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Numero do processo: 10073.000940/2010-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 09/09/2004, 30/09/2004, 03/11/2004, 10/11/2004, 19/01/2005, 23/02/2005, 23/03/2005
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DRAWBACK SUSPENSÃO. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA.
Segundo a legislação vigente por ocasião dos fatos, o princípio da vinculação física, consoante o qual as mercadorias importadas com suspensão dos tributos devem ser obrigatoriamente empregadas na produção de bens destinados à exportação, é vetor do drawback modalidade suspensão, não se lhe aplicando o princípio da fungibilidade.
DRAWBACK SUSPENSÃO. DESCUMPRIMENTO REQUISITOS. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A teor do art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430/96 e art. 319 do Decreto nº 91.030/85, o descumprimento das condições que ensejaram a suspensão estabelecida para o regime aduaneiro implica a cobrança dos tributos respectivos, acrescidos dos consectários cabíveis (multa e juros de mora).
DRAWBACK SUSPENSÃO. VENCIMENTO DO PRAZO PARA EXPORTAR. MULTA DIÁRIA POR DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO, CONDIÇÃO OU NORMA OPERACIONAL. NÃO CABIMENTO.Expirado o prazo para exportação, previsto em ato concessório de Drawback, modalidade suspensão, é incabível a aplicação da multa diária por descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para utilizar regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais, prevista no artigo 107, inciso VII, alínea e, do Decreto-lei nº 37, de 1966, com a redação da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 3401-005.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por voto de qualidade, em conhecer, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lázaro Antonio, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, e Cássio Schappo.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 09/09/2004, 30/09/2004, 03/11/2004, 10/11/2004, 19/01/2005, 23/02/2005, 23/03/2005 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DRAWBACK SUSPENSÃO. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. Segundo a legislação vigente por ocasião dos fatos, o princípio da vinculação física, consoante o qual as mercadorias importadas com suspensão dos tributos devem ser obrigatoriamente empregadas na produção de bens destinados à exportação, é vetor do drawback modalidade suspensão, não se lhe aplicando o princípio da fungibilidade. DRAWBACK SUSPENSÃO. DESCUMPRIMENTO REQUISITOS. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A teor do art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430/96 e art. 319 do Decreto nº 91.030/85, o descumprimento das condições que ensejaram a suspensão estabelecida para o regime aduaneiro implica a cobrança dos tributos respectivos, acrescidos dos consectários cabíveis (multa e juros de mora). DRAWBACK SUSPENSÃO. VENCIMENTO DO PRAZO PARA EXPORTAR. MULTA DIÁRIA POR DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO, CONDIÇÃO OU NORMA OPERACIONAL. NÃO CABIMENTO.Expirado o prazo para exportação, previsto em ato concessório de Drawback, modalidade suspensão, é incabível a aplicação da multa diária por descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para utilizar regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 00 09 40 /2 01 0- 89 Fl. 2211DF CARF MF Processo nº 10073.000940/201089 Acórdão n.º 3401005.694 S3C4T1 Fl. 2.212 2 especiais, prevista no artigo 107, inciso VII, alínea “e”, do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação da Lei nº 10.833, de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por voto de qualidade, em conhecer, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lázaro Antonio, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, e Cássio Schappo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório 1. Tratase de autos de infração, relativos à exação do Imposto de Importação, o Pis/Pasep Importação e a Cofins Importação, todos acrescidos com multas de ofício proporcion al e juros de mora, além da multa regulamentar prevista no art. 107, inciso VII, alínea “e” do DecretoLei nº 37 de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833 de 2003, totalizando um crédito tributário no montante de R$ 20.380.652,35. 2. O relatório fiscal, situado às fls. 34 a 75, narra que a auditoria objetivou verificar o cumprimento dos compromissos assumidos pela beneficiária nos atos concessórios 2004/0195007, 2004/0216624, 2004/0231666, 2004/0248798, 2004/0277097, 2004/0302938, 2005/0016024 e 2005/0045962 (fls. 79 a 118), referentes ao regime aduaneiro especial de drawback, modalidade suspensão, previsto no art. 78, II do DecretoLei nº 37 de 1966 e no art. 1º, I da Lei nº 8.402 de 1992, nos arts. 335 a 344 do Decreto nº 4.543 de 2002 (RA) e nas Portarias Secex nº 14 de 2004 e nº 35 de 2006, outorgados pela Secex para a importação do insumo estanho refinado em lingotes (high grade tin) 99,9456%, submetido a despacho aduaneiro ao amparo das declarações de importação 04/09022831, 04/09862066, 04/11109469, 04/11436508, 05/00665626, 05/00665618, 05/01911647 e 05/02974375 (fls. 120 a 143). Do exame das informações extraídas dos sistemas informatizados “DW Aduaneiro”, “Drawback Web”, “Siscomex Aduana”, “SiscomexImportação via Macro RE”, evidenciouse que a Secex, órgão responsável pelo controle administrativo do regime em comento, considerou totalmente inadimplido o compromisso assumido nos respectivos atos concessórios Fl. 2212DF CARF MF Processo nº 10073.000940/201089 Acórdão n.º 3401005.694 S3C4T1 Fl. 2.213 3 e, logo, o descumprimento do Regime Especial Aduaneiro de Drawback, na modalidade suspensão, referente aos períodos 09/09/2004, 30/09/2004, 03/11/2004, 10/11/2004, 19/01/2005, 23/02/2005 e 23/03/2005:. 3. A contribuinte apresentou impugnação na qual argumentou, em síntese: (i) que as únicas razões levantadas pela autoridade fiscal para fundamentar a exação foram (i.a) o registro intempestivo do RE’s quanto ao prazo de validade dos atos concessórios e (i.b) a emissão das DIs em momento anterior ao deferimento dos benefícios correspondentes; (ii) a acusação que as declarações de importação foram registradas antes da data de validade dos respectivos atos concessórios do regime drawback deve ser afastada, pois resultante de erro material incorrido pelo próprio sistema da Secex, uma vez que as datas informadas atualmente nos respectivos extratos divergem daquelas informadas quando da internação dos insumos importados ao amparo dos respectivos atos concessórios de drawback suspensão, tendo apresentado, em 29/09/2010, petição à Secex visando obter, uma vez mais, declaração no sentido de confirmar que todos os referidos atos concessórios foram deferidos anteriormente ao registros das respectivas DI; (iii) quanto aos atos concessórios 2004/0195007 e 2004/0231666 todas as exportações a eles relacionadas foram realizadas dentro do período de sua vigência e que quanto aos demais 2004/ 0216624, 2004/0248798, 2004/0277097, 2004/0302938, 2005/0016024 e 2005/0045962, os atrasos ocorridos decorreram de casos fortuitos e de força maior, provenientes de inesperada elevação do preço internacional da matériaprima importada metal estanho afetando, por conseguinte, as exportações do produto acabado, devido ao cancelamento de diversas encomendas destinadas a clientes estrangeiros, obrigando a contribuinte a substituílos por outros; (iv) a multa regulamentar é ilegal, pois foi direcionada a conduta diversa da praticada pela impugnante, uma vez que o dispositivo legal invocado art. 107, inciso VII, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, com redação conferida pela Lei nº 10.833/2003, e se presta para impedir que determinados sujeitos intervenientes em operações de comércio exterior falseassem, simulassem ou fraudassem as condições de habilitação aos regimes especiais aduaneiros, identificandose com os casos de descumprimento, pelo interveniente, de requisitos “para habilitarse” ou para vir a utilizar regime aduaneiro especial, notadamente com relação às irregularidades incorridas quanto à documentação e cumprimento de condições relacionadas; (v) a multa tem caráter confiscatório e confronta os princípios da finalidade, da razoabilidade, da proporcionalidade, da moralidade, da segurança jurídica e do interesse público; (vi) a inaplicabilidade da metodologia de cálculo adotada pela fiscalização, pois o término da conduta infratora seria a data da efetivação da exportação considerada intempestiva, pois realizada após o prazo de validade do ato concessório e, logo, o atraso alcançaria no máximo 325 dias, resultando num montante de R$ 325.000,00. 4. Em 15/10/2014, a 24ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 1662.246, situado às fls. 1990 a 2011, de relatoria do AuditorFiscal Orlando Rutigliani Berri, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, exonerando o crédito tributário exigido no valor de R$ 16.399.000,00: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 09/09/2004, 30/09/2004, 03/11/2004, 10/11/2004, 19/01/2005, 23/02/2005, 23/03/2005 DRAWBACK SUSPENSÃO. EXPORTAÇÕES NÃO VINCULADAS A REGIME DE DRAWBACK SUSPENSÃO. DESATENDIMENTO A REQUISITOS FORMAIS QUE Fl. 2213DF CARF MF Processo nº 10073.000940/201089 Acórdão n.º 3401005.694 S3C4T1 Fl. 2.214 4 IMPEDEM A VINCULAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES A ATO CONCESSÓRIO DO REGIME. É ônus do sujeito passivo beneficiário do regime de drawback, modalidade suspensão efetuar o controle atinente à vinculação, material e formal, quanto ao emprego dos insumos importados na industrialização e exportação das mercadorias compromissadas no ato concessório correspondente. Ausente qualquer informação acerca do regime suspensivo, inclusive a falta de vinculação ao respectivo ato concessório no Registro de Exportação, considerase não comprovado o adimplemento das exportações compromissadas. DRAWBACK SUSPENSÃO. DESATENDIMENTO A REQUISITOS FORMAIS. MULTA REGULAMENTAR DIÁRIA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA. A multa regulamentar diária aplicada nos presentes autos não se presta para punir o importador beneficiário de regime suspensivo em decorrência de seu inadimplemento. Referida sanção pecuniária tem por escopo coibir práticas fraudulentas e afins cometidas pelos intervenientes em operações de comércio exterior, notadamente àquelas relacionadas com a habilitação aos regimes especiais aduaneiros. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/09/2004, 30/09/2004, 03/11/2004, 10/11/2004, 19/01/2005, 23/02/2005, 23/03/2005 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. MOTIVAÇÃO. Incabível a alegação de cerceamento do direito de defesa e da falta de motivação quando os fatos encontramse minuciosamente descritos no auto de infração. De outra forma, o contraditório somente se instaura com a apresentação da impugnação, inexistindo no âmbito do procedimento administrativo, cuja natureza é inquisitória. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/09/2004, 30/09/2004, 03/11/2004, 10/11/2004, 19/01/2005, 23/02/2005, 23/03/2005 NÃO VINCULAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO COM RESPECTIVO ATO CONCESSÓRIO. CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. IN DUBIO PRO CONTRIBUINTE. Fl. 2214DF CARF MF Processo nº 10073.000940/201089 Acórdão n.º 3401005.694 S3C4T1 Fl. 2.215 5 Na relação jurídica tributária o ônus de provar o fato infracional tributário cabe ao fisco. Ao sujeito passivo tributário compete, no intuito elidir a acusação que lhe é feita, apresentar os elementos que entende demonstrar a não ocorrência fato acusado. No caso sob exame, havendo dúvida quanto à vigência do ato concessório vinculado a declaração de importação, devese, em atenção ao princípio do “in dubio pro reo”, interpretar da maneira mais favorável ao acusado, por se tratar de incerteza quanto às circunstâncias materiais do fato. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 5. Diante da exoneração do crédito tributário, o acórdão foi submetido à apreciação deste Conselho por recurso de ofício, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e art. 1º da Portaria do Ministério da Fazenda nº 3, de 3 de janeiro de 2008. 6. A contribuinte, intimada via postal da decisão em 20/06/2013, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 2133, interpôs, em 19/07/2013, em conformidade com carimbo de protocolo aposto pela unidade local situado à fl. 2138, recurso voluntário, situado às fls. 2138 a 2191, no qual reiterou as razões de sua impugnação, acrescendo, ainda, o argumento no sentido de que a decisão recorrida teria alterado os fundamentos de fato e o critério jurídico da autuação, em contrariedade à vedação do art. 146 do Código Tributário Nacional. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 7. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento, com a seguinte ressalva. Fl. 2215DF CARF MF Processo nº 10073.000940/201089 Acórdão n.º 3401005.694 S3C4T1 Fl. 2.216 6 8. Quanto às alegações de inconstitucionalidade de leis, tratase de matéria que não pode ser apreciada no âmbito do processo administrativo fiscal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009: Decreto nº 70.235/1972 Art. 26. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 9. Tal entendimento, ademais, encontrase consolidado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme súmula aprovada pela Portaria nº 52, de 21 de dezembro de 2010: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 10. Assim, não conheço do recurso voluntário interposto neste particular. 11. A autoridade fiscal, por meio de consultas realizadas nos sistemas “DW ADUANEIRO”, “DRAWBACK WEB”, “SISCOMEX ADUANA”, “SISCOMEXIMPORTAÇÃO – VIA MACRO RE”, colheu extratos dos atos concessórios e neles verificou o status “totalmente inadimplido” referente ao regime especial aduaneiro de drawback, modalidade suspensão, o que ocasionou o lançamento de ofício ora combalido, nos seguintes termos: “Os Atos Concessórios de Drawback selecionados para o presente feito fiscal encontramse em situação de total inadimplência, não apenas tendo recebido esse status diretamente do órgão federal incumbido dos controles administrativos dessa modalidade de operação exonerativa, mas também por parte da Administração Tributária Federal, haja vista que os Res eventualmente ‘vinculados’ a algum AC selecionado não observaram a condição temporal desse Regime Aduaneiro Especial, ressalvado, apenas, os Res 06/1298204001 e 06/1298222001, sendo certo que para os demais ACs nem mesmo houve qualquer menção nos REs providenciados pelo sujeito passivo. Ademais, 7 (sete), de um total de 8 (oito), Declarações de Importação, vinculadas a Atos Concessórios de Drawback, foram registradas anteriormente ao deferimento dos correspondentes ACs. Sendo assim, são devidos os tributos e contribuições sociais incidentes nas respectivas operações de importação, com os demais acréscimos previstos em lei.” Fl. 2216DF CARF MF Processo nº 10073.000940/201089 Acórdão n.º 3401005.694 S3C4T1 Fl. 2.217 7 12. A contribuinte discorda do entendimento adotado pela autoridade lançadora quanto à necessidade de vincular, mediante correto preenchimento do Registro de Operações de Exportação (RE), os insumos importados aos produtos efetivamente exportados, mas a recalcitrância não merece acolhida, pois, como bem aponta a decisão recorrida, da análise das notas fiscais de saída, dos extratos dos registros de operações de exportação e dos extratos das declarações de exportação, documentação situada às fls. 1261 a 1961, sequer um único documento evidencia que houve a vinculação da operação de importação realizada ao amparo do regime drawback suspensão com a respectiva exportação do produto acabado: Exemplificando, nenhum extrato de registro de exportação RE informa em seu campo “2a”, destinado a indicar o “enquadramento da operação”, traz expresso o código 81101, que se refere à operação de exportação relativa ao drawback modalidade suspensão, ao contrário, os únicos códigos informados são 80000, que se refere à operação de exportação normal e o 80116, que se refere à operação de exportação relativa ao SGP sistema geral de preferência. Ademais, não bastasse essa circunstância, também nenhum desses REs informa, em seu campo “2f”, o número do ato concessório vinculado. Mais ainda, em nenhum momento a autuada intentou regularizar a operação com o fito de buscar atender as normas do regime, pois não há qualquer indicação quanto uma possível anuência da autoridade competente no sentido de efetuar referida vinculação previamente à averbação dos citados REs. Contextualizado o tema e a procedida a análise dos documentos apresentados pela impugnante, iniciemos o debate pela exposição dos fundamentos legais do regime, já salientando, porém, que os requisitos para admissão nele se materializa em cada caso pelo deferimento do respectivo ato concessório. O regime aduaneiro especial de drawback, modalidade suspensão, previsto no art. 78, II, do DecretoLei nº 37/1966, restabelecido pelo art. 1º, I, da Lei nº 8.402/1992 e regulamentado pelos arts. 317 a 319 do RA/1985, reproduzidos nos arts. 338, 340 e 342 do RA/2002, cujo objetivo precípuo é conceder a suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação de insumos, mediante o compromisso de aplicálos na fabricação ou elaboração de produtos destinados à exportação, nas condições e prazos estipulados nos atos concessórios (AC) expedidos pela Decex/Secex. 13. Antes de prosseguir na análise do descumprimento em referência, necessário se enfrentar a alegação da contribuinte vertida em suas razões recursais no sentido de que a decisão recorrida manteve a exigência dos tributos lançados, mesmo tendo reconhecido o equívoco da fiscalização na fundamentação da autuação, o que, por si só, ensejaria a anulação do auto de infração lavrado devido à alteração quanto aos fundamentos de fato e a mudança de critério jurídico da autuação fulminam a própria motivação do ato administrativo vinculado de lançamento, o que não merece acolhida, conforme se denota da simples leitura da fundamentação positiva do relatório fiscal e dos autos de infração lavrados, que apontam para as condições de fruição do benefício nos termos do art. 78, II do Fl. 2217DF CARF MF Processo nº 10073.000940/201089 Acórdão n.º 3401005.694 S3C4T1 Fl. 2.218 8 DecretoLei nº 37 de 1966 e no art. 1º, I da Lei nº 8.402 de 1992, nos arts. 335 a 344 do Decreto nº 4.543 de 2002 (RA) e nas Portarias Secex nº 14 de 2004 e nº 35 de 2006, outorgados pela Secex para a importação do insumo estanho refinado em lingotes (high grade tin) 99,9456%, submetido a despacho aduaneiro ao amparo das declarações de importação tendo a autoridade fiscal reputado inadimplido o compromisso assumido nos respectivos atos concessórios e, logo, o descumprimento do Regime Especial Aduaneiro de Drawback, na modalidade suspensão. O compromisso com a adstrição ao conteúdo da acusação fiscal transparece em inúmeros momentos da decisão recorrida, merecendo destaque, v.g., o excerto abaixo transcrito: "Exatamente por ser condição precípua de admissibilidade das mercadorias no regime, que os insumos importados com suspensão estejam concretamente vinculados aos bens exportados, é que a fiscalização, depois de analisar as justificativas e as provas coligidas pela fiscalizada, concluiu que esses insumos não foram regularmente reexportados, não sendo passíveis de ser aceitos para o efeito demonstrar que cumpriu com o compromissado". 14. Afastada a alegação de nulidade em virtude de alteração do critério jurídico, de fato, como bem apontado pela autoridade fiscal e referendado pela decisão recorrida, a contribuinte beneficiária inadimpliu com o compromisso previamente estabelecido nos Atos Concessórios, vez que não logrou êxito em comprovar a utilização dos insumos importados em processo de industrialização próprio e a necessária exportação dos produtos finais obtidos, conforme legislação vigente à época, sendo a fungibilidade possível de se cogitar a partir da inserção no ordenamento pátrio do art. 32 da Lei nº 12.350/2010, que alterou a disposição do art. 17 da Lei no 11.774/2008, marco miliário que viabiliza a flexibilização da vinculação física no "drawback brasileiro", modalidades de isenção e suspensão. Observase, no entanto, tratarse o caso em apreço de período de apuração compreendido entre 01/02/2008 a 30/06/2010, o que esvazia de fundamento positivo a pretensão recursal, distribuindose o ônus probatório respectivo à incumbência do beneficiário do regime. 15. As razões recursais, como se pode perceber, não têm o condão de atenuar a falta da contribuinte autuada em não manter um efetivo controle da produção e de estoques, mas, ao contrário, robustecemna, demonstrando o acerto da autuação fiscal, pois apenas por ocasião da Medida Provisória nº 497/2010 (convertida na Lei nº 12.350/2010, cujo art. 32 deu nova redação ao art. 17 da lei nº 11.774/2008), passou a existir no ordenamento a possibilidade da substituição dos produtos importados por outros equivalentes, para fins de adimplemento do compromisso de exportação nos regimes aduaneiros suspensivos, destinados à industrialização para exportação, ressalvandose, porém, observância dos termos, limites e condições a serem estabelecidos pelo Poder Executivo, com o objetivo de não se fragilizar o controle aduaneiro sobre as mercadorias importadas sob o pálio de tal regime aduaneiro especial, em respeito à isonomia e à livre concorrência, o que implica a impossibilidade de sua aplicação aos fatos geradores alcançados pela presente autuação, não servindo como argumento apto a derruir o libelo infracional a alegação da identidade de código na classificação fiscal atribuída aos insumos. 16. Relativamente à observância do princípio da vinculação física, como requisito para comprovação do compromisso de exportação decorrente da fruição do Fl. 2218DF CARF MF Processo nº 10073.000940/201089 Acórdão n.º 3401005.694 S3C4T1 Fl. 2.219 9 drawbacksuspensão, reproduzo o resgate histórico do instituto e a sua implicação no âmbito tributário, em encomiosa declaração de voto de lavra do Conselheiro Rosaldo Trevisan, no Acórdão nº 3403003.162, proferido em 20/08/2014, e o adoto como fundamento do presente aresto, por concordar com o arrazoado nele expendido: “Busco por meio da presente declaração de voto motivar meu entendimento especificamente em relação à necessidade de vinculação física no regime denominado no Brasil de ‘drawback’, tendo em vista a recorrente discussão do tema e a aura de controvérsia que sob ele paira. Ao final, teço ainda considerações sobre as especificidades do presente processo. 1 O ‘DRAWBACK BRASILEIRO’ (Ou: a deturpação do conceito de Drawback no Brasil) É preciso logo de início esclarecer que ao tratar de um ‘drawback’ brasileiro, estáse a analisar um regime que tem pouca relação com o que se entende no restante do planeta como ‘drawback’. O ‘drawback’ já era tratado na célebre ‘Riqueza das Nações’ de Adam Smith, em 1776, na qual se dedica um capítulo (Capítulo IV – ‘Dos drawbacks’, do Livro IV – “Dos sistemas de política econômica”): Os comerciantes e os fabricantes não se contentam com o monopólio do mercado interno, mas desejam da mesma forma o máximo possível de vendas para o exterior de suas mercadorias. Seu país não possui nenhuma jurisdição sobre nações estrangeiras e, portanto, raramente pode proporcionar monopólio lá. Eles são geralmente obrigados, por isso, a contentarse em solicitar determinados incentivos à exportação. Desses incentivos, os denominados drawbacks parecem ser os mais razoáveis. (...)Os direitos (de importação) que foram impostos desde o antigo subsídio são, em grande parte, totalmente devolvidos após a exportação. Essa regra geral, entretanto, é passível de grande número de exceções; e a teoria dos drawbacks se tornou matéria muito mais simples do que era quando de sua primeira instituição. Na exportação de algumas mercadorias estrangeiras, das quais se esperava que a importação em muito superasse o necessário para o consumo interno, a totalidade dos direitos (de importação) era devolvida, sem reter nem a metade do antigo subsídio. (...)1 Pouco antes, na mesma obra (Capítulo I do Livro IV), explicase que: Drawbacks são concedidos em duas diferentes ocasiões. Quando os fabricantes domésticos estivessem sujeitos a qualquer direito (de importação) ou imposto (sobre o consumo), a totalidade ou uma parte destes era frequentemente devolvida após a exportação; e quando mercadorias estrangeiras sujeitas a um direito (de importação) fossem importadas, a fim de serem exportadas novamente, a totalidade ou uma parte deste direito era às vezes devolvida depois de tal exportação. (...)2 O ‘drawback’, assim, é inequivocamente, como sugere a própria Fl. 2219DF CARF MF Processo nº 10073.000940/201089 Acórdão n.º 3401005.694 S3C4T1 Fl. 2.220 10 formação da palavra, em inglês (‘drawback’), uma devolução ou restituição de direitos de importação (ou mesmo de impostos sobre o consumo). Tal definição está em perfeita sintonia com o que se entende hoje internacionalmente como drawback: ‘o montante de direitos e taxas na importação restituídos por aplicação do regime de drawback’.3 E o regime de drawback, por sua vez, é internacionalmente definido como: o regime aduaneiro que permite, por ocasião da exportação de mercadorias, obter a restituição (total ou parcial) dos direitos e taxas que incidiram sobre a importação dessas mercadorias ou dos materiais nelas contidos ou consumidos na sua produção.4 Foi exatamente com esse sentido que o regime foi inicialmente tratado na legislação brasileira, no Decreto no 994, de 28/7/1936: como uma restituição, ou, na terminologia usada no decreto, uma devolução dos direitos pagos (integralmente) na importação (a norma usa ainda o termo ‘remissão’). A Lei no 3.244, de 14/8/1957 manteve o drawback como ‘remissão’, em seu art. 37, dispondo que seria concedida ‘remissão total ou parcial do imposto relativo a produto utilizado na composição de outro a exportar (‘drawback’), nos termos do Regulamento a ser baixado por proposta do Conselho de Política Aduaneira’. 5 E tal regulamento (Decreto no 50.485, de 25/4/1961) dispôs em seu art. 6 o que ‘o desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas com aplicação do ‘drawback’ será autorizado com suspensão do recolhimento dos tributos devidos’. Estava ‘criado’ pela norma infralegal o drawbacksuspensão, distante de toda a terminologia internacionalmente adotada, nascendo ainda a expressa determinação de vinculação física, no texto do art. 18: ‘nenhuma mercadoria objeto de ‘drawback’ poderá ser utilizada fora da finalidade prevista sem o prévio recolhimento dos tributos devidos’. Três anos depois, estava revogado o decreto regulamentar pelo Decreto no 53.967, de 16/6/1964, que, em seu art. 3o, deu ao drawback a configuração tripartida (suspensão, isenção e restituição) que persiste nas normas até os dias atuais, mantendose a necessidade de que as mercadorias importadas não fossem desviadas das finalidades para as quais foram admitidas no regime (art. 8o).6 Depois de cerca de uma década de disciplina infralegal, o DecretoLei n o 37, de 18/11/1966, em seu art. 78, incisos I a III, passa a dispor (sem utilizar a expressão drawback)7 sobre restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportadaque; sobre suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; e sobre isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, Fl. 2220DF CARF MF Processo nº 10073.000940/201089 Acórdão n.º 3401005.694 S3C4T1 Fl. 2.221 11 fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. Apesar de a base legal (corretamente8) não se referir a drawback, o Decreto no 68.904, de 12/7/1971, entretanto, afirma em sua ementa estar regulamentando “o instituto do drawback previsto no art. 78 do DecretoLei n o 37, de 18/11/1966”, reiterando a linha tripartida (suspensão, isenção e restituição), sendo tal postura mantida pelos Regulamentos Aduaneiros de 1985 (aprovado pelo Decreto no 91.030, de 05/03/1985, art. 314), de 2002 (Decreto no 4.543, de 26/12/2002, art. 335) e de 2009 (Decreto no 6.759, de 05/02/2009, art. 383). Concordamos com LOPES FILHO quando este afirma que, apesar de a regulamentação do art. 78 da Lei Aduaneira denominar as três modalidades ali previstas como drawback, devese entender que o drawback corresponde tãosomente à “restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada” (inciso I do art. 78), caracterizandose as modalidades previstas nos incisos II e III do artigo, respectivamente, como beneficiamento ativo e reposição de estoques. 9 Contudo, preferimos a designação aperfeiçoamento ativo, que veio a se consagrar depois da obra do exSecretário da Receita Federal, para a modalidade prevista no inciso II. Temos, assim, que: a) o ‘drawbackisenção’ constitui, como o próprio nome sugere, uma hipótese de isenção (conhecida como reposição de estoques) 10 como tantas outras decorrentes de lei ou acordo internacional, compiladas no art. 136 do atual Regulamento Aduaneiro11; b) o ‘drawbackrestituição’, ou simplesmente ‘drawback’, nome pelo qual é conhecido no restante do mundo, é uma hipótese de restituição que busca incentivar as exportações12; e c) o ‘drawbacksuspensão’ (único que constitui propriamente um regime aduaneiro) é, em realidade, um aperfeiçoamento ativo. 13 Reparese que a inadequação terminológica não macula, hoje, a aplicação de nenhuma das três ‘modalidades de drawback’ no Brasil, pois, relevandose os nomes, todas possuem supedâneo legal.14 Mas a confusão infralegal acabou por contaminar leis, como as de no 8.402/1992 (art. 3o, § 2 o), no 11.945/2009 (arts. 13 e 14) e no 12.350/2010 (que passou a ter um Capítulo intitulado “Do Drawback” arts. 31 a 33, que nada trata sobre restituição), deixando o Brasil cada vez mais distante daquilo que o restante do mundo denomina “drawback”. Não se tem dúvida de que a insistência em utilizar terminologia dissonante do resto do mundo dificulta negociações internacionais15 e faz com que se exija cautela em estudos comparados sobre a matéria. Fl. 2221DF CARF MF Processo nº 10073.000940/201089 Acórdão n.º 3401005.694 S3C4T1 Fl. 2.222 12 Daí nossa preocupação em não comparar grandezas diferentes na labuta empreendida nos tópicos seguintes. Trataremos do ‘drawback brasileiro’ (em suas três ‘modalidades’), comparandoas, quando necessário, aos institutos congêneres existentes internacionalmente. 2 A vinculação física no ‘DRAWBACK BRASILEIRO’ e sua gradativa flexibilização (Ou: o ‘drawback brasileiro’, da vinculação física à fungibilidade) Como destacado no tópico anterior, as primeiras regulamentações do ‘drawback brasileiro’ (em suas três modalidades), veiculadas pelos Decretos n o 50.485/1961 e no 53.967/1964, já estabeleciam expressamente a necessidade de vinculação das mercadorias às finalidades para as quais foram admitidas no regime. E as finalidades eram as mesmas, em ambos os decretos (art. 2o): utilização direta na fabricação de mercadorias destinadas à exportação; complementação de aparelhos, máquinas, veículos ou equipamentos destinados à exportação; embalagem, acondicionamento ou apresentação de produtos a serem exportados; beneficiamento no país e posterior exportação; e reparação, recondicionamento ou reconstrução de máquinas, equipamentos, embarcações e aeronaves admitidos no país temporariamente, quando consignados a estaleiros ou oficinas de reparo e manutenção. E sobre o tema não parece haver dissonância entre as normas regulamentares e o comando do art. 78 do DecretoLei no 37/1966: ‘Art. 78. Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: I restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada; II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. (...)§ 3o Aplicamse a este artigo, no que couber, as disposições do § 1o do art. 75.’ (grifo nosso) Reparese que nas três ‘modalidades’ a mercadoria exportada tem que ser efetivamente a que foi anteriormente importada. Nenhuma flexibilização da vinculação física, assim, naquele momento. E adicionese que o DecretoLei permite a aplicação subsidiária do § 1o do art. 75 (que trata de condições para a admissão temporária, entre as quais a identificação dos bens e sua utilização exclusiva nos fins previstos). Fl. 2222DF CARF MF Processo nº 10073.000940/201089 Acórdão n.º 3401005.694 S3C4T1 Fl. 2.223 13 Na disciplina regulamentar posterior, externada pelo Decreto no 68.904/1971, começam a surgir flexibilizações na identidade física entre os produtos importados e exportados (destacandose a possibilidade de aplicação do regime (art. 2o, §1o) a ‘matériaprima e outros produtos que, embora não integrando o produto exportado, sejam utilizados na sua fabricação em condições que justifiquem o benefício, a critério do órgão responsável pela concessão do drawback’. O Regulamento Aduaneiro de 1985, aprovado pelo Decreto no 91.030/1985, em seus arts. 314 a 334, tratou do “drawback brasileiro”, em suas três ‘modalidades’, mantendo a flexibilização prevista no art. 2o, §1o do Decreto no 68.904/1971 em seu art. 315, §1o. Com a alteração efetuada no §2o do art. 315, pelo Decreto no 4.257/2002, surge outra flexibilização, permitindose a aplicação do regime a ‘matériaprima e outros produtos utilizados no cultivo de produtos agrícolas ou na criação de animais a serem exportados, definidos pela Câmara de Comércio Exterior’ (CAMEX). Vejase que a ampliação permitiu, por exemplo, a importação de farelo de milho para alimentar pintos que, depois de adultos, seriam exportados. Impossível estabelecerse vinculação física neste caso. Por óbvio, no momento da exportação, não acompanhará o frango todo o farelo por ele comido durante a criação. Por isso é que nesses casos excepcionais passouse a prever disciplina específica, no §3o do mesmo art. 315, restringindo a aplicação do regime aos ‘limites quantitativos e qualitativos constantes de laudo técnico emitido, nos termos fixados pela Secretaria da Receita Federal, por órgão ou entidade especializada da Administração Pública Federal’; e ‘a empresa que possua controle contábil de produção em conformidade com normas editadas pela Secretaria da Receita Federal’. É a flexibilização sem prejuízo do controle aduaneiro. No Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto no 4.543/2002) o ‘drawback’ foi tratado nos arts. 335 a 355, sendo mantidas no art. 336 as flexibilizações anteriores, e adicionadas outras duas, específicas da “modalidade suspensão”. A primeira delas é derivada de lei (no 8.032/1990, art. 5o, com a redação dada pela Lei no 10.184/2001), e não se refere exatamente à flexibilização da vinculação física, mas da própria exportação, admitindo que o regime seja aplicável a mercadoria destinada a fornecimento no mercado interno, em decorrência de licitação internacional, contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo BNDES, com recursos captados no exterior. A segunda, contudo, existente no art. 339, resultou em equivocadas interpretações. Dispõe o artigo: ‘o regime de drawback, na modalidade de suspensão, poderá ser concedido e Fl. 2223DF CARF MF Processo nº 10073.000940/201089 Acórdão n.º 3401005.694 S3C4T1 Fl. 2.224 14 comprovado, a critério da Secretaria de Comércio Exterior, com base unicamente na análise dos fluxos financeiros das importações e exportações, bem assim da compatibilidade entre as mercadorias a serem importadas e aquelas a exportar’. Houve quem sustentasse, a partir do texto do art. 339, que estaria totalmente afastada a vinculação física quando a SECEX emitisse Ato Concessório com expressa referência ao comando, indicando que haveria acompanhamento do fluxo financeiro e que havia compatibilidade entre as mercadorias importadas e exportadas. A essa corrente devese opor a distinção entre as atribuições da SECEX (adstritas à concessão e deliberação sobre o drawback hoje no art. 16, IV do Decreto no 7.096/2010) e as atribuições fiscalizadoras da RFB. A matéria hoje já é inclusive sumulada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/MF: Súmula CARF no 100: O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. Não poderia, assim, a manifestação efetuada a critério da SECEX impedir eventual ação fiscal para verificar o cumprimento dos dispositivos normativos relacionados ao regime. Seria a flexibilização em prejuízo do controle aduaneiro. É preciso esclarecer que o texto do art. 339 não está a dispensar o cumprimento dos demais dispositivos referentes a drawback, mas apenas a permitir à SECEX simplificar seu trabalho, poupandoa de análises pormenorizadas para efeito de concessão e de verificação do cumprimento (e não poupando o importador/exportador de controles contábeis e de segregação, ou impedindo a RFB de efetuar controles afetos à fiscalização). E isso veio a ser expressamente aclarado com a redação do parágrafo único do art. 387 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (Decreto no 6.759/2009), na redação dada pelo Decreto no 7.213/2010. Antes de ingressar mais profundamente no Regulamento Aduaneiro de 2009 (ainda vigente), cabe destacar que em 2003, o instituto internacionalmente conhecido como compensação equivalente16 passou a fazer parte da legislação aduaneira brasileira, ainda que de forma tímida, com o art. 60 da Lei no 10.833/2003:17 (...) Novamente há flexibilização da vinculação física, sem prejuízo do controle aduaneiro, pois restrita a casos específicos, e sob os requisitos e procedimentos estabelecidos pela RFB. E tais requisitos e procedimentos foram inicialmente estabelecidos na Instrução Normativa SRF no 328, de Fl. 2224DF CARF MF Processo nº 10073.000940/201089 Acórdão n.º 3401005.694 S3C4T1 Fl. 2.225 15 28/11/2003, estando hoje previstos na Instrução Normativa RFB no 1.361, de 21/05/2013. Passa, assim, a haver previsão legal para exportação de produto que não corresponde fisicamente ao importado para industrialização, mas é idêntico a ele, ainda que em casos muito restritos. E uma leitura alargada do texto do art. 60, entendendo que o comando seria ainda aplicado a outros casos, além de afrontar a literalidade do dispositivo, tornaria inócuas as restrições, negando o próprio objetivo do texto legal, pois não faria sentido nenhum estabelecer a compensação equivalente a tais segmentos se eles (assim como todos os demais) já a tivessem. Assim, o Regulamento Aduaneiro de 2009, em sua redação original, tem poucas alterações em relação ao regulamento anterior, no que se refere a “drawback”. Contudo, o tema foi objeto de substanciais alterações efetuadas no Regulamento pelos Decretos no 7.213/2010 e no 8.010/2013. Isso porque começou a tomar corpo uma intensificação da flexibilização da vinculação física, chegandose ao que se denomina usualmente como a aplicação da fungibilidade no regime. Tal intensificação deriva de comandos legais editados no final da década passada e no início desta década, e que estão sendo paulatinamente regulamentados. A Lei no 11.945/2009, por exemplo, que cria em seu art. 12 uma variante de “drawbacksuspensão brasileiro”, que veio a ser denominada em norma infralegal (Portaria Secex no 23/2011) de drawback integrado suspensão, permitindo a combinação de mercadorias nacionais e importadas no processo de industrialização para exportação, disciplina a flexibilização em seu art. 14 (...) Vejase que o texto da lei trata de forma mais ponderada a já citada relação entre as competências da SECEX (concessão e deliberação) e da RFB (fiscalização do regime). Não poderia um órgão estabelecer medidas em detrimento do controle do outro. Daí a necessidade de ato conjunto. E tal ato corresponde atualmente à Portaria Conjunta RFB/SECEX no 467, de 25/03/2010. A mesma Lei no 11.945/2009, em seu art. 12, §1o, com a redação dada pela Lei no 12.058/2009, alça ao status legal disposição que há tempos já habitava normas infralegais, permitindo a aplicação do ‘regime, na modalidade de suspensãointegrado’, a ‘aquisições no mercado interno ou importações de empresas denominadas fabricantesintermediários, para industrialização de produto intermediário a ser diretamente fornecido a empresas industriaisexportadoras, para emprego ou consumo na industrialização de produto final destinado à exportação’, e, em seu art. 13, prorroga excepcionalmente por um ano Atos Concessórios de Drawback vencidos de 01/10/2008 a 31/12/2009. Fl. 2225DF CARF MF Processo nº 10073.000940/201089 Acórdão n.º 3401005.694 S3C4T1 Fl. 2.226 16 A Lei no 12.350/2010, de forma semelhante ao art. 12 da Lei no 11.945/2009 (que criou a variante de ‘drawbacksuspensão brasileiro’ posteriormente denominada de drawback integrado suspensão), criou, em seu art. 31, a variante de ‘drawbackisenção brasileiro’, que a norma infralegal (Portaria Secex no 23/2011) denominou de drawback integrado isenção). A novidade fica por conta da definição legal de ‘mercadoria equivalente’, no § 4o do citado art. 31: ‘a mercadoria nacional ou estrangeira da mesma espécie, qualidade e quantidade, adquirida no mercado interno ou importada sem fruição dos benefícios referidos no caput, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo”. A disciplina do “drawback integrado isenção’ também é conjunta (RFB/SECEX), conforme estabelece o art. 33 da lei, já tendo sido editada nesse sentido a Portaria Conjunta RFB/SECEX no 3, de 17/12/2010. Vejase que o Brasil, com claro fundamento na noção de ‘mercadoria equivalente’ da Convenção de Kyoto Revisada, já referida neste estudo, dá mais alguns passos na jornada iniciada com o art. 60 da Lei no 10.833/2003. Mas é no art. 32 da Lei no 12.350/2010, alterando a disposição do art. 17 da Lei no 11.774/2008, que saltase para o explícito fundamento legal que viabiliza a flexibilização da vinculação física (ou a fungibilidade) no ‘drawback brasileiro, nas modalidades de isenção e suspensão’ (...) Descontadas as imperfeições terminológicas, que normalmente derivam do excesso de denominações que temos para idênticos regimes aduaneiros no Brasil, 20 o artigo apresenta de forma cristalina o fundamento legal viabilizador da referida flexibilização. Contudo, é nítido que o comando legal carece de disciplina tanto pelo Poder Executivo (responsável por estabelecer termos, limites e condições) quanto pela SECEX e pela RFB, conjuntamente (responsáveis pela disciplina conjunta do tema). Novamente o legislador, de forma cautelosa, promoveu a flexibilização com preocupação sobre o impacto que a medida teria no controle aduaneiro, deixando aos órgãos técnicos a disciplina da matéria, antes da entrada em operação da nova sistemática. Isso resta claro no texto da exposição de Motivos da Medida Provisória no 497, de 27/07/2010 (que foi convertida na Lei no 12.350/2010) (...) Em recente alteração do Regulamento Aduaneiro, o Decreto no 8.010, de 16/05/2013, trouxe o novo comando legal para o art. 402A da norma regulamentar, sem qualquer alteração (ou disciplina) do texto da lei, mas esclarecendo, no §2o do artigo, que a aplicação ‘fica condicionada à edição de ato normativo específico conjunto da Secretaria da Receita Federal do Brasil e da Secretaria de Comércio Exterior’. Mais uma vez resta patente a tecnicidade do tema, que está sendo tratado conjuntamente entre RFB e SECEX, aguardandose para breve a publicação do ato normativo conjunto que finalmente colocará em operação, Fl. 2226DF CARF MF Processo nº 10073.000940/201089 Acórdão n.º 3401005.694 S3C4T1 Fl. 2.227 17 com as restrições que estabelecer, a flexibilização da vinculação física, ou a fungibilidade em regimes aduaneiros suspensivos (mais objetivamente os conhecidos como ‘drawback integrado suspensão’ e ‘drawback integrado isenção’. (...) Nesse contexto, o Brasil migra, em algumas décadas, de um cenário de estrita vinculação física a um ambiente no qual parece que a regra será a fungibilidade, nos termos a serem estabelecidos em norma conjunta da RFB e da SECEX. 3 Considerações sobre a ‘fungibilidade’ no ‘drawback brasileiro’ (ou: A discussão econômica e a discussão jurídica do tema) Conforme exposto no tópico anterior, o ‘drawback brasileiro’ ainda é regido, em regra, pela vinculação física, já havendo algumas mitigações, externadas em atos normativos emanados nas últimas décadas. Não se têm dúvidas sobre as vantagens que há, do ponto de vista econômico, na implementação de uma sistemática em que se possam reduzir custos com segregação de estoques e atividades afins. A otimização de recursos (tanto dos operadores do regime quanto das instituições concedentes e fiscalizadoras) certamente impactará positivamente no comércio exterior brasileiro. E a tecnologia da informação, ferramenta chave na operacionalidade das atividades aduaneiras, permitindo a coexistência da celeridade com a segurança, representa indubitavelmente a saída para o controle eficaz da elevada quantidade de dados a analisar em relação ao regime. A celeridade e a simplificação das atividades aduaneiras (sem prejuízo da segurança) é preocupação internacional atualíssima, sendo o principal tema tratado, por exemplo, na última Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio, em Bali (dezembro/2013), sob o título ‘facilitação comercial’, gerando um pacote de medidas alinhadas à já citada Convenção de Kyoto Revisada. Não se têm dúvidas, assim, de que o Brasil está trilhando caminho alinhado com as melhores práticas internacionais. Mas essa análise econômica não tem o condão de sobrepor a análise jurídica do tema, que realizamos no tópico anterior, concluindo por variadas razões que as disposições sobre fungibilidade do art. 17 da Lei no 11.774/2008, com a redação dada pelo art. 32 da Lei no 12.350/2010, não são autoaplicáveis, e pendem do estabelecimento de uma disciplina conjunta pela SECEX e pela RFB, que já está inclusive em elaboração. Assim, divergimos frontalmente dos posicionamentos (digase, minoritários), externados em julgamentos do CARF e na doutrina, de que já seria aplicável a fungibilidade no Fl. 2227DF CARF MF Processo nº 10073.000940/201089 Acórdão n.