Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10280.720636/2011-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
LUCRO REAL ANUAL. OPÇÃO. PRIMEIRO PAGAMENTO DO IMPOSTO NO ANO, NÃO NECESSARIAMENTE EM JANEIRO.
Mesmo ante a ausência de qualquer recolhimento por parte do contribuinte na competência do mês de janeiro de cada ano, não fica impedida a sua opção pelo regime de tributação anual por meio do recolhimento da estimativa em meses posteriores, desde de que não tenha havido qualquer outro recolhimento a título de tributação da renda. Assim, na ausência de previsão específica da hipótese de não recolhimento de quaisquer valores no mês de janeiro, pela inexistência de obrigação fiscal para tanto, impõe reconhecer-se a validade da opção do contribuinte quando, no curso do ano-calendário, surgida a obrigação fiscal, esta é cumprida segundo o regime de opção do contribuinte.
PIS. COFINS. REGIME CUMULATIVO OBRIGATÓRIO. VENDA DE VEÍCULOS USADOS. ERRO DE LANÇAMENTO.
A venda de veículos usados sujeita-se à incidência cumulativa das contribuições para o PIS e COFINS, nos termos do art. 5º da lei nº 9.716/98, c/c art. 8º, inciso VII, alínea c, da Lei nº 10.637/02, e art. 10, inciso VII, aliena c da lei nº 10.833/03. Tendo sido realizado o lançamento com base no regime não cumulativo, deve o mesmo ser cancelado.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 1401-000.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício. Ausente, momentaneamente o Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (vice-Presidente), Antonio Bezerra Neto, , Fernando Luiz Gomes De Mattos e Mauricio Pereira Faro e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007 LUCRO REAL ANUAL. OPÇÃO. PRIMEIRO PAGAMENTO DO IMPOSTO NO ANO, NÃO NECESSARIAMENTE EM JANEIRO. Mesmo ante a ausência de qualquer recolhimento por parte do contribuinte na competência do mês de janeiro de cada ano, não fica impedida a sua opção pelo regime de tributação anual por meio do recolhimento da estimativa em meses posteriores, desde de que não tenha havido qualquer outro recolhimento a título de tributação da renda. Assim, na ausência de previsão específica da hipótese de não recolhimento de quaisquer valores no mês de janeiro, pela inexistência de obrigação fiscal para tanto, impõe reconhecer-se a validade da opção do contribuinte quando, no curso do ano-calendário, surgida a obrigação fiscal, esta é cumprida segundo o regime de opção do contribuinte. PIS. COFINS. REGIME CUMULATIVO OBRIGATÓRIO. VENDA DE VEÍCULOS USADOS. ERRO DE LANÇAMENTO. A venda de veículos usados sujeita-se à incidência cumulativa das contribuições para o PIS e COFINS, nos termos do art. 5º da lei nº 9.716/98, c/c art. 8º, inciso VII, alínea c, da Lei nº 10.637/02, e art. 10, inciso VII, aliena c da lei nº 10.833/03. Tendo sido realizado o lançamento com base no regime não cumulativo, deve o mesmo ser cancelado. Recurso de ofício negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10280.720636/2011-97
anomes_publicacao_s : 201211
conteudo_id_s : 5175780
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 1401-000.810
nome_arquivo_s : Decisao_10280720636201197.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10280720636201197_5175780.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício. Ausente, momentaneamente o Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (vice-Presidente), Antonio Bezerra Neto, , Fernando Luiz Gomes De Mattos e Mauricio Pereira Faro e João Carlos de Figueiredo Neto.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
id : 4384840
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:54:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041217726447616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2367; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.720636/201197 Recurso nº 930.245 De Ofício Acórdão nº 1401000.810 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de junho de 2012 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TOP NORTE COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 LUCRO REAL ANUAL. OPÇÃO. PRIMEIRO PAGAMENTO DO IMPOSTO NO ANO, NÃO NECESSARIAMENTE EM JANEIRO. Mesmo ante a ausência de qualquer recolhimento por parte do contribuinte na competência do mês de janeiro de cada ano, não fica impedida a sua opção pelo regime de tributação anual por meio do recolhimento da estimativa em meses posteriores, desde de que não tenha havido qualquer outro recolhimento a título de tributação da renda. Assim, na ausência de previsão específica da hipótese de não recolhimento de quaisquer valores no mês de janeiro, pela inexistência de obrigação fiscal para tanto, impõe reconhecerse a validade da opção do contribuinte quando, no curso do anocalendário, surgida a obrigação fiscal, esta é cumprida segundo o regime de opção do contribuinte. PIS. COFINS. REGIME CUMULATIVO OBRIGATÓRIO. VENDA DE VEÍCULOS USADOS. ERRO DE LANÇAMENTO. A venda de veículos usados sujeitase à incidência cumulativa das contribuições para o PIS e COFINS, nos termos do art. 5º da lei nº 9.716/98, c/c art. 8º, inciso VII, alínea ‘c’, da Lei nº 10.637/02, e art. 10, inciso VII, aliena ‘c’ da lei nº 10.833/03. Tendo sido realizado o lançamento com base no regime não cumulativo, deve o mesmo ser cancelado. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício. Ausente, momentaneamente o Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 06 36 /2 01 1- 97 Fl. 3906DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (vicePresidente), Antonio Bezerra Neto, , Fernando Luiz Gomes De Mattos e Mauricio Pereira Faro e João Carlos de Figueiredo Neto. Fl. 3907DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10280.720636/201197 Acórdão n.º 1401000.810 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente feito de auto de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, por meio da qual a Autoridade Fiscal formalizou débitos relativos aos tributos e contribuições recolhidos a menor no anocalendário de 2007. Por razões de celeridade, adoto e transcrevo o relatório constante da decisão recorrida, in verbis: Versa o presente processo sobre os Autos de Infração de fls. 945975, relativo(s) ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ, Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social Sobre o Lucro LíquidoCSLL, ano(s)calendário 2007, com crédito total apurado no valor de R$ 5.480.920,97, incluindo o principal, a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 28/02/2011. Também integra os Autos de Infração o Relatório de Encerramento da Ação Fiscal de folhas 464473. De acordo com os fatos narrados pela autoridade lançadora, o sujeito passivo incorreu nas seguintes infrações: • Omissão de receitas operacionais; • Despesas operacionais indedutíveis. Extraíse ainda dos fatos narrados pela autoridade lançadora que: 1. A omissão de receita é decorrente do recebimento de valores pela venda de veículos, contabilizados à conta RECEBIMENTO ANTECIPADOS E ADIANTAMENTOS, que não foram levados à tributação; 2. Da receita omitida foi excluída, para efeito de tributação, a parcela correspondente às despesas com PROMOÇÃO DE VENDAS; 3. As despesas operacionais indedutíveis correspondem às DESPESAS DE VIAGENS E HOSPEDAGENS e PROMOÇÃO DE VENDAS. Sobre a exigência principal foi aplicada a multa de ofício de 75 %. O sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 23/03/2011 (fls. 946, 955, 962 e 969) e apresentou sua impugnação em 15/04/2011 (fls. 9891041), na qual alegou em síntese que: Do cerceamento do direto de defesa Fl. 3908DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 1. O lançamento é nulo por cerceamento do direito de defesa porque se utilizou de presunções e informações inconsistentes; Da receita apurada 2. A autoridade lançadora, ao apurar a receita escriturada pela recorrente, e por conseguinte a omissão receita: a. Considerou apenas as receitas das vendas de mercadorias e serviços (conta 31101001), olvidando as receitas de comissões (conta 31704001), cujos recebimentos também foram escriturados a crédito da conta Recebimento Antecipado; b. Incluiu indevidamente valores de PIS e COFINS como se receita fosse, conforme quadro à folha 996; Do período de apuração do IRPJ e da CSLL 3. A autoridade lançadora apurou indevidamente a base de cálculo do IRPJ e da CSLL em lapsos trimestrais, quando a recorrente havia optado pelo lucro real anual, conforme demonstram a cópia da DIPJ e dos DARF às folhas 89117 e 1184/1185; Das despesas indedutíveis 4. A glosa de despesas de “Viagens e Hospitalidades” é impertinente pois estes dispêndios, necessários à atividade da empresa, dizem respeito aos treinamentos de funcionários e colaboradores na sede administrativa localizada em Salvador/BA e ao deslocamento do sóciodiretor, que lá reside, à cidade de Belém/PA; 5. Os gastos apurados antes das operações de venda, realizados no 1º trim/2007, estão em conformidade com o que estabelece o §3º do art. 183 da Lei nº 6.404, que vigorou até 31/12/2007; 6. As despesas incorridas a título de “Promoção de Vendas” são bonificadas pelas montadoras, cuja receita, classificada pela recorrente às contas 3.2.1.01.002–Bônus Veículos Novos e Bônus Peças, é submetida à tributação, conforme demonstrado na contabilidade; 7. Somente são classificados na conta “Promoção de Vendas” os valores suportados pela impugnante; 8. A parcela relativa aos valores pagos pelos clientes são contabilizados à conta recebimento antecipado sem transitar pelo resultado da companhia; 9. Ainda que os bônus não tivessem sido tributados, a despesa com promoção de vendas continuariam dedutíveis pois necessárias às atividades negocias da empresa; Da omissão de receita 10. Os lançamentos realizados nas contas Recebimento Antecipado são meramente transitórios, motivo pela qual não envolvem contas de resultado, conforme demonstrado às folhas 10201024, 1027 e 1031/1038; Fl. 3909DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10280.720636/201197 Acórdão n.º 1401000.810 S1C4T1 Fl. 4 5 11. Esses valores recebidos transitoriamente não se constituem receitas da impugnante, conforme jurisprudências às folhas 1027/1029; Do pedido de perícia 12. Requer perícia contábil para responder às questões às folhas 10391040. Posto o feito em julgamento perante a DRJ de Belém, foram afastadas as preliminares e, no mérito, dado provimento ao recurso, com o cancelamento integral do auto de infração, pelos seguintes fundamentos: a) Com relação ao lançamento do IRPJ e da CSLL, a DRJ acatou o argumento da Recorrente de que teria havido erro quanto à periodicidade na apuração do lucro tributável. Isso porque a Recorrente era optante pela apuração do imposto de renda pelo regime anual, com recolhimentos mensais por estimativa, tendo o auto de infração sido lavrado pelo regime trimestral; b) Quanto ao lançamento de PIS e COFINS, a DRJ acatou o argumento da Recorrente de que, no que toca à venda de veículos novos, o regime de incidência das contribuições em apreço é monofásico na origem, não havendo que se cogitar da cobrança de referidos tributos nas operações de venda realizados pela Recorrente. Ainda, quanto à venda de veículos usados, temse que o auto de infração apurou o tributo devido pelo regime nãocumulativo, sendo que, por força do disposto no art. 5º da lei nº 9.716/98, c/c art. 8º, inciso VII, alínea ‘c’, da Lei nº 10.637/02, e art. 10, inciso VII, aliena ‘c’ da lei nº 10.833/03, deveria ter sido adotado o regime cumulativo. Tendo o valor exonerado sido superior ao limite legal, a DRJ de Belém recorreu de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. É o relatório. Fl. 3910DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmm Teixeira O recurso de ofício atende o requisito legal pelo que dele conheço. São dois os pontos a serem analisados no presente recurso: o cancelamento do auto de infração de IRPJ e CSLL; e o cancelamento dos lançamentos de PIS e COFINS. IRPJ E CSLL Segundo se extrai dos fatos constantes dos autos, a Recorrente não promoveu qualquer recolhimento de imposto ou de estimativa nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2007. Nos meses de abril e maio de 2007, a Recorrente recolheu estimativa de imposto de renda e de CSLL (fls. 1184 e 1185), fatos que, no entendimento da decisão recorrida, “tornaram regular e eficaz a opção do sujeito passivo pelo lucro real anual, opção esta que foi ratificada pela entrega da DIPJ segundo este regime de tributação” (fls. 3896). De fato, mesmo ante a ausência de qualquer recolhimento por parte do contribuinte na competência do mês de janeiro de cada ano, não fica impedida a sua opção pelo regime de tributação anual por meio do recolhimento da estimativa em meses posteriores, desde de que não tenha havido qualquer outro recolhimento a título de tributação da renda. Assim, na ausência de previsão específica da hipótese de não recolhimento de quaisquer valores no mês de janeiro, pela inexistência de obrigação fiscal para tanto, impõe reconhecerse a validade da opção do contribuinte quando, no curso do anocalendário, surgida a obrigação fiscal, esta é cumprida segundo o regime de opção do contribuinte. Com isso, a leitura que deve ser dada ao disposto no parágrafo único do art. 3º da lei nº 9.430/96 é o de que o regime aplicável à apuração do IRPJ e da CSLL deverá ser aquele manifestado no primeiro pagamento realizado pelo contribuinte durante o anocalendário. Posto este entendimento, deveria ter a Autoridade Fiscal apurado o IRPJ e CSLL devidos no anocalendário 2007 pelo regime anual, com recolhimentos mensais por estimativa, e não pelo regime trimestral. Neste sentido, vejase precedente deste Conselho, in verbis: IRPJ E CSLL ANOCALENDÁRIO 1996 OPÇÃO PELA APURAÇÃO MENSAL DO IMPOSTO E DA CONTRIBUIÇÃO LANÇAMENTO FUNDADO EM APURAÇÃO ANUAL É improcedente o lançamento que adota base de cálculo absolutamente incompatível com a opção regularmente manifestada pelo sujeito passivo.(acórdão 105.15798). Fl. 3911DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10280.720636/201197 Acórdão n.º 1401000.810 S1C4T1 Fl. 5 7 Entendo, assim, deva ser negado provimento ao recurso de ofício quanto ao lançamento de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2007, por erro na forma de apuração do tributo devido. PIS e COFINS Com relação ao lançamento de PIS e COFINS, aduz, a decisão recorrida, que, no que toca à venda de veículos novos, os mesmos estão sujeitos à incidência monofásica na fábrica, pelo que não há nova cobrança de PIS e COFINS na venda direta ao consumidor. Por sua vez, no que toca à venda de veículos usados, a DRJ entendeu que os mesmos encontramse sujeitos à apuração pelo regime cumulativo, pelo que houve erro no lançamento ao fazer incidir a alíquota de tributação do PIS e COFINS pelo regime não cumulativo. Analisando o termo de verificação fiscal, identifico que a omissão de receita apontada pela Autoridade Fiscal decorreu da identificação de que, na venda de veículos novos, os veículos dados como parte do pagamento não eram contabilizados como receita, caracterizando a omissão objeto do lançamento. O Termo de Verificação Fiscal às fls. 470 explica a operação da seguinte forma: segundo a nota fiscal nº 18, de 13 abril de 2007, um veículo foi vendido pelo valor de R$ 60.323,00, sendo que o pagamento deuse mediante a entrega de R$13.000,00 em dinheiro, e de um veículo usado, avaliado em R$47.330,00. A Recorrente, numa situação como essa, oferecia à tributação apenas os R$13.000,00 pela venda do veículo novo. O veículo usado dava entrada no estoque e oferecia se à tributação apenas o resultado positivo, se houvesse, entre o valor de entrada e o valor de saída do veículo usado, ou seja, o montante que excedesse à R$47.330,00. Tem razão, assim, a omissão de receita detectada pela Autoridade Fiscal. No entanto, constatase, também, que o quadro de apuração da omissão de receita, às fls. 473, é suficiente para apuração do imposto de renda e da CSLL, mas não o é para fins de apuração do PIS e da COFINS. De fato, a identificação global de que R$ 5,988.694,90 foram omitidos a título de receita não permite identificar o quanto dessas receitas decorre da venda de veículos novos e o quanto decorre da venda de veículos usados. E essa informação é de suma relevância, posto que, no que toca à venda de veículos novos, de fato, como bem decidido pela DRJ, a incidência do PIS e da COFINS é monofásica na indústria, não se sujeitando à nova incidência quando da venda direta ao consumidor. Fl. 3912DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 Noutro norte, a receita decorrente da venda de veículos usados sujeitase à incidência cumulativa das mesmas contribuições, nos termos do art. 5º da lei nº 9.716/98, c/c art. 8º, inciso VII, alínea ‘c’, da Lei nº 10.637/02, e art. 10, inciso VII, aliena ‘c’ da lei nº 10.833/03. Vejase: Lei nº 9.716/98 Art. 5o As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Lei 10637/02 Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6º: VII – as receitas decorrentes das operações: c) referidas no art. 5o da Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998; Lei 10.833/03: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: VII – as receitas decorrentes das operações: c) referidas no art. 5o da Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998; Assim, deveria a Autoridade Fiscal ter feito a segregação das receitas decorrentes da venda de veículos novos daquelas decorrentes da venda de veículos usados, tributando apenas estas pelo regime de apuração cumulativo de PIS e COFINS. No entanto, o auto de infração tomou a totalidade das receitas tidas por omitidas e aplicou a tributação do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo, incorrendo no vício insanável de erro na apuração e no fundamento legal da tributação. Impõese, assim, o cancelamento do auto de infração, devendo ser negado provimento ao recurso de ofício. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 3913DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10280.720636/201197 Acórdão n.º 1401000.810 S1C4T1 Fl. 6 9 Fl. 3914DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10715.001612/2009-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. ART. 102, § 2º, DO DECRETO-LEI nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350/2010. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro, em face da incidência do art. 102, §2º, do Decreto-Lei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas.
RETROATIVIDADE BENIGNA. Considerando que o dispositivo que autoriza a exclusão de multa administrativa em razão de denúncia espontânea entrou em vigor antes do julgamento da peça recursal, faz-se necessário observar o art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional e afastar a multa prevista no Decreto-Lei nº 37/66.
Numero da decisão: 3201-001.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator designado Daniel Mariz Gudiño. Vencido Conselheiro Mércia Helena Trajano DAmorim-relatora. O Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão votou pelas conclusões.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Wilson Sahade Filho e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. ART. 102, § 2º, DO DECRETO-LEI nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350/2010. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro, em face da incidência do art. 102, §2º, do Decreto-Lei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas. RETROATIVIDADE BENIGNA. Considerando que o dispositivo que autoriza a exclusão de multa administrativa em razão de denúncia espontânea entrou em vigor antes do julgamento da peça recursal, faz-se necessário observar o art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional e afastar a multa prevista no Decreto-Lei nº 37/66.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10715.001612/2009-63
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5180255
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3201-001.130
nome_arquivo_s : Decisao_10715001612200963.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 10715001612200963_5180255.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator designado Daniel Mariz Gudiño. Vencido Conselheiro Mércia Helena Trajano DAmorim-relatora. O Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão votou pelas conclusões. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator. DANIEL MARIZ GUDIÑO - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Wilson Sahade Filho e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
id : 4433561
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041217743224832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2286; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 116 1 115 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10715.001612/200963 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.130 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2012 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente CONTINENTAL AIRLINES INC. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. ART. 102, § 2º, DO DECRETOLEI nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350/2010. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro, em face da incidência do art. 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas. RETROATIVIDADE BENIGNA. Considerando que o dispositivo que autoriza a exclusão de multa administrativa em razão de denúncia espontânea entrou em vigor antes do julgamento da peça recursal, fazse necessário observar o art. 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional e afastar a multa prevista no DecretoLei nº 37/66. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator designado Daniel Mariz Gudiño. Vencido Conselheiro Mércia Helena Trajano D’Amorimrelatora. O Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão votou pelas conclusões. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 16 12 /2 00 9- 63 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. DANIEL MARIZ GUDIÑO Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sérgio Celani, Wilson Sahade Filho e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “O presente Auto de Infração, no valor de R$ 90.000,00, foi lavrado face à inobservância, pela empresa de transporte internacional, de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre operações que executar, cuja multa está prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei 37/66, com a redação dada pela Lei 10.833/03. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal (fls. 03/04), a autuada não registrou os dados pertinentes ao embarque de mercadorias, referentes aos transportes internacionais realizados em abril de 2004 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, dentro do prazo de dois dias da realização do embarque, assim considerado a data do vôo, conforme o art. 39, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 28/1994, descumprindo, desta forma, a obrigação constante do art. 37 da citada Instrução Normativa. A multa foi aplicada para cada veículo/viagem, identificado pelo respectivo vôo, que transportou as cargas amparadas nas Declarações de Exportação DDEs relacionadas no quadro à fl. 05, no qual também constam as datas dos embarques e as datas dos registros dos respectivos dados. Intimada da autuação, a interessada apresentou a impugnação de fls. 18/30, alegando, em síntese, o que segue: Preliminarmente: Nulidade do Auto de Infração ante o incorreto enquadramento legal: que não pode ser exigido o cumprimento do prazo de dois dias para a realização dos registros dos dados dos embarques nos despachos de exportação efetuados, pois o referido prazo somente foi determinado pela IN SRF nº 510/2005, cuja vigência é posterior à época dos fatos. Afirma que a expressão “imediatamente” contida na IN SRF nº 28/1994 é uma imperfeição legislativa, um vazio normativo, e como tal não pode ser considerada como prazo a ser imposto aos contribuintes. Argui que o correto Fl. 117DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.001612/200963 Acórdão n.º 3201001.130 S3C2T1 Fl. 117 3 enquadramento legal deveria ser a alínea “c” e não a alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei 37/66; que o art. 37 da IN SRF nº 28/1994 não impõe qualquer penalidade ou multa pelo descumprimento da obrigação nele contida; que a única possibilidade de imposição de multa pela referida Instrução Normativa é nos casos de embaraço à fiscalização, conforme o seu art. 44, que é o que faz referência cruzada com o art. 107 do Decretolei 37/66; que a referida multa constante do Decretolei 37/66 deve ser aplicada somente aos casos de importação; que, nas exportações, não há que se falar em embaraço à fiscalização após o embarque e envio da mercadoria, pois ela já foi fiscalizada. No Mérito: Ofensa aos Princípio da Finalidade, da Razoabilidade e da Isonomia: considerandose a finalidade de se controlar atos lesivos ao erário, a imposição da penalidade não concorre para a obtenção deste fim, uma vez que todos os dados sobre as mercadorias já eram de conhecimento da Receita Federal. Argui que a severa multa imposta pelo descumprimento da obrigação em tão exíguo prazo fere o alcance do princípio da Razoabilidade. Afirma, ainda, que deveria haver tratamento isonômico com os embarques marítimos, cuja exigência é de sete dias para o registro dos dados. Inexistência de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira no registro intempestivo de dados do embarque de mercadoria: que a impugnante não deixou de registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria já fiscalizada e desembaraçada, procedimentos estes que são inconciliáveis com qualquer tipo de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, pois na mesma semana do embarque prestou as informações demandadas. Menciona a ocorrência de falhas no Siscomex, durante certo período, onde as correções de informações prestadas incorretamente pelo exportador eram acusadas pelo Sistema como atrasos na alimentação dos dados. Requer, pelos motivos expostos, a nulidade do auto de infração.” O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FNS no 0725.349, de 22/07/2011, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cujo julgamento dispõe, in verbis: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória nº 135/03, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP citada, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/03. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Aplicase a lei tributária, em matéria de penalidades, a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.” O julgamento foi no sentido de rejeitar as preliminares arguidas e por julgar procedente em parte a impugnação, para manter o crédito tributário lançado no valor de R$ 25.000,00. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. Observese que a referência da IN 510/2005 foi quando da lavratura do Auto de Infração. Inicialmente, tratarei da preliminar suscitada de nulidade do lançamento por errônea tipificação, já que a recorrente entende que o dispositivo citado no auto de infração não guarda pertinência com o fato ocorrido. Argumenta a empresa, que o Auto de Infração foi lavrado com fundamento no art. 37 da IN n° 28/1994, que estabelecia, à época, o prazo de dois dias para que o transportador procedesse ao registro no Siscomex os dados de embarque das mercadorias destinadas ao exterior. No entanto, o art. 44 da referida IN determina expressamente que o descumprimento da obrigação constitui embaraço à fiscalização aduaneira, penalidade prevista na alínea “c”, IV, do art. 107 do Decretolei n° 37/66 e não alínea “e”, inc IV, do mesmo dispositivo. Observase que o art. 44 da citada IN menciona que o descumprimento a vários artigos, dentre eles, o art. 37, constitui embaraço à atividade da fiscalização aduaneira, sujeitando ao pagamento da multa prevista no art. 107 do DecretoLei n° 37/66. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.001612/200963 Acórdão n.º 3201001.130 S3C2T1 Fl. 118 5 Ou seja, o art. 44 da referida IN estabelece que o descumprimento do disposto no art. 37 daquela norma regulamentar é considerado embaraço à fiscalização, punível com multa pecuniária. A norma infracional em análise não dispunha de comando integral, na medida em que não definiu o que seria o embaraço à fiscalização na hipótese de não apresentação de documentos à fiscalização; constituindo, da forma com está colocada pela redação dada pelo DL 751/69, “norma penal em branco”, uma vez que o agente para ser considerado infrator deveria descumprir determinada obrigação acessória não definida na lei de regência, mas em norma infralegal. Pois bem, o comando constante do art. 37 da IN/SRF 28/1994 tem por objetivo criar obrigação acessória a qual, se não observada, será considerada conduta infracional por parte do sujeito passivo. Portanto, diferentemente do entendimento da recorrente quanto à inaplicabilidade ao caso da multa exigida, o art. 37 da IN/SRF 28/1994 e suas alterações posteriores, tem por fim completar a “norma penal em branco”, devendo ser entendido e interpretado em conjunto com a norma propriamente dita. No caso concreto, a infração tipificou a conduta da recorrente na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003, haja vista o descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/2005 (à época do auto de infração), que dispõem: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (grifei) ** Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN 510, de 2005) (grifei) (...) Entendo que houve aplicação direta e objetiva da norma. Logo, consumada a infração resta aplicável a penalidade prevista em lei pelo descumprimento de obrigação acessória, que no caso é a prestação intempestiva da informação sobre carga transportada, ou seja, a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de registrar corretamente os dados de embarques das mercadorias exportadas, como também, o dever de fazêlo no prazo previamente determinado, independentemente de qualquer procedimento fiscal. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Em sendo assim, a recorrente não prestou as informações sobre as cargas transportadas no prazo estabelecido na legislação, justificada está a aplicação da multa em comento, por descumprimento de obrigação acessória, não havendo falar em embaraço à fiscalização e, por conseguinte, em fundamentação legal equivocada da multa para gerar a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa. Pois, em matéria de processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; IIOs despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Pelo transcrito, observase que, no caso de auto de infração – que pertence à categoria dos atos ou termos –, só há nulidade se esse for lavrado por pessoa incompetente, uma vez que por preterição de direito de defesa apenas despachos e decisões a ensejariam. Por outro lado, caso houvesse irregularidades, incorreções ou omissões diferentes das previstas no art. 59, essas não importariam em nulidade e poderiam ser sanadas, se tivessem dado causa a prejuízo para o sujeito passivo, como determina o art. 60 do mesmo decreto: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Por todo o exposto, são improcedentes os argumentos da recorrente, não se encontrando presente pressuposto algum de nulidade, não havendo, da mesma forma, irregularidade alguma a ser sanada, logo, não vejo como acolher essa preliminar. Concluindo, afasto alegação de nulidade levantada pela recorrente. Passando ao mérito, mas antes de adentrálo, quanto aos argumentos relacionados à legalidade ou constitucionalidade a qualquer ato legal, o CARF, assim se posicionou através do enunciado nº 2 de sua Súmula consolidada, publicada no DOU de nº 244, de 22.12.2009: SÚMULA CARF Nº 2 O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ressalto para ficar bem claro, que a decisão de primeira instância, tendo em vista o retroatividade benigna, por conta da entrada em vigor da IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010 passando a ser de sete dias, para prestação de informações sobre as cargas pelo transportador. Logo, julgou procedente em parte e manteve o lançamento do crédito tributário no valor de R$ 25.000,00. Passo a todo histórico da legislação, do caso em concreto. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.001612/200963 Acórdão n.º 3201001.130 S3C2T1 Fl. 119 7 O fato é que houve registro no Siscomex das cargas acobertadas pelas declarações de exportação listadas no auto de infração em prazo superior a dois dias, razão pela qual o auto de infração tipificou a conduta da autuada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003, haja vista o descumprindo da obrigação acessória prevista no artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/2005. A obrigação de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, no Siscomex, independe da participação efetiva do fisco aduaneiro para que o responsável pelo seu cumprimento a satisfaça no prazo de dois dias, contado da data do embarque, conforme estipulado no caput do artigo 37 da IN/SRF 28/04. Os sujeitos passivos de tais obrigações são previamente habilitados pela Receita Federal do Brasil para acessarem, de forma ininterrupta, o Siscomex, dentre outros sistemas informatizados, razão pela qual, da mesma forma, os prazos concernentes à prestação de informação no referido sistema também devem ser contados ininterruptamente. A sistemática operacional consiste em o transportador registrar os dados de embarque imediatamente depois de realizado o embarque da mercadoria para o exterior, com base nos documentos por ele emitidos (observar os prazo da norma). E, posteriormente ocorrerá a averbação que é o ato final do despacho de exportação que consiste na confirmação, pela fiscalização aduaneira, do embarque da mercadoria. A averbação, por fim, será feita, no Sistema, após a confirmação do efetivo embarque da mercadoria e do registro dos dados pertinentes pelo transportador. Por isso, a importância, dentro do prazo, do informe dos dados de embarque pelo transportador, com a documentação. Registrados os dados de embarque, se os dados informados pelo transportador coincidirem com os registrados no desembaraço da DDE ou DSE, haverá averbação automática do embarque pelo Sistema. Caso contrário, a Alfândega irá analisar a documentação apresentada, confrontandoa com os dados relativos ao desembaraço e ao embarque, efetuandose a chamada averbação manual, com ou sem divergência. Pois bem, as IN SRF 28/1994, da IN SRF 510/2005 ou da IN RFB 1.096/2010 dispõem: IN/SRF 28, de 27.04.1994, redação original Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (g.n.) Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. (...) Fl. 122DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3º do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto lei nº 37/66 com a redação do art. 5º do Decretolei nº 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis. IN/SRF 28/1994, com redação da IN/SRF 510, de 14.02.2005 (vigente à época dos fatos geradores e da lavratura do auto de infração) Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN no 510, de 2005) (g.n.) (...) § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. (...) IN/SRF 28/1994, com redação da IN/RFB 1.096, de 13.12.2010 (vigente a partir de sua publicação, ocorrida no DOU de 14.12.2010) Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) (g.n.) § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de despacho. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) § 2º Na hipótese de o registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque da mercadoria ou de sua saída do território nacional, nos termos do art. 52, o prazo a que se refere o caput será contado da data do registro da declaração. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) (...) A multa de que tratava o artigo 107 do DecretoLei 37/1966, antes da nova redação dada pela Lei 10.833/2003, assim dispunha. Art.107 Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pelo Decretolei nº 751, de 08/08/1969) Fl. 123DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.001612/200963 Acórdão n.