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Numero do processo: 10314.003474/2009-70
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/01/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário.
MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01.
DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO.
Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL REALIZADO DEPOIS DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES DOS TRIBUTOS. APLICABILIDADE DOS JUROS DE MORA
São exigíveis os juros de mora quando se constata que o depósito judicial efetuado no montante integral, ou seja, pelo valor monetariamente atualizado do crédito, acrescido da multa e juros de mora cabíveis, calculados a partir da data do vencimento do imposto ou contribuição só foi realizado depois da constituição, pelo lançamento, dos referidos tributos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-004.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/01/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01. DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO. Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL REALIZADO DEPOIS DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES DOS TRIBUTOS. APLICABILIDADE DOS JUROS DE MORA São exigíveis os juros de mora quando se constata que o depósito judicial efetuado no montante integral, ou seja, pelo valor monetariamente atualizado do crédito, acrescido da multa e juros de mora cabíveis, calculados a partir da data do vencimento do imposto ou contribuição só foi realizado depois da constituição, pelo lançamento, dos referidos tributos. Recurso Voluntário Negado.
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INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01. DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO. Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL REALIZADO DEPOIS DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES DOS TRIBUTOS. APLICABILIDADE DOS JUROS DE MORA São exigíveis os juros de mora quando se constata que o depósito judicial efetuado no montante integral, ou seja, pelo valor monetariamente atualizado do crédito, acrescido da multa e juros de mora cabíveis, calculados a partir da data do vencimento do imposto ou contribuição só foi realizado depois da constituição, pelo lançamento, dos referidos tributos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 34 74 /2 00 9- 70 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 205), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA "HOSPITAL ALBERT EINSTEIN", interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0732.543, proferido em primeira instância pela 2ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC, que não conheceu a impugnação quanto à matéria de mérito objeto de enfrentamento concomitante na instância administrativa e na esfera judicial. Também, que conheceu e rejeitou os protestos da impugnante quanto à exigência dos juros de mora. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Versa o presente processo sobre a constituição do crédito tributário formalizado nos Autos de Infração de fls. 05 a 28, cientificados em 01.04.2009, em que são exigidos o imposto sobre produtos industrializados, vinculado à importação e o imposto de importação e as contribuições pisimportação e cofinsimportação, esses acrescidos dos juros de mora calculados até 31.03.2009, perfazendo um montante de R$ 232.161,04. Através da declaração de importação (DI) nº 09/00591123, registrada em 15.01.2009, a empresa epigrafada importou mercadorias sem proceder ao recolhimento dos tributos Fl. 207DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.003474/200970 Acórdão n.º 3802004.125 S3TE02 Fl. 207 3 incidentes sobre a respectiva operação por força do deferimento da antecipação dos efeitos da tutela recursal pleiteada nos autos do Agravo de Instrumento nº 2008.03.00.0335523 apresentado perante o TRF da 3ª Região contra a denegação da medida liminar pedida no Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0203671, impetrado perante a 8ª Vara Cível de São Paulo, para alegar seu direito à imunidade tributária fulcrada no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção insculpida no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal. Dos autos depreendese que a autuada não obteve êxito no pedido liminar pleiteado na inicial juntada às fls. 52 a 64 que originou o processo nº 2008.61.00.0203671, em que almejava, perante o Juízo da 8ª Vara Civil de São Paulo, o imediato desembaraço das mercadorias importadas ao amparo da DI nº 09/00591123 sem o pagamento dos tributos incidentes (II e IPI e da contribuições PIS e COFINS). Inconformada com o indeferimento, a interessada interpõe agravo de instrumento nº 2008.03.00.0335523 perante o TRF da 3ª Região, tendo esse Juízo, em grau de recurso, se manifestado nos seguintes termos: “Por esses fundamentos, defiro a antecipação dos efeitos da tutela recursal pleiteada, para determinar o desembaraço das mercadorias constantes (...), sem o recolhimento do Imposto de Importação, IPI, PISimportação e COFINSimportação.” (fls. 46 a 51). A autoridade lançadora informa que “em 11/11/2008, através do Ofício nº 008.2008.02596, a IRF/SPO foi informada que o M. Juiz prolatou sentença não reconhecendo o direito à imunidade pleiteada, denegando a segurança, fato que a fiscalização deste Porto Seco foi notificada somente em 26/01/2009. Por todo exposto, e por considerar a pleiteada imunidade incabível, lavramos o presente auto de infração para a exigência do (...),não recolhidos no curso do despacho aduaneiro da DI nº 09/00591123. Informo que a multa prevista no artigo 645 do Decreto nº 4.543/02 foi recolhida mediante débito automático em conta corrente bancária, em ato de retificação da DI em pauta, promovido pelo importador”. Em 06.11.2008 a Secretaria da 8ª Vara Cível da 1ª Subseção Judiciária em São Paulo expediu notificação para dar a conhecer à autoridade coatora da sentença proferida nos autos do processo judicial nº 2008.61.00.0203671, referente ao mandado de segurança em questão (fls. 66 a 68v), cujo dispositivo reproduzo: “Resolvo o mérito nos termos do artigo 269, inciso I, do Código de Processo Civil, para denegar a segurança. Condeno a impetrante a arcar com as custas processuais que despendeu. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Incabível a condenação ao pagamento de honorários advocatícios, a teor da Súmula 512, do Supremo Tribunal Federal, e da Súmula 105, do Superior Tribunal de Justiça. Enviese esta sentença por meio de correio eletrônico ao(a) Excelentíssimo(a) Desembargador(a) Federal relator(a) do agravo de instrumento interposto nos autos, nos termos do artigo 149, III, do Provimento nº 64, de 28.4.2005, da Corregedoria Geral da Justiça Federal da Terceira Região, para as providências que julgar cabíveis quanto ao julgamento desse recurso. Certificado o trânsito em julgado, arquivemse os presentes autos. Registrese. Publiquese. Intimese. Oficiese.” Em 18.02.2009, nos autos do processo nº 2008.61.00.0203671, o Juízo da 8ª Vara Civil de São Paulo assim se manifesta: “Embora não seja compatível com o rito célere e mandamental do mandado de segurança, procedimento escolhido pelo impetrante, e nestes autos já tenha sido proferida sentença, com resolução do mérito, na qual se denegou a segurança, defiro a realização do depósito no montante integral dos tributos federais incidentes sobre a operação de importação objeto da LI 08/1577574, porque tal providência não causará prejuízo à União, tendo em vista que, nos termo do § 2º do artigo 1º da Lei nº 9.703/98, tal depósito será repassado pela Caixa Econômica Federal para a Conta Única do Tesouro Nacional, independentemente de qualquer formalidade, e sobre ele incide a SELIC. No caso de confirmação da sentença, pelo tribunal Regional Federal da Terceira Região, o depósito será convertido em renda da União. Comprove o impetrante, no prazo de 10 (dez)dias, a elevação do depósito. Após, oficiese à autoridade apontada como coatora, dandoselhe ciência do depósito, para as providências cabíveis” (fls. 70). As DJEs (documentos para depósitos judiciais ou extrajudiciais à ordem e à disposição da autoridade judicial ou administrativa competente) e as telas do Sistema “Sinal 08, 1 RPE (Consulta Pagamento)”, juntadas às fls. 70 a 76, evidenciam e comprovam que em 20.02.2009 a interessada providenciou o depósito judicial dos tributos lançados nos autos de infração em questão. O demonstrativo de fls. 77 informa que a autuada, além de proceder ao depósito dos tributos exigidos, conforme acima relatado, efetuou, além do recolhimento das multas de ofício, conforme confirmado inclusive pela autoridade lançadora, o pagamento da multa e dos juros de mora, razão pela qual solicitou a obteve o direito de retificar a DI em apreço (fls.78 a 80). Pelo expediente de fls. 89 a unidade de origem (preparo) informa, em 06.04.2009, que solicitou “que o contribuinte efetuasse o valor complementar dos depósitos judiciais para que totalizassem o montante integral dos tributos federais incidentes sobre a importação objeto da LI 08/15775714. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.003474/200970 Acórdão n.º 3802004.125 S3TE02 Fl. 208 5 Foram apresentados os originais dos comprovantes desses depósitos complementares, dos quais tiramos cópias que anexamos ao presente (pág. 85 a 88). Estamos enviando o presente ao Porto Seco CNAGA para que se proceda ao desembaraço das mercadorias referentes à citada operação de importação”. O comprovante de importação referente à DI 09/00591123 nos informa que essa foi registrada em 15.01.2009, retificada em 31.03.2009 e desembaraçada em 08.04.2009 (fls. 90). Irresignada com os lançamentos, a importadora autuada ofereceu, em 17.04.2009, defesa administrativa às fls. 94 a 107, para, de início, alertar que o crédito tributário em tela é objeto do Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0203671, originário da 8ª Vara Cível da Seção Judiciária de São Paulo, e reafirmar as considerações aduzidas na respectiva inicial, alegando, por conseguinte, o direito à imunidade tributária do artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção do artigo 195, parágrafo 7º, da Constituição Federal, por entender que preenche todos os requisitos para fruição dos benefícios fiscais que tem direito as instituições de assistência social, em arrimo à sua pretensão. Prosseguindo na sua defesa, alega que com o depósito do montante integral do tributo discutido em juízo não há que se falar em mora e conseqüentemente não há como se cobrar respectivos juros. Cita doutrinas e jurisprudências sobre o tema em debate. Ante o exposto, requer seja declarada a insubsistência do auto de infração ora combatido. Este é o Relatório.” Indeferida a impugnação apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da ementa que segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/01/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS.RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial em que se discute idêntico objeto da impugnação apresentada em face de autuação fiscal importa em renúncia do contribuinte em contestála na instância administrativa, devendo, por conseguinte, declarar a definitividade da respectiva exigência tributária, haja vista a prevalência da decisão judicial sobre a administrativa e em cumprimento do princípio constitucional da unicidade de jurisdição. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL REALIZADO DEPOIS DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES DOS TRIBUTOS. APLICABILIDADE DOS JUROS DE MORA. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 São exigíveis os juros de mora quando se constata que o depósito judicial efetuado no montante integral, ou seja, pelo valor monetariamente atualizado do crédito, acrescido da multa e juros de mora cabíveis, calculados a partir da data do vencimento do imposto ou contribuição só foi realizado depois da constituição, pelo lançamento, dos referidos tributos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada acerca da decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ de Florianópolis – DRJ/FNS, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual pede: (i) o sobrestamento do processo administrativo até julgamento final do mandado de segurança; (ii) ausência de fluência de juros diante da antecipação de tutela; (iii) nulidade da decisão recorrida por ausência de renúncia à instância administrativa; e, por fim, (iv) a insubsistência do referido auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 205), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço parcialmente do Recurso e passo à análise de apenas parte das razões recursais. O presente Recurso Voluntário, como indicado ao final do relatório, dividese em quatro itens: (i) O sobrestamento do processo administrativo até julgamento final do mandado de segurança; (ii) A ausência de fluência de juros diante da concessão da segurança pela sentença em mandado judicial; (iii) A nulidade da decisão recorrida por ausência de renúncia à instância administrativa; e, por fim, (iv) A insubsistência do referido auto de infração. Ocorre que o item (i) foi trazido somente em sede recursal, revelandose inovações argumentativas. Restam aplicáveis, portanto, os arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, de modo que inviável conhecer tais alegações sob pena de supressão de instância. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.003474/200970 Acórdão n.