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5874341 #
Numero do processo: 10283.720077/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o contribuinte, tão logo cientificado dos autos de infração, requer a cópia do processo dizendo-a fundamental para fazer sua defesa, é dever da administração fornecê-la. Inexistindo prova de que a cópia requerida foi fornecida, é de se reconhecer o cerceamento de defesa alegado, não cabendo ao julgador emitir juízo de valor quanto a ser suficiente o fato de ter tido franqueado o livre acesso aos autos, pelo prazo oferecido à apresentação de sua defesa. Alegação de cerceamento de defesa acolhida.
Numero da decisão: 1301-001.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, decretada a nulidade do processo a partir, inclusive, da decisão de 1ª instância. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o contribuinte, tão logo cientificado dos autos de infração, requer a cópia do processo dizendo-a fundamental para fazer sua defesa, é dever da administração fornecê-la. Inexistindo prova de que a cópia requerida foi fornecida, é de se reconhecer o cerceamento de defesa alegado, não cabendo ao julgador emitir juízo de valor quanto a ser suficiente o fato de ter tido franqueado o livre acesso aos autos, pelo prazo oferecido à apresentação de sua defesa. Alegação de cerceamento de defesa acolhida.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1822; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 2          1 1  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10283.720077/2009­71  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­001.717  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de novembro de 2014  Matéria  IRPJ  Recorrente  Forte Indústria e Comércio de Cimento e Argamassa Ltda. (nova razão social  de BMCC Indústria e Comércio Ltda.)  Recorrida  Fazenda Nacional    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2004  NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.  Se o contribuinte, tão logo cientificado dos autos de infração, requer a cópia  do  processo  dizendo­a  fundamental  para  fazer  sua  defesa,  é  dever  da  administração  fornecê­la.  Inexistindo  prova  de  que  a  cópia  requerida  foi  fornecida, é de se reconhecer o cerceamento de defesa alegado, não cabendo  ao  julgador  emitir  juízo  de  valor  quanto  a  ser  suficiente  o  fato  de  ter  tido  franqueado o livre acesso aos autos, pelo prazo oferecido à apresentação de  sua defesa. Alegação de cerceamento de defesa acolhida.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA  SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, decretada a nulidade do processo a  partir, inclusive, da decisão de 1ª instância.  (documento assinado digitalmente)  VALMAR FONSECA DE MENEZES  Presidente  (documento assinado digitalmente)  Valmir Sandri  Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 00 77 /2 00 9- 71 Fl. 703DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720077/2009­71  Acórdão n.º 1301­001.717  S1­C3T1  Fl. 3          2 Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros:  Valmar  Fonseca  de Menezes  (Presidente),  Wilson  Fernandes  Guimarães,  Paulo  Jakson  da  Silva  Lucas,  Valmir  Sandri,  Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.  Relatório  Cuida­se de recurso interposto pelo contribuinte BMCC Indústria e Comércio  Ltda.,  em  face  de  decisão  da  1ª  Turma  de  Julgamento  da DRJ  em Belém  –  PA,  que  julgou  parcialmente procedente a  impugnação apresentada para se opor aos autos de infração contra  ele  lavrados,  referentes  a  Imposto  de Renda  de  Pessoa  Jurídica  (IRPJ),  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL),  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  (PIS)  e  Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), relativo a fatos geradores  ocorridos no ano­calendário de 2004.  Conforme  consta  da  “Descrição  dos  Fatos”,  os  lançamentos  decorrem  de  omissão de receitas, configurada pela existência de depósitos bancários em contas correntes de  titularidade do contribuinte, para os quais ele não justificou a origem. Consigna o auditor que o  contribuinte foi  intimado a justificar a origem dos recursos listados em planilhas, mas não se  manifestou.  A impugnação tempestivamente apresentada encontra­se assim sintetizada na  decisão recorrida:  “1.  a  lei  e  os  princípios  constitucionais  tributários  são  fundamentos  que  devem  ser  obedecidos  por  todos,  principalmente  pelas  autoridades  fiscais,  o  que  não  ocorre  no  presente  caso,  merecendo  imediato  reparo  das  autoridades  julgadoras;  2. o exercício amplo do direito de defesa e contraditório é o mais  extensivo  possível,  incluindo,  inclusive,  as  condições  para  interposição dos recursos;  3. se o poder administrativo no exercício de suas atividades, vai  criar  limitações  patrimoniais  imediatas  ao  administrado,  inadmissível seria que assim atuasse fora da fronteira do devido  processo  legal,  incluindo  aí  o  exercício  da  ampla  defesa  e  do  contraditório;  4.  apesar  de  ter  protocolizado  requerimento  em  13.03.2009  solicitando cópia, até a presente data a Impugnante não a obteve  e muito menos recebeu qualquer pronunciamento da autoridade  fiscal.  Além  disso,  sequer  recebeu  os  seus  livros  fiscais,  entregues  ao  auditor  fiscal.  Nessa  situação  é  impossível  que  possa produzir a sua defesa integral;  5.  a  Impugnante  recolheu  exações  dentro  do  período  compreendido  pelo  auto  de  infração,  porém  esses  pagamentos,  cujas  cópias  seguem  anexas,  não  foram  considerados  pela  autoridade fiscal.  Fl. 704DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720077/2009­71  Acórdão n.º 1301­001.717  S1­C3T1  Fl. 4          3 Nos  termos  do  voto  da  relatora,  a  Turma  de  Julgamento  considerou  parcialmente procedente a impugnação, determinando sejam excluídos da cobrança os valores  pagos pelo contribuinte, em decisão assim ementada:  LANÇAMENTO.  NULIDADE  POR  CERCEAMENTO  DO  DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.  Não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento  do  direito  de  defesa  quando  presentes  nos  autos  os  demonstrativos  e  documentos  utilizados  pela  autoridade  administrativa  para  fins  de  apuração  do  crédito  tributário,  respeitado  o  prazo  regulamentar  de  defesa,  haja  vista  que,  no  decurso  da  ação  fiscal,  inexiste  litígio  ou  contraditório,  por  força do artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972.  PAGAMENTOS EFETUADOS  Havendo  recolhimento  em  DARFs  com  data  anterior  ao  lançamento,  faz­se  necessário  a  vinculação  dos  mesmos  aos  débitos lançados.  OFENSA  A  PRINCÍPIOS  CONSTITUCIONAIS.  INOCORRÊNCIA.  Não há de se cogitar da materialização de hipótese de ofensa a  princípios  constitucionais  quando  os  lançamentos  se  pautaram  nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal,  e  fáticos,  esses  coadunados  com  o  conteúdo  econômico  das  operações comerciais do contribuinte.  Ciente  da  decisão  em  29  de  agosto  de  2012,  o  contribuinte  ingressou  com  recurso em 26 de setembro seguinte.  Repete  as  considerações  tecidas  na  impugnação  quanto  aos  princípios  constitucionais do contraditório e ampla defesa, reafirma que requereu cópia integral dos autos  para permitir o amplo direito de defesa, e que essa cópia nunca foi recebida.  Contesta a decisão recorrida, que assentou, sobre essa matéria:  Em contraposição às argumentações do  contribuinte,  encontra­ se nos autos, às fls. 582, a anotação: “foi mantido contato com o  escritório de contabilidade e que obteve a informação de que já  haviam  sido  entregues  as  cópias  solicitadas  no  CAC  e  que  já  havia sido pago o valor de R$ 90,00”  Rebate­a,  afirmando  que  o  julgador  deixou  de  informar  quem  recebeu  as  cópias e de quem é a informação transcrita em que se baseou. Lembra que em razão do sigilo  fiscal, a Receita exige que o pedido de cópia seja instruído com o contrato social e documento  de identificação do subscritor do pedido, ou seja, do representante legal da empresa. Assim, tal  exigência deve valer também para a entrega das cópias.   Insiste em que não há prova de que as cópias foram entregues. Além disso,  diz  que  não  se  sabe  quem  registrou  a  anotação mencionada  na  decisão,  e muito menos  que  escritório de contabilidade é o assinalado na anotação.  Fl. 705DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720077/2009­71  Acórdão n.º 1301­001.717  S1­C3T1  Fl. 5          4 Sobre a afirmativa da decisão, de que não há cerceamento de defesa antes de  iniciado o prazo para impugnação, porque não há contraditório, alega que é fácil verificar que o  pedido foi formulado após o auto de infração, quando em curso o prazo para apresentação da  defesa.  Desenvolve  longo  arrazoado  sobre  a  garantia  da  ampla  defesa  e  requer,  afinal, seja declarado nulo o auto de infração ou nulo o procedimento logo após a lavratura do  auto de infração, face à violação do princípio do devido processo legal, da ampla defesa e do  contraditório.  É o relatório  Voto             Conselheiro Valmir Sandri, Relator.  Recurso tempestivo, dele conheço.  O  procedimento  que  resultou  no  litígio  posto  a  julgamento  assim  se  desenrolou:  Em 07/04/2008 foi lavrado Termo de Início de Fiscalização de fl. 44 (ciência  pessoal em 10/04), por meio do qual o contribuinte  foi  intimado a apresentar  livros,  extratos  bancários e notas fiscais.  Às fls. 45 a 435 estão anexados os extratos.  Em 09/08/2008 foi lavrada intimação (fls. 436) para o contribuinte apresentar  documentação  hábil  e  idônea  que  justifique  a  origem  dos  recursos  depositados  em  contas  correntes de sua titularidade. (ciência por via postal, mediante AR, em 23/09/2008, fl. 438).  Em 16 de fevereiro de 2009 foram lavrados os autos de infração (ciência por  via postal, mediante AR, em 26/02/2009, fl.574).  Às fls. 581 consta requerimento do contribuinte, datado de 05/03/2009, para  obtenção de cópia integral do processo (capa a capa), dizendo­a fundamental para exercer sua  defesa.  Ao  pé  da  fl.  579  consta  anotação  datada  de  30.03.2009,  manuscrita  e  rubricada, sem identificação de quem a apôs, no seguinte teor:  “36564626 ­ Liguei para o escritório de contabilidade, falei com  o Mário; a segunda vez falei com outra pessoa que me informou  que já tinha recebido as cópias no CAC, e que tinha pago 90,00  reais”  Às fls. 580 cópia de Memo do CAC para a SECAT, datada de 17 de março,  no  seguinte  teor:  “Encaminhamos  em  anexo,  Solicitação  de Cópia  de  Processo,  referente  a  Empresa BMCC Indústria e Comércio Ltda. CNPJ 01.847.426/0004­86, para serem tomadas  as devidas providências.”.  Fl. 706DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720077/2009­71  Acórdão n.º 1301­001.717  S1­C3T1  Fl. 6          5 Às  fls.  581  cópia  do  requerimento    do  contribuinte,  com  o  carimbo  de  recebimento em 13/09/2009 e despacho ao pé, datado de 17/03/09, determinando:   “Ao (ilegível).   Orientar Contribuinte  Atenciosamente.”  Em 25 de março o contribuinte apresentou impugnação cujo único argumento  é o cerceamento de defesa.  Inquestionavelmente,  não há uma  só prova nos  autos de que o  contribuinte  tenha recebido a cópia integral dos autos.  Não obstante  não  haver,  também,  qualquer  indicação  de que  o  contribuinte  tenha apresentado ao Fisco livros e documentos que não os extratos bancários (o que invalida  sua alegação de que sequer recebeu os seus livros fiscais, entregues ao auditor fiscal), não cabe  ao  julgador emitir  juízo de valor quanto a ser suficiente o  fato de  ter  tido franqueado o  livre  acesso aos autos, pelo prazo oferecido à apresentação de sua defesa.   Se  o  contribuinte,  tão  logo  cientificado  dos  autos  de  infração,  requereu  a  cópia  do  processo  dizendo­a  fundamental  para  fazer  sua  defesa,  é  dever  da  administração  fornecê­la.  Isto posto, dou provimento ao recurso para declarar nulo o processo a partir  da decisão de primeira instância, inclusive, determinado o fornecimento das cópias requeridas e  a reabertura do prazo de impugnação.  Sala das Sessões, em 26 de novembro de 2014  (documento assinado digitalmente)  Valmir Sandri – Relator.                                Fl. 707DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI

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5852904 #