º 3201001.130 S3C2T1 Fl. 120 9 I de NCr$ 500,00 (quinhentos cruzeiros novos), a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do fisco ou embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (Redação dada pelo Decretolei nº 751, de 08/08/1969) (...) O art. 37 da IN/SRF 28/1994, estabelecia originalmente o prazo para o registro dos dados de embarque da mercadoria pelo transportador no Siscomex, como sendo “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria (...)”. O alcance do vocábulo “imediatamente” foi esclarecido pela Notícia Siscomex 105, de 27.07.1994: Por oportuno, esclarecemos que o termo imediatamente, contido no art. 37 da IN 28/94, deve ser interpretado como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes no Siscomex, com base nos documentos por ele emitidos”. Salientamos o disposto no art. 44 da referida IN, ou seja, a revisão legal para autuação do transportador no caso de descumprimento do previsto no artigo acima referenciado. A IN/SRF 510/2005, vigente à época da lavratura do auto de infração, ao dar nova redação ao citado artigo, definiu como prazos para registro dos dados do embarque da mercadoria no Siscomex, dois dias para o transporte aéreo e sete dias para o transporte marítimo. Igualmente, a IN/RFB 1.096/2010, que passou a viger a partir de 14.12.2010, definiu sete dias como sendo o prazo para registro dos dados do embarque da mercadoria no Siscomex, independentemente da modalidade de transporte efetuada. É de observar também que o artigo 37 é norma complementar que modificou uma obrigação acessória. Logo, o aumento do prazo para o transportador registrar no Siscomex os dados do embarque da mercadoria, primeiramente excluiu de sanções os registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de dois dias, na hipótese de embarque aéreo, bem como os registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de sete dias, na hipótese de embarque marítimo, posteriormente estendeu a exclusão de sanções para quaisquer registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de sete dias, uma vez que não mais especificou o prazo em função da modalidade de embarque utilizada pelo transportador internacional. Por fim, a recorrente argumenta que não foi possível efetuar no prazo regulamentar os registros de embarque de que trata a presente autuação, uma vez que ocorreram falhas no Siscomex que a impediram de assim proceder, bem assim, em caso de divergência que impedisse a averbação automática, as empresas aéreas eram obrigadas a excluir a informação equivocada para incluir a correta, porém, o sistema somente considerava a data da inserção da informação correta, ou seja, apenas alega e foram verificados registros intempestivos de dados de embarque referentes aos despachos de exportação. Permanecem as multas referentes aos embarques (Voo CO/094) ocorridos em 02.04.2004/ 03.04.2004/ 26.04.2004/ 27.04.2004 e 30.04.2004, observase que as informações foram prestadas de forma intempestiva, uma vez que os registros foram efetuados somente em 28.06.2004/ 13.04.2004/ 27.10.2004/ 21.06.2004 e 17.05.2004, respectivamente. (R$ 25.000,00) Fl. 124DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 Logo, mantido o crédito tributário lançado no valor de R$ 25.000,00, tendo em vista, prazo é de 7 (sete) dias para efeitos de cumprimento dessa obrigação acessória. Para finalizar, transcrevo algumas linhas, do que penso sobre a nova tese aplicada ao caso, que discordo pelos motivos abaixo: O Art. 40 Lei 12.350, de 20/12/2010 (das demais alterações na legislação tributária), passa a vigorar dessa forma: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento." (NR) De acordo com o item 40 da Exposição de Motivos da MP 497/2010 (que foi convertida na Lei 12.350/2010) a nova redação dada ao § 2º do art. 102 do Decretolei 37/66 "visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza". Ainda, consta na Nota Descritiva sobre a Exposição de Motivos da MP 497/2010, em seu item 7, das alterações do DecretoLei de n° 37/66, declaração sobre previsão de que a denúncia espontânea exclua, também, penalidades de natureza meramente administrativa. Quanto à figura de denúncia espontânea, contemplada no art. 138 do CTN somente é possível sua ocorrência de fato desconhecido pela autoridade, o que não é o caso de atraso na entrega da declaração, ou pela prestação de informações sobre o embarque de cargas transportadas no Siscomex, a destempo, que se torna ostensivo com decurso do prazo fixado para a entrega tempestiva da mesma ou do prazo a ser observado. Pois bem, sempre entendi que denúncia espontânea tratavase de um procedimento formal, pertinente a uma comunicação à RFB, que tinha como consequência a exclusão de penalidades, a partir de alguma informação desconhecida pela própria Receita. No entanto, agora surge essa corrente que propugna pela aplicação da regra para o caso de não cumprimento de procedimentos em prazo fixado, como é o caso do não cumprimento de prazo para a prestação de informações. Tratase, no meu entender, de infração que já ocorreu. A valer desse entendimento, a RFB, por exemplo, iria ter que manter um agente de plantão (fiscalização) para que, no dia seguinte que ultrapassar o prazo de prestação Fl. 125DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.001612/200963 Acórdão n.º 3201001.130 S3C2T1 Fl. 121 11 de informações pelo transportador, seja formalizado o auto de infração. E deverá ser feito um auto de infração por dia, porque se o fiscal esperar para juntar diversas omissões do transportador, poderá incorrer na possibilidade de que, em dia que se seguir, já tenha sido apresentada a informação, embora a destempo, mas que viria a abrigar o transportador com a pretendida denúncia espontânea. Com esse argumento, não vejo aplicabilidade às multas fixas (como é o caso), nem às sanções de advertência suspensão e cassação. E, mais, seria o caso, de aplicação da súmula CARF n° 49, pois a prestação de informações é uma obrigação acessória. A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Falando no art.138 do Código Tributário Nacional, analisando o Capítulo V – “Responsabilidade Tributária” e Seção IV – “Responsabilidade por Infrações”, que trata acerca do instituto da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Pela leitura, o pagamento do tributo se torna necessário para a ocorrência da denúncia espontânea, com a devida atualização monetária e juros de mora, atentandose para outra condição, qual seja: apresentar a denúncia espontânea antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco. Adotando este procedimento, o contribuinte tem a seu favor a exclusão da penalidade, em outro dizer, multa moratória incidente sobre o valor objeto da denúncia. O legislador teve a intenção de criar a denúncia espontânea como um estímulo aos contribuintes a se manterem regulares perante o Fisco. Antecipandose em relação à administração fazendária e realizando o pagamento da obrigação tributária que está em atraso, a multa moratória deve ser excluída, ante o seu caráter de penalidade. Como leciona Hugo de Brito Machado, em sua obra “Curso de Direito Tributário”, 27ª Edição, Malheiros, página 184: O Art. 138 do Código Tributário Nacional é um instrumento de política legislativa tributária. O legislador estimulou o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias, premiando o sujeito passivo com a exclusão de penalidades quando este espontaneamente denuncia a infração cometida e paga, sendo o caso, o tributo devido. No entendimento do STJ, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. É pacífica a jurisprudência da Corte Superior no sentido da impossibilidade de se estender os benefícios da denúncia espontânea quando se tratar de entrega com atraso da declaração de rendimentos. Os diversos julgados existentes salientam que as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 A Egrégia 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 195161/GO (98/00849050), em que foi relator o Ministro José Delgado (DJ de 26 de abril de 1999), por unanimidade de votos, que embora tenha tratado de declaração do Imposto de renda é, também, aplicável à entrega de DCTF: "TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. INCIDÊNCIA. ART. 88 DA LEI 8.981/95. 1 A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. 2 As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. 3 Há de se acolher a incidência do art. 88 da Lei n.º 8.981/95, por não entrar em conflito com o art. 138 do CTN. Os referidos dispositivos tratam de entidades jurídicas diferentes. 4 Recurso provido." Destaco alguns trechos do RESP 738.397RS, do relator ministro Teori Albino Zavascki, da 1ª Turma, STJ, linhas que resumem de uma forma geral as razões do posicionamento adotado pela STJ, após diversos julgados na mesma linha de julgamento, com destaques: (...) Não se pode confundir nem identificar denúncia espontânea com recolhimento em atraso do valor correspondente a crédito tributário devidamente constituído. O art. 138 do CTN, que trata da denúncia espontânea, não eliminou a figura da multa de mora, a que o Código também faz referência (art. 134, par. único). A denúncia espontânea é instituto que tem como pressuposto básico e essencial o total desconhecimento do Fisco quanto à existência do tributo denunciado. A simples iniciativa do Fisco de dar início à investigação sobre a existência do tributo já elimina a espontaneidade (CTN, art. 138, par. único). Conseqüentemente, não há possibilidade lógica de haver denúncia espontânea de créditos tributários já constituídos e, portanto, líquidos, certos e exigíveis. Em tais casos, o recolhimento fora de prazo não é denúncia espontânea e, portanto, não afasta a incidência de multa moratória. (...) 4.À luz dessas circunstâncias, fica evidenciada mais uma importante conseqüência, além das já referidas, decorrentes da constituição o crédito tributário: a de inviabilizar a configuração de denúncia espontânea, tal como prevista no art. 138 do CTN. A essa altura, a iniciativa do contribuinte de promover o recolhimento do tributo declarado nada mais representa que um pagamento em atraso. E não se pode confundir pagamento atrasado com denúncia espontânea. Com base nessa linha de orientação, a 1ª Seção firmou entendimento de que não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos declarados, porém pagos a destempo pelo contribuinte, ainda que o pagamento seja integral. Assim, v.g, ficou decidido no ERESP 531249DJ de 09.08.2004, Min. Castro Meira: "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO DECLARADO. IMPOSSIBILIDADE. 1. A posição majoritária da Primeira Seção desta Corte é no sentido da não admitir a denúncia espontânea nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando houver declaração desacompanhada do recolhimento do tributo. 2. Embargos de divergência rejeitados. Assim, considerase que, nessas hipóteses, a declaração formaliza a existência do crédito tributário, trazendoo para o mundo jurídico, e, constituído o crédito, Fl. 127DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.001612/200963 Acórdão n.º 3201001.130 S3C2T1 Fl. 122 13 ocorrendo o seu recolhimento a destempo, não enseja o benefício do art. 138 do CTN, que é incompatível com a expressão “do pagamento do tributo devido e dos juros de mora” nele contida, haja vista que uma das características para o benefício da denúncia espontânea é o pagamento na data do tributo, estabelecida em lei. Ao efetuar o pagamento do tributo fora de prazo (ainda que pelo valor integral, corrigido monetariamente e com juros), o STJ considera tal ato como sendo fator inibidor para a incidência da aplicação do benefício de denúncia espontânea. Então, por todo o raciocínio desenvolvido, pelas correntes acima apontadas; aplicamse, ao caso, perfeitamente, o de prestar informações de embarque na exportação sobre cargas transportadas a destempo no Siscomex. Assim sendo, o disposto no art. 138 do CTN não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias autônomas. À vista do exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Voto Vencedor Conselheiro DANIEL MARIZ GUDIÑO A despeito de entender que a Recorrente realmente praticou ato infracional aos controles aduaneiros, é preciso levar em conta que a infração formal foi devidamente sanada antes do início da ação fiscal que culminou na lavratura do auto de infração ora discutido. Por essa razão, ouso discordar da ilustre relatora, uma vez que, desde a edição da Lei nº 12.350 de 2010, a nova redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37 de 1966 passou a admitir o instituto da denúncia espontânea no âmbito dos controles aduaneiros. É disso que se está a tratar no presente julgamento. Convém ressaltar que já existe jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sobre o assunto. Confirase: MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A NAVIO OU A MERCADORIAS NELE EMBARCADAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.. POSSIBILIDADE. ART. 102, §2º DO DECRETOLEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350, DE 20/12/2010. APLICAÇÃO RETROATIVA. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro., em face da incidência do art. 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 14 (Acórdão nº 3101000.997, Rel. Cons. Luiz Roberto Domingo, Sessão de 25/01/2012) Para fácil referência, transcrevese a norma do art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37 de 1966, com redação da Lei nº 12.350 de 2010, a saber: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) E nem se diga que a hipótese verificada nos autos está prevista no art. 102, § 1º, alínea “a”, do DecretoLei nº 37 de 1966, pois a obrigação adimplida intempestivamente pela Recorrente era devida após o desembaraço da mercadoria. Também não se diga que a Lei nº 12.350 de 2010 é posterior à data da infração praticada pela Recorrente, pois, de acordo com o art. 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional, a lei se aplica retroativamente quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, deixe de definilo como infração. Sobre a aplicação da retroatividade benigna nos casos de denúncia espontânea, a Câmara Superior deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se pronunciou, a saber: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de penalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplicase a legislação superveniente que venha a beneficiar o contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benigna. (Acórdão nº 910100344, Cons. Rel. Valmir Sandri, Sessão de 24/08/2009) Diante de todo o exposto, é de se dar provimento ao recurso voluntário, exonerando o crédito tributário na íntegra. DANIEL MARIZ GUDIÑORedator designado Fl. 129DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.001612/200963 Acórdão n.º 3201001.130 S3C2T1 Fl. 123 15 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/12/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/01/2013 por DANIEL MARIZ GU DINO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000085/2009-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
IRPJ/CSLL. GLOSA DE DESPESA. ROYALTIES. A luz do art. 71 da Lei 4.506/1964, são indedutíveis na apuração do IRPJ e CSLL as despesas com royalties pagos a outra empresa, em razão da utilização de marca, quando verificado que ambas fazem parte do mesmo grupo econômico. é perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico a restrição à dedutibilidade de custos e despesas das pessoas jurídicas, quando tais encargos operam-se no campo restrito da liberalidade de seus dirigentes. Ou seja, a lei tributária não proíbe a prática de operações mercantis, como a celebrada entre a fiscalizada e seus controladores, mas lhes atribui efeitos próprios no campo de apuração do IRPJ
PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO. SALDO DE PERÍODOS ANTERIORES. Uma vez comprovada a existência de saldo de prejuízos fiscais suficientes à compensação efetuada pelo contribuinte, na qual foram observados os preceitos legais, cancela-se a exigência nessa parte. O montante do prejuízo registrado na contabilidade, que foi informado à Receita Federal em DIPJ Retificadora, apresentado antes do início da ação fiscal, somente pode ser desconsiderado mediante auditoria específica para sua revisão, observando-se o rito do PAF (Decreto 70.235/1972).
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Sobre a multa de oficio, lançada juntamente com o tributo ou contribuição não paga no vencimento, incidem juros de mora à taxa de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. (Acórdão 1402-00.213).
Recurso de Oficio Provido. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, dar provimento ao recurso de oficio, para restabelecer a glosa de despesas, a título de royalties, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que negavam provimento; 2) dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos, cancelar a glosa de compensação de prejuízos fiscais; b) Por maioria de votos, afastar a incidência de juros de mora à taxa Selic incidentes sobre a multa de ofício, e aplicar a taxa de juros a que se refere o art. 161 do CTN, desde que sua aplicação entre o vencimento e o pagamento não ultrapasse a variação da taxa Selic, vencido o Conselheiro Carlos Pelá, que excluía os juros moratórios. Tudo nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Albertina Silva Santos de Lima - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 IRPJ/CSLL. GLOSA DE DESPESA. ROYALTIES. A luz do art. 71 da Lei 4.506/1964, são indedutíveis na apuração do IRPJ e CSLL as despesas com royalties pagos a outra empresa, em razão da utilização de marca, quando verificado que ambas fazem parte do mesmo grupo econômico. é perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico a restrição à dedutibilidade de custos e despesas das pessoas jurídicas, quando tais encargos operam-se no campo restrito da liberalidade de seus dirigentes. Ou seja, a lei tributária não proíbe a prática de operações mercantis, como a celebrada entre a fiscalizada e seus controladores, mas lhes atribui efeitos próprios no campo de apuração do IRPJ PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO. SALDO DE PERÍODOS ANTERIORES. Uma vez comprovada a existência de saldo de prejuízos fiscais suficientes à compensação efetuada pelo contribuinte, na qual foram observados os preceitos legais, cancela-se a exigência nessa parte. O montante do prejuízo registrado na contabilidade, que foi informado à Receita Federal em DIPJ Retificadora, apresentado antes do início da ação fiscal, somente pode ser desconsiderado mediante auditoria específica para sua revisão, observando-se o rito do PAF (Decreto 70.235/1972). MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Sobre a multa de oficio, lançada juntamente com o tributo ou contribuição não paga no vencimento, incidem juros de mora à taxa de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. (Acórdão 1402-00.213). Recurso de Oficio Provido. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 16643.000085/2009-47
anomes_publicacao_s : 201212
conteudo_id_s : 5176502
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 1402-000.905
nome_arquivo_s : Decisao_16643000085200947.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 16643000085200947_5176502.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, dar provimento ao recurso de oficio, para restabelecer a glosa de despesas, a título de royalties, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que negavam provimento; 2) dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos, cancelar a glosa de compensação de prejuízos fiscais; b) Por maioria de votos, afastar a incidência de juros de mora à taxa Selic incidentes sobre a multa de ofício, e aplicar a taxa de juros a que se refere o art. 161 do CTN, desde que sua aplicação entre o vencimento e o pagamento não ultrapasse a variação da taxa Selic, vencido o Conselheiro Carlos Pelá, que excluía os juros moratórios. Tudo nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
id : 4403543
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041217754759168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2473; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 439 1 438 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16643.000085/200947 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1402000.905 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2012 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO. IRPJ E REFLEXOS Recorrentes TAM LINHAS AEREAS S/A. 2a. TURMA DA DRJ SALVADOR BA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 IRPJ/CSLL. GLOSA DE DESPESA. ROYALTIES. ‘A luz do art. 71 da Lei 4.506/1964, são indedutíveis na apuração do IRPJ e CSLL as despesas com royalties pagos a outra empresa, em razão da utilização de marca, quando verificado que ambas fazem parte do mesmo grupo econômico. é perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico a restrição à dedutibilidade de custos e despesas das pessoas jurídicas, quando tais encargos operamse no campo restrito da liberalidade de seus dirigentes. Ou seja, a lei tributária não proíbe a prática de operações mercantis, como a celebrada entre a fiscalizada e seus controladores, mas lhes atribui efeitos próprios no campo de apuração do IRPJ PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO. SALDO DE PERÍODOS ANTERIORES. Uma vez comprovada a existência de saldo de prejuízos fiscais suficientes à compensação efetuada pelo contribuinte, na qual foram observados os preceitos legais, cancelase a exigência nessa parte. O montante do prejuízo registrado na contabilidade, que foi informado à Receita Federal em DIPJ Retificadora, apresentado antes do início da ação fiscal, somente pode ser desconsiderado mediante auditoria específica para sua revisão, observandose o rito do PAF (Decreto 70.235/1972). MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Sobre a multa de oficio, lançada juntamente com o tributo ou contribuição não paga no vencimento, incidem juros de mora à taxa de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. (Acórdão 140200.213). Recurso de Oficio Provido. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 00 85 /2 00 9- 47 Fl. 439DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16643.000085/200947 Acórdão n.º 1402000.905 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, dar provimento ao recurso de oficio, para restabelecer a glosa de despesas, a título de royalties, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que negavam provimento; 2) dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos, cancelar a glosa de compensação de prejuízos fiscais; b) Por maioria de votos, afastar a incidência de juros de mora à taxa Selic incidentes sobre a multa de ofício, e aplicar a taxa de juros a que se refere o art. 161 do CTN, desde que sua aplicação entre o vencimento e o pagamento não ultrapasse a variação da taxa Selic, vencido o Conselheiro Carlos Pelá, que excluía os juros moratórios. Tudo nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório TAM LINHAS AEREAS S/A. recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por sua vez, a DRJ SALVADOR – BA recorreu de ofício, em face do art. 34 do PAF, haja vista a exoneração ter superado o limite de alçada daquele colegiado. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Tratamse de autos de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), anexados às fls. 263/286, decorrentes da apuração das infrações descritas como despesa indedutível a título de “royalties” pagos a pessoa ligada e compensação indevida de prejuízos fiscais, em ralação aos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007. O Termo de Encerramento de fls. 287/289 esclarece que: DESPESAS DESNECESSÁRIAS – ROYALTIES PELO USO DO NOME TAM: a contribuinte, questionada sobre os valores informados na DIPJ a título de Royalties e assistência técnica no País, apresentou contrato de licença para uso de marca, de 10/03/2005, pactuado entre a TAM MILLOR – TÁXI AÉREO, REPRESENTAÇÃO, MARCAS E PATENTES S/A, como licenciante, e a TAM LINHAS AÉREAS S/A, além da TAM S/A, FIDELIDADE, VIAGENS E Fl. 440DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16643.000085/200947 Acórdão n.º 1402000.905 S1C4T2 Fl. 0 3 TURISMO LTDA. e TRANSPORTES AEREOS DEL MERCOSUR S/A (do Paraguai), como licenciadas; o contrato aponta que: a) a licenciante, na qualidade de sucessora por cisão da TAM TÁXI AÉREO MARÍLIA S/A, é titular e proprietária da marca “TAM” e b) deseja licenciar o uso da marca para as licenciadas; o certificado de averbação nº 050511/01 data de 25/07/2005; os sócios de todas as empresa mencionadas diretamente ou indiretamente são os mesmos proprietários, ou seja, os Srs. Noemy Almeida Oliveira Amaro, João Francisco Amaro, Mauricio Rolin Amaro, Maria Cláudia Oliveira Amaro e Marcos Adolfo Tadeu Amaro; a TAM MILLOR nasceu em 25/10/2004 e sempre apresentou declarações de imposto de renda na modalidade de lucro presumido; o art. 352 do RIR/1999 determina que “A dedução de despesas com royalties será admitida quando necessárias para que o contribuinte mantenha a posse, uso ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71)”; a necessidade da despesa é questionada pelo autuante, sob a alegação de que é difícil entender o fato de os proprietários da marca, que são, direta ou indiretamente, proprietários da TAM, submeterem a pagamento de royalties pelo uso da marca justamente a empresa que possui o maior mercado de aviação do país, nascida originalmente como TAM, que comercializa os seus produtos e cujos resultados são distribuídos para os sócios em forma de dividendos ou juros sobre o capital próprio; a eventual alegação de que a TAM não pertence 100% aos sócios detentores da marca perdese quando se verifica que os sócios proprietários da marca são exatamente aqueles que administram o grupo de empresas (primeiramente seu criador, Sr. Amaro Rolim, e hoje os sócios pertencentes à família); o procedimento adotado visa diminuir o lucro da TAM, com a geração desse tipo de despesa, e, conseqüentemente, reduzir a carga tributária; o art. 353 do RIR/1999 é conclusivo ao determinar que não são dedutíveis os royalties pagos a sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes, o que não deixa dúvidas sobre a restrição imposta pela legislação à dedutibilidade de despesas com royalties, na forma como especifica; a TAM MILLOR não é, diretamente, sócia da TAM LINHAS AÉREAS, mas os sócios destas são os mesmos daquelas; é perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico a restrição à dedutibilidade de custos e despesas das pessoas jurídicas, quando tais encargos operamse no campo restrito da liberalidade de seus dirigentes. Ou seja, a lei tributária não proíbe a prática de operações mercantis, como a celebrada entre a fiscalizada e seus controladores, mas lhes atribui efeitos próprios no campo de apuração do IRPJ; o Parecer Normativo CST nº 102/75 corrobora com esse entendimento (reproduz trecho); com isso, as despesas de royalties escrituradas pela empresa foram glosadas, nos montantes de R$11.336.670,00, R$13.784.018,19 e R$14.192.799,42, para os anos calendário de 2005, 2006 e 2007, respectivamente: Fl. 441DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16643.000085/200947 Acórdão n.º 1402000.905 S1C4T2 Fl. 0 4 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS ANTERIORES EM VALORES SUPERIORES AOS SALDOS DISPONÍVEIS: no anocalendário de 2005, adicionalmente, constatouse que foi reduzida a base de cálculo do imposto de renda no valor de R$8.305.559,55, por compensação de prejuízos acima do saldo existente, conforme demonstrativo de compensação de prejuízos fiscais (SAPLI), anexado à fl. 284, no qual observase que o saldo em 2004 era de R$116.512.960,49 e foi aproveitado pela contribuinte, para compensação, o valor de R$124.818.520,04, redundando na diferença cobrada. A interessada tomou ciência dos lançamentos em 21/12/2009 e apresentou, em 20/01/2010, a impugnação de fls. 304/318, acompanhada dos documentos de fls. 319/337, com as seguintes alegações, em síntese: · a impugnante, por meio do contrato de licenciamento de uso de marca firmado em março de 2005, adquiriu o direito à utilização, não exclusiva, de marcas que envolvem o nome TAM, cuja titularidade é da empresa TAM Milor – Táxi Aéreo, Representação, Marcas e Patentes S/A; · o licenciamento das marcas tem prazo de validade até o dia 09/12/2011, nos termos da cláusula 3 do referido contrato, e deve ser remunerado mensalmente, conforme ajustado na cláusula 2.1; · a acusação fiscal está baseada tão somente na suposta falta de necessidade das despesas, segundo o art. 352 do RIR/1999, e na inobservância do art. 353, I, do mesmo regulamento, já que a efetividade dessas despesas não foi questionada; · o art. 352 do RIR/1999 contém norma específica para as despesas com royalties, fato que afasta qualquer possibilidade de discussão acerca da aplicação da regra geral de necessidade das despesas contida no art. 299 do mesmo regulamento; · o referido art. 352 do RIR/1999 determina que apenas são dedutíveis os royalties que sejam efetivamente utilizados na produção de bens e direitos que produzam rendimentos ao contribuinte, que é o caso da impugnante, tendo em vista que é notório que as marcas em questão, existentes no mercado há muitos anos, agregam valor a qualquer atividade e os pagamentos são feitos justamente à TAM Milor, empresa que detém a propriedade da marca, devidamente registrada perante o INPI; · a estrutura adotada decorre de decisão gerencial estratégica do conglomerado econômico do qual a impugnante faz parte, cuja conveniência não pode ser questionada pela fiscalização, conforme jurisprudência administrativa que cita na impugnação; · sendo as marcas TAM direitos devidamente registrados em nome de determinada empresa, não há outra possibilidade jurídica de sua utilização por terceiros, no caso pela impugnante, senão mediante cessão do direito de uso, não causando estranheza alguma que tal cessão seja remunerada, conforme doutrina citada na impugnação; · o art. 353, inciso I, do RIR/1999, ao contrário do que entendeu a fiscalização, não serve de amparo para a glosa sub judice, simplesmente porque a TAM Milor, detentora das marcas em questão, não é sócia da impugnante, o que é reconhecido pelo próprio autuante no termo de encerramento que acompanha os autos de infração; · quando pretendeu limitar a dedutibilidade dos royalties às situações de controle indireto, o próprio art. 353, no seu inciso III, o fez expressamente, mas Fl. 442DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16643.000085/200947 Acórdão n.º 1402000.905 S1C4T2 Fl. 0 5 tratando apenas de beneficiários no exterior (reproduz), o que evidencia que a regra do inciso I aplicase apenas quando os royalties forem devidos a sócios. Portanto, o autuante, no caso, aplicou a analogia para exigir tributo sem previsão em lei, o que é expressamente vedado pelo art. 108, § 1º, do CTN; · seja como for, o art. 353, inciso I, do RIR/1999, na parte que veda a dedutibilidade dos royalties pagos a sócios pessoas jurídicas, não possui fundamento legal, posto que, nos termos do art. 71, parágrafo único, alínea “d”, da Lei nº 4.506, de 1964 (reproduz), tal restrição é aplicável apenas às pessoas físicas; · embora uma leitura desatenta da norma inserta na citada alínea “d” possa sugerir que a limitação à dedutibilidade abrange os pagamentos feitos a qualquer sócio, a sua correta interpretação é no sentido de que a sua aplicação restringese às pessoas físicas, conforme jurisprudência administrativa reproduzida na impugnação; · a jurisprudência citada está absolutamente correta nesse ponto, pois, na comparação do art. 353, inciso I, do RIR/1999, com os regulamentos anteriores, emitidos já na vigência do art. 71 da Lei nº 4.506, de 1964, percebese que apenas na expedição do RIR/1994 foi acrescentada a menção às pessoas jurídicas, o que não aconteceu com os regulamentos de 1966 e de 1975, o que representa uma ilegalidade, visto que entre esses regulamentos não houve qualquer modificação legal que justificasse o acréscimo, assim como também não houve depois; · é interessante destacar que, no passado, uma discussão semelhante travouse em relação ao art. 72, inciso I, da mesma Lei nº 4.506, de 1964, que tratava das hipóteses de distribuição disfarçada de lucros e que, tal como no art. 71, também continha referência a sócios e dirigentes da pessoa jurídica, bem como a seus parentes e dependentes, sendo que a jurisprudência afastou a pretensão do fisco, quanto à sua aplicação aos sócios pessoas jurídicas; · o art. 353, inciso I, do RIR/1999, ao pretender estender a vedação em questão aos sócios pessoas jurídicas, extrapolou a legislação que lhe serve de amparo, o que não é possível, a despeito de tal regulamente ter sido aprovado por decreto do Presidente da República, em função dos princípios da legalidade e da tipicidade previstos no art. 150, inciso I, da Constituição Federal, bem como do art. 99 do CTN; DA INAPLICABILIDADE DOS ARTS. 352 E SEGUINTES DO RIR/1999 À CSLL: · ainda que fosse procedente a glosa fiscal referente à dedutibilidade dos royalties em questão, perante o IRPJ, tendo como fundamento a suposta inobservância do art. 71 da Lei nº 4.506, de 1964, refletido nos arts. 352 e 353, inciso I, do RIR/1999, tal dispositivo não se aplica à CSLL, por regular especificamente a apuração da base de cálculo do IRPJ e por ter sido editado muito antes da própria instituição da CSLL; · ademais, analisando a sistemática das leis que tratam desses dois tributos, verificase que as regras direcionadas ao lucro real são distintas das dirigidas ao lucro líquido, sendo que, quando o legislador pretendeu conferir o mesmo tratamento perante esses tributos, ele o fez expressamente, o que não ocorreu na espécie; essa é a posição da jurisprudência administrativa, conforme acórdãos do Conselho de Contribuintes reproduzidos na impugnação Fl. 443DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16643.000085/200947 Acórdão n.º 1402000.905 S1C4T2 Fl. 0 6 A decisão recorrida está assim ementada: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. DESPESAS DE ROYALTIES. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis as despesas de royalties lastreadas em contrato regularmente firmado quando a contratante não pertence ao quadro societário da pessoa jurídica, apesar de elas possuírem sócios comuns, por falta de dispositivo legal que imponha tal restrição. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Em se tratando de bases de cálculo originárias das infrações que motivaram o lançamento principal, deve ser observado para o lançamento decorrente o que foi decidido para o matriz, no que couber. Impugnação Parcial. Impugnação procedente. Credito tributário Exonerado. A decisão do colegiado apresenta a seguinte redação: Acordam os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar não impugnada parcela do lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no montante de R$2.076.389,89 (dois milhões, setenta e seis mil, trezentos e oitenta e nove reais e oitenta e nove centavos), parcela esta definitivamente constituída, na esfera administrativa, assim como a multa de ofício e os acréscimos legais correspondentes, e julgar PROCEDENTE a impugnação, exonerando os lançamentos relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$9.828.371,89 (nove milhões, oitocentos e vinte e oito mil, trezentos e setenta e um reais e oitenta e nove centavos), e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no montante de R$3.538.213,87 (três milhões, quinhentos e trinta e oito mil, duzentos e treze reais e oitenta e sete centavos), além da multa de ofício e dos juros moratórios, nos termos do voto do relator. RECORRO DE OFÍCIO ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, e em conformidade com o art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário fls. 363 e seguintes, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido no que tange a existência de matéria não impugnada e, ao final, requer o provimento. A FAZENDA NACIONAL, por seu Procurador, com fundamento no art. 48, §2º, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, manifestouse as fls. 412 e seguintes, propugnando seja negado provimento ao recurso voluntário interposto e dado provimento ao recurso de ofício, mantendo se o lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16643.000085/200947 Acórdão n.