º 3802004.125 S3TE02 Fl. 209 7 Ao seu turno, o item (iv) também não merece ser conhecido, dado que efetivamente há identidade de objetos entre o mérito do recurso e o mandado de segurança. Vejase: Verificase nos autos, haver sido feita a juntada cópia da petição inicial do writ (MS nº 002036778.2008.4.03.6100) bem como do Agravo de Instrumento (2008.03.00.0335523), que estão integralmente anexada aos autos às fls. 49 e seguintes do processo digital, que permite tal constatação. Segue transcrito abaixo um trecho da peça inicial elaborado pela Recorrente ao Juízo, que já elucida a matéria: "(...) DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA A Constituição Federal estabelece as limitações constitucionais ao poder de tributar, prevendo os casos de imunidade tributária, entre as quais dispõe as abaixo transcritas, na qual, como veremos, se enquadra perfeitamente a Impetrante. Estabelece o artigo 150, VI, "c" da Constituição Federal: "Art. 150 — Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao.contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI— instituir impostos sobre: (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei."Já o parágrafo 7º do artifo 195 da Constituição Federal, assim dispõe: (...)". Já o parágrafo 7o do artigo 195 da Constituição Federal, assim dispõe: "Art. 195 (...)...: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." Transcrevese abaixo, trecho do relatório da decisão judicial (agravo de instrumento à fl. 49): "(...) Tratase de agravo de instrumento interposto em face de decisão proferida em mandado de segurança que indeferiu medida liminar, a fim de que seja determinado o desembaraço aduaneiro das mercadorias constantes da Pro Forma no 80424/1; Pro Forma nº 80108/3; LI 08/15458620; LI 08/15885056; LI 08/15385797; LI 08/1052640 6; LI Fl. 212DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 08/15775714 e; LI 08/16563834, sem o recolhimento do II, IPI, PISimportação e COFINSimportação, em vista da imunidade tributaria concedida às sociedades beneficentes e assistenciais na Constituição Federal de 1988. Inconformada com a decisão, a agravante interpõe o presente recurso, inclusive para valerse da possibilidade de deferimento da antecipação da tutela recursal, à luz da atual disciplina tragada nos artigos 558 e 527, inciso III, do Código de Processo Civil. (...). Merece destaque ainda o contido no Relatório da Decisão DRJ às fls. 161/168, ficando consignado que (grifouse): "(...) Conforme se depreende do relatório supra, a impugnante, antes do lançamento, já ingressara com Mandado de Segurança Preventivo processo nº 2007.61.00.0203671, impetrado contra o Chefe da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Paulo, perante a 8ª Vara Cível da 1ª Subseção Judiciária em São Paulo, tendo por objeto de discussão idêntica matéria tratada neste processo, obtendo liminar autorizando o desembaraço aduaneiro das mercadorias internadas por meio da DI nº 09/00591123, registrada em 15.01.2009, sem o pagamento dos tributos incidentes na respectiva operação". De toda sorte, resta clara a identidade de objetos (que inclusive levaram o Recorrente a pedir o sobrestamento do processo até decisão final do mandado de segurança), o que torna inviável o conhecimento do Recurso nesse aspecto. Assim, cabível o conhecimento e julgamento do item (ii e iii) do Recurso Voluntário, relativo ao pleito da ausência de fluência de juros diante da antecipação de tutela e da nulidade da decisão recorrida por haver reconhecido a renúncia à esfera administrativa diante da impetração do mandado de segurança pelo contribuinte. Então, vamos a eles. ii) Da ausência de fluência de juros diante da antecipação de tutela A Recorrente alega em seu recurso serem inaplicáveis os juros de mora em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, concedida em face de liminar em mandado de segurança e que a decisão judicial tem força de lei. Ressalta ainda o depósito do crédito tributário em seu montante integral. Não assiste razão a recorrente. Não obstante o acima asseverado, cabenos analisar a aplicabilidade dos juros de mora, matéria não submetida ao crivo do Poder Judiciário na referida ação mandamental, porquanto esta teve caráter preventivo e, assim, quando da sua propositura, ainda não haviam sido formalizados os presentes lançamentos tributários. A exigência dos juros de mora está conforme as normas legais vigentes e qualquer esforço tendente a afastar sua aplicação, por entendêla inconstitucional, somente poderá advir de demanda pleiteada judicialmente, pois este órgão julgador é incompetente para apreciar questões que se referem à inconstitucionalidade de normas legais legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.003474/200970 Acórdão n.º 3802004.125 S3TE02 Fl. 210 9 Neste caso, entendo correto o entendimento da decisão a quo, conforme o trecho baixo transcrito: "(...) Dos autos do presente processo depreendese que quando dos fatos geradores dos referidos tributos (II, PIS e COFINS), ocorridos em 01.04.2009, a impugnante ainda não se encontrava amparada pelo depósito judicial do montante integral do crédito tributário lançado nos respectivos autos de infração, uma vez que só se completou em 06.04.2009, conforme evidenciam os DJEs juntados às fls. de fls. 85 a 88, tanto que a autoridade competente condicionou o desembaraço das mercadorias da DI nº 09/00591123, registrada em 15.01.2009, à realização de tais depósitos complementares. Nesse sentido, conforme dispõe o artigo 151, inciso II da Lei nº 5.172/1966 (CTN), somente o depósito do montante integral do crédito tributário exigido tem o efeito de suspender sua exigibilidade e evitar a mora. É, inclusive, o que emerge do entendimento contido no item 7 do Parecer Cosit 2, de 05.01.1999, que trago à colação: 7. Relativamente ao depósito do montante integral do crédito tributário, é pertinente salientar que, em conformidade com o art. 4o do Decretolei no 1.737, de 20 de dezembro de 1979, deve ele ser efetuado pelo valor monetariamente atualizado do crédito, acrescido da multa e juros de mora cabíveis, calculados a partir da data do vencimento do tributo ou contribuição até a data do depósito.Assim, à suspensão da exigibilidade do crédito tributário agregase o principal efeito decorrente do depósito, qual seja, exime o sujeito passivo, a partir da data em que é efetuado, do ônus da correção monetária e evita a fluência dos juros e multa de mora em que incorreria até a solução da lide ou litígio. Portanto, somente depois de se constatar o efetivo depósito do montante integral do crédito tributário lançado é que os efeitos da mora deixam de existir, o que torna devida a exigência dos juros mora no caso sob exame. iii) Da nulidade da decisão recorrida por haver reconhecido a renúncia à esfera administrativa Ora, compulsando os autos fica claro que sua demanda judicial está restrita ao direito à imunidade tributária com base no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção declarada no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal, guerreado na medida liminar denegada nos autos do Mandado de Segurança processo nº 2008.61.00.0203671, impetrado perante a 8ª Vara Cível de São Paulo, para alegar seu direito à imunidade tributária fulcrada no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção insculpida no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal. Naquela demanda, após ter sido indeferido seu pedido de antecipação de tutela, o contribuinte interpôs Agravo de Instrumento nº nº 2008.03.00.0335523 apresentado perante o TRF da 3ª Região/SP, no qual foi deferida a antecipação dos efeitos da tutela recursal. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 Pois bem. Diante disso, todas as suas alegações na esfera administrativa quanto ao tema deixam de ser passíveis de análise, conforme inteligência do art. 1º e 2º do DecretoLei nº 1.737/1979 e o artigo 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/1980, dada a absoluta identidade de discussão com a matéria tratada na via judicial. Acertada, portanto, a decisão recorrida ao reconhecer a renúncia à esfera administrativa. Apenas aproveito o ensejo para transcrever o art. 38 e seu parágrafo único, da Lei de Execuções Fiscais, por serem de clareza hialina: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. (grifei) Não por outro motivo o CARF editou a Súmula nº 01, na qual restou consignado que: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, não há nulidade a ser reconhecida sobre a decisão originária que, acertadamente, reconheceu a existência de concomitância entre o argumento de mérito da impugnação e o mandado de segurança impetrado pelo sujeito passivo. Conclusão Ante todo o exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.003474/200970 Acórdão n.º 3802004.125 S3TE02 Fl. 211 11 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003136/2010-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2007
Ementa:
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA.
A constatação de que o contribuinte apresentou, antes de a decisão de segunda instância ter sido prolatada, desistência do recurso administrativo, impõe a decretação da nulidade do julgado, eis que o recurso não deveria ter sido conhecido.
Numero da decisão: 1301-001.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 1301-001.591, de 30/07/2014, alterar a decisão original de DAR PROVIMENTO AO RECURSO para NÃO CONHECER O RECURSO EM RAZÃO DE DESISTÊNCIA
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luís Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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DESISTÊNCIA. A constatação de que o contribuinte apresentou, antes de a decisão de segunda instância ter sido prolatada, desistência do recurso administrativo, impõe a decretação da nulidade do julgado, eis que o recurso não deveria ter sido conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 1301001.591, de 30/07/2014, alterar a decisão original de DAR PROVIMENTO AO RECURSO para NÃO CONHECER O RECURSO EM RAZÃO DE DESISTÊNCIA “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luís Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 31 36 /2 01 0- 80 Fl. 518DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003136/201080 Acórdão n.º 1301001.866 S1C3T1 Fl. 519 2 Relatório Cuida o presente processo de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, interpostos pela Fazenda Nacional com base no argumento de que, ao proferir o acórdão nº 1.301001.591 (sessão de 30 de julho de 2014), esta 1ª Turma Ordinária teria incorrido em omissão. Afirma a embargante que a Turma Julgadora deu provimento ao recurso do contribuinte para cancelar o lançamento tributário, porém, não examinou o pedido de desistência apresentado pelo interessado em 06 de março de 2014. Destaca que o pedido foi formalizado em data anterior a da prolação do acórdão, de modo que, por ocasião do julgamento, a decisão de primeira instância, em razão do desaparecimento da litigiosidade, já se tornara definitiva, sendo inviável a sua posterior modificação no âmbito administrativo. Entende que, no caso, o cancelamento do acórdão prolatado pelo Colegiado é medida que se impõe. A embargante faz referência a pronunciamentos da Câmara Superior de Recursos Fiscais convergentes com o seu entendimento, e registra que eventual constatação de juntada do pedido de desistência em data posterior ao julgamento não invalida o que ela defende. Esclarece, ainda, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais também já decidiu que os EMBARGOS representam o instrumento jurídico adequado para corrigir inexatidão cuja origem decorra de omissão que, se fosse do conhecimento dos Conselheiros antes do julgamento, acarretaria resultado diverso. A Fazenda Nacional requer o recebimento, o conhecimento e o provimento dos embargos, para que a Turma Julgadora se pronuncie sobre o pedido de desistência apresentado pelo contribuinte, bem como para que esclareça os efeitos jurídicos decorrentes do vício apontado. É o Relatório. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003136/201080 Acórdão n.º 1301001.866 S1C3T1 Fl. 520 3 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. A alegação básica da embargante é de que, antes de a decisão de segunda instância ter sido exarada, a contribuinte impetrou pedido de desistência do processo, de modo que é necessário o pronunciamento do Colegiado acerca dos efeitos jurídicos decorrentes de tal fato. Na linha do alegado pela embargante, identificase, às fls. 5011 do processo, petição, por meio da qual o Sr. MÁRCIO KUMRUIAN, anexando comprovante de recolhimento, requer a desistência do processo em virtude da adesão a parcelamento especial. Constato que, embora referido pedido tenha sido protocolizado em 06 de março de 2014, antes, portanto, de o acórdão nº 1301001.591 ter sido prolatado, só foi carreado aos autos depois que referida decisão foi exarada. Vêse, então, que, antes do julgamento em segunda instância, a contribuinte apresentou desistência do recurso voluntário impetrado. A meu ver, reorganizado o processo nos termos da norma processual em vigor, abaixo reproduzida, resta patente que nenhum efeito jurídico poderá produzir o acórdão prolatado em 30 de julho de 2014, eis que em 06 de março desse mesmo ano o contribuinte já havia desis, por meio de manifestação inequívoca, do recurso voluntário interposto. Decreto nº 70.235/72 Art. 22. O processo será organizado em ordem cronológica e terá suas folhas numeradas e rubricadas. Sou, pois, em virtude das razões expostas, pela retificação do acórdão nº 1301001.591 de 30 de julho de 2014, de DAR PROVIMENTO AO RECURSO para NÃO CONHECER O RECURSO EM VIRTUDE DA FORMALIZAÇÃO DE DESISTÊNCIA. "documento assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Relator 1 Numeração do arquivo digital. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.003136/201080 Acórdão n.º 1301001.866 S1C3T1 Fl. 521 4 Fl. 521DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 35366.002907/2004-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 2401-000.002
Decisão: RESOLVEM os membros da Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Piscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem.
