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Numero do processo: 10980.009618/2005-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
DCTF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA - CONGESTIONAMENTO DE DADOS NO SITE DA RECEITA FEDERAL - RECONHECIMENTO ATRAVÉS DE ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CESSAMENTO DA IMPOSSIBILIDADE DE TRANSMISSÃO DAS DECLARAÇÕES VIA INTERNET.
Uma vez que a própria Receita Federal, através do Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, de 08.04.2005, reconhecera a ocorrência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos para a recepção e transmissão de declarações, toma-se não devida a multa haja vista que com relação à data imposta como limítrofe para a entrega, nada há que comprove que posteriormente a esta não havia mais a impossibilidade de transmissão das declarações via internet.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA - NÃO CABIMENTO.
Descabe a alegação de denúncia espontânea quando a multa decorre tão somente da impontualidade do contribuinte quanto a uma obrigação de fazer, cuja sanção da norma jurídico-tributária é precisamente a multa.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 303-35.281
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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Uma vez que a própria Receita Federal, através do Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, de 08.04.2005, reconhecera a ocorrência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos para a recepção e transmissão de declarações, toma-se não devida a multa haja vista que com relação à data imposta como limítrofe para a entrega, nada há que comprove que posteriormente a esta não havia mais a impossibilidade de transmissão das declarações via internet. DENÚNCIA ESPONTÂNEA - NÃO CABIMENTO. Descabe a alegação de denúncia espontânea quando a multa decorre tão somente da impontualidade do contribuinte quanto a uma obrigação de fazer, cuja sanção da norma jurídico-tributária é precisamente a multa. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • Processo n° 10980.009618/2005-15 Acórdão n.° 303-35.281 CC03/CO3 Fls. 60 ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. ANELISE AUDT PRIETO Presidente N)iUØ TO9 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Luis Marcelo Guerra de Castro, Vanessa Albuquerque Valente, Celso Lopes Pereira Neto e Tardsio Campelo Borges. Ausente o Conselheiro Heroldes Bahr Neto. Relator • 2 Processo no 10980.009618/2005-15 Acórdão n.° 303-35.281 CC03/CO3 Fls. 61 Relatório Trata-se de Auto de Infração constante As fls. 09, referente A multa por entrega fora do prazo de Declarações de Débitos e Créditos Federais — DCTF's, referente ao 4° trimestre de 2004, fundamentada no art. 113, § 3° e 160, Lei 5172/66 do CTN, art. 4° e 2° da IN SRF 126/98, combinado com o item I da Portaria MF 118/84, art. 5° do DL n°2124/84 e art. 7° da MP 16/2001 convertida na Lei 10.426/02. Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação As fls. 01/03, na qual alega, em suma, que as DCTF(s) foram apresentadas antes de qualquer procedimento da administração e, por este motivo conclui que está albergada pela denuncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN. Para corroborar seus argumentos cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Diante do exposto, requer o acolhimento de suas alegações e cancelamento do lançamento em foco. Instruem os autos os documentos de fls. 04/09. Encaminhados os autos A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Sao Paulo (SP), esta indeferiu a solicitação As fls. 13/17, nos termos da seguinte ementa: "Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS — DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. DENÚNCIA ESPONTANEA. INAPLICABILIDADE Sendo inaplicável o instituto da denúncia espontânea previsto no CTN quanto às obrigações acessórias, mantém-se a multa por atraso na entrega da DCTF. Lançamento Procedente." Ciente da decisão proferida à fl. 26, o contribuinte apresentou tempestivamente o Recurso Voluntário As fls. 27/30, no qual reitera os argumentos já apresentados em sede de impugnação. Para corroborar seus argumentos menciona doutrina e jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Trouxe aos autos os documentos de fls. 31/56, entre os quais, Relay -do de Bens e Direitos para Arrolamento (fl. 31/32). Processo n° 10980.009618/2005-15 Acórdão n.° 303-35.281 CC03/CO3 Fls. 62 Os autos foram distribuídos a este Conselheiro em 27/02/2008, em um único volume, constando numeração até a fl. 57, penúltima. Desnecessário o encaminhamento do processo à Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos da Portaria MF n°. 314, de 25/08/99. o relatório. • Processo n°10980.009618/2005-15 Acórdão n.° 303-35,281 CC03/CO3 Fls. 63 Voto Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator Por conter matéria deste E. Conselho, conheço do Recurso Voluntário, tempestivamente, interposto pelo contribuinte. Quanto ao arrolamento de bens e direitos efetuado, consigne-se que este já não é mais exigido como condição para seguimento do recurso voluntário, haja vista o que dispõe o Ato Declaratório no 9, de 05/06107, corn fulcro na Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1976 do STF. Ultrapassadas as análises dos requisitos de admissibilidade, passemos ao mérito. Em inúmeras oportunidades já externei meu entendimento acerca da inaplicabilidade de multa minima por atraso na entrega da DCTF, com respaldo na Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986. Senão, vejamos: Todo ato realizado segundo um determinado sistema de direito positivo, com o fim de nele se integrar, deve, obrigatoriamente, encontrar fundamento de validade em norma hierarquicamente superior a esta, que, por sua vez, também deve encontrar fundamento de validade em norma hierarquicamente superior, e assim por diante, até que se encontre o fundamento de validade na Constituição Federal. Nestes termos, qualquer que seja a norma deve-se confrontá-la com a Constituição Federal, pois não estando com ela compatível, não estará compatível com o sistema. Segundo se verifica, a fonte formal da Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986, posteriormente alterada pela Instrução Normativa n° 73, de 19.12.1996, é a Portaria do Ministério da Fazenda n° 118, de 28.06.84, que delegou ao Secretário da Receita Federal a competência para eliminar ou instituir obrigações acessórias. Já o Ministro da Fazenda foi autorizado a eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, por força do Decreto-lei n° 2.124, de 13.06.84. 0 Decreto-Lei n° 2.124, de 13.06.1984, encontra fundamento de validade na Constituição Federal de 1967, alterada pela Emenda Constitucional n° 01/69, que em seu art. 55, cria a competência para o Presidente da Republica editar Decretos-Leis, em casos de urgência ou de interesse público relevante, em relação as matérias que disciplina, inclusive a tributária, mas não se refere à delegação de competência ao Ministério da Fazenda para criar obrigações, sejam tributárias ou, não. Afora isto, a antiga Constituição também privilegiava o principio da legalidade e da vinculação dos atos administrativos à lei, o que de plano criaria um conflito entre a norma editada no Decreto-Lei n° 2.124, de 13.06.1984 e a Lei Maior de 1967 (art. 153, §2°). Processo n° 10980.009618/2005-15 Acórdão n.° 303-35.281 CC03/CO3 Fls. 64 Da análise do artigo 97, inciso V, do Código Tributário Nacional, também não resta dúvida que somente A lei é dada autorização para criar deveres e direitos, não escapando A regra as obrigações acessórias. Por outro lado, incabível dar ao artigo 100, do mesmo diploma, a conotação de que está aberta a possibilidade de um ato normativo vir a substituir a função da lei, ou por falha da lei cobrir sua lacuna ou vicio. No mais, atos normativos de caráter normativo são assim caracterizados por introduzirem normas atinentes ao "modus operandi" do exercício da função administrativa tributária, tendo força para normatizar a conduta da própria administração em face do contribuinte, e em relação As condutas do contribuinte, servem, tão somente, para explicitar o que fora estabelecido em lei. E nesse contexto que os atos normativos cumprem sua função de complementaridade das leis. Ressalte-se que todo ato administrativo tem por requisito de validade cinco elementos: objeto licito, motivação, finalidade, agente competente e forma prescrita em lei. Ocorre que, a Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986 cumpriu os desígnios orientadores da validade do ato administrativo no concernente aos três primeiros elementos, vez que a exigência de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, com o fim de informar A Secretaria da Fazenda Nacional o montante de tributos devidos e suas respectivas bases de cálculo, é de materialidade licita, motivada pela necessidade de a Fazenda ter o controle dos fatos geradores que fazem surgir cada relação jurídica tributária entre o contribuinte e o Fisco, tendo por finalidade o controle do recolhimento dos respectivos tributos. Porém, no que tange ao agente competente, o mesmo não se verifica, uma vez que o Secretário da Receita Federal não tem a competência legiferante, privativa do Poder Legislativo, para criar normas constituidoras de obrigações de caráter pessoal ao contribuinte, cuja cogência é imposta pela cominação de penalidade. Ainda que se admitisse que o Decreto-lei n° 2.124, de 13.06.1984, fosse o veiculo introdutório para outorgar competência ao Ministério da Fazenda para que criasse deveres instrumentais, o Decreto-lei não poderia autorizar ao Ministério da Fazenda a delegar tal competência, como na realidade não o fez, tendo em vista o principio da indelegabilidade da competência tributária (art. 7° do Código Tributário Nacional) e até mesmo o principio da indelegabilidade dos poderes (art. 2° da CF/88). Assim, se o Ministério da Fazenda não tinha a competência para delegar a competência que recebera com exclusividade do Decreto-lei n° 2.124, de 13.06.1984, a Portaria MF n° 118, de 28/06/1984, extravasou os limites do poder outorgados pelo Decreto- Lei. Quanto A forma prescrita em lei, a instituição da obrigação de entrega da DCTF, por instrução normativa, também não cumpre o requisito de validade do ato administrativo, uma vez que tal instituição é reservada A Lei. Somente a Lei pode criar um vinculo relacional entre o Fisco e o contribuinte e a penalidade pelo descumprimento da obrigação fulcral desse vinculo. E tal poder é indelegável, com o fim de que sejam garantidos o Estado de Direito Democrático e a Segurança Jurídica. Processo n° 10980.009618/2005-15 Acórdão n.° 303-35.281 CC03/CO3 Fls. 65 Ademais, a delegação de competência legiferante introduzida pelo Decreto-Lei no 2.124, de 13.06.1984, não encontra supedâneo jurídico na nova ordem constitucional instaurada pela Constituição Federal de 1988, uma vez que o art. 25 estabelece o seguinte: "Art. 25 — Ficam revogados a partir de cento e oitenta dias da promulgação da Constituição, sujeito este prazo a prorrogação por lei, todos os dispositivos legais que atribuam ou deleguem a órgão do Poder Executivo competência assinalada pela Constituição ao Congresso Nacional, especialmente no que tange a: I — ação normativa; II — alocação ou transferência de recursos de qualquer espécie" (Grifei) Assim, a competência de legislar sobre a matéria pertinente ao sistema tributário é do Congresso Nacional, como determina o art. 48 da Constituição Federal, sendo que a delegação outorgada pelo Decreto-Lei n° 2.124, de 13.06.1984, ato do Poder Executivo auto disciplinado, que ainda que pudesse ter validade na vigência da constituição anterior, perdeu sua vigência 180 dias após a promulgação da Constituição Federal de 1988. Tendo a norma que dispõe sobre a delegação de competência perdido sua vigência, a Instrução Normativa no 129, de 19.11.1986, ficou sem fonte material que a sustente e, consequentemente, também perdeu sua vigência em abril de 1989. Quanto à cominação da penalidade estabelecida no próprio texto da Instrução Normativa no 129, de 19.11.1986, Anexo II — 1.1 (e, posteriormente, na Instrução Normativa no 73, de 19.12.1996, que a alterou), entendo que os argumentos retro mencionados são plenamente aplicáveis, isto 6, a imposição de qualquer tipo de multa só poderá ser prevista em Lei. Desta feita, a ausência de perfeita tipicidade na lei de conduta do contribuinte, implica a carência da ação fiscal e, como tais elementos estão ausentes no presente caso, dai também não ser punível a conduta do agente. Tudo isto para dizer que a Instrução Normativa no 129, de 19.11.1986 não constitui o veiculo próprio a criar, alterar ou extinguir direitos, seja porque não encontra em lei seu fundamento de validade material, seja porque inova o ordenamento jurídico extrapolando sua própria competência. Tal assertiva veio a ser confirmada com a edição da Lei n° 10.426, de 25.04.2002 (conversão da Medida Provisória n° 16 de 27.12.2001) que assim dispõe: "Art. 7 0 0 sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (WEI), Declaração de Débitos e Créditos Tributeirios Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Din), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não-apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitar-se-á às seguintes multas: Processo n° 10980.009618/2005-15 Acórdão n.° 303-35.281 CC03/CO3 Fls. 66 II— de dois por cento ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dill: ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3°. Com efeito, a adoção da Medida Provisória n° 16, posteriormente convertida na Lei no 10.426/02, determinando sanções para a não apresentação, pelo sujeito passivo, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), atesta cabalmente a inexistência de legislação válida até a sua edição, uma vez que não haveria lógica em se editar norma, de caráter extraordinário, que simplesmente repetisse a legislação anterior. Ao adotar Medida Provisória, o Poder Executivo Federal reconheceu a necessidade de disciplinar a instituição de deveres instrumentais e penalidades para seu descumprimento, que até então não se encontrava (validamente) regulada pelo direito pátrio. Assim, após a entrada em vigor da Medida Provisória n° 16/2001, convertida na Lei n° 10.426, de 24.04.2002, surgiu a disciplina válida ou vigente no sistema tributário nacional para o cumprimento do dever acessório de entrega da DCTF, e, consequentemente, para a cominação de sanções para sua não apresentação, vindo a confirmar todo o entendimento exposto com relação à Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986. Assim, consubstanciada na Lei no 10.426, de 24.04.2002 (conversão da Medida Provisória n° 16 de 27.12.2001), a Instrução Normativa SRF n° 583, de 20.12.2005 (a qual revogou a IN SRF n° 532, de 30.03.2005, que alterou a IN SRF n° 482, de 21.12.2004), validamente, estabelece quanto à multa a ser aplicada, que: "Art. 10. A pessoa jurídica que deixar de apresentar a DCTF no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimada a apresentar declaração original, no caso de não- apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela SRF, e sujeitar-se-á its seguintes multas: 1 — de dois por cento ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante dos impostos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega dessa declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no 0 0; §3 0 „I hlta minima a ser aplicada será de: I —R$200,00 (duzentos reais) tratando-se de pessoa jurídica inativa; II — R$500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (..)" 8 Desta forma, como mencionado anteriormente, atos normativos, tal como ai vigente Instrução Normativa SRF n° 583, de 20.12.2005, são para explicitar o que fora Processo n° 10980.009618/2005-15 AcOrdEto n.° 303-35.281 CC03/CO3 Fls. 67 estabelecido em Lei (Lei n° 10.426, de 24.04.2002, conversão da Medida Provisória n° 16 de 27.12.2001), cumprindo, nesse contexto, sua função de complementaridade da Lei. Quanto ao aspecto da denúncia espontânea, adoto entendimento que é pacifico no Superior Tribunal de Just*, no sentido de que não é cabível tal beneficio quando se trata de DCTF, conforme se depreende dos julgamentos dos seguintes recursos, entre outros: RESP 357.001-RS, julgado em 07/02/2002; AGRESP 258.141-PR, DJ de 16/10/2000 e RESP 246.963-PR, DJ de 05/06/2000. Descabe a alegação de denuncia espontânea quando a multa decorre tão somente da impontualidade do contribuinte quanto a uma obrigação de fazer, cuja sanção da norma jurídico-tributária é precisamente a multa. Destaco decisão proferida pela Egrégia la Turma do STJ, através do Recurso Especial n°195161/GO (98/0084905-0), relator Ministro Jose Delgado (DJ de 26.04.99): "TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÁNEA. ENTREGA COM ATRASO DA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA, MULTA. INCIDÊNCIA ART. 88 DA LEI 8.981/95. A entidade 'denúncia espontânea' não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. (grifo nosso). As responsabilidades acessórias autónomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não esteio alcançadas pelo art.138, do CTN. Há de se acolher a incidência do art. 88 da Lei 8.981/95, por não entrar em conflito com o art.138 do CTN. Os referidos dispositivos tratam de entidades jurídicas diferentes. Recurso provido". Ocorre que, in casu, tem-se situação em que o contribuinte fora impossibilitado de entregar a DCTF do 4' trimestre de 2004 dentro do prazo, em razão de congestionamento de dados no site da Receita Federal. Tanto é que a própria Receita Federal acabou por reconhecer que houve problemas técnicos nos sistemas eletrônicos desenvolvidos pelo Serpro para a recepção e transmissão de declarações, através do Ato Declaratório Executivo SRF no 24, de 08/04/2005. Em observância a referido ato, a Receita Federal considerou como entregues em 15/02/2005, as declarações apresentadas até 18/02/2005. A controvérsia, no entanto, se estabeleceu pelo fato do contribuinte ter apresentado a DCTF, relativa ao 4° trimestre de 2004, somente em 25/02/2005, ou seja, após 18/02/2005. Note-se, primeiramente, que a própria Receita Federal reconhecera a ocorrência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos de recepção e transmissão de declarações. ,i Outrossim, embora tenha ampliado a data limítrofe de entrega para 18/02/2005, como se Processo n0 10980.009618/2005-15 Acórdão n.° 303-35.281 CC03/CO3 Fls. 68 tivessem sido entregues ern 15/02/2005, não há nada que comprove que, naquela data (18/02/2005), haviam cessado tais problemas. Pelo exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, visto que comprovada a impossibilidade de transmissão da DCTF, referente ao 4° trimestre de 2004, no prazo. Sala das Sessões, em 25 de abril de 2008 NIkTON L ARTOLI Relator • 10
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Numero do processo: 19515.721671/2013-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
MULTA AGRAVADA. INAPLICABILIDADE.
O agravamento da multa na forma do art. 44, § 2º, a Lei 9.430/96 é medida excepcional, devendo ficar comprovado de forma inequívoca o embaraço à fiscalização.
Recurso de Oficio Negado
Constatada a existência de erro material na determinação do tributo devido, deve a exigência ser corrigida.