º 1402000.905 S1C4T2 Fl. 0 7 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Os recursos, voluntário e de ofício, preenchem os requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, deles conheço. Passo a apreciar as matérias em litígio. Recurso Voluntário De início cumpre registrar que, a meu ver, não cabe razão à contribuinte quando assevera que a 2a. infração tributada “COMPENSAÇÃO DE PREJUIZOS FISCAIS ANTERIORES EM VALORES SUPERIORES AOS SALDOS DISPONÍVEIS” foi descrita com decorrente da 1a. infração. No Termo de Encerramento Fiscal de fls. 289 consta a seguinte descrição dos fatos: Apuradas as infrações mencionadas acima, constatouse que no ano calendário de 2005 foi reduzida a base tributável do Imposto de Renda no valor de R$ 8.305.559,55, acima do saldo existente e que ora regularizamos. A constatação decorre além da apuração mencionada, no demonstrativo de compensação de prejuízos fiscais (SAPLI), onde claramente observamos que o saldo em 2004 era de R$ 116.512.960,49 e foi aproveitado como compensação o valor de R$ 124.818.520,04 redundando na diferença cobrada. È juntado ao processo resumo final do livro de apuração do lucro real, balancetes, relatório de prejuízos e bases negativas CSLL (Grifei). Aludido Termo de Encerramento contem ciência pessoal sendo parte integrante do auto de infração conforme grafado à fl. 275: “ (...)Valor apurado conforme RELATÓRIO DE VERIFICAÇÃO FISCAL EM ANEXO, QUE DORAVANTE FAZ PARTE INTEGRANTE E INSEPARÁVEL DESTE AUTO DE INFRAÇÃO (...)” No demonstrativo de fl. 264, também integrante do auto de infração, consta que no anocalendário de 2005 o saldo de prejuízo a compensar era de R$ 116.512.960,49, sendo que o total compensado foi de R$ 124.818.520,49. Realmente, no Termo de Descrição dos Fatos do Auto de Infração, fl. 276, constou: 002 GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES Compensação indevida de prejuízo(s) fiscal(is) apurado(s), tendo em vista a(s) reversão(ões) do prejuízo(s) após o lançamento da(s) infração constatada(s) no(s) período(s)base ... , através deste Auto de Infração ou saldos insuficientes de prejuízos. (Grifei) Fl. 445DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16643.000085/200947 Acórdão n.º 1402000.905 S1C4T2 Fl. 0 8 De fato, há obscuridade no texto acima, que deixa dúvida quanto a correta descrição da irregularidade que teria sido apurada pela Fiscalização. A toda evidência oriundo de equívoco da autoridade fiscal que não ajustou o texto padrão. Caberia, portanto, declarar a nulidade do auto de infração por vicio formal para corrigir tal falha. Todavia, no recurso voluntário o contribuinte faz prova de que o saldo de prejuízos ficais em 31/12/2004 era mesmo de R$124.818.520,49 conforme Lalur do Contribuinte (fls. 379 a 381) e DIPJ/2004 (retificadora) apresentada em 14/1/2009, ou seja, antes da ciência do inicio da ação fiscal (fls. 383 e 384). É pacifico neste Conselho, bem como Fiscalização da Receita Federal, que o montante do prejuízo contábil/fiscal registrado na contabilidade e no Lalur, que foi informado à Receita Federal em DIPJ Original ou Retificadora, apresentada antes do início da ação fiscal, somente pode ser desconsiderado mediante auditoria específica para sua revisão, observando se o rito do PAF (Decreto 70.235/1972). No presente caso isso não ocorreu, a autoridade fiscal baseouse somente nos controles internos da RFB (sistema Sapli) e, no transcurso da auditoria, sequer intimou o contribuinte a justificar a pretensa “compensação a maior”, que ao fim e ao cabo não ocorreu. Esclareço que, no presente caso, não é cabível retornar os autos à unidade de origem em diligência para verificar a correção das retificações efetuadas pelo contribuinte, exatamente pelo fato de terem sido realizadas antes do início da ação fiscal. Diante do exposto, cumpre dar provimento ao recurso voluntário nessa parte. Juros de mora sobre a multa de oficio A recorrente questiona a cobrança de juros de mora `a taxa Selic sobre a multa de oficio. Afirma que inexiste base legal para essa exigência e apresenta vários julgados deste Conselho que ampara sua tese. Em que pese o provimento dos itens anteriores, que se confirmado pelo colegiado implica em cancelamento integral dos valores lançados de oficio. Entendo que essa matéria deve ser apreciada evitando que o processo volte a este Colegiado caso haja reforma da decisão na CSRF. Pois bem. A aplicação de taxa de juros lastreadas em indicadores do mercado financeiro iniciouse com a Lei nº Lei nº 8.981/95, cujo art. 84 dispõe: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...) A Seguir, a Lei nº 9.065/95 substituiu o indicador pela taxa SELIC: Fl. 446DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16643.000085/200947 Acórdão n.º 1402000.905 S1C4T2 Fl. 0 9 Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea "a.2" da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (...) Por seu turno, a Lei nº 9.430/1996, ao remodelar a multa de mora incidente nos pagamentos em atraso, estabeleceu em parágrafo que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa SELIC, veja: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Com base nessa disposição a Receita Federal vem entendendo que a multa de ofício também está sujeita aos juros de mora à taxa SELIC, a partir do seu vencimento. O cerne da questão está na interpretação que se deve dar à expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições”. De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Portanto, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. A multa de ofício não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos exatos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata. Entendendo que a SELIC só incidirá sobre multas isoladas, aplicadas nos termos do art. 43 da Lei nº 9.430/97: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16643.000085/200947 Acórdão n.º 1402000.905 S1C4T2 Fl. 0 10 Inaplicável a SELIC como taxa de juros de mora sobre a multa de oficio, restam devidos os juros de 1% ao mês a que alude o Código Tributário Nacional, esse sim, aplicável ao crédito tributário não pago no vencimento. Nesse sentido vem decidindo a Turma na sua atual composição. MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA. Sobre a multa de oficio, lançada juntamente com o tributo ou contribuição não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. (acórdão 140200.213) Frisese que no auto de infração deixou de constar o enquadramento legal da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Isso porque não há demonstrativo desta cobrança haja vista que o vencimento da multa somente ocorreria 30 dias após a ciência do auto. Porém, a meu ver, isso não macula o lançamento muito menos a cobrança, pois, tal incidência decorre da aplicação da Lei e não se constitui propriamente em irregularidade ou infração, embora seja legitima a contestação do contribuinte sob o entendimento que a cobrança seria indevida. Concluo, pois, que sobre a multa de ofício deve incidir juros de mora a 1% ao mês, na forma do art. 161 do CTN, decisão que implica no provimento parcial do recurso nessa parte, pois, o montante acumulado da Selic é superior a 1% ao mês no período em questão. Recurso de Ofício Dedução de Despesas com Royalties Como se observa da ementa acima transcrita, a DRJ afastou o lançamento tributário por entender que as despesas com royalties somente guardam a característica de indedutíveis quando pagas a sócios. A conclusão do douto colegiado de primeira instância pautouse em interpretação do artigo 353, I do RIR/99, que tem o seu fundamento legal no art. 71 da Lei nº 4.506, de 1964. A meu ver, a interpretação dada ao dispositivo pela DRJ e que levou à exoneração de parte do lançamento foi equivocada. Ao contrário do decidido, a legislação em vigor alberga sim a vedação de dedutibilidade levada a termo no caso concreto. Isso porque, a intenção da norma é vedar, de forma ampla, a destinação de royalties em benefício de sócios, dirigentes ou seus parentes. A nítida finalidade da norma é obstaculizar o favorecimento irregular, ou, no mínimo questionável, de poucos (sócios, dirigentes ou seus parentes.), em detrimento do Fisco (verificado com a redução do lucro tributável da empresa que paga os royalties) ou em detrimento de outros sócios ou acionistas da sociedade (verificado com a redução dos lucros a serem distribuídos). Fl. 448DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16643.000085/200947 Acórdão n.º 1402000.905 S1C4T2 Fl. 0 11 O artigo 71 da Lei nº 4.506, de 1964, tem amplo alcance e sequer limita o grau de parentesco que há com os sócios e diretores. Frisese, de plano, que não se trata de uso da analogia para ampliar a hipótese de incidência tributária, mas tãosomente verificando o alcance da norma jurídica. Para isso, lanço mão de interpretação finalística e sistemática dos institutos. Consoante destacado pelo ilustre Procurador da Fazenda Nacional em suas contrarrazões, Noé Winkler, em sua obra “ Imposto de Renda” (Rio de Janeiro: Forense, 2001, pp. 526 e 528), manifestouse sobre o tema nos seguintes termos: “É vedado o pagamento de “royalties” a sócios ou dirigentes de empresas e a seus parentes e dependentes. Quanto aos sócios, tanto podem ser pessoas físicas como jurídicas. Não esclarece a lei o grau de parentesco, ou tipo de dependência. [...]A regra estabelecida no dispositivo legal alcança tanto as pessoas físicas como as jurídicas, de sócios ou acionistas (CC.Ac. 1110.0446, de 25.2.76 RT2 38/77). Esclarece a decisão que o fato de ter a lei se referido a parentes ou dependentes, objetivou alcançar também pessoas ligadas à pessoa física, já que, como é obvio, a pessoa jurídica não tem parentes. Daí não caber o entendimento no sentido de que só as pessoas físicas estão sujeitas à norma da lei.” Vejamos novamente a determinação legal: Art. 71. A dedução de despesas com aluguéis ou "royalties" para efeito de apuração de rendimento líquido ou do lucro real sujeito ao impôsto de renda, será admitida: [...]Parágrafo único. Não são dedutíveis: [...]d) os "royalties" pagos a sócios ou dirigentes de emprêsas, e a seus parentes ou dependentes; Como admitir que um resultado expressamente vedado pela lei (royalties pagos a dirigentes e seus parentes) seja atingido por via oblíqua, ou seja, tendo uma empresa veículo como aparente beneficiária destes pagamentos? Ora, conforme apurou e comprovou a fiscalização, os sócios de todas as empresas mencionadas, diretamente ou indiretamente, são os mesmos proprietários, ou seja, Srs(as) Noemy Almeida Oliveira Amaro, João Francisco Amaro, Mauricio Rolin Amaro, Maria Claudia Oliveira Amaro, Marcos Adolfo Tadeu Amaro. O ilustre Auditor Fiscal verificou, ainda, que os sócios proprietários da marca, por intermédio da TAM MILOR S.A., são exatamente aqueles que diretamente administram o grupo de empresas; Esses elementos amparam a conclusão fiscal, qual seja: o pagamento de royalties à TAM Milor S.A. pela Tam Linhas Aéreas S.A, enquadrase na vedação veiculada no art. 71 da Lei nº 4.506, de 1964, e retira o propósito negocial desta estipulação de royalties. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16643.000085/200947 Acórdão n.º 1402000.905 S1C4T2 Fl. 0 12 A Fiscalização, ao evidenciar o quadro societário dos envolvidos, demonstrou cabalmente a vedação à dedutibilidade das despesas com royalties para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Repito: dentro de uma interpretação finalística e teleológica dos dispositivos legais citados, que é a mais adequada e plausível, levandose em conta a infinita possibilidade de artifícios e “procedimentos formalmente legais” que os interessados podem adotar visando reduzir o montante dos tributos por eles devidos. Estou plenamente convencido de que estamos diante de mais um planejamento fiscal irregular ou impróprio, cujos efeitos indevidos devem ser escoimados mediante auto de infração, aplicandose a multa de ofício, tal qual procedeu o Fisco no presente caso. Peço vênia para transcrever e ressaltar as pertinentes ponderações do Ilustre Procurador da Fazenda Nacional, Miquerlan Chaves Calvacante, que vem ao encontro do entendimento manifestado neste voto: “Observase que, no caso em análise, os elementos apontados pela jurisprudência do Carf para atribuir validade ao planejamento são desfavoráveis a este Contribuinte que buscava a dedutibilidade da despesa com royalties. Defendemos que, se houver efetiva ligação, ora direta, ora indireta, entre os envolvidos, será afastada a desejável independência comercial entre as partes. Da mesma forma, a incoerência da operação é demonstrada pela utilização de artifício para remunerar diretoresparentes, utilizandose de empresa intermediária. Cremos que, no caso submetido ao Carf, não se verificou propósito outro que não fosse obstaculizar o recolhimento de tributos, mediante a dedução de despesas com royalties. É preciso ressaltar que o Carf vem reiteradamente decidindo por não atribuir higidez a atos societários firmados com o exclusivo propósito de obstaculizar, de forma direta ou indireta, o recolhimento de tributos (e.g., Acórdãos nos 10196724 e 10323290). Avancemos mais um pouco com relação ao propósito negociai em operações como esta. Ainda que existisse um propósito comercial autêntico no fato de um grupo econômico reservar uma marca como ativo de uma de suas pessoas jurídicas, cuja utilização seria remunerada por outras empresas do grupo, cremos, ainda assim, que a dedutibilidade somente seria albergada pela legislação se não constituir uma burla às finalidades do art. 353,1, do RIR/1999. Em outras palavras, imaginemos que uma empresa de grande reconhecimento (marca conhecida) esteja prestes a abrir seu capital. Consideremos ainda que, por razões comerciais e/ou sentimentais, os acionistas iniciais queiram reservar para si a marca construída durante anos, destacandoa da empresa cujo capital será aberto. Cremos que, neste caso, a dedutibilidade de eventuais despesas com royalties que venham a ser pagos pela utilização da marca só será válida se a empresa detentora da mesma comprovar uma total impessoalidade entre seus sócios/acionistas e o quadro societário da empresa que paga royalties pela marca. Não sendo feita tal desvinculação, a despesa será indedutível por ofensa ao art. 353,1, do RIR/1999, cuja interpretação deve ser ampla, pelas razões já defendidas. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16643.000085/200947 Acórdão n.º 1402000.905 S1C4T2 Fl. 0 13 Note que, neste caso, não há necessidade de se avançar na busca de propósito negocial na realização da despesa, haja vista que a fiscalização não precisa sequer infirmar as operações e contratos firmados. A conclusão do douto colegiado de primeira instância pautouse em interpretação literal e restritiva do art. 353,1, do RIR/1999, que tem o seu fundamento legal no art. 71 da Lei n° 4.506, de 1964.” Por fim, esclareço que a glosa corretamente alcançou a CSLL. Sou de opinião que a partir da vigência do art. 28 da Lei 9.430/1996 aplicamse ‘a CSLL as mesmas vedações e limitações para dedução de custo e despesas do IRPJ, salvo disposição contraria expressa em Lei. Assim, dou provimento ao recurso de oficio para restabelecer a glosa, tanto para o IRPJ quanto para a CSLL. Conclusão. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recursos de oficio, para restabelecer a exigência relativa ao item 1 do auto de infração do IRPJ, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar o Item 2 do auto de infração do IRPJ e afastar a incidência de juros de mora à taxa SELIC sobre a multa de ofício, devendo ser aplicada a taxa de juros a que se refere o art. 161 do Código Tributário Nacional. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 451DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13819.003428/2008-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS DE IPI. ÓBICE AFASTADO.
Em virtude do afastamento do óbice apontado pela Administração Tributária para a compensação aqui encetada - fruição cumulativa dos benefícios da Lei nº 9.440/97 e MP nº 2.158-35/2001 - pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processo conexo que tratava do mesmo substrato fático, cumpre acatar o recurso voluntário para legitimar o direito creditório glosado.
Numero da decisão: 3101-001.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Corintho Oliveira Machado - Relator.
EDITADO EM: 18/10/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS DE IPI. ÓBICE AFASTADO. Em virtude do afastamento do óbice apontado pela Administração Tributária para a compensação aqui encetada - fruição cumulativa dos benefícios da Lei nº 9.440/97 e MP nº 2.158-35/2001 - pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processo conexo que tratava do mesmo substrato fático, cumpre acatar o recurso voluntário para legitimar o direito creditório glosado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 13819.003428/2008-05
anomes_publicacao_s : 201212
conteudo_id_s : 5180094
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3101-001.237
nome_arquivo_s : Decisao_13819003428200805.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 13819003428200805_5180094.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres - Presidente. Corintho Oliveira Machado - Relator. EDITADO EM: 18/10/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
id : 4433400
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041217761050624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1601; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 3.653 1 3.652 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.003428/200805 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3101001.237 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2012 Matéria IPI CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente FORD MOTOR COMPANY BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS DE IPI. ÓBICE AFASTADO. Em virtude do afastamento do óbice apontado pela Administração Tributária para a compensação aqui encetada fruição cumulativa dos benefícios da Lei nº 9.440/97 e MP nº 2.15835/2001 pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processo conexo que tratava do mesmo substrato fático, cumpre acatar o recurso voluntário para legitimar o direito creditório glosado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 18/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 34 28 /2 00 8- 05 Fl. 3653DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: O estabelecimento acima identificado formalizou pedido de ressarcimento de créditos presumido de IPI, decorrentes de benefício fiscal previsto no art. 1º da Lei nº 9.826, de 1999, no inciso IX, art. 1º da Lei nº 9.440, de 1997, e no art. 56 da MP nº 2.15835, 2001, relativo ao 2º trimestre de 2008, no valor de R$ 327.544.970,67, conforme Perdcomp nº 38746.48706.150109.1.1.017981 e 27205.37988.180809.1.1.01 5609, fls. 1081 a 1084, cumulado com as declarações de compensação relacionadas às fls. 1645 a 1651. Consta do Relatório Fiscal, fls. 1062/1063, que: c em 29/12/2006, a Ford Motor Company Brasil Ltda., CNPJ nº 03.470.727/000120, incorporou a empresa Troller Veículos Especiais Ltda., CNPJ nº 00.059.993/000143, titular da habilitação ao Regime Automotivo regido pela Lei nº 9.440, de 14 de março de 1997, e pelo Decreto nº 3.893, de 22 de agosto de 2001, alterado pelo Decreto nº 5.710, de 24 de fevereiro de 2006, cuja titularidade foi assim transferida à Ford, conforme Despacho do Secretário do Desenvolvimento da Produção de 17 de janeiro de 2007, Nota Técnica nº 03/07 SDP/DIETE, Parecer MDIC/CONJUR/LGP nº 00338.4/2007, constante do processo nº 52000.000133/200764, fundamentada no art. 8º da Lei nº 11.434, de 28 de dezembro de 2006. c de acordo com o Termo de Compromisso e Rerratificação ao Termo Aditivo de Ratificação de Habilitação MDIC/SDP/Nº 168/I/02, a filial da Ford inscrita no CNPJ sob o nº 03.470.727/001607 foi habilitada ao Regime Automotivo da Lei nº 9.440, de 1997, passando a usufruir do benefício do crédito presumido do IPI de que trata a referida lei, em substituição ao Regime Automotivo da Lei nº 9.826, de 1999, ao qual a filial havia se habilitado originalmente. c assim, a partir de janeiro de 2007, a Ford passou a utilizar o benefício do crédito presumido do IPI previsto no inciso IX do art. 1º da Lei nº 9.440, de 1997, que corresponde ao dobro do valor das contribuições de que tratam as Leis Complementares nº 7, de 7 de setembro de 1970, nº 8, de 3 de dezembro de 1970, e nº 70, de 30 de dezembro de 1991 (PIS/COFINS), que incidirem sobre o faturamento do estabelecimento beneficiado. c além desse benefício, a contribuinte utiliza o benefício fiscal estabelecido pelo artigo 56 da Medida Provisória nº 2.15835, Fl. 3654DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13819.003428/200805 Acórdão n.º 3101001.237 S3C1T1 Fl. 3.654 3 de 24 de agosto de 2001, que consiste no aproveitamento do crédito presumido do IPI em montante equivalente a 3% (três por cento) do valor do imposto destacado na nota fiscal de venda dos produtos cujos códigos estão enumerados no próprio artigo 56 da MP. c no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2008, o contribuinte infringiu o disposto no inciso II do art. 16 da Lei nº 9.440, de 1997, ao usufruir o benefício fiscal previsto nessa Lei cumulativamente com o benefício fiscal do crédito presumido do IPI previsto na MP nº 2.15835, de 2001; c a utilização do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.440/97 em desacordo com a norma do inciso II do art. 16 da referida Lei, que proíbe a acumulação, acarreta a imediata perda da habilitação e do incentivo fiscal, conforme cláusula nona do Termo de Compromisso de 17/01/2007, bem como a exigência do IPI que deixou de ser apurado em função desse creditamento, acompanhado dos acréscimos legais, conforme sanção prevista no art. 4º do Dec. nº 3.893, de 2001; c em função da utilização desses créditos, o contribuinte acumulou saldo credor durante o período. No entanto, em virtude da acumulação indevida de benefícios, os créditos oriundos do incentivo fiscal de que trata a Lei nº 9.440/97 foram desconsiderados, surgindo saldos devedores, cujos valores foram objeto do Auto de Infração protocolizado sob o nº 13502.001001/200917; c ao desconsiderar os valores creditados a título de crédito presumido de IPI com base na Lei nº 9.440/97, os saldos relativos ao 2º e 3º trimestres de 2008 passaram a ser devedores, não havendo, portanto, crédito a ser ressarcido. A Delegacia da Receita Federal em Camaçari, mediante Despacho Decisório nº 0103/2010, fls. 1643 a 1668, não reconheceu o direito creditório em favor da Ford Motor Company Brasil Ltda., relativo ao 2º trimestre de 2008, no valor de R$ 327.544.970,67, e não homologou as compensações dos débitos discriminados às fls. 1645 a 1651, nos termos do Relatório e Fundamentação deste Despacho Decisório. Cientificada do despacho decisório em 22/11/2010, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, em 17/12/2010, fls. 1691 a 1723, alegando, em síntese, que: ] com fundamento jurídico na suposta cumulação de benefícios fiscais (benefício da Lei nº 9.440/97 com o Regime Especial da MP nº 2.158/2001) foi lavrado auto de infração (nº 13502.001001/200917) devidamente impugnado; ]com o lançamento de ofício do referido auto de infração, a autoridade fiscal entendeu por bem não reconhecer o direito creditório referente ao ressarcimento de IPI apurado no 2º trimestre de 2008, no valor de R$ 327.544.970,67 e não Fl. 3655DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 homologar a compensação dos débitos descriminados nos pedido de compensação manejados pela recorrente; ] inegável que mantido a glosa do crédito presumido apontado nos livros fiscais, objeto do processo administrativo em referência, seria a compensação impossível de homologação, por falta de crédito tributário. Porém, inegável da mesma maneira, que uma vez cancelado o lançamento de ofício e mantida a escrituração original dos créditos presumidos do contribuinte, estaria infundado o despacho ora impugnado; ]há uma litispendência do presente processo administrativo ao que será decidido no processo administrativo nº 13502.001001/200917, uma vez que mantido o lançamento objeto daquele processo, inegável a improcedência das compensações objeto do presente processo, porém, afastada àquele lançamento, insubsistente a decisão ora recorrida, pois válidos os créditos tributários do contribuinte utilizado para as compensações ora não reconhecidas; ] por esta razão, requer em sede de preliminar, que seja sobrestado o presente processo até o desfecho do processo administrativo nº 13502.001001/200917, como mecanismo de se evitar decisões contraditórias sobre a mesma matéria, merecendo o reconhecimento da litispendência, o que se quer; ] uma vez não suspenso o presente processo até o desfecho do outro, o que se admite apenas ad argumentandum tantum, também seriam improcedentes as razões do indeferimento dos pedidos de compensação, pois mais uma vez fundamentase a referida decisão na suposta cumulação de benefícios fiscais da mesma natureza, que de fato não ocorre e não se sustenta, como a seguir amplamente demonstrado; ] nesse contexto, firmou com a União Federal o Termo de Compromisso de Rerratificação ao Termo Aditivo de Ratificação de Habilitação MDIC/SDP/Nº 168/I/02, tendo sido emitido o Certificado de Rerratificação de Habilitação ao Certificado Aditivo de Ratificação de Habilitação MDIC/SDP/Nº 168/I/02, ato que aprovou a fruição pela Ford Motor Company Brasil Ltda., em seu estabelecimento de Camaçari e Horizonte do benefício fiscal da Lei nº 9.440/97, certificando o atendimento de todos os requisitos para a sua fruição, de modo a assegurar o benefício a partir de 29/12/2006 até 31/12/2010, mediante atos de renovação a cada 12 meses; ] assim, a recorrente passou a usufruir do benefício descrito no art. 1º, inciso IX c/c art. 11, VI, regulamentado pelo Dec. nº 3.893, de 22 de agosto de 2001, consistente em crédito presumido de IPI correspondente ao dobro do valor das contribuições de que tratam as Lei Complementares nº 7 e 8, de 1970 e a Lei Complementar nº 70 de 1991 (Contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS), incidentes sobre o faturamento; ] desde o primeiro semestre de 2003, antes mesmo da aprovação pelo MDIC do seu direito ao benefício fiscal da Lei nº 9.440, de 1997, a recorrente adota o regime especial de apuração do IPI instituído pelo artigo 56 da MP nº 2.15835, de 2001; Fl. 3656DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13819.003428/200805 Acórdão n.º 3101001.237 S3C1T1 Fl. 3.655 5 ] a inclusão do frete no preço do produto vendido (cláusula CIF) significaria um evidente aumento da base de cálculo do IPI a ser pago, o que sempre foi visto como um autêntico obstáculo por parte das montadoras para a adoção dessa modalidade de contrato, pois aumentaria o preço praticado ao consumidor final; ] o regime especial de apuração do IPI nas vendas de veículos das montadoras previsto no art. 56 da MP nº 2.158/2001 tem como função garantir a possibilidade de os fabricantes de veículos automotores, ao decidirem pela inclusão do custo do frete na nota fiscal dos seus veículos (o que gera um IPI adicional), ressarciremse do IPI incidente sobre o frete, por meio de um crédito presumido de 3%; ] mesmo ciente do disposto no art. 16, II da Lei nº 9.440, de 1997, que dispõe sobre a vedação ao usufruto cumulativo do tratamento fiscal ali instituído com outros da mesma natureza, nunca houve dúvida quanto a ser o ressarcimento do IPI sobre o frete um regime especial de apuração do IPI inconfundível com o tratamento daquela lei, que é um benefício fiscal para o desenvolvimento regional; ] essa suposta cumulação do benefício fiscal da Lei nº 9.440/97 com o regime especial veiculado pela MP nº 2.158/01, não pode subsistir, pois está maculado por diversos vícios que afetam sua validade; ] a legislação pertinente conferiu apenas ao Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior – MDIC a competência para, em nome da União Federal, avaliar, aprovar e fiscalizar a utilização do benefício fiscal em decorrência dos projetos habilitados, cabendo ao Poder Executivo estabelecer os requisitos para habilitação, bem como os mecanismos de controle ao cumprimento das condições do programa de incentivo, conforme art. 13 da Lei nº 9.440, de 1997; ] o Decreto nº 3.893, de 2001, também cuidou da matéria referente à concessão, acompanhamento (fiscalização) e eventual cassação do benefício fiscal em caso de descumprimento das regras do programa, sendo que seu art. 2º estabeleceu que o órgão responsável pela verificação das exigências legais e pela expedição da habilitação que reconhece o direito ao gozo do benefício é a Secretaria de Desenvolvimento da Produção do MDIC – SDP/MDIC; ] do teor do art. 5º do Decreto nº 3.893, de 2001, resta inequívoca a conclusão de que a fiscalização quanto ao cumprimento das condições relativas ao incentivo fiscal, inclusive a ausência de cumulação de benefícios fiscais, cabe exclusivamente à SDP/MDIC, só podendo haver qualquer iniciativa da Receita Federal mediante prévia notificação daquele órgão, após, evidentemente, a aferição de eventual irregularidade no âmbito do procedimento específico ] constatase irremediável afronta ao devido processo legal, na medida em que foram desconsideradas, para fins de lavratura do Fl. 3657DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 auto de infração que glosou os créditos tributários ora compensados, todas as regras que disciplinam o processo de fiscalização e controle da correta fruição do benefício fiscal da Lei nº 9.440/97, afrontandose a própria esfera de atribuições da SDP/MDIC; ] a cassação do seu direito ao incentivo fiscal da Lei nº 9.440/97, concedido por atos administrativos da SDP/MDIC, sem que lhe tivesse sido dada a prévia oportunidade para formular e apresentar documentos comprobatórios do equívoco incorrido pelo ato de cassação, ofendeu ao art. 3º, inciso III, da Lei nº 9.784; ] na medida em que não foi dada qualquer oportunidade à recorrente na fase introdutória do procedimento administrativo que resultou na cassação do benefício fiscal, bem como não tendo sido intimada para apresentar manifestação no prazo de 10 dias antes de proferida a decisão que cancelou os atos concessivos e os homologatórios do usufruto do benefício em questão, restaram também violados os seguintes dispositivos da Lei nº 9.784/99: art. 2º, inciso X, art. 3º, incisos II e III, art. 38 e art. 44; ] a SDP/MDIC não foi conferida competência apenas para editar os atos concessivos do benefício fiscal da Lei nº 9.440/97, mas também para acompanhar e fiscalizar o cumprimento dos requisitos do programa; ] o Termo de Compromisso, o Certificado de Habilitação e os Certificados Aditivos de Habilitação emitidos entre os anos de 2006 e 2008, que concederam e renovaram o direito à fruição do benefício fiscal da Lei nº 9.440, de 1997, possuem natureza inequívoca de “atos administrativos”, percebendose que a maior parte deles assume forma de “habilitações”, produzidas em caráter originário sob o rótulo “certificado de habilitação”, e, em caráter de renovações da habilitação originária, sob a designação de “certificado aditivo de habilitação”; ] tratandose de benefício fiscal condicionado ao cumprimento de determinadas condições por parte da impugnante (benefício oneroso), estabeleceuse a necessidade de determinados atos certificatórios intermediários, praticáveis ano a ano, para fins de averiguar o pleno atendimento dos requisitos assumidos pelo particular com relação ao exercício pretérito, bem como conferir o direito ao exercício do benefício fiscal no tocante ao exercício subseqüente; ] o efeito de cassação ou invalidação de atos administrativos prévios inerente ao auto de infração é inequívoco, pois o direito à fruição do benefício fiscal da Lei nº 9.440, de 1997, não decorre pura e simplesmente da norma geral e abstrata, mas de atos certificatórios (e homologatórios) individuais e concretos, que possuíam, e ainda possuem, o condão de regular a situação individualizada da empresa no tocante à fruição do incentivo; ] assim, a conduta do Auditor Fiscal, ao efetivar o não reconhecimento dos créditos presumidos apurados pela recorrente cuida, pura e simplesmente, da constituição do crédito tributário, mas de autêntica e desmedida supressão da Fl. 3658DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13819.003428/200805 Acórdão n.º 3101001.237 S3C1T1 Fl. 3.656 7 eficácia dos atos administrativos praticados pelo MDIC, não possuindo o auditor competência para cassar o benefício fiscal, que é privativa daquele ministério; ] em situações análogas – concessão e acompanhamento do incentivo fiscal feitos por órgão externo à estrutura da RFB –, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (então Conselho de Contribuintes) exarou reiteradamente seu posicionamento delimitando a competência do Auditor Fiscal para efetuar o lançamento se, e somente se, houver prévia manifestação do órgão competente para a concessão e gestão do programa de incentivo, conforme julgados mencionados pela impugnante; ] a penalidade aplicada diante da suposta cumulação de benefícios fiscais, consistente na cobrança de todo o IPI, desconsiderando o benefício fiscal, não está tipificada em lei, visto que a fiscalização aduz que a impugnante teria desrespeitado o disposto no art. 16, II da Lei nº 9.440, de 1997, e, por esta razão, aplicou a sanção prevista no art. 4º do Decreto nº 3.893, de 2001, e no art. 7º, parágrafo único, da Portaria MDIC/MF nº 258, de 2001; ] muito embora a impossibilidade de cumulação esteja tipificada em lei, a sanção pretensamente correlata não dispõe do mesmo status normativo, em clara ofensa ao princípio da legalidade, da tipicidade cerrada e da tripartição dos poderes, e jamais poderia ser instituída por meio de decreto, muito menos por intermédio de portaria, transcrevendo jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça – STJ que corroboraria seus argumentos; ] houve manifesto erro da fiscalização na interpretação dos conceitos de “benefício fiscal” e de “regime especial”, pois no caso da Lei nº 9.440, de 1997, temse a presença de uma espécie do gênero incentivo fiscal, da categoria dos condicionados e por prazo certo, ao passo em que, na figura criada pela referida MP nº 2.158, de 2001, vêse com nitidez um sistema especial de tributação, uma espécie do gênero regime especial, que apresenta como característica marcante a inexistência de renúncia fiscal, pois a finalidade imediata de sua instituição não foi promover a redução da carga tributária do contribuinte, mas instrumentalizar propósitos outros, relativos à política fiscal e à otimização dos mecanismos de arrecadação; ] o conceito nuclear da expressão “regime especial” consiste basicamente em um conjunto de normas cujo principal objetivo é aumentar a eficácia dos dispositivos que regem a incidência tributaria, não representando, necessariamente, uma redução da carga fiscal imposta aos contribuintes, que pode eventualmente ocorrer, mas de forma meramente acidental; ] o regime especial da MP nº 2.158, de 2001, não implicou e nem visava qualquer desoneração ou redução na arrecadação do IPI, e se valeu de uma presunção legal, qual seja, a de que a inclusão do frete na base de cálculo do IPI tinha equivalência ou referência com o percentual de 3% sobre o valor das saídas, Fl. 3659DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 bastando, para tal conclusão, que se leia a exposição de motivos da referida MP e a manifestação da RFB na Ação Popular nº 2002.34.00.0023380; ] ainda que possa existir dúvida quanto à possibilidade de atribuição de créditos presumidos como mecanismo tanto para os sistemas especiais de tributação (regimes especiais) quanto para os benefícios fiscais onerosos e por prazo certo, o elemento essencial para se determinar a natureza jurídica do incentivo fiscal está relacionado às razões que levaram à criação deste, e a necessária redução na carga fiscal, nunca ao mecanismo adotado pela lei para sua implantação; ] na exposição de motivos da MP nº 2.158, de 2001 e conforme reconhece a própria RFB, a criação do regime especial não resultou em qualquer perda de receita para os cofres públicos, pois, ao propor ao Presidente a adoção da referida MP, o Ministro de Estado da Fazenda sublinhou que, na prática, o IPI incidente sobre os custos de frete não vinham sendo recolhidos pelas montadoras de veículos em razão de tais empresas estarem, então, vendendo veículos segundo a cláusula FOB e terceirizando o frete (o qual deve compor a base de cálculo do IPI somente quando o veículo é vendido de acordo com a cláusula CIF), restando claro que a principal preocupação do legislador era melhor controlar as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas dedicadas ao transporte de veículos, sem que isso implicasse qualquer incremento ou redução na carga fiscal suportada pelas montadoras de veículos; ] se, de um lado, a opção pelo regime especial resulta na adoção obrigatória da cláusula CIF sobre as vendas realizadas pelas montadoras de veículos, o que implica em aumento do IPI devido se comparado à cláusula FOB anteriormente utilizada, por outro lado o regime também concede créditos presumidos de IPI ao contribuinte a fim de que, por presunção jurídica, se possa neutralizar os efeitos negativos que a adoção da cláusula CIF poderia trazer ao preço final do veículo ao consumidor final, representando o índice de 3% a estimativa da carga adicional média do IPI imposta às montadoras de veículos em conseqüência da inclusão dos custos com o frete na base cálculo do IPI; ] a criação de benefícios fiscais deve vir, sempre, acompanhada de medidas de recomposição do equilíbrio orçamentário em função da renúncia de receita que lhe é inerente, conforme determina o art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF (Lei Complementar nº 101/2000) e, por serem desnecessárias no caso concreto, estas medidas não foram adotadas; ] a RFB, por meio de sua mais alta autoridade, bem como a União Federal, pela PGFN, expressamente se manifestaram acerca do regime Especial em questão nos autos da Ação Popular nº 2002.34.00.0023380, no sentido de que o referido regime não implica qualquer desoneração ou redução da arrecadação do IPI; Fl. 3660DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13819.003428/200805 Acórdão n.