Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10920.723668/2015-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.990
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10920.723601/2015-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10920.723668/2015-95
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6026135
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-001.990
nome_arquivo_s : Decisao_10920723668201595.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10920723668201595_6026135.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10920.723601/2015-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
id : 7808504
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119477518336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1697; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.723668/201595 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.990 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 24 de abril de 2019 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente URBANO AGROINDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10920.723601/201551, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos de contribuição não cumulativa, que não restou integralmente reconhecido. A análise do crédito se deu a partir da análise da documentação e das informações apresentadas pelo Contribuinte para comprovação do direito aos créditos pleiteados em confronto com os dados nas bases da RFB, SPED Fiscal e SPED Contribuições. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .7 23 66 8/ 20 15 -9 5 Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 10920.723668/201595 Resolução nº 3201001.990 S3C2T1 Fl. 3 2 A fiscalização realizou diversas glosas, por entender que derivavam de valores que não se geravam direito ao crédito pleiteado, consoante despacho decisório acostado aos autos. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade que restou julgada improcedente pelo colegiado a quo. O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: II – Dos Fatos A Recorrente informa que a fiscalização glosou os créditos de (i) bens utilizados como insumos; (ii) serviços utilizados como insumos; (iii) energia elétrica/Térmica; (iv) despesas com alugueis, máquinas e equipamentos; (v) armazenagem e frete na operação de venda; (vi) importação – serviços utilizados como insumos e (vii) crédito presumido da agroindústria, todos oriundos do seu Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação. III – Preliminar a) Da indispensável conversão do julgamento em diligência A Recorrente alega ausência de motivação do ato fiscal para as glosas dos créditos cujo ressarcimento foi requerido por meio de PER/DCOMP. Sustenta que os itens de créditos glosados são considerados insumos, e assim são classificados em vista do entendimento adotado ao termo e já pacificado no âmbito desse Tribunal Administrativo. Ademais alega que a glosa foi realizada sem a devida motivação. Como reforço ao argumento, cita doutrina, jurisprudência e faz menção ao princípio da verdade material. Ao final desse ponto, a Recorrente conclui quanto a necessidade de conversão do julgamento em diligência, a fim de confirmar a relação dos itens glosados com o processo produtivo da Recorrente. IV – Do Direito a) Do crédito de PIS/COFINS – Princípio da nãocumulatividade – Conceito de Insumos A Recorrente afirma que o conceito de insumos utilizado pela fiscalização está superado. Assim, o entendimento das Instruções Normativas nº 247/2002 (PIS) e nº 404/2004 (COFINS) não mais subsiste. Nessa linha, afirma que as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 admitem a não cumulatividade das parcelas de PIS/COFINS, como forma primordial de promover a redução da carga tributária buscando a desoneração pelo pagamento destas contribuições. Reforça o argumento com jurisprudência da CSRF deste CARF. Sustenta que na lógica atual devese analisar o conceito de insumo sob a ótica da essencialidade/necessidade. Cita trecho do REsp nº 1.221.170, proferido em 23/09/2015. Colaciona doutrina. b) Das glosas efetuadas pela fiscalização Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 10920.723668/201595 Resolução nº 3201001.990 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente relaciona as glosas efetuadas pela fiscalização, a saber: (i) Bens utilizados como insumos: entradas de bens não enquadrados como insumos, dentre eles: aquisição de pneus; produtos para tratamento de efluentes; materiais de embalagem; despesas com serviços de frete entre filiais, despesas com serviços tomados de pessoa física, aquisições de combustíveis; (ii) Serviços utilizados como insumos – entradas se serviços não enquadrados como insumos; (iii) Crédito extemporâneo; (iv) Crédito Presumido Agroindústria. Em seguida aborda cada uma das glosas. b.1) Dos bens utilizados como insumos A Recorrente elenca bens que teriam sido glosados, dentre os quais: b.1.1) pneus; b.1.2) produtos para tratamento de efluentes; b.1.3) lonas, pallets; b.1.4) frete entre filiais; b.1.5) fretes na aquisição de produtos de pessoa física; e b.1.6) óleo diesel (combustível). Em sua defesa, para reverter as glosas cita extensa jurisprudência do CARF. c) Do Crédito Extemporâneo A Recorrente contesta a glosa dos créditos extemporâneos. Nesse ponto alega que a apuração dos créditos da contribuição em voga toma por base as despesas ocorridas no mês de apuração, conforme indicam os incisos I a IV do § 1º do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Faz referência a orientação prevista no § 4º do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Cita o Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010. Alega que fez a utilização dos créditos tidos por extemporâneos dentro do prazo estabelecido no art. 1º do Decreto nº 20.910/32. Faz referência ao Acórdão nº 3403002.420. Defende que não haveria necessidade de prévia retificação do DACON por parte do contribuinte. d) Serviços Utilizados como Insumos A Recorrente deseja afastar a alegação fazendária quanto a preclusão atinente a supostas glosas não contestadas. Discorre sobre os créditos relativos a: d.1) manutenção predial/veicular Quanto ao item manutenção, temse que correspondem a reparos necessários em veículos utilizados nos transportes de produção e transportes comerciais, conforme já devidamente esclarecido e descrito no item “pneus” anteriormente exposto. No mesmo sentido, a Manifestante também se utiliza de manutenções preventivas na estrutura da empresa, para conservação desta estrutura predial específica da produção. Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 10920.723668/201595 Resolução nº 3201001.990 S3C2T1 Fl. 5 4 d.2) Cursos Mesmo entendimento se aplicam aos cursos, posto que relacionado a qualificação dos funcionários do setor da produção, que aplicam o conhecimento adquirido na execução dos trabalhos produtivos, tal como: habilitação para exercer a atividade de Operador de Empilhadeira, Operador de Caldeira, etc d.3) Despesas de importação frete/despachante Dito isso, cabe ainda à Recorrente demonstrar seu inconformismo quanto às glosas efetuadas pela Autoridade Pública no que tange às despesas oriundas de fretes de importação de matériaprima, bem como de despesas com desembaraço aduaneiro destas mercadorias do Porto até o efetivo internamento no estabelecimento da empresa. d.4) Energia elétrica e térmica Relata o Termo de Informação Fiscal a glosa parcial de créditos apurados pela Recorrente sobre despesas relacionadas à aquisição de energia elétrica, na medida em que tais valores não refletiriam a energia elétrica efetivamente consumida, mas sim valores relativos à Cosit, juros e multas. Tal entendimento não merece prosperar, na medida em que tais valores integram, de maneira indissociável, o custo de aquisição da energia elétrica, não sendo possível se cogitar da impossibilidade de apuração do crédito correspondente sobre a totalidade do valor pago na operação. A cobrança da taxa de iluminação pública, assim como a aquisição de energia elétrica por meio de demanda contratada em tensão previamente estabelecida, serve de valioso exemplo para a análise da medida em questão, uma vez que tais despesas não podem ser dissociadas da fatura corresponde à remuneração paga pela energia elétrica efetivamente consumida. d.5) demais glosas No mesmo item referente aos “Serviços utilizados como insumos”, a Autoridade Pública informa outras glosas, quais sejam, de comissões de compras/vendas, mãodeobra temporária, dentre outros. Por consequência, a sua manutenção no acórdão recorrido também se operou devido ao conceito aplicado a termo insumo. e) Crédito Presumido Agroindústria A Recorrente alega que a fiscalização glosou de forma equivocada as aquisições referentes à emissão fora dos períodos em análise/apuração. V – Da Ausência de preclusão no Processo Administrativo Fiscal | Princípio da Verdade Material Fl. 1896DF CARF MF Processo nº 10920.723668/201595 Resolução nº 3201001.990 S3C2T1 Fl. 6 5 A Recorrente argumenta quanto a ausência de preclusão no Processo Administrativo Fiscal e sobre o princípio da verdade material. VI – Da Atualização Monetária/Incidência da SELIC A Recorrente alega que quando do ressarcimento dos créditos faz jus aos acréscimos de correção monetária e juros correspondentes, sob pena de constituir evidente enriquecimento sem causa da Administração em prejuízo ao contribuinte. É o relatório. Voto Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.981, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10920.723601/201551, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.981): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Em apertada síntese, a Recorrente sustenta que a fiscalização: a) glosou os créditos de PIS/COFINS sem analisar efetivamente o processo produtivo da empresa; b) aplicou o conceito restritivo de insumo para glosar créditos; c) negou a utilização de créditos extemporâneos; d) glosou indevidamente serviços utilizados como insumos; e) negou equivocadamente crédito presumido da agroindústria. De forma geral, no tocante a reversão das glosas, cabe razão a recorrente. O STJ, por meio do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, em decisão de 22/02/2018, proferida na sistemática dos recursos repetitivos, firmou as seguintes teses em relação aos insumos para creditamento do PIS/COFINS: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 10920.723668/201595 Resolução nº 3201001.990 S3C2T1 Fl. 7 6 Assim, em vista do disposto pelo STJ no RE nº 1.221.170/PR quanto a ilegalidade das Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, bem como da jurisprudência deste CARF, a discussão seria centrada na análise dos para verificar se atendem ou não aos requisitos da essencialidade, relevância ou imprescindibilidade conforme ensinamento do superior tribunal. Entretanto, quando do início do julgamento do processo na sessão de abril de 2019, foi suscitada dúvida na parte relativa a linha 26 crédito presumido agroindústria. Nesse ponto a Recorrente alega que a fiscalização glosou de forma equivocada as aquisições referentes à emissão fora dos períodos em análise/apuração. Seriam as notas fiscais com emissão de 2007 a 2009. De um lado, a decisão de primeira instância leva a crer que o problema estaria na retificação do demonstrativo da Dacon para ter direito ao crédito. Notese que a menção de que “os créditos presumidos de agroindústria, calculados à época, foram utilizados para desconto das próprias contribuições em seus respectivos períodos” importa na medida em que demonstra que houve a apuração e o desconto deste tipo de crédito no Dacon referente à época da emissão das notas ora glosadas. Assim, se àquela época, a interessada, como alega, não as incluiu na base de cálculo do crédito presumido demonstrado no Dacon daquele período, cabia então retificar tal demonstrativo e somente então trazer o eventual crédito remanescente para desconto no Dacon ora em análise. (efl. 3379) (...) E o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon é o instrumento que a legislação estabelece como meio através do qual o contribuinte deve informar ao Fisco, entre outros dados, os montantes das receitas auferidas (tributada no mercado interno, não tributada no mercado interno e de exportação) e demonstrar a apuração do valor devido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas e dos créditos que entende possuir. No que se refere à base de cálculo dos créditos, o referido demonstrativo possui fichas e linhas específicas para cada hipótese legalmente prevista de geração de crédito, que devem necessariamente refletir a real composição da base de cálculo do crédito apurado, identificando corretamente os custos e despesas que a compõem, ocorridos ao longo do respectivo período de apuração; ou seja, os custos que compõem a base de cálculo de cada tipo de crédito apurado no Dacon devem estar corretamente neste informados, conforme a sua natureza, a fim de que reste perfeitamente demonstrada a origem do crédito a que o contribuinte declara ter direito, para fins de viabilizar a oportuna e necessária análise e conferência deste pela autoridade administrativa fazendária competente para deferir ou não o pleito do contribuinte, no caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil Fl. 1898DF CARF MF Processo nº 10920.723668/201595 Resolução nº 3201001.990 S3C2T1 Fl. 8 7 – DRF com jurisdição no domicílio fiscal do contribuinte/pleiteante. Assim é que não se pode prescindir das informações que estão declaradas no Dacon e das formalidades de que se reveste este demonstrativo/declaração. A declaração válida à época do pedido tem que ser considerada para todos os efeitos legais, visto que os fatos ali descritos devem representar de forma inequívoca o direito da contribuinte e a sua natureza, a fim possibilitar a confirmação, pela DRF, de seu valor e forma de apuração, bem como o meio possível de utilização pelo contribuinte. Em situações como esta, em que os dados utilizados pela Receita Federal para analisar a procedência do crédito e sua utilização são extraídos de registros informatizados baseados em valores declarados pelo sujeito passivo, cabe ao próprio sujeito passivo o ônus de retificar as declarações incorretas anteriormente encaminhadas. Portanto, como o crédito e a apuração deste deve estar perfeitamente demonstrada no Dacon, havendo qualquer eventual erro de declaração é ônus do contribuinte corrigilo em tempo hábil, a fim de se assegurar que a análise de seu pleito seja realizada de fato sobre o direito creditório que acredita possuir. Por conta disso, não resta dúvidas que a análise do pedido formulado (PER/DCOMP) limitase ao escopo do que consta no Dacon. E esta é a razão pela qual, ao contrário do que entende a Recorrente, a Autoridade Administrativa pode perfeitamente negar o direito ao crédito incluído no pedido, mas informado de forma diversa ou não constante deste demonstrativo, em respeito à sua função precípua, visto que se assim não fosse, ao Fisco restaria inviabilizada a correta aferição da certeza e liquidez do crédito e o controle do real aproveitamento deste pelo contribuinte. Portanto, ao não informar nos Dacon anteriores créditos remanescentes passíveis de desconto no Dacon ora em análise, a contribuinte retirou a possibilidade de análise e reconhecimento pela DRF da procedência e legitimidade de eventual crédito existente à época. (efl. 3380) Diante disso, é que não cabe à Autoridade Administrativa julgadora assentir com o desconto de créditos de períodos anteriores, não informados no respectivo Dacon, em detrimento da natureza deste demonstrativo e, sobretudo, da competência originária da DRF para analisar e decidir sobre a existência e procedência do crédito declarado pelo contribuinte ao Fisco. Salientese que não se está aqui a negar eventual direito de crédito a que a contribuinte tenha direito em relação as notas fiscais em tela, mas apenas negando que seus valores possam integrar a base de cálculo do crédito do período ora em análise. Diante disso, não há como restabelecer a presente glosa. (efl. 3381) Fl. 1899DF CARF MF Processo nº 10920.723668/201595 Resolução nº 3201001.990 S3C2T1 Fl. 9 8 De outro lado, a Recorrente alega a possibilidade de comprovação da existência dos créditos presumidos. Ou seja, comprovandose a existência dos créditos presumidos suficientes, além daqueles já utilizados inicialmente, comprovase o correto procedimento de ressarcimento efetuado pela Recorrente, devendo os mesmos serem reconhecidos e deferidos em sua integralidade. (efl. 3462) É que não se fale em retificação da DACON, pois, quando do aproveitamento destes créditos presumidos, os mesmos são tratados como extemporâneos pela Recorrente e são devidamente lançados em DACON’s dos períodos ora analisados. Ou seja, utilizou a Recorrente os créditos presumidos de 2007 a 2009 para desconto das contribuições dos períodos de 2010 a 2013, além daqueles já anteriormente utilizados como afirmado pelo fiscal, mas, não sendo os mesmos já utilizados anteriormente. (efl. 3464) Portanto, estamos falando de créditos distintos, conforme relação de notas fiscais apresentadas na manifestação anterior. Por consequência, e a fim de justificar o equívoco fiscal, apresentou a Recorrente planilha demonstrando os saldos de cada período, inclusive com as notas fiscais que originaram o crédito de 2007 a 2009 utilizados naquele período, bem como a relação das notas fiscais de aquisição de 2007 a 2009 utilizadas nos períodos de 2010 a 2013 ora questionados. Tratase de prova produzida em sede de Manifestação de Inconformidade, mas não apreciada no acórdão recorrido. (efl. 3465) Diante das colocações de ambos os lados, a turma julgadora considerou por bem converter o julgamento em diligência para verificar se realmente sobrou crédito para ser utilizado. A conversão em diligência é para apurar nas NFs e livros de entrada o valor do crédito presumido e confrontar tais valores com os créditos utilizados no próprio período e nos períodos subsequentes. A Recorrente informa que fez o controle dos créditos presumidos no livro de entrada e que produziu prova em sede de manifestação de inconformidade que não fora apreciada. O CARF possui o reiterado entendimento de ser possível a conversão do feito em diligência, com base no artigo 29, combinado com artigo 16, §§4º e 6º, do PAF– Decreto 70.235/72, com a produção de relatório conclusivo sobre o assunto. Assim, entendo que no presente processo há dúvida razoável acerca de tais créditos, justificando a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da Recorrente, sem que a questão levantada seja dirimida. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que aprecie a documentação de Fl. 1900DF CARF MF Processo nº 10920.723668/201595 Resolução nº 3201001.990 S3C2T1 Fl. 10 9 comprovação da existência dos alegados créditos, bem como, caso necessário, proceda a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Ao final deve a autoridade da repartição de origem informar se há ou não o direito creditório alegado pela Recorrente. Isto posto, deve ser oportunizada à Recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez por igual período, para que se manifeste, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que aprecie a documentação de comprovação da existência dos alegados créditos, bem como, caso necessário, proceda a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Ao final deve a autoridade da repartição de origem informar se há ou não o direito creditório alegado pela Recorrente. Isto posto, deve ser oportunizada à Recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez por igual período, para que se manifeste, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira. . Fl. 1901DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917921/2011-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.973
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10830.917921/2011-55
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6022377
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-001.973
nome_arquivo_s : Decisao_10830917921201155.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10830917921201155_6022377.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
id : 7791853
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119499538432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1806; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.917921/201155 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.973 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 24 de abril de 2019 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente TAPECOL SINASA INDUSTRIA E COMERCIO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Trata o presente de PER/DCOMP apresentada eletronicamente, que restou indeferida, consoante razões consignadas no Despacho Decisório que instrui os autos. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho decisório é nulo porque não buscou a verdade material que é o elemento fundamental da validade dos atos administrativos; que o valor recolhido a título de COFINS se tornou indevido por ter incidido sobre as demais receitas nãooperacionais uma vez que o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que havia dado suporte à referida exigência foi declarado inconstitucional; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 92 1/ 20 11 -5 5 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10830.917921/201155 Resolução nº 3201001.973 S3C2T1 Fl. 3 2 que as informações constantes na DCTF não são válidas porque o cálculo do débito declarado considerou as prescrições contidas no dispositivo declarado inconstitucional; que para provar o alegado, juntou cópia da ficha Razão com o registro das “outras receitas” que foram, também, tomadas como base de cálculo para a incidência das contribuições declaradas inconstitucionais e cópia da ficha Razão da conta de Cofins e PIS a recolher, na qual há o registro da apuração dessas contribuições sobre as demais receitas, cujos valores foram recolhidos nos DARF indicados nos PER/Dcomp; que no caso das provas contábeis apresentadas serem insuficientes para formar o juízo que seja determinada a realização de diligência; A DRJ julgou improcedente a impugnação. O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: I Dos Fatos A Recorrente expõe que o objeto do presente processo consiste no pedido de restituição (PER) decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 (REsp 346.084/PR), que permitia a incidência do PIS/COFINS sobre toda e qualquer receita do contribuinte. II Do Direito A Recorrente relata que os fundamentos da negativa do pedido de restituição são dois: no despacho decisório, foi o de utilização integral do pagamento na quitação de débitos do contribuinte; na decisão recorrida, foi o da ausência de provas da base de cálculo da COFINS que se pretende restituir. Em seguida discorre sobre a PER/DCOMP como tendo força constitutiva e autônoma. Conclui afirmando que houve pagamento a maior vinculado a DARF. A Recorrente alega que não pode ser responsabilizada pela não apresentação de DCTF retificadora. Nessa linha, o despacho decisório seria nulo pois não buscou a verdade material. A decisão ora recorrida também não observou o princípio da verdade material. Alega a legitimidade do crédito pleiteado em razão dos valores indevidamente recolhidos. Relata a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que erroneamente considerou como base de cálculo a receita bruta. Cita jurisprudência do CARF. Passa a descrever os efeitos da declaração de inconstitucionalidade e alegar quanto a invalidade das declarações preenchidas com base no dispositivo declarado inconstitucional. Sustenta que o débito confessado em DCTF está majorado, pois foi apurado de forma inválida. Argumenta quanto a superficialidade do exame centrado apenas na DCTF. No tocante a prova do crédito requerido, a Recorrente alega que juntou a folha do livro razão. Em continuidade, diz que uma simples análise da DIPJ evidencia que o valor recolhido a título de COFINS foi indevido. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10830.917921/201155 Resolução nº 3201001.973 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente tem plena certeza das razões e provas acostadas aos autos, e em caso de dúvidas requer a realização de diligência fiscal. Elenca os quesitos para a diligência. É o relatório. Voto Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resoluçãonº 3201001.968, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10830.917911/201110, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.968): "Inicialmente cabe reforçar o alegado pela Recorrente quanto a declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/98 em decisão plenária do STF. Além disso, o mesmo foi revogado pela Lei n.º 11.941/09, não havendo, portanto, mais que se falar na ampliação da base de cálculo da COFINS às receitas financeiras. Assim o ponto relativo a inconstitucionalidade está pacificado. O cerne do presente processo está, todavia, na capacidade de comprovação do crédito por parte da Recorrente. No processo administrativo fiscal, incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Assim, para o caso concreto que trata de pedido de restituição, as alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Isto porque, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, que cabe à Recorrente, autora do processo administrativo de restituição/compensação, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia. Nesse ponto, a Recorrente acredita ser suficiente a apresentação de folha do livro razão e da DIPJ. Diante da existência de escrituração do contribuinte, comprovada por meio da apresentação do livro Razão, bem como da apresentação da DIPJ, surge a dúvida quanto ao recolhimento indevido sobre receitas financeiras da COFINS. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boa fé. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10830.917921/201155 Resolução nº 3201001.973 S3C2T1 Fl. 5 4 Estabelecem os arts. 16, §§4º e 6 e 29 do Decreto 70.235/72: "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância." "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." O CARF possui o reiterado entendimento de ser possível, em casos como o presente, a conversão do feito em diligência. Neste sentido cito os seguintes precedentes desta Turma: "Não obstante, no Recurso Voluntário, a recorrente trouxe demonstrativos e balancetes contábeis. Ainda que não tenha trazido os respectivos lastros, entendo que a nova prova encontra abrigo na dialética processual, como exigência decorrente da decisão recorrida, e por homenagem ao princípio da verdade material, em vista da plausibilidade dos registros dos balancetes. Assim, e com base no artigo 29, combinado com artigo 16, §§4º e 6º, do PAF– Decreto 70.235/72, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o Fisco tenha a oportunidade de aferir a idoneidade dos balancentes apresentados no Recurso Voluntário, em confronto com os respecivos livros e lastros, conforme o Fisco entender necessário e/ou cabível, e produção de relatório conclusivo sobre as bases de cálculo corretas. Após, a recorrente deve ser cientificada, com oportunidade para manifestação, e o processo deve retornar ao Carf para prosseguimento do julgamento." (Processo nº 10880.685730/200917; Resolução nº 3201001.298; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 17/07/2018) Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da Recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10830.917921/201155 Resolução nº 3201001.973 S3C2T1 Fl. 6 5 Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que aprecie a documentação colacionada com o Recurso Voluntário, com a reanálise do despacho decisório considerando a documentação juntada, bem como, em sendo o entendimento da unidade de origem proceda a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se levando em conta o livro razão, bem como a DIPJ, há o direito creditório alegado pela Recorrente. Isto posto, deve ser oportunizada à Recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez por igual período, para que se manifeste, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que aprecie a documentação colacionada com o Recurso Voluntário, com a reanálise do despacho decisório considerando a documentação juntada, bem como, em sendo o entendimento da unidade de origem proceda a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se levando em conta o livro razão, bem como a DIPJ, há o direito creditório alegado pela Recorrente. Isto posto, deve ser oportunizada à Recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez por igual período, para que se manifeste, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira . Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.721206/2012-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2007
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. SUMULA CARF Nº 103.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2201-005.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício em razão do limite de alçada.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Francisco Nogueira Guarita - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: FRANCISCO NOGUEIRA GUARITA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2007 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. SUMULA CARF Nº 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10280.721206/2012-73
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6035933
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-005.203
nome_arquivo_s : Decisao_10280721206201273.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : FRANCISCO NOGUEIRA GUARITA
nome_arquivo_pdf_s : 10280721206201273_6035933.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício em razão do limite de alçada. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
dt_sessao_tdt : Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
id : 7828364
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119502684160
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-16T19:00:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-16T19:00:51Z; Last-Modified: 2019-07-16T19:00:51Z; dcterms:modified: 2019-07-16T19:00:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-16T19:00:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-16T19:00:51Z; meta:save-date: 2019-07-16T19:00:51Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-16T19:00:51Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-16T19:00:51Z; created: 2019-07-16T19:00:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-07-16T19:00:51Z; pdf:charsPerPage: 1755; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-16T19:00:51Z | Conteúdo => S2-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10280.721206/2012-73 Recurso De Ofício Acórdão nº 2201-005.203 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de junho de 2019 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado OTAVIO FERREIRA QUARESMA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2007 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. SUMULA CARF Nº 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício em razão do limite de alçada. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório O presente processo trata de recurso de ofício em face do Acórdão nº 04-36.077 - 1ª Turma da DRJ/CGE, fls. 82 a 85. Segundo a descrição dos fatos da Notificação de Lançamento, o contribuinte, apesar de intimado, não apresentou os documentos solicitados no termo de intimação fiscal. Contra o interessado foi emitida a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 10 a 13, por meio da qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 12 06 /2 01 2- 73 Fl. 95DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.203 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.721206/2012-73 2007, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 2.080.439,97, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Santa Maria”, com área de 13.376,0 ha, NIRF 7.434.220-7, localizado no município de Abaetetuba/PA. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma que, após intimado, o sujeito passivo não comprovou o valor da terra nua declarado, motivo pelo qual o VTN declarado foi alterado tendo como base o valor obtido do Sistema de Preços de Terra – SIPT, mantido pela RFB, nos termos do art. 10, § 1° inciso I e art. 14 da Lei nº 9.393/1996. Cientificado do lançamento, por via postal, em 12/04/2012, conforme AR à fl. 75, o interessado apresentou impugnação, às fls. 50 e 51, alegando, em síntese, que: Na declaração de ITR do exercício 2007 foi lançado incorretamente a área total do imóvel de 13.376,0 hectares, quando na verdade, o correto é 13,3 hectares; Solicita revisão do lançamento de ofício em questão afim de que seja apurado o real valor do tributo; Junta aos autos para comprovar a veracidade dos fatos: Recibo de Compra e Venda; Título de Traspasse; Laudo de Avaliação do Imóvel emitido pela Prefeitura de Abaetetuba/PA; Por último, requer cancelamento do débito fiscal ora questionado. Instruíram os autos os documentos de fls. 52 a 72. Em relação à área total do imóvel, a DRJ/CGE acatou os argumentos do contribuinte onde segundo a mesma a área total declarada pelo contribuinte no DIAT do exercício 2007 corresponde a 13.376,0ha, porém, o Recibo de Compra e Venda; Título de Traspasse; Laudo de Avaliação do Imóvel emitido pela Prefeitura de Abaetetuba/PA, comprovam que a área do imóvel é de 13.376,0m2, o que corresponde a 13,3 ha. Tal fato é corroborado com a consulta efetuada no Cadastro de Imóveis Rurais – CAFIR de fl. 61 dos autos. Orientações expedidas pela Secretaria da Receita Federal, quanto ao preenchimento da DITR, informam que a área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da DITR, conforme consta do registro imobiliário. Dessa forma, resta manter a tributação sobre a área total de 13,3 ha, onde foi dado portanto razão às alegações do contribuinte. Em relação ao valor da terra nua, como o contribuinte não impugnou, no que se refere à modificação do VTN declarado, para o exercício 2007 foi considerada não impugnada tal matéria, vez que não foi expressamente contestada, conforme preceitua o art. 17 do Decreto nº 70.235/72, com redação dos arts. 1º, da Lei nº 8.748/1993, e 67, da Lei nº 9.532/1997. Em sua decisão, o órgão julgador de 1ª instância argumentou que: considerando- se a área total do imóvel 13,3 ha devidamente comprovada nos autos, o VTN/ha (SIPT) previsto para o município de localização do imóvel de R$ 350,34 em 2007, resulta o VTN Tributado de R$ 4.659,00, aplicando-se a alíquota de 1,00%, apura-se o imposto devido de R$ 46,59; diferença de imposto a ser exigida do contribuinte de R$ 36,59. Diante do exposto e considerando tudo o mais exposto, acordou procedência da impugnação, com redução do imposto suplementar para R$ 36,59, a ser acrescido de multa de ofício e juros de mora nos percentuais calculados na Notificação de lançamento. Fl. 96DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.203 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.721206/2012-73 Contra a Decisão acima, foi interposto recurso de ofício, em virtude de o crédito tributário exonerado ser superior ao limite de alçada previsto no Decreto nº 70.235/72, art. 34, I, c/c artigo 1º da Portaria do Ministro da Fazenda nº 3, de 03/01/2008. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Nogueira Guarita - Relator Do recurso de ofício: A Portaria MF 63/17 estabeleceu um novo limite para a sua interposição, ao prever que a DRJ recorrerá sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Veja-se: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplica-se o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. A Súmula CARF 103 preleciona que o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso em segunda instância: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Analisando os autos, tem-se que o valor total lançado para o referido contribuinte nesse processo alcança o valor de R$ 2.080.439,97, razão pela qual não conheço do recurso de ofício, do que resulta a definitividade da exoneração do crédito tributário referido à área total do imóvel. Conclusão Assim, tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição fatos e fundamentos legais que integram o presente, voto por não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita Fl. 97DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.203 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.721206/2012-73 Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.901111/2008-38
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2000
RECURSO ESPECIAL. CONVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso especial de divergência quando o acórdão paradigma e o recorrido convergem em não permitir que seja deferida a restituição de tributo retido e exigir que a retenção sofrida seja confrontada com o montante bruto devido ao final do período de apuração, para dedução.