Numero da decisão: 3201-002.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Luiz Carlos de Andrade Jr., OAB/SP nº 258521.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. Nos termos do art. 150, § 4º do CTN, existindo pagamento suscetível de ser homologado, o prazo decadencial deve ser contado a partir da ocorrência do fato gerador; em não havendo pagamento, a contagem deve ocorrer segundo a regra do art. 173, I, do CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ERRO MATERIAL. CORREÇÃO. Constatada a existência de erro material na determinação do tributo devido, deve a exigência ser corrigida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. Nos termos do art. 150, § 4º do CTN, existindo pagamento suscetível de ser homologado, o prazo decadencial deve ser contado a partir da ocorrência do fato gerador; em não havendo pagamento, a contagem deve ocorrer segundo a regra do art. 173, I, do CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ERRO MATERIAL. CORREÇÃO. Constatada a existência de erro material na determinação do tributo devido, deve a exigência ser corrigida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 MULTA AGRAVADA. INAPLICABILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 16 71 /2 01 3- 69 Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 O agravamento da multa na forma do art. 44, § 2º, a Lei 9.430/96 é medida excepcional, devendo ficar comprovado de forma inequívoca o embaraço à fiscalização. Recurso de Oficio Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Luiz Carlos de Andrade Jr., OAB/SP nº 258521. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Em decorrência de ação fiscal desenvolvida junto à empresa qualificada, foram lavrados os seguintes autos de infração: ü de fls. 2165/2176, em que são exigidos R$ 473.969,54 de PIS/Pasep, além de multa de ofício de 112,50% e encargos legais, em face da insuficiência de recolhimento da contribuição, relativamente ao período de apuração compreendido entre 01/2008 e 12/2008 consoante descrição dos fatos e enquadramento legal, demonstrativo de apuração e demonstrativo de multa e juros de mora, e ü de fls. 2179/2188, em que são exigidos R$ 2.186.410,92 de Cofins, além de multa de ofício de 112,50% e encargos legais, em face da insuficiência de recolhimento da contribuição, relativamente ao período de apuração compreendido entre 01/2008 e 12/2008 consoante descrição dos fatos e enquadramento legal, demonstrativo de apuração e demonstrativo de multa e juros de mora,. Conforme “Termo de Verificação Fiscal” (TVF), de fls. 2159/2164, foi aberto procedimento fiscal (MPF de n° Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 19515.721671/201369 Acórdão n.º 3201002.021 S3C2T1 Fl. 2.308 3 08.1.90.002011023790), iniciado em 02/08/2011, com o objetivo de fiscalizar a empresa GENERAL MILLS BRASIL LTDA, CNPJ 01.269.194/000198, incorporada pela empresa GENERAL MILLS BRASIL ONE LTDA, CNPJ 15.715.537/000105, que, por sua vez, foi incorporada pela Yoki Alimentos Ltda, a qual, responde pelos impostos devidos pelas empresas incorporadas. O procedimento fiscal apurou duas infrações à legislação tributária: receitas indevidamente não incluídas na base de cálculo das contribuições e insuficiência de recolhimento e de declaração. Relativamente à primeira ocorrência receitas indevidamente não incluídas na base de cálculo das contribuições, o Auditor fiscal autuante verificou em análise dos DACON retificados em março e abril de 2013 que eles apresentavam valores divergentes entre a “Receita de Vendas de Bens e Serviços e Demais Receitas” e a respectiva “Base de Cálculo das Contribuições PIS/COFINS”, o que motivou a intimação de 15/04/2013, para que a fiscalizada pudesse se explicar as diferenças encontradas: (tabela à fls. 2258) Em atendimento à intimação, a interessada, em 23/04/2013, informou que “a diferença existente provavelmente se refere aos montantes do ICMS apurado nas operações de venda de produtos e aos valores auferidos a título de outras receitas, que foram excluídos da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS”. Explica a autoridade fiscal, então, que excluindo da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS os valores auferidos a título de outras receitas, referente à alíquota ZERO ou não incidente, a diferença, demonstrada a seguir, corresponde ao ICMS excluído da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS: (tabela à fls. 2259) ao assunto. Diz que a contribuinte excluiu o ICMS da base de cálculo com fundamento na apreciação do Plenário do STF, em julgamento do Recurso Extraordinário n° 240.7852/MG. Ressalta, porém, que além da fiscalizada não fazer parte do Recurso acima referido, a exclusão dos valores de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS está em desacordo com a legislação. Lavrou, então, os respectivos Autos de Infração, com fundamento nos arts. 1o , 2° e 4o da Lei n° 10.637/2002 e arts. 1o, 2o, e 5o da Lei n° 10.833/2003. Relativamente à segunda infração, insuficiência de recolhimento e de declaração, relata a autoridade fiscal que a fiscalizada foi intimada a explicar as divergências entre os valores a recolher de PIS e de Cofins, indicados nos DACON, e os efetivamente recolhidos, informados nas DCTF: (tabela à fls. 2260) Fl. 2310DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 Intimada, a Yoki Alimentos Ltda. consignou que as diferenças decorrem da retificação da apuração das Contribuições efetuadas no Dacon (ICMS na base de cálculo das contribuições), mas que ainda não foram refletidas em suas DCTF, que de igual forma precisariam ser retificadas. Tal justificativa não foi aceita pela fiscalização, que lavrou, com base nas insuficiências de recolhimento, as contribuições correspondentes. Por fim, relata o Auditor Fiscal que ocorreu, no curso do procedimento fiscalizatório, embaraço à fiscalização, conforme Termo de Embaraço lavrado em 23/07/2012. Em função disso, a penalidade pelas infrações acima mencionadas foram agravadas nos termos do art. 86, § 1o, da Lei n° 7.450/85; art. 2o da Lei n° 7.683/88; e art. 44, inciso I e § 2o, da Lei n° 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15/06/2007. Cientificada em 19/08/2013 (fls. 2.172 e 2.185), a contribuinte interpôs impugnação em 18/09/2013, a seguir sintetizada. Após uma breve descrição dos fatos, a impugnante diz que atendeu diligentemente a todas as solicitações de documentos e informações das autoridades fiscais e que demonstrará a total improcedência do Auto de Infração. No item “II – DIREITO”, estrutura sua decisão em 3 tópicos: decadência, exclusão do ICMS da base de cálculo e descabimento do agravamento da penalidade. Relativamente à decadência, alega que parte do crédito tributário exigido por meio do Auto de Infração encontrase decaída, nos termos do art. 150, § 4o, do CTN. Afirma que, como a ciência do Auto de Infração ocorreu em 19/08/2013, esse somente poderia compreender fatos geradores posteriores a 19/08/2008. Desse modo, entende que se encontram extintos, pela homologação tácita prevista no art. 156, inc. VII, do CTN, o crédito tributário exigido no Auto de Infração dos fatos geradores dos meses de janeiro a julho de 2008. Argumenta que o STJ consolidou o entendimento de que, tendo havido pagamento antecipado de qualquer montante do tributo lançado, aplicase o prazo decadencial do art. 150, § 4°, do CTN, em detrimento do previsto no art. 173, I, do CTN. Diz que tal posição está firmada em diversos precedentes, inclusive, no julgamento do Recurso Especial de n° 973.733/SC, de 12/08/2009, o qual se submeteu à sistemática do artigo 543C do CPC. Aduz que os órgãos de julgamento administrativo encontramse vinculados ao decidido pelo STJ pelo mecanismo dos recursos repetitivos. Afirma que o Parecer PGFN n° 396/13 determina que não devem ser lançadas as obrigações tributárias cujos fundamentos contrastem com o que já tenha sido decidido nos termos do art. 543C do CPC. Assevera que, no mesmo sentido, as DRJs devem observar esta diretriz, cancelando as exigências que afrontem as decisões tomadas em consonância com o citado art. 543C do CPC e Parecer PGFN n° 396/13. A impugnante explica, ainda, que o CARF prevê a reprodução imediata das decisões tomadas segundo o art. 543C do CPC, por meio do artigo 62A do seu Regimento Interno. Em vista disso, diz que o tema da decadência em vista de pagamento antecipado encontrase pacificado no CARF. Fl. 2311DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 19515.721671/201369 Acórdão n.º 3201002.021 S3C2T1 Fl. 2.309 5 Afirma, ademais, que, no presente caso, inexiste acusação de dolo, fraude ou simulação, razão pela qual a única circunstância que poderia justificar o afastamento da decadência seria a ausência de antecipação do pagamento. Alega, porém, que, conforme demonstram os comprovantes (doc. 2), a General Mills realizou pagamentos de PIS e COFINS em todos os meses compreendidos entre janeiro e julho de 2008. No tocante à questão da “exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS”, aduz que “faturamento” corresponde ao somatório do valor das operações negociais realizadas pelo contribuinte, ou seja, faturar é obter receita bruta proveniente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Receita, por sua vez, seria toda adição que integrar incondicionalmente e de forma definitiva o patrimônio da pessoa jurídica. Trazendo doutrina de Ricardo Mariz de Oliveira, afirma que “toda e qualquer receita é um plus no patrimônio da pessoa jurídica, algo a mais que se acrescenta a ele”. Diz, porém, que só é receita se esse plus que se integrar em definitivo ao patrimônio da pessoa. Entende que dois elementos são essenciais para caracterizar as receitas: a adição do valor ao patrimônio de quem o recebe e a definitividade deste ingresso no patrimônio, de modo que o conceito de receita não pode compreender todo o conjunto de ingressos de caixa que venham a ocorrer no curso das atividades desempenhadas pela empresa. Em suma, os valores monetários que transitam no patrimônio das pessoas jurídicas sem a ele se incorporarem não se configuram receitas. Assim sendo, argumenta a interessada que “resta claro que o ICMS, imposto devido pelo contribuinte em razão da circulação de mercadorias, naturalmente não pode compor nem o faturamento, nem a receita da ora Recorrente”. Diz que a integração do valor do ICMS nas bases de cálculo do PIS e da COFINS traz como consequência o cálculo de exações sobre receitas que não lhes pertencem e leva ao inaceitável entendimento de que a empresa “fatura ICMS”. Traz doutrina e decisões judiciais sobre o assunto. Aduz, ainda, que embora tenha ciência de decisões proferidas no sentido de que o ICMS deve ser incluído nas bases de cálculo do PIS e da COFINS, também é fato que seis dos onze Ministros do STF, que analisaram a questão no bojo do Recurso Extraordinário n° 240.7852, já votaram a favor da exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS. Argumenta que os órgãos de julgamento administrativo podem afastar a aplicação de normas consideradas inconstitucionais pelo Plenário do STF, como se extrai do art. 26A, §6o, I, do Decreto n° 70.235/72. Alega que a matéria encontrase afetada à sistemática de julgamento prevista no artigo 543B do CPC, haja vista o STF ter reconhecido a repercussão geral da matéria. Assevera que a necessidade de os órgãos de julgamento administrativo observarem as decisões proferidas sob o rito do artigo 543B do CPC, afirmada no citado Parecer PGFN n° 396/13, ressalta a necessidade de se atentar para a tendência jurisprudencial revelada pelos seis votos já proferidos pelos Ministros do STF. Fl. 2312DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 Requer que se repute válido o procedimento adotado pela autuada, consistente em não incluir o ICMS nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. Requer, também, o “descabimento do agravamento da penalidade”. Diz que acaso seja mantido o lançamento consubstanciado no Auto de Infração, devese, ao menos, redimensionar a multa de ofício cominada à Impugnante, cancelandose o agravamento por embaraço à fiscalização. Relata que, em 23/07/2012, foi lavrado “termo de embaraço à fiscalização”, do qual consta uma extensa narrativa relativa a termos de intimação, termos de reiteração de intimação e de respostas apresentadas pela Impugnante. Extraise que a impugnante teria deixado de apresentar resposta ao termo de reiteração de intimação fiscal de 02/07/2012, por meio do qual a autoridade fiscal solicitava os seguintes elementos: cópia do processo ou certidão de objeto e pé do RE n° 240.7852/MG; documentos fiscais relativos a descontos incondicionais concedidos em outubro de 2008; e DACON retificadores, contemplando os ajustes informados pela Impugnante, em resposta à intimação de 09/04/2012. Afirma que, à primeira vista, poderseia supor, realmente, ter “embaraçado” a fiscalização, pois após tantos pedidos de informação teria frustrado as expectativas da autoridade fiscal. Afirma, porém, que a jurisprudência administrativa tem interpretado com temperamento o § 2o do art. 44 da Lei n° 9.430/96. Sustenta que se tem consolidado o entendimento de que não é qualquer falha no atendimento à fiscalização que justifica a exasperação da penalidade de ofício, ou seja, deve a omissão do contribuinte criar um obstáculo efetivo à constituição do crédito tributário. Por outras palavras, o esclarecimento ou documento que deixar de ser apresentado deve ser ao mesmo tempo imprescindível para a realização do lançamento e inacessível à autoridade fiscal, senão mediante requisição ao contribuinte. Traz jurisprudência sobre o assunto. Aduz, na sequência, que a falta de apresentação de certidão de objeto do Recurso Extraordinário n° 240.7852/MG não tem o condão de embaraçar a fiscalização, haja vista a autoridade fiscal poder obter este documento por outros meios. Argumenta que “é difícil imaginar o porquê de a ausência de apresentação deste documento ter motivado a lavratura do termo de embaraço à fiscalização, em vista do que concluiu a autoridade fiscal sobre a questão no TVF: ‘Desta forma, além da fiscalizada não fazer parte do suprareferido Recurso, a exclusão ou não inclusão dos valores correspondentes ao ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, está em desacordo com a legislação (...)”. Ou seja, na visão da interessada, bastaria à autoridade fiscal consultar a página de acompanhamento do Recurso Extraordinário n° 240.7852 / MG no sítio do STF na internet para se tomar a decisão acima. Relativamente aos descontos incondicionais concedidos, afirma a interessada que, por expressa previsão legal, eles não integram a base de cálculo do PIS e da COFINS (art. 1o, V, “a”, da Lei n° 10.637/02; art. 1o, V, “a”, da Lei n° 10.833/03). Por isso, no entender da impugnante, não há razão para se qualificar a multa de ofício por embaraço à Fl. 2313DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 19515.721671/201369 Acórdão n.º 3201002.021 S3C2T1 Fl. 2.310 7 fiscalização, mas apenas glosar a despesa, pois da não apresentação de um documento que somente aproveita ao contribuinte é logicamente impossível resultar prejuízo à fiscalização. Traz jurisprudência sobre o assunto. Diz, ainda, que, por deliberada opção da autoridade fiscal, os descontos incondicionais concedidos não foram questionados no Auto de Infração. Mas isto não decorreu de qualquer embaraço, pois, diante da ausência da apresentação dos documentos solicitados, poderia a autoridade fiscal formular a exigência correlata por falta de comprovação dos fundamentos das deduções efetuadas. Por fim, aduz que o mais grave foi a suposição de que a não entrega de DACON retificador poderia caracterizar embaraço à fiscalização. Diz que tais retificações referemse à resposta protocolizada em 09/04/2012, ocasião em que informou que efetuara o confronto das receitas declaradas nos DACON e na DIPJ. Esclareceu que, considerandose a exclusão de valores relativos a descontos incondicionais e do ICMS, as diferenças entre as bases examinadas seriam menores que aquelas apontadas pela autoridade fiscal; e que, por conta disso, seria necessário retificar os DACON atinentes ao anocalendário de 2008. Entende que a realização de tais retificações não influiu na lavratura do Auto de Infração, já que o entendimento da autoridade fiscal é o de que o ICMS não pode ser excluído das bases de cálculo do PIS e da COFINS. Diz que é evidente que, para efetuar o lançamento de ofício, a autoridade fiscal não depende de qualquer retificação de declaração, por parte do contribuinte. Tanto é assim que se tem por certa a completa irrelevância da retificação efetuada no curso da ação fiscal. Em vista, precisamente, desta irrelevância, não se pode dizer que uma retificação realizada durante a fiscalização possa aproveitar ao contribuinte ou prejudicar a fiscalização. Diante do exposto, pleiteia a redução da penalidade aplicada de 112,5% para 75%. Requer, enfim, a improcedência do Auto de Infração, a produção de todas as provas admitidas em direito e que todas as intimações e comunicações sejam remetidas ao endereço da Impugnante e ao escritório de seus advogados." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pela procedência parcial da impugnação. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. Nos termos do art. 150, § 4º do CTN, existindo pagamento suscetível de ser homologado, o prazo decadencial deve ser contado a partir da ocorrência do fato gerador; em não havendo Fl. 2314DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 pagamento, a contagem deve ocorrer segundo a regra do art. 173, I, do CTN. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS integra a base de cálculo da Cofins. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ERRO MATERIAL. CORREÇÃO. Constatada a existência de erro material na determinação do tributo devido, deve a exigência ser corrigida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. Nos termos do art. 150, § 4º do CTN, existindo pagamento suscetível de ser homologado, o prazo decadencial deve ser contado a partir da ocorrência do fato gerador; em não havendo pagamento, a contagem deve ocorrer segundo a regra do art. 173, I, do CTN. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS integra a base de cálculo do PIS/Pasep. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ERRO MATERIAL. CORREÇÃO. Constatada a existência de erro material na determinação do tributo devido, deve a exigência ser corrigida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 MULTA AGRAVADA. INAPLICABILIDADE. O agravamento da multa na forma do art. 44, § 2º, a Lei 9.430/96 é medida excepcional, devendo ficar comprovado de forma inequívoca o embaraço à fiscalização. INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nos casos expressamente previstos. COMUNICAÇÃO. ATOS PROCESSUAIS. ESCRITÓRIO DO ADVOGADO. As notificações e intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Tendo a parte exonerada superado limite de alçada foi apresentado pela turma julgadora o competente recurso de ofício. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Fl. 2315DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 19515.721671/201369 Acórdão n.º 3201002.021 S3C2T1 Fl. 2.311 9 Tratase de recurso de ofício manejado pela Delegacia de Julgamento, que analisando a impugnação apresentada pelo contribuinte, entendeu por cancelar parte da exigência, justificando a exoneração parcial em razão da aplicação do instituto da decadência para parte do lançamento, cancelamento do agravamento da multa por embaraço a fiscalização e correção do valor exigido por vício material na apuração da base de cálculo das contribuições. A seguir passo a análise das matérias que foram julgadas pela DRJ que implicaram no cancelamento parcial da exigência fiscal. Da decadência O prazo para exigência do PIS e da Cofins é de 5 (cinco) anos, contados a partir da data do fato gerador, caso tenha ocorrido antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º do CTN ou nos outros casos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Nos termos constantes do acórdão recorrido, foi comprovado a existência de pagamentos referentes ao PIS e a COFINS para o período exigido no auto de infração, assim, aplicase para a contagem do prazo decadencial, o art. 156, § 4º do CTN, o que foi corretamente adotado pela decisão recorrida. Da multa por embaraço a fiscalização Nos termos do acórdão, bem delineados pela autoridade julgadora da primeira instância, em que pese as diversas intimações que foram necessárias para a fiscalização concluir o trabalho fiscal, tais contratempos não impediram ou causaram embaraço suficiente para interferir no lançamento fiscal. Portanto, também para esta matéria, correta a decisão da autoridade a quo de exonerar a multa por embaraço a fiscalização. Do erro na base de cálculo. Por fim, foi exonerado parte do lançamento, em razão de erro identificado na base de cálculo utilizada pela fiscalização para cálculo das contribuições devidas. A decisão de piso detalhou assim as divergências na base de cálculo. Erro material Por fim, constatouse a ocorrência de erro material na elaboração dos autos de infração combatidos. Embora o Auditor Fiscal tenha demonstrado o valor do ICMS retirado indevidamente da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, excluindo desta os valores auferidos a título de outras receitas (alíquota zero, por exemplo), o valor lançado teve como base de cálculo o valor sem tal exclusão. Tomese, como Fl. 2316DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 10 exemplo, o mês de janeiro de 2008: o valor lançado dos tributos teve como base de cálculo o montante de R$ 1.689.075,43; contudo, o valor da exclusão indevida do ICMS é, conforme demonstrado pela autoridade fiscal, de R$ 1.556.942,13. Por tal motivo, os cálculos apresentados nos autos de infração devem ser corrigidos, tendo como base de cálculo os valores apresentados à fl. 2.161 do processo e reproduzidos no relatório deste Acórdão (segunda tabela). A autoridade a quo detalhou de forma cristalina os equívocos na apuração das contribuições devidas, não existindo reparo a ser feito no acórdão recorrido também para esta matéria. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Winderley Morais Pereira Fl. 2317DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 13850.000225/2008-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1302-000.