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Numero do processo: 10880.979309/2009-66
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 30/06/2004
Ementa:
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-001.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 30/06/2004 Ementa: PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 93 09 /2 00 9- 66 Fl. 30DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. Relatório Por economia processual adoto o Relatório da decisão recorrida (fl. 13) que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02)relativa ao pagamento indevido ou maior de CSLL— cód. 2372, no montante de R$ 47,08, ocorrido em 30/06/2004, com débito próprio de COFINS — cód. 2172. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 22/11/2005, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 03, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciárias. Portanto os valores recebidos a titulo de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o ,¢ único do mesmo artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a titulo de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n° 09943.83185.141105.1.2.048265, relativo ao período de apuração mar/2004. Nesse período, Fl. 31DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979309/200966 Acórdão n.º 1802001.698 S1TE02 Fl. 3 3 conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$' 4.359,54, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto Sendo feita a verificação poderá ser constatado que o percentual do imposto aplicado sobre a diferença acima informada corresponde exatamente ao crédito pleiteado e compensado pela Requerente. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/São Paulo/SPI) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1627.356, de 27 de outubro de 2010 (fls.12/15), cientificado ao interessado em 09/12/2010. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.12): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador:30/06/2004 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 04/01/2011 narrando os mesmos fundamentos aduzidos na manifestação de inconformidade acima sintetizados, portanto, desnecessário repetilos. A Recorrente reforça que em sua manifestação de inconformidade apresentou além de suas alegações relativas as compensações efetuadas, a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados e indevidamente considerados como receita operacional da empresa. A confirmação de que os valores relativos ao pedágio constavam dos referidos conhecimentos de transporte e por conseqüência foram considerados na apuração da receita operacional tributável poderia, a critério do órgão julgador de primeira instância, ter sido feita através de diligência junto a Recorrente. Finalmente requer que a principio o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente, para ao final serem as compensações efetuadas julgadas procedentes, evitando a apropriação indébita pelo estado de valores, certamente, indevidos pelo contribuinte. E por ser esta uma medida da mais plena JUSTIÇA É o relatório. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 21225.36013.221105.1.3.046630 (fls.01/02), transmitido em 22/11/2005, em que a contribuinte pretende compensar débito de Cofins: R$ 58,31, código 2172, relativo ao mês de Outubro de 2005, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do CSLL no valor de R$ 47,08, código – 2372; Período de Apuração: 31/03/2004; Data de Arrecadação: 30/06/2004. Consta do despacho decisório de fl.03, emitido em 24/08/2009 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Contrapondose ao despacho decisório, a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada em 23/09/2009(fl.07), foi no sentido de que o crédito decorre do valor relativo ao pedágio destacado no conhecimento de transporte, o qual, segundo o disposto no artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. Apresenta em anexo (fl.08), uma relação de conhecimentos de transporte relativos ao período de apuração de março/2004 e respectivo valor do pedágio cujo total monta a R$ 4.359,54. Na decisão de primeira instância a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, sob o fundamento de que não fora homologada a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito (CSLL, código 2372) foi utilizado na quitação de débito confessado em DCTF e não há prova nos autos de que os valores relativos ao pedágio integraram a base de cálculo da CSLL relativa ao período de apuração de março/2004, de modo a comprovar o alegado indébito tributário. Vejamos os fundamentos que também adoto como razão de decidir: ... De inicio, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico),utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc). Fl. 33DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979309/200966 Acórdão n.º 1802001.698 S1TE02 Fl. 4 5 No caso, por se tratar de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado com a informação constante na DCTF. 0 procedimento em tela constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débitos informado na DCTF. Dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do conta corrente da Receita Federal do Brasil RFB crédito disponível para compensação. ... De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que demonstre suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC "Art. 333. 0 ânus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II — ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Com efeito a simples relação do conhecimento de transporte não é suficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de calculo da CSLL relativa ao período de apuração de mar/2004, visto que, está desacompanhada de copia da escrituração contábil que deve obrigatoriamente estar assinada pelo contabilista responsável, bem como do próprio conhecimento de transporte. Assim sendo, em face de tudo o quanto foi exposto, VOTO no sentido de considerar a manifestação de inconformidade IMPROCEDENTE. Em sede recursal, a Recorrente reproduz os mesmos argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, mas apesar dos fundamentos aduzidos pela DRJ, a Recorrente em nada se desincumbiu para provar que os valores ditos recebidos a título de pedágio, deveras compôs a base de cálculo da CSLL do período de apuração em comento a proporcionar o pagamento indevido do mencionado tributo. A Recorrente requer diligência para comprovar que os valores relativos ao pedágio foram considerados na apuração da receita operacional tributável. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Sobre tal pleito, vale esclarecer que a diligência se reserva à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde do litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probante puder ser demonstrado nos autos, de sorte que a autoridade julgadora possa formar a sua livre convicção. Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil e comparar com os valores declarados na DIPJ/2005 e DCTF. Pois, como explicado na decisão recorrida, a simples relação do conhecimento de transporte é insuficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de cálculo da CSLL relativa ao período de apuração de março/2004. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Fl. 35DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979309/200966 Acórdão n.º 1802001.698 S1TE02 Fl. 5 7 A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 22/11/2005, tomou ciência do despacho decisório expedido em 24/08/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 23/09/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.003039/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 02/01/1996 a 27/06/2003
Ementa:
RECURSO INTEMPESTIVO. PRECLUSÃO.
O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (art. 33 do Decreto 70.235/1.972).
Recurso Voluntário não Conhecido
Numero da decisão: 3101-001.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo.
Henrique Pinheiro Torres Presidente
Luiz Roberto Domingo Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Marinheiro Fernandes (Suplente), Leonardo Musi da Silva (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 02/01/1996 a 27/06/2003 Ementa: RECURSO INTEMPESTIVO. PRECLUSÃO. O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (art. 33 do Decreto 70.235/1.972). Recurso Voluntário não Conhecido
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PRECLUSÃO. O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (art. 33 do Decreto 70.235/1.972). Recurso Voluntário não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. Henrique Pinheiro Torres –Presidente Luiz Roberto Domingo – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Marinheiro Fernandes (Suplente), Leonardo Musi da Silva (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 30 39 /2 00 8- 10 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10980.003039/200810 Acórdão n.º 3101001.290 S3C1T1 Fl. 127 2 Relatório Trata o pedido de restituição de IPI, decorrentes de crédito de insumos desonerados que a Recorrente entende ter direito, mas não reconhecido pela repartição de origem, tendo a Recorrente apresentado sua inconformidade e suas razões de direito. Sob apreciação do Órgão Colegiado de Julgamento de primeira instância, a manifestação de inconformidade não foi provida conforme os fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 02/01/1996 a 27/06/2003 DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Intimada por correio, em 14/12/2011, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em 18/01/2012, repisando, em suma os mesmos argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Preliminarmente, passo a apreciar os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário. O artigo 56 da Lei nº 9.784/99 confirma o direito constitucional de o contribuinte interpor recurso contra as decisões administrativas, determinando que “das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito”. Daí, concluíse, que o sujeito passivo possui o direito de recorrer das decisões administrativas, proferidas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, pois, somente assim, estará assegurado o seu direito à ampla defesa, consagrado pela Constituição Federal e pelas normas infraconstitucionais. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10980.003039/200810 Acórdão n.º 3101001.290 S3C1T1 Fl. 128 3 Vislumbrase que tal fato busca, na verdade, o reexame da decisão por outra autoridade, a fim de obterse um aprimoramento dos julgados na fundamentação de suas decisões, propiciando, desta forma, maior segurança ao sistema. Pois bem, vencido em primeira instância, o contribuinte não está obrigado a recorrer, mas, se assim proceder, estará sujeito ao prazo de 30 dias, sob pena de preclusão, apresentar Recurso Voluntário, conforme preceitua o caput do art. 33, do Decreto nº 70.235/72 c.c. art. 68 do Decreto nº 7.574/2011. Verificase, que se ultrapassado esse período, qual seja, 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da decisão, sem a apresentação pelo contribuinte do Recurso Voluntário, estará ele impedido de apresentar referido recurso em outro momento. No caso em tela, a Recorrente foi intimada de modo regular em 14/12/2011 (quartafeira), conforme Aviso de Recebimento – AR, sendo que o prazo teve início no primeiro dia útil subseqüente, no dia 15/12/2011 (quintafeira), tendo seu vencimento no dia 13/01/2012 (sextafeira). Ocorre que o protocolo do Recurso Voluntário foi efetivado em 18/01/2012, ou seja, após o transcurso do prazo recursal. Diante do exposto, não conheço do Recurso Voluntário, por intempestivo. Luiz Roberto Domingo – Relator Fl. 128DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 12466.003149/2006-56
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Direitos Antidumping, Compensatórios ou de Salvaguardas Comerciais
Período de apuração: 04/04/2006 a 19/05/2006
Ementa:
TRAMITAÇÃO, CONCOMITANTE AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO, DE DEMANDA JUDICIAL DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR ANÁLOGAS. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
Se a impugnação administrativa funda-se nas mesmas causas de pedir de demanda judicial proposta pelo sujeito passivo com o propósito de ver declarada a inexistência da relação jurídico-tributária reconhecida pelo auto de infração, está caracterizada a renúncia à esfera administrativa.
MULTA DE OFÍCIO. REFORMA DE DECISÃO ANTECIPATÓRIA DA TUTELA JURISDICIONAL.
Se, ao tempo da lavratura do auto de infração, já não vigorava há mais de 30 (trinta) dias a decisão que antecipara a tutela jurisdicional em favor da recorrente, é cabível a imposição da multa de ofício proporcional, nos termos do artigo 44, I, da Lei no. 9.430/96.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-002.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Ausente, ocasionalmente, o Conselheiro Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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ementa_s : Assunto: Direitos Antidumping, Compensatórios ou de Salvaguardas Comerciais Período de apuração: 04/04/2006 a 19/05/2006 Ementa: TRAMITAÇÃO, CONCOMITANTE AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO, DE DEMANDA JUDICIAL DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR ANÁLOGAS. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Se a impugnação administrativa funda-se nas mesmas causas de pedir de demanda judicial proposta pelo sujeito passivo com o propósito de ver declarada a inexistência da relação jurídico-tributária reconhecida pelo auto de infração, está caracterizada a renúncia à esfera administrativa. MULTA DE OFÍCIO. REFORMA DE DECISÃO ANTECIPATÓRIA DA TUTELA JURISDICIONAL. Se, ao tempo da lavratura do auto de infração, já não vigorava há mais de 30 (trinta) dias a decisão que antecipara a tutela jurisdicional em favor da recorrente, é cabível a imposição da multa de ofício proporcional, nos termos do artigo 44, I, da Lei no. 9.430/96. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Ausente, ocasionalmente, o Conselheiro Domingos de Sá Filho.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: DIREITOS ANTIDUMPING, COMPENSATÓRIOS OU DE SALVAGUARDAS COMERCIAIS Período de apuração: 04/04/2006 a 19/05/2006 Ementa: TRAMITAÇÃO, CONCOMITANTE AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO, DE DEMANDA JUDICIAL DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR ANÁLOGAS. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Se a impugnação administrativa fundase nas mesmas causas de pedir de demanda judicial proposta pelo sujeito passivo com o propósito de ver declarada a inexistência da relação jurídicotributária reconhecida pelo auto de infração, está caracterizada a renúncia à esfera administrativa. MULTA DE OFÍCIO. REFORMA DE DECISÃO ANTECIPATÓRIA DA TUTELA JURISDICIONAL. Se, ao tempo da lavratura do auto de infração, já não vigorava há mais de 30 (trinta) dias a decisão que antecipara a tutela jurisdicional em favor da recorrente, é cabível a imposição da multa de ofício proporcional, nos termos do artigo 44, I, da Lei no. 9.430/96. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 31 49 /2 00 6- 56 Fl. 512DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/07/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Ausente, ocasionalmente, o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Relatório Cuidase de auto de infração (fls. 2/21), lavrado em 04.09.2006, ao ensejo de revisão aduaneira, por meio do qual se constitui crédito de direitos antidumping relativos a 25 (vinte e cinco) Declarações de Importação – DIs registradas entre 04.04.2006 e 19.05.2006 para amparo da importação de alhos frescos classificados na posição NCM nº 0703.20.90, oriundos da República Popular da China. Narra a auditoria que, embora as importações em comento estivessem sujeitas ao pagamento dos tais direitos antidumping por imposição da Resolução CAMEX n. 41/01, a ora recorrente teria desembaraçado as mercadorias sem se sujeitar à exigência em razão de provimento jurisdicional que obteve na ação de rito ordinário – autos n. 2001.50.01.0065830 – distribuída à 5a Vara Federal da Subseção Judiciária de Vitória – ES. Como à época da lavratura do auto de infração, todavia, já não subsistiria a decisão de caráter antecipatório em questão, a auditoria entendeuse desimpedida, inclusive, para impor à ora recorrente os consectários da multa de ofício e de juros de mora. Cientificada da exigência, a recorrente apresentou impugnação tempestiva (fls. 330/385), pela qual alegou: (a) os direitos antidumping têm natureza de imposto de importação adicional, caráter este inconstitucionalmente retirado pela Lei nº 9.019/95 e medidas provisórias antecedentes; (b) o processo administrativo de revisão antidumping e a Resolução CAMEX nº 41/2001 estariam maculados por ilegalidades, em razão de: (i) equivocada fórmula de cálculo da margem dos direitos antidumping definitivos, (ii) inobservância da individualização das margens de dumping, (iii) genérica classificação do alho no código NCM; (iv) prática de economia de mercado pela República Popular da China ante a sua entrada na Organização Mundial do Comércio (“OMC”); e (v) equivocada escolha da Argentina como terceiro país; e, finalmente, (c) ausência de suporte fático para aplicação da multa e dos juros de mora constituídos no auto de infração, ante a vigência de decisão judicial autorizadora do não recolhimento dos valores apurados e tidos como devidos a título de direitos antidumping. Em 04.09.2009, a DRJ/FlorianópolisSC proferiu acórdão (fls. 420/422), por meio do qual: Fl. 513DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/07/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 12466.003149/200656 Acórdão n.º 3403002.336 S3C4T3 Fl. 7 3 (i) sustentando que a ora recorrente não comprovara a reforma da sentença de improcedência prolatada na demanda que propôs para discutir o tema (autos n. 2001.50.01.0065830), reconheceu a exigibilidade do crédito lançado e manteve não apenas a imposição do principal, mas também dos juros de mora e da multa de ofício; (ii) invocando o Ato Declaratório COSIT n. 03/96, aplicou a renúncia à esfera administrativa, em vista da tramitação de ação judicial de mesmo objeto. Em seu recurso voluntário (fls. 458/463), a recorrente pleiteia a reforma do v. acórdão de Primeira Instância, argumentando, em síntese, pelo cancelamento da multa de ofício e pela independência de objetos entre os processos administrativo e judicial. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso voluntário observas as formalidades aplicáveis, inclusive o prazo da interposição, razão pela qual dele tomo conhecimento. Tenho que a instância aquo deu solução adequada à lide. Embora a petição inicial da ação de rito ordinário proposta pela ora recorrente (autos no. 2001.50.01.0065830, distribuída à 5a Vara Federal da Subseção Judiciária de Vitória/ES) não tenha sido acostada aos autos, dos demais documentos a que se tem acesso e, também, de trechos do próprio recurso voluntário, inferese com a segurança necessária que, tanto quanto neste contencioso administrativo, a recorrente pretendesse ali ver se exonerada dos direitos antidumping lançados no auto de infração. Da r. sentença que decidiu o processo judicial em Primeiro Grau colhese, nesse sentido: “Em suma, pretende a autora afastar a exigência de pagamento de direito antidumping, tal qual a Portaria Interministerial n. MICT/MF n. 03/96 determinou.” O mesmo se lê de trecho das razões aduzidas no recurso voluntário de fls. 458/463: É que a ação ordinária foi proposta em momento anterior ao lançamento, tendo como escopo o reconhecimento da inexistência de relação jurídica entre o contribuinte e a União Federal, por ocasião da obrigatoriedade do recolhimento da medida antidumping.” Deste excertos, depreendo que, através da demanda judicial, objetivasse a ora recorrente não apenas desembaraçar as mercadorias sem o correspondente recolhimento dos direitos antidumping previstos pela Resolução CAMEX n. 41/01, mas que, igualmente, Fl. 514DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/07/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 perseguisse a declaração de inexistência de relação jurídica que a vinculasse à União Federal, no que concerne a eles. Sendo assim, é indiferente que a propositura da ação tenha antecedido a lavratura do auto de infração. Se o objeto do contencioso administrativo coincide com o da demanda judicial em curso, sabese de antemão que a solução encontrada no primeiro não prevalecerá diante do trânsito em julgado da sentença que decidir o segundo. E isso é o quanto basta para que se reconheça a renúncia à esfera administrativa. Como, no caso em concreto, coincidem as causas de pedir (fundamentos) da ação judicial e da impugnação administrativa – e o relatório da sentença de fls. 38/49 aponta nesse sentido – a discussão acerca da sujeição das importações procedidas pela recorrente aos direitos antidumping é concomitante nas duas esferas judicantes, razão pela qual não procede o recurso voluntário no que combate tal capítulo do v. acórdão de Primeira Instância. Dito isso, resta examinar o cabimento da imposição da multa de ofício, segundo capítulo das irresignações manifestadas pela interessada no recurso voluntário. De acordo com o artigo 63, da Lei n. 9.430/96, a multa de ofício é inaplicável por ocasião da lavratura de auto de infração formalizado na pendência de uma das causas de suspensão da exigibilidade do crédito previstas nos incisos IV e V do artigo 151 do CTN. São as hipóteses de lançamento motivado pela necessidade de se prevenir a decadência. Ainda segundo o dispositivo, “a interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 (trinta) dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo o contribuição” (§2o). Por força do preceito, portanto, o sujeito passivo que obtém a antecipação da tutela jurisdicional e, com isso, suspende a exigibilidade do crédito tributário, enquanto perdurar a medida pode, quando muito, ter a constituição do crédito tributário formalizada contra si sem a imposição da multa de ofício. Em caso de reforma da decisão antecipatória, entretanto, o recolhimento do tributo cuja exigibilidade estivera suspensa há se de dar em até trinta dias contados a partir de então, sob pena de, não o fazendo o contribuinte, sujeitarse à fluência de multa moratória. Ora, se a partir do trigésimo dia da cassação, o contribuinte passa a se submeter à multa moratória em caso de recolhimento espontâneo, por igual razão fica na contingência da imposição da multa de ofício, caso a falta seja constatada pela autoridade administrativa, ao ensejo de procedimento de fiscalização. É aqui, a hipótese do artigo 44, da Lei no. 9.430/96. No caso em análise, a sucessão de eventos relevantes do processo judicial pode ser sintetizada da seguinte forma: (a) 27.08.01: Juízo de Primeiro Grau concede em favor da ora recorrente a antecipação dos efeitos da tutela, “para autorizar o desembaraço aduaneiro da mercadoria em questão, independentemente do pagamento do direito antidumping (saldo a existência de qualquer outro óbice), o que não impede a constituição do crédito tributário respectivo e sua regular cobrança, na forma da lei” (fls. 22/25); (b) 05.09.02: instado pela Fazenda Nacional, o Juízo de Primeiro Grau profere a decisão de fls. 30/32, por meio da qual restringe os efeitos da decisão anterior, a fim de limitar a antecipação da tutela às importações já àquele instante retidas no Porto de Vitória; Fl. 515DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/07/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 12466.003149/200656 Acórdão n.º 3403002.336 S3C4T3 Fl. 8 5 (c) a ora recorrente interpõe agravo de instrumento da decisão referida no item (b) acima, objetivando ver reconhecida a amplitude da decisão antecipatória para as atuais e futuras importações de mesmo produto e mesma origem (autos n. 2002.02.01.0423040, TRF 2a Região); (d) 19.09.02: relator do agravo de instrumento acima, o Des. Francisco Pizzolante atribui efeito suspensivo ao recurso, a fim de restabelecer a amplitude que a decisão antecipatória ostentava até a prolação da decisão referida no item (b) (fls. 34/35); (e) 10.01.03: sobrevém sentença de improcedência, na qual o Juízo de Primeiro Grau expressamente revoga a decisão interlocutória que houvera antecipado a tutela (fls. 38/49); (f) a ora recorrente interpõe apelação da sentença e, ato contínuo, ajuíza medida cautelar originária perante o Tribunal Regional Federal da 2a. Região, a fim de ver restabelecida a antecipação de tutela até o julgamento do recurso (autos n. 2003.02.01.003920 7); (g) 24.03.03: por decisão monocrática, o Des. Francisco Pizzolante, relator da ação cautelar, defere a liminar requerida e, com isso, revigora a antecipação de tutela cassada pela sentença (fls. 58); (h) 06.05.03: o recurso de apelação interposto pela ora recorrente é recebido nos efeitos devolutivo e suspensivo pelo Juízo de Primeiro Grau (fls. 59); (i) 17.03.06: redistribuída ao Des. Fernando Marques, a medida cautelar que garantia a subsistência da antecipação de tutela à sentença é extinta sem julgamento de mérito (fls. 60); (j) 11.09.06: a fiscalização lavra o auto de infração objeto deste recurso voluntário (fls. 2). Durante a auditoria que culminou na formalização do auto de infração, a ora recorrente foi intimada a justificar se, depois do dia 17.03.06, ainda vigorava em seu favor alguma causa de suspensão da exigibilidade do crédito em cogitação, tendo respondido à auditoria, para tanto, que a apelação interposta contra a sentença de improcedência fora recebido também no efeito devolutivo (item “h” acima). Ao que tudo indica, porém, o provimento a que se refere a recorrente não lhe assegurava a suspensão da exigibilidade do crédito ao tempo da lavratura do auto de infração. Se a apelação foi recebida no duplo efeito – fato que se confirma pelo extrato de andamento processual trasladado às fls. 59 – vigora o status quo ante, i.e., restabelecemse os efeitos das decisões anteriores à própria sentença. No caso concreto, a suspensão da exigibilidade do crédito fora garantida à ora recorrente pela decisão de fls. 22/25, cuja subsistência no tempo vinha sendo sustentada pelo provimento monocrático conquistado pela ora recorrente na medida cautelar proposta em Segundo Grau. Como se viu, porém, o feito em questão acabou extinto sem julgamento de mérito ainda em março de 2006, cerca de seis meses antes da lavratura deste auto de infração. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/07/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 De fato, portanto, ao tempo da constituição da exigência, não subsistia nenhuma causa inexigibilidade do crédito e tampouco transcorrida o prazo de trinta dias a que se refere o §2o, do artigo 63, da Lei n. 9.430/96. Forte nessas razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 517DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/07/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 15224.000816/2004-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Período de apuração: 14/02/2004 a 06/03/2004
Embargos de Declaração. Prazo
O prazo de (cinco) dias concedido para interposição de embargos de declaração não está sujeito a interrupção em razão da apresentação de pedido de reconsideração.
Omissão ou Obscuridade. Inexistência
Cabem embargos de declaração quando existir no acórdão obscuridade, dúvida ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Câmara.
Não se revela omisso ou obscuro o acórdão que, analisando a matéria fática, decide de maneira diversa da defendida pelo embargante.
Trata-se de inconformismo a ser enfrentado em sede de recurso especial.
Recurso Especial. Admissibilidade
Não há como dar seguimento ao recurso especial em que a recorrente não faz qualquer menção a dissídio jurisprudencial capaz de preencher a condição expressa no art. 70 do Regimento Interno do extinto Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 2007, aplicado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por força da Portaria MF n° 41, de 2009.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3201-000.172
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração ao Acórdão 303-34676, de 11/09/2007, nos termos do voto do relator.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4, a TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 15224.000816/2004-18 Recurso n° 136.463 Embargos Acórdão n° 3201-00.172 — 2" Câmara / l a Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2009 Matéria II/IPI - FALTA DE RECOLHIMENTO Embargante SAMSUNG ELETRÔNICA DA AMAZÔNIA LTDA Interessado PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 14/02/2004 a 06/03/2004 Embargos de Declaração. Prazo O prazo de (cinco) dias concedido para interposição de embargos de declaração não está sujeito a interrupção em razão da apresentação de pedido de reconsideração. Omissão ou Obscuridade. Inexistência Cabem embargos de declaração quando existir no acórdão obscuridade, dúvida ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Câmara. Não se revela omisso ou obscuro o acórdão que, analisando a matéria fática, decide de maneira diversa da defendida pelo embargante. Trata-se de inconformismo a ser enfrentado em sede de recurso especial. Recurso Especial. Admissibilidade Não há como dar seguimento ao recurso especial em que a recorrente não faz qualquer menção a dissídio jurisprudencial capaz de preencher a condição expressa no art. 70 do Regimento Interno do extinto Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 2007, aplicado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por força da Portaria MF n° 41, de 2009. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Processo n° 15224.000816/2004-18 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.172 Fl. 1.056 ACORDAM os membros da 2a Câmara / i a Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração ao Acórdão 303-34676, de 11/09/2007, nos termos do voto do relator. L MA CELO GUERRA DE CASTRO Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Nanci Gama, Nilton Luiz Bartoli, Vanessa Albuquerque Valente, Heroldes Bahr Neto, Irene Souza da Trindade Torres e Celso Lopes Pereira Neto. 2 Processo n° 15224.000816/2004-18 S3-C2T1 Acórdão n.°3201-00.172 Fl. 1.057 Relatório Trata-se de recurso contra o Acórdão n° 303-34.676, de II de setembro de 2007, relatado pelo então conselheiro Marciel Eder Costa„ que assim restou ementado:. Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 14/02/2004 a 06/03/2004 Ementa: II e IPL VINCULADO À IMPORTAÇÃO. NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas, prevalecendo os efeitos da decisão judicial, inclusive com extensão destes para os juros dependentes da matéria principal, fundamentos no artigo 45 Decreto 70235/72. MULTA DE OFÍCIO. Em se tratando de desvio de finalidade, é descabida a exigência da multa de oficio capitulada no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96, visto que há multa específica para a infração da espécie dos autos. CARTA DE FIANÇA BANCÁRIA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. A carta de fiança bancária não tem poder de suspender a exigibilidade do crédito tributário, pois não se constitui em uma das hipóteses previstas no artigo 151 do CTN. II e IPI VINCULADO. APLICAÇÃO DAS ALIQUOTAS. A aplicação das alíquotas relativas ao II e ao IPI deve sujeitar-se às normas vigentes por ocasião da ocorrência dos fatos geradores, fundamentos no artigo 144 do CTN. Recurso de Oficio Negado e Recurso Voluntário Não Conhecido Cientificada do acórdão hostilizado, comparece a recorrente mais uma vez autos para, por meio de pedido de reconsideração, pleitear a reforma da decisão embargada. Posteriormente, ao ser cientificada do indeferimento do pedido de reconsideração, fundamentado na revogação da legislação que admitia esta modalidade recursal, apresentou nova petição, desta vez dirigida à Câmara Superior de Recursos Fiscais, apontando omissão e obscuridade no acórdão. Segundo aduz a embargante, o acórdão embargado encontra-se maculado por obscuridade e omissão, pois, no seu sentir: I - apesar de pronunciar a ilegalidade da multa capitulada no art. 44, inciso I, da Lei n. 9.430/96, com relação ao Imposto de Importação, deixou-se de estender tal tratamento à multa de oficio aplicada em relação ao IPI (Imposto de Produtos Industrializados), questão de ordem pública que não poderia deixar de ser considerada; • Processo n° 15224.000816/2004-18 S3-C2TI Acórdão n.°3201-00.172 Fl. 1.058 2. nulidade da exigência, materializado na aplicação de aliquotas divergentes da estabelecida pela legislação, apesar do reconhecimento, no voto condutor, restar reconhecido que percentuais informados no processo seriam inferiores aos utilizados nas declarações aduaneiras. Acerca desse alegado erro, alega, literalmente: Ora, se "em alguns casos houve a aplicação de aliquota a menor", há que se esclarecer qual a aliquota efetivamente aplicada a espécie e, se a maior na MEX. esta está incorreta, fazendo crer que houve excesso de lançamento e pagamento ou, se a aliquota menor é a correta, estaria viciado o AMF, haja vista conter erro na aplicação de aliquota de imposto. Reitera, ademais, que o erro na definição das aliquotas teria sido denunciado no recurso, mas que o acórdão embargado deixara de ser analisado, fazendo-se necessária manifestação da autoridade julgadora acerca de tal alegação É o Relatório" 4 Processo n° 15224.000816/2004-18 S3-C2TI Acórdão n°3201-00.172 Fl. 1.059 Voto Conselheiro LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Relator Apesar da clara insurgência, a petição que ora se submete à consideração deste Colegiado não deixa claro qual é a natureza da providência que espera deste CARF. Com efeito, malgrado dirigir seu pedido à egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, os fundamentos da insurgência do sujeito passivo (omissão e obscuridade) desafiam embargos de declaração. Daí porque, em homenagem ao princípio da fungibilidade dos recursos, necessário se faz que se analise ambas as possibilidade. Nesse contexto, penso que, qualquer que seja a natureza da pretensão do sujeito passivo, não vejo como a mesma possa prosperar. Com efeito, não há como dar seguimento ao recurso especial em razão do não preenchimento das condições de admissibilidade: não se faz qualquer menção a dissídio jurisprudencial capaz de preencher a condição expressa no art. 7 01 do Regimento Interno do extinto Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 2007, aplicado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por força da Portaria MF n°41, de 2009. Penso que os presentes embargos não merecem ser acolhidos. Em primeiro lugar, o prazo decorrido entre a ciência da decisão embargada e a apresentação da petição que motivou o presente julgamento supera sobremaneira os cinco dias fixados no § 1° do art. 57 2 do Regimento Interno do extinto Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 2007, aplicado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por força da Portaria MF n°41, de 2009. Com efeito, a ciência da decisão alegadamente viciada de omissão e obscuridade se deu em 28/02/2008 3 e a petição que consubstancia tais alegações, em 11/04/20084 I Art. 7° Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: 1 - decisão não-unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e II - decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. 2 1i 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos por Conselheiro da Câmara, pelo Procurador da Fazenda Nacional, por Presidente da Turma de Julgamento de primeira instância, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo recorrente, mediante petição fundamentada, dirigida ao Presidente da Câmara, no prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão. 3 AR de fl. 1039. 4 Protocolo de fl. 1047 Processo n° 15224.000816/200418 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.172 Fl. 1.060 Obviamente, não custa reforçar que o pedido de reconsideração não teve o condão de suspender a fluência de prazo para a apresentação de embargos de declaração ou recurso especial. Em segundo, não diviso as alegadas omissão ou obscuridade ou mesmo erro material. A fim de demonstrar a coerência e completude da decisão embargada, transcrevo trecho que sintetiza as razões que conduziram este colegiado a não tomar conhecimento do recurso voluntário. Quanto ao mérito, resulta da análise da peça vestibular e recursal que toda questão relativa a este, qual seja, base de cálculo dos tributos incidentes na transferência das máquinas é objeto da ação judicial proposta pela recorrente, de n° 2004.32.00001761-5, conforme noticiado as fls. 910/911, tratando-se de "Ação Ordinária Declarató ria de não exigibilidade do Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, calculados com base no valor em dólar americano constante nas guias de Importação dos equipamentos que compuseram o ativo imobilizado da Requerente ora transferidos para filial localizada fora da Zona Franca de Manaus, com pedido de tutela antecipada". (—) Com efeito, as conseqüências da impetração de ação judicial pela interessada, em matéria que versa processo administrativo, implica na renúncia deste. Daí porque não caberia a este Colegiado se manifestar acerca de multa calculada sobre eventual diferença do Imposto sobre Produtos Industrializados, cuja exigibilidade está condicionada ao resultado do pré-falado processo judicial: se não restar apurada falta de pagamento do imposto, evidentemente não há que se falar em multa calculada sobre o montante que, na opinião do Fisco deixou de ser recolhido. Ademais, naquilo em que não se formou concomitância (definição da aliquota aplicável), penso que a leitura do sujeito passivo se revela diametralmente oposta à consignada no voto condutor do acórdão embargado. O demonstrativo a que se refere o relator quando endossa a correção das aliquotas aplicadas quando do lançamento não é o elaborado pelo sujeito passivo, mas o constante do voto condutor do acórdão de piso. Veja o que restou consignado pelo i. conselheiro Marciel Eder Costa: Às fls. 940/944 a DRJ/Fortaleza- CE apresenta quadros com o cotejamento das aliquotas para o II e o IPI-V entre aquelas aplicadas pela autoridade autuante e as constantes nas resoluções, verificando-se que a fiscalização observou exatamente as disposições contidas no art. 16 da IN/SRF n° 242, de 06/11/2001, sendo em alguns casos, conforme demonstrado . • Processo n° 15224.000816/2004-18 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.172 Fl. 1.061 nos citados quadros, inclusive aplicada aliquota menor do que a utilizada na DLEX. Com efeito, segundo aquele ato administrativo, a aliquota a ser considerada quando da formulação da DI de nacionalização é a vigente quando do registro desta última e não aquela que vigia no momento da admissão da mercadoria no regime da zona franca de Manaus. Com essas considerações, voto no sentido de rejeitar o pedido de revisão do Acórdão 303-34.676, de 11 de setembro de 2007. Sala das Sessões, em 17 de junho de 2009 LUIS M CELO GUERRA DE CASTRO - Relator 7
score : 1.0
Numero do processo: 36624.002699/2007-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/05/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO
No caso em que o lançamento é de ofício, para o qual não houve pagamento antecipado do tributo, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN.
