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Numero do processo: 13603.720080/2006-70
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003, 2004
MULTA POR FALTA E ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ.
A multa pela falta e atraso na entrega de declaração de rendimentos aplica-se sobre o valor do imposto declarado. A lei não contém previsão para utilização, como base de cálculo da multa, o valor do tributo lançado de ofício.
Numero da decisão: 9101-002.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, recurso negado. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques (Suplente Convocado), sendo substituído pela Conselheira Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada).
(documento assinado digitalmente)
OTACÍIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), André Mendes de Moura (Suplente Convocado), Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Rafael Vidal de Araújo, Valmir Sandri, Antonio Carlos Guidoni Filho (Suplente Convocado), Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada), Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003, 2004 MULTA POR FALTA E ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. A multa pela falta e atraso na entrega de declaração de rendimentos aplica-se sobre o valor do imposto declarado. A lei não contém previsão para utilização, como base de cálculo da multa, o valor do tributo lançado de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, recurso negado. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques (Suplente Convocado), sendo substituído pela Conselheira Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada). (documento assinado digitalmente) OTACÍIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), André Mendes de Moura (Suplente Convocado), Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Rafael Vidal de Araújo, Valmir Sandri, Antonio Carlos Guidoni Filho (Suplente Convocado), Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada), Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 MULTA POR FALTA E ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. A multa pela falta e atraso na entrega de declaração de rendimentos aplicase sobre o valor do imposto declarado. A lei não contém previsão para utilização, como base de cálculo da multa, o valor do tributo lançado de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, recurso negado. Declarouse impedido de participar do julgamento o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques (Suplente Convocado), sendo substituído pela Conselheira Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada). (documento assinado digitalmente) OTACÍIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), André Mendes de Moura (Suplente Convocado), Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Rafael Vidal de Araújo, Valmir Sandri, Antonio Carlos Guidoni AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 00 80 /2 00 6- 70 Fl. 884DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13603.720080/200670 Acórdão n.º 9101002.062 CSRFT1 Fl. 3 2 Filho (Suplente Convocado), Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada), Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior. Relatório Na sessão plenária de 17 de junho de 2009, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento julgou o Recurso n° 160.471(voluntário) e, por maioria de votos, deulhe provimento, nos termos da ementa a seguir: MULTA POR FALTA E ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ A multa pela falta e atraso na entrega de declaração de rendimentos aplicase sobre o valor do imposto declarado. Na hipótese de lançamento de oficio, incide a penalidade específica, prevista para essa modalidade. As duas penalidades não podem incidir sobre a mesma base. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial por contrariedade à lei, com fulcro nas disposições do art. 56, inciso II, Anexo I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, e art. 7°, inciso I, Anexo II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 147, de 25 de junho de 2007. O recurso especial tramitou sob as disposições dos Regimentos Internos dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 147, de 28/06/2007, vigentes à época em que prolatado o acórdão recorrido (17/06/2009), segundo disposto no art. 4°, da Portaria Ministerial n° 256, de 22/06/2009. Assevera a Fazenda Nacional que a decisão contraria o disposto no art. 7º, inciso I, da Lei nº 10.426/2002. Em contrarrazões, o contribuinte alega ser descabido o recurso, uma vez que, a partir da Lei 11.491/2009, deixou de existir no ordenamento o recuso especial por contrariedade à lei. No mérito, diz que o acórdão está conforme a jurisprudência do Conselho, mencionando o Ac. 101 94.504. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso atende os pressupostos que o legitimam, devendo ser conhecido. A infração identificada pela autoridade fiscal está assim descrita: Fl. 885DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13603.720080/200670 Acórdão n.º 9101002.062 CSRFT1 Fl. 4 3 “(...) procedemos à auditoria do IRPJ e seus reflexos e apuramos o crédito tributário, conforme processo administrativofiscal nº 13603720078/200609. Dentre as irregularidades apontadas naquele procedimento fiscal, verificamos que o contribuinte entregou com atraso a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ do anocalendário de 2003 e não entregou a referente a 2004; fl. 11. O prazo para entrega da DIPJ do ano calendário de 2003 foi 30/06/2004 e a entrega da declaração pelo contribuinte efetivouse somente no dia 01/12/2004, conforme telas do sistema IRPJ, fls.11. 1Por meio dos Termos de Intimação no 07/2005, 08/2005, 12/2005, 14/2005, 17/2005, 01/2006, 04/2006, 22/2006, 23/2006, 24/2006 e 45/2006 intimamos o contribuinte a comprovar a efetiva entrega de sua DIPJ relativa ao ano calendário de 2004. Não houve atendimento às intimações. Assim, lavramos as multas por omissão na entrega da DIPJ relativa ao ano calendário/2004 e também por atraso na entrega do ano calendário de 2003, que foram calculadas a partir do IMPOSTO DE RENDA DEVIDO, apurado por esta Fiscalização no processo administrativo acima referido, conforme "Demonstrativo de Multas Por Falta de Entrega da DIPJ” (fls. 10) que é parte integrante deste Auto de Infração.” O enquadramento legal indicado é o art. 7º, inciso I, da Lei nº 10.426, de 2002, cuja redação, à época da lavratura do auto de infração, era a seguinte: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Ide dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º. (...) § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 886DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13603.720080/200670 Acórdão n.º 9101002.062 CSRFT1 Fl. 5 4 No caso concreto, o contribuinte fiscalizado entregou em atraso a DIPJ do anocalendário de 2003 e, mesmo intimado, não entregou a de 2004. Para 2004, a fiscalização registra que: “Confirmamos apenas a entrega das DCTF (Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais) do 1º ao 3º trimestre, com valores irrisórios de tributos frente ao montante de impostos e contribuições apurados neste procedimento fiscal.” O dispositivo legal que a Fazenda alega violado estabelece como base de cálculo da multa “o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago”. A fiscalização, contudo, não utilizou essa base de cálculo, tendo feito incidir a multa sobre o valor do lançamento do tributo lançado de ofício, hipótese não prevista na lei. O acórdão recorrido afastou a multa assim fundamentando sua decisão: “Então a multa incide sobre o valor do IRPJ informado na DIPJ apresentada com atraso, ainda que integralmente pago o imposto; incide também sobre o valor do IRPJ informado na DIPJ não entregue, porém apresentada em atendimento à intimação fiscal, ainda que integralmente pago o imposto, portanto a multa por falta ou atraso na entrega da DIPJ incidirá sempre o valor do IRPJ que tiver sido informado ou apurado pelo contribuinte, na dicção do referido dispositivo legal. No caso dos autos a multa por atraso na entrega da DIPJ relativa ao anocalendário de 2003 deveria incidir sobre o montante do IRPJ informado na referida declaração apresentada a destempo. Quanto ao anocalendário de 2004, em que a contribuinte deixou de apresentar a DIPJ no prazo fixado e nem a apresentou sob intimação fiscal, a multa por falta de entrega da DIPJ deveria incidir sob o imposto apurado e pago pela contribuinte ainda que em valores irrisórios, como constatado pelo fisco no TVF, fls. 456, (...) (...) A redação do inciso I, do art. 7°, Lei n° 10.426/2002, que fixou a alíquota da penalidade (2%), sua base de cálculo (o montante do IRPJ informado na DIPJ); e as situações em que aplicáveis (no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo da DIPJ), na sua essência não difere da redação do inciso I, do art. 88 da Lei n° 8.981/1995, matriz legal do art. 964, do RIR/99, a saber: (...) Assim, uma vez detectadas irregularidades no curso da ação fiscal que resultem na apuração de imposto o mesmo deve ser exigido mediante a lavratura do competente auto de infração com a multa de lançamento ex officio aplicável. Na hipótese dos autos a empresa teve os seus lucros arbitrados e foilhe aplicada a multa de lançamento ex officio qualificada, prevista no art. 44, Fl. 887DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13603.720080/200670 Acórdão n.º 9101002.062 CSRFT1 Fl. 6 5 inciso II, da Lei n° 9.430/1996, por evidente intuito de fraude, como consta dos autos do referido processo n° 13603.720078/200609, recurso voluntário n° 158.933. A legislação em comento seja sob a égide do inciso I, do art. 88 da Lei n° 8.981/1995, seja sob a égide do inciso I, do art. 7°, da Lei n° 10.426/2002, não previu a possibilidade da aplicação concomitante da multa por falta ou atraso na entrega da DIPJ com a multa de lançamento ex officio aplicada sobre os valores apurados em lançamento ex officio, (...)” Entendo não merecer reparos a decisão recorrida. Ao contrário do que alega a Fazenda Recorrente, a decisão não violou a lei, mas afastou o lançamento em desacordo com o nela previsto. Assim, por estar de acordo com o acórdão recorrido, NEGO provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 12 de novembro de 2014. (documento assinado digitalmente. Valmir Sandri Fl. 888DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 15374.001072/2006-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DILIGÊNCIA. APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS QUE COMPROVAM O INDÉBITO. HOMOLOGAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.
Sendo apresentado em diligência, os documentos que comprova a existência do indébito tributário. Fica comprovado o direito creditório com a devida homologação do Pedido de Compensação.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-001.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente o Conselheiro Daniel Mariz Gudiño e ausente justificadamente a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo.
Joel Miyazaki - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DILIGÊNCIA. APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS QUE COMPROVAM O INDÉBITO. HOMOLOGAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Sendo apresentado em diligência, os documentos que comprova a existência do indébito tributário. Fica comprovado o direito creditório com a devida homologação do Pedido de Compensação. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente o Conselheiro Daniel Mariz Gudiño e ausente justificadamente a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Joel Miyazaki - Presidente. Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Erika Costa Camargos Autran.
