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Numero do processo: 11075.001997/2006-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2004
COMPENSAÇÃO. NORMAS APLICÁVEIS. ENCONTRO DE CONTAS.
No julgamento do Recurso Especial nº 1164452/MG, sob sistemática dos recursos repetitivos, o Superior Tribunal de Justiça posicionou-se no sentido de que a lei aplicável a compensação tributária é aquela vigente à data do encontro de contas. Esse entendimento é de aplicação obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do seu Regimento Interno.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO.
Aplica-se a multa isolada no percentual de 75% sobre a compensação indevida apurada em outro processo decorrente de o crédito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, nos termos da redação original do caput do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, vigente à época da transmissão das declarações de compensação.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-006.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro que dava provimento ao recurso por falta de subsunção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. NORMAS APLICÁVEIS. ENCONTRO DE CONTAS. No julgamento do Recurso Especial nº 1164452/MG, sob sistemática dos recursos repetitivos, o Superior Tribunal de Justiça posicionou-se no sentido de que a lei aplicável a compensação tributária é aquela vigente à data do encontro de contas. Esse entendimento é de aplicação obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do seu Regimento Interno. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Aplica-se a multa isolada no percentual de 75% sobre a compensação indevida apurada em outro processo decorrente de o crédito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, nos termos da redação original do caput do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, vigente à época da transmissão das declarações de compensação. Recurso Voluntário negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. NORMAS APLICÁVEIS. ENCONTRO DE CONTAS. No julgamento do Recurso Especial nº 1164452/MG, sob sistemática dos recursos repetitivos, o Superior Tribunal de Justiça posicionouse no sentido de que a lei aplicável a compensação tributária é aquela vigente à data do encontro de contas. Esse entendimento é de aplicação obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do seu Regimento Interno. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Aplicase a multa isolada no percentual de 75% sobre a compensação indevida apurada em outro processo decorrente de o crédito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, nos termos da redação original do caput do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, vigente à época da transmissão das declarações de compensação. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro que dava provimento ao recurso por falta de subsunção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 19 97 /2 00 6- 61 Fl. 374DF CARF MF 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento de Santa Maria que julgou procedente o lançamento. Versa o processo sobre Auto de Infração para a exigência de multa isolada relativamente a compensações indevidas declaradas em Declarações de Compensação com crédito de Finsocial decorrentes de processo judicial n° 2003.04.02.0052092, tendo como base legal o art. 18 da Lei n° 10.833/2003 em sua redação original. A contribuinte impugnou o auto de infração, alegando, em síntese: ausência de fundamentação legal para a exigência da multa isolada e procedência da compensação. O julgador a quo não acolheu as razões de defesa da impugnante, sob os seguintes fundamentos principais: A exigência foi corretamente formulada por se tratar da legislação vigente por ocasião da ocorrência dos fatos. Entretanto, o art. 18 da Lei n° 10.833/2003 foi alterado pela Lei n° 11.488/2007. Em virtude de tais alterações, a multa pela não homologação da compensação declarada passou a ser exigida em percentual de 150%, conforme se constata do § 2º desse dispositivo. O Despacho Decisório considerou não homologadas as compensações levando em consideração a data de edição da Lei n° 11.051/2004, já que antes daquela não havia a possibilidade de se considerar não declarada a compensação. O procedimento de declarar compensações com créditos de terceiros, que era motivo de não homologação da compensação, passou a ser considerada hipótese de compensação não declarada, sendo que a multa prevista para esse procedimento continuou a ser aplicada no percentual de 75%, enquanto que a multa para os casos de não homologação de compensação, passou a ser aplicada com o percentual duplicado. Assim, constatada em declarações prestadas pelo sujeito passivo a compensação indevida de débitos tributários em face da tentativa de utilização de créditos de terceiros, mostrase cabível a exigência de multa de ofício multa isolada, nos termos da legislação aplicável, que deve ser apurada no percentual de 75%, motivo pelo qual os lançamentos devem ser mantidos. Quanto a outras argumentações da impugnante, especialmente a possibilidade de efetivação da compensação pretendida, prevalecem os apontamentos feitos em relação à manifestação de inconformidade apresentada no processo de origem (processo n° 11075.000894/200684). Cientificada dessa decisão em 07/04/2009, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/05/2009, com os seguintes argumentos principais: a) Incorre em grave equívoco a autoridade fiscal ao cobrar os valores relativos ao presente auto de infração, sem que antes sejam definitivamente lançados os valores atinentes ao montante do tributo principal. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11075.001997/200661 Acórdão n.º 3402006.653 S3C4T2 Fl. 375 3 b) Merece ser revista a multa aplicada ao caso concreto, pelo caráter confiscatório inconstitucional, nos moldes da legislação vigente e jurisprudência dominante. c) Os créditos sobre o qual recaem a compensação não fazem mais parte do patrimônio das empresas que ingressaram com os processos judiciais originários, uma vez que transferidos para a esfera patrimonial da requerente, que passa a ter o direito de propriedade sobre aqueles créditos, sendo a nova titular das execuções de sentença judicial. ii) Não havia na época dos recolhimentos indevidos qualquer restrição a que se compensasse com créditos adquiridos de terceiros. A lei aplicável à compensação é a vigente na época do recolhimento indevido ou a maior. Foi juntada cópia do Acórdão proferido no processo nº 11075.000894/2006 84, relativamente a não homologação das compensações que originou a aplicação da multa sob análise, que foi assim ementado: Processo nº 11075.000894/200684 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3101001.375 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2013 Matéria: Compensação Recorrente: EMBRARROZ ALIMENTOS LTDA Recorrida: FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 Ementa: COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. REQUISITOS. As instruções normativas expedidas pela Receita Federal que disciplinam a compensação tributária autorizada pela Lei n° 9.430/96, estabelecem algumas condições para que o contribuinte obtenha o processamento da compensação, dentre elas, a condição de o sujeito passivo figurar no pólo ativo da ação judicial que reconheceu o crédito contra o Fisco e que, na hipótese que o contribuinte já ter iniciado a execução do julgado que comprove a homologação da desistência da execução e a respectiva assunção das custas e honorários incorridos no processo de execução. Recurso Voluntário Negado É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. O presente processo trata da não homologação das compensações descritas na Tabela abaixo: Fl. 376DF CARF MF 4 A fiscalização utilizou como fundamento para a aplicação da multa isolada a redação original do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, salientando que não seria cabível a retroatividade da Lei nº 11.051/2004, nos seguintes termos: (...) O entendimento da fiscalização de não aplicar a retroatividade benigna está correto, vez que a situação de compensação indevida tratada no caso concreto passou, a partir da vigência da Lei nº 11.051/2004, a ser tratada no §4º do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 como compensação não declarada, punível com multa nunca inferior ao percentual de 75% aplicado no auto de infração, conforme se vê abaixo: Art. 18 (...) § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando se os percentuais previstos: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11075.001997/200661 Acórdão n.º 3402006.653 S3C4T2 Fl. 376 5 I no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II no inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando se o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) O STJ posicionouse no julgamento do Recurso Especial nº 1164452/MG1, proferido sob a sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de que a lei aplicável a compensação tributária é aquela vigente à data do encontro de contas. Esse entendimento, proferido nos termos do art. 543C do CPC/73, é de aplicação obrigatória pelos membros do CARF. Com efeito, em matéria de compensações a regra aplicável é aquela vigente à época das transmissões das declarações de compensação, in casu, de 13/08/2004 a 16/12/2004. Com efeito, diante da impossibilidade de retroatividade benigna, aplicase ao caso a legislação vigente no período de 13/08/2004 a 16/12/2004, qual seja, o caput do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 em sua redação original, como efetuado no auto de infração, em face da compensação indevida apurada no processo nº 11075.000894/200684 decorrente de o crédito não ser passível de compensação por expressa disposição legal. Não procede a alegação da recorrente de que os créditos tributários relativos aos débitos não compensados deveriam ter sido constituídos anteriormente à aplicação da multa isolada sob análise, tendo em vista que a multa isolada é decorrente da compensação indevida, não tendo relação direta de causalidade com a exigência dos débitos não compensados. Sobre a alegação de caráter confiscatório da multa, dela não se toma conhecimento, vez que descabe ao julgador administrativo examinar alegação de inconstitucionalidade da lei tributária em conformidade com a Súmula no 2 do CARF. O princípio do não confisco é uma limitação imposta pela Constituição Federal ao legislador ordinário, não podendo este último instituir tributo que tenha efeito confiscatório, e, ainda assim, caso ele o faça, pode a pessoa prejudicada socorrerse no Poder Judiciário, que poderá resguardar o princípio no controle difuso ou concentrado de constitucionalidade das leis. À Administração Tributária, sujeita ao princípio da legalidade, incumbe a fiel execução da lei. 1 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (STJ REsp: 1164452 MG 2009/02107136, Relator: Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Data de Julgamento: 25/08/2010, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 02/09/2010) Fl. 378DF CARF MF 6 Quanto à questão da não homologação das compensações objeto do processo nº 11075.000894/200684, deve prevalecer a decisão administrativa definitiva nele proferida, representada pelo Acórdão nº 3101001.375 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 21 de março de 2013, cujas cópias foram juntadas às fls. 326/332 do presente processo, mediante o qual aquele Colegiado negou provimento ao recurso voluntário, eis que o recurso especial interposto posteriormente pela contribuinte naquele processo não foi conhecido conforme cópias juntadas às fls. 347/473 dos presentes autos. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 379DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.905072/2015-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
Numero da decisão: 3302-006.662
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantémse a multa moratória imposta pela fiscalização Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 50 72 /2 01 5- 09 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10166.905072/201509 Acórdão n.º 3302006.662 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de análise da Declaração de Compensação (Dcomp), por intermédio da qual o contribuinte compensou débito(s) próprios, com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior. Como resultado da análise foi proferido o Despacho Decisório, que reconheceu integralmente o direito creditório, porém homologou parcialmente a compensação declarada, vez que o crédito indicado revelouse insuficiente para quitar o(s) débito(s) confessado(s), tendo em vista que o contribuinte não considerou a multa de mora incidente em decorrência do atraso na quitação deste(s). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, onde argumentou, em síntese, o que segue: Não foi observada a denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Com a transmissão da Dcomp, antecipouse a qualquer procedimento fiscal, declarando e quitando débito não questionado pela Receita Federal, com acréscimo de juros moratórios. Transmitiu a DCTF retificadora onde declara o débito e o pagamento feito via Dcomp; Apresenta sentenças judiciais favoráveis aos Correios em casos análogos. Indica também jurisprudência dos tribunais onde não foi parte. Lista acórdãos das DRJs à época da transmissão da Dcomp, onde é aplicada a Nota Técnica (NT) Cosit nº 01, de 18/01/2012, vez que os Correios se enquadram na situação nela tratada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 11057.708. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em que pese a controvérsia acerca da possibilidade ou não de restar configurada a denúncia espontânea quando a extinção do crédito tributário se dá por compensação, a Receita Federal do Brasil, através da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/01/2012, com fundamento no Ato Declaratório PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de 2011, reconheceu que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, poderia caracterizála. E isto porque a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação são formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação. Sendo forma de pagamento, a compensação atende às exigências do artigo 138 do CTN; b) A denúncia espontânea exclui a responsabilidade pela infração tributária cometida pelo contribuinte, pressupondo a comunicação pertinente a fato desconhecido por parte do Fisco antes de qualquer iniciativa da Administração Tributária, devendo ser acompanhado do pagamento do tributo e dos juros de mora, se for o caso. A intenção do Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10166.905072/201509 Acórdão n.º 3302006.662 S3C3T2 Fl. 4 3 legislador ao editar a norma não fora outra senão estimular o contribuinte a regularizar a sua situação, recebendo em seu benefício o afastamento da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Dessa forma, se o contribuinte antecipase a qualquer procedimento fiscalizatório da administração, efetuando o pagamento dos tributos em atraso e dos juros de mora, não lhe pode ser imposta multa de mora, seja ela punitiva ou moratória. Como os Correios anteciparamse à qualquer procedimento administrativo, fazem jus ao benefício da denúncia espontânea com os consectários do artigo 138, do CTN. Termina o recurso requerendo a vigência e a validade da Nota Técnica Cosit nº 01 ao período em que foi entregue a Dcomp, para fins de reconhecer a configuração da denúncia espontânea de forma que os valores indicados na Dcomp sejam considerados quitados. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.586, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10166.726132/201600, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.586): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. O cerne da questão está em definir se a compensação se equipara ao pagamento para fins de fruição do benefício da denúncia espontânea. Essa questão foi tratada de forma didática e precisa no Acórdão nº 1402003.600, da lavra do conselheiro Marco Rogério Borges, de forma que peço vênia para utilizar a ratio decidendi daquele acórdão para fundamentar esse, in verbis: Como de costume, o voto da ilustre Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio está muito bem fundamentado. Contudo, este colegiado, após ampla discussão, divergiu do seu entendimento, no tocante à equiparação de compensação à pagamento para fins de constatação de denúncia espontânea, e por consequência da não aplicação do alegado artigo 100 do CTN. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10166.905072/201509 Acórdão n.