMPROVAÇÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE RADIOLOGIA PELA RECORRENTE de início, cumpre expor que a Recorrente é sociedade empresária limitada, fornada da reunião de profissionais da medicina, todos inscritos no CRM/SP, tendo por objeto a “prestação de serviços radiológicos em geral” enquadrados na “ATRIBUIÇÃO 4: PRESTAÇÃO DE ATENDIMENTO DE APOIO AO DIAGNÓSTICO E TERAPIA” da Resolução RDC 50/2002 da ANVISA, prestação que depende de qualificação pessoal e maquinário especializado e de alto custo para seu desenvolvimento, envolvendo maquinário tecnológico e específico para consecução de seu objeto social; em síntese, a Recorrente presta os seguintes serviços, com discriminação arrolada nos documentos anexos, extraídos do site da empresa (www.cparadiologia.combr): 1) Radiologia Digital; 2) UltraSonografia — 3D; 3) Doppler Color; 4) Mamografia Digital; 5) Densitometria Óssea; 6) Tomografia Computadorizada Multi Slice. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904194/200974 Resolução nº 1802000.404 S1TE02 Fl. 5 4 atualmente, exerce as atividades em seus estabelecimentos localizados na cidade de Piracicaba/SP, sendo a matriz inscrita no CNPJ nº 55.361.117/000192, com endereço na Avenida Independência, nº 940, 12° andar, e sua filial, inscrita no CNPJ n° 55.361.117/000435, localizada no Hospital — Clínica Amalfi, na Rua Saldanha Marinho, n° 817; conforme documentos anexos, o estabelecimento matriz possui inscrição perante a Receita Federal do Brasil sob o CNAE principal 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante exceto tomografia” e CNAE'S secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, bem como licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária nesta atividade econômica; no mesmo sentido, sua filial encontrase devidamente inscrita junto à Receita Federal sob o CNAE principal n° 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante — exceto tomografia” e CNAE's secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, e licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária, com atividade econômica — CNAE n° 86305/02 — “atividade médica ambulatorial com recursos para realização de exames complementares”; consoante anteriormente explicitado, o exercício do objeto social da Recorrente requer maquinário de alto custo, tecnologia e de uso específico que deve ser renovado e atualizado periodicamente, que fazem parte de seu ativo imobilizado, conforme se comprova com a relação de bens da empresa, relativa ao patrimônio adquirido no transcorrer de suas atividades no período de apuração de 01/1999 a 12/2003, que engloba a competência discutida nos presentes autos; ainda, corroborando tal assertiva, demonstrase que a Recorrente detém todas as licenças emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária para utilização do maquinário supramencionado, conforme documentos anexos; não obstante, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; desta feita, transparente por toda documentação anexa, bem como a já existente nos arquivos da Receita Federal e em toda sua contabilização, que a Recorrente exerce a prestação de serviços Radiológicos em geral, de alta complexidade, não se enquadrando em simples consultas médicas, o que se demonstrará relevante pelos argumentos que seguem adiante; DO ATENDIMENTO DO PRAZO EXPRESSAMENTE PREVISTO NO ARTIGO 168, INCISO I, DO CTN PELA RECORRENTE como pode se verificar da decisão recorrida, a mesma discorreu acerca de eventual preclusão do direito da Recorrente, diante de suposta retificação tardia da DCTF, balizandose para tanto em analogia, o que se demonstra inaplicável ao caso em tela, haja vista disposição expressa no CTN acerca dos pedidos de repetição de indébito tributário, não obstante impossibilidade de se impor obrigação acessória dissociada de lei; Fl. 272DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904194/200974 Resolução nº 1802000.404 S1TE02 Fl. 6 5 o período de apuração do recolhimento indevido/a maior objeto da presente análise se perfez em 03/2002, enquanto que a PER/DCOMP, informando o pagamento equivocado e conseqüente compensação fora transmitida em 19/05/2006, conforme documento anexo; é norma cogente descrita no artigo 168, inciso I, do CTN, que o direito de pleitear a restituição nas hipóteses de pagamento indevido/a maior se extingue com o transcurso do prazo de 05 (cinco) anos a contar do efetivo recolhimento; em sendo assim, a Recorrente agiu em conformidade com mencionada determinação, pois procedeu com o pedido a que fazia jus dentro do lapso qüinqüenal arrolado acima. Para tanto, retificou a DIPJ do anocalendário em questão, que apesar de ser meramente informativa, demonstrou a composição dos valores realmente devidos a título de IRPJ; o fato de que a retificação da DCTF fora procedida em momento posterior, não prejudica o direito pleiteado tempestivamente, pois configurase em obrigação acessória, sanável a qualquer momento, o que de fato ocorreu. A única implicação que eventualmente poderia decorrer deste ato, seria o afastamento de espontaneidade para efeito de cobrança de multa de ofício, na hipótese de lançamento tributário, o que não se demonstra nos presentes autos; é incabível a aplicação de analogia no caso em comento, pois se figuraria em nova imposição tributária em face do contribuinte (retificação dentro de prazo prédefinido), sem a existência de determinação expressa em lei, não obstante a violação ao disposto no artigo 168, inciso I, do CTN, que regulamenta o prazo e forma da repetição do indébito tributário, o que fora efetivamente cumprido pela Recorrente; imposições de qualquer espécie no âmbito tributário, no que se refira a prescrição e decadência, ainda que de caráter acessório, devem estar definidas estritamente por meio de lei complementar, nos termos do artigo 146, inciso III, alínea “c”, da Constituição Federal, sendo insuscetível de extensão e utilização análoga em casos não previstos em lei específica; DO DIREITO IMPOSTO DE RENDA — LUCRO PRESUMIDO — PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES — APLICAÇÃO OBJETIVA DO BENEFICIO FISCAL CONCEDIDO PELA LEI 9.249/95 — 1) IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 — 2) ILEGALIDADE DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 RECONHECIDA PELA 1ª SEÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA NO RESP N° 951.251/PR E RATIFICADA NO RESP 1.116.399/BA, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA E SOB O REGIME VINCULATIVO DO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL pela execução de serviços