Numero do processo: 11020.720724/2011-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não há como aceitar a dedução do ágio com utilização de empresa veículo, quando o procedimento do sujeito passivo não se reveste de propósito negocial mas revela objetivo exclusivamente tributário. ENQUADRAMENTO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. POSSIBILIDADE DE AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO. Não afetam o auto de infração eventuais impropriedades na descrição dos fatos e no enquadramento legal, ou mesmo a inclusão de dispositivo inaplicável à matéria, quando o auto de infração contém, além das infrações equivocadamente imputadas, todos os elementos caracterizadores da infração efetivamente incorrida, de forma a não cercear o direito de defesa. CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA COM MULTA DE OFÍCIO. Incabível a aplicação da multa isolada por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL, determinada sobre a base de cálculo estimada, quando concomitante com a multa de ofício aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição não recolhida. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1402-001.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Fernanda Carvalho Álvares. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernanda Carvalho Álvares, Cristiane Silva Costa, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não há como aceitar a dedução do ágio com utilização de empresa veículo, quando o procedimento do sujeito passivo não se reveste de propósito negocial mas revela objetivo exclusivamente tributário. ENQUADRAMENTO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. POSSIBILIDADE DE AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO. Não afetam o auto de infração eventuais impropriedades na descrição dos fatos e no enquadramento legal, ou mesmo a inclusão de dispositivo inaplicável à matéria, quando o auto de infração contém, além das infrações equivocadamente imputadas, todos os elementos caracterizadores da infração efetivamente incorrida, de forma a não cercear o direito de defesa. CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA COM MULTA DE OFÍCIO. Incabível a aplicação da multa isolada por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL, determinada sobre a base de cálculo estimada, quando concomitante com a multa de ofício aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição não recolhida. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Fernanda Carvalho Álvares. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernanda Carvalho Álvares, Cristiane Silva Costa, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2304; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 960          1 959  S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11020.720724/2011­12  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1402­001.894  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  3 de fevereiro de 2015  Matéria  IRPJ  Recorrente  SULCROMO REVESTIMENTOS INDUSTRIAIS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2006, 2007, 2008  DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO  GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE.  Incabível  a  formalização  do  ágio  como  decorrência  de  operação  societária  realizada  entre  empresas  de mesmo  grupo  econômico,  pela  inexistência  da  contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio.  DESPESAS  COM  AMORTIZAÇÃO  DE  ÁGIO.  UTILIZAÇÃO  DE  EMPRESA VEÍCULO.  Não há como aceitar a dedução do ágio com utilização de empresa veículo,  quando  o  procedimento  do  sujeito  passivo  não  se  reveste  de  propósito  negocial mas revela objetivo exclusivamente tributário.  ENQUADRAMENTO  LEGAL  E  DESCRIÇÃO  DOS  FATOS.  POSSIBILIDADE DE AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO.  Não  afetam  o  auto  de  infração  eventuais  impropriedades  na  descrição  dos  fatos  e  no  enquadramento  legal,  ou  mesmo  a  inclusão  de  dispositivo  inaplicável à matéria, quando o auto de infração contém, além das infrações  equivocadamente imputadas, todos os elementos caracterizadores da infração  efetivamente incorrida, de forma a não cercear o direito de defesa.  CONCOMITÂNCIA  DE  MULTA  ISOLADA  POR  FALTA  DE  RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA COM MULTA DE OFÍCIO.  Incabível a aplicação da multa isolada por falta de pagamento do IRPJ e da  CSLL, determinada sobre a base de cálculo estimada, quando concomitante  com a multa de ofício aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou  contribuição não recolhida.  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 07 24 /2 01 1- 12 Fl. 960DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.720724/2011­12  Acórdão n.º 1402­001.894  S1­C4T2  Fl. 961          2 A  obrigação  tributária  principal  compreende  tributo  e  multa  de  oficio  proporcional.  Sobre  o  crédito  tributário  constituído,  incluindo  a  multa  de  oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso para cancelar a multa isolada, nos termos do relatório e voto que  passam  a  integrar  o  presente  julgado.  Ausente  momentaneamente  a  Conselheira  Fernanda  Carvalho Álvares.    (assinado digitalmente)  Leonardo de Andrade Couto ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Frederico Augusto Gomes de Alencar  ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Frederico  Augusto  Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernanda Carvalho Álvares, Cristiane Silva Costa,  Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto.  Fl. 961DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.720724/2011­12  Acórdão n.º 1402­001.894  S1­C4T2  Fl. 962          3 Relatório  Sulcromo  Revestimentos  Industriais  Ltda  recorre  a  este  Conselho  contra  decisão de primeira instância proferida pela 1ª Turma da DRJ Porto Alegre/RS, pleiteando sua  reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF).  Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis):  “Contra  o  contribuinte  foram  lavrados  os  autos  de  infração  de  Imposto  de  Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 402/409) e de Contribuição Social sobre o Lucro  Líquido – CSLL (fls. 410/418) e multas isoladas (419/435).  O total do crédito tributário lançado atingiu o montante de R$ 3.038.083,35.  Segundo o Relatório da Ação Fiscal (folhas 450/470), a autuação deve­se, em  síntese, à amortização do denominado “ágio interno”, nos seguintes termos:  1.  Em  29/08/2003  houve  a  cisão  parcial  de  Sulcromo  Revestimentos  Industriais Ltda (doravante denominada de Sulcromo), com versão de grande parte  de seu patrimônio para Duroline Participações Ltda;  2.  Em  11/11/2003  os  mesmos  sócios  da  Sulcromo  constituíram  a  empresa  denominada  Supercromo  Participações  Ltda  (a  partir  agora  denominada  por  Supercromo).  O  capital  social  da  Supercromo  foi  integralizado  mediante  conferências das ações da Sulcromo, até então de propriedade dos sócios comuns a  ambas as empresas. Nesse momento, a Supercromo passou a deter 99,99% das ações  da Sulcromo;  3.  Dois  dias  após  (13/11/2003),  constituiu­se  a  empresa  Hiperline  Empreendimentos  e  Participações  Ltda,  (doravante  tratada  por  Hiperline),  cujos  sócios eram Supercromo (99,999999868%) e um dos sócios da própria Supercromo  (0,000000132%).  A  integralização  de  capital  se  deu  com  a  conferência  de  ações  referentes à Sulcromo. Essas ações foram avaliadas a valor de mercado, no total de  R$ 7.600.000,00, com base em Laudo de Avaliação (fls. 369 a 401). Considerando  que o valor patrimonial das ações era de R$ 1.641.902,89, a operação gerou um ágio  de  R$  5.958.097,11,  e  um  benefício  fiscal  diferido  no  valor  de  R$  2.025.753,02  (34%, equivalente a 25% de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, e 9% de  Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL);  4.  Em  02/01/2004,  ou  seja,  menos  de  dois  meses  após  a  constituição  da  Hiperline, esta foi incorporada por Sulcromo;  5. Segundo a Fiscalização (fl. 456), “evidencia­se que no período, a Sulcromo,  a Supercromo e a Hiperline, mantiveram­se direta ou indiretamente controladas pelo  mesmo grupo de empresários [...] Ou seja, em nenhum momento houve participação  de terceiros nas ‘negociações’”;(grifos do original)  6.  Os  Livros  Razão  de  Supercromo  e  Hiperline  (fls.  167/174  e  231/232,  respectivamente), durante o segundo semestre de 2003, só apontam os lançamentos  referentes às reorganizações societárias, não havendo qualquer registro de operações  relacionadas às atividades operacionais e econômicas dessas empresas;  Fl. 962DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.720724/2011­12  Acórdão n.º 1402­001.894  S1­C4T2  Fl. 963          4 7.  Aduz  ainda  a  Fiscalização  (fl.  456)  que  a  “única  alteração  relevante  no  Patrimônio da Sulcromo, após a sucessão de operações, foi a incorporação do ativo  fiscal  de  R$  2.025.753,02,  referentes  a  um  ágio  (para  o  qual  nada  desembolsou)  fundamentado num Laudo de Avaliação do valor de mercado de si própria”; (grifos  do original)   8.  Com  operação  de  incorporação  da  Hiperline,  a  Sulcromo  passou  a  amortizar o ágio em conta de resultado, reduzindo o lucro real e a base de cálculo da  CSLL de diversos períodos;  9. A Fiscalização cita a legislação sobre o ágio, em especial os arts 385, 386,  391 e 426 do Regulamento de Imposto de Renda de 1999 – RIR/99, os arts. 6º e 8º  da Instrução CVM nº 319/1999, bem como o art. 36 da Lei nº 10.637/2002, então  vigente.  Em  relação  a  essa  última,  assim  se  manifestou  a  autoridade  fiscal  (fls.  464/465):  A  Lei  nº  10.637  contemplava  a  possibilidade  de  diferimento  da  tributação  para fins de IRPJ e CSLL do ganho de capital (decorrente do ágio) alcançado pela  empresa  ‘A’  que  subscreve  e  integraliza  capital  em  outra  pessoa  jurídica  ‘B’,  mediante participação societária detida em ‘C’. [...]  Ocorre  que  ao  mesmo  tempo  que  se  tem  um  ganho  de  capital  obtido  na  empresa  ‘A’,  que  não  será  tributado  de  imediato,  há  paralelamente  a  criação  de  ágio  na  empresa  ‘B’  que  no  caso  de  ser  incorporada  pela  empresa  ‘C’  será  carreado  para  dentro  desta,  gerando  uma  despesa  dedutível  para  fins  de  IRPJ  e  CSLL.  Percebendo os possíveis benefícios inaugurados pela lei 10.637/2002, muitos  grupos econômicos passaram, em operações de combinação de negócios, a fabricar  ágios  artificialmente.  Nesses  casos,  tipicamente,  um  grupo  empresarial,  sob  um  controle comum, constitui uma empresa "veículo" (casca),  integralizando as ações  dessa empresa "B" com a participação societária detida numa empresa operacional  do  grupo  "C"  (ou  seja,  sem  qualquer  desembolso  financeiro)  com  um  ágio  suportado  por  um  Laudo  de  Avaliação  (avaliado  acima  do  valor  do  Patrimônio  Líquido  por  expectativa  de  rentabilidade  futura).  Por  fim,  esse  ágio  gerado  internamente  é  absorvido  pela  empresa  operacional  do  grupo  ("C")  com  a  incorporação  da  empresa  "veículo"  (que  extingue­se  poucos  dias  após  a  sua  constituição).  A  partir  daí,  a  empresa  operacional  "C"  passa  amortizar  tal  ágio  mensalmente  até  a  sua  completa  extinção.  Desse  modo,  tem­se  que  surge  uma  despesa  dedutível  em  "C",  enquanto  o  ganho  equivalente  permanece  diferido  em  "A",  até  que  a  participação  em  "C"  seja  alienada  ou  extinta,  o  que  de  fato  é  improvável que aconteça.  O  ágio  surge  na  aquisição  de  investimento  avaliado  pelo  método  de  equivalência patrimonial, quando o valor pago é proporcionalmente maior do que o  valor patrimonial das ações. O verdadeiro ágio é fruto de ampla negociação entre  partes independentes, resultado de barganha negocial com o intuito de se chegar ao  preço  justo  (efetivamente  despendido),  ou  seja,  deve  haver  substância  econômica  bem fundamentada.  No caso da Sulcromo, constata­se que os elementos que caracterizariam um  ágio  originário  de  um  processo  idôneo,  não  viciado,  não  estão  presentes.  Primeiramente, os participantes das negociações eram sempre os mesmas,  isso  se  comprova pelo histórico de quadros sociais das empresas envolvidas, que estiveram  sob o comando, durante todo o período, do mesmo grupo de controladores. Ou seja,  no  período  que  compreendeu  as  operações  aqui  estudadas,  todas  as  empresas  Fl. 963DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.720724/2011­12  Acórdão n.º 1402­001.894  S1­C4T2  Fl. 964          5 estavam sob a regência de um único grupo de empresários. As pessoas físicas que  eram  proprietárias  da  Sulcromo,  apenas  deixaram  de  controlar  a  empresa  diretamente, pois o comando continuou,  inclusive, em percentuais quase idênticos,  por  intermédio  da  Supercromo  e,  posteriormente,  pela  Hiperline.  Enfim,  antes,  durante e ao fim das inúmeras operações sequenciais perpetradas pelo contribuinte,  os reais controladores da empresa permaneceram os mesmos.  Desse  modo,  qualquer  aspecto  de  barganha  negocial  inexistiu,  pois  eram  "negociações" entre partes intimamente relacionadas. Essa íntima relação entre as  empresas  envolvidas  também  é  evidenciada  pelo  endereco  que  as  três  compartilhavam: Rua Evaristo de Antoni, 1884, Caxias do Sul.  Resta evidente que o ágio ora abordado carece de substância econômica, pois  não é fruto de barganha comercial, e, sim, de uma engenhosa manobra contábil de  fabricação de despesas com o intuito exclusivo de redução de tributos.  Um outro aspecto a ser mencionado é o de que a empresa veículo (Hiperline)  não efetuou nenhuma operação  industrial/comercial, conforme seu  livro razão, na  sua  curtíssima  existência,  os  únicos  lançamentos  são  referentes  a  sua  criação  e  alterações  societárias.  Destaca­se  que  na  geração  do  benefício  fiscal  de  R$  5.958.097,11 não houve por nenhum lado qualquer tipo desembolso financeiro, nem  qualquer tipo de tributação.(grifos no original)  10. Conclui a fiscalização que durante o período de janeiro de 2006 a junho de  2009, Sulcromo amortizou mensalmente o ágio obtido na incorporação de Hiperline,  no valor de R$ 99.301,62, e, no mês de julho de 2009, no montante de R$ 85.115,55  (os  lançamentos  foram  realizados  a  débito  da  conta  de  resultado  54202.21001  –  Amortização  Ágio  Incorp.  Hiperline,  creditando­se  a  conta  do  ativo  diferido  13304.20003 – Amortização Ágio Hiperline). Aduz ainda que Sulcromo:  [...]  anulou  na  apuração  do  seu  resultado  contábil  os  débitos  da  conta  00054202.21001  AMORT  DE  ÁGIO  INCORP  HIPERLINE  (Outras  Despesas  Operacionais)  por  intermédio  de  lançamentos  a  crédito  nos  mesmos  valores  na  conta 00054106.21000 REVERSÃO PROV S/REALIZAÇÃO ÁGIO (Outras Receitas  Operacionais). Por  outro  lado,  foram  excluídas  da  apuração do Lucro Real  e da  Base de Cálculo da Contribuição Social a Reversão da Provisão para Realização de  Ágio,  ágio  esse  controlado  na  parte  B  do  Lalur.  Assim  sendo,  os  valores  indevidamente excluídos pelo contribuinte em seu Lalur, e que, conseqüentemente,  acarretaram a tributação a menor de IRPJ e CSLL, são ora objeto de lançamento  de ofício.  11. Sobre os valores mensais não recolhidos a título de estimativas de IRPJ e  CSLL  em  razão  da  amortização  do  ágio,  foram  aplicadas multas  isoladas  de  50%  (art.  44,  §1º,  IV,  da  Lei  nº  9.430/96,  com  a  redação  dada  pelo  art.  14  da  Lei  nº  11.488/2007).  12. Também foi alvo de lançamento a incorreta utilização de bases negativas  de  CSLL  em  razão  da  cisão  parcial  de  Supercromo  (e  constituição  da  Duroline).  