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Numero do processo: 16403.000069/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
PRELIMINAR NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Confirmada a apresentação de manifestação sobre resultado da diligência fiscal que não foi analisado pela decisão da primeira instância, confirma-se o cerceamento do direito de defesa, devendo ser realizado novo julgamento considerando a manifestação apresentada sobre o resultado da diligência fiscal determinado pela autoridade a quo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-002.043
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mércia Helena Trajano D´Amorim.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PRELIMINAR NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Confirmada a apresentação de manifestação sobre resultado da diligência fiscal que não foi analisado pela decisão da primeira instância, confirmase o cerceamento do direito de defesa, devendo ser realizado novo julgamento considerando a manifestação apresentada sobre o resultado da diligência fiscal determinado pela autoridade a quo. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mércia Helena Trajano D´Amorim. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 40 3. 00 00 69 /2 00 7- 15 Fl. 423DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Trata o processo de contestação contra indeferimento de pedido eletrônico de ressarcimento, de Cofins Não Cumulativa Mercado Interno do 2º trimestre de 2005, no valor de R$ 297.254,97 (Per nº 39305.17238.100407.1.5.119694 que retificou o Per nº 16062.11019.211206.1.1.11.8803 no valor de R$ 3.431.065,09), cumulado com declaração de compensação Dcomp nº 19991.70851.110407.1.7.110951, visando a extinção de débitos próprios (IRPJ código 236201 do PA 11/2006). A DRF em Ponta Grossa, por meio do Despacho Decisório nº 354/2008, datado de 09/05/2008, indeferiu o ressarcimento pleiteado e, em consequência, não homologou as compensações vinculadas ao pretendido crédito, motivado pela não entrega de documentos comprobatórios que permitissem a análise do direito creditório pleiteado. Cientificada do Despacho Decisório, em 15/05/2008, a interessada, por intermédio de seu procurador legalmente habilitado, ingressou com Manifestação de Inconformidade, a seguir sintetizada. Esclarece que, dentre outras atividades, industrializa e comercializa, no mercado interno, papel sujeito à alíquota zero de PIS e Cofins, com o que acumularia créditos decorrentes da aquisição de insumos utilizados e consumidos em seu processo produtivo; comenta que o fisco a intimou a apresentar uma série de documentos (intimação fiscal n.º 202/2008), porém, em face do excessivo volume de documentos requeridos, solicitou dilação de prazo de mais 20 dias para cumprir a exigência fiscal, o qual foi parcialmente deferido com a concessão de 10 dias (Comunicado n.º 426/2008); sustenta que não obstante essa prorrogação do prazo, ainda assim não teria tido tempo suficiente para apresentar a ‘longa’ lista de documentação e na forma estabelecida pela intimação fiscal; em razão disso, foi solicitada novo prazo de atendimento, mas o fisco emitiu o despacho decisório não reconhecendo o seu direito creditório. Destacando a necessidade de a administração pública obedecer aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, da ampla defesa e do contraditório, alega que, no caso, o tempo concedido pela autoridade a quo foi exíguo, em face do volume de documentos solicitados. Dizendo que não se negou a atender a requisição do fisco, apenas pediu um tempo maior para atendê la, entende não ser razoável e tampouco proporcional o fisco negar o pedido de dilação do prazo e simplesmente indeferir seu pedido de ressarcimento e não homologar as declarações de Fl. 424DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16403.000069/200715 Acórdão n.º 3201002.043 S3C2T1 Fl. 423 3 compensação. Diz, ainda, que os livros obrigatórios sempre estiveram à disposição da autoridade fiscal. Na sequência, ressalta os princípios constitucionais do direito a ampla defesa e da nãoprivação de seus bens, fazendo citação da jurisprudência e da doutrina, argumentando que o indeferimento de seu pleito, estaria ligado a fato cuja natureza é fundamental para a correta aplicação do direito, ou seja, verificação se as aquisições de insumos e bens aplicados no processo de fabricação do papel sujeito à alíquota zero no mercado interno gerariam direito ao crédito de PIS e de Cofins, e entendendo que teria havido flagrante desrespeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa, posto que lhe teria sido negado o direito à compensação pretendida sob o frágil argumento da não entrega de documentação para o fisco no prazo estipulado em intimação. Insiste que o alegado direito de crédito decorre da comprovação de fato relacionado à utilização de insumos e demais bens no processo produtivo de papel sujeito à alíquota zero, e, assim, para decidir sobre a eventual existência desse direito, seria obrigatório o fisco entrar em contato direto com o fato a ser provado. Suscita a realização de perícia, alegando que a mesma seria imprescindível para comprovar seu direito de crédito de PIS e Cofins, decorrente de aquisições de insumos e demais bens utilizados na fabricação de papel sujeito à alíquota zero; indicando, para tanto, perito e formulando diversos quesitos. Por fim, pede que seja julgada totalmente procedente sua manifestação de inconformidade e requer a juntada de CDRom que diz conter toda a documentação solicitada pelo fisco. Quando da análise do processo por esta 3ª Turma/DRJ/Curitiba, tendo em vista a juntada de mídia na manifestação de inconformidade, que, segundo alega, conteria as informações necessárias à comprovação de seu direito creditório, devolveuse o processo à unidade de origem para que se verificasse ser a documentação assim apresentada suficiente para a análise da eventual existência do crédito reclamado, ciência à interessada dos trabalhos realizados, reabertura de prazo para apresentação de eventuais contrarrazões e, posteriormente, reenvio para este órgão julgador. Por sua vez, a Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa (Safis/DRF/PTG) expediu intimação n.º 19/2010 e n.º 24/2010 para que a interessada apresentasse a documentação necessária para a adequada averiguação do alegado direito creditório, com solicitação pela contribuinte e autorização de prazo adicional para o cumprimento da exigência; novo pedido de dilação de prazo, devido a dificuldades na obtenção das informações solicitadas; após, reintimação fiscal, de n.º 227/2010, volta a interpelar a interessada para, no prazo de cinco dias úteis, cumprir as precitadas intimações, de nºs 19 e 24, com novo pedido de dilação de prazo por parte da contribuinte. Em resposta ao último pedido de dilação de prazo, foi emitido o Comunicado nº 03/2010, indeferindo a solicitação e comunicando o encaminhamento dos autos à DRJ em Curitiba para julgamento. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 Juntamente, foi lavrada Informação Fiscal pela Safis/DRF/PTG, noticiando brevemente os fatos havidos no processo, enfatizando as várias oportunidades dadas à contribuinte para a adequada instrução do processo e, ao final, concluindo pela impossibilidade de se verificar a consistência do crédito pleiteado. A manifestação de inconformidade foi então analisada por esta 3ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, que, por meio do Acórdão n.º 27.696, de 4 de agosto de 2010, decidiu por rejeitar as preliminares arguidas, indeferir o pedido de perícia e manter o não reconhecimento do pedido de ressarcimento, bem como a não homologação da declaração de compensação. Inconformada, a interessada interpôs o recurso voluntário, no qual requereu: (a) a declaração da nulidade do acórdão da DRJ/CTA, por afronta ao princípio do contraditório e da ampla defesa na diligência fiscal; (b) o reconhecimento do direito de crédito de Cofins pretendido e a homologação das compensações a ele vinculadas; (c) seja reconsiderado o indeferimento do pedido de perícia, para a interessada poder demonstrar a efetividade de seus créditos. O recurso interposto foi apreciado pela Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cujos membros, por meio do Acórdão n.º 310201.060, em sessão havida em 02/06/2011, por unanimidade de votos, acataram o argumento da interessada de que a decisão de primeira instância “é lastreada em documentos juntados aos autos pela DRF/PTG após o protocolo da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente e sem a sua devida cientificação” e acordaram em “acolher a preliminar de nulidade da decisão da DRJ por cerceamento do direito de defesa, determinando o retorno dos autos a DRF para proferir a intimação da recorrente da informação fiscal de fls. 152/154.” Comunicada a interessada, em 08/08/2012, desse julgado, bem como da Informação Fiscal da DRF/PTG/Safis, foi ressalvado o seu direito à manifestação de inconformidade a ser apresentada à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, na parte que lhe for desfavorável. Não havendo contestações interpostas, os autos foram remetidos para julgamento." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 DECISÃO ANULADA PELO CARF. Cabe proferir novo acórdão atinente a processo cuja decisão de primeira instância foi anulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16403.000069/200715 Acórdão n.º 3201002.043 S3C2T1 Fl. 424 5 Se o conhecimento dos atos processuais pela contribuinte e o seu direito de resposta se encontrou plenamente assegurado, não se configura o cerceamento do direito de defesa. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. No âmbito de pedido de ressarcimento, é ônus da interessada a comprovação minuciosa da existência do direito creditório; não havendo atendido de forma satisfatória intimação para apresentação de provas quanto ao direito alegado, cabível ao fisco o indeferimento de seu pleito. PEDIDO DE PERÍCIA. É prescindível o pedido de perícia que vise a comprovação de créditos da pessoa jurídica, quando se tratar de matéria que não exige conhecimento técnico específico diferente da análise que deve ser realizada pela autoridade administrativa competente para o reconhecimento do crédito, ainda mais quando envolver a falta de apresentação de provas e informações quanto aos valores dos créditos pleiteados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário onde repisa as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, alegando preliminarmente, a nulidade da decisão, visto que a diligência determinada pela Delegacia de Julgamento deveria verificar a documentação anexada ao processos, sendo assim, seria obrigatório a autoridade responsável pela diligência, elaborar demonstrativos sobre o direito creditório e apontar quais débitos poderiam ser homologados. Entretanto a autoridade fiscal intimou a Recorrente a apresentar uma série de documentos fiscais e contábeis, que em face do seu grande volume, não foi possível de ser entregue, o que determinou o encerramento da diligência, concluindo pela impossibilidade de verificar o direito creditório em razão das inconsistência na documentação apresentada e a falta do restante dos documentos. Alega a Recorrente que a diligência determinada pela DRJ não foi insatisfatória, pois não realizou a análise que lhe foi imposta, que resumese na notícia dos documentos apresentados e não a exigência de novos documentos. A diligência fiscal não realizou nenhum trabalho sobre os documentos apresentados, não sendo crível que a partir dos lançamentos contábeis não seja possível identificar nenhum valor que componha o crédito pleiteado. Nos termos informados pela Fiscalização, inconsistência tem significado totalmente distinto de imprestável, ou seja, pequenas inconsistência na documentação, não poderiam culminar com o indeferimento total dos créditos pleiteados. Prossegue a Recorrente afirmando que sempre deixou à disposição da fiscalização os documentos fiscais e contábeis que deram origem aos créditos pleiteados, além de ter solicitado a realização de perícia para que fosse comprovada a existência do direito ao crédito. Assim, para reforçar seu argumento e a recorrente anexou ao processo o levantamento realizado por empresa independente, que demonstra a existência do saldo credor com base na compensação, juntando ainda, em conjunto com o relatório, planilhas em Excel com o resultado dessa análise, assim como os elementos utilizados para o cálculo. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 No que tange ao pedido de perícia, a autoridade julgadora de forma arbitrária, decidiu por indeferir o pedido sob a alegação que somente poderia ser admitido, se restasse provado ser desnecessária à apuração dos fatos, o que não é o caso, eis que a perícia se mostra necessária para a comprovação do direito creditório da Recorrente. Quanto ao mérito do direito creditório, alega o recurso que caso o trabalho fiscal de diligência tivesse seguido o determinado pela Delegacia de Julgamento e examinado os documentos que embasam o direito creditório e que estavam a disposição da Fiscalização, seria constatado que o crédito de COFINS requerido é legítimo, pois cabe a autoridade fiscal o poderdever de averiguar se houve o cumprimento das regras contidas nas normas jurídico tributárias e levantar todos os elementos fáticos existentes para formação de sua convicção. Por fim, alega a Recorrente que a alteração nos valores tidos como devidos, previamente informados em DCTF, DACON e DIPJ, somente poderia ocorrer com a edição de ato administrativo de ofício, ou seja fazse necessário o lançamento fiscal e não poderia ser realizado no presente processo que trata de pedido de compensação. Quando do julgamento do recurso voluntário, foi trazido aos autos pela Recorrente, a comprovação da entrega de manifestação sobre o resultado da diligência fiscal determinado pela Delegacia de Julgamento (fls. 377 a 421), que não foi apreciado por aquela autoridade julgadora, o que ensejaria o cerceamento do direito de defesa. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Inicialmente, por tratar de questão preliminar, merece análise a alegação que a manifestação apresentada pela Recorrente, em face das conclusões da diligência fiscal não foram analisadas pela decisão de piso. O trecho abaixo, extraído do voto condutor da decisão a quo, informa que a Recorrente não apresentou manifestação quanto ao resultado da diligência fiscal. Comunicada a interessada, em 08/08/2012, desse julgado, bem como da Informação Fiscal da DRF/PTG/Safis, foi ressalvado o seu direito à manifestação de inconformidade a ser apresentada à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, na parte que lhe for desfavorável. Não havendo contestações interpostas, os autos foram remetidos para julgamento. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16403.000069/200715 Acórdão n.º 3201002.043 S3C2T1 Fl. 425 7 A decisão de piso, foi clara ao identificar a falta de manifestação quanto ao resultado da diligência, entretanto, os documentos trazidos aos autos pela Recorrente (fls. 402 a 421) comprovam que existiu manifestação sobre o resultado da diligência fiscal. Consultando os autos não é possível identificar os documentos trazidos pela Recorrente quando da sua manifestação sobre o resultado da diligência fiscal. Assim, para sanar este problema, entendo que a decisão da primeira instância deve ser cancelada, sendo determinado nova intimação do resultado da diligência à Recorrente, sendo franqueado o prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de manifestação sobre o resultado da diligência e novo julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância, determinando o retorno dos autos à Unidade de Origem para realizar nova intimação à Recorrente sobre as conclusões da diligência fiscal, concedendo o prazo de 30 (trinta) dias para suas contrarrazões, em seguida os autos deverão ser encaminhados à DRJ para novo julgamento. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 429DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 10715.722295/2011-37
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2011
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2011 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2011 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 72 22 95 /2 01 1- 37 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.722295/201137 Acórdão n.º 9303003.798 CSRFT3 Fl. 242 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3803006.271, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.722295/201137 Acórdão n.º 9303003.798 CSRFT3 Fl. 243 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 243DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.722295/201137 Acórdão n.º 9303003.798 CSRFT3 Fl. 244 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.722295/201137 Acórdão n.º 9303003.798 CSRFT3 Fl. 245 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 245DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.722295/201137 Acórdão n.º 9303003.798 CSRFT3 Fl. 246 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 246DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.722295/201137 Acórdão n.º 9303003.798 CSRFT3 Fl. 247 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 247DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.722295/201137 Acórdão n.º 9303003.798 CSRFT3 Fl. 248 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.722295/201137 Acórdão n.º 9303003.798 CSRFT3 Fl. 249 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 249DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10435.002110/2002-20
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1998
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
É de se descartar a nulidade do lançamento, uma vez tendo sido garantidos ao autuado: a) a partir da descrição dos fatos e infrações, o conhecimento de todas as acusações que lhe foram imputadas; b) seu direito de reação e resposta, através da participação nos pertinentes atos processuais, destinados ao exercício de sua defesa.
Numero da decisão: 9202-003.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação das demais questões trazidas no Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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CERCEAMENTO DE DEFESA. É de se descartar a nulidade do lançamento, uma vez tendo sido garantidos ao autuado: a) a partir da descrição dos fatos e infrações, o conhecimento de todas as acusações que lhe foram imputadas; b) seu direito de reação e resposta, através da participação nos pertinentes atos processuais, destinados ao exercício de sua defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação das demais questões trazidas no Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 00 21 10 /2 00 2- 20 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10435.002110/200220 Acórdão n.º 9202003.964 CSRFT2 Fl. 303 2 Participaram da sessão de julgamento os Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 30133.988, prolatado pela 1a. Câmara do então 3o Conselho de Contribuintes na sessão plenária de 15 de junho de 2007 (efls. 221 a 227). Ali, por unanimidade de votos, anulouse o processo ab initio, na forma de ementa e decisão a seguir: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1998 Ementa: ITR. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Deve ser anulado o Auto de Infração cuja motivação é vaga e incompleta, impossibilitando ao autuado conhecer dos fatos cuja irregularidade lhe está sendo apontada, caracterizando o cerceamento do direito de defesa. PROCESSO ANULADO AB INITIO Decisão: por unanimidade de votos, anular o processo ab initio,nos termos do voto da relatora. Cientificada a Fazenda Nacional do Acórdão em 10/12/07 (efl. 229), esta apresenta, em 18/12/2007 (efl. 231), Recurso Especial em face de decisão divergente, com fulcro no art. 7o ., inciso II do Regimento Interno desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, constante da Portaria MF no. 147, de 25 de junho de 2007 então vigente (efls. 231 a 235). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 3a. Câmara do então 2o Conselho de Contribuintes, no Acórdão 20305.869, datado de 14 de setembro de 1999, cujas ementa e decisão são a seguir transcritas: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FINSOCIAL NULIDADES DESCRIÇÃO DOS FATOS PRINCÍPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL FINSOCIAL. Deve ser rejeitado o pedido de nulidade do Auto de Infração fundado na deficiência da descrição dos fatos, quando os elementos contidos no lançamento, em especial os termos anexos deixam evidenciado a origem das diferenças apuradas pelo Fisco, desde que a autuada tenha recebido cópia juntamente com o Auto de Infração. A descrição dos fatos, ainda que incompleta, não enseja a decretação da sua nulidade, mesmo que se trate de elementos essencial tal como estabelece o art. 10, II, do Decreto nº 70.235/72, se não há prejuízo para a defesa e o ato cumpriu sua finalidade. O cerceamento do direito de defesa deve se verificar concretamente, e não apenas em tese. O exame da Fl. 303DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10435.002110/200220 Acórdão n.º 9202003.964 CSRFT2 Fl. 304 3 impugnação e do recurso voluntário evidenciam a correta percepção do conteúdo e da motivação do lançamento. Aplicação do princípio da economia processual. AUDITORFISCAL HABILITAÇÃO PARA FISCALIZAÇÃO O AuditorFiscal do Tesouro Nacional pode proceder a verificação de toda a documentação e livros contábeis em decorrência de lei, e independe, para tanto, de qualquer habilitação ou registro em órgão de classe. PAGAMENTOS A MAIOR COMPENSAÇÃO CORREÇÃO Os valores correspondentes a recolhimentos a maior de tributo não devem ser corrigidos por falta de previsão legal à época. Recurso negado. Decisão: Por unanimidade de votos: I) rejeitouse as preliminares de nulidade e de incompetência dos fiscais autuantes e, II) no mérito, negouse provimento ao recurso. Cita, ainda a propósito, a recorrente, a adoção do mesmo entendimento esposado pelo Acórdão supra, agora no âmbito dos Acórdãos CSRF/0202.301 e no. 204 00470. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que, no caso em questão, ainda que a indicação dos fatos tenha sido feita de forma sintética, a infração está corretamente evidenciada, propiciando amplo exercício de defesa. Cita, como supedâneo a tal argumentação, quadro apresentado pelo contribuinte em sua impugnação (efl. 26), onde, no entender da recorrente, restou claro que o contribuinte sabia exatamente o teor das glosas efetuadas, tendo assim rebatido cada um dos aspectos objeto de autuação. Requer, assim, que o recurso seja conhecido e provido para reformar a decisão recorrida, mantendose a higidez do auto de infração. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 243246. Encaminhados os autos ao autuado, para fins de ciência do recorrido, ocorrida em 07/11/2008 (efl. 265), o contribuinte inicialmente apresentou embargos de declaração de efls. 253 a 263, rejeitados por despacho de efls. 269/270. Cientificado o contribuinte desta decisão interlocutória em 17/09/14 (edital de efls. 296/297), este quedou inerte quanto à apresentação de Recurso Especial de sua iniciativa e/ou contrarrazões ao pleito fazendário. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Fl. 304DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10435.002110/200220 Acórdão n.º 9202003.964 CSRFT2 Fl. 305 4 Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Passo, assim, à análise de mérito. Quanto à decretação de nulidades relacionadas à constituição do crédito tributário, conforme já tive oportunidade de me manifestar em outros feitos, entendo que se deva ter em conta sempre o que se segue, em linha com o entendimento manifestado pelo STF (Min. Dias Toffoli, no âmbito do RE 545.248), relativamente ao tema: “(...) A premissa maior das nulidades se encontra no prejuízo para uma das partes. Independentemente de que tipo de nulidade se trate, seja relativa, seja absoluta, se dela não resultar prejuízo, ela não será declarada.” Estabelecido tal pressuposto, ao se adentrar o caso sob análise verificase que: a) Os fatos que deram origem ao lançamento (declaração de áreas consideradas pelo autuante como não passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR) estão adequadamente descritos, acompanhados da disposições legais infringidas, ainda que de forma concisa (vide AI de efls. 6 a 10 e FAR de efl. 17). Assim, foram mencionadas, de forma clara, as irregularidades apuradas (glosas de áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, bem como desconsideração da área declarada a título de benfeitorias, esta última restabelecida pela autoridade julgadora de 1a. instância), bem como a demonstração da base de cálculo do imposto, plenamente consistente com tais infrações; b) Tal descrição ainda que sucinta, notese, propiciou o pleno conhecimento das acusações que foram imputadas ao autuado, tanto é assim que o contribuinte, em sede impugnatória e recursal exerceu o contraditório quanto a todas as acusações mencionadas, exercício este realizado de forma detalhada, consoante se depreende dos seguintes excertos, de efls. 103/104 e 224, verbis: Impugnação (efls. 103/104) "(...) Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou, em 28/01/2003, a impugnação, alegando, em síntese: Trata sobre o imóvel rural, as questões do semiárido, cita pecuarista. A atividade principal do imóvel é a pecuária extensiva de bovinos, caprinos e ovinos. A pastagem utilizada é a nativa. As benfeitorias foram construídas ao longo de décadas. O açude foi construído em 1932, e daí vêm sendo construídas as cercas, estábulos, apriscos etc e efetuandose a.necessária manutenção. Os rebanhos são de raça sem definição e foi formado ao longo da exploração do imóvel, são animais de cria. Razões essas de não haver notas fiscais de compra de animais. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10435.002110/200220 Acórdão n.º 9202003.964 CSRFT2 Fl. 306 5 Tem setenta anos de idade. Recebeu o imóvel de herança do pai em 1946. Está sendo explorado desde o século XIX. Pertenceu ao seu bisavô. Comenta as adversidades da região. Pede que seja reconsiderada a área ocupada com benfeitorias de 60,0 hectares, restando a área aproveitável de 1.140,0 da área total de 1.200,0 hectares. Afirma que há áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Não solicitou o ADA por não constar a sua exigência no Manual de preenchimento ITR/1998. Pede que seja aceita a área de pastagens no montante de 977,0 hectares. A área , declarada é de 201,0 hectares. Restaria a área utilizada de 1.117,0 hectares e o Grau de Utilização de 98%. Quanto ao valor das benfeitorias pede que seja aceito de acordo com a DITR/1998 apresentada pelo contribuinte, conforme fl. 07. Relaciona os valores das benfeitorias. Considera que o VTN declarado de R$ 75,00, por hectare, está próximo do valor médio estimado pelo INCRA para a região do imóvel, isto é, R$ 80, 00. Faz demonstração de cálculos do ITR e tece comentário sobre a legislação do ITR. Ao final pede que considere para fins de apuração, do ITR/98 a sua declaração original e se não considerála desta forma, retifiquea conforme declaração que ora apresenta, fls. 41/44. Anexa documentos e fotos de fls. 45 a 93. " Recurso Voluntário (efl. 224) "(...) Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado (fls. 105/118), repisando alguns dos argumentos expendidos na impugnação e ainda, alegando, em suma: preliminarmente, a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário; e que, com a entrada em vigor da MP n°. 216667, de 24/08/2001, foi extinta a necessidade de prévia comprovação por parte do declarante da existência das áreas de preservação permanente e de reserva legal. Pede, ao final, o acolhimento da preliminar de decadência e, caso seja esta superada, seja o Acórdão reformado para reconhecer como pastagem nativa a área de 720ha, com a conseqüente extinção do débito fiscal. (...)". De se ressaltar, a propósito, que quanto ao ADA (objeto de intimação não respondida, consoante termo de efl. 14), sua inexistência para as áreas que permanecem em litígio (motivação suficiente para a glosa perpretada) é mencionada pelo contribuinte em sede impugnatória, tendo ainda pugnado o autuado pela desnecessidade de comprovação prévia das áreas em litígio, em sede recursal, tendo sido a argumentação trazida em sede impugnatória rejeitada pela autoridade julgadora de 1a. instância. Não houve análise da argumentação em sede recursal, a partir da declaração de nulidade que ora se analisa ; Fl. 306DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10435.002110/200220 Acórdão n.º 9202003.964 CSRFT2 Fl. 307 6 c) Ainda, o interessado teve oportunidade de apresentar, no curso do processo fiscal em curso (em especial nas fase impugnatória e ordinária recursal), todos os documentos, informações e esclarecimentos capazes de influenciar a convicção da autoridade julgadora no sentido de possibilidade de exclusão das referidas áreas, admitidas, inclusive, na fase impugnatória, todas as provas produzidas pelo contribuinte, nos termos facultados pelo artigo 16, inciso III, e § 4°, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 09 de dezembro de 1993, e alterações introduzidas pelo art. 67 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, as quais foram levadas em consideração pela autoridade julgadora em sua análise; d) Não se constatou, em sede de impugnação ou recurso voluntário, qualquer dificuldade para o exercício do direito de defesa do autuado. Nenhum procedimento administrativo dificultou ou o impediu de apresentar sua impugnação ou recurso voluntário e comprovar suas alegações, não tendo sido violado qualquer direito assegurado pela Constituição Federal. A propósito, também, reza a jurisprudência dominante neste conselho: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais e o seu direito de resposta ou de reação se encontram plenamente assegurados.”(Acórdão nº 10416357 de 03/06/1998) e) Finalmente, descarto também a ocorrência de qualquer das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do mesmo Decreto no. 70.235, de 1972. Diante do exposto, concluo pela inexistência de qualquer prejuízo ao recorrente, e, assim, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional para rejeitar a nulidade declarada de ofício pelo Acórdão recorrido. Uma vez rejeitada a referida nulidade, de se retornar o feito à autoridade julgadora a quo, para fins de manifestação acerca das demais questões de mérito, não analisadas por conta da mencionada decretação de ofício da nulidade do lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Fl. 307DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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Numero do processo: 10410.720040/2006-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2003
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Não comprovada essa condição, não é passível de homologação a compensação declarada.
