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Numero do processo: 11060.000313/2004-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/10/2000, 01/12/2000 a 31/12/2000, 01/12/2001 a 31/01/2002, 01/05/2002 a 30/06/2002, 01/11/2002 a 30/11/2002, 01/02/2003 a 30/04/2003, 01/06/2003 a 30/09/2003, 01/12/2003 a 31/12/2003
Ementa:
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante.
APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF.
Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Esse entendimento é corroborado pelo disposto no artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que permite aos membros
das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação, sob fundamento de inconstitucionalidade, de dispositivo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-001.500
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres votou pelas conclusões.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2000 a 31/10/2000, 01/12/2000 a 31/12/2000, 01/12/2001 a 31/01/2002, 01/05/2002 a 30/06/2002, 01/11/2002 a 30/11/2002, 01/02/2003 a 30/04/2003, 01/06/2003 a 30/09/2003, 01/12/2003 a 31/12/2003 Ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Esse entendimento é corroborado pelo disposto no artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que permite aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação, sob fundamento de inconstitucionalidade, de dispositivo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Recurso Especial do Procurador Negado Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/07/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatrio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres votou pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. Rodrigo Cardozo Miranda Relator. EDITADO EM: 30/06/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 328 a 343) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF (fls. 319 a 324) que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário. Conforme exposto pelo Ilustre relator do v. acórdão recorrido, Conselheiro Antonio Zomer, a única questão trazida à apreciação deste Colegiado diz respeito à inclusão, pela fiscalização, na base de cálculo da contribuição, dos créditos presumidos de IPI, tanto aqueles que foram ressarcidos à empresa, com fundamento nas Leis nºs 9.363/96 e 10.276/2001, quanto aqueles compensados com amparo em decisão judicial não transitada em julgado. A ementa do referido julgado, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2000 a 31/10/2000, 01/12/2000 a 31/12/2000, 01/12/2001 a 31/01/2002, 01/05/2002 a 30/06/2002, 01/11/2002 a 30/11/2002, 01/02/2003 a 30/04/2003, 01/06/2003 a 30/09/2003, 01/12/2003 a 31/12/2003 Ementa: BASE DE CÁLCULO. AMPLIAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/07/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 11060.000313/200410 Acórdão n.º 930301.500 CSRFT3 Fl. 393 3 Ao julgar os recursos extraordinários nºs 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, em 09/11/2005, o Pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins por meio de lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. Recurso provido. (grifos nossos) Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, alegando, em síntese, que afigurase devida a inclusão dos valores referentes ao crédito presumido de IPI na base de cálculo da COFINS, à luz da Lei nº 9.718/98, face à ausência de previsão legal a determinar a sua exclusão. O recurso foi admitido através da r. decisão de fls. 379 a 382. Contrarrazões às fls. 387 a 389, apontandose, em suma, que o Excelso Supremo Tribunal Federal já pacificou a matéria no sentido da inconstitucionalidade do dispositivo em apreço, além da Lei nº 11.249/2009 o ter revogado. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Inicialmente, mister destacar que a premissa da exigência e o cerne do recurso especial da Fazenda Nacional diz respeito ao disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, especificamente quanto à base de cálculo da COFINS. Este dispositivo, como se sabe, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em sede de controle difuso de constitucionalidade, o que limita a eficácia da decisão às partes do litígio. É de se notar, todavia, que este entendimento já foi objeto de decisões reiteradas pela Excelsa Corte, tendo sido, inclusive, cristalizado de forma definitiva pelo seu órgão plenário, com a reafirmação da jurisprudência no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, pela edição de súmula vinculante: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/07/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 4 Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. (grifos e destaques nossos) Aplicável à espécie, portanto, o disposto no parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997: Art. 4° Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: 1 não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em divida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento , da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Nos mesmos termos, aliás, é o disposto no artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou (...) Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/07/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 11060.000313/200410 Acórdão n.º 930301.500 CSRFT3 Fl. 394 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/07/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.001288/2006-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
MULTA REGULAMENTAR. DIF - PAPEL IMUNE.
Ementa:
A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo - DIF- Papel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista na Lei n° 11.945/2009.
0 órgão ad quem deve examinar a questão posta nos limites do pedido recursal e não pode piorar a situação do recorrente, sob pena de ferir de morte o principio da proibição do reformatio in pejus.
Numero da decisão: 9303-001.426
Decisão: ACORDAM os membros da 3' turma do câmara SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA REGULAMENTAR. DIF - PAPEL IMUNE. Ementa: A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo - DIF- Papel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista na Lei n° 11.945/2009. 0 órgão ad quem deve examinar a questão posta nos limites do pedido recursal e não pode piorar a situação do recorrente, sob pena de ferir de morte o principio da proibição do reformatio in pejus.
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DIF - PAPEL IMUNE. Ementa: A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo - DIF.- Papel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista na Lei n° 11.945/2009. 0 61.g -do • ad quem deve examinar a questão posta nos limites do pedido recursal e não pode piorar a situação do recorrente, sob pena de ferir de morte o principio da proibição do reformatio in pejus. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' turma do câmara SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. HENRIQUE PINHEIRO TORRES — Presidente Substituto GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros SUSY GOMES HOFFMANN, JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, GILENO GURJA0 BARRETO, HENRIQUE PINHEIRO TORRES, RODRIGO CARDOZO MIRANDA, RODRIGO DA COSTA POSSAS, NANCI GAMA e MARIA TERESA MARTÍNEZ LOPEZ. Assinado diuitaline 14/04120 1 :1ACEDO IRO TORRES Auieniicxio ftitoiinenlo oro 14104/2011 por GISOtsi :7:051-NBUÍZO Eindido em 16/0G201 I polo klinis,,:rc CA RF Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, fls. 127/139, contra decisão do acórdão n2 203-13.605, da Terceira Camara do Segundo Conselho, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos. ASSUNTO: OBRIGAÇOES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 3007/2002, 30/10/2002, 30/01/2003, 29/0-1/2003,' 30/07/2003, 30/10/2003, 30/01/2004, 29/04/2004, 30/07/2004 MULTA REGULAMENTAR. DIE - PAPEL /1 JUNE - A falta e/ ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel inutne a tributo — DIF -Papel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar nos termos da legislação tributário vigente. PENALIDADE. LEI TRIBUTARIA. INTERPRETAÇÃO - Em face da duplicidade de interpretação de lei tributária, aplica-se aquela que comine penalidade menos onerosa ao sujeito passivo. Recurso provido em pane. A Fazenda Pública em sua peça recursal alega que a decisão contrariou o art. 57, I. da MP n° 2.158-35 de 2001, c/c o art. 16 da Lei n° 9.779/98, dispositivos que prevêem aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória pela entrega, fora do prazo estabelecido, de declaração DIR —Panel Imune. O recurso teve seguimento nos termos do despacho n° 3400-448/2009 de fl. 141. O Sujeito Passivo apresentou contrarrazões As fls. 152/154. o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar 0 recurso apresentado pela Fazenda Pública tem como fundamento jurídico urna possível contrariedade ao art. 57, I, da MP n°2.158-35 de 2001, que previa uma multa de R$ 1.500,00 por mês calendário, As pessoas jurídicas optantes do SIMPLES que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados. Acontece que, com a edição da MP n°451, de 15/12/2008, convertida na Lei n° 11.945, de 04/11/2009, essa conduta ganhou tratamento diferenciado, migrando da tipificação geral, prevista na MP n°2.158-32 de 2001, para tipificação especifica para conduta. A Lei n° 11.945/09 assim trata a matéria, in verbis: Art. 1 2 Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I - exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Asinado digitalme:Ite mu 14f04/2011 per G•i_SON roAcf.no ROSEN3URS FL H3. 02105/2(111 Pol. PIN1 IF. IRO TORRES AuleMic;ado digna incute em 14/04/201 I por GILSON MACEDO ROSENSURGHLHO Emitido em I 610S12011 pule Minirtério da Fazenda Fl. 169 csuir-T3 AA 9,--25(2 DI? CARF iF Processo n° 10183.001288/2006-96 Acórdão n.° 9303-01.426 Federal; e II - adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 12 A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado coin imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2 0 disposto no § 1 2 deste artigo aplica-se também para efeito do disposto no § 2" do art. 2" da Lei n" 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2" do art. 2" e no § 15 do art. 3" da Lei n" 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8" da Lei n" 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3' Fica atribuída ei Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I - expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II - estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 0 não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3' deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I - .5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II - de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5' Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio, a multa de que trata o inciso II do § 4' deste artigo será reduzida à metade. O conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis dissertou corn sua habitual argucia sobre o tema, de sorte que trago suas linhas corn forma de elucidar a evolução ocorrida com a penalidade em questão, in verbis: A obrigação acessória referida no inc. II do § 3° do art. JO da Lei n° 11.945/2009 ê exatamente a DIF-Papel Imune, criada por meio da IN SRF n° 71/2001, alterada pelas IN SRF n's 101/2001 e 134/2002. Conforme as referidas Instruções Normativas, a 'YO-ln.;11 m.C;11..CON WL;CEDO pudEl ff-t0 TORRES Au1entica0o d;giLa!men!< -: em i4/041201 I ROSENSURC FILHO Emalcio em 16::)(M11 p"otnIm d:; 3 DF CARF 170 multa pelo atraso na entrega da DIF era devida nos valores preconizados pelo art. 57 da Lei da MP n° 2.158-35/2009 1, suporte legal da penalidade em questão. Como a penalidade estabelecida pelos §§ 4° e 5° acima é inferior exigida com base no art. 57 da MP n° .2.158-35/2001, o lançamento deve ser reduzido aos valores estabelecidos na Lei n° 11.945/2009, em obediência ao art. 106, IL "c', do CTN. Antes, consoante uma interpretação literal do art. 57 da MP n° 2.158-35/2001, o valor da penalidade era aumentado conforme a quantidade de meses do atraso. Assim, quanto mais demorava entrega, maior o valor. Ou, quanto mais demorava a Receita Federal do Brasil para efetuar o lançamento, maior a penalidade. E como o valor era de RS 5.000,00 por mês- calendário de atraso (reduzido para RS 1.500,00 na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES), a multa podia atingir um montante alto demais, de forma nada razoável. Afinal, "o taxímetro ficava rodando", na expressão mui bem z empregada pelo julgador Celso Lopes Pereira Neto, por ocasião do julgamento do Acórdão DRJ/REC n°13.624, de 27 de outubro de 2005. Agora, após a Lei n° 11.945/2009, a penalidade é exigida levando-se em conta cada obrigação acessória isolada — no caso, cada DIF-Papel Imune trimestral -, de modo que se a Administração Tributária demora mais para efetuar o lançamento, a multa não azunenta a cada mês. A salientar, por oportuno, que a Receita Federal do Brasil tem meios eletrônicos de detector o descumprimento da obrigação- Cessória, tão logo vencido o prazo de sua entrega. Dai ser mais razoável afixação da penalidade proporcional ao número de DIF-Papel Imune (ou trimestre) em atraso, em vez do "taxímetro" anterior. Os valores máximos para a hipótese de a DIF-Papel Imune não ser entregue passaram a ser, independentemente do número de meses em atraso, de R$ 2.500,00 para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 para as demais empresas (inc. lido § 4° do art. 1° da Lei 11 ° 11.945/2009). A confirmar a redução, cabe mencionar as razões do veto ao art. 3° da Lei n° 11.945/2009. Conforme a Mensagem n° 392, de 04/06/2009, da Presidência da República ao Presidente do Congresso Nacional, o Ministério da Fazenda inanifestou-se pelo veto do citado art. 3° assim: Não se mostra razoável a concessão de anistia de multas a fatos ocorridos há muito tempo e para contribuintes já fartamente 1 Art. 57. 0 descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I - R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês-calendário, relativamente as pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II - cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa juridica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo Calico. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os N, alores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Assinado digitalcri:31V;e ern 1404/2011 por (3:1..0ON MACEDO R',.)::EN.BURG HL.liO. D2/rjOí2Ol I po HLNQUE PiNHE ROTORREHS Auientieado diota:mente ora 1410 1 120 1 1 por G1L5ON MACEDO FR;"SENEURG 44LriC 4 Emilido ern 10/0612011 pelo rdioistr:o da Faze-nr..a DF CARF ?Of Fl. 171 Pro cesso n° 10183.001288/2006-96 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-01.426 46Z beneficiados. Esclareça-se que a própria Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008, que deu origem ao presente Projeto de Lei de Conversão, já reduziu significativamente a multa pelo atraso na apresentação da DIF- Papel Imune (art. 2°, sç 4°, I e II). Ademais, a IN SRF n°. 71, de 2001, já concedeu, excepcionalmente, dilatação cio prazo para apresentação da DIF- Papel Imune por período maior do que o ordinariamente admitido." pertinente também observar que, no âmbito da Receita Federal do Brasil, o Ato Deelaratório Executivo n° 73, de 13/08/2009, editado pela Coordenação-Geral de Arrecadação e Cobrança (Codac) e escorado exatamente no art. 1° da Lei n°11.9-15/2009, já estabeleceu o código de receita 1376, pa/-a o recolhimento da penalidade "Multa por Falta ou Atraso na Entrega da DJF - Papel 111/une Após essa breve explicação, afluem razões jurídicas para afirmar que o art. 57, I, da MP n°2.158-35 de 2001, não se mais aplica aos casos de falta ou atraso na entrega de DIF — Papel Imune. A regra a ser aplicada é a prevista na Lei n° 11.945/2009, pois, como sabemos, a regra especifica sobressai sobre a geral. Postulado consagrado utilizado para resolver aparentes conflitos de normas. No caso em epígrafe, estamos diante de uma singularidade, pois a aplicação da nova legislação pioraria a situação do recorrente, ferindo de morte o principio da proibição do reformatio in pejzts, explico: A interpretação dada ao art. 57, I, da MP n° 2.158-35 de 2009, pelo acórdão vergastado, impõe urna multa de R$ 4.500,00 por DIF - Papel Imune em atraso e a nova legislação prevê urna multa de até R$ 2.500,00 pelo mesmo fato. Resta evidente que a aplicação da nova legislação diminuiria o valor da multa. Nas linhas traçadas pela professora Teresa Arruda Alvim Wambier; É ao recorrente que cabe delimitar o âmbito do mérito recursal, devendo deduzir razões de impugnação e formular pedido de reforma da decisão (âmbito de devolutiviciade do recurso). O órgão ad quem deve examinar a questão posta nestes limites e não pode piorar a situação do recorrente, a não ser que esta piora decorra du cognição de matéria de ordem pliblica, de oficio ou acolhendo preliminar alegada pelo recorrido em contrarrazões. Este é o significado do principio da proibição da reformatio in pejus. Ora como já dito, a observância da nova legislação fere o principio citado, de sorte que não há como modificar a base legal do auto de infração, mantendo a interpretação dada pelo acórdão reclamado. Forte nestes argumentos, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. como voto. Gilson Macedo Rosenburg Filho Assinado i ;:r..g. ry.";;;s5.:.:!\!:•' ,JRC.1 10. 02/;IO2()1 I pa: no TORRES Autenticado digitaitncalt:: s: -r! 1410'42011 per GiLSr,r4 f,:A077.) ,.") Emitdo em 1610"s'2, FEiZC:1)(ia Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção - Serviço de Seção CARF-MF F1.163 Processo n2: 10183.001288/2006-96 Interessada: GRÁFICA E EDITORA COELHO LTDA TERMO DE RENUMERAÇÃO Em face da constatação de erro na numeração original deste processo, procedi renumeração das folhas de es 160/162, que rubriquei nesta data. Brasilia, 16 de junho de 2011. Taila Amanda da Silva Pereira Estagiária • •
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Numero do processo: 11030.000174/2004-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1989 a 28/02/1996
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE PIS. DETERMINAÇÃO JUDICIAL.
