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Numero do processo: 10830.455041/2004-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Trata o presente processo de auto de infração (fls 43) que tomou por base os valores de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF confessados pelo sujeito passivo nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais DCTF entregues por ele referentes ao terceiro e quarto trimestres de 1997 e para os quais não foram localizados os pagamentos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .4 55 04 1/ 20 04 -5 2 Fl. 716DF CARF MF Processo nº 10830.455041/200452 Resolução nº 2201000.269 S2C2T1 Fl. 712 2 Após a impugnação apresentada (fls 12), houve revisão de ofício do lançamento (fls 345), tendo restado apenas um crédito tributário impugnado, relativo ao período de apuração 0108/1997, no valor de R$ 154.856,10, com multa de R$ 116.142,10. Quanto a esse crédito, a autoridade revisora deixou consignado que: a) o débito de IRRF do período de apuração 0108/1997, código 0561, no valor originário de R$ 385.670,58, foi parcialmente quitado antes da lavratura do auto de infração, tendo sido pago R$ 230.814,44, vide fl. 294. Com relação à diferença de R$ 154.856,14, a interessada alega que é decorrente de erro no preenchimento a DCTF apresentada: portanto, foi mantida no PROFISC sob o código 2932; A DRJ/CPS, através do Acórdão nº 0515.925, de 25 de janeiro de 2007 (fls 354), exonerou a multa de ofício por aplicação retroativa do art. 18 da Medida Provisório nº 135, de 2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.833, de 2003, e manteve, contudo, o crédito tributário relativo ao principal, tendo em vista que a recorrente não teria "comprovado o alegado erro de preenchimento da DCTF". Cientificado dessa decisão (AR fl 362) em 21 de março de 2007, o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, em 20 de abril de 2007, seu recurso voluntário (fls 363), no qual anexou cópia de seu razão contábil de 1997 para fazer prova do erro alegado (fls 369). O processo foi inicialmente distribuído para a Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que exarou o Acórdão nº 10423.140, de 23 de abril de 2008, com a seguinte ementa (fls 401): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 IRFONTE VALOR INFORMADO EM DCTF NÃO RECOLHIDO IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO Incabível o lançamento para exigência de valor declarado em DCTF e não recolhido. 0 imposto e/ou saldo a pagar, apurado em DCTF, deve ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição na Divida Ativa da Unido. Recurso provido. Do voto condutor desse Acórdão, extraise que: Outrossim cumpre lembrar que caso tenha havido informação indevida na DCTF, cabe ao contribuinte procurar a Unidade da Secretaria da Receita Federal para proceder a competente retificação, se for o caso. Em face dessa decisão, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial (fls 412). Contrarazões foram juntadas a fls 484. Analisando o recurso, a Câmara Superior de Recursos Fiscais prolatou o Acórdão nº 920201.248 2ª Turma, sessão de 08 de fevereiro de 2011, anulando a decisão anteriormente proferida. O Acórdão em questão recebeu a seguinte ementa: Fl. 717DF CARF MF Processo nº 10830.455041/200452 Resolução nº 2201000.269 S2C2T1 Fl. 713 3 Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Ano calendário: 1997 DCTF. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Na vigência da redação original do art. 90 da Medida Provisória n° 2.158 35/2001, serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e As contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Com a alteração perpetrada pelo art. 18 da Lei n° 10.833/2001, os lançamentos já efetuados devem permanecer íntegros. Recurso especial provido. Ao fim do voto vencedor, restou consignado que: Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso do procurador, com retorno dos autos a Turma competente da Segunda Seção para apreciar o mérito do recurso voluntário, pois se vê que a então Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso apenas por considerar inidôneo o veículo que constituiu o crédito tributário lançado, sem entrar no mérito do voluntário. Nesta Seção, o processo foi distribuído em sessão pública para esta relatora. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Conforme o conteúdo da decisão acima, cabe a esta Turma decidir quanto ao que foi alegado pela empresa recorrente, no sentido de que o débito ora exigido decorre de erro no preenchimento de sua DCTF, onde dois DARF´s teriam sido lançados em duplicidade. Aponta como lançados em duplicidade documentos de arrecadação nos seguintes valores: R$ 138.036,21 (fl 88) e R$ 16.819,93 (fl 91), que somariam R$ 154.856,14, valor correspondente ao exigido neste processo com uma diferença de quatro centavos de real. O auto de infração com a discriminação dos valores que compõem a exigência original está na fl. 67. Os documentos contábeis que poderiam comprovar o suposto erro cometido pelo sujeito passivo no preenchimento de sua DCTF só foram apresentados em sede recursal. Ainda assim, a qualidade da digitalização deixa a desejar, pois nem todos os dados mostramse legíveis em sua inteireza. Portanto, entendo que o conteúdo dos autos não permite uma conclusão segura sobre a lide administrativa, razão pela qual voto pela conversão do julgamento em diligência para que a autoridade lançadora, à vista dos documentos juntados em fl. 369 e ss, bem assim Fl. 718DF CARF MF Processo nº 10830.455041/200452 Resolução nº 2201000.269 S2C2T1 Fl. 714 4 socorrendose do resíduo resultante da digitalização dos autos em tela e de demais informações contábeis obtidas junto ao recorrente, aponte, inequivocamente, qual foi o valor do IRRF devido para o PA 0108/97, sob o código 0561. Do resultado da diligência deve ser dada ciência ao sujeito passivo com prazo de 30 dias para sua manifestação. É como voto. (assinado digitalmente) Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora. Fl. 719DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.001011/98-23
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 28/04/1994 a 14/12/1994
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. REMUNERAÇÃO PAGA POR CONCESSIONÁRIAS ÀS DETENTORAS DO USO DA MARCA NO PAÍS POR SERVIÇOS PRESTADOS. NÃO INCLUSÃO.
Os valores relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, a título de comissão pelo uso da marca, publicidade, garantia, treinamento e assistência técnica, não deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas.
Tais rubricas se materializam após a internalização dos produtos no Brasil e suas remunerações são destinadas a uma pessoa jurídica brasileira, não havendo possibilidade de integrar o valor aduaneiro.
Numero da decisão: 9303-004.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 28/04/1994 a 14/12/1994 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. REMUNERAÇÃO PAGA POR CONCESSIONÁRIAS ÀS DETENTORAS DO USO DA MARCA NO PAÍS POR SERVIÇOS PRESTADOS. NÃO INCLUSÃO. Os valores relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, a título de comissão pelo uso da marca, publicidade, garantia, treinamento e assistência técnica, não deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas. Tais rubricas se materializam após a internalização dos produtos no Brasil e suas remunerações são destinadas a uma pessoa jurídica brasileira, não havendo possibilidade de integrar o valor aduaneiro.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. REMUNERAÇÃO PAGA POR CONCESSIONÁRIAS ÀS DETENTORAS DO USO DA MARCA NO PAÍS POR SERVIÇOS PRESTADOS. NÃO INCLUSÃO. Os valores relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, a título de comissão pelo uso da marca, publicidade, garantia, treinamento e assistência técnica, não deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas. Tais rubricas se materializam após a internalização dos produtos no Brasil e suas remunerações são destinadas a uma pessoa jurídica brasileira, não havendo possibilidade de integrar o valor aduaneiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 10 11 /9 8- 23 Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 12466.001011/9823 Acórdão n.º 9303004.710 CSRFT3 Fl. 1.504 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 1.301 a 1.309) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3403002.018 (fls. 1.341 a 1.356) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 23/04/2013, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 28/04/1994 a 14/12/1994 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXONERAÇÃO DO CRÉDITO. APLICAÇÃO A TODOS OS OBRIGADOS NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Uma vez extinto o crédito tributário do sujeito passivo principal, autuado, fica também extinto para aquele sujeito apontado como responsável solidário no lançamento de ofício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 28/04/1994 a 14/12/1994 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALORAÇÃO ADUANEIRA. REMUNERAÇÃO PAGA POR CONCESSIONÁRIAS LOCALIZADAS NO PAÍS ÀS DETENTORAS DO USO DE MARCAS ESTRANGEIRAS POR SERVIÇOS PRESTADOS APÓS A NACIONALIZAÇÃO DOS BENS. NÃO INCLUSÃO. Não integram o Valor Aduaneiro da mercadoria os valores pagos pelas concessionárias situadas no País às detentoras do uso de marcas estrangeiras, pelos serviços efetivamente contratados e prestados no Brasil após a nacionalização dos bens. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 28/04/1994 a 14/12/1994 Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 12466.001011/9823 Acórdão n.º 9303004.710 CSRFT3 Fl. 1.505 3 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. BASE DE CÁLCULO. VALORAÇÃO ADUANEIRA. REMUNERAÇÃO PAGA POR CONCESSIONÁRIAS LOCALIZADAS NO PAÍS ÀS DETENTORAS DO USO DE MARCAS ESTRANGEIRAS POR SERVIÇOS PRESTADOS APÓS A NACIONALIZAÇÃO DOS BENS. NÃO INCLUSÃO. Não integram o Valor Aduaneiro da mercadoria os valores pagos pelas concessionárias situadas no País às detentoras do uso de marcas estrangeiras, pelos serviços efetivamente contratados e prestados no Brasil após a nacionalização dos bens. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Por bem retratar o desenrolar dos presentes autos, adotase o relatório constante da decisão recorrida, com os acréscimos devidos, in verbis: [...] Tratase de Auto de Infração (fls. 1/34), lavrado em 9/7/1998, em face da empresa CIA. EXPORTADORA E IMPORTADORA COIMEX, doravante denominada Autuada, e da empresa apontada como responsável solidária MMC AUTOMOTORES DO BRASIL, doravante denominada Recorrente, em que se apurou crédito tributário de Imposto sobre a Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor global de R$ 2.620.527,24. A autuação resultou de procedimento de Revisão Aduaneira sobre as Declarações de Importação, nos termos dos artigos 455 e 456 do Regulamento Aduaneiro então vigente. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da autuação (fls. 2/9), restou consignada, principalmente, a existência de responsabilidade tributária solidária da Recorrente. A autuação concluiu que a vinculação da importadora à exportadora influenciou o preço da transação, e que a Recorrente seria contribuinte do IPI por introduzir veículos no território nacional. A Autuada interpôs Impugnação em 21/7/1998 (fls. 716/747), aduzindo matérias de nulidades e de mérito. A Recorrente apresentou Impugnação em 21/7/1998 (fls. 766/789) e Aditamento à Impugnação em 18/2/1999 (fls. 801/802), alegando preponderantemente, ser “parte ilegítima para figurar no pólo passivo da acusação fiscal” (fls. 768) e que os critérios utilizados na Revisão Aduaneira estavam incorretos. Inobstante os argumentos esgrimidos nas Impugnações, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC), por meio do Acórdão nº 0.651 (fls. 807/852), proferido em 28/3/2002, julgou procedente a autuação. Nessa decisão, prevaleceu o entendimento de que a Revisão Aduaneira fora adequadamente realizada e de que a solidariedade passiva da Recorrente é legítima. Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 12466.001011/9823 Acórdão n.º 9303004.710 CSRFT3 Fl. 1.506 4 A Autuada fora notificada do acórdão de primeira instância em 6/5/2002 (fls. 854), e apresentou Recurso Voluntário em 5/6/2002 (fls. 857/891), acompanhado de fiança comercial (fls. 919 e 967). Nessa ocasião, a Autuada basicamente reiterou os argumentos de nulidade e de mérito expostos em sua Impugnação. Embora ausente notificação do acórdão da DRJ/FNS à Recorrente, imputada na autuação como responsável solidária, os autos foram encaminhados ao 3º Conselho de Contribuintes (fls. 1027). Em 3/12/2003, a 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes proferiu o Acórdão nº 30235.879 (fls. 1035/1089), no qual o Recurso Voluntário da Autuada fora provido pelo voto de qualidade. No julgado, sobressaiu a justificativa de que as Decisões Cosit nº 14 e 15/97 são aplicáveis à matéria do processo. Cientificada do acórdão do 3º Conselho de Contribuintes em 10/8/2004 (fls. 1090), a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial na mesma data (fls. 1091), apontando julgado paradigma versando acerca de igual matéria, mas cuja conclusão se revelou oposta. Em seguida, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, mediante o Acórdão nº 302126104 (fls. 1224/1234), prolatado em 13/11/2007, suscitou de ofício a “nulidade de todos os atos processuais ocorridos a partir da ciência da decisão de primeira instância” (fls. 1234), em razão da não intimação do acórdão da DRJ/FNS à responsável solidária (MMC AUTOMOTORES). Anulados os atos processuais nos termos citados, a Autuada fora novamente intimada do acórdão da DRJ/FNS em 4/5/2009, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fls. 1237 (verso), contudo deixou de apresentar Recurso Voluntário e o SECAT da Alfândega de VitóriaES lavrou Termo de Perempção em 15/6/2009 (fls. 1290). Por sua vez, a responsável solidária foi intimada do acórdão de primeira instância em 5/5/2009, consoante Aviso de Recebimento (AR) de fls. 1238 (verso). Em 15/5/2009, apresentou Recurso Voluntário (fls. 1239/1284), argumentando que, em síntese, que: 1. não fora demonstrado nenhum pagamento adicional ao exportador, de forma direta ou indireta; 2. a Recorrente não é a importadora das mercadorias e, portanto, não pode ser considerada contribuinte dos impostos sobre o comércio exterior; 3. o Auto de Infração não fixou devidamente em quais itens do Acordo sobre a Valoração Aduaneira (AVA) se encaixariam os pagamentos feitos pelos concessionários à Recorrente; 4. a autuação não produziu qualquer prova de simulação, abuso de direito ou de forma dos atos e negócios jurídicos celebrados pela Recorrente, fato que impede a caracterização da responsabilidade tributária solidária; 5. a Recorrente não pode ser responsabilizada solidariamente pela aquisição de produtos de procedência estrangeira nos termos do art. 77 da Medida Provisória nº 2.158/01, em virtude da impossibilidade de se aplicar retroativamente essa norma legal; Fl. 1507DF CARF MF Processo nº 12466.001011/9823 Acórdão n.º 9303004.710 CSRFT3 Fl. 1.507 5 6. considerando que a autuação fundamentou o enquadramento legal no art. 8º, 1, a, i, do AVA, a decisão de primeira instância não poderia ter alterado o referido enquadramento legal para o art. 8º, 1, c, ou para o art. 8º, 1, d, ambos do AVA, sob pena de inovação obstada pelo art. 146 do Código Tributário Nacional; 7. ainda que se admita a ampliação do enquadramento legal da autuação, a remuneração da Recorrente é recebida como contrapartida pela prestação de serviços e, dessa forma, é alheia às hipóteses de ajuste do valor aduaneiro previstas no art. 8º do AVA; 8. aplicamse a esta matéria as decisões Cosit nº 14/97 e 15/97, no sentido de que “os valores pagos pelas Concessionárias às Detentoras do Uso da Marca no País, pelos serviços efetivamente contratados e prestados no Brasil, não constituirão acréscimo ao valor aduaneiro da mercadoria” (fls. 1265), pois refletem o entendimento da própria administração tributária; 9. suposta valorização de marca não autorizaria o ajuste do valor aduaneiro, pois, entre outras razões, tal valor não se relaciona com as receitas que os concessionários pagam à Recorrente; e 10. não há elementos objetivos e quantificáveis para justificar o ajuste do valor aduaneiro pretendido pela autuação, conforme se exige no art. 8º, §3º, do AVA. Por fim, a Recorrente requereu o provimento de seu recurso. Em suma, é o relatório. [...] Na sequência, sobreveio novo julgamento nos termos do Acórdão nº 3403 002.018 (fls. 1.341 a 1.356) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 23/04/2013, ora recorrido, para (a) reconhecer não integrarem o valor aduaneiro quaisquer montantes pagos à detentora do uso da marca no País; e (b) determinar a extinção do crédito tributário também para o sujeito apontado como responsável solidário no lançamento de ofício. Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 1.395 a 1.417, e reproduzido às fls. 1.424 a 1.446), alegando divergência jurisprudencial quanto à exclusão do cálculo do valor aduaneiro das comissões pagas pelo uso da marca. Indicou como paradigmas o acórdãos nºs 930101.065 e 320200.113, nos quais a matéria examinada e as partes envolvidas são idênticos aos da decisão recorrida. Nas razões recursais, a Fazenda Nacional sustenta, em síntese, que: (a) a discussão cingese ao ajuste do valor aduaneiro, realizado pela Fiscalização, com o acréscimo do montante pago pelos concessionários a título de comissões pelo uso da marca Mitsubishi à sua detentora no Brasil, a empresa MMC Automotores do Brasil Ltda., ao valor dos bens importados declarado pela importadora; Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 12466.001011/9823 Acórdão n.º 9303004.710 CSRFT3 Fl. 1.508 6 (b) é legítima a autuação para cobrança da diferença dos impostos e consectários legais devidos pelo não oferecimento à tributação do valor das comissões pagas pelos concessionários à detentora da marca Mitsubishi no Brasil, conforme art. 8º do Acordo de Valoração Aduaneira; (c) a COIMEX importava os veículos da marca Mitsubishi na condição de intermediária, por conta e ordem da empresa MMC Automotores do Brasil Ltda, fazendo constar nas notas fiscais de venda emitidas em seu nome o preço correspondente ao valor de aquisição dos veículos, acrescido da parcela destinada à MMCB em percentual sobre o valor do veículo a título de comissões pelo uso da marca, sem que o mesmo fosse oferecido à tributação; (d) a atuação da MMC Automotores do Brasil Ltda. não corresponde a de um agente de compras, pois não atua no interesse das concessionárias; ela age no interesse do exportador estrangeiro, caracterizandose como agente de vendas, recebendo percentual sobre o preço dos veículos exportados para o Brasil a título de remuneração; (e) considerando as condições negociais estabelecidas entre as empresas, aplicável o art. 1º, §1º c/c art. 8º, §1º, alínea "a", do Acordo de Valoração Aduaneira, devendo ser acrescidos, na determinação do valor aduaneiro de mercadoria importada, ao preço efetivamente pago ou a pagar as comissões e corretagens, excetuadas as comissões de compra, por não serem as convenções particulares oponíveis ao Fisco. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio do despacho s/nº, de 20 de maio de 2015 (fls. 1.420 a 1.422), proferido pelo ilustre Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial quanto à inclusão das comissões pagas pelo uso da marca no cálculo do valor aduaneiro. As interessadas apresentaram contrarrazões (fls. 2.202 a 2.240) postulando a negativa de provimento ao recurso especial, com fulcro nos seguintes argumentos: (a) preliminarmente, sustentam a inadmissibilidade do recurso pois o paradigma nº 9303001.065 apresentado foi objeto de interposição de embargos de declaração, sendo imprestável para comprovação do dissídio jurisprudencial por sua precariedade; (b) alegam, ainda, que a tese dos acórdãos nºs 930301.065 e 3202 00113, apontados como paradigmas pela Fazenda Nacional, foi superada pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais ao decidir que não integram o valor aduaneiro, para efeito do ajuste pretendido pela Fazenda, supostamente com base no art. 8º do AVA, as remunerações pagas pelos concessionários às detentoras do uso da Fl. 1509DF CARF MF Processo nº 12466.001011/9823 Acórdão n.