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Numero do processo: 10865.720131/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Descabido o revolvimento de matéria sobre a qual o contribuinte não apresentou recurso no tempo, modo e processo administrativo próprio.
VENCIMENTO. ACRÉSCIMOS LEGAIS.
Existindo lapso entre a data do vencimento dos tributos e de sua extinção de rigor a incidência dos acréscimos legais.
Numero da decisão: 3401-007.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Fernanda Vieira Kotzias, João Paulo Mendes Neto e Mara Cristina Sifuentes (Presidente em Exercício). Ausente justificadamente, o Conselheiro Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: OSWALDO GONCALVES DE CASTRO NETO
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NÃO CONHECIMENTO. Descabido o revolvimento de matéria sobre a qual o contribuinte não apresentou recurso no tempo, modo e processo administrativo próprio. VENCIMENTO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Existindo lapso entre a data do vencimento dos tributos e de sua extinção de rigor a incidência dos acréscimos legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Fernanda Vieira Kotzias, João Paulo Mendes Neto e Mara Cristina Sifuentes (Presidente em Exercício). Ausente justificadamente, o Conselheiro Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 01 31 /2 01 0- 71 Fl. 111DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-007.206 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.720131/2010-71 Relatório 1.1. Trata-se de pedido de compensação de IPI relativo ao primeiro trimestre de 2005. 1.2. A DRF de Limeira por despacho eletrônico homologou parcialmente a compensação exigindo – por insuficiência de crédito – o valor de R$ 1.304,25. 1.3. Irresignada, a Recorrente apresenta Manifestação de Inconformidade em que argumenta: 1.3.1. Suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do artigo 151, inciso III do CTN; 1.3.2. Antes do vencimento dos tributos (30 de janeiro de 2008 - PAF 10865.000215/2008-70) apresentou pedido de compensação em papel que foi posteriormente indeferido por erro de forma, sendo assim, a data da compensação é a data do primeiro pedido, momento em que os débitos ainda não se encontravam vencidos. 1.4. A DRJ de Ribeirão Preto reconheceu a suspensão da exigibilidade do saldo em favor do fisco porém o manteve, porquanto a primeira compensação pleiteada pela Recorrente foi considerada não declarada e no momento do protocolo da segunda (compensação) os débitos tributários já estavam vencidos, o que atrai a incidência de juros e multa de mora. 1.5. Intimada, a Recorrente busca guarida neste Conselho reiterando (com outros termos) as teses descritas em sua Manifestação de Inconformidade. Voto Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Relator. 2. Narra a Recorrente que apresentou declaração de compensação em papel ao Órgão de Fiscalização em 30 de janeiro de 2008. Contudo, por impropriedade de forma (apresentação em papel ao invés do meio eletrônico), o pedido foi considerado não declarado, fato que levou a Recorrente a apresentar novas declarações, em 18 de novembro de 2008 – momento em que os débitos tributários encontravam-se vencidos. Assim, a Recorrente requer seja observada a data do primeiro pedido para auferir a compensação. 2.1. Este Conselho em precedente da Sessão de novembro de 2019, afastou a glosa de crédito de declaração de compensação em papel, por entender que o descumprimento da formalidade não culmina com o reconhecimento da não declaração do crédito, ex vi artigo 74 § 2° da Lei 9.430. Fl. 112DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-007.206 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.720131/2010-71 2.2. Contundo, no caso em liça, a Recorrente apresentou nova declaração de compensação posterior ao primeiro indeferimento. Mais do que o antedito, a Recorrente não apresentou manifestação de inconformidade no processo administrativo decorrente da DCOMP protocolada em janeiro de 2008. Em assim sendo, houve preclusão administrativa do primeiro pedido e aceite expresso do quanto decidido no PAF 10865.000215/2008-70, falecendo competência material a este Conselho e também competência formal desta Turma para debater a lide então posta. 2.3. Consequentemente, os ACRÉSCIMOS LEGAIS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO são devidos. Isto porque os débitos tributários a compensar tiveram seus vencimentos em 31 de janeiro de 2008 e 20 de fevereiro de 2008. De outro lado, a declaração de compensação foi apresentada em 18 de novembro de 2008. Destarte, ante o lapso entre o vencimento dos créditos tributários e a apresentação da Declaração de Compensação devidos os acréscimos legais: Lei 9.430/96 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 3. Ante o exposto, admito, porquanto tempestivo, e conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto Fl. 113DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-007.206 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.720131/2010-71 Fl. 114DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 15956.720318/2014-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2011
LANÇAMENTO. NULIDADE. DISCRIMINATIVO DE DÉBITOS
Não há nulidade do lançamento efetuado por agente competente e sem preterição do direito de defesa. Eventuais omissões em um Demonstrativo específico não resultam em nulidade do lançamento se a informação consta de outro instrumento que compõe o auto de infração, sobretudo se matéria tributável foi plenamente entendida pelo contribuinte.
MULTA QUALIFICADA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA DE ADMINISTRADOR.
Não ficando claramente evidenciada a ocorrência de dolo ou atuação contrária à lei ou com excesso de poder, deve ser excluída a qualificação da multa de ofício, bem assim da sujeição passiva solidária atribuída ao Presidente da autuada.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS
Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Numero da decisão: 2201-005.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a qualificação da penalidade de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75% e para excluir a sujeição passiva solidária imputada ao Sr. Benjamin Ribeiro Quadros.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano Dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2011 LANÇAMENTO. NULIDADE. DISCRIMINATIVO DE DÉBITOS Não há nulidade do lançamento efetuado por agente competente e sem preterição do direito de defesa. Eventuais omissões em um Demonstrativo específico não resultam em nulidade do lançamento se a informação consta de outro instrumento que compõe o auto de infração, sobretudo se matéria tributável foi plenamente entendida pelo contribuinte. MULTA QUALIFICADA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA DE ADMINISTRADOR. Não ficando claramente evidenciada a ocorrência de dolo ou atuação contrária à lei ou com excesso de poder, deve ser excluída a qualificação da multa de ofício, bem assim da sujeição passiva solidária atribuída ao Presidente da autuada. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
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NULIDADE. DISCRIMINATIVO DE DÉBITOS Não há nulidade do lançamento efetuado por agente competente e sem preterição do direito de defesa. Eventuais omissões em um Demonstrativo específico não resultam em nulidade do lançamento se a informação consta de outro instrumento que compõe o auto de infração, sobretudo se matéria tributável foi plenamente entendida pelo contribuinte. MULTA QUALIFICADA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA DE ADMINISTRADOR. Não ficando claramente evidenciada a ocorrência de dolo ou atuação contrária à lei ou com excesso de poder, deve ser excluída a qualificação da multa de ofício, bem assim da sujeição passiva solidária atribuída ao Presidente da autuada. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a qualificação da penalidade de ofício, reduzindoa ao percentual de 75% e para excluir a sujeição passiva solidária imputada ao Sr. Benjamin Ribeiro Quadros. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 03 18 /2 01 4- 01 Fl. 1203DF CARF MF 2 Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano Dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório O presente processo trata de Auto de Infração referente a contribuições sociais destinadas à Seguridade Social e, por sua precisão e clareza, valhome do relatório elaborado no curso do voto condutor relativo ao julgamento de 1ª Instância: Do lançamento O Auto de Infração Debcad nº 51.061.6550 referese ao lançamento da contribuição patronal de 20% (competências 01/2011 a 11/2011) e da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (competências 01/2011 a 12/2011), ambas incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. O relato fiscal de fls. 11 a 38 informa que a auditoria detectou indícios de irregularidades nas informações prestadas pelo sujeito passivo relativas à massa salarial das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs, quando comparadas com as remunerações aos segurados empregados, código 0561 (rendimentos do trabalho assalariado), constantes das Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF. Questionados, os responsáveis pela empresa declararam que a diferença de aproximadamente 169% a maior na DIRF em 2011 referiase à premiação a título de PLR – Participação nos Lucros e Resultados, e que, a partir da implantação do novo regime de tributação previdenciária, com a contribuição incidente sobre a receita bruta operacional, deixou de utilizar este sistema de remuneração. Com base nos elementos analisados, a fiscalização constatou que no exercício de 2011 a BRQ utilizou o esquema de fazer pagamentos mensais aos empregados, contabilizados sob a forma de empréstimos, e semestralmente lançava tais valores na DIRF, assim como nos resumos das folhas de pagamento de salários de março/2011 e setembro/2011, a título de Participação nos Resultados, com o intuito de dissimular o cumprimento do § 2º do artigo 3º da Lei nº 10.101/2000: Art. 3º. A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2º. É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A diferença desproporcional entre o salário nominal destacado nas GFIPs em comparação com os rendimentos informados na DIRF levou a auditoria fiscal a concluir que os valores efetivamente pagos aos segurados substituem e complementam a remuneração devida a Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 2201005.068 S2C2T1 Fl. 1.204 3 qualquer empregado, fato que infringe o artigo 3º da Lei nº 10.101/2000. O Anexo 06 ao Relatório Fiscal (fls. 211 a 335) contém 6.114 registros e consiste em uma planilha comparativa, por beneficiário, entre a DIRF dos meses de 04/2011 e 10/2011 e as GFIPs das competências 03/2011 e 09/2011. Dos registros do Anexo 06, 1.519 se referiam a segurados com rendimentos no código 0561 da DIRF que não constavam nas GFIPs transmitidas pela BRQ. Por amostragem, a fiscalização identificou tratarse em muitos casos de exempregados da BRQ que, mesmo sem qualquer vínculo empregatício ativo, recebiam remunerações retributivas da prestação de serviços, conforme informado na DIRF/2011. Estes trabalhadores estão relacionados na planilha de fls. 336 a 363 (Anexo 7), de onde devem ser excluídos os estagiários cuja remuneração está contabilizada na conta contábil 0000.4.1.1.010. O Anexo 02 ao Relatório Fiscal (fls. 42 a 172) contém 12.240 lançamentos contábeis referentes a empréstimos mensais feitos individual e nominalmente aos segurados empregados da empresa, obtidos do cotejo entre as contas contábeis código 00001.1.3122, denominada Mútuo a Funcionários – Folha, e sua contrapartida no passivo, conta contábil 00002.1.22099 – Conta Transitória. Com relação aos Acordos Coletivos de Participação nos Resultados, a fiscalização verificou que, apesar de estarem assinados por uma comissão de empregados, a BRQ não apresentou quaisquer documentos que comprovassem que estes tivessem sido eleitos ou escolhidos para esta representação. Observou ainda: no acordo firmado com o SINDPDSP, que em nenhuma parte do texto do acordo existia a possibilidade de fracionar o pagamento da PLR; que o Sindicato evidenciou interesse financeiro ao impor a cobrança de taxa negocial de todos os participantes do quadro de lotação da BRQ, deixando de lado sua principal função, que é a proteção do trabalhador; que havia previsão para pagamento em duas parcelas, em 02/2011 e 08/2011, mas os pagamentos foram lançados nas folhas de pagamento de 03/2011 e 09/2011; que uma das representantes, Sra. Núbia Paula Galvão, tinha apenas um dia de serviço quando assinou o acordo coletivo; no acordo firmado com o SINDPDRJ, que havia previsão para pagamento em duas parcelas, em 03/2011 e 09/2011, requisito que foi cumprido formalmente, mas que em nenhuma parte do texto do acordo existia a possibilidade de fracionar o pagamento da PLR; que dois dos representantes foram admitidos em 01/06/2010, ou seja, 30 dias antes da vigência proposta na cláusula contratual, e que como o acordo coletivo não tem data de assinatura, não há como afirmar se estes empregados tinham realmente o poder de representação de todo o grupo; no acordo firmado com o SINDPDPR, que havia previsão para pagamento em duas parcelas, em 03/2011 e 09/2011, requisito que foi cumprido formalmente, mas que em nenhuma parte do texto do acordo existia a possibilidade de fracionar o pagamento da PLR; que um dos representantes foi admitido somente em 13/10/2010, ou seja, 105 dias após a data do acordo coletivo. A fiscalização concluiu que as partes não observaram os interesses de sua própria coletividade, não obedeceram aos critérios legais para Fl. 1205DF CARF MF 4 pagamento semestral do PLR, não deixaram clara a participação e concordância dos empregados envolvidos e deixaram registrado, no item 3.1, que as regras definidas foram resultado da livre negociação entre a empresa e o Sindicato, atuando em prejuízo da Previdência Social e dos próprios segurados empregados. Outro ponto destacado no Relatório Fiscal foi a análise de documentos oriundos da Justiça do Trabalho. A fiscalização relata que em uma sentença trabalhista a própria reclamada sustentou que o valor pago bimestralmente como adiantamento correspondia à participação nos resultados, fixado em acordo coletivo, segundo critérios de assiduidade e performance do empregado. No texto da sentença, a justiça trabalhista relata sobre a confirmação do não cumprimento do artigo 3º da Lei nº 10.101/2000 e sobre as conseqüências nocivas aos trabalhadores com a forma de retribuição adotada pela BRQ. A conclusão da fiscalização à vista dos fatos e documentos coletados é que a freqüência e o número exagerado de remunerações pagas a título de adiantamentos ou empréstimos, muito superior aos salários informados nas folhas de pagamento e GFIPs, indica que, na realidade, tratase de parcelamento mensal de salários disfarçado de mútuo e lançado somente nas folhas de pagamento de 03/2011 e 09/2011, sob a rubrica PLR. Estes valores não foram incluídos pela autuada na base de cálculo das contribuições devidas à previdência social. A utilização de procedimentos contábeis irregulares demonstra a intenção da empresa de ocultar fatos geradores de contribuições previdenciárias e simular como distribuição de lucros as remunerações feitas a segurados empregados, contratados para prestar serviços inerentes à sua atividadefim. Diante da constatação da conduta de sonegação, a multa de ofício foi majorada para 150%, nos termos do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. O administrador Benjamin Ribeiro Quadros, responsável pela gestão empresarial que implicou na conduta de sonegação, foi arrolado como sujeito passivo solidário em relação aos créditos apurados pela fiscalização, conforme descreve o Relatório Fiscal e o Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 471 e 472 dos autos. O montante do crédito, consolidado em 03/12/2014, corresponde a 36.358.523,57 (trinta e seis milhões, trezentos e cinqüenta e oito mil, quinhentos e vinte e três reais e cinqüenta e sete centavos). Da impugnação Cientificado da autuação por via postal em 09/12/2014, o sujeito passivo apresentou impugnação em 07/01/2015 (fls. 483 a 524), alegando, em síntese: 1) a nulidade absoluta da autuação por apresentar vício material insanável, em razão do equívoco no fato gerador e na base de cálculo eleitos pela fiscalização, sob pena de violação direta e frontal ao artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN e aos artigos 5º, LIV e LV e 37 da Constituição Federal. Diz que a fiscalização afirmou que os planos de PLR da empresa infringiram a lei de regência e se prestavam apenas para substituir parcela remuneratória devida aos empregados, inclusive com o adiantamento de valores (mensal ou bimestralmente) por meio de mútuos/empréstimos, mas que por esse raciocínio não haveria outra conclusão lógica senão a de desconsiderar integralmente todos os planos de PLR da empresa firmados com três entidades sindicais distintas, caracterizando todos os valores pagos a título de PLR aos empregados como parte do salário, o que não ocorreu. Citando o artigo 142 do CTN, sustenta que não poderia a autoridade Fl. 1206DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 2201005.068 S2C2T1 Fl. 1.205 5 administrativa criticar uma matéria (PLR) e eleger como fato gerador e base de cálculo outra matéria (mútuos/empréstimos), até porque nesse caso o contribuinte tem seu direito de defesa prejudicado, não sabendo se deve se defender de um ponto ou de outro. Questiona a motivação para ter a fiscalização considerado legítima uma parte do PLR, já que a base formada pelos mútuos era inferior ao valor pago a título de participação nos lucros, na ordem de R$ 74.000.000,00 para R$ 92.000.000,00. Entende que o valor dos empréstimos, feitos a cada dois meses aos empregados interessados, jamais poderia ter sido eleito como fato gerador ou base de cálculo de contribuições previdenciárias por não representar vantagem econômica definitiva dos empregados. Afirma que, como comprovam os contratos de mútuo, os empréstimos eram feitos na forma da lei, com incidência de juros, taxa administrativa e data de vencimento, quando eram integralmente quitados pelos empregados, não integrando o seu patrimônio. Como apenas o valor da Participação nos Lucros e Resultados era creditado aos empregados definitivamente, esse seria o único pagamento que poderia, em tese, ser objeto de discussão pelo AuditorFiscal; 2) contextualiza o mercado dos profissionais de tecnologia da informação (TI) com o objetivo de demonstrar a necessidade e legalidade dos mútuos feitos pela empresa em favor de boa parte de seus empregados. Afirma que no seu caso os profissionais de TI eram contratados nos termos estritos da legislação trabalhista (CLT), estabelecendose cargos e níveis de remuneração mensal de acordo com a senioridade e especialidade, além de outros benefícios in natura, tais como assistência médica, assistência odontológica, seguro de vida, valerefeição, valealimentação e previdência privada. Além desses benefícios, também negociava anualmente com a Comissão de Empregados e com Sindicatos de três diferentes estados da federação os programas de PLR que permitam o recebimento de valores decorrentes