APURAÇÃO.
A apuração dos créditos na ação judicial, com vistas ao cálculo do ônus de
sucumbência, não integra a coisa julgada relativa ao direito de crédito,
especialmente quando o contribuinte tenha optado pela compensação na via
administrativa.
DARF. APRESENTAÇÃO NA AÇÃO JUDICIAL. FALTA.
A falta de apresentação do Darf de um determinado período de apuração na
ação judicial não implica a não inclusão do mesmo período no âmbito do
pedido, o que se deduz pelo conteúdo da petição inicial e pelos
demonstrativos de crédito apresentados.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.152
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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CRÉDITOS DE PIS. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. APURAÇÃO. A apuração dos créditos na ação judicial, com vistas ao cálculo do ônus de sucumbência, não integra a coisa julgada relativa ao direito de crédito, especialmente quando o contribuinte tenha optado pela compensação na via administrativa. DARF. APRESENTAÇÃO NA AÇÃO JUDICIAL. FALTA. A falta de apresentação do Darf de um determinado período de apuração na ação judicial não implica a não inclusão do mesmo período no âmbito do pedido, o que se deduz pelo conteúdo da petição inicial e pelos demonstrativos de crédito apresentados. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11030.000174/200473 Acórdão n.º 330201.152 S3C3T2 Fl. 2 2 José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 640 a 650) apresentado em 09 de fevereiro de 2010 contra o Acórdão no 1811.741 da 2ª Turma de Julgamento da DRJ / Santa Maria (fls. 631 a 636) cientificado em 22 de janeiro que, relativamente a declaração de compensação de PIS dos períodos de abril de 1989 a fevereiro de 1996, considerou improcedente a manifestação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1989 a 28/02/1996 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE PIS. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. APURAÇÃO. IMPLEMENTAÇÃO. Tendo o Órgão de origem implementado os cálculos dos valores de PIS passíveis de compensação com estrita obediência às determinações judiciais, não pode a autoridade julgadora reformulálos. PIS. MEDIDA JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. CÁLCULOS. Não são de ser aceitos cálculos apresentados pela contribuinte quando os mesmos não discriminarem a forma clara e precisa de sua confecção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo de Declarações de Compensação apresentadas em formulário e também transmitidas via meio eletrônico (PER/DCOMPs), onde a contribuinte visava a utilização de valores credores relativos ao Programa de Integração SocialPIS em compensação com valores devedores da própria contribuição, com amparo na Ação Ordinária nº 98.12052070, proposta em 30/11/1998 junto a 2ª Vara Federal de Passo Fundo – RS (depois, Apelação/Reexame Necessário nº 2003.04.01.0220642 no TRF da 4ª/R). Tal ação teve sentença transitada em julgado em 23/11/2004 (extrato de fl. 214). Manifestandose acerca das Declarações de Compensação controladas neste processo, o Órgão de origem emitiu os seguintes atos administrativos: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11030.000174/200473 Acórdão n.º 330201.152 S3C3T2 Fl. 3 3 a) o Despacho Decisório DRF/PFO de 21/07/2006 (fls. 302/306), onde o Sr. Chefe da SAORT, por delegação de competência, reconheceu à contribuinte um crédito no valor de R$ 39.425,23, relativo a direito declarado na Ação Ordinária nº 98.12052070, atualizado até 01/01/1996, a ser acrescido, a partir daquela data, de juros equivalentes à taxa SELIC. Homologou as compensações declaradas, até o limite do crédito reconhecido, ressalvando que a utilização do valor de R$ 14.767,60 estava condicionada à definitividade da lide objeto do processo nº 11030.001905/200317. Não reconheceu parte das compensações, posto que tratadas no processo citado; b) o Despacho DRF/PFO/Saort de 10/11/2006 (fls. 433/434), onde o Sr. Chefe da SAORT, por delegação de competência, homologou a compensação de débitos de PIS conforme declarados nas DCOMPS de fls. 307/324; c) o Despacho DRF/PFO de 08/07/2009 (fls. 517/518), onde o Sr. Chefe substituto da SAORT, por delegação de competência, homologou as DCOMPs que relaciona, bem como não homologou as DCOMPs que indica naquele Despacho, por insuficiência de crédito. Determinou os necessários acertos nos sistemas de controle e a intimação à interessada. Dos Despachos referidos nas alíneas a e b a contribuinte tomou ciência em 17/11/2006 (Comunicação e AR de fls. 439/440), nada tendo manifestado. Quanto ao Despacho referido na alínea c, cuja ciência se deu em 07/08/2009 (Intimação e AR de fls. 553/554), a Cooperativa, não conformada com o decidido, apresentou em 01/09/2009 (envelope de fl. 613), através de procuradoras, manifestação de inconformidade (fls. 555/561), onde expõe sua contrariedade, assentando os seguintes argumentos: Dos Fatos • é sociedade cooperativa cujo objeto social é a prestação de serviços e comércio de produção agrícola em geral, conforme seu estatuto social; • foi autora do processo judicial nº 98.12052070 no qual foi reconhecido o direito à devolução de valores pagos a maior a título de PIS, assegurado o aproveitamento através de precatório ou compensação. Houve trânsito em julgado em 13/11/2004; • com base na Lei nº 8.383, de 1991 (art. 66), efetuou a compensação mensal dos valores referentes à exação objeto do processo judicial com créditos tributários vincendos. Apresentou, ainda, Pedido de Habilitação de Crédito Judicial, que foi deferido (processo nº 13029.000053/200658); • o crédito total da Cooperativa, atualizado até 12/2004, formou o montante de R$ 114.182,15, sendo todo o crédito aproveitado, tendo sido realizada a última compensação em 11/2008; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11030.000174/200473 Acórdão n.º 330201.152 S3C3T2 Fl. 4 4 • inadvertidamente, a autoridade fiscal notificou a Cooperativa de que quatro (04) Declarações de Compensação não foram homologadas por insuficiência de crédito. No entanto, tal decisão não prospera, eis que os cálculos não se encontram em conformidade com a decisão judicial proferida, consoante decisão judicial proferida nos embargos à execução nº 2005.71.04.0014899; • naquele processo judicial a autoridade administrativa alegou que o valor do crédito, atualizado até 12/2004, era de R$ 111.549,41, tendo sido homologado na via judicial os cálculos elaborados pela Cooperativa (montante de R$ 114.182,15). Dessa forma, a Cooperativa possui crédito suficiente para todas as compensações realizadas, tendo em vista que seu cálculo de atualização do crédito encontrase em consonância com a decisão judicial; • nos documentos constantes nos Embargos à Execução de Sentença nº 2005.71.04.0014899, a Cooperativa aponta que a alegada diferença no valor do crédito decorre da inobservância, pela autoridade fiscal, dos índices de correção monetária, bem como da exclusão da multa das competências 10/1991 e 02/1996; • o despacho decisório não deve prevalecer no tocante à não homologação das compensações, eis que o cálculo elaborado pela Cooperativa encontrase em consonância com os termos da decisão judicial, merecendo ser anulada a cobrança em tela e homologadas as compensações. Do direito Preliminarmente Da ausência de abertura de prazo para manifestação de inconformidade • a autoridade administrativa entendeu que o crédito da Cooperativa era insuficiente para a efetivação de todas as compensações, não homologando quatro declarações de compensação. Procedeu a intimação para pagamento sem abertura de prazo para apresentação de manifestação de inconformidade; • ao proceder desta forma, a autoridade fiscal desconsiderou a legislação vigente, o Decreto nº 70.235, de 1972, e a Lei nº 9.430, de 1996 – art. 74, §§ 7º ao 9º, que prevê para os casos de não homologação das compensações, o prazo de 30 dias para que a sociedade possa manifestar a sua inconformidade; • a manifestação de inconformidade é munida de efeito suspensivo, nos termos do art. 151, III, do CTN, conforme dispõe o art. 74, § 11, da Lei nº 9.430, de 1996; • é de ver conhecida a manifestação de inconformidade apresentada, suspensa a exigibilidade da cobrança, bem como Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11030.000174/200473 Acórdão n.º 330201.152 S3C3T2 Fl. 5 5 analisado o seu mérito, cujos fundamentos são apresentados com o intuito de, ao final, extinguir a cobrança. Do mérito Dos cálculos de atualização de crédito • embora não tenham sido anexados ao despacho decisório os cálculos de atualização do crédito reconhecido, tal questão já foi abordada e decidida nos Embargos à Execução de Sentença nº 2005.71.04.0014899, onde restou homologado o cálculo da Cooperativa; • através dos documentos anexos, verificase que o cálculo de atualização do crédito elaborado pela autoridade fiscal encontrase em desconformidade com a decisão judicial do processo nº 98.12052070, já que não utilizou corretamente os índices de correção monetária, bem como não computou no cálculo a multa da competência 10/1991 e o recolhimento indevido da competência 02/1996; • o cálculo elaborado pela autoridade administrativa, atualizado até 12/2004, era de R$ 111.549,41. Entretanto, conforme a decisão judicial, o cálculo elaborado pela Cooperativa (montante de R$ 114.182,15) é que deve ser acolhido, eis que se encontra em consonância com a determinação judicial; • o montante apurado encontrase em consonância com a decisão judicial, havendo, portanto, saldo suficiente para as compensações realizadas entre 07/2008 e 11/2008, que devem ser imediatamente homologadas; • requer a reforma parcial do despacho decisório para que sejam homologadas as compensações realizadas através das DCOMPs nºs 39419.57148.190908.1.3.549155, 03389.13941.210008.1.3.543013, 38566.08339.201108.1.3.54 1668 e 02325.88507.221208.1.3.543013, tendo em vista que a conta apurada através do processo judicial está correta, havendo saldo credor suficiente para as referidas compensações. Documentos anexados • relaciona os documentos que diz ter anexado à manifestação de inconformidade. Do pedido • demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito, requer seja recebida a sua manifestação de inconformidade e documentos que tempestivamente apresenta, suspendendo a exigibilidade da cobrança nos termos do art. 74, § 11, da Lei nº 9.430, de 1996, acolhendose as razões expostas para homologar as compensações, declarandose a insubsistência parcial do despacho decisório, tendo em vista a existência de saldo credor suficiente para a efetivação das compensações, já que no cálculo de atualização do crédito elaborado pela Cooperativa foi Fl. 5DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11030.000174/200473 Acórdão n.