º 3302006.662 S3C3T2 Fl. 5 4 O art. 138 do CTN é taxativo na sua disposição que a denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento do tributo. Não há condições de considerar a compensação como forma de pagamento por se tratar de uma extinção do crédito tributário, pois há outras modalidades de extinção elencados no art. 156 do CTN. Igualmente, não há, até o momento, nenhuma norma no âmbito do Ministério da Fazenda e nem precedente que vincule este Conselho para tal entendimento de se aceitar tal situação. Inclusive, há decisão do E. STJ do tema em sentido contrário ao pleiteado pela recorrente: "AgInt no REsp 1568857/PR AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2015/02977680 Relator: Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 16/05/2017 Data da Publicação: DJe 19/05/2017 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, Dje 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (grifamos) ACÓRDÃO Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10166.905072/201509 Acórdão n.º 3302006.662 S3C3T2 Fl. 6 5 Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. REsp 1657437/RS RECURSO ESPECIAL 2017/00461010 Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 04/04/2017 Data da Publicação: DJe 25/04/2017 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação" (fl. 665, eSTJ). 2. A Segunda Turma do STJ no julgamento do REsp 1.461.757/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, firmou o entendimento de que "a extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". 3. Recurso Especial provido.(grifamos) Ou seja, tal decisão segue a linha que difere a situação de pagamento e compensação para fins de reconhecimento da denúncia espontânea. Neste sentido, deve haver a aplicação de multa de mora no caso concreto, o que acarretaria um crédito menor do que o débito declarado/confessado em PER/Dcomp. Seria um caso de imputação proporcional, que está perfeitamente legal, como já emanado no voto vencido do nobre relator. No que tange à eventual aplicação do artigo 100 do CTN ao caso, o caso in concretu apresentado não se configura como denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10166.905072/201509 Acórdão n.º 3302006.662 S3C3T2 Fl. 7 6 mesmo CTN, as evocadas Notas Técnicas (NTs), de caráter meramente interpretativo, como bem analisados na decisão a quo, não são aplicáveis. Quando da emissão da NT Cosit nº 01, de 18/01/2012, a qual a recorrente se baseia para ter adotado a postura pleiteada no presente processo, a mesma foi criada com objetivo de orientação internamente a Receita Federal do Brasil, e identificado a sua impropriedade, foi cancelara por meio da NT Cosit nº 19, de 12/06/2012, corrigindoa. Ao transmitir sua Per/Dcomp em 30/05/2012, entre a data de expedição de ambas NTs. não criou uma vinculação nos termos do artigo 100 do CTN, pois as NTs não são atos normativos, e, por consequência, nem houve a prática reiterada pela autoridade administrativa pois não foram direcionadas aos contribuintes, muito menos nem pessoalmente à recorrente. Como salienta a decisão a quo, as NTs não são publicadas no DOU, seja no site da Receita Federal, não tendo alcance para o público externo (no caso, contribuintes). Assim, não podem ser evocadas para a postura adotada pela recorrente. Com base no que fora exposto, entendo que não ocorreu a denúncia espontânea em relação aos débitos julho de 2008 e agosto de 2008, por não terem sido pagos e sim compensados." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 111DF CARF MF
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Numero do processo: 13688.000808/2009-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-001.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que dava-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito (Presidente) e José Alfredo Duarte Filho.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que davalhe provimento. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito (Presidente) e José Alfredo Duarte Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 68 8. 00 08 08 /2 00 9- 01 Fl. 190DF CARF MF 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2003, anocalendário de 2002, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário no montante de R$ 16.309,34. Foi constatada a seguinte irregularidade, conforme a Descrição dos Fatos: dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 27.996,00, especialmente pela falta de comprovação de pagamento solicitada pelas autoridades fiscais. A interessada foi cientificada da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que a lei não exige comprovar a efetividade do pagamento das despesas médicas mediante cheques, recibos de depósitos, ordem bancária, etc, e não é permitido fazer interpretação extensiva a fim de prejudicar o contribuinte. A lei seria clara ao afirmar que na falta de documentação poderá o contribuinte indicar o cheque nominativo para comprovar o pagamento, o que, no caso, tornouse desnecessário, uma vez que esta impugnante apresentou os recibos comprobatórios referentes a tratamentos médicos de si mesma e de sua mãe (dependente). Alega que não foram considerados os recibos apresentados por esta impugnante. A DRJ Juiz de Fora, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que: => de acordo com o Termo de Intimação à fl. 89, exigiuse da contribuinte a comprovação do efetivo pagamento (cópia de cheque, ordem bancária, recibo de depósito etc) de determinados beneficiários. Em atendimento, informou a contribuinte que "a maioria dos pagamentos realizava em espécie ". => Depreendese, do que fora exaustivamente demonstrando através da citação e transcrição de diversas normais que o direito à dedução das despesas médicas na declaração está sempre vinculado à comprovação prevista em lei e restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. => Dadas as quantias mensais envolvidas, é pouco provável que tais pagamentos, acaso ocorridos, tenham sido realizados em moeda corrente, como quer fazer crer a requerente. E se o foram, em remota possibilidade, poderia a interessada ter apresentado os extratos bancários nos quais ficassem demonstrados os saques coincidentes em datas e valores, ou pelo menos próximos, com os dados constantes dos recibos. => Vale registrar, a título argumentativo, que a situação constante da DIRPF/2006, à fl. 30, não se revela factível com o que, de forma mediana, poderia se esperar, pois, a contribuinte registrou despesas médicas na monta de R$ 29.664,48, ou seja, cerca de 38,00% de seus rendimentos líquidos declarados, aí incluída a variação patrimonial, sem se olvidar de outros gastos que certamente ocorreram durante o anocalendário de 2005. Em sede de Recurso Voluntário, repisa a contribuinte nas alegações ventiladas em sede de impugnação e segue sustentando que não é possível manter a glosa por presunção da autoridade fiscal, eis que os recibos teriam sido devidamente apresentados e estariam claros. É o relatório. Voto Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13688.000808/200901 Acórdão n.º 2001001.220 S2C0T1 Fl. 3 3 Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” A Recorrente apresentou recibos com valores que somam uma quantia relevante, o que fez com que a autoridade fiscal, dentro do seu dever legal, solicitasse comprovação de pagamento. Vale dizer, dadas as quantias mensais envolvidas, entendeu a Fl. 192DF CARF MF 4 DRJ que seria pouco provável que tais pagamentos, acaso ocorridos, tenham sido realizados em moeda corrente, como quer fazer crer a requerente. E se o foram, em remota possibilidade, poderia a interessada ter apresentado os extratos bancários nos quais ficassem demonstrados os saques coincidentes em datas e valores, ou pelo menos próximos, com os dados constantes dos recibos. Ou seja, restou claro que a autoridade fiscal ficou com dúvidas acerca da dedutibilidade de tal despesa por motivos claramente exposados. No entanto o contribuinte, ao invés de tentar produzir provas fáticas da existência da despesa, como por exemplo, apresentar extratos bancários que pelo menos demonstrassem saques de quantia semelhantes em datas próximas aos recibos emitidos, simplesmente refutou as dúvidas com meras alegações. Ademais, registrou a decisão a quo, apenas a título argumentativo, que a situação constante da DIRPF/2006, à fl. 30, não se revela factível com o que, de forma mediana, poderia se esperar, pois, a contribuinte registrou despesas médicas na monta de R$ 29.664,48, ou seja, cerca de 38,00% de seus rendimentos líquidos declarados, aí incluída a variação patrimonial, sem se olvidar de outros gastos que certamente ocorreram durante o ano calendário de 2005. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13688.000808/200901 Acórdão n.º 2001001.220 S2C0T1 Fl. 4 5 informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação clara, objetiva e inequívoca tanto da autoridade fiscal como da DRJ, entendo, que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário e mantida a glosa de despesas médicas conforme decisão a quo. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 194DF CARF MF
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Numero do processo: 14485.003263/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. ART. 150, § 4º do CTN. SÚMULA CARF Nº 99.
Tratando-se as contribuições previdenciárias de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a norma decadencial aplicável é aquela prevista no art. 150, § 4º do CTN, quando se constata a antecipação de pagamento (mesmo que parcial). Aplicação da súmula CARF 99.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA E MULTA. AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE DE MULTA E JUROS QUANDO REALIZADO DEPÓSITO JUDICIAL NO VALOR INTEGRAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
A realização do depósito no montante integral descaracteriza a ocorrência de mora e afasta a posterior exigência de multa e juros. O depósito judicial sem a multa de mora devida não configura depósito no montante integral.
Numero da decisão: 2301-005.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer a decadência dos períodos até 11/2002, inclusive, e excluir do lançamento a incidência de juros e multa sobre os valores lançados nas competências de 07/2005 a 12/2005 e de 01/2006 a 13/2006.
João Maurício Vital - Presidente.
Reginaldo Paixão Emos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Alexandre Evaristo Pinto, Antônio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato, Francisco Ibiapino Luz (suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: REGINALDO PAIXAO EMOS
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DECADÊNCIA. ART. 150, § 4º do CTN. SÚMULA CARF Nº 99. Tratandose as contribuições previdenciárias de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a norma decadencial aplicável é aquela prevista no art. 150, § 4º do CTN, quando se constata a antecipação de pagamento (mesmo que parcial). Aplicação da súmula CARF 99. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA E MULTA. AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE DE MULTA E JUROS QUANDO REALIZADO DEPÓSITO JUDICIAL NO VALOR INTEGRAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A realização do depósito no montante integral descaracteriza a ocorrência de mora e afasta a posterior exigência de multa e juros. O depósito judicial sem a multa de mora devida não configura depósito no montante integral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer a decadência dos períodos até 11/2002, inclusive, e excluir do lançamento a incidência de juros e multa sobre os valores lançados nas competências de 07/2005 a 12/2005 e de 01/2006 a 13/2006. João Maurício Vital Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 32 63 /2 00 7- 64 Fl. 786DF CARF MF Processo nº 14485.003263/200764 Acórdão n.º 2301005.824 S2C3T1 Fl. 787 2 Reginaldo Paixão Emos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Alexandre Evaristo Pinto, Antônio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato, Francisco Ibiapino Luz (suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa e João Maurício Vital (Presidente). Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 37.121.0020, lavrada para constituição de crédito tributário referente à contribuição adicional de 2,5% não recolhida sobre a folha de salários dos segurados empregados, no período de 05/2000 a 12/2006, declarados em GFIP. O contribuinte foi cientificado em 27/12/2007. Segundo o Relatório Fiscal (efls. 59 a 61), o fato gerador das contribuições lançadas corresponde à folha de salários dos segurados empregados, sobre a qual o contribuinte deixou de recolher a contribuição adicional de 2,5%, prevista no §1º do art. 22, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 9.876/99. A fiscalização informa ainda que o contribuinte está discutindo judicialmente a legalidade da cobrança lançada, tendo apresentado as certidões de objeto e pé da Apelação Cível nº 1999.61.00.0603013, emitida pelo Tribunal Regional Federal da 3º Região, com origem na ação ordinária de mesmo número, que tramitou na 2º Vara Cível da Justiça Federal em São Paulo. Assim, com o intuito de prevenir a decadência, o AuditorFiscal lançou o débito tomando por base os seguintes valores: • Período de maio/2000 a janeiro/2002: Não foi possível considerar íntegras e completas as folhas de pagamento apresentadas, tendo em vista que os recolhimentos efetuados pela empresa ao INCRA Instituto Nacional da Reforma Agrária e ao FNDE Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação determinam bases de cálculo maiores que as encontradas nas folhas de pagamento apresentadas. Tal fato deveuse à dificuldade em recuperar todos os arquivos necessários, pois a empresa, em desacordo com a legislação, elabora não apenas uma, mas diversas folhas de pagamento. Diante disto, e à vista das demais falhas de elaboração da folha de pagamento, foi lavrado o AutodeInfração 37.121.0011, com fundamento no artigo 32, I, da Lei 8.212/91 c/c o Regulamento da Previdência Social. Pela mesma razão, com fundamento no artigo 33, §3° da Lei 8.212/91, preferimos nos valer das mesmas bases de cálculo utilizadas para o pagamento das contribuições recolhidas ao INCRA, no lugar das bases de cálculo encontradas nas folhas de pagamento. • Período de fevereiro/2002 a dezembro/2006: neste período não foram encontradas as discrepâncias do período anterior, tendo Fl. 787DF CARF MF Processo nº 14485.003263/200764 Acórdão n.º 2301005.824 S2C3T1 Fl. 788 3 sido utilizadas como bases de cálculo os valores apontados nas folhas de pagamento apresentadas. A autoridade notificante esclareceu que na NFLD ora analisada foram lançados os débitos cujos fatos geradores foram declarados em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Os débitos cujos fatos geradores não foram declarados em GFIP integram a NFLD nº 37.121.0038 (processo nº 14485.003265/200753). Este processo foi julgado neste Conselho por meio do Acórdão 2403002.041 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária, em 18/04/2013, tendo como resultado o provimento parcial do recurso para reconhecer a decadência dos créditos lançados até a competência 11/2002, com base no art. 150, §4º, do CTN, e excluir a incidência de juros de mora e multa nas competências de 03/2004 e 07/2005 a 11/2006 em virtude da existência de depósito do montante integral. Contra os termos da Notificação fiscal, foi apresentada impugnação, às efls. 79 a 89, na qual foram aduzidos, em síntese, os seguintes argumentos: ∙ Ausência de renúncia à esfera administrativa, visto que a matéria abordada na impugnação não se confunde com a matéria objeto de discussão judicial. Isto porque, buscase em sede de contencioso administrativo tão somente o reconhecimento da decadência parcial do crédito lançado, e o afastamento da exigência de juros de mora e multa de mora, tendo em vista que o lançamento foi lavrado com a exigibilidade suspensa do crédito tributário. ∙ A decadência parcial do direito de lançar, vez que as contribuições previdenciárias se aplicam ao Código Tributário Nacional e considerando que elas se sujeitam ao lançamento por homologação, o prazo decadencial é de 5 anos contados do fato gerador, nos termos do art. 150, §4º do CTN. Dessa forma, uma vez que o Impugnante foi intimado do lançamento em 27/12/2007, deve ser reconhecida a decadência parcial do lançamento ora questionado (maio de 2000 a novembro de 2002). ∙ O equívoco na apuração do crédito referente ao mês de janeiro de 2002, eis que consta no discriminativo analítico de débito a alíquota de 22,5% enquanto deveria ser 2,5% referente ao adicional exigido. ∙ A impossibilidade de cobrança de juros de mora em virtude da existência de depósito judicial. ∙ O não cabimento de multa, vez que os depósitos têm o condão de suspender a exigibilidade do crédito, o que conduz ao afastamento da imposição das penalidades. Por fim, requereu seja reconhecida a decadência parcial do lançamento e, no mérito, a improcedência da exigência dos juros e da multa sobre o principal lançado, além da correção do valor referente à competência 01/2002. Fl. 788DF CARF MF Processo nº 14485.003263/200764 Acórdão n.