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 50 .0 00 22 5/ 20 08 -6 2 Fl. 519DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13850.000225/200862 Resolução nº 1302000.382 S1C3T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO PARKER HANNIFIN INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo – I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que homologou parcialmente compensações declaradas com saldo negativo de IRPJ apurado no período de 01/01 a 28/06/2002 pela incorporada de mesma razão social, inscrita no CNPJ sob nº 57.641.714/000104. Consta do despacho decisório de fls. 167/173 que a contribuinte deduziu juros sobre o capital próprio acima do limite legal, bem como reduziu, por duas vezes, o lucro tributável em razão de determinadas despesas com pessoal. Em conseqüência, a apuração do IRPJ devido no período em referência foi assim reconstituída: Informação da contribuinte Resultado do trabalho fiscal Lucro real apurado pela empresa 204.000,86 204.000,86 Excesso de JSCP 779.363,97 Duplicidade de custos/despesas 2.639.426,52 Lucro real apurado pela fiscalização 3.622.791,35 Alíq. 15% 30.600,13 543.418,70 Adicional 8.400,09 350.279,14 IRPJ Apurado 39.000,22 893.697,84 () PAT 1.224,01 1.224,01 () Estimativas 1.736.532,35 1.736.532,35 IRPJ a Pagar 1.698.756,15 844.058,52 Crédito Pleiteado 1.698.756,15 Crédito Deferido 854.697,62 A autoridade fiscal também consignou que a contribuinte não esclareceu porque promoveu compensações em atraso adicionando ao principal apenas os juros de mora. Reconhecido parcialmente o direito creditório, as compensações declaradas de 31/05/2004 a 24/09/2007 restaram parcialmente homologadas. Cientificada da decisão em 29/06/2009, a interessada manifestou sua inconformidade, alegando que os juros sobre o capital próprio também se referiam ao anocalendário 2001, e observaram os limites em razão de seu patrimônio líquido nos anoscalendário 2001 e 2002. Esclareceu, ainda, que não houve dedução em duplicidade de custos/despesas e argüiu a homologação tácita de sua apuração finalizada em 28/06/2002. A Turma julgadora rejeitou a argüição de decadência, manteve a glosa do excedente de juros sobre o capital próprio e declarou insuficientes as provas apresentadas para afastar a conclusão de que houve dedução de custos/despesas em duplicidade. A decisão restou assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 520DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13850.000225/200862 Resolução nº 1302000.382 S1C3T2 Fl. 4 3 Período de apuração: 01/01/2002 a 28/06/2002 Verificação da Base de Cálculo do IRPJ. Lançamento versus Reconhecimento de Indébito Tributário. A verificação da base de cálculo do tributo é cabível não apenas para fundamentar lançamento de ofício, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/01/2002 a 28/06/2002 Pagamento de Juros sobre Capital Próprio. Dedutibilidade. Regime de Competência e Critérios Temporais. Dedução em Exercícios Posteriores. Vedação. O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em razão do regime de competência. Incabível a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e a societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou. Duplicidade de dedução de Custos/Despesas Operacionais. Ainda que alguns tipos de gastos sejam passíveis de rateio entre os custos de produção e as despesas operacionais, todo o procedimento de rateio deve ser realizado na escrituração comercial da empresa e observar a legislação tributária acerca da avaliação dos estoques, dos custos e do resultado da atividade. A DIPJ não deve ser usada para correção de omissões nos registros contábeis. As planilhas apresentadas para comprovação da regularidade do procedimento adotado, em que não feita qualquer referência às contas contábeis porventura incluídas nas demonstrações, não são provas hábeis, sequer para respaldar a solicitação de prova diligencial na escrituração comercial da empresa. Cientificada da decisão de primeira instância em 05/05/2014 (fl. 410), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 03/06/2014 (fls. 412/514). Preliminarmente argúi a nulidade da decisão recorrida, porque o despacho decisório ora combatido questiona apenas e tãosomente a existência de possível duplicidade na dedução dos custos e despesas informados nas fichas 04A e 05A da DIPJ, e a autoridade julgadora de 1a instância, ao exigir que a Recorrente comprove que os custos operacionais e despesas administrativas integraram o produto final representa indevida modificação do despacho decisório. Demais disso, a autoridade julgadora de 1a instância apontou que a documentação apresentada em sede de manifestação de inconformidade pela Recorrente não seria hábil a comprovar a regularidade das deduções realizadas, pois não haveria a indicação das contas contábeis integrantes de cada uma das planilhas apresentadas, mas esta descrição consta das planilhas, o que dispensa a indicação dos códigos das respectivas contas. Tendo em conta os termos do que lhe foi exigido durante o procedimento fiscal, seria inadmissível que a autoridade julgadora de 1a instância deixasse de analisar a documentação apresentada pela Recorrente sem apresentar a necessária fundamentação. Reitera a alegação de decadência, afirmando a inexistência de fundamento legal que permita a revisão do lucro real após o transcurso do prazo decadencial, ainda que se destine a verificar a liquidez e certeza do crédito utilizado em declaração de compensação. Reportandose aos arts. 150, §4o e 173, inciso I, ambos do CTN, e observando que o IRPJ é Fl. 521DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13850.000225/200862 Resolução nº 1302000.382 S1C3T2 Fl. 5 4 tributo sujeito ao lançamento por homologação, a recorrente defende que a revisão de sua apuração encerrada em 28/06/2002 somente poderia ser promovida até 28/06/2007, e destaca que a justificativa de que a certeza e a liquidez do crédito objeto de compensação estariam sob análise certamente não pode servir de fundamento para alterar tal conclusão. Embora concorde que somente deve ser deferida a compensação de créditos líquidos e certos, a recorrente discorda da inexistência de limite temporal para análise da apuração do tributo que se pretende compensar, e acrescenta que a homologação formal ou tácita, prevista no art. 150, §4o do CTN, recai sobre toda a apuração do tributo realizada pelo contribuinte. Afirma contraditória a concordância do Fisco com o lançamento realizado pelo contribuinte, homologandoo tacitamente, para em um momento posterior iniciar uma revisão deste lançamento sob o pretexto de que se faz necessário verificar a liquidez e a certeza do crédito tributário compensado. Ressalta, porém, que o Fisco ainda pode, assim, conferir a certeza e liquidez do crédito, confirmando o recolhimento ou a compensação das antecipações mensais, as retenções do Imposto de Renda Retido na Fonte, o Imposto de Renda pago no exterior, entre outras parcelas, mas tendo como ponto de partida para conferência o lucro real e a apuração do IRPJ declarado pela Recorrente e homologado tacitamente pelas autoridades fiscais. Cita doutrina e jurisprudência administrativa neste sentido. Na sequência, afirma a inexistência de vedação legal à dedutibilidade do pagamento de juros relativos aos períodos anteriores, reportandose às disposições da Lei nº 9.249/95 e destacando que a própria autoridade julgadora de 1a instância reconhece a inexistência de vedação legal. Assim, com base no princípio da legalidade, pede que seus cálculos de juros e de dedução do lucro real sejam aceitos no presente caso. Defende, também, que não houve ofensa ao regime de competência, na medida em que as despesas de juros sobre o capital próprio foram deduzidas no anocalendário em que foram efetivamente incorridas, observando as disposições da Lei nº 6.404/76, dado que tais despesas somente são incorridas quando definido o seu pagamento, momento no qual é gerada uma obrigação para a empresa e um direito creditório aos sócios e acionistas. Ressalta que admitir que o período de competência dos juros sobre o capital próprio seria o período de apuração das contas de patrimônio líquido independentemente da deliberação dos acionistas sobre o pagamento desses juros resultaria na absurda situação de se considerar uma despesa, que talvez nunca seja materializada, como uma despesa incorrida. Conclui que o procedimento adotado pela Recorrente de computar como despesa, no anocalendário de 2002, os juros sobre o capital próprio deliberados em tal ano observou, fielmente, o regime de competência, independentemente de os referidos juros terem sido calculados sobre as contas de patrimônio líquido de 2001 e 2002. Transcreve ementas de acórdãos deste Conselho e do Superior Tribunal de Justiça em favor de seu entendimento. Acrescenta, porém, que embora não tenha sido aventado pelas autoridades fiscal e julgadora, a ausência de deliberação por parte dos sócios ou acionistas em reunião ou assembleia, a ser realizada até abril do ano seguinte ao término do exercício social, para definir o pagamento de juros sobre o capital próprio relativo às contas de patrimônio líquido do exercício encerrado, não implica em renúncia tácita a tal direito, dado inexistir dos arts. 1071, 1072 e 1078 do Código Civil qualquer regra com relação à deliberação dos juros sobre o capital próprio. Destaca que tais decisões são guiadas pela conveniência e necessidade negocial da sociedade, observa que a deliberação aconteceu em 2002, consigna que o Ordenamento Jurídico não dá guarida para a renúncia presumida, tácita, de direitos sem Fl. 522DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13850.000225/200862 Resolução nº 1302000.382 S1C3T2 Fl. 6 5 previsão legal neste sentido, reportase a doutrina acerca do art. 114 do Código Civil e esclarece que a sociedade apenas decidiu não deliberar sobre os juros em 2001. Defende a aplicação do art. 202 da Lei nº 6.404/76, que concede à sociedade a liberdade para determinar o momento de distribuição de dividendos, dado que os juros sobre o capital próprio também representam forma de remuneração do capital ao acionista. Observa que os dividendos retidos são destinados para uma reserva especial que, nos exercícios subseqüentes, poderá ser utilizada para absorção de prejuízos da companhia, podendo o sócio vir a recebêlos caso a situação financeira da companhia melhore, e da mesma forma, os juros sobre o capital próprio permanece como um direito dos acionistas, que pode ser pago sem limite temporal. Finaliza indicando decisão do TRF/4a Região em favor desta argumentação. Com referência à acusação de duplicidade de custos e despesas, reitera a argüição de nulidade da decisão recorrida e prossegue afirmando que a conclusão das dd. autoridades fiscais decorreu da equivocada e incompleta análise dos fatos e da natureza dos valores informados em DIPJ. Esclarece que a empresa incorporada promovia a alocação de despesas por centro de custo, delas destacando os valores referentes à produção da empresa para alocação na Ficha 04A da DIPJ, sendo que em razão dos demais valores controlados, a visualização dessa transferência depende da abertura dos valores de cada uma das linhas em comento. Reportase ao conteúdo das planilhas apresentadas em sua defesa, e afirma inexistir dúvida de que não houve duplicidade de dedução desses valores na apuração do lucro real. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13850.000225/200862 Resolução nº 1302000.382 S1C3T2 Fl. 7 6 VOTO Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A recorrente argúi a nulidade da decisão recorrida em razão de modificação na motivação do ato questionado, bem como por inexistir justificativa válida apresentada para se deixar de analisar a documentação apresentada com a manifestação de inconformidade. No que tange à glosa de custos/despesas, consta do despacho decisório que: 4. O contribuinte foi, também, intimado a apresentar planilha de composição do valor de R$11.997.987,54, informado na ficha 04A, linha 16 (Outros Custos) da DIPJ Ex. 2003 entregue pela incorporada Parker Hannifin Indústria e Comércio Ltda, CNPJ 57.641.714/000104. 4.1. Em resposta, apresentou a planilha de folhas 67 e 68, a qual contém, dentre outras rubricas, as listadas abaixo: a) Adic. Insal/Notur/Brigada R$10.282,19 b) Aviso Prévio/Indenizações R$17.849,57 c) Descanso Semanal Remun. R$36.851,83 d) Encargos Sociais R$660.678,91 e) FGTS R$165.860,17 f) HorasExtras s/Ordenados R$11.840,39 g) Hr Extra Mão Obra Direta R$475,13 h) Hr Extra Mão Obra Indireta R$5.909,49 i) Ordenados R$958.712,68 j) Provisão de Férias R$346.320,30 k) Provisão s/ 13º Salário R$255.264,13 1) Salário Mão Obra Direta R$3.601,37 m) Salário Mão de Obra Indireta R$183.982,36 4.2. Uma nova intimação foi necessária para esclarecer a natureza dos itens acima e a razão pela qual os seus valores não estão informados nas linhas específicas das fichas 04A (Custo dos Bens e Serviços Vendidos) e 05A (Despesas Operacionais) da DIPJ. 4.3. Em resposta, aduz que tais valores referemse a pagamentos a funcionários administrativos através de folha de pagamento e que não foram informados nas linhas específicas da ficha 04A porque constam em linhas específicas da ficha 05A, mas que teriam sido subtraídas, nessa mesma ficha, na linha 30 (fl. 76). 4.4. A linha 30 acima contém um valor de apenas R$14.125,50 (negativos) (fl. 16); intimado a apresentar a planilha de sua composição, o contribuinte solicitou prorrogação do prazo de resposta por 30 dias; no entanto, passado mais de dois meses, não apresentou nenhuma resposta (fls. 80 a 82). 4.5. Observase, então, que, se os valores estão contidos na planilha de composição da ficha 04A, linha 16 (Outros Custos), e foram também informados nas linhas específicas da ficha 05A (como explicado pelo contribuinte), os seus montantes estão reduzindo o Lucro Real duas vezes, como se vê abaixo: Fl. 524DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13850.000225/200862 Resolução nº 1302000.382 S1C3T2 Fl. 8 7 Planilha de Composição Ficha 04A Linha 16 Outros Custos DIPJ Ficha 05A na qual a contribuinte afirma haver informado os valores Ordenados, salários e outras remunerações Adic. Insal/Notur/Brigada 10.282,19 Aviso Prévio/Indenizações 17.849,57 Descanso Semanal Remun 36.851,83 Horas Extras s/ Ordenados 11.840,39 Hr Extra Mão de Obra Indireta 5.909,49 Ordenados 958.712,68 Salário Mão de Obra Indireta 183.982,36 Subtotal 1.225.428,51 8.436.635,25 Linha 02 Encargos Sociais (inclusive FGTS) Encargos Sociais 660.678,91 FGTS 165.860,17 Subtotal 826.539,08 2.958.172,17 Linha 05 Provisão para Férias e 13º Salário de Empregados Provisão de férias 346.320,30 Provisão 13º Salário 255.264,13 Subtotal 601.584,43 2.238.025,91 Linha 22 Total Duplicado 2.653.552,02 Valor subtraído na Ficha 05 A Linha 30 14.125,50 Total a ser adicionado ao Lucro Real 2.639.426,52 Analisando as justificativas apresentadas pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade, a autoridade julgadora de 1ª instância sintetizou os motivos da glosa e prosseguiu nos seguintes termos: Por ocasião da manifestação de inconformidade, a sucessora/incorporadora complementou os esclarecimentos, nos termos abaixo: Com exceção dos custos re lac ionados diretamente à produção de mercadorias (tais como, insumos, pessoal aplicado, depreciações etc., que são informados diretamente nas linhas específicas da Ficha 04A), a Incorporada adotava como procedimento para a apuração de despesas operacionais e outros custos (i) a apuração do valor total das despesas relacionadas às suas atividades e, em seguida, (ii) a alocação/rateio dessas despesas por centro de custo. Dessa forma, a Incorporada realizava a apuração das despesas e outros custos de forma consol idada e lançava esse valor nas linhas específicas da Ficha 05A da DIPJ. Em seguida, seguindo o cr itério de rate io dessas despesas e custos entre as áreas administrat iva e de produção da empresa, as despesas administrat ivas eram mantidas nas linhas da Ficha 05A (sendo assim tratadas como ‘despesas operacionais’), enquanto os custos relacionados à área de produção eram transferidos para a Ficha 04A (sendo assim tratados como Custo da Mercadoria Vendida). A transferência dos custos relacionados à área de produção era feita mediante a dedução na l inha 30 da Ficha 05A da DIPJ e a adição na l inha 16 da F icha 04A . Fl. 525DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13850.000225/200862 Resolução nº 1302000.382 S1C3T2 Fl. 9 8 Considerando que ambas as linhas mencionadas acima referemse a ‘outros’ custos/despesas, elas contêm outros custos/despesas além dos valores transferidos da Ficha 05A para a Ficha 04A, de forma que a visualização dessa transferência depende da abertura dos valores de cada uma das linhas em comento, como se faz a seguir. Especificamente com relação ao anocalendário de 2002, o valor total das despesas administrativas apurada pela Incorporada foi de R$ 9.205.349.46. conforme se comprova pela planilha de resumo dos lançamentos contábeis (Doc. 11). Esse valor foi lançado nas linhas específicas da Ficha 05A DIPJ como despesas operacionais do período. Após a verificação do rateio dessas despesas, a Incorporada verificou que o valor de R$ 6.797.333.59 referiase a custos relacionados à produção de suas mercadorias, razão pela qual esse valor deveria ser excluído da ficha 05A e adicionado à ficha 4A. Esse procedimento foi realizado mediante a exclusão do valor de R$6.797.333.59 da conta resumida na linha 30 da Ficha 05A. Como essa linha contém uma série de outras despesas não especificadas pela empresa nas outras linhas da Ficha 05A e que o valor informado na DIPJ consiste na somatória de todos os itens pertinentes a essa linha, a Impugnante apresenta a composição do valor (Doc. 12). Na planilha anexa, verificase claramente que os últimos, lançamentos referemse justamente aos custos transferidos à Ficha 04A, somando os R$ 6.797.333,59. Assim, o valor de R$ 6.797.333,59 excluído da Ficha 05A foi transferido para a linha 16 da Ficha 04A, cuja composição está detalhada na planilha anexa (Doc. 13), totalizando o valor de R$ 11.997.987,54. Portanto, resta comprovado que os custos associados à produção de mercadorias (R$ 6.797.333,59) foram devidamente excluídos da Ficha 05A e, então, inc luídos na Ficha 04A , de forma que não houve dupl icidade de dedução desses valores na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Nos bancos de dados da RFB, temse que a sucedida/incorporada apresentou três DIPJ relativa ao período de 01/01 a 28/06/2002, com as informações abaixo, que não foram alteradas nas retificadoras: Data da entrega da DIPJ 31/07/2002 Ficha 04A Custos dos Bens e Serviços Vendidos 16. Outros Custos 11.997.987,54 42. Total dos Custos 59.775.393,52 Parcelas Não Ficha 05A Despesas Operacionais Total Dedutíveis 30. Outras Despesas Operacionais 14.125,50 158.041,12 31. Total das Despesas Operacionais 19.826.996,32 302.408,83 Data da entrega da DIPJ 30/11/2005 Ficha 04A Custos dos Bens e Serviços Vendidos 16. Outros Custos 11.997.987,54 42. Total dos Custos 59.775.393,52 Parcelas Não Ficha 05A Despesas Operacionais Total Dedutíveis 30. Outras Despesas Operacionais 14.125,50 158.041,12 31. Total das Despesas Operacionais 19.826.996,32 302.408,83 Data da entrega da DIPJ 30/11/2005 Ficha 04A Custos dos Bens e Serviços Vendidos Fl. 526DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13850.000225/200862 Resolução nº 1302000.382 S1C3T2 Fl. 10 9 Data da entrega da DIPJ 30/11/2005 16. Outros Custos 11.997.987,54 42. Total dos Custos 59.775.393,52 Parcelas Não Ficha 05A Despesas Operacionais Total Dedutíveis 30. Outras Despesas Operacionais 14.125,50 158.041,12 31. Total das Despesas Operacionais 19.826.996,32 302.408,83 Compulsando a documentação trazida aos autos, com a manifestação de inconformidade, no denominado doc. 11 – fls. 323, temse uma planilha de rateio de custos, em que demonstrado que do total de custos da atividade de R$9.205.349,46: R$6.797.333,59 (74%) eram custos; e R$2.408.015,87 eram despesas administrativas. Na sequência (fls. 324/336), temse uma planilha de rateio por centro de custo, subconta, descrição, total, percentual e valor transferido para custos, a totalizar R$6.797.333,59. No denominado doc. 12 (fls. 339/340), temse outra planilha por conta, saldo final, informado na Ficha 05A, Linha 30 da DIPJ, no total de (R$14.125,50). O valor teria resultado negativo porque as despesas transferidas para custos (Ficha 04A, Linha 16), no total de R$6.797.333,59, teria excedido o valor das outras despesas operacionais discriminadas na planilha, e informado na mesma Linha. No denominado documento 13 (fls. 342/343), a interessada visou a demonstrar o valor informado na Ficha 04A, Linha 16 – Outros Custos, no valor total de R$11.997.987,54, composto pelo valor transferido da Ficha 05A, Linha 30, de R$6.797.333,59 (a título de alocação de custos indiretos), mais os outros custos diretos identificados por conta. Todavia, a documentação apresentada não é hábil a comprovar a regularidade do procedimento adotado, porque sequer é possível identificar as contas contábeis (mediante códigos ou planos de contas) porventura integrantes de cada uma das planilhas apresentadas (doc. 11, 12 e 13), o que inviabiliza a realização de diligência na escrituração comercial. De outro lado, ainda que alguns gastos sejam passíveis de rateio entre os custos de produção e as despesas operacionais, todo o procedimento deve ser efetuado na escrituração comercial da empresa, de modo a estar consolidado nas demonstrações financeiras, principalmente no Balanço e na Demonstração do Resultado do Exercício – DRE, e, principalmente, observar os preceitos da legislação tributária, na medida em que tal procedimento afeta diretamente a avaliação dos estoques, os custos operacionais e o resultado da atividade. Dito por outras palavras: não basta o rateio dos gastos entre os custos operacionais e as despesas administrativas, a regularidade do procedimento adotado depende da prova de que tais gastos efetivamente se integraram aos produtos vendidos – quando se tornaram custos, e não aos produtos em fabricação e acabados ainda integrantes do estoque (ativo) da empresa. Cumpre trazer à baila os preceitos constantes do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99, acerca dos critérios para avaliação de estoques verbis: Critérios para Avaliação de Estoques Art. 292. Ao final de cada período de apuração do imposto, a pessoa jurídica deverá promover o levantamento e avaliação dos seus estoques . Art. 293. As mercadorias, as matériasprimas e os bens em almoxarifado serão avaliados pelo custo de aquisição (Lei n º 154, de 1947, art. 2 º , §§ 3 º e 4 º , e Lei n º 6.404, de 1976, art. 183, inciso II). Fl. 527DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13850.000225/200862 Resolução nº 1302000.382 S1C3T2 Fl. 11 10 Art. 294. Os produtos em fabricação e acabados serão avaliados pelo custo de produção (Lei n º 154, de 1947, art. 2 º , § 4 º , e Lei n º 6.404, de 1976, art. 183, inciso II). § 1º O contribuinte que mantiver si stema de contabi l idade de custo integrado e coordenado com o restante da escrituração poderá utilizar os custos apurados para avaliação dos estoques de produtos em fabricação e acabados (Decreto Lei n º 1.598, de 1977, art. 14, § 1 º ). § 2º Considerase sistema de contabilidade de custo integrado e coordenado com o restante da escrituração aquele: I apoiado em valores originados da escrituração contábil (matériaprima, mãodeobra direta, custos gerais de fabricação); II que permite determinação contábil, ao fim de cada mês, do valor dos estoques de matériasprimas e outros materiais, produtos em elaboração e produtos acabados; III apoiado em livros auxiliares, fichas, folhas contínuas, ou mapas de apropriação ou rateio, tidos em boa guarda e de registros coincidentes com aqueles constantes da escrituração principal; IV que permite avaliar os estoques existentes na data de encerramento do período de apropriação de resultados segundo os custos efetivamente incorridos. Art. 295. O valor dos bens existentes no encerramento do período de apuração poderá ser o custo médio ou o dos bens adquiridos ou produzidos mais recentemente, admitida, ainda, a avaliação com base no preço de venda, subtraída a margem de lucro (Decreto Lei n º 1.598, de 1977, art. 14, § 2 º , Lei n º 7.959, de 21 de dezembro de 1989, art. 2 º , e Lei n º 8.541, de 1992, art. 55). Art. 296. Se a escr ituração do contr ibuinte não sat isf izer às condições dos §§ 1 º e 2 º do art. 294, os estoques deverão ser aval iados (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 14, § 3 º ): I os de materiais em processamento, por uma vez e meia o maior custo das matérias primas adquiridas no período de apuração, ou em oitenta por cento do valor dos produtos acabados, determinado de acordo com o inciso II; II os dos produtos acabados, em setenta por cento do maior preço de venda no período de apuração. § 1º Para aplicação do disposto no inciso II, o valor dos produtos acabados deverá ser determinado tomando por base o preço de venda, sem exclusão de qualquer parcela a título de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações ICMS. § 2º O disposto neste ar tigo deverá ser reconhecido na escr ituração comercial . Por sua vez, a DIPJ deve espelhar os saldos existentes na escrituração comercial e fiscal, e não corrigila. A necessidade de ajustes na DIPJ somente denota a existência de irregularidades na escrituração contábil dos estoques, custos e despesas operacionais. Diante de tais elementos, mantémse a glosa dos custos/despesas operacionais deduzidos em duplicidade na DIPJ 2003. Com referência à alteração de motivação, a recorrente diz que o despacho decisório ora combatido questiona apenas e tãosomente a existência de possível duplicidade na dedução dos custos e despesas informados nas fichas 04A e 05A da DIPJ, e a autoridade julgadora de 1a instância, ao exigir que a Recorrente comprove que os custos operacionais e despesas administrativas integraram o produto final representa indevida modificação do despacho decisório. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13850.000225/200862 Resolução nº 1302000.382 S1C3T2 Fl. 12 11 Ocorre que antes desta abordagem, a autoridade julgadora de 1ª instância validamente demonstrou que a documentação apresentada não é hábil a comprovar a regularidade do procedimento adotado, e isto não só porque os demonstrativos apresentados não identificam as contas contábeis objeto de rateio, mas também por ser esperado como prova o registro deste procedimento na escrituração comercial da empresa, de modo a estar consolidado nas demonstrações financeiras, principalmente no Balanço e na Demonstração do Resultado do Exercício – DRE. Somente depois de demonstrada a imprestabilidade da prova produzida por meio de meras planilhas, a autoridade julgadora complementa que o rateio em debate poderia afetar a avaliação dos estoques, os custos operacionais e o resultado da atividade, a demandar evidências de que tais gastos efetivamente se integraram aos produtos vendidos – quando se tornaram custos, e não aos produtos em fabricação e acabados ainda integrantes do estoque (ativo) da empresa. Assim, ainda que se interpretasse como indevidos estes questionamentos acrescidos pela autoridade julgadora, os vícios inicialmente apontados na documentação juntada à defesa foram suficientes para manutenção da glosa sob a mesma fundamentação originalmente apresentada pela autoridade fiscal. Contudo, recordese que a análise fiscal acerca dos valores glosados foi interrompida porque a contribuinte deixou de atender à última intimação que lhe foi dirigida. Em tais circunstâncias, é possível que na análise da prova complementada no curso do contencioso administrativo outras dúvidas surjam, a demandar esclarecimento, mas isto apenas porque a contribuinte não permitiu que esta investigação prosseguisse durante a análise de seu direito creditório. A recorrente também afirma que a autoridade julgadora de 1a instância não poderia deixar de analisar a documentação apresentada pela Recorrente sem apresentar a necessária fundamentação. Contudo, a justificativa foi apresentada, como visto acima, e, em verdade, a defesa apenas dela discorda, asseverando que, em razão do que lhe lhe foi exigido durante o procedimento fiscal, seria desnecessária a indicação das contas contábeis integrantes de cada uma das planilhas apresentadas porque esta descrição consta das planilhas, o que dispensa a indicação dos códigos das respectivas contas. Frente a tais circunstâncias, a decisão recorrida é válida e as justificativas apresentadas pela recorrente devem ser apreciadas juntamente com os demais argumentos de mérito por ela deduzidos. Por tais razões, deve ser REJEITADA a arguição de nulidade da decisão de 1ª instância. A recorrente também argúi a decadência do direito de o Fisco revisar o lucro real depois do transcurso do prazo decadencial, verificado, neste caso, em 28/06/2007. Contudo, o voto condutor da decisão recorrida rejeitou com sólidos argumentos esta preliminar: Convém também, preliminarmente, afastar a tese da defesa de que, na apreciação do direito creditório relativo ao saldo negativo do IRPJ, deveria o órgão competente se limitar à verificação dos recolhimentos das antecipações efetuadas no curso do ano calendário (IRRF e estimativas), não sendo cabível qualquer apreciação relativa aos elementos que integraram a determinação da base de cálculo do imposto, que somente poderia ser alterada mediante lançamento exofficio. Nos termos da legislação, o lançamento é ato administrativo de constituição de crédito tributário, sujeito a prazo decadencial, de acordo com as normas aplicáveis previstas no CTN (arts. 150, §4º e 173, I). Fl. 529DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13850.000225/200862 Resolução nº 1302000.382 S1C3T2 Fl. 13 12 Por seu turno, no contexto do procedimento de homologação das declarações de compensação, no qual deve ser atestada a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação do Fisco é a que diz respeito ao prazo de cinco anos da data da protocolização ou apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência dos créditos (art. 74, §5º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Na verdade, cumpre ao órgão competente, no prazo de cinco anos da data da formalização da compensação, a verificação da certeza e liquidez do crédito invocado em favor do sujeito passivo para extinção dos débitos fiscais a ele vinculados por meio das declarações de compensação. Não se pode admitir que a determinação da certeza e liquidez dos indébitos tributários, relativos ao saldo negativo do IRPJ, possa ser aferida sem qualquer análise da base de cálculo do imposto que lhe serve de fundamento. Relevante assentar que a análise em questão da regularidade da composição da base de cálculo, fato que serve de fundamento à determinação do saldo negativo do imposto, se já ultrapassado o termo final da contagem do prazo decadencial, não pode implicar lançamento de ofício de diferenças de imposto porventura apuradas. Todavia, não se pode dizer, por isso, que o órgão administrativo deve simplesmente “homologar” o saldo negativo de IRPJ demonstrado na DIPJ correspondente, e proceder à restituição ou à compensação sem aferir a certeza e liquidez dos indébitos tributários que lhe fundamentam. Oportuno, esclarecer que desde a instituição da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, pela Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998, a declaração apresentada à SRF tem caráter meramente informativo, constituindose apenas num demonstrativo da apuração da base de cálculo, do imposto devido, e dos saldos a pagar ou a restituir de imposto, passível de verificação: (i) nos prazos decadenciais previstos no CTN, para a constituição de crédito tributário; ou (ii) no prazo da homologação tácita das compensações, para fins de restaurar a exigibilidade dos débitos fiscais indevidamente compensados. Ainda no âmbito das distinções necessárias entre os procedimentos de lançamento e de homologação das compensações declaradas, convém destacar que, não há qualquer exigência de crédito tributário, efetuada no âmbito dos presentes autos, relativa a fato gerador do IRPJ, ocorrido em período decaído. A exigência fiscal vinculada ao processo em questão referese aos débitos compensados pelo contribuinte com o saldo negativo do IRPJ, apurado pela sucedida/incorporada em 28/06/2002, cuja compensação não foi homologada pela autoridade competente. Registrese: o ato praticado pela DRF São José dos Campos/SP, no exercício da competência legalmente definida, foi de não homologação da compensação declarada, por desconstituição ou não comprovação do direito creditório, e não de constituição de ofício de crédito tributário. Ademais, no exercício do dever/poder de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes, atualmente, se insere, também, a verificação das compensações efetuadas, sob a responsabilidade do sujeito passivo, sem qualquer prévio procedimento de ofício relacionado ao reconhecimento do indébito tributário assim utilizado. Relevante assinalar que na sistemática das declarações de compensação, o sujeito passivo procede à extinção do crédito tributário sob condição resolutória de sua posterior homologação, conseqüentemente, sem prévio exame da autoridade administrativa. Outro problema a ser apreciado é se o lançamento de ofício, para retificação da base de cálculo do imposto, seria necessário para conferir fundamento de validade ao ato de nãohomologação da compensação declarada. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13850.000225/200862 Resolução nº 1302000.382 S1C3T2 Fl. 14 13 O lançamento de ofício, apesar de ser um ato necessário à constituição do crédito tributário, não se configura imprescindível para a determinação da certeza e liquidez do crédito invocado em favor do contribuinte em processos de restituição e/ou compensação. Dito por outras palavras: não é porque não houve lançamento de ofício em relação a determinado período de apuração do IRPJ, que estaria homologado o direito creditório relativo ao saldo negativo demonstrado na DIPJ correspondente, não sendo assim passível de qualquer verificação no âmbito da análise dos pedidos de restituição ou das declarações de compensação apresentadas. Na verdade, com o transcurso do prazo decadencial previsto nos arts. 150, §4º ou 173, I, do CTN apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário (art. 156, V e VII do CTN). Todavia, não se pode inferir, a partir daí que, com o transcurso do prazo decadencial para efetuar o lançamento, estariam tacitamente homologados quaisquer outros fatos jurídicos tributários que pudessem repercutir em períodos de apuração futuros. [...] Cumpre assinalar que, especificamente, para a verificação da certeza e liquidez do indébito tributário relativo ao saldo negativo do IRPJ, é a própria legislação que estabelece não se configurar suficiente a comprovação dos recolhimentos das antecipações de tributos, efetuados no curso do anocalendário. É necessário que seja verificada, também, a regularidade da determinação da base de cálculo que lhe dá fundamento. Transcrevese, por pertinentes, as expressas disposições do art. 2º, §4º da Lei nº 9.430, de 1996, quando dispõe: “Art. 2º § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: ................................................................................................................... III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; .................................................................................................................” Diante de tais preceitos, é indubitável que, somente é dedutível do Imposto de Renda devido ao final do período de apuração, o Imposto Retido Fonte, no curso do ano calendário, incidente sobre as receitas computadas na determinação do lucro real. Decorre, daí, que para a determinação do saldo negativo do IRPJ, passível de ser restituído ou compensado, quando composto apenas de imposto retido no curso do ano calendário, não basta a prova da regular retenção do imposto. É imprescindível a comprovação de que as receitas sobre as quais incidiram as retenções foram devidamente computadas na determinação do lucro real. Em síntese, concluise que o ato de verificação da certeza e liquidez do indébito tributário, relativo ao saldo negativo do IRPJ, em sede de análise de declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo, não está limitado aos valores das antecipações recolhidas no curso do anocalendário, devendo atingir, também, a verificação da regularidade da determinação da base de cálculo apurada pelo contribuinte. Conseqüentemente, ainda que a retificação de base de cálculo do tributo somente seja cabível mediante lançamento de ofício, a verificação também deve ser efetuada no âmbito da análise de pedidos de restituição e declarações de compensação vinculados ao saldo negativo de IRPJ, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito invocado pelo sujeito passivo para restituição ou extinção de outros débitos fiscais. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13850.000225/200862 Resolução nº 1302000.382 S1C3T2 Fl. 15 14 Assinalese ainda que a tese adotada já foi referendada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme ementas abaixo transcritas: Nº Acórdão 1302001.095 Data da Sessão 07/05/2013 Relator(a) PAULO ROBERTO CORTEZ PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação. VERIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. LANÇAMENTO VERSUS RECONHECIMENTO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. A verificação da base de cálculo do tributo não é cabível apenas para fundamentar lançamento de ofício, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. REQUISITOS DE DEDUTIBILIDADE DA RETENÇÃO NA FONTE. A retenção na fonte sobre rendimentos declarados somente poderá ser compensado na declaração da pessoa jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Não apresentados os comprovantes é plausível a apuração do valor retido mediante pesquisa em DIRF. O saldo negativo de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica apurado em Declaração de Rendimentos, decorrente de retenção na fonte, só pode ser reconhecido como direito creditório, até o montante efetivamente confirmado, se comprovado que as receitas que lhe deram origem foram oferecidas à tributação. Preliminar de decadência rejeitada. Recurso Voluntário negado. Nº Acórdão 1301000.819 Data da Sessão 14/03/2012 Relator(a) PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. O procedimento de homologação do pedido de restituição/compensação consiste fundamentalmente em atestar a regularidade do crédito, ainda que tal análise implique em verificar fatos ocorridos há mais de cinco anos, respeitado apenas o prazo de homologação tácita da compensação requerida. VERIFICAÇÃO BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. A verificação da base de cálculo do tributo não é cabível apenas para fundamentar lançamento de oficio, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. Nº Acórdão 10323579 Data da Sessão 18/09/2008 Relator(a) Antonio Bezerra Neto SALDO NEGATIVO DO IRPJ. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação. VERIFICAÇÃO BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. A verificação da base de cálculo do tributo não é cabível apenas para fundamentar lançamento de ofício, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Publicado no D.O.U. nº 226 de 20/11/2008. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13850.000225/200862 Resolução nº 1302000.382 S1C3T2 Fl. 16 15 A recorrente defende que a homologação formal ou tácita, prevista no art. 150, §4o do CTN, recai sobre toda a apuração do tributo realizada pelo contribuinte, e afirma contraditória a concordância do Fisco com o lançamento realizado pelo contribuinte, homologandoo tacitamente, para em um momento posterior iniciar uma revisão deste lançamento sob o pretexto de que se faz necessário verificar a liquidez e a certeza do crédito tributário compensado. É certo que o recolhimento indevido já existe, como evento, desde sua ocorrência no mundo fenomênico. Procedidas as antecipações exigidas por lei, encerrado o período de apuração e efetivados os recolhimentos que se entendeu devidos, temse do confronto destes, eventualmente, um desembolso maior que o devido. Todavia, este evento somente passa a se constituir em um fato jurídico apto a produzir as conseqüências previstas em lei quando formalizado pelo interessado em face do devedor, no caso, o Fisco. Daí porque, a partir do recolhimento indevido, deflagrase o prazo prescricional para que o sujeito passivo manifeste seu direito perante o Fisco, e a partir desta manifestação o prazo para o Fisco, em caso de compensação, reconhecer ou não aquele crédito. Aliás, vejase que, à época em que este direito era deduzido apenas mediante a apresentação de Pedido de Restituição, sequer havia prazo fixado em lei para manifestação do Fisco acerca do que ali veiculado. Cabia ao interessado manter a guarda dos comprovantes necessários para prestar eventuais esclarecimentos acerca de seu direito, enquanto o crédito não lhe fosse reconhecido. Apenas com a criação da DCOMP passou a existir um prazo para que o Fisco pudesse questionar o direito manifestado pelo interessado, até porque, vinculado o crédito a débitos que se pretendia ver extintos, somente haveria alguma utilidade no questionamento daquele crédito enquanto possível a cobrança dos débitos compensados, direito este que pereceria ante a inércia do Fisco por mais de 5 (cinco) anos. Impróprio, assim, tentar opor, ao Fisco, uma limitação temporal à confirmação do direito creditório deduzido pelo sujeito passivo, que em momento algum esteve prevista no Código Tributário Nacional ou em lei ordinária, senão na sistemática instituída a partir da criação da DCOMP, e evidentemente em função da vinculação daquele crédito a débitos compensados. Em verdade, a interpretação veiculada pela recorrente confere ao sujeito passivo a faculdade de definir o prazo do qual o Fisco dispõe para homologar, ou não, a compensação declarada. Optando o sujeito passivo por utilizar seu crédito depois de transcorridos quatro anos e 11 meses do fato gerador, o Fisco teria apenas um mês para avaliar a liquidez e certeza do crédito. Se utilizasse mais rapidamente seu crédito, maior prazo teria o Fisco para esta confirmação. Certamente outro foi o objetivo da criação da DCOMP. Tal instrumento conferiu tratamento diferenciado aos contribuintes que, deduzindo créditos na forma da nova redação do caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96, já poderiam, sem prévio exame do seu real conteúdo, angariar a extinção imediata dos débitos compensados, bem como a suspensão de sua exigibilidade até a decisão administrativa final acerca da regularidade de seu procedimento. Admitir que o prazo para questionamento desta regularidade seria definido pelo sujeito passivo está em evidente descompasso com a referência contida na Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002: Fl. 533DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13850.000225/200862 Resolução nº 1302000.382 S1C3T2 Fl. 17 16 35. O art. 49 institui mecanismo que simplifica os procedimentos de compensação, pelos sujeitos passivos, dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, atribuindo maior liquidez para seus créditos, sem que disso decorra perda nos controles fiscais . (negrejouse) Argumenta a recorrente que, depois de ultrapassado o prazo decadencial, o Fisco poderia apenas questionar o recolhimento ou a compensação das antecipações mensais, as retenções do Imposto de Renda Retido na Fonte, o Imposto de Renda pago no exterior, entre outras parcelas, mas tendo como ponto de partida para conferência o lucro real e a apuração do IRPJ declarado pela Recorrente e homologado tacitamente pelas autoridades fiscais. É de se questionar, porém, que interesse fiscal existiria na revisão de uma DIPJ que apontasse saldo negativo de IRPJ? Caberia ao Fisco anteciparse à pretensão da contribuinte de utilizar este valor, com vistas a convalidálo ou retificálo? E, ainda que se insista na fluência do prazo para revisão do crédito, pelo Fisco, a partir do período de apuração correspondente, do recolhimento que se mostrou indevido, ou mesmo da declaração que inicialmente informou o indébito, é lícito concluir que, ao manifestar seu interesse em utilizar tal crédito mediante DCOMP, o sujeito passivo renuncia ao prazo em curso, e submetese ao prazo fixado na sistemática prevista para aquele instrumento de utilização de créditos, sob pena de retirar a eficácia do §5o do referido art. 74 da Lei no 9.430/96. Por tais razões, e tendo em conta que na data de ciência do ato de homologação parcial das DCOMP ainda não havia transcorrido 5 (cinco) anos contados das DCOMP que não foram homologadas, deve ser REJEITADA a arguição de decadência. Passando à glosa de custos e despesas por duplicidade, observase nos autos que a contribuinte deixou de prestar esclarecimentos solicitados pela autoridade fiscal e, assim, pode têla induzido a erro em suas conclusões. Consoante relatado, depois de ter sido questionada acerca da dedução, no resultado do exercício informado em DIPJ, de "Outros Custos" no montante de R$ 11.997.987,54, a contribuinte apresentou planilha das contas que, somadas, resultaram naquele valor, e dentre elas a autoridade fiscal identificou algumas cuja descrição indicariam que elas deveriam ter sido informadas em linhas específicas das fichas 4A e 5A da DIPJ, no valor total de R$ 2.653.552,02, a seguir detalhado: a) Adic. Insal/Notur/Brigada R$10.282,19 b) Aviso Prévio/Indenizações R$17.849,57 c) Descanso Semanal Remun. R$36.851,83 d) Encargos Sociais R$660.678,91 e) FGTS R$165.860,17 f) HorasExtras s/Ordenados R$11.840,39 g) Hr Extra Mão Obra Direta R$475,13 h) Hr Extra Mão Obra Indireta R$5.909,49 i) Ordenados R$958.712,68 j) Provisão de Férias R$346.320,30 k) Provisão s/ 13º Salário R$255.264,13 Fl. 534DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13850.000225/200862 Resolução nº 1302000.382 S1C3T2 Fl. 18 17 1) Salário Mão Obra Direta R$3.601,37 m) Salário Mão de Obra Indireta R$183.982,36 Questionada acerca da natureza destes registros, a contribuinte disse (fl. 76): São valores pagos aos funcionários administrativos através da folha de pagamento. Não foram informados nas linhas específicas da ficha 04A porque estão informados linhas específicas da ficha 05A e subtraídas, nesta mesma ficha, na linha 30. Todavia, a ficha 05A da DIPJ/2003 estava assim preenchida: Se, como dito pela contribuinte, os valores pagos aos funcionários administrativos através da folha de pagamento estariam informados linhas específicas da ficha 05A (quais sejam, as linhas 02 e 05 destinadas a àquelas despesas), a parcela subtraída nesta mesma ficha, na linha 30 não autorizariam a transferência de R$ 2.653.552,02 para a linha 16 da Ficha 04A. Como a subtração na linha 30 foi de, apenas, R$ 14.125,50, a autoridade fiscal glosou o excedente de R$ 2.639.426,52 ante as evidências de dedução em duplicidade. Já os esclarecimentos apresentados na manifestação de inconformidade indicam que na linha 30 da Ficha 05A são registradas uma série de outras despesas não especificadas pela empresa nas outras linhas da Ficha 05A, e a soma destes demais itens foi reduzida pelo valor transferido para "Outros Custos" (Ficha 16 de Ficha 04A). Consoante o demonstrativo de fl. 263/264, estas "Outras Despesas" representariam um total inferior àquele transferido para "Outros Custos", ensejando o registro negativo de R$ 14.125,50 na linha 30 da Ficha 05A. Ou seja, a contribuinte teria indicado todas as despesas administrativas com ordenados/salários e encargos sociais diretamente como despesas nas linha 02 e 05 da Ficha 05A, mas como alguns destes registros também englobavam custos, teria promovido o rateio e Fl. 535DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13850.000225/200862 Resolução nº 1302000.382 S1C3T2 Fl. 19 18 destacado a parcela de R$ 6.797.333,59 para destinála à linha 16 da Ficha 04A. Contudo, não teria excluído estes valores diretamente das linhas 02 e 05 da Ficha 05A, mas sim do montante de "Outras Despesas" registradas na linha 30 da mesma Ficha. Embora os esclarecimentos não estejam acompanhados de registros contábeis que confirmem a fidedignidade das planilhas juntadas à manifestação de inconformidade, as alegações são verossímeis e suscitam dúvida razoável acerca das irregularidades identificadas pela autoridade fiscal. Observese, porém, que tem razão a autoridade julgadora de 1ª instância quando aponta a necessidade de indicação do número das contas contábeis, especialmente daquelas submetidas a rateio e as consolidadas na linha 30 da Ficha 05A, bem como da repercussão destes ajustes na demonstração de resultado do exercício. Caso a contribuinte tivesse juntado à sua defesa estas informações, e ao menos a Demonstração de Resultado da incorporada no ano calendário 2002, seria possível aferir a conformidade dos saldos rateados, reunidos na linha 30 da Ficha 05A, aportados como despesas de ordenados/salários e encargos sociais, e indicados como custos de mesma natureza, e assim eventualmente concluir que o resultado do exercício é compatível com aquele consignado em DIPJ, sem duplicidade nas deduções indicadas na DIPJ. Contudo, submetidas as provas apresentadas a nova avaliação, alcançase uma conclusão diferente daquela adotada pela autoridade julgadora de 1ª instância, especialmente porque a contribuinte apresentou demonstrativos no mesmo formato originalmente entregues à autoridade fiscal, que os aceitou sem deduzir objeções formais. E esta complementação se verificou no prazo de manifestação de inconformidade, ou seja, pouco mais de 3 (três) meses depois da intimação que originalmente exigiu estes esclarecimentos. Frente a tais circunstâncias, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal avalie os demonstrativos de fls. 247/260 e solicite à contribuinte outros que entender necessários para confirmação de que os custos glosados não foram, como alegado, deduzidos em duplicidade na apuração do anocalendário 2002. Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 536DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10814.001002/2009-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 18/06/2008, 08/08/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário.
MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01.
DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO.
Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL REALIZADO. DEPOIS DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES DOS TRIBUTOS. APLICABILIDADE DOS JUROS DE MORA
São exigíveis os juros de mora quando se constata que o depósito judicial efetuado no montante integral, ou seja, pelo valor monetariamente atualizado do crédito, acrescido da multa e juros de mora cabíveis, calculados a partir da data do vencimento do imposto ou contribuição só foi realizado depois da constituição, pelo lançamento, dos referidos tributos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-004.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 18/06/2008, 08/08/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01. DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO. Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL REALIZADO. DEPOIS DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES DOS TRIBUTOS. APLICABILIDADE DOS JUROS DE MORA São exigíveis os juros de mora quando se constata que o depósito judicial efetuado no montante integral, ou seja, pelo valor monetariamente atualizado do crédito, acrescido da multa e juros de mora cabíveis, calculados a partir da data do vencimento do imposto ou contribuição só foi realizado depois da constituição, pelo lançamento, dos referidos tributos. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2352; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 275 1 274 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10814.001002/200941 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802004.139 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria PAF MANDADO DE SEGURANÇA Recorrente SOCIEDADE BENEFICIENTE ISRAELITA BRASILEIRA "HOSPITAL ALBERT EINSTEIN" Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 18/06/2008, 08/08/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01. DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO. Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL REALIZADO. DEPOIS DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES DOS TRIBUTOS. APLICABILIDADE DOS JUROS DE MORA São exigíveis os juros de mora quando se constata que o depósito judicial efetuado no montante integral, ou seja, pelo valor monetariamente atualizado do crédito, acrescido da multa e juros de mora cabíveis, calculados a partir da data do vencimento do imposto ou contribuição só foi realizado depois da constituição, pelo lançamento, dos referidos tributos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 00 10 02 /2 00 9- 41 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 274), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA "HOSPITAL ALBERT EINSTEIN", interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1645.627, proferido em primeira instância pela 23ª Turma da DRJ em São Paulo I/SP, que não conheceu a impugnação quanto à matéria de mérito objeto de enfrentamento concomitante na instância administrativa e na esfera judicial. Também, que conheceu e rejeitou os protestos da impugnante quanto à exigência dos juros de mora. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Os presentes Autos de Infração, fls. 04/44, foram lavrados contra a contribuinte em epígrafe, formalizando o crédito tributário no valor de R$ 58.074,38, com a exigência do Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados Vinculado, Pis/Pasep e CofinsImportação e Juros de Mora, calculados até 30/01/2009, conforme o fato a seguir descrito.: (...). (...) A contribuinte impetrou Mandado de Segurança (nº 2008.61.19.0038342 2ª Vara da Justiça Federal de Guarulhos/SP) para promover o desembaraço das mercadorias sem o pagamento dos tributos referidos, por entender que estariam sob o manto da imunidade tributária (art. 150, VI, ‘c’ da CF).e teve seu pedido de liminar deferido para os bens Fl. 276DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10814.001002/200941 Acórdão n.º 3802004.139 S3TE02 Fl. 276 3 descritos na inicial amparados pelas Licenças de Importação listadas, bem como as proforma invoice. O desembaraço das mercadorias processadas pelas declarações de importação x LI’s abaixo relacionadas ocorreu em cumprimento a decisão judicial, conforme liminar de fls.121/124, de 18/06/2008, e, a fim de prevenir a decadência, foi determinada a lavratura dos presentes Autos de Infração, cujas exigibilidades dos tributos estão suspensas. (...). Cientificada dos referidos autos, em 10/02/09, fls.05/14/22 e 31, a contribuinte protocolizou Impugnação, fls. 134/143, em 06/03/09. Este é o Relatório.” Indeferida a impugnação apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 18/06/2008 a 08/08/2008 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Liminar concedida em Mandado de Segurança, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula nº 1 Portaria CARF nº 52, de 2010). Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. JUROS DE MORA Exigibilidade Suspensa. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula nº 5, Portaria CARF nº 52, de 2010). Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Cientificada acerca da decisão exarada pela 23ª Turma da DRJ de São Paulo – DRJ/SP1, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual pede: (i) o sobrestamento do processo administrativo até julgamento final do mandado de segurança; (ii) em decorrência da concessão de medida liminar em mandado de segurança e os respectivos depósitos judiciais do crédito tributário, não há que se falar em mora e conseqüentemente não há como se cobrar respectivos juros; (iii) nulidade da decisão recorrida por ausência de Fl. 277DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 renúncia à instância administrativa; e, por fim, (iv) a insubsistência do referido auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 274), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço parcialmente do Recurso e passo à análise de apenas parte das razões recursais. O presente Recurso Voluntário, como indicado ao final do relatório, dividese em quatro itens: (i) O sobrestamento do processo administrativo até julgamento final do mandado de segurança; (ii) em decorrência da concessão de medida liminar em mandado de segurança, não há que se falar em mora e conseqüentemente não há como se cobrar respectivos juros; (iii) A nulidade da decisão recorrida por ausência de renúncia à instância administrativa; e, por fim, (iv) A insubsistência do referido auto de infração. Ocorre que o item (i) foi trazido somente em sede recursal, revelandose inovações argumentativas. Restam aplicáveis, portanto, os arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, de modo que inviável conhecer tais alegações sob pena de supressão de instância. Ao seu turno, o item (iii) também não merece ser conhecido, dado que efetivamente há identidade de objetos entre o mérito do recurso e o mandado de segurança. Vejase: Verificase nos autos, haver sido feita a juntada de cópia da petição inicial do writ do pedido de Mandado de Segurança bem como cópia da Sentença exarada nos autos nº 2008.61.19.0038342, originário da 19ª Subseção Judiciária Federal de São Paulo (SP) às fls. 117 e seguintes. Segue transcrito abaixo um trecho da peça inicial elaborado pela Recorrente ao Juízo, que já elucida a matéria: Fl. 278DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10814.001002/200941 Acórdão n.º 3802004.139 S3TE02 Fl. 277 5 "(...) DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA A Constituição Federal estabelece as limitações constitucionais ao poder de tributar, prevendo os casos de imunidade tributária, entre as quais dispõe as abaixo transcritas, na qual, como veremos, se enquadra perfeitamente a Impetrante. Estabelece o artigo 150, VI, "c" da Constituição Federal: "Art. 150 — Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao.contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI— instituir impostos sobre: (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei."Já o parágrafo 7º do artifo 195 da Constituição Federal, assim dispõe: (...)". Já o parágrafo 7o do artigo 195 da Constituição Federal, assim dispõe: "Art. 195 (...)...: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." Merece destaque ainda o contido no Voto da Decisão DRJ às fls. 235/239, ficando consignado que (grifouse): "(...) Renúncia à esfera administrativa – Concomitância. Esta julgadora entende que estamos, no processo sob exame, diante da figura da concomitância. Cabe relembrar o seu fundamento de sua ocorrência entre os processos administrativos e judicial. (...) Assim, em face de pedido formulado em ação judicial, visando não acatar a exigência fiscal, não se lhe dará seguimento à impugnação, em homenagem ao referido princípio, sem que isso implique ofensa ao direito de defesa do contribuinte. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 De toda sorte, resta clara a identidade de objetos (que inclusive levaram o Recorrente a pedir o sobrestamento do processo até decisão final do mandado de segurança), o que torna inviável o conhecimento do Recurso nesse aspecto. Assim, cabível o conhecimento e julgamento do item (ii e iii) do Recurso Voluntário, relativo a o pleito da ausência de fluência de juros diante do deferimento do mandado de segurança e da nulidade da decisão recorrida por haver reconhecido a renúncia à esfera administrativa diante da impetração do mandado de segurança pelo contribuinte. Então, vamos a eles. ii) Da ausência de fluência de juros diante da antecipação de tutela A Recorrente alega em seu recurso serem inaplicáveis os juros de mora em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, concedida em face de liminar em mandado de segurança. Ressalta ainda que o valor dos tributos discutidos nos autos foram depositados em sua integralidade. Não assiste razão a recorrente. Não obstante o acima asseverado, cabenos analisar a aplicabilidade dos juros de mora, matéria não submetida ao crivo do Poder Judiciário na referida ação mandamental, porquanto esta teve caráter preventivo e, assim, quando da sua propositura, ainda não haviam sido formalizados os presentes lançamentos tributários. São exigíveis os juros de mora quando se constata que o depósito judicial efetuado no montante integral, ou seja, pelo valor monetariamente atualizado do crédito, acrescido da multa e juros de mora cabíveis, calculados a partir da data do vencimento do imposto ou contribuição só foi realizado depois da constituição, pelo lançamento, dos referidos tributos. A exigência dos juros de mora está conforme as normas legais vigentes e qualquer esforço tendente a afastar sua aplicação, por entendêla inconstitucional, somente poderá advir de demanda pleiteada judicialmente, pois este órgão julgador é incompetente para apreciar questões que se referem à inconstitucionalidade de normas legais legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. iii) Da nulidade da decisão recorrida por haver reconhecido a renúncia à esfera administrativa Ora, compulsando os autos fica claro que sua demanda judicial está restrita ao direito à imunidade tributária com base no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção declarada no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal, guerreado na medida liminar denegada nos autos do Mandado de Segurança nº 2008.61.19.0038342, impetrado perante a 19ª Subseção Judiciária de São Paulo/SP, para alegar seu direito à imunidade tributária fulcrada no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção insculpida no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal. Em sua peça impugnatória, a Recorrente alerta que o crédito tributário em tela está com a exigibilidade suspensa por força de tutela recursal concedida em Agravo de Instrumento nº 2008.03.00.0213351, que tramita no TRF/1 (SP). Pois bem. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10814.001002/200941 Acórdão n.º 3802004.139 S3TE02 Fl. 278 7 Diante disso, todas as suas alegações na esfera administrativa quanto ao tema deixam de ser passíveis de análise, conforme inteligência do art. 1º e 2º do DecretoLei nº 1.737, de 1979 e o artigo 38, parágrafo único da Lei nº 6.830, de 1980, dada a absoluta identidade de discussão com a matéria tratada na via judicial. Acertada, portanto, a decisão recorrida ao reconhecer a renúncia à esfera administrativa. Apenas aproveito o ensejo para transcrever o art. 38 e seu parágrafo único, da Lei de Execuções Fiscais, por serem de clareza hialina: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. (grifei) Não por outro motivo o CARF editou a Súmula nº 01, na qual restou consignado que: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, não há nulidade a ser reconhecida sobre a decisão originária que, acertadamente, reconheceu a existência de concomitância entre o argumento de mérito da impugnação e o mandado de segurança impetrado pelo sujeito passivo. Conclusão Ante todo o exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 10850.722903/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Trata o presente processo de exigência de multa de 50% por pedido de ressarcimento indevido que originalmente estava apensado ao Processo Administrativo nº 12585.000290/201027. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .7 22 90 3/ 20 13 -1 1 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10850.722903/201311 Resolução nº 3201000.560 S3C2T1 Fl. 171 2 Consultando os autos, verificouse que os processos foram objeto de impugnação e manifestação de inconformidade, sendo julgados pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que negou provimento em ambos os processos. O contribuinte irresignado com as decisões da primeira instância, interpôs recursos voluntários em cada um dos processos, que posteriormente foram apensados pela Unidade de origem antes do envio ao CARF. Os processos possuem decisões da DRJ e recursos voluntários individualizados e pendentes de julgamento. Assim, para que fossem realizadas a apreciação individualizada dos processos foi necessária a desapensação do processo referente a multa por pedido de ressarcimento indevido. Ao apreciar os processos a turma de julgamento resolveu converter o processo referente ao ressarcimento em diligência e o processo referente a multa de 50% foi retirado de pauta por pedido de vista. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A teor do relatado, a multa controlada no presente processo referese ao pedido de ressarcimento constante do Processo Administrativo nº 12585.000290/201027, que encontrase em diligência para cumprimento de resolução deste conselho Em que pese a posição anterior de fazer o julgamento da multa de forma separada do julgamento do pedido de ressarcimento. O novo Regimento Interno do CARF determinou de forma expressa, que existindo conexão, os processo deverão ser vinculados para que o julgamento ocorra em conjunto. A determinação consta do art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e Fl. 171DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10850.722903/201311 Resolução nº 3201000.560 S3C2T1 Fl. 172 3 III reflexo, constatado entre processos formaliza dos em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º , se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º , se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. (grifo nosso) Diante do exposto, voto no sentido de converter o processo em diligência para que a Unidade Preparadora providencie a vinculação do presente processo ao Processo Administrativo nº 12585.000290/201027. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 172DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/01/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 11020.002416/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece, em sede de Recurso Voluntário, de questão que já se encontre plasmada pelo atributo da Coisa Julgada Administrativa, adquirido mediante decisão administrativa da qual não caiba mais recurso, proferida em Processo Administrativo Fiscal distinto.
O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se porventura houver.
RECURSO VOLUNTÁRIO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA.
A Coisa Julgada Administrativa configura-se causa determinante para a extinção do processo sem resolução do mérito, podendo ser reconhecida de ofício pela Autoridade Julgadora em qualquer tempo e grau de Jurisdição, enquanto não proferida a decisão de mérito, obstando, inclusive, que o autor intente, novamente, a mesma demanda.
SIMPLES. EXCLUSÃO. TRIBUTAÇÃO NA FORMA DA LEI Nº 8.212/91.