Considera-se lançamento de ofício a contribuição incidente sobre o pagamento de verbas que a empresa não considera base de cálculo da contribuição.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2301-003.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher o pedido da unidade da administração tributária, nos termos do voto da Relatora; b) acolhidos os embargos, em retificar o acórdão, a fim de deixar claro que se deve dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete De Oliveira Barros - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2002 a 30/05/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO No caso em que o lançamento é de ofício, para o qual não houve pagamento antecipado do tributo, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN. Considera-se lançamento de ofício a contribuição incidente sobre o pagamento de verbas que a empresa não considera base de cálculo da contribuição. Embargos Acolhidos
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FATOS GERADORES Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/05/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO No caso em que o lançamento é de ofício, para o qual não houve pagamento antecipado do tributo, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN. Considerase lançamento de ofício a contribuição incidente sobre o pagamento de verbas que a empresa não considera base de cálculo da contribuição. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 26 99 /2 00 7- 37 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher o pedido da unidade da administração tributária, nos termos do voto da Relatora; b) acolhidos os embargos, em retificar o acórdão, a fim de deixar claro que se deve dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 311DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36624.002699/200737 Acórdão n.º 2301003.272 S2C3T1 Fl. 286 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração/Requerimento formulado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo, para correção de inexatidão material no Acórdão n.° 230100.750, da Primeira Turma Ordinária, da Terceira Câmara, da Segunda Seção de Julgamento, do CARF. A embargante/requerente alega, em apertada síntese, que houve erro no resultado declarado no decisório da votação do colegiado. É o relatório. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheira Bernadete De Oliveira Barros A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo, com fulcro nos art. 65 e 66 do RICARF, aprovado pela Portaria MF n.° 256/2009, opôs Embargos de Declaração/Requerimento para correção de inexatidão material no Acórdão n.° 230100.750, da Primeira Turma Ordinária, da Terceira Câmara, da Segunda Seção de Julgamento, do CARF. Alega que a nova decisão proferida por esta Turma de Julgamento em razão dos embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, contém erro, desta feita no resultado declarado no decisório da votação do colegiado, que foi por maioria de votos, e que deveria ser de provimento parcial do recurso do contribuinte em compatibilidade com o voto da conselheira Relatora, ao invés do resultado indevidamente informado de "negar provimento ao recurso”. Entende que o acórdão deva ser corrigido independente do prazo recursal previsto para os embargos de declaração, uma vez que a correção de inexatidões materiais também está prevista no art. 66 do RICARF (Portaria MF n° 256/2009). De fato, verificase a existência da inexatidão material apontada.. Constatase que, no voto condutor do aresto, esta Relatora deu provimento parcial ao recurso, para excluir, por decadência, os valores lançados até a competência 11/1999 inclusive, em decorrência da aplicação da regra decadencial contida no art. 173, I, do CTN. Entretanto, no dispositivo do Acórdão, consta, de forma equivocada, que foi negado provimento ao recurso, o que não retrata, de forma correta, o resultado do julgamento. Assim, por serem procedentes as alegações da embargante, entendo que devam ser acolhidos os embargos opostos pela Fazenda Pública, para suprir a omissão/contradição apontada e corrigir o dispositivo do acórdão embargado, no sentido de deixar claro que se aplica a regra decadencial prevista no art. 150, § 4o, do CTN, para os levantamentos FPG e DAL, e a regra contida no art. 173, I, do mesmo diploma legal, para os demais levantamentos. Assim, por serem procedentes as alegações da embargante/requerente, entendo que devam ser acolhidos os embargos opostos pela DRFB e, com fulcro no art. 67, do Decreto 7574/2011, corrigir o dispositivo do acórdão, para que nele conste que foi dado provimento parcial ao recurso do contribuinte, por maioria, com a aplicação da regra decadencial contida no art. 173, I, do CTN, excluindo do débito as contribuições lançadas até 11/1999, inclusive. CONCLUSÃO Nesse sentido, voto em acolher os embargos opostos, para fazer constar, no dispositivo do acórdão, o provimento parcial ao recurso, por maioria, para que se aplique a Fl. 313DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36624.002699/200737 Acórdão n.º 2301003.272 S2C3T1 Fl. 287 5 regra decadencial prevista no art. 173, I, do CTN, excluindo do débito, por decadência, os valores lançados até a competência 11/99, inclusive. É como voto. Bernadete De Oliveira Barros – Relatora Fl. 314DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001326/2010-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
São tributáveis os rendimentos recebidos de pessoa jurídica, para os quais o contribuinte não comprova se tratarem de rendimentos que não estão sujeitos à tributação.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMPLES OMISSÃO. NÃO AUTORIZAÇÃO.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14).
NULIDADE DA DECISÃO. NÃO PRONUNCIAMENTO. DECISÃO DO MÉRITO FAVORÁVEL A QUEM APROVEITARIA A DECLARAÇÃO DE NULIDADE.
Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo, a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprir-lhe a falta.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-002.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado digitalmente
Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Walter Reinaldo Falcão Lima, Odmir Fernandes e Nathália Mesquita Ceia. Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCAO LIMA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. São tributáveis os rendimentos recebidos de pessoa jurídica, para os quais o contribuinte não comprova se tratarem de rendimentos que não estão sujeitos à tributação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMPLES OMISSÃO. NÃO AUTORIZAÇÃO. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14). NULIDADE DA DECISÃO. NÃO PRONUNCIAMENTO. DECISÃO DO MÉRITO FAVORÁVEL A QUEM APROVEITARIA A DECLARAÇÃO DE NULIDADE. Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo, a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprir-lhe a falta. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Walter Reinaldo Falcão Lima, Odmir Fernandes e Nathália Mesquita Ceia. Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
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São tributáveis os rendimentos recebidos de pessoa jurídica, para os quais o contribuinte não comprova se tratarem de rendimentos que não estão sujeitos à tributação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMPLES OMISSÃO. NÃO AUTORIZAÇÃO. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14). NULIDADE DA DECISÃO. NÃO PRONUNCIAMENTO. DECISÃO DO MÉRITO FAVORÁVEL A QUEM APROVEITARIA A DECLARAÇÃO DE NULIDADE. Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo, a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 13 26 /2 01 0- 78 Fl. 627DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Walter Reinaldo Falcão Lima, Odmir Fernandes e Nathália Mesquita Ceia. Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 600 a 602), que reproduzo a seguir: “Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado por auditorfiscal da Delegacia da Receita Federal em Vitória/ES, auto de infração (fls. 533/549) referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2006 a 2008, anoscalendário 2005 a 2007, sendo cientificado em 01/11/2010, conforme Aviso de Recebimento (fl. 550). O valor do crédito tributário apurado está assim constituído, conforme Demonstrativo do Crédito Tributário (fl. 533): Imposto de Renda Pessoa Física 292.574,35 Juros de Mora (cálculo até 30/09/2010) 102.235,48 Multa Proporcional (passível de redução) 310.072,42 Crédito Tributário Apurado 704.882,25 Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela contribuinte supracitada, foi efetuado lançamento de oficio, tendo em vista que foram apuradas as seguintes infrações: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, parte integrante e indissociável do Auto de Infração: Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 28/02/2005 1.800,00 150 Fl. 628DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15586.001326/201078 Acórdão n.º 2201002.179 S2C2T1 Fl. 627 3 30/04/2006 6.600,00 150 30/06/2006 62.480,00 150 31/08/2006 14.450,00 150 30/09/2006 43.630,00 150 31/10/2006 30.221,00 150 30/11/2006 50.000,00 150 31/12/2006 50.000,00 150 31/01/2007 40.000,00 150 28/02/2007 30.000,00 150 31/03/2007 10.000,00 150 30/04/2007 20.000,00 150 31/05/2007 20.000,00 150 30/06/2007 11.300,00 150 31/07/2007 13.440,00 150 31/08/2007 14.474,41 150 30/09/2007 15.079,31 150 31/10/2007 6.000,00 150 O enquadramento legal encontrase à fl. 536. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO DE INFRAÇÃO FISCAL, parte integrante e indissociável do Auto de Infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/01/2005 14.155,00 75 28/02/2005 20.220,00 75 31/03/2005 16.045,00 75 30/04/2005 17.600,00 75 31/05/2005 13.840,00 75 Fl. 629DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 30/06/2005 33.705,00 75 31/07/2005 29.279,00 75 31/08/2005 10.529,00 75 30/09/2005 7.172,22 75 31/10/2005 24.720,00 75 30/11/2005 14.635,00 75 31/12/2005 13.760,00 75 31/01/2006 20.510,00 75 28/02/2006 42.484,8 75 31/03/2006 66.740,00 75 30/04/2006 9.985,00 75 31/05/2006 28.390,00 75 30/06/2006 17.420,00 75 31/07/2006 21.800,00 75 31/08/2006 10.958,54 75 30/09/2006 15.700,00 75 31/10/2006 17.791,18 75 30/11/2006 15.800,00 75 31/12/2006 12.450,00 75 31/01/2007 23.800,00 75 28/02/2007 3.500,00 75 31/03/2007 20.000,00 75 30/04/2007 19.800,00 75 31/05/2007 9.342,26 75 30/06/2007 30.000,00 75 31/07/2007 5.000,00 75 31/10/2007 4.000,00 75 30/11/2007 11.000,00 75 31/12/2007 5.300,00 75 O enquadramento legal encontrase à fl. 539. Em 02/12/2010, no pedido de impugnação (fls. 559/563), acompanhado dos documentos de fls. 566/595, o contribuinte alega que: Fl. 630DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15586.001326/201078 Acórdão n.º 2201002.179 S2C2T1 Fl. 628 5 recebeu, no anocalendário 2005, R$ 64.800,00, a título de prólabore da Trade Factoring Fomento Mercantil Ltda; R$ 28.950,00, a título de lucros e dividendos e R$ 78.075,00 referentes a contrato de mútuo no ano de 2005 da sociedade Expogranit Comércio Exportação Ltda, conforme balanço contábil; informou na Declaração de Ajuste Anual R$ 64.800,00 e R$ 28.950,00; recebeu, ainda, a título de Distribuição de Lucros – ano 2005, R$ 43.835,22, da Expogranit Comércio Exportação Ltda; não houve omissão, por depósito bancário, no anocalendário 2005, pois recebeu, no total, R$ 215.660,00; recebeu, no anocalendário 2006, R$ 66.700,00, a título de prólabore da Trade Factoring Fomento Mercantil Ltda e R$ 129.734,00, a título de distribuição de lucro da sociedade Expogranit Comércio Exportação Ltda; não houve omissão, por depósito bancário, no anocalendário 2006, pois recebeu, no total, R$ 196.434,00; recebeu, no anocalendário 2007, R$ 66.700,00, a título de prólabore da Trade Factoring Fomento Mercantil Ltda. Requer a anulação do auto de infração, vez que não houve omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários e recebidas de pessoa jurídica. É o relatório.” A 6a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília julgou a impugnação procedente em parte (fls. 598 a 610), para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Trade Factoring Fomento Mercantil Ltda o que corresponde a exclusão do lançamento dos valores de R$ 1.800,00, recebido em 28/02/2005, e R$ 6.600,00, recebido em 30/04/2006. Confirase a ementa do respectivo acórdão: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. MULTA QUALIFICADA Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme o art. 17, do Decreto nº 70.235/72, com a redação da Lei nº 9.532/97. O crédito tributário correspondente se sujeita à imediata cobrança. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, Fl. 631DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Comprovado nos autos que os rendimentos recebidos de pessoa jurídica, considerados como omitidos, foram informados na Declaração de Ajuste Anual, estes devem ser excluídos de tributação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Cientificado do acórdão de primeira instância em 28/11/2011 (Aviso de Recebimento de fls. 615), o Interessado interpôs, em 22/12/2011, o Recurso de fls. 616 a 620, em que reitera as alegações expostas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Relator O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cumpre informar, inicialmente, que, das infrações apuradas, restaram a omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Expogranit Comércio Exportação Ltda e a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, haja vista que a omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Trade Factoring Fomento Mercantil Ltda foi totalmente cancelada pelo órgão julgador de primeira instância (vide quadro demonstrativo de fls. 604 e dispositivo do acórdão recorrido). DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA A omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Expogranit Comércio Exportação Ltda foi lançada em virtude da existência de depósitos bancários efetuados por essa empresa na conta bancária do Contribuinte que, conforme investigação feita pela fiscalização na documentação daquela pessoa jurídica (Termo de Verificação Fiscal de fls. 516 a 532), se tratam de rendimentos sujeitos à tributação do IRPF. Ao expor suas razões para a reforma da conclusão do acórdão recorrido, assim alega: “08 – No entanto, em que pese as razões dessa fiscalização, tais conclusões apuradas após a análise do referido recurso não merecem prosperar tendo em vista que os valores indicados, em que pese o erro na forma de escrituração não representam verbas omitidas pelo Recorrente, pois justificadas em suas declarações de imposto de renda.” Fl. 632DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15586.001326/201078 Acórdão n.