º 2301005.824 S2C3T1 Fl. 789 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ São Paulo I (SP), por meio do Despacho nº 0059/2008, às efls 99 a 104, considerando que não foram anexados aos autos quaisquer documentos relativos à ação judicial mencionada no Relatório Fiscal e na Impugnação, concluiu pela necessidade de realização de diligencia para: ∙ Juntada de cópias das petições iniciais, dos atos decisórios existentes até o momento e de certidões de objeto e pé referentes ao processo judicial; ∙ Verificar a que período referese a Ação Ordinária nº 1999.61.00.0603013; ∙ Confirmar se houve depósito no montante integral nesta ação; ∙ Confirmar se houve equívoco na apuração do tributo referente à competência de janeiro de 2002. A Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo (Divisão de Fiscalização II), por meio da Informação Fiscal de efls. 530 a 531, concluiu que: ∙ Na petição inicial da ação ordinária 1999.61.00.0603013, protocolada em 17/12/1999 e distribuída em 11/01/2000 ao juízo da 2º Vara Cível da Justiça Federal em São Paulo, foi requerida a concessão de tutela antecipada para o contribuinte deixar de recolher o adicional de 2,5% e compensar os valores recolhidos a este título nos dez anos anteriores. A antecipação de tutela foi indeferida e sobre esta decisão foi interposto agravo (nº 2000.03.00.0066630) ao qual foi atribuído efeito suspensivo ativo. Na sentença publicada em 01/07/2005, foi julgado improcedente o pedido. Foram opostos embargos de declaração e a MM. Juíza acrescentou fundamentação à sentença, mantendo a improcedência do pedido. O contribuinte, por sua vez, apelou da sentença, de acordo com a certidão de objeto e pé de 22/08/2008, a apelação foi recebida em seus efeitos suspensivo e devolutivo, estando os autos conclusos ao relator, aguardando julgamento oportuno. ∙ Na competência de 01/2002, houve equívoco na aplicação da alíquota. O percentual correto é 2,5% e não 22,5%. Por esta razão, o débito apurado nesta competência, em valores originais, deve passar de R$ R$ 957.849,27 para R$ 106.427,69. ∙ Os valores apurados da NFLD estão parcialmente cobertos por depósitos em juízo, conforme Guias de Depósitos Judiciais apresentadas e planilha de comparação do valor originário apurado e depositado, anexada aos autos. (GRIFEI) Em seguida, em 27/01/2009, a 11ª Turma de julgamento da DRJ São Paulo I (SP) proferiu o acórdão de nº 1620.220 (efls. 549 a 563), considerando o lançamento procedente em parte, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006 AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. DEPÓSITO EM JUÍZO. DECADÊNCIA PARCIAL. ACRÉSCIMOS LEGAIS Fl. 789DF CARF MF Processo nº 14485.003263/200764 Acórdão n.º 2301005.824 S2C3T1 Fl. 790 5 I A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo importa em renúncia ao contencioso administrativo. Ocorrerá, todavia, a instauração do contencioso somente em relação a matéria distinta daquela discutida judicialmente. II A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não é óbice ao lançamento, uma vez que a formalização do crédito não implica, necessariamente, na sua exigência imediata. III O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 5 anos, contatos do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. IV Tratandose de lançamento destinado a resguardar o crédito dos efeitos da decadência, justificase acautelar tanto a importância principal quanto os seus consectários legais, visto que indisponível o interesse público subjacente a controvérsia. V Somente o depósito judicial no montante integral descaracteriza a inadimplência, não sendo devidos os acréscimos decorrentes da mora a partir da sua efetivação, observados os valores depositados/devidos e as datas dos depósitos/vencimentos das contribuições. NORMAIS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS A apresentação de provas, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. A DRJ apresentou recurso de ofício, com base na Portaria do Ministério da Fazenda nº 03/2008, por ter sido exonerado crédito tributário cujo valor excede a R$ 1.000.000,00. Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em 04/08/2009, às efls. 582 a 592, aduzindo em apertada síntese: (i) a decadência parcial do lançamento nos termos do art. 150, §4º do CTN, (ii) o não cabimento dos juros de mora e (iii) o não cabimento de multa, por força do §2º do art. 63 da lei 9.430/96. Em 12 de abril de 2013, a Recorrente apresentou petição, às efls 606 a 607, onde colacionou os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias no período de 12/2001 a 11/2002 (efls. 700 a 764), com o objetivo de comprovar o pagamento antecipado de que trata o §4º do artigo 150 do CTN. Fl. 790DF CARF MF Processo nº 14485.003263/200764 Acórdão n.º 2301005.824 S2C3T1 Fl. 791 6 É o relatório. Voto Conselheiro Reginaldo Paixão Emos DO RECURSO DE OFÍCIO O crédito exonerado pela decisão de 1ª instância foi de R$ 6.060.240,54, valor este superior ao limite de R$ 2.500.000,00, previsto na Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, acima do qual é obrigatória a interposição de recurso de ofício. Por esse motivo, conheço do recurso de ofício interposto e passo ao seu julgamento. O crédito exonerado pela decisão de 1ª instância referese aos valores atingidos pela decadência nas competências de 05/2000 a 11/2001 e de 13/2001. Considerando que a ciência do lançamento ao contribuinte se deu em 12/2007 e que está sendo reconhecida neste acórdão a decadência das contribuições previdenciárias pela regra de contagem prevista no §4º do art. 150 do CTN, está correta a exoneração de créditos promovida pela decisão recorrida, em razão da decadência. O crédito exonerado inclui ainda os valores excluídos da competência 01/2002, na qual foi aplicada a alíquota incorreta de 22,5%, sendo que a alíquota correta é de 2,5%. O reconhecimento do erro foi feito pela própria autoridade lançadora por meio de diligência fiscal, tratandose de um mero erro de alíquota, tendo sido correta, portanto, a retificação do débito. Portanto, a exoneração de créditos promovida pelo Acórdão de 1ª instância não merece reparos, motivo pelo qual deve ser negado provimento ao recurso de ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso é tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto e passo a julgálo. Da Prejudicial de Mérito de Decadência Sobre a decadência, sustentada em sede preliminar, a 11ª Turma da DRJ SP I, por meio do acórdão nº 1620.220, entendeu que os períodos de 05/2000 a 11/2001 estariam decaídos, visto que o prazo decadencial de cinco anos iniciase no primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido feito, nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Isto porque, segundo a decisão recorrida, não houve antecipação de pagamento correspondente ao adicional de 2,5%, uma vez que tal contribuição não é reconhecida como devida pela empresa e que tal exação está sendo discutida judicialmente, pelo que restaria afastada a aplicabilidade da regra decadencial prevista no art. 150, §4º do CTN. Fl. 791DF CARF MF Processo nº 14485.003263/200764 Acórdão n.º 2301005.824 S2C3T1 Fl. 792 7 Contudo, tratandose as contribuições previdenciárias de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a norma decadencial aplicável é aquela prevista no art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento, mesmo que parcial. Para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer contribuição previdenciária devida pelo contribuinte. Ou seja, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, devem ser apreciadas como um todo. Esse é o entendimento fixado por meio da Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No caso dos presentes autos, a recorrente, por meio de petição apresentada anteriormente a esta sessão de julgamento, comprovou mediante extrato de GPS Guias da Previdência Social, às efls 700 a 764, o recolhimento antecipado das contribuições previdenciárias relativas ao período de 12/2001 a 11/2002. Considerando que a Recorrente foi notificada em 27/12/2007 e que foi comprovado o recolhimento antecipado, ainda que parcial, das contribuições previdenciárias das competências de 12/2001 a 11/2002, resta caracterizado o transcurso do prazo decadencial pela regra do art. 150, § 4º do CTN, devendo, portanto, ser afastada a parcela do lançamento referente a esse período. Do Mérito No mérito, a Recorrente aduz em seu recurso que o crédito tributário exigido estaria com sua exigibilidade suspensa por força do depósito judicial realizado nos autos da Ação Ordinária nº 1999.61.00.0603013 e, dessa forma, seria inadmissível sujeitarse à incidência de juros de mora e da multa. Em virtude do reconhecimento da decadência no período de 05/2000 a 11/2002, é desnecessário efetuar a conferência da exatidão dos depósitos judiciais nesse período. Assim, essa conferência interessa apenas nas competências de 12/2002 a 13/2006. Os comprovantes desses depósitos judiciais encontramse às efls. 489 a 514. Inicialmente, cumpre citar que, de fato, o depósito do montante integral do crédito tributário discutido tem o condão de suspender a sua exigibilidade, nos exatos termos do disposto no art. 151, inciso II, do Código Tributário Nacional: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) Fl. 792DF CARF MF Processo nº 14485.003263/200764 Acórdão n.º 2301005.824 S2C3T1 Fl. 793 8 II o depósito do seu montante integral; Nesse sentido, o CARF vem decidindo que, diante do depósito do montante integral pelo contribuinte, não cabe a exigência de encargos moratórios, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/1993 a 31/10/1993 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DEPÓSITO JUDICIAL. Comprovada a existência de depósito judicial anterior à lavratura do auto de infração, excluise do lançamento os juros de mora e a multa de ofício até o montante garantido pelos depósitos. (Processo nº 13855.000333/9806, Acórdão nº 9303007.472 – 3ª Turma da CSRF, Sessão de 16 de outubro de 2018) Especificamente sobre os juros, foi editada por este Conselho Administrativo a Súmula CARF nº 5: Súmula CARF nº 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Assim, não se pode exigir do contribuinte que deposita judicialmente o tributo discutido, com o objetivo de elidir a mora, o pagamento de acréscimos moratórios. Contudo, a integralidade do depósito depende da observância aos ditames legais quanto à data limite para recolhimento e aos acréscimos legais cabíveis. A efetivação de depósitos judiciais fora do prazo legal e sem o pagamento dos juros ou da multa de mora devidos não é "depósito no montante integral" e, por conseguinte, não se amolda à hipótese de suspensão da exigibilidade prevista no art. 151, II do CTN. Às efls. 489, encontrase uma guia de depósito judicial que engloba diversas competências (competências de 05/2000 a 06/2005), no valor principal de R$ 7.794.351,04 e com valor total de R$10.984.103,19, recolhida em 29/07/2005, apenas com juros de mora, sem o pagamento da multa de mora que era devida. A composição dessa guia está explicada por meio de planilhas às efls. 490 a 494 (planilhas essas produzidas pelo próprio contribuinte). Alega a recorrente que estaria desobrigada do pagamento da multa de mora em relação aos depósitos judiciais efetuados dentro de 30 dias, contados da data da sentença que lhe foi desfavorável, por força do §2º do art. 63 da lei 9.430/96. Segue o texto legal citado: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro Fl. 793DF CARF MF Processo nº 14485.003263/200764 Acórdão n.º 2301005.824 S2C3T1 Fl. 794 9 de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (...) § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (grifei) A sentença desfavorável à recorrente foi publicada em 01/07/2005. O Acórdão do TRF 3ª Região relativo ao processo nº 2006.03.00.0006348, transcrito às efls. 389 a 391, nos fornece as informações sobre a sentença na ação ordinária nº 1999.61.00.0603013. Segue o trecho de interesse (efls. 390): Além disso, segundo consta do Sistema Informatizado de Acompanhamento Processual, parte integrante desta decisão, a ação ordinária n2 1999.61.00.0603013, em trâmite perante a 22. Vara Federal de São Paulo — SP, em que se objetiva impedir a cobrança da contribuição previdenciária, instituída pelo artigo 22A, § 19, da Lei n9 8.212/91, foi julgada improcedente, decisão publicada no Diário Oficial de 01/07/2005, p. 48/50. (grifei) Por outro lado, a Administração Pública tem o dever de analisar a real situação fiscal do contribuinte, pois a multa moratória é devida em razão do descumprimento da obrigação principal e somente poderá ser afastada no caso de denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, o que não é o caso dos autos. O §2º do art. 63 da lei 9.430/96, acima transcrito, contudo, aplicase aos casos abarcados pelas medidas judiciais que especifica. Conforme consulta processual ao site do Tribunal Regional Federal TRF / 3ª Região, no endereço "http://www.jfsp.jus.br/foruns federais/?numeroProcesso=1999.61.00.0603013", não houve, no processo judicial nº 1999.61.00.0603013, nenhuma medida liminar ou tutela antecipada que suspendesse a exigibilidade do crédito antes da sentença desfavorável à recorrente. Ao contrário do que sustenta a recorrente, a interrupção da incidência da multa de mora até 30 dias após a decisão desfavorável, nos termos do §2º do art. 63 da lei 9.430/96, aplicase tão somente às hipóteses prevista no caput do próprio artigo, ou seja, nos casos de suspensão de exigibilidade previstos no art. 151, incisos IV e V do CTN: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; Não há, pois, amparo legal para a interpretação extensiva pretendida pela recorrente, de que o §2º do art. 63 da lei 9.430/96 também se aplicaria aos casos de simples Fl. 794DF CARF MF Processo nº 14485.003263/200764 Acórdão n.º 2301005.824 S2C3T1 Fl. 795 10 depósito no "montante integral", sem medida liminar ou tutela antecipada precedente que suspendesse a exigibilidade do crédito. O depósito judicial integral do tributo devido não atrai o instituto da denúncia espontânea, sendo devida a multa de mora na sua efetivação, se ultrapassado o prazo de vencimento. Esse foi o entendimento do STJ no recente julgamento do EDREsp nº 1.131.090, na 1ª Seção do E. Superior Tribunal de Justiça, ao decidir que o depósito judicial integral e tempestivo do tributo não configura denúncia espontânea (CTN, art. 138) e, por conseguinte, não afasta a incidência da multa moratória. Afastase, assim, a pretendida não incidência da multa de mora nos depósitos judiciais a destempo. Quanto às guias de depósitos judiciais das competências de 07/2005 a 13/2006, estas se encontram às efls. 495 a 514 e foram recolhidas corretamente. Dentre elas, as guias das competências de 01/2006 a 10/2006 foram recolhidas em atraso, mas com todos os acréscimos legais devidos. Todas as guias de depósitos judiciais citadas foram recolhidas antes da ação fiscal. Juntei às efls. 783 e 785, as planilhas com a conferência dos acréscimos legais aplicados às guias de depósitos judiciais pagas em atraso. O exame da suficiência dos valores principais das guias de depósitos judiciais foi feito por meio do quadro comparativo de efls. 487 a 488, pela confrontação dos valores cobrados por meio das NFLDs 37.121.0020 (valores declarados em GFIP, objeto deste processo) e 37.121.0038 (diferenças não declaradas em GFIP, que não são objeto deste processo), com os valores depositados pela recorrente. Esse quadro comparativo foi produzido na diligência fiscal nº 081900200805282. De todas as informações citadas extraise as seguintes conclusões: § Competências de 05/2000 a 11/2002 créditos lançados atingidos pela decadência; § Competências de 12/2002 a 06/2005 depósito judicial efetuado sem a multa de mora, sendo, portanto, insuficiente; § Competência 13/2005 valor principal do depósito judicial é inferior ao valor lançado nesta NFLD, sendo o depósito insuficiente; § Competências com depósito no montante integral correto: de 07/2005 a 12/2005 e de 01/2006 a 13/2006. Portanto, estão cobertos por depósitos judiciais no montante integral os valores das competências de 07/2005 a 12/2005 e de 01/2006 a 13/2006, devendo tais valores serem retificados para deles se excluir os juros e a multa. Conclusão Voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do crédito Fl. 795DF CARF MF Processo nº 14485.003263/200764 Acórdão n.º 2301005.824 S2C3T1 Fl. 796 11 lançado nos períodos até 11/2002, inclusive, pela regra do art. 150, §4º, do CTN, e para excluir a incidência de juros e multa sobre os valores lançados nas competências de 07/2005 a 12/2005 e de 01/2006 a 13/2006, para os quais foram efetuados depósitos judiciais no montante integral. É como voto. Reginaldo Paixão Emos Relator Fl. 796DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13706.002537/2003-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
Ementa: IRPF ISENÇÃO
RESTITUIÇÃO MOLÉSTIA GRAVE – LAUDO MÉDICO OFICIAL – DUPLICIDADE DE VÍNCULO LABORAL — Na análise dos pedidos de isenção ou restituição do imposto de renda incidente sobre rendimentos auferidos por portador de moléstia grave, além do laudo oficial devem ser analisados todos os elementos de convicção constantes dos autos que comprovem o termo inicial da doença.