de Radiologia, ainda que não prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas sim em clínica especializada para tanto, sendo atividade ligada diretamente à promoção da saúde, a Recorrente exerce atribuição que a princípio é de competência do Poder Público, que por não cumprila eficazmente, concede benefícios tributários ao particular para sua satisfação perante a sociedade; Fl. 273DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904194/200974 Resolução nº 1802000.404 S1TE02 Fl. 7 6 este é o caso do beneficio fiscal trazido pela Lei 9.249 em seu artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a”, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, que de forma objetiva aliviou a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; prestadora de serviços hospitalares desde sua instituição, a Recorrente sempre fez jus ao beneficio conferido legalmente, entretanto, de forma equivocada apurou a base de cálculo do lucro presumido utilizandose da alíquota de 32% (trinta e dois por cento) em diversos períodos de apuração, inclusive na competência objeto destes autos, ocasionando num recolhimento a maior do IRPJ que por conseqüência enseja em direito a ser ressarcida do indébito; como de praxe, a Receita Federal editou diversas normas objetivando regulamentar a quem se destinaria o benefício concedido, mas na realidade legislou ao seu bel prazer, com a imposição de diversas restrições de intuito meramente arrecadatório; desde a edição da Lei 9.249/95, até o inicio de 2003, não existiu qualquer regulamentação da Receita Federal acerca do tema, o que veio a ocorrer em março do citado ano, com a publicação da IN 306/2003; nessa primeira regulamentação, não houve nenhuma referência à internação de pacientes como condição para fazer jus ao benefício. Nos termos da lei, a IN 306/2003 limitou se a focar a análise do benefício a partir, primordialmente, da natureza dos serviços prestados, e não das características dos contribuintes que os realizam; todavia, em 15 de dezembro de 2004, foi editada a IN 480, que revogou a norma precedente, passando a exigirse, para a configuração da prestação de um “serviço hospitalar”, que o contribuinte tivesse, ao menos, cinco leitos para a internação de pacientes. Na realidade, a IN 480/2004, a pretexto de regulamentála, deixou em segundo plano as atividades a serem realizadas e preocupouse em estabelecer condições a serem preenchidas pelos contribuintes; posteriormente, em 25 de abril de 2005, foi editada a IN 539/2005, atualmente em vigor, a qual fez uma mescla entre as regulamentações previstas nas IN's 306/2003 e 480/2004. Quanto aos serviços a serem executados, foram expandidos, abarcando uma gama de atividades, a teor do que constava da IN 306. Entretanto, exigiuse que a realização dessas atividades fosse feita por contribuinte que possuísse estrutura física capaz de internar pacientes; por primeiro, cumpre asseverar acerca da inaplicabilidade das referidas instruções normativas, por vedação expressa do artigo 150, inciso III, “a”, da Constituição Federal, haja vista que a competência do recolhimento indevido é anterior à edição destas normas. a irretroatividade das normas tributárias apresentase como instrumento de concretização do principio da segurança jurídica, garantindo ao contribuinte em face do arbítrio estatal o conhecimento prévio da carga tributária a que estará sujeito; Fl. 274DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904194/200974 Resolução nº 1802000.404 S1TE02 Fl. 8 7 no sentido da irretroatividade de instrução normativa restringindo direito dos contribuintes, colacionase julgados do Conselho de Contribuintes (ementas transcritas no recurso); afora a violação da Carta Maior em eventual aplicação pretérita das Instruções Normativas 480/04 e 539/05 ao caso da Recorrente, ainda que aplicáveis, verificase a impossibilidade das imposições restritivas em desacordo com o contido na Lei 9.249/95; isto porque é de fácil visualização que o disposto no artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, veio de forma objetiva aliviar a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; o Poder Legislativo, no exercício de sua competência e autonomia, decidiu manter o beneficio destinado aos “serviços hospitalares” e não especificamente aos “hospitais”, senão assim o faria, como sempre pretendeu a Receita Federal; é obvio que a intenção era prestigiar de forma objetiva os serviços destinados à saúde e não o contribuinte e suas especificações quanto a custos, estrutura física para internação e dimensionamento, conforme restrições contidas nas IN's 480/04 e 539/05; o objetivo da lei sempre foi fornecer aos necessitados de prestação de serviços médicos, o livre arbítrio de buscar seu atendimento necessário seja em hospitais e/ou clínicas especializadas para tanto; se houvesse diferença de tributação entre hospitais e clinicas/consultórios especializadas, no exercício de atividade idêntica, notoriamente os hospitais ficariam ainda mais abarrotados, pois diante de um menor custo pela carga tributária reduzida, teriam condições mais chamativas com preços menores, afora a violação do princípio constitucional da isonomia e não obstante a concorrência desleal em face de outros estabelecimentos prestadores dos serviços; a jurisprudência administrativa deste Conselho já solidificou entendimento acerca do tema (ementas transcritas); ao decidir o Resp 951251/PR, a 1ª Seção do STJ pacificou o tema, no sentido da aplicação objetiva do beneficio da Lei 9.249/95, ou seja, para todos os prestadores de serviços destinados à saúde, não incluídas apenas as simples consultas, declarando ainda a ilegalidade das Instruções Normativas de n° 480/04 e 539/05; para efeito vinculativo, a questão foi levada novamente à análise do C. STJ, que nomeou o Recurso Especial n° 1.116.339/BA como representativo da controvérsia, e o julgou sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ, que ratificou o posicionamento adotado no Resp 951.251/PR, vinculando todos os demais processos acerca da matéria; verificase perfeitamente que diante do enquadramento da Recorrente, impõe se a apuração da base de cálculo para o lucro presumido com a alíquota de 8% (oito por cento), nos termos do artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, sendo que os valores Fl. 275DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904194/200974 Resolução nº 1802000.404 S1TE02 Fl. 9 8 excedentes recolhidos a título do IRPJ sob a alíquota de 32% (trinta e dois por cento) devem ser ressarcidos na forma pleiteada, devidamente atualizados