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Numero do processo: 10070.001482/2002-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jul 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE A OUTRO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96 com a redação que lhe deu o art. 49 da Lei nº 10.637/2002, somente são passíveis de aproveitamento em compensação de débitos tributários os créditos de natureza tributária, passíveis de ressarcimento ou de restituição e que tenham sido apurados pelo próprio contribuinte que promove a compensação.
Numero da decisão: 3401-002.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça (Relator), Bernardo Leite de Queiroz Lima e Angela Sartori. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos para redigir o voto vencedor.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente e redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Este recurso foi julgado em abril deste ano, tendo o Conselheiro Jean apresentado, a tempo e hora, o relatório e o voto abaixo. Antes, porém, que eu pudesse redigir o acórdão, dr. Jean renunciou ao seu mandato de conselheiro, motivo pelo que não o assina.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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CRÉDITOS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE A OUTRO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96 com a redação que lhe deu o art. 49 da Lei nº 10.637/2002, somente são passíveis de aproveitamento em compensação de débitos tributários os créditos de natureza tributária, passíveis de ressarcimento ou de restituição e que tenham sido apurados pelo próprio contribuinte que promove a compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça (Relator), Bernardo Leite de Queiroz Lima e Angela Sartori. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos para redigir o voto vencedor. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS – Presidente e redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 14 82 /2 00 2- 15 Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Este recurso foi julgado em abril deste ano, tendo o Conselheiro Jean apresentado, a tempo e hora, o relatório e o voto abaixo. Antes, porém, que eu pudesse redigir o acórdão, dr. Jean renunciou ao seu mandato de conselheiro, motivo pelo que não o assina. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito judicial de terceiros (fl.02) para compensar com diversos débitos (fls. 939/942). Nas fls. 629/633, a Contribuinte informou que o crédito era originariamente da Guimarães Café Ltda, obtidos na ação ordinária nº 93.00019902/ES, que transitou em julgado em 21/02/1997. A Guimarães Café iniciou a execução, foi expedido um primeiro precatório, o qual foi levantado. Depois disso, a Guimarães Café cedeu o restante do crédito à Coelho Neto Café Ltda, informando ao juízo. A Coelho Neto, por sua vez, iniciou a execução do precatório complementar, o precatório foi expedido, mas a Coelho Neto cedeu o direito ao crédito à Ellied Domecq Brasil Ind. E Com. Ltda, ora Recorrente. Intimada, a União informou em juízo que não se opunha à cessão de crédito. Após ser incluída no polo ativo da execução, a Recorrente protocolou pedido de desistência da execução judicial para aproveitar os créditos administrativamente. A delegacia de origem negou o ressarcimento e a homologação da compensação, em suma, porque a IN/SRF nº 41, de 7 de abril de 2000, vigente na época da formalização das compensações, passou a vedar a utilização de créditos de terceiros para fins de compensação de débitos próprios (fls.965/968). A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1030/1041), mas a DRJ Rio de Janeiro I/RJ manteve o indeferimento ao prolatar acórdão com a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. Indeferese liminarmente o pedido ou a declaração de compensação cujo direito creditório tenha por base crédito de terceiros, cujo pedido ou declaração tenha sido protocolizado a partir de 10 de abril de 2000 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O descumprimento de pressupostos formais e materiais necessários ao procedimento de compensação impõe à autoridade administrativa não homologar a compensação declarada pela interessada. Compensação não Homologada A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 02/03/2009 (fl.1111) e interpôs recurso voluntário em 27/03/2009 (fls. 1112/1137) com as alegações resumidas abaixo: Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10070.001482/200215 Acórdão n.º 3401002.940 S3C4T1 Fl. 1.297 3 1A Recorrente recebeu a cessão crédito legalmente e chegou até a ser incluída no polo ativo da execução judicial, portanto, não existe impedimento legal para o aproveitamento dos créditos; 2 O art. 74, da Lei nº 9.430/96, autoriza o aproveitamento dos créditos, conforme pleiteado pela Recorrente, sem a necessidade de decisão judicial; 3 Os créditos foram cedidos por termo de cessão e a Recorrente chegou a figurar no polo ativo da execução judicial, portanto, adquiriu todos os direitos sobre os créditos, sendo eles da própria Recorrente e não de terceiros; Ao final, a Recorrente pediu a reforma do acórdão da DRJ para que seja deferida a restituição e homologada as compensações. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O cerne da questão consiste em saber se a Recorrente tem direito ao crédito e se o crédito pode ser utilizado para compensar seus débitos. 1. Do direito ao crédito O debate acerca do direito crédito não demanda delonga, haja vista o crédito ter sido reconhecido em decisão judicial (fls.42/68 e 71/73). Bem como a cessão de crédito e substituição processual também ter sido ratificada por decisão judicial (fl. 74). Portanto, é incontroverso que a Recorrente tem direito ao crédito. 2. Do direito à compensação Ultrapassada a questão do direito creditório, resta saber se a Recorrente tem direito de aproveitar por compensação o crédito que lhe foi cedido. O indeferimento se deu com base na IN/SRF nº 41, de 07 de abril de 2002, que assim dispõe: Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Art. 1º É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros. Parágrafo único. A vedação referida neste artigo não se aplica aos débitos consolidados no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal REFIS e do parcelamento alternativo instituídos pela Medida Provisória no 2.0045, de 11 de fevereiro de 2000, bem assim em relação aos pedidos de compensação formalizados perante a Secretaria da Receita Federal até o dia imediatamente anterior ao da entrada em vigor desta Instrução Normativa. Art. 2º Fica revogado o art. 15, caput e parágrafos, da Instrução Normativa SRF n. 021, de 10 de março de 1997. Art. 3º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Os pedidos de compensação foram protocolados somente em junho de 2002, quando já estava vigente a instrução normativa transcrita acima. Não obstante, as instruções normativas são normas complementares, nos termos do art. 100, inciso I, do CTN. Nessa linha, elas estão limitadas ao conteúdo da lei, podendo somente estabelecer os procedimentos estabelecidos no texto legal, de modo que não podem restringir direito que a lei não restrinja. No ano de 2002, a única norma que proibia a compensação com crédito de terceiro era a IN/SRF nº 41/2002, sem nenhum amparo legal. O aproveitamento de crédito de terceiro para compensação foi proibido por lei somente em 2004, quando a Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2003, incluiu o §12 ao art. 74 da Lei nº 9.430/96, que passou a proibir a aludida compensação do seguinte modo: § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3º deste artigo; II em que o crédito: a) seja de terceiros; Portanto, na época do protocolo dos pedidos de compensação não existia impedimento legal para a compensação com débitos de terceiros. Além disso, a cessão de crédito cede o direito de receber o crédito e todos os seus acessórios, nos termos do art. 287, do Código Civil, in verbis: Art. 287. Salvo disposição em contrário, na cessão de um crédito abrangemse todos os seus acessórios. Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10070.001482/200215 Acórdão n.º 3401002.940 S3C4T1 Fl. 1.298 5 Nessa linha, quando recebeu a cessão do crédito e a Fazenda não se opôs, a Recorrente passou a ser credora de fato e de direito sendo, em outras palavras, a “proprietária” do crédito. A partir da cessão, o crédito deixou de ser da cedente e passou a ser da Recorrente, de modo que ela poderia adquiriu todos os acessórios, dentre eles, o direito de compensar. Logo, a Recorrente tem o direito creditório e pode aproveitálo para compensar seus créditos. Ex positis, dou provimento ao recurso voluntário reconhecendo o direito creditório e o direito de aproveitamento do crédito para compensar os débitos da Recorrente. A apuração do montante crédito deve ser procedida pela delegacia de origem. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Voto Vencedor CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Designeime para redigir o acórdão em razão de já ter tido a oportunidade de examinar a matéria em julgamentos realizados ainda na Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Na ocasião, apreciamos postulação que advinha de crédito prêmio judicialmente reconhecido a determinadas empresas e posteriormente cedido a outras. Lá, como aqui, a cessão fora comunicada ao juiz do feito e homologadas por nada ter objetado a Procuradoria da Fazenda Nacional. Naquela assentada, assim me expressei: O exame da viabilidade das compensações devese iniciar, a meu ver, pela definição da natureza do crédito que está sendo postulado. É que não faz mais sentido sua denegação por se tratar de créditoprêmio. Essa discussão restou superada pelo trânsito em julgado que reconheceu às postulantes originais o direito ao benefício. Assim, mesmo que a compensação tivesse sido promovida por aquelas empresas, tratarseia de crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado. Como os autores das compensações são outros, é preciso que se defina, primeiro, se basta a “aquisição” daqueles créditos ou se é necessária ordem judicial expressa autorizando a compensação por empresas que não figuraram no pólo ativo da ação. De fato, os argumentos da contribuinte podem ser enfeixados na resposta à questão: há necessidade de autorização judicial expressa para que um dado contribuinte possa utilizar em compensação de débitos seus créditos deferidos judicialmente a outrem? Concordo com a resposta afirmativa dada pela DRJ. Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 É que a redação da Lei nº 9.430/96 com a alteração promovida pela Lei nº 10.637/2002 não deixa dúvidas. Confirase: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo(NR) Sua atenta leitura permite identificar três requisitos dos créditos que se pretende empregar para extinguir débitos; 1. que eles tenham sido apurados pelo próprio postulante à compensação. Notese que a lei não empregou ambíguas expressões como “créditos de titularidade do postulante” ou “créditos próprios”, que permitiriam, ambas, uma interpretação ampla para acobertar todos aqueles que, no momento da compensação, fossem de titularidade do postulante, seja por apuração própria, seja por aquisição a terceiros. 2. que os créditos sejam relativos a tributos ou contribuições administrados pela SRF. Com isso se excluiu qualquer outro que não tenha a natureza tributária, ou mesmo que a tenha, se refira a tributo que não seja administrado por aquela repartição. Não podem, desse modo, ser opostos créditos oriundos de tributos estaduais, previdenciários ou de qualquer outra natureza não tributária. 3. que os créditos sejam passíveis de restituição ou ressarcimento. Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10070.001482/200215 Acórdão n.º 3401002.940 S3C4T1 Fl. 1.299 7 Os três requisitos são cumulativos, bastando, pois, o descumprimento de um deles para que a compensação não possa ser deferida com base no artigo. E o benefício instituído pelo Decretolei nº 491/69, de ordinário, desatende pelo menos ao segundo desses requisitos. É que ele, embora no art. 1º daquele ato legal tenha sido chamado de “crédito tributário”, de tributário não tem nada. Não é preciso repetir aqui as lições doutrinárias no sentido de que o mero nome utilizado pelo legislador não tem o condão de alterar a natureza jurídica do que o direito está a regular. E assim é com o créditoprêmio. É que o benefício tratado nos arts. 1º e 2º do Decretolei nº 491/69 constitui um crédito financeiro correspondente a um montante que se apura sobre o valor FOB das exportações, nenhuma correlação guardando com imposto eventualmente pago nessas operações. Tampouco se fala aqui de devolução de imposto pago na exportação ou em aquisições internas necessárias a essa exportação, visto que o próprio imposto já não era exigido nas exportações e o IPI que viesse a ser desembolsado nas aquisições de matérias primas era objeto da disposição do art. 5º do mesmo diploma (admitiase o creditamento e o seu integral aproveitamento, inclusive por ressarcimento em espécie). Assim, o que o benefício fazia era “premiar” o exportador com uma quantia que o estimulava a promover essas exportações mesmo quando o seu preço efetivo não fosse de todo competitivo. Não foi por outra razão que o incentivo foi incomumente atacado nas negociações dos diversos acordos internacionais de livre comércio de que o Brasil fez parte que pretendiam combater o dumping. Até que dessas pressões resultou sua revogação (no meu entender, em 1983). Destarte, mesmo quando efetuada pelo produtorexportador, a compensação de créditosprêmio com base na Lei nº 9.430/96 teria de ser não homologada por desatendimento a um dos requisitos legais. Ocorre que são raras tais postulações diretas pelo exportador. Isso porque a administração tributária tem o entendimento de que o benefício já foi extinto muitos anos antes da própria Lei nº 9.430. Com isso, todos aqueles que o pretendem apurar com referência a exportações ocorridas após 1983 têm de primeiro obter uma tutela do Poder Judiciário que permita afastar a restrição imposta pela Administração. E, em conseqüência, tudo o que esta faz nestes casos é dar cumprimento à ordem judicial expedida. Se ela autoriza a compensação, e a empresa beneficiada com a decisão a comunica via Perdcomp, nada mais cabe à autoridade fazendária que aferir sua liquidez e homologála pro tanto. Não é diferente aqui. Diversos contribuintes postularam judicialmente que o crédito prêmio continuava vigendo, pelo menos até 1989, e que as restrições impostas por Portarias Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Ministeriais deveriam ser afastadas por inconstitucionais. E foi isso que lhes foi deferido. Nesse diapasão, não resta a menor dúvida de que os postulantes originais no Judiciário poderiam apresentar Perdcomps com base na decisão judicial obtida. E assim – isto é, como créditos decorrentes de decisão judicial transitada em julgado – teriam de ser examinados pela autoridade administrativa. Nesses termos, ela apenas poderia verificar o montante reconhecido e homologar as compensações até esse montante. Tendo sido postulada a compensação por outro contribuinte, entendo que resta descumprido também, pelo menos, o primeiro dos outros dois requisitos da Lei nº 9.430/96. Com efeito, como bem apontou a decisão recorrida, os créditos não foram apurados por ele. A expressão utilizada na redação dada pela Lei nº 10.637 não deixa dúvidas de que não basta adquirir os créditos. Para que um contribuinte possa efetuar compensações com créditos apurados por outro contribuinte, este segundo contribuinte – o “adquirente” ou cessionário – tem de obter, antes, autorização judicial que obrigue a Administração a superar a restrição posta na Lei. Em meu entender, essa nova redação espancou, de uma vez, qualquer dúvida quanto à possibilidade de aproveitamento de créditos de um contribuinte por outro. Somente aquele que apura os créditos pode opôlos à Fazenda para quitar débitos tributários que possua. Desse modo, pelo menos quanto a compensações promovidas após a edição da Lei nº 10.637 somente o Poder Judiciário tinha a prerrogativa de determinar, em complemento à decisão original, que os novos “titulares por aquisição” o pudessem aproveitar mediante compensação. Isto é, tinha de afastar, também em relação a eles, os obstáculos havidos na própria Lei nº 9.430. Entendo, no que divirjo de observação constante em um dos muitos despachos judiciais relativos à matéria, que a autorização judicial para substituição do pólo ativo da ação pelos cessionários do crédito cumpre o requisito acima mencionado. Isto é, transfere aos substitutos os efeitos da decisão final naquele processo, e como essa decisão foi no sentido da possibilidade de compensação com débitos tributários, considero que ela corresponde a uma ordem judicial para que a Administração Tributária acate compensações promovidas por estes cessionários até o limite do crédito cedido. Também aqui, somente cabe à Administração verificar esse montante e a exata observância da decisão judicial autorizativa. Ocorre que não estava claro nos autos se houve mesmo decisões homologando as substituições processuais, suas datas e se, e quando, haviam transitado em julgado. O que estava comprovado era a existência de comunicações ao Poder Judiciário formalizadas sempre pela cedente, autora original da ação, de cessões de créditos a novas empresas. Por esse motivo, o relator original destes recursos, Dr. Flávio Munhoz, entendeu necessário aclarar se aquelas substituições processuais tinham Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10070.001482/200215 Acórdão n.