Nome do relator: Bernadete de Oliveira Barros
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C()NSF - I- -110 ADMINISTRATIVO -DE RECURSOS -FISCAIS SEGUND.A SEÇÃO DE 1111 ,GAM EM . O Processo n" 35366.002907/2004-21 Recurso no 152.149 Resolução n" 2401-00.002 — Câmara 1" Tonna Ordinária Data 03 de março de 2009 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente 13S1-1 CONIIN1NTAL, ELETRODOMÉSTICOS .1,TDA. Recorrida SRP-SEERETARÍA DA REC.F1TA PREVIDENCIÁRIA RESOLVEM os membros da Primeira Turma Ordinária da Quarta Camara do Conselho Administrativo de Recursos Piscais, por unanimidade de votos, em converter o .julgamento em diligência. à Repai tição de Origem. • ELIAS SAMPAIO EREfRE Presidente 1)1. OLIVEIRA BARROS Relatem Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: atine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Maria Bandeira, Rogêrio de Lellis Pinto, Cleusa Vieira de Souza, Lora caço l'erreha do Prado e Ryeat do Henrique Ma g,alhães de Oliveira. • Processo 35366 00290 7/200 ,1-81 S2-C6I R esol tiçâo n " 240 -00.002 2 408 • • RELA TO R I() Trata-se de pedido de revisão, formulado pela e.m.presa acima identificada, do Acórdão n" 964/2007, da 4n CAI do CRPS, que conheceu do recurso interposto pela notificada. e negou-lhe provimento, O crédito prevideneiário lançado por meio da NFLE) se refere às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados, à da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros, tendo como fido gerador, segundo Relatório Fiscal (11s. 219 a 225), a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços à notificada no período de 10/94 a 12/98. • A autoridade lançadora informa que as contribuições foram levantadas com base nas folhas de pagamento apresentadas e, na apropriação dos recolhimentos feitos até a data da lavratura da notificação. A empresa notificada. impugnou o débito via peça de lis. 136 a 176 e, de sua análise, foi realizada diligência e retificado o valor lançado. A Secretaria da Receita Providenciaria, por meio da DN n" 21.401.4/0273/2004 (fls. 1.067 a 1.073), julgou o lançamento procedente em parte, acatando o parecer retificador e a notificada, inconlbrmada com a decisão, apresentou recurso tempestivo (lis. 1.080 a 1.104), repetindo as alegações já apresentadas na impugnação e na manifestação após a Informação Fiscal.. E.m Contra-Razões à fl. 1.309, a Secretaria da Receita Previdenciát ia manteve a decisão recorrida e a 04' 1 CAI do CR.PS, por meio do Acórdão 964/2007 (lis. 1310 a 1316), decidiu por conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. A notificada, inconformada com a decisão do CRPS, -formulou pedido de revisão de acórdão (fls. 1324 a 13.33), alegando, em síntese, que surgiram novos documentos que comprovam a verdade material dos fitos ocorridos ou a interpretação equivocada dos documentos já acostados ao processo, juntando telas de extratos de contribuições extraídos dos sistemas informatizados da Previdência Social e cópias de CiPS pagas. Insiste, ainda, na decadência de parte do débito lançado sob a alegação de inconstitucional idade do art. 45, da Lei 8.212/91 A Secretaria da Receita Federal do Brasil não apresentou contra-razões ao pedido de revisão, sugerindo o encaminhamento dos autos à Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Os autos Coram encaminhados ao Segundo Conselho de Contribuintes e o pedido de revisão foi acolhido pelo Presidente da 6' t Câmara, tendo em vista a aprovação da 2 Processo o" 35366 002907/2004-81 11 Resolução o " 2401-00..002 Fl 2.409 . .. .. • Snmula n'' 8 do STF, e designada act /oc a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, nos termos do art., 29,1E1, da Portaria IVII ; 147/2007. É o relatório. • • 3 ['muss() n" 35366 002907/2001- 52-C6.11 Resolução n " 2401-00.002 1.1 2410 . . VOTO Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora A empresa notificada solicita revisão de Acórdão sob o argumento de que surgiram fatos novos que comprovam a verdade material dos fatos ocorridas ou a interpretação equivocada dos documentos já acostados ao processo, juntando telas de extratos de contribuições extraídos dos sistemas infinmatizados da Previdência Social e cópias de (IPS pagas.. Considerando que a Secretaria da Receita Federal não apresentou contra-razões, entendo que o julgamento deva ser convertido cm diligência para que 0 autoridade fiscal informe se Os documentos juntados ao pedido revisional foram objeto de análise na ação fiscal considerados no cálculo da contribuição lançada ainda, parra que não tique configurado o cerceamento do direito de defesa, que seja dada ciência ao sujeito passivo do teor dos esclarecimentos a SCI -CM prestados pela fiscalização e aberto novo prazo para. sua ma.nifestação Nesse sentido e Considerando tudo mais que dos autos consta, Voto do sentido de CONVER'I sER O JULGAIVIENTO EM DILIGÊNCIA. É corno \mio.. Saia das Sessões, em 03 de março de 2009 BERNADETE DE OUIVI-JRA BARROS - Relatora
score : 1.0
Numero do processo: 11065.000043/2005-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 20 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3201-000.027
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA – Redator ad hoc
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Joel Miyazaki – Presidente ad hoc Celso Lopes Pereira Neto – Relator José Luiz Feistauer de Oliveira – Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Celso Lopes Pereira Neto, Anelise Daudt Prieto, Nilton Luiz Bartoli, Heroldes Bahr Neto e Nanci Gama. Relatório Por bem relatar os fatos, transcreve-se o relatório constante da decisão proferida pela 3ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes: Cuida-se de Recurso Voluntário contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS — DREPOA, através do Acórdão no 5.700 de 12 de maio de 2005. Foi lavrado Auto de Infração para exigência de multa capitulada nos artigos 43, 44, §1°, inciso II e 61, §§1 0 e 2°, da Lei n° 9.430/96, decorrente de ação fiscal levada a efeito na empresa, na qual foram examinadas as compensações de débitos de PIS, COFINS, IPI, IRPJ e CSLL, efetuadas diretamente nas DCTFs, sem DARF, com créditos de natureza não tributária. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2015 por JOEL MIYAZ AKI Processo nº 11065.000043/2005-70 Resolução nº 3201-00027 S3-C2T2 Fl. 185 2 Conforme Relatório do Trabalho Fiscal de fls. 05/11, a recorrente entregou em 04/10/02, Declaração de Compensação de crédito seu, de natureza não tributária, originado de empréstimo compulsório sobre energia elétrica A Eletrobrás, com os débitos dos tributos por ela devidos, anexados ao processo administrativo n° 11065.003707/2002-18. Apreciado o pedido, pela Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo, foi emitido o Parecer DRF/NHO/Saort n° 242/2002 (fls. 18/19), que propôs o indeferimento total do pedido, por não constituir o empréstimo compulsório um tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal. Em Despacho Decisório de 13/09/2002 (fls. 20), foi denegado o pleito do contribuinte, nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96 e Instrução Normativa n°21, de 10/03/97. 0 contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 23/45, na qual aduz que: - é empresa industrial dedicada a industrialização e comercio de sacos plásticos para embalagens e plásticos em geral e, em suas atividades empresariais, recebeu como forma de pagamento pela venda de seus produtos, os títulos oriundos do empréstimo compulsório à Eletrobrás; - por ser legitima possuidora dos títulos em questão, e por ser a Unido Federal obrigada solidária da Eletrobrás na devolução do empréstimo compulsório sobre a energia elétrica, e, ainda, por ser o empréstimo compulsório uma espécie tributária, formalizou pedido de ressarcimento/compensação dos créditos da Eletrobrás com tributos administrados pela SRF; - no entanto, a DRF/Novo Hamburgo entendeu por bem negar o pedido de ressarcimento, por entender que o empréstimo compulsório da Eletrobrás não constituía tributo, de forma que não caberia A Receita Federal ressarci-lo; - após a apresentação de Manifestação de Inconformidade, os autos foram encaminhados para DRJ/Porto Alegre, a qual entendeu por simplesmente devolver o processo, sem se manifestar sobre o mérito, alegando que não era competente para julgá-lo, em decorrência do pleito versar sobre empréstimo compulsório, o qual não configura tributo; - apresentou, então, Recurso Voluntário, para o qual foi negado seguimento ao Conselho de Contribuintes, razão pela qual buscou guarida junto ao Poder Judiciário, impetrando ação de mandado de segurança, objetive do o seguimento de seu recurso para aquele Conselho; - através da sentença proferida nos autos do MS n° 2003.71.08.010487-8, o Juízo da 1a Vara Federal de Novo Hamburgo, concedeu a segurança, determinando o seguimento do recurso ao Conselho de Contribuintes e determinando à DRF/Novo Hamburgo que se abstivesse de proceder à. Cobrança dos débitos compensados até que seja proferida decisão definitiva acerca do pedido administrativo de ressarcimento/compensação; - no entanto, foi lavrado o presente Auto de Infração e a DRF/Novo Hamburgo pretende cobrar a multa isolada de 150% sobre os valores compensados, cujos pedidos de ressarcimento/compensação ainda estão pendentes de julgamento; - incluiu no PAES os valores compensados referentes à competência de agosto de 2002; - a partir do auto de infração, o contribuinte não teve condições de precisar quais os fatos que motivaram a ação fiscal, visto que em nenhum momento a fiscalização descreveu, ainda que perfunctoriamente, os critérios utilizados para o cálculo do tributo, devendo, portanto, o lançamento ser considerado nulo por impedir o exercício do direito constitucional ao contraditório e a ampla defesa, visto que não é possível defender-se adequadamente de uma acusação que não foi devidamente descrita; Fl. 294DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2015 por JOEL MIYAZ AKI Processo nº 11065.000043/2005-70 Resolução nº 3201-00027 S3-C2T2 Fl. 186 3 - inexiste o fato típico que ensejaria a aplicação da norma penalizadora, pois as compensações efetuadas (ou o crédito utilizado) ainda está pendente de julgamento no processo administrativo n° 11065.003707/2002-18; - tanto a impugnação, quanto o recurso, por força de previsão expressa do art. 74, §11 da Lei 9430/96 e inciso II do artigo 151 do CTN, têm efeito suspensivo, impossibilitando a administração de tomar qualquer medida para exigir o crédito, enquanto não apreciadas as razões do contribuinte; - as Obrigações Eletrobrás não tem natureza jurídica de títulos públicos, como afirmado no auto de infração; - não há como aplicar retroativamente a norma prevista no artigo 4° da Lei n 11.051, de 29/12/2004, a fatos ocorridos de 31/08/2002 a 30/09/2004; - a aplicação da pena, configurada numa multa de 150% do valor da obrigação principal, afronta ao principio constitucional do não-confisco; - a multa é inaplicável por ofensa ao principio constitucional da dosimetria da pena conjugada com o da tipicidade cerrada, que leva à conclusão de que as penas administrativas mais graves devem ser atribuidas apenas àqueles contribuintes que efetivamente tenham agido com dolo, fraude ou simulação; - o caso em tela reclama a observância do quanto disposto no artigo 112 do CTN, de modo que, em se cuidado da aplicação de norma punitiva, a lei deve ser interpretada de modo mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos (inciso II), ou, ainda, quanto à natureza da penalidade aplicável ou sua graduação (inciso IV); Pelo exposto, requer seja observada a determinação disposta na sentença proferida em Mandado de Segurança n° 2003.71.08.010487-8, determinando 6. DRF/Novo Hamburgo que se abstivesse de proceder à cobrança dos débitos compensados até que seja proferida decisão definitiva acerca do pedido administrativo de ressarcimento/compensação. Seja julgada procedente a Impugnação para o efeito de tornar exigível e indevida a imposição tributária apurada pela fiscalização. A DRJ/Porto Alegre/RS não acolheu as alegações da autuada e considerou procedente o lançamento efetuado, através do referido Acórdão DRJ/POA no 5.700, cuja ementa transcrevemos, verbis: (...) Seguiu-se recurso voluntário, de fls. 117/151, em que a recorrente reitera os argumentos de sua peça impugnatória e acrescenta, resumidamente, que: - a decisão recorrida não se manifestou sobre o mérito da questão no que se refere à inconstitucionalidade da aplicação da multa com caráter confiscatório, assim como, ao fato de ser inaplicável a multa por ofensa ao principio constitucional da dosimetria da pena, alegando que estas teses envolviam aspectos constitucionais, devendo ser apreciadas pelo Poder Judiciário e não por órgão administrativo; - a autoridade administrativa não pode ficar adstrita a apenas aplicar a lei, deverá emitir sempre juizo valorativo, mesmo no tocante a legalidade, ou ainda, da constitucionalidade das normas. Reitera o pedido de que seja observada a determinação disposta na sentença proferida em Mandado de Segurança no 2003.71.08.010487-8, determinando à DRF/Novo Hamburgo que se abstivesse de proceder à cobrança dos débitos compensados até que seja proferida decisão definitiva acerca do pedido administrativo de ressarcimento/compensação. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2015 por JOEL MIYAZ AKI Processo nº 11065.000043/2005-70 Resolução nº 3201-00027 S3-C2T2 Fl. 187 4 Seja julgada procedente a Impugnação para o efeito de tornar exigível e indevida a imposição tributária apurada pela fiscalização. • É o relatório. A 3ª Câmara do 3º Conselho de Contribuinte proferiu o Acórdão nº 303-35.316, em 19 de maio de 2008 (e-folhas nº 216/ss), dando provimento parcial ao recurso voluntário. A empresa apresentou embargos de declaração (e-fls. 248/ss) alegando que houve omissão e contradição no acórdão em ponto fundamental do julgado, mais especificamente em relação à seguinte afirmação: “inexistência do fato típico a ensejar a aplicação de norma penalizadora, ante a pendência de julgamento do processo administrativo n. 11065.003707/2002-18”. Assim, requereu a embargante que os embargos fossem recebidos e acolhidos no “sentido de esclarecer a contradição apontada quanto ao não encerramento do processo administrativo n. 11065.003707/2002-18, reconhecer que deve ser suspenso todo e qualquer procedimento enquanto não definitiva a decisão no âmbito administrativo, declarando nula a cobrança da multa isolada enquanto pendente a decisão definitiva acerca do pedido administrativo de ressarcimento/compensação, nos termos do quanto sustentado e fundamentado tanto na manifestação de inconformidade como no próprio recurso voluntário, por ser medida de justiça”. É o relatório. VOTO Conselheiro Suplente José Luiz Feistauer de Oliveira – redator ad hoc Por intermédio de Despacho, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF incumbiu-me o Presidente da Câmara a formalizar o Acórdão, cujo relator original, Conselheiro Celso Lopes Pereira Neto, não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relator original. Como relatado, o embargante alega que o presente processo trata de auto de infração onde se pretende aplicar multa isolada pelo fato do contribuinte ter pretensamente efetuado compensação indevida, contudo, afirma que inexiste o fato típico que ensejaria a aplicação da norma penalizadora, pois ainda estaria pendente de julgamento o Processo Administrativo n. 11065.003707/2002-18. Destarte, deve ser propiciada ampla oportunidade às partes (Fisco e Recorrente) para que esclareçam os fatos e demonstrem o seu direito, em atendimento aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho que os autos retornem à unidade de origem em diligência para que seja informado se o processo nº 11065.003707/2002-18 ainda se encontra pendente de julgamento, assim como em que situação encontra-se tal processo. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2015 por JOEL MIYAZ AKI Processo nº 11065.000043/2005-70 Resolução nº 3201-00027 S3-C2T2 Fl. 188 5 E estas são as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. José Luiz Feistauer de Oliveira – redator ad hoc Fl. 297DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2015 por JOEL MIYAZ AKI
score : 1.0
Numero do processo: 18470.720252/2010-68
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Sat Feb 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE DOS 30% DO LUCRO REAL. INAPLICABILIDADE. Inexiste previsão legal para se proceder à compensação de prejuízos (trava), além do percentual de 30% do lucro real, ainda que a pessoa jurídica esteja no encerramento das suas atividades.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9101-002.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, negar provimento, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
(assinado digitalmente)