Entretanto,  tal matéria  não  é  objeto  de  litígio,  tendo o  contribuinte  expressamente  informado  que  extinguiu  o  crédito  tributário  mediante  pagamento.  O  contribuinte  apresentou a impugnação de fls. 484/520, alegando, em síntese, o seguinte:  13. A juridicidade da reestruturação societária realizada diante do princípio da  livre  iniciativa. Alega  ainda  que  houve  a  violação do  Princípio  da Legalidade  por  parte da autoridade autuante ao imputar­lhe infração não prevista em lei.  Fl. 964DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.720724/2011­12  Acórdão n.º 1402­001.894  S1­C4T2  Fl. 965          6 14. O  ágio  decorrente  das  operações  societárias  possui  como  fundamento  a  rentabilidade futura da empresa, possibilitando sua amortização, nos termos do art.  20,  §2º,  II,  do  Decreto­Lei  nº  1.598/77,  “pouco  importando  a  existência  ou  inexistência  de  outras  operações  econômicas  por  parte  de  das  empresas  [...]  tampouco o fato de não decorrer o ágio de negociação com terceiros”.  15. Em razão da cisão parcial que antecedeu as demais operações societárias,  o  efeito  imediato  foi  a  redução dos prejuízos  fiscais de  IRPJ  e bases negativas de  CSLL que detinha em valor superior ao ágio a ser amortizado. A impugnante teria  aberto mão de R$ 1.677.474,16 entre prejuízos fiscais de IRPJ e bases negativas de  CSLL,  enquanto  que  o  efeito  tributário  da  amortização  de  ágio,  de  acordo  com  Demonstrativo  Consolidado  do  Crédito  Tributário  do  Processo,  teria  sido  de  R$  1.180.438,66. Diante desses fatos, cairia por terra os argumentos da Fiscalização de  que  a  reorganização  societária  teria  como  fundamento  a  geração  de  benefícios  fiscais, uma vez que matematicamente a impugnante teria sofrido perdas fiscais com  as operações.  16. A fundamentação relativa à glosa de amortização do ágio se restringe aos  argumentos  de  que  se  trata  de  “ágio  interno”  apurado  sem  que  houvesse  “efetiva  negociação  entre  as  partes  envolvidas”.  Aduz  que  não  há  legislação  que  vede  a  apuração ou o posterior  aproveitamento do  ágio,  tampouco que  esse  tenha origem  em operação com terceiros.  17. Inexistindo norma proibitiva ou que obrigue o contribuinte a determinado  comportamento, ou crie obrigação, não há como poder exigir dele comportamento  que não se encontre expressamente previsto ou determinado por lei.  18. Alega ainda que, embora não haja dispositivo  legal que proíba qualquer  operação  de  visar  a  única  e  exclusivamente  a  redução  ou  postergação  da  carga  tributária,  no  caso  concreto  as  operações  realizadas  possuem  propósito  negocial:  segregação  de  funções  entre  os  sócios  e  de  atividades  até  então  exercidas  em  conjunto  na  mesma  empresa  (com  a  cisão  parcial  que  iniciou  a  reestruturação  societária, industrialização e prestação de serviços continuaram a ser desenvolvidas  por  Sulcromo,  enquanto  fabricação  de  lonas  e  partilhas  de  freios  passou  a  ser  produzida  por  Duroline).  A  segmentação  das  atividades  possibilitaria  que  investimentos  de  terceiros  fossem  realizados,  uma  vez  que  há  investidores  que  se  interessariam por determinado ramo, e não por ambos desenvolvidos por Sulcromo  antes da cisão parcial. Argumenta que esse período  (o da cisão parcial), “pode ser  definido como divisor de águas para a Impugnante” e que “a preparação da Empresa  para uma possível parceria ou para a ampliação de suas atividades passou por uma  série de operações societárias [...] contra as quais agora se opõe o Fisco” e que com  tais  operações  “é  que  foi  possível  à  Impugnante,  de  forma  lícita  e  transparente,  corrigir o valor de seus ativos a preço de mercado, através do método ‘discount cash  flow’ consagrado para a avaliação de negócios. Essa avaliação permitiu à empresa  melhor  acesso  a  financiamentos  e  “que  os  sócios  pudessem  transacionar  suas  participações societárias por valores justos e já espelhados em sua contabilidade”. A  reestruturação  combatida  pelo  Fisco  teria  permitido  à  Impugnante  promover  investimentos, inclusive a abertura de filial e investimentos em tecnologia.  19. Esse seria efetivamente o propósito negocial.  20. Argumenta que a glosa de exclusão da reversão de provisão para ajuste do  valor  do  ágio  contraria  a  legislação  vigente.  Ao  constituir  tal  provisão  não  teria  havido efeitos fiscais e, portanto, quando de sua realização contábil, foi necessária a  exclusão  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo  de  CSLL  para  anular  o  efeito  fiscal  produzido.  Fl. 965DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.720724/2011­12  Acórdão n.º 1402­001.894  S1­C4T2  Fl. 966          7 21. No que  tange  à  aplicação  de multa  isolada  em  razão  do  recolhimento  a  menor  de  estimativas  de  IRPJ  e CSLL,  entende  que  as  declarações  transmitidas  à  Receita  Federal  do  Brasil  –  RFB  refletiam  as  demonstrações  contábeis  naquele  momento.  Eventuais  infrações  detectadas  pela  Fiscalização  e  que  dêem  ensejo  a  lançamento  de  ofício  devem  exigidas  (como  o  foram),  com  a  multa  de  ofício  respectiva,  mas  não  preenchem  os  requisitos  legais  para  cobrança  da  penalidade  isolada. Cita jurisprudência do CARF, concluindo que a exigência da multa isolada  não pode prosperar, “sob pena de cumulação de penalidades e agravamento da multa  imposta por vias transversas, em decorrência do mesmo fato jurídico, o que é vedado  em nosso ordenamento jurídico [...]”.  22. Em relação à futura aplicação de juros sobre a multa de ofício, alega que,  embora prevista legalmente, não são autorizadas a incidirem uma sobre a outra. Ao  teor  do  parágrafo  único  do  art.  43  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  a  previsão  legal  de  incidência  dos  juros  de  mora  seria  apenas  sobre  tributos  e  contribuições,  não  havendo competência para autorizar a  incidência  sobre qualquer outra espécie que  não possua a mesma natureza jurídica. Em apoio as argumentos apresentados estão  transcritos entendimentos da jurisprudência sobre essa questão.  É o relatório.”  A  decisão  de  primeira  instância,  representada  no  Acórdão  da  DRJ  nº  10­ 36.528  (fls.  709­734)  de  12/01/2012,  por  unanimidade  de  votos,  considerou  procedente  o  lançamento. A decisão foi assim ementada.  “ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  ­  IRPJ  Ano­calendário: 2006, 2007, 2008  IRPJ/CSLL  ­  GERAÇÃO  ARTIFICIAL  DE  ÁGIO.  AMORTIZAÇÃO  DO  ÁGIO  ARTIFICIAL.  UTILIZAÇÃO  DE  SOCIEDADE  VEÍCULO.  O  ágio  gerado  em  operações  societárias,  para  ser  eficaz  perante  o  Fisco,  deve  decorrer  de  atos  efetivamente  existentes,  e  não  apenas  artificiais  e  formalmente  revelados  em  documentação  ou  na  escrituração  mercantil ou fiscal. É inválida a amortização do ágio artificial. A  utilização  de  sociedade  veículo,  de  curta  duração,  colimando  atingir  posição  legal  privilegiada,  constitui  prova  da  artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela  tomou parte, notadamente a geração e a transferência do ágio.  ENQUADRAMENTO  LEGAL  E  DESCRIÇÃO  DOS  FATOS.  POSSIBILIDADE  DE  AMPLA  DEFESA.  INEXISTÊNCIA  DE  PREJUÍZO.  Não  afetam  o  auto  de  infração  eventuais  impropriedades  na  descrição  dos  fatos  e  no  enquadramento  legal, ou mesmo a inclusão de dispositivo inaplicável à matéria,  quando  o  auto  de  infração  contém,  além  das  infrações  equivocadamente  imputadas,  todos  os  elementos  caracterizadores da infração efetivamente incorrida, de forma a  não cercear o direito de defesa.  MULTA  ISOLADA.  INSUFICIÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO  MENSAL DAS ESTIMATIVAS. A insuficiência de pagamento da  CSLL e do IRPJ mensal devido por estimativa, após o término do  ano­calendário,  por  pessoa  jurídica  que  optou  pela  tributação  Fl. 966DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.720724/2011­12  Acórdão n.º 1402­001.894  S1­C4T2  Fl. 967          8 com  base  no  lucro  real  anual,  enseja  a  aplicação da multa  de  ofício isolada.  CONCOMITÂNCIA  DE  MULTA  ISOLADA  POR  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  POR  ESTIMATIVA  COM  MULTA  DE  OFÍCIO.  Por  decorrerem  de  infrações  distintas,  é  cabível  a  aplicação da multa isolada por falta de pagamento do IRPJ e da  CSLL, determinada sobre a base de cálculo estimada, e da multa  de ofício aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou  contribuição não recolhida.  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. EXIGÊNCIA  NÃO  FORMULADA  NO  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  IMPOSSIBILIDADE DE  PRONUNCIAMENTO  PELA  DRJ.  Os  juros de mora incidiram unicamente sobre os tributos lançados e  não tendo o auto de infração formulado exigência de juros sobre  a  multa  de  ofício  lançada,  inexiste  a  respeito  qualquer  contraditório suscetível de apreciação pela turma de julgamento  da DRJ.”  Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 02/02/2012 (A.R. de fl.  744)  a  interessada  interpôs  recurso  voluntário  em  02/03/2012  (fls.  745­786)  onde  repisa  os  argumentos apresentados em sua Impugnação.  Por não haver a  instância  recorrida apreciado a  exigência dos  juros  sobre  a  multa de ofício, esta Turma resolveu baixar o processo em diligência para que a decisão a quo  fosse aditada com a análise da matéria.  É o relatório.  Fl. 967DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.720724/2011­12  Acórdão n.º 1402­001.894  S1­C4T2  Fl. 968          9 Voto             Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar.   O  recurso  voluntário  reúne  os  pressupostos  de  admissibilidade  previstos na  legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento.  Trata­se  de  autuação  decorrente  da  desconsideração  do  valor  de  ágio  amortizado  entre  os  anos­calendário  de  2006  e  2009.  Aludido  ágio  seria  conseqüência  da  incorporação da empresa Hiperline Empreendimentos e Participações Ltda conforme relatado  acima.  Foi  também  aplicada  a multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  do  IRPJ  e  da CSLL,  devidos por estimativa entre abril de 2006 e dezembro de 2009.  Passo à análise das matérias objeto do recurso apresentado.  Da alegada juridicidade da reestruturação societária realizada pela recorrente  Alega a Recorrente que a autuação afrontaria o princípio da legalidade e que  a reestruturação societária empreendida não seria contrária ao ordenamento jurídico pátrio.   A matéria em discussão tem por base os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997.  Tal  norma  disciplinou  os  efeitos  fiscais  das  operações  societárias  (incorporação,  fusão  ou  cisão) envolvendo a figura do ágio.   Nesse  sentido,  nasce  o  ágio  quando  da  aquisição  de  uma  participação  societária  por  valor  superior  ao  valor  do  patrimônio  líquido,  quando  esse  investimento  for  efetuado em uma sociedade coligada ou controlada. Segundo o art. 20, § 2º, do Decreto­lei nº  1.598, de 1977, o ágio pode ter como fundamento econômico as seguintes hipóteses: (a) valor  de mercado  de  bens  do  ativo  da  coligada  ou  controlada  superior  ao  custo  registrado  na  sua  contabilidade, (b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos  resultados  nos  exercícios  futuros  ou  (c)  fundo  de  comércio,  intangíveis  e  outras  razões  econômicas.   A  Lei  nº  9.532/97  fixa,  então,  os  efeitos  fiscais  do  ágio  posteriormente  à  realização das operações societárias.  No caso vertente, o fundamento do ágio foi o valor de mercado das cotas de  Sulcromo.  Para  essa  hipótese,  o  legislador  autorizou  a  amortização  do  ágio  “à  razão  de  um  sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração”. Esse regramento só pode  ser  compreendido  dentro  do  contexto  histórico  em  que  foi  gerado.  Naquela  época,  o  Brasil  viveu  intenso  período  de  privatizações.  Anteriormente  à  edição  da  Lei  nº  9.532  havia  sido  editada a Lei nº 9.491, também de 1997, que alterou o Programa Nacional de Desestatização.  Nesse  contexto,  pessoas  jurídicas  do  setor  privado  adquiriam  participações  societárias estatais através de leilões. Boa parte das vezes, o valor pago era superior ao valor  patrimonial das participações societárias, consistindo essa diferença em ágio. Posteriormente à  aquisição, a sociedade controlada (leiloada) era objeto de uma operação societária (incorporava  a adquirente ou era com ela fusionada, por exemplo).  Fl. 968DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.720724/2011­12  Acórdão n.º 1402­001.894  S1­C4T2  Fl. 969          10 O  legislador  resolveu,  então,  conceder  benefício  fiscal  às  operações  desse  jaez,  permitindo a  redução do  lucro  tributável pelas  importâncias  registradas  a  título de ágio  quando da aquisição do investimento. A disposição do art. 8º, “b”, da Lei nº 9.532/97, atesta de  forma lapidar o que ora se esclarece.  Esclareça­se,  também,  que  a  regra  constante  dos  arts.  7º  e  8º  da  Lei  nº  9.532/97,  não  foi,  como  não  poderia  ser,  destinada  especificamente  às  operações  de  privatização.  Ao  contrário,  tal  norma  é  dirigida  a  toda  e  qualquer  pessoa  jurídica  que  se  enquadre  na  hipótese  legal.  Assim,  almejando  o  referido  benefício  fiscal,  diversos  contribuintes,  dentro  e  fora do  âmbito  das  privatizações,  têm  lançado mão de planejamentos  que resultam na geração de ágio, passível ou não de amortização.  Cabe ao Fisco verificar a adequação do planejamento adotado à legislação de  regência.  No caso em análise, considerou o Fisco que o procedimento de constituição  da Hiperline fora artificial,  tendo como objetivo único o de gerar um ágio interno para que a  Sulcromo,  então  controlada  e  futura  incorporadora  da  primeira,  passasse  a  amortizá­lo  imediatamente.  