º 9303004.710 CSRFT3 Fl. 1.509 7 marca no País, a título de remuneração pela autorização do uso da marca, conforme consignado nos acórdãos nºs 9303002.351, 9303 002.350, 9303002.645, 9303002.874, 9303002.875 e 9303 002.876. (c) tecem considerações acerca dos contratos celebrados pelas empresas relacionadas com a operação de comércio exterior questionada pelos auditoresfiscais, para elaboração do lançamento; descrevem a operação de comércio exterior e de comércio interno de mercadorias e serviços, relacionadas com o lançamento, especificando a participação de cada empresa; e, ainda, trazem arrazoado quanto à exigência fiscal. (d) aduzem que a remuneração da MMCB referese à prestação de serviços e à cessão do direito de uso de marca aos concessionários, no Brasil, não se enquadrando como "comissões de venda", supostamente devidas pelo exportador, na acepção utilizada no art. 8º, §1º, alínea a, inciso I do AVA, sendo incabível, assim, o ajuste do valor aduaneiro pretendido pelo Fisco. Invocam as Decisões COSIT nºs 14 e 15, de 1997; (e) sustentam ter a decisão de primeira instância inovado a fundamentação legal do lançamento, por não constar no enquadramento legal do auto de infração o art. 8º, §1º, alíneas c ou d do AVA, sendo que a Fiscalização não cogitou sobre a existência de pagamento de direitos de exploração (royalties) ou direitos de licença como condição de venda, mas sim pretendeu efetuar o ajuste considerando os valores recebidos pela MMCB como "comissões e corretagens", com base no art. 8º, §1º, alínea a, inciso I do AVA; (f) afirmam que as importâncias relativas à autorização pelo uso da marca, reembolso de despesa de propaganda, assistência técnica e garantia não são cobradas aos concessionários pela COIMEX. São valores entregues por eles diretamente à MMCB, não transitando pela COIMEX. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Fl. 1510DF CARF MF Processo nº 12466.001011/9823 Acórdão n.º 9303004.710 CSRFT3 Fl. 1.510 8 Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende os pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ser conhecido. Impende esclarecerse que, embora tenha havido a interposição de embargos de declaração em face do acórdão paradigma nº 930301.065, o mesmo não foi reformado, conforme decisão prolatada em 12/04/2012 no sentido de acolher os embargos de declaração para sanar a omissão e o erro material apontados, sem efeitos modificativos. Portanto, prestase a decisão à comprovação da divergência jurisprudencial. Mérito No mérito, centrase a controvérsia na possibilidade de ajuste do valor aduaneiro, mediante a inclusão das remunerações pagas pelos concessionários à detentora do uso da marca no País, a título de licença do uso da marca, com base no art. 8º, §1º, alíneas c e d, do Acordo de Valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto nº 92.930, de 16/07/1986. O valor aduaneiro é aquele atribuído ao produto para efeitos de tributação sobre a importação, constituindose na base de cálculo do imposto de importação (II) e do imposto sobre produto industrializado vinculado à importação (IPI vinculado). O mesmo é aferido na forma definida no art. VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT e no Acordo para Implementação do art. VII do GATT, denominado de Acordo de Valoração Aduaneira, regulamentado pelo Decreto nº 2.498/98, vigente à época dos fatos geradores, posteriormente revogado pelo Decreto nº 4.543/2002, por sua vez revogado pelo Decreto nº 6.759/2009. O Acordo de Valoração Aduaneira, tratado multilateral que busca estabelecer regras para o comércio internacional não predatório entre os países participantes, foi promulgado no Brasil pelo Decreto nº 92.930/86, e assim dispõe em seus artigos 1º e 8º: ARTIGO 1º 1. O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do artigo 8º, desde que: a) não haja restrições à cessão ou à utilização das mercadorias pelo comprador, ressalvadas as que: i) sejam impostas ou exigidas por lei ou pela administração pública do país de importação; Fl. 1511DF CARF MF Processo nº 12466.001011/9823 Acórdão n.º 9303004.710 CSRFT3 Fl. 1.511 9 ii) limitem a área geográfica na qual as mercadorias podem ser revendidas; ou iii) não afetem substancialmente o valor das mercadorias; b) a venda ou o preço não estejam sujeitos a alguma condição ou contraprestação para a qual não se possa determinar um valor em relação às mercadorias objeto de valoração; c) nenhuma parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subsequente das mercadorias pelo comprador beneficie direta ou indiretamente o vendedor, a menos que um ajuste adequado possa ser feito, de conformidade com as disposições do artigo 8º, e d) não haja vinculação entre o comprador e o vendedor ou, se houver, que o valor da transação seja aceitável para fins aduaneiros, conforme as disposições do parágrafo 2 deste artigo. 2. a) Ao se determinar se o valor de transação é aceitável para os fins do parágrafo 1, o fato de haver vinculação entre comprador e vendedor, nos termos do artigo 15, não constituirá, por si só, motivo suficiente para se considerar o valor de transação inaceitável. Neste caso, as circunstâncias da venda serão examinadas e o valor de transação será aceito, desde que a vinculação não tenha influenciado o preço. Se a administração aduaneira, com base em informações prestadas pelo importador, ou obtidas por outros meios, tiver motivos para considerar que a vinculação influenciou o preço, deverá comunicar tais motivos ao importador, a quem dará oportunidade razoável para contestar. Havendo solicitação do importador, os motivos lhe serão comunicados por escrito. b) No caso de venda entre pessoas vinculadas, o valor de transação será aceito e as mercadorias serão valoradas segundo as disposições do parágrafo 1, sempre que o importador demonstrar que tal valor se aproxima muito de um dos seguintes, vigentes no mesmo tempo ou aproximadamente no mesmo tempo: i) o valor da transação em vendas a compradores não vinculados, de mercadorias idênticas ou similares destinadas a exportação para o mesmo país de importação; ii) o valor aduaneiro de mercadorias idênticas ou similares, tal como determinado com base nas disposições do artigo 5º; iii) o valor aduaneiro de mercadorias idênticas ou similares, tal como determinado com base nas disposições do artigo 6º; iv) o valor de transação, em vendas a compradores não vinculados, para exportação para o mesmo país de importação, de mercadorias idênticas às mercadorias importadas, exceto pelo fato de terem um país de produção diferente, desde que os vendedores, nas duas transações comparadas, não sejam vinculados. Na aplicação dos critérios anteriores, deverão ser levadas na devida conta as diferenças comprovadas nos níveis comerciais e nas quantidades, os elementos enumerados no artigo 8º e os custos suportados pelo vendedor, em Fl. 1512DF CARF MF Processo nº 12466.001011/9823 Acórdão n.º 9303004.710 CSRFT3 Fl. 1.512 10 vendas nas quais ele e o comprador não sejam vinculados, e que não são suportados pelo vendedor em vendas nas quais ele e o comprador sejam vinculados. c) Os critérios estabelecidos no parágrafo 2 (b) devem ser utilizados por iniciativa do importador e exclusivamente para fins de comparação. Valores substitutivos não poderão ser estabelecidos com base nas disposições do parágrafo 2 (b). [...] ARTIGO 8º 1. Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do artigo 1º, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: a) os seguintes elementos, na medida em que sejam suportados pelo comprador mas não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias; i) comissões e corretagens, excetuadas as comissões de compra; ii) o custo de embalagens e recipientes considerados, para fins aduaneiros, como formando um todo com as mercadorias em questão; iii) o custo de embalar, compreendendo os gastos com mãodeobra e com materiais; b) o valor, devidamente apropriado, dos seguintes bens e serviços, desde que fornecidos direta ou indiretamente pelo comprador, gratuitamente ou a preços reduzidos, para serem utilizados na produção e na venda para exportação das mercadorias importadas, e na medida em que tal valor não tiver sido incluído no preço efetivamente pago ou a pagar; i) materiais, componentes, partes e elementos semelhantes, incorporados às mercadorias importadas; ii) ferramentas, matrizes, moldes e elementos semelhantes, empregados na produção das mercadorias importadas; iii) materiais consumidos na produção das mercadorias importadas; iv) projetos de engenharia, pesquisa e desenvolvimento, trabalhos de arte e de "design" , e planos e esboços, necessários à produção das mercadorias importadas e realizados fora do país de importação; c) "royalties" e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias, na medida em que tais "royalties" e direitos de licença não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar; Fl. 1513DF CARF MF Processo nº 12466.001011/9823 Acórdão n.º 9303004.710 CSRFT3 Fl. 1.513 11 d) o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subsequente das mercadorias importadas, que reverta direta ou indiretamente ao vendedor. Em procedimento de revisão aduaneira, nos termos dos artigos 455 e 456 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, realizada nas declarações de importação da empresa COIMEX relativas à internação de veículos da marca "MITSUBISHI" para transporte de passageiros, apontou a Fiscalização ter sido declarado a menor o valor aduaneiro das mercadorias, razão pela qual foi lavrado o auto de infração. Portanto, tratase de litígio relativo à valoração aduaneira dos veículos automotores importados pela COIMEX, exportados pela Mitsubishi Motors Coporation (MMC do Japão), fabricante sediado no Japão, o qual mantém com a MMC Automotores do Brasil Ltda. contrato para distribuição e comercialização da marca Mitsubishi no território nacional. A relação entre as empresas MMC Automotores do Brasil Ltda., Companhia Importadora e Exportadora COIMEX e Mitsubishi Motors Corporation (MMC do Japão), dá se da seguinte forma bem sintetizada nas contrarrazões ao recurso especial: a) a MMCB é a distribuidora dos produtos da MMC e MC no Brasil, sem exclusividade, podendo importálos, formar rede de concessionários autorizados à venda dos produtos, fazer uso da marca e permitir aos concessionários a utilização da mesma, promover a propaganda e divulgação da marca e autorizar terceiros a importar os produtos; b) por meio de "Instrumento Particular de Contrato de Fornecimento, Uso de Marca, Prestação de Serviços de Assistência Técnica e Outras Avenças), a MMCB constitui concessionários e assume a obrigação de fornecimento de produtos, diretamente ou através de terceiros, pelos preços acordados; autoriza o concessionário a utilizar a marca; comprometese com o treinamento dos empregados do concessionário, habilitandoos a prestar assistência técnica aos adquirentes finais dos produtos; c) a MMCB e os concessionários acordam os serviços que a primeira irá prestar aos segundos, através de Contrato de Prestação de Serviços: "preparação e promoção de campanhas publicitárias visando a divulgação e colocação dos produtos Mitsubishi no mercado interno; autorização ao concessionário para uso da marca para fins de comercialização dos produtos; serviços de assistência técnica, mediante treinamento de pessoal do concessionário. Estabelecem também os preços dos aludidos serviços e que a importação dos produtos será cometida à COIMEX, com a interveniência da MMCB, na forma definida nos "contratos de compra e venda por encomenda". d) COIMEX, concessionário e MMCB celebram "Contrato de Compra e Venda por Encomenda", figurando a última como Interveniente. No pacto, determinam que as importações serão realizadas pela COIMEX, Fl. 1514DF CARF MF Processo nº 12466.001011/9823 Acórdão n.º 9303004.710 CSRFT3 Fl. 1.514 12 atendose esta aos produtos discriminados pelos concessionários e aos preços acordados, convencionandose ainda que a MMCB providenciará a indicação da COIMEX como consignatária, nas faturas próforma, e repassará para a COIMEX as cartas de crédito relativas às importações, indicandoa como consignatária, nos referidos efeitos. A MMC Automotores do Brasil Ltda. detém o direito de uso da marca Mitsubishi no Brasil, sem exclusividade, tendo referido contrato de distribuição, sendolhe atribuída a responsabilidade pela divulgação dos produtos da marca, razão pela qual cria e mantém rede de concessionários, sendo remunerada pelos serviços de garantia, treinamento, assistência técnica, etc. Portanto, a remuneração recebida pela MMCB não se caracteriza como "comissões de venda", por se tratar de contrapartida pela prestação de serviços aos concessionários no Brasil, e não ao exportador, e pela cessão do uso da marca. Nos termos da Nota Explicativa 2.1, do AVA, itens 2, 4, 5 e 7, os serviços prestados pela MMCB e a cessão do uso da marca não se confundem com os serviços de agenciamento de vendas ou de compras. As quantias pagas ao distribuidor pelos concessionários, que não são importadores, no caso em exame, não são comissões. Por isso, a MMCB não é uma agente de vendas da MMC do Japão, mas sim sua distribuidora, conforme consta das cláusulas 2 e 3 do Contrato de Distribuição: CONTRATO DE DISTRIBUIÇÃO Este Contrato, feito e celebrado aos 15 dias de março de 1993, entre a MITSUBISHI MOTORS CORPORATION, uma companhia organizada e existente sob as leis do Japão, com sede em 338, Shiba 5chome, Minatoku, Tóquio, Japão (aqui de agora em diante referida como "MMC"), e a BRABUS AUTOSPORT LTDA., uma companhia (sociedade de propriedade única) organizada e existente de acordo com as leis da República Federativa do Brasil, com sede na Rua Funchal 651 B, CEP 04558060, São Paulo, Brasil (aqui de agora em diante referida como DISTRIBUIDOR). [...] Artigo 2. DESIGNAÇÃO 1. Sujeito aos termos e condições deste Contrato, a MMC designa por este instrumento o DISTRIBUIDOR como importador e distribuidor dos Produtos no Território, em uma base não exclusiva, pelo prazo especificado no Artigo 22 deste Contrato, e o DISTRIBUIDOR por este instrumento aceita tal designação. 2. A participação da MMC neste Contrato está condicionada à participação pessoal ativa, substancial e contínua na administração da organização do DISTRIBUIDOR das pessoas listadas abaixo e sua participação, se houver, na porcentagem especificada no capital do DISTRIBUIDOR ou outros interesses societários, conforme o caso: [...] Fl. 1515DF CARF MF Processo nº 12466.001011/9823 Acórdão n.º 9303004.710 CSRFT3 Fl. 1.515 13 3. A MMC pode celebrar um contrato com MITSUBISHI CORPORATION, uma companhia organizada e existente sob as leis do Japão, com sede em 63 Marunouchi 2chome, Chiyodaku, Tóquio (aqui de agora em diante referida como MC) e pode fornecer a totalidade ou parte dos Produtos sendo vendidos de acordo com este através da MC atuando como exportadores. No caso da MMC fornecer qualquer Produtos através da MC, a MMC pode delegar à MC qualquer ou todos seus direitos ou obrigações contidos neste Contrato. 4. Em adição a qualquer e todos os outros direitos reservados à MMC de acordo com este (incluindo, mas não limitandose a, aqueles direitos reservados provenientes em virtude da natureza não exclusiva da designação pela MMC, de acordo com este, do DISTRIBUIDOR como importador e distribuidor dos Produtos no Território), a MMC se reserva o direito de vender os Produtos diretamente ou através de qualquer companhia trading ou qualquer outra entidade designada pela MMC para qualquer governo nacional, estadual ou municipal, agência ou autoridade do Território ou do Japão, a qualquer organização internacional localizada no Território, a qualquer companhia considerada geralmente como sendo uma parte do Grupo Mitsubishi, a qualquer empregado de qualquer tal governo, agência, autoridade, organização internacional ou companhia, a qualquer entidade cuja compra está sendo financiada na totalidade ou em parte por qualquer entidade para uso em conexão com a construção de uma fábrica ou projeto e/ou a qualquer usuário final. Artigo 3. RELACIONAMENTO ENTRE AS PARTES Todos os Produtos fornecidos ao DISTRIBUIDOR de acordo com este, serão comprados pelo DISTRIBUIDOR por sua própria conta e risco e revendidos apenas de acordo com os termos e condições deste Contrato. Fica entendido que o relacionamento entre a MMC e o DISTRIBUIDOR não será aquele de principal e agente, mas sim o de vendedor e comprador, e o DISTRIBUIDOR não estará autorizado a atuar como agente da MMC de qualquer maneira que seja e não deverá concluir qualquer contrato ou acordo em nome da MMC, fazer qualquer declaração ou garantia vinculando a MMC ou agir de outro modo em nome de e/ou em representação da MMC. (grifouse) Depreendese das disposições contratuais, portanto, não se enquadrarem os valores recebidos pela MMCB como sendo "comissões de venda", sendo incabível o ajuste do valor aduaneiro com base no art. 8º, 1, "a", "i" do Acordo de Valoração Aduaneira. Aliás, consta expressamente no artigo 3º do Contrato de Distribuição não estar a MMCB (distribuidora) autorizada a atuar como agente da MMC, não se podendo considerála, portanto, como um agente de vendas, mas tão somente como distribuidora. A remuneração da MMCB decorre dos serviços prestados, no Brasil, aos concessionários e pela cessão do uso da marca, não se confundindo com os serviços de agenciamento de vendas ou de compras, nos termos da Nota Interpretativa 2.1, do AVA, itens 2, 4, 5 e 7 (IN SRF nº 17/1998). Nessa linha relacional, a Administração Tributária, por meio das Decisões Cosit nºs 14 e 15, de 1997, manifestou entendimento no sentido de que os valores pagos pelas Fl. 1516DF CARF MF Processo nº 12466.001011/9823 Acórdão n.º 9303004.710 CSRFT3 Fl. 1.516 14 concessionárias às detentoras do uso da marca, a título de prestação de serviços e de cessão do uso da marca, não integram o valor aduaneiro da mercadoria para fins de cálculo do II e do IPI, in verbis: Decisão Cosit nº 14, de 15/12/1997 Assunto: Imposto de Importação II. Ementa: VALORAÇÃO ADUANEIRA Os valores pagos pelas Concessionárias às Detentoras do Uso da Marca no Pais, pelos serviços, efetivamente contratados e prestados no Brasil, não constituirão acréscimos ao valor aduaneiro da mercadoria, para cálculo do Imposto de Importação. As comissões pagas pelas Importadoras às Detentoras do Uso da Marca no País, pelo agenciamento de compras de veículos, no exterior, não serão acrescidas ao valor de transação, para fins de cálculo do Imposto de Importação, se comprovado que esses valores foram pagos diretamente pelo importador ao agente de compra. Se as comissões forem assumidas pelo exportador, serão, obrigatoriamente, acrescidas ao preço efetivamente pago ou a pagar pelos veículos, para fins de apuração do valor aduaneiro, independentemente de o exportador retribuir, diretamente, os serviços do intermediário, ou, no momento da venda, contratar junto ao importador que este assumirá, além do preço faturado, a comissão a ser paga ao intermediário. [...] (grifouse) Decisão Cosit nº 15, de 15/12/1997 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Ementa: BASE DE CÁLCULO DO IPI NA IMPORTAÇÃO. Os valores pagos pelas Concessionárias às Detentoras do Uso da Marca no País, em retribuição aos serviços de pesquisa mercadológica, treinamento de pessoal, divulgação, sustentação e representação da marca no País, não integram a base de cálculo do IPI incidente nas importações de veículos, realizadas pela Importadora, ainda que as Detentoras do Uso da Marca no País tenham atuado como Agente de Compra das Importadoras. Os valores pagos pelas Importadoras às Detentoras do Uso da Marca no País integrarão a base de cálculo do IPI incidente na importação, sempre que esses valores forem acrescidos ao valor de transação da mercadoria, para fins de cálculo do Imposto de Importação. [...] (grifouse) Fl. 1517DF CARF MF Processo nº 12466.001011/9823 Acórdão n.