da performance da empresa e da performance individual dos empregados, com metas que variam desde as margens de lucro dos projetos até as competências e habilidades dos profissionais como elementos importantes na obtenção dos resultados da empresa como um todo. Frisa que nunca reduziu salários ou pagou benefícios em dinheiro para deixar de pagar contribuições sociais e FGTS, que nunca suprimiu bônus, gratificações habituais ou quaisquer outros benefícios, nem comissões ou outras verbas salariais para que fosse instituído o programa de PLR, agindo sempre em conformidade com a CLT e com a Lei nº 8.212/1991. Relata que a figura do mútuo/empréstimo somente foi utilizada pela empresa em razão de necessidade e pedido de muitos empregados, que precisavam de maior fluxo de caixa em razão de compromissos pessoais. Esses profissionais, que outrora prestavam serviços a diversas empresas sem exclusividade, estavam se adaptando ao regime CLT e a ter seu desempenho medido semestralmente, e por isso a empresa permitiu que aqueles que necessitassem de empréstimos pudessem ter acesso a uma linha de crédito bimestral. Destaca que não havia pagamentos mensais, pois os empréstimos eram concedidos apenas nos meses pares (fevereiro, abril, etc), sendo que apenas algumas exceções foram feitas nos meses ímpares, notadamente para empregados recém admitidos. Informa que recolhia os impostos devidos pelas receitas recebidas dos empregados (IOF), e que nem todos os empregados solicitavam o mútuo/empréstimo, conforme comprova a amostragem dos contracheques, em que consta o pagamento da PLR dos empregados e não consta qualquer desconto de mútuo; 3) a legalidade do seu programa de PLR, que observou a irredutibilidade da remuneração dos empregados, a elegibilidade de Fl. 1207DF CARF MF 6 todos os empregados, a formalização em documento escrito e único, a existência de regras objetivas e claras, a negociação e assinatura logo no início do período de apuração e antes de qualquer pagamento, a periodicidade semestral, a participação do Sindicato da categoria de cada base territorial e o arquivamento no Sindicato. As acusações fiscais de que os Sindicatos, em especial o de São Paulo, não protegeram os interesses dos empregados e visaram interesses financeiros, são indevidas, seja porque os acordos contam com metas bastante detalhadas e com fórmula matemática de aferição do valor da PLR, seja porque nenhum Sindicato recebeu nada por isso. Com o advento da legislação de desoneração da folha de pagamento, a empresa não se desfez do instrumento de incentivo à produtividade que é a PLR, tanto é que pagou a esse título em 2010 R$ 48.620.297,33, em 2011 R$ 91.022.106,46, em 2012 R$ 104.331.193,16 e em 2013 R$ 67.696.566,27. Os empréstimos de mútuo eram feitos mediante solicitação do empregado, não eram obrigatórios e não tinham seu valor vinculado direta ou indiretamente ao valor da PLR. A PLR dependia do atingimento de metas mensais mas de apuração semestral, nesta também avaliadas habilidades e competências individuais, não sendo possível antecipar valores relativos a resultados não sabidos e impossíveis de prever. A forma de comparação entre os valores informados em DIRF (que incluem a PLR) e os informados em GFIP (sem PLR) foi indevida, pois deixou de descontar o valor do próprio salário que está na DIRF e ignorou que o valor informado em DIRF corresponde a seis meses de apuração de PLR, enquanto que o valor da GFIP corresponde a apenas um mês de salário. Se fosse o caso, deveria ter sido comparada a PLR (semestral) com seis meses de salário dos empregados, mas esta questão não tem relevância jurídica, pois a Lei nº 10.101/2000 não impõe qualquer limitação aos valores da PLR, de modo que não existe vedação legal para o pagamento de participações relevantes aos empregados, bastando que decorra de regras claras e objetivas; 4) que na reclamatória trabalhista cuja sentença foi mencionada pela fiscalização não houve sequer a oitiva de testemunhas, tendo havido grave cerceamento do direito de defesa da empresa, o que foi objeto da medida cautelar juntada aos autos. Existem outras decisões judiciais, inclusive do Tribunal Regional do Trabalho, no sentido de reconhecer que os empregados recebiam seu salário corretamente, recebiam mútuos bimestralmente – se fosse de seu interesse – e recebiam valores variáveis, conforme metas atingidas, a título de PLR. Estas decisões destacam que a PLR paga pela empresa não tem natureza salarial, fato que, por si só, considerando a coisa julgada e a força das decisões judiciais, devem acarretar na nulidade das presentes autuações; 5) que com relação à nomeação dos membros da Comissão de Empregados que negociavam e assinavam os acordos de PLR, os planos foram implementados mediante acordo coletivo de trabalho, o que dispensaria a existência da Comissão; que ainda que houvesse a exigência de que o Plano tivesse sido negociado via Comissão, não há obrigação de eleição formal ou mesmo elaboração de ata de escolha da comissão, sendo certo que todos os subscritores dos acordos eram empregados e foram assistidos pelo Sindicato de cada localidade, não havendo qualquer irregularidade nesse sentido; que a Sra. Janaína de Paula Cavalheiro, após ser admitida, juntouse à Comissão e complementou as assinaturas do Plano, não havendo dispositivo legal que proíba esta situação; 6) que a postergação da data de pagamento da participação no estabelecimento de São Paulo, que havia sido pactuada para 02/2011 e 08/2011 mas ocorreu em março e setembro daquele ano, deuse em virtude das negociações havidas com os Sindicatos de outras Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 2201005.068 S2C2T1 Fl. 1.206 7 localidades, para que se mantivesse uma isonomia entre os pagamentos; 7) que os exempregados que tiveram o contrato de trabalho rescindido no curso do período de apuração da PLR tiveram que aguardar as datas previstas nos acordos para receber o pagamento, pois não havia nenhuma previsão de adiantamento de valores na ocasião da rescisão, até porque nesta data ainda não haviam sido apuradas todas as metas estabelecidas; 8) a nulidade da competência 12/2011, já que não consta do Discriminativo do Débito a base de cálculo e a alíquota do SAT, nem o multiplicador FAP, constando apenas e diretamente um valor final a pagar. Sustenta que ficou prejudicado em seu direito de defesa e que restou descumprido requisito essencial da autuação, que é a discriminação precisa da matéria tributável, fato gerador e base de cálculo, nos termos do artigo 142; 9) a ilegalidade da multa de 150%, fundamentada pela fiscalização na omissão de informações e fatos geradores, e que por isso teria incorrido no crime previsto no artigo 337A do Código Penal. Sustenta que não houve cometimento de qualquer ato ilícito pela empresa, muito menos doloso, no sentido de se elidir do recolhimento de contribuições sociais. Tanto é que o próprio fiscal pode localizar, com clareza, os mútuos registrados no Livro Razão. Caso mantida a autuação, o que admite apenas para argumentar, a multa de ofício não pode ultrapassar 75%; 10) a ilegalidade da sujeição passiva solidária, já que o relatório apenas afirma superficialmente que o presidente da empresa teria adotado o “projeto de PLR”, “de modo que as remunerações feitas aos seguradosempregados fossem feitas sob a forma de empréstimos mensais”, quando sequer descaracterizou os planos de PLR da empresa. Além disso, em nenhum momento foi individualizada qualquer conduta do presidente da empresa que tivesse determinado, interferido ou colaborado para a não consideração dos valores de mútuo ou de PLR como salário dos empregados; 11) a necessidade de exclusão dos representantes legais e dos contadores da empresa, indicados no Relatório de Vínculos: Roberto Gennaro Mannarino, Andréa Ribeiro Quadros, Antonio Eduardo Pimentel Rodrigues, Monica de Araújo Pereira, Antonio Feitosa Barbosa e Benjamin Ribeiro Quadros; 12) o descabimento da Representação Fiscal para Fins Penais, que não deve prosseguir, tendo em vista a ausência de infração por parte da impugnante. Ao final, a impugnante requer: a) o julgamento da improcedência dos Autos de Infração e a extinção dos créditos tributários; b) a não aplicação da multa qualificada de 150%; c) a exclusão da sujeição passiva solidária imputada ao Sr. Benjamin Ribeiro Quadros; d) o sobrestamento da Representação, a teor do disposto no artigo 83 da Lei nº 9.430/1996, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 12.350/2010; Fl. 1209DF CARF MF 8 e) a produção de todas as provas admitidas em direito, prova documental, notadamente a exibição e juntada posterior de documentos, realização de perícia e tantas quantas forem as provas necessárias para a real apuração da verdade material; f) que todas as notificações sejam também expedidas ao seu patrono, no endereço que indica. No julgamento da impugnação, acordaram os membros da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos que podem ser assim resumidos: Da ausência de impugnação A fase litigiosa do procedimento não foi instaurada com relação ao responsável solidário Benjamin Ribeiro Quadros, que não apresentou impugnação à exigência. Das alegações de vícios no procedimento fiscal (...) No âmbito do processo administrativo fiscal, os requisitos obrigatórios que devem fazer parte do Auto de Infração estão dispostos no artigo 10 do Decreto n.º 70.235/1972. Examinando o processo, constatase que as peças que o compõem atendem a estes requisitos e contêm elementos suficientes ao exercício do direito ao contraditório e à defesa pelo contribuinte. Especificamente com relação à competência 12/2011, a fiscalização, para gerar o Auto de Infração, lançou no sistema informatizado da RFB diretamente o valor da contribuição devida. Tal fato não se constituiu em causa de nulidade da autuação, já que as informações exigidas por lei e requeridas pelo sujeito passivo constam dos relatórios do processo. Extrai se do relato fiscal a informação de que se trata do lançamento das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, calculadas à alíquota de 1% sobre a base de cálculo que corresponde ao valor dos empréstimos em 12/2011 no montante de R$ 13.216.041,95 (itens 2.3 e 8.1 do relatório fiscal). No relatório Demonstrativo de Débito (fls. 6), está demonstrado o resultado final da contribuição devida em 12/2011, cujo principal corresponde a R$ 132.160,42. Nesta competência, não há lançamento da contribuição de 20% de responsabilidade da empresa em virtude da alteração da legislação tributária com a instituição da contribuição incidente sobre a receita bruta (item 2.1.4 do relatório fiscal). Também não foram observadas as hipóteses de nulidade relacionadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972: (...) Portanto, tendo o Auto de Infração sido lavrado de acordo com as disposições legais e normativas que regem a matéria, não há Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 2201005.068 S2C2T1 Fl. 1.207 9 motivos para a declaração da nulidade do lançamento, sendo improcedentes os argumentos do sujeito passivo neste ponto. Do mérito (...) O sujeito passivo questiona a motivação para ter a fiscalização considerado legítima uma parte do PLR, já que a base formada pelos mútuos era inferior ao valor pago a título de participação nos lucros, na ordem de R$ 74.000.000,00 para R$ 92.000.000,00. Na realidade, não se identifica qualquer legitimação da PLR nos autos, tanto é que a fiscalização examinou os acordos coletivos e apontou as inconsistências que neles identificou, assim como fez referência ao descumprimento do artigo 3º e § 2º da Lei nº 10.101/2000. No entanto, o objeto deste lançamento são as contribuições incidentes sobre a remuneração que foi paga aos segurados empregados e contabilizada no ano de 2011 como se empréstimo fosse, quando na realidade não o era. Assim, a discussão, em tese, se as contribuições deveriam incidir sobre todo o valor da PLR não aproveita a este lançamento. Os documentos juntados aos autos não deixam dúvidas quanto aos fatos relatados e a conclusão da fiscalização a respeito das irregularidades cometidas pela empresa autuada. A própria impugnante, nas ações trabalhistas, admitiu que efetuava adiantamentos bimestrais relativos à participação nos lucros e resultados. Cito como exemplo excertos extraídos das decisões: (...) Além dos fatos já relatados, concorreu para a convicção da fiscalização de que os valores pagos aos segurados desta forma substituíam e complementavam a remuneração devida a enorme quantidade de empregados envolvidos, a freqüência dos pagamentos, o alto valor dos pretensos empréstimos constantes da conta contábil 0000113122 – Mútuo a Funcionários – Folha, em comparação com a remuneração do segurado, e o fato de que tais “empréstimos” eram compensados nos meses de pagamento da participação nos lucros. Para ilustrar a disparidade entre o valor da remuneração do empregado e o valor do empréstimo, citase o exemplo do segurado Haroldo Ricceto Filho, que, conforme consta da GFIP, recebeu em 03/2011 R$ 2.869,66, e em 09/2011 R$ 3.084,91. Já de acordo com o item 3.4 do Relatório Fiscal, este segurado firmou os seguintes contratos de mútuo: DATA DO CONTRATO VALOR CONTRATADO DATA DO PAGAMENTO 09/08/2010 R$ 15.756,65 31/03/2011 09/10/2010 R$ 15.693,38 31/03/2011 Fl. 1211DF CARF MF 10 09/12/2010 R$ 22.975,04 31/03/2011 09/02/2011 R$ 22.683,77 30/09/2011 08/04/2011 R$ 67.734,86 30/09/2011 09/07/2011 R$ 67.734,96 30/09/2011 (...) Consta da contabilidade da empresa autuada que foram efetuados empréstimos em todos os meses de 2011, ainda que não estivessem abrangidos todos os empregados em todos os meses. É o que se verifica, por exemplo, em relação ao empregado Haroldo Ricceto Filho, já mencionado neste voto, cujos contratos apresentados pelo sujeito passivo tinham como data 09/08/2010, 09/10/2010, 09/12/2010, 09/02/2011, 08/04/2011 e 09/07/2011. (...) Por todo o exposto, concluise que os pagamentos efetuados pelo sujeito passivo disfarçados de adiantamentos/empréstimos tratavamse, na realidade, de remuneração destinada a retribuir o trabalho. Não se inserindo em nenhuma hipótese de exceção da Lei nº 8.212/1991, os valores pagos aos segurados nesta condição constituem base de cálculo das contribuições previdenciárias. Da multa qualificada A multa qualificada de 150% está definida na legislação tributária, conforme detalha o Relatório Fundamentos Legais do Débito (fls. 7 e 8). O artigo 35A da Lei nº 8.212/1991 remete ao artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, cujo caput, , inciso I e § 1º assim dispõem: (...) No caso sob exame, restou constatado que a empresa BRQ agiu intencionalmente com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento por parte do Fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, sua natureza ou circunstâncias materiais, e com isso evitou o pagamento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos empregados que lhe prestavam serviços, incorrendo na prática de sonegação prevista no artigo 71 da Lei nº 4.502/1964. (...) Considerando o conjunto de elementos trazidos aos autos, justificase a aplicação da multa de ofício qualificada de 150%, incidente sobre as contribuições não recolhidas pela autuada. Do pedido para exclusão das pessoas relacionadas no Relatório de Vínculos O sujeito passivo entende necessária a exclusão de Roberto Gennaro Mannarino, Andrea Ribeiro Quadros, Antonio Eduardo Pimentel Rodrigues, Monica de Araújo Pereira, Antonio Feitosa Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 2201005.068 S2C2T1 Fl. 1.208 11 Barbosa e Benjamin Ribeiro Quadros do Relatório de Vínculos, juntado às fls. 39 dos autos, e que traz a seguinte redação: (...) Como se verifica neste texto reproduzido, a inclusão no Relatório de Vínculos não implica automaticamente na co responsabilização pelo crédito lançado, tendo caráter meramente informativo. Tanto é que o Sr. Benjamin Ribeiro Quadros foi especificamente incluído na sujeição passiva do lançamento mediante a emissão do Termo de Responsabilidade Tributária e descrição dos fatos no Relatório Fiscal. (...) Pelo exposto, indeferese o pedido do sujeito passivo. Da ilegitimidade para impugnar em nome de terceiro Conforme se verifica dos documentos juntados às fls. 471 a 476 dos autos, o administrador da autuada, Sr. Benjamin Ribeiro Quadros, foi devidamente cientificado pela fiscalização do Termo de Sujeição Passiva Solidária e do Auto de Infração nº 51.061.6550, sem, contudo, apresentar impugnação. Havendo pluralidade de sujeitos no pólo passivo do lançamento tributário, cada um deve defenderse da exigência fiscal em nome próprio, quer pessoalmente, quer por meio de representante legal constituído nos autos por competente instrumento de mandato. Neste caso, não tendo o interessado se manifestado nos autos, não cabe à empresa autuada agir em seu interesse. (...) Desse modo, em caso de pluralidade de sujeitos no pólo passivo do lançamento tributário, cada qual poderá defenderse em nome próprio da exigência fiscal assim constituída, quer pessoalmente quer por meio de representante regularmente constituído nos autos, por competente instrumento de mandato.” Acrescentese que inexiste nos autos instrumento que confira poderes para que os sujeitos passivos indiretos possam ser representados pelo contribuinte. Por tais razões, voto do sentido de não conhecer das alegações do recorrente quanto à responsabilidade tributária das demais pessoas indicadas pela fiscalização. Da Representação Fiscal para Fins Penais A análise de questões relacionadas à Representação Fiscal para Fins Penais RFFP, que tramita em processo próprio, não é de competência da DRJ, pois não faz parte das atribuições definidas no artigo 233 do Regimento Interno da Secretaria da Fl. 1213DF CARF MF 12 Receita Federal do Brasil – RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14/05/2012, publicada no DOU de 17/05/2012. (...) O que se pode informar ao contribuinte é que o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) tem por dever formalizar representação fiscal para fins penais perante o Delegado ou o InspetorChefe da Receita Federal do Brasil responsável pelo controle do processo administrativo fiscal sempre que, no exercício de suas atribuições, identificar atos ou fatos que, em tese, configurem crime contra a ordem tributária ou contra a Previdência Social, entre outros. Os procedimentos estão definidos na Portaria RFB nº 2.439/2010 que, em seu artigo 4º, § 1º, determina que a representação fiscal, nestes casos, deverá permanecer no âmbito da unidade de controle até a decisão final na esfera administrativa sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente ou na ocorrência das hipóteses previstas no artigo 5º, respeitado o prazo legal para cobrança amigável, caso o processo seja formalizado em meio papel. Da produção de provas O sujeito passivo requer genericamente a produção de todos os meios de prova admitidos em direito, prova documental, realização de perícias e tantas quantas forem as provas necessárias para a real apuração da verdade material. Em relação a este pedido, salientase que a produção de provas deve obedecer às disposições do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal no âmbito federal. Não se conhece, portanto, do protesto do impugnante pela produção de provas além daquelas já arroladas neste processo, exceção feita, à evidência, ao disposto nos parágrafos 4º a 6º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972. Da intimação do procurador Por fim, indeferese o pedido para que as intimações e notificações sejam enviadas em nome dos procuradores da impugnante, no endereço que indica na impugnação, já que não há previsão na legislação para tal procedimento. O inciso II do artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972 estabelece que as intimações feitas por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via devem ter prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Conclusão Nestes termos, voto por julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Ciente do Acórdão da DRJ em 22/07/2015, conforme termo de ciência eletrônica de fl. 989, ainda inconformado, o contribuinte juntou o Recurso Voluntário de fl. 992 e seguintes, em 13 de agosto de 2015, no qual reiterou as razões expressas em sede de impugnação. Submetido à apreciação pelo Colegiado de 2ª Instância, esta 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, da 2ª Seção, exarou, em sessão de 09 de maio de 2017, o Acórdão nº Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 2201005.068 S2C2T1 Fl. 1.209 13 2201003.595, fl. 1052 a 1083, o qual concluiu, por voto de qualidade, vencido este Conselheiro Relator, por dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo a nulidade da autuação em razão por erro na quantificação da base de cálculo, já que a Autoridade Fiscal calculou o tributo devido a partir de valor equivalente àqueles que foram antecipados mediante empréstimos e não propriamente o montante total pago a título de PLR, do que resultou um lançamento a menor que o devido. Cientificada de tal decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional formalizou os Embargos de Declaração de fl. 1085 a 1089, os quais não passaram pelo crivo da admissibilidade, conforme despacho de fl. 1092 a 1094. Cientificada das conclusões do despacho de admissibilidade, a representação da Fazenda Nacional formalizou o Recurso Especial de fl. 1096 a 1105, que teve seguimento regular, conforme despacho de fl. 1108 a 1112, do quê foi cientificado o sujeito passivo em 30/10/2017, conforme Termo de fl. 1120, que apresentou as contrarrazões de fl. 1127 a 1151. O Julgamento do Recurso Especial pela Câmara Superior de Recursos Fiscais deu origem ao Acórdão nº 9202007194, fl. 1165 a 1186, cujo dispositivo analítico restou assim expresso: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencida a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Nos termos do art. 58, §5º, do Anexo II do RICARF, a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada) não votou quanto ao conhecimento, por se tratar de questão já votada pela conselheira Ana Paula Fernandes na reunião anterior. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Inicialmente, cumpre delimitar o objeto deste novo julgamento na Câmara baixa e, para tanto, relevante citar excerto do voto condutor do Acórdão exarado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, da lavra da Ilustre Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira: (...) Como se vê dos trechos transcritos, houve concordância no colegiado de que o pagamento realizado pelo contribuinte a título de PLR, contraria as disposições legais, contudo, a parte da qual discordou o redator do voto vencedor diz respeito a suposta irregularidade da base de cálculo do lançamento: " Há flagrante e reconhecido erro na determinação do critério Fl. 1215DF CARF MF 14 quantitativo do tributo devido pelo sujeito passivo. Houve equívoco da autoridade na determinação da base de cálculo da contribuição previdenciária." (...) Ou seja, claramente a empresa concedia valores aos empregados e os compensava posteriormente sob a denominação de PLR, todavia, tal prática, não se coaduna com as hipóteses previstas na lei 10,101 que expressamente prevê a vedação de antecipações. Fazer antecipações com a denominação de mútuos ou sob qualquer outra nomenclatura, cujo valor não demonstrou o recorrente ser sido devolvido, mas pelo contrário pago com PLR, acaba por estabelecer Conforme já restou esclarecido, o que realmente foi objeto de divergência é o entendimento do redator no sentido de que o lançamento efetuado por valores aquém do que poderia ter sido lançado está eivado de vício de nulidade. (...) Não é possível concordar com a tese apresentada pelo redator que levou à nulidade do lançamento. (...) Cumpre ressaltar que no acórdão recorrido, tanto o relator como o redator concordaram no sentido de que a PLR paga pelo contribuinte foi em desacordo com a Lei nº 10.101/2000. Entretanto, afastada a nulidade, vêse que outras questões, embora enfrentadas pelo relator, não foram chanceladas na decisão ou houve qualquer manifestação do redator do voto vencedor. São elas: arguição do contribuinte sobre a qualificação da multa, a sujeição passiva solidária e outras, conforme trazido no próprio acórdão recorrido: 8) a nulidade da competência 12/2011, já que não consta do Discriminativo do Débito a base de cálculo e a alíquota do SAT, nem o multiplicador FAP, constando apenas e diretamente um valor final a pagar. Sustenta que ficou prejudicado em seu direito de defesa e que restou descumprido requisito essencial da autuação, que é a discriminação precisa da matéria tributável, fato gerador e base de cálculo, nos termos do artigo 142; 9) a ilegalidade da multa de 150%, fundamentada pela fiscalização na omissão de informações e fatos geradores, e que por isso teria incorrido no crime previsto no artigo 337A do Código Penal. Sustenta que não houve cometimento de qualquer ato ilícito pela empresa, muito menos doloso, no sentido de se elidir do recolhimento de contribuições sociais. Tanto é que o próprio fiscal pode localizar, com clareza, os mútuos registrados no Livro Razão. Caso mantida a autuação, o que admite apenas para argumentar, a multa de ofício não pode ultrapassar 75%; 10) a ilegalidade da sujeição passiva solidária, já que o relatório apenas afirma superficialmente que o presidente da empresa teria adotado o “projeto de PLR”, “de modo que as remunerações feitas aos segurados empregados fossem feitas sob a forma de empréstimos mensais”, quando sequer descaracterizou os planos de PLR da empresa. Além disso, em nenhum momento foi individualizada qualquer conduta do presidente da empresa que tivesse determinado, interferido ou Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 2201005.068 S2C2T1 Fl. 1.210 15 colaborado para a não consideração dos valores de mútuo ou de PLR como salário dos empregados; 11) a necessidade de exclusão dos representantes legais e dos contadores da empresa, indicados no Relatório de Vínculos: Roberto Gennaro Mannarino, Andréa Ribeiro Quadros, Antonio Eduardo Pimentel Rodrigues, Monica de Araújo Pereira, Antonio Feitosa Barbosa e Benjamin Ribeiro Quadros; 12) o descabimento da Representação Fiscal para Fins Penais, que não deve prosseguir, tendo em vista a ausência de infração por parte da impugnante. Assim, é necessário o retorno dos autos à 2ª Câmara para complementação do julgamento, apenas com relação aos tópicos acima descritos, tendo em vista que o mérito da irregularidade de PLR encontrase devidamente enfrentada pelo relator e redator. Portanto, a seguir serão novamente trazidas à balha, exclusivamente em relação aos temas pendentes de julgamento, as conclusões expressas por este Conselheiro Relator no voto originário, já que inexistem elementos supervenientes a justificar a alteração do que lá foi expresso. NULIDADE DA COMPETÊNCIA 12/2011 O contribuinte requer a declaração de nulidade da competência 12/2011 sob o argumento de que o Discriminativo de Débitos da autuação não apresenta a base de cálculo e a alíquota do SAT, o que importaria cerceamento do seu direito de defesa. Não merece prosperar tal alegação, já que a base de cálculo e a alíquota, embora não tenham sido inseridas no Discriminativo de débitos, estão expressamente indicadas no Relatório Fiscal, fl. 17, em particular no quadro que reproduzo abaixo: Portanto, nego provimento ao recurso nesta parte. DA ILEGALIDADE DA MULTA DE 150% O Recorrente, sustentando que não cometeu qualquer ato ilícito, muito menos doloso, insurgese contra a qualificação da multa de ofício, alegando que não teria havido Fl. 1217DF CARF MF 16 omissão de informações e fato geradores, que pudessem justificar a ocorrência de crime contra a ordem tributária alegada pela Fiscalização, em particular porque tudo consta como devidamente contabilizado e em razão da fiscalização ter tido livre acesso e tranqüilidade para executar o seu mister. Questiona a decisão recorrida por não ter refutado seus argumentos, limitandose, exclusivamente, a tratar a questão de forma genérica apontando a constatação de ação intencional com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento por parte do Fisco da ocorrência do fato gerador. Vejamos os argumentos da Fiscalização para levar a termo a qualificação da multa de ofício: 10.1.5 Demonstrouse ao longo desta auto e pelos recortes legais, aqui em destaque, que a contribuinte sob fiscalização, na pessoa de seu representante legal, cometeu, em tese, crime de sonegação de contribuições previdenciárias, incorrendo na prática de sonegação fiscal, ao não declarar à RFB a totalidade das remunerações pagas, devidas ou creditadas a seus empregados, com a finalidade de eximirse do pagamento de contribuintes federais (art.334A, no DecretoLei nº 2.848/1940 (Código Penal) (acrescentados pela lei nº 9.983/2000 e art. 2º, I, da lei 8.137) e, desta forma, aumentar seus lucros, com a redução de despesas como os recolhimentos das contribuições devidas; 10.1.6 A prática de omissão de salários pagos sob o disfarce de PLR, foi evidenciada a partir do exame da escrituração contábil, dos documentos fiscais apresentados pela própria fiscalizada, em face dos quais, formase a convicção de que a linha de sonegação adotada pela contribuinte foi: suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante a condutas de omissão de remunerações pagas ma segurados empregados nas folhas de pagamentos e nas GFIP, para eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributo, respectivamente, na linha do art. 337 A, do DecretoLei nº 2.848/1940 inciso I, art. 1º da Lei 8.137/90. 10.1.7 Diante de todos os fatos comprovados nos autos, em que ficou clara a prática de crime contra a previdência social e a ordem tributária na modalidade de sonegação fiscal, e tendo em vista o Inciso II do art.44 da Lei 9.430, de 27/12/1996, a multa de ofício apurada, referente à infração de omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias, deverá ser majorada para 150%. Em relação à qualificação da multa de ofício, entendo oportuno destacar que se trata de medida de exceção, já que a regra é a aplicação do percentual de 75%, razão pela qual é necessário buscar apoio na legislação de regência: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 2201005.068 S2C2T1 Fl. 1.211 17 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por sua vez a Lei 4.502/64 prescreve: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A leitura integrada dos dispositivos legais supracitados evidencia que, seja no caso de sonegação, fraude ou conluio, indispensável que, inequivocamente, esteja presente o elemento subjetivo (dolo) na conduta do contribuinte, de forma a demonstrar que este quis, de fato, alcançar os resultados capitulados pelo artigo 71 e 72 da Lei 4.502/64. Ainda que seja difícil aferir o ponto a partir do qual uma conduta deixa de constituir mera infração à legislação tributária e passa a ser uma conduta dolosa, punível com a qualificação da multa de ofício, é certo que, no caso em tela, a Autoridade Fiscal apenas justificou a duplicação do percentual da penalidade pelo fato de ter constatado que a empresa não declarou à RFB a totalidade das remunerações pagas, devidas ou creditadas a seus empregados, sem, contudo, dedicar uma única linha parar demonstrar que tal fato foi resultado de ação dolosa, praticada pelo contribuinte com o objetivo de reduzir o tributo devido ou impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador. Como se vê nos autos, o lançamento lastreouse unicamente pelas informações devidamente registradas na contabilidade do recorrente, plenamente franqueadas ao Agente Fiscal e informadas à Receita Federal do Brasil. Os institutos relacionados à infração (mútuos e PLR) nada têm de ilegal, restando o lastro do lançamento na convicção de que foram utilizados indevidamente ao Fl. 1219DF CARF MF 18 considerar seus efeitos sobre o cálculo das contribuições previdenciárias, importando infração à legislação tributária, situação que, por si só, não justifica a qualificação da multa de ofício. Ora, nada impede que o contribuinte institua programas de PLR em sua empresa e que o pagamento de tais valores possam ser feitos até semanalmente, seja diretamente ou através de mútuos. O que não tem amparo legal é a exclusão da natureza de salário de contribuição e, consequentemente, do campo de incidência da Contribuição Previdenciária, dos valores pagos a este título que não tiverem observado as restrições legais para gozar do benefício fiscal. Assim, entendendo que a descrição realizada pela Autoridade Fiscal está limitada à infração à legislação tributária, não demonstrando a conduta fraudulenta dolosa, entendo que merece reparo a decisão recorrida, excluindose a qualificação da multa de ofício, que deve ser alterada para 75%. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Insurgese a recorrente contra a inclusão do seu Presidente, Sr. Benjamin Ribeiro Quadros, como responsável solidário pelo crédito tributário lançado. A DRJ não conheceu das alegações da recorrente sobre a sujeição passiva solidária, por entender que esta não teria poderes de representação do devedor solidário, o qual não havia se manifestado nos autos. Discordo das conclusões da DRJ. Afinal, havendo alguma impropriedade na imposição da responsabilidade solidária, assim como em qualquer outro ato da Administração, ainda que de ofício, é dever da Administração anular seus próprios atos quando ilegais. Assim, ainda que o próprio devedor solidário não tenha se manifestado nos autos, entendo relevante tratar do tema. Para tanto, vejamos as razões que levaram a Fiscalização a impor a responsabilização solidária do Sr. Benjamin Ribeiro Quadros: afirma a fiscalização que a BRQ SOLUÇÕES EM INFORMÁTICA SA, inscrita no CNPJ 36.542/000164, apresentou como administrador o seu Presidente, responsável pela gestão empresarial que implicaram a conduta de sonegação conforme relatada nos itens anteriores; atesta que ficou caracterizado que a fiscalizada, na pessoa de seu responsável legal perante a RFB, de forma consciente, adotou o projeto de PLR, em desacordo com os dispositivos legais previstos na lei 10.101/2000; que tal conduta implicou o cometimento de crime de sonegação de contribuição previdenciária, por suprimir ou reduzir o tributo pela omissão na folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária dos segurados que lhe prestem serviços, tudo tipificado no art. 337A do DecretoLei 2848/40, Código Penal, e no inciso I, art. 2º da Lei 8.137/90; que a conduta do Administrador da empresa está perfeitamente tipificada pela lei como hipótese de sujeição passiva solidária, em particular em razão do art. 135, inciso II e III da Lei 5.172/66 ( CTN) que prevê a responsabilidade pessoal de diretores, gerentes ou representantes pelas obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, do art. 137, inciso I do mesmo diploma que preceitua que a responsabilidade é pessoal do agente quanto a infrações conceituadas pela lei como crime. Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 2201005.068 S2C2T1 Fl. 1.212 19 Como se observa, as razões e fundamentos legais utilizados pela fiscalização para impor a sujeição passiva ao Presidente da empresa são absolutamente os mesmos que levaram à qualificação da multa de ofício tratada no item anterior. Assim, por economia processual, adoto as mesmas razões e fundamentos legais por mim apresentados no tema anterior "DA ILEGALIDADE DA MULTA DE 150%", para desconstituir a sujeição passiva solidária atribuída ao Sr. Benjamin Ribeiro Quadros. Pois, como lá deixei expresso, não observei crime de sonegação, mas mera infração à legislação tributária, reafirmando que tanto o contrato de mútuo como o programa de PLR têm lastro legal, não observando apenas os preceitos da Lei 10.101/2000, não gozando, portanto, da benesse de exclusão do conceito de salário de contribuição para fins do cálculo do valores devidos a título de Contribuição Previdenciária. Ademais, não ficou evidenciada qualquer atuação do gestor com excesso de poder. DA EXCLUSÃO DO REPRESENTANTES LEGAIS DA EMPRESA Neste tema, o contribuinte limitase a requerer a aplicação da Súmula Carf nº 88, cujo teor destaco abaixo: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Sobre tal matéria, assim se manifestou a Decisão Recorrida: Como se verifica neste texto reproduzido, a inclusão no Relatório de Vínculos não implica automaticamente na co responsabilização pelo crédito lançado, tendo caráter meramente informativo. Desta forma, considerando que o requerido está exatamente alinhado ao que já foi objeto da manifestação da Delegacia de Julgamento, entendo que não há objeto a ser tratado, sendo certo que o conteúdo da Súmula Carf. nº 88 se aplica integralmente ao caso em tela. DO DESCABIMENTO DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O recorrente pleiteia a suspensão do andamento da Representação Fiscal para Fins Penais pelas razões que enumera. Contudo, como já pontuado pela DRJ, a citada Representação não tem seu curso externo à RFB antes que o crédito tributário lançado seja considerado definitivamente constituído e, ainda assim, se o contribuinte não promover sua extinção. Por outro lado, quanto ao mérito do procedimento administrativo, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente tendo, Fl. 1221DF CARF MF 20 inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Por fim, quanto ao pedido de ciência de termos e atos processuais na pessoa do patrono do requerente, não há reparos a serem feitos na decisão de 1ª instância, posto que regular a ciência do contribuinte em qualquer uma das hipóteses descritas no art. 23 do Decreto 70.235/72. Conclusão: Assim, tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que integram o presente, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe parcial provimento para: excluir a qualificação da multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%; desconstituir a sujeição passiva solidária atribuída ao Sr. Benjamin Ribeiro Quadros. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 1222DF CARF MF
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Numero do processo: 11330.000085/2007-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/2000
OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DESCABIMENTO.
Inexistindo omissão, obscuridade ou contradição na decisão, descabe o acolhimento de embargos declaratórios.
ERRO MATERIAL. EXISTÊNCIA. EMBARGOS. SANEAMENTO.
Existindo erro material na decisão, apontado em embargos, estes devem ser acolhidos e saneada a decisão.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. MESMOS FUNDAMENTOS LEGAIS. AUTORIDADE LANÇADORA. ÓRGÃO JULGADOR.