As  provas  e  a  cronologia  dos  fatos  trazidas  aos  autos  pelo  autuante  não  deixam dúvidas a esse respeito.  Com efeito, há que se perfilar ao entendimento adotado no aresto recorrido de  que  as  normas  legais  citadas  pelo  autuante  não  abrigam  aqueles  que  se  posicionam  artificialmente  diante  delas.  Nesse  sentido,  em  que  pese  nada  obstar  que  os  contribuintes  procurem formas de pagar menos tributos, é imperioso que o procedimento adotado para tanto  tenha o correspondente suporte no ordenamento jurídico, o que não vislumbro ter ocorrido no  caso que se apresenta, conforme excerto que passo a transcrever, com a devida vênia, do voto  condutor daquele aresto.  A  acusação  é  no  sentido  de  que  Hiperline  tenha  atuado  na  condição  de  “empresa veículo”.  Entende­se por “empresa veículo” aquela pessoa jurídica utilizada para servir  como canal de passagem de um patrimônio, sem que exista outra motivação para a  existência daquela pessoa jurídica. E tal fato, no presente caso, é incontestável!  A Hiperline foi criada dois dias após a constituição de Supercromo. Frise­se  que,  quando  da  constituição  desta,  as  ações  de  Sulcromo  foram  integralizadas  a  valor  patrimonial,  mesmo  já  existindo  o  laudo  de  avaliação  (fls.  369/401)  que  consignava seu suposto valor de mercado. Desse modo, pergunta­se: por que, ao se  constituir  a  Supercromo,  já  não  foram  avaliadas  as  ações  da Sulcromo  a  valor  de  mercado, uma vez que já se dispunha de tal avaliação? A resposta é óbvia: se assim  fosse,  os  sócios  estariam  sujeitos  à  apuração  imediata  do  ganho  de  capital,  não  estando albergados pelo diferimento da tributação possibilitado pelo art. 36 da Lei nº  10.637/2002.  Ademais,  se  dentre  os  objetivos  principais  da  Recorrente  estava  robustecer seus balanços para fins de melhor avaliação em futuros  financiamentos,  como  alega  a  Recorrente,  bastaria  que,  já  na  criação  de  Supercromo,  as  ações  de  Sulcromo tivessem sido integralizadas a valor de mercado.  Conforme já se observou, de modo diverso procedeu a Recorrente: utilizou­se  de  “empresa  veículo”  (Hiperline)  com  o  fito  de  diferir  a  tributação  do  ganho  de  Fl. 969DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.720724/2011­12  Acórdão n.º 1402­001.894  S1­C4T2  Fl. 970          11 capital, mantendo­o inerte em Supercromo, empresa também 100% de propriedade  dos  mesmos  sócios.  Diferimento  esse  que  poderá  assim  permanecer  pelo  período  que  assim  desejarem  seus  sócios,  haja  vista  tratarem­se  de  operações  realizadas,  sempre, pelo mesmo “grupo de empresários”.  Ademais,  rebatendo  outro  ponto  da  peça  recursal,  a  questão  abordada  nos  autos  não  trata  da  ausência  de  tributação  do  ganho  de  capital,  mas  sim  dos  efeitos  fiscais  advindos das operações  societárias de  incorporação, culminando com a amortização  indevida  do  correspondente  ágio,  matéria  essa  que,  de  fato,  levou  a  autoridade  fiscal  a  constituir  o  lançamento de ofício ora em análise.  Conclui­se, desse modo, que o Fisco, acertadamente, considerou equivocado  o tratamento contábil e fiscal dado aos atos societários, que colimaram obter suporte no art. 7º  da Lei nº 9.532, de 1997, e no art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002.   As provas nos autos coadunam­se à acusação fiscal. O objetivo do  trabalho  fiscal foi justamente o de defender a lei, afastando os benefícios daqueles que se posicionaram  artificialmente diante dela. A Fiscalização não atuou como legislador positivo, pelo contrário,  aplicou a legislação tributária vigente. Não há, portanto, qualquer desrespeito ao princípio da  legalidade. Pelo contrário, há a defesa da lei.  Impende  esclarecer,  por  fim,  que  a  autuação  se  baseia  exclusivamente  no  passo intermediário da reorganização societária e dos seus efeitos tributários. Não se contestam  os objetivos negociais finais da reorganização.  Isso  posto,  entendo  que  o  lançamento  não  está  em  descompasso  com  a  legislação vigente.  Da não ocorrência de ganhos fiscais  Alega  a Recorrente  que,  com  a  cisão,  abriu mão  de R$  1.677.474,16  entre  prejuízos fiscais e base negativa de CSLL e que esse valor seria superior ao efeito tributário da  amortização do ágio, o qual, segundo Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário, foi de  R$ 1.180.438,66.  Mais uma vez mostram­se desarrazoadas as conclusões da Recorrente. Dessa  vez, partindo a Recorrente de premissa equivocada, concluiu em descompasso com a realidade.   Veja­se.  Em  primeiro  lugar,  a  cisão  parcial  –  primeira  operação  de  reestruturação  societária ­ não possui qualquer relação com a geração e posterior amortização de ágio, sendo  absolutamente  irrelevante para o deslinde do presente  litígio. As operações que  efetivamente  geraram o ágio objeto de lançamento foram, sucessivamente, a constituição de Supercromo e  Hiperline, e posterior incorporação desta por Sulcromo.   Portanto,  em  nada  interferiu  a  cisão  parcial  perpetrada.  Assim,  todas  as  razões  expostas  pela  Recorrente  em  relação  a  criação  da  Duroline,  bem  como  seus  efeitos  quanto  a  capitalização  desta  e  de  Sulcromo  após  a  cisão,  em  nada  interferem  no mérito  do  lançamento,  que  diz  respeito  aos  efeitos  fiscais  das  operações  societárias  posteriores  que  existiriam independentemente da cisão parcial.  Fl. 970DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.720724/2011­12  Acórdão n.º 1402­001.894  S1­C4T2  Fl. 971          12 Ademais, ainda que irrelevante a cisão parcial, por amor ao debate, esclarece­ se que, se compararmos as bases de cálculos envolvidas nas operações veremos que de fato a  Recorrente abriu mão de R$ 1.677.474,16 com a cisão parcial, mas, nos restante das operações  societárias, acabou angariando R$ 5.958.097,11 a título de ágio a ser amortizado das bases de  cálculo  de  IRPJ  e  CSLL  (e  respectivo  Ativo  Diferido  de  R$  2.025.753,00,  equivalentes  ao  benefício  fiscal  correspondente  –  34%,  conforme  indica  sua  escrituração  contábil  às  fls.  191/192).   Ou  seja,  ainda  que  se  considere  a  operação  inicial  de  cisão,  os  benefícios  fiscais de  todas  as operações  societárias  superam a  transferência de prejuízos  fiscais  e bases  negativas de CSLL entre Sulcromo e Duroline quando da cisão parcial, primeira das operações  que deu início a reestruturação societária ora analisada.  Por  fim,  não  é  demais  lembrar  que  Duroline  também  pertence  ao  mesmo  grupo de empresários controladores de Sulcromo, ou seja, ainda que se considere a diminuição  do saldo de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL da Recorrente, há de se levar em conta  que  tais  saldos continuaram a  ser utilizados por outra “empresa do grupo”, 100% controlada  por sócios em comum.  Do negócio entre partes relacionadas  Afirmou o Fisco que o ágio foi artificialmente gerado. O fundamento dessa  conclusão  é  composto  por  uma  série  de  evidências.  Reportou­se  à  utilização  de  “empresa  veículo” de vida efêmera e a inexistência de motivação outra para a atuação da Hiperline que  não tenha sido a geração e o aproveitamento do ágio.   Passo a tratar agora dos negócios envolvendo partes relacionadas.  As operações societárias que envolvem partes relacionadas são permeadas  por interesses comuns. Eventuais alterações formais no controle direto de uma sociedade, como  de fato se verificou no caso dos autos (o controle direto da Sulcromo passou para a Hiperline  durante 50 dias), sem que houvesse a perda do controle das sociedades envolvidas (os mesmos  sócios sempre controlaram todas as empresas envolvidas nas operações), permitem inferir que  as referidas operações tenham objetivos outros que não o societário ou o negocial, ou seja, que  contemplem irrealidades.   Esse  é  um  dos  fundamentos  da  doutrina  referida  pela  Fiscalização,  que  somente  admite  a  geração  do  ágio  no  âmbito  de  uma  relação  de  comutatividade  e  independência  entre  as  partes  envolvidas.  Consoante  indicado  pela  doutrina,  a  CVM  acompanhou esse entendimento.  Paralelamente  à  constatação  de  que  as  operações  societárias  contestadas  envolveram somente partes relacionadas, não se pode deixar de referir (1) que as operações em  questão  não  importaram  em  alienação  do  controle  das  sociedades  (o  controle  sempre  permaneceu nas mãos dos mesmos sócios) e (2) que o ágio não correspondeu a um ingresso de  recursos  novos.  Há  uma  relação  evidente  entre  essas  constatações,  pois  estão  alinhadas  em  torno da artificialidade das operações envolvendo Sulcromo, Supercromo e Hiperline.  A  Fiscalização,  com  propriedade,  aponta  provas  inequívocas  da  artificialidade das operações. Despontam  três  aspectos  a  se destacar  (fls.  465/466):  (1)  em 2  dias  criaram­se  duas  empresas,  com  geração  artificial  de  ágio  interno  (sem  que  o  ganho  de  Fl. 971DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.720724/2011­12  Acórdão n.º 1402­001.894  S1­C4T2  Fl. 972          13 capital tivesse que ser tributado), e, após 50 dias, sob o pretexto de necessidade de consolidar  as  operações  em  uma  única  empresa,  efetivou­se  a  incorporação  da  controladora  pela  controlada, cujo único efeito foi possibilitar futura amortização do citado ágio interno;  (2) os  lançamentos  contábeis  realizados na Supercromo  relativos  aos  investimentos  em Sulcromo  e  Hiperline  foram  realizados  em  setembro  e  outubro  de  2003,  mas  Hiperline  somente  foi  constituída posteriormente, em novembro do mesmo ano; (3) os únicos lançamentos contábeis  de  Supercromo  e Hiperline,  durante  todo  o  período,  referiram­se  única  e  exclusivamente  às  operações  societárias,  ou  seja,  não  houve  qualquer  tipo  de  atividade  operacional  dessas  empresas.  Destaca­se  ainda  a  peculiaridade  de  as  empresas  Supercromo  e  Hiperline  possuírem o mesmo objeto social (fls. 115 e 145, respectivamente). Vale à pena ressaltar: tais  empresas  foram  criadas  no  interregno  de  dois  dias,  eram  controladas  pelo mesmo  grupo  de  empresários  e  não  desempenharam  qualquer  atividade  operacional  durante  o  período  sob  análise.  Ora,  fica  evidente  que  a  criação  de  Hiperline  não  teve  outro  propósito  que  não  a  geração  do  ágio  interno  e  consequente  benefício  fiscal.  Não  há  como  se  vislumbrar  outro  objetivo.  Em conclusão, os elementos referidos nesse tópico e no anterior constituem­ se em provas evidentes. Essas provas indicam, a meu ver, a artificialidade do ágio gerado.  A  jurisprudência  deste  Conselho  segue  a  orientação  acima  referida  na  apreciação de casos semelhantes ao dos autos. Confira­se o teor das seguintes ementas:  INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO.  NECESSIDADE  DE  PROPÓSITO  NEGOCIAL.  UTILIZAÇÃO  DE  “EMPRESA  VEÍCULO”.  Não  produz  o  efeito  tributário  almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica,  em  cujo  patrimônio  constava  registro  de  ágio  com  fundamento  em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade  negocial ou societária, especialmente quando a incorporada teve  o  seu  capital  integralizado  com  o  investimento  originário  de  aquisição de participação societária da incorporadora (ágio) e,  ato contínuo, o evento da incorporação ocorreu no dia seguinte.  Nestes  casos,  resta  caracterizada  a  utilização  da  incorporada  como  mera  “empresa  veículo”  para  transferência  do  ágio  à  incorporadora.  (Acórdão  nº  103­23.290,  Terceira  Câmara  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  relator  Aloysio  José  Percínio da Silva, sessão do dia 5 de dezembro de 2007)  INCORPORAÇÃO  DE  SOCIEDADE.  AMORTIZAÇÃO  DE  ÁGIO  NA  AQUISIÇÃO  DE  AÇÕES.  SIMULAÇÃO.  A  reorganização  societária,  para  ser  legítima,  deve  decorrer  de  atos  efetivamente  existentes,  e  não  apenas  artificial  e  formalmente  revelados  em  documentação  ou  na  escrituração  mercantil ou fiscal. A caracterização dos atos como simulados, e  não  reais,  autoriza  a  glosa  da  amortização  do  ágio  contabilizado.(Acórdão  nº  101­96.724,  Primeira  Câmara  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  relatora  Sandra  Maria  Faroni, sessão do dia 28 de maio de 2008)  Da exclusão da provisão para ajuste do valor do ágio  Fl. 972DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.720724/2011­12  Acórdão n.º 1402­001.894  S1­C4T2  Fl. 973          14 Com  efeito,  entendo  que  a  decisão  recorrida  não merece  reparos  quanto  a  esse tópico, pelo que peço vênia para adotar seus fundamentos como razão de decidir.  Alega  a Recorrente  que  constituíra provisão  para  ajuste  do  valor  do  ágio  e  que  tal  falto  não  teve  qualquer  repercussão  no  resultado  fiscal  do  período  de  sua  formação.  Posteriormente,  quando  de  sua  reversão,  os  valores  foram  lançados  a  crédito  em  conta  de  resultado e, a fim de manter a neutralidade fiscal, excluídos do lucro real e da base de cálculo  da CSLL. Aduziu ainda que o procedimento adotado pela Fiscalização em glosar a exclusão da  reversão da citada provisão contraria a legislação vigente.  No Relatório Fiscal (fl. 467), assim concluiu a autoridade autuante:  [...]a fiscalizada anulou na apuração do seu resultado contábil os débitos da  conta 00054202.21001 AMORT DE ÁGIO INCORP HIPERLINE (Outras Despesas  Operacionais)  por  intermédio  de  lançamentos  a  crédito  nos  mesmos  valores  na  conta  00054106.21000  REVERSÃO  PROV/REALIZAÇÃO  ÁGIO  (Outras  Receitas  Operacionais). Por  outro  lado,  foram  excluídas  da  apuração do Lucro Real  e da  Base de Cálculo da Contribuição Social a Reversão da Provisão para Realização de  Ágio,  ágio  esse  controlado  na  parte  B  do  Lalur.  Assim  sendo,  os  valores  indevidamente excluídos pelo contribuinte em seu Lalur, e que, conseqüentemente,  acarretaram a tributação a menor de IRPJ e CSLL, são ora objeto de lançamento  de ofício.  