º 2201002.179 S2C2T1 Fl. 629 7 Acerca dessa omissão o trecho acima reproduzido é a única parte do Recurso em que se pode admitir que o Recorrente tenha contestado essa infração, embora não o tenha feito expressamente. O Interessado informou em sua Declaração de Ajuste Anual do IRPF, relativa ao exercício 2007, ano calendário 2006, o montante de R$ 129.734,00, a título de distribuição de lucros da empresa Expogranit Comércio Exportação Ltda. Alega que esse valor se refere a lucro acumulado de 2005, que foi pago até 24/03/2006. Todavia o Recorrente não comprovou o recebimento daquela quantia até a aludida data. Consta somente o recebimento de valores a partir de agosto de 2006, a título de distribuição de lucros. Entretanto, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 516 a 532), verificação feita pela fiscalização nos documentos fiscais e contábeis constatou que no ano anocalendário de 2006 aquela empresa optou pela tributação de seus resultados pelo Lucro Real Trimestral, tendo apurado prejuízo em todos os trimestres daquele ano. Logo as quantias recebidas como “distribuição de lucros acumulados” em 2006 não são isentas de imposto de renda, estando correta, portanto, a omissão lançada pela fiscalização. Quanto ao anocalendário de 2007 não constam recebimentos de valores da empresa Expogranit Comércio Exportação Ltda na respectiva Declaração de Ajuste Anual do IRPF. O Contribuinte também não alegou ter recebido daquela empresa em 2007 rendimentos relativos a distribuição de lucros e dividendos, ou quaisquer outros rendimentos não sujeitos à tributação ou tributados exclusivamente na fonte. Em atendimento à intimação da fiscalização, a referida empresa afirmou que os créditos efetuados na conta do Recorrente referemse a reembolso de despesas pagas por ele e que haviam sido contabilizadas no caixa da empresa como suprimento de caixa, porém não foi apresentado nenhum documento comprovando essa assertiva. Por conseguinte correto também o lançamento referente à omissão de rendimentos recebidos daquela pessoa jurídica em 2007. DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTE DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Acerca da tributação da omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários, o art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, assim dispõe: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (valores alterados pela Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)” No caso em apreço foram lançados como omissão de rendimentos os depósitos bancários para os quais o Recorrente não logrou comprovar a origem, haja vista que a fiscalização considerou que alguns depósitos tiveram a sua origem comprovada pelos documentos carreados aos autos. Esse fato pode ser constatado comparandose o demonstrativo de depósitos contido no Termo de Intimação Fiscal de fls. 245 a 253 com a relação de depósitos contida no Termo de Verificação Fiscal de fls. 516 a 532, parte integrante do auto de infração. É importante destacar que, para elidir a presunção legal estabelecida no dispositivo legal acima reproduzido, o Contribuinte deve comprovar, de forma individualizada, a origem de cada depósito, não sendo suficiente para tanto alegações vagas, como, por exemplo, de que os depósitos se referem a determinados rendimentos ou são oriundos de operações não tributáveis. Nesse sentido incabível acatar a alegação de que rendimentos declarados na Declaração de Ajuste Anual do IRPF como tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte ou não tributáveis devem ser excluídos do montante de depósitos apurado, sem que haja demonstração, por parte do Contribuinte, da vinculação entre tais rendimentos e os depósitos lançados. Não entendo que se deve presumir que tais rendimentos transitaram pelas contas bancárias do Contribuinte, sem que esse fato seja comprovado. Cumpre assinalar que os rendimentos provenientes da pessoa jurídica Expogranit Comércio Exportação Ltda não foram incluídos nessa infração, como pode ser constatado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 516 a 532. Tais rendimentos foram lançados Fl. 634DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15586.001326/201078 Acórdão n.º 2201002.179 S2C2T1 Fl. 630 9 como omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, logo não há que se falar em exclusão de tais rendimentos da omissão relativa a depósitos bancários de origem não comprovada. Vale dizer que os depósitos relativos a contrato de mútuo efetivado em 2006 com a empresa Expogranit Comércio Exportação Ltda, no total de R$ 25.055,00, devidamente comprovado, foram excluídos da omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, conforme esclarecido no citado Termo de Verificação Fiscal (fls. 523). Por fim cumpre informar que o Contribuinte não comprovou que os depósitos decorrentes de transferência de outras contas correntes se tratam de valores oriundos de contas de sua titularidade, razão pela qual não foram excluídos do lançamento. Diante da ausência de comprovação da origem dos depósitos lançados, o lançamento relativo a essa infração deve ser mantido. DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Quanto à qualificação da multa de ofício, discordo do entendimento proferido no acórdão recorrido, no sentido de que a matéria não foi impugnada. Como pode ser verificado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 516 a 532 a multa de ofício foi qualificada por se entender que não há como considerar que houve mero esquecimento por parte do Contribuinte em não declarar os rendimentos omitidos recebidos de pessoa jurídica, devido aos seus valores significativos. Por conseguinte concluiuse que essa omissão teve intenção fraudulenta, sujeita à exasperação da multa. Em sua impugnação o Interessado alega que tais rendimentos não se tratam de verbas omitidas, por estarem justificadas em suas declarações de ajustes anuais do IRPF. Como a multa foi qualificada em decorrência da própria omissão, ao contestar a infração oriunda da omissão de rendimentos da pessoa jurídica com base na inexistência dessa omissão, não restam dúvidas que a impugnação abrangeu tanto essa infração quanto a qualificação da multa. Assim, a não apreciação da matéria em questão pelo órgão julgador de primeira instância ensejaria a nulidade do acórdão recorrido. Entretanto, o art. 59, § 3o, do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo reproduzido, prevê que, quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. Art.59. São nulos: I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1o A nulidade de qualquer ato só prejudica os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 § 2o Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3o Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. No caso em apreço entendo que se trata de hipótese em que a multa foi qualificada pela simples omissão de rendimentos, não tendo sido comprovado seu evidente intuito de fraude, que ensejaria a exasperação daquela penalidade. Simples conjecturas de que “houve mero esquecimento” ou que se tratam de “valores significativos” não são suficientes para que seja caracterizado o dolo, elemento necessário para a qualificação da multa. Cumpre assinalar que este Conselho já pacificou o entendimento, por meio da Súmula CARF nº 14, abaixo reproduzida, de que a simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício. Súmula CARF nº 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Diante do exposto deve ser afastada a qualificação da multa de ofício, razão pela qual, com base no § 3º do art. 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, deixo de pronunciar a declaração de nulidade do acórdão de primeira instância. Por tais razões voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Walter Reinaldo Falcão Lima Fl. 636DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10073.720454/2008-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
ITR. VTN. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT.
O arbitramento do VTN com base no SIPT, nos casos de falta de apresentação de DITR ou de subavaliação do valor declarado, requer que o sistema esteja alimentado com informações sobre aptidão agrícola, como expressamente previsto no art. 14 da Lei nº 9393, de 1996 c/c o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993. É inválido o arbitramento feito com base apenas na média do VTN declarado pelos imóveis da região de localização do imóvel.
Recurso provido
Numero da decisão: 2202-002.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente e Relator
Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Fábio Brun Goldschimidt, Jimir Doniak Junior (suplente convocado) e Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado). Ausentes justificadamente os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente e Relator Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Fábio Brun Goldschimidt, Jimir Doniak Junior (suplente convocado) e Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado). Ausentes justificadamente os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior.
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VTN. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. O arbitramento do VTN com base no SIPT, nos casos de falta de apresentação de DITR ou de subavaliação do valor declarado, requer que o sistema esteja alimentado com informações sobre aptidão agrícola, como expressamente previsto no art. 14 da Lei nº 9393, de 1996 c/c o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993. É inválido o arbitramento feito com base apenas na média do VTN declarado pelos imóveis da região de localização do imóvel. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente e Relator Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Fábio Brun Goldschimidt, Jimir Doniak Junior (suplente convocado) e Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado). Ausentes justificadamente os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 04 54 /2 00 8- 66 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 INAGRO AGRICULTURA E PECUÁRIA S/A interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJBRASÍLIA/DF (fls. 75) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 02/05 para exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, referente ao exercício de 2004, no valor de R$ 3.313,89, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 7.667,67. A infração que ensejou o lançamento está assim descrita no auto de infração: Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Pregos de Terra – SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Complemento da Descrição dos Fatos: 0 CONTRIBUINTE NÃO APRESENTOU 0 LAUDO DE AVALIAÇÃO DO IMÓVEL, EMBORA TENRA SIDO REGULARMENTE INTIMADO; VALOR DA TERRA NUA APURADO: ÁREA DO IMÓVEL X PREÇO DO SISTEMA DE INFORMAÇÃO DE PREÇO DE TERRAS DA RECEITA FEDERALSIPT: 2.710,5 RA X RS 1.400,00 = R$ 3.794.700,00; A Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que apesar de o valor total do imóvel ter sido reavaliado pela Receita Federal, esta não atualizou o valor das benfeitorias, culturas e pastagens cultivadas, o que, por si só, eleva absurdamente o VTN; que o VTNt apurado pela Receita Federal não reflete a realidade dos fatos, tendo em vista que a grande parte da área total do imóvel é ocupada por benfeitorias ou é utilizada na atividade rural; que, de acordo com o art. 10 da Lei 9.393/96, para se obter o valor da terra nua, fazse necessário apurar a diferença entre o valor total do imóvel e o valor de todos os bens acessórios elencados no referido diploma legal; que de acordo com os valores declarados a título de benfeitorias e das culturas e pastagens cultivadas/melhoradas, apurouse um VTN de R$ 2.225.276,00, o que representa, aproximadamente, 23% (vinte e três por cento) do valor total do imóvel; que, todavia, todavia, verificase que a Receita Federal reavaliou o valor total do imóvel de R$ 9.625.276,00 para R$ 11.194.700,00; reajustando automaticamente o VTN, visto que o mesmo representa o resultado de uma subtração entre o valor total do imóvel e o valor das benfeitorias, pastagens, etc.; que a soma dos valores das benfeitorias e das culturas e pastagens cultivadas/melhoradas representa um percentual bastante elevado do valor total do imóvel, ou seja, 76%, do valor total do imóvel; que, assim, ao reavaliar o valor total do imóvel, a Receita Federal deveria, necessariamente, reavaliar todos os valores declarados pela Impugnante, o que refletiria, com exatidão, a real composição do valor total do imóvel; que assim procedendo, haveria uma redução significativa do VTN, refletindo a realidade dos fatos, o que não ocorreu; que o valor correto do VTN seria de R$ 2.588.214,64 (23,12% do novo VTI), A DRJ/BRASÍLIA/DF julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10073.720454/200866 Acórdão n.º 2202002.374 S2C2T2 Fl. 3 3 Inicialmente, observou a DRJBRASÍLIA/DF que o SIPT foi arbitrado com base no menor valor por aptidão agrícola (Terras de Florestas) apontado no SIPT, para 2004, para o9 Município de Valença – RJ. Registrou que o valor declarado está claramente subavaliado, pois é bem menor do que o Constante do SIPT, justificandose o arbitramento. Sobre as observações feitas pela Contribuinte quanto ao reajustamento do valoir das benfeitorias, a DRJ observou que o arbitramento se limita à identificação do valor do VTN, o qual é somado ao das benfeitorias, chegandose ao valor total do imóvel, tendo agido corretamente a autoridade lançadora. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 09/12/2011 (fls. 86) e, em 10/01/2012, interpôs o recurso voluntário de fls. 89/96, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, cuidase de lançamento de ITR decorrente do arbitramento do Valor da Terra Nua – VTN. Segundo o relatório, a Contribuinte foi intimada a comprovar o VTN declarado e nada apresentou. Pois bem, dada a discrepância entre o VTN declarado e aquele valor apurado com base no SIPT caracterizase a subavaliação, justificavase o arbitramento do imposto uma vez que, regularmente intimada a Contribuinte não comprovou mediante laudo técnico de avaliação o valor declarado. Verificase, entretanto, que o SIPT empregado no arbitramento não classifica os valores segundo as aptidões agrícolas (fls. 19), e este Colegiado tem se posicionado no sentido de que não é válido o arbitramento do VTN com base apenas na informação, constante do SIPT, sobre o valor médio do VTN declarado pelos imóveis da região de localização do imóvel. É que o art. 14 da Lei nº 9393, de 1996, combinado com o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993, definem que os critérios para a alimentação do sistema de preços de terras a ser utilizado como parâmetro para o arbitramento, deve levar em consideração, entre outras informações, a aptidão agrícola, senão vejamos: Lei nº 9.393, de 1996: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, Fl. 102DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. E o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993, cuja redação foi alterada pela Medida Provisória nº 2.18256, de 2001: Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) III dimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) No caso concreto, como se pode verificar do extrato do SIPT às fls. 08, o sistema foi alimentado apenas com base nos valores médios das declarações do ITR para a região, sem levar em conta a aptidão agrícola. E, portanto, o dado do sistema não poderia ser utilizado como parâmetro para o arbitramento do VTN. Ademais, neste caso, verificase uma diferença entre o valor declarado e o valor constante do SIPT relativamente pequena para justificar a afirmação de subavaliação do imóvel. Nestas condições, penso que não deve prosperar o arbitramento do VTN, devendo ser restabelecido, portanto, o VTN declarado. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinatura digital Fl. 103DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10073.720454/200866 Acórdão n.º 2202002.374 S2C2T2 Fl. 4 5 Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 104DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 11543.001130/2005-61
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
PREVIDÊNCIA PRIVADA. DEDUÇÃO.