LUCRO DA EXPLORAÇÃO. REDUÇÃO DO IMPOSTO.
O reconhecimento do direito à redução do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas e adicionais não restituíveis incidentes sobre o lucro da exploração, na área de atuação da SUDENE, é de competência da unidade da Secretaria da Receita Federal a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica e constitui uma das condições sem a qual a empresa não poderá usufruir o benefício.
Na hipótese de expedição de laudo pelo órgão competente do Ministério da Integração após o último dia útil do mês de março do ano-calendário subseqüente ao do início de operação, a fruição do benefício dar-se-á a partir do ano-calendário da expedição do laudo.
Numero da decisão: 1402-002.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Gilberto Baptista, Roberto Silva Junior, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei, e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Não comprovada essa condição, não é passível de homologação a compensação declarada. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. REDUÇÃO DO IMPOSTO. O reconhecimento do direito à redução do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas e adicionais não restituíveis incidentes sobre o lucro da exploração, na área de atuação da SUDENE, é de competência da unidade da Secretaria da Receita Federal a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica e constitui uma das condições sem a qual a empresa não poderá usufruir o benefício. Na hipótese de expedição de laudo pelo órgão competente do Ministério da Integração após o último dia útil do mês de março do anocalendário subseqüente ao do início de operação, a fruição do benefício darseá a partir do anocalendário da expedição do laudo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarouse impedido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 00 40 /2 00 6- 05 Fl. 542DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10410.720040/200605 Acórdão n.º 1402002.212 S1C4T2 Fl. 536 2 (assinado digitalmente) LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Gilberto Baptista, Roberto Silva Junior, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei, e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10410.720040/200605 Acórdão n.º 1402002.212 S1C4T2 Fl. 537 3 Relatório RESUMO DOS FATOS RELATIVOS AOS PROCESSOS: Trata o processo em epígrafe de declarações de compensação eletrônica PER/DCOMPs (fls. 01 a 97, 101 a 123), apresentadas pela Recorrente, visando compensar pretenso crédito de pagamento indevido e a maior de IRPJ (cód. 2430), relativo ao ano calendário de 2002, no montante de R$ 6.186.017,65 (arrecadado em 31/03/2003), com diversos débitos próprios, referentes ao IRPJ, CSLL, IOF, PIS E COFINS relativos aos anos calendário 2003, 2004, 2005 e 2006. (fl.263). Deste R$ 6.186.017,65, temos o montante de R$ 6.014.700,93 relativo ao imposto, R$ 170.216,03 de juros e 1.100,70 de saldo disponível que segundo a Administração Pública, este ultimo valor foi reservado equivocadamente para o presente processo de final 05 por conta de seu cadastramento prévio pela DRF/MAC, no ano de 2006. Este valor de R$ 1.100,70 relativo ao PER/DCOMP 23899.29280.031203.1.3.046964 não foi reconhecido no processo 10410.900007/200811, devido a um equivoco da Administração Pública, que escriturou tal saldo como reservado para o processo em epígrafe e ora relatado, de numero 10410.720040/200605. Foram requeridas varias PER/DCOMPs com este mesmo crédito de R$ 6.186.017,65, sendo que uma foi feito por meio da PER/DCOMP 23899.29280.031203.1.3.046964 que se encontra no processo 10410.900007/200811, também de minha relatoria, a outra PER/DCOMP 24057.28301.280704.1.3.042264 que se encontra no processo 10410.900576/200866 (cópias dos despachos e decisões fls. 124/126 e fls. 141/150 dos autos) e varias outras PER/DCOMPs no presente processo de final 05. Segundo a Recorrente, este valor surgiu da seguinte forma: Até 2001 a empresa gozava de benefício fiscal sobre o lucro de exploração, que lhe conferiu redução do IRPJ no importe de 75%. Em 2002, o prazo do incentivo teria se esgotado e então a empresa apurou e declarou em DCTF o IR devido sem a referida redução do imposto, tendo recolhido o darf informado no PER/DCOMP 23899.29280.031203.1.3.046964 que se encontra no processo de final 11, no valor de R$ 6.186.017,65 (principal de R$ 6.014.700,93 mais juros). Posteriormente, foi renovado retroativamente para o anocalendário de 2002 o benefício por meio do Laudo Constitutivo 0102/2003, proferido pela SUDENE. Em seguida, empresa requereu o reconhecimento do direito creditório e sua compensação relativo ao pagamento indevido efetuado em 31/03/2003, código 2430, relativo ao IRPJ devido no ajuste anual de 2002 do respectivo valor de R$ 6.186.017,65 que tinha sido paga por meio do DARF, cuja cópia está presente no processo de final 10410.900007/200811 (fl. 60). Fl. 544DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10410.720040/200605 Acórdão n.º 1402002.212 S1C4T2 Fl. 538 4 Este crédito não foi reconhecido neste processo de final 05, eis que o mérito já tinha sido discutido nos processo de final 10410.900007/200811 e 10410.900576/200866 e as compensações não foram homologadas. Sou relator deste processo de final 05 e o de final 11, mas o processo de final 66 não tive acesso, apenas a PER/DCOMP e ao Despacho Decisório cujas cópias estão acostadas aos autos do processo em epígrafe ora relatado de final 05. Tanto no presente processo de final 05, como no de final 10410.900007/200811, a matéria discutida é a mesma e versa sobre a possibilidade de se considerar válido o credito de R$ 6,184.916,96 (mais o valor de R$ 1.100,70), devido a renovação retroativa do benefício fiscal sobre o lucro de exploração. Resumidamente, para negar o direito ao crédito, a fiscalização alega que a concessão de tal incentivo depende de aprovação da SRF e que a Recorrente não apresentou o pedido de renovação para a repartição competente da Receita Federal de circunscrição da contribuinte. Por tal motivo, foi negado o direito ao creditório e não foram homologadas as compensações, tendo em vista que o crédito de R$ 6.186.017,65 já tinha sido discutido em outro processo, que considerou inexistente o crédito. RELATÓRIO: Tratase de Recurso Voluntário (fls.323/332) interposto face v. acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fls.160/168) oferecida pela Recorrente requerendo a reforma do r. Despacho Decisório (fls.152/155) que não reconheceu o direito creditório sobre o pagamento indevido ou a maior relativo ao IRPJ devido no ajuste anual de 2002 no valor de R$ 6.186.017,65, uma vez que o crédito pretendido sobre o DARF informado no PER/DCOMP já foi apreciado em outros processos administrativos. Para detalhar as ocorrências dos autos e esclarecer a lide posta em epígrafe, utilizo a parte do relatório do v. acórdão recorrido, completandoo com as informações necessárias. "Trata se de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório de fls. 152/155, pelo qual a DERAT/DIORT/EQPIR/SPO não reconheceu o direito creditório sobre pagamento indevido ou a maior, efetuado em 31/03/2003, código 2430, relativo ao IRPJ devido no ajuste anual de 2002, no valor de R$ 6.186.017,65, uma vez que o crédito pretendido sobre o darf informado no PER/DCOMP já foi apreciado em outros processos administrativos. A autoridade recorrida relatou em seu despacho que (fl. 154): 8. Em pesquisa ao sistema CPERDCOMP (fls. 01/97, 101/123 e 132/140), verificouse que o crédito pleiteado pelo contribuinte referese ao Pagamento Indevido/A maior de IRPJ apurado na declaração de ajuste do anocalendário 2002 (código 2430), o qual já foi objeto de Despachos Decisórios (fls. 124 e 126), relativos estes aos PER/DCOMPs de n° 23899.29280.031203.1.3.046964 (processo de credito 10410.900007/200811) e n° 24057.28301.280704.1.3.042264 (processo de credito 10410.900576/200866). Fl. 545DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10410.720040/200605 Acórdão n.º 1402002.212 S1C4T2 Fl. 539 5 Cópia destes dois PER/DCOMPs encontrase à fls. 141 a 150. 9. Tais Despachos Decisórios revelaram a inexistência de crédito, não homologando as compensações constantes daqueles dois PER/DCOMPs. De fato, o pagamento localizado (fl. 128) continua integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte confessado em DCTF (fls. 129 a 131). Conseqüentemente, as compensações aqui declaradas também não devem ser homologadas. Cientificada do despacho decisório em 15/10/2008 (fl. 226), a empresa CCB – CIMPOR CIMENTOS DO BRASIL LTDA., sucessora por incorporação da interessada, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 162/168) em 11/11/2008, alegando, em síntese: • A empresa gozou de incentivo fiscal sobre o lucro da exploração que lhe conferiu redução do IRPJ no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Tal incentivo vigorou até 2001, de modo que em 2002 a empresa apurou e declarou em DCTF o IR devido sem a referida redução, tendo recolhido o darf informado no PER/DCOMP analisado, no valor de R$ 6.186.017,65 (principal de R$ 6.014.700,93 mais juros); • Contudo, em 31 de março de 2003, ou seja, antes da entrega da DIPJ/2003, referente ao anocalendário de 2002, a empresa recebeu o anexo LAUDO CONSTITUTIVO nº 0102/2003, emitido pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste SUDENE, o qual garantiu à empresa continuar gozando do beneficio da redução do imposto de renda e adicionais não restituíveis no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), com inicio retroativo ao anocalendário de 2002. • Referido Laudo Constitutivo foi expedido pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste — SUDENE, nos termos da Portaria n° 370 de 31 de maio de 2002, da Ministra Interina de Estado da Integração Nacional, observado o disposto no §1° da Medida Provisória n° 2.19914, de 24 de agosto de 2001, combinado com o art. 21, §5°, inciso IV, da Medida Provisória n° 2.1565, de 24 de agosto de 2001. Em 12/02/2009, a DERAT/DIORT/ECRER/SPO (fl. 225) devolveu os autos à EQPIR para que o pleito fosse reanalisado, após efetuada a liberação do saldo disponível do pagamento no valor de R$ 1.100,70, montante que havia sido reservado para o presente processo por conta de seu cadastramento prévio pela DRF/MAC, no ano de 2006. Relatou, ainda, que, em decorrência dessa reserva, os despachos eletrônicos emitidos nos processos 10410.900.007/200811 e 10410.900.576/200866 haviam indeferido totalmente o pleito. A Procuradoria da Fazenda Nacional no Distrito Federal, por meio do Memorando DIDE1/PPBL/PFN/DF nº 1554 (fl. 227), de 05/05/2010, solicitou ao Delegado da Receita Federal em São Paulo a conclusão do presente processo, tendo em vista a inscrição na Dívida Ativa nº 43.2.09.00004164 e em virtude de vencimento de prazo judicial fixado pelo MM Juízo da 21ª VF em Brasília, para sua manifestação. Em 10/06/2010, a DERAT/DIORT/EQPIR/SPO remeteu os autos à EODIC/DIORT/DERAT/SPO para análise da suspensão dos débitos em questão (fl. 257), e esta equipe fez os autos retornarem à EQPIR, em 20/08/2010, para revisão de ofício, ressaltando que os valores encontravamse pendentes de compensação. Em 28/10/2010 (fl. 261), os autos foram encaminhados pela DERAT/DIORT/EQPIR/SPO à DRJ Recife, nos seguintes termos: Tendo em vista a Manifestação de Inconformidade de fls. 160/166 e a localização dos processos 10410.900007/200811 e 10410.900.576/200866 (fls. 259/260), encaminhese o Fl. 546DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10410.720040/200605 Acórdão n.º 1402002.212 S1C4T2 Fl. 540 6 presente processo à DRJ Recife para juntada àqueles processos e demais providências cabíveis. Por sua vez, a 3ª Turma da DRJ/REC (fls.263/264), pautada na constatação de que o despacho denegatório foi expedido pela DERAT/SPO, restituiu os autos a essa unidade em 15/03/2011." O v. acórdão recorrido, decidiu manter integralmente o r. despacho decisório com os seguintes fundamentos: "A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto no art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento. De início, importa abordar os efeitos da reserva de parcela do suposto indébito, no valor de R$ 1.100,70, o qual provocou as idas e vindas dos autos do processo, sem que qualquer alteração ou providência efetiva fosse tomada a esse respeito. Analisando o sistema SIEF PER/DCOMP, constatase que foram formalizados três processos administrativos de DCOMPs vinculadas ao mesmo crédito, de pagamento indevido de IRPJ apurado por ocasião do ajuste anual do imposto para o anocalendário de 2002, código 2430 no valor de R$ 6.186.017,65. [...] Observase que o PER/DCOMP que primeiro foi transmitido para compensação com crédito do cotejado pagamento, em 03.12.2003, é o de nº 23899.29280.031203.1.3.046964 (processo de crédito 10410.900007/200811), e o mesmo já foi objeto de despacho decisório indeferitório, do qual a interessada tomou ciência em 11/02/2008, e de Acórdão proferido pela DRJ/REC (Ac 1132.682, de 20/01/2011). Atualmente, esses autos encontramse pendentes de apreciação pelo CARF de recurso voluntário apresentado pela contribuinte. Nos autos do processo administrativo nº 10410.900576/200866 também já foi proferido despacho decisório, do qual a interessada tomou ciência em 24/04/2008, e Acórdão pela DRJ/REC (Ac nº 1133133, de 17/03/2011)n° 24057.28301.280704.1.3.042264 (processo de credito nº 10410.900576/200866). Os autos do presente processo, nº 10410.720040/20065, embora tenham sido formalizados anteriormente aos dois acima, não se referem ao PER/DCOMP inicial (com demonstrativo do crédito) e correspondem ao último dos três despachos decisórios que analisaram a existência do crédito pretendido. Conforme relatado pela DERAT/SPO (fl. 225), foi feita uma “reserva” da parcela do pagamento que se mostrava disponível (não alocado a débito confessado em DCTF), de R$ 1.100,70, para o presente processo, em 2006, quando da formalização dos autos. Contudo, a efetiva análise do direito creditório e da compensação pretendida foi realizada apenas em outubro de 2011, após terem sido proferidos os despachos decisórios nos outros dois processos . A despeito do longo período em que referido saldo ficou “reservado” para o presente processo, observase que a reserva não poderia ser realizada para os PER/DCOMPs do presente processo, uma vez que eventual crédito reconhecido teria que ser primeiramente utilizado para o PER/DCOMP que primeiro foi transmitido, de nº 23899.29280.031203.1.3.046964, o qual consta do processo de crédito 10410.900007/200811. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10410.720040/200605 Acórdão n.º 1402002.212 S1C4T2 Fl. 541 7 O equívoco na reserva de R$ 1.100,70 induziu a outros equívocos na elaboração dos despachos proferidos nos autos dos processos de compensação, de nºs 10410.900007/200811 e 10410.900576/200866. Ao constatarem nos sistemas da RFB que o saldo disponível de R$ 1.100,70 encontrava se reservado para o presente processo, as autoridades locais atuantes nesses dois processos ratificaram a indisponibilidade integral do pagamento verificada e concluíram pelo não reconhecimento total do crédito e conseqüente não homologação das compensações pretendidas, conforme despachos cujas ciências foram dadas à interessada em 11/02/2008 e 02/05/2008, respectivamente. Meses após, em outubro de 2008, a DERAT/SPO/EQPIR analisou o pleito do presente processo e, constatando que o crédito pretendido já havia sido apreciado (e indeferido) nos noticiados processos, não reconheceu o crédito sobre pagamento indevido e não homologou integralmente as compensações a ele vinculadas no processo, sem perceber/considerar que naqueles autos (nºs 10410.900007/200811 e 10410.900576/200866), parte do pleito havia sido indeferida por conta de reserva anteriormente realizada justamente a estes autos (processo nº 10410.720040/200650). Daí porque, em 12/02/2009, a DERAT/DIORT/ECRER/SPO (fl. 225), constatando o imbróglio acima relatado, liberou o saldo disponível do pagamento no valor de R$ 1.100,70 e devolveu os autos à EQPIR para que o pleito fosse reanalisado, o que não foi feito. A liberação do saldo disponível do pagamento no valor de R$ 1.100,70, pela ECRER, mostrouse necessária para corrigir o equívoco inicial, porque a utilização do crédito deve respeitar a ordem cronológica de transmissão dos PER/DCOMPS. Contudo, observo que essa liberação não justifica a reanálise do despacho proferido nos presentes autos, tal como entendido pela ECRER, visto que, como dito, eventual crédito reconhecido teria que ser compensado com observância às datas de transmissão dos PER/DCOMPS vinculados, sendo que o primeiro deles é objeto do processo administrativo nº 10410.900.007/200811. A EQPIR, de fato, não reanalisou o pleito, encaminhando os autos à DRJ Recife, em 28/10/2010, conforme despacho de fl. 261, para que os três processos vinculados ao crédito fossem, enfim, juntados, providência evidentemente direcionada a evitar outros equívocos ou julgamentos incompatíveis, ao menos na instância julgadora. No entanto, não foram juntados os processos e os presentes autos foram restituídos à São Paulo em 15/03/2011, pela 3ª Turma da DRJ/REC (fls.263/264) que, pautada na constatação de que o despacho denegatório foi expedido pela DERAT/SP, concluiu que a competência para apreciação da manifestação de inconformidade seria da DRJ/SPO. Enfim, mas não adequadamente, uma vez já proferidos e cientificados os acórdãos dos processos nº 10410.900007/200811 e 10410.900576/200866, resta a essa autoridade julgadora analisar o pleito apresentado nos autos. Para melhor clareza do que aqui se vai expor, convém transcrever dispositivos que tratam do direito ao incentivo fiscal de redução do imposto (grifos acrescentados): Regulamento do Imposto de Renda/99: [...] Art. 564 [...] Instrução Normativa 267 de 23 de dezembro de 2002. [...] Fl. 548DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10410.720040/200605 Acórdão n.º 1402002.212 S1C4T2 Fl. 542 8 Como se observa, para que o sujeito passivo possa usufruir o direito ao gozo do benefício da redução do imposto, não basta possuir o laudo constitutivo do direito expedido pelo Ministério da Integração Nacional – MI. Nos termos das normas supratranscritas, a fruição do direito depende de ato expresso da unidade da Receita Federal a que estiver jurisdicionado o contribuinte, que deverá instruir o pedido com o laudo expedido pelo MI. A necessidade dessa providência, aliás, encontrase estampada no próprio Laudo SUDENE nº 0102/2003, no qual consta que o mesmo deverá instruir pedido a ser formalizado à SRF, conforme art. 3º do Decreto 4.213, de 26/04/2002 (fl. 225). Além de não ter apresentado nem sequer noticiado a apresentação de requerimento à SRF para o gozo do benefício fiscal, e a despeito de no laudo apresentado constar que o benefício fiscal retroagiria ao anocalendário de 2002, nos termos do § 2º do supratranscrito art. 73 da IN SRF 267/2002, a fruição do benefício pela interessada darseia apenas a partir do ano calendário da expedição do laudo, ou seja, em 2003. Isso porque, considerando que o empreendimento que justificou a concessão do benefício iniciouse em 2001, conforme consta do laudo apresentado (fl. 223), a interessada não se enquadraria na hipótese prevista no § 1º do art. 73 da IN SRF 267/2002, para o que seria necessário que a expedição do laudo pela autoridade competente ocorresse até 31 de março de 2002 (último dia útil do mês de março do anocalendário subseqüente ao do início de operação). Assim, ainda que a interessada tivesse requerido à SRF a fruição do benefício fiscal concedido conforme laudo apresentado, tal fruição não poderia retroagir ao anocalendário de 2002, visto que referido laudo foi expedido somente em 31/03/2003, o que lhe garantiria a pretendida fruição somente a partir desse mesmo anocalendário, de 2003. Em face do exposto, voto no sentido de a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE ser julgada IMPROCEDENTE, devendo ser não homologada a compensação declarada." Em seguida, devidamente notificada a Recorrente interpõe Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos da impugnação, requerendo a reforma do v. acórdão recorrido e o conseqüente direito creditório sobre o pagamento indevido ou a maior relativo ao IRPJ devido no ajuste anual de 2002 no valor de R$ 6.186.017,65. Alega que em 31 de março d 2003, antes da entrega da DIPJ/2003, referente ao anocalendário de 2002, a Recorrente recebeu o Laudo Constitutivo 0102/2003, o qual concedeu a renovação do benefício de forma retroativa, permitindo que a empresa se beneficiasse do incentivo desde o início do anocalendário de 2002. É o relatório. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10410.720040/200605 Acórdão n.º 1402002.212 S1C4T2 Fl. 543 9 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Trata o processo em epígrafe de declarações de compensação eletrônica — PER/DCOMPs (fls. 01 a 97, 101 a 123), apresentadas pela Recorrente, visando compensar pretenso crédito de pagamento indevido e a maior de IRPJ (cód. 2430), relativo ao ano calendário de 2002, no montante de R$ 6.186.017,65 (arrecadado em 31/03/2003), com diversos débitos próprios, referentes ao IRPJ, CSLL, IOF, PIS E COFINS relativos aos anos calendário 2003, 2004, 2005 e 2006. (fl.263) Inicialmente, há de se ressaltar o exposto pelo v. acórdão recorrido, que o valor de R$ 1.100,70 (que não foi alocado ao débito confessado em DCTF), relativo ao saldo disponível e reconhecido que fora equivocadamente reservado para este processo de final 05, é objeto da PER/DCOMP 23899.29280.031203.1.3.046964 que também se encontra aguardando julgamento deste E. CARF/MF, no processo nº 10410.900.007/200811. Tal valor disponível e reconhecido de R$ 1.100,70 não irá influenciar no julgamento do presente processo, mesmo que o pedido de compensação previsto no processo nº 10410.900.007/200811 seja parcialmente provido para homologar este montante de R$ 1.100,70. O crédito de R$ 6.186.017,65 que não foi reconhecido para homologar a compensação ora analisada e que foi confessado em DCTF (fls. 129 a 131), já fora analisado em outros dois processos e os respectivos pedidos de compensação/pagamento não foram homologados. O presente processo tem como seu principal ponto analisar a homologação do pedido de compensação de crédito originado por meio do incentivo de lucro de exploração disposto no artigo 564 do RIR/99 e na Instrução Normativa SRF 267/2002 que regulamentam o procedimento para se gozar do benefício de redução do imposto, na hipótese de ter sido cumprido os requisitos. As normas tem o seguinte texto: Art. 564. O direito à redução de que trata o art. 551 será reconhecido pela Delegacia da Receita Federal a que estiver jurisdicionado o contribuinte (Lei n.