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Numero do processo: 10880.915918/2008-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2001
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas.
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Sidney Eduardo Stahl que davam provimento integral, e a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva que convertia em diligência para a apuração do direito creditório. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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NULIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Sidney Eduardo Stahl que davam provimento integral, e a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva que convertia em diligência para a apuração do direito creditório. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes– Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 18 /2 00 8- 14 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 11 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, uma vez que narra bem os fatos: Em 26/8/2008, Despacho Decisório não homologa Pedido Eletrônico de Restituição (PER)/Declaração de Compensação (DComp) de fl 1, por falta de crédito no Darf da contribuição acima citada (código de receita: 8109; fato gerador: 31/12/2001). O valor foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo compensável. O débito confessado nesta declaração é de: PisNão Cumulativo; código de receita: 6912; de fevereiro de 2004; no valor de R$ 6.556,73 (fl 9). A base da decisão são os artigos 165 e 170, do CTN, e o art. 74, da Lei 9.430/96. Foram emitidas mais 90 Decisões, cada qual formando um processo (de 10880.915886 até 10880.915976, conjunto ao qual estes autos pertencem). Em 24/9/2008, a empresa deduz sua inconformidade (fl 10 e seguintes) na qual: diz que as Declarações de Compensação tratam de créditos do mesmo tipo e prova, não fracionáveis; pede para apensar todos os autos em um, para análise conjunta da defesa e das provas; argui: nulidade, pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; que devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; que recolheu indevidamente Pis e Cofins de abril de 1999 a fevereiro de 2004 em vendas à ZFM que não geram obrigação fiscal, pois equiparadas a exportação (DL 288/67); diz juntar as notas fiscais e demonstrativos da base da compensação, planilhas das bases de cálculo e demonstrativo contábil. Ao final, requer emissão de novo Despacho em face da prova e/ou homologação das compensações deste e dos demais autos que pleiteia anexar. Junta documentos da representação processual e societários. A DRJ em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Se o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não há nulidade. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento quando o interessado é regularmente cientificado do despacho decisório, e lhe é possível apresentar sua irresignação no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total de Fl. 91DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 13 4 pagamento a um débito próprio expressa a inexistência de direito creditório compensável e é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar a decisão. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. CONTRIBUIÇÃO SUPERVENIENTE. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. O art. 4o do DecretoLei no 288/67 aplica a equiparação a tributo vigente em 28/2/67 e não projeta isenções futuras. A restrição era para os tributos existentes em vigor à época e não para contribuição social superveniente. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos inconformada com as premissas do acórdão recorrido. Em preliminar sustenta a nulidade do acórdão recorrido. Menciona que a leitura da decisão em referência não possibilita apontar com clareza e precisão qual a fundamentação utilizada pela autoridade julgadora para negar provimento à manifestação de inconformidade e não homologar o crédito compensado. Destaca que a referida decisão não deixa claro se a premissa para negar provimento à manifestação de inconformidade foi (i) a falta de comprovação de que a recorrente realizou operações de vendas com destino à Zona Franca de Manaus; (ii) se a recorrente não demonstra no mérito qual o fundamento de sua pretensão; (iii) ou se a recorrente não tinha direito à isenção da contribuição sobre as vendas com destino à Zona Franca de Manaus, ou qualquer outra. Insiste que a decisão foi construída com base em afirmações descuidadas, “soltas”, caracterizando verdadeiras ilações, mencionando institutos tributários (imunidade, isenção, alíquota zero) não discutidos na manifestação de inconformidade. No mérito, alega que recolheu indevidamente a contribuição, tendo em vista que suas operações de venda com destino à Zona Franca de Manaus estavam alcançadas por norma de isenção, conforme estabelecem o artigo 4º do DecretoLei n° 288/67 c/c art. 40, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) e art. 14, inciso II, da Medida Provisória nº 2.13535. Pontua que o artigo 4º do DecretoLei n° 288/67 equiparou mencionadas vendas à ZFM as operações de exportações para o exterior e que o art. 40, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) manteve os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus. Após histórico da evolução legislativa, esclarece que dentre as hipóteses de exclusão das isenções estabelecidas pelo § 2º, do art. 14, da Medida Provisória n° 2.158, vigente no período no período de apuração em estudo, não se inserem as receitas de vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 14 5 Colaciona jurisprudência administrativa. Aduz que não se aplica a este caso o entendimento consolidado através da Solução de Divergência Cosit nº 07. Demonstra a internação das mercadorias vendidas à ZFM no período sob exame. Por fim, requer a reforma integral do acórdão recorrido para que seja homologado o crédito compensado. Por meio de petição e em razão dos julgamentos dos diversos processos por colegiados diferentes, a interessada junta cópias das notas fiscais e planilha de recomposição da base de cálculo das contribuições sociais. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. A interessada sustenta a nulidade da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) em face de que a decisão recorrida foi construída com base em premissas confusas e obscuras o que impossibilitou o pleno exercício do direito de defesa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, a propósito da alegada isenção, o julgador “a quo” motivou sua convicção de forma clara e precisa. Confirase trecho do voto condutor: Mas a empresa parece não estar falando de Isenção ou de Alíquota Zero, pois estes institutos jurídicos pressupõem a incidência e afetam o crédito tributário nascido do fato gerador, ou seja a obrigação surge e o crédito tributário dela decorrente não é cobrado, ou por que é excluído (e.g.: Isenção) ou por que o produto da Base de Cálculo pela Alíquota é nulo (Alíquota Zero). Ao dizer que não gerava obrigação fiscal e que havia equiparação à exportação, o defensor da inconformada parece querer falar de Imunidade. A Imunidade é instituto constitucional. Logo, se a empresa estiver desejando alegar inconstitucionalidade deverá fazêlo perante o Judiciário, pois a DRJ não é o foro competente para apreciar esse pleito. Além do mais, como bem colocado pela decisão de primeira instância, não fica comprovado o alegado pagamento indevido ou a maior. Ademais, os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. Nessa esteira, o julgador não tem a obrigação de rebater, um a um, todos os argumentos apresentados pela interessada na manifestação de inconformidade. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial o fato de que o direito creditório não foi comprovado por documentação hábil e idônea, tanto é assim que as notas fiscais de venda de produtos à Zona Franca de Manaus somente foram juntadas posteriormente Fl. 94DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 16 7 a apresentação do recurso voluntário. Assim, eventual omissão sobre argumentos do sujeito passivo não acarreta a nulidade da decisão recorrida, visto que o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta os motivos pelos quais o direito creditório não foi reconhecido. Por tais razões não há que se falar em nulidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. No mérito, a controvérsia cingese em definir se as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições PIS e Cofins. A interessada sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo dispõe o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Em relação à isenção da Cofins, no período objeto do lançamento, estava em vigor o art. 14 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001. Art.14.Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 17 8 I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial BrasileiroREB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992.(grifouse) Fl. 96DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 18 9 Mister se faz ressaltar que este diploma legal já havia sido ajustado de acordo com a medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo Tribunal Federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Além do mais, em face de entendimentos divergentes, a então Secretaria da Receita Federal por meio da Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002, DOU de 22/08/2002, pacificou no âmbito da administração a tese de que não há isenção específica para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA DE 19 DE AGOSTO DE 2002 Nº 22 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: A isenção do PIS/Pasep prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000, e, exclusivamente, sobre às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº7.714, de 1988; Lei nº9.004, de 1995; Medida Provisória nº1.212, de 1995, e reedições, atual Lei nº9.715, de 1995; Art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/Nº1.769, de 2002. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: A isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória Fl. 97DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 19 10 nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, (atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº70, de 1991; Lei Complementar nº85, de 1996; Art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 2.037 25, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº 2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/n º1.769, de 2002. Registrese, por oportuno que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Vale lembrar, que esse status somente foi modificado pela Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da contribuição em tela incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Como visto, o legislador de forma acertada reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu a interessada. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada contribuição, nos termos da legislação de regência. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 20 11 Por fim, resta evidente que as alegações sobre o direto creditório ficaram prejudicadas. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 99DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 21 12 Declaração de Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Em que pesem os argumentos apontados pelo ilustre relator ouso dele discordar. Conforme bem apontado a controvérsia cingese em definir se as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições PIS e Cofins e já é conhecido por essa turma o meu entendimento referente à questão, pois entendo que às mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, deve ser aplicado o disposto no artigo 149, § 2º da Constituição Federal c/c. o artigo 40 do ADCT considerandose que, a partir da análise do Decretolei 288/67, o legislador claramente objetivou que todos os benefícios fiscais instituídos para incentivar a exportação fossem aplicados, também, à mencionada localidade. Desta forma, a destinação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais. A questão se origina na Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, que criou a COFINS, o dispositivo que tratou da isenção para as vendas de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, como pode se ver, não fez qualquer menção expressa àquelas realizadas para a Zona Franca de Manaus: “Artigo 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: (Redação dada pela LCP nº 85, de 15/02/96) I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” Na regulamentação de referido dispositivo, o artigo 1º do Decreto nº 1.030, de 1993, referiuse expressamente às vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus, para a Amazônia Ocidental e para as Áreas de Livre Comércio, não reconhecendo a isenção, consoante se vê abaixo: Fl. 100DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 22 13 “Art. 1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, instituída pelo artigo 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras, registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do artigo 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992. d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação.”(grifos e destaques meus) Posteriormente, com a edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que também cuidou das regras da Cofins, não se verificou a existência de qualquer dispositivo versando sobre a incidência ou da não incidência de tais contribuições nas as receitas de exportação, o que, presumese, tenha sido feito com a edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29/06/1999, e reedições, até a Medida Provisória nº 2.03724, de 23/11/2000, ao dispor, no seu artigo 14, caput e parágrafos sobre tais casos, revogando expressamente todos os dispositivos legais relacionados à exclusão de base de cálculo e isenção existentes até 30/06/1999, senão vejamos: “Artigo 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; Fl. 101DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 23 14 (...) § 1º (...) § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; “(grifei) Até aqui, resta claro que a intenção do legislador fora a de não estender a isenção da COFINS às receitas de vendas a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental e nas áreas de livre comércio. Entretanto, tal regramento veio a ser contestado quando, em 07/11/2000, alegando afronta ao DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, bem como às determinações constitucionais que garantem tratamento beneficiado à Zona Franca de Manaus, o Governador do Estado de Amazonas, Sr. Amazonino Mendes, impetrou a Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI nº 2.3489 (DOU de 18/12/2000) –, requerendo a declaração de inconstitucionalidade e ilegalidade da restrição feita à Zona Franca de Manaus e que constou da citada MP nº 2.037. Neste sentido, o Supremo Tribunal Federal STF deferiu medida cautelar suspendendo a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, disposta no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724/00. A essa decisão foi conferido, expressamente, efeito ex nunc. Da consulta no sítio do Supremo Tribunal Federal na Internet, obtémse a informação de que, de fato, em 7/12/2000 (DOU 14/12/2000) fora deferida a Medida Cautelar pelo Pleno, com efeitos ex nunc, suspendendo a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” constante do inciso I, do § 2º, do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23/11/2000. Certamente por conta de tal decisão, o Executivo editou a Medida Provisória nº 1.95231, de 14/12/2000, modificando aquele dispositivo cuja eficácia fora suspensa pelo STF, da seguinte forma: “Art. 11. O inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de novembro de 2000, passa a vigorar com a seguinte redação: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (NR)” Notese que foi retirada a expressão “na Zona Franca de Manaus”, o que indica que não mais estava estabelecida em lei a vedação expressa da isenção dessas operações. Assim, esteve em vigor a referida liminar de 14/12/2000 até 02/02/2005, quando o processo foi encerrado. Logo em seguida, editouse a Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, atual Medida Provisória no 2.15835, de 2001, que manteve a supressão apenas da expressão “na Zona Franca de Manaus”, retroagindo seus efeitos aos fatos geradores a partir de 1º de fevereiro de 1999. Vale a pena transcrever tal enunciado: Fl. 102DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 24 15 “Artigo 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial BrasileiroREB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o artigo 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o artigo 13. §1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. §2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; Revogado pela Lei no 11.508, de 2007 ; Fl. 103DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 25 16 III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do artigo 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992.”(grifei) Com base nessas breves considerações sobre a evolução legislativa, podemos afirmar que à época da ocorrência do fato gerador em comento havia, de um lado, uma disposição expressa não estendendo a isenção das vendas de mercadorias ao exterior para as vendas para a Amazônia Ocidental e para as Áreas de Livre Comércio, e, de outro, inexistindo qualquer menção à incidência ou não das vendas para a Zona Franca de Manaus. Verdade seja dita, essa “omissão” do legislador decorreu de uma adequação à referida decisão do STF, e, de qualquer modo, a não ser por conta dessa peculiaridade, a de ter o poder público se ajustado ao caminho delineado pelo STF, o rumo tomado pelo citado julgamento da Adin nº 2.3489 pouca ou nenhuma influência há de exercer neste julgamento, seja por que a mesma foi arquivada, seja porque o Poder Executivo acabou por curvarse ao entendimento do STF e tratou de retirar a expressão considerada inconstitucional (“Zona Franca de Manaus”), do dispositivo que vedava a isenção da COFINS. Assim, o que está em vigor desde 1º de fevereiro de 1999 e que abrangeu o período de apuração objeto deste julgamento, é a seguinte regra, na parte que nos interessa: “Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I – (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; (...) § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (...) “ Na verdade, a celeuma só existe por conta dessa omissão, aparentemente deliberada do legislador, pois, mesmo conhecendo a posição do STF acerca da desvinculação das receitas para a Zona Franca de Manaus das receitas de exportação em geral, preferiu não enfrentar diretamente a questão ao estabelecer a vedação expressa da isenção apenas para as vendas efetuadas para a Amazônia Ocidental e para as áreas de livre comércio, quedandose inerte, ou melhor, omisso, em relação às vendas para a Zona Franca de Manaus. Lembremonos que, para fins de interpretação da regra, estamos sob a égide da Constituição Federal e com a instituição de um novo ordenamento jurídico pela Constituição Federal de 1988, o artigo 40 do ADCT expressamente prorrogou os benefícios fiscais concedidos anteriormente à Zona Franca de Manaus, in verbis : Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 26 17 Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. A aludida norma, ao preservar a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, recepcionou expressamente o Decretolei nº 288/67, que prevê que a exportação de mercadorias de origem nacional para a Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será, para todos os efeitos fiscais, equivalente a uma exportação brasileira para o exterior. Após, a Emenda Constitucional nº 42, de 19/12/2003, que acrescentou o artigo 92 ao ADCT, prorrogou por mais 10 (dez) anos o prazo fixado no mencionado artigo 40. No que se refere ao PIS, a Lei nº 7.714/88, com a redação dada pela Lei nº 9.004/95, dispôs que: Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) e para o Programa de Integração Social (PIS), de que trata o DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. Prevê, ainda, a Lei nº 10.637/2002, em seu art. 5º: Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; Em relação à COFINS, a Lei Complementar nº 70/91, com as modificações trazidas pela Lei Complementar nº 85/96, afirmou expressamente que: Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I – de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; Da leitura das normas acima, verifico que os valores resultantes de exportações foram excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS e, por extensão, em razão do disposto no Decretolei nº 288/67 e nos artigos 40 e 92 do ADCT, da CF/88, às operações destinadas à Zona Franca de Manaus. Essa disposição se reforça pela interpretação da determinação dada pelo artigo 149, § 2º, I da Carta Magna: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 27 18 (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo:(Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) A regra constitucional desonerativa, conforme visto, foi devidamente observada pela legislação infraconstitucional, a exemplo do artigo 7º da LC 70/91 (COFINS) e do artigo 5º da Lei 10.637/02 (PIS). Diante desse quadro e, especialmente, em razão da forma contundente e reiterada com que tem se posicionado nossas cortes judiciais superiores, tenho que considerar que as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições para o PIS e a COFINS em face da regras constantes do inciso II do caput, e do inciso I, do § 2º, ambas do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, combinadas com as do artigo 4º do DecretoLei nº 288/67 e do artigo 40 do ADCT da Constituição Federal de 1988. Vejamos algumas decisões do Superior Tribunal de Justiça (cujos destaques são meus): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. ARTS. 110, 111, 176 E 177, DO CTN. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ART. 4º DO DL 288/67. INTERPRETAÇÃO. EMPRESAS SEDIADAS NA PRÓPRIA ZONA FRANCA. CABIMENTO. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. 2. No caso, a recorrente apontou violação do art. 535, II, do CPC, porque o aresto impugnado teria sido omisso quanto aos arts. 110, 111, 176 e 177, do CTN, sem explicitar, contudo, os diversos requisitos acima mencionados. Limitouse a defender a Fl. 106DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 28 19 necessidade de prequestionamento para fins de interposição dos recursos extremos. Incidência da Súmula 284/STF. 3. A ausência de prequestionamento – arts. 110, 111, 176 e 177, do CTN – obsta a admissão do apelo, nos termos da Súmula 211/STJ. 4. A tese de violação do art. 110 do CTN não se comporta nos estreitos limites do recurso especial, já que, para tanto, fazse necessário examinar a regra constitucional de competência, tarefa reservada à Suprema Corte, nos termos do art. 102 da CF/88. Precedentes. 5. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação para efeitos fiscais, conforme disposto no art. 4o do DecretoLei 288/67, de modo que sobre elas não incidem as contribuições ao PIS e à Cofins. Precedentes do STJ. 6. O benefício fiscal também alcança as empresas sediadas na própria Zona Franca de Manaus que vendem seus produtos para outras na mesma localidade. Interpretação calcada nas finalidades que presidiram a criação da Zona Franca, estampadas no próprio DL 288/67, e na observância irrestrita dos princípios constitucionais que impõem o combate às desigualdades sócioregionais. 7. Recurso especial conhecido em parte e não provido. STJ 2º TURMA RECURSO ESPECIAL Nº 1.276.540 AM (2011/00820963) – Rel: MIN. CASTRO MEIRA. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. ART. 3º DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. MERCADORIAS DESTINADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. NÃOINCIDÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. 1. A questão do prazo prescricional das Ações de Repetição de Indébito Tributário, à luz do art. 3º da Lei Complementar 118/2005, não foi atacada no Recurso Especial. A discussão do tema em Agravo Regimental encontrase vedada, diante da preclusão. 2. Não se conhece de Recurso Especial quanto a matéria não especificamente enfrentada pelo Tribunal de origem, dada a ausência de prequestionamento. Incidência, por analogia, da Súmula 282/STF. 3. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/1967. Não incidem Fl. 107DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 29 20 sobre elas as contribuições ao PIS e à Cofins. Precedentes do STJ. 4. A revisão da verba honorária implica, como regra, reexame da matéria fáticoprobatória, o que é vedado em Recurso Especial (Súmula 7/STJ). Excepcionamse apenas as hipóteses de valor irrisório ou exorbitante, o que não ocorreu no caso dos autos. 5. Agravo Regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (AgRg no Ag 1.295.452/DF, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 01.07.10) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO DE VÍCIO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. MERAS CONSIDERAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284 DO STF, POR ANALOGIA. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DA TESE DOS CINCO MAIS CINCO. PRECEDENTE DO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 1002932/SP. OBEDIÊNCIA AO ART. 97 DA CR/88. PIS E COFINS. RECEITA DA VENDA DE PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO À EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. 1. Não merece acolhida a pretensão da recorrente, na medida em que não indicou nas razões nas razões do apelo nobre em que consistiria exatamente o vício existente no acórdão recorrido que ensejaria a violação ao art. 535 do CPC. Desta forma, há óbice ao conhecimento da irresignação por violação ao disposto na Súmula n. 284 do STF, por analogia. 2. Consolidado no âmbito desta Corte que nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, a prescrição da pretensão relativa à sua restituição, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05 (em 9.6.2005), somente ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita. 3. Precedente da Primeira Seção no REsp n. 1.002.932/SP, julgado pelo rito do art. 543C do CPC, que atendeu ao disposto no art. 97 da Constituição da República, consignando expressamente a análise da inconstitucionalidade da Lei Complementar n. 118/05 pela Corte Especial (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. A jurisprudência da Corte assentou o entendimento de que a venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decretolei n. 288/67, não incidindo a contribuição social do PIS nem a Cofins sobre tais receitas. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 30 21 5. Precedentes: REsp 1084380/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 26.3.2009; REsp 982.666/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 18.9.2008; AgRg no REsp 1058206/CE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12.9.2008; e REsp 859.745/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 3.3.2008. 6. Recurso especial não provido. (REsp 817.847/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25.10.10) TRIBUTÁRIO ZONA FRANCA DE MANAUS PRESCRIÇÃO REMESSA DE MERCADORIAS EQUIPARADA À EXPORTAÇÃO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI ISENÇÃO DO PIS E DA COFINS. 1. Prevalência da tese dos “cinco mais cinco” na hipótese dos autos, relativa à prescrição dos tributos sujeitos à lançamento por homologação Inaplicabilidade da Lei Complementar 118/2005. 2. A destinação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decreto lei 288/67. 3. Direito da empresa ao crédito presumido do IPI, nos termos do art. 1o da Lei 9.363/96, e à isenção relativa às contribuições do PIS e da COFINS. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido. (REsp 653.975/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 16.02.07) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. RESP 1.002.932/SP. PIS. COFINS. VERBAS PROVENIENTES DE VENDAS REALIZADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. NÃO INCIDÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, referente a pagamento indevido efetuado antes da entrada em vigor da LC 118/05, continua observando a “tese dos cinco mais cinco” (REsp 1.002.932/SP, Rel Min. LUIZ FUX, Primeira Seção, DJ 18/12/09). 2. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da LC 118/05, que estabelece aplicação retroativa de seu art. 3o, por ofensa dos princípios da autonomia, da independência dos poderes, da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa Fl. 109DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 31 22 julgada (AI nos EREsp 644.736/PE, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, Corte Especial, DJ 27/8/07). 3. Este Superior Tribunal possui entendimento assente no sentido de que as operações envolvendo mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/67 (REsp 802.474/RS, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, DJe 13/11/09). 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.141.285/RS, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26.05.11) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. ISENÇÃO. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. 1. A interposição de embargos declaratórios é pressuposto do especial fundado na violação ao art. 535 do CPC, sob pena de não conhecimento do recurso quanto ao ponto, dada a ausência de prequestionamento. 2. A ausência de debate, na instância recorrida, sobre os dispositivos legais cuja violação se alega no recurso especial atrai, por analogia, a incidência da Súmula 282 do STF. 3. Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1a Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3o da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. 4. Nos termos do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida “com suas características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição”. Ora, entre as “características” que tipificam a Zona Franca destacase esta de que trata o art. 4º do Decreto lei 288/67, segundo o qual “a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e Fl. 110DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 32 23 enquanto não alterado ou revogado o art. 4º do DL 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a Zona Franca de Manaus são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: RESP. 223.405, 1a T. Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ de 01.09.2003 e RESP. 653.721/RS, 1a T., Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 26.10.2004) 5. “O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI n. 23489, suspendeu a eficácia da expressão 'na Zona Franca de Manaus', contida no inciso I do § 2o do art. 14 da MP n.o 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus.” (REsp 823.954/SC, 1a T. Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 25.05.2006). 6. “Assim, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, e, ainda, que a referida ação direta de inconstitucionalidade esteja pendente de julgamento final, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.037 24 que tiveram sua eficácia normativa suspensa” (REsp n.º 677.209/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ de 28/02/2005). 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. (REsp 1.084.380/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 26.03.09) Assim, evidente que, enquanto não alterado o artigo 4º do Decretolei 288/1967 que equiparou as vendas destinadas à Zona Franca de Manaus às exportações, as vendas destinadas à região estão desoneradas das contribuições para o PIS e a COFINS. Nesse sentido, voto pela procedência do presente recurso voluntário para reconhecer o direito creditório da Recorrente decorrente dos valores indevidamente pagos. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Fl. 111DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 18088.720353/2012-14
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício:2008,2009,2010
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
JUROS DE MORA.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos (1) negar provimento ao recurso voluntário em relação à exigência de IRPJ e (2) dar provimento em parte ao recurso voluntário em relação à exigência de CSLL para exonerar o crédito tributário referente aos anos-calendário de 2007 e 2008, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício:2008,2009,2010 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. JUROS DE MORA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos (1) negar provimento ao recurso voluntário em relação à exigência de IRPJ e (2) dar provimento em parte ao recurso voluntário em relação à exigência de CSLL para exonerar o crédito tributário referente aos anos-calendário de 2007 e 2008, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva.