º 3401005.694 S3C4T1 Fl. 2.228 18 “drawback brasileiro”, por carecer tal argumento de fundamentação jurídica, diante do aqui analisado. É preciso analisar a questão de forma isenta e científica, sem partir de premissas equivocadas/preconcebidas ou de análises comparadas de institutos de natureza diversa, ou ainda de análise econômica em detrimento do teor de leis vigentes.” (grifos no original) Essa posição, atualmente, é a que prevalece na 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF/CARF: “PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. No regime de DrawbackSuspensão, é condição para a regularidade do regime que os insumos importados com benefício fiscal sejam efetivamente empregados na industrialização dos produtos a serem exportados. (Acórdão 9303001.346, de 02/02/2011). PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. No regime de DrawbackSuspensão, é condição para a regularidade do regime que os insumos importados com benefício fiscal sejam efetivamente empregados na industrialização dos produtos a serem exportados. (Acórdão 9303003.465, de 24/02/2016) PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. No regime de DrawbackSuspensão, é condição para a regularidade do regime que os insumos importados com benefício fiscal sejam efetivamente empregados na industrialização dos produtos a serem exportados. (Acórdão 9303002.833, de 23/01/2014) Nesse contexto, o emprego dos insumos importados nos produtos exportados é condição sine qua nom para o cumprimento do drawbacksuspensão e, uma vez inobservado esse requisito, passam a ser exigíveis os tributos suspensos. Não custa frisar que o ônus probatório respectivo é incumbência do beneficiário do regime, conforme já se manifestou esta turma julgadora no Acórdão nº 3401 003.018, de 09/12/2015, de relatoria do Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira (...). No mesmo sentido o voto condutor do Acórdão 9303001.346, de 02/02/2011 (...). 17. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer em parte e, no mérito, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário interposto. Fl. 2228DF CARF MF Processo nº 10073.000940/201089 Acórdão n.º 3401005.694 S3C4T1 Fl. 2.229 19 18. O recurso de ofício preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 19. Uma vez constatado que a beneficiária do regime aduaneiro especial de drawback suspensão não honrou os compromissos assumidos nos atos concessórios 2004/0195007, 2004/0216624, 2004/0231666, 2004/0248798, 2004/0277097 e 2004/0302938, descumprindo, por sua vez, com o estabelecido nas normas concernente à matéria art. 78, II do DL nº 37/1966, art. 1º, I da Lei nº 8.402/1992, arts. 335 a 344 do Decreto nº 4.543/2002 (RA) e Portarias Secex nº 14/2004 e nº 35/2006, a legislação impõe à autoridade fiscal a constituição do respectivo crédito, a fim de permitir a juridicidade da exigência dos tributos e demais acréscimos legais devidos, que, no caso sob exame e segundo as autoridades lançadoras, decorre da constatação do não emprego dos insumos importados com benefício no processo produtivo de bens exportados ou ainda do emprego desses em desacordo com o compromissado nos atos concessórios e nas normas que disciplinam o regime aduaneiro especial em apreço. O fato de a contribuinte entender ou mesmo demonstrar a ocorrência de erro material no sistema da Secex, que tem por escopo informar quando efetivamente vigiam os atos concessórios de drawback suspensão, não é circunstância suficiente par impor a nulidade do lançamento, mas resolvem o mérito quanto à multa regulamentar, como corretamente aponta a decisão administrativa de primeiro piso: Assiste razão à impugnante quando afirma ser equivocada a informação referente à data do deferimento dos atos concessórios 2004/0195007, 2004/0216624, 2005/0045962, 2004/0248798, 2004/0231666, 2004/0277097 e 2004/0302938. Perscrutando as telas dos extratos da “CONSULTA DE DIAGNOSTICO E AC” do antigo sistema DECEX/SECEX/SERPRO, juntadas às fls. 1186 a 1199, observa se que na data em que foram formuladas essas consultas, respectivamente em 09.09.2004, 14.09.2004, 08.03.2005, 03.11.2004, 03.11.2004, 18.11.2004 e 17.01.2005, os supracitados atos concessórios já estavam com o status DEFERIDO em data anterior ao registro das declarações de importação 04/09022831, 04/09862066, 04/11109469, 04/11436508, 05/00665618, 05/00665626 e 05/01911647, uma vez que mencionados ACs passaram a viger respectivamente em 06.08.2004, 31.08.2004, 24.02.2005, 07.10.2004, 20.09.2004, 08.11.2004 e 03.12.2004, enquanto que as DIs a eles vinculadas foram registradas respectivamente em 09.09.2004, 30.09.2004, 03.11.2005, 10.11.2004, 19.01.2005, 19.01.2005 e 23.02.2005, conforme evidenciam os documentos acostados às fls. 547, 605, 696, 749, 897, 849 e 963. Do conjunto de evidências carreadas, concluo que a impugnante obteve êxito em demonstrar que o que ocorreu em relação aos atos concessórios objeto da presente autuação foi, efetivamente, equívoco de informação quando da migração dos dados do antigo sistema DECEX/SECEX/SERPRO para o novo Fl. 2229DF CARF MF Processo nº 10073.000940/201089 Acórdão n.º 3401005.694 S3C4T1 Fl. 2.230 20 sistema DRAWBACK WEB, que entrou e operação no dia 12.05.2008. No entanto, acaso esse conjunto probatório for eventualmente considerado insuficiente para contrapor os argumentos da fiscalização, é dever salientar para o prescrito no art. 112, caput e incisos, do Código Tributário Nacional, que impõe seja interpretada da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à autoria e à natureza ou às circunstâncias materiais do fato. É o princípio do in dubio pro reo em sua feição tributária. 20. Tomando como premissa o julgamento do recurso voluntário, as informações não prestadas oportunamente pela contribuinte beneficiária na ocasião das exportações amparadas pelo regime de drawback suspensão, relativas a vinculação do Ato Concessório no RE e a indicação do tipo de exportação no RE, impõe à recorrente a condição de inadimplente por falta de comprovação e, uma vez inadimplido o regime, foram exigidos os tributos devidos e suspensos por ocasião das importações pretensamente amparadas pelo regime de drawback, acrescidos dos consectários legais (multa de ofício e juros de mora). Contudo, irreprochável a decisão recorrida ao bem apontar o equivocado o entendimento da autoridade fiscal quanto à fundamentação fática da multa regulamentar, cuja inflição se volta a conduta diversa daquela efetivamente praticada. Isto porque a sanção pecuniária em comento é aquela prevista no art. no art. 107, VII, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com a redação da Lei nº 10.833/2003, incorporado pelo atual Regulamento Aduaneiro que consolidou a legislação vigente, enquanto que o fundamento para a imposição da multa diária foi a autuada não ter comprovado que empregou os insumos importados com suspensão na elaboração das mercadorias exportadas. Vêse assim que no art. 735 Regulamento Aduaneiro estão contempladas as sanções administrativas e, entre elas, a prevista no item I, alínea “i” advertência, cuja redação é a mesma da norma que ensejou a multa. Além disto, outras sanções administrativas estão elencadas para o descumprimento de atividades inerentes à utilização ou habilitação de regimes especiais, aplicadas contra os intervenientes nas operações de comércio exterior. (...) a conduta tipificada no art. 728, VII, “d”, também há previsão de sanção administrativa (art. 735, I, “i”), a qual deve ser apurada e concluída antes do lançamento da multa, com exceção nos casos em que possa ocorrer a decadência. Não consta nos autos a informação de que referida sanção administrativa foi efetivamente aplicada. De qualquer sorte, entendo, tal qual a impugnante assevera, que esta conduta deva se referir às atividades que o interveniente deva desempenhar em cumprimento de suas obrigações durante a utilização do regime. Isto é, não se está a falar de cumprimento do regime, assim considerado após o prazo estabelecido para as exportações, e sim o cumprimento das obrigações inerentes à utilização do regime durante o período de sua utilização. Fl. 2230DF CARF MF Processo nº 10073.000940/201089 Acórdão n.º 3401005.694 S3C4T1 Fl. 2.231 21 Este argumento se justifica quando se vislumbra o objetivo de norma punitiva variável, que visa apenar o descumprimento de obrigação de natureza acessória enquanto não for regularizada determinada situação, impondo um acréscimo diário da multa, estimulando de maneira significativa que o interveniente infrator regularize sua situação. Tanto que no caso em tela, em se admitindo que fosse cabível tal multa, era de se esperar que a imposição diária estancasse quando ocorresse o cumprimento da obrigação, que segundo a fiscalização, seria do próprio regime de drawback, que, ressalte se aqui, não teria sido e nem nunca seria cumprido pela beneficiária já que esgotado seu prazo para realizar as exportações a que estaria obrigada. Portanto a multa seria exigida indefinidamente. A conclusão da fiscalização de que termo inicial é a data de registro da declaração de importação e o termo final é a data da lavratura do auto de infração, é totalmente descabida por falta de previsão legal. Aliás, a previsão legal é para imposição diária da multa enquanto houvesse, por parte dos intervenientes, o descumprimento, de requisito, condição ou norma operacional para utilizar regime aduaneiro especial. Ora, ao término do prazo concedido no AC para utilização do regime de drawback, não há que se falar em aplicação de multa diária por descumprimento de obrigação durante a utilização do regime, e sim, na verificação do cumprimento de todas as condições e requisitos assumidos na concessão do regime. Constatado o não cumprimento, ou seja, a não utilização dos insumos importados nas exportações pactuadas no AC, há que se exigir os tributos suspensos com seus respectivos consectários legais, conforme já discorrido. No que tange, portanto, à multa prevista no art. 107, VII, “e” do DecretoLei nº 37/1966, com alteração da Lei nº 10.833/2003, entendo não aplicável ao caso sob exame, devendo, por isso, ser cancelada referida exigência. À vista do exposto, voto no sentido de não acatar a preliminar de nulidade suscitada e julgar procedente em parte a impugnação, exonerando o crédito tributário decorrente da penalidade exigida no valor de R$ 16.399.000,00. 21. Acrescese, em relação à multa regulamentar a que se refere o recurso de ofício, que a matéria foi objeto do Acórdão nº 3302004.283, proferido em 13/06/2017, de relatoria da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, no qual a turma, por unanimidade de votos, entendeu ser incabível a aplicação da multa diária imposta contra a mesma contribuinte ora recorrente, em conformidade com a ementa abaixo transcrita: “DRAWBACK SUSPENSÃO. VENCIMENTO DO PRAZO PARA EXPORTAR. MULTA DIÁRIA POR DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO. CONDIÇÃO OU NORMA OPERACIONAL. NÃO CABIMENTO. Fl. 2231DF CARF MF Processo nº 10073.000940/201089 Acórdão n.º 3401005.694 S3C4T1 Fl. 2.232 22 Expirado o prazo para exportação, previsto em ato concessório de Drawback, modalidade suspensão, é incabível a aplicação da multa diária por descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para utilizar regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais, prevista no artigo 107, inciso VII, alínea ‘e’, do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação da Lei nº 10.833, de 2003.” 22. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 2232DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.000449/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2008
Nulidade
Não padece de nulidade o auto de infração, lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal.
MPF. Irregularidade. Nulidade. Não-ocorrência.
Não constitui hipótese de nulidade de auto de infração possível irregularidade referente ao Mandado de Procedimento Fiscal, que se destina ao planejamento interno e controle pela Administração das atividades externas executadas pelos Auditores fiscais da Receita Federal.
RMF. Irregularidade. Nulidade. Não-ocorrência.
Havendo processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso; e sendo o exame dos registros financeiros requisitados considerado indispensável, a Requisição de Movimentação Financeira (RMF) impõe-se ao Auditor Fiscal como instrumento necessário à execução do MPF, não se vislumbrando nulidade em eventual falha no seu uso, mas abertura de processo disciplinar a fim de apurar responsabilidades.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009
Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito.
Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, acompanhada da devida multa de oficio, sobre o sujeito passivo autuado.
Multa de Ofício. Fraude. Qualificação.
A multa de oficio qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso.
Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Planejamento Tributário. Não Caracterizado.
Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da não cumulatividade do PIS/Cofins, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitando-se peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário.
Numero da decisão: 3301-005.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2008 Nulidade Não padece de nulidade o auto de infração, lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. MPF. Irregularidade. Nulidade. Não-ocorrência. Não constitui hipótese de nulidade de auto de infração possível irregularidade referente ao Mandado de Procedimento Fiscal, que se destina ao planejamento interno e controle pela Administração das atividades externas executadas pelos Auditores fiscais da Receita Federal. RMF. Irregularidade. Nulidade. Não-ocorrência. Havendo processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso; e sendo o exame dos registros financeiros requisitados considerado indispensável, a Requisição de Movimentação Financeira (RMF) impõe-se ao Auditor Fiscal como instrumento necessário à execução do MPF, não se vislumbrando nulidade em eventual falha no seu uso, mas abertura de processo disciplinar a fim de apurar responsabilidades. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009 Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, acompanhada da devida multa de oficio, sobre o sujeito passivo autuado. Multa de Ofício. Fraude. Qualificação. A multa de oficio qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Planejamento Tributário. Não Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da não cumulatividade do PIS/Cofins, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitando-se peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário.
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MPF. Irregularidade. Nulidade. Nãoocorrência. Não constitui hipótese de nulidade de auto de infração possível irregularidade referente ao Mandado de Procedimento Fiscal, que se destina ao planejamento interno e controle pela Administração das atividades externas executadas pelos Auditores fiscais da Receita Federal. RMF. Irregularidade. Nulidade. Nãoocorrência. Havendo processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso; e sendo o exame dos registros financeiros requisitados considerado indispensável, a Requisição de Movimentação Financeira (RMF) impõese ao Auditor Fiscal como instrumento necessário à execução do MPF, não se vislumbrando nulidade em eventual falha no seu uso, mas abertura de processo disciplinar a fim de apurar responsabilidades. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009 Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, acompanhada da devida multa de oficio, sobre o sujeito passivo autuado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 04 49 /2 01 0- 91 Fl. 5955DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.956 2 Multa de Ofício. Fraude. Qualificação. A multa de oficio qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Planejamento Tributário. Não Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da não cumulatividade do PIS/Cofins, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente) Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Preliminarmente esclareçase que no presente Processo Administrativo Fiscal (n" 15586.000449/201091) constam duas impugnações (fls. 5327/5364 e 5390/5421) correspondentes a dois autos de infração (fls. 5285/5314), que se fundamentam, essencialmente, nos mesmos fatos e regras legais. A empresa qualificada em epígrafe foi autuado sob alegação de falta/insuficiência de recolhimento de PIS/Cofins, decorrente da glosa de créditos considerados indevidos e fictícios, derivados da aplicação do regime da incidência nãocumulativa das referidas contribuições. No resumo do corpo do auto de infração (fl. 5.287), a Autoridade Fiscal autuante afirma que: Fl. 5956DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.957 3 detectou, na escrituração contábil da Império Comércio de Café lida, infrações tributárias relacionadas a apropriações indevidas de créditos integrais da contribuições sociais não cumulativas — PIS (1,65%) e Cofins (7,6%), calculados sobre os valores das notas . fiscais de aquisição de café em grãos; quando o correto seriam apropriações de créditos presumidos no percentual de 35% das respectivas ai/quotas. Desse modo, constituiu o crédito tributário de PIS (fl. 5285) no valor de RS1.702.907,09, que somado ao valor de juros de mora R$413.958,10, e de multa qualificada (150%) no valor de R$2.554.360,53; totalizou a exigência referente a esta contribuição no valor de R$ 4.671.225,72. No âmbito da Cofins (fl. 5300) constituiu a título de contribuição o valor de R$8.325.253,96, que somado ao valor de juros de mora R$2.078.093,20, e do valor da multa qualificada (150%) de R$12.487.880,86; resultou no total de R$22.891.228,02. O total geral lançado constante dos autos soma R$ 27.562.453,74. No Relatório de Encerramento da Ação Fiscal (fl. 4886 e ss), parte integrante e comum dos autos, constituído de quase 400 folhas (precisamente 395), a Fiscalização buscou fundamentar o alegado, acima resumido, mediante um conjunto de depoimentos reduzidos a termo, prova documental, especialmente, de cópias de notas fiscais, da escrituração contábil da empresa autuada, e, ainda de documentos encaminhados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo. Cabe sintetizar, neste relatório, parte do "Relatório de Encerramento da Ação Fiscal", cujo conteúdo foi decisivo para lavratura do Auto de Infração ora sob análise. Na peça, os AFRFB autuantes aduzem que: 1. no período de 2006 a 2008, o contribuinte, ora autuado, escriturou ) notas fiscais de pseudoempresas atacadistas, todas de fachada, para acobertar as verdadeiras operações realizadas de aquisições de café em grãos diretamente de produtores rurais pessoas físicas; 2. o autuado realizou apropriação integral dos créditos de PIS/Cofins oriundos das notas fiscais de produtor rural relativas à aquisição de café em grãos de pessoas físicas, quando o correto é apropriar créditos presumidos; 3. efetuaramse as glosas dos créditos integrais indevidos, aproveitandose, porém, os respectivos créditos presumidos, e, constituindose de oficio os saldos das contribuições a recolher; 4. no período de apuração fiscalizado, 06/2006 a 12/2008, o crédito presumido corresponde a 35% das alíquotas de PIS/Cofins da nãocumulatividade aplicadas sobre as aquisições das mercadorias; 5. todos os valores que o autuado contabilizou para compor as bases de cálculo dos créditos de PIS/Cofins foram incluídos nos Demonstrativos da fiscalização; 6. a glosa efetuada corresponde à aplicação das alíquotas 1,65% (PIS) e 7,6% (Cofins) sobre os totais das notas fiscais contabilizadas pelo autuado e emitidas por pessoas jurídicas desqualificadas da condição de atacadista, ou emitidas por pessoas físicas, cujos créditos foram indevidamente aproveitados; Fl. 5957DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.958 4 7. a identificação individual das notas fiscais glosadas constam de levantamento detalhado registrado no próprio relatório; 8. o autuado realizou operações de vendas para o mercado interno e também para o mercado externo ( a partir de 2007), impondo rateio dos créditos com base na proporção da receita bruta; 9. as receitas escrituradas pelo autuado não foram objeto de glosas ou ajustes por parte da auditoria fiscal; 10. todos os débitos declarados em DCTF foram considerados pela auditoria fiscal como dedução das contribuições sociais, que foram apuradas a partir das receitas auferidas; 11. considerando ter ficado evidente a intenção fraudulenta do contribuinte em se eximir das contribuições sociais devidas, aplicouse a multa de oficio de 150% sobre os tributos lançados; 12. as centenas de registros contábeis referentes às notas fiscais das pseudo empresas atacadistas para apropriação dos correspondentes créditos não são meros erros contábeis, mas fraudes de efeitos relevantes para o contribuinte e para a Fazenda Nacional; 13. o autuado contabilizou e utilizou créditos indevidos em todos os períodos de apuração de 2006 a 2008, totalizando 36 períodos consecutivos; 14. tudo fora consignado nos livros fiscais, demonstrativos (DACON) e declarações (DCTF) entregues pela empresa à Receita Federal; 15. a fiscalizada utilizou pseudoempresas para intermediar suas aquisições de café dos produtores rurais, com o propósito de fabricar créditos de PIS/Cofins; 16. o autuado prestou declarações falsas às autoridades fazendárias e fraudou a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos em documento ou livro exigido pela lei fiscal; 17. utilizou documento que sabia ou devia saber ser falso, pois as notas fiscais emitidas pelas pseudoempresas atacadistas são ideologicamente falsas e foram interpostas conscientemente pelo autuado nas operações de compra de café; 18. se lograsse êxito o autuado se absteria do pagamento de contribuições sociais no valor de cerca de R$ 10 milhões, em valor originário, sem acréscimos legais. O "Relatório de Encerramento da Ação Fiscal" contém demonstrativos detalhados do procedimento de cálculo (fls. 5.266/5.277) até apuração final da contribuição devida. E, ainda, tabelas referentes a valores contabilizados pelo autuado, organizadas por titulo da conta, ou por nome das empresas vendedoras (fls. 5.248/5.256). A base legal do lançamento da Cofins encontrase descrita na fl. 5.304 e 5.312. No que se refere ao crédito principal, a base do lançamento é a Lei ri° 10.833/03, artigos 1°, 3" e 5'. Quanto aos acessórios legais: a multa teve por base o art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70/91; e art. 44, inciso 1(11) e § 1", da Lei n" 9.430/96; enquanto o cálculo dos juros teve por base o art. 61, § 30, da Lei n" 9.430/96. Fl. 5958DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.959 5 A base legal do lançamento do PIS encontrase descrita nas fl. 5.289 e 5.297. No que se refere ao crédito principal, a base do lançamento é a Lei n" 10.637/02, artigos 1", 3' e 4". Quanto aos acessórios legais: a multa teve por base o art. 86, § 1", da Lei n° 7.450/85; art. 2', da Lei ri° 7.683/88; e art. 44, inciso 1(11) e § 1', da Lei n° 9.430/96; enquanto o cálculo dos juros teve por base o art. 61, § 30, da Lei ri° 9.430/96. Devidamente cientificada em 08/06/2010, conforme AR à fl. 5.315, a interessada apresentou, em 06/07/2010, as correspondentes impugnações, nas quais alegou que: 1. a margem de lucro combinada com a atual carga tributária inviabiliza o comércio de café no Brasil, razão pela qual as empresas exportadoras e industriais lançam mão de estratégias tributárias lícitas para continuidade de seus negócios; 2. a maneira lícita se conhece por elisão fiscal ou planejamento tributário, sendo a forma ilegal denominada sonegação fiscal; 3. esta segunda forma é adotada por maus empresários a fim de suprimir ou reduzir tributos, ludibriando o Fisco ou o próprio consumidor, com atitudes que confrontam a legislação nacional; 4. o planejamento tributário é tido como um conjunto de ações totalmente lícitas assumidas com o objetivo de minimizar a carga impositiva a que estão submetidos os contribuintes; 5. um terço do faturarnento empresarial é dirigido ao pagamento de tributos, o ônus do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro corresponde a 51,51% do lucro líquido, assim, imprescindível a adoção de um sistema de economia legal; 6. é de bom alvitre que se proceda à individualização da conduta adotada pela empresa impugnante, que foi irresponsavelmente inserida no "saco das sonegadoras"; 7. quando o impugnante "exigia" dos produtores rurais/maquinistas que fosse providenciada uma operação anterior à sua compra para outra pessoa jurídica, é óbvio que tinha pleno conhecimento e almejava o direito de se creditar integralmente do tributo suportado por esta, pois tal fato decorre de norma legal; 8. é importante ressaltar que o impugnante nunca imaginou ou fez juízo acerca da regularidade fiscal da pessoa jurídica da qual efetivava sua aquisição, não além de sua própria obrigação imposta por lei; 9. consultava rotineiramente o sítio da Receita Federal e consultava cadastros restritivos de crédito, mas nunca obteve sinalização negativa; 10. não exigia dos produtores, maquinistas ou corretores que fosse efetivada simulação na primeira operação, apenas selecionou fornecedores pessoas jurídicas mais interessantes sob o foco tributário; 11. não há qualquer comprovação cabal de que o impugnante induziu pessoas a constituírem pseudoempresas; 12. o Fisco busca impingir o crédito tributário às exportadoras ou industriais, porque tem receio de não recebêlo dos atacadistas; Fl. 5959DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.960 6 13. quanto à alegada intermediação de corretores é notória sua salutar participação na descoberta do fornecedor e casamento com possível comprador; 14. se houve algum ilícito, deve ter ocorrido na sonegação do atacadista, não no seu creditamento; 15. a multa de 150% se revela injusta, expropriatória e confiscatória, já que não alicerçada no consilium fraudis do impugnante; 16. entre as garantias que compõem o devido processo legal estão o contraditório e ampla defesa, o Decreto n' 3.724/01 que regulamentou o art. 6' da Lei Complementar n" 105/01, traz em seu art. 30, as hipóteses autorizadoras do indispensável exame de informações constantes em instituições financeiras, repudiando qualquer arbitrariedade do Fisco; 17. o contraditório e ampla defesa estão incluídos na regulamentação da Lei Complementar n° 105/01, pois o art. 4', §2", do Decreto n° 3.724/01, estabelece que a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) será precedida de intimação ao sujeito passivo; 18. no presente caso, não houve intimação do impugnante para que fornecesse as informações cogitadas por terceiros, fato que caracteriza inconteste quebra prematura de sigilo bancário; 19. também no quesito sigilo falhou a Receita Federal, que disponibilizou em relatório fiscal informações sigilosas de terceiros, depoimentos de gerentes de bancos, fichas cadastrais que não pertencem o impugnante, maculando o procedimento; 20. o impugnante não foi cientificada no devido prazo do MPF original das prorrogações do procedimento fiscal, por meio do MPF complementar, nos autos não existe tal prova, razão pela qual o procedimento está eivado de vício; 21. no mérito, se o Fisco alega se tratar de estratégia ilícita planejada e executada por diversas pessoas, dentre elas os sócios e pais do impugnante, por que não os indicou corno solidários? Por que as demais empresas do grupo estão fora do lançamento ? Por que as pessoas jurídicas consideradas "laranjas" não foram atingidas pelo lançainento?; 22. às fls 4.906 e seguintes, notase que o Fisco aponta um suposto "esquema de venda de notas fiscais", mas não aponta a efetiva participação do impugnante nele; 23. a partir dos depoimentos colhidos, percebese que, se realmente existia tal esquema, era alheio aos negócios do impugnante, pois realizado entre produtores, corretores e pseudoempresas; 24. não teve qualquer participação na constituição ou manutenção destas empresas que, aliás, nasceram antes mesmo da legislação que permite o creditamento dos tributos em tela; 25. os auditores da Receita ouviram vários produtores rurais e maquinistas, mas estes jamais afirmaram que o impugnante ou seus sócios tinham ciência da fraude apontada; 26. não há prova de que o impugnante comprava/pagava por nota fiscal de empresas laranjas, nem de que participava no chamado esquema; Fl. 5960DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.961 7 27. as empresas Colúmbia, Acádia, L&L e Do Grão asseguram que a Império na verdade é a personificação jurídica de antigos maquinistas, mas não há irregularidade em se personificar juridicamente e sair da informalidade; 28. a maioria das pessoas ouvidas, sem instrução e sem apoio profissional, tentou livrar sua responsabilidade, imputando condutas a terceiros ou fazendo divagações; 29. é por puro desconhecimento da teoria geral da prova ou por autoritarismo que o Fisco inverte o ônus probatório; 30. a Administração não pode ficar adstrita ao que as partes demonstram no procedimento, devendo sempre buscar a verdade substancial, não cumprindo o seu ônus, é dever do julgador considerar não comprovada a ocorrência do fato gerador e da obrigação tributária, pois qualquer presunção absoluta é inconstitucional; 31. O Fisco, sem buscar a verdade dos fatos, expediu auto de infração, para cobrar valores devidos por terceiros, e ainda imputou a multa qualificada, como se o impugnante já estivesse condenado antes mesmo de se defender; 32. apenas com base em alguns exemplos, sem qualquer perspectiva de amostragem, o Fisco lançou mão da generalização, glosando todas as notas fiscais daquelas empresas que foram prematuramente julgadas falsas. O impugnante cita legislação, doutrina e jurisprudência e, com base na argumentação expedida, requer que: (1) seja declarado nulo o auto de infração; (2) ou, se ultrapassado o pedido de nulidade, no mérito, seja considerado insubsistente o auto de infração, anulandose o crédito lançado com todos os seus reflexos." Em 25/11/10, a DRJ no Rio de Janeiro (RJ) julgou a impugnação improcedente e o Acórdão n°1332.441 foi assim ementado: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2006 a 31 /12/2008 Nulidade Não padece de nulidade o auto de infração, lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Matéria não Impugnada Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2008 MPF. Irregularidade. Nulidade. Nãoocorrência. Não constitui hipótese de nulidade de auto de infração possível irregularidade referente ao Mandado de Procedimento Fiscal, Fl. 5961DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.962 8 que se destina ao planejamento interno e controle pela Administração das atividades externas executadas pelos Auditores fiscais da Receita Federal. RMF. Irregularidade. Nulidade. Nãoocorrência. Havendo processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso; e sendo o exame dos registros financeiros requisitados considerado indispensável, a Requisição de Movimentação Financeira (RMF) impõese ao Auditor Fiscal como instrumento necessário à execução do MPF, não se vislumbrando nulidade em eventual falha no seu uso, mas abertura de processo disciplinar a fim de apurar responsabilidades. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2008 Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, acompanhada da devida multa de oficio, sobre o sujeito passivo autuado. Multa de Ofício. Fraude. Qualificação. A multa de oficio qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Planejamento Tributário. Não Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da não cumulatividade do PIS/Cofins, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que traz, basicamente, a mesma linha de argumentação apresentada na impugnação. Fl. 5962DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.963 9 A PGFN, por seu turno, apresentou contrarazões ao recurso voluntário, em que sustenta o posicionamento da fiscalização. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de auto de infração, para lançamento de PIS e COFINS do período de 01/06/2006 a 31/12/2008, derivados das glosas dos créditos integrais registrados em razão de i) compras de café em grãos de produtor rural ou maquinista e ii) de atacadistas de café, considerados pela fiscalização como empresas de fachada, constituídas com o fim exclusivo de gerar para empresas beneficiadoras de café em grãos (dentre elas, a recorrente) créditos integrais e não presumidos de PIS e COFINS. O agente fiscal, por outro lado, computou nos cálculos fiscais créditos presumidos (35% das alíquotas regulares), calculados no termos do caput, inciso II do §3° e §6° do art. 8° da Lei n° 10.925/04. Os valores devidos foram acrescidos de juros Selic e multa de ofício de 150%. A multa foi qualificada, em razão do aproveitamento de créditos de compras de "empresas de fachada", tipificado pela fiscalização como crime contra a ordem tributária, com fulcro no §1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96 c/c artigo 71 da Lei n° 4.502/64 e com o art. 1° da Lei n° 8.137/90. As alegações da recorrente, em sedes de preliminar e mérito, foram sumariadas no relatório e são idênticas às apresentadas na impugnação. Passo ao exame da defesa, consignando, desde já, que as glosas dos créditos integrais de compras diretas de pessoas físicas não foram contestadas. O trabalho de auditoria fiscal é robusto. Traz provas cabais de que o "esquema de compra de notas fiscais de venda de pseudoatacadistas" realmente ocorreu. E que a recorrente participou de sua elaboração, com o intuito de obter vantagem fiscal aproveitamento de créditos integrais e não presumidos de PIS e COFINS. E também não padece das nulidades alegadas nas preliminares. Assim, faço do voto condutor do Acórdão n° 1332.441, de 25/11/2010, da lavra do i. Relator Ronaldo Souza Dias, minha razão de decidir, com fulcro no §1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99: Fl. 5963DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.964 10 "1 — Preliminar de Nulidade Como PRELIMINAR, a interessada requer a nulidade do lançamento, argumentando, em primeiro lugar, violação das garantias do contraditório e da ampla defesa, porque a "Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira" (RMF) não fora precedida de intimação ao sujeito passivo, conforme determina o art. 4°, §2", do Decreto n" 3.724/01, quebrando, assim, prematuramente o seu sigilo bancário. Nesta linha, argumenta adicionalmente que a Receita Federal maculou o procedimento fiscal, porque disponibilizou no seu relatório informações sigilosas de terceiros, incluindo depoimentos de gerentes de bancos e fichas cadastrais que não pertencem à impugnante. Em segundo lugar, e ainda como fundamento da nulidade pretendida, o impugnante argumenta que não fora cientificada, no devido prazo, das prorrogações do procedimento fiscal, por meio do MPF complementar, não existindo prova de tal ciêrlcia nos autos, razão pela qual o procedimento está eivado de vício. Rejeito a preliminar nos seus dois fundamentos. No âmbito do processo administrativo tributário, e em analogia ao processo penal, a auditoriafiscal é a fase inquisitorial que, antecedendo a fase contenciosa do procedimento, não se rege pelo princípio do contraditório e da ampla defesa, pois se destina à investigação, à colheita de informações e de elementos de prova para a formação da convicção da autoridade fiscal a respeito da ocorrência, ou não, do fato gerador do tributo e de infrações porventura existentes. O encerramento desta fase com a lavratura do auto de infração, propicia, com a ciência do contribuinte, a fase contenciosa, esta sim plenamente regida pelo princípio do contraditório e da ampla defesa, ou de modo mais amplo, do devido processo legal. A corroborar esse entendimento está o fato de que a auditoriafiscal, em certos casos, pode ser reduzida ao mínimo, dispensando qualquer fiscalização externa para efetuar o lançamento tributário e, então, o Fisco autua o contribuinte sem auditar no seu estabelecimento e sem intimála previamente, desde que já disponha dos elementos de prova para tanto, como acontece nas autuações decorrentes do simples exame de declarações (Declaração de Ajuste Anual de Pessoa Física DIRPF, ou Declaração de Contribuições e de Tributos Federais da Pessoa Jurídica DCTF) em cotejo com dados disponíveis nos sistemas informatizados. Portanto, a intimação prévia ou auditoria externa é uma opção de trabalho que o Fisco tem para os casos em que seja necessário colher documentos, esclarecimentos ou outros meios de prova diretamente junto ao contribuinte ou, eventualmente, junto a terceiros como nos casos referentes à Requisição de Informações sobre a Movimentação Financeira — RMF. Assim, em sede pretoriana ou doutrinária, é mansa e pacífica a tese de que não incide, pelo menos em sua plenitude, o princípio do contraditório e da ampla defesa, ou do devido processo legal, na fase inquisitorial do processo administrativo fiscal, o que não impede reconhecer a existência de disciplinamento legal regendo a atuação das autoridades fiscais nesta fase, pois não se trata de fase discricionária, muito menos arbitrária. Neste contexto é que deve ser interpretada a determinação de que a quebra do sigilo bancário seja precedida de intimação para que o contribuinte apresente os extratos bancários. Não se trata de pressuposto essencial para a posterior Requisição de Informações sobre a Movimentação Financeira — RMF, mas de traçar uma correta linha de ação concernente aos dados requisitados, evitando o excesso ou a Fl. 5964DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.965 11 falta . Tal conclusão encontra apoio quando se examina o texto legal, instituidor da norma, que autorizou o exame de dados das instituições financeiras pela autoridade fiscal: Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001 Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação (gn) Ora, os requisitos legalmente impostos para o exercício do poder concedido para a devida requisição de movimentação financeira são: (1) que haja processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso; e (2) que o exame dos registros financeiros requisitados seja considerado indispensável pela autoridade administrativa competente. Não se vislumbra, portanto, qualquer condicionamento ao exercício do poder de requisitar informações financeiras à prévia intimação, nem do titular de eventual conta, nem do terceiro por ventura a ele vinculado. Não regulou, em sentido contrário, ao que dispõe a Lei Complementar n° 105/01, o Decreto n°3.724/01, embora este tenha feito menção à chamada intimação prévia do sujeito passivo para apresentação de informações financeiras, antes da requisição às correspondentes Instituições. Contudo, como será visto na seqüência, não se trata de esta intimação inaugurar, em plena fase inquisitiva, procedimento contraditório, mas de objetivar, de instruir e de precisar a referida requisição, conforme já elucidado. O artigo 4° do Decreto n° 3.724/01 trata da questão nos seguintes termos: Art. 2° Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pelo Decreto n° 6.104, de 30 de abril de 2007) (. . .) § 5 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. Fl. 5965DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.966 12 ('Redação dada pelo Decreto n° 6.104, de 30 de abril de 2007) (gn) (. . .) Art. 4° Poderão requisitar as informações referidas no § 5 do art. 22 as autoridades competentes para expedir o MPF. (Redação dada pelo Decreto n° 6.104, de 30 de abril de 2007) § 1° A requisição referida neste artigo será . formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e será dirigida, conforme o caso, ao: I Presidente do Banco Central do Brasil, ou a seu preposto; II Presidente da Comissão de Valores Mobiliários, ou a seu preposto; III presidente de instituição financeira, ou entidade a ela equiparada, ou a seu preposto; IV gerente de agência. § 2° A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF. § 3° O sujeito passivo responde pela veracidade e integridade das inforL ações prestadas, observada a legislação penal aplicável. § 4° As informações prestadas pelo sujeito passivo poderão ser objeto de verificação nas instituições de que trata o art. 10, inclusive por intermédio do Banco Central do Brasil ou cia Comissão de Valores Mobiliários, bem assim de cotejo com outras informações disponíveis na Secretaria da Receita Federal. § 5° A RMF será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. (..) (gn) Demonstrase que a intimação prevista no §2° do art. 4°, longe de instituir contraditório e ampla defesa na fase inquisitorial, o que de fato é incompatível com a natureza dessa fase, encontrase no âmbito de regulamentação do próprio MPF — mandado de procedimento fiscal , denotando ser a sua finalidade a de orientação e delimitação da atividade do AuditorFiscal responsável pela condução da apuração do fatos. Observese a parte final do dispositivo, quando explicita a finalidade da mencionada intimação, a ser efetuada previamente para colher informações necessárias à execução do MPF. Subordina, assim, aquele ato à própria execução do Mandado de Procedimento Fiscal, que vincula por sua vez a realização da Fl. 5966DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.967 13 fiscalização nele especificada a AuditorFiscal designado para cumprir o mandado, que, então, responde perante à Administração por eventual falha. Em outras palavras, incúria na execução do MPF pode levar a processo disciplinar, mas não à nulidade das autuações. Por outro lado, o dispositivo condicionou aquela intimação ao requisito de necessidade ("necessárias à execução do MPF'), logo, caso entenda desnecessária, a referida intimação pode ser dispensada. Finalmente, ad argumentandum tantum, as RMF expedidas referemse a terceiros vinculados por operações financeiras com o contribuinte, não a esta diretamente, não haveria, portanto, obrigatoriedade, se necessário fosse, de intimá la. Em conseqüência, não há legitimidade para qualquer contradita da Império em relação a estas requisições. Ademais, houve a devida intimação para cada titular de direito antes da mencionada requisição, conforme se comprova facilmente a partir do simples exame dos autos como, por exemplo, nos seguintes documentos: Termo de início de ação fiscal ri° 1, fl. 45; Termo de intimação fiscal n" 8, questão 8, fl. 60; Termo de início de ação fiscal n°1, fl. 216; Termo de início de ação fiscal n" 1, fl. 280; e Termo de início de ação fiscal ri° 1 fl. 345. Dessa maneira, resta completamente carente de qualquer base legal ou factual, a alegação do contribuinte de que teria havido cerceamento de defesa em razão de que o interessado não fora intimado previamente à investigação procedida. Os requisitos inerentes ao contraditório e à ampla defesa foram observados com a ciência integral do auto de infração, contra o qual o contribuinte pode deduzir robusta defesa. Ainda, neste contexto, o impugnante argumenta que a Receita Federal maculou o procedimento fiscal, porque disponibilizou no seu relatório informações sigilosas de terceiros, incluindo depoimentos de gerentes de bancos e fichas cadastrais que não pertencem à impugnante. O Exame dos autos não corrobora, ao contrário, refuta a alegação. Citase, exemplificativamente, os seguintes documentos, onde informações de caráter sigiloso foram devidamente omitidas: petição de fl. 64, 143 e 244; termo de declarações de fl. 511, 662, 676, 1320, 1413, 1476, 1706,1845, 1864, 1974, 2107, 2238, 2411 e 2526. Ademais, qualquer desvio em relação ao resguardo do sigilo de terceiro poderia implicar em reprimenda ao servidor responsável, mas nunca geraria nulidade em beneficio do contribuinte alegadamente faltoso em suas obrigações tributárias. Assim, de qualquer perspectiva que se analise não se vislumbra, nem remotamente, a hipótese de nulidade suscitada sob o fundamento sub examine. Quanto ao segundo fundamento da preliminar de nulidade, referente ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), alega o impugnante que não recebeu, após o primeiro ato de oficio praticado, o demonstrativo de sua emissão e prorrogação e, assim, ante o vício inerente à prorrogação intempestiva de todos os MPF, o presente auto de infração deve ser julgado nulo. Rejeitase também este fundamento para nulidade pelas razões abaixo alinhadas. Fl. 5967DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.968 14 O Mandado de Procedimento Fiscal, instituído pela Portaria SRF n." 1.265, de 22/11/1999, atualmente regulado pela Portaria RFB ri° 4.066, de 02/05/2007, consiste em documento emitido em decorrência de normas administrativas que regulam a execução da atividade fiscal, determinando que os procedimentos relativos aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil sejam levados a efeito de conformidade com uma ordem específica, a qual pressupõe formalização mediante documento específico. Assim, o MPF constituíse instrumento de controle indispensável à administração tributária e de garantia para o contribuinte, na medida em que este poderá conferir se de fato o AuditorFiscal da Receita Federal (AFRF) que o esteja fiscalizando se encontra no exercício legal de suas funções. Enquanto instrumento de controle, o MPF se presta a possibilitar à Administração Pública acompanhar o desenvolvimento das atividades realizadas pelos auditores, de modo a verificar, por exemplo, se a fiscalização empreendida está sendo realizada adequadamente, de acordo com os critérios definidos pelas leis e diplomas administrativos. Se, no curso de seus trabalhos, o AFRF percebe, em face das peculiaridades do caso concreto, que não será possível concluir os trabalhos no tempo inicialmente previsto, deve solicitar a sua prorrogação aos superiores hierárquicos responsáveis pela emissão do mandado. Especificamente em relação aos prazos de validade e da extinção do MPF, cabe observar o disposto nos artigos 12, 13 e 14 da Portaria RFB n" 4.066, de 02/05/2007, a seguir transcritos: Dos Prazos Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. .13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1° A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 72, inciso VIII. § 2° Na hipótese do § 1°, o AFRFB responsável pelo procedimento ,fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI. Art. 14. Os prazos a que se referem os arts. 12 e 13 serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, nos termos do art. 52 do Decreto r70 70.235, de 1972. Fl. 5968DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.969 15 Parágrafo único. A contagem do prazo do MPFE farseá a partir da data do início do procedimento fiscal. Do acima exposto, inferese que a prorrogação do prazo do MPF pode ser feita tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada caso, o prazo máximo de sessenta dias. Porém, essa prorrogação pode ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação esta disponível na Internet, a qual pode ser consultada pelo sujeito passivo, dispensando completamente a ciência por outro meio. Registrase que o MPF e todas as prorrogações foram efetuadas e cientificadas ao contribuinte, conforme se comprova mediante a cópia do MPF de fl. 4468, Termo de início de Ação Fiscal de fl. 4469, e ainda do AR de fl 4475. O que se confirma também nos Termos de Continuidade de Ação fiscal, como por exemplo o de n° 07330/2009 à fl. 4882. Observase, ainda, que todas as informações estão disponíveis no site da RFB para o contribuinte, mediante senha, conforme anotado no Termo de início de Ação Fiscal de fl. 4469. Ademais, questões ligadas ao descumprimento do MPF, inclusive quanto a prazo, devem ser resolvidas no âmbito de processo administrativo disciplinar, não tendo o condão dc tornar nulo o lançamento tributário. Nesse sentido, manifestouse a 7' Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em sessão de 16 de outubro de 2002, mediante o Acórdão n.