ADRIANA GOMES RÊGO - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, Andre Mendes De Moura, Livia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal De Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martinez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE DOS 30% DO LUCRO REAL. INAPLICABILIDADE. Inexiste previsão legal para se proceder à compensação de prejuízos (trava), além do percentual de 30% do lucro real, ainda que a pessoa jurídica esteja no encerramento das suas atividades. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, negar provimento, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, Andre Mendes De Moura, Livia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal De Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martinez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 02 52 /2 01 0- 68 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 18470.720252/201068 Acórdão n.º 9101002.211 CSRFT1 Fl. 378 2 Relatório WARRANT EXPORTADORA E IMPORTADORA LTDA recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 325/343, contra Acórdão nº 1302001.521, de 24 de setembro de 2014, efls. 269/288 que, por voto de qualidade, negou provimento ao seu recurso voluntário anteriormente manejado, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO. ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. Os prejuízos fiscais apurados em períodos anteriores poderão ser compensados com o lucro real do período, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa, por incorporação ou por outro motivo. A compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores é expressiva de benefício fiscal, a ser interpretado restritivamente, e não constitui direito adquirido do contribuinte, conforme jurisprudência do STF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 SUCESSÃO. INCORPORAÇÃO. OBRIGAÇÃO ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA. RESPONSABILIDADE TANTO PELOS TRIBUTOS QUANTO PELAS MULTAS. A responsabilidade tributária de que trata o art. 132 do CTN não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas que, por representarem penalidade pecuniária de caráter objetivo, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. O descumprimento da obrigação principal faz com que a ela se agregue, imediatamente, a obrigação consistente no pagamento da multa tributária. A responsabilidade do sucessor abrange, nos termos do artigo 129 do CTN, os créditos definitivamente constituídos, em curso de constituição ou "constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data", que é o caso dos autos. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, sendo desinfluente que o crédito tributário já esteja formalizado por meio de lançamento, que apenas o materializa. Decisão do STJ, em sede de recursos Fl. 378DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 18470.720252/201068 Acórdão n.º 9101002.211 CSRFT1 Fl. 379 3 repetitivos, no REsp nº 932.012 MG e respectivos embargos declaratórios. Alega a recorrente divergência jurisprudencial em relação aos Acórdãos nºs CSRF/0104.258 e 110300.617, que receberam as seguintes ementas: Acórdão nº CSRF/0104.258 Compensação Prejuízo e Base Negativa — No caso de incorporação, uma vez que vedada a transferência de saldos negativos, não há impedimento legal para estabelecer limitação, diante do encerramento da empresa incorporada. Acórdão nº 110300.617 PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS ACIMA DO LIMITE DE 30%. A pessoa jurídica incorporada pode compensar no balanço de encerramento de atividades o prejuízo fiscal acumulado sem observância da “trava” de 30%, em razão da vedação legal à transferência de prejuízos para a sucessora. Ao detalhar os fundamentos para a reforma do acórdão, a recorrente destaca o tema contra o qual se insurge: Legalidade da Compensação Integral de Prejuízos Fiscais e Bases Negativas nos Casos de Extinção Empresarial. Por fim, pede pela reforma do acórdão recorrido, a fim de que seja cancelado o lançamento. Por meio do Despacho da Presidência da Terceira Câmara efls. 363/365, a Presidente da Câmara a quo dá seguimento ao recurso, entendendo caracterizada a divergência jurisprudencial apontada no tocante à limitação da compensação de prejuízos fiscais nos casos de extinção da pessoa jurídica. Na seqüência, a PFN apresenta Contrarrazões onde, em apertada síntese, requer a manutenção do acórdão recorrido, aduzindo que este CARF já firmou entendimento no sentido de que deve se limitar a 30% a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, ainda que em casos de extinção da pessoa jurídica. É o relatório Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora O recurso é tempestivo e por atender aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. No que diz respeito ao mérito, entendo que não assiste razão à recorrente, vez que a Lei nº 9.065/95 é muito clara no sentido de estabelecer a trava sem qualquer exceção, senão vejamos: Fl. 379DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 18470.720252/201068 Acórdão n.º 9101002.211 CSRFT1 Fl. 380 4 Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Produção de efeito (Vide Lei nº 12.973, de 2014) Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Produção de efeito Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Se a lei ofende ou não ao art. 43 do CTN, não compete a este Colegiado tal juízo, pois é vedado a este tribunal afastar lei vigente. Contudo, apenas para título de argumentação, se a trava de 30% estivesse afastando o conceito de renda, ela não o estaria fazendo apenas para a situação de extinção da pessoa jurídica, já que no que diz respeito ao fato gerador do IRPJ/CSLL, que tem delimitação temporal, ela está limitando a compensação dos prejuízos no período, independe de qualquer evento societário. Na esteira desse raciocínio, convém trazer à colação voto do Min. Garcia Vieira no Recurso Especial nº 188.855GO, segundo o qual: “Há que compreenderse que o art. 42 da Lei 8.981/1995 e o art. 15 da Lei 9.065/1995 não efetuaram qualquer alteração no fato gerador ou na base de cálculo do imposto de renda. O fato gerador, no seu aspecto temporal, como se explicará adiante, abrange o período mensal. Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda (lucro) obtida neste período. Assim, a cada período corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes. Se houve renda (lucro), tributase. Se não, nada se opera no plano da obrigação tributária. Daí que a empresa tendo prejuízo não vem a possuir qualquer “credito” contra a Fazenda Nacional. Os prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo, não são elementos inerentes da Fl. 380DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 18470.720252/201068 Acórdão n.º 9101002.211 CSRFT1 Fl. 381 5 base de cálculo do imposto de renda do período em apuração, constituindo, ao contrário, benesse tributária visando minorar a má atuação da empresa nos anos anteriores.” E é na linha da “benesse tributária” que o Supremo Tribunal Federal tem tratado a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL, como se depreende dos RE 344.994/PR e 545.308/SP, e demais julgados posteriores daquele tribunal. Por oportuno, transcrevo: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO: LIMITAÇÕES À DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. ARTIGO 58 DA LEI 8.981/1995: CONSTITUCIONALIDADE. ARTIGOS 5º, INC. II E XXXVI, 37, 148, 150, INC. III, ALÍNEA "B", 153, INC. III, E 195, INC. I E § 6º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. PRECEDENTE: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 344.944. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO PROVIDO. 1. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal firmado no julgamento do Recurso Extraordinário 344.944, Relator o Ministro Eros Grau, no qual se declarou a constitucionalidade do artigo 42 da Lei 8.981/1995, "o direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido". 2. Do mesmo modo, é constitucional o artigo 58 da Lei 8.981/1995, que limita as deduções de prejuízos fiscais na formação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. 3. Recurso extraordinário não provido. ( RE 545.308, 8/10/2009, Rel. P/ acórdão Min. Cármen Lúcia) EMENTA Agravo regimental no recurso extraordinário. Demonstrações financeiras. Saldos de prejuízos fiscais do IRPJ e das bases negativas da CSLL. Natureza de benefício fiscal. Correção monetária. Revogação. Questão infraconstitucional. Ausência de previsão legal. Impossibilidade de atuação do Poder Judiciário como legislador positivo. Precedentes da Corte. 1. A questão alusiva à revogação da correção monetária pelo art. 4º da Lei nº 9.249/95 repousa na esfera da legalidade. A afronta ao texto constitucional, se ocorresse, seria meramente reflexa ou indireta. 2. Nos julgamentos do RE nº 344.994/PR e do RE nº 545.308/SP, o Tribunal concluiu que a dedução de prejuízos de exercícios anteriores da base de cálculo do IRPJ e a compensação das bases negativas da CSLL constituem favores fiscais. 3. Impossibilidade de atualização monetária do saldo a ser compensado em períodos futuros, por ausência de previsão legal. 4. Agravo regimental não provido. (AgR no RE 807.062, 2/9/2014, Rel. Min. Dias Tóffoli) É oportuno também ponderar que, se quisesse o legislador ressalvar a possibilidade de, na incorporação, fusão ou cisão, permitir a compensação integral, teria feito de forma expressa, como o fez por ocasião do art. 1º da Lei nº 9.065/95, em relação às empresas inseridas no Befiex. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 18470.720252/201068 Acórdão n.º 9101002.211 CSRFT1 Fl. 382 6 Assim, inexiste fundamentação legal que autorize este colegiado a afastar os arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995 ao caso concreto. Em face do exposto, conheço do recurso especial do contribuinte para negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 382DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 19515.721870/2012-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
Ementa:
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesses casos, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I, do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional). No caso vertente, em que a ciência dos lançamentos tributários foi efetivada em setembro de 2012, relativamente aos fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 2006, a Fazenda Pública não mais detinha o direito de constituir os respectivos créditos tributários.
Numero da decisão: 1301-001.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesses casos, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I, do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional). No caso vertente, em que a ciência dos lançamentos tributários foi efetivada em setembro de 2012, relativamente aos fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 2006, a Fazenda Pública não mais detinha o direito de constituir os respectivos créditos tributários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 70 /2 01 2- 96 Fl. 860DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.721870/201296 Acórdão n.º 1301001.874 S1C3T1 Fl. 861 2 Relatório Cuida o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; Contribuição para o Programa de Integração Social PIS; e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS), relativas ao ano calendário de 2006, formalizadas com suporte na imputação de omissão de receitas. Abaixo, informações que julgo relevantes à contextualização da autuação. 1 a fiscalizada apresentou a DIPJ/2007 com os campos "zerados", embora tenha registrado valores expressivos nas guias de informação relativas ao ICMS; 2 os lançamentos do IRPJ e da CSLL foram efetuados com base no lucro arbitrado, em substituição à opção pelo lucro presumido feita pela fiscalizada; 3 foi identificada interposição de pessoas, tendo sido aplicada multa de ofício qualificada de 150%; 4 foi imputada responsabilidade tributária às seguintes pessoas: Bentomar Indústria e Comércio de Minérios Ltda., CNPJ nº 56.558.703/000194; Agrozinco Indústria e Comércio Ltda., CNPJ nº 04.304.448/000150; Fundição Júpiter Ltda., CNPJ nº 02.871.188/000179; José Manitta, CPF nº 012.852.04859; Carlos Roberto dos Santos, CPF nº 010.085.18867; Nilton Alves de Oliveira, CPF nº 936.091.32868; e Ana Cláudia Alves de Oliveira, CPF nº 286.399.82856; 5 apresentaram impugnação: a contribuinte fiscalizada (SAMAR COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO) e os seguintes responsáveis solidários: BENTOMAR LTDA; AGROZINCO LTDA; JOSÉ MANITA; CARLOS ROBERTO DOS SANTOS; NILTON ALVES DE OLIVEIRA; e ANA CLÁUDIA ALVES DE OLIVEIRA. Em virtude das impugnações interpostas, foi emitido o acórdão nº 1449.275, em 20 de março de 2014, que foi objeto de pedido de saneamento, vez que nele constava que o responsável solidário FUNDAÇÃO JÚPITER LTDA tinha apresentado impugnação, fato que não encontrava respaldo nos autos. Diante da inexatidão material, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, prolatou o acórdão nº 1454.167, de 16 de outubro de 2014, em que, apreciando os lançamentos tributários e as peças de defesa, decidiu pela procedência parcial dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue se no prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, exceto quando o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, ou quando Fl. 861DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.721870/201296 Acórdão n.º 1301001.874 S1C3T1 Fl. 862 3 ausente o pagamento antecipado, hipóteses em que o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. É cabível a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária apurada. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Descabe falar em nulidade do lançamento que respeitou os requisitos legais para sua constituição, e proporcionou amplo direito de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade das normas tributárias regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. Os membros da Turma, por unanimidade de votos, acordaram, in verbis: 1 – acolher a preliminar de decadência quanto ao IRPJ e à CSLL referentes aos fatos geradores ocorridos em 31/03, 30/06 e 30/09/2006, mantendo a exigência (de IRPJ e CSLL, e respectivos acréscimos legais) relativa ao fato gerador de 31/12/2006 (período de apuração do 4º trimestre de 2006); 2 – acolher a preliminar de decadência quanto às contribuições PIS e Cofins referentes aos fatos geradores ocorridos entre 31/01 e 30/11/2006, mantendo a exigência (de PIS e Cofins, e respectivos acréscimos legais) relativa ao fato gerador de 31/12/2006 (período de apuração do mês de dezembro de 2006). 3 – julgar improcedente a impugnação quanto às demais matérias, mantendo o crédito tributário não extinto pela decadência, e a imputação de responsabilidade solidária às pessoas jurídicas Bentomar Indústria e Comércio de Minérios Ltda., Agrozinco Indústria e Comércio Ltda., Fundição Júpiter Ltda., e às pessoas físicas José Manitta, Carlos Roberto dos Santos, Nilton Alves de Oliveira e Ana Cláudia Alves de Oliveira; 4 – declarar definitiva a imputação de responsabilidade em relação ao sujeito passivo que não apresentou impugnação: Fundição Júpiter Ltda. Tendo exonerado o sujeito passivo de parte do crédito tributário constituído, a Turma de Julgamento de primeiro grau recorreu de ofício. É o Relatório Fl. 862DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.721870/201296 Acórdão n.º 1301001.874 S1C3T1 Fl. 863 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães A autoridade julgadora de primeira instância, exonerando o sujeito passivo de crédito tributário superior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008, recorreu de ofício. Conheço do recurso necessário, eis que atendidos os requisitos para a sua admissibilidade. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; Contribuição para o Programa de Integração Social PIS; e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS), relativas ao ano calendário de 2006, formalizadas com suporte na imputação de omissão de receitas. A matéria objeto do recurso de ofício limitase ao reconhecimento da caducidade do direito de a Fazenda constituir créditos tributários, relativamente a determinados fatos geradores. Quanto a essa matéria, o voto condutor da decisão de primeira instância assinala: [...] Da alegação de Decadência: Alegação comum (a todos os impugnantes) é que, à data da ciência da autuação (entre 08 de setembro e 02 de outubro de 2012, conforme discriminado no despacho à fl. 722), já havia transcorrido o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Fundamentandose no “artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional”, sustentam que no “caso sob análise”, “o lançamento poderia ter sido efetuado pela fiscalização a partir de 1º de janeiro de 2007 – exercício de 2006 – de modo que desfrutada (sic) de prazo até 31 de dezembro de 2011 para notificar a(o) Impugnante acerca do Auto de Infração”. Acrescentaram que “Não houve qualquer empecilho legal a obstar a ação fiscal, de modo que, ao promover a notificação apenas no dia 10 de setembro (sic) de 2012, o Fisco terminou por ter seu direito extinto pela decadência”. Assim, formalizado pedido uníssono, a fim de que “a acusação fiscal” seja julgada “TOTALMENTE IMPROCEDENTE”, reconhecendo a “decadência tributária, hipótese de extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso V do Código Tributário Nacional”. Como visto, a alegação de decadência fundase no preceito insculpido no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, infratranscrito: Fl. 863DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.721870/201296 Acórdão n.º 1301001.874 S1C3T1 Fl. 864 5 ... De outra parte, importa verificar o que constou a respeito no Termo de Constatação Fiscal (item VII): “ Relativamente ao anocalendário 2006, a fiscalizada apresentou a DIPJ com tributação com base no lucro presumido, embora com todos os valores zerados e sem qualquer recolhimento a título de imposto de renda e contribuições sociais, inclusive retificando para zero as DCTFs anteriormente apresentadas, com a finalidade de se eximir do pagamento de tributos e contribuições federais. O fato de apresentar a DIPJ e as DCTFs relativas ao anocalendário 2006, com todos os valores zerados, ressaltando que as DCTFs foram apresentadas, originalmente, com valores devidos e, posteriormente, retificadas para zero, desloca o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário para 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, cabendo ainda ressaltar a regra contida no Parágrafo Único do já mencionado art. 173 do CTN: (...)” (g.n.) Assim, embora a ressalva ao final (referente ao parágrafo único do art. 173 do CTN), notase que a fiscalização comunga do entendimento (exarado pelos impugnantes) de que aplicável, ao caso, a regra de contagem prevista no inciso I do artigo 173 do CTN. De fato, ante a situação fática versada nos autos, deve ser aplicada a norma contida no inciso I do artigo 173 do CTN, e verificar se houve (ou não) a ocorrência da alegada extinção do crédito tributário, por decadência. Pois bem. No que se refere ao IRPJ e à CSLL, apurados com base nos critérios do arbitramento de ofício, os períodos de apuração são trimestrais no caso, relativos ao 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2006 , sendo que os fatos geradores ocorreram em 31/03, 30/06, 30/09 e 31/12/2006, respectivamente. Assim, e considerando as pertinentes datas de vencimento, verificase que o termo de início da contagem do prazo decadencial (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado) deuse: a) no dia 1º de janeiro de 2007 no que se refere aos fatos geradores (de IRPJ e CSLL) ocorridos em 31/03, 30/06 e 30/09/2006 (com vencimentos em 2006); e b) no dia 1º de janeiro de 2008 no que diz respeito ao fato gerador ocorrido em 31/12/2006 (com vencimento em 2007). Em decorrência, o termo final desse prazo decadencial (relativo ao IRPJ e à CSLL) ocorreu: a) no dia 31/12/2011 no que se refere aos fatos geradores ocorridos em 31/03, 30/06 e 30/09/2006; e b) no dia 31/12/2012, quanto ao fato gerador ocorrido em 31/12/2006 (relativo ao 4º trimestre de 2006). Por sua vez, quanto às contribuições PIS e Cofins, em que o período de apuração é mensal, a autuação compreendeu todos os meses de 2006. O termo de início do prazo decadencial, em relação aos fatos geradores compreendidos entre 31/01 e 30/11/2006 (vencimentos no ano de 2006), ocorreu no dia 1º de janeiro de 2007. Assim, o termo final desse prazo (quanto às referidas contribuições) ocorreu no dia 31/12/2011. Fl. 864DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.721870/201296 Acórdão n.