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A condição para que se aplique o entendimento normativo de que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, é que tenha o mesmo objeto do processo administrativo. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. A legislação de regência da matéria expressamente prevê que para usufruir do coeficiente de apuração do lucro presumido para fins determinação dos tributos no caso de pessoa jurídica que se dedica à prestação de serviços hospitalares, a pessoa jurídica prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício:2008,2009,2010 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. A legislação de regência da matéria expressamente prevê que para usufruir do coeficiente de apuração do lucro presumido para fins determinação dos tributos no caso de pessoa jurídica que se dedica à prestação de serviços hospitalares, a pessoa jurídica prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício:2008,2009,2010 NULIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 03 53 /2 01 2- 14 Fl. 475DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 417 2 No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. JUROS DE MORA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos (1) negar provimento ao recurso voluntário em relação à exigência de IRPJ e (2) dar provimento em parte ao recurso voluntário em relação à exigência de CSLL para exonerar o crédito tributário referente aos anoscalendário de 2007 e 2008, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório O processo nº 18088.720354/201269 foi juntado a este por apensação, fl. 376. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 418 3 Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – Processo Principal nº 18088.720353/201214 Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 302319, com a exigência do crédito tributário no valor de R$460.178,12 a título de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional referente aos quatro trimestres do anocalendário de 2009 apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido. O lançamento fundamentase na aplicação indevida no coeficiente de determinação do lucro presumido, uma vez que houve aplicação incorreta do percentual de determinação de 8% sobre as receitas tributáveis auferidas na atividade de prestação de serviços, quando o correto, para esta atividade, seria 32%, o que acarretou as diferenças a menor de IRPJ apurado pela Recorrente, em conformidade com o Relatório Fiscal, fls. 296 301. O valor do IRPJ apurado de ofício foi compensado o valor calculado pela Recorrente utilizando o coeficiente de 8% sobre o lucro presumido, fls. 302319. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 518 e art. 519 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 326344, com as seguintes alegações: A Impugnante é pessoa jurídica de direito privado, devidamente constituída, e que possui como objeto social a prestação de serviços especializados de anestesia, analgesia e inaloterapia. Assim, e por exercer regularmente as atividades previstas em seu contrato social, se submete ao recolhimento de uma série de tributos junto aos órgãos do erário, sendo que, dentre estes, destacamse o IRPJ e a CSLL, que são de competência da União Federal, e que servem de objeto a presente discussão. Desta forma, vinha recolhendo regularmente tais tributos, à base de cálculo de lucro presumido de 32% sobre a receita bruta, regime este que, digase, foi adotado quando da elaboração de suas declarações de Imposto de Renda, a luz do disposto na Lei 9.430/96. Ocorre que, por entender se enquadrar na classe das empresas prestadoras de serviços hospitalares, buscou a concessão de benefício fiscal para cálculo do montante devido referente a aludidos tributos, com base no previsto pelo art. 15 da Lei 9.249/95. Tal pretensão, mister dizer, foi materializada através de impetração de Mandado de Segurança junto à Justiça Federal de Araraquara/SP, sendo que o Egrégio Tribunal Regional Federal da 3a Região, quando chamado a decidir a controvérsia, proferiu decisão favorável à ora Impugnante, fazendoo nos seguintes termos: "A redução do tributo prestigiada pela norma sob comento voltase à natureza mesma do serviço prestado, essencial à população, considerandose que a Carta Política tem a saúde pública como direito fundamental, a teor do Artigo 6.°. Temse Fl. 477DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 419 4 por excluídos do favor fiscal as simples consultas e atividades de cunho meramente administrativo. No caso, tratase de entidade que presta serviços médicos de anestesia, analgesia e inaloterapia, enquadrandose tais atividades no conceito de "serviços hospitalares". Ou seja, no entendimento dos nobres Desembargadores, a Impugnante se enquadra no conceito de empresa prestadora de serviços hospitalares, fazendo jus, portanto, a redução conforme legalmente previsto. Contudo, mesmo ante a este cenário favorável ao contribuinte, o Sr. Fiscal da Receita Federal em Araraquara deu início aos procedimentos de fiscalização e controle das declarações e recolhimentos efetivamente realizadas pela ora Impugnante, o que, digase, possuía lastro na decisão acima colacionada. E daí resultou a lavratura do Auto de Infração ora combatido, onde se exige o pagamento de R$460.178,12 [...], montante consolidado em junho do corrente ano. De salutar relevância se destacar que o procedimento fiscal vergastado foi instaurado, inicialmente, para verificar as apurações do período compreendido entre 04/2007 e 12/2009. E após o Sr. Fiscal ter tomado ciência da documentação apresentada pela ora Impugnante, houve a retirada das exigências referentes ao recolhimento de IRPJ das competências entre 04/2007 e 12/2008, uma vez que prevaleceu o entendimento de que a decisão proferida pelo TRF da 3ª região produziria efeitos somente à tais débitos, tendo em vista a entrada em vigor, em nosso ordenamento, da Lei 11.727/08. Em suma, através do Auto de Infração em lume, o Erário pugna pelo recolhimento de IRPJ referente ao ano calendário 2009, no importe acima mencionado que é resultantes da diferença entre os valores apurados, e aqueles que o Fisco considera devidos. Sendo assim, não há outro meio para Impugnante fazer valer seus direitos senão por meio da presente manifestação, e assim o faz com base nas razões abaixo aduzidas. II – DO DIREITO. II. 1 DO CABIMENTO DA IMPUGNAÇÃO E DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO SUPOSTO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. [...] Assim, a efetiva apresentação [da impugnação], suspende a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõe o artigo 151 do Código Tributário Nacional: [...] Portanto, cristalino que a autoridade competente tem o poderdever de tomar as medidas cabíveis para que as exações ora discutidas não constem como restrições à Impugnante. Aliás, conforme o posicionamento firmado pelos Tribunais, o que, certamente, corrobora com a própria natureza do instituto em questão, a suspensão do crédito tributário, nos termos do artigo 151 do Código Tributário Nacional, não só impossibilita a propositura de novas demandas, mas impede o prosseguimento daquelas já em curso, ocasionando, assim, o seu sobrestamento [...]. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 420 5 Assim, resta claro que a presente possui o condão de suspender a exigibilidade dos créditos tributários ora vergastados, conforme dispõe o Art. 151 do Código Tributário Nacional. II. 2 DAS EXIGÊNCIAS REFERENTES À REDUÇÃO SUPOSTAMENTE INDEVIDA DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ Como acima ventilado, a ora Impugnante, até o ajuizamento do Mandado de Segurança n.° 000511866.2004.4.03.6120, vinha recolhendo IRPJ à base de cálculo de 32% da receita bruta, como devido pelas sociedades empresarias optantes pelo regime do lucro presumido de um modo geral. Ocorre que com a sobrevinda da decisão proferida pelo TRF da 3a Região, acima colacionada, a Impugnante teve reconhecido o direito da redução da base a 8%, benefício previsto pelo Art. 15 da Lei 9.249/95, [...] E assim procedia quando do recolhimento e apuração de mencionado imposto, inclusive durante os períodos que serviram de objeto de análise da auditoria fiscal realizada. Com efeito, no mencionado procedimento, realizado pela Secretaria da Receita Federal em Araraquara, o Sr. Fiscal optou por autuar a empresa, lavrando o Auto de Infração ora guerreado, exigindo, de tal modo, o recolhimento da diferença dos valores referentes ao ano calendário 2009. E assim procedeu em função das alterações trazidas pela Lei 11.727/08, que em seu Art. 29 inseriu alterações no Art. 15 da Lei 9.249/95, [...] Desta feita, no entendimento do Sr. Fiscal, a decisão exarada pelo Tribunal Regional Federal só possuiria efeitos aos débitos anteriores à 1º de janeiro de 2009, data em que mencionada alteração passou a produzir efeitos, motivo pelo qual as exigências referentes ao ano calendário de 2009 seriam perfeitamente possíveis e devidas. Contudo, este não é o posicionamento que se deve adotar na presente discussão. Isto porque, como se vê, a decisão em questão foi proferida pela Nobre Desembargadora em 12 de fevereiro de 2010, ou seja, após as alterações introduzidas pela Lei 11.727/08, sem ter feito qualquer tipo de ressalva quanto à sua aplicabilidade e extensão. E em sendo assim, não pode o Sr. Fiscal, na contramão do que decidido pelo Poder Judiciário, constituir tais créditos. Aliase a isto, ainda, o fato de que a mansa jurisprudência [...] considerando que o que o legislador efetivamente pretendia com o comando legal, era conceder o benefício fiscal a todos aqueles que militassem na área da saúde, não importando, portanto, a estrutura social das empresas. Nesta esteira, o Superior Tribunal de Justiça, quando chamado a decidir a questão em Recuso Especial submetido ao regime da Repercussão Geral [REsp 1116399. Rel: Benedito Gonçalves. DJ 28/10/09], assim entendeu: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA Fl. 479DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 421 6 PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, podese restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1°, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". (...) Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. [...] Concluise, assim, da análise dos julgados colacionados, que, digase, são todos posteriores à entrada em vigor 11.727/08, que o benefício em discussão se estende, em verdade, a todos aqueles que exercem atividades profissionais relacionadas a serviços hospitalares, excetuandose apenas as simples atividades de consultas médicas, porquanto tratase, a saúde, de um direito fundamental, constitucionalmente previsto no Art. 6º de nossa Carta Maior. Desta forma, evidente que a exigência referente ao anocalendário 2009 não deve subsistir, tal como sucedeu com aquelas referentes a 2007 e 2008, uma vez que a ora Impugnante se enquadra nos requisitos necessários para concessão do benefício fiscal em lume, conforme, inclusive, reconhecido em decisão judicial. Apresenta argumentos contra a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic e em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 422 7 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Por todo o que foi exposto, requerse seja a presente impugnação conhecida e regularmente processada, suspendendose nos termos do artigo 151, inciso III do CTN, a exigibilidade do crédito tributário, dandose a esta completo PROVIMENTO, de modo que se julgue, consequentemente, o Auto de Infração TOTALMENTE IMPROCEDENTE. Caso eventualmente não sejam aceitas as argumentações aqui apresentadas, requerse seja determinada a abertura de prazo legal para os recursos cabíveis, de modo que se garanta a ampla defesa, observando as disposições contidas no Decreto 70.235/72. Requerse, ainda, a intimação da Impugnante na pessoa de seu representante legal infra assinado, para oportuna SUSTENTAÇÃO ORAL, quando do julgamento da referida Impugnação, bem como a realização de diligências necessárias para o real deslinde do feito e regularização da fiscalização realizada. Por fim, pugnase para que as publicações e/ou intimações referentes ao presente feito sejam sempre lançadas em nome do patrono NELSON WILIANS FRATONI RODRIGUES, inscrito na OAB/SP sob n° 128.341, com escritório matriz na Avenida Marginal Pinheiros n° 5200, Condomínio América Business Park, Edifício Montreal, 6º andar, Jardim Morumbi, São Paulo, Estado de São Paulo, CEP 05.693000, telefone (11) 33302299, sob pena de nulidade. Está registrado como ementa do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 14 43.708, de 12.08.2013, fls. 377384: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para ser considerado serviço de natureza hospitalar é necessário que o empresário ou a sociedade empresária ostentem caráter empresarial e estrutura física do estabelecimento em consonância com a legislação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 481DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 423 8 Notificada em 02.09.2013, fl. 389, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 26.09.2013, fls. 391406, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que apresenta o recurso voluntário no prazo legal. Suscita que o crédito tributário está com a exigibilidade suspensa: Sendo assim, é imperiosa a necessidade de suspensão da exigibilidade dos valores ora discutidos enquanto pendente de apreciação o presente recurso, não podendo constituir óbice à expedição da certidão de regularidade fiscal [inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional e art. 33 do Decreto 70.235, de 05 de março de 1972]. Cuidase de processo administrativo através do qual se discute a redução da base de cálculo presumida, utilizada pela Recorrente no momento da apuração e recolhimento de seu IRPJ anocalendário 2009. Isto porque a empresacontribuinte utilizouse do percentual de 8% para aferição da base de cálculo incidente, quando no entender da administração tributária, deveria fazêlo em 32%. Regularmente intimada do Auto de Infração lavrado, a ora Recorrente apresentou sua competente peça de defesa, alegando, em apertada síntese, que, por entender que se enquadrava na classe das empresas prestadoras de serviços hospitalares, ingressou com medida judicial visando a obtenção de provimento jurisdicional apto a lhe garantir o direito de redução da base de cálculo (para 8%) nos termos do disposto pelo Art. 15 da Lei. 9.249/95. Desta forma, e tendo obtido sucesso em seu pleito, através de decisão judicial exarada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, utilizouse da base de cálculo reduzida em comento. A DRJ, quando chamada a decidir a demanda, optou por julgar improcedente a Impugnação apresentada pela então Autuada, mantendo a exigência fiscal combatida, sob o argumento de que a decisão judicial acima ventilada não se aplicaria para a exação referente ao anocalendário 2009, uma vez que, a partir de 01 de janeiro daquele ano deverseia aplicar as disposições contidas na Lei 11.727/2008, que teriam alterado a sistemática até então vigente. Deste modo, e diante do fato de que a Recorrente não se enquadraria no rol de empresas prestadoras de serviços hospitalares, por falta de observância de vários requisitos necessários para tanto, e elencados na novel redação dada à alínea "a", III, §1° do Art. 15 da Lei 9249/95, o auto de infração mantevese subsistente. IV DO DIREITO. Em que pese toda a linha de argumentação utilizada pela administração tributária, no sentido de descaracterizar a empresacontribuinte como prestadora de serviços hospitalares para fins de redução da base de cálculo presumida do IRPJ, a mesma não deve prevalecer. Isto porque quando o legislador incluiu a possibilidade deste benefício para as empresas prestadoras de serviços hospitalares, assim o fez visando estimular a prestação de serviços desta natureza, e não a organização societária e física dos contribuintes que porventura exercessem tais atividades. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 424 9 A jurisprudência pátria, aliás, possui posicionamento uníssono neste sentido, inclusive por meio de decisões exaradas pelo Superior Tribunal de Justiça, como se vê por meio dos REsp 956.122/RS, REsp 939.321/SC, REsp 951.251/PR, dentre outros. Demais disso, salta aos olhos, ainda, a argumentação de que as alterações promovidas pela Lei 11.727/2008 impediriam a utilização da decisão judicial concessiva do direito à utilização da base de cálculo reduzida, quando da apuração do valor devido a título de IRPJ para o anocalendário 2009. O mesmo STJ, quando chamado a decidir caso análogo ao presente, em recurso paradigma e afetado ao regime dos Recursos Repetitivos (REsp 1.116.399/BA), manifestouse [em seu favor]. [...] Demais disso, é curial se reconhecer que tais decisões não vinculam os órgãos da Secretaria da Receita Federal, já que não há parecer da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional se manifestando expressamente neste sentido, necessidade instituída por meio da Lei 12.44/2013. [...] Tendo os julgados em referência sido operados na sistemática dos Recursos Especiais, nos termos do Art. 543C do Código de Processo Civil, é medida de direito a aplicação da Portaria MF 586, de 22 de dezembro de 2010, que introduziu o Art. 62A no Regimento Interno do Conselho. [...] Concluise assim que o benefício em discussão se estende, em verdade, a todos aqueles que exercem atividades profissionais relacionadas a serviços hospitalares, excetuandose apenas as simples atividades de consultas médicas, porquanto tratase, a saúde, de um direito fundamental, constitucionalmente previsto no Art. 6º de nossa Carta Maior. Desta forma, evidente que a exigência referente ao anocalendário 2009 não deve subsistir, uma vez que a ora Recorrente se enquadra nos requisitos necessários para concessão do benefício fiscal em lume, conforme, inclusive, reconhecido em decisão judicial. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Ante todo o exposto, resta demonstrada subsistência dos argumentos acima esposados, motivo pelo qual deve o presente Recurso ser julgado totalmente procedente, julgandose, ao final, o auto de infração totalmente insubsistente. Requerse, outrossim, a intimação da Recorrente na pessoa de seu representante legal infra assinado para oportuna SUSTENTAÇÃO ORAL, quando do julgamento do referido Recurso Voluntário; bem como a realização de diligências necessárias para o real deslinde do feito. Por fim, requerse, sob pena de nulidade, que as publicações e/ou intimações referentes ao presente feito sejam sempre lançadas em nome do patrono NELSON WILIANS FRATONI RODRIGUES, inscrito na OAB/SP sob n° 128.341, com escritório matriz na Avenida Nações Unidas, n° 12.901 Centro Empresarial Nações Unidas Torre Oeste 17° andar salas 1701/1702 Bairro: Brooklin Novo CEP: 04578000, telefone (11) 33302299. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 425 10 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – Processo nº 18088.720354/201269 Juntado por Apensação ao Processo Principal nº 18088.720353/201214 Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 302330, com a exigência do crédito tributário no valor de R$355.216,21 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) juros de mora e multa de ofício proporcional referente aos segundo, terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2007, aos quatro trimestres do anocalendário de 2008 e aos quatro trimestres do anocalendário de 2009 apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido. O lançamento fundamentase na aplicação indevida no coeficiente de determinação do lucro presumido, uma vez que houve aplicação incorreta do percentual de determinação do lucro presumido de 12% sobre as receitas tributáveis auferidas na atividade de prestação de serviços, quando o correto, para esta atividade, seria 32%, o que acarretou as diferenças a menor de CSLL apurada pela Recorrente, em conformidade com o Relatório Fiscal, fls. 296301. O valor da CSLL apurada de ofício foi compensado o valor calculado pela Recorrente utilizando o coeficiente de 12% sobre o lucro presumido, fls. 302319. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º e art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 37 da Lei nº 10.637, de 20 de dezembro 2002, art. 2º e art. 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro 1988, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, e art. 17 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 337355, com as seguintes alegações: A Impugnante é pessoa jurídica de direito privado, devidamente constituída, e que possui como objeto social a prestação de serviços especializados de anestesia, analgesia e inaloterapia. Assim, e por exercer regularmente as atividades previstas em seu contrato social, se submete ao recolhimento de uma série de tributos junto aos órgãos do erário, sendo que, dentre estes, destacamse o IRPJ e a CSLL, que são de competência da União Federal, e que servem de objeto a presente discussão. Desta forma, vinha recolhendo regularmente tais tributos, à base de cálculo de lucro presumido de 32% sobre a receita bruta, regime este que, digase, foi adotado quando da elaboração de suas declarações de Imposto de Renda, a luz do disposto na Lei 9.430/96. Ocorre que, por entender se enquadrar na classe das empresas prestadoras de serviços hospitalares, buscou a concessão de benefício fiscal para cálculo do montante devido referente a aludidos tributos, com base no previsto pelo Art. 15 da Lei 9.249/95. Tal pretensão, mister dizer, foi materializada através de impetração de Mandado de Segurança junto à Justiça Federal de Araraquara/SP, sendo que o Fl. 484DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 426 11 Egrégio Tribunal Regional Federal da 3a Região, quando chamado a decidir a controvérsia, proferiu decisão favorável à ora Impugnante, fazendoo nos seguintes termos: "A redução do tributo prestigiada pela norma sob comento voltase à natureza mesma do serviço prestado, essencial à população, considerandose que a Carta Política tem a saúde pública como direito fundamental, a teor do Artigo 6.°. Temse por excluídos do favor fiscal as simples consultas e atividades de cunho meramente administrativo. No caso, tratase de entidade que presta serviços médicos de anestesia, analgesia e inaloterapia, enquadrandose tais atividades no conceito de "serviços hospitalares". Ou seja, no entendimento dos nobres Desembargadores, a Impugnante se enquadra no conceito de empresa prestadora de serviços hospitalares, fazendo jus, portanto, a redução conforme legalmente previsto. Contudo, mesmo ante a este cenário favorável ao contribuinte, o Sr. Fiscal da Receita Federal em Araraquara deu início aos procedimentos de fiscalização e controle das declarações e recolhimentos efetivamente realizadas pela ora Impugnante, o que, digase, possuía lastro na decisão acima colacionada. E daí resultou a lavratura do Auto de Infração ora combatido, onde se exige o pagamento de R$355.216,21 [...], montante consolidado em junho do corrente ano. De salutar relevância se destacar que o procedimento fiscal vergastado foi instaurado, inicialmente, para verificar as apurações do período compreendido entre 04/2007 e 12/2009. Em suma, através do Auto de Infração em lume, o Erário pugna pelo recolhimento de CSLL do período compreendido entre 04/2007 e 12/2009, equivalente ao valor acima mencionado, que é resultante da diferença entre os valores apurados, e aqueles que o Fisco considera devidos. Sendo assim, não há outro meio para Impugnante fazer valer seus direitos senão por meio da presente manifestação, e assim o faz com base nas razões abaixo aduzidas. II – DO DIREITO. II. 1 DO CABIMENTO DA IMPUGNAÇÃO E DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO SUPOSTO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. [...] Assim, [o art. 15 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972] cumulado com a efetiva apresentação [da impugnação], suspende a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõe o artigo 151 do Código Tributário Nacional: [...] Portanto, cristalino que a autoridade competente tem o poderdever de tomar as medidas cabíveis para que as exações ora discutidas não constem como restrições à Impugnante. Aliás, conforme o posicionamento firmado pelos Tribunais, o que, certamente, corrobora com a própria natureza do instituto em questão, a suspensão do crédito tributário, nos termos do artigo 151 do Código Tributário Nacional, não só impossibilita a propositura de novas demandas, mas impede o prosseguimento daquelas já em curso, ocasionando, assim, o seu sobrestamento [...]. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 427 12 Assim, resta claro que a presente possui o condão de suspender a exigibilidade dos créditos tributários ora vergastados, conforme dispõe o Art. 151 do Código Tributário Nacional. II. 2 DAS EXIGÊNCIAS REFERENTES À REDUÇÃO SUPOSTAMENTE INDEVIDA DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL [...] Ao lavrar o Auto de Infração discutido, optou por constituir o crédito com base em todas as competências analisadas, ou seja, incluindo os períodos compreendidos entre 04/2007 e 12/2009. E assim o fez por considerar que o Mandado de Segurança impetrado pela ora Impugnante, de número 000511866.2004.4.03.6120, e anteriormente mencionado, não possuía como pedido a redução da base de cálculo da CSLL. Destarte, não estando a contribuição social abarcada pela decisão proferida nos autos do mencionado processo, não haveria que se falar em qualquer tipo de exclusão das exigências, até porque, segundo o fiscal, a empresa, até mesmo antes das alterações da Lei 11.727/08, não faria jus à redução da base de cálculo. Frisese, porém, que se trata de entendimento que não deve ser agasalhado por este r. órgão julgador. Ora, se a Lei 9249/95, em sua redação original não fazia qualquer especificação para concessão do benefício fiscal analisado, referindose apenas à empresas prestadoras de "serviços hospitalares", não pode o Erário, sem qualquer suporte legal, fazer exigências unilaterais neste sentido. Neste contexto, ao contrário do entendimento esposado pela Autoridade administrativa lançadora, embora no Mandado de Segurança acima citado a redução da CSLL não figure como objeto de discussão, houve o reconhecimento, por parte do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que trata a ora Impugnante de sociedade prestadora de serviços hospitalares, fazendo jus, portanto, aos benefícios fiscais concedidos às empresas do ramo. [...] De salutar relevância ressaltar, mais uma vez, que o legislador, antes das alterações promovidas pela Lei 11.727/08, e até mesmo depois dela, pretendia, em verdade, beneficiar as sociedades prestadoras de serviços hospitalares, pouco importando sua organização societária, ou se exerce suas atividades em estabelecimento próprio ou não. Isto porque o benefício recai é sobre a natureza do serviço prestado. Desta forma, ainda que a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido não tenha sido objeto do Mandado de Segurança mencionado, evidente que a exigência referente à aludida espécie tributária não deve subsistir, ante a nítida natureza de serviços hospitalares prestados pela Impugnante, pois, ao contrário do equivocado entendimento esposado pela autoridade administrativa, tratase a Impugnante, na condição de pessoa jurídica, embora prestando serviço na sede do hospital, todos os equipamentos utilizados, são de propriedade da Impugnante. Apresenta argumentos contra a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic e em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 428 13 Conclui Por todo o que foi exposto, requerse seja a presente impugnação conhecida e regularmente processada, suspendendose nos termos do artigo 151, inciso III do CTN7, a exigibilidade do crédito tributário, dandose a esta completo PROVIMENTO, de modo que se julgue, consequentemente, o Auto de Infração TOTALMENTE IMPROCEDENTE. Caso eventualmente não sejam aceitas as argumentações aqui apresentadas, requerse seja determinada a abertura de prazo legal para os recursos cabíveis, de modo que se garanta a ampla defesa, observando as disposições contidas no Decreto 70.235/72. Requerse, ainda, a intimação da Impugnante na pessoa de seu representante legal infra assinado, para oportuna SUSTENTAÇÃO ORAL, quando do julgamento da referida Impugnação, bem como a realização de diligências necessárias para o real deslinde do feito e regularização da fiscalização realizada. Por fim, pugnase para que as publicações e/ou intimações referentes ao presente feito sejam sempre lançadas em nome do patrono NELSON WILIANS FRATONI RODRIGUES, inscrito na OAB/SP sob n° 128.341, com escritório matriz na Avenida Marginal Pinheiros n° 5200, Condomínio América Business Park, Edifício Montreal, 6o andar, Jardim Morumbi, São Paulo, Estado de São Paulo, CEP 05.693000, telefone (11) 33302299, sob pena de nulidade. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1443.709, de 12.08.2013, fls. 394408: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2007, 2008, 2009 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para ser considerado serviço de natureza hospitalar é necessário que o empresário ou a sociedade empresária ostentem caráter empresarial e estrutura física do estabelecimento em consonância com a legislação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007, 2008, 2009 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei. Notificada em 02.09.2013, fl. 412, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 26.09.2013, fls. 414430, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 429 14 Acrescenta que apresenta o recurso voluntário no prazo legal. Suscita que o crédito tributário está com a exigibilidade suspensa: Sendo assim, é imperiosa a necessidade de suspensão da exigibilidade dos valores ora discutidos enquanto pendente de apreciação o presente recurso, não podendo constituir óbice à expedição da certidão de regularidade fiscal [inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional e art. 33 do Decreto 70.235, de 05 de março de 1972]. Cuidase de processo administrativo através do qual se discute a redução da base de cálculo presumida, utilizada pela Recorrente no momento da apuração e recolhimento da CSLL nos anoscalendário de 2007 a 2009. Isto porque a empresacontribuinte utilizouse do percentual de 12% para aferição da base de cálculo incidente, quando no entender da administração tributária, deveria fazêlo em 32%. Regularmente intimada do Auto de Infração lavrado, a ora Recorrente apresentou sua competente peça de defesa, alegando, em apertada síntese, que, por entender que se enquadrava na classe das empresas prestadoras de serviços hospitalares, ingressou com medida judicial visando a obtenção de provimento jurisdicional apto a lhe garantir o direito de redução da base de cálculo nos termos do disposto pela Lei. 9.249/95. Desta forma, e tendo obtido sucesso em seu pleito, através de decisão judicial exarada pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região, utilizouse da base de cálculo reduzida em comento. A DRJ, quando chamada a decidir a demanda, optou por julgar improcedente a Impugnação apresentada pela então Autuada, mantendo a exigência fiscal combatida, sob o argumento de que a decisão judicial acima ventilada não seria aplicável à CSLL, uma vez que o processo judicial em referência albergava apenas o IRPJ. Além disso, mesmo que fosse aplicável, não englobaria o anocalendário 2009, pois a partir de 01 de janeiro daquele ano deverseia aplicar as disposições contidas na Lei 11.727/2008, que teriam alterado a sistemática até então vigente. Deste modo, e diante do fato de que a Recorrente não se enquadraria no rol de empresas prestadoras de serviços hospitalares, por falta de observância de vários requisitos necessários para tanto, e elencados na novel redação dada à alínea "a", III, §1° do Art. 15 da Lei 9249/95, o auto de infração mantevese subsistente. IV DO DIREITO. Em que pese toda a linha de argumentação utilizada pela administração tributária, no sentido de descaracterizar a empresacontribuinte como prestadora de serviços hospitalares para fins de redução da base de cálculo presumida da CSLL, a mesma não deve prevalecer. Isto porque, embora, de fato, a decisão judicial favorável à empresa não tenha como objeto a CSLL, é fato inconteste que declarou sua qualidade de empresa prestadora de serviços hospitalares, apta, portanto, ao aproveitamento do beneficio em questão. Explicase: o ordenamento atual é claro ao estabelecer que as normas aplicáveis à apuração da CSLL devem ser as mesmas das utilizadas quando do cálculo do IRPJ. [...] Fl. 488DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 430 15 Portanto, é medida de direito a utilização das razões esposadas na decisão judicial em comento para redução da base de cálculo presumida também para a CSLL. E em sendo assim, necessário se destacar, que as alterações promovidas pela lei 11.727/2008 não podem impedir a utilização da decisão judicial concerne ao direito à utilização da base de cálculo reduzida quando da apuração do valor devido a título de CSLL para o anocalendário 2009, como sustenta o acórdão combatido. Quando chamado a decidir caso análogo ao presente, O STJ, em recurso paradigma e afetado ao regime dos Recursos Repetitivos (REsp 1.116.399/BA), manifestouse neste sentido. [...] Se isso não fosse o suficiente, e caso se reconheça a possibilidade de apuração de ambos os tributos com base em regras distintas, hipótese somente admitida por amor ao debate, é medida de direito que se reconheça o fato de que a Recorrente se enquadra no rol das empresas que possuem o direito à utilização da base de cálculo reduzida. Isto porque quando o legislador incluiu a possibilidade deste benefício para as empresas prestadoras de serviços hospitalares, assim o fez visando estimular a prestação de serviços desta natureza, e não a organização societária e física dos contribuintes que porventura exercessem tais atividades. A jurisprudência pátria, aliás, possui posicionamento uníssono neste sentido, tanto para as discussões que se travam no judiciário, como se vê por meio dos REsp 956.122/RS, REsp 939.321/SC, REsp 951.251/PR [...]. Evidente assim que a pretensão fazendária carece de pilares aptos a lhe sustentarem. Por fim, é curial se reconhecer que tais decisões não vinculam os órgãos da Secretaria da Receita Federal, já que não há parecer da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional se manifestando expressamente neste sentido, necessidade instituída por meio da Lei 12.44/2013. [...] Tendo os julgados em referência sido operados na sistemática dos Recursos Especiais, nos termos do Art. 543C do Código de Processo Civil, é medida de direito a aplicação da Portaria MF 586, de 22 de dezembro de 2010, que introduziu o Art. 62A no Regimento Interno do Conselho. [...] Concluise assim que o benefício em discussão se estende, em verdade, a todos aqueles que exercem atividades profissionais relacionadas a serviços hospitalares, excetuandose apenas as simples atividades de consultas médicas, porquanto tratase, a saúde, de um direito fundamental, constitucionalmente previsto no Art. 6º de nossa Carta Maior. Desta forma, evidente que as exigências em voga não devem subsistir, uma vez que a ora Recorrente se enquadra nos requisitos necessários para concessão do benefício fiscal em lume, conforme, inclusive, reconhecido em decisão judicial. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Fl. 489DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 431 16 Ante todo o exposto, resta demonstrada subsistência dos argumentos acima esposados, motivo pelo qual deve o presente Recurso ser julgado totalmente procedente, julgandose, ao final, o auto de infração totalmente insubsistente. Requerse, outrossim, a intimação da Recorrente na pessoa de seu representante legal infra assinado para oportuna SUSTENTAÇÃO ORAL, quando do julgamento do referido Recurso Voluntário; bem como a realização de diligências necessárias para o real deslinde do feito. Por fim, requerse, sob pena de nulidade, que as publicações e/ou intimações referentes ao presente feito sejam sempre lançadas em nome do patrono NELSON WILIANS FRATONI RODRIGUES, inscrito na OAB/SP sob n° 128.341, com escritório matriz na Avenida Nações Unidas, n° 12.901 Centro Empresarial Nações Unidas Torre Oeste 17° andar salas 1701/1702 Bairro: Brooklin Novo CEP: 04578000, telefone (11) 33302299. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) – Processo Principal nº 18088.720353/201214 A Recorrente discorda do procedimento fiscal argumentando que discute matéria objeto dos lançamento de ofício no Mandado de Segurança n.° 0005118 66.2004.4.03.6120, que foi ajuizada na TRF da 3ª Região da Justiça Federal. A garantia da inafastabilidade da jurisdição prevê que a lei não pode excluir lesão ou ameaça a direito da apreciação do Poder Judiciário, como também não pode prejudicar a coisa julgada, entendida como a imutabilidade dos efeitos da decisão judicial decorrente do esgotamento dos recursos eventualmente cabíveis. Nesse sentido, a decisão definitiva exarada em processo administrativo fiscal não tem força de coisa julgada, dada a sua suscetibilidade de revisão pelo Poder Judiciário. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 432 17 Por esta razão, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial1, de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 1. Consta no objeto do Mandado de Segurança n.° 2004.61.20.0051186, fls. 424473: Assim, em face das razões ora apresentadas, e como medida salutar do Estado de Direito que vigora no país, preenchidos os requisitos exigidos pela Lei do Mandado de Segurança, requerse, digne Vossa Excelência, conceder a presente medida liminar inaudita altera parte, DETERMINANDO A IMEDIATA SUSPENSÃO DA EXIGÊNCIA DA ALÍQUOTA DE 32% PARA APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO, AUTORIZANDO A IMPETRANTE A APLICAR A ALÍQUOTA DE 8%, comunicando a ordem à autoridade impetrada para que encete providências para não exigir a malfadada retenção, mesmo que por vias oblíquas ou reflexas, através de imposição de penalidades. [...] Por fim, requerse, processado o presente writ, seja a presente julgada integralmente procedente, concedendo a segurança pleiteada para: 1) determinar que a autoridade coatora não pratique qualquer ato tendente a exigir da IMPETRANTE a aplicação da alíquota de 32% para apuração do seu lucro presumido, enquanto perdurar a situação de fato que deram origem ao presente pleito; Tem cabimento transcrever excertos da Apelação Civil nº 2004.61.20.0051186/SP com a seguinte decisão2: EMENTA CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. DIREITO À SAÚDE CONSTITUCIONALMENTE PRESTIGIADO (ART. 6º). LEI Nº 9.249/95, ART. 15, § 1º, III, "A". EXEGESE E ALCANCE. SERVIÇOS MÉDICOS ESPECIALIZADOS EM DIAGNÓSTICOS. INCLUSÃO NO CONCEITO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PRECEDENTES (STJ, RESP 951251/PR, REL. MIN. CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, JULGADO EM 22.4.2009, DJE 3.6.2009; STJ AGRG NO RESP 893835/RS SEGUNDA TURMA REL. MIN. HERMAN BENJAMIM J. 01/09/2009 P. 08/09/2009; STJ RESP 1081441/PR SEGUNDA TURMA REL. MIN. CASTRO MEIRA J. 04/08/2009 P. 31/08/2009; STJ RESP 1082101/RS SEGUNDA TURMA REL. MIN. HUMBERTO MARTINS J. 23/06/2009 P. 01/07/2009). APELO A QUE SE DÁ PARCIAL PROVIMENTO. ACÓRDÃO 1 Fundamentação legal: inciso XXXV e inciso XXXVI do art. 5º da Constituição Federal, art. 78 do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº1. 