Inocorre mudança de critério jurídico quando o órgão julgador da impugnação profere decisão adotando como razão de decidir os mesmos fundamentos legais adotados pela autoridade lançadora.
Numero da decisão: 2402-007.217
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, na parte admitida, sem efeitos infringentes, para sanar o erro material presente na ementa do Acórdão nº 2402-006.238, bem como o erro material identificado de ofício em seu dispositivo.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado).
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/2000 OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DESCABIMENTO. Inexistindo omissão, obscuridade ou contradição na decisão, descabe o acolhimento de embargos declaratórios. ERRO MATERIAL. EXISTÊNCIA. EMBARGOS. SANEAMENTO. Existindo erro material na decisão, apontado em embargos, estes devem ser acolhidos e saneada a decisão. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. MESMOS FUNDAMENTOS LEGAIS. AUTORIDADE LANÇADORA. ÓRGÃO JULGADOR. Inocorre mudança de critério jurídico quando o órgão julgador da impugnação profere decisão adotando como razão de decidir os mesmos fundamentos legais adotados pela autoridade lançadora.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1603; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 693 1 692 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11330.000085/200795 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2402007.217 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 7 de maio de 2019 Matéria Embargos Erro material Embargante PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/2000 OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DESCABIMENTO. Inexistindo omissão, obscuridade ou contradição na decisão, descabe o acolhimento de embargos declaratórios. ERRO MATERIAL. EXISTÊNCIA. EMBARGOS. SANEAMENTO. Existindo erro material na decisão, apontado em embargos, estes devem ser acolhidos e saneada a decisão. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. MESMOS FUNDAMENTOS LEGAIS. AUTORIDADE LANÇADORA. ÓRGÃO JULGADOR. Inocorre mudança de critério jurídico quando o órgão julgador da impugnação profere decisão adotando como razão de decidir os mesmos fundamentos legais adotados pela autoridade lançadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, na parte admitida, sem efeitos infringentes, para sanar o erro material presente na ementa do Acórdão nº 2402006.238, bem como o erro material identificado de ofício em seu dispositivo. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 00 85 /2 00 7- 95 Fl. 693DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402007.217 S2C4T2 Fl. 694 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado). Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela contribuinte em face do Acórdão nº 2402006.238, fls. 583 a 609, cuja ementa e dispositivo restaram assim consignados na decisão: CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INÍCIO. TÉRMINO. REINÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. O contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício. LANÇAMENTO FISCAL. TEMPO LEGAL. NÃO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. PRAZO DECADENCIAL. NÃO SUJEIÇÃO. O lançamento fiscal realizado no tempo legalmente permitido e não anulado por vício material, não está mais sujeito a prazo decadencial. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO. Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES. BENEFÍCIO DE ORDEM. AUSÊNCIA. O proprietário de obra de construção civil responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, sem benefício de ordem. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 88. A Relação de CoResponsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos que acompanham o lançamento fiscal não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Sendo nessa linha a Súmula CARF nº 88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402007.217 S2C4T2 Fl. 695 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negarlhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregório Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. Cientificada da decisão, em 23/11/18, segundo o Termo de Abertura de Documento de fl. 619, a Contribuinte, por meio de seus advogados (procuração de fls. 659 a 669), apresentou os embargos de declaração de fls. 622 a 628, em 23/11/18, alegando, em síntese: Obscuridade no voto vencedor ao entender que o crédito tributário não teria decaído em virtude do reinício do contencioso administrativo, pois a decisão do CRPS anulou o lançamento, não sendo possível o reinício do contencioso administrativo e um eventual novo lançamento estaria atingido pela decadência; Obscuridade no voto vencedor ao entender que não houve a aplicação retroativa do Enunciado nº 30 do CRPS, dando interpretação diversa da prescrita no ordenamento jurídico, com violação do art. 146 do CTN, que determina a aplicabilidade de modificação de critérios jurídicos somente a fatos geradores posteriores. Em que pese a Contribuinte não ter arguido nesse processo, identificouse, por meio de embargos interpostos no processo paradigma (18471.001856/200887), a existência de erro material em parte da ementa do acórdão, uma vez que a ementa sobre mudança de critério jurídico não está consoante com a conclusão proferida no voto vencedor. Pois bem, em exame prévio de admissibilidade, conforme despacho de fls. 1.817 a 1.821, restaram rejeitadas as obscuridades alegadas, nos termos do art. 65, § 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9/6/15, sendo reconhecido o erro material na ementa, uma vez que reproduz a ementa embargada do acórdão paradigma. No exame de admissibilidade também se constatou um erro material no dispositivo da decisão, que deixou de informar o processo paradigma em relação ao qual a presente decisão restou vinculada, sendo embargado de ofício o acórdão em relação esse erro. É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator Fl. 695DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402007.217 S2C4T2 Fl. 696 4 Conhecimento Os embargos de declaração são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele tomo conhecimento. Do escopo do presente julgamento Como visto no relatório acima, no exame de admissibilidade foram rejeitadas as obscuridades. Sendo assim, o presente julgamento limitarseá ao erro material pontado na ementa e ao erro material identificado de ofício no dispositivo da decisão. Do erro material apontado na ementa Segundo a Embargante, o voto vencedor (no processo paradigma), teria defendido que a aplicação do Enunciado 30 do CRPS não configuraria mudança de critério jurídico, porém, a ementa do acórdão atestaria posicionamento contrário. De fato, nos termos do voto vencedor que segue no acórdão ora embargado, a decisão de primeira instância não incorreu em mudança de critério jurídico, nos seguintes termos: Da alegada revisão do lançamento com mudança de critério jurídico Segundo alegação ventilada no recurso voluntário e acolhida pelo Relator, a decisão de primeira instância teria promovido uma revisão do lançamento ao manter o crédito lançado com base em novo entendimento do CRPS acerca da responsabilidade solidária, constante do Enunciado nº 30, de 31/1/07, o que representaria uma mudança de critério jurídico, porém, não comungamos desse entendimento. Primeiramente, devemos observar que a decisão recorrida utilizou os mesmos fundamentos adotados pela fiscalização, quais sejam, o art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, o art. 124 do CTN5, a Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165 de 11/7/1997 e a Instrução Normativa INSS/DC nº 18, de 11/5/2000, dentre outros, e que a menção ao Enunciado nº 30 serviu apenas como um reforço à tese defendida, uma vez que diz exatamente o que a fiscalização fez. Lembrando que tal enunciado sequer chegou a ser mencionado no voto condutor do acórdão recorrido. Também não vemos qualquer óbice quanto à citação a esse enunciado, pois, nos termos do art. 63, § 1º, do Regimento Interno do CRPS6, a interpretação dada pelo enunciado se aplica a casos não definitivamente julgados e, como visto, este processo ainda não foi concluído em definitivo. Portanto, temse por afastada a alegação de que a decisão de primeira instância teria revisado o lançamento e com mudança de critério jurídico. Fl. 696DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402007.217 S2C4T2 Fl. 697 5 Todavia, consta no acórdão a seguinte ementa: MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO. Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização. Portanto, resta demonstrado o erro material quanto a essa ementa, a qual, originalmente, buscou espelhar o voto vencido e, por lapso manifesto, não foi substituída quando da inclusão do voto vencedor, no acórdão. Logo, para saneamento do erro material demonstrado, a ementa em questão deverá ser substituída pela seguinte ementa: MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. MESMOS FUNDAMENTOS LEGAIS. AUTORIDADE LANÇADORA. ÓRGÃO JULGADOR. Inocorre mudança de critério jurídico quando o órgão julgador da impugnação profere decisão adotando os mesmos fundamentos legais empregados pela Autoridade Lançadora. Do erro material identificado no dispositivo Conforme identificado no exame prévio de admissibilidade, a decisão embargada também deixou de informar, em seu dispositivo, a vinculação do presente processo ao processo paradigma (18471.001856/200887), nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negarlhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregório Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. Dessa forma, no lugar do dispositivo acima, deverá constar o seguinte dispositivo, que foi, inclusive, o que constou da ata da sessão de julgamento: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negarlhe provimento, vencido o conselheiro Jamed Fl. 697DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402007.217 S2C4T2 Fl. 698 6 Abdul Nasser Feitoza. Votaram pelas conclusões com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregório Rechmann Junior. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 18471.001856/200887, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Conclusão Isso posto, voto por acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar o erro material presente na ementa do Acórdão nº 2402006.238, bem como o erro material identificado de ofício em seu dispositivo. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 698DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13736.002166/2008-73
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 68.
A Lei nº 8.852 de 1994 não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Numero da decisão: 2002-001.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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SÚMULA CARF Nº 68. A Lei nº 8.852 de 1994 não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 6. 00 21 66 /2 00 8- 73 Fl. 36DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 06/09) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2007, onde se apurou a Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica no valor de R$ 7.633,08. O contribuinte formulou Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL, a qual foi indeferida pela autoridade fiscal (efls. 04). Inconformado, apresentou Impugnação (e fls. 02/03) cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (efls. 23): Cientificado, o impugnante insurgiuse contra o lançamento, focando primordialmente o inciso III do art 1° da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa física e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever o lançamento. O lançamento foi julgado procedente pela 1ª Turma da DRJ/RJOII em decisão assim ementada (efls. 22/26): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica. Cientificado do acórdão de primeira instância em 10/06/2009 (efls. 28), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 12/06/2009 (efls. 29/30) com exatamente os mesmos argumentos apresentados em sua Impugnação. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Fereira Stoll O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Extraise da Notificação de Lançamento que a autoridade fiscal constatou a omissão de rendimentos recebidos do Comando da Marinha com base na DIRF apresentada pela fonte pagadora (efls. 08). O Colegiado a quo manteve a infração apurada conforme excertos seguir reproduzidos (efls. 23/25): Fl. 37DF CARF MF Processo nº 13736.002166/200873 Acórdão n.º 2002001.004 S2C0T2 Fl. 37 3 O Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66, define no artigo 43 o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. A Lei 7.713/88, em seu art 3°, § 1°, dispõe que o imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, sobre todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (renda), os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, ressalvadas as disposições dos artigos 9° a 14 desta mesma Lei. Ademais, o § 4° do art 3° da Lei 7.713/88 define que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Todavia, normas legais determinam a exclusão do rendimento bruto, para fins de incidência do imposto de renda da pessoa física, por serem isentos ou não tributáveis. Estas exclusões estão elencadas no artigo 39 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). A Lei 8.852/94 dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1°, da Constituição Federal, além de dar outras providências, mas não contempla em seu artigo 1°, III, hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda da pessoa física. O artigo 1° da Lei 8.852/94 define meramente aquilo que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para aplicação dos seus dispositivos. Com efeito, não outorga isenção ou enumera hipóteses de não incidência de imposto, mesmo porque, lei que concede isenção deve ser específica, nos termos do § 6° do artigo 150 da CF/88, ou seja, deve tratar exclusivamente da matéria isentiva ou de determinada espécie tributária. As alíneas de “a” até “r” no inciso III do art 1° da Lei 8.852/94 são exclusões do conceito de remuneração, mas não são hipóteses de isenção ou não incidência de imposto de renda da pessoa física, em outras palavras, não determinam sua exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do imposto sobre a pessoa física, mas sim, repitase, de sua exclusão do conceito de remuneração para os objetivos da Lei 8.852/94. [...] Cumpre esclarecer que, no que tange à isenção, a legislação tributária deve ser interpretada literalmente, por força do art 111 do Código Tributário Nacional [...] Fl. 38DF CARF MF 4 Não merece reforma a decisão recorrida, haja vista a publicação da Súmula CARF n° 68, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal, nos termos da Portaria MF nº 277 de 07/06/2018: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Em vista do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 39DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000130/2009-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006
GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. DEDUÇÕES.
Apenas as despesas efetivamente pagas, destacadas na nota de corretagem ou no extrato da conta-corrente, necessárias à realização de operações de compra ou venda (corretagens, emolumentos etc.) podem ser consideradas na apuração do ganho líquido auferido no mercado de renda variável.
Numero da decisão: 2002-001.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni (relator) que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora Designada
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005, 2006 GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. DEDUÇÕES. Apenas as despesas efetivamente pagas, destacadas na nota de corretagem ou no extrato da conta-corrente, necessárias à realização de operações de compra ou venda (corretagens, emolumentos etc.) podem ser consideradas na apuração do ganho líquido auferido no mercado de renda variável.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni (relator) que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora Designada Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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DEDUÇÕES. Apenas as despesas efetivamente pagas, destacadas na nota de corretagem ou no extrato da contacorrente, necessárias à realização de operações de compra ou venda (corretagens, emolumentos etc.) podem ser consideradas na apuração do ganho líquido auferido no mercado de renda variável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni (relator) que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 01 30 /2 00 9- 11 Fl. 179DF CARF MF 2 Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 04 a 11), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação de ganhos líquidos no mercado de renda variável omissão de ganhos operações comuns e ganhos líquidos no mercado de renda variável falta de recolhimento do imposto sobre ganhos líquidos no mercado de renda variável. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$14.542,64, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, à efl. 114 a 145 dos autos, cujas alegações do contribuinte, conforme decisão da DRJ, foram: Cientificado pessoalmente do lançamento em 09/06/2009 (fl. 05), o autuado apresentou, em 01/07/2009, a impugnação parcial de fls. 114 a 121, alegando que os custos necessários para operações alavancadas, através da conta margem, operação normatizada pela instrução CVM n.º 51 de 09/06/1986, realizadas através de contrato com a corretora de valores e os custos de juros debitados nos extratos apresentados, são sim custos e despesas necessários à realização das operações, pois sem os referidos custos, as operações e os lucros não seriam realizados; as próprias corretoras de valores, além da própria Bolsa, informam que os custos com conta margem e aluguel de ações devem ser abatidos da base de cálculo do imposto de renda, pois se tratam de custo de aquisições das ações; são estes em síntese os pontos de discordância apontados nesta impugnação: a) os custos decorrentes da utilização da conta margem, fazem parte dos custos de operações, portanto, devem ser excluídos do lucro bruto; b) os custos decorrentes da utilização de aluguel de ações fazem parte dos custos de operações, portanto, devem ser excluídos do lucro bruto; c) o valor contestado, referente a cobrança de imposto sobre os custos com conta margem e aluguel de ações, é de R$ 3.498,15, mais as multas e juros. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 16045.000130/200911 Acórdão n.º 2002001.037 S2C0T2 Fl. 180 3 O valor do crédito tributário não contestado pelo impugnante foi transferido para o processo n.º 10860.720466/200903. A impugnação foi apreciada na 15ª Turma da DRJ/SP1 que, por unanimidade, em 21/01/2014, no acórdão 1654.327, às efls. 150 a 154, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, em 20/02/2014, apresentou recurso voluntário, às efls. 160 a 173, no qual alega, em resumo, que: · apurou corretamente a base de cálculo para incidência de IRPF, vez que realizada exclusão os custos e despesas imprescindíveis operações na bolsa de valores; · os custos de empréstimos fazem parte do custo de aquisição, portanto dedutíveis, conforme normas da CVM; · as corretoras e a Bolsa de Valores informam que os custos com a conta margem e aluguel de ações devem ser abatidos da base de cálculo do IRPF, pois se tratam de custo de aquisição das ações. · suscita o artigo 43 do CTN, demonstrado que tais rubricas não podem ser consideradas renda; · os custos decorrentes da utilização da conta margem fazem parte do custo imprescindíveis para as operações, devendo ser excluída do lucro bruto, assim como os custos decorrentes da utilização de aluguel de ações; É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que a contribuinte foi intimada do teor do acórdão da DRJ em 05/02/2014, efls. 158, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 20/02/2014, efls. 160, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 04 a 11), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação de ganhos líquidos no mercado de renda variável omissão de ganhos operações comuns e ganhos líquidos no mercado de renda variável falta de recolhimento do imposto sobre ganhos líquidos no mercado de renda variável. A DRJ manteve a autuação sob os seguintes argumentos: Fl. 181DF CARF MF 4 O parágrafo 3º do art. 23 da IN SRF n.º 25/2001, deve ser interpretado de forma estrita: admitese apenas a dedução de custos e despesas incorridos, desde que sejam necessários à realização das operações de renda variável e que constem das notas de corretagem referentes às operações de compra ou de venda de ações. Daí se conclui que os gastos decorrentes das operações de empréstimo citadas na consulta são indedutíveis, uma vez que não são imprescindíveis à realização das operações, por se caracterizarem como uma facilidade oferecida pela corretora a seus clientes, sendo que empréstimo e aplicação em renda variável são operações inteiramente distintas. Isto posto, voto no sentido de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido no presente processo. Pela redação da Instrução Normativa SRF nº 25/01, que dispõe sobre o imposto de renda incidente nos rendimentos e ganhos líquidos auferidos em operações de renda fixa e de renda variável, vigente à época dos fatos geradores, há incidência de imposto de renda a ser apurado mensalmente, após encerrada uma posição, seja de compra ou venda. Assim, o contribuinte apura o quantum obteve de lucro ou prejuízo, sendo possível o abatimento das despesas tidas como operacionais, por exemplo corretagens e taxas. Quando a operação gera prejuízo, obviamente não haverá imposto a pagar, já que não há que se falar em renda. Contudo, o valor do prejuízo deve ser contabilizado para abatimento em eventuais lucros obtidos em operações subseqüentes. Do valor positivo, abatido dos custos operacionais, do montante de imposto de renda devido, ainda podese abater, o imposto de renda retido na fonte pela corretora de valores. É o que se extrai dos artigos 23 e 25 da IN, bem pontuados pela decisão de piso, que novamente transcrevo: Art. 23. Os ganhos líquidos auferidos por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, em operações realizadas nas bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, existentes no País, sujeitamse à incidência do imposto de renda de acordo com as disposições previstas nesta seção. (...) § 3º Considerase ganho líquido o resultado positivo auferido nas operações de que tratam os arts. 25 a 29 realizadas em cada mês, admitida a dedução dos custos e despesas incorridos, necessários à realização das operações. (...) Fl. 182DF CARF MF Processo nº 16045.000130/200911 Acórdão n.