º 4.239/63, art. 16). § 1º O reconhecimento do direito à redução será requerido pela pessoa jurídica, que deverá instruir o pedido com declaração, expedida pela SUDENE, de que satisfaz as condições mínimas para gozo do favor fiscal. "Instrução Normativa SRF nº 267, de 23 de dezembro de 2002 (...) Fl. 550DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10410.720040/200605 Acórdão n.º 1402002.212 S1C4T2 Fl. 544 10 Reconhecimento do direito à redução do imposto Art. 59. O reconhecimento do direito aos incentivos de redução de que trata este Capítulo será submetido ao disposto nos arts. 60 e 61, obedecidas as demais normas vigentes sobre a matéria. Art. 60. A competência para reconhecer o direito será da unidade da SRF a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, devendo o pedido estar instruído com laudo expedido pelo MI. § 1º O titular da unidade da SRF decidirá sobre o pedido em cento e vinte dias contados da apresentação do requerimento à repartição fiscal competente. § 2º Expirado o prazo indicado no § 1º, sem que a requerente tenha sido notificada da decisão contrária ao pedido e enquanto não sobrevier decisão irrecorrível, considerarseá a interessada automaticamente no pleno gozo da redução pretendida, a partir da data de expiração do prazo. § 3º Do despacho que denegar, parcial ou totalmente, o pedido da requerente, caberá manifestação de inconformidade para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), dentro do prazo de trinta dias, a contar da ciência do despacho denegatório. § 4º Tornase irrecorrível, na esfera administrativa, a decisão da DRJ que denegar o pedido. § 5º Na hipótese do § 4º, a repartição competente procederá ao lançamento das importâncias que, até então, tenham sido reduzidas do imposto devido, efetuandose a cobrança do débito. § 6º A cobrança prevista no § 5º não alcançará as parcelas correspondentes às reduções feitas durante o período em que a pessoa jurídica interessada esteja em pleno gozo da redução de que trata o § 2º. § 7º O pedido de que trata este artigo deve estar completo em todos os requisitos formais e materiais, sem o quê não será admitido, podendo o requisitante, depois de sanado o vício, peticionar novamente. § 8º Na hipótese de não admissibilidade do pedido não fluirá o prazo de que trata o § 1º, enquanto não sanado o vício. [...] Art. 73. Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do ano calendário de 2000 e até 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto protocolizado e aprovado após 24 de agosto de 2000 para instalação de empreendimentos enquadrados em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, na área de atuação da extinta Sudene, terão direito à redução de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto, inclusive adicional, pelo prazo de até dez anos, calculado com base no lucro da exploração. § 1º A fruição do benefício fiscal referido no caput darseá a partir do anocalendário subseqüente àquele em que o projeto de instalação entrar em operação, segundo laudo expedido pelo órgão competente do MI até o último dia útil do mês de março do ano calendário subseqüente ao do início de operação. § 2º Na hipótese de expedição de laudo constitutivo após a data referida no § 1º, a fruição do benefício darseá a partir do anocalendário da expedição do laudo. [...] Fl. 551DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10410.720040/200605 Acórdão n.º 1402002.212 S1C4T2 Fl. 545 11 Conforme os dispositivos acima colacionados, após a emissão do Laudo Constitutivo 0102/2003 emitido pela SUDENE, a Recorrente deveria ter apresentado requerimento junto à Secretaria da Receita Federal de jurisdição da pessoa jurídica, nos termo do artigo 60 da Instrução Normativa 267/2002 e artigo 553 do RIR/99. Tanto a Instrução Normativa 267/2002, como o artigo 564 do RIR/99 determinam a forma e o procedimento de como será concedido o benefício da redução do imposto. Inclusive, consta no próprio Laudo Constitutivo da SUDENE 102/2003 a instrução de que a Recorrente deveria formalizar o pedido do incentivo junto a Secretaria da Receita Federal, conforme art. 3º do Decreto 4.213, de 26/04/2002 (fl. 222). A Recorrente, por sua vez, não apresentou o requerimento junto a Secretaria da Receita Federal por entender que não seria necessário tal procedimento no caso de renovação do benefício descumprindo a obrigação determinada na legislação. Ademais, como ressaltado pelo v. acórdão recorrido, mesmo que a Recorrente tivesse apresentado o requerimento, a empresa só teria direito a usufruir do benefício de redução do imposto a partir do anocalendário de 2003, vejamos. "Isso porque, considerando que o empreendimento que justificou a concessão do benefício iniciouse em 2001, conforme consta do laudo apresentado (fl. 223), a interessada não se enquadraria na hipótese prevista no § 1º do art. 73 da IN SRF 267/2002, para o que seria necessário que a expedição do laudo pela autoridade competente ocorresse até 31 de março de 2002 (último dia útil do mês de março do anocalendário subseqüente ao do início de operação). Assim, ainda que a interessada tivesse requerido à SRF a fruição do benefício fiscal concedido conforme laudo apresentado, tal fruição não poderia retroagir ao anocalendário de 2002, visto que referido laudo foi expedido somente em 31/03/2003, o que lhe garantiria a pretendida fruição somente a partir desse mesmo anocalendário, de 2003. Em face do exposto, voto no sentido de a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE ser julgada IMPROCEDENTE, devendo ser não homologada a compensação declarada". Desta forma, por não ter cumprido os mandamentos dos dispositivos acima transcritos que regem a matéria relativa a forma pela qual a contribuinte deve requerer a concessão do benefício de redução do imposto, não há como reconhecer o direito ao crédito pleiteado pela Recorrente no importe de R$ 6.186.017,65, referente ao incentivo fiscal sobre o lucro de exploração. O valor de R$ 1.100,70 que foi liberado (fls. 223/225 deste processo) pela Administração Publica que é objeto da PER/DCOMP 23899.29280.031203.1.3.046964, analisada no processo 10410.900007/200811, deve ser reconhecido naqueles autos. Ante o exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento não reconhecendo o crédito no importe de R$ 6.186.017,65 e por consequencia não homologo os pedido de compensação requeridos pela Recorrente nos autos. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 10410.720040/200605 Acórdão n.º 1402002.212 S1C4T2 Fl. 546 12 (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Voto Relator. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO
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Numero do processo: 13603.724503/2011-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/04/2009
OMISSÃO, DÚVIDA OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Os embargos de declaração não se revestem em via adequada para rediscutir o direito, devendo ser rejeitados quando não presentes os pressupostos de dúvida, contradição ou omissão no acórdão recorrido.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3301-002.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela Fazenda Pública, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Acompanhou o julgamento pelo contribuinte o Dr. Marco Túlio Fernandes Ibrahim, OAB/MG n° 110.372.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela Fazenda Pública, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Acompanhou o julgamento pelo contribuinte o Dr. Marco Túlio Fernandes Ibrahim, OAB/MG n° 110.372.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2009 a 30/04/2009 OMISSÃO, DÚVIDA OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Os embargos de declaração não se revestem em via adequada para rediscutir o direito, devendo ser rejeitados quando não presentes os pressupostos de dúvida, contradição ou omissão no acórdão recorrido. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela Fazenda Pública, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Acompanhou o julgamento pelo contribuinte o Dr. Marco Túlio Fernandes Ibrahim, OAB/MG n° 110.372. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 45 03 /2 01 1- 98 Fl. 3639DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 3301002.952 S3C3T1 Fl. 3.640 2 Relatório Em sessão transcorrida em 29 de janeiro de 2016, esta Primeira Turma Ordinária deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, nos termos do acórdão nº 3301002.798, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2009 a 30/04/2009 COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado – além de seu emprego para locação a terceiros – a seu uso “na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como Fl. 3640DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 3301002.952 S3C3T1 Fl. 3.641 3 insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de Fl. 3641DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 3301002.952 S3C3T1 Fl. 3.642 4 créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações – no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não cumulatividade – nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento O dispositivo do voto condutor do acórdão embargado segue abaixo transcrito: Por todo o exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso, no seguinte sentido: I) negar o direito ao creditamento do PIS e da COFINS pela aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado (item 3.1 do TVF); II) reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF); III) manter o entendimento da fiscalização pela impossibilidade de creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF), ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF); IV) quanto à glosa dos créditos calculados sobre fretes pela “falta de identificação das mercadorias transportadas” (item 3.7 do TVF), dar parcial provimento ao recurso, nos termos dos cálculos apresentados pela autoridade fiscal no relatório de diligência de fls. 3564/3569; V) concernente à reclassificação de créditos (item 4.2 do TVF), desconsiderar os ajustes nos cálculos procedidos pela fiscalização, uma vez caracterizada a possibilidade de utilização dos créditos, para fins de compensação ou de ressarcimento, em Fl. 3642DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 3301002.952 S3C3T1 Fl. 3.643 5 vista das compras das máquinas e dos veículos destinadas à revenda; VI) quanto ao reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), dar parcial provimento ao recurso para permitir o ajuste necessário de forma a considerar a incidência de juros e de multa de mora sobre os débitos apenas até o término de cada trimestre data a partir da qual a contribuinte passou a ter direito ao crédito; VII) negar provimento quanto à retificação dos erros de cálculo. (grifouse) Aduz a d. Procuradoria que o acórdão em tela incide em omissão, contradição e dúvida a respeito das questões que elenca, as quais seguem abaixo discriminadas. Especificamente no que concerne ao item II do dispositivo acima transcrito, cujo entendimento foi o de "reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF)", aduz a Fazenda Nacional que referido entendimento se alicerçou no equivocado argumento de que os serviços prestados pela citada empresa seriam inerentes a um "sistema de controle de fluxo de produção e dos estoques ligados à produção", conforme seguinte trecho extraído do voto condutor do acórdão: [...] Contudo, em relação aos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., (“Gerenciamento das operações de transporte ‘Inbound’ Transportes de materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Followup" Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela contratada, perante os fornecedores da contratante”), esses, por estarem relacionados ao controle de fluxo de componentes nas instalações fabris, são essenciais ao processo produtivo, o qual, nas palavras da interessada, “depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time”. Com efeito, não se concebe o exercício da atividade industrial sem um eficaz sistema de controle do fluxo de produção e dos estoques ligados à produção, razão pela qual entendo que os créditos calculados com base nos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. deverão ser mantidos. Nessa parte, portanto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. Segundo a Fazenda Pública, o equívoco restaria caracterizado diante da leitura da Cláusula Primeira do contrato firmado entre a embargada e a GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., cujo objeto estaria restrito à disponibilização de mãodeobra sob a gerência de órgão de planejamento da CNH. Assim o contrato contemplaria apenas a cessão de mãode obra, e não a prestação de serviços, como, ressalta, entendera a decisão de primeira instância, segundo a qual os serviços prestados pela citada empresa teriam caráter nitidamente administrativo. Fl. 3643DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 3301002.952 S3C3T1 Fl. 3.644 6 Assim, entende a Fazenda Nacional que deveria ser afastada a possibilidade de creditamento inerente às despesas contratuais com a pessoa jurídica GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda.. Em relação ao item V do dispositivo acima transcrito, concernente ao afastamento da reclassificação de créditos efetuada pela fiscalização (item 4.2 do TVF), entendeu a Fazenda Pública que seria contraditória a interpretação adotada pelo acórdão recorrido, eis que inadmissível o embargado valerse do desconto da base de cálculo do PIS e da COFINS (art. 17 da Lei nº 10.865) conjuntamente com o direito de compensação ou restituição do crédito veiculado pelo artigo 15 da mesma lei. Ressalta que a decisão da DRJ entendeu não ser possível a cumulação de ambos os benefícios fiscais, e que enquanto o artigo 17 da Lei nº 10.865 veicula norma de exclusão do crédito tributário, o artigo 15 da mesma lei trata de previsão de não cumulatividade. Ainda, aduz a d. Procuradoria que o Supremo Tribunal Federal, em sede de recurso extraordinário com repercussão geral, já se pronunciara sobre a impossibilidade de utilização concomitante da benesse da exclusão do crédito e da não cumulatividade. Reproduz a ementa do acórdão proferido nos autos do RE nº 398.365/RG, e ressalta que muito embora citado decisum trate do IPI, a questão foi analisada sob a ótica do artigo 153, inciso IV, § 3º, inciso II, da Constituição Federal, aplicável à nãocumulatividade das contribuições sociais. Reportase ainda a Fazenda Pública à interpretação literal de que trata o artigo 111 do CTN. Diante do exposto, e dada a aduzida necessidade de saneamento das supostas obscuridades, contradições e omissões, requer sejam acolhidos e providos os presentes embargos de declaração. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Inicio a análise dos presentes embargos declaratórios apreciando os questionamentos da d. Fazenda Pública quanto ao item II do dispositivo do voto condutor da decisão embargada, cujo entendimento foi no sentido de "reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF)". A Fazenda Nacional alega equivocado o argumento segundo o qual os serviços prestados pela citada empresa são inerentes a um "sistema de controle de fluxo de produção e dos estoques ligados à produção", conforme trecho extraído do voto condutor do acórdão, reproduzido linhas acima. Para a Fazenda Pública, a leitura da Cláusula Primeira do contrato firmado entre a interessada e a GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. restringiria o objeto do contrato à disponibilização de mãodeobra sob a gerência de órgão de planejamento da CNH. Dessa forma, o contrato contemplaria apenas a cessão de mãodeobra, e não a prestação de serviços, Fl. 3644DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 3301002.952 S3C3T1 Fl. 3.645 7 como, ressalta, teria entendido a decisão de primeira instância, segundo a qual os serviços prestados pela citada empresa teriam caráter nitidamente administrativo. A Cláusula Primeira do contrato referenciado, no qual se alicerça a Fazenda Pública, segue abaixo reproduzida: De pronto, releva destacar que a cláusula primeira acima transcrita não se restringe à "disponibilização de três colaboradores" e, portanto, a mãodeobra, mas também, em parágrafo distinto, à "identificação das restrições dos métodos e processos produtivos (gargalos)" com a sugestão de "alternativas em prazos que possibilitem ações técnicas corretivas". Ou seja, entendemos que o contrato em tela contempla, sim, o "controle de fluxo de componentes nas instalações fabris [...] essenciais ao processo produtivo, o qual, nas palavras da interessada, 'depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time'" (nos termos da decisão embargada). Isso é corroborado pela Cláusula Sétima do contrato em evidência, segundo a qual a execução dos serviços pela contratada ocorrerá, também, "em local diverso das dependências da CONTRATANTE". Confirase: Ademais, conforme demonstrado no voto condutor do acórdão embargado, a suposta restrição do contrato em tela à sessão de mãodeobra não foi levantada em nenhum momento pela fiscalização. Com efeito, a fundamentação adotada pela fiscalização para a glosa do creditamento pelos serviços pagos à empresa GFL foi a impossibilidade de creditamento em face de serviços de "Gerenciamento das operações de transporte "IN Bound" Transportes de materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Followup" Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela contratada, perante os fornecedores da contratante". Isso é reiterado pela fiscalização quando reproduz a ementa da Solução de Consulta Nº 125/2007 da DISIT da 10ª RF, segundo a qual "não gera direito a crédito da Cofins a aquisição de serviços de movimentação e controle de estoques de matériasprimas, materiais de embalagem e produtos acabados, realizados nas instalações da pessoa jurídica ou da própria empresa contratada". Fl. 3645DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 3301002.952 S3C3T1 Fl. 3.646 8 Foi fundado nessa premissa que analisamos a questão e entendemos que [...] em relação aos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., (“Gerenciamento das operações de transporte ‘Inbound’ Transportes de materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Followup" Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela contratada, perante os fornecedores da contratante”), esses, por estarem relacionados ao controle de fluxo de componentes nas instalações fabris, são essenciais ao processo produtivo, o qual, nas palavras da interessada, “depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time”. Confirase o correspondente trecho da decisão embargada abaixo reproduzido: Das glosas objeto do item 3.2 do TVF: serviços não empregados diretamente na industrialização A fiscalização glosou o creditamento correspondente a alguns serviços que não foram “empregados diretamente na industrialização”. Reproduzo o trecho do relatório fiscal correspondente à questão: Instado, conforme Termo de Intimação nº 0551/2011, a informar quais tipos de serviços prestavam as empresas Fiat do Brasil S/A e GFL Gestão de Fatores Logísticos, e a apresentar os respectivos contratos, a empresa respondeu, em 01/09/2011, o seguinte: “Serviços prestados à INTIMADA pela FIAT DO BRASIL S/A: [...] Serviços prestados à INTIMADA pela GFL GESTÃO DE FATORES LOGÍSTICOS LTDA: • Gerenciamento das operações de transporte "IN Bound" Transportes de materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Followup" Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela contratada, perante os fornecedores da contratante.” Nenhuma destas atividades pode ser considerada como aplicada ou consumida na fabricação de produtos. Os serviços prestados pela Fiat do Brasil S/A, claramente, têm caráter administrativo, mas mesmo os prestados pela GFL não podem ser considerados insumos. Neste sentido, a ementa da Solução de Consulta Nº 125 de 2007 – DISIT – 10ª RF declara: INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO E CONTROLE DE ESTOQUES. Não gera direito a crédito da Cofins a aquisição de serviços de movimentação e controle de estoques de matérias primas, materiais de embalagem e produtos acabados, realizados nas instalações da pessoa jurídica ou da própria empresa contratada. As contas contábeis responsáveis pelo registro dos créditos de PIS e COFINS incidentes sobre serviços, conforme resposta ao Termo de Início entregue em 08/06/2011, são as de nos 144240 e 144241, e a esmagadora maioria dos lançamentos referemse a serviços prestados pelas duas empresas mencionadas anteriormente, com algumas exceções: a nota fiscal nº 149087 da Metropolitana Vigilância Comercial, cujo crédito o contribuinte afirmou não ter incluído na base de cálculo, e algumas notas Fl. 3646DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 3301002.952 S3C3T1 Fl. 3.647 9 fiscais, em 2010, referentes a treinamentos técnicos de diversos