2 Disponível em : <http://web.trf3.jus.br/acordaos/Acordao/BuscarDocumentoGedpro/285984> . Acesso em 29 abr.2014. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 433 18 Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, dar parcial provimento à apelação da impetrante, nos termos do relatório, voto e notas precedentes, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. São Paulo, 21 de janeiro de 2010. Salette Nascimento Desembargadora Federal [...] RELATÓRIO A Senhora Desembargadora Federal Salette Nascimento (Relatora): Tratase de apelação em sede de "writ" impetrado por SAARA ANESTESIA ANALGESIA E INALOTERAPIA S/C LTDA., objetivando assegurar o direito de recolher o IRPJ pela alíquota de 8% (oito por cento), incidente sobre a base de cálculo específica para as pessoas jurídicas prestadoras de serviços hospitalares, bem assim, compensar os valores recolhidos a tal título no período de novembro/99 a abril/2004, devidamente corrigidos. Indeferida a medida "initio litis", sobreveio a r. sentença denegatória da ordem. Irresignada, apela a Impetrante sustentando, em síntese, que presta serviços médicos especializados de anestesia, analgesia e inaloterapia, atividades essas equiparadas a serviços hospitalares, de acordo com a IN/SRF nº 306/03, possuindo o direito de aplicar a alíquota de 8% para determinação da base de cálculo do IRPJ, nos termos do art. 15, § 1º, III, "a", segunda parte, da Lei nº 9.249/95. Aduz, mais, o direito de compensar os valores indevidamente recolhidos com parcelas de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos últimos 10 anos, contados da data da distribuição da demanda, acrescidos de juros de 1% a partir de cada recolhimento indevido, nos termos do art. 59, da Lei nº 8.383/91, e art. 3º da Lei nº 8.620/93, e TRD no período de 01/01/91 a 31/12/94, e SELIC para o período após 01/01/96, conforme a Lei nº 9.250/95. Pugna, a final, pela reforma do julgado. Opina o Ministério Público Federal, em parecer da lavra do I. Procurador Henrique Herkenhoff, pelo improvimento do recurso. Com contrarazões, vieram os autos a esta Corte. É O RELATÓRIO. VOTO A Senhora Desembargadora Federal Salette Nascimento (Relatora): Fl. 492DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 434 19 Tenho que é de ser dado parcial provimento ao recurso. A questão debatida consiste em verificar se a ora Apelante, ao prestar "serviços de anestesia, analgesia e inaloterapia" (fls. 64/76), se enquadra no conceito de "serviços hospitalares" inserto no art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95, que estabelece a base de cálculo do imposto de renda de pessoa jurídica, pelo regime do lucro presumido. [...] A redução do tributo prestigiada pela norma sob comento volta se à natureza mesma do serviço prestado, essencial à população, considerandose que a Carta Política tem a saúde como direito fundamental, a teor do art. 6º. Têmse por excluídos do favor fiscal as simples consultas e atividades de cunho meramente administrativo. No caso, tratase de entidade que presta serviços médicos de anestesia, analgesia e inaloterapia, enquadrandose tais atividades no conceito de "serviços hospitalares". [...] Isto posto, dou parcial provimento à apelação da impetrante. É COMO VOTO. Está registrado no Relatório Fiscal, fls. 296301 cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: RELATÓRIO FISCAL [...] 16) Porém, o contribuinte é beneficiário de decisão judicial de 2° instância (apelação civil 2004.61.20.0051186 SP) – fls 272/291, que lhe dá direito a utilizar a alíquota de 8% para a base de cálculo presumida de IRPJ, e não 32% nos termos da Lei 9.249/95 17) Notase que a referida decisão beneficia o contribuinte quanto ao IRPJ e é omissa quanto à CSLL. Apesar de intimado (fls 2/3) e reintimado (fls 267) a apresentar TODOS os documentos do processo (petição inicial, decisões de primeira instância, recursos, etc), o contribuinte apresentou somente a decisão de 2° instância (fls 272/291) e a certidão de objeto e pé (fls 268/271). 18) Nos documentos apresentados pelo contribuinte, constam que a ação referese ao IRPJ, conforme descrito adiante: 18.1) No item 7 da certidão de objeto e pé (fls 268/271) consta como “objeto”: 7 – Objeto: afastar a exigibilidade da alíquota de 32% para apuração do lucro presumido nos termos da Lei nº 9.249, autorizando a impetrante a aplicar a alíquota de 8%, bem como a compensação do indébito tributário nos últimos 10 (dez) anos. 18.2) No relatório inicial do acórdão (fls 272/291), consta: Fl. 493DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 435 20 Tratase de apelação em sede de "writ" impetrado por SAARA ANESTESIA ANALGESIA E INALOTERAPIA S/C LTDA., objetivando assegurar o direito de recolher o IRPJ pela alíquota de 8% (oito por cento), incidente sobre a base de cálculo específica para as pessoas jurídicas prestadoras de serviços hospitalares, bem assim, compensar os valores recolhidos a tal título no período de novembro/99 a abril/2004, devidamente corrigidos. 18.3) No voto da MM Desembargadora Federal, consta a seguinte redação: A questão debatida consiste em verificar se a ora Apelante, ao prestar "serviços de anestesia, analgesia e inaloterapia" (fls. 64/76), se enquadra no conceito de "serviços hospitalares" inserto no art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95, que estabelece a base de cálculo do imposto de renda de pessoa jurídica, pelo regime do lucro presumido. 19) Tanto na certidão de objeto e pé, como no voto, consta apenas IRPJ. Portanto, inferese que objeto da ação do contribuinte envolve o IRPJ e não alcança a CSLL. Cabe salientar que a presunção da CSLL também é 32%, sendo que, em alguns casos, é de 12% (sociedades empresárias que atendam as normas da ANVISA e que prestam serviços hospitalares e/ou as atividades elencadas no artigo 29 da lei 11.727/2008). 20) Ainda quanto ao IRPJ, a ação do contribuinte visou combater os artigos da Lei 9.249/95. A legislação foi posteriormente alterada, a partir de 01/01/2009, pela Lei 11.727/2008, conforme descrito no item 3.3 deste relatório. Assim, sob o efeito da nova lei, o contribuinte não tem decisão judicial que o beneficie. Cotejando os termos da ação judicial e do lançamento restou demonstrado que a ação judicial ajuizada não tem o mesmo objeto do presente processo administrativo fiscal, o que não importa desistência do recurso voluntário interposto. O provimento jurisdicional referese a matéria antes de 01.01.2009, data em que entraram em vigor as alterações promovidas pelo artigo 29 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, que deu nova redação ao inciso III do § 1º do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. A Recorrente discorda do procedimento fiscal da apuração do lucro presumido. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. I 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 436 21 Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Via de regra, o lucro presumido é apurado mediante a aplicação do coeficiente de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta, inclusive para serviços hospitalares. Para as atividades expressamente relacionadas, entretanto, o coeficiente é distinto, já que o parâmetro de fixação relacionase diretamente aos custos e às despesas incorridas para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. No caso de prestação de serviços em geral o coeficiente previsto na legislação tributária é de 32% (trinta e dois por cento), de acordo com o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Notese que a legislação tributária que trata de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, de modo que não cabe conferirlhe efeito retroativo, por falta de previsão normativa. Por esta razão, somente a partir de 01.01.2009, ocasião em que a alínea “a” do inciso III do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, com redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, começou a produzir efeitos na ordem jurídica, um contorno normativo mais abrangente foi conferido à prestação de serviços hospitalares englobando o auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Fl. 495DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 437 22 Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1116399/BA4, que cujo trânsito em julgado ocorreu em 08/11/2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF5. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O lançamento fundamentase na aplicação indevida no coeficiente de determinação do lucro presumido, já que houve aplicação incorreta do percentual de determinação de 8% sobre as receitas tributáveis auferidas na atividade de prestação de serviços, quando o correto, para esta atividade, seria 32%, o que acarretou as diferenças a menor de IRPJ apurado pela Recorrente referente aos quatro trimestres do anocalendário de 2009. A partir de 01.01.2009, a legislação de regência da matéria expressamente prevê que para usufruir do coeficiente de apuração do lucro presumido para fins determinação dos tributos no caso de pessoa jurídica que se dedica à prestação de serviços hospitalares, a pessoa jurídica prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 1ª Condição – Sociedade Simples A sociedade de natureza simples tem fundamentação legal no Código Civil. As espécies societárias existentes são (a) sociedade simples pura e (b) sociedade simples limitada, que devem ter tem seus atos constitutivos, de alteração e de extinção registrados no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Na sociedade simples pura os sócios respondem ilimitadamente pelas dívidas contraídas pela pessoa jurídica e pode haver sócio que participe apenas com serviço. Por sua vez, na sociedade simples limitada, os sócios respondem limitadamente ao valor do capital social, desde que totalmente integralizado e o nome empresarial prescinde de que conste parte do objeto social e não pode ter sócio que participe apenas com serviço6. Consta no Contrato Social, fls. 0750: "INSTRUMENTO PARTICULAR DE ALTERAÇÃO DE CONTRATO SOCIAL DE SOCIEDADE SIMPLES LIMITADA, SOB A DENOMINAÇÃO 4 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1116399/BA. Ministro Relator:Benedito Gonçalves, Primeira Seção, Brasília, DF, 28 de outubro de 2009. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=6898628&sReg=20090006481 0&sData=20100224&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 5 Fundamentação legal: Fundamentação legal: art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.art. 29 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 6 Fundamentação legal: art. 982, art. 983, artigos 997 a 1038, artigos 1052 a 1087 e artigos 1179 a 1195 do Código Civil. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 438 23 SOCIAL DE "SAARA ANESTESIA, ANALGESIA E INALOTERAPIA S/S LTDA." PARA SOCIEDADE SIMPLES PURA, SOB A DENOMINAÇÃO SOCIAL DE "SAARA ANESTESIA E ANALGESIA. S/S. ARARAQUARA ESTADO DE SÃO PAULO CNPJ51.806.057/000111 Entre os abaixo assinados, como outorgantes e sócios reciprocamente outorgados: Dr. LUIZ TSUHA, brasileiro, casado sob o regime de comunhão de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 1.911.418SSPSP, CPF n.° 011.982.70853 e CRM/SP n.° 10.316, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Mauá, n.° 700 apto. 62 Centro CEP. n.° 14.801190; Dr. LUIZ CARLOS DELLA ROVERE, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 3.575.502SSPSP, CPF n.° 191.269.99749 e CRM/SP n.° 17.721, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Casemiro Peres,n.° 822 Vila Harmonia CEP. 14.802600; Dr. JOSÉ HENRIQUE SCABELLO, brasileiro, casado sob o regime de comunhão de bens,médico, portador da cédula de identidade RG n.° 3.139.283 SSPSP, CPF n.° 542.707.31834 e CRM/SP n.° 18.790, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida D.Pedro II, n.° 1327 Carmo CEP. n.° 14.801040; Dra. INÊS HARUKO CHINEN DE BARROS, brasileira, casada sob o regime de comunhão parcial de bens, médica, portadora da cédula de identidade RG n.° 5.996.586SSPSP, CPF n.° 930.576.87849 e CRM/SP n.° 31.931, residente e domiciliada nesta cidade de Araraquara, SP, à Rua Carlos Gomes, n.° 1884 Centro CEP. n.° 14.801340; Dr. ABELARDO FERRAREZI DE ANDRADE, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 4.859.284SSPSP, CPF n.° 239.671.10672 e CRM/SP n.° 31.625, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Circular Gastão Vidigal, n.° 139 Jardim Primavera CEP. n.° 14.802408; Dr. JOSÉ AMÉRICO SARTORI, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial debens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 9.345.273SSPSP, CPF n.° 048.322.20896 c CRM/SP n.° 45.332, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Rua Elisa Sambias e Bacchi, n.° 90 Centro CEP. n.° 14.801.239 Dr. FÁBIO DE SOUZA E SILVA, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 7.662.871SSPSP, CPF n.° 033.481.59830 e CRM/SP n.° 53.263, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Professor Eugênio Francisco Malamn, n.° 980 – Santa Angelina CEP. n.° 14.802080; Dr. ADIB ISMAEL GESE, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 7364.070SSPSP, CPF nº 072.047.75813 e CRM/SP n.° 57.921, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Circular Doutor Gastão Vidigal, n.° 295 Jardim Primavera CEP. n.° 14.802408; Fl. 497DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 439 24 Dr. ROBERTO BIANCHI, brasileiro, solteiro, maior, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 18.144.910SSPSP, CPF n.° 096.161.55830 e CRM/SP n.° 81.313, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Rua Henrique Lupo, n.° 719 Vila Harmonia CEP. n.° 14.802440; Dr. LUIZ TSUHA JÚNIOR, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 18.573.4923 SSPSP, CPF n.° 138.631.61807 e CRM/SP n.° 83.133, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Mauá, n.° 700 apto. 62 Centro CEP. n.° 14.801190; Dr. EMERSON CARLOS, brasileiro, solteiro, maior, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 18.986.3560SSPSP, CPF n.° 105.311.64896 e CRM/SP n.° 83.215, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Rua Pedro Álvares Cabral, n.° 636 São José CEP. n.° 14.800210; Dr. MARCUS VINÍCIUS PLATZER DO AMARAL, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 18.573.4224SSPSP, CPF n.° 269.682.71842 e CRM/SP n.° 95.279, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Professor Fleury Charmillot, s/n.° apto. 21 CEP. 14.804012 Jardim Residencial Paraíso; Dr. GUSTAVO FELLONI TSUHA, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 19.598.2381SSPSP, CPF n.° 205.499.84860 e CRM/SP n.° 95.591, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Mauá, n.° 780 apto 54 Centro CEP. n.° 14.801190; Dr. FLÁVIO LUIZ DO AMARAL, brasileiro, solteiro, maior, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 25.599.2865SSPSP, CPF n.° 199.607.20802 e CRM/SP n.° 98.697, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida José Zilioli, n.° 61 apto. 103 B Jardim das Roseiras CEP. n.° 14.806005; Dr. VAMBERTO RAPHAEL VICENTE, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 24.221.9585SSPSP, CPF n.° 196.437.00860 e CRM/SP n.° 99.711, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Mariangela Pucci Ananias, n.° 552Santa AngelinaCEP. n.° 14.802050; Dr. GUILHERME FELÍCIO BERGARA, brasileiro, SOLTEIRO, MAIOR, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 23.338.5940SSPSP, CPF n.° 183.330.30831 e CRM/SP n.° 99.594, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Dr. Lei Moraes, n.° 543 – Vila Xavier CEP. n.° 14.810 120; Dr. FERNANDO LUIZ PLATZER DO AMARAL, brasileiro, casado sob regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 24.221.5579SSPSP, CPF n.° 267.519.06838 e CRM/SP n.° 2963 Santa Angelina CEP. n.° 14.802300. Únicos sócios componentes da Sociedade Simples Limitada, que gira nesta cidade de Araraquara, SP, à Rua Voluntários da Pátria, n.° 2040 Centro CEP. n.° 14.801320, com o ramo de "PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS DE ANESTESIA, ANALGESIA E INALOTERAPIA" sob a denominação social de "SAARA ANESTESIA, ANALGESIA E INALOTERAPIA S/S LTDA." com Fl. 498DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 440 25 contrato social devidamente registrado e arquivado perante o 1º Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas da Comarca de Araraquara, SP, sob n.° 249 em 06/04/1.982, e posteriores alterações de n.°s 01 e 02 ambas m 30/01/1.987, n.° 03 em 13/10/1.989, n.° 04 em 08/10/1.998, n.° 05 registrada sob o n.° 38.882 em 20/05/2.004, e a última sob o n.° 38976 em 30/07/2.004. Ficou justo e combinado por este instrumento e na melhor forma de direito, a alteração de seu contrato social, que sofrerá as modificações, que mutuamente aceitam e outorgam, a saber: I) A sociedade que girava sob a modalidade de Sociedade Simples Limitada, sob a denominação social de "SAARA ANESTESIA, ANALGESIA EINALOTERAPIA S/S LTDA.", que possui sua sede social nesta cidade de Araraquara, SP, à Rua Voluntários da Pátria, n.° 2040 Centro CEP. n.° 14.801 320, neste ato e por este instrumento passa a girar sob a modalidade de "SOCIEDADE SIMPLES PURA", regida pelas cláusulas deste contrato e pelos artigos 997 ao 1.038 da Lei Federal n.° 10.406/2.002 – Código Civil, sob a denominação social de "SAARA ANESTESIA, ANALGESIA E INALOTERAPIA S/S." II) Por este ato e por este instrumento, deliberam as partes em alterar a razão social da empresa para "SAARA ANESTESIA E ANALGESIA S/S." III) Pelo presente instrumento, deliberam as partes em alterar o objetivo da sociedade, que passa a ser a : "ATIVIDADE MÉDICOHOSPITALAR, ESPECIALIZADAS NAS ÁREAS DE ANESTESIA E ANALGESIA ." III) Parágrafo Único da Cláusula Segunda: A direção, organização, assistência e execução dos serviços médicos são de inteira responsabilidade dos sócios, profissionais devidamente habilitados, os quais terão ampla e total autonomia no desempenho de suas funções técnicoprofissionais. Restou comprovado assim que a Recorrente é uma sociedade simples e por essa razão não pode usufruir do coeficiente de apuração do lucro presumido para fins determinação dos tributos, ainda que se dedique à prestação de serviços hospitalares. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. 2ª Condição – Normas da Anvisa A Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n° 50, de 21 de fevereiro de 2002 e alterações determina: Parte II [...] 2.1 – Atribuições de Estabelecimentos Assistenciais [...] 1 Prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia atenção à saúde incluindo atividades de promoção, prevenção, vigilância à saúde da comunidade e atendimento a pacientes externos de forma programada e continuada; Fl. 499DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 441 26 2 Prestação de atendimento imediato de assistência à saúde atendimento a pacientes externos em situações de sofrimento, sem risco de vida (urgência) ou com risco de vida (emergência); 3 Prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação atendimento a pacientes que necessitam de assistência direta programada por período superior a 24 horas (pacientes internos); 4 Prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde (contato direto); 5 Prestação de serviços de apoio técnico atendimento direto a assistência à saúde em funções de apoio (contato indireto); 6 Formação e desenvolvimento de recursos humanos e de pesquisa atendimento direta ou indiretamente relacionado à atenção e assistência à saúde em funções de ensino e pesquisa; 7 Prestação de serviços de apoio à gestão e execução administrativa atendimento ao estabelecimento em funções administrativas; 8 Prestação de serviços de apoio logístico atendimento ao estabelecimento em funções de suporte operacional. As quatro primeiras são atribuições fim, isto é, constituem funções diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde. As quatro últimas são atribuições meio para o desenvolvimento das primeiras e de si próprias. [...] 3 DIMENSIONAMENTO, QUANTIFICAÇÃO E INSTALAÇÕES PREDIAIS DOS AMBIENTES [...] A presente norma não estabelece uma tipologia de edifícios de saúde, como por exemplo posto de saúde, centro de saúde, hospital, etc., aqui se procurou tratar genericamente todos esses edifícios como sendo estabelecimentos assistenciais de saúde EAS, que devem se adequar as peculiaridades epidemiológicas, populacionais e geográficas da região onde estão inseridos. Portanto, são EASs diferentes, mesmo quando se trata de edifícios do tipo centros de saúde, por exemplo. O programa arquitetônico de um centro de saúde irá variar caso a caso, na medida em que atividades distintas ocorram em cada um deles. Desta forma, as diversas tabelas contidas no documento permitem que sejam elaborados programas arquitetônicos dos mais diversos. Para tanto se deve, a partir da definição da listagem das atividades que o EAS irá realizar, escolher os ambientes próprios para realização das mesmas. Assim, identificandose na listagem de atribuições/atividades do capítulo 2 o número da atividade que se irá realizar, devese procurar na primeira coluna de cada tabela esse número e consequentemente o ambiente correspondente àquela atividade. Exemplo: caso tenhase definido que o EAS executará a atribuição de internação e mais precisamente as atividades de internação de pacientes em regime de terapia intensiva, devese procurar a tabela de unidade funcional internação, subgrupo internação intensiva. Nesta tabela serão encontrados os ambientes fins “relativos à UTI/CTI. Logicamente um programa arquitetônico de uma UTI não será composto somente por esses ambientes. Portanto, devese procurar nas tabelas relativas as atividades de apoio os ambientes complementares, como por exemplo banheiros, copas, etc. Esses ambientes encontramse listados abaixo das tabelas, com a denominação ambientes de apoio. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 442 27 Embora intimada mediante o Termo de Início de Fiscalização, a Recorrente apresentou tãosomente o documento de Licença de Funcionamento da Prefeitura de Araraquara, fls 136, que não supre a comprovação de que preenche os requisitos do subitem 2.1 da Parte II da RDC da Anvisa nº 50, de 2002. Ainda a Recorrente não comprova ter a estrutura física de um estabelecimento assistencial de saúde que atenda os requisitos do item 3 da Parte II da RDC da Anvisa nº 50, de 2002. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) – Processo nº 18088.720354/201269 Juntado por Apensação ao Processo Principal nº 18088.720353/201214 A Recorrente discorda do procedimento fiscal argumentando que discute matéria objeto dos lançamento de ofício no Mandado de Segurança n.° 0005118 66.2004.4.03.6120, que foi ajuizada na TRF da 3ª Região da Justiça Federal. A garantia da inafastabilidade da jurisdição prevê que a lei não pode excluir lesão ou ameaça a direito da apreciação do Poder Judiciário, como também não pode prejudicar a coisa julgada, entendida como a imutabilidade dos efeitos da decisão judicial decorrente do esgotamento dos recursos eventualmente cabíveis. Nesse sentido, a decisão definitiva exarada em processo administrativo fiscal não tem força de coisa julgada, dada a sua suscetibilidade de revisão pelo Poder Judiciário. Por esta razão, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial7, de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 1. Consta no objeto do Mandado de Segurança n.° 2004.61.20.0051186, fls. 424473: Assim, em face das razões ora apresentadas, e como medida salutar do Estado de Direito que vigora no país, preenchidos os requisitos exigidos pela Lei do Mandado de Segurança, requerse, digne Vossa Excelência, conceder a presente medida liminar inaudita altera parte, DETERMINANDO A IMEDIATA SUSPENSÃO DA EXIGÊNCIA DA ALÍQUOTA DE 32% PARA APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO, AUTORIZANDO A IMPETRANTE A APLICAR A ALÍQUOTA DE 8%, comunicando a ordem à autoridade impetrada para que encete 7 Fundamentação legal: inciso XXXV e inciso XXXVI do art. 5º da Constituição Federal, art. 78 do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº1. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 443 28 providencias para não exigir a malfadada retenção, mesmo que por vias oblíquas ou reflexas, através de imposição de penalidades. [...] Por fim, requerse, processado o presente writ, seja a presente julgada integralmente procedente, concedendo a segurança pleiteada para: 1) determinar que a autoridade coatora não pratique qualquer ato tendente a exigir da IMPETRANTE a aplicação da alíquota de 32% para apuração do seu lucro presumido, enquanto perdurar a situação de fato que deram origem ao presente pleito; Tem cabimento transcrever excertos da Apelação Civil nº 2004.61.20.0051186/SP com a seguinte decisão8: EMENTA CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. DIREITO À SAÚDE CONSTITUCIONALMENTE PRESTIGIADO (ART. 6º). LEI Nº 9.249/95, ART. 15, § 1º, III, "A". EXEGESE E ALCANCE. SERVIÇOS MÉDICOS ESPECIALIZADOS EM DIAGNÓSTICOS. INCLUSÃO NO CONCEITO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PRECEDENTES (STJ, RESP 951251/PR, REL. MIN. CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, JULGADO EM 22.4.2009, DJE 3.6.2009; STJ AGRG NO RESP 893835/RS SEGUNDA TURMA REL. MIN. HERMAN BENJAMIM J. 01/09/2009 P. 08/09/2009; STJ RESP 1081441/PR SEGUNDA TURMA REL. MIN. CASTRO MEIRA J. 04/08/2009 P. 31/08/2009; STJ RESP 1082101/RS SEGUNDA TURMA REL. MIN. HUMBERTO MARTINS J. 23/06/2009 P. 01/07/2009). APELO A QUE SE DÁ PARCIAL PROVIMENTO. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, dar parcial provimento à apelação da impetrante, nos termos do relatório, voto e notas precedentes, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. São Paulo, 21 de janeiro de 2010. Salette Nascimento Desembargadora Federal [...] RELATÓRIO A Senhora Desembargadora Federal Salette Nascimento (Relatora): Tratase de apelação em sede de "writ" impetrado por SAARA ANESTESIA ANALGESIA E INALOTERAPIA S/C LTDA., objetivando assegurar o direito de recolher o IRPJ pela alíquota de 8% (oito por cento), incidente sobre a base de cálculo 8 Disponível em : <http://web.trf3.jus.br/acordaos/Acordao/BuscarDocumentoGedpro/285984> . Acesso em 29 abr.2014. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 444 29 específica para as pessoas jurídicas prestadoras de serviços hospitalares, bem assim, compensar os valores recolhidos a tal título no período de novembro/99 a abril/2004, devidamente corrigidos. Indeferida a medida "initio litis", sobreveio a r. sentença denegatória da ordem. Irresignada, apela a Impetrante sustentando, em síntese, que presta serviços médicos especializados de anestesia, analgesia e inaloterapia, atividades essas equiparadas a serviços hospitalares, de acordo com a IN/SRF nº 306/03, possuindo o direito de aplicar a alíquota de 8% para determinação da base de cálculo do IRPJ, nos termos do art. 15, § 1º, III, "a", segunda parte, da Lei nº 9.249/95. Aduz, mais, o direito de compensar os valores indevidamente recolhidos com parcelas de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos últimos 10 anos, contados da data da distribuição da demanda, acrescidos de juros de 1% a partir de cada recolhimento indevido, nos termos do art. 59, da Lei nº 8.383/91, e art. 3º da Lei nº 8.620/93, e TRD no período de 01/01/91 a 31/12/94, e SELIC para o período após 01/01/96, conforme a Lei nº 9.250/95. Pugna, a final, pela reforma do julgado. Opina o Ministério Público Federal, em parecer da lavra do I. Procurador Henrique Herkenhoff, pelo improvimento do recurso. Com contrarazões, vieram os autos a esta Corte. É O RELATÓRIO. VOTO A Senhora Desembargadora Federal Salette Nascimento (Relatora): Tenho que é de ser dado parcial provimento ao recurso. A questão debatida consiste em verificar se a ora Apelante, ao prestar "serviços de anestesia, analgesia e inaloterapia" (fls. 64/76), se enquadra no conceito de "serviços hospitalares" inserto no art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95, que estabelece a base de cálculo do imposto de renda de pessoa jurídica, pelo regime do lucro presumido. [...] A redução do tributo prestigiada pela norma sob comento volta se à natureza mesma do serviço prestado, essencial à população, considerandose que a Carta Política tem a saúde como direito fundamental, a teor do art. 6º. Têmse por excluídos do favor fiscal as simples consultas e atividades de cunho meramente administrativo. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 445 30 No caso, tratase de entidade que presta serviços médicos de anestesia, analgesia e inaloterapia, enquadrandose tais atividades no conceito de "serviços hospitalares". [...] Isto posto, dou parcial provimento à apelação da impetrante. É COMO VOTO. Está registrado no Relatório Fiscal, fls. 296301 cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: RELATÓRIO FISCAL [...] 16) Porém, o contribuinte é beneficiário de decisão judicial de 2° instância (apelação civil 2004.61.20.0051186 SP) – fls 272/291, que lhe dá direito a utilizar a alíquota de 8% para a base de cálculo presumida de IRPJ, e não 32% nos termos da Lei 9.249/95 17) Notase que a referida decisão beneficia o contribuinte quanto ao IRPJ e é omissa quanto à CSLL. Apesar de intimado (fls 2/3) e reintimado (fls 267) a apresentar TODOS os documentos do processo (petição inicial, decisões de primeira instância, recursos, etc), o contribuinte apresentou somente a decisão de 2° instância (fls 272/291) e a certidão de objeto e pé (fls 268/271). 18) Nos documentos apresentados pelo contribuinte, constam que a ação referese ao IRPJ, conforme descrito adiante: 18.1) No item 7 da certidão de objeto e pé (fls 268/271) consta como “objeto”: 7 – Objeto: afastar a exigibilidade da alíquota de 32% para apuração do lucro presumido nos termos da Lei nº 9.249, autorizando a impetrante a aplicar a alíquota de 8%, bem como a compensação do indébito tributário nos últimos 10 (dez) anos. 18.2) No relatório inicial do acórdão (fls 272/291), consta: Tratase de apelação em sede de "writ" impetrado por SAARA ANESTESIA ANALGESIA E INALOTERAPIA S/C LTDA., objetivando assegurar o direito de recolher o IRPJ pela alíquota de 8% (oito por cento), incidente sobre a base de cálculo específica para as pessoas jurídicas prestadoras de serviços hospitalares, bem assim, compensar os valores recolhidos a tal título no período de novembro/99 a abril/2004, devidamente corrigidos. 18.3) No voto da MM Desembargadora Federal, consta a seguinte redação: A questão debatida consiste em verificar se a ora Apelante, ao prestar "serviços de anestesia, analgesia e inaloterapia" (fls. 64/76), se enquadra no conceito de "serviços hospitalares" inserto no art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95, que estabelece a base de cálculo do imposto de renda de pessoa jurídica, pelo regime do lucro presumido. 19) Tanto na certidão de objeto e pé, como no voto, consta apenas IRPJ. Portanto, inferese que objeto da ação do contribuinte envolve o IRPJ e não alcança a CSLL. Cabe salientar que a presunção da CSLL também é 32%, sendo que, em alguns casos, é de 12% (sociedades empresárias que atendam as normas da ANVISA Fl. 504DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 446 31 e que prestam serviços hospitalares e/ou as atividades elencadas no artigo 29 da lei 11.727/2008). 20) Ainda quanto ao IRPJ, a ação do contribuinte visou combater os artigos da Lei 9.249/95. A legislação foi posteriormente alterada, a partir de 01/01/2009, pela Lei 11.727/2008, conforme descrito no item 3.3 deste relatório. Assim, sob o efeito da nova lei, o contribuinte não tem decisão judicial que o beneficie. Cotejando os termos da ação judicial e do lançamento restou demonstrado que a ação judicial ajuizada não tem o mesmo objeto do presente processo administrativo fiscal, o que não importa desistência do recurso voluntário interposto. O provimento jurisdicional referese a matéria tãosomente de IRPJ e antes de 01.01.2009, data em que entraram em vigor as alterações promovidas pelo artigo 29 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, que deu nova redação ao inciso III do § 1º do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. A Recorrente discorda do procedimento fiscal da apuração do lucro presumido. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais9. I Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas 9 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 447 32 deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Via de regra, o lucro presumido é apurado mediante a aplicação do coeficiente de 12% (oito por cento) sobre a receita bruta, inclusive para serviços hospitalares. Para as atividades expressamente relacionadas, entretanto, o coeficiente é distinto, já que o parâmetro de fixação relacionase diretamente aos custos e às despesas incorridas para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. No caso de prestação de serviços em geral o coeficiente previsto na legislação tributária é de 32% (trinta e dois por cento), de acordo com o art. 15 e o art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Notese que a legislação tributária que trata de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, de modo que não cabe conferirlhe efeito retroativo, por falta de previsão normativa. Por esta razão, somente a partir de 01.01.2009, ocasião em que a alínea “a” do inciso III do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, com redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, começou a produzir efeitos na ordem jurídica, um contorno normativo mais abrangente foi conferido à prestação de serviços hospitalares englobando o auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1116399/BA10, que cujo trânsito em julgado ocorreu em 08.11.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF11. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Temse que o lançamento fundamentase na aplicação indevida no coeficiente de determinação do lucro presumido, uma vez que houve aplicação incorreta do percentual de determinação do lucro presumido de 12% sobre as receitas tributáveis auferidas na atividade de prestação de serviços, quando o correto, para esta atividade, seria 32%, o que 10 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1116399/BA. Ministro Relator:Benedito Gonçalves, Primeira Seção, Brasília, DF, 28 de outubro de 2009. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=6898628&sReg=20090006481 0&sData=20100224&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 11 Fundamentação legal: Fundamentação legal: art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.art. 29 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 448 33 acarretou as diferenças a menor de CSLL apurada pela Recorrente referente aos segundo, terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2007, aos quatro trimestres do anocalendário de 2008 e aos quatro trimestres do anocalendário de 2009. Assim, em relação ao coeficiente de aplicação sobre a receita bruta para fins de apuração da CSLL, no período referente aos segundo, terceiro e quarto trimestres do ano calendário de 2007, aos quatro trimestres do anocalendário de 2008 são considerados serviços hospitalares, para fins do disposto na legislação tributária e do entendimento vinculante do STJ, inclusive a atividade referente aos “prestação de serviços de atendimento médico hospitalar nas áreas de diagnósticos por imagens”, tais como aquela desenvolvida pela Recorrente, pois se vincula à atividade desenvolvida pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Aplicando os atos vinculados constantes na legislação tributária de regência, a Recorrente pode aplicar o coeficiente de 12% (doze por cento) sobre a receita bruta por não se tratar de serviços hospitalares na acepção normativa e jurisprudencial vinculante. Em outras palavras, caracterizase como aplicação correta do coeficiente de determinação do lucro presumido a adoção de 12% (doze por cento) sobre a receita bruta originária de prestação de serviços de diagnósticos por imagens executados dentro de uma clínica. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, se comprova, nesse período. A partir de 01.01.2009, a legislação de regência da matéria expressamente prevê que para usufruir do coeficiente de apuração do lucro presumido para fins determinação dos tributos no caso de pessoa jurídica que se dedica à prestação de serviços hospitalares, a pessoa jurídica prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 1ª Condição – Sociedade Simples A sociedade de natureza simples tem fundamentação legal no Código Civil. As espécies societárias existentes são (a) sociedade simples pura e (b) sociedade simples limitada, que devem ter tem seus atos constitutivos, de alteração e de extinção registrados no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Na sociedade simples pura os sócios respondem ilimitadamente pelas dívidas contraídas pela pessoa jurídica e pode haver sócio que participe apenas com serviço. Por sua vez, na sociedade simples limitada, os sócios respondem limitadamente ao valor do capital social, desde que totalmente integralizado e o nome empresarial prescinde de que conste parte do objeto social e não pode ter sócio que participe apenas com serviço12. Consta no Contrato Social, fls. 0750: "INSTRUMENTO PARTICULAR DE ALTERAÇÃO DE CONTRATO SOCIAL DE SOCIEDADE SIMPLES LIMITADA, SOB A DENOMINAÇÃO SOCIAL DE "SAARA ANESTESIA, ANALGESIA E INALOTERAPIA S/S LTDA." PARA SOCIEDADE SIMPLES PURA, SOB A DENOMINAÇÃO SOCIAL DE "SAARA ANESTESIA E ANALGESIA. S/S. ARARAQUARA ESTADO DE SÃO PAULO –CNPJ 51.806.057/000111 12 Fundamentação legal: art. 982, art. 983, artigos 997 a 1038, artigos 1052 a 1087 e artigos 1179 a 1195 do Código Civil. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 449 34 Entre os abaixo assinados, como outorgantes e sócios reciprocamente outorgados: Dr. LUIZ TSUHA, brasileiro, casado sob o regime de comunhão de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 1.911.418SSPSP, CPF n.° 011.982.70853 e CRM/SP n.° 10.316, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Mauá, n.° 700 apto. 62 Centro CEP. n.° 14.801190; Dr. LUIZ CARLOS DELLA ROVERE, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 3.575.502SSPSP, CPF n.° 191.269.99749 e CRM/SP n.° 17.721, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Casemiro Peres,n.