º 9303004.710 CSRFT3 Fl. 1.517 15 Portanto, a parcela devida à MMCB pelas concessionárias, objeto da presente autuação, decorre da efetiva prestação de serviços, depois que o contrato de compra e venda já se consumou, conforme reconhecido pela própria Fiscalização. Não há relação dos valores pagos à MMCB com a operação de importação contratada entre a Coimex e as concessionárias. Com relação ao enquadramento dado pela decisão de primeira instância aos valores pagos pelos concessionários à MMCB, no art. 8º, item 1, alíneas "c" ou "d", inovando os fundamentos trazidos no auto de infração, também não há como prosperar. Isso porque nos contratos celebrados entre as empresas não há cláusula estipulando, como condição de venda das mercadorias importadas, o pagamento à MMC de qualquer importância a título de "royalties" ou direitos de licença relacionados com as mercadorias. Ainda, na expressão "condição de venda" o significado de "venda" é o de exportação para o país de importação, nos termos do item 2 da Nota Interpretativa ao parágrafo 1, "c", do artigo 8º, do AVA: Nota ao artigo 8º [...] Parágrafo 1 (c) 1. Os royalties e direitos de licença referidos no artigo 8.1 (c) poderão incluir, entre outros, pagamentos relativos a patentes, marcas registradas e direitos de autor. No entanto, na determinação do valor aduaneiro, os ônus relativos ao direito de reproduzir as mercadorias importadas no país de importação não serão acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar por elas. 2. Os pagamentos efetuados pelo comprador pelo direito de distribuir ou revender as mercadorias importadas não serão acrescidos ao preço efetivamente pago ou a pagar por elas, caso não sejam tais pagamentos uma condição da venda, para exportação para o país de importação, das mercadorias importadas. (grifouse) De outro lado, as verbas objeto da autuação não podem ser caracterizadas como "parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subsequente das mercadorias, que reverta direta ou indiretamente ao vendedor", como definido no art. 8º, parágrafo 1º, item "d", do AVA. Conforme esta cláusula do Acordo, o montante a ser adicionado ao valor aduaneiro deve reverter ao vendedor, e por vendedor, digase, exportador. Nesse sentido é o entendimento da própria Administração Tributária, conforme disposto no art. 10 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 327/03, que estabelece normas e procedimentos para a declaração e o controle do valor aduaneiro de mercadoria importada, in verbis: Fl. 1518DF CARF MF Processo nº 12466.001011/9823 Acórdão n.º 9303004.710 CSRFT3 Fl. 1.518 16 Art. 10. O preço efetivamente pago ou a pagar compreende todos os pagamentos efetuados ou a efetuar, como condição de venda das mercadorias objeto de valoração, pelo comprador ao vendedor, ou pelo comprador a terceiro, para satisfazer uma obrigação do vendedor, assim considerados: I comprador, a pessoa que adquire a mercadoria e se compromete a pagar ao vendedor o preço negociado, mesmo que se utilize de terceiro, nos casos admitidos pela legislação de regência, para honrar essa obrigação ou promover o despacho aduaneiro de importação; II vendedor, a pessoa que, em decorrência da transação comercial, transfere ao comprador a propriedade da mercadoria que lhe pertence e se compromete a entregála conforme termos e condições acordados, mesmo que se utilize de terceiro, nos casos admitidos pela legislação de regência, para honrar essa obrigação ou promover o despacho aduaneiro de exportação. Os valores questionados na presente autuação não decorrem da revenda efetuada pelos concessionários e não há parcela do resultado da revenda, direta ou indiretamente, repassada ao exportador. As quantias são pagas à MMCB pelos serviços prestados e pela cessão do uso da marca, independentemente de qualquer revenda efetuada pelos concessionários. Além disso, não há prova nos autos de que o preço de revenda praticado pela COIMEX não seja o efetivamente devido, até porque este não foi questionado expressamente pela Fiscalização, bem como impossível afirmar serem os valores constantes das notas fiscais da MMCB decorrentes de parcela do preço de revenda. A importadora COIMEX revendeu os veículos para os concessionários e recebeu o preço estabelecido nos contratos, não tendo transitado por ela quaisquer valores relativos à autorização do uso da marca, prestação de serviços de assistência técnica e reembolso de despesas de propaganda, os quais são pagos diretamente à MMCB pelos concessionários. A tese da defesa vem confirmada pelos documentos que instruem os autos, pois não há notas fiscais juntadas da COIMEX e nas notas fiscais da MMCB consta a expressão "remuneração pela autorização, pelo uso da marca Mitsubishi Motors, pela divulgação da marca e prestação de serviço, assistência técnica através do treinamento do pessoal". (fls. 1.275 a 1.282) Consignese, ainda, que as parcelas recebidas pela MMCB não constituem resultado de revenda ou utilização posterior de mercadorias importadas e também não reverteram direta ou indiretamente ao exportador, nem mesmo a título de valorização da marca, inexistindo justificativa para o ajuste do valor aduaneiro. Nesse ponto, pertinente transcreverse parte dos fundamentos expendidos no acórdão nº 930300.208, proferido por esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em processo envolvendo as mesmas partes, in verbis: [...] Fl. 1519DF CARF MF Processo nº 12466.001011/9823 Acórdão n.º 9303004.710 CSRFT3 Fl. 1.519 17 Essa comissão, citada em notas fiscais fatura de serviços, que pode ser qualquer coisa pois não consta nas notas fiscais acostadas ao processo comissão de que, (aparecem como comissão sobre importação mas não há operação de importação vinculada à nota fiscal) segundo rege o AVA, não são agregadas ao valor aduaneiro quando paga por importadores às detentoras do uso da marca no país. É essa a interpretação dada pela COSIT em 1997, com a qual concordo. Ora, se são valores que robustecem a marca, ou se são valores de fato ligados a prestação de garantias de manutenção dos serviços com o padrão de qualidade requerido pela marca, ou se são meros repasses indiretos para o grupo no Brasil, tais valores jamais influenciariam no preço do produto no curto prazo. Na realidade a valorização da marca por qualquer razão leva ao aumento dos lucros, tanto pelo aumento do mercado, como pela possibilidade de aumento futuro no preço da mercadoria. Meros repasses indiretos ao grupo deveriam ser tratados ou na esfera dos preços de transferência imposto de renda. [...] Diante dessas considerações, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1520DF CARF MF
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Numero do processo: 10940.901115/2012-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição/compensação deve ser mantido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.420
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente PARIZOTTO & CIA. LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição/compensação deve ser mantido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de contribuição social (PIS/Cofins), sendo que a DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 11 15 /2 01 2- 07 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10940.901115/201207 Acórdão n.º 3302004.420 S3C3T2 Fl. 3 2 pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando, em síntese: "Inicialmente, contextualiza a existência de seu direito creditório nos seguintes termos: 01. DOS FATOS ... A contribuinte é tributada pelo imposto de renda com base no lucro presumido. Por isso, permanece sujeita à sistemática cumulativa de tributação do PIS e da COFINS estabelecida na Lei n° 9.718/1998, mesmo com entrada em vigor, respectivamente, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que introduziram modificações na legislação das referidas contribuições (sistemática nãocumulativa). A Recorrente é uma sociedade empresária limitada, cujo objeto social se resume no comércio de gêneros alimentícios naturais e industrializados, artigos de vestuário, utilidades domésticas e eletrodomésticas, bebidas, refrigerantes, produtos de limpeza, higiene pessoal, carnes e derivados, conforme comprova a inclusa cópia do seu contrato social (Doc. 02). Dentre os produtos comercializados em seu estabelecimento, há alguns que estão sujeitos a incidência do PIS/COFINS à alíquota zero, como por exemplo: a) Farinha de trigo: Lei n° 10.925/2004, art. I o , XIV; b) Leite fluido pasteurizado ou industrializado: Lei n° 10.925/2004, art. I, XI; c) Feijão comum, arroz e farinhas, sêmolas e pós de sagu ou das raízes ou tubérculos: Lei n° 10.925/2004, art. I, V; d) Farinha, grumos e sêmolas, grãos esmagados ou em flocos, de milho: Lei n° 10.925/2004, art. 1º, IX; e) Produtos hortícolas, frutas e ovos: Lei n° 10.865/2004, art. 8° , § 12, X e art. 28, III; f) Gás natural liqüefeito: Lei n° 10.865/2004, art. 8º , § 12, IX e XVI; g) Água, refrigerante, cerveja sem álcool e cerveja de malte: Lei n° 10.833/2003, art. 50, I; h) Produtos farmacêuticos e produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal: Lei n° 10.147/2000, Art. 2°. A Contribuinte tributou indevidamente PIS e COFINS nas saídas dos produtos acima listados, majorando a base de incidência das contribuições e aumentando o valor a ser recolhido mensalmente. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10940.901115/201207 Acórdão n.º 3302004.420 S3C3T2 Fl. 4 3 Alega ter retificado as informações prestadas em Dacon e DCTF anteriormente à formalização do pedido de restituição e implementação da compensação. Cita legislação que ampara seu direito de restituição e compensação. Cita ainda jurisprudência administrativa que vêm entendendo ser necessária a reforma da decisão para desconsiderar a alocação de valores maiores do que os efetivamente utilizados. Prossegue: Ficou evidente que a Contribuinte efetuou pagamento a maior e detém o crédito solicitado. Ao que tudo indica, ocorreu apenas equívoco no momento do processamento das informações na Receita Federal. Por certo, a DCTF e a DACON retificadoras não foram processadas juntamente com a PER/DCOMP, apontando assim divergências, que motivaram o Despacho Decisório expedido eletronicamente, indeferindo a pretensão da Contribuinte. Todas as informações prestadas pelo contribuinte devem ser analisadas e processadas pelo Fisco antes de se efetuar o lançamento de eventuais débitos. No caso vertente, é imperativo que a autoridade administrativa de primeira instância analise previamente o direito creditório declarado para só depois proferir decisão, propiciando adequado contraditório. A própria Receita Federal reconhece que pode ser exigida a apresentação de elementos que comprovem o direito creditório do contribuinte, em normas expedidas pelo órgão, como é o caso da Instrução Normativa n° 900/2008, pelo seu art. 65, vejamos: ... Diante dos fatos acima expostos, percebese que a Recorrente faz juz ao crédito decorrente de pagamento a maior de COFINS [...] Para demonstrar o seu direito, junta em anexo (Doc. 11) os demonstrativos dos produtos excluídos da base de cálculo de incidência da COFINS [...], em face da tributação à alíquota zero. Desta forma, requer a Contribuinte que o Despacho Decisório [...] seja cancelado, por ter suprimido a análise em primeira instância do direito creditório declarado. Requer também que, a declaração de compensação [...] seja homologada, tendo em vista que a Recorrente é detentora do crédito utilizado para amparála. Requer ainda que, o crédito declarado e compensado seja analisado com base nos documentos probatórios juntados a presente manifestação de inconformidade. Caso a Delegacia de Julgamento entenda não serem suficientes para efetuar a análise, que o processo seja baixado em diligência à origem, na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa PR, para que a Contribuinte seja intimada a apresentar novos documentos que se façam necessários, de acordo com o art. 65 da IN 900/2008. Requer, por fim, que quaisquer intimações relativos a atos e termos do presente processo recaiam na pessoa do subscritor da presente Manifestação de Inconformidade, mandatário da Contribuinte, devidamente habilitado nos autos, pessoalmente, ou pela via postal, no endereço constante do mandato, a fim de que não haja prejuízo para a Contribuinte. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10940.901115/201207 Acórdão n.º 3302004.420 S3C3T2 Fl. 5 4 A DRJ julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, por entender que o contribuinte não comprovou documentalmente a origem dos créditos que alegou possuir, nos termos do Acórdão 14 052.233. Intimada de decisão piso, a Recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando, em síntese: (i) nulidade da decisão recorrida, por alteração do critério jurídico; e (ii) a falta de retificação de outras declarações não são hábeis a fazer com que o crédito deixe de existir. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.411, de 29 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10940.901106/201216, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.411): "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 01.09.2014 (fls.127) e protocolou Recurso Voluntário em 16.09.2014 (fls. 131141), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Nulidade da decisão recorrido mudança de critério jurídico Segundo a Recorrente houve mudança de critério jurídico por parte da Turma Julgadora "a quo", na medida em que Despacho Decisório não homologou as compensações apresentadas pela Recorrente pelo fato de que todos os DARF’s haviam sido integralmente utilizados para extinguir débitos (não havia saldo “em aberto”), ao passo que a decisão recorrida motivou a glosa pelo fato de não haver apoio legal (produtos que são tributados) e nem documental (ausência de apresentação de documentos). Sobre mudança de critério jurídico, vale transcrever os ensinamentos do i. professor Hugo Brito de Machado Machado que, com a clarividência que lhe é peculiar expõe seu entendimento sobre o tema: 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10940.901115/201207 Acórdão n.º 3302004.420 S3C3T2 Fl. 6 5 Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas em lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado (Hugo de Brito Machado, Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p 123) No presente caso, entendo que não houve mudança de critério jurídico, na medida em que tanto a autoridade julgadora quanto a fiscalização analisaram a origem do crédito com base nos fatos e fundamentos apresentados pela Recorrente. Com efeito, a fiscalização indeferiu o pedido formulado pela Recorrente baseada nos dados informados na DCTF e DACON originariamente apresentadas, sendo que, naquela oportunidade foi constatada a ausência de saldo em aberto. Tanto é que própria Recorrente, após ser cientificada do despacho decisório e reconhecer o equivoco cometido, procedeu a retificação de suas declarações e pleiteou o reconhecimento do crédito em sede de manifestação de inconformidade. Nesse contexto, coube à autoridade julgador analisar o direito da Recorrente com base nos novos fatos e fundamentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, justificando, assim, a alteração dos fundamentos para manter o indeferimento do pedido de compensação, sem que isso acarrete em mudança de critério jurídico. Assim, afasto a preliminar de nulidade suscita pela Recorrente. III Mérito Neste ponto, sustenta a Recorrente (i) que com a retificação das declarações restaram sanados os motivos da glosa fiscal, com o que só por esta razão devem ser homologadas as declarações de compensação; (ii) que o direito à compensação decorre da existência do crédito e de sua titularidade e não do preenchimento do pedido pelo qual se requer a compensação ou pela retificação de outras declarações; (iii) que a retificação de declarações da empresa não é condição para homologação ou não das compensações, pois o direito creditório da Recorrente existe; e (iv) que autoridade julgadora deve sempre e obrigatoriamente verificar aquilo que é realmente verdadeiro para desvelar o direito da Recorrente, devendo proferir decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, isso em atenção ao princípio da verdade real. Inicialmente, é imperioso destacar que a decisão recorrida não desconsiderou as retificações realizados pela Recorrente para manter o indeferimento do pedido de compensação, sendo que o fundamento utilizado pela fiscalização foi apenas a ausência de comprovação documental da origem do crédito. Sobre isso, destaco trecho da decisão de piso: Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10940.901115/201207 Acórdão n.º 3302004.420 S3C3T2 Fl. 7 6 Oportuno ainda esclarecer que a simples retificação dessas declarações não é hábil à comprovação do crédito pretendido, devendo estar acompanhada dos documentos fiscais e contábeis pertinentes. Assim, a questão envolvendo a retificação da DCTF, não foi o fundamento utilizado pela autoridade julgadora para afastar o direito ao crédito, sendo que ela própria (autoridade julgadora), admitiu que tal procedimento pode ser superado com a apresentação de provas capazes de comprovar a existência de erro na apuração contábil/fiscal e consequentemente do pagamento indevido ou a maior alegado pelo contribuinte. No presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais à comprovar suas alegações e demonstrar a origem do crédito apresentado no PER/DCOMP nº 21879.54431.120609.1.3.042690, alegando, pura e simplesmente que o citado pedido referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão de ter considerado equivocadamente na base de cálculo das contribuições receitas sujeitas à alíquota zero. Com efeito, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10940.901115/201207 Acórdão n.º 3302004.420 S3C3T2 Fl. 8 7 serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20114. IV Conclusão Diante do exposto, considerando que a Recorrente não comprovou a origem do crédito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente e a Recorrente não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 174DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.005085/2002-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE.
Não geram direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, a aquisição de insumos utilizados na exportação de produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS ADQUIRIDOS E REVENDIDOS SEM SOFRER PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não geram direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, a aquisição de produtos que são exportados sem sofrer processo de industrialização.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO-TRIBUTADOS (NT). PRODUTOS NÃO INDUSTRIALIZADOS PELO PRODUTOR EXPORTADOR. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. INCLUSÃO. PORTARIA MF 38/97. POSSIBILIDADE.
No cálculo do crédito presumido de IPI, de que tratam a Lei nº 9.363/96 e a Portaria MF nº 38/97, as receitas de exportação de produtos NT e de produtos não industrializados pelo contribuinte, incluem-se na composição tanto da Receita de Exportação-RE, quanto da Receita Operacional Bruta-ROB. Ou seja, incluem-se nos dois lados do coeficiente de exportação, no numerador e no denominador.