tipos, aos quais, pelos mesmos argumentos expostos acima, é vedada a geração de créditos. Deste modo, todo o crédito descrito como “Serviço Nacional” nas memórias de cálculo entregues em 08/07/2011, em resposta ao Termo de Início, deve ser glosado [...] A análise do problema envolve essa que talvez seja a questão mais controvertida em relação à nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS: definir o que são insumos para fins de creditamento das citadas contribuições. [...] Contudo, em relação aos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., (“Gerenciamento das operações de transporte ‘Inbound’ Transportes de materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Followup" Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela contratada, perante os fornecedores da contratante”), esses, por estarem relacionados ao controle de fluxo de componentes nas instalações fabris, são essenciais ao processo produtivo, o qual, nas palavras da interessada, “depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time”. Com efeito, não se concebe o exercício da atividade industrial sem um eficaz sistema de controle do fluxo de produção e dos estoques ligados à produção, razão pela qual entendo que os créditos calculados com base nos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. deverão ser mantidos. Nessa parte, portanto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (os destaques em negrito não constam do original) Vale ressaltar, ainda, que, diferentemente do que afirma a d. Procuradoria, a decisão de primeira instância também não se fundamentou na apontada restrição do contrato referido à sessão de mãodeobra, conforme comprova o seguinte trecho da decisão em referência: 4. SERVIÇOS NÃO EMPREGADOS DIRETAMENTE NA INDUSTRIA LIZAÇÃO. ITEM 3.2 DO TVF. A DRF glosou tais despesas em virtude de a legislação somente autorizar o creditamento sobre serviços utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, e desde que aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto e prestados por pessoa jurídica domiciliada no país. Afirma que a contribuinte não observou essa regra ao apurar os créditos das contribuições, indicados nas memórias de cálculo apresentadas, enquanto que, instada a informar quais os tipos de serviços prestados pelas pessoas jurídicas Fiat do Brasil Ltda. e GFL Gestão de Fatores Logísticos, a recorrente esclareceu que a primeira prestou serviços relativos ao comércio exterior, contabilidade geral, controle fiscal, gestão tributária e societária e assessoria a expatriados enquanto que a última teria prestado serviços relativos a gerenciamento das operações de Fl. 3647DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 3301002.952 S3C3T1 Fl. 3.648 10 transporte e acompanhamento de entrega de materiais e componentes. Nenhuma dessas atividades pode ser considerada como aplicada ou consumida na fabricação de produtos, eis que possuem caráter nitidamente administrativo. Em adição, a DRF informou que os serviços destacados correspondem à esmagadora maioria dos lançamentos contábeis nas contas nº 144240 e nº 144241, com exceção da nota fiscal nº 149087 da pessoa jurídica Metropolitana Vigilância Comercial, cujo crédito a contribuinte informou não ter incluído na base de cálculo, e algumas notas fiscais concernentes a treinamentos técnicos de diversos tipos, aos quais, pelos mesmos argumentos, é vedada a geração de créditos das contribuições em exame. Assim, concluiu a DRF, todo o crédito descrito como “Serviço Nacional” nos documentos acostados, foi objeto de glosa. Conforme evidenciado, podem ser considerados insumos para efeitos fiscais somente aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na fabricação ou na produção de bens, ou na prestação de serviços. Desse modo, os serviços em tela não podem ser tidos por insumos. Em adição, embora a requerente alegue que esses serviços são essenciais, não foi o critério da indispensabilidade ou essencialidade, como visto, que motivou a legislação ora em exame. (grifos nossos) Como se vê, também na decisão da DRJ é ressaltado que a natureza dos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. é a de "gerenciamento das operações de transporte e acompanhamento de entrega de materiais e componentes", tendo entendido a decisão de primeira instância, com base na rejeição do critério da "indispensabilidade ou essencialidade" acolhido na decisão embargada , que "nenhuma dessas atividades pode ser considerada como aplicada ou consumida na fabricação de produtos, eis que possuem caráter nitidamente administrativo". Assim, em vista de a aduzida (e equivocada) restrição à sessão de mãode obra no contrato firmado entre a interessada e a GFL, em nenhum momento, ter servido de fundamentação para a glosa dos créditos (seja pela unidade de origem, seja pela DRJ) o que revela inadmissível inovação argumentativa em sede de embargos , e ainda, pelo fato de referido contrato, com efeito, contemplar a "identificação das restrições dos métodos e processos produtivos (gargalos)" com a sugestão de "alternativas em prazos que possibilitem ações técnicas corretivas", demonstrando albergar o "controle de fluxo de componentes nas instalações fabris", como destacado na decisão embargada, entendo que, nessa parte, deverão ser rejeitados os embargos da d. Procuradoria da Fazenda Nacional, eis que demonstrada a perfeita higidez da decisão em tela e, portanto, a ausência de quaisquer dos pressupostos de admissibilidade de embargos de declaração (obscuridade, omissão ou contradição). O d. Procuradoria também se insurgiu contra o entendimento objeto do item V do dispositivo do voto condutor do acórdão embargado, o qual reproduzo novamente: V) concernente à reclassificação de créditos (item 4.2 do TVF), desconsiderar os ajustes nos cálculos procedidos pela fiscalização, uma vez caracterizada a possibilidade de utilização dos créditos, para fins de compensação ou de ressarcimento, em vista das compras das máquinas e dos veículos destinadas à revenda; Fl. 3648DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 3301002.952 S3C3T1 Fl. 3.649 11 Segundo a Fazenda Pública, seria contraditória a interpretação adotada pelo acórdão recorrido, eis que inadmissível o embargado valerse do desconto da base de cálculo do PIS e da COFINS (art. 17 da Lei nº 10.865) conjuntamente com o direito de compensação ou restituição do crédito veiculado pelo artigo 15 da mesma lei. Ressalta que a decisão da DRJ entendera não ser possível a cumulação de ambos os benefícios fiscais, e que enquanto o artigo 17 da Lei nº 10.865 veicula norma de exclusão do crédito tributário, o artigo 15 da mesma lei trata de previsão de não cumulatividade. Faz referência ainda ao RE nº 398.365/RG, cujo entendimento deveria ter sido observado na decisão embargada. Não obstante, da análise dos argumentos contidos no voto condutor do acórdão recorrido, vêse que, no mesmo, não há nenhuma contradição entre o que foi decidido e os fundamentos do acórdão que justifique o acolhimento dos presentes embargos declaratórios. Tãosomente foi adotada uma interpretação específica dentre entendimentos possíveis na lamentável colcha de retalhos que é a legislação inerente ao regime da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. No caso, o colegiado entendeu que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005, ao admitir a compensação e o ressarcimento também em relação aos créditos decorrentes da incidência do PIS e da COFINS sobre as importações nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, abrangia as mercadorias discriminadas no artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004, por entender que aduzido dispositivo (artigo 17) trata de um subconjunto das hipóteses amplamente abordadas pelo artigo 15, principalmente considerando o teor do parágrafo 8º do mesmo artigo 17, segundo o qual "o disposto neste artigo alcança somente as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta Lei" (grifei). Segundo o entendimento exarado no acórdão, a especificidade do artigo 17 referenciado seria inerente à forma de apuração dos créditos, prescrita em seu parágrafo 2º, o qual, no caso dos bens de que trata o § 3º do artigo 8º da Lei nº 10.865/2004 (“máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM”), correspondia a 2% e a 9,6%, respectivamente, para o PIS e para a COFINS, nos termos da redação à época vigente do artigo 1º da Lei nº 10.485/20021, a que remete o inciso III do artigo 2º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003. Exceção, pois, às alíquotas gerais de 1,65% para o PIS e de 7,6% para a COFINS, prescritas pelo caput do artigo 2º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003. Evidentemente, acaso exista dissenso jurisprudencial no âmbito deste CARF, poderá a questão ser questionada via recurso especial, mas não mediante embargos de declaração, eis que este recurso não pode ser utilizado para a rediscussão do direito. Da conclusão 1 Art. 1° As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 3649DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724503/201198 Acórdão n.º 3301002.952 S3C3T1 Fl. 3.650 12 Diante do exposto, e considerando que o acórdão recorrido não está eivado de dúvida, omissão ou contradição que justifique a oposição de embargos de declaração, voto para que seja rejeitado o recurso formalizado pela Fazenda Pública, visto que este carece de pressuposto essencial à sua legitimação. Sala de sessões, em 28 de abril de 2016. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 3650DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 10940.720254/2011-42
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009, 2010
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9202-003.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que deram provimento parcial ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que deram provimento parcial ao recurso. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 72 02 54 /2 01 1- 42 Fl. 820DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10940.720254/201142 Acórdão n.º 9202003.863 CSRFT2 Fl. 821 2 Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2201002.205, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 14 de agosto de 2013 (efls. 708 a 716). Ali, por maioria de votos, negouse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009, 2010 Ementa: QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A simples alegação de que os valores advêm de sua Declaração de Ajuste, não basta para afastar o ônus que a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, impõe ao contribuinte. Decisão: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, vencidos os Conselheiros Odmir Fernandes e Guilherme Barranco de Souza. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de quebra ilegal de sigilo bancário. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Nathalia Mesquita Ceia, que deu provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os juros de mora sobre a multa de ofício. Enviados os autos ao contribuinte para fins de ciência da decisão, ocorrida em 13/09/2013 (efl. 721), insurgindose contra esta, o autuado apresenta, em 30/09/2013 (efl. 722), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Fl. 821DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10940.720254/201142 Acórdão n.º 9202003.863 CSRFT2 Fl. 822 3 Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 722 a 783). O recurso foi parcialmente admitido pelos despachos de efls. 787 a 793, tendo lhe sido dado seguimento exclusivamente quanto à matéria de juros de mora sobre a multa de ofício. Quanto à matéria admitida, alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 23/01/2008, no Acórdão 10196.523, de lavra da 1a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, bem como ao decidido pela mesma Turma e Câmara no Acórdão 10196.607, prolatado em 06 de março de 2008, de ementas e decisões a seguir transcritas, visto que adotados como paradigmas, na forma do art. 67, §7o. do referido Anexo II ao RICARF. Acórdão 10196.523 NULIDADE Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender às formalidades legais e for efetuado por servidor competente. SIMULAÇÃO — GANHO DE CAPITAL — Se as provas constantes dos autos demonstram que a Contribuinte realizou negócio jurídico de forma diversa daquela formalmente declarada, havendo desconformidade entre a realidade fática e a aparência do negócio jurídico, resta caracterizada a ocorrência de simulação, devendo a obrigação tributária ser apurada sobre o negócio jurídico de fato realizado. ATOS NÃOCOOPERADOS — TRIBUTAÇÃO Os atos praticados por cooperativas que não se configurem como tipicamente cooperativos, estão sujeitos à tributação. Apenas os atos cooperativos, praticados entre associados e com o objetivo de atingir suas finalidades estatutárias não serão tributados. MULTA E JUROS SELIC — Se a multa de oficio e os juros pela taxa Selic aplicados encontramse em consonância com a legislação vigente, o Primeiro Conselho de Contribuintes, nos termos da sua Súmula n° 02, não pode afastar sua aplicação, já que não é competente para se pronunciar sobre a • inconstitucionalidade de lei tributária. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO — INAPLICABILIDADE — Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio. Recurso de oficio negado. Preliminar rejeitada. Recurso voluntário parcialmente provido. Decisão: por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio. Quanto ao recurso voluntário, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir a exigência de Fl. 822DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10940.720254/201142 Acórdão n.º 9202003.863 CSRFT2 Fl. 823 4 juros de mora sobre a multa de oficio, vencidos nessa parte, em segunda votação, os Conselheiros Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Relator), Aloysio José Percinio da Silva e Antonio Praga, que mantinham a incidência da taxa selic sobre a multa de oficio. Nas demais matérias em litígio houve unanimidade do colegiado, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir w voto vencedor o Conselheiro João Carlos de Lima Junior quanto à não incidência de juros de mora sobre a multa de oficio proporcional. Acórdão 10196.607 Assunto: SIMPLES Anocalendário: 2002 Ementa: LOCAL DA LAVRATURA Nos termos da Súmula 1ºCC nº 6, é legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO As causas de declaração de nulidade do auto de infração estão descritas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não cabendo argüir sobre tal possibilidade em casos não especificados no referido dispositivo legal. TAXA SELIC Conforme determina a Súmula 1º CC nº 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIA ENTRE OS VALORES DECLARADOS À RECEITA FEDERAL E AQUELES ESCRITURADOS NO LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DE ICMS A divergência entre os valores das receitas escrituradas no Livro Registro de Apuração de ICMS e aqueles declarados ao Fisco Federal caracteriza omissão de receitas quando não infirmada pelo sujeito passivo. MULTA QUALIFICADA A multa de ofício qualificada deve ser mantida se comprovada a fraude realizada pelo Contribuinte, constatados a divergência entre a verdade real e a verdade declarada pelo Contribuinte, e seus motivos simulatórios. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10940.720254/201142 Acórdão n.º 9202003.863 CSRFT2 Fl. 824 5 Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares, no mérito; pelo voto de qualidade, manter as exigências lançadas com multa de 150%, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva e Aloysio José Percinio da Silva que reduziam a multa para 75%. Por maioria de votos, excluir a exigência de juros de mora sobre a multa de oficio, vencidos nessa parte os Conselheiros Aloysio José Percinio da Silva, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho e Antonio Praga que mantinham a incidência da taxa Selic sobre a multa de oficio. Designado para redigir o voto vencedor nesta parte o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. Requer, assim, que quanto à matéria que seja conhecido o recurso e seja decidido que juros de mora não incidem sobre a multa de ofício Encaminhados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência em 11/03/2015 (efl. 803), a PGFN apresentou, em 16/03/2015, contrarrazões ao Recurso Especial do contribuinte (efls. 804 a 817), onde: a) Rejeita que a aplicação da multa de ofício deva se dar tão somente sobre tributos e contribuições, devendo se aplicar, no entendimento da Douta Procuradoria, a qualquer débito "cuja origem remonta a tributos e contribuições", uma vez que o art. 61 da Lei no. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, se refere a débitos decorrentes de tributos e contribuições, não havendo respaldo legal para que se limite a incidência da referida multa a tributos e contribuições; b) Ressalta que afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício frustraria a finalidade dos dispositivos legais, uma vez que a multa de ofício teria, após algum tempo, seu valor corroído pela inflação e, ainda, que o tributo e a multa de ofício, a partir do lançamento, passam a ser devidos pelo Contribuinte de forma não passível de segregação, sendo o crédito tributário composto tanto pelo tributo como pela penalidade pecuniária. Possui esta última, segue a Fazenda, a mesma natureza da obrigação tributária principal, devendo, assim, incidir juros também sobre a multa de ofício, consoante dicção dos arts. 113, 159 e 161 da Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); c) Colaciona jurisprudência do STJ, dos Tribunais Regionais Federais e do CARF, em favor da incidência dos juros sobre a multa de ofício, citando ainda a aplicabilidade da Súmula CARF no. 04, de forma que a referida taxa de juros deva ser calculada consoante a taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Inicialmente, quanto ao conhecimento do Recurso do autuado, ressalto meu posicionamento pessoal no sentido da matéria admitida (incidência de juros sobre a multa de ofício), ainda que objeto de prequestionamento na instância ordinária, tratarse de matéria atinente à cobrança do crédito tributário, ultrapassando assim o controle de legalidade do lançamento (que, notese, não abrange os referidos juros), seara a que deveria se limitar este Fl. 824DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10940.720254/201142 Acórdão n.º 9202003.863 CSRFT2 Fl. 825 6 Conselho e se constituindo, assim, em meu entendimento pessoal, em matéria estranha ao litígio, inclusive desde sua fase impugnatória. Curvome, porém, aqui, à jurisprudência pacificada no âmbito deste mesmo CARF, de conhecimento da matéria (evidenciada de forma clara pela existência de paradigmas divergentes em relação ao recorrido), de forma a superar eventual preliminar de não conhecimento. No mais, pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade e às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Adentrando o mérito, rejeito a argumentação do contribuinte, adotando como razões de decidir aquelas brilhantemente expostas pela ilustre conselheira Viviane Vidal Wagner, em seu voto vencedor na 1a. Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão 9101 00.539, de 11 de março de 2010, verbis: “ (...) Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem Fl. 825DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10940.720254/201142 Acórdão n.º 9202003.863 CSRFT2 Fl. 826 7 perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente." A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§10). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10940.720254/201142 Acórdão n.º 9202003.863 CSRFT2 Fl. 827 8 Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio: Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei no 9.430, de 1996, art. 61). §1o. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61,§ 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. Fl. 827DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10940.720254/201142 Acórdão n.º 9202003.863 CSRFT2 Fl. 828 9 No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: "JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.(g.n.) Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei no 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: "REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tão somente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07)." Fl. 828DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10940.720254/201142 Acórdão n.º 9202003.863 CSRFT2 Fl. 829 10 No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (...) Assim, com fulcro nas fortes razões de decidir acima expostas, que espelham de forma fidedigna meu posicionamento pessoal acerca da plena incidência dos juros SELIC sobre a multa de ofício constante do lançamento, nego provimento ao Recurso Especial do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Fl. 829DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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Numero do processo: 14485.000434/2007-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1996 a 31/10/1996
PREVIDENCIÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO. ÚLTIMO CO-OBRIGADO.. CRÉDITOS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL.
Na forma da Portaria MPS n° 520/2004 disciplinadora do processo administrativo no âmbito do INSS, comando enfático estabelecia que no caso de solidariedade, o prazo seria contado a partir da ciência da intimação do último co-obrigado solidário.
Tomando-se como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, " In casu", o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da notificação da constituição do crédito tributário.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Junior. Fez sustentação oral a Dra. Raissa Maia, OAB/DF 33.142.
JOÃO BELINNI JÚNIOR - Presidente.
IVACCIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
EDITADO EM: 08/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1996 a 31/10/1996 PREVIDENCIÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO. ÚLTIMO CO-OBRIGADO.. CRÉDITOS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. Na forma da Portaria MPS n° 520/2004 disciplinadora do processo administrativo no âmbito do INSS, comando enfático estabelecia que no caso de solidariedade, o prazo seria contado a partir da ciência da intimação do último co-obrigado solidário. Tomando-se como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, " In casu", o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da notificação da constituição do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2285; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14485.000434/200701 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.456 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente BUNGE FERTILIZANTES S/A E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1996 a 31/10/1996 PREVIDENCIÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO. ÚLTIMO COOBRIGADO.. CRÉDITOS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. Na forma da Portaria MPS n° 520/2004 disciplinadora do processo administrativo no âmbito do INSS, comando enfático estabelecia que no caso de solidariedade, o prazo seria contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado solidário. Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, " In casu", o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da notificação da constituição do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Junior. Fez sustentação oral a Dra. Raissa Maia, OAB/DF 33.142. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 04 34 /2 00 7- 01 Fl. 537DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 JOÃO BELINNI JÚNIOR Presidente. IVACCIR JÚLIO DE SOUZA Relator. EDITADO EM: 08/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu Fl. 538DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 14485.000434/200701 Acórdão n.º 2301004.456 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Lí o Relatório produzido pela instância a quo , compulsei com os autos e tendo anuído , com grifos de minha autoria, por economia processual, abaixo o transcrevo na íntegra: "Tratase de crédito previdenciário lançado através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 35.872.4139, emitida em 21/12/2005, lavrada pela Auditora Fiscal Sandra Akemi Takai, matrícula 1.334.762, relativa a contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social , rubricas segurados, empresa, e contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho rubrica sat/rat, incidentes sobre a remuneração de trabalhadores contratados por cessão de mãodeobra na atividade de construção civil, nas competências 09196 e 10/96, de acordo com o Relatório Fiscal, de fls. 90/93, que substituiu o Relatório Fiscal, de fls. 23/25, no montante de R$ 4.480,03 (quatro mil, quatrocentos e oitenta Reais e três centavos), consolidado em 20112/2005. 2. O Relatório Fiscal esclarece: 2.1. os serviços foram prestados pela empresa SERTERRA CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA., CNPJ 90.788.5221000192, com endereço na Av. Rio Grande, 646, Cassino, Rio Grande, RS, CEP 96205000; 2.2. o lançamento foi resultado do exame de notas fiscais/faturas e contratos, verificandose no exame dos registros contábeis que a empresa, no período do lançamento, contratou serviços de trabalhadores no seu estabelecimento; 2.3. a empresa deixou de apresentar cópia das folhas de pagamento e guias de recolhimento específicas dos segurados que prestaram serviço, ensejando a lavratura de Auto de Infração pela não apresentação de todos os documentos solicitados pela fiscalização; 2.4. o débito foi lançado em razão da não apresentação pela empresa contratante das cópias autenticadas das guias de recolhimento (GRPS) quitadas e respectivas folhas de pagamento específicas, conforme disposição do art. 31 e parágrafos da Lei n° 8.212/91 e OS INSS/DAF n° 83, de 13/08/93; Fl. 539DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 2.5. os valores foram apurados com base nas notas fiscais e faturas disponibilizados pelo contribuinte, obtendose o salário de contribuição pela aplicação de 40% (quarenta por cento) sobre o valor total do serviço, conforme discriminativo, nos termos do i item 11 da OS INSS/DAF n° 83/93; 2.6. será emitido subsídio fiscal encaminhado à Delegacia circunscricionante do estabelecimento sede da empresa prestadora de serviço. 3. Cientificado pessoalmente da notificação em 21/12/2005 (fls. 1), irresignado, o contribuinte interpôs aos 03/01/2006, sob protocolo n° 35464.0000961200637, a defesa, de fls. 32/48, acompanhada de Instrumento de Procuração e Substabelecimento (fls. 49/51), cópia de Atas de Assembléia de 29111/2002 e 29/04/2005 (fls. 52/53), cópia de notas fiscais de serviços (fls. 54/55), e cópia de Consulta ao Extrato do Devedor do Sistema Dívida da Procuradoria CDEBEXT, CCREDEXT, CCRED e CDEB (fls. 56/63), alegando, em resumo: 3.1. de acordo com os art. 173 e 156 do CTN, a doutrina e julgados do TRF e STJ, é patente a decadência dos tributos lançados, visto que o período fiscalizado é de 01/1995 a 12/1996 e a data limite para cobrar os tributos referentes ao último período seria o mês de dezembro de 2001, e não dezembro de 2005 como no presente caso, concluindo, após citação do art. 475L do Código de Processo Civil, ser inexigível o título judicial fundado em Lei ou ato normativo inconstitucional ou incompatível com a Constituição; 3.2. os documentos não foram apresentados em razão do STJ já ter pacificado a matéria decadência em 5 anos, não havendo como se exigir da Defendente documentos referentes a períodos anteriores, pois conforme art. 5% inc. II da Constituição Federal, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; 3.3. houve observância do art. 31, § 3° da Lei n° 8.212/91, razão pela qual a responsabilidade deve ser elidida. Ante a farta documentação comprobatória apresentada à fiscalização, novamente aqui anexada, concluise que as contribuições lançadas sobre o valor das notas fiscais foram regular e devidamente recolhidas, pois a Defendente sempre condicionou todo e qualquer pagamento devido a prestador de serviços, à comprovação por parte destes dos recolhimentos previdenciários com a cópia da folha de pagamento e os respectivos recolhimentos, sob pena de suspensão de qualquer crédito que eventualmente lhe fosse devido; 3.4 transcreve acórdão da la Turma do STJ no RESP 200200136497PR, no sentido de que a solidariedade prevista no art. 31 da Lei n° 8.212/91 não comporta benefício de ordem, e que para incidir na possibilidade de elisão estabelecida no § 3°, do art.31, o contratante deveria ter exigido do executor a apresentação dos comprovantes relativos às obrigações previdenciárias, previamente ao pagamento da nota fiscal ou fatura; Fl. 540DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 14485.000434/200701 Acórdão n.º 2301004.456 S2C3T1 Fl. 4 5 3.5. cita o art. 292, inc. V, combinado com o art. 291, § 1° do Decreto n° 3.048/99, argumentando que a prova documental anexada demonstra que é primária, cumprindo rigorosamente a legislação previdenciária, não incorrendo em nenhuma circunstancia agravante, fazendo jus à redução de 50% do valor da infração lavrada na presente NFLD, caso não seja julgada insubsistente a notificação; 3.6. ressalta que no tocante aos juros, uma vez que o valor principal se encontra sob o valor atualizado, e a multa decorrer de percentual incidente, eventuais juros, somente seriam devidos a contar de 21/12/2005, data da lavratura da NFLD; 3.7. diante do exposto, protesta pela juntada posterior de outras provas em direito admitidas, aguarda o acolhimento das preliminares e, no mérito, requer seja julgada insubsistente a NFLD com o cancelamento da multa imposta de forma indevida ou, pelo princípio da eventualidade, a redução da multa imposta, e ainda eventuais juros, somente a contar de 21/12/2005, requerendo (PT n° 35464.004593/200612, fls. 82/87) que as intimações e publicações sejam feitas em nome exclusivo de seu Procurador. 4. Cientificada da notificação por Edital em 31/07/2006 (fls. 70) a empresa prestadora de serviços não interpôs defesa, conforme atestado, às fls. 73. 5. Analisados os autos, considerando o direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa, o julgamento foi convertido em diligência (fls. 74/79). Cumprida a diligência, foi emitido o Relatório Fiscal Substitutivo (fls. 90/93), tendo a Auditora Fiscal prestado, às fls. 94, os seguintes esclarecimentos, in verbis: 1. Os lançamentos foram efetuados com base nos livros Razão apresentados durante a ação fiscal. Não foram disponibilizados notas fiscais, contrato de prestação de serviços firmado com a Serterra Construções e Serviços an Ltda, guias de recolhimento e folhas de pagamentosolicitadas por esta fiscalização, razão pela qual foi emitido o Auto de Infração pela não apresentação de documentos; 2. Com base nos serviços discriminados em Notas Fiscais (FL. 54 e 55) apresentados na defesa, verificouse a colocação de trabalhadores à disposição da contratante para a execução de serviços contínuos, na atividade da construção civil, no estabelecimento da contratante,confirmando que houve a prestação de serviços que se enquadra no conceito de cessão de mãodeobra, de acordo com a Lei n° 8.212191, art.31, § 2° e OS INSS/DAF n'83193, itens 1 e 2. 3. Foi emitido o Relatório Fiscal substitutivo (folhas 01 a 04), com cópia à contracapa; Fl. 541DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 6. Os contribuintes tomador e prestador de serviços foram comunicados do resultado da diligência fiscal com reabertura de prazo para defesa, respectivamente, em 10/07/2007 e 27/06/2007 (fls. 98 e 99). 7. A empresa prestadora de serviços não se manifestou nos autos, conforme atestado, às fls. 131. 8. O contribuinte tomador de serviços apresentou em 18/07/2007, sob protocolo n° 35464.003416/200759, a defesa, de fls. 104/130, repetindo os argumentos da defesa anteriormente apresentada." DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Na forma do Acórdão de fls.134 a 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 1 DRJ/SPOI , em 27 de setembro de 2007 , exarou o Acórdão n°1614.912 , mantendo o crédito tributário. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Irresignada, a autuada interpôs Recurso Voluntário de fls.178, onde reiterou e as alegações que fizera em sede aquo É o Relatório. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 14485.000434/200701 Acórdão n.º 2301004.456 S2C3T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ivaccir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE O Recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA De plano, cumpre trazer à lume o que consta no Despacho de fls 66 , onde se registra que a empresa solidária prestadora dos serviços não foi oportunamente cientificada quanto à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito: "1. Inicialmente, cumpre salientar que o presente processo se encontra na fase "APRESENTA DEFESA TEMPESTIVA", conforme demonstrado às fls. 65. Isso porque a empresa Tomadora apresentou defesa tempestiva. 2. No entanto, em análise aos autos, constatouse que a empresa Prestadora não foi cientificada quanto à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (fls. 64). 3. Nesse sentido, sugerimos o encaminhamento do presente ao Serviço de Fiscalização, para que a AFPS Notificante providencie ciência da empresa Prestadora, solidária no presente débito." Na seqüência do acima destacado cabe ressaltar que na forma do Despacho de fls 73, a empresa prestadora dos serviços fora finalmente notificada somente em 28/07/2006: "1) As empresas Tomadora e Prestadora foram cientificadas da NOTIFICAÇÃO de fls. 01, de acordo com o que constam às fls .. 01 e 70. 2) A Empresa Tomadora INTERPÕS DEFESA DENTRO DO PRAZO, através dos PT's de n°. 35464.0000961200637, de 0310112006, juntado às fls. 32 a 63, deste processo.; 3) Data da ciência da Notificação , 21/12/2005 fls. 01; 4) Data da expiração do prazo para apresentação da Defesa : 05/01/2006; 5) Data do protocolo da Defesa apresentada pela Tomadora 03/0112006. 6) A empresa Prestadora NÃO INTERPÕS DEFESA; Fl. 543DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 7) Data da ciência da Notificação: 28/07/2006 fls.70 (16° dia da public. Edital); 8) Data da expiração do prazo para apresentação da defesa: 14/08/2006. 9) Face ao exposto, e tendo em vista a apresentação de Defesa pela Empresa Tomadora, sugerimos a remessa do presente ao Serviço de Contencioso Admistrativo Previdenciário, para apreciação " DA PORTARIA MPS nº 520/2004 Neste ponto, por relevante, impõese revelar que à época das notificações. " in casu" vigia a Portaria MPS n° 520/2004 trazendo comando enfático ao estabelecer que no caso de solidariedade, o prazo seria contado a partir da ciência da intimação do último co obrigado solidário. Dispondo sobre os processos administrativos no âmbito do INSS, a sobredita Portaria disciplinava os processos administrativos decorrentes de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, Auto de Infração. Neste sentido , impende transcrever o art. 34, com destaque para o comando do § 4º da referida norma vigente na oportunidade do lançamento : “Art. 34 A intimação dos atos processuais será efetuada por ciência no processo, via postal com aviso de recebimento, telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado, sem sujeição a ordem de preferência. § 1º Quando frustrados os meios indicados no caput deste artigo, a intimação será efetuada por meio de edital e também no caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido. § 2º As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade. § 3º Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II nos demais casos do caput, na data do recebimento ou, se omitida a data, quinze dias após a data da postagem da intimação, se utilizada a via postal, ou da expedição se outro for o meio; III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado. a) o edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial ou afixado em dependência franqueada ao público do órgão encarregado da intimação; b) a afixação e a retirada do edital deverá ser certificada nos autos pelo chefe do órgão encarregado da intimação. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 14485.000434/200701 Acórdão n.º 2301004.456 S2C3T1 Fl. 6 9 § 4º No caso de solidariedade, o prazo será contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado.”( grifos de minha autoria) Cumpre ressaltar que embora todo o incidente relatado, para o período autuado compreendido por 09/1996 a 10/1996, estabelecendose como data inicial a primeira ciência da notificação, fls. 05, 21/12/2005 , as competências 11 de 2000 e anteriores já restavam decaídas. Ocorre que conforme tudo quer foi exposto, em razão da notificação da solidária ter aperfeiçoado o lançamento somente em 28/07/2006, conforme o Despacho de fls 73, tal realidade define decaídas as competências 05/2002 e anteriores . Diante do exposto, todo os créditos tributários constituídos restaram fulminadas pelo instituto da decadência por quaisquer dos critérios previstos no Código Tributário Nacional CTN. Compulsório portanto, reconhecer e declarar a DECADÊNCIA TOTAL do lançamento em comento. CONCLUSÃO Conheço do Recurso Voluntário para EM PRELIMINAR , quer seja nos termos do comando do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou nos do 173 do mesmo Diploma Legal, RECONHECER e DECLARAR A DECADÊNCIA TOTAL do lançamento em comento. É como voto. Ivaccir Júlio de Souza Relator Fl. 545DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10855.721827/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/03/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO NÃO CONFIGURADA
Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material porventura existentes no Acórdão, não servindo para a rediscussão da matéria já julgada pelo colegiado no recurso.
Não demonstrada os pressupostos que ensejam a oposição de Embargos de Declaração, devem os mesmo serem rejeitados.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3402-003.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, conforme o contido neste voto.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Efetuou sustentação oral pela embargante a Dra. Luísa Zibordi, OAB/RJ nº 136.219.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 31/03/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO NÃO CONFIGURADA Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material porventura existentes no Acórdão, não servindo para a rediscussão da matéria já julgada pelo colegiado no recurso. Não demonstrada os pressupostos que ensejam a oposição de Embargos de Declaração, devem os mesmo serem rejeitados. Embargos Rejeitados.
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OMISSÃO E CONTRADIÇÃO NÃO CONFIGURADA Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material porventura existentes no Acórdão, não servindo para a rediscussão da matéria já julgada pelo colegiado no recurso. Não demonstrada os pressupostos que ensejam a oposição de Embargos de Declaração, devem os mesmo serem rejeitados. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, conforme o contido neste voto. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 18 27 /2 01 1- 14 Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Efetuou sustentação oral pela embargante a Dra. Luísa Zibordi, OAB/RJ nº 136.219. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela SOROCABA REFRESCOS S/A, em 31/03/2016, ao amparo do art. 65, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, em face da ciência, em 28/03/2016, do teor do Acórdão nº 3402002.932, de 24/02/2016, que deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo Embargante, cuja ementa se transcreve a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/06/2006 a 31/03/2010 PAF.SOBRESTAMENTO. DESNECESSIDADE. A atual redação do Regimento Interno do CARF não impõe o sobrestamento do julgamento, em razão de recursos pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal ou no Superior Tribunal de Justiça. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SEM PAGAMENTO DO TRIBUTO. OPOSIÇÃO DOS CRÉDITOS AOS DÉBITOS APURADOS NÃO COMPROVADO. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Não constatado o pagamento, não há que se falar em homologação, regendose o instituto da decadência pelos ditames do art. 173, I, do CTN. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ISENÇÃO. INSUMOS ORIGINÁRIOS DA ZFM. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A manutenção do crédito de que trata o art. 6º, § 1º, do Decreto lei nº 1.435/75 é aplicável desde que: a) o produto tenha sido elaborado com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional; b) o produto tenha sido adquirido de estabelecimento industrial localizado na Amazônia Ocidental e cujo projeto tenha sido aprovado pelo Conselho de administração da Suframa; e c) o produto seja empregado pelo industrial adquirente como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao IPI. IPI. CRÉDITOS RELATIVOS ÀS AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS O princípio da não cumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402003.178 S3C4T2 Fl. 1.333 3 imposto que fora cobrado na operação anterior referente à entrada de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. MULTAS. EXCLUSÃO. ART. 486, II, DO RIPI/2002. Com base no art. 486, II, "a" do RIPI/2002, excluise a penalidade em relação àqueles que agiram de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa. Recurso Voluntário Provido em parte. Os autos referemse a exigência de crédito tributário decorrente de infração relativa ao creditamento do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI), relativo às aquisições de produtos isentos do imposto, efetuadas junto a fornecedor domiciliado na Zona Franca de Manaus (ZFM), no período de 06/2006 a 03/2010. No respectivo Acórdão, restou consignado que não ocorreu a alegada decadência do lançamento e em matéria de direito, referente a créditos de IPI, decidiuse pela legitimidade da glosa de créditos de insumos isentos referente ao produto denominado 'concentrado' (NBM 2106.90 da TIPI), produzido pela fornecedora RECOFARMA, originário da Zona Franca de Manaus (ZFM). Concluiuse também, para excluir a multa de ofício, com base no art. 486, II, do RIPI/2002, quanto aos fatos geradores em relação aos quais o contribuinte se comportou segundo o entendimento firmado pela CSRF. Cientificado do referido Acórdão, a Recorrente apresentou os Embargos de Declaração apontando omissão, contradição e inexatidão material no referido julgado (fls. 1.221/1.245, do eprocesso). Quando da análise dos referidos arestos, o Presidente da 2ª Turma, conforme Despacho S/Nº da 2ª TO (4ª Câmara/2ª Turma Ordinária) à fl. 1.331, encaminhou o processo a este Relator para análise dos aclaratórios argumentados em sua petição. Vejase: "Tratase de embargos de declaração interpostos em tempo hábil pelo contribuinte, sob o pressuposto de contradição. Tendo em vista o disposto art. 65, § 7º, do RICARF, encaminho o processo ao ilustre relator, a fim de que analise as alegações do contribuinte e, se for o caso, coloque o processo em pauta com proposta de saneamento". Como bem demonstrado no Acórdão embargado, no caso concreto, a Embargante foi autuada por ter se creditado, no período de 10/06/2006 a 31/03/2010, do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) relativo à aquisição de insumos isentos (concentrado), oriundos da Zona Franca de Manaus, utilizados na fabricação de refrigerantes sujeitos ao pagamento do IPI. Este Colegiado, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, resumidamente da seguinte forma: (i) não reconhecendo a decadência do crédito tributário de IPI constituído, relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de 13.06.2006, Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 afastandose a aplicação do art. 150, § 4º, e aplicando o art. 173, I, ambos do Código Tributário Nacional (CTN); (ii) não considerou que os "concentrados" foram beneficiados pelo art. 6º do Decreto Lei n° 1.435, de 1975; (iii) considerou que o fato de constarem das notas fiscais emitidas pela RECOFARMA a referência ao beneficio do art. 6o do DL n° 1.435/75 não autorizaria o creditamento do IPI pelo adquirente; (iv) que não há crédito de IPI relativo à aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus consoante os REEs n°s 353.657, 370.682 e 566.819; (v) não aplicou a coisa julgada formada no MSC n° 91.00477834, para extinguir o crédito tributário ora questionado (vi) excluiu a multa de oficio consoante o art. 486, II,"a", do RIPI/2002, cuja base legal é o art. 76, II,"a", da Lei n° 4.502/64, por força do art. 26A do Decreto n° 70.235, de 1972 e do art. 62 do Regimento Interno do CARF. Posto isto, a Embargante colaciona a seguir, no seu entender, os vícios apontados pelo Acórdão embargado, na parte em que manteve a glosa e a exigência do crédito tributário, os quais justificam a oposição dos Embargos de declaração: 1. PRESENÇA DE ERRO MATERIAL DO ACÓRDÃO EMBARGADO Alega que consta como "Voto Vencido" no titulo do voto do Relator e dessa forma, deve ser sanado o referido erro material, para que o titulo do voto do relator conste como "vencido apenas quanto à exclusão da multa de oficio", uma vez que negouse provimento quanto as demais matérias. 