° 822 Vila Harmonia CEP. 14.802600; Dr. JOSÉ HENRIQUE SCABELLO, brasileiro, casado sob o regime de comunhão de bens,médico, portador da cédula de identidade RG n.° 3.139.283 SSPSP, CPF n.° 542.707.31834 e CRM/SP n.° 18.790, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida D.Pedro II, n.° 1327 Carmo CEP. n.° 14.801040; Dra. INÊS HARUKO CHINEN DE BARROS, brasileira, casada sob o regime de comunhão parcial de bens, médica, portadora da cédula de identidade RG n.° 5.996.586SSPSP, CPF n.° 930.576.87849 e CRM/SP n.° 31.931, residente e domiciliada nesta cidade de Araraquara, SP, à Rua Carlos Gomes, n.° 1884 Centro CEP. n.° 14.801340; Dr. ABELARDO FERRAREZI DE ANDRADE, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 4.859.284SSPSP, CPF n.° 239.671.10672 e CRM/SP n.° 31.625, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Circular Gastão Vidigal, n.° 139 Jardim Primavera CEP. n.° 14.802408; Dr. JOSÉ AMÉRICO SARTORI, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial debens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 9.345.273SSPSP, CPF n.° 048.322.20896 c CRM/SP n.° 45.332, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Rua Elisa Sambias e Bacchi, n.° 90 Centro CEP. n.° 14.801.239 Dr. FÁBIO DE SOUZA E SILVA, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 7.662.871SSPSP, CPF n.° 033.481.59830 e CRM/SP n.° 53.263, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Professor Eugênio Francisco Malamn, n.° 980 – Santa Angelina CEP. n.° 14.802080; Dr. ADIB ISMAEL GESE, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 7364.070SSPSP, CPF nº 072.047.75813 e CRM/SP n.° 57.921, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Circular Doutor Gastão Vidigal, n.° 295 Jardim Primavera CEP. n.° 14.802408; Dr. ROBERTO BIANCHI, brasileiro, solteiro, maior, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 18.144.910SSPSP, CPF n.° 096.161.55830 e CRM/SP n.° 81.313, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Rua Henrique Lupo, n.° 719 Vila Harmonia CEP. n.° 14.802440; Fl. 508DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 450 35 Dr. LUIZ TSUHA JÚNIOR, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 18.573.4923 SSPSP, CPF n.° 138.631.61807 e CRM/SP n.° 83.133, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Mauá, n.° 700 apto. 62 Centro CEP. n.° 14.801190; Dr. EMERSON CARLOS, brasileiro, solteiro, maior, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 18.986.3560SSPSP, CPF n.° 105.311.64896 e CRM/SP n.° 83.215, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Rua Pedro Álvares Cabral, n.° 636 São José CEP. n.° 14.800210; Dr. MARCUS VINÍCIUS PLATZER DO AMARAL, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 18.573.4224SSPSP, CPF n.° 269.682.71842 e CRM/SP n.° 95.279, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Professor Fleury Charmillot, s/n.° apto. 21 CEP. 14.804012 Jardim Residencial Paraíso; Dr. GUSTAVO FELLONI TSUHA, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 19.598.2381SSPSP, CPF n.° 205.499.84860 e CRM/SP n.° 95.591, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Mauá, n.° 780 apto 54 Centro CEP. n.° 14.801190; Dr. FLÁVIO LUIZ DO AMARAL, brasileiro, solteiro, maior, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 25.599.2865SSPSP, CPF n.° 199.607.20802 e CRM/SP n.° 98.697, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida José Zilioli, n.° 61 apto. 103 B Jardim das Roseiras CEP. n.° 14.806005; Dr. VAMBERTO RAPHAEL VICENTE, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 24.221.9585SSPSP, CPF n.° 196.437.00860 e CRM/SP n.° 99.711, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Mariangela Pucci Ananias, n.° 552Santa AngelinaCEP. n.° 14.802050; Dr. GUILHERME FELÍCIO BERGARA, brasileiro, SOLTEIRO, MAIOR, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 23.338.5940SSPSP, CPF n.° 183.330.30831 e CRM/SP n.° 99.594, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Dr. Lei Moraes, n.° 543 – Vila Xavier CEP. n.° 14.810 120; Dr. FERNANDO LUIZ PLATZER DO AMARAL, brasileiro, casado sob regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 24.221.5579SSPSP, CPF n.° 267.519.06838 e CRM/SP n.° 2963 Santa Angelina CEP. n.° 14.802300. Únicos sócios componentes da Sociedade Simples Limitada, que gira nesta cidade de Araraquara, SP, à Rua Voluntários da Pátria, n.° 2040 Centro CEP. n.° 14.801320, com o ramo de "PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS DE ANESTESIA, ANALGESIA E INALOTERAPIA" sob a denominação social de "SAARA ANESTESIA, ANALGESIA E INALOTERAPIA S/S LTDA." com contrato social devidamente registrado e arquivado perante o 1º Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas da Comarca de Araraquara, SP, sob n.° 249 em 06/04/1.982, e posteriores alterações de n.°s 01 e 02 ambas m 30/01/1.987, n.° 03 em 13/10/1.989, n.° 04 em 08/10/1.998, n.° 05 registrada sob o n.° 38.882 em 20/05/2.004, e a última sob o n.° 38976 em 30/07/2.004. Ficou justo e combinado Fl. 509DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 451 36 por este instrumento e na melhor forma de direito, a alteração de seu contrato social, que sofrerá as modificações, que mutuamente aceitam e outorgam, a saber: I) A sociedade que girava sob a modalidade de Sociedade Simples Limitada, sob a denominação social de "SAARA ANESTESIA, ANALGESIA EINALOTERAPIA S/S LTDA.", que possui sua sede social nesta cidade de Araraquara, SP, à Rua Voluntários da Pátria, n.° 2040 Centro CEP. n.° 14.801 320, neste ato e por este instrumento passa a girar sob a modalidade de "SOCIEDADE SIMPLES PURA", regida pelas cláusulas deste contrato e pelos artigos 997 ao 1.038 da Lei Federal n.° 10.406/2.002 – Código Civil, sob a denominação social de "SAARA ANESTESIA, ANALGESIA E INALOTERAPIA S/S." II) Por este ato e por este instrumento, deliberam as partes em alterar a razão social da empresa para "SAARA ANESTESIA E ANALGESIA S/S." III) Pelo presente instrumento, deliberam as partes em alterar o objetivo da sociedade, que passa a ser a : "ATIVIDADE MÉDICOHOSPITALAR, ESPECIALIZADAS NAS ÁREAS DE ANESTESIA E ANALGESIA ." III) Parágrafo Único da Cláusula Segunda: A direção, organização, assistência e execução dos serviços médicos são de inteira responsabilidade dos sócios, profissionais devidamente habilitados, os quais terão ampla e total autonomia no desempenho de suas funções técnicoprofissionais. Restou comprovado assim que a Recorrente é uma sociedade simples e por essa razão não pode usufruir do coeficiente de apuração do lucro presumido para fins determinação dos tributos, ainda que se dedique à prestação de serviços hospitalares. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. 2ª Condição – Normas da Anvisa A Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n° 50, de 21 de fevereiro de 2002 e alterações determina: Parte II [...] 2.1 – Atribuições de Estabelecimentos Assistenciais [...] 1 Prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia atenção à saúde incluindo atividades de promoção, prevenção, vigilância à saúde da comunidade e atendimento a pacientes externos de forma programada e continuada; 2 Prestação de atendimento imediato de assistência à saúde atendimento a pacientes externos em situações de sofrimento, sem risco de vida (urgência) ou com risco de vida (emergência); 3 Prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação atendimento a pacientes que necessitam de assistência direta programada por período superior a 24 horas (pacientes internos); Fl. 510DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 452 37 4 Prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde (contato direto); 5 Prestação de serviços de apoio técnico atendimento direto a assistência à saúde em funções de apoio (contato indireto); 6 Formação e desenvolvimento de recursos humanos e de pesquisa atendimento direta ou indiretamente relacionado à atenção e assistência à saúde em funções de ensino e pesquisa; 7 Prestação de serviços de apoio à gestão e execução administrativa atendimento ao estabelecimento em funções administrativas; 8 Prestação de serviços de apoio logístico atendimento ao estabelecimento em funções de suporte operacional. As quatro primeiras são atribuições fim, isto é, constituem funções diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde. As quatro últimas são atribuições meio para o desenvolvimento das primeiras e de si próprias. [...] 3 DIMENSIONAMENTO, QUANTIFICAÇÃO E INSTALAÇÕES PREDIAIS DOS AMBIENTES [...] A presente norma não estabelece uma tipologia de edifícios de saúde, como por exemplo posto de saúde, centro de saúde, hospital, etc., aqui se procurou tratar genericamente todos esses edifícios como sendo estabelecimentos assistenciais de saúde EAS, que devem se adequar as peculiaridades epidemiológicas, populacionais e geográficas da região onde estão inseridos. Portanto, são EASs diferentes, mesmo quando se trata de edifícios do tipo centros de saúde, por exemplo. O programa arquitetônico de um centro de saúde irá variar caso a caso, na medida em que atividades distintas ocorram em cada um deles. Desta forma, as diversas tabelas contidas no documento permitem que sejam elaborados programas arquitetônicos dos mais diversos. Para tanto se deve, a partir da definição da listagem das atividades que o EAS irá realizar, escolher os ambientes próprios para realização das mesmas. Assim, identificandose na listagem de atribuições/atividades do capítulo 2 o número da atividade que se irá realizar, devese procurar na primeira coluna de cada tabela esse número e consequentemente o ambiente correspondente àquela atividade. Exemplo: caso tenhase definido que o EAS executará a atribuição de internação e mais precisamente as atividades de internação de pacientes em regime de terapia intensiva, devese procurar a tabela de unidade funcional internação, subgrupo internação intensiva. Nesta tabela serão encontrados os ambientes fins “relativos à UTI/CTI. Logicamente um programa arquitetônico de uma UTI não será composto somente por esses ambientes. Portanto, devese procurar nas tabelas relativas as atividades de apoio os ambientes complementares, como por exemplo banheiros, copas, etc. Esses ambientes encontramse listados abaixo das tabelas, com a denominação ambientes de apoio. Embora intimada mediante o Termo de Início de Fiscalização, a Recorrente apresentou tãosomente o documento de Licença de Funcionamento da Prefeitura de Araraquara, fls 136, que não supre a comprovação de que preenche os requisitos do subitem 2.1 da Parte II da RDC da Anvisa nº 50, de 2002. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 453 38 Ainda a Recorrente não comprova ter a estrutura física de um estabelecimento assistencial de saúde que atenda os requisitos do item 3 da Parte II da RDC da Anvisa nº 50, de 2002. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto em parte. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, está justificada em parte. Argumentos Congruentes A Requerente requer que seja deferida a sustentação oral. Em conformidade com as normas processuais, na sessão, o julgamento de cada recurso é facultado à Recorrente ou ao seu representante legal fazer sustentação oral por quinze minutos, prorrogáveis por igual período. Essa prerrogativa regimental em segunda instância de julgamento no CARF dos recursos que versem sobre aplicação da legislação referentes a tributos administrados pela RFB tem como fundamento de validade os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes13. A pretensão aduzida pela defendente tem possibilidade jurídica, desde que observadas as formalidades legais. A Requerente solicita que seja intimada por meio do seu representante legal. Tendo como fundamento os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes há previsão de julgamento em segunda instância no CARF dos recursos que versem sobre aplicação da legislação referente a tributos administrados pela RFB14. O pressuposto é de que a intimação por via postal válida é efetivada, com prova de recebimento pessoal ou no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, ainda que eletrônico. Por esta razão é que a Recorrente deve ser notificada dos atos no seu domicílio fiscal. A pretensão aduzida pela defendente não tem possibilidade jurídica por não estar contemplada nas formalidades legais. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de 13 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de maço de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 55 e art. 58 do Regimento Interno do CARF. 14 Fundamento legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de maço de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 454 39 jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador15. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, nos estritos termos no art. 142 do Código Tributário Nacional. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais o ato administrativo está regularmente motivado, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos de modo explícito, claro e congruente, em conformidade com a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 199916. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado na decisão de primeira instância de julgamento administrativo e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento, pois não se caracterizou a suposta ausência de motivação, já que foram rigorosamente observados os princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, e se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês17. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais, nos termos da Súmula CARF nº 4. Por conseguinte, os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 15 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. 16 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 17 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 455 40 recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.200918 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF19. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado. No lançamento de ofício está afastada a aplicação da multa de mora que pressupõe o pagamento espontâneo do tributo antes do início de qualquer procedimento fiscal em relação à matéria e ao período tratados nos autos20. Temse que a multa de ofício proporcional pode ser reduzida nos seguintes percentuais, se o sujeito passivo, uma vez notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício: – 50% (cinquenta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; – 40% (quarenta por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; – 30% (trinta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância; e – 20% (vinte por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância21. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito e a Recorrente não efetuou o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício até a notificação da decisão administrativa de primeira instância, de modo 18 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 19 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 20 Fundamentação Legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 21 do Decretolei nº 401, de 30 de dezembro de 1968, bem como art. 7º do Decreto 70. 235, de 06 de março de 1972. 21 Fundamentação legal: art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 14 de julho de 2007 e art. 6º Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991 com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 456 41 que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso22. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade23. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por (1) negar provimento ao recurso voluntário em relação à exigência de IRPJ e (2) dar provimento em parte ao recurso voluntário em relação à exigência de CSLL para exonerar o crédito tributário referente aos anoscalendário de 2007 e 2008. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 22 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 23 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 457 42 Fl. 516DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10508.001143/2007-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 17/01/2001, 23/04/2001, 23/07/2001, 22/02/2002, 09/09/2002, 19/11/2002
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Provido
Súmula CARF nº 4
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 3102-001.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Winderley Morais Pereira.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Relator.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Jacques Maurício Veloso.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 17/01/2001, 23/04/2001, 23/07/2001, 22/02/2002, 09/09/2002, 19/11/2002 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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CONTAGEM DE PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. AUSÊNCIA. REGRA GERAL. No caso de tributos cujo lançamento processase por homologação do pagamento, a extinção do crédito sob condição resolutória depende da efetiva antecipação do pagamento, sem a qual o próprio lançamento não operase, restando regulado pelas disposições contidas no artigo 173. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE. Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC. Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 17/01/2001, 23/04/2001, 23/07/2001, 22/02/2002, 09/09/2002, 19/11/2002 REGIME ADUANEIRO DE DRAWBACK SUSPENSÃO. MATÉRIA PRIMA IMPORTADA. PRODUTO EXPORTADO. VINCULAÇÃO FÍSICA. OBRIGATORIEDADE. Na comprovação do adimplemento do Regime Aduaneiro de Drawback suspensão será exigida a comprovação de que a matériaprima importada foi utilizada na fabricação da mercadoria exportada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 00 11 43 /2 00 7- 66 Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/01/2001, 23/04/2001, 23/07/2001, 22/02/2002, 09/09/2002, 19/11/2002 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Winderley Morais Pereira. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Jacques Maurício Veloso. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Do lançamento Tratase de lançamento do Imposto sobre as Importações — II, acrescido dos juros de mora previstos no art. 61, § 3°, da Lei 9.430/96, bem como da multa de ofício tipificada no inciso I do art. 4° da Lei n° 8.218/91, combinada com o inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96, perfazendo, na data da autuação (25/12/2007), crédito tributário no valor total de R$ 18.860.953,56. Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10508.001143/200766 Acórdão n.º 3102001.766 S3C1T2 Fl. 1.599 3 A ação fiscal teve por objeto 6 (seis) atos concessórios de drawback suspensão (nºs 601/0000037, 297801/0000210, 297801/0000296, 20020019254, 20020124600 e 20020179677 — conforme fls. 166), cujo exame demonstrou o descumprimento parcial do regime, posto que os insumos importados não teriam sido aplicados integralmente nos bens exportados, tendo sido apurada ofensa ao princípio da vinculação física, cuja observação, segundo a autoridade lançadora, seria obrigatória por força do disposto no artigo 314, inciso I, do Regulamento Aduaneiro ,à época vigente (Decreto n° 91.030, de 05/03/1985). No Termo de Verificação Fiscal de fls. 175/209 (parte integrante do auto de infração de fls. 165/210), a auditora fiscal autuante, depois de abordar questões atinentes ao procedimento fiscal em si e de trazer aspectos legais relacionados ao incentivo de drawback suspensão, tratou do princípio da vinculação física como um requisito fundamental ao gozo do regime, tendo justificado tal entendimento no artigo 78, inciso II, c/c art. 75, inciso I, ambos do Decretolei n° 37/66, no artigo 21 da Portaria SECEX n° 04/1997, e no Parecer Normativo CST n° 12/1979. Ressalta que a necessidade de obediência a dito princípio mantevese inalterada pelo legislador, posto que o mesmo continuou vigente no artigo 341 do Regulamento Aduaneiro de 2002. Nesse diapasão, ressaltou que a empresa fiscalizada se deszelou da observação do referido princípio, tendo constatado, baseada em informações fornecidas pela própria empresa, que esta (v. fls. 180): [..] 1) não segrega estoques de amêndoas de cacau adquiridas no mercado interno (cacau Bahia) daquelas adquiridas no exterior, com incentivo fiscal; 2) abastece a sua linha de produção de forma aleatória, ora com cacau Brasil, ora com cacau África, ora com cacau Indonésia, ora com a mistura de dois, ou mesmo, dos três tipos de cacau, sem estabelecer qualquer fator de proporcionalidade entre as quantidades de um e outro produtos (% de mistura); e que, finalmente, 3) não segrega, da linha de produtos acabados, aqueles destinados à exportação daqueles que seguirão para o mercado interno; [.. ] Diante de tais constatações assevera que "[..] a única conclusão plausível a que se pode chegar é a de que, necessariamente, uma parte dos insumos importados com o incentivo fiscal, que integra (fisicamente) os produtos industrializados pelo beneficiário do regime, não é destinada à exportação, mas, vendida no mercado interno ou recebendo outra destinação qualquer, em operações, é certo, não vinculadas à exportação. Tratase o raciocínio em questão, não de mera conjetura, mas da aplicação, ao caso concreto, de princípios experimentados pelas ciências exatas, assegurados pelas leis da física e da matemática" (grifos e destaques do original — fls. 180). Por conta de tais conclusões, a autuante estimou os quantitativos de matériaprima importada não utilizada na industrialização dos produtos exportados, portanto, destinados indevidamente ao mercado interno, estimativa esta que foi baseada, principalmente, nos dados constantes do documento denominado pelo sujeito passivo de "Controle da Produção e do Estoque" (fls. 128/164), bem como de dados extraídos do sistema SISCOMEX, conforme descrito às fls. 180/181 dos autos. Depois de trazer jurisprudência administrativa concernente à necessidade de observação do princípio da vinculação física no regime de drawback (cf. fls. 181/182), a auditora fiscal responsável pelo lançamento aborda a contagem do prazo decadencial inerente ao direito de a Fazenda Pública examinar o adimplemento do regime e que, segunda referida autoridade, deverá observar a regra do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (v. fls. 182). Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 No tópico relacionado às irregularidades e infrações apuradas (fls. 183/186), a autoridade lançadora descreve, de forma mais detalhada, os problemas que culminaram com o lançamento tributário objeto da lide, com destaque para os seguintes pontos: a) a empresa não efetuava nenhum controle das amêndoas de cacau com base na sua origem, as quais eram misturadas indiscriminadamente para alimentar seu processo produtivo; b) os produtos industrializados não eram submetidos a "[...] qualquer tipo de seleção/segregação no que diz respeito à produção destinada à exportação ou ao mercado interno"; c) a autuada "[...] mantinha uma única linha de produção, que se iniciava com a limpeza das amêndoas e se encerrava com a embalagem dos produtos industrializados [...]" d) "[...] durante o processo produtivo, todas as amêndoas de cacau (importadas e nacionais) se fundem transformandose em uma massa de cacau denominada liquor. O liquor, além de ser um dos produtos acabados integrantes da linha de produção da empresa, é a base para a produção dos demais itens comercializados pelo contribuinte, a saber: manteiga de cacau; pó de cacau e torta de cacau". Diante dos fatos acima relatados, concluiu a autoridade fiscal que "[...] ocorreu substituição, nas operações vinculadas aos AC, da matériaprima importada pela nacional, e, nas vendas não vinculadas, da matériaprima nacional pela importada com beneficio fiscal", fato este que caracterizaria" [...] desvio da finalidade da matéria prima importada com o beneficio da suspensão dos tributos, uma vez que esta deveria ter sido total e exclusivamente utilizada, em sua identidade fisica, na produção dos produtos exportados em cumprimento aos compromissos assumidos perante os Atos Concessórios sob fiscalização". Mais adiante, se contrapõe aos argumentos da fiscalizada no sentido de que as amêndoas de cacau nacionais e importadas não necessitariam estar submetidas a controle de estoque em separado por se tratarem de matériasprimas fungíveis, ressaltando, nesse sentido, a obrigatoriedade legal de observação do princípio da vinculação física, devendo as normas relacionadas à isenção tributária ser submetidas a interpretação literal. Posteriormente, descreve com maiores detalhes o procedimento através do qual fora estimado o percentual de utilização das amêndoas de cacau importadas nos produtos industrializados pela empresa, tendo se baseado, para tanto, numa média ponderada obtida a partir das entradas e das saídas dos insumos durante um período de três anos (ver fls. 184/186). Essa metodologia redundou na elaboração do Anexo III, intitulado "Índice de Utilização de Insumos Importados (Amêndoas de Cacau)" (fls. 206/207), onde está consignado o percentual de 37,26%, que foi considerado como "[..] o percentual de matériaprima importada com incentivo fiscal efetivamente empregado/consumido na industrialização dos produtos comercializados pelo contribuinte (indistintamente se destinados ao mercado interno ou ao externo)". Com base nesse percentual foi estimada a quantidade de amêndoas importadas que não foi aplicada nas operações de exportação vinculadas a cada ato concessório examinado (conforme Anexo IV — fls. 208), tendose utilizado para tanto, além do citado percentual de 37,26%, "[..] dos índices de relação entre os fatores `insumos importados' e produtos exportados', obtidos a partir dos dados fornecidos pela empresa quando da solicitação de concessão do regime perante a SECEX". Finalmente, diante dos quantitativos dos insumos importados não aplicados nos Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10508.001143/200766 Acórdão n.º 3102001.766 S3C1T2 Fl. 1.600 5 produtos exportados (representativos da inadimplência parcial do regime), foram levantadas as bases de cálculo do Imposto sobre as Importações II inerentes a cada DI — conforme demonstrado no Anexo V (fls. 209) —, sobre as quais foram aplicadas as alíquotas incidentes à época de cada importação, nos termos do demonstrativo de apuração do imposto (fls. 169/171), bem como da multa e dos juros de mora (fls. 172/175). Da impugnação Cientificada do lançamento em 27/12/2007 (fls. 211), a autuada insurgiuse contra a exigência, tendo apresentado, em 24/01/2008, a impugnação de fls. 225/274 (vol. II), onde, após descrever os fatos (fls. 225/234), apresenta suas razões de defesa, na sequência relatadas. Em sede de preliminar, aduz que a lavratura do auto de infração seria descabida, posto que os créditos tributários objeto do mesmo já teriam sido previamente constituídos através de termo de responsabilidade. Fundamenta sua tese em jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça (conf. fls. 235), nos artigos 674 e 676 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 4.543, de 26/12/2002), e no artigo 368 do Regulamento do IPI (Decreto n° 4.544/2002). Defende que os créditos tributários objeto da lide teriam sido "reconstituídos", fato este que ensejaria a declaração da insubsistência dos mesmos, "[.,] pois se mantidos gerariam uma dupla constituição do crédito tributário". Ainda em sede de preliminar, e depois de colacionar os princípios insculpidos no artigo 2% caput, e incisos VI, VII, IX e X da Lei n° 9.784/99, assevera que o procedimento de fiscalização conduzido contra si teria maculado os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, posto que, se por um lado "[...] foi levado a efeito por 2 (dois) anos, de janeiro de 2006 a dezembro de 2007, para análise de milhares de documentos e informações", por outro lhe fora concedido "[..] o exíguo prazo de 30 (trinta) dias para a defesa [...]", prazo este tido como insuficiente pela impugnante em face de um trabalho fiscal com a aludida envergadura. Critica a concentração do lançamento que, no seu pensar, deveria haver sido subdividido em grupos menores de DI, cenário que, se houvesse sido adotado, teria permitido à autuada exercer seu amplo direito de defesa. Contudo, a opção por concentrar a persecução dos créditos tributários em um único ato, além de desarrazoada e desproporcional à estreita via de defesa, encerrou em nítido cerceamento ao amplo direito de defesa, contrariando a CF188 e a Legislação Federal. (conforme fls. o 238). Tais fatos ensejariam a nulidade do lançamento. No entanto, se este entendimento não for acolhido pelas autoridades julgadoras, afirma que "[...] a impugnante apresentará sua defesa, esclarecendo, entretanto, que não será possível, pelas limitações já consignadas, refutar ponto aponto o trabalho fiscal, no grau de detalhamento que seria de se esperar". A nulidade do lançamento seria justificada também pelo equívoco da autoridade lançadora ao mencionar código NÇM que "[.,] nada tem a ver com a amêndoa importada pela Impugnante" (código 8101.00.00 outros metais comuns, ceramais; obras dessas matérias), já que a mercadoria importada — amêndoas de cacau —, é classificada no código NCM 1801.00.00 (cacau inteiro ou partido, bruto ou torrado). Noutra linha de argumentação, a reclamante aduz que a Receita Federal do Brasil não seria competente para imputar a inadimplência do compromisso de exportar vinculado a ato concessório de drawback, posto que tal competência seria Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 da SECEX que, aliás, teria homologado o cumprimento integral do regime por parte do sujeito passivo. Fundamenta seu argumento no artigo 2° da Portaria MEFP n° 594, de 25/08/1992, assim como na Portaria SECEX n° 4, de 11/06/1997. Ressalta que [...] os órgãos de controle do comércio exterior, nos termos do artigo 328, do RA185, dispunham de livre acesso, a qualquer tempo, à escrituração fiscal e aos documentos contábeis da empresa, bem como ao seu processo produtivo, a fim de possibilitar o controle da operação. Portanto, havendo a SECEX, órgão competente para tanto, verificado o adimplemento do compromisso de exportar, não cabe ao Fisco desconsiderar tal conclusão e exigir tributo indevido. Admitir tal hipótese contrairia as normas legais que delegam competência exclusiva à SECEX. Assim, enquanto não informado pela SECEX à RFB o inadimplemento do compromisso de exportar, a RFB está impedida de exigir o pagamento de qualquer tributo. Posto isso, diante da incompetência da RFB para alegar o inadimplemento dos compromissos assumidos pela beneficiária para a concessão do Regime de Dr~back (compromissos estes que já foram homologados pela SECEA), imperiosa se torna a decretação de nulidade do presente Auto de Infração. Com esteio no item 27.3 do Comunicado DECEX n° 21, de 11/07/1997, defende que a ação fiscal encontrarseia maculada pela "[...] ausência de diligência que lhe é imprescindível, qual seja, a comunicação formal, pelo SECEX ou pelo Banco do Brasil [...] quanto ao descumprimento do Regime de Drawback, ou, pelo menos, a busca de qualquer elemento que suprisse tal falta". A falta do comunicado da SECEX, que seria prérequisito para o início da ação fiscal, tornaria o lançamento "nulo de pleno direito". No item II.5 de sua impugnação (fls. 241/244) a reclamante propugna pela extinção, por decadência, do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Nesse sentido, aduz que deveria haver sido aplicada ao caso a regra do artigo 150, § 4% do CTN, e • que, considerando tal disciplinamento, já estaria extinto o direito da Fazenda Pública relativamente a todas as DI objeto da lide. Traz em sua defesa jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do STJ, ressaltando que não haveria previsão expressa capaz de autorizar a suspensão do prazo decadencial nos casos de incentivo condicionado, como no caso do drawback. Adicionalmente, alega que, mesmo se considerada a regra de suspensão do prazo decadencial utilizada pela autoridade lançadora, também teria sido extinto o direito relativamente aos atos concessórios ri' 601/0000037, 297801/0000210 e 2978 01/000029 6, cujos prazos de vencimento foram, respectivamente, em 28/06/2002, em 03/10/2002, e em 21/12/2002. Assim, e com base na regra do art. 150, § 4% do CTN, a decadência se consumara, na mesma ordem dos citados atos concessórios, em 28/06/2007, em 03/10/2007 e em 21/12/2007. Finalmente, ainda no tocante a decadência, ressalta que a autoridade lançadora, no cálculo dos juros de mora, considerou" “ [...] a data do fato jurídico tributário, e não do vencimento do Ato Concessório, fato este que comprova que o prazo para a constituição do crédito tributário (decadência) começou a contar justamente da data da ocorrência do fato jurídico tributário. Se assim não fosse, os juros de mora só deveriam incidir a partir da data do vencimento do Ato Concessório". A autuada entende que o lançamento "[..] é nulo também por ser ilíquido e incerto [...]", e estaria, portanto, em desacordo com o art. 142 do CTN. A alegada iliquidez e incerteza seria decorrente do método estimativo adotado pela autoridade Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10508.001143/200766 Acórdão n.º 3102001.766 S3C1T2 Fl. 1.601 7 lançadora para compor a base de cálculo do imposto, critério este que seria estranho à legislação tributária de regência. Nos argumentos expendidos às fls. 244/250 ressalta a autuada que a auditora fiscal responsável pelo lançamento não poderia ter feito uso de "[..] princípios experimentados pelas ciências exatas, assegurados pelas leis da física e da matemática ", para compor a base de cálculo do tributo, posto que "[..] a Ciência do Direito não é regida pelas leis da física e da matemática, mas, sim, pelas normas jurídicas, constantes dos textos de Direito Positivo, razão pela qual deveria valerse de atos normativos [..]para compor a base de cálculo do tributo supostamente devido [...]". Alega que o uso de estimativas representaria verdadeira confissão de que o trabalho fiscal "[..] carece de precisão e de exatidão [...]", o que tornaria "[..] o crédito tributário totalmente ilíquido e incerto e, sem qualquer critério legal, mas, sim, com critério elaborado de forma pessoal, baseados nos seus [da fls 11 próprios entendimentos físicos e matemáticos". Transcreve trechos do relatório fiscal onde a metodologia de levantamento da base de cálculo do imposto é descrita, e ressalta que aludida metodologia fere "[..] princípios basilares do sistema jurídico tributário, como o da estrita legalidade, da vinculação dos atos administrativos, da verdade material, da segurança jurídica, da capacidade contributiva etc. ". Cita a obrigatoriedade de o lançamento tributário contemplar a matéria tributável e o cálculo do montante do tributo devido (art. 142 do CTN), e assevera que "[..] (o lançamento não pode ser feito deforma estimada, como ocorreu no presente caso)". Ainda no tocante à alegada iliquidez e incerteza do crédito tributário formalizado contra a autuada, esta colaciona jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do STJ (fls. 248) que, entende, corrobora seus argumentos, e ressalta que a necessidade da liquidez e certeza se deduz, também, diante desses requisitos representarem condição essencial para a inscrição dos créditos tributários na Dívida Ativa da União. Nesse sentido, reproduz jurisprudência do STJ segundo a qual o extravio do processo administrativo fiscal correspondente torna inexeqüível o título representativo da dívida ativa, por cercear o direito de defesa do executado. Contesta, ao final, os valores apurados pela fiscalização, e requer "[...] seja anulada a autuação em razão da ausência de liquidez e certeza”. No tópico III de sua impugnação, a reclamante, depois de fazer uma breve introdução concernente ao regime de drawback, afirma haver cumprido com todas as obrigações que lhe foram legalmente impostas, de sorte que "O órgão competente para a concessão do Regime de Drawback considerou válida (sic) as comprovações apresentadas pela Impugnante, mas a RFB, que não detém competência, considerou o Regime inadimplido". A conclusão "imediata” seria, pois, "[..] que o regime deferido foi plenamente cumprido. No ítem III. 1.1 da contestação da reclamante (fls. 253/268) são abordados questionamentos através dós quais esta defende ser inadmissível o princípio da vinculação física associado ao drawback, tendo ressaltado, também a fungibilidade existente entre os insumos provenientes de diferentes fontes, e utilizados no seu processo produtivo. Primeiramente, depois de resumir o entendimento da autoridade lançadora sobre a questão, aduz que o cumprimento dos compromissos assumidos no âmbito do regime de drawback suspensão "[.. ] em nada depende da vinculação física absoluta de um determinado insueto importado, por exemplo, a outro bem exportado, até porque, com relação a alguns bens, tal vinculação se torna inviável, por conta de sua própria natureza e do tipo de processo produtivo ao qual está Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 sujeito”. Cita exemplo de industrialização de produto com insumos fungíveis, destacando a falta de razoabilidade de se exigir a separação de tais insumos apenas com base em sua procedência. E defende que a matériaprima utilizada no seu processo industrial seria fungível, o que tornaria desnecessária a segregação da mesma, além de não ser viável operacionalmente e, principalmente, por dita separação não ser exigida pela lei que rege o regime de drawback. Alega que o item 26 do Comunicado DECEX n° 21/97 prevê apenas a exportação do "[..] produto previsto em valor, quantidade e dentro do prazo fixados", requisitos os quais teriam sido plenamente observados pela beneficiária do regime, a qual, inclusive, teria extrapolado em muito o montante por exportar comprometido. Em sintonia com sua tese, reproduz excertos de voto da relatora Susy Gomes Hoffmann, quando do julgamento do Recurso Voluntário n° 133.853, no âmbito do Terceiro Conselho de Contribuinte (conf . fls. 256/258). E ressalta que a legislação em que se fundamentou a autoridade lançadora (art. 78, II, do Decreto lei n° 37/66, art. 314, I, do RA/85, e art. 319 do RA 2002, por exemplo) não exigiria "[...] os controles apontados pela Autoridade Fiscal, muito menos dispõe acerca da necessidade de que haja vinculação física efetiva entre o insumo importado, amparado pelo benefício fiscal, e o produto exportado, quando se trata de bens fungíveis". Ressalta também não haver infringido o artigo 75, parágrafo 1°, do Decretolei n° 37/66, que exige apenas "a utilização dos bens dentro do prazo da concessão e exclusivamente nos fins previstos", nem o disposto no artigo 21 da Portaria SECEX n° 04/97, que determina apenas "[..] que sejam exportados produtos na quantidade e valor determinados no AC, o que foi efetuado pela Impugnante". Ressalta também que o Parecer Normativo CST n° 12/79 não poderia se sobrepor à lei. Aduz ainda o seguinte, verbis: No que tange à alegação da Autoridade Fiscal no sentido de que o CTN, em seu artigo 179, e o RA185, em seu artigo 134, determinam que o beneficiário do Regime, a fim de obter o reconhecimento do beneficio e conseqüentemente exclusão do crédito tributário por isenção, deve fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão', a despeito da ausência de pertinência das referidas citações com a matéria ora em debate, também é totalmente inoportuna, uma vez que a Impugnante fez prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei em relação ao Regime Especial de Drawback de que se beneficiou. Tanto o fez que o órgão competente para tanto efetuou a baixa do beneficio por considerálo cumprido. Aduz que a exigência de controle dos insumos em separado, por não estar prescrita em lei, representaria ofensa ao princípio constitucional da legalidade (art. 5% inciso II, da Constituição Federal). Afirma que, apesar de anteriormente ser exigida a observação do princípio da vinculação física, tal exigência decorria da confusão do incentivo de drawback como favor fiscal — que exigiria interpretação literal (CTN, art. 111) —, e não como incentivo à exportação, entendimento aceito hoje, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes, reproduzida às fls. 260/261. Utiliza tais argumentos para criticar a aplicação ao caso concreto da interpretação literal objeto do artigo 111 do CTN, e alega que o disposto no Ato Declaratório COSIT n° 20, de 17/05/1996, permitiria o uso de matériaprima nacional em substituição à importada, no âmbito do drawback, e desde que em quantidade e qualidade equivalente, não configurando, tal uso, um desvio de finalidade. Colaciona jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais que já teria se manifestado "[..] no sentido de que a ausência ou imprecisão na vinculação física das mercadorias não descaracteriza o Regime" (v. fls. 262/265), e cita diversos acórdãos dos Conselhos de Contribuintes, além de reproduzir excertos de Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10508.001143/200766 Acórdão n.