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Numero do processo: 16561.720184/2013-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE.
A dedutibilidade da amortização do ágio somente é admitida quando este surge em negócios entre partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de negócios entre entidades sob o mesmo controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, o que obsta que se admitam suas consequências fiscais
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
CARÁTER ABUSIVO DA MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Alegações de abusividade e desproporcionalidade da multa de ofício não podem ser apreciadas pelo CARF, nos termos da Súmula CARF nº 2.
JUROS SOBRE MULTA.
As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1301-002.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, José Eduardo Dornelas Souza e Amélia Wakako Morishita Yamamoto, que votaram pelo provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Flávio Franco Corrêa.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade da amortização do ágio somente é admitida quando este surge em negócios entre partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de negócios entre entidades sob o mesmo controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, o que obsta que se admitam suas consequências fiscais ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010 CARÁTER ABUSIVO DA MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Alegações de abusividade e desproporcionalidade da multa de ofício não podem ser apreciadas pelo CARF, nos termos da Súmula CARF nº 2. JUROS SOBRE MULTA. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 84 /2 01 3- 35 Fl. 2532DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.533 2 da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, José Eduardo Dornelas Souza e Amélia Wakako Morishita Yamamoto, que votaram pelo provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Relatório Cuida o presente processo de autos de infrações (fls. 1827/1887) decorrentes das supostas infrações relativas à apuração do IRPJ e da CSLL, amortização de ágio indedutível nos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010, sendo exigida multa de ofício de 75% sobre o valor do tributo devido. As infrações apuradas pelo agente fiscal encontramse fundamentadas e explicitadas no Termo de Verificação Fiscal (fls.963/982). A seguir, transcrevese o resumo do referido TVF, conforme relatório do acórdão da DRJ (fls. 2362/2365): · A fiscalizada, desde 1997, adquiriu várias participações societárias, com ágio. Em 2008, várias dessas empresas foram incorporadas, iniciandose então a amortização do ágio gerado em suas aquisições. · O objeto da presente autuação são as amortizações do ágio gerado na aquisição, por parte da fiscalizada (antes Brasilit S.A.) da participação societária de 50%, na SaintGobain Quartzolit (antiga Argamassas Quartzolit Ltda.), CNPJ n° 60.729.795/000103, detida pela Saint Gobain Weber France (anteriormente Weber et Broutin). Fl. 2533DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.534 3 · A SaintGobain Weber France e a SaintGobain do Brasil Produtos Industriais e Construção Ltda. (fiscalizada) pertenciam à época (e ainda pertencem) ao mesmo grupo empresarial. · Empresas envolvidas por nomes simplificados: Brasilit S.A., Brasilit Indústria e Comércio Ltda., SaintGobain Brasilit Ltda., e Saint Gobain do Brasil Produtos Industriais e para Construção Ltda., CNPJ n° 61.064.838/000133 doravante "fiscalizada" ou SG Brasil. Weber et Broutin e SaintGobain Weber France doravante SG France. Argamassas Quartzolit Ltda. e Saint Gobain Quartzolit Ltda., CNPJ n° 60.729.795/000103 doravante Quartzolit. Santa Verônica Empreendimentos e Participações S/C Ltda., CNPJ n° 00.402.837/000167 doravante Sta. Verônica. · Em 17 de dezembro de 1997, a fiscalizada, adquiriu participação na Quartzolit, juntamente com as empresas do mesmo grupo Santa Verônica Empreendimentos e Participações S/C Ltda., CNPJ n° 00.402.837/000167 e a SG France (hoje SaintGobain Weber France), de seus sócios à época, Egon Katz de Castro, Ricardo Katz de Castro · Em razão da operação acima descrita, a SG France passou a deter participação de 50% na Quartzolit representada por 20.433.412 quotas, a Sta. Verônica restou com 15% de participação representada por 6.130.023 quotas e a fiscalizada com 35% de participação, representada por 14.303.389 quotas da Quartzolit. Castro, Gabriela Eugenia Faltay de Castro e Margot Katz de Castro. · O doc. "12. Qtz_instr de promessa de cessão e transf de quotas", referente à operação acima, datado de 27 de novembro de 1997, foi contratado entre Egon Katz de Castro, Ricardo Katz de Castro,Gabriela Eugenia Faltay de Castro e Margot Katz de Castro e a SGBrasil, não figurando nele a SG France ou a Sta. Verônica. · Em 17 de dezembro de 1997, data da efetiva alienação das quotas, o doc. "14.Qtz_Termo Aditivo de Promessa de Cessão" dá conta da transferência de parte dos direitos de aquisição por parte da SG Brasil, da participação societária na Quartzolit, à Sta Verônica e à SG France. · Em 31 de outubro de 2006, a Sta. Verônica é incorporada pela SG Brasil, conforme docs. 19 a 22, pelo seu valor patrimonial. Dessa forma, a SG Brasil passa a ter participação na Quartzolit de 50%, restando os outros 50% em poder da SG France. · Em 1º de junho de 2008, a SG France aliena sua participação na Quartzolit à SG Brasil (doc. "23. Alienação Quartzolit SGFrance SG Brasil"). · A SG Brasil pagou, efetivamente R$ 210.000.000,00 pela participação de 50% na Quartzolit, de titularidade, até aquela data da SG France. A SG France se retira, então, da sociedade, em 1 de junho de 2008, restando a SG Brasil com 100% de participação na Quartzolit. · Em decorrência dos valores do PL da Quartzolit de R$ 108.302.300,00 (50% do PL = R$ 54.151.150,00) e do valor pago pela SG Brasil à SG France por Fl. 2534DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.535 4 50% de participação na Quartzolit (R$ 210.000.000,00), surge um ágio na operação de R$ 155.848.850,00. · Em 1º de junho de 2008 (doc 25), a SG Brasil incorpora a Quartzolit. A Justificativa e Protocolo de Incorporação se encontram no doc. 23. · A partir dessa data, a SG Brasil começa a amortizar o ágio gerado tanto na operação de aquisição de participação de 35% na Quartzolit em 1997, quanto pela incorporação da Sta. Verônica em 2006 e agora, pela aquisição de 50% de participação de 50% anteriormente de titularidade da SG France. · Entendese por "ágio intragrupo" aquele decorrente de uma ou mais operações societárias realizadas entre entidades sujeitas a um mesmo controle, as quais, portanto, não são independentes. · No momento da incorporação da Quartzolit pela fiscalizada no ano de 2008, as sociedades de interesse SG Brasil e SG France eram majoritariamente controladas pelo grupo empresarial francês. Indubitavelmente, portanto, apresentase como intragrupo o ora discutido ágio registrado na SG Brasil decorrente da incorporação da Quartzolit. · Levandose em conta os percentuais de participação do capital votante evidenciados no item 3, fica comprovado que a operação foi resultado de uma única vontade, qual seja, a do controlador comum a todas as entidades que participaram do rearranjo societário, a Companhie de SaintGobain S/A França. O controlador comum detinha o total domínio não só da implementação da transação, mas também de suas condições e implicações. · O surgimento de um ágio legitimamente adquirido pressupõe a ocorrência de uma negociação de livre iniciativa entre partes interessadas, independentes e detentoras de conhecimentos suficientes sobre o negócio em um mercado livre. Presumese, pois, uma relação de comutatividade e de não preponderância entre as partes negociantes. · No caso do ágio intragrupo, em que as partes pretensamente negociantes estão submetidas a um mesmo controlador (ainda que residente no exterior, como no caso em questão, em que a matriz do grupo é sociedade francesa), os valores da transação, embora na aparência determinados pelas partes, são fixados unicamente por esse controlador (diretamente ou por intermédio de suas controladas). Em verdade, inexistem propriamente partes distintas na negociação, mas sim uma parte única (o controlador), cuja vontade é preponderante e decisiva. Em uma transação entre partes sujeitas a um mesmo controle, não há uma genuína negociação para a fixação de um legítimo preço (e consequentemente de um eventual ágio nele incluído) que exprima o valor da participação negociada. Ele é determinado, em última instância, unicamente pela sociedade controladora, razão pela qual a falta de confiabilidade da mensuração do valor econômico da participação é intransponível (por consequência, o mesmo se pode dizer em relação ao ágio que integra o suposto preço da operação e o objetivo de sua criação). · Em uma transação intragrupo que tenha por objeto uma participação societária, qualquer laudo e/ou relatório utilizado para fundamentar a avaliação dos investimentos negociados e consequentemente justificar o preço, nele incluído eventual ágio será, evidentemente, avalizado por todos os envolvidos (tal qual verificado no caso em questão). Afinal, a vontade das partes é determinada pela vontade do controlador comum. Fl. 2535DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.536 5 · Em uma transação intragrupo que tenha por objeto participações societárias, não há justificativa para a mudança de base de avaliação dos investimentos. O suposto "preço" da operação, que não foi fruto de uma legítima validação pelo mercado, mas sim determinado pelo controlador comum, não pode ser adotado como uma confiável avaliação econômica dos investimentos. E dada a absoluta falta de confiabilidade dessas avaliações, as quais não foram submetidas ao crivo de um terceiro independente, não se sustenta a mudança da base de avaliação desses investimentos. · Só pode ser reconhecido o ativo intangível do ágio por expectativa de rentabilidade futura se adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou mesmo conjunto de empresas sob controle comum). E o adquirido de terceiros só pode ser reconhecido, no Brasil, pelo custo, vedada completamente sua reavaliação. · Em uma transação entre partes independentes, um ágio legitimamente adquirido gera ao comprador o direito ao fluxo de rentabilidade da participação societária negociada que antes não era detido seja por ele próprio, seja por suas controladas. Assim, em uma genuína transação, o comprador paga um preço por um novo direito a ser incorporado ao seu patrimônio. Visto por outro ângulo, o ágio representa uma antecipação paga por um fluxo futuro que antes não se possuía. Já em transações que dão origem ao ágio intragrupo, não se verifica essa relação de substituição patrimonial, pois o controlador comum já era previamente detentor do fluxo de rentabilidade futura supostamente adquirido, que já seria reconhecido em suas demonstrações por meio de equivalência patrimonial. · Admitir que a amortização do ágio intragrupo pudesse reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL significaria impingir um ônus a toda a sociedade brasileira em favor de sócios que se beneficiam tributariamente de uma transação sem substância econômica. A artificialidade do ágio intragrupo se revela particularmente flagrante quando se verifica que, por meio do reconhecimento de um ativo fictício, seria possível a obtenção de um subsídio tributário advindo de sua amortização. · O ágio intragrupo é desprovido de requisitos que o habilitem a ser reconhecido como um ativo passível de amortização tributária. Acatar sua dedutibilidade implicaria consentir que uma despesa artificialmente criada pudesse reduziras bases imponíveis do IRPJ e da CSLL. · A existência de eventual pagamento/desembolso para justificar o surgimento de um alegado ágio em uma transação entre partes sujeitas a controle comum não abala a impossibilidade do reconhecimento fiscal do ágio intragrupo daí gerado, tampouco modifica as consequências tributárias advindas de sua posterior e ilícita amortização. A despeito do desembolso realizado, remanesce a inobservância de um requisito fundamental e imprescindível para o reconhecimento do ágio, qual seja, a independência entre as partes da operação, da qual resultaria a confiabilidade de sua mensuração. O contribuinte apresentou impugnação (fls 1.918/2.085), alegado em síntese, conforme às fls. (2.365/2.370), que: a) A estrutura societária das sociedades envolvidas na operação de aquisição da Quartzolit da família Castro em 1997 poderia ser assim resumida: Fl. 2536DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.537 6 b) Em 17.12.1997, Brasilit (Requerente), Santa Verônica e SaintGobain França pagaram aos Vendedores da Família Castro, com efetiva transferência de recursos, o valor total de R$ 245.436.590,14 (doc. n° 11), divididos na seguinte proporção: c) Após a referida aquisição, a estrutura societária simplificada do grupo SaintGobain passou a ser a seguinte: d) Reorganização societária do grupo SaintGobain 1ª operação – 31/10/2006: a incorporação da Santa Verônica pela Requerente, em 31.10.2006. 2ª´operação – 30/5/2008: contrato de compra e venda e quotas, por meio do qual a participação societária detida pela SaintGobain França na Quartzolit (já sob denominação de SaintGobain Quartzolit Ltda.) seria transferida para a Requerente (que, desde 1.11.2007 possuía sua atual denominação) pelo valor de R$ 210.000.000,00 (duzentos e dez milhões de Reais). e) O ágio resultou de uma operação efetiva de compra e venda de participação societária, com efetivo fluxo de recursos financeiros, e somente foi apurado em razão de o valor de mercado estimado para a Quartzolit à época, com base em suas projeções de fluxo de caixa descontado, resultarem em valores significativamente superiores ao seu patrimônio líquido à época. Nada há, portanto, de artificial ou Fl. 2537DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.538 7 simulado no presente caso, sendo manifestamente improcedentes todas as alegações da D. Fiscalização nesse sentido f) Ao final da reorganização societária empreendida pelo grupo SaintGobain em sua divisão de argamassas industriais, a estrutura simplificada do grupo passou a ser a seguinte: g) O objetivo da aquisição da participação societária da SaintGobain França na Quartzolit foi concentrar toda a linha de negócios relacionados a argamassas industriais no País. A Requerente jamais teve intenção de obter vantagens indevidas ou lesar o Fisco como equivocadamente assume a D. Fiscalização, uma vez que o intervalo entre a aquisição do investimento na Quartzolit e a amortização do ágio correspondente foi de onze anos. h) Sob o ponto de vista gerencial, referido processo de reorganização no País representou não apenas maiores eficiências de suas operações, como ainda possibilitou que a matriz do grupo SaintGobain passasse a investir mais recursos para a expansão das atividades no Brasil, chegando a R$ 400.000.000,00 anuais. Ademais, os centros fabris que a Quartzolit passaria a ter, à época da conclusão da reorganização societária do grupo SaintGobain, seria de 21, em oposição a apenas um estabelecimento quando da aquisição feita em 1997 junto à Família Castro. O processo de integração pelo qual passou o grupo SaintGobain a partir do ano de 2006, portanto, estava inserido em um contexto de reorganização do grupo no País, motivado por razões empresariais nãotributárias e que teve duração superior a três anos. i) Esse ágio, que tinha por base o valor justo de mercado da Quartzolit, com base em suaexpectativa de rentabilidade futura, foi novamente posto à avaliação por laudo preparado pela Constantin, uma empresa independente e especializada nesse tipo de avaliação, tendo em vista especialmente o fato de que o primeiro laudo de avaliação solicitado pelo grupo SaintGobain para essa participação societária datava de mais de onze anos antes. j) Com a incorporação da Quartzolit pela Requerente, ocorrida em 1.6.2008, os valores apurados pela Requerente a título de ágio relativamente à participação societária detida até então pela SaintGobain França desde o ano de 1997 se tornaram amortizáveis à razão máxima de 1/60 por mês. k) A mais recente jurisprudência do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aliás, vem confirmando a validade e a legitimidade de valores apurados a título de ágio em operações semelhantes àquela praticada pela Requerente, de modo que tanto pela análise dos fatos como da legislação e jurisprudência sobre o assunto, não se chega a outra conclusão senão a de que o presente lançamento deve ser imediatamente cancelado. l) Ágios decorrentes de negociação entre partes relacionadas não necessariamente representam valores apurados de forma indevida. A análise de sua validade deve ser feita caso a caso, considerando a existência de efetiva razão para a negociação a valores justos de mercado. Fl. 2538DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.539 8 m) A própria doutrina contábil admite que o "ágio interno" deve ser tratado da mesma forma que ágios decorrentes de transações realizadas com partes não relacionadas para fins fiscais. É o entendimento, por exemplo, dos Professores Eliseu Martins e Jorge Vieira Costa Júnior. n) Tanto são infundadas as tentativas de desconsideração de valores de ágio apurados em transações realizadas entre partes relacionadas, como faz a D. Fiscalização no presente caso, que o próprio Governo Federal reconheceu a necessidade de lei para que esse procedimento pudesse ser considerado válido, tendo publicado, apenas em 12.11.2013, a Medida Provisória n° 627 ("MP 627/13"), visando, dentre outros pontos, disciplinar os efeitos fiscais decorrentes da harmonização das regras contábeis brasileiras aos parâmetros internacionais de contabilidade. Apenas com a publicação da MP 627/13 passou a ser expressamente vedado o registro e apuração de ágio em operações realizadas entre partes relacionadas. o) O fato da MP 627/13 ter trazido, apenas no anocalendário de 2013, uma vedação ao registro e à amortização do chamado "ágio intragrupo" de forma expressa, é mais que suficiente para demonstrar a falta de base legal do questionamento feito pela D. Fiscalização no presente caso, que diz respeito a operações realizadas nos anos de 1997 e 2008. p) E nem se pretenda dizer que a MP 627/13 veio apenas deixar expressa uma vedação que supostamente já haveria em relação ao reconhecimento do "ágio intragupo" desde antes de sua publicação. Isso porque, de acordo com o artigo 61 da própria MP 627/13, os artigos 7º e 8º da Lei 9.532/97 (consolidados nos artigos 385 e 386 do RIR/99) continuam aplicáveis às operações de incorporação, fusão e cisão ocorridas até 31.12.2015, nas quais a participação societária tenha sido adquirida até 31.12.2014. Em outras palavras, ainda que a MP 627/13 possa limitar o registro e a amortização de parcelas de ágio apuradas em operações realizadas entre partes relacionadas, referida limitação, nos termos da própria MP 627/13, somente passará a surtir efeitos para operações realizadas após 31.12.2014. q) Além de as normas fiscais aplicáveis ao caso não exigirem qualquer forma de "teste ou validação do preço pelo mercado", fato é que a formação do preço pactuado em uma aquisição de investimento com ágio seja ela efetuada entre partes relacionadas ou entre partes nãorelacionadas decorre de negociações privadas (muitas vezes mantidas sob sigilo até a conclusão do negócio). Não há que se falar, portanto, em "validação pelo mercado". r) Para preservar a transparência e o valor justo de mercado da participação societária adquirida em 1997 junto à Família Castro o grupo SaintGobain solicitou outra avaliação da Constantin, não