Numero da decisão: 2101-001.872
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento em parte ao recurso, para reconhecer a isenção dos rendimentos de aposentadoria e reforma dos anos-calendário
1999 e 2000, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para reconhecer a isenção dos rendimentos de aposentadoria e reforma dos anoscalendário 1999 e 2000, nos termos do voto do relator. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Alexandre Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet Allage Fl. 51DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 41/43) interposto em 16 de setembro de 2008 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro II (RJ), (fls. 32/35), do qual a Recorrente, na qualidade de viúva e pensionista de Saul Joaquim de Abreu, teve ciência em 23 de setembro de 2008 (fls.40), que, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação (fls 2/4), concernente à restituição de imposto de renda retroativamente ao anocalendário de 1999. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercícios: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovado por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que a interessada é portadora de uma das moléstias apontadas na legislação de regência. Solicitação Indeferida Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário em 16 de setembro de 2008 (fls. 41/43), onde argumenta, em síntese, que, relativamente ao seu marido: a) A data a ser observada é a data em que a doença foi contraída e não da data do laudo pericial emitido em dezembro de 2001. b) Trouxe aos autos prova inequívoca da condição de reformado por limite de idade. Por fim requer o deferimento integral da restituição do imposto de renda dos exercícios de 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004. É o relatório Fl. 52DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13706.002537/200360 Acórdão n.º 2101001.872 S2C1T1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Trata o presente processo de pedido de restituição referente à isenção do IRPF dos exercícios 1999 a 2004, amparado no art. 6º, inciso XIV, da Lei n.° 7.713/88, que assim determina: "Art. 6.° Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidentes em serviço, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma." O artigo 30 da Lei nº 9.250, de 26/12/1995, estabeleceu que para efeito de reconhecimento das moléstias acima elencadas deverão as mesmas ser comprovadas mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Assim, para a configuração da isenção do imposto de renda, aos portadores de moléstia grave, dois requisitos precisam estar presentes, simultaneamente, quais sejam, a comprovação da doença por intermédio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios e, ainda, os rendimentos devem estar relacionados à aposentadoria, reforma ou pensão. Destacase que aos 18/03/2010 a recorrente requereu a juntada de documento do INSS (fls.48) datado de 23/01/1990, no qual consta a concessão da aposentadoria por invalidez e o nome do último empregador, qual seja: IESA INTERN ENG S.A – CNPJ 29505799/000150. É de conhecimento geral que a prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo se ficar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, referirse a fato ou a direito superveniente ou destinarse a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos (art. 16, § 4°, "a" a "c", do Decreto n° 70.235/72). Ancorado, portanto, no princípio da verdade material, entendo que os documentos devam ser analisados com propriedade, considerandoos juntados como tempestivos. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Os rendimentos oriundos de aposentadoria por invalidez estão vinculados a moléstia grave de que trata a Lei nº 7.713/88, conforme se depreende no Laudo expedido pelo Centro de Perícias Médicas da Marinha do Brasil (fls.5), que declara: “É portador de doença especificado na Lei n°7.713/88, alterada pelas Leis nºs 8.541/92 e 9.250/95. A doença invalidante é preexistente a data de 26/12/2001, de acordo com o Boletim de Atendimento de Emergência do Hospital Copa D' OR”. Ressaltese que esse Conselho tem entendido que comprovada moléstia grave antes da vigência da Lei nº 9.250, de 1995, o contribuinte não se sujeita à exigência de laudo pericial por serviço médico oficial (Acórdão 10418.193), não se estendendo tal benefício ao recebimento de pensão, o que é o caso, considerando que o contribuinte faleceu em dezembro/2001, portanto o benefício é aplicado apenas até essa data. Neste sentido também dispõe a Súmula CARF 43: os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Assim, entendo que ficou cabalmente demonstrada a doença desde 1984 (fls.7), razão da aposentadoria através do Regime da Previdência social (INSS), motivo pelo qual julgo no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para autorizar restituição do IRPF ao espólio do Contribuinte, relativa aos anoscalendario de 1999 e 2000. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.918767/2009-14
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 15/09/2008
CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. POSSIBILIDADE. ESCRITURAÇÃO RETROATIVA. VEDAÇÃO.
O contribuinte tem o direito de se apropriar a destempo de créditos ainda não escriturados, desde que acompanhados dos documentos comprobatórios e dentro do prazo prescricional de 5 anos. Contudo, é vedada a escrituração retroativa de tais créditos extemporâneos.
CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 15/09/2008 CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. POSSIBILIDADE. ESCRITURAÇÃO RETROATIVA. VEDAÇÃO. O contribuinte tem o direito de se apropriar a destempo de créditos ainda não escriturados, desde que acompanhados dos documentos comprobatórios e dentro do prazo prescricional de 5 anos. Contudo, é vedada a escrituração retroativa de tais créditos extemporâneos. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1466; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 387 1 386 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.918767/200914 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.691 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 15 de abril de 2019 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR IPI Recorrente CLICHERLUX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CLICHÊS E MATRIZES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 15/09/2008 CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. POSSIBILIDADE. ESCRITURAÇÃO RETROATIVA. VEDAÇÃO. O contribuinte tem o direito de se apropriar a destempo de créditos ainda não escriturados, desde que acompanhados dos documentos comprobatórios e dentro do prazo prescricional de 5 anos. Contudo, é vedada a escrituração retroativa de tais créditos extemporâneos. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 87 67 /2 00 9- 14 Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10830.918767/200914 Acórdão n.º 3002000.691 S3C0T2 Fl. 388 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório O processo administrativo ora em análise trata do PER/DCOMP 40956.99347.250309.1.3.040769 (fl. 23/28), transmitido em 25/03/2009, cujo crédito teria origem em recolhimento do IPI efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme Despacho Decisório (fl. 21), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Após ser intimada desse despacho, a contribuinte apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fl. 04/08), a qual foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO, por Acórdão (fl. 65/67) que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 15/09/2008 RESTITUIÇÃO/RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, nem comprovado O direito ao ressarcimento, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa O ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10830.918767/200914 Acórdão n.º 3002000.691 S3C0T2 Fl. 389 3 Cientificada dessa decisão, a ora recorrente apresentou Recurso Voluntário (fl. 72/92), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e acrescentando em sua defesa alegações sobre a localização do Darf nos sistemas da Receita Federal, sobre a opção pelo recurso, sobre a escrituração de créditos extemporâneos e sobre os institutos do ressarcimento e da restituição. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Com o objetivo de melhor circunscrever a lide a ser decidida no presente julgamento, entendo ser oportuno esclarecer, por um lado, que a principal alegação da contribuinte, desde a peça recursal inaugural, para a existência do crédito de IPI pretendido foi o pagamento indevidamente realizado, por não terse considerado, à época da escrituração, um crédito extemporâneo e, por outro, que os fundamentos do Acórdão recorrido para indeferir a Manifestação de Inconformidade foram a escrituração equivocada de supostos créditos extemporâneos e, de qualquer forma, a não comprovação da liquidez e certeza desses créditos. Dito isso, de pronto, afirmese que as alegações trazidas em sede de Voluntário sobre a localização do documento de arrecadação nos sistemas informatizados da Receita Federal e sobre a opção da contribuinte pela apresentação de Manifestação de Inconformidade não têm o condão de infirmar as conclusões exaradas no Acórdão recorrido, pois essas conclusões, como mencionado, não foram embasadas naquelas matérias. Com efeito, os pontos fundamentais a serem analisados para a solução da lide dos autos se referem ao direito e forma de escrituração de créditos extemporâneos e ao direito probatório em processos administrativos fiscais. Quanto à primeira matéria a ser enfrentada, temos que o princípio da não cumulatividade está disposto no art. 153 da Constituição Federal, in verbis: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I omissis ......................................................................................................... Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10830.918767/200914 Acórdão n.º 3002000.691 S3C0T2 Fl. 390 4 IV produtos industrializados; ......................................................................................................... §1º Omissis ......................................................................................................... § 3º O imposto previsto no inciso IV: I será seletivo, em função da essencialidade do produto; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; III não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior. IV terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do imposto, na forma da lei.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) ......................................................................................................... (grifo nosso) O Código Tributário Nacional também trata da não cumulatividade do IPI no seu art. 49, como segue: Art. 49 O imposto é nãocumulativo dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes. Recorrendose ao regramento contido no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados vigente à época dos fatos, Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, percebese a consonância desse ao ditame constitucional: Art. 163. A nãocumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10830.918767/200914 Acórdão n.º 3002000.691 S3C0T2 Fl. 391 5 § 1º O direito ao crédito é também atribuído para anular o débito do imposto referente a produtos saídos do estabelecimento e a este devolvidos ou retornados. § 2º Regemse, também, pelo sistema de crédito os valores escriturados a título de incentivo, bem assim os resultantes das situações indicadas no art. 178. Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2º (Lei nº 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). § 2º O saldo credor de que trata o § 1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). Art. 196. O direito à utilização do crédito a que se refere o art. 195 está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração, neste Regulamento. (grifo nosso) Ainda, por oportuno, reproduzse o disposto no art. 371 daquele Regulamento: Art. 371. A escrituração dos livros fiscais será feita a tinta, no prazo de cinco dias, contados da data do documento a ser escriturado ou da ocorrência do fato gerador, ressalvados aqueles a cuja escrituração forem atribuídos prazos especiais. § 1º A escrituração será encerrada periodicamente, nos prazos estipulados, somandose as colunas, quando for o caso. § 2º Quando não houver período previsto, encerrarseá a escrituração no último dia de cada mês. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10830.918767/200914 Acórdão n.º 3002000.691 S3C0T2 Fl. 392 6 § 3º Será permitida a escrituração por sistema mecanizado, mediante prévia autorização do Fisco Estadual, bem assim por processamento eletrônico de dados observado o disposto no art. 317. (grifo nosso) Assim, evidenciase a existência de toda uma legislação própria para o IPI, a qual cuida do tratamento a ser dispensado aos créditos desse tributo escriturados pelo contribuinte em seus livros fiscais no que concerne à sua apuração, aproveitamento e utilização. Dessa forma, a escrituração dos créditos do IPI devem ser efetuados por ocasião da efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, com base em documento que lhes confira legitimidade. Ademais, deverá ser observado o prazo máximo de 5 dias para a escrituração desses documentos fiscais, contados a partir dessa entrada, ou seja, a escrituração fiscal não poderá ficar atrasada por mais de 5 dias. Entretanto, há casos em que o sujeito passivo deixa de efetuar o lançamento do crédito no prazo regularmente estabelecido, ou seja, ele deixa de escriturar no Livro de Apuração do IPI, por um lapso qualquer, notas fiscais, que poderiam gerar crédito, no período em que os insumos entraram efetivamente no estabelecimento industrial. Por este lapso cometido pelo contribuinte e pela limitação temporal imposta pela legislação à escrita fiscal, surge o chamado "crédito extemporâneo". A jurisprudência administrativa, tanto quanto a judicial, tem manifestado o entendimento uníssono no sentido de ser perfeitamente possível a utilização extemporânea de créditos de IPI, podendo tais créditos não escriturados na época própria serem aproveitados em até 5 anos, contados da data de entrada dos insumos no estabelecimento industrial, desde que acompanhados dos documentos fiscais que lhes confira legitimidade e apropriados pelos valores nominais, isto é, não haja qualquer tipo de correção. Como amostra dessa jurisprudência administrativa, reproduzse parte da Solução de Consulta Cosit nº 74, de 2017: "15. No que tange à indagação relativa ao crédito extemporâneo, assim entendido aquele que não é escriturado no momento da entrada da mercadoria no estabelecimento do adquirente, comungo no entendimento, ainda hoje adequado, da Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DISIT n° 49, de 2001, o qual adapto livremente, com a devida vênia do seu autor, a este parecer: "A IN SRF nº 33, de 1999, trata da apuração e utilização do crédito do IPI, tendo em vista o que dispõe o art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e os artigos 256 e 257 do Decreto nº 7.212, de 2010, atual Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI. Observo que não consta dos comandos de regência em alusão qualquer óbice ao aproveitamento do crédito do imposto Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10830.918767/200914 Acórdão n.º 3002000.691 S3C0T2 Fl. 393 7 escriturado de modo extemporâneo. O aproveitamento do crédito extemporâneo está consagrada, mutatis mutandis, na orientação do Parecer Normativo CST n° 515, de 1971, itens 5 e 6. Segundo a sua locução, é admitido o aproveitamento do crédito extemporâneo do IPI nas condições abaixo: a) desde que o crédito não esteja prescrito; b) respeitado o prazo prescricional de cinco anos, consoante o art. 1º do Decreto nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932; c) o termo inicial da prescrição é a entrada dos produtos no estabelecimento industrial, acompanhados da respectiva nota fiscal; e d) o exercício desse direito está subordinado às exigências regulamentares, bem como às previstas em atos administrativos pertinentes. Saliento que, sobre os créditos extemporâneos, não incidem juros por absoluta falta de previsão legal, razão pela qual devem ser escriturados os exatos valores destacados nas notas fiscais de aquisição." 16. Portanto, a resposta à terceira indagação da interessada (se poderá aproveitarse do crédito extemporâneo) é positiva." Do todo o exposto até aqui, constatase que o contribuinte tem o direito de se apropriar a destempo de créditos ainda não escriturados, contudo, tais créditos extemporâneos devem ser lançados no Livro de Apuração do IPI no período de apuração em que se constatou a ocorrência do lapso cometido anteriormente. Ou seja, é possível o aproveitamento de créditos extemporâneos, mas é vedada sua escrituração retroativa. Exemplifiquese para clarificar a situação: Consideremos um contribuinte que, em janeiro de 2019, percebeu que, por um erro qualquer, deixou de se creditar de insumos recebidos no seu estabelecimento industrial em outubro de 2015. Nessa situação, ele poderá escriturar tais créditos extemporâneos a partir de janeiro de 2019, tendo como limite a prescrição qüinqüenal, porém, ele não poderá refazer a escrituração de outubro de 2015 ou de qualquer outro período para se apropriar do crédito não lançado anteriormente. É de suma importância frisarse que a falta de escrituração de um crédito, no momento oportuno, não acarreta um pagamento indevido ou a maior do IPI, tendo em vista que o saldo a pagar do tributo naquele período de apuração foi resultado da escrituração do próprio contribuinte. Assim, é absolutamente insofismável a impossibilidade de subsunção do fato ora analisado à hipótese de restituição, porque, por um lado, a Fazenda Pública não deu causa à escrituração acrônica do contribuinte e, por outro, por expressa disposição legal, é vedado o lançamento retroativo no livro de apuração do tributo. No caso concreto dos autos, da própria narrativa recursal, verificase que o sujeito passivo refez sua escrituração retroativamente, quando percebeu a falta do lançamento de supostos créditos no momento apropriado (fl. 68): Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10830.918767/200914 Acórdão n.