º 3102001.766 S3C1T2 Fl. 1.602 9 julgados do STJ e do TRF da 4' Região, que teriam adotado semelhante entendimento (cf. fls. 265/267). Alega que os documentos emitidos pela SECEX e o disposto no artigo 18 da Portaria DECEX n° 24/92 não implicavam afirmar que o órgão anuente do regime desconhecia que os insumos importados seriam misturados aos nacionais no processo de fabricação dos produtos exportados, e que, caso a realização da mistura tivesse sido expressa, a SECEX teria majorado os compromissos de exportação. A justificativa para tanto seria decorrente da aprovação, pela SECEX, dos "[..] pleitos de baixa dos ACs, mediante a comprovação efetiva das exportações e das entradas de divisas compromissadas". No item 111. 1.2 se sua defesa (fls. 269/270), a reclamante aduz que cumpriu efetivamente com o fim objetivado na concessão do regime de drawback, posto que "[..] exportou os produtos exatamente na quantidade e prazos a que havia se comprometido”. Ressalta também, textualmente: Ademais. a D. Autoridade Fiscal Autuante cometeu um equívoco ao utilizar, na realização de seus cálculos, apenas os dados referentes à ( sic) exportações vinculadas aos ACs, quando, conforme era do conhecimento da referida autoridade, a ImpuPnante efetuou muito mais exportações durante o período de validade dos ACs em questão (nos anos de 2001 a 2004). Ou seja, a Autoridade Fiscal deveria ter levado em consideração na realização de seus cálculos a totalidade das exportações realizadas nela Impurnante no período em questão. Assim, para que uma pá de cal paire sobre o assunto, o empenho da Impugnante torna possível verificar a composição do sobredito resultado, exportação a exportação que foi realizada, tonelada a tonelada que foi remetida para o exterior! Neste sentido, confirase a planilha anexada à presente (doc. 13). Portanto, a Impugnante demonstra através da planilha (doc. 13 que ainda aue considerado o índice apurado nela Autoridade Fiscal de 37.26% exportou muito além do que havia se comprometido, de modo a consolidar de forma intransponível tudo o quanto se fundamenta para demonstrar a infelicidade do lançamento impugnado. Exemplificando, utilizando o índice apontado pela D. Autoridade Fiscal (37,;26%), verificase que a Impugnante deveria ter comprovado a exportação'de,13t051 toneladas de produtos acabados para o adimplemento do AC n 6011000003 ~ no período ali mencionado (primeira linha da planilha que consolida todos os cálculos). Ocorre que, conforme se depreende da planilha anexa (doc. 13),¡ a qual contém a totalidade das exportações realizadas pela Impugnante para este per=íodo, a quantidade de produtos exportados (27.876 toneladas) é muito superior àquela a qual a Impugnante se comprometeu quando da concessão do AC em comento, o que resulta em um excedente positivo de 14.825 toneladas favoravelmente à Impugnante. No entanto, conforme consta da coluna "C" do Anexo IV do Termo de Verificação Fiscal de 24.12.2007, a D. Autoridade Fiscal se limitou a considerar, para a realização de seus cálculos, no que tange ao AC em comento, a quantidade de 6.156,443 toneladas, quando deveria ter considerado a totalidade das exportações da Impugnante para o período de validade do AC em questão. Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 10 A superioridade das exportações em questão decorre de que a Impugnante tem por atividade preponderantemente a exportação de produtos, conforme se constata da análise de seus balancetes e de suas Declarações de Imposto de Renda (DIPI) relativas aos anos de 2001 a 2004, as quais demonstram que as receitas auferidas pela Impugnante são principalmente advindas de operações realizadas no âmbito do comércio exterior (docs. 14 a 17). Por fim, a Impugnante informa que juntou apenas, a título exemplificativo, algumas cópias dos REs demonstrando as exportações que realizou de 2001 a 2004, período dos ACs (doc, 18). No entanto, ressalta que devido ao volume da totalidade dos REs relacionados ao referido período não efetuou ajuntada de todos, mas os disponibiliza em sua sede para que qualquer perícia fiscal possa efetuar tal checagem. Com respeito à taxa SELIC (objeto do tópico IV da defesa da reclamante), alega que a mesma não poderia ser utilizada como juros moratórios incidentes sobre débitos tributários, posto que sua natureza seria meramente de remuneração do capital investido pelo aplicador em títulos da dívida pública federal, função para a qual fora criada. Baseada em entendimentos doutrinários, defende que referida taxa desrespeita o mandamento contido no § 1º do artigo 161 do Código Tributário Nacional, e ainda, que iria de encontro ao princípio da reserva legal contido no artigo 5% inciso I, da Constituição Federal, posto que não fora criada por lei, mas por resoluções do BACEN. Reforça seus entendimentos com respeitáveis entendimentos doutrinários e jurisprudenciais (vide fls. 271/273). Requer seja realizada perícia contábil, indicando como seu perito o contador Jairo Silva de Araújo, brasileiro, RG n° 1.269.682, CPF/MF n° 218.564.86591, CRC n° 15.978/07, tendo elaborado, para tanto, os seguintes quesitos (cf. fls. 273/273): (i) Relativamente ao cálculo efetuado pela D. Autoridade Fiscal, favor esclarecer quais exportações foram consideradas se apenas as exportações vinculadas aos ACs em comento ,ou todas as exportações realizadas, no período, pela Impugnante? (ii) Se apenas as exportações vinculadas aos ACs foram consideradas para efeito do cálculo apresentado pela D. Autoridade Fiscal, caso tivesse sido considerada a totalidade das exportações realizadas pela Impugnante, a conclusão seria diferente daquela apresentada pela Fiscalização? (iii) Por fim, na hipótese do quesito (ii), é possível concluir que houve cumprimento, em sua totalidade, do Regime de Drawback relativo aos ACs em comento, considerando a totalidade das exportações realizadas pela Impugnante no período? Finalmente, depois de protestar pela eventual necessidade de formulação de quesitos suplementares, e com base nos fundamentos acima relatados, requer seja julgado improcedente o lançamento formalizado através do auto de infração objeto da lide. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/01/2001, 23/04/2001, 23/07/2001, 22/02/2002, 09/09/2002, 19/11/2002 Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10508.001143/200766 Acórdão n.º 3102001.766 S3C1T2 Fl. 1.603 11 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. REQUISITO DO TÍTULO EXECUTIVO. Liquidez e certeza se diz em relação ao título executivo derivado do crédito tributário lançado e definitivo, quando aí este passa a gozar da presunção relativa de liquidez e certeza, podendo, a partir de então, ser executado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/01/2001, 23/04/2001, 23/07/2001, 22/02/2002, 09/09/2002, 19/11/2002 IMPUGNAÇÃO. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. MATÉRIA DE OBSERVAÇÃO COMPULSÓRIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Independentemente da complexidade da ação fiscal, o prazo para apresentação da impugnação pelo sujeito passivo é de trinta dias, contados da data da intimação da exigência. Referido prazo é preclusivo, previsto em ato normativo com força de lei, sendo de observação compulsória por parte da autoridade administrativa, não podendo esta transigir quanto à sua aplicabilidade. Inexistência de cerceamento ao direito de defesa da impugnante. ERRO DE DIGITAÇÃO DE CÓDIGO NCM DE MERCADORIA. INEXISTÊNCIA DE QUALQUER PREJUÍZO AO ENTENDIMENTO COMPLETO DOS FATOS QUE MOTIVARAM O LANÇAMENTO. NULIDADE POR CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADA. A nulidade do lançamento por eventual cerceamento ao direito de defesa do autuado necessita seja demonstrada a ocorrência de prejuízo ao entendimento dos fatos e da fundamentação da autuação por parte do sujeito passivo. A mera inversão de dígitos no código NCM da mercadoria importada pela impugnante, constatada no relatório da fiscalização, não caracteriza cerceamento ao referido direito, principalmente diante de extensa e detalhada impugnação da reclamante demonstrando claro entendimento acerca de todas as razões que ensejaram a constituição de ofício do crédito tributário. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. RECUSA. Será indeferido o pedido de perícia quando os elementos que integram os autos demonstrarem ser suficientes para a plena formação de convicção e o conseqüente julgamento do feito. LANÇAMENTO. ABORDAGEM DE TODAS AS DEÇLARAÇOES DE IMPORTAÇÃO VINCÚLADAS AOS ATOS CONCESSÓRIOS DE DRAWBACK FISCALIZADOS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE POR CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA DA FISCALIZADA. O crédito tributário será formalizado em um único processo quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. Assim, deverão estar contempladas no mesmo processo todas as Declarações de Importação vinculadas aos atos concessórios de drawback fiscalizados. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 17/01/2001, 23/04/2001, 23/07/2001, 22/02/2002, 09/09/2002, 19/11/2002 Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 12 DRAWBACK SUSPENSÃO. FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL. A Secretaria da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos inerentes ao regime de drawback, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. DRAWBACK SUSPENSÃO. 1NADIMPLEMENTO DO REGIME. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO, SUJEITO A PRAZO DECADENCIAL, E NÃO PRESCRICIONAL. TERMO DE RESPONSABILIDADE FIRMADO NO ÂMBITO DO DRAWBACK. FALTA DOS REQUISITOS MINIMAMENTE NECESSÁRIOS À CARACTERIZAÇÃO DE UM LANÇAMENTO POR DECLARAÇÃO. MERO TERMO DE COMPROMISSO QUE ESTÁ EM DESUSO.IMPRÓPRIA COMPARAÇÃO COM A DCTF. A formalização de termo de responsabilidade no regime aduaneiro especial de drawback não tem o condão de constituir crédito tributário, posto que, diante das informações nele contidas, demonstra tratarse dito documento de mero termo de compromisso, que não traz as mínimas informações indispensáveis e necessárias à materialização de um lançamento por declaração, mesmo se associado às declarações de importação em que houve importação de insumos com suspensão tributária. É inapropriada a comparação do procedimento relacionado ao termo de responsabilidade firmado no Drawback suspensão com a DCTF, posto que no primeiro, por estarse diante de evento futuro e incerto — adimplemento ou não do regime —, nada se diz sobre eventuais créditos devidos; diferentemente, a DCTF representa confissão de créditos tributários devidos, líquidos e certos, passíveis de inscrição na dívida ativa da União. As importações vinculadas ao drawback suspensão são declaradas como isentas, sob condição resolutória, existindo inúmeras causas que podem redundar no inadimplemento ou no adimplemento apenas parcial do regime, as quais necessitam estar fundamentadas em auto de infração, sob pena de cerceamento ao direito de defesa do beneficiário do regime. Desde 2004 não mais se exige formalização de termo de responsabilidade nos regimes aduaneiros especiais de drawback suspensão e isenção. Referido termo somente foi mantido no drawback solidário, e, mesmo assim, totalmente desprovido dos mínimos requisitos necessários a um instrumento hábil a caracterizar um lançamento por declaração. Nos tributos incidentes sobre a importação, mesmo diante do regime aduaneiro especial de drawback, o lançamento é por homologação. A insuficiência ou inexistência do necessário pagamento pelo adimplemento parcial ou inadimplemento do regime requer que o crédito tributário seja constituído através de lançamento de ofício, com lavratura de auto de infração, sujeito, portanto, a prazo decadencial, e não prescricional. DRAWBACK SUSPENSÃO. PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial para o lançamento de ofício decorrente do descumprimento dos requisitos inerentes ao drawback suspensão será determinado com base na regra de que trata o art. 173, inciso I, do CTN. A contagem do referido prazo deverá se dar a partir do trigésimo dia subseqüente ao do vencimento do prazo Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10508.001143/200766 Acórdão n.º 3102001.766 S3C1T2 Fl. 1.604 13 estabelecido, no respectivo ato concessório, para o cumprimento das obrigações assumidas pelo beneficiário. DRAWBACK SUSPENSÃO. PRINCÍPIO DA VINCULADAO FÍSICA. DESCUMPRIMENTO. EXIGÊNCIA PROPORCIONAL DOS TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. A ausência de controles de estoques, em separado, de matériasprimas nacionais e importadas distintas, utilizadas na industrialização de produtos exportados sob o regime aduaneiro especial de drawback suspensão ou destinadas ao mercado interno, exige a formalização de lançamento para a exigência dos tributos incidentes na importação, o que se dará com base em estimativa do percentual dos insumos importados não utilizados nas mercadorias destinadas à exportação. DRAWBACK SUSPENSÃO. EXPORTAÇÕES NÃO VINCULADAS A REGIME DE DRAWBACK. DESATENDIMENTO A REQUISITOS FORMAIS QUE IMPEDEM A VINCULAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES A ATO CONCESSÓRIO DO REGIME. Cabe ao sujeito passivo beneficiário do regime de drawback suspensão o controle atinente à vinculação, material e formal, quanto ao emprego dos insumos importados na industrialização e exportação das mercadorias compromissadas no ato concessório correspondente. A absoluta ausência de qualquer informação acerca do regime de drawback, ou de eventual vinculação a ato concessório do regime no Registro de Exportação, não autoriza sua utilização para comprovação do adimplemento das exportações compromissadas. ASSUNTO: OBRIGAÇÓES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/01/2001, 23/04/2001, 23/07/2001, 22/02/2002, 09/09/2002, 19/11/2002 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legítima a aplicação da taxa do SELIC para fixação dos juros moratórios no recolhimento do crédito tributário em atraso. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Afirma que o julgamento de primeira instância não deu a devida importância aos protestos consignados na impugnação ao lançamento, relacionados à improcedência da reconstituição do crédito em Auto de Infração. Advoga que à Autoridade Julgadora compete “analisar os pontos levantados pelo Impugnante e fundamentar as suas decisões”. Defende que “não pode prevalecer uma nova constituição do crédito tributário por meio do auto de infração outrora impugnado, uma vez que a efetiva entrega da DI (assim como acontece com a DIPJ e DCTF), devidamente acompanhada pelo Termo de Responsabilidade, constituiu o crédito tributário, sendo, portanto, descabida a lavratura do Auto de Infração por parte da RFB”. A esse respeito, cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça. Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 14 Que, uma vez comprovado o adimplemento do Regime de Drawback perante a SECEX e obtida a baixa, não caberia à Secretaria da Receita Federal do Brasil “se sobrepor ao entendimento da SECEX e imputar seu inadimplemento por meio de autuação fiscal”. Referese à legislação que dá suporte a esse entendimento. Outrossim, considera ter decaído o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, em relação a todas as Declarações de Importação incluídas na autuação. Defende, “Nos lançamentos por homologação, cujo regime jurídico é definido pelo artigo 150, § 4º do CTN e que é aplicável ao tributo aqui em discussão, o sujeito passivo procede à atividade de lançamento, sem o prévio exame da autoridade administrativa, operandose o lançamento pela posterior homologação do Fisco, expressa ou tácita”. Quanto a isso, considera irrelevante ter ocorrido ou não o pagamento dos tributos na data do registro das Declarações de Importação. Entende que o que é homologado “é a atividade do sujeito passivo no sentido de determinar e quantificar a prestação tributária”. Refuta a alegação de que existência de incentivo condicionado teria o condão de suspender a contagem do prazo. Considera que, além de ausência de previsão legal para tanto, “a contagem de prazos com natureza decadencial não se sujeita à interrupção ou suspensão, consoante posição que e firmada pelo E. Superior Tribunal de Justiça”. Cita jurisprudência. Ausência de liquidez e certeza na autuação fiscal. Ao compor a base de cálculo do Imposto de Importação a Fiscalização Federal teria adotado “critérios estranhos à legislação tributária de regência, resultando na criação de um método inédito e de sua própria autoria, que não seria, segundo ele, mera conjectura, mas aplicação de princípios experimentados pelas ciências exatas, asseguradas pelas leis da física e da matemática”. Afirma, De fato, não se pode esquecer que, enquanto as leis da física e da matemática são regidas por uma relação de causa e efeito natural ou por uma lógica calcada em axiomas e premissas próprias, as leis jurídicas geram normas que trabalham com uma relação de causa e efeito eleita pelo próprio homem, regulando as condutas como permitidas, proibidas e obrigatórias (lógica deôntica), razão pela qual o Sr. Agente Fiscal deveria terse utilizado, no caso concreto, de princípios jurídicos e não de princípios físicos e matemáticos, pois esses princípios em nada alteram a aplicação da norma jurídica, principalmente, a norma jurídica tributária. Ainda a esse respeito, que a Autoridade Julgadora de primeira instância inovou a fundamentação do Auto de Infração ao alegar que o artigo 148 do Código Tributário Nacional, não citado pela Fiscalização Autuante na Descrição dos Fatos, seria suficiente para fundamentar o critério de apuração da base de cálculo. Por outro lado, demonstra que esse artigo não pode ser aplicado ao caso concreto. No mérito, defende que, embora a legislação de regência tenha determinado que os produtos importados sejam utilizados na industrialização de mercadorias exportadas, o cumprimento do Regime, que tem por finalidade precípua a suspensão tributária como Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10508.001143/200766 Acórdão n.º 3102001.766 S3C1T2 Fl. 1.605 15 incentivo às exportações, “em nada depende da vinculação física absoluta de um determinado insumo importado [...]”. Defende que a segregação física da matériaprima exigida pela Autoridade Fiscal e referendada pela Turma Julgadora é (i) desnecessária em razão da fungibilidade dos insumos empregados no processo produtivo (amêndoa de cacau), (ii) inviável operacionalmente e (iii) não é exigida na legislação que rege o Regime Especial de Drawback. Cita item 26 do Comunicado DECEX n.º 21/97 no qual é determinada a exportação de produto em valor, quantidade e prazo fixados no Ato Concessório, compromisso que argumenta ter atendido. Que a legislação não estabelece obrigatoriedade de utilização de controles de estoque específicos para os produtos importados vinculados ao regime, “tampouco dispõe acerca da necessidade de que haja vinculação física efetiva entre o insumo importado, amparado pelo benefício fiscal, e o produto exportado, quando se trata de bens fungíveis”. Mais tarde, retorna ao assunto para esclarecer que a totalidade das exportações realizadas no período, 27.876 toneladas, é muito superior àquela a qual se comprometeu e que, no entanto, “conforme consta da coluna "C" do Anexo IV do Termo de Verificação Fiscal de 24/12/2007, a D. Autoridade Fiscal se limitou a considerar, para a realização de seus cálculos, no que tange ao AC em comento, a quantidade de 6.156.443 toneladas, quando deveria ter considerado a totalidade das exportações da Recorrente para o período de validade do AC em questão”. Que o artigo 319, do RA/85, “é claro ao determinar que o pagamento dos tributos suspensos, somente se torna obrigatório quando as mercadorias deixem de ser empregadas no processo produtivo dos bens exportados, o que não ocorreu no caso em comento”. Cita e transcreve Ato Declaratório Cosit nº 20/96 que admite, em alguns casos, que se afaste a obrigação da vinculação física entre mercadoria importada e produto exportado. Relembra que o “Relatório de Comprovação de Drawbck, que foi anexado à peça impugnatória, dá conta da exportação dos produtos que lhe incumbiam, devidamente baixados pelos órgãos da SECEX, e demonstra, de forma cabal, o cumprimento do Regime Especial [...]”. Para corroborar o entendimento que defende, cita e transcreve jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça. Ao fim, protesta contra a aplicação da Taxa Selic que, segundo entende, tem natureza remuneratória. Considera inconstitucional e ilegal sua aplicação com a finalidade pretendida. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 16 Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. De início, cumpre rejeitar os protestos dirigidos à decisão de piso pela alegada ausência de exame e fundamentação acerca da impertinência de constituição do crédito tributário objeto do presente litígio em Auto de Infração, pelo fato de ele já haver sido constituído em Termo de Responsabilidade quando da apresentação das Declarações de Importação correspondentes. Como é possível verificar da leitura do Voto Condutor da decisão recorrida, nada menos do que nove folhas foram dedicadas ao exame da matéria. Irrelevante que nelas tenha sido exposto entendimento versado em outro momento. Tratase de estudo desenvolvido pelo próprio Relator do processo, que serviu para fundamentação da decisão proposta neste processo. Por outro lado, na essência da questão suscitada, não vejo porque considerar indevida a constituição do crédito em Auto de Infração. Fosse a exigência consumada pela execução dos Termos de Responsabilidade, como parece preferir a Recorrente, e restaria o direito à defesa reduzido à discussão no âmbito judicial, já que, como bem descrito na peça impugnatória, as confissões de dívida seriam encaminhadas de forma sumária à dívida ativa, sem chance de reforma ainda durante a tramitação do processo administrativo fiscal. Outrossim, a constituição do crédito em Auto de Infração garante a integridade na formalização da exigência, prevenindo o risco de que venha a ser declarado ilegal ou indevido o meio escolhido para cobrança e, como já dito, garantindo o amplo direito à defesa. Também não pode prosperar a alegação de que, comprovado o adimplemento e obtida a baixa do Regime perante a SECEX, não caberia à Secretaria da Receita Federal do Brasil “se sobrepor ao entendimento da SECEX e imputar seu inadimplemento por meio de autuação fiscal”. A Recorrente defende que o artigo 2º, da Portaria MEFP n° 594, de 25/08/92, confirma esse entendimento. Contudo, é da própria Portaria o comando cristalino que garante à Secretaria da Receita Federal, então Departamento da Receita Federal, a competência para aplicação do regime, fiscalização dos tributos, compreendido o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão de reconhecimento do benefício e a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela importadora, dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente. Transcrevo a seguir o texto normativo. O MINISTRO DE ESTADO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO, no uso da atribuição que lhe confere o art. 87, inciso II, da Constituição e com base no art. 333, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto no 91.030, de 5 de março de 1995, resolve: DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Art. 1º A concessão e a aplicação do regime aduaneiro especial de "drawback" nas modalidades de suspensão e isenção de tributos, previstas nos incisos I e II, do art. 314, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto no 91.030, de 5 março de 1985, se regem pelo disposto nesta Portaria. Parágrafo único. O regime de "drawback" poderá ser concedido conforme previsto no art. 315, do Regulamento Aduaneiro. Art. 2º Constitui atribuição da Secretaria Nacional de Economia SNE, nos termos do art. 2o, da Lei no 8.085, de 23 de outubro de 1990, a concessão do regime, Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10508.001143/200766 Acórdão n.º 3102001.766 S3C1T2 Fl. 1.606 17 compreendidos os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização, bem como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar. Art. 3o Constitui atribuição do Departamento da Receita Federal DpRF a aplicação do regime e a fiscalização dos tributos, nesta compreendidos o lançamento de crédito tributário, sua exclusão em razão de reconhecimento do benefício e a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela importadora, dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente. (grifos meus) Em relação à Portaria SECEX n° 04, de 11/06/97, também citada no Recuso Voluntário, cumpre inicialmente esclarecer que a mesma não se constitui expediente hábil à regulamentação de procedimentos de competência da Secretaria da Receita Federal, uma vez que restrita ao âmbito da SECEX. Ainda assim, nela nada há que possa ser interpretado como limitador das competências da Fiscalização Aduaneira. Como a seguir se observa, seu artigo 2º apenas garante ao Departamento de Operações de Comércio Exterior – DECEX a atribuição de acompanhar e verificar o adimplemento do compromisso, prerrogativa que não vejo razões para que fosse dela excluído. Art. 2º Constitui atribuição do Departamento de Operações de Comércio Exterior (DECEX) a concessão do Regime de Drawback, compreendidos os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização, bem como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar. Todas essas disposições convergem a um mesmo fim e encontram, no também citado item 27.3 do Comunicado do Departamento de Comércio Exterior nº 21/97, o outro elo da cadeia de controle. 27.3 O inadimplemento será formalmente comunicado à Secretaria da Receita Federal e aos demais órgãos envolvidos ". Como bem interpretado e exposto pelo i. Relator da decisão a quo, a SECEX exerce um controle baseado, fundamentalmente, em informações documentais prestadas pelo próprio beneficiário do Regime. Por isso a importância de que a Fiscalização Federal tenha acesso às circunstâncias materiais e ateste sua correspondência com as declarações prestadas pelo administrado. Não foi o que aconteceu no caso concreto. Embora os documentos demonstrassem a exportação de mercadorias em quantidade suficiente à comprovação do compromisso, os Auditores, pela verificação in loco, chegaram à conclusão de que certos requisitos não foram atendidos, assunto que será mais tarde examinado. Também em preliminar, alega a decadência do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário sub judice. Em linhas gerais, assim entende por que considera aplicável o artigo 150 do Código Tributário Nacional, que define que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo para constituição da exigência se inicia na data de ocorrência do fato gerador correspondente. Conforme preceitua o Código, o direito de constituir o crédito tributário expira no prazo de cinco anos contados, em regra geral, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tal providência já poderia ter sido tomada. Nos casos de tributos cujo lançamento operase por homologação, o dia de início da contagem do prazo é antecipado. Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 18 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Embora essa regra dê ensejo a diferentes interpretações, tendo por base a possível finalidade pretendida pelo legislador, qual fosse a de antecipar a contagem do prazo sempre que notório o conhecimento, pela autoridade fiscal, da ocorrência do fato gerador do imposto, não há como escapar à condição especificada no § 1º, indicando o pagamento antecipado pelo obrigado como ação necessária à extinção do crédito sob condição resolutória, sem o qual o próprio lançamento por homologação não operase, restando o mesmo regulado pelas disposições contidas no artigo 173, conforme a seguir transcrito. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Ainda mais, no caso específico de aplicação do Regime Aduaneiro de Drawback, há uma questão adicional a ser levada em consideração. Não me parece existir nenhuma lógica a justificar a homologação de um lançamento para o qual as circunstâncias materiais ainda não foram completadas. A obrigação ou não de recolher tributos aos cofres públicos, assim como a matéria tributável e o prazo para recolhimento dependem de fatores que só podem ser apurados muito tempo depois do registro da declaração de importação com tributos suspensos. Assim, a obrigação de antecipar o pagamento em referência não acontece por ocasião do registro das importações, mas em até trinta dias do prazo fixado para exportação. A Recorrente considera a autuação fiscal desprovida de liquidez e certeza, tendo em vista os “critérios estranhos à legislação tributária” adotados pela Fiscalização Federal na composição da base de cálculo dos tributos exigidos no Auto de Infração. Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10508.001143/200766 Acórdão n.º 3102001.766 S3C1T2 Fl. 1.607 19 Extraise do Auto de Infração qual a metodologia de cálculo empregada na apuração do quantum de matériaprima importada com suspenção do pagamento de tributos, destinada ao mercado interno. Para tal, baseandonos nas informações, prestadas pela empresa, de que não havia segregação entre as amêndoas de cacau por sua origem/procedência e de que havia uma equivalência (em termos de qualidade) entre elas para fins de industrialização, e, principalmente com base nos dados inseridos no documento intitulado "Controle da Produção e do Estoque", apresentado pelo contribuinte, e, finalmente, naqueles dados extraídos do Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, módulos Importação e Exportação, por intermédio do aplicativo DW Aduaneiro, estimamos um percentual de mistura a partir da aplicação de uma proporção entre amêndoas de origem estrangeira (importadas com benefício fiscal) e de origem nacional disponíveis para alimentar o processo produtivo da empresa, mês a mês. É de se observar, em relação ao caso em análise, que, mesmo não tendo sido objeto de auditoria os Atos Concessórios emitidos no anocalendário 2000 (pelas razões aludidas na introdução deste Termo de Verificação Fiscal), trabalhamos, para obtenção do percentual em causa, também com as entradas e saídas da produção registradas para o ano de 2000. O procedimento em questão se deu com o único propósito de aplicar ao trabalho números de produção, o mais próximos possível do real, uma vez que a média ponderada obtida a partir das entradas e saídas da produção alcançaria um período de três anos. A respeito desse assunto, é fundamental que fique claro a impossibilidade de se afirmar com certeza, seja qual for a situação encontrada, qual foi a quantidade de matéria prima realmente empregada na produção de produtos exportados. Tratase de um evento passado e, por isso mesmo, intangível. O instrumento de aferição da regularidade das operações, no que concerne ao princípio da vinculação física exigido no Drawback, sempre terá natureza contábil. A auditoriafiscal irá basearse nas disponibilidades, apuradas com base nas importações realizadas e, considerando a proporção insumo/produto, calculará o saldo em estoque para cada período, glosando as exportações utilizadas na comprovação do adimplemento do Regime sempre que constatar indisponibilidade momentânea de matéria prima. No caso vertente, há uma particularidade. Em regra geral, aplicase o critério mais favorável ao contribuinte. Se há saldo de matériaprima em estoque, considerase que as mercadorias exportadas foram fabricadas com elas. Contudo, a realidade observada na empresa fiscalizada, tendo em conta as próprias declarações prestadas por seus representantes à Fiscalização Federal, dá conta de que não havia segregação entre as amêndoas de cacau por sua origem/procedência. Assim, não seria, mesmo, razoável que fosse aventada a possibilidade de que os produtos exportados tivessem sido produzidos com insumos integralmente constituídos por amêndoas importadas com benefício. Para tanto, seria necessário imaginar que resultasse da mistura das amêndoas de diferentes origens, porções com concentração específica de uma origem e, ainda, que as porções de concentração de material importado é que tenham sido empregadas na fabricação de produtos exportados. Inconcebível. Foi por essa razão, a Fisco lançou mão de critérios matemáticos na apuração da quantidade de insumos não utilizados nos fins para que estavam destinados. Calculou o percentual de material importado em estoque, com base na média ponderada, obtido a partir de dados históricos, considerando as fichas de controle de estoque, as importações, os saldos registrados na contabilidade, da maneira como consta criteriosamente demonstrado no Auto de Infração. Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 20 Como disse, a quantidade de matériaprima importada efetivamente empregada nos fins para os quais foram importadas não tem como ser atestada. Ela estará sempre baseada em dados contábeis. A diferença do caso concreto em relação às situações normalmente observadas, é que aqui não havia porque nem como considerar que as disponibilidades em estoque tenham sido empregadas na produção do material exportado, apenas um percentual delas. De fato, relevante observar que nenhum outro critério de apuração seria viável no caso concreto. Uma vez que os insumos foram misturados, só faz sentido falarse em uma estimativa do quantum utilizado na fabricação de bens exportados, tal como fez a Fiscalização Federal. Por outro lado, o fato de Delegacia da Receita Federal de julgamento ter referido o artigo 148 do Código Tributário Nacional como base legal para utilização do critério acima comentado constitui inovação no lançamento. O i. Relator do processo apenas considerou que o artigo dá respaldo à Fiscalização. Inovar seria empregar novo critério, não confirmalo por novos argumentos. No mérito, os fatos apurados e as normas tributárias também não favorecem ao sujeito passivo. Como reconhecido pela própria defesa, a legislação de regência determinada a utilização dos produtos importados na industrialização de mercadorias exportadas. Contudo, ao contrário de como entende, o fato de ser finalidade precípua da suspensão tributária o incentivo às exportações em nada modifica essa exigência. A condição veiculada no item 26 do Comunicado DECEX nº 21/97, em relação ao compromisso de exportação de produto em valor, quantidade e prazo fixados no Ato Concessório, constitui um dos requisitos para o adimplemento do Regime. Não pode ser interpretado como excludente dos demais. Também não é de se esperar que a legislação estabeleça obrigatoriedade de utilização de controles de estoque específicos para os produtos importados vinculados ao regime, ou que disponha acerca da necessidade de que vinculação física entre o insumo importado e o produto exportado especificamente para os casos de bens fungíveis. Essas obrigações são decorrentes do comando genérico que consagra o princípio da vinculação física no Drawback, como a seguir se lê. Art. 335. O regime de drawback é considerado incentivo à exportação, e pode ser aplicado nas seguintes modalidades (Decretolei no 37, de 1966, art. 78, e Lei no 8.402, de 1992, art. 1o, inciso I): I suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; (grifos meus) E nem se diga que se trate de interpretação exageradamente rigorosa ou demasiadamente literal da norma. Ainda que a situação autorize essa linha de interpretação, por tratarse de caso de exclusão de crédito tributário, há outros fortes indicativos de que os bens precisam necessariamente ser empregados na fabricação do produto destinado ao exterior. As exceções confirmam a regra. Art. 336. O regime de drawback poderá ser concedido a: (...) Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10508.001143/200766 Acórdão n.