° 10706.820, cuja ementa segue abaixo transcrita: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF A atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim a definição do escopo da ação . fiscal, inclusive dos prazos para a execução do procedimento, são atividades que integram o rol dos atos discricionários, moldados pelas diretrizes de política administrativa de competência da administração tributária. Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a . fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da . fiscalização e c) reverência o princípio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não tem o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN. O descabimento da nulidade tornase induvidoso quando se verifica que o auto de infração contém todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto n°70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: 1 a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 5969DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.970 16 V a determinação da exigência e a intimação para cumpri/a ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou fu nção e o número de matrícula. O simples cotejamento do auto de infração lavrado com cada requisito acima enumerado não permite duvidar de obediência plena às determinações legais, inclusive no que se refere à descrição dos fatos. Por outro lado, não se verifica ofensa ao art. 50, LV, CF/88, pois houve ciência do auto de infração e oportunidade para o contraditório e a ampla defesa, nem se detecta violação aos art. 30 e 142 do CTN, pois, há indiscutível base legal citada no auto para o lançamento de oficio e para exigência de multa. Para concluir, não tendo havido cerceamento de defesa, tendo sido lavrado o auto de infração por autoridade competente com todos os requisitos estabelecidos no art. 10 do Decreto n° 70.235/72 (PAF), é de se rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, em consonância ao que determina o PAF, art. 59, verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (. . .) Desta forma, rejeitase integralmente a tese de nulidade do auto de infração, em todos os seu fundamentos. II Mérito No mérito, a impugnação do contribuinte pode ser sintetizada em três alegações básicas: 1. que o procedimento adotado pela empresa enquadrase como planejamento tributário, não se inserindo como prática de sonegação fiscal; 2. que não constitui sua obrigação legal verificar a regularidade fiscal das pessoas jurídicas suas fornecedoras, ainda assim consultava a página da Receita Federal, verificava cadastros restritivos de crédito, e nunca obteve sinalização negativa; 3. que o Fisco não provou a efetiva participação do contribuinte em esquema de venda de notas fiscais, nem na constituição ou manutenção de um esquema com pseudoempresas a fim de obter vantagem no creditamento de tributos. O cerne da controvérsia, entre o que os auditores afirmam e o que o impugnante aduz, pode ser resumido mais ainda, em duas indagações: (1) Há prova de um esquema fraudulento de constituição de empresas visando vantagens tributárias indevidas, consistentes em creditamento indevido de PIS e Cofins? (2) Há prova de que o contribuinte, ora autuado, participou de algum modo desse esquema? As respostas estão nos autos, e elas não favorecem à impugnante, como será visto na seqüência. Fl. 5970DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.971 17 Na base societária e no controle da Império Comércio de Café (Arildo, Henry) e de mais duas empresas Chapadão Armazéns Gerais (Arildo, Amarildo) e STEF Comércio de Transportes (Henry e Franco) estão os membros da família Stefenoni, os contratos sociais constantes dos autos (fls. 4539/4541, 4545/4552, 4553/4559, 4560/4563 c 4313/4314) confirmam o organograma à fl. 4899. Amarildo é irmão de Arildo Stefenoni, que tem os filhos Henry e Franco. Estes fatos são sublinhados aqui, porque os depoimentos colhidos na fase investigatória, citados adiante, referemse, muitas vezes, aos sócios e não às sociedades. O primeiro ponto a ser ressaltado, quanto a auditoriafiscal levada a cabo pelas autoridades da Receita Federal, é que este procedimento se insere no bojo da operação fiscal Tempo de Colheita, que teve por motivação conforme afirmam, à fl. 4900, os agentes do fisco, a discrepância vultosa entre valores financeiramente movimentados e valores declarados, no período 2003/2006, por empresas atacadistas de café em grão. A discrepância mencionada alcança a cifra de 3 bilhões de reais. Dentre as empresas que mantinham regularmente divergência entre valores movimentados e valores declarados, e na maioria das vezes nem declarados, estão fornecedores da Império Comércio de Café Ltda, ora autuado, ora impugnante. Outro fato que mereceu destaque é que "do total de pessoas jurídicas diligenciadas mais da metade foi constituída a partir do ano de 2002 e tendo movimentação . financeira expressiva e crescente a partir de 2003". Aquelas constituídas antes de 2002 também apresentavam "movimentação . financeira expressiva e crescente a partir de 2003". No quadro abaixo apresentamos as datas da constituição dos fornecedores principais da Império, conforme dados do Relatório de Encerramento Fiscal, confirmados pelos atos constitutivos constantes às fls. 4907/4919 e 5064: Fl. 5971DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.972 18 Desse conjunto de empresas apenas duas foram constituídas antes de 2002. De 2002 em diante verificase uma explosão na formação de empresas atacadistas de Café, coincidência ou não, justamente no início do período da virada da legislação regente das contribuições do PIS e da Cotins, que passou, de modo geral, do regime cumulativo para o regime nãocumulativo. Ocorre que no regime nãocumulativo, as empresas adquirentes de mercadorias passaram a gozar do direito de crédito sobre o valor das compras, utilizandose da mesma alíquota válida para o cálculo das próprias contribuições. Fl. 5972DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.973 19 Porém, no caso aqui tratado, uma particularidade deve ser mencionada: Se a empresa adquirente de café em grão por exemplo, a Império — compra diretamente do produtor rural — pessoa física — o valor de seu direito creditório reduzse a 35% daquele referente a mesma compra de um atacadista/pessoa jurídica, regra que passou a valer após 01/02/2004, conforme excertos legais abaixo transcritos, antes desta data o direito creditório reduziase a zero, não existia: Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004 Art. 8° As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3' das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei n" 11.051, de 2004) (Vide art. 37 da Lei n°12,058, de 13 de outubro de 2009) . (. . .) § 3° O montante do crédito a que se referem o caput e o § I° deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2 das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei n' 11.488, de 15 de junho de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 22 das Leis n2s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Renumerado pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (..) (gn). Antes do diploma acima citado prevalecia a regra geral, que vedava o creditamento resultante de compras de pessoa física, na forma do §3° do art. 3° das Leis n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003: Fl. 5973DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.974 20 Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2" a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (. . .) § 3° O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliado no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; (...) (gn) Ora, no quadro legal de regime nãocumulativo, que então se instituía passou a ser tributariamente interessante adquirir bens e serviços de pessoa jurídica e não diretamente de pessoa fisica. Assim, optar por uma pessoa jurídica, no caso atacadista de café, em detrimento de uma produtor rural pessoa fisica, pode situar se de fato no domínio do assim chamado planejamento tributário do adquirente. Embora, claro, a introdução de um elo a mais na cadeia produtiva eleve os custos desse adquirente, pois aquele atacadista intermediário, além de seus custos operacionais normais, deverá recolher as contribuições incidentes sobre as receitas auferidas nas suas alíquotas normais (1,65% e 7,6%), podendo se creditar no percentual de apenas 35% do crédito, calculado com as mesmas alíquotas. Evidenciase, então, que a aquisição da mercadoria da Pessoa Jurídica, ao invés da aquisição direta do produtor rural, embora, resulte para o adquirente (Império) creditamento integral, o seu custo de aquisição necessariamente será maior. De qualquer forma, a escolha por uma forma, ou outra, poderá fazer parte de um planejamento tributário, sem qualquer óbice legal. Por outro lado, situação bem diferente é aquela em que a pessoa jurídica atacadista introduzse nesta cadeia sob os auspícios do adquirente, sob uma aparência de regularidade formal, apenas para gerar crédito para o adquirente, porque neste caso o procedimento só gera uma vantagem global apreciável, para ambos, se este atacadista não cumprir com ônus tributário que lhe será próprio. Tal situação nada tem de planejamento tributário, tratandose de pura fraude fiscal. As provas dos autos militam a favor de que esta situação tenha de fato ocorrido. Devese notar, em primeiro lugar, que as pessoas jurídicas atacadistas, fornecedoras da Império, o contribuinte autuado, ora impugnante, constituídas como visto quase todas já em pleno regime da nãocumulatividade, estiveram, quase sempre, em situação irregular no período em que foram fiscalizadas, seja por omissão em relação as suas obrigações acessórias, seja em relação ao pagamento de tributos. O quadro abaixo resume tais informações, em relação a alguns dos principais fornecedores da Império: Fl. 5974DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.975 21 Outras empresas atacadistas, fornecedoras da Império, também encontravam se em situação semelhante (v. fls 5064), quatro já haviam sido declaradas inaptas e cinco já estavam suspensas, todas com valores irrisórios de recolhimento. A este quadro de incompatibilidade entre volume financeiro movimentado e total de tributos recolhidos, acrescentado de situação de omissão e inatividade declarada, juntase mais um fato, constatado em diligências nas empresas, "nenhuma das empresas diligenciadas possui armazéns ou depósitos, nenhum funcionário contratado" (fl. 4901) e, nenhuma estrutura logística. Ora, tudo que se espera de uma empresa atacadista de café é, justamente, a existência de uma estrutura que a capacite movimentar grandes volumes de café. Ofende, portanto, a qualquer limite de razoabilidade a inexistência de depósitos, funcionários e logística, encontrando, ao invés disso, "escritórios estabelecidos em pequenas salas comerciais alugadas e acomodações acanhadas" (fl. 4901). A fiscalização exemplifica a exigüidade e precariedade das instalações constatadas nas empresas diligenciadas, com a fotografia do estabelecimento da JC BINS (v fl. 4902), cujo nome fantasia é Cafeeira Colatina, um imóvel de minguados 40 m2, com equipamentos e material de escritório: uma mesa, um armário, meia dúzia de pastas, telefone, fax e um computador. Vale sublinhar, contudo, que este mesmo atacadista de café movimentou mais de 160 milhões de reais entre 2005 e 2007. Tudo indica até aqui que as autodenominadas "atacadistas" são empresas de fachadas, que se prestaram a uma simulação/dissimulação de uma operação de compra e venda de café, pois movimentavam grandes sornas financeiramente, mas não tinham como operar com as mercadorias. Além do fato de ter, como se viu, uma existência fantasmagórica do ponto de vista da tributação, descumprindo obrigações acessórias e também a principal, consistente em pagar tributo. É cedo, porém, enunciar esta hipótese como provada, embora seja inegável sua plausibilidade. O impugnante alega que nunca imaginou ou fez juízo acerca da regularidade fiscal da pessoa jurídica da qual efetivava sua aquisição, dando a entender que a Império nada tem a ver com qualquer fraude, ou prejuízo que as atacadistas, seus fornecedores, tenham perpetrado contra o Erário. Não é bem assim, como se verá na seqüência. Antônio Gava, inicialmente sócio e depois administrador da Colúmbia, no depoimento que se encontra às fls. 42/44 dos autos, corrobora a tese da auditoria de Fl. 5975DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.976 22 modo expresso, e, sem meias palavras, esclarece o modus operandi das empresas envolvidas: Que a Colúmbia funciona como recebedora da nota fiscal do produtor e emissora da nota fiscal de saída, que vai para o real proprietário do café, ou melhor, o verdadeiro comprador de café; O real comprador de café adquire o produto do produtor rural por intermédio de corretores de café; Que os compradores de café efetuam depósitos nas contas correntes da Colámbia, e esta efetiva o pagamento aos produtores rurais. (gn) Em outro depoimento, agora de Alexandre Pancieri, sócio da Do Grão, encontrase outro apoio para a hipótese de uma ação coordenada no sentido de fraudar a Fazenda Nacional. Todavia, agora o apoio vem no sentido de esclarecer outro aspecto da situação sob suspeita: a de que as empresas (ou pelo menos algumas delas) eram previamente montadas, não nasciam de um acordo livres de vontades dos sócios, para atuar na mercado, mas eram engendradas por terceiros interessados: Que a Do Grão foi constituída tendo como sócios o declarante e o Sr. Ricardo Vieira cios Anjos; que o declarante não sabe informar quem é o Sr. Ricardo Vieira dos Anjos; que a constituição da Do Grão foi feita a pedido de Sr. Luiz Fernando Mattede, sendo que não houve por parte do declarante qualquer aporte de capital na Do grão; (..) (gn) (fl. 4372) Destacamos aqui duas afirmações do sócio da Empresa Do Grão, cujo quadro societário compunhase de apenas dois sócios (1) O Sr Alexandre não conhecia o outro sócio; e (2) A empresa fora criada a "pedido" do Sr. Luiz Fernando Mattede. A Empresa, dessa forma constituída, movimentou 311,7 milhões, entre 2003/2006, mas não recolheu absolutamente nada aos cofres públicos a título de tributo, no período de 2003/2009. Vale notar que o Sr. Luiz Fernando Mattede Tomazí, aí citado, era um dos administradores da Do Grão, exercendo a função mediante procuração. Foi também um dos sócios fundadores (v. fls 92/94) da Acádia Comércio e Exportação Ltda, o outro era Flávio Tardin Faria, que, aliás, era o outro administrador da Do Grão. A Acádia Comércio e Exportação Ltda movimentou 124 milhões entre 2003 e 2006, e apresentou recolhimento irrisório entre 2003/2009 (vide tabela acima e fl. 118). Não é só isso. Luiz Fernando Mattede Tomazi ainda é um dos sócios fundadores da L&L Comércio e Exportação de Café Ltda (v. fls. 267/271), empresa que movimentou 107 milhões entre 2003 e 2006, e apresentou recolhimento ZERO entre 2003/2009 (tabela acima e fls. 281 e 318/322 dos autos). Fato notável é que Do Grão, Acádia e L&L funcionam no mesmo prédio, e ainda têm a companhia de mais quatro empresas fiscalizadas na mesma operação: Colúmbia, JC Bins, Stange's Corretagem e a V Munaldi — ME. Fato apenas curioso não se tratassem de "atacadistas de café", atividade que por sua própria natureza exige espaço, funcionários e logística sofisticada. Quanto a esta última empresa citada V Munaldi — ME, o depoimento de seu titular de direito Vilson Munaldi é Fl. 5976DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.977 23 definitivo quanto à constituição viciada de empresas, valendo neste momento ser parcialmente reproduzido: Que no período de 17/09/02 a 31/03/05 o declarante ficou desempregado e passou a. fazer pequenos trabalhos temporários (biscates) Que no período em que . ficou desempregado o declarante foi procurado pelo Sr. Adelson Munaldi, contador, para a abertura de uma pessoa jurídica em nome do declarante,. Que foi constituída afirma individual V Munaldi — ME em nome do declarante, que passou a ,figurar corno titular da referida empresa, sendo que o verdadeiro proprietário é o Sr. Altair Braz Alves (..) Que para figurar como titular da firma individual ALTAIR se comprometeu com o declarante a lhe proporcionar uma renda mensal no valor de um salário mínimo (gn) O Sr. Altair Braz Alves confirmou (fls. 365/368) o depoimento de Vilson Munaldi, pois admitiu ser o verdadeiro proprietário da V Munaldi — ME, embora figurasse o nome daquele como proprietário. Mais esclarecedor ainda é o depoimento de Altair quanto ao modus operandi da engrenagem que vai se revelando como meramente um esquema fraudulento para vender notas fiscais e simular um elo na cadeia produtiva inexistente, tendo por fim ultimo gerar fictícios créditos de PIS/Cofins no regime da nãocumulatividade. O depoimento completo de Altair está às fls. 365/368. Na seqüência apenas destacase alguns pontos. O citado depoimento estabelece os seguintes pontos cruciais. Afirma que a empresa V Munaldi — ME nunca foi atacadista, nem mesmo sequer atuou no seguimento de compra e venda de café, pois, a empresa foi criada unicamente para fornecer notas fiscais para os verdadeiros compradores de café, que adquiriam a mercadoria diretamente dos produtores rurais. Neste sentido, ao receber a nota fiscal do produtor rural por intermédio de Officeboy do verdadeiro comprador, emitia nota fiscal de entrada, e, na mesma data, emitia nota fiscal de saída para o verdadeiro comprador. Afirma ainda Altair que a operação real de compra c venda se dava diretamente entre o comprador final e o produtor rural, funcionando a sua empresa corno repassadora de recursos financeiros dos compradores para os produtores rurais. Nesta linha, afirma que nunca teve qualquer contato com os produtores rurais, no que tange às operações descritas nas notas. Decorre logicamente, do que fora dito até agora, que a Empresa V Munaldi — ME não era remunerada mediante lucro resultante da atividade de compra e venda, porque não realizava tais atividades, mas recebia comissão, conforme admitira Sr. Altair, que precisou o valor na faixa de 0,35 a 0,50 por saca de café, pagos pelo verdadeiro comprador, que no caso tratase da Império. As cartasrespostas à intimação da autoridade fiscal (v. fl. 66, por exemplo) das empresas Colúmbia, Acádia, Do Grão e L&L confimiam esta dedução: Nossa remuneração, para emitir as notas fiscais e fazer os pagamentos conforme orientação dos compradores, até . final de 2003 era equivalente a I% (hum por cento) cio valor de cada nota fiscal emitida. A partir de 2004, os compradores determinaram que só pagariam R$ 1,00 por saca faturada, sendo que a partir de 2006, quando abriram muitas empresas novas, o preço foi caindo Fl. 5977DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.978 24 conforme a negociação, sendo que hoje pode variar de R$ 1,00 (hum real) por saca — se tiver também a confirmação de negócio emitida por corretora caindo para R$0,50 (cinqüenta centavos) ou R$0,30 (trinta centavos) por saca, não tendo a confirmação da corretagem. (gn) Esta confissão denuncia a fraude, confirma seu modus operandi, e, ainda, demonstra a participação efetiva do contribuinte, ora impugnante (v. fl. 66). Não se trata de um depoimento qualquer, mas dos próprios fornecedores da Império. Desnecessário seria prosseguir, mas vamos fazêlo. A Fiscalização ainda apurou, a partir dos depoimentos dos gerentes dos agentes financeiros, no caso da SICOOB (Cooperativa de Crédito CentroNorte do Espírito Santo), que as contas correntes abertas em nome da "atacadista" V Munaldi — ME eram controladas pelos Stefenoni, constatando que: (a) Henry e Amarildo Stefenoni autorizaram seus funcionários a fazerem retiradas em contas correntes da V Munaldi; (b) Henry Stefenoni solicitou previsões de saques e saldos de conta, e comparecia pessoalmente nas agências para realizar saques; (c) o telefone que consta no cadastro e no cartão de autógrafos das contas correntes da V Munaldi pertence à Arildo Stefenoni, e atualmente é utilizado pela Império Café (v. fls. 474/476, e fl. 4939). Ressaltese que Altair Braz Alves em seu depoimento (fls. 369/371, item 8) afirmou que, em regra, assinava os cheques em branco e os entregava aos administradores da conta. Outro fato notado pela autoridade fiscal é que o advogado do Sócio da Império, Henry Stefenoni, foi o mesmo que acompanhou Altair Braz Alves em seu depoimento de fls. 372/373. (v. fls. 372/374 e fls. 4455/4458). A fiscalização informa (11 4943) que: a Império escriturou na conta 'Fornecedor' no período de apenas 5 meses (agosto a dezembro de 2006) notas fiscais da V Munaldi no montante de R$ 4.658.350,00, representando 25,4% do total das aquisições do ano. Pelo que se registrou mais acima quem operava as contas correntes da V Munaldi eram Henry e Amarildo Stefenoni, sendo que o primeiro é sócio da Império e o segundo irmão do sócio Arildo. Os irmãos Amarildo e Arildo em depoimento prestado às Autoridades Fiscais admitiram uso da conta corrente da V Munaldi (fls. 4449/4452). A Confirmação de Pedido ri° 1.843/2008 emitido pela corretora Casa do Café, em 05/05/08, constituise em prova documental relevante da conclusão já esboçada. O documento encontrase reproduzido à fl. 4952. O nome manualmente escrito ao lado do nome do Vendedor é, na verdade, o nome do produtor rural, verdadeiro vendedor, conforme fora esclarecido no depoimento do corretor Luiz Fernandes Alvarenga (fls. 511/519), que, em certo momento, afirma "o declarante informa, de forma manuscrita, ao lado da pessoa jurídica que consta como vendedora, o nome do produtor rural/maquinista que está vendendo efetivamente o café para o comprador, com o objetivo de dar conhecimento ao comprador da origem (qualidade e pontualidade) do café que ele está adquirindo". E, especificamente, em relação ao documento citado (Confirmação de Pedido ri° 1843/2008) o corretor esclareceu que o nome 'Américo' anotado ao lado do vendedor faz referência ao "Sr. Américo Mai, produtor rural/maquinista da região de João Neiva e quem efetivamente vendeu o ca/ e para a Império Comércio de café". Em relação a Confirmação de Pedido ri° 1.479/2008, provase a mesma manobra de modo ainda mais explícito. Observase na cópia à fl. 4958 que o vendedor é Wilson Capatchio (o correto é Capácia), produtor rural/maquinista da região de Águia Branca/ES, de forma manuscrita foram anotadas as datas de entrega e quantidades: 500 sacas em 12/06, 500 sacas em 29/05 e 1000 sacas em 02/06. No entanto, as notas fiscais de compra registradas na contabilidade da Império já Fl. 5978DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.979 25 informavam como vendedor a empresa Café Brasile Comércio e Exportação Ltda (fls. 583/587). A nota fiscal n° 000374 da Café Brasile em favor da Império exibe a expressão "Confirmação de Pedido n° 1479/2008", fechando a prova da conexão fraudulenta. Além disso tudo, Guilherme Cassaro, 'dono' da Brasile, exempregado da Stef Comércio e Transportes de Café de Henry Stefenoni, com salário de 570 reais na função de motoboy, esclareceu que "pelo fornecimento de nota ,fiscal em nome da Café Brasile guiando café para as exportadoras e Indústrias recebe a quantia que varia de R$0,15 a R$O,30 por saca de café". Ressaltase que a Café Brasile emitiu notas fiscais para a Império no montante de R$ 21,78 milhões. Outros exemplos de Confirmação de Pedido exibindo a mesma mecânica encontramse nos autos (vide fls. 521/535). As empresas exportadoras comprovadamente, pelo que foi registrado até agora, efetivamente participaram da montagem e do uso do esquema fraudulento. Há prova documental, como vimos, neste sentido, e os depoimentos também convergem perfeitamente para este ponto. Por exemplo, no depoimento de um outro corretor de café às fls. 593/595 textualmente se declara: "a maioria dos sócios ou titulares das empresas constituídas para guiar café para as exportadoras e Indústrias são ex funcionários das próprias exportadoras do Estado do Espírito Santo". O corretor ratificou a existência de um 'mercado de notas fiscais': "pela emissão da nota ,fiscal para guiar o café para as exportadoras as interpostas empresas recebem um determinado valor por saca de café, que o 'mercado de nota fiscal' chegou a tal ponto que há uma disputa para ver quem vende a sua nota fiscal por um menor preço por saca de café". Noutro depoimento (fls. 615/617), de outro corretor, o declarante, afirma que houve urna fase em que o produtor rural guiava diretamente o café para as exportadoras e indústrias e recebia diretamente o pagamento, mas depois estas empresas passaram exigir que o café fosse descarregado nelas com nota fiscal dc pessoa jurídica. Denomina os intermediários como empresas laranjas, cuja finalidade é vender nota fiscal: Que o declarante afirmou que o 'mercado de café' se prostituiu porque alguns corretores começaram a negociar café dispensando a cobrança da COMiSSÕ0 de corretagem, e devido ao aparecimento de empresas laranjas que entraram no mercado de café vendendo nota fiscal para ganhar um percentual sobre as vendas de café; Em mais um depoimento, de um outro corretor, novamente de modo muito explicito é descrita a fraude (fls. 632/634): Que a interposição de uma pessoa jurídica para mascarar a operação de compra de café das empresas acima relacionadas diretamente do produtor rural iniciouse com as próprias compradoras de café, que no inicio as notas fiscais do produtor eram trocadas pela nota . fiscal da interposta pessoa dentro do próprio armazém da empresa compradora, que nessas operações o corretor recebia das compradoras o nome da interposta pessoa jurídica pelo qual o café do produtor rural era guiado para dentro do seu armazém; (..) Que nas vendas para a IMPÉRIO, o declarante informava ao Sr. Henry Stefenoni, sócio da IMPÉRIO, a origem do café, melhor dizendo, qual o produtor que estava vendendo café para a IMPÉRIO, ainda que na confirmação constava . ficticiamente a YPIRANGA; que na segunda forma o declarante não atuava como Fl. 5979DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.980 26 corretor, apenas emitia uma confirmação a pedido da YPIRANGA, onde constava como comprador a IMPÉRIO COMÉRCIO CAFÉ, sendo que a corretagem era paga pela IMPÉRIO; A fiscalização intimou os produtores, que negociaram com Amarildo e Henry Stefenoni (fl. 5005), para esclarecer vários pontos dos negócios correspondentes, dos resultados concluiu, em resumo, que: (1) o produtor rural é quem negocia diretamente a venda de seu café com Amarildo ou Henry Stefenoni; (2) o próprio Amarildo preenchia, muitas vezes, a nota fiscal do produtor; (3) não havia negociação com as 'pseudoempresas' que constam em suas notas, nem mesmo as conhecia ou seus sócios; (4) o pagamento predominantemente em dinheiro era efetuado por Amarildo ou pessoa autorizada; (5) a descarga era normalmente efctuada no Chapadão Armazéns Gerais. Esta empresa é dos irmãos Arildo e Amarildo (v. fls. 4560/4563). De documentos recebidos da Polícia Federal a planilha de saídas da Colúmbia (v. 11 5033) para a Império deixa claro a distinção entre o vendedor ficto (a própria Colúmbia)) e o vendedor real (coluna vendedor), pessoa fisica/produtor rural, em várias das notas fiscais. A nota fiscal n° 17637 (fl. 543) ilustra a situação, neste caso a corretora é a Casa do Café (vide a coluna corretora na planilha). A nota fiscal n° 18164 (fl. 550) ilustra a outra situação onde não há corretora (vide a coluna corretora na planilha), ou seja, a Império negociou diretamente com o Produtor Rural (Roque), embora o vendedor ficto seja a Colúmbia. Do Ministério Público Estadual a fiscalização recebeu e analisou um relatório financeiro correspondendo a uma espécie de livro caixa ("caixa 2") de Fernando Mattede e Flávio Tardin, sócios das `pseudoempresas' Do Grão e L&L, já citadas neste voto, o documento reproduzido (fls. 982 e ss) mostra que a receita é claramente proveniente de venda de notas, observe na fl. 5040 nos nomes de pessoas responsáveis pelo crédito, que aparece o de Henry com o valor ao lado de R$5.865,00. O total de ganho no fechamento geral relativo à Empresa Do Grão corresponde à diferença desses créditos (provenientes de pessoas fisicas) contra as despesas (nada a ver com compra de café) (vide fl. 5040). O batimento da 'contabilidade' à fl. 5040 com a planilha da Empresa Do Grão, exibindo o controle do seu crédito contra Henry demonstra a exatidão do valor de R$5.865,00. Mais ainda, demonstra a razão do débito: para cada saca de café 'vendida' para a Império, esta tornase devedora de Hum real, o que aparece como seu crédito ao lado do 'corretor' Henry, na verdade sócio da Império. Quanto ao preço da nota fiscal vendida, o valor de hum real por saca de café vigorou entre 2004 e 2006, pois conforme explicaram Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia "quando abriram muitas empresas novas, o preço foi caindo" para R$0,50 ou R$0,30 (v. fl. 66). Observar também o que declara a Empresa à fl. 5058: "para a nossa empresa o que importa não é o preço da saca de café, mas sim a quantidade de sacas, já que a nossa remuneração (é) pelo número de sacas". A mesma configuração fora provada pela fiscalização em relação a outros 'fornecedores' da Império, conforme se verifica à fl. 5047. Quando a Autoridade Fiscal requisita às Empresas Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia informar se era do "pleno conhecimento" dos comerciantes, exportadores e indústrias, ou seja, dos compradores de que apenas forneciam a nota fiscal, para respaldar operação, que na verdade se dava entre comprador e produtor rural, a resposta corrobora o que já está fartamente provado: "Sim. Os grandes atacadistas, assim como os Torradores e os Exportadores tinham e tem pleno conhecimento de que as notas fiscais são vendidas, como também sabem que nossa empresa nunca Fl. 5980DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.981 27 recolheu nenhum valor de PIS e Cofins. Vale dizer que eles até incentivaram a abertura de varias empresas (...)". (v. por exemplo tl. 65). Acrescenta, em outro momento, que "regra geral, é o comprador (torrador, exportador ou atacadista) diretamente por si ou por meio do Corretor que o assessorou no negócio, que determina qual empresa vai faturar, ou melhor, emitir a nota Fiscal para guiar o produto da lavoura para os depósitos dos compradores". Em outro momento ainda, relatam as empresas citadas Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia que depois que a Receita começou a fiscalizálas, as Torradoras passaram a exigir que os antigos maquinistas, "que antigamente faziam uso da nossa empresa para guiar o café, constituíssem empresas suas para guiar o café". E assim, explicam, surgiu a Império e outras, "que na verdade são a personificação jurídica dos antigos maquinistas". Estas novas empresas "passaram a fazer os mesmos atos que os Grandes Atacadistas, Torradores e Exportadores, ou seja, comprar notas de pessoas jurídicas para acobertar as compras . feitas diretamente dos produtores, já que os Maquinistas, só compram café dos produtores rurais de suas comunidades locais" (fl. 67). Além das provas documentais já referidas neste voto, e que suportam as declarações acima, há numerosas outras nos autos. A Autoridade Fiscal fornece didaticamente alguns exemplos, passo a passo, e cada passo com a prova correspondente (v. fls. 5068 e ss). Aqui vamos seguir o primeiro exemplo dado, sempre fazendo referência ao suporte probatório. Em 09/05/2007 o contribuinte autuado, ora impugnante, escriturou no seu livro contábil Razão uma compra da R Araújo Cafecol Mercantil no valor de R$58.500,00, correspondente a Nota Fiscal n° 2755, conforme se vê à fl. 2899 dos autos. A Nota Fiscal n° 2755, cuja cópia se encontra à fl. 1021 dos autos, demonstra se tratar de compra de 300 sacas de café ao valor unitário de R$195,00. Registra ainda como sendo o local de descarga o pátio da Chapadão Armazéns Gerais, empresa dos irmãos Arildo e Amarildo Stefenoni (v. fls. 4560/4563). OK, aparentemente tudo OK. Apenas aparência, contudo. As contradições começam a se revelar quando se observa que aquele café saiu da propriedade do produtor rural Valdir Ferrete cm 09/05/2007, isto é, exatamente na mesma data em que fora escriturado pela Império e que consta da Nota Fiscal n° 2755. A nota fiscal do produtor n° 0036 emitida em 09/05/07 a favor da R Araújo Cafecol Mercantil, cuja cópia encontrase à fl. 1019, registra ainda que o transportador Ângelo Comério utilizou caminhão de placa MQF 9233. Na mesma data de 09/05/2007, a R Araújo Cafecol Mercantil emitiu a nota fiscal de entrada n° 003392, como se tivesse recebido o referido carregamento de café do produtor rural Valdir Ferrete. No entanto, como já anotado o café saiu do produtor rural diretamente para o armazém Chapadão utilizado pela Império. Observe, inclusive, que na Nota Fiscal de Saída n°2757, emitida por R Araújo Cafecol Mercantil, destinando a mercadoria para a Império registrase que a saída também se deu em 09/05/07. Na referida nota fiscal o transportador é Ângelo Comério, utilizando caminhão de placa MQF 9233. Outro dado é que o caminhão utilizado no transporte da mercadoria, desde a saída da propriedade rural ao Armazém dos irmãos Arildo e Amarildo Stefenoni, pertence a Franco Stefenoni, filho de Arildo Stefenoni, sócio da Império. O motorista Ângelo Comério era empregado de Amarildo Stefenoni (fl. 4368). Mera ficção, portanto, afirmar que o café saiu da R Araújo Cafecol Mercantil para a Império, na verdade, nunca entrou na R Araújo Cafecol Mercantil. Nem mesmo poderia, pois esta empresa não passa de um escritório, sem qualquer Fl. 5981DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.982 28 estrutura, conforme afirmado pela Autoridade Fiscal após diligência "nenhuma das empresas diligenciadas possui armazéns ou depósitos, nenhum funcionário contratado" (fl. 4901) e, nenhuma estrutura logística. Há, sim, uma troca de notas fiscais "onde for mais conveniente para a empresa [verdadeira compradora], podendo ser no entroncamento de rodovias, postos de gasolina, etc."(fl. 5066). Caso nada houvesse a mais nos autos, a operação descrita por si só é suficiente para denunciar a fraude, pois não se concebe que o contribuinte, ora autuado, faça a compra da intermediária R Araújo Cafecol Mercantil e, ao mesmo tempo, vá ao produtor rural, com seu caminhão e motorista buscar diretamente o café. Nem se saberia a função desempenhada na cadeia comercial pela empresa R Araújo Cafecol Mercantil, que não beneficia a mercadoria de nenhum modo, não faz qualquer troca de embalagem, nem mesmo armazena a mercadoria, pois nem mesmo estrutura tem para isso. Só se entende o que está acontecendo quando a tese articulada pela Autoridade Fiscal é considerada. Tese, aliás, provada. O papel da R Araújo Cafecol Mercantil, como de tantas outras já citadas, é meramente de vender um documento valendo repetir o que disse a própria a Empresa R Araújo Cafecol Mercantil, à fl. 5058: "para a nossa empresa o que importa não é o preço da saca de café, mas sim a quantidade de sacas, já que a nossa remuneração (é) pelo número de sacas" a fim de proporcionar um disfarce a apropriações fraudulentas de crédito de PIS e Cofins por parte do contribuinte, ora autuado, que como mais uma vez exemplificado participa de toda a pantomima. Até mesmo a diferença de preços espelhada nas notas fiscais entre o valor da suposta venda do produtor rural para a pessoa jurídica interposta, e desta para o real comprador (v. docs fls. 1019 e 1021), é construída para o beneficio do ato dissimulado, conforme confessa, em outro depoimento, sócio de outra das empresas envolvidas nas mesma articulação fraudulenta e fornecedora do contribuinte, ora autuado, (fls. 5088 e ss): "os valores indicados na nota fiscal do produtor são inferiores àqueles destacados na nota fiscal de saída da Cafeeiro Arruda para os exportadores e industriais na tentativa de dar aparéncia de uma operação comercial entre elas, evidenciando uma ficta margem de lucro". Há vários outros exemplos, envolvendo ainda a R Araújo Cafecol Mercantil e outros fornecedores da Império, ilustrando o mesmo modus operandi.(fls. 5069 e ss). Dos vários produtores rurais que foram diligenciados, dentro do mesmo procedimento de fiscalização, vários afirmam que não conhecem as empresas interpostas, fornecedoras da Império, que não conhecem seus sócios ou representantes, afirmando nunca ter com elas negociado (fls. 5102 e ss). Por exemplo, José Geraldo Marin (v. fls 1704/1706) esclarece que, em geral, o modo de negociar sua mercadoria consiste em primeiro lugar de fornecer amostras para os corretores, que estes, então, as apresentam para grandes exportadores e grandes empresas comerciais. Os corretores, após pesquisar o melhor preço, levam ao produtor rural o nome do comprador do seu café. Depois de fechada toda a fase de negociação, surge, então, o nome de um terceiro — empresa alheia ao negócio — por imposição dos compradores, "que não aceitam de forma alguma que seus nomes constem como destinatárias nas notas fiscais do produtor rural". Claro está que as empresas fornecedoras da Império já citadas no voto, tais como R Araújo Cafecol Mercantil, Do Grão, Acádia, L&L, Colúmbia, Ypiranga, e outras arroladas nestes autos, não operam no mercado de compravenda de café, mas atuam em outro mercado, a saber, mercado de compravenda de nota fiscal. Esta Fl. 5982DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.983 29 conclusão sobejamente demonstrada por farto suporte documental é constantemente ratificada nos depoimentos dos próprios envolvidos na fraude. Veja, por exemplo, o depoimento (fls. 1997/1999) de Thiago de Resende Gava, sócio de fato da Colúmbia, admitindo que a W R da SILVA (para quem trabalhou) "nunca comprou nem vendeu um grão de café." "que o objetivo das operações realizadas desta.forma é proporcionar um ganho maior para as empresas exportadoras e/ou torrefadoras de café, pois se fosse emitida nota fiscal do produtor rural diretamente para as empresas exportadoras, estas não teriam direito ao crédito de tributos de 9,25% sobre o valor da compra de café. Que além disso as empresas exportadoras/torrefadoras teriam que recolher o valor referente ao FUNRURAL sobre a nota fiscal do produtor rural (.)" Empresas como a W R da SILVA, Nova Brasília, R Araújo Cafecol Mercantil, Do Grão, Acádia, L&L, Colúmbia, Ypiranga funcionam como 'laranjas', termo aliás empregado no meio, como se registra no depoimento dos corretores, por exemplo, no de Devanir Fernandes dos Santos (fls. 2223/2225), onde "o declarante afirmou que as empresas exportadoras e Indústrias, compradoras de café, para os as quais o declarante atua como corretor de café, tem pleno conhecimento de que as empresas que constam nas notas fiscais como vendedoras de café são laranjas". Os depoimentos de Amarildo, Arildo, Henry e Franco Stefenoni (fli. 4449 e ss), vinculados não apenas por parentesco mas contrato na constituição das empresas Chapadão, Império, Stef não conseguiram ocultar a mecânica de funcionamento da Império, e a revelaram pelo menos parcialmente. Confirmase, por exemplo, a troca de notas fiscais — a nota fiscal do produtor pela nota da `pseudoempresa' também se confirma que o Sr. Amarildo, ele próprio, intermediou café para Império, operação fechada com corretores e 'guiado' em nome de outras empresas cujos nomes 'não se recorda'. A infração tributária cometida, independente da repercussão penal dos mesmos atos, consistiu basicamente em se apropriar de créditos fiscais indevidamente, pois já se explicou, neste voto, que a compra diretamente de pessoa física do café dá ao comprador um direito de crédito presumido, correspondente a 35% do crédito quando o negócio é realizado com pessoa jurídica. Portanto, a fiscalização operou corretamente quando glosou créditos, equivalente a 65% dos créditos apropriados, vale dizer, considerou o crédito presumido a que o contribuinte, ora impugnante, tem direito sobre as compras de café diretamente de produtor rural, muito embora tais compras tenham sido, quase sempre, camufladas como se as tivessem sido feitas de pessoas jurídicas. Houve também glosa de créditos referentes a compras efetuadas do produtor rural, e assim considerada sem qualquer dissimulação, mas registradas incorretamente com alíquota 'cheia'. Em resumo, o procedimento adotado pela Fiscalização corresponde aplicar aliquota de 0,5775% (35% de 1,65%) para o PIS e aplicar aliquota de 2,66% (35% de 7,6%) para a Cofins sobre as aquisições diretas (camufladas, ou não, por interposta pessoa jurídica) de café do produtor rural (fl 5243). Além disso, a Autoridade Fiscal corretamente rateou os créditos a compensar com base na proporção entre as receitas auferidas no mercado interno e no mercado externo. E, ainda, deduziu das contribuições apuradas os valores que haviam sido declarados em DCTF. As explicações detalhadas dos cálculos encontramse às fls. 5244/5283, não se vislumbrando erros ou omissões nas planilhas apresentadas. III — Multa Qualificada de 150% Fl. 5983DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.984 30 Uma vez identificada a infração cometida, consistente na criação e apropriação de créditos fiscais referentes a nãocumulatividade do PIS e da Cofins, a Administração restaurou as contribuições aos seus reais valores devidos, lançando as diferenças nãodeclaradas, e, ainda, cominou penalidade fiscal cabível. O impugnante alega que a multa de 150%, que fora aplicada, se revela injusta, expropriatória e confiscatória. No entanto, as provas constantes dos autos acima examinadas revelam que a prática reiterada de atos conscientemente planejados não suscitava outra reprimenda senão a multa qualificada de 150% sobre a diferença de tributo devida, prevista no art. 44, §1°, da Lei n° 9.430/96; independentemente de outras sanções administrativas e penais também aplicáveis. Dispõe o dispositivo que a multa exasperada é devida nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n°11.488, de 15 de/tinho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n" 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei n" 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8" da Lei n°7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei n" 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2" desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo _fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n°11.488, de 15 de junho de 2007) § 1° O percentual de multa de que trata o inciso 1 do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) Por seu turno, os arts. 71, 72 e 73 da Lei ri.° 4.502/1964, assim rezam: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade ,fazendária; I— da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 5984DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.985 31 II — das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Como se observa, dentre as hipóteses de fraude capituladas no art. 44, da Lei n.