º 2002001.037 S2C0T2 Fl. 181 5 Art. 25. Nos mercados à vista, o ganho líquido será constituído pela diferença positiva entre o valor de alienação do ativo e o seu custo de aquisição, calculado pela média ponderada dos custos unitários. (....) Necessária se faz delimitar a extensão do vocábulo "custos e despesas incorridas, necessárias à realização das operações" para fins de dedução do lucro bruto obtido no mercado de valores mobiliários. A DRJ utilizouse de interpretação restritiva para a locução retro mencionada, entendendo que apenas as corretagens e taxas de custódia poderiam ser deduzidas quando da apuração do ganho líquido, valendose da diretriz exposada no Manual de Perguntas e Respostas da SRFB do anocalendário 2005: RENDA VARIÁVEL DEDUÇÕES 612 As despesas incorridas nas operações no mercado de renda variável podem ser deduzidas? Sim. As despesas efetivamente pagas constantes em notas de corretagem para a realização de operações de compra ou venda (corretagens, taxas de custódia etc.) podem ser consideradas na apuração do ganho líquido, sendo acrescidas ao preço de compra e deduzidas do preço de venda dos ativos ou contratos negociados. (RIR/1999, art. 760, § 2º)” Obviamente que o Manual da RFB tem caráter de direcionamento, mas, além de não ser vinculativo, sequer tem o condão de restringir um conceito previsto na legislação vigente. O artigo 760 do RIR/99, que conceitua "ganho líquido" tem a seguinte redação: Art. 760. Considerase ganho líquido o resultado positivo auferido nas operações realizadas em cada mês, admitida a dedução dos custos e despesas incorridos, necessários à realização das operações, e a compensação de perdas apuradas nas operações de que tratam os arts. 761, 764, 765 e 766, ressalvado o disposto no art. 767 (Lei nº 7.713, de 1988, art. 40, § 1º, e Lei nº 7.799, de 1989, art. 55, §§ 1º e 7º). Fl. 183DF CARF MF 6 § 1º As perdas apuradas nas operações de que trata este Capítulo poderão ser compensadas com os ganhos líquidos auferidos nos meses subseqüentes, em operações da mesma natureza (Lei nº 8.981, de 1995, art. 72, § 4º). § 2º As deduções de despesas, bem como a compensação de perdas previstas neste Capítulo, serão admitidas exclusivamente para as operações realizadas nos mercados organizados, geridos ou sob a responsabilidade de instituição credenciada pelo Poder Executivo e com objetivos semelhantes ao das bolsas de valores, de mercadorias ou de futuros (Lei nº 8.383, de 1991, art. 27). A legislação, em momento algum, para auferimento do ganho líquido, restringe o vocábulo "custos e despesas incorridas, necessárias à realização das operações". Não há na legislação sequer rol taxativo delimitando a abrangência do que seriam custos e despesas. Muito pelo contrário. O dispositivo condiciona e estabelece como requisito que o custo ou a despesa seja necessária à realização das operações no mercado mobiliário, necessidade esta, que deve ser comprovada pelo contribuinte, vez que lhe é imputado o ônus probandi. Desta feita, requer o contribuinte que as operações com conta margem e com aluguel de ações sejam abatidas do lucro bruto, já que, além de necessárias à realização das operações, não configuram no conceito de renda. Conta margem é um empréstimo obtido pelo investidor junto a corretora; assemelhase a um contrato de mútuo e sua finalidade é alavancar o investidor sem que este aplique recursos próprios. É disciplinada pela Instrução CVM nº 51, que regulamenta a concessão de financiamento para compra de ações pelas Sociedades Corretoras e Distribuidoras. Já o aluguel de ações é uma operação através da qual os investidores proprietários dos títulos disponibilizam os mesmos para empréstimos e os investidores interessados os tomam mediante aporte de garantias. Logo, a meu sentir, tratamse de verdadeiros custos para a realização das operações, podendo ser abatidos na base de cálculo do imposto a pagar. Ainda, tais institutos não estão abrangidos pelo conceito de renda previsto no artigo 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou Fl. 184DF CARF MF Processo nº 16045.000130/200911 Acórdão n.º 2002001.037 S2C0T2 Fl. 182 7 nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Desta forma, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Voto Vencedor Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo do relator quanto ao afastamento da omissão de ganhos líquidos auferidos no mercado de renda variável. Extraise do Auto de Infração (efls. 06/07) que o recorrente excluiu indevidamente do lucro bruto apurado nas operações de renda variável os valores pagos a título de conta margem e de aluguel, conforme indicado nas planilhas apresentadas em resposta ao Termo de Início de Fiscalização (efls. 37/60): O contribuinte, atendendo à intimação de fls.27/31, apresentou as planilhas de fls.35/58, onde se observa que foi efetuada a exclusão do lucro bruto, mês a mês, dos valores pagos a titulo de CONTA MARGEM E ALUGUEL, sendo que não existe base legal para tais exclusões, pelo fato de não se enquadrar no conceito de "custos e despesas incorridos, necessários à realização das operações", previsto no art. 760 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°3.000/1999. Assim, fica caracterizada a omissão de ganhos líquidos no mercado de renda variável obtidos em operações na bolsa, conforme valores abaixo, os quais foram lançados, pelo total anual glosado, em dezembro/2005 e dezembro/2006: [...] Sobre a matéria, impõese observar o disposto no art. 760 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, e nos arts. 23, caput e §3º, e 25, caput, da Instrução Normativa SRF nº 25/2001, vigentes à época: Fl. 185DF CARF MF 8 RIR/99 Art. 760. Considerase ganho líquido o resultado positivo auferido nas operações realizadas em cada mês, admitida a dedução dos custos e despesas incorridos, necessários à realização das operações, e a compensação de perdas apuradas nas operações de que tratam os arts. 761, 764, 765 e 766, ressalvado o disposto no art. 767 (Lei nº 7.713, de 1988, art. 40, § 1º, e Lei nº 7.799, de 1989, art. 55, §§ 1º e 7º). Instrução Normativa SRF nº 25/2001 Art. 23. Os ganhos líquidos auferidos por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, em operações realizadas nas bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, existentes no País, sujeitamse à incidência do imposto de renda de acordo com as disposições previstas nesta seção. [...] §3º Considerase ganho líquido o resultado positivo auferido nas operações de que tratam os arts. 25 a 29 realizadas em cada mês, admitida a dedução dos custos e despesas incorridos, necessários à realização das operações. Art. 25. Nos mercados à vista, o ganho líquido será constituído pela diferença positiva entre o valor de alienação do ativo e o seu custo de aquisição, calculado pela média ponderada dos custos unitários. De acordo com esses dispositivos, podem ser deduzidos do ganho líquido auferido no mercado de renda variável os custos e as despesas incorridos, necessários à realização das operações. É essa também a orientação constante da publicação do Perguntas e Respostas do Imposto de Renda da Pessoa Física divulgada pela Receita Federal para os exercícios 2006 e 2007 (perguntas nº 612 e nº 615, respectivamente): As despesas incorridas nas operações no mercado de renda variável podem ser deduzidas? Sim. As despesas efetivamente pagas constantes em notas de corretagem para a realização de operações de compra ou venda (corretagens, taxas de custódia etc.) podem ser consideradas na apuração do ganho líquido, sendo acrescidas ao preço de compra e deduzidas do preço de venda dos ativos ou contratos negociados. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 16045.000130/200911 Acórdão n.º 2002001.037 S2C0T2 Fl. 183 9 Constatase, portanto, que a referida dedução não abrange todas as despesas envolvidas na compra e venda de ações, mas apenas aquelas necessárias à realização dessas operações, como as taxas de corretagem, custódia e emolumentos cobradas para que se possa investir no mercado de renda variável. Tais custos operacionais não se confundem com valores pagos a título de conta margem e de aluguel. A conta margem é uma modalidade de crédito oferecida por corretoras de valores para que seus clientes consigam comprar ações à vista mesmo com saldo insuficiente em conta, alavancando o total de seus investimentos e aproveitando as oportunidades do mercado sem abrir mão de seu ativos em carteira. Ou seja, tratase de um empréstimo para a compra de ações. Já o aluguel de ações é uma operação na qual o proprietário disponibiliza seus títulos para terceiros, recebendo uma remuneração em troca. Para o tomador, essas ações podem representar uma oportunidade de ganho, quando vendidas na baixa e recompradas na alta, viabilizar estratégias ou cobrir vendas realizadas a descoberto, por exemplo. Resta claro, portanto, que a conta margem e o aluguel de ações são instrumentos utilizados de forma opcional pelo investidor, não se enquadrando no conceito de despesa necessária à realização das operações de compra e venda, ao contrário do que entende o relator. Nesse sentido, cumpre transcrever trecho do acórdão de primeira instância, cujas razões de decidir eu acompanho (efls. 153/154): O parágrafo 3º do art. 23 da IN SRF n.º 25/2001, deve ser interpretado de forma estrita: admitese apenas a dedução de custos e despesas incorridos, desde que sejam necessários à realização das operações de renda variável e que constem das notas de corretagem referentes às operações de compra ou de venda de ações. Daí se conclui que os gastos decorrentes das operações de empréstimo citadas na consulta são indedutíveis, uma vez que não são imprescindíveis à realização das operações, por se caracterizarem como uma facilidade oferecida pela corretora a seus clientes, sendo que empréstimo e aplicação em renda variável são operações inteiramente distintas. Em vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 187DF CARF MF 10 Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16707.003229/2006-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA
A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado.
O erro na aposição do dispositivo analítico não trouxe qualquer prejuízo a contribuinte no seu direito de defesa.
IRPF. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. UNIÃO. LEGITIMIDADE.
A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo.
IRPF. FONTE PAGADORA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF N° 12
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
PAGAMENTO DE REAJUSTE. UNIDADE DE REFERÊNCIA DE PREÇOS (URP). NATUREZA SALARIAL.
O pagamento do reajuste de 26,05%, relativo à URP do mês de fevereiro/1989, recebido a partir de acordo homologado pela Justiça do Trabalho, é dotado de natureza salarial e sujeito à incidência do imposto de renda.
MULTA DE OFÍCIO. FONTE PAGADORA. ERRO ESCUSÁVEL. SÚMULA CARF Nº 73.
A omissão de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste da pessoa física, causada por informação errada prestada pela fonte pagadora com base nos termos de acordo homologado em ação trabalhista, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
(Súmula CARF nº 73)
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA.
A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano-calendário 2001, relativamente ao pagamento do reajuste da URP, deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente.
Numero da decisão: 2401-006.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, conforme competências compreendidas na ação (regime de competência) e para excluir a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator), Matheus Soares Leite e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. O erro na aposição do dispositivo analítico não trouxe qualquer prejuízo a contribuinte no seu direito de defesa. IRPF. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. UNIÃO. LEGITIMIDADE. A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo. IRPF. FONTE PAGADORA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF N° 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. PAGAMENTO DE REAJUSTE. UNIDADE DE REFERÊNCIA DE PREÇOS (URP). NATUREZA SALARIAL. O pagamento do reajuste de 26,05%, relativo à URP do mês de fevereiro/1989, recebido a partir de acordo homologado pela Justiça do Trabalho, é dotado de natureza salarial e sujeito à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. FONTE PAGADORA. ERRO ESCUSÁVEL. SÚMULA CARF Nº 73. A omissão de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste da pessoa física, causada por informação errada prestada pela fonte pagadora com base nos termos de acordo homologado em ação trabalhista, não autoriza o lançamento de multa de ofício. (Súmula CARF nº 73) RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano-calendário 2001, relativamente ao pagamento do reajuste da URP, deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, conforme competências compreendidas na ação (regime de competência) e para excluir a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator), Matheus Soares Leite e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. O erro na aposição do dispositivo analítico não trouxe qualquer prejuízo a contribuinte no seu direito de defesa. IRPF. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. UNIÃO. LEGITIMIDADE. A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo. IRPF. FONTE PAGADORA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF N° 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. PAGAMENTO DE REAJUSTE. UNIDADE DE REFERÊNCIA DE PREÇOS (URP). NATUREZA SALARIAL. O pagamento do reajuste de 26,05%, relativo à URP do mês de fevereiro/1989, recebido a partir de acordo homologado pela Justiça do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 32 29 /2 00 6- 82 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 16707.003229/200682 Acórdão n.º 2401006.079 S2C4T1 Fl. 3 2 Trabalho, é dotado de natureza salarial e sujeito à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. FONTE PAGADORA. ERRO ESCUSÁVEL. SÚMULA CARF Nº 73. A omissão de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste da pessoa física, causada por informação errada prestada pela fonte pagadora com base nos termos de acordo homologado em ação trabalhista, não autoriza o lançamento de multa de ofício. (Súmula CARF nº 73) RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no anocalendário 2001, relativamente ao pagamento do reajuste da URP, deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, conforme competências compreendidas na ação (regime de competência) e para excluir a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator), Matheus Soares Leite e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Fl. 138DF CARF MF Processo nº 16707.003229/200682 Acórdão n.º 2401006.079 S2C4T1 Fl. 4 3 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório IVANEIDE PAULINA DO NASCIMENTO MOURA, contribuinte, pessoa física, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ em Recife/PE, Acórdão nº 1126.231/2009, às efls. 72/87, que julgou procedente o Auto de Infração concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, em relação ao exercício 2002, conforme peça inaugural do feito, às fls. 04/09, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 21/08/2006, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fatos geradores: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA, DECORRENTES DE TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. A contribuinte Ivaneide Paulina do Nascimento Moura, CPF: 254.348.10449, recebeu em 20/04/2001 o valor de R$ 183.946,96 (cento e oitenta e três mil, novecentos e quarenta e seis reais e noventa e seis centavos) referente à decisão trabalhista, tendo sido descontado o valor de R$ 9.197,35 (nove mil, cento e noventa e sete reais e trinta e i cinco centavos) referente a honorários advocatícios, dessa forma recebendo o valor!tributável líquido de R$ 174.749,61 (cento e setenta e quatro mil, setecentos e quarenta e nove reais e sessenta e hum centavos), conforme documento de fls. 14 a 20. Os rendimentos tributáveis no valor de R$ 174.749,61 foram omitidos na sua declaração ide imposto de renda pessoa física do ano calendário 2001 (fls. 38 a 40). Consta da decisão da Juíza Gláucia Maria Gadelha Monteiro que sobre tais rendimentos 'não incide Imposto de Renda, nos termos do Provimento CG/TST 01/96 (fls. 24 a 25). Nesse mesmo Provimento consta do item 01 "a incompetência da Justiça do Trabalho para deliberar acerca de valores eventualmente devidos pelos autores de reclamações trabalhistas ao Imposto de Renda, em virtude da liquidação de sentenças condentaórias". Fl. 139DF CARF MF Processo nº 16707.003229/200682 Acórdão n.º 2401006.079 S2C4T1 Fl. 5 4 Tendo em vista este contraditório foi encaminhado relatório para a Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 08 a 13) para que fosse emitido parecer jurídico. De acordo com o Parecer PFN/RN/RWSA n° 001/2006 a decisão acerca da não incidência do Imposto de Renda não tem fundamento jurídico. Assim sendo, caberá lançamento dos rendimentos omitidos com os devidos acréscimos legais, conforme Parecer da Fazenda Nacional constante de fls. 26 a 28. A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento no Recife/PE entendeu por bem julgar procedente o lançamento, conforme relato acima. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 91/132, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, preliminarmente pugna pela nulidade da decisão de primeira instância por vício insanável em sua conclusão. Ademais, por repisar às alegações da impugnação, adoto o relatório da DRJ, vejamos:: 3.2. Preliminar 3.2.1. o impugnante discorre sobre transferência, substituição e responsabilidade tributária, concluindo que a Caixa Econômica Federal é a substituta tributária do contribuinte, portanto, o procedimento fiscal não poderia jamais ter sido voltado contra a pessoa do impugnante e sim contra aquela instituição financeira; 3.2.2. observase que em 2002 a Receita Federal chegou a iniciar um procedimento contra a Caixa Econômica Federal, porém deuse por satisfeita com a simples informação de que o imposto não fora retido em virtude de decisão judicial, passando a atacar o acerto da decisão judicial, que disse não ser devido o imposto, arguindo, até mesmo, a ineficácia do julgado frente à Fazenda Nacional, uma vez que esta não foi parte no processo trabalhista onde houve a prolação da sentença; 3.2.3. a Receita Federal contaminou o procedimento fiscal com a eiva da nulidade, pois, se a decisão judicial não pode ser imposta à Fazenda Nacional, em atenção aos limites subjetivos da coisa julgada, a consequência lógica é que a Receita Federal pode exigir da Caixa Econômica Federal o recolhimento do tributo que entende devido, pois, o impugnante não tem legitimidade para figurar no pólo passivo do aludido procedimento; Fl. 140DF CARF MF Processo nº 16707.003229/200682 Acórdão n.º 2401006.079 S2C4T1 Fl. 6 5 3.2.4. o impugnante transcreve parte do Parecer PFN/RN/RWSA n° 001/2006, proferido no processo 11598.000552/200584, no qual o Procurador entende que "a Fazenda não fica obrigada a cumprir qualquer comando da decisão homologada entre a Caixa Econômica Federal e os reclamantes, uma vez que tal decisão só produz efeitos inter partes", nada havendo para justificar o redirecionamento do procedimento fiscal, antes instaurado contra a Caixa por meio do Mandado de Procedimento Fiscal n° 04.2.02.002002000931, datado de 22/04/2002, sendo utilizado "dois pesos e duas medidas"; 3.2.5. cumpriu a mesma decisão judicial e preencheu a declaração de ajuste anual com base no comprovante de rendimentos fornecido pela Caixa Econômica Federal, onde a verba relativa ao fato gerador foi indicada como rendimento isento e não tributável, conforme orientação do Manual de Preenchimento da Declaração de Ajuste Anual; 3.2.6. cita farta doutrina e jurisprudência do Conselho de Contribuintes, sobre a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda retido na fonte. 3.3. Do Mérito 3.3.1. ajuizou reclamação trabalhista contra a Caixa Econômica Federal, juntamente com mais 70 empregados, pleiteando o recebimento do índice de 26,05%, relativo à URP de fevereiro de 1989, e a integração destes valores às verbas salariais vencidas e vincendas e ao FGTS, férias, gratificação natalina e anuênios; 3.3.2. após dez anos de "peleja judicial", a reclamada foi condenada, em última instância, nos termos da petição inicial, tendo ingressado com uma ação rescisória, que poderia protelar por mais cinco anos o pagamento do débito reconhecido judicialmente, porém, não vislumbrado a possibilidade de reverter a decisão, a Caixa Econômica Federal propôs um acordo, no qual ela pagaria os valores depositados em juizo, desde que os reclamantes renunciassem expressamente à incorporação inicialmente pleiteada, tendo sido aceito pelos reclamantes; 3.3.3. portanto, a quantia recebida teve o escopo de compensálo pela renúncia ao direito subjetivo de incorporação, tendo a natureza de indenização, não se configurando como renda na definição legal, mas um simples ressarcimento de um dano; 3.3.4. na sentença homologatória do acordo, restou consignado que não incide imposto de renda sobre a conciliação, nos termos do Provimento CG/TST 01/96, porém a DRF/Natal enviou relatório à PFN/RN, solicitando orientação sobre a possibilidade de efetuar o lançamento com ou sem multa de oficio, tendo em vista a incongruência no Provimento CG/TST 01/96, no qual o item 01 afirma a incompetência da Justiça do Trabalho para deliberar acerca de imposto de renda incidente em reclamações trabalhistas em virtude de sentenças condenatórias enquanto o item 03 afirma não incidir imposto de Fl. 141DF CARF MF Processo nº 16707.003229/200682 Acórdão n.