º 3102001.766 S3C1T2 Fl. 1.608 21 § 1o O regime poderá ainda ser concedido: I para matériaprima e outros produtos que, embora não integrando o produto exportado, sejam utilizados na sua fabricação em condições que justifiquem a concessão; ou (...) Art. 339. O regime de drawback, na modalidade de suspensão, poderá ser concedido e comprovado, a critério da Secretaria de Comércio Exterior, com base unicamente na análise dos fluxos financeiros das importações e exportações, bem assim da compatibilidade entre as mercadorias a serem importadas e aquelas a exportar. No que concerne à inviabilidade operacional de segregação, penso que o assunto tenha sido bem abordado pela AuditoraFiscal. Oportuno, ainda, observar a propósito de eventual questionamento acerca da concessão do regime especial pela SECEX mediante os Atos Concessórios auditados, mesmo diante da capitulação legal acerca do referenciado princípio que: da análise dos documentos emitidos por aquele órgão e à vista do que dispõe o artigo 18 da Portaria DECEX 24, de 1992, que prevê um "termo de responsabilidade" declarando que as mercadorias a serem exportadas "são estritamente necessárias" à produção dos bens a exportar, inferese que o órgão em referência, no momento do emissão dos Atos Concessórios, desconhecia o fato de que os insumos a serem importados com o benefício seriam misturados aos nacionais para a fabricação dos produtos a serem exportados. Caso a realização do mistura tivesse sido expressa e devidamente comunicada à SECEX, os compromissos de exportação certamente seriam majorados, de forma a garantir o total consumo das amêndoas importadas nos produtos a exportar. Quanto ao Ato Declaratório Cosit nº 20/96, além do reconhecimento expresso pela defesa de que não aplica às mercadorias importadas, tratase, como bem esclarecido na decisão de piso, de Ato Normativo regulador das operações de Drawabck isenção e não suspensão. No que concerne à jurisprudência colacionada, de se lembrar que apenas as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática de Repercussão Geral ou Recurso Repetitivo, conforme o caso, são de observação obrigatória por este Colegiado, tal como disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, alteração introduzida pela Portaria 586/10. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes."(AC) Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 22 Quanto aos juros de mora, o Código Tributário Nacional, em seu artigo 161, caput e § 1º, dispõe que o crédito tributário não pago no vencimento será acrescido de juros de mora, calculados à taxa de 1%, se a lei não dispuser de modo diverso. A Lei n.º 9.065/95 prevê, em seu artigo 13, a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, não havendo, portanto, razão para protesto. Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995. CAPÍTULO VIII Das Penalidades e dos Acréscimos Moratórios Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (Vide Lei nº 9.065, de 1995 II multa de mora aplicada da seguinte forma: a) dez por cento, se o pagamento se verificar no próprio mês do vencimento; b) vinte por cento, quando o pagamento ocorrer no mês seguinte ao do vencimento; c) trinta por cento, quando o pagamento for efetuado a partir do segundo mês subseqüente ao do vencimento. § 1º Os juros de mora incidirão a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento, e a multa de mora, a partir do primeiro dia após o vencimento do débito. § 2º O percentual dos juros de mora relativo ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado será de 1%. § 3º Em nenhuma hipótese os juros de mora previstos no inciso I, deste artigo, poderão ser inferiores à taxa de juros estabelecida no art. 161, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, no art. 59 da Lei nº 8.383, de 1991, e no art. 3º da Lei nº 8.620, de 5 de janeiro de 1993. § 4º Os juros de mora de que trata o inciso I, deste artigo, serão aplicados também às contribuições sociais arrecadadas pelo INSS e aos débitos para com o patrimônio imobiliário, quando não recolhidos nos prazos previstos na legislação específica. § 5º Em relação aos débitos referidos no art. 5º desta lei incidirão, a partir de 1º de janeiro de 1995, juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração. § 6º O disposto no § 2º aplicase, inclusive, às hipóteses de pagamento parcelado de tributos e contribuições sociais, previstos nesta lei. Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10508.001143/200766 Acórdão n.º 3102001.766 S3C1T2 Fl. 1.609 23 § 7º A Secretaria do Tesouro Nacional divulgará mensalmente a taxa a que se refere o inciso I deste artigo. § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. (Incluído pela Lei nº 10.522, de 2002). Ainda mais, tratase de matéria sumulada neste Conselho Administrativa de Recursos Fiscais, de observação obrigatória por todos seus integrantes. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que se refere às argüições de desrespeito a princípios constitucionais, o fato é que falece competência a este tribunal administrativo para deixar de aplicar uma lei por alegação de inconstitucionalidade, conforme art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. É defeso a esta corte administrativa, salvo as hipóteses expressamente previstas no parágrafo único do artigo 62 supracitado, deixar de aplicar dispositivo legal formalmente válido sob pretexto de suposta violação constitucional ou princípios nela resguardados. VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 26 de fevereiro de 2013. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 24 Voto Vencedor Conselheiro Winderley Morais Pereira, Redator Designado. Em que pese o respeitável voto do e. relator, divirjo do entendimento quanto a existência de erro na base de cálculo utilizada para o lançamento tributário. O Auto de Infração que originou o processo em discussão, teve origem em auditoria de Drawback e na análise realizada pela autoridade de primeira instância não foi possível a comprovação do cumprimento das obrigações referentes ao benefício tributário. O julgamento da primeira instância detalha o modelo de apuração por estimativa, adotado durante o procedimento fiscal, considerando a validade deste procedimento, conforme consta da ementa do acórdão, da qual extraio o trecho abaixo. "DRAWBACK SUSPENSÃO. PRINCÍPIO DA VINCULADAO FÍSICA. DESCUMPRIMENTO. EXIGÊNCIA PROPORCIONAL DOS TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. A ausência de controles de estoques, em separado, de matérias primas nacionais e importadas distintas, utilizadas na industrialização de produtos exportados sob o regime aduaneiro especial de drawback suspensão ou destinadas ao mercado interno, exige a formalização de lançamento para a exigência dos tributos incidentes na importação, o que se dará com base em estimativa do percentual dos insumos importados não utilizados nas mercadorias destinadas à exportação."(griffo nosso) Portanto a motivação do lançamento, explicitada no Auto de infração, aconteceu com base em estimativa do percentual dos insumos importados. A decisão recorrida decidiu pela manutenção do lançamento ao arrimo que a exigência dos tributos suspensos por força da aplicação do regime de drawback, poderia ser exigido com base em estimativa do percentual dos insumos importados. O Drawback é modalidade de isenção solicitada pelo contribuinte, que se submete às regras para fruição deste benefício fiscal, utilizando o ato concessório do regime para promover a importação de mercadorias que após submetidas a transformação no Pais serão exportadas. O importador ao utilizar o regime já tem conhecimento da sua obrigação de comprovar a exportação destas mercadorias. Condição indispensável para a fruição do benefício. Ao fim do regime, cabe ao contribuinte comprovar a efetiva exportação dos produtos importados cabendo o ônus da prova ao beneficiário do regime. Na ausência de comprovação da exportação das mercadorias importadas, considerase não cumprido o benefício fiscal, sendo exigível os tributos que estavam suspensos. Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10508.001143/200766 Acórdão n.º 3102001.766 S3C1T2 Fl. 1.610 25 Independente das dificuldades de controle que possa ter o contribuinte para comprovar a exportação das mercadorias importadas. Esta exigência faz parte do regime de Drawback e cabe ao contribuinte realizar todos os controles necessário e cuidar de garantir as provas para comprovar o cumprimento do regime. Quando da auditoria, se o contribuinte não consegue comprovar a efetiva exportação dos produtos, não há outro caminho à fiscalização que não seja a exigência dos impostos suspensos. O fato das mercadorias importadas serem fungíveis não ilide ou atenua a obrigação de comprovar a exportação destes produtos. Se o contribuinte não consegue apresentar sistema de controle que demonstre clareza quais os produtos exportados, não há como a fiscalização da Receita Federal suprir esta falta de comprovação, sendo devido todo o tributo suspenso cuja as exportações não foram comprovadas. No caso em tela, o contribuinte beneficiário do Drawback quando intimado pela fiscalização a comprovar a exportação de mercadorias não conseguiu comprovar a exportação dos produtos, alegando que todos os produtos adquiridos tanto importados como aqueles adquiridos no mercado interno eram armazenados juntamente, tornando impossível realizar a diferenciação dos produtos e portanto, a comprovação da exportação. Destarte, em não existindo a comprovação das exportação, cabe a exigência integral dos tributos. A fiscalização entendeu de forma diferente, definindo critérios de apuração para quantificar os produtos que teriam sido exportados. Entendo, que se o contribuinte não comprovou a exportação, não cabe a definição por parte da fiscalização de modelos para auferir o cumprimento da obrigação. A responsabilidade pela comprovação da exportação das mercadorias importadas é obrigação do beneficiário do regime, que quando intimado deve apresentar os documentos fiscais e provas que comprovam a exportação, não cabendo nenhum mudança ou utilização de critério alternativo de apuração de possíveis bases de cálculo a serem utilizadas na a exigência do tributo. Assim, entendo que o Auto de Infração não pode prosperar, em razão da utilização de bases de cálculo projetadas a partir de presunções que não correspondem efetivamente às mercadorias importados que deixaram de ser exportados. A exigência da correta apuração da base de cálculo consta do art. 148 do Código Tributário Nacional e em que pese a possibilidade do arbitramento, esta permissão não se faz possível no caso em tela, visto a obrigatoriedade da comprovação ser ônus do beneficiário do regime e a falta de comprovação das exportações implica na exigência integral dos tributos suspensos. Diante do exposto, em que foi verificado que a base de cálculo, para efeito da exigência tributária, não foi confirmada, voto no sentido de cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 26 Fl. 1622DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 13808.000151/00-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1995
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
O lançamento em apreço versava sobre duas matérias: i) rendimento tributável referente a ganho de capital; e ii) ao acréscimo patrimonial a descoberto.
Em sede de recurso especial, a Fazenda Nacional insurgiu-se contra a decadência que fora declarada no Acórdão 3402-00.031, que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte.
Por seu turno, acórdão embargado (Acórdão nº 9202-02.174), deu provimento parcial ao recurso especial do contribuinte para afastar a decadência em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto com retorno à Câmara "a quo" para análise das demais questões.
Ocorre que, conforme aponta a embargante, a discussão acerca do rendimento tributável referente a ganho de capital não se encontrava em litígio em sede de recurso especial, uma vez que esta parcela já fora afastada pela decisão de primeira instância e, conseqüentemente, não foi objeto de apreciação no recurso voluntário interposto pelo contribuinte.
Destarte, ao se afastar a decadência em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto, em verdade, deu-se total provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional.
Assim sendo, devem ser acolhidos os embargos de declaração opostos, a fim de que seja saneado o feito e seja proferida correta conclusão acerca do litígio em questão.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 9202-003.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para rerratificar o acórdão embargado passando a dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, devendo os autos retornarem à Câmara de origem, para apreciação das demais matérias trazidas no recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM: 12/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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O lançamento em apreço versava sobre duas matérias: i) rendimento tributável referente a ganho de capital; e ii) ao acréscimo patrimonial a descoberto. Em sede de recurso especial, a Fazenda Nacional insurgiuse contra a decadência que fora declarada no Acórdão 340200.031, que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Por seu turno, acórdão embargado (Acórdão nº 920202.174), deu provimento parcial ao recurso especial do contribuinte para afastar a decadência em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto com retorno à Câmara "a quo" para análise das demais questões. Ocorre que, conforme aponta a embargante, a discussão acerca do rendimento tributável referente a ganho de capital não se encontrava em litígio em sede de recurso especial, uma vez que esta parcela já fora afastada pela decisão de primeira instância e, conseqüentemente, não foi objeto de apreciação no recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Destarte, ao se afastar a decadência em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto, em verdade, deuse total provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Assim sendo, devem ser acolhidos os embargos de declaração opostos, a fim de que seja saneado o feito e seja proferida correta conclusão acerca do litígio em questão. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 01 51 /0 0- 14 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para rerratificar o acórdão embargado passando a dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, devendo os autos retornarem à Câmara de origem, para apreciação das demais matérias trazidas no recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 12/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentados tempestivamente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo contra o Acórdão n.º 920202.174, da lavra da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Segue abaixo sua ementa: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. Nítida é a contradição entre o resultado do julgamento constante no acórdão e os fundamentos e a parte dispositiva de seu voto condutor. A contradição que autoriza a oposição do recurso declaratório deve ser interna à decisão, verificada entre os fundamentos do julgado e a sua conclusão, o que de fato ocorreu no caso em tela. Tendo o julgado ora embargado assentado dar provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência relativa ao ganho de capital, devem ser acolhidos os presentes embargos de declaração para, sanando a contradição apontada, com fulcro no art. 65 do anexo II do RICARF, afirmar o provimento parcial para afastar a decadência referente ao acréscimo patrimonial a descoberto, devendo os presentes autos retornarem ao colegiado a quo para apreciação das demais matérias suscitadas no recurso voluntário do contribuinte. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13808.000151/0014 Acórdão n.º 9202003.249 CSRFT2 Fl. 5 3 Embargos acolhidos.” A decisão embargada, por unanimidade de votos, acolheu os embargos de declaração, com alteração do resultado do julgamento para dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional para afastar a decadência em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto com retorno à Câmara "a quo" para análise das demais questões. Afirma que o acórdão embargado se deu após a interposição de Recurso Especial pela PGFN, frente ao Acórdão n.° 340200.031, cuja ementa será descrita a seguir: "DEPÓSITO BANCÁRIO DECADÊNCIA Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. 0 fato gerador do IRPF, tratandose de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4° do CTN). Decadência acolhida. Recurso Provido." Observa que o Acórdão n.° 920202.174 deu provimento parcial, quando deveria ser provimento total, pois reverteu a decadência anteriormente acolhida relacionado ao acréscimo patrimonial descoberto. Frisa que não está em questão a decadência de rendimento tributável referente a ganho de capital, pois esta foi extinta no julgamento DRESPOII do acórdão 1717.438— 5a turma da DRJ/SPOII. Ao final, requer o acolhimento dos presentes Embargos para que o colegiado se manifeste em relação ao provimento parcial, a fim de possibilitar a correta execução e cumprimento do decidido pela 2ª turma da CSRF. Aprovadas as informações em embargos de declaração, pelo Presidente da CSRF, o processo foi incluído em pauta. Eis o breve relatório. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O lançamento em apreço versava sobre duas matérias: i) rendimento tributável referente a ganho de capital; e ii) ao acréscimo patrimonial a descoberto. Em sede de recurso especial, a Fazenda Nacional insurgiuse contra a decadência que fora declarada no Acórdão 340200.031, que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Por seu turno, acórdão embargado (Acórdão nº 920202.174), deu provimento parcial ao recurso especial do contribuinte para afastar a decadência em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto com retorno à Câmara "a quo" para análise das demais questões. Ocorre que, conforme aponta a embargante, a discussão acerca do rendimento tributável referente a ganho de capital não se encontrava em litígio em sede de recurso especial, uma vez que esta parcela já fora afastada pela decisão de primeira instância e, conseqüentemente, não foi objeto de apreciação no recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Destarte, ao se afastar a decadência em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto, em verdade, deuse total provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Assim sendo, devem ser acolhidos os embargos de declaração opostos, a fim de que seja saneado o feito e seja proferida correta conclusão acerca do litígio em questão. Pelo exposto, voto por acolher os embargos de declaração, para votar pelo provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a decadência declarada, com retorno ao colegiado a quo para apreciação das demais matérias suscitadas no recurso voluntário do contribuinte. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 279DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11020.721797/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 01/01/2007, 31/12/2008
DECADÊNCIA
Contribuinte geral é aquele que de uma forma ou de outra contribui mensal com a Previdência social, devendo-se para efeitos da contagem da decadência, ser considerada a regra do art.150, §1º e §4º do CTN.
No caso em tela, trata-se de Contribuinte Geral, onde o crédito previdenciário deu-se no dia 29 de maio de 2012, portanto, encontram-se decadentes os créditos anteriores ao dia 28.MAI.2007, inclusive.
REVISÃO DO LANÇAMENTO - REFISCALIZAÇÃO
Arguição de re-fiscalização, sem agressão ao artigo 149 do CTN e sem demonstração de sua existência, b em como matéria não arguída em instância inferior, não pode ser considerada, a uma por falta de substância legal, a duas por não ter sido comprovada e a três que não pode ser julgada em sede de recurso voluntário, se antes não impugnado, para evitar a supressão de instância.
DA VALIDADE DA CONTRATAÇÃO DE EMPRESAS TERCEIRIZADAS PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS - INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGO
Não pode ser considerada a contratação de empresas terceirizadas se estas são frutos de simulação com fim de enganar o Fisco.
Ex-empregados, sendo demonstrado pela Fiscalização a continuidade da relação empregatícia, não pode ser considerado como empresas prestadoras de serviços.
DA INEXISTÊNCIA DA BITRIBUTAÇÃO - NECESSIDADE DE COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA, NA HIPÓTESE DE MANUTENÇÃO DA CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO
No caso em tela, após constatada a simulação para o fim de pagar menos tributos, deseja a Recorrente compensar os tributos pagos pelas as ditas empresas contratadas, que na verdade são ex-atuais-funcionários.
Ora, se houve tributos recolhidos pelas empresas contratadas cabem a elas requererem a devolução ou compensação daquilo a mais cobrado, respeitando o devido processo legal. Mas, não cabe a Recorrente pleitear compensação daquilo que não é seu.
DA NECESSIDADE DA RELEVAÇÃO DA MULTA COMINADA
No caso em tela, diz a Recorrente que corrigiu o erro flagrado, ainda durante a ação fiscal, razão assaz que justifica a relevação da pena.
Sem razão.
É que a relevação das penalidades aplicadas, cumpre observar que tal benefício, i) foi extinto a partir de 13 de janeiro de 2009, com a entrada em vigor do Decreto n.º 6.727, de 12 de janeiro de 2009, que revogou o artigo 291 e seus parágrafos e o inciso V do artigo 292 do Regulamento da Previdência Social - RPS aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06 de maio de 1999; e, ii) aplicava-se tão-somente às multas por infração ao cumprimento de obrigação acessória, o que não corresponde ao caso em testilha.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA
Discutir inconstitucionalidade da lei que autoriza a aplicação da multa, nesta Corte não é possivle.
Parecer CJ 771/97 que: O guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito.
Atividade administrativa encontra-se com vinculo ao que determina a lei.
O Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 256, de 22/06/2009, veda aos Conselheiros de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62.
DA PENALIDADE COMINADA E DO PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE
Inconstitucionalidade de lei não se discute no ambito do CARF, como antes dito.
Mas, deve-se considerar que a constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública, sendo defeso à autoridade julgadora administrativa afastar a sua aplicação, por inconstitucionalidade, ressalvados, somente, os casos previstos no parágrafo 6.º do artigo 26-A do Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972, incluído pela Lei n.º 11.941, de 27 de maio de 2009.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP.
Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b ) em ) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; b) em negar provimento ao Recurso, no que tange à decadência, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN;
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MAURO JOSÉ SILVA - Redator designado.
EDITADO EM: 25/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b ) em ) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; b) em negar provimento ao Recurso, no que tange à decadência, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; MARCELO OLIVEIRA - Presidente. MAURO JOSÉ SILVA - Redator designado. EDITADO EM: 25/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 01/01/2007, 31/12/2008 DECADÊNCIA Contribuinte geral é aquele que de uma forma ou de outra contribui mensal com a Previdência social, devendo-se para efeitos da contagem da decadência, ser considerada a regra do art.150, §1º e §4º do CTN. No caso em tela, trata-se de Contribuinte Geral, onde o crédito previdenciário deu-se no dia 29 de maio de 2012, portanto, encontram-se decadentes os créditos anteriores ao dia 28.MAI.2007, inclusive. REVISÃO DO LANÇAMENTO - REFISCALIZAÇÃO Arguição de re-fiscalização, sem agressão ao artigo 149 do CTN e sem demonstração de sua existência, b em como matéria não arguída em instância inferior, não pode ser considerada, a uma por falta de substância legal, a duas por não ter sido comprovada e a três que não pode ser julgada em sede de recurso voluntário, se antes não impugnado, para evitar a supressão de instância. DA VALIDADE DA CONTRATAÇÃO DE EMPRESAS TERCEIRIZADAS PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS - INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGO Não pode ser considerada a contratação de empresas terceirizadas se estas são frutos de simulação com fim de enganar o Fisco. Ex-empregados, sendo demonstrado pela Fiscalização a continuidade da relação empregatícia, não pode ser considerado como empresas prestadoras de serviços. DA INEXISTÊNCIA DA BITRIBUTAÇÃO - NECESSIDADE DE COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA, NA HIPÓTESE DE MANUTENÇÃO DA CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO No caso em tela, após constatada a simulação para o fim de pagar menos tributos, deseja a Recorrente compensar os tributos pagos pelas as ditas empresas contratadas, que na verdade são ex-atuais-funcionários. Ora, se houve tributos recolhidos pelas empresas contratadas cabem a elas requererem a devolução ou compensação daquilo a mais cobrado, respeitando o devido processo legal. Mas, não cabe a Recorrente pleitear compensação daquilo que não é seu. DA NECESSIDADE DA RELEVAÇÃO DA MULTA COMINADA No caso em tela, diz a Recorrente que corrigiu o erro flagrado, ainda durante a ação fiscal, razão assaz que justifica a relevação da pena. Sem razão. É que a relevação das penalidades aplicadas, cumpre observar que tal benefício, i) foi extinto a partir de 13 de janeiro de 2009, com a entrada em vigor do Decreto n.º 6.727, de 12 de janeiro de 2009, que revogou o artigo 291 e seus parágrafos e o inciso V do artigo 292 do Regulamento da Previdência Social - RPS aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06 de maio de 1999; e, ii) aplicava-se tão-somente às multas por infração ao cumprimento de obrigação acessória, o que não corresponde ao caso em testilha. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Discutir inconstitucionalidade da lei que autoriza a aplicação da multa, nesta Corte não é possivle. Parecer CJ 771/97 que: O guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. Atividade administrativa encontra-se com vinculo ao que determina a lei. O Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 256, de 22/06/2009, veda aos Conselheiros de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. DA PENALIDADE COMINADA E DO PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE Inconstitucionalidade de lei não se discute no ambito do CARF, como antes dito. Mas, deve-se considerar que a constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública, sendo defeso à autoridade julgadora administrativa afastar a sua aplicação, por inconstitucionalidade, ressalvados, somente, os casos previstos no parágrafo 6.º do artigo 26-A do Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972, incluído pela Lei n.º 11.941, de 27 de maio de 2009. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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No caso em tela, tratase de Contribuinte Geral, onde o crédito previdenciário deuse no dia 29 de maio de 2012, portanto, encontramse decadentes os créditos anteriores ao dia 28.MAI.2007, inclusive. REVISÃO DO LANÇAMENTO REFISCALIZAÇÃO Arguição de refiscalização, sem agressão ao artigo 149 do CTN e sem demonstração de sua existência, b em como matéria não arguída em instância inferior, não pode ser considerada, a uma por falta de substância legal, a duas por não ter sido comprovada e a três que não pode ser julgada em sede de recurso voluntário, se antes não impugnado, para evitar a supressão de instância. DA VALIDADE DA CONTRATAÇÃO DE EMPRESAS TERCEIRIZADAS PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGO Não pode ser considerada a contratação de empresas terceirizadas se estas são frutos de simulação com fim de enganar o Fisco. Exempregados, sendo demonstrado pela Fiscalização a continuidade da relação empregatícia, não pode ser considerado como empresas prestadoras de serviços. DA INEXISTÊNCIA DA BITRIBUTAÇÃO NECESSIDADE DE COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA, NA HIPÓTESE DE MANUTENÇÃO DA CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 17 97 /2 01 2- 11 Fl. 4848DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 No caso em tela, após constatada a simulação para o fim de pagar menos tributos, deseja a Recorrente compensar os tributos pagos pelas as ditas empresas contratadas, que na verdade são exatuaisfuncionários. Ora, se houve tributos recolhidos pelas ‘empresas contratadas’ cabem a elas requererem a devolução ou compensação daquilo a mais cobrado, respeitando o devido processo legal. Mas, não cabe a Recorrente pleitear compensação daquilo que não é seu. DA NECESSIDADE DA RELEVAÇÃO DA MULTA COMINADA No caso em tela, diz a Recorrente que corrigiu o erro flagrado, ainda durante a ação fiscal, razão assaz que justifica a relevação da pena. Sem razão. É que a relevação das penalidades aplicadas, cumpre observar que tal benefício, i) foi extinto a partir de 13 de janeiro de 2009, com a entrada em vigor do Decreto n.º 6.727, de 12 de janeiro de 2009, que revogou o artigo 291 e seus parágrafos e o inciso V do artigo 292 do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06 de maio de 1999; e, ii) aplicavase tãosomente às multas por infração ao cumprimento de obrigação acessória, o que não corresponde ao caso em testilha. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Discutir inconstitucionalidade da lei que autoriza a aplicação da multa, nesta Corte não é possivle. Parecer CJ 771/97 que: “O guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. Atividade administrativa encontrase com vinculo ao que determina a lei. O Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 256, de 22/06/2009, veda aos Conselheiros de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. DA PENALIDADE COMINADA E DO PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE Inconstitucionalidade de lei não se discute no ambito do CARF, como antes dito. Mas, devese considerar que a constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública, sendo defeso à autoridade julgadora administrativa afastar a sua aplicação, por inconstitucionalidade, ressalvados, somente, os casos previstos no parágrafo 6.º do artigo 26A do Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972, incluído pela Lei n.º 11.941, de 27 de maio de 2009. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. Fl. 4849DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.721797/201211 Acórdão n.º 2301003.378 S2C3T1 Fl. 4.812 3 A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b ) em ) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; b) em negar provimento ao Recurso, no que tange à decadência, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; MARCELO OLIVEIRA Presidente. MAURO JOSÉ SILVA Redator designado. Fl. 4850DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 EDITADO EM: 25/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Fl. 4851DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.721797/201211 Acórdão n.º 2301003.378 S2C3T1 Fl. 4.813 5 Relatório A ora Recorrente teve contra si a autuação de dois Autos de Infração, sendo o primeiro o AI nº DEBCAD 37.375.2989, relativo ao lançamento de contribuições previdenciárias patronais destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, e o segundo o AI nº DEBCAD 37.375.2997, relativo ao lançamento de contribuições destinadas a outras entidades e fundos, no caso, o Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação FNDE (SalárioEducação), o Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária INCRA, o Serviço Social do Transporte SEST, o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadasa segurados empregados. No Relatório Fiscal a autoridade lançadora informa que foi incumbida de proceder à fiscalização dos tributos e contribuições devidos pela empresa Transportes Translovato Ltda., tendo como objeto “o pagamento de serviços prestados por pessoas jurídicas constituídas por exfuncionários, no período entre 01/01/2007 e 31/12/2010.” Segundo a Fiscalização ficou cristalino para ela que foi implementado um planejamento tributário abusivo, objetivando tão somente a redução da carga tributária, já que: “Os exempregados, agora representados por empresas de assessoria, continuaram exercendo as mesmas funções, com o mesmo grau de subordinação, como se nada houvesse mudado.” Para a Autoridade Fiscal, é igualmente relevante a comprovação de que tais empresas nunca existiram de fato, tendo sido constituídas apenas como uma formalidade necessária para dissimular o vínculo empregatício e possibilitar a fraude. Diz ainda que em decorrência dessa simulação, ocorreu indevida economia tributária que abarcou para a Recorrente “a sonegação de contribuições previdenciárias e a geração de créditos de PIS e Cofins. Já para os empregados envolvidos, também houve sonegação de tributos, principalmente de IRPF. A Recorrente impugnou tempestivamente os Autos de Infração, através do seu arrazoado com suas considerações, cujas quais não foram acatadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) Fl. 4852DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 6 Em 07.AGO.2012 tomou ciência da Decisão e no dia 06.SET.2012 aviou o presente Recurso Voluntário, alegando: i) decadência; ii) revisão do lançamento; iii) da validade da contratação de empresasterceirizadas para prestação de serviços – inexistência de relação de emprego; iv) da inexistência da bitributação – necessidade de compensação tributária, na hipótese de manutenção da caracterização da relação de emprego; v) da necessidade da relevação da multa cominada; vi) do caráter confiscatório da multa cominada; vii) da penalidade cominada e do princípio da razoabilidade. Eis a síntese do necessário Voto Vencido Conselheiro Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator O presente Recurso Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, dele conheço. i) DECADÊNCIA A Recorrente alega que o crédito tributário relativo às competências anteriores a janeiro a abril de 2007 encontrase extinto pela decadência, nos termos do art.150, §1º e §4º do CTN. Tenho, pelas conclusões, que de fato o período mencionado encontrase decadente, mas em razão de ela (Recorrente) ser contribuinte geral, ou seja, de uma forma ou de outra antecipou o pagamento da exação, ainda que não tenha recolhido para os ‘funcionários’ envolvidos, mas, contribuiu para os demais. Com razão, mormente porque a consolidação do crédito previdenciário deu se no dia 29 de maio de 2012, portanto, encontramse decadentes os créditos anteriores ao dia 28.MAI.2007, inclusive. ii) REVISÃO DO LANÇAMENTO REFISCALIZAÇÃO Argui no presente Remédio Recursivo a existência de refiscalização, contrário a legislação, mormente porque não há afronta ao artigo 149 do CTN. Indevida tal alegação, a uma porque não há nenhuma comprovação nos autos da dita refiscalização, sendo mera alegação, que, a duas, não deve ser considerada porque não anatematiza em face de impugnação, tendo precluido o direito e, a três, se neste momento fosse analisada e julgada haveria supressão de instância. iii) DA VALIDADE DA CONTRATAÇÃO DE EMPRESAS TERCEIRIZADAS PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS – INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGO Entra a Recorrente numa discussão sem precedente e que não há de se considerar, pois, ao contribuintes é dado SIM o direito de optar pela livre contratação de sua mãodeobra, podendo haver a relação de emprego ou contratação de terceiros, sem vínculo Fl. 4853DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.721797/201211 Acórdão n.º 2301003.378 S2C3T1 Fl. 4.814 7 empregatício. Mas, optando por uma, não pode querer mudar a aplicação das regras, como se de outra fosse. Nas peças frias dos autos verificase, no tocante à subordinação, que os contratos de prestação de serviços firmados entre a Recorrente e as empresas formadas por seus exempregados são expressos, quanto ao local e horário de prestação dos serviços, no sentido de que estes devem ser prestados pela contratada “nas dependências da contratante, mais especificamente na unidade de Caxias do Sul RS de segundafeira a sextafeira, no seguinte horário: 08h às 12h e de 13:30 às 18h”. E quanto a esta prova trazida pela Fiscazação a Recorrente não demonstrou cabalmente nada que pudesse desconstituíla, o que era uma obrigação processual sua, na dinâmica do artigo 333, II do CPC. Ademais, reforçando ainda mais a comprovação de subordinação dos ex empregados, agora empresas contratadas, a Recorrente, no contrato celebrado entre elas, tem a obrigação de disponibilizar para as contratadas, durante horário acima, “sala com mesa, armário, telefone, fax, email, material de escritório em geral e telefonista/secretária”. Vejase, nesse sentido, o instrumento de contrato de fls. 385/392, que, embora firmado com a empresa Kaisen Consultoria e Gestão Empresarial Ltda. (sócio majoritário o Sr. Carlos Alberto Frota Albuquerque, exgerente de operações da impugnante), serve de paradigma em relação aos demais contratos de prestação de serviços celebrados entre a Recorrente e seus exempregados. Há, portanto, determinação expressa no sentido da obrigatoriedade, por parte da empresa contratada, de cumprimento de horário em local préestabelecido, condição que, por si só, denota a subordinação jurídica do trabalhador – que efetivamente presta os serviços – , e não da empresa, haja vista que, no caso em exemplo, o Sr. Carlos Alberto Frota Albuquerque, além de ser o detentor de 95% do capital social, é o único sócio administrador da empresa e, portanto, o único que nela exerce atividade. A par disto, necessário se faz observar que, contraditoriamente, tal contrato estabelece “desde logo” a inexistência de “qualquer vínculo funcional ou relação empregatícia entre as partes, eis que ausentes os elementos caracterizadores da prestação laboral, como subordinação hierárquica, cumprimento de horário, obedecimento de orientação e outros”, o que, conforme já se apontou, não tem validade em face da primazia da realidade, inerente à relação trabalhista/previdenciária, bem assim do disposto no artigo 9.