2. DA CONTRADIÇÃO QUANTO À APLICAÇÃO DO ART. 124, PARÁGRAFO ÚNICO, III, DO RIPI/2002 Alega a Embargante em seu recurso voluntário que o crédito tributário exigido até o período anterior a 13/06/2006 estaria extinto por força da decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Por outro lado o Acórdão embargado reconheceu que o auto de infração glosou créditos de IPI, os quais foram utilizados pela ora Embargante. Que além disso, o Acórdão embargado transcreveu o art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/02, e afirmou que o mesmo contempla a hipótese em que o contribuinte nada recolheu por DARF, por entender que nada tem a recolher, ou seja, o juízo de valor quanto à admissão ou não do crédito é realizado pelo próprio contribuinte. No entanto, o Acórdão embargado conclui que o art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/02, só se aplicaria à hipótese em que os créditos fossem admitidos pelo Regulamento do IPI. Assim, argumenta que teria incorrido em contradição, porque a conclusão o art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/02, só se aplicaria à hipótese, em que os créditos fossem admitidos pelo Regulamento do IPI, não decorre da premissa por ele adotada de que o referido dispositivo contempla a situação em que o contribuinte entende que nada tem a recolher em DARF, "... simplesmente porque entende nada ter a recolher". Desta forma, requer que seja desfeita a referida contradição para que prevaleça a premissa adotada no entender da Embargante e não a conclusão do Acórdão, e que seja reconhecida a decadência, porque tal premissa está de acordo com o art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/02, que não contempla qualquer qualificativo restritivo. 3. DAS CONTRADIÇÕES À OBSERVÂNCIA DOS ATOS DA SUFRAMA Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402003.178 S3C4T2 Fl. 1.334 5 Alega a Embargante que, em seu recurso voluntário, a SUFRAMA concedeu o beneficio do art. 6º do DL nº 1.435/75 aos 'concentrados' elaborados pela RECOFARMA, tendo definido como o Processo Produtivo Básico (PPB) desses concentrados, a utilização de açúcar e/ou álcool produzidos a partir de canadeaçúcar cultivada por produtores localizados na Amazônia Ocidental. Que os trechos grifados pelo Relator do voto embargado (reproduz), indicam "que a SUFRAMA cancela os benefícios que ela concedeu", entre os quais o do art. 6º do DL nº 1.435/75. Não obstante ter adotado tal premissa, o Acórdão embargado concluiu que a SUFRAMA não havia concedido o beneficio do art. 6º do DL n° 1.435/75 aos 'concentrados' elaborados pela RECOFARMA e que o Fisco teria competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos previstos em lei. Que dessa forma, o Acórdão incorreu em contradição, porque a sua conclusão de que a SUFRAMA não concedeu o benefício do art. 6º do DL nº 1.435/75 e que o Fisco pode cancelar os benefícios por ela concedidos se constatar o descumprimento do PPB, contrapõese literalmente aos termos gramaticais dos referidos arts. 1º e 4º da Resolução do CAS n° 298/2007, porque o art. 4º estabelece que a SUFRAMA tem competência para cancelar os benefícios concedidos, os quais só podem ser os descritos no art. 1º da própria Resolução e entre estes consta o do art. 6º do DL nº 1.435/75. Além disso, o Acórdão embargado também adota como premissa o fato de os Pareceres Técnicos, que definem o PPB dos concentrados e que integram as Resoluções da SUFRAMA, terem atestado que a RECOFARMA utiliza na produção dos seus 'concentrados', açúcar e/ou álcool de origem regional e que tal utilização é suficiente para concessão do beneficio do art. 6º do DL n° 1.435/75. Não obstante ter adotado tal premissa, o Acórdão embargado concluiu que a RECOFARMA não faria jus ao beneficio do art. 6º do DL n° 1.435/75, justamente porque teria utilizado açúcar e/ou álcool na produção dos respectivos 'concentrados', os quais seriam produtos intermediários e que essa conclusão não seria descumprimento dos atos SUFRAMA. Dessa forma, o Acórdão embargado também incorreu em contradição, porque a sua conclusão de que não estaria descumprindo qualquer ato da SUFRAMA, apenas examinando os requisitos da lei, não decorre da premissa por ele adotada, porque se tivesse observado os referidos atos da SUFRAMA, necessariamente teria chegado à mesma conclusão desses atos de que a utilização de açúcar e/ou álcool na elaboração dos concentrados atende o PPB e é suficiente para a fruição do benefício fiscal do art. 6º do DL n° 1.435/75. Nesse passo, devem ser desfeitas as referidas contradições para que prevaleçam as premissas adotadas (e não as conclusões do Acórdão embargado), porque a competência exclusiva da SUFRAMA para definir o PPB, conceder e cancelar o benefício do art. 6º do DL n° 1.435/75, decorre da lei e, pois, cabe ao Fisco apenas observar os atos da SUFRAMA, conforme se verifica do art. 4º, I, 'c' do Decreto n° 7.139/2010 e dos arts. 5º, VIII, e 57, ambos da Resolução do CAS n° 202/2006. 4. DOS VÍCIOS QUANTO À PLENITUDE DO PEDIDO FORMULADO NO MSC, DA AUTORIDADE DA COISA JULGADA FORMADA EM MSC PERANTE A UNIÃO FEDERAL INAPLICABILIDADE DA DECISÃO PROFERIDA RCL N° 7.778 DO STF Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Aduz que em seu recurso voluntário, a Embargante alegou ser aplicável ao presente caso a coisa julgada formada no MSC n° 91.00477834, que assegurou a todos os associados da AFBCC o direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus. Não obstante, o Acórdão embargado não aplica a coisa julgada à Embargante, que é associada da AFBCC, sob o fundamento de que essa coisa julgada beneficiaria apenas os associados vinculados ao Delegado da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro, autoridade coatora indicada no MSC. Dessa forma, o Acórdão embargado incorreu em contradição, porque a sua conclusão não decorre da premissa adotada, qual seja, o pedido do referido MSC é amplo, sem qualquer limitação territorial, porque determina a ciência de todas as autoridades. Dessa forma, devem ser aplicadas ao presente caso as decisões definitivas proferidas pelo STJ, em data posterior à decisão proferida na RCL n° 7.778 e em observância à sistemática de recursos repetitivos, que aplicaram a coisa julgada formada no referido MSC a outras associadas da AFBCC, localizadas em Ribeirão Preto e na Bahia. 5. DAS CONTRADIÇÕES EM RELAÇÃO À JURISPRUDÊNCIA DO STF DA APLICAÇÃO AO PRESENTE CASO DO RE N° 212.484RS A Embargante também alegou que os 'concentrados' adquiridos da RECOFARMA fazem jus à isenção prevista no art. 9º do DL n° 288/67, relativa à aquisição de fornecedor situado na ZFM e, nos termos do RE n° 212.484RS, julgado pelo Plenário do STF, é assegurado ao adquirente do concentrado isento oriundo de fornecedor situado na ZFM o direito ao crédito do imposto relativo à sua aquisição. O Acórdão embargado adotou como premissas os fatos de que o Plenário do STF já decidiu, nos autos do RE n° 212.484RS, que o adquirente de insumo isento oriundo da Zona Franca de Manaus tem direito ao respectivo crédito de IPI e que essa questão será reexaminada no RE n° 592.891, no qual houve o reconhecimento da repercussão geral dessa matéria. No entanto ter adotado tais premissas, o Acórdão embargado concluiu que o entendimento do Plenário do STF manifestado no RE n° 212.484RS já teria sido superado por diversas decisões do STF nos REEs n°s 566.819, 353.657 e 370.682. Dessa forma, o Acórdão embargado incorreu em contradição, porque a sua conclusão não decorre da premissa adotada, uma vez que, se os REs n°s 566.819, 353.657 e 370.682 tivessem reformado o entendimento do RE n° 212.484RS, especifico quanto à questão da Zona Franca de Manaus, não seria necessário o reconhecimento da repercussão geral justamente dessa mesma questão no RE n° 592.891. Além das premissas referidas acima, o Acórdão embargado também adotou como premissa o fato de ter havido a revogação da previsão de sobrestamento pelo RICARF em razão de processo com repercussão geral no STF. Dessa forma, o Acórdão embargado incorreu em contradição, porque a sua conclusão não decorre da premissa adotada, uma vez que, tendo o próprio Regimento Interno deste CARF revogado o dispositivo que determinava o sobrestamento dos processos cuja matéria fosse objeto de repercussão geral, resta demonstrada a higidez da decisão plenária do STF no RE n° 212.484RS, até que seja julgada a repercussão geral do RE n° 592.891. Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402003.178 S3C4T2 Fl. 1.335 7 Nesse passo, devem ser desfeitas as referidas contradições para que prevaleçam as premissas adotadas (e não a conclusão do Acórdão embargado), porque estão em consonância com a jurisprudência do Plenário do STF que, no julgamento do RE n° 566.819, referido pelo próprio Acórdão embargado, e de seus Embargos de declaração, pacificou o entendimento de que permanece hígido o entendimento firmado no referido RE n° 212.484. Por conseguinte, nos termos do art. 26A do Decreto n° 70.235/72, esse CARF encontrase vinculado ao entendimento plenário do STF manifestado no RE n° 212.484RS. Ao final, requer que sejam os presentes embargos admitidos, postos para apreciação do Colegiado, para que sejam conhecidos e providos para sanar os vícios apontados, com efeitos modificativos. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, cabem Embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser opostos, mediante petição fundamentada, no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão. DA TEMPESTIVIDADE A Embargante tomou ciência do Acórdão embargado em 28.03.2016 (segundafeira). O prazo para oposição de embargos de declaração é de 5 (cinco) dias (art. 65, § 1º, do anexo II, do Regimento Interno do CARF) e, pois, os presentes embargos de declaração são tempestivos porque apresentados em 31.03.2016. Desta forma, os referidos embargos atendem aos requisitos de admissibilidade e deles se toma conhecimento. Assim, passemos a analisar todos os pontos em que a Embargante cita e solicita os aclaratórios. 1. PRESENÇA DE ERRO MATERIAL DO ACÓRDÃO EMBARGADO Alega que consta como "voto vencido" no titulo do voto do Relator e dessa forma, deve ser sanado o referido erro material, para que o titulo do voto do relator conste como "vencido apenas quanto à exclusão da multa de oficio", uma vez que negouse provimento quanto as demais matérias. De fato, como abordado pela Embargante, o Acórdão embargado contém descrito como "Voto Vencido" no começo do voto proferido pelo Relator. Porém, ao meu sentir, não há qualquer prejuízo a Embargante e não vejo como sanar tal erro material. Isto porque os Conselheiros estão atrelados ao uso do Programa Gerador de Decisões (PGD), que é aprovado pelo CARF (Ordem de Serviço nº 02/2010), que dispõe sobre os procedimentos para Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 elaboração e formalização de acórdãos e resoluções no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Os textos das decisões serão editados exclusivamente mediante a utilização da versão atualizada do referido Programa Gerador de Decisões PGD. Didaticamente explicando, os procedimentos para caso de o Conselheiro Relator ter sido vencido (no todo ou em parte das matérias analisadas), devese, no referido Programa, clicar sobre o ponto do título "Voto" e, após, irá abrir o campo com o termo "vencido". O PGD trará a expressão "Voto Vencido" como título e irá abrir o campo com a expressão "Voto Vencedor" para o Redator Designado. E foi dessa forma que foi editado o acórdão, ou seja, dentro das normas reguladoras deste CARF. No entanto, pode ser verificado no Acórdão embargado que restou bem definido e claro o resultado do julgamento. Vejase: "(...) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em conhecer do recurso voluntário para dar parcial provimento, nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, para excluir a multa de ofício com base no art. 486, II, do RIPI/2002 (...),; (ii) pelo voto de qualidade, negouse provimento quanto às demais matérias". Portanto, entendo, que a indicação no título do voto do Relator como "voto vencido", mesmo que seja em parte, constatase na parte Dispositiva do texto acima (resumo da decisão adotada), quedouse claro o real resultado do julgamento. 2. DA CONTRADIÇÃO QUANTO À APLICAÇÃO DO ART. 124, PARÁGRAFO ÚNICO, III, DO RIPI/2002 Em seu recurso, a Embargante aduziu que o crédito tributário exigido até o período 13/06/2006, estaria extinto por força da decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Por outro lado o Acórdão embargado reconheceu que o auto de infração glosou créditos de IPI, os quais foram utilizados pela ora Embargante. Que além disso, o Acórdão embargado transcreveu o art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/02, e afirmou que o mesmo contempla a hipótese em que o contribuinte nada recolhe por DARF, por entender que nada tem a recolher, ou seja, o juízo de valor quanto à admissão ou não do crédito é realizado pelo próprio contribuinte. No entanto, o Acórdão embargado conclui que o art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/02, só se aplicaria à hipótese em que os créditos fossem admitidos pelo Regulamento do IPI. Assim, argumenta que teria incorrido em contradição, porque a conclusão o art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/02, só se aplicaria à hipótese, em que os créditos fossem admitidos pelo Regulamento do IPI, não decorre da premissa por ele adotada de que o referido dispositivo contempla a situação em que o contribuinte entende que nada tem a recolher em DARF, "... simplesmente porque entende nada ter a recolher". Desta forma, requer que seja desfeita a referida contradição para que prevaleça a premissa adotada e não a conclusão do Acórdão, e que seja reconhecida a decadência, porque tal premissa está de acordo com o art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/02, que não contempla qualquer qualificativo restritivo. Pois bem. Entendo que não assiste razão a Embargante, senão vejamos. No que tange à decadência, argumenta que não houve recolhimento de IPI porque efetuada a dedução com créditos, o que, entende, não descaracteriza o ato de lançamento do contribuinte com fins de IPI, que caracterizaria o lançamento por homologação. Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402003.178 S3C4T2 Fl. 1.336 9 Vejo como equivocado tal entendimento, pois tratandose de créditos ilegítimos (não admitidos pelo legislação), como a seguir se articula, a presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, não pode operar, uma vez que esse dispositivo regulamentar se refere expressamente a créditos admitidos pelo regulamento. Vejase (destaquei): "(...) Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art.150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher". Portanto, com a subtração dos créditos ilegítimos da escrituração da Recorrente, os saldos credores passaram a ser devedores, em relação aos quais não houve recolhimento prévio ao início do procedimento de ofício. Por tal razão, a regra de contagem do prazo de decadência para o caso concreto é a prevista no art. 173, I, do CTN. E, como nestes autos, o fato gerador mais antigo ocorreu para o primeiro período de junho/2006 (10/06/2006), de maneira que o prazo decadencial iniciaria em 01/01/2007. O lançamento, no entanto, aconteceu em 13/06/2011 (data da ciência no Auto de Infração às fls. 516 e 517), portanto, antes de transcorrer o prazo de 05 (cinco) anos. Desta forma, no meu entender, não há contradição a ser reparada neste caso. 3. DAS CONTRADIÇÕES OBSERVÂNCIA DOS ATOS DA SUFRAMA 3.1) Alega a Embargante que, em seu recurso voluntário, a SUFRAMA concedeu o beneficio do art. 6º do DL nº 1.435/75 aos 'concentrados' elaborados pela RECOFARMA, tendo definido como o Processo Produtivo Básico (PPB) desses 'concentrados', a utilização de açúcar e/ou álcool produzidos a partir de canadeaçúcar cultivada por produtores localizados na Amazônia Ocidental. Que os trechos grifados pelo Relator do voto, estão a indicar "que a SUFRAMA cancela os benefícios que ela concedeu", entre os quais o do art. 6º do DL nº 1.435/75. Não obstante ter adotado tal premissa, o Acórdão embargado concluiu que a SUFRAMA não havia concedido o beneficio do art. 6º do DL n° 1.435/75 aos 'concentrados' elaborados pela RECOFARMA e que o Fisco teria competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos previstos em lei. Com isso, aduz que o Acórdão incorreu em contradição, porque a conclusão de que a SUFRAMA não concedeu o benefício do art. 6º do DL nº 1.435/75 e que o Fisco pode cancelar os benefícios por ela concedidos, se constatar o descumprimento do PPB, contrapõe Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 se literalmente aos termos gramaticais dos referidos arts. 1º e 4º da Resolução do CAS n° 298/2007, uma vez que o art. 4º estabelece que a SUFRAMA tem competência para cancelar os benefícios concedidos, os quais só podem ser os descritos no art. 1º da própria Resolução e entre estes consta o do art. 6º do DL nº 1.435/75. Pois bem, não vislumbro tal contradição. Entendo que a Embargante está rediscutindo matéria já analisada e debatida no Acórdão embargado. No entanto, com relação a esse tema, esclareço melhor o que foi decidido no Acórdão. É consabido que o Decreto Lei n° 1.435, de 1975, regulamentado pelo Decreto n° 7.139/2010 (art. 4º, I, c), outorgou à SUFRAMA a competência exclusiva para aprovar os projetos de empresas (PPB), que objetivem usufruir dos benefícios fiscais previstos no art. 6° do DL n° 1.435/1975, bem como para estabelecer normas, exigências, limitações e condições para aprovação dos referidos projetos, consoante o art. 176 do CTN. E quanto a isso não resta dúvida. Por outro lado, se compete à SUFRAMA administrar os incentivos relativos à Zona Franca de Manaus e à Amazônia Ocidental, cabe à Receita Federal do Brasil, órgão da Administração Tributária, a fiscalização do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), conforme o estabelecido no art. 91 da Lei nº 4.502/64 e arts. 427 e 428 do RIPI/2002 (vigente à época dos fatos). Desse modo, ao contrário do alegado, no Acórdão embargado entendeuse que é certo que cabe a SUFRAMA aprovar projetos (PPB) a empresas que objetivem usufruir dos benefícios fiscais (inclusive os previstos no art. 6º do DL nº 1.435/75), mas também é legítimo que não há impedimento algum para que o Fisco e órgãos administrativos de julgamento, no âmbito do processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários, interpretem as normas que estabelecem o direito isencional, o cumprimento das condições para fruição, e no caso, o alcance do vocábulo "regional" contido no art. 6º do Decreto Lei nº 1.435/75, pois a Resolução CAS/SUFRAMA nº 356/2007, não se pronunciou a esse respeito. 3.2 Aduz a embargante que, além disso, o Acórdão embargado também adota como premissa o fato de os Pareceres Técnicos, que definem o PPB dos "concentrados" e que integram as Resoluções da SUFRAMA, terem atestado que a RECOFARMA utiliza na produção dos seus 'concentrados' açúcar e/ou álcool de origem regional e que tal utilização é suficiente para concessão do beneficio do art. 6º do DL n° 1.435/75. Não obstante ter adotado tal premissa, o Acórdão embargado concluiu que a RECOFARMA não faria jus ao beneficio do art. 6º do DL n° 1.435/75, justamente porque teria utilizado açúcar e/ou álcool na produção dos respectivos concentrados, os quais seriam produtos intermediários e que isso não importaria em descumprimento dos atos da SUFRAMA. Nesse passo, requer que sejam desfeitas as referidas contradições, porque a competência exclusiva da SUFRAMA para definir o PPB, conceder e cancelar o benefício do art. 6° do DL n° 1.435/75, decorre da Lei e, pois, cabe ao Fisco apenas observar os atos da SUFRAMA, conforme se verifica do art. 4º, I, 'c' do Decreto n° 7.139/2010 e dos arts. 5º, VIII, e 57, ambos da Resolução do CAS n° 202/2006. Também entendo que novamente não assiste razão a Embargante nesse caso. Como se observa pelo propalado art. 82, III, do RIPI/02, a isenção prevista é condicionada ao atendimento dos seguintes critérios: (i) que o estabelecimento tenha projeto aprovado pelo Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402003.178 S3C4T2 Fl. 1.337 11 CAS Conselho de Administração da Suframa; (ii) que o produto seja elaborado com matéria prima agrícola e extrativa vegetal de produção regional e (iii) que o estabelecimento seja localizado na Amazônia Ocidental. Examinandose a Resolução nº 298/2007 citada, restou cumprido, assim, a nosso ver, o primeiro requisito exigido, qual seja, autorização dada pela SUFRAMA. O projeto (PPB) da RECOFARMA estava aprovado pela SUFRAMA, no entanto devendo ser respeitadas pela empresa as condições impostas no art. 4º da Resolução: "4° DETERMINAR sob pena de suspensão ou cancelamento dos incentivos concedidos, sem prejuízo da aplicação de outras cominações legais cabíveis: I o cumprimento, quando da fabricação do produto constante do Art. 1º desta Resolução, do Processo Produtivo Básico estabelecido na Portaria Interministerial nº 8 MPO/ MICT/MCT, de 25 de fevereiro de 1998; II a utilização de matériaprima regional de origem vegetal na elaboração dos produtos constantes do art 1° desta Resolução, segundo o Art. 6º do Decreto Lei nº 1.435/75; Dentro desse contexto e para esclarecer a origem e a forma de produção do 'concentrado' adquirido, intimouse a Embargante a esclarecer qual seria a composição do produto 'concentrado' adquirido da empresa RECOFARMA. Em resposta, a Recorrente esclareceu a composição do 'concentrado' de coca cola é assim composto: "(...) água gaseificada, açúcar, extrato de noz de cola, cafeína, corante caramelo IV, acidulante INS 338 e aroma natural, e a composição do concentrado do produto “Burn” é: água gaseificada, açúcar, glucoronolactona (250 mg), taurina (150 mg), cafeína (37 mg), inositol (30 mg) em 250 ml, extrato de guaraná, vitaminas B3 e B1, acidulante ácido cítrico, regulador de acidez citrato de sódio, aroma idêntico ao natural, conservador benzoato de sódio, corante caramelo IV, corantes artificiais tartrazina e amarelo crespúculo". Como se vê, as matériasprimas utilizados na fabricação dos concentrados para bebidas não alcoólicas, são produtos (químicos) intermediários prontos, industrializados, e não matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, condição necessária para a Embargante creditarse do imposto nos termos do art. 6° do Decretolei n° 1.435/75. E essa, sim, foi a razão para que no Acórdão entendesse que uma das condições previstas no art. 82, III, do RIPI/02, não foi cumprida, qual seja, que o produto seja elaborado com matéria prima agrícola e extrativa vegetal de produção regional. Quanto ao argumento de que o Acórdão se fundamentou (que não faria jus ao beneficio do art. 6º do DL n° 1.435/75), justamente porque teria utilizado "açúcar e/ou álcool" na produção dos respectivos concentrados, não procede essa afirmação da embargante. Vejase trecho reproduzido do Acórdão: "Muito embora a Recorrente alega que consta do Parecer Técnico de Acompanhamento nº 35/97 (SUFRAMA), que utiliza o Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 açúcar liquido em sua linha de produção, adquirindo parte das matériasprimas, principalmente açúcar mascavo e álcool, dos produtores da Amazônia Ocidental, mais especificamente do Estado do Amazonas, entendo que a RECOFARMA não adquire matériaprima regional (como “açúcar mascavo e álcool”), mas sim produtos intermediários industrializados, descumprindo ainda o Processo Produtivo Básico (PPB) previsto no inciso VIII do art. 5º da Resolução nº 202, de 17/05/2006 e na Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 8, de 25/02/1998. O que ficou consignado no Acórdão foi que, mesmo que fosse como alegado pela Embargante que tais insumos (açúcar e álcool) seriam produtos regionais, verificouse que os mesmos seriam produtos já industrializados e não matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regionais, o que também impediria o gozo do benefício isencional consubstanciado no artigo 6° do Decreto lei n° 1.435/75, não sendo este o motivo preponderante, mas sim, como efeito subsidiário. Por fim, como já dito, o Decreto Lei n° 1.435, de 1975, regulamentado pelo Decreto n° 7.139/2010 (art. 4º, I, c), outorgou à SUFRAMA a competência exclusiva para aprovar os projetos de empresas (os PPB). Por outro lado, compete a Administração Tributária, no exercício da fiscalização do IPI, por dever legal, avaliar os cumprimentos exigidos para a fruição das isenções de tributos produzidos na região da ZFM. Diante disso, cabe à empresa que obtém a aprovação do PPB (no caso, à RECOFARMA) cumprir os requisitos normativos estabelecidos, entre os quais os de respeitar o PPB e de utilizar matériasprimas regionais de origem vegetal. Assim, não está o fisco desconsiderando o projeto aprovado pela SUFRAMA (como parece entender a Embargante), mas apreciando o respeito às normas que regem a matéria de isenção de imposto, especialmente o art. 6º do Decretolei nº 1.435/1975, de hierarquia inegavelmente superior à citada Resolução SUFRAMA, e que estabelece como requisitos para fruição não só a aprovação por aquele órgão. 