º 3101001.237 S3C1T1 Fl. 3.657 9 ] logo, ou o regime especial não tem natureza jurídica de benefício fiscal ou, em se tratando de autêntico benefício fiscal, houve infração ao artigo 14 da LRF, estando os agentes públicos envolvidos na criação do referido regime sujeitos às sanções criminais e administrativas previstas no art. 73 da mesma Lei; ] em 30/01/2002, foi ajuizada Ação Popular em face do teor da IN nº 91, de 2001, cujo objeto consiste exatamente na regulamentação do Regime Especial da MP nº 2.158, de 2001, alegandose, dentre os fundamentos do pedido da referida ação, que o citado regime consistiria em renúncia de receita e redução privilegiada de carga tributária para as montadoras de veículos; ] a impugnante transcreve trechos da Nota SRF/Asesp nº 5/2002 na qual a RFB confirma não ter havido redução do IPI a ser pago pelas montadoras em função do Regime Especial da MP nº 2.158, de 2001, e declara não existir qualquer renúncia de arrecadação por parte do Fisco, mas sim aumento da carga tributária, o que leva à conclusão de que a própria União Federal compareceu nos autos da Ação Popular, por meio do Procurador da Fazenda Nacional, e, ao contestar a ação, endossou as conclusões da RFB; ] a impugnante foi citada para integrar a referida ação na condição de litisconsorte passiva necessária, tomando inequívoca ciência das manifestações em apreço, elaboradas pelo Secretário da RFB e pela União Federal, momento a partir do qual ficou convicta e segura quanto à ausência de natureza jurídica de benefício fiscal relativamente ao regime especial em questão; ] após a migração da recorrente para o benefício fiscal da Lei nº 9.440, de 1997, a Administração exarou seu entendimento no sentido de renovar ano a ano esse benefício, diante da legislação de regência e do estrito cumprimento de todas as condições onerosas anteriormente estabelecidas, ciente de todas as circunstâncias e sabedora das inconfundíveis naturezas jurídicas entre o benefício fiscal da Lei nº 9.440 e do Regime Especial da MP nº 2.158, que a impugnante já gozava anteriormente à migração; ]a modificação de entendimento da Administração em hipótese alguma poderia ser aplicada para desconstituir os fatos pretéritos, concretizados sob o manto da interpretação vigente naquele momento. Qualquer entendimento diverso estaria endossando flagrante ofensa aos princípios da segurança jurídica, da proteção da confiança e da boafé dos administrados, da moralidade administrativa e também aos arts. 145, 146, 149 e 178 do CTN e ao art. 2º, parágrafo único, XIII da Lei nº 9.784, de 1999, impondose, desta forma, o cancelamento integral da cobrança perpetrada pela Auto de Infração; ] a recorrente direcionou sua conduta com base no entendimento formalmente manifestado pela então RFB, nos autos da citada Ação popular, e também nos sucessivos atos de Fl. 3661DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 10 habilitação (homologação) oriundos do MDIC, razão pela qual não procede a cobrança em tela, na remota hipótese de entender que é devido algum tributo, devem ser afastados os juros, as penalidades e a atualização monetária, nos termos do que dispõe o parágrafo único do art. 100, incisos I e III, do CTN; ] se o verdadeiro objetivo do lançamento fosse o zelo pelo interesse público, o respeito à proporcionalidade na imposição de penalidade e a restauração do equilíbrio da arrecadação, o lançamento deveria se limitar ao valor, acaso existente, correspondente à diminuição da carga tributária verificada a partir do esforço comparativo entre os dois regimes de apuração – o anteriormente adotado – Cláusula FOB e o objeto da opção – Cláusula CIF neutralizada por crédito presumido de 3%; ] a recorrente, diante de todos os motivos de fato e de todas as razões de direito expostas na manifestação de incorformidade, requer: a) o reconhecimento da litispendência com o processo administrativo nº 13502.001001/200917, uma vez que o julgamento do auto de infração que glosou os créditos presumidos da recorrente em razão da suposta cumulação de benefícios fiscais, sendo favorável ao contribuinte, deverá reverter necessariamente a presente decisão recorrida, e sendo desfavorável, deverá manter na integra a decisão ora recorrida; b) reconhecida a litispendência, manter sobrestado o julgamento da presente manifestação de inconformidade até o transito em julgado da decisão do processo administrativo nº 13502.001001/200917, para que a decisão naquele produza os efeitos no presente procedimento compensatório; c) não reconhecida a litispendência, o que se admite apenas “ad argumentandum”, seja no mérito reconhecido que não houve nenhuma cumulação indevida de benefícios fiscais, devendo ser mantida a integralidade dos créditos presumidos da Lei nº 9.440, de 1997, lançados nos seus livros de registro e apuração de IPI, mantidos os saldos credores de IPI do 2º trimestre de 2008, de forma a garantir e reconhecer o direito creditório ora afastado pela decisão recorrida, para que sejam homologadas as compensações dos débitos discriminados nas DCOMP transmitidas pela interessada, dando integral provimento a presente MI; ] por fim, protesta pela juntada posterior de quaisquer documentos que se façam necessários e pela produção de todas as provas em direito admitidas. A DRJ em SALVADOR/BA julgou a Manifestação de Inconformidade Improcedente, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 Fl. 3662DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13819.003428/200805 Acórdão n.º 3101001.237 S3C1T1 Fl. 3.658 11 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. BENEFÍCIO FISCAL. GLOSA Restando provado o usufruto cumulativo de benefícios fiscais, em desacordo com as normas estabelecidas para fruição do incentivo fiscal, correta a glosa realizada pelo Fisco e a exigência do IPI com os acréscimos legais correspondentes. CRÉDITO PRESUMIDO. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPETÊNCIA DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A fiscalização e o lançamento de ofício do IPI decorrentes da utilização do crédito presumido em desacordo com as normas estabelecidas na legislação de regência encontramse inseridas dentre as competências exercidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. SALDO DEVEDOR. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A apuração de saldos devedores do IPI em reconstituição da escrita fiscal, decorrente da glosa de créditos indevidamente escriturados, impossibilita o reconhecimento do direito creditório originalmente apurado pela contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 1.773 e seguintes, onde alega usurpação de competência do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e vulneração do devido processo legal; discorre acerca da natureza jurídica do tratamento fiscal preconizado na Lei n° 9.440/97 e na medida provisória nº 2.15835/2001; evoca modificação de critérios jurídicos anteriormente adotados, com efeitos retroativos; aponta impossibilidade de imposição de penalidade prevista em norma regulamentar; e por fim, requer a reforma da decisão recorrida, para reconhecer o direito de crédito, com a conseqüente homologação das compensações efetuadas. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Fl. 3663DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 12 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase, de plano, ao mérito do contencioso. Tratase aqui da não homologação de compensação, em razão da fruição apontada como indevida pelo Fisco, porquanto teria havido cumulatividade de dois benefícios fiscais. Além do não reconhecimento do direito creditório, houve reconstituição da escrita fiscal da ora recorrente e lavratura de auto de infração, esse discutido até a última instância administrativa (Câmara Superior de Recursos Fiscais) sob o nº 13502.001001/200917, relativo ao débito de IPI apurado no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2008. Por ocasião do julgamento deste feito na Delegacia da Receita Federal de Julgamento em SALVADOR/BA, as decisões no indigitado processo 13502.001001/200917, tanto na Delegacia da Receita Federal de Julgamento (acórdão 1521.905 4ª Turma) quanto no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (acórdão 340101.084) eram desfavoráveis ao contribuinte, motivo por que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Todavia, em 04/10/2011, a Câmara Superior de Recursos Fiscais pronunciou se de forma favorável ao contribuinte, dandolhe provimento, em recurso especial, por unanimidade de votos (acórdão nº 930301.667 3ª Turma), que ficou com a seguinte dicção na respectiva ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 20/07/2007 a 31/12/2008 Fl. 3664DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13819.003428/200805 Acórdão n.º 3101001.237 S3C1T1 Fl. 3.659 13 BENEFÍCIOS FISCAIS. LEI N° 9.440/97, ART. 1°, IX, INCENTIVO A INSTALAÇÃO DE MONTADORAS DE AUTOMÓVEIS NO NORTE, NORDESTE E CENTROOESTE. MP 2.15835/2001, ART. 56. INCENTIVO A VENDA DE VEÍCULOS COM FRETE A CARGO DAS MONTADORAS. CUMULAÇÃO. POSSIBILIDADE. 0 beneficio gerado pela MP 215835, não tem o condão de se enquadrar como incentivo fiscal na conformidade do § 4° do art.56. 0 art. 2° da Lei n° 12.407/2011 acrescentou parágrafo único ao art. 16 da Lei n° 9.440 permitindo a fruição cumulativa dos benefícios fiscais ínsitos ao presente caso. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Em virtude de o presente processo ser consequência imediata daquela discussão travada naqueles autos, penso que o recurso voluntário merece acatamento, porquanto consubstanciado ilegítimo o óbice apontado pela Administração Tributária para a compensação aqui encetada. Posto isso, voto por PROVER o apelo da recorrente. Sala das Sessões, em 25 de setembro de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 3665DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900989/2006-12
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA ENTREGUE APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. COMPROVAÇÃO DO ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF RETIFICADA. OBRIGATORIEDADE.
No âmbito do processo de compensação, admite-se a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, desde que o sujeito passivo apresente a documentação adequada e suficiente que demonstre que houve pagamento indevido ou maior.
DIREITO CREDITÓRIO. REDUÇÃO DO VALOR DO DÉBITO CONFESSADO APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. COMPROVAÇÃO PARCIAL DO ERRO. RECONHECIMENTO PARCIAL DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
O reconhecimento do direito creditório proveniente de pagamento a maior informado na DCTF retificadora, entregue após a ciência do Despacho Decisório, limita-se a parcela da redução do débito devidamente comprovada com documentação hábil e idônea.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
São reputados documentos hábeis e idôneos, para fim de comprovação da certeza e liquidez do crédito proveniente da retenção e recolhimento indevidos da CPMF, os extratos bancários, carreados aos autos pela instituição financeira, contendo o registro dos valores das operações bancárias não tributadas, das retenções indevidas da CPMF e dos estornos dos valores devolvidos aos clientes, acompanhados de declaração de devolução dos valores indevidamente retidos, prestada pelo contribuinte que suportou o ônus da indevida retenção.
Numero da decisão: 3802-001.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em sede de preliminar, por maioria, conhecer da documentação acostada aos autos após a apresentação do recurso voluntário - porém anteriormente à distribuição ao Conselheiro Relator. Vencido nessa preliminar o Conselheiro Relator que não conhecia dessa documentação. Designado, nesse ponto, o Conselheiro Francisco Rios para redação do entendimento vencedor. Por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para (a) reconhecer o direito creditório no valor originário de R$ 78.567,00, referente à parcela do valor do pagamento a maior da CPMF da segunda semana do mês de novembro de 2002, e (b) homologar a compensação declarada na DComp nº 16839.30266.291003.1.3.04-9516, até o limite do valor do crédito reconhecido, atualizado de acordo com a legislação vigente.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
EDITADO EM: 10/10/2012
Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA ENTREGUE APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. COMPROVAÇÃO DO ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF RETIFICADA. OBRIGATORIEDADE. No âmbito do processo de compensação, admite-se a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, desde que o sujeito passivo apresente a documentação adequada e suficiente que demonstre que houve pagamento indevido ou maior. DIREITO CREDITÓRIO. REDUÇÃO DO VALOR DO DÉBITO CONFESSADO APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. COMPROVAÇÃO PARCIAL DO ERRO. RECONHECIMENTO PARCIAL DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. O reconhecimento do direito creditório proveniente de pagamento a maior informado na DCTF retificadora, entregue após a ciência do Despacho Decisório, limita-se a parcela da redução do débito devidamente comprovada com documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Provido em Parte. São reputados documentos hábeis e idôneos, para fim de comprovação da certeza e liquidez do crédito proveniente da retenção e recolhimento indevidos da CPMF, os extratos bancários, carreados aos autos pela instituição financeira, contendo o registro dos valores das operações bancárias não tributadas, das retenções indevidas da CPMF e dos estornos dos valores devolvidos aos clientes, acompanhados de declaração de devolução dos valores indevidamente retidos, prestada pelo contribuinte que suportou o ônus da indevida retenção.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 16327.900989/2006-12
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5183078
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 02 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3802-001.326
nome_arquivo_s : Decisao_16327900989200612.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 16327900989200612_5183078.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em sede de preliminar, por maioria, conhecer da documentação acostada aos autos após a apresentação do recurso voluntário - porém anteriormente à distribuição ao Conselheiro Relator. Vencido nessa preliminar o Conselheiro Relator que não conhecia dessa documentação. Designado, nesse ponto, o Conselheiro Francisco Rios para redação do entendimento vencedor. Por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para (a) reconhecer o direito creditório no valor originário de R$ 78.567,00, referente à parcela do valor do pagamento a maior da CPMF da segunda semana do mês de novembro de 2002, e (b) homologar a compensação declarada na DComp nº 16839.30266.291003.1.3.04-9516, até o limite do valor do crédito reconhecido, atualizado de acordo com a legislação vigente. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. EDITADO EM: 10/10/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
id : 4463579
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041217771536384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2352; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 10 1 9 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.900989/200612 Recurso nº 930.882 Voluntário Acórdão nº 3802001.326 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de setembro de 2012 Matéria CPMF COMPENSAÇÃO Recorrente UNIBANCO UNIÃO DE BANCOS BRASILEIROS S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO PARCIALMENTE COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. A compensação é homologada parcialmente quando o autor do procedimento compensatório comprova os requisitos da certeza e liquidez apenas de parte do crédito compensado. TRIBUTO RETIDO NA FONTE. RETENÇÃO E PAGAMENTO INDEVIDOS. COMPENSAÇÃO PELO RESPONSÁVEL PELA RETENÇÃO. REQUISITOS. É permitida a compensação de tributo retido na fonte pelo responsável pela retenção desde que ele comprove que (i) promoveu a retenção indevida ou a maior, (ii) efetuou o recolhimento do valor indevidamente retido e (iii) devolveu ao contribuinte a quantia retida indevidamente ou a maior. CPMF. RETENÇÃO E RECOLHIMENTO INDEVIDOS.. COMPROVAÇÃO PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA DA RETENÇÃO, PAGAMENTO E DEVOLUÇÃO. EXTRATOS BANCÁRIOS E DECLARAÇÃO DE DEVOLUÇÃO. DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. São reputados documentos hábeis e idôneos, para fim de comprovação da certeza e liquidez do crédito proveniente da retenção e recolhimento indevidos da CPMF, os extratos bancários, carreados aos autos pela instituição financeira, contendo o registro dos valores das operações bancárias não tributadas, das retenções indevidas da CPMF e dos estornos dos valores devolvidos aos clientes, acompanhados de declaração de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 09 89 /2 00 6- 12 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 2 devolução dos valores indevidamente retidos, prestada pelo contribuinte que suportou o ônus da indevida retenção. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA ENTREGUE APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. COMPROVAÇÃO DO ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF RETIFICADA. OBRIGATORIEDADE. No âmbito do processo de compensação, admitese a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, desde que o sujeito passivo apresente a documentação adequada e suficiente que demonstre que houve pagamento indevido ou maior. DIREITO CREDITÓRIO. REDUÇÃO DO VALOR DO DÉBITO CONFESSADO APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. COMPROVAÇÃO PARCIAL DO ERRO. RECONHECIMENTO PARCIAL DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. O reconhecimento do direito creditório proveniente de pagamento a maior informado na DCTF retificadora, entregue após a ciência do Despacho Decisório, limitase a parcela da redução do débito devidamente comprovada com documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em sede de preliminar, por maioria, conhecer da documentação acostada aos autos após a apresentação do recurso voluntário porém anteriormente à distribuição ao Conselheiro Relator. Vencido nessa preliminar o Conselheiro Relator que não conhecia dessa documentação. Designado, nesse ponto, o Conselheiro Francisco Rios para redação do entendimento vencedor. Por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para (a) reconhecer o direito creditório no valor originário de R$ 78.567,00, referente à parcela do valor do pagamento a maior da CPMF da segunda semana do mês de novembro de 2002, e (b) homologar a compensação declarada na DComp nº 16839.30266.291003.1.3.049516, até o limite do valor do crédito reconhecido, atualizado de acordo com a legislação vigente. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 10/10/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 16327.900989/200612 Acórdão n.º 3802001.326 S3TE02 Fl. 11 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão proferido pelos membros da 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP, em que, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA – CPMF Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que os recolhimentos alegados como origem do crédito estavam integralmente alocados para a quitação de débitos confessados. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada. CPMF. DIREITO DE CRÉDITO. REGIME DE RETENÇÃO. ÔNUS FINANCEIRO. COMPROVAÇÃO. Tratandose de crédito envolvendo tributo retido pela instituição financeira na qualidade de responsável, cabe a esta a comprovação de que alegado pagamento a maior foi por ela suportado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos registrados até a prolação do Acórdão de primeiro grau, peço licença para transcrever a seguir o relatório encartado na referida decisão: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do Fl. 184DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 4 direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte alegou erro no preenchimento da DCTF relativa ao 4º trimestre de 2002. Com base em demonstrativos inclusos na manifestação, argumenta que teria informado CPMF a pagar em valor superior ao efetivamente devido em relação à segunda semana de novembro de 2002. O crédito aproveitado na DCOMP, portanto, teria escora material, uma vez que a exação foi recolhida tendo por base o montante informado a maior na DCTF. Afirma ainda a contribuinte que a DCTF em tela já teria sido retificada. Pleiteia, ao fim, pela necessidade de reforma do despacho decisório. Em 14/02/2011, a Interessada foi cientificada do referido Acórdão. Inconformada, em 16/03/2011, protocolou o presente Recurso Voluntário, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou que, uma vez corrigidos os erros no preenchimento da DCTF, estaria evidenciado o seu direito de compensar o valor do crédito informado, pois equívoco de natureza formal não implicaria qualquer restrição ao direito creditório pleiteado. Ademais, qualquer obstáculo à restituição ou compensação do indébito tributário contrariava frontalmente os ditames constitucionais atinentes ao direito de propriedade e ao princípio do devido processo legal, bem como aos primados da legalidade e moralidade administrativa. Em 30/08/2011, a Recorrente protocolou a petição de fls. 70/73, acompanhada dos documentos de fls. 83/180, em que alegou que não restaria dúvidas quanto a existência (i) dos créditos da CPMF recolhidos indevidamente sobre as movimentações financeiras sujeitas à alíquota zero e (ii) da prova de que o respectivo encargo financeiro foi transferido ao responsável tributário, a teor do disposto no art. 166 do CTN. Ademais, em observância ao princípio da verdade material, as provas trazidas aos autos deveriam ser acolhidas, pois comprovariam a existência do crédito em questão. Em 21/09/2011, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de março de 2012, mediante sorteio, foram distribuídos para este Conselheiro, em conformidade com o disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, incluindo o limite de alçada, portanto, dele tomo conhecimento, com a ressalva a seguir a explicitada. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 16327.900989/200612 Acórdão n.º 3802001.326 S3TE02 Fl. 12 5 Do conhecimento da prova documental apresentada após expirado o prazo recursal. No meu entendimento, a documentação apresentada pelo Recorrente após o prazo recursal (fls. 99/180), não poderia ser conhecida, porque alcançado pelo efeito da preclusão consumativa, prevista no § 4º do art. 16 do PAF. Antes de adentrar na análise desta específica questão processual, julgo oportuno ressaltar que, com respaldo na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF, este Colegiado, por unanimidade, vem admitindo as provas carreados aos autos dentro do prazo recursal, nos casos em que a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Entretanto, o caso em apreço é distinto, uma vez que a referida documentação foi colacionada aos autos depois de mais de cinco meses da data da apresentação do citado Recurso, sem que fosse aduzida qualquer justificativa plausível para tal demora, a exemplo do motivo de força maior, previsto na alínea “a” do § 4º do citado artigo, especialmente, tendo em vista que, em face da natureza dos referidos documentos (extratos bancários), evidentemente, não havia qualquer óbice para que eles fossem carreados aos autos dentro do trintídio fixado para apresentação do recurso voluntário (art. 33 do PAF). Por essa razão, deixo de conhecer da referida documentação, pois entendo devidamente configurada a preclusão processual determinada no § 4º art. 16 do PAF, norma legal vigente que deve ser observada pelos membros deste Colegiado, segundo determinação estabelecida no art. 62 do Anexo II da Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF), a menos que demonstrado nos autos que o caso em tela subsumirseia a alguma das exceções taxativamente prevista no elencadas no citado preceito regimental. No mesmo sentido, foi o entendimento manifestado pela E. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão nº CSRF/0105.778, cujo enunciado da ementa segue transcrito: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1995, 1996. Ementa: PRECLUSÃO O não questionamento pela contribuinte, quando da sua manifestação de inconformidade, de matéria, leva à consolidação administrativa desta parte, tornando precluso o recurso voluntário quanto a esta parte questionada. PROVAS A prova documental será apresentada na impugnação (manifestação de inconformidade), precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo se demonstrada impossibilidade por motivo de força maior, refira se a fato ou direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 6 Recurso especial negado. (Processo nº 13819.000863/9828. Acórdão nº CSRF/0105.778. Rel. Mario Sérgio Fernandes Barroso. Julgado na Sessão de 04 de dezembro de 2007) Por fim, é oportuno esclarecer que, na vigência do Regimento Interno dos extintos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 55, de 1998, era facultado ao sujeito passivo e ao Procurador da Fazenda Nacional, apresentar documentos após expirado o referido prazo recursal, porém, desde que atendidos os requisitos estabelecidos no § 7º do art. 18 do Anexo II da Portaria MF nº 55, de 1998, a seguir transcrito: Art. 18. Os recursos a distribuir serão previamente relacionados e agrupados em lotes numerados, reunindo igual quantidade, se possível, cabendo a cada Conselheiro o lote cuja numeração coincidir com o algarismo que retirar da urna, quando do sorteio. [...] § 7º É facultado ao sujeito passivo e ao Procurador da Fazenda Nacional, enquanto o processo estiver com o Relator, mediante requerimento ao Presidente da Câmara, apresentar esclarecimento ou documentos, hipótese em que será dada vista à parte contrária e requerer diligência, que se deferida do resultado darse á ciência às partes. [...] Tal previsão já não mais fez parte do último Regimento Interno dos extintos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, o mesmo ocorrendo no atual Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Por essas, razões deixo de conhecer a referida documentação. Do mérito. Vencido na questão processual, com respaldo no art. 28 do PAF, passo a analise do mérito da presente lide, levando em conta as provas apresentadas extemporaneamente pela Recorrente. No mérito, o cerne da presente controvérsia limitase à comprovação dos requisitos da certeza e liquidez do crédito utilizado pela Recorrente no presente procedimento compensatório. Alegou o Recorrente que o referido crédito, no valor original de R$ 82.398,99, era decorrente do pagamento a maior do débito da CPMF da segunda semana do mês de novembro de 2002, corretamente informado na DCTF retificadora do 4º trimestre de 2002 (fls. 18/19), apresentada após a ciência do contestado Despacho Decisório. Segundo ainda o Recorrente, o valor correto do débito da CPMF do referido período de apuração era R$ 16.826.507,97 e não R$ 16.908.906,96, como havia anteriormente informado na DCTF retificada e que serviu de base para a emissão do contestado Despacho Decisório. Por sua vez, a Turma de Julgamento a quo não acatou a retificação da referida DCTF e manteve a não homologação da compensação, com base no argumento de que o Recorrente não havia comprovado, com documentos adequados e suficientes, a existência do alegado indébito. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 16327.900989/200612 Acórdão n.º 3802001.326 S3TE02 Fl. 13 7 Dessa forma, tratando de situação que se subsume perfeitamente a ressalva determinada na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF, e uma vez superada a questão processual suscitada na preliminar, conheço dos documentos (fls. 99/180) carreados aos autos pelo Recorrente após o prazo recursal, a saber: a) as planilhas discriminativa dos valores da CPMF retidos indevidamente e devolvidos aos clientes; b) declaração de devolução dos valores indevidamente retidos prestada pelos clientes; e c) extratos bancários contendo o registro dos valores das operações bancárias, das retenções dos valores indevidos da CPMF e dos estornos dos valores devolvidos aos clientes. Além disso, é oportuno ressaltar que a referida documentação comprova que o Recorrente (i) promoveu a retenção indevida ou a maior dos valores discriminados nos referidos documentos, (ii) efetuou o recolhimento dos valores indevidamente retidos e (iii) devolveu aos contribuintes as quantias retidas indevidamente ou a maior, atendendo assim as exigências determinadas no art. 166 do CTN. Logo, com base nos referidos documentos, reputados hábeis e idôneos para fim de comprovação dos requisitos da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, tenho por comprovados dos valores dos créditos a seguir discriminados por clientes: Cliente C/C Débito Documentos Valor Retido e Devolvido (R$) ABC Supermercados 150.2255 Fls. 99/100 e 148/155 10.659,10 Cia. Pernambucana 150.2602 Fls. 111/120 337,85 SÉ Supermercados 150.3543 Fls. 121/127 9.120,00 SÉ Supermercados 150.3553 Fls. 128/136 15.801,09 SÉ Supermercados 150.3568 Fls. 137/146 15.979,85 ABC Supermercados 150.2263 Fls. 156/165 11.487,50 ABC Supermercados 150.2271 Fls. 166/173 10.146,56 Cia. Pernambucana 150.2586 Fls. 174/179 1.520,00 Cia. Pernambucana 150.2594 Fls. 180 e 101/110 3.515,05 Total da CPMF indevidamente retida e devolvida 78.567,00 Como o pagamento das referidas retenções a maior foi realizado no dia 20/11/2002, conforme documentos de fl. 147, em 29/10/2003, data da transmissão da DComp nº 16839.30266.291003.1.3.049516, o Recorrente era titular de crédito certo e líquido, perante à União, no valor de R$ 78.567,00. Dessa forma, tendo em conta que a compensação é efetivada na data da entrega da DComp, conforme determina o § 1º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, na referida data, deve o procedimento atender todos os requisitos exigidos para o encontro de contas, principalmente, tendo em vista que tal data define o marco temporal comum para atualização Fl. 188DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 8 tanto do crédito quanto do débito, conforme estabelecido no caput do art. 36 e no inciso II do art. 72 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, a seguir transcritos: Art. 36. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 72 e 73 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. [...] Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: I a quantia for disponibilizada ao sujeito passivo; II houver a entrega da Declaração de Compensação ou for efetivada a compensação na GFIP; [...]. (grifos não originais) Desse modo, em relação ao valor do crédito comprovado, resta demonstrado que o presente procedimento compensatório atende adequadamente os requisitos estabelecidos no art. 170 do CTN, combinado com o disposto no caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Da conclusão. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao presente Recurso, para (a) reconhecer o direito creditório no valor originário de R$ 78.567,00, referente à parcela do valor do pagamento a maior da CPMF da segunda semana do mês de novembro de 2002, e (b) homologar a compensação declarada na DComp nº 16839.30266.291003.1.3.049516, até o limite do valor do crédito reconhecido, atualizado de acordo com a legislação vigente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Voto Vencedor Peço vênia para divergir do i. Relator unicamente em relação à parte de seu voto em que o mesmo não conhecera da documentação acostada aos autos após a apresentação do recurso voluntário. Penso que, no caso presente, como referidos documentos foram juntados antes da distribuição dos autos ao conselheiro relator, devem ser aceitos os documentos em tela. Efetivamente, a Lei no 9.784/99, aplicável subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, em seu artigo 3º, inciso III, ao admitir a juntada de documentos e a formulação de alegações pelo interessado, desde que antes da decisão, acompanhou a inclinação doutrinária e jurisprudencial moderna de se abrandar os rigores das regras Fl. 189DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 16327.900989/200612 Acórdão n.º 3802001.326 S3TE02 Fl. 14 9 preclusivas prescritas no Direito Administrativo, e isso diante do princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, mais participativo e mais orientado a um desiderato de cunho social. Tal viés, porém, deve ser conduzido de forma a conciliar, com razoabilidade, os valores e os princípios que norteiam o processo administrativo, procurando harmonizar a verdade material com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas. Com o foco em tais objetivos é que a Lei prevê a recusa de documentos que se enquadrem como provas “ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias”, a teor do disposto no artigo 38, § 2o, da Lei no 9.784/99. No caso presente, como já afirmado, os novos documentos foram juntados antes da distribuição do processo para o Conselheiro Relator, não tendo, tal conduta, ocasionado qualquer tumulto para o julgamento do processo. Devese, portanto, conhecer dos citados documentos, em homenagem aos princípios da verdade material e da efetividade do processo. Assim, voto favoravelmente ao conhecimento dos novos documentos acostados aos autos pela interessada. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Redator designado Fl. 190DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
score : 1.0
Numero do processo: 15578.000343/2008-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
COFINS NÃO CUMULATIVO - RECEITA DE EXPORTAÇÃO - PROVAS
Para a utilização do benefício previsto no inciso III, artigo 6º, da Lei nº 10.833/03 - isenção de receita de exportação -, é preciso comprovar que as mercadorias foram exportadas ou transferidas com o fim específico de exportação. In casu, a ausência de comprovação específica neste sentido, o registro no CFOP de mercadorias comercializadas no mercado nacional e o aproveitamento do crédito pelo adquirente da mercadoria impedem o reconhecimento da exclusão da tributação.
