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Numero do processo: 14485.000114/2008-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/2005
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
DECLARAÇÃO PARCIAL DOS FATOS GERADORES. RELEVAÇÃO DA MULTA NA PROPORÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DECLARADA.
Se o contribuinte, até a decisão de primeira instância, declarava parte dos fatos geradores omitidos na GFIP, merecia a relevação da multa na proporção das contribuições declaradas, desde que cumpridos os demais requisitos normativos.
SUB-ROGAÇÃO NA PESSOA DO ADQUIRENTE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOAS FÍSICAS. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. IMPROCEDÊNCIA
Declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária (RE n.º 363.852/MG), a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n. 8.540/1992 e as atualizações posteriores até a Lei n. 9.528/1997, as quais, dentre outras, deram redação ao art. 30, IV, da Lei n. 8.212/1991, não é exigida do adquirente da produção rural da pessoa física, na condição de sub-rogado, a declaração em GFIP das aquisições realizadas.
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE.
Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-002.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. II) Dar provimento parcial ao recurso voluntário, para: a) por maioria de votos, afastar a multa decorrente da falta de declaração da aquisição de produtos rurais de pessoa física, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não afastava esta parcela da multa; e b) pelo voto de qualidade, para que se aplique a multa mais favorável ao contribuinte, que terá como limite o valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias nas NLFD correlatas, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam o art. 32-A da Lei nº 8.212/91.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. DECLARAÇÃO PARCIAL DOS FATOS GERADORES. RELEVAÇÃO DA MULTA NA PROPORÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DECLARADA. Se o contribuinte, até a decisão de primeira instância, declarava parte dos fatos geradores omitidos na GFIP, merecia a relevação da multa na proporção das contribuições declaradas, desde que cumpridos os demais requisitos normativos. SUBROGAÇÃO NA PESSOA DO ADQUIRENTE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOAS FÍSICAS. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. IMPROCEDÊNCIA Declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária (RE n.º 363.852/MG), a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n. 8.540/1992 e as atualizações posteriores até a Lei n. 9.528/1997, as quais, dentre outras, deram redação ao art. 30, IV, da Lei n. 8.212/1991, não é exigida do adquirente da produção rural da pessoa física, na condição de subrogado, a declaração em GFIP das aquisições realizadas. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, devese aplicar a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 01 14 /2 00 8- 24 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. II) Dar provimento parcial ao recurso voluntário, para: a) por maioria de votos, afastar a multa decorrente da falta de declaração da aquisição de produtos rurais de pessoa física, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não afastava esta parcela da multa; e b) pelo voto de qualidade, para que se aplique a multa mais favorável ao contribuinte, que terá como limite o valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias nas NLFD correlatas, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam o art. 32A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14485.000114/200824 Acórdão n.º 2401002.686 S2C4T1 Fl. 379 3 Relatório Tratase do Auto de Infração n.º 37.017.4984, lavrado contra o contribuinte acima identificado para aplicação de penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória de apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissões de fatos geradores de contribuições previdenciárias. A penalidade assumiu o montante de R$ 2.225.656,51 (dois milhões, duzentos e vinte e cinco mil, seiscentos e cinquenta e seis reais e cinquenta e um centavos). De acordo com o Relatório Fiscal, fl. 04, a empresa deixou de declarar na guia informativa os seguintes fatos geradores: a) pagamento de participação nos resultados a diretores estatutários (contribuição devida lançada na NFLD n.º 37.017.4968); b) pagamento de remuneração indireta a diretor estatutário (contribuição devida lançada na NFLD n.º 37.017.4976); c) aquisição rural de pessoa física (contribuições recolhidas espontaneamente). A empresa apresentou impugnação, fls. 21/26, na qual resumidamente alegou que o julgamento da presente autuação deverá ficar suspenso até que se tenha o resultado do contencioso relativo às NFLD conexas. Na sequência, afirma que não teria como informar na GFIP os supostos pagamentos de salário indireto aos executivos, posto que não saberia a qual segurado atrelar tais remunerações. Sustenta que as descaracterizações levadas a cabo pelo Fisco nas NFLD conexas, em razão da precariedade na fundamentação legal lançada, provocam nulidade nos lançamentos. Arguiu que merece a relevação parcial da penalidade, posto que não incorreu em circunstâncias agravantes, é primária no cometimento de infrações à legislação previdenciária e está procedendo a correção das faltas no que diz respeito à declaração das aquisições de produto rural. Foram acostadas GFIP retificadoras, fls. 32/155. O órgão de julgamento da Delegacia da Receita Previdenciária São Paulo Sul determinou, fls. 167/171, a realização de diligência para que a Autoridade Autuante se manifestasse acerca dos documentos colacionados e também analisasse o AI em conjunto com as NFLD conexas, cujos processos também estariam com diligência fiscal requerida. A Fiscalização achou por bem sugerir a remessa do processo ao CARF, conforme despacho de fl. 186, por entender que o processo sob cuidado estaria vinculado a Fl. 380DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 dois outros processos relativos à apuração da obrigação principal, os quais se encontravam no órgão de segunda instância. Dando seguimento, a Equipe de Orientação da Recuperação de Créditos encaminhou, fl. 189, os autos à Delegacia de Julgamento – DRJ São Paulo I. O sujeito passivo atravessou petição, fls. 190/203, na qual suscita decadência parcial do crédito e requer aplicação da penalidade mais benéfica, tendose em conta a alteração no cálculo da multa promovida pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009. A DRJ determinou, fls. 207/212, a realização da diligência fiscal que deixara de ser cumprida anteriormente. O Fisco juntou Informação Fiscal, fls. 250/251, da qual foi dada ciência à contribuinte, que deixou transcorrer em branco o prazo para manifestação. Com base no resultado da diligência fiscal, foi exarado, então, o Acórdão n.º 1628.354, fls. 297/332, no qual se julgou procedente em parte o lançamento, com reconhecimento parcial da decadência e relevação da penalidade na proporção dos fatos geradores declarados em GFIP antes do julgamento de primeira instância. O órgão a quo manifestouse também acerca da aplicação retroativa da legislação mais benéfica, determinando que essa questão fosse apreciada quando da quitação ou parcelamento do AI ou de sua inscrição em dívida ativa. Dessa decisão recorreuse de ofício. A empresa interpôs recurso voluntário, fls. 337/345, no qual, em apertada síntese, alegou que a multa deve ser fixada pela aplicação da legislação mais benigna, tendose em conta as alterações introduzidas pela MP 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2008, providência que se deve adotar de imediato e não apenas quando do pagamento, parcelamento ou inscrição do crédito em dívida ativa. Ao final pugna pela reforma da decisão de primeira instância. Mediante a Resolução n.º 2401000.180 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, o julgamento do CARF foi convertido em diligência para que a DRF de origem prestasse informação acerca do andamento dos processos 14485.002190/200793 (NFLD n.º 37.017.496 8) e 14485.002189/200769 (NFLD n.º 37.017.4976), os quais se referem à exigência das contribuições relativas aos fatos geradores, cujas omissões na GFIP deram ensejo a presente lavratura. Foi prestada Informação Fiscal, fl. 368, dando conta de que a empresa houvera desistido dos recursos interpostos nos processos relativos às referidas NFLD, para inclusão dos créditos no parcelamento instituído pela Lei n.º 11.941/2009. Cientificada, a empresa manifestouse às fls. 371/373, para afirmar que não tem nada a contestar quanto à ocorrência da infração, haja vista que reconheceu a ocorrência dos fatos geradores quando parcelou as NFLD correlatas, todavia, a multa há de ser recalculada conforme os ditames do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, de forma a garantir a aplicação de penalidade mais benéfica para si. Ressalta que, embora existam créditos vinculados aos fatos geradores não declarados em GFIP, a verificação da multa menos gravosa deve levar em conta apenas o contexto da obrigação acessória, mediante a efetivação do cálculo do AI nos termos do art. 32 A da Lei n.º 8.212/1991. É o relatório. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14485.000114/200824 Acórdão n.º 2401002.686 S2C4T1 Fl. 380 5 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso voluntário merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, posto que o valor exonerado foi de R$ 1.274.222,47 (um milhão, duzentos e setenta e quatro mil, duzentos e vinte e dois reais e quarenta e sete centavos), portanto, acima do valor mínimo fixado pela Portaria MF n.º 03, de 03/01/20081. Recurso de Ofício O recurso de ofício foi motivado pela exoneração do crédito levandose em conta duas razões: a decadência e a relevação parcial da multa. Adianto que meu posicionamento é pela negativa de provimento ao recurso de ofício, conforme passarei a demonstrar a seguir. a) Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 1 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14485.000114/200824 Acórdão n.º 2401002.686 S2C4T1 Fl. 381 7 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na situação sob enfoque, por se tratar de multa por descumprimento de obrigação acessória, típico lançamento de ofício, deve ser aplicada a regra do inciso I do art. 173 do CTN. A ciência do lançamento deuse em 29/09/2006 e o período da autuação vai de 01/1999 a 03/2005, o que conduzme à conclusão de que devam ser excluídas pela caducidade as competências até 11/2000. Considerando que a DRJ adotou critério idêntico, devo negar provimento ao recurso de ofício quanto a esse ponto. b) relevação parcial Nos termos do acórdão recorrido a empresa apresentou a retificação das GFIP somente quanto aos fatos geradores decorrentes de aquisição de produtos rurais de pessoas físicas. Com esteio no que dispunha o revogado § 1.º do art. 291 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, a DRJ resolveu adotar o seguinte entendimento: “A Informação Fiscal de Diligência e a planilha demonstrativa de fl. 246 esclarecem que para as competências 01/2003, 04/2003 a 06/2003, 08/2003 a 11/2003, 01/2004, 03/2004, 04/2004, c 06/2004 a 10/2004, os valores de aquisição de produto rural pessoa física informados nas GFIP's retificadoras estão corretos, e correspondem as contribuições recolhidas (GPS de código 2607). Já para as outras competências foi feita a comparação entre os valores constantes do Anexo 1, fl. 07, com os valores de produto rural pessoa física declarados nas GFIP's retificadoras relacionadas na tabela supra, para verificar se houve ou não a correção da falta, e em que proporção. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Sendo verificada, assim, a correção parcial da falta, mediante a entrega de GFIP's informando parte dos fatos geradores omitidos, temse que a multa deverá ser relevada na proporção do valor das contribuições sociais previdenciárias relativas aos fatos geradores informados, exceto a diferença entre o valor total relativo a contribuição não declarada e o limite máximo estabelecido para a aplicação da multa. Isso se dará conforme demonstrativos a seguir: • Competências 12/2000 a 12/2001, 02/2002, 06/2002 a 12/2002, 02/2003, 07/2003, 12/2003, 02/2004, 12/2004, e 01/2005 a 03/2005 Não houve entrega de GFIP's retificadoras para o estabelecimento 0008 40. Portanto, não houve correção da falta em relação ao fato gerador "aquisição de produto rural pessoa física". Ressaltese que para a competência 05/2004 não houve autuação em relação a este fato gerador.” Hei também de concordar com a relevação da multa na proporção dos fatos geradores declarados, haja vista que na data da correção da infração vigia o § 1.º do art. 291 do RPS, cujos requisitos para concessão da dispensa da multa foram integralmente cumpridos pelo sujeito passivo. Responsabilidade do adquirente de produtos rurais de pessoa física na condição de sub rogado Embora não suscitada pelo sujeito passivo, devo apreciar a questão da inconstitucionalidade da obrigação do adquirente de produção rural de pessoa física de recolher as contribuições sociais na condição de subrogado. O julgamento pelo STF do RE n.º 363.852/MG, reconhecendo a inconstitucionalidade da cobrança do adquirente de produto rural de pessoa física, por sub rogação, das contribuições sociais, alterou o entendimento desse colegiado quanto à matéria. Passamos a entender que a aplicação do entendimento do STF exarado no RE n.º 363.852/MG a casos análogos ao que ora apreciamos é uma exigência do inciso I do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n. 256/2009, assim redigido: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou (...) Pelo fato do RE haver transitado em julgado em 06/05/2011, com a manifestação do Plenário da Corte, deve a referida decisão ser observada nos julgamentos do CARF. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14485.000114/200824 Acórdão n.º 2401002.686 S2C4T1 Fl. 382 9 Assim, na análise da presente devese levar em conta a delimitação do alcance do que ficou decidido pela Corte Máxima no bojo do RE n.º 363.852/MG, no qual discutiuse a constitucionalidade da exigência de contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção rural do empregador pessoa física, prevista no art. 25, I e II, da Lei n.º 8.212/1991, com redação dada pela Lei n.º 8.540/1992, e da sub rogação do adquirente na obrigação de recolher o tributo devido, conforme art. 30, IV, da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.528/1997. Ali a empresa recorrente, adquirente de produtos rurais de produtores pessoas físicas, não concordando com a exação suscitou ofensa do dispositivo atacado aos artigos 195, e §§ 4. e 8. , 154, I e 146, III, todos da Constituição Federal. O Pretório Excelso deu provimento ao RE, conforme abaixo: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitadta por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010. Contra essa decisão a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou embargos de declaração, os quais foram rejeitados pela Corte, nos seguintes termos: A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos estes autos, acórdão os Ministros do Supremo Tribunal Federal em rejeitar os embargos de declaração o recurso extraordinário, nos termos do voto do relator e por unanimidade, em sessão presidida pelo Ministro Cezar Peluzo, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Analisando a ementa do acórdão exarado pelo STF no citado RE, percebese que o mesmo é explícito em declarar a inconstitucionalidade da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização dos produtores rurais pessoas física, e vai além, também afastando a possibilidade de se responsabilizar o adquirente na condição de subrogado. Eis as exatas palavras contidas na parte dispositiva do decisum: “... para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por Fl. 386DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais...” Percebese, então, que a decisão da Corte Maior atingiu não somente as contribuições sociais previstas no art. 25, I e II, da Lei n.º 8.212/1991, mas também a forma de arrecadação, afastando a responsabilidade da empresa adquirente na condição de subrogada, esta estampada no inciso IV do art. 30 da mesma Lei. O Pretório Excelso, todavia, reconheceu que nova legislação, compatível com a Emenda Constitucional n.º 20/1998, poderia vir a ser editada, eliminando, assim, a inconstitucionalidade formal declarada no RE n.º 363.852. É que a EC n.º 20/1998 inseriu a possibilidade da União instituir contribuição para a Seguridade Social incidente sobre a receita do empregador, eliminando assim a necessidade de que a contribuição fosse instituída por lei complementar, em obediência ao disposto no § 4.º do art. 195 combinado com o art. 146, I, ambos da Carta Magna. Ocorre que a lei compatível com a referida Emenda Constitucional já houvera sido editada em 09/07/2011. Tratase da Lei n.º 10.256, que deu nova redação ao art. 25 da Lei n.º 8.212/1991, nos seguintes termos: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (...) Respeitada a anterioridade nonagesimal, as contribuições incidentes sobre a receita da comercialização efetuada pelo produtor pessoa natural passaram, então, a ser exigíveis a partir de 09/10/2001. Assim, a decisão do STF não atinge período relativo ao presente lançamento (01/2003 a 10/2006), posto que a norma que dá guarida à exação, art. 25 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 10.256/2001, não sofreu declaração de inconstitucionalidade. O mesmo não se pode falar acerca da subrogação do adquirente dos produtos rurais de pessoa física na obrigação de pagar o tributo, posto que o único dispositivo que autorizava essa técnica de arrecadação era o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.528/1997, o qual foi declarado inconstitucional pelo STF, como se pode ver da parte dispositiva do acórdão exarado no bojo do RE n.º 363.852, conforme se extrai do texto: “...declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97...” Eis os textos do inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social desde a redação original até a que vige atualmente: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: Fl. 387DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14485.000114/200824 Acórdão n.º 2401002.686 S2C4T1 Fl. 383 11 (...) IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (redação original) IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 1992). IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Percebase que quando a decisão faz menção ao dispositivo declarado inconstitucional ela reportase também às atualizações legais trazidas ao ordenamento pela Lei n.º 9.598/1997, posto que essas são anteriores a edição da EC n.º 20/1998. Assim, considerando que o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, nas redações dadas pelas Leis n.º 8.540/1992 e n.º 9.548/1997, foram declarados inconstitucionais, não pode subsistir o crédito tributário arrimado nesses dispositivos. E nem se fale que a decisão do Supremo não atingiu esse dispositivo, posto que na inicial foi requerida a declaração de inconstitucionalidade de todo o art. 1.º da Lei n.º 8.540/1992, o qual alterou dispositivos da Lei n.º 8.212/1991, inclusive trazendo nova regra que previa a subrogação do adquirente de produtos rurais de pessoa física. Tendo sido declarada inconstitucional pelo STF, em decisão plenária, a norma que previa a subrogação do adquirente de produtos oriundos de produtor rural pessoa física na obrigação de recolher as contribuições sociais, deve este Tribunal Administrativo, em obediência ao seu Regimento Interno, declarar a improcedência das autuações motivadas pelo fato da empresa adquirente ter deixado de declarar na GFIP os valores correspondentes à referida transação comercial. Aplicação da multa O relatório revela que a lide em destaque limitase exclusivamente a forma de cálculo da multa, assunto pelo qual agora passo a tratar. De fato, com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações acessórias relacionadas à GFIP. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa de mora nos créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n. 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa incidente sobre o crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de multa por descumprimento da obrigação acessória com a multa aplicada às contribuições devidas, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19962 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Diante das considerações acima expostas, não há como se aplicar na situação em tela o art. 32A da Lei n. 8.212/1991, como requer o sujeito passivo, posto que houve na espécie lançamento das contribuições correlatas. A situação sob enfoque pede a aplicação do art. 35A da mesma Lei, o qual pode ou não ser mais benéfico ao contribuinte, posto que, para os casos em que o teto para aplicação da multa previsto na legislação revogada fica muito abaixo do valor da contribuição não declarada, há a possibilidade do valor da penalidade aplicada com fulcro na sistemática legal anterior situarse num patamar inferior àquela calculada com base na norma atual. 2 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 389DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14485.000114/200824 Acórdão n.º 2401002.686 S2C4T1 Fl. 384 13 Nesse sentido, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN3. Devese, então, verificar, competência a competência, se a multa calculada nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% da contribuição não declarada), deduzidas as multas aplicadas nas NFLD correlatas, resulta em valor mais benéfico ao contribuinte, tendose em conta que, em algumas competências, a penalidade aplicada foi limitada ao teto legal, nos termos do demonstrativo de fls. 06/07. Conclusão Em face do exposto voto: por negar provimento ao recurso de ofício e por dar provimento parcial ao recurso voluntário para: I) afastar a multa decorrente da falta de declaração da aquisição de produtos rurais de pessoa física e II) para que se aplique a multa mais favorável ao contribuinte, que terá como limite o valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias nas NLFD correlatas. Kleber Ferreira de Araújo 3 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11080.729596/2011-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
OPERAÇÕES ESTRUTURADAS. SIMULAÇÃO
Constatada a desconformidade, consciente e pactuada entre as partes que realizaram determinado negócio jurídico, entre o negócio efetivamente praticado e os atos formais de declaração de vontade, resta caracterizada a simulação relativa, devendo-se considerar, para fins de verificação da ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, o negócio jurídico dissimulado.
OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. LEGALIDADE FORMAL. ILEGITIMIDADE MATERIAL.
A realização de operações estruturadas em seqüência, embora individualmente ostentem legalidade do ponto de vista formal, não garante a legitimidade material do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio.
CRIAÇÃO DE EMPRESA FICTÍCIA. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO
Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a criação de pessoa jurídica, sem qualquer finalidade negocial ou societária. Nestes casos, resta caracterizada a utilização da aludida empresa como mera empresa veículo para redução ilegal da incidência tributária.
SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA.
A prática de simulação com o propósito de dissimular, no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto caracteriza a hipótese de qualificação da multa de ofício, nos termos da legislação de regência.
Numero da decisão: 1401-000.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias e Maurício Pereira Faro votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias e Maurício Pereira Faro.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 OPERAÇÕES ESTRUTURADAS. SIMULAÇÃO Constatada a desconformidade, consciente e pactuada entre as partes que realizaram determinado negócio jurídico, entre o negócio efetivamente praticado e os atos formais de declaração de vontade, resta caracterizada a simulação relativa, devendo-se considerar, para fins de verificação da ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, o negócio jurídico dissimulado. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. LEGALIDADE FORMAL. ILEGITIMIDADE MATERIAL. A realização de operações estruturadas em seqüência, embora individualmente ostentem legalidade do ponto de vista formal, não garante a legitimidade material do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. CRIAÇÃO DE EMPRESA FICTÍCIA. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a criação de pessoa jurídica, sem qualquer finalidade negocial ou societária. Nestes casos, resta caracterizada a utilização da aludida empresa como mera empresa veículo para redução ilegal da incidência tributária. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. A prática de simulação com o propósito de dissimular, no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto caracteriza a hipótese de qualificação da multa de ofício, nos termos da legislação de regência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias e Maurício Pereira Faro votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias e Maurício Pereira Faro.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OPERAÇÕES ESTRUTURADAS. SIMULAÇÃO Constatada a desconformidade, consciente e pactuada entre as partes que realizaram determinado negócio jurídico, entre o negócio efetivamente praticado e os atos formais de declaração de vontade, resta caracterizada a simulação relativa, devendose considerar, para fins de verificação da ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, o negócio jurídico dissimulado. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. LEGALIDADE FORMAL. ILEGITIMIDADE MATERIAL. A realização de operações estruturadas em seqüência, embora individualmente ostentem legalidade do ponto de vista formal, não garante a legitimidade material do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. CRIAÇÃO DE EMPRESA FICTÍCIA. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL UTILIZAÇÃO DE “EMPRESA VEÍCULO” Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a criação de pessoa jurídica, sem qualquer finalidade negocial ou societária. Nestes casos, resta caracterizada a utilização da aludida empresa como mera “empresa veículo” para redução ilegal da incidência tributária. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. A prática de simulação com o propósito de dissimular, no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto caracteriza a hipótese de qualificação da multa de ofício, nos termos da legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 95 96 /2 01 1- 68 Fl. 836DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias e Maurício Pereira Faro votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias e Maurício Pereira Faro. Fl. 837DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11080.729596/201168 Acórdão n.º 1401000.868 S1C4T1 Fl. 837 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra o acórdão recorrido, fls. 645651: Tratamse de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 485/499) lavrados em face de Supermercado Guanabara S/A (doravante denominado por Supermercado Guanabara) em razão do não oferecimento à tributação de ganhos de capital. Os valores constituídos encontramse discriminados a seguir: Imp./Contrib. Juros Multa Total IRPJ 1.638.164,09 641.341,24 2.457.246,14 4.736.751,47 CSLL 5 44.767,61 213.276,52 817.151,42 1.575.195,55 Total 2.182.931,70 854.617,76 3.274,397,56 6.311.947,02 Valores em Reais Concluiu a Fiscalização a ocorrência de simulação, nos seguintes termos: em 14/08/2006 o impugnante, dois de seus sócios pessoas físicas e familiares desses, constituíram nova empresa (Luperca Administração e Participações Ltda, doravante tratada por Luperca); o capital, no valor de R$ 2.136.263,00, foi totalmente integralizado mediante versão de bens de seu ativo imobilizado, a valor contábil, ou seja, segundo sua contabilidade, não houve ganho de capital nas operações; o mesmo procedimento foi adotado pelas pessoas físicas sócias de Luperca, que a essa transferiram imóveis pelo valor consignado em suas respectivas declarações de renda; em 07/02/2007 o objeto social da nova empresa foi alterado, incluindose a atividade de compra e venda de imóveis próprios e de terceiros e intermediação na compra e venda de imóveis, alterandose ainda a denominação social para Luperca Negócios Imobiliários e Participações Ltda (fl. 65); segundo a Fiscalização (fl. 477), Todas essas ações descritas até aqui, a constituição da empresa Luperca com a integralização de capital com imóveis rurais (campos e florestas) tanto pelas pessoas físicas, quanto pela jurídica, e a alteração de objeto social Fl. 838DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 para a inclusão de compra e venda de imóveis próprios foram atividades preparatórias para que esses bens fossem vendidos com uma tributação extrema e indevidamente reduzida. Essa inclusão de atividade de venda de bens imóveis próprios no objeto social da Luperca era imprescindível para que os envolvidos no caso (leiase os sócios da Luperca) pudessem atingir seu objetivo que era reduzir drasticamente a tributação havida na operação. Ora, se a Luperca não pudesse classificar a receita da venda desses imóveis como de atividade operacional sujeita a coeficiente de presunção no lucro presumido todo o planejamento realizado até então seria inóquo e até prejudicial, uma vez que a tributação incidente sobre o ganho de capital na venda de ativos imobilizados não se sujeita a coeficientes de presunção uma vez que essa é uma atividade eventual e não operacional e o ganho é imprevisível, logo a tributação na Luperca seria a mesma que no Supermercado se ele vendesse direto seus imóveis e mais onerosa do que a tributação de ganho de capital para as pessoas físicas, se elas vendessem direto seus imóveis à Resinas Brasil. 07 dias após a alteração de objeto social, todos os bens imóveis dados como integralização de capital (campos e florestas) foram objeto de alienação (Escrituras Públicas de Compromisso de Compra e Venda às fls. 73/90); o montante das operações foi de R$ 10.692.074,34; desde a constituição de Luperca, até o final do ano de 2010, a empresa teve como única atividade operacional a venda dos imóveis oriundos da integralização de capital; o valor do recebimento foi contabilizado como “Créditos Pessoas Ligadas”; considerando que Luperca, cujo objeto social engloba a compra e venda imóveis, inclusive próprios, optou pela tributação do IRPJ com base no lucro presumido, o ganho de capital auferido foi tributado utilizandose o percentual de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL, reduzindose drasticamente o valor de tributos recolhidos na operação comparativamente ao que seria recolhido por Supermercado Guanabara e sócios de Luperca caso a venda tivesse sido realizada diretamente por esses, sem a operação intermediária (constituição de Luperca); ao final das operações, os ganhos obtidos nas vendas de imóveis foram distribuídos a Supermercado Guanabara e aos demais sócios, sendo assim demonstrado pela Fiscalização (fl. 479): (+) Valor total recebido pelas áreas vendidas R$10.692.074,34 () Valor de custo dos bens vendidos (valor dos imóveis recebidos na integralização) R$ 2.136.263,00 (=) Lucro Bruto R$ 8.555.811,34 () Despesas constituição empresa R$ 1.520,13 Fl. 839DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11080.729596/201168 Acórdão n.º 1401000.868 S1C4T1 Fl. 838 5 (=) Lucro líquido na operação de vendas das áreas rurais entregues na integralização R$ 7.852.714,61 Lucros distribuídos aos sócios em 2007 R$ 7.815.500,00 Lucros distribuídos aos sócios em 2009 R$ 37.214,61 Total dos lucros distribuídos R$ 7.852.714,61 especificamente em relação a Supermercado Guanabara, o valor distribuído a título de lucro foi de R$ 1.888.935,23, totalmente isento de tributação; conclui, assim, ter havido simulação na operação, já que essa teria tido como único objetivo diminuir a tributação oriunda da venda dos imóveis de Supermercado Guanabara e de seus sócios. Convém descrever as considerações da Fiscalização (fl. 480): Ora todos os fatos até aqui relatados apontam para uma única conclusão: que a empresa Luperca foi criada apenas para encobrir o real fato gerador da obrigação tributária e os verdadeiros vendedores dos imóveis (seus sócios pessoas físicas e o Supermercado Guanabara) com o objetivo único e exclusivo de pagamento a menor de tributos na alienação desses bens e consequente recebimento de valores a título de rendimentos ou receita isentos na forma de lucros distribuídos, conforme demonstrado acima. A constituição e integralização de capital da Luperca pelos sócios com campos e florestas foi formalmente lícita, no entanto, foi desprovida de qualquer substância e propósito negocial, uma vez que o fato realmente ocorrido foi a venda de imóveis dos sócios a uma terceira pessoa (Resinas Brasil). Os bens usados na integralização de capital não serviram para que a empresa recém criada pudesse ser operacional, ou seja um estoque de produtos/mercadorias, uma vez que todo o valor da venda que restou após os tributos foi distribuído aos sócios, descapitalizando totalmente a empresa, inclusive com redução de capital em 2009 após a distribuição final dos lucros (fls.205/206 e 240). Não houve investimento nenhum na empresa com o valor recebido ou qualquer reposição de estoque. A criação de uma empresa cuja integralização de capital foi feita apenas com imóveis que seriam em seguida totalmente vendidos e a classificação dessa venda como atividade operacional fez com que não houvesse ganho de capital na operação de venda dos mesmos, mascarando o real fato gerador. [...] o que de fato aconteceu foi a venda de bens que compunham o ativo permanente do Supermercado Fl. 840DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 6 Guanabara e de bens imóveis registrados nas declarações de renda das pessoas físicas para uma terceira pessoa interessada, Resinas Brasil. Logo, os sócios pessoas físicas e o Supermercado Guanabara são os reais sujeitos passivos da obrigação tributária cujo fato gerador ocorrido é o ganho de capital na alienação de bens. (grifos do original) ao final, Luperca foi descapitalizada, com seu capital reduzido a R$ 100.000,00; foi aplicada a multa de 150% prevista no art. 44, I, c/c §º, da Lei nº 9.430/96 em razão de a Fiscalização entender ter ocorrido “simulação do fato gerador em si [...] e real sujeito passivo da obrigação tributária...” (fl. 482). O contribuinte foi cientificado em 27/10/2011 (fl. 500). Irresignado, Supermercado Guanabara apresentou impugnação em 24/11/2011 (fls. 506/561). Em resumo, assim se manifestou: que a criação de Luperca é parte da segregação de atividades já realizada pelo Grupo Guanabara, e teve como objetivo concentrar as atividades de exploração das atividades primárias (especificamente a atividade de reflorestamento) nessa nova empresa; objetivou também unir as atividades primárias, ligadas ao reflorestamento, realizadas por Supermercado Guanabara e demais pessoas físicas sócias da Luperca; alega que à época da constituição de Luperca, “a atividade de produção de papel e celulose encontravase em plena e promissora ascensão e, juntamente com esta, a de reflorestamento”; cita e anexa diversas matérias jornalísticas sobre o tema; durante negociação de venda das florestas que compunham seus imóveis, surgiu a oportunidade de alienar, além das plantações em si, também as áreas de terra onde essas se encontravam; diante desse cenário, e vislumbrando nova forma de atuação, qual seja, também a venda de ares (sic) de terra com florestas cultivadas, entenderam por bens os sócios de Luperca ampliar seu ramo de atuação, inserindo em seu objeto social a atividade de compra e venda de imóveis; em 15/02/2007, Luperca firmou “com a empresa Resinas Brasil uma escritura pública de compromisso de compra e venda dos imóveis de sua propriedade (compreendendo os campos e as florestas de reflorestamento), o que veio a ser concretizado definitivamente no decorrer do ano de 2007”; após a realização da operação (final do ano de 2007), o mercado do setor de papel e celulose retraiuse consideravelmente, transformandose em uma crise com repercussão mundial, que perdura até os dias de hoje; anexa diversas reportagens sobre o tema; Fl. 841DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11080.729596/201168 Acórdão n.º 1401000.868 S1C4T1 Fl. 839 7 tal crise teria repercutido também na região em que Luperca atuava (sul do Estado do Rio Grande do Sul), incluindo o mercado de imóveis envolvendo terras reflorestáveis, conforme declaração firmada por corretor de imóveis que atua na localidade; esses fatos seriam responsáveis pela ausência de operação da empresa desde então, e Luperca estaria aguardando a melhoria do cenário para retomar suas atividades; quanto à destinação dos recursos da venda, alega que os utilizou em prol do Grupo Guanabara, uma vez que, ao contrário do ramo de reflorestamento, as demais atividades desenvolvidas pelo grupo estavam em franca expansão; essa seria a explicação para a descapitalização da empresa; alega as circunstâncias que teriam o condão de desconstituir o lançamento de ofício: 1. A Fiscalização não se pautou pelo princípio da legalidade, aderindo ao inconstitucional “princípio do palpite fiscal”; 2. Os atos praticados na constituição de Luperca e na venda dos imóveis foram realizados de modo legal e com inegáveis propósitos negociais, e a desconstituição realizada pela Fiscalização não possui qualquer fundamentação jurídica, baseado em subjetivismo e com a utilização de presunções de duplo grau (“presunção da presunção”), sem qualquer amparo probatório; 3. Os atos desconsiderados pela Fiscalização são dotados de propósitos negociais, conforme já argumentado (caráter societário estruturação do Grupo Guanabara, definição de função e participação de cada familiar nas atividades praticadas e comercial – explorar atividade, à época, em ascensão, diminuição de custos, aumento do poder de barganha e oportunidades de negócios); 4. Seria impossível concluir que todos os membros da família, ao mesmo tempo, quisessem vender seus imóveis, e reuniramse em uma nova sociedade unicamente com o propósito de reduzir a carga tributária; 5. Alega que os atos praticados foram públicos e houve total cooperação com a Fiscalização durante o procedimento fiscal; 6. Os atos praticados foram lícitos e a documentação correspondente goza de plena regularidade, não tendo a autoridade fiscal apresentado qualquer ilegalidade objetiva praticada pela contribuinte; 7. Argumenta que o lapso temporal entre a constituição de Luperca e a venda dos bens (cerca de seis meses entre a constituição e o compromisso de compra e venda, e outros seis meses para a concretização do negócio) são suficientes para demonstrar a licitude da operação, concluindo que (fl. 532) Fl. 842DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 8 Sabidamente, as operações estruturadas de forma irregular e fraudulenta tendem a ser realizadas em um lapso temporal ínfimo, normalmente com todos os atos praticados na mesma semana, ou até no mesmo dia, pois é essa a exigência e a realidade do universo empresarial. 8. Cita jurisprudência do CARF com vistas a justificar a legalidade da operação; 9. Aduz também que outro fato que indica a lisura das operações é que, após essas, Luperca não foi extinta, como é de costume em operações fraudulentas; a ausência de operações posteriores deverseia à crise do setor, conforme já salientado; 10. Outra evidência da ausência de fraude na operação, seria o recolhimento dos tributos decorrentes dos negócios entabulados; caso houvesse a intenção de não recolher tributos, os proprietários do imóvel poderiam ter se utilizado de planejamento fraudulento (fl. 535): poderiam os sócios da Luperca, em vez de constituírem tal sociedade, terem criado uma outra empresa juntamente com a Resinas Brasil, com a integralização dos bens negociados, e, logo em seguida, deixarem a sociedade recebendo valores em espécie. ao final, a despeito da legalidade das operações praticadas, aponta supostas impropriedades na medida fiscal, a saber: i. A Fiscalização teria omitido que a constituição de Luperca e a conferência de bens para integralização do capital operouse de forma regular; ii. Sendo Luperca proprietária dos bens imóveis, não poderia a Fiscalização ter atribuído aos seus sócios os ganhos de capitais correspondentes; iii. O lançamento teria ofendido orientação expressa da RFB no tocante a não tributação do ganho de capital, na pessoa do sócio que integralizou capital com imóveis, quando a empresa aliena os mesmos bens; iv. O Fisco ignorou o art. 132 do RIR/99, que possibilita a transferência de bens, para fins de integralização de capital, pelo valor constante na declaração de renda da pessoa física ou do valor contábil constante na escrituração da pessoa jurídica subscritora; v. Haveria equívoco por parte da Fiscalização ao desconsiderar que determinadas áreas vendidas por Luperca seriam somente terra nua, enquanto em outras haveria também florestas, o que alteraria, e muito, o valor e a proporção dos respectivos ganhos de capital; na integralização do capital de Luperca, Supermercado Guanabara teria transferido imóveis que não possuíam florestas, ou seja, somente terra nua (equivalente a 72,92 da área total objeto da negociação entre Luperca e Resinas Brasil), e o valor total pago por Resinas Brasil concernente à terra nua foi de R$ 4.046.919,19, o valor tributável da receita com a venda dos referidos imóveis de antiga Fl. 843DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11080.729596/201168 Acórdão n.º 1401000.868 S1C4T1 Fl. 840 9 propriedade de Supermercado Guanabara deveria ser somente de R$ 2.951.013,47, e não os R$ 7.851,963,32 imputados pela Fiscalização; vi. A venda da área reflorestada era de propriedade exclusiva dos quotistas Luiz Pereira de Carvalho e Luiz Carlos da Silva Carvalho e o tratamento tributário dado à alienação de árvores plantadas deveria receber o tratamento tributário concernente à atividade rural e não ser tratado como ganho de capital; vii. Na lavratura do auto de infração, considerouse os valores recolhidos por Luperca a título de IRPJ e CSLL (R$ 311.315,89), mas deixouse de compensar os recolhimentos de PIS e Cofins sobre as operações (R$ 389.960,71); viii. A distribuição de lucros realizada por Luperca, como impõe o art. 39, XXVII a XXIX do RIR/99, não deve ser tributada nos beneficiários, não podendo ser utilizada pela Fiscalização como circunstância que pudesse fortalecer o lançamento; ix. A aplicação da multa qualificada de 150% seria equivocada, uma vez que inexistiu ilicitude na operação; na ausência do animus fraudandi não há que se falar em sonegação, fraude ou conluio, hipóteses que autorizam a aplicação da multa cominada, nos termos do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. O impugnante requer, ao final, a total desconstituição do lançamento. Subsidiariamente requer a retificação do lançamento, nos seguintes termos: (1) considerar que as florestas pertenciam exclusivamente às pessoas físicas dos Srs. Luiz Pereira de Carvalho e Luiz Carlos da Silva Carvalho; (2) abater a quantia recolhida pela empresa LUPERCA a título de PIS/COFINS e (3) afastar a majoração da multa de ofício. Cientificada pessoalmente do referido Acórdão em 09/04/2012 (fls. 694), a contribuinte apresentou em 08/05/2012 o recurso voluntário de fls. 697765, basicamente reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória, com o intuito de demonstrar que a constituição da empresa Luperca e todos os demais negócios ralizados foram lícitos, possuindo propósito negocial e não contrariando qualquer dispositivo legal.. A peça impugnatória foi acompanhada dos documentos de fls. 766833. Em sede de preliminar, na hipótese de remanescerem dúvidas acerca da titularidade das florestas de pinus e eucalipto, requereu a realização de diligência, com o intuito de apurar se tais florestas eram de propriedade da Recorrente ou das pessoas físicas Luiz Pereira de Carvalho e Luiz Carlos da Silva Carvalho. É o relatório. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 10 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido Pedido de diligência A recorrente requereu a realização de diligência, com o intuito de verificar se as florestas vendidas pela Luperca para a Resina Brasil eram, originalmente, de propriedade da recorrente ou das pessoas físicas Luiz Pereira de Carvalho e Luiz Carlos da Silva Carvalho. Considero totalmente dispensável a realização da aludida diligência, uma vez que os elementos constantes dos autos (escrituras públicas e livros contábeis da recorrente) são amplamente suficientes para o deslinde da presente questão. Indefiro, pois, a realização da diligência requerida pela contribuinte, por considerála inteiramente prescindível para o julgamento da presente controvérsia. Existência de ganho de capital tributável A presente controvérsia resumese à análise da oponibilidade ou não, ao Fisco, de sucessivas operações de planejamento tributário, resumidas no quadro abaixo (segundo a visão das autoridades autuantes): Data / Evento Situação / Operação Ocorrida 14/08/2006 Início a) Constituição da Luperca Administração e Participações Ltda., tendo como sócios a contribuinte (ora recorrente), dois de seus sócios (pessoas físicas) e familiares destes (no percentual ínfimo de 0,48%); b) O objeto social da Luperca seria “administração de bens próprios, participação no capital de outras sociedade e exploração agropecuária” (v. fls. 30) c) O capital social da Luperca, no valor de R$ 2.136.263,00, foi totalmente integralizado mediante versão de bens do ativo imobilizado da contribuinte, avaliados a valor contábil (ou seja, sem apuração de ganho de capital na citada operaçãoo). Idêntico procedimento foi adotado pelas pessoas físicas sócias de Luperca, que também transferiram imóveis para a Luperca pelo valor consignado em suas respectivas declarações de renda.. 07/02/2007 Alteração do objeto social da Luperca a) O objeto social da nova pessoa jurídica foi alterado, incluindo se a atividade de compra e venda de imóveis próprios e de terceiros e intermediação na compra e venda de imóveis; b) A denominação social da nova pessoa jurídica foi alterada para “Luperca Negócios Imobiliários e Participações Ltda” (v. fls. 65); 15/02/2007 a) Todos os bens imóveis entregues à Luperca, a título de integralização de capital (campos e florestas) foram alienados para a Fl. 845DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11080.729596/201168 Acórdão n.º 1401000.868 S1C4T1 Fl. 841 11 Alienação de todos os imóveis recebidos pela Luperca como integralização de capital peessoa jurídica Resinas Brasil Indústria e Comércio Ltda., pelo valor global de R$ 10.692.074,34, conforme Escrituras Públicas de Compromisso de Compra e Venda (v. fls. 73/90); b) Os valores recebidos nestas alienaçõe nunca transitaram em contas correntes de titularidade da Luperca, tendo sido recebidos diretamente pelo Supermercado Guanabara (v. Razão, fls. 239). Na contabilidade do Supermercado, tais valores foram contabilizados em conta de “Créditos Pessoas Ligadas”. c) Estas alienações foram as únicas atividades operacionais da Luperca, desde 2006 até 2010 (v. Diário, fls. 140227). 31/12/2007 Luperca distribui aos seus sócios a totalidade do lucro líquido das alienações dos imóveis) a) As operações de alienação de imóveis geraram um lucro líquido de R$ 7.852.714,61 para a Luperca, já descontado o valor de custo dos bens vendidos (valor recebido na integralização de capital), as despesas com a constituição da empresa e os tributos incidentes. Nenhuma parcela deste valor foi reinvestido pela Luperca. b) Em 31/12/2007 a Luperca distribuiu aos seus sócios o valor de R$ 7.815.500,00, ou seja, a quase totalidade dos lucros líquidos obtidos com a venda dos imóveis. Por se tratar de distribuição de lucros, tais rendimentos foram considerados isentos de qualquer tributação a título de IRPF (no caso dos sócios pessoas físicas); c) O valor remanescente da conta de “Lucros Acumulados” da Luperca (R$ 37.214,61) foi distribuído aos sócios em 31/12/2009. Com base nestes fatos, as autoridades autuantes concluíram que (fls. 480): a) a empresa Luperca foi criada apenas para encobrir o real fato gerador da obrigação tributária e os verdadeiros vendedores dos imóveis (seus sócios pessoas físicas e o Supermercado Guanabara); b) o objetivo único e exclusivo dos idealizadores da Luperca foi o de reduzir a tributação incidente na alienação de bens imóveis de sua propriedade, fazendo com o que os ganhos de capital correspondentes fossem recebidos a título de rendimentos ou receita isentos na forma de lucros distribuídos pela Luperca; c) A constituição e integralização de capital da Luperca pelos sócios com bens imóveis, apesar de formalmente lícita, foi inteiramente desprovida de qualquer substância e propósito negocial. Os fatos jurídicos realmente ocorridos foram as alienações de imóveis dos sócios a uma terceira pessoa (Resinas Brasil); d) Os bens imóveis recebidos pela Luperca a título de integralização de capital não serviram para que a empresa recém criada se tornasse operacional. Todo o lucro líquido da venda (descontados os custos de constituição da empresa e os tributos incidentes) foi distribuído aos sócios, descapitalizando totalmente a empresa recémcriada, inclusive com redução de capital em 2009, após a distribuição final dos lucros (fls.205/206 e 240). Não houve nenhum reinvestimento na empresa com o valor recebido ou qualquer reposição de estoque; Fl. 846DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 12 e) A inclusão da atividade de venda de bens imóveis proprios no objeto social da Luperca, ocorrida uma semana antes da alienação dos imóveis, foi uma medida essencial para que os sóciso da Luperca atingissem seu objetivo, reduzindo drasticamente a tributação incidente na operação. Afinal, desta forma a Luperca pode classificar as receitas das vendas destes imóveis como receita operacional, sujeitandose ao coeficiene de presunção do lucro presumido. Caso tal providência não ticesse sido tomada, haveria tributação sobre o ganho de capital apurado pela Luperca, neutralizando todo o efeito do “planejamento tributário” idealizado pelo sócios da Luperca. Em sua defesa, a recorrente sustentou que o planejamento tributário realizado encontra amparo no ordenamento jurídico. Apresentou, ainda, extensa argumentação visando demonstrar que todos os atos e negócios jurídicos praticados possuíam propósito negocial e não visavam a simpes redução da incidência tributária sobre o ganho de capital havido na venda daqueles imóveis. A situação sob análise não é nova para este colegiado. Na verdade, o julgamento de situações desta natureza é fenômeno relativamente antigo e bastante frequente neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscas, que já produziu caudalosa e consistente jurisprudência sobre o tema. Antes, contudo, de partir para a análise da jurisprudência, visando sua aplicação analógica ao presente caso, julgo conveniente proceder um breve resumo das opiniões doutrinárias prevalecentes sobre a matéria. Por se tratar de uma análise resumida, vou me limitar a analisar o magistério de Marco Aurélio Greco, reconhecido como uma das maiores autoridades neste assunto. Em sua magistral obra Planejamento Tributário (São Paulo, Dialética, 2004), o festejado doutrinador apresenta um conjunto de situações ou operações que, segundo ele, merecem uma atenção particular do intérprete, antes que se possa considerálas como procedimentos autênticos de planejamento tributário. A título meramente ilustrativo, sintetizo as aludidas operações: (a) Operações estruturadas em seqüência (step transactions), (b) Operações invertidas, (c) Operações entre partes relacionadas; (d) Uso de sociedadesveículo (conduit companies, sociedades aparentes; sociedades fictícias; sociedades efêmeras; interpostas pessoas); (e) Deslocamento da base tributável; (f) Substituições jurídicas; (g) Neutralização de efeitos indesejáveis; (h) Ingresso de sócio seguido de cisão seletiva; (i) Ágio de si mesmo; (j) Empréstimo ao invés de investimento; (k) Operações interestaduais de ICMS sem trânsito; (1) Criação de distribuidoras e base de cálculo do IPI; (m) Autonomização de operações; (n) Outras (ato normal de gestão, negócios indiretos ou fiduciários, redesenhos societários sucessivos, operações recíprocas). Não é preciso muito esforço para verificar que, no presente caso, claramente ocorreram pelo menos cinco dessas situações nebulosas, quais sejam: (1) Operações estruturadas em seqüência (step transactions), (2) Operações entre partes relacionadas; (3) Uso de sociedadesveículo (conduit companies), (4) Deslocamento da base tributável. Passo a analisar brevemente cada uma destas ocorrências. Operações estruturadas em sequência (step transactions) As operações ocorridas no presente caso claramente constituem operações estruturadas em seqüência, ou seja, uma seqüência de etapas em que cada uma corresponde a Fl. 847DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11080.729596/201168 Acórdão n.º 1401000.868 S1C4T1 Fl. 842 13 um tipo de ato ou deliberação societária ou negocial encadeado com a etapa subsequente, com o único objetivo de buscar um efeito fiscal mais favorável, em desconformidade com a lei. Cada etapa dessa cadeia de operações estruturadas só faz sentido caso exista a etapa anterior e caso seja também deflagrada a operação posterior. Uma operação estruturada como a que ora está sendo examinada indica a existência de uni objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto, indicando, também, uma causa jurídica única. Nesta hipótese, cumpre examinar se há motivos autônomos ou não, pois se estes inexistirem, o fato a ser enquadrado é o conjunto e não cada uma das etapas. No caso examinado, nenhum motivo autônomo se apresenta nos autos que venha a justificar a realização de cada uma das etapas da operação. Isto é, não existia uma finalidade diferente para cada etapa das operações. A finalidade era uma única e somente seria obtida ao término de todas as etapas. Tais circunstâncias exigem que a operação seja apreciada como um todo sem que se perca de vista, no entanto, as peculiaridades de cada etapa que integra a operação global. Segundo as sábias palavras de Marco Aurélio Greco, “ [...] ao invés de analisar cada fotografia (etapa) é importante analisar o filme (conjunto delas). Mais do que um evento (etapa) é importante interpretar a estória (conjunto)." No caso em análise, o conjunto dessas etapas (criação da Luperca; integralização de capital mediante entrega de imóveis avaliados pelo valor contábil, sem nenhum fluxo financeiro; alteração do objeto social da Luperca; utilização de empresa veículo sem nenhuma outra atividade operacional e finalmente a vendas de todos os bens imóveis e distribuição integral do lucro líquido para os seus sócios) corresponde apenas a uma pluralidade de meios para atingir um único fim: a redução da incidência tributária sobre o ganho de capital apurado na venda dos bens imóveis dos sócios da Luperca (dentre os quais figurava o Supermercdos Guanabara, ora recorrente). Diante deste quadro, é preciso analisar também qual a situação existente antes da deflagração da seqüência de etapas e qual a situação final resultante da última das etapas. Desse modo, só assim será assegurado um exame abrangente de uma operação complexa, subdividida em múltiplas etapas que são meros segmentos de uma operação maior, de modo a verificar, na realidade, qual a operação que se está pretendendo opor ao Fisco (a complexa ou cada parte da operação). No caso concreto, vale ressaltar que não houve qualquer atividade operacional na Luperca. A citada pessoa jurídica nunca teve funcionários e não reinvestiu em suas operações um único centavo obtido com a venda daqueles imóveis. A existência da Luperca não produziu nenhuma outra consequência no mundo jurídico, a não ser a redução da tributação incidente sobre o ganho de capital na venda dos bens de propriedade de seus sócios. Outro elemento importante nestas operações em etapas diz respeito ao tempo decorrido entre cada uma delas. Vale dizer, quanto tempo deve transcorrer entre as etapas para que seja possível considerar cada uma delas separadamente como operações autônomas e, portanto, com efeitos próprios em relação ao Fisco? Fl. 848DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 14 Não há uma resposta objetiva predeterminada. Serão as circunstâncias fáticas de cada caso concreto que indicarão se um negócio jurídico celebrado ou uma alteração societária implementado será ou não considerada etapa de operação mais ampla ou se terá a feição de operação isolada. Na situação sob análise, a premência com que as operações foram realizadas denotam, claramente, que elas faziam parte de uma seqüência de etapas, encadeadas com as anteriores e a depender das posteriores, visando a busca de um fim determinado, sem nenhum evento externo que justificasse a altíssima velocidade com que as operações foram realizadas. Operações entre partes relacionadas As operações entre partes relacionadas, segundo o magistério de Marco Aurélio Greco, merecem cuidadosa análise, tendo em vista a real possibilidade de que a causa da operação vise unicamente obter algum efeito tributário intragrupo e não uma razão econômica efetiva de mercado. Segundo Greco, quando se está analisando operações entre pessoas jurídicas de um mesmo grupo societário, não se pode ignorar que esta simples circunstância faz com que existam interesses comuns no relacionamento entre seus membros. Neste sentido, o festejado Professor Greco alerta que merece atenção a ocorrência de alterações formais de titularidade patrimonial ou de atribuição de direitos e deveres, mas que, em última análise, por ser o mesmo grupo não causam alterações substanciais. Isto é, operações mediante as quais jurídica e patrimonialmente o grupo permanece inalterado, tal como no caso presente; a única conseqüência relevante é que o Fisco deixa de receber determinado tributo. Da análise de todos os fatos e documentos trazidos aos autos, constatase que é totalmente atípica a constituição de uma empresa, com a integralização total do seu capital social mediante a entrega de bens imóveis avaliados por valores totalmente irreais. Esse tipo de operação somente seria possível se envolvesse “partes relacionadas”, ou seja pessoas físicas e jurídicas que mantinham uma relação de absoluta confiança e absoluta identidade de interesses. No momento em que as sucessivas operações são analisadas como um todo, facilmente se constata que nas etapas intermediárias ocorreu uma transferência meramente “simbólica” da titularidade dos bens imóveis, que ao final foram transferidos pelos sócios a um terceiro (Resinas Brasil Indústria e Comércio Ltda.). Ao término de toda a cadeia de operações, verificase que a Luperca serviu como mero veículo para a eliminação do ganho de capital auferido pelos seus sócios, decorrente da enda de seus imóveis para a pessoa jurídica Resinas Brasil Indústria e Comércio Ltda. Ao final de toda essa cadeia de operações, tudo resultou inalterado, no que tange aos haveres de cada um dos sócios da Luperca. Cada um deles alienou seeus imóveis e recebeu a totalidade do lucro líquido apurado nestas operações, com uma baixíssima incidência tributária. O único efeito concreto e relevante é que o Fisco deixou de receber subtanciais valores de tributos. Tal fato ilícito somente foi evitado mediante a pronta atuação das autoridades fiscais, que desvendaram o propósito destas operações encadeadas e, ao final, lavraram os presentes autos de infração, para exigir o valor dos tributos que deixaram de ser recolhidos. Fl. 849DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11080.729596/201168 Acórdão n.º 1401000.868 S1C4T1 Fl. 843 15 Em resumo: do exame do conjunto das diversas etapas da operação, constato que a finalidade econômica da criação da Luperca restou desfigurada, distorcida, ainda que tenha sido observada a legislação societária. Isto porque, sob o ponto de vista econômico, em decorrência da mudança do seu objeto social e posterior venda de todos os imóveis recebidos a título de integralização de capital, o único efeito prático das operações realizadas foi a redução ilegal da tributação sobre o ganho de capital auferido pelos sócios da Luperca, dente os quais figura a recorrente. Por todas as razões expostas, é forçoso concluir que a situação descrita é totalmente atípica, contrariando totalmente a “ordem natural das coisas”. Uso de sociedadesveículo (conduit companies) Segundo a doutrina de Marco Aurélio Greco, empresa de passagem é uma pessoa jurídica utilizada apenas para servir como canal de passagem de um patrimônio ou de dinheiro, sem que tenha efetivamente outra função dentro do contexto. Tratase de uma operação que serve apenas para transitar um patrimônio ou um determinado recurso. No presente caso, a única função da Luperca no conjunto de operações realizadas foi servir de veículo para a venda dos imóveis de titularidade dos seus sócios, sem que houvesse a apuração e tributação dos correspondentes ganhos de capital. Ressaltese, por oportuno, que no exíguo prazo de seis meses a Luperca foi constituída, teve seu capital integralizado mediante recebimento de bens imóveis (avaliados a valor contábil), modificou seu objeto social, na semana seguinte vendeu a totalidade dos imóveis recebidos e, ao final, distribuiu aos seus sócios 100% do lucro líquido auferido com a venda dos aludidos imóveis. Estas operações encadeadas tiveram, como único efeito, a redução drástica da tributação incidente sobre a alienação dos aludidos bens imóveis por parte dos sócios da Luperca. Vale dizer que a pessoa jurídica Luperca foi uma pessoa jurídica com existência meramente formal, posto quer nunca teve empregados nem estrutura administrativa. Ao término destas operações, a Luperca (empresa veículo) foi descapitalizada, prticamente deixando de existir no mundo jurídico. Este fato, por si só, reforça a convicção que, no contexto das operações sob análise, a única função da Luperca foi a de viabilizar a venda dos imóveis de seus sócios, sem a tributação do ganho de capital correspondente. Deslocamento da base tributável Sobre este aspecto “nebuloso”, assim se manifesta Marco Aurélio Greco (in Planejamento Tributário, São Paulo, Dialética, 2011, p. 475476) O deslocamento de base tributária para outra pessoa jurídica que se encontra em regime tributário comparativamente mais vantajoso é elemento que merece especial atenção; aliás, já foi objeto de exame pelo antigo Tribunal Federal de Recursos ao ensejo da mencionada Apelação Cível nº 115.478RS (julgada em 18.02.87, Rel. Min. Américo Luz). Neste processo, além de Fl. 850DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 16 outras considerações, encontrase no relatório do acórdão o seguinte aspecto: O que existiu foi na realidade transferência de receita representada pela diferença de preços nas transações entre a autora e as demais empresas, pois a receita que não se realizou foi realizada pelas demais empresas, ainda que sob regime de determinação diferente. Este é o ponto a considerar, pois – dependendo das circunstâncias do caso concreto – pode configurar fraude à lei tributária. (p. 475/476) (grifos nossos) No caso concreto, indiscutivelmente houve transferência da base tributável (ganho de capital) dos sócios (recorrente e pessoas físicas) para a Luperca (sociedade veículo), a qual se encontrava em situação tributariamente muito mais favorável. Considerações finais Importante observar que a pessoa jurídica Luperca nunca atuou efetivamente no mundo real. Sua existência foi meramente formal. Por todas as razões até aqui expostas, nada do que foi trazido no recurso sensibiliza meu espírito a ponto de produzir dúvida quanto ao verddeiro proósito da criação da Luperca. Salta aos meus olhos a convicação de que tal pessoa jurídica foi concebida única e exclusivamente com a finalidade de reduzir a incidência tributária sobre a alienação dos bens imóveis de titularidade dos seus sócios fundadores. Para distinguir a elisão da evasão, em trabalho publicado em 1977, Ricardo Mariz de Oliveira (in Fundamentos do Imposto de Renda", Ed. Revista dos Tribunais, p. 303) ressaltou que a elisão deve decorrer de atos ou omissões que não contrariem a lei, e de atos ou omissões efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. Essa lição foi repetida em publicação mais recente ("Questões Relevantes, Atualidades e Planejamento com Imposto Sobre a Renda", Anais do 13° Simpósio IOB de Direito Tributário, IOB, 2004) nos seguintes termos (grifado): A elisão fiscal lícita, buscada pelo planejamento tributário, diferenciase da evasão .fiscal ilícita por três e apenas três elementos: (I) decorrer de atos ou omissões da pessoa (que não é contribuinte) anteriores à ocorrência dofato gerador da obrigação que ela quer elidir, (2) decorrer de atos ou omissões confirmes à lei, e (3) decorrer de atos ou omissões reais e não simulados. No mesmo trabalho, comentou Mariz: A simulação, que vicia o ato jurídico e invalida a economia tributária pretendida [...] se prova pela densidade de indícios e circunstâncias, que a jurisprudência administrativa vem aplicando com bastante sabedoria, tais como: a proximidade temporal de atos; a disparidade infundada de valores entre eles; o desfazimento dos efeitos do ato simulado; a prática de certos atos entre partes ligadas, por exemplo, ao final do períodobase de apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre Fl. 851DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11080.729596/201168 Acórdão n.