º 2401006.079 S2C4T1 Fl. 7 6 renda sobre quantias pagas a título de acordo na Justiça do Trabalho; 3.3.5 em resposta, foi emitido o Parecer n° 001/2005, concluindo que apenas as verbas de natureza salarial podem sofrer incidência de IRPF, ficando a base de cálculo do imposto, portanto, a depender da discriminação das verbas, porém, o procurador não endossou a aplicação da multa de oficio, tendo em vista que a culpa da retenção do imposto não poderia ser atribuída aos reclamantes beneficiados pela decisão; 3.3.6. acontece que não existe a contradição apontada, uma vez que está dito que a Justiça do Trabalho é incompetente para deliberar acerca de valores eventualmente devidos em virtude de liquidação de sentenças condenatórias, porém o item 03 afirma a não incidência de imposto de renda sobre quantias pagas a título de acordo, no qual houve renúncia a direitos de ambas as partes, portanto, o que se recebe tem natureza indenizatória, pois visa tornar indene ou recompor o patrimônio de dano sofrido em virtude da renúncia a direitos patrimoniais; 3.3.7. o Supremo Tribunal Federal — STF posicionouse no sentido de que a Justiça do Trabalho tem competência para definir a incidência ou não de descontos previdenciários e de imposto de renda; 3.3.8. se a Receita Federal aceitou a justificativa da Caixa Econômica Federal de que não fez o recolhimento em virtude da sentença da juíza do trabalho, única razão apresentada, deve aceitar as justificativas do contribuinte, alheias a sua vontade, para não ter recolhido o imposto de renda: obediência à sentença da juíza, o fato de a fonte pagadora não ter retido o imposto de renda na fonte e ter emitido o comprovante de rendimentos e o fato de o contribuinte ter feito sua declaração de acordo com o referido comprovante; 3.3.9. nenhum centavo do valor recebido tem natureza salarial, requerendo uma perícia contábil, sendo certo que, se não conseguir discriminar as verbas de natureza salarial, a Receita Federal não poderá, por mera presunção, submeter todo o valor recebido à tributação, contrariando o disposto pela PFN/RN; Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Fl. 142DF CARF MF Processo nº 16707.003229/200682 Acórdão n.º 2401006.079 S2C4T1 Fl. 8 7 Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator. Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço dos recursos e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINARES NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Recorrente pleiteia a nulidade da decisão de primeira instância por falta de apreciação de argumentos defensivos apresentados pelo contribuinte. No entanto, entendo que não assiste razão ao contribuinte. A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Em que pese a irresignação do contribuinte, foram enfrentados todos os argumentos defensivos apresentados em sede de impugnação e, consoante os elementos de fato e de direito contidos nos autos do processo administrativo o julgador formou seu livre convencimento, apresentando fundamentos suficientes e claros para refutar as alegações deduzidas. No que tange a alegação de nulidade por erro manifesto em virtude de ter sido indicado no "dispositivo" do Acórdão o resultado "...considerar procedente em parte o lançamento", percebese que ocorreu um simples erro, pois toda a fundamentação do voto é no sentido de "procedência do lançamento", inclusive na conclusão do voto, este é o resultado. Entretanto, o equívoco mencionado em nada prejudica a contribuinte em sua ampla defesa. Ademais, a contribuinte entendeu o que fora decidido pela DRJ, uma vez ter apresentado Recurso Voluntário rebatendo cada ponto do Acórdão recorrido. Neste diapasão, afasto a nulidade pleiteada. ILEGITIMIDADE DA UNIÃO E ILEGITIMIDADE PASSIVA RESPONSABILIDADE FONTE PAGADORA A competência tributária é o poder constitucionalmente atribuído aos entes federados para editar leis que instituam tributos. Compreende dois poderes: o poder de instituição de tributo e o poder de cobrança do mesmo. Para o imposto de renda, a competência tributária é estabelecida pela Constituição Federal/1988 no seu art. 153: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; [...] (grifamos) Assim, é da União a competência tributária plena para instituir, arrecadar, fiscalizar e executar o imposto de renda. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 16707.003229/200682 Acórdão n.º 2401006.079 S2C4T1 Fl. 9 8 Por sua vez, o art. 157, inciso I, da Constituição Federal de 1988, promove a repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados, determinando, no caso, que aos estados membros pertence o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem. Nesta seara, destacase o parágrafo único, do art. 6° do Código Tributário Nacional (CTN), in verbis: Art. 6º A atribuição constitucional de competência tributária compreende a competência legislativa plena, ressalvadas as limitações contidas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados e nas Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos Municípios, e observado o disposto nesta Lei. Parágrafo único. Os tributos cuja receita seja distribuída, no todo ou em parte, a outras pessoas jurídicas de direito público pertencerá à competência legislativa daquela a que tenham sido atribuídos. Assim, a repartição da receita em nada afeta a competência tributária do ente eleito pela Constituição como titular do poder de tributar relativo a determinado tributo. No caso do Imposto de Renda, a competência para instituir, arrecadar e fiscalizar o imposto sobre a renda é da União, a teor do que estabelece o art. 153, inciso III, da Constituição Federal. Por esta razão, rejeitase a alegação de ilegitimidade ativa da União reclamada pelo contribuinte Em relação a responsabilidade da fonte pagadora, importa observar que, nos autos deste procedimento administrativo fiscal, não se está discutindo a falta de retenção do imposto de renda pela fonte mas, sim, o fato de a recorrente ter omitido da tributação, na declaração de ajuste anual, rendimentos auferidos nos anoscalendário de 2001. Neste caso, cabe ao contribuinte, como titular da disponibilidade econômica desses rendimentos, a responsabilidade pela correspondente tributação. Esse é o entendimento pacífico deste Colegiado, conforme enunciado da súmula CARF n° 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Ademais, a boafé do contribuinte não afasta a incidência do tributo, por falta de norma que assim o autorize. Rejeito, portanto, o pedido de responsabilização da fonte pagadora. MÉRITO Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, a contribuinte fora autuada, com arrimo nos artigos 1o a 3°, e §§, da Lei n° 7.713/1988, dentre outros, os quais contemplam a presunção de omissão de rendimentos caracterizada, in casu, pela omissão de rendimentos auferidos da Caixa Econômica Federal como isentos e não tributáveis na DIRPF, a título de "Valores Indenizatórios de URP", em relação ao exercício 2002. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 16707.003229/200682 Acórdão n.º 2401006.079 S2C4T1 Fl. 10 9 Com mais especificidade, relata a autoridade lançadora no Auto de Infração, às efls 05/09, que Os rendimentos tributáveis no valor de R$ 174.749,61 foram omitidos na sua declaração ide imposto de renda pessoa física do ano calendário 2001 (fls. 38 a 40). Consta da decisão da Juíza Gláucia Maria Gadelha Monteiro que sobre tais rendimentos 'não incide Imposto de Renda, nos termos do Provimento CG/TST 01/96 (fls. 24 a 25). Nesse mesmo Provimento consta do item 01 "a incompetência da Justiça do Trabalho para deliberar acerca de valores eventualmente devidos pelos autores de reclamações trabalhistas ao Imposto de Renda, em virtude da liquidação de sentenças condentaórias". Tendo em vista este contraditório foi encaminhado relatório para a Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 08 a 13) para que fosse emitido parecer jurídico. De acordo com o Parecer PFN/RN/RWSA n° 001/2006 a decisão acerca da não incidência do Imposto de Renda não tem fundamento jurídico. Assim sendo, caberá lançamento dos rendimentos omitidos com os devidos acréscimos legais, conforme Parecer da Fazenda Nacional constante de fls. 26 a 28. Ainda irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, ora objeto de análise, suscitando que são considerados isentos os valores recebidos a título de diferenças de URP, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria. A incidência do Imposto de Renda Pessoa Física encontrase regulamentada pelo artigo 43, incisos I e II, do Código Tributário Nacional, nos termos abaixo: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Com efeito, conforme se constata dos autos do processo administrativo, as verbas recebidas decorrem de reclamação trabalhista ajuizada contra a Caixa Econômica Federal, juntamente com mais 70 (setenta) empregados, na qual se pleiteou o recebimento da diferença correspondente ao índice de 26,05%, relativo à URP de fevereiro de 1989. Consoante estabelecido na legislação encimada, o fato gerador do Imposto de Renda é a disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou de ambos) ou proventos de qualquer natureza, entretanto, o conceito de renda é limitado e não abrange valores que não representem acréscimo ao patrimônio do contribuinte, como é o caso dos autos. Destarte, é passível tanto na doutrina como na jurisprudência dos tribunais superiores o entendimento de que a correção monetária não representa acréscimo patrimonial, pois é, na realidade, mecanismo de recomposição da efetiva desvalorização da moeda e seu objetivo é preservar o poder aquisitivo original em relação à inflação. No caso, foi justamente a inflação que motivou toda a sistemática de aplicação da própria URV. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 16707.003229/200682 Acórdão n.º 2401006.079 S2C4T1 Fl. 11 10 O Ministro Marco Aurélio, relator do Recurso Extraordinário nº 565.089, onde se discute (em sede de Repercussão Geral) a indenização por falta de revisão anual em vencimentos dos servidores públicos de São Paulo, externa em seu voto o seguinte entendimento: O Supremo já assentou que “a correção monetária não se constitui em um plus, não é uma penalidade, mas mera reposição do valor real da moeda corroída pela inflação” – Agravo Regimental na Ação Cível Originária nº 404, da relatoria do Ministro Maurício Corrêa. Ademais, o tema da natureza das verbas URV/URP já foi objeto de analise por parte deste Relator, em 10/08/2017, ensejando o Acórdão n° 2401005.031, o qual transcrevo os fundamentos ali exarados: (...) o STF ao se posicionar sobre o abono variável pago aos magistrados da União, nos termos do artigo 2º, da Lei 10.474/2002, que compreendia as diferenças de URV, dentre outras verbas, manifestouse pela sua natureza indenizatória, conforme artigo 1º da Resolução 245/2002, que assim dispõe: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Conforme conclusões do STF nas decisões que ensejaram o nascimento da Resolução encimada, a regra de incidência tributária é excetuada quando a concessão do abono for "feita para reparação da supressão ou perda de direito, característica que lhe emprestaria o caráter de indenização", que foi, exatamente, o que ocorreu com o abono variável e provisório previsto pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. Na ocasião, a PGFN se pronunciou por meio dos Pareceres 529/2003 e 923/2003, concluindo que, tal qual o abono pago aos membros da magistratura da União, o abono concedido aos membros do Ministério Público da União possui natureza indenizatória, conforme Resolução 245/2002, do STF. Nesse contexto, considerando que o pagamento da diferença de URV tem o objetivo de reparação ou supressão de perda de direito, e esta característica lhe confere a natureza de verba indenizatória para os membros da magistratura e Ministério Público da União, entende este Conselheiro, que outra não pode ser sua natureza quando paga aos membros da Magistratura e Ministério Público Estadual. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas União e Estado da Bahia, e, terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das Fl. 146DF CARF MF Processo nº 16707.003229/200682 Acórdão n.º 2401006.079 S2C4T1 Fl. 12 11 diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. (...) Neste diapasão, entendo dever ser afastada a incidência do imposto de renda da pessoa física em relação aos valores recebidos a título de diferenças de URV por ter natureza indenizatória, conforme encimado. (Grifamos). Portanto, sob todos os prismas analisados, não vejo como possível afastar a natureza indenizatória das verbas recebidas pelo Recorrente à titulo de "diferenças de URV", seja pela aplicação da Resolução nº 245 do STF, seja pelo fato de tal medida ter sido adotada no intuito de recompor seu patrimônio pela perda experimentada quando da conversação das moedas, restando clara a sua natureza indenizatória. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para afastar as preliminares e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço licença ao I. Relator para discordar do seu voto quanto ao mérito do julgamento do recurso voluntário. Por outro lado, manifesto conformidade com a rejeição das questões preliminares. Tratase de lançamento do imposto de renda incidente sobre valores correspondentes ao pagamento do índice de 26,05% fixado para a Unidade de Referência de Preços (URP) do mês de fevereiro/1989, conforme acordo homologado pela Justiça do Trabalho. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte omitiu da sua declaração anual os rendimentos tributáveis recebidos em decorrência de acordo na Justiça do Trabalho (fls. 05/07 e 40/42). A parcela recebida pela recorrente no ano de 2001 possui nítida conotação salarial, caracterizando rendimento tributável e submetido à incidência do imposto de renda. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 16707.003229/200682 Acórdão n.º 2401006.079 S2C4T1 Fl. 13 12 Ainda que recebida em atraso, a verba é decorrente de pagamento de diferença salarial resultante de plano econômico instituído pelo Governo Federal, reconhecida como devida em virtude de ação judicial. Para concluir pela natureza indenizatória da parcela recebida pela pessoa física, o I. Relator fez um paralelo com os valores do reajuste de 3,17% relativos à Unidade Real de Valor (URV). Contudo, em uma e outra hipótese os valores não escapam à tributação do imposto de renda, visto que são destinados à recomposição salarial e representam acréscimo patrimonial para o beneficiário dos rendimentos. No tocante à URV, inclusive, a atual jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais é firme no sentido da natureza remuneratória de tais pagamentos.1 A renúncia ao direito de incorporação do percentual de 26,05% ao salário do contribuinte, que havia sido pleiteado na petição inicial, não converte o rendimento pago em caráter indenizatório (fls. 65/83). Com efeito, por meio de acordo de conciliação, a recorrente e os demais autores da ação trabalhista aceitaram receber apenas parte das verbas salariais reclamadas, com a finalidade específica de chegar ao fim o longo processo judicial em curso, bem como incorporar as quantias já reconhecidas e depositadas em juízo pela Caixa Econômica Federal ao seu patrimônio. Quanto às importâncias vincendas, havia tão só a expectativa de incorporação do índice da URP de fevereiro/1989 aos salários dos trabalhadores, quando da decisão definitiva executória favorável aos reclamantes, após esgotados os meios recursais para discussão da matéria. Por cuidar de direito patrimonial disponível, os exeqüentes simplesmente optaram em ganhar menos, em prol da imediata liberação financeira, de maneira que o valor efetivamente pago na ação trabalhista não configura recomposição patrimonial e/ou compensação pela perda do direito à incorporação salarial do índice de 26,05% com base na URP. Conforme antes esclarecido na análise da preliminar, a constituição do crédito tributário se deu corretamente em nome da pessoa física beneficiária dos rendimentos (Súmula CARF nº 12). A falta de retenção do imposto sobre os rendimentos pagos poderia implicar o reajustamento da base de cálculo. No entanto, tal hipótese não produz efeitos sobre o polo passivo da relação tributária, apenas que o beneficiário dos rendimentos deveria oferecer o montante reajustado à tributação do imposto de renda. 1 Por exemplo, o Acórdão nº 920207.070, de 25/07/2018, cuja ementa reproduzo parcialmente a seguir: (...) IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. (...) Fl. 148DF CARF MF Processo nº 16707.003229/200682 Acórdão n.º 2401006.079 S2C4T1 Fl. 14 13 A decisão judicial acerca da não incidência do imposto de renda não obriga a Fazenda Pública, em atenção aos limites subjetivos do julgado, que vincula somente os acordantes. É dizer que a decisão homologatória produz efeitos "inter partes", de um lado, empregados e exempregados, via atuação do respectivo sindicato, e, de outro, a Caixa Econômica Federal. Por sua vez, no que toca à exclusão da multa de ofício, merece reforma a decisão de piso. A falta de recolhimento do imposto de renda deuse pela natureza da classificação dos rendimentos a partir de informação prestada pela fonte pagadora e respaldada no acordo homologado em juízo. Devido à decisão judicial que homologou o acordo, a Caixa Econômica Federal entendeu que estava desobrigada da retenção na fonte do imposto de renda, tendo orientado os beneficiários pela não incidência sobre as quantias recebidas, o que foi decisivo para a conduta da recorrente (fls. 25). Em verdade, a fonte pagadora confiou na orientação da Justiça do Trabalho, que a desobrigou de efetuar a retenção, na medida em que a juíza da 1ª Vara do Trabalho de Mossoró deixou consignado a não incidência do imposto de renda sobre os valores homologados no termo de conciliação, numa interpretação, data vênia, equivocada do Provimento CG/TST 01/96 (fls. 16/22). Em que pese a falta de recolhimento e/ou declaração do imposto, punível com sanção pecuniária, é cabível a exoneração da multa de oficio em decorrência do erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora à natureza dos rendimentos, com respaldo nas palavras do Poder Judiciário quando procedeu à homologação do acordo de conciliação entre as partes. Nesse sentido, é oportuna a reprodução do entendimento do verbete sumular nº 73 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Diferentemente, os juros de mora não possuem caráter de penalidade, incidindo sobre o crédito tributário que deixou de ser pago. Os efeitos da mora sobre o crédito tributário são automáticos, bastando a falta de pagamento no vencimento. Confirase o prescrito no art. 161 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN): 2 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e 2 Quanto à incidência dos juros de mora, ressalvase a hipótese de depósito do crédito tributário, conforme a Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 16707.003229/200682 Acórdão n.º 2401006.079 S2C4T1 Fl. 15 14 da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (...) Como não incidiu desconto do imposto na fonte por ocasião do recebimento dos rendimentos, o contribuinte utilizou dinheiro alheio, devendo, sob pena de enriquecimento sem causa, compensar a falta de disponibilidade dos recursos pelo Poder Público, mediante os juros de mora incidentes sobre o valor do imposto originário devido e não pago. Para fins de cobrança dos juros de mora, tornase indiferente o motivo que determinou a ausência do pagamento. Por derradeiro, assinalo que os rendimentos recebidos pela contribuinte no anocalendário de 2001 são relativos a anoscalendário anteriores, vinculados ao reajustamento salarial com base no índice de 26,05% fixado para a URP, aplicado sobre prestações vencidas até a efetivação do pagamento na ação trabalhista. Em sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada no dia 23/10/2014, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 614.406/RS, com repercussão geral reconhecida, redator para o acórdão Ministro Marco Aurélio, o Plenário da Corte admitiu a invalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de 27 de dezembro de 1988, no que tange à sistemática de cálculo para a incidência do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, por violar os princípios da isonomia e da capacidade contributiva. Com efeito, afastando o regime de caixa, o Tribunal acolheu o regime de competência para o cálculo mensal do imposto de renda devido pela pessoa física, com a utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Eis a ementa desse julgado: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Em 09/12/2014, o Recurso Extraordinário nº 614.406/RS transitou em julgado, tornando definitiva a decisão. Diante desse contexto fático, o § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho RICARF , aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 3 de maio de 2016, assim estabelece: Art. 62. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 16707.003229/200682 Acórdão n.º 2401006.079 S2C4T1 Fl. 16 15 A exigência de que o imposto incidirá no mês da percepção dos valores, sobre o total de rendimentos acumulados, aplicandose a tabela progressiva vigente no mês desse recebimento, foi considerada em descompasso com o texto constitucional, em decisão definitiva de mérito na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil. O entendimento da Corte Suprema deverá ser reproduzido no âmbito deste Conselho. Desse modo, a unidade da RFB encarregada da liquidação e execução deste acórdão deverá manter a incidência do imposto de renda no mês de recebimento, porém o cálculo deve considerar as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, realizandose a apuração de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. Conclusão Ante o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto para: (i) excluir a aplicação da multa de ofício; e (ii) determinar o recálculo do imposto de renda tomando como base as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram os rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.662843/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 20/07/2007
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
Considera-se confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos.
Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
Numero da decisão: 3301-006.005
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade devotos, negar provimento ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 28 43 /2 01 2- 31 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10880.662843/201231 Acórdão n.º 3301006.005 S3C3T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade devotos, negar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini Relatório Tratase de processo formalizado para o tratamento manual da Declaração de Compensação onde se pleiteia a compensação de crédito oriundo de pagamento a maior de COFINS não cumulativa, com débitos tributários de sua titularidade. Em análise da Declaração de Compensação transmitida, a unidade de origem emitiu o Despacho Decisório, tendo como resultado a não homologação da compensação. Contra esta decisão a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, onde alega, em síntese: Que após o pagamento da contribuição, verificou que não havia considerado em sua apuração o desconto de créditos que lhe são conferidos pelo art. 3º da Lei nº 10.833/03; Que seu crédito pode ser aferido pela análise do DACON Retificador, juntado ao presente, que comprova a correta apuração da COFINS sob o regime nãocumulativo; Que a falta de retificação da DCTF não é suficiente para negarlhe o crédito a quem tem direito; Que deve prevalecer o princípio da verdade material. Que o Parecer Normativa Cosit nº 02/2015 ampara seu pleito; Requer a realização de diligência bem como a juntada posterior de documentos; Anexa cópias da DACON original e retificadora e memória de cálculo de apuração da contribuição. 5. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14067.494. Inconformado com tal decisão, o requerente apresentou Recurso Voluntário, onde traz, como razões de defesa os mesmos fundamentos e argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade dirigida á DRJ, requerendo in fine : Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10880.662843/201231 Acórdão n.º 3301006.005 S3C3T1 Fl. 4 3 seja reconhecida a procedência integral dos argumentos narrados neste Recurso Voluntário, a fim de que, nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, seja reconhecida a totalidade do direito creditório pleiteado sob os auspícios da verdade material, com a sequente homologação das compensações declaradas e a respectiva extinção do crédito tributário nos termos do artigo 156, inciso II, do Código Tributário Nacional Subsidiariamente, na remota hipótese do não reconhecimento imediato do direito invocado, o que não se acredita, requer sejam considerados todos os elementos probatórios carreados aos autos – sobretudo a memória de cálculo de apuração da COFINS do período e respetiva Ficha 16A do DACON Retificador –como indícios suficientes à veracidade do crédito tributário para, novamente à luz do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, autorizar/determinar a realização de diligência fiscal para análise/validação da apuração do tributo efetivada pela Recorrente, em observância à necessária busca pela verdade material dos fatos e relativização de questões meramente formais / burocráticas (entre elas o erro de preenchimento da DCTF). É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.990, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.662828/201293, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.990): "8. O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. 9. O próprio recurso voluntário traz a síntese fática base da discussão nestes autos que, em breve resumo, trata da não homologação de compensação declarada, diante da inexistência de crédito, pois o crédito pleiteado é oriundo de recolhimento efetuado por documento DARF totalmente vinculado a débito confessado em DCTF, ou seja, o débito confessado em DCTF foi totalmente liquidado pelo pagamento efetivado pelo DARF utilizado como argumento como nascedouro do crédito a ser utilizado na compensação. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10880.662843/201231 Acórdão n.º 3301006.005 S3C3T1 Fl. 5 4 10. Assim se manifesta a recorrente, em sua tese recursal : I – SÍNTESE DOS FATOS Tratase de processo administrativo instaurado para controle e análise depedido de compensação de créditos de COFINS formulado pela Recorrente, devidamente declarado via sistema PER/DCOMP que, ao ser analisado pela Autoridade Fiscal, não foi homologado, com amparo na seguinte motivação: “[...] A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...]” (destacado e grifado) Como se verifica, o fundamento do r. despacho decisório em questão reside unicamente na suposta inexistência do crédito oriundo do pagamento a maior efetuado através do DARF indicado no PER/DCOMP, pois a integralidade do crédito pleiteado estaria vinculada a débito declarado pela Recorrente, ou seja, o DARF em referência teria quitado, sem qualquer saldo remanescente, o débito correspondente à COFINS apurada no período. No entanto, o crédito constante no PER/DCOMP transmitido decorre do indébito de COFINS, o qual pode ser aferido pela análise do DACON retificador que comprova a correta apuração da COFINS sob o regime da nãocumulatividade. Com efeito, o DARF vinculado no PER/DCOMP teve por base o valor indicado no primeiro DACON transmitido, cuja apuração, por equívoco da Recorrente, não considerou os créditos inerentes ao regime da nãocumulatividade, tais como (i) os valores pagos à pessoa jurídica, referentes a aluguéis de máquinas e equipamentos utilizados em suas atividades empresariais, (ii) as despesas incorridas na aquisição de bens e serviços caracterizados como insumos, (iii) custos com armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, (iv) encargos de depreciação e amortização de máquinas e equipamentos incorporados ao seu ativo imobilizado, (v) encargos de depreciação e amortização relativos a edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, também utilizados nas atividades da Recorrente, entre outros. Desta forma, com a retificação da apuração da COFINS, a Recorrente verificou a existência de crédito tributário Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10880.662843/201231 Acórdão n.º 3301006.005 S3C3T1 Fl. 6 5 decorrente do pagamento a maior praticado, com o consequente direito à compensação do indébito correlato, nos termos do art. 74, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como da Instrução Normativa RFB nº 900/08, à época vigente, motivo pelo qual é medida imperiosa a homologação da compensação em tela, justamente diante da inequívoca existência do crédito regularmente compensado. Nesse sentido, a Recorrente apresentou tempestivamente sua Manifestação de Inconformidade, demonstrando e comprovando pelos diversos documentos juntados aos autos que o r. despacho decisório carece de reforma integral, tendo em vista a total e incontroversa existência do saldo credor de COFINS pleiteado, consoante detalhadamente exposto. 12. Ou seja, defende a recorrente que o crédito objeto de pretensa compensação teria origem em erro da recorrente, ao deixar de apurar créditos da não cumulatividade, por aquisições no mercado interno de insumos e serviços, o que teria a levado a recolher a maior o valor da COFINS. Ao refazer a apuração de tais créditos, a recorrente alega que os créditos apurados foram utilizados para dedução da COFINS devida, o que teria reduzido o valor da COFINS a pagar, sendo que o valor utilizado para tal pagamento teria se tornado, desta forma, maior do que o devido, gerando um crédito a seu favor, crédito este que a recorrente utilizou para quitação de débitos via compensação. 13. A rigor, pretende a recorrente que se reconheça o direito creditório originado desta apuração de créditos da não cumulatividade, e que se homologue a compensação pleiteada, para que seja autorizada a sua utilização para liquidação de débitos indicado na DCOMP. 14. Entretanto, negase a recorrente a proceder a correção da DCTF, para desvincular o pagamento do débito confessado, o que teria como consequencia, se aceito o pedido da recorrente (de se reconhecer o direito creditório oriundo de pagamento a maior), um débito confessado em DCTF, portanto auto lançado e exigível, em aberto, o que traria á recorrente um prejuízo de igual monta, diante da liquidação dos débitos declarados em DCOMP. 15. Temos ainda a alegação da recorrente que não é mais possível a retificação da DCTF, por ter decorrido o prazo de cinco anos, portanto o sistema eletrônico não admitiria mais nenhuma alteração no documento DCTF, o que obrigaria a recorrente a possuir, em sua integralidade, os documentos comprobatórios da origem dos créditos e sua apuração. 16. Em sua defesa, a recorrente alega que seria necessária diligência, por parte da Fiscalização da Secretaria da Receita Federal, uma vez que “ a realização de diligências teria o condão de afastar toda e qualquer dúvida acerca de seu direito creditório, prevalecendo a verdade material dos fatos em Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10880.662843/201231 Acórdão n.º 3301006.005 S3C3T1 Fl. 7 6 face da existência de meros erros formais / obrigações acessórias.” . 17. Assim, o que deseja a recorrente não é comprovar o seu direito, e sim que a Fiscalização, através de diligências, apure o seu direito, uma vez que alega que retificou a DACON e apresentou planilhas demonstrando seu direito, o que seria suficiente para o reconhecimento do direito creditório. Desta forma, considero correta a decisão da DRJ, o que corroboro, em não ver necessidade de realização de diligências, uma vez que as provas apresentadas pela recorrente, como portadora do ônus da prova de demonstrar seu direito, são aquelas que a recorrente julgou aptas a tal demonstração, e são estas que devem ser a base do julgamento. 18. Diz a recorrente : “ Além do mais, relembrese o amplo acervo probatório juntado pela Recorrente nos presentes autos, especialmente a Memória de Cálculo (Doc. 05 da Manifestação de Inconformidade), que traz a abertura de todos os créditos utilizados na apuração da COFINS posteriormente retificada. Referido documento, em conjunto com a Ficha 16A, do DACON Retificador (Doc. 03 da manifestação de Inconformidade), demonstra especificamente cada uma das modalidades de crédito apuradas, a exemplo dos (i) bens e serviços utilizados como insumos, (ii) despesas de energia elétrica, (iii) armazenagem e frete, (iv) depreciação do ativo imobilizado e (v) devoluções de venda. Dessa forma, as referidas informações, com seus valores analiticamente expostos, comprovam a liquidez e validade dos créditos da COFINS apurados no período, afastando de plano qualquer alegação contrária da D. Autoridade Fiscal a esse respeito.' , reafirmando que julgue os elementos que trouxe aos autos suficientes para comprovar seu direito. 19. Aduz a recorrente que o despacho decisório estaria incorreto, pois carreou, como demonstrado, aos autos, as provas suficientes para que o seu direito creditório fosse reconhecido e que, em respeito ao princípio da verdade material, deveriam os julgadores terem buscado tal verdade, admitindo provas após a impugnação e solicitado diligências para apuração dos créditos. 20. Afirma a recorrente que “ sem prejuízo, a Recorrente reconhece que, por lapso, não adotou as providências adequadas relativas à retificação das informações sobre a apuração da contribuição e do recolhimento via código DARF errôneo (2172), pois deveria primeiramente promover a retificação do DARF recolhido (Redarf), nos termos do Anexo I, da Instrução Normativa SRF nº 672, de 30 de agosto de 2006, adequando o pagamento efetuado para o código de receita nº 5856 (COFINS NÃOCUMULATIVA), com a posterior retificação da DCTF correspondente. Todavia, o descumprimento destas obrigações acessórias não invalida a existência do crédito pleiteado, devidamente declarado no DACON retificador, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material, o qual compele a Autoridade Fiscal à realização de todas a diligências Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10880.662843/201231 Acórdão n.º 3301006.005 S3C3T1 Fl. 8 7 necessárias à efetiva verificação do crédito pleiteado pelo contribuinte, assim como exposto no tópico a seguir.” Tal afirmativa demonstra o reconhecimento da recorrente de que a vinculação do documento DARF ao débito confessado em DCTF deveria ter sido corrigida, para que restasse crédito disponível para reconhecimento do direito creditório, o que não foi feito. 21. Portanto, resta claro que, diante dos documentos carreados aos autos – DACON RETIFICADORA e planilhas de cálculo – o acervo probatório se mostrou insuficiente para comprovar o direito creditório, qual seja a origem documental dos créditos e a sua apuração registrada em documentos contábeis, devidamente conciliados, para tais créditos da não cumulatividade restassem indubitavelmente reconhecidos. Sem tais elementos, correta a decisão de piso em não reconhecer o direito creditório. 22. Quanto a considerarse como erro de fato o preenchimento da DCTF, tal argumento não socorre a recorrente, pois não há erro de fato na situação descrita, há sim uma nova apuração de valores que culminou, nas alegações da recorrente, em crédito a seu favor, e defende que as planilhas apresentadas demonstram tal crédito de forma inconteste, desta forma, realmente não se pode aceitar o argumento de erro de fato. 23. Defende ainda a recorrente que o seu descumprimento de suas obrigações – retificação do DARF e da DCTF – não ocasionaram dano ao erário, por tal razão, deve ser reconhecido o direito creditório. Assim se defende a recorrente: “ conquanto a necessária observância ao princípio da verdade material, por si só, resguarde o direito creditório da Recorrente, justamente pelo confronto do montante recolhido versus o valor declarado no DACON retificador, destacase que o não cumprimento das obrigações acessórias relativas ao Redarf (correção do código de recolhimento) e à consequente retificação da DCTF correspondente, também não seriam suficientes a não homologação da compensação em tela, quando analisadas sob a ótica da ausência de prejuízo ao Erário. Isto porque, se é verdade que a situação fática vivenciada pela Recorrente demonstra a regularidade da compensação praticada, pois não há dúvida quanto à existência do crédito tributário (apuração de créditos em decorrência da nãocumulatividade da contribuição recolhida), igualmente verdadeira é a completa ausência de prejuízo ao Erário advindo pelo não cumprimento das obrigações acessórias, principalmente diante da declaração idônea e devidamente entregue ao Fisco que permite a perfeita identificação da origem do crédito apurado (DACON Retificador). Neste sentido, o não cumprimento destas obrigações acessórias não apenas não seria idôneo para invalidar o crédito pleiteado (princípio da verdade material), como também não criou óbices à fiscalização ou, muito menos, resultou em prejuízos aos cofres públicos, o que impõe a conclusão pela absoluta ausência de prejuízos ao Erário, contexto este que da mesma maneira sinaliza a necessidade premente de homologação da compensação, seja pela Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10880.662843/201231 Acórdão n.º 3301006.005 S3C3T1 Fl. 9 8 comprovação do crédito requerido, seja pela inexistência de desfalques financeiros à Autoridade Fiscal na conduta da Recorrente. Em relação às autuações fiscais que padecem deste tipo de vício, consistente na exigência de tributo devidamente pago, com inexistência de prejuízo do Erário, há vários precedentes jurisprudenciais, administrativos e judiciais, favoráveis sendo oportuno destacar os seguintes ….” (grifamos). 24. Portanto, a própria recorrente admite que o tributo foi devidamente pago, o que traz duas possibilidades : uma a compensação, no ver da recorrente, deve ser homologada, o que ensejaria a consideração de pagamento a maior e a abertura de débito confessado em DCTF, assim o débito confessado em DCOMP estaria liquidado e o débito confessado em DCTF restaria em aberto e exigível, duas o débito confessado em DCTF estaria liquidado pelo recolhimento efetuado em DARF e não restaria direito creditório, pois não haveria pagamento a maior, o que deixaria em aberto os débitos confessados em DCOMP. Pelas duas análises, não haveria possibilidade de reconhecimento do direito sem a retificação da DCTF , ou do DARF, ou comprovação do direito por elementos de prova mais consistentes. 25. Quanto á aplicação do Parecer COSIT nº 2/2015, utilizandose do formalismo moderado, como defende a recorrente, o próprio parecer esclarece que a DCTF pode ser retificada mesmo após a emissão do despacho decisório eletrônico, ou ainda pode ter sua retificação objeto de análise administrativa, abrindo uma única possibilidade quando do impedimento para tal retificação, diz o Parecer citado : “ a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios”, o que obriga a recorrente a carrear aos autos todos os elementos que se façam necessários para a demonstração do seu direito ao reconhecimento dos créditos da não cumulatividade oriundos de aquisições no mercado interno, como já dito, por meio de documentos fiscais, notas fiscais de aquisição, demonstração da apuração dos créditos e sua devida conciliação na sua escrita contábil e fiscal, o que definitivamente não foi apresentado pela recorrente. 26. Por fim, quanto ao pedido subsidiário de ' realização de diligência fiscal para o levantamento e constatação in concreto de todo o conjunto de elementos fático jurídicos que dão suporte aos procedimentos realizados, levandose em consideração a realidade fática efetivamente vivenciada e devidamente comprovada.” , este mostrase completamente descabido, pois caberia á recorrente, que alega possuir o direito, carrear aos autos os elementos de prova, uma vez que confessou em Declaração de Compensação que os possuía, o que nos leva a concluir que a recorrente possuía, á época da transmissão da DCOMP, todos os elementos de prova já citados. O que propõe a recorrente, é que a Fiscalização da Secretaria da Receita Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10880.662843/201231 Acórdão n.º 3301006.005 S3C3T1 Fl. 10 9 Federal atue como sua consultoria contábil para localizar, apurar e demonstrar os seus créditos da não cumulatividade. 27. Por todo o exposto, indefiro o pedido de diligência, por concordar com o julgador da DRJ, de que tal procedimento se mostra desnecessário, sendo suficientes os elementos trazidos aos autos pela recorrente para formar o convencimento deste relator. Conclusão 28. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado, não reconhecendo o direito creditório por não ter a recorrente retificado a DCTF, não ter retificado o documento DARF e não ter apresentado elementos comprobatórios suficientes para que se possa aferir o seu direito aos créditos da não cumulatividade pleiteados. " Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 179DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.902236/2014-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.012
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento.