º da CLT. Observa ainda a Fiscaliaçzão que ‘Releva ainda observar, quanto aos contratos de prestação de serviços, a um, que estes têm como objeto “a prestação de serviços de administração, gerenciamento, consultoria e assessoria em vendas, gestão e administração empresarial”, não estando, portanto, ligado a qualquer projeto ou trabalho específico de assessoria a ser desenvolvido junto à contratante; a dois, que as remunerações contratadas são estabelecidas sob a forma de pagamento mensal em valor variável (determinada quantidade de salários mínimos) ou fixo, às vezes garantido um valor mínimo mensal, outras vezes acrescido de valores à conta de “ajuda de custos”, para cobertura de dispêndios determinados (pagamento de apólice de seguro de veículo, quota de telefonia móvel) ou não; a três, que não têm eles vigência determinada, facultada a sua rescisão, a qualquer tempo, por qualquer das partes, “mediante aviso prévio de 30 (trinta) dias”, ou pagamento de “indenização à outra parte, em valor equivalente a média da remuneração recebida nos três últimos meses”. Fl. 4854DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 8 Mas não é só, pois zelou a Fiscalização em demonstrar que há imperfeição na relação alegada pela Recorrente, pois também as notas fiscais e contabilidade das empresas contratadas, convergem para relação empregatícia. Com relação às notas fiscais verificase que há emissão delas apenas para a Recorrente, ou seja, as empresas contratadas existem somente para trabalhar para ela. E, o absurdo de que entre as notas fiscais emitidas mensalmente, havia a emissão extra de três notas fiscais: uma referente ao adicional de férias; as outras, emitidas sempre no fim de cada ano (novembro e dezembro), correspondentes às duas parcelas da gratificação natalina. Finalmente, quanto à contabilidade das empresas de assessoria, restaram constatadas, pela autoridade lançadora, três situações básicas que bem demonstram a simulação consubstanciada na constituição dessas empresas. São elas: Primeiro: a inexistência da devida escrituração contábil, “fato compreensível”, no entender da Fiscalização, porque, “na realidade, os ‘sócios’ dessas pessoas jurídicas nunca deixaram de ser mais do que meros funcionários. Ou seja, para eles, as empresas de assessoria nunca existiram de fato, sendo apenas uma formalidade necessária para poderem receber seus salários com redução de tributos. Eram e continuaram sendo funcionários da Translovato.” Segundo: a existência de algum controle contábil, sem que, contudo, os respectivos Livros Diário fossem registrados na Junta Comercial. Refere a Fiscalização, no caso, que, após serem intimadas as empresas de assessoria, algumas, que simplesmente ignoravam a sua obrigação legal, apresentaram os Livros Diário sem o devido registro; outras os apresentaram registrados, mas em data posterior ao recebimento do termo de intimação. Terceiro: a existência de livros contábeis com registros inverossímeis, efetuados, conforme a autoridade lançadora, com a finalidade de aparentar legalidade à existência das empresas. Nesses casos, normalmente, os lançamentos se limitavam a demonstrar o reconhecimento das receitas auferidas pelos serviços prestados à Recorrente o recolhimento dos tributos devidos pela empresa de assessoria e, por vezes, a distribuição de lucros e o pagamento de prólabore ao sócio. De resto, essas contabilidades careciam de verossimilhança. Por exemplo, era comum que essas empresas, de acordo com suas contabilidades, tivessem uma conta ‘Caixa Geral’ cujo saldo devedor crescesse mês após mês. E, no final de cada ano, uma proporção elevada de toda a receita auferida pela empresa estava nessa conta Caixa, sendo distribuída, normalmente, apenas no último dia útil do mês. Foi comprovado pela documentação que haviam “constantes transferências de uma conta contábil referente a uma conta bancária para a conta contábil do ‘Caixa Geral’, sem motivos aparentes para a transferência. Analisando os históricos, eram comuns duas espécies: ‘saques’ e ‘compensação de cheques’. De uma forma ou de outra, não é razoável que uma empresa decida simplesmente retirar recursos mantidos em uma instituição financeira, ainda mais descontando cheques próprios, para alocálos num caixa, em espécie. Na verdade, entretanto, essa manobra contábil tinha como objetivo mascarar a verdadeira natureza de tais transferências: o gasto com despesas pessoais do sócioproprietário da empresa. Impedidos de lançar tais despesas na contabilidade, por serem alheias ao objeto da sociedade, os contadores tentaram dissimulálas jogandoas para o ‘Caixa Geral’.” Fl. 4855DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.721797/201211 Acórdão n.º 2301003.378 S2C3T1 Fl. 4.815 9 Ora, não procede a argumentação de ‘eventual confusão patrimonial nas empresas contratadas, como suposto fundamento comprobatório da dissimulação defendida” pela empresa, pois esta ‘desculpa’ seria das contratadas, em relação às quais não possui qualquer ingerência quanto à forma de administração e gestão – assim como também não podem a ela ser imputadas questões atinentes ao recolhimento a menor de impostos e/ou contribuições previdenciárias, por parte das empresas contratadas –, cumpre observar que tais apontamentos apenas reforçam o entendimento de que foi simulada uma situação, entre a Recorrente e as empresas contratadas. Reforça ainda o ‘coluio’ as informações trazidas pelo item 2 do Relatório Fiscal, obtidas (a) na Internet, no sítio da Transportes Translovato Ltda. e no sítio de negócios “Linkedln”; (b) na contabilidade da Transportes Translovato Ltda.; e (c) por meio de diligências efetuadas pela autoridade lançadora, ainda no início dos trabalhos de fiscalização. Veja que no ‘site’ da Recorrente (www.translovato.com.br), a empresa, ao expor sua estrutura, informa o nome de seus diretores e gerentes, dentre os quais figuram André Momoli (Diretor Administrativo e Financeiro da Matriz em Caxias do Sul), Carlos Albuquerque (Diretor Operacional da Matriz em Caxias do Sul), Claudemir Groff (Diretor Comercial da Matriz em Caxias do Sul), Davi Goulart Vieira (Gerente da Unidade em Porto Alegre), Adauto Ezequiel do Nascimento (Gerente Comercial em Porto Alegre), Gilvani Luis Delmonego (Gerente Comercial em Blumenau), Ivan Lizot (Gerente da Unidade em São Paulo) e Marcelo Carlos da Silva (Gerente Comercial em São Paulo) – sócios, respectivamente, das empresas Amomoli Consultoria Administrativa Ltda.; Kaisen Consultoria e Gestão Empresarial Ltda.; Groff Consultoria em Marketing Ltda e Groff Transportes Rodoviários de Cargas Ltda.; DVTraining Assessoria Empresarial Ltda.; Nascimento Consultoria Empresarial Ltda; Delmonego Consultoria e Assessoria Ltda. ME; ISL Assessoria e Consultoria Empresarial Ltda. ME; e Rizzuto Consultoria Empresarial Ltda. No sítio de negócios “Linkedln”, foram identificadas várias pessoas físicas, que informam trabalhar ou ter trabalhado na Transportes Translovato Ltda., dentre as quais as seguintes (literalmente transcritas, como constam no sítio), com os cargos por elas indicados e, quando disponível, a data em que ingressaram e saíram da função: Ademar Vivan (Gerente Filial FLN, desde julho de 2006), Albuquerque (Diretor Operacional), Alnor Pires (Gerente de Filial), Carlos Tochetto (Consultor Comercial), Fernando Machado (Gerente de Filial, de agosto 2001 até março de 2008), Gidio Luiz Comerlato Comerlato (Gerente Regional, de 2003 até 2011), Gilvâni Luis Delmonego (Gerente Comercial), Ivan Lizott (Gerência), Marcelo Carlos da Silva (Gerente Comercial, desde 1990), Maura Dorigatti (Psicóloga), e Sandra Nobre de Souza (Gerente de Recursos Humanos Corporativo, desde 2010) – sócios, respectivamente, das empresas Ademar Vivan e Cia. Ltda., Kaisen Consultoria e Gestão Empresarial Ltda., WAJ Administração em Transportes e Logística Ltda., Tochetto Assessoria e Consultoria Empresarial Ltda., Mendes & Machado Serviços Administrativos Ltda. ME, Unique Consultoria Empresarial Ltda., Delmonego Consultoria e Assessoria Ltda. ME, ISL Assessoria e Consultoria Empresarial Ltda. ME, Rizzuto Consultoria Empresarial Ltda., Unique Consultoria Empresarial Ltda., e S Nobre Assessoria Em Gestão Empresarial Ltda. Por fim a Fiscalização constatou, por meio de diligências realizadas nos domicílios tributários das empresas sediadas em Caxias do Sul, primeiro, que o endereço da empresa Amomoli Consultoria Administrativa Ltda. corresponde a uma sala nos fundos de um bazar (empresa Guerreiro Bazar e Bijouterias Ltda., CNPJ n.º 03.563.108/000180), onde “ficariam os documentos da empresa do Sr. André Momoli”; segundo, que os endereços das Fl. 4856DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 10 empresas Dario Catusso, Exemplum Representações Comerciais Ltda., Groff Transportes Rodoviários de Cargas Ltda., Groff Consultoria em Marketing Ltda., HCC Consultoria Empresarial Ltda., S Nobre Assessoria em Gestão Empresarial Ltda., Tochetto Assessoria e Consultoria Empresarial Ltda., Unique Consultoria Empresarial Ltda. e WAJ Administração em Transportes e Logística Ltda., todos, correspondiam a imóveis residenciais; e, terceiro, que no endereço da empresa WR Gestão Empresarial Ltda. “havia um consultório de próteses dentárias”, não sendo possível colher informações acerca da prévia existência da WR no local. Quanto ao disposto no artigo 129 da Lei n.º 11.196, de 21 de novembro de 2005, não vê este julgador relação com o caso em testilha, porque ela trata de serviços intelectuais, inclusive os de natureza artistica ou cultural. E, no caso ‘subjudice’ está tratando de trabalho administrativo, de pessoas físicas comuns, como se empresas fossem. Vêse, nitidamente, que a natureza dos serviços são distintos. Portanto, tenho que a Fiscalização comprovou que não se trata de pessoas jurídicas prestadoras de serviços, mas sim de exfuncionários que continuam exercendo suas funções, mantendo o vínculo empregatício. iv) DA INEXISTÊNCIA DA BITRIBUTAÇÃO – NECESSIDADE DE COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA, NA HIPÓTESE DE MANUTENÇÃO DA CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO Requer a Recorrente a compensação tributária, em razão de que, segundo ela, houve a bitributação, pois as empresas recolheram parte dos tributos cobrados. Ora, se houve tributos recolhidos pelas ‘empresas contratadas’ cabem a elas requererem a devolução ou compensação daquilo a mais cobrado, respeitando o devido processo legal. Mas, não cabe a Recorrente pleitear compensação daquilo que não é seu. ‘Permissa venia’ para este Julgador, isto reforça a contratação simulada que a Fiscalização localizou. Devendo, pois, haver a desconsideração da personalidade jurídica das empresas, com seus ulteriores efeitos, mormente a cobrança dos tributos não recolhidos por parte da Recorrente, sem nenhuma compensação, como alhures dito, pois a contribuição foi de terceiros (como ela mesmo alega) e não por ela. v) DA NECESSIDADE DA RELEVAÇÃO DA MULTA COMINADA Diz a Recorrente que corrigiu o erro flagrado, ainda durante a ação fiscal, razão assaz que justifica a relevação da pena. Sem razão. É que a relevação das penalidades aplicadas, cumpre observar que tal benefício, i) foi extinto a partir de 13 de janeiro de 2009, com a entrada em vigor do Decreto n.º 6.727, de 12 de janeiro de 2009, que revogou o artigo 291 e seus parágrafos e o inciso V do artigo 292 do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06 de maio de 1999; e, ii) aplicavase tãosomente às multas por infração ao cumprimento de obrigação acessória, o que não corresponde ao caso em testilha. vi) CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Nesse quesito, pretende a Recorrente discutir inconstitucionalidade da lei que autoriza a aplicação da multa, o que não permissível nesta Corte. Fl. 4857DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.721797/201211 Acórdão n.º 2301003.378 S2C3T1 Fl. 4.816 11 Devese ater a Recorrente ao entendimento anotado no Parecer CJ 771/97 que: “O guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. De forma que, ainda que seja uma vírgula mal distribuída num parágrafo da lei anatematizada pelo Recorrente, o caminho a postular inconstitucionalidade e perquirir direitos é o Pretório Excelsior, e não esta via. Mais ainda, há de destacar que a atividade administrativa encontrase com vinculo ao que determina a lei, como dito por muitos, ‘as ações do gestor público é escravizada pela lei’. Neste sentido, peço vênia para juntar escólio do perleúdo jurista Alexandre de Moraes (curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: O tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” E, de mais a mais, observase que o o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 256, de 22/06/2009, veda aos Conselheiros de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Portanto, sem razão a Recorrente, neste quesito, porque a casa correta para anatematizar a legislação é outra. vii) DA PENALIDADE COMINADA E DO PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE Diz que a penalidade cominada fere o princípio da razoabilidade, em outras palavras. Vejo em suas justificativas, mais uma vez, a intenção de trazer à baila a questão de constitucionalidade de lei, o que não é permissível a discussão, como alhures dito, nessa Corte. Mas, devese considera que a constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública, sendo defeso à autoridade julgadora administrativa afastar a sua Fl. 4858DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 12 aplicação, por inconstitucionalidade, ressalvados, somente, os casos previstos no parágrafo 6.º do artigo 26A do Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972, incluído pela Lei n.º 11.941, de 27 de maio de 2009. Sendo assim, sem entrar no merito da constitucionalidade, sem razão a Recorrente. MULTA Por derradeiro, impugna a multa aplicada à razão de 75%, haja vista que o artigo 32A, inciso II, da Lei 8212/91 com redação dada pela Medida Provisória 449/2008, limitou a aplicação da penalidade pecuniária a 20% nos casos em que o contribuinte deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art.32 da Lei de Custeio ou apresentála com incorreções. Quanto o contribuinte não entrega a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, ou a faz com atraso, ou com incorreções ou omissões, por certo que constituirá uma violação à obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei 8.212/91 e sujeitará o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. O fato de a publicação da Medida Provisória n° 449/08, convertida na Lei n° 11.941/09, modificou a aplicabilidade da legislação, pois, antes da mencionada lei, a multa pela (a) não declaração em GFIP de fatos geradores da contribuição previdenciária; (b) não apresentação de GFIP; e (c) pelo preenchimento incorreto da GFIP estava prevista no artigo 32, § 5º, da Lei 8.212/91. Entretanto a Lei 11.941/09 trouxe mudança à aplicação da multa, pois o artigo 32, § 5º da Lei 8.212/91 foi revogado e a multa passou a ser aplicada e prevista no artigo 32A do mesmo Caderno Legal, ficando assim: A R$ 20,00 para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas na GFIP; B 2% (dois por cento), ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%, observado o disposto no § 3º deste artigo. Ocorre que, na autuação foi desconsiderando o artigo 32A da Lei 8.212/91, equivocadamente, e o Fiscal aplicou a regra do artigo 44 da Lei 9.430/96, ou seja, a multa decorrente do lançamento de ofício, no importe de 75%, que visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata. Isto posto, tenho que, com fulcro na retroatividade benigna prevista no artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional CTN, entendo que a penalidade lançada contra o contribuinte prevista no artigo 32, § 5º, da Lei n° 8.212/91 deve ser substituída pela multa do artigo 32A, da Lei 8.212/91, que deverá ser aplicada inclusive nos casos de descumprimento de obrigação acessória anteriores à vigência da Lei n° 11.941/09. Quanto as competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. Fl. 4859DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.721797/201211 Acórdão n.º 2301003.378 S2C3T1 Fl. 4.817 13 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, tão somente para excluir do lançamento os créditos lançados nos meses anteriores a 29.MAI.2012, inclusive, haja vista a ocorrência da decadência pela regra do artigo 150, § 4 do CTN, julgando improcedente os demais quesitos aviados no presente Recurso Voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator Fl. 4860DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 14 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Fl. 4861DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.721797/201211 Acórdão n.º 2301003.378 S2C3T1 Fl. 4.818 15 Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. Fl. 4862DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 16 O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões Fl. 4863DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.721797/201211 Acórdão n.º 2301003.378 S2C3T1 Fl. 4.819 17 do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Fl. 4864DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 18 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora Fl. 4865DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.721797/201211 Acórdão n.º 2301003.378 S2C3T1 Fl. 4.820 19 no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 4866DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA 20 Fl. 4867DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 11516.001202/2009-21
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
CRÉDITO. DESPESA DE ALUGUEL. APURAÇÃO. DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO.
Comprovados, por meio de diligência, a existência do contrato de aluguel e respectivos pagamentos, deve ser revertida a glosa que fora efetuada sobre sua falta de comprovação.
Numero da decisão: 3803-006.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO. DESPESA DE ALUGUEL. APURAÇÃO. DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. Comprovados, por meio de diligência, a existência do contrato de aluguel e respectivos pagamentos, deve ser revertida a glosa que fora efetuada sobre sua falta de comprovação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório Tratase de processo com retorno de diligência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 12 02 /2 00 9- 21 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu o Pedido de Ressarcimento nº 22928,05137.310306,1.1.097608, fls. 2/6, de PIS Não Cumulativo relativo ao 1º. trimestre do anocalendário de 2005, no valor de R$ 26.834,83, que utilizou a importância de R$ 888,56 como crédito na Declaração de Compensação DComp nº 24977.96145.310308.1.3.090920, fls. 7/10. Ancorada na Informação Fiscal de fls. 96/100, a DRF/Florianópolis, por meio do Despacho Decisório de fls. 101/102, homologou parcialmente a compensação reconheceu parcialmente o crédito no valor de R$ 15.039,50, deixando de considerar na base de cálculo dos créditos os valores de ‘aluguéis pagos à pessoa física e outros valores', sem o respaldo de notas fiscais de entrada’. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 111/113, a Interessada alegou, em síntese, que houve equívoco na conclusão da autoridade fiscal, no tocante à análise da documentação apresentada pela empresa, haja vista que os pagamentos de aluguéis foram feitos à empresa Garantia Administradora de Bens e Serviços Ltda., pessoa jurídica, conforme documentação em anexo. Requereu, por fim, que fosse revisto o direito creditório relativo à despesa de aluguel. Em julgamento da lide, acórdão de fls. 126/128, a DRJ/Florianópolis: a) verificou que a Defesa anexou um aditivo ao contrato de locação, de data anterior ao período de que trata o presente processo, por meio do qual o locador passou a ser pessoa jurídica; b) considerou, em tese, a possibilidade do desconto de créditos em relação a pagamentos de despesas de aluguel de prédios locados de pessoas jurídicas e utilizados nas atividades da empresa, conforme a Lei nº 10.637, de 2002. Todavia, deixou de deferir a solicitação contida na manifestação de inconformidade pelo fato de a Contribuinte ter deixado de apresentar as notas fiscais emitidas pela empresa locadora, visando à comprovação dos pagamentos feitos nos montantes que constam do Dacon. Recurso voluntário apresentado, a Recorrente sustentou a impropriedade e equívoco da decisão recorrida de indeferir a solicitação de inclusão dos valores de aluguéis na base de cálculo dos créditos, por falta de apresentação das notas fiscais a eles correspondentes; afirma não haver base legal para tal exigência e que o contrato de locação já apreciado pelo Colegiado de primeira instância faz prova, por si, da despesa incorrida. Esta Turma, converteu o julgamento em diligência, para que a Repartição de origem certifique junto à Contribuinte, e anexe aos autos, a escrituração das despesas de aluguel do período em foco e intime o locador para que informe se tem conhecimento da existência do contrato de locação e a finalidade do uso do imóvel. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator Fl. 184DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.001202/200921 Acórdão n.º 3803006.453 S3TE03 Fl. 184 3 Conforme referido no relatório, consta do Dacon relativo ao 3º trimestre de 2005, fl. 11, registro de Despesas de Aluguéis de Prédios Locados e Pessoas Jurídicas, subsequentemente, nos meses de julho, agosto, setembro, os valores de R$ 4.165.30 mais R$ 1.112,57, R$ 5.123,23 mais R$ 154,64 e R$ 3,844,40 mais R$ 2.108,38, cujas somas parciais resultam para cada um dos dois primeiros meses do trimestre e o valor de R$ 6.986,01, para o último mês. A Interessada foi intimada para, além da ciência do resultado do julgamento, que interviesse junto ao locador, para que informasse se tinha conhecimento da existência do contrato de locação e a finalidade do uso do imóvel. À fl. 165 está anexada a Declaração do locador dando conta da relação contratual com a Plasson, tendo como objeto a locação do prédio onde instalada a indústria. Ás fls. 176/180 consta folhas do Diário, com respectivos Termos de Abertura e Encerramento, correspondentes ao 3º trimestre de 2005, extraído em 30/09/2004, com registro dos correspectivos três pagamentos de aluguel, no valor de R$ 5.277,87[1]. Dessarte, foi cumprido o objeto da diligência e comprovados a existência do contrato do aluguel e respectivos pagamentos, correspondentes ao valor escriturado no Dacon. Assim, sendo esta a única controvérsia do processo, deve ser revertida a glosa e reconhecido o crédito pleiteado. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso. Sala das sessões, 21 de agosto de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 1 O último mês do trimestre antecedente encontrase contabilizado neste. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 19647.008116/2005-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
Ementa:
PROCESSOS ADMINISTRATIVO. DESISTÊNCIA. FATO IMPEDITIVO.
A desistência do recurso caracteriza-se como fato impeditivo do direito de recorrer, o que leva ao não conhecimento do recurso.
Numero da decisão: 3402-002.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em face da desistência tácita.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Fenelon Moscoso de Almeida e José Paulo Puiatti.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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DESISTÊNCIA. FATO IMPEDITIVO. A desistência do recurso caracterizase como fato impeditivo do direito de recorrer, o que leva ao não conhecimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em face da desistência tácita. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Fenelon Moscoso de Almeida e José Paulo Puiatti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 81 16 /2 00 5- 32 Fl. 323DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19647.008116/200532 Acórdão n.º 3402002.461 S3C4T2 Fl. 101 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos, colaciono o relatório da Resolução nº 3402000.605, de 26 de setembro de 2013, que converteu o julgamento em diligência para identificar possível relação entre os fundamentos jurídicos constantes nestes autos e os fatos constantes em autuação de IRPJ, verbis: Contra a empresa já identificada foram lavrados os Autos de Infração, de fls. 03/04 e 100/101, do presente processo, para exigência dos créditos tributários referente aos períodos de apuração constantes dos autos de infração da COFINS e do PIS. 2. De acordo com a autuante, os referidos autos são decorrentes da insuficiência de recolhimento com base na receita de vendas registrada nos livros fiscais apresentados pela contribuinte, conforme narrado nos Termos de Encerramento, anexos aos autos de infração, fls. 05 e 102. 3. Inconformada com a autuação, a contribuinte, por seu representante legal, apresentou as impugnações, de fls. 61/81 e 159/179, e juntou cópias dos documentos, de fls. 82/94 e 180/192, alegando, em síntese: 3.1 o auto de infração lavrado é nulo, porquanto exige débitos já devidamente declarados em DCTF, haja vista que dita declaração é confissão de dívida hábil para se exigir o valor perseguido através do presente processo administrativo. A Impugnante fez toda a apuração dos tributos devidos e a declaração anual de ajuste do imposto sobre a renda se baseando no lucro presumido.Com efeito, cumpre destacar que a declaração do Imposto de Renda entregue à fiscalização é documento válido e foi totalmente desconsiderado no auto de infração, o que o fulmina do vício da nulidade insanável; 3.2 o excesso de rigor fica também evidenciado quando o Agente Fiscal informa inexistir escrituração suficiente, quando contraditoriamente admite que existia toda uma escrituração fiscal e seus documentos de suporte, com o qual até se baseou para aplicaria injusta penalidade de arbitramento, que não encontra amparo na lei, constituindo violência fiscal que torna o ato de infração nulo de pleno direito e é o que requer; ' 3.3 cumpre destacar que o arbitramento perpetrado pela Autoridade Autuante não tem qualquer respaldo legal, porquanto a Impugnante apresentou todos os livros fiscais necessários para o reconhecimento das operações realizadas e para que, consequentemente, fosse apurada a regularidade dos procedimentos realizados pela empresa; 3.4 o débito objeto do presente processo administrativo já foi devidamente declarado através da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, antes mesmo de ter sido lavrado o auto de infração ora impugnado. Em se tratando de Fl. 324DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19647.008116/200532 Acórdão n.º 3402002.461 S3C4T2 Fl. 102 3 débitos já declarados à Secretaria da Receita Federal, inexiste dúvida razoável de que não deve o auto de infração subsistir, sob pena ide restar configurada duplicidade da exigência, haja vista que tanto o débito objeto da DCTF, quanto o débito objeto do auto de infração, têm a mesma finalidade; 3.5 às fls. 66/70 a contribuinte trata sobre a nulidade do lançamento, alegando que é plenamente possível ao contribuinte fazer a opção pelo regime de tributação como base no lucro presumido no ato de entrega da declaração de rendimento, com base no art. 44 da Lei n° 8.981/95 c/c com o art. 26 da Lei n° 9.430/96 que dispõe sobre em que momento a opção feita pelo contribuinte restará confirmada; 3.6 a Autoridade Administrativa, sob o argumento de que a Impugnante não teria feito a opção pelo regime de tributação, utilizou suposta base de cálculo e sobre este valor aplicou indevidamente a alíquota da presente contribuição, em total desacordo com o previsto na legislarão pátria, pois não fez as devidas exclusões, ou até mesmo não atentou para a não cumulatividade do tributo; 3.7 as capitulações realizadas pela Autoridade Autuante não se coadunam com a descrição dos fatos, restando incompatível com as determinações contidas na legislação acerca das formalidades de que deve se revestir o auto de infração. A Autoridade deixou de apontar dispositivo que corresponda a descrição dos fato limitandose a indicar artigos que consignam exigências dissociadas da realidade. Assim, a falta de dispositivo legal, além de nulificar o auto de infração por ausência de requisito específico, impede a Impugnante de defenderse, o que termina por ofender diretamente o princípio do contraditório, insculpido na Carta Magna; 3.8 foi imposta à Impugnante multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o suposto débito, caráter, evidentemente, confiscatório, porquanto alcança parcela do patrimônio da Impugnante. De acordo com o artigo 150, IV da Constituição Federal, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios exigir tributo com efeitos de confisco, fls. 72/75; 3.9 às fls. 75/80 questiona a constitucionalidade e legalidade da aplicação da taxa SELIC como juros moratórios; 3.10 em face do exposto requer sejam acatadas as preliminares suscitadas e anulado o auto de infração, com a extinção do lançamento do crédito tributário e das penalidades a ele atreladas, ou, que seja julgado totalmente improcedente, em razão da legitimidade dos recolhimentos efetuados pela Impugnante. 4. Em face da disposição contida no art. 2º da Portaria SRF n° 6.129, de 03 de dezembro de 2005, o processo n° 19647.008115/200598, referente ao PIS, foi juntado ao presente processo, conforme despacho, de fl. 97. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19647.008116/200532 Acórdão n.º 3402002.461 S3C4T2 Fl. 103 4 A Quarta Turma da DRJ de Salvador (BA) julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 1518.006 de 23 de dezembro de 2008, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 BASE DE CALCULO. A base de cálculo para a COFINS e PIS/PASEP é o faturamento do mês, que corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, entendendose por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada, com as exclusões previstas em lei. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese negarlhe execução, PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, ATIVIDADE VINCULADA. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. MULTA DE OFÍCIO, AMPARO LEGAL. A multa a ser aplicada em procedimento exofficio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário, não havendo como imputar o caráter confiscatório à penalidade aplicada de conformidade com a legislação regente da espécie. Inconformado com a decisão de primeiro grau, o recorrente protocolou recurso voluntário valendose dos mesmos fundamentos jurídicos apresentados na impugnação, que sintetizo abaixo: 1) Que houve um grande equívoco por parte da autoridade autuante, vez que afirma que a recorrente não teria apresentado os livros solicitados pela fiscalização, quando na verdade, utilizou exatamente dos livros apresentados para subsidiar a autuação 2) Que o auto de infração é nulo, porquanto exige débitos já devidamente declarados em DCTF, haja vista que dita Fl. 326DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19647.008116/200532 Acórdão n.º 3402002.461 S3C4T2 Fl. 104 5 declaração é confissão de dívida hábil para se exigir o valor perseguido através do presente processo administrativo; 3) Que a DIPJ entregue à fiscalização é documento válido e foi totalmente desconsiderado no auto de infração, fato que o torna nulo; 4) Que carece de plausibilidade a manutenção do auto de infração na forma em que lavrado, pois a afirmativa da autoridade administrativa de que seria impossível optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido afronta dispositivos legais então vigentes, o que demonstra a regularidade procedimental com que o contribuinte rege suas atividades junto ao fisco federal, sem falar na ausência de capitulação lega indispensável para a eventual procedência da autuação; 5) Que a autoridade administrativa deixou de apontar dispositivo que corresponda a descrição dos fatos, limitandose a indicar artigos que consignam exigências dissociadas da realidade. Assim a falta de dispositivo legal, além de nulificar o auto de infração por ausência de requisito específico, impede a recorrente de defenderse, o que termina por ofender diretamente o princípio do contraditório, insculpido na Carta Magna; 6) Que tem efeito confiscatório a multa aplicada de 75%, bem como os juros calculados com base na taxa Selic; Termina a petição recursal requerendo a nulidade do auto de infração, com a consequente extinção do lançamento do crédito tributário e das penalidades a ele atreladas. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto. É fato incontroverso que os débitos em discussão nestes autos foram parcelados junto a Receita Federal do Brasil, conforme informação prestada pela SECAT/DRF/RECIFE. Partindo dessa premissa, passo a análise dos demais requisitos de admissibilidade do recurso apresentado. O direito a recorrer está sujeito à observância de requisitos mínimos impostos por lei, cuja ausência implica a pronta inadmissão da peça recursal, sem que se investigue ser procedente ou improcedente a própria irresignação veiculada no recurso. As atividades do Fl. 327DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19647.008116/200532 Acórdão n.º 3402002.461 S3C4T2 Fl. 105 6 julgador direcionadas para aferição da presença desses pressupostos recebem o nome de juízo de admissibilidade. Esse juízo antecede lógica e cronologicamente um outro subseqüente juízo, qual seja o juízo de mérito, no qual é analisada a pretensão recursal. O professor Barbosa Moreira observa que a questão relativa à admissibilidade é, sempre e necessariamente, preliminar à questão de mérito. A apreciação desta fica excluída se àquela se responde em sentido negativo. Os requisitos viabilizadores do exame do mérito recursal são divididos pelo professor Barbosa Moreira em duas categorias: “requisitos intrínsecos (concernentes à própria existência do poder de recorrer) e requisitos extrínsecos (relativos ao modo de exercêlo)”. Alinhamse no primeiro grupo o cabimento, a legitimidade para recorrer, o interesse recursal e a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer. O segundo grupo é composto pela tempestividade, a regularidade formal e o preparo. Temos a consciência de que nem todos os requisitos de admissibilidade devem ser observados no âmbito do processo administrativo. Contudo, ao examinar a possibilidade de seguimento do recurso, o julgador administrativo deve estar atento para alguns dos requisitos, a saber: o interesse recursal, a legitimidade, a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer, a regularidade formal e a tempestividade. Atendidos todos eles, fica permitida a análise do meritum causae. Regressando aos autos, conforme já dito, o recorrente fez opção ao parcelamento e incluiu os débitos discutidos nestes autos. Nos termos do art. 78 do Regimento Interno do CARF, a adesão a qualquer parcelamento importa na renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto. Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Assim sendo, ao incluindo os débitos ora em discussão em um parcelamento, o sujeito passivo desistiu tacitamente deste recurso voluntário. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19647.008116/200532 Acórdão n.º 3402002.461 S3C4T2 Fl. 106 7 Tendo em vista que a desistência é um fato impeditivo do direito de recorrer, uma vez que a interposição do recurso seria um ato incompatível com o anteriormente realizado, deixo de conhecer do recurso voluntário impetrado pelo sujeito passivo. É como voto. Sala de sessões, 20/08/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 329DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10875.907906/2012-63
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2010
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1744; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 95 1 94 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.907906/201263 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801003.813 – 1ª Turma Especial Sessão de 23 de julho de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDUSTRIA AUTOMOTIVA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2010 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 79 06 /2 01 2- 63 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907906/201263 Acórdão n.º 3801003.813 S3TE01 Fl. 96 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS nãocumulativo, relativo ao fato gerador de 28/02/2010. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 18/01/2013 (fl. 33), o contribuinte apresentou, em 14/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 2/11, com os argumentos a seguir sintetizados. Alega que o valor declarado na DCTF original foi recolhido a maior e, por isso, retificou a declaração, gerando um crédito a seu favor, conforme os demonstrativos que elabora. Em função disso, optou por exercer o seu direito à compensação, transmitindo Per/Dcomp. Portanto, possuía crédito para suportar a compensação pretendida. Talvez por algum desencontro de dados o crédito não foi identificado, o que não pode o prejudicar, sob pena de se ofender o Princípio da Verdade Material sobre o qual discorre, citando posições doutrinárias e decisões do CARF, bem como ocorrer o enriquecimento ilícito da União Federal. Por fim, requer seja cancelado o processo de cobrança, reconhecido o crédito utilizado, homologandose o Per/Dcomp, e, caso seja necessário, seja o procedimento administrativo baixado em diligência para apuração dos fatos pertinentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2010 RETIFICAÇÃO DA DCTF. PRODUÇÃO DE EFEITOS. A retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto reduzir os débitos relativos a contribuições que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. DILGÊNCIA. PROVAS. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907906/201263 Acórdão n.º 3801003.813 S3TE01 Fl. 97 3 Não há como ser admitido o pedido de realização de diligência quando este vise, tão somente, a transferência da produção de provas para a autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, tecendo ainda considerações sobre o princípio da verdade material e colacionando precedentes. É o Relatório. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907906/201263 Acórdão n.º 3801003.813 S3TE01 Fl. 98 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Contribuição para o PIS que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade considerando que a retificação feita pela recorrente foi em desacordo com as normas que dispõe sobre a DCTF ao reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização e, ainda que pudesse ser aceita a DCTF retificadora, não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Conforme consta nos autos, a retificação do débito declarado na DCTF foi indeferida devido a existência de procedimento fiscal anterior, que seria uma das hipóteses impeditivas previstas no art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 dezembro de 2010. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Não há norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. Quanto ao alegado impedimento para retificação da DCTF, o próprio comando inserto no art. 9º da IN RFB nº 1.110/2010 , abaixo reproduzido, ao mesmo tempo que afirma que a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto a redução de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, abre a possibilidade para uma eventual retificação de ofício nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada.. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e Fl. 98DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907906/201263 Acórdão n.º 3801003.813 S3TE01 Fl. 99 5 servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. § 3 º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em redução do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou do débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.(grifei) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907906/201263 Acórdão n.º 3801003.813 S3TE01 Fl. 100 6 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 100DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10835.001580/2009-30
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1995
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI N.º 9.363/96. PRAZO DE CINCO ANOS PARA EXERCER O DIREITO. APLICAÇÃO DO ART. 1O. DO DECRETO N.º 20.910/32.