desde o indevido desembolso, ensejando na homologação da compensação realizada em sua integralidade; DA COMPROVAÇÃO DO CARÁTER EMPRESARIAL DA RECORRENTE de plano, verificase a caracterização de sociedade empresária da Recorrente, que exerce atividades de profissionais empresários, organizada e para prestação de serviços radiológicos, com fins lucrativos, constituída sob o regime de Sociedade Limitada, consoante artigo 1.052 do Código Civil; conforme se extrai do próprio contrato social da Recorrente, a empresa não se. figura como uma simples reunião de profissionais da medicina para prestação de serviços de caráter pessoal, pois detém capital social integralizado no importe de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais), filiais para consecução de suas atividades, divisão de prólabore para os sócios, não obstante a existência de ativo imobilizado de alto custo para o exercício de sua atividade; a contabilização da Recorrente é toda apurada como sociedade empresarial, sendo que todos os serviços prestados são realizados em nome da pessoa jurídica, que responde com seu patrimônio integral por eventual perdas e danos em face dos clientes. Inexiste prestação de serviços pessoais por conta dos sócios, somente pela empresa, sendo óbvio que por intermédio de pessoas naturais; o fato de que a prestação de serviços realizada pela Recorrente se perfaz por intermédio de profissionais da medicina não afasta seu caráter empresarial, nos termos do parágrafo único do artigo 966 do Código Civil; no caso em exame, o exercício da medicina, especificamente na prestação de serviços radiológicos, constitui elemento essencial da empresa ora Recorrente, pois confunde se com seu próprio objeto social, sendo pressuposto de sua existência; não obstante, conforme já arrolado na comprovação dos serviços prestados pela Recorrente, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para a consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO DA RECORRENTE QUANTO À COMPENSAÇÃO REALIZADA o recolhimento do DARF mencionado fora reconhecido no próprio despacho decisório da Receita Federal, e sequer levado à dúvida no teor da decisão recorrida, portanto insuscetível de discussão, ou seja, a prova do recolhimento sempre foi de ciência tanto do Contribuinte quanto da Receita Federal, restando somente a análise quanto a ser pagamento indevido/a maior ou não; quanto ao ponto relativo a existir pagamento indevido ou a maior, a Recorrente sempre deteve direito líquido e certo, haja vista que fazia jus ao benefício concedido objetivamente pela Lei 9.249/95, cabendolhe compensar na forma da legislação em vigor os valores recolhidos em apuração da base de cálculo do IRPJ, no lucro presumido, sob a alíquota de 32%, conforme corretamente procedeu; Fl. 276DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904194/200974 Resolução nº 1802000.404 S1TE02 Fl. 10 9 DOS PEDIDOS de todo o exposto, requer deste Conselho a total procedência do presente recurso voluntário para: 1) que seja afastada a imposição constante da decisão recorrida, quanto a eventual prazo para retificação da DCTF relativa à competência em exame, haja vista pleito da Recorrente transmitido dentro do qüinqüênio previsto no artigo 168, inciso I, do CTN, não obstante a impossibilidade de utilização de analogia no caso em tela, conforme demonstrado; 2) que seja reformada a decisão recorrida, com o conseqüente reconhecimento do crédito em exame, haja vista o enquadramento da Recorrente no artigo 15, §1º, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que concede beneficio fiscal de caráter objetivo em virtude da prestação de serviços hospitalares, nos quais se enquadram os serviços de radiologia prestados, procedendose com a homologação integral da compensação realizada, diante de toda documentação anexa e nos termos amplamente fundamentados; 3) caso se entenda necessário, que seja determinada a conversão do julgamento em diligência nos estabelecimentos da Recorrente, para que sejam corroboradas todas as assertivas constantes desta peça recursal; RELAÇÃO DE DOCUMENTOS ANEXOS 1. Cópia autenticada do contrato social da empresa; 2. Cópia da DIPJ e DCTF retificadoras; 3. Discriminação dos serviços prestados pela Recorrente extraída do site da empresa (www.cparadiologia.com.br); 4. Comprovante de Inscrição e Situação Cadastral da Recorrente (matriz e filial) perante a Receita Federal do Brasil, com os devidos CNAE's principal e secundários; 5. Cópia das licenças de funcionamento emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde Vigilância Sanitária, com os respectivos CNAE's; 6. Relação de bens do ativo imobilizado da Recorrente, adquiridos no período de 01/1999 a 12/2003; 7. Licenças de utilização dos mencionados bens; 8. Cópias do livro razão e planilha de insumos utilizados na competência de 01/1999 a 12/2003, para consecução das atividades da Recorrente, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como Mão de Obra de Terceiros; 9. Cópia do despacho decisório da RFB em Piracicaba; 10. Cópia da decisão recorrida. Este é o Relatório. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904194/200974 Resolução nº 1802000.404 S1TE02 Fl. 11 10 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 19/05/2006 (fls. 76 a 79), na qual utiliza parte de um alegado crédito decorrente de pagamento a maior referente ao IRPJ/Lucro Presumido do 1º trimestre de 2002. O DARF gerador do crédito foi recolhido em 30/04/2002 e possui o valor total de R$ 23.812,02. A compensação abrange débitos de PIS e COFINS do mês de abril/2006, no montante de R$ 11.109,29 (principal mais acréscimos legais). A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que o referido pagamento de R$ 23.812,02 já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (declarado em DCTF), conforme consta do Despacho Decisório de fls. 72. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, informando que havia erro no preenchimento da DCTF, no que se refere à apuração do IRPJ; que a DIPJ tinha sido retificada (em 2005) para a correção do problema, mas que a DCTF continuou errada até a elaboração do despacho decisório (em 2009). Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação, considerando: que a DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 129/1986, é confissão de divida, enquanto que a DIPJ tem caráter meramente informativo; que para retificar a DCTF, a Contribuinte estaria sujeita ao mesmo prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN; que a DCTF retificadora foi transmitida em 07/05/2009, após a ciência do despacho decisório e já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, de 31/03/2002; que dessa forma a respectiva exigência fiscal atrelada ao IRPJ já se encontrava formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4º, do CTN. Além disso, a DRJ também entendeu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, afirmando que ela não apresentou em sua peça impugnatória qualquer documentação com esta intenção, limitandose a apresentar a DIPJ retificadora do ano calendário correspondente. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904194/200974 Resolução nº 1802000.404 S1TE02 Fl. 12 11 Primeiramente, é importante registrar que ao não retificar a DCTF antes de enviar o PER/DCOMP, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa da compensação pleiteada. Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora antes do envio do PER/DCOMP, ela deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não a declaração retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de reduzir/excluir tributo, conforme a regra prevista no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional – CTN, porque o exame de um PER/DCOMP é sempre realizado de ofício, aproximandose muito mais da regra contida no § 2º deste mesmo dispositivo, segundo o qual “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – PER/DCOMP (19/05/2006), que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado em valor maior que o devido, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática de parte do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Não há, portanto, que se falar em homologação de lançamento e constituição definitiva do débito se a Contribuinte, em tempo hábil, informou à Administração Tributária que o pagamento relativo a este débito havia sido feito indevidamente ou a maior. Além de ter enviado o PER/DCOMP, a Contribuinte, desde a manifestação de inconformidade, vem informando que ocorreu erro na apuração e recolhimento do IRPJ, e que a DIPJ retificadora (apresentada bem antes do despacho decisório) havia corrigido o problema, evidenciando o alegado direito creditório. Não considero que a divergência entre as informações deve ser solucionada graduando a importância destas declarações, como fez a Delegacia de Julgamento. Se uma é confissão de dívida (DCTF), a outra traz informações e detalhes sobre a apuração dos tributos (DIPJ). No que toca à comprovação de um indébito, também é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904194/200974 Resolução nº 1802000.404 S1TE02 Fl. 13 12 Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Além disso, não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, ancorada também no fato de a Contribuinte não ter retificado a DCTF antes do despacho decisório, e nem em tempo hábil, a Delegacia de Julgamento mencionou que ela não acostou aos autos qualquer documentação para demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, limitandose a apresentar a DIPJ retificadora do ano calendário correspondente. Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos, ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário os documentos mencionados no final do relatório acima. Tais documentos indicam que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Fl. 280DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904194/200974 Resolução nº 1802000.404 S1TE02 Fl. 14 13 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/00064810) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção Fl. 281DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904194/200974 Resolução nº 1802000.404 S1TE02 Fl. 15 14 da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). Fl. 282DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904194/200974 Resolução nº 1802000.404 S1TE02 Fl. 16 15 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifo acrescido) O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no julgamento do RESP 951.251PR, conforme mencionado acima. Também é interessante transcrever a ementa desta decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃOOBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO PROVIMENTO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904194/200974 Resolução nº 1802000.404 S1TE02 Fl. 17 16 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. (grifos acrescidos) Fl. 284DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904194/200974 Resolução nº 1802000.404 S1TE02 Fl. 18 17 Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. Como mencionado anteriormente, os documentos apresentados com o recurso voluntário indicam em uma primeira análise que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. Mas ainda faltam elementos para embasar a conclusão sobre a ocorrência de pagamento indevido ou a maior causado pela utilização equivocada do coeficiente de 32%. Em primeiro lugar, não há como confrontar a DIPJ/retificadora com a DIPJ/original, porque esta não foi juntada aos autos. Aparentemente, a redução no valor do IRPJ não decorreu apenas da modificação do coeficiente de 32% para 8%, e isto precisa ser esclarecido. É que partindo da receita bruta constante da DIPJ/retificadora, e refazendo o cálculo com o coeficiente de 32%, com a devida variação do adicional do IRPJ e mantendo os mesmos valores para as demais rubricas constantes da DIPJ/retificadora (outras receitas, retenções, etc.), não se obtém o valor do IRPJ original, que foi pago através de DARF. Outro aspecto relevante, é que a Contribuinte pretendeu quitar o próprio IRPJ do 1º trimestre de 2002, no valor que ela entende devido, com crédito do ano de 2000, mediante apresentação do PER/DCOMP nº 27657.06153.06050.91304.0074, conforme informado em DCTF/retificadora apresentada em 2009 (fls. 6). Com isso, ela pretendeu deixar como disponível para compensação todo o valor do DARF referente à quitação do IRPJ do 1º trimestre de 2002, parte dele utilizado no PER/DCOMP objeto destes autos, e o remanescente em outros PER/DCOMP, como indica o Demonstrativo de fls. 56. Assim, a decisão sobre o montante do crédito debatido neste processo depende do resultado deste outro PER/DCOMP, porque se aquela compensação não restar homologada, Fl. 285DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.904194/200974 Resolução nº 1802000.404 S1TE02 Fl. 19 18 parte do valor do DARF ficará mesmo vinculado ao débito do 1º trimestre de 2002, e não disponível para compensação. Por tudo isso, a decisão do presente processo demanda uma instrução complementar. É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Piracicaba/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos apresentados pela Recorrente, de sua escrituração contábil e fiscal, das declarações e informações constantes dos sistemas de informação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e de outros que se entenda necessários: 1) junte aos autos cópia da DIPJ original referente ao anocalendário de 2002; 2) acrescente, se entender oportuno, outras informações a respeito da atividade da Recorrente, no intuito de subsidiar a decisão sobre a definição do coeficiente para a presunção do lucro; 3) verifique e informe: a receita bruta, a base de cálculo e o respectivo IRPJ do 1º trimestre de 2002; e o valor a ser considerado como saldo a pagar, após as deduções legais; 4) esclareça os critérios de cálculo e rubricas que geraram a diferença entre a DIPJ/original e a DIPJ/retificadora quanto à apuração do saldo a pagar de IRPJ, intimando a Contribuinte para tanto, se entender necessário; 5) informe a situação do referido PER/DCOMP 27657.06153.06050.91304.00 74, que também é objeto de diligência determinada nesta mesma sessão do CARF – processo nº 13888.910975/200906, e pelo qual a Contribuinte pretendeu quitar o IRPJ do 1º trimestre de 2002, no valor que entende devido; 6) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos mencionados acima, esclarecendo se há crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ, e qual o seu valor; 7) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Piracicaba/SP atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 286DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13710.003603/2002-79
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2002
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. CÔMPUTO DA RECEITA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do IRPJ devido o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2002 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. CÔMPUTO DA RECEITA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do IRPJ devido o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1931; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 674 1 673 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13710.003603/200279 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.779 – 1ª Turma Especial Sessão de 03 de dezembro de 2013 Matéria PER/DCOMP Recorrente COMPANHIA BRASILEIRA DE TRENS URBANOS CBTU Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. CÔMPUTO DA RECEITA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do IRPJ devido o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 36 03 /2 00 2- 79 Fl. 674DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/12/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13710.003603/200279 Acórdão n.º 1801001.779 S1TE01 Fl. 675 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Restituição em 21.08.2002, fl. 03, utilizandose do saldo negativo de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor original de R$696.748,68 do anocalendário de 2001 apurado pelo regime do lucro real anual, correspondente ao Imposto de Renda retido na Fonte (IRRF) sobre aplicações financeiras para compensação dos débitos confessados nas Declarações de Compensações, fls. 289355, de acordo com os dados constantes na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 176251 e na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), fls. 252284. Em conformidade com o Despacho Conclusivo Derat/RJ/RJ nº 95, de 2009, fls. 288, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que Com o fito de demonstrar a liquidez e certeza da dedução de R$696.748,68 procedida na linha 12A/15 (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real/Imposto Pago Incidente sobre Ganhos no Mercado de Renda Variável) da DIPJ 2002 n.° 1018441 (fls. 160), a qual, importa frisar, deu causa à totalidade do saldo negativo de IRPJ apurado na linha 18 (Imposto de Renda a Pagar), a interessada apresentou os documentos às fls. 25/65; 66/80 e às fls. 81/93, cujos dados, para fins de análise e verificação foram consolidados na tabela às fls. 348 (parte superior). [...] Assim, em suma, integram o objeto deste processo, juntamente com o Pedido de Restituição às fls. 01, as seguintes DCOMP: Quadro 01 Fl. 675DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/12/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13710.003603/200279 Acórdão n.º 1801001.779 S1TE01 Fl. 676 3 [Referência] Número da DComp [Situação da DComp] 01 40953.35110.050905.1.3.026191 02 36033.98764.020707.1.7.027998 [Retificadora da Referência 3] 03 04334.38904.140806.1.3.020670 04 29278.38167.270707.1.3.026036 05 15669.58459.080807.1.3.021018 06 30281.72591.270508.1.7.020093 [Retificadora da Referência 5] 07 08799.87434.080807.1.8.021600 [Pedido de Cancelamento da Referência 4] Em complemento ao Quadro – 01 [...]: a) Ao associar o crédito utilizado na DCOMP n.° 40953.35110.050905.1.3.026191 (Referência "1") ao exercício de 2001 a interessada incorreu em equívoco (tomou anocalendário como exercício), pois, conforme visto na parte inicial deste parecer, o saldo negativo de IRPJ de R$696.748,68 foi apurado na DIPJ 2002 n.° 1018441. b) Pelo fato de ter cometido equívoco similar na DCOMP n.° 04334.38904.140806.1.3.020670 (Referência "3"), apresentou ela, para retificála, a DCOMP n.° 36033.98764.020707.1.7.027998 (Referência '2"), na qual, ao que foi verificado, não introduziu nenhuma outra alteração em relação ao que havia consignado na DCOMP retificada; que não a modificação do exercício atinente ao crédito de R$696.748,68, que associara ao exercício de 2006. c) As modificações introduzidas pela DCOMP n.° 30281.72591.270508.1.7.020093 (Referência "6") na DCOMP n.° 15669.58459.080807.1.3.021018 (Referência "5") serão comentadas adiante, após o Quadro 02 (nas Notas "c" e "d"). [...] De outro vértice, também para fins de análise e verificação, os dados das DIRF relativas ao anocalendário de 2001 em que ela é apontada como beneficiária de rendimentos foram sumariados na tabela às fls. 349. O cotejo das consolidações assim procedidas, da qual resultou a tabela às fls. 348 (parte inferior), evidenciou que: a) No banco de dados da Receita Federal do Brasil (RFB) não há DIRF em nome da interessada (na qualidade de beneficiária de rendimentos) que diga respeito a rendimentos do mercado de renda variável; com exceção daquela com extrato às fls. 224 (Referência "2" da planilha às fls. 348 parte inferior), na qual foram declarados rendimentos advindos de operações de swap (código de receita 5273) que montaram a R$77,83. b) Os documentos que ela acostou ao processo (fls. 25/65; fls.66/80 e fls. 81/93) não contemplam que "Aplicações Financeiras em Fundos de Investimento de Renda Fixa" (código 6800), mais especificamente aquelas realizadas no "Fundo de Renda Fixa de Curto Prazo BB Extra Mercado", administrado pelo "BB Administração de Ativos DTVM S/A", inscrito no CNPJ sob o n.