º 1401000.868 S1C4T1 Fl. 844 17 o lucro, com a transferência incabível e inexplicável de lucro de uma pessoa jurídica lucrativa para outra deficitária; a existência ou inexistência de outra causa econômica além da economia fiscal; a exagerada arrumação dos fatos. É de todo evidente que o conjunto de operações descritas no presente processo foi articulada pela recorrente em conjunto com as pessoas físicas citadas, com o único propósito de criar, formalmente, uma situação que reduzisse a tributação incidente sobre o ganho de capital havido na venda daqueles bens imóveis. A sucessão dos atos, a inexistência de fluxo financeiro, a proximidade temporal entre eles e a inexistência de fato da empresa Luperca revelam que nunca houve a intenção real de constituir uma nova sociedade, que efetivamente fosse operar no mercado. Vale dizer que o acórdão recorrido também analisou a doutrina de Greco, tendo chegado a conclusão semelhante à que foi acima exposta, conforme se verifica às fls. 660: Conforme se observa, os pontos destacados por Greco ressaltam aos olhos no caso concreto pois as operações perpetradas pelo impugnante e seus sócios foram estruturadas em sequência ( a constituição de nova empresa com integralização de capital em imóveis; b – inserção de compra e venda de imóveis no objeto social; c – alienação dos imóveis; d – distribuição de lucros; e – redução do capital), ou seja, utilizouse de uma sociedade de passagem que se encontrava em situação tributariamente mais favorável com único intuito de deslocar a base tributável para essa sociedade e, consequentemente, reduzir a tributação incidente sobre os ganhos de capital correspondentes, tendo, ao final, retornado aos reais beneficiários os recursos advindos do efetivo ganho nas operações. Frisese que esses recursos que retornaram aos sócios de Luperca foram maximizados em razão da diminuição da tributação sobre a operação mediante a utilização dos narrados atos simulados. Jurisprudência do CARF A situação sob análise já foi objeto de inúmeros pronunciamentos por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que sistematicamente tem repelido a utilização de atos societários desprovidos de finalidade negocial, com única finalidade de reduzir o recolhimento de tributos. A título meramente exemplificativo, menciono a ementa de alguns julgados relevantes sobre a matéria (grifado): Acórdão nº 10421.497, de 23/06/2006. Primeiro Conselho de Contibuintes. SIMULAÇÃO CONJUNTO PROBATÓRIO Se o conjunto probatório evidencia que os atos formais praticados (reorganização societária) divergiam da real intenção subjacente (compra e venda), caracterizase a simulação, cujo elemento principal não é a ocultação do objetivo real, mas sim a Fl. 852DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 18 existência de objetivo diverso daquele configurado pelos atos praticados, seja ele claro ou oculto. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA O fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA O princípio da liberdade de autoorganização, mitigado que foi pelos princípios constitucionais da isonomia tributária e da capacidade contributiva, não mais endossa a prática de atos sem motivação negocial, sob o argumento de exercício de planejamento tributário. Acórdão 101195.442, de 23/03/2006. Primeiro Conselho de Contribuintes. OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA SIMULAÇÃO MULTA QUALIFICADA Constatada a prática de simulação, perpetrada mediante a articulação de operações com o intuito de evitar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, é cabível a exigência do tributo, acrescido de multa qualificada (art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996). PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. Não se qualifica como planejamento tributário lícito a economia obtida por meio de atos e operações que não foram efetivas, não apenas artificial e formalmente revelados em documentação e/ou na escrituração. Acórdão 10617.419, de 05/11/2008. Primeiro Conselho de Contribuintes. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS. SIMULAÇÃO Constatada a desconformidade, consciente e pactuada entre as partes que realizaram determinado negócio jurídico, entre o negócio efetivamente praticado e os atos formais de declaração de vontade, resta caracterizada a simulação relativa, devendose considerar, para fins de verificação da ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, o negócio jurídico dissimulado. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. LEGALIDADE A realização de operações estruturadas em seqüência, embora individualmente ostentem legalidade do ponto de vista formal, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA A prática da simulação com o propósito de dissimular, no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto caracteriza a hipótese de qualificação da multa de ofício, nos termos da legislação de regência. Recurso voluntário negado. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11080.729596/201168 Acórdão n.º 1401000.868 S1C4T1 Fl. 845 19 Inexistência de propósito negocial nas operações realizadas pela Luperca Em sua peça recursal, a contribuinte alegou que as diversas operações ocorridas tiveram finalidades negociais, além da mera redução da incidência tributária. O acórdão recorrido analisou estas alegações com muita propriedade. Assim, para evitar tautologia, limitome a adotar e transcrever parcialmente suas razões de decidir, fls. 654659: Os argumentos aduzidos pelo impugnante a respeito do mercado de celulose, tanto no momento da constituição de Luperca, quanto após a negociação dos imóveis cuja origem foi a integralização de capital, não se mostram suficientes, tampouco aptos, a justificar as operações realizadas, que demonstraram possuir como único propósito a diminuição da carga tributária sobre a alienação de imóveis de propriedade do impugnante e também de alguns de seus sócios. Embora os fatos trazidos a respeito do mercado de celulose, seu desaquecimento, com consequente reflexo sobre o mercado imobiliário da região em que atuaria Luperca, em especial no que tange ao reflorestamento, possam ter ocorrido, a análise dos documentos acostados aos autos demonstra claramente que Luperca não possuía qualquer estrutura apta a desenvolver qualquer atividade operacional. Vejamos. O impugnante [...] alega (fls. 506/507) que “implementouse a necessária segregação das operações do GRUPO GUANABARA, de modo que a exploração das atividades primárias (especificamente a atividade de reflorestamento) fosse concentrada de forma organizada na empresa LUPERCA” (grifo nosso). [...] Entretanto, constatase que embora o impugnante alegue que Luperca tivesse como atividade principal a atividade de reflorestamento, buscando segregar essa atividade na nova empresa do Grupo Guanabara, manteve em seu estatuto social a atividade de reflorestamento (fl. 7). Importa analisarmos o objeto social de Luperca (fl. 66): a) compra, venda e aluguel de imóveis próprios ou de terceiros, e intermediação na compra e venda de imóveis; b) administração de bens próprios; c) participar do capital de outras sociedades nacionais ou estrangeiras, na condição de acionista, sócia ou quotista em caráter permanente ou temporário, como controladora ou minoritária; d) exploração agropecuária por parceira ou conta própria. Conforme se observa, para que tais atividades fossem desenvolvidas seriam necessárias estrutura física e, principalmente, mãodeobra. Pois bem, conforme consta à fl. 29, a sede de Luperca situase na Avenida Itália, nº 1501, Vila Maria José, coincidindo com o endereço de uma das filiais do impugnante (Depósito Central, CNPJ nº 94.846.755/002280 – fl. 624). Desse modo, vêse que Luperca não possui sequer um Fl. 854DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 20 endereço próprio, utilizandose, em tese, da estrutura física do impugnante para, supostamente, desenvolver suas atividades. Vejamos as constatações da Fiscalização a respeito do fluxo financeiro de Luperca (fl. 479): c) os valores pagos pela Resinas Brasil na aquisição das áreas aqui mencionadas, foram, todos recebidos integralmente pelo Supermercado Guanabara; ele recolheu os tributos que seriam devidos pela Luperca; ficou com os valores parados em sua contabilidade na conta de Créditos Pessoas Ligadas, conforme extrato Razão na fl. 243 até dezembro de 2007 quando distribuiu os lucros aos demais sócios e manteve um valor de pouco mais de 37 mil reais nessa conta até dezembro de 2009 quando então distribuiu o restante do lucro de 2007; Ora, a ausência de estrutura de Luperca mostrase tão evidente que, a par do fluxo financeiro da operação e de sua escrituração contábil, nem conta bancária manteve. Os valores recebidos pela venda dos imóveis em questão foram disponibilizados diretamente na contacorrente do impugnante que se encarregou ainda de recolher os tributos incidentes na operação. Na contabilidade de Luperca havia apenas uma conta específica para controle desses valores (Créditos de Pessoas Ligadas). No quesito mãodeobra, a situação não é diferente. Para desenvolver suas operações, em especial o reflorestamento, é indubitável a necessidade de empregados. Tanto é assim que a próprio impugnante anexou à fl. 618 guia de recolhimento do FGTS, referente ao período em que seus sócios pessoas físicas desenvolveriam a atividade, em que consta informação de que possuíam 14 trabalhadores. Entretanto, Luperca, desde sua constituição, sempre declarou à Previdência Social/RFB não possuir empregados! Anexase, a seguir, tela dos sistema de arrecadação previdenciária onde consta que, à época de sua constituição – 09/2006 , Luperca transmitiu GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social) informando não haver movimento. Em todos os meses seguintes, até a presente data, o panorama não se modificou: jamais Luperca declarou possuir empregados. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11080.729596/201168 Acórdão n.º 1401000.868 S1C4T1 Fl. 846 21 Salientese que a escrituração contábil referente ao período (fls. 116/231) indica que não houve quaisquer despesas administrativas, operacionais e financeiras em todo o período e, em diversos meses, a escrituração resumese à expressão “sem movimento” (por exemplo, o Diário referente ao meses de janeiro a dezembro de 2008 fls. 177/188). Ou seja, comprova se não somente a ausência de empregados, mas também de qualquer estrutura que pudesse demonstrar a efetiva operação de Luperca durante o período, corroborando as conclusões da Fiscalização. [...] No caso concreto, constatase com clareza que Luperca não preenche os requisitos necessários para se enquadrar como uma empresa. Desenvolver a atividade de reflorestamento, e as demais constantes de seu objeto social, sem qualquer estrutura operacional e mãodeobra é algo inimaginável. Ainda que se considere a crise narrada pela impugnante, farseia necessário um mínimo existencial, ainda que antes da venda dos imóveis em comento, o que, em nenhum momento, há indícios de ter existido. E as evidências demonstram que, em tese, Luperca deveria ter como objeto principal o reflorestamento, pois em sua peça de defesa o impugnante utilizou a palavra “reflorestamento” (e suas variações) 35 vezes! De igual modo, além da compra e venda de imóveis Luperca possuía outras três atividades em seu objeto social, sem, no entanto, praticar qualquer ato, ainda que preparatório, no sentido de organizar seus fatores de produção a fim de desempenhar suas funções visando ao lucro. Outro aspecto a ser considerado é a alteração do objeto social de Luperca. Constituída em 13/09/2006, originalmente não constava em seu objeto social a compra e venda de imóveis, atividade só incluída em 07/02/2007, oito dias antes da venda dos imóveis oriundos da integralização de capital. Embora a incidência de ITBI (Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis) não seja da competência da RFB, cumpre destacar que a operação engendrada se preocupou também em desonerála do ITBI, igualmente com aparente ares de ilegalidade. A transmissão de propriedade dos imóveis dados como integralização de capital de Luperca foram considerados imunes do ITBI por força do art. 156, §2º, I, da Constituição Federal.4 Entretanto, conforme já salientado, Luperca incluiu em seu objeto social, num segundo momento, a compra, a venda e o aluguel de imóveis próprios ou de terceiros, e a intermediação na compra e venda de bens imóveis. Impõese observar que a parte final da redação do referido dispositivo constitucional excetua a imunidade nos casos em que a atividade preponderante do adquirente for a compra e venda desses bens incorporados ao patrimônio da pessoa jurídica em razão da realização de capital. [...] Fl. 856DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 22 Considerandose a escrituração contábil apresentada, não se vislumbra que tenha havido o recolhimento do ITBI posteriormente a alteração do objeto social de Luperca, o que, em tese, deveria ter ocorrido, haja vista que a totalidade das receitas por ela auferidas em 2007 teve como origem a compra e venda de imóveis, atividade então incluída em seu objeto social. Vêse, assim, que a operação foi orquestrada de modo simulado, com o único intuito de minorar a incidência de tributos. Além da exoneração do imposto incidente sobre a primeira transmissão da propriedade imóvel, ao incluir no objeto social a compra e venda de imóveis, Luperca também buscou atenuar ainda mais a tributação sobre a renda, pois tributou os rendimentos oriundos da venda dos imóveis em tela utilizandose de coeficiente de presunção de lucro presumido (8% para o IRPJ e 12% para a CSLL). Nestes termos, considero que todos os argumentos entabulados pelo impugnante visando demonstrar o propósito negocial das operações havidas não merecem prosperar diante da fartura de indícios convergentes apontados pelo Fisco. Correção dos tributos lançados sobre os ganhos de capital Em sua peça recursal, a contribuinte alegou que teria haveria equívoco por parte da Fiscalização ao desconsiderar que determinadas áreas vendidas por Luperca seriam somente terra nua, enquanto em outras haveria também florestas, o que alteraria, e muito, o valor e a proporção dos respectivos ganhos de capital. Esta alegação foi analisada com muita objetividade e precisão pela decisão de piso, razão pela qual também em relação a este tema adoto e transcrevo parcialmente as suas razões de decidir, fls. 661665: Os argumentos trazidos pelos impugnantes não merecem prosperar, pois os valores utilizados pela Fiscalização baseiam se tanto nas informações prestadas pelos próprios sócios de Luperca quanto por dados extraídos de documentos públicos. Explico. Por exemplo, no anexo I dos atos constitutivos de Luperca (fls. 40 e s.), consta que como valor da totalidade da Matrícula 94, livro nº 2 – Registro Geral, fl. 1 do Registro de Imóveis de Canguçu, o montante de R$ 10.189,73; Esse valor foi utilizado pelo impugnante tanto como base para a integralização de capital de Luperca, como também como o custo do imóvel em sua contabilidade, de forma a não gerar ganho de capital na operação de integralização de capital; À fl. 255 cópia da matrícula do referido imóvel (cujo excerto segue abaixo) consta expressamente sua transferência à Luperca para integralização de quota de capital social no valor de R$ 10.189,73, valor esse também considerado pela Fiscalização como custo do imóvel para fins de apuração do ganho de capital (fl. 484), já que, conforme os próprios fundamentos do auto de infração, e também da impugnação, não houve ganho de capital na integralização das quotas; [...] Fl. 857DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11080.729596/201168 Acórdão n.º 1401000.868 S1C4T1 Fl. 847 23 Em relação ao valor da venda dos imóveis para Resinas Brasil, de igual forma, o valor utilizado pela Fiscalização foi retirado da própria matrícula (cópia a seguir). Assim, vêse às fls. 256/257 que o valor da venda do citado imóvel foi de R$ 204.239,65, conforme indicado pela autoridade fiscal à fl. 484; [...] Analisandose a planilha de fl. 484 elaborada pela Fiscalização para quantificar os ganhos de capital do impugnante, e confrontandose os valores de aquisição e venda dos imóveis com os documentos acostados aos autos, concluise correto o procedimento. O impugnante pretende questionar os valores dos ganhos efetivamente auferidos utilizandose de proporções e métodos de cálculo que não guardam relação nem com os documentos públicos que retratam a operação, nem com os próprios valores de sua escrituração, não merecendo fé seus argumentos; Ainda em relação às supostas áreas de terra nua e de florestas, suas proporções de valores em relação ao total da área e demais argumentos trazidos pelo impugnante, não há nos autos provas de que, de fato, deva se desconsiderar os dados das matrículas dos imóveis. O impugnante pretende comprovar com os documentos de fls. 612/620 que as florestas, ainda que plantadas em suas propriedades, pertenciam aos seus sócios. Entretanto, os documentos acostados aos autos definitivamente não comprovam suas alegações. Vejamos. A soma de custos/despesas e receitas referentes aos documentos anexados não chegam a R$ 4 mil (com exceção do doc. de fl. 615 que é ilegível). Pretender comprovar, com documentação desse jaez, que florestas avaliadas em cerca de R$ 6 milhões pertenceriam aos sócios, e não ao impugante, não se mostra razoável. A propósito, não há ao menos a comprovação da aquisição, por parte dos sócios do impugnante, sequer de uma muda! Como crer, então, que esses realizaram o reflorestamento às suas expensas? Ademais, querer fazer crer que toda área alienada tivesse o mesmo valor por hectare, como alega o impugnante a fl. 545, se mostra dissociado da realidade, pois extensas áreas de terra, com tipografia diferenciada, banhados, cortes por rios, dentre outros aspectos, em geral, são fatores determinantes quanto ao valor de mercado de cada porção de terra. Tivesse a Fiscalização utilizado tal critério de rateio, fatalmente o lançamento teria incorrido em equívoco na quantificação da base de cálculo por empregar critério sem lastro legal; Não se pode olvidar, ainda, do teor do art. 79 do Código Civil (“São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente.”). As florestas plantadas, segundo a doutrina, são consideradas imóveis por acessão física artificial ou industrial. [...] Fl. 858DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 24 Frisese que se trata de mais um argumento, pois, na prática, novamente se afirma: a Fiscalização utilizouse, corretamente, dos dados constantes nas matrículas de cada imóvel para realizar o cálculo dos respectivos ganhos de capital! Desse modo, constando todos os valores utilizados pela Fiscalização em documento público (matrículas de cada imóvel), sendo que a soma do valores individuais de compra e venda constante de cada matrícula perfaz exatamente o montante da operação, não há como se desconsiderar os cálculos perpetrados no lançamento, a menos que o impugnante trouxesse documentação hábil a desqualificar a presunção de legitimidade dos documentos públicos em que se funda a autuação; Competia ao contribuinte provar a veracidade do que afirma, nos termos da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Corroborando tal tese, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(Intervenção Federal Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) [...] Diante do exposto, considero que em relação a este tema o acórdão recorrido não merece quaisquer reparos. Compensação dos valores recolhidos a título de PIS e COFINS Repetindo o que alegou na fase impugnatória, a recorrente pleiteou que fossem descontados do montante dos tributos ora exigidos os valores recolhidos pela Luperca a título de PIS e COFINS, referentes às operações questionadas pelo Fisco. Segundo a recorrente, as autoridades fiscais compensaram os valores recolhidos pela Luperca a título de IRPJ e CSLL (R$ 311.315,89), razão pela qual também deveriam ter compensados os recolhimentos efetuados a título de PIS e Cofins sobre as mesmas operações, no montante de R$ 389.960,71. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11080.729596/201168 Acórdão n.º 1401000.868 S1C4T1 Fl. 848 25 Tal alegação foi refutada com muita objetividade pelo acórdão de piso, fls. 666: De fato a Fiscalização procedeu à dedução, de ofício, dos valores de IRPJ e CSLL recolhidos por Luperca, com os valores dos mesmos tributos ora exigidos do impugnante, justamente por entender que os atos foram simulados e os reais sujeitos passivos da operação foram os sócios de Luperca. Entretanto, não havendo exigência de PIS e Cofins do impugnante, os valores dessas contribuições recolhidos por Luperca não poderiam, de fato, serem utilizados para deduzir os valores de IRPJ e CSLL lançados de ofício. Resta à Luperca, se assim entender, proceder ao pedido de restituição a ser analisado pela autoridade competente – nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96; Em relação a este tema, também julgo inteiramente correta a conclusão a que chegou a decisão de recorrida. Multa qualificada As autoridades autuantes justificaram da seguinte forma a qualificação da multa de ofício (fls. 482): A multa de ofício que (sic) aplicada no presente auto de infração é de 150% conforme o artigo 44, §1° da Lei 9.430/96. Isso porque a fiscalização considera que houve fraude com a simulação dos fatos apresentados. Relembrando a seqüência dos acontecimentos. a) em 13/09/2006 constituição da empresa Luperca com integralização de bens imóveis por seus sócios pelo mesmo valor constante de suas declarações sem apuração de qualquer ganho de capital por nenhum dos sócios; b) em 07/02/07 alteração contratual da Luperca inclui no objeto social a atividade de venda de imóveis próprios; c) em 15/02/2007 assinatura de escritura pública de promessa de compra e venda pela Luperca de todos os bens recebidos na integralização de capital, com a classificação dessa receita como sendo atividade operacional e essa foi a única receita operacional registrada pela empresa desde sua criação até dez/2010; d) os recursos monetários da operação foram recebidos pelo Supermercado Guanabara e lá permaneceram até a distribuição de lucros aos sócios da Luperca; e) todo o valor de lucro registrado pela Luperca, descontados os tributos e despesas de abertura foi distribuído aos sócios, não havendo nenhum investimento dos valores recebidos nas atividades da empresa. Observandose a cronologia dos eventos acima fica mais do que óbvia e clara a intenção de redução de tributos com simulaçãodo fato gerador em si, uma vez que foi apresentado à RFB uma receita tributável de atividade operacional no lucro presumido em vez de ganho de capital e do real sujeito passivo da obrigação tributária, ou seja, em vez do Supermercado Guanabara e de pessoas físicas, foi apresentado como sujeito passivo a Luperca. Fl. 860DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 26 Em sua peça recursal, a contribuinte arguiu a inexistência de fraude, caracterizada pela ausência de animus fraudandi por parte da contribuinte. Analisandose os elementos constantes dos autos, considero que a razão está claramente ao lado das autoridades autuantes. Resultou fartamente demonstrado que todas as operações realizada pela contribuinte, em conjunto com outras pessoas físicas, tinham como único objetivo único a redução dos encargos tributários, tanto estaduais quanto federais. Esta conclusão se evidencia diante do amplo conjunto de indícios convergentes identificados pelas autoridades autuantes. Diante do exposto, considero inteiramente correta a conclusão a que chegou o acórdão recorrido, fls. 667: Os argumentos do impugnante quanto à ausência de fraude, a não comprovação do animus fraudandi e a dúvida objetiva quanto à qualificação jurídica dos fatos tornamse insubsistentes diante da utilização de empresa veículo com o único intuito de diminuir a tributação sobre as operações, transferindo os ganhos dos sócios para essa sociedade em situação tributária mais favorável. Em suma, a fundamentação utilizada para caracterizar a infração é suficiente para demonstrar a ocorrência de simulação, justificando, pois, a multa qualificada aplicada pela Fiscalização. Referido entendimento encontra ampla respaldo na jurisprudência deste Conselho: Acórdão 10617.419, de 05/11/2008. Primeiro Conselho de Contribuintes. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA A prática da simulação com o propósito de dissimular, no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto caracteriza a hipótese de qualificação da multa de ofício, nos termos da legislação de regência. Recurso voluntário negado. Acórdão 101195.442, de 23/03/2006. Primeiro Conselho de Contribuintes. OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA SIMULAÇÃO MULTA QUALIFICADA Constatada a prática de simulação, perpetrada mediante a articulação de operações com o intuito de evitar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, é cabível a exigência do tributo, acrescido de multa qualificada (art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996). Assim sendo, julgo correta a qualificação da multa de ofício. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 11080.729596/201168 Acórdão n.º 1401000.868 S1C4T1 Fl. 849 27 Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 862DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
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Numero do processo: 10120.006938/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 31/08/2009
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO. REGISTRO ELETRÔNICO NA INTERNET.
O MPF pode ser prorrogado tantas vezes quantas forem necessárias, a critério exclusivo da administração tributária. As prorrogações do MPF serão efetuadas pela respectiva autoridade outorgante, procedidas por intermédio de registro eletrônico no mesmo endereço indicado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal, as quais permanecerão disponíveis para consulta na Internet, mediante a utilização do código de acesso indicado no Termo de Início de Ação Fiscal, mesmo após a conclusão do procedimento fiscal correspondente.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LC Nº 84/96.
A contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais foi instituída pela Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, no exercício da competência tributária residual exclusiva da União, sendo o seu regramento, após a EC nº 20/98, assentado no inciso III da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.876/99.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Adriana Sato, Paulo Roberto Lara dos Santos e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2009 a 31/08/2009 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO. REGISTRO ELETRÔNICO NA INTERNET. O MPF pode ser prorrogado tantas vezes quantas forem necessárias, a critério exclusivo da administração tributária. As prorrogações do MPF serão efetuadas pela respectiva autoridade outorgante, procedidas por intermédio de registro eletrônico no mesmo endereço indicado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal, as quais permanecerão disponíveis para consulta na Internet, mediante a utilização do código de acesso indicado no Termo de Início de Ação Fiscal, mesmo após a conclusão do procedimento fiscal correspondente. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LC Nº 84/96. A contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais foi instituída pela Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, no exercício da competência tributária residual exclusiva da União, sendo o seu regramento, após a EC nº 20/98, assentado no inciso III da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.876/99. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Adriana Sato, Paulo Roberto Lara dos Santos e Arlindo da Costa e Silva.
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PRORROGAÇÃO. CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO. REGISTRO ELETRÔNICO NA INTERNET. O MPF pode ser prorrogado tantas vezes quantas forem necessárias, a critério exclusivo da administração tributária. As prorrogações do MPF serão efetuadas pela respectiva autoridade outorgante, procedidas por intermédio de registro eletrônico no mesmo endereço indicado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal, as quais permanecerão disponíveis para consulta na Internet, mediante a utilização do código de acesso indicado no Termo de Início de Ação Fiscal, mesmo após a conclusão do procedimento fiscal correspondente. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LC Nº 84/96. A contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais foi instituída pela Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, no exercício da competência tributária residual exclusiva da União, sendo o seu regramento, após a EC nº 20/98, assentado no inciso III da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.876/99. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 69 38 /2 01 0- 19 Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Adriana Sato, Paulo Roberto Lara dos Santos e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10120.006938/201019 Acórdão n.º 2302002.063 S2C3T2 Fl. 1.749 3 Relatório Período de apuração: 01/02/2009 a 31/08/2009 Data da lavratura do AIOP: 20/08/2010. Data da Ciência do AIOP: 24/08/2010. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor do Sindicato em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias a cargo do empregador destinadas ao custeio da Seguridade Social, incidentes sobre remunerações efetuadas a segurados contribuintes individuais, apurados nos registros contábeis da empresa e não declarados em GFIP, além de glosas de compensação indevida, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 98/103. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 127/155. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão a fls. 1725/1730, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 27/02/2012, conforme Aviso de Recebimento a fl. 1.732. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 1736/1743, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · Que não consta nos autos do processo a prorrogação do prazo de validade do MPF; · Que a empresa é dispensada de efetuar a retenção de 11% quando a contratada não possuir empregados e o serviço for prestado pessoalmente pelo titular ou sócio. Aduz que pessoas físicas efetuavam a prestação de serviços fazendo às vezes de microempresa ou empresário individual; Ao fim, requer o cancelamento do lançamento e a anulação da NFLD. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 27/02/2012. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 27 de março do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA PRORROGAÇÃO DO MPF. Alega o Recorrente não constar nos autos do processo a prorrogação do prazo de validade do MPF. Ocorre que, nos termos do art. 9º da Portaria RFB nº 11.371/2007, a partir de 20 de dezembro de 2007, a prorrogação do MPF é realizada por intermédio de registro eletrônico efetuado pela autoridade outorgante do MPF, disponível para consulta na Internet, mediante a utilização do código de acesso indicado no Termo de Início de Ação Fiscal, mesmo após a conclusão do procedimento fiscal correspondente. Publicado com o escopo de estabelecer normas gerais sobre o planejamento das atividades da administração previdenciária em matéria fiscal, o Decreto n° 3.969, de 15 de outubro de 2001, determinou que os procedimentos fiscais relativos aos tributos federais previdenciários devem ser instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), do qual deve ser dada ciência ao sujeito passivo, por ocasião do início do procedimento fiscal. Nessa perspectiva, a ação fiscal, para ser qualificada como regular, necessita ser conduzida sob a cobertura de MPF válido, aqui incluídas suas prorrogações, desde a sua deflagração até o seu encerramento, devendo o auditor fiscal, nesse interregno, emitir todos os documentos fiscais atávicos ao seu ofício que importem numa conduta a ser praticada pelo Fiscalizado, tais como Notificações Fiscais e autos de infração. DECRETO Nº 3.969, de 15 de outubro de 2001. Art. 4º O MPF será emitido na forma de modelos adotados e divulgados pela Diretoria de Arrecadação do Instituto Nacional do Seguro Social, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10120.006938/201019 Acórdão n.º 2302002.063 S2C3T2 Fl. 1.750 5 dezembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscal. (Redação dada pelo Decreto nº 4.058, de 18.12.2001). (grifos nossos) Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; (grifos nossos) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifos nossos) §4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §7º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subsequente à formalização do acórdão.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §8º Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §9º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) Em 30 de abril de 2007, com o advento da fusão da Secretaria da Receita Previdenciária e da Secretaria da Receita Federal, resultando daí a Secretaria da Receita Federal do Brasil, houvese por editado o Decreto nº 6.104/2007 dispondo sobre a execução dos procedimentos fiscais no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, promovendo alterações no texto do Dec. nº 3.724/2001, assim estatuindo, in verbis: Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001 Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10120.006938/201019 Acórdão n.º 2302002.063 S2C3T2 Fl. 1.751 7 Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pelo Decreto no 6.104, de 30 de abril de 2007) §1º Nos casos de flagrante constatação de contrabando, descaminho ou qualquer outra prática de infração à legislação tributária, em que o retardamento do início do procedimento fiscal coloque em risco os interesses da Fazenda Nacional, pela possibilidade de subtração de prova, o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil deverá iniciar imediatamente o procedimento fiscal e, no prazo de cinco dias, contado de sua data de início, será expedido MPF especial, do qual será dada ciência ao sujeito passivo. (Redação dada pelo Decreto no 6.104, de 30 de abril de 2007) §2º Entendese por procedimento de fiscalização a modalidade de procedimento fiscal a que se referem o art. 7º e seguintes do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pelo Decreto no 6.104, de 30 de abril de 2007) §3o O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: (Renumerado pelo Decreto no 6.104, de 30 de abril de 2007) I realizado no curso do despacho aduaneiro; II interno, de revisão aduaneira; III de vigilância e repressão ao contrabando e descaminho, realizado em operação ostensiva; IV relativo ao tratamento automático das declarações (malhas fiscais). §4o O Secretário da Receita Federal do Brasil estabelecerá os modelos e as informações constantes do MPF, os prazos para sua execução, as autoridades fiscais competentes para sua expedição, bem como demais hipóteses de dispensa ou situações em que seja necessário o início do procedimento antes da expedição do MPF, nos casos em que haja risco aos interesses da Fazenda Nacional. (Redação dada pelo Decreto no 6.104, de 30 de abril de 2007) Art. 13. A Secretaria da Receita Federal editará instruções necessárias à execução do disposto neste Decreto. O exame da legislação que instituiu e ainda disciplina o mandado de procedimento fiscal revela que a sua finalidade essencial focase na segurança do contribuinte quanto à regularidade e oficialidade do procedimento de fiscalização, afastando pseudo ações fiscais. Salientese que a ordem contida no MPF é direcionada ao agente fiscal, não ao contribuinte, ao qual apenas deve ser dada a ciência de que a Administração Fazendária incumbiu o auditor ali consignado a comparecer ao seu estabelecimento para a verificação do Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 cumprimento das obrigações relativas às Contribuições Sociais administradas pela administração tributária emissora do documento em realce. Dessarte, a ciência do sujeito passivo representa, apenas, um feed back ao Órgão Fazendário de que o contribuinte encontrase conhecedor da oficialidade, do escopo e do alcance da ação fiscalizatória a ser desenvolvida na sua empresa. Em reforço a tal assertiva, notese que o art. 4º do mencionado Dec. 3.969/2001 apenas prevê a ciência do MPF pelo sujeito passivo “por ocasião do inicio do procedimento fiscal”. Nessa mesma vertente, a Portaria RFB nº 11.371/2007, promulgada com o propósito de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, inseriu no ordenamento jurídico norma tributária de natureza procedimental estatuindo que o MPF deve ser emitido exclusivamente em forma eletrônica e sua ciência pelo sujeito passivo darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007 Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Compulsando os autos verificamos que o Mandado de Procedimento Fiscal nº 0120100.2010.00064 foi emitido em 09 de fevereiro de 2010, dele tomando ciência o próprio Diretor da empresa em 10/02/2010, conforme Termo de Início de Ação Fiscal a fls. 18/19. Por outro viés, cumprindo com exímio rigor os mandamentos da legislação tributária suso selecionada, o Termo de Início de Ação Fiscal acima citado, logo em seu primeiro quadro informativo, condizente à Identificação da Ordem, honra consignar o número do MPF associado à ação fiscal em início, assim como o respectivo Código de Acesso via Internet. Registrese, por relevante, que nos termos dos artigos 11 e 12 da mencionada Portaria RFB nº 11.371/2007, o MPF de Fiscalização possui ínsito o prazo de validade de 120 dias, e o prazo de execução das atividades fiscais nele mencionadas pode ser prorrogado pela autoridade outorgante tantas vezes quantas forem necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias para procedimentos de fiscalização. De acordo com o art. 9º da Portaria RFB suso mencionada, as alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, no mesmo endereço indicado no Termo de Início de Ação Fiscal, as quais permanecerão disponíveis para consulta na Internet, mediante a Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10120.006938/201019 Acórdão n.º 2302002.063 S2C3T2 Fl. 1.752 9 utilização do código de acesso acima mencionado, mesmo após a conclusão do procedimento fiscal correspondente. No caso em exame, consultando o registro eletrônico no endereço assinalado no Termo de Início de Ação Fiscal a fls. 18/19, utilizandose o código de acesso indicado nesse mesmo documento, constatamos que o procedimento fiscal em debate houvese por prorrogado até 02 de outubro de 2010. Ora, tendo sido o sujeito passivo cientificado da lavratura do vertente Auto de Infração de Obrigação Principal em 24 de agosto do mesmo ano calendário, fácil é concluir que o presente procedimento esteve sempre amparado por Mandado de Procedimento Fiscal válido e eficaz. Tais documentos, formalizados em fiel conformidade com a legislação tributária vigente, encurrala contra as cordas qualquer alegação de nulidade do lançamento por vícios de ciência do MPF ou de suas prorrogações. Vencidas as preliminares, passamos à análise do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela parte. 