° 9.430, de 1996, emerge, em comum, a figura jurídica do dolo. Contudo, na forma antes demonstrada, a conduta específica e concreta do contribuinte, em relação às suas obrigações fiscais, teve a intenção de reduzir o montante de tributos devidos, mediante expedientes cuidadosamente articulados, destinados a subtrair dos cofres públicos parte substancial da obrigação principal de sua responsabilidade, seja não declarando os tributos devidos, seja forjando a existência de créditos referentes ao regime da nãocumulatividade.. Utilizou para tanto notas fiscais ideologicamente falsas, que não espelhavam a verdade dos negócios jurídicos de que tomou parte. Longe de se tratar de meros equívocos e erros, explicáveis pela negligência, a Fiscalização empreendida logrou êxito em provar prática sistemática e reiterada do contribuinte, traduzida em oferecer menos do que devia à tributação. O intuito doloso restou caracterizado a partir de um trabalho minucioso de colheita de evidências de variada ordem: documentos fiscais, contábeis e bancário; levantamento fotográfico, depoimentos de produtores rurais, de corretores de café, de gerentes de banco, de sócios de empresas; declarações das empresas que negociaram com o impugnante. O conjunto probatório conduziu à conclusão da existência de vontade dolosa, premeditada e viciada, dirigida à prática da infração. O padrão de conduta, repetido ao longo do tempo, restou manifestado por atos específicos e reiterados fluindo na direção do mesmo resultado, especificamente, a autoridade fiscal apurou a mesma infração ao longo de todo o período auditado, 36 meses consecutivos, de 2006 a 2008, consistente em declarar créditos fictícios, obtidos mediante a inclusão artificial de uma pessoa jurídica no negócio jurídico efetuado entre produtor rural e a empresa autuada. Além disso, sistematicamente foram contabilizados integralmente créditos de PIS/Cofins quando a lei determina o creditamento apenas parcial (35%), nas compras diretas de pessoa física. O contribuinte autuado, ora impugnante, para obter indevidamente créditos na ordem de milhões de reais, utilizou de uma 'indústria' erguida e mantida com sua participação essencial, cujo produto são notas fiscais ideologicamente falsas, emitidas por pessoas jurídicas construídas com este fim específico. Empresas essas com patrimônio totalmente incompatível com a atividade declarada e com a suposta movimentação comercial, que não declaram, nem pagam quaisquer tributos, situada em escritórios acanhados em prédios comerciais, sem qualquer logística capaz de movimentar cargas, armazenar e, muito menos beneficiar, cargas de café. De fato, a pessoa jurídica buscou iludir a Fazenda Publica, no período em que fora auditada, somente em relação às contribuições sociais, objeto da fiscalização, em montante superior a 10 milhões de reais. Não se trata de eventual omissão de receitas em que o contribuinte deixa de emitir uma nota fiscal, ou de escriturar a Fl. 5985DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.986 32 receita, ou de oferecer à tributação o devido, ao contrário, no caso sub examine, tratase da existência de fraude planejada, articulada e cuidadosamente executada em longo período de tempo, evidenciada por um padrão preciso de comportamento irregular e repudiado pela lei, não apenas tributária. Concluise que a situação fática apresentada subsumese perfeitamente à multa exasperada de 150%, tipificada art. 44, §1°, da Lei n° 9.430/96. O Conselho de Contribuintes tem decidido na linha de entendimento aqui defendida: Câmara:PRIMEIRA CÂMARA do 1° CC Tipo do Recurso:VOLUNTÁRIO Matéria:CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO Data da Sessão:26/02/2003 Relator:Kazuki Shiobara Decisão:Acórdão 10194095 Resultado:NPU NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão:Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Ementa:IRPJ/CSLL. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada de infrações definidas como falta de recolhimento e/ou de declaração inexata, por diversos anos seguidos, caracteriza indício veemente da ocorrência de irregularidades definidas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°4.502/64 e justifica a aplicação da multa qualificada. Câmara:SEGUNDA CÂMARA do 2° CC Tipo do Recurso. VOLUNTÁRIO Matéria:COFINS Data da Sessão:16/04/2003 Relator: Gustavo Kelly Alencar Decisão:ACÓRDÃO 20214723 Resultado:NPU NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão:Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Ementa:COFINS. INTIMAÇÃO. TEORIA DA APARÊNCIA. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. MULTA QUALIFICADA. INCIDÊNCIA. Em nosso ordenamento vige a chamada teoria da aparência, combinada com o princípio da instrumentalidade das formas processuais. Se o ato é praticado acorde com a legislação, produzindo os efeitos que deveria, é Fl. 5986DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.987 33 válido de pleno direito. A adoção de uma sistemática distinta para cada atividade empresarial não fere o princípio da isonomia nem outra limitação ao poder tributar. O ICMS próprio incide na base de cálculo das contribuições. A prática reiterada de ato destinado a mascarar o nascimento da obrigação tributária principal, não contestada de forma eficaz, enseja a aplicação da multa qualificada e das penalidades extratributárias cabíveis. Recurso ao qual se nega provimento. Da mesma forma, como nos casos acima enfrentados na segunda instância, os procedimentos descobertos no minucioso trabalho de fiscalização, evidenciaram consciente intuito de não pagar, ou pagar menos tributos, manifestado em prática reiterada, enquadrável perfeitamente na hipótese prevista na Lei n.° 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 72 e 73, impondo à autoridade fiscal a aplicação da pena pecuniária de 150% sobre as contribuições não recolhidas em conseqüência da fraude perpetrada. A alegação do contribuinte de que a multa aplicada é confiscatória e, por conseguinte, inconstitucional, não prospera porquanto não compete à autoridade administrativa apreciar a argüição de inconstitucionalidade de lei, competência atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, pela Constitucional Federal. Ademais, é um princípio constitucional dirigido ao legislador ordinário, a fim de que observe a capacidade contributiva, não dotando o tributo da propriedade de confisco. O principio do não confisco, não se refere, portanto, à multa, que não é tributo mas sanção. Finalmente, sendo o lançamento atividade vinculada, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála, sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que se alega tenha gerado. Assim, não há falar de confisco em relação à multa aplicada de 150% prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. IV Planejamento Tributário Outra alegação do contribuinte consiste em afirmar que seu procedimento incluise no domínio do planejamento tributário, no campo da elisão fiscal, nunca da evasão ou da sonegação fiscal. Argumenta que a margem de lucro combinada com a atual carga tributária inviabiliza o comercio de café no Brasil, razão pela qual as empresas exportadoras e industriais lançam mão de estratégias tributárias lícitas para continuidade de seus negócios. Afirma que um terço do faturamento empresarial é dirigido ao pagamento de tributos, assim, imprescindível a adoção de um sistema de economia legal. Neste sentido, continua o impugnante, o planejamento tributário constituise em um conjunto de ações lícitas adotadas com o fim de reduzir a carga tributária a que estão submetidos os contribuintes. Mas, por outro lado, confessa que "quando o impugnante 'exigia' dos produtores rurais/maquinistas que fosse providenciada urna operação anterior à sua compra para outra pessoa jurídica, é óbvio que tinha pleno conhecimento e almejava o direito de se creditar integralmente do tributo suportado por esta, pois tal fato decorre de norma legal" (gn). O parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional, introduzido pelo artigo 1' da Lei Complementar n" 104/2001, marcou uma fronteira, ainda que dependente de regulamentação mediante lei ordinária, entre o lícito e o lícito na atividade de planejamento empresarial destinada a obter o melhor cenário do ponto de vista tributário. O dispositivo prescreve que: Art. 116 (..) Fl. 5987DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.988 34 (..) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do . fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp n° 104, de 10.1.2001) A noção de dissimulação, que não se confunde com a de simulação, contida na regra legal acima, firmase na idéia de disfarce ou de ocultamento, do encobrimento astucioso. No contexto legal tributário, tratase de reprimir o uso de ato ou negócio jurídico para ocultar outro que é efetivamente praticado, com o fim exclusivo de reduzir ou excluir a responsabilidade fiscal. Assim, a lei coíbe o negócio, que embora formalmente revestido de validade jurídica, visa tãosomente disfarçar o fato gerador ou algum dos elementos constitutivos da obrigação tributária, que dele decorre. Ora, na dicção do § 1° do art. 113 do CTN, pagar o montante devido é o principal efeito obrigacional do fato gerador: (Art. 113. § 1°A obrigação principal surge com a ocorrência do . fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente), por conseguinte, o estratagema de contabilizar créditos obtidos por meio de negócios jurídicos sem qualquer finalidade comercial efetiva, ou sem outro interesse, exceto inibir o pagamento do tributo, subsumese na hipótese descrita no parágrafo único do artigo 116 do CTN acima citado, justamente por conta do que dispõe a alternativa do seu núcleo tipificante. Tal dispositivo, embora carente de regulamentação, dispõe de conteúdo mínimo, que, se não determina, ao menos, orienta o operador do direito. Nesta linha de pensamento, as compras glosadas fundamentadamcnte pela Autoridade Fiscal, e descritas neste autos, qualificarseiam como negócios jurídicos dissimulatórios. Na verdade, a situação destes autos é mais grave que a dissimulação prevista no artigo 116 do CTN, porquanto aquele ato utilizado para ocultar, encobrir disfarçar, consiste em si de ilicitude fiscal. Assim, considerando os fatos descritos, e sustentados por conjunto probatório robusto constante dos autos, é imperativo concluir que as 'compras' efetuadas pelo contribuinte, ora impugnante, de pessoas jurídicas artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da nãocumulatividade do PIS/Cofins, além de simular negócios de fato inexistentes para dissimular o negócio real entre o produtor rural/pessoa fisica e o contribuinte autuado, constituíramse em fatos enquadráveis na hipótese do art. 72 cc art. 73 da Lei ri° 4.702/64, acima citados. A análise exposta nos itens anteriores rejeita peremptoriamente qualquer alegação de planejamento tributário, pois demonstra que o autuado participou da criação, e utilizou, de pessoas jurídicas de existência fantasmagórica, a fim de interpor elo fictício na cadeia produtiva e, assim, escapar do pagamento de tributo de sua responsabilidade, por meio de compensação de créditos inexistentes de fato. IV — Outros Aspectos do Lançamento Não há contestação específica quanto a outros aspectos da constituição do crédito tributário, particularmente, quanto aos detalhados cálculos da fiscalização referentes a apuração do crédito principal e dos juros moratórios. Referiuse o Fl. 5988DF CARF MF Processo nº 15586.000449/201091 Acórdão n.º 3301005.617 S3C3T1 Fl. 5.989 35 impugnante de modo genérico aos cálculos, declarando que a Autoridade Fiscal generalizou sem "qualquer perspectiva de amostragem". Mas a pecha não corresponde ao trabalho fiscal realizado, que se pautou pela minuciosidade, haja vista os vinte e oito volumes dos autos, e quase 400 folhas apenas de relatório final, onde detalhadamente é comprovado o acerto das glosas efetuadas e dos créditos apurados. Por seu turno, o contribuinte não se deu ao trabalho de apontar concretamente qualquer omissão ou inconsistência nas planilhas de cálculo apresentadas, seja no "Relatório de Encerramento da Ação Fiscal" seja no corpo do Auto de Infração, deste modo, é de se aplicar o art. 17 do Decreto n° 70.235/72, diploma regulador do Processo Administrativo Fiscal, quanto às matérias não expressamente contestadas: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Por todos os fundamentos expostos, VOTO no sentido de julgar integralmente procedente o lançamento." Com base no acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 5989DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.901586/2013-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/01/2012
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF.
Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/01/2012
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a liquidez e certeza do crédito para compensação.
Numero da decisão: 3301-005.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2012 a 31/01/2012 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2012 a 31/01/2012 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a liquidez e certeza do crédito para compensação.
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Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/01/2012 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a liquidez e certeza do crédito para compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 15 86 /2 01 3- 89 Fl. 128DF CARF MF 2 SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório Tratase de declaração de compensação realizada pela contribuinte no PER/DCOMP 34271.54729.220513.1.3.041297 (fls. 3842) transmitida em 22/05/2013, informando um recolhimento a maior à título de COFINS na monta de R$ 46.312,44 (quarenta e seis mil, trezentos e doze reais e quarenta e quatro centavos) em razão de DARF quitada em 24/02/2012 para o período de apuração 31/01/2012, no montante de R$ 120.538,70. Para utilizar este suposto crédito, a Recorrente então transmitiu a DCOMP acima mencionada, informando um crédito original na data da transmissão no montante de R$ 46.312,44 para compensar um débito de COFINS não cumulativo devido no período de apuração de abril/2012 no montante total de R$ 26.937,16 (vinte e seis mil, novecentos e trinta e sete reais e dezesseis centavos). Em 03/07/2013 (fl. 43), a Secretaria da Receita Federal do Brasil proferiu despacho decisório com nº de Rastreamento: 056380596, para não homologar a compensação declarada, sob o fundamento de que foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, não restando saldo disponível paro o crédito pretendido, verbis: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 46.312,44 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Intimada da decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, manifestação de inconformidade (fls. 0203) afirmando que no período de apuração de janeiro/2012, diante da complexidade de detalhamento das operações exigidas pelo SPED, por meio da EFD Contribuições realizou revisões na apuração da COFINS e detectou em março/2013 que houvera informado e pago um montante a maior de COFINS para o período de apuração janeiro/2012. A seguir, a síntese das alegações: afirmou que em 20/03/2012 havia informado em DCTF um débito de COFINSnão cumulativo na monta de R$ 120.538,70 para o período de apuração de janeiro/2012, apresentando também a DACON e recolhendo o tributo correspondente em guia DARF; Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10283.901586/201389 Acórdão n.º 3301005.596 S3C3T1 Fl. 129 3 ao elaborar a EFDcontribuições, conforme recibo de entrega de fls 2728, transmitida em 11 de março de 2013, verificou que cometeu um equívoco e o montante devido de COFINS para janeiro/2012 era de R$ 74.226,26 (setenta e quatro mil, duzentos e vinte e seis reais e vinte e seis centavos), restando um montante de crédito de R$ 46.312,44 decorrente de pagamento indevido; formulou a PER/DCOMP discutida nestes autos para utilizar este crédito para realizar uma compensação; após o despacho decisório, realizou as retificações da DCTF em 16/07/2013 (fls. 2326), bem como da DACON em 23/07/2013 (fls. 1318) para informar o valor que entende correto. Em 10/06/2014, a 2ª Turma da DRJ/BHE julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do acórdão 02 56.964 (fls. 7376), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADESOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em suas razões de voto, a DRJ apresentou os fundamentos abaixo sintetizados: afirma que em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, assim, cabe a ele demonstrar seu direito; uma vez configurada a falta de liquidez e certeza dos créditos pleiteados, deve a RFB não homologar a compensação, notadamente com base em informações prestadas pelo contribuinte em declarações ou demonstrativos por ele entregues; cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece; afirma que o valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior no valor postulado pelo contribuinte. afirma que a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue antes do referido despacho não confirma o valor do crédito pretendido; Fl. 130DF CARF MF 4 Foram realizadas retificações da DCTF e do Dacon, para informar os valores alegados pela Impugnante, mas transmitida após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova; a retificação desses documentos não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010, no caso de DCTF; e art. 10, § 2o, I, c, da IN RFB nº 1.015, de 05/03/2010, no caso de Dacon). Inconformada da r. decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, seu Recurso Voluntário, que ora se analisa (fls. 7995), para trazer as seguintes argumentações: afirma que a autoridade julgadora desconsiderou os documentos acostados pela Recorrente, deixando de aplicar o princípio da verdade material, informalismo moderado e moralidade; os erros materiais que impediram os sistemas da Receita Federal de homologar automaticamente a compensação foram corrigidos pela Recorrente após o despacho decisório; afirma que deve ser afastado o entendimento de que as retificações não produzem efeitos se tiverem por objetivo a redução dos débitos de PIS e COFINS, em razão de já ter iniciado procedimento fiscalizatório, na medida em que o mero encontro de contas eletrônico da Receita Federal não é procedimento fiscalizatório; afirma que no processo administrativo há uma maior liberdade na busca das provas necessárias para a formação da convicção do julgador, em razão do controle administrativo da legalidade, sendo possível o cancelamento do lançamento se não houver interesse subjetivo da Administração, em homenagem à verdade material; afirma ter feito a prova de seus créditos ao juntar em sua manifestação de inconformidade a DCTFretificadora, Daconretificadora e recibo de entrega da EFD Contribuições; não foi oportunizado à Recorrente a autorregularização antes do despacho decisório, notificando a Recorrente para sanar eventuais irregularidades do pedido de compensação, o que evitaria o contencioso administrativo; cita legislação sobre pagamento indevido e a possibilidade de ressarcimento ou compensação destes créditos nos termos do art. 74 da Lei 9.430/1996 e IN RFB 1.300/2012 e que realizou este procedimento de acordo com a legislação vigente; sobre as retificações, afirma que os fundamentos da r. decisão recorrida, no sentido de que a retificação desses documentos não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010, no caso de DCTF; e art. 10, § 2o, I, c, da IN RFB nº 1.015, de 05/03/2010, no caso de Dacon), não deve ser aplicado ao caso em análise, na medida em que não houve inicio de procedimento de fiscalização em realação às declarações retificadas; cita o art. 7º do Decreto nº 70.235/1972 para argumentar que o procedimento de fiscalização tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10283.901586/201389 Acórdão n.º 3301005.596 S3C3T1 Fl. 130 5 servidor competente, cientificandose o sujeito passivo, o que não se aplica para os casos de PER/DCOMP, já que não é ato "de ofício", mas sim ato praticado pelo contribuinte; o despacho decisório é emitido automaticamente, não podendo ser considerado como ato praticado por servidor competente; ademais, tal ato está vinculado tão somente à declaração de compensação, realizando simples informações contidas no sistema da RFB para confirmação dos valores pleiteados para compensação. Isto siginifica que não faz parte da fiscalização a análise da DCTF ou DACON, mas tão somente as informações destas no sistema da RFB; tanto é verdade que aos valores constantes da DCTF e DACON são considerados como os corretos para fins de comparação com os valores do PER/DCOMP; sobre a possibilidade de retificação, cita ainda os artigos 147 e 149 do CTN para fundamentar a possibilidade de retificação das declarações, desde que comprovado o erro em que se funde; entende que a apresentação do Recibo de entrega da EFDContribuições é documento hábil para comprovar o erro na declaração dos valores a maior na DCTF e DACON; afirma ser dever da autoridade administrativa a revisão de ofício dos lançamentos realizados pelo contribuinte, assim, quando do julgamento da manifestação de inconformidade, deveria ter revisto o lançamento a maior realizado pela Recorrente, retificandoo de ofício com base da escrituração da empresa; afirma também ser dever da autoridade administrativa a busca da verdade material, devendo a autoridade estenderse além dos documentos juntados ao processo para encontrar a realidade dos fatos. além de poder requerer diligência para verificação de outras informações e sanar os equívocos cometidos pela Recorrente em suas declarações, atestando a validade dos créditos; É a síntese do necessário Voto Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior O recurso voluntário é tempestivo, conforme ciência do v. acórdão em fls. 77, merecendo ser conhecido e analisado em seu mérito. Inicialmente, afasto as preliminares de nulidade do despacho decisório, pois não há necessidade diligenciar ou intimar o contribuinte para trazer documentos ou explicações ou mesmo realizar autorregularização antes de proferir esta decisão inicial. Proferido o despacho, criouse o obstáculo administrativo e o contribuinte pode iniciar o contencioso por meio de sua manifestação de inconformidade, onde exercerá plenamente o contraditório e sua ampla defesa, nos termos do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 132DF CARF MF 6 Para o deslinde da causa, é essencial a análise da motivação da decisão que não a compensação. Fundamentase a r. decisão, na falta de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado pela Recorrente. Para a não homologação da compensação, a Secretaria da Receita Federal consulta o sistema para acessar as informações declaradas pela Recorrente. Se na análise destes dados for constatada uma declaração de dívida tributária por DCTF e a DARF correspondente seu pagamento, não há pagamento a maior identificado, pois a DARF possui o mesmo valor da dívida declarada. O significado que se extrai do despacho decisório é que a Recorrente apresentou o PER/DCOMP, mas não realizou a retificação da DCTF do período correspondente, qual seja, janeiro/2012, para que o valor da dívida constituída por declaração fosse inferior ao valor da DARF quitada. No sistema da Receita Federal era esta a informação existente quando do despacho decisório proferido em 03/07/2013, daí porque não foi reconhecido este montante de crédito pleiteado pela Recorrente. Após o despacho decisório, a Recorrente esforçouse em realizar as retificações, com o objetivo de ver seu direito de crédito reconhecido. Juntamente com sua manifestação de inconformidade apresentou cópia da DACON retificadora (fls. 1318) realizada em 23/07/2013 para informar o valor de débito de COFINS para janeiro/2012 no montante de R$ 74.226,26, ao invés de R$ 120.538,70 conforme informado originariamente e devidamente quitado. Apresentou também um recibo de transmissão da EFDContribuições informando o valor de R$ 74.226,26 como débito de COFINS para o período em referência. Afirmou ainda, em sede de manifestação de inconformidade, que realizou também a transmissão da DCTF retificadora para informar o valor de R$ 374.226,26 como débito de COFINS, realizada em 16/07/2013 (fls. 2326). Ressaltese que a retificação das declarações pode ser feita antes ou depois do despacho decisório. Este critério temporal é irrelevante para fins de reconhecimento do direito creditório. No entanto, a retificação da DCTF e da DACON, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de provas idôneas, tais como demonstrativos contábeis e documentos fiscais, para aferição do crédito. É necessário que o contribuinte apresente provas para fins de demonstrar o seu equívoco no preenchimento das declarações originais. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação posterior ao Despacho Decisório, como é o caso em análise, não há impedimento para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10283.901586/201389 Acórdão n.º 3301005.596 S3C3T1 Fl. 131 7 Recurso Especial do Contribuinte negado. Esta colenda 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrada por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO.Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301004.545) Cabe, portanto, à Recorrente, a demonstração por documentação idônea, contábil e fiscal, acerca da origem e liquidez de seu crédito pleiteado, o que não foi feito nem em sede de manifestação de inconformidade, tampouco em sede de Recurso Voluntário. A Recorrente apenas trouxe aos autos a DACON retificadora com o recibo de entrega da EFD Contribuições, mas não trouxe nenhum elemento de prova para subsidiar que o valor de débito de COFINS constante nas retificadoras é o valor correto. Ao invés disso, limitouse a diminuir a decisão recorrida e a trazer argumentos jurídicos acerca do princípio da verdade material e dos deveres de ofício da Administração Pública de rever as declarações do contribuinte e, se for o caso, realizar diligência, tudo com o objetivo de se alcançar a verdade dos fatos em homenagem à moralidade administrativa. No entanto, ao invés de falar que a Administração tem dever de ofício, caberia à Recorrente realizar a prova de seu crédito, trazendo aos autos todos os elementos de prova que se fizesse necessário para demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Nem mesmo diligência fiscal poderia esclarecer e confirmar a existência do crédito pleiteado, já que não há elementos probatórios a se confirmar. É de total interesse da Recorrente, em casos de pedidos de ressarcimento e compensação, o esclarecimento e a prova de seu crédito. Apenas apresentar retificações de declarações fiscais sem nenhum suporte documental, como o livros contábeis, ou invocar a verdade material para afirmar que é dever da fiscalização analisar a documentação e conferir com a DACON não são suficientes para evidenciar a liquidez e certeza de seu crédito. Fl. 134DF CARF MF 8 É assente o entendimento de que, nos pedidos de restituição e compensação, o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal tarefa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) (grifos não constam do original) No mesmo sentido, o ilustre conselheiro Leonardo O. de Araújo Branco, manifestou o entendimento de que nas declarações de compensação ou pedidos de restituição, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte: PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (Acórdão 3401005.408. Relatora Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Data da Sessão 24/10/2018.) Neste diapasão, é de se negar o direito creditório pleiteado Conheço do recurso voluntário, mas nego provimento. Salvador Cândido Brandão Junior Relator Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10283.901586/201389 Acórdão n.º 3301005.596 S3C3T1 Fl. 132 9 Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.721761/2015-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1301-000.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes.
Relatório
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .7 21 76 1/ 20 15 -4 8 Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 10280.721761/201548 Resolução nº 1301000.641 S1C3T1 Fl. 1.047 2 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Contra o Contribuinte acima qualificado, foram lavrados os Autos de Infração que resultaram na exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, no valor de R$ 15.953.811,61 (fls. 541/545) e na redução dos prejuízos fiscais do Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (530/540), tendo em vista a não comprovação de despesas deduzidas do lucro no AnoCalendário (AC) 2011. Ao valor lançado, foram acrescidos multa de ofício, no percentual de 75%, e os juros de mora. Ademais, foi lavrado Auto de Infração de multa por apresentação extemporânea da escrituração digital, no valor de R$ 25.500,00 (fls. 546/549). O sujeito passivo foi pessoalmente cientificado dos Autos de Infração e do Relatório de Fiscalização RF (fls. 550/552) em 22/01/2016 (fl. 554), apresentando sua defesa em 22/02/2016 (fls. 558/583). Em 06/01/2016, anexou novos documentos digitalizados. Em relação ao IRRF, a Autoridade Autuante classificou a infração como: "IMPOSTO DE RENDA NA FONTE APURAÇÃO REFLEXA INFRAÇÃO: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS / PAGAMENTOS SEM CAUSA". "Despesas não comprovadas apuradas conforme Relatório Fiscal em anexo, especialmente compra de materiais, gastos compartilhados e depreciação (rateio gerenciamento)." No enquadramento legal, listou os artigos correspondentes: Art. 674 e 675 do RIR/99. Art. 674 do RIR/99 Eis os principais pontos apontados pela Fiscalização no RF: A empresa foi intimada a apresentar documentos fiscais (notas e/ou outros) de diversas rubricas informadas/declaradas como despesas do AC 2011. E como deixou de comprovar com documentos idôneos e/ou com uma contabilidade mais explícita e compreensível, as despesas das rubricas 353027000 Materiais de borracha (no valor de R$ 4.135.729,66) e 353902002 Gastos com serviços compartilhados (no valor de R$ 14.071.792,96), foram integralmente glosadas. Glosamos todas as depreciações cujo histórico é "RATEIO GERENCIAMENTO", conforme planilha apresentada pelo sujeito passivo (...) As glosas totalizaram R$ 11.420.984,66. O contribuinte, após questionamento via intimação, limitouse a dizer que "a rubrica RATEIO GERENCIAMENTO significa que se trata do rateio do custo dos gerenciamentos de obra de cada barragem". Ora, não há que se falar em depreciação do custo de um gerenciamento... seja de uma obra, de equipamentos, de um prédio, de utensílios... Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 10280.721761/201548 Resolução nº 1301000.641 S1C3T1 Fl. 1.048 3 O contribuinte, ainda, descumpriu o prazo para entrega/transmissão da ECD de 2011, tendo sido autuado com o lançamento de multa proporcional no valor de R$ 1.500,00 por mês de atraso. Como o prazo final para transmissão era o dia 30/11/2012, e o contribuinte só o fez no dia 13/11/2013 (17 meses de atraso), lançamos o valor de R$ 25.500,00 a título de multa isolada por descumprimento do prazo de transmissão da ECD. Considerando que o contribuinte apurou no período fiscalizado um prejuízo líquido de R$ 149.178.306,18, o crédito tributário constituído foi de R$ 25.500,00 (multa) + R$ 34.163.492,17 (IRRF). Em síntese, as principais alegações da Impugnante: Segundo sustenta a fiscalização, a Impugnante não teria comprovado os gastos declarados como despesa no AC 2011, referentes à compra de materiais de borracha, serviços compartilhados e depreciação com rateio de gerenciamento. Nessa linha de raciocínio, equivocadamente adotada pela fiscalização, pretende se então cobrar IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) incidente sobre as despesas apuradas e supostamente não comprovadas. (...). Ademais, em flagrante bis in idem, as mesmas despesas foram integralmente glosadas pela fiscalização. (...) da análise do lacônico relato do auto de infração e respectiva documentação anexa, não é possível aferir com clareza o motivo de fato ou de direito que fundamente o enquadramento da incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados. Isto porque, em sucintos termos, o limo. Fiscal Autuante tão somente fez considerações superficiais e genéricas informando que a Impugnante não comprovou com documentos idôneos as despesas glosadas. Destaquese, ainda, que nos casos em que há glosas de despesas, não é possível proceder à cobrança de 35% de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, como pretende o i. Fiscal Autuante. Ante o exposto, com base na jurisprudência do CARF e considerando que o Auto de Infração não apontou qualquer fundamento que vincule a exigência fiscal aos fatos concretos, resta demonstrada a nulidade formal do Auto de Infração ora Impugnado por não preencher os mínimos requisitos exigidos pela legislação para assegurar a sua liquidez, certeza e respectiva legitimidade, bem como para propiciar o direito constitucional da Impugnante a ampla defesa e ao contraditório (art. 5o LV, CF). Caso não seja decretada a nulidade formal ora demonstrada, imperioso o reconhecimento da nulidade material relativa à incidência do IRRF à alíquota de 35%, nos termos do artigo 674 e 675, do RIR/99, visto que não se pode admitir essa exigência de modo concomitante com a glosa das mesmas despesas, em dupla penalidade ao contribuinte conforme vem julgando o CARF. Da glosa de despesa com Materiais de Borracha e Outros (...) após uma apurada busca, a Impugnante logrou êxito em localizar grande parte das notas fiscais referentes às aquisições dos materiais de borracha e outros materiais ao longo do ano de 2011. Os materiais em questão são indispensáveis ao processo produtivo da Impugnante, como, por exemplo, são as esteiras transportadoras de minério, sem as quais não se consegue transportar o produto extraído das jazidas com eficiência. Todos Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 10280.721761/201548 Resolução nº 1301000.641 S1C3T1 Fl. 1.049 4 os demais materiais estão associados à atividade da Impugnante de modo inequívoco e por certo usuais e absolutamente normais. Para a comprovação da aquisição dos materiais, a Impugnante junta cópia das notas fiscais. Diante do exposto, evidente a falta de argumentos da autoridade fiscal, em glosar despesas legitimamente constituídas pela Impugnante arroladas neste tópico, tendo em vista a documentação apresentada, que comprova à aquisição dos materiais de borracha e outros declarados como despesa no ano de 2011. Da glosa dos Custos Compartilhados (...) a regularidade das despesas declaradas como custos compartilhados resta evidenciada no contrato assinado entre a Impugnante e a Vale S.A. em 24.02.2011 (doc.04). Tais despesas decorrem do compartilhamento de custos entre a Impugnante e a Vale S.A., os quais foram pagos em novembro de 2011. Nesse particular, a Impugnante solicita a juntada posterior das Notas de Débito comprovando o pagamento dos custos de compartilhamento, uma vez que ainda não foi possível localizar referidos documentos internamente. Como é sabido a Cosit (Coordenação do Sistema de Tributação) passou a reconhecer expressamente, através de soluções de consulta, a possibilidade de rateio de despesas entre empresas, inclusive tratando da não incidência de IR para empresa que se reembolsa dos custos, eis que este ressarcimento não se caracteriza como receita, mas como redução das despesas/custos. Por todo o exposto e com fundamento no contrato que estabelece detalhadamente o critério de rateio de custos definido entre a Impugnante e a Vale S.A, digase em conformidade com os requisitos consagrados pela jurisprudência e pela Solução de Divergência COSIT n° 23/2013, não restam dúvidas, que a autuação ora impugnada não pode persistir. Da glosa das despesas com depreciação ("rateio de gerenciamento) Neste caso, a Impugnante fez o rateio, com a Vale S.A., das despesas que teve com o custo de gerenciamento de obras (com empresas contratadas para gerenciar o andamento de determinadas construções) e que, seguindo as regras contábeis, foi "ativado". O critério utilizado pela Impugnante foi o de incluir no custo da construção (equipamentos + mão de obra + indiretos) e portanto, o valor gasto com as empresas contratadas para gerenciálas. Dessa forma, o custo com gerenciamento foi adicionado ao da construção e aplicado como um "ativo fixo" da empresa, sofrendo posteriormente, depreciação mensal. Da Impossibilidade de Imposição de Multa por Atraso na Transmissão da ECD em razão do Benefício da Denúncia Espontânea Observância ao Art. 138 Cobrança a Maior De acordo com o relato do i. Fiscal Autuante, o prazo final para a transmissão da ECD era no dia 30/11/2012, tendo a Impugnante transmitido a mesma somente no dia 13/11/2013, razão pela qual foi aplicada multa isolada de R$ 25.500,00 por descumprimento do prazo de transmissão da ECD. Ocorre que, conforme demonstrado no relato do i. Fiscal Autuante, a Impugnante transmitiu a sua ECD, de forma espontânea, em 13/11/2013, imbuída do mais autêntico espírito de lealdade e boafé, antes mesmo de qualquer início à Fiscalização. Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 10280.721761/201548 Resolução nº 1301000.641 S1C3T1 Fl. 1.050 5 Com se sabe, a denúncia espontânea de infrações é instituto consagrado no Direito Tributário Brasileiro descrito no artigo 138, do Código Tributário Nacional, e caracterizase por ser uma espécie de benesse legal para aqueles que cometeram ilícitos tributários , mas temem que a Administração Tributária venha a descobrir e punir severamente tais atos. Logo, com a previsão legal afastando a cobrança de multa nesses casos, a autoridade pública está impedida de exigir tal verba punitiva da Impugnante que, antes de qualquer iniciativa da fiscalização, regularizou a sua situação tributária, ao transmitir sua ECD em 13/11/2013. Ainda que se entenda que a multa é devida, o que se admite apenas para fins de argumentação, cumpre à Impugnante esclarecer que a multa foi cobrada a maior. Isto porque, conforme consta do relato do i. Fiscal Autuante, o prazo final para a para transmissão do ECD era no dia 30/11/2012, tendo a Impugnante transmitido a mesma no dia 13/11/2013, ou seja, com 12 meses de atraso. Ou seja, o valor da multa que deveria ser aplicado no caso seria R$ 1.500,00 X 12 meses, totalizando o valor de R$ 18.000,00. Vêse, portanto, que foi aplicada à Impugnante uma multa de R$ 7.500,00 a maior, em razão do erro formal do i. Fiscal Autuante ao efetuar o seu cálculo. Da Realização de Diligência A ausência da ECD e dos itens declarados como despesa na contabilidade pela empresa no processo impossibilitaram a análise das notas fiscais anexadas pela impugnante em sua impugnação, que justificariam as despesas relativas a matérias de borracha. Não era possível confrontar as informações de itens, valores e datas das despesas declaradas pelo contribuinte e lançadas pela fiscalização com as das notas fiscais apresentadas. Por meio da Resolução n° 02002.058, efetuouse a diligência para que a autoridade fiscal analisasse as notas fiscais apresentadas como comprovação das despesas relativas a materiais de borracha. A fiscalização informou, em seu Relatório Fiscal (fl. 906), que as notas fiscais apresentadas estavam correlacionadas com as despesas contabilizadas, e concluiu pela pertinência e idoneidade das informações prestadas pela impugnante: 1) Destacamos de pronto que o foco da diligência limitouse, como sugerido pelo órgSo julgador, à análise das informações! c documentos fiscais pertinentes à comprovação das despesas relativas às compras de materiais dc borracha, ano calendário 2011. 2) Iniciamos a diligência intimando o contribuinte a apresentar planilha indicando a correlação entre as notas fiscais apresentadas na impugnação relativas à compra de materiais de borracha em 2011 (RS 4.135.729,66) com os respectivos lançamentos contábeis, escriturados como pagamento de despesas. 3)Também intimamos o contribuinte a prestar esclarecimentos acerca da metodologia aplicada à aquisição desses componentes, bem como outras informações consideradas úteis para a compreensão de todo o processo. 4)A empresa atendeu ao solicitado, apresentando não apenas explicações oportunas sobre o tema, mas também planilhas e documentos que corroboram as informações prestadas, amparadas pela escrita contábil registrada, como foi possível depreender. Observo que as notas fiscais correlacionadas com as despesas contabilizadas constam da impugnação (250 páginas). Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 10280.721761/201548 Resolução nº 1301000.641 S1C3T1 Fl. 1.051 6 5)Pelo exposto, após a análise do conteúdo apresentado, concluímos pela idoneidade e pertinência das informações prestadas em resposta aos questionamentos desta fiscalização, estritamente compatíveis com a impugnação apresentada pela interessada. A impugnante tomou ciência do Relatório Fiscal em 02/09/2016. No dia 05/09/2016, manifestou a sua concordância com o relato do Auditor Fiscal e solicitou o prosseguimento do feito. A 10ª Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte (MG) julgou procedente em parte a impugnação, em decisão que recebeu a ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 LANÇAMENTO SEM FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE. Para que o lançamento seja válido, os fatos descritos devem guardar relação com o dispositivo legal infringido e a ocorrência do fato gerador deve estar comprovada nos autos, seguindo as disposições do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto nº70.235/72. Inexistindo os elementos que dão suporte ao surgimento do crédito tributário, o lançamento é nulo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. São indedutíveis as despesas escrituradas e não lastreadas em documentação hábil e idônea que comprove sua efetividade. Caso haja a efetiva comprovação das despesas glosadas, elas serão dedutíveis. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2011 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A multa por apresentação extemporânea de obrigação acessória é reduzida à metade quando a obrigação acessória for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício. Em relação ao resultado final do julgamento em primeira instancia temos que a impugnação foi considerada procedente em parte para em resumo: exonerar integralmente, por nulidade absoluta, a exigência de IRRF, no valor de R$ 15.953.811,61; manter parcialmente a exigência correspondente à multa por atraso na entrega da ECD, reduzindo o lançamento de R$ 25.500,00 para R$ 17.750,00; manter parcialmente os prejuízos fiscais apurados de IRPJ e CSLL em decorrência de glosas de despesas, conforme tabela abaixo: Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 10280.721761/201548 Resolução nº 1301000.641 S1C3T1 Fl. 1.052 7 Cientificada do acórdão em 16/02/2017 (fls. 933), a interessada interpôs o recurso no dia 19/09/2007 (fls. 944). É o relatório. Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 10280.721761/201548 Resolução nº 1301000.641 S1C3T1 Fl. 1.053 8 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso Voluntário Tempestividade Conforme acima mencionado, a Recorrente foi cientificada do acórdão em 16/02/2017 (AR fl. 933), a interessada interpôs o recurso no dia 19/09/2017 (fls. 944 e segs). Em relação a tempestividade, alega que "não foi formalmente intimada do acórdão em questão, eis que, em que pese ter sido expedida, em 08.02.2017, a Notificação n° 001/2017 (Doc. 01) para sua intimação acerca do referido acórdão, tal documento NÃO foi entregue, tendo ela tomado conhecimento da decisão somente em 18.08.2017, ao consultar o andamento deste processo por meio do portal eCAC e acessar a íntegra do decisum, ocasião em que verificou que o feito já tramita neste E. CARF e aguarda julgamento de Recurso de Ofício." Alega a Recorrente que (fl. 945): Extraise das cópias do presente processo que consta Aviso de Recebimento AR (Doc. 02), supostamente entregue em 16.02.2017 no domicílio tributário da Recorrente. Contudo, esta suposta intimação é completamente NULA, uma vez que não consta a assinatura do recebedor na correspondência. Na verdade, consta no documento em questão tão somente um nome no campo "nome legível do receber", estando o campo "assinatura do receber" EM BRANCO. E, de acordo com a Súmula n° 9 deste E. CARF, a notificação por via postal SOMENTE é válida se confirmada com a ASSINATURA do receber da correspondência, o que, evidentemente, não se verifica no presente caso. Ressaltase que, nos termos do art. 45, VI, do Anexo II do RICARF, as Súmulas são de observância obrigatória por parte dos Conselheiros. Assim, à luz dos Princípios do Devido Processo Legal e da Ampla Defesa, assegurados pelo art. 5o, LIV e LV, da CF/883, do disposto nos arts. 23, II, do Decreto n° 70.235/724, e 2o, parágrafo único, VIII e X, da Lei n° 9.784/995, e do teor da Súmula n° 9 deste E. CARF, é imperioso o reconhecimento da NULIDADE da suposta intimação/ciência da Recorrente por via postal em 16.02.2017, para que seja admitido o presente Recurso Voluntário, interposto tempestivamente, dentro do prazo de 30 dias contados da ciência do v. acórdão, ocorrida em 18.08.2017, pelo acesso ao portal e CAC para consulta do teor do presente processo (Doc. 04). À vista do AR de fl. 933 percebese que a correspondência com cópia do julgamento de primeira instância foi, a revelia do que argumenta a Recorrente, entregue ao contribuinte, sendo que há identificação clara da pessoa que a recebeu, não servindo para se opor a tais fatos a simples alegativa de que a correspondência não foi entregue. A Recorrente, inclusive, reconhece a pessoa que recebeu a correspondência, juntando aos autos copia de sua carteira de identidade, vejamos (fl. 973): Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 10280.721761/201548 Resolução nº 1301000.641 S1C3T1 Fl. 1.054 9 Verificase que a grafia do recebedor do AR se parece com aquela constante de sua assinatura no documento de identidade: Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 10280.721761/201548 Resolução nº 1301000.641 S1C3T1 Fl. 1.055 10 Verificase, ademais, que esta mesma pessoa Eliosmara Fagundes já havia recebido outro aviso de recebimento em nome da Recorrente, vejamos, o AR de fl. 840 que recebido em 09/08/2016 e foi utilizado para notificar a Recorrente do Termo de Inicio de Diligencia Fiscal determinada pela autoridade de primeira instancia: Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 10280.721761/201548 Resolução nº 1301000.641 S1C3T1 Fl. 1.056 11 Em relação a este AR não houve qualquer irresignação por parte do contribuinte mesmo contendo um campo em branco. A Recorrente argumenta, ainda, que o Recurso Voluntário se deu no prazo de 30 dias a contas da data de ciência do v. acórdão, ocorrida em 18.08.2017, pelo acesso ao portal e CAC para consulta do teor do presente processo, conforme atestaria o Doc 04 do Recurso Voluntário (fl. 975), no entanto o referido Doc. 04 traz apenas copia da decisão da DRJ, não comprovando a data do acesso ao contribuinte pelo eCAC. De qualquer sorte, entendo que o AR de fl. 933 considerase entregue e deve ser considerado legítimo para fins de contagem do prazo de interposição de Recurso Voluntário, pois se há comprovação de que houve um recebedor do AR considero excesso de formalismo declarar tal notificação postal nula porque o campos assinatura permaneceu em branco enquanto o campo nome do receber restou claramente preenchido por pessoa que já havia antes recebido AR em nome da Recorrente. Não entendo que o racional acima exposto contraria o teor da Sumula CARF no. 09 como pretende argumentar a Recorrente. Devese prestigiar a certeza e a segurança jurídicas que são ínsitas ao devido processo legal administrativo, no sentido de reconhecer a validade da intimação por meio do AR, não tendo a recorrente apresentado provas cabais capazes de comprovar a deficiência na intimação. Assim, considerandose a intimação como válida, passamos à análise do requisito da tempestividade do recurso voluntário. A intimação do acórdão de primeira instância foi recebida no domicílio fiscal da recorrente em 16/02/2017, conforme Aviso de Recebimento — AR de fl. 933, o apelo somente foi apresentado, no entanto, em 19/09/2017. Destarte, a contagem do lapso de tempo permitido à autuada para interposição do recurso iniciouse em 17 de fevereiro de 2017, sextafeira, primeiro dia útil seguinte ao da intimação, encerrandose em 20 de março de 2017. Como o apelo somente foi apresentado em 19/09/2017, não foi observado o trintídio legalmente exigido para sua interposição. Nesses termos, sendo o recurso intempestivo, voto por CONHECER do Recurso Voluntário mas declarálo intempestivo. Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 10280.721761/201548 Resolução nº 1301000.641 S1C3T1 Fl. 1.057 12 DILIGÊNCIA Não obstante o acima, curvome a opinião majoritária da turma sob entendimento que deve o presente processo ser convertido em diligencia para que a unidade de origem : (i) Intime os Correios em relação ao AR de fl. 933 para que forneça maiores detalhes sobre a entrega do mesmo, tendo em vista que não possui o endereço da Recorrente, a assinatura do mesmo encontrase em branco e o nome do recebedor entre parênteses. (ii) Informe qual foi a primeira data em que o contribuinte abriu o eCAC pela primeira vez após a publicação da decisão de primeira instancia. (iii) Informe qual foi a data de ciência do contribuinte da decisão de primeira instancia de acordo com o eCAC. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 1057DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.919494/2009-38