apenas para cumprir com a legislação fiscal em vigor, mas também para que pudesse refletir no valor a ser praticado as diferentes conjunturas econômicofinanceiras que o País vivia mais de onze anos depois de a SaintGobain França adquirir o investimento junto à Família Castro. s) A partir de uma simples atualização dos próprios valores praticados em 1997 pelo grupo SaintGobain (o custo histórico a que se refere a D. Fiscalização), podese notar que o preço praticado em 2008 (R$ 210.000.000,00 / € 86.288.367,51) estava muito abaixo daqueles praticados em uma transação que envolveu partes independentes e relacionadas, fato esse que coloca abaixo todas as suspeitas (não comprovadas) que a D. Fiscalização pretende lançar no presente caso em seu Termo de. Verificação Fiscal. Fl. 2539DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.540 9 t) Não concordando com o laudo de avaliação realizado pela Constantin, caberia à D. Fiscalização, no mínimo, apresentar outros estudos ou laudos de avaliação contendo as premissas que entendesse aplicáveis para contrapor os resultados apresentados pela Requerente. u) Além de se basear em laudo de avaliação devidamente revestido de critérios, premissas e metodologia claros e minuciosos, o valor de mercado adotado pelo grupo SaintGobain para justificar as transações acima comentadas efetivamente correspondia aos mesmos valores que teriam sido obtidos em uma negociação envolvendo terceiros não relacionados. E, caso a D. Fiscalização não concorde com essas conclusões, ela deveria ter, no mínimo, apresentado provas efetivas que embasassem suas alegações, o que não aconteceu no presente caso. v) A legislação brasileira visa especialmente impedir que os preços praticados nas transações envolvendo pessoas jurídicas relacionadas não correspondam a valores de mercado. Exemplos dessa vedação são a aplicação das regras de Preços de Transferência e a aplicação das regras de DDL. Nessas regras, a legislação tributária obriga que as operações sejam feitas a valor de mercado, justamente por envolver partes do mesmo grupo econômico. w) Estabelecendo um paralelo entre o presente caso e as regras de Preços de Transferência previstas pela Lei n° 9.430, de 27.12.1996 ("Lei 9.430/96"), tem seque apenas os valores que excederem os valores considerados como"padrões de mercado" integrarão o lucro real tributável. x) Ainda que no presente caso os valores consubstanciados no laudo de avaliação elaborado pela Constantin não correspondessem aos parâmetros de mercado, o que se admite apenas para argumentar, a D.Fiscalização deveria primeiramente apresentar provas de que tais valores não estariam dentro dos parâmetros de mercado e, mesmo nesse caso, apenas a diferença entre o valor de mercado apontado pela D. Fiscalização em laudos por ela solicitados e aqueles elaborados pela Constantin poderia ser glosada não a totalidade dos valores apurados a título de ágio pela Requerente. y) A Requerente demonstrou que agiu em conformidade com a legislação fiscal e societária em vigor, de forma que não seria justo atribuirlhe uma penalidade de 75% sobre o valor do suposto crédito tributário ora discutido, que ultrapassa os limites da razoabilidade e proporcionalidade, devendo ser prontamente reduzida. z) Ainda que a presente autuação pudesse ser considerada procedente, o que se admite para argumentar, a multa de 75% aplicada pela D. Fiscalização de configura desproporcional à suposta infração cometida pela Requerente, devendo ser reduzida para um valor proporcional e adequado. aa) Não obstante a posição sumulada pelo antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e tendo em vista a real possibilidade de a taxa SELIC vir a ser considerada inconstitucional para fins tributários pelo Poder Judiciário, a Requerente contesta sua aplicação e requer sua desconsideração no cômputo do crédito tributário principal. bb) Não há base legal para atualização das multas de ofício, não sendo possível cobrança de juros à taxa SELIC sobre a multa aplicada no presente caso.a qual foi julgada parcialmente procedente pela DRJ 4ª Turma da DRJ Fortaleza para: (i) afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindoa de 150% para percentual de 75%; e (ii) reconhecer a decadência dos lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2007 em decorrência da descaracterização da Fl. 2540DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.541 10 ocorrência das hipóteses de fraude, dolo ou simulação, aplicandose as disposições do art. 150, 4° do CTN. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 8a Turma da DRJ/SP1, confirmando o entendimento da fiscalização. A decisão ressaltou que o ágio discutido deriva do negócio jurídico de compra e venda, celebrado entre a contribuinte e a SaintGobain França, em que foi adquirido 50% das quotas detidas na Quartzolit, não se confundindo com o negócio jurídico ocorrido em 1997 quando da aquisição da totalidade da Quartzolit da família Castro, pela SG France, Sta Verônica e a contribuinte. Portanto, seriam dois negócios jurídico distintos. Desse modo, entendeu que se trata de dois ágios distintos, decorrentes de dois negócios jurídicos de compra e venda de participação, sendo que o primeiro ocorrido em 1997 é irrelevante para o deslinde do caso. Ainda ressaltou que a primeira operação foi realizada entre partes independentes enquanto a segunda foi decorrente de reorganização societária, conforme os fundamentos a seguir expostos: · Negócios entre partes independentes: são aqueles celebrados entre partes sob controle administrativo diverso, ou seja, em situação de arm’s lenght (princípio do preço sem interferência). · Negócios intragrupo ou entre partes relacionadas: são aqueles ocorridos entre partes sob controle comum, direto ou indireto. · Ágio interno: ágio gerado artificialmente em transações efetuadas entre partes relacionadas. · O negócio jurídico que deu origem ao ágio foi celebrado entre partes relacionadas: SG France e SG Brasil. · O ágio resultou da diferença entre o custo de aquisição e o PL da Quartzolit (210.000.000,00 – 54.151.150,00). · O ágio foi pago, tendo havido remessa de divisas para a SG France (fls. 645/656). Superada a questão do ágio intragrupo, aduziu que o conceito do ágio surge no momento em que um interessado paga preço superior ao valor patrimonial da participação societária, e que esse dispêndio (custo de aquisição) se associa à obtenção de algo de terceiros. Verificou ainda que a divergência entre a fiscalização e a impugnante advém da compreensão do conceito do ágio. Para a primeira, o ágio é inerente de uma negociação jurídica de livre iniciativa entre partes independentes. Ao passo que, para a segunda, o ágio é válido pelo fato de ser decorrente de negociação entre partes relacionada com desembolso efetivo, baseado em laudos de avaliação preparados por terceiro independente. Adiante, entendeu que o valor oriundo da aquisição do controle acionário da Quartzolit pela SG Brasil não contém os elementos necessários para permitir a caracterização do ágio. Destacando que, conforme jurisprudência colacionada pela impugnante, são três as premissas básicas para a amortização do ágio: o efetivo pagamento do custo total de Fl. 2541DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.542 11 aquisição; a realização das operações originais entre partes não ligadas, a demonstração da lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. Nesse sentido, tendo como base os argumentos da fiscalização, aduziu que não há geração de riqueza decorrente de uma transação consigo mesmo e que o presente ágio representa uma antecipação paga por um fluxo futuro antes não possuído. Assim, restaria evidente a artificialidade do ágio em razão da nova avaliação da participação societária a valor justo, inferindo que a referida avaliação não seria necessária para a consecução dos fins societários e administrativo. Diante dos argumentos apresentados, concluiu que a ilicitude da amortização do ágio reside em dois fatores: i) a aplicação dos arts. 7º, inciso III, e 8º, alínea “b”, da Lei nº 9.532/1997 a um caso “não real” de compra e venda de participação societária, ou seja, à uma hipótese de aquisição meramente formal, sem a ocorrência de substituição efetiva dos controladores dos ativos; ii) dedução de despesa que não tem substância econômica em virtude da inexistência de contrapartida de terceiro que gere o efetivo dispêndio. No tocante a abusividade da multa de ofício aplica e taxa Selic, entendeu que não cabe à autoridade administrativa discutir a abusividade da multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Revelou que assunto está simulado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio da Súmula nº 2 que diz que “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Verificou que o mesmo raciocínio se vale ao cabimento da taxa Selic, disciplinada no art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, mencionando a Sumula CARF nº 4 que traz que: “partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. E, por fim, no tocante a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício, entendeu ser devida a partir do vencimento do tributo, isto é, o primeiro dia subsequente ao trigésimo dia da data da ciência do auto de infração. Contra a decisão, foi interposto Recurso Voluntário (fls. 2420/2502), no qual reforça os argumentos trazidos na Manifestação de Conformidade, entendendo que a contribuinte faz jus ao ágio, alegando que ao adquirir as quotas da Quartzolit detidas pela SG France, a contribuinte passou a deter um investimento relevante na Quartzolit de modo que a equivalência patrimonial passou a ser obrigatória. Desse modo, com base no art. 385 do RIR/99, a contribuinte apurou um resultado da diferença entre o custo de aquisição e o valor patrimonial da adquirente. No momento de sua contabilização, a contribuinte indicou seu fundamento econômico com base na rentabilidade futura da Quartzolit, conformes laudos preparados pela Price Waterhouse e pela Constantin. Assim, quando do evento da incorporação, iniciou a amortização do ágio, deduzido na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL nos balanços levantados após tal evento, conforme preceitua o art. 386 do RIR/99. Fl. 2542DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.543 12 Em sede de contrarrazões, a PGFN defende a validade integral do lançamento, inclusive da multa de óficio, bem como dos juros sobre a multa aplicada, além da aplicação da SELIC sobre estes valores. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. O Recurso Voluntário é tempestivo e cumpre os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Tratase o presente processo de glosa de despesa de amortização de ágio para fins de IRPJ e CSLL relativo aos anoscalendário 2008, 2009 e 2010 em decorrência da cessão de quotas da Quartzolit detida pela Saint Cobain França para a contribuinte. DO ÁGIO De início cumpre conceituar e esclarecer os principais aspectos do tratamento fiscal do ágio, bem como os requisitos para amortizálo. Conforme o art. 20 do Decretolei nº 1.598/77, o ágio é caracterizado pela diferença positiva entre o custo da aquisição e o valor do patrimônio líquido da adquirida no momento da aquisição Portanto, o ágio é apurado pela pessoa jurídica que adquire participação societária em outra companhia, cujo o investimento é definido como relevante. Nesse sentido, a adoção do método da equivalência patrimonial é obrigatória para a avaliação de investimentos relevantes, permanentes em sociedades consideradas como coligadas e controladas. Com efeito, o conceito de controle societário na legislação fiscal encontra respaldo no art. 384 do RIR/99 para efeitos de determinação das situações nas quais determinadas participações societárias devem ser avaliadas pelo método da equivalência patrimonial. Desse modo, o ágio será apurado com base na participação do percentual do capital social da empresa adquirida, constituindose pela diferença positiva entre o custo de aquisição e o valor do patrimônio líquido da companhia adquirida no momento da aquisição. De acordo com o art. 385 do RIR/99, na aquisição de investimentos avaliados pelo método do patrimônio líquido (denominado método de equivalência patrimonial), o custo de aquisição deve ser segregado entre (i) o valor do patrimônio líquido do investimento no momento da aquisição, e (ii) o ágio ou deságio correspondente à diferença entre o valor pago de acordo com o item anterior e o custo de aquisição do investimento. Fl. 2543DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.544 13 Ainda, o art. 383 do RIR/99 e o art. 20, § 2º, do Decretolei nº 1.598/77 dispõem que o ágio deve ter um fundamento econômico, e descreve os três tipos de fundamentos econômicos que têm efeitos para fins do aproveitamento fiscal, a saber: (i) valor de mercado dos ativos; (ii) expectativa de rentabilidade futura, ou (iii) intangíveis e outras razões econômicas. Daí a importância do propósito negocial somado ao efetivo substrato econônimco da transação para que o ágio gerado seja considerado uma despesa dedutível para fins fiscais. Os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 regulam o tratamento tributário e preceitua que o ágio registrado poderá ser amortizado para fins tributários pela companhia por um período não inferior a 60 meses. Confirase: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. Fl. 2544DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.545 14 § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Conforme o artigo 386 do RIR/99, é condição para o aproveitamento do ágio a incorporação entre a empresa investida e a empresa investidora. Após a incorporação, o ágio tendo por fundamento econômico a expectativa de rentabilidade futura da empresa investida poderá ser aproveitado fiscalmente mediante amortização como despesa dedutível. Importante notar que sua alocação deve ser suportada por documentação adequada, entendida como um laudo de avaliação que fundamente a futura amortização do ágio. A alocação é importante porque determina os critérios de amortização para fins contábeis, bem como as implicações fiscais relacionadas. Além disso, o ágio é derivado de uma aquisição entre terceiros independentes, e não gerado em conseqüência de transação intragrupo, visto que não há a transferência da titularidade, isto é, no final da transação as empresas ainda estariam sob um controle comum. Fl. 2545DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.546 15 Pois bem, o cerne da discussão encontrase no registro do ágio, se assiste a contribuinte o direito à dedutibilidade das despesas de amortização do ágio decorrente da aquisição de 50% quotas da Quartzolit detidas pela SG França. A DRJ entendeu que o ágio analisado no processo se refere a compra e venda ocorrida em 01/06/2008, em que a contribuinte adquiriu 50% das quotas da Quartzolit detidas pela SG France, confirmando o entendimento da fiscalização de que o ágio gerado é ilícito. Neste ponto, vale transcrever trecho do Termo de verificação Fiscal que esclarece o entendimento adotado pelo agente fiscal: “20. Os encargos de amortização do ágio supostamente gerados na operação de aquisição de 50% de participação na Quartzolit de titularidade da SG France, à razão de 1/60, no valor de R$ 2.597.480,79 mensais, a partir de junho de 2008, é o objeto do presente auto de infração (doc RI92, RI61, doc. 30, 31, 32 , 33 e 34). Tais valores perfazem um total amortizado pelo fiscalizado de R$ 18.182.365,83 no anocalendário de 2008, R$ 31.169.770,00 em 2009 e R$ 31.169.770,00 em 2010. Para efeito de autuação, em razão das DIPJ de situação especial/incorporação, foram lavrados 3 autos de infração, que compõe o presente processo. O primeiro até 30 de junho de 2008, o segundo de julho de 2008 a junho de 2009 e o terceiro de julho de 2009 a dezembro de 2010.” Na sequência a DRJ sintetizou à fl. 2.371 os motivos da ilicitude do ágio apontados na fiscalização, conforme excerto a seguir: Para a fiscalização o ágio é ilícito pelos seguintes motivos: (i) o nascimento do ágio registrado na SG Brasil decorreu de uma única vontade, a do controlador comum; (ii) o surgimento de um ágio legitimamente adquirido pressupõe a ocorrência de uma negociação de livre iniciativa entre as partes independentes; (iii) em uma transação intragrupo que tenha por objeto participações societárias, não há justificativa para a mudança de base de avaliação dos investimentos; (iv) economicamente não há geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo, ou seja, dos acionistas com eles próprios; (v) só pode ser reconhecido o ativo intangível do ágio por expectativa de rentabilidade futura se adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou mesmo conjunto de empresas sob controle comum). E o adquirido de terceiros só pode ser reconhecido, no Brasil, pelo custo, vedada completamente sua reavaliação; (vi) o ágio representa uma antecipação paga por um fluxo futuro antes não possuído; (vii) no ágio intragrupo não se verifica essa relação de substituição patrimonial, pois o controlador comum já era previamente detentor do fluxo de rentabilidade futura supostamente adquirido; (viii) a artificialidade do ágio intragrupo se revela flagrante quando se verifica que, por meio do reconhecimento de um ativo fictício, seria possível a obtenção de um subsídio tributário advindo de sua amortização; (ix) a despeito do desembolso, remanesce a inobservância de um requisito fundamental, qual seja, a independência entre as partes da operação. Nesta esteira, a decisão concluiu que o negócio jurídico que deu origem ao ágio foi celebrado entre partes relacionadas, a saber entre SG France e SG Brasil, resultado da diferença entre o custo de aquisição e o PL da Quartzolit (210.000.000,00 – 54.151.150,00), confirmando a glosa das quantias amortizadas pela contribuinte a título de ágio. Apontou que não obstante o desembolso de caixa para a SG França, conforme fls. 645/656, o ágio não se sustenta por ter sido gerado internamente, demonstrando a vinculação jurídica e econômica entre as referidas empresas. Fl. 2546DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.547 16 DO ÁGIO GERADO ENTRE PARTES INDEPENDENTES Inobstante o entendimento exarado na decisão, entendo ser relevante a primeira aquisição da Quartzolit pelo grupo Saint Gobain ocorrida em 17/12/1997 para o deslinde do processo. Nesse momento, verificouse que o grupo adquiriu a totalidade da Quartzolit de terceiros (Família Castro), dividido na seguinte proporção: 50% para a SG França, 15% para a Sta. Verônica e 35% para a Recorrente. Conforme quadro abaixo: Antes Depois Conforme fls. 2.126/2.132, o preço final pago à família Castro por 100% das quotas da Quartzolit foi de R$ 245.436.590,14 e foi suportado por laudo de avalição realizado por terceiro independente (Price Waterhouse) com base nas estimavas de rentabilidade futura da Quartzolit. Desse modo, o resultado apurado em cada empresa pode ser ilustrado da seguinte maneira: Fl. 2547DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.548 17 Portanto, o grupo ao adquirir a totalidade das ações da Quartzolit apurou um ágio proporcional a participação do percentual do capital social da empresa adquirida. Verifica se que o preço pago por 50% das ações da Quartzolit foi de R$ 122.718.295,10 pela SG França. Assim, a SG França faz jus a um ágio referente à aquisição de 50% das ações adquiridas, resultado da diferença do custo de aquisição pela Quartzolit (R$ 122.718.295,10) e PL da Quartzolit à época (RS 34.944.000,00), conforme o balanço patrimonial da companhia datado em dezembro/97 (fl. 2.200), nos termos do art. 20 do Decreto 1.598/77. Notese que o ágio nessa primeira transação foi gerado em operação comercial envolvendo terceiro independente ao grupo (Família Castro), consubstanciado por laudo de avaliação elaborado por empresa especializada. Portanto, lídimo para fins fiscais. DO ÁGIO GERADO POR PARTES DEPENDENTES Em 2008 o grupo sofreu uma reestruturação societária, em que a contribuinte adquiriu e incorporou as demais participações societárias da Quartzolit detidas pela Sta. Verônica e pela SG França. Conforme quadro a seguir: Antes Depois Ocorre que foi realizado uma reavaliação da Quartzolit quando da venda de 50% das ações da Quartzolit detidas pela SG França, sendo adquirida pela Contribuinte por 210.000.000,00. Nesse ponto, entendo ser descabida a reavaliação, para fins fiscais, justamente por ocorrer num contexto intragrupo, entre a SG França e a contribuinte que estão sob um controle comum, ainda que tenha ocorrido o efetivo desembolso de caixa, bem como tenha sido produzido um novo laudo de avaliação por empresa independente (Constantin). Isso porque as empresas são partes relacionadas e estão inseridas num contexto de dependência ao interesse econômico do grupo, o que prejudica a figura do ágio, Fl. 2548DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.549 18 pois em última instância a quantia desembolsada permaneceu dentro deste, não havendo a transferência da titularidade para terceiros. Este Colegiado já se manifestou pela necessidade da presença de partes independentes na transação para a formação do ágio e, por conseguinte, a obtenção de seu reconhecimento econômico e contábil. Confirase: "Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona esse aspecto),do ponto de vista econômico o registro do ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes. (...)