° 00.194.256/000187, as quais, conforme se verifica na planilha às fls. 348 (parte superior) lhe teriam proporcionado rendimentos de R$3.483.440,08 e dado causa a retenções de IRF no montante de R$696.748,67, montante este que difere em apenas R$0,01 daquele deduzido na linha 12A/15 (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real/ Imposto Pago Incidente sobre Ganhos no Mercado de Renda Variável) da DIPJ 2002 n.° 1018441; a sugerir que tal dedução, se operada na linha 12A/13 Fl. 676DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/12/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13710.003603/200279 Acórdão n.º 1801001.779 S1TE01 Fl. 677 4 (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real/Imposto de Renda Retido na Fonte), poderia ser aceita sem contestação. c) Conforme consignado na planilha às fls. 349, as DIRF prestadas pelo "BB Administração de Ativos DTVM S/A" acusam que no anocalendário de 2001 a Cia. Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) auferiu rendimentos de renda fixa que importaram no total de R$3.881.872,46 (R$3.466.391,75/Rio de Janeiro; R$356.399,46/Belo Horizonte; R$34.910,06/Recife; R$16.226,09/Salvador e R$7.905,10/Natal); o qual supera em R$398.432,38 aquele de R$3.483.440,08 apurado na tabela às fls. 348 (parte superior) com base nos documentos que apresentou. Diante de tal constatação, e do fato que a linha 06A/24 (Demonstração do Resultado/Outras Receitas Financeiras fls. 154) da DIPJ 2002 n.° 1018441 ostenta valor nulo, bem assim tendo presente que, consoante as "Instruções de Preenchimento" editadas pela então Secretaria da Receita Federal, tais rendimentos deveriam ser declarados nessa linha, resta evidenciado que a interessada deixou de oferecer à tributação não apenas a diferença de R$398.432,38 acima apontada, mas a importância de R$3.881.872,46. Resta igualmente evidenciado que não cabe conjeturar, a partir do asserido na alínea "b" supra, que a dedução de R$696.748,68 procedida na linha 12A/15 poderia, sem óbice, ter sido efetuada na linha 12A/13 (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real/Imposto de Renda Retido na Fonte); por força do disposto na Lei n.° 9.430/1996 [...]. d) Segundo ainda o registrado na planilha às fls. 349, no anocalendário de 2001 a interessada percebeu diversos outros rendimentos que, pela sua natureza, deveriam ser submetidos à tributação na DIPJ 2002 n.° 1018441, mediante o correto preenchimento da ficha 06A, mais precisamente das linhas 21 (Ganhos Auferidos no Mercado de Renda Variável, exceto DayTrade); 23 (Receitas de Juros sobre o Capital Próprio) e 24 (Outras Receitas Financeiras), as quais, contudo, apresentam valor nulo. [...] Assim, não pode prosperar a dedução de R$696.748,68 efetuada na linha 15 da ficha 12A da DIPJ 2002 n.° 1018441, às fls. 160, e, em conseqüência, não se pode caracterizar como líquido e certo o crédito (direito creditório) cuja repetição a interessada esta a pleitear, derivado diretamente dessa dedução. [...] Conclui Com base no Parecer Conclusivo nº 95/2009 [...], que aprovo e adoto, o qual fica fazendo parte deste Despacho Decisório como se nele estivesse transcrito: NÃO RECONHEÇO O DIREITO CREDITÓRIO no montante de R$696.748,68 (seiscentos e noventa e seis mil setecentos e quarenta e oito reais e sessenta e oito centavos) relativo ao IRPJ do exercício de 2002 (anocalendário de 2001) postulado pela interessada acima identificada; NÃO HOMOLOGO as Declarações de Compensação relacionadas no Quadro 01 do Parecer Conclusivo acima aludido sob as referências "1"; "2"; "4" e "6"; ADMITO A RETIFICAÇÃO das Declarações de Compensação listadas nesse mesmo quadro sob a referências "3" e "5"; e Fl. 677DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/12/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13710.003603/200279 Acórdão n.º 1801001.779 S1TE01 Fl. 678 5 INDEFIRO o cancelamento daquela tabulada sob a referência "04". Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 17.09.2009, fl. 492, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 09.10.2009, fls. 492496, com os argumentos a seguir transcritos. Suscita Como pode se observar, não fora apurado qualquer lucro no exercício de 2002, anocalendário 2001, não havendo portanto, base para recolhimento de IRPJ. Verificouse então, base negativa do IRPJ, no valor de R$696.748,68 (seiscentos e noventa e seis mil, setecentos e quarenta e oito reais e sessenta e oito centavos), conforme informado na DIPJ 2002, na ficha 12a , linha 18. [...] Salientando sempre que a referida restituição deveria ocorrer nos termos do § 4º o do artigo 39 da Lei 9.250 de 1995, o qual dispõe que a partir de 01/01/1996, a compensação e a restituição será acrescida de juros equivalentes à Taxa Referencia do SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês ao da compensação ou restituição, e de 1 % relativamente ao mês que foram efetuados os DCOMP's [...]. Com relação ao PER/DCOMP n° 35592.41874.031203.1.2.023018, no valor de R$786.872,79, após a recepção do Despacho Decisório n°. 757789032 de 24 de abril de 2008, [processo nº 15374901.015/200881] fora solicitado em 04 de junho de 2008, autorização para retificação do anocalendário e exercício, que por engano, foram declarados como sendo 2001 e 2002, quando o correto seria 2002 e 2003, respectivamente. Portanto, o PER/DCOMP em referência não faz parte do demonstrativo apresentado acima. Podemos observar que os valores questionados pela SRF em fls.06 A demonstram o resultado do exercício DIPJ anocalendário 2001 e exercício 2002, não apresentando na linha 24, outras receitas financeiras, encontrase na linha 30 outras receitas operacionais, não tendo sido portanto, deixado de ser oferecido a tributação, conforme demonstrativo da ficha 6 A da DIPJ. Causa espanto o fato da Fiscalização da SRF haver adotado a medida de indeferimento do pedido de restituição, uma vez que em nenhum momento a recorrente fora convocada para prestar esclarecimentos acerca do DIPJ 2002, violando desta forma o princípio do contraditório, acrescentando ainda que a decisão da SRF que se baseou em dados obtidos através da DIFR enviada pelo Banco do Brasil. Há de salientarse, que a recorrente integra a administração pública indireta, motivo pelo qual a redução se justifica ainda mais, já que qualquer valor gasto indevidamente, afeta os cofres públicos, o que certamente não é o interesse do Fisco. Conclui Portanto, tal despacho decisório não deve prevalecer, haja vista as inúmeras irregularidades aqui apontadas acerca do caso em tela, razão pela qual requer total provimento ao presente recurso para reconhecer o direito creditório no montante de Fl. 678DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/12/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13710.003603/200279 Acórdão n.