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DILIGÊNCIA. APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS QUE COMPROVAM O INDÉBITO. HOMOLOGAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Sendo apresentado em diligência, os documentos que comprova a existência do indébito tributário. Fica comprovado o direito creditório com a devida homologação do Pedido de Compensação. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente o Conselheiro Daniel Mariz Gudiño e ausente justificadamente a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Joel Miyazaki Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 10 72 /2 00 6- 05 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 07/01/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação, cujos créditos teriam origem em pagamento a maior da COFINS. A unidade de origem decidiu não homologar o pedido de compensação, em razão de estarem os pagamentos supostamente realizados a maior, alocados a débitos da COFINS, conforme declarado em DCTF. Inconformada, a Recorrente impugnou o despacho alegando que houve um erro no preenchimento da DCTF, sendo o valor correto declarado em DIPJ. O erro teria origem no cálculo da COFINS para preenchimento da DCTF, quando não foram excluídas da base de cálculo as receitas relativas às vendas canceladas, IPI e ICMSST. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve o despacho, exarado pela unidade de origem. Decidindo que os débitos a serem considerados são os declarados em DCTF e não os valores declarados em DIPJ, que seriam meramente informativos. No seu julgamento, também entendeu a DRJ, não existir nos autos provas documentais que comprovassem o erro alegado pelo contribuinte quando do cálculo da COFINS informado na DCTF. A ementa do Acórdão da DRJ foi a seguinte: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIUBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 COFINS. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Somente se comprova alegado erro material no recolhimento e na declaração da contribuição, a supostamente ensejar a repetição do indébito pleiteado para fins de compensação, mediante a apresentação dos documentos contábilfiscais próprios. ELEMENTOS DE PROVA A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72.” Cientificada da decisão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário, requerendo a reforma da decisão, alegando em síntese: a) Após a entrega da DCTF referente ao 3º trimestre de 2002, constatou que calculou e recolheu indevidamente a COFINS relativa ao mês de agosto de 2002, em razão de ter incluído, de forma equivocada, na base de cálculo, receitas relativas às vendas canceladas, IPI e ICMSST; Fl. 295DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 07/01/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15374.001072/200605 Acórdão n.º 3201001.833 S3C2T1 Fl. 295 3 b) Que obstante o equívoco ocorrido, não há que se falar em inexistência do direito creditório, visto que a existência desse mero erro material não afasta o seu direito creditório; c) Não é lícito ao Fisco conformarse com informações de preenchimentos de declarações equivocados, ao contrario, compete à autoridade fiscal desconsiderar erros materiais, em atenção ao principio da verdade material, considerando à realidade dos fatos e não somente àquilo que foi declarado pelo contribuinte; d) Caberia ao julgador de primeira instância o ônus de verificar, a partir da DIPJ e da planilha juntadas aos autos, se os valores ali constantes, coincidem ou não com a realidade dos fatos, independente da planilha apresentada não se revestir de todas as formalidades descritas no acórdão da autoridade a quo. Finalizando, a Recorrente requer o acolhimento das suas razões, pedindo o provimento integral do recurso voluntário. Ao analisar o Recurso, a Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara, resolveu determinar a baixa dos autos ao órgão de origem para que a autoridade preparadora procedesse à verificação dos fatos alegados no recurso, verificando se o valor constante da planilha com demonstrativo de apuração da COFINS às fls. 72 e os valores informados na DIPJ 2003 estariam de acordo com os registros contábeis da Recorrente, que confirmaria o erro no preenchimento da DCTF. A Unidade Preparadora procedeu à diligência, elaborando relatório fiscal (fls. 267 a 272 no arquivo PDF), concluindo pela procedência das alegações da Recorrente quanto ao erro no preenchimento da DCTF e ainda, foram identificados, nos trabalhos de auditoria, divergências quanto ao valor referentes as vendas para a Zona Franca de Manaus, o que poderia influenciar no cálculo do direito creditório. Cientificada, a Recorrente não se manifestou. Cumprida a diligência, retornaram os autos ao CARF, para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A teor do relatado, a discussão que ora se apresenta trata de matéria de fato, qual seja a comprovação ou não de créditos referentes a COFINS, objeto de compensação. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 07/01/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 A unidade preparadora, em atendimento a diligência determinada pelo CARF, procedeu à verificação das lançamentos fiscais que foram objeto de glosa no despacho da DRF de origem, elaborando relatório em que conclui pela procedência das alegações da Recorrente e informa sobre possíveis inconsistências quanto as vendas realizas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, conforme se verifica no trecho abaixo extraído do relatório fiscal. " Conforme os dados acima expostos, concluise que: a) o valor das vendas canceladas e do IPI informados pelo contribuinte na planilha originalmente apresentada às fls. 99 restou confirmado pelo balancete analítico; b) entretanto, o valor das receitas que compõe a base de cálculo da Cofins não foi integralmente declarada pelo contribuinte, quer se considere ou não as receitas oriundas da venda para a Zona Franca de Manaus. c) deste modo, se excluídas as receitas da Zona Franca, confirmase parcialmente o pagamento a maior alegado pelo contribuinte; se não excluídas as referidas receitas, não há qualquer pagamento a maior, mas sim a menor. Em que pese a relevância da discussão sobre a inclusão na base de cálculo da COFINS das vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus, entendo que tal matéria não foi objeto de discussão no presente processo. As turmas do CARF não possuem competência para refazer o trabalho de auditoria já realizado pela Unidade de Origem, a sua atuação restringese aos pontos controversos levantados quando da interposição da impugnação, adentrar na questão referente as vendas para a Zona Franca de Manaus implicaria em refazer toda apuração da base de cálculo da COFINS e nestes caso o CARF estaria substituindo o trabalho já realizado pela Unidade de Origem. No caso em tela a discussão cingiase a controvérsia quanto a divergências de informação entre a DIPJ e a DCTF, confirmando as alegações da Recorrente, conforme consta da diligência, não vejo outro caminho que não seja a confirmação da compensação pleiteada. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 297DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 07/01/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15374.917028/2009-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
PRECLUSÃO TEMPORAL.
Apresentado o recurso voluntário fora do prazo legal, o mesmo não pode ser conhecido.
Numero da decisão: 3201-001.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do 1ª Turma, da 2ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 03/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Apresentado o recurso voluntário fora do prazo legal, o mesmo não pode ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do 1ª Turma, da 2ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 03/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 70 28 /2 00 9- 53 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 Tratase de recurso voluntário interposto por PRECE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR, doravante referida apenas como Recorrente, contra o Acórdão nº 12 38.711, de 14/07/2011, proferido pela DRJ/RJ1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da instância a quo, transcrevese o relatório da decisão recorrida: Tratase do Despacho Decisório n° 831256802, de 09.04.2009, da então Delegacia Especial de Instituições FinanceirasDeinf/RJO (fls.6), que, sob o fundamento deque o darf já havia sido integralmente utilizado, não homologou a seguinte Declaração de Compensação Dcomp: Em Manifestação de InconformidadeMI (fls.11/16), instruída com os documentos de fls.17/69, o interessado afirma que é entidade fechada de previdência complementar, tendo por objeto instituir plano de previdência complementar e pagar aposentadorias complementares, e, ainda, que: a) o crédito utilizado teve "origem na apuração de equivoco no procedimento adotado para cálculo do IOF nas operações de empréstimos, conforme laudo técnico em anexo (doc.01)"; b) equivocouse no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF e não demonstrou a existência de crédito de IOF, e "declarou como devido exatamente o valor recolhido"; c) os equívocos nas declarações não criam tributos, e não podem, comprovado o erro de fato, gerar obrigação tributária; d) "se a confissão do contribuinte não estiver de acordo com a lei e com a realidade fática, nenhum valor terá para o juízo tributário"; e) se o valor confessado não corresponde às hipóteses de incidência, "a confissão de divida e o consequente pagamento são absolutamente irrelevantes, não gerando qualquer obrigação tributária". Fl. 140DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 15374.917028/200953 Acórdão n.º 3201001.745 S3C2T1 Fl. 140 3 O interessado alega que "o valor realmente devido para esta competência é de R$ 6.539,67 e não R$ 19.176,74, como erroneamente declarado em DCTF". Sustenta que "a existência deste crédito pode ser facilmente observada, bastandose comparar os valores apresentados como devidos (...), conforme planilha em anexo (doc.2), com a guia de recolhimento da mesma competência (doc.3)". Afirma que, "desta forma, fica clara a existência de simples equivoco no preenchimento da DCTF (...) e a existência do crédito, bem como a consequente extinção do débito ora indevidamente imputado". Pede que a MI seja julgada procedente, bem como, que se homologue a compensação procedida, extinguindose o crédito tributário cobrado. O acórdão recorrido restou assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IOF. ANOCALENDÁRIO 2004. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o débito ao qual o alegado pagamento indevido ou a maior foi alocado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. IOF. ANOCALENDÁRIO 2004. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o resultado do julgamento da instância a quo, a Recorrente interpôs o seu recurso voluntário, reiterando, em síntese, os argumentos de sua defesa inicial. O processo foi distribuído e sorteado a este Conselheiro, seguindo o rito regimental. É o relatório. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño A intimação da decisão recorrida ocorreu em uma sextafeira, dia 16/09/2011 (efl. 125), e o recurso voluntário foi interposto em uma quartafeira, dia 19/10/2011 (efls. 135 e 137). O prazo para a interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. De acordo com o art. 5º, caput e parágrafo único, do mesmo diploma legal, a contagem de prazo tem início a partir do primeiro dia útil seguinte ao da ciência. No caso concreto, o primeiro dia da contagem de prazo para a interposição do recurso foi o dia 19/09/2011, uma segundafeira. Já o trigésimo e último dia para tal feito foi o dia 18/10/2011, uma terçafeira. Com efeito, o recurso voluntário foi interposto fora do prazo legal, configurando, pois, a sua intempestividade. Analisando cautelosamente a peça recursal, não há qualquer justificativa para a interposição tardia. Em razão da preclusão temporal ora narrada, NÃO CONHEÇO o recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 142DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO
score : 1.0
Numero do processo: 13603.000028/2005-12
Turma: Terceira Turma Especial
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2007
SIMPLES EXCLUSÃO MANUTENÇÃO E REPARAÇÃO DE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS MERA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSERTO EM MÁQUINAS INDUSTRIAIS.
Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3803-000.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF)
Participaram do presente julgamento os conselheiros Anelise Daudt Prieto (Presidente), André Luiz Bonat Cordeiro, Regis Xavier Holanda e Jorge Higashino.
Nome do relator: Francisco José Barroso Rios
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007 SIMPLES EXCLUSÃO MANUTENÇÃO E REPARAÇÃO DE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS MERA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSERTO EM MÁQUINAS INDUSTRIAIS. Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES. Recurso Voluntário Provido.