“(Acórdão n.º 10517.219 05/12/2007) Como bem aduz a decisão supra, no mesmo sentido é a orientação da CVM nos termos de seu Ofício Circular CVM SNC/SEP nº 1/2007 em que dispõe que o “ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método de equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo”. Ainda ressalta que “do ponto de vista econômico, o registro do ágio, em operações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação”. Apesar de ser uma orientação contábil, o papel do laudo de avalição é prescindível quando a transferência das ações ocorre sem a participação de terceiros, sendo que, ao final da transação, a titularidade das participações societárias é mantida pelo grupo. Assim, resta prejudicado o ágio originado pela reavaliação do investimento, por não possuir substrato econômico em razão do negócio comutativo não ter sido praticada entre partes independentes. Diante o exposto, claro está que, na aquisição da Quartzolit pela Família Castro, a operação se deu em um contexto envolvendo terceiros, atendendo aos requisitos legais para a formação do ágio. Enquanto que, na segunda operação, com a reorganização societária do grupo, a transação entre a Recorrente e a SG França ocorreu num contexto intragrupo, permanecendo a Contribuinte e a Quartzolit sob o controle da SG França (mesmo controle comum), o que impede a formação legal do ágio, visto que não houve a transferência para terceiros da titularidade das ações. Dessa forma, a aquisição em comento (objeto da autuação fiscal) deveria ter ocorrido pelo custo de aquisição da Quartzolit, isto é, R$ 122.718.295,10, e não a valor de mercado (conforme laudo da empresa Constantin). Portanto, entendo que a contribuinte faz jus ao ágio resultante da diferença entre o valor acima mencionado e o Patrimônio Líquido da Quartzolit quando de sua aquisição pelo montante R$ 54.151.150,00, resultando num ágio de R$ 68.567.145,10. DO DESCABIMENTO DA MULTA Fl. 2549DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.550 19 A contribuinte entende que não faz jus à multa de 75% sobre o crédito tributário, pois agiu em conformidade com legislação societária e fiscal, não sendo esta razoável e proporcional. Tais alegações não merecem guarida, uma vez que a autoridade autuante observou a legislação de regência para imposição das penalidades, nos moldes do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Ademais, não cabe a este Colegiado se manifestar sobre inconstitucionalidade da lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Nesse ponto vale ressaltar que fica a multa mantida na parte em que o registro do ágio foi reconhecido como lícito, isto é, da primeira transação do grupo com a família Castro. Assim, diminuise a multa, subtraindose a parte do ágio, ora reconhecido como lídimo e permanece a multa somente sobre a diferença, ou seja, sobre o ágio gerado intragrupo. DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. O contribuinte pugna pela não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, conforme fls. 2.442/2.444. O art. 161 do CTN, cumulado com o art. 61, § 3º, da Lei n° 9.430/96, constituem os fundamentos sobre os quais se exigem os juros de mora sobre a multa de ofício. Os referidos dispositivos encontramse adiante transcritos: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da leitura atenta dos dispositivos acima transcritos, denotase que a taxa SELIC deve ser aplicada "sobre os débitos a que se refere este artigo". Por seu turno, o caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 dispõe sobre "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal". Fl. 2550DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.551 20 Não há, portanto, qualquer dispositivo legal que permita a incidência de juros de mora sobre as multas de ofício. Notese que a multa de ofício é uma punição imposta ao contribuinte pelo descumprimento do dever legal de pagar o tributo, isto implica dizer que esta penalidade não é um débito decorrente de tributos e contribuições federais. Nesse sentido, o professor Luciano Amaro explana que: "No campo das sanções administrativas pecuniárias (multas), é preciso não confundir (como faz, freqüentemente, o próprio legislador) a proteção ao interesse da arrecadação (bem jurídico tutelado) com o objetivo de arrecadação por meio de multa. Noutras palavras, a sanção deve ser estabelecida para estimular o cumprimento da obrigação tributária; se o devedor tentar fugir ao seu dever, o gravame adicional representado pela multa que lhe é imposta se justifica, desde que graduado segundo a gravidade da infração. Se se tratar de obrigação acessória, a multa igualmente se justifica (pelo perigo que o descumprimento da obrigação acessória provoca para a arrecadação de tributos), mas a multa não pode ser transformada em instrumento de arrecadação; pelo contrário, devese graduála em função da gravidade da infração, vale dizer, da gravidade do dano ou da ameaça que a infração representa para a arrecadação" (Direito Tributário Brasileiro, São Paulo. Editora Saraiva, 2006, p. 439/440). Dessa forma, verificase que a multa não tem a finalidade arrecadatória, apenas visa desestimular o comportamento ilícito, enquanto que o tributo é fruto da realização da fato lícito, que tem por objetivo a produção da receita pública. Julgo, por conseguinte, procedente o pedido do contribuinte no que se refere à não incidência dos juros sobre a multa de ofício decorrente do descumprimento da obrigação principal tributária, devendo ser dado provimento ao Recurso Voluntário em relação a esta questão. DA INCIDÊNCIA DOS JUROS SELIC SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO Sobre a aplicação dos juros SELIC sobre o crédito tributário, tal matéria já foi sumulada por este Tribunal Administrativo, a saber: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há que se falar em inaplicabilidade do juros SELIC quando constatado período de inadimplência. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de darlhe parcial provimento em relação as despesas dedutíveis de ágio na operação ocorrida entre partes Fl. 2551DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.552 21 independentes, bem como determinar a redução proporcional da multa de ofício e, por fim, para determinar a inaplicabilidade dos juros de mora sobre a multa de ofício. É como voto. Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator Fl. 2552DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.553 22 Voto Vencedor Conselheiro Flávio Franco Corrêa. Cabeme, no momento, tratar da dedutibilidade do ágio, da multa aplicada e dos juros sobre a multa. Com as devidas vênias ao Ilustre Relator, não há motivo para a admissão da metade da despesa de amortização do ágio que fora glosada pela Fiscalização. Isso porque a acusação circunscreveuse ao ágio gerado em 01 de junho de 2008, pela aquisição, por R$ 210.000.000,00, da participação de 50% na Quatzolit, de titularidade, até aquela data, da SG France. Como explicado no Termo de Verificação Fiscal, a partir de 01 de junho de 2008, a SG Brasil passou a “amortizar o ágio gerado tanto na aquisição de participação de 35% na Quartzolit em 1997, quanto pela incorporação da Sta. Verônica em 2006 e agora, pela aquisição de 50% de participação de 50% anteriormente de titularidade da SG France.” Mais adiante, os registros da Fiscalização, no Termo de Verificação Fiscal, são ainda mais claros, não deixando dúvida de que os lançamentos em exame não abarcaram o ágio ocorrido na aquisição efetuada em 1997, seguida de incorporção em 2006, verbis: Sendo assim, é inegável que o ágio em referência foi gerado intragrupo, motivo pelo qual adoto os fundamentos do Relator, na seguinte parte do capítulo de seu voto intitulado “Do ágio gerado por partes dependentes”, verbis: Fl. 2553DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.554 23 “Em 2008 o grupo sofreu uma reestruturação societária, em que a contribuinte adquiriu e incorporou as demais participações societárias da Quartzolit detidas pela Sta. Verônica e pela SG França. Conforme quadro a seguir: Antes Depois Ocorre que foi realizado uma reavaliação da Quartzolit quando da venda de 50% das ações da Quartzolit detidas pela SG França, sendo adquirida pela Contribuinte por 210.000.000,00. Nesse ponto, entendo ser descabida a reavaliação, para fins fiscais, justamente por ocorrer num contexto intragrupo, entre a SG França e a contribuinte que estão sob um controle comum, ainda que tenha ocorrido o efetivo desembolso de caixa, bem como tenha sido produzido um novo laudo de avaliação por empresa independente (Constantin). Isso porque as empresas são partes relacionadas e estão inseridas num contexto de dependência ao interesse econômico do grupo, o que prejudica a figura do ágio, pois em última instância a quantia desembolsada permaneceu dentro deste, não havendo a transferência da titularidade para terceiros. Este Colegiado já se manifestou pela necessidade da presença de partes independentes na transação para a formação do ágio e, por conseguinte, a obtenção de seu reconhecimento econômico e contábil. Confirase: "Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona esse aspecto),do ponto de vista econômico o registro do ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes. (...)“(Acórdão n.º 105 17.219 05/12/2007) Como bem aduz a decisão supra, no mesmo sentido é a orientação da CVM nos termos de seu Ofício Circular CVM SNC/SEP nº 1/2007 em que dispõe que o “ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método de equivalência Fl. 2554DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.555 24 patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo”. Ainda ressalta que “do ponto de vista econômico, o registro do ágio, em operações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação”. Apesar de ser uma orientação contábil, o papel do laudo de avalição é prescindível quando a transferência das ações ocorre sem a participação de terceiros, sendo que, ao final da transação, a titularidade das participações societárias é mantida pelo grupo. Assim, resta prejudicado o ágio originado pela reavaliação do investimento, por não possuir substrato econômico em razão do negócio comutativo não ter sido praticada entre partes independentes. Diante o exposto, claro está que, na aquisição da Quartzolit pela Família Castro, a operação se deu em um contexto envolvendo terceiros, atendendo aos requisitos legais para a formação do ágio. Enquanto que, na segunda operação, com a reorganização societária do grupo, a transação entre a Recorrente e a SG França ocorreu num contexto intragrupo, permanecendo a Contribuinte e a Quartzolit sob o controle da SG França (mesmo controle comum), o que impede a formação legal do ágio, visto que não houve a transferência para terceiros da titularidade das ações.” Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, quanto ao item em questão. No tocante à multa de ofício, o juízo sobre a abusividade, nas palavras do Relator, recai no exame da compatibilidade da lei tributária com a Carta Magna, o que é vedado aos Conselheiros, consoante Súmula Carf nº 2. Negandose provimentto ao recurso voluntário, como de fato se nega, no que diz respeito à glosa da despesa com a amortização do ágio, resta manter, por consequência, em sua integralidade, a multa de ofício aplicada pela Fiscalização. Quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa lançada de ofício, considero que o o ponto crucial da dúvida está na redação do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 2555DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.556 25 §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Mais especificamente, objetivase descortinar se, nos débitos a que se refere o § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, estão incluídos o tributo suprimido ao Erário e a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício, ou somente o valor do tributo suprimido. De início, devese aludir à previsão legal que veda a incidência de juros de mora sobre a multa de mora, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 16 do Decretolei nº 2.323/1987, com a redação dada pelo artigo 6º do Decretolei nº 2.331/1987, verbis: “Art. 6º. Os arts. 15 e 16 do Decretolei nº 2.323, de 26 de fevereiro de 1987, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15. Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, para com o Fundo de Investimento Social (Finsocial) e para com o Fundo de Participação PISPasep, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa de mora. Parágrafo único. A multa de mora será de vinte por cento sobre o valor monetariamente atualizado do tributo ou contribuição, sendo reduzida a dez por cento se o pagamento for efetuado até o último dia útil do terceiro mês subseqüente àquele em que tiver ocorrido o vencimento do débito. Art. 16. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, para com o Fundo de Participação PISPasep, assim como aqueles decorrentes de empréstimo compulsórios, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de um por cento ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior." Percebase que o Decretolei nº 2.323/1987, ao ressalvar a multa de mora, não vedou a incidência dos juros de mora sobre a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício. Por outro lado, o § 3º do artigo 950 do Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99) estabelece que a multa de mora não deve aplicada se o tributo suprimido ao Erário já tiver servido de base de cálculo para a multa proporcional decorrente de lançamento de ofício, verbis: “Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1º). § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2º). Fl. 2556DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.557 26 § 3º A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício.” (grifei) Assim, sou da opinião de que a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, constante do caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, deve ser interpretada no sentido de compreender, para fins de incidência dos precitados juros moratórios, a diferença do tributo não recolhida até a data de seu vencimento, em razão de sua equivocada determinação, e a consequente multa aplicada mediante lançamento de ofício. Para tal empreitada exegética, é preciso considerar os artigos 113, § 1 º; 139 e 161, caput e § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN), verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” A teor dos artigos suprarreferidos: a) o crédito tributário é uma decorrência da obrigação tributária principal (CTN, artigo 139); b) essa obrigação tem por objeto o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária imposta como consequência do descumprimento do dever legal de entregar ao Estadocredor, no prazo legal, o valor integral do tributo, apurado em consonância com as normas legais (CTN, § 1º do artigo 113); c) o crédito não integralmente pago no vencimento, de que trata o caput do artigo 161 do CTN, não se resume ao valor do tributo suprimido ao Erário, porquanto a infração consistente na supressão do tributo é fato gerador da multa proporcional a ser aplicada mediante lançamento de ofício. Portanto, o § 3º do artigo 161 do CTN abarca o valor do tributo suprimido e a multa a ser aplicada de ofício, em decorrência da supressão do tributo. Em apoio à interpretação aqui defendida, trazse à colação o Resp nº 1.129.990PR, publicado no Dje no dia 14/09/2009, relator Ministro Castro Meira: “Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, Fl. 2557DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.558 27 como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos " (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546) De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. (grifei) Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.027 1.028): "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação. A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades. (grifei) Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Fl. 2558DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.559 28 Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, muito útil para fins de arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) (grifei) O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos no original) Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). (grifos no original) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial.”(grifos no original) Essa é a diretriz a ser seguida, para se descortinar o alcance do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto. Fl. 2559DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.560 29 Do preceito acima invocado, destacase a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Facilmente se infere que as multas ora comentadas só nascem porque há tributo devido a ser exigido de ofício. Não houvesse tributo sonegado, não haveria multa proporcional a ser lançada de ofício. Essa deve ser a linha de raciocínio para o desvendamento do que se pode entender no âmbito da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições.” Pelas razões acima referidas, manifesto que as multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic. Alfim, saliento que a Câmara Superior já decidiu segundo a linha exegética aqui anunciada: “JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL— A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic”. (Ac. CSRF/04 00.651, de 18/09/2007, proc. 16327.002231/200285, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” (Ac. 910100.539, de 11/03/2010, proc. 16327.002243/9971, Rel. Cons. Valmir Sandri, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) Diante disso, nego provimento em relação ao pleito referente à incidência dos juros sobre a multa aplicada. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 2560DF CARF MF Processo nº 16561.720184/201335 Acórdão n.º 1301002.233 S1C3T1 Fl. 2.561 30 Fl. 2561DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10235.720141/2014-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. ÓRGÃOS PÚBLICOS.