º 3002000.691 S3C0T2 Fl. 394 8 "A escrituração da Manifestante apresentava debito de IPI em agosto de 2007 no montante de R$ 35.418,77.. Contudo, após criteriosa análise dos documentos fiscais relativos às aquisições de insumos destinados à industrialização dos produtos do contribuinte, bem como seus respectivos registros nas obrigações acessórias correspondentes identificou se créditos de IPI não aproveitados na escrita fiscal decorrentes de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem geradores de crédito nos termos da legislação tributária regente. (...) O valor do crédito extemporâneo lançado na escrita fiscal do Contribuinte no mês de agosto de 2007 soma R$ 24.839,29. Onde antes havia um débito de IPI de R$ 35.418,77, com o lançamento do crédito extemporâneo, esse débito passou a ser de 349,99, configurando, assim, um recolhimento a maior efetuado no período." (grifo nosso) Logo, resta inconteste que o aproveitamento dos créditos extemporâneos ocorreu de forma retroativa, procedimento vedado pela legislação de regência. Dessa forma, não há como negar que inexiste o direito de crédito pleiteado pela contribuinte nessa restituição. Assim, se mostra correta a decisão tomada pela primeira instância. Embora a questão analisada anteriormente seja suficiente para a negativa do pleito recursal, o voto condutor do Acórdão recorrido também fundamentou sua decisão na falta de comprovação dos supostos créditos extemporâneos, isto é, não foram carreadas aos autos as provas de que as entradas consideradas seriam geradoras de crédito, em conformidade com o disciplinado pela legislação do IPI. De fato, o art. 373 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10830.918767/200914 Acórdão n.º 3002000.691 S3C0T2 Fl. 395 9 Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10830.918767/200914 Acórdão n.º 3002000.691 S3C0T2 Fl. 396 10 circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Assim, registros contábeis, que não estejam revestidos das formalidades legais ou que não se possa confirmar tais requisitos, não se constituem prova. No caso concreto ora analisado, a comprovação da existência de créditos extemporâneos somente poderia ter sido comprovada com a apresentação das notas fiscais, que demonstrassem que tais aquisições estariam aptas a gerar créditos na sistemática de apuração do IPI, e deveria ter sido comprovado, ainda, que esses supostos créditos não teriam sido apropriados anteriormente. Comprovações que não foram realizadas no momento apropriado, isto é, juntamente com a apresentação da Manifestação de Inconformidade. Assim, no caso dos autos, as provas apresentadas somente em Recurso Voluntário não devem ser consideradas por duas razões: primeiro, porque não foram juntadas no momento determinado pelo § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72 e, segundo, porque não teriam o condão de superar a vedação da utilização retroativa do crédito extemporâneo, conforme já analisado. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 396DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.995315/2012-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA
A manifestação da DRJ acerca dos elementos probatórios juntados aos autos que permita a clara compreensão das razões de decidir, mesmo que singela, afasta a hipótese de cerceamento de defesa e a possibilidade de declaração de nulidade da decisão a quo.
PEDIDO GENÉRICO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS. PRECLUSÃO.
Descabe, à luz da norma que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, o pedido genérico de apresentação, a qualquer tempo após a impugnação, de novos elementos de prova, sem que se demonstre a ocorrência de uma das possibilidades de exceção à regra geral de preclusão, qual sejam: (i) a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior; (ii) a prova que se refira a fato ou direito superveniente; e (iii) a prova que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.
DIREITO REPETITÓRIO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS PROBATÓRIO.
No pedido de restituição/ressarcimento ou na declaração de compensação, o contribuinte tem o ônus de provar a existência, certeza e liquidez do crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido. A consequência jurídica do não cumprimento do ônus probatório é o indeferimento do pedido.
DESCONSIDERAÇÃO DE ESCRITA CONTÁBIL E FISCAL. DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE DE DOCUMENTOS. DESNECESSIDADE.
Na análise do direito creditório decorrente de pagamento a maior ou indevido, o ônus probatório é do contribuinte, não sendo necessário que a Administração desconsidere a escrita comercial ou fiscal ou declare inidôneos os documentos juntados aos autos.
Numero da decisão: 1401-003.143
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade da decisão a quo, declarar a preclusão e indeferir o pedido de juntada de novos elementos de prova e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo-se incólume a decisão da DRJ. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10880.995319/2012-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Breno do Carmo Moreira Vieira (Conselheiro Suplente Convocado), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA A manifestação da DRJ acerca dos elementos probatórios juntados aos autos que permita a clara compreensão das razões de decidir, mesmo que singela, afasta a hipótese de cerceamento de defesa e a possibilidade de declaração de nulidade da decisão a quo. PEDIDO GENÉRICO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS. PRECLUSÃO. Descabe, à luz da norma que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, o pedido genérico de apresentação, a qualquer tempo após a impugnação, de novos elementos de prova, sem que se demonstre a ocorrência de uma das possibilidades de exceção à regra geral de preclusão, qual sejam: (i) a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior; (ii) a prova que se refira a fato ou direito superveniente; e (iii) a prova que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. DIREITO REPETITÓRIO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS PROBATÓRIO. No pedido de restituição/ressarcimento ou na declaração de compensação, o contribuinte tem o ônus de provar a existência, certeza e liquidez do crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido. A consequência jurídica do não cumprimento do ônus probatório é o indeferimento do pedido. DESCONSIDERAÇÃO DE ESCRITA CONTÁBIL E FISCAL. DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE DE DOCUMENTOS. DESNECESSIDADE. Na análise do direito creditório decorrente de pagamento a maior ou indevido, o ônus probatório é do contribuinte, não sendo necessário que a Administração desconsidere a escrita comercial ou fiscal ou declare inidôneos os documentos juntados aos autos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade da decisão a quo, declarar a preclusão e indeferir o pedido de juntada de novos elementos de prova e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo-se incólume a decisão da DRJ. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10880.995319/2012-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Breno do Carmo Moreira Vieira (Conselheiro Suplente Convocado), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
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FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA A manifestação da DRJ acerca dos elementos probatórios juntados aos autos que permita a clara compreensão das razões de decidir, mesmo que singela, afasta a hipótese de cerceamento de defesa e a possibilidade de declaração de nulidade da decisão a quo. PEDIDO GENÉRICO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS. PRECLUSÃO. Descabe, à luz da norma que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, o pedido genérico de apresentação, a qualquer tempo após a impugnação, de novos elementos de prova, sem que se demonstre a ocorrência de uma das possibilidades de exceção à regra geral de preclusão, qual sejam: (i) a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior; (ii) a prova que se refira a fato ou direito superveniente; e (iii) a prova que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. DIREITO REPETITÓRIO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS PROBATÓRIO. No pedido de restituição/ressarcimento ou na declaração de compensação, o contribuinte tem o ônus de provar a existência, certeza e liquidez do crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido. A consequência jurídica do não cumprimento do ônus probatório é o indeferimento do pedido. DESCONSIDERAÇÃO DE ESCRITA CONTÁBIL E FISCAL. DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE DE DOCUMENTOS. DESNECESSIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 53 15 /2 01 2- 66 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10880.995315/201266 Acórdão n.º 1401003.143 S1C4T1 Fl. 3 2 Na análise do direito creditório decorrente de pagamento a maior ou indevido, o ônus probatório é do contribuinte, não sendo necessário que a Administração desconsidere a escrita comercial ou fiscal ou declare inidôneos os documentos juntados aos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade da decisão a quo, declarar a preclusão e indeferir o pedido de juntada de novos elementos de prova e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendose incólume a decisão da DRJ. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10880.995319/2012 44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Breno do Carmo Moreira Vieira (Conselheiro Suplente Convocado), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório Trata o presente processo de PER/Dcomp transmitido pelo contribuinte no qual demonstra crédito decorrente de Pagamento Indevido ou a Maior e declara compensações. Ao processar o PER/DComp apresentado pelo contribuinte, a Autoridade Administrativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil exarou Despacho Decisório denegando o pedido repetitório e não homologando a compensação. A negativa deveuse à constatação de que o DARF apresentado pelo contribuinte como origem do crédito teria sido integralmente utilizado para pagamento de débitos tributários, não restando nenhum saldo a ser repetido. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10880.995315/201266 Acórdão n.º 1401003.143 S1C4T1 Fl. 4 3 O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alegou que a fiscalização não teria se atido a todos os elementos do crédito pleiteado. Ao final, pede a homologação das compensações declaradas. Juntou notas fiscais. Na decisão de piso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerou que, nos termos do disposto no artigo 333 do Código de Processo Civil (CPC/73), incumbe ao contribuinte, no caso de pedidos de repetição de indébito, fazer prova de seu direito, que deve ser líquido e certo conforme determinação do artigo 170 do Código Tributário Nacional. No caso concreto, a DRJ constatou que, efetivamente, o DARF indicado pelo contribuinte havia sido integralmente utilizado no pagamento de outros débitos. Também constatou que o débito no qual o pagamento foi integralmente aproveitado está declarado em DCTF e DIPJ. Ao analisar os documentos apresentados pelo contribuinte, a DRJ conclui que estes não têm o condão de demonstrar qualquer erro que possa levar à alteração do débito declarado em DCTF e DIPJ, no qual o valor do DARF foi integralmente utilizado. Desta forma, a DRJ decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendose incólume o Despacho Decisório de indeferiu o crédito postulado e não homologou a compensação declarada. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual alegou, sucintamente: (i) nulidade da decisão de piso: o contribuinte não pede de forma expressa a declaração de nulidade da decisão da DRJ. Entretanto, alegou que a DRJ teria deixado de fundamentar sua decisão, pois, embora tenha julgado improcedente a Manifestação de Inconformidade com fundamento na falta de comprovação do direito creditório, os julgadores teriam deixado de apreciar os documentos juntados, tais como livros fiscais, DCTF e cópias de notas fiscais. A falta de fundamentação da decisão afetaria o direito de defesa do contribuinte; (ii) pagamento em duplicidade ou a maior: o contribuinte repisou a alegação de que teria ocorrido efetivamente o pagamento indevido ou a maior; (iii) falta de comprovação, por parte da Administração, de fato impeditivo do direito creditório: alegou o contribuinte que à Administração incumbiria a comprovação de fato impeditivo do direito creditório pleiteado, nos termos do artigo 333, II, CPC/73; (iv) documentação e contabilidade idôneas: considerando que não há nenhum ato que desqualifique a contabilidade ou declare inidôneos os documentos apresentados, pleiteia o afastamento de qualquer punibilidade imputada; (v) juntada de novos documentos: o contribuinte protesta pela possibilidade de juntar novos documentos que eventualmente sejam necessários para provar suas alegações. Era o que havia a relatar. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10880.995315/201266 Acórdão n.º 1401003.143 S1C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.142, de 20/02/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.995319/2012 44, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401003.142): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos legais. Dele tomo conhecimento. A controvérsia do presente feito pode ser explicitada no seguintes pontos: (i) o contribuinte indicou o DARF por meio do qual teria ocorrido pagamento a maior ou indevido; (ii) com base nesse suposto pagamento indevido ou a maior, o contribuinte apresentou o PER/DComp requerendo o deferimento do crédito equivalente ao valor do pagamento indevido e a homologação da compensação declarada; (iii) a autoridade da DRF indeferiu o pedido porque o DARF havia sido inteiramente utilizado no pagamento de outros débitos e portanto, não havia nenhum saldo a ser repetido; (iv) a DRJ confirmou o Despacho Decisório ao constatar que o débito que foi quitado com o DARF em questão está declarado em DCTF e DIPJ. Diante desse quadro, o que seria necessário para configurar o pagamento indevido ou a maior? O contribuinte deveria, mesmo após o Despacho Decisório que denegou o direito creditório, retificar a DCTF e a DIPJ e demonstrar com documentos hábeis e idôneos que teria incorrido em erro de fato ao preencher as duas declarações. Somente a demonstração por meio da escrita contábil e fiscal, com a devida documentação de suporte, teria o condão de comprovar que houve um pagamento indevido e que haveria um saldo a repetir. Há diversos precedentes deste Conselho nesse sentido, como se pode ver nos excertos abaixo: Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10880.995315/201266 Acórdão n.º 1401003.143 S1C4T1 Fl. 6 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2014 PERDCOMP. CRÉDITO ORIUNDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE O contribuinte que justifica a origem de seu crédito a partir de indébito surgido tão só com a retificação de sua DCTF, transmitida após o despacho decisório, deve, obrigatoriamente, comprovar a correção dos novos valores retificados mediante documentos hábeis e idôneos, pena de não reconhecimento do direito creditório por falta de liquidez e certeza. (Acórdão nº 1302003.122, de 20/09/2018, relatoria do conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado). Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/04/2007 DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA PROVA. NECESSIDADE. A retificação das DCTF e DCOMP após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não é suficiente para a demonstração do direito creditório invocado. É ônus do interessado demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, apresentando os documentos e elementos de sua contabilidade que demonstram referido direito. (Acórdão nº 9303007.439, de 19/09/2018, redator designado conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal). No caso em apreço, o contribuinte não apresentou declarações retificadoras de DCTF e DIPJ. Também não trouxe as escritas contábil e fiscal que façam prova de que o tributo devido, que foi quitado com o DARF sob análise, seria inferior ao registrado nas declarações originais. O contribuinte, na impugnação e no recurso voluntário, limitou se a apresentar cópias de notas fiscais e singelos demonstrativos extra contábeis com relações de notas fiscais e demonstração de apuração (fora da escrita fiscal) das bases de cálculo dos tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) do terceiro trimestre do anocalendário. Tais elementos de prova não demonstram a retificação do débito que foi quitado com o DARF em questão. Não comprovam que teria ocorrido erro de fato nas declarações. Não comprovam que haja um saldo de pagamento indevido ou a maior a repetir. Não havendo liquidez e certeza do crédito, nos termos do artigo 170 do CTN, não é de se deferir o pedido de repetição. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10880.995315/201266 Acórdão n.º 1401003.143 S1C4T1 Fl. 7 6 Passo, agora, à análise das matérias postas pelo contribuinte no recurso voluntário. Preliminar de nulidade da decisão de piso A DRJ, ao fundamentar seu acórdão, manifestase acerca dos documentos juntados pelo contribuinte à manifestação de inconformidade. A manifestação é singela, mas chega às mesmas conclusões deste relator, conforme exposto acima. O que se percebe é que há uma inconformidade do contribuinte em relação às conclusões a que chegou a DRJ na análise das provas juntadas aos autos e pretende rediscutir a matéria por forma transversa, ou seja, alegando que a DRJ não fundamentou sua decisão. Não se enxerga nenhum prejuízo ao direito de defesa ou ao contraditório na forma como a DRJ fundamentou sua decisão. Não há que se falar, portanto, em nulidade da decisão. Neste ponto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Juntada de novos documentos. O Decreto nº 70.235/72 regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União. O artigo 16, § 4º, deste diploma institui a regra geral de preclusão do direito de juntar novos elementos de prova com a impugnação. As exceções à regra geral de preclusão, que permitiriam a apresentação de provas em momentos processuais posteriores, resumemse a três hipóteses, a saber: (i) a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior; (ii) a prova que se refira a fato ou direito superveniente; e (iii) a prova que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No presente processo, não há fatos ou direitos supervenientes e nem fatos e razões trazidas aos autos após o Despacho Decisório. Restaria ao contribuinte, para fundamentar um pedido de apresentação de provas a destempo, conforme dicção do § 5º do dispositivo aludido, demonstrar a ocorrência de motivo de força maior que tenha impedido a apresentação tempestiva dos elementos de prova necessários para demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não encontra acolhida na norma processual mencionada, no atual estágio do processo, pugnar genericamente pelo direito de apresentar novos elementos de prova a qualquer tempo, caso sejam necessários. O que se constata de forma cristalina é que o contribuinte, desde o início e ao longo de todo o processo, não logrou apresentar os Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10880.995315/201266 Acórdão n.º 1401003.143 S1C4T1 Fl. 8 7 elementos probatórios necessários para demonstrar o crédito tributário pleiteado. Assim, neste ponto, voto por declarar a preclusão e indeferir o pedido de juntada de novos elementos de prova. Mérito. Pagamento em duplicidade ou a maior e falta de comprovação, por parte da Administração, de fato impeditivo de seu direito Conforme exposto anteriormente, com lastro na jurisprudência deste Conselho, incumbe ao contribuinte comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, nos termos do artigo 170 do CTN. Neste sentido, a hipótese de distribuição do ônus probatório pelas partes, no caso vertente, é a veiculada pelo artigo 373, I, do CPC/2015, ou seja, incumbe ao contribuinte a prova quanto ao fato constitutivo de seu direito creditório. Em síntese, o contribuinte tem o ônus de comprovar a existência, liquidez e certeza de seu direito creditório. A consequência jurídica do não cumprimento do ônus probatório é o indeferimento do pedido. E o contribuinte não se desincumbiu minimamente desse ônus probatório. Os parcos documentos apresentados, desacompanhados da retificação de DCTF e DIPJ e das escritas fiscal e contábil, não são hábeis para demonstrar que teria efetivamente ocorrido um pagamento a maior ou indevido. Assim, no mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Documentação e contabilidade idôneas. Alegou o contribuinte que não houve nenhum ato declarando os documentos inidôneos ou desconsiderando a sua contabilidade. Por isso, pretende ver qualquer punibilidade afastada. Ora, tratase neste processo de duas normas jurídicas, uma de repetição de indébito e outra de compensação. A primeira tem como antecedente a existência de um crédito líquido e certo. E, como consequente, a relação obrigacional do Estado de repetir o imposto pago indevidamente ou a maior. A segunda norma jurídica tem no antecedente o crédito do contribuinte face ao Estado, decorrente da aplicação da norma anterior. E, no consequente, a satisfação de um débito pela compensação, sujeita à homologação. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10880.995315/201266 Acórdão n.º 1401003.143 S1C4T1 Fl. 9 8 O contribuinte não comprovou a existência de um crédito líquido e certo. Desta forma, não surgiu o direito à repetição. Destarte, como não há crédito, não se aplica a segunda norma e não se homologa a compensação. Nas duas hipóteses normativas, não há necessidade da Administração desconsiderar a contabilidade ou declarar a inidoneidade dos documentos. Na esteira da fundamentação deste voto, na medida que o contribuinte não comprova a liquidez e certeza do crédito pleiteado, não deve haver homologação da compensação declarada. Os débitos compensados indevidamente estão sujeitos à incidência de multa e juros. Desta forma, neste ponto voto pelo indeferimento do recurso voluntário. Conclusão. Em síntese, voto por afastar a preliminar de nulidade da decisão a quo, por declarar a preclusão e indeferir o pedido de juntada de novos elementos de prova e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendose incólume a decisão da DRJ. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por afastar a preliminar de nulidade da decisão a quo, por declarar a preclusão e indeferir o pedido de juntada de novos elementos de prova e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendose incólume a decisão da DRJ. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900154/2008-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. NOVA ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO PELA UNIDADE LOCAL.
No caso de erro de fato no preenchimento de declaração, o contribuinte deve juntar aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios hábeis à comprovação do direito alegado.
Retificada a declaração e apresentada documentação contábil, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório vindicado.
Numero da decisão: 1201-002.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar parcial provimento para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para analisar o direito creditório na modalidade de saldo negativo de IRPJ no ano-calendário 2004 e prolatar novo Despacho Decisório. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que negava provimento.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Efigênio de Freitas Júnior Relator
Participaram ainda do presente julgamento: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EFIGENIO DE FREITAS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. NOVA ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO PELA UNIDADE LOCAL. No caso de erro de fato no preenchimento de declaração, o contribuinte deve juntar aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios hábeis à comprovação do direito alegado. Retificada a declaração e apresentada documentação contábil, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório vindicado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. NOVA ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO PELA UNIDADE LOCAL. No caso de erro de fato no preenchimento de declaração, o contribuinte deve juntar aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios hábeis à comprovação do direito alegado. Retificada a declaração e apresentada documentação contábil, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório vindicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar parcial provimento para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para analisar o direito creditório na modalidade de saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2004 e prolatar novo Despacho Decisório. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que negava provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Lizandro Rodrigues de Sousa – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Efigênio de Freitas Júnior – Relator Participaram ainda do presente julgamento: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 01 54 /2 00 8- 72 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13888.900154/200872 Acórdão n.º 1201002.948 S1C2T1 Fl. 190 2 Relatório SACILE PARTICIPAÇÕES LTDA, já qualificada nos autos, interpôs recurso voluntário em face do Acórdão 1431.326, proferido pela 5ª Turma da DRJ Ribeirão Preto/SP, 27 de outubro de 2010. 2. Tratase de declaração de compensação (PER/DCOMP 36907.11083.050l05.1.3.028208, transmitida em 05.01.2005, em que o contribuinte compensou débitos próprios com saldo negativo de IRPJ, referente ao anocalendário 2004, no valor originário de R$54.658,19. 3. O Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada constatou: que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 54.658,19. Valor do crédito na DIPJ: R$ 0,00 (efls. 6). 4. Em sede de manifestação de inconformidade a recorrente alegou, em síntese, que: i) houve lapso no preenchimento da DIPJ/2005 original ao não informar na Ficha 12A, linha 13, o crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 54.658,19, referente ao anocalendário 2004; ii) a autoridade fiscal não homologou as compensações declaradas, sob alegação de que não existia crédito algum na DIPJ; entretanto, com a entrega da declaração retificadora, verificase a existência do referido crédito, o que demonstra a procedência da compensação requerida; iii) o crédito informado decorre do pagamento de juros remuneratórios do capital próprio, conforme se faz prova, pela juntada de cópias da DIRF/2005, do informe de rendimentos, além dos DARF comprobatórios de que os impostos pertinentes foram devidamente recolhidos, ao longo do anocalendário de 2004. 5. A Turma julgadora de primeira instância, por unanimidade, em 27.10.2010, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A restituição do saldo negativo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, apurado na declaração de ajuste de pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real, em razão de Fl. 190DF CARF MF Processo nº 13888.900154/200872 Acórdão n.º 1201002.948 S1C2T1 Fl. 191 3 compensação de IRRF incidente sobre o valor dos juros pagos ou creditados, a título de remuneração do capital próprio, condicionase à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação de que os as receitas correspondentes foram escrituradas e oferecidas à tributação,observado o regime de competência dos exercícios. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 6. Cientificada da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, em 11.01.2011, em que aduz, em resumo, os seguintes argumentos (efls. 6075): i) inicialmente, o IRRF que gerou o saldo negativo postulado foi informado na DIPJ/2005 (Original), entregue em 22.06.2005, (Ficha 53) (fl. 22), no montante de R$ 601.644,00; ii) por equívoco, o saldo negativo de IR não foi lançado na DIPJ/2005 Original, conforme se verifica na Ficha 12A (efls. 20), razão pela qual procedeuse à sua retificação, como autorizado pela MP n° 2.18949, de 2001, art.18 e IN SRF n° 166, de 1999, art. 1o (e.fls. 2326 dos autos); iii) se a RFB considerou que as informações constantes na DIPJ/2005 Original não demonstravam a existência de saldo negativo de IRPJ e, conseqüentemente, a existência de crédito a ser compensado, da mesma forma, com a retificação dessa DIPJ, na qual a recorrente informou o comentado crédito, é imprescindível que este seja reconhecido; iv) o princípio da verdade material norteia o Processo Administrativo Fiscal; assim, o equívoco de deixar de lançar o IRRF nas deduções de sua DIPJ/2005 Original e, por conseguinte, de deixar de consignar o seu crédito de saldo negativo do IR, configura mero erro de fato, que não pode tolher o direito à compensação do referido crédito fiscal, (cita jurisprudências); v) o Despacho Decisório que negou a compensação em momento algum se referiu à necessidade, ou não, da escrituração contábil dos valores pagos a título de JCP como receita, assim como o fez o acórdão recorrido, razão pela qual a recorrente não apresentou nenhum argumento ou prova de discordância sobre este aspecto naquela defesa; vi) ante as novas razões apontadas no acórdão recorrido, nos termos do art. 16, §'s 4º, alínea c), 5º e 6º do Decreto n. 70.235/72, requer seja deferida a juntada de novos documentos aos autos, quais sejam: Contrato Social da empresa Cybelar Comércio e Indústria Lida.; Registros do Livro Diário do período, onde consta a escrituração dos valores de Juros sobre Capital Próprio; DCTF, onde foram informadas as compensações realizadas; DACON, que comprova a sujeição dos valores recebidos a título de Juros Sobre Capital Próprio (JCP) à tributação; DARF's referentes ao recolhimento do PIS e COFINS incidentes sobre os referidos JCP; Balanço do período, onde se verifica o valor de Juros Sobre o Capital Próprio Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13888.900154/200872 Acórdão n.º 1201002.948 S1C2T1 Fl. 192 4 no R$ 4.010.959,90, conforme declarado na DIPJ (efls. 95186). vii) por fim, requer a homologação integral das compensações efetuadas e o cancelamento dos respectivos débitos e encargos legais. 7. É o relatório. Voto Conselheiro Efigênio de Freitas Júnior, Relator. 8. Por estar ilegível a data de ciência da decisão de primeira instância administrativa (efls. 5253), e para que não haja cerceamento do direito de defesa do contribuinte, considero o recurso voluntário como tempestivo. 9. O recurso voluntário atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. 10. O contribuinte apresentou declaração de compensação em que compensou débitos próprios com saldo negativo de IRPJ, referente ao anocalendário 2004, no montante de R$54.658,19. Não homologada a compensação, apresentou DIPJ Retificadora e alegou, em sede de manifestação de inconformidade, que por equívoco não informou o referido saldo negativo de IR em sua DIPJ/2005 Original. Para reforçar sua tese salientou que o IRRF decorrente de juros sobre o capital próprio que originou o saldo negativo do IR foi informado na DIPJ/2005 Original, entregue em 22.06.2005, (Ficha 53) (fl. 22), no montante de R$ 601.644,00. 11. A DRJ, ao analisar o feito, pontuou que para fins de repetição tributária "a certeza e a liquidez do crédito apurado não se configuram em razão do quantum do tributo declarado como devido no anocalendário, mas em relação ao quantum comprovado pela contabilidade e outros documentos fiscais, conjuntamente". Assim, adotou como fundamento para não reconhecer o direito crédito a ausência de justificativas lastreadas em documentos contábeis que pudessem comprovar o erro no preenchimento da DIPJ/2005, vejase: [...] a contribuinte deveria trazer, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em documentos hábeis e idôneos, pelos quais pudesse ser verificado o erro no preenchimento da DIPJ/2005, pois não basta a interessada comprovar que houve a retenção/recolhimento do imposto na fonte (Comprovante de Pagamento ou Crédito a Pessoa Jurídica de Juros sobre o Capital Próprio), também é imprescindível que se comprove que o valor dos juros creditados ou pagos, sobre os quais incidiu o referido IRRF, objeto do presente pedido, foi escriturado como receita, observado o regime de competência dos exercícios, condição sine qua non para que este possa ser aproveitado na compensação do imposto apurado no final do período, originando, se for o caso, o saldo negativo de IRPJ, conforme disciplina a IN/SRF nº 41/98 [...]. Daí porque é imprescindível que venham aos autos as provas, notadamente contábeis, especialmente, em razão da interessada Fl. 192DF CARF MF Processo nº 13888.900154/200872 Acórdão n.º 1201002.948 S1C2T1 Fl. 193 5 ser pessoa jurídica sujeita ao regime do Lucro Real, para a qual a lei exige contabilidade regular. (grifo nosso). 12. Verificase que a DRJ, embora tenha considerado a DIPJ/2005 Retificadora, entendeu que deveriam ter sido juntado aos autos provas contábeis do direito creditório alegado, qual seja, o IRRF sobre juros de capital próprio que teria dado origem ao saldo negativo de imposto de renda. 