Numero da decisão: 9303-005.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial no seguinte sentido: 1) para negar o direito de aproveitamento de crédito presumido de IPI referentes às exportações de produtos notados como NT na TIPI; 2) para negar o direito de aproveitamento de crédito presumido de IPI referentes a exportação de produtos adquiridos e revendidos para exportação sem sofrer qualquer processo de industrialização; 3) para reconhecer que os valores decorrentes das receitas de exportação de produtos NT e de produtos não industrializados pelo contribuinte compõem os dois lados do coeficiente de exportação, ou seja, compõem tanto a "Receita de Exportação - RE" quanto a "Receita Operacional Bruta - ROB", vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral. O Recurso Especial da Fazenda Nacional restou prejudicado uma vez que seu pleito já foi atendido no provimento parcial dado ao contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Recorrentes FAZENDA NACIONAL COCAMAR COOPERATIVA AGRO INDUSTRIAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não geram direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, a aquisição de insumos utilizados na exportação de produtos com notação "NT" na Tabela do IPI TIPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS ADQUIRIDOS E REVENDIDOS SEM SOFRER PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não geram direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, a aquisição de produtos que são exportados sem sofrer processo de industrialização. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NÃOTRIBUTADOS (NT). PRODUTOS NÃO INDUSTRIALIZADOS PELO PRODUTOR EXPORTADOR. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. INCLUSÃO. PORTARIA MF 38/97. POSSIBILIDADE. No cálculo do crédito presumido de IPI, de que tratam a Lei nº 9.363/96 e a Portaria MF nº 38/97, as receitas de exportação de produtos NT e de produtos não industrializados pelo contribuinte, incluemse na composição tanto da Receita de ExportaçãoRE, quanto da Receita Operacional BrutaROB. Ou seja, incluemse nos dois lados do coeficiente de exportação, no numerador e no denominador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 50 85 /2 00 2- 15 Fl. 846DF CARF MF Processo nº 10950.005085/200215 Acórdão n.º 9303005.190 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial no seguinte sentido: 1) para negar o direito de aproveitamento de crédito presumido de IPI referentes às exportações de produtos notados como NT na TIPI; 2) para negar o direito de aproveitamento de crédito presumido de IPI referentes a exportação de produtos adquiridos e revendidos para exportação sem sofrer qualquer processo de industrialização; 3) para reconhecer que os valores decorrentes das receitas de exportação de produtos NT e de produtos não industrializados pelo contribuinte compõem os dois lados do coeficiente de exportação, ou seja, compõem tanto a "Receita de Exportação RE" quanto a "Receita Operacional Bruta ROB", vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral. O Recurso Especial da Fazenda Nacional restou prejudicado uma vez que seu pleito já foi atendido no provimento parcial dado ao contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recursos Especiais interpostos pelo Contribuinte e pela Fazenda Nacional em face da decisão formalizada nos Acórdãos 3801001.740 (de Recurso Voluntário) e 3801004.626 (de Embargos), efls. 700/709 e 723/727, respectivamente. A ementa do Acórdão nº 3801001.740 está assim redigida: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DE VALORES DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO O cálculo da receita operacional bruta, para fins de determinação do crédito presumido deve incluir as receitas, inclusive os comerciais. Insumos adquiridos de Pessoas Físicas e Cooperativas Fl. 847DF CARF MF Processo nº 10950.005085/200215 Acórdão n.º 9303005.190 CSRFT3 Fl. 4 3 Devese permitir o cômputo dos custos com estes insumos, tendo em vista que a Lei nº 9.363/96 não vedou o direito ao crédito do contribuinte quando suas compras são realizadas por meio de cooperativas ou de pessoas físicas. O direito ao crédito regese pelo princípio da legalidade de tal modo que as Instruções Normativas nº 23/97 e 103/97 restringiram indevidamente o direito a tomada de tais créditos, quando da aquisição de insumos de cooperativas e pessoas físicas. Aplicação da Taxa SELIC. É pacífica a utilização da Taxa Selic para a atualização monetária. Recurso Voluntário Provido. Os embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional foram rejeitados, porque entendeuse que não ocorreu a omissão apontada. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de efls. 729/748, suscitando divergência quanto ao cômputo das receitas comerciais em geral, inclusive as de exportação de produtos nãoindustrializados, no cálculo da receita operacional bruta e quanto à correção pela taxa Selic, o qual foi admitido para seguimento à Câmara Superior de Recursos FiscaisCSRF apenas em relação à primeira matéria divergente, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade, efls. 750/754, e Despacho de Reexame de Admissibilidade, e fls. 755/756. O Contribuinte também interpôs Recurso Especial, efls. 775/824, suscitando divergência em relação ao reconhecimento do crédito presumido relativo às receitas de exportação de produtos NT. Conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de folhas 827/829, o Recurso Especial do Contribuinte foi admitido. O Contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentaram contrarrazões: do primeiro, encontramse às efls. 765/774; da segunda, às efls. 831/844. É o relatório. Fl. 848DF CARF MF Processo nº 10950.005085/200215 Acórdão n.º 9303005.190 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator 1. Recurso Especial do Contribuinte 1.1 Conhecimento do recurso. O Contribuinte foi cientificado da decisão recorrida em 21/10/2015, efl. 764, e apresentou seu Recurso Especial em 04/11/2015, efl. 775. Logo, ele é tempestivo. Alguns esclarecimentos se fazem importantes, porque, à primeira vista, parece que a decisão recorrida não teria tratado da matéria objeto do recurso especial e teria dado provimento integral ao recurso voluntário, o que ensejaria o nãoconhecimento do recurso. Na parte dispositiva do acórdão recorrido constou que o recurso voluntário foi provido nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões em relação às aquisições de insumos de pessoas nãocontribuintes do PIS/PASEP e da Cofins e da incidência da taxa Selic. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que mantinham o entendimento da adminsitração fazendária em relação ao conceito de receita operacional bruta operacional bruta a ser considerada no cálculo do crédito presumido. Nos Embargos de Declaração, efl. 715, a Procuradoria da Fazenda Nacional alegou que o acórdão foi omisso ao não tratar da exclusão da base de cálculo do crédito presumido de IPI das receitas decorrentes de vendas para o exterior de produtos não tributados (NT) pelo IPI. No voto condutor do Acórdão de Embargos, depois de relatar que o recurso voluntário trazia a alegação de ser incabível a exclusão dos produtos não tributáveis da base de cálculo do crédito presumido de IPI, consignouse o seguinte, efl. 726: 'Colaciono trechos do acórdão atacado para fins de evidenciar o apontado: Fl. 849DF CARF MF Processo nº 10950.005085/200215 Acórdão n.º 9303005.190 CSRFT3 Fl. 6 5 “Admitindose a restrição do direito de crédito em um caso, devese igualmente entenderse sobre a impossibilidade do surgimento de incidência sobre mesma situação. Entendo, assim, por manter a neutralidade fiscal de modo que ao se retirar de seu valor total a quantia relativa às exportações não industrializados, mas adquiridos apenas para revenda, é de se determinar, por conseqüência, a exclusão de tais vendas também do cômputo da “Receita Operacional Bruta” (...) Entendo, pelo PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reformar o acórdão da DRJ, especialmente para (i) determinar que assim como foram excluídos a “Receita de Exportação” os valores oriundos da revenda de produtos agrícolas (não industrializados), os mesmos valores também sejam excluídos da “Receita Operacional Bruta”, para fins de apuração do percentual a ser utilizado no cálculo do crédito presumido objeto dos autos; (ii) permitir que insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas integrem o cômputo do crédito presumido de IPI, ora em análise, assim como (iii) para permitir que seja atualizado o valor do crédito cujo ressarcimento foi requerido e deferido, por meio da aplicação da Taxa SELIC, desde a data da apresentação do Pedido de Ressarcimento, nos termos acima expostos.' Com a integração do acórdão de recurso voluntário pelo de embargos, concluise que, apesar de ter constado que o recurso voluntário foi provido, ele o foi apenas parcialmente, pois não foi reformada a decisão da primeira instância administrativa que excluiu os produtos não tributáveis pelo IPI da base de cálculo do crédito presumido deste imposto. Tempestivo o recurso, e atendidos os demais pressupostos de admissibilidade, conheçoo; não tendo sido suscitadas questões preliminares nas contrarrazões apresentadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional, passo à apreciação da matéria divergente: inclusão da receita de exportação de produtos NT no cálculo do coeficiente de exportação, para fins de apuração do crédito presumido de IPI. 1.2 Sobre a inclusão dos produtos NT na receita de exportação para efeito de cálculo do crédito presumido do IPI e sua inclusão no cálculo do coeficiente da exportação. O acórdão recorrido entendeu por excluir da receita de exportação, para fins do cálculo do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, os valores decorrentes das exportações de produtos com notação NT na TIPI. Inicialmente, para que não haja dúvidas, sendo minha posição bastante conhecida, entendo que não há permissivo legal para a apropriação de crédito presumido de IPI na aquisição de insumos para exportação de produtos notados na TIPI como NT (não tributados). Mas isso não quer dizer que as receitas de exportação não façam parte do Fl. 850DF CARF MF Processo nº 10950.005085/200215 Acórdão n.º 9303005.190 CSRFT3 Fl. 7 6 coeficiente utilizado para cálculo do crédito presumido (RE/ROB) na vigência da Portaria MF nº 38/97. Preliminarmente é importante ressaltar que entendo que o crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, é um benefício fiscal concedido aos produtores/exportadores de produtos nacionais, e, nessa circunstância impõese a interpretação literal dos dispositivos legais nos termos do art. 111 do CTN. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Na verdade a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Fl. 851DF CARF MF Processo nº 10950.005085/200215 Acórdão n.º 9303005.190 CSRFT3 Fl. 8 7 Analisemos então o que consta da Lei nº 9.363/96 que instituiu o benefício do crédito presumido: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º .... Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nesse momento é importante destacar que a lei determinou o benefício para a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Se quisesse abarcar todos os exportadores, não necessitaria de incluir a palavra produtora. Seria inócuo. E ao incluir a palavra produtora, determinou no parágrafo único do art. 3º que deve ser utilizada a legislação do IPI para a busca da definição do que se entende por produção. Sendo assim, a legislação do IPI não considera estabelecimento industrial, ou produtor, para fins do tributo, aqueles que produzem produtos que estão fora do seu campo de incidência. Veja como o Regulamento do IPI disciplina a matéria. Transcrevese abaixo artigos do RIPI/98 que era o vigente à época dos fatos, mas nada mudou a respeito deste assunto no atual regulamento: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) Fl. 852DF CARF MF Processo nº 10950.005085/200215 Acórdão n.º 9303005.190 CSRFT3 Fl. 9 8 (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Portanto não é possível a apropriação de crédito presumido na aquisição de insumos para exportação de produtos NT. Assim vem decidindo este colegiado. Para um melhor entendimento transcrevo abaixo trecho de um voto do exConselheiro Henrique Pinheiro Torres proferido no Acórdão nº 20216.066: (...) A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei n° 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque os estabelecimentos processadores de produtos NT não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do art. 3º da Lei nº 4.502/1964, considera se estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtoresexportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal beneficio, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à aliquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o Fl. 853DF CARF MF Processo nº 10950.005085/200215 Acórdão n.º 9303005.190 CSRFT3 Fl. 10 9 extinto créditoprêmio de IPI conferido ao industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o beneficio alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do art. 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI. (...) Por conseguinte, os insumos adquiridos para exportação de produtos NT, bem como os produtos adquiridos e exportados sem sofrer processo de industrialização pelo contribuinte não geram crédito presumido de IPI. Porém na vigência da Portaria MF nº 38/97, as receitas decorrentes de exportação de mercadorias nacionais, aí incluídas a exportação de produtos NT e também a exportação de produtos revendidos (não industrializados pelo próprio contribuinte), compõem a Receita de Exportação (RE) e também a Receita Operacional Bruta (ROB). Isto, por disposição da própria Lei nº 9.363/96, que assim dispôs em seu art. 6º, in verbis: Art. 6º O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. Fundamentado em tal dispositivo legal, o Ministério da Fazenda regulamentou o aproveitamento do crédito presumido de IPI na Portaria MF nº 38/97, que assim dispunha a esse respeito: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Fl. 854DF CARF MF Processo nº 10950.005085/200215 Acórdão n.º 9303005.190 CSRFT3 Fl. 11 10 § 1º Para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, a empresa ou o estabelecimento produtor e exportador deverá: I apurar o total, acumulado desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito, das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção; II apurar a relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, acumuladas desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito; III aplicar a relação percentual, referida no inciso anterior, sobre o valor apurado de conformidade com o inciso I; IV multiplicar o valor apurado de conformidade com o inciso anterior por 5,37% (cinco inteiros e trinta e sete centésimos por cento), cujo resultado corresponderá ao total do crédito presumido acumulado desde o início do ano até o mês da apuração; V diminuir, do valor apurado de conformidade com o inciso anterior, o resultado da soma dos seguintes valores de créditos presumidos, relativos ao anocalendário: a) utilizados para compensação com o IPI devido; b) ressarcidos; c) com pedidos de ressarcimento já entregues à Receita Federal. § 2º O crédito presumido, relativo ao mês, será o valor resultante da operação a que se refere o inciso V do parágrafo anterior. (...) § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. (...) Portanto resta evidente que ao adotar a expressão mercadorias nacionais, a norma abarcou tanto a exportação de produtos industrializados quanto os não industrializados. Fl. 855DF CARF MF Processo nº 10950.005085/200215 Acórdão n.º 9303005.190 CSRFT3 Fl. 12 11 Da mesma forma, há que se deixar claro que o conceito adotado pela Portaria MF nº 38/97, no inc. I do § 15, é exatamente o previsto no Regulamento do Imposto de Renda, art. 279 do Decreto nº 3.000/99: Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Neste conceito estão compreendidas todas as receitas auferidas pelo contribuinte, inclusive as decorrentes da exportação de produtos considerados não industrializados ou NT, que devem portanto compor a Receita Operacional Bruta para fins de cálculo do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Concluise então que as receitas de exportação de produtos NT e de produtos não industrializados pelo próprio contribuinte compõem tanto o numerador (RE) quanto o denominador (ROB). Como o acórdão recorrido entendeu que os valores decorrentes da exportação de produtos NT e de produtos revendidos para exportação, não compunham nem a "Receita de Exportação" (numerador) e nem a "Receita Operacional Bruta" (denominador), há que reformálo no sentido de que estes valores compõem os dois lados, conforme bem esclarecido anteriormente. Diante de tudo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso especial interposto pelo contribuinte, para reconhecer que as receitas decorrentes da exportação de produtos NT e de produtos revendidos para exportação compõem tanto a "Receita de Exportação" quanto a "Receita Operacional Bruta". 2. Recurso Especial da Fazenda Nacional 2.1 Conhecimento do recurso. A Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada a tomar ciência do acórdão em 04/12/2014, efl. 728, data em que os autos foram entregues à PGFN, e apresentou o Fl. 856DF CARF MF Processo nº 10950.005085/200215 Acórdão n.º 9303005.190 CSRFT3 Fl. 13 12 Recurso Especial em 18/12/2014, conforme página de autenticação código EP19.0417.12235.OJ4K1. O recurso especial foi apresentado antes do término do prazo de 15 (quinze) dias contados da data da intimação presumida, configurada no prazo de 30 dias da data em que os autos foram entregues à PGFN, logo é tempestivo. Além disso, conforme o Despacho de Exame de Admissibilidade, atendeu aos demais pressupostos de admissibilidade para seguimento a esta Câmara Superior, em relação à matéria admitida: cálculo da receita operacional bruta para fins de apuração do crédito presumido de IPI. Conheço o recurso da Fazenda Nacional em relação a esta matéria, e, tendo em vista que, nas contrarrazões apresentadas pelo Contribuinte, não foram levantadas questões preliminares em relação a esta matéria, passo a apreciála. Contudo, apesar do recurso estar apto ao conhecimento, sua análise fica prejudicada pois o seu pedido já foi atendido na apreciação do recurso especial do contribuinte, no qual foi reconhecido que as receitas decorrentes da exportação de produtos NT e produtos adquiridos e exportados pelo contribuinte, sem sofrer processo de industrialização, compõem a Receita Operacional Bruta. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal 1 Ver https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx. Fl. 857DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.010526/2008-37
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Período de apuração: 01/09/2007 a 30/09/2007
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF.
Aplica se a penalidade disposta no artigo 7° da Lei 10.426/2002, sempre que o cumprimento da obrigação acessória se perfazer fora dos prazos determinados em lei.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração.
Numero da decisão: 1803-001.831
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Meigan Sack Rodrigues
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O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. Aplicase a penalidade disposta no artigo 7° da Lei 10.426/2002, sempre que o cumprimento da obrigação acessória se perfazer fora dos prazos determinados em lei. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 05 26 /2 00 8- 37 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Marcos Antônio Pires e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento Eletrônica de exigência de "Multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF 2007", no valor de R$ 41.514,10, referente ao mês de setembro de 2007. Devidamente notificada do lançamento, a empresa recorrente apresentou impugnação, alegando, em síntese, que o auto de lançamento contém vicio insanável por descumprimento de requisito indispensável previsto no artigo 11 do Decreto n° 70.235/72, notadamente no que diz respeito ao inciso IV deste diploma legal eis que não contém a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, em consequência deve ser declarada a sua nulidade. Ainda, refere que o arbitramento da multa no percentual de 20%, incidente sobre o valor já pago a titulo de encargos tributários da empresa naquele período por descumprimento de obrigação acessória, ignora os princípios da razoabilidade e proporcionalidade que regem a Administração Pública, assumindo caráter confiscatório. Aduz que a pena aplicada decorre de critério de arbitramento previsto em lei, mas eivado de inconstitucionalidade e, por isto, deve ser revisto o lançamento para afastar a sanção aplicada ou, caso assim não seja entendido, que seja, ao menos, compatível com a infração praticada, atribuindoa no patamar mínimo previsto. Cita jurisprudência do então Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça, bem como doutrina. Por fim, requer a empresa recorrente que seja declarada nula a presente notificação de lançamento em face do vício formal apontado e caso superada essa questão que 2 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 a sanção aplicada seja afastada ou reduzida pela inconstitucionalidade da base de cálculo prevista em lei e por atentar contra princípios da proporcionalidade e razoabilidade, norteadores da Administração Pública. Em ato contínuo, requer que em caso de subsistência, que seja arbitrada a sanção em consonância com a relevância cometida, reduzindoa ao valor mínimo previsto de R$500,00. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem de mandar a multa aplicada. Afere o julgador que descabe o postulado da empresa de que estaria nulo o auto de infração por falta de assinatura, vez que segundo determina o artigo 11, do Decreta 70.235/72, em seu parágrafo único, prescinde de assinatura a notificação de lançamento quando emitida por processo eletrônico. Finaliza repisando que notificação, ora em apreço, preenche in totum os requisitos legais preconizados em lei. Já no que diz respeito às alegações da empresa quanto à penalidade aplicada, de que a mesma viola os princípios da razoabilidade e proporcionalidade e tem caráter confiscatório, afere a autoridade julgadora de primeiro grau que está alicerçada em diploma legal válido, eficaz, oponível erga omnes e que, em momento algum foi declarada, pelo órgão de controle repressivo de constitucionalidade, sua inadequação ou afronta à ordem constitucional pátria. Ainda, em apreciação do art. 7° da Lei 10.426/2002, penalidade aplicada na notificação em tela, o julgador a quo conclui que guarda estrita observância com as disposições legais. Assim a respeito da alegação da empresa recorrente de constituise a penalidade aplicada multa confiscatória, o julgador aduz que é dever de todo o contribuinte adimplir com suas obrigações perante o fisco, quer sejam elas de natureza principal ou acessória. Esclarece que possui a empresa recorrente duas obrigações com o fisco: uma obrigação denominada principal, que é a de verter os tributos devidos, outra denominada acessória, distinta da primeira, que decorre da legislação tributária e tem por objeto prestações positivas ou negativas nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos referidos tributos, é o que dispõe o art. 113 do CTN. Nesse caminho, frisa o julgador que o Estado tem o poderdever de estabelecer mecanismos de coação, a fim de proteger os interesses da sociedade, e o faz através da imposição de penalidades inibidoras das ações ilícitas. Preconiza que em matéria tributárias, esta se consubstancia na instituição de multas pecuniárias, visando a evitar ou reparar o dano que lhe é consequente. Assim, a sobre a alegação de inconstitucionalidade dos dispositivos legais que regem a matéria, a discussão está além das possibilidades de juízo deste órgão julgador. No âmbito do procedimento administrativo tributário cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do Fisco está, ou não, conforme a lei, sem emitir juízo de legalidade ou constitucionalidade das normas jurídicas que embasaram aquele ato. Atenta para o fato de que a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao poder Judiciário, sendo inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois não se pode, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar textos legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico, em observância ao art. 142, parágrafo único, do CTN. 3 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Quanto ao pedido de redução da multa ao valor mínimo previsto no § 3° do art. 70 da Lei n° 10.426/2002, assevera o julgador a quo ser inaplicável ao presente caso, posto que os valores mínimos estabelecidos somente serão imputados às infrações cuja multa resulte em valor inferior ao mínimo o que, à evidência, não se amolda à situação verificada. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário, de forma tempestiva, postulando a nulidade do lançamento por falta da presença do agente administrativo quando do lançamento, já que se trata de lançamento eletrônico. Ainda, insurgese a empresa recorrente contra a impossibilidade dos órgãos administrativos de julgamento examinarem matéria constitucional e no mérito repete o já referido na manifestação de inconformidade ao salientar a nulidade da multa por descumprimento de obrigação acessória, quando da inexistência de prejuízo ao erário público. A empresa prossegue aduzindo a necessária proporção entre infração e pena, já que seria proibido o Bis In Iden. E por fim pede o cancelamento da autuação. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase o presente processo de auto de infração para cobrança de multa decorrente da apresentação em atraso da DCTF. A empresa recorrente insurgese alegando ser a multa descabida por ferir preceitos constitucionais, tais como da razoabilidade e proporcionalidade, entre outros. Discussão de Constitucionalidade da Norma Primeiramente há que se atentar para o fato de que discussão referente à constitucionalidade de lei ou mesmo de artigo de lei não é da competência dessa esfera administrativa, posto cumprir ao Poder Judiciário analisar e determinar a constitucionalidade de norma a ser aplicada no sistema jurídico pátrio. Nesse contexto, deixo de abordar as argumentações da empresa recorrente no tocante à constitucionalidade da aplicação da multa pelo atraso na entrega da DCTF, haja vista esta estar preceituada no dispositivo legal elencado 4 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 no auto de infração: art. 7º da Lei n. 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004. Cumpre salientar que este Egrégio Conselho encontrase adstrito à aplicação de suas Súmulas e no presente caso à aplicação da Súmula CARF n°: 02: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).” Discussão sobre a Nulidade do Auto de Infração Alega a empresa recorrente ser nulo o auto de infração por ser o mesmo eletrônico, ou seja, não ter sido emitido por agente da administração tal como preconizado pelas normas pátrias. Ocorre que discordo da arguição de nulidade do auto de infração arguido pela empresa recorrente, porquanto que não vislumbro o desrespeito a nenhum dos disciplinamentos dispostos no artigo 59 do Decreto 70.235/72, norma que dispõe sobre a nulidade do auto de infração, tema ora abordado. Neste contexto, cumpre referir que o auto de infração foi perfeitamente lavrado e encontrase em conformidade com os determinantes legais para a sua formalização, haja vista que a empresa foi legalmente intimada, do contrário não teria apresentado suas razões de defesa em seara de impugnação e também em recurso voluntário. Ainda, o auto de infração encontrase dirigido ao sujeito passivo de direito, legitimamente constituído para recebêlo, consta a data e o local da sua lavratura, está descrito, de forma circunstanciada. O fato imponível do tributo está devidamente cobrado, bem como perfeitamente fundamentado com a capitulação estipulada na norma, na qual se enquadra a imputação legal. Tudo de acordo com o artigo 59 do Decreto 70.232/72, conforme já fora referido. Assim, descabida a argumentação de nulidade do auto pela recorrente sob essa fundamentação, apenas por tratarse de auto de infração eletrônico, há muito já admitido dentro do ordenamento pátrio. Discussão de Mérito Já tocante ao mérito da demanda, qual seja: multa pelo atraso na entrega da DCTF, temos que a autuação está correta, haja vista que a empresa entregou a DCTF com atraso, de forma intempestiva, nove meses após o prazo regulamentar, definido pela legislação e determinado a todos os contribuintes. A norma disciplinada no artigo 7° da Lei n° 10.426/2002, é clara ao dispor: “Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, 5 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3; II de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). (...) Em outras palavras, o sujeito passivo que deixar de apresentar DCTF nos prazos fixados sujeitarseá às multas dispostas na legislação de regência, no caso em tela, a disciplinada no artigo supra citado. Neste caminho, não podemos olvidar de destacar que a entrega da DCTF fora do prazo não está albergada pelo instituto da denuncia espontânea, sendo essa a posição da Súmula Carf nº 49, tal como segue: “Sumula 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. 6 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 De igual modo, importa em citar a jurisprudência pacífica, em ambas as turmas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que a denúncia espontânea não é aplicável às multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, de natureza formal e desvinculadas diretamente do fato gerador da obrigação principal: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido. (REsp 1129202/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/06/2010, DJe 29/06/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. POSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA. SÚMULA 83/STJ. INCIDÊNCIA. 1. Aresto recorrido que se encontra em consonância com a jurisprudência assente do STJ no sentido de que não se mostra desarrazoada a aplicação de multa em razão do atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. Precedentes. 2. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no Ag 985.433/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 13/02/2009) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1 A entrega das declarações de operações imobiliárias fora do prazo previsto em lei constitui infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. Do contrário, estarseia admitindo e incentivando o nãopagamento de tributos no prazo determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o contribuinte faltoso. 2 A entrega extemporânea das referidas declarações é ato puramente formal, sem qualquer vínculo com o fato gerador do 7 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 tributo e, como obrigação acessória autônoma, não é alcançada pelo art. 138 do CTN, estando o contribuinte sujeito ao pagamento da multa moratória devida. 3 Precedentes: AgRg no REsp 669851/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22.02.2005, DJ 21.03.2005; REsp 331.849/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 09.11.2004, DJ 21.03.2005; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; RESP 250.637, Relator Ministro Milton Luiz Pereira, DJ 13/02/02. 4 – Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 884.939/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJe 19/02/2009)” Diante do exposto, voto do sentido de Negar Provimento ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira 8 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 13830.900648/2012-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 48 /2 01 2- 07 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.900648/201207 Acórdão n.º 1302002.179 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.900648/201207 Acórdão n.º 1302002.179 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.900648/201207 Acórdão n.º 1302002.179 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.001424/2003-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Sat Jul 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2002
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
O art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67 não se aplica a tributos instituídos após a sua edição. Art. 177 do CTN. No período examinado não há qualquer previsão legal que dê suporte à isenção do PIS e da Cofins nas vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2002
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
O art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67 não se aplica a tributos instituídos após a sua edição. Art. 177 do CTN. No período examinado não há qualquer previsão legal que dê suporte à isenção do PIS e da Cofins nas vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus.