º 1801001.779 S1TE01 Fl. 679 6 R$696.748,68 relativo ao exercício de 2002 (anocalendário 20012002), para homologar as Declarações de Compensação relacionadas ao Quadro 01, caso não seja o vosso posicionamento, que seja declarado nulo, os autos de infração que ocasionaram o referido processo, ante a violação ao princípio do contraditório. Nestes Termos, Pede Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RJOI/RJ nº 1240.207, de 05.09.2011, fls. 623632: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). DIREITO CREDITÓRIO. RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO. OFERECIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. Uma vez que não restou comprovado nos autos que os rendimentos/receitas, os quais deram origem aos IRRFs objeto do pedido de restituição, foram oferecidos à tributação, condição ´sine qua non` para que estes (IRRFs) pudessem ser aproveitados na compensação do imposto apurado no final do período (IRPJ), originando, se fosse o caso, o saldo negativo de IRPJ, inferese que os créditos pleiteados pelo interessado não são líquidos e nem certos, não devendo, portanto, ser reconhecido o direito creditório. DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ DO ANO CALENDÁRIO DE 2001. NÃO COMPROVADO. Não restando comprovado, pelo interessado, o saldo negativo de IRPJ informado da DIPJ, não está comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado e, portanto, não deve ser reconhecido o direito creditório e não devem ser homologadas as compensações. Notificada em 03.02.2012, fls. 647648, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 06.03.2012, fls. 649657, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera alguns argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que Inicialmente cumpre ressaltar que a Recorrente efetua aplicações de valores de terceiros, quando, há certame licitatório, para contratação de prestações de serviços, onde são exigidos nos editais a prestação de caução ou fiança bancária. Desta forma, com base no amparo legal consagrado na Lei 8.666 de 21 de junho de 1993, a recorrente utilizase do disposto no inciso I do parágrafo 1o do artigo 56 da referida lei, [...]. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/12/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13710.003603/200279 Acórdão n.º 1801001.779 S1TE01 Fl. 680 7 A negativa da SRF baseouse no fato de que na ocasião do preenchimento da Declaração do Imposto de Renda, a Recorrente não informou que deveria ser lançado na linha 21, ganhos auferidos no Mercado Renda Variável na pag. 5 o valor contabilizado a conta de aplicação financeira 403210400, constante no Sistema de Administração Financeira (SIAFI) [...] Podemos observar que os valores questionados pela SRF [...] demonstram o resultado do exercício DIPJ anocalendário 2001 e exercício 2002, não apresentando na linha 24, outras receitas financeiras, encontrase na linha 30 outras receitas operacionais, não tendo sido portanto, deixado de ser oferecido a tributação, conforme demonstrativo da ficha 6 A da DIPJ. No acórdão proferido, o ilustre julgador, apontou não ter havido a ocorrência do violação ao contraditório, todavia, a Fiscalização da SRF adotou a medida drástica de indeferimento do pedido de restituição, sem ao menos convocar a recorrente para prestar esclarecimentos acerca do DIPJ 2002, tal ato, denota a violação ao princípio do contraditório, acrescentando ainda que a decisão da SRF que se baseou em dados obtidos através da DIRF enviada pelo Banco do Brasil, ignorando as informações e documentações trazidas pela recorrente. Há de salientar ainda, que no referido acórdão, as fls. 631 dos autos, o douto julgador informa [...] que não há documentação contábil analítica comprobatória acerca das argumentações trazidas à baila, todavia, não se atentou a documentação acostada nos autos, a qual comprova que o suposto erro material, no que tange divergência da linha 24 (outras receitas financeiras) e a linha 30 (Outras Receitas Operacionais), ambas contempladas no Lucro Bruto, não alteraram o resultado final do exercício. Ressaltase ainda que, a recorrente integra a administração pública indireta, utilizandose do Sistema de Administração Financeira SIAFI, motivo pelo qual a redução se justifica ainda mais, ante ao rigor exigido pelo órgão controlador do sistema epigrafado. Conclui Portanto, o referido acórdão não deve prevalecer, haja vista as inúmeras irregularidades aqui apontadas, razão pela qual requer total provimento ao presente recurso para reconhecer o direito creditório no montante de R$696.748,68 relativo ao exercício de 2002 (anocalendário 20012002), para homologar as pedido de restituição, bem como as Declarações de Compensação relacionadas, por ser a medida de mais lídima justiça. Nestes Termos, Pede Deferimento Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Fl. 680DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/12/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13710.003603/200279 Acórdão n.º 1801001.779 S1TE01 Fl. 681 8 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. O Despacho Decisório foi lavrado por servidor competente, na forma consiste com a observância completa de formalidades indispensáveis à existência do ato, com objeto previsto em ato normativo, contendo expressamente os motivos referentes à matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato sendo é materialmente existente e juridicamente adequado ao resultado obtido e ainda com a finalidade pois o agente praticou o ato visando a fim previsto explicitamente na regra de competência, cem como com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal1. A decisão de primeira instância e o Despacho Decisório estão motivados de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente diz que deveria ser intimada antes de ser proferido o Despacho Decisório. Por ser dispensável, o procedimento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a Administração Tributária dispuser de elementos suficientes à emissão do Despacho Decisório. Este ato administrativo, sim, não prescinde da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual, bem como todos os princípios constitucionais derivados do devido processo legal2. No presente caso, houve a ciência válida de modo que está correta a lavratura do Despacho Conclusivo Derat/RJ/RJ nº 95, de 2009, fls. 288. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º e art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007 e Súmula CARF nº 46. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/12/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13710.003603/200279 Acórdão n.º 1801001.779 S1TE01 Fl. 682 9 formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos3. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente diz é integrante da Administração Pública. A legislação tributária regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação e aplicase às pessoas naturais ou jurídicas, contribuintes ou não, inclusive às que gozem de imunidade tributária ou de isenção de caráter pessoal4. Assim, a Recorrente está sujeita à legislação tributária de regência da matéria, independentemente de ser integrante da Administração Pública. A Recorrente suscita que as compensações formalizadas nos Per/DComp devem ser homologadas. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior5. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais6. 3 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 4 Fundamento legal: art. 194 do Código Tributário Nacional. 5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 6 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de Fl. 682DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/12/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13710.003603/200279 Acórdão n.º 1801001.779 S1TE01 Fl. 683 10 Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 7. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza8. Em relação à dedução de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), a legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente9. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período10. Vale esclarecer que a pessoa jurídica poderá deduzir do IRPJ devido o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80). novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 7 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e inciso i do art. 333 do Código de Processo Civil. 8 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 9 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. 10 Fundamentação legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/12/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13710.003603/200279 Acórdão n.º 1801001.779 S1TE01 Fl. 684 11 A legislação prevê que o valor do IRRF é considerado como antecipação do IRPJ devido referentes aos códigos de arrecadação nºs 3251 – caderneta de popança (art. 72 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995); 3426 aplicações financeiras em renda fixa (art.65 e art. 76 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995); 5273 – operações de swap (art. 76 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 51 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996); 5706 juros sobre capital próprio (art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 9º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995); e 6800 – fundo de investimento financeiro renda fixa (art. 73 e art. 76 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 29, art. 30, art. 31 e art. 32 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática. Analisando as demais informações constantes nos autos vale fazer os destaques abaixo discriminados. I) DIRF Em relação às DIRF referentes ao anocalendário de 2001 constantes nos registros internos da RFB, fls. 252259, temse os dados contidos na Tabela 2. Tabela 2 – Valores contidos nas DIRF do anocalendário de 2001 Fonte Pagadora (A) Valores Originários – R$ (B) CNPJ Pessoa Jurídica Rendimento IRRF Código (C) 00.000.000/000191 Banco do Brasil S/A 210,16 41,88 3251 77,83 15,56 5273 780,54 154,22 3426 00.001.180/000126 Centrais Elétricas Brasileiras S/A 167,82 25,17 5706 02.474.103/000119 Tractebel Energia S/A 10,76 1,60 5706 08.408.254/000155 Telecomunicações do Rio Grande do Norte S/A 15,41 3,07 3426 08.827.313/000120 Telecomunicações Da Paraíba S/A 16,37 3,26 3426 00.194.256/000187 BB Administração De Ativos DTVM S/A 3.466.391,75 693.278,25 6800 II) DIPJ Os valores das receitas discriminados na DIPJ do anocalendário de 2001, fls. 176251, encontramse na Tabela 3. Tabela 3 – Valores das receitas discriminados na DIPJ do anocalendário de 2001 Fl. 684DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/12/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13710.003603/200279 Acórdão n.º 1801001.779 S1TE01 Fl. 685 12 Discriminação (A) Valores Originários – R$ (B) Receita da Prestação de Serviços 35.166.068,73 Outras Receitas Financeiras 0,00 Outras Receitas Operacionais 250.167.623,33 III) Saldo Negativo de IRPJ DIPJ O valor do saldo negativo discriminado na DIPJ, fls. 176251, encontrase na Tabela 4. Tabela 4 – Valor do saldo negativo de IRPJ discriminado na DIPJ do ano calendário de 2001 Cálculo da IRPJ a Pagar no Anocalendário de 2001 (A) Valores R$ (B) IRPJ Devido 0,00 () IRRF Incidente sobre Ganho no Mercado de Renda Variável (696.748,68) (=) IRPJ a Pagar (696.748,68) Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior11. Embora ciente de todas as discrepâncias quantitativas discriminadas na decisão de primeira instância de julgamento, nesse grau de recurso não produziu nos autos o conjunto probatório de que não informou a receita financeira na linha 24 e sim no bojo da linha 30 “Outras Receitas Operacionais” da Ficha da DIPJ do anocalendário 2001, fl. 182. Não instruiu os autos com qualquer assento contábil que corrobore sua alegação. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não está comprovada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso12. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de 11 Fundamentação legal: art. 147 e art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 12 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/12/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13710.003603/200279 Acórdão n.º 1801001.779 S1TE01 Fl. 686 13 observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade13. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 13 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/12/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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