º 330201.152 S3C3T2 Fl. 6 6 homologado na via judicial através da decisão proferida no processo nº 2005.71.04.0014899; • pede deferimento. Junto à manifestação de inconformidade a contribuinte apresentou os documentos de fls. 562/599 e 602/612. A repartição jurisdicionante anexou o envelope de fl. 613 e documentos postados em 09/09/2009, tendo despachado nas fls. 619/620. Deste despacho a contribuinte tomou ciência em 09/10/2009 (Intimação e AR de fls. 621/622), tendo apresentado o expediente de fls. 623/626, onde, em síntese, contesta a possibilidade de apresentação intempestiva da manifestação de inconformidade de fls. 555/561. A DRF de origem informou e encaminhou o processo a esta DRJ (fl. 630). No recurso, após discorrer sobre a inconstitucionalidade do arrolamento de bens, esclareceu que “foi autora do processo judicial n° 98.12.052070, no qual foi reconhecido o direito à devolução dos valores pagos à maior à título de PIS, assegurando o aproveitamento através de precatório ou compensação. O referido processo transitou em julgado em 13.11.2004”. Ainda esclareceu que foi deferida a habilitação do crédito perante a Receita Federal (processo no 13029.000053/200658). Depois, discorreu sobre a divergência nos cálculos de seu direito e o acórdão da Delegacia de Julgamento. A seguir, afirmou que, “Embora não tenha sido anexado os cálculos de atualização do crédito reconhecido judicialmente à Contribuinte ao despacho decisório que negou a homologação das Declarações de Compensação da ora recorrente, tal questão já foi abordada e decidida nos Embargos à Execução de Sentença n° 2005.71.04.0014899, onde restou homologado o cálculo da Contribuinte”. Afirmou que, na apuração realizada pelo fisco, não teriam sido utilizados os índices corretos de atualização monetária e teriam sido desconsiderados a multa do período de outubro de 1991 e o recolhimento do período de fevereiro de 1996. Acrescentou que o acórdão não teria apresentado “base legal” que demonstrasse a falha na apuração dos créditos, no que concerne ao uso da Ufir incorreta (a dia 1 ou 2, em vez de a do dia do pagamento). Ademais, o crédito teria sido homologado judicialmente e não poderia mais ser questionado. Tratou da “prevalência da decisão judicial”, uma vez que a questão teria sido discutida judicialmente. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11030.000174/200473 Acórdão n.º 330201.152 S3C3T2 Fl. 7 7 O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Conforme esclarecido no relatório, a discussão nos presentes autos diz respeito a saber se o direito de crédito da Interessada seria de R$ 111.549,41 ou de R$ 114.182,15. Preliminarmente, discutese se a questão faz parte do trânsito em julgado. Da planilha constante do processo judicial (fls. 217 a 229), constou a apuração do valor requerido pela Interessada. Na sentença (fl. 241), destacouse que a atualização “no caso de compensação, será discutido na esfera administrativa, ou em ação própria, de caráter preventivo ou repressivo.” Da certidão de objetoepé de fl. 294, constou que “Após o trânsito em julgado (23/11/2004), a parte autora apresentou cálculos e requereu a execução das verbas sucumbenciais. Citada, a Fazenda Nacional opôs embargos, ainda pendentes de julgamento, alegando excesso de execução. A parte autora ratificou sua opção pela compensação administrativa do indébito tributário e formulou pedido de homologação de sua renúncia ao recebimento dos valores por meio de precatório.” Entretanto, deduzse que houve execução apenas dos honorários advocatícios de sucumbência e do reembolso de custas processuais, “impondose o cálculo do indébito tributário apenas para fins de apuração da verba honorária”, conforme constou de despacho de 14 de agosto de 2008 (http: // www.trf4.gov.br/ trf4/ processos/ visualizar_documento_gedpro.php? local= jfrs&documento= 3735060&DocComposto= 75099&Sequencia= 2&hash= 2be5c40ede8d4e47fc1e2850589dd120) no âmbito da Execução 98.12.052070 / RS. Portanto, não tendo havido execução relativamente ao indébito e tendo sido os cálculos apurados apenas para efeito da sucumbência, o total do indébito, ao contrário do alegado pela Interessada, não foi homologado judicialmente. No tocante aos cálculos, o acórdão de primeira instância expôs as divergências, concluindo, primeiramente, que, no demonstrativo da Interessada, teria sido indevidamente considerado o PIS do período de fevereiro de 1996. Em relação à inclusão ou não de tal período de apuração na ação judicial, verificase do demonstrativo de fl. 222 que fez parte do demonstrativo. Ademais, o pedido da Interessada não comportou limitação temporal e a MP no 1.212, de 1995, somente produziu efeitos a partir do período de março de 1996, conforme ressaltado no próprio acórdão do Tribunal Regional Federal (fl. 203). De fato, no demonstrativo elaborado pelo fisco (fl. 253), não se levou em conta tal período de apuração. Dessa forma, nessa matéria, cabe razão à Interessada, devendo ser admitida a inclusão do referido período de apuração no montante dos indébitos. Outra questão de divergência foi a Ufir que deveria ser utilizada na apuração. Nesse aspecto, conforme ressaltado anteriormente, não houve decisão judicial sobre essa Fl. 7DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11030.000174/200473 Acórdão n.º 330201.152 S3C3T2 Fl. 8 8 matéria e caberia ao fisco apurar os indébitos, utilizando os índices previstos legalmente para tanto. No caso, é inadmissível a adoção da Ufir mensal na apuração, uma vez que tal Ufir é a do início do mês e, portanto, menor do que a Ufir da data da arrecadação. Dessa forma, a adoção da Ufir mensal representa claramente apuração a maior do indébito, uma vez que, no recolhimento, o valor em Ufir era reconvertido para moeda na data da arrecadação. Em outras palavras, o valor deve ser restituído no mesmo número de Ufir relativo ao pagamento efetuado e, adotandose a Ufir mensal, o valor seria maior e, portanto, indevido (Lei no 8.383, de 1991). No mais, é verdadeira a conclusão do acórdão de primeira instância de que, “ao contrário do que entende a contribuinte, atenta ao determinado na decisão judicial, a unidade da RFB explicitou, de forma clara e concisa, a forma como efetuou os cálculos, utilizandose corretamente dos índices de correção monetária a serem aplicados, conforme se depreende da análise dos demonstrativos anexados ao processo, especialmente das planilhas de fls. 252/255 e 295/297.” Portanto, não houve, em relação à atualização dos créditos, erro na apuração ou desobediência à decisão judicial transitada em julgado. Em relação às demais matérias, adoto os fundamentos do acórdão primeira, com fulcro no art. 50, §1º, da Lei no 9.784, de 1999. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para que seja incluída na apuração do crédito da Interessada o recolhimento relativo ao período de fevereiro de 1996. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 8DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 10840.001968/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2005
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO.
O valor pago a título de pensão alimentícia pode ser deduzido da base de cálculo do imposto de renda, mas desde que decorra de acordo homologado judicialmente ou de decisão judicial, conforme normas do Direito de Família.
Acata-se como dedução na Declaração de Ajuste Anual a pensão alimentícia cuja obrigação foi homologada por anterior sentença judicial, sendo os seus pagamentos devidamente confirmados pela beneficiária.
Numero da decisão: 2102-001.542
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário, a fim de cancelar a glosa da dedução a título de pensão alimentícia e, conseqüentemente, extinguir o crédito tributário exigido.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. O valor pago a título de pensão alimentícia pode ser deduzido da base de cálculo do imposto de renda, mas desde que decorra de acordo homologado judicialmente ou de decisão judicial, conforme normas do Direito de Família. Acatase como dedução na Declaração de Ajuste Anual a pensão alimentícia cuja obrigação foi homologada por anterior sentença judicial, sendo os seus pagamentos devidamente confirmados pela beneficiária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, a fim de cancelar a glosa da dedução a título de pensão alimentícia e, conseqüentemente, extinguir o crédito tributário exigido. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente. Assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator. EDITADO EM: 26/10/2011 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10840.001968/200961 Acórdão n.º 2102001.542 S2‐C1T2 Fl. 74 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atílio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 69 e 70, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 62 a 66, que julgou procedente em parte o lançamento do IRPF de fls. 06 a 08, relativo ao anocalendário 2005, lavrado em 09/11/2009, com ciência do RECORRENTE em 20/11/2009 (fl. 59). De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 06, a notificação de lançamento está calcada na seguinte acusação: “Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial. Glosa do valor de R$ 20.640,00, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. CONTRIBUINTE INTIMADO (INTIMAÇA0 335/2009) , NÃO COMPROVOU O EFETIVO PAGAMENTO DA PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. GLOSADA A DEDUÇÃO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. Enquadramento Legal: Art. 8.°, inciso II, alínea ‘f’, da Lei n.° 9.250/95; arts. 49 e 50 da Instrução Normativa SRF n.° 15/2001, arts.73, 78 e 83 inciso II do Decreto n.° 3.000/99 RIR/99.” Conforme demonstrativo de fl. 06v., após as alterações promovidas pela fiscalização, foi apurado imposto suplementar de R$ 3.929,96, que se sujeita aos juros de mora e à multa de ofício, conforme fl. 08. DA IMPUGNAÇÃO Em 22/12/2009, o RECORRENTE, através de procurador constituído à fl. 04, apresentou, tempestivamente, a impugnação de fls. 01 a 02, alegando, em suma, o seguinte: I. Ficou determinado que o RECORRENTE pagaria aos filhos a quantia de seis salários mínimos, deduzidas as despesas com o pagamento das mensalidades escolares e com o financiamento do imóvel residencial. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10840.001968/200961 Acórdão n.º 2102001.542 S2‐C1T2 Fl. 75 3 Após tais deduções, o saldo seria depositado em conta corrente de titularidade de sua exesposa Mirza de Cássia Gândara Simão, mantida no Banco Nossa Caixa S/A, agência 00698 – Santa Rita do Passa Quatro, Conta n° 01.0062870; II. A fim de comprovar suas alegações, juntou aos autos declaração da escola, declaração do agente financeiro, bem como declaração de sua ex esposa; III. Alegou que não pode ser penalizado por ilícito que não cometeu, pois pagou diretamente a pensão alimentícia mediante recibo, que serve como prova do pagamento, conforme prevê o artigo 320 do Código Civil. Assim, agiu na mais absoluta boafé no cumprimento de suas obrigações de alimentante. Na ocasião, juntou aos autos os seguintes documentos: cópia da ação de separação judicial consensual (fls. 12 a 15); termo de audiência em separação consensual, com certidão de trânsito em julgado (fls. 16 e 17); declaração da Cooperativa de Ensino e Cultura de Santa Rita do Passa Quatro de que o RECORRENTE pagou as mensalidades durante todo ano de 2005, sendo o valor mensal de R$ 739,56, referente a seus filhos: Larissa Gândara Simão, Rafael Gândara Simão e Flávia Gândara Simão (fl. 18); declaração da Caixa Econômica Federal de que as parcelas de janeiro/2005 a dezembro/2005, referente ao contrato de financiamento habitacional, foram debitadas da conta corrente do RECORRENTE, conforme planilha de fls. 22 e 23 (fl. 19); declaração da excônjuge de que recebeu do RECORRENTE, durante o anocalendário 2005, a quantia de R$ 6.980,00 referente ao pagamento de pensão alimentícia aos filhos (fl. 20); e cópia da declaração de ajuste anual do RECORRENTE (fls. 37 a 40). Assim, o RECORRENTE requereu fosse cancelado o lançamento de imposto de renda. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 62 a 66 dos autos, julgou procedente em parte o lançamento do imposto, através de acórdão com a seguinte ementa: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10840.001968/200961 Acórdão n.º 2102001.542 S2‐C1T2 Fl. 76 4 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 GLOSA DE DEDUÇÕES. O direito às deduções condicionase à comprovação não só da efetividade dos serviços prestados, mas também dos correspondentes pagamentos. Artigo 73, 80, § 1°, III, e 797 do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. Nos termos do inciso II do artigo 10.º da Lei n° 8.383/91, inciso II do artigo 4° da Lei n° 9.250/95, e do artigo 78 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 1999, somente é dedutível da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física a pensão paga em decorrência de acordo ou decisão judicial. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Nas razões do voto que compõe o julgamento, a autoridade julgadora argumentou: “(...) Especificamente quanto à pensão alimentícia, a legislação tributária admite a dedução para fins de cálculo do imposto de renda – pessoa física, conforme normas do Direito de Família, sempre em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. (...) Vêse, portanto, que a Lei preocupouse em deixar expressa a impossibilidade de dedução da base de cálculo do imposto de renda de valores pagos como pensão alimentícia fora do processo judicial (...) No caso em comento, o contribuinte carreia os documentos relativos à pensão alimentícia judicialmente determinada. Como afirma o contribuinte em sua defesa, ficou determinado que o contribuinte pagaria aos filhos a quantia de seis salários mínimos, deduzidas as despesas com o pagamento das mensalidades escolares e com o financiamento do imóvel residencial, sendo o restante depositado em conta corrente de titularidade da exesposa Mirza de Cássia Gândara Simão. O contribuinte ora faz prova dos seguintes pagamentos: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10840.001968/200961 Acórdão n.º 2102001.542 S2‐C1T2 Fl. 77 5 * R$ 739,56: declaração da Cooperativa de Ensino e Cultura de Santa Rita do Passa Quatro, referente às mensalidades de 2005 dos três filhos. * R$ 4.813,97: declaração da Caixa de que o valor referente ao financiamento do imóvel foi debitado na conta do contribuinte. Com efeito, tanto as mensalidades escolares quanto o financiamento do imóvel ficaram a cargo do contribuinte que deduziria tal valor da pensão alimentícia determinada judicialmente, daí concluirse que tais valores têm natureza jurídica de pensão alimentícia. Todavia, o restante deveria ter sido depositado em conta corrente de titularidade da exesposa Mirza de Cássia Gândara Simão. Ora, se tais valores foram depositados em conta corrente, poderia o contribuinte, facilmente, ter feito prova da efetiva transferência do numerário. (...) Como não o fez, deve o lançamento ser mantido quanto ao correspondente valor, devendo ser diminuída a glosa tão somente quanto aos pagamentos comprovados a titulo mensalidades escolares e do financiamento do imóvel, conforme determinado judicialmente. (...)” Assim, efetuou o reajuste do valor cobrado, conforme tabela abaixo: total de rendimentos tributáveis 34.596,95 omissão de rendimentos apurada 0,00 total deduções declaradas 20.640,00 (+) glosa de deduções indevidas 15.086,47 (20.640,00 – 739,56 – 4.813,97) (=) base de cálculo apurada após alterações 29.043,42 (x) alíquota de 27.5% 7.986,94 () parcela a deduzir 5.584,20 (=) imposto calculado após alterações 2.402,74 () i. pago 0,00 () imposto a pagar declarado 0,00 imposto suplementar apurado 2.402,74 O valor de R$ 2.402,74 se sujeita à multa de ofício de 75% e aos juros de mora. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão em 05/11/2010 (fl. 68), apresentou recurso voluntário, de fls. 69 e 70, em 06/12/2010. Na oportunidade, afirmou que havia comprovado satisfatoriamente que deduziu de sua declaração a pensão alimentícia Fl. 84DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10840.001968/200961 Acórdão n.º 2102001.542 S2‐C1T2 Fl. 78 6 estipulada em acordo homologado judicialmente nos autos da Separação Judicial Consensual, e que a prova da quitação era a declaração prestada pela sua excônjuge, conforme prevê o art. 320 do Código Civil. Alegou também que, a pedido de sua excônjuge, efetuou alguns depósitos no Banco Santander e outras vezes pagou em dinheiro. Assim, requereu a reforma da decisão de primeira instância para que seja cancelado o lançamento. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. No caso dos autos, como observou a DRJ, “tanto as mensalidades escolares quanto o financiamento do imóvel ficaram a cargo do contribuinte que deduziria tal valor da pensão alimentícia determinada judicialmente, dai concluirse que tais valores terem natureza jurídica de pensão alimentícia.” No entanto, ao julgar a contrariedade do contribuinte, a autoridade julgadora entendeu que a declaração da Cooperativa de Ensino e Cultura de Santa Rita do Passa Quatro (fl. 18) fazia prova apenas da quitação do valor de R$ 739,56, enquanto, na realidade, o referido documento expõe que o RECORRENTE pagou as mensalidades durante todo o ano calendário 2005, sendo o valor mensal de R$ 739,56. Portanto, o valor pago pelo RECORRENTE a título de mensalidades escolares de seus três filhos, durante o anocalendário 2005, foi de R$ 8.874,72 (12 x R$ 739,56), e não simplesmente o valor de R$ 739,56 que corresponde somente à uma mensalidade. Assim, o presente caso resumese à aceitação da declaração da excônjuge do RECORRENTE como forma de comprovação do pagamento do saldo da pensão alimentícia estabelecida judicialmente, que foi de seis salários mínimos mensais. No que diz respeito à dedução do valor pago a título de pensão alimentícia, o art. 4º, inciso II, da Lei nº 9.250/95, estabelece que somente são dedutíveis quando decorrem de decisão judicial, verbis: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10840.001968/200961 Acórdão n.º 2102001.542 S2‐C1T2 Fl. 79 7 “Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil;” Nos termos do acordo homologado pela Comarca de Santa Rita do Passa Quatro/SP (fls. 12 a 16), o RECORRENTE ficou incumbido de pagar a pensão alimentícia equivalente a seis salários mínimos mensais. Durante o anocalendário 2005, o salário mínimo foi de R$ 260,00 nos quatro primeiros meses do ano (conforme art. 1º da Medida Provisória nº 182, de 29 de abril 2004), passando para R$ 300,00 a partir de 1º/05/2005 (conforme art. 1º da Medida Provisória nº 248, de 20 de abril 2005). Portanto, o valor declarado pelo RECORRENTE a título de dedução com pensão alimentícia corresponde, efetivamente, ao valor estipulado em juízo, conforme cálculo abaixo: [(6 x R$ 260,00) x 4 meses] + [(6 x R$ 300,00) x 8 meses] = R$ 20.640,00 Nesse valor estão inseridas as mensalidades escolares (R$ 8.874,72), bem como o financiamento habitacional (R$ 4.813,97), conforme estabelecido no acordo homologado judicialmente. A diferença correspondem aos depósitos realizados pelo RECORRENTE em conta de sua excônjuge. Como prova, o RECORRENTE acosta aos autos declaração prestada por sua excônjuge, onde esta afirma ter recebido, durante o anocalendário 2005, a quantia de R$ 6.980,00 a título de pensão alimentícia dos filhos (fl. 20). Na visão deste julgador, o conjunto probatório e o contexto delineado não deixam dúvidas de que o RECORRENTE, efetivamente, pagou, durante o anocalendário 2005, os valores estipulados no acordo homologado judicialmente, a título de pensão alimentícia. O entendimento do antigo Conselho de Contribuintes é que a pensão alimentícia cuja obrigação foi homologada por anterior sentença judicial, sendo os seus pagamentos devidamente confirmados pela beneficiária, são dedutíveis, conforme julgado abaixo transcrito: “PAF NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Não é nulo acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na impugnação. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10840.001968/200961 Acórdão n.º 2102001.542 S2‐C1T2 Fl. 80 8 APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO RETROATIVIDADE DA LEI Nº 10.174, de 2001 Ao suprimir a vedação existente no art. 11, da Lei nº 9.311, de 1996, a Lei nº 10.174, de 2001, nada mas fez do que ampliar os poderes de investigação do Fisco, sendo aplicável essa legislação, por força do que dispõe o § 1º, do art. 144, do Código Tributário Nacional, inclusive retroativamente. CARÁTER INTERPRETATIVO DE LEI AUSÊNCIA O artigo 129, da Lei nº 11.196, de 2005, não tem efeito interpretativo, razão pela qual não pode ser aplicado a fatos geradores pretéritos. Na verdade, tratase de um novo regime jurídico de tributação. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO, ATIVIDADE OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA NÃO COMERCIAL CONTRIBUINTE São tributadas como rendimentos de pessoas físicas as remunerações por serviços prestados, de natureza não comercial, com ou sem vínculo empregatício, independentemente da denominação que se lhes dê. O fato de formalmente a relação contratual ter sido estabelecida em nome de pessoa jurídica não muda o efetivo contribuinte, que é definido em lei e com base na natureza dos rendimentos. RECLASSIFICAÇÃO DA RECEITA TRIBUTADA NA PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DA PESSOA FÍSICA COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA Devem ser compensados na apuração do crédito tributário os valores arrecadados sob os códigos de tributos exigidos da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de pessoa física, base de cálculo do lançamento de ofício. DEDUÇÕES PENSÃO ALIMENTÍCIA Acatase como dedução na Declaração de Ajuste Anual a pensão alimentícia cuja obrigação foi homologada por anterior sentença judicial, sendo os seus pagamentos devidamente confirmados pela beneficiária. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, é aplicável nos casos em que fique caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme definido pelos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964. A simples realização de contrato entre a empresa da qual o contribuinte era sócio e terceiro para a prestação de serviços de natureza pessoal pelo sócio, ainda que com o propósito de se beneficiar de tributação mais favorecida, não caracteriza o evidente intuito de fraude. Recurso parcialmente provido. (Recurso voluntário nº 152827, julgado em 06/12/2007 pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes)” Fl. 87DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10840.001968/200961 Acórdão n.º 2102001.542 S2‐C1T2 Fl. 81 9 Portanto, conforme acima exposto, entendo que o RECORRENTE pleiteou a dedução de pensão alimentícia nos exatos limites estabelecidos pelo acordo homologado judicialmente, bem como comprovou o pagamento de tais valores durante o anocalendário 2005. Isto posto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, a fim de cancelar a glosa da dedução a título de pensão alimentícia e, consequentemente, extinguir o crédito tributário exigido. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 10580.727425/2009-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA.