Devem os órgãos da administração pública, quando contratarem na qualidade de tomadores de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, efetuar a retenção e o recolhimento dos 11% (onze por cento) incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, a título de contribuição previdenciária.
NULIDADE. LANÇAMENTO.
Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o lastreiam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivos para decretação de sua nulidade.
MULTA CONFISCATÓRIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4.
Não havendo sido adimplida a obrigação tributária no prazo previsto na legislação, incidem juros de mora à taxa Selic, conforme enuncia a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2402-005.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo, Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. ÓRGÃOS PÚBLICOS. Devem os órgãos da administração pública, quando contratarem na qualidade de tomadores de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, efetuar a retenção e o recolhimento dos 11% (onze por cento) incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, a título de contribuição previdenciária. NULIDADE. LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o lastreiam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivos para decretação de sua nulidade. MULTA CONFISCATÓRIA. SÚMULA CARF Nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4. Não havendo sido adimplida a obrigação tributária no prazo previsto na legislação, incidem juros de mora à taxa Selic, conforme enuncia a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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ÓRGÃOS PÚBLICOS. Devem os órgãos da administração pública, quando contratarem na qualidade de tomadores de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, efetuar a retenção e o recolhimento dos 11% (onze por cento) incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, a título de contribuição previdenciária. NULIDADE. LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o lastreiam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivos para decretação de sua nulidade. MULTA CONFISCATÓRIA. SÚMULA CARF Nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4. Não havendo sido adimplida a obrigação tributária no prazo previsto na legislação, incidem juros de mora à taxa Selic, conforme enuncia a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 23 5. 72 01 41 /2 01 4- 56 Fl. 428DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo, Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10235.720141/201456 Acórdão n.º 2402005.868 S2C4T2 Fl. 108 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA) DRJ/BEL, que julgou procedente o auto de infração DEBCAD nº 51.057.1662 (fls. 4/21), o qual teve por objeto a constituição de crédito tributário em razão da falta de recolhimento das retenções de contribuições devidas à previdência social incidente, conforme previsto no art. 31 da Lei nº 8.212/91, à alíquota de 11% sobre o valor bruto das Notas Fiscais emitidas pela empresa A G. de Albuquerque pela prestação de serviço de vigilância/segurança à SEED/GEA (Estado do Amapá). Não obstante a impugnação apresentada (fls. 340/349), a exigência foi mantida no julgamento de piso (fls. 384/396), motivando a interposição de recurso voluntário em 22/12/2014 (fls. 402/419), o qual repisou as arguições da impugnação, a seguir sintetizadas: o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária seria o fornecedor, não o autuado; há nulidade no lançamento posto que este apurou de maneira inadequada a base de cálculo, não analisando devidamente e em conjunto as notas de liquidação e notas fiscais, falando "apenas genérica e laconicamente em despesas empenhadas", havendo, ainda, não sido dele descontados os valores relativos ao ISS e IRRF; a multa aplicada é inconstitucional, dado que confiscatória; não incidem juros de mora pois as "nulidades causadas pela administração pública tributária acarretam a dilação temporal do lançamento fiscal", devendo ser privilegiada sua boa fé. É o relatório. Fl. 430DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. De pronto, esclareçase ser despicienda qualquer manifestação deste Colegiado acerca da suspensão de exigibilidade do crédito tributário em apreço, conforme postulado ao final da peça recursal, visto que tal situação decorre de expressa previsão legal, fincada no inciso III do art. 151 do CTN, de observância obrigatória para a administração pública, dado o princípio da legalidade constitucionalmente estabelecido. Noutro giro, temse que não se verifica o aventado erro de sujeição passiva. O instituto da retenção focado achase previsto no art. 31 da Lei nº 8.212/91, reproduzido, em linhas gerais, no art. 219 do Decreto nº 3.048/99: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5º do art. 33 desta Lei. (grifei) De sua parte, a Lei nº 8.666/93, que estabeleceu normas para os contratos da administração pública, veicula disposição expressa acerca da obrigatoriedade da administração proceder a retenção prevista na norma supra transcrita: Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. [...]§ 2º A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (grifei) Da leitura dessas disposições legais, complementadas pelos arts. 115 a 117, c/c o art. 260 da IN RFB nº 971/09, decorre que os órgãos da Administração Pública direta, as autarquias e as fundações de direito público devem efetuar a retenção de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, à razão de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, quando contratarem serviços mediante cessão de mão de obra ou empreitada. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10235.720141/201456 Acórdão n.º 2402005.868 S2C4T2 Fl. 109 5 Frisese que os tribunais superiores, a saber, o STF no RE nº 603.191/MS, j. 1/8/2011 (repercussão geral), e o STJ no REsp nº 1.131.047/MA, j. 24/11/2010 (recurso repetitivo) já firmaram o entendimento de que a natureza jurídica do instituto em evidência é de responsabilidade tributária por substituição. Concluise, por conseguinte, ter sido escorreita a identificação do tomador de serviços, o Estado do Amapá, como sujeito passivo do crédito tributário em comento. Também não há como prosperar a tese de que existem erros na base de cálculo das contribuições lançadas, a ensejar a declaração de nulidade. A mera leitura do enunciado contido no art. 31 da Lei nº 8.212/91 evidencia menção expressa de que a retenção dos 11% recairá sobre o valor bruto da nota fiscal, não apontando o recorrente, ainda que vagamente, qual seria o supedâneo legal para que fossem deduzidos os valores eventualmente destacados nos documentos como correspondentes aos tributos ISS e/ou IRRF. É alegado, adicionalmente, que haveria erro na base de cálculo, pois o Fisco não teria realizado a devida comparação entre as notas fiscais e as notas de liquidação. Tal argumento, genericamente formulado sem exemplificação alguma, não encontra respaldo na realidade. No relatório fiscal, fls. 16/18, é efetuado o cotejo minucioso entre os valores das notas fiscais, os valores empenhados e liquidados, sendo demonstrado, criteriosamente, que o contribuinte não recolheu, no que concerne às situações ora analisadas, os valores consignados como retenções nas respectivas notas fiscais emitidas pelo fornecedor/credor A.G. de Albuquerque. Deve ser registrado, por oportuno, que não se vislumbra na espécie qualquer das hipóteses ensejadoras da decretação de nulidade do lançamento consignadas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, havendo sido todos os atos do procedimento lavrados por autoridade competente, sem qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte, o qual recorre de seus termos evidenciando pleno conhecimento das exigências que lhe são imputadas. E no tocante às alegações de caráter confiscatório da multa de ofício de 75%, não devem elas prosperar, por ingressarem na trilha da suposta inconstitucionalidade de seu suporte legal, o art. 44 da Lei nº 9.430/96, o que atrai a incidência no caso do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como remate, registrese que a incidência de juros de mora, face ao inadimplemento do tributo no prazo de regência, dáse por força de expressa previsão legal contida nos arts. 13 da Lei nº 9.065/95, e 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, sendo irrelevante qualquer conjetura acerca do aspecto volitivo da conduta do contribuinte para sua aplicação. Não bastasse, a matéria já foi sumulada pelo CARF, valendo trazer à colação o enunciado em referência: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 432DF CARF MF 6 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 433DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.723546/2011-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.859
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1729; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10469.723546/201150 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.859 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente ESPACIAL AUTO PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 35 46 /2 01 1- 50 Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10469.723546/201150 Acórdão n.º 3302003.859 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.426. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10469.723546/201150 Acórdão n.º 3302003.859 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10469.723546/201150 Acórdão n.º 3302003.859 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10469.723546/201150 Acórdão n.º 3302003.859 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10469.723546/201150 Acórdão n.º 3302003.859 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.000559/2004-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
ITR. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DITR. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
A entrega intempestiva da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR, antes de iniciado o procedimento fiscal, enseja o lançamento da multa por atraso aplicada sobre o valor do imposto devido informado na declaração, sendo indevida a exigência da referida multa sobre o imposto apurado de ofício que serviu de base para a multa do lançamento de ofício.
Numero da decisão: 9202-005.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1999 ITR. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DITR. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A entrega intempestiva da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR, antes de iniciado o procedimento fiscal, enseja o lançamento da multa por atraso aplicada sobre o valor do imposto devido informado na declaração, sendo indevida a exigência da referida multa sobre o imposto apurado de ofício que serviu de base para a multa do lançamento de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 ITR. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DITR. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A entrega intempestiva da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR, antes de iniciado o procedimento fiscal, enseja o lançamento da multa por atraso aplicada sobre o valor do imposto devido informado na declaração, sendo indevida a exigência da referida multa sobre o imposto apurado de ofício que serviu de base para a multa do lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 05 59 /2 00 4- 01 Fl. 409DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração (fl. 13) relativo à multa por atraso na entrega da Declaração de Imposto Territorial Rural – DITR do imóvel denominado Seringal São Salvador (NIRF 4.999.4654), relativo ao exercício 1999, por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 8.460,00. A autuada apresentou impugnação, alegando que a multa por atraso na entrega da declaração não poderia prosperar por ser totalmente infundada e ilegal, não se coadunando com os fatos e o direito aplicável à espécie; que, ao ser lançada a multa não foi respeitado o recurso que apresentou ao Conselho de Contribuintes em 11/12/2003; e que não recebeu notificação da SRF, dando ciência do resultado do julgamento do recurso; que não há razoabilidade para manter o lançamento da multa. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS julgou o lançamento procedente, mantendo o crédito tributário. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo, restando a Resolução nº 2202000.090 (fls. 48/51), da 2ª TO da 2ª Câmara, de 21/09/2010, que converteu o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora esclarecesse qual a composição da base de cálculo da multa por atraso exigida no Auto de Infração; anexasse cópia do AI referente ao processo 10240.001190/2003 64, cujo imposto teria servido de base para o presente lançamento; e cientificasse a Recorrente dos itens acima para que se manifestasse, se assim o desejasse, no prazo de 30 dias. Os autos retornaram ao CARF com a Informação Fiscal (fls. 363/365), esclarecendo que foi aberto MPFDiligência nº 081000.2012.00139, quando foi copiado através do sistema “eprocesso” o teor integral do processo nº 10240.001190/200364, e que foi verificado no “Demonstrativo de Apuração do ITR”, dois valores a título de imposto devido, um declarado pela contribuinte (R$ 552,64) e outro apurado pela fiscalização (R$ 47.000,00); e que este segundo valor foi utilizado como base de cálculo da multa por atraso na entrega da declaração do ITR, exercício 1999. Ainda, informou que, uma vez notificada, a contribuinte, empresa “Leme Empreendimentos e Participações Ltda.” manifestouse (às fls. 369/374) sobre a Informação Fiscal dizendo que o AI objeto da presente notificação foi impugnado e encontrase pendente de julgamento, destacou que o valor da multa por atraso na entrega da declaração tem como base de cálculo o valor lançado de ofício pela Receita Federal e que esse valor foi impugnado e encontrase suspenso por estar pendente de julgamento o processo 10240.001190/200364 e que por esta razão, somente será possível apurar o valor da multa por atraso na entrega da declaração quando foi de forma definitiva estabelecido o valor do imposto devido. Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10240.000559/200401 Acórdão n.º 9202005.613 CSRFT2 Fl. 3 3 Com o retorno ao CARF, os autos voltaram para julgamento. No Acórdão de Recurso Voluntário (fls. 379/385), o Colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso. Portanto, em sessão plenária de 18/09/2012, deuse provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2202002.002, assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 1999 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DITR. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A entrega intempestiva da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR, antes de iniciado o procedimento fiscal, enseja o lançamento da multa por atraso aplicada sobre o valor do imposto devido informado na declaração, sendo indevida a exigência da referida multa sobre o imposto apurado de ofício que serviu de base para a multa do lançamento de ofício. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 01/10/2012 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 03/10/2012, Recurso Especial (fls.387/392). Em seu recurso visa a reforma da decisão recorrida. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 2ª Câmara, de 07/07/2016 (fls. 394/397). Em seu Recurso Especial, a Recorrente traz as seguintes alegações: § que a multa por atraso na entrega da declaração (DIAC/DIAT) encontra guarida na disposição legal do art. 9º da Lei nº 9.393/96, in verbis: · Art. 9º. A entrega do DIAT fora do prazo estabelecido sujeitará o contribuinte à multa de que trata o art. 7o., sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. § que resta patente a distinção entre as multas destacadas, pois uma trata de penalização por descumprimento de obrigação acessória (atraso na entrega da declaração) e a outra de penalização por infração cometida na apuração do imposto; e são, portanto, infrações independentes e com penalizações distintas. § que o cálculo da multa por atraso na entrega da declaração será realizado na forma do disposto no art. 7º da Lei n. 9.393, verbis: · Art. 7º. No caso de apresentação espontânea do DIAC fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, será cobrada multa de 1% ( um Fl. 411DF CARF MF 4 por cento) ao mês ou fração sobre o imposto devido não inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais), sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. § que o dispositivo legal determina expressamente que a multa por atraso na entrega da declaração será exigida sobre o imposto devido; e que, obviamente, nem sempre o imposto devido é aquele que foi declarado pelo contribuinte, como de fato ocorreu no presente caso. § que o imposto devido é o imposto total devido pelo sujeito passivo, no caso, o imposto total devido é aquele que foi apurado após o lançamento de oficio, ou seja, aquele que o sujeito passivo efetivamente deveria ter recolhido e declarado, mas não o fez. Cientificado do Acórdão nº 2202002.002, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 14/09/2016, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10240.000559/200401 Acórdão n.º 9202005.613 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 394/397. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito A questão objeto do recurso referese, basicamente, base de cálculo da multa por atraso na entrega da Declaração do ITR. No entender do recorrente, ao contrário da interpretação dada pelo acórdão recorrido, a multa por atraso, consoante os arts. 9º c/c 7º, da Lei n.