º 3401002.940 S3C4T1 Fl. 1.300 9 sido homologadas pela Justiça em decisões transitadas em julgado e as datas desses trânsitos. Infelizmente, a diligência não foi integralmente cumprida. Com efeito, embora tenha trazido diversas informações de relevância para o julgamento, não veio justamente essa informação essencial solicitada. Por outro lado, a certidão produzida pela Secretaria da Primeira Vara Federal Tributária do RS noticiou que em data de 08 de julho de 2005, a ilma. Juíza Verbena Duarte Brito de Carvalho, em exercício naquela instância judicial, proferiu decisão revogatória de todas as decisões que deferiram substituições processuais dos autores originais da ação. Apenas salvaguardou aquelas decisões que tenham sido proferidas pelos Tribunais, em vista de não ter competência para tanto. Examinando a certidão, na parte narratória, percebese que a substituição processual da Calçados Racket e da Calçados Ramarim fora deferida no próprio processo original, já na fase de execução de sentença (fl. 442 destes autos). Na certidão não há informação acerca do trânsito em julgado dessas decisões. Já a substituição da Calçados Kitoki foi postulada diretamente ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região na apelação aos embargos de execução (fl. 443). Ela foi aí deferida na decisão de agosto de 2002 proferida com base no voto da Desembargadora Federal Maria Lúcia Luz Leiria (fl. 443). Essa informação também constara do relatório da DRJ para o julgamento ora questionado (fl. 405 dos presentes autos). Essa decisão foi posteriormente anulada exatamente porque a Desembargadora que o relatara, dra. Maria Lúcia Leiria, fora a prolatora, ainda como Juíza, da decisão original na ação. Nova decisão foi, então, prolatada, impedida aquela Desembargadora, e não há notícia nem na certidão agora produzida nem na anterior que embasara o relatório da DRJ acerca da apreciação, nesta nova decisão, do pedido de substituição processual da Calçados Kitoki. A ora recorrente teve oportunidade de se pronunciar acerca das providências adotadas no cumprimento da diligência requerida e não trouxe aos autos informação que permita concluir ter sido deferida também na segunda decisão a substituição postulada. Nesses termos, imperioso concluir que a decisão que autorizou (?) a substituição da Calçados Racket e da Calçados Ramarim, foi agora revogada. Já a que autorizou a substituição da Calçados Kitoki veio a ser anulada posteriormente pelo próprio TRF em virtude da participação no julgamento, como relatora, da Juíza prolatora da decisão inicial, agora desembargadora daquele Tribunal. Destarte, concluo que, hoje, não vige qualquer autorização judicial para substituição processual que coloque a ora Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 recorrente no pólo ativo da ação judicial em que se reconheceu o direito ao crédito prêmio. Ainda que possam ter existido decisões que ampararam, à época de sua formalização, as compensações promovidas, a decisão que aqui se há de produzir tem de levar em conta a permanência delas hoje. Prejudicada resta, assim, a verificação proposta por dr. Flávio sobre a data de trânsito em julgado ser anterior ou posterior às cessões de crédito registradas em cartório. Com isso, apenas merece análise adicional o argumento do contribuinte em seu recurso de que a restrição ao aproveitamento dos créditos somente poderia ser cogitada a partir da entrada em vigor do art. 49 da Lei nº 10.637/2002. Em outras palavras, se seria necessária autorização judicial para as compensações requeridas ainda na forma da IN 21/97. Como se sabe, a possibilidade de compensação de débitos tributários com créditos de terceiros nunca esteve expressamente mencionada na legislação que tratava de compensação. Com efeito, tanto o antigo art. 66 da Lei nº 8.383/91, como o art. 74 da Lei nº 9.430/96, em sua versão original, nada mencionam a respeito. De se conferir: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.199) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Ocorre que há neles requisito essencial que o crédito ora discutido não atende. É que em ambos os dispositivos somente estão contemplados créditos que sejam passíveis de restituição ou ressarcimento. A via da compensação de débitos tributários é, Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10070.001482/200215 Acórdão n.º 3401002.940 S3C4T1 Fl. 1.301 11 assim, alternativa oferecida pelo legislador que visa à celeridade do encontro de contas. Com efeito, ao invés da sempre demorada restituição, pode o contribuinte em crédito junto à SRF promover diretamente (no caso da Lei nº 8.383) ou mediante requerimento (na fora da Lei nº 9.430) sua compensação. Notese que no âmbito da Lei nº 8.383 podese identificar mais um óbice: apenas cabem indébitos tributários strictu sensu ou decorrentes de pagamento indevido de receitas patrimoniais. O crédito aqui discutido não se enquadra aí também por esse aspecto. Mas essa restrição pode ser superada uma vez que todas as compensações já foram comunicadas ou requeridas após a edição da Lei nº 9.430, onde tal restrição não está. Contudo, remanesce a necessidade de a Fazenda Nacional estar obrigada, por lei ou por decisão judicial ou administrativa, a restituir ou ressarcir aquela importância. E aqui decidiuse no âmbito do Poder Judiciário – decisão já transitada em julgado – não ser o caso. De fato, no caso vertente, o que restou assentado no âmbito do Poder Judiciário é que o crédito reconhecido aos postulantes originais não era, ao menos em sua integralidade, passível de restituição ou de ressarcimento. Foi esse fundamento que levou à rejeição da execução de sentença proposta por aqueles demandantes originais em acatamento aos argumentos aduzidos pela PFN nos embargos propostos. Gizese que o benefício possuía disciplina própria que difere da compensação prevista nas leis mencionadas. Com efeito, o Regulamento do incentivo, citado na decisão – Decreto 64.833/69 – prevê formas sucessivas de aproveitamento, e a compensação com outros débitos vem antes do ressarcimento em dinheiro. Assim dispôs, especificamente, o art. 3º daquele Decreto: Art. 3º Os créditos tributários previstos no art. 1º deste Decreto somente poderão ser lançados na escrita fiscal à vista de documentação que comprove a exportação efetiva da mercadoria, atendidas as normas baixadas pelo Ministério da Fazenda. § 1º Os créditos tributários serão deduzidos do valor do impôsto sôbre produtos industrializados devido nas operações do mercado interno. § 2º Feita a dedução e havendo excedente de crédito, poderá o estabelecimento industrial exportador; a) manter o crédito excedente para compensações parciais e sucessivas, inclusive transferilo, total ou parcialmente, para os exercícios seguintes: b) transferilo, mediante prévia comunicação por escrito ao órgão da Secretaria da Receita Federal a que estiver jurisdicionado para a escrita fiscal: Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 I de outro estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, da mesma empresa; II de estabelecimento industrial ou equiparado a industrial com o qual mantenha relação de interdependência, atendida a conceituação do artigo 21, § 7º, do Decreto número 61.514, de 12 de outubro de 1967. § 3º Nos casos, limites, e, atendidas as normas, condições e modelo que o Ministro da Fazenda vier a estabelecer, poderá ser admitida a emissão de documento denominado "Nota de Crédito Fiscal de Exportação", a ser utilizado: a) no pagamento de outros tributos federais; b) na comprovação de excedente de crédito para recebimento em espécie, a título de restituição, nos termos e condições do § 1º, do artigo 7º e inciso 2, do artigo 31 e seu parágrafo único, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964; c) em outras modalidades de compensação indicadas ou aceitas pelo Ministro da Fazenda Ou seja, não é o mero reconhecimento de um dado montante de créditoprêmio que o torna passível de recebimento em dinheiro. Apenas o é a parcela que remanesce após serem observadas, obrigatoriamente na ordem mencionada, as outras modalidades de aproveitamento. Assim, mesmo que se considerem as afirmações da Juíza atualmente em exercício na Primeira Vara Federal Tributária, prolatora da decisão que revogou as substituições processuais já deferidas, esse direito ao ressarcimento se restringiria, no máximo, a eventual excesso do crédito prêmio apurado pelo cedente depois de esgotadas todas as formas alternativas de aproveitamento, o que, entende ela, somente poderia ser apurado por ele mesmo. Evidentemente, cabe discutir a validade da revogação praticada. Tal discussão, entretanto, deve ser travada pela própria interessada e no âmbito judicial. Aqui, na esfera administrativa, tudo o que nos cabe é cumprir a decisão proferida. Em resumo, as compensações aqui discutidas não são simplesmente de créditos prêmio, mas sendo de créditos apurados por terceiros somente poderiam ser propostas à Fazenda com lastro em decisão judicial própria. A decisão proferida na ação 89.00136224 não serve para tanto na medida em que favorece outros contribuintes. Podese admitir que existissem tais decisões – na forma de acatamento das substituições processuais comunicadas – quando da apresentação das Declarações de Compensação. Não há elementos nos autos para afirmar o contrário. Mas há elementos suficientes para que se diga que hoje elas não existem mais. Com essas considerações, entendo incabíveis todas as compensações comunicadas via PerdComp ou requeridas na forma da IN 21/97 com o direito decorrente da decisão judicial Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10070.001482/200215 Acórdão n.º 3401002.940 S3C4T1 Fl. 1.302 13 proferida na ação 89.00136224 e veiculadas por meio deste processo administrativo (10980.004497/200272), bem como nos demais processos a ele apensos: 10980.000297/200396 e 10980.006760/200268. Em decorrência, é o meu voto por negar provimento ao recurso do contribuinte nesse ponto. Ainda que neste processo o direito original não ser relativo ao crédito prêmio, isso em nada afeta os argumentos acima, com os quais propus ao colegiado negar provimento ao recurso do contribuinte, no que fui acompanhado pelos demais conselheiros fazendários, o que permitiu formar a maioria. Negouse, desse modo, provimento ao recurso. CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10073.721173/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jul 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter em diligência o julgamento do recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Irene Souza da Trindade Torres Oliveira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Márcio Leal, OAB/RJ nº. 84.801, e, pela Fazenda Nacional, o Procurador da Fazenda Nacional Frederico Souza Barroso.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza - Relator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter em diligência o julgamento do recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Irene Souza da Trindade Torres Oliveira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Márcio Leal, OAB/RJ nº. 84.801, e, pela Fazenda Nacional, o Procurador da Fazenda Nacional Frederico Souza Barroso. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 28/08/2012, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados e Contribuição PIS/COFINS acrescidos de juros de mora e multa isolada de Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, no valor de R$ 96.758.819,26, em virtude dos fatos a seguir descritos. A FSTP Brasil Ltda., empresa constituída no País, foi subcontratada pela FSTP Private Ltd., com sede em Cingapura, para a construção de 03 (três) plataformas de produção de petróleo, as denominadas P51, P52 e P56. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 73 .7 21 17 3/ 20 12 -1 5 Fl. 15830DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3202000.364 S3C2T2 Fl. 15.831 2 O contrato principal foi firmado entre a Petrobrás Nederland PNBV, subsidiária da Petrobrás S/A, constituída na Holanda e a FSTP Private Ltd. Ao fiscalizar a operação, o auditor julgou ter ocorrido o termo final do regime da IN 513, por entender que as exportações das três Plataformas ensejaria o término do prazo de vigência do regime fiscal da IN 513. Desse modo, as mercadorias adquiridas pela empresa após a exportação não faziam jus à suspensão dos tributos, razão pela qual lançou todos os tributos federais correspondentes– Anexo IX do auto de infração. Com base na mesma premissa, o auto de infração levantou o estoque existente na recorrente, na data pressuposta extinção do regime, e considerou que todas as exportações por ela promovidas para as empresas contratante, situada no exterior, deveriam ser tratadas como remessas para industrialização após a extinção do regime. A Fiscalização considerou, ainda, que determinadas mercadorias aplicadas na construção das Plataformas não se qualificariam como “insumos”, e, portanto, não poderiam ser admitidas no regime da IN 513. Ainda de acordo com o auto de infração, imputouse à FSTP omissão pela não formalização de pedidos de prorrogação de prazos para permanência no entreposto aduaneiro de mercadorias por ele indicadas. Por fim, a autuação destacou o descumprimento de Obrigações Acessórias: no que diz respeito a um pequeno número de mercadorias, que a FSTP (i) não teria informado nas declarações de exportações as respectivas declarações de admissão, e (ii) teria escriturado em duplicidade nos sistemas das Plataformas. Devido a inobservância de obrigações tributárias relativas ao Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Aduaneiro, a empresa autuada incorre nos tributos incidentes nas operações de comércio exterior, nos termos dos artigos 266 do Decreto nº 4.543/2002 e 311 do Decreto nº 6.759/2009; art. 14 da Lei nº 10.865/2004; e art. 23 da IN SRF nº 513/2005, acompanhada da multa de ofício, no percentual de 75%, na forma do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. Igualmente, extinto o regime e não tendo sido dada às mercadorias contidas no estoque quaisquer uma das destinações extintivas do regime previstas na norma, no prazo de até de 45 (quarenta e cinco) dias contados do término sua vigência, a fiscalização entendeu configurada a situação de abandono, consoante os artigos 361 e 362 do RA/02, e 408 e 409 do RA/09. Sucessivamente, diante da impossibilidade de suas apreensões (já que foram consumidas no processo industrial), aplicouse a multa equivalente à pena de perdimento, com fundamento no art. 618, inciso XXI e parágrafo 1º, c/c 574, inciso II, alínea “a”, c/c 604, II, do Regulamento Aduaneiro de 2002 e art. 689, inciso XXI, parágrafo 1º, c/c 642, c/c 675, II, do RA/09. A fiscalização, também, aplicou multa de R$ 1.000,00 (mil reais) por dia, prevista no art. 29, parágrafo 1º, da IN SRF nº 513/2005; alínea "e" do inciso VII do art. 107, e §§ 1o e 2o, do Decretolei nº 37/66 (com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/03), regulamentado pelo RA/09, art. 728, VII, “d”; artigo 97 do CTN; e art. 94 do Decretolei nº 37/66. Fl. 15831DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3202000.364 S3C2T2 Fl. 15.832 3 Contouse, como termo inicial, o dia seguinte ao do encerramento do prazo de permanência das mercadorias no regime aduaneiro, ou seja, o dia seguinte ao do registro da DDE, e como termo final, a data de lavratura do auto de infração, resultando no valor de R$ 1.391.000,00 (P51), R$ 1.820.000,00 (P52) e R$ 435.000,00 (P56). Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 31/08/2012 (fls.14.883), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 01/10/2012, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 14.915 à 14.950, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. No julgamento da impugnação, a DRJ julgou improcedente a defesa da contribuinte, conforme resume a ementa abaixo: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 20/10/2007 Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Aduaneiro. Construção de 03 (três) plataformas de produção de petróleo. Não é permitido eleger qualquer outro critério no tocante à exportação do produto acabado, a não ser como uma das hipóteses de extinção do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Aduaneiro. A admissão da plataforma no REPETRO pressupõe a existência de uma plataforma já construída e exportada, resultando necessariamente na extinção, em momento anterior (exportação da plataforma), do próprio Entreposto Aduaneiro. No tocante a extinção do Regime de Entreposto Aduaneiro, está a se lidar com uma situação de cunho jurídico, sendo a exportação da plataforma o implemento da condição suspensiva, nos moldes do inciso II, do artigo 116 do Código Tributário Nacional. A exportação da plataforma extingue do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Aduaneiro, não se podendo falar em “fase pré operacional” após o fim da vigência do regime. Dada a existência de estoques de mercadorias sem tenha sido dada às mercadorias quaisquer destinação, configurouse a situação de abandono. Diante da impossibilidade de apreensão das mercadorias, uma vez que foram consumidas no processo industrial, aplicase a multa equivalente ao valor aduaneiro. A fiscalização aponta que, em nenhum momento, foi autorizada a aplicação do regime na própria plataforma, fora da unidade industrial apropriada e/ou autorizada pela Receita Federal do Brasil. Em momento alguma a fiscalização procedeu com a modificação de critérios jurídicos, nem tampouco com os aspectos de direito da importação. Pelo contrário, toda a ação fiscal se baseia no implemento da condição resolutiva (exportação da plataforma).. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual ratifica os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Fl. 15832DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3202000.364 S3C2T2 Fl. 15.833 4 Com efeito, a empresa pugna pelo reconhecimento da decadência, pois a ciência do lançamento ocorreu depois do prazo para a apuração da regularidade do benefício fiscal (suspensão do tributo), que é de cinco anos contados do registro da declaração de importação, previsto no art. 54, do DL nº 37/66. Ou, por outra, contado no prazo é de cinco anos da data do fato gerador, ao teor do art. 150, § 4º, do CTN, sendo incorreto, de toda a maneira, o acórdão recorrido quando aplicou a regra do art. 173, I, do CTN, de modo a afastar a decadência. Ultrapassada a decadência, a recorrente sustenta que não procede a tese da fiscalização, de que a exportação das Plataformas ensejaria a extinção do Regime Especial da IN/513, ao teor do artigo 17, I, da IN 513. Para a contribuinte, à luz da própria IN 513, o prazo de vigência do regime de entreposto aduaneiro corresponde ao prazo de vigência do contrato necessário para a execução de todo o processo de industrialização das plataformas – inclusive a fase de testes e pré operação, que pressupõem a exportação dessas estruturas. Quanto aos insumos, a recorrente esclarece, primeiramente, que o que é importante para se definir se o bem é passível ou não de admissão, no regime, é tão somente o escopo do contrato de construção. In casu, segundo a empresa, todos os bens listados pela Fiscalização constituem objeto do escopo dos contratos de construção das Plataformas, integrando, em sua maioria, o chamado “Módulo de Acomodação”, ou seja, o local das plataformas onde ficam instalados os dormitórios da tripulação. Qualificamse, assim, como “partes, peças e componentes” da construção, beneficiadas pelo regime da IN 513 (art. 3º, 27, II, e 37), a qual não utiliza a palavra insumos. No que diz respeito a alegação de que a FSTP não teria formalizado pedidos de prorrogação de prazos de permanência de mercadorias nos entrepostos aduaneiros, a recorrente diz que apresentou, sim, os pedidos de prorrogação questionados (fls. 1519715317); e que a apresentação dos referidos pedidos de prorrogação sequer eram necessários, vez que o regime de entreposto aduaneiro para a construção de plataformas permite a admissão de mercadorias pelo prazo previsto no contrato (Decreto nº 6.759/09, art. 408, § 3º) . A contribuinte assevera, por igual, que inexistiu inadimplemento das obrigações acessórias apontadas no auto de infração também é um fato, vez que, ao contrário do alegado: (a) as declarações de admissão das mercadorias relacionadas no “Anexo XXV” do lançamento foram devidamente informadas nos documentos de exportação (fls. 15462 15503); e (b) as mercadorias relativas à declaração de admissão nº 07/05127367 estão devidamente relacionadas nos sistemas da P51 e P56, em razão da alocação de parte dessas mercadorias em cada um desses projetos. A recorrente suscita, outrossim, que teria havido mudança do critério jurídico do lançamento, vedado pelo art. 146 do CTN, uma vez que a Administração tinha entendido, anteriormente, que o prazo de vigência do regime de entreposto aduaneiro, apenas, se extingue ao término do prazo contratual de construção das plataformas. Prega, ainda, por conta disso, com base (i) nos procedimentos e práticas usualmente adotados pela Receita Federal do Brasil e em (ii) orientações – formais ou não – fornecidas diretamente pela referida instituição a FSTP, jamais se poderia cogitar da cobrança de quaisquer encargos moratórios ou penalidades em face da FSTP, por força da regra contida no parágrafo único, do art. 100 do CTN. Fl. 15833DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3202000.364 S3C2T2 Fl. 15.834 5 No que alude à multa em substituição à pena de perdimento, a empresa destaca que é descabida a aplicação de pena de perdimento no caso concreto, tendo em vista que: (i), todas as mercadorias tiveram seu despacho de importação iniciado e devidamente finalizado, não podendo ser consideradas abandonadas (art. 689, XXI, do Decreto nº 6.759/2009), (ii) o STJ não admite a presunção de abandono pelo simples decurso do prazo previsto na legislação para que seu titular lhe dê um destino, sendo imperativa a constatação inequívoca da intenção de abandonar as mercadorias, apurada em processo administrativo – fatos e atos inexistentes no caso da FSTP. A recorrente sustenta o descabimento da multa diária de R$ 1.000,00 (mil reais), prevista no art. 29 da IN 513, pois a penalidade possuiria caráter não compensatório, destinandose apenas a sancionar o inadimplemento de obrigações acessórias cometidas pelo beneficiário durante a vigência do regime. A multa, nessa ótica, é aplicada com o único intuito de forçar o contribuinte a corrigir as irregularidades apontadas pela fiscalização, não sendo por outro motivo que sua aplicação é estendida até a data da efetiva regularização. Revelase, portanto, para a contribuinte, absolutamente ilógico pretenderse a aplicação de multa dessa natureza, quando, segundo o entendimento do próprio fiscal, o próprio regime de entreposto aduaneiro teria sido extinto com o primeiro ato de exportação das plataformas. Por fim, defende que, segundo a jurisprudência do CARF, é inadmissível a cumulação de penalidades para um mesmo fato, sendo, por conseqüência, ilegal, apregoar extinção do regime especial da IN 513, com três sanções conjuntas: multa substitutiva da pena de perdimento, multa diária de R$ 1.000,00 (mil reais) e multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator ad hoc. Com fundamento no art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, incumbiume a Presidente da Turma a formalizar o presente acórdão, cujo relator original, Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relator original, que, embora não mais integre os colegiados do CARF, apresentou a minuta do voto na sessão de julgamento, que será adotada na presente formalização. Assim, passase a transcrever, a seguir, o voto que consta da minuta apresentada: 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 15834DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3202000.364 S3C2T2 Fl. 15.835 6 O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser apreciado. Inicialmente, observo que presente processo envolve questão complexa, cujo desfecho depende da produção de provas adicionais. Com efeito, é preciso corroborar a assertiva da Recorrente, de que as plataformas exportadas estavam em fase de préoperação, o que impossibilitaria a extinção do regime de entreposto aduaneiro, antes do prazo previsto no contrato, e, consequentemente, tornaria inválido o auto de infração sob julgamento. A princípio, discordo da exegese empreendida pelo acórdão recorrido, de que a necessidade de exportação das plataformas para ver sua funcionalidade, préoperacional, seria uma questão fática que não influenciaria a implementação do termo final do regime especial aduaneiro, caracterizado pela exportação. Isso porque, o art. 4º da IN 513/2005 e o art. 408, § 3º, c/c o art. 405, IV, do Regulamento Aduaneiro – Decreto 6759/2009, dispõem que a atividades de aferição, inspeção e testes, inclusive no caso de préoperação da plataforma, estão abrangidas pelo regime, no prazo previsto no contrato. Eis os texto legais, respectivamente: Art. 4º As mercadorias admitidas no regime, importadas ou destinadas a exportação, poderão ser submetidas a operações de industrialização, bem assim a atividades de aferição, inspeção e testes, inclusive no caso de préoperação da plataforma. *** Art. 405. O regime permite, ainda, a permanência de mercadoria estrangeira em: [...] IV estaleiros navais ou em outras instalações industriais localizadas à beiramar, destinadas à construção de estruturas marítimas, plataformas de petróleo e módulos para plataformas (Lei no 10.833, de 2003, art. 62, parágrafo único). *** Art. 408. A mercadoria poderá permanecer no regime de entreposto aduaneiro na importação pelo prazo de até um ano, prorrogável por período não superior, no total, a dois anos, contados da data do desembaraço aduaneiro de admissão. [...] § 3º Nas hipóteses referidas nos incisos III e IV do art. 405, o regime será concedido pelo prazo previsto no contrato. Diante da literalidade dos artigos acima, não se pode falar que a necessidade de exportar as plataformas na fase de préoperação seriam uma questão fática, desimportante para o regime de entreposto aduaneiro. Fl. 15835DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3202000.364 S3C2T2 Fl. 15.836 7 Uma interpretação literal, mas conjunta, desses dispositivos com o art. 17, I, da IN 513/2005, indica que a extinção do regime aduaneiro especial de entreposto aduaneiro se extingue com a exportação da mercadoria pronta e acabada, depois de efetuadas as atividades de aferição, inspeção e testes, inclusive no caso de préoperação da plataforma. A redação do art. 17, I, da IN 513/2005 é a seguinte: Art. 17.A aplicação do regime se extingue com a adoção, pelo beneficiário, de uma das seguintes providências: (Redação dada pela IN SRF 564, de 24/08/2005) I exportação do produto no qual a mercadoria, nacional ou estrangeira, admitida no regime tenha sido incorporada; Ora, como corretamente destacou a Recorrente, é intuitivo que os testes dos vários subsistemas de uma plataforma de petróleo só podem ser obtidos no próprio local onde esta deverá operar, em alto mar, diretamente nos campos de petróleo. Apenas ali, no local de operação, a plataforma poderá ser conectada com os dutos que advêm dos poços de petróleo, viabilizando a realização dos testes de comissionamento e de préoperação com a carga real da produção. Frisese que a recorrente realizou todas as complementações/retificações das declarações de exportação (DEs), relativamente aos produtos enviados ao contratante para utilização nas plataformas exportadas. Então, se a natureza do bem (plataforma de petróleo) pressupõe a exportação da mercadoria para fase de testes in loco, evidentemente que, nessa hipótese, o regime especial não se extingue, com essa operação, mas com o cumprimento final do contrato, caso contrário aparentemente não faria sentido o disposto no art. 4º da IN 513/2005. Mesmo porque, não se pode perder de vista, que o Fisco é sabedor desse cronograma contratual, nos termos do art. 7º, IV, e 10º, § 1º, III, da IN 513/2005 e do Anexo IV do auto de infração, e deferiu o regime de entreposto aduaneiro nessas condições, não podendo, agora, alegar (sob pena de modificar o critério jurídico adotado, em afronta ao art. 146 do CTN), que o benefício fiscal se extinguiu antes mesmo de cumprido tal cronograma. In verbis: Art. 7ºA habilitação ao regime será requerida por meio do formulário constante do Anexo II a esta Instrução Normativa, a ser apresentado à unidade da RFB com jurisdição, para fins de fiscalização dos tributos incidentes sobre o comércio exterior, sobre o estabelecimento da empresa que realizará a construção ou conversão, acompanhado de: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.410, de 14 de novembro de 2013) [...] II cópia do contrato referente à construção ou à conversão dos bens referidos no art. 1º firmado entre a empresa contratante sediada no exterior e a pessoa jurídica contratada de que trata o art. 6º;(Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.410, de 14 de novembro de 2013) III documentação técnica relativa ao sistema de controle informatizado referido no inciso III do art. 6º; Fl. 15836DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3202000.364 S3C2T2 Fl. 15.837 8 IV descrição do processo de industrialização e correspondente cronograma de execução das etapas do projeto; **** Art. 10.A habilitação para a empresa operar o regime será concedida em caráter precário, por meio de Ato Declaratório Executivo (ADE) do titular da unidade da RFB referida no caput do art. 7º. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.512, de 7 de novembro de 2014) (Vide art, § ú da IN RFB nº 1.512/2014) § 1º O ADE referido no caput será emitido para o número de inscrição no CNPJ do estabelecimento e deverá indicar: [...] III o prazo de habilitação do beneficiário, de acordo com o contrato; e Os próprios ADEs expedidos pela Receita Federal em prol da recorrente fazem alusão ao prazo previsto no contrato. Observese: “Art.1º Habilitada, a título precário, PELOS PRAZOS DE VIGÊNCIA ESTABELECIDOS NOS CONTRATOS FIRMADOS COM A FSTP PRIVATE LIMITED, a empresa FSTP Brasil Ltda., inscrita no CNPJ sob o nº 06.011.542/000146, com sede na Rua da Glória, nº 178, 1º ao 13º andar – parte, município do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, a operar o regime especial de entreposto aduaneiro para construção das plataformas destinadas à pesquisa e lavra de jazidas de petróleo e gás natural denominadas P51, P 52 e P56.” Desse modo, julgo pertinente a realização de diligência para certificar se a natureza do bem (plataforma de petróleo) pressupõe a exportação da mercadoria para fase de testes in loco. Igualmente, julgo necessária a realização de diligência para verificar se as mercadorias – retiradas do regime especial por não serem “insumos” – foram destinadas à plataforma de petróleo e se sua aquisição estava prevista nos contratos aprovados pelos ADEs expedidos pela Receita Federal. À luz da legislação tributária, todavia, não procede a exclusão das mercadorias, descritas pela fiscalização, pelo simples fato de não se enquadrarem como insumo. A exclusão dos bens adquiridos só seria possível se fosse dito e demonstrado pela autuação que os bens não foram utilizados nas plataformas, o que não foi o caso dos autos. Deveras, o art. 3º da IN 513/2005, acima reproduzido, exige que os materiais, partes, peças e componentes sejam utilizados na construção ou compõem a plataforma de petróleo tal como encomendada, e não que sejam enquadrados como insumos desta. Assim, é importante verificar se os materiais, partes, peças e componentes foram utilizados na construção da plataforma e se sua aquisição estava prevista nos contratos aprovados pelos ADEs expedidos pela Receita Federal. Fl. 15837DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10073.721173/201215 Resolução nº 3202000.364 S3C2T2 Fl. 15.838 9 Por fim, também é adequado verificarse se as mercadorias importadas na declaração nº 07/05127367, embora tenha sido registradas em duplicidade nos sistemas de controle da empresa, tanto no projeto P51, quanto no projeto P52 (Anexo XXV do lançamento), foram somente vinculadas a declaração na construção da plataforma P51, tal como constatou a fiscalização. Confirase: Constatouse que as mercadorias importadas na declaração nº 07/05127367 foram registradas em duplicidade nos sistemas de controle da empresa, tanto no projeto P51, quanto no projeto P52. Porém, com base na informação fornecida no registro de exportação, constatouse a utilização das mercadorias vinculadas a esta declaração na construção da plataforma P51. Ante o exposto, voto para CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que seja elaborado laudo técnico, por instituição federal credenciada, nos termos do art. 30 do Decreto nº 70.235/72, com o objetivo de esclarecer o seguinte: 1) Verificar se a natureza do bem (plataforma de petróleo) pressupõe a exportação da mercadoria para fase de testes in loco? Explicar e fundamentar a resposta. 2) Verificar se os materiais, partes, peças e componentes excluídos pela fiscalização por não se tratarem de insumos foram utilizados na construção ou compõem a plataforma de petróleo e se sua aquisição estava prevista nos contratos aprovados pelos ADEs expedidos pela Receita Federal. Explicar e fundamentar a resposta. 3) Verificar se as mercadorias importadas na declaração nº 07/05127367, embora tenha sido registradas em duplicidade nos sistemas de controle da empresa, tanto no projeto P51, quanto no projeto P52 (Anexo XXV do lançamento), foram somente vinculadas a declaração na construção da plataforma P51, tal como constatou a fiscalização. Explicar e fundamentar a resposta. Além dos questionamentos acima, seja intimada a autoridade fiscal e a recorrente, com o objetivo de formular quesitos adicionais a serem respondidos ao Perito. Depois de elaborado o laudo, seja aberto de 30 dias para que a autoridade fiscal e, posteriormente, a Recorrente, apresentem suas considerações sobre as conclusões técnicas do experto. Após isso, sejam remetidos os autos ao CARF para dar continuidade do julgamento. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 15838DF CARF MF Impresso em 06/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/07/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 13962.000256/2001-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
IPI. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDUSTRIALIZAÇÃO. NÃO-COMPROVAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PRECEDENTE INVOCADO PELAS PARTES EM OUTRO PROCESSO QUE REFUTOU A PRETENSÃO DA RECORRENTE.