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Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 00 28 /2 00 5- 12 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Anelise Daudt Prieto (Presidente), André Luiz Bonat Cordeiro, Regis Xavier Holanda e Jorge Higashino. Relatório Preliminarmente, ressalto que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, fui designado como redator ad hoc (fls. 71/72), para formalização do respectivo Acórdão, considerando a inexistência de relatório ou de qualquer outra memória concernente ao julgamento em tela. Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ de Belo Horizonte – MG (fls. 55/59, do processo eletrônico), que por unanimidade de votos, decidiu por indeferir a solicitação do Recorrente contra sua exclusão de ofício da opção pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: (...) A optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/COM nº 508.246, de 02 de agosto de 2004, fl. 16, com efeitos a partir de 01/01/2002, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: Situação excludente: (evento 306): Descrição: atividade econômica vedada: 29696/02 – Instalação reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso específico. Data da ocorrência: 30/03/1999 Fundamentação legal: Lei nº 9.317, de 05/12/1996: art. 9º, XIII; art. 12; art. 14, I; art. 15, II. Medida Provisória nº 2.15834 , de 27/07/2001: art. 73. Instrução Normativa SRF nº 355, de 28/08/2003: art. 20, XII; art. 21; art. 23, I; art. 24, II, c/c parágrafo único. Cientificada em 08/12/2004, fl. 10, a requerente apresentou em 06/01/2005, fls. 01/03, a impugnação com as alegações abaixo sintetizadas. Exerce a atividade de industrialização por conta de terceiros, conforme nota fiscal nº 5.109, de 11/02/2003, emitida pela empresa PIM Produtos Industriais Mecânicos Ltda e nota fiscal de retorno nº 527, de 12/03/2003, de sua emissão. Esclarece que citada empresa apenas comercializa os produtos assim industrializados. De acordo como a Resolução nº 710, de 05 de janeiro de 2007, fls. 27/29, o julgamento do presente processo foi convertido em diligência, tendo a Repartição de origem providenciado a juntada das cópias reprográficas das notas fiscais obtidas da Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13603.000028/200512 Acórdão n.º 3803000.086 S3TE03 Fl. 74 3 interessada, fls. 32/35. Em despacho proferido às fls. 36/38, a Autoridade preparadora relatou os procedimentos adotados em virtude dessa diligência, especialmente no que diz ao envio “à contribuinte do Termo de Intimação de fl. 30, por meio do qual se solicitou a apresentação das notas fiscais de prestação de serviços emitidas a partir de 01/01/2002.” . Referido relatório prossegue constatando que “analisandose as notas fiscais apresentadas, verificase que a contribuinte exerce, dentre outras, atividades de usinagem, e manutenção e reparo de máquinas em geral: retífica e balanceamento de rotor, etc (fls. 32 a 35). Ressaltese que foram apresentadas notas fiscais referentes aos exercícios de 2004, 2005 e 2006.” Cientificada deste despacho, por meio do Aviso de Recebimento – AR, fl. 39, a interessada manifestandose às fls. 40/41, alegando, em síntese, que suas atividades não requer a contratação de profissionais da área de engenharia. Aduz que em relação às atividades de instalação, montagem, reparo ou manutenção de máquinas, equipamentos e aparelhos, a ementa constante do Acórdão nº 1333, de 18 de junho de 2002, ao não caracterizar o exercício dessas atividades como de locação de mãodeobra, salienta o teor de tal ementa na parte em que conclui:“não restando evidenciada a subsunção do fato à hipótese legal descrita no ato administrativo de exclusão do SIMPLES, é admissível a manutenção no mencionado sistema”. Para a interessada, esse entendimento conflita com a decisão exposta no Acórdão DRJ/CPS, de 15 de agosto de 2002, que foi citado no despacho proferido pela Autoridade preparadora. Após reiterar os argumentos apresentados em sua petição original, requer o cancelamento da decisão proferida no presente processo. É o Relatório. Os argumentos aduzidos pelo Recorrente, no entanto, não foram conhecidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 2003 Atividade Econômica Vedada A manutenção de equipamentos industriais caracteriza prestação de serviço profissional de engenheiro. Solicitação Indeferida Cientificada da referida decisão em 22/05/2007 (fls. 59/60), a Recorrente, tempestivamente, conforme despacho da unidade de origem de fl. 69, apresentou o recurso voluntário de fls. 61/62, com as alegações abaixo transcritas: Dos Fatos Fl. 75DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Que a Receita Federal, através do Acórdão mencionado, a notificada exerceu atividade econômica vedada pelo SIMPLES, ou seja, que a atividade de manutenção de equipamentos industriais, por ser atividade caracterizada como prestação de serviço profissional de engenheiro. Do Mérito Ratifica os dizeres anteriormente mencionados na impugnação, constante do processo acima referenciado, haja visto que as atividades de manutenção de equipamentos para uso estritamente industrial e comercial não requer, nunca e jamais, sejam eles prestados por profissionais de engenharia, como quer a Receita Federal. Que na defesa, menciona o Acórdão n° 1.333, de 18 de junho de 2002, onde, ali, na ementa diz: A atividade econômica da prestação de serviços de manutenção e reparo de maquinas e equipamentos e aparelhos não caracteriza locação de mão de obra, admitindo a manutenção no mencionado sistema (SIMPLES). Não obriga o Recorrente a contratar profissional habilitado, no caso, engenheiro especialista. Ressalta que o Ato Declaratório Executivo DRF/COM n° 508.245, de 02/08/2004, conflita com o Acórdão n° 1.333, de 18/06/2002. Ao final, aduz que foi demonstrada a insubsistência e improcedência total da decisão de primeira instancia e requer que seja dado provimento ao presente recurso. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fls. 71/72), uma vez que a conselheira relatora, Maria de Fátima Oliveira Silva, não mais compõe este colegiado, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. 1) Admissibilidade do recurso O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Razão pela qual, dele conheço. Observase que apesar de nos documentos de intimação do resultado constar o numero de outro processo, verificase que o numero de referência ao acórdão proferido pela DRJ se encontra correto (fls. 59/60). Neste caso, não possui questões preliminares a ser analisadas. 2) Do mérito O litígio referese ao fato da empresa estar sendo excluída de ofício do tratamento fiscal diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição Federal de 1988, que pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. A Lei nº 9.317, de 1996, e alterações posteriores, determina: Fl. 76DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13603.000028/200512 Acórdão n.º 3803000.086 S3TE03 Fl. 75 5 Art. 9º Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica: [...] XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; No caso sob análise, a hipótese de exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES, com fundamento no exercício de atividade econômica vedada para o sistema, pressupõe a obtenção de receita oriunda de atividade vedada, bem como da identificação da prestação do serviço profissional que a pessoa jurídica exerce que é considerada como atividade vedada para fins de opção pelo Simples. Por seu turno, o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 04, de 22 de fevereiro de 2000, define: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 199, inciso IV, do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF No 227, de 3 de setembro de 1998, e tendo em vista as disposições do inciso XIII do art. 9o da Lei No 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e da alínea "f" do art. 27 da Lei No 5.194, de 24 de dezembro de 1966 e a Resolução No 218, de 29 de junho de 1973, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia. declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que não podem optar pelo Simples as pessoas jurídicas que prestem serviços de montagem e manutenção de equipamentos industriais, por caracterizar prestações de serviço profissional de engenharia. Quando da fase contenciosa, verificouse a necessidade do retorno dos presentes autos à Unidade de Origem para fins de caracterização dos tipos de serviços efetivamente prestados pela empresa por meio dos quais receitas são auferidas a partir de 01/01/2002 (data dos efeitos da exclusão do Simples). Para tanto, vejase trecho transcrito da decisão recorrida: (...) Diante dessa constatação, e nos termos da legislação de regência, o julgamento do processo foi convertido em diligência, a teor da Resolução nº 710, de 05 de janeiro de 2007, fls. 37/39, cujos procedimentos adotados pela Repartição de origem propiciaram a caracterização de que, mormente o exercício da atividade de industrialização por encomenda, representada pelas notas fiscais juntadas à peça de defesa original, fls. 18/19, a interessada exerce também a prestação de serviços de usinagem, retífica e balanceamento em induzidos, ventiladores e rotor, conforme cópias das notas fiscais, anexas às fls 45 a 56. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Em conformidade com a Declaração de Firma Mercantil Individual, registrada em 31/03/1999, fl. 08, o seu objeto é: (...) serviços de usinagem industrial Balanceamento de peças para uso industrial. (...,) Verificase, pois, que pelo fato de a requerente obter receita proveniente da manutenção de equipamentos industriais, fica caracteriza a prestação de serviço profissional de engenheiro. Por conseguinte, o Ato Declaratório Executivo DRF/COM nº 508.246 de 02 de agosto de 2004, fl. 16, deve prevalecer (grifamos). No presente processo, a questão apresentada limitase a verificar se o recorrente, em razão das atividade que desenvolve, pode permanecer incluído no regime simplificado de tributação (SIMPLES). Vejase abaixo, trecho das informações descritas pelo Fisco no seu Relatório de Diligência (fls. 41/44): (...) Analisandose as notas fiscais apresentadas, verificase que a contribuinte exerce, dentre outras, atividades de usinagem e manutenção e reparo de máquinas em geral: retifica, balanceamento de rotor, etc (fls. 32 a 35). Ressaltese que não foram apresentadas notas fiscais referentes aos exercícios de 2004, 2005 e 2006. (...) Assim, pela transcrição dos art. 10,12, 23 e 24 da Resolução n° 218/1973, depreendese que a competência para executar serviços na área de reparação e manutenção de máquinas em geral, equipamentos mecânicos ou eletromecânicos cabe aos engenheiros e técnicos, no âmbito dessas modalidades profissionais especificas, ou seja, pessoa jurídica que desempenha esse tipo de atividade está impedida de optar pelo SIMPLES. (...) Ressalvese que a empresa que obtiver receita de atividade impeditiva, em qualquer montante, ainda que não prevista no contrato social, está obstada de aderir ao regime simplificado. Como se vê, o cerne da questão consiste, portanto, em saber se tais atividades econômicas impedem ou não a adesão ao sistema simplificado de tributação. Conforme se verifica dos autos, o contribuinte foi excluído sob o pressuposto de que exerce atividades de usinagem e manutenção e reparo de máquinas em geral, as quais caracterizariam também funções de profissionais detentores com conhecimento de engenharia, que seriam vedadas, nos termos do artigo 9°, da Lei n°9.317/96. O recorrente por sua vez alega que as atividades de manutenção de equipamentos para uso estritamente industrial e comercial não requer, nunca e jamais, sejam eles prestados por profissionais de engenharia, como quer a Receita Federal. Ressalta que atividade econômica da prestação de serviços de manutenção e reparo de maquinas e equipamentos e aparelhos, não caracteriza locação de mão de obra, admitindo a manutenção no mencionado sistema (SIMPLES) e não obriga a autuada de contratar profissional habilitado, no caso, engenheiro especialista. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13603.000028/200512 Acórdão n.º 3803000.086 S3TE03 Fl. 76 7 Nesse sentido, entendo que o fato da empresa prestar serviços de manutenção de equipamentos de baixa complexidade, não implica na automática conclusão de que esta seja uma empresa de engenharia ou que preste serviços assemelhados, muito menos que faça locação de mãodeobra. Com efeito, a profissão de engenheiro, dado o nível de instrução exigido para tal formação, envolve atividades especializadas que necessitam de conhecimento científico e técnico para o seu exercício. Dessa forma, analisandose toda a situação fática e probatória dos autos, verificase claramente que a atividade exercida pelo contribuinte é de baixa complexidade, não exigindo o emprego de conhecimentos técnicos de profissional de engenharia ou outro legalmente habilitado. Por fim, com efeito, cumpre ressaltar o que dispõe a Súmula CARF nº 57: Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Portanto, nos termos do que dispõe a súmula supra, não pode a atividade da contribuinte ser equiparada a serviços profissionais prestados por engenheiros. Desta feita, com base nos termos da Súmula CARF nº 57 e com fundamento no artigo 72, Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, voto pelo provimento do Recurso Voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário, tornando sem efeito o ADE (DRF/CON) nº 508.246 de 02/08/2004 (fl. 20), e mantendo a Recorrente na sistemática do SIMPLES. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc Fl. 79DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 15956.000061/2009-00