° 9.393/96, incide sobre o imposto devido e não sobre o imposto declarado. Contudo, não tem como me filiar a tese apresentada pelo recorrente. Assim, como já devidamente enfrentado pelo acórdão recorrido o contribuinte do ITR está obrigado a entregar, anualmente, o Documento de Informação e Apuração do ITR – DIAT – que junto com o Documento de Informação e Atualização Cadastral do ITR compõem a DITR, correspondente a cada imóvel de sua propriedade nas datas e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal (art. 8o da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996). De acordo com o art. 9o da Lei no 9.393, de 1996, a entrega do DIAT fora do prazo estabelecido sujeita à multa prevista no art. 7o da mesma lei que dispõe in verbis (grifei): Art. 7º No caso de apresentação espontânea do DIAC fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, será cobrada multa de 1% (um por cento) ao mês ou fração sobre o imposto devido não inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais), sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. A multa por atraso na entrega da DITR tem por base de cálculo o valor do ITR devido, informado na declaração, respeitandose o limite mínimo de R$ 50,00. Não há como interpretar que o legislador iria instituir uma base de cálculo de multa, já fazendo previsão de que o valor declarado pelo contribuinte encontrase incorreto e que a multa pela declaração seria consubstanciada em base atribuída pela fiscalização. Para chegar a esse entendimento, bastanos analisar sistematicamente os dispositivos, ou seja, ao estabelecer a multa pelo atraso na entrega da declaração, estabeleceu o legislador que deve o sujeito passivo pagar uma multa, e estabeleceu esse valor sobre o valor devido. O único valor devido nesse momento é o delarado pelo contribuinte em sua DITR. Fl. 413DF CARF MF 6 Tanto o é que, eventuais diferenças de ITR apuradas em procedimento de ofício tem como fundamento legal dispositivo posterior, qual seja o art. 14 da Lei no 9.393, de 1996: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1o As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, §1o, inciso II da Lei no 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. §2o As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. Da leitura dos dispositivos acima, podemos constatar que no caso de falta de entrega da DITR ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, procederá a autoridade fiscal ao lançamento do imposto acrescido da multa de ofício aplicável aos demais tributos federais, ou seja, aquela prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Isto posto, concluise que a multa por atraso na entrega da DITR aplicase apenas quando a declaração for entregue espontaneamente (antes do procedimento de ofício) e sobre o valor do imposto devido apurado pelo contribuinte. Neste ponto, deixou claro o acórdão recorrido que a contribuinte entregou com atraso a DITR/1999, em 28/03/2001 (vide Auto de Infração à fl. 13), pois a Instrução Normativa no 88, de 20 de julho de 1999, expedida pela Secretaria da Receita Federal, estipulou como data limite para a entrega o dia 30/09/1999 (art. 1º), fato este inconteste. Face o exposto, entendo correta a interpretação dada pelo acórdão recorrido, que delimitou como base de cálculo da multa pelo atraso na declaração o valor declarado pelo contribuinte e não o suposto valor a ser lançado pela autoridade fiscal. Nesse ponto, muito bem enretado o valor da multa pela acórdão recorrido, razão pela qual transcrevemos trecgo que esclarece a interpretação acima ratificada: Consta do Auto de Infração de fl. 13 que a base de cálculo da multa por atraso foi o imposto devido, no montante de R$47.000,00, que corresponde ao valor apurado de oficio no processo no 10240.001190/200364, conforme cópia do Demonstrativo de Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural extraída do referido processo (fl. 159). Está consignado no referido demonstrativo que o imposto devido declarado pelo contribuinte foi de R$552,64, que, deduzido do imposto devido apurado pela fiscalização, resultou na diferença lançada de ofício naquele processo, no montante de R$46.447,36. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10240.000559/200401 Acórdão n.º 9202005.613 CSRFT2 Fl. 5 7 Inferese, assim, que a base de cálculo da multa por atraso está incorreta, pois corresponde a soma do imposto devido declarado com a diferença exigida de ofício no processo no 10240.001190/200364. Destarte, há que se recalcular a multa por atraso, aplicandose o percentual de 18% (18 meses ou fração de atraso) sobre o valor do imposto declarado pela contribuinte (R$552,64), o que resulta na exigência da multa de R$99,48. Com a exclusão do valor lançado de ofício da base de cálculo da multa por atraso, deixa de existir qualquer relação entre a referida multa e o imposto exigido no processo no 10240.001190/200364, perdendo objeto o pedido do contribuinte para que o julgamento do presente processo fique suspenso até a decisão definitiva do processo principal. Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso, para reduzir a multa por atraso para R$99,48. Nesse sentido, podemos trazer os seguintes julgados desta CSRF: Citese que essa mesma CSRF em apreciando questão idêntica já se manifestou acerca da procedência da referida multa, contudo, fazendo ressalvas com relação ao valor aplicado, conforme se depreende da leiturado voto proferido pelo Acórdão nº 9202 003.966, de relatoria do Conselheiro Gerson Macedo, senão vejamos: A multa em questão deve ser apurada sobre o valor do imposto devido, sem prejuízo da multa e dos juros devidos pela insuficiência de recolhimento do imposto ou quota, conforme previsto nos arts. 7º e 9º da Lei nº 9.393, de 1996, que assim dispõe: “Art. 7º No caso de apresentação espontânea do DIAC fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, será cobrada multa de 1% (um por cento) ao mês ou fração sobre o imposto devido não inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais), sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. (...) Art. 9º A entrega do DIAT fora do prazo estabelecido sujeitará o contribuinte à multa de que trata o art. 7º, sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota.” Como se pode ver, a norma em questão traz a multa pelo atraso na entrega da declaração, que é composta pela DIAC e pela DIAT, sobre o valor do imposto devido e este, pela interpretação da norma, somente pode ser o valor do imposto declarado. Fl. 415DF CARF MF 8 Partese da premissa de que o que foi declarado é o valor correto. E isso não pode ser diferente, pois não se pode presumir a má fé do contribuinte, essa deve ser provada. Como já decidido em diversas ocasiões anteriores, não há base legal para se calcular referida multa sobre outra base. Frisese que a maioria das decisões desse Conselho tem caminhado nesse sentido. Até mesmo a própria CSRF, por unanimidade, já se posicionou nesse sentido, conforme se pode depreender do Acórdão 920200.280, cuja ementa segue abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIAC. BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO. Por falta de previsão legal para a imposição de multa por atraso na entrega da DIAC sobre o valor lançado de oficio, tal multa tem por base de cálculo o valor do ITR devido, informado na declaração. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Face os pontos acima destacados, entendo que não existe qualquer reparo a ser feito na decisão recorrida, razão pela qual nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Conclusão Face o exposto, CONHEÇO do recurso Especial da Fazenda Nacional, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 416DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001253/2007-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/10/2002 a 31/12/2004
IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS RELATIVOS AS AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS, IMUNES, NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS ALÍQUOTA ZERO. SÚMULA CARF Nº 18.
Nos termos da Súmula CARF nº 18, a aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI.
Numero da decisão: 9303-004.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/10/2002 a 31/12/2004 IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS RELATIVOS AS AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS, IMUNES, NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS ALÍQUOTA ZERO. SÚMULA CARF Nº 18. Nos termos da Súmula CARF nº 18, a aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 12 53 /2 00 7- 69 Fl. 723DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto por TRW AUTOMOTIVE LTDA. com fulcro no art. 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 20313.038 (fls. 413 a 428) proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em 02/07/2008, negando provimento ao recurso voluntário da Contribuinte, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/10/2002 a 31/12/2004 CRÉDITOS RELATIVOS AS AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS, IMUNES, NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS ALÍQUOTA ZERO. O principio da nãocumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior referente a entrada de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Não havendo exação de IPI nas aquisições desses insumos, por serem eles isentos, imunes, não tributados ou tributados à alíquota zero, não há valor algum a ser creditado. CRÉDITOS RELATIVOS À AQUISIÇÃO DE ITENS PARA O ATIVO IMOBILIZADO E MATERIAIS PARA CONSUMO. Somente geram direito ao crédito de IPI as aquisições de bens e de produtos que se integram ao produto final e que se consumam por decorrência de contato físico com o produto em fabricação. GLOSA DE CRÉDITO PRESUMIDO. AUSÊNCIA DE PROVAS EM SENTIDO CONTRÁRIO. Estando motivadas as glosas em diferenças verificadas entre os registros fiscais e as informações constantes das DCP entregues a Receita Federal, somente corn provas em sentido contrario é que poderão ser elididas. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DE CRÉDITOS ESCRITURAIS. Não existe dispositivo legal a autorizar a atualização monetária de créditos escriturais de IPI. Fl. 724DF CARF MF Processo nº 10865.001253/200769 Acórdão n.º 9303004.902 CSRFT3 Fl. 724 3 MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. SÚMULA N° 2. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. TAXA SELIC. SUMULA N° 3. E cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custodia Selic para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. O processo administrativo tem origem em auto de infração (fls. 05 a 23) lavrado em face da Contribuinte para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, relativo aos fatos geradores ocorridos no período de 31/10/2002 a 31/12/2004, acrescido de juros de mora e multa de ofício fixada em 75% (setenta e cinco por cento). Conforme apurado no procedimento fiscal, a Empresa recolheu a menor o IPI por ter se utilizado indevidamente de créditos básicos, entre 31/10/2002 e 31/12/2004, e de crédito presumido no 4º trimestre de 2002 e nos anoscalendário de 2003 e 2004. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 24 a 31), os créditos de IPI indevidamente utilizados pela Empresa foram assim individualizados: I. Créditos básicos de IPI I.a) IPI sobre compras para o ativo imobilizado; I.b) IPI sobre compras de material para uso e consumo; I.c) IPI ficto sobre serviço de energia elétrica, produto nãotributado; I.d) Créditos extemporâneos de IPI sobre entrada de produtos importados com suspensão, no regime de drawback, incluído no cálculo a correção. II. Crédito presumido de IPI, para fins de ressarcimento das contribuições do PIS e da COFINS II.1) Crédito presumido indevido ano calendário de 2002. Na apuração do Crédito Presumido relativo ao 4° trimestre de 2002, a contribuinte passou a sujeitarse à incidência não cumulativa do PIS, na forma da Lei n° 10.637/2002, devendo, no mês de dezembro de 2002 apurar o crédito presumido pelo coeficiente de 0,03. No entanto a empresa duplicou esta apuração calculando o crédito para o período duas vezes, uma com o coeficiente 0,03 e outra com o coeficiente 0,30365, devendo o valor calculado a maior (R$ 522.308,06) ser glosado. Fl. 725DF CARF MF 4 II.2) Crédito presumido indevido ano calendário de 2003. Para o ano de 2003 a contribuinte apurou, conforme demonstrativos de Crédito Presumido de IPI (DCP) um valor acumulado de janeiro a setembro no montante de R$ 2.398.171,85, mas registrou e utilizou um total de R$ 3.444.978,55 resultando um aproveitamento a maior de R$1.046.806,70. II.3) Crédito presumido indevido ano calendário de 2004. A contribuinte apurou, conforme demonstrativos de Crédito Presumido de IPI (DCP) um valor acumulado no 1° trimestre no montante de R$ 870.110,02, mas registrou e utilizou um total de R$ 2.706.005,45, resultando um aproveitamento a maior de R$ 1.835.895,43. Após intimado da autuação, o Sujeito Passivo apresentou Impugnação (fls. 153 a 237), cujas alegações foram assim sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, in verbis: [...] Na impugnação a autuada suscitou, preliminannente, a nulidade da autuação, sob o argumento de que os fatos geradores ocorridos entre 01/01/2002 a 24/05/2002, nos termos do artigo 150, I (sic) do Código Tributário Nacional, foram alcançados pela decadência. Outra nulidade apontada decorre de ter sido o auto de infração corrigido pela taxa Selic, na linha de decisão do STJ que, entende, lhe socorreria. Como última preliminar, entende que o procedimento é nulo por ter havido excesso de exação, já que não poderiam ter sido feitas glosas de IPI sobre as aquisições de insumos tributados à all quota zero, isentos e NT, na esteira de decisões do STJ que entende lhe socorrer. Adentrando no mérito da autuação, a impugnada, em apertadíssima síntese, vez que a defesa possui oitenta e cinco páginas, invoca o principio da não cumulatividade do IPI para defender o seu direito ao aproveitamento do credito de IPI sobre suas aquisições para o Ativo Imobilizado, para os itens adquiridos para a sua manutenção, para os materiais intermediários (ferramental), e para os insumos isentos, imunes, não tributados ou tributados com alíquota zero. Para esses, cita decisões do Supremo Tribunal Federal nos RE nºs 7212.4842/RS e 350.4461/PR. Aduz ainda que a energia elétrica é um produto industrializado isento do IN e que, na linha da sua argumentação, também gera o direito ao crédito. Se não assim considerado, ao menos que se leve em conta que, tanto a energia elétrica, como os derivados de petróleo, combustíveis e minerais, tern a imunidade garantida pela Constituição, gerando, também o crédito de IPI. Faz longas considerações doutrinárias sobre o regime do Drawback, para, ao final, concluir que o referido regime aduaneiro especial é, encerra, na verdade, uma isenção fiscal que se submete a urna condição resolutiva, qual seja, o cumprimento por parte do beneficiário das exportações nas condições postas no ato concessório. E, em sendo suas aquisições de insumos relacionadas ao drawback isentos e tendo ela adimplido integralmente as condições, vêse no direito de aproveitar também os créditos de IPI decorrentes de tais aquisições. Valese a Impugnante do disposto nos parágrafos 3 0 e 40 do artigo 66 da Lei nº 8.383/91, bem como de decisão do Segundo Conselho de Contribuintes para dizer que seus créditos tem direito à atualização monetária e que não poderia ter sido feito a glosa pelo fiscal. Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10865.001253/200769 Acórdão n.º 9303004.902 CSRFT3 Fl. 725 5 Em relação às glosas efetuadas pelo Fisco no montante do crédito presumido de IPI, considera a Impugnante serem improcedentes as do ano calendário de 2002, haja vista que procedeu conforme as orientações legais que regem a matéria. Em relação às dos anos calendários de 2003 e de 2004, entende que, por estarem fundamentadas nas Instruções Normativas SRF nº 210, de 2002 e 323, de 2003, há uma clara afronta ao dispositivo da lei que lhe assegura o creditamento, devendo, portanto, serem rechaçadas. Insurgiuse, por fim, a Impugnante contra o percentual da multa de oficio de 75% por considerálo de efeito confiscatório, e, portanto, inconstitucional. [...] A impugnação foi julgada improcedente pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto SP, por meio do Acórdão nº 1416.995 (fls. 294 a 320), de 19 de setembro de 2007, o qual foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2002, 2003, 2004 INSUMOS. BENS DO ATIVO PERMANENTE. DIREITO AO CRÉDITO. Geram direito ao crédito do IPI quaisquer bens/produtos que se integram ao produto final e que se consumam por decorrência de contato físico, desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente. CRÉDITOS DE IPI. INSUMOS NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS A ALÍQUOTA ZERO. Somente os créditos relativos a insumos onerados pelo imposto são suscetíveis de escrituração, apuração e aproveitamento mediante ressarcimento. CRÉDITOS ESCRITURAIS. CORREÇÃO MONETÁRIA. Não existe previsão expressa no ordenamento jurídico pátrio para a correção monetária dos créditos escriturais do IPI, razão pela qual o contribuinte não pode efetuar tal crédito, tampouco exigilo no ressarcimento. JUROS DE MORA. SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála, nos moldes da legislação que a instituiu. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 727DF CARF MF 6 Arguições de inconstitucionalidade refogem competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. CRÉDITO PRESUMIDO. IMPUGNAÇÃO. ONUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob pena de ensejar a desconsideração dos argumentos pelo julgador administrativo. Lançamento Procedente Não resignada, a Contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. xxx), reafirmando os argumentos expendidos na impugnação, ao qual foi negado provimento por meio do Acórdão nº 20313.038 (fls. 413 a 428) proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em 02/07/2008, ora recorrido. O Colegiado a quo entendeu por: (a) afastar a alegação de decadência do lançamento, seja pela aplicação da regra do art. 150, §4º ou do art. 173, inciso I, ambos do CTN; (b) manter a glosa dos créditos básicos de IPI relativos à aquisição de insumos isentos, imunes, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, pelo fato de não ter havido pagamento de IPI. Nesse argumento foram enquadrados os créditos de IPI das aquisições para o ativo imobilizado, os materiais para consumo, a aquisição de energia elétrica e os créditos fictos calculado sobre os insumos adquiridos com a suspensão do IPI pelo regime aduaneiro de drawback; (c) manter as glosas efetuadas sobre os créditos presumidos de IPI em razão das diferenças apuradas entre o valor escriturado nos livros fiscais e o constante das Declarações do Crédito Presumido entregues pela Contribuinte à Receita Federal, não tendo sido comprovado pela autuada as suas alegações de defesa; (d) não apreciar a arguição de inconstitucionalidade da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), conforme vedação da Súmula CARF nº 2; e (e) reconhecer como devida a incidência da taxa Selic sobre o valor em exigência, nos termos da Súmula CARF nº 3. No ensejo, a Contribuinte interpôs o presente recurso especial de divergência (fls. 435 a 456) buscando a reforma do acórdão que negou provimento ao recurso voluntário. Alega dissenso interpretativo quanto à possibilidade de se creditar do IPI decorrente da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Para embasar sua pretensão colacionou como paradigmas os acórdãos nºs 20175.412 e 20175.658. Após discorrer sobre a fundamentação lançada nas decisões proferidas em sede de julgamento de impugnação e de recurso voluntário, alega divergência com relação ao entendimento de outros Colegiados do CARF. Além disso, fez constar quadro analítico buscando demonstrar os pontos divergentes entre os acórdãos recorrido e os paradigmas, requerendo, ao final, o provimento do seu recurso especial. Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10865.001253/200769 Acórdão n.º 9303004.902 CSRFT3 Fl. 726 7 O recurso especial da Contribuinte foi admitido, conforme despacho nº 047, de 14/04/2009 (fls. 537 a 540), por ter sido comprovada a divergência jurisprudencial. Ainda, foi considerado como paradigma tão somente o acórdão nº 20175.412, uma vez ter sido o acórdão nº 20175.658 reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais anteriormente à data da interposição do apelo especial. Com relação ao acórdão nº 20175.412, conforme restou consignado na decisão, a sua modificação pela CSRF deuse posteriormente à interposição do recurso pela Contribuinte, não se aplicando a regra do art. 15, §5º do Regimento Interno da CSRF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 543 a 552) requerendo, preliminarmente, o seu não conhecimento e, no mérito, a negativa de provimento. Importa, ainda, referir que houve renúncia parcial da discussão dos presentes autos, na extensão da inclusão de parte dos débitos envolvidos no presente litígio no programa de parcelamento especial da Lei nº 11.941/2009, conforme documentos juntados às fls. 700 a 710 e despacho de fl. 711. Portanto, deve ser analisado o presente recurso na parte em que não houve a desistência. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto por TRW AUTOMOTIVE LTDA. é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais requisitos constantes nos artigos 7º, 8º e 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, vigente à época da interposição do apelo. O Sujeito Passivo pretende ver reformado o acórdão nº 20313.038 (fls. 413 a 428), que negou provimento ao recurso voluntário, concernente à possibilidade de aproveitamento de créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Para comprovar a divergência jurisprudencial, trouxe como paradigmas os acórdãos nºs 20175.658 e 20175.412. Fl. 729DF CARF MF 8 No exame de admissibilidade, foi desconsiderado como paradigma o acórdão nº 20165.758, de 04/12/2001, em razão de ter sido reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em 11/04/2005, data anterior à interposição do presente recurso especial, ocorrida em 12/09/2008, encontrando óbice no disposto no art. 15, §5º do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela então vigente Portaria MF nº 147/2007. Com relação ao acórdão nº 20175.412, em sede de admissibilidade, o mesmo foi considerado como passível de comprovação da divergência jurisprudencial, pois a sua reforma se deu em 25/11/2008, posteriormente à interposição do recurso especial pela Contribuinte, e, no entender do então Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, não se aplicando a vedação contida no art. 15, §5º do RICSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007. A Fazenda Nacional, em sede de contrarrazões, requer seja negado seguimento ao recurso especial, pois os julgados indicados como paradigmas foram reformados, considerando ser irrelevante o momento da sua modificação para fins de aferição da admissibilidade, atraindo a incidência da regra do art. 15, §5º do outrora RICSRF. O despacho de exame de admissibilidade, prolatado pelo então Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, não merece reparos. Isso porque a norma contida no art. 15, §5º, do RICSRF, aprovado pela então vigente Portaria MF nº 147/2007, segundo a qual não servirá como paradigma o acórdão reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, aplicase tão somente para os casos em que o julgado que embasa a divergência tenha sido modificado anteriormente à interposição do recurso especial, pois deixará de existir o dissenso interpretativo. Assim, o acórdão nº 20175.412 é válido para comprovação da divergência jurisprudencial, devendo ter seguimento o recurso especial da Contribuinte. Mérito No mérito, centrase a controvérsia na possibilidade de aproveitamento de créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. O art. 153, inciso IV da Constituição Federal atribuiu à União a competência para criação e posteriores modificações do Imposto sobre Produtos Industrualizados IPI. Além disso, o §3º do citado dispositivo estabeleceu critério restritivo para a exação, sendo imprescindível a observância dos atributos da seletividade (em razão da essencialidade dos produtos) e da nãocumulatividade (compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas etapas anteriores). Com relação à possibilidade de aproveitamento de créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos desonerados (isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), o Supremo Tribunal Federal pacificou, em sede de julgamento do RE nº 398.365/RS, pela sistemática da repercussão geral, entendimento pela impossibilidade do Contribuinte creditar se dos referidos valores. O julgado recebeu a seguinte ementa: Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10865.001253/200769 Acórdão n.º 9303004.902 CSRFT3 Fl. 727 9 Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Tributário. Aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 3. Creditamento de IPI. Impossibilidade. 4. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade, previstos no art. 153, § 3º, I e II, da Constituição Federal, não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 5. Recurso não provido. Reafirmação de jurisprudência. (RE 398365 RG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe188 DIVULG 21092015 PUBLIC 22092015 ) Ainda, a fundamentação do voto proferido em sede de recurso extraordinário pelo Ministro Gilmar Mendes elucida o posicionamento da Corte: [...] Em síntese, discutese se a possibilidade de creditamento de IPI pela aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. A questão constitucional em debate diz respeito à interpretação do art. 153, § 3º, II, da Constituição Federal, que prevê o princípio da não cumulatividade do IPI com a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, no caso de aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Há jurisprudência consolidada na Corte sobre o assunto. O entendimento do Supremo Tribunal Federal é no sentido de ser indevido o creditamento do IPI referente à aquisição de insumo não tributado, isento ou sujeito à alíquota zero. Como é cediço, esse tema tem como paradigmas o RE 353.657/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, e o RE 370.682/SC, Rel. Min. Ilmar Galvão, cujas ementas transcrevo abaixo: [...] Conforme fiz ver anteriormente, apenas em 25 de junho de 2007, nos já mencionados Recursos Extraordinários nº 353.657/PR e nº 370.682/SC, presente julgamento relativo a insumos e matériasprimas não tributados e sujeitos à alíquota zero, o Tribunal reviu a posição adotada e passou a proclamar a ausência do direito. Consoante revelado nos votos vencedores, a tese firmada alcança, inclusive, os casos de isenção, no tocante aos quais o crédito também se tornou indevido. Portanto, a mudança ocorreu somente cinco anos depois das últimas decisões do Supremo favoráveis aos contribuintes. Pois bem. Não resta dúvida de que a jurisprudência do STF firmouse no sentido de que os princípios da não cumulatividade e da seletividade não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Fl. 731DF CARF MF 10 [...] Nos termos do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, é de observância obrigatória dos Conselheiros as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça proferidas em sede de julgamento realizado nos termos dos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869/1973, ou dos artigos 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105/2015. Assim, deve ser aplicado por este Colegiado o entendimento do Supremo Tribunal Federal, proferido em sede de repercussão geral, quanto à impossibilidade de a Contribuinte creditarse de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. No âmbito do CARF, a vedação ao aproveitamento de créditos de IPI na aquisição de bens sujeitos à alíquota zero foi consolidada na Súmula CARF nº 18, também de efeitos vinculantes para o Colegiado: Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Diante do exposto, conforme art. 62 do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, há de ser negado provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 732DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.910871/2009-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/08/2001
COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO.
Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-004.870
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Recorrente CALÇADOS Q SONHO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/08/2001 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 08 71 /2 00 9- 41 Fl. 174DF CARF MF Processo nº 11065.910871/200941 Acórdão n.º 9303004.870 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3803002.165, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/08/2001 PRECLUSÃO É ilícito inovar na postulação recursal para incluir questões diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da reclamação junto à instância a quo. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/08/2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. A matéria de fundo trazida nos autos referese ao não reconhecimento de compensação de créditos de Cofins tendo em vista a utilização integral do crédito indicado na Declaração de Compensação (Dcomp) em amortização de outros débitos, devidamente declarado pelo contribuinte em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo alegou (a) erro nos valores informados nas declarações fiscais, tendo procedido, em 2005, a revisão dos créditos tributários dos anos anteriores; (b) que apresentou DCTF retificadora corrigindo o erro, na qual consta o valor correto da contribuição apurada no período em questão; (c) que o não reconhecimento do direito creditório foi acarretado pelo sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil, no qual qualquer defeito de informação gera automaticamente um despacho decisório de denegação de crédito. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo alegou que seus créditos eram provenientes de revisão de seus débitos tributários, especialmente pela exclusão das receitas financeiras anteriormente tributadas, retificando posteriormente a DCTF. Apresentou novos documentos para comprovar o alegado. Alegou a possibilidade de retificação da DCTF, invocando o princípio da verdade material, pugnando por seu direito ao crédito pretendido. O e. Colegiado a quo negou provimento ao recurso voluntário, inadmitindo a apreciação das provas trazidas após a manifestação de inconformidade, por não atender aos requisitos do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. A referida decisão sofreu embargos de declaração no qual o contribuinte questiona a necessidade de o Colegiado considerar as provas trazidas com o recurso voluntário. Contudo, os embargos não foram acolhidos, de sorte que a decisão embargada não sofreu qualquer alteração. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 11065.910871/200941 Acórdão n.º 9303004.870 CSRFT3 Fl. 4 3 O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência alegando dissídio jurisprudencial acerca da possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão). O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.838, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 11065.108212/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, no mérito, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto à preclusão do direito de apresentar provas. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.838): Da Admissibilidade "O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência suscitada pela recorrente diz respeito à possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão), apresentando acórdãos paradigmas para comprovar o alegado dissídio jurisprudencial. Os acórdãos recorrido e paradigmas tratam da possibilidade de juntada de prova material com o recurso voluntário. A decisão recorrida não admitiu as provas trazidas pela recorrente, por não atender aos requisitos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No entanto, as decisões paradigmas admitem as provas mesmo não atendendo aos requisitos do citado dispositivo legal. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 11065.910871/200941 Acórdão n.º 9303004.870 CSRFT3 Fl. 5 4 Ainda que o acórdão recorrido tenha se referido a questões de inovação nos argumentos de defesa, constatase que a turma julgadora expressamente apreciou a possibilidade da recorrente em produzir prova documental posteriormente à Manifestação de Inconformidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso." Do Mérito "Honroume o Presidente com a atribuição de apresentar as razões do colegiado para não concordar com o seu bem fundamentado voto. E, em verdade, para mim e os demais conselheiros fazendários, elas se resumem a uma só. É que partilhamos integralmente o entendimento do dr. Rodrigo quanto à impossibilidade de se banalizar o princípio da verdade material a ponto de permitir que o sujeito passivo simplesmente escolha o momento que mais lhe aprouver par a apresentação das provas de seu direito. Quanto a isso, ao menos entre os fazendários, não há divergência. Ocorre que a nós nos pareceu ser este mais um daqueles casos em que não ocorreu uma mera procrastinação desmotivada de apresentação de documentos. Com efeito, e assim está relatado pelo dr. Rodrigo, o recorrente tentou, desde sua manifestação de inconformidade, fazer a prova do indébito alegado em Dcomp. E isso porque o indébito não nasce da mera divergência entre o que foi declarado e o que foi recolhido, mas entre este último e o valor devido segundo a legislação. Cabe, pois, ao postulante a restituição, já na manifestação de inconformidade, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Feito isso, acredito, não pode a Administração meramente indeferir a restituição porque a retificação tenha sido feita a destempo. Nessa linha, temos também reiterado que a prova inicial a ser produzida quando da manifestação de inconformidade não pode se resumir a meras alegações, ou, ainda pior, tãosomente à retificação da DCTF, mesmo tendo sido esta a única razão constante do despacho decisório, e nem mesmo à simples apresentação de planilhas de elaboração do próprio interessado desacompanhadas de assentamentos contábeis que as confirmem. No presente caso, entretanto, e assim nos diz o próprio relator, "... Acompanhando sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou assentamentos contábeis referentes à compensação," os quais, no entanto, não foram considerados suficientes pela autoridade julgadora de primeiro grau. Denegado, ainda assim, o direito, complementouas, por ocasião do recurso voluntário, a partir do que fora dito na decisão de piso. Nesses termos, os documentos posteriormente juntados não são meramente aqueles que, sabidamente, o postulante já deveria ter apresentado em sua manifestação de inconformidade e que, por desídia ou máfé, deixou de juntar no momento próprio. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 11065.910871/200941 Acórdão n.º 9303004.870 CSRFT3 Fl. 6 5 Com tais considerações, entendeu o colegiado não se tratar da mera apresentação extemporânea e desmotivada de documentos que já deveriam ter sido apresentados no prazo da primeira defesa administrativa e deu provimento ao recurso do sujeito passivo para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.005383/2003-44
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 DESPESAS FINANCEIRAS. DESNECESSIDADE.
São desnecessárias ao desenvolvimento das atividades do sujeito passivo e, portanto, indedutíveis na determinação do lucro real, as despesas financeiras relativas a empréstimos por ele tomados e, após, repassados a terceiros.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 DESPESAS FINANCEIRAS. DESNECESSIDADE.
Não há na legislação da contribuição social norma que vede a dedução de despesas desnecessárias na determinação de sua base de cálculo
Numero da decisão: 1201-001.011
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para afastar integralmente a exigência da CSLL e para afastar, em parte, a exigência do IRPJ, devendo a sua base de cálculo ser determinada segundo a proposta contida no item 5 do voto condutor, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Marcelo Cuba Neto
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ementa_s : : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 DESPESAS FINANCEIRAS. DESNECESSIDADE. São desnecessárias ao desenvolvimento das atividades do sujeito passivo e, portanto, indedutíveis na determinação do lucro real, as despesas financeiras relativas a empréstimos por ele tomados e, após, repassados a terceiros. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 DESPESAS FINANCEIRAS. DESNECESSIDADE. Não há na legislação da contribuição social norma que vede a dedução de despesas desnecessárias na determinação de sua base de cálculo
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Numero do processo: 10280.722115/2009-50
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
VTN-VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPT-SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA.
Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel.