3.1. DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Alega o Recorrente que a empresa é dispensada de efetuar a retenção de 11% quando a contratada não possuir empregados e o serviço for prestado pessoalmente pelo titular ou sócio. Aduz que pessoas físicas efetuavam a prestação de serviços fazendo às vezes de microempresa ou empresário individual. A alegação acima esposada revelase totalmente descabida. A contribuição social previdenciária, a cargo das empresas e pessoas jurídicas, incidente total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas, foi instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, cumprindo às exigências fixadas no art. 195, §4º c.c. art. 154, I da CF/88. Cabe observar que, até 16 de dezembro de 1998, data da publicação da Emenda Constitucional n° 20/1998, assim dispunha o art. 195, I da Constituição Federal: Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; (...) §4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. Conforme redação acima transcrita, não figurava abarcada no campo de incidência das contribuições previdenciárias, a exação incidente sobre a remuneração de segurados que não se enquadrassem no conceito de folha de salários. Assim, a instituição de contribuições sociais incidentes sobre a remuneração de segurados não empregados, dentre eles os assim denominados segurados contribuintes individuais, somente poderia ser promovida mediante Lei Complementar, no exercício da competência residual exclusiva da União, prevista no art. 150, I da CF/88, conforme estatuído expressamente no art. 195, §4º da Carta. Nessa perspectiva, no desempenho da competência residual supra referida e trilhando um processo legislativo em perfeita sintonia com o ordenamento jurídico vigente à época, foi editada pelo Congresso Nacional e promulgada pelo Presidente da República a Lei Complementar n° 84/1996, instituindo a novel fonte de custeio previdenciário incidente sobre a remuneração de trabalhadores autônomos, empresários e trabalhadores avulsos e demais pessoas físicas. LEI COMPLEMENTAR nº 84, de 18 de janeiro de 1996. Art.1º Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas; Posteriormente, com a publicação da citada Emenda Constitucional n° 20/1998, foi alterado o teor normativo do art. 195, I da Constituição Federal, cuja redação passou a dispor, ad litteris et verbis: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10120.006938/201019 Acórdão n.º 2302002.063 S2C3T2 Fl. 1.753 11 I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. (grifos nossos) (...) Tal modificação no texto constitucional, pelo visto, ainda não é do conhecimento do Recorrente, apesar de ocorrida ainda no milênio passado. Da leitura de tais comandos constitucionais, deflui que as normas que disciplinam a espécie ora em apreciação não impõem mais qualquer exigência de Lei Complementar para a imposição de tributação sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais, a qual pode ser instituída mediante mera lei ordinária, em obediência à reserva legal prevista no art. 97 do CTN, in verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; (grifos nossos) II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. §1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. §2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Nessa toada, sem que tenha ocorrido solução de continuidade, foi editada, já sob a nova ordem constitucional, a lei nº 9.876/99 que majorou a alíquota de 15% para 20%, ao mesmo tempo em que fez inserir, no corpo da lei de custeio da Seguridade Social, precisamente em seu art. 22, o inciso III, estabelecendo o regramento da exação previdenciária a cargo da empresa contratante, incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais, no decorrer do mês competência, pelos serviços que lhe foram prestados. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). (grifos nossos) Conforme detalhadamente descrito, na ordem jurídica inaugurada pela EC nº 20/1998, a contribuição social previdenciária a cargo das empresas e pessoas jurídicas, incidente sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, não demanda mais, para a sua instituição, de Lei Complementar, mas mera lei ordinária. A matéria ora em debate já foi bater às portas da Suprema Corte Constitucional, no julgamento da Ação Direta de Constitucionalidade nº 1/DF, da Relatoria do Min. Moreira Alves, que assentou “A jurisprudência desta Corte, sob o império da Emenda Constitucional n. 1/69 – e a Constituição atual não alterou este sistema – se firmou no sentido de que só se exige lei complementar para as matérias cuja disciplina a Constituição expressamente faz tal exigência e, se porventura a matéria, disciplinada por lei cujo processo legislativo observado tenha sido o da lei complementar, não seja daquelas para que a Carta Magna exige essa modalidade legislativa, os dispositivos que tratam dela se têm como dispositivos de lei ordinária”. (grifos nossos) Nesse panorama, diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência legal, que a condução do regramento a respeito da incidência de contribuições previdenciárias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, a segurados contribuintes individuais é prerrogativa reservada à Lei Orgânica da Seguridade Social, a qual estabeleceu que, havendo prestação de serviços pelo segurado contribuinte individual diretamente à empresa, há justa subsunção à hipótese descrita no inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/91, a qual implica a contribuição previdenciária a cargo da empresa à alíquota de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Não se trata, pois, como assim entende o Recorrente, do caso de retenção de contribuições previdenciárias de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98. Esta se aplica, exclusivamente, à hipótese de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra por interposta pessoa jurídica. O caso ora em apreciação trata de prestação direta de serviços à empresa por segurado contribuinte individual, hipótese que se subsume à situação prevista no art. 22, III da Lei nº 8.212/91. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que o presente lançamento não demanda, alfim, qualquer reparo. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10120.006938/201019 Acórdão n.º 2302002.063 S2C3T2 Fl. 1.754 13 É como voto. Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000101/2010-97
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2006, 2007
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL.
Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos, como foi apurado e suas fontes para apuração do crédito tributário, sem obscuridades e contradições, sob pena de nulidade por vício material obedecendo o art. 142 do CTN.
Recurso Voluntário Provido - Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2803-001.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Osmar Pereira Costa, Natanael Vieira Dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos, como foi apurado e suas fontes para apuração do crédito tributário, sem obscuridades e contradições, sob pena de nulidade por vício material obedecendo o art. 142 do CTN. Recurso Voluntário Provido - Crédito Tributário Exonerado.
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos, como foi apurado e suas fontes para apuração do crédito tributário, sem obscuridades e contradições, sob pena de nulidade por vício material obedecendo o art. 142 do CTN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Osmar Pereira Costa, Natanael Vieira Dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 01 01 /2 01 0- 97 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10976.000101/201097 Acórdão n.º 2803001.686 S2TE03 Fl. 61 2 Relatório O presente Recurso Voluntário foi interposto contra decisão da DRJ, que manteve os créditos tributários oriundos da aplicação de multa por descumprimento do disposto no art. 32, IV, da Lei n. 8.2121991, por ter deixado de informar fatos geradores de contribuições previdenciária em GFIP, supostamente nos exercícios de 2006 e 2007, pois essa informação não é clara no Auto de Infração. A o julgador a quo emitiu decisão com parca fundamentação pela improcedência da impugnação e mantendo a autuação. Dentre os motivos estavam: apesar de ter reconhecida a imunidade (art. 55, da Lei n. 8.212/1991) até dezembro de 2006, o mesmo não ocorrera em 2007. Bem como, a aplicação da multa em conformidade ao art. 32A, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada após a MP n. 449/2008. Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos e todos apontados na impugnação: ser a recorrente beneficiária de imunidade, inclusive em face da Lei n. 12.101/2009 que alterou as competências e formas de análise das imunidades em questão, o que teria tornado inútil e inviável à época da lavratura do auto de infração e do requisito do art. 55, parágrafo primeiro, da Lei n. 8.212/1991. Esse é o relatório. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10976.000101/201097 Acórdão n.º 2803001.686 S2TE03 Fl. 62 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Relator Preliminarmente, por dever de ofício em razão dos princípios da estrita legalidade, publicidade, moralidade administrativa, entendo que a decisão a quo e a autoridade lançadora equivocaramse e demonstraram desrespeito às poucas garantias dos contribuintes, que prejudicam a análise pela Recorrente e confecção de uma defesa plena. Passo a elencar os pontos básicos que impedem qualquer apreciação posterior: O auto de infração, peça inalgural do contencioso administrativo que é independente , não traz em seu bojo qualquer indicação sobre o período de apuração e dos fatos geradores das sanções e dos tributos cobrados. Apenas indica que está conforme tabelas juntadas em demais autos de infração, estes que não se encontram apensados a este processo administrativo. Tanto no relatório fiscal e do relatório de aplicação da multa, apenas há referência que houve a aplicação dos art 32A, I, parágrafos 2o e 3o, da Lei n. 8.212/1991, incluidos pela Lei n. 11.941/2009, em razão da retroatividade benígna, contudo sequer informa qual seria o dispositivo legal paradígma e a sua real aplicação. A decisão a quo, da mesma forma, demontrase teratológica, apenas repete os fundamentos do auto de infração, e à relatórios não exitentes nos autos. Há clara obsturidade e contradição na decisão a quo, comprovada pelo fato de que informa o reconhecimento da imunidade da Recorrente no exercício de 2006, mas em nada demonstra os seus fundamentos, e nem o que afetou ou não no presente lançamento. Ainda, deixa de observar a alegação da Recorrente quanto à aplicação da Lei n. 12.101/2009, ao presente caso. Os documentos presentes nos autos, não permitem a verificação das efetivas diferenças de informação, acusadas para a aplicação da sanção. Inclusive, não informa devidamente quais foram as bases de confrontação entre o informado pelo contribuinte em GFIP e os supostos reais fatos geradores. E a razão está na própria preterição ao direito de defesa da Recorrente. Atos que por si só que deveriam ter observado o disposto no art. 9o, do Dec. 70.235: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10976.000101/201097 Acórdão n.º 2803001.686 S2TE03 Fl. 63 4 Ainda, conforme o que dispõe o art. 142, do CTN, c/c art. 33 e 37 da Lei n. 8.212/2010, o lançamento tributário deve ser demonstrar claramente quais são os seus fundamentos fáticos e jurídicos, sob pena de nulidade. Isso inclui o ônus probatório da Administração em trazer elementos probantes e legais que subsidiem a constituição do crédito tributário, para em um segundo momento demonstrar de forma clara o fenômeno da subsunção da norma aos eventos por eles representados (art. 9º, do Dec. 70.235/172). O lançamento objeto da decisão recorrida deve preencher os requisitos da legalidade impostos pelo art. 142, do CTN, bem como da legislação ordinária, em especial o art. 33 e 37 da Lei n. 8.212/1991 e Decreto n. 70.235/1971. Tais determinações são necessárias inclusive para que haja o real respeito à garantia de contraditório e ampla defesa e ao devido processo legal (art. 5, LV da CF/1988) “sendo, o lançamento, o ato através do qual se identifica a ocorrência do fato gerador, determinase a matéria tributável, calculase o montante devido, identificase o sujeito passivo e, em sendo o caso, aplicase a penalidade cabível, nos termos da redação do art. 142 do CTN, certo é que do documento que formaliza o lançamento deve constar referência clara a todos estes elementos, fazendose necessário, ainda, a indicação inequívoca e precisa da norma tributária impositiva incidente” (PAUSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 3ª ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2001, p. 706 ). Pelas razões acima, observase que a norma individual e concreta em que não demonstra todas as suas facetas, prejudica a sua aplicação e a possibilidade de defesa do contribuinte perante o Fisco (art. 59, I, do Dec. 70.235/1972). A deficitária construção da norma individual e concreta do tributo ou da sanção é algo além da mera formalidade extrínseca do ato de constituição do crédito, afetando o seu âmago. Conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO — É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sendo imputado. ratase, no caso, de nulidade por vício material, na medida em que alta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese reincidência." (1° Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Recurso nº132.213 — Acórdão n°10194049, Sessão de 06/12/2002, unânime) Dessa forma, está claro que com meras alegações circunstanciais, e com os documentos probantes na forma apresentada nos autos, não se poderia constituir o crédito tributário impugnado contra a Recorrente. Isso posto, meu voto é para CONHECER O RECURSO VOLUNTÁRIO, CONCEDENDO TOTAL PROVIMENTO, no sentido de reformar a decisão a quo e decretar a nulidade do lançamento por vicio material. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10976.000101/201097 Acórdão n.º 2803001.686 S2TE03 Fl. 64 5 Sala de Sessões, 10 de julho de 2012. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 64DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10166.723057/2010-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO - DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - RUBRICA ESPECÍFICA. ARRECADAÇÃO PARCIAL. INEXISTÊNCIA DA INFRAÇÃO. Não se configura a infração consistente em deixar de arrecadar mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados, quando o sujeito passivo deixa de arrecadar apenas as contribuições incidentes sobre verbas que entende não serem passíveis de tributação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Marcelo Freitas de Souza Costa- Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Kleber Ferreira de Araújo; Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO - DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - RUBRICA ESPECÍFICA. ARRECADAÇÃO PARCIAL. INEXISTÊNCIA DA INFRAÇÃO. Não se configura a infração consistente em deixar de arrecadar mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados, quando o sujeito passivo deixa de arrecadar apenas as contribuições incidentes sobre verbas que entende não serem passíveis de tributação. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam. Elias Sampaio Freire - Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa- Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Kleber Ferreira de Araújo; Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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ARRECADAÇÃO PARCIAL. INEXISTÊNCIA DA INFRAÇÃO. Não se configura a infração consistente em deixar de arrecadar mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados, quando o sujeito passivo deixa de arrecadar apenas as contribuições incidentes sobre verbas que entende não serem passíveis de tributação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam. Elias Sampaio Freire Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 30 57 /2 01 0- 21 Fl. 2054DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Kleber Ferreira de Araújo; Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2055DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 10166.723057/201021 Acórdão n.º 2401002.510 S2C4T1 Fl. 2.055 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 30, inciso I alínea “a”, que consiste em a empresa deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, contribuições dos segurados que lhe prestaram serviços. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 06/16, no período de 01/2007 a 12/2008 a empresa efetuou pagamento de remunerações aos segurados, sem os respectivos descontos das contribuições por eles devidas à Seguridade Social a título de: a) vale transporte pago aos empregados por meio de rubricas da folha, compondo sua remuneração total, sem sofrer a incidência da contribuição previdenciária, com previsão na Convenção Coletiva de Trabalho de 2006 (vigente até 2008); a base de cálculo utilizada pela fiscalização foi o valor líquido do auxílio recebido pelos empregados; b) auxílio alimentação pago por meio de rubricas da folha, compondo sua remuneração total, sem sofrer a incidência da contribuição previdenciária, com previsão na Convenção Coletiva de Trabalho de 2006 (vigente até 2008); a base de cálculo utilizada pela fiscalização foi o valor líquido do auxílio recebido pelos empregados; c) fornecimento de cestas básicas em desacordo com o PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador, também previsto na Convenção Coletiva de Trabalho de 2006 (vigente até 2008). Concluiu a fiscalização que a Brasal Refrigerantes S/A encontravase irregular com o PAT, no período de 01/2007 a 05/2008 e 12/2008, uma vez que contratou empresa sem inscrição no PAT para fornecer as cestas básicas. O Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, às fls. 17/20, esclarece que, em razão das alterações trazidas pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, e tendo em vista o disposto no art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN, a multa calculada na ação fiscal geradora deste auto, para os fatos geradores ocorridos até a competência 11/2008, foi a resultante do confronto entre a penalidade prevista antes e depois da alteração da lei, visando à aplicação da mais benéfica ao contribuinte. Inconformada com a decisão de fls. 2010 a 2016 que julgou procedente o lançamento a empresa recorre à este conselho reiterando os argumentos contidos na impugnação que em síntese foram os seguintes: Afirma que não omitiu dados em GFIP, visto que, como exaustivamente demonstrado nas impugnações apresentadas aos autos de infração de obrigação principal, os valores pagos aos segurados não se caracterizam como remuneração; Do Vale Transporte Fl. 2056DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 4 Que não incide a contribuição social sobre o pagamento de vale transporte, conforme hipóteses de exclusões previstas no próprio art. 28 da Lei nº 8.212/91, como também por estar previsto em Convenção Coletiva de Trabalho; Aduz que o Decreto nº 4.840, de 17/09/2003, em seu artigo 2º, §1º, inciso IX, admitiu expressamente a existência de auxílio transporte pago em dinheiro, não configurando, assim, remuneração; Do Auxílio Alimentação Defende que da mesma forma que o vale transporte, o pagamento feito a título de auxílio alimentação também não sofre a incidência da contribuição social, visto ser feito em razão de Convenção Coletiva de Trabalho e por se tratar de benefício social que é a alimentação do trabalhador; Afirma que as Leis 6.321/76 e 8212/91 não contem previsão expressa quanto à isenção das contribuições previdenciárias incidentes sobre a parcela paga pela empresa em espécie, à título de auxílio alimentação, logo, dever ser aplicado à espécie, por similitude e em homenagem ao princípio da isonomia, a mesma exegese aplicável às hipóteses de pagamento da mesma parcela na forma in natura. Entende que, como ocorre com o pagamento de cestas básicas para o gozo do benefício de isenção, nos casos de auxílio alimentação pago em espécie, basta que o pagamento esteja de acordo com os programas de alimentação aprovados pelos Ministérios do Trabalho e da Previdência Social, independentemente de prova de adesão ao PAT. Das Cestas Básicas Sobre o fornecimento de cestas básicas, alega que não prospera o entendimento da fiscalização de que o contribuinte deve comprovar a inscrição da empresa fornecedora no PAT como pré requisito para que tal verba seja isenta da incidência tributária em questão; De acordo com o art. 3º da Lei nº 6.321/76 e o art. 28, §9º, alínea “c” da Lei nº 8.212/91, excluemse das hipóteses de incidência da contribuição previdenciária as parcelas in natura fornecidas ao empregado, bastando, para tanto, que estejam de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social; Alega que a Lei nº 6.321 não condiciona o direito à isenção ao atendimento da formalidade de inscrição no PAT por parte do fornecedor; Que, no caso da recorrente, a parcial ausência de inscrição para uns poucos meses de 2007 e 2008 não tem o condão de afastar a natureza salarial de tal verba, que foi expressamente reconhecida pelas respectivas Convenções Coletivas de Trabalho; Menciona que a empresa está, de fato, amparada pelo PAT, conforme a Lei nº 6.321/76, sendo certo que a única suposta irregularidade apontada pela autoridade fiscal foi o fato de não haver comprovado a inscrição das fornecedoras, o que se apresenta como uma redundância injustificável; Requer o provimento do recurso, julgando improcedente a autuação, bem como a multa aplicada É o relatório. Fl. 2057DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 10166.723057/201021 Acórdão n.