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 09 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 56 .0 00 06 1/ 20 09 -0 0 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000061/200900 Resolução nº 2403000.186 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, Acórdão 1236.005 da 12ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração, DEBCAD n° 37.186.2884, referente à contribuição destinada à Seguridade Social e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, incidentes sobre o valor da comercialização da produção rural realizada por agroindústria no mercado externo através de trading companies. 2. Do Relatório Fiscal, de fls. 37/40, destacamos os seguinte: 2.1. Que o contribuinte é agroindústria do setor sucroalcooleiro, pois desenvolve atividade de produção rural e industrialização de produção própria e adquirida de terceiros (canadeaçúcar), cuja atividade está relacionada no art. 2o, caput, do DecretoLei n° 1.146/70 e, portanto, contribui para a Previdência Social sobre a comercialização da produção; 2.2. Que, em face da ação judicial n° 2005.61.00.025.1305, a qual entre outros, originou o agravo de instrumento n° 2007.03.00.018486 3, que trata do mandado de segurança coletivo proposto na 8a VF de São Paulo, cópia nos autos, o presente débito, de caráter preventivo, deverá ficar sobrestado até que haja o julgamento definitivo da questão; 2.3. Que a Emenda Constitucional EC n° 33, de 11/12/2001, alterou o art. 149 da Constituição Federal de 1988 e concedeu imunidade tributária às receitas decorrentes de exportações; 2.4. A IN/INSS/DC n° 100, de 18/12/2003, trata do assunto no art. 252 e a IN/MPS/SRP n° 3, de 14/07/2005, dispõe do tema no artigo 245, sendo que o seu parágrafo I o estabelece que o disposto no artigo aplicase exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior e o parágrafo 2o acrescenta que a receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação ( . . . ); Fl. 234DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000061/200900 Resolução nº 2403000.186 S2C4T3 Fl. 4 3 2.5. No caso concreto, o contribuinte exporta açúcar e álcool via cooperativa (Copersucar). Além dessa operação, o contribuinte também exporta produtos orgânicos com a utilização de trading companies; 3. A empresa apresentou impugnação, às fls. 118/130, alegando, em síntese, o seguinte: 3.1. Que o procedimento adotado pela impugnante está amparado na decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança Coletivo n° 200.61.00.0251305 da 8a VF de São Paulo, impetrado com a finalidade de ser reconhecida a inconstitucionalidade e a ilegalidade dos §§ I o e 2o do art. 245 da IN/MPS/SRP n° 3/2005, declarandose a inexigibilidade da contribuição incidente sobre as exportações realizadas de forma indireta; 3.2 Que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário continua assegurada, na medida em que, apesar da sentença denegatoria, a decisão do TRF da 3a Região, concedeu o efeito suspensivo pleiteado nos autos do Agravo de Instrumento n° 2007.03.00.0184863, anexo ao presente processo; 3.3. Que é ilegal o art. 245, § I o da IN n° 3/2005, pois a limitação imposta pelo mesmo não pode ser levada a efeito por mera Instrução Normativa; 3.4. Que, se a CF não estabeleceu em seu art. 149 qualquer restrição à imunidade das receitas de exportação, bem como na ausência de lei complementar que disponha a respeito, não poderia a Administração, por meio de IN, criar restrições antes inexistentes; 3.5. Que a exigência é ilegítima ainda por violar o conceito de cooperativismo previsto na CF/88, artigos 174, § 2o e 146, III, "c"; 3.6. Que a exigência atinente aos produtos exportados via cooperativa é manifestamente ilegítima porque implica conferir ao ato cooperativo um tratamento fiscal mais oneroso ( . . . ), o que configura inconstitucionalidade e ilegalidade; 3.7. Que o entendimento da Fiscalização contraria o sentido econômico contemplado pela norma concessiva da imunidade; 3.8. Que a imposição de multa e juros de mora não merece prosperar, visto que, tratando de débitos cuja exigibilidade está suspensa por força de decisão judicial, inexiste o pressuposto de fato que autorizaria não só a imposição de multa, como também dos encargos moratórios. 4. A competência para o julgamento deste processo, foi prorrogada pela Portaria/SUTRI n° 1.036, de 05/05/2010. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega/questiona, em síntese, que: Fl. 235DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000061/200900 Resolução nº 2403000.186 S2C4T3 Fl. 5 4 · Nulidade da decisão da DRJ. Mandado de segurança coletivo não impede a discussão individual na esfera administrativa · Imunidade das receitas de exportação. · Multa. É o relatório Fl. 236DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000061/200900 Resolução nº 2403000.186 S2C4T3 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator. Para a continuidade do julgamento deste processo, entendo necessário esclarecer se o crédito tributário está parcelado. Caso a resposta seja positiva, especificar se total ou parcialmente. Neste último caso, informar a fração parcelada. Transcrevo abaixo artigo do Regimento do CARF que especifica que pedido de parcelamento importa em desistência do recurso. Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. {2} CONCLUSÃO Voto por converter o julgamento em diligência. . Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 237DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000061/200900 Resolução nº 2403000.186 S2C4T3 Fl. 7 6 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10983.900335/2010-47
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
DÉBITO COMPENSADO EM ATRASO. EXISTÊNCIA DE PRÉVIA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA INAPLICÁVEL.
Encontrando-se previamente declarado em DCTF o débito compensado em data posterior à do seu vencimento, afasta-se a aplicação da denúncia espontânea.
EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APÓS O VENCIMENTO. MULTA DE MORA.
Acrescem-se multa e juros de mora aos débitos quitados após os prazos de vencimento fixados na legislação tributária.
Numero da decisão: 3803-006.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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RE 962.379. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática dos recursos repetitivos, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DÉBITO COMPENSADO EM ATRASO. EXISTÊNCIA DE PRÉVIA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA INAPLICÁVEL. Encontrandose previamente declarado em DCTF o débito compensado em data posterior à do seu vencimento, afastase a aplicação da denúncia espontânea. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APÓS O VENCIMENTO. MULTA DE MORA. Acrescemse multa e juros de mora aos débitos quitados após os prazos de vencimento fixados na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 03 35 /2 01 0- 47 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10983.900335/201047 Acórdão n.º 3803006.753 S3TE03 Fl. 91 2 Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de retorno dos autos de diligência à repartição de origem. O contribuinte havia transmitido, em 10/4/2006, Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) relativo a alegado crédito de Cofins do período de apuração junho de 2005, no valor atualizado de R$ 1.104.123,26, utilizado para quitar débito da mesma contribuição devida em agosto de 2005 (fls. 2 a 7). Por meio de despacho decisório eletrônico (fl. 10), a repartição de origem constatou a procedência do crédito original e homologou em parte a compensação declarada, considerando que o direito creditório teria sido insuficiente para quitar o débito informado no PER/DCOMP. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 12 a 27) e requereu a declaração de nulidade da imposição, alegando que o pagamento indevido reconhecido pela repartição de origem já se encontrava em poder da União Federal havia muito tempo, de modo que não se poderia falar em mora quando da sua utilização para quitar débito com vencimento posterior ao recolhimento, pois deveria ser considerada como a data da compensação a data do pagamento indevido ou a maior que o devido. No entendimento do então Manifestante, amparado em decisões judiciais e do CARF, deverseia aplicar na hipótese a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN), pois, conforme já decidira o Tribunal Regional Federal da 4ª Região1, o procedimento de compensação de créditos com tributos em aberto configura denúncia espontânea, apta a afastar a cobrança de multa moratória. A DRJ Florianópolis/SC julgou improcedente a manifestação de inconformidade, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 RECOLHIMENTOS A DESTEMPO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%. Manifestação de Inconformidade Improcedente 1 TRF4, AC 2001.70.00.0276255, Primeira Turma, Relator MariaLúcia Luz Leiria, publicado em 07/01/2004. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10983.900335/201047 Acórdão n.º 3803006.753 S3TE03 Fl. 92 3 Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão da Delegacia de Julgamento em 25 de novembro de 2011, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 26 de dezembro do mesmo ano (fls. 60 a 73) e requereu o seu provimento, repisando os mesmos argumentos de defesa. Ressaltou o Recorrente que “o encontro de contas ocorre de modo automático no momento em que surge a obrigação tributária para o contribuinte detentor de débito do fisco”, dado o caráter meramente declaratório da compensação (fl. 62), pois, de acordo com o art. 39 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, primeiro, debitase a restituição e credita se o débito respectivo, após o que a unidade da Receita Federal registra a operação em seus sistemas, registro esse que tem caráter meramente declaratório do encontro de contas. Submetidos os autos a julgamento, esta 3ª Turma Especial, com vistas a verificar a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea, decidiu converter o julgamento em diligência à repartição de origem2 para que se informassem dados relativos à DCTF do período do débito compensado. Realizada a diligência requerida, a autoridade administrativa de origem informou que o Recorrente transmitira duas DCTFs, tendo sido a original transmitida em 07/10/2005, data essa anterior à da entrega da Declaração de Compensação (DCOMP), e a DCTF retificadora em 01/02/2008, posteriormente à data de transmissão da DCOMP. Da análise dos valores informados, apurouse que o débito confessado na DCTF original era de R$ 6.377.615,90, débito esse que, por meio da retificação posterior, restou reduzido para R$ 5.226.282,97, sendo a ele vinculados créditos decorrentes de pagamento e de depósito judicial, inexistindo menção a créditos originados de compensação. Tendo sido o Recorrente cientificado dos resultados da diligência, ele não se manifestou no prazo fixado em intimação. É o relatório. 2 Resolução nº 3803000.332, de 20 de agosto de 2013. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições para a sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, já tendo havido, pela repartição de origem, o reconhecimento total do direito creditório pleiteado, a controvérsia trazida a esta instância pelo Recorrente se restringe à aplicação ou não de multa de mora sobre o débito que se pretendeu extinguir por compensação. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10983.900335/201047 Acórdão n.º 3803006.753 S3TE03 Fl. 93 4 Referido débito fora declarado em PER/DCOMP em 10/4/2006, após o seu vencimento, este ocorrido em 15/9/2005, mas antes de qualquer procedimento por parte da Administração tributária, situação que, segundo o Recorrente, reclamaria pela aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Na realização da diligência determinada por esta 3ª Turma Especial, a repartição de origem constatou a transmissão de duas DCTFs: a original em 07/10/2005, data essa anterior à da entrega da Declaração de Compensação (DCOMP), e a retificadora em 01/02/2008, posteriormente à data de transmissão da DCOMP. Da análise dos valores declarados, apurouse que o débito confessado na DCTF original era de R$ 6.377.615,90, débito esse que, por meio da retificação posterior, restou reduzido para R$ 5.226.282,97, sendo a ele vinculados créditos decorrentes de pagamento e de depósito judicial, inexistindo menção a créditos originados de compensação. Concluise que, caso o débito compensado, no valor de R$ 1.104.123,26, não estivesse inserido no montante de R$ 6.377.615,90 declarado na DCTF original, quando da retificação da DCTF, o valor da contribuição devida no período deveria ter sido aumentado e não reduzido, conforme veio a ocorrer. Uma conclusão que se mostra plausível é que o Recorrente, após o reconhecimento do direito creditório e a homologação parcial da compensação declarada, retificou a DCTF para reduzir do valor do débito a parcela extinta por compensação, considerando que a própria Declaração de Compensação já cumpria o papel de confissão de dívida, inferência essa que poderia ter sido confirmada caso o Recorrente, devidamente intimado, tivesse se manifestado nos autos sobre os resultados da diligência, o que não ocorreu. Notese que o valor do débito compensado, de R$ 1.104.123,26, é muito próximo do valor reduzido do montante originalmente declarado, de R$ 1.151.332,93. Feitas tais constatações, temse que o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em julgamento submetido ao rito do art. 543C do Código de Processo Civil (recursos repetitivos), de observância obrigatória pelos conselheiros do CARF3, já decidiu pela não aplicação da denúncia espontânea aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação regularmente declarados (REsp 962379), decisão essa cujo teor consta da súmula 360/STJ. Nesse julgamento, o STJ deixa claro que o afastamento da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) somente se dá quando o tributo, sujeito ao lançamento por homologação, tiver sido recolhido em atraso, mas após a apresentação da declaração com efeito de confissão de dívida. Eis o teor de partes dessa decisão do STJ: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por 3 Conforme preceitua o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10983.900335/201047 Acórdão n.º 3803006.753 S3TE03 Fl. 94 5 homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido.(grifei) (...) VOTO (...) 4. Importante registrar, finalmente, que o entendimento esposado na Súmula 360/STJ não afasta de modo absoluto a possibilidade de denúncia espontânea em tributos sujeitos a lançamento por homologação. A propósito, reportome às razões expostas em voto de relator, que foi acompanhado unanimente pela 1ª Seção, no AgRG nos EREsp 804785/PR, DJ de 16.10.2006: "(...) 4. Isso não significa dizer, todavia, que a denúncia espontânea está afastada em qualquer circunstância ante a pura e simples razão de se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação. Não é isso. O que a jurisprudência afirma é a nãoconfiguração de denúncia espontânea quando o tributo foi previamente declarado pelo contribuinte, já que, nessa hipótese, o crédito tributário se achava devidamente constituído no momento em que ocorreu o pagamento. A contrario sensu, podese afirmar que, não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo o sujeito a lançamento por homologação, é possível a configuração de sua denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN. (grifei) Verificase dos excertos supra que, para se afastar a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN4, há necessidade de que o tributo tenha sido pago em atraso e após a sua declaração com efeito de confissão de dívida. Nesse sentido, tendo havido, no presente caso, a declaração prévia do tributo compensado, a ele não se aplica a denúncia espontânea, devendo ser acrescidos aos débitos quitados em atraso os devidos acréscimos legais. A Lei nº 9.430/1996 assim dispõe sobre os acréscimos moratórios cabíveis nos casos de pagamento extemporâneo: Art.61 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, 4 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10983.900335/201047 Acórdão n.º 3803006.753 S3TE03 Fl. 95 6 cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Verificase que a multa de mora decorrente de pagamentos em atraso, assim como os juros de mora, encontrase prevista em lei válida e vigente, inexistindo qualquer irregularidade em sua exigência nos termos ora analisados. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100731/2007-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
RESSARCIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INCIDÊNCIA DA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa Selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento do PIS e Cofins não cumulativos.