Numero da decisão: 9202-005.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ARBITRAMENTO. SIPTSISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 21 15 /2 00 9- 50 Fl. 146DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo, de exigência do ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2005, tendo em vista glosas de áreas ambientais e arbitramento do VTN Valor da Terra Nua. Em sessão plenária de 20/06/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão 2801003.089 (fls. 106 a 117), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 LANÇAMENTO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não prospera a alegação de nulidade do lançamento por inexistência de fato gerador, quando faltar a comprovação do suscitado cancelamento da matrícula do imóvel objeto da tributação em questão. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL APRESENTADO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVA A DEDUÇÃO SE ACOMPANHADO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR. Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal, bem como da existência das áreas com documentação complementar. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim registrada: Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10280.722115/200950 Acórdão n.º 9202005.430 CSRFT2 Fl. 147 3 "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer o VTN declarado. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar." O processo foi encaminhado à PGFN em 20/08/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 105) e, em 04/09/2013 foi interposto o Recurso Especial de fls. 119 a 129 (Despacho de Encaminhamento de fls. 130). O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a validade do arbitramento do VTNValor da Terra Nua tendo por base o SIPTSistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Como paradigmas foram indicados os Acórdãos nºs 210201.664 e 210200.609. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho s/n de 07/03/2014 (fls. 132 a 135). Cientificada por meio de Edital, a Contribuinte quedouse silente (fls. 141 a 144). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Tratase de ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2005 e a matéria em litígio diz respeito à validade do arbitramento do VTN Valor da Terra Nua tendo por base o SIPT Sistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Esclareçase, por oportuno, que foram indicados como paradigmas os Acórdãos nºs 210201.664 e 210200.609, sendo que este último já foi examinado por este Colegiado e não foi considerado apto a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial. Entretanto, no despacho de admissibilidade foi também examinado o primeiro paradigma, considerado apto a demonstrar o dissídio interpretativo, sem qualquer óbice por parte desta Conselheira ou do Contribuinte, de sorte que passase a examinar o mérito do apelo. No caso do acórdão recorrido, foi promovido o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua com base no SIPT Sistema Integrado de Preços de Terras, sem que fosse anexada ao processo a respectiva tela extraída do sistema. A informação acerca do critério utilizado foi fornecida apenas em sede de decisão de Primeira Instância, que assim registrou: "Com efeito, não há dúvidas de que o VTN declarado de R$1,54 por hectare encontrase, de fato, subavaliado, até prova documental hábil em contrário, por ser muito inferior ao VTN médio, por hectare, de R$105,48/ha, apurado no universo das Fl. 148DF CARF MF 4 DITR/2005 referentes aos imóveis rurais localizados no município de IgarapéMiri/PA. Esse valor médio por hectare corresponde ao valor médio apurado no universo das DITR/2005 referentes aos imóveis rurais localizados no município de IgarapéMiri/PA, correspondendo, portanto, à média dos valores (VTN) informados pelos próprios contribuintes nas suas DITR/2005." Assim, constatase que o arbitramento do VTN foi levado a cabo com base no valor médio das DITR do município de localização do imóvel, sem levarse em conta a aptidão agrícola, razão pela qual foi dado provimento ao Recurso Voluntário, nesta parte, restabelecendose o VTN declarado pela Contribuinte. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que o arbitramento seja restabelecido. No que tange ao arbitramento do VTN, assim dispõe o art. 14, § 1º, da Lei nº 9.396, de 1996: "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios." (grifei) E o art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, ao tempo da edição da Lei nº 9.393, de 1996, tinha a seguinte redação: "Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacitação potencial da terra; c) dimensão do imóvel." (grifei) Com as alterações da Medida Provisória nº 2.18.356, de 2001, a redação do art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, passou a ser a seguinte: Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10280.722115/200950 Acórdão n.º 9202005.430 CSRFT2 Fl. 148 5 "Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias." Destarte, verificase que, no caso em tela, uma vez que foi adotado o valor médio das DITR do município do imóvel, não foi atendida a determinação legal, no sentido de considerarse a aptidão agrícola, de sorte que o arbitramento não pode ser mantido. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, seguindo a jurisprudência do CARF, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.002104/2005-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Exercício: 2013
FINSOCIAL. DIREITO CREDITÓRIO. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. ÍNDICES.
Os índices a serem aplicados no cálculo do direito creditório do contribuinte devem respeitar decisão judicial transitada em julgado.
Numero da decisão: 3201-002.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento integral ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA E TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento integral ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA E TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1308; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 804 1 803 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.002104/200526 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.637 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria Finsocial Recorrente BANCO DA AMAZONIA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 2013 FINSOCIAL. DIREITO CREDITÓRIO. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. ÍNDICES. Os índices a serem aplicados no cálculo do direito creditório do contribuinte devem respeitar decisão judicial transitada em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento integral ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA E TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 21 04 /2 00 5- 26 Fl. 805DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário de fls 765 em face de decisão da DRJ/PA de fls 730 que decidiu pela improcedência parcial da manifestação de inconformidade de fls 720, restando o direito creditório de Finsocial reconhecido em parte. Como de costume desta Turma, transcrevese o relatório e ementa do Acórdão da Delegacia Regional de Julgamento de primeira instância: "Através do PER/DCOMP nº 12688.29686.310105.1.3.572091, posteriormente retificado pelo de nº 04489.02317.300307.1.7.572225, o contribuinte acima identificado requereu a compensação de débitos próprios com créditos oriundos de ação judicial referente a majoração de alíquota do Finsocial declarada inconstitucional. Informou como crédito total o valor de R$ 58.220.551,01. 2. Em seguida, foram transmitidas novas compensações através dos PER/DCOMP’s nº 05580.24299.280205,1.3.578978 (retificado pelo de nº 04142.15005.300307.1.7.579900), nº 16504.69072,310306.1.3.57 7369 (retificado pelo de nº 40341.66906.300307.1.7.579840) e nº 19163.28889.311006.1.3.579980 (retificado pelo de nº 20961.67427.300307.1.7.577961), os quais apontaram como crédito utilizado o saldo do primeiro PER/DCOMP. 3. Em sua análise a DRF/Belém, após requerer a apresentação dos documentos fiscais e contábeis necessários, reconheceu o valor pleiteado, homologando integralmente as compensações, nos termos apresentados pelo interessado, sendo o processo arquivado. 4. Ocorre que em 02.03.2009, o contribuinte transmitiu novo PER/DCOMP, de nº 02990.94522.020309.1.7.576187, através do qual efetua mais uma compensação com o mesmo crédito apontado anteriormente, cujo valor foi aumentado para R$ 68.761.366,05. 5. Diante disso o processo foi desarquivado para nova análise, a qual entendeu inexistir saldo credor para a compensação, considerando não homologada a mesma. 6. Cientificado em 14.02.2013, o interessado apresentou, tempestivamente, em 14.03.2013, manifestação de inconformidade, onde, em síntese, alega que o crédito inicial habilitado estava equivocado, uma vez que foram considerados apenas os índices de correção monetária da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 8, de 27.06.1997, não tendo sido levados em consideração “os expurgos inflacionários garantidos pelo processo judicial transitado em julgado”. 7. Assim, “considerando que o processo judicial garantiu o IPC até janeiro de 1991, INPC de fevereiro a dezembro de 1991, UFIR de janeiro de 1992 a dezembro de 1995, e SELIC a partir de janeiro de 1996 (decisão AC nº 1998.01.00.0441011/PA Resp), foram refeitos os cálculos do crédito de FINSOCIAL, indevidamente recolhido, levando em consideração além da NE SRF/COSIT/COSAR 08/1997, os índices garantidos pelo processo judicial”. 8. Informa ainda que o pleito adicional foi objeto de pedido de habilitação complementar, apensado ao pedido inicial. 9. Transcreve: decisão do TRF/1ª Região que inadmitiu Recurso Especial da Fazenda Nacional contra a correção monetária dos créditos; Fl. 806DF CARF MF Processo nº 10280.002104/200526 Acórdão n.º 3201002.637 S3C2T1 Fl. 805 3 Agravo de instrumento interposto ao STJ também negado; jurisprudência administrativa e judicial que vão ao encontro do seu entendimento. Ao final, requer a procedência do seu pleito. 10. Diante da indicação de que teria havido descumprimento da decisão judicial, no que diz respeito à atualização monetária do valor reconhecido, optouse por remeter o processo para apreciação da Unidade, conforme Resolução de fls. 631/633. 11. Em resposta, a Unidade de origem refez os cálculos conforme Informação de fls. 635/636 e planilha de fls. 651/654, reconhecendo crédito adicional em 31.12.1995 no valor de R$ 3.630,117,75 que, atualizado até 01/2005, resultou em crédito de R$ 10.260.527,82. 12. Cientificada em 08.11.2013 (fl. 650), a interessada apresentou, tempestivamente, em 09.12.2013, manifestação acerca da diligência, na qual contesta o valor do crédito atualizado, reclamando da inexistência de detalhamento dos cálculos, o que impossibilita sua análise. 13. Ressalta que suas planilhas detalham minunciosamente os indexadores utilizados, de cuja aplicação resultou crédito de R$ 24.327.389,37 em 31.12.1995, contra os R$ 24.228.225,31 encontrados pela Unidade. 14. Indica que aparentemente o equívoco cometido pela Unidade estaria na adoção dos índices da Súmula 41 do TRF1ª apenas para as respectivas competências, sem aplicálos nas anteriores, que também sofreriam os efeitos dos expurgos. 15. Diante do erro apontado pela interessada e da falta da planilha de cálculo elaborada pela Unidade, a Turma entendeu ser necessária nova diligência (fls. 631/633) para a adoção das seguintes providências: “a) Anexar a planilha de cálculo da atualização feita, confirmando a elaboração dos cálculos nos termos da decisão judicial, e comparando os indexadores utilizados com aqueles aplicados pela interessada na tabela constante das fls. 667/668; b) Apurar, em sendo o caso, o correto montante a ser restituído de acordo com a decisão judicial, abatendo as compensações já efetuadas com o referido crédito; c) Restando crédito a ser aproveitado, efetuar a compensação objeto de PER/DCOMP nº 02990.94522.020309.1.7.576187;” 16. Em atendimento, a Unidade de origem elaborou as planilhas de fls. 691/697 e a Informação de fls. 698/702, onde ratifica o valor resultante da primeira diligência R$ 24.228.225,31. 17. Cientificada, a interessada apresentou, tempestivamente, em 09.09.2014, manifestação de inconformidade, na qual alega que a diligência efetuada nada produz em relação ao solicitado na Resolução, sem esclarecer os índices de correção aplicados. Assim, entende estar tolhido do direito à ampla defesa e ao contraditório em virtude dessa falta de detalhamento. Afirma: “Vejase que não foi colacionada aos autos qualquer planilha ou breve Fl. 807DF CARF MF 4 explicação de como foi encontrado o valor apontado em relação a cada mês divergente, não havendo qualquer elemento que indique todos os índices divergentes utilizados pelo agente administrativo responsável.” 18. Novamente ressalta que seus cálculos se encontram demonstrados na manifestação e requer a adição dos mesmos e a homologação das compensações. 19. Diante da aparente falta de ciência das planilhas de cálculo, optou se por remeter o processos em nova diligência para que fosse dada ciência das planilhas de fls. 691/697 e abertura de prazo para manifestação (despacho de fls. 717/718). 20. Cientificada, a interessada apresenta manifestação nas fls. 720/725, onde reafirma seus argumentos anteriores." A Ementa deste Acórdão da Delegacia Regional de Julgamento foi publicada da seguinte forma: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2013 RESTITUIÇÃO. ATUALIZAÇÃO. Inexistindo reparos e serem feitos nos cálculos de atualização do valor restituído, deve ser mantida a decisão da Unidade de origem. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte." Este processo digital foi distribuído e pautado conforme regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Verificase que em Manifestação de fls. 581 que o contribuinte contestou os cálculos e alegou que deveria ser aplicada a Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução 561 do Conselho de Justiça Federal. Após esta solicitação, verificase que a autoridade de origem delimitou diligência em fls. 631, a DRJ/PA após Manifestação de Inconformidade de fls. 666 baixou novamente o processo em diligência. Fl. 808DF CARF MF Processo nº 10280.002104/200526 Acórdão n.º 3201002.637 S3C2T1 Fl. 806 5 O Contribuinte se manifestou novamente em fls. 706 com a expressa discordância a respeito dos métodos de aplicação dos expurgos inflacionários, pois deveriam incidir também nas competências anteriores às respectivas competências que sofreram os expurgos. A DRJ/PA em fls. 717 determinou a juntada das planilhas dos cálculos realizados pela autoridade de origem, até então ausentes do processo e em seguida o contribuinte se manifestou em fls. 720, e verificou a continuidade do suposto erro na aplicação dos índices, principalmente no período de 1989 a 1991. O cálculo do direito creditório reconhecido deve respeitar a determinação judicial. Em fls. 20 e 32 dos autos encontramse cópias das decisões finais e válidas e transitadas em julgado do TRF 1.ª Região, que reconheceu o direito creditório do contribuinte, da seguinte forma: (...) Logo, foi determinada a aplicação do IPC até janeiro 1991 e INPC de fevereiro até dezembro de 1991 e tal determinação deve ser mantida, sob o risco de descumprimento de decisão judicial transitada em julgado. Com relação à solicitação de restituição do saldo remanescente, oportunidade em que o contribuinte manifestou sua discordância em fls 537 ao despacho da DRF de fls. 498 dos autos, assiste razão o contribuinte. Conforme Art. 170 do CTN e pedidos de fls 3 a 33 e 149 a 172, é inegável tratarse o litígio tanto da compensação quanto da restituição. Com todo respeito aos argumentos e a decisão recorrida, o presente processo, comporta sim a análise do direito creditório com a apuração de débitos e créditos e correspondente direito a restituição e compensação pelas instâncias administrativas, nos termos do Decreto 70.235/72. Fl. 809DF CARF MF 6 O contribuinte que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, observandose o disposto na Lei 9.430/96 e na IN RFB 1.300/2012. Diante do exposto, votase para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 810DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.909437/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. DCOMP. CRÉDITO DECORRENTE DE SALDO DE DCOMP INICIAL QUE NÃO FOI HOMOLOGADA.