º 2401002.510 S2C4T1 Fl. 2.056 5 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. O presente autuação foi efetuado em face da recorrente deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, contribuições dos segurados que lhe prestaram serviços, à titulo de vale transporte, auxílio alimentação e fornecimento de cestas básicas em desacordo com o PAT. Aduz a recorrente que tais valores não estão sujeitos à incidência de contribuições, posto que desvinculados dos salários de seus funcionários e desta forma, não haveria porque fazer o desconto de contribuições sobre estas verbas. Em que pese o entendimento da fiscalização acerca da suposta infração cometida, entendo não ser procedente a autuação ora sob análise. É que em recente julgamento proferido pela Câmara Superior do CARF nos autos do processo 37166.000545/200718, objeto de Recurso Especial da Fazenda Nacional, a matéria trazida nos presentes autos foi tratada, tendo como decisão o entendimento de que não há a ocorrência de infração, quando a empresa não efetua o desconto de rubrica que entende não se tratar de fato gerador, havendo o recolhimento quanto as demais. Vejamos como foi tratado o assunto naquela Turma da Câmara Superior, através do voto condutor proferido pelo Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior: .... Destaquese que a controvérsia trazida a esta Turma da Câmara Superior limitase a existência ou não de contrariedade à lei no tocante à decisão recorrida ter considerado que não caracteriza a infração prevista na alínea “a”, inciso I, do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, o fato de a empresa ter deixado de arrecadar a parte devida pelo segurado empregado no tocante a rubricas específicas que a empresa inicialmente entendeu não se constituir em fatos geradores das contribuições previdenciárias. Registrese que o auto de infração, no tocante às contribuições previdenciárias, tem como fato gerador o não cumprimento de obrigação acessória, assim compreendida aquela que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas e de interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Tais obrigações têm natureza instrumental, isto é, prestamse a auxiliar a execução das atividades arrecadadora e fiscalizadora dos entes tributantes, contudo, e isso não pode deixar de ser rememorado, são autônomas, inexistindo, nesse contexto, o Fl. 2058DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 6 sentido de que o acessório segue o principal, conforme bem ressaltado pela Fazenda Nacional. O dispositivo contrariado referese “a”, inciso I, do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; O acórdão recorrido definiu que a empresa descumpriu a legislação previdenciária ao deixar de descontar de seus empregados o percentual que seria devido em relação à rubrica prêmios e bonificações pagos por meio do cartão de crédito administrado pela empresa Incentive House S.A . Assentese que o descumprimento da obrigação acessória reportase a uma ilicitude de natureza formal. A lei descreve uma ação que, no momento em que o agente pratica a situação descrita, independentemente do resultado, caracteriza a ofensa à lei autorizando a conversão da obrigação acessória em uma obrigação principal em razão da necessária aplicação da penalidade pecuniária. Segundo penso, não assiste razão à Fazenda Nacional. Conforme consta no relatório fiscal da infração, fl. 6, a ação praticada pela empresa não se subsume à norma descrita pela lei. De acordo com o texto legal, a infração consiste em não arrecadar as contribuições, o que de fato não ocorreu, pois em relação às demais rubricas o sujeito passivo cumpriu a norma, deixando de efetuar o desconto apenas em relação ao que considerou não se constituiu fato gerador da obrigação previdenciária. Conforme tenho sustentado em outros julgamentos, não creio que o tratamento isolado em relação às diversas rubricas que compõe o salário de contribuição revelese como a forma correta de aplicação da norma. Creio que a solução mais adequada deve considerar a regra matriz relacionada efetivamente à definição de qual seria a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, observamos que à luz do que dispõe o inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o elemento jurídico a ser considerado para efeito de análise do do cumprimento da obrigação referese à remuneração total paga, devida ou creditada aos segurados pelo empregador: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6 I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou Fl. 2059DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 10166.723057/201021 Acórdão n.º 2401002.510 S2C4T1 Fl. 2.057 7 creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Vêse, portanto, que, se eventualmente o sujeito passivo não recolhe o tributo em relação a determinada rubrica que acredita não ter incidência da contribuição previdenciária, tal fato não implica em descumprimento da obrigação de arrecadação em relação à remuneração vista de maneira integral. Em verdade, o fracionamento dessas rubricas revelase necessário para identificação dos requisitos estabelecidos para verificação da não incidência do salário de contribuição em conformidade com as inúmeras previsões do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Contudo, o conjunto de situações específicas que caracterizam a contraprestação onerosa do empregado pela empresa em nada altera a natureza jurídica de cada uma dessas rubricas que são, em seu conjunto, a remuneração devida ao segurado. Em outras palavras, cada rubrica é espécie do gênero remuneração. Desse modo, se houve arrecadação, isto é, desconto da parte do segurado em relação às demais rubricas, não há que se falar em obrigação descumprida no tocante a uma rubrica específica. Ante o exposto VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL interposto pela FAZENDA NACIONAL. No presente caso, temos a mesma situação, já que a os valores pagos não foram lançados na contabilidade da empresa como parte integrante da remuneração, ou seja, tais valores não eram entendidos pela empresa como sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias, sendo certo que com relação às demais rubricas houve o desconto e recolhimento. Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO e no mérito DARLHE PROVIMENTO Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 2060DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 8 Fl. 2061DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007649/2003-70
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
O prazo para a Fazenda Pública constituir credito tributário referente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação extingue-se em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional e nos termos da Súmula nº 8 do STF.
Numero da decisão: 3801-001.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conheceu-se dos embargos para acolher a alegação de omissão no Acórdão e retificá-lo nos termos do voto do relator, todavia sem alterar a decisão embargada.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
EDITADO EM: 23/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. O prazo para a Fazenda Pública constituir credito tributário referente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação extingue-se em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional e nos termos da Súmula nº 8 do STF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conheceu-se dos embargos para acolher a alegação de omissão no Acórdão e retificá-lo nos termos do voto do relator, todavia sem alterar a decisão embargada. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. EDITADO EM: 23/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. O prazo para a Fazenda Pública constituir credito tributário referente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação extinguese em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional e nos termos da Súmula nº 8 do STF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conheceuse dos embargos para acolher a alegação de omissão no Acórdão e retificálo nos termos do voto do relator, todavia sem alterar a decisão embargada. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 23/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 76 49 /2 00 3- 70 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela União, através da Procuradora da Fazenda Nacional, com fulcro no art. 64, inciso I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, observando sanar eventual contradição no acórdão proferido nesse processo — Acórdão n° 380100.432, de 25 de maio de 2010, pleiteando o esclarecimento no que tange a declaração de decadência do período de apuração em discussão. Ao Recurso Voluntário foi dado provimento com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998 DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo para a Fazenda Pública constituir crédito tributário referente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação extinguese em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4 0, do CTN. Essa regra aplicase à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, por força da Súmula Vinculante n°. 8 do STF. Recurso Voluntário Provido. Fundamenta a Fazenda a interposição de Embargos no seguinte trecho de sua petição: De acordo com a fundamentação contida no acórdão embargado, por se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação, deve serlhe aplicado o regime decadencial de que cuida o art. 150, §4°, do CTN, ou seja, o termo inicial do prazo dáse a partir de cada fato gerador. A omissão consiste em não se ter examinado a necessidade do pagamento antecipado, para fins de aplicação do art. 150, §4º, do CTN . A Fazenda Nacional defende que, mesmo se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, caso o sujeito passivo não o apure, deixando de efetuar o pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, deslocandose o termo inicial do prazo de decadência para o primeiro ano seguinte àquele em que o lançamento poderia ser realizado. (...) Portanto, ao silenciar sobre a necessidade, ou não, da existência de pagamento antecipado, como requisito para a aplicação da regra do art. 150, §4°, do CTN, a Egrégia Turma incorreu, data venia, em omissão no julgamento. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10980.007649/200370 Acórdão n.º 3801001.580 S3TE01 Fl. 106 3 Em suma, o presente recurso tem como objetivo os seguintes esclarecimentos: a) o acórdão embargado considerou necessária a antecipação do pagamento para a aplicação da regra do art. 150, §4, do CTN?; b) em caso de resposta positiva, o caso em exame apresenta fatos geradores que não foram objeto de apuração e pagamento antecipado pelo contribuinte? Ante o exposto, requer a União (Fazenda Nacional) que sejam recebidos e acolhidos os presentes embargos de declaração, para efeito de suprir a omissão apontada, esclarecendose as questões acima suscitadas com eventuais efeitos modificativos. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Os Embargos são tempestivos e satisfazem os demais requisitos de admissibilidade, portanto deles conheço. Revisando o acórdão embargado vêse que o mesmo apresentou toda a sua fundamentação quanto ao período que tem a Fazenda Pública para constituir credito tributário referente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, entretanto, não informou se no presente caso houve ou não pagamento para fins de aplicação da regra de contagem do prazo decadencial. O Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante n° 81 declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991, que previa o prazo decadencial de dez anos para a constituição de créditos tributários relativos a contribuições sociais. Considerando que o efeito vinculante da Súmula nº 8 surge para a Administração Pública Direta desde a data de sua publicação, é forçoso concluirse pela impossibilidade, a partir de 20/06/08, da aplicação dos artigos 45 e 46 (relativo à prescrição) da Lei nº 8.212/91 à constituição e exigência de crédito tributário, aí incluídos os casos pendentes de julgamento administrativo. Sendo assim, cabe a aplicação da regra de decadência prevista nos artigos 150, § 4º e 173 do Código Tributário Nacional CTN, abaixo transcritos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. 1 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10980.007649/200370 Acórdão n.º 3801001.580 S3TE01 Fl. 107 5 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. O termo inicial da contagem do prazo deve ser extraído das alíneas “d” e “e” do item 48 do Parecer PGFN/CAT nº 1.617, de 2008, de 1º de agosto, de 2008, assim expressas: d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; E também nos termos do voto da Ministra Eliana Calmon no Recurso Especial nº 512,840 – SP, com a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150 § 4º E 173 DO CTN). 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CNT). 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. 4. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5. Recurso especial provido No presente caso, tendo em vista que houve a antecipação de pagamentos, conforme DARFs de fls. 26, 30 e 32, deve ser observado o disposto no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional, supra citado. O lançamento referese a janeiro e fevereiro de 1998. A ciência postal que concluiu o lançamento do auto ocorreu em 21/07/2003, tendo decaído, destarte, todo o período. Diante do exposto, conheço dos embargos para acolher a alegação de omissão no Acórdão, no entanto, mantenho a decisão embargada que reconheceu a decadência. É o meu voto, Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10976.000293/2010-31
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32-A a Lei n º 8.212.
Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-001.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar-se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional - CTN.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vetoratto, André Luís Mársico Lombardi e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. 1. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32A a Lei n º 8.212. 2. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 3. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratarse de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 02 93 /2 01 0- 31 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10976.000293/201031 Acórdão n.º 2803001.921 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vetoratto, André Luís Mársico Lombardi e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10976.000293/201031 Acórdão n.º 2803001.921 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração – AI (CFL 68) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, por descumprimento das disposições contidas no artigo 32, inciso IV, § 5º da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei nº 9.528/97, combinado com o artigo 225, inciso IV e § 4º do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, tendo em vista que a empresa apresentou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, deixando de informar a rubrica Abono de Férias CCT, constante de sua folha de pagamento. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 24 de fevereiro de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A decisão recorrida manteve a multa aplica. Entretanto, a decisão está a merecer reforma. Afirma a d. Turma que as penalidades aplicadas foram comparadas em face às alterações introduzidas na legislação pela MP nº 449/2008 convertida na Lei 11.941/2009, visando à aplicação de penalidade mais benéfica ao contribuinte, o que data vênia, não ocorreu. Não é possível comparar multas de natureza distinta. A multa de ofício de 75% somente foi criada para inadimplemento de contribuições previdenciárias no final de 2008 pela MP 449. Portanto, não pode ser aplicada para fatos geradores relativos ao período de 2007. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10976.000293/201031 Acórdão n.º 2803001.921 S2TE03 Fl. 5 4 No referido período aplicavase na constituição de ofício de contribuições previdenciárias apenas multa de mora, variando de 24% a 100%, agora limitada a 20%, conforme art. 35 da lei 8.212/91 c/c artigo 61 da Lei 9.430/96. Considerando a retroatividade mais benéfica da limitação da multa de mora a 20%, nenhuma multa por inadimplemento de contribuição (obrigação principal) do período anterior ao início da vigência da MP 449, pode ser superior a 20% do valor não recolhido do tributo. Em relação à multa por descumprimento de obrigação acessória, referente a competência de 12/2007, a comparação que deve ser feira é da multa antiga do artigo 32, § 4º a 6º da Lei 8.212/91 (100% da contribuição não declarada), com a multa atualmente prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91, e não da forma como pretendido pelo Auditor. Diante do exposto, a Recorrente requer seja totalmente reformado o Acórdão nº 0231.103 proferido pela d. 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, para que, seja cancelado integralmente o Auto de Infração nº 37.282.8990. Requer ainda, como pedido sucessivo, na eventualidade de não ser cancelado integralmente o lançamento, a reformulação da multa para que a mesma não ultrapasse o percentual de 20% do tributo pretensamente não recolhido no período de 01/2007 a 11/2007 e para a competência de 12/2007 a nova multa do art. 32A. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10976.000293/201031 Acórdão n.º 2803001.921 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 27), foi constatado que o contribuinte apresentou o documento a que se refere a Lei nº 8.212/91, artigo 32, inciso IV e parágrafo terceiro, acrescentados pela Lei nº 9.528/97 – GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, deixando de informar a rubrica Abono de Férias CCT, código 2035 constantes de sua folha de pagamento. Ainda de acordo com o referido relatório, o procedimento levado a efeito pelo contribuinte constitui infração ao disposto na Lei nº 8.212/91, art. 32, IV e parágrafo quinto, acrescentado pela Lei nº 9.528/97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo quarto, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. É sabido, pois, que desde janeiro de 1999 tornouse obrigatória a declaração, por intermédio do documento denominado GFIP – Guia de Pagamento do FGTS e Informações à Previdência Social, de todas as bases de cálculo de contribuições previdenciárias. A não apresentação, no prazo estabelecido pela legislação que rege a matéria, bem como a declaração de valores inferiores aos corretos, implica, necessariamente, na autuação da empresa por parte da fiscalização. Sabese também que pelo descumprimento da obrigação referida, a multa aplicada para essa infração equivale a 100% (cem por cento) do valor devido relativo às contribuições não declaradas, respeitado o limite dos valores previstos no RPS, quando o contribuinte apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Assim, não se pode perder de vista que o descumprimento da obrigação tributária com a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, configurase infração à legislação, conforme a descrição sumária da infração e dispositivo legal infringido (fls. 01). Nada obstante à discussão estabelecida entre o Fisco e o contribuinte, há que se considerar, in casu, que a multa imposta ao contribuinte, baseada no art. 32 da lei nº 8.212/91, sofreu alterações em razão dos comandos emanados da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na lei nº 11.941, de 2009. Destarte, em relação às multas de que tratava o artigo 32 da Lei de Custeio, o legislador, ao acrescentar o art. 32A ao referido diploma legal estabeleceu que: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10976.000293/201031 Acórdão n.º 2803001.921 S2TE03 Fl. 7 6 incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, sendo mais benéfica para o infrator, conforme se pode observar da redação do art. 32A da Lei nº 8.212/91. Todavia, com o advento da medida Provisória nº 449 de 2009, convertida na Lei nº 11.941/09, a tipificação passou a ser apresentar GFIP com incorreções ou omissões, com Fl. 112DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10976.000293/201031 Acórdão n.º 2803001.921 S2TE03 Fl. 8 7 multa de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. A nova redação não faz distinção se os valores foram declarados a maior ou a menor. Conforme previsto no art. 106, inciso II, do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratalo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo, pois, que este caso se enquadra perfeitamente na regra prevista no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. CONCLUSÃO. Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 5/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003172/2008-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 09/09/2008
DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÕES.