A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma
da Lei complementar estadual nº 20/2003.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.724
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso. Esteve presente o Dr. Manoel Joaquim Pinto Rodrigues da Costa, patrono do recorrente.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Esteve presente o Dr. Manoel Joaquim Pinto Rodrigues da Costa, patrono do recorrente. Assinado digitalmente. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.727425/200986 Acórdão n.º 210201.724 S2C1T2 Fl. 228 2 Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 04/02/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 120 a 127 da instância a quo, in verbis: Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 17.715,02, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; Fl. 228DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.727425/200986 Acórdão n.º 210201.724 S2C1T2 Fl. 229 3 b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto, não integra a base de cálculo do imposto de renda; f) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; g) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; h) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os Fl. 229DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.727425/200986 Acórdão n.º 210201.724 S2C1T2 Fl. 230 4 dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios. ; l) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; m) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, devese observar o princípio da boafé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora; n) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante tratase de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; o) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitálas ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; p) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; q) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; r) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia; Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes e fundamentos legais, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.727425/200986 Acórdão n.º 210201.724 S2C1T2 Fl. 231 5 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 131 a 219, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, uma vez que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Cuidase de processo idêntico a outro já apreciado nesta Turma, em sessão realizada em 08/06/2011, razão porque peço vênia para transcrever o voto proferido pelo ConselheiroPresidente Giovanni Christian Nunes Campos, no Acórdão nº 2102001.337, de 08/06/2011, que em tudo se aplica ao presente caso: Para o deslinde da controvérsia, trazse a Resolução STF nº 245/2002: RESOLUÇÃO Nº 245, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2002 Dispõe sobre a forma de cálculo do abono de que trata o artigo 2º e §§ da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 13, XVII, combinado com o artigo 363, I, do Regimento Interno, Considerando o decidido pelo Tribunal, na sessão administrativa de 11 de dezembro de 2002, presentes os ministros Moreira Alves, Sydney Sanches, Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Maurício Corrêa, Nelson Jobim, Ellen Gracie e Gilmar Mendes; Fl. 231DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.727425/200986 Acórdão n.º 210201.724 S2C1T2 Fl. 232 6 Considerando a vigência do texto primitivo – anterior à Emenda nº 19/98 – da Constituição de 1988, relativo à remuneração da magistratura da União; Considerando a vigência da Lei Complementar nº 35, de 14 de março de 1979; Considerando o direito à gratificação de representação artigo 65, inciso V, da Lei Complementar nº 35, de 1979, e Decretolei nº 2.371, de 18 de novembro de 1987, nos percentuais fixados; Considerando o direito à gratificação adicional de cinco por cento por qüinqüênio de serviço, até o máximo de sete qüinqüênios artigo 65, inciso VIII, da Lei Complementar nº 35, de 1979; Considerando a absorção de todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial pelos valores decorrentes da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002 artigos 1º, § 3º, e 2º, §§ 1º, 2º e 3º; Considerando o disposto na Resolução STF nº 235, de 10 de julho de 2002, que publicou a tabela da remuneração da Magistratura da União, decorrente da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando o escalonamento de cinco por cento entre os diversos níveis da remuneração da magistratura da União artigo 1º, § 2º, da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando a necessidade de, no cumprimento da Lei Complementar nº 35, de 1979, e da Lei nº 10.474, de 2002, adotarse critério uniforme, a ser observado pelos órgãos do Poder Judiciário da União, para cálculo e pagamento do abono; Considerando a publicidade dos atos da Administração Pública, RESOLVE: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Art. 2º Para os efeitos do artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, e para que se assegure isonomia de tratamento entre os beneficiários, o abono será calculado, individualmente, observandose, conjugadamente, os seguintes critérios: I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%); Fl. 232DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.727425/200986 Acórdão n.º 210201.724 S2C1T2 Fl. 233 7 II o montante das diferenças mensais apuradas na forma do inciso I será dividido em vinte e quatro parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2003 a dezembro de 2004. Art. 3º Serão recalculados, mês a mês, no mesmo período definido no inciso I do artigo 2º, o valor da contribuição previdenciária e o do imposto de renda retido na fonte, expurgandose da base de cálculo todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período, a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais, por terem essas parcelas a mesma natureza conferida ao abono, nos termos do artigo 1º, observados os seguintes critérios: I o montante das diferenças mensais resultantes dos recálculos relativos à contribuição previdenciária será restituído aos magistrados na forma disciplinada no Manual SIAFI pela Secretaria do Tesouro Nacional; II o montante das diferenças mensais decorrentes dos recálculos relativos ao imposto de renda retido na fonte será demonstrado em documento formal fornecido pela unidade pagadora, para fins de restituição ou compensação tributária a ser obtida diretamente pelo magistrado junto à Receita Federal. Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Ministro MARCO AURÉLIO Pela Resolução STF nº 245/2002, especificamente em seu art. 3º, ficou determinado que “todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período [1998 a 2002], a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais”, percebidos pela Magistratura da União, com base no art. 6º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, inclusive as verbas referentes a diferenças de URV, ficaram excluídos da base de cálculo do imposto de renda, por terem a mesma natureza indenizatória do abono variável. O Sr. Ministro da Fazenda, com base no Parecer PGFN nº 529/2003, reconheceu o caráter indenizatório das verbas percebidas com base na legislação citada. Ocorre que foi publicada a Lei nº 10.477/2002, que, em seu art. 2º, estendeu aos Membros do Ministério Público Federal MPF as mesmas vantagens do art. 6º da Lei nº 9.655/98 dadas à Magistratura da União, e, instado o Sr. Ministro da Fazenda sobre o caráter dos valores percebidos no período 19982002 pelos Membros do MPF, aplicou a mesma interpretação do parágrafo precedente, em linha com o entendimento do Supremo Tribunal Federal para a Magistratura da União (Resolução STF nº 245/2002), apoiado no Parecer PGFN nº 923/2003. Interessante ressaltar que a Lei nº 9.655/98 estava voltada unicamente à Magistratura da União, com deferimento de abono variável a partir de janeiro de 1998, de forma a atingir o Fl. 233DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.727425/200986 Acórdão n.º 210201.724 S2C1T2 Fl. 234 8 subsídio que se esperava vir a lume com publicação da Emenda Constitucional nº 19/1998, situação que não se concretizou, levando, posteriormente à publicação da Lei nº 10.474/2002, que majorou os estipêndios da Magistratura da União e determinou o pagamento das diferenças do período 19982002 em 24 parcelas a partir de janeiro de 2003. Os Membros do Ministério Público não tinham quaisquer expectativas de aumento de remuneração com base na Lei nº 9.655/98, pois lá não tinham sido contemplados. A despeito disso, quando o art. 2º da Lei nº 10.477/2002 fez remissão ao abono variável do art. 6º da Lei nº 9.655/1998, pugnaram a exclusão da base de cálculo do imposto de renda dos valores citados no art. 3º da Resolução STF nº 245/2002, obtendo, como se viu, o beneplácito do Ministro da Fazenda. Em minha leitura, o pagamento da diferença da URV previsto no art. 2º da Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 tem a mesma natureza daqueles pagos ao Ministério Público Federal, pois o Ministério Público do Estado da Bahia também não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios dos Membros do MP local). Veio a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 e pagou as diferenças de URV, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda, pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar baiana nº 20/2003, referentes às mesmas diferenças de URV. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas União e Estado da Bahia e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN nº 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF nº 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002 tem caráter Fl. 234DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.727425/200986 Acórdão n.º 210201.724 S2C1T2 Fl. 235 9 indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas pelos Membros do Ministério Público da Bahia com base na Lei complementar nº 20/2003, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). Com as razões acima, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Considerando as razões exaradas no voto acima transcrito, devese cancelar o crédito tributário exigido no Auto de Infração, de modo que tornase desnecessária a análise das demais argumentações apresentadas pelo contribuinte no recurso. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 12045.000061/2007-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 01/01/1991
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nos casos em que não se comprova antecipação do pagamento, nos termos do inciso I do art. 173 do CTN.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.601
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Francisco Assis de Oliveira Junior
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/01/1991 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nos casos em que não se comprova antecipação do pagamento, nos termos do inciso I do art. 173 do CTN. Recurso especial negado.
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição ' dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nos casos em que não se comprova antecipação do pagamento, nos termos do inciso I do art. 173 do CTN. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Henrique Pinheiro Torres – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 196DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 2 EDITADO EM: 16/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior c/c artigo 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007. Na decisão recorrida, Acórdão nº 20601.178, de 07/08/2008, consta a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 40, do Código Tributário Nacional, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude e/ou conluio comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Recurso Voluntário Provido. A inconformidade da Fazenda Nacional referese ao provimento, por maioria, para aplicação do prazo decadencial previsto no § 4º do art. 150 do CTN. No entendimento do órgão fazendário houve contrariedade à lei, especificamente o § 1º do art. 49 da Lei nº 8.212, de 1991, haja vista o contribuinte, pelo fato de não ter comunicado ao INSS a execução da obra cujas contribuições pagas aos segurados empregados agora se pretende declarar decadente. Além disso, firmase na contrariedade às provas dos autos, uma vez não ter sido apresentado qualquer documento em conformidade com os previstos no § 2º do art. 496 da Instrução Normativa nº 100, de 2003, vigente à época dos fatos que comprovem a conclusão da obra no ano de 1991. O recurso foi admitido por meio do despacho às fls. 165/166, haja vista ter ficado demonstrado, fundamentadamente, em que a decisão recorrida seria contrária à lei ou à evidência dos fatos, consoante o disposto no inciso I do artigo 70 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 197DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 12045.000061/200714 Acórdão n.º 920201.601 CSRFT2 Fl. 181 3 A Fazenda Nacional sustenta sua pretensão, afirmando que, embora o contribuinte alegue que a conclusão da obra tenha ocorrido no ano de 1991, inexiste prova de que tenha informado a existência de tal construção ao INSS ou à Receita Previdenciária. Assim, podese concluir que o prazo decadencial somente começaria a fluir a partir da data em que o contribuinte informasse a ocorrência dos fatos jurídicotributários à Administração, e não na suposta data de conclusão da obra sem comprovação hábil. Conforme preceitua a alínea "b" do §1º do art. 49 da Lei n.° 8.212/91, os responsáveis por obras de construção civil ficam compelidos a comunicar ao INSS, atualmente à Secretaria da Receita Federal do Brasil, no prazo de 30 dias, o início das respectivas atividades. Ressalta que o art. 496 da IN INSS/DC n.º 100/2003, então vigente, é expresso ao delinear que "cabe ao interessado a comprovação da realização de parte da obra ou da sua total conclusão em período abrangido pela decadência". Tratase, pois de obrigação tributária acessória dirigida ao contribuinte, cujo descumprimento não pode germinar vantagem, mas sim, ônus a ser suportado. Entender de forma diferente é privilegiar a própria torpeza do sujeito passivo, que se utiliza de sua omissão ilegal e clandestina para obter benefícios indevidos em detrimento daqueles outros que cumprem todas as suas obrigações legais. Acrescenta, ainda que se considere a data de conclusão da obra como termo inicial de contagem do prazo decadencial, o fato é que a parte autora não trouxe qualquer prova aceitável no que toca à referida data de conclusão da obra realizada no seu imóvel. Vale dizer, inexiste manancial probatório que demonstre efetivamente que a construção tenha sido concluída no ano afirmado, qual seja, 1991. Em contrarazões, fls. 170/177,o interessado sustenta a inadmissibilidade do recurso e, no mérito, reprisa os argumentos em seu recurso voluntário, acrescentando que diferente do alegado pela Fazenda Nacional, comprovou o término da obra por meio de certidão do poder público municipal, detentor de fé pública, além de outros documentos que formaram a convicção do órgão julgador a quo. Conclui pugnando pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior, Relator Inicialmente, registro que, embora o recurso interposto não esteja previsto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, atualmente vigente, por se tratar de acórdão exarado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, conforme previsão do artigo 40 do atual RICARF, foi processado de acordo com rito previsto no Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria nº 147, de 25/06/2007. Feitas essas considerações, verifico que o recurso especial é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, conforme consta do despacho às fls.165/167. Fl. 198DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 4 Conforme se depreende da peça recursal, pretende a recorrente a reforma do Acórdão sob análise, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram explicitamente o art. 49 §1°, "b" da Lei n.° 8.212/91; art. 496 da Instrução Normativa INSS/DC n.° 100 — de 18 de dezembro de 2003, então vigentes. Não obstante o esforço da Fazenda Nacional em fundamentar seu inconformismo, contudo, verifico a impossibilidade de prosperar esse intento. Da análise dos elementos que instruem o processo, constatase que os documentos acostados aos autos comprovam a existência de decadência do término da obra que constituiu a presente NFLD na forma da legislação vigente. À luz dos dispositivos legais que regiam a matéria, é possível verificar, de acordo com o § 3º do art. 496 da IN 100, de 2003, que a comprovação do término da obra em período decadencial poderia ocorrer mediante a apresentação de vários documentos, in verbis: Art. 496 – (......) § 3° A comprovação do término da obra em período decadencial darseá com a apresentação de habitese, certidão de conclusão de obra (CCO) ou um dos respectivos comprovantes de pagamento de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) ou de certidão de lançamento tributário contendo o histórico do respectivo IPTU ou um dos seguintes documentos: I auto de regularização, auto de conclusão, auto de conservação ou certidão expedida pela prefeitura municipal que se reporte ao cadastro imobiliário da época ou registro equivalente, lançados em período abrangido pela decadência, em que conste a área construída, passível de verificação pelo INSS; II termo de recebimento de obra, no caso de contratação com órgão público, lavrado em período decadencial; III escritura de compra e venda do imóvel, em que conste a sua área, lavrada em período decadencial. Da leitura do inciso I do referido § 3º do art. 496, verificase a possibilidade de comprovação mediante apresentação de certidão expedida pela prefeitura municipal que se reporte ao cadastra imobiliário da época ou registro equivalente. Pois bem, à fl. 41 consta Certidão emitida pela Prefeitura Municipal de Três Ranchos – GO, declarando que foi feito levantamento no Departamento de Licença e Fiscalização de Obras do Município, tendo sido encontrado registro de obra cuja área corresponde a 527,62 m2 construída há mais de 10 anos a contar da data da expedição da certidão, 02/10/2003. Registrese que em diligência determinada pelo órgão julgador da então Secretaria da Receita Previdenciária, fl. 53, a autoridade fiscal desconsiderou os efeitos da certidão apresentada pelo contribuinte a pretexto de que “não há reporte ao cadastro imobiliário da época ou registro equivalente, ficando deste modo prejudicado também o uso desse meio de prova.” (sic) Em meu entendimento, face à fé pública emanada de documentos expedidos pelos poderes públicos, inclusive da esfera municipal, considero que a desconsideração da Fl. 199DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 12045.000061/200714 Acórdão n.º 920201.601 CSRFT2 Fl. 182 5 certidão como prova pela autoridade fiscal foi indevida, tendo em vista ter exigido requisitos não previstos nos atos normativos. Notese que o Secretário de Obras informa ter feito levantamento, constatando a existência de obra cujo término ocorreu há mais de dez anos a contar da data da certidão. Constatase que, mesmo aplicandose o prazo decenal, como de fato ocorreu no caso concreto, a obra teria sido construído dentro do período já alcançado pela decadência. Dessa forma, concluo que não houve contrariedade à lei nem tão pouco às provas dos autos, razão pela qual entendo que o Acórdão recorrido não merece correção, especificamente por ter considerado o conjunto probatório presente nos autos, em especial, a certidão expedida pelo poder municipal, devendo, ser mantido o provimento ao recurso voluntário do contribuinte, razão pela qual VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL da Fazenda Nacional pelas razões de fato e de direito acima expostas. Francisco Assis de Oliveira Júnior (Assinado digitalmente) Fl. 200DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721910/2008-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA.