4. DOS VÍCIOS QUANTO À PLENITUDE DO PEDIDO FORMULADO NO MSC Alega a Embargante que, em seu recurso voluntário, referente a Autoridade da coisa julgada formada em MSC (Mandado de Segurança Coletivo) perante a União Federal e da inaplicabilidade das decisões proferidas na RCL nº 7.778 do STF. Alega ser aplicável ao presente caso a coisa julgada formada no MSC n° 91.00477834, que assegurou a todos os associados da AFBCC o direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus. Que o Acórdão embargado não aplica a coisa julgada à Embargante, que é associada da AFBCC, sob o fundamento de que essa coisa julgada beneficiaria apenas os associados vinculados a DRF no Rio de Janeiro (RJ), autoridade coatora indicada no referido MSC. Afirma que devem ser aplicadas ao presente caso as decisões definitivas proferidas pelo STJ, em data posterior à decisão proferida na RCL n° 7.778 e em observância à sistemática de recursos repetitivos, que aplicaram a coisa julgada formada no referido MSC a outras associadas da AFBCC, localizadas em Ribeirão Preto e na Bahia, a saber, (i) REsp n° 1.117.887SP, pelo Ministro CASTRO MEIRA da 2a Turma do STJ (DJ e de 15.03.2013) e (ii) REsp n° 1.295.383BA, pelo Ministro BENEDITO GONÇALVES da Ia Turma do STJ (DJe de 21.08.2012) . Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402003.178 S3C4T2 Fl. 1.338 13 Novamente, tratase aqui de rediscussão da matéria já analisada no Acórdão. No Acórdão ficou consignado que a eficácia da decisão proferida naquela MSC restringese os associados localizados sob a jurisdição territorial do órgão judiciário perante o qual foi interposta. Verificase que o objeto da ação coletiva foi o reconhecimento do direito dos associados "(...) não serem compelidos a estornar o crédito do IPI, incidente sobre as aquisições de matériaprima isenta a fornecedor situado na Zona Franca de Manaus (concentrado código 2106.90 da TIPI) (RIPI, art. 45, XXI), utilizada na industrialização dos seus produtos (refrigerantes código 2202.90 da TIPI), (...)". O referido Mandado de Segurança Coletivo foi impetrado no Rio de Janeiro, exclusivamente em face de atos que viessem a ser praticados pelo Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro (RJ). No caso concreto, é incontroverso que o contribuinte, está localizado no Município de Sorocaba/SP, sob a jurisdição de autoridade administrativa distinta da arrolada no pólo passivo do mandado de segurança coletivo. Portanto, a decisão judicial coletiva é inaplicável à Embargante, pois ela se encontra domiciliada na circunscrição fiscal da DRF Sorocaba (SP). A decisão proferida no mandado de segurança coletivo somente beneficia os substituídos domiciliados na circunscrição fiscal da DRF Rio de Janeiro, uma vez que a autoridade coatora é o Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro. Nesse sentido, o entendimento do Ministro Gilmar Mendes ao decidir o Agravo interposto na Reclamação 7.7781/SP, em relação à associada localizada na cidade de Ribeirão Preto SP, cuja decisão foi publicada no DJE nº 124/11, conforme se pode verificar em consulta à página de jurisprudência do STF na internet: (https://www.stf.jus.br/arquivo/djEletronico/DJE_20110629_124.pdf.). No bojo da referida decisão plenária, o Ministro Gilmar Mendes escreveu o seguinte: "(...). No entanto, por ter sido esta ação impetrada em face do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, seus efeitos se restringem aos associados estabelecidos no território de competência daquela autoridade administrativa. A decisão proferida no referido agravo de instrumento não beneficia o associado ora reclamante. Este se situa no Município de Ribeirão PretoSP, que tem, como competente para fiscalizar, seu respectivo Delegado da Receita Federal. (...)" No que concerne à aplicabilidade do art. 2A da Lei nº 9.494/1997 ao mandado de segurança coletivo em questão, destacase o seguinte excerto da referida decisão: "(...) Registrese, ainda, que o fato de o MSC nº 91.00477834 ter sido impetrado antes da mudança legislativa não tem o condão de mudar os limites territoriais da coisa julgada em sede desta demanda coletiva, isso porque a inovação legal é meramente declaratória, uma vez que os limites da decisão estão diretamente ligados à competência jurisdicional, que já era Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 definida pela Constituição. Ademais, o trânsito em julgado da decisão proferida na ação coletiva ocorreu já sob a égide do art. 2ºA da Lei nº 9.494/1997.(...)" Em suma, o Acórdão recorrido entendeu que o mandado de segurança coletivo (MSC) não pode ter eficácia em todo o território nacional porque foi impetrado em face do Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro (RJ). Então é óbvio que os contribuintes que não estão localizados na circunscrição fiscal do Rio de Janeiro não podem ser beneficiados e nem prejudicados pela decisão proferida no MSC nº 91.00277834. Não vislumbrando nenhuma contradição nesta parte do Acórdão. 5. DAS CONTRADIÇÕES EM RELAÇÃO À JURISPRUDÊNCIA DO STF DA APLICAÇÃO AO PRESENTE CASO DO RE N° 212.484 5.1. Alega a Embargante que os 'concentrados' adquiridos da RECOFARMA fazem jus à isenção prevista no art. 9º do DL n° 288/67, relativa à aquisição de 'concentrados' isentos oriundos de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus e, que nos termos do RE n° 212.484RS, julgado pelo Plenário do STF, é assegurado ao adquirente do referido 'concentrado' isento, o direito ao crédito do imposto relativo à sua aquisição. Aduz que no Acórdão embargado adotouse como premissas os fatos de que o Plenário do STF já decidiu, nos autos do RE n° 212.484RS, que o adquirente de insumo isento oriundo da Zona Franca de Manaus tem direito ao respectivo crédito de IPI e que essa questão será reexaminada no RE n° 592.891, no qual houve o reconhecimento da repercussão geral dessa matéria. Não obstante ter adotado tais premissas, o Acórdão embargado concluiu que o entendimento do Plenário do STF manifestado no RE n° 212.484RS já teria sido superado por diversas decisões do STF nos REEs n°s 566.819, 353.657 e 370.682. Dessa forma, o Acórdão embargado incorreu em contradição, porque a sua conclusão não decorre da premissa adotada, uma vez que, se os REEs n°s 566.819, 353.657 e 370.682 tivessem reformado o entendimento do RE n° 212.484RS, especifico quanto à questão da Zona Franca de Manaus, não seria necessário o reconhecimento da repercussão geral justamente dessa mesma questão no RE n° 592.891. Pois bem. Novamente se equivoca a Embargante. Primeiramente porque o Acórdão embargado não adotou tais premissas. Pelo contrário. Foi a Embargante quem trouxe em seu recurso voluntário as premissas "de que o Plenário do STF já decidiu, nos autos do RE n° 212.484RS, que o adquirente de insumo isento oriundo da Zona Franca de Manaus tem direito ao respectivo crédito de IPI e que essa questão será reexaminada no RE n° 592.891, no qual houve o reconhecimento da repercussão geral dessa matéria". Vejase trecho do Acórdão abaixo destacado (fls. 1.167/1.168), grifouse: " Em seu recurso a Recorrente alega que o STF, em sessão plenária, no julgamento do RE n° 212.484 (RS), em matéria idêntica a essa, já concluiu que o adquirente de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus (portanto, com o beneficio da isenção subjetiva regional) e aplicados na industrialização de produtos sujeitos ao IPI tem direito ao crédito do imposto Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402003.178 S3C4T2 Fl. 1.339 15 calculado com base na alíquota prevista para o próprio insumo, em face do principio da nãocumulatividade, em razão da sua auto aplicabilidade. Como base nisso, solicita ao colegiado aplicação do § 2º do art. 62, do RICARF, para estender aquela interpretação ao caso concreto E prossegue afirmando que: "(...) tanto é assim que o Plenário do STF, em 22.10.2010, nos autos do RE n° 592.891(SP), reconheceu a existência de repercussão geral da questão especifica concernente ao direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos beneficiados por isenção subjetiva, ou seja, oriundos de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus". Vejase:(...)". 5.2 Alega que "Além das premissas acima, o Acórdão embargado também adotou como premissa o fato de ter havido a revogação da previsão de sobrestamento pelo RICARF em razão de processo com repercussão geral no STF. Dessa forma, o Acórdão embargado incorreu em contradição, porque a sua conclusão não decorre da premissa adotada, uma vez que, tendo o próprio Regimento Interno deste CARF revogado o dispositivo que determinava o sobrestamento dos processos cuja matéria fosse objeto de repercussão geral, resta demonstrada a higidez da decisão plenária do STF no RE n° 212.484, até que seja julgada a repercussão geral do RE n° 592.891. Nesse passo, devem ser desfeitas as referidas contradições para que prevaleçam as premissas adotadas (e não a conclusão do Acórdão embargado), porque estão em consonância com a jurisprudência do Plenário do STF que, no julgamento do RE n° 566.819, referido pelo próprio Acórdão embargado, e de seus embargos de declaração, pacificou o entendimento de que permanece hígido o entendimento firmado no referido RE n° 212.484. Por conseguinte, nos termos do art. 26A do Decreto n° 70.235/72, esse CARF encontrase vinculado ao entendimento plenário do STF manifestado no RE n° 212.484. Entendo que não se confirma o núcleo da alegação da Embargante, de que o Acórdão adotou o entendimento dado pelo RE 212.484, que teria sido preservado pelas decisões posteriores do STF e que ele deveria ser aplicado à luz do art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto n. 70.235, de 1972. No entanto, pareceme necessário melhor esclarecer a situação apontada pela embargante e definida pelo Acórdão, qual seja: o Supremo Tribunal Federal já entendeu, no passado, pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matériasprimas isentas (RE 212.484), o que chegou a ser estendido às aquisições sujeitas à alíquota zero (RE 350.446), mas este entendimento foi posteriormente alterado, passando a mesma Corte a entender que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682), depois estendendo o mesmo entendimento em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto. Nada obstante o Supremo Tribunal Federal tenha reconhecido existir a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus ZFM (Tema 322; RE 592.891), isto não equivale ao reconhecimento do direito de crédito, além de que, não pode este CARF analisar a constitucionalidade das leis (Súmula Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 CARF nº 1). A conjuntura dos fatos que autoriza a aplicação ao presente caso do entendimento do STF no RE 566.819, visto não haver decisão em contrário no RE 592.891. Portanto, não se confirma o núcleo da alegação da recorrente, de que o entendimento dado pelo RE 212.484 teria sido preservado pelas decisões posteriores do STF e que ele deveria ser aplicado à luz do art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto n. 70.235, de 1972 e art. 62, inciso I, do RICARF. Conclusão Posto isto, pelos fundamentos expostos, voto no sentido de conhecer dos embargos declaratórios, contudo, REJEITANDOOS, mantendose o resultado do julgamento do Acórdão embargado. É como voto. (assinatura digital) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10855.721827/201114 Acórdão n.º 3402003.178 S3C4T2 Fl. 1.340 17 Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 10552.000345/2007-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2000 a 28/02/2006
NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Inocorrência. Não ocorre nulidade do lançamento se o débito está suficientemente discriminado nos demonstrativos que instruem a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD.
DECADÊNCIA. No presente caso, aplica-se a regra do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional quanto à fluência do prazo decadencial do direito da Fazenda Pública constituir o crédito previdenciário, razão pela qual deve ser reconhecida a decadência das obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência novembro de 2001, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento, para reconhecer a decadência das obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência novembro de 2001, em razão da decadência, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN.
André Luis Marsico Lombardi - Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2000 a 28/02/2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Inocorrência. Não ocorre nulidade do lançamento se o débito está suficientemente discriminado nos demonstrativos que instruem a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD. DECADÊNCIA. No presente caso, aplica-se a regra do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional quanto à fluência do prazo decadencial do direito da Fazenda Pública constituir o crédito previdenciário, razão pela qual deve ser reconhecida a decadência das obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência novembro de 2001, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Inocorrência. Não ocorre nulidade do lançamento se o débito está suficientemente discriminado nos demonstrativos que instruem a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD. DECADÊNCIA. No presente caso, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional quanto à fluência do prazo decadencial do direito da Fazenda Pública constituir o crédito previdenciário, razão pela qual deve ser reconhecida a decadência das obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência novembro de 2001, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 55 2. 00 03 45 /2 00 7- 55 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe parcial provimento, para reconhecer a decadência das obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência novembro de 2001, em razão da decadência, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN. André Luis Marsico Lombardi Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10552.000345/200755 Acórdão n.º 2401004.110 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 01.05.2000 a 28.02.2006 Data de lavratura da NFLD: 13/12/2006 Data de ciência da NFLD: 14/12/2006 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela 8ª Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/RS que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 37.040.1018, referente a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, parte da empresa, parte relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a parte relativa as entidades denominadas de terceiros quais sejam FNDE (salário educação) e INCRA. Inconformada com o supracitado lançamento tributário, a interessada apresentou Impugnação a fls. 70 e seguintes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 13.607 8ª Turma da DRJ/POA, às fls. 153 e seguintes, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Recorrente foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 18/12/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 162. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário à fl. 167 e seguintes, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos a seguir expostos: · Nulidade do lançamento · Decadência · Inimputabilidade da diretoria atual do sindicato para efetuar o recolhimento das contribuições previdenciárias ou para responder penalmente pelas infrações. Requer, ao final, que “seja decretada a nulidade do lançamento ou, alternativamente, seja reconhecida a decadência do direito da fazenda pública constituir crédito tributário após decorridos 5 anos da ocorrência dos fatos geradores e que sejam responsabilizados exclusivamente os Srs. Cesar José Pedroso Pureza e Milton Rodrigues Vaz, expresidentes do Sindicato”. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 4 Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10552.000345/200755 Acórdão n.º 2401004.110 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 18/12/2008, conforme AR juntado à fl. 162, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 09/01/2009, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO O Recorrente alega que “O lançamento fiscal não obedeceu ao comando do art. 142 do CTN, pois o relatório fiscal em um momento afirma que os valores das contribuições objeto deste crédito previdenciário foram obtidos nas GFIPS apresentadas pelo Sindicato e logo após, o mesmo relatório informa que a fiscalização não teve acesso às GFIPs”. Essa argumentação não prospera. O RDA Relatório de Documentos Apresentados e o RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, os quais instruem o presente processo administrativo fiscal, apresenta discriminação de recolhimentos das contribuições sociais previdenciárias apurada pela fiscalização e as informações apuradas no curso do procedimento fiscal foram extraídas da Guias de Recolhimento ao Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIPs. Caso o contribuinte desejasse comprovar o recolhimento ou fazer contraprova à notificação de lançamento, bastaria consultar o banco de dados da Caixa Econômica Federal, da mesma forma que agiu a fiscalização, onde estão armazenadas as informações por ele próprio prestadas. O levantamento realizado pela fiscalização é claro, motivo pelo qual a preliminar de nulidade da autuação não prospera. 3. DA PREJUDICIAL DE MÉRITO – DECADÊNCIA Fl. 192DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 6 O período de apuração é de 01.05.2000 a 28.02.2006 e, no presente caso, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional quanto à fluência do prazo decadencial do direito da Fazenda Pública constituir o crédito previdenciário. A propósito, confirase a redação do aludido dispositivo: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Assim, há de se reconhecer a decadência das obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência novembro de 2001, em razão da decadência, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN Por esse motivo, acolhe parcialmente a prejudicial de mérito. 4. DO MÉRITO No mérito, o Recorrente pede que sejam responsabilizados pelo recolhimento exdirigentes do Sindicato. Não há como cindir a responsabilidade nesta esfera administrativa, pois, a teor das disposições dos arts. 23 e 32 da Lei n. 8.212, de 24/07/1991, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social, institui Plano de Custeio, e dá outras providências. A responsabilidade de recolhimento das contribuições previdenciárias é da pessoa jurídica (contribuinte efetivo), não podendo personificar ou transferir a obrigatoriedade de recolhimento às pessoas físicas que dirigiram a organização. A matéria foi bem enfrentada no v. acórdão recorrido e merece transcrição: “O presente processo trata tãosomente da exigência das contribuições devidas à Previdência Social. Não há que se cogitar de que o julgador administrativo do processo fiscal deva apreciar a atuação das diferentes diretorias do sindicato. Esse papel incumbe aos associados que tem o poder/dever de verificar e fiscalizar a administração daqueles que foram eleitos para representálos. No caso em exame, o que importa é verificar a ocorrência da falta de recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social. Nesse sentido, não resta nenhuma dúvida de que o contribuinte deixou de recolher aos cofres previdenciários as contribuições de sua responsabilidade. O contribuinte não traz aos autos prova contrária. Assim sendo, tenho como correto o procedimento da fiscalização que apurou as contribuições lançadas na presente NFLD.” É obvio que este posicionamento não impede que o Recorrente, caso deseje, pleiteie junto à instância competente ser ressarcido de eventuais ilícitos provocados por seus dirigentes, à época, mas não é este tribunal administrativo o local apropriado para tal discussão. O recurso deve, então, ter provimento negado. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 10552.000345/200755 Acórdão n.º 2401004.110 S2C4T1 Fl. 5 7 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, reconhecendo a decadência das obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência novembro de 2001, em razão da decadência, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN.. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 5/05/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI
score : 1.0
Numero do processo: 44021.000053/2007-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1998 a 01/09/2005