São dedutíveis, na declaração de ajuste anual, as despesas com previdência privada, limitada a 12% do total dos rendimentos tributáveis.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução de despesas de previdência privada no valor de R$ 5.629,84, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luís Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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DEDUÇÃO. São dedutíveis, na declaração de ajuste anual, as despesas com previdência privada, limitada a 12% do total dos rendimentos tributáveis. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução de despesas de previdência privada no valor de R$ 5.629,84, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luís Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 11 30 /2 00 5- 61 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11543.001130/200561 Acórdão n.º 2801003.013 S2TE01 Fl. 72 2 Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio do qual se reduziu o valor do imposto a restituir ao contribuinte de R$ 5.371,87 para R$ 84,51. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, exercício 2001, omissão de rendimentos do trabalho no valor de R$ 17.741,04 e dedução indevida de contribuição à previdência privada no valor de R$ 3.500,91. O contribuinte apresentou a impugnação de fl. 1 deste processo digital, concordando com a omissão de rendimentos e insurgindose contra a glosa da despesa de previdência privada. Para tanto, anexou à peça impugnatória o extrato de fl. 3, da Caixa Vida & Previdência. A impugnação apresentada foi julgada improcedente. Entenderam os julgadores da instância de piso que o extrato apresentado não informa o valor total das contribuições vertidas ao plano de previdência privada no anocalendário de 2000. Cientificado da decisão de primeira instância em 13/04/2011 (AR à fl. 49), o Interessado interpôs, em 19/04/2011, o recurso de fl. 50/52. À peça recursal anexa dois extratos fornecidos pela Caixa Econômica Federal – CEF, a saber: um com as contribuições anuais relativas aos anos de 2000 a 2011 (fl. 54) e outro com as contribuições vertidas no ano de 2000 (fl. 55). Ao final, requer a revisão da decisão recorrida e a restituição dos valores que lhe são devidos com os encargos legais. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Cingese à controvérsia à glosa de despesas de previdência privada, uma vez que o Interessado concordou com a omissão de rendimentos, nos seguintes termos: “Aceitamos os valores informados pela fonte pagadora por ser, neste momento (decorridos cinco anos), impossível comprovar agora fatos que à época já eram difíceis de entender”. Os documentos anexados à peça recursal atestam, de forma inequívoca, que o Recorrente contribuiu, no anocalendário de 2000, para o plano de previdência privada “Caixa Vida & Previdência”, com o valor de R$ 15.000,00, de forma que faz jus a dedução de despesas a esse título. Observo, por oportuno, que o Interessado havia declarado, como rendimentos tributáveis, o montante de R$ 29.174,32, o que lhe permitia uma dedução, com previdência privada, de R$ 3.500,91 (valor glosado), uma vez que a dedução de tais despesas está limitada a 12% do total dos rendimentos tributáveis (R$ 29.174,32 x 12% = R$ 3.500,91). Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11543.001130/200561 Acórdão n.º 2801003.013 S2TE01 Fl. 73 3 Ocorre que a Autoridade lançadora apurou omissão de rendimentos tributáveis no valor de R$ 17.741,04, o que elevou os rendimentos recebidos pelo contribuinte de R$ 29.174,32 (declarado) para R$ 46.915,36 (R$ 29.174,32 + R$ 17.741,04). Significa dizer que a parcela a ser deduzida, a título de previdência privada, passou a ser de R$ 5.629,84, que corresponde a 12% do total de rendimentos tributáveis (R$ 46.915,36 x 12% = R$ 5.629,84). Face ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas de previdência privada no valor de R$ 5.629,84. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10830.005039/2005-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO.
É de 5 (cinco) anos o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, contado da data da entrega da declaração de compensação.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. MANUTENÇÃO PREDIAL.
Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS os gastos de produção (manutenção predial) que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. DÉBITOS CONFESSADOS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). INCIDÊNCIA DA MULTA DE MORA.
Incide a multa de mora sobre valor de tributo confessado pelo contribuinte em Dcomp, pois o crédito foi regularmente constituído pelo próprio sujeito passivo, não se configurando denúncia espontânea (art. 138 do CTN) eventual pagamento a destempo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam o direito de descontar créditos em relação aos valores decorrentes da manutenção de prédios e instalações fabris. Os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Sidney Eduardo Stahl votaram pelas conclusões nesta matéria
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Déroulède, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. É de 5 (cinco) anos o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, contado da data da entrega da declaração de compensação. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. MANUTENÇÃO PREDIAL. Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS os gastos de produção (manutenção predial) que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. DÉBITOS CONFESSADOS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). INCIDÊNCIA DA MULTA DE MORA. Incide a multa de mora sobre valor de tributo confessado pelo contribuinte em Dcomp, pois o crédito foi regularmente constituído pelo próprio sujeito passivo, não se configurando denúncia espontânea (art. 138 do CTN) eventual pagamento a destempo. Recurso Voluntário Negado.
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. É de 5 (cinco) anos o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, contado da data da entrega da declaração de compensação. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. MANUTENÇÃO PREDIAL. Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS os gastos de produção (manutenção predial) que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. DÉBITOS CONFESSADOS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). INCIDÊNCIA DA MULTA DE MORA. Incide a multa de mora sobre valor de tributo confessado pelo contribuinte em Dcomp, pois o crédito foi regularmente constituído pelo próprio sujeito passivo, não se configurando denúncia espontânea (art. 138 do CTN) eventual pagamento a destempo. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 50 39 /2 00 5- 17 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005039/200517 Acórdão n.º 3801001.987 S3TE01 Fl. 11 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam o direito de descontar créditos em relação aos valores decorrentes da manutenção de prédios e instalações fabris. Os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Sidney Eduardo Stahl votaram pelas conclusões nesta matéria (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Déroulède, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005039/200517 Acórdão n.º 3801001.987 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Os presentes autos retornam a esta Turma de Julgamento após pronunciamento da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que mediante acórdão nº 38001000.698 (fls. 265/268) anulou a decisão prolatada nesta primeira instância de julgamento. Recuperase, a seguir, o relatório dos fatos como elaborado na decisão cancelada. Em 21/10/2005 a contribuinte protocolou o Pedido de Ressarcimento de Créditos do PIS Exportação de fl. 01, no montante de R$ 42.749,56, relativo a saldo de créditos da contribuição apurados no regime da não cumulatividade e decorrentes de operações de exportação de mercadorias para o exterior realizadas no ano de 2004. Abriuse procedimento fiscal com o objetivo de averiguar a regularidade do pleito da interessada. Do procedimento, resultou o RELATÓRIO DE INFORMAÇÃO FISCAL que integra os autos, no qual a autoridade responsável pela auditoria, depois de detalhar os documentos verificados, aponta o que constatou do exame da documentação apresentada pela empresa, bem como se posiciona a respeito da existência do crédito solicitado no Pedido de Ressarcimento: [...]No curso das verificações ora citadas, identificouse que o contribuinte inseriu despesas de "manutenção predial corretiva e manutenção predial preventiva" dentre os valores que compõem a base de cálculo dos créditos relativos a "Serviços Utilizados como Insumos". Porém, não há previsão legal para o aproveitamento de créditos decorrentes de despesas dessa natureza. O Relatório Fiscal segue com tabela de recálculo do valor passível de ressarcimento, considerando a glosa efetuada na composição dos créditos. Verificouse ainda que a contribuinte utilizou o valor pleiteado em Declaração de Compensação tratada no processo nº 10830.005057/200507. Encaminhados os autos ao Serviço de Orientação e Análise Tributária Seort da unidade de origem, foi proferido o Despacho Decisório mediante o qual reconheceuse direito creditório na cifra de R$ 42.724,54 e homologaramse as compensações declaradas até esse limite. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005039/200517 Acórdão n.º 3801001.987 S3TE01 Fl. 13 4 Notificada do teor do despacho decisório em 23/12/2009, em 22/01/2010 a contribuinte protocolou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese o que segue. Inicialmente, pleiteia que o presente processo seja analisado conjuntamente com o processo nº 10830.005057/200507, tendo em vista a inequívoca vinculação de ambos. No tocante à glosa de créditos calculados sobre despesas com manutenção predial, alega que os dispêndios correspondem a gastos realizados com a manutenção do prédio em que se localiza sua fábrica e, portanto, enquadramse no conceito de bens e serviços utilizados como insumos na produção, a teor do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. A contribuinte contesta ainda o procedimento da administração tributária, alegando que sobre o valor do débito compensado pela Requerente foi imputada multa pela D. Fiscalização, que equiparou a compensação a um pagamento fora do prazo. A seu ver, o procedimento é equivocado, visto que seria aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea. Isto porque teria agido nos exatos termos do art. 138 do CTN, promovendo o pagamento do débito por compensação antes de qualquer iniciativa por parte da fiscalização. Assim, conclui, o pagamento (compensação) espontâneo do débito em atraso rechaçou a incidência da multa de mora. Ademais, a indenização pelo mero atraso já resta satisfeita com a inclusão dos juros de mora, condição cumprida pela Requerente para a configuração da denúncia espontânea. No despacho de encaminhamento dos autos a julgamento, fls. 219, o Seort da Delegacia de origem assim se posicionou com relação ao prosseguimento do feito: As normas constantes da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 (Art. 36 c/c Arts. 72 e 73), bem como dos diplomas por ela revogados e das instruções constantes do programa PERDCOMP, estabelecem claramente os critérios para a valoração dos créditos e atualização dos débitos para que sejam informados corretamente na declaração de compensação. Portanto: quando o contribuinte, ao elaborar uma declaração de compensação, por motivos diversos, erra em seus cálculos, superestimando o valor do crédito que efetivamente possuiria, parte dos débitos declarados está, desde o início, desprovida de créditos para quitálos. Dessa forma, caracterizase aí excesso de débitos, ao qual não podem ser atribuídos os efeitos da compensação; na hipótese de o sujeito passivo, ao elaborar a declaração de compensação, declarar débitos vencidos em desacordo com a legislação, contrariando o disposto no art. 36 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, não acrescendo ao principal todos os acréscimos legais previstos (multa de mora e juros), o Fl. 407DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005039/200517 Acórdão n.º 3801001.987 S3TE01 Fl. 14 5 montante informado será, de ofício, objeto de imputação proporcional. A diferença encontrada, caso não haja na mesma declaração crédito remanescente em valor suficiente para cobri lo, caracterizarseá como excesso de débitos, ao qual não podem ser atribuídos os efeitos da compensação – porque, na hipótese, compensação, a rigor, não há – e que deve ser objeto de cobrança imediata. Assim sendo, proponho que se considere que o(s) débito(s) remanescente(s) não se encontra(m) com a exigibilidade suspensa, mantida a cobrança no processo nº 10830.005057/200507 a parcela não passível de quitação ainda que o contribuinte tenha decisão favorável quanto ao mérito, bem como encaminhar para julgamento este processo 10830.005039/200517. Em 05/04/2010 a contribuinte protocolou a peça de fls. 223/229 contestando o despacho que determinou o prosseguimento da cobrança dos débitos não cobertos pelo crédito informado nas DCOMPs. Alega que na manifestação de inconformidade teceu argumentação específica, relacionada ao instituto da denúncia espontânea, que interfere na apuração do quantum devido. Solicita, assim, o reconhecimento da suspensão da exigibilidade de todo o débito objeto da Declaração de Compensação e o direito à discussão administrativa. Esta Turma de Julgamento, examinando o processo em sessão realizada em 24/05/2010, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo as glosas dos créditos calculados sobre despesas com manutenção predial. Quanto à alegação dirigida contra o encontro de contas efetuado pela unidade local, a decisão anulada pelo CARF anotou que a matéria era estranha ao objeto dos autos já que o processo, até então, era composto exclusivamente pelo Pedido de Ressarcimento de fl. 1. Apresentando Recurso (fls. 239/286) contra o decidido por esta Delegacia de Julgamento, a contribuinte reforçou, em resumo, as razões expostas na manifestação de inconformidade. Remetidos os autos ao CARF, a Terceira Seção de Julgamento julgou nulo o acórdão em comento, por ofensa ao princípio da ampla defesa e do duplo grau de jurisdição, determinando à primeira instância que proferisse nova decisão corrigindo os erros materiais apontados. Na decisão prolatada pelo CARF, o Conselheiro relator no voto acatado por unanimidade (fl. 268v) consignou que o Despacho Decisório n° 1247/2009, fls. 87, tratou do pedido de ressarcimento do PIS NãoCumulativo (processo n° 10830.005039/200517) e da declaração de compensação que fazia parte do processo n° 10830.005057/200507. Afirmou que na manifestação de inconformidade apresentada a contribuinte contestou tanto a glosa de créditos, como a inclusão da multa de mora no cômputo dos débitos compensados, além de haver Fl. 408DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005039/200517 Acórdão n.º 3801001.987 S3TE01 Fl. 15 6 alertado acerca da vinculação dos processos de crédito e de débito que deveriam ser objeto de julgamento conjunto. Continua o texto do Conselheiro Relator: Por seu turno, no Acórdão 0528.932 – 3ª Turma da DRJ/CPS, a autoridade julgadora de primeira instância se restringiu à analise da glosa dos créditos referentes as despesas de "manutenção predial corretiva e manutenção predial preventiva", não se manifestando em relação as demais temas reclamados. [...]No entanto, o Despacho Decisório DRF/CPS n° 1247/2009 tratou tanto do pedido de ressarcimento da Cofins Não Cumalativa (processo n° 10830.005039/200517), quanto da declaração de compensação que fazia parte do processo n° 10830.005057/200507. [...]Desse modo, uma vez que a decisão abarcou o pedido de ressarcimento e a compensação, não caberia a apresentação de duas manifestações de inconformidade sobre o mesmo despacho, implicando em prazos, decisão e controles diferentes. Na realidade, as duas matérias deveriam constar de um mesmo processo. Observase, também, que a decisão recorrida não enfrentou a questão relacionada com a aplicação do instituto da denúncia espontânea, defendida pela recorrente, quanto a forma de calcular os impostos a serem compensadas, uma vez que a ação (solicitação de compensação) foi realizada antes de qualquer procedimento de ofício. Destarte, verificase que a decisão recorrida contém vícios materiais, os quais não podem ser sanados nos termos do art. 60 do Decreto n° 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal. Além do mais, a decisão violou o disposto no art. 31 do Decreto n° 70.235/72, pois não atendeu os requisitos estabelecidos no mesmo, configurando vício de ilegalidade. Como visto, ficou constatada a existência de erros materiais que trouxeram prejuízos ao direito de ampla defesa da interessada. [...]Desse modo, a autoridade julgadora de primeira instância deverá proferir nova decisão, corrigindo os vícios materiais acima apontados. Diante de todo o exposto, em respeito ao princípio da ampla defesa, do duplo grau de jurisdição e para que não haja supressão de instância, encaminho meu voto no sentido de: 1. Julgar nulo o Acórdão n° Acórdão 0528.932 – 3ª Turma da DRJ/CPS, de 24 de maio de 2010. 