A empresa formalmente excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte passa a se sujeitar, desde a data da exclusão, ao regime de tributação previsto na Lei de Custeio da Seguridade Social.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para que a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício seja calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum, observado o limite máximo de 75%, em honra ao princípio da retroatividade da lei tributária mais benigna inscrito no art. 106, II, c, do CTN. Vencidos os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA e CLEBERSON ALEX FRIESS, que negavam provimento ao Recurso Voluntário por entenderem correto o critério de aplicação da multa estipulado na Portaria PGRF/RFB nº 14/2009.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece, em sede de Recurso Voluntário, de questão que já se encontre plasmada pelo atributo da Coisa Julgada Administrativa, adquirido mediante decisão administrativa da qual não caiba mais recurso, proferida em Processo Administrativo Fiscal distinto. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se porventura houver. RECURSO VOLUNTÁRIO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. A Coisa Julgada Administrativa configurase causa determinante para a extinção do processo sem resolução do mérito, podendo ser reconhecida de ofício pela Autoridade Julgadora em qualquer tempo e grau de Jurisdição, enquanto não proferida a decisão de mérito, obstando, inclusive, que o autor intente, novamente, a mesma demanda. SIMPLES. EXCLUSÃO. TRIBUTAÇÃO NA FORMA DA LEI Nº 8.212/91. A empresa formalmente excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte passa a se sujeitar, desde a data da exclusão, ao regime de tributação previsto na Lei de Custeio da Seguridade Social. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 24 16 /2 00 9- 97 Fl. 616DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício seja calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum, observado o limite máximo de 75%, em honra ao princípio da retroatividade da lei tributária mais benigna inscrito no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Vencidos os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA e CLEBERSON ALEX FRIESS, que negavam provimento ao Recurso Voluntário por entenderem correto o critério de aplicação da multa estipulado na Portaria PGRF/RFB nº 14/2009. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11020.002416/200997 Acórdão n.º 2401004.134 S2‐C4T1 Fl. 616 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 Data da lavratura do AIOP: 16/07/2009. Data da Ciência do AIOP: 24/07/2009 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela empresa acima identificada em face do Acórdão nº 0934.910 proferido pela 5ª Turma da DRJ/JFA, que julgou improcedente a impugnação ofertada em contestação ao Auto de Infração – AIOP nº 37.231.4880, que promoveu o lançamento tributário de contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 69/76. Informa a Autoridade Lançadora que o fato gerador da obrigação ora lançada consubstanciase em remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados empregados e a Segurados Contribuintes Individuais, lançadas nas folhas de pagamentos e nas GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social, nos montantes mensais expostos no Relatório de Lançamentos, a fls. 12/15, e no Discriminativo Analítico de Débito, a fls. 04/08. De acordo com a resenha fiscal, a soma da receita declarada somada à receita omitida resultou em excesso de receita bruta deixando o contribuinte fora da faixa de opção pelo SIMPLES. A empresa Recorrente foi, então, excluída da sistemática do SIMPLES, por excesso de receita bruta, mediante o Ato Declaratório Executivo ADE n° 33, de 02/07/2009, a fl. 77, publicado no Diário Oficial da União DOU em 06/07/2009, com efeito retroativo a 1º de janeiro de 2005. Serviram de base para lançamento do crédito de contribuições previdenciárias: a Declaração de Exclusão do SIMPLES conforme Ato Declaratório Executivo de exclusão do SIMPLES (ADE) n° 33, de 02/07/2009, publicado no DOU em 06/07/2009 (fl.77/78), as folhas de pagamento de salário e de 13º salário dos empregados e contribuintes individuais (fls. 109/285), as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (fls. 286/483), e os valores disponíveis no banco de dados da RFB/Previdência Social, alimentado pelo sujeito passivo por intermédio das GFIP, do período de 01/2005 a 07/2005, 09/2005 a 09/2006 e 13/2006, as Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica (DSPJ) dos exercícios de 2005 e 2006, onde constam os valores declarados na modalidade SIMPLES (fls. 85/108), além das Guias da Previdência Social GPS, nas quais constam os recolhimentos das contribuições retidas do segurados empregados e contribuintes individuais. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 487/489. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1034.910 5ª Turma da DRJ/JFA, a fls. 551/555, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 08/06/2011, conforme Aviso de Recebimento a fl. 557. Inconformado com a decisão exarada pelo Órgão Administrativo Julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 558/560 respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que, por se tratar de autuação reflexa à exclusão da empresa da sistemática do SIMPLES, o Recorrente se reporta à totalidade da argumentação apresentada no recurso relativo ao Processo Administrativo Fiscal n° 11020.002248/200930, para requerer que, em sendo acolhidos os pedidos elencados naquela peça recursal, seja declarada a consequente extinção da exigibilidade desta obrigação tributária derivada, na forma do inteiro teor das alegações fundamentadas naqueles autos; · Que deverá ser reexaminado os montantes de receitas consignadas pelo Auditor Fiscal autuante, que não excluiu dos valores de ingressos nas contas bancárias aquelas relativas a vendas efetuadas nos anos anteriores e já tributadas, tendo em vista que os valores oferecidos à tributação, pela Autuada, eram pelo regime de competência das vendas efetuadas, tanto a vista como a prazo e não pelo regime de caixa (ingresso efetivo); · Que as cópias dos Livros Caixa dos anos de 2004, 2005 e 2006 foram anexadas ao processo n° 11020.002248/200930, onde se discute a exação tributária do Imposto de Renda e demais contribuições, e que toda a documentação que instruiu seus registros estão à disposição, na sede da empresa, para comprovação da veracidade dos fatos alegados. Ao fim, requer o cancelamento do lançamento ora contestado. O julgamento do Recurso Voluntário houvese por convertido em Diligência Fiscal, para que fosse aguardado o Trânsito em Julgado da decisão de mérito proferida nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 11020.002248/200930 suso citado, nos Termos da Resolução nº 2302000.264 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 20/11/2013, a fls. 597/600. Fruto de tal incidente processual, foram anexados os documentos “Exame de Admissibilidade de Recurso Especial”, a fls. 602/605, e “Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial”, a fls. 606/607, sendo esta última a decisão definitiva proferida no processo administrativo nº 11020.002248/200930, consoante assentamento aviado no Relatório de Diligência Fiscal a fl. 608. Verificamos que o Acórdão nº 130200.696 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária da 1ª SEJUL/CARF/MF, de 04/08/2011, proferido nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 11020.002248/200930, a fls. 2030/2048, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário interposto pela HORUS INDÚSTRIA E COMÉRCIO METAIS LTDA, Fl. 619DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11020.002416/200997 Acórdão n.º 2401004.134 S2‐C4T1 Fl. 617 5 mantendo os efeitos do Ato Declaratório Executivo ADE DRF/CXL n° 33, de 02/07/2009, publicado no Diário Oficial da União DOU em 06/07/2009, ratificando a exclusão da empresa Recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Na sequência, em face do aludido Acórdão nº 130200.696, de 04/08/2011, a HORUS INDÚSTRIA E COMÉRCIO METAIS LTDA interpôs Recurso Especial de divergência à CSRF, o qual teve seguimento negado, conforme Despacho nº 08/2014 – 3ª Câmara do CARF, de 10/02/2014, a fls. 602/605, ratificado pelo Despacho nº 08R/2014 – 1ª Turma da CSRF, de 10/02/2014, a fls. 606/607, selando, assim, o Trânsito em Julgado da decisão administrativa objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 11020.002248/200930 e, consequentemente, a exclusão da empresa ora Recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Devidamente cientificada do teor do resultado da Diligência Fiscal requestada, a Recorrente deixou transcorrer in albis o prazo que lhe fora concedido pela Legislação Tributária, sem se manifestar nos autos do processo. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 08/06/2011. Havendo sido o recurso recebido pelo órgão fazendário em 20/06/2011, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO JULGAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONEXO Por se tratar de autuação reflexa à exclusão da empresa da sistemática do SIMPLES, o Recorrente se reporta à totalidade da argumentação apresentada no recurso relativo ao Processo Administrativo Fiscal n° 11020.002248/200930, para requerer que, em sendo acolhidos os pedidos elencados naquela peça recursal, seja declarada a consequente extinção da exigibilidade desta obrigação tributária derivada, na forma do inteiro teor das alegações fundamentadas naqueles autos; Com efeito, em virtude da flagrante relação de prejudicialidade existente entre as duas demandas, o julgamento do vertente Recurso Voluntário houvese por convertido em Diligência Fiscal, para que fosse aguardado o Trânsito em Julgado da decisão de mérito proferida nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 11020.002248/200930 suso citado, nos Termos da Resolução nº 2302000.264 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 20/11/2013, a fls. 597/600. No caso em tela, a empresa HORUS INDÚSTRIA E COMÉRCIO METAIS LTDA, doravante Horus, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, por intermédio do Ato Declaratório Executivo ADE DRF/CXL n° 33, de 02/07/2009, a fl. 77, publicado no Diário Oficial da União DOU em 06/07/2009, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul, com efeitos retroativos a 01/01/2005, em virtude de a empresa ter auferido receita bruta em valor superior ao limite a que se refere o inciso II do artigo 9º da Lei 9.317/96; inciso II do art 192 do Decreto n° 3.000/99, sendo o mérito de tal exclusão debatido e julgado nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 11020.002248/200930. Inconformada, a Autuada ofereceu impugnação administrativa em face do mencionado ADE DRF/CXL nº 33/2009, a qual foi julgada improcedente pela DRJ/SDR. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11020.002416/200997 Acórdão n.º 2401004.134 S2‐C4T1 Fl. 618 7 Em seguida, Acórdão nº 130200.696 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária da 1ª SEJUL/CARF/MF, de 04/08/2011, proferido nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 11020.002248/200930, a fls. 2030/2048, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário interposto pela HORUS INDÚSTRIA E COMÉRCIO METAIS LTDA, mantendo os efeitos do Ato Declaratório Executivo ADE DRF/CXL n° 33, de 02/07/2009, publicado no Diário Oficial da União DOU em 06/07/2009, ratificando a exclusão da empresa Recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Na sequência, em face do aludido Acórdão nº 130200.696, de 04/08/2011, a HORUS INDÚSTRIA E COMÉRCIO METAIS LTDA interpôs Recurso Especial de divergência à CSRF, o qual teve seguimento negado, conforme Despacho nº 08/2014 – 3ª Câmara do CARF, de 10/02/2014, a fls. 602/605, ratificado pelo Despacho nº 08R/2014 – 1ª Turma da CSRF, de 10/02/2014, a fls. 606/607, selando, assim, o Trânsito em Julgado da decisão administrativa objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 11020.002248/200930 e, consequentemente, a exclusão da empresa ora Recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Tal decisão transitou em julgado administrativamente. Diante de tal quadro, resulta que a Autuada encontrase formalmente excluída da Sistemática do SIMPLES, desde 01/01/2005, na forma disposta no Ato Declaratório Executivo DRF/CXL n° 33/2009, de maneira que, a contar da data da exclusão do regime simplificado de tributação acima citado, a empresa encontrase sujeita à regra de tributação prevista na Lei nº 8.212/91. O mérito a respeito da procedência do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL n° 33/2009 emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul/RS, que formalizou a exclusão da Recorrente do SIMPLES, já se houve por apreciado, debatido e julgado nos autos do Processo Administrativo nº 11020.002248/200930, em decisão da qual não cabe mais qualquer recurso, configurandose, portanto, Coisa Julgada administrativa. “Não se tolera, em direito processual, que uma mesma lide seja objeto de mais de um processo sucessivamente.” (Humberto Theodoro Júnior) Nessa vertente, o forum processual, apropriado e único, para o exercício do contraditório e da ampla defesa relativos às questões de fato e de direito das quais resultaram o Ato Declaratório Executivo DRF/CXL n° 33/2009, concentrase no Processo Administrativo Fiscal nº 11020.002248/200930, circunstância que esvazia a competência dos órgãos administrativos para apreciar e julgar, neste Processo Administrativo Fiscal, as mesmas questões já decididas, em caráter definitivo, no Processo Administrativo Fiscal acima mencionado. Não por outra razão, houvese o julgamento do vertente Recurso Voluntário convertido em Diligência Fiscal, nos Termos da Resolução nº 2302000.264 – 3ª Câmara / 2ª Fl. 622DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 Turma Ordinária, de 20/11/2013, a fls. 597/600, para que se aguardasse o Trânsito em Julgado Administrativo da decisão de mérito pertinentes ao ADE DRF/CXL n° 33/2009, dada à flagrante relação de prejudicialidade entre as demandas em foco, sendo certo que da decisão definitiva de mérito proferida no PAF nº 11020.002248/200930 irão irradiar efeitos a serem devidamente considerados no julgamento do presente Auto de Infração. Tal providência veio a atender, inclusive, ao pleito formulado pelo Recorrente que exortava “que, em sendo acolhidos os pedidos elencados naquela peça recursal (PAF nº 11020.002248/200930), seja declarada a consequente extinção da exigibilidade desta obrigação tributária derivada, na forma do inteiro teor das alegações fundamentadas naqueles autos”. Dessarte, o julgamento do Auto de Infração ora em pauta já parte do mérito acerca da efetiva exclusão da empresa ora Recorrente da sistemática simplificada do SIMPLES, a contar de 01/01/2005, consignado em decisão administrativa definitiva proferida previamente no julgamento da demanda objeto do PAF nº 11020.002248/200930, não sendo mais admissível neste Processo Administrativo Fiscal qualquer discussão meritória acerca das mesmas questões de fato e de direito, em virtude da existência de coisa julgada administrativa. Nesse contexto, para os fins específicos de tributação previdenciária, a contar da data de 01/01/2005, a empresa ora Recorrente se sujeita a todas as Obrigações Tributárias assentadas na Lei de Custeio da Seguridade Social e nas demais leis de regência. Mostrase auspicioso enaltecer que, nos termos do inciso V, in fine, do art. 267 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, a coisa julgada se configura causa determinante para a extinção do processo sem resolução do mérito, podendo ser reconhecida de ofício pela Autoridade Julgadora em qualquer tempo e grau de Jurisdição, enquanto não proferida a decisão de mérito, obstando, inclusive, que o autor intente, novamente, a mesma demanda. Código de Processo Civil Art. 267. Extinguese o processo, sem resolução de mérito: (Redação dada pela Lei nº 11.232/2005) (...) V quando o juiz acolher a alegação de perempção, litispendência ou de coisa julgada; (...) §3o O juiz conhecerá de ofício, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não proferida a sentença de mérito, da matéria constante dos nº IV, V e VI; todavia, o réu que a não alegar, na primeira oportunidade em que Ihe caiba falar nos autos, responderá pelas custas de retardamento. (...) Art. 268. Salvo o disposto no art. 267, V, a extinção do processo não obsta a que o autor intente de novo a ação. A petição inicial, todavia, não será despachada sem a prova do pagamento ou do depósito das custas e dos honorários de advogado. Parágrafo único. Se o autor der causa, por três vezes, à extinção do processo pelo fundamento previsto no no III do artigo anterior, não poderá intentar nova ação contra o réu com o Fl. 623DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11020.002416/200997 Acórdão n.º 2401004.134 S2‐C4T1 Fl. 619 9 mesmo objeto, ficandolhe ressalvada, entretanto, a possibilidade de alegar em defesa o seu direito. Diante de tal cenário, já havendo sido decidido o mérito acerca da efetiva exclusão da empresa ora Recorrente do regime simplificado do SIMPLES, a contar de 01/01/2005, mediante decisão administrativa em relação à qual não cabe mais recurso nessa Instância, não comporta o presente Processo Administrativo Fiscal mais qualquer debate em torno da questão, em virtude da Coisa Julgada Administrativa, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. O presente julgamento administrativo limitarseá, portanto, à matéria diferenciada, se houver. Vencidas as preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DO REEXAME DE DOCUMENTOS. O Recorrente alega que deverá ser reexaminado os montantes das receitas consignadas pelo Auditor Fiscal autuante, que não excluiu dos valores de ingressos nas contas bancárias aquelas relativas às vendas efetuadas nos anos anteriores e já tributadas, tendo em vista que os valores oferecidos à tributação, pela Autuada, eram pelo regime de competência das vendas efetuadas, tanto a vista como a prazo, e não pelo regime de caixa. Acrescenta que as cópias dos Livros Caixa dos anos de 2004, 2005 e 2006 foram anexadas ao processo n° 11020.002248/200930, onde se discute a exação tributária do Imposto de Renda e demais contribuições, e que toda a documentação que instruiu seus registros estão à disposição, na sede da empresa, para comprovação da veracidade dos fatos alegados. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 Sem razão, porém. Conforme já exaustivamente esclarecido, o mérito do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL n° 33/2009 foi apreciado, debatido e julgado nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 11020.002248/200930, havendo sido sacramentado que a produção dos efeitos da exclusão da empresa Recorrente do SIMPLES se daria a contar de 1º de janeiro de 2005, mediante decisão definitiva da qual não cabe mais qualquer espécie de recurso, adquirindo, portanto, o atributo da Coisa Julgada Administrativa, circunstância que obstruiu peremptoriamente o reexame da mesma matéria nos presentes autos. Por outro lado, vinho de outra pipa, porém, tal providência revelase desnecessária na medida em que a tributação das Contribuições Previdenciárias objeto do vertente lançamento tem por matéria tributável as remunerações pagas, creditadas ou devidas aos segurados empregados e Segurados Contribuintes Individuais, informadas pela própria empresa em suas Folhas de Pagamento e declaradas nas GFIP respectivas. Com efeito, em virtude da sua exclusão definitiva do sistema simplificado de tributação, a contar de 01/01/2005, a empresa Recorrente passou a se sujeitar, integralmente, ao regime de tributação estabelecido na Lei de Custeio da Seguridade Social, cujos fatos geradores e matéria tributável não guardam qualquer relação com as receitas auferidas pela empresa, tampouco ao regime de contabilização dessas receitas. Dessarte, o reexame dos Livros Caixa dos anos de 2004, 2005 e 2006 e da documentação que instruiu os registros contábeis, bem como o montante de receitas auferidas pela empresa nesses exercícios, não irá modificar em nada os elementos constitutivos do Auto de Infração em debate. Procedente, portanto, o lançamento das Contribuições Previdenciárias levado a efeito pela Autoridade Fiscal. 3.2. DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa ao regime jurídico de regência da penalidade pecuniária decorrente do atraso no recolhimento do tributo devido, a ser aplicada mediante lançamento de ofício. E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio iuris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Fl. 625DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11020.002416/200997 Acórdão n.º 2401004.134 S2‐C4T1 Fl. 620 11 Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. Iluminese, inicialmente, que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 12 A questão ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Com efeito, o regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 627DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11020.002416/200997 Acórdão n.º 2401004.134 S2‐C4T1 Fl. 621 13 §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado em Auto de Infração de Obrigação Principal, referente a fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro/2005 a dezembro/2006. Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante Auto de Infração de Obrigação Principal, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que até o organismo cognitivo mais rudimentar em existência – o computador – Fl. 628DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 14 consegue, sem margem de erro, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, determinar qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de ofício THEN art. 35, II, da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I, da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no Fl. 629DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11020.002416/200997 Acórdão n.º 2401004.134 S2‐C4T1 Fl. 622 15 art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 16 §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora se encontram dispostos em separado, digase, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11020.002416/200997 Acórdão n.º 2401004.134 S2‐C4T1 Fl. 623 17 Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430/96. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430/96. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 18 Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Contudo, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Não é cabível, portanto, efetuarse o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), pois estarseia, assim, promovendo a comparação de nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’, do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11020.002416/200997 Acórdão n.º 2401004.134 S2‐C4T1 Fl. 624 19 Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio, em que tal percentual é duplicado. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 20 Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, tal crédito é inscrito em Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c", do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Da conjugação das normas tributárias acima revisitadas concluise que, nos casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue: a) Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, observado o limite máximo de 75%, desde que não estejam presentes situações de sonegação, fraude ou conluio, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’, do CTN. b) Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação Fl. 635DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11020.002416/200997 Acórdão n.º 2401004.134 S2‐C4T1 Fl. 625 21 principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. No caso dos autos, considerando não haver sido demonstrada a presença dos elementos objetivos e subjetivos de conduta que, em tese, qualificase como fraude ou sonegação, tipificadas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, e que as obrigações tributárias ora lançadas decorrem de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, resulta que a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser aplicada de acordo com o art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em louvor ao princípio tempus regit actum, observado o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’, do CTN. 4 CONCLUSÃO: Pelos motivos de fato e de Direito ora expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo o regramento a ser observado quanto à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, in casu, art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum, observado o limite máximo de 75%, em honra ao princípio da retroatividade da lei tributária mais benigna inscrito no art. 106, II, ‘c’, do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 22 Fl. 637DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
score : 1.0
Numero do processo: 10920.900988/2006-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento,por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, relatora, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Winderley Morais Pereira que negavam provimento ao recurso voluntário. Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo esteve ausente justificadamente.