Numero da decisão: 9303-005.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer De Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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VENDAS PARA ZFM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RALSTON PURINA DO BRASIL LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2002 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. O art. 4º do DecretoLei nº 288/67 não se aplica a tributos instituídos após a sua edição. Art. 177 do CTN. No período examinado não há qualquer previsão legal que dê suporte à isenção do PIS e da Cofins nas vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2002 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. O art. 4º do DecretoLei nº 288/67 não se aplica a tributos instituídos após a sua edição. Art. 177 do CTN. No período examinado não há qualquer previsão legal que dê suporte à isenção do PIS e da Cofins nas vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 14 24 /2 00 3- 12 Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 10840.001424/200312 Acórdão n.º 9303005.186 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer De Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra ao acórdão nº 380302.692, proferido pela 3º Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para homologar a compensação declarada pela Contribuinte referente aos anos calendários de 2001 e 2002, no limite do crédito reconhecido pela autoridade fiscal a título de COFINS. Entendeu o acórdão recorrido que, com a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21/12/2000 (atual MP nº 2.15835/ 2001) em especial a nova redação dada ao seu artigo 14, a COFINS passou a não incidir sobre as receitas de vendas de mercadorias e serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, e que comprovadamente foram internalizadas naquela zona. Reproduzo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Trata o presente de declaração de compensação (fls. 01/03), por meio da qual pretende o contribuinte utilizar créditos decorrentes de pagamento a maior ou indevido de PIS e de COFINS, no valor total de R$ 101.927,98 (R$ 81.591,50 para a COFINS e R$ 20.332,48 a título de PIS) relativos aos fatos geradores de janeiro de 2001 a dezembro de 2002 para extinguir débitos destas mesmas contribuições. O acórdão recorrido, restou assim ementado: Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 10840.001424/200312 Acórdão n.º 9303005.186 CSRFT3 Fl. 4 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2002 COFINS. ISENÇÃO DOS PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. APLICAÇÃO. O art. 4º do DL 288/67 e o art. 40 do ADCT preservaram a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, estendendo às exportações destinadas a estabelecimentos situados naquela região os benefícios fiscais presentes nas exportações ao estrangeiro. Assim, para efeitos fiscais, a exportação de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale a uma exportação de produto brasileiro para o estrangeiro. O art. 7º da Lei Complementar 70/91 autoriza a exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS respectivamente, dos valores referentes às receitas oriundas de exportação de produtos nacionais para o estrangeiro. Sendo as vendas destinadas à Zona Franca de Manaus, equiparadas à exportação para o exterior, há que ser estendida a isenção para esta região. APLICAÇÃO DA ADIN 23489. SUSPENSÃO DOS EFEITOS DO INCISO I, DO § 2º, DO ART. 14 DA MP Nº 2.03724/00. O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADIN nº 23489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", contida no inciso I do § 2º do art. 14 da MP nº 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus. Desta feita, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.03724 que tiveram sua eficácia normativa suspensa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2002 PIS. ISENÇÃO DOS PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. APLICAÇÃO. O art. 4º do DL 288/67 e o art. 40 do ADCT preservaram a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, estendendo às exportações destinadas a estabelecimentos situados naquela região os benefícios fiscais presentes nas exportações ao estrangeiro. Assim, para efeitos fiscais, a exportação de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale a uma exportação de produto brasileiro para o estrangeiro. O art. 7º da Lei Complementar 70/91 autoriza a exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS respectivamente, dos valores referentes às receitas oriundas de exportação de produtos nacionais para o estrangeiro. Sendo as vendas destinadas à Zona Franca de Manaus, equiparadas à exportação para o exterior, há que ser estendida a isenção para esta região. Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 10840.001424/200312 Acórdão n.º 9303005.186 CSRFT3 Fl. 5 4 APLICAÇÃO DA ADIN 23489. SUSPENSÃO DOS EFEITOS DO INCISO I, DO § 2º, DO ART. 14 DA MP Nº 2.03724/00. O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADIN nº 23489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", contida no inciso I do § 2º do art. 14 da MP nº 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus. Desta feita, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.03724 que tiveram sua eficácia normativa suspensa. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido em Parte Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que: "as receitas advindas de operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus discutidas no presente processo devem se submeter à incidência da Cofins, haja vista que, conforme ressaltado pela decisão de primeira instância, elas não foram enquadradas em nenhum dos incisos IV, VI, VIII e IX do artigo 14, da MP nº 2.15835/ 2001. O disposto no artigo 4º do DecretoLei nº 288/1967 não é hábil a permitir a concessão do referido benefício com base no inciso II do art. 14 da MP nº 2.15835/ 2001". Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 20400.708 e 20180.803. Em seguida, o recurso teve seguimento, nos termos do Despacho de Admissibilidade, fls. 1089/1991. A Contribuinte apresentou contrarrazões, fls. 1099/1115, requerendo que seja reconhecido, pelo menos, o valor do crédito correspondente aos pagamentos de PIS/COFINS relativos aos períodos de apuração ocorridos em novembro e dezembro de 2002, período em que as receitas de exportação já eram imunes, nos termos da Emenda Constitucional nº 33/2001. É o relatório. Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 10840.001424/200312 Acórdão n.º 9303005.186 CSRFT3 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Com efeito, a decisão recorrida entendeu que do julgamento da medida cautelar, ADI nº 23489, suspendeu a expressão "na Zona Franca de Manaus", contida no inciso I, do § 2º do art. 14, da MP nº 103724/ 2000, que revogava a isenção relativa ao PIS e Cofins sobre as receitas oriundas das vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus, que referida medida cautelar foi deferida, com efeitos ex nunc, suspendendo a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus” constante do inciso I, do § 2º, do art. 14 da MP nº 2.037 24/2000. Apesar de ter sido considerada prejudicada a Ação Direta de Inconstitucionalidade e, conseqüentemente, a medida liminar deferida, conforme decisão do Min. Relator publicada em 15/02/2000, em razão de não ter sido aditada a petição inicial após as sucessivas reedições da MP nº 2.037/2000, não houve prejuízo ao direito da Contribuinte, considerando que as medidas provisórias que sucederam a MP n° 2.307/2000 (MP 2.11227/ 2001 e 2.15834/ 2001), reeditaram o dispositivo constante do inciso I, do § 2º, do art. 14 da MP nº 2.037 24/ 2000, ensejando a manutenção da medida cautelar. E com a edição do DL nº 288/67, bem como a doutrina dominante, demonstram cristalinamente que a expressão nele contida não se limita somente às normas tributárias vigentes ao tempo de sua edição tal qual exposto no voto condutor do acórdão a quo. Por outro lado, a Fazenda Nacional defende que o lançamento deve ser mantido, já que as receitas advindas de operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus discutidas no presente processo devem se submeter à incidência da Cofins, haja vista que, conforme ressaltado pela decisão de primeira instância, elas não foram enquadradas em nenhum dos incisos IV, VI, VIII e IX do artigo 14, da MP nº 2.15835/2001. O disposto no artigo 4º do DecretoLei nº 288/1967 não é hábil a permitir a concessão do referido benefício com base no inciso II do art. 14 da MP nº 2.15835/2001. Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 10840.001424/200312 Acórdão n.º 9303005.186 CSRFT3 Fl. 7 6 Nada obstante, já é de conhecimento desta turma minha convicção de que vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, não incidindo sobre tais receitas a contribuição social do PIS nem da COFINS, ainda que as empresas sejam sediadas na própria Zona Franca de Manaus. A questão se origina da pretensão do desenvolvimento da Amazônia Ocidental, assim como sustenta o autor Demes Brito (Importação de insumos por empresa sediada na Zona Franca de Manaus Saída do Bem para São Paulo Disciplina Jurídica do IPI aplicável, considerando o descredenciamento dos benefícios fiscais perante a Suframa, São Paulo, 2011, in Revista de Direito Aduaneiro, Marítimo e Portuário. pg. 20/21) com a criação da Zona Franca de Manaus ZFM, instituída pela lei nº 3.173/1957, como Porto Livre dez anos depois, o Governo Federal, por meio do Decreto nº 288/1967, ampliou essa legislação e reformulou o modelo, estipulando incentivos fiscais por 30 (trinta) anos para implantação de um polo industrial, comercial e agropecuário na Amazônia. Assim, foi estabelecido o atual modelo de crescimento, que engloba uma área física de 10 mil km quadrados, tendo como centro a Cidade de Manaus, e está assentado em Incentivos Fiscais e Extrafiscais, com objetivo de reduzir desvantagens locais e propiciar condições de alavancagem do processo de desenvolvimento da área incentivada1. Em 1967, por meio do Decreto Lei nº291, o Governo Federal define a Amazônia Ocidental tal com ela é conhecida, abrangendo os Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e de Roraima. A medida tinha como objetivo promover a ocupação dessa região e elevar o nível de segurança para manutenção de sua integridade. Um ano depois, em 15 de agosto de 1968, por meio do Decreto lei nº 356/1968, o Governo Federal estendeu parte dos benefícios do modelo ZFM e a toda Amazônia Ocidental2. Já no atual sistema constitucional, com advento da Constituição de 1988, a manutenção da Zona Franca de Manaus foi assegurada até o ano de 2013, por meio do artigo 40 e seu parágrafo único do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) 3. 1 Fonte Histórica da criação e desenvolvimento da Zona Franca de Manaus. disponível no sítio da Internet: www.suframa.gov.br 2 Ja escrevi sobre o tema. Importação de insumos por empresa sediada na Zona Franca de Manaus Saída do Bem para São Paulo Disciplina Jurídica do IPI aplicável, considerando o descredenciamento dos benefícios fiscais perante a Suframa, São Paulo, 2011, in Revista de Direito Aduaneiro,Marítimo e Portuário. pg. 20/21 3 "Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição". Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 10840.001424/200312 Acórdão n.º 9303005.186 CSRFT3 Fl. 8 7 Contudo, a Emenda Constitucional 83/2014, que insere o artigo 92A na redação do ADCT (Ato das Disposições Constitucionais Transitórias), para prever que os incentivos fiscais especiais da Zona Franca de Manaus, com base no artigo 40, serão mantidos até 2073, ou seja, por mais 50 anos. Oriunda da Emenda à Constituição a EC nº 83/2014. É forçoso lembrar que os dispositivos em destaque se encontram no mesmo plano hierárquico das normas constitucionais, ou seja, o legislador entendeu que a manutenção da ZFM, não versam apenas sobre benefícios fiscais, mas também do desenvolvimento da atividade econômica da região, observandose a distância dos grandes polos industriais. Delimitado o marco normativo, verifico que a discussão em relação à ADIn nº 2.3489, referente a suspensão da eficácia da expressão "Zona Franca de Manaus", conforme exposto pela Fazenda Nacional, houve prejuízo do pedido por perda de objeto, ficando prejudicada a medida liminar deferida. Deste modo, o DecretoLei 288/1967, que criou a Zona Franca de Manaus, determina no art. 4º que: “a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. Nesse sentido, destaco entendimento jurisprudencial do Egrégio Superior Tribunal de Justiça STJ, por meio do Agravo em Recurso Especial nº 691.708 AM (2015/000822964). Vejamos: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. PIS. COFINS. VERBAS PROVENIENTES DE VENDAS REALIZADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. NÃO INCIDÊNCIA. INTELIGÊNCIA DO DEC. LEI 288/67.PRECEDENTES. 1. A jurisprudência desta Corte é pacificada no sentido de que as operações envolvendo mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/67, não incidindo a contribuição para o PIS nem a Cofins sobre tais receitas. Precedentes: AgRg no REsp 1141285/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26/05/2011; REsp 817.847/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/10/2010; REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 10840.001424/200312 Acórdão n.º 9303005.186 CSRFT3 Fl. 9 8 DJe 05/03/2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1400296/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/05/2012, DJe 14/05/2012). Grifos acrescidos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. ARTS. 110, 111, 176 E 177, DO CTN. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ART. 4º DO DL 288/67. INTERPRETAÇÃO. EMPRESAS SEDIADAS NA PRÓPRIA ZONA FRANCA. CABIMENTO. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. 5. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação para efeitos fiscais, conforme disposto no art. 4º do DecretoLei 288/67, de modo que sobre elas não incidem as contribuições ao PIS e à Cofins. Precedentes do STJ. 6. O benefício fiscal também alcança as empresas sediadas na própria Zona Franca de Manaus que vendem seus produtos para outras na mesma localidade. Interpretação calcada nas finalidades que presidiram a criação da Zona Franca, estampadas no próprio DL 288/67, e na observância irrestrita dos princípios constitucionais que impõem o combate às desigualdades sócioregionais. 7. Recurso especial conhecido em parte e não provido. (REsp 1276540/AM, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/02/2012, DJe 05/03/2012). Grifos acrescidos. Confiramse, ainda, os seguintes julgados desta Corte no mesmo sentido: AREsp 944269, Rel. Min. Assusete Magalhães, DJe 30/06/2016; AREsp 820600, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 17/02/2016; AREsp 708492, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 19/06/2015; AREsp 690708, Rel. Min. Benedito Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 10840.001424/200312 Acórdão n.º 9303005.186 CSRFT3 Fl. 10 9 Gonçalves, DJe 11/06/2015; Ag 1417811, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJe 19/12/2013. Incide, portanto, a Súmula 83 do STJ. Assim, o recurso é manifestamente improcedente, o que atrai a multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015, na razão de 1% a 5% do valor atualizado da causa. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno e aplico multa à agravante de 1% sobre o valor atualizado da causa. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 10840.001424/200312 Acórdão n.º 9303005.186 CSRFT3 Fl. 11 10 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. Com todo respeito ao voto do ilustre relator, tenho posicionamento divergente em relação às suas conclusões. Como relatado, a controvérsia decorre de divergência na interpretação da legislação tributária quanto à possibilidade de isenção do PIS e da Cofins nas vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus referentes aos períodos de apuração de 01/01/2001 a 31/12/2002. De acordo com o entendimento do relator, do contribuinte e do acórdão recorrido estas vendas são isentas com base no art. 4º do DecretoLei nº 288/67 e o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT da Constituição Federal. Não concordo com esse entendimento. Vejamos o que dispõe o art. 4º do DL nº 288/67: Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. (destaquei). Observase que o dispositivo legal estabeleceu uma equivalência entre vendas de mercadorias de origem nacional para a Zona Franca de Manaus e exportação para o estrangeiro. Deixou claro porém que esta regra valia para todos os efeitos fiscais em relação à legislação em vigor na data de sua publicação em 1967. Esta regra não poderia ser aplicada ao PIS, que foi criado pela Lei Complementar 7/70, e à Cofins que foi criada pela Lei Complementar nº 70/91. Ambas contribuições não existiam na data da edição do DL nº 288/67 e, portanto, por ele não poderiam ser reguladas. Esta também é a dicção do disposto nos art. 177 do CTN, in verbis: Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva: I às taxas e às contribuições de melhoria; II aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão.(destaquei). Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 10840.001424/200312 Acórdão n.º 9303005.186 CSRFT3 Fl. 12 11 Já o art. 40 do ADCT da CF/88, nada inovou no assunto. Somente estendeu o prazo de duração de um benefício fiscal no qual já não continha as isenções do PIS e da Cofins. Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Portanto, não há como acatar que o art. 4º do Decreto Lei nº 288/67 permitia qualquer isenção/imunidade de PIS e da Cofins nas vendas de produtos para empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Nesta linha de raciocínio, não procede a argumentação de imunidade na incidência destas contribuições nas operações de venda para a ZFM, pois elas não foram equiparadas a exportação como defende o contribuinte, para efeito destas contribuições, portanto inaplicável a imunidade prevista no art. 149, § 2º, inc. I da CF. Resta analisar se a própria legislação destas contribuições permitia, no período solicitado, a exclusão destas receitas de sua base de cálculo. Sempre lembrando que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, nos termos do art. 111 do CTN. A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que trouxe diversas alterações relativas à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, não fez qualquer referência à exclusão de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. Em seguida, foi publicada a Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, que em seu art. 14 dispôs sobre as regras de desoneração das contribuições em tela, nas hipóteses especificadas, tendo revogado expressamente todos os dispositivos legais relativos à exclusão de base de cálculo e isenção existentes até o dia 30 de junho de 1999: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: (...) II – da exportação de mercadorias para o exterior; (...) § 1º. São isentas da contribuição para o P1S/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º. As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I – a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 10840.001424/200312 Acórdão n.º 9303005.186 CSRFT3 Fl. 13 12 (...) (destaquei) Ressaltese que esta Medida Provisória foi objeto da Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADIn nº 2.3489 (DOU de 18/12/2000), que requereu a declaração de inconstitucionalidade e ilegalidade da restrição feita à Zona Franca de Manaus. O Supremo Tribunal Federal – STF, nesta ação, deferiu medida cautelar suspendendo a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", disposta no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória Nº 2.03724/00, com efeitos ex nunc. Posteriormente, em 02/02/2005, foi prolatada decisão julgando prejudicada a ADIn, sendo o processo arquivado sem apreciação do mérito. Posteriormente à decisão liminar do STF na ADIn nº 2.3489, foi editada a Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, atual Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001, a qual suprimiu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2º do art. 14, acima citado, que vinha constando em suas edições anteriores. Desta forma, as exclusões da base de cálculo do PIS e da Cofins, no período solicitado no presente processo, jul/99 a fev/2003, eram as previstas no art. 14 da MP 2.158/200135, abaixo transcrito: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I – dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II – da exportação de mercadorias para o exterior; III – dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV – do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V – do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI – auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII – de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 10840.001424/200312 Acórdão n.º 9303005.186 CSRFT3 Fl. 14 13 VIII – de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX – de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X – relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no §1º não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I – a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II – a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; (Revogado pela Lei nº 11.508, de 2007) III – a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. Da leitura do dispositivo legal não é possível localizar que havia previsão legal para exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins, das receitas decorrentes de vendas de mercadorias para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus. Por óbvio não é possível aplicar a isenção constante do inc. II do caput, já que a Zona Franca de Manaus não é localizada no exterior e já proferimos o entendimento de que não é aplicável o disposto no art. 4º do DL nº 288/67. Somente a partir da edição da Medida Provisória nº 202/2004, que foi convertida na Lei nº 10.996/2004, é que foi reduzida a zero as alíquotas de PIS e Cofins sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus, nos termos do seu art. 2º, in verbis: Art. 2º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus – ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 10840.001424/200312 Acórdão n.º 9303005.186 CSRFT3 Fl. 15 14 Necessário concluir que caso estas receitas já fossem isentas/imunes das referidas contribuições sociais, seria totalmente inócua a edição desta lei reduzindo a alíquota para zero. Até porque não se poderia estabelecer alíquota zero para uma operação que estaria fora do campo de incidência das contribuições por força de imunidade constitucional. Ressalto que este colegiado, embora utilizando de fundamentação discretamente diferente, também vem decidindo assim. Transcrevese abaixo a ementa do Acórdão nº 9303003934 cujo julgamento deuse em 07/06/2016: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado Assim, diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.907614/2012-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido.