Se a DCOMP indica como crédito o saldo restante de uma DCOMP INICIAL anterior, a não homologação da DCOMP INICIAL implica na ausência de crédito para aquela e todas as compensações dela decorrentes.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Renato Vieira de Avila, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. DCOMP. CRÉDITO DECORRENTE DE SALDO DE DCOMP INICIAL QUE NÃO FOI HOMOLOGADA. Se a DCOMP indica como crédito o saldo restante de uma DCOMP INICIAL anterior, a não homologação da DCOMP INICIAL implica na ausência de crédito para aquela e todas as compensações dela decorrentes. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Renato Vieira de Avila, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1600; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 308 1 307 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.909437/200801 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.121 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2017 Matéria COFINS DCOMP ELETRÔNICA Recorrente INDAIA BRASIL AGUAS MINERAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. DCOMP. CRÉDITO DECORRENTE DE SALDO DE DCOMP INICIAL QUE NÃO FOI HOMOLOGADA. Se a DCOMP indica como crédito o saldo restante de uma DCOMP INICIAL anterior, a não homologação da DCOMP INICIAL implica na ausência de crédito para aquela e todas as compensações dela decorrentes. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Renato Vieira de Avila, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 94 37 /2 00 8- 01 Fl. 308DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação que indica como crédito o recolhimento em valor maior que o devido de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) em relação ao fato gerador de maio de 2004, e como débito valores deste mesmo tributo em relação ao fato gerador de julho de 2004 (DCOMP 21551.47418.050607.1.7.041206 (fls. 2/5, do eprocesso). A Delegacia da Receita Federal de Fortaleza/CE, não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação sob o argumento de que o valor do crédito já foi integralmente utilizado para a quitação de outros débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP (fls. 47/52). Em 18/12/2008, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 6/15) alegando o seguinte: (i) diante da existência de crédito a ser favor, a empresa pugnou, consoante PER/DCOMP n°. 00767.001749.150704.1.3.045095, pela compensaçãõo do seu crédito, correspondente ao valor de R$ 141.913,90 do saldo original acrescido do valor R$ 1.419,14 referente à correçãõo da Taxa Selic, com o débito de COFINS do período de apuração de junho de 2004, no montante de R$ 143.333,04; (ii) contudo, constatando que o débito de COFINS do período de junho do ano de 2004 a ser compensado era, tão somente, de R$ 109.041,53, a Recorrente retificou, em 20/07/04, através do PER/DCOMP n°. 39536.53331.200704.1.7.040020, a compensação outrora informada; (iii) na PER/DCOMP retificadora a Recorrente utilizou o valor de R$ 107.961,91 (cento e sete mil novecentos e sessenta e um reais e noventa e um centavos), do saldo originário, acrescido de R$ 1.079,62, referente a correção da Taxa Selic, conforme consta na planilha em anexo; (iv) dessa forma, e ante a compensaçãõo de parte do crédito de COFINS apurado no mês de maio de 2004, haja vista utilizaçãõo de R$ 109.041,53 dos R$ 143.333,04 do qual tinha direito, o contribuinte ficou com um saldo de R$ 35.371,13, conforme consta na Declaração de Débitos e Créditos Tributários DCTF e na planilha de atualização de valores, em anexo, e (v) o saldo remanescente no montante de R$ 35.371,13, por seu turno, fora utilizado para quitar débito de COFINS do mês de julho de 2004, consoante DCOMP n°. 21551.47418.050607.1.7.041206. Portanto, a empresa utilizou o crédito existente em seu favor de R$ 143.333,04 (valor originário) e efetuou a compensação com débitos de COFINS de períodos posteriores no valor de R$ 109.041,53 (DCOMP n°. 39536.53331.200704.1.7.040020) e R$ 35.371,13 (DCOMP n°. 21551.47418.050607.1.7.041206). A Recorrente apresentou, junto com a impugnação, cópia das DCTFs, dos DACONs e das demais DCOMPs envolvidas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE (DRJ), por meio do Acórdão nº 0816.820, de 17 de dezembro de 2009 (fls. 55/60), considerou improcedente a manifestação de conformidade, de acordo com o entendimento assim resumido em sua ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10380.909437/200801 Acórdão n.º 3402004.121 S3C4T2 Fl. 309 3 processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:2004 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. É legitima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos que fundamentam a retificação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Quanto ao mérito, o voto do Relator do acórdão da DRJ detalha o seguinte em relação às datas de entrega e o conteúdo das declarações envolvidas: Consta dos autos, as fls. 36/40, que o requerente retificou a DCTF e o Dacon relativos ao 2.° trimestre de 2004, prestando, assim, as informações que entendia corretas. A DCTF foi retificada em 17.06.2008 (fl. 36); enquanto o Dacon, em 31.05.2005 (fl. 41). Com essas retificações, exsurgiria em prol do contribuinte o crédito de R$ 143.333,04 (352.498,70209.165,66). Dessa forma, o impugnante presume que o decisório tenha levado em conta os dados constantes das declarações retificadas. É oportuno observar que o crédito solicitado já foi objeto de análise e decisão em outro processo (10380.902540/200811),ao ensejo do PER/DCOMP n.° 39536.53331.200704.1.7.040020. A Recorrente apresentou o DACON retificador antes de cientificado, em 23.05.2008, da decisão denegatória desse pedido, que, cabe vincar, tem por objeto o mesmo pagamento a maior alegado no presente processo. Entretanto, entregou a DCTF retificadora depois desta data. Não se mostra relevante o fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada antes do decisório ora em exame, para dai concluir pela oportunidade da retificação, uma vez que a análise do crédito pleiteado está vinculada aquele processo. A esse respeito, a turma julgadora indeferiu a manifestação de inconformidade então apresentada, não lhe reconhecendo o pretenso crédito (Acórdão DRJ n.° 0816.633, sessão de 25.11.2009). Fl. 310DF CARF MF 4 Pretende comprovar a Recorrente, que o pagamento foi realizado em montante superior ao débito, assim considerado no valor informado em declaração hábil a constituir o crédito tributário. Essa declaração é a DCTF, por força do art. 5º do Decreto lei n.° 2.124/84, c/c o §1.° do art. 9º da Instrução Normativa SRF n.° 482, de 2004, que lhe atribuem a condição de instrumento de confissão de divida e constituição definitiva do crédito tributário. O mesmo não ocorre com o DACON, a servir de mecanismo apuratório e meramente informativo das contribuições, sem, portanto, força de confissão. Tanto assim que o §4º do art. 11 da Instrução Normativa RFB n.° 543, de 2005, dispõe que: "A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora". Diante disso, a DRJ entendeu que, por ser o despacho decisório o próprio lançamento por não homologação, a apresentação de declaração retificadora apresentada depois dele não teria o poder alterálo. A declaração retificadora teria de ser apresentada antes da decisão para que pudesse ser atribuída eficácia às informações nela contidas, pois a comprovação da disponibilidade de crédito dever ser aferida no momento da decisão exarada pela autoridade recorrida, pois, “(...) Se entregue depois do decisório, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos que fundamentam a retificação” (fl. 60). Intimada da decisão DRJ em 21/01/2010 (fl. 62), a Recorrente interpôs, em 22/02/2010, recurso voluntário (fls. 63/82), alegando, em resumo: (a) ofensa ao princípio da verdade material e do contraditório. Afirma ter tido o seu direito de defesa cerceado diante do comportamento formalista da autoridade julgadora de indeferir o pedido de juntada de documentos que visavam demonstrar a existência de seu crédito; (b) entende que a produção de prova pericial também seria perfeitamente cabível, visto que os fatos alegados podem ser comprovados no livros e documentos contábeis da empresa, e (c) além disso, reitera os argumentos da manifestação de inconformidade para demonstrar a existência do crédito. Ao final pede a homologação da compensação requestada e protesta por produção de provas. Os autos, então, foram movimentados para este CARF, para apreciação do recurso voluntário. Em julho de 2011, o Colegiado da 3ª Turma/4ª Câmara/ 3ª Sejul deste Conselho, por meio da Resolução nº 3403000.235, de 8 de julho de 2011 (fls. 112/116), concluiu por “(...) converter o julgamento em diligência para que a Delegacia de origem apenas devolva estes autos com a informação do julgamento final do direito de crédito pleiteado na DCOMP n°. 00767.01749.150704.1.3.045095, retificada DCOMP n° 39536.53331.200704.1.7.040020, que segundo o despacho de fl. 46, teriam sido analisadas nos autos do Processo Administrativo nº 10380.902540/200811”. Em março de 2012, os autos foram devolvidos a este Conselho, com a seguinte informação da DRF de origem (fl. 119): "(...) Sucede que o referido processo nº 10380.902540/200811, de inarredável importância para o deslinde da presente demanda, encontrase sob diligência Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10380.909437/200801 Acórdão n.º 3402004.121 S3C4T2 Fl. 310 5 fiscal nesta DRF/FOR, determinada por esse CARF, sem previsão para o julgamento final, o que impede que este Seort atenda o pedido da diligência ora referido. Assim sendo, recomendamos que essa colenda Turma de Julgamento acompanhe o trâmite do processo digitalizado nº 10380.902540/200811, porquanto haverá viabilidade técnica permitindo o amplo acesso ao Decisório final, a ser proferido por esse CARF, tão logo seja concluída a diligência fiscal que fora determinada". Desta forma o processo retornou a este CARF, e a Turma reiterou a determinação da diligência, por meio da Resolução nº 3403000.438, de 21 de março de 2013 (fls.147/152), reiterando a determinação de remessa dos autos, da seguinte forma: (...) Voto, pois, no sentido de que o julgamento do presente caso seja convertido em diligência, remetendose os autos para a Delegacia de origem para que, depois de finalizada a diligência do Processo nº 10380.902540/200811, junte aos presentes autos os documentos e o resultado daquela diligência e lavre relatório conclusivo a respeito das repercussões daquela diligência em relação ao presente caso. O contribuinte deve ser intimado da diligência lavrada para o presente caso, para que se manifeste em 15 (quinze) dias. Transcorrido o prazo, devem os autos ser devolvidos a este Conselho para julgamento". Em novembro de 2013, o processo retornou a este CARF, e a Turma novamente reiterou a determinação da diligência, por meio da Resolução nº 3403000.609, de 28 de janeiro de 2015 (fls.163/169), reiterando a determinação de remessa dos autos, nos seguintes termos: "(...) Mas, principalmente: as Resoluções do presente Processo Administrativo não pedem que sejam levantados documentos junto ao contribuinte, mas apenas que se aguarde o julgamento final do referido PA 10380.902540/200811 e sejam, então, trazidos ao presente processo as cópias de tudo quanto foi apurado e decidido no PA 10380.902540/200811. Entendo, pois, que deve ser reiterado o pedido da mesma diligência, rogandose à d. Autoridade preparadora que junte ao presente processo cópia da íntegra do PA 10380.902540/200811 e informe se ainda pende de recurso do contribuinte ou já transcorreu o prazo para recurso, confirmando que se tornou definitiva a decisão proferida naqueles autos. Apenas então, os autos deverão serem devolvidos a este Conselho para julgamento". Em 28/07/2016, a DRF/Fortaleza/CE, por fim, informa em seu Despacho de fl. 305, que, atendendo à Resolução do CARF, após julgamento final, junta cópia integral do PAF nº 10380902540/200811 a este processo (fls. 171/304). Desta forma, após serem cumpridos todos os dispositivos das Resoluções emanadas, o processo retornou a este CARF e foi sorteado para este Conselheiro para prosseguimento do julgamento. Voto Fl. 312DF CARF MF 6 Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. 1. Da admissibilidade do recurso Tratase de autos que retornam a este Conselho depois de determinada a conversão do julgamento em diligência. Como já analisado na Resolução, o recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomase conhecimento. 2. Preliminar nulidades Alega a Recorrente ofensa ao princípio da verdade material e do contraditório. Afirma ter tido o seu direito de defesa cerceado diante do comportamento formalista da autoridade julgadora de indeferir o pedido de juntada de documentos que visavam demonstrar a existência de seu crédito. Entende que a produção de prova pericial também seria perfeitamente cabível, visto que os fatos alegados podem ser comprovados no livros e documentos contábeis da empresa. A recorrente se limita a alegar que por força do princípio da verdade material e da ampla defesa teria direito à realização de perícia neste processo administrativo. Ocorre que a perícia não foi concebida como meio ordinário de prova, não se podendo cogitar de sua utilização para suprir a inércia do próprio contribuinte na demonstração do seu direito. Se na atividade de lançamento é dever da Administração Tributária a fiscalização para a verificação da ocorrência concreta do fato gerador, no caso dos pedidos de restituição e compensação a perspectiva se inverte, sendo dever do contribuinte demonstrar o seu direito de crédito. Com efeito, tendo o contribuinte alegado a existência de um indébito, é dever do contribuinte produzir a prova de seu direito. É completamente descabida a pretensão do contribuinte de esquivarse do dever de demonstrar o seu direito pelo mero protesto de realização de perícia. Enfim: a rejeição do pedido de perícia não viola nem o princípio da verdade material, nem o princípio da ampla defesa. Tal rejeição também não viola o art. 170 do CTN ou o art. 74 da Lei 9.430/96, pois tais dispositivos em nenhum momento deixam o contribuinte a salvo do dever de demonstrar o direito de crédito que alega. Quanto à alegação de violação ao princípio da ampla defesa pela recusa da DRJ de admitir a possibilidade de juntada de documentos, é de rigor perceber que não houve concretamente qualquer violação ao seu direito de defesa, na medida em que não se verificou nem o desentranhamento nem se deixou de apreciar e considerar qualquer dos documentos por apresentados pela Recorrente. A propósito da alegação de violação ao princípio da verdade material, cumpre esclarecer que, como relatado à fl. 161, a fiscalização intimou a Recorrente a apresentar a documentação necessária à realização da diligência determinada na Resolução, sendo que, nenhum documento ou manifestação foi apresentado, o que revela o desinteresse no deslinde da questão (fls. 155/158). A postura adotada pelo interessado chama atenção pela contradição, porquanto, em sede impugnatória, sustentou firmemente a violação ao princípio da verdade material e, por conseqüência, o cerceamento de sua defesa, no entanto, quando instado a Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10380.909437/200801 Acórdão n.º 3402004.121 S3C4T2 Fl. 311 7 apresentar a documentação que respaldaria o direito vindicado, simplesmente quedouse silente. Neste caso a Recorrente não se desincumbiu de provar a existência do seu direito de crédito. Portanto, não procede as preliminares de nulidades alegadas. 3. Mérito À luz dos resultados, por assim dizer, das diligências determinadas (ao todo, foram três), dispensável maiores comentários acerca da situação do processo, remanescendo apenas matéria de ordem fática. O direito de compensação do contribuinte foi recusado por meio de decisão eletrônica. Segundo esta decisão eletrônica, o valor do DARF teria sido integralmente absorvido, de modo que não haveria crédito em favor do contribuinte. O valor do DARF teria sido absorvido de duas maneiras: parte em razão do valor confessado como débito na DCTF e outra parte em razão de um processo administrativo, no qual se processava uma outra compensação. A Recorrente demonstrou que o valor que pleiteia como crédito nestes autos decorre exatamente do saldo remanescentes em outra compensação (DCOMP). Explicou que naquela compensação anterior indicada como inicial desta foi primeiro apresentada a DCOMP n°. 00767.01749.150704.1.3.045095, por meio da qual utilizava a integralidade do crédito, mas que depois apresentou retificação por meio da DCOMP n° 39536.53331.200704.1.7.040020, passando a utilizar crédito menor, do qual sobrava exatamente o saldo utilizado neste caso (fl. 27). Conforme reconhece a própria decisão da DRJ às fl. 56, que “(...) Consta dos autos, as fls. 36/40, que o requerente retificou a DCTF e o Dacon relativos ao 2.° trimestre de 2004, prestando, assim, as informações que entendia corretas. A DCTF foi retificada em 17.06.2008 (fl. 36);enquanto o Dacon, em 31.05.2005 (fl. 41). Com essas retificações, exsurgiria em prol do contribuinte o crédito de R$ 143.333,04 (352.498,70209.165,66). Portanto, a notificação do Despacho Decisório apenas ocorreu em 18.11.2008 (fl. 45), ou seja, muito depois das retificações promovidas. A decisão, portanto, partiu da premissa de que a DCOMP nº 00767.01749.150704.1.3.045095, teria absorvido a integralidade do crédito nela apresentado, tal como se não existisse a retificação procedida por meio da DCOMP n° 39536.53331.200704.1.7.040020, da qual resultou o saldo de crédito utilizado na DCOMP que originou este processo. Ou seja, a sorte da presente compensação, portanto, depende de saber se foi ou não reconhecido o direito de crédito naquela DCOMP inicial e se remanesceu saldo de crédito em montante suficiente para utilização nesta compensação. Por este motivo, o julgamento foi convertido em diligência (Resolução) para que a Delegacia de origem (DRF/FortalezaCE), apense a estes autos a informação do julgamento final do direito de crédito pleiteado na DCOMP n°. 00767.01749.150704.1.3.04 5095, retificada pela DCOMP n° 39536.53331.200704.1.7.040020, que, conforme consta do quadro do Despacho Decisório de fl. 46, foram analisadas nos autos do PAF nº 10380.902540/200811. Fl. 314DF CARF MF 8 A DRF de origem, cumprindo a Resolução, após aguardar ocorrer a decisão final do PAF nº 10380.902540/200811 (todas as fases de recurso), anexou as cópias do Acórdão aos presentes autos (fls. 171/304). Posto isto, analisando o Acórdão nº 3401002.559, de 23/04/2014, prolatado no PAF nº 10380.902540/200811 (fls. 298/300), verificase que foi NEGADO provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: "(...) Oportunizada ao contribuinte a produção complementar da prova de seu alegado direito e não se desvencilhando de tal incumbência, outra alternativa não resta senão denegarlhe a pretensão, valendo aqui a inteligência do adágio jurídico consoante o qual alegar o direito e não provar é o mesmo que nada alegar (allegare sine probare et non allegare paria sunt). Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto". 4. Conclusão Posto isto, fundamentado nos motivos acima expostos, lastreado nos documentos comprobatórios anexados aos autos e tendo sido concluído o julgamento definitivo do processo nº 10380.902540/200811, conforme solicitado nas Resoluções nº 3403000.235, de 08/07/2011, 3403000.438, de 21/03/2013 e 3403000.609, de 28/01/2015, como pré requisito para o julgamento deste processo, devese proceder a conclusão da lide, NEGANDO SE PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente. É como voto. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 315DF CARF MF
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