Numero da decisão: 9303-008.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/03/2000 RECURSO ESPECIAL. CONVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando o acórdão paradigma e o recorrido convergem em não permitir que seja deferida a restituição de tributo retido e exigir que a retenção sofrida seja confrontada com o montante bruto devido ao final do período de apuração, para dedução.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10983.901111/2008-38
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6031946
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.768
nome_arquivo_s : Decisao_10983901111200838.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10983901111200838_6031946.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
id : 7819935
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119532044288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1486; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 174 1 173 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10983.901111/200838 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303008.768 – 3ª Turma Sessão de 13 de junho de 2019 Matéria 61.999.9999 PIS OUTROS Outros Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CENTRAIS ELETRICAS DE SANTA CATARINA SA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2000 RECURSO ESPECIAL. CONVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando o acórdão paradigma e o recorrido convergem em não permitir que seja deferida a restituição de tributo retido e exigir que a retenção sofrida seja confrontada com o montante bruto devido ao final do período de apuração, para dedução. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 11 11 /2 00 8- 38 Fl. 174DF CARF MF 2 Tratase de pedido de compensação, em PER/DCOMP eletrônico, transmitido em 14/05/2004, visando a recuperação de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep, referente ao período de apuração de 21/03/2000. Tal pedido foi denegado em Despacho Decisório Eletrônico, da DRF em Florianópolis SC, em razão da não confirmação da existência do crédito informado, pois não foi localizado o DARF discriminado no PER/DCOMP. Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual informa que sofreu retenção, por parte de órgão público, de tributos (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS) na fonte, mas não deduziu esses créditos ao final do período de apuração. Pretendendo efetuar compensação dos valores pagos a maior, realizou diligência pela qual verificou que com relação ao PIS, a existência de R$ 1.245,45 passíveis de utilização, forte no art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Assim, requer o reconhecimento do direito creditório bem como a reforma do despacho decisório. A manifestação de inconformidade foi apreciada pela DRJ/FNS que, em decisão consubstanciada no acórdão nº 0716.303, em 29/05/2009, não homologou a compensação. Afirma o relator do julgado que a contribuinte não poderia "ter se valido da DCOMP para se aproveitar dos valores retidos, sem antes recompor formalmente os registros e declarações nos quais apurou e declarou os valores devidos e a pagar relativos às contribuições objeto das retenções e aos períodosbase a que pertencem". Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, no qual afirma, em resumo que: (a) nunca utilizou os valores retidos para compensação; (b) a retenção sofrida equivale à pagamento; e (c) não é razoável deixar de homologar compensação sob o fundamento de inadequação do procedimento. Em apreciação do recurso voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, decidiu converter o julgamento em diligência, conforme a Resolução nº 340100169, para que a DRF de origem, em face das informações prestadas pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade e recurso voluntário, se manifestasse novamente sobre o pedido da interessada, após verificar se houve retenção e não foi aproveitado o valor para dedução do devido ao fim do período de apuração. Ao final da diligência, se obteve a seguinte informação, à efl. 126, por parte da DRF em Florianópolis: Na compensação feita na Dcomp o contribuinte utilizou a taxa de correção 72,64%, conforme fl. 42. Essa taxa engloba a SELIC de abril/2000 (de 1,3%), utilizada indevidamente, porque considera que o pagamento indevido teria ocorrido em março/2000. O correto é posicionar o pagamento indevido em abril/2000 (data de recolhimento do PIS de março/2000). Assim procedendo, a taxa de correção seria 71,34% (fls. 109/111). Feita a alocação do crédito de PIS (R$ 1.245,32, posicionado em abril/2000) ao débito compensado (R$ 2.150,14), verificase que o crédito seria suficiente para suportar a quase totalidade da compensação declarada, restariam em aberto R$ 16,41. Neste Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10983.901111/200838 Acórdão n.º 9303008.768 CSRFT3 Fl. 175 3 processo, o prejuízo para a Fazenda Nacional seria irrisório, mas, se permitirmos que contribuintes utilizem retenções na fonte como pagamentos indevidos, nada garante que da próxima vez o dano aos cofres públicos não será significativo. Após a diligência foi oportunizada a manifestação da contribuinte, que, em face do resultado da diligência, entendeu dever ser provido seu pleito. Os autos seguiram para julgamento do recurso voluntário na mesma Turma da Terceira Seção de Julgamento em 24/10/2012, resultando no acórdão nº 3401002.032, que tem a seguinte ementa: PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. RETENÇÃO NA FONTE FEITA POR ÓRGÃO PÚBLICO. DEDUÇÃO LEGAL DO VALOR DEVIDO NÃO EXERCIDA. CARACTERIZAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA A PARTIR DO PAGAMENTO E NÃO DA RETENÇÃO. Caracterizase como “pagamento indevido ou a maior” a parcela correspondente ao valor da retenção na fonte feita por órgão publico sobre o valor das receitas auferidas, retenção essa que, por lapso da empresa que sofreu a retenção, deixou de ser utilizada na época correspondente para reduzir o valor da contribuição devida. De outra parte, a atualização monetária do valor reconhecido como pago a maior deve levar em conta a data do “recolhimento/pagamento” da contribuição, e não a data em que houve a retenção. O acórdão foi assim redigido: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. Nessa decisão, o colegiado reconheceu a ocorrência da retenção e seu não aproveitamento, porém, caracterizou o indébito apenas ao final do período de apuração (e não no momento da retenção). Recurso especial de Fazenda Intimada para ciência do acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, para rediscutir a questão do indébito do tributo referente à retenção sofrida. Tomando por base o acórdão paradigma nº 180500.013, o Procurador afirma que somente com a dedução do valor da retenção sofrida, ao final do período de apuração, após a apuração da base de cálculo do tributo e do valor bruto devido é que se pode verificar a ocorrência de indébito, referente a saldo negativo do tributo. O então Presidente da 4ª Câmara, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256 de 22/06/2009, deu seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 176DF CARF MF 4 Contrarrazões da contribuinte Cientificada dos acórdãos exarados pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional e do seu despacho de admissibilidade em 15/07/2015 (efl. 161), a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial em 30/07/2015, às efls. 163 a 170, na qual questiona a interpretação da legislação apresentada pela Procuradoria da Fazenda Nacional e pede que seja negado provimento ao recurso especial. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Conhecimento O recurso especial de divergência é tempestivo, contudo dele não conheço. Ocorre que tanto a decisão recorrida quanto o paradigma convergem em não permitir que seja deferida a restituição de tributo retido e exigir que a retenção sofrida seja confrontada com o montante bruto devido ao final do período de apuração, para dedução. Somente no caso de a retenção ser superior ao valor devido é que surgiria um saldo negativo passível de caracterizar indébito, para fins de repetição. O recálculo havido na diligência que levou à decisão recorrida corrobora isso. Sendo assim, não há divergência comprovada no recurso especial da Procuradora e por essa razão ele não deve ser conhecido. Conclusão Por todo o exposto, não conheço do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 177DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13154.720647/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DECLARAÇÃO DOS RENDIMENTOS BRUTOS. NÃO OCORRÊNCIA. RENDIMENTOS LÍQUIDOS. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE.
Para pleitear dedução do imposto devido no ajuste anual, é requisito essencial que o contribuinte declare o valor bruto dos rendimentos tributáveis, incluindo o imposto retido.
Numero da decisão: 2402-007.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DECLARAÇÃO DOS RENDIMENTOS BRUTOS. NÃO OCORRÊNCIA. RENDIMENTOS LÍQUIDOS. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE. Para pleitear dedução do imposto devido no ajuste anual, é requisito essencial que o contribuinte declare o valor bruto dos rendimentos tributáveis, incluindo o imposto retido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13154.720647/2012-91
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6024291
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-007.394
nome_arquivo_s : Decisao_13154720647201291.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 13154720647201291_6024291.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
id : 7800475
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119539384320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1415; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 117 1 116 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13154.720647/201291 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402007.394 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de junho de 2019 Matéria IRPF Recorrente RIVELINO LÚCIO DE RESENDE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DECLARAÇÃO DOS RENDIMENTOS BRUTOS. NÃO OCORRÊNCIA. RENDIMENTOS LÍQUIDOS. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE. Para pleitear dedução do imposto devido no ajuste anual, é requisito essencial que o contribuinte declare o valor bruto dos rendimentos tributáveis, incluindo o imposto retido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 15 4. 72 06 47 /2 01 2- 91 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13154.720647/201291 Acórdão n.º 2402007.394 S2C4T2 Fl. 118 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 65/76) em face do Acórdão n. 16 59.327 22ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SPO (efls. 50/56), que julgou improcedente a impugnação (efls. 02/09), apresentada em 27/09/2012, mantendo o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 28/08/2012 (efl. 37) mediante a Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física n. 2011/542563686522924 no total de R$ 160.866,18 (efls. 04/10) com fulcro em compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Cientificado do teor do Acórdão n. 1659.327 (efls. 50/56) em 11/06/2015 (efl. 62), o impugnante, agora Recorrente, apresentou Recurso Voluntário (efls. 65/76) na data de 13/07/2015 esgrimindo, em linhas gerais, os seguintes argumentos: Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13154.720647/201291 Acórdão n.º 2402007.394 S2C4T2 Fl. 119 3 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto, dele conheço. O cerne deste litígio concentrase na glosa de Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 164.044,50 (vinculado ao rendimento de R$ 435.000,00), por falta dc comprovação, referente à fonte pagadora Central Depósito de Secos e Molhados Ltda. CNPJ 02.614.978/000179. Ao enfrentar a impugnação (efls. 02/09), a instância de piso, após afastar as preliminares de nulidade, assim se posicionou quanto ao mérito: Conforme visto na DIRPF/2011, o contribuinte informou o valor recebido de R$ 435.000,00 como rendimentos tributáveis e o valor de R$ 164.044,50 referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte. O próprio contribuinte informou, na peça impugnatória, que recebeu R$ 435.000,00 líquidos, idêntica informação contida na Ata de Audiência, fl. 20. Assim, concluise que já foi descontado o Imposto de Renda Retido na Fonte pela fonte pagadora. Ocorre que na DIRP/2011, o contribuinte informou a retenção do Imposto de Renda, e dessa maneira, deduziuse do IRRF por duas vezes. Assim, de acordo com as informações acima e as constantes no processo a glosa no valor de R$ 164.044,50 deve ser mantida, nos exatos termos em que efetuada pela Fiscalização. Em face da decisão abrigada no Acórdão n. 1659.327 (efls. 50/56), o Recorrente interpôs o Recurso Voluntário (efls. 65/76) esgrimindo os mesmos argumentos trazidos na impugnação (efls. 02/09), reproduzidos no relatório deste voto. Preliminares De plano, verificase, da análise dos autos, que o lançamento consignado na Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física n. 2011/542563686522924 (e fls. 04/10) obedeceu ao rito processual estabelecido no Decreto n. 70.235/72, portanto, não que se falar de nulidade do procedimento fiscal, nem muito menos de nulidade do lançamento. Rejeito a preliminar. Mérito No que diz respeito ao mérito, resta evidenciado nos autos, conforme ata de audiência de conciliação referente à Reclamatória Trabalhista n. 00489.2006.022.23.005 (e fls. 20/23), que o Recorrente recebeu a quantia de R$ 435.000,00, nas seguintes condições: Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13154.720647/201291 Acórdão n.º 2402007.394 S2C4T2 Fl. 120 4 É dizer, o Recorrente recebeu 435.000,00 livres de custas judiciais, INSS e IRRF, cujo recolhimento ficou a cargo de diversas pessoas jurídicas executadas, conforme também denuncia a ata de audiência de conciliação referente à Reclamatória Trabalhista n. 00489.2006.022.23.005 (efls. 20/23): Nessa perspectiva, ainda que tenha havido retenção de imposto de renda e o respectivo recolhimento pelas reclamadas, não há de se aproveitar ao Recorrente, conforme tipificado na Lei n. 7.713/88, na Lei n. 9.250/95, no Decreto n. 3.000/99 RIR/99 (na redação vigente à época dos fatos) e demais legislação correlata, vez que recebeu quantia líquida e assim fez constar em sua Declaração de Ajuste Anual Exercício 2011 (efls. 24/30). Com efeito, para pleitear tal dedução do imposto devido, o Recorrente deveria ter declarado o valor bruto (cheio), incluindo a respectiva retenção de imposto de renda, que se compensaria do imposto devido apurado no ajuste. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.925944/2016-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 25/11/2010
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.369
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 25/11/2010 COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10680.925944/2016-17
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6037007
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-006.369
nome_arquivo_s : Decisao_10680925944201617.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10680925944201617_6037007.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
dt_sessao_tdt : Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7830024
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119555112960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1768; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.925944/201617 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401006.369 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente MRV ENGENHARIA E PARTICIPACOES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 25/11/2010 COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 59 44 /2 01 6- 17 Fl. 51DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10680.925944/201617 Acórdão n.º 3401006.369 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 53DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10680.925944/201617 Acórdão n.º 3401006.369 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 55DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909831/2006-38
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000
AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 67, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente. Tratando-se de situações fáticas distintas, não há como ser feito este cotejo, implicando o não conhecimento do recurso.
Numero da decisão: 9303-008.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 67, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente. Tratando-se de situações fáticas distintas, não há como ser feito este cotejo, implicando o não conhecimento do recurso.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.909831/2006-38
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6021340
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.475
nome_arquivo_s : Decisao_10880909831200638.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10880909831200638_6021340.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
id : 7789548
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119565598720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1601; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 378 1 377 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.909831/200638 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303008.475 – 3ª Turma Sessão de 16 de abril de 2019 Matéria PIS Base de Cálculo Bonificações Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SPECTRUM BRANDS BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 67, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente. Tratandose de situações fáticas distintas, não há como ser feito este cotejo, implicando o não conhecimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 98 31 /2 00 6- 38 Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10880.909831/200638 Acórdão n.º 9303008.475 CSRFT3 Fl. 379 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 255 a 262), contra o Acórdão 3802002.410, proferido pela 2ª Turma Especial da 3ª Sejul do CARF (fls. 246 a 253), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/1998 a 31/07/2003 (*) PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃO INCIDÊNCIA. PROVA. As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos. (*) O suposto pagamento a maior foi relativo à contribuição apurada em dezembro de 2000. O julgado versa sobre uma DCOMP de Pagamento Indevido ou a Maior (fls. 005 a 009) não homologada, de um débito da Contribuição para o PIS/Pasep cumulativa, apurada em agosto de 2003, no valor de R$ 1.238,57, com um suposto crédito, também do PIS cumulativo, de dezembro de 2000, segundo o contribuinte diz em suas Contrarrazões (fls. 358), "oriundo do recolhimento indevido ... sobre operações de bonificações de mercadorias (Notas Fiscais de Bonificação)". A motivação da nãohomologação foi, conforme consignado no Despacho Decisório, o fato do crédito já ter sido utilizado para quitação de outro(s) débito(s), admitindo o contribuinte, em suas Contrarrazões (fls. 358) que "descuidara de retificar a respectiva DCTF". Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10880.909831/200638 Acórdão n.º 9303008.475 CSRFT3 Fl. 380 3 Na Manifestação de Inconformidade (fls. 011 a 015), a interessada pede, inicialmente, que outros 38 (trinta e oito) Processos sejam apensados a este, ao amparo de créditos do mesmo tipo e negados pelo mesmo motivo, tendo em vista, ademais, que "a manifestação ora produzida tem como razões de defesa as mesmas a serem produzidas para os demais procedimentos, inclusive com a oferta da mesma prova, cujo fracionamento é impossível". No mérito, diz que o crédito objeto de compensação teve origem em recolhimentos indevidos a título de PIS e Cofins, no período de setembro de 1998 a julho de 2003, “haja vista que se tratavam, na espécie, não de vendas, mas de produtos em bonificação (sem receita auferida), que não geravam a respectiva obrigação ao recolhimento dos tributos” e, "para comprovar o alegado ... junta ..., em ordem cronológica, cópias de todas as notas fiscais ensejadoras do crédito compensado, bem como demonstrativo da base da compensação, em sua totalidade" (as Notas Fiscais e demais documentos teriam sido anexados ao Processo nº 10880.909811/200667, conforme consignado no Acórdão da DRJ/SP1, às fls. 045, mas as emitidas em dezembro de 2000 e somente elas, foram apresentadas no Recurso Voluntário (fls. 186 a 244). Ao Recurso Especial da PGFN foi dado seguimento parcial (fls. 357 a 375), admitindose a discussão no que tange às alegações de que não são dedutíveis da base de cálculo da contribuição: (i) descontos não vinculados a operação de venda; (ii) bonificações baseadas em contratos não provados nos autos, e (iii) bonificações vinculadas a contraprestações. Na primeira discussão, não concebe uma venda simplesmente sem cobrança e sem vinculação como outra operação em que se pretende fazer uma concessão, via bonificação. Sobre a questão probante, fixase na não anexação dos contratos nos quais são acordadas previamente, com os adquirentes, as bonificações a serem concedidas. Na terceira discussão, contesta o Acórdão recorrido quando diz que "Não se afigura adequada a exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, porque, no presente caso, as bonificações foram concedidas decorrência do cumprimento de metas e de determinadas datas", alegando que a legislação, além de exigir que as bonificações configurem descontos incondicionais, não podem ter caráter contraprestacional. O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 357 a 375), pedindo, em caráter preliminar, o não conhecimento do recurso, por ausência de similitude fática em todos os três Acórdãos paradigmas a serem considerados, pois são de destinatários (compradores), discutindose se devem ser consideradas ou não receitas tributáveis daqueles. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Quanto ao conhecimento, efetivamente dois dos Acórdãos paradigmas (que tratam da 1ª e da 3ª matérias admitidas), versam sobre a tributação, pelo destinatário (comprador no caso, grandes supermercados da rede WAL MART), dos valores recebidos em Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10880.909831/200638 Acórdão n.º 9303008.475 CSRFT3 Fl. 381 4 bonificação em troca de fidelidade, exposição em locais privilegiados, promoções, etc., prática de conhecimento geral, que se dá mediante bonificações concedidas pelo fornecedor na forma de descontos, em mercadorias ou até em dinheiro, tudo previamente acordado em contratos "padrão". Em idênticos Processos do mesmo contribuinte, tratando das mesmas questões (assuntos admitidos "i" e "iii"), nos quais a PGFN se utilizou dos mesmos paradigmas (Acórdãos nº 3302002.119, do WAL MART, e nº 3403002.367, do BOMPREÇO BAHIA) o Recurso Especial não foi conhecido por esta Turma, considerando que efetivamente não havia similitude fática inviabilizando assim a demonstração da divergência jurisprudencial dentre outros motivos (como apuração cumulativa X nãocumulativa), por se tratarem de compradores e não de fornecedores (como é o contribuinte, fabricante das mais que conhecidas pilhas RAYOVAC, não sendo assim de se estranhar que tenha este modus operandi nas transações com os grandes varejistas). Isto está consignado no Acórdão nº 9303006.418 (Processo nº 10880.909826/200625), em decisão unânime, de 13/03/2018 (que foi paradigma para diversos outros julgados na mesma Sessão, que também presidi): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/1999 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 343, de 2007, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária. Já, em relação aos elementos probantes (2º assunto admitido), não conhecido o Recurso, descabe exigir a apresentação dos contratos nos quais estas bonificações são pré acordadas, mesmo porque as Notas Fiscais foram juntadas. À vista do exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 381DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.727311/2013-72
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE VÍCIO SUBSTANCIAL. NULIDADE. VÍCIO FORMAL.