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Somente insumos utilizados na produção e fabricação de produtos geram direito de crédito da contribuição não cumulativa.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3302-001.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: por maioria de votos, para excluir a variação cambial ativa da base de cálculo da exação; pelo voto de qualidade, para manter as glosas dos créditos efetuados pela fiscalização; por unanimidade de votos para manter a glosa de receita de exportação (vendas para a CVRD). Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral o patrono Tarek Moysés Moussallem, OAB/ES 8132.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora.
(assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Redator designado.
EDITADO EM: 24/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COFINS NÃO CUMULATIVO - RECEITA DE EXPORTAÇÃO - PROVAS Para a utilização do benefício previsto no inciso III, artigo 6º, da Lei nº 10.833/03 - isenção de receita de exportação -, é preciso comprovar que as mercadorias foram exportadas ou transferidas com o fim específico de exportação. In casu, a ausência de comprovação específica neste sentido, o registro no CFOP de mercadorias comercializadas no mercado nacional e o aproveitamento do crédito pelo adquirente da mercadoria impedem o reconhecimento da exclusão da tributação. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Somente insumos utilizados na produção e fabricação de produtos geram direito de crédito da contribuição não cumulativa. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 15578.000343/2008-72
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5189579
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-001.695
nome_arquivo_s : Decisao_15578000343200872.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
nome_arquivo_pdf_s : 15578000343200872_5189579.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: por maioria de votos, para excluir a variação cambial ativa da base de cálculo da exação; pelo voto de qualidade, para manter as glosas dos créditos efetuados pela fiscalização; por unanimidade de votos para manter a glosa de receita de exportação (vendas para a CVRD). Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral o patrono Tarek Moysés Moussallem, OAB/ES 8132. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora. (assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Redator designado. EDITADO EM: 24/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
id : 4511243
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041217777827840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2334; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 749 1 748 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15578.000343/200872 Recurso nº 903.704 Voluntário Acórdão nº 3302001.695 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de junho de 2012 Matéria COFINS NÃO CUMULATIVO Recorrente CIA COREANO BRASILEIRA DE PELOTIZAÇÃO KOBRASCO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COFINS NÃO CUMULATIVO RECEITA DE EXPORTAÇÃO PROVAS Para a utilização do benefício previsto no inciso III, artigo 6º, da Lei nº 10.833/03 isenção de receita de exportação , é preciso comprovar que as mercadorias foram exportadas ou transferidas com o fim específico de exportação. In casu, a ausência de comprovação específica neste sentido, o registro no CFOP de mercadorias comercializadas no mercado nacional e o aproveitamento do crédito pelo adquirente da mercadoria impedem o reconhecimento da exclusão da tributação. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Somente insumos utilizados na produção e fabricação de produtos geram direito de crédito da contribuição não cumulativa. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: por maioria de votos, para excluir a variação cambial ativa da base de cálculo da exação; pelo voto de qualidade, para manter as glosas dos créditos efetuados pela fiscalização; por unanimidade de votos para manter a glosa de receita de exportação (vendas para a CVRD). Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral o patrono Tarek Moysés Moussallem, OAB/ES 8132. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 03 43 /2 00 8- 72 Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 3/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. (assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Redator designado. EDITADO EM: 24/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de crédito de PIS não cumulativo, acumulado em virtude de exportação §1º, artigo 6º1, da Lei nº 10.833/03 – apurados no terceiro trimestre de 2006, compensados com débitos de IRPJ e CSLL por meio de DComp. Após analisar o pleito da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal DRF/Vitória – exarou Despacho Decisório (fls. 230/231), concluindo pela homologação parcial do crédito pleiteado (deferido: R$ R$ 4.064.379,83), com base no Parecer DRF/VIT/SEORT nº 3389/2008 (fls. 216/230) que, nos termos do relatório de primeira instância administrativa consignou, em resumo: “1) A produção da CIA Coreano Brasileira de Pelotização — KOBRASCO é comercializada tanto no mercado interno, com 1 "Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8ºe 9º do art. 3º. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1ºnão beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação.” (destaquei) Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 3/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15578.000343/200872 Acórdão n.º 3302001.695 S3C3T2 Fl. 750 3 vendas para a Companhia Vale do Rio Doce — CVRD, como no mercado externo. A partir de 01/12/2002, a empresa interessada ficou sujeita ao regime de incidência não cumulativo da contribuição para o PIS; 2) O exame da escrita contábil e fiscal, notas fiscais de saída, dos demonstrativos de apuração do PIS nãocumulativo e dos demais elementos apresentados pela empresa revelou inconsistências nos valores dos créditos compensados. No que tange à base de cálculo apurada pelo sujeito passivo, foram realizados ajustes e adições adequandoos ao que foi disciplinado pela legislação tributária; 3) Ao analisar os DACON constatouse que praticamente toda a produção da empresa foi destinada ao mercado externo. Como revelam os Livros Registro de Apuração do ICMS, balancetes e Notas Fiscais de venda, a empresa destinou grande parte de sua produção para a sua coligada Companhia Vale do Rio Doce CVRD, CNPJ 33.592.510/022042, registrando as operações sob o Código Fiscal de Operação 5.11 e 5.101, utilizado para vendas no mercado interno. Da mesma forma, na escrituração contábil os lançamentos fazem menção a vendas no mercado interno; 4) O código utilizado nas Notas Fiscais revela a ausência da finalidade exigida pela Lei 10.637/02 para a fruição do beneficio da isenção fiscal, bem como dá suporte para que o destinatário de seus produtos aproveite os créditos de PIS nãocumulativo vinculados às aquisições, o que em uma operação com fim especifico de exportação não é admitido, conforme art. 21, § 2 ° da IN 600/2005; 5) Em diligência realizada junto à CVRD, CNPJ 33.592.510/022042, verificouse que em muitos casos, o estabelecimento escriturou em seus Livros de Entradas as compras como aquisições no mercado interno, com CFOP 1.12 c 1.102. As vendas realizadas pela CVRD são registradas sob os códigos 5.11 e 7.11 (até dez/02) e 5.101 e 7.101 (a partir de jan/03), todas identificadas como vendas de produção própria, não havendo registros no código 7.501 que identifica as exportações de mercadorias recebidas com fim especifico de exportação; 6) Em verdade, tratase de comercialização normal no mercado interno, em que se tributa a receita auferida pelo produtor e mantémse o crédito na escrita do comprador; 7) A própria CVRD, em atendimento ao Termo de Solicitação de Documentos, anexou consulta formulada internamente em que alega estar utilizando os créditos decorrentes dessas vendas; 8) De acordo com a definição legal dada à expressão "fim especifico de exportação", para o gozo do beneficio fiscal, as mercadorias vendidas devem ser remetidas diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. É o que dispõem a IN/SRF 247/02, art. Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 3/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 46, § 1 °, a Lei 9.532/97, art. 39, § e o Decretolei 1.248/72, art. 1°, parágrafo único; 9) Intimada, a CVRD informou que as pelotas são entregues no pátio do remetente. Cumpre observar que o estabelecimento industrial da KOBRASCO não está compreendido em área ou recinto alfandegado, conforme esclarecimento da Inspetoria da Receita Federal do Brasil; 10) Verificase, assim, que as vendas efetuadas pela interessada à CVRD não estão amparadas pela isenção da contribuição ao PIS, pois não se enquadram na definição de fim especifico de exportação; 11) Intimado, o contribuinte apresentou planilhas elencando os itens que compuseram a base de cálculo dos créditos de PIS não cumulativo; 12) Foram efetuadas glosas em alguns serviços contratados, tendo em vista não se enquadrarem na definição de insumos delineada pela legislação; 13) O conceito de insumo adveio do Decreto 247/2002. Destarte, para que o serviço prestado possa ser utilizado para fins de apuração dos créditos a descontar, deve ser necessariamente aplicado ou consumido na produção ou fabricação dos do produto; 14) Foram elaboradas as tabelas de Serviços Contratados Diretos — Serviços Excluídos (fl.206) onde são discriminados os serviços/contratos que foram excluídos da base de cálculo dos créditos a descontar, visto não se enquadrarem na definição de insumos. A Planilha de Apuração da BC dos Serviços Contratados (fl. 207) corresponde à soma dos serviços que serviram de base para o cálculo dos créditos e que foi transportada para a Planilha de Apuração da Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 208/213); 15) O sujeito passivo foi intimado a apresentar as notas fiscais dos serviços contratados da CVRD e o contrato de operação da usina de pelotização. De posse do referido contrato, verificouse que a CVRD realizou a operação das usinas de pelotização da Kobrasco no período analisado, ficando ajustado uma compensação a ser paga por essa operação; 16) O sujeito passivo aproveitou de forma integral os valores repassados pela CVRD. Foram glosados os serviços que não geram direito ao crédito de PIS; 17) O Fator K corresponde a despesas gerais e também foram excluídos da base de cálculo dos créditos por não se enquadrarem na definição de serviços aplicados na produção; 18) O fator Y corresponde à remuneração do capital de giro provido pela CVRD. Não existe previsão legal para que esse tipo de despesa se insira na base de cálculo dos créditos a descontar; Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 3/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15578.000343/200872 Acórdão n.º 3302001.695 S3C3T2 Fl. 751 5 19) O Fator T corresponde a gastos realizados pela utilização de uma pilha adicional, tendo sido mantido na base de cálculo dos créditos a descontar; 20) Foram elaboradas as Planilhas de Apuração a Contribuição para o PIS (fls. 208/213). O campo Receita da Exportação foi preenchido já com seus valores líquidos, retratando nada mais do que os valores lançados a crédito no Livro Balancete da empresa menos os valores lançados a débito. Foi utilizado o saldo das respectivas contas; 21) O sujeito passivo informou ter adotado o regime de rateio proporcional entre as receitas de exportação e receitas no mercado interno, sendo então utilizada essa metodologia no preenchimento das planilhas de apuração da contribuição; 22) Foi elaborada a Planilha de Compensação (fl. 214), a qual ilustra as compensações efetuadas a partir dos valores de débitos e créditos apurados pela diligência. O saldo de créditos do mercado externo existente ao final do trimestre foi integralmente utilizado para fins de compensação. As compensações foram homologadas em parte em função da insuficiência de créditos; 23) O direito creditório apurado, passível de compensação foi de R$ 4.064.379,83.” – destaquei. Irresignada com a decisão que concedeu parcialmente os créditos pleiteados, a Recorrente interpôs Manifestação de Inconformidade (fls. 244 a 262), alegando, em síntese, conforme relatado pela decisão de primeira instância administrativa, a saber: “1) A Requerente não realiza operação de venda de pelota de minério de ferro que não seja destinada ao mercado externo; 2) A Carta Magna prescreve expressamente imunidade tributária atinente às receitas decorrentes de exportação (art. 149, § 2º, inciso I da CF). O art. 5º da Lei nº 10.637/2002, repete expressamente a determinação Constitucional; 3) O disposto no art. 5º da Lei 10.637/2002 referese diretamente à regra da imunidade constitucional das receitas de operações de exportação e, por isso, deve ser interpretado extensivamente; 4) Assim, para o aproveitamento da imunidade não importa que a venda seja destinada a recinto alfandegado ou mesmo que seja destinada diretamente ao embarque para exportação. Basta que o contribuinte comprove que figura na cadeia de exportação e que suas receitas decorrem de operações de exportação; 5) As vendas realizadas pela requerente para a CVRD são destinadas exclusivamente ao mercado externo, conforme os memorandos de exportação; 6) O modo sob o qual os bens ou serviços são empregados no processo produtivo (se direta ou indiretamente) não é relevante Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 3/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 para a ocorrência ou não do crédito. Tal interpretação se dá com base no art. 145, § 12 da CF e no art. 3 °, inciso II, da Lei 10.637/2002; 7) O conceito de insumo é muito mais amplo que os conceitos de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem, juntos ou isoladamente. Dessa forma, não pode prosperar o entendimento restritivo esposado pela autoridade fiscal; 8) A autoridade fiscal não aceitou os créditos computados pela requerente decorrentes da utilização de serviços relativos A operação das usinas da requerente. Tal entendimento não pode prosperar, pois o inciso II do art. 3° da Lei 10.637/2002 deve ser interpretado A luz do regime nãocumulativo imposto pelo art. 195, § 12 da CF; 9) Tendo o legislador federal eleito que determinado setor da atividade econômica ficará submetido ao sistema da não cumulatividade, ele não poderá ultrapassar certos limites jurídicos impostos pela matriz constitucional das contribuições; 10) Para que seja atingida a nãocumulatividade imposta pela sistemática constitucional, o art. 3° da Lei 10.637/2002 deve ser interpretado de modo apto a desfazer os maleficios causados pela cumulatividade, ou seja, a incidência do tributo em cascata sobre todas as fases de produção; 11) Os serviços de frete decorrentes da operação da indústria da requerente oneram a atividade empresarial, pois são tributados em razão do faturamento da empresa prestadora e em virtude do faturamento da empresa vendedora, existindo, então, evidente cumulatividade na incidência das contribuições. Portanto, a exclusão de tais valores viola as prescrições do art. 195, § 12 da CF; 12) Dessa forma, não tem razão a autoridade fiscal ao excluir da base de cálculo do crédito referente A contribuição para o PIS relativa A aquisição dos serviços de operação das usinas de pelotização da requerente; 13) Por fim requer seja dado provimento h manifestação de inconformidade com a finalidade de reformar in totum o despacho decisório.” – destaquei. Após analisar as razões apresentadas, a 5ª Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro – DRJ/RJ II – proferiu o acórdão nº 1330.266, por meio do qual manteve o entendimento apresentado pela Delegacia da Receita Federal, conforme ementa registrada a seguir: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim especifico de exportação somente quando Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 3/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15578.000343/200872 Acórdão n.º 3302001.695 S3C3T2 Fl. 752 7 comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto.” destaquei. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 345/415), por meio do qual reiterou as razões trazidas em sua impugnação esclarecendo, ainda, que, ao contrário do alegado pela decisão recorrida, as pelotas foram remetidas diretamente do estabelecimento industrial para recintos alfandegado. Neste sentido, discorre sobre o fato de que as pelotas ficaram armazenadas no estabelecimento da empresa (que não era alfandegário) e foram transferidas direto para o recinto alfandegado da CVRD. Ainda, alega a Recorrente que devem ser analisados os fatos (de que mercadoria direcionada para recinto alfandegário tem que ser exportada, dos memoriais de exportação e de ser a Recorrente eminentemente exportadora), não os códigos de entrada e saída da mercadoria, que indicam que as pelotas não foram exportadas, em prol da verdade material. Requer, ainda, a realização de diligência. Consta ainda dos autos documentação juntada pela Recorrente à posteriori, a título de documentos novos, que trouxeram à colação (i) o contrato firmado entre a CVRD e a Recorrente; (ii) memorando de exportação; (iii) relatórios mensais de controle de estoque (período de dez/2002 até dez/2008); (iv) modelo esquemático da planta industrial do complexo de Tubarão; (v) cartas de correção das notas fiscais (vi) carta de encaminhamento da Vale S.A. declarando que não se creditou do PIS e COFINS; (vii) declaração da Vale S.A. informando os termos contratuais firmados com a Kobrasco afirmando que as pelotas fornecidas foram adquiridas com o fim específico de exportação; (viii) decisão da DRJ/RJ II, favorável ao contribuinte sobre os mesmos temas (exportação), ainda que fatos geradores distintos. É o relatório. Voto Vencido Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, tratase de crédito de COFINS apurado pelo sistema não cumulativo, supostamente devido ao contribuinte nos termos do §1º, artigo 6º, da Lei nº 10.833/03, a saber: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 3/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8ºe 9º do art. 3º. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1ºnão beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação.” (destaquei) As glosas foram realizadas pelas seguintes razões: (i) inexistência de comprovação da exportação das pelotas; (ii) utilização de insumos que não foram consumidos diretamente no processo produtivo (fls. 206) Passemos à análise de cada item, separadamente. (i) Inexistência de Comprovação de Exportação O primeiro item a ser analisado referese à alegação da Recorrente de que os produtos em referência estariam incluídos no inciso III, do artigo 6º, da Lei nº 10.833/03, por terem sido transferidos com o fim específico de exportação. De acordo com a decisão de primeira instância administrativa, concluiuse que as pelotas comercializadas no terceiro trimestre de 2006 não foram exportadas em virtude: (i) do fato de as mercadorias terem sido entregues em área considerada não alfandegária; (ii) do código de classificação (CFOP) das mercadorias, adotado pela Requerente (remetente) e pela CVRD (receptora); (iii) do aproveitamento do crédito tributário pela CVRD. Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 3/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15578.000343/200872 Acórdão n.º 3302001.695 S3C3T2 Fl. 753 9 Em relação ao primeiro item analisado, a consideração de que a mercadoria teria sido entregue em estabelecimento não alfandegário, conforme se depreende dos termos do Recurso Voluntário apresentado, a Recorrente pretende que seja reconhecido que a saída de seus produtos ocorreu diretamente para o pátio da Companhia Vale do Rio Doce – CVRD – que é área alfandegada, verbis: Trecho do Rec. Voluntário – fls. 309/310 – Vol. II – Fls. 139/140 “8. De fato, a operação contida no contrato se sucede em duas fases: 1ª) as pelotas deixam a área de produção da RECORRENTE e são destinadas à estocagem nos pátios da própria RECORRENTE; e, 2ª) as pelotas deixam os pátios da RECORRENTE por meio de esteiras e são destinadas por essas esteiras diretamente: i) para os pátios da VALE, que são considerados área alfandegadas, de acordo com o que prescreve o ADE da 7ª RF de n° 320, de 14 de setembro de 2006, dali seguindo para o embarque em navios com destino ao exterior; ou, ii) diretamente para o embarque em navios com destino ao exterior.” Para tanto, discorre sobre o fato de que as mercadorias ficam armazenadas em estabelecimento próprio da Recorrente, considerado simples armazém. Este estabelecimento, no entender da Recorrente, por não ser autônomo, seria uma extensão da própria empresa, razão pela qual a entrega da mercadoria só pode ser considerada ocorrida no momento da transferência para o pátio da Vale. Pareceme que a questão não é tão singela quanto faz parecer a defesa. Foi a própria CVRD quem definiu, para a fiscalização, o momento que lhe foi entregue a mercadoria, a saber: Trecho do Parecer DRF/VIT/SEO nº 3389/2008 (fls. 222) “26. Intimados a empresa destinatária (CVRD) a elucidar como se operou a entrega das pelotas de minério de ferro, e, no caso de as mesmas terem sido diretamente remetidas do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, a apresentar a documentação suporte de tais remessas. Foi esclarecido que as pelotas são entregues no pátio da remetente, inexistindo, desse modo, a documentação requerida (fl 193). Tal fato foi corroborado com visita realizada ao parque fabril da KOBRASCO. Convém salientar que, apesar da KOBRASCO estar instalada próxima a terminais portuários, seu estabelecimento não está compreendido em área ou recinto alfandegado. 27. Simultaneamente, foi oficiado junto a Inspetoria da Receita Federal do Brasil com vistas a elucidar acerca do alfandegamento dos pátios das usinas de pelotização das Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 3/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 10 empresas coligadas da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). Atendendo ao ofício, constatouse que referidos pátios não são alfandegados, estando as áreas de alfandegamento da CVRD definidos no ADE SRRFO7 N° 320/2006, publicado no DOU de 18/09/2006 (fls. 202\205), o que não engloba as áreas dos pátios das usinas de pelotização.” No mais, na hipótese de as mercadorias terem sido encaminhadas diretamente para o recinto alfandegário, as empresas envolvidas possuiriam os documentos suporte necessários para este procedimento, o que não ocorre in casu, verbis: “...foi esclarecido que as pelotas são entregues no pátio da remetente, inexistindo, desse modo, a documentação requerida (fl. 193).” Todavia, não foram apresentados documentos neste sentido, apenas alegações acerca do procedimento logístico da Recorrente, o que por si só não comprova a exportação das mercadorias. No que se refere ao segundo e terceiro itens, consubstanciados no erro constatado nos códigos de classificação (CFOP) das mercadorias e no aproveitamento do crédito tributário pela CVRD, a alegação Recorrente está vinculada à premissa adotada, uma vez que a mercadoria só vai para área alfandegada, a conseqüência lógica é que se trata de exportação e qualquer registro em sentido contrário foi realizado indevidamente (erro formal). Registrase que a fiscalização apurou que as pelotas transferidas foram registradas como se tivessem sido comercializadas no mercado interno, a saber: Trecho do Parecer DRF/VIT/SEORT nº 2590/2008 (fls. 220) “17. Verificase, em pesquisa ao Convênio CONFAZ s/n°, de 15 de dezembro de 1970, com as alterações impostas pelo Ajuste SINIEF 06/00 e 07/01, que desde 1° de janeiro de 2001 vigoram CFOP próprios para as operações com fim especifico de exportação. Desde então as saídas de produção do estabelecimento para trading company ou para empresa comercial exportadora, com fim especifico de exportação, passaram a ser identificadas pelos códigos 5.86 e 5.501, cujo registro nos livros do destinatário das mercadorias/produtos correspondem aos códigos 1.86 e 1.501 1 , respectivamente. 18. Assim, muito embora o contribuinte insira no campo "Informações Complementares" nas Notas Fiscais a expressão "remessa com o fim especifico de exportação", a identificação da natureza das operações como vendas de produção do estabelecimento, enquadrandoas nos CFOP 5.11 ou 5.101, revela a ausência da finalidade exigida pela Lei 10.637/02 para fruição do beneficio da isenção fiscal. (...)” Assim, uma vez que a Recorrente não comprovou (sequer alegou) que os procedimentos indicados pela fiscalização estão errados, forçoso concluir que realmente as mercadorias estavam registradas como se pertencentes ao mercado nacional. Esta questão por si só é problemática, mas o que torna inviável o argumento da Recorrente, a meu ver, é a conseqüência deste fato. Conforme esclarecido pela fiscalização, a classificação da mercadoria como transitada no mercado nacional, gerou a possibilidade do adquirente da mercadoria (no caso CVRD) se creditar do tributo por proceder à exportação do produto. No caso, necessário Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 3/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15578.000343/200872 Acórdão n.º 3302001.695 S3C3T2 Fl. 754 11 registrar que de acordo com a informação prestada pela CVRD constante dos autos, no ano de 2006, não foi realizado o aproveitamento do crédito em virtude da exportação (fls. 199). Todavia, isso não muda o fato de que, em virtude de a mercadoria estar registrada como comprada e destinada ao mercado nacional, poder gerar – no prazo prescricional – o aproveitamento, pela CVRD do crédito tributário. Esta possibilidade, por si só, elide a presunção pretendida pela Recorrente, neste sentido: Trecho do Parecer DRF/VIT/SEORT nº 3389/2008 (fls. 220) “Observe que ao declarar nas Notas Fiscais a natureza da operação via CFOP 5.11 e 5.101, o contribuinte dá suporte para que o destinatário de seus produtos, enquanto não decaído o direito, aproveite créditos de PIS nãocumulativo vinculados ás aquisições, o que em uma operação eminentemente com fim especifico de exportação não é admitido, consoante o próprio Art. 21 § 2° da IN 600/2005, acima transcrito. 19. Em verdade, tratase de comercialização normal no mercado interno em que se tributa a receita auferida pelo produtor e mantémse o crédito na escrita do comprador, independentemente da destinagão ou não das mercadorias para o exterior. 20. A própria CVRD, em resposta ao Termo de Solicitação de Documentos n° 115/2007, anexou à documentação entregue, uma consulta formulada internamente em que alega estar utilizando os créditos decorrentes dessas vendas (fis. 195\199).” destaquei Impossível, portanto, a aplicação da proposta da Recorrente, de presunção de destino da mercadoria (exterior) em razão de ter sido transferida para recinto alfandegário. Necessários alguns esclarecimentos acerca dos documentos trazidos aos autos após o recurso voluntário, quando do julgamento do recurso. Em prol do princípio da verdade material, ante a natureza dos documentos, os mesmos foram recebidos e discutidos pela Turma em preliminar de diligência. Conforme relatado, foram apresentados os seguintes documentos: (i) contrato firmado entre a CVRD e a Recorrente; (ii) memorando de exportação; (iii) relatórios mensais de controle de estoque (período de dez/2002 até dez/2008); (iv) modelo esquemático da planta industrial do complexo de Tubarão; (v) cartas de correção das notas fiscais (vi) carta de encaminhamento da Vale S.A. declarando que não se creditou do PIS e COFINS; (vii) declaração da Vale S.A. informando os termos contratuais firmados com a Kobrasco afirmando que as pelotas fornecidas foram adquiridas com o fim específico de exportação; (viii) decisão da DRJ/RJ II, favorável ao contribuinte sobre os mesmos temas (exportação), ainda que fatos geradores distintos. Todavia, após a discussão dos temas e análise das informações trazidas, o colegiado concluiu que os documentos apresentados não eram suficientes para gerar a diligência pleiteada, razão pela qual negouse a preliminar suscitada. Em relação ao (i) contrato firmado entre a CVRD e a Recorrente e (ii) os memorandos de exportação; entendeuse que não são documentos suficientes para contrapor os Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 3/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 12 fatos averiguados nos autos, posto que se tratam de documentos de particulares das empresas , sem força pública. Da mesma forma em relação aos (iii) relatórios mensais de controle de estoque (período de dez/2002 até dez/2008); haja vista que seria preciso verdadeira auditoria fiscal para comprovar as informações constantes dos relatórios. Ainda, em relação ao (iv) modelo esquemático da planta industrial do complexo de Tubarão; não foi considerado suficiente para contrapor aos fatos trazidos à colação pela fiscalização quando do indeferimento do crédito pleiteado. Melhor sorte não se aplica às (v) cartas de correção das notas fiscais e à (vi) carta de encaminhamento da Vale S.A. declarando que não se creditou do PIS e COFINS. Neste caso a questão é que o colegiado entendeu que atualmente, passados 11 anos da ocorrência do fato gerador, a produção de prova da época referese é impossível de ser realizada, posto que a realidade já está alterada. Tal raciocínio depreendese, por exemplo, do fato de que as cartas de correção foram feitas após 5 anos do fato gerador (em abril/2011, sendo que os fatos geradores ocorreram em 2004), sem qualquer produção de efeitos fiscais. Logo, o Colegiado entendeu que a prova produzida não tem a força pretendida pela Recorrente, porque não produz nenhum efeito fiscal. Por outro giro, consta dos autos declaração da Vale S. A. no sentido exatamente oposto ao que agora apresenta a Recorrente, de que se creditou de créditos de PIS e COFINS na operação de compra de pelotas da Kobrasco. Isto é, não se pode considerar as declarações da Vale, tendo em vista que elas se contradizem, seriam necessários outros indícios para gerar uma diligência em um processo administrativo que já está em fase de julgamento de segunda instância administrativa. No que se refere à (vii) declaração da Vale S.A. informando os termos contratuais firmados com a Kobrasco, afirmando que as pelotas fornecidas foram adquiridas com o fim específico de exportação; o Colegiado também entendeu que seriam necessárias provas complementares. É que nesta mesma declaração, a Vale afirmou que vende pelotas para o mercado interno. Como saber se a pelota comprada da Kobrasco não foi mesmo direcionada para o mercado interno? Conforme vinha sendo afirmado pela própria Vale nos documentos analisados pela Fiscalização? A simples declaração da Vale, em vista das patentes divergências em suas declarações, não é suficiente, seria preciso analisar os fatos à época em que ocorreram. Não há meios desta auditoria obter sucesso quase dez anos após a venda da mercadoria. Para melhor compreensão, cito trecho da carta da Vale, verbis: Trecho da Carta da Vale, trazida à colação pela Recorrente quando do julgamento do recurso voluntário: “A VALE S.A. reitera que nos termos contratuais adquiriu pelotas produzidas pela KOBRASCO, as quais foram fornecidas com o fim especifico de exportação e que de fato foram todas revendidas e exportadas para o exterior. Nessa operação, a VALE S.A. atua na qualidade de comercial exportadora, recebendo o produto em sua área portuária localizada na Ponta de Tubarão. A VALE S.A. informa que efetuou e efetua venda de pelotas no mercado interno, as quais se originam de produção de suas usinas próprias e de industrialização por encomenda. O volume de vendas de pelotas no mercado interno é inferior a quantidade produzida, restando volume para ser exportado, como tem sido feito ao longo dos anos. Esta informação esta demonstrada de modo bem claro para o período de 31/12/2002 a 31/12/2008 no ANEXO CJNICO de 8 (oito) páginas.” – destaquei. Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 3/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15578.000343/200872 Acórdão n.º 3302001.695 S3C3T2 Fl. 755 13 Ademais, em relação à (viii) decisão da DRJ/RJ II, favorável ao contribuinte sobre os mesmos temas (exportação); importa esclarecer que este tribunal está desvinculado das decisões de primeira instância administrativa tendo, inclusive, competência de reformar aquelas decisões. No que se refere à decisão em si, sua análise é suficiente para constatar que foi proferida com base, principalmente, nas provas apresentadas naquele processo. Conforme se depreende da decisão citada, o julgador analisou os elementos trazidos pela Recorrente juntamente com a contabilidade, concluindo que houve a operação de exportação. Constato que parte dos documentos trazidos agora pela Recorrente, no momento do julgamento, também foram apresentados naquele processo administrativo, todavia, registro que aqueles autos continham ainda mais elementos, os quais, analisados conjuntamente, foram entendidos pelos julgadores como suficientes para a comprovação dos fatos pretendidos. Todavia, sendo o período distinto, não se aplicam as mesmas conclusões, visto que em um período as mercadorias podem ter sido vendidas para o mercado interno enquanto em outro período para o mercado externo. Tais análises, aliada ao fato de que este processo referese a pedido de ressarcimento, procedimento no qual, como é cediço, a prova deve ser realizada pelo contribuinte, levou à conseqüência de indeferimento do pedido formulado. (ii) Insumos Não Consumidos Diretamente no Processo Produtivo Outro item glosado pela fiscalização referese aos insumos não consumidos diretamente no processo de industrialização da Recorrente. Nos termos do Parecer DRF/VIT/SEORT nº 3389/2008 (fls. 225): “39. Destarte, para que o serviço prestado possa ser utilizado para fins de apuração dos créditos a descontar, deve estar em consonância com a definição esboçada pela legislação fiscal, ou seja, o serviço prestado deve necessariamente ser aplicado ou consumido na produção ou fabricação do produto. 40. Assim sendo, serviços administrativos, serviços de auditoria, serviços decorrentes de atividades meio estariam fora dessa definição, não configurando serviços sujeitos a apuração de créditos da contribuição.” A problemática inferese no fato de a legislação referirse a insumos de forma genérica, o que permite aos operadores do direito realizar a própria interpretação do conceito e alcance do termo “insumo”. E é exatamente o que se discute nos presentes autos, o conceito de insumo para a Recorrente. Determina a lei: “Lei 10.833/03 – COFINS Não Cumulativo Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 3/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 14 a) nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei2 (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1ºdo art. 2º desta Lei3; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica4; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.198, de 8 de janeiro de 2009) § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo e no § 1º do art. 52 desta Lei, o crédito será determinado mediante a aplicação 2 Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008: "a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei" Para vigência, vide Medida Provisória n° 413, de 3 de janeiro de 2008. 3 Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008: "b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei" Para vigência, vide Medida Provisória n° 413, de 3 de janeiro de 2008. 4 Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007: "III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica" Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 3/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15578.000343/200872 Acórdão n.º 3302001.695 S3C3T2 Fl. 756 15 da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor5: (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...)” – destaquei. A discussão acerca da conceituação do termo “insumos” têm tomado tempo e espaço da doutrina e da jurisprudência administrativa. Naturalmente, os intérpretes buscam definições já conhecidas. A Receita Federal defende, para o PIS e Cofins, o emprego do conceito de insumos utilizado pela legislação de IPI e ICMS. Já alguns julgadores deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF emprestam o conceito de custo e despesa aplicado no imposto de renda (RIR artigos 290/299). 