Razão assiste à Recorrente quanto a não ocorrência de infração em relação à  exclusão realizada, exclusão essa relativa à anulação da reversão da provisão para realização de  ágio.  Equivocada,  pois,  a  interpretação  da  Fiscalização  quanto  a  relação  entre  a  reversão da provisão sobre realização de ágio (“receita”) e a despesa de amortização de ágio  contabilizadas.  Tais  lançamentos  não  possuem  qualquer  relação.  Muito  menos  o  efeito  de  anulação recíproca, ainda que matemática.  A  contabilização  dessa  provisão  decorre  da  observância  ao  disposto  no  art.  6º, § 1º, da Instrução CVM nº 319, de 3 de dezembro de 1999, com a redação que lhe foi dada  pela  Instrução CVM nº  349,  de 6  de março  de 2001. Essa  norma pauta  a  contabilização,  na  incorporadora  ex­controlada,  do  ágio  apurado  pela  incorporada  ex­controladora  quando  da  aquisição  do  investimento  na  ex­controlada.  Em  síntese,  o  regramento  citado  objetiva  circunscrever os efeitos contábeis do ágio aos seus aspectos fiscais diante da incorporação de  uma sociedade controladora por sua controlada. Confira­se os termos do art. 6º antes referido:  “Art. 6º ­ O montante do ágio ou do deságio, conforme o caso,  resultante  da  aquisição  do  controle  da  companhia  aberta  que  vier  a  incorporar  sua  controladora  será  contabilizado,  na  incorporadora, da seguinte forma:  [...]  III.  em  conta  específica  do  ativo  diferido  (ágio)  ou  em  conta  específica de resultado de exercício futuro (deságio) – quando o  fundamento  econômico  tiver  sido  a  expectativa  de  resultado  futuro.  Fl. 973DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.720724/2011­12  Acórdão n.º 1402­001.894  S1­C4T2  Fl. 974          15 §  1º  O  registro  do  ágio  referido  no  inciso  I  deste  artigo  terá  como  contrapartida  reserva  especial  de  ágio  na  incorporação,  constante do patrimônio líquido, devendo a companhia observar,  relativamente  aos  registros  referidos  nos  incisos  II  e  III,  o  seguinte tratamento:  a. constituir provisão, na incorporada, no mínimo, no montante  da  diferença  entre  o  valor  do  ágio  e  do  benefício  fiscal  decorrente  da  sua  amortização,  que  será  apresentada  como  redução da conta em que o ágio foi registrado;  b.  registrar  o  valor  líquido  (ágio  menos  provisão)  em  contrapartida da conta de reserva referida neste parágrafo;  c.  reverter  a  provisão  referida  na  letra  "a"  acima  para  o  resultado do período, proporcionalmente à amortização do ágio;  e  d.  apresentar,  para  fins  de  divulgação  das  demonstrações  contábeis,  o  valor  líquido  referido  na  letra  "a"  no  ativo  circulante e/ou realizável a longo prazo, conforme a expectativa  da sua realização.  A  Comissão  de  Valores  Mobiliários  –  CVM  buscou  expurgar  das  demonstrações financeiras valores que não tivessem significação econômica. Por esse motivo,  determinou  a  constituição,  na  incorporada,  de  provisão  (redução  concomitante  do  ativo  e do  patrimônio líquido) em montante equivalente à diferença entre o valor do ágio e o do benefício  fiscal decorrente da sua amortização (§ 1º , “a”). O valor líquido remanescente dessa operação  (ágio  –  provisão)  deveria  ser  registrado  em  conta  do  patrimônio  líquido  da  incorporadora  denominada “Reserva Especial de Ágio” (§ 1º, “b”), enquanto o ativo da incorporadora deveria  registrar esse mesmo valor líquido no circulante ou no realizável a longo prazo de acordo com  a expectativa de realização do ágio (§ 1º, “d”).  Vejamos como o Manual de Contabilidade trata do assunto:  O  próximo  passo  do  processo  de  incorporação  reversa  é  promover a  incorporação da sociedade veículo (Cia. “Y”) pela  Cia. “B”, sua controlada direta, a qual utilizará a despesa fiscal  de amortização do ágio [...]  Ocorre que esse ágio, se fosse amortizado contabilmente também  (o que acontecia até 2008), produziria uma redução do lucro de  “B”[...] Por isso determinou a CVM em sua Instrução nº 319/99,  com  as  alterações  promovidas  pela  Instrução  CVM  nº  349/01,  que precisavam ser feitos ajustes nas rubricas de ativo (ágio por  rentabilidade futura incorporado) e de reserva especial de ágio  na  Cia.  “B”  no  sentido  de  que  se  contabilizasse,  a  crédito  do  referido  ágio  uma  conta  retificadora,  a  débito  da  conta  de  patrimônio  líquido  criada  com  a  incorporação,  normalmente  uma  reserva  para  futuro  aumento  de  capital;  o  valor  desse  lançamento  devia  corresponder  ao  total  do  ágio  diminuído  do  benefício fiscal decorrente de sua amortização, fazendo com que  assim  o  ativo  correspondesse  apenas  ao  valor  desse  benefício.  Essa  conta  retificadora  só  era  transferida  para  o  resultado  à  medida da baixa do ágio a que se referia. E a reserva só podia  Fl. 974DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.720724/2011­12  Acórdão n.º 1402­001.894  S1­C4T2  Fl. 975          16 ser  incorporada ao capital à medida do efetivo aproveitamento  fiscal  da  amortização  do  ágio.  (IUDÍCIBUS,  Sérgio  de...  [et.  al.]. Manual  de Contabilidade  Societária.  –  São Paulo:  Atlas,  2010, p. 446)  No  tocante  à  contabilização  da  provisão  para  realização  do  ágio,  assim  procedeu o contribuinte. Considerando que o valor da integralização de Capital em Hiperline  foi de R$ 7.600.000,00, e o valor patrimonial das ações de Sulcromo (utilizada por Supercromo  para integralização do capital) era de R$ 1.641.902,89, o valor do ágio foi de R$ 5.958.097,11.  Sabendo­se que o ganho fiscal efetivo na operação é de 34% (25% de IRPJ e  9% de CSLL), ou seja, R$ 2.025.753,02, contabilizou­se a Provisão P/ Realização do Ágio no  valor de R$ 3.932.344,09 (66% do valor do ágio, ou seja, a diferença entre valor do ágio e do  benefício  fiscal),  conforme  indicado  no  livro  razão.  O  ativo  diferido  gerado  na  operação  (relativo a 34% do IRPJ) foi também contabilizado pelo contribuinte (fl. 191).  Considerando­se  que  a  contabilização  da  provisão  não  gerou  efeitos  fiscais  no momento de sua constituição, quando de sua reversão também não o poderia. Essa reversão  é  realizada  com  lançamentos  a  crédito  de  conta  de  resultado,  os  quais  resultam,  por  consequência, um aumento do lucro real e da base de cálculo de CSLL. Logo, o procedimento  de  exclusão,  via  Lalur,  dos  valores  contabilizados  como  receita,  era  o  único  caminho  que  o  contribuinte poderia  ter seguido a fim de manter a neutralidade da constituição provisão e de  sua reversão.  Conforme se observa, a exclusão do Lalur neutraliza a reversão da provisão  para  realização  de  ágio. Assim,  o  que  de  fato  diminuiu  a  base  de  cálculo  do  IRPJ  e CSLL  foram as despesas com amortização de ágio, e não as exclusões realizadas no Lalur.  Desse  modo,  incorreta  a  conclusão  final  da  autoridade  fiscal  de  que  a  exclusão realizada no Lalur caracteriza a infração. Por outro lado, tal conclusão não invalida o  trabalho fiscal que apontou e demonstrou serem indedutíveis as despesas com amortização do  ágio interno.  Cumpre  ressaltar  a  identidade  de  valores,  e  períodos  de  apuração,  entre  as  reversões de provisões para realização do ágio (e conseqüentes exclusões do lucro real), e as  despesas  com  amortização  de  ágio,  conforme  indica  a  escrituração  da  Recorrente.  Pouco  importa aqui o mérito sobre o modo que a Recorrente utilizou para contabilizar a constituição  da  provisão  para  realização  de  ágio  e  sua  reversão,  uma  vez  que,  de  fato,  tais  lançamentos,  atrelados aos ajustes extra­contábeis, não produziram efeitos fiscais.  Não se pode olvidar que,  teoricamente, os valores contabilizados a título de  reversão da provisão não poderiam ser idênticos ao da amortização do ágio, por uma simples  razão:  a  provisão  corresponde  a  66%  do  valor  do  ágio,  e,  como  as  amortizações,  tanto  da  provisão, quanto do próprio ágio, serão sempre  idênticas  (1/60), os valores não deveriam ser  equivalentes. Mas na contabilidade da Recorrente o são,  induzindo em erro a Fiscalização, o  que,  repise­se,  não  invalida  a  conclusão  sobre  a  indedutibilidade  da  amortização  do  ágio  interno.  Na realidade, o fato de os valores amortizados a título de ágio e de reversão  da  provisão  para  realização  do  ágio  serem  idênticos  deve­se  ao  modo  como  a  Recorrente  realizou  a  contabilização  das  operações  societárias.  Conforme  se  observa,  os  lançamentos  Fl. 975DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.720724/2011­12  Acórdão n.º 1402­001.894  S1­C4T2  Fl. 976          17 foram efetuados de forma a equalizar o valor do ágio ao da provisão, fazendo constar em conta  do  Ativo  Diferido  o  único  montante  acrescido  ao  patrimônio  da  Recorrente  ao  final  das  operações (tal qual recomenda a CVM): o efetivo ganho fiscal da operação, equivalente a 34%  do valor do ágio. Em contrapartida  ao  lançamento, creditou­se  a provisão para  realização do  ágio, fazendo com que seu saldo fosse idêntico ao da conta que registrou o ágio (a provisão,  inicialmente, era de 66% do valor do ágio; com o novo valor lançado a crédito, equivalente a  34% do ágio, o saldo das contas de ágio, e de sua provisão, igualou­se).  A  autoridade  fiscal  bem  demonstra  os  lançamentos  contábeis  efetuados  (fl.  459).  Entretanto,  conforme  já  salientado,  a  Fiscalização  esmiuçou  a  questão  do  ágio  interno  e  sua  indedutibilidade.  Note­se  que  em  21  folhas  de  Relatório  Fiscal  (fls.  450/470),  somente  em  um  parágrafo  há  referência  à  questão  da  provisão,  sua  reversão  e  exclusão das bases de cálculo de IRPJ e CSLL (fl. 467). Em contrapartida, em outras 17 folhas,  trata­se  especificamente  das  operações  societárias,  da  geração  do  ágio  interno  e  suas  consequências fiscais.  Ou seja, não houve qualquer prejuízo ao exercício pleno e irrestrito ao direito  à  ampla  defesa  e  ao  contraditório,  não  acarretando,  por  conseqüência,  qualquer  prejuízo  à  Recorrente.  Conclui­se,  nessa  esteira,  que  a  autoridade  fiscal  embasou  os  autos  de  infração em relatório  fiscal minucioso, no qual descreve o procedimento  fiscal, as provas, as  conclusões e a motivação para o lançamento,  trazendo também detalhados demonstrativos de  apuração  das  despesas  consideradas  indedutíveis. Os  autos  de  infração,  que  trazem  todos  os  requisitos formais exigidos pela lei, fazem um resumo da irregularidade cometida e remetem ao  relatório fiscal, demonstrando os cálculos dos tributos, dos juros e da multa aplicada.  Assim sendo, em que pese a adequada argumentação da Recorrente quanto ao  incorreto enquadramento da infração, considero que não houve qualquer prejuízo ao exercício  da  ampla  defesa  em  relação  ao  cerne  da  questão:  a  indedutibilidade  das  despesas  com  amortização do ágio gerado internamente.  Das multas isoladas – concomitância com multas de ofício  No  caso,  foram  aplicadas  a  multa  por  insuficiência  nos  recolhimentos  do  IRPJ e da CSLL (75%), e a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas (50%).  Alega a Recorrente que não cabe a cumulação de multa de ofício com a multa  isolada por insuficiência de recolhimentos das estimativas.  No que tange a esse tópico do lançamento, trata­se de matéria que já possuo  entendimento  sedimentado  no  sentido  do  expresso  no  acórdão  CSRF  9101­00.450,  de  4/11/2009, cuja ementa transcrevo:  MULTA  ISOLADA  NA  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  POR  ESTIMATIVA.  É  inaplicável  a  penalidade  quando  há  concomitância  com  a multa  de  oficio  sobre  o  ajuste  anual,  ou  apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual.  Fl. 976DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.720724/2011­12  Acórdão n.º 1402­001.894  S1­C4T2  Fl. 977          18 Os artigos 29, 30, 31, 32  e 34 da Lei 8.981/95  tratam da  apuração da base  estimada. O  art.  35  da Lei  nº  8.981,  de  20  de  janeiro  de  1995,  com  as  alterações  da Lei  nº  9.065,  de  20  de  junho  de  1995,  consubstancia  hipótese  em  a  falta  de  pagamento  ou  o  pagamento em valor inferior é permitida (exclusão de ilicitude). Diz o dispositivo:  “Art.  35.  A  pessoa  jurídica  poderá  suspender  ou  reduzir  o  pagamento  do  imposto  devido  em  cada  mês,  desde  que  demonstre,  através  de  balanços  ou  balancetes  mensais,  que  o  valor  acumulado  já  pago  excede  o  valor  do  imposto,  inclusive  adicional,  calculado  com  base  no  lucro  real  do  período  em  curso.  § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo:  a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e  fiscais e transcritos no livro Diário;  b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do  imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos  no decorrer do ano­calendário. (...)”  Do exame desses dispositivos pode­se concluir que o art. 44, da Lei 9.430/96  é norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento  ou pagamento a menor da estimativa mensal. Para que incida a sanção é condição que ocorram  dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado  sobre uma base  estimada  em  função  da  receita  bruta;  e  (b)  o  sujeito  passivo  não  comprove,  através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do  imposto,  inclusive  adicional,  calculado  com  base  no  lucro  real  do  período  em  curso.  Isso  ocorreu no presente caso, porém essa mesma irregularidade, qual seja, a falta de recolhimento  da estimativa refletiu no ajuste anual ensejando a exigência da multa de oficio proporcional de  75%. Logo,  estamos diante de duplo penalidade da mesma  infração, que  a meu ver não  tem  amparo no citado artigo 44 da Lei 9.430/1996.  Destaco  trecho  do  voto  proferido  pelo  Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius  Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105­139.794, Processo n° 10680.005834/2003­ 12, Acórdão CSRF/01­05.552, verbis:  “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem  guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo  há  de  coincidir  com  valor  pago  de  estimativa  ao  final  do  exercício.  