A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma
da Lei complementar estadual nº 20/2003.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.726
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso. Esteve presente o Dr. Manoel Joaquim Pinto Rodrigues da Costa, patrono do recorrente.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso Voluntário Provido.
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DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Esteve presente o Dr. Manoel Joaquim Pinto Rodrigues da Costa, patrono do recorrente. Assinado digitalmente Fl. 223DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.721910/200865 Acórdão n.º 210201.726 S2C1T2 Fl. 2 2 Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 02/02/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra EMANUEL LEWTON MUNIZ foi lavrado Auto de Infração, fls. 03/10, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2004 a 2006, exercícios 2005 a 2007, no valor total de R$ 172.557,09, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/09/2008. A infração apurada pela autoridade fiscal encontrase assim descrita no Auto de Infração: O sujeito passivo classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis na Declaração de Ajuste os rendimentos auferidos do Ministério Público do Estado da Bahia, CNPJ 04.142.491/200166, a título de “Valores Indenizatórios de URV”, a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Tais rendimentos decorrem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor – URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, do Estado da Bahia. Estas diferenças recebidas têm natureza eminentemente salarial, e conseqüentemente, são tributadas pelo imposto de renda, conforme disposto nos arts. 43 e 114 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento para sujeitálo ou não à incidência do imposto. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.721910/200865 Acórdão n.º 210201.726 S2C1T2 Fl. 3 3 Preceitua a Lei Complementar do Estado da Bahia nº20, de 2003, dentre outras coisas, que a verba em questão é de natureza indenizatória. A única interpretação possível em harmonia com o ordenamento jurídico nacional e em especial com sistema tributário, é a de que esta Lei disciplina aquilo que é pertinente à competência do Estado, ou seja, seus efeitos não se estendem ao imposto de renda. Principalmente porque não se fez, e nem se poderia, estender seus efeitos tributários ao âmbito federal. (...) Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, que se encontra assim resumida no Acórdão DRJ/SDR nº 1525.972, de 02/02/2011, fls. 115/120: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; e) parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº Fl. 225DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.721910/200865 Acórdão n.º 210201.726 S2C1T2 Fl. 4 4 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. A DRJ Salvador julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 28/03/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 123, o contribuinte apresentou, em 11/04/2011, recurso voluntário, fls. 124/209, onde repisa os mesmos argumentos trazidos na impugnação, acrescentando que a decisão recorrida é nula, pois deixou de enfrentar a argüição de ilegitimidade ativa da União para cobrar o valor do Imposto de Renda incidente na fonte que não foi objeto de retenção pelo Estado Membro. É o Relatório. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.721910/200865 Acórdão n.º 210201.726 S2C1T2 Fl. 5 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de processo idêntico a outro já apreciado nesta Turma, em sessão realizada em 08/06/2011, razão porque peço vênia para transcrever o voto proferido pelo ConselheiroPresidente Giovanni Christian Nunes Campos, no Acórdão nº 2102001.337, de 08/06/2011, que em tudo se aplica ao presente caso: Para o deslinde da controvérsia, trazse a Resolução STF nº 245/2002: RESOLUÇÃO Nº 245, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2002 Dispõe sobre a forma de cálculo do abono de que trata o artigo 2º e §§ da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 13, XVII, combinado com o artigo 363, I, do Regimento Interno, Considerando o decidido pelo Tribunal, na sessão administrativa de 11 de dezembro de 2002, presentes os ministros Moreira Alves, Sydney Sanches, Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Maurício Corrêa, Nelson Jobim, Ellen Gracie e Gilmar Mendes; Considerando a vigência do texto primitivo – anterior à Emenda nº 19/98 – da Constituição de 1988, relativo à remuneração da magistratura da União; Considerando a vigência da Lei Complementar nº 35, de 14 de março de 1979; Considerando o direito à gratificação de representação artigo 65, inciso V, da Lei Complementar nº 35, de 1979, e Decretolei nº 2.371, de 18 de novembro de 1987, nos percentuais fixados; Considerando o direito à gratificação adicional de cinco por cento por qüinqüênio de serviço, até o máximo de sete qüinqüênios artigo 65, inciso VIII, da Lei Complementar nº 35, de 1979; Considerando a absorção de todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial pelos valores decorrentes da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002 artigos 1º, § 3º, e 2º, §§ 1º, 2º e 3º; Fl. 227DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.721910/200865 Acórdão n.º 210201.726 S2C1T2 Fl. 6 6 Considerando o disposto na Resolução STF nº 235, de 10 de julho de 2002, que publicou a tabela da remuneração da Magistratura da União, decorrente da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando o escalonamento de cinco por cento entre os diversos níveis da remuneração da magistratura da União artigo 1º, § 2º, da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando a necessidade de, no cumprimento da Lei Complementar nº 35, de 1979, e da Lei nº 10.474, de 2002, adotarse critério uniforme, a ser observado pelos órgãos do Poder Judiciário da União, para cálculo e pagamento do abono; Considerando a publicidade dos atos da Administração Pública, RESOLVE: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Art. 2º Para os efeitos do artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, e para que se assegure isonomia de tratamento entre os beneficiários, o abono será calculado, individualmente, observandose, conjugadamente, os seguintes critérios: I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%); II o montante das diferenças mensais apuradas na forma do inciso I será dividido em vinte e quatro parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2003 a dezembro de 2004. Art. 3º Serão recalculados, mês a mês, no mesmo período definido no inciso I do artigo 2º, o valor da contribuição previdenciária e o do imposto de renda retido na fonte, expurgandose da base de cálculo todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período, a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais, por terem essas parcelas a mesma natureza conferida ao abono, nos termos do artigo 1º, observados os seguintes critérios: I o montante das diferenças mensais resultantes dos recálculos relativos à contribuição previdenciária será restituído aos magistrados na forma disciplinada no Manual SIAFI pela Secretaria do Tesouro Nacional; II o montante das diferenças mensais decorrentes dos recálculos relativos ao imposto de renda retido na fonte será demonstrado em documento formal fornecido pela unidade Fl. 228DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.721910/200865 Acórdão n.º 210201.726 S2C1T2 Fl. 7 7 pagadora, para fins de restituição ou compensação tributária a ser obtida diretamente pelo magistrado junto à Receita Federal. Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Ministro MARCO AURÉLIO Pela Resolução STF nº 245/2002, especificamente em seu art. 3º, ficou determinado que “todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período [1998 a 2002], a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais”, percebidos pela Magistratura da União, com base no art. 6º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, inclusive as verbas referentes a diferenças de URV, ficaram excluídos da base de cálculo do imposto de renda, por terem a mesma natureza indenizatória do abono variável. O Sr. Ministro da Fazenda, com base no Parecer PGFN nº 529/2003, reconheceu o caráter indenizatório das verbas percebidas com base na legislação citada. Ocorre que foi publicada a Lei nº 10.477/2002, que, em seu art. 2º, estendeu aos Membros do Ministério Público Federal MPF as mesmas vantagens do art. 6º da Lei nº 9.655/98 dadas à Magistratura da União, e, instado o Sr. Ministro da Fazenda sobre o caráter dos valores percebidos no período 19982002 pelos Membros do MPF, aplicou a mesma interpretação do parágrafo precedente, em linha com o entendimento do Supremo Tribunal Federal para a Magistratura da União (Resolução STF nº 245/2002), apoiado no Parecer PGFN nº 923/2003. Interessante ressaltar que a Lei nº 9.655/98 estava voltada unicamente à Magistratura da União, com deferimento de abono variável a partir de janeiro de 1998, de forma a atingir o subsídio que se esperava vir a lume com publicação da Emenda Constitucional nº 19/1998, situação que não se concretizou, levando, posteriormente à publicação da Lei nº 10.474/2002, que majorou os estipêndios da Magistratura da União e determinou o pagamento das diferenças do período 19982002 em 24 parcelas a partir de janeiro de 2003. Os Membros do Ministério Público não tinham quaisquer expectativas de aumento de remuneração com base na Lei nº 9.655/98, pois lá não tinham sido contemplados. A despeito disso, quando o art. 2º da Lei nº 10.477/2002 fez remissão ao abono variável do art. 6º da Lei nº 9.655/1998, pugnaram a exclusão da base de cálculo do imposto de renda dos valores citados no art. 3º da Resolução STF nº 245/2002, obtendo, como se viu, o beneplácito do Ministro da Fazenda. Em minha leitura, o pagamento da diferença da URV previsto no art. 2º da Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 tem a mesma natureza daqueles pagos ao Ministério Público Federal, pois o Ministério Público do Estado da Bahia também não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela Fl. 229DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.721910/200865 Acórdão n.º 210201.726 S2C1T2 Fl. 8 8 União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios dos Membros do MP local). Veio a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 e pagou as diferenças de URV, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda, pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar baiana nº 20/2003, referentes às mesmas diferenças de URV. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas União e Estado da Bahia e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN nº 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF nº 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002 tem caráter indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas pelos Membros do Ministério Público da Bahia com base na Lei complementar nº 20/2003, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). Com as razões acima, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Considerando as razões exaradas no voto acima transcrito, devese cancelar o crédito tributário exigido no Auto de Infração, de modo que se torna desnecessária a análise das demais argumentações apresentadas pelo contribuinte no recurso. Ainda, pelo entendimento da não tributação das diferenças de URV percebidos por magistrados estaduais, vêse o REsp nº 1187109, relatoria da Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, sessão de 17/08/2010, que restou assim ementado: TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL INCOMPETÊNCIA DO STJ IMPOSTO SOBRE A RENDA URV DIFERENÇAS RESOLUÇÃO N. 245/STF APLICAÇÃO. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.721910/200865 Acórdão n.º 210201.726 S2C1T2 Fl. 9 9 1. Falece competência ao Superior Tribunal de Justiça para conhecer de alegações de ofensa à Constituição Federal. 2. A utilização de fundamento constitucional pelo tribunal local impede a admissão do recurso especial quanto à questão controvertida. 3. Cuidandose de remuneração percebida por magistrado estadual, aplicase na resolução da controvérsia a Resolução n. 245/STF, que considerou de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 231DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 13161.000917/2007-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2006 a 30/04/2007
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO CERCEAMENTO
DO DIREITO DE DEFESA
A não apreciação das alegações do recorrente, quanto a questões de direito relacionadas ao procedimento fiscal realizado, importa cerceamento do direito de defesa, devendo ser declarada a nulidade da decisão de 1º instância.