13. Vejamos a legislação que trata do tema. 14. O art. 170 do Código Tributário Nacional CTN estabelece que a lei pode, nas condições e garantias que especifica, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 15. Em consonância com o art. 170 do Código Tributário Nacional CTN, o art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e respectivas alterações, estabelece que a compensação deve ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração em que constem informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos compensados. O mencionado dispositivo estabelece, ainda, que a compensação declarada à Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) 16. Fazse necessário, portanto, que o crédito fiscal do sujeito passivo seja líquido e certo para que possa ser compensado (art. 170 CTN c/c art. 74, §1º da Lei 9.430/96). 17. Por outro lado, a verdade material, como corolário do princípio da legalidade dos atos administrativos, impõe que prevaleça a verdade acerca dos fatos alegados no processo, tanto em relação ao contribuinte quanto ao Fisco. O que nos leva a analisar, ainda que sucintamente, o ônus probatório. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13888.900154/200872 Acórdão n.º 1201002.948 S1C2T1 Fl. 194 6 18. O art. 373 da Lei 13.105, de 2015 CPC/2015, estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O que significa dizer, regra geral, que cabe a quem pleiteia, provar os fatos alegados, garantindose à outra parte infirmar tal pretensão com outros elementos probatórios. 19. Em consonância com art. 373 do CPC, o caput do art. 9o do Decreto 70.235, de 1972 PAF, assenta que: A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito" (destaque nosso). 20. Verificase, pois, que no lançamento de ofício, cabe ao Fisco o ônus probatório do ilícito apurado. Ou seja, é dever da autoridade administrativa comprovar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária; sem prejuízo de o contribuinte apresentar prova em contrário. 21. Em sede de restituição, ressarcimento ou compensação, diferentemente do lançamento de ofício, é o contribuinte que pleiteia um direito. Logo, se a RFB resiste à pretensão e indefere o pedido, ou não homologa a compensação, incumbe ao contribuinte provar o direito creditório pleiteado, vez que o ônus da prova recai sobre quem dela se aproveita. 22. O DecretoLei 1.598, de 1977, em seu art. 9º, §1º, por sua vez, dispõe que "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais". 23. Nessa esteira, para fins de comprovação do direito creditório, no caso de erro de fato no preenchimento de declaração, cabe ao contribuinte provar o direito alegado. Para tanto, não basta apenas apresentar declarações retificadoras, documentos de arrecadação e outros comprovantes. Esses documentos são necessários, mas não suficientes; aliás, eventuais acertos e retificações deveriam ter sido providenciados antes da emissão do Despacho Decisório. Em não o fazendo no momento oportuno, em sede de recurso, a mencionada documentação deve estar acompanhada da escrituração contábil. Colacionadas tais provas, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório postulado. 24. Em relação aos juros sobre capital próprio, o art. 668 do Decreto 3000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, com base no art. 9º da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, estabelece que tais juros estão sujeitos ao IRFonte à alíquota de 15%. Estabelece ainda que, na hipótese de beneficiária pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o IRFonte correspondente ao recebimento de juros sobre capital próprio pode ser compensado com o IR fonte retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. Verbis: Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13888.900154/200872 Acórdão n.º 1201002.948 S1C2T1 Fl. 195 7 Art. 668. Estão sujeitos ao imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito, os juros calculados sobre as contas do patrimônio líquido, na forma prevista no art. 347 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º, § 2º). § 1º O imposto retido na fonte será considerado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º, § 3º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 51, parágrafo único): I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado; II tributação definitiva, nos demais casos, inclusive se o beneficiário for pessoa jurídica isenta. § 2º No caso de beneficiária pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata esta Seção poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas (Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º, § 6º) (grifo nosso). 25. Portanto, na hipótese de recebimento de juros sobre capital de próprio por pessoa jurídica sujeita a tributação pelo lucro real, o IR fonte retido deve estar devidamente contabilizado de forma a permitir a identificação de sua utilização: i) quitação de débito de IR Fonte apurado no pagamento de juros sobre o capital próprio para sócios, acionistas, se for o caso, e/ou ii) eventual composição do saldo negativo de IRPJ do período. 26. No caso dos autos, tendo em vista as especificidades da utilização do IRFonte sobre JCP, a recorrente não apresentou em primeira instância documentação contábil suficiente que demonstrasse a liquidez e certeza do saldo negativo de IRPJ; assim, correta a decisão da DRJ. 27. Em sede de recurso voluntário, com vistas a comprovar o alegado equívoco no preenchimento da DIPJ/2005 e o saldo negativo de IRPJ oriundo de JCP, a recorrente, além dos documentos juntados aos autos em sede de manifestação de inconformidade (DIPJ/2005 Retificadora, DIRF, comprovante anual de retenção de IRFonte e respectivos DARF), acrescentou os seguintes: i) contrato social Contrato Social da empresa Cybelar Comércio e Indústria Ltda em que a recorrente figura como sócia (efls. 95); ii) registros do Livro Diário (efls. 102106) e Razão Livro Razão (efls. 151156) referentes à escrituração dos valores de JCP pagos aos sócios da recorrente; iii) DCTF com a informação de compensações realizadas do IRFonte incidente sobre JCP pagos (efls. 117122); iv) DACON referente à tributação dos valores recebidos de JCP e DARF's referentes ao recolhimento do PIS e COFINS (efls. 157182); v) Demonstração de Lucros e Perdas e Balanço referente a Dez/2004 (efls. 184 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13888.900154/200872 Acórdão n.º 1201002.948 S1C2T1 Fl. 196 8 186). 28. Verificase que a recorrente, além de comprovar a retenção de IRFonte sobre JCP recebidos, contabilizou pagamento de JCP a acionistas/titulares, bem como declarou o valor devido de IRFonte em DCTF, o que demonstra a possibilidade de apuração de saldo negativo de IRPJ e, com efeito, erro no preenchimento da declaração. 29. Conforme salientado acima, no caso de erro de fato no preenchimento de declaração, uma vez juntado aos autos elementos probatórios suficientes, acompanhados de documentos contábeis, para comprovar o direito alegado, o equívoco no preenchimento da declaração, que já foi retificada, não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório vindicado. 30. À luz dos documentos contábeis juntados aos autos, verificase tratarse de hipótese que faz jus a uma nova análise pela Unidade Local do direito creditório alegado. Conclusão 31. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, darlhe parcial provimento para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para analisar o direito creditório na modalidade de saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2004 e prolatar novo Despacho Decisório. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Efigênio de Freitas Júnior Relator Fl. 196DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.905835/2015-16
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1002-000.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem intime o Recorrente à apresentação de cópia integral da escrituração contábil-fiscal do período-base encerrado em 30/09/2010 - Livros Diário, Razão e Lalur - na qual conste a origem do crédito postulado a título de IRPJ no valor de R$ 23.894,42, juntamente com cópias autenticadas dos termos de abertura e de encerramento dos referidos livros e a elaboração de quadro analítico, discriminando a natureza, valores e períodos correspondentes dos créditos.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem intime o Recorrente à apresentação de cópia integral da escrituração contábil fiscal do períodobase encerrado em 30/09/2010 Livros Diário, Razão e Lalur na qual conste a origem do crédito postulado a título de IRPJ no valor de R$ 23.894,42, juntamente com cópias autenticadas dos termos de abertura e de encerramento dos referidos livros e a elaboração de quadro analítico, discriminando a natureza, valores e períodos correspondentes dos créditos. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório Em atenção aos princípios da economia e celeridade processual, transcrevo e adoto parcialmente o relatório produzido pela DRJ/REC, complementandoo ao final: A interessada acima qualificada apresentou em 25/01/2013 o PERDCOMP nº 27725.60551.250113.1.3.045965, fls. 184 a 188, por RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 05 83 5/ 20 15 -1 6 Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11080.905835/201516 Resolução nº 1002000.063 S1C0T2 Fl. 358 2 meio do qual foi compensado Crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ – Código de Receita 3373 com débitos de sua responsabilidade. O crédito informado, no valor de R$ 23.894,42, seria decorrente do Pagamento Indevido ou a Maior, correspondente a parte do Pagamento no valor do principal de R$ 59.544,03, período de apuração 30/09/2010, efetuado em 29/10/2010, fls. 194 e 197. A contribuinte efetivamente retificou sua DIPJ, recalculando o IRPJ a pagar para o valor de R$ 35.649,62, fl. 237, que daria azo ao pretendido crédito. Entretanto, como o valor de R$ 59.544,03 do débito apurado em sua DCTF original mantevese inalterado em sua DCTF retificadora, apresentada em 03/09/2013, fls. 199 a 208, foilhe negado o direito creditório, haja vista que o pagamento encontravase integralmente alocado ao débito informado em sua DCTF Retificadora/Ativa. 2. Por meio do Despacho Decisório nº 107841895, de 05/08/2015, ciência em 13/08/2015, constante nos autos, fls. 179 a 183, não foi homologada a Declaração de Compensação citada acima. Na fundamentação do referido despacho, consta que: A partir das características do(s) DARF discriminado(s) no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente, utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Relativamente à não homologação da compensação perpetrada pelo Despacho Decisório Eletrônico, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade julgada improcedente pela DRJ/REC (efls. 247), na qual ofereceu os argumentos a seguir sintetizados: Diz que "...a empresa acima citada transmitiu a DCTF relativa ao mês de setembro/2010 em 23/11/2010, onde declarou o valor de R$ 59.544,03 de IRPJ na DCTF (ANEXO 01) e efetuou o recolhimento deste valor via DARF código 3373 em 29/10/2010 (ANEXO 02)", que "...o valor correto de IRPJ de competência 30/09/2010 deveria ser de R$ 35.649,61, conforme demonstração em DIPJ (ANEXO 3)" e que "Com isto, retificouse a DCTF em 13/11/2012 gerando assim créditos de IRPJ no valor de R$ 23.894,42 mais as devidas correções permitidas por lei. (ANEXO 04)". Aduz que "Com base na apuração destes créditos, foi efetuada compensação de tributos em 25/01/2013, que trata este despacho Decisório" e que utilizou "...o crédito de R$ 29.139,25 para compensar débitos de COFINS, código 5856, apuração dezembro/2012, vencimento 25/01/2013 no valor de R$ 4.008,83 (ANEXO 05)". Ressalta que "...em 03/09/2013 foi necessário retificar novamente a DCTF do mesmo período, ou seja, competência 30/09/2010, para outros fins" e que "...ao retificar novamente a DCTF a empresa confundiuse, equivocouse, e a fez sobre o arquivo original enviado em 23/11/2010 e não sobre a DCTF retificada em 03/09/2013" e que "Com isso, o valor de IRPJ voltou ao valor original de 2010 que era incorreto e não está de acordo com a DIPJ e LALUR enviados em 2012". Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11080.905835/201516 Resolução nº 1002000.063 S1C0T2 Fl. 359 3 Registra que "Fica claro então, que ao equivocarse a empresa sobrepôs no campo do IRPJ o valor errado", concluindo que "..o valor correto do IRPJ desta competência é de R$ 35.649,61, havendo assim o crédito de R$ 23.894,42 que possibilita a compensação efetuada na per/dcomp citada no valor de R$ 29.139,95". Por fim, sustenta que "...que houve realmente um equivoco da empresa ao fazer nova retificação da DCTF no ano de 2013, fazendo constar o IRPJ declarado erroneamente em 2010". Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 263), no qual reproduz ipsis litteris os fundamentos de fato e de direito apresentados na Manifestação de Inconformidade. Ao final requer o acolhimento do presente recurso para o fim de homologação integral da compensação declarada. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 329/2017. Demais disso, embora tempestivo e atenda aos demais requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento parcial do Recurso, eis que não se encontra em condições de julgamento, conforme se explica a seguir. Constato que o ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP nº 27725.60551.250113.1.3.045965 transmitido em 29/10/2012, conforme mostra o excerto seguinte do Despacho Decisório Eletrônico: Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11080.905835/201516 Resolução nº 1002000.063 S1C0T2 Fl. 360 4 Como se observa, o suposto crédito de R$ 23.894,42 informado no mencionado PER/DCOMP decorreria de pagamento indevido ou a maior, e a circunstância fática que motivou seu não reconhecimento está inequivocamente registrada no Despacho Decisório Eletrônico, qual seja: a utilização anterior do crédito pleiteado no pagamento de tributo de código 3373 (IRPJ PJ não obrigadas ao lucro real Balanço Trimestral), do período de apuração de 30/09/2010. Em suas razões de defesa, o Recorrente, em suma, afirma que "...em 03/09/2013 foi necessário retificar novamente a DCTF do mesmo período, ou seja, competência 30/09/2010, para outros fins", que "...ao retificar novamente a DCTF a empresa confundiuse, equivocouse, e a fez sobre o arquivo original enviado em 23/11/2010 e não sobre a DCTF retificada em 03/09/2013" e que "Com isso, o valor de IRPJ voltou ao valor original de 2010 que era incorreto e não está de acordo com a DIPJ e LALUR enviados em 2012. A DRJ, por sua vez, sustenta que a DCTF constitui instrumento de confissão de dívida quanto aos débitos nela declarados, sendo dever do sujeito passivo providenciar sua retificação quando identificar erros nela contidos, providência que não foi adotada no presente caso. Em que pese a divergência entre os valores de crédito tributário constantes da DCTF e da DIPJ apontada no acórdão recorrido, entendo, com lastro no princípio da verdade material e do formalismo moderado, que em situações pontuais a análise da legitimidade do direito creditório postulado não pode ser sumariamente descartada pelo só fato de o requerente ter deixado de apresentar tempestivamente declarações retificadoras em substituição às maculadas por erro formal no seu preenchimento. Para isso, contudo, é necessário que haja a comprovação idônea e irretorquível do erro cometido, por qualquer dos meios jurídicos disponíveis, de modo a permitir a formação da convicção do julgador e a solução da lide. A própria Administração Tributária parece referendar este entendimento no Parecer Normativo nº 02/2015, quando afirma que "...a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.905835/201516 Resolução nº 1002000.063 S1C0T2 Fl. 361 5 restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios". Calcado nessa diretriz, vejo plausibilidade nas alegações do Recorrente quanto à existência do crédito pleiteado e do erro de preenchimento da DCTF. Às efls. 224 foi juntada DIPJ/2011 extraída da base de dados da Receita Federal do Brasil, na qual está registrado o montante de R$ 35.649,62 a título de IRPJ a recolher no trimestre encerrado em 30/09/2010, que é idêntico ao constante do Balanço Patrimonial do contribuinte relativo ao mesmo período base de 2010 (efls. 350) e que o contribuinte sustenta ser o valor efetivamente devido, apto a justificar o crédito pretendido. Embora não sejam suficientes à formação de juízo conclusivo quanto à existência do crédito vindicado, tais elementos configuram um princípio de prova que pode (ou não) ser corroborado por livros contábeis e ficais de posse do contribuinte, como o Razão, Diário e Lalur. Por isso, é justo facultarlhe oportunidade de comprovar, por outros meios que não a DCTF, que o valor efetivamente devido a título de IRPJ no trimestre encerrado em 30/09/2010 era de R$ 35.649,62, e não os R$ 59.544,03 declarados na DCTF por suposto erro de preenchimento desta declaração. Nesse contexto, voto por baixar o processo em diligência junto à Unidade de Origem para que intime o Recorrente à apresentação de cópia integral da escrituração contábil fiscal do períodobase encerrado em 30/09/2010 Livros Diário, Razão e Lalur na qual conste a origem do crédito postulado a título de IRPJ no valor de R$ 23.894,42, juntamente com cópias autenticadas dos termos de abertura e de encerramento dos referidos livros e a elaboração de quadro analítico, discriminando a natureza, valores e períodos correspondentes dos créditos. Após, os autos deverão retornar ao Relator para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 371DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.902444/2015-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.