Controvérsia em torno da natureza das atividades da recorrente e a comprovação de que realiza operações de industrialização. Ofertada ampla defesa e contraditório, a parte não fez prova de suas atividades, repetindo no Recurso Voluntário, os mesmos argumentos lançados na manifestação de inconformidade.
Matéria idêntica, envolvendo o direito de crédito da recorrente, já foi objeto de apreciação pela 2ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF no Processo 13962.000122/99-38, acórdão nº3402-002.050, julgado em sessão de 23/04/2013, o qual negou provimento ao Recurso Voluntário da Recorrente, merecendo o presente recurso o mesmo destino.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
MIRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Nanci Gama e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 IPI. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDUSTRIALIZAÇÃO. NÃO-COMPROVAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PRECEDENTE INVOCADO PELAS PARTES EM OUTRO PROCESSO QUE REFUTOU A PRETENSÃO DA RECORRENTE. Controvérsia em torno da natureza das atividades da recorrente e a comprovação de que realiza operações de industrialização. Ofertada ampla defesa e contraditório, a parte não fez prova de suas atividades, repetindo no Recurso Voluntário, os mesmos argumentos lançados na manifestação de inconformidade. Matéria idêntica, envolvendo o direito de crédito da recorrente, já foi objeto de apreciação pela 2ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF no Processo 13962.000122/99-38, acórdão nº3402-002.050, julgado em sessão de 23/04/2013, o qual negou provimento ao Recurso Voluntário da Recorrente, merecendo o presente recurso o mesmo destino. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. RICARDO PAULO ROSA - Presidente. MIRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Nanci Gama e Ricardo Paulo Rosa.
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PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDUSTRIALIZAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PRECEDENTE INVOCADO PELAS PARTES EM OUTRO PROCESSO QUE REFUTOU A PRETENSÃO DA RECORRENTE. Controvérsia em torno da natureza das atividades da recorrente e a comprovação de que realiza operações de industrialização. Ofertada ampla defesa e contraditório, a parte não fez prova de suas atividades, repetindo no Recurso Voluntário, os mesmos argumentos lançados na manifestação de inconformidade. Matéria idêntica, envolvendo o direito de crédito da recorrente, já foi objeto de apreciação pela 2ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF no Processo 13962.000122/9938, acórdão nº3402002.050, julgado em sessão de 23/04/2013, o qual negou provimento ao Recurso Voluntário da Recorrente, merecendo o presente recurso o mesmo destino. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. RICARDO PAULO ROSA Presidente. MIRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 2. 00 02 56 /2 00 1- 80 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 13962.000256/200180 Acórdão n.º 3102002.321 S3C1T2 Fl. 350 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Nanci Gama e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão proferida no Acórdão 14 32.376 8 a Turma da DRJ/RPO, que na Sessão de 01 de fevereiro de 2011 julgou improcedente a manifestação de inconformidade relativa ao Processo 13962.000256/200180, em que figura como interessado REMY AUTOMOTIVE BRASIL LTDA., CNPJ/CPF 02.684.729/000150, assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 IPI. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. O ressarcimento autorizado pela legislação corresponde ao saldo credor trimestral apurado em consequência do confronto dos créditos e dos débitos do imposto em cada período de apuração. Mas o direito à utilização de créditos está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração, sendo ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. COMPENSAÇÃO. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo contribuinte depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional, de acordo com o devido procedimento estabelecido pela legislação. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Reproduzse o relatório do julgamento de 1º grau: “Trata o presente de pedido de ressarcimento de créditos básicos de IPI, no montante de R$ 20.040,22, referente ao 3º trimestre de 2001, conforme pedido de ressarcimento de fl. 01. Cumulativamente, apresentou os pedidos de compensação de fls. 125/131. De acordo com o Despacho Decisório das fls. 132/136, foi decido pelo indeferimento do pedido da requerente, pois não teria direito ao ressarcimento porque os créditos se refeririam à Fl. 350DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 13962.000256/200180 Acórdão n.º 3102002.321 S3C1T2 Fl. 351 3 aquisição de produtos destinados à revenda, sem passarem por qualquer etapa de industrialização no estabelecimento da requerente. O aproveitamento do crédito está diretamente vinculado ao emprego dos insumos (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) no processo de industrialização. Não havendo industrialização não há que se pleitear crédito algum. Regularmente cientificada, a postulante apresentou manifestação de inconformidade de fls. 146/152, instruída com os documentos de fls. 153/230, em que alega, entre outras coisas, que o fundamento para o indeferimento não se aplicaria ao seu caso concreto, uma vez que, no seu entender, realiza operações de montagem (inciso III do artigo 4º do RIPI/98) e de acondicionamento e reacondicionamento (inciso IV do artigo 4º do RIPI/98), além das industrializações efetuadas com terceiros. Além desse fato, considerase equiparado a industrial, por dar saída de produtos de sua importação direta (inciso I do artigo 9º do RIPI/98). Esta Delegacia da Recita Federal do Brasil de Julgamento, mediante o despacho de fls. 235/236, baixou o presente processo em diligência, para que o órgão de origem verificase junto ao contribuinte se, efetivamente, realizou no período objeto deste pedido de ressarcimento operação cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento, mediante a remessa, por ele efetuada, de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos. A autoridade administrativa em Blumenau, da análise dos documentos apresentados pelo contribuinte, elaborou a Informação Fiscal de fls. 284/286, com a conclusão "que não houve, no 3º trimestre de 2001, efetiva entrada de insumos utilizados nas operações de industrialização por encomenda, bem assim, que não há créditos decorrentes”, pois constatouse que os insumos utilizados nestas operações foram escriturados no livro Registro de Apuração do IPI no 1º trimestre de 2001. Cientificada da Informação Fiscal, a interessada protocolou a manifestação de fls. 290/294, instruída com os documentos de fls. 295/323, alegando, em síntese, argumentos semelhantes aos apresentados na primeira manifestação de inconformidade, ou seja: 1. Além de remeter “rolamentos de agulha” para industrialização por encomenda, a empresa também realizou outras operações; 2. No 3º trimestre de 2001 ocorreram aquisições de materiais de embalagem, conforme relacionado na planilha (arquivo Excel) apresentada na resposta à Intimação Fiscal n. 2 (fls. 241/242) utilizados para embalar/acondicionar os motores de partida “PG150S” também adquiridos no 3º trimestre de 2001; 3. Também ocorreram diversas aquisições de componentes (partes e peças) aplicadas na montagem do “motor de partida”, Fl. 351DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 13962.000256/200180 Acórdão n.º 3102002.321 S3C1T2 Fl. 352 4 que também é um processo industrial realizado pelo contribuinte, enquadrado no conceito estabelecido pelo inciso III, do art. 4º do RIPI/1998; 4. Diante da legislação vigente, a empresa tem direito ao ressarcimento/compensação do saldo credor de IPI remanescente ao final do trimestre, oriundos de aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Em sede de recurso voluntário, a empresa repisa os argumentos de sua manifestação, afirmando realizar operações de industrialização passíveis de lhe garantir o direito creditório É o relatório Voto Conselheira Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pelo qual dele conheço. A pretensão da Recorrente não merece prosperar. Vejamos. A controvérsia posta diz respeito à natureza das atividades da recorrente e a comprovação de que realiza operações de industrialização. A matéria envolvendo o direito de crédito da recorrente já foi objeto de apreciação pela 2ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF no Processo 13962.000122/9938, acórdão nº 3402002.050, julgado em sessão de 23/04/2013. Tanto a autoridade fiscal da Delegacia da Receita Federal em Blumenau quanto a empresa fazem referência ao processo em questão em suas manifestações, tendo o recorrente, inclusive, anexado cópia da manifestação de inconformidade lá colacionada por ocasião de sua defesa neste processo. No julgado mencionado, a 2ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF entendeu indevida a pretensão da Recorrente ao argumento de que ela não comprovou que realiza operações de industrialização, assim manifestandose: “Alega a contribuinte em sua impugnação que realiza operações de acondicionamento e reacondicionamento (inciso IV do artigo 4º da RIPI/98), apresentando como prova com os documentos de fls. 463/467. Tais documentos, emitidos pela empresa Irmãos Zen S.A., empresa da qual a contribuinte adquire seus produtos, são apenas cópias das fichas do produto, fazendo menção expressa à conferência do plano de embalagem "DELCO" inclusive com marcação nas peças da marca "AC DELCO " e números de série. Não há como concordar com a impugnante, pois não comprova documentalmente a aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem para a realização das operações de acondicionamentos e reacondicionamentos. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 13962.000256/200180 Acórdão n.º 3102002.321 S3C1T2 Fl. 353 5 Assim como, não há provas que o processo de industrialização tenha sido realizado "por encomenda" em outros estabelecimentos industriais, conforme definido no art. 9º, inciso IV, e arts. 415 a 419 do Decreto n° 4.544/02 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI/ 2002). Correto a impugnante ao afirmar que os estabelecimentos importadores produtos de procedência estrangeira que promoverem a saída desses produtos são equiparados a industrial (RIPI/2002, art. 9º). Isso obriga ao destaque do imposto nas saídas (RIPI/art.24). Porém, no caso concreto, não há operação de industrialização no âmbito estabelecimento importador, que apenas dá saída aos insumos importados. O concernente ao desembaraço aduaneiro das matériasprimas pode até existir e ser compensado na escrita fiscal com débitos do próprio imposto em outras operações, contudo, este não ser usufruído sob a forma de ressarcimento e compensação com outros débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de que trata a Lei n° 9.779, de 1999, art. 11. Quanto ao ressarcimento do crédito de insumos utilizados na fabricação produtos exportados, Decretolei n° 491/69, art. 5º e Lei n° 8.402/92, art. 1º, inciso II, conforme citado acima, a contribuinte não comprovou em momento algum as aquisição de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente utilizados industrialização dos produtos exportados. Não havendo processo de industrialização, não que se pleitear crédito algum. Não se justifica, assim, a reforma da r. decisão recorrida que deve ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos, considerandose ainda que ao longo de toda a marcha processual, a ora Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a motivação invocada pela d. Fiscalização, para o indeferimento do ressarcimento e conseqüente compensação dos créditos de IPI.. Compulsando os autos, não identifico elementos de prova capazes de agasalhar a pretensão da recorrente. Ao seu revés, verifico que nas oportunidades em que lhe foram franqueadas a sua ampla defesa e contraditório, a empresa não apresentou provas em sentido contrário, repetindo sempre mesmo os argumentos anteriormente lançados na manifestação de inconformidade e agora neste recurso. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz Fl. 353DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 13962.000256/200180 Acórdão n.º 3102002.321 S3C1T2 Fl. 354 6 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ
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Numero do processo: 19515.001282/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2006
MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA.
Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula CARF nº 47).
Numero da decisão: 1402-001.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nuns da Silva e Joselaine Boeira Zatorre que votaram por dar provimento. Declarou-se impedida a Conselheira Cristiane Silva Costa. Participou do julgamento a Conselheira Joselaine Boeira Zatorre.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Cristiane Silva Costa, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez, Joselaine Boeira Zatorre e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2006 PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. O lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda pode ser compensado em até 30% com os prejuízos fiscais apurados em exercícios anteriores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2006 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. O resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da contribuição social pode ser compensado em até 30% com as bases de cálculo negativas apuradas em períodos anteriores. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2006 MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula CARF nº 47). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nuns da Silva e Joselaine Boeira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 82 /2 01 0- 71 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001282/201071 Acórdão n.º 1402001.943 S1C4T2 Fl. 316 2 Zatorre que votaram por dar provimento. Declarouse impedida a Conselheira Cristiane Silva Costa. Participou do julgamento a Conselheira Joselaine Boeira Zatorre. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Cristiane Silva Costa, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez, Joselaine Boeira Zatorre e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001282/201071 Acórdão n.º 1402001.943 S1C4T2 Fl. 317 3 Relatório Votorantim Cimentos S.A.recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 1ª Turma da DRJ São Paulo01/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Em decorrência de ação fiscal, a contribuinte, acima identificada, foi cientificada de lançamentos de ofício de tributos federais em 18/05/2010 (fl. 122), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 31/12/2006. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração e no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 123 a 126), empresa incorporada totalmente pela contribuinte compensou indevidamente a maior, na apuração do lucro real relativo ao último período antes da incorporação, prejuízos fiscais acumulados de períodos anteriores e, na apuração da CSLL relativa ao último período antes da incorporação, base de cálculo negativa de períodosbase anteriores. 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, os Autos de Infração de IRPJ (fls. 129 a 131) e de CSLL (fls. 135 a 137), com os respectivos enquadramentos legais e demonstrativos dos montantes dos tributos, multas de ofício aplicadas e juros de mora calculados até 30/04/2010. Os valores dos créditos tributários constituídos são respectivamente de R$6.875.594,43 e R$2.493.286,27. 4. O enquadramento legal da multa de ofício (75%) aplicada é o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 e o enquadramento legal dos juros de mora aplicado é o artigo 6º, § 2º, da mesma Lei nº 9.430/1996 (fls. 128 e 134). 5. Irresignada com os lançamentos, em 17 de junho de 2010, a autuada apresentou, representada por procuradores (fls. 153 a 162) a impugnação de fls. 140 a 153, acompanhada dos documentos de fls. 154 a 201, na qual alega, em síntese, o seguinte: 5.1. o limitador de 30% para compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculos negativas de CSLL apurados em períodos anteriores, previsto no artigo 250, inciso III, do RIR/1999, e nos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995, representa apenas uma restrição temporal que implica apenas a postergação do direito ao aproveitamento, sem eliminálo por completo, sendo, portanto, inaplicável nos casos de extinção da empresa, por causa da impossibilidade material de compensação nos exercícios seguintes; 5.2. entender diversamente do exposto no subitem anterior é transformar uma limitação temporal relativa em restrição absoluta incompatível com o conceito constitucional de renda e com o disposto no artigo 43 do CTN, conforme doutrina e jurisprudências judicial e administrativa transcritas; Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001282/201071 Acórdão n.º 1402001.943 S1C4T2 Fl. 318 4 5.3. se a incorporadora não pode compensar os prejuízos fiscais da incorporada (artigo 514 do RIR/1999) e esta, por sua vez, não pode compensar integralmente seus prejuízos por ocasião do seu encerramento, estarseá, simplesmente, fulminando o direito à compensação; 5.4. “da análise da exposição de motivos da Medida Provisória nº 998, de 1995, que foi posteriormente convertida em Lei nº 9.065, de 1995, evidenciase que o legislador em momento algum pretendeu eliminar o direito de compensação dos prejuízos fiscais”; 5.5. com base nos princípios da boafé, da proteção da confiança, da segurança jurídica e da lealdade e no inciso XIII do artigo 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que veda a aplicação retroativa de nova interpretação, e em doutrina e jurisprudência reproduzidas, descabe aplicar ao presente caso o novo entendimento externado no processo administrativo nº 13807.003133/200436, já que a conduta da empresa foi pautada na orientação consolidada por anos na jurisprudência do Conselho de Contribuintes; 5.6. de acordo com os artigos 132 e 133 do Código Tributário Nacional e com doutrina e jurisprudência administrativa citadas, não se pode exigir da empresa sucessora a multa decorrente de atos praticados pela pessoa jurídica sucedida; e 5.7. requer o recebimento e o processamento da presente impugnação na forma dos artigos 14, 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, suspendendose a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, e, caso seja mantida a limitação para compensação de prejuízos, “requerse o estorno da parcela de imposto devida sobre o prejuízo fiscal não aproveitado, deduzindose proporcionalmente do valor autuado”.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 16 27.396 (fls. 207218) de 27/10/2010, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2006 PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. O lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda pode ser compensado em até 30% com os prejuízos fiscais apurados em exercícios anteriores. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/12/2006 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. O resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da contribuição social pode ser compensado em até 30% com as bases de cálculo negativas apuradas em períodos anteriores. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2006 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001282/201071 Acórdão n.º 1402001.943 S1C4T2 Fl. 319 5 MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada, respondendo tanto pelos tributos e contribuições como por eventual multa de ofício e demais encargos legais decorrentes de infração cometida pela empresa sucedida, mesmo que formalizados após a alteração societária.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 23/11/2010 (termo de fl. 224) a interessada interpôs recurso voluntário em 21/12/2010 (fls. 232247) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001282/201071 Acórdão n.º 1402001.943 S1C4T2 Fl. 320 6 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Das limitações para compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL Por entender que não merecem reparos, adoto os fundamentos da decisão recorrida como razão de decidir no presente voto, na forma a seguir apresentada. As limitações para a compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL apurados em períodos anteriores estão previstas nos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995, nos seguintes termos: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Dessa forma, não há dúvida de que a fiscalização agiu de acordo com a lei ao glosar a parcela da compensação de prejuízos e base de cálculo negativas de CSLL apurados em períodos anteriores que supera 30% do lucro ajustado, já que a lei não excepciona deste limite nem o último período de apuração do contribuinte, seja qual for a sua causa (incorporação, fusão, encerramento voluntário de atividades, falência, etc). A jurisprudência desta Corte também não lhe socorre. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001282/201071 Acórdão n.º 1402001.943 S1C4T2 Fl. 321 7 A CSRF assim se manifestou (Acórdão 9101001.337, sessão de 26/04/2012): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2005 Ementa:INCORPORAÇÃO LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS APLICÁVEL. Os prejuízos fiscais não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda, constituindose, ao contrário, como benesse tributária, a qual deve ser gozada, pelo contribuinte, nos estritos limites da lei. À míngua de qualquer previsão legal, não há como se afastar a aplicação da trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais da empresa a ser incorporada O então 1º Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, acórdão 10193461, sessão de 24/05/2001 assim decidiu: CSLL COMPENSAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA A regra legal que estabeleceu o limite de 30% do lucro líquido ajustado para compensação não contém exceção para as empresas que sejam objeto de incorporação. (1º Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, acórdão 10193461, sessão de 24/05/2001) Nessa esteira, vejase o excerto da decisão atacada. 10. Além disto, esta limitação para compensação de prejuízos não é atentatória ao conceito de renda previsto no artigo 153, inciso III, da CF, e no artigo 43 do CTN, como afirma a impugnante, nem transforma o imposto de renda em imposto sobre o patrimônio. Isto ocorre justamente porque o imposto de renda não incide apenas sobre os acréscimos patrimoniais definidos pela legislação comercial, mas também sobre a renda conforme definição da legislação fiscal. Se o imposto incidisse apenas sobre acréscimo patrimonial econômicocontábil bastaria, por exemplo, que a contribuinte consumisse todo o lucro obtido com bens não duráveis ou que o doasse a terceiros para que não sofresse qualquer tributação. E, em harmonia com este sistema no qual o imposto de renda não incide apenas sobre acréscimos patrimoniais verificados pelas regras da legislação comercial, é que diversas despesas realizadas pelos contribuintes não são aceitas pela legislação tributária. 11. Além disto, outro fator deve ser considerado nesta questão: a necessidade de delimitar o período de tempo sobre o qual o imposto de renda é calculado. Se seguíssemos a tese da impugnante, o imposto de renda somente poderia ser cobrado no momento de encerramento das atividades da empresa, pois somente neste instante saberíamos com certeza se houve ou não acréscimo ao patrimônio inicialmente despendido na constituição da empresa. Exemplificando: suponhamos que no último ano de existência a contribuinte tivesse um prejuízo tão grande que reduzisse o seu patrimônio líquido a zero. Neste exemplo, se a apuração do imposto de renda devesse considerar as variações patrimoniais de outros períodos, a contribuinte poderia pleitear a restituição do imposto de renda pago nos exercícios em que teve lucro, pois posteriormente teve decréscimo patrimonial. Mas não é isto o que ocorre, pois o imposto de renda é calculado de acordo com o princípio contábil da independência dos exercícios. Desta forma, não há obrigação proveniente da Constituição Federal ou do CTN no sentido de que o lucro tributável apurado seja compensado com prejuízos fiscais apurados anteriormente. A compensação de prejuízos fiscais surge exclusivamente como uma espécie de Fl. 321DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001282/201071 Acórdão n.º 1402001.943 S1C4T2 Fl. 322 8 benefício fiscal concedido pelo legislador ordinário que decidiu limitálo a 30% do lucro ajustado. O legislador ordinário pode, quando assim o decidir, aumentar ou diminuir este limite ou suprimir este benefício. 12. Neste sentido leciona Edson Vianna de Brito (in “Imposto de Renda – Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 – Comentada e Anotada”, Editora Frase, 1995, pág. 162): O imposto de renda, como se sabe, está subordinado ao princípio da independência dos exercícios, o que pressupõe a autonomia dos períodos de apuração e conseqüentemente, o caráter de benefício fiscal atribuído à compensação de prejuízos. Nesta linha de raciocínio, cumpre lembrar que a legislação fiscal, ao autorizar a compensação de prejuízos fiscais, sempre prescreveu um prazo, para que tal faculdade fosse exercida, a exemplo da legislação de outros países, que prevê um prazo para que a compensação seja feita. Ora, seria o conceito de renda daqueles países, diferente daquele admitido no Brasil? Notese que extinto o prazo previsto em lei, os saldos, porventura existentes, não mais seriam passíveis de compensação. Em assim sendo, ultrapassado esse prazo e havendo saldo de prejuízos a compensar, não teria o patrimônio da entidade sofrido diminuição? Ademais, qual seria o argumento, na hipótese em que a empresa tendo apurado lucro contábil – acréscimo patrimonial – em função de ajustes (isenção sobre lucro decorrente da exportação, diferimento do lucro inflacionário, depreciação acelerada incentivada, etc.), previstos na lei tributária apurasse prejuízo fiscal? A impossibilidade de compensação desses prejuízos também representaria tributação do patrimônio? Creio que não. O patrimônio da entidade é passível de alterações em função do lucro ou prejuízo contábil, por ela apurado em sua escrituração comercial, todavia, o lucro tributável é o determinado, segundo as disposições contidas na lei tributária, cujo enfoque é diferente daquele previsto na lei comercial. Neste sentido, lucros apurados na escrituração comercial – acréscimo patrimonial – podem estar isentos do imposto, como as despesas realizadas pela empresa – diminuição patrimonial – podem não ser aceitas pela legislação tributária ou ter sua dedutibilidade limitada, ocasionando, assim, sua adição ao lucro tributável. Na realidade, a empresa pode apurar prejuízo contábil, o que sem sombra de dúvidas produz uma diminuição do patrimônio, e, por outro lado, em função dos ajustes previstos na legislação tributária – cujo enfoque, já frisamos, é diferente daquele contido na lei comercial, a empresa pode apresentar lucro tributável, sujeito, portanto, à incidência do imposto de renda. 13. Este também é o entendimento adotado em acórdãos unânimes proferidos pela Primeira e Segunda Turmas do Superior Tribunal de Justiça, que são as turmas competentes deste tribunal, que dá a palavra final sobre interpretação de lei federal, para julgamento de litígio envolvendo direito tributário, conforme se pode ler nas ementas abaixo reproduzidas: Fl. 322DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001282/201071 Acórdão n.º 1402001.943 S1C4T2 Fl. 323 9 TRIBUTÁRIO – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS – SUCESSÃO DE PESSOAS JURÍDICAS INCORPORAÇÃO E FUSÃO VEDAÇÃO ART. 33 DO DECRETOLEI 2.341/87 VALIDADE ACÓRDÃO OMISSÃO: NÃOOCORRÊNCIA. 1. Inexiste violação ao art. 535, II, do CPC se o acórdão embargado expressamente se pronuncia sobre as teses aduzidas no recurso especial. 2. Esta Corte firmou jurisprudência no sentido da legalidade das limitações à compensação de prejuízos fiscais, pois a referida faculdade configura benefício fiscal, livremente suprimível pelo titular da competência tributária. 3. A limitação à compensação na sucessão de pessoas jurídicas visa evitar a elisão tributária e configura regular exercício da competência tributária quando realizado por norma jurídica pertinente. 4. Inexiste violação ao art. 43 do CTN se a norma tributária não pretende alcançar algo diverso do acréscimo patrimonial, mas apenas limita os valores dedutíveis da base de cálculo do tributo. 5. O art. 109 do CTN não impede a atribuição de efeitos tributários próprios aos institutos de Direito privados utilizados pela legislação tributária. 6. Recurso especial não provido.(negrito meu) (REsp 1107518 / SC, RECURSO ESPECIAL 2008/02640286, Relator(a): Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, Data do Julgamento: 06/08/2009, Data da Publicação/Fonte: DJe 25/08/2009) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. IMPOSTO SOBRE A RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. LIMITAÇÃO IMPOSTA COM O ADVENTO DAS LEIS NºS 8.981/95 E 9.065/95. LEGALIDADE. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. ART. 97 DA CF/88. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. AFASTAMENTO. I O Tribunal a quo realizou a prestação jurisdicional invocada, não havendo de se falar em omissão no aresto recorrido, o qual tratou acerca do pedido de argüição de inconstitucionalidade e da oitiva do órgão ministerial. II A discussão no âmbito do Tribunal a quo acerca da interpretação dos artigos 480 e 481 do CPC refoge ao âmbito do recurso especial visto que é travada em torno da interpretação do art. 97 da CF, matéria reservada ao STF. Precedentes: REsp nº 547.653/RJ, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 23/05/07; AgRg no REsp nº 467.138/DF, Rel. Min. DENISE ARRUDA, DJ de 15/05/06 e REsp nº 787.626/PE, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 06/03/06. III É legal a limitação de compensação de prejuízos resultantes do balanço das empresas, em face das Lei nºs 8.981/95 e 9.065/95, porquanto não houve vedação acerca da dedução, tão somente o escalonamento, em atenção ao interesse público, reduzindo o impacto fiscal. Precedentes: AgRg no REsp nº 994.214/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 21/02/2008; AgRg no Ag nº 875.838/SP, Rel. Min. ELIANA CALMON, DJ de 16/10/2007; REsp nº 686.162/SP, Rel. Min. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001282/201071 Acórdão n.º 1402001.943 S1C4T2 Fl. 324 10 DENISE ARRUDA, DJ de 20/09/2007; AgRg no REsp nº 776.036/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ de 24/05/2007. IV Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 989015/SP, AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL, 2007/02217888, Relator(a): Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, Data do Julgamento: 25/11/2008, Data da Publicação/Fonte: DJe 01/12/2008) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. IMPOSTO DE RENDA E CSLL. LIMITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS EM 30%. MEDIDA PROVISÓRIA 812/1994. LEIS 8.981/1995 E 9.065/1995. LEGALIDADE. VIOLAÇÃO DO ART. 43 DO CTN. NÃOOCORRÊNCIA. CSLL. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL QUE DEVE SER OBSERVADA. 1. É legítima a restrição da compensação dos prejuízos fiscais em 30% (trinta por cento), para fins de cômputo do lucro real e do lucro líquido, nos termos dos arts. 42 e 58 da Lei 8.981/1995, prorrogada pelos arts. 12, 15 e 16 da Lei 9.065/1995. 2. A iterativa jurisprudência do STJ pacificou o entendimento de que a Medida Provisória 812/1994, convertida na Lei 8.981/1995, ao limitar a compensação de prejuízos fiscais, nos exercícios subseqüentes, em 30%, não desvirtuou o conceito de renda ou lucro, tampouco negou vigência ao art. 43 do CTN. 3. A limitação à compensação do Imposto de Renda incide no exercício financeiro de 1994, inclusive. No que tange à CSLL, contudo, deve ser observado o princípio da anterioridade nonagesimal. Precedentes desta Corte e do STF. 4. Agravo Regimental parcialmente provido. (AgRg no REsp 924954 / SP, AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2007/00258608, Relator(a): Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, Data do Julgamento: 25/11/2008, Data da Publicação/Fonte: DJe 11/03/2009). 14. Diante de toda a argumentação apresentada acima, as glosas do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL compensados no montante superior a 30% do lucro ajustado devem ser mantidas, pois os artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995 foram introduzidos no ordenamento jurídico de acordo com as regras reguladoras do processo legislativo previstas na CF (artigos 59 a 69), não foram revogados, nem declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto, até o presente momento, estas normas legais gozam da presunção de legitimidade e constitucionalidade, não podendo os particulares e especialmente a própria administração lhes negar existência, validade ou vigência, sendo incabíveis, eventuais alegações de que há tributação sobre o patrimônio, bitributação ou confisco. 15. A impugnante ainda alega que a nova interpretação restritiva do direito à compensação da totalidade dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL no último período de apuração antes da empresa ser incorporada não poderia lhe atingir, pois existe vedação legal para aplicação retroativa de nova interpretação (artigo 2º, inciso XIII, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999) e agiu de acordo com entendimento consolidado por anos na jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001282/201071 Acórdão n.º 1402001.943 S1C4T2 Fl. 325 11 16. Quanto a isto, cabe esclarecer à impugnante que não houve mudança de interpretação da administração tributária (Secretaria da Receita Federal do Brasil) em relação a este assunto. Eventuais decisões proferidas anteriormente pelo extinto Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF) com o mesmo entendimento da autuada não afastam a infração tributária cometida, pois as decisões daquele órgão colegiado de julgamento não têm eficácia normativa nos termos previstos pelo artigo 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, sendo as decisões válidas apenas para os contribuintes interessados nos respectivos processos em que foram proferidas. 17. A contribuinte diz que o novo entendimento administrativo foi externado somente no processo administrativo 13807.003133/200436. De fato, foi exarado naqueles autos pela 5ª Câmara do antigo Conselho de Contribuintes, com relatoria do conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, o Acórdão nº 10515.908, assim ementado: INCORPORAÇÃO DECLARAÇÃO FINAL Inexiste amparo para, a luz da legislação que rege a matéria, se proceder, em virtude do desaparecimento da empresa em decorrência de reorganização societária, a compensação dos prejuízos fiscais sem observância do limite de 30% a que se reporta o artigo 15 da Lei nº 9.065, de 1995. No contexto do ordenamento jurídico tributário, em homenagem ao princípio da legalidade, o silêncio da lei não pode ser preenchido pelo seu intérprete, mormente na situação em que tal interpretação objetiva assegurar direito não contemplado, nem mesmo pela via de exceção, nos diplomas legais que regem a matéria. Recurso negado. 18. A sessão de julgamento do processo 13807.003133/200436 ocorreu em 16 de agosto de 2006 e o Acórdão nº 10515.908 foi formalizado em 19 de setembro de 2006. A contribuinte autuada, por sua vez, desrespeitou o limite de 30% para compensação no período encerrado em 21 de novembro de 2006, cuja Declaração de Rendimentos foi entregue em 07 de março de 2007 (fl. 06), datas posteriores, portanto, à alegada mudança de entendimento. Dito de outra forma: mesmo que se admita que as decisões do extinto Conselho de Contribuintes representam interpretação da administração tributária não passível de retroação, ainda assim a antiga interpretação não socorre a contribuinte, pois já havia ocorrido a mudança de interpretação antes do cometimento da infração. 19. De fato, o que se constata é que mesmo antes de 2006 não havia no antigo Conselho de Contribuintes uma interpretação única no sentido de que inexiste limitação para compensação no último período de apuração da pessoa jurídica que possua prejuízos fiscais ou bases de cálculo negativa de CSLL acumulados, conforme se nota na ementa de acórdão proferido em 2001: CSLL COMPENSAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA A regra legal que estabeleceu o limite de 30% do lucro líquido ajustado para compensação não contém exceção para as empresas que sejam objeto de incorporação. (1º Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, acórdão 10193461, sessão de 24/05/2001) Por todo o exposto, entendo que o lançamento, quanto a esse ponto, deve ser mantido. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001282/201071 Acórdão n.º 1402001.943 S1C4T2 Fl. 326 12 Da responsabilidade da sucessora em relação à multa de ofício A recorrente, na condição de sucessora da empresa Cimento Rio Branco S/A, alega que, de acordo com os artigos 132, caput, e 133, caput e inciso I e II, do CTN, não responderia pela multa de ofício imputada à sucedida, sendo responsável somente pelo tributo devido. Os dispositivos invocados assim dispõem: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. Os dispositivos acima transcritos estabelecem que a sucessora se torna responsável pelos tributos devidos pela sucedida, mas não dispõem expressamente sobre a responsabilidade da sucessora pelas penalidades imputadas à pessoa jurídica sucedida. Assim, há entendimentos, na doutrina e na jurisprudência, de que a sucessora é responsável pelas penalidades imputadas à sucedida, bem como entendimentos em sentido contrário. Esta Corte considera cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula CARF nº 47). De fato, a ligação entre as empresas sucessora e sucedida está demonstrada nos autos. Constatase do protocolo e justificação de incorporação, fls. 104 e seguintes, que incorporadora e incorporada são “sociedades interligadas através do controle acionário central comum” (item A1 do protocolo). Assim, à luz do que apregoa a súmula CARF nº 47, há que se manter a multa de ofício, imputada à sucessora. Conclusão Por todo o exposto, VOTO por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 326DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001282/201071 Acórdão n.º 1402001.943 S1C4T2 Fl. 327 13 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10711.011090/91-11
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 1996
Ementa: CORREÇÃO DE INSTÂNCIA - A reclamação apresentada
contra a matéria agravada em decisão de primeira instância
configura nova impugnação, em respeito ao duplo grau de
jurisdição.