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Numero da decisão: 1002-000.590
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 94 94 /2 00 9- 38 Fl. 171DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 90 à 92) interposto contra o Acórdão n° 1242.551, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (efls. 84 à 87), que, por unanimidade de votos, julgou a exordial improcedente, mantendose o crédito tributário e a respectiva multa. Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório do Acórdão a quo: No dia 08/10/2008, a interessada transmitiu à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) o PER/DCOMP 40991.33281.081008.1.3045668 (fls. 14/19), no qual informou possuir crédito oriundo de pagamento indevido de IRRF (código de receita: 0220), relativo ao 2º trimestre de 2008, no montante de R$ 31.769,44, que foi utilizado na compensação de débitos fiscais próprios. A compensação declarada não foi homologada porque, segundo o despacho decisório proferido eletronicamente pela DRF Vitória (fl. 11): A partir das característica s do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo rel acionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte , não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Características do DARF: Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: Cientificada do despacho decisório em 11/11/2009 (fl. 79), a interessada manifestou sua inconformidade em 08/12/2009 (fls. 2/3), alegando, em síntese, que errou ao elaborar a sua DCTF do 2º trimestre de 2008, relativamente ao IRRF – código 0220, tendo pago indevidamente ou a maior o valor de R$ 31.769,44. O Recurso Voluntário reitera os argumentos formulados na manifestação de inconformidade, pugnando pela existência de erro material quando da apresentação de sua DCTF. Seguem os trechos em síntese: Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10783.919494/200938 Acórdão n.º 1002000.590 S1C0T2 Fl. 172 3 Do Direito Nesse particular aspecto reside o inconformismo manifesto através das presentes razões, agora submetidas à esse Conselho Recursal, afim de que, com superiores critérios de avaliação, reforme a decisão recorrida, culminando no legítimo direito da Recorrente em ver deferida a pretendida e justa compensação. As alegações postas e as demonstrações dos fatos, documentalmente apresentados, comprovam, indene de quaisquer dúvidas, a existência do crédito correspondente ao DARF de IRPJ (código 0220) pago indevidamente no 2ª trimestre/2008 (Anexo 4), utilizado para compensação débito de IRRF sobre juros de capital próprio (código 5706), relativo ao período de apuração 3º decêndio de Setembro/2008, e consequentemente a regularidade do PERDCOMP n° 40991.33281.081008.1.3.045668. Conforme demonstrado na DIPJ do Exercício 2009 (ano calendário 2008, Recibo de Entrega 30.84.29.97.62 Anexo 7), através da Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, na página 23 da referida DiPJ, a recorrente apurou saldo de IRPJ a compensar de (R$20.602,27), no 2º trimestre de 2008. Portanto, a não existência de débito de IRPJ no 2º trimestre/2008, faz com que qualquer DARF de IRPJ recolhido referente ao 2º trimestre/2008 se configure em pagamento indevido, gerando crédito passível de compensação. Na DCTF Retificadora referente ao mês de junho de 2008 (enviada e recepcionada pela RFB em 01/12/2009, conforme Recibo 02.62.51.36.59 (Anexo 8), fica igualmente demonstrada e comprovada a inexistência de débito de IRPJ no 2^ semestre de 2008. Aliado a isso, o (Anexo 9) demonstra que referida DCTF retificadora consta como processada e válida na base de dados da Receita Federal. Resta claro e induvidoso que inexistiu qualquer débito de IRPJ no 2º trimestre de 2008, conduzindo à conclusão lógica de que o DARF de IRPJ referente ao 2º trimestre de 2008 no valor de R$31.769,44 (recolhido no dia 31/07/2008 Anexo 4) corresponde a pagamento indevido ou a maior, em sua totalidade. Demonstrada está a existência do crédito utilizado na PER DCOMP 40991.33281.081008.1.3.045668 (Anexo 5), caracterizando a regularidade da referida declaração de compensação, e a consequente liquidação/extinção do débito de IRRF sobre juros de capital próprio (código 5706), com valor principal de R$32.439,50, período de apuração 39 Decêndio de Setembro/2008. Como se vê, sem maiores esforços de compreensão, o provimento do presente Recurso se impõe, por seus próprios fundamentos e por toda documentação comprobatória anexada. Fl. 173DF CARF MF 4 Do Pedido Pelo exposto, a Recorrente espera e confia seja dado provimento ao seu apelo, acatandose a compensação de débito de IRRF (código 5706) feita através da PERDCOMP n° 40991.33281.081008.1.3.045668, por ser medida da mais genuína justiça. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos e intrínsecos. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23 B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, opino por seu conhecimento. Da impugnação ao crédito No entanto, quanto à compensação pretendida, não assiste razão ao Recorrente. Impende reiterar que o cerne do presente PAF é a informação indevida de crédito junto à Fazenda Pública, oriundo de pagamento indevido de IRRF do 2° Trimestre de 1998, no montante de R$ 31.769,44, que foi utilizado na compensação de débitos fiscais próprios. A DRJ, por seu turno, negou provimento à exordial defensiva, sustentando a inexistência de elementos materiais aptos a corroborar a tese do Recorrente, no sentido de ter ocorrido erro no preenchimento de sua DCTF, em cotejo com o DARF pago. Para evidenciar, transcrevo o teor meritório do Acórdão recorrido: Voto A manifestação de inconformidade é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade; portanto, dela conheço. A razão para o indeferimento do reconhecimento do crédito e para a não homologação da compensação foi o fato de o pagamento feito a título de IRRF, código Darf 0220, relativamente ao 2º trimestre de 2008, estar devidamente alocado ao débito correspondente informado na DCTF válida à época do Despacho (fl. 83). Com efeito, vemos na DCTF um débito no valor de R$ 31.769,44 a esse título, e vemos também o Darf relativo a esse débito recolhido em 31/07/2008 (fl. 13), no valor de R$ 31.769,44. A interessada alega que errou ao elaborar a sua DCTF, tendo pago indevidamente ou a maior o valor de R$ 31.769,44. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10783.919494/200938 Acórdão n.º 1002000.590 S1C0T2 Fl. 173 5 O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, estabelece que: (a) a declaração de compensação eletronicamente encaminhada pelo sujeito passivo (PER/DCOMP) extingue o crédito tributário a que se refere; (b) a RFB pode não homologar, total ou parcialmente, a compensação efetuada, desde que o faça motivadamente e no prazo de 5 anos; (c) a motivação para a nãohomologação deve ser cientificada ao sujeito passivo; (d) o sujeito passivo pode, no prazo de 30 dias, manifestar sua inconformidade contra a nãohomologação; (e) em sua manifestação de inconformidade, cabe ao sujeito passivo contraditar os motivos alegados na decisão nãohomologatória, provando sua contradita; e (f) a autoridade julgadora deve avaliar os argumentos e as provas apresentadas pelo sujeito passivo, de modo a convencerse da procedência ou não dos motivos que fundamentaram a decisão nãohomologatória. Ocorre que a interessada sequer juntou aos autos qualquer documento capaz de provar a procedência de sua impugnação. Diante do exposto, por não se ter a interessada desincumbido do ônus de provar os fatos por ela alegados, voto no sentido de negar provimento à manifestação de inconformidade apresentada e não homologar a compensação objeto do PER/DCOMP 40991.33281.081008.1.3045668. Percebese, portanto, que a negativa ao pleito do Contribuinte foi substancialmente calcada na falha probatória. Impende ressaltar que, conforme consta nos inúmeros anexos acostados desde a etapa inicial deste PAF, o Recorrente buscou comprovar o erro de preenchimento e pagamento a maior da quantia compensada. Vejase, por exemplo, no "Anexo 4", à efl. 102: Ademais, como prova, apresentou DCTF Retificadora (Anexo 8, efls. 155 à 163), a qual coaduna com aquela quantia efetivamente paga aos cofres públicos, quando cotejada com a DARF quitada e a DIPJ entregue alhures (Anexo 7): Fl. 175DF CARF MF 6 No entanto, apesar da aludida documentação pertinente à análise meritória, a DRJ opinou pela inexistência de amparo probatório ao pleito do Contribuinte. Nessa senda, compartilho da intelecção formulada na instância de piso. Explico. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o Contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo Recorrente contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. No entanto, não se adimpliu tal mister documental. Todos os elementos trazidos à baila ao longo do PAF são aqueles decorrentes de prestação unilateral do Recorrente, sem o consequente amparo da escrituração contábil. Ou seja, para que se desse razão ao pleito formulado tornarseia necessária a apresentação completa do acervo probatório necessário a tanto (em especial os livros contábeis para eficaz cotejo das quantias lá expostas). Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10783.919494/200938 Acórdão n.º 1002000.590 S1C0T2 Fl. 174 7 Quanto ao mais, assevero que em sede de Recurso Voluntário não restaram juntadas quaisquer provas adicionais, aptas a porventura chancelar a compensação ora pretendida. Ad argumentandum, esta Turma Extraordinária já firmou entendimento que não cumpre ao Julgador proceder com uma análise contábil ou de auditoria nos pleitos efetuados pelo Recorrente, de modo que este deve apresentar seu direito de forma clara, objetiva e precisa, e com lastro probatório. Para tanto, cito o precedente o i. Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, no Acórdão n° 1002000.405, de 13/09/2018: O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, vale dizer, por não reconhecer o crédito. Para a análise que foi efetivada não se comprovou crédito líquido e certo, incontroverso, inclusive sendo apontada a alocação do DARF para extinção de débitos próprios do sujeito passivo. Logo, se havia alocação do DARF, assistiu razão ao conteúdo do despacho decisório, pelo que, quando a DRJ atestou correção naquele ato administrativo, agiu corretamente a primeira instância ao efetivar o controle de legalidade, não havendo razões para reformar o decisum vergastado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito vindicado com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da sua efetiva alocação, de modo a não restar saldo residual como pretendido para restituição. Por isso, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. A despeito das alegações do contribuinte quanto a retificação e a alegada surgência do crédito a partir da retificadora, ao meu ver não se desincumbiu o sujeito passivo de demonstrar a contento o referido crédito, isto porque, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez ao apontado crédito. Não houve a demonstração cabal de elementos documentais, de prova da escrita contábil e fiscal, que possibilitem efetivar de forma inconteste e transparente a respectiva comprovação, inclusive para justificar e validar a retificação invocada. Fl. 177DF CARF MF 8 E mais, não caberia ao julgador, em segunda instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventuais provas documentais não poderia ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e fundamentação, a fim de demonstrar o fato jurídico a ser provado. Ressaltese, neste aspecto, que existindo controvérsia quanto ao crédito a demonstração de sua efetiva existência, inclusive com a prova da escrituração contábil e fiscal, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte. Dessa forma, não cumpre ao presente Relator, sequer a este Colegiado, na condição de instância recursal, suprir o ônus do contribuinte, realizando uma verdadeira auditoria nos livros contábeis, que sequer foram apresentados, para, em substituição ao seu ônus, comprovar a certeza de liquidez do crédito perseguido no seu exclusivo interesse. Nesse sentido: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Saliente se que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10783.919494/200938 Acórdão n.º 1002000.590 S1C0T2 Fl. 175 9 Dispositivo Ante o exposto, voto para conhecer do Recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 179DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.004720/2010-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. DISPÊNDIOS VINCULADOS A ATOS COOPERATIVOS. CRÉDITO.
Não é permitida a apropriação de créditos incidentes sobre despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações, armazenagem e fretes, vinculados proporcionalmente aos atos cooperativos, posto que não se configuram como adstritos ao regime não cumulativo das contribuições.
RESSARCIMENTO. CRÉDITOS VINCULADOS A RECEITAS TRIBUTADAS.
Os saldos credores de Pis e Cofins, no regime da não cumulatividade, vinculados a receitas tributadas, somente podem ser aproveitados para compensação dos débitos da mesma contribuição, no contexto da não cumulatividade, e não podem ser ressarcidos.
Numero da decisão: 3201-004.522
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. Recorrente SOCIEDADE COOPERATIVA UNIÃO AGRÍCOLA CANOINHAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. DISPÊNDIOS VINCULADOS A ATOS COOPERATIVOS. CRÉDITO. Não é permitida a apropriação de créditos incidentes sobre despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações, armazenagem e fretes, vinculados proporcionalmente aos atos cooperativos, posto que não se configuram como adstritos ao regime não cumulativo das contribuições. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS VINCULADOS A RECEITAS TRIBUTADAS. Os saldos credores de Pis e Cofins, no regime da não cumulatividade, vinculados a receitas tributadas, somente podem ser aproveitados para compensação dos débitos da mesma contribuição, no contexto da não cumulatividade, e não podem ser ressarcidos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 47 20 /2 01 0- 04 Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10920.004720/201004 Acórdão n.º 3201004.522 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) amparado em crédito decorrente da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Mercado Interno, utilizado para a extinção de créditos tributários próprios por meio da transmissão de diversas Declarações de Compensação (DCOMPs). Reproduzo, em parte, o relatório da primeira instância administrativa: Importante mencionar a existência do Mandado de Segurança de nº 500392024.2010.404.7201, impetrado pela manifestante tendo por fundamento o art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, que estabelece o prazo de 360 dias para que o autoridade administrativa profira a decisão pertinente aos documentos por ela apresentados, prazo que teria transcorrido sem que a providência houvesse sido adotada, motivo com base no qual requereu a decretação, por parte do Poder Judiciário, da análise imediata da questão. Em decisão datada de 10/11/2010, (...), deuse a concessão parcial da segurança, sendo determinada a apreciação da questão no prazo de 60 (sessenta) dias. Os Pedidos de Ressarcimento a serem analisados e deliberados pela unidade jurisdicionante da pessoa jurídica, a DRF Joinvile/SC, referemse ao PIS/Pasep Mercado Interno e à Cofins Mercado Interno dos fatos geradores compreendidos entre o 3º Trimestre/2004 e o 4º Trimestre/2008, conforme a seguir detalhado: Processo Tributo PERDCOMP PA 10920.004711/201013 Cofins 17455.71035.310709.1.5.112060 3° Trimestre/2004 10920.004723/201030 PIS/Pasep 30642.26493.290709.1.5.107959 3° Trimestre/2004 10920.004710/201061 Cofins 28375.24544.310709.1.5.116324 4° Trimestre/2004 10920.004724/201084 PIS/Pasep 29897.60316.290709.1.5.104505 4° Trimestre/2004 10920.004709/201036 Cofins 15328.79211.310709.1.5.116830 1° Trimestre/2005 10920.004725/201029 PIS/Pasep 25689.76192.290709.1.5.102921 1° Trimestre/2005 10920.004708/201091 Cofins 30424.34979.310709.1.5.115072 2° Trimestre/2005 10920.004726/201073 PIS/Pasep 39774.00532.290709.1.5.100185 2° Trimestre/2005 10920.404707/201047 Cofins 23790.46725.310709.1.5.116148 3° Trimestre/2005 10920.004728/201062 PIS/Pasep 02417.08395.290709.1.5.100094 3° Trimestre/2005 10920.004706/201001 Cofins 37964.06050.310709.1.5.114270 4° Trimestre/2005 10920.004727/201018 PIS/Pasep 21861.29156.290709.1.5.106247 4° Trimestre/2005 10920.004705/201058 Cofins 06970.81145.310709.1.5.111410 1° Trimestre/2006 10920.004729/201015 PIS/Pasep 28541.03638.310709.1.5.104332 1° Trimestre/2006 10920.004716/201038 Cofins 07960.33360.310709.1.5.111850 2° Trimestre/2006 10920.004732/201021 PIS/Pasep 22249.79328.310709.1.5.107100 2° Trimestre/2006 10920.004717/201082 Cofins 19624.55898.310709.1.5.112757 3° Trimestre/2006 10920.004733/201075 PIS/Pasep 31301.78029.050308.1.1.101768 3° Trimestre/2006 10920.004718/201027 Cofins 36617.64721.060308.1.1.115747 4° Trimestre/2006 10920.004730/201031 PIS/Pasep 42697.96779.050308.1.1.108306 4° Trimestre/2006 10920.004712/201050 Cofins 15943.22182.060308.1.1.116378 1° Trimestre/2007 10920.004731/201086 PIS/Pasep 35701.48279.060308.1.1.107085 1° Trimestre/2007 10920.004715/201093 Cofins 28956.87473.060308.1.1.116300 2° Trimestre/2007 Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10920.004720/201004 Acórdão n.º 3201004.522 S3C2T1 Fl. 4 3 10920.004734/201010 PIS/Pasep 22709.19031.130308.1.1.109949 2° Trimestre/2007 10920.004714/201049 Cofins 41188.20386.060308.1.1.114335 3° Trimestre/2007 10920.004735/201064 PIS/Pasep 21497.17327.130308.1.1.102500 3° Trimestre/2007 10920.004713/201002 Cofins 19868.38705.060308.1.1.112304 4° Trimestre/2007 10920.004736/201017 PIS/Pasep 14116.48037.130308.1.1.106736 4° Trimestre/2007 10920.004719/201071 Cofins 32429.08130.130109.1.1.114306 1° Trimestre/2008 10920.004737/201053 PIS/Pasep 07150.17502.290709.1.5.102770 1° Trimestre/2008 10920.004720/201004 Cofins 39665.94856.310709.1.5.119731 2° Trimestre/2008 10920.004738/201066 PIS/Pasep 01050.62515.310709.1.1.109626 2° Trimestre/2008 10920.004721/201041 Cofins 03226.66128.310709.1.1.110966 3° Trimestre/2008 10920.0047391201042 PIS/Pasep 12003.75662.310709.1.1.100828 3° Trimestre/2008 10920.004722/201095 Cofins 39583.82165.310709.1.1.11 4456 4° Trimestre/2008 10920.004740/201077 PIS/Pasep 40010.52467.310709.1.1.100090 4° Trimestre/2008 Os créditos presentes nos Pedidos de Ressarcimento suprarrelacionados foram utilizados pela pessoa jurídica em numerosos procedimentos compensatórios, com base nos quais extinguiu créditos tributários de sua responsabilidade. Sentença datada de 14/12/2010 confirmou a liminar, na parte que determinou a apreciação dos Pedidos de Ressarcimento e das Declarações de Compensação no prazo de 60 (sessenta) dias, e declarou o direito de a impetrante “ver aplicada correção monetária aos créditos de PIS/COFINS objeto dos referidos requerimentos, a partir do dia imediatamente posterior ao vencimento do prazo previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, até a data do crédito na contacorrente da empresa, à variação da taxa selic”, (...). Objetivando dar cumprimento à determinação judicial, a autoridade administrativa responsável pelos trabalhos emitiu a Intimação Fiscal (...), tendo a pessoa jurídica sido instada a apresentar os balancetes mensais que contêm a demonstração das receitas e despesas declaradas nos DACONs dos períodos alcançados pela auditoria fiscal; a relação dos produtos revendidos pela sociedade cooperativa, com as respectivas classificações NCM; a relação dos clientes adquirentes dos produtos comercializados; a fundamentação legal utilizada para considerar que todas as receitas são isentas, não alcançadas pela incidência das contribuições, com suspensão ou sujeitas à alíquota zero; cópias de todas as faturas de energia elétrica informadas nos DACONs; cópias dos contratos e a comprovação dos pagamentos dos aluguéis de prédios locados pela pessoa jurídica, informados nos DACONs; e a cópia do contrato/estatuto social da SOCIEDADE COOPERATIVA UNIÃO AGRÍCOLA CANOINHAS, além da documentação de identificação da pessoa natural responsável pela pessoa jurídica. (...) Concluído o procedimento fiscal, deuse a edição de Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o crédito postulado e homologou também de forma parcial as compensações manejadas pela pessoa jurídica, (...). O contribuinte considerou que todas as receitas auferidas, sejam decorrentes dos atos cooperativos, sejam da atividade com não Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10920.004720/201004 Acórdão n.º 3201004.522 S3C2T1 Fl. 5 4 cooperados, ensejavam direito ao ressarcimento o que, segundo a autoridade fiscal, não tem cabimento. Nas palavras do AFRFB, “o contribuinte considera que tanto as exclusões da base de cálculo das contribuições como as receitas de vendas com alíquota zero configuram hipótese em que é autorizado o ressarcimento e a compensação do saldo credor com outros débitos”. Ainda que o efeito sobre o valor apurado das contribuições sociais seja o mesmo, “legalmente são sujeições distintas e inconfundíveis, não se permitindo atribuir os efeitos de uma a outra, por analogia”. Discorreu, em seguida, sobre a Lei nº 5.764, de 1971, que trata do regime jurídico das sociedades cooperativas. Os atos cooperativos não são operações de compra e venda, mas atos praticados entre a sociedade cooperativa e seus cooperados, voltados para seus interesses e suas necessidades como, por exemplo, a entrega da produção à cooperativa para que a comercialize em condições mais favoráveis, e o fornecimento ao cooperado de insumos adquiridos pela cooperativa em melhores condições que a compra individual. Pode, outrossim, a cooperativa atuar como uma empresa comercial qualquer, adquirindo bens de terceiros não associados e os revendendo a clientes não pertencentes ao seu quadro social. Também é possível que atue como prestadora de serviços de armazenagem e beneficiamento prestados a terceiros não associados. Tais operações devem ser contabilizadas em separado dos atos cooperativos e seu resultado deve ser oferecido à tributação. No caso fiscalizado, a pessoa jurídica exerce ambas as atividades. Pratica atos cooperativos além de comprar e vender bens e serviços a não cooperados. Em vista do disposto no art. 87 da Lei nº 5.764, de 1971, contabiliza separadamente as operações com terceiros, como observado nos balancetes apresentados. Assim, “às receitas decorrentes do ato cooperativo [...] aplicase a legislação específica, ao passo que às demais receitas decorrentes de operações com terceiros não cooperados aplica se o regramento geral da nãocumulatividade das contribuições pois aí a cooperativa atua como uma empresa comercial comum. É dizer, quando as receitas forem decorrentes do ato cooperativo são exclusões da base de cálculo das contribuições (ainda que os produtos entregues estejam sujeitos à alíquota zero no mercado em geral)”, conforme disposto pelo art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, medida que também é assegurada pelo art. 17 da Lei nº 10.684, de 2003, que além da exclusão dos valores relativos aos atos cooperativos admite a exclusão adicional dos custos agregados ao produto agropecuário aos associados, quando da sua comercialização. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10920.004720/201004 Acórdão n.º 3201004.522 S3C2T1 Fl. 6 5 A RFB editou a Instrução Normativa nº 635, de 2004, regulamentando o PIS/Pasep e a Cofins das sociedades cooperativas. O art. 11 da norma lista as exclusões e define “custos agregados ao produto agropecuário dos associados como os dispêndios pagos ou incorridos com [...] locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento [...] bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado (§ 8º). Portanto, além das receitas do ato cooperativo, os custos da cooperativa para praticálos também são exclusões da base de cálculo das contribuições”. Como verificado nos DACONs transmitidos e nas memórias de cálculo apresentadas à fiscalização, “as despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete foram consideradas pelo contribuinte simultaneamente como exclusão da receita bruta e como base de cálculo de créditos da nãocumulatividade, em claro equívoco”. Ainda segundo informado nos DACONs, “não houve contribuição devida sobre receitas em nenhum mês, informação que diverge dos balancetes, onde constam PIS e COFINS devidos sobre receitas auferidas com não associados”. Decidiu então a autoridade fiscal “desconsiderar todas as informações prestadas nos DACONs e apurar os montantes de créditos passíveis de ressarcimento com base nos balancetes. Para tanto, e por não ter o interessado contabilidade de custos integrada, fazse necessário separar do total de receitas aquilo que é decorrente do ato cooperativo, estabelecendo uma proporção para rateio das despesas comuns (energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete) entre o que é custo agregado ao produto agropecuário e o que é vinculado às demais operações com não associados”. Sobre as despesas vinculadas aos atos com não associados calculou os créditos nos termos do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, procedendo ao rateio proporcional de acordo com a sua vinculação às receitas tributadas à alíquota normal da nãocumulatividade e às receitas sujeitas à alíquota zero, neste último caso passível de ressarcimento após o desconto da contribuição devida, conforme disposto pelo art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, e 17 da Lei nº 11.033, de 2003. Apresentou, em seguida, planilhas em que segregou as receitas a partir de informações constantes dos balancetes apresentados pela cooperativa em Receitas de revenda de mercadorias (A), Receitas de vendas a não associados (B) e Receitas de serviços prestados a terceiros (C), chegando ao percentual de receita decorrente do ato cooperativo [A / (A + B +C)]) e ao percentual de receita auferida com não associados [(B + C) / (A + B + C)]. No que tange às receitas auferidas com não associados (B + C), promoveu a distinção entre receitas tributadas à alíquota normal (obtidas pela divisão dos valores de PIS/Pasep e de Cofins contabilizados pela pessoa jurídica, informados em seus balancetes, pelas alíquotas respectivas de cada uma desta Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10920.004720/201004 Acórdão n.º 3201004.522 S3C2T1 Fl. 7 6 contribuições = L) e as receitas sujeitas à alíquota zero [N = (B + C) – L]. Prosseguindo, aplicou sobre os valores de despesas informados nos DACONs (P) os percentuais de receita do ato cooperativo (H) e de receitas auferidas com não associados (J), obtendo o valor do Custo agregado ao produto agropecuário (Q) e a Parcela vinculada às demais receitas (R), sendo este último valor entendido como aquele passível apurar o desconto de crédito a que tem direito o contribuinte. Sobre a Parcela vinculada às demais receitas (R), tida como a base de cálculo para a apuração dos créditos, aplicou as alíquotas de 1,65% para o PIS/Pasep (S) e de 7,6% para a Cofins (V). Sobre estes dois últimos valores fez incidir o percentual de receita tributada à alíquota normal (M) e o percentual de receita tributada à alíquota zero (N), chegando aos valores de crédito vinculados à receita normal, não passíveis de desconto (T e X) e os valores de crédito vinculados à receita sujeita à alíquota zero, estes sim, passíveis de desconto (U e Y). Concluindo o procedimento, dos créditos considerados como passíveis de desconto deduziu os valores de PIS/Pasep e de Cofins apurados pelo contribuinte e constantes de seus balancetes chegando, finalmente, aos valores de crédito a serem reconhecidos pela autoridade fazendária competente. Registrou que a apuração do PIS/Pasep e da Cofins devidos em cada mês não fez parte de seu trabalho, em que apenas considerou o valor constante dos balancetes de verificação disponibilizados pela interessada. Quanto ao Mandado de Segurança de nº 5003920 24.2010.404.7201, em cuja Sentença foi determinada a incidência de juros Selic a partir do dia imediatamente posterior ao vencimento do prazo de um ano previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, até a data do crédito em contacorrente da impetrante, registrou que na lista de documentos constantes da decisão além dos Pedidos de Ressarcimento existem também Declarações de Compensação (as chamadas DCOMPs) em relação às quais a decisão judicial não encontra aplicabilidade. Tendo o contribuinte optado por compensar a integralidade do crédito consignado nos Pedidos de Restituição, afirmou o representante fazendário que a requerente “já se aproveitou do crédito pleiteado muito antes do vencimento do prazo de 360 dias para apreciação do pedido”. (...) Em 01/02/2011, a sociedade cooperativa foi notificada do Despacho Decisório que reconheceu de modo parcial o crédito informado no Pedido de Ressarcimento e do Despacho da SAORT/DRF Joinvile/SC que relacionou os créditos tributários decorrentes das compensações não homologadas, (...). No dia 02/03/2011 a pessoa jurídica apresentou a sua manifestação de inconformidade, (...). Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10920.004720/201004 Acórdão n.º 3201004.522 S3C2T1 Fl. 8 7 No entendimento da litigante, a decisão da autoridade fiscal mostrase “assaz confusa e obscura”, já que o procedimento por ela adotado, na apuração dos créditos em pauta, tem por sustentáculo o comando legal inserto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e até mesmo em ato infralegal constante do art. 23 da Instrução Normativa SRF nº 635, de 2006, norma que expressamente admite a apuração de créditos em relação à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da sociedade cooperativa e aos aluguéis de prédios utilizados nas atividades da sociedade cooperativa, dentre outras possibilidades. Ao contrário do afirmado pelo Auditor Fiscal, pouco importa a discussão sobre a “exclusão ou não de crédito tributário”, já que existe norma permitindo a manutenção do crédito, como antes dito. No caso concreto, o desconto de crédito referente às despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciação e frete possui permissão legal expressa no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, como também na Lei nº 10.865, de 2004. O art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, assegura que uma vez apurado saldo credor em favor da insurgente, tal quantia poderá ser utilizada para a quitação de outros débitos de sua responsabilidade, procedimento por ela adotado, ou então requerido em ressarcimento. O entendimento da autoridade fiscal, atinente à desconsideração dos créditos de PIS/Pasep e Cofins relacionados às despesas incorridas, na proporção dos atos cooperativos e não cooperativos, representa procedimento arbitrário pois praticado ao arrepio da lei, devendo ser corrigido pela autoridade julgadora de primeira instância. Importante observar que a decisão do Senhor AFRFB carece de fundamentação pois em nenhum momento apresentou o dispositivo legal que o levou a glosar parcialmente os créditos referentes às despesas incorridas. Sem disposição legal que impeça o desconto do crédito, este é admissível, tratandose de raciocínio decorrente do princípio de legalidade tributária (art. 150, inc. I da Constituição Federal). O ato administrativo atacado carece de motivação, o que também o fulmina de nulidade. Assegurou o agente fazendário ser de “fácil percepção que às receitas decorrentes do ato cooperativo (afora não se tratarem de operações de compra e venda) aplicase a legislação específica”. Todavia, deixou de esclarecer qual seria a tal da “legislação específica”. Não bastasse a ilegalidade apontada, a decisão ora contraditada atenta contra o princípio da isonomia na medida em que em situação absolutamente idêntica, tratada no processo nº 13984.001478/200919, a autoridade fazendária conferiu integralmente o crédito pleiteado pela Cooperativa Agrícola Frutas de Ouro, (...). Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10920.004720/201004 Acórdão n.º 3201004.522 S3C2T1 Fl. 9 8 Até mesmo a DRF Joinvile, em situação absolutamente idêntica, reconheceu o direito pleiteado em decisão proferida no processo nº 10920.000414/201091, (...). Sendo a norma vinculada, deve atentar para a estrita legalidade, não sendo admitido que os agentes públicos a interpretem de forma discricionária, de modo a aplicála de modo diverso em relação a fatos absolutamente idênticos. O art. 150, inc. II da Constituição Federal representa um verdadeiro corolário do princípio constitucional da isonomia, o que veda o tratamento diferenciado para situações idênticas, como ocorre no caso presente. Demonstrado o flagrante equívoco promovido pelo AFRFB responsável pelo procedimento fiscal, pugna a requerente pela reforma da combatida decisão fiscal, determinandose a baixa dos autos em diligência a fim de que seja apurada a forma correta dos créditos referentes aos insumos adquiridos pela requerente. Também existe equívoco da autoridade fiscal, no que se reporta à determinação judicial de valoração do crédito pela taxa Selic a partir da extrapolação do prazo determinado pelo art. 24 da Lei nº 11.457, de 2011, o que deve ser corrigido por essa instância julgadora. Em abono ao princípio da economia processual e para evitar o cerceamento do direito de defesa e ao contraditório, bem como para evitar julgamentos descompassados em relação a matérias pertinentes, requereu a reunião ao presente dos demais processos da requerente que dizem respeito a créditos de outros fatos geradores, assinalando a existência de provas documentais existentes no processo nº 10920.004716/201038 que devem ser consideradas em todos os demais processos. Finalizando, requereu que a presente manifestação de inconformidade seja declarada procedente, possibilitando ao contribuinte o ressarcimento dos valores de PIS/Pasep e de Cofins glosados, devidamente atualizados pela taxa Selic, o que redundará nas homologações das compensações vinculadas ao crédito em comento. A DRJ/Fortaleza/CE, por meio do Acórdão 08036.116, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. COMPENSAÇÃO. Os créditos da Cofins apurados em relação a custos, despesas e encargos que não puderem ser aproveitados na dedução de débitos da própria contribuição social poderão ser utilizados Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10920.004720/201004 Acórdão n.º 3201004.522 S3C2T1 Fl. 10 9 na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, desde que vinculados à receita de exportação. Quanto ao saldo credor acumulado em virtude de vendas efetuadas no mercado interno, somente poderá ser utilizado em procedimento compensatório na hipótese de as vendas haverem sido efetivadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição social em apreço, ex vi o determinado pelo art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. APROPRIAÇÃO DIRETA OU RATEIO PROPORCIONAL. REQUISITOS PARA ELEIÇÃO DA METODOLOGIA ADOTADA. A pessoa jurídica sujeita à cobrança nãocumulativa da Cofins que aufira receitas no mercado interno vinculadas a operações tributadas e a operações não tributadas (sujeitas à suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência), no caso de existirem custos, encargos e despesas vinculados a ambas as espécies de receitas a apuração do valor do crédito passível de ressarcimento ou de compensação será determinada pelo método da apropriação direta se existir sistema de contabilidade de custos integrado e coordenado com o restante da escrituração, adotandose o método do rateio proporcional, em caso contrário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No Recurso Voluntário, a cooperativa reforça os argumentos de defesa. Circunscreve o litígio assim: “Cumpre lembrar que a presente discussão se circunscreve basicamente ao aproveitamento de créditos alusivos à energia elétrica, alugueis, armazenagem e fretes que, no entendimento da fiscalização, somente poderiam ter sido aproveitados de forma proporcional às vendas realizadas para terceiros à alíquota zero.” Deixa de argumentar quanto à atualização dos créditos. É o relatório. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10920.004720/201004 Acórdão n.º 3201004.522 S3C2T1 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.507, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 10920.004705/201058, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.507): "O recurso é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. A recorrente é cooperativa de produção agrícola, tendo efetuado atividades com cooperados e não cooperados. Pede ressarcimento das contribuições que restaram com saldos credores ao final do trimestre. Remanescem no Recurso Voluntário duas matérias em litígio: 1 – Direito de crédito sobre os custos e despesas vinculados à parcela das receitas excluída da base de cálculo das cooperativas de produção, conforme art. 15 da MP 2.15835/2001 e artigo 17 da Lei 10.684/2003 O Fisco glosou os créditos incidentes sobre a parcela dos custos, despesas e outros dispêndios, proporcionais à parcela das receitas que foram excluídas da base de cálculo da cooperativa, excluídas por comando do artigo 15 da MP 2.15835/2001, e artigo 17 da Lei 10.684/2003. Transcrevo trechos do Despacho Decisório pertinentes ao exame em foco (fl. 135 e seguintes “...é de fácil percepção que às receitas decorrentes do ato cooperativo (afora não se tratarem de operações de compra e venda) aplicase a legislação específica, ao passo que às demais receitas decorrentes de operações com terceiros não cooperados aplicase o regramento geral da nãocumulatividade das contribuições pois aí a cooperativa atua como uma empresa comercial comum. É dizer, quando as receitas forem decorrentes do ato cooperativo são exclusões da base de cálculo das contribuições (ainda que os produtos entregues estejam sujeitos à alíquota zero no mercado em geral), nos termos do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001: (...) A Lei nº 10.684/2003 também traz hipótese de exclusão [art. 17]: (...) Portanto, além das receitas do ato cooperativo, os custos da cooperativa para praticálos também são exclusões da base de cálculo das contribuições. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10920.004720/201004 Acórdão n.º 3201004.522 S3C2T1 Fl. 12 11 Segundo as informações das fichas de apuração dos créditos dos DACONS e as memórias de cálculo entregues em meio digital, as despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete foram consideradas pelo contribuinte simultaneamente como exclusão da receita bruta e como base de cálculo de créditos da não cumulatividade, em claro equívoco. (...) Para tanto [calcular os créditos passíveis de ressarcimento], e por não ter o interessado contabilidade de custos integrada, fazse necessário separar do total de receitas aquilo que é decorrente do ato cooperatibvo, estabelecendo uma proporção para rateio das despesas comuns (energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete) entre o que é custo agregado ao produto agropecuário e o que é vinculado às demais operações com não associados (§§7º e 8º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, também rateados proporcionalmente de acrodo com a vinculação às receitas tributadas à alíquota normal da nãocumulatividade e a vinculação à receitas sujeitas à alíquota zero, este último passível de ressarcimento após o desconto da contribuição devida, nos termos dos artigos 16 da Lei nº 11.116/2005 e 17 da Lei nº 11.033/2003:” A glosa é correta. Os dispêndios relatados, energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete, encontram previsão legal de direito de crédito, para as pessoas jurídicas em geral, nos termos do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. No caso de regimes tributários diferenciados, convivendo dentro de uma mesma pessoa jurídica, os créditos somente podem ser apropriados quando vinculados ao regime não cumulativo, nos termos do §7º do mesmo artigo: § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência não cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. A parcela dos dispêndios proporcional aos atos cooperativos, também é ato cooperativo, isto é, faz parte da atividade cooperativista, e não se sujeita à tributação. O STJ, no âmbito do REsp 1.164.716, sob o rito dos repetitivos (art. 543C do CPC), com trânsito em julgado em 22/06/2016, decidiu que a tributação de Pis e Cofins somente incide sobre atos nãocooperativos: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. (…) 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda ,em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10920.004720/201004 Acórdão n.º 3201004.522 S3C2T1 Fl. 13 12 autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ (sic), fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. Portanto, essa parcela não pode gerar créditos, posto que os créditos somente podem ser calculados em relação à parcela das receitas submetidas ao regime não cumulativo. A parcela das receitas fora do campo da tributação, os atos cooperativos, não gera créditos. O art. 17 da Lei 11.033/2004 somente se aplica às receitas e despesas adstritas ao regime não cumulativo das contribuições, o que não é o caso das receitas e despesas vinculadas aos atos cooperativos. 2 – Direito de ressarcimento total dos créditos, sem limitação à proporcionalidade com as receitas exportadas, ou vendidas no mercado interno com isenção, alíquota zero ou não incidência. A recorrente pretende o ressarcimento integral, com compensação, dos créditos apurados. Regra geral, em operações normais, nunca haveria saldos credores de Pis e Cofins não cumulativos, pois cada operação comercial agrega valor aos produtos, e portanto, a saída tem valor maior que a entrada, resultaNdo em saldos devedores de tributos não cumulativos. Desse modo, a lógica básica dos tributos não cumulativos é que se compensem créditos, da entrada, e débitos, na saída, e recolhase a diferença, via de regra, maior. Todavia, há casos em que determinadas operações são tributariamente incentivadas, com isenções, alíquota zero, ou não incidência. Nesses casos, a operação resultará, eventualmente, em saldos credores de tributos, posto que aproveitam créditos na entrada e não incidem débitos na saída. Assim, os benefícios permaneceriam sem utilidade se não pudessem ser ressarcidos em dinheiro, porque não teriam débitos para compensar. O ressarcimento em dinheiro pode, ainda, ser compensado com outros tributos diferentes, tal como organiza toda a legislação pertinente, em especial o artigo 74 da Lei 9.430/96. Desse modo, o ressarcimento é exceção à regra geral, e deve ser expressamente previsto na legislação para que possa ser aplicado. A referência que a recorrente faz às MP´s 552/2012 e 556/2012 não têm pertinência ao caso, pois tratase de permissão de ressarcimento de créditos presumidos, desonerados à saída, por exportação, isenção, não tributação ou alíquota zero. Aqui, se nega o ressarcimento a créditos vinculados a saídas tributadas com alíquotas positivas. Portanto, os dispêndios vinculados aos atos não cooperativos geram crédito, porém as receitas tributadas a alíquotas positivas não se subsumem ao disposto no artigo 17 da Lei 11.033/2004, e os créditos vinculados a essas receitas tributadas com alíquotas positivas somente podem ser compensados com eventuais débitos da mesma contribuição, apurados pela cooperativa, no próprio mês ou em meses subsequentes, conforme artigo 3º, §4º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002, e não podem ser ressarcidos ou compensados com outros tributos. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10920.004720/201004 Acórdão n.º 3201004.522 S3C2T1 Fl. 14 13 Conclusão Pelo exposto, voto negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 296DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.722018/2017-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2013
IPI. DECADÊNCIA. FALTA DE PAGAMENTO. REGRA GERAL.