5 Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008: "§1º Observado o disposto no §15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor:" Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 3/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 16 Particularmente, entendo que o sistema não cumulativo de PIS e COFINS não se identifica com o IPI, ICMS ou IRPJ. O tributo é diverso, a sistemática é diversa, e não há necessidade de se aplicar um conceito préexistente simplesmente porque ele já existe. A meu sentir, é preciso que o intérprete do direito utilize as normas de hermenêutica, juntamente com as demais regras do ordenamento jurídico, e forme um conceito próprio de insumo que seja aplicável a esta nova sistemática. Em vista desta disparidade de entendimentos, pareceme prudente realizar uma prévia análise acerca das diferenças entre as formas de apuração. No que se refere à equiparação dos sistemas não cumulativos do IPI/ICMS e PIS/Cofins, tenho defendido a total diferença entre os regimes6, as quais causam reflexos indiscutíveis e indissociáveis à apuração dos créditos tributários. É cediço que até a criação do sistema não cumulativo para o PIS e Cofins, a não cumulatividade alcançava, apenas, o imposto estadual sobre circulação de mercadorias – ICMS – e o imposto federal incidente sobre o produto industrializado – IPI. Em vista deste fato, conforme já esclarecido, é natural que os intérpretes do direito (neste caso entendidos como as autoridades administrativas fiscalizadoras por aplicarem as normas e as autoridades administrativas de julgamento por julgar a forma como as normas foram aplicadas) busquem as definições préestabelecidas e já conhecidas dos regimes cumulativos do ICMS e IPI para conceituar o novo sistema. Foi exatamente o que ocorreu no caso em apreço, por entender que os insumos não foram utilizados diretamente na produção, os agentes administrativos glosaram os créditos ora objeto do presente recurso voluntário. Todavia, este procedimento quase que automático, ao invés de solucionar a questão, acabou por confundir e inviabilizar a correta aplicação da norma tributária. A não cumulatividade para fins de PIS e COFINS instituiuse, inicialmente no âmbito legislativo, tendo sido expedidas as medidas provisórias MP 66/02 e 135/03, posteriormente convertidas nas Leis Ordinárias nº 10.637/02 – PIS – e nº10.833/03 – Cofins. O supedâneo constitucional surgiu com a alteração do artigo 195 da carta magna, ao qual foi incluído o parágrafo 12, conforme redação trazida pela Emenda Constitucional nº 42 (EC nº 42 de 19.12.03), in verbis: "Art. 195. ......................................................................................................... § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (...)” Além da diversidade de fundamentação legal e constitucional, o principal fato diferenciador dos regimes deve ser observado em relação à regra matriz do tributo, especificamente em relação ao seu aspecto material. É exatamente este o critério que entendo que deve ser observado para nortear a interpretação da regra do crédito na sistemática em apreço. 6 ARTIGO PUBLICADO in “Planejamento Fiscal – Aspectos Teóricos e Práticos”, Volume II, Quartier Latin, artigo entitulado “O Conceito de Insumos e a NãoCumulatividade do PIS e COFINS”, fls. 197/208 Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 3/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15578.000343/200872 Acórdão n.º 3302001.695 S3C3T2 Fl. 757 17 As contribuições ao PIS/Cofins, desde o início de sua “existência”, pretenderam a tributação da receita7 das pessoas jurídicas, sem qualquer vinculação a um bem ou produto, incidindo, portanto, sobre uma grandeza econômica formada por uma série de fatores contábeis, os quais constituem a receita de uma empresa. Já o IPI/ICMS, prevêem a tributação do valor de determinado produto. Tal diferença torna evidente a distinção dos regimes não cumulativos. Explico. Adoto a premissa de que o conceito de cumulatividade significa tributar mais de uma vez a mesma grandeza econômica. Nestes termos, para se alcançar o efeito não cumulativo é necessário, exatamente, evitar esta reiterada incidência tributária sobre a mesma riqueza. No caso da não cumulatividade aplicável ao IPI/ICMS este processo é facilmente constatável. Isto porque se está tratando de não cumulatividade vinculada ao preço do produto, logo, toda vez que o produto for tributado (independente da fase em que ele se encontre), estarseá diante da cumulação de carga tributária. O reflexo no aumento do preço do produto é visível, quase palpável, e o simples destaque na nota fiscal permite impedir a cumulatividade da carga tributária. Todavia, este mesmo pressuposto não se aplica à não cumulatividade trazida ao PIS/Cofins. Diferentemente da hipótese dos impostos, a cumulação que se pretende evitar no caso das contribuições, referese à receita da pessoa jurídica. É em relação a esse aspecto econômico que se deve impedir a reiterada incidência tributária. Neste sentido cito Marco Aurélio Greco8: “Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum a IPI e a PIS/COFINS a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de 7 "Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência não cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV – (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009)." 8 MARCO AURELIO GRECCO in “NãoCumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004 Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 3/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 18 PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto ‘receita’e não ‘produto’.” O critério “receita”, ao contrário do critério “produto”, não possui, como bem esclarecido pelo doutrinador supracitado, “um ciclo econômico a ser considerado, posto ser fenômeno ligado a uma única pessoa”. Inexiste imposto de etapa anterior a ser deduzido, uma vez que não há estágio prévio na apuração da receita da pessoa jurídica, e esta particularidade inviabiliza a aplicação da mesma interpretação para ambos os regimes. Não há meios, portanto de confusão entre os sistemas não cumulativos de impostos e contribuições. Diferentemente do regime previsto para o IPI e ICMS que pretende a compensação de “imposto sobre imposto”, importandose com o valor despendido a título de tributo, a não cumulatividade das contribuições sociais se preocupa com o quantum consumido pelo contribuinte a título de insumos em todo processo de produção. Importa sim, para viabilizar o crédito, que o insumo tenha sido tributado, mas é irrelevante a forma desta tributação e o quanto representou esta incidência tributária. O contribuinte terá direito ao crédito se o insumo tiver sido tributado pelo regime cumulativo, pelo regime não cumulativo ou mesmo pelo Simples, até porque o montante recolhido a título de PIS e Cofins não consiste em fator decisivo à obtenção do crédito tributário9. Tanto é assim que, independentemente do critério de tributação ao qual foi submetido o insumo, o contribuinte terá direito à grandeza de 9,25% (PIS + COFINS) de todo o valor que foi despendido para a sua aquisição. Assim, claro está que não é o valor gasto a título de tributo que interessa, contrariamente aos regimes aplicados ao IPI/ICMS. Tenho para mim que o legislador infraconstitucional, ao definir os ditames para evitar a cumulação das contribuições, criou critério híbrido e único, mesclando conceitos já existentes com outros inevitavelmente formados de significação específica para as contribuições ao PIS/Cofins. Tal procedimento pretendeu alcançar os aspectos particulares das contribuições sociais, bem como neutralizar efetivamente a cumulação destes tributos, que possuem regra matriz de incidência totalmente diversa dos demais tributos não cumulativos. Conforme este raciocínio cito Eduardo de Carvalho Borges10: “No caso do PIS e da COFINS, o legislador federal optou por um sistema misto: apesar de ter concedido ao contribuinte um crédito a ser abatido das contribuições a serem pagas, tal crédito não é apurado em função do tributo recolhido em fase anterior, mas mediante a aplicação, ao valor do bem ou serviço proveniente de etapa anterior, da alíquota à qual está sujeito o contribuinte ao qual o crédito é outorgado. Vejamos o seguinte exemplo: (i) um produto X é vendido por A a B por 100 reais; (ii) estando A sujeito ao regime cumulativo, recolhe 3,65 reais a título de PIS e COFINS; (iii) estando B sujeito ao regime nãocumulativo, apura crédito de PIS e COFINS no valor de 7,60 reais; e (iv) ao revender o produto X por 200 reais, B recolhe 7,60 reais (200 reais x 7,6% 7,60 reais = 7,60 reais) a título de PIS e COFINS. Em tal caso, o critério adotado propiciou o mesmo resultado da aplicação do método “base sobre base” (200 reais – 100 reais x 7,6% = 7,60 reais).” – destaquei. Realmente, dos termos legais não se depreende a limitação invocada pelo acórdão recorrido, não sendo lícito ao agente administrativo, sem fundamentação legal, deliberar em sentido de reduzir o crédito do contribuinte. 9 Lei nº 10.833/03, art. 3º, 10 Eduardo de Carvalho Borges in “Os Créditos de PIS e COFINS na Indústria de Papel e Celulose, O Caso das Florestas Próprias”, Tributação no Agronegócio, Quartier Latin Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 3/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15578.000343/200872 Acórdão n.º 3302001.695 S3C3T2 Fl. 758 19 Não se aplica, portanto, o critério de IPI/ICMS, uma vez que não importa, no caso das contribuições em análise, se o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado. Da mesma forma não interessa em que momento do processo de produção o insumo foi utilizado. Melhor sorte não alcança a equiparação do conceito da não cumulatividade com as noções de custo e despesa necessária para o Imposto de Renda, conforme os artigos 29011 e 29912 do RIR/99. Realmente, correta a doutrina ao perceber que o conceito de receita está mais próximo do conceito de lucro, do que da definição de valor agregado ao produto, aplicável ao ICMS e IPI. Todavia, não se trata de identidade de materialidade, receita não é lucro e este fato não pode ser ignorado. Ao analisar o disposto na legislação verificase que as despesas contabilizadas como “operacionais” são mais amplas do que o conceito de insumos em análise. O critério de classificação da despesa operacional é que ela seja necessária, usual ou normal para as atividades da empresa. Todavia, este não é o critério utilizado para o conceito de insumos. Vários itens, que são classificados como despesas necessárias (despesas realizadas com vendas, pessoal, administração, propaganda, publicidade, etc) ao meu sentir, não serão, obrigatoriamente, insumos para o PIS e Cofins não cumulativos. 11 Custo de Produção Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 2º). 12 Despesas Necessárias Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 3/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 20 Da mesma forma, o custo de produção também é diferente de insumos, basta constatar que as Leis nº10.833/03 e 10.637/02 negam, expressamente, a folha de salários como insumo para o PIS COFINS. Por outro giro, a legislação específica define que a base do crédito, para o PIS e Cofins, será formada pelas despesas e custos de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes...” A redação do dispositivo legal é clara, e define como critério os bens e serviços UTILIZADOS na PRESTAÇÃO de serviços; na PRODUÇÃO e na FABRICAÇÃO de bens e produtos. Neste sentido, “somente os bens e serviços que forem utilizados direta ou indiretamente na fabricação de bens ou na prestação de serviços darão direito ao crédito. Essa ressalva é muito importante, na medida em que a lei exige que os bens e serviços sejam efetivamente utilizados pela empresa para tais finalidades, e não simplesmente adquiridos e consumidos em suas operações.” 13 A questão é que e aqui, entendo se formar um critério específico para o conceito de insumos no PIS e COFINS não cumulativo para a produção/fabricação de determinada mercadoria final (ou serviço), o insumo tem que ser UTILIZADO e, mais ainda, tem que ser INDISPENSÁVEL para o resultado final pretendido. De acordo com este raciocínio o insumo, para gerar crédito, deve estar diretamente vinculado ao objeto social da empresa e, em meu entender, é este o componente diferenciador que deve ser considerado pelos intérpretes do direito. Com base na legislação pertinente ao assunto, concluo que para gerar crédito de PIS e Cofins não cumulativo o insumo deve: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte; ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final; e estar RELACIONADO ao objeto social do contribuinte. Mencionada conclusão foi realizada à luz da materialidade das contribuições sociais em análise, sendo que o critério material da regra matriz de incidência tributária do PIS/Cofins é aferir receita14, e a receita de uma empresa está diretamente ligada à atividade que esta empresa exerce. Logo, para conceituar insumo, primordial verificar o que foi utilizado para se alcançar aquela determinada receita naquele específico mês. Finalizada esta análise preliminar de conceitos, é preciso avaliar se os insumos pleiteados pela Recorrente são desta forma considerado pela legislação do PIS/Cofins. 13 Pedro Anan Jr, in "PIS e COFINS à luz da Jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais", em artigo entitulado "A Questão do Crédito de PIS e COFINS no Regime da Não Cumulatividade e a Jurisprudência do CARF", fls. 486, MP Editora destaquei 14 No sentido de busca da "formação da receita" cito o doutrinador Marco Aurélio Grecco (in “Não Cumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004), a saber: “Por isso, o critério utilizado para o fim de identificar quais verbas serão consideradas na nãocumulatividade do PIS/COFINS apóiase na inerência do dispêndio em relação ao fator de produção ao qual se relaciona. O pressuposto de fato é a receita, portanto, é importante saber o que participa da sua formação – que a lei escolheu estar relacionado com o processo de prestação de serviço ou fabricação e produção. Portanto, é relevante determinar quais dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores de capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução.” Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 3/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15578.000343/200872 Acórdão n.º 3302001.695 S3C3T2 Fl. 759 21 como se depreende do Relatório do mencionado Parecer DRF/VIT/SEORT nº 3389/2008 (fls. 217), constato que o objeto da empresa é, verbis: “As informações constantes dos sistemas da RFB, assim como aquelas colhidas em diligências no estabelecimento da pessoa jurídica dão conta que a Cia Coreano Brasileira de Pelotização — Kobrasco, neste parecer designado apenas de Kobrasco, atua na produção e comercialização de pelotas de minério de ferro, com sua planta industrial situada no complexo CVRD — Ponta de Tubarão, em Vitória/ES. Sua produção é comercializada tanto no mercado interno, com vendas para Companhia Vale do Rio Doce CVRD, CNPJ 33.592.510/022042, como no mercado externo.” Já de acordo com os termos do Recurso Voluntário (fls. 347/348), o objeto social da empresa está consubstanciado: “A RECORRENTE é sociedade empresária cujo objeto societário é a produção e venda de pelotas de minério de ferro, bem como o exercício de outras atividades direta ou indiretamente relacionadas com a produção e venda de pelotas de minério de ferro. Na consecução de seus fins societários, a RECORRENTE adquire minério de ferro bruto ('pellet feed') da COMPANHIA VALE DO RIO DOCE — CVRD e, em seu estabelecimento fabril (usina de pelotização), transforma esse minério em pelotas destinandoas à venda no mercado externo.” Em princípio esclareço, por conseqüência lógica da premissa adotada (diversidade entre os regimes não cumulativos), que o conceito de insumos para a não cumulatividade de PIS/COFINS difere daquele utilizado para ICMS/IPI15, bem assim não pode ser equiparado ao critério utilizado pelo Imposto de Renda. De acordo com a premissa adotada, entendo que para gerar crédito de PIS não cumulativo o insumo deve: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte; ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final; e estar RELACIONADO ao seu objeto social. Folha 208: 15 Neste sentido, segue ementa do Acórdão proferido no Processo Administrativo nº 11020.000607/201058: "COFINS NÃO CUMULATIVIDADE RESSARCIMENTO CONCEITO DE INSUMO LEIS Nº 10.637/02 E Nº 10.684/03. O princípio da não cumulatividade da COFINS visa neutralizar a cumulação das múltiplas incidências da referida contribuição nas diversas etapas da cadeia produtiva até o consumo final do bem ou serviço, de modo a desonerar os custos de produção destes últimos. A expressão “insumos e despesas de produção incorridos e pagos”, obviamente não se restringe somente aos insumos utilizados no processo de industrialização, tal como definidos nas legislações de regência do IPI e do ICMS, mas abrange também os insumos utilizados na produção de serviços, designando cada um dos elementos necessários ao processo produtivo de bens e serviços, imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção destes últimos." Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 3/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 22 Prestador de Serviço Serviço Prestado Novo Rumo Serviços Topográficos Serviços de topografia Metacon Engenharia serviços técnicos de engenharia de projetos industriais Progen Projetos gerenciamento e engenharia projetos gerenciamento e engenharia Sindus Manutenção e Sistemas Industriais serviços de manutenção eletromecânica nos equipamentos de monitoramento ambiental Cepemar Serviços de Consultoria em MA serviços de monitoramento ambiental das partículas emitidas no complexo industrial Agência Estado disponibilização de informações especializadas e de indicadores econômicos e financeiros Price Water House Coopers serviços de auditoria Em vista do objeto social da Recorrente ser a produção de pelotas de minério de ferro, de todos os serviços que foram glosados como insumos, entendo que a glosa deve ser mantida em relação ao contrato de auditoria referente à empresa Price Water House Coopers por entender que é serviço necessário à qualquer empresa (auditoria), não especialmente àquelas que desenvolvem a atividade da Recorrente. Ainda, concluo pela impossibilidade de considerar o contrato com a Agência Estado, cujo objeto é a disponibilização de informações especializadas e de indicadores econômicos e financeiros, por não ter sido comprovada a utilização na produção da empresa, que tem como objeto social a produção de pelotas, comercializada basicamente com a CVRD, que é do mesmo grupo econômico. Concedo os demais serviços glosados em virtude de entendêlos utilizados, imprescindíveis e relacionados ao objeto social da Recorrente. Ante o exposto, CONHEÇO do recurso apresentado, posto que presentes os pressupostos de admissibilidade, para o fim de DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, reconhecendo o crédito dos insumos pleiteados (com exceção daqueles referentes aos contratos firmados com a Price Water House Coopers e Agência Estado). É como voto. (Assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Voto Vencedor Conselheiro José Antonio Francisco, Redator Designado quanto às glosas dos créditos. Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 3/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15578.000343/200872 Acórdão n.º 3302001.695 S3C3T2 Fl. 760 23 Discordo do entendimento da Ilustre Relatora em relação ao conceito de insumos, para efeito do direito de crédito. As leis que tratam de PIS e Cofins não cumulativos trazem diversas exclusões específicas e, genericamente, no art. 3º, II, tratam dos insumos: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II – bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)” Referido dispositivo referese a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produtos destinados a vendas. Dentro desse conceito é que se tentam enquadrar os mais variados custos e despesas incorridos pela empresa produtora para o fim de creditamento das contribuições não cumulativas. Entretanto, é preciso ter em conta que, de um lado, tal conceito não se confunde com o de insumo de IPI, restrito a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem. De outro, não é qualquer bem ou serviço adquirido que gera direito de crédito. A condição, expressamente ditada pelo texto legal, é de que o bem ou serviço seja insumo, mas não qualquer insumo, uma vez que o dispositivo especifica claramente que deva ser utilizado na prestação de serviços ou na produção e fabricação de produtos. Portanto, embora insumo seja genericamente qualquer elemento necessário para produzir mercadorias ou serviços, a lei exige que, para gerar crédito, ele seja utilizado na produção ou fabricação. Tal disposição, singela e bastante clara, restringe drasticamente as pretensões de interpretar a disposição legal citada como referente a todo e qualquer insumo de produção. A primeira conclusão é elementar: custos e despesas posteriores à produção ou à prestação de serviços não geram direito de crédito com base no dispositivo. Assim, somente os casos previstos em outros incisos específicos do citado dispositivo geram crédito, quando não enquadrados no conceito de insumo utilizado na produção. Em segundo lugar, os insumos precisam ser utilizados na produção, vale dizer, devem fazer parte do processo produtivo. Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 3/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 24 Nesse contexto é que devem ser examinados os itens seguintes tratados no presente recurso. Dessa forma, nem mesmo os serviços prestados pelas empresas RH Conservadora e Serviços, Agência Estado, Deloitte Touche Tomatsu caracterizamse como insumos, uma vez que não são aplicados na produção. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso em relação a essa matéria e por acompanhar a Relatora em relação às demais. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 3/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 26/02/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726825/2009-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência.
INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12)
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda.
ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI..
Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN).
IRPF. MULTA. EXCLUSÃO.
Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos.
Numero da decisão: 2201-001.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar arguida pelo recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento, e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA e RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, que deram provimento integral ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinho Teixeira, OAB 23.911/BA.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 01/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12) IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10580.726825/2009-74
anomes_publicacao_s : 201211
conteudo_id_s : 5175258
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 2201-001.782
nome_arquivo_s : Decisao_10580726825200974.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : EDUARDO TADEU FARAH
nome_arquivo_pdf_s : 10580726825200974_5175258.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar arguida pelo recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento, e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA e RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, que deram provimento integral ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinho Teixeira, OAB 23.911/BA. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Relator. EDITADO EM: 01/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
id : 4373999
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:54:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041217787265024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2229; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.726825/200974 Recurso nº 923.179 Voluntário Acórdão nº 2201001.782 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de agosto de 2012 Matéria IRPF Recorrente GILDASIO GALRAO DE OLIVEIRA NETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12) IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 68 25 /2 00 9- 74 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar arguida pelo recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento, e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA e RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, que deram provimento integral ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinho Teixeira, OAB 23.911/BA. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 01/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 130.458,30, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual Fl. 261DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.726825/200974 Acórdão n.º 2201001.782 S2C2T1 Fl. 3 3 como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; e) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; f) parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; Fl. 262DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 g) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; h) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância, Gildasio Galrao de Oliveira Neto apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuidam os presentes autos de lançamento originário de verbas recebidas do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Antes de adentrarmos no mérito da questão insta examinar, de antemão, as preliminares aventadas pela defesa. Nulidade Decisão Recorrida No que concerne à alegação de nulidade da decisão recorrida verifico, pois, que não assiste razão à defesa. Analisando detidamente o Acórdão da Delegacia de Julgamento, constatase que, ao contrário do afirmado pela defesa, a decisão singular apreciou, Fl. 263DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.726825/200974 Acórdão n.º 2201001.782 S2C2T1 Fl. 4 5 ainda que de forma sucinta, a matéria em litígio. No que toca a alegada legitimidade ativa, a decisão recorrida concluiu que é da competência exclusiva da União exigir o imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF). Sobre a suposta quebra na capacidade contributiva, entendeu o julgador a quo que a tributação independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente. Ressaltese que o julgador não está obrigado a rebater todas as questões levantadas na peça recursal, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão (art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972). Esse entendimento é pacifico neste Órgão Administrativo, consoante a ementa destacada: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – DEFESA DO CONTRIBUINTE APRECIAÇÃO Conforme cediço no Superior Tribunal de Justiça STJ, a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações do recorrente, nem a todos os fundamentos indicados por ele ou a responder, um a um, seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. (REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006). (Acórdão 10248620) Afastase, portanto, esta preliminar. Ilegitimidade da União Federal Quanto à alegada ilegitimidade ativa para exigir o tributo penso que o art. 153, inciso III, da Constituição Federal atribui a União competência exclusiva para legislar sobre imposto de renda e proventos de qualquer natureza. Assim, em que pese o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Bahia, tal fato não tem o condão de alterar a competência da União relativa ao Imposto sobre a Renda, conforme prevê o art. 6º, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN). Além do mais, não procede à alegação de que a União não poderia exigir o imposto pela falta de retenção do Estado da Bahia, pois o contribuinte, na qualidade de beneficiário dos rendimentos, não pode se furtar da tributação do imposto porque a fonte pagadora não procedeu à retenção. A lei ao disciplinar a elaboração da Declaração Anual de Ajuste expressamente determina a inclusão na base de cálculo do imposto de todos os rendimentos percebidos no ano, independentemente de ter ou não havido retenção do imposto na fonte (artigos 7º e 8º da Lei nº 9.250, de 26/12/1995). É neste sentido a Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Destarte, imprópria a tentativa de vincular a responsabilidade tributária tão só ao Estado da Bahia. Quebra do Principio Constitucional da Capacidade Contributiva Fl. 264DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Sobre a alegação de quebra do principio constitucional da capacidade contributiva, esclareço, pois que tal princípio é voltado ao legislador, para estabelecer as formas de tributação, como por exemplo, progressividade para os tributos diretos e/ou seletividade para os indiretos. Em verdade, diferentemente do que alega a defesa, a autoridade fiscal não deseja receber tributo superior ao efetivamente devido, mas, simplesmente, aplicar a lei. A bem da verdade, todos os dispositivos fiscais foram aplicados em estrita obediência às atividades específicas da administração tributária. Além do que, o contencioso administrativo não é o foro apropriado para o exame de questões relativas à constitucionalidade de leis. Somente quando há declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal de lei, de tratado ou de ato normativo, é permitido às autoridades fiscais afastarem a aplicação desses dispositivos (arts. 97 e 102 III, da Constituição Federal, Decreto n°2346, de 10 de outubro de 1997 e Parecer PGFN/CRE nº 948, de 02/06/1998). Corroborando, o Jurista Hugo de Brito Machado, em ensaio sua obra "O Devido Processo Legal Administrativo e Tributário e o Mandado de Segurança", publicado no volume Processo Administrativo Fiscal coordenado por Valdir de Oliveira Rocha Dialética 1995 esclarece: Se um órgão do Contencioso Administrativo Fiscal pudesse examinar a argüição de inconstitucionalidade de uma lei tributária, disso poderia resultar a prevalência de decisões divergentes sobre um mesmo dispositivo de uma lei, sem qualquer possibilidade de uniformização. Acolhida a argüição de inconstitucionalidade, a Fazenda não pode ir ao judiciário contra a decisão de um órgão que integra a própria administração. O contribuinte por seu turno, não terá interesse processual, nem fato para fazêlo. A decisão tornarseá assim definitiva, ainda que o mesmo dispositivo tenha sido ou venha a ser considerado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, que é, em nosso ordenamento jurídico, o responsável maior pelo deslinde de todas as questões de constitucionalidade, vale dizer, o 'guardião da Constituição'. Não é outro o entendimento deste Órgão Administrativo, consoante a Súmula CARF Nº 2: Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Rejeitase, pois, a suscitada preliminar. Nulidade o Lançamento – Constituição Inadequada da Exigência Em relação à arguição de nulidade na constituição do lançamento, conforme se infere do relatório da decisão de primeira instância, como se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, os cálculos foram efetuados levando em consideração as tabelas e alíquotas das épocas própria a que se referem os rendimentos, conforme determinou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional Ademais, não é o caso de se aplicar a alíquota considerando apenas o valor das diferenças recebidas, pois o contribuinte já estava sujeito à alíquota máxima e o lançamento se refere a imposto devido no ajuste anual. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.726825/200974 Acórdão n.º 2201001.782 S2C2T1 Fl. 5 7 Portanto, comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. Encerrada a apreciação das questões preliminares, passase ao exame do mérito. Quanto ao mérito, verifico que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais ocorridas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real. Logo, as verbas recebidas visam recompor parte do salário e, neste sentido, configurase fato gerador do tributo, pois se trata de aquisição de disponibilidade econômica de renda, conforme prevê o artigo 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Portanto, a definição prevista no artigo 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isto porque as quantias percebidas pelo contribuinte de fato constitui produto do trabalho (salário). No que tange à alegada afronta ao princípio constitucional da isonomia, percebo que a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). Neste caso, não há como estender o entendimento a outros contribuintes, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário (art. 111, inciso II, do CTN). Pensar diferente implicaria na concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o art. 150, § 6º, da CF e art. 176 do CTN. Ressaltese que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, também reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas aos Magistrados da União, respeitando a interpretação do STF. Concluise, portanto, que a tese suscitada não merece acolhimento. Sobre a imposição da multa de ofício, penso que a mesma deve ser excluída, pois o sujeito passivo foi de fato induzido ao erro pela fonte pagadora. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 8 É cediço que o comprovante de rendimento elaborado pela fonte pagadora classificou a referida verba como rendimentos isentos e não tributáveis, e ao apresentar sua Declaração de Ajuste o sujeito passivo meramente copiou os dados constantes do comprovante, acreditando estar agindo de forma correta. Assim, se houve erro no apontamento da natureza dos rendimentos tributáveis auferidos, em verdade, este erro não foi provocado pelo sujeito passivo. Deste modo, o erro é escusável e, portanto, inaplicável a multa de ofício. Aliás, nesta vertente, vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo da ementa destacada: IRPF – MULTA DE OFÍCIO Não é possível imputar ao contribuinte a prática de infração de omissão de rendimentos quando seu ato partiu de falta da fonte pagadora, que elaborou de forma equivocada o comprovante de rendimentos pagos e imposto retido na fonte. O erro, neste caso, revelase escusável, não sendo aplicável a multa de ofício. Recurso especial negado. (Ac. CSRF/0400.045, Rel. Cons. Wilfrido Augusto Marques, julgado em 08.06.2005) Destarte, deve ser excluída a multa de ofício aplicada ao lançamento em exame. Em relação à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, penso que não é o caso de se utilizar a sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, pois a matéria aqui tratada não é exatamente igual a decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Confira a ementa do Resp. nº 1227133/RS, julgado em 28/09/2011: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. (grifei) Ora, o STJ reconheceu a não incidência de imposto de renda sobre juros de mora legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Contudo, no caso dos autos, o pagamento da verba ocorreu, em verdade, com a edição da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Deste modo, inaplicável à espécie o recurso especial repetitivo. Por fim, o julgador não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela defesa, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão (art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972). Esse entendimento é pacifico neste Órgão Administrativo, consoante a ementa destacada: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – DEFESA DO CONTRIBUINTE APRECIAÇÃO Conforme cediço no Superior Tribunal de Justiça STJ, a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações do recorrente, nem a todos os fundamentos indicados por ele ou a responder, um a um, seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. (REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006). (Acórdão 10248620) Fl. 267DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.726825/200974 Acórdão n.º 2201001.782 S2C2T1 Fl. 6 9 Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a aplicação da multa de ofício. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 268DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.726825/200974 Recurso nº: 923.179 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.782. Brasília/DF, 15 de agosto de 2012 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 269DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.726825/200974 Acórdão n.º 2201001.782 S2C2T1 Fl. 7 11 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 11020.915068/2009-10
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO A QUO E DO DESPACHO DECISÓRIO. OFENSA AO REQUISITO CONSTITUCIONAL DA FUNDAMENTAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO E AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA, DO CONTRADITÓRIO E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL.
Uma vez observados os requisitos formais e materiais exigidos na legislação, é válido o despacho decisório que não homologou a compensação com base nas informações declaradas pelo próprio interessado.
É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF).
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO.
Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF) constitui matéria preclusa.