2. Anexar o processo n° 10830.005057/200507 ao presente processo, para que as matérias relacionadas ao crédito e ao débito sejam julgadas conjuntamente. Foram aos autos assim, remetidos de volta a esta DRJ para novo julgamento. Termo de fl. 308 comunica a juntada, por apensação Fl. 409DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005039/200517 Acórdão n.º 3801001.987 S3TE01 Fl. 16 7 ao presente processo, dos autos do processo administrativo nº 10830.005057/200507. A DRJ em Campinas (SP) mais uma vez julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: Decisão Anulada. Cerceamento do Direito de Defesa. Novo Julgamento. Anulada a decisão de primeira instância por cerceamento ao direito de defesa, procedese a novo julgamento com o enfrentamento das questões não apreciadas no acórdão viciado. Regime da Não Cumulatividade. Geração de Créditos. Gastos não caracterizados como Insumos. Impossibilidade. Manutenção Predial. Fretes de Produtos em elaboração. Não geram créditos no regime da não cumulatividade os dispêndios com bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo definido na legislação, como manutenção predial e fretes contratados para transporte de bens em elaboração. Multa de mora. Compensação Extemporânea. Denúncia Espontânea. Não Ocorrência. É devida a multa de mora quando a compensação é declarada após o prazo de vencimento do tributo, sendo inaplicável o instituto da denúncia espontânea. Discordando novamente da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos argumentando que a recorrente apurou corretamente o crédito, em montante suficiente para a quitação dos débitos por ela declarados, bem como procedeu corretamente à compensação. Em preliminar sustenta a decadência do direito de o fisco analisar a apuração do saldo credor relativo ao quarto trimestre de 2004. Alega que não cabe à autoridade administrativa a revisão da própria apuração do tributo, o que somente poderia ter sido efetuado dentro do prazo decadencial e por meio de procedimento próprio. Defende a tese de que a autoridade administrativa somente pode questionar a apuração do direito creditório dentro do prazo decadencial do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Argumenta que o prazo tratado pelo art. 74 da Lei n° 9.430/96 serve apenas e tão somente para que a autoridade administrativa homologue ou não compensação declarada pelo sujeito passivo, ou seja, a autoridade administrativa tem a prerrogativa de apenas e tão somente de confirmar a correção entre os valores dos créditos apurados e aqueles declarados nas declarações de compensação, confirmar pagamento que tenham fundamento a apuração do direito creditório, além de outras verificações quanto às formalidades legais da compensação. Colaciona doutrina e jurisprudência sobre esta matéria. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005039/200517 Acórdão n.º 3801001.987 S3TE01 Fl. 17 8 Destaca que como os valores utilizados como crédito da contribuição para o PIS para compensação foram apurados no quarto trimestre de 2004, a D. Fiscalização somente poderia ter questionado tal procedimento até o quarto trimestre de 2009, respeitandose o prazo decadencial de cinco anos, em atenção ao disposto no artigo 150, § 4º, do CTN, porém, não foi o que ocorreu, pois a ora recorrente somente foi intimada acerca do Despacho Decisório no dia 23/12/2009, após o decurso do prazo decadencial de cinco anos. No mérito, inicialmente questiona o conceito de insumo adotado pela decisão “a quo”. Em síntese reitera os argumento apresentados na manifestação de inconformidade e conclui que os valores decorrentes da manutenção de prédios e instalações fabris devem servir de base para o cálculo dos créditos da contribuição para o PIS, vez que tais gastos influenciam diretamente na fabricação dos produtos da Sociedade, porquanto depende das instalações prediais operando com pleno vigor e eficiência para fabricar seus produtos e desempenhar sua atividade, configurandose, portanto, em efetivos insumos. No que se refere à cobrança do débito compensado, sustenta a impossibilidade de exigência de quaisquer valores a título de estimativa, após o encerramento do anocalendário. Alega que as compensações em questão foram declaradas no curso do ano calendário quando, ainda, eram devidas as estimativas. Daí terem sido objeto de declaração e confissão. Esclarece que encerrado o anocalendário, foi apurado prejuízo fiscal, o que significa dizer que os valores das estimativas deixaram de ser devidos, já que não foi apurada base de cálculo passível de incidência do tributo. Insiste que eventual diferença de estimativa recolhida a menor, deveria ser atribuída ao resultado final do anocalendário, com o ajuste da base de cálculo apurada, o que, no presente caso, resultaria em redução do saldo negativo apurado. De outro lado, questiona a imputação de multa de mora sobre o valor do débito compensado. Alega que no caso é aplicável o instituto da denúncia espontânea. Outrossim, reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Por fim, requer que seja dado integral provimento ao seu recurso com o reconhecimento de seu direito creditório. Postula o reconhecimento da denúncia espontânea em relação à cobrança do débito do tributo do anocalendário de 2005 e, alternativamente, requer que seja cancelada a exigência de valores a título de estimativas, tendo em vista que indevidas após o encerramento do anocalendário. Protesta pela posterior juntada de documentos e por sustentação oral e requer que as futuras intimações sejam efetuadas no endereço atual da empresa. É o relatório. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005039/200517 Acórdão n.º 3801001.987 S3TE01 Fl. 18 9 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Consignese que esta decisão engloba os fatos deste processo administrativo e do processo específico de compensação nº 10830.005057/200507. As matérias em discussão nesse litígio administrativo são objeto de inúmeras controvérsias entre a Fazenda Nacional e os contribuintes. Assim, as teses serão enfrentadas por tópicos específicos, em consonância com as alegações da requerente no recurso voluntário. 1 – Preliminar – Prazo decadencial A recorrente insiste na tese de que ficou configurada a decadência para a análise do saldo credor da contribuição para o PIS relativo ao quarto trimestre de 2004, nos termos do art. 150, parágrafo 4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Assim, as glosas efetuadas pela fiscalização não podem subsistir. A tese da interessada não pode prosperar. Tenhase presente que este processo administrativo e o respectivo apensado têm por objeto o ressarcimento/compensação de tributo federal. A compensação, que é uma modalidade de extinção do crédito tributário, é prevista no artigo 170 do CTN Código Tributário Nacional, aprovado pela Lei nº 5.172/66, o qual remete à lei ordinária a disciplina da matéria. O CTN assim dispõe sobre a compensação: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” (grifouse). Desta forma, a compensação é um dos meios de extinção do crédito tributário e se concretiza pelo encontro de contas entre a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Deste modo, o art. 74 da Lei nº 9.430/96 (e alterações) disciplina o regime de compensação no âmbito federal. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(grifouse) (...) Fl. 412DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005039/200517 Acórdão n.º 3801001.987 S3TE01 Fl. 19 10 Por seu turno, o § 5º deste dispositivo legal estabelece o prazo para a homologação da compensação: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)(grifouse) Destarte, o prazo de cinco anos contase da data da entrega da declaração de compensação que foi formalizada no processo n° 10830.005057/200507. No caso presente, constatase que a declaração de compensação foi entregue em 21/10/2005, de sorte que as verificações efetuadas em relação aos créditos da contribuição para o PIS nãocumulativa foram realizadas dentro do prazo legal de 5(cinco) anos, uma vez que o contribuinte foi cientificado do despacho decisório em 23/12/2009. Como visto, na compensação a autoridade tem por obrigação legal, no prazo acima referido, verificar se os créditos são líquidos e certos, ou seja, a exatidão dos créditos da contribuição contribuição para o PIS apurados e declarados pelo sujeito passivo. Diferentemente do alegado pela recorrente, o art. 150 §4º do CTN trata do prazo que a Fazenda Nacional tem para verificar a exatidão do pagamento efetuado. Esse prazo não se aplica à análise dos créditos que podem ser descontados da contribuição para o PIS sob o regime da nãocumulatividade. A propósito do lançamento por homologação, Luciano Amaro em Direito Tributário Brasileiro, 11ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2005, p. 364 e 365, esclarece: E o lançamento? Este diz o Código Tributário Nacional – operase por meio do ato da autoridade que, tomando conhecimento da atividade exercida pelo devedor, nos termos do dispositivo, homologaa. A atividade aí referida outra não é senão a de pagamento, já que esta é a única providência do sujeito passivo tratada no texto. Melhor seria falar em “homologação do pagamento”, se é isso que o Código parece ter querido dizer. (grifouse) Em suma, não ficou configurada a decadência. 2 Do direito descontar créditos em relação aos valores decorrentes da manutenção de prédios e instalações fabris A recorrente insurgiuse contra a glosa dos créditos relativos as despesas com manutenção predial. Sustenta o direito ao crédito com base no inciso II do artigo 3º da Lei nº da Lei 10.637/2002. Após longa exposição sobre o conceito de insumo, argumenta que os referidos gastos configuram insumos. De sorte que a grande controvérsia tem por objeto o conceito de insumo. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005039/200517 Acórdão n.º 3801001.987 S3TE01 Fl. 20 11 Segundo o art. 3º, inciso II, Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, disciplina, a pessoa jurídica poderá descontar créditos em relação a bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (...) (grifouse) Fl. 414DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005039/200517 Acórdão n.º 3801001.987 S3TE01 Fl. 21 12 Destarte, o ponto central da questão é compreender o conceito de insumo estabelecido nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. Há diversas exegeses a respeito desse dispositivo, tais como: definição de insumo segundo a legislação do IPI, aplicação de custos e despesas de acordo com a legislação do IRPJ, custos de produção, etc. Para o deslinde da questão, é despiciendo examinar o método indireto subtrativo que, em regra, foi adotado para o exercício da nãocumulatividade da contribuição em discussão. A respeito da interpretação das leis, Carlos Maximiliano em Hermenêutica e Aplicação do Direito, 19ª ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 162, ensina: Por mais opulenta que seja a língua e mais hábil quem a maneja, não é possível cristalizar numa fórmula perfeita tudo o que se deva enquadrar em determinada norma jurídica: ora o verdadeiro significado é mais estrito do que se deveria concluir do exame exclusivo das palavras ou frases interpretáveis; ora sucede o inverso, vai mais longe do que parece indicar o invólucro visível da regra em apreço. A relação lógica entre a expressão e o pensamento faz discernir se a lei contém algo de mais ou de menos do que a letra parece exprimir: as circunstâncias extrínsecas revelam uma idéia fundamental mais ampla ou mais estreita e põem em realce o dever de estender ou restringir o alcance do preceito. Mais do que regras fixas influem no modo de aplicar uma norma, se ampla, se estritamente, o fim colimado, os valores jurídico sociais que lhe presidiram à elaboração e lhe condicionaram a aplicabilidade. (grifouse) A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Instrução Normativa (IN) nº 247/2002 (redação dada pela IN SRF nº 358/03), regulamentou o assunto a partir da concepção tradicional da legislação do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) e adotou uma interpretação para o conceito de insumo, conforme excerto a seguir transcrito: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 415DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005039/200517 Acórdão n.º 3801001.987 S3TE01 Fl. 22 13 I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003)(grifouse) Em que pese não vincular a autoridade julgadora, a interpretação dada pela RFB apresentase compatível e coerente com a legislação da nãocumulatividade da contribuição para o PIS. Essas normas complementares não atentaram contra a legalidade, além de não terem extrapolados os limites traçados na respectiva lei. Em outras palavras, as normas acima delimitaram o direito de crédito com a especificação dos serviços que geram crédito. Posto isso, ao sujeito passivo somente é permitido descontar unicamente os créditos autorizados e discriminados pela lei. Em suma, não é qualquer serviço, custo de produção ou despesa que confere crédito da contribuição. Caso o legislador tivesse outra intenção, de tal forma que os direitos de descontar os créditos abrangeriam o maior número de gastos possíveis, teria feito constar na lei uma referência explícita ao direito de descontar créditos em conformidade com custos e as despesas necessárias segundo a legislação do IRPJ. Da mesma maneira, caso quisesse adotar o conceito de custos de produção, não teria utilizado a expressão insumos. Além disso, a lei que instituiu a nãocumulatividade da contribuição para o PIS especificou outros custos de produção e despesas operacionais que geram direito ao crédito, tais como: aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica; máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005039/200517 Acórdão n.º 3801001.987 S3TE01 Fl. 23 14 Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direito tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃO CUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005039/200517 Acórdão n.º 3801001.987 S3TE01 Fl. 24 15 (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifouse) Nessa esteira, se o conceito de insumo estivesse relacionado com os custos de produção, não faria sentido o legislador ordinário enumerar uma série de outros custos passíveis de gerarem créditos. Deste modo, adotase como solução deste litígio o conceito de insumo segundo o disposto na IN 247/2002. Superada essa fase conceitual, passase ao exame deste caso concreto. A autoridade fiscal após exame do processo produtivo relatou: No curso das verificações ora citadas, identificouse que o contribuinte inseriu despesas de "manutenção predial corretiva e manutenção predial preventiva" dentre os valores que compõem a base de cálculo dos créditos relativos a "Serviços Utilizados como Insumos". Porém, não há previsão legal para o aproveitamento de créditos decorrentes de despesas dessa natureza.(grifouse) Deste modo, nos termos da posição adotada anteriormente, para se ter direito ao desconto dos créditos é necessário que os serviços prestados por pessoa jurídica sejam aplicados diretamente na fabricação do produto, o que não ocorreu nas situações descritas. Dos Fl. 418DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005039/200517 Acórdão n.º 3801001.987 S3TE01 Fl. 25 16 elementos que constam neste processo administrativo fiscal, constatase que os serviços que foram objeto de glosa fiscal (manutenção predial) não podem ser considerados insumos porque não foram aplicados diretamente na atividade fabril. É bem verdade que esses serviços são importantes para o processo produtivo, todavia tais serviços não são empregados diretamente na fabricação do produto destinado à venda. Do exame dos elementos probatórios, é forçoso concluir que são serviços auxiliares e/ou complementares ao processo produtivo. Como visto, em regra, são gastos gerais ou custos de produção que não se enquadram no conceito de insumos. Em remate, em relação a essa matéria, não merece reparo a decisão recorrida. 