O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo ao IPI é de cinco anos e rege-se pelo disposto no Código Tributário Nacional (CTN). Assim, na hipótese em que há recolhimento parcial antecipado, o prazo decadencial tem início na data de ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do CTN. De outro lado, não havendo qualquer pagamento, aplica-se a regra do artigo 173, inciso I, do mesmo diploma, contando-se o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2013
IPI. IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para questionamento de eventual inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
IPI. CRÉDITOS. MP, PI E ME EMPREGADOS EM PRODUTOS NT.
Não podem ser escriturados créditos relativos a matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados.
TAXA SELIC. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício (Súmula CARF nº 108).
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3402-006.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em negar provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) pelo voto de qualidade, para não reconhecer a decadência. Vencida a Conselheira Relatora, que dava provimento parcial para reconhecer a decadência da competência de novembro/2011. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Renato Vieira de Avila (suplente convocado), que reconheciam a decadência até a competência de outubro/2012, com fulcro no art. 150, §4º do CTN. Designado o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra; (ii) por maioria de votos, para negar provimento ao recurso no mérito. Os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a relatora pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Renato Vieira de Avila (suplente convocado), que davam provimento ao recurso no mérito.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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DECADÊNCIA. FALTA DE PAGAMENTO. REGRA GERAL. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo ao IPI é de cinco anos e regese pelo disposto no Código Tributário Nacional (CTN). Assim, na hipótese em que há recolhimento parcial antecipado, o prazo decadencial tem início na data de ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do CTN. De outro lado, não havendo qualquer pagamento, aplicase a regra do artigo 173, inciso I, do mesmo diploma, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2013 IPI. IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para questionamento de eventual inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IPI. CRÉDITOS. MP, PI E ME EMPREGADOS EM PRODUTOS NT. Não podem ser escriturados créditos relativos a matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados. TAXA SELIC. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 20 18 /2 01 7- 21 Fl. 1041DF CARF MF 2 MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício (Súmula CARF nº 108). Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em negar provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) pelo voto de qualidade, para não reconhecer a decadência. Vencida a Conselheira Relatora, que dava provimento parcial para reconhecer a decadência da competência de novembro/2011. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Renato Vieira de Avila (suplente convocado), que reconheciam a decadência até a competência de outubro/2012, com fulcro no art. 150, §4º do CTN. Designado o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra; (ii) por maioria de votos, para negar provimento ao recurso no mérito. Os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a relatora pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Renato Vieira de Avila (suplente convocado), que davam provimento ao recurso no mérito. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 16682.722018/201721 Acórdão n.º 3402006.025 S3C4T2 Fl. 1.042 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1483.215, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a impugnação interposta contra Auto de Infração lavrado perante a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes do Rio de Janeiro (Demac/RJ), pelo qual ocorreu o lançamento de crédito tributário de IPI (Código 2945) referente ao período de apuração de 01/12/2011 a 31/12/2013, decorrente da escrituração e utilização de créditos indevidos apurados sobre a aquisição de insumos empregados na produção de produtos classificados como não tributados. O auto de infração teve por origem o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal nº 07185002017000437, iniciado em 15/05/2017 para apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI no que tange à regularidade da dedução de créditos na escrita fiscal da Contribuinte Autuada, bem como a constituição e exigência de ofício de crédito tributário não confessado e não recolhido daí decorrente. A fiscalização iniciou após exame preliminar da Escrituração Fiscal Digital do ICMS/IPI EFD (Convênio ICMS 143/2006), apresentada pela empresa, da qual faz parte o Livro de Registro de Apuração do IPI (RAIPI), bem como exames das Notas Fiscais Eletrônicas, sendo constatado que a empresa deu saída a produtos tributados e não tributados pelo IPI, apurando e mantendo em sua escrita créditos do imposto em relação às aquisições de insumos empregados na produção de ambos os tipos de produtos comercializados. Em resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal (MPF nº 0718500 2017000437), a Contribuinte esclareceu que efetuou pagamentos de IPI no período de Dez/2011 a Dez/2013 referentes ao código de receita 1038 (IPI Vinculado a Importação), conforme demonstrativo de fls. 6566, sendo que em relação ao mercado interno não realizou pagamentos, pelo fato de possuir saldo credor no período fiscalizado. A Contribuinte apresentou a Solução de Consulta nº 374/2003 protocolizada sob o nº 13707.002630/200364, a qual conclui que as indústrias de produtos imunes, pelas entradas de insumos ocorridas a partir de 1º de janeiro de 1999, passaram a ter direito ao creditamento do IPI, possibilitando a utilização do saldo de créditos excedentes através de compensação de dívidas próprias relativas a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Em prosseguimento das análises, a empresa fiscalizada igualmente foi intimada a apresentar os seguintes esclarecimentos: i) descrição do processo de industrialização dos produtos NT fabricados e comercializados no período sob fiscalização e por ele classificados nos códigos 2710.1931 (Óleos Lubrificantes sem aditivos) e 2710.1932 (Óleos Lubrificantes com aditivos) da Tabela de Incidência do IPI (TIPI), Decreto no 6.006/2006 e Decreto no 7.660/2011 conforme o período; ii) informar se, no período sob fiscalização, o estabelecimento havia industrializado/fabricado algum produto por intermédio das operações de refino ou refinação, definidas no inciso V, do art. 60 da Lei 9.478/97; iii) justificar a escrituração e manutenção dos créditos do IPI relativos à aquisição de insumos aplicados em produtos industrializados/fabricados e classificados como não tributados. Fl. 1043DF CARF MF 4 Após esclarecimentos, a equipe de fiscalização lavrou a autuação, concluindo em Termo de Verificação Fiscal de fls. 755 a 771 que a Contribuinte "escriturou e manteve em seus registros fiscais créditos apurados sobre insumos empregados na industrialização/fabricação de produtos não tributados (NT), dando origem assim a sucessivos e indevidos saldos credores mensais do imposto, em completa afronta à legislação de regência da matéria que é clara e expressa no sentido da inexistência de direito à apuração, manutenção e utilização de tal espécie de creditamento". Com isso, apresentou a reconstrução da escrita fiscal do período fiscalizado, apontando saldo devedor de IPI no valor original de R$ 12.973.708,25, acrescido de multa de ofício prevista no artigo 80 da Lei nº 4.502/64 no valor de R$ 9.730.281,07, bem como juros de R$ 6.779.880,59, totalizando o valor de R$ 29.483.869,91 (vinte e nove milhões, quatrocentos e oitenta e três mil, oitocentos e sessenta e nove reais e noventa e um centavos), atualizado até a data da autuação. Regularmente intimada, a Contribuinte apresentou a impugnação e documentos de fls. 809 a 959. A decisão de Primeira Instância julgou pela improcedência da impugnação, com fundamentos resumidos na Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2013 IPI. DECADÊNCIA. FALTA DE PAGAMENTO. REGRA GERAL. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo ao IPI é de cinco anos e regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Assim, na hipótese em que há recolhimento parcial antecipado, o lustro decadencial tem início na data de ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do Estatuto Tributário. De outro lado, não havendo qualquer pagamento, aplicase a regra do artigo 173, inciso I, do mesmo diploma, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IPI. IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO. A legislação tributária adota como critério para interpretação do alcance da imunidade constitucional conferida a derivados de petróleo o da imediatidade, pelo qual somente são imunes os produtos obtidos diretamente do refino do petróleo. IPI. CRÉDITOS. MP, PI E ME EMPREGADOS EM PRODUTOS NT. Não podem ser escriturados créditos relativos a matérias primas, produto intermediários e materiais de embalagem que se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, inclusive quando se trate de produtos alcançados por imunidade objetiva. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 16682.722018/201721 Acórdão n.º 3402006.025 S3C4T2 Fl. 1.043 5 É legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para pagamento de débitos em atraso. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC. Incidem juros de mora com base na taxa Selic sobre a multa de ofício paga após o seu vencimento legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Intimação nº 774/2018 (fls. 989) foi recebida pela Contribuinte eletronicamente em data de 22/05/2018 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 994), com interposição de Recurso Voluntário de fls. 997 a 1029 em data de 20/06/2018, como se constata às fls. 995 (Termo de Solicitação de Juntada), cuja tempestividade e regularidade processual foi confirmada através do despacho de fls. 1039. Em Recurso Voluntário a Recorrente pede pela reforma da decisão recorrida e improcedência do lançamento em razão dos seguintes argumentos: PRELIMINARMENTE: i) Extinção do créditos tributário referente aos período de 12/2011 a 10/2012 em razão da decadência, nos termos do artigo 156, inciso V do Código Tributário Nacional e Súmula 555 do Superior Tribunal de Justiça. MÉRITO: i) Os produtos industrializados se referem a derivados de petróleo e decorrem do refino, com NCM nº 2710.1931 e 2710.1932 e, portanto, objeto da imunidade prevista no art. 155, § 3º da Constituição Federal; ii) Adquire Matéria Prima, Produtos Intermediários e Materiais de Embalagens com incidência e aplica na industrialização de seus produtos, os quais têm saída com imunidade, estando amparada a viabilidade do crédito pelo artigo 4º da Instrução Normativa SRF nº 33/99, inclusive com previsão em Solução de Consulta nº 394/2003; iii) Não se aplica a Súmula CARF nº 20, uma vez que a autuação tem por objeto crédito de IPI nas operações com imunidade na saída de produtos industrializados derivados de petróleo; iv) Não incide a multa de 75% e os juros e correção pela Taxa Selic, conforme exigido na autuação, uma vez que a conduta da Contribuinte se deu com fundamento em ato normativo da própria administração pública, considerando que a Instrução Normativa SRF nº 33/99 é norma complementar, nos termos previstos pelos artigos Fl. 1045DF CARF MF 6 96 e 100 do Código Tributário Nacional, devendo ser aplicado o artigo 112 do mesmo Diploma Legal; v) Igualmente devem ser excluídos os juros, correção pela SELIC e multa por aplicação do artigo 567, inciso II, alínea "c" do Regulamento do IPI, uma vez que a conduta de boafé da recorrente se deu exatamente em observância de atos normativos expedidos pela Receita Federal do Brasil, mais especificamente art. 4º, da IN 33/99; vi) Deve ser excluída a multa de ofício em razão de decisão judicial proferida nos autos nº 006432292.2013.4.01.3400, em sede de recurso de Agravo de Instrumento (AI 006326.20.2014.4.01.0000/DF pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIÃO, pela qual foi concedida a tutela recursal para assegurar à escrituração dos créditos de IPI relativos à aquisição de insumos destinados à industrialização de produtos amparados pela imunidade de que trata o artigo 150, § 3º da Constituição Federal, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, inciso IV do Código Tributário Nacional. Igualmente aplicase o artigo 63 da Lei nº 9.430/96, a Solução de Consulta Interna nº 01/2013 e a Súmula CARF nº 17 para exclusão da multa no presente caso; vii) Os juros são devidos à razão de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do artigo 161, § 1º, do Código Tributário Nacional, uma vez que o valor final da obrigação deve ser fixado pelo próprio Ente Tributante e não pelo Poder Legislativo, numa demonstração inequívoca de desrespeito ao artigo 150, inciso I, da Constituição Federal; viii) A multa de 75% é improcedente, pois ofende aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade (art. 5º, inciso LIV) e da proibição do confisco (art. 150, inciso IV), previstos na Constituição Federal. ix) Não procede a incidência de juros sobre a multa de ofício lançada uma vez que, por definição, os juros remuneram o credor por ficar privado do uso de seu capital, de maneira que devem incidir somente sobre o que não foi repassado aos cofres públicos, ou seja, tão somente à obrigação principal. x) Não existe previsão legal para a incidência dos juros sobre a multa, o que contraria o disposto no art. 97, V, do CTN, bem como o disposto no art. 5º, inciso II, da Constituição Federal de 1988. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 16682.722018/201721 Acórdão n.º 3402006.025 S3C4T2 Fl. 1.044 7 Preliminar. Decadência Alega a Recorrente que houve a consumação da decadência quinquenal para o IPI referente aos períodos de 12/2011 a 10/2012, com respectivos juros e multas, considerando que se trata de lançamento por homologação, com pagamento de tributo por meio de créditos do regime não cumulativo, aplicandose o artigo 183 do RIPI/2010 e artigo 150, § 4, do Código Tributário Nacional. Alega, sucessivamente, que aplicase o artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional, uma vez que o fato gerador é mensal, de tal sorte que o exercício seguinte se dá no mês subsequente, extinguindo os créditos exigidos no período entre 12/2011 a 09/2012. A decisão de Primeira Instância rejeitou o argumento fundamentando que o artigo 150, § 4º do CTN é aplicável quando da antecipação do pagamento do imposto devido pelo contribuinte e que, no presente caso, os valores de IPI exigidos no Auto de Infração decorrem exclusivamente da atividade de fiscalização, inexistindo qualquer recolhimento, sendo que a compensação não equivale a pagamento, por se tratar de institutos sabidamente diversos. Neste caso, deve incidir o artigo 173, inciso I do CTN, contando o prazo a partir do primeiro dia do exercício seguinte, referindose a um período anual, razão pela qual o prazo decadencial dos lançamentos efetuados somente terminou em 31/12/2017. O Auto de Infração (fls. 772793) contestado pela Contribuinte teve por conclusão lançamento em razão da falta de recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI em decorrência da escrituração e utilização de créditos indevidos apurados sobre as aquisições de insumos empregados na produção de produtos classificados como não tributados (NT). Constatase que o valores cobrados se referem a crédito glosado do período de apuração fiscalizado, resultando em diferença a recolher a título de saldos devedores de IPI constatada após reconstituição da escrita fiscal, no valor total de R$ 29.483.869,91. Cabe inicialmente consignar que o RIPI/2010, ao tratar sobre lançamento por homologação, equipara pagamento à compensação quando não há saldo a recolher. Vejamos: Art. 183. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação deles, nos termos do art. 268 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa. Parágrafo único.Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher.(sem destaque no original) Fl. 1047DF CARF MF 8 Tendo em vista que há saldo a recolher, não deve incidir o dispositivo em destaque, aplicandose, neste caso, o artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional1. O Superior Tribunal de Justiça já se pronunciou em relação à matéria, sob repercussão geral em julgamento ao REsp 973.733/SC2, resultando na incidência do artigo 62, §2º do RICARF3. O fato gerador do lançamento ocorreu no período de 01/12/2011 a 31/12/2013, com ciência do sujeito passivo em data de 06/11/2017 (fls. 803804). Portanto, em relação ao período de apuração em 01/12/2011, o prazo decadencial iniciouse em data de 01/01/2012, encerrandose em 31/12/2016, motivo pelo qual reconheço a decadência do lançamento com relação a este fato gerador. Mérito Da Súmula CARF nº 20. Com relação ao mérito, inicialmente cabe observar que não se enquadra neste caso a Súmula CARF nº 20, que assim dispõe: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 20215269, de 05/11/2003 Acórdão nº 20215366, de 03/12/2003 Acórdão nº 20215455, de 17/02/2004 Acórdão nº 20216141, de 28/01/2005 Acórdão nº 20400488, de 11/08/2005 1 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 2 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (...). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, Iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e). (REsp 973733/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, 1ª Seção, DJ 18/09/09 – Recurso Repetitivo) 3 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 16682.722018/201721 Acórdão n.º 3402006.025 S3C4T2 Fl. 1.045 9 Impera destacar que os Acórdãos precedentes4 não versam especificamente sobre imunidade, motivo pelo qual não há subsunção do presente caso concreto à fundamentação legal que embasa a Súmula em referência. Neste sentido, a 3ª Turma da Câmara Superior deste Tribunal Administrativo já se pronunciou em processos da Recorrente, através do Acórdão nº 9303004.581 (PAF: 16682.720026/201228) e Acórdão nº 9303007.368 (PAF: 16682.721220/201221), com votos favoráveis ao afastamento da Súmula nº 20, proferidos pelos Eminentes Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, vencidos por desempate por voto de qualidade. Coaduno da mesma conclusão, conforme r. voto declarado pelo Ilustre Conselheiro Demes Brito, o qual colaciono abaixo a título de fundamentação com relação à incidência desta Súmula: Compulsando os autos, verifico que os produtos industrializados pela Contribuinte (óleos lubrificantes com aditivos e óleos lubrificantes sem aditivos) gozam da imunidade Constitucional, inserida no artigo 155, parágrafo 3º, da CF, por se tratarem de derivados de petróleo. Destarte, a decisão recorrida não reconheceu a imunidade destes produtos, negando o direito ao crédito de IPI em razão da aquisição dos insumos empregados no processo produtivo estar em sintonia com os dispositivos da Lei nº 9.779/99, considerando ainda que, no presente caso aplicase a Súmula nº 20 do CARF, a qual trata sobre a impossibilidade de creditamento de IPI quando os produtos com saídas do estabelecimento forem classificadas na TIPI como NT. (...) Portanto, entendo que não se aplica ao presente caso a Súmula nº 20 do CARF, considerando que ela não se refere a produtos imunes, como é o caso de óleos lubrificantes. Por tais razões, igualmente concluo que não se enquadra a Súmula CARF nº 20 ao presente caso. Da imunidade sobre os produtos derivados de petróleo e possibilidade de aproveitamento de crédito de IPI sobre MP, PI e ME. Reiterase que os produtos objeto do lançamento são classificados na posição NCM 2710.19315 (óleo lubrificante sem aditivo) e 2710.19326 (óleo lubrificante com aditivo), com a notação NT (não tributado) na Tabela da TIPI. 4 Acórdão nº 20215269, de 05/11/2003, Acórdão nº 20215366, de 03/12/2003, Acórdão nº 20215455, de 17/02/2004; Acórdão nº 20216141, de 28/01/2005 e Acórdão nº 20400488, de 11/08/2005. 5 2710.19.31 Combustíveis minerais, óleos minerais e produtos de sua destilação; matérias betuminosas; ceras minerais Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto óleos brutos; preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos; resíduos de óleos Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto Fl. 1049DF CARF MF 10 Com relação à configuração da condição de "derivado do petróleo", importante destacar que, em resposta ao Termo de Intimação nº 2 (fls. 653655), a Contribuinte assim havia esclarecido através da manifestação de fls. 662 a 675: i) As matériasprimas utilizadas na formulação dos produtos são divididas em óleos básicos e aditivos, sendo a atividade principal o recebimento, armazenamento (óleos básicos e aditivos), produção e distribuição de óleo lubrificante acabado; ii) Os lubrificantes fabricados possuem em sua composição 70% (setenta por cento) ou mais de óleos básicos, sendo essa matéria prima oriunda do refino ou refinação, conforme definido no inciso V do artigo 6º da Lei nº 9.478/97. Em Recurso Voluntário igualmente afirmou que os lubrificantes constituem genuínos derivados de petróleo e as misturas apontadas não alteram o fundamento constitucional para aplicação da imunidade, prestando os seguintes esclarecimentos sobre o processo industrial de tais produtos: "Como já esclarecido em fiscalização e exposto em impugnação, verificase, no gráfico acima, as etapas do processo de fabricação dos lubrificantes classificados com os códigos da Tabela de Incidência do IPI – TIPI, como NCM nº 2710.1931 e 2710.1932, consistindo nas seguintes etapas: • Mistura de óleos básicos minerais (derivados de destilação do petróleo e de outros processos de refino), por meio de misturadores ou tanques, conforme formulações preestabelecidas em função da aplicação do produto final, ocorrendo a mistura simples de diferentes óleos básicos e a mistura de óleos básicos com aditivos; e, • Envase dos produtos finais em diversas embalagens, e pôr fim a revenda ou importação. A posição NCM nº 2710.19.31 (óleo lubrificantes sem aditivos) tem a seguinte descrição: Combustíveis minerais, óleos minerais e produtos de sua destilação; matérias betuminosas; ceras minerais Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto óleos brutos; preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos; resíduos de óleos Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) e preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de óleos brutos) e preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto resíduos de óleos: Outros Óleos lubrificantes Sem aditivos 6 2710.19.32 Combustíveis minerais, óleos minerais e produtos de sua destilação; matérias betuminosas; ceras minerais Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto óleos brutos; preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos; resíduos de óleos Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) e preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto resíduos de óleos: Outros Óleos lubrificantes Com aditivos Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 16682.722018/201721 Acórdão n.º 3402006.025 S3C4T2 Fl. 1.046 11 minerais betuminosos, exceto resíduos de óleos: Outros Óleos lubrificantes Sem aditivos Já o óleo lubrificante com aditivo classificado na NCM nº 2710.19.32, tem a mesma descrição, mas tratase de óleo aditivado, ou seja, existe uma mistura de aditivo em torno de 10% a 15%, portanto, não perdendo sua especificação de derivado de petróleo. Em ambos, a Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM tem a sua tributação do IPI como NT Não Tributada, conforme se vê na TIPI" A Autoridade Fiscal considerou que os produtos industrializados pela Contribuinte são comercializados com a notação NT para o IPI (não tributados), não havendo direito à escrituração ou à utilização dos créditos relativos aos insumos aplicados em sua produção. Com relação à legislação que rege a matéria em análise, impera destacar os dispositivos legais abaixo citados: O artigo 11 da Lei n° 9.779/99 tratou sobre a utilização dos créditos do IPI, ampliando os casos de aproveitamento para aqueles decorrentes da aquisição de produtos isentos e alíquota zero, ou seja, inclusos no campo de incidência deste imposto. Vejamos: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (sem destaque no texto original) Já a IN/SRF nº 33/1999 assim previa em seu artigo 4º: “INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 33, DE 04 DE MARÇO DE 1999 DO DIREITO AO APROVEITAMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI ART. 11 DA LEI NO 9.779, DE 1999 Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei No 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999.” (sem destaque no texto original) Fl. 1051DF CARF MF 12 Até a vigência da Lei nº 9.779/99 havia a previsão do artigo 5º DecretoLei nº 491/1969, que autorizava a manutenção e utilização de créditos do IPI relativos à MP, PI e ME efetivamente utilizados na industrialização de produtos exportados, não obstante terem sido excluídos do campo de incidência do imposto pelo artigo 153, § 3º, inciso III, da Constituição Federal. O incentivo legal do DecretoLei nº 491/1969 foi restabelecido pelo artigo 1º, inciso II da lei nº 8.402/92 e não foi revogado pela Lei nº 9.779/99, a qual apenas ampliou a possibilidade de créditos igualmente a produtos isentos e tributados à alíquota zero, o que levou ao texto do artigo 4º da IN SRF nº 33/99, acima transcrito. Portanto, ao incluir os produtos "imunes", concluise que a Instrução Normativa em referência não criou exceção não prevista na Lei nº 9.779/99, mas tão somente compilou o texto legal ao dispositivo que já vigorava naquele momento, qual seja: produtos imunes por destinação à exportação. A regra de exceção ditada pelo Artigo 11 da Lei nº 9.779/1999 não admite interpretação extensiva para permitir o creditamento relacionado a produtos finais não tributados, pois o benefício somente foi reconhecido pela lei aos produtos isentos ou sujeitos ao regime de alíquota zero, como já mencionado. Neste caso, aplicandose o Princípio da Estrita Legalidade, nenhum tributo pode ser criado, extinto, aumentado ou reduzido sem que o seja por lei. Neste sentido se posicionou o Superior Tribunal de Justiça em julgamento ao REsp nº 1060199/SP, de Relatoria do Eminente Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, julgado em 05/08/2010, DJe 01/09/2010, bem como através do julgamento ao REsp nº 1027678/SP, de Relatoria do Eminente Ministro LUIZ FUX, da Primeira Turma, julgado em 19/02/2009, DJe 25/03/2009. E, tão somente no sentido de dispor sobre a incidência do artigo 11 da Lei nº 9.779/1999, combinado com o art. 5º do Decretolei nº 491/1969 e o art. 4º da IN SRF nº 33/1999, em 18/04/2006 foi publicado o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5/2006, o que afasta, a partir daquele momento, a conclusão anteriormente apontada na Solução de Consulta SRRF nº 397/2003, igualmente utilizada pela Contribuinte para justificar o creditamento. Vejamos ainda o que prevê o Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010): Art. 2o O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1o, e DecretoLei no 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1o). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação “NT” (não tributado) (Lei no 10.451, de 10 de maio de 2002, art.6º). (sem destaque no texto original) Art. 18. São imunes da incidência do imposto: (...) Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 16682.722018/201721 Acórdão n.º 3402006.025 S3C4T2 Fl. 1.047 13 IV a energia elétrica, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País (Constituição Federal, art. 155, § 3o). (...) § 3o Para fins do disposto no inciso IV, entendese como derivados do petróleo os produtos decorrentes da transformação do petróleo, por meio de conjunto de processos genericamente denominado refino ou refinação, classificados quimicamente como hidrocarbonetos (Lei no 9.478, de 6 de agosto de 1997, art. 6o, incisos III e V). (sem destaque no texto original) Art. 251. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: § 1o Não deverão ser escriturados créditos relativos a matéria prima, produto intermediário e material de embalagem que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados compreendidos aqueles com notação “NT” na TIPI, os imunes, e os que resultem de operação excluída do conceito de industrialização ou saídos com suspensão, cujo estorno seja determinado por disposição legal. § 2o O disposto no § 1o não se aplica aos produtos tributados na TIPI que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. (sem destaque no texto original) Art. 254. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25, § 3º, Decreto Lei no 34, de 1966, art. 2o, alteração 8a, Lei no 7.798, de 1989, art. 12, e Lei no 9.779, de 1999, art. 11): I relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos não tributados. (sem destaque no texto original) Da análise do artigo 2º, Parágrafo Único, constatase que o campo de incidência do IPI abrange produtos dispostos na Tabela TIPI, tributados com alíquota zero ou maior, excluindose aqueles com a notação NT (não tributado). Por sua vez, as normas gerais do IPI estabelecem que os produtos com notação “NT” na TIPI não são considerados produtos industrializados sujeitos a incidência do imposto, ainda que resultem de operação, em tese, caracterizável como industrialização conforme as definições do artigo 4º do RIPI/2010. Impera ponderar que a não cumulatividade do IPI traduzse no direito de o contribuinte abater o imposto devido nas saídas dos produtos do estabelecimento industrial Fl. 1053DF CARF MF 14 com o valor pago na aquisição dos insumos. E, salvo as exceções legais acima tratadas, não sendo configurada a hipótese de incidência por falta de previsão para respectivo recolhimento de tal imposto, como ocorre no caso de produtos nãotributados, consequentemente não é possível a escrituração de créditos, conforme dispõe o artigo 18, inciso IV, § 3º combinado com artigo 251, § 1º, acima citados. Destacase, ainda, que os artigos 256 e 257 do mesmo Diploma Legal têm as seguintes previsões: Art.256. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3o, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1o Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2o (Lei no 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei no 9.779, de 1999, art. 11). § 2o O saldo credor de que trata o § 1o, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento, tributado à alíquota zero, ou ao abrigo da imunidade em virtude de se tratar de operação de exportação, nos termos do inciso II do art. 18, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 268 e 269, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). Art. 257. O direito à utilização do crédito a que se refere o art. 256 está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração neste Regulamento. (sem destaque no texto original) Em suma, pela interpretação de todos os comandos legais infraconstitucionais que versam sobre créditos decorrentes de aquisições de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos imunes e, de acordo com a sistemática da não cumulatividade, concluise que está correta a autuação objeto deste litígio. O Superior Tribunal de Justiça tratou sobre a matéria em julgamento ao REsp nº 1.015.855SP (STJ, Primeira Turma, Relator Ministro José Delgado, Julgamento em 08/04/2008, DJE de 30/04/2008), conforme Ementa abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. PRETENSÃO DE APROVEITAMENTO DE VALOR PAGO NA AQUISIÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS, INSUMOS E MATERIAIS DE EMBALAGENS EMPREGADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS, IMUNES, NÃOTRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. PREVISÃO LEGAL QUE CONTEMPLA SOMENTE OS PRODUTOS FINAIS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. ART. 11 DA LEI Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 16682.722018/201721 Acórdão n.º 3402006.025 S3C4T2 Fl. 1.048 15 9.779/99. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. ARTS. 150, I, CF/88 E 97 DO CTN. INTERPRETAÇÃO LITERAL. ART. 111 DO CTN. ART. 49 DO CTN E ART. 153, IV, § 3º, DA CF/88. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. DL 20.910/32. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. INCIDÊNCIA. 1. A impetrante/recorrente, pessoa jurídica de direito privado, tem por objeto social a fabricação e comercialização de calçados e suas partes, peças e componentes, assim como de artigos de vestuário em geral e a prestação de serviços industriais nos dois ramos. Impetrou mandado de segurança com vistas ao aproveitamento (pedido de compensação com tributos de espécies distintas administrados pela Secretaria da Receita Federal, com atualização monetária e juros) do valor pago, a título de IPI, na aquisição de matériasprimas, insumos e materiais de embalagens utilizados na industrialização de produtos finais isentos, sujeitos à alíquota zero, nãotributados ou imunes. 2. O apelo não merece ser conhecido em relação à alegação de violação dos arts. 165, I, 168, I, 156, VII, e 150, §§ 1º e 2º, do CTN, pois não estão prequestionados, não tendo sido debatidos nem recebido juízo decisório pelo Tribunal a quo, situação que atrai a incidência da Súmula 282/STF. 3. O aresto recorrido entendeu que não se extrai da hipótese legal (art. 11 da Lei 9.779/99) o direito ao creditamento quando o produto final for imune ou nãotributado, mas apenas quando isento ou tributado à alíquota zero. Ao final, concluiu pelo nãoprovimento da apelação da contribuinte. 4. O art. 11 da Lei 9.779/99 prevê duas hipóteses para o creditamento do IPI: quando o produto final for isento ou tributado à alíquota zero. Os casos de nãotributação e imunidade estão fora do alcance da norma, sendo vedada a sua interpretação extensiva. 5. O princípio da legalidade, insculpido no texto constitucional, exalta que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (art. 5º, II). No campo tributário significa que nenhum tributo pode ser criado, extinto, aumentado ou reduzido sem que o seja por lei (art. 150, I, CF/88 e 97 do CTN). É o princípio da legalidade estrita. Igual pensamento pode ser atribuído a benefício concedido ao contribuinte, como no presente caso. Não estando inscrito na regra beneficiadora que na saída dos produtos nãotributados ou imunes podem ser aproveitados os créditos de IPI recolhidos na etapa antecessora, não se reconhece o direito do contribuinte nesse aspecto, sob pena de ser atribuída eficácia extensiva ao comando legal. 6. O direito tributário, dado o seu caráter excepcional, porque consiste em ingerência no patrimônio do contribuinte, não pode Fl. 1055DF CARF MF 16 ter seu campo de aplicação estendido, pois todo o processo de interpretação e integração da norma tem seus limites fixados pela legalidade. 7. A interpretação extensiva não pode ser empregada porquanto destinase a permitir a aplicação de uma norma a circunstâncias, fatos e situações que não estão previstos, por entender que a lei teria dito menos do que gostaria. A hipótese dos autos, quanto à pretensão relativa ao aproveitamento de créditos de IPI em relação a produtos finais nãotributados ou imunes, está fora do alcance expresso da lei regedora, não se podendo concluir que o legislador a tenha querido contemplar. 8. A questão relativa à ofensa ao art. 49 do CTN, referente ao direito de aproveitamento integral dos créditos de IPI, conforme defendido pela empresa, não fica dissociada do exame do princípio da nãocumulatividade (art. 153, IV, § 3º da CF/88), impedindo o seu exame nesta via excepcional. 9. Considerando o pedido do mandamus e o teor do art. 11 da Lei 9.779/99, temse a possibilidade de se reconhecer o direito da contribuinte ao aproveitamento de créditos de IPI gerados a partir da industrialização de produtos finais isentos ou tributados à alíquota zero. Observandose a data da impetração (08/01/2004) e a prescrição qüinqüenal (aplicação do Decreto 20.910/32), poderão ser aproveitados os créditos adquiridos desde a data de 08/01/1999. 10. Os posicionamentos do STJ e do STF alinhamse no sentido de ser indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI. É reconhecida somente quando o aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude de resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco, o que se verifica no caso dos autos. Deve ser determinada, portanto, a incidência da Taxa Selic, que engloba atualização monetária e juros, sobre os créditos da recorrente que não puderam ser aproveitados oportunamente. 11. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido para reconhecer, tãosomente, o direito da contribuinte à utilização dos créditos de IPI adquiridos entre 08/01/1999 e 08/01/2004 em razão da industrialização de produtos finais isentos ou tributados à alíquota zero. (SEM DESTAQUES NO TEXTO ORIGINAL) A orientação dada pela decisão acima direciona a Jurisprudência do STJ sobre o tema, a exemplo do AgInt no REsp nº 1.572.317PR, proferido pela Segunda Turma, de relatoria do Eminente Ministro Herman Benjamin (J: 02/02/2017, DJE: 03/03/2017). Em síntese, conclui o STJ que o direito ao crédito de IPI só existe quando os produtos tiverem saída tributada, não cabendo a ampliação da incidência do artigo 11 da Lei nº 9.779/1999, que abrange apenas a isenção ou alíquota zero, nada prevendo sobre produtos imunes ou não tributados. Neste caso, deve ser aplicado o artigo 97 do Código Tributário Nacional, bem como o Princípio da Legalidade e o artigo 150, inciso I da Constituição Federal. Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 16682.722018/201721 Acórdão n.º 3402006.025 S3C4T2 Fl. 1.049 17 Por outro lado, com relação ao argumento da Recorrente sobre a limitação constitucional do poder de tributar operações com previsão de imunidade, impera esclarecer que a discussão sobre eventual inconstitucionalidade da legislação que rege a matéria é de competência privativa do Poder Judiciário . Ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais compete julgar recursos que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RICARF: artigo 1º), incidindo, portanto, a Súmula CARF nº 27. Este Colegiado já se pronunciou da mesma forma em caso análogo, a exemplo do v. Acórdão nº 3402003.838.8 Em razão dos fundamentos acima, concluo pela impossibilidade de aproveitamento dos créditos escriturados pela Contribuinte. Por fim, cabe registrar, nos termos do art. 63, § 8º do Anexo II do RICARF, que os Conselheiros que votaram pelas conclusões do voto desta Relatora fizeramno sob o fundamento de que seria aplicável ao caso a Súmula CARF nº 20. Taxa Selic Com relação à constestação sobre a incidência da Taxa Selic, aplicase a Súmula CARF nº 4, que assim dispõe: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Proibição de Confisco Alega a Recorrente que a multa de 75% é improcedente, pois ofende aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade (art. 5º, inciso LIV) e da proibição do confisco (art. 150, inciso IV), previstos na Constituição Federal. 7 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 8 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 10/01/2003 a 31/12/2003 IPI. IMUNIDADE . DERIVADOS DE PETRÓLEO. É vedado ao CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Súmula CARF n. 2). Assim, não é possível ao Tribunal Administrativo declarar a inconstitucionalidade de expressa determinação legal de tributação por alíquota positiva constante da Tabela de incidência de IPI (TIPI) de produtos que se enquadram como derivados de petróleo, sob o argumento de estarem abarcados pela imunidade tributária. CRÉDITO AQUISIÇÃO INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. O princípio da não cumulatividade não assegura direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero. (Supremo Tribunal Federal, RE n.º 398.365, repercussão geral). Aplicação do art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Negado (Acórdão nº 3402003.838 PAF: 10970.000401/200810 Relatora: Conselheira Maysa de Sa Pittondo Deligne) Fl. 1057DF CARF MF 18 Da mesma forma, aplicase a Súmula CARF nº 2 quanto a tal alegação. Juros sobre a Multa de Ofício Alega a Recorrente que não procede a incidência de juros sobre a multa de ofício lançada, na medida em que, por definição, se os juros remuneram o credor por ficar privado do uso de seu capital, de maneira que devem incidir somente sobre o que não foi repassado aos cofres públicos, ou seja, tão somente à obrigação principal. Igualmente alega que não existe previsão legal para a incidência dos juros sobre a multa, o que contraria o disposto no art. 97, V, do CTN, bem como o disposto no art. 5º, inciso II, da Constituição Federal de 1988. Com relação a este questionamento, aplicase a Súmula CARF nº 108, que assim dispõe: Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Dispositivo Ante o exposto, voto por conhecer e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário quanto à preliminar de decadência do lançamento com relação ao fato gerador de 31/12/2016 e, no mérito, negar provimento ao recurso. É como voto (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 16682.722018/201721 Acórdão n.º 3402006.025 S3C4T2 Fl. 1.050 19 Voto Vencedor Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Redator designado. Em que pese a pertinência das razões e dos fundamentos legais contidos no voto da Ilustre Conselheira Cynthia Elena de Campos, ressalto minha discordância especificamente quanto ao lustro decadencial discutida nos autos, devendo ser mantida a decisão a quo nesta parte, como passaremos a demonstrar. Preliminarmente, para deslinde dessa questão, subscrevo alguns trechos das considerações tecidas na decisão recorrida, adotandoos como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999, passando as mesmas a fazer parte integrante desse voto. Pois bem. Sustenta a Recorrente que ocorreu a decadência para fatos geradores ocorridos até 10/2012, pois a ciência da autuação teria sido dada em 06/11/2014, e o prazo decadencial de 5 anos é contado a partir do fato gerador. Segundo o entendimento da Recorrente, o pagamento capaz de extinguir a obrigação tributária não seria apenas o recolhimento propriamente dito, mas também o creditamento, o qual constituiria hipótese de compensação e produziria o efeito de pagamento, inclusive para fins de contagem do prazo decadencial e, por consequência, a regra pertinente à contagem do prazo decadencial seria a do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Não há duvida de que, à luz da legislação tributária, nos termos do caput do art. 150 do CTN, combinado com os arts. 110 a 113 do RIPI/98 e 123 a 126 do RIPI/2002, o IPI se encontra sujeito ao lançamento do tipo “por homologação”, no qual cabe ao sujeito passivo (contribuinte), sob a sua exclusiva iniciativa e responsabilidade, o dever de apurar e pagar, relativamente a cada período, o quantum devido desse imposto, antecipadamente a qualquer exame por parte da autoridade administrativa, e a esta cabe a homologação expressa ou tácita, após cinco anos do fato gerador. O dispositivo em tela só é aplicável no caso de antecipação do pagamento do imposto devido pela contribuinte, verbis: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado,expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” (grifouse) Com efeito, decorre da disposição constante do caput do artigo 150 que a homologação se opera em relação à atividade exercida pelo obrigado, vale dizer, em relação à Fl. 1059DF CARF MF 20 antecipação do pagamento do tributo. Logo, somente se sujeitam às normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos tributários que tenham sido submetidos a pagamento. No caso concreto, os valores de IPI exigidos no Auto de Infração decorrem exclusivamente da atividade de fiscalização, inexistindo qualquer recolhimento por parte da Recorrente. Ou seja, não se implementou a condição necessária (antecipação do pagamento) para que se perfizesse a hipótese de “lançamento por homologação”. Obviamente, a compensação (que aliás sequer se encontra presente no mero procedimento escritural de débito e crédito do IPI, ao contrário do que inadvertidamente expõe o sujeito passivo) não equivale apagamento, por se tratar de institutos sabidamente diversos. Em assim sendo, fica afastada a regra especial constante do artigo 150, §4º, do CTN, havendose de computar a decadência pela regra geral do artigo 173, inciso I, do referido diploma legal, segundo a qual o prazo respectivo é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que os lançamentos, referentes a cada período de apuração,poderiam ter sido efetuados e cuja incidência no caso concreto não estaria a depender da comprovação de dolo, fraude ou simulação. Por fim, não procede também, a alegação da Recorrente de que, no caso do IPI, uma vez que o fato gerador é mensal, o exercício seguinte se dá no mês subseqüente. Não se confunde exercício com período de apuração. O exercício referese a um período anual, e coincide com o ano civil, razão pela qual o prazo decadencial dos lançamentos efetuados somente terminou em 31/12/2017. Como a ciência do auto de infração ocorreu em 03/11/2017 (vide fls. 803/804), constatase que não se operou a decadência argüida. No entanto, temos que ressaltar uma particularidade que deve ser observada com cautela no caso sob análise. Vejase. Por entender que nos casos de creditamento indevido, sem acusação do cometimento de fraude, prevalece a regra definida no art. 150 do CTN, em razão da disposição específica do art. 124, III, do Regulamento do IPI (art. 183, III, do RIPI/2010), abaixo transcrita com destaque (grifouse): Art.124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art.150 e §1º, Lei nº 9.430, de1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. (Grifei) Entendo que o objetivo desse dispositivo é compatibilizar as normas de apuração do imposto, em face do princípio da não cumulatividade, àquelas do Código Tributário Nacional relativas ao lançamento por homologação. Mais claramente, dispor sobre Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 16682.722018/201721 Acórdão n.º 3402006.025 S3C4T2 Fl. 1.051 21 os casos em que o contribuinte nada recolhe (em DARF) simplesmente porque entende nada ter a recolher. Registrese, por isso, que só estamos julgando a decadência sob o comando de tal dispositivo, referente ao período de apuração discutido nos autos, em que aparentemente nada foi recolhido em DARF naquele período, dado que o montante dos créditos que o contribuinte entendia possuir eram suficiente para "liquidar" todo o débito do período. Como se sabe, muito se discutiu a doutrina acerca da necessidade de efetivo recolhimento para que a decadência se contasse na forma do art. 150, do CTN. No entanto se observa que quando de efetivo recolhimento em DARF, a situação é rigorosamente a mesma, a menos que se tenha viabilizado de forma dolosa, o recolhimento, ainda que a menor que o devido, entendo que tem a força de manter o prazo decadencial contado na forma do art.150, do CTN, por força do artigo 124, III, do RIPI. Como se vê, no caso, a fiscalização não fez acusação de atitude dolosa por parte do autuado e, coerentemente, não qualificou a multa aplicada. Contudo, o dispositivo regulamentar é de clareza vítrea: somente créditos admitidos pelo regulamento são aptos a caracterizar o pagamento antecipado. No caso concreto não ocorreu o pagamento antecipado alegado pela defesa, porque os créditos utilizados na dedução dos débitos não eram admitidos pelo regulamento, conforme restou demonstrado pelo Fisco. Portanto, concluise que, de fato, não houve pagamento antecipado nos períodos fiscalizados, devendo ser considerado hígido o lançamento em relação a esses períodos de apuração, não se operando a decadência. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 1061DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.912496/2009-73
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
Numero da decisão: 3003-000.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1422; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T3 Fl. 2 1 1 S3C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.912496/200973 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3003000.046 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente BASABRASILIA ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 24 96 /2 00 9- 73 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10166.912496/200973 Acórdão n.º 3003000.046 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 29580.52105.110309.1.7.044168, transmitida eletronicamente em 11/03/2009, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 07/10/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 117), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 11.279,52. Cientificado dessa decisão em 21/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 19/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 9, acrescida de documentação anexa. Em suma, a contribuinte alega erro no preenchimento da DCTF e do Dacon transmitidos originalmente, que não foram retificados antes da emissão do Despacho Decisório. Acrescenta que a declaração e o demonstrativo foram retificados antes da ciência do referido despacho e que as informações retificadas demonstrariam o direito ao crédito pleiteado pela interessada. Argumenta, ainda, que o erro em retificar a DCTF após o pedido de compensação não seria suficiente, por si só, para afastar o direito à quitação do débito compensado. Cita doutrinadores, princípios constitucionais e jurisprudência administrativa para ilustrar sua argumentação. Trata ainda da multa imposta em razão da não homologação, no percentual de 150%, apresentando o entendimento de que esta não deveria ser aplicada por inexistir subsunção do fato concreto à norma jurídica e não ter sido demonstrado que a declaração era falsa. Ao final, apresenta os seguinte pedidos: a) suspensão da exigibilidade do crédito tributário; b) deferimento da manifestação de inconformidade; Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10166.912496/200973 Acórdão n.º 3003000.046 S3C0T3 Fl. 4 3 c) homologação do PER/DCOMP objeto dos autos; d) baixa do débito, face a sua compensação; e) afastamento da aplicação da multa de 150% sobre o débito. A 4ª Turma da DRJ em Brasília proferiu decisão, cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:2008 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, pugnando o seguinte: 1. Que as normas da RFB cita as INs 900/08 e 1300/12 que estabelecem critérios para compensação tributária não deixam claro a necessidade de apresentação de outros documentos, além das PER/DCOMPs, DCTFs e DACONs, para a comprovação do crédito pleiteado; 2. Que, visando não deixar dúvidas quanto à legitimidade do crédito pleiteado, traz, além dos documentos já apresentados na impugnação, planilha de apuração da contribuição social, utilizada como memória de cálculo da compensação efetuada, livros fiscais de apuração do IPI e do ICMS, colocandose à disposição para fornecer informações adicionais. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10166.912496/200973 Acórdão n.º 3003000.046 S3C0T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito efetivamente em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. A compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional , pressupõe a existência de créditos e débitos tributários em nome do sujeito passivo. Segundo o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. Como se sabe, a compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose, tal procedimento, a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu eletronicamente a DCOMP descrita no relatório acima, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as características apontadas no referido relatório. Em verificação fiscal da DCOMP transmitida, apurouse, pelas características do DARF informado pelo contribuinte, que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, uma vez que o pagamento relativo ao DARF indicado já havia sido utilizado para quitação de outro débito, tendo sido emitido eletronicamente Despacho Decisório cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. Na impugnação, a recorrente alega que cometeu erro material ao transmitir a DCTF e DACON originais. Em tais declarações, o débito de COFINS foi erroneamente apurado, de maneira que a retificação da DCTF e DACON seria suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado. Na impugnação, a recorrente trouxe aos autos as declarações retificadoras com apuração de débito de COFINS a menor, deixando de apresentar, todavia, documentos para comprovar sua alegação de que as declarações originais continham apuração errônea dos débitos de COFINS de onde decorreria o crédito efetivamente litigioso. Ao apreciar a impugnação, a decisão recorrida entendeu que a simples entrega de declarações retificadoras não seria suficiente para demonstrar a existência de pagamento a maior do qual teria derivado o direito creditório pleiteado pela recorrente em sua DCOMP. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10166.912496/200973 Acórdão n.º 3003000.046 S3C0T3 Fl. 6 5 No entendimento do colegiado, a recorrente deveria ter demonstrado a certeza e liquidez do direito creditório, por meio da apresentação de escrituração contábil fiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos, comprovando que a COFINS devida era realmente menor do que o valor constante das declarações originais. Analisando os autos, observase que, de fato, a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Como bem assinalado pela decisão recorrida, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, com redução de débitos apurados. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. É o que o Código de Processo Civil, em seu art. 373: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Tal é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10166.912496/200973 Acórdão n.º 3003000.046 S3C0T3 Fl. 7 6 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não obstante, em homenagem ao princípio da verdade material e considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, passo à análise dos documentos apresentados após a impugnação trazidos como forma de contrapor as razões da decisão recorrida, podendose aplicar, no caso concreto, a exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.237/72. Compulsando os autos, observase que a recorrente não logrou demonstrar a certeza e liquidez do direito pleiteado. Explico. Apesar de ter trazido aos autos planilha de apuração da COFINS, além de páginas dos livros de Apuração de IPI e ICMS, a recorrente não demonstrou a natureza e a extensão dos valores atinentes à exclusão e deduções na apuração da COFINS devida, das quais resultou o débito a menor que teria fundamentado a retificação da DCTF e da DACON. De fato, não há, nos autos, provas que demonstrem a natureza e os valores concernentes às deduções nãocumulativas e aqui são várias rubricas, entre as quais, "compras revenda", "compras PJ", "frete PJ", "embalagens", etc., deduções presumidas "milho pessoa física" e "sorgo pessoa física" e exclusões "Zona Franca", "IPI saída" e "S.Trib." , constantes do demonstrativo de apuração da COFINS devida no período de apuração da DCOMP. Para demonstrar seu direito, a recorrente deveria ter trazido aos autos documentos hábeis e idôneos para comprovar cada rubrica que compõe as deduções não cumulativas, deduções presumidas e exclusões. Poderia, por exemplo, ter trazido notas fiscais de frete, embalagens, além de outros documentos, a fim de provar a natureza e valor das deduções e se são, de fato, aplicáveis a seu caso. Do material probatório apresentado, não há como aferir e atestar a natureza e valores das deduções e exclusões na apuração da COFINS de que resultou o crédito pleiteado nos autos. As planilhas apresentadas e as páginas de livros apuração de IPI e ICMS não são suficientes para comprovar o direito alegado. Se o crédito pleiteado pela recorrente é derivado de pagamento indevido ou a maior em face de apuração errônea da COFINS, deveria a recorrente ter demonstrado a natureza e extensão de cada conta contábil que teria levado à redução do débito da referida contribuição social. Há que se destacar que planilhas, declarações ou demonstrativos apresentados pelo próprio contribuinte, quando desacompanhados de outros elementos que ratifiquem o seu conteúdo, sua natureza e sua exatidão, não possuem força probatória para demonstração de direito creditório oponível à fazenda pública. É de se assinalar, ainda, que a recorrente, apesar de juntar páginas dos livros de apuração de IPI e ICMS sem documentos que os lastreiem, vale registrar , não faz qualquer vinculação de tais escriturações às contas expressas no demonstrativo de apuração apresentado, de maneira a demonstrar a redução da COFINS devida e, por consequência, justificar o direito creditório alegado: ocorreu simples juntada de escrituração, sem esclarecimentos analíticos e específicos para demonstrar a certeza e liquidez do direito alegado. Deveria a recorrente ter trazido descrição minuciosa da apuração da COFINS, estabelecendo conexões entre os documentos contábeis e fiscais apresentados, a fim de demonstrar o direito alegado. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10166.912496/200973 Acórdão n.º 3003000.046 S3C0T3 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Vinícius Guimarães Relator Fl. 207DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000045/2005-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2001
SIGILO BANCÁRIO. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
É lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial, na vigência do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PROCEDÊNCIA.
Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2001
RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. LEGITIMIDADE PARA INTERVIR NO
PROCESSO.
São partes legítimas para intervir no processo administrativo fiscal não apenas o contribuinte, mas também as pessoas apontadas pelo Fisco como responsáveis tributários.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2001
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA
A responsabilidade tributária de que trata o art. 135 do CTN é também atribuída aos administradores e mandatários da sociedade,
independentemente de sua condição de sócios ou não, desde que comprovado que tenham exorbitado de suas atribuições estatutárias ou dos limites legais e que dos atos assim praticados tenham resultado obrigações tributárias. No caso concreto, ao restar comprovado que as pessoas indicadas como responsáveis solidários praticaram atos de gestão mercantil e financeira que permitiram que a pessoa jurídica movimentasse vultosos recursos à margem
da tributação, além de se utilizar de interpostas pessoas em seu nome à frente da sociedade, deve ser mantida a responsabilidade.
Numero da decisão: 1302-001.312
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2001 SIGILO BANCÁRIO. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial, na vigência do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001 RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. LEGITIMIDADE PARA INTERVIR NO PROCESSO. São partes legítimas para intervir no processo administrativo fiscal não apenas o contribuinte, mas também as pessoas apontadas pelo Fisco como responsáveis tributários. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA A responsabilidade tributária de que trata o art. 135 do CTN é também atribuída aos administradores e mandatários da sociedade, independentemente de sua condição de sócios ou não, desde que comprovado que tenham exorbitado de suas atribuições estatutárias ou dos limites legais e que dos atos assim praticados tenham resultado obrigações tributárias. No caso concreto, ao restar comprovado que as pessoas indicadas como responsáveis solidários praticaram atos de gestão mercantil e financeira que permitiram que a pessoa jurídica movimentasse vultosos recursos à margem da tributação, além de se utilizar de interpostas pessoas em seu nome à frente da sociedade, deve ser mantida a responsabilidade.
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(contribuinte), JULIETA CAVAGNOLI GOLDONI e RONALDO GOLDONI (responsáveis tributários) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2001 SIGILO BANCÁRIO. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial, na vigência do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001 RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. LEGITIMIDADE PARA INTERVIR NO PROCESSO. São partes legítimas para intervir no processo administrativo fiscal não apenas o contribuinte, mas também as pessoas apontadas pelo Fisco como responsáveis tributários. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 00 45 /2 00 5- 45 Fl. 14DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Acórdão n.º 1302001.312 S1C3T2 Fl. 9 2 A responsabilidade tributária de que trata o art. 135 do CTN é também atribuída aos administradores e mandatários da sociedade, independentemente de sua condição de sócios ou não, desde que comprovado que tenham exorbitado de suas atribuições estatutárias ou dos limites legais e que dos atos assim praticados tenham resultado obrigações tributárias. No caso concreto, ao restar comprovado que as pessoas indicadas como responsáveis solidários praticaram atos de gestão mercantil e financeira que permitiram que a pessoa jurídica movimentasse vultosos recursos à margem da tributação, além de se utilizar de interpostas pessoas em seu nome à frente da sociedade, deve ser mantida a responsabilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Marcelo de Assis Guerra, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório JULIETA CAVAGNOLI GOLDONI, CPF 519.118.33120 e RONALDO GOLDONI, CPF 689.473.99191, já qualificados nestes autos, inconformados com o Acórdão n° 6.109, de 24/06/2005, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, recorrem voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em 22/03/2005 (ciência em 07/04/2005, fls. 1039/1041), para constituição de crédito tributário referente aos tributos integrantes do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, quais sejam, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) (fl. 972), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) (fl. 1002), Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) (fl. 1010), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) (fl. 1017) e Contribuição para Seguridade Social (INSS) (fl. 1024), acrescidos de multa de ofício de 150%, além de juros de mora, perfazendo o crédito tributário de R$ 1.214.588,89, tudo relativo ao anocalendário 2000, conforme demonstrativo Fl. 15DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Acórdão n.º 1302001.312 S1C3T2 Fl. 10 3 consolidado de fl. 04. O lançamento identifica, no polo passivo da obrigação tributária, a pessoa jurídica ORI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA., na qualidade de contribuinte, e as pessoas físicas JULIETA CAVAGNOLI GOLDONI e RONALDO GOLDONI, na qualidade de responsáveis tributários. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado pelo diligente relator do processo por ocasião do julgamento em primeira instância: [...] 2. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, foram apuradas omissões de receitas caracterizadas por operações de créditos bancários cuja origem não foi justificada por meio de documentos hábeis e idôneos, de todos os períodos de apuração do ano de 2000. Aplicados os percentuais respectivos, sobre a receita omitida, obtevese o montante dos tributos que, acrescidos dos consectários legais, resultou no valor acima especificado. 3. Os enquadramentos quanto à infração, multa e juros moratórios encontramse às f. 975, 999, 1005, 1009, 1013, 1015, 1020, 1023, 1027 e 1030. 4. Os demonstrativos quanto aos valores apurados encontramse às f. 1031 a 1037. 5. No Termo de Verificação Fiscal, parte integrante dos Autos de Infração (f. 977 a 996), o autuante detalha o procedimento levado a efeito explicitando os dados, documentos e fatos de interesse fiscal, cujos trechos de maior relevância são abaixo transcritos: “Em visita realizada junto a Empresa estabelecida na Rua Coronel Antonino, 7.433, Bairro Nova Lima, nesta capital, apurei que a Empresa não estava estabelecida no endereço constante dos cadastros da Receita Federal, ficando impossibilitado de cientificar o contribuinte do "Termo de Início de Fiscalização". Foi lavrado em 31/08/2004 "Termo de Constatação".(Doc. 020). (...) Enviei em 01/09/2004 ofício para a JUCEMS solicitando cópia do contrato social e das alterações do contribuinte. (Doc. 022) Em 16/09/2004 a JUCEMS encaminhou os documentos.(Doc.023 a 034) Pela análise dos documentos recebidos verifiquei que a Empresa Ori não realizou alteração de endereço, foi constituída em 03/08/1998 e seus sócios atuais são: Valdir Balestreri, portador do CPF 375.330.02091 e Odenir Camilo de Lima Guimarães, portador do CPF 337.171.84172. (...) Em 14/09/2004 o sócio Odenir Camilo de Lima Guimarães apresentouse na sede da Delegacia da Receita Federal e dentre outras coisas informou que: Fl. 16DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Acórdão n.º 1302001.312 S1C3T2 Fl. 11 4 Não tem condições de apresentar os documentos s o l i c i t a d o s no termo de início de fiscalização posto que muito embora conste como sócio da Empresa Ori Ind. e Com. de Cereais Ltda, o mesmo não o é, que todos os documentos estão em poder dos verdadeiros proprietários que é o Sr. Ronaldo Goldoni e sua mãe Sra. Julieta Cavagnoli Goldoni. Relatou que a Ori I n dú s t r i a e Comérc io de Cerea i s L t da , sucedeu a Cerealista Juliana Com. Imp. Exp . De Cereais L tda , que os sócios e v e rdade i ro s proprietários da Cerealista Juliana eram a Sra. Julieta Goldoni e seu esposo Orivaldo Goldoni. Quando o Sr orivaldo falesceu (sic) assumiu a Empresa seu filho o Sr. Ronaldo Goldoni. Que foi admitido para trabalhar na Cerealista Juliana como empregado, exercendo a função de gerente comercial, sua admissão se deu em 07/07/1988. Que a Cerealista Juliana começou a apresentar dificuldades financeiras, que em razão disso seus verdadeiros sócios abandonaram a Cerealista Juliana e resolveram constituir no mesmo local, com o mesmo ramo de atividade a Empresa Ori Indústria e Comércio de Cereais Ltda, que inicialmente os sócios da Ori foram o Sr. Valdir Balestreri que era módico veterinário da Fazenda da Família Goldoni e a Sra. Alberta Pires Guerra, encarregada administrativa da Cerealista Juliana. Que a Sra. Alberta por motivos pessoais solicitou ao Sr. Ronaldo Goldoni que a retirasse do contrato social da Ori, foi neste momento que o declarante foi forçado a participar do quadro societário da empresa Ori, posto que, se não aceitasse perderia seu emprego. Que quem efetivamente administrava a empresa Ori era o Sr. Ronaldo Goldoni sua mãe a Sra. Julieta, o Sr. Ronaldo gerenciava a empresa por intermédio de procuração com amplos poderes do Sr. Valdir e o declarante assinava o que lhe pediam posto que estava pessoalmente na empresa trabalhando. Que o declarante nunca recebeu lucros ou qualquer vantagem por constar como sócio no contrato social da Ori, que o declarante só emprestou seu nome, que não houve a aquisição de cotas de capital social, que os móveis, as instalações físicas, marcas etc... eram todas da Cerealista Juliana, que na época em que constituíram a Ori foi elaborado um contrato de aluguel fictício com a Sra. Julieta proprietária do imóvel a fim de viabilizar a abertura da empresa perante os Órgãos Públicos especialmente a concessão do alvará de licença junto a Prefeitura Municipal e o cadastro no ICMS, que os funcionários que eram registrados na Cerealista Juliana foram transferidos para a Ori, que conhecia o Sr. Valdir Balestreri posto que ele cuidava da Fazenda e o declarante cuidava da empresa, que não mantém contato com o Sr. Valdir posto que o mesmo foi assassinado na cidade de Rio Verde de Mato Grosso a aproximadamente cinco meses, que moveu reclamatória trabalhista contra Ronaldo e Julieta Goldoni em 06/11/2002, e que dentre os pedidos solicita seja retirado seu nome do contrato social da empresa Ori por entender ser uma fraude contra o poder público e credores, que a reclamatória trabalhista foi julgada procedente em primeira e segunda instância estando na iminência de transitar em julgado, que oportunamente conforme sentença judicial será oficiada a JUCEMS para as providências Fl. 17DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Acórdão n.º 1302001.312 S1C3T2 Fl. 12 5 cabíveis e que a reclamatória trabalhista possui grande quantidade de documentos úteis para provar suas afirmações, e que fica a disposição para a apresentação de esclarecimentos e demais documentos". (...) Para provar suas afirmações, apresentou vasto elenco de documentos que foram recebidos pela fiscalização conforme "Termo de Retenção" lavrado no mesmo dia (14/09/2004). (Doc.049 a 136 ). (...) A fim de comprovar as alegações do Sr. Odenir de que a Empresa Cerealista Juliana Ltda de propriedade do Sr. Ronaldo Goldoni e a Sra. Julieta Cavagnoli Goldoni, era antecessora da Empresa Ori, enviei ofício para o Ministério do Trabalho, para verificar os vínculos empregatícios das duas Empresas através da Relação Anual de Informações Sociais "RAIS". (Doc.155 e 156). Em resposta ao ofício, o Ministério do Trabalho encaminhou as informações. (Doc. 157 a 162) Analisandose a RAIS final do ano de 1998 entregue pela Cerealista Juliana, verifiquei que todos os seus funcionários, com exceção da Lilian Clarice Coronel Zarate, aparecem como funcionários da Empresa Ori na RAIS do ano de 1999 , o que atesta a veracidade com provas materiais, das informações prestadas pelo Sr. Odenir. (Doc. 157 a 162) (...) Enviamos oficio para a JUCEMS solicitando cópia do contrato social e alterações da Empresa Cerealista Juliana Ltda, a fim de confirmar se os sócios são realmente o Sr. Ronaldo Goldoni e a Sra. Julieta Cavagnoli Goldoni. (Doc. 179 ). A JUCEMS enviou oficio encaminhando os documentos solicitados, onde ficou confirmado que os sócios da referida Cerealista são o Sr. Ronaldo Goldoni e a Sra. Julieta Cavagnoli Goldoni. A Empresa não foi legalmente baixada na JUCEMS e nem nos cadastros da Receita Federal (Doc. 180 a 230) (...) Lavrei em 26/10/2004, "Termo de intimação Reiteração" para o Sr. Ronaldo Goldoni e a Sra. Julieta Cavagnoli Goldoni (Doc. 249 a 252) para: 1 Considerando que o Sr. Ronaldo e a Sra. Julieta até o momento não apresentaram qualquer justificativa em relação ao "termo de intimação" lavrado em 16/09/2004 e recebido em 20/09/2004. Reiteramos a intimação para que se manifestem por escrito sobre as informações e os documentos solicitados, especialmente os itens "I", 1 até 10 e, "II", 1 e 2 . Fl. 18DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Acórdão n.º 1302001.312 S1C3T2 Fl. 13 6 2 Apresentar cópia dos extratos bancários das contas correntes.... (...) Considerando a recusa na apresentação dos documentos fiscais e contábeis e os fortes indícios de que a Empresa foi constituída por interpostas pessoas e, considerando os termos do Art. 6 da Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentado pelo Decreto 3.724, de 10 de janeiro de 2001, requisitamos as informações bancárias junto as Instituições Financeiras, Banco BCN S/A e Banco Mercantil de São Paulo S/A, a fim de determinar o montante da omissão de rendimentos realizada pela Empresa Ori. (Doc. 503 e 505) As requisições de informações sobre movimentação financeira foram recebidas em 25/11/2004. (Doc. 504 e 506) (...) Lavrei em 14/12/2004 “Termo de Intimação – Reiteração das Intimações Recebidas em 20/09/2004 e 29/10/2004” para o sr. Ronaldo Goldoni e a Sra.Julieta Cavagnoli Goldoni, informando a eles que até o momento ambos não apresentaram qualquer justificativa em relação as intimações recebidas; que considerando a farta documentação enviada pela fiscalização para ambos conforme diversos “termos de entrega de documentos” os mesmos ficam intimados a manifestaramse por escrito a respeito dos fatos que lhe são imputados. O Termo foi por eles recebido em 16/12/2004. (Doc. 509 a 511) (...) Em 22/12/2004 As Instituições Financeiras enviaram para a fiscalização cópia dos extratos bancários da Empresa ORI no período de 01/2000 até 31/12/2002. (...) Lavrei em 01/02/2005 "Termo de Intimação" para a inventariante do Sr. Valdir Balestreri para comprovar com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações de créditos bancários. (Doc.844 a 846) O Termo foi recebido em 03/02/2004. (Doc.847) Lavrei em 01/02/2005 "Termo de Intimação" para o sócio Odenir Camilo de Lima Guimarães para comprovar com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações de créditos bancários (Doc.848 a 850) O Termo foi recebido em 04/02/2004. (Doc.851) O Sr. Ronaldo Goldoni e a Sra. Julieta Cavagnoli Goldoni apresentaram em 11/02/2005 correspondência expondo e requerendo que: (Doc.961 a 964). Fl. 19DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Acórdão n.º 1302001.312 S1C3T2 Fl. 14 7 A Cerealista Juliana pertence a Sra. Julieta e seus filhos, teve suas atividades paralisadas há mais de oito anos, que tinha o Sr. Odenir como gerente e que por dificuldades financeiras viuse obrigada a encerrar suas atividades. Com o encerramento das atividades o Sr. Odenir propôs para a Sra. Julieta a criação da Empresa Ori, já que existiam todos os maquinários para tal fim, bem como, era a Sra. Julieta proprietária das marcas dos cereais industrializados pela então Cerealista Juliana. Os documentos juntados com a manifestação do Sr. Odenir, como contrato de locação e cessão de direito de uso de marcas pertencentes a Cerealista Juliana, comprovam que houve, efetivamente, a constituição de nova empresa e com sócios distintos, pois, ressaltase, tais documentos encontravamse na posse do Sr. Odenir. Que os contratos de locação e cessão de uso das marcas não são atividades ilícitas. Que, embora a Justiça do Trabalho tenha firmado entendimento de que o Sr. Odenir era "laranja" da Sra. Julieta e do Sr. Ronaldo, cuja decisão está sendo atacada através da Ação Rescisória, a ser proposta perante o Tribunal, é inegável que o Sr. Odenir foi e é proprietário da Empresa OR1. Que o Tribunal do Trabalho, não tem força para desconstituir o contrato social que foi firmado sem vícios ou máculas. Que a condição de sócio efetivo é comprovada pelo simples fato do mesmo ter carreado a este processo os documentos juntados em sua manifestação, Que tais documentos estão na posse de quem é o proprietário da empresa não podendo valerse da própria torpeza para se ver livre da responsabilidade fiscal. Que os documentos pertinentes a movimentação da Empresa não estão assinados pela Sra. Julieta que não é e nunca foi proprietária da ORI. Que com relação a participação do Sr. Ronaldo Goldoni, o mesmo era realmente procurador do Sr. Valdir, que o Sr. Valdir era médico veterinário e atuava na fazenda de propriedade da família Goldoni, bem como tinha outras atividades, tais atividades proporcionavam ao mesmo uma situação financeira abastada, razão pela qual investiu na ORI, fazendo a exigência que o Sr. Ronaldo Goldoni seria seu representante naquela sociedade. O Sr. Valdir moveu reclamatória trabalhista contra a família Goldoni, conforme sentença trazida pela inventariante do mesmo, a participação societária de Valdir na ORI foi mantida. E, que estão impossibilitados de comprovarem a origem dos recursos constante da intimação posto que não são e nunca foram proprietários da ORI. (...) Com relação a apresentação dos documentos fiscais e contábeis, bem como, a comprovação efetiva da origem dos créditos bancários, apesar de reiteradas intimações, tanto os sócios, (Odenir e Valdir) como o Sr. Ronaldo Goldoni e a Sra. Julieta Cavagnoli Goldoni nada justificaram.” Fl. 20DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Acórdão n.º 1302001.312 S1C3T2 Fl. 15 8 6. A pessoa jurídica foi intimada na pessoa dos sócios constantes no contrato social (primeira alteração contratual f. 29 e 30) em 7 de abril de 2005 e os coautuados pessoas físicas na mesma data, por via postal (Avisos de Recebimento às f. 1039 a 1041). 7. Após requerimento e recebimento de partes do processo (f. 1055 a 1059), Odenir Camilo de Lima Guimarães protocolou, em 6 de maio de 2005, o documento de f. 1068 a 1076, firmado por procurador (instrumento de mandato à f. 1077), bem como anexos (f. 1078 a 1090), no qual aduz em síntese que: 7.1 – embora constasse como sócio no contrato social da empresa Ori Indústria e Comércio de Cereais Ltda., tal fato ocorreu em face de coação pelos reais proprietários da empresa, nunca tendo se beneficiado administrativa ou financeiramente; 7.2 – pleiteou junto à Justiça do Trabalho o reconhecimento do vínculo empregatício, obtendo decisão favorável, inclusive com a ordem para que fosse oficiado à Junta Comercial, para as medidas que fossem pertinentes; 7.3 – sejam excluídos do arrolamento de bens e direitos o imóvel matrícula 126.546, livro 2, do Registro de Imóveis da 1ª Circunscrição de Campo Grande (MS) e o veículo Vectra placas HRP 7942; 7.4 – os reais proprietários da empresa Ori Indústria e Comércio de Cereais Ltda. são Julieta Cavagnoli Goldoni e Ronaldo Goldoni, de acordo com vasta documentação já apresentada, requerendo, portanto, a sua exclusão do pólo passivo deste processo. 8. Os coautuados, pessoas físicas, Julieta Cavagnoli Goldoni e Ronaldo Goldoni protocolaram impugnação conjunta em 6 de maio de 2005 (f. 1091 a 1111), firmada por procuradores (instrumentos de mandato às f. 1237 e 1238), acompanhada dos anexos de f. 1112 a 1236, na qual, em resumo, informam e alegam que: 8.1 – os reais sócios da empresa Ori Indústria e Comércio de Cereais Ltda. são os constantes no contrato social; 8.2 – a decisão errônea da Justiça do Trabalho que firmou entendimento de que Odenir Camilo de Lima Guimarães era “laranja” está sendo contestada em face de ação rescisória; 8.3 – a própria Justiça Obreira reconhece Valdir Balestreri como um dos sócios da pessoa jurídica multicitada; 8.4 – tais decisões, proferidas no âmbito trabalhista não têm o condão de “desconstituir o contrato social firmado sem vícios ou máculas”, restando assim clara a ilegitimidade passiva de Julieta Cavagnoli Goldoni e Ronaldo Goldoni neste feito fiscal; 8.5 – houve excesso no arrolamento de bens e direitos; 8.6 – não há como se proceder a lançamento tributário com base em extratos bancários, ante ao entendimento jurisprudencial que colaciona e por ferir o art. 9º, inciso VII, do Decretolei n. 2.471/88, bem como a Súmula n. 182 do antigo TFR; Fl. 21DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Acórdão n.º 1302001.312 S1C3T2 Fl. 16 9 8.7 – a Taxa Selic é inaplicável como índice de correção monetária, devendo ser aplicado o IGPm (FGV), bem como o percentual de um por cento de juros moratórios de acordo com o art. 161, caput e § 1º, do CTN. 9. Requerem, ao final, o acatamento da preliminar de ilegitimidade de parte e, caso contrário, o excesso de arrolamento, a improcedência dos AI´s pela impossibilidade de lançamento de tributos com base em extratos bancários e, por fim, a ilegalidade da Taxa Selic, devendo ser aplicados o IGPM (FGV) como índice de correção monetária e os juros moratórios pelo percentual de 1%. A 2ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS analisou as impugnações apresentadas e, por via do Acórdão nº 6.109, de 24/06/2005 (fls. 1242/1259), não conheceu da impugnação de Odenir Camilo de Lima Guimarães, rejeitou as preliminares de ilegitimidade de parte e ilegalidade arguidas por Julieta Cavagnoli Goldoni e Ronaldo Goldoni e, no mérito, considerou procedentes os lançamentos com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Anocalendário: 2000 Ementa: INTIMADO PESSOA JURÍDICA. IMPUGNAÇÃO EM NOME DE PESSOA FÍSICA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de impugnação apresentada por pessoa física em seu próprio nome, quando não tenha ela sido intimada nessa qualidade, mas sim a pessoa jurídica da qual aquela fazia parte do quadro societário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. LANÇAMENTO. Após o advento da Lei n. 9.430/96, é perfeitamente legal o lançamento de tributos com base em depósitos bancários não comprovados, mormente se não foram apresentados livros e documentos contábeis e fiscais. TAXA DE JUROS SELIC. LEGALIDADE. Uma vez prevista em lei a aplicação da taxa Selic como juros moratórios, não procedem as alegações de inaplicabilidade ou de ilegalidade. A contribuinte ORI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA. foi cientificada da decisão em 14/07/2005 (AR à fl. 1264) em seu endereço cadastral e não apresentou recurso voluntário. Os responsáveis tributários JULIETA CAVAGNOLI GOLDONI e RONALDO GOLDONI foram cientificados da decisão em 29/11/2005 por via postal (AR às Fl. 22DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Acórdão n.º 1302001.312 S1C3T2 Fl. 17 10 fls. 1277 e 1278), e apresentaram recurso voluntário conjunto em 22/12/2005 (fls. 1279/1305). Em seu recurso, após historiar, por sua ótica, os fatos ocorridos e a decisão de primeira instância, alegam preliminarmente sua ilegitimidade passiva, vez que não seriam sócios da empresa ORI Ind. e Com. de Cereais. Afirmam que, segundo o contrato social daquela empresa, os verdadeiros sócios da empresa seriam os Srs. Odenir Camilo de Lima Guimarães e Valdir Balestreri, e somente a eles caberia responder pelo presente procedimento. Argumentam que o Sr. Odenir teria criado a empresa ORI, do que fariam prova o contrato de locação e cessão de direito de uso das marcas que constam dos autos e que estavam de posso do Sr. Odenir. Lembram, ainda, que [...] não se pode olvidar que o recurso administrativo interposto pelo Sr. Odenir de Camilo Lima Guimarães não foi conhecido, acarretando os efeitos da revelia, portanto, a preliminar argüida de ilegitimidade de parte proferida por ele, repassando a responsabilidade de seus atos para os ora recorrentes, restou improcedente, acarretando a responsabilidade sobre o mesmo. Pedem, então, que seus nomes sejam excluídos do pólo passivo do presente processo administrativo. No mérito, trazem os argumentos abaixo sintetizados: a) Seria impossível o lançamento de imposto de renda com base em extratos bancários. Os bens relacionados no Termo de Arrolamento de Bens e Direitos não seriam, em hipótese alguma fatos geradores de impostos relacionados à empresa ORI. Por outro lado, argumentam que “a movimentação financeira bancária interna, envolvendo transferências, empréstimos ou adiantamentos a terceiro, dentro de um exercício, não são fatos que alteram o resultado final da receita tributável e, tampouco caracterizam a distribuição disfarçada de lucros”. Citam doutrina que entendem aplicável e expõem seu entendimento de que seria necessária, além da presunção legal, a comprovação da utilização dos valores movimentados como renda consumida, evidenciando sinais de riqueza não justificável. Transcrevem jurisprudência administrativa e invocam a aplicação da Súmula nº 182 do extinto TFR. Concluem com o pedido de nulidade dos lançamentos com base em extratos bancários. b) A quebra de sigilo bancário no processo administrativo seria ilegal e inconstitucional. Invocam a aplicabilidade dos incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal como garantia do sigilo bancário como direito fundamental do indivíduo. Somente mediante ordem judicial o sigilo poderia ser quebrado. Os arts. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 seriam, portanto, inconstitucionais. Pedem o cancelamento dos créditos tributários lançados. c) Teria ocorrido excesso no arrolamento de bens e direitos, alguns dos quais seriam impenhoráveis. d) Os juros de mora, cobrados mediante taxa acima de 1% ao mês, seriam abusivos, diante do art. 161 do CTN. Fl. 23DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Acórdão n.º 1302001.312 S1C3T2 Fl. 18 11 Em 10/11/2006 o processo foi levado a julgamento perante a Primeira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes. Na oportunidade, mediante o acórdão nº 30133.440 (fls. 1310/1321), aquele colegiado decidiu, por unanimidade de votos, declinar competência em favor do Primeiro Conselho de Contribuintes. Em 14/03/2012 o processo foi levado a julgamento perante a Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Naquela ocasião, mediante a Resolução nº 130100.047, o Colegiado resolveu sobrestar o julgamento, nos termos do art. 62A, § 1º, do Anexo II do RICARF, c/c art. 2º, § 2º, inciso I, da Portaria CARF nº 001/2012. O mencionado § 1º do art. 62A do Anexo II do RICARF veio a ser revogado pela Portaria MF nº 545, de 18/11/2013 (DOU de 20/11/2013). Com isso, o processo retorna para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso apresentado por JULIETA CAVAGNOLI GOLDONI e RONALDO GOLDONI é tempestivo e passo a verificar sua admissibilidade. Inicialmente, ressalto que a pessoa jurídica ORI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA., relacionada no momento do lançamento no polo passivo da obrigação jurídicotributária na qualidade de contribuinte (CTN, art. 121, I), não apresentou recurso voluntário. O recurso acima mencionado foi interposto pelas duas pessoas físicas arroladas no polo passivo na qualidade de responsáveis (CTN, 121, II), responsabilidade esta atribuída com fundamento nos artigos 124 e 135 do mesmo código. Ainda sem entrar no mérito da responsabilidade imputada, entendo que agiu corretamente o Fisco ao, com base nos elementos de que dispunha e nos fatos que apurou, trazer para o polo passivo da relação jurídicotributária as pessoas físicas que considerou responsáveis tributários. O art. 142 do CTN assim dispõe (grifo não consta do original): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Observese que a obrigação de constituir o crédito tributário pelo lançamento, imposta à autoridade administrativa, tem como um de seus aspectos a identificação do sujeito Fl. 24DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Acórdão n.º 1302001.312 S1C3T2 Fl. 19 12 passivo. O mesmo diploma legal, em seu artigo 121, caracteriza o sujeito passivo da obrigação tributária como gênero, do qual define duas espécies: o contribuinte e o responsável. Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Desta forma, repito, andou bem o Fisco ao relacionar no polo passivo não apenas o contribuinte (a pessoa jurídica ORI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA.), mas também aqueles sobre os quais entendeu recair a responsabilidade tributária. Quanto à legitimidade para intervir no processo daqueles tidos como responsáveis, entendo que essa legitimidade em tudo se equipara àquela reconhecida ao contribuinte. O impugnante em primeira instância, ou o recorrente em segunda instância, é aquele contra quem foi lavrado o auto de infração, de quem se exigiu o pagamento do crédito tributário constituído ou, se inconformado, a reclamação correspondente. Em outras palavras, é tanto o contribuinte quanto o responsável. Negar àquele apontado como responsável a possibilidade de aduzir provas e razões contrárias não apenas à sua responsabilização, mas também contra o lançamento, em si, constituiria grave equívoco e causa de nulidade, por cercear o direito ao contraditório e à ampla defesa, garantido pela Constituição Federal. Na esteira dessa linha de raciocínio, e por não tratar especificamente do assunto o Decreto nº 70.235/1972, considero plenamente aplicáveis as disposições dos arts. 9º e 58 da Lei nº 9.784/1999: Art. 9o São legitimados como interessados no processo administrativo: I pessoas físicas ou jurídicas que o iniciem como titulares de direitos ou interesses individuais ou no exercício do direito de representação; II aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada; [...] Art. 58. Têm legitimidade para interpor recurso administrativo: I os titulares de direitos e interesses que forem parte no processo; II aqueles cujos direitos ou interesses forem indiretamente afetados pela decisão recorrida; [...] Fl. 25DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Acórdão n.º 1302001.312 S1C3T2 Fl. 20 13 No mesmo sentido já se manifestou a douta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, do qual transcrevo os excertos abaixo: [...] 96. A conseqüência jurídica principal da conclusão de que o administrador que comete ato ilícito, no exercício da gerência, responde solidariamente com a pessoa jurídica pelo crédito tributário, sem benefício de ordem, é a de que ele, nesse caso, deve ser considerado “sujeito passivo” e “devedor” para efeito de aplicação da legislação tributária em geral. É ele “sujeito passivo” porque, por força do art. 121, parágrafo único, II, do CTN, todo responsável é sujeito passivo tributário. É ele “devedor” em razão de que a pretensão do Fisco para com ele é exigível independentemente da solvabilidade da pessoa jurídica. 97. Assim, o responsável solidário pode sofrer, individualmente, auto de infração, com forte no art. 142 do CTN, sendo, nesse ato, declarado o ato ilícito que praticou o administrador no exercício da gerência e imputada a responsabilidade a esse infrator. Sendo, porém, sua responsabilidade autônoma da obrigação do contribuinte quanto ao nascimento e à natureza, não está obrigada a Administração Tributária a declarar sua responsabilidade ao mesmo tempo em que constitui o crédito tributário de que é devedora a pessoa jurídica. A responsabilidade do terceiro pode ser declarada a qualquer tempo, na esfera administrativa ou judicial, desde que subsista a obrigação do contribuinte. [...] 102. Noutros termos, podemos afirmar que o responsável pode participar do processo administrativo fiscal em que se discute o crédito tributário na posição de terceiro interessado; tratase de faculdade sua. Não é obrigatória, porém, sua presença e sequer sua intimação para tanto, justamente porque ele, no PAF em questão, é meramente terceiro interessado. Distintamente, em processo administrativo em que se apura sua responsabilidade “pessoal” decorrente de ato ilícito, sua presença é indispensável, obviamente. Pelo exposto, considero partes legítimas no presente processo administrativo fiscal a Sra. JULIETA CAVAGNOLI GOLDONI e o Sr. RONALDO GOLDONI, e conheço do recurso por eles apresentado. Passo, então, a apreciar os argumentos dos recorrentes acerca da responsabilidade tributária que lhes foi imputada. De plano, esclareço que tenho por infrutíferas as tentativas dos recorrentes de atribuir a responsabilidade pessoal aos sócios de direito da ORI, Sr. Odenir Guimarães e Sr. Valdir Balestreri (este último já falecido). Em primeiro lugar, porque, no âmbito do presente processo administrativo, o Fisco entendeu que não caberia responsabilizar aquelas pessoas, à vista dos elementos e provas que reuniu. Seriam elas meros funcionários ou ainda laranjas, figuras de fachada sem poder de decisão. Não cabe, portanto, a este colegiado redirecionar ou incluir quem quer que seja no polo passivo da relação jurídica tributária. Em futura execução fiscal, a ser conduzida pela Procuradoria da Fazenda Nacional perante o Poder Judiciário, poderia, em tese, ocorrer o redirecionamento para outras pessoas que não constassem do lançamento original, desde que, a seu prudente critério, assim entendesse a douta Procuradoria. A discussão sobre a propriedade ou não desse hipotético redirecionamento da execução se daria, por certo, na esfera da Justiça. Fl. 26DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Acórdão n.º 1302001.312 S1C3T2 Fl. 21 14 Em segundo lugar, porque o fato de não ter sido conhecida em primeira instância a impugnação apresentada pelo Sr. Odenir Guimarães não possui os efeitos que lhe atribuem os recorrentes. Aquela reclamação não foi conhecida simplesmente porque não foi imputada qualquer responsabilidade pessoal ao Sr. Odenir e, diante disso, não era ele parte legítima para intervir, na qualidade de pessoa física, no processo administrativo. O que resta, então, é verificar se, como entendeu o Fisco, estão presentes e comprovadas as circunstâncias previstas na legislação aplicável que permitem a atribuição de responsabilidade tributária à Sra. JULIETA CAVAGNOLI GOLDONI e ao Sr. RONALDO GOLDONI. Transcrevo a seguir, por clareza, os artigos 124 e 135 do CTN, nos quais se embasou a conclusão da Fiscalização. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. [...] Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Observo, de pronto, a irrelevância de serem ou não os recorrentes sócios de direito da pessoa jurídica ORI. A lei responsabiliza os administradores de fato, aqueles com poderes de decisão, “os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado”. E, à vista das provas dos autos, considero incontestável que se revestiam dessa condição a Sra. JULIETA CAVAGNOLI GOLDONI e o Sr. RONALDO GOLDONI. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 977/996 descreve com detalhes: (i) a existência de uma empresa “antecessora”, a Cerealista Juliana, carregada de débitos; (ii) a constituição da nova empresa, ORI, com capital social irrisório frente ao vulto de seus negócios, a qual continuou a atividade da anterior com os mesmos funcionários, no mesmo local e instalações industriais e no mesmo ramo de atividade, explorando as mesmas marcas comerciais, sem qualquer pagamento por isso; (iii) que a administração da ORI era exercida, de fato, pelos mesmos sócios da Cerealista Juliana, e que os sócios de direito daquela eram funcionários sem poder de decisão ou, em outras palavras, interpostas pessoas dos reais proprietários e administradores do negócio, a Sra. JULIETA CAVAGNOLI GOLDONI e o Sr. RONALDO GOLDONI. Tais fatos e conclusões são apoiados por farta prova documental nos autos, dos quais destaco especialmente cópias de grande quantidade de cheques assinados pelo Sr. Ronaldo (fls. 394 e segs.), com o que se comprova que ele não apenas era detentor de Fl. 27DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Acórdão n.º 1302001.312 S1C3T2 Fl. 22 15 procuração para movimentar os recursos da ORI, mas de fato exercia tais poderes, e documentos produzidos pelo INMETRO (fls. 421 e segs.), nos quais figuram ora o Sr. Ronaldo, ora a Sra. Julieta, na qualidade de responsáveis pelos produtos da ORI. Também o Poder Judiciário teve a oportunidade de apreciar a questão. O trecho a seguir transcrito consta de acórdão proferido pelo TRT da 24ª Região, nos autos do Processo nº 1468/200200324000RO.1, em que o reclamante é o Sr. Odenir Camilo de Lima Guimarães e os reclamados são o Sr. Ronaldo Goldoni e a Sra. Julieta Cavagnoli Goldoni, juntado por cópia aos presentes autos às fls. 352/360. Não obstante se cuidasse, ali, de reclamação de cunho trabalhista, as conclusões daquele Egrégio Colegiado bem se prestam a subsidiar o presente processo, especialmente no que se refere a quem eram, de fato, os dirigentes da empresa ORI. (grifos não constam do original) [...] Insurgemse os reclamados contra a condenação, reiterando a negativa de qualquer vinculo com o reclamante. O apelo não merece prosperar, pois a prova produzida corrobora as alegações da inicial. A testemunha ALBERTA PIRES GUERRA (depoimento de f. 283/284) disse que : "... embora não fosse sócia de fato, figurou no contrato social da empresa Ori por insistência da Sra. Julieta, a qual justificou que precisva abrir uma nova firma, para continuar operando, uma vez que a Cerealista Juliana estava sendo encerrada; que figurou como sócia até agosto de 2000, quando foi substituída pelo recte (...) que foi empregada registrada da Cerealista Juliana desde 1990, tendo passado a prestar serviços para a empresa Ori com o fechamento daquela; que na empresa Ori sempre recebeu o mesmo salário, de R$ 1.530,00; que a depoente elaborava a folha de pagamentos e o Sr. Ronaldo sacava o dinheiro e o repassava para aquela fazer os pagamentos, inclusive do seu próprio salário (...) que o recte sempre atuou como gerente da empresa, sendo que os sócios eram o Sr. Ronaldo e Sra. Julieta (...) que o recte substituiu a depoente no contrato social da empresa devido aos inúmeros pedidos desta (que embora tenha sido feito um contrato de locação do prédio e equipamentos, a empresa Ori nunca efetuou qualquer pagamento relativo a esta contrato à Sra. Julieta ou ao Sr. Ronaldo." Não há dúvida, portanto, de que os reclamados criaram uma nova empresa, cuja titularidade cometeram a um "testa de ferro", de inicio a testemunha Alberta Pires Guerra e depois o reclamante. De inicio, nada impede que a pessoa, antes empregada, passe a ser sócia do empreendimento. No caso, porém, a inclusão do reclamante como sócio da nova empresa constituiu fraude trabalhista, vedada pelo art. 90 da CLT. Isso porque, a par do depoimento da testemunha Alberta Pires Guerra, de que ele "sempre atuou como gerente da empresa", é preciso atentar também para o depoimento da testemunha ELIAS LOPES DA SILVA NETO (depoimento de f. 284) , que prestava serviços para os reclamados na área de informática, e que "prestou serviços na empresa Ori por cerca de um ano, até próximo do fechamento desta". Referida testemunha afirmou que "tinha maior contato com os 'representantes da empresa', Sr. Ronaldo e Sra. Julieta, sendo que era o primeiro quem fazia o pagamento pelos serviços prestados." Fl. 28DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Acórdão n.