Constatando-se dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refaz-se a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurando-se crédito disponível, aplica-se ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP.
Numero da decisão: 1401-003.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2013, no valor de R$ 217.754,18, determinando que o mesmo seja atualizado pela taxa SELIC a partir de 01/01/2014, e homologando as compensações efetuadas no âmbito deste processo até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10680.902443/2015-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Constatandose dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refazse a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurandose crédito disponível, aplicase ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2013, no valor de R$ 217.754,18, determinando que o mesmo seja atualizado pela taxa SELIC a partir de 01/01/2014, e homologando as compensações efetuadas no âmbito deste processo até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10680.902443/201573, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 24 44 /2 01 5- 18 Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10680.902444/201518 Acórdão n.º 1401003.189 S1C4T1 Fl. 3 2 Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Iniciemos com a transcrição de trechos do relatório da Decisão de Piso. Versa o presente processo sobre a controvérsia instaurada, em razão do indeferimento pela Administração Tributária do pleito compensatório apresentado pelo interessado através de PER/DCOMP, alegando que o DARF foi integralmente utilizado para a compensação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Devidamente intimado, o interessado apresentou, manifestação de inconformidade, alegando que: Houve uma antecipação de IRPJ e CSLL que, ao final do exercício, verificouse que foi maior que o tributo devido, uma vez que o contribuinte encerrou o exercício com prejuízo; O pedido foi indeferido sob o argumento de inexistência de crédito. Foi, no entanto, em razão de mudança legislativa acerca do instituto dos pagamentos por estimativa, utilizado o teor do Parecer Normativo COSIT nº 08/2014 (atualmente Parecer Normativo Cosit nº 02/2016) para afastar o motivo e realizar a análise do mérito, o que ocorreu, entendendo a administração tributária que, efetivamente, no caso dos autos inexistia crédito disponibilizado nas estimativas recolhidas, eis que, foram utilizadas integralmente para compor o saldo negativo, não havendo recolhimentos efetuados de forma indevida ou a maior. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que poderia compensar estimativas pagas a maior ou indevida independentemente do final do período de apuração, fato esse que, antes era pautado na Instruções Normativas vigentes, mas a partir da IN RFB nº 900/2008, tal situação deixou de existir, requerendo, ainda a nulidade do despacho decisório. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação de inconformidade julgou pela sua improcedência em razão de não ser possível a modificação do tipo de crédito após a emissão do despacho decisório e que analisando os pedidos de pagamento a maior e que os valores devidos de estimativa são idênticos inexiste o crédito pretendido. Cientificada de decisão a interessada apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade, junta precedentes deste CARF e pleiteia que lhe seja reconhecido o direito de crédito. É o breve relatório. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10680.902444/201518 Acórdão n.º 1401003.189 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.188, de 19/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº10680.902443/201573, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.188): O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O caso em análise no presente processo diz respeito á possibilidade de o contribuinte, que apresentou declaração de compensação pretendendo créditos de pagamento indevido por estimativa de IRPJ/CSLL, possa ter reconhecido o direito de crédito relativo a Saldo Negativo de IRPJ/CSLL no exercício. Verificase, no presente caso que o contribuinte, optante pelo lucro real, recolheu IRPJ e CSLL por estimativa em diversos meses do ano de 2013. Apresentou regularmente as DCTFs destes períodos informando os débitos e a sua quitação por DARF que, posteriormente, entendeu se referirem a pagamentos indevidos. Em sua DIPJ apresentou informações de que apurou o IRPJ e CSLL devidos por estimativa com base na receita bruta, e que, no final do exercício, inexistindo lucro a ser tributado, os valores dos pagamentos realizados a título de estimativa transformaram se em crédito em benefício da empresa. Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário pretende que, em razão da apuração de prejuízo no exercício, seja reconhecido o crédito como saldo negativo de IRPJ e CSLL no exercício. Diante dos fatos acima narrados e da confirmação da existência dos pagamentos realizados temos a seguinte decisão a tomar: O contribuinte cometeu os seguintes equívocos: 1 – Optou pelo lucro real e pela apuração das estimativas no ano de 2013, recolheu os valores e os confessou em DCTF tendo, posteriormente, solicitado o crédito destes mesmos pagamentos sem retificar suas DCTF e DIPJ; 2 – Apresentou a DIPJ informando a correta apuração dos saldos negativos de IRPJ e CSLL a que faria jus; Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10680.902444/201518 Acórdão n.º 1401003.189 S1C4T1 Fl. 5 4 3 Ao requer os créditos que entendia fazer jus o fez por meio de PER/DCOMP relativo a pagamento indevido ou a maior em vez de saldo negativo; Por sua vez a decisão que não reconheceu o crédito está juridicamente correta vez que analisou o pedido de pagamento indevido a partir das informações da DCTF e DARF da empresa. Constatamos, no entanto, com base nos documentos acostados ao processo, que efetivamente o contribuinte faz jus aos saldos negativos de CSLL do anocalendário 2013 no montante equivalente aos pagamentos realizados por estimativa, visto inexistir saldo de devido de CSLL. Com base nestas informações a nossa análise prendese ao fato de considerar que, no presente caso, o contribuinte incidiu apenas em erro de fato ao preencher a PER/DCOMP ou se houve um erro de direito ao pleitear crédito diferente do que deveria ter sido solicitado. A este respeito entende este relator que não se trata de simples erro de fato. Ora, errarse o período de apuração, o exercício ou mesmo o tipo de tributo solicitado no PER/DCOMP pode se considerar um erro de fato. Neste caso o problema não é tão simples. Aqui o contribuinte solicitou crédito absolutamente diverso do crédito que efetivamente lhe assistia direito. Tratase, claramente de erro material que, digase de passagem, sequer é escusável, haja vista o porte da empresa, a apuração pelo lucro real e o período de tempo decorrido entre a instituição dos PER/DCOMP eletrônicos (2003) e os pedidos do contribuinte (2012). Ocorre, entretanto, que por mais que este relator entenda que o erro cometido na empresa não se adequa aos precedentes apresentados em sede recursal, sou firme na corrente que entende no sentido de que a verdade material deve prevalecer como fundamento de decidir em todos os processos, sejam administrativos, sejam judiciais. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. (Acórdão nº 3401 003.096, de 23/02/2016) DCOMP. CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. RECONHECIMENTO Na hipótese de mero equívoco no preenchimento da DCTF, contrastando com as informações acertadas da DIPJ e com a comprovação do recolhimento a maior através de DARF juntado aos autos, não há razão para penalizar o contribuinte, sendo medida certa o reconhecimento do crédito pleiteado. (Acórdão nº 1201002.106, de 16/03/2018) Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10680.902444/201518 Acórdão n.º 1401003.189 S1C4T1 Fl. 6 5 COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. (Acórdão nº 1302002.031, de 26/01/2017) Neste sentido é que não pode este relator se furtar a decidir contra a verdade apresentada nos autos. A verdade é que, com base na apuração do lucro do exercício, não existiu lucro tributável e, assim, não era devido, ao final do exercício a apuração do IRPJ e CSLL devidos. Em razão deste fatos os recolhimentos abaixo realizados, relativos aos pagamentos de CSLL por estimativa, tornaramse saldo negativo de CSLL ao final do exercício. À vista do exposto e em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, precedentes abaixo, que rege o processo administrativo fiscal, constatandose que, no mérito, assiste razão ao contribuinte quanto à existência de créditos, mesmo que não da espécie originalmente pleiteada, entendo que deve ser reconhecido o direito de crédito da empresa, não em relação aos pagamentos indevidos da forma por ela solicitada, mas sim em razão da existência de saldos negativos de CSLL que se formaram a partir destes mesmos pagamentos. Registro, para bem deixar delineado meu entendimento, que não entendo que o princípio da informalidade e da fungibilidade sejam aplicáveis de qualquer forma e em qualquer situação. Esta aplicação deve ser casuística e se adequar à realidade de cada processo. Neste processo, em específico, a utilização da informalidade prendese a um fato singelo. Para a aferição da existência do crédito, a partir das informações apresentadas em petição simples de duas páginas, se daria apenas pela análise da ficha de apuração do IRPJ e CSLL a pagar, nas quais resta demonstrada a inexistência de saldos dos tributos a serem pagos. Em razão da facilidade de conhecimento do verdadeiro direito da empresa é que entendo poder ser aplicada a informalidade e a fungibilidade neste processo de modo a garantir um direito que, de fato, sempre assistiu ao contribuinte. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESSARCIMENTO DE IPI. DEFERIMENTO PARCIAL. INCONFORMIDADE POSTERIOR A PARECER DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA E ANTERIOR A DESPACHO DECISÓRIO QUE O HOMOLOGA. APRECIAÇÃO PELA DRJ. CABIMENTO. Contra indeferimento de ressarcimento do IPI cabe manifestação de inconformidade, a ser apreciada pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento nos termos do Decreto n° 70.235/72. Tendo o contribuinte tomado ciência de parecer da administração tributária que propõe o deferimento parcial do seu pedido, e ingressado com manifestação de inconformidade antes do Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10680.902444/201518 Acórdão n.º 1401003.189 S1C4T1 Fl. 7 6 despacho decisório que homologa tal parecer, considerase instaurado o litígio e, por isso, deve a primeira instância analisar a inconformidade, sob pena de ofensa à ampla defesa e ao contraditório e desprezo pelos princípios da informalidade moderada e da fungibilidade, que norteiam o processo administrativo fiscal. Por não ter sido conhecida pela DRJ a inconformidade, anulase a decisão a quo para que outra seja produzida com apreciação das razões de inconformismo. (Acórdão nº 3102001.572, de 19/07/2012) PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando se trata de erro material no seu preenchimento. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte, como foi o caso.(Acórdão nº 1401001.655, de 09/06/2016) Ementa: PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento e que tenha ficado bem configurada a divergência, facilmente perceptível, entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. (Acórdão nº 1401000.737, de 15/03/2012) NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DA DECISÃO RECORRIDA. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. A competência das DRJ pode ser alterada por ato interno da RFB, para melhor distribuição de quantidade de processos ou concentração de assuntos, sem que isso fira, de plano, qualquer direito do Contribuinte. As formalidades não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.053, de 08/12/2015) Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10680.902444/201518 Acórdão n.º 1401003.189 S1C4T1 Fl. 8 7 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. Padece de nulidade o Auto de Infração com inobservância ao art. 10, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, não contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais individualizados por infração, em diferentes fatos geradores do imposto de renda retido na fonte, levando o contribuinte a equivocadas interpretações que confundiram a impugnação. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa. As formalidades não são um fim em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.671, de 07/02/2017) Por isso, entendo que assiste razão ao recorrente quanto à existência de saldo negativo de CSLL do exercício 2014, ano calendário 2013, no montante de R$ 217.754,18 , formados a partir dos recolhimentos das estimativas destes tributos realizados durante o ano. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, em obediência ao Princípio da Verdade Material, a fim de: Reconhecer, em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, o direito do contribuinte de crédito relativo a saldo negativo de CSLL do exercício 2014, anocalendário 2013, no valor original de R$ 217.754,18; Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10680.902444/201518 Acórdão n.º 1401003.189 S1C4T1 Fl. 9 8 Determinar que estes valores devem ser acrescidos pela taxa SELIC apenas a partir de 01/01/2014, haja vista se tratar se saldo negativo que, desta forma deve ser atualizado e, Determinar que os créditos, agora reconhecidos, podem ser utilizados na compensação dos débitos informados nos PER/DCOMP de pagamento indevido de CSLL relativos aos recolhimentos que formaram o saldo acima e que foram requeridos sob a forma de PER/DCOMP de pagamento a maior, cobrandose as diferenças ao final apuradas após a realização dos procedimentos de compensação Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso, em obediência ao Princípio da Verdade Material, a fim de: a) Reconhecer, em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, o direito do contribuinte de crédito relativo a saldo negativo de CSLL do exercício 2014, anocalendário 2013, no valor original de R$ 217.754,18; b) Determinar que estes valores devem ser acrescidos pela taxa SELIC apenas a partir de 01/01/2014, haja vista se tratar se saldo negativo que, desta forma deve ser atualizado e, c) Determinar que os créditos, agora reconhecidos, podem ser utilizados na compensação dos débitos informados nos PER/DCOMP de pagamento indevido de CSLL relativos aos recolhimentos que formaram o saldo acima e que foram requeridos sob a forma de PER/DCOMP de pagamento a maior, cobrandose as diferenças ao final apuradas após a realização dos procedimentos de compensação (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 426DF CARF MF
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