Numero da decisão: 102-30.735
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, determinar a remessa dos autos á repartição de origem para que nova decisão seja prolatada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: José Clovis Alves
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DE TITULOS E VALORES MOB LTDA RECORRIDA : DRF NO RIO DE JANEIRO - CENO - RJ SESSÃO DE : 1 g DE MARÇO DE 1996 ACÓRDÃO N° : 1 0 2- 30 . 735 CORREÇÃO DE INSTÂNCIA - A reclamação apresentada contra a matéria agravada em decisão de primeira instância configura nova impugnação, em respeito ao duplo grau de jurisdição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por DIS VALORES DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unartímídade de vo to4 , detetmínaA a nemeA4a do4 auto4 a itepa)LtÁição de o itígem pata que nova dec,Lis -c-co óeja pito - lat ada, no4 tetrno4 do telat jitío e voto que pa44 am a íntegitaft. o pite4 ente j ulgado . / bij yÉ i,--,...._ ANTÔNIO DE ! ,e AS DUTRA - PRESIDENTEl JO.' L ,''' - ALVES - RELATOR, / FORMALIZADO EM: 2 2 MAR f29,3 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: URSULA HANSEN , MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, Jauo CÉSAR GOMES DA SILVA, SUELI EF/GÊNIA MENDES DE BRITTO e RAMIRO HEISE . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES O 2 PROCESSO N° : 10711011090/91-11 ACÓRDÃO N° : 1 02- 3 0. 735 RECURSO N° : 4.376 RECORRENTE : DIS VALORES DIST DE TIT. E VAL MOB. LTDA RELATÓRIO Em 24 de outubro de 1991, a empresa supra identificado foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor de CR$ 2 624.940 313,56 de Imposto de Renda Na Fonte, mais acréscimos legais A autuação foi motivada pela não retenção e recolhimento do IRRF incidente sobre operações financeiras de curto prazo, cujo enquadramento legal se encontra perfeitamente discriminado na folha 04 verso Tempestivamente a contribuinte impugnou o lançamento e baseou sua defesa praticamente na assertiva de que as aplicações pertenciam a entidades imunes - Lar Escola São Cosme e Damião e Lar da Criança, e apresenta os certificados de utilidade pública, sendo a nível Federal concedido através do Decreto 91 108 de 12 de março de 1985, demonstra que os cálculos do IRRF estão incorretos e pede perícia Atendendo solicitação do Agente da ARF CENO, fl 227, foi realizada diligência na entidade beneficente, tendo a diretora jurídica do Lar Escola São Cosme e Damião em folhas 230 informado o seguinte. "Em resposta ao TERMO DE INTIMAÇÃO datado de 30 03 93, cabe-nos informar à AUDITORIA FISCAL DO T NACIONAL que, em nossos livros contábeis de 1990/1991, não há nenhum registro de doação neste valor Como tão bem sabido, os senhores auditores hão de concordar que, um valor exorbitante de CR$ 7.257 472.880,60 nunca, jamais uma INSTITUIÇÃO DE CARIDADE poderia dispor para efetuar no mercado financeiro, além do mais era completamente desconhecido de toda ZONA OES1E(população carente), a DISVALORES DTVM LTDA, "EMPRESA DE GRANDE PORTE" que, só opera no MERCADO FINANCEIRO e, com valores altíssimos" (grifos da autora) Junta cópia do livro caixa, balanço e ata de eleição de diretoria,(doc de fls 231/264) O autuante falou no processo fls 274 a 279 tendo opinado pela manutenção da exigência fiscal, depois de constatado que as aplicações na realidade não foram realizadas pela entidade apontada na impugnação, refaz os cálculos já em UFIR reduzindo a base de cálculo e o IRRF, alegando que o erro na exigência inicial se deveu à má qualidade das cópias de documentos fornecidas Em conseqüência do inquérito 91 40641-4, o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, propôs AÇÃO PENAL PÚBLICA, contra os diretores da autuada, conforme documento de páginas 286/301 A autoridade monocrática indeferiu a impugnação, manteve o lançamento, já retificado pelo autor, e agravou a exigência elevando a multa de oficio de 50% para 150% em virtude de da constatação de evidente intuito de fraude, com fulcro no artigo 729 inciso II do - RIR/80, documento de fólios 305 a 318 ),, Á 11P MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 03 PROCESSO N" : 10711011090/91-11 ACÓRDÃO N" : 1 0 2 - 3 0 . 7 3 5 Tempestivamente a contribuinte interpôs recurso a este Conselho, afirmando em sua peça de defesa, em síntese o seguinte: "Que as operações de curto prazo a que se alude tinham a denominação de "day trade", e consistiam em rápida síntese, na aquisição a mando do cliente e por intermédio da Recorrente, de títulos mobiliários, que seriam negociados no mesmo dia, de forma que o efetivo ingresso de numerário, por parte do investidor, só se desse no caso da operação lhe ter sido desfavorável, ao passo que em caso contrário, houvesse um crédito a receber, pago pela recorrente" (grifo nosso). "A mecânica da operação, assim, não exigia, como de fato não exige, a imediata disponibilidade do numerário aplicado pelo investidor, já o saldo a pagar ou à receber dependeria da diferença de negociação entre os preços de compra e venda, de resto apurada no mesmo dia."(grifo nosso) Quanto Wang desairtimatárloan CUM lrerulimeritcses diz " Ciente de sua responsabilidade tributária como fonte pagadora desses rendimentos, em tese passível de retenção do imposto de renda na fonte, a Recorrente exigiu do "Lar Escola" a apresentação do competente Ato Declaratório de Isenção, expedido pela Receita Federal, o que foi cumprido pela instituição (Doc. 4)." "Os rendimentos auferidos através das operações em tela foram, desse modo, integralmente repassados ao investidor, sem retenção do imposto na fonte, na medida em que beneficiário de isenção legal reconhecida pela própria autoridade fazendária federal." (grifo nosso) Dá exemplo de aplicação e afirma o repasse dos rendimentos ao investidor, insere nos autos cópias de diversos documentos inclusive de cópias de cheques nominativos destinados ao Lar Escola São Cosme e Damião Diz que se culpa houve não foi da Recorrente, mas talvez do mandatário do Lar Escola, e se a contabilidade da instituição é falsa, se o mandatário exorbitava o mandato que lhe fora conferido, ou qual o destino que tenha dado aos rendimentos, a questão é outra, estranha à hipótese dos autos, não servindo, em hipótese alguma, para comprovar um suposto repasse dos rendimentos à Recorrente Diz que o caso é de imunidade e não de isenção como quer o julgador monocrático, portanto a Lei 7.799/89 não teria o condão de revogar aquilo que a Constitui 7o previu Cita alguns acórdãos para sustentar sua posição MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 0 4 PROCESSO N°: 10711011090/91-91 ACÓRDÃO N°: 1 0 2 - 3 0 . 7 3 5 Quanto a majoraçào da multa diz. "Conforme deixou-se claro acima, a Recorrente, na qualidade de Sociedade em Liquidação, não estaria sujeita à multa, e, portanto, muito menos ao agravamento em seu percentual, previsto pela decisão ora recorrida." "Apenas a título de argumentação, esclarece-se que a Recorrente não se furtou à identificação das entidades beneficiárias das aplicações por ele realizadas, tendo indicado o Lar Escola São Cosme e Darnião e o Lar da Criança, como bem já indica a decisão recorrida." Insurge-se também contra a cobrança da Taxa Referencial Diária - TRD, dizendo que a Lei 8.177, que criou a TRD, ser datada de 01/03/91, operou inconstitucional e ilegalmente efeitos ex time, para o período pretérito situado entre 31/08/90 a 01/03/91 É o relatório/ /11(/CS MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 0 5 PROCESSO N°: 10711 011090/91-91 ACÓRDÃO N° : 1 0 2 - 3 0 . 735 VOTO CONSELHEIRO JOSÉ CLÓ VIS ALVES, RELATOR Ao estudar o processo, verificamos que o contribuinte juntou ao seu recurso diversos documentos inclusive cópias de cheques, não autenticadas, com repasses de numerários ao Lar Escola São Cosme e Darnião A conduta usual desta Corte Administrativa tem sido a de, no caso de juntada de documentos, principalmente não autenticados, determinar diligência antes de proferir o veredicto, porém no presente caso, verificamos que houve agravamento da exigência inicial, a multa de oficio inicialmente aplicada pelos AFTNs, de 50%, com apoio no artigo 729 inciso 1, foi majorada pela autoridade monocrática para 150%, modificando o apoio legal para o inciso II do mesmo artigo do RIR/80 Assim, tendo o julgador monocrático, que até então reunia também a condição de autoridade encarregada do lançamento, agravado a exigência inicial, a peça recursal, dirigida a este Conselho se reveste de nova impugnação, devendo, em respeito ao duplo grau de jurisdição a que está submetido o processo administrativo fiscal, ser apreciada como impugnação pela primeira instância de julgamento sob pena de cerceamento do direito de defesa, conforme determina a legislação, "verbis". Decreto 70.235/72 Ari 15 - A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Parágrafo único - Na hipótese de devolução do prazo para impugnação do agravamento da exigência inicial, decorrente de decisão de primeira instância, o prazo para apresentação de nova impugnação começará a fluir a partir da ciência dessa decisão (Redação dada pelo art 1° da Lei 8748, de 09/12/93) (grifamos) Apenas para efeito de economia processual, vale ressaltar que os documentos inseridos devem ser objeto de conferência em diligência para que sua autenticidade seja confirmada, ou não, inclusive junto à beneficiária indicada. Assim, deixo de conhecer o recurso e voto para que o processo seja remetido a primeira instância de julgamento, para prolatar nova decisão monocrática visto que, o recurso interposto reveste-se de nova impugnação, em virtude do agravamento da exigência inicial contida na decisão sin . lar ' páginas 305 a 318. Sala das S - sões •F ). nu 1 9 de março de 1996.i , 110i 4 - _did( go Ir c i ó W.gcVEÔ - 9i'é aior Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 16327.001324/2005-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1401-000.245
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em baixar o processo em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em baixar o processo em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva - Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, e Mauricio Pereira Faro.
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Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, e Mauricio Pereira Faro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 32 4/ 20 05 -3 5 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 21/02/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16327.001324/200535 Resolução nº 1401000.245 S1C4T1 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário interposto pelo Contribuinte, por bem resumir a questao, adoto o relatorio da decisao a quo: Tratase de irresignação do interessado (fls. 94/104) contra o despacho da Deinf/SPO/Diort (fls. 87/91) que indeferiu o seu pleito formulado na petição de fls. 01/06. Nesta, alegando que equivocadamente preencheu e recolheu o Darf referente ao Finor do anocalendário de 2004 em valor superior ao legalmente permitido, com o conseqüente recolhimento a menor do IRPJ, pleiteia o interessado seja transferido o excedente de recolhimento do Finor (cód. receita 9344) para o IRPJ (cód. receita 2390). Contudo, segundo a Solução de Consulta Interna no 19, de 2004, o presente processo não observa o rito do Processo Administrativo Fiscal — PAF (Decreto n° 70.235/72), devendo ter o seguimento previsto na Lei n° 9.784/99. Pelo que se extrai da referida SCI, o recurso contra indeferimento do pedido de retificação de Darf deve ser dirigido à autoridade que proferiu a decisão; não havendo reconsideração, o recurso lid de ser encaminhado A. autoridade que lhe é hierarquicamente superior, sendo competente para decidir o titular da unidade (no caso em apreço, o titular da Deinf/SPO) ao qual estiver subordinada a autoridade administrativa que indeferiu o pedido do contribuinte. Não se trata, ainda, de manifestação de inconformidade relativa a compensação, pois não houve entrega da Declaração de Compensação a que alude o § 1°, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, e alterações posteriores. E, mesmo que a entrega tivesse ocorrido, seria considerada não declarada a compensação, pois a aplicação no Finor não tem natureza tributária (alínea e, II, § 12, art. 74, Lei n° 9.430/96), sendo igualmente inaplicável o rito do PAF (§ 13, art. 74). Por fim, cabe observar que, consoante consignado no despacho da Diort (fls. 90), o incentivo fiscal em causa é objeto do PA 16327.001730/200760. Destarte, por não se tratar de nenhuma das hipóteses previstas no art. 174 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n° 95/2007, verificase que não compete A. Delegacia de Julgamento julgar o presente processo Ante o exposto, restituase à DEINF/SPO/DIORT, para as suas providências. Irresignado, o contribuinte interpos o recurso ora analisado sustentando que o Presidente de Turma da DRJ seria incompetente para indeferir, monocraticamente, defesa apresentada pelo Contribuinte sob a alegação de que a Turma não seria competente para julgar o caso; e que e tendo em vista o disposto no inciso II do artigo 59, do Decreto n ° 70.235/1972, verificase inconteste a competência da DRJ para a análise dos argumentos expendidos pela Requerente. É o relatório. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 21/02/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16327.001324/200535 Resolução nº 1401000.245 S1C4T1 Fl. 4 3 Considerando a matéria aqui tratada entendo por requisitar a DRF de São Paulo o processo 16327000208/200922 para este Conselho passando este e aquele processo para a Relatoria do Conselheiro Alexandre Alkmin tendo em vista a precedência de sua análise com relaçao aos fatos que deram origem a ambos os feitos. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Fl. 234DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 21/02/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO
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Numero do processo: 16832.000194/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
Ementa:
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
O pedido de compensação feito após a Lei n°.10.637/2002, deverá ser feito via declaração de compensação.
ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO.
Aplicação da Súmula nº 82 do CARF, que dispõe: Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.
O caso dos autos houve o lançamento após o encerramento do ano calendário, qual seja, em 26.02.2010.
Portanto, não são devidas a CSLL e a multa de 75% pela contribuinte.
MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA.