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-004.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 06/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 06/07/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 76 14 /2 01 2- 98 Fl. 56DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem descrever e retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 3942: Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico nº 15219.42808.210808.1.2.043337, transmitido em 21 de agosto de 2008, por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de contribuição ao Programa de Integração Social (PIS/Pasep), código 6912, no valor de R$ 41.279,78, em 15 de dezembro de 2003, relativo ao período de apuração de 30 de novembro de 2003, mediante Darf no valor de R$ 115.639,55. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba –SC pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório (DD), à folha 5, emitido em 03 de janeiro de 2013, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Inconformada com o indeferimento do PER, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Em 12 de fevereiro de 2014, a Turma "a quo" julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade com base nos seguintes fundamentos: (i) que, pagamentos efetuados mediante DARF (vinculados a débitos declarados em DCTF) somente se caracterizam como indevidos ou a maior, quando o contribuinte retifica a DCTF, informando corretamente o débito (a menor); e (ii) que, não procede a alegação da contribuinte de que o ICMS não compõe as bases de cálculo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins; e (iii) que o órgão administrativo não pode ser pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Intimada de decisão piso em 19.03.2014 (fls.43), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 07.04.2014 (fls.4653), aduzindo (i) ausência de previsão legal exigindo a retificação da DCTF como condição para a restituição; (ii) inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS; (iii) sobrestamento do feito até o transito em julgado da decisão proferida pelo STF (RE 574.706). É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10925.907614/201298 Acórdão n.º 3302004.379 S3C3T2 Fl. 3 3 I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 19.03.2014 (fls.43) e protocolou Recurso Voluntário em 07.04.2014 (fls.4653), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche o requisito de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito II.1 Inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 02 Inicialmente é imperioso destacar que nos termos da Súmula nº 02 "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Deste modo, a análise da inconstitucionalidade da legislação tributária envolvendo a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS resta totalmente prejudicada. II.2 Ausência de retificação da DCTF direito creditório É incontroverso nos autos que a Recorrente não retificou a DCTF antes de apresentar o Pedido de Restituição (PER) Eletrônico nº 15219.42808.210808.1.2.043337, fato este que para fiscalização obsta o direito ao crédito buscado pelo contribuinte. Contudo, o fato de a Recorrente não ter retificado a DCTF antes de apresentar o pedido de restituição, por si só, não é motivo suficiente para que seu crédito não seja reconhecido, podendo, tal procedimento, ser superado com a apresentação de provas capazes de comprovar a existência de erro na apuração contábil/fiscal e consequentemente do pagamento indevido ou a maior alegado pelo contribuinte, nos termos do §1º ao art. 147 do CTN, a saber: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. No presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais à comprovar suas alegações e demonstrar a origem do crédito apresentado no Pedido de Restituição (PER) Eletrônico nº 15219.42808.210808.1.2.043337, alegando, pura e simplesmente que o citado pedido referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 58DF CARF MF 4 Com efeito, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20114. Superada essa questão, passase a análise da matéria sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS. II.3 ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10925.907614/201298 Acórdão n.º 3302004.379 S3C3T2 Fl. 4 5 Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente, sem contudo provar, que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. Fl. 60DF CARF MF 6 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da nãocumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10925.907614/201298 Acórdão n.º 3302004.379 S3C3T2 Fl. 5 7 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se Fl. 62DF CARF MF 8 observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. II.4 Sobrestamento do processo Por fim, a Recorrente pleiteou o sobrestamento do feito até o julgamento definitivo do RE 504.706, suplicando pela aplicação do princípio da economia processual. Com todo respeito ao pedido formulado pela Recorrente, as hipóteses de sobrestamento do feito previstas no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, não albergam o pedido do contribuinte, logo, deve ser afastado o requerimento anteriormente citado, por total ausência de fundamento legal. III. Conclusão Diante do exposto, considerando que a Recorrente não comprovou a origem do crédito e, que a decisão do Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.144.469/PR), aplicável ao Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10925.907614/201298 Acórdão n.º 3302004.379 S3C3T2 Fl. 6 9 presente caso, é no sentido de manter o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 64DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.729239/2011-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
ART. 74 DA MP Nº 2.158-35, DE 2001. TRATADO BRASIL-ARGENTINA PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO DE RENDA. MATERIALIDADES DISTINTAS.
Não se comunicam as materialidades previstas no art. 74 da MP nº 2.158-35, de 2001, e as dispostas na Convenção Brasil-Argentina para evitar bitributação de renda. Os lucros tributados pela legislação brasileira são aqueles auferidos pelo investidor brasileiro na proporção de sua participação no investimento localizado no exterior, ao final de cada ano-calendário.
OPERACIONALIZAÇÃO DA NEUTRALIDADE DO SISTEMA E SUPERAÇÃO DO DIFERIMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
A neutralidade do sistema de tributação quando investidor e investida estão localizadas no Brasil opera-se mediante a exclusão dos resultado positivo da investida apurado via Método de Equivalência Patrimonial no lucro real da investidora, porque os lucros da investida já foram tributados no Brasil pela mesma alíquota que seriam se o fossem pela investidora. Estando investidor no Brasil e investida no exterior, se a alíquota no exterior é menor do que a brasileira, quebra-se a neutralidade do sistema, e viabiliza-se diferimento por tempo indeterminado da tributação, caso a investidora, que detém poder de decisão sobre a investida, decida não distribuir os lucros. Por isso, o art. 74 da MP nº 2.158-35, de 2001, ao determinar que os lucros sejam auferidos pelo investidor brasileiro, na medida de sua participação, ao final de cada ano-calendário, dispondo sobre aspecto temporal, evitou o diferimento, e, ao mesmo tempo, o art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995, autorizou a compensação dos impostos pagos no exterior, viabilizando a neutralidade do sistema.
Numero da decisão: 9101-002.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Por unanimidade de votos, acordam em deferir o pedido de compensação dos tributos já pagos no exterior.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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TRATADO BRASIL ARGENTINA PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO DE RENDA. MATERIALIDADES DISTINTAS. Não se comunicam as materialidades previstas no art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, e as dispostas na Convenção BrasilArgentina para evitar bitributação de renda. Os lucros tributados pela legislação brasileira são aqueles auferidos pelo investidor brasileiro na proporção de sua participação no investimento localizado no exterior, ao final de cada anocalendário. OPERACIONALIZAÇÃO DA NEUTRALIDADE DO SISTEMA E SUPERAÇÃO DO DIFERIMENTO DA TRIBUTAÇÃO. A neutralidade do sistema de tributação quando investidor e investida estão localizadas no Brasil operase mediante a exclusão dos resultado positivo da investida apurado via Método de Equivalência Patrimonial no lucro real da investidora, porque os lucros da investida já foram tributados no Brasil pela mesma alíquota que seriam se o fossem pela investidora. Estando investidor no Brasil e investida no exterior, se a alíquota no exterior é menor do que a brasileira, quebrase a neutralidade do sistema, e viabilizase diferimento por tempo indeterminado da tributação, caso a investidora, que detém poder de decisão sobre a investida, decida não distribuir os lucros. Por isso, o art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, ao determinar que os lucros sejam auferidos pelo investidor brasileiro, na medida de sua participação, ao final de cada anocalendário, dispondo sobre aspecto temporal, evitou o diferimento, e, ao mesmo tempo, o art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995, autorizou a compensação dos impostos pagos no exterior, viabilizando a neutralidade do sistema. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 92 39 /2 01 1- 11 Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 10880.729239/201111 Acórdão n.º 9101002.832 CSRFT1 Fl. 1.209 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Por unanimidade de votos, acordam em deferir o pedido de compensação dos tributos já pagos no exterior. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório São Recursos Especiais interpostos pela INTERCEMENT BRASIL S/A (e fls. 1115 e segs) e pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN (efls. 997 e segs.) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1102001.247 (efls. 965/995), pela 2ª Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção, na sessão de 25/11/2014, no qual foi negado provimento ao recurso de ofício e dado provimento parcial ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte. Resumo Processual A autuação fiscal (efls. 541/544), relativa aos anoscalendário de 2006 e 2007, trata de lucros no exterior não oferecidos à tributação, auferidos pelas empresas Itacamba Cemento S.A. (ITACAMBA), Yguazu Cemento S.A. (YGUAZU), Loma Negra Concreto S.A. (LOMANEGRA) e Holdtotal S.A. (HOLDTOTAL). Foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL. Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 10880.729239/201111 Acórdão n.º 9101002.832 CSRFT1 Fl. 1.210 3 A Contribuinte apresentou impugnação (efls. 566/586), que foi julgada procedente em parte (efls. 793/812) pela primeira instância (DRJ), para afastar parcialmente o lançamento da empresa HOLDTOTAL, em razão de duplicidade com o lançamento da empresa LOMANEGRA. Em razão do crédito tributário exonerado, foi efetuada remessa necessária (recurso de ofício). A Contribuinte interpôs recurso voluntário (efls. 823/847). A segunda instância (Turma Ordinária do CARF) negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento parcial ao recurso voluntário (efls. 965/995), para afastar os lançamentos de IRPJ e CSLL das empresas ATACAMBA e YGUAZU, afastar os lançamentos de IRPJ das empresas LOMANEGRA e HOLDTOTAL em razão do Tratado BrasilArgentina e determinar o aproveitamento do imposto pago pela LOMANEGRA para abater o valor lançado de CSLL do anocalendário de 2007. Foram interpostos recursos especiais pela Contribuinte (efls. 1115/1137) e pela PGFN (efls. 997/1042). Ambos tiveram seguimento total pelos despachos de exame de admissibilidade de efls. 1193/1198 (Contribuinte) e 1044/1048 (PGFN). A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 1075/1092). A PGFN não apresentou contrarrazões. Foram devolvidas as matérias “inclusão da CSLL em convenções internacionais destinadas a evitar a dupla tributação em matéria de impostos sobre a renda" (Contribuinte) e "Repercussão do Tratado BrasilArgentina na incidência dos lucros do exterior das controladas sediadas na Argentina" (PGFN). A seguir, maiores detalhes sobre a fase contenciosa. Da Fase Contenciosa. A contribuinte apresentou impugnação (efls. 566/586), que foi julgada procedente em parte pela 4ª Turma da DRJ/São Paulo I, para afastar parcialmente o lançamento da empresa HOLDTOTAL, em razão de duplicidade com o lançamento da empresa LOMANEGRA, nos termos do Acórdão nº 1635.170 (efls. 793/812), conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 TRATADO INTERNACIONAL PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. Não havendo conflito com as disposições previstas nos tratados internacionais para evitar a dupla tributação deve ser aplicada a legislação brasileira relativa à tributação em bases universais. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTOS REALIZADOS NO EXTERIOR. Para poder ser compensado o imposto pago no exterior com o imposto devido no Brasil, o documento de arrecadação, e não somente a declaração do imposto de renda, deve ser reconhecido pelo órgão arrecadador do país estrangeiro e pela Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 10880.729239/201111 Acórdão n.º 9101002.832 CSRFT1 Fl. 1.211 4 representação diplomática brasileira. Além disso, para terem sua validade reconhecida no processo administrativo, documentos em língua estrangeira devem estar traduzidos por tradutor juramentado. RESULTADO CONSOLIDADO. Foi indevidamente considerado o resultado consolidado da empresa Holdtotal que incorporava o resultado da Loma Negra. Realizado a devida retificação da base de cálculo do lançamento Em razão do crédito tributário exonerado, foi efetuada remessa necessária. Também foi interposto recurso voluntário (efls. 823 e segs) pela Contribuinte. A 2ª Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção, ao proferir o Acórdão nº 1102001.247 (e fls. 965/995), na sessão de 24/11/2014, decidiu negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar os lançamentos de IRPJ e CSLL das empresas ATACAMBA e YGUAZU, afastar os lançamentos de IRPJ das empresas LOMANEGRA e HOLDTOTAL em razão do Tratado BrasilArgentina e determinar o aproveitamento do imposto pago pela LOMANEGRA para abater o valor lançado de CSLL do anocalendário de 2007, nos termos da ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 LUCROS NO EXTERIOR CONSIDERADOS DISPONIBILIZADOS NOS TERMOS DO ART. 74 DA MP 215835/2001. DIVIDENDOS PRESUMIDOS. TRATADOS INTERNACIONAIS. CONVENÇÃO MODELO DA OCDE. Os lucros auferidos no exterior e considerados disponibilizados nos termos do art. 74 da Medida Provisória 215835/2001 possuem a natureza de dividendos presumidos e, nos termos dos tratados internacionais firmados com base na Convenção Modelo da OCDE, subsumemse ao artigo 10 daquela Convenção. LUCROS NO EXTERIOR. ART. 74 DA MP 215835/2001. CONTROLADA NA ARGENTINA. TRATADO INTERNACIONAL PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. Nos termos do art. 23 da Convenção BrasilArgentina, são isentos de tributação no Brasil os dividendos pagos por uma sociedade residente da Argentina a uma sociedade residente do Brasil detentora de mais de 10 por cento do capital da sociedade pagadora, desde que, de acordo com as disposições da própria Convenção, sejam tributáveis na Argentina. LUCROS NO EXTERIOR. COLIGADA AVALIADA PELO CUSTO DE AQUISIÇÃO. Nos termos da regulamentação editada pela Receita Federal, mesmo na vigência do art. 74 da Medida Provisória 2158 35/2001, no caso de investimento no exterior avaliado pelo custo de aquisição, os lucros devem ser reconhecidos pela investidora Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 10880.729239/201111 Acórdão n.º 9101002.832 CSRFT1 Fl. 1.212 5 no Brasil somente quando disponibilizados mediante pagamento ou crédito, nos moldes previstos pela Lei nº 9.532/97. LUCROS NO EXTERIOR. ART. 74 DA MP Nº 215835/2001. COLIGADAS NA BOLÍVIA E PARAGUAI. INCONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal, ao apreciar a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.588, decidiu pela inaplicabilidade, com efeitos erga omnes, do art. 74 da MP nº 2.15835/2001, no caso de coligadas sediadas em países não sujeitos a tributação favorecida (não paraísos fiscais). IMPOSTO DE RENDA PAGO NO EXTERIOR Pode ser compensado com o imposto de renda e a contribuição social devidas no país, em razão dos lucros auferidos no exterior, o imposto efetivamente pago no exterior sobre aqueles lucros, observados os limites legais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007 LUCROS NO EXTERIOR. ART. 74 DA MP 215835/2001. TRATADO BRASILARGENTINA PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. A contribuição social sobre o lucro, apesar de guardar semelhança com o imposto de renda, possui base de cálculo própria, bem como destinação distinta, e não se encontra abrangida pela Convenção BrasilArgentina. Foi interposto pela PGFN recurso especial (efls. 977 e segs), no qual discorre que os lucros auferidos no exterior pela HOLDTOTAL e LOMANEGRA enquadram se no conceito de dividendos previsto no item 4 do Art. X do tratado de bitributação Brasil Argentina. Aduz ainda que, não havendo tributação sobre os dividendos na Argentina, não haveria que se falar em aplicação do art. XXIII do Tratado, aplicandose integralmente o art. X da convenção. O despacho de exame de admissibilidade (efls. 1044/1048) deu seguimento ao recurso da PGFN. A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 1075/1092). Protesta no sentido de que o recurso da PGFN não deve ser conhecido, porque o acórdão paradigma nº 1402000.391 concluiu no mesmo sentido da decisão recorrida, de que os lucros objeto de tributação do art. 74 da MP nº 2.158, de 2001, são equivalentes a distribuição de dividendos. No mérito, aduz que, ainda que o recurso especial possa ser conhecido quanto a tributação dos lucros no exterior por força do art. 7º do Tratado BrasilArgentina, não deve ser provido, vez que a legislação brasileira não trata da tributação de um lucro da empresa brasileira, mas sim do próprio lucro da empresa estrangeira, que é protegida no caso concreto pelo art. 7º do acordo de bitributação. E, ainda que se considerasse que a legislação brasileira disponha sobre um dividendo ficto, nos termos do acórdão recorrido, tal "dividendo" não poderia ser tributado Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 10880.729239/201111 Acórdão n.º 9101002.832 CSRFT1 Fl. 1.213 6 no Brasil por força do Artigo 23, nº 2 do Tratado BrasilArgentina, que isenta de tributação os dividendos provenientes do país independente da tributação efetiva pelo outro Contratante. A Contribuinte interpôs recurso especial (efls. 1115/1137), aduzindo que o Tratado BrasilArgentina aplicase tanto ao IRPJ quanto para a CSLL. O despacho de exame de admissibilidade (efls. 1193/1198) deu seguimento ao recurso. A PGFN não apresentou contrarrazões (efl. 1200). É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Admissibilidade Protesta a Contribuinte, em contrarrazões, que o acórdão paradigma nº 1402 000.391 não se prestaria a demonstrar a necessária divergência de interpretação da legislação tributária (art. 67, Anexo II do RICARF) com a decisão recorrida. Discorre que o referido acórdão teria concluído no mesmo sentido de decisão recorrida, de que o objeto de tributação do art. 74 da MP nº 2.158/2001 seriam os dividendos previstos no art. 10 da Convenção Modelo da OCDE. Ocorre que a PGFN apresentou um outro acórdão paradigma, de nº 1402 001.713. De qualquer forma, para ambos os paradigmas, entendo ter sido demonstrada a divergência de interpretação em relação ao recorrido. O acórdão nº 1402001.713, que trata de autuação fiscal relativa aos anos calendário anteriores aos presentes autos (2004 e 2005), cujo sujeito passivo é precisamente a Contribuinte, decidiu no seguinte sentido: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2004, 2005 CONTROLADA NA ARGENTINA. DIVIDENDOS PRESUMIDOS. DISTRIBUIÇÃO À COLIGADA NO BRASIL. TRIBUTAÇÃO. O art. 74 da MP 215834/2001 estabeleceu a presunção ficta da tributação de dividendos recebidos por beneficiários domiciliados no Brasil, referentes à disponibilização de lucros auferidos por coligadas ou controladas no exterior. O Tratado entre Brasil e Argentina não afasta a incidência de tributação, na controladora sediada no Brasil, relativamente aos dividendos disponibilizados pela controlada Argentina e não tributados nesse país. COLIGADAS NA ARGENTINA E NO PARAGUAI. TRIBUTAÇÃO DE LUCROS DISPONIBILIZADOS. ART. 74 DA MP Nº 2158 34/2001. INCONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal (STF) na apreciação da Adin nº 2.588 referente à aplicabilidade do art. 74, da MP nº 2.15834/2001, decidiu pela Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 10880.729239/201111 Acórdão n.º 9101002.832 CSRFT1 Fl. 1.214 7 inconstitucionalidade do dispositivo em relação às empresas nacionais coligadas a pessoas jurídicas sediadas em países sem tributação favorecida. No paradigma, a interpretação do art. XXIII, item 2, do Tratado Brasil Argentina, foi no sentido que a isenção dos resultados no Brasil se aplicaria apenas se restasse comprovada a efetiva tributação dos dividendos presumidos na Argentina. Transcrevo excerto da decisão: No entendimento adotado pela decisão recorrida, o dispositivo em questão implicaria na isenção dos dividendos pagos no Brasil, desde que haja previsão de tributação na Argentina. Mais ainda, a simples previsão de tributação no exterior, ainda que não concretizada, seria suficiente para estabelecer a isenção. Tal posicionamento torna letra morta o art. X da Convenção. Ora se esse artigo estabelece que os dividendos pagos pela empresa Argentina seriam tributados no Brasil, podendo ser tributados na Argentina, não se pode conceber que, dentro do mesmo diploma legal, esses mesmos dividendos não poderiam ser tributados no Brasil, se tributáveis – ainda que não tributados – na Argentina. (...) Não havendo nos autos qualquer indicativo de que os dividendos foram tributados na Argentina, descabe falarse em isenção no Brasil. Sob esse prisma voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a exigência do IRPJ referente aos valores distribuídos pela empresa controlada Holdtotal. Por sua vez, a decisão recorrida entendeu que o acordo de bitributação estabelece como condição para se aplicar a isenção no Brasil a possibilidade de tributação dos dividendos pela Argentina, sendo uma faculdade implementála ou não. Vale transcrever excerto do voto: 33. No artigo está disposto que o Estado de Residência R isentará do imposto os rendimentos ou capitais que, de acordo com a Convenção ‚podem ser tributados‛ pelo outro Estado E ou S. 34. O Estado de Residência deve isentar os rendimentos ou capitais que podem ser tributados pelo outro Estado de acordo com a Convenção, tenha ou não o direito de tributar sido efetivamente exercido pelo outro Estado. Este método é considerado o mais prático, pois ele desobriga o Estado de residência de investigar a real posição adotada pelo outro Estado quanto à sua tributação. Demonstrada, portanto, a divergência na interpretação da legislação tributária entre decisão recorrida e o paradigma nº 1402001.713. Quanto ao acórdão paradigma nº 1402000.391, ao contrário do que aduz a Contribuinte, apresenta também interpretação divergente da legislação. Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 10880.729239/201111 Acórdão n.º 9101002.832 CSRFT1 Fl. 1.215 8 Vale transcrever a conclusão do voto vencedor: Enfim, resta demonstrado que os lucros auferidos no exterior pela Normus deveriam ser oferecidos à tributação, haja vista que a técnica de incidência inaugurada pelo art. 74 da MP n°2.158 35/2001 não contraria o Artigo VII do Tratado BrasilHungria, pelas razões sintetizadas a seguir: 1) A legislação tributária nacional não incide sobre os lucros da controlada estrangeira (o que é vedado pelo Artigo VII), mas sobre lucros disponibilizados à investidora brasileira, isto é, dispõe que o lucro real da contribuinte engloba os lucros disponibilizados por sua controlada, incorporados ao seu patrimônio em função do MEP. Logo, a tributação recai sobre os lucros da empresa brasileira, o que afasta a aplicação do Artigo VII do Tratado. 1.1 Em seus Comentários, a OCDE entendeu que a legislação estrangeira semelhante ao art. 74 da MP n°2.15835 ("regras CFC") não viola o Artigo VII dos Tratados, considerando que não há incidência sobre os lucros das sociedades controladas no exterior. Afinal, o imposto exigido com base em regra CFC não reduz os lucros das controladas, de forma que não se pode dizer que o objeto da tributação são esses lucros. 1.2 O art. 74 da MP n° 2.15835 é uma autêntica regra CFC, compreendida como norma voltada para eliminar o diferimento na tributação dos lucros auferidos no exterior. Não há um "padrão único"de legislação CFC, em sentido oposto ao sugerido pela autuada. A própria OCDE reconhece que o modelo das regras CFC varia muito entre os países, e que o traço comum desse tipo de regra é a tributação dos residentes de um Estado Contratante em relação à renda proveniente de sua participação em empresas estrangeiras, característica presente no art. 74 da MP n° 2.15835. 2) Os lucros disponibilizados na forma do art. 74 da MP n° 2.15835 são qualificados como dividendos pagos à luz do acordo internacional são os chamados "dividendos presumidos", na linha dos Comentários da OCDE. 2.1 No contexto dos tratados, os dividendos pagos correspondem a lucros distribuídos aos sócios da empresa. Por força da MP n° 2.15835, os lucros apurados pela controlada húngara são considerados disponibilizados à Normus, ou seja, tratase de lucros distribuídos por presunção legal, incorporados ao patrimônio da contribuinte via MEP. 2.2 O art. 74 da MP n° 2.15835 simplesmente antecipa a tributação que ocorreria no momento da distribuição dos lucros pela controlada húngara digase de passagem, tributação permitida pelo Artigo X do Tratado. 2.3 A tributação do montante integral dos lucros, antes do desconto do imposto pago no pais da fonte, não descaracteriza o conceito de dividendos. De fato, cuidase simples técnica de Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 10880.729239/201111 Acórdão n.º 9101002.832 CSRFT1 Fl. 1.216 9 arrecadação, que consiste em tributar o bruto e deduzir, do tributo apurado, o imposto pago no pais da controlada. 2.4 O art. 74 da MP n° 2.15835 não viola o item 6 do Artigo X do Tratado, que impede a criação de um "imposto sobre lucros não distribuídos". Com efeito, o dispositivo em questão regula a tributação no pais da fonte pagadora dos dividendos (no caso, a Hungria), ou seja, não se destina ao pais de residência do beneficiário dos dividendos. (...) (...) 3) O art. 74 da MP n° 2.15835 não frustra a finalidade do Tratado BrasilHungria: eliminar a dupla tributação e prevenir a evasão fiscal. A Convenção não confere isenção aos dividendos pagos a residentes no Brasil, mas assegura o crédito pelo imposto pago na Hungria (Artigo XXIII). Em outras palavras, a bitributação é evitada por intermédio do método da imputação ordinária (tax credit), que garante a compensação do tributo pago no exterior. 3.1 Ademais, o art. 26 da Lei n° 9.249/95 permite a compensação do imposto de renda estrangeiro incidente sobre os lucros apurados no exterior. Cuidase de medida que, por si só, é suficiente para afastar a dupla tributação dos lucros disponibilizados à empresa brasileira. Como se pode observar, são várias as divergências de interpretação. O paradigma entende que (1) a legislação tributária nacional não incide sobre os lucros da controlada estrangeira, mas sobre lucros disponibilizados à investidora brasileira, isto é, dispõe que o lucro real da contribuinte engloba os lucros disponibilizados por sua controlada, incorporados ao seu patrimônio em função do MEP; (2) que os lucros previstos no art. 74 da art. 74 da MP n° 2.15835 são qualificados como dividendos pagos no acordo de bitributação, ou "dividendos presumidos"; (3) no contexto dos tratados, os dividendos pagos correspondem a lucros distribuídos aos sócios da empresa, e, no caso concreto, os lucros apurados pela controlada húngara são considerados disponibilizados à Normus, por tratarse de lucros distribuídos por presunção legal, incorporados ao patrimônio da contribuinte via MEP; e (4) o acordo de bitributação não confere isenção aos dividendos pagos a residentes no Brasil, mas sim se utilizada o método do crédito, ou seja, assegura que o crédito pelo imposto pago na Hungria (Artigo XXIII), ou seja, a bitributação é evitada por intermédio do método da imputação ordinária (tax credit), que garante a compensação do tributo pago no exterior. Por sua vez, na decisão recorrida, entendese que os lucros são efetivamente dividendos, e que o critério para aproveitamento dos tributos pagos no exterior é o método da isenção, e não o método do crédito. Portanto, também demonstrada, portanto, a divergência na interpretação da legislação tributária entre decisão recorrida e o paradigma nº 1402000.391. Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 10880.729239/201111 Acórdão n.º 9101002.832 CSRFT1 Fl. 1.217 10 Quanto ao recurso interposto pela Contribuinte, adoto as razões do Despacho de Admissibilidade de efls. 1193/1198, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 1, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer os recursos especiais da PGFN e da Contribuinte. Mérito Foram devolvidas as matérias (1) repercussão do Tratado BrasilArgentina na incidência dos lucros do exterior das empresas LOMANEGRA E HOLDTOTAL sediadas na Argentina e (2) inclusão da CSLL em convenções internacionais destinadas a evitar a dupla tributação em matéria de impostos sobre a renda. Transcrevo o art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001: Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. A decisão recorrida partiu do pressuposto de que a norma, ao falar da incidência sobre o lucro disponibilizado à controladora no Brasil por sua controlada no exterior, estaria, na realidade, tratando da materialidade dividendos. Não obstante a substanciosa argumentação do voto, entendo que a materialidade sobre o qual incide a tributação do art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, trata de lucros, e não de dividendos. Os dividendos dependem a existência de resultado positivo da empresa. Constituemse em uma das destinações dadas ao resultado. Necessariamente, são de quantum inferior ao dos lucros. MARTINS2, no Manual de Contabilidade Societária, discorre sobre a existência de dividendos (1) fixo/mínimos prioritários, e (2) obrigatórios, respectivamente previstos nos arts. 203 e 202 da Lei nº 6.404, de 1976 (Lei das S/A), incidentes sobre percentual do lucro, e propõe a seguinte ordem de distribuição: 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 2 MARTINS, Eliseu... [et. al]. Manual de Contabilidade Societária, 2ª ed. São Paulo : Atlas, 2013, p. 4337. Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 10880.729239/201111 Acórdão n.º 9101002.832 CSRFT1 Fl. 1.218 11 Ordem Descrição Artigo Lei das S/A 1º Prejuízos Acumulados 189 2º Reserva Legal 193 3º Div. Fixo/mínimo prioritários preferencial, inclusive cumulativos 203 4º Reserva Contingências 195 5º Reserva Especial Div. Não Distribuídos 202 (§§ 4º e 5º) 6º Reserva Lucros a Realizar 197/202, inc. II 7º Dividendo Obrigatório 202 8º Reserva Retenção de Lucros e Reserva Estatutária 194, 196 e 198 Na realidade, apesar de o termo "disponibilizados" conferir razoável margem a dúvida, vez que, se seriam lucros disponibilizados, seriam aqueles destinados a quem de direito, a disponibilização trata do aspecto temporal da norma, ou seja, do momento em que os lucros foram entregues aos sócios. Nesse contexto, em relação ao art. 74 em debate, o aspecto material trata dos lucros auferidos no exterior, por intermédio das controladas ou coligadas, em quantum proporcional à participação da controladora do Brasil sobre o investimento. Como já visto, o lucro pode ter diversas destinações. Contudo, a legislação brasileira adotou, para os lucros percebidos no exterior por meio de investimentos em controladas ou coligadas, um tratamento diferenciado. Fato é que, tanto para investimentos de controladas/coligadas no Brasil, quanto no exterior, os lucros auferidos pelas investidas são refletidas na contabilidade da investidora por meio do Método de Equivalência Patrimonial. Para investimentos no Brasil, a investidora contabiliza o resultado positivo da investida, proporcional à sua participação, e exclui o resultado na apuração do lucro real. Nesse caso, viabilizase a neutralidade porque, como o lucro auferido pela investida já foi tributado no Brasil, não cabe sua tributação no resultado da investidora. E principalmente porque a investida encontrase no Brasil, ou seja, os lucros auferidos pela investida são necessariamente oferecidos à tributação. Situação diferente ocorre quando o investimento tem sede no exterior. Nesse caso, a legislação brasileira previu, inicialmente, o mesmo tratamento em relação à contabilização do resultado positivo da investida: o lucro proporcional à sua participação é incluído no resultado da empresa brasileira, e excluído na apuração do lucro real. Contudo, dispôs uma etapa complementar: se os lucros forem auferidos de controladas e coligadas, cabe a adição no resultado tributável, na proporção de participação da investidora brasileira sobre o investimento, ao final de cada anocalendário. Partese da premissa de que os lucros são da investidora brasileira, e, por isso, a sua tributação não deve estar subordinada à política tributária adotada pelo país onde se encontra o investimento. Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 10880.729239/201111 Acórdão n.º 9101002.832 CSRFT1 Fl. 1.219 12 Isso porque o país onde se encontra o investimento pode optar por tributar o lucro em bases tributáveis menores, e a controladora brasileira, que detêm poder de decisão sobre a investida, pode optar em não receber os lucros auferidos. Tratase de situação em que a neutralidade que ocorre quando investidora e investida estão no Brasil é desvirtuada. Porque quando ambas estão no Brasil, a mesma alíquota é aplicada sobre o lucro da investida e o da investidora. Tributase o lucro de investida, e tal valor não é tributado pela investidora. Não há prejuízo no sistema. Por outro lado, se investida está em país de tributação menor, não há que se falar em neutralidade. Na realidade, operacionalizase um diferimento em tempo indeterminado da tributação. E, precisamente para se evitar tal diferimento, o art. 74 da norma em debate dispôs expressamente sobre aspecto temporal: o lucro presumese distribuído para a empresa brasileira (na condição de detentora das ações/quotas da investida), na proporção de sua participação, ao final do anocalendário. E a neutralidade, que se operacionaliza quando tanto investida quanto investidora estão no Brasil, também é tutelada ao se dispor quando a investida está no exterior. Vale transcrever o art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995: Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. Como se pode observar, não se pode falar em bitributação. A neutralidade da tributação entre investida e investidora é operacionalizada por meio de outro mecanismo, mediante compensação do que a investida já recolheu aos cofres no exterior, e superase a questão do diferimento de tributação por tempo indeterminado. A tributação só se consuma se as alíquotas no exterior foram inferiores à praticadas no Brasil. Inclusive, é precisamente a situação tratada no caso concreto. Registrese que a autoridade autuante deduziu do lançamento fiscal, com correção, os valores pagos pela Contribuinte a título de imposto de renda na Argentina. Por sua vez, precisamente sobre a perspectiva de que a materialidade trata dos lucros auferidos pela investidora brasileira, que não se aplica o art. 7º da Convenção Brasil Argentina. Isso porque os lucros, apesar de auferidos pela empresa no exterior, pertencem, na medida da participação societária, ao seu investidor que se localiza no Brasil. Ou seja, a legislação brasileira diz respeito aos lucros auferidos pelo contribuinte, investidor, residente no Brasil. Por isso que entendo não haver reparos na interpretação conferida pela Receita Federal, por meio da Solução de Consulta Interna nº 18, da Cosit: As convenções internacionais para evitar dupla tributação que seguem o modelo da OCDE trazem uma regra de tributação Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 10880.729239/201111 Acórdão n.º 9101002.832 CSRFT1 Fl. 1.220 13 exclusiva dos lucros disposta no Parágrafo 1 do Artigo 7, segundo a qual os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente ali situado. Se a empresa exercer suas atividades na forma indicada, seus lucros poderão ser tributados no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem atribuíveis àquele estabelecimento permanente. Transcrevese a redação do citado parágrafo: “Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só podem ser tributados nesse Estado, a não ser que a empresa exerça a sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento estável aí situado. Se a empresa exercer a sua atividade deste modo, os seus lucros podem ser tributados no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem imputáveis a esse estabelecimento estável.” 26. Assim, para entender a compatibilidade entre os acordos celebrados pelo Brasil para evitar a dupla tributação que seguem o modelo da OCDE e a legislação sobre a tributação de lucros de controladas e coligadas no exterior, é importante destacar o Comentário da própria OCDE sobre o Parágrafo 1º do Artigo 7 da Convenção Modelo (tradução livre): “ 10.1 O propósito do §1º é traçar limites ao direito de um Estado Contratante tributar os lucros de empresas situadas em outro Estado Contratante. O parágrafo não limita o direito de um Estado Contratante tributar seus residentes com base nos dispositivos relativos a sociedades controladas no exterior encontradas em sua legislação interna, ainda que tal tributo, imposto a esses residentes, possa ser computado em relação à parte dos lucros de uma empresa residente em outro Estado Contratante atribuída à participação desses residentes nessa empresa. O tributo assim imposto por um Estado sobre seus próprios residentes não reduz os lucros da empresa de outro Estado e não se pode dizer, portanto, que teve por objeto tais lucros.” 27. Conforme exposto pela OCDE, não seriam os lucros da sociedade investida tributados pelo Estado de residência dos sócios, mas os lucros auferidos pelos próprios sócios, em que pese na apuração da base de cálculo tributável seja utilizado como referência o valor dos lucros auferidos pela sociedade sediada no outro Estado. Portanto, o parágrafo 1º não visa impedir o Estado de residência dos sócios de tributar a renda obtida por intermédio de sua participação em sociedades domiciliadas no exterior. 28. O art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, prevê a tributação da renda dos sócios brasileiros decorrente de sua participação em empresas domiciliadas no exterior. Ou seja, a norma interna incide em contribuinte brasileiro, não gerando qualquer conflito com os dispositivos do tratado que versam sobre a tributação de lucros. Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 10880.729239/201111 Acórdão n.º 9101002.832 CSRFT1 Fl. 1.221 14 29. É certo que a função primordial dos tratados é promover, mediante a eliminação da dupla tributação, as trocas de bens e serviços e a movimentação de capitais e pessoas. Esse objetivo é igualmente alcançado uma vez que o art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995, autoriza a compensação dos tributos pagos no exterior, na hipótese de reconhecimento de lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real. Portanto, a aplicação da norma interna brasileira não acarreta a bitributação econômica dos lucros decorrentes de investimentos no exterior. 30. Além disso, é importante ressaltar que, segundo o Comitê de Assuntos Fiscais da OCDE, os acordos para evitar dupla tributação também têm por escopo a prevenção da elisão e evasão fiscal, já que os contribuintes poderiam ser tentados a abusar da legislação fiscal de um Estado, através da exploração das diferenças entre as várias legislações dos países ou jurisdições, de maneira a evitar a dupla não tributação. Transcrevese, por elucidativo, o parágrafo 7 dos Comentários da ConvençãoModelo: " 7. O objetivo principal das convenções para evitar a dupla tributação é promover, mediante a eliminação da dupla tributação internacional, o comércio internacional de bens e serviços, e a circulação de capitais e de pessoas. Também é objetivo das convenções evitar a fraude e evasão fiscal. 7.1 Os contribuintes podem ser tentados a abusar das leis tributárias do Estado, explorando as diferenças entre as legislações dos países ... " Assim, tendo em vista que o Tratado BrasilArgentina não se aplica ao caso em análise, tanto para IRPJ quanto para CSLL, resta superada apreciação do mérito do recurso especial interposto pela Contribuinte, em relação à inclusão da CSLL no tratado internacional em debate. Isso porque, como já visto, não se comunicam as materialidades previstas no art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, e as dispostas na Convenção BrasilArgentina para evitar bitributação de renda. Assim, os lucros tributados pela legislação brasileira são aqueles auferidos pelo investidor brasileiro na proporção de sua participação no investimento localizado no exterior, ao final de cada anocalendário, havendo, nesse contexto, incidência do IRPJ e da CSLL. Na realidade, eventual aplicação do tratado para a CSLL darseia se tivesse ocorrido a tributação dos lucros auferidos pelos sócios residentes na Argentina, o que não ocorreu no caso concreto, vez que a tributação se direcionou apenas aos sócios residentes no Brasil. Portanto, nego provimento ao recurso da Contribuinte. Enfim, há que observar que a decisão recorrida, na medida em que havia afastado a tributação sobre o IRPJ (entendimento reformado no presente voto), autorizou que os tributos pagos no exterior incidentes sobre a renda fossem aproveitados para serem compensados com a CSLL (que foi mantida na decisão recorrida) (efls. 991): Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 10880.729239/201111 Acórdão n.º 9101002.832 CSRFT1 Fl. 1.222 15 Neste caso, deve ser reconhecido o efetivo recolhimento do valor de 29.895.915,27 pesos, efetuado pela Loma Negra, relativo ao ano calendário de 2007. Há, portanto, direito à dedução daquele imposto pago, nos termos da lei, ou seja, proporcionalmente ao montante dos lucros que competirem à recorrente em razão de sua participação societária na empresa que pagou o imposto. Como esta participação, no caso, é de 24,18%, temse que o montante do imposto passível de compensação em 2007 é de 7.228.832,31 pesos. E, no caso, uma vez que, pelo presente voto, não restou imposto de renda devido no Brasil em decorrência do reconhecimento, pela recorrente, dos lucros da Loma Negra, este montante de 7.228.832,31 pesos (após a sua conversão em Reais, tomandose por base a taxa de câmbio da moeda do país de origem, fixada para venda, pelo Banco Central do Brasil, correspondente à data de seu efetivo pagamento, no caso, 07/01/2008) pode ser integralmente deduzido, até o limite da contribuição social devida pela recorrente em 2007, em decorrência da adição desses mesmos lucros à base de cálculo da referida contribuição. Nesse contexto, como a presente decisão restabeleceu a tributação sobre o IRPJ, fazse necessário que o aproveitamento dos tributos pagos no exterior incidentes sobre a renda sejam compensados, inicialmente, para abater o IRPJ. E, caso haja saldo remanescente, que sejam aproveitados para compensar a CSLL. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer os recursos especiais da PGFN e da Contribuinte; e no mérito, dar provimento ao recurso especial da PGFN e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte, e para que sejam compensados os tributos pagos no exterior para o IRPJ e, se houver saldo remanescente, para a CSLL. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1222DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.002305/2006-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
COOPERATIVA DE CRÉDITO. RESULTADO DO ATO COOPERATIVO. NÃO INCIDÊNCIA DO IRPJ.