Charles Mayer de Castro Souza- Presidente.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim- Relatora
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Redator designado.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento,por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, relatora, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Winderley Morais Pereira que negavam provimento ao recurso voluntário. Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo esteve ausente justificadamente. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim Relatora (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Redator designado. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. RELATÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .9 00 98 8/ 20 06 -8 4 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.900988/200684 Resolução nº 3201000.630 S3C2T1 Fl. 73 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo de Declaração de Compensação – Per/Dcomp, (10355.33898.151003.1.3.047730) transmitida em 15/10/2003, onde foi verificado que o valor contido no DARF lá discriminado, objeto do pedido de compensação, já teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando créditos disponíveis para compensação dos débitos informados. Inconformada com a não homologação de sua compensação, a contribuinte encaminhou a presente manifestação de inconformidade, na qual aduz que o Per/Dcomp, objeto do Despacho Decisório, foi preenchido incorretamente, tendo faltado a informação nos campos “Informado em Processo Administrativo Anterior” e “Número do Processo” . Informa, ainda, que a DCTF do período de apuração foi preenchida incorretamente, tendo a retificação sido efetuada de acordo com a Intimação nº. 73/2008 de referido processo. Termina por afirmar que estão anexadas as fotocópias do Despacho Decisório do Processo nº. 13973.000286/200329 e da intimação nº. 73/2008, protocolada em 22/02/2008 e que resta demonstrado o erro no preenchimento e a suficiência de saldo. Requer, por fim, que seja retificada a Per/Dcomp e acolhida a impugnação. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FNS n° 0721.894, de 29/10/2010, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis /SC, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O julgamento foi no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade, tendo em vista que para a compensação ter validade, a mesma demanda a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta que: Fl. 73DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.900988/200684 Resolução nº 3201000.630 S3C2T1 Fl. 74 3 Porém, verificase claramente no Despacho Decisório datado de 24/06/2008, o reconhecimento do direito creditório, e que o PER/DCOMP tratado neste processo, só não foi homologado em virtude de ter tido um Despacho Decisório eletrônico anterior, e que diante disso, deveria ser julgado na manifestação de inconformidade apresentada. Ocorre que diante das informações relevantes deste último Despacho Decisório, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, em respeito aos princípios da economicidade, eficiência e moralidade (que devem ser observados pela Administração Pública), poderia ter cancelado o Despacho Decisório eletrônico e homologado todas as Declarações de Compensação informadas na intimação n° 73/2008. Desnecessário, portanto, toda esta discussão diante de um direito creditório líquido e certo. O processo foi distribuído a esta Conselheira, de forma regimental. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o processo de Declaração de Compensação – Per/Dcomp, transmitida em 15/10/2003, onde foi verificado que o valor contido no DARF lá discriminado, objeto do pedido de compensação, já teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos da recorrente, logo, não restando créditos para compensação dos débitos, ora tratados. Rebate a recorrente que só não foi reconhecido o seu direito creditório, em face de ter sido Despacho Decisório eletrônico anterior, e que diante disso, deveria ser julgado na manifestação de inconformidade apresentada. Vide trecho do despacho decisório acima referido: Importante também ressaltar que as PER/DCOMPs de n° 30001.95157.150903.1.3.044057, 10355.33898.151003.1.3.047730 e 00818. 62128151203.1.3.041743não estão sendo tratadas no presente processo, em virtude de terem sido não homologadas previamente, conforme Despachos Decisórios de fls. 35 a 37, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, nos termos dos §§ 7o e 9o do art. 74 da Lei 9.430/1996 (fls. 38 a 40). A Per/Dcomp de nº 10355.33898.151003.1.3.047730 em discussão, nos autos, não foi homologada, conforme trecho do despacho acima, logo, não havia crédito inconteste. Como ressalta a própria decisão de primeira instância, não obstante a recorrente ter retificado a DCTF (em 20/02/2008), mas quando do pedido de compensação (em 15/10/2003), a mesma não possuía liquidez e certeza que pudesse ser objeto de repetição: Fl. 74DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.900988/200684 Resolução nº 3201000.630 S3C2T1 Fl. 75 4 Em que pese o fato da interessada ter retificado o documento no sentido de identificar o recolhimento que diz ter sido indevido, este procedimento foi feito após a análise do Per/Dcomp que resultou na decisão pela nãohomologação, conforme descrito no Despacho Decisório. Ou seja, o procedimento compensatório, objeto da análise, foi realizado quando ainda não estava configurada a existência do pagamento indevido por meio da respectiva DCTF, documento este em que o sujeito passivo formalmente apura e declara a contribuição devida à Receita Federal. Como se constata nos autos, a contribuinte retificou a DCTF em momento posterior ao pleito compensatório, por conseguinte, a compensação teria sido formalizada quando o crédito alegado no Per/Dcomp, objeto do Despacho Decisório, ainda não possuía a liquidez e certeza para que pudesse ser objeto de repetição. Verificase, que através do processo de n° 13973000286/200329 (cópia trazida pela recorrente), através da intimação de n° 73/2008 (em 06/02/2008), a fiscalização observava divergência de valores informados entre a DCTF e DIPJ: Verificamos, entretanto, que essa empresa informou, em DCTF, ter apurado, no período acima, débito equivalente aos pagamentos relacionados (R$ 115.567,51). Já na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, exercício 2003, ano calendário 2002, o valor apurado de PIS em novembro de 2002 foi de R$ 89.572,70. No Despacho Decisório consta a informação que a recorrente responde que a DCTF do período foi preenchida incorretamente, tendo sido providenciada a sua retificação e que o valor correto do débito de Pis de novembro de 2002 correspondeu a R$ 89.572,70, apresentando cópias do razão das contas de receita do período. Ressaltese que em sua defesa, o contribuinte trouxe aos autos referência do outro processo a DCTF retificadora, com recibo de entrega em 20/02/2008, ou seja, em momento posterior à apresentação do Per/Dcomp. Não obstante, retificado o documento no sentido de identificar o recolhimento que diz ter sido indevido, este procedimento foi feito após a análise do Per/Dcomp que resultou na decisão pela nãohomologação, conforme descrito no Despacho Decisório, já comentado. Ou seja, o procedimento compensatório, objeto da análise, foi realizado quando ainda não estava configurada a existência do pagamento indevido por meio da respectiva DCTF, documento este em que se apura e declara a contribuição devida à Receita Federal. Várias são as decisões proferidas pelo CARF que têm assentado a necessidade de que o crédito pleiteado seja dotado de certeza e liquidez e que eventual erro em DCTF deve ser comprovado com demonstrativos e documentos fiscais contábeis e neste caso, dos autos, a origem do erro de apuração do débito retificado, não foi apresentado com essa documentação. E mais, não custa nada lembrar, que a discussão acima é o que o Despacho decisório, DCTF retificadora referemse a outro processo, que a recorrente traz cópia na tentativa de comprovar a liquidez da compensação, ora tratada. Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do art. 170 do CTN Fl. 75DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.900988/200684 Resolução nº 3201000.630 S3C2T1 Fl. 76 5 Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária só ocorre nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Relembrando o que dispõe o art. 170 do CTN: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública Destarte, o CTN é expresso ao dispor sobre a permissão da compensação, desde que seja feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Pois bem, como está disposto de forma literal no artigo 170 do CTN, a compensação, para ser válida, demanda a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional, o que não se verifica no presente caso, motivo pelo qual tal compensação não foi homologada. Exemplo desse entendimento é o Acórdão de n° 3802001.290, de 25/09/2012, de relatoria de José Fernandes do Nascimento, cuja ementa (parte) dispõe: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (....) Logo, como se constata nos autos, a recorrente retificou a DCTF em momento posterior ao pleito compensatório, por conseguinte, a compensação teria sido formalizada quando o crédito alegado no Per/Dcomp, objeto do Despacho Decisório, ainda não possuía a liquidez e certeza para que pudesse ser objeto de repetição. Diante do exposto NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Voto Vencedor Tatiana Josefovicz Belisário Redator designado. Por meio de Despacho Decisório eletrônico, a unidade de origem indeferiu o pleito, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos realizados pela Recorrente, mas Fl. 76DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.900988/200684 Resolução nº 3201000.630 S3C2T1 Fl. 77 6 integralmente utilizados para quitação de débitos dela própria, não restando, assim, crédito disponível para compensação. Não houve, todavia, antes de prolatada a decisão, intimação da Recorrente para apresentar esclarecimentos sobre o pedido que formulou, muito embora, como se sabe, a Lei n.º 9.784, de 1999, que rege o Processo Administrativo Federal, aplicável subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF por força do disposto em seu art. 69, determina que o administrado tem, entre outros direitos perante a Administração Pública, o de formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais devem ser objeto de consideração pelo órgão competente (inciso III do art. 3º). Pelo exposto, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para determinar que a unidade de origem promova a intimação da Recorrente para apresentar esclarecimentos e documentos que se fizerem necessários e, sendo o caso, profira novo Despacho Decisório a partir dos esclarecimentos e documentos apresentados. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Redator designado. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por TATIANA JOSEFOV ICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10508.000603/2006-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2102-000.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62-A, §§, do Anexo II, do RICARF).
(assinatura digital)
___________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção
Responsável pela formalização ad hoc da Resolução
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ACÁCIA SAYURI WAKASUGI (Relatora), ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62-A, §§, do Anexo II, do RICARF). (assinatura digital) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção Responsável pela formalização ad hoc da Resolução Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ACÁCIA SAYURI WAKASUGI (Relatora), ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA.
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score : 1.0
Numero do processo: 16306.000005/2011-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
IRPJ - REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO - ADICIONAL DO IMPOSTO DE RENDA - APLICAÇÕES FINANCEIRAS - Improcedente a exigência do adicional do imposto de renda incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras em renda fixa existentes em 31 de dezembro de 1994, por força do disposto no §5o do artigo 67 da Lei n. 8.981/95. Beneficiam-se de tal tratamento as aplicações em Fundos de Investimento Multimercado, que são tributadas como aplicações financeiras em renda fixa.
IRRF - COMPENSAÇÃO - SALDO NEGATIVO - eventual erro das fontes pagadoras ao preencher a DIRF não tem o condão de afastar o direito creditório do contribuinte que sofreu a retenção. Se a fonte pagadora dos rendimentos não cumpre com a obrigação de fornecer a DIRF ou fornece de forma incorreta, tendo o beneficiário apresentado documentação que comprove tanto a retenção do IRRF, o pagamento de rendimento líquido e o oferecimento dos respectivos rendimentos à tributação, esta deve ser considerada hábil à comprovação de receitas componentes da apuração do imposto, para fins de compensação.
Numero da decisão: 1401-001.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Sustentação oral proferida em nome da recorrente pelo Dr. Luciano Martins Ogawa - OAB/SP nº 195.564.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora.
EDITADO EM: 10/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Aurora Tomazini de Carvalho, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 IRPJ - REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO - ADICIONAL DO IMPOSTO DE RENDA - APLICAÇÕES FINANCEIRAS - Improcedente a exigência do adicional do imposto de renda incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras em renda fixa existentes em 31 de dezembro de 1994, por força do disposto no §5o do artigo 67 da Lei n. 8.981/95. Beneficiam-se de tal tratamento as aplicações em Fundos de Investimento Multimercado, que são tributadas como aplicações financeiras em renda fixa. IRRF - COMPENSAÇÃO - SALDO NEGATIVO - eventual erro das fontes pagadoras ao preencher a DIRF não tem o condão de afastar o direito creditório do contribuinte que sofreu a retenção. Se a fonte pagadora dos rendimentos não cumpre com a obrigação de fornecer a DIRF ou fornece de forma incorreta, tendo o beneficiário apresentado documentação que comprove tanto a retenção do IRRF, o pagamento de rendimento líquido e o oferecimento dos respectivos rendimentos à tributação, esta deve ser considerada hábil à comprovação de receitas componentes da apuração do imposto, para fins de compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Sustentação oral proferida em nome da recorrente pelo Dr. Luciano Martins Ogawa - OAB/SP nº 195.564. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora. EDITADO EM: 10/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Aurora Tomazini de Carvalho, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 IRPJ REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO ADICIONAL DO IMPOSTO DE RENDA APLICAÇÕES FINANCEIRAS Improcedente a exigência do adicional do imposto de renda incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras em renda fixa existentes em 31 de dezembro de 1994, por força do disposto no §5o do artigo 67 da Lei n. 8.981/95. Beneficiamse de tal tratamento as aplicações em Fundos de Investimento Multimercado, que são tributadas como aplicações financeiras em renda fixa. IRRF COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO eventual erro das fontes pagadoras ao preencher a DIRF não tem o condão de afastar o direito creditório do contribuinte que sofreu a retenção. Se a fonte pagadora dos rendimentos não cumpre com a obrigação de fornecer a DIRF ou fornece de forma incorreta, tendo o beneficiário apresentado documentação que comprove tanto a retenção do IRRF, o pagamento de rendimento líquido e o oferecimento dos respectivos rendimentos à tributação, esta deve ser considerada hábil à comprovação de receitas componentes da apuração do imposto, para fins de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Sustentação oral proferida em nome da recorrente pelo Dr. Luciano Martins Ogawa OAB/SP nº 195.564. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 30 6. 00 00 05 /2 01 1- 07 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 16/02/20 16 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO 2 (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora. EDITADO EM: 10/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Aurora Tomazini de Carvalho, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMPs eletrônicas formalizadas pela ora Recorrente visando a compensar os débitos nelas especificados com crédito de saldo negativo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), referente ao anocalendário 2003, no montante de R$ 95.171.289,53. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SP) homologou parcialmente as compensações declaradas, até o limite do valor do direito creditório reconhecido, no valor de R$ 82.247.034,65, nos seguintes termos: Cientificado do aludido despacho decisório em 11/02/2011, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 15/03/2011 (fls. 108 a 123), acompanhada de documentos, na qual contesta as conclusões firmadas na decisão administrativa, conforme reproduzido pelo acórdão recorrido de fls. 261 a 286: Fl. 545DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 16/02/20 16 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO Processo nº 16306.000005/201107 Acórdão n.º 1401001.512 S1C4T1 Fl. 545 3 Fl. 546DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 16/02/20 16 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO 4 Fl. 547DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 16/02/20 16 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO Processo nº 16306.000005/201107 Acórdão n.º 1401001.512 S1C4T1 Fl. 546 5 A 7a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1) julgou a insurgência improcedente, em acórdão assim ementado: Fl. 548DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 16/02/20 16 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO 6 Intimado da referida decisão em 08/09/2011, o contribuinte tempestivamente interpôs recurso voluntário (fls. 288348), em 10/10/2011, argumentando, em síntese: Nulidade da decisão recorria por inobservância do artigo 65 da IN SRF 900/08 e possibilidade de realização de diligência fiscal para comprovação do seu direito Nulidade da decisão recorrida ante a decadência do direito de retificar o valor apurado na DIPJ a título de Imposto de Renda Correta apuração do valor do adicional do IRPJ, ante a não tributação de aplicação financeira de renda fixa existente em 1994 em vista do disposto no §5o do artigo 67 da Lei 8.981/95 Fl. 549DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 16/02/20 16 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO Processo nº 16306.000005/201107 Acórdão n.º 1401001.512 S1C4T1 Fl. 547 7 Comprovação da integralidade das retenções declaradas (erro na emissão das DIRFs pelas fontes pagadoras) Improcedência do não reconhecimento do crédito de IRRF na composição do saldo negativo de IRPJ, tendo em vista que as receitas financeiras foram devidamente oferecidas à tributação (reitera o pedido de diligência) Após, em 05/08/2013, a Recorrente apresentou Memoriais, solicitando a juntada de demonstrativos e informes de rendimentos já apresentados por ocasião da Manifestação de Inconformidade (doc. 6, a fls. 234246), bem como de um "Extrato de Movimentação" emitido pela Votorantim Asset relativamente ao FIC VOT Multimercado, segregado por data de aplicação e número de cautelas em cada aplicação, que comprovaria que as aplicações em tal fundo anteriores a 31/12/1994 só foram resgatadas a partir de 22/12/2010, o que comprovaria estar correto o cálculo do adicional de IRPJ. Os autos foram, então, encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que informou estar ciente dos documentos juntados aos autos e requereu que fosse dado prosseguimento ao feito (fls. 500). Então, em dezembro de 2014, a Recorrente novamente requereu a juntada do "Extrato de movimentação" apresentado em 5/08/2013 (fls. 504 a 540). É o relatório. Voto Conselheira Livia De Carli Germano O recurso é tempestivo, bem como atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 1632.411, da 7a Turma da DRJ/SP1, a qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente em face da homologação apenas parcial de compensações declaradas em PER/DCOMPs, visando à utilização de saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ 2004, ano calendário 2003. Considerando a exposição realizada no relatório supra, passo a analisar os argumentos trazidos para a reforma do acórdão recorrido. Observo que todas as referências a fls. dizem respeito ao eprocesso. Primeiramente, entendo que, no caso, não ocorreu a alegada decadência do direito de retificar o valor apurado na DIPJ a título de saldo negativo de IRPJ. Isso porque, conforme se depreende das fls. 7 a 14 destes autos, a DIPJ 2004, ano calendário 2003, foi retificada em 31/10/2007. Nos termos do artigo 19 da MP 1.99026/1999 (em vigor em virtude da Emenda Constitucional 32/2001), a declaração retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, tendo o condão de substituíla integralmente. Assim, no caso, qualquer que seja a linha que se adote para a contagem, o prazo fatal para a Fl. 550DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 16/02/20 16 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO 8 homologação da DIPJ 2004, anocalendário 2003, venceu após a ciência do despacho decisório, ocorrida em 11/02/2011. Ademais, a Recorrente reitera o quanto já observado na manifestação de inconformidade, de que a decisão recorrida seria nula por não ter sido observado o artigo 65 da IN SRF 900/08, nem deferida a realização de diligência para comprovação de seu direito. Antes de aprofundar a análise sobre a nulidade, porém, convém analisar o mérito, tendo em vista o disposto no § 3º do artigo 59 do DecretoLei 70.235/1972, segundo o qual, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Adicional de IRPJ Quanto à revisão do cálculo do adicional do IRPJ, entendo ser aplicável o benefício fiscal do §5o do artigo 67 da Lei 8.981/95, segundo o qual os rendimentos das aplicações financeiras de renda fixa existentes em 31 de dezembro de 1994 e produzidos a partir de 1º de janeiro de 1995 podem ser excluídos do lucro real para efeito de incidência do adicional do IRPJ. Neste sentido, as seguintes decisões deste E. CARF: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 1999 BASE DE CÁLCULO DO ADICIONAL DO IRPJ. EXCLUSÃO DOS RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. Nos termos dos artigos 67, parágrafo 5º e 73, parágrafo 7°, da Lei n°. 8.981, de 1995, os rendimentos de aplicações financeiras em renda fixa ou variável, existentes em 31 de dezembro de 1994 e auferidos a partir de 1° de janeiro de 1995, poderão ser excluídos do lucro real para efeito de apuração do adicional do IRPJ. (Processo 13839.001768/200421, Acórdão 1801001.508, Relatora Ana de Barros Fernandes, sessão de 9/07/2013) IRPJ RECURSO DE OFÍCIO – Negase provimento ao recurso de ofício, quando se verifica que a decisão recorrida se ateve às provas dos autos para exonerar o contribuinte da exigência que lhe estava sendo imposta erroneamente. IRPJ – ADICIONAL DO IMPOSTO DE RENDA – REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO – RECEITAS FINANCEIRAS – Improcedente a exigência do adicional do imposto de renda incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras em renda fixa existente em 31 de dezembro de 1994, por força do disposto no §5o., do artigo 67 da Lei n. 8.981/95. Recurso de ofício negado e voluntário provido. (Processo 10283.010430/200234, Acórdão 10195081, Relator Valmir Sandri, sessão de 7/07/2005) Notese que referido benefício é também aplicável a Fundos de Investimento Multimercado (FIMM) já que, para fins tributários, estes são tratados como aplicações financeiras de renda fixa, sendo os rendimentos tributados a alíquotas regressivas em função do prazo (nos termos do art. 1o da Lei 11.033/2001) e sujeitos à antecipação do imposto nos meses de maio a novembro conhecida como "comecotas". Não por outra razão, no caso, o recolhimento de IRRF referente a tal fundo foi realizado sob o código 6800 Aplicações Financeiras em Fundos de Investimento de Renda Fixa (DIRF a fl. 35 e doc. 6 da Manifestação de Inconformidade, a fls. 234246). Fl. 551DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 16/02/20 16 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO Processo nº 16306.000005/201107 Acórdão n.º 1401001.512 S1C4T1 Fl. 548 9 Assim, quanto ao adicional de IRPJ, voto por reconhecer como correta a apuração tal como calculada pela Recorrente em sua DIPJ 2004/2003 (isto é, zerada), tendo em vista ser aplicável ao caso o benefício fiscal do §5o do artigo 67 da Lei 8.981/95. Retenções de IRRF Quanto aos valores de IRRF que formaram o valor do saldo negativo em discussão, a compensação foi parcialmente negada face à divergência entre os valores informados pela Recorrente e o montante informado nas DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras, nos seguintes termos: Fonte pagadora (CNPJ) Código de Receita Valor declarado Valor confirmado na DIRF 00.000.000/306517 6800 R$ 792.302,88 R$ 0,00 61.397.246/000133 5706 R$ 4.995.000,00 R$ 0,00 Nesse passo, tenho que eventual erro das fontes pagadoras ao preencher a DIRF não tem o condão de afastar o direito creditório do contribuinte que sofreu a retenção, mormente quando este procedeu ao preenchimento da DIPJ conforme os informes de rendimentos então recebidos e os ofereceu à tributação. Logo, desde que as retenções sejam comprovadas por outro meio de prova, devese reconhecer o direito creditório da Recorrente. A propósito do tema, mister reproduzir o disposto no art. 785, inciso III do RIR/99, segundo o qual “ficam responsáveis pela retenção e pelo pagamento do imposto (Lei n. 8.981, de 1995, art. 78 e Lei n. 9.430, de 1996, art. 69): (...) III a pessoa jurídica que efetuar o pagamento dos rendimentos.” Assim, a responsabilidade pela retenção do imposto de renda na fonte e o seu consequente recolhimento compete à fonte pagadora dos rendimentos, não podendo o beneficiário ser penalizado pela omissão daquela. Se a fonte pagadora dos rendimentos, que é a responsável pela comprovação do seu efetivo recolhimento, não cumpre com a obrigação de fornecer a DIRF ou fornece de forma incorreta, tendo o beneficiário apresentado documentação que comprove a retenção do IRRF, o pagamento de rendimento líquido e o oferecimento dos respectivos rendimentos à tributação, esta deve ser considerada hábil à comprovação de receitas componentes da apuração do imposto, para fins de compensação. De fato, há que se distinguir o que é obrigação da Recorrente e o que são obrigações da fonte pagadora. Cabe à Recorrente provar o recebimento dos valores, as respectivas retenções de fonte e o oferecimento dos rendimentos à tributação. Em relação a isto, a Recorrente se desincumbiu: a) integralmente, quanto à retenção efetuada pelo Banco do Brasil (CNPJ 00.000.000/306517), conforme comprovam: (i) os documentos acostados a fls. 247 251, contendo 3 informes de rendimento fornecidos pela fonte pagadora, com retenções nos valores de R$403.312,42 (referente aos meses de julho a setembro de 2003), R$363.045,52 (referente aos meses de outubro a dezembro de 2003) e R$25.944,94 (referente ao mês de dezembro de 2003), bem como (ii) as fichas 6A e 53 da DIPJ 2004/2003. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 16/02/20 16 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO 10 b) integralmente, quanto à retenção efetuada pela Votocel Investimentos Ltda. (CNPJ 61.397.246/000133), conforme comprovam as fichas 6A e 53 da DIPJ 2004/2003 e os documentos de fls. 250253, contendo: b.1) declaração da fonte pagadora de que efetuou pagamento a título de Juros sobre o Capital Próprio no ano calendário de 2003 à Recorrente no valor de R$ 33.300.000,00, tendo efetuado a retenção de R$ 4.995.000,00, afirmando, ainda, que tais rendimentos não foram informados na DIRF Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte do exercício 2004 anocalendário 2003, por erro formal de preenchimento da obrigação acessória. b.2) cópia dos respectivos DARFs: Fl. 553DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 16/02/20 16 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO Processo nº 16306.000005/201107 Acórdão n.º 1401001.512 S1C4T1 Fl. 549 11 Neste sentido, quanto ao IRRF, entendo que o recurso merece ser provido para reconhecer o direito da Recorrente de utilizar para compensação os valores de R$ 792.302,88, retido pelo Banco do Brasil S/A (CNPJ 00.000.000/306517), e R$ 4.995.000,00, retido pela Votocel Investimentos Ltda. (CNPJ 61.397.246/000133). Conclusão Diante do exposto acima, oriento meu voto para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Fl. 554DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 16/02/20 16 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO
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Numero do processo: 12466.723912/2011-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 21/11/2006 a 21/11/2006
Ementa:
DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA.
Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do Decreto-Lei no 37/1966.
MPF - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO.
O MPF é instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3302-003.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário constituído.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 21/11/2006 a 21/11/2006 Ementa: DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do DecretoLei no 37/1966. MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O MPF é instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário constituído. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 39 12 /2 01 1- 26 Fl. 549DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723912/201126 Acórdão n.º 3302003.072 S3C3T2 Fl. 3 2 Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para aplicação da multa substitutiva de pena de perdimento, pela prática de ocultação do real adquirente mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta na importação, definidas como dano ao erário, lavrado em face de GEMAX TRADING COMPANY S/A como importador e interposta pessoa, de EASY SERVIÇOS E COMÉRCIO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA, como interposta pessoa e de THINNETWORKS PRODUTOS DE INFORMÁTICA LTDA, como real adquirente. A GEMAX registrou declarações de importação DI na modalidade direta (por sua própria conta e ordem) no período de 2005 a 2006. Inicialmente, foi aberto procedimento especial de controle aduaneiro sobre as referidas cargas com base na IN SRF nº 206/2002, no qual foi constatada a importação de equipamentos e aparelhos usados para fins de análises e diagnósticos laboratoriais, cujo licenciamento era vedado, e a falta de capacidade econômicofinanceira para promover importações diretas. Paralelamente, foi dado início à revisão de habilitação no comércio exterior com base no artigo 21 da IN SRF 650/2002, tendo a GEMAX não apresentado documentos que demonstrassem a origem e aplicação dos recursos financeiros, razão pela qual foi instaurado o procedimento previsto na IN SRF 228/2002, de acordo com o §3º do artigo 21 da IN SRF nº 650/2006. Em procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, previsto na IN SRF 228/2002, apurouse que de janeiro de 2005 a outubro de 2006, a GEMAX registrava importações por conta própria, mas que eram realizadas com recursos de terceiros. A partir de outubro de 2006 a março de 2007, passou a registrar importações por encomenda de EASY, que também seria interposta pessoa de terceiros reais adquirentes, os quais repassariam os recursos à EASY e esta á GEMAX, após a nacionalização das mercadorias. Nesta segunda fase, afirma a fiscalização que a GEMAX continuava dependente dos recursos antecipados, repassados via EASY, mas contabilizados de forma não individualizada, não os vinculando a cada DI, de forma a dificultar o rastreamento dos recursos empregados nas importações. A conclusão do procedimento fiscal levou a autuações por interposição fraudulenta, na maior parte com identificação dos reais adquirentes e, relativamente à EASY, Fl. 550DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723912/201126 Acórdão n.º 3302003.072 S3C3T2 Fl. 4 3 por presunção do §2º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976 e, em dois casos, com identificação dos reais adquirentes. Neste processo, especificamente, a acusação fiscal foi de ocultação do real adquirente THINNETWORKS mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, na DI registrada em 21/11/2006, na modalidade "por encomenda", em razão do seguinte: 1. A GEMAX não possuía capacidade financeira e econômica para fazer frente ao volume de importações por ela transacionado devido a: a. movimentação em torno de R$ 30.000.000,00 de 2005 a 2007, para capital social da ordem de R$ 50.000,00 (aumentados para R$ 400.000,00 no quarto trimestre de 2006, decorrentes de lucros acumulados); b. aumento de capital social por reavaliação de bens, adquiridos por R$ 45 mil e reavaliados para R$ 2.774.000, em datas próximas, não havendo qualquer aumento de disponibilidade financeira; b. lucro líquido auferido no período foi em torno de R$ 980.000,00, muito inferior ao volume transacionado; c. Inexistência de quaisquer empréstimos e financiamentos tomadas de terceiros, conforme confirmados pela recorrente, sendo que os valores repassados pelo FUNDAP foram em datas pontuais e discrepantes aos das operações de importação; 2. A operação somente pode ser viabilizada mediante adiantamento de caixa recebido da THINNETWORKS para liquidação de contratos de câmbio e pagamentos dos tributos pagos no registro da DI, configurando a aplicação do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002; 3. Por várias vezes, a emissão das notas fiscais de venda era realizada no mesmo dia da emissão das notas fiscais de entrada, revelando giro imediato do estoque, indicando a encomenda da mercadoria; 4. A GEMAX é uma empresa de pequeno porte que atua, basicamente, como prestadora de serviços de comércio exterior, incluindo logística e financeiros, conforme informação colhida no próprio site da empresa, que jamais importa com ânimo próprio, mas por conta e ordem ou por encomenda; 5. As vantagens financeiras oferecidas pela GEMAX em seu site se coadunam com os objetivos pretendidos com a prática da ocultação do real adquirente: ausência de agregação de margem de lucro, implicando redução de carga tributária, redução de 33,3% no ICMS, com menor alavancagem dos tributos subsequentes (PIS, Cofins, ICMS), menor alavancagem do IPI, com recolhimento feito pela GEMAX sobre o custo da mercadoria e não sobre o preço de venda ao consumidor final. 6. Todas as vendas eram realizadas pelo custo das mercadorias pagas ao exportador, acrescido dos tributos pagos na importação e nacionalização e incidentes na venda ao mercado interno; Fl. 551DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723912/201126 Acórdão n.º 3302003.072 S3C3T2 Fl. 5 4 7. Todo o lucro obtido pela GEMAX decorre do FUNDAP que consiste em diferimento no pagamento do ICMS incidente na importação, financiamento de longo prazo de cerca de 70% do ICMS recolhido, com juros fixos a 1% a.a., com carência de 5 anos e mais 20 anos para amortização e realização de leilões de recompra de dívida, com existência de liquidação de contratos, por 10 a 15% do saldo devedor, em média; 8. O contrato particular firmado entre a GEMAX e a EASY é de prestação de serviço de importação por conta e ordem da EASY; 9. A EASY não possui capacidade financeira para arcar com os custos das importações no período do 2º trimestre de 2006 ao 4º trimestre de 2007, pois seu capital social e patrimônio líquido são de R$ 5.000,00 para um volume de importações de R$ 7.000.000,00. Intimada, a EASY deixou de atender integralmente às intimações, especialmente quanto à comprovação da origem e aplicação dos recursos; 10. Não foram localizados empréstimos ou financiamentos tomados pela EASY; 11. A EASY não apresentou os livros de escrituração contábil e fiscal e demais documentos e esclarecimentos que pudessem demonstrar a origem, a disponibilidade e a aplicação dos recursos. 12. De maio a outubro de 2006, A GEMAX realizava formalmente importações diretas, com revenda à EASY, mas com recursos adiantados de terceiros diretamente à GEMAX, embora constasse a EASY como destinatária das mercadorias. A partir de outubro de 2006, a EASY passou a constar como encomendante, porém se comportando, na realidade, como uma segunda interposição, recebendo adiantamentos que eram repassados à GEMAX; 13. Vários destes adquirentes estavam comercializando diretamente com a GEMAX, e passaram a ser destinatários de revenda da EASY, após sua inserção como encomendante, conforme telas da DIPJ constantes no relatório fiscal; 14. A THINNETWORKS informou ter repassado à GEMAX o recurso financeiro necessário para liquidação de câmbio, efls 235 a 242. 15. A ocultação da THINNETWORKS propiciaria: sua não equiparação a industrial para evitar a incidência de IPI, diminuir suas receitas nas operações de revenda, diminuindo a base de cálculo de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e ICMS), usufruir indiretamente dos benefícios do FUNDAP (incentivo fiscal no âmbito do ICMS no Espírito Santo); não se submeter aos procedimentos de habilitação no comércio exterior (IN SRF 650/2006), fugir ao controle quanto à avaliação de risco (parametrização), em função do perfil histórico e cadastral; Ao final foi elaborada representação fiscal para fins penais. Em impugnação, a GEMAX pediu: "a1) restou comprovado que a Impugnante tinha origem de recursos para suas operações, decorrente de receita financeira líquida de 5,8% (FUNDAP) mais lucro operacional médio de 3% e que o capital social das S.A. não guarda relação direta com a origem dos recursos utilizados no comércio exterior; Fl. 552DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723912/201126 Acórdão n.º 3302003.072 S3C3T2 Fl. 6 5 a2) Também porque a Receita não comprovou que houve adiantamentos por parte do destinatário em relação a DI [...], restou comprovado que a Impugnante tinha origem para a operação, decorrente de receita .financeira líquida de 5,8% mais lucro operacional médio de 3%; a3)Também porque os valores depositados na conta da impugnante foram posteriores ao registro da DI e, consequentemente, após a contratação com o exportador e o embarque dos bens, não podendo ser considerados "adiantamentos"; a4) Também pela impossibilidade de se estender as "impressões" de procedimento especial de fiscalização da IN 228/02 a todas as importações do contribuinte, nos termos do ACÓRDÃO N° 17 38398 de 23 de Fevereiro de 2010, do ACÓRDÃO N° 1735664 de 20 de Outubro de 2009, do ACÓRDÃO N° 0715421 de 13 de Março de 2009 e do ACÓRDÃO N° 0715356 de 06 de Março de 2009 e 17¬ 52.140, de 07 de Julho de 2011 ( a5) Também porque o artigo 27 da Lei n.° 10.637/2002 prevê uma presunção relativa da ocorrência de importação por conta e ordem quando a operação de comércio exterior for realizada mediante utilização de recursos de terceiro, presunção esta que restou afastada, haja vista que: > o Fisco não afastou a declaração e comprovação do importador de que obteve financiamento para gerir suas atividades no período em que foram realizadas as importações objeto dos autos, nos termos do Acórdão n° 0721519, de 15/10/2010, da e. 2a Turma desta e. DRJ e, > restou comprovado que a Impugnante foi a responsável por todas as tratativas com o exportador, figurando, inclusive, nos documentos que acobertaram a operação, não tendo sido produzida qualquer prova apta a afastar a veracidade de tais informações, nos termos dos Acórdãos 1752151, de 07 de julho de 2011 e 1752.140; a6) Também porque a operação foi feita na modalidade por encomenda, aplícandose, em conseqüência, o disposto no artigo 417, 418 e 483 do Código Civil c/c artigo 313 do RIPI, bem como o disposto no ACÓRDÃO N° 0721519 de 15 de Outubro de 2010 e na Solução de Consulta N° 5 de 07 de Janeiro de 2010, razão pela qual pequenos adiantamentos não são suficientes para afastar tal modalidade, mormente se comprovada que a importadora obteve financiamento para gerir suas atividades; a7) Também porque a pena aplicável seria multa diversa (art. 33 da lei n° 11.488/2007), nos termos da Orientação COANA/COFIA/DIFIA e consoante Acórdãos DRJ no S 17¬ 25849, de 17/06/2008, e 17 26798, de 13/08/2008. b) Sucessivamente ao pedido (a) acima, ANULE o lançamento do crédito objeto do auto de infração, por impedimento do AFRF, Fl. 553DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723912/201126 Acórdão n.º 3302003.072 S3C3T2 Fl. 7 6 nos termos da Portaria RFB n° 11.371/2007, artigos 2o c/c 12 c/c 14 e 15, parágrafo único), nos termos do Acórdão n° 302¬ 37.093, do 3o Conselho de Contribuintes ); Também porque o Auto de Infração não descreve as supostas irregularidades praticadas em todas as DIS mencionadas nos autos, violando o disposto no artigo 10, inciso III e no artigo 59, ambos do Decreto nº 70.235/72 [...] Também porque não foi permitido o acesso aos autos do procedimento, assim como todos os livros fiscais permanecem em posse do AFRFB atuante; c) Sucessivamente ao pedido (b) acima, reconheça a decadência do lançamento em relação às DI´s, todas registradas há mais de 5 anos; c) Sucessivamente ao pedido (b) supra, que DEVOLVA o prazo para impugnação do presente auto de infração, a ser contado a partir da data em que a requerente receber de volta todos os seus livros e documentos fiscais, ora em poder da Administração (conforme itens 24/30 e does. 02 e 03), baixando o feito em diligência solicitando esclarecimentos e/documentos à Impugnante para posterior análise desta impugnação, nos termos do artigo 16, § 4o do Decreto n° 70.235/72, considerandose em especial o cerceamento do direito de defesa e a impossibilidade de juntar os livros contábeis como prova documental, por estarem de posse do fiscal autuante. Por seu turno, a EASY impugnou o lançamento alegando o abaixo, conforme trecho do relatório do acórdão recorrido: (i) Ocorreu a decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento do crédito tributário cobrado por meio do auto de infração em julgamento, conforme art. 139 do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966. (ii) O direito de defesa do impugnante foi atacado, posto que várias peças da autuação não foram disponibilizadas no prazo para impugnação. (iii) O lançamento é nulo, pois inexiste Mandado de Procedimento Fiscal em face do impugnante. (iv) A GEMAX, como reconhecido e declarado pelo Auditor Fiscal, é uma empresa importadora constituída em 13 de junho de 2001 e radicada no Espírito Santo (ES), beneficiária do FUNDAP, possui localização certa, seus sócios formais puderam ser identificados ao se apresentarem à fiscalização, mantém escrituração contábil de todas as suas operações e os documentos que a dão suporte, bem como cumpre todas as suas obrigações tributárias principais e apresenta suas declarações regularmente à RFB. (v) A importadora é reconhecida no mercado por proceder à operações de importação e revenda de mercadorias para clientes Fl. 554DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723912/201126 Acórdão n.º 3302003.072 S3C3T2 Fl. 8 7 durante anos, sempre emitindo a documentação hábil para suportálas. Outrossim, pelo que se pode constatar do relatório da fiscalização, nunca deixou de informar à Receita Federal do Brasil suas operações de importação e de revenda de mercadorias, o que demonstra sua boa fé. (vi) No caso da EASY, se os fatos que consubstanciam as operações de importação por encomenda e venda de mercadorias merecem qualificação jurídica diversa, a determinar a aplicação de regime jurídico desconsiderado pelo impugnante, não pode a fiscalização acusálo de fraude, sem provar o dolo, aplicando, em conseqüência, multa que apenas pune aqueles que agem comprovadamente de má fé. (vii) Resta claro que a fiscalização não comprovou que a importadora não tinha capacidade financeira para gerir seus negócios. O conceito de capital de giro não é construído com base no capital social ou no lucro da empresa, mas sim com suporte na idéia de ciclo operacional e financeiro. (viii) Os demais motivos listados pela autoridade fiscal não comprovam a alegada interposição fraudulenta, a justificar a multa aplicada. (ix) A motivação do auto de infração, no que se refere à sujeição passiva, é incongruente, a causar a nulidade do ato. Em 16/01/2012, foi lavrado Termo de Ocorrência, no qual restou consignado a tentativa de devolução integral dos documentos e livros contábeis e fiscais à Sra. Maria Emília de Almeida e Souza, sócia e responsável pela GEMAX, que recebeu pessoalmente o Sr. Renato Felz de Oliveira, motorista da Alfândega do Porto de Vitória/ES, mas se recusou a receber a documentação após contato telefônico com terceiro, ficando voluntariamente com uma via do Termo de Devolução. A responsável solidária THINNETWORKS não apresentou impugnação, tendo sido declarada revel, conforme termo de efl. 371. A Vigésima Quarta Turma da DRJ/SP1 em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1652.410, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2006 Descumprimento das normas relativas à importação por conta e ordem de terceiros. Dano ao Erário. Pena de perdimento. Multa substitutiva. Restando comprovada na Declaração de Importação a ausência de informação sobre a real adquirente da carga importada, adicionada à falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, além da presença de recursos de terceiros na operação, incontroverso o entendimento da fiscalização de ocorrência da infração prevista pelo Artigo 23, Inciso V, do Decretolei 1.455/76, considerada dano ao Fl. 555DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723912/201126 Acórdão n.º 3302003.072 S3C3T2 Fl. 9 8 Erário, punida com a pena de perdimento das mercadorias, nos termos do § 1.º, do mesmo Artigo, ou, no caso destas não serem localizadas ou terem sido consumidas, com a multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro. Processo administrativo fiscal. Intempestividade. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência do auto de infração, apresentar impugnação contra o lançamento tributário. Expirado tal prazo, a reclamação administrativa será considerada intempestiva e não será conhecida. Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário, nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade como preliminar da impugnação, de acordo com o disposto no Ato Declaratório Normativo SRF COSIT n.º 15, de 12/07/96, e Artigos 15 e 21 do Decreto n.º 70.235/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada, a GEMAX interpôs recurso voluntário, tempestivamente, alegando: 1. Em preliminares, nulidade do auto de infração por negativa de acesso aos autos e obtenção de cópia, nulidade por irregularidade na emissão de MPF, decadência do lançamento relativo a infrações verificadas em DI´s registradas há mais de cinco anos da ciência do Auto de Infração; nulidade da autuação por ausência de descrição específica das irregularidades, impossibilidade de utilizar conclusões de outros processos administrativos; 2. No mérito, a existência de receitas financeiras FUNDAP, imóvel avaliado em R$ 2.374.000 e capital social de R$ 400.000, suficientes a afastar a presunção relativa de incapacidade financeira, que os documentos comprovam que as operações realizadas foram de importação com posterior revenda, que não houve adiantamentos, pois os depósitos ocorreram depois de nacionalizadas as mercadorias, o caráter confiscatório da multa aplicada, a aplicação da multa de dez por cento por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Por sua vez, a EASY apresentou recurso voluntário, tempestivamente, alegando, em síntese: 1. A tempestividade da impugnação apresentada pela recorrente; 2. A relação de prejudicialidade com outros processos administrativos; Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Fl. 556DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723912/201126 Acórdão n.º 3302003.072 S3C3T2 Fl. 10 9 Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Os recursos atendem aos pressupostos de admissibilidade e deles tomo conhecimento. Inicialmente, a GEMAX pugna pela decadência em relação às infrações relativas às DI´s registradas há mais de cinco anos da ciência do Auto de Infração. A decadência para constituição de crédito relativo a multa por infrações aduaneiras é dada pelos artigos 138 e 139 do Decretolei nº 37/1966: Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. O Decreto nº 4.543/2002 – RA/2002 reproduziu a mesma disposição do artigo 139 em seu artigo 669, sem qualquer ressalva: Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei no 37, de 1966, art. 139) A multa aplicada decorre da conversão da pena de perdimento por não ter sido a mercadoria localizada ou ter sido consumida, nos termos do §1º1 do artigo 618 do RA/2002, por ocultação do sujeito passivo a ser considerada ocorrida no registro da Declaração de Importação, documento onde são prestadas as informações pertinentes à identificação do adquirente das mercadorias importadas. Portanto, tendo a ciência do Auto de Infração ocorrida em 20/12/2011, relativamente à GEMAX e à EASY) e 21/12/2011, relativamente à THINNETWORKS, deve ser exonerado o único lançamento efetuado referente à DI registrada em 21/11/2006. 1 Art. 618. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decretolei no 37, de 1966, art. 105, e Decretolei no 1.455, de 1976, art. 23 e § 1o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) [...] § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (Decretolei no 1.455, de 1976, art. 23, § 3o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) Fl. 557DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723912/201126 Acórdão n.º 3302003.072 S3C3T2 Fl. 11 10 Diante do exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário da GEMAX, exonerandose todo o lançamento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 558DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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