Decisão de 1ª instância Anulada
Numero da decisão: 2401-002.169
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a
decisão de primeira instância.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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Decisão de 1ª instância Anulada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório A presente NFLD, lavrado sob n. 35.038.8135, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados. O lançamento compreende competências separados nos seguintes levantamentos: FO1 – 052006 a 04/2007, sendo que os fatos geradores incluídos nesta NFLD foram apurados por meio do documento GFIP: Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 28/06/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 02/07/2007. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 42 a 45. A Decisão de 1ª instância não conheceu do recurso, por entender que não houve impugnação expressa, fls. 52 a 55. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 58 a 61. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. Esse entendimento esbarra na garantia da ampla defesa, restou demonstrado que a fiscalização simplesmente corroborou as declarações apresentadas, na visível realização de trabalho do menor esforço, sem contudo, requerer a apresentação dos documentos que embasaram aquela declaração. 2. Ocorre que, a obrigação tributária é "ex lege" e não "exdeclaracione" e por isso, devese analisar notadamente a efetiva ocorrência do fato gerador. 3. Com a devida vênia, a lavratura da referida exigência tributária desconsiderou a garantia da verdade material, em beneficio inadmissível da verdade formal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. 4. Assim, no direito tributário, diz a lei, que em face da garantia resultante de principio elementar da verdade material, com ou sem auxilio do contribuinte, deve a autoridade buscar a comprovação da realização do fato gerador, pois só assim terá nascimento a obrigação tributária (art. 113, § 1 0 do CTN). 5. Por todo o exposto, espera a ora recorrente acolhimento integral das razões precedentes, com a improcedência da ação fiscal, como medida de direito e de lutar distribuição de justiça fiscal. A DRFB encaminhou o processo para julgamento. É o Relatório. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13161.000917/200798 Acórdão n.º 240102.169 S2C4T1 Fl. 2 3 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 66. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Primeiramente conforme descrito pela autoridade julgadora não houve impugnação dos fatos geradores, razão porque não houve conhecimento do recurso. Contudo, tenho que discordar do posicionamento adotado pelo ilustre julgador, posto que embora não tenha havido impugnação dos fato geradores arrolados no AIOP, foram trazidos argumentos quanto ao procedimento adotado pela fiscalização, procedimento este, que segundo o impugnante gerariam a nulidade de todo o procedimento. Senão vejamos, trecho da impugnação apresentada: Por meio do Mandado de Procedimento Fiscal MPF no. 09405650F00, a autoridade administrativa fiscalizou a ora impugnante, referente as Contribuições Sociais administradas pela Receita Federal do Brasil. Essa fiscalização limitouse a verificar o cumprimento dessa obrigação previdenciária apresentada em GFIP prestadas pela ora impugnante à Previdência Social. Ocorre que, a obrigação tributária é "ex lege" e não "ex declaracione" e por isso, devese analisar notadamente a efetiva ocorrência do fato gerador. Com a devida venia, a lavratura da referida exigência tributária desconsiderou a garantia da verdade material, em beneficio inadmissível da verdade formal. Primeiramente, não se pode deixar de considerar, que a linha básica da investigação que se pretende buscar no processo administrativo fiscal, outra não é que não a certeza da realização do fato gerador. Diferentemente do processo em geral, que consiste numa pretensão de uma pessoa contra a outra que a resiste, no processo administrativo, inexiste essa pretensão resistida. Fl. 76DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Reafirmando, no processo administrativo • tributário, inexiste pretensão resistida. 0 interesse da Administração circunscreve se à verificação da ocorrência ou não do fato gerador da obrigação. Por isso mesmo, que até mesmo diante da intempestividade de impugnações ou recursos, mas tendo a Administração, e em especial o órgão julgador administrativo, conhecimento da verdade material, deverá proceder de oficio a revisão do lançamento em qualquer etapa do processo, como preceitua o artigo 149 do Código Tributário Nacional. Assim, no direito tributário, diz a lei, que em face da garantia resultante de principio elementar da verdade material, com ou sem auxilio do contribuinte, deve a autoridade buscar a comprovação da realização do fato gerador, pois só assim terá nascimento a obrigação tributária (art. 113, § lo do CTN). Por tudo isso, permite a lei, inclusive, a apreciação pela autoridade julgadora de segunda instancia, dos documentos apresentados após a decisão singular, como expresso nas disposições do § 60 do artigo 16 do Decreto 70.235/72,(...) Revela o dispositivo a preocupação do legislador em assegurar a efetividade da aplicação do principio elementar da verdade material, possibilitando inclusive a apreciação em segunda instancia, de documentos apresentados após a decisão singular. Não bastassem todos esses fundamentos, a Lei 9.784/99 que regula o Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, confirmando e assegurando as garantias supra referidas, sobretudo a da verdade material,(...) Dessa forma, como a fiscalização limitouse analisar as declarações apresentadas, em detrimento de toda a documentação disponibilizada, da qual demonstraria a não ocorrência do fato gerador, não tem como prosperar a referido lançamento tributário. Em razão do principio que o acessório segue o principal, igualmente não procedem os lançamentos da contribuição das empresas para financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa; contribuição devida a terceiros salário educação; terceiros incra; terceiros SESC; terceiros Sebrae. Por todo o exposto, espera a impugnante pelo acolhimento integral das razões precedentes, com a improcedência da ação Fl. 77DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13161.000917/200798 Acórdão n.º 240102.169 S2C4T1 Fl. 3 5 fiscal, como medida de direito e de salutar distribuição de justiça fiscal. Dessa forma, entendo que deveria a autoridade julgadora apreciar as questões de direito e quanto a nulidade do procedimento adotado. O fato de não apreciar ditos argumentos, importa cerceamento do direito de defesa e por consequência a decretação da nulidade da referida decisão. CONCLUSÃO: Face o exposto, voto por ANULAR A DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 78DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10166.012091/2008-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO
PARA FINS DE INTIMAÇÃO. ENDEREÇO CADASTRAL FORNECIDO PELO CONTRIBUINTE.
Para fins de intimação, o domicílio tributário do sujeito passivo é, regra geral, aquele por ele fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal.
FASE DE FISCALIZAÇÃO. CONTRADITÓRIO.
A fase investigatória do procedimento, realizada antes do lançamento de ofício, é informada pelo principio inquisitorial, sendo descabido falar-se em violação da garantia ao contraditório até então.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário Súmula
CARF nº 46.
CONCOMITÂNCIA DAS VIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL.
RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
Preliminar Rejeitada
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.266
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) conhecer parcialmente do recurso, no tocante à preliminar de nulidade suscitada, para negar-lhe provimento; e (b) e não conhecer do restante, por concomitância de discussão do objeto nas vias administrativa e judicial.
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO PARA FINS DE INTIMAÇÃO. ENDEREÇO CADASTRAL FORNECIDO PELO CONTRIBUINTE. Para fins de intimação, o domicílio tributário do sujeito passivo é, regra geral, aquele por ele fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal. FASE DE FISCALIZAÇÃO. CONTRADITÓRIO. A fase investigatória do procedimento, realizada antes do lançamento de ofício, é informada pelo principio inquisitorial, sendo descabido falarse em violação da garantia ao contraditório até então. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário Súmula CARF nº 46. CONCOMITÂNCIA DAS VIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Preliminar Rejeitada Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 116DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10166.012091/200852 Acórdão n.º 2101001.266 S2C1T1 Fl. 114 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) conhecer parcialmente do recurso, no tocante à preliminar de nulidade suscitada, para negarlhe provimento; e (b) e não conhecer do restante, por concomitância de discussão do objeto nas vias administrativa e judicial. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, José Raimundo Tosta Santos, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 14 a 16, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, para glosar compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, cancelando o imposto a restituir de R$23.680,411 e formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$48.556,34, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 9), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância (fls. 85 a 86) descreveu o recurso da seguinte maneira: Em 05/09/2008, no pedido de impugnação, o contribuinte informa que: não recebeu intimação; a partir de 09/06/2007 passou a residir no endereço no qual recebeu a Notificação de Lançamento; alterou o endereço por meio da Declaração de Ajuste Anual, exercício 2008; o não recebimento da intimação é hipótese de nulidade; em 20/03/2003, aderiu ao Programa de Demissão Voluntária do Banco do Brasil, resgatando junto a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil os valores decorrentes das contribuições pessoais, sendo informado da retenção de imposto de renda de R$ 72.236,75; ajuizou Mandado de Segurança, sendo o referido valor depositado em juízo; Fl. 117DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10166.012091/200852 Acórdão n.º 2101001.266 S2C1T1 Fl. 115 3 resta inconteste que o valor declarado foi efetivamente retido na fonte, estando correta sua Declaração de Ajuste Anual. Requer: seja declarada nula a intimação e, por consequência, seja acolhida a nulidade do crédito tributário em questão; seja determinada nova intimação ao contribuinte para apresentação da documentação comprobatória das informações constantes de sua declaração de ajuste; caso necessária a apresentação de qualquer outro documento, seja concedido prazo razoável. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 83 a 89): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 Ementa: PRELIMINAR. NULIDADE. Apenas ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia as instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, tornando definitivo o lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 6/9/2010 (fl. 95), o contribuinte apresentou, em 5/10/2010, o recurso de fls. 96 a 108, onde alega: Fl. 118DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10166.012091/200852 Acórdão n.º 2101001.266 S2C1T1 Fl. 116 4 a) preliminarmente, a nulidade da Notificação de Lançamento, pois a descrição dos fatos afirma que o contribuinte fora regularmente intimado, mas que, na verdade, ele não recebeu esse documento, que foi enviado para seu endereço antigo. Afirma que a ciência do lançamento se deu em seu endereço correto, informado na sua declaração de ajuste do exercício de 2008; b) que, em 20/03/2003, então empregado do Banco do Brasil, aderiu a Plano de Demissão Voluntária, vindo, por conseguinte, a resgatar a sua poupança e parte da reserva matemática junto à Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil; c) que, quando do resgate dos valores, a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil informou a incidência de imposto de renda retido na fonte sobre o valor a ser resgatado, exceção feita aos valores decorrentes das contribuições pessoais do contribuinte, vertidas no período de 01.01.89 a 31.12.95, o que acarretaria a retenção e recolhimento a essa Receita da importância de R$ 72.236,75; d) que, após efetuada retenção, mas antes do recolhimento a essa Receita, ajuizou Mandado de Segurança perante a Justiça Federal (processo 2003.34.00.0138615, distribuído para a 9a Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal), sob a alegação de que os valores resgatados têm natureza indenizatória, estando, portanto, isentos de tributação, tendo sido deferida liminar ordenando o depósito judicial desse tributo; e) que resta inconteste que houve retenção do imposto de renda pela fonte pagadora, no valor de R$ 72.236,75, e que a consequência do depósito judicial será que, se vencedor na demanda, o contribuinte levantará de pronto o valor, e, se perdedor, a Receita Federal levantará o valor depositado, com os acréscimos legais; f) que, na declaração de ajuste, considerou como rendimentos tributáveis os valores resgatados, deduzindo, por óbvio, o valor do imposto de renda retido a eles pertinentes, pois, a despeito de depositados em juízo, o valor do imposto de renda foi efetivamente retido do contribuinte; g) que a Receita Federal, entretanto, em suposta intimação para prestar informações/documentos, considerou que o contribuinte não poderia ter deduzido/compensado tal valor em sua declaração de ajuste; h) que a Receita entende que o resgate efetuado deve ser considerado como rendimentos tributáveis, o que se mostra acertado, mas não admite que o imposto retido do contribuinte possa ser por ele considerado na declaração de ajuste; i) que não existe concomitância com o processo judicial, pois o objeto do mandado de segurança, impetrado em 2.003, é a legalidade ou não da incidência de imposto de renda sobre o resgate de contribuições vertidas à entidade de previdência privada, ao passo que o objeto do presente processo administrativo é a correção do lançamento, que desconsiderou a informação de que o imposto de renda lançado na declaração de ajuste do contribuinte foi efetivamente retido, encontrandose depositado à disposição do Poder Judiciário. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 111, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, contendo ainda a fl. 112, sem numeração, referente ao Despacho de Encaminhamento dos autos do SECOJ/SECEX/CARF para a 1a Câmara da 2a Seção. Fl. 119DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10166.012091/200852 Acórdão n.