A multa isolada é a única a ser cobrada nos autos, visto que houve o lançamento após o encerramento do ano calendário.
Recurso conhecido e parcialmente provido.
Numero da decisão: 1201-000.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao Recurso Voluntário, para a multa isolada, vencida a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat, que a mantinha. Ausente para tratamento de saúde, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), tendo sido substituído pela Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente Substituto.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Correia Fuso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Luiz Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O pedido de compensação feito após a Lei n°.10.637/2002, deverá ser feito via declaração de compensação. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO. Aplicação da Súmula nº 82 do CARF, que dispõe: Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. O caso dos autos houve o lançamento após o encerramento do ano calendário, qual seja, em 26.02.2010. Portanto, não são devidas a CSLL e a multa de 75% pela contribuinte. MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA. A multa isolada é a única a ser cobrada nos autos, visto que houve o lançamento após o encerramento do ano calendário. Recurso conhecido e parcialmente provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O pedido de compensação feito após a Lei n°.10.637/2002, deverá ser feito via declaração de compensação. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO. Aplicação da Súmula nº 82 do CARF, que dispõe: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. O caso dos autos houve o lançamento após o encerramento do ano calendário, qual seja, em 26.02.2010. Portanto, não são devidas a CSLL e a multa de 75% pela contribuinte. MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA. A multa isolada é a única a ser cobrada nos autos, visto que houve o lançamento após o encerramento do ano calendário. Recurso conhecido e parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao Recurso Voluntário, para a multa isolada, vencida a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat, que a mantinha. Ausente para tratamento de saúde, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), tendo sido substituído pela Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 01 94 /2 01 0- 71 Fl. 589DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 13/11 /2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO 2 (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente Substituto. (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Luiz Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado pela DRF do Rio de Janeiro, que exigiu da contribuinte o pagamento da CSLL relativa ao ano calendário de 2006, no valor de R$ 561.569,02, acrescido de multa de 75%, e multa isolada pelo não recolhimento de estimativas, no valor de R$ 280.784,52, com juros de mora até 26.02.2010: Infração 001. Falta de recolhimento/declaração de CSLL; Infração 002. Falta de recolhimento de CSLL estimativa. Multa isolada. Consta no termo de verificação fiscal que: a Interessada foi intimada por três vezes, (fls.32/34, 35/36 e 37/38) a esclarecer a diferença entre os valores que constaram na sua DIPJ/2007, (fls.02/07), com os que constaram nas DCTF, (fls.08/31); a Interessada foi intimada a tomar ciência das diferenças mensais de estimativas entre os valores consignados na DIPJ/2007 e nas respectivas DCTF, fls.39/42; em resposta, (fls.47/96), a Interessada contesta as diferenças, informando: que as diferenças "existem por falha no preenchimento na declaração, uma vez que houve omissão de compensação no lançamento dos valores com o processo administrativo DCOMP n°_10730.004805/200473 (Descontos incondicionais) — que engloba os créditos advindos da exclusão da base de cálculo do IPI"; que o citado processo foi julgado não declarado em 28 de janeiro de 2009, tendo sido apresentada manifestação de Fl. 590DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 13/11 /2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16832.000194/201071 Acórdão n.º 1201000.918 S1C2T1 Fl. 3 3 inconformidade, recebida com efeito devolutivo, por força do MS 2009.51.01.0077791; que possível autuação representaria "bis in idem" já que a compensação em questão é objeto do PA n°.10730.004805/200473; que solicitava retificação das DCTF e DIPJ referentes ao ano de 2006; apresentou os DARF de fls.63/95 para o IRPJ e CSLL; com base nas informações acima, a Fiscalização obteve cópia integral do PA n°.10730.004805/200473, que constitui os Anexos 1 e 2, fls.01/259; informou a Fiscalização que os débitos objeto do referido processo são os relacionados pela própria Interessada na respectiva DCOMP, (Anexo 1, fls.41/42), e que os mesmos se referem a estimativas do ano de 2003, ao passo que o presente procedimento referese ao ano de 2006; ainda assim, conforme fls.116/131, do Anexo 1, o PA n°.10730.004805/200473 teve despacho decisório no sentido de ser considerada não declarada a compensação; o pedido de medida liminar foi indeferido, foi negado o agravo e a segurança denegada, (Anexo 1, fls.138/142, 143 e 239); nos sistemas da RFB não há PER/DCOMP com débitos de estimativas de 2006, fls.144; entendendo que tratouse de compensação não declarada, a Fiscalização lançou multa isolada nos meses que houve recolhimento a menor de estimativas, conforme planilhas de fls.151 e 153; da mesma forma, apurouse a diferença de IRPJ e CSLL, conforme planilhas de fls.152 e 154. Inconformada com o crédito tributário originado da ação fiscal, o qual tomou ciência em 29.03.2010, (fls.163), a Interessada apresentou a impugnação de fls.167/215, em 28.04.2010, (fls.165/166), instruída por documentos, na qual alegou que: houve violação ao artigo 149, IX, do CTN; houve erro na capitulação legal, pois, o artigo 74, da Lei n°.9.430, de 1996, trata de compensação e não de lançamento de oficio, além disto, a Fiscalização mencionou a IN RFB 600/05, que foi revogada pela IN RFB 900/08, em 31122008, antes do inicio do procedimento fiscal, devendo o lançamento ser anulado por vicio material; Fl. 591DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 13/11 /2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO 4 ocorreu tãosomente descumprimento de obrigação acessória, pela falta de retificação de DCTF com a finalidade de retratar as compensações que efetivamente ocorreram nos meses autuados de 2006; a Fiscalização deveria ter verificado as compensações na sua contabilidade; apresentou pedido de retificação de DCTF antes da decadência, portanto, não houve justa causa para o lançamento, devendo ser anulado; durante o ano de 2006 foi realizada a compensação do valor devido a recolher com a DCOMP 10730.004805/200473, equivocadamente não informada em DCTF; a afirmação da Fiscalização que os débitos objeto da DCOMP 10730.004805/200473 se referem a estimativas do ano de 2003, ao passo que o presente procedimento referese ao ano de 2006, está errada; não haveria como informar créditos a serem compensados em DCOMP senão com débitos tributários futuros, é um absurdo cogitar o contrário; a DCOMP 10730.004805/200473 teve como objeto a homologação dos créditos decorrentes da exclusão dos descontos incondicionais da base de cálculo do IPI, tendo sido não declarada pelo simples fato de não ter se seguido as formalidades impostas pela SRF; a DCOMP foi apresentada quando estava em vigor a IN SRF 432/04, que não previa a opção DESLN, por este motivo esta compensação não foi feita eletronicamente; os créditos da referida DCOMP não foram contestados no seu mérito pela administração tributária; aqueles créditos do IPI são, pois, legítimos; a Fiscalização não considerou os créditos advindos da exclusão de descontos incondicionais da base de cálculo do IPI (DCOMP 10730.004805/200473), fato este que viola o CTN; com base no artigo 150, parágrafo 7º, da CF e no artigo 128, do CTN houve a homologação tácita da DCOMP 10730.004805/200473; ocorrendo a homologação tácita ocorre a extinção do crédito tributário; portanto, tem direito a compensar os créditos da referida DCOMP com os débitos de estimativa dos meses autuados de 2006; se não há imposto a recolher não cabe multa; não pode cobrar multa com base em regulamento, somente por lei; Fl. 592DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 13/11 /2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16832.000194/201071 Acórdão n.º 1201000.918 S1C2T1 Fl. 4 5 a multa teve natureza de confisco; o Fisco somente pode impor a multa isolada quando constatar recolhimento menor que a base estimada, e apenas dentro do período base de apuração e de pagamento, bem como, antes da entrega da declaração; não cabe o lançamento concomitante de multa isolada e de oficio; a Taxa Selic para fins tributários é ilegal e inconstitucional; requer sustentação oral com base no artigo 5°., LV, da CF e artigo 2°. Parágrafo único da Lei nº.9.784/99; requer autorização para retificação das DCTF, e diligências indicando perito e quesitos às fls.214; requer que as intimações sejam dirigidas aos patronos com endereço de fls.215. A DRJ entendeu pela manutenção do lançamento, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O pedido de compensação feito após a Lei n°.10.637/2002, deverá ser feito via declaração de compensação. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. Verificado, no caso concreto, que os débitos de estimativa não foram liquidados nem por pagamento nem por compensação, e nem sequer declarados em DCTF ou qualquer outro instrumento de confissão de divida, é licito ao Fisco recompor a apuração do imposto de renda anual, exigindo, por meio de auto de infração, as diferenças não recolhidas. MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA. 0 artigo 44, da Lei n°.9.430, de 1996, ao prever as infrações por falta de recolhimento de antecipação e de pagamento do tributo ou contribuição (definitivos) não significa duplicidade de tipificação de uma mesma infração ou penalidade. Ao tipificar essas infrações o artigo 44 da Lei n°.9.430, de 1996, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e não se excluem. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi intimada da decisão da DRJ em 24.10.2011. Inconformada com a decisão, interpôs Recurso Voluntário em 22.11.2011, alegando em síntese que: Fl. 593DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 13/11 /2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO 6 a) participaram do julgamento apenas 3 (três) julgadores. Em razão da ausência de um dos julgadores não houve respeito ao quorum, e por conta disso feriuse o princípio da ampla defesa e a igualdade, sendo nula a decisão da DRJ; b) quanto ao erro na DCTF, afirma que possuía à época obrigação de apresentar a declaração mensalmente, e que a IN nº 583/2005 previa em seu artigo 12 a possibilidade de realizar a retificação da declaração; c) afirma que nos casos de erro de fato, o CARF vem entendendo pela possibilidade de retificação da DCTF (transcreve decisões desse E. Tribunal); d) afirma que fez o pedido de retificação da DCTF em 2009, antes do prazo de 5 anos que não permitiria a imutabilidade da declaração; e) durante o ano de 2006 foi realizada a compensação do valor devido a recolher com a DCOMP 10730.004805/200473, equivocadamente não informada em DCTF; f) a afirmação da Fiscalização que os débitos objeto da DCOMP 10730.004805/200473 se referem a estimativas do ano de 2003, ao passo que o presente procedimento referese ao ano de 2006, está errada; g) a DCOMP 10730.004805/200473 teve como objeto a homologação dos créditos decorrentes da exclusão dos descontos incondicionais da base de cálculo do IPI, tendo sido não declarada pelo simples fato de não ter se seguido as formalidades impostas pela SRF (não foi feita pelo meio eletrônico); h) os créditos da referida DCOMP não foram contestados no seu mérito pela administração tributária; i) a Fiscalização não considerou os créditos advindos da exclusão de descontos incondicionais da base de cálculo do IPI (DCOMP 10730.004805/200473), fato este que viola o CTN; j) com base no artigo 150, parágrafo 7º, da CF e no artigo 128, do CTN houve a homologação tácita da DCOMP 10730.004805/200473; k) ocorrendo a homologação tácita ocorre a extinção do crédito tributário; l) portanto, tem direito a compensar os créditos da referida DCOMP com os débitos de estimativa dos meses autuados de 2006; m) afirma que a multa deve guardar relação de proporcionalidade ou equivalência com o dano causado; n) quanto à multa isolada, afirma que a mesma não pode ser concomitante com a multa de 75% lavrada na exigência do tributo; o) por fim, alegou a inconstitucionalidade da taxa Selic. Este é o relatório! Voto Fl. 594DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 13/11 /2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16832.000194/201071 Acórdão n.º 1201000.918 S1C2T1 Fl. 5 7 Conselheiro Relator Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Quanto à preliminar de nulidade, entendo que o pedido da Recorrente não deve ser atendido. Isso porque, além de ter obedecido o quorum mínimo para julgamento, qual seja, três julgadores, a decisão da DRJ foi unânime (vide fl. 231 dos autos), ou seja, ainda que o quarto julgador participasse do julgamento e fosse voto vencido, em nada alteraria a decisão da DRJ quanto ao seu resultado, daí não haver nenhum prejuízo ou nulidade no julgamento. Vejamos o disposto na Portaria MF nº 58/2006: Art. 13. Somente pode haver deliberação quando presente a maioria dos membros da turma, sendo essa tomada por maioria simples, cabendo ao presidente, além do voto ordinário, o de qualidade. Diante disso, entendo por não haver ilegalidade ou nulidade no julgamento, muito menos há qualquer cerceamento do direito de defesa, pois o contribuinte se defendeu muito bem e recebeu decisão por julgadores competentes e habilitados nos termos do quorum mínimo previsto na regra em vigor à época da prolação da decisão de primeira instância administrativa. Quanto ao mérito, a contribuinte alega ter havido o pagamento do débito por meio de entrega de Declaração de Compensação, que não foi considerada declarada em razão de não ter sido entregue por meio eletrônico. Destacase que à época da entrega (ano de 2006) encontravase em vigor o disposto na IN nº 600/2005, que exigia o meio eletrônico. Como sabido, em 30 de dezembro de 2012, o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 foi alterado pela Lei nº 10.637/2002, sendo que a partir de então passou a exigir expressamente que o pedido de compensação fosse feito por declaração própria. Se o contribuinte não atendeu à exigência legal, não há como reconhecer que houve a compensação ou o pagamento do tributo, muito menos considerar que houve homologação tácita de uma compensação que não ocorreu. O critério da forma é imprescindível para as compensações, visto que a mesma além de notificar o fisco, abrindolhe o prazo para a homologação, é uma garantia do contribuinte de que há pagamento até a ulterior homologação. Portanto, nesse aspecto, a extinção do crédito tributário não ocorreu, ou seja, houve o não pagamento da estimativa. Por fim, quanto à multa isolada, entendo que a decisão da DRJ deve ser reformada. A autuação fiscal exige o recolhimento de CSLL estimativa após o ano calendário, sendo que tal exigência fere flagrantemente a Súmula nº 82 do CARF: Fl. 595DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 13/11 /2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO 8 Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Diante disso, não é a multa isolada incabível no presente caso, pelo contrário, ela é a única a ser aplicada. Nestes termos, entendo pelo cancelamento parcial do lançamento fiscal, especificamente quanto à exigência da CSLL e da multa de ofício de 75%, devendo ser mantida apenas a multa isolada de 50%, pela falta de pagamento da estimativa. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso, e no mérito, DOULHE parcial provimento para cancelar a exigência da CSLL e da multa de ofício de 75%, mantendose a exigência da multa isolada. Entendo que é caso de Embargos esse julgamento, visto que no resultado do julgamento publicado na ata da sessão, há nítido equivoco no dispositivo quando prescreve: “para afastar a multa isolada”, vencida a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat, que a mantinha, pois tal dispositivo não reflete o que fora julgado pela maioria da Turma e o que constou do meu voto, lido em sessão de julgamento! É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 596DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 13/11 /2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10730.001691/2008-33
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2004
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. VALORES COMPROVADOS.