º 1301001.874 S1C3T1 Fl. 865 6 Contudo, no que tange ao período de apuração de dezembro/2006 (fato gerador de 31/12/2006; vencimento em 2007), o termo inicial ocorreu somente em 01/01/2008; e, por sua vez, o termo final do prazo decadencial deuse no dia 31/12/2012. Aplicando ao caso concreto em que a ciência da exigência ocorreu entre 08 de setembro e 02 de outubro de 2012 (fl. 722) , resulta o seguinte: I) crédito tributário extinto (por decadência): a) IRPJ e CSLL: referente aos fatos geradores ocorridos em 31/03, 30/06 e 30/09/2006; b) PIS e Cofins: referente aos fatos geradores ocorridos entre 31/01 e, 30/11/2006. II) crédito tributário hígido (não extinto por decadência): a) IRPJ e CSLL: referente ao fato gerador ocorrido em 31/12/2006 (período de apuração do 4º trimestre de 2006); b) PIS e Cofins: referente ao fato gerador ocorrido em 31/12/2006 (período de apuração do mês de dezembro de 2006); III) conclusão valores mantidos (de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins): Destarte, deve ser reduzida a exigência (principal): a) de IRPJ: para R$ 89.041,43, correspondente ao valor do tributo relativo ao 4º trimestre de 2006; b) de CSLL: para R$ 42.768,64, correspondente ao valor do tributo relativo ao 4º trimestre de 2006; c) de PIS: para R$ 10.683,79, correspondente ao valor do tributo relativo ao mês de dezembro de 2006; d) de COFINS: para R$ 49.309,82, correspondente ao valor do tributo relativo ao mês de dezembro de 2006. Ressaltese que deverão ser mantidos os acréscimos legais correspondentes à exigência mantida de principal. Por conseguinte, e conforme acima exposto, procedente em parte a alegação de decadência. Irretocável, a meu ver, o pronunciamento da Turma Julgadora de primeiro grau, vez que, tratandose de apuração com base no lucro arbitrado em razão do não atendimento às condições para opção pelo regime do lucro presumido e presente o dolo na conduta, relativamente ao IRPJ e à CSLL, os créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos até 30/09/2006 só poderiam ser constituídos até 31/12/2011. Quanto ao PIS e à COFINS, essa data limite também é aplicável aos fatos geradores ocorridos até 30/11/2006. Logo, na medida em que os lançamentos tributários foram efetivados em setembro e outubro de 2012, somente em relação aos fatos geradores ocorridos em dezembro de 2006 os citados lançamentos tributários podem subsistir. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.721870/201296 Acórdão n.º 1301001.874 S1C3T1 Fl. 866 7 Diante de tais considerações, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. "documento assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 866DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10950.004233/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
O pedido de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciá-los.
Imprescindível a realização de perícia somente quando necessário a produção de conhecimento técnico estranho à atuação do órgão julgador, não podendo servir para suprir omissão na produção de provas.
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
O art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, não prevê a possibilidade de a intimação darse na pessoa do advogado do autuado, tampouco o Regimento Interno (RICARF) apresenta regramento nesse sentido. Pretensão sem amparo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
GANHO DE CAPITAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL.
No lançamento do crédito tributário aplica-se a legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador, mesmo que posteriormente revogada ou modificada.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
JUROS - TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 2202-003.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator.
Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O pedido de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciá-los. Imprescindível a realização de perícia somente quando necessário a produção de conhecimento técnico estranho à atuação do órgão julgador, não podendo servir para suprir omissão na produção de provas. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, não prevê a possibilidade de a intimação darse na pessoa do advogado do autuado, tampouco o Regimento Interno (RICARF) apresenta regramento nesse sentido. Pretensão sem amparo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). GANHO DE CAPITAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. No lançamento do crédito tributário aplica-se a legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador, mesmo que posteriormente revogada ou modificada. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). JUROS - TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O pedido de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciálos. Imprescindível a realização de perícia somente quando necessário a produção de conhecimento técnico estranho à atuação do órgão julgador, não podendo servir para suprir omissão na produção de provas. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, não prevê a possibilidade de a intimação darse na pessoa do advogado do autuado, tampouco o Regimento Interno (RICARF) apresenta regramento nesse sentido. Pretensão sem amparo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 42 33 /2 00 8- 61 Fl. 753DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). GANHO DE CAPITAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. No lançamento do crédito tributário aplicase a legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador, mesmo que posteriormente revogada ou modificada. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). JUROS TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente e Relator. Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. Relatório Fl. 754DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10950.004233/200861 Acórdão n.º 2202003.169 S2C2T2 Fl. 754 3 Reproduzo o relatório do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) DRJ/CTA, que relata, em síntese, os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. Tratase de Auto de lnfração (fls. 582 a 591) lavrado contra o contribuinte acima mencionado, para exigência dos seguintes valores, relativos ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do exercício de 2004, AnoCalendário de 2003. Imposto R$ 273.787,84 Juros de Mora (até 30/06/2008) R$ 160.497,57 Multa de Ofício (75%) R$ 205.340,88 Valor do crédito tributário apurado (total) R$ 639.373,29 Segundo consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 574 a 581), os valores apurados decorreram da constatação das seguintes irregularidades: Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem, na forma do art. 42 da Lei 9.430/96. Apesar de regularmente intimado. o contribuinte não comprovou suficientemente a origem de diversos valores creditados em suas contas correntes, conforme discriminado, fls 579. Omissão de ganho de capital na alienação de um veículo. A forma de apuração dos valores exigidos está detalhada nos demonstrativos de apuração de fls. 582 e no demonstrativo de multa e juros de mora de fls. 584. Consta do Procedimento fiscal que o início da fiscalização, deuse em 13/03/2006, neste momento o contribuinte foi devidamente intimado pela Receita Federal do Brasil para apresentar os extratos bancários das suas contas correntes junto as instituições financeiras. De posse dos extratos bancários das contas movimentadas, o contribuinte foi intimado a comprovar com documentos hábeis e idôneos a origem dos recursos. Em 20/09/2006, o contribuinte apresentou “canhotos dos cheques” de sua emissão, visando comprovar que movimentava as suas contas correntes em forma de “ciranda financeira" e que trocava cheques com terceiros pessoas físicas e jurídicas, ainda, esclareceu que emprestava a sua conta corrente do Banco Itaú S/A para que o Sr. Sílvio Roberto Nochi a movimentasse. Em 28/03/2007, a fiscalização intimou o contribuinte a conciliar os referidos “carthotos de cheques” com os referidos depósitos, bem como com as receitas da atividade rural. Em 09/08/2007, foi emitido o Termo de Intimação Fiscal para que o contribuinte comprovasse os recebimentos das Notas Fiscais referentes a atividade rural. Ainda, para comprovar os depósitos 0 contribuinte apresentou o documento de alienação do Veículo Chevrolet S10. Em 24/10/2007, o contribuinte foi intimado a apresentar o Demonstrativo de Ganho de Capital referente a venda do veículo, porém nada foi apresentado. Em 29/11/2007 após a apreciação dos documentos apresentados. o contribuinte foi intimado a comprovar os depósitos elencados nos anexos I a IV. A fiscalização relata que foram excluídos os valores que foram considerados comprovados. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 Em 27/03/2008, novamente o contribuinte foi intimado a apresentar documentos que comprovassem os depósitos relacionados nos anexos I a IV. A fiscalização relata que concedeu todos os prazos solicitados pelo contribuinte e que o mesmo não apresentou qualquer documento para comprovar a origem dos recursos dos valores relacionados nos anexos I a IV. Em 17/07/2008, foi lavrado o Termo de Comparecimento e Depoimento, no qual consta em síntese que o Sr. Geraldo emprestou a sua conta corrente do Banco Itaú S/A para o Sr. Silvio R. Nochi. Acrescenta a fiscalização que nenhum documento foi apresentado para embasar o conteúdo do depoimento. Relata, ainda, a fiscalização que analisando os documentos apresentados pelo contribuinte e os extratos bancários foi procedido a exclusão dos depósitos/créditos decorrentes de transferências de outras contas correntes bancárias da própria pessoa física, empréstimos, resgates de aplicações financeiras, recebimento de atividade rural e estornos. O contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 31/07/2008 e apresentou impugnação tempestiva em 01/09/2008 (fls. 599 a 643), com as alegações a seguir sintetizadas: Aduz que teve ciência da exigência em 3]/07/2008. E assim, o prazo final para apresentação de sua defesa foi o dia 01/09/2008, portanto, a impugnação deve ser considerada tempestiva. Alega que o lançamento deve ser motivado por imposição legal, o que implica admitir que o fisco deverá demonstrar de forma cabal que o evento da realidade social aconteceu em estrita conformidade com a descrição da norma, neste sentido, cita doutrinadores e jurisprudência. Afirma que cabe à autoridade que profere o ato administrativo, fundamentálo, e instruílo com os elementos de prova contidas na fundamentação. O ônus da prova é da administração, e não do Administrado. A autuação deve preencher os pressupostos legais e requisitos de validade, sob pena de nulidade. Ressalta que há nulidade no auto de infração porque o imposto de renda está sendo exigido com base apenas em depósitos bancários. Argumenta que acostou toda a documentação, objetivando demonstrar que a movimentação financeira não representou acréscimo de valor patrimonial, mas mesmo assim o fisco lavrou o auto de infração a partir da analise única e exclusiva dos extratos bancários. Informa que o TFR por meio da Súmula n° 182, consolidou entendimento segundo o qual “é ilegitimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em depósitos bancários”. Nesta linha, cita diversas jurisprudências. Esclarece que o fisco utiliza o art. 42 da Lei n° 9.430/96, no qual a mera existência de depósitos não declarados já poderiam ser objeto de tributação, pois gerariam uma presunção relativa de omissão de rendimentos, a ser elidida pelo contribuinte. Porém, lembra que a legislação federal dever guardar respeito ao conceito constitucional de renda (acréscimo patrimonial), sob pena de inconstitucionalidade. Apresenta doutrinas que tem proferido ataques à norma em comento. Sustenta que rio decorrer do procedimento fiscal atendeu a todas as intimações realizadas pelo fisco, colacionando farta documentação, apresentou planilha contendo cada depósito questionado seguida da respectiva justificativa, conciliando e relacionando cada crédito com um débito. No entanto, foi lavrado o auto de infração em comento baseado exclusivamente em extratos bancários. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10950.004233/200861 Acórdão n.º 2202003.169 S2C2T2 Fl. 755 5 Argumenta que os extratos bancários podem até conduzir à tipificação, como elemento indireto, mas jamais ser a razão direta da incidência do tributo. Lembra que no processo administrativo vigora 0 princípio da verdade real, portanto, a administração não pode agir apenas em presunções, sempre que lhe for possível descobrir a efetiva ocorrência dos fatos correspondentes. Denota que o auto de infração é irregular, uma vez que não houve a discriminação adequada dos fatos que deram origem a exigência. Alega que a matéria tributária fundase no principio da tipicidade “o ente público tributário estará jungido a fixar, em sua plenitude, o desenho integral da figura típica do gravame”. Argumenta que a lei deve descrever todos e cada um dos aspectos da hipótese tributária e, de outro, uma perfeita correspondência entre o tipo normativo e o fato concreto. Suscita que o fisco deveria ter demonstrado de forma clara e especificada, a demonstração da existência de todos os critérios identificadores da regramatriz de incidência do IRPF. A base de cálculo apurada pelo fisco está deturpada e é imprestável para servir de critério quantitativo do IRPF. Alega que Constituição fornece o conceito de renda, traçando limites à lei, assim, nem o legislador nem o intérprete é livre para adotar o conceito de renda de sua preferência. O conceito Constitucional de renda está no sentido de acréscimo de valor de patrimônio, mediante o cotejo das receitas e despesas necessárias, conformadas durante certo período. Conclui que a Constituição somente admite a incidência de imposto de renda quando tenha ocorrido alteração positiva no patrimônio do contribuinte (acréscimo , ganho). Afirma que os valores que transitaram em suas contas bancárias não representaram acréscimo patrimonial sustentado que eram decorrentes de transferências de outras contas de sua própria pessoa, de empréstimos contraídos em outros bancos ou com pessoas físicas ou ainda que seriam pertencentes a terceiras pessoas, ainda, de valores oriundos de atividade rural. Argumenta que demonstrou que a soma dos depósitos efetuados em todas as contas fiscalizadas era inferior a soma dos cheques compensados e que o resultado final dessas confrontações foi negativo, sendo assim, não há que se falar em alteração positiva do patrimônio. Aduz que juntou cópias dos canhotos dos cheques emitidos, planilha contendo todos os depósitos controvertidos, relacionandoos com os respectivos cheques. Alega ainda que apresentou cópias das notas fiscais, contratos de arrendamento, extrato da movimentação junto a COCARI, visando demonstrar que os valores que transitaram em suas contas não representaram acréscimo patrimonial, indicando, ainda, terceiras pessoas com quem promovia troca de cheques. Ressalta que o Sr. Silvio Nochi confirmou em depoimento que recebia os cheques, na modalidade pós datada, e, na data de vencimento, pagava ao impugnante. Alega que o Fisco não considerou as justificativas apresentadas no que se refere aos cheques trocados com terceiros ou dados em empréstimo e não considerou os cheques provenientes de outras contas do impugnante e créditos de financiamentos contraídos em outras instituições. Por fim, também, não foram considerados os recebimentos de contratos de cana de açúcar e de venda de bens. Suscita pela produção de prova pericial, testemunhal e documental durante a instrução da impugnação, cita o art. 5°, LV da CF/88 e inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Ressalta que a prova pericial é imprescindível para Fl. 757DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 conciliação entre os depósitos bancários e os documentos acostados, como os canhotos de cheques, os contratos de arrendamento, as notas fiscais, visando identificálos e relacionálos. Que se oficialize as instituições financeiras para que forneçam as cópias dos cheques e de todos os financiamentos. Solicita a produção de prova testemunhal para demonstrar que houve cheques trocados e/ou emprestados para terceiros, além de depósitos referentes a vendas de veículos que não foram considerados pelo Fisco. Roga ainda pela juntada de prova documental. Informa que em 22/11/2005, entrou em vigor a Lei n° 11.196, que em seu art. 38 isentou do Imposto de Renda o ganho de capital auferido na alienação de bens e direitos de pequeno valor (R$ 35.000,00). Afirma que a alienação do veículo Chevrolet S/10 foi vendida em 2003 por R$ 30.000,00, e, portanto, é improcedente a pretensão do fisco de cobrar ganho de capital por tal venda. Afirma que a legislação tributária tem como regra a irretroatividade da lei, contudo o art. 106 do CTN prevê hipóteses de retroatividade da lei. Na hipótese a Lei n° 11.196/2005 pode ser aplicada aos fatos pretéritos, nas restritas hipóteses do art. 106 do CTN. Cita jurisprudência que a lei posterior mais benéfica deve retroagir para alcançar o fato jurídico tributário descrito pelo Fisco. Alega que diante de tudo que foi exposto, temse que não há demonstração de forma clara e adequada da hipótese de incidência, não houve a identificação objetiva dos elementos da hipótese de incidência, o ato é nulo por completo, não se permitindo sua convalidação. Cita doutrina sobre a convalidação de atos administrativos, quando acarreta prejuízo a terceiros. Esclarece que a multa moratória deve atender ao princípio da proporcionalidade e razoabilidade, pois estes aspectos corroboram com a vedação ao excesso e da coadunação efetiva entre os princípios jurídicos conformadores do ordenamento jurídico. No caso, alega que a multa de 75% é desarrazoada e desproporcional, com nítido efeito confiscatório. Apresenta jurisprudência do e.STF no sentido de redução das multas com caráter confiscatório de 75% para 20%. Afirma que há um tendência no ordenamento jurídico que limita as penalidades, como é o caso do Código de Defesa do Consumidor que limita as multas a 2% e a Lei da Usura que limita em 10%. Solicita a redução da multa ao patamar de 10%, vedando a ocorrência de tributação com efeito de confisco e atende ao princípio da razoabilidade e proporcionalidade. Argumenta que a aplicação da taxa SELIC como índice de taxa de juros para créditos tributários contraria a doutrina e a jurisprudência atual. A estipulação dos valores pelo Banco Central, portanto, por ato administrativo contraria o princípio da legalidade. Acostou diversas jurisprudências do e.STJ que a taxa SELIC, para fins tributários, é inconstitucional e ilegal. Alega que existindo legislação sobre 0 assunto (art. 161, § 1° do CTN) que prevê a aplicação do índice de 1% ao mês, deve ser excluída a taxa SELIC como índice de aplicação dos juros de mora. Diante das razões e dos fatos expostos solicita que seja julgada improcedente a Autuação ocasionado pelos seguintes fatos: Fl. 758DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10950.004233/200861 Acórdão n.