Negado Provimento ao Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 3101-000.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário quanto à matéria discutida no Judiciário e, na parte remanescente, em negar provimento.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
(assinado digitalmente)
MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS - Redatora designada.
EDITADO EM: 02/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 RESSARCIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INCIDÊNCIA DA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa Selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento do PIS e Cofins não cumulativos. Negado Provimento ao Recurso Voluntário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário quanto à matéria discutida no Judiciário e, na parte remanescente, em negar provimento. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente. (assinado digitalmente) MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS - Redatora designada. EDITADO EM: 02/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
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Recorrida DRJ PORTO ALEGRE ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Nos termos da Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 RESSARCIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INCIDÊNCIA DA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa Selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento do PIS e Cofins não cumulativos. Negado Provimento ao Recurso Voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário quanto à matéria discutida no Judiciário e, na parte remanescente, em negar provimento. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 07 31 /2 00 7- 09 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11065.100731/200709 Acórdão n.º 3101000.911 S3C1T1 Fl. 174 2 (assinado digitalmente) MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Redatora designada. EDITADO EM: 02/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de créditos da Cofins não cumulativa. Em Despacho Decisório a Delegacia da Receita Federal competente deferiu parcialmente o pleito, em razão da contribuinte não ter incluído, na base de cálculo da contribuição, valores relativos a cessão onerosa de créditos do ICMS. Tempestivamente, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que a cessão de créditos de ICMS a terceiros não se conceitua como receita, não integrando, portanto, a base de cálculo das contribuições sociais. A DRJ de Porto Alegre indeferiu o pleito de ressarcimento, nos termos do Acórdão 1018.106, de 17 de dezembro de 2008, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CESSÃO DE ICMS INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP. TAXA SELIC FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não incidem correção monetária e juros sobre os créditos de PIS e de COFINS objetos de ressarcimento. Solicitação Indeferida Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Conselho, alegando, em preliminar, que o entendimento da DRJ não pode prosperar, pois contraria decisão judicial proferida pelo TRF da 4ª Região no julgamento da apelação interposta em Mandado de Segurança ajuizado pela empresa. No mérito, defende a não incidência das contribuições sobre a cessão onerosa de créditos do ICMS, além de requer a incidência da Selic sobre os valores pleiteados em ressarcimento que foram indeferidos pela.autoridade administrativa. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11065.100731/200709 Acórdão n.º 3101000.911 S3C1T1 Fl. 175 3 Voto Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios – redatora ad hoc Por intermédio do Despacho de efolha 172, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar o Acórdão 3101000.911, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pela relatora original, que foi acompanhada, por unanimidade, pelos demais integrantes do colegiado. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele se tomou conhecimento. A Recorrente insurgese, inicialmente, contra o fato de a DRJ recorrida não ter reconhecido o direito a excluir a cessão onerosa de créditos do ICMS da base de cálculo da contribuição, pois tal direito lhe foi garantido na esfera judicial. A empresa impetrou o Mandado de Segurança nº 2005.71.08.0105600, no qual foi proferido, pelo TRF da 4ª Região, o Acórdão de fls. 148 a 154, que possui a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. PIS E COFINS. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPENSAÇÃO. 1. A inclusão dos valores provenientes da transferência de saldo credor do ICMS, obtido em razão do beneficio fiscal concedido às empresas exportadoras, a fornecedores ou terceiros, na base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, consoante entendimento manifestado pelo Fisco, ofende a regra de imunidade prevista no art. 155, § 2°, inciso X, da Constituição Federal e regulamentada pelo art. 25, §§ 1° c 2°, da Lei Complementar n.° 87/96, o princípio federativo e o da proibição do bis in idem. Precedentes desta Corte. 2. Por operação de exportação devese entender não só o produto da venda realizada ao exterior, mas toda a receita ou resultado decorrente do complexo mecanismo de exportação, inclusive aquela decorrente da transferência dos eventuais créditos de ICMS incidentes nas operações anteriores. 3. Sentença reformada. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 175DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11065.100731/200709 Acórdão n.º 3101000.911 S3C1T1 Fl. 176 4 Constatase que o Mandado de Segurança 2005.71.08.0105600 foi impetrado em 2005 e os fatos geradores do presente processo ocorreram em 2007, estando, indubitavelmente, alcançados pelo MS. E o objeto da ação judicial, conforme atesta a transcrição da ementa do acórdão do TRF, é o mesmo da controvérsia deste pleito administrativo: incidência das contribuições sociais sobre a cessão onerosa de créditos do ICMS acumulados em razão de benefício fiscal concedido às empresas exportadoras. Aplicável, portanto, a súmula CARF nº 1, in verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Desta forma, não se conhece do recurso voluntário na parte em que a contribuinte defende a nãoincidência das contribuições sobre a cessão onerosa de créditos do ICMS acumulados em decorrência de exportações efetuadas, discussão levada à esfera judicial. Resta apreciar a questão relativa à incidência da Selic sobre os créditos indeferidos pela unidade de origem, matéria não abordada no MS impetrado pela empresa. Os créditos glosados se referem à não inclusão da cessão onerosa de créditos do ICMS na base de cálculo das contribuições, questão a ser definida pelo Poder Judiciário. Todavia, caso a contribuinte venha a ter seu direito reconhecido na esfera judicial, não terá direito à incidência da Selic sobre os mencionados créditos, em razão da existência de proibição legal expressa à atualização monetária ou incidência de juros sobre o ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas (artigos 13 e 15, VI, da Lei 10.833, de 2003). Nestes termos, o colegiado não conheceu do recurso voluntário quanto à matéria discutida no Judiciário e, na parte remanescente, negou provimento. E são essas as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. Mônica Monteiro Garcia de los Rios – Redatora ad hoc Fl. 176DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 13884.000696/2007-01
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/10/2005
APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009. Quando os fatos geradores foram declarados em GFIP, em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, observando que o limite máximo 20% (vinte por cento) a ser aplicado a título de multas moratórias, conforme o art. 61, §2º, da Lei n. 9.430/1996, é inferior à multa moratória aplicada aos valores do créditos tributários lançados na NFLD, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Lei n. 11.941/2009, o lançamento do crédito tributário deve se adequar a multa moratória à aplicação da menor sanção, reduzindo-se a multa moratória, ex oficio, desde que mais favorável ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de que a multa sobre os créditos constituídos seja aplicada em conformidade com o disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao sujeito passivo, não devendo ser realizada qualquer comparação conjunta com as sanções dos arts. 32-A e art. 35-A, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela MP n. 449/2008 ou pela Lei n. 11.941/2009
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2005 a 31/10/2005 APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009. Quando os fatos geradores foram declarados em GFIP, em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, observando que o limite máximo 20% (vinte por cento) a ser aplicado a título de multas moratórias, conforme o art. 61, §2º, da Lei n. 9.430/1996, é inferior à multa moratória aplicada aos valores do créditos tributários lançados na NFLD, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Lei n. 11.941/2009, o lançamento do crédito tributário deve se adequar a multa moratória à aplicação da menor sanção, reduzindo-se a multa moratória, ex oficio, desde que mais favorável ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2554; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 189 1 188 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13884.000696/200701 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803002.165 – 3ª Turma Especial Sessão de 12 de março de 2013 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente PLANDE Planejamento e Desenvolvimento de Produtos Ltda Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/10/2005 APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009. Quando os fatos geradores foram declarados em GFIP, em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, observando que o limite máximo 20% (vinte por cento) a ser aplicado a título de multas moratórias, conforme o art. 61, §2º, da Lei n. 9.430/1996, é inferior à multa moratória aplicada aos valores do créditos tributários lançados na NFLD, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Lei n. 11.941/2009, o lançamento do crédito tributário deve se adequar a multa moratória à aplicação da menor sanção, reduzindose a multa moratória, ex oficio, desde que mais favorável ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de que a multa sobre os créditos constituídos seja aplicada em conformidade com o disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao sujeito passivo, não devendo ser realizada qualquer comparação conjunta com as sanções dos arts. 32A e art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela MP n. 449/2008 ou pela Lei n. 11.941/2009 (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 06 96 /2 00 7- 01 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13884.000696/200701 Acórdão n.º 2803002.165 S2TE03 Fl. 190 2 Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13884.000696/200701 Acórdão n.º 2803002.165 S2TE03 Fl. 191 3 Relatório O presente Recurso Voluntário foi interposto contra decisão da DRJ que manteve o crédito tributário da incidência de contribuições previdenciárias e a terceiras entidades devidas pela empresa, declaradas em GFIP mas não pagas, no período de 01/03/2005 a 31/10/2005. A ciência do auto de infração inaugural foi em 29.09.2007 (fls. 01). Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: ilegalidade/inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias patronais e a titulo de salário educação, SAT, INCRA, SESC, SEBRAE, aplicação de juros com base na taxa SELIC, bem como insconstitucionalidade da multa aplicada por se tratar de confisco. Os autos vieram à apreciação desta Turma Especial. Esse é o relatório. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13884.000696/200701 Acórdão n.