3 Da cobrança de débito de estimativa da CSLL decorrente de nãohomologação de declaração de compensação Registrese que a recorrente faz referência em seu recurso voluntário a cobrança do IRPJ estimativa, todavia a cobrança no processo n° 10830.005057/200507 tem por objeto a CSLL. Assim pelo princípio da fungibilidade as razões da recorrente serão consideradas como se a cobrança se referisse à CSLL. Tenhase presente que a compensação extingue o crédito tributário, mediante a entrega de declaração de compensação, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, nos termos do § 2ª do art. 74 da Lei 9.430/1996, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(grifouse) Ademais, o §6º deste dispositivo legal dispõe que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Assim, o débito de estimativa CSLL compensado adquire os efeitos decorrentes da extinção, qual seja, considerase estimativa paga, podendo ser utilizada pelo contribuinte como integrante do saldo negativo e utilizado posteriormente, como aliás confirma a recorrente no item 13 de sua manifestação de inconformidade. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005039/200517 Acórdão n.º 3801001.987 S3TE01 Fl. 26 17 Destarte, considerada a declaração não homologada, necessária se torna a cobrança dos valores que já compuseram o saldo negativo do contribuinte ou que foram utilizados na apuração da CSLL do período a que se refere. Em conclusão, a DCOMP é instrumento de confissão de dívida, portanto não cabe a discussão neste processo de eventual cobrança indevida. 4 Da imputação da multa de mora A requerente postula a não imputação da multa de mora caso sejam exigidos os valores da CSLL estimativa. Em suas razões a recorrente sustentou que no caso em comento é aplicável o instituto da denúncia espontânea. A tese da ocorrência do instituto da denúncia espontânea não merece prosperar nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN), abaixo transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Em que pese o art. 138 do CTN referir à exclusão da responsabilidade quando da denúncia espontânea, ele deve ser interpretado sistematicamente com outros dispositivos. A propósito, o Código Tributário Nacional (CTN) no art. 161 dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifouse) Com efeito, na hipótese de atraso no recolhimento de tributos, o CTN prevê, além dos juros de mora, a imposição de penalidades, previstas no próprio código ou em lei tributária. Vale lembrar que a Seção III do CTN, responsabilidade de terceiros, reporta se à multa moratória em seu artigo 134, § único: Art. 134. (...) Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. (grifouse) Assinalase, ainda, que, na legislação tributária, a multa de mora sempre esteve integrada para inibir o pagamento de tributos com atraso, conforme os seguintes dispositivos: art. 74 da Lei nº 7.799, de 1989; art. 3º da Lei nº 8.218, de 1991; art. 59º da Lei nº 8.383, de 1991; art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995 e o vigente art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: Fl. 420DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005039/200517 Acórdão n.º 3801001.987 S3TE01 Fl. 27 18 “Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” (Grifouse) Como visto, o legislador ordinário estabeleceu como acréscimo legal a multa de mora para o recolhimento espontâneo após o vencimento do prazo legal. Não se tem notícia de que este dispositivo tenha sido declarado inconstitucional, ainda, que de forma parcial, ou mesmo, tenha ocorrido uma declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto. A atividade da autoridade administrativa é vinculada, como bem disse a recorrente, não podendo negar vigência a uma lei. Adotar entendimento diverso, é incentivar os pagamentos dos tributos fora do prazo assinalado pela lei, fato que poderia influenciar negativamente na arrecadação federal, que tem como função precípua prover o Estado de recursos. Em casos análogos, a não caracterização da denúncia espontânea também foi acolhida em outros julgados administrativos do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA O instituto da denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do CTN, não alcança o pagamento espontâneo do tributo, após o prazo de vencimento, para fins de exclusão da multa de mora.” (Grifouse) (...) (Acórdão nº 10196.167, de 24/05/2007) (...) “DENÚNCIA ESPONTÂNEA EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA A denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do CTN, não exclui a responsabilidade pela multa de mora.” (Grifouse) (Acórdão nº 10196352, de 17/10/2007) A propósito, o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento em sede de recurso repetitivo de controvérsia de que se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360∕STJ. 1. Nos termos da Súmula 360∕STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa Fl. 421DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005039/200517 Acórdão n.º 3801001.987 S3TE01 Fl. 28 19 natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08∕08. (REsp 962379, DJe 28/10/2010) Por pertinente, transcrevese o seguinte trecho do voto proferido Min. Teori Albino Zavascki no aludido acórdão do STJ: Bem se vê, portanto, que, com a constituição do crédito tributário, por qualquer das citadas modalidades (entre as quais a da apresentação de DCTF ou GIA pelo contribuinte), o tributo pode ser exigido administrativamente, gerando, por isso mesmo, consequências peculiares em caso de não recolhimento no prazo previsto em lei: (a) fica autorizada a sua inscrição em dívida ativa, fazendo com que o crédito tributário, que já era líquido, certo e exigível, se torne também exequível judicialmente; (b) desencadeiase o início do prazo de prescrição para a sua cobrança pelo Fisco (CTN, art. 174); e (c) inibese a possibilidade de expedição de certidão negativa correspondente ao débito. (...) À luz dessas circunstâncias, fica evidenciada mais uma importante consequência, além das já referidas, decorrentes da constituição o crédito tributário: a de inviabilizar a configuração de denúncia espontânea, tal como prevista no art. 138 do CTN. A essa altura, a iniciativa do contribuinte de promover o recolhimento do tributo declarado nada mais representa que um pagamento em atraso. E não se pode confundir pagamento atrasado com denúncia espontânea. Com base nessa linha de orientação, a 1ª Seção firmou entendimento de que não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos declarados, porém pagos a destempo pelo contribuinte, ainda que o pagamento seja integral. (...) (Grifouse) Além do mais, foi editada a Súmula nº 360 do STJ: “O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”. Tenhase presente que de acordo com o § 6º do art. 74 da Lei nº 9430/1996 a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Assim, é devida a cobrança da multa de mora sobre os débitos compensados indevidamente. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.005039/200517 Acórdão n.º 3801001.987 S3TE01 Fl. 29 20 Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre a natureza da multa moratória no âmbito deste Conselho. As autoridades julgadoras têm que se submeter ao entendimento do Superior Tribunal de Justiça em sede da sistemática de recurso repetitivo. Por tais razões, incide a multa de mora sobre os valores da CSLL compensados indevidamente, uma vez que é incabível o benefício da denúncia espontânea. 5 Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 423DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10670.001981/2002-43
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1998
ÁREA DE PASTAGENS E COMPROVAÇÃO DE REBANHO.
Cumpre ao contribuinte comprovar a existência de área de pastagens e de rebanho ao tempo do fato gerador do imposto, mediante a apresentação de prova documental hábil e idônea, sob pena de ser reduzida a sua área utilizada.
BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência do Decreto n° 4.382, de 19/09/2002 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 9202-002.100
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1998 ÁREA DE PASTAGENS E COMPROVAÇÃO DE REBANHO. Cumpre ao contribuinte comprovar a existência de área de pastagens e de rebanho ao tempo do fato gerador do imposto, mediante a apresentação de prova documental hábil e idônea, sob pena de ser reduzida a sua área utilizada. BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência do Decreto n° 4.382, de 19/09/2002 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. (Assinado digitalmente) Fl. 0DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator FORMALIZADO EM: 18/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Contribuinte [fls. 310/402] em face da decisão da então Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares arguidas pela Interessada. No mérito, por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário, por meio do Acórdão n. 302 37.402 [fls. 258/273], de 23/03/2006, cuja ementa transcrevo: ILEGITIMIDADE DE PARTE PASSIVA. Havendo declaração na escritura pública, de apresentação da certidão de quitação de tributos e contribuições federais administradas pela Secretaria da Receita Federal em nome dos outorgantes, nos moldes preconizados pelo art. 130, in fine, do Código Tributário Nacional, evidenciase a responsabilidade da alienante e não procede a preliminar de ilegitimidade de parte passiva. ESTADO DE CALAMIDADE PÚBLICA. Impossível o reconhecimento de calamidade pública, pois o decreto municipal trazido é de estado de emergência; ademais, não foi reconhecido pelos Poderes Públicos estadual e federal, consoante legislação de regência, requisito esse que se justifica na medida em que uma esfera de Poder não pode imiscuirse nos assuntos tributários de outra. ÁREA DE PASTAGENS E COMPROVAÇÃO DE REBANHO. Cumpre ao contribuinte comprovar a existência de área de pastagens e de rebanho ao tempo do fato gerador do imposto, mediante a apresentação de prova documental hábil e idónea, sob pena de ser reduzida a sua área utilizada. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Restando imprestável o laudo técnico apresentado em sede recursal, e à míngua do Ato Declaratório Ambiental respectivo, subsiste a glosa da área de preservação permanente. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10670.001981/200243 Acórdão n.º 920202.100 CSRFT2 Fl. 2 3 RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO O cerne da questão discutida no presente processo referese a Auto de Infração no qual é cobrado da contribuinte Imposto Territorial Rural — ITR do ano de 1998. Em procedimento de análise da documentação apresentada e das informações constantes da DITR / 1998, segundo a fiscalização foi constatada a ausência do requerimento do ADA junto ao IBAMA, e considerou, ainda, não comprovada, a transferência do rebanho. Fatos estes que culminaram na glosa das áreas declaradas como de preservação permanente (518,3 ha), e a área utilizada com pastagens (1.120,0ha), com consequentes aumentos do Valor da Terra Nua (VTN). A recorrente tendo recebido ciência da decisão do acórdão em 16/05/2006, conforme o AR de fl. 277v, apresentou embargos de declaração de fls. 278/282, por entender que houve omissão e erro material, segundo a recorrente a omissão decorreu de não terem sido apreciadas as alegações de que todo o imóvel houvera sido decretado área de interesse ecológico, e vicio da IN SRF n° 60/2001 (por não ter sido ouvido o Conselho Nacional de Política Agrícola); erro material, pelo fato de constar o provimento parcial para excluir da exigência a área de reserva legal, quando na realidade, a área de reserva legal não fora objeto do lançamento. No ponto, os embargos declaratórios foram acolhidos parcialmente, sob o acórdão 30238.139, em sessão de 19/10/2006, fls. 299/303, apenas para reratificar o acórdão n° 30237.402, posto que entendeu existir erro material no acórdão embargado, uma vez que de fato, a área de reserva legal não fora objeto do lançamento, ficando da seguinte forma: para onde consta "área de reserva legal" leiase "área de preservação permanente", mantendose tudo o mais como consta do acórdão originário. Com fulcro no artigo 7º, inciso II c/c art. 15, ambos do Regimento Interno do CSRF, aprovado pela Portaria MF n. 147, de 25/06/2007, a Interessada recorreu para que haja reforma do acórdão recorrido e, por conseguinte, prevaleça o que foi decidido nos acórdãos paradigma apresentados a seguir pela Contribuinte, cancelandose, com isso, a exigência fiscal em apreço. Alega, em síntese, que entre os paradigmas e acórdão recorrido existe bases fáticas praticamente idênticas, e os caminhos foram completamente opostos. Argumenta que, a recorrente não pode ser responsabilizada pelo ITR eventualmente devido tendo sido comprovada a transferência de titularidade do imóvel antes da presente autuação. Em relação à área de pastagem / rebanho bovino aduz que, foi analisado caso praticamente idêntico da própria contribuinte ALV PARTICIPAÇOES LTDA., pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que acatou os contratos de comodato celebrados e as conclusões do parecer técnico preparado pelo mesmo engenheiro agrônomo que assina o laudo utilizado nos presentes autos. No que concerne à área de preservação permanente expõe que a exigência de Ato Declaratório Ambiental — ADA feita pelo art. 10, da IN SRF n° 67/97, para fins de excluir da tributação a referida área, denota que a referida IN extrapolou a sua função de norma complementar da Lei n° 9.393/96, ao criar obrigação totalmente nova, não prevista na lei, o que contraria o disposto no artigo 97, inciso VI, do CTN. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 Para comprovar a divergência alegada, a recorrente apresenta os acórdãos paradigmas de n° 30131.637 e o 30131.583, cujas ementas transcrevo: ITR. ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO. A imissão prévia na posse, de forma consensual, com animus domini, em cumprimento a disposição de lei especifica (Decreto n' 93.238/86) que declarou de utilidade pública e interesse social, para fins de desapropriação pela Companhia Hidroelétrica do São Francisco — CHESF, áreas de terras situadas nos Estados de Pernambuco e Bahia, destinadas a Projetos Especiais de Irrigação e necessárias ao reassentamento de parte da população a ser atingida pelo Reservatório de Itaparica, às margens do rio São Francisco, nos estados de Pernambuco e da Bahia, seguida da transferência da titularidade dos imóveis, em razão do parcelamento da área desapropriada, qualifica os imitidos na posse prévia como sujeitos passivos do ITR. SUJEITO PASSIVO. São contribuintes do Imposto Territorial Rural o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título (art. 31 do CTN c/c o art. 4 0 da Lei n° 9.393 de 19/12/96). POSSE JUSTA. É justa a posse que não for violenta clandestina ou precária. RECURSO PROVIDO. (Acórdão 30131.637, da 1" Câmara do 3° CC, em sessão de 27/01/2005, RelatorPresidente: Otacílio Dantas Cartaxo). ITR. TRIBUTAÇÃO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. A comprovação da área de preservação permanente, para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende tão somente de seu reconhecimento pelo IBAMA por meio de Ato Declaratório Ambiental ADA ou da protocolização tempestiva de seu requerimento, uma vez que a sua efetiva existência pode ser comprovada por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas trazidas aos autos. ÁREA DE PASTAGEM ACEITA. Aceitase, a título de área utilizada como pastagens, a área que no ano anterior ao da entrega da DIAT, tenha comprovadamente, servido de pastagem para animais de grande e médio porte, observados os índices de lotação por zona pecuária. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO PROFERIDA EM 1" INSTÂNCIA. EFICÁCIA. É válida a decisão proferida por autoridade que detinha, em razão da matéria, competência, expressamente atribuída em norma legal, para julgar o processo. RECURSO PROVIDO POR UNANIMIDADE. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10670.001981/200243 Acórdão n.º 920202.100 CSRFT2 Fl. 3 5 (Acórdão 30131.583, da 1" Câmara do 3" CC, em sessão de 01/12/2004, Cons. Relatora: Atalina Rodrigues Alves). Em 04 de novembro de 2008, a então Presidente da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes realizou o exame de admissibilidade do Especial interposto [Despacho n. 302.341 – fls. 404/409] tendo, em síntese, dado seguimento parcial, conforme se observa abaixo: Em consulta a página do CC, os acórdãos acima mencionados como paradigmas, nada consta na CSRF, sendo assim, não foram reformados, cumprida com a exigência do § 50 do art. 15 do RICSRF. Analisando os acórdãos apresentados como paradigmas, e o acórdão recorrido, para demonstrar a existência ou não da divergência alegada pela recorrente, concluo que: 1 — Para ser afastada a ilegitimidade passiva alegada pela recorrente, três requisitos a de ser observado: primeiro (a) não ser o proprietário na época da ocorrência do fato gerador; (b) que não tenha auferido rendimento econômico; (c) provar que o ITR foi pago pelo possuidor. Segundo o paradigma apresentado tratase de desapropriação, sendo assim inadequado para ser utilizado como paradigma de divergência, visto que, a desapropriação tem instituto próprio, existe toda uma legislação de regência a ser observada, ou seja, especifica para a desapropriação, diferente do que estabelece o artigo 31, do CTN. Já a questão que se apresenta para análise, a meu ver, esta regida pelo direito das obrigações contratuais do Código Civil, tratandose de um negocio jurídico bilateral, como se verifica pelo relatório a existência de contratos de comodato, ou seja, de uma transferência de titularidade Por venda. Por todo o exposto, concluo que as hipóteses fáticas postas em confronto não oferecem a necessária similitude, visto que, uma trata de transferência de titularidade por venda, a outra cuida de transferência de titularidade por outra razão muito especifica, que é a desapropriação. 