º 2202003.169 S2C2T2 Fl. 756 7 em relação aos depósitos bancários com origem não comprovada não houve a demonstração de forma clara e adequada da hipótese de incidência, bem como os fatos descritos são imprestáveis para fundamentar o lançamento porque englobam valores que são oriundos de outros fatos que não caracterizam acréscimo ou ganho patrimonial deturpando a base de cálculo; no que se refere ao ganho de capital obtido na alienação de bens e direitos, a entrada em vigor da lei n° 11.196/2005 deve retroagir para alcançar o fato jurídico, nos termos do art. 106, II, "a", do CTN, sucessivamente deve ser afastada a multa moratória dada a isenção posterior ora mencionada; reduzir a multa de 75% para 10%; excluir a aplicação da taxa SELIC como índice de juros moratórios, aplicando o art. 161, §1º, do CTN. Requer ainda: o recebimento da impugnação no efeito suspensivo; o deferimento de produção da prova pericial, testemunhal e documental, sendo que quanto a perícia, arrola ao final os quesitos e indica os dados do perito, protestando pela formulação de quesitos suplementares, e, quanto à prova testemunhal, são arrolados, ao final, as testemunhas. que a Receita Federal solicite documentos junto às instituições financeiras: Banco Itaú S/A, Banco Bradesco S/A, HSBC Bank Brasil e Banco do Brasil. que seja intimado de todos os atos processuais no endereço: Rua René Táccola, 722, centro, em Mandaguari, Estado do Paraná, CEP 86975000. É o relatório. A Sétima Turma da DRJ/CTA julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, cuja decisão foi consubstanciada no Acórdão nº 0628.806, assim ementado. Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais O titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS DE PEQUENO VALOR. ISENÇÃO. LIMITE MENSAL. Fica isento do imposto de renda o ganho de capital auferido na alienação de bens e direitos de pequeno valor, cujo preço unitário de alienação ou o valor do conjunto dos bens de mesma natureza alienados no mês, seja igual ou inferior a R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Fl. 759DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. No lançamento do crédito tributário aplicase a legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador, mesmo que posteriormente revogada ou modificada. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os créditos tributários da União, quando não pagos nos prazos previstos na legislação, são acrescidos de juros equivalentes à taxa Selic. MULTA DE OFICIO. As multas aplicadas em lançamentos de ofício, nos moldes da legislação do imposto de renda, buscam desencorajar a prática de novas condutas ilícitas do contribuinte e não configuram afronta aos princípios constitucionais tributários. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CARÁTER PRESCINDÍVEL. Somente deve ser acatado o pedido de perícia considerado imprescindível à solução do litígio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão em 08/11/2010, por via postal (A.R. à fl. 701), o contribuinte, por meio de procurador legalmente habilitado, interpôs recurso voluntário em 08/12/2010 (fls. 702 a 748), no qual repisa os argumentos da impugnação e combate a decisão de primeira instância, além de requerer que seja intimado um dos seus patronos no endereço indicado no recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O lançamento foi efetuado em virtude da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, em relação ao exercício 2004 (anocalendário 2003). Preliminares O Recorrente alega que o lançamento deve ser motivado por imposição legal, o que implica admitir que o Fisco deverá demonstrar de forma cabal que o evento da realidade social aconteceu em estrita conformidade com a descrição da norma. Afirma que cabe à autoridade que profere o ato administrativo, fundamentá lo e instruílo com os elementos de prova contidas na fundamentação, pois o ônus da prova é da administração, e não do Administrado. Assim, a autuação deve preencher os pressupostos legais e requisitos de validade, sob pena de nulidade. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10950.004233/200861 Acórdão n.º 2202003.169 S2C2T2 Fl. 757 9 Não lhe assiste razão, porquanto todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 – PAF, foram observados quando da sua lavratura. “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – A qualificação do autuado; II – O local, a data e a hora da lavratura; III – A descrição do fato; IV – A disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – A determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias.” Também não se identificou violação das disposições contidas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993. Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O Auto de Infração foi lavrado por servidor competente, o sujeito passivo foi devidamente qualificado, foram mencionados os dispositivos legais infringidos e as penalidades aplicáveis, foram discriminados os valores da exigência fiscal, o conteúdo da autuação está especificado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 599 a 606), assim como as provas encontramse anexadas ao processo. Observase que foi concedido ao sujeito passivo o mais amplo direito de defesa. Ele apresentou impugnação ao Auto de Infração, exercendo o seu direito ao contraditório, perfeitamente amparado pelo Decreto n.º 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF), tendo revelado conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, as quais rebateu, mediante impugnação abrangendo não só questão preliminar como também razões de mérito. Em resumo, encontramse satisfeitos todos os requisitos legais. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 Afastase o pedido de intimação dos representantes do Recorrente de todos os atos processuais, pois o pleito não tem amparo no Decreto nº Lei nº 70.235, de 1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, nem no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), que disciplina o julgamento em segunda instância e na instância especial do contencioso administrativo fiscal federal, na forma do art. 37 do referido decreto, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Por essas razões, rejeitamse as preliminares suscitadas pelo Recorrente. Mérito Depósitos bancários de origem não comprovada O contribuinte aduz que a simples existência de depósitos nas suas contas correntes não significa, necessariamente, a aquisição de renda ou qualquer outro tipo de provento. Argumenta que acostou documentação que comprova que a movimentação financeira não representou acréscimo patrimonial, tendo o Fisco contrariado o disposto na súmula nº 182 do TFR, que consolidou entendimento segundo o qual “é ilegitimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em depósitos bancários”. No entanto, essa tese já se encontra superada, não se sustentando desde a vigência da Lei nº 9.430/96, que em seu artigo 42 determinou que recai sobre o contribuinte o ônus de comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que são rendimentos omitidos. A autoridade fiscal não mais está obrigada a comprovar o consumo da renda, a demonstrar sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob a égide do revogado § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Esse entendimento já se encontra pacificado nesse Conselho, conforme enunciado nº 26 da Súmula CARF: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. O Recorrente sustenta que os valores que transitaram em suas contas bancárias não representaram acréscimo patrimonial, uma vez que eram decorrentes de transferências de outras contas de sua própria pessoa, de empréstimos contraídos em outros bancos ou com pessoas físicas ou ainda que seriam pertencentes a terceiras pessoas, ainda, de valores oriundos de atividade rural. Alega que juntou cópias dos canhotos dos cheques emitidos, planilha contendo todos os depósitos controvertidos, relacionandoos com os respectivos cheques, bem como apresentou cópias das notas fiscais, contratos de arrendamento e extrato da movimentação junto à COCARI, visando demonstrar que os valores que transitaram em suas contas não representaram acréscimo patrimonial, indicando, ainda, terceiras pessoas com quem promovia troca de cheques. Ressalta que o Sr. Silvio Nochi confirmou em depoimento que recebia os cheques, na modalidade pósdatada, e, na data de vencimento, pagava ao impugnante. Suscita pela produção de prova pericial, testemunhal e documental durante a instrução da impugnação, citando o art. 5°, LV da CF/88 e inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Ressalta que a prova pericial é imprescindível para conciliação entre os depósitos bancários e os documentos acostados, como os canhotos de cheques, os contratos de arrendamento, as notas fiscais, visando identificálos e relacionálos. Requer que se oficialize Fl. 762DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10950.004233/200861 Acórdão n.º 2202003.169 S2C2T2 Fl. 758 11 as instituições financeiras para que forneçam as cópias dos cheques e de todos os financiamentos. O artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pelo art. 10 da Lei nº 8.748/93, dispõe: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante a realização de perícias ou diligencias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no artigo 28, in fine.” Consoante se depreende da leitura do dispositivo acima, a autoridade julgadora poderá indeferir o pedido de perícia, quando considerála prescindível ou impraticável. Ou seja, é possível que a perícia seja considerada desnecessária quando os elementos presentes nos autos são suficientes para a formação da convicção do julgador. Assim, somente se falará na necessidade da prova pericial em caso de dúvida na matéria de fato e na convicção do julgador. As perícias não podem ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal, pois se destinam a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. A responsabilidade pela apresentação das provas do que foi alegado compete ao contribuinte, não cabendo a determinação de perícia para a busca de provas. No presente caso, o Recorrente solicita a perícia para analisar, de modo detalhado, mediante confronto com os documentos acostados, os créditos e débitos efetuados na conta bancária. Contudo, esse ônus é dele. O que pretende o contribuinte é transferir para a perícia um encargo que é seu. Ressaltese que, em relação à infração de omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, na qual há a inversão do ônus da prova, em consonância com o artigo 42 da Lei nº 9.430/96, caberia ao Recorrente indicar, de forma pormenorizada, as justificativas para cada crédito efetuado em sua conta bancária e não tentar atribuir à perícia essa responsabilidade. Ademais, os documentos necessários para comprovar as suas alegações encontramse disponíveis para o contribuinte, como os extratos bancários e os documentos por ele trazidos aos autos. Portanto, é de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia é de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo, principalmente no caso de lançamento por depósitos bancários onde o ônus da prova é do Recorrente. É regra geral no Direito que o ônus da prova é uma conseqüência do ônus de afirmar e, portanto, cabe a quem alega. Nesse caso, o Recorrente apenas alegou e nada provou e, segundo brocardo jurídico por demais conhecido, "alegar e não provar é o mesmo que não alegar". Fl. 763DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 O artigo 333 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece as regras gerais relativas ao ônus da prova, partindo da premissa básica de que cabe a quem alega provar a veracidade do fato. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. [...] Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, os valores creditados em contas bancárias mantidas junto a instituição financeira, os quais o contribuinte não comprove a sua origem, serão tributados como omissão de rendimentos. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 — os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. De acordo com o § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Os valores depositados nas contas bancárias do contribuinte que tiveram sua origem justificada durante a ação fiscal foram excluídos da tributação, conforme consta dos anexos I a IV (fls. 565 a 578) e da descrição dos fatos no Termo de Verificação Fiscal (fls. 599 a 606). Fl. 764DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10950.004233/200861 Acórdão n.º 2202003.169 S2C2T2 Fl. 759 13 Quanto aos demais depósitos, os quais foram objeto do presente lançamento, o contribuinte não logrou comprovar a sua origem, mediante vinculação entre os créditos na conta bancária e as suas alegações, razão pela qual deve ser mantida a exigência relativa à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Ganhos de capital na alienação de bens O Recorrente informa que em 22/11/2005 entrou em vigor a Lei n° 11.196, que em seu art. 38 isentou do Imposto de Renda o ganho de capital auferido na alienação de bens e direitos de pequeno valor, abaixo de R$ 35.000,00. Argumenta que a legislação tributária tem como regra a irretroatividade da lei, contudo o art. 106 do CTN prevê hipóteses de retroatividade da lei. No caso, pretende que a Lei n° 11.196/2005 possa ser aplicada aos fatos pretéritos, nas restritas hipóteses do art. 106 do CTN. Cita jurisprudência que a lei posterior mais benéfica deve retroagir para alcançar o fato jurídico tributário descrito pelo Fisco. Assim, como a alienação do veículo Chevrolet S/10 foi em 2003 por R$ 30.000,00, defende que essa venda deve ser isenta de tributação. O artigo 144 do CTN dispõe que "o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada". No presente caso, o fato gerador ocorreu antes da vigência da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, que alterou o valor da isenção do ganho de capital auferido na alienação de bens e direitos de pequeno valor para R$ 35.000,00. Na data da ocorrência do fato gerador, junho de 2003, a lei vigente estabelecia o limite de isenção em R$ 20.000,00 (art. 22 da Lei nº 9.250/95), o qual deve ser considerado no presente lançamento. Não cabe a aplicação retroativa da Lei nº 9.250/95, como pretende o contribuinte, posto que as hipóteses previstas no artigo 106 do CTN referemse à retroatividade de lei nos casos de lei interpretativa ou quando aplicada penalidade menos severa, não aplicáveis à presente situação, que trata de exigência de imposto. Desse modo, deve ser mantido o lançamento do imposto de renda sobre o ganho de capital. Multa de ofício aplicada A Recorrente opõese, ainda, contra a aplicação da multa de ofício, por ser excessiva e contrariar os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade, bem como o princípio de vedação ao confisco, instituído no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Requer que a multa seja reduzida para 10%. A multa de ofício foi aplicada com base no disposto no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim redigido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 765DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). A alegação do Recorrente de ofensa aos princípios constitucionais não será apreciada, pois o exame da obediência das leis tributárias a esses princípios é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Juros de mora taxa Selic Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic como juros de mora, também não lhe assiste razão, porquanto deve ser adotado o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 766DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.007805/88-03
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 1990
Ementa: PIS-DEDUÇÃO - LANÇAMENTO DECORRENTE.