Tratando-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, em face de Acórdão que declarou a nulidade do lançamento por vício material, em que a matéria objeto do recurso é a definição da natureza do vício, se material ou formal, a constatação da ausência de vício a ensejar a nulidade do lançamento induz a conclusão do julgamento pela declaração do vício formal, conforme o pedido, diante da impossibilidade de julgamento extra petita.
IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO MEDIANTE RECEBIMENTO DE TÍTULO. CLÁUSULA PRO SOLUTO.
A alienação de bens ou direitos mediante recebimento de título, com cláusula pro soluto, considera-se venda à vista para efeitos de incidência de ganho de capital.
Numero da decisão: 9202-007.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), que lhe negou provimento, e Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial para restabelecer a tributação quanto à cessão de direitos hereditários - cláusula pro soluto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício)
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE VÍCIO SUBSTANCIAL. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. Tratando-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, em face de Acórdão que declarou a nulidade do lançamento por vício material, em que a matéria objeto do recurso é a definição da natureza do vício, se material ou formal, a constatação da ausência de vício a ensejar a nulidade do lançamento induz a conclusão do julgamento pela declaração do vício formal, conforme o pedido, diante da impossibilidade de julgamento extra petita. IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO MEDIANTE RECEBIMENTO DE TÍTULO. CLÁUSULA PRO SOLUTO. A alienação de bens ou direitos mediante recebimento de título, com cláusula pro soluto, considera-se venda à vista para efeitos de incidência de ganho de capital.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 12448.727311/2013-72
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6020080
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.819
nome_arquivo_s : Decisao_12448727311201372.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PATRICIA DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 12448727311201372_6020080.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), que lhe negou provimento, e Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial para restabelecer a tributação quanto à cessão de direitos hereditários - cláusula pro soluto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício)
dt_sessao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7778677
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119586570240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1936; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 744 1 743 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12448.727311/201372 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.819 – 2ª Turma Sessão de 25 de abril de 2019 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VERA MARIA ROMANO PEREIRA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE VÍCIO SUBSTANCIAL. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. Tratandose de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, em face de Acórdão que declarou a nulidade do lançamento por vício material, em que a matéria objeto do recurso é a definição da natureza do vício, se material ou formal, a constatação da ausência de vício a ensejar a nulidade do lançamento induz a conclusão do julgamento pela declaração do vício formal, conforme o pedido, diante da impossibilidade de julgamento extra petita. IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO MEDIANTE RECEBIMENTO DE TÍTULO. CLÁUSULA PRO SOLUTO. A alienação de bens ou direitos mediante recebimento de título, com cláusula pro soluto, considerase venda à vista para efeitos de incidência de ganho de capital. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), que lhe negou provimento, e Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial para restabelecer a tributação quanto à cessão de direitos hereditários cláusula pro soluto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 73 11 /2 01 3- 72 Fl. 744DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício) Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, previsto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, anexo II, artigos 67 e seguintes, interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2401005.164 (fls. 479/489), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103. A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observandose a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando se o limite de alçada então vigente. Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". In casu, aplicase o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00. IRPF. AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. Em determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta da devida descrição desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material. Fl. 745DF CARF MF Processo nº 12448.727311/201372 Acórdão n.º 9202007.819 CSRFT2 Fl. 745 3 GANHOS DE CAPITAL. CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS. TÍTULO DE CRÉDITO. CLÁUSULA PRO SOLUTO. ALIENAÇÃO À PRAZO. Está sujeita ao pagamento de imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na cessão de direitos hereditários. A opção, em título de crédito, pela cláusula pro soluto não implica considerar o pagamento como sendo efetuado à vista. In casu, restando inconteste a alienação à prazo, deveria ser obedecido o regime de caixa, devendo ser tributado a medida em que houvesse a percepção dos valores. GANHOS DE CAPITAL. CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. REGIME DE CAIXA. Na cessão de direitos hereditários cuja alienação se deu por título de crédito contendo a cláusula pro soluto o ganho de capital deve ser tributado de acordo com o recebimento do valor (regime de caixa). A decisão foi registrada nos seguintes termos: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade, conhecer do recurso voluntário e, por maioria, darlhe provimento para: (i) decretar nulo o lançamento, por vício material, na parte relativa à omissão de ganho de capital em compensação às ações judiciais; e (ii) excluir a tributação incidente sobre o ganho de capital na cessão de direitos hereditários. Vencido o conselheiro Cleberson Alex Friess que dava provimento parcial para tão somente acolher a nulidade, por vício material, do lançamento referente à omissão de ganho de capital no recebimento em compensação às ações judiciais. Os autos foram encaminhados à Fazenda Nacional em 23/03/2018, conforme despacho de encaminhamento à folha 498. Em. 24/04/2018, conforme despacho de encaminhamento de folha 521, no dia em que ocorreu a intimação presumida da Fazenda Nacional, os autos foram devolvidos com o presente Recurso Especial (fls. 499/520), sendo, portanto, tempestivo. a) Inexistência de Nulidade Não foi conhecido. b) Nulidade: Vício formal X Vício material. Legislação interpretada de forma divergente: art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. O Acórdão Recorrido assim decidiu a respeito do vício que anulou parte do lançamento: No caso concreto, no entanto, não basta a demonstração do cerceamento do direito de defesa ocasionado pela incorreção na descrição dos fatos e, em conseqüência, a declaração de nulidade, sendo necessária a verificação da natureza do defeito (vício Fl. 746DF CARF MF 4 formal ou vício material), para se dimensionar os diferentes efeitos que cada um deles pode acarretar sobre a obrigação tributária. Diante disto, por tratar de caso análogo (demanda de uma das irmãs), entendo ser um vício de natureza material, consoante restou muito bem explicitado no voto vencedor do Acórdão n° 2201003.126, o qual me filio, da lavra da Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, exarado pela 1a Turma da 2a Câmara da 2a Seção, nos autos do processo n° 12448.727308/201359, de onde peça vênia para transcrever excerto e adotar como razões de decidir, in verbis: (...) No caso dos autos, tendo em vista que o erro ocorreu na identificação jurídica dos fatos descritos, que foi o recebimento de R$ 3.000.000,00 por conta e em compensação de ações judiciais como se fosse uma operação equivalente à cessão de direitos hereditários, padece o lançamento de vício material, pois guarda relação com o conteúdo do ato administrativo, pressuposto intrínseco do lançamento. Melhor elucidando, a ausência da perfeita descrição dos fatos que dão ensejo ao tributo lançado malfere os ditames do artigo 142 do CTN, anteriormente transcrito, determinando a nulidade material do ato administrativo. (g.n.) A Fazenda Nacional, por sua vez, argumenta que existe divergência jurisprudencial e aponta como paradigmas os Acórdãos nº 230200.386 e 2201002.183, dos quais transcrevo alguns trechos de interesse: Acórdão 230200.386 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Data do fato gerador: 29/12/2006. RETENÇÃO 11%. FALTA CARACTERIZAÇÃO DA CESSÃO DE MÃODEOBRA. RELATÓRIO INCOMPLETO. NULIDADE. O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n 8.212/1991, com redação conferida pela Lei nº 9.711/1998. O órgão previdenciário aponta que a recorrente deveria ter efetuado a retenção, entretanto não indicou no relatório fiscal, nem na complementação do relatório, os fundamentos para enquadrar os serviços prestados como sujeitos à retenção de 11%. Não foi realizado o cotejamento pelos AuditoresFiscais entre a documentação analisada e a legislação que dispõe acerca da cessão de mãodeobra. A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n ° 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto n° 70.235). A descrição implica a exposição Fl. 747DF CARF MF Processo nº 12448.727311/201372 Acórdão n.º 9202007.819 CSRFT2 Fl. 746 5 circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo. Pelo exposto, in casu, não se tratou de simples erro material, mas de vício na formalização por desobediência ao disposto no art. 10, inciso III do Decreto n° 70.235. Processo Anulado. Acórdão 2201002.183 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DOS FATOS IMPRECISA. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A imprecisa descrição dos fatos, que acarreta o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, constitui motivo para declarar nulo, por vício formal, o respectivo lançamento Recurso Voluntário Provido. (...) O órgão julgador de primeira instância considerou que a Contribuinte não questionou especificamente, na impugnação, a omissão de rendimentos recebidos da Caixa Econômica Federal. Por conseguinte entendeu que a infração não foi impugnada. A descrição dos fatos da Notificação de Lançamento (fls. 13) foi assim exposta: “Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, Decorrentes de Ação da Justiça Federal Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal, no valor de R$ ********61.293,32, auferidos pelo titular e/ou dependentes. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$*********1.838,80. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Inclusão dos rendimentos recebido, conforme DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras. Devidamente intimada, a contribuinte não apresenta qualquer recibo de honorários Fl. 748DF CARF MF 6 advocatícios devidamente assinado pelo profissional que a representou nas ações em questão.” Pelo exposto acima constatase que não foram discriminadas as fontes pagadoras dos rendimentos lançados pela fiscalização. Embora tenha sido informado que os rendimentos foram incluídos com base nas DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras (fls. 75), não constam nos autos que os dados contidos naqueles documentos tenham sido disponibilizados ao Contribuinte juntamente com a Notificação de Lançamento, ou mesmo com as Intimações que lhe foram encaminhadas. No acórdão recorrido foi esclarecido que os rendimentos omitidos referemse a duas fontes pagadoras, conforme trecho daquele aresto a seguir reproduzido: “O lançamento incluiu rendimentos tributáveis recebidos de ação judicial no total de R$ 61.293,32, provenientes da Caixa Econômica Federal, no importe de R$ 7.315,86, com a retenção do imposto de renda na fonte no valor de R$ 219,48; e do Banco do Brasil S/A, no montante de R$ 53.977,46, com retenção do imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 1.619,32, em virtude das fontes terem informados os respectivos rendimentos em DIRF’s e de não terem sido consignados na Declaração de Ajuste Anual apresentada pelo contribuinte, resultando no crédito tributário acima exigido.” (destaques no original) Depreendese, portanto, o porquê do Recorrente ter se manifestado acerca da omissão de rendimentos recebidos da Caixa Econômica Federal somente em sede recursal, haja vista que antes da ciência da decisão recorrida ele não tinha conhecimento de que tais rendimentos também estavam incluídos no lançamento. O art. 142, caput, do Código Tributário Nacional,, que trata do lançamento, assim dispõe: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” A imprecisa descrição dos fatos impede a perfeita identificação da ocorrência do fato gerador, elemento essencial do lançamento, maculandoo de vício insanável, de natureza formal, e tornandoo nulo, nulidade esta que deve ser declarada a qualquer tempo. Convém ressaltar que se trata de caso em que se encontra caracterizado o cerceamento do direito de defesa do Contribuinte, que não pôde impugnar por completo o lançamento devido à imprecisa descrição dos fatos da Notificação de Lançamento. (g.n.) Com efeito, em relação aos paradigmas o cotejo promovido pela Fazenda Nacional evidencia a divergência suscitada, Fl. 749DF CARF MF Processo nº 12448.727311/201372 Acórdão n.º 9202007.819 CSRFT2 Fl. 747 7 pois enquanto nos paradigmas a deficiente descrição dos fatos motivou a nulidade do lançamento por vício formal, no recorrido reputouse que tal espécie de mácula representaria um vício material, de forma que o recurso deve ter seguimento, nessa parte. c) Ganho de Capital Cessão de Direitos Hereditários Cláusula Pro Soluto2 Legislação interpretada de forma divergente: art 43, incisos I e II do CTN e art. 140, caput e § 1º do RIR/99. De acordo com o acórdão recorrido, na cessão de direitos hereditários cuja alienação se deu por título de crédito contendo cláusula pro soluto, o ganho de capital deve ser tributado de acordo com o recebimento do valor (regime de caixa), conforme se verifica nos trechos abaixo colacionados: O cerne da controvérsia está, então, na correta caracterização das cláusulas pro soluto e pro solvendo, muito utilizadas nas transações envolvendo títulos de crédito. Esclarecido o ponto nodal da demanda, é importante tecer algumas considerações acerca das diferenças envolvendo as cláusulas pro soluto e pro solvendo, conforme passaremos a demonstrar. Em relação a cláusula pro soluto as promissórias são entregues e recebidas como pagamento, a título de solução, e dando quitação. A compra e venda, assim sendo, é irrevogável e irretratável, fica perfeita e acabada. Se as ditas notas promissórias, não forem pagas, o contrato respectivo não pode ser atacado, não pode ser desfeito, permanece firme e inabalável. Aquele que comprou o bem continua sendo dono dele, restando ao vendedor recorrer à Justiça, executar o título de crédito, tentar receber o que lhe é devido. Já no tocante a cláusula pro solvendo os títulos não se tornam autônomos, não se desligam do negócio respectivo, o preço só se considera real e definitivamente pago depois de saldada a última das notas promissórias. Como ensina Orlando Gomes, as promissórias pro solvendo não foram emitidas para extinguir a dívida oriunda do contrato de compra e venda, mas tão somente para reforçála, para facilitar a obtenção do numerário. E, afinal, se essas notas promissórias não forem pagas? O vendedor poderá atacar a própria compra e venda e considerar o contrato extinto e resolvido, com as graves conseqüências que este fato acarreta. Pelos esclarecimentos encimados, concluímos que o fato de ser pro soluto ou pro solvendo apenas desvincula a dívida da obrigação, não influenciando na forma da percepção dos valores da dívida, sendo esta no mês do vencimento e não como se à vista fosse. Fl. 750DF CARF MF 8 No caso concreto, os pagamentos foram acordados a prazo e em parcelas representadas por notas promissórias emitidas pro soluto (cláusula 1.6 da escritura pública, à fl. 137). Significa dizer que o ganho de capital foi apurado erroneamente, computandose o valor da cessão na data da alienação, como se fosse à vista. O art. 3º, § 3º, da Lei nº 7.713/88 prevê que, para efeitos do ganho de capital, será levando em conta o valor da alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda. Ora, o art. 2º do dispositivo legal encimado determina que o imposto de renda será pago à medida em que o ganho de capital for percebido: Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. O Decreto 3.000/99, determina: Art. 117. Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este Título a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza. [...] § 2º Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. Desta forma, sendo mensal o fato gerador do imposto de renda relativo aos rendimentos oriundos do ganho de capital na alienação de bens e direitos e, em se tratando de uma venda à prazo mediante notas promissórias pro soluto, sua apuração não poderia ter sido feita como se à vista fosse, como proposto no auto de infração em questão. (g.n.) A Fazenda Nacional argumenta que em processo envolvendo herdeira juntamente com a autuada, discutindo matéria idêntica, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF decidiu de forma diversa, nos termos do Acórdão nº 2201 003.126, apresentado como paradigma, do qual transcrevo alguns trechos: Acórdão 2201003.126 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 Fl. 751DF CARF MF Processo nº 12448.727311/201372 Acórdão n.º 9202007.819 CSRFT2 Fl. 748 9 SUCESSÃO. BENS MÓVEIS E IMÓVEIS. GANHOS DE CAPITAL. FATORES DE REDUÇÃO. APLICAÇÃO. Consideramse imóveis, por determinação legal, o direito à sucessão aberta, ainda que a herança seja formada exclusivamente de bens móveis. Na cessão de direitos hereditários em que a herança é composta por bens móveis e imóveis a aplicação dos fatores de redução alcança todos os bens do inventário. GANHOS DE CAPITAL. CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS TÍTULO DE CRÉDITO. CLÁUSULA PRO SOLUTO. Está sujeita ao pagamento de imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na cessão de direitos hereditários. A opção, em título de crédito, pela cláusula pro soluto implica considerar o pagamento como sendo efetuado à vista. GANHOS DE CAPITAL. CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. Na cessão de direitos hereditários cuja alienação se deu por título de crédito contendo a cláusula pro soluto o ganho de capital deve ser tributado na data da alienação. (...) A Autoridade lançadora considerou que os pagamentos efetuados à Recorrente pela AMIL (cessionária), por meio de notas promissórias, foram feitos à vista, porquanto as referidas notas foram emitidas em caráter pro soluto. A Interessada, no entanto, entende que a entrega dos títulos aperfeiçoou a cessão de direitos, mas não consumou o pagamento, não havendo qualquer fundamento legal para exigir se a tributação do imposto como se de pagamento à vista se tratasse, quando ele se fez a termo e de forma parcelada, por meio de títulos emitidos pro soluto. Segundo a Recorrente o equívoco da tese consiste em identificar os conceitos de "quitação" e "pagamento", que são distintos. "Quitação" significa "extinção, liberação da obrigação", ao passo que "pagamento" é uma das modalidades de extinção da obrigação. O cerne da controvérsia está, então, na correta caracterização das cláusulas pro soluto e pro solvendo, muito utilizadas nas transações envolvendo títulos de crédito. (...) Vêse, pois, que por construção doutrinária e jurisprudencial a existência da cláusula pro soluto implica em duplo efeito: pagamento à vista e quitação da dívida. E isto ocorre porque os títulos se desvinculam definitivamente da operação que lhes deu origem. Fl. 752DF CARF MF 10 No caso concreto, os pagamentos foram acordados a prazo e em parcelas representadas por notas promissórias emitidas pro soluto (cláusula 1.6 da escritura pública, à fl. 273). Significa dizer que o ganho de capital foi apurado corretamente, computandose o valor da cessão na data da alienação, como se fosse à vista, não merecendo qualquer reparo, neste ponto, o lançamento, haja vista que, no referido momento, se verificou a disponibilidade jurídica da renda.(g.n.) Ainda como paradigma, a Fazenda Nacional apresenta o acórdão nº 2201 002.617, onde assim ficou consignada a questão do ganho de capital no caso de alienação de bem imóvel com emissão de promissória com cláusula pro soluto: Acórdão 2201002.617 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2007 Ementa: IRPF. GANHOS DE CAPITAL. NOTA PROMISSÓRIA. PRO SOLUTO. Na alienação de bem imóvel efetuada com emissão de nota promissória desvinculada do contrato pela cláusula “pro soluto”, fato gerador é a data da alienação reputandose, assim, ocorrido o ganho de capital no momento da operação (...) Quanto à alegação de que vendeu um imóvel de sua propriedade pelo preço de R$ 158.000,00, com emissão, pelo adquirente, de nota promissória de igual valor, conforme consta da escritura pública lavrada pelo 12° Tabelião de Notas da Capital, recebendo a citada quantia somente em 25/03/2006, conforme declaração de bens do exercício de 2007, constatase que a Escritura de Compra e Venda lavrada no Cartório do 12º Tabelião de Notas, fls. 181 a 183, dispõe que a nota promissória emitida foi em caráter “pro soluto”. (...) Pelo que se vê, a nota promissória foi emitida desvinculada do contrato e, consequentemente, esse contrato está perfeito e acabado, caracterizando a disponibilidade jurídica, independentemente de ser o título quitado em momento posterior. Na verdade, como o recorrente não carreou aos autos prova de que o recebimento não ocorreu da forma descrita na escritura, não há como considerar a data do recebimento em 25/03/2006. (g.n.) Verificase a plena similitude entre as situações retratadas nos Acórdãos Recorrido e Paradigmas, onde em todos os casos tratouse de ganho de capital nos casos de alienação/cessão de direitos hereditários, por meio de título de crédito com cláusula pro soluto. Ao passo que no Fl. 753DF CARF MF Processo nº 12448.727311/201372 Acórdão n.