Eventuais  diferenças,  a  maior  ou  menor,  na  confrontação  de  valores  geram  pagamento  ou  devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo  eleita pelo  legislador –  totalidade ou diferença de  tributo –  só há  falar  em multa  isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”.  Por  fim,  para  afastar  quaisquer  duvidas  sobre  a  impossibilidade  dessa  aplicação cumulativa das multas, é sabido que um dos fatores que levou a mudança da redação  do citado art. 44 da Lei 9.430/1996 foram os julgados deste Conselho.  Vejamos  novamente  a  redação  de  parte  disposições  do  art.  44  da  Lei  9.430/1996 alteradas/incluidas pela Lei 11.488/2007:  “(...)  Fl. 977DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.720724/2011­12  Acórdão n.º 1402­001.894  S1­C4T2  Fl. 978          19 II  ­  de  50%  (cinqüenta  por  cento),  exigida  isoladamente,  sobre  o  valor  do  pagamento mensal:    a)  na  forma  do  art.  8o  da  Lei  no  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar de ser efetuado, ainda que não  tenha sido apurado  imposto a pagar  na declaração de ajuste, no caso de pessoa física;  b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha  sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição  social sobre o  lucro  líquido, no ano­calendário correspondente, no caso de  pessoa jurídica.   § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será  duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis;”  Ora,  o  legislador  tinha  conhecimento  da  jurisprudência  deste  Conselho  quanto a impossibilidade de aplicação cumulativa da multa isolada com a multa de oficio, além  de outros entendimentos no sentido de que não poderia ser exigida se apurado prejuízo fiscal  no encerramento do ano­calendário, ou se o tributo tivesse sido integralmente pago no ajuste  anual. Todavia,  tratou apenas das duas últimas hipóteses na nova redação, ou seja, deixou de  prever  a  possibilidade  de  haver  cumulatividade  dessas  multas.  E  não  se  diga  que  seria  esquecimento, pois, logo a seguir no parágrafo §1o. , excetuou a cumulatividade de penalidades  quando a ensejar a aplicação dos art. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/1964.  Dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício  A recorrente questiona a cobrança de juros de mora à taxa Selic sobre a multa  de ofício. Afirma que inexiste base legal para essa exigência e apresenta vários julgados deste  Conselho que amparam sua tese.  A aplicação de taxa de juros lastreadas em indicadores do mercado financeiro  iniciou­se com a Lei nº Lei nº 8.981/95, cujo art. 84 dispõe:  Art.  84.  Os  tributos  e  contribuições  sociais  arrecadados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos  fatos  geradores  vierem  a  ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos  previstos na legislação tributária serão acrescidos de:   I ­ juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação  do  Tesouro  Nacional  relativa  à  Dívida  Mobiliária  Federal  Interna; (...)  Em Seguida, a Lei nº 9.065/95 substituiu o indicador pela taxa SELIC:  Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a  alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28  de  janeiro de 1994,  com a  redação dada pelo art.  6º  da Lei nº  8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981,  de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea  "a.2"  da  Lei  nº  8.981,  de  1995,  serão  equivalente  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial  de  Liquidação  e  de Custódia  ­  SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (...)  Fl. 978DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.720724/2011­12  Acórdão n.º 1402­001.894  S1­C4T2  Fl. 979          20 Por seu turno, a Lei nº 9.430/1996, ao remodelar a multa de mora incidente  nos pagamentos em atraso, estabeleceu em parágrafo que sobre os débitos para com a União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  incidirão juros de mora à taxa SELIC, veja:  Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso. (...)  § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros  de mora  calculados  à  taxa  a  que  se  refere o  §  3º do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento  do  prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês do pagamento.  Com base nessa disposição a Receita Federal vem entendendo que a multa de  ofício também está sujeita aos juros de mora à taxa SELIC, a partir do seu vencimento.  O cerne da questão está, pois, na  interpretação que se deve dar à expressão  “débitos decorrentes de tributos e contribuições”.   De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na  legislação  faz  nascer  o  débito.  Portanto,  o  débito  decorre  do  não  pagamento  de  tributos  e  contribuições nos prazos.  Também  nesse  sentido  é  a multa  de  ofício  débito  decorrente  de  tributos  e  contribuições.  Isso  porque  ela  resulta,  nos  exatos  termos  da  alínea  a  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430/96,  da  punição  aplicada  pela  fiscalização  à  falta  de  pagamento  ou  recolhimento  dos  tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória.  A jurisprudência neste Conselho é predominante no sentido de que é cabível  a apreciação da matéria pelo contencioso administrativo e de que a aplicação da  taxa Selic à  multa de ofício é correta.   Nesse  sentido  já  se manifestou este E. Colegiado quando do  julgamento do  Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa:  JUROS  DE  MORA  —  MULTA  DE  OFÍCIO  —  OBRIGAÇÃO  PR1NICIPAL —  A  obrigação  tributária  principal  surge  com  a  ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento  do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não  pagamento,  incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito  tributário  corresponde  a  toda  a  obrigação  tributária  principal,  incluindo  a  multa  de  oficio  proporcional,  sobre  o  qual,  assim,  devem incidir os juros de mora à taxa Selic.  Aplicável, portanto, a SELIC como taxa de  juros de mora sobre a multa de  oficio.  Conclusão  Fl. 979DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.720724/2011­12  Acórdão n.º 1402­001.894  S1­C4T2  Fl. 980          21 Por  todo  o  exposto, Voto  no  sentido  de  dar  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário  para  excluir  a  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  das  estimativas  por  concomitante com a multa de ofício proporcional.    (assinado digitalmente)  Frederico Augusto Gomes de Alencar  ­ Relator.                              Fl. 980DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO

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Numero do processo: 16095.720031/2014-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/01/2010 a 31/12/2010 IPI. REGIME TRIBUTÁRIO ESPECIAL. REFRI. INCIDÊNCIA ÚNICA. RECOLHIMENTOS. ESTABELECIMENTOS. No regime tributário especial de que tratam os arts. 58-J e seguintes da Lei no 10.833/2003 (REFRI), o IPI incidirá uma única vez sobre os produtos nacionais na saída do estabelecimento industrial. Como o REFRI alcança, por disposição legal expressa (do próprio art. 58-J), todos os estabelecimentos da empresa e todos os produtos fabricados, não se pode exigir o IPI se houver prova de que ele já tenha sido recolhido, para os mesmos produtos, e sobre a mesma base, ainda que por outro estabelecimento da mesma empresa (“firma”).
Numero da decisão: 3403-003.602
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para que sejam afastados do lançamento os montantes efetivamente recolhidos pelos estabelecimentos da mesma empresa (“firma”) em relação aos produtos constantes da autuação, a fim de evitar a dupla incidência do imposto, em respeito ao art. 58-N da Lei no 10.833/2003. Vencido o Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, que deu provimento na íntegra, e o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, que negou provimento na íntegra. O Conselheiro Domingos de Sá Filho acompanhou o relator pelas conclusões. Esteve presente ao julgamento o Dr. Júlio César Soares, OAB/DF no 29.266, que desistiu do pedido de adiamento do julgamento para o mês de março. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2320; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 2.400          1 2.399  S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16095.720031/2014­12  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3403­003.602  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de fevereiro de 2015  Matéria  AI­IPI­"BEBIDAS FRIAS"  Recorrente  AMBEV S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 31/01/2010 a 31/12/2010  IPI.  REGIME  TRIBUTÁRIO  ESPECIAL.  REFRI.  INCIDÊNCIA  ÚNICA.  RECOLHIMENTOS. ESTABELECIMENTOS.  No regime tributário especial de que tratam os arts. 58­J e seguintes da Lei no  10.833/2003  (REFRI),  o  IPI  incidirá  uma  única  vez  sobre  os  produtos  nacionais na saída do estabelecimento industrial. Como o REFRI alcança, por  disposição legal expressa (do próprio art. 58­J), todos os estabelecimentos da  empresa e  todos os produtos  fabricados, não se pode exigir o  IPI se houver  prova de que ele já tenha sido recolhido, para os mesmos produtos, e sobre a  mesma  base,  ainda  que  por  outro  estabelecimento  da  mesma  empresa  (“firma”).      Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  apresentado,  para  que  sejam  afastados  do  lançamento  os  montantes  efetivamente  recolhidos  pelos  estabelecimentos  da  mesma  empresa  (“firma”)  em  relação aos produtos constantes da autuação, a fim de evitar a dupla incidência do imposto, em  respeito  ao  art.  58­N  da  Lei  no  10.833/2003.  Vencido  o  Conselheiro  Luiz  Rogério  Sawaya  Batista,  que  deu  provimento  na  íntegra,  e  o Conselheiro  Fenelon Moscoso  de Almeida,  que  negou  provimento  na  íntegra.  O  Conselheiro  Domingos  de  Sá  Filho  acompanhou  o  relator  pelas conclusões. Esteve presente ao julgamento o Dr. Júlio César Soares, OAB/DF no 29.266,  que desistiu do pedido de adiamento do julgamento para o mês de março.    ANTONIO CARLOS ATULIM ­ Presidente.     ROSALDO TREVISAN ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 00 31 /2 01 4- 12 Fl. 2400DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN     2   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Antonio  Carlos  Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan  Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.    Relatório  Versa o presente sobre auto de infração, lavrado em 21/03/2014 (fls. 2046 a  2052,  com  ciência  em  24/03/2014,  cf.  fl.  2046)1  para  exigência  de  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (IPI),  por  falta  de  lançamento  do  imposto  nas  saídas  do  estabelecimento  de  produtos tributados, em decorrência de utilização incorreta de suspensão, no período de janeiro  a dezembro de 2010, em valor original (a título de principal) de R$ 51.132.402,86, conforme  detalhamento no Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais (TVCIF).  No  TVCIF  (fls.  2034  a  2041),  narra  a  fiscalização  que:  (a)  a  empresa  é  optante do Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias (REFRI), previsto nos arts. 58­A e  58­J a 58­T da Lei no 10.833/2003, com data de opção de 29/12/2008 e início da vigência em  01/01/2009;  (b) o estabelecimento de CNPJ no 73.082.158/0054­33 está obrigado a utilizar o  Sistema de Controle de Produção de Bebidas (SICOBE) a partir de 10/07/2009, conforme Ato  Declaratório Executivo (ADE) COFIS no 25/2009, e a emitir Nota Fiscal Eletrônica (NFE) a  partir de 01/12/2008; (c) a partir das NFE baixadas no ambiente SPED, dos dados do relatório  SICOBE, constatou­se o volume de saídas de produção do estabelecimento; (d) todas as saídas  de produção de cervejas de malte e chopps efetuadas a título de transferências com destino a  filiais  foram  feitas  com  a  utilização  do  CFOP  5151  (transferências  de  produção  do  estabelecimento, com suspensão do IPI), com base no art. 42, X do RIPI/2002 ou no art. 43, X  do RIPI/2010, mas  sendo o  contribuinte optante do REFRI, o  imposto  incide uma única vez  sobre os produtos nacionais na saída do estabelecimento  industrial, conforme art. 58­N,  I, da  Lei no 10.833/2003 e arts. 32 e 42 do Decreto no 6.707/2008; e (e) a autuação foi lavrada em  nome  do  estabelecimento  filial  da  empresa  AMBEV  S.A.  (CNPJ  no  73.082.158/0054­33),  incorporadora  da  AMBEV  BRASIL  BEBIDAS  S.A.,  com  fulcro  no  art.  132  do  Código  Tributário Nacional (CTN).  A  empresa  apresenta  impugnação  em  23/04/2014  (fls.  2057  a  2075),  alegando, em síntese, que: (a) a interpretação do fisco desconsiderou a regra geral de suspensão  do pagamento do imposto disposta no Regulamento do IPI, bem como dispositivos do próprio  regimes especial da Lei no 10.833/2003; (b) a empresa, por produzir diversos tipos de bebidas  em diferentes estabelecimentos, utiliza­se de centros de distribuição,  sendo as notas de  saída  dos estabelecimentos industriais para os centros de distribuição sem destaque de IPI, e as notas  dos centros de distribuição para o varejo ou consumidor final com recolhimento do IPI, e sem  registro de crédito, conforme figura de fl. 2062; (c) o legislador (art. 43, X do RIPI/2010, que é  posterior à regulamentação do REFRI, e em nada ressalvou tal regime) postergou o pagamento  do imposto para o momento da efetiva transferência de propriedade, já que a simples remessa  entre estabelecimentos não gera riqueza capaz de suportar o pagamento da imposição estatal;  (d) a cobrança do  IPI na saída do estabelecimento  industrial é ainda afastada nos  termos dos  arts. 58­H e 58­E,  I;  (e) não há contradição  entre o disposto no art. 43, X do RIPI/2010 e o  REFRI  (incidência  monofásica  do  tributo),  tendo  sido  ambos  os  ditames  obedecidos  pela                                                              1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do  processo (e­processos).  