Se o processo matriz foi remetido á repartição de
origem, para que outra decisão fosse prolatada,
idêntico destino deverá ter o processo decorrente.
Numero da decisão: 103.10.573
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em declarar nula a de cisão de primeira instância
Nome do relator: Antonio Passos Costa de Oliveira
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Se o processo-matriz foi remetido ã repartição de origem, para que outra decisão fosse prolatada, idêntico destino deverá ter o processo decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re curso interposto por SECULUS S/A. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conse lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em declarar nula a de cisão de primeira instância. Sala /f-s_Dj em 23 de agosto de 1990 r/ LUIZ ALO RTO Ci•V , - NA PRESIDENCIA NOS TERMOS DO ART.59 DO 401Pr REGIMENTO INTERNO. ANTONI , '0"TA DE OLIVEIRA - RELATOR 4 1 • VISTO EM ZAINIle ;e AND BRAGA - PROCURADOR DA FAZEN SESSÃO DE: 2 5OUT 1991 11/4 DA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: FRANCISCO DE PAULA SCHETTINI, IARGIO RIBEIRO, DICLER PE ASSUNÇÃO, BRAZ JANUÁRIO PINTO e CARLOS EMANUEL DOS SANTOS PAIVA (Suplente). SERVIÇO MOUCO FEDERAL Processo n9 10680/007.805/88-03 Recurso n9 57,682 Acórdão n9 103.10.573 Recorrente: SECULUS S/A RELATÓRIO SECULUS $/A, CGC 17.159.393/0001-83, recorre a es te Conselho da decisão do Delegado da Receita Federal em Belo Ho rizonte que manteve, em parte, o lançamento "ex officio" para os exercícios de 1984 e 1985. 2. Trata-se de exigéncia do PIS-DEDUÇÃO, a título de tributação reflexa do que foi apurado no processo n910680/007.806/88-68. 3. Em sua impugnação de fls. 11/13, tempestivamente apresentada, pede a contribuinte que o julgamento seja feito em conjunto com o auto principal. 4. A autoridade julgadora de primeira instancia fun- damenta sua decisão de fls. 31/32 da seguinte forma, ã vista de ementa a seguir transcrita: "PIS/DEDUÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO Estende-se ao processo reflexo a decisão prolata da no processo originário, em face da sua estrei ta relação de causa e efeito." 5. Cientificada a contribuinte dessa decisão em 13 de outubro de 1989, no dia 14 de novembro seguinte, deu ela en- trada em seu recurso de fls. 36/37 na mesma linha da peça imoug- natória. 6. No processo principal, através do Acórdão n9 103-10.558/90,votou-se no sentido de devolver os autos à reparti- ção de origem para que seja prolatada decisão que aborde as ra- zões da impugnação não apreciadas no julgamento anterior. É o re1at6rio:7-1\ SERMO MUCO PEDEM Processo n9 10680/007.805/bo-‘_ Acórdão n9 103-10.573 VOTO Conselheiro ANTONIO PASSOS COSTA DE OLIVEIRA, Relator. O recurso é tempestivo. 2. O presente processo é um mero reflexo do lançamen to "ex officio" levado a efeito no processo n9 10680/007.806/88-68. As razões de decidir da autoridade julgadora realçam essa vincu- lação e o mesmo ocorre com as defesas da contribuinte. 3. Conforme consta do item 6 do relatório, os autos referentes ao processo-matriz serão remetidos ã repartição de cri gem, a fim de que outra decisão seja prolatada. Face ã sua condi ção de mero reflexo, o mesmo destino deverá ter este processo. Ante o exposto, VOTO no sentido de conhecer do re curso para determinar a remessa dos_autos ã repartição de origem, a fim de que a autoridade julgadora de primeira instência prole- . te nova decisão, após adotada idêntica providência no processo principal. Brasília-DF., em 23 • - . cato de 1990 ANTONIO PATIVIIKV.TAJ DE OLIVEIRA - RELATOR geX. ME Page 1 _0076700.PDF Page 1 _0076900.PDF Page 1
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Numero do processo: 13842.000449/2001-05
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
IPI. RESSARCIMENTO. APURAÇÃO DO SALDO CREDOR.
0 saldo credor do IPI, passível de ressarcimento, nos termos do
artigo 11 da Lei n° 9.779/99, é aquele apurado de acordo com a
legislação vigente, não se admitindo, no caso, a apuração mensal
que impede a verificação de certeza e liquidez do crédito.
Recurso negado.
Numero da decisão: 203-12.973
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao
recurso. Os Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis e Odassi Guerzoni Filho votaram pelas conclusões.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Dalton César Cordeiro de Miranda
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RESSARCIMENTO. APURAÇÃO DO SALDO CREDOR. 0 saldo credor do IPI, passível de ressarcimento, nos termos do artigo 11 da Lei n° 9.779/99, é aquele apurado de acordo com a legislação vigente, não se admitindo, no caso, a apuração mensal que impede a verificação de certeza e liquidez do crédito. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis e Odassi Guerzoni Filho votaram pelas conclusões. SON CEDO ROSENBURG FILHO Presidente , .'IF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL °2 Mart;rie (i!va Mat. , , DALTON-GESAR OJRDETR5E MIRANDA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Eric Moraes de Castro e Silva, Jean Cleuter Simões Mendonça, José Adão Vitorino de Morais e Fernando Marques Cleto Duarte. • DE: '1.1. ,3r.:1•RiBUINTES 1 CONR:slE COM C GRIGINAL Processo n" 13842.000449;200 I- 05 Aeórd5o n." 203-12.973 CCO2 'CO 3 Fls. I 45 0!Ivaira Mat. 31 .24.1:: Relatório A interessada formulou pedido de ressarcimento de saldo credor de WI, nos termos do artigo 11 da Lei n" 9.777/99. Da Informação Fiscal de fls. 43 a 44, relatamos a observação de que a interessa foi intimada c re - intimada a apresentar "os dados necessários e prestar informações, sobre as saldas de produtos e aquisições de illS111110.V," (fl. 43), frisamos, devidamente cientificada de que o não atendimento acarretaria o indeferimento de seu pleito. Esgotado e muito o prazo então dado pelo Fisco, considerou-se configurado "o desinteresse da empresa pelo pleito e a não comprovação da existência do crédito objeto do pedido de ressarcimento," (fl. 44). 46, constam os termos do Despacho Decisório que, "Ante a não comprovação pela interessada da legitimidade do beneficio fiscal a que se refere este processo,", indeferiu o pleito administrativo formulado. Em impugnação, a interessada consigna que as operações que originam o crédito reclamado estão nas Notas Fiscais relatadas no processo e junto aos documentos de fls. 91 e seguintes. Informa, também, ter promovido a correção nos livros de apuração de IPI, mês a mês. No que diz respeito aos valores por ela espontaneamente glosados, informa que os mesmos encontram-se parcelados PAES. A Segunda Turma da DRJ Ribeirao Preto, à unanimidade, manteve o indeferimento da solicitação sob o argumento de que "para que a instancia julgadora administrativa admitisse a intempestiva apresentação da documentação em questão, assim impedindo o arquivamento cio processo e determinando nova apreciação do pedido, é necessário que exista I1111 fundamento legal que excepcione tal caso de preclusdo." (fl. 122). Em apelo voluntário a interessada reprisa seus argumentos de impugnação, mas, também, reclama que a parte dos créditos submetidos ao PAES enseje a nulidade de sua exigência, pois que suspensa. o relatório. 2 • Processo He 13842.000449/2001-05 Acórddo ri.° 203-12.973 CCO2, CO3 Fls. 146 Voto Conselheiro DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA, Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dai dele conhecei-. 0 artigo 11 da Lei n" 9.779/99, expressamente, disciplina o que "é passive! de compensação com débitos de outros tributos administrados pela SRF é o saldo credor apurado ao final de cada trimestre civil e não os créditos relativos ao JPI destacada em coda 'iota fiscal" (Acórdão n" 203-12.638, RV n° 131.870, Conselheira relatora Silvia de Brito Oliveira) e/ou mensal, como na hipótese destes autos. E quanto a esse ponto em especifico, noto que não há discordância por parte da recorrente, dai que incorreta a apuração mensal por ela realizada, pois que em desacordo com o artigo de lei citado. 0 há, sim, quanto a uma suposta cobrança, para a qual sequer houve instauração de litígio na esfera administrativa e nestes autos, dai que totalmente incabível é sua análise por este Colegiado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao apelo interposto. E. como voto. Sala das Sessões, em 04 de junho de 2008 DALTON:CESA OR13-EIVIIRANDA 1) C.RIA1.. Marild.c do Ovoir3 ',Ili 350 3
score : 1.0
Numero do processo: 13116.721901/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2012
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM VALE-REFEIÇÃO OU VALE-ALIMENTAÇÃO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO UNICAMENTE POR PARTE DE PESSOA JURÍDICA QUE EXPLORE AS ATIVIDADES DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE LIMPEZA, CONSERVAÇÃO E MANUTENÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS admite-se o creditamento no que concerne a dispêndios com vale-refeição e com vale alimentação (artigo 3º, inciso X, das Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003), mas isso exclusivamente por parte de pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Não sendo esse o caso da interessada, dedicada ao comércio e varejo de automóveis, camionetas e utilitários, não há como reconhecer o direito pela mesma pleiteado, por falta de previsão legal.
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM PROPAGANDA. CREDITAMENTO. INADMISSIBILIDADE.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS não há previsão legal para o creditamento com base em despesas com propaganda.
Recurso do qual se conhece em parte para negar-lhe provimento.