º 2101001.266 S2C1T1 Fl. 117 5 É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Preliminarmente, o recorrente defende a nulidade da autuação, pois a intimação para que prestasse esclarecimentos foi enviada para seu endereço antigo, enquanto a notificação de lançamento foi postada para seu domicílio correto. Como a descrição dos fatos afirma que o contribuinte foi regularmente intimado, então estaria todo o lançamento viciado. O julgador de 1a instância considerou que a intimação foi enviada corretamente para o endereço cadastral do contribuinte. Irreparável a decisão recorrida. A intimação de fl. 79 foi enviada, em 28/11/2007 (fl. 80), para o endereço cadastral do fiscalizado, como comprova o extrato de fl. 81, que demonstra que a alteração do domicílio se deu apenas em 10/05/2008. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, traz as regras para a intimação em seu art. 23, abaixo transcrito: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (...) Fl. 120DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10166.012091/200852 Acórdão n.º 2101001.266 S2C1T1 Fl. 118 6 § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Assim, para fins de intimação, o domicílio tributário do sujeito passivo é, regra geral, aquele fornecido por ele, para fins cadastrais, à Administração Tributária. Tendo a intimação de fl. 79 sido postada para o endereço informado pelo próprio contribuinte, se algum prejuízo houve pelo envio a sua residência antiga, com ele deve o recorrente arcar, pois era seu o ônus da atualização de seus dados cadastrais. E mesmo que tivesse ocorrido algum problema na intimação, este CARF firmou o entendimento de que o procedimento administrativo de fiscalização é orientado pelo princípio inquisitorial, não se exigindo o contraditório na fase investigatória, que passa a ser obrigatório após a impugnação, com a instauração da lide. Nesse sentido foi recentemente publicada a Súmula CARF nº 46: “O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário”. Desta forma, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. Passo à análise do mérito. O contribuinte informou, em sua declaração de ajuste do exercício de 2004 (fls. 65 a 68), ter recebido rendimentos tributáveis de R$210.641,52 da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, CNPJ no 33.754.482/000124, com Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF de R$72.236,75. Entretanto, essa fonte pagadora informou que o IRRF foi depositado judicialmente (fl. 72), o que ocasionou a presente autuação, que glosou a fonte não recolhida. O sujeito passivo informou que recebeu os rendimentos em 2003, quando aderiu ao plano de demissão voluntária do Banco do Brasil. Mas, com a informação de que o banco iria efetuar a retenção na fonte referente à parte desse valor, ingressou com o Mandado de Segurança no 2003.34.00.0138615, alegando a natureza indenizatória dos valores resgatados, tendo sido deferida liminar ordenando o depósito judicial desse tributo (fls. 17 a 59). Diante do fato do imposto de renda, apesar de depositado judicialmente, ter sido efetivamente retido pela fonte pagadora, o recorrente questiona os fundamentos da autuação. Fl. 121DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10166.012091/200852 Acórdão n.º 2101001.266 S2C1T1 Fl. 119 7 O julgador de 1a instância manteve o lançamento por concomitância de processo judicial e administrativo versando sobre a mesma matéria. O contribuinte afirma não existir a alegada concomitância, pois a ação judicial versa sobre a natureza isenta do resgate de contribuições à entidade de previdência privada, enquanto o processo administrativo cuida de glosa de imposto de renda retido na fonte, tendo os rendimentos sido declarados como tributáveis. Sem razão o recorrente. Não há dúvidas de que a matéria jurídica discutida na ação judicial é a mesma que embasa o presente lançamento. Tanto isso é verdade, que o depósito judicial do imposto de renda suspende a exigibilidade do presente crédito. Deve o recorrente entender que o destino deste processo está diretamente ligado ao resultado da ação judicial. Observese que, na declaração de ajuste do exercício de 2004, o contribuinte apurou um imposto a restituir de R$23.680,411, e que esse valor decorre justamente do imposto depositado judicialmente, que não pode lhe ser devolvido enquanto não ingressar de fato no patrimônio da União. Por sua vez, o presente lançamento consistiu no cancelamento do imposto a restituir de R$23.680,411 e na cobrança do principal de R$48.556,34, o que importa na exigência total de R$72.236,75, exatamente o valor depositado judicialmente. Assim, caso o contribuinte tenha sucesso na ação judicial, por ocasião da execução da sentença, será refeito o cálculo do tributo devido considerando os rendimentos recebidos na ação judicial como isentos, e apurado o novo valor a restituir. E se o provimento judicial concluir pela tributação dessas verbas, o tributo depositado será convertido em renda para a União, e a exigência do principal será suprida pelo valor depositado, podendo o sujeito passivo levantar o valor a restituir declarado. Mas tudo isso só pode ocorrer após o Poder Judiciário decidir de forma definitiva sobre a natureza dos rendimentos discutidos. É por isso que não se admite a discussão do mesmo assunto nas esferas administrativas e judicial, pois a decisão da última obriga o cumprimento pela primeira. Desta forma, o art. 38 da Lei n° 6.830, de 22 de setembro de 1980, assim estabelece: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer Fl. 122DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10166.012091/200852 Acórdão n.º 2101001.266 S2C1T1 Fl. 120 8 na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. (grifei) Do mesmo modo, a Súmula CARF nº 1 tem o seguinte enunciado: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, a simples propositura de ação judicial com o mesmo objeto de processo administrativo implica imediata desistência do recurso administrativo interposto. Diante do exposto, voto por (a) conhecer parcialmente do recurso, no tocante à preliminar de nulidade suscitada, para negarlhe provimento; e (b) e não conhecer do restante, por concomitância de discussão do objeto nas vias administrativa e judicial. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 123DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO
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Numero do processo: 13009.000279/2007-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INFORMAÇÃO DA DIRF NÃO CONTRADITADA. NÃO COMPROVAÇÃO DE QUE O AUTUADO FAZIA TRANSPORTE DE PASSAGEIRO EM VEÍCULO PRÓPRIO.
HIGIDEZ DA TRIBUTAÇÃO. Não há nos autos qualquer prova documental
que ateste que o contribuinte fazia transporte de passageiros em veículo próprio, a justificar a tributação de sessenta por cento dos rendimentos percebidos, na forma da legislação de regência da matéria (art. 47, I, do Decreto nº 3.000/99. São tributáveis os rendimentos provenientes de prestação de serviços de transporte, em veículo próprio ou locado, inclusive mediante arrendamento mercantil, ou adquirido com reserva de domínio ou alienação fiduciária, nos seguintes percentuais (Lei nº 7.713, de 1988, art. 9º): II sessenta por cento do rendimento total, decorrente do transporte de passageiros). Há apenas a DIRF atestando o rendimento utilizado pela autoridade fiscal, que não foi contraditado pelo recorrente.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.552
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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INFORMAÇÃO DA DIRF NÃO CONTRADITADA. NÃO COMPROVAÇÃO DE QUE O AUTUADO FAZIA TRANSPORTE DE PASSAGEIRO EM VEÍCULO PRÓPRIO. HIGIDEZ DA TRIBUTAÇÃO. Não há nos autos qualquer prova documental que ateste que o contribuinte fazia transporte de passageiros em veículo próprio, a justificar a tributação de sessenta por cento dos rendimentos percebidos, na forma da legislação de regência da matéria (art. 47, I, do Decreto nº 3.000/99. São tributáveis os rendimentos provenientes de prestação de serviços de transporte, em veículo próprio ou locado, inclusive mediante arrendamento mercantil, ou adquirido com reserva de domínio ou alienação fiduciária, nos seguintes percentuais (Lei nº 7.713, de 1988, art. 9º): IIsessenta por cento do rendimento total, decorrente do transporte de passageiros). Há apenas a DIRF atestando o rendimento utilizado pela autoridade fiscal, que não foi contraditado pelo recorrente. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 10/10/2011 Fl. 63DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte LUIZ FERNANDO SERPA DE AZEVEDO, CPF/MF nº 400.090.50744, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 23/04/2007, auto de infração (fls. 04 e seguintes). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 7.794,98 MULTA DE OFÍCIO R$ 5.846,23 Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos, no ano calendário 2004, conduta essa apenada com multa de ofício de 75% sobre o imposto lançado, com a seguinte motivação (fl. 6): Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ ********40.763,60, recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ *********1.822,15. Omissão parcial de rendimentos (0588) recebidos da Pref. de Valença RJ. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, com a seguinte argumentação: 1. recebeu da Prefeitura de Valença o valor de R$ 30.165,50, pelo transporte em veiculo próprio de doentes para fazer hemodiálise; 2. em sua declaração de ajuste anual tributou sessenta por cento pelo transporte de passageiros, ou seja, R$ 18.369,90; 3. portanto, pede o cancelamento do lançamento. A 2ª Turma da DRJ/RJ2, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1331.331, de 13 de setembro de 2010 (fls. 25 e 26), com a seguinte fundamentação: Fl. 64DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13009.000279/200778 Acórdão n.º 210201.552 S2C1T2 Fl. 2 3 De acordo com a DIRF de fl. 22, emitida pela Prefeitura do Município de Valença, foi pago ao contribuinte o montante de R$ 59.133,50 de rendimentos tributáveis. O interessado trouxe ao processo o documento de fl. 02. Todavia, tal instrumento juntado aos autos não possui qualquer assinatura ou chancela de quem o produziu e nem sequer aponta qual teria sido a data de sua emissão. Sendo assim, não há como considerálo. Além disso, o impugnante não trouxe ao processo nenhum elemento de prova capaz de demonstrar que a parcela de 40% não tributável a titulo de transporte de passageiros estaria inserida no referido montante de R$ 59.133,50 discriminado na DIRF de fl. 22 como rendimentos tributáveis. Dessa forma, como o interessado apenas ofereceu à tributação a parcela de R$ 18.369,90 no anocalendário de 2004, restou configurada a omissão de rendimentos de R$ 40.763,60, devendo ser mantida a infração tributária apurada pela fiscalização. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 27/10/10 (fl. 30). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 26/11/2010 (fl. 31). No voluntário, o recorrente alega, verbis: O recorrente recebia quinzenalmente, da Prefeitura do Município de Valença, o valor aproximado de R$ 2.400,00, perfazendo, aproximadamente. A Prefeitura do Município de Valença declarou que pagou ao recorrente o valor anual total de R$ 59.133,50. No entanto, a citada Prefeitura, declarou erroneamente o valor de R$ 59.133,50, tendo em vista que o montante pago anual não ultrapassou a quantia de R$ 30.616,50. Ora, não pode o recorrente declarar que recebeu quantia superior a realmente recebida. Ressaltase que o recorrente solicitou segunda via do comprovante de pagamento junto a Prefeitura do Município de Valença, porem foi surpreendido com informação que tal documentação somente seria entregue após o prazo mínimo de 10 dias, conforme documento anexo. imperativo esclarecer que o recorrente sempre agiu de boafé em todas as transações realizadas pelo mesmo, pois sempre prezou por seu maior bem, a saber, seu nome. Desta forma não assiste razão para a referida cobrança, posto que a fonte pagadora declarou valor superior ao valor real pago para o recorrente. II.1 — DO DIREITO Fl. 65DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 O lançamento do credito tributário deverá ser suspenso, já que a omissão nos rendimentos não se deu por parte do recorrente, mas sim por parte da fonte pagadora a época, ou seja, Prefeitura do Município de Valença. O contribuinte juntou ao recurso o mesmo demonstrativo pretensamente oriundo do Fundo Municipal de Saúde de Valença, no qual fora pago ao autuado o importe de R$ 30.616,50, juntado na impugnação. O recorrente não juntou qualquer outra documentação aos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 27/10/10 (fl. 30), quartafeira, e interpôs o recurso voluntário em 26/11/2010 (fl. 31), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 26/11/2010, sextafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Não há nos autos qualquer prova documental que ateste que o contribuinte fazia transporte de passageiros em veículo próprio, como contratado da Prefeitura Municipal de Valença (RJ), a justificar a tributação de sessenta por cento dos rendimentos percebidos, na forma da legislação de regência da matéria (art. 47, I, do Decreto nº 3.000/99. São tributáveis os rendimentos provenientes de prestação de serviços de transporte, em veículo próprio ou locado, inclusive mediante arrendamento mercantil, ou adquirido com reserva de domínio ou alienação fiduciária, nos seguintes percentuais (Lei nº 7.713, de 1988, art. 9º): II sessenta por cento do rendimento total, decorrente do transporte de passageiros). Há apenas a DIRF da Prefeitura atestando que pagou R$ 59.133,51 ao contribuinte autuado, a título de rendimentos tributáveis (fl. 22). Já o documento de fls. 2/46, pretensamente emitido pelo Fundo Municipal de Valença, é imprestável para comprovar a alegação do contribuinte, pois, como dito pela decisão recorrida, “... tal instrumento juntado aos autos não possui qualquer assinatura ou chancela de quem o produziu e nem sequer aponta qual teria sido a data de sua emissão. Sendo assim, não há como considerálo”. Ademais, sequer informa que tipo de serviço teria sido prestado pelo contribuinte. Claramente, considerando a DIRF juntada aos autos, que fez a prova da omissão de rendimentos utilizada pela autoridade autuante, caberia ao recorrente autuado desconstituíla, demonstrando com documentos provenientes da Prefeitura de Valença (RJ) que fazia transporte de passageiro, bem como especificando o valor efetivamente recebido do erário municipal, e não afirmar que solicitou tais documentos à Prefeitura, porém fora surpreendido com a informação de que somente seriam entregues após o prazo mínimo de 10 dias, e, transcorrido quase um ano da protocolização do recurso voluntário, não mais veio o recorrente aos autos. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13009.000279/200778 Acórdão n.º 210201.552 S2C1T2 Fl. 3 5 Com o cenário acima, a única conclusão que esta autoridade julgadora alcança é que a DIRF de fl. 22 representa fielmente os rendimentos tributáveis pagos ao fiscalizado, razão suficiente para negar provimento ao recurso interposto. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 67DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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