º 2803002.165 S2TE03 Fl. 192 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Relator I O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II Quanto às alegações de inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias patronais e a titulo de salário educação, SAT, INCRA, SESC, SEBRAE, aplicação de juros com base na taxa SELIC, bem como insconstitucionalidade da multa aplicada por se tratar de confisco, sem demonstra qualquer elemento probatório de não incidência ou erro da fiscalização na autação na aplicação legal cujos os fundamentos estão expressos no Relatório Fiscal e no Relatório de Fundamentos Legais, não tem força de afastar a autuação. Primeiro, indiferentemente da opinião pessoal do Relator ou dos demais conselheiros, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob o argumento de inconstitucionalidade/ilegalidade do tributo que está previsto em lei, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF. O que não ocorre no presente processo. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13884.000696/200701 Acórdão n.º 2803002.165 S2TE03 Fl. 193 5 {2} § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. {2}o que no caso em nada foi apresentado ou se configura nos autos Segundo, considerando a impossibilidade de afastar o mandamento normativo previsto em lei a título de inconstitucionaliade, o lançamento demonstrou claramente ocorrência da hipótese de incidência, bem como o inadimplemento, motivando e fundamentando a constituição do crédito tributário (art. 142, do CTN, arts. 33 e 37 da Lei n. 8.212/1991). Assim, pelo que foi trazido aos autos, pela recorrente não há causa de cancelamento da autuação. III Entretanto, em razão do princípio da legalidade e moralidade da Administração Pública, observase que os créditos tributários foram apurados por meio de inclusão nos registros cabíveis (pois os fatos geradores estavam declarados em GFIP), tanto que essas informações foram utilizadas para obter as diferenças e glosas, devese atentar às alterações legislativas recentes no que trata a sanções tributárias (multa moratória) dispostas no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, que foi alterado pela Medida Provisória n. 449/2008, publicada em 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, passando a ter a seguinte redação: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ou seja, há remissão expressa ao art.61, da Lei n. 9.430/2009, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do Fl. 385DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13884.000696/200701 Acórdão n.º 2803002.165 S2TE03 Fl. 194 6 prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Devido ao disposto no art. 112, IV, do CTN, a legislação tributária que define as infrações e comina suas penalidades deve ser interpretada de forma mais favorável ao contribuinte em casos de dúvidas quanto à natureza das infrações e suas penalidades. Interpretação que deve ser conjugada com a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, a e c, do CTN, de forma a reduzir ou extinguir penalidades sempre quando lei posterior estabeleça pena menos grave ou não entenda mais como infração tal conduta. Portanto, também deve ser colocado como premissa, que além de retroagir a aplicação de dispositivo legal mais favorável essa retroação também deve sempre buscar uma aplicação mais favorável ao contribuinte. Não se pode tratar a hipótese de incidência da multa moratória disposta no art. 35 como uma possível multa de ofício para comparar com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, incluso pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida em Lei n. 11.941/2009, nem de forma conjunta com o art. 32A, porque a multa aplicada pela redação anterior do art. 35, somente tratava de multa de natureza moratória, variada em razão das fases (tempo) do processo. Portanto, observando que o limite do art. 61, §2º, da Lei n. 9.430/1998, é inferior à multa moratória aplicada aos valores do créditos tributários lançados na NFLD que Fl. 386DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13884.000696/200701 Acórdão n.º 2803002.165 S2TE03 Fl. 195 7 foram declarados em GFIP, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Lei n. 11.941/2009, deve a decisão a quo ser reformada no sentido de adequar a multa moratória à nova legislação, desde que mais favorável ao sujeito passivo. IV Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido que a multa sobre os créditos constituídos seja aplicada em conformidade com o disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao sujeito passivo, não devendo ser realizada qualquer comparação conjunta com as sanções dos arts. 32A e art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela MP n. 449/2008 ou pela Lei n. 11.941/2009. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 387DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 11070.000137/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, RS (DRJ/POA), que manteve integralmente a exigência fiscal (fls. 445 a 455) em desfavor de TRÊS TENTOS AGROINDUSTRIAL LTDA, ora Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão citado, in verbis: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 70 .0 00 13 7/ 20 09 -0 1 Fl. 532DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11070.000137/200901 Resolução nº 3202000.282 S3C2T2 Fl. 533 2 “Contra a empresa antes qualificada foram lavrados dois Autos de Infração, a saber: a) o primeiro formalizou a exigência de PIS nãocumulativo, com intimação para recolhimento do valor de R$ 486.156,15, referente a fatos geradores entre 28/02/2004 e 31/12/2004. Esse valor (principal) foi acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora regulamentares. Constou base legal. Houve ciência em 09/02/2009; b) o segundo formalizou a exigência de COFINS nãocumulativa, com intimação para recolhimento do valor de R$ 2.222.519,27, referente a fatos geradores entre 28/02/2004 e 31/12/2004. Esse valor (principal) foi acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora regulamentares. Constou fundamentação legal. Houve ciência em 09/02/2009. Foram produzidos Relatórios Fiscais. Relativamente ao PIS nãocumulativo, registrou o autuante (excertos): ‘1. A empresa é optante pelo lucro real, motivo pela qual recolhe o PIS pelo sistema nãocumulativo, regido pela lei 10.637/02 e alterações posteriores. Conforme contrato social e alterações, a sociedade tem por objetos sociais o "depósito de mercadorias próprias, produção e beneficiamento de sementes de soja, trigo, de cereais e de oleaginosas, básicas, certificadas (C1 e C2) e fiscalizadas (S1 e S2); comercialização de máquinas, implementos agrícolas, peças e acessórios; representação comercial; exploração agropecuária; importação e exportação de cereais". Fevereiro a julho/04 3.3. Utilização de crédito presumido além do previsto legalmente Nas planilhas apresentadas pela empresa como resposta ao Termo 003 (fls. 39 a 45) verificamos a utilização de crédito presumido relativamente à totalidade das compras de pessoas físicas. O §11 do art. 3o da lei 10.833/03 autorizou o cálculo de crédito presumido relativamente aos produtos comprados de pessoas físicas que posteriormente foram vendidos às empresas citadas no § 5 do mesmo artigo. Devido a isto, elaboramos o Termo de Intimação 004, onde calculamos o preço de compra dos produtos revendidos no mercado interno e intimamos a empresa fiscalizada a se pronunciar sobre os mesmos. A mesma concordou com os cálculos desta fiscalização, conforme resposta ao termo (fl. 240). O quadro abaixo detalha o cálculo de créditos disponíveis nos meses de fevereiro a julho de 2004: Agosto a dezembro/04 3.4. Utilização indevida de crédito presumido O art. 16 da lei 10.925/04 veio revogar o §11 do art. 3o da lei 10.833/03 a partir de agosto de 2004. Portanto, a partir deste mês, a fiscalizada não tem mais direito a calcular crédito presumido sobre as aquisições efetuadas de pessoas físicas. Devido a isto, recalcularemos o direito a crédito no período de agosto a dezembro de 2004, não considerando as aquisições de pessoas físicas. O quadro abaixo detalha o cálculo dos créditos de PIS efetuados por esta fiscalização. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11070.000137/200901 Resolução nº 3202000.282 S3C2T2 Fl. 534 3 Agosto a dezembro/04 4.Verificamos que, a partir de agosto de 2004 a empresa considerou suspensas as vendas de soja, trigo e milho para o mercado interno, conforme afirmado na resposta ao Termo 004 (fl. 240). Suspensão 5. O dispositivo que determinou a suspensão das contribuições sobre as vendas de soja, trigo e milho é o art. 9o da lei 10.925/04. O § 2° deste artigo, com redação dada pela lei 11.051/04, (...) 7. Ou seja, a suspensão da contribuição passou a vigorar a partir de 4 de abril de 2006. No período ora fiscalizado não vigorava a suspensão, de acordo com a IN SRF 660/06. Calcularemos os débitos não considerando a suspensão. Para isso, consideraremos os mesmos valores declarados em Dacon, retirando os valores declarados no item 12 da ficha 05: 12.() Receitas Isentas, não Alcançadas pela incidência da Contribuição, com Suspensão ou Sujeitas à Alíquota Zero. A tabela abaixo apresenta os cálculos (...) No Relatório Fiscal referente à COFINS nãocumulativa assentou: 1. A empresa é optante pelo lucro real, motivo pela qual recolhe a Cofins, a partir de fevereiro de 2004, pelo sistema nãocumulativo, regido pela lei 10.833/03 e alterações posteriores. Conforme contrato social e alterações, a sociedade tem por objetos sociais o "depósito de mercadorias próprias, produção e beneficiamento de sementes de soja, trigo, de cereais e de oleaginosas, básicas, certificadas (C1 e C2) e fiscalizadas (S1 e S2); comercialização de máquinas, implementos agrícolas, peças e acessórios; representação comercial; exploração agropecuária; importação e exportação de cereais". Fevereiro a julho/04 3.2. Utilização de crédito presumido além do previsto legalmente Nas planilhas apresentadas pela empresa como resposta ao Termo 003 (fls. 39 a 45) verificamos a utilização de crédito presumido relativamente à totalidade das compras de pessoas físicas. O § 11 do art. 3o da lei 10.833/03 autorizou o cálculo de crédito presumido relativamente aos produtos comprados de pessoas físicas que posteriormente foram vendidos às empresas citadas no § 5 do mesmo artigo. Devido a isto, elaboramos o Termo de Intimação 004, onde calculamos o preço de compra dos produtos revendidos no mercado interno e intimamos a empresa fiscalizada a se pronunciar sobre os mesmos. A mesma concordou com os cálculos desta fiscalização, conforme resposta ao termo (fl. 240). O quadro abaixo detalha o cálculo de créditos disponíveis nos meses de fevereiro a julho de 2004 (...) Agosto a dezembro/04 3.3. Utilização indevida de crédito presumido O art. 16 da lei 10.925/04 veio revogar o § 11 do art. 3o da lei 10.833/03 a partir de agosto de 2004. Portanto, a partir deste mês, a fiscalizada não tem mais direito a calcular crédito presumido sobre as aquisições efetuadas de pessoas físicas. Devido a isto, recalcularemos o direito a crédito no período de agosto a dezembro de 2004, não considerando as aquisições de pessoas Fl. 534DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11070.000137/200901 Resolução nº 3202000.282 S3C2T2 Fl. 535 4 físicas. O quadro abaixo detalha o cálculo dos créditos de PIS efetuados por esta fiscalização. Agosto a dezembro/04 Verificamos que, a partir de agosto de 2004 a empresa considerou suspensas as vendas de soja, trigo e milho para o mercado interno, conforme afirmado na resposta ao Termo 005. Suspensão 5. O dispositivo que determinou a suspensão das contribuições sobre as vendas de soja, trigo e milho é o art. 9o da lei 10.925/04. O § 2° deste artigo, com redação dada pela lei 11.051/04, regra o seguinte (...) 7. Ou seja, a suspensão da contribuição passou a vigorar a partir de 4 de abril de 2006. No período ora fiscalizado não vigorava a suspensão, de acordo com a IN SRF 660/06. Calcularemos os débitos não considerando a suspensão. Para isso, consideraremos os mesmos valores declarados em Dacon, retirando os valores declarados no item 12 da ficha 05: 12.() Receitas Isentas, não Alcançadas pela incidência da Contribuição, com Suspensão ou Sujeitas à Alíquota Zero. A tabela abaixo apresenta os cálculos (...)’ Em 10/03/2009 a contribuinte apresentou longo arrazoado impugnatório onde inicialmente relatou os fatos e, a seguir, argumentou, em preliminar, que: • há vício de forma nos Relatórios Fiscais integrantes dos Autos de Infração. Constatase a presença de erros de forma, que, por certo, tornaram imprecisos os autos de infração lavrados. Há troca da indicação da contribuição (PIS por COFINS e viceversa). A não observância de formalidades básicas, como no caso, ofende o princípio da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, CF), eis que a empresa, ao tomar ciência do auto de infração, precisa saber com exatidão todos os elementos para que possa produzir sua defesa; • analisado o art. 173 do CTN, verificase que, relativamente ao item 3.2 do Relatório Fiscal do PIS (Janeiro/2004 – Utilização de crédito presumido não previsto legalmente), ocorreu a decadência do direito da Fazenda exigir o crédito tributário, visto que a empresa somente foi intimada do auto de infração em fevereiro de 2009, já transcorrido, portanto, o qüinqüênio decadencial; • há necessidade de acolherse as preliminares deduzidas, para o efeito de serem anulados os autos de infração lavrados contra a empresa. No mérito assentou: • no tocante à utilização do crédito presumido nas aquisições de pessoas físicas entre fevereiro e junho de 2004, a Fiscalização por certo não considerou as compras totais realizadas junto a pessoas físicas. A empresa adquiriu os produtos no período em que tinha direito ao crédito presumido (fevereiro a julho de 2004) conforme atestam informações constantes dos DACONs; Fl. 535DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11070.000137/200901 Resolução nº 3202000.282 S3C2T2 Fl. 536 5 • os cálculos realizados e que ensejaram os autos de infração foram efetuados apenas com base na proporcionalidade das vendas, o que é contestável, pois deixa de comportar certeza. Além disso, a legislação da nãocumulatividade jamais criou a obrigação da proporcionalidade na utilização dos créditos. Não há porque a Fiscalização criar restrições quanto à utilização dos créditos, havendo, no caso, lesão ao princípio da legalidade (art. 150 da CF); • a fiscalização considerou somente a proporção das vendas no mercado interno, desconsiderando as vendas ao mercado externo. Conforme os demonstrativos de venda da empresa, as vendas para o mercado externo foram significativas no ano de 2004. Esse argumento vem demonstrar a imprecisão dos autos de infração, sendo cediço que uma das características do incentivo à exportação é a respectiva manutenção dos créditos; • visando esclarecer a interpretação da legislação do PIS/COFINS no que concerne à tomada de créditos, o art. 16 na MP n° 206, de 2004 (posteriormente convertida na Lei n° 11.033, de 2004 art. 17), determinou que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações; • a Fiscalização desconsiderou elementos significativos na utilização do crédito presumido, o que enseja a inconsistência dos autos de infração lavrados; • no tocante à utilização do crédito presumido entre agosto e dezembro de 2004, a Fiscalização efetuou o lançamento consubstanciado na utilização indevida do crédito presumido sobre aquisições de pessoas físicas (art. 16 da Lei 10.925, de 2004). Conforme DACONs deste período, esses créditos não foram utilizados, não ocasionando nenhuma necessidade de retificação das respectivas bases de cálculo. Conforme DACONs, no período em destaque não estão informados nenhum crédito relativo à compra de pessoas físicas. Portanto, resta incontroverso o acerto da empresa, não havendo necessidade de retificação da base de cálculo, em oposição ao que aponta o Relatório Fiscal; • no tocante à aplicação do regime de suspensão, relativo às vendas a partir de agosto de 2004, a empresa também não concorda com os termos dos autos de infração. O art. 3º (sic) da Lei nº 10.925, de 2004, prevê a suspensão da incidência do PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da venda de cereais, quando efetuada por pessoas jurídicas que exerçam, cumulativamente, as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar cereais in natura, como trigo, centeio, cevada, aveia, milho arroz e outros, exatamente o caso da empresa; • a leitura do art. 9º, § 2º, da Lei nº 10.925, de 2004, permite dizer que o regime suspensão, no caso de venda, passou a viger a partir da publicação da Lei, ou seja, a partir de agosto de 2004. Ocorre que, ao publicar a IN SRF nº 636 a autoridade fazendária inovou ao impor que o regime da Fl. 536DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11070.000137/200901 Resolução nº 3202000.282 S3C2T2 Fl. 537 6 suspensão seria aplicável somente a partir de abril de 2006, impondo, ainda, restrições ao benefício. Tudo sem qualquer previsão legal; • resta evidente que os autos de infração ao considerarem inaplicável o regime da suspensão entre agosto e dezembro de 2004, ofendem o princípio da legalidade (art. 150, I, CF), por força da existência de restrição a benefício fiscal em norma infralegal (IN SRF nº 660, de 2006), sem previsão na lei que rege o tema; • fica evidente que o entendimento exarado no relatório fiscal do PIS e da COFINS, integrantes dos autos de infração, é equivocado, afrontando o principio da legalidade em matéria tributária. Merecem, por isso, ser anulados os lançamentos que remontam aos meses de agosto a dezembro de 2004, relativos ao regime da suspensão; • relativamente à aplicação da multa no percentual de 75%, é de se considerar que, demonstrado o equívoco nos lançamentos constantes dos autos de infração, a penalidade pecuniária também deve ser afastada. É o que a empresa requer; • face ao que expôs, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a empresa que sejam apreciadas as preliminares e, no mérito, seja acolhida a presente impugnação, para o efeito de serem cancelados os débitos fiscais reclamados. A repartição preparadora atestou a tempestividade da peça impugnatória.” Em sua decisão, a 2ª Turma da DRJ/POA houve por bem manter integralmente o auto de infração através do acórdão n° 1035.662, de 24 de novembro de 2011, cuja ementa foi assim formulada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 REGIME NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS. CEREALISTAS. PERÍODO ENTRE FEVEREIRO E JULHO DE 2004. Para períodos de apuração a partir de fevereiro de 2004 (até julho de 2004), as empresas cerealistas podiam calcular créditos sobre aquisições de produtos in natura de origem vegetal, realizadas diretamente de pessoas físicas no país, desde que aqueles produtos fossem, posteriormente, vendidos a agroindústrias. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO ART. 8º DA LEI 10.925 DE 2004. CEREALISTA. VEDAÇÃO. Para fins de apuração do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de Fl. 537DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11070.000137/200901 Resolução nº 3202000.282 S3C2T2 Fl. 538 7 origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM, é considerada pessoa jurídica cerealista, sendolhe vedado apurar o mencionado crédito presumido. REGIME NÃOCUMULATIVO. VENDAS COM SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. VIGÊNCIA. Somente a partir de 04/04/2006, com a edição da IN SRF nº 660, de 2006, é que entraram em vigor as regras para a suspensão da exigibilidade do PIS nãocumulativo em relação às vendas efetuadas, nos moldes previsto no art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS. CEREALISTAS. PERÍODO ENTRE FEVEREIRO E JULHO DE 2004. Para períodos de apuração a partir de fevereiro de 2004 (até julho de 2004), as empresas cerealistas podiam calcular créditos sobre aquisições de produtos in natura de origem vegetal, realizadas diretamente de pessoas físicas no país, desde que aqueles produtos fossem, posteriormente, vendidos a agroindústrias. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO ART. 8º DA LEI 10.925 DE 2004. CEREALISTA. VEDAÇÃO. Para fins de apuração do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM, é considerada pessoa jurídica cerealista, sendolhe vedado apurar o mencionado crédito presumido. REGIME NÃOCUMULATIVO. VENDAS COM SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. VIGÊNCIA. Somente a partir de 04/04/2006, com a edição da IN SRF nº 660, de 2006, é que entraram em vigor as regras para a suspensão da exigibilidade da COFINS nãocumulativa em relação às vendas efetuadas, nos moldes previsto no art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. PERCENTUAL. Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de declaração e nos de declaração inexata. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11070.000137/200901 Resolução nº 3202000.282 S3C2T2 Fl. 539 8 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou o presente recurso voluntário, objetivando sua reforma, alegando, em breve síntese, que: o acórdão da DRJ violou os princípios da ampla defesa, contraditório, e duplo grau de jurisdição, na medida em que reconheceu a existência de vício formal no auto de infração, porém, afastou a ocorrência de cerceamento de defesa em desfavor da Recorrente, devendo ser reconhecida a nulidade da decisão e do auto de infração, os quais não observaram formalidades básicas (chamouse de PIS o que era COFINS, e viceversa); ocorreu a decadência do direito de a Fazenda lançar o crédito correspondente ao PIS de janeiro de 2004, pois a primeira notificação que precedeu o auto de infração foi entregue à Recorrente apenas em fevereiro de 2009; a Fiscalização não considerou as compras totais realizadas junto às pessoas físicas no cálculo do crédito presumido referente ao período compreendido entre fevereiro e junho de 2004. O cálculo que ensejou o auto de infração foi efetuado apenas com base na proporcionalidade das vendas no mercado interno; quanto à fruição do crédito presumido no período compreendido entre agosto e dezembro de 2004, embora a Fiscalização tenha efetuado o lançamento alegando uso indevido do mencionado crédito, o mesmo não foi utilizado neste período, tendo em vista o disposto no artigo 16 da Lei n° 10.925/04, não havendo retificação da base de cálculo a ser feita; faz jus ao regime de suspensão previsto no artigo 9º, da Lei 10.925/04, uma vez que esta passou a viger a partir de agosto de 2004, e não a partir abril de 2006, como defendido pelo Fisco, devendo ser anulados os lançamentos relativos aos meses de agosto a dezembro de 2004; por serem equivocados os lançamentos constantes do auto de infração, é indevida a aplicação da multa de 75%, penalidade que deverá ser afastada. Esta 2ª Turma converteu o julgamento em diligência, através da Resolução 3202000.083 para que a DRF intime a Recorrente a comprovar através de documentos que as pessoas jurídicas que importaram os produtos da Recorrente sujeitos a glosa cumprem as disposições contidas no parágrafo anterior, ou seja, produzem mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nas referidas posições Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM, destinadas à alimentação humana ou animal. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Fl. 539DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11070.000137/200901 Resolução nº 3202000.282 S3C2T2 Fl. 540 9 Verifico que a diligência não foi cumprida pela unidade de origem. Analisando a Informação Fiscal de fls. 520 e seguintes, é possível notar a Unidade de Origem simplesmente apresentou seu juízo de valor acerca do tema discutido no PAF e não cumpriu o que foi determinado por este Conselho, ou seja, intimar o contribuinte para a apresentação de documentos. Transcrevo abaixo o voto: O artigo 3°, §§ 5° e 11 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 tinha a seguinte redação: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 5º Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (...) § 11. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que adquiram diretamente de pessoas físicas residentes no País produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e 12.01, todos da NCM, que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, poderão deduzir da COFINS devida, relativamente às vendas realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o § 5º, em cada período de apuração, crédito presumido calculado à alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela prevista no art. 2º sobre o valor de aquisição dos referidos produtos in natura. Como visto, o §11, do art. 3°, da Lei 10.833/03 autorizou o cálculo de crédito presumido relativamente aos produtos in natura de origem vegetal adquiridos de pessoas físicas residentes no País, que posteriormente fossem vendidos às empresas citadas no §5 do mesmo artigo, quais sejam, aquelas que produzam mercadoria de origem animal ou vegetal classificadas em certas posições da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), destinadas à alimentação humana ou animal. Com fundamento nesta regra, a Recorrente apurou e descontou créditos presumidos de PIS e COFINS sobre a totalidade de suas aquisições de pessoas físicas residentes no país. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11070.000137/200901 Resolução nº 3202000.282 S3C2T2 Fl. 541 10 A fiscalização, por seu turno, restringiu a tomada de crédito presumido, admitindo a manutenção do crédito somente na proporção das saídas no mercado interno destinadas a agoindústrias, restringindo, portanto, as saídas com destino ao mercado externo. Para apurar a proporção de saídas ao mercado interno e externo, a fiscalização dividiu as saídas no mercado interno pela receita bruta total, encontrando, assim, a proporção de saída no mercado interno, denominador que foi aplicado sobre o total de aquisições de pessoas físicas, glosandose a diferença. Verificando o §5, do art. 3°, da Lei 10.833/03, notase que os sujeitos presentes naquele dispositivo são “as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal”, não havendo distinção se estes sujeitos estão localizados no país ou no exterior. Dessa forma, entendo que para o deslinde do presente caso, é de suma importância diligência para comprovar se as exportações realizadas pela Recorrente e glosadas pela fiscalização foram realizadas para “pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal.” Diante disso, converto o julgamento em diligência para que a DRF intime a Recorrente a comprovar através de documentos que as pessoas jurídicas que importaram os produtos da Recorrente sujeitos a glosa cumprem as disposições contidas no parágrafo anterior, ou seja, produzem mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nas referidas posições Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM, destinadas à alimentação humana ou animal. Ora, este relator e o Conselho sequer analisaram a questão e a Unidade de Origem já emitiu sua opinião acerca das operações do contribuinte. Diante disso, converto novamente o julgamento em diligência para que a DRF intime a Recorrente a comprovar através de documentos que as pessoas jurídicas que importaram os produtos da Recorrente sujeitos a glosa cumprem as disposições contidas na Resolução 3202000.083, ou seja, produzem mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nas referidas posições Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM, destinadas à alimentação humana ou animal. Após a realização da(s) diligência(s), é mister que a fiscalização se manifeste acerca do tema. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11070.000137/200901 Resolução nº 3202000.282 S3C2T2 Fl. 542 11 É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 542DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10805.000442/2004-86
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Sat Dec 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No presente caso, não houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, carnê-leão, imposto complementar, imposto pago no exterior ou recolhimento de saldo do imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Como o fato gerador do imposto de renda se completa no último instante do dia 31 de dezembro de um ano-calendário, o lançamento de ofício somente pode ocorrer no instante seguinte, ou seja, no início do primeiro dia do ano-calendário seguinte, e o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do segundo ano-calendário a partir da ocorrência do fato gerador.
No caso, como o lançamento se refere ao ano-calendário de 1998, diante da ausência de antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2000 e terminou em 31/12/2004. Como a ciência do lançamento se deu em 18/03/2004, o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM: 16/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, não houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, carnêleão, imposto complementar, imposto pago no exterior ou recolhimento de saldo do imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como o fato gerador do imposto de renda se completa no último instante do dia 31 de dezembro de um anocalendário, o lançamento de ofício somente pode ocorrer no instante seguinte, ou seja, no início do primeiro dia do ano calendário seguinte, e o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do segundo anocalendário a partir da ocorrência do fato gerador. No caso, como o lançamento se refere ao anocalendário de 1998, diante da ausência de antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2000 e terminou em 31/12/2004. Como a ciência do lançamento se deu em 18/03/2004, o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 04 42 /2 00 4- 86 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10805.000442/200486 Acórdão n.º 9202003.489 CSRFT2 Fl. 179 2 Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM: 16/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 220200.470, da 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 115 a 116), julgado na sessão plenária de 10 de março de 2010, acolheu a argüição de decadência para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Arguição de decadência acolhida. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10805.000442/200486 Acórdão n.º 9202003.489 CSRFT2 Fl. 180 3 Contra essa decisão, a Fazenda Nacional manejou, inicialmente, embargos declaratórios de fls. 120 a 122, alegando omissão quanto à apreciação da existência ou não de pagamento devido para fins de contagem do prazo decadencial, os quais restaram rejeitados, na forma de informação e despacho de fls. 124 a 126. Interpôs então a mesma Fazenda Nacional recurso especial de divergência (fls. 129 a 135), com fulcro no art. 67 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, admitido pelo despacho de fls. 140 a 144 do Presidente da 2a Câmara da 2a Seção. Para a matéria em discussão, o recorrente apresentou paradigma (Acórdão 910100.460), alegando que o início do prazo decadencial seria o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, inclusive na hipótese de lançamento por homologação: "DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733 SC, submetido ao regime do art. 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." Aduz o recorrente que, no caso em tela, verificada a ausência de pagamento, deveria, a exemplo do ocorreu no paradigma, ter sido aplicada a norma contida no art. 173, I, do CTN, não havendo que se cogitar de decadência do direito de lançar o IRPF. Devidamente cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou contrarrazões onde propugna pela decadência, com fulcro na súmula CARF nº 38 e art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Sabese que a discussão da decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10805.000442/200486 Acórdão n.º 9202003.489 CSRFT2 Fl. 181 4 É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao Fl. 181DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10805.000442/200486 Acórdão n.º 9202003.489 CSRFT2 Fl. 182 5 lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Recentemente, a Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF RICARF, com a seguinte redação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10805.000442/200486 Acórdão n.º 9202003.489 CSRFT2 Fl. 183 6 Tem sido esse o entendimento da 2a Turma da CSRF, como demonstram os acórdãos a seguir transcritos: DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF. (Acórdão nº 920201.61, sessão de 10/05/2011, Relatora Susy Gomes Hoffmann) TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). (Acórdão nº 920201.376, sessão de 11/04/2011, Relator Gustavo Lian Haddad) Neste processo, verifico que não existiu antecipação de pagamento, pois, como demonstram as informações da declaração de ajuste anual relativa ao anocalendário de 1998, exercício de 1999, com imposto a pagar igual a zero fls. 43/44, não existiram imposto de renda retido na fonte, carnêleão, imposto complementar, imposto pago no exterior ou Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10805.000442/200486 Acórdão n.º 9202003.489 CSRFT2 Fl. 184 7 recolhimento do saldo de imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Neste momento, há que se fazer um esclarecimento quanto ao alcance do decidido no Recurso Especial nº 973.733 – SC. Isto porque esse julgado deixou claro que “‘o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”, o que, se aplicado literalmente ao IRPF, levaria à conclusão de se tratar do dia 1o de janeiro do ano subsequente ao do lançamento, o que, na prática, adiaria o início de contagem do prazo decadencial em apenas um dia. Entretanto, há que se observar que o REsp n° 973.733 – SC trata de Contribuições Previdenciárias, tributo cujo fato gerador é instantâneo (consubstanciado no pagamento de salários a empregados – salientese que há referência no relatório do REsp a servidores sobre cujas remunerações estão sendo exigidas as contribuições previdenciárias). Assim, nessa situação, aplicandose a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, cabe a conclusão de que o termo inicial seria o primeiro dia do exercício subsequente ao da ocorrência do fato gerador, conclusão essa que é constante do parágrafo 3 da ementa do REsp, acima transcrita. Desta forma, para um tributo cujo fato gerador é instantâneo, o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível pode corresponder ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ocorre que o que se impõe aqui é a aplicação dos fundamentos do REsp em questão ao lançamento de Imposto de Renda, cujo fato gerador não é instantâneo. Sendo o Imposto de Renda um tributo com fato gerador complexivo e com período de apuração equivalente ao anocalendário, temse que a aplicação das premissas claramente adotadas pelo STJ ao caso em específico levam à conclusão congruente porém levemente diversa da constante do parágrafo 3 antes reproduzido. Com efeito, para que no caso se cumpra o mandamento do art. 173, I, do CTN, deve ser levado em consideração que: (1) o fato gerador do imposto de renda se completa no último instante do dia 31 de dezembro de um anocalendário (e.g. 31/12/1998); (2) o lançamento de ofício somente pode ocorrer no instante seguinte, ou seja, no início do primeiro dia do anocalendário seguinte (e.g. 01/01/1999); (3) o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do ano calendário subseqüente (e.g. 01/01/2000); e (4) o prazo decadencial termina ao final de 5 (cinco) anos (e.g. 31/12/2004). Esclareçase que a aplicação literal da conclusão constante do parágrafo 3 da ementa do REsp (que se refere a tributo com fato gerador instantâneo) ao caso (que trata de tributo com fato gerador complexivo) equivale a não aplicar os fundamentos da decisão do STJ sob o pretexto de vinculação à própria decisão. Vale registrar que o próprio STJ, dando aplicabilidade ao recurso repetitivo, tem entendido dessa forma, conforme decisão abaixo referida: Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10805.000442/200486 Acórdão n.º 9202003.489 CSRFT2 Fl. 185 8 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. (Edcl no Edcl no AgRg no Resp 674.497/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/02/2010, Dje 26/02/2010) Desta forma, como o lançamento se refere ao anocalendário de 1998, diante da ausência de antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2000 e terminou em 31/12/2004. Como a ciência do lançamento se deu em 18/03/2004 (fl. 65), o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional para afastar a decadência do lançamento, devendo o processo retornar para análise das demais questões do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10805.000442/200486 Acórdão n.º 9202003.489 CSRFT2 Fl. 186 9 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS
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