Numero da decisão: 3301-002.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ARGUMENTOS ADUZIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2012 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DE RESSARCIMENTO. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO NA FORMA ELETRÔNICA. LEGITIMIDADE. Ressalvadas as exceções previstas na norma que regulamenta o assunto, a exigência de apresentação de pedido de ressarcimento e de restituição por via eletrônica é legítima, e está alicerçada no artigo 74 da Lei nº 9.430/96. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2012 COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM VALEREFEIÇÃO OU VALEALIMENTAÇÃO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO UNICAMENTE POR PARTE DE PESSOA JURÍDICA QUE EXPLORE AS ATIVIDADES DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE LIMPEZA, CONSERVAÇÃO E MANUTENÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 19 01 /2 01 3- 14 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 2 No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS admite se o creditamento no que concerne a dispêndios com valerefeição e com vale alimentação (artigo 3º, inciso X, das Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003), mas isso exclusivamente por parte de pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Não sendo esse o caso da interessada, dedicada ao comércio e varejo de automóveis, camionetas e utilitários, não há como reconhecer o direito pela mesma pleiteado, por falta de previsão legal. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM PROPAGANDA. CREDITAMENTO. INADMISSIBILIDADE. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS não há previsão legal para o creditamento com base em despesas com propaganda. Recurso do qual se conhece em parte para negarlhe provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para negarlhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Brasília (fls. 134/139 da cópia digitalizada do eprocesso, doravante utilizada como padrão de referência), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada, mantendo, consequentemente, o despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento que inaugurou o processo. O pleito diz respeito a pedido de ressarcimento de COFINS em formulário em papel, no valor de R$ 258.350,75, apurado nos anoscalendários de 2008 a 2012. Irresignada com o indeferimento do pedido a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alegou em síntese: a) que ingressou com pedido de ressarcimento de créditos de Cofins/PIS seguindo o conceito de insumo de acordo com a legislação do imposto de renda, calculado sobre os custos incorridos com alimentação do trabalhador nos termos do art. 369 do RIR (Decreto 3000/1999), despesas de propaganda, Fl. 171DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721901/201314 Acórdão n.º 3301002.737 S3C3T1 Fl. 171 3 conforme artigo 366 do mesmo RIR, e de remuneração paga ao trabalhador, alicerçada nos artigos 357 e 358 do Regulamento em evidência; b) que a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins sobre valerefeição e valetransporte está prevista literalmente no inciso X do art. 3º da Lei 10.833/2003; c) que teria legítimo direito ao crédito sobre os custos operacionais (e não sobre as atividades administrativas); d) que as instruções normativas que exigem o uso do Programa PER/Dcomp para pedir restituição/ressarcimento são ilegais porque contrariam normas hierarquicamente superiores que nunca condicionaram o direito à utilização da via eletrônica; e, e) que a aplicação da multa de 50% sobre o valor do crédito pleiteado é ilegal, pois os parágrafos 15 e 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996 ofendem e não observam os princípios legais estipulados pela Lei 9.784/1999, que regulam e norteiam o processo administrativo no âmbito da administração pública federal. Requereu, por fim, o reconhecimento do direito aos créditos solicitados e o afastamento da multa de 50%. Não obstante os argumentos aduzidos pela reclamante, a manifestação de inconformidade não foi acolhida pela instância a quo, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. UTILIZAÇÃO DE FORMULÁRIO. CONDIÇÕES. O pedido de ressarcimento, utilizandose de formulário, só pode ser feito observandose as condições estabelecidas nos parágrafos 2º ao 5º do art. 113 da IN RFB nº 1.300/2012. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVA. VALEALIMENTAÇÃO. GASTOS COM PUBLICIDADE E PROPAGANDA. DESCONTO DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A alimentação do trabalhador, o gasto incorrido com publicidade e propaganda, não são aplicados ou consumidos na prestação de serviços, não podendo ser considerada insumo para fins de creditamento de PIS/Cofins. Além disso não há previsão legal para o desconto de crédito incidente sobre esse tipo de despesa (custo). EXIGÊNCIA DE MULTA ISOLADA. ATIVIDADE ADMINISTRATIVA DE LANÇAMENTO VINCULADA E OBRIGATÓRIA. O parágrafo 15 do art. 74 da Lei 9.430/1996 estabelece que será aplicada multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 4 FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE / ILEGALIDADE. COMPETÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DEVER DO JULGADOR. OBSERVÂNCIA DO ENTENDIMENTO DA RFB. Cabe ao Poder Judiciário se manifestar sobre a inconstitucionalidade/ ilegalidade das leis e normas, por força do princípio da unidade jurisdicional. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, o julgador deve observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da referida decisão em 1º/10/2014 (fls. 141), a interessada, em 29/10/2014 (fls. 143), apresentou o recurso voluntário de fls. 143/167, onde reitera os argumentos apresentados na primeira instância, reclamando ainda pelo cancelamento da multa isolada em vista da revogação do § 15 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 pela Medida Provisória nº 656, de 2014. Diante do exposto, requer seja afastada a aplicação da multa de 50% sobre o direito creditório pleiteado, bem como seja considerada válida a utilização dos formulários da IN RFB nº 1.300/2012, afastandose a utilização exclusiva do pedido de ressarcimento via eletrônica. É o relatório. Voto Do conhecimento em parte recurso O recurso é tempestivo e formalizado por parte legítima. Não obstante, só poderá ser conhecido em parte em vista da renúncia parcial à instância administrativa, conforme demonstraremos a seguir. Conforme relatado, diante do indeferimento do pedido de restituição / ressarcimento foi aplicada a multa capitulada no § 15 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo artigo 62 da Lei nº 12.249/10, cuja redação era no seguinte sentido: § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. O preceito em tela foi explicitamente revogado pelo artigo 4º, inciso II, da Medida Provisória nº 668, de 30/01/2015. Mas a discussão quanto à legitimidade da multa em questão foi levada ao Poder Judiciário, como informa a PGFN mediante ofício de fls. 131. De fato, nos termos do citado ofício, o sujeito passivo formalizou ação judicial questionando exatamente a exigência da multa em evidência. Aludido processo foi autuado sob o nº 201383.2014.4.01.3502 na 1ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Anápolis. A formalização de pleito junto ao Poder Judiciário representa renúncia à instância administrativa, não podendo esta se manifestar sobre assunto já demandado na via judicial, em vista do princípio da unidade de jurisdição, previsto no artigo 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721901/201314 Acórdão n.º 3301002.737 S3C3T1 Fl. 172 5 Essa questão, inclusive, já está pacificada no âmbito do CARF, cuja Súmula no 1 estabelece o seguinte: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Não se pode, pois, conhecer do pedido de exoneração da multa de ofício, em vista da renúncia à presente instância administrativa pela propositura de ação judicial onde o mesmo direito é discutido. Conhecese, portanto, do pleito, exclusivamente quanto à suposta validade do pedido de restituição / ressarcimento em formulário de papel, bem como no que concerne ao direito de creditamento no regime de nãocumulatividade da COFINS. Do pedido de ressarcimento em dissonância com as normas editadas pela Receita Federal O sujeito passivo alega que a instrução normativa que exige o uso do Programa PER/DCOMP para a solicitação de restituição ou de ressarcimento seria ilegal, uma vez que contrariaria normas hierarquicamente superiores que nunca teriam condicionado o direito à utilização da via eletrônica. Vejamos como a questão é tratada pela instrução normativa RFB nº 1.300, de 2012, questionada pelo sujeito passivo: Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII a esta Instrução Normativa, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [...] Art. 46. A autoridade competente da RFB considerará não declarada a compensação nas hipóteses previstas no § 3º do art. 41. § 1º Também será considerada não declarada a compensação quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 5º do art. 113, não tenha utilizado o programa PER/DCOMP para declarar a compensação. [...] Art. 111. Será indeferido sumariamente o pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso quando o sujeito passivo, em inobservância Fl. 174DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 6 ao disposto nos §§ 2º a 5º do art. 113, não tenha utilizado o programa PER/DCOMP para formular o pedido. [...] Art. 113. Ficam aprovados os formulários: I Pedido de Restituição ou Ressarcimento Anexo I; [...] § 2º Os formulários a que se refere o caput poderão ser utilizados pelo sujeito passivo somente nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento, o reembolso ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional não possa ser requerido ou declarado eletronicamente à RFB mediante utilização do programa PER/DCOMP. § 3º A RFB caracterizará como impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP a ausência de previsão da hipótese de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação no aludido programa, bem como a existência de falha no programa que impeça a geração do Pedido Eletrônico de Restituição, do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1425, de 19 de dezembro de 2013) § 4º A falha a que se refere o § 3º deverá ser demonstrada pelo sujeito passivo à RFB no momento da entrega do formulário, sob pena do enquadramento do documento por ele apresentado no disposto no § 1º do art. 46 ou no art. 111. § 5º Aplicase o disposto no § 1º do art. 46 e no art. 111, quando a impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP decorrer de restrição nele incorporada em cumprimento ao disposto na legislação tributária. § 6º Aos formulários a que se refere o caput deverá ser anexada documentação comprobatória do direito creditório. (grifos nossos) Pelo exposto, constatase que a IN RFB nº 1.300, de 2012, de fato, exigia a apresentação do pedido de compensação do sujeito passivo por via eletrônica mediante o uso do programa PER/DCOMP. Como bem ressaltado pelo acórdão recorrido, o pleito da interessada se enquadra dentre aqueles cujo uso do programa PER/DCOMP é obrigatório, razão pela qual a não utilização da via eletrônica, ou seja, a opção pela apresentação de pleito com o uso de formulário, configura, na norma infra legal, hipótese de indeferimento sumário do pedido de compensação (artigo 111 da IN RFB nº 1.300/2012). Diante disso, a recorrente questiona a legalidade da reportada instrução normativa. Segundo entende, a norma em comento contrariaria normas hierarquicamente superiores que nunca condicionaram o direito à utilização da via eletrônica. Não obstante, entendo que a instrução normativa em comento está, sim, devidamente respaldada pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que reproduzo abaixo nas suas partes mais relevantes para o exame da questão: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada Fl. 175DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721901/201314 Acórdão n.º 3301002.737 S3C3T1 Fl. 173 7 pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Como se vê, o § 14 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 dá competência à Receita Federal para que a mesma discipline o rito procedimental do pedido de compensação de que trata o preceito em comento, ou seja, todo o artigo 74. Portanto, o legislador ordinário conferiu à administração tributária competência para a definição de condições e de regras destinadas a possibilitar o exame dos pleitos de compensação, de restituição e de ressarcimento, dentre os quais a exigência de apresentação eletrônica da maior parte desses pedidos, sem cuja exigência restaria impossível para o fisco a análise de tão exacerbado número de informações. Diante do exposto, e considerando que as exigências contidas na IN RFB nº 1.300/2012, aqui comentadas, estão alicerçadas pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, correto o entendimento da unidade de origem quando, fundamentada no artigo 111 da citada instrução normativa, indeferiu sumariamente o pedido de restituição / ressarcimento indevidamente apresentado em formulário de papel, já que a questão se subsume à obrigatoriedade de utilização do programa PER/DCOMP. Da inexistência de direito ao creditamento da COFINS Ainda que o caso não fosse de indeferimento sumário do pedido de restituição / ressarcimento, cumpre destacar, subsidiariamente, que a legislação que trata do Fl. 176DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 8 regime de nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS não dá direito ao creditamento em que se funda o sujeito passivo. A legislação pertinente ao regime autoriza, de fato, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O inciso II do artigo 3o das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 prevê o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. A discussão a respeito do alcance do conceito de insumo é acirrada e, de fato, há os que defendem que tal conceito deveria acompanhar a definição de custos e despesas nos termos da legislação do Imposto de Renda, tese encampada pela interessada, mas que entendemos não encontra respaldo legal. Com efeito, para Marco Aurélio Greco1, os insumos para fins de PIS/Pasep e Cofins não se equiparam àqueles indicados pela legislação do Imposto de Renda, uma vez que há distinção material entre receita e renda. Patrícia Madeira, ao estudar a questão da não cumulatividade, e explicando a lição de Greco, assevera que os pressupostos de fato para o IRPJ e a CSLL são o resultado positivo (renda/lucro), e, nesse caso, deverão ser considerados todos os custos que interferirem na sua apuração. No entanto, “nem todos os custos da atividade empresarial interferem na formação da receita, que é materialidade do PIS e da Cofins”. A ideia de insumo proclamada pela legislação do IPI também não seria aplicável para o PIS/Pasep e para a COFINS2, dado ser o IPI [...] tributo cuja nãocumulatividade se opera pelo método subtrativo, variante imposto contra imposto (que, portanto, requer tenha havido incidência na operação anterior para que o insumo seja creditável) e cuja materialidade (industrialização) remete à ideia de algo fisicamente apreensível. Como a receita decorre de uma prestação de serviços ou da produção de bens, Marco Aurélio Greco conclui que só deve ser insumo o que for inerente àquilo que denomina de “processo formativo da receita”. Em suas palavras: relevante é determinar quais os dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução. Na verdade, dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo, constatase que o legislador optou por um regime de nãocumulatividade parcial, posição a qual defendemos, muito embora reconheçamos que parte da doutrina tente dar ao regime um sentido mais amplo e próximo dos aspectos econômicos da produção, o que, contudo, não encontra alicerce na legislação pertinente. 1 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (Coord.) et al. Não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. São Paulo: IOB Thompson. Porto Alegre: Instituto de Estudos Tributários, 2004. p. 112122. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 2 O trecho acima, que sintetiza a lição de Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 117118), foi extraído da Dissertação de Mestrado de Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves Madeira, p. 127128 – referência já citada. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13116.721901/201314 Acórdão n.º 3301002.737 S3C3T1 Fl. 174 9 Afastase, pois, a tese da recorrente que procura dar ao conceito de insumo uma amplitude seguindo o parâmetro de dedutibilidade adotado pela legislação do Imposto de Renda. Assim, especificamente no que concerne a despesas com propaganda, estas não poderão ser enquadrados como insumo, como defende a recorrente. No que concerne a valerefeição ou a valealimentação, o artigo 3º, inciso X, restringe a possibilidade de creditamento em relação a aludidas rubricas exclusivamente a pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. É o que está explicitado no preceito em comento, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) (grifo nosso) Não é esse, porém, o caso da interessada, que se dedica ao comércio e varejo de automóveis, camionetas e utilitários (conforme seu cadastro junto ao CNPJ). Por conseguinte, e ainda que o pleito não se enquadrasse em hipótese de indeferimento sumário, resta evidente que não haveria como se reconhecer direito ao crédito pleiteado por falta de alicerce legal para tanto. Da conclusão Diante de todo o exposto, voto para conhecer em parte do recurso interposto pelo sujeito passivo, negandolhe, no entanto, provimento. Sala de Sessões, em 25 de janeiro de 2016. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 178DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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