2 — O paradigma referente à área de pastagem considerou que mesmo o contribuinte não tendo apresentado a copia do cartão de vacina da IMA, e apresentado contratos de comodato sem registro no cartório competente, a área de pastagem foi aceita pelo Laudo Técnico apresentado. Assim, fica demonstrada a divergência referente à área de pastagem, uma vez que para o acórdão recorrido o Laudo Técnico não foi levado em consideração visto que os contratos de comodato trazido pela recorrente, por copia reprográfica simples, não estão registrados em qualquer registro público e sequer contam com reconhecimento das firmas dos signatários. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 3 — A posição do paradigma com relação à área de preservação permanente é de que para efeito de sua exclusão da base de calculo do ITR, a mesma não depende tão somente de seu reconhecimento pelo IBAMA por meio de Ato Declaratório Ambiental — ADA ou da protocolização tempestiva de seu requerimento, uma vez que a sua efetiva existência pode ser comprovada por meio de laudo técnico e outras provas trazidas aos autos. Já o acórdão recorrido entende ser imprescindível que essa área seja reconhecida mediante ato do IBAMA ou órgão delegado por convênio ou, no mínimo, que seja comprovada a protocolização tempestiva do ADA. Com relação ao estado de calamidade pública a recorrente nada expôs no seu recurso especial, sendo assim não se conhece de matéria que não tenha sido prequestionada. Finalmente, no uso das atribuições que me confere o § 6° do artigo 15, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, DOU SEGUIMENTO PARCIAL AO RECURSO ESPECIAL, interposto pelo sujeito passivo, somente com relação à questão da área de pastagem/ comprovação de rebanho e a da área de preservação permanente. [Grifo nosso] Devidamente intimada para se manifestar, a PGFN apresentou contrarrazões que pugna, primeiramente, pelo nãoconhecimento, ou, caso este Colegiado assim não entenda, que no mérito lhe seja negado provimento, mantendose a decisão proferida pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes [fls. 412/420]. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Conheço do recurso interposto por cercase dos requisitos necessários para o seu seguimento – tempestividade [intimação em 06/03/2007 (fl. 307) e não consta a data do protocolo do Especial; considerei a data 19/03/2007 – fl. 310] , conforme o disposto no art. 67 do Regimento Interno do CARF. Segundo consta dos autos, a então Presidente da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes realizou o exame de admissibilidade do Especial interposto [Despacho n. 302.341 – fls. 404/409] tendo, em síntese, dado seguimento parcial, em relação as seguintes matérias: […] DOU SEGUIMENTO PARCIAL AO RECURSO ESPECIAL, interposto pelo sujeito passivo, somente com relação à questão da área de pastagem/ comprovação de rebanho e a da área de preservação permanente. [Grifo nosso] Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10670.001981/200243 Acórdão n.º 920202.100 CSRFT2 Fl. 4 7 Dito isso, passo a análise das matérias separadamente. 1 DIVERGÊNCIA EM RELAÇÃO À ÁREA DE PASTAGEM/REBANHO BOVINO Em relação às áreas de pastagem declaradas, o acórdão recorrido afirma que: Quanto às questões de fundo propriamente ditas, noto que o lastro principal da. defesa repousa no laudo de avaliação de imóvel para fins tributários, fis. 194 e seguintes, juntado agora, em momento de recurso. A esse passo, devo analisar ab initio a material concernente à área de pastagens e comprovação de rebanho, porquanto detectei um problema deveras grave no aludido Laudo, justamente no que pertine à pretensa comprovação de rebanho de terceiros no imóvel da autuada. Às fls.. 233/234, o Laudo apresenta os dados do efetivo pecuário e o demonstrativo da situação do rebanho durante o ano de 1997, os quais deviam ser secundados pelas fichas de controle do criador, emitidas pelo Instituto Mineiro de Agropecuária, em nome do comodatário (que celebrou contrato de comodato com a comodante, ora recorrente) fls. 243 e 244; entretanto, as indigitadas fichas infirmam o quanto dito no Laudo, uma vez que os rebanhos ali constantes já estão vinculados a outros imóveis, de propriedade do próprio comodatário. O fato já havia sido mencionado na decisão recorrida, fl. 128, forte nos extratos de fls. 110 a 112, juntados pelo órgão julgador de primeiro grau, que assim se manifestou: "Quanto ao documento em nome de Severino Gonçalves da Silva, anexado, por cópia, à fl. 26 dos autos, não se pode vincular mesmo parte do rebanho nele (documento) constante ao imóvel em questão, ressaltandose que o comodatário (Contrato às fis. 24/25) possuía, no anobase de 1997, vários imóveis no mesmo município de São Francisco, para os quais foram atribuídos rebanhos (ver "telas" de fls. 110/112) cujo somatório é, inclusive, superior à média extraída do doc. de fl. 26 para o anobase de 1997 (2.500 + 2.516 /2 = 2.508 animais)" Sem qualquer explicação no corpo do recurso para a 'prova em contrário" constante da fl. 26 e fl. 26v, é trazido o Laudo de fls. 194 e seguintes, contendo as mesmas fichas de controle do criador, e desta feita temse agora a peça probatória caindo em contradição com o afirmado nela anteriormente, protagonizando verdadeiro e total descrédito da condução pericial. Ora, a força probante de um laudo técnico está em que suas afirmações estejam suportadas pelas informações dos documentos acostados, todas convergindo num só sentido, porquanto não pode pairar qualquer dúvida em relação ao afirmado na conclusão pericial. Na medida em que as afirmações estejam em testilha com as informações dos documentos, resta imprestável a prova. Dessarte, com espeque no art. 29 do Decreto no 70.235/72, que trata da apreciação da prova por parte da autoridade julgadora, de acordo com o sistema da livre convicção racional, deixo de levar em consideração o laudo de fls. 213 e seguintes, pelos motivos retroexplicitados. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 Insta apontar, ainda, outros elementos existentes no processo que não me convencem da prova de existência de área de pastagens e comprovação de rebanho — primeiramente, cumpre dizer que comodato não é arrendamento nem parceria (os dois tipos de contrato que dão direito ao proprietário de "valerse dos dados sobre a área utilizada e respectiva produção, fornecidos pelo arrendatário ou parceiro) nos exatos termos do § 4º, do art. 10, da Lei no 9.393/96; ademais, o contrato de comodato trazido pela recorrente, por cópia reprográfica simples, fls. 24/25, não está registrado em qualquer registro público e sequer conta com reconhecimento das firmas dos signatários, faltandolhes o mínimo de formalidade jurídica para poderem ser reconhecidos por qualquer Corte deste País: (fls. 269270). [Grifo nosso] Em sentido contrário, alega o Contribuinte [fls. 314 e ss] que o acórdão recorrido rejeita o laudo técnico elaborado por engenheiro agrônomo com base nas normas da ABNT e com a respectiva ART, considera os contratos de comodato imprestáveis para demonstrar a existência de gado no imóvel e, com isso, mantém a glosa constante do AI. E segue: Analisando caso praticamente idêntico da própria contribuinte ALV Participações Ltda., a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes acatou os contratos de comodato celebrados e as conclusões do parecer técnico preparado pelo mesmo engenheiro agrônomo que assina o laudo utilizado nos presentes autos. Consequ entemente, aquele colegiado afastou a glosa da área de pastagem declarada. Para não haver dúvida da semelhança entre os dois casos ora confrontados, vale transcrever trecho do Acórdão no 30131.583: 'No tocante à glosa da área de 2.900,0 ha declarada a título de pastagem, em decorrência da glosa de 734 cabeças de animais de grande porte informado no DIA T, por não ter sido apresentado cartão de vacina do IMA ano 1996, também, esta não procede. Conforme consta da "Descrição dos fatos e Enquadramento(s) Legal(is), fls. 04, o contribuinte "declarou um rebanho de 734 animais de grande porte. Intimado a apresentar a cópia do cartão de vacina do IMA do ano de 1996, para comprovar a existência desse rebanho, não a apresentou. Destarte apresenta quatro contratos de comodato. Porém não registrou nenhum deles no cartório competente." Verificase, assim, que a glosa decorre do fato de o contribuinte não ter comprovado a existência do rebanho declarado por meio do cartão de vacina do IMA e, tampouco ter registrado os "Contratos de Comodato" que a contribuinte cede aos Srs. Adilson Aguiar Barbosa (fls. 22/23), Antônio José Martins Braga (fls. 25/26), Francisco Barbosa da Costa (fls. 28/29) e Antônio Lopes de Oliveira, a título gratuito a "Fazenda Barreiro Novo" destinada a pastagem de bovinos, a partir de janeiro e fevereiro de 1996 até o prazo máximo de dois anos. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10670.001981/200243 Acórdão n.º 920202.100 CSRFT2 Fl. 5 9 Nas "Fichas de Controle do Criador'; relativa ao controle das vacinas de febre aftosa e de brucelose, assinadas pelo médico veterinário chefe do escritório regional do IMA em São Francisco, consta que no ano de 1996, os comodatários vacinaram contra a febre amarela o número de bovinos a seguir discriminado: (.,) Por sua vez, no item 3 do "Laudo de Avaliação de Imóvel para Fins Tributários" (fl. 206), elaborado por engenheiro agrônomo de acordo com a NBR 8.799 da ABNT e acompanhado da ART, consta que a destinação do imóvel se caracterizava, no ano base de 1996, pela exploração da pecuária, que naquele ano teve o empastamento médio de 673 cabeças de gado bovino, sendo que o comodatário Antônio José Martins Braga concorreu com 370 cabeças de gado bovino no primeiro semestre e com 300 no segundo; o comodatário Francisco Barbosa da Costa concorreu com 20 cabeças de gado bovino no primeiro semestre e com 12 no segundo; o comodatário Antônio Lopes de Oliveira concorreu com 256 cabeças do gado bovino no primeiro semestre e com 300 no segundo e o Adilson Aguiar Barbosa concorreu com 40 cabeças de gado bovino no primeiro semestre e com 43 no segundo. Resta, portanto, comprovado nos autos, por meio de Laudo Técnico, que no anobase de 1996 a propriedade rural teve empastamento médio de 673 cabeças de gado bovino, o qual deve ser considerado para fins de apuração da efetiva área de pastagem e, em decorrência, apurar o grau de utilização em relação à área efetivamente utilizada e a área aproveitável, para fins de cálculo do ITR devido no exercício de 1997. Não obstante as alegações da Contribuinte quanto à prestabilidade do laudo apresentado, entendo que persiste incólume sem impugnação – a fundamentação constante do decisum [destacado acima], qual seja: Insta apontar, ainda, outros elementos existentes no processo que não me convencem da prova de existência de área de pastagens e comprovação de rebanho — primeiramente, cumpre dizer que comodato não é arrendamento nem parceria (os dois tipos de contrato que dão direito ao proprietário de "valerse dos dados sobre a área utilizada e respectiva produção, fornecidos pelo arrendatário ou parceiro) nos exatos termos do § 4º, do art. 10, da Lei no 9.393/96; ademais, o contrato de comodato trazido pela recorrente, por cópia reprográfica simples, fls. 24/25, não está registrado em qualquer registro público e sequer conta com reconhecimento das firmas dos signatários, faltandolhes o mínimo de formalidade jurídica para poderem ser reconhecidos por qualquer Corte deste País: (fls. 269270). Dessa forma, mantenho o entendimento colacionado no acórdão recorrido. 2 DIVERGÊNCIA EM RELAÇÃO À ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Fl. 8DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 A outra divergência é quanto à necessidade ou não do Ato de Declaração Ambiental ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Em complemento ao Código Florestal e ao artigo 11 da Lei n° 8.847/94, abaixo transcrita, temse o artigo 10, caput, da Lei nº 9.393, de 19/12/1996, in verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: I – de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei nº 7.803, de 1989. (...) Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II – área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; ... Mas, a exigência é encontrada no artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº 43, de 07/05/1997, com a redação dada pelo art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 67, de 01/09/1997, verbis: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: I de preservação permanente; II de utilização limitada. § 1º A área total do imóvel deve se referir à situação existente à época da entrega do DIAT, e a distribuição das áreas, à situação existente em 1º de janeiro de cada exercício, de acordo com os incisos I e II. (...) § 3º São áreas de utilização limitada: ... § 4º As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: Fl. 9DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10670.001981/200243 Acórdão n.º 920202.100 CSRFT2 Fl. 6 11 ... II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; III se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o ITR devido. (...) Nos termos acima está claro que o contribuinte tem o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao Ibama. Sendo que para o exercício de 1998, o prazo se expirou em 31/05/1999, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR/1998, que foi 30/11/1998, conforme Instrução Normativa SRF nº 136, de 20/11/1998. A questão é saber se tal regra, veiculada por instrução normativa, encontra guarida no ordenamento jurídico. Entendo que não. De fato, não recebeu a autoridade administrativa delegação legal para criar exigências necessárias ao gozo da isenção: Constituição Federal: Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: ... IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: ... V sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; Isto porque o artigo 10, caput, da Lei nº 9.393, de 19/12/1996, cuidou somente de adotar como modalidade o lançamento por homologação, conforme artigo 150, §4° do CTN, o que implica, necessariamente, a ulterior verificação do pagamento realizado pelo sujeito passivo. Contraria o disposto no artigo 150, §6° da Constituição Federal e o artigo 97, inciso IV do CTN o entendimento de que criar exigências por instrução normativa para o gozo do benefício de redução da base de cálculo estaria em consonância com a expressão “nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal”. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 10DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 12 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 150 (...) § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: ... IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; Reitero que a delegação através da expressão “nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal” cingese às verificações necessárias para a homologação do pagamento realizado pelo contribuinte, não alcançando, muito menos, os procedimentos praticados junto aos órgãos de proteção do meio ambiente, no caso o IBAMA. E, em arremate, trazse também as disposições dos artigos 176 e 179 do CTN que reservam apenas à lei a competência para especificar as condições e requisitos necessários ao gozo da isenção, seja ela específica ou geral: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. ... Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Concluindo, entendo que para o período lançado a ausência do Ato de Declaração Ambiental – ADA não é impeditivo para o gozo da isenção; caso distinto da exigência de averbação, que é requisito para constituição da área de reserva legal. Ademais, tal matéria foi objeto do enunciado da Súmula CARF n° 41 que trata especificamente do assunto: Fl. 11DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10670.001981/200243 Acórdão n.º 920202.100 CSRFT2 Fl. 7 13 A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Dessa forma, voto pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso especial interposto para que seja excluída a área de preservação permanente. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 12DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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