º 9202007.819 CSRFT2 Fl. 749 11 acórdão recorrido decidiuse que a tributação deveria ocorrer à medida em que os pagamentos fossem efetuados, pelo regime de caixa, nos paradigmas, o entendimento é de que o ganho de capital deve ser apurado na data da alienção, como se fosse à vista. Assim, resta configurada a divergência jurisprudencial apontada pela Fazenda Nacional. Intimado, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, requerendo o não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, caso conhecido, que seja negado provimento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço o Recurso Nacional da Fazenda Nacional. A alegação presente em contrarrazões não são sobre ausência de similitude fática. Conforme depreendese da leitura do item “B” do Termo de Constatação e de Verificação Fiscal (efls. 150/169) evidencia que a Fiscalização apurou ganhos de capital decorrentes de duas operações distintas, vejamos: B DOS GANHOS DE CAPITAL DECLARADOS E DOS GANHOS APURADOS PELA FISCALIZAÇÃO Conforme INSTRUMENTO PARTICULAR DE PROMESSA DE CESSÃO E TRANSFERÊNCIA DE DIREITOS HEREDITÁRIOS, DE CESSÃO E TRANSFERÊNCIA DE AÇÕES, RENÚNCIA DE DIREITOS E AÇÕES E OUTRAS AVENÇAS, de 18/09/2008, e a Escritura Definitiva, de 17/10/2008, referentes às mesmas operações, a fiscalizada acima identificada, denominada PRIMEIRA CEDENTE, realizou duas operações sujeitas à apuração dos ganhos de capital: cessão de direitos hereditários à empresa AMIL ASSISTÊNCIA MEDICA INTERNACIONAL LTDA. Recebimento de R$ 3.000.000,00, por conta e em compensação de ações judiciais, como veremos adiante, equivalente à cessão de direitos hereditários sobre bens sonegados ao inventário. Quanto à cessão dos direitos hereditários à AMIL, ao verificarmos os ganhos de capital apurados com base na escritura e na legislação aplicável, confrontados com os ganhos Fl. 754DF CARF MF 12 de capital declarados pela fiscalizada, constatamos divergências consideráveis. Quanto à compensação de ações judiciais, a fiscalizada não apurou ganhos tributáveis em suas declarações de ajuste. Da natureza do Vício: formal x material O Acórdão a quo é preciso ao delimitar a questão relacionada ao vício material: Afirma que a falta de previsão legal da tributação das "transações" é questão incontroversa neste processo e, para proceder à taxação, a autuação valese de um instituto meramente equivalente, sendo a "transação" e a "cessão de direitos hereditários" negócios jurídicos típicos e diversos entre si, não havendo qualquer semelhança ou equivalência. Compulsando o Auto de Infração verificase que, de fato, a Autoridade fiscal se utilizou da suposta “equivalência” quando tratou da indenização de R$ 3.000.000,00 recebidos pela Interessada, por conta e em compensação de ações judiciais em que pleiteava a recomposição do patrimônio em decorrência de bens sonegados ao inventário por seus irmãos, assim se pronunciando o Sr. Fiscal: Em compensação às referidas ações judiciais, as cláusulas (1.1.3) e (1.3) da mesma escritura consignaram que os irmãos, denominados QUARTO e QUINTO CEDENTES, pagariam a cada uma das irmãs, PRIMEIRA, SEGUNDA e TERCEIRA CEDENTES, o valor de R$3.000.000,00 para cada uma, conforme reproduzimos a seguir. 1.1.3. Em razão da transação prevista na Cláusula 2.2, o QUARTO e o QUINTO CEDENTE determinam a CESSIONÁRIA (i) a deduzir R$9.000.000,00 (nove milhões de reais) dos valores correspondentes a sua parte nos Preços de Aquisição dos Direitos Hereditários e dos Direitos de Participação, sendo R$ 4.500.000,00 (quatro milhões e quinhentos mil reais) de cada um deles e (ii) a pagar, em partes iguais, a PRIMEIRA, SEGUNDA e TERCEIRA CEDENTES por conta e em compensação das Ações Judiciais e a titulo de recomposição do patrimônio da PRIMEIRA, SEGUNDA E TERCEIRA CEDENTES, conforme prazos e condições previstos nesta Cláusula ("Créditos Indenizatórios"). A assinatura desta Escritura valerá igualmente como plena, rasa, mútua, geral e recíproca quitação entre as partes litigantes nos autos das Ações Judiciais. (...) No caso, as ações judiciais, que ensejaram o pagamento “... por conta e em compensação das Ações Judiciais e a título de recomposição do patrimônio...” às irmãs, autoras, pagos pelos irmãos, réus, versam, em sua essência, sobre bens sonegados ao inventário pelos réus, em especial imóveis já de propriedade e Fl. 755DF CARF MF Processo nº 12448.727311/201372 Acórdão n.º 9202007.819 CSRFT2 Fl. 750 13 posse dos réus, que teriam sido recebidos por estes em vida do pai, e saldos credores de contas no exterior, pertencentes ao pai, em vida, e não declarados, dos quais os réus teriam se apropriado. Concluímos que o recebimento de tal valor, em compensação às ações judiciais, é equivalente à cessão de direitos hereditários, pelas coherdeiras, que se tornaram cedentes dos direitos, aos irmãos, adquirentes da totalidade dos direitos sobre estes bens, sonegados ao inventário, que já estavam de posse dos mesmos, operação esta passível de apuração dos ganhos de capital, já que presentes os pressupostos definidos no artigo 117, § 4º, do RIR/99, a seguir reproduzidos. (...) Inequivocamente, o Instrumento Particular de 18/09/2008 e a Escritura Definitiva de 17/10/2008 foram os documentos registradores da operação, equivalente, como visto, à cessão de direitos hereditários entre os herdeiros, referentes aos bens sonegados ao inventário, reclamados pelas autoras e de posse dos réus. À evidência, transação e cessão de direitos hereditários não são equivalentes, tampouco se assemelham. Do ponto de vista jurídico, que é o que interessa, a transação é um negócio jurídico bilateral em que os interessados, por meio de concessões recíprocas, previnem ou terminam um litígio, ao passo que a cessão de direitos hereditários é alienação gratuita ou onerosa de herança a terceiro, estranho ou não ao inventário. O que ocorreu, sob a ótica deste julgador, foi a realização de uma transação com o objetivo de viabilizar a cessão de direitos hereditários, sendo as duas operações passíveis de tributação pelo imposto de renda, em face da ocorrência de ganho de capital em ambas. No que se refere à transação realizada, por meio da qual a Recorrente recebeu a indenização de R$ 3.000.000,00 por conta e em compensação de ações judiciais em que pleiteava a recomposição do seu patrimônio, em decorrência da sonegação de bens ao inventário, importante observar que o simples fato de determinada verba ostentar natureza indenizatória não é, por si só, suficiente para sua exclusão do âmbito de incidência do imposto de renda. Não é possível subsistir o entendimento de que a verificação da incidência do imposto de renda deve ter por base unicamente o caráter remuneratório ou indenizatório da parcela que se quer tributar, já que não são apenas as verbas remuneratórias que podem representar aumento de patrimônio daquele que as recebe. As indenizações, em regra, são valores destinados à recomposição do patrimônio (material ou imaterial) daquele que foi lesado em seu direito. Contudo, uma análise mais detida do conceito de indenização denota que, a par de sua função de reposição patrimonial (reparação de danos emergentes), o pagamento de indenização pode, por vezes, Fl. 756DF CARF MF 14 representar aumento do patrimônio de quem a recebe, na medida em que visem à reparação de ganhos que deixou de obter, ou seja, lucros cessantes. Não obstante o exposto, a questão é o equívoco cometido pela Autoridade lançadora e, posteriormente, pela Autoridade julgadora da instância de piso, que tratou a transação como se fosse “adiantamento de legítima”, para convalidar o lançamento viciado em sua origem. Assim, o Recurso Especial da Fazenda Nacional a discutir a natureza do vício. Como meu posicionamento é conhecido deste Colegiado: Para o Direito Tributário, essa questão de compreender e identificar se o vício é formal ou material tem grande relevância, porque o Código Tributário Nacional CTN, nos casos de vício formal, prolonga o prazo de decadência para constituição de crédito tributário, nos termos de seu art. 173, II: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Mas antes de adentrar nesse tema, é preciso apresentar as circunstâncias do caso concreto. Para tanto, transcrevo em parte do decisum do acórdão recorrido: (i) decretar nulo o lançamento, por vício material, na parte relativa à omissão de ganho de capital em compensação às ações judiciais; e (ii) excluir a tributação incidente sobre o ganho de capital na cessão de direitos hereditários. Vencido o conselheiro Cleberson Alex Friess que dava provimento parcial para tão somente acolher a nulidade, por vício material, do lançamento referente à omissão de ganho de capital no recebimento em compensação às ações judiciais. Adentrando propriamente na questão da análise do vício que ensejou a declaração de nulidade em relação a alguns itens do auto de infração, registro novamente que a compreensão e identificação da espécie desse vício (formal ou material) tem particular importância no âmbito do Direito Tributário, porque o Código Tributário Nacional prolonga o prazo de decadência para a constituição de crédito tributário que tenha sido cancelado por vício formal em sua constituição (CTN, art. 173, II). Os prazos de decadência tem a função de trazer segurança e estabilidade para as relações jurídicas, e é razoável admitir que o prolongamento desse prazo em favor do Fisco, em razão de erro por ele mesmo cometido, deve abranger vícios de menor gravidade. Com efeito, o sentido do CTN não é prolongar a decadência para todo o tipo de crédito tributário, mas apenas para aqueles que tenha sido anulados por ocorrência de "vício formal" em sua constituição. Nem sempre é tarefa fácil distinguir o vício formal do vício material, dadas as inúmeras circunstâncias e combinações em que eles podem se apresentar. Fl. 757DF CARF MF Processo nº 12448.727311/201372 Acórdão n.º 9202007.819 CSRFT2 Fl. 751 15 O problema é que os requisitos de forma não são um fim em si mesmo. Eles existem para resguardar direitos (p/ ex., o direito ao contraditório e à ampla defesa). É a chamada instrumentalidade das formas, e isso às vezes cria linhas muito tênues de divisa entre o aspecto formal e o aspecto substancial das relações jurídicas. É esse o contexto quando se afirma que não há nulidade sem prejuízo da parte. Nesse sentido, vale trazer à baila as palavras de Leandro Paulsen: Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente ao contribuinte já por força do art. 5º, LV, da Constituição Federal. Isso porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade cabe, à autoridade administrativa ou judicial verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falar se do princípio da informalidade do processo administrativo. (PAULSEN, Leandro. Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 13ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2011.) No contexto do ato administrativo de lançamento, vício formal é aquele verificado de plano, no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade jurídica representada (declarada) por meio deste ato. O vício formal não pode estar relacionado aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, não pode referirse à verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido e à identificação do sujeito passivo, porque aí está a própria essência da relação jurídico tributária. O vício formal a que se refere o artigo 173, II, do CTN abrange, por exemplo, a ausência de indicação de local, data e hora da lavratura do lançamento, a falta de assinatura do autuante, ou a falta da indicação de seu cargo ou função, ou ainda de seu número de matrícula, todos eles configurando elementos formais para a lavratura de auto de infração, conforme art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, mas que não se confundem com a essência/ conteúdo da relação jurídico tributária, apresentada como resultado das atividades inerentes ao lançamento (verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, etc. CTN, art. 142). Penso que a verificação da possibilidade de refazimento (repetição) do ato de lançamento, com o mesmo conteúdo, para fins de apenas sanear o vício detectado, é um referencial bastante útil para se examinar a espécie do vício. Se houver possibilidade de o lançamento ser repetido, com o mesmo conteúdo concreto (mesmos elementos constitutivos da obrigação tributária), sem incorrer na Fl. 758DF CARF MF 16 mesma invalidade, o vício é formal. Isso é um sinal de que o problema está nos aspectos extrínsecos e não no núcleo da relação jurídico tributária. In casu, entretanto a formalização do auto de infração em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto nº 70.235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo O vício é material quando relacionado aos aspectos intrínsecos da hipótese de incidência tributária descritos no art. 142, caput, do CTN (aspecto material = identificação do fato gerador e determinação da matéria tributável, aspecto quantitativo = cálculo do montante do tributo devido e aspecto pessoal passivo = identificação do sujeito passivo) Nos termos do § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Outrossim, no âmbito infralegal, a competência para realização do lançamento é estipulada pelos arts. 241 e 243 do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. Ademais, não se pode confundir o órgão fiscalizador com o julgador Cabe à Receita Federal fiscalizar e lançar os tributos, e cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ‑ CARF a tarefa de verificar a regularidade da decisão de primeira instância, e não efetuar ou complementar o lançamento. Como sabido, qualquer ato administrativo manter coerência entre os fatos/condutas descritos e seus fundamentos legais, conforme bem se depreende da lição de Di Pietro ao explicar que “o princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões”. Com efeito, não basta identificar a conduta objeto do ato, mas sim qualificar devidamente aquela conduta dentro da norma supostamente violada e apta a gerar a cobrança fiscal, inclusive sob pena de violação à legalidade. GANHO DE CAPITAL CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS Por um lado a Autoridade lançadora considerou que os pagamentos efetuados à Recorrente pela AMIL (cessionária), por meio de notas promissórias, foram feitos à vista, porquanto as referidas notas foram emitidas em caráter pro soluto. Já a contribuinte aduz ter o fiscal e o acórdão recorrido afrontado decisão de autoridade competente preclusa administrativamente (consulta fiscal) e descumpre, também, sentença judicial da 17° Vara Federal do Rio de Janeiro, que concedeu à ora recorrente mandado de segurança para determinar à Fazenda Nacional observância da eficácia da resposta a ser dada à referida consulta, anexando certidão. Fl. 759DF CARF MF Processo nº 12448.727311/201372 Acórdão n.º 9202007.819 CSRFT2 Fl. 752 17 Faz um relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, para por em destaque a importância do instituo da consulta fiscal, seu fundamento constitucional no inciso XXXIII, do art. 5°, da Carta magna, e o caráter vinculatório que assume a resposta para a Administração Tributária, sendo inquestionável não subsistir legalmente qualquer conclusão posta em contraste com o decidido no âmbito da consulta. Esclarece em relação à alienação à prazo, com a emissão de notas promissórias com cláusula pro soluto, seria indevida a tributação como se pagamento à vista fosse, a entrega de tais títulos “para pagamento” não implicaria em pagamento, mas significaria “como em pagamento”. Ou seja, no caso concreto, a entrega dos títulos aperfeiçoou a cessão de direitos, mas não consumou o pagamento. Salienta que considerando a existência da cláusula pro soluto implicaria em equivalência a pagamento à vista, ferindo o fato relevante de que a disponibilidade financeira, colacionando doutrina e jurisprudência sobre a matéria. Aqui, passo a decidir, em convergência ao constante ao a quo: Primeiramente quanto ao questionamento sobre a consulta fiscal, ocorre que a questão da cláusula pro soluto não foi objeto de indagação na consulta, de forma que qualquer tentativa de se desvencilhar do ônus tributário com base em consulta fiscal que sequer ventilou o assunto deve ser rechaçada de pronto, sem maiores delongas. O cerne da controvérsia está, então, na correta caracterização das cláusulas pro soluto e pro solvendo, muito utilizadas nas transações envolvendo títulos de crédito. Esclarecido o ponto nodal da demanda, é importante tecer algumas considerações acerca das diferenças envolvendo as cláusulas pro soluto e pro solvendo, conforme passaremos a demonstrar. Em relação a cláusula pro soluto as promissórias são entregues e recebidas como pagamento, a título de solução, e dando quitação. A compra e venda, assim sendo, é irrevogável e irretratável, fica perfeita e acabada. Se as ditas notas promissórias, não forem pagas, o contrato respectivo não pode ser atacado, não pode ser desfeito, permanece firme e inabalável. Aquele que comprou o bem continua sendo dono dele, restando ao vendedor recorrer à Justiça, executar o título de crédito, tentar receber o que lhe é devido. Já no tocante a cláusula pro solvendo os títulos não se tornam autônomos, não se desligam do negócio respectivo, o preço só se considera real e definitivamente pago depois de saldada a última das notas promissórias. Como ensina Orlando Gomes, as compra e venda, mas tão somente para reforçála, para facilitar a obtenção do numerário. E, afinal, se essas notas promissórias não forem pagas? O vendedor poderá atacar a própria compra e venda e considerar o contrato extinto e resolvido, com as graves conseqüências que este fato acarreta. Fl. 760DF CARF MF 18 Pelos esclarecimentos encimados, concluímos que o fato de ser pro soluto ou pro solvendo apenas desvincula a dívida da obrigação, não influenciando na forma da percepção dos valores da dívida, sendo esta no mês do vencimento e não como se à vista fosse. No caso concreto, os pagamentos foram acordados a prazo e em parcelas representadas por notas promissórias emitidas pro soluto (cláusula 1.6 da escritura pública, à fl. 137). Significa dizer que o ganho de capital foi apurado erroneamente, computandose o valor da cessão na data da alienação, como se fosse à vista. O art. 3º, § 3º, da Lei nº 7.713/88 prevê que, para efeitos do ganho de capital, será levando em conta o valor da alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda. Ora, o art. 2º do dispositivo legal encimado determina que o imposto de renda será pago à medida em que o ganho de capital for percebido: Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. O Decreto 3.000/99, determina: Art. 117. Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este Título a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza. [...] § 2º Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. Desta forma, sendo mensal o fato gerador do imposto de renda relativo aos rendimentos oriundos do ganho de capital na alienação de bens e direitos e, em se tratando de uma venda à prazo mediante notas promissórias pro soluto, sua apuração não poderia ter sido feita como se à vista fosse, como proposto. Assim, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e no mérito em NEGARLHE provimento. (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Redator designado Fl. 761DF CARF MF Processo nº 12448.727311/201372 Acórdão n.º 9202007.819 CSRFT2 Fl. 753 19 Divergi da Relatora quanto ao mérito. Entendeu a Relatora, adotando as teses do acórdão recorrido, que os valores recebidos em decorrência de acordo, como compensação por bens sonegados ao inventários, teriam natureza indenizatória e que o lançamento não tinha base para equiparar a alienação de direito hereditário, e que, ao fazêlo, incorreu em nulidade do lançamento por vício material; Também entendeu a Relatora que, no caso de alienação de bem mediante recebimento de título de crédito com cláusula pro soluto, o imposto sobre o ganho de capital é devido quando do efetivo desconto do título (regime de caixa). Divirjo quanto aos dois pontos, pela razões que passo a expor. Sobre o recebimento como contrapartida por bens sonegados ao inventários, que o contribuinte chama de equivalência, não vislumbro aí, como quer a Relatora, nada que possa ser caracterizado como indenização, mas como efetiva alienação de direito hereditário. Trata de valores pagos aos herdeiros em contrapartida pela cessão, de fato, de parte do seu quinhão na herança, num verdadeiro negócio jurídico. O uso do termo “equivalência” para designar a relação entre o valor recebido e o que seria o quinhão hereditário não muda a natureza do negócio jurídico. Os contribuintes faziam jus a um determinado quinhão da herança e, mediante acerto, receberam em troca desse quinhão, valor previamente ajustado. Essa operação, independentemente do nome que se lhe dê, é verdadeira alienação. Não se trata, portanto, de aplicação do regime de caixa ou de competência, mas de definição do momento do efetivo recebimento da contrapartida pela alienação, e esta se dá no momento do fechamento do negócio, como venda à vista. Assim, foi certíssima a interpretação adotada pela autoridade lançadora de considerar a operação como alienação de direito de herança e, conseqüentemente, como operação sujeita ao ganho de capital. Se é assim, não se cogita de nulidade do lançamento, seja por vício formal, seja por vício material. Todavia, declarada a nulidade, e tendo o recurso sido conhecido apenas em relação à definição da natureza do vício,s e formal ou material, é forçoso concluir pela natureza formal do vício. Sobre a segunda matéria, a definição do momento da ocorrência do fato gerador, no caso de pagamento mediante entrega de título com cláusula pro soluto, como se sabe, o que distingue as cláusulas pro soluto e pro solvendo é que, no primeiro caso, o alienante dá plena quitação da operação, não ficando esta condicionada à liquidação futura dos título. Se é assim, ora, se é dada a plena quitação, o negócio jurídico está pleno e acabado, estando configurado, por um lado, a propriedade definitiva do bem adquirido e, por outro lado, a efetiva disponibilidade jurídica da renda. Portanto, em tudo, tratase de operação à vista. Essa questão, inclusive, já foi esclarecida com precisão pela Administração Tributária no Parecer CST nº 130, de 23/10/1975. Confirase: Fl. 762DF CARF MF 20 Parecer Normativo CST nº 130, de 23/10/1975 [...] 3. Nas alienações por meio de escritura definitiva, com quitação integral registrada sem quaisquer ônus sobre o imóvel, sendo parte do preço paga mediante notas promissórias não vinculadas à transação, a alienação é considerada à vista. As alienações a prazo revestemse de formas próprias, bem caracterizadas havendo sempre vinculação entre a respectiva transação e o crédito resultante da parte não paga, como por exemplo: alienação com cláusula adjeta de hipoteca; alienação com cláusula de pacto comissório. Assim, a emissão de notas promissórias sem qualquer vinculação com a transação imobiliária constitui outra operação, ou seja, de financiamento. [...] É o caso. A venda mediante entrega de título com cláusula pro soluto configura, na verdade, duas operações, independentes entre si: de alienação à vista e de financiamento. Correto, portanto, o procedimento fiscal também quanto a este ponto. Diante do exposto, conheço do recurso interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 763DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10600.720016/2014-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
ÁGIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INEFICÁCIA.
A reorganização societária na qual inexista motivação outra que não a criação artificial de condições para obtenção de vantagens tributárias é inoponível à Fazenda Pública. Negada eficácia fiscal ao arranjo societário sem propósito negocial, restam não atendidos os requisitos para a amortização do ágio como despesa dedutível, impondo-se a glosa e a recomposição da apuração dos tributos devidos.
ÁGIO DE SI MESMO. INCONSISTÊNCIA.
Carece de consistência econômica ou contábil o ágio surgido no bojo de entidades sob o mesmo controle, o que obsta que se admitam suas consequências tributárias.
ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO.
Não há como aceitar a dedução da amortização do ágio artificialmente criado com a utilização de empresa veículo, formalmente constituída, não obstante despida de propósito negocial.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010, 2011
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010, 2011
MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. SÚMULA CARF Nº 105. NÃO APLICABILIDADE.
Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplica-se sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa-se ao final do ano-calendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplica-se aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007.