Ao benefício fiscal previsto na Lei n.º 9.363/96, por se tratar de dívida passiva da União, com respeito à prescrição, aplica-se o disposto no art. 1o. do Decreto n.º 20.910/96, de modo que prescreve em cinco anos contatos do ato ou fato de que se originou.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. PRESCRIÇÃO.
Não corre a prescrição durante a demora que, no estudo ao reconhecimento ou no pagamento da dívida, tiverem as repartições ou funcionários encarregados de estudar e apurá-la. A prescrição recomeça a correr, pela metade do prazo, da data do ato que a interrompeu ou do último ato ou termo do respectivo processo.
CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC.
Créditos presumidos de IPI devem ser corrigidos pela aplicação da taxa Selic quando ficar caracterizada oposição ilegítima pela administração fazendária. Reprodução da decisão do STJ no REsp. 1.035.847/RS, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 3801-002.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de afastar a prescrição e anular o despacho decisório da DRF de origem, devendo esta proceder à nova análise do pedido, inclusive quanto ao mérito, reconhecendo-se a atualização monetária, se cabível, a partir de 16/09/2009, dia em que foi protocolado o pedido de ressarcimento. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que reconhecia a prescrição. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1995 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI N.º 9.363/96. PRAZO DE CINCO ANOS PARA EXERCER O DIREITO. APLICAÇÃO DO ART. 1O. DO DECRETO N.º 20.910/32. Ao benefício fiscal previsto na Lei n.º 9.363/96, por se tratar de dívida passiva da União, com respeito à prescrição, aplica-se o disposto no art. 1o. do Decreto n.º 20.910/96, de modo que prescreve em cinco anos contatos do ato ou fato de que se originou. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. PRESCRIÇÃO. Não corre a prescrição durante a demora que, no estudo ao reconhecimento ou no pagamento da dívida, tiverem as repartições ou funcionários encarregados de estudar e apurá-la. A prescrição recomeça a correr, pela metade do prazo, da data do ato que a interrompeu ou do último ato ou termo do respectivo processo. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. Créditos presumidos de IPI devem ser corrigidos pela aplicação da taxa Selic quando ficar caracterizada oposição ilegítima pela administração fazendária. Reprodução da decisão do STJ no REsp. 1.035.847/RS, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Processo Anulado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de afastar a prescrição e anular o despacho decisório da DRF de origem, devendo esta proceder à nova análise do pedido, inclusive quanto ao mérito, reconhecendo-se a atualização monetária, se cabível, a partir de 16/09/2009, dia em que foi protocolado o pedido de ressarcimento. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que reconhecia a prescrição. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2277; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10835.001580/200930 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.838 – 1ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2014 Matéria IPI RESSARCIMENTO Recorrente BRASWEY S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1995 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI N.º 9.363/96. PRAZO DE CINCO ANOS PARA EXERCER O DIREITO. APLICAÇÃO DO ART. 1O. DO DECRETO N.º 20.910/32. Ao benefício fiscal previsto na Lei n.º 9.363/96, por se tratar de dívida passiva da União, com respeito à prescrição, aplicase o disposto no art. 1o. do Decreto n.º 20.910/96, de modo que prescreve em cinco anos contatos do ato ou fato de que se originou. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. PRESCRIÇÃO. Não corre a prescrição durante a demora que, no estudo ao reconhecimento ou no pagamento da dívida, tiverem as repartições ou funcionários encarregados de estudar e apurála. A prescrição recomeça a correr, pela metade do prazo, da data do ato que a interrompeu ou do último ato ou termo do respectivo processo. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. Créditos presumidos de IPI devem ser corrigidos pela aplicação da taxa Selic quando ficar caracterizada oposição ilegítima pela administração fazendária. Reprodução da decisão do STJ no REsp. 1.035.847/RS, por força do art. 62 A do Regimento Interno do CARF. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de afastar a prescrição e anular o despacho decisório da DRF de origem, devendo esta proceder à nova análise do pedido, inclusive quanto ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 15 80 /2 00 9- 30 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10835.001580/200930 Acórdão n.º 3801002.838 S3TE01 Fl. 3 2 mérito, reconhecendose a atualização monetária, se cabível, a partir de 16/09/2009, dia em que foi protocolado o pedido de ressarcimento. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que reconhecia a prescrição. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório do acórdão recorrido, transcrito abaixo. Observo que os números entre colchetes foram por mim inseridos para corrigir as datas que haviam sido digitadas incorretamente no relatório do voto condutor da decisão recorrida. “O contribuinte em epígrafe peticionou no processo nº 13811.000874/987 o ressarcimento do crédito presumido referente aos anos de 19[9]5, 19[9]6 e 19[9]7. Relativamente ao ano de 19[9]5 o pleito foi negado porque deveria ter sido apurado de forma descentralizada, pelo estabelecimento produtor exportador, e não de forma centralizada como entendia o contribuinte, denegação esta mantida em primeira instancia pela decisão da DRJ/SPO nº 3740/2000. Devido a característica da matéria o citado processo foi desmembrado e esta lide passou a ser discutida no processo nº 10880.000781/200117, a qual foi encerrada com o acórdão CSRF/0202.275 da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que deu ganho de causa à Receita Federal, mantendo a denegação do pleito. Diante disso, o interessado ingressou com o presente processo, novamente peticionando o ressarcimento do crédito presumido do ano de 19[9]5, alegando, basicamente, que agora teria apurado o benefício, monetariamente corrigido, de acordo com o decidido no processo nº 10880.000781/200117 e que não teria ocorrido a prescrição de seu direito de pedir, pois, enquanto durou a referida lide tal prescrição teria permanecido suspensa, nos termos do artigo 151III do CTN. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10835.001580/200930 Acórdão n.º 3801002.838 S3TE01 Fl. 4 3 O Despacho Decisório proferido pela autoridade competente indeferiu o pleito por entender que teria ocorrido a prescrição, de acordo com o Decreto nº 20.910, de 06/01/1932, e que a correção monetária do crédito presumido não era sustentável por falta de amparo legal. Tempestivamente o contribuinte ingressou com a presente manifestação de inconformidade alegando, em síntese, os mesmo argumentos, reiterando que seu direito estaria amparado na legislação e jurisprudência que cita.” A manifestação de inconformidade foi indeferida pela unidade julgadora da RFB, nos termos do acórdão recorrido, cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1995 RESSARCIMENTO DO IPI. PRESCRIÇÃO. O prazo prescricional qüinqüenal é aplicável aos pleitos administrativos referentes a créditos do imposto, conforme disposição da legislação tributária sobre a matéria (Decreto nº 20.910/32). CRÉDITOS ESCRITURAIS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Não há amparo legal para a correção monetária de créditos escriturais do IPI, nem, tampouco, no ressarcimentos destes. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido” Contra a decisão, a contribuinte ingressou com o recurso voluntário em análise, no qual repete os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade.. A matéria é da competência da 3a Seção de Julgamento e o valor está dentro do limite de alçada das turmas especiais. Logo, deve ser conhecido. Sobre a prescrição prevista no Decreto nº 20.910, de 06/01/1932. O benefício fiscal concedido pela Lei n.º 9.363/96 não se trata de restituição de indébito tributário, pois não decorre de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, nem de erro na identificação do sujeito passivo ou no cálculo do montante ou da Fl. 280DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10835.001580/200930 Acórdão n.º 3801002.838 S3TE01 Fl. 5 4 alíquota aplicável, nem de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, tal como previsto no art. 165 do Código Tributário Nacional. Tratase de despesa pública do Estado com vistas a tornar as exportações de produtos brasileiros mais competitivas no mercado internacional, que, após satisfeitas as condições para seu recebimento, tornase direito do produtor exportador e dívida passiva da União, motivo pelo qual deve atender ao disposto no art. 1.º do Decreto n.º 20.910/32, que dispõe ser de cinco anos o prazo prescricional para das dívidas passivas da União. Em consonância com este entendimento o Parecer Normativo CST nº 515, de 10 de agosto de 1971, cujos dizeres, abaixo citados, extraí do voto condutor da decisão recorrida. “Crédito não utilizado na época própria: se a natureza jurídica do crédito é a de uma dívida passiva da União, aplicável será para a prescrição do direito de reclamálo, a norma específica do artigo 1º do Decreto nº 20.910, de 06.01.32, que a fixa em cinco anos, em vez do dispositivo genérico do artigo 6º do mesmo diploma”. Entendeu esta Coordenação que são aplicáveis as normas específicas do Decreto nº 20.910, de 06.01.32, no que diz respeito à prescrição extintiva do direito de reclamar o crédito do IPI, nas várias modalidades em que o referido crédito é admitido na legislação desse tributo, inclusive quando a título de estímulo à exportação ou outros incentivos fiscais. Isso porque atribui aos créditos em questão a natureza jurídica de uma “dívida passiva da União”, cuja prescrição qüinqüenal é regulada pelo mencionado Decreto. 2. Por certo, muito embora implique o crédito no montante correspondente em diminuir o imposto devido (regra geral), não tem a mesma natureza deste, especialmente quando é utilizado em forma de incentivos (regra especial). Conseqüentemente, ao crédito não utilizado na época própria não se aplicam as mesmas normas previstas para a reclamação do “imposto indevidamente pago”, cuja prescrição é de cinco anos (CTN, art. 168), embora, ocasionalmente, possa esse prazo ser idêntico para ambos os casos. (...) 5. No caso do artigo 30, inciso I a V do RIPI (*), o termo inicial da prescrição é a entrada dos produtos ali indicados, no estabelecimento, acompanhados da respectiva Nota Fiscal....” O STJ, 1ª Seção, no Recurso Especial nº 1.129.971/BA, representativo de controvérsia, decidiu que o prazo prescricional das ações que visam ao recebimento do crédito prêmio do IPI, nos termos do art. 1º do Decreto 20.910/32, é de cinco anos. Vejase a ementa: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. Recurso Especial representativo de controvérsia (art. 543C, § 1º, do CPC). pedido de desistência. Indeferimento. Violação ao art. 535, do CPC. INOCORRÊNCIA. ALÍNEA “C”. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE DISSÍDIO. IPI. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491/69 (ART. 1º). VIGÊNCIA. PRAZO. EXTINÇÃO.PRESCRIÇÃO. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10835.001580/200930 Acórdão n.º 3801002.838 S3TE01 Fl. 6 5 1. É inviável o acolhimento de pedido de desistência recursal formulado quando já iniciado o procedimento de julgamento do Recurso Especial representativo da controvérsia, na forma do art. 543C do CPC c/c Resolução n.º 08/08 do STJ. Precedente: QO no REsp. n. 1.063.343RS, Corte Especial, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 17.12.2008. 2. O Poder Judiciário não está obrigado a se manifestar expressamente a respeito de todas as teses jurídicas trazidas pelas partes para a solução de um determinado caso concreto. Basta a existência de fundamentação apta e razoável a fazêlo no decisório, havendo que ser consideradas rechaçadas as demais teses levantadas e não acolhidas. Ausente a violação ao art. 535, do CPC. 3. A mera colagem de ementas não supre a demonstração do dissídio a que se refere a alínea "c" do inciso III do artigo 105 da Constituição Federal de 1988. Nas razões de recurso especial, a alegada divergência deverá ser demonstrada nos moldes exigidos pelo artigo 255 e parágrafos do RI/STJ. Precedentes: AEREsp n 337.883/SP, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, DJ de 22/3/2004, REsp n 466.526/DF, Rel. Min. Fernando Gonçalves, DJ de 25/8/2003 e AgREsp n. 493.456/RS, Rel. Min. Felix Fischer, DJ de 23/6/2003. 4. Relativamente ao prazo de vigência do estímulo fiscal previsto no art. 1º do DL 491/69 (créditoprêmio de IPI), três orientações foram defendidas na Seção. A primeira, no sentido de que o referido benefício foi extinto em 30.06.83, por força do art. 1º do Decretolei 1.658/79, modificado pelo Decretolei 1.722/79. Entendeuse que tal dispositivo, que estabeleceu prazo para a extinção do benefício, não foi revogado por norma posterior e nem foi atingido pela declaração de inconstitucionalidade, reconhecida pelo STF, do art. 1º do DL 1.724/79 e do art. 3º do DL 1.894/81, na parte em que conferiram ao Ministro da Fazenda poderes para alterar as condições e o prazo de vigência do incentivo fiscal. 5. A segunda orientação sustenta que o art. 1º do DL 491/69 continua em vigor, subsistindo incólume o benefício fiscal nele previsto. Entendeuse que tal incentivo, previsto para ser extinto em 30.06.83, foi restaurado sem prazo determinado pelo DL 1.894/81, e que, por não se caracterizar como incentivo de natureza setorial, não foi atingido pela norma de extinção do art. 41, § 1º do ADCT. 6. A terceira orientação é no sentido de que o benefício fiscal foi extinto em 04.10.1990, por força do art. 41 e § 1º do ADCT, segundo os quais "os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis", sendo que "considerarseão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos fiscais que não forem confirmados por lei".Entendeuse que a Lei 8.402/92, Fl. 282DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10835.001580/200930 Acórdão n.º 3801002.838 S3TE01 Fl. 7 6 destinada a restabelecer incentivos fiscais, confirmou, entre vários outros, o benefício do art. 5º do DecretoLei 491/69, mas não o do seu artigo 1º. Assim, tratandose de incentivo de natureza setorial (já que beneficia apenas o setor exportador e apenas determinados produtos de exportação) e não tendo sido confirmado por lei, o créditoprêmio em questão extinguiuse no prazo previsto no ADCT. 7. Prevalência do entendimento no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o crédito prêmio do IPI, previsto no art. 1º do DL 491/69, não se aplica às vendas para o exterior realizadas após 04.10.90. Precedente no STF com repercussão geral: RE nº. 577.3485/RS, Tribunal Pleno, Relator Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 13.8.2009. Precedentes no STJ: REsp. Nº 652.379 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 8 de março de 2006; EREsp. Nº 396.836 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. para o acórdão Min. Castro Meira, julgado em 8 de março de 2006; EREsp. Nº 738.689 PR, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 27 de junho de 2007. 8. O prazo prescricional das ações que visam ao recebimento do créditoprêmio do IPI, nos termos do art. 1º do Decreto 20.910/32, é de cinco anos. Precedentes: EREsp. Nº 670.122 PR Primeira Seção, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 10 de setembro de 2008; AgRg nos EREsp. Nº 1.039.822 MG, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 24 de setembro de 2008. 9. No caso concreto, tenho que o mandado de segurança foi impetrado em 6 de junho de 2005, portanto, decorridos mais de cinco anos entre a data da extinção do benefício (5 de outubro de 1990) e a data do ajuizamento do writ, encontramse prescritos eventuais créditos de titularidade da recorrente. 10. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008.” O entendimento de que o ressarcimento não é espécie de restituição e que deve se submeter às disposições do Decreto nº 20.910, de 1932, foi adotado também por várias câmaras do extinto 2º Conselho de Contribuintes (2ºCC), conforme ementas abaixo: Acórdão 20402.945, de 22/11/2007, da 4ª Câmara do 2º CC: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializado IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000. Ementa: RESSARCIMENTO DE IPI. INCIDÊNCIA DE JUROS. IMPOSSIBILIDADE. A figura do ressarcimento não se confunde com a da restituição. Inexistindo previsão legal, impossível o acréscimo de Fl. 283DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10835.001580/200930 Acórdão n.º 3801002.838 S3TE01 Fl. 8 7 juros ao valor pleiteado em ressarcimento, ainda que isso venha denominado como "atualização monetário. Recurso Voluntário Negado.” Acórdão nº 20311.582, de 05/12/2006, da 3ª Câmara do 2º CC. “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1995 Ementa: IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRÊMIO PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. O "créditoprêmio" de IPI está vinculado à prescrição qüinqüenal prevista no Decreto n° 20.910/32, conforme jurisprudência do STJ. Recurso negado.” Acórdão nº 20179.490, de 27/07/2006, da 1ª Câmara do 2º CC: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1989 Ementa: RESSARCIMENTO DE 1PI. CRÉDITOPRÊMIO. PRESCRIÇÃO. O direito a ressarcimento de créditos de IPI prescreve em cinco anos, contados da data em que o pedido poderia ter sido apresentado. Recurso negado.” Acórdão nº 20311.449, de 07/11/2006, da 3ª Câmara do 2º CC: “IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO CRÉDITOPRÊMIO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. O 'créditoprêmio de IPI está vinculado à prescrição qüinqüenal disposta no Decreto n° 20.910/32, conforme pacífica jurisprudência do STJ. Recurso negado.” Com fundamento nos precedentes administrativos e judiciais, ao presente caso, aplicase o Decreto nº 20.910, de 1932, que possui as seguintes disposições: “Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Art. 2º Prescrevem igualmente no mesmo prazo todo o direito e as prestações correspondentes a pensões vencidas ou por vencerem, ao meio soldo e ao montepio civil e militar ou a quaisquer restituições ou diferenças. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10835.001580/200930 Acórdão n.º 3801002.838 S3TE01 Fl. 9 8 Art. 3º Quando o pagamento se dividir por dias, meses ou anos, a prescrição atingirá progressivamente as prestações à medida que completarem os prazos estabelecidos pelo presente decreto. Art. 4º Não corre a prescrição durante a demora que, no estudo, ao reconhecimento ou no pagamento da dívida, considerada líquida, tiverem as repartições ou funcionários encarregados de estudar e apurála. Parágrafo único. A suspensão da prescrição, neste caso, verificarseá pela entrada do requerimento do titular do direito ou do credor nos livros ou protocolos das repartições públicas, com designação do dia, mês e ano. Art. 5º Não tem efeito de suspender a prescrição a demora do titular do direito ou do crédito ou do seu representante em prestar os esclarecimentos que lhe forem reclamados ou o fato de não promover o andamento do feito judicial ou do processo administrativo durante os prazos respectivamente estabelecidos para extinção do seu direito à ação ou reclamação. Art. 6º O direito à reclamação administrativa, que não tiver prazo fixado em disposição de lei para ser formulada, prescreve em um ano a contar da data do ato ou fato do qual a mesma se originar. Art. 7º A citação inicial não interrompe a prescrição quando, por qualquer motivo, o processo tenha sido anulado. Art. 8º A prescrição somente poderá ser interrompida uma vez. Art. 9º A prescrição interrompida recomeça a correr, pela metade do prazo, da data do ato que a interrompeu ou do último ato ou termo do respectivo processo. Art. 10. O disposto nos artigos anteriores não altera as prescrições de menor prazo, constantes das leis e regulamentos, as quais ficam subordinadas às mesmas regras. Art. 11. Revogamse as disposições em contrário.” No Despacho Decisório nº 117/2000, fls. 225 e seguintes dos autos deste processo, a Delegacia da Receita Federal de São Paulo, ao analisar o processo 13811.000874/9879, que teve como interessada BRASWEY S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, CNPJ 61.258.463/000142, afirmou o que segue: “O contribuinte acima identificado solicita neste processo, protocolizado em 26.05.98, o ressarcimento do IPI, no valor de R$ 10.700.021,60, a título de Crédito Presumido de que trata a Portaria MF n° 129/95, relativamente aos anos calendários de 1.995, 1.996 e 1.997, utilizandose indevidamente do formulário aprovado pela IN SRF 28/96 (fls. 01), não obstante sua revogação pela publicação da IN SRF 21/97 que aprovou novo modelo de formulário para este fim.” Fl. 285DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10835.001580/200930 Acórdão n.º 3801002.838 S3TE01 Fl. 10 9 A DRF entendeu que o pedido de ressarcimento referente ao período de 1.995 estava em desacordo com as normas, porque, para este período, não era permitida apuração de forma centralizada pela Matriz, nos casos de mais de um estabelecimento produtor exportador. Esta decisão foi contestada por meio de manifestação de inconformidade e mantida pela DRJ/SP. Conforme relato constante do documento de folhas 218/224, que se trata de parecer e decisão exarada em atendimento à decisão da DRJ/SP também no processo administrativo nº 13811.000874/9879, tal processo foi desmembrado, tendo sido facultado à contribuinte recorrer da decisão referente ao período de 1.995 ao Conselho de Contribuintes, de modo que este período passou a ser objeto do processo 10880.000781/200117. A questão discutida no processo 10880.000781/200117, referente a 1.995, resolveuse com o acórdão CSRF/0202.275 da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que manteve denegação do pleito. Bem se vê que o pedido administrativo de ressarcimento referente ao período de 1.995 foi protocolado em 26/05/1998, logo, antes do decurso do prazo de cinco anos. O fato de passaremse vários anos para que a administração tributária chegasse à decisão final, o que se fez com observância de rito processual que garante o contraditório e a ampla defesa, não pode prejudicar a contribuinte que protocolou requerimento na repartição pública antes do término do prazo previsto na norma. Incidem aqui os artigos 4º e 9º do Decreto nº 20.910, de 1932. O primeiro, assegurando que o prazo não corra enquanto o processo administrativo não estiver findo; o segundo, determinando que o prazo recomece a correr pela metade, a contar da data que ocorreu o último ato ou termo do processo. A contribuinte foi cientificada do acórdão CSRF/0202.275, por meio do qual se deu a decisão final do processo administrativo nº 10880.000781/200117, em 28/06/2009, data na qual recomeçou a correr o prazo pela metade, ou seja, o prazo prescricional encerrar seia dois anos e seis meses após esta data. Em 16/09/2009, poucos meses depois, protocolou o pedido de ressarcimento em discussão, logo, antes que a prescrição se configurasse. Por estas razões, afastase a prescrição, que foi o fundamento da denegação do pedido de ressarcimento tanto pela Delegacia da Receita Federal do origem quanto pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Sobre a atualização monetária do ressarcimento. Quanto a esta questão, repitase que, no caso deste processo, o crédito pleiteado não diz respeito a repetição de indébito tributário, mas sim a concessão de benefício fiscal na forma de crédito presumido, situação para a qual não há lei que determine seja corrigida monetariamente ou acrescida de juros. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10835.001580/200930 Acórdão n.º 3801002.838 S3TE01 Fl. 11 10 Não se tratando de restituição de indébito tributário, não se aplica ao crédito presumido de que trata a lei n.º 9.363/96 o art. 39 da Lei n.º 9.250/95. Por outro lado, tendo em vista que, no julgamento do recurso especial 1.035.847/RS, representativo de controvérsia, cuja matéria era a correção monetária de créditos de IPI decorrentes do princípio da nãocumulatividade, sobre os quais não incidiria a correção por falta de previsão legal, o STJ decidiu que a oposição constante de ato legal estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito a estes créditos, postergaria o reconhecimento do direito pleiteado, “exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco”; que esta decisão transitou em julgado em 10/03/2010; e considerando o art. 62A do RICARF, os casos de solicitação de crédito presumido de IPI, apesar de não haver previsão legal para sua atualização, devem ser corrigidos, quando ficar caracterizada oposição ilegítima pela Administração Fazendária. Citese também a Súmula STJ nº 411, de 25/11/2009 (DJe 16/12/2009): “Correção Monetária Creditamento do IPI Resistência Ilegítima do Fisco. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco.” O pedido constante dos processos anteriores restou negado após serem esgotados todos os recursos administrativos, de modo que não havia oposição ilegítima. Apenas neste processo, verificouse resistência ilegítima com a emissão do Despacho Decisório DRF/PPE, folha 198 dos autos, por meio do qual foi indeferido o pedido de ressarcimento referente ao período de 1.995 com fundamento em prescrição que ora se afasta. Devese considerar16/09/2009, dia em que foi protocolado o pedido de ressarcimento que ora se julga, a data inicial para atualização monetária. Obviamente, se na análise do mérito do direito pleiteado evidenciarse motivo para o indeferimento total ou parcial, a atualização monetária será devida apenas em relação à parte do pedido que for deferida. Conclusão. Pelo exposto, em especial, tendo em vista que a contribuinte protocolou pedido de ressarcimento dentro do prazo, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a prescrição e anular o despacho decisório da DRF de origem, devendo esta proceder à nova análise do pedido, inclusive quanto ao mérito. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 287DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10835.001580/200930 Acórdão n.º 3801002.838 S3TE01 Fl. 12 11 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13819.900260/2012-56
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2004
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento
Numero da decisão: 3802-003.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/11/2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2004 PEDIDO DE DILIGÊNCIA DESTINADO À COMPROVAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. INDEFERIMENTO. A verdade material não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. O dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Assim, a diligência não é instrumento de inversão do ônus da prova de suposto indébito tributário, não podendo ser utilizada para suprir ação omissiva de sujeito passivo que, mesmo ciente de sua necessidade, não apresenta a documentação necessária à comprovação do direito creditório que alega em seu favor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 02 60 /2 01 2- 56 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 35/38 da cópia digitalizada do processo), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela recorrente, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2009 DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Segundo relata a instância recorrida, a lide decorre da não homologação de Declaração de Compensação – DCOMP mediante a qual o sujeito vislumbrava o reconhecimento de direito creditório por conta de aduzido pagamento a maior de PIS, no valor de R$ 370,38, referente ao mês de nov/2004, em vista da suposta venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, uma vez que o pagamento apontado como origem do direito fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando, portanto, crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13819.900260/201256 Acórdão n.º 3802003.614 S3TE02 Fl. 128 3 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus – ZFM. Por seu turno, a DRJ recorrida, muito embora tenha reconhecido que as alíquotas do PIS e da COFINS foram reduzidas a zero para as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na ZFM, ressaltou que a reclamante não procedeu à retificação das respectivas DCTF e DACON e não junta aos autos a comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das vendas realizadas para a ZFM [...] na base que serviu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Registrese que a empresa não apresentou sequer notas fiscais que comprovem tais operações. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 25/10/2013 (fls. 40). Inconformada, a mesma apresentou, em 26/11/2013, o recurso voluntário de fls. 42/47, onde ressalta haver juntado aos autos a DCTF retificadora, “ou seja, a documentação contábil e fiscal capaz de comprovar a inclusão das receitas decorrentes das vendas realizadas a Zona Franca de Manaus”. Assevera, ainda, o sujeito passivo, que a questão probatória suscitada pela autoridade julgadora, com fulcro nos amplos poderes instrutórios conferidos pelos princípios da oficialidade e da verdade material, deveria ensejar a conversão do julgamento em diligência para que se permitisse a ora recorrente juntar as provas comprobatórias de seu reclamado direito. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A ciência da decisão recorrida se deu em 25/10/2013 (fls. 40). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 26/11/2013, tempestivamente, portanto. Ademais, o recurso preenche aos demais requisitos formais e materiais de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. A reclamante alega haver incorrido em erro quando do pagamento da contribuição devida no período, e que o débito declarado na DCTF não corresponderia à realidade fática. Mesmo ciente de que a negativa de homologação da compensação decorreu da não retificação da DCTF e da DACON, e ainda, pelo fato de não haver juntado aos autos documentação contábilfiscal comprobatória do aduzido equívoco, comparece novamente aos autos apresentando, unicamente, DCTF retificada ulteriormente, contudo, desguarnecida do necessário lastro probatório indispensável à comprovação dos dados nela consignados. Com efeito, não há como acolher as razões apresentadas pela recorrente. Nos pedidos de compensação, como o presente, a apresentação de DCTF retificadora pode até ser dispensada, mas desde que comprovado o erro, ou, em outras palavras Fl. 129DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, os dados declarados em DCTF podem até ser retificados de ofício pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte, o que não ocorreu no caso presente, como destacado pela primeira instância. Neste comenos, como já ressaltado, a primeira instância de julgamento ressaltou a necessidade de apresentação de “documentação contábilfiscal” comprobatória do direito reclamado. Agora, comparece a recorrente novamente aos autos trazendo unicamente a DCTF retificadora do período desacompanhada de qualquer documentação que alicerce as informações nela contidas, situação que impossibilita sejam acatadas as informações ali declaradas. De fato, é do contribuinte o ônus da prova do direito creditório que aduz em seu favor e é este que detém em seu poder toda a documentação capaz de comprovar o crédito alegado, qual seja, a escrita e os documentos inerentes à sua atividade empresarial. Sem a prova do direito, impossível homologar a compensação. A Lei é clara quando ressalta que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e de certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. É desarrazoada a pretensão do sujeito passivo de buscar seja novamente perquirido para apresentar o que já tem em seu poder e sabe ser necessário para a comprovação do crédito e conseqüente liquidação do débito por compensação, principalmente diante da decisão de primeira instância. Efetivamente, a verdade material, invocada pelo sujeito passivo, não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. Ademais, o dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Portanto, uma vez não comprovada a certeza e a liquidez do crédito por falta de apresentação probatória suficiente, não é possível autorizar a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 16 de setembro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13819.900260/201256 Acórdão n.º 3802003.614 S3TE02 Fl. 129 5 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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