O resultado das operações das cooperativas com aplicações financeiras, que constituem atos cooperativos próprios, não estão sujeitos ao IRPJ.
Numero da decisão: 9101-002.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinatura digital)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinatura digital)
Luís Flávio Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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COOPERATIVA DE CRÉDITO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL VALE RIO DOS PEIXES LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 COOPERATIVA DE CRÉDITO. RESULTADO DO ATO COOPERATIVO. NÃO INCIDÊNCIA DO IRPJ. O resultado das operações das cooperativas com aplicações financeiras, que constituem atos cooperativos próprios, não estão sujeitos ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 23 05 /2 00 6- 81 Fl. 223DF CARF MF 2 Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Tratase de recurso especial interposto pela PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL (doravante chamada de “PFN” ou “Recorrente”), contra o acórdão nº 1402001.646 (doravante acórdão a quo ou acórdão recorrido), proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara (doravante “Turma a quo”), o qual julgou procedente o recurso voluntário apresentado pela COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL VALE RIO DOS PEIXES LTDA (doravante “cooperativa” ou “recorrida”). A cooperativa foi autuada sob o entendimento de que não poderia “adicionar ao cálculo do lucro líquido o resultado negativo de R$ 1.371.191,34 apurado no ano calendário de 2001”. Notese que, em face da impugnação administrativa (efls. 20 e seg.) apresentada pelo contribuinte, a 3ª Turma da DRJ/FNS proferiu o acórdão n. 0718.869 (efls. 101 e seg.), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 COOPERATIVA DE CRÉDITO. RESULTADO DO ATO COOPERATIVO. NÃO INCIDÊNCIA DO IRPJ. CONTABILIZAÇÃO EM SEPARADO DO ATO NÃOCOOPERATIVO. PERDAS NÃO CONSTITUEM PREJUÍZO FISCAL. O IRPJ não incide sobre o resultado das operações econômicas que constituam atos cooperativos. As operações da cooperativa, mesmo de crédito, com nãoassociados, que constituem atos nãocooperativos (p. ex. o resultado de aplicações financeiras) são ordinariamente tributadas; assim, tais operações, bem como os custos e despesas a elas vinculados, hão de ser contabilmente segregados para fins de tributação. Destarte, eventual perda (prejuízo ocorrido e apurado em operações que constituam atos cooperativos sem objetivo de lucro) não pode ser classificada como prejuízo fiscal, sob pena de contaminar, reduzindoo nesse ou em anocalendário futuro, o resultado sujeito à tributação (atos nãocooperativos), hipótese em que cabe o lançamento de oficio como adição ao resultado do período de apuração , para ajuste da base de cálculo do IRPJ. Impugnação Improcedente Outros Valores Controlados Nesse seguir, a cooperativa interpôs recurso voluntário (efls. 110 e seg.), em face do qual foi proferida a decisão ora recorrida, que restou assim ementada (efls. 160 e seg.): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 COOPERATIVA DE CRÉDITO. ATO COOPERADO. APROPRIAÇÃO DE RESULTADO. Descabe falar em segregação de resultado da cooperativa quando o Fisco não logrou demonstrar a prática de atos não cooperados pela instituição. A PFN interpôs recurso especial (efls. 165 e seg.), o qual foi integralmente admitido por despacho (efls. 177 e seg.). Em apertada síntese, sustenta a recorrente que: Os artigos 182 e 193 do RIR/99 autorizariam a tributação dos resultados positivos advindos de atos nãocooperados; O e. STJ já teria se manifestado no sentido de que a realização de investimentos no mercado financeiro não seria ínsito à finalidade das cooperativas, razão pela qual não poderia ser qualificado como “ato Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10925.002305/200681 Acórdão n.º 9101002.784 CSRFT1 Fl. 101 3 cooperativo”. Nesse sentido, cita o acórdão do Recurso Especial n. 109.711/RS; Os referidos investimentos financeiros não cumpririam os requisitos contidos no art. 79 da Lei nº 5.764/71, portanto, não poderiam ser classificados como atos cooperados; A cooperativa apresentou contrarrazões ao recurso especial (efls. 188 e seg.), arguindo, em apertada síntese, que: A sistemática adotada pela cooperativa objetivou a preservação da segurança econômica da instituição, uma vez que o valor não teria como ser distribuído aos cooperados, já que se trata de valor decorrente de um renegociação de dívida, cujo o vencimento ocorre apenas no final de 2022; “A medida tomada pela cooperativa fez com que o valor, contabilizado como recuperação de baixa de prejuízo, na conta 7.1.9.20.10.002, fosse transferido diretamente à conta Reserva de Capital, de código 6.1.5.30.20.001, sem trânsito na apuração do lucro real. Portanto, não havia receita estranha à sociedade, pois independentemente de sua forma de contabilização, era um valor decorrente de ATOS COOPERATIVOS, o que pela legislação vigente do Imposto de Renda, não é base de incidência tributária, conforme art. 182 do RIR”; As cooperativas não podem ser tributadas pelo IRPJ, pois, os seus resultados positivos, também chamados de “sobras”, não equivale ao lucro. Destacase que a recorrida não se opôs, em suas contrarrazões, à admissibilidade do recurso especial interposto. Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Em seu recurso especial, a PFN demonstrou analiticamente a divergência jurisprudencial arguida, cumprindo com o que requer o art. 67 do RICARF. Os paradigmas apresentados apresentam entendimento oposto do que foi adotada como razão de decidir do acórdão recorrido. Colhese do acórdão recorrido a seguinte conclusão: “A autoridade lançadora desconsiderou o resultado negativo apurado pela cooperativa no anocalendário de 2001 sob o argumento de que estariam sendo indevidamente consideradas perdas em operações com atos cooperados, como redução de ganhos ocorridos em operações referentes a atos não cooperados. Pelo exame dos autos, não consegui vislumbrar qual ou quais teriam sido os atos não cooperados praticados pela entidade. Nessa linha todo o resultado da cooperativa seria decorrente de operações albergadas no objeto social e não haveria que se falar em segregação.” Fl. 225DF CARF MF 4 A constatação do i. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto decorre da sucinta fundamentação da autoridade lançadora para o lançamento em questão: “001 – ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Por meio de análise da Ficha 06B da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) de 2002 de fl. 08, verificamos que o contribuinte em epígrafe deixou de adicionar ao cálculo do lucro líquido o resultado negativo de R$ 1.371.191,34 apurado no anocalendário de 2001. Essa prática não possui amparo legal, conforme passamos a demonstrar a seguir. O prejuízo sofrido pela sociedade será suportado pelos associados, conforme os Arts. 80 e 89 da Lei nº 5.764/1971. Com isso, concluise que, na apuração de resultados, as cooperativas, necessária e obrigatoriamente, darão resultados neutro (zero), não podendo produzir lucro nem prejuízo. A sobra ou o prejuízo que ocorre na cooperativa é uma mera inadequação entre o custo dos serviços ou produtos e o valor recebido por estes. Não há objetivo de lucro, nem mesmo há objetivo de sobra. O que a cooperativa objetiva é repassar seus produtos e serviços ao preço exato de seu custo. Ainda, conforme o Art. 111 dessa mesma Lei, considerase renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações dos Arts. 85, 86 e 88. Tratase de atos não cooperativos, legalmente permitidos, cuja prática o legislador considerou tolerável, e que estão sujeitos à escrituração em separado e à tributação regular dos resultados obtidos. De acordo com o Art. 87, os resultados das operações das cooperativas com não associados (Arts. 85 e 86) serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. O Parecer Normativo CST nº 73/75 também determina que devem ser apuradas em separado as receitas das atividades próprias das cooperativas e as receitas derivadas de atividades estranhas. Tanto é assim, que devem ser computados em separado os custos diretos, e custos e encargos indiretos devem ser apropriados proporcionalmente ao valor das receitas próprias e das receitas de atividades estranhas. Isto demonstra que nem o resultado positivo, nem o resultado negativo das cooperativas devem contaminar receitas decorrentes de atividades estranhas à finalidade da cooperativa. Quanto ao resultado negativo decorrente de operações com associados (atos cooperativos), concluise que não pode ser denominado prejuízo fiscal, pois o prejuízo fiscal consiste em um lucro negativo, e na atividade cooperativa não se fala em lucro. Ademais, somente podem ser objeto de compensação os prejuízos fiscais gerados pela atividade tributada. Portanto, se os resultados negativos da atividade cooperativa contaminaram o resultado positivo das demais operações sobre as quais há incidência do imposto, deverão ser adicionados ao lucro líquido, pois não podem reduzir o resultado sujeito à tributação (Art. 249, I do RIR/99).” Assim, com fundamento exclusivo no art. 249 do RIR/99, a autoridade fiscal lavrou AIIM para lançar todo o valor do resultado negativo decorrente de atos cooperativos praticados pela cooperativa apurado pela 31.12.2001, qual seja, R$ 1.371.191,34. O valor em questão, portanto, não se refere a rendimentos que fiscalização considerou como decorrentes de atos não cooperados e tributáveis: tratase de resultado negativo da prática de atos que a fiscalização reconheceu como decorrentes da prática de atos cooperados. Como se pode abstrair, a autoridade fiscal adotou as seguintes premissas: sociedades cooperativas não podem apurar prejuízos, pois estes devem ser suportados pelos cooperados; Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10925.002305/200681 Acórdão n.º 9101002.784 CSRFT1 Fl. 102 5 a cooperativa não pode lançar, em suas declarações fiscais prejuízos fiscais decorrentes de atos cooperativos, pois isso poderia contaminar eventuais rendimentos decorrentes de atos não cooperados que a cooperativa poderia vir a obter no futuro; Como conclusão, a autoridade fiscal lançou o tributo com base no resultado negativo apresentado pela cooperativa no ano de 2001. A fiscalização não glosou, portanto, a compensação de prejuízos fiscais de atos cooperados com rendimentos de atos não cooperados, pois sequer atos não cooperados foram identificados. Não se adotou como base para a autuação qualquer rendimento classificado como ato não cooperado. Por partir de premissas jurídicas equivocadas, a conclusão obtida pela autoridade fiscal conduziu ao absurdo, pois enquanto resultados positivos decorrentes de atos cooperados não seriam tributáveis, resultados negativos decorrentes de atos cooperados serviram como justificativa e base imediata para o lançamento tributário. Deve ser mantido, portanto, o acórdão a quo, que cancelou o lançamento tributário. Ainda que assim não fosse, caso a contribuinte (cooperativa de crédito) houvesse efetivamente obtido rendimentos com aplicações realizadas no mercado financeiro, igualmente não mereceria acolhida a pretensão recursal da PFN. Ocorre que rendimentos obtidos por cooperativas de crédito, com aplicações realizadas no mercado financeiro, devem ser considerados como “atos cooperados”. Não se pode confundir “receitas financeiras” obtidas por cooperativas em geral (por exemplo, agrícolas ou de trabalho) com “receitas financeiras” obtidas por cooperativas de crédito. Esse é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça para a matéria. Em relação às cooperativas em geral (com exceção das cooperativas de crédito), o e. STJ consagrou, pela sistemática dos recursos repetitivos, o entendimento de que “receitas financeiras” não devem ser classificadas como decorrentes de atos cooperados e, portanto, sujeitarseiam à incidência do imposto sobre a renda (Súmula n. 262, de 2002, e REsp n. 58.265/SP, de 2009). No entanto, o e. STJ não aplica esse entendimento às cooperativas de crédito. Os julgados realizados por aquele e. Tribunal, após a prolação do aludido REsp n. 58.265/SP, deixam expresso que, em relação às cooperativas de crédito, as “receitas financeiras” devem ser consideradas como decorrentes de atos cooperados e, portando, não sujeitos à incidência tributária: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATOS COOPERATIVOS. IMPOSTO DE RENDA. NÃOINCIDÊNCIA. SÚMULA 262/STJ. INAPLICABILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que os atos cooperativos típicos – assim entendidos aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados ou entre os associados e as cooperativas, ou ainda entre cooperativas, para a consecução dos objetivos sociais – não geram receita ou lucro, consoante disposto no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971. Fl. 227DF CARF MF 6 2. A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito – incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado – constitui ato cooperativo. 3. Inferese que, se as aplicações financeiras das cooperativas de crédito, por serem atos cooperativos típicos, não geram receita, lucro ou faturamento, o resultado positivo decorrente desses negócios jurídicos não sofre a incidência do Imposto de Renda. 4. Acresçase que os julgados que deram origem ao enunciado da Súmula 262/STJ não analisaram a situação específica das cooperativas de crédito, cuja atividade básica está relacionada à gerência financeira dos recursos creditícios dos associados. (....) (AgRg no AgRg no REsp 717.126/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/02/2010, DJe 24/02/2010) TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. PIS. COFINS. DESCARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO PRÓPRIO. PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. ARTS. 458, II, E 535 DO CPC. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO AUSENTE: SÚMULA 211/STJ. 1. Não ocorre violação aos arts. 458, II e 535, II do CPC se o acórdão recorrido decide fundamentadamente as questões essenciais ao julgamento da lide. 2. É inadmissível o recurso especial quanto a questão não decidida pelo Tribunal de origem, por falta de prequestionamento. 3. Segundo a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça as aplicações financeiras de cooperativa de crédito são isentas do PIS e da COFINS por se caracterizarem como atos cooperativos próprios. 4. Inexiste sentido em tributaremse as aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas, fonte de sua atividade, para assim realizar as operações com os seus associados. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (STJ, REsp 1125697/MG, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/02/2010, DJe 04/03/2010) Corrobora esse entendimento o REsp nº 109.711/RS, trazido à colação pela própria PFN. Ocorre que, neste caso, o e. STJ considerou que receitas de aplicações financeiras deveriam ser consideradas como atos não cooperados em relação a COOPERATIVAS DE TRABALHO ODONTOLÓGICO. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10925.002305/200681 Acórdão n.º 9101002.784 CSRFT1 Fl. 103 7 Fl. 229DF CARF MF
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