Numero da decisão: 9101-004.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, quanto ao mérito do art. 24 da LINDB, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Luis Fabiano Alves Penteado e Lívia De Carli Germano. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei e Luis Fabiano Alves Penteado, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Lívia De Carli Germano. Acordam, também, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Luis Fabiano Alves Penteado e Lívia De Carli Germano, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto, quanto ao Recurso Fazendário, a conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 ÁGIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INEFICÁCIA. A reorganização societária na qual inexista motivação outra que não a criação artificial de condições para obtenção de vantagens tributárias é inoponível à Fazenda Pública. Negada eficácia fiscal ao arranjo societário sem propósito negocial, restam não atendidos os requisitos para a amortização do ágio como despesa dedutível, impondo-se a glosa e a recomposição da apuração dos tributos devidos. ÁGIO DE SI MESMO. INCONSISTÊNCIA. Carece de consistência econômica ou contábil o ágio surgido no bojo de entidades sob o mesmo controle, o que obsta que se admitam suas consequências tributárias. ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não há como aceitar a dedução da amortização do ágio artificialmente criado com a utilização de empresa veículo, formalmente constituída, não obstante despida de propósito negocial. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2010, 2011 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010, 2011 MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. SÚMULA CARF Nº 105. NÃO APLICABILIDADE. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplica-se sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa-se ao final do ano-calendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplica-se aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10600.720016/2014-31
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6029212
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9101-004.223
nome_arquivo_s : Decisao_10600720016201431.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : VIVIANE VIDAL WAGNER
nome_arquivo_pdf_s : 10600720016201431_6029212.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, quanto ao mérito do art. 24 da LINDB, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Luis Fabiano Alves Penteado e Lívia De Carli Germano. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei e Luis Fabiano Alves Penteado, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Lívia De Carli Germano. Acordam, também, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Luis Fabiano Alves Penteado e Lívia De Carli Germano, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto, quanto ao Recurso Fazendário, a conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
id : 7815703
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119637950464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 46; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1697; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2.815 1 2.814 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10600.720016/201431 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9101004.223 – 1ª Turma Sessão de 5 de junho de 2019 Matéria AGIO. Recorrentes FAZENDA NACIONAL TEMPO SERVIÇOS S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 ÁGIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INEFICÁCIA. A reorganização societária na qual inexista motivação outra que não a criação artificial de condições para obtenção de vantagens tributárias é inoponível à Fazenda Pública. Negada eficácia fiscal ao arranjo societário sem propósito negocial, restam não atendidos os requisitos para a amortização do ágio como despesa dedutível, impondose a glosa e a recomposição da apuração dos tributos devidos. ÁGIO DE SI MESMO. INCONSISTÊNCIA. Carece de consistência econômica ou contábil o ágio surgido no bojo de entidades sob o mesmo controle, o que obsta que se admitam suas consequências tributárias. ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não há como aceitar a dedução da amortização do ágio artificialmente criado com a utilização de empresa veículo, formalmente constituída, não obstante despida de propósito negocial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010, 2011 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos aplicase à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 60 0. 72 00 16 /2 01 4- 31 Fl. 2815DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.816 2 MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. SÚMULA CARF Nº 105. NÃO APLICABILIDADE. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoase ao final do anocalendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplicase aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, quanto ao mérito do art. 24 da LINDB, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Luis Fabiano Alves Penteado e Lívia De Carli Germano. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei e Luis Fabiano Alves Penteado, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Lívia De Carli Germano. Acordam, também, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Luis Fabiano Alves Penteado e Lívia De Carli Germano, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto, quanto ao Recurso Fazendário, a conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Fl. 2816DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.817 3 Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (PGFN) e por TEMPO SERVIÇOS S/A, em face do acórdão nº 1201001811, que, por maioria de votos, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, mantendo apenas as multas isoladas decorrentes da infração relativa à CSLL instituições financeiras, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 ÁGIO. FUNDAMENTO ECONÔMICO. RENTABILIDADE FUTURA DA INVESTIDA. COMPROVAÇÃO. Tendo em vista que a legislação vigente à época dos fatos geradores objeto dos Autos de Infração não regulamentava a forma, conteúdo e apresentação do demonstrativo do fundamento econômico do ágio pago na aquisição de participação societária, o contribuinte pode se valer de todos os meios de prova hábeis. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INCORPORAÇÃO DE “EMPRESA VEÍCULO”. LEGITIMIDADE DO “BENEFÍCIO FISCAL”. Os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 permitem o aproveitamento fiscal da amortização do ágio, desde que este seja legítimo e desde que haja confusão patrimonial entre empresa investida e investidora, o que ocorre em razão de fusão, incorporação ou cisão. A utilização de empresa veículo, sem aparecimento de novo ágio, não viola nenhum requisito para usufruir o “benefício legal” em questão. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INCORPORAÇÃO DE “EMPRESA VEÍCULO”. INCORPORAÇÃO REVERSA. PROPÓSITO NEGOCIAL. MOTIVO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, ainda mais considerando a existência de caminho alternativo (incorporação direta) disponível ao contribuinte, não caracteriza a simulação. Também a economia tributária gerada a partir de reorganização societária, por si só, não implica na ilicitude das operações. ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. Do anocalendário 2007 em diante, se não efetuado o pagamento da estimativa mensal, cabe a imputação de multa isolada, sobre Fl. 2817DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.818 4 a totalidade ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do anocalendário, mesmo que lançada a multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Consoante o Termo de Verificação Fiscal (efls.11711234), a autuação fiscal teve início para verificação das deduções de amortização de ágio contabilizado pelo contribuinte por ocasião da incorporação reversa de sua investidora ESMERALDA HOLDINGS LTDA., ocorrida em 29/09/2006, referente aos períodos de apuração de 2010 e 2011, em continuidade à fiscalização referente aos períodos de apuração anteriores, de 2006 a 2009, cuja autuação foi formalizada no processo nº 10970.720351/201188. No presente processo, o auto de infração foi lavrado para a constituição de créditos tributários de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL dos anoscalendário de 2010 e 2011, pela constatação das seguintes infrações tributárias: exclusão indevida, na apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL, de parcelas referentes à amortização de ágio; compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL em montantes superiores aos saldos disponíveis; insuficiência de pagamento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, o que levou a cobrança de multa isolada de 50% com base no art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96; e diferença de CSLL em virtude da aplicação da alíquota de 15% (ao invés do percentual aplicado de 9%). A autoridade fiscal considerou indedutível a amortização do ágio na incorporadora TEMPO SERVIÇOS pelas seguintes razões: 6.1. Operações estruturadas em seqüência ("step transactions") Analisando os momentos anterior e posterior ao conjunto de operações estruturadas em seqüência, uma vez que devemos analisar o filme (conjunto) ao invés de cada fotografia (etapa), verfficamos que não houve efeito patrimonial da incorporação realizada: a empresa fiscalizada (incorporadora) continua submetida ao mesmo controle acionário, conforme abaixo demonstrado: [...] Quanto ao elemento tempo, as operações de reorganização societária ocorreram num curto lapso de tempo: Fl. 2818DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.819 5 em 19/03/2006 o Banco Bradesco assina contrato de compra e venda de ações, onde o mesmo figura como comprador, tendo como vendedores AMERICAN EXPRESS BANK LTD, AltdEX HOLDINGS INC, AMERICAN EXPRESS INTERNATIONAL INC E AMEX LATIN AMERICAN HOLDINGS SL; e como objeto todas as ações das empresas brasileiras da AMERICAN EXPRESS (sociedades relacionadas no Anexo C do referido contrato), incluída aí as ações da empresa fiscalizada; em 30/06/2006 ocorre o fechamento da operação com a efetividade do pagamento, momento em que o Banco Bradesco escritura em sua contabilidade o ágio pago na aquisição da Tempo Serviços Lida: em 14/09/2006 o Banco Bradesco adquire de sua controlada União Participações Ltda suas cotas de capital na empresa Esmeralda Holdings e, ato contínuo, integraliza aumento de capital na empresa recémadquirida com sua participação na Tempo Serviços avaliada em R$ 889.333.243,00. Assim, a empresa Esmeralda Holdings reconhece em seu Ativo o investimento na Tempo de R$ 43.778.666,00, o Ágio no referido investimento de R$ 845.554.577,00 e a Provisão Para amortização do referido Ágio, no valor de R$ 845.554.577,00 (conta redutora do Ágio); em 29/09/2006 a Tempo Serviços incorpora sua controladora Esmeralda Holdings, que fica extinta, absorvendo o ágio de suas próprias ações, vertido do acervo líquido da incorporada, passando a amortizar o referido ágio com base no inciso III do artigo 7° da Lei 9,532/97. 6.2. Operações invertidas Em 29/09/2006 a empresa Esmeralda Holdings, detentora de 99,99% de participação no capital social da empresa fiscalizada (Tempo Serviços Ltda) é incorporada por esta, ou seja, a controlada incorpora a controladora. 6.3. Operações entre partes relacionadas À época da incorporação, o Banco Bradesco detinha 100% do capital social da empresa incorporada (Esmeralda Holdings Ltda) e 99,99% do capital social da incorporadora (Tempo Serviços Ltda). Portanto, a reorganização societária objeto de verificação fiscal ocorreu dentro de um mesmo grupo econômico, entre partes relacionadas, empresas sob controle comum. 6.4. Empresa veículo e de duração efêmera A utilização de empresa veículo, de duração efêmera, é também de fácil constatação no presente caso: a empresa Esmeralda Holdings foi constituída em 18/03/2005, com capital social de R$ 1.000,00, tendo por objeto social a administração, locação, Fl. 2819DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.820 6 compra e venda de bens próprios e participação em outras sociedades como cotista ou acionista. Apresentou DIPJ do anocalendário de 2005 como inativa. Na DIPJ do anocalendário de 2006, período 01/01/2006 a 29/09/2006 (data de sua incorporação pela Tempo Serviços Ltda), a Receita Bruta informada foi de R$0,00 e a única despesa declarada referese à provisão de R$ 845.554.577,00 (ágio do investimento na Tempo Serviços, recebido como integralização do aumento de seu capital pelo Banco Bradesco). Ou seja, no seu curto período de existência, a empresa em questão não possuiu funcionários, não possuiu nenhum ativo imobilizado e não incorreu em despesas administrativas (aluguéis, telefone, energia, água, etc), servindo, única e exclusivamente, de canal de passagem de um ágio, sendo extinta imediatamente após tal passagem. Ora, a criação de sociedade para posterior extinção por incorporação revela evidente falta de propósito negocial, ou seja, inexistência de fundamento econômico do evento societária. Não se concebe, nas operações normais dos agentes econômicos, que se crie uma empresa com o fim de extinguila logo em seguida. As empresas são entidades criadas para a exploração de determinada atividade econômica e, como regra geral, têm como premissa a continuidade de suas operações. 6.5. Ágio interno No presente caso, houve a formação de dois ágios distintos: o primeiro foi contabilizado em 30/06/2006 pelo Banco Bradesco, quando da aquisição das empresas do Grupo Amex no Brasil, sendo o referido ágio efetivamente pago e a negociação ocorrida entre partes independentes e não relacionadas; já em 14/09/2006 ocorreu a criação de um ágio interno na Esmeralda Holdings, quando o Banco Bradesco conferiu no capital de sua controlada, sua participação na Tempo Serviços Ltda, avaliada economicamente por laudo de avaliação com base em perspectiva de rentabilidade futura, datado de 29/09/2006. Notese que a operação societária da qual resultou o referido ágio foi realizada intragrupo, entre partes relacionadas, ou seja, avaliadora e avaliada são o mesmo grupo econômico. A conta que recebeu a contrapartida do lançamento do ágio contabilizado na Esmeralda Holdings foi a conta de capital social, ou seja, não houve o efetivo pagamento do ágio na referida operação. Em 29/09/2006 ocorre a incorporação reversa, onde a Tempo Serviços (controlada) incorpora sua controladora Esmeralda Holdings, absorvendo o ágio de suas próprias ações, vertido do acervo líquido da incorporada, que se extingue, passando a incorporadora a amortizar o referido ágio com base no inciso III do artigo 7° da Lei 9.532/97. Fl. 2820DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.821 7 [...] 8. Conclusão [...] No presente caso, não há dúvida de que a operação de incorporação da Esmeralda Holdings pela Tempo Serviços foi resultado de uma "montagem" jurídica efetuada mediante a prática de operações estruturadas em seqüência e com a utilização de empresa veículo, visto que o objetivo almejado (amortização do ágio efetivamente pago pelo Banco Bradesco pela aquisição das empresas brasileiras do grupo Amex) somente foi obtido com a realização das seguintes operações: contratação da empresa de auditoria KPMG para elaboração de laudo de avaliação com base em perspectiva de rentabilidade futura das empresas brasileiras do Grupo Amex adquiridas com ágio pelo Banco Bradesco; aquisição de participação societária em empresa inativa (Esmeralda Holdings), também controlada do Banco, e integralização de aumento capital na mesma com seu investimento na Tempo Serviços avaliado com base no referido laudo, criando, assim, um ágio interno; incorporação da empresa Esmeralda Holdings (investidora) pela empresa Tempo Serviços (investida), que recebe do acervo líquido da incorporada seu próprio ágio para futura amortização (incorporação reversa); extinção da empresa incorporada (Esmeralda Holdings), que atuou como empresa veículo, sendo sua única função a passagem do beneficio de amortização do ágio efetivamente pago pelo Banco Bradesco para a Tempo Serviços Ltda. Portanto, não é cabível a dedutibilidade da amortização do ágio na incorporadora TEMPO SERVIÇOS LTDA, uma vez que: a) requisitos formais não foram cumpridos, tais como: os lançamentos dos ágios contabilizados pelo Banco Bradesco e pela Esmeralda Holdings não indicam seu fundamento econômico; o laudo de avaliação elaborado pela KPMG e datado de 29 de Setembro de 2006, apresentado para demonstrar o fundamento econômico dos ágios não presta para tal fim, conforme já explanado no item 5 retro; b) não houve qualquer propósito negocial na incorporação da Esmeralda Holdings pela Tempo Serviços, que não fosse a redução da carga tributária do grupo econômico, mediante a utilização do benefício fiscal disposto no artigo 7°, inciso III da Lei 9.532/97; Fl. 2821DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.822 8 c) não houve alteração no controle acionário da Tempo Serviços após a incorporação societária: a empresa fiscalizada (incorporadora), que era controlada pelo Banco Bradesco antes da incorporação, continuou submetida ao mesmo controle acionário imediatamente após o evento; d) para usufruir do beneficio fiscal concedido pelos artigos 7° e 8° da lei 9:532/97, fezse uso de empresa veículo, cuja única finalidade foi reconhecer um ágio interno,' para, em seguida, ser incorporada. Assim. , verificouse o uso distorcido dos referidos comandos legais, que não contemplam uma terceira empresa no processo de' reorganização societária, não admitindo, portanto, operações trianguladas com o uso de empresa veículo. Sendo assim, pelos motivos acima expostos, a amortização do Ágio pela Tempo Serviços Ltda não atende ao disposto nos artigos 20°, § 2°c 3° do DecretoLei n° 1.598/1977 e artigos 7° e 8° da Lei 9.532/1997 (artigos 385 e 386 do Decreto 3.000/99 — Regulamento do Imposto de Renda), motivo pelo qual devem ser glosadas as suas deduções do lucro real e da base de cálculo da CSLL efetuadas pelo contribuinte a partir de Outubro/2006." Diante de todo o exposto, temos que, além da inaplicabilidade do Laudo de Avaliação de expectativa de rentabilidade futura apresentado, os atos de reorganização societária que culminaram na incorporação da empresa Esmeralda Holdings pela Tempo Serviços foram atos simulados, sem substância econômica, onde a empresa fiscalizada incorpora uma empresa do grupo, recémconstituída, sem qualquer atividade econômica e cujo único patrimônio era um ágio recebido como integralização de capital (empresa veículo), em nada alterando seu quadro societário. [...] Logo, diante de atos simulados de reorganização societária, que culminaram em uma incorporação sem qualquer substância econômica, inaplicável o artigo 386 do Decreto 3.000/99 (artigos 7º e 8° da Lei 9.532/97) e, portanto, indedutível o ágio contabilizado, nos termos do artigo 391 do Decreto 3.000/99. Sendo assim, efetuamos o lançamento de oficio dos valores corrrespondentes à amortização de ágio, excluídos indevidamente do lucro real e da base de cálculo da CSLL nos anoscalendário de 2010 e 2011, nos valores de R$ 169.110.915,36 e R$ 126.833.186,60, respectivamente. Ao apreciar a impugnação ao lançamento, a Turma de Julgamento da DRJ o manteve integralmente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, ao qual foi dado provimento parcial, nos termos da ementa acima transcrita. O voto condutor do acórdão recorrido examinou a questão do ágio sob os seguintes aspectos: Fl. 2822DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.823 9 a) sobre a suposta invalidade do aproveitamento fiscal do ágio em razão de vícios do laudo utilizado para comprovar seu fundamento econômico, uma vez que não havia razão para a rejeição do laudo, a despeito de ter sido produzido em data posterior ao negócio para o qual fora emitido. Assinalouse que a prova em lume fundavase na disposição original do artigo 20 do Decretolei nº 1.598/77, que não estabeleceu critérios específicos nem metodologia de avaliação de rentabilidade futura; b) sobre as supostas limitações do aproveitamento do ágio apenas para o caso de incorporação entre Banco Bradesco e Tempo Serviços S/A ou viceversa, salientou que “não há óbices para que o grupo econômico transfira o ágio efetivamente pago para outra de suas empresas, ainda que veículo ou mero canal de passagem, aproveitandose do benefício fiscal em outra parte da estrutura societária”; c) sobre a suposta falta de propósito negocial da operação que deu origem ao ágio, em ordem a caracterizar negócio simulado, considerou que a comprovação da validade jurídica do negócio e sua efetiva ocorrência no mundo dos fatos tornam incabível a tentativa de requalificação ou desconsideração dos atos ou negócios praticados pelo contribuinte. Cientificada, a PGFN interpôs recurso especial de divergência, em 05/09/2017, efl. 2.223 e ss.), contra o acórdão recorrido visando rediscutir a legitimidade da dedutibilidade de amortização do ágio, considerando que o colegiado a quo admitiu a amortização de ágio na hipótese de utilização da empresa veículo Esmeralda Holding sem qualquer finalidade negocial. Aponta divergência jurisprudencial acerca da interpretação da legislação tributária (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 e arts. 385, 386 e 391 do Decreto nº 3.000/99), no tratamento do ágio. Trouxe como paradigma o Acórdão nº 1103000.960, indicando que se refere às mesmas operações societárias descritas nestes autos. No mérito, aponta os mesmos argumentos já expostos em suas contrarrazões ao recurso voluntário. Ao final, pede que se restabeleça a autuação fiscal pela glosa da despesa de amortização de ágio e seus reflexos tributários, bem como retorne os autos para julgamento da qualificação da multa. Em contrarrazões (efls. 2.311 e ss.), o contribuinte sustentou, em síntese, em relação à admissibilidade recursal, que: a divergência deve ser restringida à discussão sobre a ocorrência de simulação em relação à incorporação sem substância econômica (suposta ausência de propósito negocial), que seria o único fundamento do paradigma, não se podendo apreciar questões de validade e existência do ágio e do laudo de avaliação; a falta de propósito negocial não está prevista na legislação brasileira, decorrendo de mera criação doutrinária e jurisprudencial e se distingue do fundamento econômico do ágio, que é instituto de natureza contábil e está positivado, estando equivocada a recorrente em sugerir uma conexão entre eles; como a legislação não exige propósito negocial, a análise de sua existência (ou não) na operação em foco não revela qualquer divergência na interpretação legal; Quanto ao mérito, sustentou: Fl. 2823DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.824 10 assinalase que a recorrente aborda a operação em análise como se houvesse duas operações distintas, a primeira na aquisição da recorrida por BANCO BRADESCO e a segunda, no aumento de capital em ESMERALDA HOLDINGS com as ações da recorrida, seguida da incorporação daquela sociedade; no entanto, certo é que os passos retratados decorrem de uma mesma operação, que se iniciou com a aquisição da recorrida e culminou com a incorporação de ESMERALDA HOLDINGS, etapas necessárias no planejamento do Grupo Bradesco para expandir e consolidar sua posição no segmento de cartões de crédito no país frisese, são fotos de um mesmo filme que não pode ser analisado individualmente; com efeito, conforme exaustivamente retratado nos presentes autos, em etapa preparatória à aquisição das empresas do Grupo Amex por BANCO BRADESCO, foi constituída, em 18/03/2005, a pessoa jurídica ESMERALDA HOLDINGS, criada com o objetivo de participar no processo de negociação e aquisição em foco; nesse contexto, em 30/06/2006 (mais de um ano após a criação de ESMERALDA HOLDINGS), firmouse contrato para aquisição, por BANCO BRADESCO, das empresas do Grupo Amex no Brasil, por meio do pagamento de R$ 931.024.706,44 (custo de aquisição), correspondente ao valor de patrimônio líquido (R$ 111.223.512,96) e ágio (R$ 819.801.193,48); prosseguindo no projeto de expansão do Grupo Bradesco, após a aquisição com ágio das cotas da recorrida por BANCO BRADESCO, efetuouse, em 29/09/2006, o aumento do capital social de ESMERALDA HOLDINGS, mediante a conferência das cotas da recorrida, acompanhada do ágio que lhe era subjacente. Em seguida, houve a incorporação de ESMERALDA HOLDINGS pela recorrida, a qual passou a amortizar o ágio em questão; notase, de plano, que a participação de ESMERALDA HOLDINGS, bem como todos os atos praticados pelo Grupo Bradesco na aquisição das empresas do Grupo Amex no Brasil e na reestruturação de sua operação foram válidos (praticados conforme a legislação vigente à época dos fatos, devidamente registrados e aprovados pelos órgãos competentes) e possuem evidente propósito negocial, vinculado ao planejamento do Grupo Bradesco na expansão de suas atividades de cartão de crédito no Brasil; conforme abordado diversas vezes nesses autos, o planejamento estratégico estabelecido pelo Grupo Bradesco previa que a atividade de administração de cartão de crédito passaria a não ser exercida diretamente pelo BANCO BRADESCO, mas, sim, por outras empresas desse Grupo, o que é comum no segmento financeiro e possui motivos econômicos próprios, relacionados à gestão e à condução da atividade de forma individualizada, permitindo, inclusive, uma visão mais ampla e clara acerca dos resultados dessa linha de negócios; ademais, distintamente do que sugere a recorrente, BANCO BRADESCO também não poderia simplesmente incorporar a recorrida para fins de aproveitamento fiscal da amortização do ágio, pois as operações societárias tinham por objetivo a aquisição de um conglomerado de novas empresas, com gestão, administração e questões fiscais próprias, o que poderia ensejar riscos desnecessários ao exercício de sua atividade, em razão, por exemplo, de dificuldade de se obter as certidões de regularidade fiscal; Fl. 2824DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.825 11 além disso, o Contrato de Compra e Venda de Ações previa a responsabilidade da vendedora sobre contingências eventualmente verificadas nas empresas adquiridas, motivo pelo qual era importante a manutenção dos patrimônios e demonstrações contábeis separados para fins de controle dessas contingências; ressaltese, também, que a recorrida era titular de um benefício fiscal concedido pelo Município de Uberlândia pelo prazo de 10 anos (doc. 10 da impugnação). Assim, a incorporação da recorrida por BANCO BRADESCO, após sua aquisição, era absolutamente inviável do ponto de vista econômico, já que se revela necessário que a referida sociedade continuasse existindo, mantendo o vínculo institucional com o Município de Uberlândia; destarte, verificase que, conforme reconhecido no acórdão recorrido, a finalidade de ESMERALDA HOLDINGS estava totalmente atrelada aos objetivos negociais que o Grupo Bradesco vislumbrava por meio da expansão de seus negócios, com a aquisição das empresas do Grupo Amex; tendo em vista a impossibilidade de se proceder a incorporação direta da recorrida, pelas justificativas apontadas acima, BANCO BRADESCO vislumbrou em Esmeralda Holdings parte imprescindível para manter as operações recém adquiridas segregadas de seu patrimônio. frisese que, sem a participação de ESMERALDA HOLDINGS, o Grupo Bradesco estaria sujeito a riscos de perdas que não faziam sentido do ponto de vista negocial. Assim, primando pela excelência no exercício de suas atividades (o que, por óbvio, é o que se espera de uma sociedade com fins lucrativos), aportou as ações da recorrida em ESMERALDA HOLDINGS, acompanhada, por