Numero da decisão: 3803-003.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO A QUO E DO DESPACHO DECISÓRIO. OFENSA AO REQUISITO CONSTITUCIONAL DA FUNDAMENTAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO E AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA, DO CONTRADITÓRIO E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. Uma vez observados os requisitos formais e materiais exigidos na legislação, é válido o despacho decisório que não homologou a compensação com base nas informações declaradas pelo próprio interessado. É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF) constitui matéria preclusa.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11020.915068/2009-10
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5181494
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3803-003.743
nome_arquivo_s : Decisao_11020915068200910.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 11020915068200910_5181494.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
id : 4459333
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041217793556480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2080; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 100 1 99 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.915068/200910 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803003.743 – 3ª Turma Especial Sessão de 28 de novembro de 2012 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente D'ZAINER PRODUTOS PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO A QUO E DO DESPACHO DECISÓRIO. OFENSA AO REQUISITO CONSTITUCIONAL DA FUNDAMENTAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO E AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA, DO CONTRADITÓRIO E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. Uma vez observados os requisitos formais e materiais exigidos na legislação, é válido o despacho decisório que não homologou a compensação com base nas informações declaradas pelo próprio interessado. É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF) constitui matéria preclusa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 50 68 /2 00 9- 10 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915068/200910 Acórdão n.º 3803003.743 S3TE03 Fl. 101 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 67 a 86) interposto em decorrência da decisão da DRJ Porto Alegre/RS (fls. 58 a 61) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 8 a 44) apresentada pelo contribuinte para se contrapor à não homologação da compensação pleiteada (fls. 1 a 6), nos termos do despacho decisório eletrônico exarado pela repartição de origem (fl. 7). O contribuinte havia transmitido à Receita Federal, em 25 de março de 2009, Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), relativos a pretenso pagamento da Cofins não cumulativa efetuado a maior, cujo direito creditório reclamado totaliza o valor de R$ 32.537,87. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, protestou, com base no princípio da verdade material, pela juntada de outros documentos e outras provas e requereu a declaração de nulidade do despacho decisório, assim como o cancelamento de qualquer cobrança dele advinda, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) ausência de fundamentação do despacho decisório e violação dos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal; b) a Fiscalização deveria ter intimado o contribuinte para obter as informações relativas à origem do crédito, tendo ocorrido ofensa ao “dever de instrução” prescrito no art. 7º do Decreto nº 70.123/1972; c) o despacho decisório extrapolou sua função, tendo se tornado meio oblíquo para a interrupção do prazo de homologação da compensação declarada, configurandose desvio de finalidade; d) a defesa do contribuinte restou prejudicada por desconhecimento das razões da não homologação da compensação; Fl. 101DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915068/200910 Acórdão n.º 3803003.743 S3TE03 Fl. 102 3 e) inaplicabilidade da multa em razão do princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade; f) inaplicabilidade da taxa Selic a título de juros de mora, em razão da limitação dada pelo § 1º do art. 161 do Código Tributário Nacional (CTN), em que se fixam os juros em 1% ao mês, percentual esse passível de redução por lei, mas nunca de ampliação. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários. A DRJ Porto Alegre/RS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade sob os seguintes fundamentos: 1) inocorrência de preterição do direito de defesa, tendo em vista que o despacho decisório consigna, de forma clara e concisa, o motivo da não homologação da compensação, tendo sido observados todos os requisitos formais e materiais para a sua validade; 2) a motivação para a não homologação da compensação foi devidamente explicitada, tendo sido apontado que o pagamento declarado havia sido localizado, mas que teria sido integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte, não restando saldo credor disponível para a quitação do débito informado na declaração de compensação; 3) no que tange à multa de ofício e aos juros de mora, por se tratar o presente processo de compensação, a competência das delegacias de julgamento se limita ao julgamento da manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação declarada, falecendolhes competência para a análise de questões atinentes à cobrança de eventuais débitos. Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho, repisa os argumentos de defesa acerca da nulidade do despacho decisório, exceto em relação à multa de ofício e aos juros de mora, estes não mais contestados, e requer a declaração de nulidade da decisão recorrida por violação do requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo e por afrontar os princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, valendose dos mesmos argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. Por fim requer o retorno dos autos à origem para novo julgamento ou o provimento do recurso com a consequente homologação da compensação. Junto à peça recursal, o contribuinte traz aos autos cópias de documentos societários. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Fl. 102DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915068/200910 Acórdão n.º 3803003.743 S3TE03 Fl. 103 4 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não acatados pela Receita Federal por se referir a pagamento integralmente utilizado na quitação de outro débito do sujeito passivo. I. Preliminares. Violação do requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo e ofensa aos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. O Recorrente requer a anulação do despacho decisório e da decisão da Delegacia de Julgamento por ofender o requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo e os princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, em razão da falta de intimação prévia voltada à obtenção de informações relativas à origem do crédito e da ofensa ao “dever de instrução” prescrito no art. 7º do Decreto nº 70.235/1972. Segundo ele, o despacho decisório extrapolou sua função, tendo se tornado meio oblíquo para a interrupção do prazo de homologação da compensação declarada, configurandose desvio de finalidade, tendo havido, ainda, prejuízo a sua defesa por desconhecimento das razões da não homologação da compensação. De pronto, devemse afastar tais alegações do Recorrente, pois tanto o despacho decisório quanto a decisão recorrida foram exarados em conformidade com os dispositivos legais e regulamentares que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), este disciplinado primordialmente pelo Decreto nº 70.235/1972. No despacho decisório, emitido que fora com observância da legislação de regência, consta de forma evidente a razão da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência do indébito em razão do fato de que o pagamento declarado em PER/DCOMP, ou seja, pelo próprio sujeito passivo, já ter sido integralmente utilizado na quitação de outro débito da titularidade do contribuinte, constando, ainda, individualizada e pormenorizadamente, todas as informações relativas ao referido pagamento e à compensação pleiteada, de forma que nenhuma informação foi suprimida em prejuízo da defesa do interessado. Inexiste qualquer desvio de finalidade no despacho decisório, pois que ele decorreu de pedido formulado pelo próprio sujeito passivo, cujos termos delimitaram a extensão da matéria a ser analisada pela Administração tributária, encontrandose esta autorizada por lei (art. 74 e §§ da Lei nº 9.430/1996) a proceder daquela forma, com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte (PER/DCOMP e DCTF), informações essas suficientes à apreciação do pleito. Uma vez apresentada a declaração de compensação, a Autoridade administrativa tributária, obervado o prazo para a homologação previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, já se encontra apta a decidir acerca do pedido formulado, pois que todos os contornos já se encontram definidos desde então, inexistindo na lei ou no decreto a estipulação de prazo mínimo para tal apreciação, em razão do que não se cogita de decisão desvirtuada e destinada unicamente à interrupção do prazo de homologação da compensação declarada. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915068/200910 Acórdão n.º 3803003.743 S3TE03 Fl. 104 5 No acórdão da DRJ Porto Alegre/RS, constam, de forma objetiva, todos os fundamentos que nortearam a decisão tomada, inexistindo qualquer violação aos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, pois que não se preteriu o direito do contribuinte a recorrer a este Conselho, oportunidade em que poderiam ter sido trazidos aos autos todos os elementos probatórios que pudessem infirmar os fundamentos da decisão recorrida. Devese ressaltar que, inobstante haver, indubitavelmente, o direito fundamental à ampla defesa e ao contraditório (art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal), não se pode perder de vista que inexistem direitos absolutos, devendo todos os direitos e as garantias assegurados pela ordem jurídica ser compreendidos em conjunto e dialogicamente. Os princípios da ampla defesa e do contraditório devem ser sopesados dialeticamente com outros princípios, como o da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal), assim como com o dever do postulante de comprovar as suas alegações contrapostas à decisão administrativa amparada nos elementos fáticos declarados pelo próprio sujeito passivo (artigos 15 e 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972). As regras de funcionamento do litígio administrativo, conforme já apontado, devem ser buscadas, primariamente, no Decreto nº 70.235/1972 e, subsidiariamente, nas demais regras que regulam o processo administrativo e/ou judicial, sendo que, não se vislumbrando qualquer ofensa a tais atos normativos, inexiste fundamento a apoiar a pretendida declaração de nulidade do despacho decisório e da decisão da DRJ Porto Alegre/RS. Nesse contexto, afastamse as preliminares de nulidade arguidas. II. Mérito. Origem do crédito. No mérito, registrese que o contribuinte, tanto na Manifestação de Inconformidade – que corresponde à fase de Impugnação prevista no PAF, por força do disposto no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 –, quanto no Recurso Voluntario, restringiu o seu pedido ao reconhecimento do direito creditório decorrente de pagamento indevido, nada dizendo sobre a natureza desses créditos, se referentes, por exemplo, a aquisições de insumos ou a outra forma de creditamento autorizada pela lei, inexistindo, portanto, pronúncia quanto às razões de fato ou de direito que deram ensejo ao indébito. Alega o contribuinte que o crédito pleiteado poderia ser comprovado por meio de investigações por parte da Fiscalização, a partir de intimações a ele direcionadas, não fazendo qualquer referência aos dados declarados em DCFT e no PER/DCOMP, restringindo sua defesa às preliminares de nulidade e à referida ausência de auditoria fiscal. Nesse sentido, temse que, desde a primeira instância, por força do contido no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), tornouse definitiva na esfera administrativa a discussão acerca dos motivos fáticos e de direito que deram origem ao crédito que se pretende compensar. Esclareçase que matéria não suscitada em sede de defesa no Processo Administrativo Fiscal (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade) submetese à preclusão processual, não devendo ser conhecidas possíveis razões que, em tese, pudessem ser apuradas, como sugere o Recorrente, a partir do retorno dos autos à origem para a prolação de nova decisão, esta pautada em dados apurados de ofício pela Fiscalização. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915068/200910 Acórdão n.º 3803003.743 S3TE03 Fl. 105 6 Registrese que o Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse comprovar o indébito alegado, não havendo nenhuma prova, ou mesmo alguma referência, relativamente aos dados declarados. Não há nos autos cópia da DCTF ou de qualquer outro documento ou declaração que pudesse ao menos indicar a origem do pagamento indevido. Dessa forma, mesmo que se superasse a ocorrência de preclusão, temse que nenhuma prova foi apresentada pelo interessado, não havendo como decidir, nos termos do seu pedido, pela homologação da compensação, dado o total desconhecimento da origem e da natureza do crédito. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 1 Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) 1 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 105DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915068/200910 Acórdão n.º 3803003.743 S3TE03 Fl. 106 7 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) As exceções previstas no § 4º do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação), inexistindo, nos casos da espécie, autorização legal para a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao requerer que esta Turma, no caso de não prover seu pedido de homologação da compensação, anule o despacho decisório e determine a prolação de um outro, este baseado em informações a serem apuradas pela Fiscalização. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 106DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 13770.000981/2007-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1997 a 31/10/2006
GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO.
Sempre que uma ou mais empresas, tendo embora, cada uma delas, personalidade jurídica, própria estiverem sob a direção, controle ou administração de outra haverá a constituição de um grupo econômico.
A documentação examinada pelo fisco, tais como a contabilidade, contratos, estatutos e atas de assembleias, também está no sentido de corroborar a argumentação do auditor fiscal e contraria frontalmente a argumentação trazida pela empresa.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1997 a 31/10/2006 GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. Sempre que uma ou mais empresas, tendo embora, cada uma delas, personalidade jurídica, própria estiverem sob a direção, controle ou administração de outra haverá a constituição de um grupo econômico. A documentação examinada pelo fisco, tais como a contabilidade, contratos, estatutos e atas de assembleias, também está no sentido de corroborar a argumentação do auditor fiscal e contraria frontalmente a argumentação trazida pela empresa. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13770.000981/2007-09
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5181502
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2301-003.221
nome_arquivo_s : Decisao_13770000981200709.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
nome_arquivo_pdf_s : 13770000981200709_5181502.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
id : 4459341
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041217818722304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2250; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1.990 1 1.989 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13770.000981/200709 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301003.221 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de novembro de 2012 Matéria Contribuições Sociais Previdênciárias Recorrente BARTER COMÉRCIO INTERNACIONAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1997 a 31/10/2006 GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. Sempre que uma ou mais empresas, tendo embora, cada uma delas, personalidade jurídica, própria estiverem sob a direção, controle ou administração de outra haverá a constituição de um grupo econômico. A documentação examinada pelo fisco, tais como a contabilidade, contratos, estatutos e atas de assembleias, também está no sentido de corroborar a argumentação do auditor fiscal e contraria frontalmente a argumentação trazida pela empresa. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 09 81 /2 00 7- 09 Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério. Relatório 1. Tratamse de recursos voluntários interpostos pelas empresas FLEXPAR INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES; INNPAR INVESTIMENTOS NACIONAIS E PARTICIPAÇÕES LTDA; NEW PARTICIPAÇÕES LTDA; FRH FORNECEDORA DE RECURSOS HUMANOS LTDA (EM LIQUIDAÇÃO); BETRA TRADING S.A; BASE LOGÍSTICA E TRANSPORTES LTDA; AGROPECUÁRIA MODELO LTDA; e NOVA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA (EM LIQUIDAÇÃO), autuadas como parte de grupo econômico, em face da decisão que julgou procedente em parte as alegações trazidas nas impugnações apresentadas pelas empresas BARTER COMÉRCIO INTERNACIONAL S/A; FLEXPAR INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA; EXPAR INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA; NEW PARTICIPAÇÕES LTDA; AGROPECUÁRIA MODELO LTDA; NOVA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA; FRH FORNECEDORA DE RECURSOS HUMANOS LTDA; BASE TRANSPORTES E LOCAÇÕES LTDA; INNPAR INVESTIMENTOS NACIONAIS E PARTICIPAÇÕES LTDA; BETRA TRADING S/A, referente ao período de 08/98 a 07/06. 2. Conforme relatório fiscal de ff. 78 a 94, “o crédito apurado referese à contribuição previdenciária devida sobre remuneração paga aos contribuintes individuais (pro labore e autônomos) referente a empréstimos concedidos pela empresa Barter Comércio Internacional S/A”. 3. Ainda segundo a peça introdutória durante a atuação fiscal na empresa BARTER foi constatado que esta faz parte de grupo econômico composto por mais nove empresas: “Na auditoria fiscal desenvolvida na BARTER constatamos que a mesma faz parte de um conjunto de empresas juridicamente independentes, tendo cada uma personalidade jurídica própria. Tais empresas possuem o mesmo objeto social, outras dentro do mesmo seguimento econômico e outras exercem atividades que se completam; às vezes são prestadoras de serviço uma das outras em atividades de apoio, tudo no sentido de tornar o grupo mais rentável possível, com o barateamento dos custos e com a otimização dos procedimentos.” 4. Após a apresentação das impugnações, os autos foram baixados em diligência para que fossem tomadas as seguintes providências: Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13770.000981/200709 Acórdão n.º 2301003.221 S2C3T1 Fl. 1.991 3 “10.1. Enquadrar o segurado contribuinte individual, Sr. Silvio Nogueira, na respectiva categoria a que pertence, inserindo o fundamento legal previsto no inciso V do art. 12 da Lei 8.212/91, observada a alínea correspondente, assim como incluir a fundamentação legal que embasa o enquadramento dos demais correspondente, assim com incluir a fundamentação legal que embasa o enquadramento dos demais segurados relacionados às fls. 88/90 do REFISC, integrantes do quadro societário das empresas componentes do grupo econômico, na(s) respectiva(s) categoria de contribuintes individuais. Cabe ressaltar que a alínea do inciso V do art. 9º do Decreto 3.048/99, regulamentam/reproduzem o referido dispositivo legal, identificando os tipos de segurados contribuintes individuais. Tudo isso deve ser feito a fim de que o contribuinte possa identificar claramente em quais categorias os contribuintes individuais relacionados no lançamento se enquadram. 10.2. Com relação às informações contidas no Relatório de Representantes Legais – REPLEF (fls. 52/53), proceder às indevidas atualizações cadastrais, de acordo com as informações contidas nas respectivas Alterações Contratuais (atentando para o fato de que o contribuinte não trouxe as alterações anteriores à 20ª), cujas cópias foram juntadas ao processo, observado o período de atuação e a devida qualificação dos responsáveis legais. Após a promoção da atualização, deverá ser enviada cópia do referido relatório ao contribuinte. 10.3. Cabe ressaltar que o relatório Vínculos – Relação de Vínculos (fls. 54/55) não deve ser alterado, em observância ao art. 13 da Lei 8.620/93, uma vez que o referido relatório serve como subsídio à PFN, para o caso de haver, futuramente, a constatação de motivos que tornem necessário (e juridicamente possível) o redirecionamento de eventual execução judicial do crédito previdenciário, salvo no que se refere à devida qualificação dos sócios. 11. Por fim, todo o acima exposto deverá ser feito mediante a emissão de Relatório Fiscal Complementar, com a devida fundamentação legal, em atendimento aos princípios da ampla defesa e do contraditório, do qual deve ser dada a ciência ao contribuinte (Barter Comércio Internacional S/A), com reabertura do prazo de 30 dias (trinta) dias para apresentação de nova impugnação/pagamento, a contar da ciência, conforme previsto no art. 243, §2º do Decreto 3.048/99, na redação dada pelo Decreto 6.103/07. É necessário, ainda, enviar ao sujeito passivo cópia do Relatório de Representantes Legais – REPLEG, devidamente atualizado.” 5. Em consonância com a documentação de f. 1631 após o cumprimento da diligência os autos retornaram ao SECAT da DRF – Vitória para que fossem sanados os seguintes atos: “...compulsando os autos, não se verifica a comunicação da resposta da diligência e do Relatório Fiscal Complementar à solidária New Participações Ltda. Tal se constitui em vício sanável e, por este motivo, é necessário o retorno dos autos ao órgão de origem para saneamento do vício apontado, tendo em vista o disposto na legislação abaixo: (...) Observase também que falta atualização de fase do sistema Plenus (consulta em anexo).” Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 6. O acórdão de primeira instância restou ementado nos termos que ora transcrevo abaixo: “DIREITO PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de vinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. ‘São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário’. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, ainda que cada uma delas tenha personalidade jurídica própria. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias, conforme art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. EMPRESAS SOLIDÁRIAS. CIENTIFICAÇÃO. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo responsáveis na forma do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. Na cientificação constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou representante legal, que recebeu a cópia dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. CONTRATO DE MÚTUO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. São indispensáveis para a comprovação da operação de mútuo, contrato registrado no registro público e a apresentação de documentos hábeis e idôneos, sendo insuficientes para opor a operação à terceiros, a simples apresentação de documentos particulares. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte” (ff. 1642 a 1643) 7. Conforme “Requerimento de Desistência ou Impugnação de Recurso Administrativo” de f. 1695, a empresa BARTER pediu a desistência total da impugnação e do recurso, para efeito do que dispõe a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 (parcelamento de dívida), e declarou que renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam a referida impugnação e recurso. Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13770.000981/200709 Acórdão n.º 2301003.221 S2C3T1 Fl. 1.992 5 8. Em sede recursal, foram apresentados oito recursos voluntários, um de cada empresa considerada como componente do grupo econômico, nos quais todas alegaram a inexistência de grupo econômico e a inaplicabilidade da responsabilidade solidária, bem como: a) FLEXPAR INVESTIMENTO E PARTICIPAÇÕES LTDA: aduz que é acionista majoritária da Barter; b) INNPAR INVESTIMENTOS NACIONAIS E PARTICIPAÇÕES LTDA: no período compreendido entre 28/02/2001 a 23/03/2004 foi controladora da Barter; c) NEW PARTICIPAÇÕES LTDA: não possui relação com a Barter, sendo que a simples identidade de alguns sócios ou acionistas ou a relação de parentesco existente entre eles não é prova da existência de grupo econômico; d) FRH FORNECEDORA DE RECURSOS HUMANOS LTDA (EM LIQUIDAÇÃO): não possui relação com a Barter; e) BETRA TRADING S.A.: no período compreendido entre 28/02/2001 a 23/03/2004 teve uma controladora comum (INNPAR) com a Barter; f) BASE LOGÍSTICA E TRANSPORTES LTDA: não forma com a empresa Barter um grupo econômico de qualquer espécie; g) AGROPECUÁRIA MODELO LTDA: no período compreendido entre 22/05/2003 a 23/03/2004 teve cum controladora comum (INNPAR) com a Barter; h) NOVA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA (EM LIQUIDAÇÃO): no período compreendido entre 21/02/2001 a 17/10/2003 teve uma controladora comum (INNPAR) com a Barter. 9. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes: DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conforme narrado no relatório fiscal, foi constatado pela fiscalização que a empresa BARTER COMÉRCIO INTERNACIONAL S/A constitui, em conjunto com mais oito empresas, grupo econômico, razão pela qual as empresas BETRA TRADING S/A; FLEXPAR INVESTIMENTO E PARTICIPAÇÕES LTDA; INNPAR INVESTIMENTOS NACIONAIS E PARTICIPAÇÕES LTDA; NEW PARTICIPAÇÕES LTDA; BASE TRANSPORTES E LOCAÇÕES LTDA; NOVA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA; Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 AGROPECUÁRIA MODELO LTDA e FRH – FORNECEDORA DE RECURSOS HUMANOS LTDA foram intimadas pelo fisco como responsáveis solidárias pelas contribuições devidas: “Uma vez que as empresas citadas compõem um grupo econômico, cada uma delas é responsável solidária pelas contribuições devidas pela outra, conforme estabelece o artigo 30, inciso IX, da Lei 8212/91”. (f. 88) 2. Ocorre que, segundo consta do documento de f. 1695, a empresa BARTER apresentou “Requerimento de Desistência” no qual pediu “para efeito do que dispõe a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, a desistência total da impugnação ou do recurso interposto constante do processo administrativo nº 13770.000981/200709” e declarou “que renuncia a quaisquer alegações de direto sobre as quais se fundamentam a referida impugnação ou recurso”, pois incluiu o débito no parcelamento especial de que trata a referida lei. 3. Dessa forma, para a empresa BARTER, que solicitou o parcelamento do débito, deve ser aplicado o que dispõe o artigo 13, da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009, o qual dispõe: “Art. 13. Para aproveitar as condições de que trata esta Portaria, em relação aos débitos que se encontram com exigibilidade suspensa, o sujeito passivo deverá desistir, expressamente e de forma irrevogável, da impugnação ou do recurso administrativos ou da ação judicial proposta e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e as ações judiciais, até 30 (trinta) dias após o prazo final previsto para efetuar o pagamento à vista ou opção pelos parcelamentos de débitos de que trata esta Portaria.” 4. Contudo, tenho como certo que para as demais empresas, caracterizadas como responsáveis solidárias pelo auditor fiscal, persiste o interesse processual no que se refere unicamente à discussão da caracterização de grupo econômico, uma vez que, caso não seja paga a dívida parcelada pela empresa principal, as outras poderão ser chamadas a responsabilizaremse pelo débito. Além disso, não consta nos autos prova de que as demais empresas tenham desistido do processo, ao contrário, vieram em sede recursal questionando a imposição de responsabilidade tributária, pelo fisco. 5. Cumpre ainda ressaltar que todas elas foram chamadas ao processo pela própria fiscalização, que enviou cópia da autuação fiscal e da decisão de primeira instância para que todas elas tivessem ciência e tomassem as providências que entendessem necessárias. 6. Pelo exposto, conheço dos recursos voluntários, uma vez que atendem aos pressupostos de admissibilidade. DA CARACTERIZAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO PELO FISCO 7. Em decorrência da caracterização de formação de grupo econômico pela empresa BARTER com outras empresas, em sede recursal foram apresentados oito recursos voluntários tendo como alegação principal a inexistência de grupo econômico e a inaplicabilidade da responsabilidade solidária. 8. Sobre a matéria ora em debate, trago à baila a legislação trabalhista que traz o conceito de grupo econômico. Conforme se encontra disposto no artigo 2º, parágrafo 2º, da Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT, grupo econômico é o composto de duas ou mais empresas, que estejam sob direção única, onde uma, a principal, controla as demais, verbis: Fl. 1995DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13770.000981/200709 Acórdão n.º 2301003.221 S2C3T1 Fl. 1.993 7 “Art.2º. Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. § 2. Sempre que uma ou mais empresas, tendo embora, cada uma delas, personalidade jurídica, própria estiverem sob a direção, controle ou administração de outra constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” 9. Assim, verificase que para que haja a caracterização de um grupo econômico tornase necessária a presença de dois requisitos: a) uma ou mais empresas com personalidade jurídica própria; b) exercício da atividade econômica sob direção, controle ou administração única. 10. A Legislação Previdenciária assevera que “as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei” (art. 30, inciso IX, da Lei 8.212/91). 11. Seguindo essa linha de raciocínio, tornase importante ressaltar os fatos que levaram o fisco à conclusão de que as empresas constituíam, efetivamente, um grupo econômico: “Na Auditoria fiscal desenvolvida na BARTER constatamos que a mesma faz parte de um conjunto de empresas juridicamente independentes, tendo cada uma personalidade jurídica própria. Tais empresas possuem o mesmo objeto social, outras dentro do mesmo seguimento econômico e outras exercem atividades que se completam; às vezes são prestadoras de serviço uma das outras em atividades de apoio, tudo no sentido de tornar o grupo mais rentável, com o barateamento e com a otimização dos procedimentos”. 12. No que se refere à responsabilização do contribuinte pelo débito, entendo que deve ser observado o que dispõe o artigo 124, do CTN, no sentido de que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. 13. A documentação examinada pelo fisco, tais como a contabilidade, contratos, estatutos e atas de assembleias, também está no sentido de corroborar a argumentação do auditor e contraria frontalmente a argumentação trazida pela empresa: “Examinando os contratos, estatutos e atas de assembleias das diversas empresas integrantes do grupo, verificamos coresponsáveis (Sócios) nas Ltdas e (Diretores) nas Sociedades Anônimas comuns além da nítida relação de parentesco entre eles. Algumas empresas exercem suas atividades dentro das instalações de BARTER, não tendo as mesmas seus estabelecimento e endereço próprio. A contabilidade das empresas componentes do grupo é feita no mesmo local onde é realizada a contabilidade da BARTER, em suas dependências, pelo mesmo Contador, que assina como responsável pela escrituração contábil de todas elas. A ocorrência do termo de Distrato do Contrato de Prestação de Serviços, cópia anexa, entre a BETRA TRADING S/A e a BARTER, funcionando nas mesmas dependências, além do termo de Transferência, cópia anexa, em que se dá a transferência de segurados empregados das empresas do mesmo grupo sem a Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 correspondente rescisão do contrato de trabalho assumindo dessa forma, a BARTER total responsabilidade pela continuidade do contrato celebrado entre as partes. Essa situação evidencia a caracterização do grupo econômico conforme observase no item 3 do citado Termo de Transferência, onde as empresas admitem integrar o mesmo grupo econômico. Diante dos fatos acima mencionados, concluímos que essa situação configurase de feito, pela formação de grupo econômico por excelência. Consoante a melhor doutrina, a personalidade jurídica é o substrato da autonomia dos sujeitos plúrimos que constituem grupo empresário, podendose dizer que a autonomia é uma das facetas do grupo econômico, o que, antes de descaracterizá lo, constituise em nota marcante de sua definição. Quanto à exigência de controle pelo acionista majoritário, tal entendimento encontrase superado pela doutrina e jurisprudência. Admitese, hoje, a existência de grupo econômico independente do controle de fiscalização pela chamada empresa líder. Evoluiuse de uma interpretação meramente literal do artigo 2º, §2º,da CLT, para o reconhecimento do grupo econômico, ainda que não haja subordinação a uma empresa controladora principal. É o denominado ‘grupo composto por coordenação’ em que as empresas atuam horizontalmente, no mesmo plano, participando todas do mesmo empreendimento. No Direito do Trabalho impõese, com maior razão, uma interpretação mais elastecida da configuração do grupo econômico devendose atentar para a finalidade de tutela ao empregado perseguido pela norma consolidada (artigo 2º, §2º da CLT). O polo passivo da presente notificação é integrado pelo devedor, diretor indicado no cabeçalho, ‘BARTER COMÉRCIO INTERNACIONAL S/A’ e pelos devedores solidários que compõem o grupo econômico.” (f. 80 a 81) 14. Do exposto, verificase que houve corretamente a caracterização da existência de grupo econômico pelas empresas apontadas pela auditoria fiscal. DA MULTA APLICADA 15. Por fim, sobre a multa aplicada, tornase importante apreciar, de ofício, a matéria, tendo em vista se tratar de questão de ordem pública. Dessa forma, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 16. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, Fl. 1997DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13770.000981/200709 Acórdão n.º 2301003.221 S2C3T1 Fl. 1.994 9 nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 30. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 17. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 18. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 19. Dado o exposto, CONHEÇO dos recursos voluntários, para, no mérito, DARLHES PROVIMENTO PARCIAL, para aplicar a multa prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/91 combinado com o art. 61, §2 º da Lei nº 9.430/96, caso seja mais benéfica ao contribuinte, nos termos acima delineados. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 1998DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.007045/2010-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