º 1302001.312 S1C3T2 Fl. 23 16 A testemunha VALDIR BALESTRERI, indicada pelos reclamados e ouvida como mera informante, por ter também figurado como sócia da empresa ORI, disse, à f. 285, que "o recte substituiu a Sra. Alberta do ano de 2000, porém não fez qualquer pagamento a este ou ao depoente para integrar o quadro societário da empresa". Ainda segundo a testemunha VALDIR, "o reclamante sempre exerceu a função de gerente, inclusive após passar a fazer parte do quadro societário". Notese que até mesmo Valdir Balestreri continuou com suas atividades usuais, tendo o reclamado Ronaldo Goldoni, com o intuito de justificar a procuração recebida para gerenciar o setor financeiro da empresa Ori, afirmado que ele, Valdir, "tinha outras atividades", uma vez que “presta serviços como Veterinário nas fazendas da família dos reclamados bem como em outras fazendas da região de Rio Verde de Mato Grosso" ( f . 282) . Ora, é inverossímil a tese de que os supostos sócios da empresa ORI exerçam o comando da empresa, mas continuem a realizar os mesmos serviços que prestavam quando eram empregados da Cerealista Juliana. Tampouco é crível a versão apresentada pelo reclamado Ronaldo Goldoni com o fito de justificar haver recebido procuração de Valdir Balestreri para administrar os negócios da empresa Ori, quando é certo que Ronaldo sequer logrou administrar sua própria empresa, Cerealista Juliana, que confessadamente “não proporcionava lucros, mas sucessivos prejuízos" ( f . 67) . De resto, também a prova documental deixa claro que a administração da empresa ORI era exercida, de fato, pelos reclamados Ronaldo e Julieta Goldoni. Vejase, a respeito, os laudos do INMETRO (f. 29/57), em que constam as assinaturas dos reclamados, como responsáveis pelos produtos comercializados, bem como as cópias dos cheques emitidos e assinados por Ronaldo Goldoni em nome da empresa (f. 233 e 234). Voltando ao depoimento de VALDIR BALESTRERI, é importante ressaltar que ele, malgrado figurando como sócio da empresa, não soube precisar a divida da empresa e quem eram seus maiores fornecedores e credores, o que só reforça o entendimento de que os verdadeiros titulares da empresa eram os reclamados. Como bem observado, ainda, na r. sentença recorrida, é sintomático que os reclamados, a despeito de seus problemas financeiros, hajam cedido à empresa Ori todas as instalações, maquinários, equipamentos de escritório, inclusive de informática, bem como o direito de uso de marcas e patentes dos produtos industrializados, sem qualquer contraprestação. É importante, como se tudo o mais não bastasse, a confissão do preposto dos reclamados (f.2823). de que Julieta Goldoni mantinha uma sala nas dependências da empresa Ori onde, segundo as razões finais de f. 295, ela "exercia apenas influência pedagógica sobre os sócios, dando aconselhamentos ou emitindo opiniões acerca de decisões a serem tomadas, já que havia estreito relacionamento e confiança mútua entre o grupo". É certo, portanto, que o reclamante, malgrado a aparência formal com que os reclamados procuraram mascarar o relacionamento efetivo, nunca deixou de ser empregado deles, devendo ser confirmada a r. sentença de primeiro grau. [..] Fl. 29DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Acórdão n.º 1302001.312 S1C3T2 Fl. 24 17 Embora os recorrentes noticiem, em sua peça recursal, que teria sido interposta ação rescisória em face da decisão supra referida, não encontro nos autos comprovação de que teria sido admitida nem de seu possível resultado, nem, ainda, qualquer outro fato ou aspecto que invalide as conclusões transcritas. Ao contrário, tenho por comprovado que a Sra. JULIETA CAVAGNOLI GOLDONI e o Sr. RONALDO GOLDONI eram os sócios e administradores de fato da pessoa jurídica ORI Indústria e Comércio de Cereais Ltda. e que, nessa qualidade, praticaram atos contrários à lei, com o objetivo de se eximir dos tributos devidos. Perfeitamente caracterizada, pois, a responsabilidade tributária, pelo que rejeito a preliminar de ilegitimidade passiva dos recorrentes Sra. JULIETA CAVAGNOLI GOLDONI e Sr. RONALDO GOLDONI Ultrapassada a questão da sujeição passiva, passo a apreciar os argumentos trazidos pelos recorrentes contra o lançamento. Dizem os recorrentes que seria impossível o lançamento de imposto de renda com base em extratos bancários. Os bens relacionados no Termo de Arrolamento de Bens e Direitos não seriam, em hipótese alguma fatos geradores de impostos relacionados à empresa ORI. Por outro lado, argumentam que “a movimentação financeira bancária interna, envolvendo transferências, empréstimos ou adiantamentos a terceiro, dentro de um exercício, não são fatos que alteram o resultado final da receita tributável e, tampouco caracterizam a distribuição disfarçada de lucros”. Acrescentam que seria necessária, além da presunção legal, a comprovação da utilização dos valores movimentados como renda consumida, evidenciado sinais de riqueza não justificável. Transcreve jurisprudência administrativa e invoca a aplicação da Súmula nº 182 do extinto TFR. Conclui com o pedido de nulidade dos lançamentos com base em extratos bancários. A acusação trata de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002, a seguir transcrito: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: Fl. 30DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Acórdão n.º 1302001.312 S1C3T2 Fl. 25 18 I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Tratase, como é cediço, de presunção relativa, que admite prova em contrário. Mas essa prova cabe aos recorrentes. Ao Fisco cabe provar o fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, qual seja, a ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada. Não há dúvidas de que os depósitos efetivamente ocorreram. No entanto, regularmente intimados, os recorrentes poderiam afastar a presunção de omissão de receitas, desde que apresentassem, nos termos da lei, documentação hábil e idônea que comprovasse, individualizadamente, a origem dos valores creditados nas contacorrentes da pessoa jurídica. A obrigação de escriturar toda a movimentação financeira, inclusive bancária e, ainda, de guardar todos os documentos e demais papéis que sirvam de base para a escrituração está prevista na legislação fiscal, e aplicase, com pequenas variações, aos contribuintes tributados com base no lucro real, presumido ou optantes pelo SIMPLES. Ao descumprir a obrigação de escriturar, a interessada queda sem meios hábeis para comprovação da origem dos valores que transitaram por suas contascorrentes. Não tendo a interessada qualquer cautela em documentar adequadamente os fatos, ficam por sua conta e risco as conseqüências de tal negligência. No caso, a conseqüência é a aplicação da presunção legal de omissão de receitas, nos estritos termos da lei, conforme anteriormente mencionado. Quanto à alegada necessidade de comprovação, por parte do Fisco, da utilização dos valores movimentados em instituições bancárias a evidenciar renda consumida, Fl. 31DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Acórdão n.º 1302001.312 S1C3T2 Fl. 26 19 tal tese já foi pacificamente ultrapassada no âmbito deste Conselho, a ponto de resultar na Súmula nº 26, abaixo transcrita1: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Já quanto ao questionamento levantado de que os bens objeto de arrolamento nada têm a ver com hipotéticas receitas omitidas pela pessoa jurídica ORI, isto é verdade, e em nenhum momento se afirmou o contrário. Os bens arrolados não se encontram, de forma alguma, indisponíveis, e o arrolamento se presta a agilizar uma futura e, neste momento, ainda incerta, execução fiscal por parte da Fazenda Nacional. Resta, afinal, claramente demonstrada a inaplicabilidade ao caso em tela da Súmula 182 do extinto TRF, a qual se refere a legislação pretérita àquela que embasou a presente autuação. Os fatos descritos e comprovados nos autos são aqueles necessários e suficientes para que se mantenha o presente lançamento de omissão de receitas. A seguir, os recorrentes alegam que a quebra de sigilo bancário no processo administrativo seria ilegal e inconstitucional. Invocam a aplicabilidade dos incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal como garantia do sigilo bancário como direito fundamental do indivíduo. Somente mediante ordem judicial o sigilo poderia ser quebrado. Os arts. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 seriam, portanto, inconstitucionais. Pedem o cancelamento dos créditos tributários lançados. A Turma Julgadora, em primeira instância, não lhe deu razão. Também assim o faço. Examinemos as disposições dos arts. 1º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001, a seguir transcritos (grifos não constam do original) Art. 1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. [...] § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: [...] VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. [...] Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. 1 Conforme Consolidação na Portaria CARF nº 49, de 01/12/2010, publicada no DOU de 07/12/2010. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Acórdão n.º 1302001.312 S1C3T2 Fl. 27 20 Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Como facilmente se observa, a Lei autoriza o acesso das autoridades tributárias diretamente aos registros das instituições financeiras, sem que haja violação do dever de sigilo, desde que haja procedimento fiscal em curso, e que os exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. A regulamentação do art. 6º, ou seja, a perfeita delimitação das condições a que a lei se refere, foi feita pelo Poder Executivo mediante o Decreto nº 3.724/2001. Não há que se falar, portanto, em reserva de jurisdição. Aliás, mesmo para aqueles que entendem que o sigilo bancário pode ser compreendido como espécie do direito à intimidade, em um sentido amplo, protegido pelo inciso X do art. 5º da Constituição Federal de 1988 (o que não é pacífico), há que se notar que o texto constitucional, neste caso, é silente quanto à necessidade ou não de prévia autorização judicial. Quando quis, o legislador constitucional fez constar explicitamente a competência exclusiva do Poder Judiciário para determinadas matérias, como, por exemplo, a busca domiciliar, prevista no inciso XI, a interceptação telefônica (inciso XII) e a decretação de prisão de qualquer pessoa, ressalvada a hipótese de flagrância (inciso LXI, todos do art. 5º). Eis o texto dos dispositivos constitucionais invocados pelos recorrentes: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] X são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; [...] XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; Ainda quanto ao conceito de intimidade, conquanto possa ser tido de maneira mais ampla, quase como sinônimo de privacidade, abrangendo também a vida privada, a honra e a imagem, o fato é que a Constituição fez questão de separar esses aspectos, o que nos leva a adotar um conceito mais restrito. José Afonso da Silva, citando René Ariel Dotti, ensina que a intimidade se caracteriza como “a esfera secreta da vida do indivíduo na qual este tem o poder legal de evitar os demais”2. O mesmo autor cita conceito de Adriano de Cupis, que define a intimidade como “o modo de ser da pessoa que consiste na exclusão do conhecimento de 2 SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 15ª ed. rev. e atual., São Paulo, Malheiros Editores, 1998, pág. 210. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Acórdão n.º 1302001.312 S1C3T2 Fl. 28 21 outrem de quanto se refira à pessoa mesma”3. Vejase que estes conceitos não têm precisa linha demarcatória, correndo o risco de ambigüidade ou de referências circulares. No entanto, a linha comum a ser observada é que a intimidade vela sobre segredos e particularidades do foro moral e íntimo do indivíduo. Já quanto à vida privada, separada da intimidade pelo texto constitucional, mais uma vez é de se recorrer a José Afonso da Silva4: ... a vida das pessoas compreende dois aspectos: um voltado para o exterior e outro para o interior. A vida exterior, que envolve a pessoa nas relações sociais e nas atividades públicas, pode ser objeto das pesquisas e das divulgações de terceiros, porque é pública. A vida interior, que se debruça sobre a mesma pessoa, sobre os membros de sua família, sobre seus amigos, é a que integra o conceito de vida privada, inviolável nos termos da Constituição. A próxima etapa da análise é verificar se a movimentação bancária estaria abrangida pela proteção constitucional. Considerando o exposto anteriormente, seria uma distorção admitir que sim. Afinal, os dados bancários de uma pessoa refletem aspectos de seu patrimônio, que em princípio nenhuma relação têm com seu foro moral e íntimo, e apenas indiretamente poderiam ser aspecto da vida interior a que se refere José Afonso da Silva. Seria mais adequado caracterizar o sigilo bancário como um dos instrumentos de defesa da propriedade, como proteção contra a curiosidade sem justo motivo de terceiros ou concorrentes. Essa linha de raciocínio ganha ainda mais força ao analisar a possível aplicabilidade do dispositivo constitucional às pessoas jurídicas, no que tange à proteção à intimidade e à vida privada. Ora, tratase de valores típicos da pessoa humana, de conceitos atinentes à dimensão interna da entidade (pessoa). Inaplicáveis, assim, às pessoas jurídicas, criações abstratas do Direito, despossuídas de intimidade. Em se tratando de empresas, fica ainda patente que a movimentação bancária pode revelar tão somente aspectos patrimoniais, não abrangidos pelo inciso X do art. 5º da CF/88. Passemos, então, à análise do inciso XII do art. 5º, que trata da proteção das comunicações. O segredo das correspondências desde longa data tem reclamado proteção, praticamente ao mesmo tempo da criação de um serviço postal. A facilidade de comunicação surgida para os particulares trouxe fundados receios da divulgação e da utilização indevida das informações. O surgimento de novas formas de comunicação, como o telégrafo e o telefone, fez com que a proteção fosse ampliada, com os mesmos fundamentos. A Constituição anterior (1967) estabelecia que “é inviolável o sigilo de correspondência e das comunicações telegráficas e telefônicas”. O constituinte de 1988 inovou, ao introduzir a palavra “dados”. A propósito, cabe transcrever o comentário de Bastos e Martins5 em 1989, ainda no calor do surgimento do novo texto constitucional: 3 SILVA, José Afonso da. Obra citada, pág. 210. 4 SILVA, José Afonso da. Obra citada, pág. 211. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Acórdão n.º 1302001.312 S1C3T2 Fl. 29 22 De logo fazse mister tecer críticas à impropriedade desta linguagem. A se tomar muito ao pé da letra, todas as comunicações seriam invioláveis, uma vez que versam sempre sobre dados. Mas pela inserção da palavra no inciso vêse que não se trata propriamente do objeto da comunicação, mas sim de uma modalidade tecnológica recente que consiste na possibilidade das empresas, sobretudo financeiras, fazerem uso de satélites artificiais para comunicação de dados contábeis. Em que pese a existência de opiniões em contrário, a melhor interpretação é a de que a proteção de que trata esse inciso recai sobre as comunicações, em suas diversas modalidades, e não sobre os dados ou informações que estão sendo comunicados. Assim também pensa Ferraz Jr6.: “Obviamente, o que se regula é comunicação por correspondência e telegrafia, comunicação de dados e telefonia”. Quanto às informações contidas nessa comunicação, sua proteção se dará pela legislação constitucional ou mesmo infraconstitucional específica, conforme seu conteúdo. Assim, se a comunicação versar sobre aspectos íntimos das pessoas, estarão sob o manto da proteção à intimidade (inciso X do art. 5º). Se foram informações sobre movimentação bancária, será aplicável a legislação que rege essa matéria. O que a Constituição veda é que um terceiro, que nada tem a ver com a relação comunicativa, entre na transmissão (por qualquer de seus modos) e acesse indevidamente os dados transmitidos. Se, por hipótese, um magistrado, em situação prevista legalmente, determina o acesso do fisco à movimentação financeira de um determinado contribuinte, não se há de cogitar da interceptação das ordens de pagamento feitas eletronicamente, emitidas pelo titular da conta. Deve, entretanto, o banco repassar ao fisco as informações armazenadas em sua base de dados. Não cabe falar, aqui, em sigilo de dados. Em reforço dessa linha interpretativa, de que apenas o ato comunicacional está protegido pelo inciso XII, Ferraz Jr.7 lembra que o texto constitucional estabelece essa vedação em caráter absoluto, com ressalva apenas quanto às comunicações telefônicas. E o faz em face de sua volatilidade. Nas comunicações por correspondência, telegráfica e de dados, na presença do interesse público, é possível a reconstituição das informações transmitidas e a obtenção de provas com base nos vestígios materiais da comunicação: a carta guardada, o telegrama, as informações armazenadas em um computador. Ao contrário, o conteúdo das conversas telefônicas se perderia por completo, se não fosse a permissão, nos casos especificados, de suas gravações, comumente denominadas “grampos telefônicos”. Pelo exposto, resta demonstrada a inaplicabilidade dos incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal de 1988 ao sigilo bancário. Observese, ademais, que o acesso do fisco às informações bancárias é, em última análise, um mero teste de veracidade e consistência das informações já anteriormente oferecidas à administração tributária. O dever original de informar sobre suas operações sujeitas ou não à incidência tributária é do contribuinte, antes mesmo de iniciado qualquer procedimento fiscal. Assim, o acesso a tais informações não deve ser encarado como quebra de 5 BASTOS, Celso Ribeiro, e MARTINS, Yves Gandra da Silva. Comentários à Constituição do Brasil. vol. 2, São Paulo, Editora Saraiva, 1989, pág. 73. 6 FERRAZ Jr., Tércio Sampaio. Sigilo Fiscal e Bancário. In: PIZOLIO, Reinaldo, e GAVALDÃO Jr., Jayr Viégas (Coordenadores). Sigilo Fiscal e Bancário. São Paulo, Quartier Latin, 2005, pág. 25. 7 FERRAZ Jr., Tércio Sampaio. Obra citada, pág. 27. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Acórdão n.º 1302001.312 S1C3T2 Fl. 30 23 sigilo ou prerrogativa excepcional, e sim como forma de se aferir a veracidade das informações que originariamente deveriam ter sido prestadas pelo próprio sujeito passivo da obrigação tributária. Em se tratando de pessoas físicas, as informações já deveriam constar de suas declarações anuais de rendimentos, quer se trate de rendimentos auferidos, tributáveis ou não, quer se trate de informações sobre variações patrimoniais tais como aquisição e/ou alienação de bens, saldos de contas bancárias e de aplicações financeiras, entre outras. Se for o caso de pessoas jurídicas, com muito mais razão as informações já deveriam estar disponíveis ao fisco, em face da obrigação de escriturar detalhadamente todas as suas operações (inclusive bancárias/financeiras) e de comprovar sua escrituração com documentação hábil e idônea. No caso em tela, ressaltese, a movimentação financeira objeto de autuação não se encontrava adequadamente escriturada no livro Caixa nem suportada por documentos hábeis e idôneos, como seria obrigação da recorrente, a teor do disposto na alínea “a” do § 1º do art. 7º da Lei nº 9.317/1996 (grifos não constam do original): Art. 7° A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do ano calendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3° e 4° . § 1° A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. Adicionalmente, devem ser observadas as disposições do art. 145, § 1º, da Constituição Federal vigente: Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: I impostos; II taxas, ...; III contribuição de melhoria, ... . § 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, Fl. 36DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Acórdão n.º 1302001.312 S1C3T2 Fl. 31 24 respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. O caput do artigo traz a competência para a instituição dos tributos, fonte de recursos para o Estado. Seu parágrafo primeiro delimita parâmetros para a exigência tributária, no que é conhecido na doutrina como o princípio da capacidade contributiva, embora o constituinte tenha preferido a expressão capacidade econômica. Não obstante o fato de que o texto constitucional se refere aos impostos, não são poucos os autores que estendem sua aplicação às demais espécies tributárias. Esse conceito está subordinado à idéia de justiça distributiva, busca fazer com que cada um pague de acordo com sua riqueza, e encontra raízes no vetusto preceito do direito romano de que a justiça consiste em dar a cada um o que é seu (suum cuique tribuere). Ao estabelecer esse parâmetro para a exigência tributária, o constituinte se preocupou com a efetividade de sua aplicação. Para que esse dispositivo constitucional não viesse a se tornar letra morta, à administração tributária foi facultado, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. Quando o art. 145 da Constituição Federal faculta (ou, em se tratando de um poderdever, ordena) à administração a identificação do patrimônio, rendimentos e atividades econômicas dos contribuintes, nada mais faz do que reforçar o princípio da igualdade, permitindo a tributação em paridade de condições daqueles que se encontram em situação econômica semelhante. Nesse diapasão devem ser compreendidos os artigos 195 e 197 do Código Tributário Nacional: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. [...] Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: I os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício; II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; Fl. 37DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Acórdão n.º 1302001.312 S1C3T2 Fl. 32 25 III as empresas de administração de bens; IV os corretores, leiloeiros e despachantes oficiais; V os inventariantes; VI os síndicos, comissários e liquidatários; VII quaisquer outras entidades ou pessoas que a lei designe, em razão de seu cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. Parágrafo único. A obrigação prevista neste artigo não abrange a prestação de informações quanto a fatos sobre os quais o informante esteja legalmente obrigado a observar segredo em razão de cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. Afasto, assim, as alegações dos recorrentes quanto à necessidade de ordem judicial para o afastamento do sigilo bancário da fiscalizada ORI Ind. e Com. de Cereais Ltda. A próxima reclamação dos recorrentes é de que os juros de mora, cobrados mediante taxa acima de 1% ao mês (taxa SELIC), seriam abusivos, diante do art. 161 do CTN. A matéria já foi inúmeras vezes discutida por este Colegiado, bem assim pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e se encontra pacificada, a ponto de resultar na súmula nº 4, a seguir reproduzida: Súmula CARF Nº 4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 8 Por amor à clareza, trago à colação às disposições do art. 161, § 1º, do CTN (grifos não constam do original): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Ocorre que a Lei nº 9.430/1996, em seu artigo 61, § 3º, conjugado com o art. 5º, § 3º, veio a dispor de modo diverso, estabelecendo a aplicação de juros equivalentes à taxa SELIC sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos não pagos, nos seguintes termos (grifos não constam do original): 8 Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009, publicada no DOU de 22/12/2009. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Acórdão n.º 1302001.312 S1C3T2 Fl. 33 26 Art. 5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. [...] § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. [...] Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Não acolho, pois, o pedido de limitação dos juros moratórios ao patamar de 1% ao mês. Finalmente, os recorrentes reclamam que teria ocorrido excesso no arrolamento de bens e direitos, alguns dos quais seriam impenhoráveis. Conforme anteriormente esclarecido, o arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo de que trata a Instrução Normativa RFB nº 1.088/2010 (e, antes dela, a Instrução Normativa SRF nº 264/2002) tem por objetivo o acompanhamento do patrimônio suscetível de ser indicado como garantia de crédito tributário e não implica a indisponibilidade dos bens arrolados. Reclamações quanto a eventuais excessos e impropriedades nesse procedimento fogem à competência deste colegiado, e devem ser dirigidos à autoridade administrativa da RFB que jurisdiciona o contribuinte. Por todo o exposto, em conclusão, voto por negar provimento ao recurso interposto por JULIETA CAVAGNOLI GOLDONI e RONALDO GOLDONI. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 39DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.000045/200545 Acórdão n.º 1302001.312 S1C3T2 Fl. 34 27 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 11065.001921/2003-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999, 2000
RECURSO ESPECIAL. REQUISITO PARA CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. FUNDAMENTO DE LANÇAMENTO FISCAL DISTINTO.
A similitude fática entre o acórdão recorrido e acórdão paradigma é requisito inafastável para seguimento e conhecimento do Recurso Especial. A total discrepância no fundamento do lançamento fiscal analisado em um e outro acórdão afasta a possibilidade de identificação de tal requisito.
Numero da decisão: 9101-003.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000 RECURSO ESPECIAL. REQUISITO PARA CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. FUNDAMENTO DE LANÇAMENTO FISCAL DISTINTO. A similitude fática entre o acórdão recorrido e acórdão paradigma é requisito inafastável para seguimento e conhecimento do Recurso Especial. A total discrepância no fundamento do lançamento fiscal analisado em um e outro acórdão afasta a possibilidade de identificação de tal requisito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1229; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.001921/200311 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.974 – 1ª Turma Sessão de 17 de janeiro de 2019 Matéria IRPJ Recorrente UNIMED VALE DOS SINOS SOCIEDADE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000 RECURSO ESPECIAL. REQUISITO PARA CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. FUNDAMENTO DE LANÇAMENTO FISCAL DISTINTO. A similitude fática entre o acórdão recorrido e acórdão paradigma é requisito inafastável para seguimento e conhecimento do Recurso Especial. A total discrepância no fundamento do lançamento fiscal analisado em um e outro acórdão afasta a possibilidade de identificação de tal requisito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 19 21 /2 00 3- 11 Fl. 1189DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 1.109/1.127) interposto pela contribuinte acima identificada, cujo ponto nuclear de discussão referese à possibilidade de tributação de cooperativa pelo resultado integral dos atos cooperativos e não cooperativos na hipótese de ausência de segregação de receitas e despesas. O acórdão n°120200.684 de 17/01/12 (fls.1.051/1.067), ora recorrido, foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000 Ementa: MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considerase definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada na peça recursal. SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS. SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS E DISPÊNDIOS. DESTINAÇÃO DAS SOBRAS. No caso de sociedades cooperativas que praticam atividades mistas (atos cooperativos e não cooperativos), a escrituração contábil da sociedade deve segregar as receitas e correspondentes dispêndios (custos e despesas) segundo sua origem (atos cooperativos e atos não cooperativos), onde serão excluídos da tributação os resultados dos atos cooperativos. Se a escrita contábil (acompanhada de documentação hábil que a lastreie) não especificar com clareza quais as receitas dos atos cooperativos e quais as dos atos não cooperativos, terseá como integralmente tributado o resultado da sociedade. É que, nesse caso, impossível será a determinação da parcela não alcançada pela não incidência tributária. É indevido o método de cálculo utilizado para proporcionalizar as receitas tributáveis e não tributáveis em razão dos dispêndios (custos ou despesas), em afronta ao item 5 do Parecer Normativo CST n° 38/80. Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 9101003.974 CSRFT1 Fl. 3 3 A ora Recorrente alega em seu Recurso Especial a existência de divergência de interpretação entre o acórdão Recorrido e os acórdãos paradigmas apresentados, cujas ementas estão abaixo transcritas Acórdão 10806.583 Assunto: CSL Período de Apuração: 1995 a 1997 Ementa: CSL SOCIEDADES COOPERATIVAS – COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS – DESCARACTERIZAÇÃO – A prática, mesmo habitual, de atos não cooperativos diferentes daqueles previstos nos arts. 85,86 e 88 da Lei nº 5.764/71 não autoriza a descaracterização da sociedade cooperativa. A Secretaria da Receita Federal não tem competência para fiscalizar o cumprimento, pelas sociedades cooperativas, das normas próprias desse tipo societário, com o fim de descaracterizála. O resultado positivo dos atos não cooperativos, estejam eles elencados ou não nos artigos 85 a 88 da Lei nº 5.764/71, submetese à tributação normal pelo imposto de renda. Não tendo o fisco demonstrado a impossibilidade de determinação, a partir da contabilidade mantida pela cooperativa, da parcela sujeita à tributação, não pode prosperar o lançamento. Recurso provido. Acórdão 10806.449 Assunto: IRPJ e outros Período de apuração: 1994 a 1996 Ementa: IRPJ/CSL/COFINS/PIS – SOCIEDADES COOPERATIVAS – COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS – A prática, mesmo habitual, de atos não cooperativos diferentes daqueles previstos nos artigos 85, 86 e 88 da Lei nº 5.764/71 não autoriza a descaracterização da sociedade cooperativa.A Secretaria da Receita Federal não tem competência para fiscalizar o cumprimento, pelas sociedades cooperativas, das normas próprias desse tipo societário, com o fim de descaracterizála. Não prevalece o lançamento fundado exclusivamente na descaracterização da cooperativa. Recurso de Ofício Negado Alega a Recorrente que o acórdão recorrido entendeu que a inexistência de segregação na escrita contábil das receitas dos atos cooperativos daquelas dos atos não cooperativos, deve ser integralmente tributado o resultado da sociedade. Fl. 1191DF CARF MF 4 Contudo, em sentido contrário, os acórdãos paradigmas nº 10806.583 e 10806.449 vão no sentido de que a prática, mesmo habitual, de atos não cooperativos diferentes daqueles previstos nos arts. 85, 86 e 88 da Lei nº 5.764/71 não autoriza a descaracterização da sociedade cooperativa. Por meio do despacho de admissibilidade de Recurso Especial (fls. 1.177/1.179), o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz deu seguimento ao recurso. A Procuradoria apresentou contrarrazões (fls. 357) em que traz, em síntese, as seguintes alegações: a lei n. 5.764/91 estabeleceu que o ato cooperativo não seria tributado e, com correspondência lógica à regra do artigo 3º, existindo lucro por atos não cooperativos, este deveria ser levado à conta do FATES; ao agir como sociedade comercial, como no caso em apreço, a cooperativa aufere resultado positivo que possui estreita vinculação com atos cooperativos por decorrência reflexa, provocando desigualdade inicial na concorrência e se a empresa não objetiva lucro, segrega os atos cooperativos dos atos não cooperativos, obediente à norma de procedimento (sem ajuntálos ao final, o que demonstraria o intuito único de escapar da tributação evitando a “confusão contábil”), e havendo resultado positivo, destinao ao FATES. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Conhecimento A discussão em tela referese à tributação das cooperativas que possuem atividade mista, ou seja, atos cooperativos e não cooperativos. Até este ponto, entendo que o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas tratam de assunto similar. Contudo, não enxergo a necessária similitude fática para conhecer do presente recurso. Explico. O acórdão recorrido é enfático ao destacar que não se trata de descaracterização da associação para conseqüente tributação mas de apuração de irregularidade na destinação das sobras e insuficiente segregação contábil das receitas de cada tipo de atividade atos cooperativos e não cooperativos. Destaco abaixo, trechos importantes do acórdão recorrido que ratificam meu entendimento: Conforme relatado neste acórdão, os lucros foram distribuídos, de forma indireta aos associados, de duas formas: i) dos lucros contabilizados (que a autuada chama de sobras), parte foi distribuída aos sócios, parte foi capitalizada com a integralização de capital com parte do resultado obtido para, na sequência, distribuílos com a retirada do associado da Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 11065.001921/200311 Acórdão n.º 9101003.974 CSRFT1 Fl. 4 5 sociedade; e ii) pelo acréscimo indevido na rubrica “custos” dos “atos cooperativos principais”, acarretando uma distorção no rateio utilizado para determinação do percentual das “receitas tributáveis” e das “receitas nãotributáveis”. Inicialmente, cumpre esclarecer à recorrente que, em nenhum momento, seja no Relatório Fiscal, seja no Acórdão recorrido, foi defendida a tese de que se deveria descaracterizar a natureza jurídica da sociedade cooperativa para fins tributários. O que ocorreu, em síntese, foi a identificação da distribuição de lucros feita de forma indireta, bem como a majoração dos custos contrapostos às receitas auferidas nos “atos cooperativos principais”, o que ocasionou uma desproporção no rateio das receitas tributáveis e das não tributáveis, tendo sido tributado apenas o resultado positivo dos atos não cooperativos. Assim, é de se afastar, de imediato, todas as alegações trazidas na peça ecursal em relação a alegada descaracterização, pois se trata de matéria não utilizada como fundamento no lançamento fiscal. (...) O critério utilizado pela autuada para o rateio das receitas auferidas para definir a base de cálculo do IRPJ foi unicamente de acordo com o “custo”, utilizandose a proporcionalidade do “custo” referente aos “atos cooperativos” e do custo referente aos “atos não cooperativos”. A meu ver, entendeu corretamente a fiscalização que a utilização do método de proporcionalizar as receitas tributáveis em razão dos custos (dispêndios) não possui suporte na legislação tributária.(nossos grifos) Por outro lado, os acórdãos paradigmas tratam da descaracterização da sociedade cooperativa, ou seja, trata de situação diversa daquela tratada nos autos e no acórdão recorrido. Destaco aqui, trecho do acórdão n. 124.124, utilizado como primeiro paradigma: A controvérsia contida nos autos resumese na pretendida descaracterização da cooperativa, para fins fiscais, pela prática habitual de atos não cooperativos diversos daqueles permitidos pela Lei n. 5.764/71, os quais, segundo a fiscalização, não são permitidos para esse tipo de sociedade. Já o acórdão n. 139.034 traz a seguinte menção: A questão relevante que se coloca é acerca da omissão da legislação tributária no tratamento da situação em que a sociedade distribui em parte ou totalmente aos associados parcelas correspondentes ao lucro obtido em operação não correspondente ao ato cooperado, as quais, se bem estarem Fl. 1193DF CARF MF 6 tributadas em sua formação, tem vedação legal para distribuição. Encontro na legislação a vedação a tal distribuição, mas entendo corresponder ela à condição societária, cuja descaracterização somente pode ser declarada no âmbito do sistema cooperativo nacional pelos órgãos próprios de fiscalização dos sistema cooperativo. Diante da ausência de similitude fática, vez que o acórdão recorrido trata de tributação das operações de cooperativa por ausência de segregação contábil adequada e distribuição indevida de sobras e os acórdãos paradigmas tratam de descaracterização da associação, entendo que não foram atendidos os requisitos para conhecimento do recurso. Conclusão Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do RECURSO ESPECIAL. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 1194DF CARF MF
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