Comprovado que o valor deduzido era referente as despesas médicas, e não a despesas com previdência privada, é de restabelecer-se a as glosas na mesma medida da comprovação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor R$ 5.356,80, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (29/05/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES
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DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. VALORES COMPROVADOS. Comprovado que o valor deduzido era referente as despesas médicas, e não a despesas com previdência privada, é de restabelecerse a as glosas na mesma medida da comprovação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor R$ 5.356,80, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (29/05/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Flavio Araujo Rodrigues Torres. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 16 91 /2 00 8- 33 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10730.001691/200833 Acórdão n.º 2801003.987 S2TE01 Fl. 98 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/CGE (acórdão nº 0425.601), em processo administrativo envolvendo a contribuinte Vilma Coelho Bregua Pereira dos Santos. Foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 07/09, no valor de 14.040,20, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2004, visto que foram verificadas as seguintes infrações: a) Dedução indevida de previdência privada e FAPI no valor de R$ 5.469,80; b) Dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 16.890,52. R$ 7.389,00 UNIMED CÉLIO COELHO GOMES BREGUA R$ 1.028,50 SOC.PORTUGUESA BENEF. R$ 8.293,00 DIVERSOS A contribuinte apresentou impugnação alegando que a despesa glosada como dedução indevida de previdência privada é, em realidade, referente à despesa médica com plano de saúde, visto que houve um equívoco no preenchimento do código da Declaração Anual. Em relação às despesas médicas, juntou os recibos referentes às prestações de serviço, bem como referiu que alguns destes foram extraviados, não sendo possível sua comprovação. A decisão da 3ª Turma da DRJ/CGE julgou o lançamento parcialmente procedente (fls. 67/72). Desta forma, foram as despesas médicas comprovadas por meio de recibo foram aceitas e a glosa foi afastada, mantevese o lançamento no tocante às despesas que não puderam ser comprovadas pela contribuinte. Em relação à dedução indevida de previdência privada o entendimento foi de que pelos elementos trazidos aos autos, não era possível concluir que se tratava de despesas com plano de saúde. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 83/89) alegando que reconhecia o crédito tributário relativo às despesas médicas não comprovadas e juntou a DARF paga no valor de R$ 6.417,64, relativa ao valor não contestado. O cálculo observou em parte a decisão do acórdão, em especial a planilha de fl.72. Por fim, juntou nova declaração da CAMPERJ para cumprimento dos requisitos estabelecidos no acórdão. É o relatório. Voto Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres, relator. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10730.001691/200833 Acórdão n.º 2801003.987 S2TE01 Fl. 99 3 Conheço do recurso voluntário, visto que tempestivo e reunindo todas as condições de admissibilidade. O recurso é relativo apenas à glosa de dedução indevida de previdência privada e FAPI no valor de R$ 5.469,80, apontado pela fiscalização. A recorrente informou em sua impugnação que houve apenas um equívoco no momento do preenchimento do código de sua declaração de ajuste, sendo assim, a despesa é referente à dedução de despesas médicas. Foram juntadas duas declarações da CAMPERJ às fls. 21 e 89. Nesses casos mantenho o entendimento de que deve ser adotado o princípio do formalismo moderado, no sentido de aceitar documentos juntados ao Recurso Voluntário e que corroborem com os fundamentos veiculados no petitório. A dedução de despesas médicas está prevista no art.80 do RIR/99 e prevê: Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei n º 9.250, de 1995, art. 8 º, inciso II, alínea "a"). §1 O disposto neste artigo (Lei n º 9.250, de 1995, art. 8º, § 2 º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza. II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. O acórdão recorrido entendeu por não aceitar a declaração juntada na impugnação, pois não era possível saber a natureza das contribuições e se estas se tratavam de plano de saúde. Na declaração de fl. 89 consta a natureza da CAMPERJ, qual seja: “associação de classe que presta assistência social aos membros do Ministério Público, entidade fechada e sem fins lucrativos, somente reembolsando as despesas médicas de seus associados, não tendo inscrição na ANS”. Desta forma, a despesa se enquadra na possibilidade de dedução contida no inciso II do artigo anteriormente citado, visto que se trata de uma caixa de assistência, que visa cobrir despesas médicas. Ainda, entendo que por mais que tenha havido equívoco no preenchimento da declaração, é possível aceitar neste momento a reclassificação da despesa, devido aos documentos juntados, bem como pela aplicação do princípio da verdade real. Diante do exposto, entendo ser dedutível tal despesa. Apenas ressalto que o valor a ser considerado é de R$ 5.356,80 conforme comprovantes da entidade juntados aos Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10730.001691/200833 Acórdão n.º 2801003.987 S2TE01 Fl. 100 4 autos. Na declaração apresentada pela contribuinte consta o valor de R$ 5.469,80, porém, para fins de dedução, será considerado o valor comprovado nos autos. Diante do exposto, o recurso deve ser parcialmente provido afastandose a glosa relativa às despesas com despesas médicas comprovadas no valor de R$ 5.356,80. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Flavio Araujo Rodrigues Torres. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 11080.919045/2012-75
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/11/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 25/11/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 90 45 /2 01 2- 75 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919045/201275 Acórdão n.º 3801005.185 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919045/201275 Acórdão n.º 3801005.185 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919045/201275 Acórdão n.º 3801005.185 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919045/201275 Acórdão n.º 3801005.185 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919045/201275 Acórdão n.º 3801005.185 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919045/201275 Acórdão n.º 3801005.185 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919045/201275 Acórdão n.º 3801005.185 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919045/201275 Acórdão n.º 3801005.185 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13876.000831/2003-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998
DECADÊNCIA. PRAZO 05 (CINCO) ANOS. ARTIGO 150, § 4º CTN
O prazo decadencial para o lançamento das contribuições é de cinco anos a contar da ocorrência do fator gerador, art. 150, §4º do CTN para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
DO DIREITO À COMPENSAÇÃO
O direito à compensação surge do pagamento indevido. Uma vez comprovado o recolhimento indevido, o valor deve ser restituído ao contribuinte, a uma porque inexistente fato gerador a suportar a exigência fiscal, e a duas, para evitar o enriquecimento sem causa jurídica da União Federal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator ad hoc.
EDITADO EM: 19/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. PRAZO 05 (CINCO) ANOS. ARTIGO 150, § 4º CTN O prazo decadencial para o lançamento das contribuições é de cinco anos a contar da ocorrência do fator gerador, art. 150, §4º do CTN para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. DO DIREITO À COMPENSAÇÃO O direito à compensação surge do pagamento indevido. Uma vez comprovado o recolhimento indevido, o valor deve ser restituído ao contribuinte, a uma porque inexistente fato gerador a suportar a exigência fiscal, e a duas, para evitar o enriquecimento sem causa jurídica da União Federal. Recurso Voluntário Negado.
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PRAZO 05 (CINCO) ANOS. ARTIGO 150, § 4º CTN O prazo decadencial para o lançamento das contribuições é de cinco anos a contar da ocorrência do fator gerador, art. 150, §4º do CTN para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. DO DIREITO À COMPENSAÇÃO O direito à compensação surge do pagamento indevido. Uma vez comprovado o recolhimento indevido, o valor deve ser restituído ao contribuinte, a uma porque inexistente fato gerador a suportar a exigência fiscal, e a duas, para evitar o enriquecimento sem causa jurídica da União Federal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator ad hoc. EDITADO EM: 19/05/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 08 31 /2 00 3- 85 Fl. 576DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13876.000831/200385 Acórdão n.º 3302002.746 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração eletrônico de fls. 32/36, em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep do período de julho a dezembro de 1998, exigindoselhe o crédito tributário no valor total de R$47.486,19. O lançamento foi efetuado em decorrência da revisão de DCTFs do terceiro e quarto trimestres de 1998. Segundo tais declarações, os créditos do terceiro trimestre teriam sido compensados em razão do processo judicial nº 98.09020287, e os do quarto trimestre estariam com a exigibilidade suspensa pelo processo judicial nº 92.00501117. O enquadramento legal encontrase às fls. 33 e 36. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 3/22, na qual alegou que tais débitos foram compensados com crédito oriundo de Contribuição para o PIS/Pasep recolhida indevidamente nos termos dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449/88 e sob amparo dos processos judiciais nº 98.09020287 e 92.00501117. Discorreu sobre a inconstitucionalidade do PIS, nos termos dos Decretos Leis, o que teria gerado um crédito seu contra a União Federal, passível de compensação nos moldes da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997. Alegou que o prazo para utilização dos indébitos deve ser contado segundo a regra dos cinco mais cinco (arts. 168, I e 150, § 4º do CTN), e portanto todos os seus pagamentos seriam passíveis de compensação. Argumentou também pela não aplicação dos juros calculados pela SELIC, por seu caráter remuneratório e desrespeito ao art. 161, § 1º do CTN, e da multa de ofício de 75%, pois os valores já haviam sido confessados, devendo ser reduzida para 20%. Através da Resolução nº 820 1ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, o julgamento foi convertido em diligência com retorno dos autos à DRF (fls 281 a 283). Nela o relator solicitou a apuração dos indébitos alegados pela contribuinte, conforme decisões judiciais, considerandose como base de cálculo da contribuição o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador, em consonância com o Parecer PGFN/CRJ nº 2.143, de 30/10/2006. De acordo com a Informação de fl. 516, do Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF em Sorocaba, depois de elaborados os cálculos conforme solicitado na resolução, inclusive com intimação à contribuinte para apresentação de documentação comprobatória das bases de cálculo da contribuição recolhida, chegouse a um indébito a que a contribuinte faria jus, suficiente para extinguir os débitos do presente processo. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13876.000831/200385 Acórdão n.º 3302002.746 S3C3T2 Fl. 4 3 Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário. Intimada do acórdão supra em 08/08/2013, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 09/09/2013, uma segundafeira. É o relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator ad hoc. O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Da Decadência A natureza do lançamento tributário é determinada pela legislação do tributo, através da qual é imposto ao sujeito passivo, ocorrido o fator gerador, a obrigação de identificar a matéria tributável, apurar o imposto devido e efetuar seu pagamento. Travandose nos autos discussão acerca da exigibilidade do PIS, estamos falando de tributo sujeito a lançamento por homologação (art.150 do CTN), cujo prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai em cinco anos contados da data do fato gerador, já que o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, e não o pagamento propriamente dito. Assim, o contribuinte, ao valorar os fatos nos termos da norma aplicável, identificar a matéria tributável, o sujeito passivo e apurar o imposto devido, chegase a conclusão do valor a ser recolhido, ou não. Neste sentido, tendo em vista que o Auto de Infração foi lavrado em 05/07/2003, referente aos períodos de apuração do 4º trimestre de 1998, não há que se falar em decadência do direito da Fazenda Nacional lançar os referidos valores, visto que foi realizado dentro do prazo determinado nos termos do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional: Artigo 150 – O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, Fl. 578DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13876.000831/200385 Acórdão n.º 3302002.746 S3C3T2 Fl. 5 4 considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.”(grifos nossos) Sob essa ótica, na inexistência de dolo fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial para os impostos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação deve ocorrer sob as regras do parágrafo 4º, do art. 150, do CTN, caso haja comprovação do recolhimento, ou demonstração da compensação realizada. Neste sentido, o seguinte julgado: “DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) “contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito” (artigo 173, I do CTN); e da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este se dá (artigo 150, § 4º, do CTN). Por força do art. 62A do anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso especial negado.” (Acórdão 9202002.768. Sessão 06.08.2013) Assim estando a matéria pacificada neste Colegiado, bem como por imposição do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, deve aderir à tese esposada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733/SC, julgado em 12 de agosto de 2009, cujo acórdão foi submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, nos seguintes termos: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE Fl. 579DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13876.000831/200385 Acórdão n.º 3302002.746 S3C3T2 Fl. 6 5 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13876.000831/200385 Acórdão n.º 3302002.746 S3C3T2 Fl. 7 6 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (STJ – Resp 973.733. DJe 18.09.2009) Ademais, independente de a contribuição ter sido constituída através da entrega da DCTF pelo Recorrente, isto não impede que a Fazenda Nacional faça o lançamento da contribuição devida, muito embora uma vez formalizada pelo próprio contribuinte a existência da obrigação e do correspondente crédito tributário, resta suprida a necessidade da autoridade verificar a ocorrência do fato gerador, indicação do sujeito passivo, calcular o montante devido e notificar o contribuinte para realizar o pagamento. Veja que, a formalização do crédito tributário pode ser feita de diversas formas pelo contribuinte que cumpre as obrigações acessórias de apurar e declarar os tributos devidos (através da DCTF, GFIP, etc...), bem como pelo Fisco através da lavratura do Auto de Infração. Nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, compete a autoridade administrativa constituir o crédito tributário: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Portanto, não há impedimento para o Fisco constituir o crédito tributário, mesmo que o contribuinte tenha cumprido sua obrigação acessória de apresentar sua DCTF, o que supriria a necessidade de o Fisco realizar o lançamento. A declaração de débito realizada pelo contribuinte, não significa preclusão administrativa. A única declaração ipso jure do crédito tributário é a do Fisco, por força da norma insculpida no artigo 142 do CTN. O sujeito ativo tem a obrigação de fiscalizar, lançar e cobrar o tributo devido. Face ao exposto, rejeito a preliminar de prescrição. Do direito à compensação No que tange a compensação entendo assistir razão ao Recorrente. O direito à compensação surge do pagamento indevido. Uma vez comprovado o recolhimento indevido, o valor deve ser restituído ao contribuinte, a uma porque inexistente fato gerador a suportar a exigência fiscal, e a duas, para evitar o enriquecimento sem causa jurídica da União Federal. Prescrevem os artigos 165 do Código Tributário Nacional, e 74 da Lei nº 9.430/96: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja Fl. 581DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13876.000831/200385 Acórdão n.º 3302002.746 S3C3T2 Fl. 8 7 qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória.” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002)” Assim, o que interessa verificar é se houve ou não o pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo e em um determinado período de apuração. No mesmo sentido o artigo 5º, caput e inciso XXII da Constituição Federal preveem: “Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) XXII – é garantido o direito de propriedade.” Vale lembrar que toda e qualquer exigência por parte do Estado deverá ser feita com respaldo na lei, de modo que, se o contribuinte entrega aos cofres públicos valores alheios à legislação, a retenção de tais receitas pelo Estado representa indubitável ofensa ao direito de propriedade. Desta forma, tendo a Autora comprovado o recolhimento indevido aos cofres públicos da contribuição ao PIS nos termos dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88, conforme DARF´s (fls. 143/165), bem como pelos depósitos judiciais (fls. 166/189), cujos valores em nenhum momento foram contestados pelo Fisco, nasceu o seu direito à restituição do referido valor. Adicionalmente, importante denotar que a compensação era possível, pois em vigor à época o art. 66 da Lei no. 8.383/91, que permitia a compensação na conta gráfica. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13876.000831/200385 Acórdão n.º 3302002.746 S3C3T2 Fl. 9 8 Verifico também que consta nos autos as cópias dos Darfs (fls 146 a 164) . Todos os pagamentos foram confirmados nos sistemas (fls 295 a 298). Em atendimento à Intimação DRF/SOR/SEORT nº 0894/2012 CD, de 28/05/2012 (fl 303) , o contribuinte enviou planilhas demonstrando a apuração das Bases de Cálculo relativas ao faturamento do 6º mês anterior ao da ocorrência do fato gerador constantes do Demonstrativo de fls 131 . Enviou também cópia dos livros fiscais de onde foram extraídos os valores para compor as Bases de Cálculo informadas (312 a 504). A Fiscalização, atendendo a diligência proposta pela própria DRJ elaborou planilha (fl 506) e calculou o crédito a que o contribuinte faz jus oriundo do pagamento a maior de PIS. Posteriormente vinculou os saldos dos Darfs aos débitos de PIS objeto de análise neste processo. Repetindo o texto da informação fiscal, “o crédito apurado foi suficiente para compensar todos os débitos (fls 511 a 515). A decisão adotada pela DRJ, no entanto, entendeu que aqueles créditos apenas seriam suficientes para compensar aquela parte do 3º. Trimestre, mas não do quarto trimestre de 1998, pois o processo judicial não comprovaria a suspensão da exigibilidade. Isso ocorreu pois à época, analisandose o processo, julgado a posteriori, não caberia o recolhimento por base reduzida, inclusive porquê já regido por outra legislação, a MP no. 1.212/95. A única possibilidade portanto seria de termos créditos decorrentes do primeiro processo, em valores superiores aos já compensados no primeiro trimestre, mas da sua apuração isso não foi demonstrado. Conclusão Por todo exposto, conheço do recurso e negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator ad hoc. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
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