IRPJ. REAVALIAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO. TRATAMENTO FISCAL. O artigo 36 da Lei nº 10.637, de 2002, revogado pela Medida Provisória nº 232, de 30.12.2004, convertida na Lei nº 11.119, de 25.05.2005, que estabelecia que não será computada na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica, pressupõe que este ato não envolva transação que resulte na alienação de ativos, pois se assim for o ágio só pode ser deduzido pelo adquirente, observados os pressupostos para tal. Ocorrendo alienação de ativo a amortização do ágio somente pode ser deduzida pelo adquirente nos casos em que o fundamento deste estiver alicerçado em laudo que demonstre a expectativa de rentabilidade futura.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório o voto.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 IRPJ. REAVALIAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO. TRATAMENTO FISCAL. O artigo 36 da Lei nº 10.637, de 2002, revogado pela Medida Provisória nº 232, de 30.12.2004, convertida na Lei nº 11.119, de 25.05.2005, que estabelecia que não será computada na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica, pressupõe que este ato não envolva transação que resulte na alienação de ativos, pois se assim for o ágio só pode ser deduzido pelo adquirente, observados os pressupostos para tal. Ocorrendo alienação de ativo a amortização do ágio somente pode ser deduzida pelo adquirente nos casos em que o fundamento deste estiver alicerçado em laudo que demonstre a expectativa de rentabilidade futura. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10120.007045/2010-82
anomes_publicacao_s : 201211
conteudo_id_s : 5176429
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 1402-001.181
nome_arquivo_s : Decisao_10120007045201082.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10120007045201082_5176429.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório o voto. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
id : 4398027
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041217836548096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2234; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 443 1 442 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.007045/201082 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.181 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de setembro de 2012 Matéria IRPJ Recorrente MINERAÇÃO SANTO EXPEDITO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 IRPJ. REAVALIAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO. TRATAMENTO FISCAL. O artigo 36 da Lei nº 10.637, de 2002, revogado pela Medida Provisória nº 232, de 30.12.2004, convertida na Lei nº 11.119, de 25.05.2005, que estabelecia que não será computada na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica, pressupõe que este ato não envolva transação que resulte na alienação de ativos, pois se assim for o ágio só pode ser deduzido pelo adquirente, observados os pressupostos para tal. Ocorrendo alienação de ativo a amortização do ágio somente pode ser deduzida pelo adquirente nos casos em que o fundamento deste estiver alicerçado em laudo que demonstre a expectativa de rentabilidade futura. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório o voto. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 70 45 /2 01 0- 82 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10120.007045/201082 Acórdão n.º 1402001.181 S1C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Conforme auto de infração de fls. 257 e seguintes, tratase de exigência de crédito tributário decorrente da alienação de ganho de capital em face de alienação de ativo permanente, com fatos geradores nas seguintes datas: Fato gerador Valor tributável Multa 31122005 13.506.211,78 75% 31122005 6.559.111.78 75% 31122005 6.559.111.78 75% A descrição dos fatos encontrase no termo de verificação fiscal de fls. 228 a 256, com enquadramento legal no art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718, de 1998, e artigos 247, 248 e 251, parágrafo único e, 418 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, normas estas que possuem a seguinte redação: Lei nº. 9.718, de 1998. Art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. ... § 2º. Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o artigo 2º, excluemse da receita bruta: ... IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Decreto 3.000, de 1999. Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, artigo 6º). ... Art. 248. O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional (Capítulo V), dos resultados não operacionais (Capítulo VII), e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial (DecretoLei nº 1.598, de 1977, artigo 6º, § 1º, Lei nº 7.450, de 1985, artigo 18, e Lei nº 9.249, de 1995, artigo 4º). ... Fl. 444DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10120.007045/201082 Acórdão n.º 1402001.181 S1C4T2 Fl. 0 3 Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, artigo 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, artigo 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, artigo 25). ... Art. 418. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, artigo 31). § 1º Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada (DecretoLei nº 1.598, de 1977, artigo 31, § 1º). § 2º O saldo das quotas de depreciação acelerada incentivada, registradas no LALUR, será adicionado ao lucro líquido do período de apuração em que ocorrer a baixa. Segundo consta à fl. 239, as fotocópias dos contratos sociais e alterações contratuais dos contribuintes Mineradora Santo Expedito Ltda, TGM Participações Ltda e Terra Goyana Mineradora Ltda, foram analisadas e podem ser demonstradas com o seguinte quadro: Em 28052004 Publicado no Diário Oficial alvará autorizando a empresa Terra Goyana Mineradora LTDA a pesquisar minério de alumínio, pelo prazo de 03 anos, a contar de 23/12/2002, em área de titularidade da empresa BamissaBarro Terra Goyana. Em 01062004 Em 01062004 a empresa BamissaBarro Terra Goyana Mineradora Ltda cede à empresa Terra Goyana Mineradora Ltda o direito de Autorização de Pesquisa de minério de alumínio na área antes indicada. Em 19072005 Temse a terceira alteração contratual da Mineradora Santo Expedito, anteriormente denominada Barro Vermelho. Registra a fiscalização que a empresa Terra Goyana detém R$ 4.996,00 do capital social da Mineradora Santo Expedito, cujo capital é de R$ 5.000,00. A empresa Terra Goyana aumenta sua participação na empresa Santo Expedito cujo capital social passou para R$ 48.962,00. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10120.007045/201082 Acórdão n.º 1402001.181 S1C4T2 Fl. 0 4 Em 26072005 A alteração aqui referida deuse mediante a subscrição de 43.962 quotas pela sócia TERRA GOYANA MINERADORA LTDA, sendo integralizadas, com ativo avaliado em R$ 43.962,00, conforme laudo de avaliação a valor contábil confeccionado nos termos do Art. 8º da Lei n° 6.404/76, registrado na contabilidade da subscritora, referente a prerrogativa de utilização dos direitos minerários pertencentes a mesma, conforme consta no processo do Departamento Nacional de Produção Mineral DNPM n° 860.260/04, através de concessão do Alvará Pesquisa n° 5.182 de 28/05/2004, publicado no Diário Oficial da União n° 104 de 01/06/2004, relativo a autorização de pesquisa de minério de alumínio, em uma área de 904 hectares localizadas no Município de Barro Alto e Santa Rita do Novo Destino, Estado de Goiás". Em 03082005 Constituída a empresa TGM Participações Ltda, com capital social assim distribuído: Sócios Nº quotas valor % Marcos de Alencastro Curado 1 1,00 0,10 André Alencastro Curado 1 1,00 0,10 José Lincoln Gambier Costa 1 1,00 0,10 Luiz Antônio Vessani 1 1,00 0,10 Terra Goyana Mineradora Ltda 996 996,00 99,60 Total 1.000 1.000,00 100,00 Em 13092005 Primeira alteração contratual na empresa TMG. A sócia Terra Goyana Mineradora Ltda, subscreve e integraliza 253.076.000 quotas no valor unitário de R$ 1,00 mediante avaliação a valor de mercado conforme laudo de avaliação emitido pela Deloitte Touche Consultores Ltda, de 48.958 quotas que a empresa Terra Goyana Mineradora Ltda, detinha na empresa Mineradora Santo Expedito Ltda. Com essa alteração contratual, o capital social passa de R$ 1.000,00 para 253.077.000,00, pelos sócios e assim distribuídos: Sócios Nº quotas valor % Marcos de Alencastro Curado 1 1,00 0,4 André Alencastro Curado 1 1,00 0,4 José Lincoln Gambier Costa 1 1,00 0,4 Luiz Antônio Vessani 1 1,00 0,4 Terra Goyana Mineradora Ltda 253.076.996 253.076.996,00 99,9999984 Total 253.076.996 253.076.996,00 100,00 Em 03102005 "Avaliação do acervo líquido da TGM, para fins de suportar a incorporação total de seu patrimônio na Minerador a Santo Expedito Ltda. Mineradora Santo Expedito Ltda 48.958,00 Ágio Mineradora Santo Expedito Ltda 253.027.042,00 Provisão p/Manut.e Integridade do Patrimônio Líquido (166.997.848,00) Total do Ativo Permanente 86.079.152,00 OBS: “O chamado ágio é decorrente da nova avaliação do direito de pesquisa de mineração R$43.962,00” Em 04102005 A Mineradora Santo Expedito absorveu a totalidade do patrimônio da TMG Participações no valor de R$ 86.079.152,00 Em 04102005 TGM foi extinta. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10120.007045/201082 Acórdão n.º 1402001.181 S1C4T2 Fl. 0 5 Do termo de verificação fiscal ainda transcrevo o seguinte fluxograma contido no item 1.1.a da fl. 238 dos autos, com transações ocorridas entre empresas do mesmo grupo: Apresentamos uma breve demonstração resumo em ordem cronológica dos fatos, e para facilitar o entendimento, vamos chamar de: "A" Terra Goyana Mineradora Ltda; "B" Mineradora Santo Expedito Ltda; "C" TGM Participações Ltda. 19/07/2005: "A" Investe R$ 4.996,00 em "B", com "A" passando a ser dona de 99,92% do capital de 26/07/2005: "A" Investe R$ 43.962,00 no capital de "B", integralizado com ativo avaliado em R$ 43.962,00, referente a prerrogativa de utilização dos direitos minerários pertencentes a "A". Com essa transferência, "B" passou a ser o dono desse citado título. As quotas da empresa "A", na empresa "B", passou a ser de 48.958 quotas de capital, equivalente a 99,9920%) do capital de "B". 03/08/2005: "A" Constitui a empresa "C", com investimentos de R$ 996,00, e participação de 99,60% das quotas de "C". 13/09/2005: "A" Usa a totalidade de suas quotas que detinha em "B", transferindo todas elas para "C", que foram utilizadas como aumento de capital de "C", com A liquidando sua participação em "B". A empresa "A" ficou sendo dona da empresa "C", e a empresa "C", ficou sendo a dona da empresa "B". 13/09/2005: "A" Solicita a reavaliação a preço de mercado de suas quotas que detinha em "C". Com base em laudo externo, a empresa "A", subscreve e integraliza R$ 253.076.000,00. De 48.958 quotas que a empresa "A" detinha na empresa "B", com essa alteração contratual, fruto de valores oriundos de reavaliação a preço de mercado, o capital social da empresa "A", passa de R$ 1.000,00 para R$ 253.077.000,00. , B". 03/10/2005: Os sócios quotistas da empresa "C", nomeia uma organização contábil independente, para proceder à avaliação do acervo líquido da em empresa "C". Em 30/09/2005, é levantado um balanço patrimonial da empresa "C", constituindo um Ágio de R$ 253.027.042, 00 para a empresa "B", e uma provisão p/ manutenção e integridade do patrimônio Líquido, no valor de R$ Fl. 447DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10120.007045/201082 Acórdão n.º 1402001.181 S1C4T2 Fl. 0 6 166.997.848,00, ficando na empresa " C " um patrimônio líquido de R$ 86.079.152,00. 14/10/2005: "B" Firmou um contrato de "cessão e transferência parciais dos direitos de pesquisa mineral", no valor de US$ 60.000.024,00 a ser recebidos da seguinte forma: US$ 12,000,000.00 a título de sinal e princípio de pagamento, em três parcelas: A primeira, no valor de US$ 6.000.000.00 em 14/10/2005; a segunda no valor de US$ 3.000.000.00 em 12/11/2005; e a terceira, no valor US$ 3.000.000.00 no dia 15/12/2005. Os restantes US$ 48.000,024 serão pagos em 72 (setenta e duas) parcelas mensais, com a primeira parcela a vencer em 16/01/2006 e a septuagésima segunda e última, em 15/12/2011. No período 2005, essa foi à única receita registrada da empresa "B". A notificação do lançamento deuse em 01092010 (fl. 256). Apresentada impugnação, a DRJ, por meio do acórdão de fl. 330, julgou procedente o lançamento. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO INTERNO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO. TRANSFERÊNCIA DO ÁGIO. ELIMINAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Operações de reorganização societária, envolvendo empresas do mesmo grupo, em prazo inferior a três meses, com utilização de "empresa veículo", que culminaram na transferência de ágio, decorrente da reavaliação de ativo que posteriormente seria objeto de cessão e transferência onerosa, neutralizando por completo a tributação que seria auferida em ganho de capital, caracteriza situação de ausência de propósito negociai, e, portanto, sem nenhuma eficácia perante o Fisco. Cabível, portanto, lançamento de ganho de capital, que tomou por base o valor contábil do bem que estava registrado antes das operações que engendraram a percepção indevida do ágio pela contribuinte. CSLL. MESMOS ELEMENTOS DE PROVA E MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Aplicase à CSLL o disposto em relação ao lançamento do IRPJ, por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável Em 10032011 a parte interessada foi intimada da decisão antes referida (fl. 252) e em 07042011 protocolizou o recurso de fls. 353 e seguintes sustentando a insubsistência do lançamento com base nos seguintes fundamentos: I) Ao aportar capital na TGM Participações Ltda., com ações a valor de mercado que possuía na empresa Santo Expedito Mineradora Ltda, a Terra Goyana Mineradora Ltda. apurou resultado positivo, o qual teve sua tributação diferida por força do art. 36, da Lei n° 10.637, de 2002. Dessa forma, o Balanço Patrimonial da TGM Participações Ltda. passou a ser assim demonstrado: Fl. 448DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10120.007045/201082 Acórdão n.º 1402001.181 S1C4T2 Fl. 0 7 II) No dia 04/10/2005, a Mineradora Santo Expedito Ltda incorporou integralmente a sua controladora TGM Participações Ltda., configurando neste ato uma incorporação reversa, sucedendo esta em todos os direitos e obrigações relacionadas aos bens vertidos ao seu patrimônio. III) Que a narrativa dos fatos descrita à fl. 238 está equivocada. Não há reavaliação das quotas que a Terra Goyana Mineradora Ltda. possuía na TGM Participações Ltda., como afirmado pelo Senhor Auditor Federal, mas sim uma avaliação, a valor de mercado, das quotas que a Terra Goyana Mineradora Ltda. possuía na Mineradora Santo Expedito Ltda. A operação seria mais fidedignamente se assim tivesse sido descrita: 'A' Solicita a avaliação a preço de mercado de suas quotas que detinha em 'B” “Tanto é assim que, ao cabo da descrição, seguese afirmando a Fiscalização: "...o capital social da Terra Goyana Mineradora Ltda., passa de R$ Fl. 449DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10120.007045/201082 Acórdão n.º 1402001.181 S1C4T2 Fl. 0 8 1.000,00 para R$253.076.000,00" onde se pode verificar facilmente nos contratos sociais e na descrição do quadro societário e capital social pelo senhor auditor no próprio auto de infração que a empresa cujo capital social soma R$ 1.000,00 é a TGM Participações Ltda. e não a Terra Goyana Mineradora Ltda., que antes de gerado o ágio pelo aporte de capital, possuía capital social de R$ 40.000,00.” IV – Sustenta que houve erro na identificação do sujeito passivo, dado que a autuação recaiu sobre pessoa jurídica que de há muito não mais existe; logo, não é mais sujeita de direito (faltalhe capacidade jurídica), e, em conseqüência, não tem capacidade de estar em juízo administrativo (grifos no original). IV.a) No caso concreto, conforme salientado, o que ocorreu foi uma avaliação, a valor de mercado, de bens pertencentes ao patrimônio da Terra Goyana Mineradora Ltda, os quais foram entregues à Mineradora Santo Expedito Ltda, para integralização do capital subscrito, razão pela qual, no dizer da própria fiscalização "...o capital social da Terra Goyana Mineradora Ltda., passa de R$ 1.000,00 para R$253.076.000,00", em 13 de setembro de 2005, inclusive precedido do competente laudo de avaliação emitido pela "Deloitte Touche Tohmatsu Consultores Ltda" referido na Cláusula Primeira da Primeira Alteração Contratual Consolidada da TGM PARTICIPAÇÕES LTDA, da qual a TERRA GOYANA MINERADORA LTDA era sócia (fls. 75/77); V – Sustenta a recorrente que “os lançamentos constantes do Livro Diário n° 11 (período 01/01/2005 a 31/12/2005) aqui anexo (doc. 01), da TERRA GOYANA MINERADORA LTDA, confirmam que a mesma teve seu patrimônio reavaliado a valor de mercado, nos termos do art. 21, da Lei n° 9.249/95, passando seu capital social de R$1000,00 (hum mil reais) para R$253.077.000,00 (duzentos e cinqüenta e três milhões, setenta e sete reais), em 13/09/2005, conforme demonstrado no Livro Razão (doc. 02): VI – Após fazer referência ao quadro acima, argumenta a recorrente que apenas posteriormente, mais precisamente em 03/10/2005, a MINERADORA SANTO EXPEDITO LTDA, ora recorrente, absorveu por incorporação o patrimônio líquido da TGM PARTICIPAÇÕES LTDA, que tinha por sócia a TERRA GOYANA MINERADORA LTDA, no montante de R$86.079.152,00 (oitenta e seis milhões, setenta e nove mil, cento e cinqüenta e dois reais), nos termos do Protocolo e Justificação de Incorporação acostado às fls. 83/89 dos Fl. 450DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10120.007045/201082 Acórdão n.º 1402001.181 S1C4T2 Fl. 0 9 presentes autos, consolidado através da sexta alteração contratual promovida pela MINERADORA SANTO EXPEDITO LTDA (fls. 90/93). VII – Após transcrever o artigo 21 da Lei nº 9.249, de 1995, a recorrente argumenta que “o ganho de capital e por conseqüência, o fato gerador da obrigação tributária ocorreu no momento em que a empresa TERRA GOYANA MINERADORA LTDA promoveu a avaliação, a preço de mercado, de bens pertencentes ao seu patrimônio, do que resultou aumento de seu capital social, e não em momento posterior, em 14/10/2005, quando a recorrente firmou o instrumento particular de "pacto adjeto oriundo de cessão e transferência parciais de direitos de título minerário", perante a Companhia Brasileira de Alumínio, equivocadamente nomeado pela Fiscalização como suposto nascimento da obrigação de natureza tributária. VIII – Que o auto de infração é nulo visto que os fundamentos legais apontados não se aplicam ao caso concreto. IX – Que é indevida a multa de ofício na sucessão; X – Que no caso concreto não há o que se falar em simulação visto que a recorrente agiu à luz do artigo 36 da Lei nº 10.637, de 2003, vigente à época dos fatos, que assim prescrevia: "Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. §1º 0 valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: I na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado; II proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou a baixa a qualquer título. XI Que no caso concreto não ocorreu a exclusão para a Terra Goyana Mineradora, da tributação no caso vertente, mas somente a prorrogação do pagamento do tributo, isto é, o seu diferimento, conforme disposição do artigo 36, da citada norma legal. XII – Que a Lei n° 10.637, de 2002, não considera realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, antes, dispõe que somente seja computado na determinação do lucro real, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação. É o relatório. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10120.007045/201082 Acórdão n.º 1402001.181 S1C4T2 Fl. 0 10 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Em que pese reconhecer e sempre levar em consideração os conceitos doutrinários e legais acerca de cada matéria analisada, por questão de objetividade, neste voto, dentro do possível, dispensarei considerações doutrinárias acerca do tema. Contudo, a quem interessar considerações conceituais acerca das questões postas pode recorrer, dentre outros, aos acórdãos 1201200.689 – caso Celpe; 140200.993 – caso Cosen; 120100.548 caso Ale; 12.0100.659 – caso Camil; 110100.354 – caso Vivo; 10196.125 – caso Coinbra; 10516.774 caso Casa Pão de Queijo; 140200.342 Caso Dasa; 10197.027 caso Ed. Ática; 10708.656 caso Fademac; 11.04.2012 caso Gerdau; 110100.064; 140200.802 – caso Santander; 1301 000.711, caso Telenorte. Dos casos acima elencados o que mais se assemelha com a situação dos autos é o caso Gerdau. Tanto aqui como lá seguiuse a mesma sistemática, a qual analisarei mais adiante. No caso Gerdau a Primeira Turma da Primeira Sessão, por maioria de votos, vencida somente a relatora, assentou entendimento que pode ser consubstanciado com o trecho da ementa que segue transcrita: ÁGIO. REQUISITOS DO ÁGIO. 0 art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1997, retratado no art. 385 do RIR11999, estabelece a definição de ágio e os requisitos do ágio, para fins fiscais. 0 ágio é a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor patrimonial das ações adquiridas. Os requisitos sac) a aquisição de participação societária e o fundamento econômico do valor de aquisição. Fundamento econômico do ágio é a razão de ser da mais valia sobre o valor patrimonial. A legislação fiscal prevê as formas como este fundamento econômico pode ser expresso (valor de mercado, rentabilidade futura, e outras razões) e como deve ser determinado e documentado. ÁGIO INTERNO. A circunstancia da operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo (denominado de ágio interno) e aquele surgido em operações entre empresas sem vinculo, não é relevante para fins fiscais. ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO REVERSA. AMORTIZAÇÃO. Para fins fiscais, o ágio decorrente de operações com empresas do mesmo grupo (dito ágio interno), não difere em nada do ágio que surge em operações entre Fl. 452DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10120.007045/201082 Acórdão n.º 1402001.181 S1C4T2 Fl. 0 11 empresas sem vínculo. Ocorrendo a incorporação reversa, o ágio poderá ser amortizado nos termos previstos nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997. Feitas o registro, passo a sintetizar os fatos que julgo relevantes ao julgamento do recurso. Inicialmente, deixo consignado que da sexta alteração contratual da empresa Terra Goyana Mineradora Ltda, com cópia às fls. 110 e seguintes, depreendese que em 16 de junho de 2005 esta possuía o seguinte composição social: Terra Goyana Mineradora Ltda Sócios Nº quotas Valor % EDEM – Empresa de Desenvolvimento em Min e Part. Ltda 16.000 16.000,00 40 Marcos de Alencastro Curado 10.400 10.400,00 26 André Alencastro Curado 9.600 9.600,00 24 Emilia Augusta Fleury Curado de Abreu 2.000 2.000,00 5 Maria de Fátima Fleury Curado 2000 2.000,00 5 Total 40.000 40.000,00 100,00 Em 19 de julho de 2005 a empresa Rio Vermelho Ltda passa a denominarse Mineradora Santo Expedito e ingressam na sociedade Marcos de Alencastro Curado, Luiz Antônio Vessani e Terra Goyana Mineradora Ltda, com capital social assim distribuído: Mineradora Santo Expedito Sócios Nº quotas Valor % Terra Goyana Mineradora Ltda 4.996 4.996,00 99,92 Marcos de Alencastro Curado 1 1,00 0,02 Elias José de Sousa 1 1,00 0,02 André Alencastro Curado 1 1,00 0,02 Luiz Antônio Vessani 1 1,00 0,02 Total 5.000 1.000,00 100,00 Em 26072005 a empresa Terra Goyana Mineradora Ltda aumenta sua participação social na empresa Santo Expedito de R$ 4.996,00 para R$ 48.962,00. Dito aumento deuse mediante a subscrição de 43.962 quotas, integralizadas com ativo avaliado em R$ 43.962,00, registrado na contabilidade da subscritora. Tal ativo, conforme especificado no relatório, é referente à prerrogativa de exploração de direito de pesquisa mineral, conforme consta no processo do Departamento Nacional de Produção Mineral DNPM n° 860.260/04, através de concessão do Alvará Pesquisa n° 5.182 de 28/05/2004, publicado no Diário Oficial da União n° 104 de 01/06/2004, relativo a autorização de pesquisa de minério de alumínio, em uma área de 904 hectares localizadas no Município de Barro Alto e Santa Rita do Novo Destino, Estado de Goiás. Em outras palavras, Terra Goyana Mineradora Ltda era detentora de um ativo referente à prerrogativa de direito de pesquisa mineral. Este ativo só se constituiria em suporte fático suficiente à geração de imposto de renda e de contribuição social sobre o lucro líquido quando da sua alienação a terceiros, não se incluindo nesta situação os casos de utilização do ativo para integralizar capital social em empresa da qual a titular é sócia ou vier a se tornar sócia. Em 03082005, a empresa Terra Goyana Mineradora Ltda e as pessoas físicas de Marcos de Alencastro Curado, André Alencastro Curado, José Lincoln Gambier Costa e Luiz Antônio Vessani constituíram a empresa TGM Participações Ltda, com o capital social assim distribuído: Fl. 453DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10120.007045/201082 Acórdão n.º 1402001.181 S1C4T2 Fl. 0 12 TGM Participações Ltda TGM Participações Ltda em 03082005 Sócios Nº quotas valor % Marcos Alencastro Curado (sócio da Terra Goyana e da Mineradora Santo Expedito) 1 1,00 0,10 André Alencastro Curado (sócio da Terra Goyana e da Mineradora Santo Expedito) 1 1,00 0,10 José Lincoln Gambier Costa (sócio Mineradora Santo Expedito) 1 1,00 0,10 Luiz Antônio Vessani (Sócio Mineradora Santo Expedito) 1 1,00 0,10 Terra Goyana Mineradora Ltda 996 996,00 99,60 Total 1.000 1.00 0,00 100,00 Pelo que se verifica até o presente momento e do quadro abaixo, temse que a empresa Terra Goyana Mineradora Ltda detinha participação social tanto na Mineradora Santo Expedito quanto na empresa TMG, sendo R$ 996,00 na TMG e R$ 48.962,00. Do valor de R$ 48.962,00, R$ 43.962,00 corresponde ao ativo decorrente do direito de pesquisa de minério de alumínio, em uma área de 904 hectares localizadas no Município de Barro Alto e Santa Rita do Novo Destino, Estado de Goiás, relatório, conforme alvará pesquisa n° 5.182 de 28/05/2004, publicado no Diário Oficial da União n° 104, de 01/06/2004. A diferença de R$ 5.000,00 correspondia a capital social integralizado quando do ato da constituição da sociedade. Neste contexto temse a seguinte ilustração: Participação nas empresas Valor do ativo TGM Participações Ltda R$ 996,00 Terra Goyana Mineradora Ltda Mineradora Santo Expedito R$ 48.962,00 O quadro acima, quando confrontado com o valor integral do capital social das empresas antes nominadas, demonstra que a empresa Terra Goyana Mineradora Ltda era controladora das empresas TMG Participações e Santo Expedito. Em 13092005, a empresa Terra Goyana Mineradora Ltda, subscreve e integraliza na empresa TMG Participações e Santo Expedito, 253.076.000 quotas no valor unitário de R$ 1,00. Dita integralização deuse mediante avaliação a valor de mercado conforme laudo de avaliação emitido pela Deloitte Touche Consultores Ltda. Com essa alteração contratual, o capital social passa da empresa TMG passa de R$ 1.000,00 para 253.077.000,00. O ato da empresa Terra Goyana Mineradora Ltda integralizar capital social com ativo que possuía contabilizado, à luz da legislação vigente à época, não constitui fato do qual pudesse decorrer, naquele ato, obrigação de pagar imposto de renda ou contribuição social sobre o lucro líquido. Tal procedimento era regrado pelo artigo 36 da Lei nº 10.637, de 2002, abaixo transcrito, que posteriormente foi revogado pela Medida Provisória nº 232, de 30.12.2004, DOU 30.12.2004 Ed. Extra, convertida na Lei nº 11.119, de 25.05.2005, DOU 27.05.2005. Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar Fl. 454DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10120.007045/201082 Acórdão n.º 1402001.181 S1C4T2 Fl. 0 13 a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. § 1º O valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: I na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado; II proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título. § 2º Não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observadas as condições do § 1º. À luz do artigo 36, § 1º, da Lei nº 10.637, de 2002, o ato da empresa Terra Goyana usar quotas sociais representativas de seu ativo para integralizar participação na empresa Mineradora Santo Expedito fez surgir para a empresa Terra Goyana a obrigação de apurar e controlar na parte B do Lalur a diferença apurada, procedimento este devidamente observado. Nos termos do inciso I, do § 1º, do artigo 36 da Lei nº 10.637, de 2002, vigente à época, ocorrendo a alienação ou baixa, a qualquer título, da participação da empresa Terra Goyana Mineradora Ltda na empresa TMG Participações Ltda, o valor correspondente deve ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido. Em outras palavras, o ato da empresa Terra Goyana alienar sua participação na empresa TMG Participações constituise em suporte para efeitos de apuração de base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Lembro, todavia, que não se inclui nesta situação os casos de utilização do ativo, agora na TMG, para integralizar capital social em empresa da qual a titular Terra Goyana é sócia ou venha a integrar o quadro social. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10120.007045/201082 Acórdão n.º 1402001.181 S1C4T2 Fl. 0 14 Da razão de ser da lei, temse que a utilização de quotas para integralizar participação social em outra empresa ou a reavaliação do aludido ativo não se constitui em suporte fático para exigência do IRPJ e da CSLL. A exigência destes tributos tem como evento fático a alienação das quotas pelo seu respectivo titular. Enquanto as quotas representativas do ativo, seja ele reavaliado ou não, não circularem juridicamente, isto é, não trocarem de proprietários, não há o que se falar em apuração de IRPJ e de CSLL. Se assim fosse estarseia tributando o patrimônio e não a mais valida deste1. Da análise até aqui realizada observo que o ativo correspondente à autorização para exploração de direito de pesquisa mineral, permaneceu na esfera jurídica da empresa Terra Goyana Ltda. Primeiro representado pela participação desta no capital social da Mineradora Espírito Santo e, posteriormente, na participação da empresa TMG Participações Ltda. O que é preciso verificar é se o ato da Mineradora Espírito Santo absorver a totalidade do patrimônio da empresa TMG se constitui em fato jurídico relevante para efeitos de apuração do IRPJ e da CSLL. Ao meu sentir, a resposta a este questionamento passa, obrigatoriamente, pela análise da composição social da Mineradora Espírito Santo. É preciso verificar se os direitos correspondentes ao ativo quanto à prerrogativa de exploração dos minérios existentes na propriedade antes descrita que pertenciam à empresa Terra Goyana circularam de titularidade ou apenas foram utilizados para integralizar capital social da empresa Terra Goyana em outras empresas. Nesta linha, retomo as considerações anteriores sobre a composição social das empresas envolvidas. No período compreendido entre 20 de março de 1996, data da constituição da empresa Rio Vermelho Mineração Ltda, que passou a denominarse Mineradora Santo Expedito, até 18 de julho de 2005, tanto o capital social quanto os sócios da empresa permaneceram inalterados, com a seguinte composição: Empresa Capital Sócios Participação Elias José de Souza 50% Rio Vermelho Ltda 5.000,00 André Alencastro Curado 50% Em 19 de julho de 2005, conforme destacado anteriormente, a recorrente passa a denominarse Mineradora Santo Expedito e ingressam na sociedade Marcos de Alencastro Curado, Luiz Antônio Vessani e Terra Goyana Mineradora Ltda, esta com 99,92% do capital social. Em 26 de julho de 2005 retirase da sociedade Elias José de Sousa que transfere suas quotas para José Lincoln Gambier Costa. Igualmente, nesta data, o capital social passou de R$ 5.000,00 para R$ 48.962,00, integralizado mediante o ativo correspondente ao direito da empresa Terra Goyana explorar minérios da área indicada no relatório deste acórdão. O ato da empresa Terra Goyana utilizar seu ativo para integralizar capital social na empresa TMG, com posterior reavaliação, à luz do artigo 36, I, da Lei nº 10.637, de 2002, não se constitui em suporte fático para incidência das regras de exigência do IRPJ e da CSLL. 1 Volto a destacar que não se inclui nesta situação os casos de utilização do ativo, agora na TMG, para integralizar capital social em empresa da qual a titular Terra Goyana é sócia ou venha a integrar o quadro social. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10120.007045/201082 Acórdão n.º 1402001.181 S1C4T2 Fl. 0 15 Contudo, temse um novo ato, qual seja, a incorporação da empresa TMG pela Mineradora Santo Expedito que possuía a seguinte participação societária (fl. 84) Por sua vez, a TGM, incorporada pela Santo Expedito, tinha a seguinte composição social e patrimonial: A Terra Goyana, por sua vez, detentora do ativo reavaliado que posteriormente transitou pela TGM e agora volta a empresa Santo Expedito, estava assim constituída: Da análise dos autos depreendese que o ativo referente ao direito de exploração de minérios pertencia à empresa Terra Goyana que os utilizou para integralizar capital na TGM, empresa esta pertencente aos mesmos sócios da empresa da empresa Terra Goyana. Por sua vez, a TMG foi incorporada pela empresa Mineradora Santo Expedito, cuja composição social é a mesma das empresas anteriormente nominadas. Assim, não há o que se falar em situação fática da qual decorra a incidência das regras de exigência do IRPJ e da CSLL. Até aqui aplicase o disposto no artigo 36, I, da Lei nº 10.637, de 2002. Contudo, em 14 de outubro de 2005, conforme demonstra o contrato de fls. 120 a 124, o ativo referente ao direito de exploração de minérios, que pertencia à empresa Terra Goyana, que foi utilizado para integralizar capital na empresa TGM, posteriormente incorporada pela Mineradora Santo Expedito, foi transferido à Companhia Brasileira de Alumínio, pelo valor especificado no termo de verificação fiscal. Somente nesta alienação houve efetivo ingresso de recursos ao detentor dos referidos direitos. A tributação antes deste momento impostaria em violação ao disposto no artigo 36, I, a, da Lei nº 10.637, de 2002, bem como em procedimento que estaria tributando o patrimônio e não a renda. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10120.007045/201082 Acórdão n.º 1402001.181 S1C4T2 Fl. 0 16 Os argumentos aqui expostos, a um só tempo, externam meu entendimento no sentido de rejeitar a alegação de ilegitimidade passiva sustentada pela recorrente e, ao mesmo tempo, reconhecer que a regra de exigência do IRPJ e da CSLL incidiu no momento da alienação dos direitos de exploração de minérios pela recorrente à Companhia Brasileira de Alumínio, e não em momento anterior quando estes direitos foram utilizados para integralizar participação societária de seus titulares nas empresas antes nominadas. Finalizo, de forma bastante objetiva deixando claro que entendo que a amortização do ágio na aquisição de empresas pressupõe a tributação do valor correspondente por quem realiza a alienação do ativo que o representa. Considerando que a alienação de ativos guarda natureza de receita não operacional, esta só não será tributada nos casos em que a pessoa jurídica acumular prejuízos que venha a absorver o valor da receita decorrente da alienação. ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 458DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
score : 1.0