AUSENTE DOS AUTOS CONDENAÇÃO EM RAZÃO DA FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS OU LIVROS. À ÉPOCA DO LANÇAMENTO A LEGISLAÇÃO ERA SILENTE QUANTO AO LOCAL DA LAVRATURA DA NOTIFICAÇÃO NO CASO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A NOTIFICAÇÃO FISCAL ESTÁ DEVIDAMENTE MOTIVADA. INDEPENDENTEMENTE DAS DIFICULDADES FINANCEIRAS, A EMPRESA TEM O DEVER SE RECOLHER OS SEUS TRIBUTOS. A INOVAÇÃO DE TESE NA FASE RECURSAL IMPLICA EM VIOLAÇÃO A PRECLUSÃO E SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. VEDANDO O CONHECIMENTO DA TESE.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-003.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, Em relação às competências de 03/1998 a 11/2000, inclusive, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência. Em relação às competências de 12/2000 a 11/2001, inclusive, pelo voto de qualidade, não acolher a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO e WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) que a acolhiam, e os Conselheiros PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que convertiam o julgamento em diligência. Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1998 a 01/09/2005 AUSENTE DOS AUTOS CONDENAÇÃO EM RAZÃO DA FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS OU LIVROS. À ÉPOCA DO LANÇAMENTO A LEGISLAÇÃO ERA SILENTE QUANTO AO LOCAL DA LAVRATURA DA NOTIFICAÇÃO NO CASO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A NOTIFICAÇÃO FISCAL ESTÁ DEVIDAMENTE MOTIVADA. INDEPENDENTEMENTE DAS DIFICULDADES FINANCEIRAS, A EMPRESA TEM O DEVER SE RECOLHER OS SEUS TRIBUTOS. A INOVAÇÃO DE TESE NA FASE RECURSAL IMPLICA EM VIOLAÇÃO A PRECLUSÃO E SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. VEDANDO O CONHECIMENTO DA TESE. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Em relação às competências de 03/1998 a 11/2000, inclusive, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência. Em relação às competências de 12/2000 a 11/2001, inclusive, pelo voto de qualidade, não acolher a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO e WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) que a acolhiam, e os Conselheiros PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que convertiam o julgamento em diligência. Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira - Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2204; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 373 1 372 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 44021.000053/200732 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.257 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de março de 2016 Matéria CP: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO PARTE PATRONAL. SAL/GILRAT. COOPERATIVA DE TRABALHO. TERCEIROS. Recorrente ARTVERBO CEN. CR. PUB. E EDITORA S/C LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1998 a 01/09/2005 AUSENTE DOS AUTOS CONDENAÇÃO EM RAZÃO DA FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS OU LIVROS. À ÉPOCA DO LANÇAMENTO A LEGISLAÇÃO ERA SILENTE QUANTO AO LOCAL DA LAVRATURA DA NOTIFICAÇÃO NO CASO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A NOTIFICAÇÃO FISCAL ESTÁ DEVIDAMENTE MOTIVADA. INDEPENDENTEMENTE DAS DIFICULDADES FINANCEIRAS, A EMPRESA TEM O DEVER SE RECOLHER OS SEUS TRIBUTOS. A INOVAÇÃO DE TESE NA FASE RECURSAL IMPLICA EM VIOLAÇÃO A PRECLUSÃO E SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. VEDANDO O CONHECIMENTO DA TESE. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Em relação às competências de 03/1998 a 11/2000, inclusive, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência. Em relação às competências de 12/2000 a 11/2001, inclusive, pelo voto de qualidade, não acolher a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO e WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) que a acolhiam, e os Conselheiros PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que convertiam o julgamento em diligência. Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 44 02 1. 00 00 53 /2 00 7- 32 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 44021.000053/200732 Acórdão n.º 2202003.257 S2C2T2 Fl. 374 2 (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 44021.000053/200732 Acórdão n.º 2202003.257 S2C2T2 Fl. 375 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NLFD – DEBCAD 37.009.4450, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, relativamente, a parte patronal, e, ainda, da retribuição ao contribuinte individual – cota patronal, bem como a contribuição devida a terceiros, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 111 a 113, com período de apuração de 03/1998 a 08/2006, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 115. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 27/12/2006, conforme AR, de fls. 189. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostadas, as fls. 193 a 251, recebida, em 10/01/2007, conforme carimbo de recepção, de fls. 193, estando acompanhada dos documentos, de fls. 253 e 267. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 264 e 263. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1721.415 11ª, Turma DRJ/SPOII, em 06/11/2007, fls. 321 a 345. O lançamento foi considerado procedente. O contribuinte foi cientificado desse decisório, em 05/12/2007, conforme AR, de fls. 349. Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 353 a 367, recebido, em 19/12/2007, desacompanhado de qualquer documento. As razões recursais são as que a seguir constam de forma sumariada. Preliminar. · que a recorrente foi condenada por ter deixado de exibir documento ou livro relacionado as contribuições previdenciárias; · que a notificação é nula, pois foi lavrada fora do estabelecimento da recorrente; · que a atuação é nula por falta de motivação, o que dificulta o exercício da ampla defesa, uma vez que o fiscal não informou os documentos que foram apresentados e os documentos que não foram apresentados, o que torna nula a atuação; Fl. 375DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 44021.000053/200732 Acórdão n.º 2202003.257 S2C2T2 Fl. 376 4 Mérito. · que a fiscalização ignorou as dificuldades financeiras da empresa em adimplir com suas obrigações, devendo o fisco provar essa possibilidade, não tendo outra alternativa a recorrente senão encerrar as suas atividades, independentemente de dar baixa nos órgãos competentes, pois não tinha como quitar seus débitos, não podendo requerer o pedido de inativa por falta de capacidade financeira; · que o fisco ignorou a alegação de furto dos livros e o pedido de prazo adicional para a tentativa de localização, sendo a recorrente primária não merece a aplicação do valor no importe exigido, não merecendo respaldo a consulta feito nos sistemas do CNPJ com situação ativa, pois a empresa não encerrou suas atividades por falta de capacidade financeira; · que a valor da autuação é exorbitante e ilegal, pois a empresa e do sistema SIMPLES, sendo que o faturamento anual sempre esteve abaixo do valor cobrado, devendose observar os princípios constitucionais da proporcionalidade, razoabilidade e do não confisco; · Requerimentos: a) que a turma declare o acórdão insubsistente; b) para julgar improcedente o lançamento; c) para que se envie Termo de Intimação Fiscal para o arquivo. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 369. Os autos foram remetidos ao Segundo Conselho de Contribuintes, despacho de fls. 369. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 12/03/2015, Lote 01. É o Relatório. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 44021.000053/200732 Acórdão n.º 2202003.257 S2C2T2 Fl. 377 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Inconstitucionalidades. Não cabe ao julgador administrativo pronunciarse sobre questões de inconstitucionalidade ante a expressa vedação legal, abaixo transcrita. Decreto 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) RICARF PT/MF 343/2015 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A razão é muito simples no Poder Executivo – Administração Pública vige o princípio da hierarquia e quem exerce sua chefia máxima é o Senhor Presidente da República, a quem a Constituição da República Federativa do Brasil atribui em primeiro mão a competência de por intermédio da sanção em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, introduzir a norma no mundo jurídico, dandolhe existência, estipulando sua vigência e atribuindolhe eficácia. Logo, não é cabível que um servidor que lhe é subordinado e subalterno e lhe deve obediência, possa desfazer de um ato da maior autoridade do Poder Executivo, pois assim estaríamos subvertendo o regime. Além do que, a própria CRFB/88 no artigo 102, caput, estabeleceu que o seu guardião é o Supremo Tribunal Federal – STF. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 44021.000053/200732 Acórdão n.º 2202003.257 S2C2T2 Fl. 378 6 Assim cabe exclusivamente ao órgão maior do judiciário brasileiro o controle concentrado de constitucionalidade da leis e aos demais órgãos do judiciário o difuso. A CRFB/88 não atribui competência para órgão julgador administrativo seja ele qual for, exercer o controle de constitucionalidade das leis. Ademais, todas as normas que passam pelo processo legislativo constitucionalmente estabelecido gozam de presunção de constitucionalidade e assim devem ser respeitadas, afinal de contas é a própria CRFB/88 em seu artigo 5º, inciso LVII, diz: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;”, “mutatis mutandis”, por que condenar a lei antes que o órgão competente o faça. Por fim, apenas para sedimentar de vez a impossibilidade do reconhecimento de inconstitucionalidade por órgão administrativo, basta ler o que disse o Supremo Tribunal Federal – STF ao tratar da competência do Conselho Nacional de Justiça – CNJ que apesar de órgão da estrutura do judiciária exerce competência administrativa e não judicial, artigo 103B, parágrafo 4º, da CRFB/88. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. INADMISSIBILIDADE. ATRIBUIÇÃO ESTRANHA À ESFERA DE COMPETÊNCIA DESSE ÓRGÃO DE PERFIL ESTRITAMENTE ADMINISTRATIVO. ATUAÇÃO ULTRA VIRES. LEGITIMIDADE DO CONTROLE JURISDICIONAL.PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (PLENO). AUTOGOVERNO DA MAGISTRATURA, PRERROGATIVA INSTITUCIONAL DOS TRIBUNAIS JUDICIÁRIOS E AUTONOMIA DOS ESTADOSMEMBROS: LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS QUE NÃO PODEM SER DESCONSIDERADAS PELO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. LIMINAR MANDAMENTAL E A QUESTÃO DA INVESTIDURA APARENTE. PRINCÍPIOS DA SEGURANÇA JURÍDICA, DA PROTEÇÃO DA CONFIANÇA E DA BOAFÉ OBJETIVA. CONSEQUENTE SUBSISTÊNCIA DOS ATOS ADMINISTRATIVOS E/OU JURISDICIONAIS PRATICADOS EM DECORRÊNCIA DO PROVIMENTO CAUTELAR, AINDA QUE EVENTUALMENTE DENEGADO O MANDADO DE SEGURANÇA. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. MEDIDA CAUTELAR DEFERIDA. D.2. Indevido exercício da atividade de controle de constitucionalidade e descumprimento do dever de zelar pelo cumprimento da LOMAN. Essa Suprema Corte, por diversas vezes, já declarou ser vedado ao CNJ o exercício de atividade de controle de constitucionalidade, por tratarse o Conselho de órgão com natureza administrativa. Nesse sentido, em recente decisão, proferida nos autos da medida cautelar no MS 32582, deixou claro o Ministro Celso de Mello que o CNJ não dispõe de competência para exercer o controle incidental ou concreto de constitucionalidade (muito menos o controle preventivo abstrato de constitucionalidade) dos atos do Poder Legislativo. Inobstante, na hipótese presente, como já referido, para a prolação da decisão aqui combatida, o CNJ afastou do ordenamento jurídico pátrio o disposto no artigo 99 da LOMAN Fl. 378DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 44021.000053/200732 Acórdão n.º 2202003.257 S2C2T2 Fl. 379 7 que, conforme esclarecido adiante, chancela de forma explícita a correção da atuação do primeiro impetrante , declarando uma suposta inconstitucionalidade do mesmo dispositivo e negando efeitos à sua vigência. Ademais, além do exercício indevido de atividade de controle de constitucionalidade, ao negar vigência a dispositivo da LOMAN, deixou o CNJ, ainda, de exercer competência indelével de zelar pelo cumprimento daquele estatuto, competência esta que lhe é conferida, também de forma explícita, pelo disposto no artigo 103B, § 4, inciso I, da Constituição: (STF MS: 32865 DF , Relator: Min. CELSO DE MELLO, Data de Julgamento: 02/06/2014, Data de Publicação: DJe108 DIVULG 04/06/2014 PUBLIC 05/06/2014) Evidente, assim, que o CARF apesar de órgão judicante, mas por exercer essa competência apenas na função administrativa e não judicial não detém competência para o controle de constitucionalidade seja ele difuso ou concentrado. Assim sendo, todas as argumentações ligadas a questão de inconstitucionalidade, seja em preliminar ou em mérito, não serão apreciadas, ante a vedação legal expressa, que se impõe. Preliminares. Enganase a recorrente não existe condenação nos presentes autos, pois este busca apenas promover o lançamento de tributo devido pela mesma e não adimplido nos termos da lei. Muito menos a condenação inexistente se deu em razão da não apresentação de documentos ou livros relacionados a contribuição social previdenciária. O fisco apenas lançou a contribuição social previdenciária que entendeu devida, pois verificou que a empresa declarou Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com movimento e trabalhadores no período de 01/1999 a 12/2005, conforme trecho do acórdão de primeiro grau, abaixo transcrito, sem contudo promover o recolhimento das contribuições devidas. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 44021.000053/200732 Acórdão n.º 2202003.257 S2C2T2 Fl. 380 8 O agente fiscal não tinha a obrigação de promover a lavratura da notificação no estabelecimento do contribuinte, pois o artigo 37, da Lei 8.212/91, bem como o artigo 243, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99, não fazem essa exigência, basta ler os dispositivos. Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Art. 243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. A exigência a que se refere a recorrente apenas entrou em vigor para as contribuições previdenciárias em 02/05/2007, como a entrada em vigor da Lei 11.457/2007 e do Decreto 6.103/2007 que determinaram a aplicação do Decreto 70.235/72 aos procedimentos de lançamento das contribuições previdenciárias, mas o presente lançamentos se deu, em 27/12/2007, AR, de fls. 189, momento em que o contribuinte foi cientificado do lançamento. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 44021.000053/200732 Acórdão n.º 2202003.257 S2C2T2 Fl. 381 9 Ainda, que tal exigência pudesse ser feita no presente crédito isso por si só não é causa de nulidade da notificação, nos termos da Súmula 6, do CARF, que a seguir colaciono. Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Aliás, não é só o CARF que pensa assim o judiciário federal não pensa de outra forma, observese os precedentes. TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. CONSUMO DE PRODUTO ESTRANGEIRO INTRODUZIDO CLANDESTINAMENTE NO PAÍS. LOCAL DA AUTUAÇÃO. DECRETO 70.235/72, ART. 10. PRESUNÇÃO RELATIVA DE LEGITIMIDADE. AUSÊNCIA DE PROVAS EM CONTRÁRIO. 1. O art. 10 do Decreto 70.235/72 especifica que o auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta (...), sendo correta a ação fiscal que procede à imediata autuação na localidade em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. 2. Não há cerceamento do direito de defesa quanto à abertura da ação fiscal quando o Termo de Início de Fiscalização comprova que o procedimento administrativo foi iniciado com observância de todos os elementos necessários à defesa do autuado, o qual foi intimado para juntar documentos antes de qualquer medida impositiva. 3. Não há dúvidas quanto à capitulação legal da infração quando esta ficou especificada de forma minuciosa no auto de infração lavrado pela autoridade administrativa. 4. Constitui ônus do administrado provar eventuais erros existentes no lançamento, sendo que a ausência de comprovação enseja a rejeição das alegações que buscam desconstituílo. 5. Tratandose de entrada clandestina de produtos no País, por ter a empresa negligenciado documentação relativa à sua entrada, caberia à autuada juntar prova de que os produtos encontrados pela fiscalização tiveram sua entrada regular, notadamente em razão da presunção de legitimidade dos atos administrativos. 6. Apelação a que se nega provimento. (AC 199732000026357, JUIZ FEDERAL MARK YSHIDA BRANDAO (CONV.), TRF1 OITAVA TURMA, 19/03/2010) ADMINISTRATIVO. TRIBUTÁRIO. ANULAÇÃO DE AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINARES. LOCAL DA LAVRATURA. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. INSCRIÇÃO EM CONSELHO PROFISSIONAL. DESNECESSIDADE. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. MOTIVAÇÃO SUCINTA DA SENTENÇA. PRESCRIÇÃO. LANÇAMENTO DO IMPOSTO SOBRE RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA DAS PESSOAS JURÍDICAS. 1 – Não há que se falar em nulidade do auto de infração forte estarem presentes os requisitos insculpidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, atendendose perfeitamente as ordens emanadas do diploma legal. 2 O conceito de “local da lavratura” está vinculado ao Fl. 381DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 44021.000053/200732 Acórdão n.º 2202003.257 S2C2T2 Fl. 382 10 conceito de jurisdição e, conseqüentemente, de competência do autuante. Assim, é irrelevante se a lavratura do auto se dá no estabelecimento onde se verifica a falta ou em outro lugar, conquanto esta se faça por servidor competente, dentro da circunscrição fiscal pertinente, contendo a disposição legal infringida e a penalidade aplicada, dandose ao autuado acesso a todos os elementos que fundamentaram a autuação de modo a garantir a correta tipificação do fato e adequação no enquadramento legal da infração verificada viabilizando a ampla defesa. 3 O que habilita o fiscal para o exercício da função de auditor é seu ingresso na carreira através de concurso público, e não a inscrição em um Conselho Profissional. Assim, prescinde de inscrição em Conselho Regional de Contabilidade para desempenhar suas funções, dentre as quais a de fiscalização contábil das empresas. 4 – Inferese que os argumentos aduzidos pela recorrente com relação ao PIS destoam da causa petendi que fundamentou a inicial, havendo inegável inovação do pedido no recurso. 5 – O magistrado a quo se manifestou, ainda que fragilmente, em relação a todos os pontos constantes da inicial, externando a orientação que se lhe afigurava mais adequada. É importante observar que ao se decidir a causa o juiz não está obrigado a responder todas as alegações das partes se já houver encontrado motivo suficiente para fundamentar seu decisum. 6 Do que se infere dos autos, ocorrido o fato gerador e vencido o prazo legal, o pagamento não foi feito pela apelante, motivo pelo qual deixa de ser aplicável o § 4º, do art. 150, incidindo na espécie, a regra geral do inciso I, do artigo 173, ambos do Código Tributário Nacional. Assim, possui a autoridade administrativa o prazo de cinco anos, a contar do ano seguinte àquele em que o contribuinte deveria ter realizado o pagamento, para constituir o crédito tributário. Logo, in casu, não transcorrera o prazo decadencial de cinco anos. 7 – Remessa e recurso conhecidos e desprovidos. (AC 9502307453, Desembargador Federal POUL ERIK DYRLUND, TRF2 SEXTA TURMA, 05/01/2005 TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO FORA DA EMPRESA. MULTA MORATÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. JUROS DE MORA. Não é anulável auto de infração lavrado fora da sede ou do domicílio da autuada, podendo o mesmo ser emitido por órgão da Fazenda Pública se lá o agente fiscal dispunha de elementos necessários e suficientes para a caracterização da infração e formalização do lançamento tributário, nos termos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Não cabe ao Judiciário reduzir multa fiscal moratória se ela é imposta com base em graduação objetivamente estabelecida pela lei, porquanto não pode o juiz atuar como legislador positivo. Não há denúncia espontânea se o lançamento se deu por iniciativa do fisco, sem que tenha havido qualquer ato anterior do contribuinte com relação ao débito. O índice de juros de 12% ao ano é norma constitucional dependente de regulamentação, sendo inviável a observância do limite estabelecido no art. 192, § 3º da CF/88 sem que haja a devida regulamentação legislativa. Apelação desprovida. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 44021.000053/200732 Acórdão n.º 2202003.257 S2C2T2 Fl. 383 11 (AC 200204010403598, JOÃO SURREAUX CHAGAS, TRF4 TURMA ESPECIAL, 09/09/2004) TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. DECADENCIA. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO REGULAR. ARBITRAMENTO DE LUCRO. MULTA. TAXA SELIC. 1. Não há ilegalidade na elaboração de auto de infração fora do estabelecimento comercial, se o contribuinte tomou conhecimento total do conteúdo do mesmo, através de notificação pessoal, com a entrega de cópia do original. 2. Não configurada a decadência do direito de constituição do crédito tributário, eis que não transcorrido o prazo de 5 anos entre o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia se efetuar o lançamento (art. 173, I, CTN) e a notificação de lançamento de tributo realizada pelo Fisco. 3. Mesmo as empresas optantes pelo regime de tributação com base em lucro presumido são obrigadas a manter os livros e demais documentos referentes as suas escriturações contábeis, nos termos da legislação fiscal e comercial, portanto, há não há ilegalidade no arbitramento do lucro realizado pela Fazenda, em face da não apresentação de tais documentos. 4. O art. 150, inciso IV, da Constituição Federal trata apenas da exação tributária com caráter confiscatório, não se referindo, em momento algum, à multa. 5. Não é ilegal a utilização da Taxa Selic, desde que aplicada sem a acumulação de outros índices de juros ou de correção monetária. 6. Apelação improvida. (AC 200185000044425, Desembargador Federal Edílson Nobre, TRF5 Quarta Turma, 03/10/2005) Assim sendo, evidente que a alegação é desprovida de fundamentos. A alegação de nulidade da notificação por falta de motivação não se sustenta, tendo em vista que ficou demonstrado que a notificação nada tem a ver com a falta desse ou daquele documento, mas sim com a falta de recolhimento a tempo e ordem da contribuição social previdenciária decorrente da declaração de remuneração/retribuição paga, devido ou creditado aos trabalhadores empregados e contribuintes individuais, conforme consta das GFIP's supramencionadas. Assim sendo, rejeito todas as preliminares suscitadas. Decadência. A decadência, ainda, que não alegada por ser matéria de ordem pública deve ser reconhecida de ofício. Verificase do Relatório de Documentos Apresentados – RDA, de fls. 85, que há registro de pagamento para as competências 03/1998 a 06/1998, e, que esses mesmos meses constam no Discriminativo Sintético de Débito DSD, de fls. 63, portanto em relação a esse meses devese aplicar o artigo 150, §4º, da Lei 5.172/66 para se determinar o marco do prazo decadencial, nos termos do RESP a seguir transcrito. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 44021.000053/200732 Acórdão n.º 2202003.257 S2C2T2 Fl. 384 12 RECURSO ESPECIAL Nº 970.947 SC (2007/01732916) Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN Com esses esclarecimentos para as competências citadas na data do lançamento 27/12/2006, a decadência já havia se operado e portanto devem elas serem extirpadas do lançamento. Todavia, para as demais competências sem a ocorrência de pagamento e que encontramse dentro do período de decadência, devese aplicar o artigo 173, I, da Lei 5.172/66. Considerandose novamente a data do lançamento 27/12/2006 e retroagindo se a contar dela teremos o marco decadencial como sendo 01/01/2001, ou seja, estão decadentes todos as competências anteriores a 11/2000, inclusive. Mérito. As dificuldades financeiras da recorrente são irrelevantes para fins da cobrança das obrigações tributárias dessa ou daquele pessoa jurídica o risco da atividade econômica é do empreendedor e não da sociedade. A questão da atividade já ficou desmistificada com a entrega de GFIP com movimento para todo o período, ou seja, 01/1999 a 12/2005, como consta dos autos. O suposto furto dos livros é irrelevante para o deslinde da questão, pois já ficou claro que o lançamento da presente notificação tem o objetivo de exigir a contribuição social previdenciária declarada em GFIP e não recolhida. Não fosse isso suficiente o contribuinte não fez prova do alegado, bem como não atendeu as determinações do DecretoLei 486/1969 e do Decreto 3.000/1999, a seguir transcritos. DL 486 Art 10. Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros fichas documentos ou papéis de interêsse da escrituração o comerciante fará publicar em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento aviso concernente ao fato e dêste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas ao órgão competente do Registro do Comércio. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 44021.000053/200732 Acórdão n.º 2202003.257 S2C2T2 Fl. 385 13 Parágrafo único. A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto neste artigo. Decreto 3.000/1999 Seção IV Conservação de Livros e Comprovantes Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). § 1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10). § 2º A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). Além do que já foi dito o Superior Tribunal de Justiça STJ sumulou o entendimento que a dissolução irregular de sociedade autoriza redirecionar a execução para o sócio, ou seja, se a dívida fiscal pode ser cobrado desse com mais razão da própria empresa. Súmula n. 435/STJ: “Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente ”. Assim, não há razões para se dispensar a empresa da obrigação de recolher as contribuições devidas independentemente dos motivos. A alegação de que a empresa era do sistema SIMPLES não encontra respaldo nos autos por ausência de prova, bem como a análise da matéria importaria em violação a preclusão e supressão de instância, pois cuidase de inovação na fase recursal. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 44021.000053/200732 Acórdão n.º 2202003.257 S2C2T2 Fl. 386 14 Destarte, com os esclarecimentos acima afasto todos os pedidos da recorrente considerandoos improcedentes. Todavia, como supramencionado de ofício aplico a decadência para as contribuições anteriores a 11/2000, inclusive. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para conhecer de ofício a preliminar de decadência das contribuições para o período de 03/1998 a 11/2000, rejeitando as demais preliminares e no mérito negar provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 44021.000053/200732 Acórdão n.º 2202003.257 S2C2T2 Fl. 387 15 Fl. 387DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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