Constitui infração a empresa deixar de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do Fisco, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.
RELEVAÇÃO DA MULTA. INAPLICABILIDADE.
Não prestar informações ao Fisco durante processo investigativo acerca do cumprimento das obrigações tributárias é algo que não pode ser sanado após concluída a ação fiscal.
Numero da decisão: 2403-001.510
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Constitui infração a empresa deixar de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do Fisco, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. RELEVAÇÃO DA MULTA. INAPLICABILIDADE. Não prestar informações ao Fisco durante processo investigativo acerca do cumprimento das obrigações tributárias é algo que não pode ser sanado após concluída a ação fiscal. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 31 72 /2 00 8- 62 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.003172/200862 Acórdão n.º 2403001.510 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, Acórdão 0928.097 da 5ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória AI DEBCAD n° • 37.172.5739 lavrado em 09/09/2008, no valor de R$12.548,77. A Ação Fiscal iniciouse com a ciência pelo sujeito passivo do Termo de Inicio da Ação Fiscal — TIAF em 28/02/2008, fls. 06/07. Emitidos Termo de Intimação para Apresentação de Documentos —TIAD para apresentação de documentos e a prestar esclarecimentos e informações: em 23/06/2008, documentos de caixa e extracaixa suporte dos lançamentos contábeis do ano de 2003 a 2007 (fls. 08); em 09/07/2008, documentação técnica dos sistemas informatizados de registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos, especificamente em relação a folha de pagamento e contabilidade e ciência que o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF teve a validade prorrogada estando o mesmo disponível na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na interne, www.receita.fazenda.gov.br , mediante informação do número do CNPJ e código de acesso (fls. 09); em 09/07/2008, dos documentos que originaram os lançamentos contábeis na relação em anexo intitulada "Amostragem contabilidade 1" (fls. 10); em 11/07/2008, para informar na planilha, em anexo, intitulada "Amostragem contabilidade 2", o nome do beneficiário do adiantamento concedido (fls. 14); em 22/07/2008, "relação dos itens integrantes do ativo imobilizado ... ", "contratos de Leasing ...", "contrato, projeto e memorial descritivo referente aos serviços prestados por Archel Engenharia Ltda, ...", livros Diário dos anos de 2003 a 2007, bem como cópias dos termos de abertura e encerramento e dos balanços patrimoniais que os acompanham, contratos de locação e/ou sublocação firmados pela empresa (fls. 34) e em 28/07/2008, reitera a apresentação dos documentos solicitados no TIAD datado de 22/07/2008 e documentos que originaram os lançamentos contábeis na relação intitulada "Amostragem contabilidade 3", em anexo, "relação de veículos ...", Fl. 147DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 "originais e cópias das faturas mensais dos cartões de crédito em nome da empresa UNIFLEX, ..." (fls. 35). Conforme Relatório Fiscal da Infração, de fls. 39, constata se em síntese que a empresa infringiu o disposto no artigo 32, inciso III, da Lei n° 8.212/91 combinado com o artigo 225, inciso III do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, em relação aos fatos a seguir apresentados: 1) Deixar de apresentar a relação dos itens integrantes do ativo imobilizado, com descrição e pormenorização do valor contabilizado de cada item no encerramento dos balanços patrimoniais de 2003 a 2007, solicitada através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, datado de 22/07/2008, reiterado em 28/07/2008. 2) Deixar de apresentar os contratos de leasing registrados nas contas que integram o subgrupo Imobilizações em Andamento, solicitados através do T1AD, datado de 22/07/2008, reiterado em 28/07/2008. De acordo com o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 40, a multa aplicada é a prevista Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inciso II, alínea "b" e art. 373, com valor atualizado pela Portaria MPS/MF n° 77, de 11/03/2008. Não ficaram configuradas as demais circunstancias agravantes e atenuantes previstas, respectivamente nos artigos 290 e 291 do Regulamento da Previdência Social — RPS. Não constam antecedentes de autuação em nome da empresa, conforme informações disponíveis no banco de dados das contribuições previdenciárias. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Inexistência do MPF. · O Fisco não pode solicitar qualquer documento. Os documentos solicitados não tinham relação com os fatos geradores de contribuições previdenciárias. · Relevação da multa. · Decadência. É o relatório. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.003172/200862 Acórdão n.º 2403001.510 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. A autuação deuse pelo fato de a empresa não ter entregue para a fiscalização os seguintes documentos: · relação dos itens integrantes do ativo imobilizado, com descrição e pormenorização do valor contabilizado de cada item no encerramento dos balanços patrimoniais de 2003 a 2007, solicitada através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, datado de 22/07/2008, reiterado em 28/07/2008. · contratos de leasing registrados nas contas que integram o subgrupo Imobilizações em Andamento, solicitados através do TIAD, datado de 22/07/2008, reiterado em 28/07/2008. DECADÊNCIA Os documentos não apresentados referemse aos anos 2003 a 2007. A autuação acorreu em 09/09/2008. Para a decadência, é aplicado o prazo qüinqüenal. A maior parte dos documentos solicitados e não apresentados referemse a período menor que 5 anos da autuação. Basta 1 evento em período não decadente para a infração ser caracterizada. Portanto, a alegação é infundada. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF A tese apresentada é da nulidade pela ausência do MPF. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 O MPF é a ordem específica que instaura o procedimento fiscal. É emitido exclusivamente em forma eletrônica e o contribuinte pode acessálo por meio da Internet, utilizando o código de acesso. A recorrente tomou ciência da ação fiscal, do número do MPF e do respectivo código de acesso. Os atos que disciplinam o Mandado de Procedimento Fiscal MPF não deixam dúvida quanto à sua natureza de controle interno da atividade fiscal. Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007 Dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ... Dos Procedimentos Fiscais Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPF F), e no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). ... Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 doDecreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 daLei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. A tese da recorrente não pode prosperar visto que o que se observa no processo é a ausência de prejuízo, do que resulta na inaplicabilidade da nulidade. Manuseando o processo, à folha 6, no Termo de início da Ação Fiscal, do qual o diretor da empresa teve ciência em 28/02/2008, consta o número do Mandado de Procedimento Fiscal e o Código de Acesso. MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl. 150DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.003172/200862 Acórdão n.º 2403001.510 S2C4T3 Fl. 5 7 Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB Termo de Inicio da Ação Fiscal – TIAF Identificação da Ordem Número do Mandado de Procedimento Fiscal: 10.1.07.002008 00101 4 Código de Acesso: 52005805 Consta do acórdão recorrido datas e prazos tanto para o MPF original quanto para suas prorrogações. No caso especifico o MPF foi emitido em 12/02/2008 para ser executado até 11/06/2008, sendo prorrogado até 10/08/2008 e depois prorrogado até 09/10/2008. A fiscalização foi encerrada no dia 09/09/2008, conforme Termo de Encerramento da Ação Fiscal, folhas 37 e 38. Não percebi nem prejuízo nem ilegalidade. MÉRITO A empresa foi autuada por deixar de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. A recorrente alega que o Fisco não pode solicitar qualquer documento e que os documentos solicitados não tinham relação com os fatos geradores de contribuições previdenciárias A fiscalização é procedimento investigativo onde o Fisco procura identificar se as obrigações tributárias foram cumpridas. Durante essa investigação, a busca de informações é essencial. Por essa razão, dentre as obrigações acessórias está incluída a de apresentar documentos e informações solicitadas pelo Fisco. Lei n° 8.212/91 Art. 32. A empresa é também obrigada a: III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações Fl. 151DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. III — prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Lei n°11.941, de 2009) Não considero fora de propósito os documentos solicitados. Não fornecer informações ao Fisco durante a investigação é algo que não pode ser sanado após o encerramento da investigação, ademais, o acórdão recorrido registra que a falta não foi sanada. Portanto, como não constam dos autos a correção da falta dentro do prazo de impugnação não foram atendidas cumulativamente as exigências requeridas. Dessa forma, também a pleiteada relavação da multa não se aplica. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 152DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10830.000076/2010-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, sendo ônus do sujeito passivo comprovar a despesa com a apresentação de documento que contenha todos os requisitos legais. Hipótese em que a prova requerida é parcialmente apresentada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-001.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução com despesa médica no montante de R$13.550,00.
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), José Evande Carvalho Araujo, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, sendo ônus do sujeito passivo comprovar a despesa com a apresentação de documento que contenha todos os requisitos legais. Hipótese em que a prova requerida é parcialmente apresentada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução com despesa médica no montante de R$13.550,00. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), José Evande Carvalho Araujo, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 00 76 /2 01 0- 04 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/1 1/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1742.317 (fl. 56), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação à Notificação de Lançamento às fls. 04/07, relativo ao IRPF do exercício de 2007, decorrente da dedução indevida de despesas médicas no valor total de R$ 21.219,02, referente às prestadoras Renata Gagliardo (R$ 3.000,00), Roselys M. B. da Cunha (R$ 5.000,00) e Anamaria R. B. Roichman (R$ 8.550,00), sob o fundamento de que os recibos seriam avulsos, sem número e sem endereço. Quanto à Unimed Paulista (R$ 4.669,02), sequer foram apresentados comprovantes. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2007 GLOSA DE DEDUÇÕES. O direito às suas deduções condicionase à comprovação não só da efetividade dos serviços prestados, mas também dos correspondentes pagamentos. Artigo 73, 80, § 1°, III, e 797 do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF (fls. 64/70), a recorrente argumenta que a glosa levada a efeito deuse "por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução", pelo que complementa a descrição dos fatos com a informação de que os recibos ali descritos são "avulsos, sem número e sem endereço". Conclui que a análise dos fatos deve ater se à acusação fiscal. Com suporte na legislação que rege a matéria, entende que a dedução a título de despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, a comprovação ser feita com a indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme já assentado neste Colegiado, as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e limitamse a pagamentos especificados e comprovados. Vejamos o que dispõe o artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995: Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 102DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/1 1/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.000076/201004 Acórdão n.º 2101001.939 S2C1T1 Fl. 95 3 I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Nesse mesmo sentido, determina o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 82, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 82, § 2º): Fl. 103DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/1 1/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Analisandose a Notificação expedida em desfavor da Recorrente, especialmente a descrição dos fatos à fl. 6, verificase que a glosa das despesas médicas ocorreram sob o seguinte fundamento: R$ 5.000,00/Roselys M B da Cunha: recibos avulsos, sem n° e sem endereço. R$ 3.000,00/Renata Gagliardo: idem acima. R$ 8.550,00/Anamaria R B Roichman: idem acima. R$ 4.669,02/Unimed Paulistana: não apresentou comprovantes. Desta forma, a análise dos fatos estão circunscritos à apresentação de documento hábil e idôneo que contenha os requisitos exigidos pela legislação do imposto de renda. Dentre estes não se encontra qualquer referência ao recibo ser avulso ou ter caracteres próprios do emitente, bem assim que seja numerado. A exigência que o documento comprobatório da despesa médica contenha o endereço do emitente tem suporte na legislação acima transcrita. Sob este pórtico, entendo que os recibos relacionados aos profissionais Roselys M B da Cunha, Renata Gagliardo e Anamaria R B Roichman não atendem os requisitos legais, por não conterem o endereço dos emitentes. Podese pensar que este é um requisito menor, porém não o é. Além de estar expressamente previsto em toda a legislação que trata da matéria, o endereço da prestação do serviço, que não é o domicílio fiscal do emissor do recibo, é uma informação relevante para que a fiscalização, se entender necessário, efetue diligências no local. Em algumas situações este Colegiado decide pela procedência ou não de uma dedução com base em um conjunto probatório que leva em consideração o fato da prestação do serviço ter sido realizada em endereço inexistente ou por informações de moradores que afirmam nunca ter existido consultório no endereço consignado no recibo. Examinandose os demais elementos de prova colacionados aos autos, entendo que as despesas incorridas com as profissionais Roselys M B da Cunha e Anamaria R B Roichman devem ser restabelecidas, tendo em vista que Declarações destas profissionais, às fls. 11 e 15, respectivamente, reafirmam a prestação do serviço e suprem a falta apontada no lançamento em exame como fundamento para a glosa, situação que não se verifica em relação à dedução com o profissional Renata Gagliardo, tendo em vista que os extratos bancários colacionados não permitem estabelecer qualquer vinculação com o pagamento indicado nos recibos à fl. 18, no valor total de R$ 3.000,00. No que tange à despesa médica relacionada à profissional Anamaria R B Roichman a recorrente junta aos autos transações bancárias indicadas à fl. 79, que robustecem ainda mais a convicção deste julgador quanto ao restabelecimento da despesa a ela referente. Em relação às despesas com o plano de saúde Unimed, a despeito de constar na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 6) que houve a glosa relativa à Unimed pela não apresentação de comprovantes, o que levaria a crer que foi glosado todo o valor Fl. 104DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/1 1/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.000076/201004 Acórdão n.º 2101001.939 S2C1T1 Fl. 96 5 declarado a tal título, em verdade houve glosa tão somente do montante de R$ 4.669,02, que corresponde à diferença entre o valor declarado (R$ 12.501,84) e o valor constante do comprovante à fl. 10 (R$ 9.514,09), menos o valor relativo a não dependente (R$ 1.681,27). Portanto, não merece ser revista tal glosa, permanecendo indevida a dedução referente aos R$4.669,02. Em face ao exposto, dou provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução com despesa médica no montante de R$13.550,00. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 105DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/1 1/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13618.000096/2007-84
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. IMPOSSIBILIDADE DE IMPRIMIR EFEITOS INFRINGENTES.
Os embargos declaratórios somente são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão.
Não há contradição e obscuridade a ser sanado no acórdão embargado, o qual se encontra suficientemente fundamentado.
Embargos de declaração conhecidos e rejeitados
Numero da decisão: 2802-001.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do voto do(a) relator(a).
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
EDITADO EM: 20/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. IMPOSSIBILIDADE DE IMPRIMIR EFEITOS INFRINGENTES. Os embargos declaratórios somente são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão. Não há contradição e obscuridade a ser sanado no acórdão embargado, o qual se encontra suficientemente fundamentado. Embargos de declaração conhecidos e rejeitados
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do voto do(a) relator(a). (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite - Relatora. EDITADO EM: 20/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros
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OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. IMPOSSIBILIDADE DE IMPRIMIR EFEITOS INFRINGENTES. Os embargos declaratórios somente são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão. Não há contradição e obscuridade a ser sanado no acórdão embargado, o qual se encontra suficientemente fundamentado. Embargos de declaração conhecidos e rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do voto do(a) relator(a). (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 20/12/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 61 8. 00 00 96 /2 00 7- 84 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/12/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros Relatório Tratam os autos de embargos de declaração interpostos por JORGE MANUEL VIANA DE MELO (fls.108 /190), em face do Acórdão 280201.193, de 29 de novembro de 2011, fls. 99/103. de lavra da ex. Conselheira Lucia Reiko Sakae . No arrazoado, a embargante denuncia omissão/contradição no acórdão. Os fundamentos da denunciada omissão/contradição estão consubstanciados nos seguintes argumentos: “Na forma do v. acórdão embargado, afirmouse no comprovante de retenção de fls. 05/06,(que não estavam rasurados, mas sim destacados com caneta marcadora, escurecida quando da digitalização daqueles documentos) não teriam força para comprovar a retenção na fonte cuja glosa ora se combate.” No mais repisa as alegações já abordadas na peça recursal É o relatório. Voto Conselheira Relatora. Dayse Fernandes Leite Com efeito, devese observar que “cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65, do Anexo II, do RICARF). Nessa linha, obscuro é o acórdão que não explicita adequadamente os fundamentos da decisão e contraditório é aquele que tem fundamentos em oposição, total ou parcial, com sua decisão. O processo diz respeito à auto de infração lavrado devido à classificação indevida de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis.. O acórdão embargado, por unanimidade de votos negou, provimento ao recurso . Entendo não caber razão ao embargante. Verifico que o relatório do acórdão descreve os fatos que ensejaram manutenção da exigência. Os argumentos apresentados pelo recorrente não foram suficientes para modificarem a convicção do julgador. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/12/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13618.000096/200784 Acórdão n.º 2802001.862 S2TE02 Fl. 3 3 Por fim, cabe frisar que as matérias expostas nas razões recursais como supostas contradições e/ou obscuridades encontram se devidamente enfrentadas no acórdão embargando, demonstrando que o fato o qual se busca é a reforma da decisão ora analisada, ou seja, a Embargante, ao trazer à baila assuntos devidamente abordados no acórdão embargado, ou tentar imprimir efeitos infringentes ao seu recurso, o que é amplamente rechaçado pelos tribunais pátrios quando não existe omissão, contradição ou obscuridade nas decisões, podendo se apontar diversas decisões do STF e STJ acerca do tema, destacando se as seguintes: 1. Os embargos de declaração não constituem meio processual cabível para reforma do julgado, não sendo possível atribuirlhes efeitos infringentes, salvo em situações excepcionais. 2. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade a sanar. A parte embargante repisa argumentos já devidamente apreciados por esta Turma. Esclarecida essa situação e mantido o mesmo entendimento do acórdão embargado, vêse claramente que não há qualquer obscuridade ou contradição no Acórdão nº. 280.01.193 de 29 de novembro de 2011, razão que me leva a declarar os embargos improcedentes, rejeitandoos de forma definitiva, (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 113DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/12/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