certo, do ágio que lhe era subjacente; destacase, por oportuno, que a transferência do ágio a Esmeralda Holding, além de não compor a divergência supostamente demonstrada pela recorrente, é plenamente legítima e em consonância com a legislação de regência, além de representar medida coerente do ponto de vista econômico (logo, evidente o propósito negocial), a fim de permitir a contraposição do custo decorrente do investimento com os lucros futuros que justificaram tal dispêndio; de todo modo, os artigos 385 e 386 do RIR/99 não prevêem que o ágio pago por uma pessoa jurídica seja transferido a sua controlada; logo, tal opção não é vedada, sendo tal ágio passível de amortização desde que adimplidas as condições; também não se pode perder de vista que o aporte das ações da recorrida não poderia ser realizado em outra instituição financeira do Grupo, uma vez que, nos termos dos artigos 26 e seguintes da Lei n° 4.595/1964, o aumento de capital dessas sociedades não poderia ser realizado por meio da integralização de participação societária, mas somente em moeda corrente ou por incorporação de reservas ou reavaliação de parcela dos bens do ativo imobilizado; não obstante isso, ainda que a criação e a participação de Esmeralda Holdings na operação em foco tivesse mero intuito de economia fiscal, conforme reconhecido no próprio TVF, essa sociedade foi criada "tendo por objeto a administração, locação, compra e venda de bens próprios e participação em outras sociedades como cotista ou acionista”; Fl. 2825DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.826 12 com efeito, ESMERALDA HOLDINGS foi constituída com o objeto social de "participação em outras sociedades" e exerceu legitimamente seu objeto social ao adquirir as ações da recorrida. Além disso, o fato de ter sido constituída para a aquisição de uma única participação social está em total conformidade com o parágrafo único do artigo 981 do Código Civil, tratandose de uma Sociedade de Propósito Específico – SPE; nesse mesmo sentido, a possibilidade de existência de uma sociedade cujo objeto social seja a mera detenção de outra(s) sociedade(s) está expressamente prevista no artigo 2o, § 3o, da Lei das S/A. Importante notar que o dispositivo expressamente indica que a participação é facultada para beneficiarse de incentivos fiscais; mesmo que se entenda que ESMERALDA HOLDINGS representaria "empresa veículo", utilizada exclusivamente para permitir a transferência do ágio e seu aproveitamento, devese destacar que não há vedação legal para sua utilização em reestruturações societárias; nesse sentido, devese ter em conta que a existência das chamadas "empresas veículo" ou "sociedades veículo" não é suficiente para que se infirme a validade de uma operação que culmine na amortização fiscal do ágio, nos termos da jurisprudência consolidada neste Egrégio Conselho; outrossim, devese ter em conta que a criação de ESMERALDA HOLDINGS representou uma opção permitida pelo ordenamento jurídico, ainda que essa opção possa ter gerado, como consequência, uma economia fiscal. Nesse diapasão, não pode o Fisco adentrar à liberdade individual dos contribuintes para questionar decisões de cunho negocial, por não possuir poder de ingerência sobre os negócios particulares realizados entre partes contratantes que visam sempre ao sucesso de sua atuação no mercado, mesmo que a alternativa adotada pelos contribuintes seja a menos onerosa fiscalmente, por meio de um planejamento tributário lícito; portanto, diversamente do que sustenta a recorrente, a participação de ESMERALDA HOLDINGS na operação em foco não buscou simplesmente "reduzir a base de cálculo dos tributos", pois se tratava de etapa essencial na aquisição das empresas do Grupo Amex e na estruturação das atividades do Grupo Bradesco, em consonância com o planejamento estratégico estabelecido pelo Grupo; desse modo, fica claro que a recorrida não buscou simular atos ou mesmo criar estrutura artificial para se aproveitar do benefício oriundo da amortização do ágio em foco. Pelo contrário, exerceu suas atividades em prol do estrito cumprimento de seu propósito negocial, desenvolvendo suas operações de acordo com a legislação e segundo o planejamento estratégico do Grupo Bradesco; não se vislumbrava um resultado diverso daquele que foi atingido. A participação de ESMERALDA HOLDINGS teve exatamente o efeito que se pretendia, qual seja, a segregação das atividades de cartão de crédito das atividades já desenvolvidas por BANCO BRADESCO. O aproveitamento do ágio foi mera decorrência do propósito negocial que se buscava; cumpre repisar, como já abordado em tópico anterior, que se está diante, em verdade, de uma "opção legal" feita pela recorrida e pelo Grupo Bradesco, que não teve Fl. 2826DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.827 13 outro intuito que não o de estruturar a operação da melhor forma para exploração de suas atividades de cartão de crédito; à época dos fatos, BANCO BRADESCO praticou uma conduta lícita e expressamente prevista pelo legislador capitalização de empresa (ESMERALDA HOLDINGS) mediante transferência de participação societária na recorrida levando todos os atos societários ao registro público competente, ao Banco Central do Brasil e aos demais órgãos, que expressamente anuíram com a operação, demonstrando, com isso, sua boa fé na referida reestruturação societária, que teve como fundamento legítimo a melhor forma de organização de suas atividades no ramo de cartões de crédito, e não a redução de carga tributária mediante simulação, como sugere a recorrente; em linha com exposto no Termo de Verificação Fiscal, a recorrente sustenta que o ágio objeto de amortização no presente caso decorreria de operação entre partes relacionadas e, portanto, não poderia ser considerado válido. Tal raciocínio decorre da equivocada conclusão de que o aporte das ações da recorrida em ESMERALDA HOLDINGS representaria a criação de um novo ágio, o qual seria interno em razão de serem ambas controladas por BANCO BRADESCO; todavia, o entendimento da recorrente não merece prosperar, pois, como exaustivamente abordado, o ágio em questão é único, tendo surgido no momento da aquisição, por Banco Bradesco, das ações da recorrida, o qual, inclusive, é reconhecido como válido no próprio apelo fazendário; além disso, tal argumentação foi superada pela própria DRJ, ao expressamente concluir que as operações foram realizadas entre partes independentes; de fato, ESMERALDA HOLDINGS passou a ser a controladora da recorrida, registrando custo de aquisição de R$ 889 milhões, o qual, conforme já destacado, é originário de operação de Compra e Venda de Ações realizada entre o Grupo Bradesco e o Grupo Amex (partes totalmente distintas e não relacionadas); na remota hipótese de não ser este o entendimento desta Câmara Superior, o que, frisese, admitese apenas a título argumentativo, caso o Recurso Especial da recorrente venha a ser conhecido e provido, deverão ser apreciados os demais argumentos trazidos pela recorrida em seu Recurso Voluntário. Ao final, requer que não se conheça do recurso especial contrarrazoado e, na remota hipótese da sua admissão, que lhe seja negado provimento. Cientificado da decisão recorrida, o contribuinte opôs embargos de declaração, os quais foram rejeitados (efl. 2.449). Em seguida, o contribuinte também apresentou recurso especial de divergência em face do recorrido pela manutenção da exigência da multa isolada aplicada por infração à legislação da CSLL – instituições financeiras, nos termos do art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. Alegou, em síntese: a) impossibilidade da exigência de multa isolada após o encerramento do anocalendário; b) impossibilidade de cumulação da multa isolada com a multa de ofício; c) necessidade de observar o princípio da consunção; d) observância do artigo 72 do RICARF. Fl. 2827DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.828 14 O despacho de admissibilidade (efls. 2.746/2.753) admitiu o recurso, porém considerando que a discussão se restringe a uma única matéria: multa isolada sobre estimativas não pagas a partir de 2007 em concomitância com a multa de ofício e após o encerramento do exercício. Em contrarrazões, a PGFN destacou que haveria equívoco por parte do contribuinte ao manifestar que o Fisco estaria exigindo duas multas sobre uma única infração, pois o não pagamento das estimativas não se confunde com o desrespeitoso descumprimento das regras de apuração do lucro real; que a base de cálculo da multa isolada se distingue da base de cálculo da multa de ofício proporcional e que a multa isolada pode ser aplicada mesmo em caso de apuração de prejuízo fiscal, conforme previsão do art. 44 da Lei nº 9.430/96, o que significa dizer que não há óbice para sua incidência após o término do anocalendário. Posteriormente à interposição do seu recurso especial, o contribuinte trouxe aos autos petição (efls.2774 e ss.) pleiteando a aplicação imediata do art. 24 do Decretolei nº 4.657/42, incluído pela Lei nº 13.655/2018, com a consequente manutenção do cancelamento da parcela da autuação fiscal objeto do recurso especial da Fazenda Nacional (sobre a matéria ágio). Distribuídos os autos, o relator original pautou o processo para julgamento na sessão de 8 de agosto de 2018, quando restou vencedora a proposta de diligência, através da Resolução nº 9101000.066, para intimar a PGFN a, querendo, se manifestar sobre essa arguição do contribuinte. Em resposta, a PGFN manifestouse, em síntese, conforme suas próprias conclusões (efls.2798 e ss.): o artigo 24 da LINDB não tem por objeto regulamentar o lançamento fiscal e as decisões proferidas no Processo Administrativo Fiscal; O ato do lançamento não consubstancia “revisão” de ato da Administração, não sendo possível concluir, do art. 24 da LINDB, que o auditorfiscal, ao efetuar o lançamento, esteja amarrado à jurisprudência administrativa ou judicial existente à época dos fatos fiscalizados; ademais, apenas Lei Complementar poderia dispor sobre norma geral afeta à atividade do lançamento; Tampouco faz sentido, diante do texto normativo, concluir que os órgãos responsáveis pelo julgamento de recursos administrativos, ao “revisar o lançamento” estejam vinculados à jurisprudência majoritária existente à época dos fatos fiscalizados; O artigo 24 simplesmente determina que, se a Administração pratica ato que gera uma situação consolidada (por exemplo, emite uma licença de funcionamento, assina um contrato, autoriza um pagamento), a mudança posterior de entendimento sobre a validade deste ato não pode afetar a situação consolidada que a própria Administração gerou; O Código Tributário Nacional (CTN) possui regramento próprio e particular sobre os atos e decisões dotados de caráter Fl. 2828DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.829 15 normativo (art. 100, I a IV), sobre as consequências de sua observância pelo administrado (art. 100, parágrafo único), bem como sobre o efeito intertemporal da introdução de novos critérios jurídicos – leiase, nova interpretação – no processo de constituição do crédito tributário (art. 146). Tratase de normatização específica quanto às questões que o art. 24 (norma geral) se proporia a regulamentar; A Lei 13.655/2018 não atribui eficácia normativa à jurisprudência majoritária vigente à época dos fatos fiscalizados, não a enquadrando no conceito de decisão normativa, nos termos do art. 100, II, do CTN. Após, o relator original deixou de compor o colegiado e o processo foi objeto de novo sorteio. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner Relatora Preliminarmente, cumpre analisar a alegação do contribuinte posterior às contrarrazões pleiteando a aplicação imediata do art. 24 do Decretolei nº 4.657/42, incluído pela Lei nº 13.655/2018. O argumento foi conhecido pela maioria do colegiado que, na oportunidade, converteu o processo em diligência, através da Resolução nº 9101000.066, para que a PGFN tivesse a possibilidade de se manifestar nos autos. Registro que, posteriormente à edição da referida resolução, em relação a outros julgados, diante das mesmas alegações de outros contribuintes, o colegiado decidiu, por votação da maioria dos seus membros, considerar não aplicável a novel legislação aos processos administrativos tributários em curso. De toda a sorte, diante das manifestações contidas nos autos sobre a questão, trago, a seguir, as razões que considero relevantes para afastar a alegação do contribuinte de aplicação ao contencioso administrativo tributário da norma introduzida no ordenamento jurídico brasileiro pela Lei nº 13.655, 25 de abril de 2018, que alterou a Lei de Introdução ao Direito Brasileiro (antiga Lei de Introdução do Direito Civil), que passou a dispor: Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de Fl. 2829DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.830 16 caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) A par da constitucionalidade da norma (a qual sequer poderia ser questionada na esfera administrativa), mas diante de diversos questionamentos, fazse necessário perquirir sobre sua aplicabilidade no âmbito do processo administrativo fiscal federal. A hermenêutica jurídica1 impõe a adoção de diversas técnicas e processos interpretativos, dentre eles, o literal, o gramatical, o histórico, o lógico, o teleológico e o sistemático, como ferramentas que auxiliam na compreensão do sentido e alcance das normas jurídicas. Assim, é dever do intérprete adotálas no processo interpretativo. Inicialmente, da interpretação literal do referido dispositivo extraise que a norma trata da revisão nas esferas administrativa, de controle (controladoria) ou judicial dos seguintes institutos: ato administrativo; contrato administrativo; processo administrativo ou norma administrativa. Isso decorre de regra gramatical que permite a concordância do termo "administrativo", facultativamente, apenas com a última palavra ("administrativa") ou com todo o conjunto ("administrativos"). Destarte, da literalidade da lei, concluise que a norma não se destina à revisão de atos de natureza privada, considerandose que, nas relações entre particulares, impera a autonomia da vontade, enquanto na esfera pública, onde se praticam atos de natureza pública, a atuação do administrador, longe de ser autônoma, decorre da expressa previsão legal. Isso inclui até mesmo a previsão para que, em certos casos, balizado por parâmetros legais, o administrador possa adotar critérios discricionários. No âmbito do Direito Tributário, contudo, inexiste qualquer previsão de discricionariedade. Ao contrário, o ato administrativo tributário por excelência é o lançamento tributário, o qual possui caráter vinculado, nos termos do art. 3º do Código Tributário Nacional (CTN)2, tendo sido definido pelo próprio legislador como "o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível" (art.142, caput, do CTN)3. 1 MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e aplicação do direito, 16 ed., Forense: 1997. 2 Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. 3 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 2830DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.831 17 Prosseguindo no trabalho interpretativo, cumpre observar que a elaboração de um diploma legal pressupõe uma proposta, formalizada através de projeto de lei, que seja objeto de análise e discussões no âmbito do poder legislativo, preferencialmente, envolvendo a participação dos interessados ou destinatários da norma. Se, de um lado, a intenção do legislador (mens legislatoris) não sobrevive à publicação da norma, de outro lado, compreender as razões históricas para a promulgação de determinada legislação é de suma importância no processo interpretativo. Nesse diapasão, cabe destacar que o projeto original apresentado no Senado Federal pelo Senador Antônio Anastasia pretendeu "incluir, na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (Decretolei n. 4.657, de 1942), disposições sobre segurança jurídica e eficiência na criação e aplicação do direito público", dando ensejo ao seguinte dispositivo: Art. 25. A revisão, na esfera administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, não se podendo, com base em mudança posterior de orientação geral, considerar como inválidas as situações plenamente constituídas. Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. Acompanhou o referido projeto original a seguinte justificativa: Conforme esclareceram os referidos professores, o projeto em apreço propõe medidas para neutralizar importantes fatores de distorção da atividade jurídicodecisória pública. São eles: O alto grau de indeterminação de grande parte das normas públicas; A relativa incerteza, inerente ao Direito, quanto ao verdadeiro conteúdo de cada norma; A tendência à superficialidade na formação do juízo sobre complexas questões jurídicopúblicas; A dificuldade de o Poder Público obter cumprimento voluntário e rápido de obrigação por terceiros, contribuindo para a inefetividade das políticas públicas; A instabilidade dos atos jurídicos públicos, pelo isco potencial de invalidação posterior, nas várias instâncias de controle. Os efeitos negativos indiretos da exigência de que as decisões e controles venham de processos (que demoram, custam e podem postergar cumprimento de obrigações); O modo autoritário como, na quase totalidade dos casos, são concebidas e editadas normas pela Administração Pública. Fl. 2831DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.832 18 (SUNDFELD, Carlos Ari. MARQUES NETO, Floriano de Azevedo. Contratações Públicas e Seu Controle. 2013: Malheiros, p. 278) Com efeito, as diretrizes propostas pelos ilustres professores Carlos Ari Sundfeld e Floriano Marques Neto podem ser assim resumidas: Consagram alguns novos princípios gerais a serem observados pelas autoridades nas decisões baseadas em normas indeterminadas (arts. 20 e 21); Conferem aos particulares o direito à transição adequada quando da criação de novas situações jurídicas passivas (art. 22); Estabelecem o regime jurídico para negociação entre autoridades públicas e particulares (art. 23); Criam a ação civil pública declaratória de validade, com efeito erga omnes, para dar estabilidade a atos, contratos, ajustes, processos e normas administrativas (art. 24); Impedem a invalidação de atos em geral por mudança de orientação (art. 25); Disciplinam os efeitos da invalidação de atos em geral, para tornálos mais justos (art. 26); Impedem a responsabilização injusta de autoridade em caso de revisão de suas decisões (art. 27); Impõem a consulta pública obrigatória para a edição de regulamentos administrativos (art. 28); e: Determinam a compensação, dentro dos processos, de benefícios ou prejuízos injustos gerados para os envolvidos (art. 29) (SUNDFELD, Carlos Ari. MARQUES NETO, Floriano de Azevedo. Contratações Públicas e Seu Controle. 2013: Malheiros, p. 280) Assim, submetemos a presente proposta, tal como formulada pelos professores citados, na expectativa de contar com as sugestões de aprimoramento dos eminentes pares. (g.n.) Como se vê, o projeto original e sua justificativa demonstram o processo de formação da lei, traduzindose numa inestimável fonte hermenêutica que nunca deve ser desprezada. Neste caso, a interpretação histórica não apenas confirma a interpretação literal que limita o objeto da revisão aos atos e demais institutos de natureza administrativa, mas vai além, contribuindo para a interpretação teleológica ou finalística do dispositivo, ao apontar que se pretende evitar "a instabilidade dos atos jurídicos públicos, pelo isco potencial Fl. 2832DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.833 19 de invalidação posterior, nas várias instâncias de controle", assim como evitar prejuízos ao administrado pela invalidação de atos por mudança de orientação por parte da Administração Pública. Disso se dessume que o principal destinatário da norma é a própria Administração Pública, no exercício do poderdever de autotutela administrativa, através da qual, segundo Odete Medauar (2008, p.130), “a Administração deve zelar pela legalidade de seus atos e condutas e pela adequação dos mesmos ao interesse público. Se a Administração verificar que atos e medidas contêm ilegalidades, poderá anulálos por si própria; se concluir no sentido da inoportunidade e inconveniência, poderá revogálos”. Ademais, uma norma nunca deve ser interpretada isoladamente. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.7074), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. E a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do ordenamento jurídico. A partir da autorização da Constituição Federal de 1988, o sistema tributário nacional tem suas normas gerais previstas na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), recepcionada no novo ordenamento jurídico com força de lei complementar. Dentre elas estão previstas as formas de alteração do lançamento: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. (grifouse) Devido ao caráter absolutamente vinculante do ato administrativo de lançamento, a própria iniciativa de ofício da autoridade administrativa para revisão do lançamento encontrase delimitada nas hipóteses previstas no art. 149 do CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: Fl. 2833DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.834 20 I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. A Administração Pública em geral tem o poderdever de autotutela, não podendo permitir que seus próprios atos subsistam se for constatado que estão eivados de algum tipo de ilegalidade. É o que dispõe expressamente o art. 53 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal: Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Se é certo que a referida lei pode ser aplicada subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, ninguém tem dúvida de que o recurso administrativo que ela disciplina não se trata do recurso administrativo em face de lançamento tributário. Isso porque o recurso interposto em face de lançamento tributário tem regramento próprio, muito distinto do recurso administrativo e da revisão de processo, previstos nos arts. 56 a 65, abaixo transcritos: CAPÍTULO XV Fl. 2834DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.835 21 DO RECURSO ADMINISTRATIVO E DA REVISÃO Art. 56. Das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito. § 1o O recurso será dirigido à autoridade que proferiu a decisão, a qual, se não a reconsiderar no prazo de cinco dias, o encaminhará à autoridade superior. § 2o Salvo exigência legal, a interposição de recurso administrativo independe de caução. § 3o Se o recorrente alegar que a decisão administrativa contraria enunciado da súmula vinculante, caberá à autoridade prolatora da decisão impugnada, se não a reconsiderar, explicitar, antes de encaminhar o recurso à autoridade superior, as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso. (Incluído pela Lei nº 11.417, de 2006). Vigência Art. 57. O recurso administrativo tramitará no máximo por três instâncias administrativas, salvo disposição legal diversa. Art. 58. Têm legitimidade para interpor recurso administrativo: I os titulares de direitos e interesses que forem parte no processo; II aqueles cujos direitos ou interesses forem indiretamente afetados pela decisão recorrida; III as organizações e associações representativas, no tocante a direitos e interesses coletivos; IV os cidadãos ou associações, quanto a direitos ou interesses difusos. Art. 59. Salvo disposição legal específica, é de dez dias o prazo para interposição de recurso administrativo, contado a partir da ciência ou divulgação oficial da decisão recorrida. § 1o Quando a lei não fixar prazo diferente, o recurso administrativo deverá ser decidido no prazo máximo de trinta dias, a partir do recebimento dos autos pelo órgão competente. § 2o O prazo mencionado no parágrafo anterior poderá ser prorrogado por igual período, ante justificativa explícita. Art. 60. O recurso interpõese por meio de requerimento no qual o recorrente deverá expor os fundamentos do pedido de reexame, podendo juntar os documentos que julgar convenientes. Art. 61. Salvo disposição legal em contrário, o recurso não tem efeito suspensivo. Parágrafo único. Havendo justo receio de prejuízo de difícil ou incerta reparação decorrente da execução, a autoridade Fl. 2835DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.836 22 recorrida ou a imediatamente superior poderá, de ofício ou a pedido, dar efeito suspensivo ao recurso. Art. 62. Interposto o recurso, o órgão competente para dele conhecer deverá intimar os demais interessados para que, no prazo de cinco dias úteis, apresentem alegações. Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: I fora do prazo; II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. § 1o Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. § 2o O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. Art. 64. O órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua competência. Parágrafo único. Se da aplicação do disposto neste artigo puder decorrer gravame à situação do recorrente, este deverá ser cientificado para que formule suas alegações antes da decisão. Art. 64A. Se o recorrente alegar violação de enunciado da súmula vinculante, o órgão competente para decidir o recurso explicitará as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso. (Incluído pela Lei nº 11.417, de 2006). Vigência Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. (Incluído pela Lei nº 11.417, de 2006). Vigência Art. 65. Os processos administrativos de que resultem sanções poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada. Parágrafo único. Da revisão do processo não poderá resultar agravamento da sanção. Fl. 2836DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.837 23 No caso do lançamento tributário, dáse início, por iniciativa do sujeito passivo, à fase contenciosa do processo administrativo fiscal, a partir da impugnação ao lançamento (art. 145, inciso I, do CTN). A partir daí, deverão ser seguidas as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, o qual disciplina o "processo administrativo fiscal", incluindo o recurso de ofício (art. 145, inciso II, do CTN). O processo administrativo fiscal, assim, decorre do sistema tributário nacional, e representa uma garantia constitucional aos contribuintes, pautandose no contraditório e na ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, da CF), em obediência ao devido processo legal. Nesse sentido, devem ser observadas as regras do Decreto nº 70.235/72, que trata especificamente do processo administrativo fiscal, definindo o "rito do PAF", com previsão de julgamento das impugnações e recursos em primeira e segunda instâncias administrativas, além da instância especial, em que se encerra o processo com a decisão definitiva sendo aquela da qual não cabe mais recurso na seara administrativa. Tratase, pois, da função judicante da Administração Pública, exercida, no âmbito tributário, em seu maior grau pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Em seu art. 59, o Decreto nº 70.235/72 estabelece as hipóteses de nulidade de atos, termos, despachos e decisões administrativos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Assim, um exemplo do claro de hipótese de controle de legalidade pelo exercício do poderdever de autotutela da Administração Pública encontrase previsto no próprio Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (RICARF/2015), que, à semelhança do que já o fazia o RICARF anterior, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 (RICARF/2009), declarou, no art. 80 de seu Anexo II, que se enquadram na hipótese de nulidade prevista no inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235/72 (acima transcrito) as decisões proferidas em desacordo com os arts. 42 e 62 do próprio Regimento: Art. 80. Sem prejuízo de outras situações previstas na legislação e neste Regimento Interno, as decisões proferidas em desacordo com o disposto nos arts. 42 e 62 enquadramse na hipótese de Fl. 2837DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.838 24 nulidade a que se refere o inciso II do caput do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Do exposto, deve restar clara a distinção entre a função administrativa de julgamento dos recursos interpostos pelos contribuintes em face de lançamentos tributários (nos termos do art. 145, inciso I, do CTN), a qual segue o rito do PAF, e a função administrativa revisional dos atos administrativos (incluindo eventualmente o lançamento tributário, nos termos do art. 145, inciso III, combinado com o art. 149, ambos do CTN) decorrente do poderdever de autotutela da Administração Pública. Cabendo destacar que, nesta última função incluise também a revisão das próprias decisões administrativas, quando eivadas de vícios que caracterizem nulidade, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Como se demonstrou, a partir da interpretação sistemática do ordenamento jurídico brasileiro destinado à organização do sistema tributário nacional, são aplicáveis à função administrativa revisional e não à função administrativa de julgamento (judicante) não apenas o art. 24, mas todas as normas previstas na Lei de Introdução ao Direito Brasileiro incluídas pela Lei nº 13.655, de 2018, por se destinarem aos gestores públicos no exercício de sua função pública. Destarte, a revisão do ato administrativo prevista no art. 24 da Lei de Introdução às Normas do direito Brasileiro não alcança o contencioso administrativo tributário inaugurado com a impugnação ao lançamento, a qual segue o rito próprio de caráter judicante, com fundamento na Constituição Federal. Em conclusão, entendo, pois, que não se aplica o art. 24 introduzido pela Lei nº 13.655, de 2018, ao julgamento dos recursos administrativos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL Conhecimento Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, nos termos do art. 67 do Anexo II do RICARF. A Fazenda Nacional alega divergência jurisprudencial em relação à dedutibilidade do ágio nos termos do art. 386 do RIR/99. O recurso foi admitido pelo despacho do Presidente da Câmara recorrida com relação à matéria “amortização do ágio”. Em contrarrazões, o contribuinte se insurge quanto à admissibilidade do recurso fazendário, questionando, basicamente, o alcance da divergência jurisprudencial. Em síntese, aduz que a discussão objeto dos presentes autos se limita aos pontos levantados pela autoridade fiscal, quais sejam: (i) fundamento econômico do ágio, em razão da suposta imprestabilidade do laudo; (ii) legitimidade do ágio; e (iii) ocorrência de simulação, que culminou em incorporação sem substância econômica. Sustenta que a demonstração de divergência somente poderia ser considerada com relação à ausência de Fl. 2838DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.839 25 substância econômica (ou falta de propósito negocial na participação de ESMERALDA HOLDINGS na operação), uma vez que este foi o único fundamento acolhido no acórdão ofertado como paradigma para a manutenção do lançamento fiscal. Registrese que o acórdão paradigma, referente ao processo nº 10970.720351/201188, foi parcialmente reformado pelo Acórdão nº 9101003.396, de 5 de fevereiro de 2018, mas não em relação à matéria objeto deste recurso fazendário. De toda a sorte, como a reforma se deu em momento posterior à interposição do recurso, isso seria irrelevante para fins de admissibilidade recursal. O acórdão paradigma negou provimento ao recurso voluntário nos termos da seguinte ementa: Acórdão nº 1103000.960 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. A sucessão de eventos modificativos de controle societário em um mesmo grupo empresarial sem qualquer finalidade negocial que resulte em incorporação de pessoa jurídica em cuja contabilidade constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, com utilização de empresa veículo, unicamente para criar de modo artificial as condições para aproveitamento da amortização do ágio como dedução na apuração do lucro real, caracteriza simulação montada para o fim exclusivo de economia tributária, o que autoriza o lançamento de ofício com imposição de multa qualificada em razão do intuito de fraude demonstrado. ADMINISTRADORA DE CARTÃO DE CRÉDITO. ALÍQUOTA DA CSLL. As administradoras de cartões de crédito devem apurar a CSLL mediante a aplicação da alíquota majorada de 15% por disposição legal expressa. A divisão de tarefas típicas da atividade entre duas pessoas jurídicas do mesmo grupo societário que venham a atuar de forma reciprocamente complementar não as exclui da condição de administradoras de cartões de crédito, submetendose ambas à alíquota majorada na apuração da CSLL devida. PAGAMENTO MENSAL DE IRPJ E CSLL. MULTA ISOLADA. A aplicação concomitante da multa isolada por falta de pagamentos mensais de IRPJ e CSLL e da multa de ofício pela falta de pagamentos dos mesmos tributos na apuração anual com base no lucro real não é admissível quando as multas incidem sobre uma mesma base imponível. Fl. 2839DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.840 26 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de lançamento de ofício sofre a incidência de juros de mora com base na taxa Selic a partir do seu vencimento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração conexo, decorrente ou reflexo, no que couber, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Cito trecho do voto condutor em que o relator do paradigma, após mencionar os dispositivos que fundamentaram a autuação, sobre eles se manifestou: As amortizações do ágio não são dedutíveis para fins de determinação do lucro real, excetuandose o caso de alienação ou liquidação do investimento, em que integrará o valor contábil do investimento na apuração do resultado da operação, mesmo que amortizado na escrituração comercial e desde que devidamente controlado no Lalur, conforme art. 3913 e 4264 do RIR/1999. Por outro lado, o art. 3865 do Regulamento autoriza a amortização nas situações em que uma pessoa jurídica absorve patrimônio de outra, em conseqüência de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio, apurado segundo o disposto no artigo 385. No caso tratado nestes autos, de fundamento econômico lastreado em previsão dos resultados de exercícios futuros, o item III do dispositivo regulamentar permite a amortização nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados posteriormente à incorporação, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração. No §6º do referido art. 386 encontrase determinação para aplicação das suas disposições inclusive quando o investimento não for obrigatoriamente avaliado pelo valor do patrimônio líquido ou a pessoa jurídica incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Ricardo Mariz de Oliveira6 bem resumiu o objetivo tributário da norma permissiva da amortização, comentando os artigos 7º e 8º da Lei 9.532/1997, suportes legais do referido art. 386 do RIR/1999. Assim escreveu: [...] De outro lado, o acórdão recorrido, analisando os mesmos fatos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte nessa parte, como se vê da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 Fl. 2840DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.841 27 ÁGIO. FUNDAMENTO ECONÔMICO. RENTABILIDADE FUTURA DA INVESTIDA. COMPROVAÇÃO. Tendo em vista que a legislação vigente à época dos fatos geradores objeto dos Autos de Infração não regulamentava a forma, conteúdo e apresentação do demonstrativo do fundamento econômico do ágio pago na aquisição de participação societária, o contribuinte pode se valer de todos os meios de prova hábeis. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INCORPORAÇÃO DE “EMPRESA VEÍCULO”. LEGITIMIDADE DO “BENEFÍCIO FISCAL”. Os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 permitem o aproveitamento fiscal da amortização do ágio, desde que este seja legítimo e desde que haja confusão patrimonial entre empresa investida e investidora, o que ocorre em razão de fusão, incorporação ou cisão. A utilização de empresa veículo, sem aparecimento de novo ágio, não viola nenhum requisito para usufruir o “benefício legal” em questão. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INCORPORAÇÃO DE “EMPRESA VEÍCULO”. INCORPORAÇÃO REVERSA. PROPÓSITO NEGOCIAL. MOTIVO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, ainda mais considerando a existência de caminho alternativo (incorporação direta) disponível ao contribuinte, não caracteriza a simulação. Também a economia tributária gerada a partir de reorganização societária, por si só, não implica na ilicitude das operações. No tocante à fundamentação econômica do ágio lastreada em laudo de avaliação, ainda que em ambas as decisões os colegiados distintos tenham confirmado a sua validade ao laudo apresentado para fins de prova da expectativa de rentabilidade futura, ambas as decisões apreciaram os mesmos fatos à luz dos requisitos estipulados nos §§ 2º e 3º do art. 20 do Decretolei nº 1.598/77 e, consequentemente, também em relação ao disposto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97. Considerando que os acórdãos apresentados como recorrido e paradigma analisaram exatamente os mesmos fatos que ensejaram as respectivas autuações, e cada um lhes deu interpretação jurídica distinta, à luz dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, temse presente a divergência jurisprudencial alegada pela recorrente em relação à legitimidade da dedutibilidade de amortização do ágio. Presentes os pressupostos recursais, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional. Mérito A matéria em discussão cingese à interpretação dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, que tratam da amortização do ágio, considerandose a problemática da situação descrita nos autos à luz dos conceitos legais e jurisprudenciais de empresa veículo, ágio interno e propósito negocial. Fl. 2841DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.842 28 O acórdão recorrido reconheceu que os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 dariam suporte para deduzir, no cálculo do lucro real, o ágio amortizado que fora segregado por ESMERALDA HOLDING, quando do recebimento das quotas de capital de TEMPO SERVIÇOS. A PGFN trouxe alegações em sentido contrário, pleiteando a manutenção da autuação. Em contrarrazões, o contribuinte sustenta a validade da dedutibilidade das despesas de ágio, o qual seria único, originário de operação de Compra e Venda de Ações realizada entre o Grupo Bradesco e o Grupo Amex (partes totalmente distintas e não relacionadas), que foi transferido quando ESMERALDA HOLDINGS passou a ser a controladora da recorrida, registrando custo de aquisição de R$ 889 milhões. Iniciando a análise a partir dos fatos trazidos aos autos, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal (efls.11711234), as operações societárias foram as seguintes: em 19/03/2006, o BANCO BRADESCO adquiriu participações no capital de pessoas jurídicas do Grupo AMERICAN EXPRESS, no Brasil, dentre as quais a pessoa jurídica AMERICAN EXPRESS DO BRASIL TEMPO, razão social posteriormente alterada para BANKPAR TEMPO e, por fim, para TEMPO SERVIÇOS (contribuinte autuado). Nessa operação, o BANCO BRADESCO pagou aos antigos acionistas das pessoas jurídicas do Grupo AMERICAN EXPRESS a quantia de US$ 490.000.000,00, aí incluindo um ágio de R$ 872.881.282,063 relativamente à aquisição das ações do contribuinte autuado; em 30/06/2006 ocorre o fechamento da operação com a efetividade do pagamento, momento em que o Banco Bradesco escritura em sua contabilidade o ágio pago na aquisição da Tempo Serviços Lida: em 14/09/2006, o BANCO BRADESCO adquiriu de sua controlada UNIÃO PARTICIPAÇÕES as 999 quotas do capital de ESMERALDA HOLDINGS pela importância de R$ 791,49 com a concordância do sócio quotista Márcio Artur L. Cypriano, que abre mão de seus direitos em favor do BANCO BRADESCO; ainda em 14/09/2006, o BANCO BRADESCO cedeu 414.767.057 ações da pessoa jurídica TEMPO SERVIÇOS para subscrever e integralizar o aumento de capital em ESMERALDA HOLDINGS, no valor de R$ 889.333.243,00. Ñesse dia, ESMERALDA HOLDINGS contabilizou em seu ativo o investimento em TEMPO SERVIÇOS no valor de R$ 43.778.666,00, com ágio de R$ 845.554.577,00, em contrapartida à conta de capital, na importância de R$ 889.333.243,00; em 29/09/2006, TEMPO SERVIÇOS incorporou ESMERALDA HOLDINGS, passando a absorver o ágio pago sobre sua própria participação societária, amortizandoo nos períodos subsequentes. Fl. 2842DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.843 29 Ainda na seara fática, constatase que à época da incorporação, o Banco Bradesco detinha 100% do capital social da empresa incorporada (Esmeralda Holdings Ltda) e 99,99% do capital social da incorporadora (Tempo Serviços Ltda). Anteriormente, em 18/03/2005, houve a constituição da pessoa jurídica ESMERALDA HOLDINGS, com capital social de R$ 1.000,00, assim distribuído: a) UNIÃO PARTICIPAÇÕES (controlada por BANCO BRADESCO), 999 quotas, no total de R$ 999,00; b) MARCIO ARTUR L. CYPRIANO, 1 quota, no valor de R$ 1,00, tendo por objeto social a administração, locação, compra e venda de bens próprios e participação em outras sociedades como cotista ou acionista e apresentando DIPJ do anocalendário de 2005 como inativa. Na DIPJ do anocalendário de 2006, período 01/01/2006 a 29/09/2006 (data de sua incorporação pela Tempo Serviços Ltda), a Receita Bruta informada foi de R$0,00 e a única despesa declarada referese à provisão de R$ 845.554.577,00 (ágio do investimento na Tempo Serviços, recebido como integralização do aumento de seu capital pelo Banco Bradesco). Pois bem, das datas mais relevantes para a análise do filme destacamse: 30/06/2006, data da aquisição, pelo BANCO BRADESCO, das empresas do Grupo Amex no Brasil, sendo o referido ágio efetivamente pago e a negociação ocorrida entre partes independentes e não relacionadas; 14/09/2006, quando o Banco Bradesco conferiu no capital de sua controlada Esmeralda Holdings, sua participação na Tempo Serviços Ltda, avaliada economicamente por laudo de avaliação com base em perspectiva de rentabilidade futura, datado de 29/09/2006, registrando a contrapartida do lançamento do ágio contabilizado na Esmeralda Holdings em conta de capital social; 29/09/2006 quando ocorre a incorporação reversa, onde a Tempo Serviços (controlada) incorpora sua controladora Esmeralda Holdings, absorvendo o ágio de suas próprias ações, vertido do acervo líquido da incorporada, que se extingue, passando a incorporadora a amortizar o referido ágio com base no inciso III do art. 7° da Lei 9.532/97. Constam dos autos as seguintes informações sobre "laudos de avaliação": o laudo de avaliação econômicofinanceira do Grupo AMERICAN EXPRESS, às efls. 729/757, elaborado por KPMG CORPORATE FINANCE, de 29/09/2006, foi empregado para justificar o ágio fundamento na expectativa de rentabilidade futura do investimento na aquisição da participação societária em BANKPAR TEMPO LTDA, de R$ 872.881.282,63, sendo R$ 819.801.193,48 contabilizados em 30/06/2006, complementado pelo valor de R$ 53.080.089,15 no mês de setembro de 2006, conforme informação prestada por BANCO BRADESCO, às efls. 717/718; o laudo de avaliação de efls. 347/349, emitido por PROBUS ASSESSORIA CONTÁBIL E FISCAL LTDA, foi empregado para justificar o ágio contabilizado por ESMERALDA HOLDING, de R$ 845.554.557,00, fundamentado na expectativa de rentabilidade futura de TEMPO SERVIÇOS, cujas quotas de capital foram transferidas a ESMERALDA HOLDING a título de subscrição e integralização de capital efetuada por BANCO BRADESCO. Fl. 2843DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.844 30 Verificase, ainda, que o BANCO BRADESCO contabilizou duas parcelas da amortização do ágio apurado na aquisição das quotas de BANKPAR TEMPO, cada qual na importância de R$ 13.663.353,22, em julho e agosto de 2006, relativas ao ágio de R$ 819.801.193,48. Deduzidas essas duas parcelas, o saldo do ágio resultou na importância de R$ 792.474.487,04, em agosto de 2006. Este valor, acrescido ao complemento do ágio de R$ 53.080.089,15, contabilizado em setembro de 2006, alcançou o total de R$ 845.554.576,19. Assim, diante dos fatos relatados e elementos juntados aos autos, cumpre perquirir sobre o efetivo direito à amortização do ágio gerado pela integralização de participações societárias e posterior incorporação, considerando os argumentos da defesa. Com efeito, a matéria em debate encontrase disciplinada nos arts. 7o e 8o da Lei nº 9.532/97, que dispõem sobre o registro e a amortização do ágio gerado em investimentos avaliados pelo patrimônio líquido: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: Fl. 2844DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.845 31 a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Já a sistemática de apuração do ágio deve seguir o disposto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1° O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2° O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: Fl. 2845DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.846 32 a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3° O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2° deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. À luz da legislação de regência, percebese que o ágio corresponde à diferença entre o custo de aquisição de um investimento e o seu valor patrimonial. Isso significa que a figura do ágio decorre do fato de uma das partes se comprometer a pagar à outra, pela aquisição do investimento, um valor superior àquele registrado no patrimônio líquido. Como se vê, de acordo com o art. 20, § 2º, do Decretolei nº 1.598/77, o ágio pode ter fundamento econômico nas seguintes hipóteses: (a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ao custo registrado na sua contabilidade, (b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros ou (c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Assim, o ágio suportado por uma empresa com a aquisição de uma participação societária deve ter como origem um propósito econômico real e um efetivo substrato econômico, concomitantemente. Ademais, deve haver a extinção do investimento em razão da absorção do patrimônio da investidora pela investida, como estabelece o art. 7o, da Lei nº 9.532/97, base legal do art. 386, do RIR/99, com destaque para seu inciso III: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior: (...) III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. Vale lembrar que a Lei 6.404/76 prevê dois tipos distintos de grupos econômicos ou de sociedades empresárias, a saber: a) os grupos de fato, estabelecidos entre sociedades interligadas (Capítulo XX) e b) os grupos de sociedades, estabelecidos por meio de uma convenção entre as empresas participantes (Capítulo XXI). A definição legal de grupo econômico propriamente encontrase prevista no § 2º do art. 2º da CLT, que dispõe: “sempre que uma ou mais empresas, tendo embora, cada uma delas, personalidade jurídica, própria estiverem sob a direção, controle ou Fl. 2846DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.847 33 administração de outra constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas”. Dessa definição vêse claramente a previsão de controle a caracterizar a relação de subordinação entre controlada e controladora. A legislação tributária, a seu turno, adota expressamente o conceito amplo de grupo econômico em algumas normas específicas, como a que trata de responsabilidade tributária das contribuições sociais, prevista na Lei nº 8.212/91, art. 30, inciso IX (“as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei”). Assim, verificase grupo econômico quando as empresas são controladas pelas mesmas pessoas, como é exatamente o caso dos autos. Aliás, isso é inconteste nos autos em relação ao contribuinte TEMPO SERVIÇOS e ESMERALDA HOLDINGS, ambas controladas pelo BANCO BRADESCO. Em relação ao ágio gerado internamente ao grupo econômico, vale mencionar a posição da Comissão de Valores Mobiliários — CVM, embora destinada às sociedades de capital aberto, com a emissão do OficioCircular/CVM/SNC/SEP IV 01/2007 visando esclarecer dúvidas sobre a aplicação das Normas Gerais de Contabilidade. No texto, abaixo transcrito, são destacadas situações semelhantes ao do presente caso, em que empresas de um mesmo grupo econômico geram ágio artificialmente, sem que haja o dispêndio de efetiva despesa (financeira ou patrimonial), o que é rechaçado: OFICIOCIRCULAR/CVM/SNC/SEP IV 01/2007 Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 2007 Aos Senhores Diretores de Relações com Investidores e Auditores Independentes ASSUNTO: Orientação sobre Normas Contábeis pelas Companhias Abertas Prezados Senhores, Os OficiosCirculares emitidos pela área técnica da CVM tem como objetivo principal divulgar os problemas centrais e esclarecer dúvidas sobre a aplicação das Normas de Contabilidade pelas Companhias Abertas e das normas relativas aos Auditores Independentes. Esse oficiocircular também procura incentivar a adoção de novos procedimentos e divulgações, bem como antecipar futura regulamentação por parte da CVM e, em alguns casos, esclarecer questões relacionadas as normas internacionais emitidas pelo IASB. A CVM vem, ao longo dos anos da sua atuação, buscando aperfeiçoar e manter atualizado o seu arcabouço normativo contábil, sempre com a participação de segmentos interessados do mercado ou da profissão contábil. Cumpre destacar a importante colaboração recebida da Comissão Consultiva de Fl. 2847DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.848 34 Normas Contábeis da CVM, que conta com representantes da ABRASCA, APIMEC, CFC, IBRACON, FIPECAFI/USP e colaboradores especialmente nomeados pela CVM, além dos professores Ariovaldo dos Santos (USP), Jose Augusto Marques (UFRJ) e Natan Szus ter (UFRJ) e, agora, do Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC, recentemente instalado. [...] 20.1.7 "Ágio" gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de "ágio". Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato continuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o prep (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando hit o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como "arm's length". Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de Fl. 2848DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.849 35 registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. (destaquei) Ainda nesse sentido, registrese o item 50 da Orientação Técnica CPC 02/2008 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis: [...] só pode ser reconhecido o ativo intangível ágio por expectativa de rentabilidade futura se adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou mesmo conjunto de empresas sob controle comum). E o adquirido de terceiros só pode ser reconhecido, no Brasil, pelo custo, vedada completamente sua reavaliação. Logo, a necessidade de uma aquisição onerosa de terceiros para formação do ágio deve ser considerada no exame das operações de reorganização societária, para fins de incidência tributária, já que tais operações podem ser utilizadas como instrumento de planejamento tributário, desde que demonstrem os fundamentos econômicos da operação (benefícios operacionais), o que não ocorre quando se adquire de partes interligadas. Ademais, a utilização, em curto período, de empresa antes inativa e posteriormente extinta como empresaveículo (ESMERALDA HOLDINGS) e, ainda, do mesmo grupo econômico, com o único objetivo de promover o aproveitamento do ágio, descaracterizam sua legitimidade. O que o contribuinte defende como sendo a existência de um único ágio efetivamente pago pelo BANCO BRADESCO a pessoa não relacionada, e que teria sido posteriormente transferido, não encontra respaldo na situação apresentada nos autos. O quadro das operações realizadas, aliado à constatação da existência de dois laudos distintos (laudo de avaliação econômicofinanceira do Grupo AMERICAN EXPRESS, às efls. 729/757, elaborado por KPMG CORPORATE FINANCE, de 29/09/2006 e o laudo de avaliação de expectativa de rentabilidade futura de TEMPO SERVIÇOS, às efls. 347/349, emitido por PROBUS ASSESSORIA CONTÁBIL E FISCAL LTDA.) para justificar a contabilização dos respectivos ágios demonstra a contradição na alegação do contribuinte de que teria havido um único ágio gerado entre partes independentes e posteriormente transferido. De toda a sorte, a transferência, se houvesse, teria ocorrido através da empresa veículo ESMERALDA HOLDINGS, a qual fora criada com a única função de permitir a amortização do ágio efetivamente pago pelo Banco Bradesco para a Tempo Serviços Ltda, o que não pode ser admitido pela legislação acima referida. Nesse sentido, ainda que fosse o caso de transferência do ágio anteriormente constituído, a utilização de empresa veículo com essa finalidade compromete a legitimidade de sua amortização, pela ausência de participação na "confusão patrimonial" da pessoa jurídica investidora real, a teor da jurisprudência desta 1ª Turma da CSRF, como exemplos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. APROVEITAMENTO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 2849DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.850 36 A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. Ainda que o ágio tenha sido criado em operação envolvendo terceiros independentes, se houver a transferência do ágio registrado na investidora originária para outra empresa, pertencente ao mesmo grupo econômico, por meio de operações meramente contábeis e sem circulação de riqueza, não mais se torna possível o pretendido aproveitamento tributário do ágio. (Acórdão nº 9101003.466, de 7 de março de 2018) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. PLANEJAMENTO FISCAL. O caput do artigo 7º da Lei nº 9.532/1997 remete a dedutibilidade da amortização do ágio, fundado em expectativa de rentabilidade futura, para fins de cálculo do lucro real, à exigência de que a participação societária na pessoa jurídica incorporada tenha sido adquirida com esse ágio pela incorporadora. Já o artigo 8º da Lei nº 9.532/1997 permite a dedução da despesa de amortização do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, nos casos em que a pessoa jurídica incorporadora adquirir a participação societária na incorporada com a referida mais valia. Ademais, sobrelevase dos citados dispositivos legais que a influência do ágio no resultado tributável pelo IRPJ só tem amparo legal se houver a confusão patrimonial entre a investidora e a investida, momento em que o investimento adquirido com ágio tornase extinto. (Acórdão nº 9101003.468, de 7 de março de 2018) No caso dos autos, o único sacrifício patrimonial foi suportado por BANCO BRADESCO na compra das quotas de capital de AMERICAN EXPRESS DO BRASIL TEMPO (denominação posteriormente alterada para BANKPAR TEMPO e, por fim, para TEMPO SERVIÇOS) e não pela incorporada (ESMERALDA HOLDING) ou pela incorporadora (TEMPO SERVIÇOS). Entendo que não houve transferência, para ESMERALDA HOLDING, do ágio pago por BANCO BRADESCO quando da aquisição da TEMPO SERVICOS. Em outras palavras, o ágio pago por BANCO BRADESCO, na aquisição da participação no capital de AMERICAN EXPRESS DO BRASIL TEMPO, não é o mesmo ágio registrado na capitalização de ESMERALDA HOLDING com cessão das quotas de capital de TEMPO SERVIÇOS. No primeiro caso, a operação, de fato ocorreu entre partes Fl. 2850DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.851 37 independentes. Mas o segundo ágio foi gerado no interior do mesmo grupo econômico, vale dizer, entre pessoas jurídicas sujeitas a controle comum. Nesse último caso, como referido, a cessão das quotas do capital de TEMPO SERVIÇOS para ESMERALDA HOLDING, com ágio de R$ 845.554.557,00, foi justificado com base na expectativa de rentabilidade futura do investimento, conforme laudo de avaliação emitido por PROBUS ASSESSORIA CONTÁBIL E FISCAL LTDA, às efls. 347/349. Nesse caso, é certo que essa transferência de quotas não foi efetuada em contrapartida à aquisição do investimento em ESMERALDA HOLDING, não se enquadrando no disposto no art. 20 do Decretolei nº 1.598/77 (art. 385 do RIR/99: O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação (...). ). Mas, ainda assim, ESMERALDA HOLDING optou por segregar o ágio, na importância de R$ 845.554.557,00, quando da integralização do aumento de capital com a cessão de 414.767.057 quotas emitidas por TEMPO SERVIÇOS, entregues pelo BANCO BRADESCO. Ora, como visto acima, o ágio de R$ R$ 845.554.577,00 não se originou do sacrifício patrimonial de ESMERALDA HOLDING ou mesmo de TEMPO SERVIÇOS. Na verdade, esse ágio não tem fundamento em qualquer fato econômico, tendo sido gerado intragrupo, sem substância econômica. Ademais, de acordo com o art. 8º da Lei nº 9.532/97, incorporação reversa ocorre na situação em que a sociedade detentora da participação societária é incorporada pela investida. Esse tipo de evento, por si só, não impede a amortização do ágio, desde que tenha sido formado regulamente entre partes independentes. Contudo, isso não aconteceu quando da incorporação da ESMERALDA HOLDINGS pela TEMPO SERVIÇOS, ambas controladas pelo BANCO BRADESCO à época dos fatos. No caso dos autos, diante do filme que se mostra, é patente a falta de propósito negocial para essa reestruturação societária a qual acabou por não gerar qualquer alteração patrimonial efetiva em relação às empresas envolvidas, as quais estavam e permaneceram sob controle comum. TEMPO SERVIÇOS pertencia integralmente ao BANCO BRADESCO e passou a pertencer integralmente à ESMERALDA HOLDING, que funcionou como empresa veículo para fins de permitir o aproveitamento do ágio pela TEMPO. Assim, por lhe faltar fundamentação econômica e propósito negocial, a reestruturação entre empresas do mesmo grupo econômico, engendrada com o objetivo de reduzir a tributação, não pode ser oponível ao Fisco, como é o caso dos autos. Nesse sentido, como referido, nos autos do processo nº 10970.720351/2011 88, o acórdão indicado como paradigma foi mantido pelo Acórdão nº 9101003.396, de 5 de fevereiro de 2018, no tocante à matéria ora em debate, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 Fl. 2851DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.852 38 ÁGIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INEFICÁCIA. A reorganização societária na qual inexista motivação outra que não a criação artificial de condições para obtenção de vantagens tributárias é inoponível à Fazenda Pública. Negada eficácia fiscal ao arranjo societário sem propósito negocial, restam não atendidos os requisitos para a amortização do ágio como despesa dedutível, impondose a glosa e a recomposição da apuração dos tributos devidos. ÁGIO DE SI MESMO. INCONSISTÊNCIA. Carece de consistência econômica ou contábil o ágio surgido no bojo de entidades sob o mesmo controle, o que obsta que se admitam suas consequências tributárias. ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não há como aceitar a dedução da amortização do ágio artificialmente criado com a utilização de empresa veículo, formalmente constituída, não obstante despida de propósito negocial. O voto vencedor, da lavra do i. Conselheiro Flávio Franco Corrêa, trouxe pertinente análise ao caso, merecendo transcrição na parte que interessa, que se adota como complemento das razões de decidir neste caso: Equivocadamente, o recorrente supôs que os supracitados artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 lhe dariam suporte para deduzir, no cálculo do lucro real, o ágio amortizado que fora segregado por ESMERALDA HOLDING, quando do recebimento das quotas de capital de TEMPO SERVIÇOS. Eis a redação dos dispositivos precitados: [...] Depreendese dos aludidos dispositivos que a dedutibilidade do ágio amortizado, no cômputo do lucro real, fundado em expectativa de rentabilidade futura, requer que se confirme a confusão patrimonial entre investida e investidora. E mais: os dispositivos precedentemente indicados formulam que a dedutibilidade do ágio amortizado deve decorrer de sacrifício patrimonial da pessoa jurídica incorporada ou da pessoa jurídica incorporadora. Tal conclusão provém do caput do artigo 7º da Lei nº 9.532/1997, ao endereçar a dedutibilidade da amortização do ágio, fundado em expectativa de rentabilidade futura, para fins de cálculo do lucro real, à reivindicação de que a participação societária na pessoa jurídica incorporada tenha sido adquirida com esse ágio pela incorporadora. Impende observar que tal artigo se refere ao ágio previsto no artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977, e este dispositivo trata do ágio formado entre o custo de aquisição do investimento e o valor de patrimônio líquido na época da aquisição. Fl. 2852DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.853 39 Já o artigo 8º da Lei nº 9.532/1997 permite a dedução da despesa de amortização do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, nos casos em que a pessoa jurídica incorporadora adquirir a participação societária na incorporada com o antedito sobrepreço. Uma vez diante dos requisitos previstos na legislação vigente, a solução então arquitetada pelos administradores de BANCO BRADESCO consistiu na cessão das quotas do capital de AMERICAN EXPRESS DO BRASIL TEMPO, já com a razão social "TEMPO SERVIÇOS", para outra pessoa jurídica do Grupo BRADESCO, a mencionada ESMERALDA HOLDING, com vistas a viabilizar a absorção do patrimônio da controladora (ESMERALDA HOLDING) pela controlada (TEMPO SERVIÇOS), ambas sob o mesmo controle, com a pretensão de que, desse modo, estariam atendidos os requisitos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Entretanto, é digno de nota que os elementos fáticos dos autos expõem a ausência de propósito negocial na transferência das quotas de TEMPO SERVIÇOS para ESMERALDA HOLDING. Outrossim, mostrase irretorquível que a atuação de ESMERALDA HOLDING, em todo o contexto, limitouse à função de empresa veículo de um ágio artificiosamente criado intragrupo para ser deduzido, no cômputo do lucro real, pela pessoa jurídica operacional (TEMPO SERVIÇOS). Anotese que a Fiscalização ressaltou que ESMERALDA HOLDING não foi constituída para a realização de qualquer propósito negocial, porquanto, tendo sido criada em 18/03/2005 com capital de R$ 1.000,00 e objeto social "administração, locação, compra e venda de bens próprios e participação em outras sociedades como cotista ou acionista", entregou DIPJ com as seguintes evidências de que seus idealizadores não tinham em mira a consecução de qualquer atividade econômica: a) inativa, no anocalendário 2005; c) receita bruta zero, no período entre 1º de janeiro e 29 de setembro de 2006, data da incorporação pela controlada TEMPO SERVIÇOS; c) durante sua existência, não contratou empregados, não adquiriu bem do ativo imobilizado nem registrou despesas administrativas. É inegável que o ágio de R$ R$ 845.554.577,00 não se originou do sacrifício patrimonial de ESMERALDA HOLDING ou mesmo de TEMPO SERVIÇOS. Na verdade, esse ágio não tem fundamento em qualquer fato econômico. Como se afiançou em linhas precedentes, o ágio amortizado que restou deduzido na apuração do lucro real, contabilizado por ESMERALDA HOLDING ao receber as quotas de capital de TEMPO SERVIÇOS, é um ágio intragrupo, sem substância econômica. Conforme a diretriz emanada do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, ainda que “as operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E Fl. 2853DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.854 40 mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”.” Aqui, abrese um espaço para o laudo de avaliação lavrado por PROBUS ASSESSORIA CONTÁBIL E FISCAL LTDA. Tal documento faz parte da engenhosidade dos arquitetos da montagem de operações, concebido para o fim de pretensamente evidenciar a observância aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, os quais não admitem a dedutibilidade do ágio sem a prévia elaboração de demonstração da apuração da mais valia fundada na expectativa de rentabilidade futura, na forma do artigo 20, § 3º, do Decretolei nº 1.598/1977, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora narrados. Conforme o que se expendeu adrede, não houve transferência, para ESMERALDA HOLDING, do ágio pago por BANCO BRADESCO na compra das quotas de capital de AMERICAN EXPRESS DO BRASIL TEMPO (denominação posteriormente alterada para BANKPAR TEMPO e, por fim, para TEMPO SERVIÇOS). Mas, ainda que fosse o caso de reputálo originário da transferência do anterior sobrepreço pago por BANCO BRADESCO, na aquisição das quotas do capital de AMERICAN EXPRESS DO BRASIL TEMPO, nem assim podese admitir sua dedutibilidade, no cômputo do lucro real, por parte de TEMPO SERVIÇOS, pois, nessa hipótese, o sacrifício patrimonial consequente ao ágio foi suportado por BANCO BRADESCO e não pela incorporada (ESMERALDA HOLDING) ou pela incorporadora (TEMPO SERVIÇOS). Diante do exposto, concluise pela impossibilidade de amortização do ágio, conforme pretendido, à luz do disposto nos arts. 20, §§ 2° e 3° do DecretoLei n° 1.598/77 e arts. 7° e 8° da Lei nº 9.532/97 (arts. 385 e 386 do Decreto nº 3.000/99 — RIR/99), sendo corretas as glosas de suas deduções do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, determinando o retorno dos autos à turma a quo para julgamento das questões remanescentes. Fl. 2854DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.855 41 RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Conhecimento Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, nos termos do art. 67 do Anexo II do RICARF. A recorrente alega a concomitância das incidências de multa isolada com a multa de ofício no mesmo período e a impossibilidade de cobrança de multa isolada após o encerramento do exercício. O recurso foi admitido pelo despacho do Presidente da Câmara recorrida e sua admissibilidade não foi questionada pela parte contrária. Presentes os pressupostos recursais, adoto as razões do despacho de admissibilidade e conheço do recurso especial interposto no presente caso. Mérito O recurso do contribuinte vista afastar a multa isolada aplicada concomitantemente com a multa de ofício no caso dos autos. Sobre essa questão este Colegiado tem decidido, a exemplo de outras turmas do CARF, no sentido de que a multa isolada, na anterior redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, deve ser afastada em observância ao princípio da consunção. Extraise isso da inteligência da Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Entendese que o disposto na Súmula nº 105 do CARF aplicase apenas aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007. O papel precípuo do julgador nessa seara é o de analisar o conjunto normativo vigente e aplicável ao tempo dos fatos objeto de autuação, tendo em mente que o lançamento tributário é atividade vinculada aos ditames legais e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, parágrafo único, do CTN. Assim, na hipótese dos autos, destacase que houve alteração no comando original do art. 44 da Lei nº 9.430/96, oriunda da redação que lhe foi dada pela Lei nº 11.488, 15 de junho de 2007, fruto da conversão da Medida Provisória nº 351, de 2007. Penso que a alteração buscou afastar a dubiedade e a imprecisão do comando anterior, circunstâncias que levaram à elaboração da Súmula CARF nº 105, que conferiu, à luz do art. 112, I, do CTN, interpretação jurídica mais favorável ao contribuinte. Fl. 2855DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.856 42 Ocorre que, sob a ótica da estrita legalidade, a partir da nova redação não se vislumbra mais qualquer impedimento jurídico para a aplicação concomitante das multas previstas nos incisos I e II, "b", do art. 44 da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. No caso dos autos, como as multas isoladas se referem à falta de pagamento de estimativas mensais posteriores à vigência da nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, entendo ser jurídica e obrigatória a aplicação concomitante das infrações nele previstas, por considerar que tais multas são completamente distintas e autônomas. Em razão disso, nego provimento ao recurso do contribuinte. Conclusão Por todos estes fundamentos, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN e conhecer e negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 2856DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.857 43 Declaração de Voto Conselheira Livia De Carli Germano No presente caso optei por apresentar esta declaração de voto para esclarecer as razões pelas quais concordei com a Relatora quanto à conclusão de que a Esmeralda Holding fez jus ao título de “empresa veículo” e, por tal razão, sua participação na operação acabou por macular a reorganização societária levada a termo pelo contribuinte. Especificamente, o Termo de Verificação Fiscal constatou o seguinte (grifamos): 6.4. Empresa veículo e de duração efêmera A utilização de empresa veículo, de duração efêmera, é também de fácil constatação no presente caso: a empresa Esmeralda Holdings foi constituída em 18/03/2005, com capital social de R$ 1.000,00, tendo por objeto social a administração, locação, compra e venda de bens próprios e participação em outras sociedades como cotista ou acionista. Apresentou DIPJ do anocalendário de 2005 como inativa. Na DIPJ do anocalendário de 2006, período 01/01/2006 a 29/09/2006 (data de sua incorporação pela Tempo Serviços Ltda), a Receita Bruta informada foi de R$0,00 e a única despesa declarada referese à provisão de R$ 845.554.577,00 (ágio do investimento na Tempo Serviços, recebido como integralização do aumento de seu capital pelo Banco Bradesco). Ou seja, no seu curto período de existência, a empresa em questão não possuiu funcionários, não possuiu nenhum ativo imobilizado e não incorreu em despesas administrativas (aluguéis, telefone, energia, água, etc), servindo, única e exclusivamente, de canal de passagem de um ágio, sendo extinta imediatamente após tal passagem. Percebese, assim, que a Fiscalização reuniu indícios de que a Esmeralda Holding não existia materialmente, ou seja, não se tratava de fato de uma pessoa jurídica, sujeito de direitos e deveres, mas apenas de um CNPJ registrado na Junta Comercial. Por outro lado, em sua defesa o contribuinte não logrou infirmar tais indícios ou indicar que eles poderiam apontar em outra direção que não à conclusão de que a Esmeralda Holding existia apenas formalmente. Fl. 2857DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.858 44 Em casos como este, tenho orientado meus votos no sentido de que tais circunstâncias autorizam a Fiscalização a rever o lançamento tributário (artigo 149, VII, do CTN), de forma a tributar a operação tal como ela ocorreu materialmente, ou seja, desconsiderandose os efeitos dos atos simulados (no caso, a interposição de pessoa jurídica não existente de fato). As razões para tanto foram expostas, por exemplo, em meu voto no acórdão 1401002.685, de 13 de junho de 2018 (que nesta parte foi vencedor, por maioria). Nesse passo, peço vênia para reproduzir os pertinentes trechos da ementa e do voto deste precedente (grifamos): ÁGIO. REQUISITOS LEGAIS. EMPRESA VEÍCULO. NECESSÁRIA INVESTIGAÇÃO SOBRE A EFETIVA EXISTÊNCIA DA ADQUIRENTE. A acusação de empresaveículo depende de prova de que as pessoas jurídicas existiriam apenas no papel, ou seja, de que elas efetivamente nunca atuaram como pessoas jurídicas, sujeitos de deveres e obrigações. Mesmo uma holding pura requer um mínimo de elementos materiais que a caracterizem como sociedade empresária, para além de um registro na Junta Comercial e um número no CNPJ. Não subsiste a acusação de que se tratou de empresa veículo quando a autoridade fiscal sequer investiga tais elementos, partindo da premissa de que se tratou de empresas veículo exclusivamente em razão da sequência de operações realizadas. (...) Trecho do voto: (...) Ora, a acusação de empresaveículo depende de prova de que as pessoas jurídicas existiriam apenas no papel, ou seja, de que elas efetivamente nunca atuaram como pessoas jurídicas, sujeitos de deveres e obrigações (ou de que apenas assim atuaram com relação à operação societária que se pretende descaracterizar, no caso, a aquisições que deram origem aos ágios). Em sociedades ditas operacionais a prova de que as pessoas efetivamente existiram é, digamos, mais palpável, pois a fabricação e/ou as saídas de bens ou de serviços deixam um rastro material e/ou documental. Há porém sociedades que têm por objeto exclusivamente participar de outras sociedades a Lei das S.A. (Lei 6.404/1976) prevê tal possibilidade em seu artigo 2º, § 3º, observando, ademais, que tal participação pode ocorrer ainda que não prevista no estatuto, seja como meio de realizar o objeto social seja para beneficiar se de incentivos fiscais(*). (*) Art. 2º Pode ser objeto da companhia qualquer empresa de fim lucrativo, não contrário à lei, à ordem pública e aos bons costumes. (...) § 3º A companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades; ainda que não prevista no estatuto, a participação é facultada como meio de realizar o objeto social, ou para beneficiarse de incentivos fiscais. De qualquer forma, mesmo uma holding "pura" não prescinde de um conteúdo material mínimo não se exige, por óbvio, atividades operacionais, nem necessariamente a contratação de empregados, mas toda empresa tem um endereço Fl. 2858DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.859 45 sede (imóvel ou virtual), alguém que lhe prepare a contabilidade, alguém que assine por ela e lhe "presente" perante terceiros (Pontes de Miranda), custos com registros de seus atos societários, e tudo isso envolve um mínimo de despesas que, se não são arcadas diretamente por ela, são pagas por alguém em nome dela, e de um modo ou de outro devem, pelo menos, constar de seus registros patrimoniais e contábeis. A ausência de qualquer tipo de despesa, aliada à inexistência de quaisquer outros bens ou direitos que não a participação societária que se adquiriu com ágio, é o que robustece a acusação de que a pessoa jurídica não existiu de fato mas apenas formalmente ou "no papel". Que fique claro: quando dizemos "efetiva existência da pessoa jurídica" estamos nos referindo à existência da pessoa jurídica como "sociedade" ou "empresa", e não como um mero registro formal. O contrato de sociedade é assim conceituado pelo artigo 981 do Código Civil (Lei 10.406/2002): Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. Como se sabe, o Direito Brasileiro atual simpatiza com a teoria dos perfis da empresa de Asquini, a qual trata a empresa como "fenômeno poliédrico que assume, sob o aspecto jurídico, em relação ao diferentes elementos nele concorrentes, não um mas diversos perfis: subjetivo, como empresário; funcional, como atividade; objetivo, como patrimônio; corporativo, como instituição” (Exposição de Motivos Complementar apresentada pelo Prof. Sylvio Marcondes responsável pela elaboração do Livro II — “Direito da Empresa” no anteprojeto do Código Civil/2002). Assim, só há que se falar em "sociedade" ou "empresa" na presença de "atividade econômica organizada de produção e circulação de bens e serviços para o mercado, exercida pelo empresário, em caráter profissional, através de um complexo de bens" (BULGARELLI, Waldírio. Tratado de Direito Empresarial, 2ª ed., São Paulo: Atlas, 1995, p.100). No Direito Tributário isso fica claro em diversas passagens. A noção jurídica de empresa está disposta, por exemplo, no caput do art. 132 do Código Tributário Nacional, que dispõe sobre a responsabilidade da pessoa jurídica que resulta da fusão, transformação ou incorporação, pelos tributos devidos pelos antecessores. Segundo este dispositivo, existe uma figura jurídica associada a uma empresa mas, caso tal figura jurídica desapareça, o desaparecimento não causa a “morte” da empresa, que continua como entidade autônoma, com vida jurídica própria, respondendo por atos pretéritos. Ressaltese que o acima é apenas um exemplo ilustrativo mas, no caso em questão, nem era preciso ir tão longe. Em resumo, para que a acusação de "empresaveículo" prevalecesse seria necessário que o auto de infração provasse a existência meramente formal das holdings em questão no momento da geração do ágio. Só assim poderia se chegar à conclusão de que não houve a necessária liquidação do investimento e que, portanto, estava ausente um dos requisitos legais para a dedução das despesas com amortização de ágio. (...) Fl. 2859DF CARF MF Processo nº 10600.720016/201431 Acórdão n.º 9101004.223 CSRFT1 Fl. 2.860 46 No caso, ao contrário do precedente acima, é de se concluir que a acusação de “empresa veículo” deve prevalecer, ante os indícios de tal circunstância constatados pela Fiscalização – especificamente: existência efêmera, ausência de gastos com manutenção de uma infraestrutura física e/ou de pessoal mínima necessária a qualquer pessoa jurídica e ausência de movimentação financeira e contábil condizente mesmo com as atividades de uma holding. Por tais razões acompanhei a Relatora quanto ao provimento do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 2860DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.001550/2003-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 91.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo de dez anos, contado do fato gerador
Numero da decisão: 2301-006.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade preparadora para apreciação do pedido de restituição formulado.
João Mauricio Vital - Presidente.
Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado.
Nome do relator: CLEBER FERREIRA NUNES LEITE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo de dez anos, contado do fato gerador
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10825.001550/2003-57
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6041226
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2301-006.261
nome_arquivo_s : Decisao_10825001550200357.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CLEBER FERREIRA NUNES LEITE
nome_arquivo_pdf_s : 10825001550200357_6041226.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade preparadora para apreciação do pedido de restituição formulado. João Mauricio Vital - Presidente. Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
id : 7839656
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:50:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052119677796352
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-17T16:49:55Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-17T16:49:55Z; Last-Modified: 2019-07-17T16:49:55Z; dcterms:modified: 2019-07-17T16:49:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-17T16:49:55Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-17T16:49:55Z; meta:save-date: 2019-07-17T16:49:55Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-17T16:49:55Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-17T16:49:55Z; created: 2019-07-17T16:49:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2019-07-17T16:49:55Z; pdf:charsPerPage: 2018; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-17T16:49:55Z | Conteúdo => S2-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10825.001550/2003-57 Recurso Voluntário Acórdão nº 2301-006.261 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de julho de 2019 Recorrente ROSANGELA MARIA SARTOR SACAMONE Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo de dez anos, contado do fato gerador Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade preparadora para apreciação do pedido de restituição formulado. João Mauricio Vital - Presidente. Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado. Relatório Trata-se de pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte sobre a indenização recebida em rescisão de contrato de trabalho proveniente de Plano de Desligamento voluntário da Nossa Caixa S/A, recebida durante o ano calendário de 1995, protocolado em 03/10/2003 O pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal em Bauru, mediante Despacho Decisório, sob argumento de que estaria extinto o direito de a contribuinte pleitear a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 15 50 /2 00 3- 57 Fl. 68DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.261 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.001550/2003-57 restituição, uma vez transcorrido o prazo de 5 (cinco), previsto no art. 168, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), conforme dispõe o Ato Declaratório SRF n° 96, de 26 de novembro de 1999. Cientificada, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando que: 1.no caso se aplica a norma inserida no inciso I do art. 165 do CTN devendo a contagem do prazo qüinqüenal ter inicio somente com a publicação da mesma; 2.a jurisprudência do Conselho de Contribuintes é nessa direção; 3.de acordo com mesma IN não é devido o IR sobre parcelas pagas a pessoa física que aderiram a PDV; 4.o entendimento constante do Ato Declaratório nº 96/99 que fundamentou a decisão constitui perigoso precedente voltado a respaldar a pratica constante de quebra dos princípios constitucionais; 5.o fato de o contribuinte haver sofrido a retenção do IR o qual é pago sem qualquer intervenção do fisco evidencia sua característica de tributo sujeito ao lançamento por homologação sendo o prazo decadencial, portanto, de 10 anos; A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II – DRJ/SPOII, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade em indeferir a solicitação, através do acórdão DRJ/SPOII n° 1727.789, de 25 de setembro de 2008. Devidamente intimada, a recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório Voto Conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade. Trata o presente caso, em se definir o marco temporal inicial da contagem do prazo do direito à restituição do imposto de renda retido na fonte que incidiu sobre verbas de incentivo à participação em Programa de Desligamento Voluntário (PDV) Tanto a DRF, quanto a DRJ, entendem que o prazo de cinco anos, a que se refere o artigo 165, do CTN, deve ser contado a partir da data do pagamento do tributo, tido como indevido. No caso como o pagamento indevido teria ocorrido em 1995 e o pedido de restituição ocorreu em 2003, já se teria passado mais de 5 anos para o exercício desse direito. Fl. 69DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.261 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.001550/2003-57 Porém, cumpre destacar que, os conselheiros do Carf, são obrigados a observar a Sumula Carf nº 91, vinculante, conforme Portaria MF n° 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018 de junho, abaixo transcrita: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo de dez anos, contado do fato gerador No caso em concreto o pagamento indevido ocorreu em 1995, portanto antes de vigência da Lei Complementar 118, de 2005. Dentro desse contexto, portanto, é realmente tempestivo o pedido protocolado em 03 de outubro de 2003. Ante ao exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade preparadora para apreciação do pedido de restituição formulado. Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