Relatório
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento. Relatório
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento. Relatório Trata o presente processo do PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte acima identificado por meio do qual solicita o reconhecimento de um direito creditório referente à COFINS, para fins de sua compensação com débitos próprios. O Despacho Decisório constante dos autos, emitido de forma eletrônica, não homologou a compensação pleiteada, sob o fundamento de não haver crédito disponível para tanto, pelo fato de o pagamento informado no DARF correspondente haver sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Anteriormente à emissão do referido Despacho Decisório, foi disponibilizada ao contribuinte a Análise Preliminar do Direito Creditório, no sítio da RFB, com a informação de que, no caso de inconsistências constatadas na referida Análise, ser a ele concedido o prazo de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .9 02 23 6/ 20 14 -8 4 Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10805.902236/201484 Resolução nº 3302001.012 S3C3T2 Fl. 3 2 45 dias a contar dessa disponibilização, para o seu saneamento, através da transmissão de PERDCOMP retificador, ou ainda de outras declarações retificadoras, como DCTF, DIPJ, Dacon, Redarf, DIRF, etc. Contra a referida decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em que alegou basicamente o seguinte: Através de auditoria em seus controles internos, constatou a ocorrência de pagamento a maior da COFINS do período de apuração em questão, tendo apresentado pedido de compensação do referido crédito, através de PERDCOMP retificador, desacompanhado, porém, da retificação das demais Declarações que compõem sua obrigação acessória – como DACON e DCTF, nas quais o débito devido da referida contribuição social foi declarado com erro. Somente após o recebimento do Despacho Decisório em comento, procedeu à retificação das declarações DACON e DCTF, conforme anexadas aos autos, e nas quais fez refletir o valor a menor devido a título de COFINS, como origem de seu direito creditório, cuja liquidez e certeza restaria então comprovada. Assim, a Defendente requer que seja julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade, com a consequente homologação da compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, entendendo não restar comprovada a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Assentou ainda, o colegiado a quo, ser ônus do contribuinte a comprovação documental do direito creditório informado em declaração de compensação. Intimado da decisão a Recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reproduz as alegações oferecidas na impugnação e aduz que a decisão de primeira instância trouxe os fatos e razões novas que merecem ser contrapostos, tais como a insuficiência da apresentação da DCTF e da DACON retificadoras para provar o direito da recorrente, daí porque no recurso voluntário traz balancete de verificação que discrimina as contas tributadas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302001.004, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10805.902226/201449, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302001.004): Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10805.902236/201484 Resolução nº 3302001.012 S3C3T2 Fl. 4 3 "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Sem embargo de a recorrente não ter trazido todas as provas necessárias à comprovação do seu direito na manifestação de inconformidade, houve um esforço nesse sentido, com a apresentação da DCTF e da DACON retificadoras. Agora em recurso voluntário, o balancete de verificação e as explicações produzidas demonstram continuação do esforço de comprovar seu direito, todavia surgiu apenas verossimilhança do direito da recorrente, notase que as provas trazidas aos autos são documentos produzidos unilateralmente pela contribuinte, e não foram alvo de inspeção pela auditoriafiscal. Nesse diapasão, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem do lançamento proceda a análise detalhada dos lançamentos contábeis das contas da escrituração da contribuinte em que ocorreram o pagamento a maior (receitas financeiras oriundas de juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira e variações monetárias ativas, bem como o não aproveitamento de crédito sobre a depreciação de prédio em que está instalada a empresa) e pronunciese, de forma fundamentada, em relatório fiscal conclusivo se, de fato, a contribuinte tem direito ao crédito pleiteado. Após, dar ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de manifestação da recorrente, no tocante às conclusões da diligência proposta. Ao fim do prazo, com ou sem manifestação, devolvase o processo a este Conselho para a conclusão do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem do lançamento proceda a análise detalhada dos lançamentos contábeis das contas da escrituração da contribuinte em que ocorreram o pagamento a maior (receitas financeiras oriundas de juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira e variações monetárias ativas, bem como o não aproveitamento de crédito sobre a depreciação de prédio em que está instalada a empresa) e pronunciese, de forma fundamentada, em relatório fiscal conclusivo se, de fato, a contribuinte tem direito ao crédito pleiteado. Após, dar ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de manifestação da recorrente, no tocante às conclusões da diligência proposta. Ao fim do prazo, com ou sem manifestação, devolvase o processo a este Conselho para a conclusão do julgamento." (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 287DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17335.720028/2017-34
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. PAGA POR LIBERALIDADE.
A pensão alimentícia só é dedutível quando houver prova inequívoca, da ruptura conjugal. Quando uma das partes esteja obrigada a prestar alimentos.
Numero da decisão: 2002-001.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. PAGA POR LIBERALIDADE. A pensão alimentícia só é dedutível quando houver prova inequívoca, da ruptura conjugal. Quando uma das partes esteja obrigada a prestar alimentos.
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Recorrente WALTER GASPAR RIBAS FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. PAGA POR LIBERALIDADE. A pensão alimentícia só é dedutível quando houver prova inequívoca, da ruptura conjugal. Quando uma das partes esteja obrigada a prestar alimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 33 5. 72 00 28 /2 01 7- 34 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 17335.720028/201734 Acórdão n.º 2002001.060 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 57/85) contra decisão de primeira instância (fls. 40/47), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Tratase de Notificação de Lançamento (NL) 2013/957853828400027, que alterou o Imposto a Restituir Declarado de R$1.614,00 para Imposto Suplementar de R$14.909,70, referente ao ano calendário 2012, conforme fls. 27 a 31. Os fatos descritos na NL indicam que o contribuinte deduziu pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública no valor de R$60.086,15, que foi considerada como dedução indevida por se tratar de pagamento não decorrente da dissolução da sociedade conjugal, tendo em vista Solução de Consulta Interna 3/2012. O contribuinte apresentou impugnação de fls. 214, acompanhada de documentos, com as seguinte alegações: 1) Que não concorda com a infração, pois o valor contestado referese a pagamento de pensão alimentícia, conforme as normas de Direito de Família, em decorrência de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública, no caso de divórcio consensual; 2) Cita os princípios da legalidade, do enriquecimento sem causa e da verdade material; 3) que a legislação permite a dedução da pensão alimentícia judicial e não prevê a restrição citada na Notificação de Lançamento; 4) que somente a lei pode dispor sobre a incidência tributária e permitir deduções para a apuração da base de cálculo do imposto; 5) que a Solução de Consulta Interna 3/2012 é mera norma interna, não podendo contrariar a norma legal e que tal norma é ilegal por extrapolar os limites das normas legais; 6) que a Instrução Normativa SRF 15/2001 foi revogada pela IN RFB 1500/2014 e esta última prevê a dedutibilidade da pensão alimentícia paga na situação dos autos; 7) afirma que a pensão alimentícia tem respaldo em Acordo de Alimentos firmado pelos cônjuges nos autos do processo Fl. 100DF CARF MF Processo nº 17335.720028/201734 Acórdão n.º 2002001.060 S2C0T2 Fl. 4 3 2003.01.1.0942316, do Juízo de Direito da 3ª Vara de Família de Brasília e que foi efetuado desconto pela fonte pagadora; 8) que os recursos recebidos pelos filhos são por eles declarados em suas DIRPF; 9) cita decisão do CARF, Acórdão 2201003.360; Por fim, requer seja julgada procedente a impugnação, para afastar a glosa da dedução da pensão alimentícia paga pelo impugnante aos seus filhos. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância, juntando documentos e requerendo a nulidade da ação fiscal. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 19/07/2017 (fl. 53); Recurso Voluntário protocolado em 15/08/2017 (fl. 55), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública. Relata o Sr. AFRF: Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública. Glosa do valor de RS ********60.086,15, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Para fins da dedução da base de cálculo do IRPF, de que tratam os arts. 4º, inciso II, e 8º, inciso II, alínea f , ambos da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, e tendo em vista a Solução de Consulta Interna nº 3, de 8 de fevereiro de 2012, e o disciplinamento contido a Instrução Normativa nº RFB nº 1500, de 29 de outubro de 2014, tratandose de sociedade conjugal, a dedução com pensão alimentícia judicial somente se aplica, quando o provimento de alimentos a título de prestação de alimentos provisionais ou a titulo de pensão alimentícia for decorrente da dissolução daquela sociedade. Desta forma, foi efetuada glosa de dedução com pensão alimentícia judicial, vez que não houve comprovação da dissolução da sociedade conjugal com Fl. 101DF CARF MF Processo nº 17335.720028/201734 Acórdão n.º 2002001.060 S2C0T2 Fl. 5 4 MARIA TERESA DE CASTRO GUERRA E RIBAS. O Acordo de Alimentos firmado pelos cônjuges nos autos do Processo nº 2003.01.1.0942316 do Juízo de Direito da 3ª Vara de Família de Brasília, visa tão somente o oferecimento de alimentos para "evitar futuros litígios". Assim, tratase de mera liberalidade o oferecimento de alimentos, sendo, portanto, os valores pagos a título de pensão alimentícia INDEDUTÍVEIS para fins de imposto de renda. A r. decisão revisanda, em julgamento manteve a glosa, assim se manifestando: Importante destacar que o fato de existir uma determinação judicial para o pagamento da pensão, por si só, não autoriza a dedução. É necessário que o contribuinte comprove, também, o efetivo pagamento. Da mesma forma, a comprovação do efetivo pagamento não supre a apresentação da decisão judicial ou do acordo homologado judicialmente. Ou seja, a dedutibilidade dos valores pagos a título de pensão alimentícia requer que sejam satisfeitas duas condições concomitantemente: (1) a existência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e (2) a comprovação de que esta foi efetivamente paga. A ausência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente já ensejaria o não acolhimento das razões do contribuinte, uma vez que a este compete apresentar impugnação instruída com toda a documentação comprobatória de suas alegações. Como não consta dos autos, não é possível saber exatamente o que foi estabelecido no acordo que fixou a pensão alimentícia. Porém, o contribuinte afirma em sua impugnação que o acordo foi firmado pelos cônjuges, donde se deduz que não houve separação no caso em questão. O contribuinte alega ainda que os recursos recebidos pelos filhos foram devidamente declarados por eles em suas declarações do imposto de renda da pessoa física. Notese que os valores recebidos pelos filhos encontramse próximos ao limite de isenção do imposto de renda, de modo que, aplicado o desconto simplificado, não houve recolhimento de IRPF. Em que pese isso, o fato dos filhos terem declarado os valores recebidos em suas DIRPF não torna a dedução legítima, uma vez que ela não está amparada na legislação. Irresignado, o contribuinte maneja recurso próprio. Relata o Sr. Agente Fiscal que o contribuinte, no caso ora “sub óculis”, não satisfez as seguintes condições para a dedutibilidade da pensão alimentícia: “que houvesse, decisão judicial, ou escritura pública; por falta de comprovação e ou previsão legal. Complementando ainda, que este tipo de dedução só poderia ser considerado caso ocorresse a dissolução da sociedade conjugal, tratandose então de mera liberalidade”. Por outra banda a r. decisão primeira, conclui que: “a dedutibilidade dos valores pagos a título de pensão alimentícia requer que sejam satisfeitas duas condições; 1) a existência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e 2) comprovação de que esta foi efetivamente paga”. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 17335.720028/201734 Acórdão n.º 2002001.060 S2C0T2 Fl. 6 5 Pois bem o recorrente alega em sua peça de resistência, que comprova o seu direito de fazer as deduções como fez, senão vejamos: 1) que trouxe para os autos, a sentença judicial fls. 65/67; 2) que comprova o efetivo pagamento sendo realizado diretamente em folha, sendo deduzido na fonte pagadora fls. 68/69. Ademais que os filhos declaram os valores recebidos em DIRF, o fisco tem toda condição de averiguar. No caso vertente o recorrente não trouxe aos autos o acordo para provar, que de fato houve a dissolução da sociedade conjugal, onde podemos concluir tratarse de planejamento tributário, que portanto a solução encontrada decorreu sim de mera liberalidade entre o ente conjugal. Nesta quadra de entendimento a razão está com o fisco. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 103DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.001566/2007-14
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - COMPROVAÇÃO
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar proposta de diligência suscitada pela conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar proposta de diligência suscitada pela conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 15 66 /2 00 7- 14 Fl. 117DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 59 a 65), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 578,44, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 19 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: 3. Após a ciência da Notificação o contribuinte apresentou a manifestação de fls. 02, na qual informa que o pagamento foi regularmente efetuado, conforme cópia do recibo anexo (fls. 07), o qual foi feito por intermédio da Associação Paulista do Ministério Público. Assim sendo, solicita o cancelamento da Notificação. A impugnação foi apreciada na 9ª Turma da DRJ/SPOII que, por unanimidade, em 07/09/2009, no acórdão 1730.971, às efls. 79 a 83, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, às efls. 103 a 129, alegando, em síntese, que os pagamentos realizados à UNIMED Campinas são realizados pela Associação Paulista do Ministério Público, e que estes valores são descontados mensalmente da aposentadoria do contribuinte. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 19/06/2009, efls. 89, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 15/07/2009, efls. 91, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O contribuinte foi autuado pela glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas com o plano de saúde UNIMED Campinas. A DRJ manteve a autuação pelos seguintes fundamentos: Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10830.001566/200714 Acórdão n.º 2002000.883 S2C0T2 Fl. 118 3 7.2 Não foi juntado aos autos nenhum comprovante ou boleto de pagamento em favor da UNIMED. Ainda que o pagamento tenha sido, intermediado pela "Associação Paulista do Ministério Público", conforme alegado, não foi trazido aos autos nenhum co.mprovante de que a despesa tenha, de fato, sido arcada pelo contribuinte. Não se provou que O contribuinte tenha sofrido desconto do referido valor. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 119DF CARF MF 4 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10830.001566/200714 Acórdão n.º 2002000.883 S2C0T2 Fl. 119 5 (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará Fl. 121DF CARF MF 6 obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10830.001566/200714 Acórdão n.º 2002000.883 S2C0T2 Fl. 120 7 Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Quanto as deduções com planos de saúde, é necessário que o contribuinte faça prova que arcou com os valores, além de ser beneficiário da apólice. No caso dos autos, o contribuinte juntos as efls. 93 e 95 há declarações da Associação Paulista do Ministério Público ratificando que os valores com o plano de saúde foram arcados pelo contribuinte. Feitas estas considerações, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 123DF CARF MF
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