Fl. 2401DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16095.720031/2014­12  Acórdão n.º 3403­003.602  S3­C4T3  Fl. 2.401          3 empresa;  (f)  houve  efetivo  recolhimento  do  IPI  nas  saídas  dos  estabelecimentos  filiais  distribuidores, não existindo prejuízo ao fisco na operação, tendo sido as sucessivas operações  registradas em notas fiscais (v.g., fl. 2067) e escrituradas em livro (fl. 2068), sendo a autuação  uma  cobrança  em  duplicidade  das  quantias  já  pagas;  e  (g)  admitindo­se  que  tenha  havido  eventual postergação (e não ausência de recolhimento) de tributos, a empresa estaria sujeita a  multa de mora, e não de ofício, na  linha da Súmula CARF no 36. Por  fim, demanda  juntada  posterior  de  documentos  e  prova  pericial  para  demonstrar  que  houve  adimplemento  do  IPI  pelas filiais.  Em  29/08/2014  ocorre  o  julgamento  de  primeira  instância  (fls.  2331  a  2341),  no  qual  se  decide  unanimemente  pela  negativa  ao  pedido  de  perícia  (por  tratar  de  matéria incontroversa ou ser impertinente ao litígio) e pela improcedência da impugnação, nos  seguintes termos: (a) segundo o art. 58­N da Lei no 10.833/2003 (e sua regulamentação), o IPI  incidirá uma única vez sobre os produtos nacionais, na saída do estabelecimento industrial; (b)  os  dispositivos  constantes  nos  arts.  42,  X  do  RIPI/2002  e  43,  X  do  RIPI/2010,  que  tratam  genericamente do instituto da suspensão facultativa do IPI são inaplicáveis ao caso, por força  do  art.  42 do Decreto no  6.707/2008, que  regulamenta o REFRI;  (c) as  referidas disposições  gerais  do  RIPI  são  contrárias  ao  art.  58­N  da  Lei  no  10.833/2003,  que  estabelece  (sem  ressalvas) incidência monofásica na saída do estabelecimento industrial; (d) os arts. 58­H e 58­ E  aplicam­se  exclusivamente  ao  regime  geral  de  tributação  de  bebidas  frias,  conforme  se  percebe no art. 3o e seguintes do Decreto no 6.707/2008, e não ao regime especial (REFRI); (e)  não há bis in idem, ou duplicidade de cobrança, pois nas saídas do estabelecimento industrial  ocorre o  “fato  gerador” do  IPI,  cf.  arts.  34,  II  e  39 do RIPI/2010,  e os  estabelecimentos  são  autônomos  (art.  51,  parágrafo  único  do  CTN  e  384  do  RIPI/2010),  e  individualmente  responsáveis (art. 609 do RIPI/2010); e (f) a falta de lançamento do imposto nas notas de saída  é expressamente apenada com multa de ofício, conforme art. 80 da Lei no 4.502/1964.  Cientificada  da  decisão  da  DRJ  em  04/09/2014  (fl.  2347),  a  empresa  apresenta Recurso Voluntário  em  29/09/2014  (fls.  2349  a  2360),  argumentando  que:  (a)  é  legítima  a  adoção  do  regime  de  suspensão  nas  transferências  de  bebidas  entre  estabelecimentos; (b) a norma didática do art. 42, caput, do Decreto no 6.707/2008 visa ao não  afastamento das regras gerais do imposto, exceto se contrárias ao regime especial, e a regra de  suspensão não é contrária, mas compatível com o regime especial; (c) a suspensão prevista no  art. 43,X do RIPI/2010 é opcional, enquanto a suspensão atinente ao regime geral de bebidas  frias  (arts.  58­H  e  58­E  da  Lei  no  10.833/2003)  é  mandatória;  (d)  desvirtuar  o  modelo  monofásico significa torná­lo plurifásico, o que não ocorreu, pois a suspensão apenas deslocou  o  pagamento  para momento  posterior,  não  gerando  apropriação  de  crédito;  (e)  ainda  que  se  pudesse entender que a interpretação do fisco é admissível, persiste dúvida razoável a respeito  do tema, diante da não existência de vedação em lei, demandando a aplicação do art. 112 do  CTN; (f) o auto deve ser cancelado, pois o  IPI foi recolhido, ainda que de forma postergada,  pelos estabelecimentos para os quais  foram  transferidas as mercadorias;  (g) a  constatação do  pagamento  do  IPI  na  saída  dos  produtos  dependia  unicamente  do  exame  da  escrita  fiscal  e  contábil  da  empresa,  o  que  não  foi  feito,  em  que  pese  ter  a  DRJ  reconhecido  como  incontroversa  a  matéria,  rechaçando  a  solicitação  de  perícia;  (h)  em  razão  de  os  estabelecimentos  serem  da  mesma  pessoa  jurídica,  não  é  razoável,  como  propõe  a  DRJ,  simplesmente ignorar o recolhimento feito por um estabelecimento diverso do que promoveu a  saída tributada; (i) ainda que se considerassem os estabelecimentos “pessoas” distintas, haveria  responsabilidade  solidária,  conforme  art.  124,  I  do  CTN;  e  (j)  em  face  dos  princípios  da  eficiência  e  da  proporcionalidade,  não  é  lícito  à  Administração  exigir  que  o  contribuinte  satisfaça o débito para então pleitear  sua  restituição  (solve et  repete),  sendo devidos no caso  Fl. 2402DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN     4 somente  juros  e  multa  isolados,  cf.  art.  42  da  Lei  no  9.430/1996.  Mantém­se,  por  fim,  a  demanda por diligência, na eventualidade de haver dúvida quanto ao direito pleiteado.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator  O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele  se toma conhecimento.    Nota­se consenso (ou, ao menos, ausência de dissenso) nos autos em relação  ao que aconteceu de fato. É na leitura jurídica do fenômeno que divergem fisco e recorrente.  De  fato,  a  autuação  é  lavrada  em  relação  ao  estabelecimento  0054  (Guarulhos/SP) da empresa AMBEV S.A.,  em virtude do não pagamento do  IPI na saída do  estabelecimento industrial, destacando­se que a AMBEV S.A. é optante do Regime Especial de  Tributação  de  Bebidas  Frias  (REFRI),  previsto  nos  arts.  58­A  e  58­J  a  58­T  da  Lei  no  10.833/2003. No mundo dos fatos, nem fisco nem recorrente discordam disso: não ocorreu o  pagamento no momento da saída do estabelecimento industrial.  E, na leitura do inciso I do art. 58­N da Lei no 10.833/2003, resolvida estaria  a questão, sendo cabível a exigência:  “Art.  58­N. No  regime  especial,  o  IPI  incidirá:  (Incluído  pela  Lei n11.727, de 23 de junho de 2008)  I  ­  uma  única  vez  sobre  os  produtos  nacionais  na  saída  do  estabelecimento  industrial,  observado  o  disposto  no  parágrafo  único; e (Incluído pela Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008)  (...)  Parágrafo  único.  Quando  a  industrialização  se  der  por  encomenda, o  imposto será devido na saída do estabelecimento  que  industrializar  os  produtos,  observado  o  disposto  no  parágrafo  único  do  art.  58­A  desta  Lei  (Incluído  pela  Lei  no  11.727, de 23 de junho de 2008)” (grifo nosso)  Ambas  as  partes  concordam,  no  mundo  dos  fatos,  que  o  estabelecimento  industrial autuado da AMBEV S.A. (recorrente) promoveu saídas para outros estabelecimentos  da  AMBEV  S.A.  (transferências  para  distribuição),  indicando  a  existência  de  suspensão  do  imposto (com fundamento no art. 42, X do RIPI/2002 ou no art. 43, X do RIPI/2010).  Tal dispositivo, no RIPI 2010 (Decreto no 7.212/2010, de conteúdo idêntico  ao que constava no regulamento anterior ­ Decreto no 4.544/2002), estabelece que:  “Art.43. Poderão sair com suspensão do imposto:  (...)  Fl. 2403DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16095.720031/2014­12  Acórdão n.º 3403­003.602  S3­C4T3  Fl. 2.402          5 X ­ os produtos remetidos, para industrialização ou comércio, de  um  estabelecimento  industrial  ou  equiparado  a  industrial  para  outro da mesma firma;” (grifo nosso)  Mas  aí  surge  a  indagação  fulcral  no  presente  processo,  que  representa  a  verdadeira e principal controvérsia nos autos. Pode a empresa optante pelo REFRI dar saídas  de transferência com a suspensão de que trata o dispositivo do RIPI?  A recorrente entende que sim, por não haver vedação expressa na legislação,  e  por  não  ser  o  comando  geral  de  suspensão  do  IPI  incompatível  com  o  regime  especial  (REFRI). Daí, estrutura seu fluxo de mercadorias com a logística em duas etapas, considerando  que não  são  todos os  estabelecimentos  industriais que produzem  todo o portfólio de bebidas  que é levado ao mercado.  Os estabelecimentos  industriais dão saída a produtos em transferências com  destino  a  centros  de distribuição,  sem destaque  e  sem  recolhimento  de  IPI  (nestas  saídas  há  suspensão  do  IPI,  com  base  no  já  citado  artigo  do RIPI). O  recolhimento  ocorre  quando  da  saída  dos  produtos  dos  centros  de  distribuição  para  os  estabelecimentos  varejistas  e/ou  consumidores  finais,  segundo  as  regras  do  REFRI  (e  sem  registro  de  crédito).  Esquematicamente, a estrutura logística é  representada da seguinte forma na manifestação de  inconformidade (fl. 2062):    O fisco, por sua vez, discorda da possibilidade de que a suspensão prevista no  RIPI se aplique ao regime especial  (REFRI), porque segundo o  já citado art. 58­N da Lei no  10.833/2003, o IPI “incide uma única vez” “na saída do estabelecimento industrial”, trazendo  Fl. 2404DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN     6 ainda como motivação o art. 42 do decreto que regulamenta o REFRI (Decreto no 6.707/2008),  que estabelece:  “Art.  42.  As  demais  disposições  da  legislação  relativa  à  Contribuição  para  o  PIS/PASEP,  à  COFINS,  à  Contribuição  para o PIS/PASEP­Importação, à COFINS­Importação e ao IPI  aplicam­se  aos  regimes  previstos  neste  Decreto,  naquilo  que  não forem contrárias.”  E as razões de contrariedade apontadas entre os dispositivos são descritas da  seguinte forma pela fiscalização (fl. 2035):    Entende, assim, o fisco, que a suspensão é contrária à incidência concentrada  no  estabelecimento  industrial. E,  não  incidindo a  suspensão, o  IPI deveria  ter  sido  recolhido  pelo estabelecimento  industrial autuado, na saída aos centros de distribuição. Exige, assim, a  fiscalização,  a  integralidade  dos  tributos,  tratando  a  situação  como  simples  ausência  de  recolhimento.  Por  consequência,  considera  irrelevantes  as  etapas  seguintes  à  saída  do  estabelecimento industrial, promovidas por outros estabelecimentos da AMBEV S.A., o que é  endossado pela DRJ em função da autonomia dos estabelecimentos.  A recorrente, por sua vez, utiliza o mesmo art. 42 do Decreto no 6.707/2008  para sustentar que não há contrariedade entre a incidência concentrada do REFRI e a suspensão  de caráter geral do RIPI.  O Regulamento do IPI de 2002 trata da suspensão como “Capítulo II” de um  “Título VII” (“Da Obrigação Principal”). E a mesma posição “geográfica” do tema é ocupada  no RIPI/2010, que foi editado anos depois da criação (e da própria regulamentação) do REFRI.  No mesmo RIPI/2010, o art. 45 e os arts. 222 a 224 provam que o referido  regulamento não ignorou a disciplina trazida nos artigos acompanhados de letras adicionados  após o art. 58 da Lei no 10.833/2003:  “Art. 45. Sairão com suspensão do imposto os produtos sujeitos  ao regime geral de tributação de que trata o art. 222:  I  ­  do  estabelecimento  industrial,  quando  destinados  aos  estabelecimentos  comerciais  equiparados  a  industrial  de  que  tratam os incisos XI, XII e XIII do art. 9o (Lei no 10.833, de 2003,  art. 58­H, caput e § 3o, Lei no 11.727, de 2008, art. 32, e Lei no  11.827, de 2008, art. 1o);  II  ­  do  estabelecimento  comercial  equiparado  a  industrial,  na  forma  do  inciso  XIII  do  art.  9o,  quando  destinados  aos  estabelecimentos  equiparados  a  industrial  de  que  tratam  os  incisos XI e XII daquele artigo (Lei no 10.833, de 2003, art. 58­ H, caput  e §§ 1o  e 3o, Lei no 11.727, de 2008, art. 32, e Lei no  11.827, de 2008, art. 1o); e  III  ­  do  estabelecimento  importador,  quando  destinados  aos  estabelecimentos  equiparados  a  industrial  de  que  tratam  os  incisos XIV e XV do art. 9o  (Lei no 10.833, de 2003, art. 58­H,  Fl. 2405DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16095.720031/2014­12  Acórdão n.º 3403­003.602  S3­C4T3  Fl. 2.403          7 caput e § 3o, Lei no º 11.727, de 2008, art. 32, e Lei no 11.827, de  2008, art. 1o).  Parágrafo  único.  A  suspensão  de  que  trata  este  artigo  não  se  aplica  ao  imposto  devido  pelos  estabelecimentos  industrial,  encomendante ou importador no caso do § 2o do art. 25 (Lei no  10.833, de 2003, art. 58­H, e Lei no 11.827, de 2008, art. 1o).  (...)  Art.  222.  Os  produtos  classificados  nos  Códigos  e  Posições  2106.90.10  Ex  02,  22.01,  22.02,  exceto  os  Ex  01  e  Ex  02  do  Código  2202.90.00,  e  22.03,  da  TIPI,  sujeitam­se  ao  imposto  conforme o  regime geral de  tributação previsto no Decreto no  6.707,  de  23  de  dezembro  de  2008,  em  conformidade  com  a  legislação de regência, na hipótese em que a pessoa jurídica que  industrializa  ou  importa  os  produtos  não  optar  pelo  regime  especial de que trata o art. 223 (Lei no 10.833, de 2003, art. 58­ A, e Lei no 11.727, de 2008, art. 32).  Parágrafo  único. O disposto  no  caput,  em  relação  às Posições  22.01  e  22.02  da  TIPI,  alcança,  exclusivamente,  água  e  refrigerantes,  refrescos,  cerveja  sem  álcool,  repositores  hidroeletrolíticos e compostos  líquidos prontos para o consumo  que  contenham  como  ingrediente  principal  inositol,  glucoronolactona,  taurina  ou  cafeína  (Lei  no  10.833,  de  2003,  art. 58­V, e Lei no 11.945, de 2009, art. 18).  Art.  223.  A  pessoa  jurídica  que  industrializa  ou  importa  os  produtos referidos no art. 222 poderá optar por regime especial  de tributação e apurar o imposto em função do valor­base que  será expresso em reais por  litro, definido a partir do preço de  referência, nas condições estabelecidas no Decreto no 6.707, de  2008,  em  conformidade  com  a  legislação  de  regência  (Lei  no  10.833, de 2003, arts. 58­A, 58­J e 58­O, Lei no 11.727, de 2008,  art. 32, e Lei no 11.945, de 2009, art. 17).  § 1o A opção pelo regime especial de que trata o caput:  I ­ alcança todos os estabelecimentos da pessoa jurídica optante  e abrange  todos os produtos por  ela  fabricados  ou  importados  (Lei no 10.833, de 2003, art. 58­J, § 1o, e Lei no 11.727, de 2008,  art. 32); e  II ­ será exercida pelo encomendante, quando a industrialização  se der por encomenda (Lei no 10.833, de 2003, art. 58­J, § 3o, e  Lei no 11.727, de 2008, art. 32).  §2o O imposto apurado na forma do caput incidirá:  I  ­  uma  única  vez  sobre  os  produtos  nacionais  na  saída  do  estabelecimento  industrial,  observado  o  disposto  no  §  3o  (Lei  no  10.833, de 2003, art. 58­N, inciso I, e Lei no 11.727, de 2008, art.  32); e  II  ­  sobre  os  produtos  de  procedência  estrangeira  no  desembaraço  aduaneiro  e  na  saída  do  estabelecimento  Fl. 2406DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN     8 importador equiparado a industrial (Lei no 10.833, de 2003, art.  58­N, inciso II, e Lei no 11.727, de 2008, art. 32).  § 3o Quando a  industrialização  se der por  encomenda, o  imposto  apurado  na  forma  do  caput  será  devido  na  saída  do  estabelecimento  que  industrializar  os  produtos,  observado  o  disposto no inciso VIII do art. 27 (Lei no 10.833, de 2003, art. 58­ N, parágrafo único, e Lei no 11.727, de 2008, art. 32).  Art. 224. Nas hipóteses de infração à legislação dos regimes de  que tratam os arts. 222 e 223, a exigência de multas e juros de  mora dar­se­á em conformidade com os arts. 552 a 554 (Lei no  10.833, de 2003, art. 58­S, e Lei no 11.727, de 2008, art. 32).”  (grifo nosso)  Dos  referidos  dispositivos,  percebe­se  que  há  regimes  (geral  ­  art.  222  e  especial ­ art. 223) aplicáveis na industrialização e comercialização de determinadas bebidas,  ambos sujeitos às condições definidas no Decreto no 6.707/2008. Ou seja, o RIPI/2010 apenas  inseriu dispositivos  indicadores da existência dos regimes (e da suspensão correspondente ao  regime geral), remetendo a disciplina detalhada ao Decreto no 6.707/2008 (aquele que indicava,  no art. 42, que seriam aplicáveis as normas gerais do imposto, no que não forem contrárias).  No caso concreto, indubitavelmente está­se tratando do regime especial (art.  223) que constitui uma alternativa ao regime geral  (para o qual está prevista a suspensão  ­  art. 222). Assim, desde já, clara a impossibilidade de aplicação dos dispositivos do art. 45 do  RIPI ao caso concreto. A impossibilidade de aplicação simultânea de disposições de ambos os  regimes (geral e especial) resta evidente logo ao início do Decreto no 6.707/2008:  “Art. 2o Os importadores e as pessoas jurídicas que procedam à  industrialização  dos  produtos  listados  no  art.  1o  ficam  sujeitos  ao  regime geral ou ao  regime especial  previstos neste Decreto  (Lei no 10.833, de 2003, art. 58­A; Lei no 11.727, de 23 de junho  de 2008, art. 42, inciso IV, alínea “a”).  Art. 3o Os importadores e as pessoas jurídicas que procedam à  industrialização  dos  produtos  de  que  trata  o  art.  1o  que  não  fizerem  a  opção  pelo  regime  especial  nos  termos  do  art.  28  estarão  sujeitos  ao  regime  geral  de  tributação  (...)”  (grifo  nosso)  A  própria  empresa  parece  não  ter  adotado  a  suspensão  do  art.  45  (em  que  pese tenha mencionado em sua defesa os dispositivos legais correspondentes ­ arts. 58­E e 58­ H da Lei no 10.833/2003), pois a modalidade não prejudicaria o direito ao crédito, nos termos  do art. 58­H, § 2o da Lei no 10.833/2003 (o que se informa não ter ocorrido no caso concreto).  A suspensão utilizada (devida ou indevidamente) pelo estabelecimento autuado, recorde­se, é a  do art. 43, X do RIPI/2010 (equivalente ao art. 42, X do RIPI/2002).  E  a opção pelo  regime especial  (REFRI) não é do  estabelecimento, mas da  empresa, valendo para todos os seus estabelecimentos, como expressamente dispõe o art. 58­J  da Lei no 10.833/2003, que traz importantes esclarecimentos:  “Art.  58­J.  A  pessoa  jurídica  que  industrializa  ou  importa  os  produtos  de  que  trata  o  art.  58­A  desta  Lei  poderá  optar  por  regime  especial  de  tributação,  no  qual  a  Contribuição  para  o  PIS/Pasep, a Cofins e o IPI serão apurados em função do valor­ base,  que  será  expresso  em  reais  ou  em  reais  por  litro,  discriminado  por  tipo  de  produto  e  por  marca  comercial  e  Fl. 2407DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16095.720031/2014­12  Acórdão n.º 3403­003.602  S3­C4T3  Fl. 2.404          9 definido a  partir  do  preço  de  referência.  (Incluído  pela  Lei  no  11.727, de 23 de junho de 2008)  § 1o A opção pelo regime especial de que trata este artigo aplica­ se  conjuntamente  às  contribuições  e  ao  imposto  referidos  no  caput  deste  artigo,  alcançando  todos  os  estabelecimentos  da  pessoa jurídica optante e abrangendo todos os produtos por ela  fabricados ou importados. (Incluído pela Lei no 11.727, de 23 de  junho de 2008)  § 2o O disposto neste artigo alcança a venda a consumidor final  pelo estabelecimento industrial de produtos por ele produzidos.  (Incluído pela Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008)  § 3o Quando a industrialização se der por encomenda, o direito à  opção  de  que  trata  o  caput  deste  artigo  será  exercido  pelo  encomendante.  (Incluído pela Lei no  11.727, de 23 de  junho de  2008)” (grifo nosso)  Pelo texto do artigo, vê­se que o legislador contempla apenas a venda direta  (venda a consumidor final pelo estabelecimento industrial) e a industrialização por encomenda,  não cogitando a hipótese de que o produto fosse enviado a outro estabelecimento da empresa  (equiparado a industrial), de onde seria vendido ao consumidor final ou a varejistas.  Poder­se­ia  imaginar  que  foi  uma  omissão  do  legislador  (que  poderia  ser  suprida  pelo  art.  43,  X  do  RIPI),  ou  até  que  o  legislador  empregou  de  forma  alargada  a  expressão  “estabelecimento  industrial”  (abarcando  o  equiparado),  mas  analisando  os  demais  artigos  do  regime  geral  e  do  regime  especial  (REFRI),  reforça­se  a  tese  de  que  a  redação  é  intencional.  Veja­se  que  no  regime  especial  sequer  existe  a  figura  do  “equiparado”,  como  destaca o texto do art. 10 do Decreto no 6.707/2008:  “Art. 10. Para efeitos do regime geral, equipara­se a industrial  o estabelecimento (Lei no 10.833, de 2003, art. 58­E):  I ­ comercial atacadista dos produtos a que se refere o art. 1o;  II  ­  varejista  que  adquirir  os  produtos  de  que  trata  o  art.  1o,  diretamente do importador.” (grifo nosso)  E na base legal utilizada pelo fisco para a negativa, na autuação (art. 58­N da  Lei  no  10.833/2003),  há  expressa  menção  ao  equiparado  no  inciso  II  (situação  diversa),  deixando claro que o legislador distinguia os termos na redação:  “Art.  58­N. No  regime  especial,  o  IPI  incidirá:  (Incluído  pela  Lei n11.727, de 23 de junho de 2008)  I  ­  uma  única  vez  sobre  os  produtos  nacionais  na  saída  do  estabelecimento  industrial,  observado  o  disposto  no  parágrafo  único; e (Incluído pela Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008)  II  ­  sobre  os  produtos  de  procedência  estrangeira  no  desembaraço  aduaneiro  e  na  saída  do  estabelecimento  importador equiparado a industrial. (...)” (grifo nosso)  Fl. 2408DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN     10 Ao  que  tudo  indica,  o  REFRI  é  um  regime  especial  de  tributação  que  ofereceu atrativos sob o ponto de vista do quantum a pagar, e da centralização da incidência,  com a desvantagem de ser restrito a vendas efetuadas pelo estabelecimento industrial (não se  aplicando vendas pelo equiparado).  E isso se conclui da redação dos artigos 58­J a 58­T Lei no 10.833/2003, que,  apesar  de  pouco  primorosa,  não  pode  ser  afastada  por  este  julgador  administrativo.  Comunique­se, a título ilustrativo, que a partir de maio de 2015, estarão revogados todos esses  artigos, assim como os demais que figuram do art. 58­A a ao art. 58­V da Lei no 10.833/2003  (conforme disposição do art. 169, III, “b” da Lei no 13.097/2015).  Assim,  no  contexto  aqui  exposto,  entende­se  que  assiste  razão  ao  fisco  quando afirma que a disposição do art. 43, X é incompatível com a disciplina restritiva do art.  58­N  da  Lei  no  10.833/2003,  devendo  o  IPI  ser  recolhido  na  saída  do  estabelecimento  industrial.  E também não se apresenta no caso em análise dúvida sobre a “lei tributária  que define infrações”/comina penalidades, nos termos doa rt. 112 do CTN. Se houvesse dúvida  (no caso, não há, pois ela foi sanada pelos próprios dispositivos normativos), ela seria somente  em relação à norma de incidência, e à aplicação ou não de suspensão, sequer versando sobre a  amplitude de norma sancionatória/infracional.  Contudo, é preciso analisar a  informação prestada pela recorrente de que os  estabelecimentos  da  AMBEV  S.A.  que  receberam  os  produtos  transferidos  pelo  estabelecimento  autuado  efetivamente  recolheram  o  IPI,  nos  moldes  estabelecidos  na  legislação que rege o REFRI (inclusive com exemplos e documentos juntados, e evidências de  que  tanto  a  fiscalização  quanto  a  DRJ  observaram  a  sistemática  de  recolhimento,  mas  a  entenderam irrelevante ao deslinde do presente processo).  Então,  não  se  pode  simplesmente  tratar  a  operação  como  mera  falta  de  recolhimento, na linha seguida pelo fisco.  Se  o  REFRI  é  aplicável  a  todos  os  estabelecimentos  da  empresa,  e  se  comprova que um estabelecimento da empresa efetuou o recolhimento, ainda que se respeite a  autonomia  dos  estabelecimentos,  qualquer  pagamento  por  outro  estabelecimento  se  torna  indevido. E aí assiste razão ao argumento de existência de dupla cobrança, pelo fisco.  Deveria a fiscalização ter prosseguido nas verificações (ainda que fosse para  checar se efetivamente os recolhimentos efetuados pelos demais estabelecimentos respeitaram  integralmente a forma de cálculo prevista para o REFRI).  Retornando­se ao art. 58­N da Lei no 10.833/2003, percebe­se facilmente que  o IPI incide uma única vez.  Não se pode então ignorar recolhimentos efetuados pela empresa (ainda que  por outros estabelecimentos) com a nítida e declarada intenção de saldar o débito decorrente da  incidência  de  que  trata  o  art.  58­N,  ainda  mais  quando  o  art.  58­J  da  mesma  lei  afirma  textualmente que a opção pelo REFRI se estende a todos os estabelecimentos e a todos os  produtos.  Não  faz  sentido,  assim,  que  um  dos  estabelecimentos  recolha  o  IPI  e  o  outro  igualmente o recolha, sobre a mesma base, em relação aos mesmos produtos. Afinal de contas,  a incidência deve ser, nos termos da lei, única.  Fl. 2409DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16095.720031/2014­12  Acórdão n.º 3403­003.602  S3­C4T3  Fl. 2.405          11 Entende­se, pelo exposto, que os valores recolhidos em relação aos produtos  a que se refere a autuação (a serem apurados efetivamente pelo fisco) devem ser abatidos do  montante lançado.  Caso  tenha havido recolhimento  integral, mas a destempo, cabível apenas a  manutenção de acréscimos moratórios, nos termos do art. 43 da Lei no 9.430/1996. Na hipótese  de  a  quantia  recolhida  ser  insuficiente,  mister  se  faz,  em  relação  ao  saldo  devedor, manter,  além dos juros de mora, a multa de ofício aplicada, de que trata o art. 80 da Lei no 4.502/1964,  em função do disposto no art. 58­S da Lei no 10.833/2003.  Por  fim,  destaque­se  ser  desnecessária  a  prova  pericial  ou  a  baixa  em  diligência, diante da decisão proposta.    Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  apresentado,  para  que  sejam  afastados  do  lançamento  os montantes  efetivamente  recolhidos  pelos  estabelecimentos  da  mesma  empresa  (“firma”)  em  relação  aos  produtos  constantes da autuação, a fim de evitar a dupla incidência do imposto, em respeito ao art. 58­N  da Lei no 10.833/2003.  Rosaldo Trevisan                                Fl. 2410DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN

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5879652 #
Numero do processo: 10218.720560/2007-77
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2801-000.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 82.429,42, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 2 deste processo digital, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente e da área de reserva legal no imóvel rural, motivo pelo qual o Documento de Informação e Apuração do ITR - DIAT foi alterado, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, acostado aos autos à fl. 3. Acrescenta a Autoridade lançadora, ainda, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou, por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o Valor da Terra Nua - VTN declarado. Por esta razão, o VTN foi arbitrado tendo como base nas informações do Sistema de Preços da Terra – SIPT da RFB. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 30/38, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para serem excluídas do ITR, exige-se que essas áreas, informadas na DITR/2004 e glosadas pela autoridade fiscal, sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolado, em tempo hábil, junto ao IBAMA, além da averbação tempestiva da área de reserva legal. DO VALOR DA TERRA NUA - VTN. Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2004 pela autoridade fiscal com base no SIPT, por falta de laudo técnico de avaliação com ART, em consonância com a NBR 14.653-3 da ABNT, que atingisse fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridades desfavoráveis, que justificassem o valor declarado. Cientificado da decisão de primeira instância em 28/03/2012 (fl. 43), o Interessado interpôs, em 11/04/2012, o recurso de fls. 44/67, acompanhado dos documentos de fls. 68/78. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Inexigibilidade de Ato Declaratório Ambiental e inexistência de capacidade contributiva decorrente da limitação legal ao uso da propriedade em razão da reserva legal de 80% na Amazônia - Tanto a NL quanto o acórdão recorrido lastrearam o lançamento e sua manutenção na exigência de ADA para exclusão das áreas de reserva legal e de utilização limitada, mas tal exigência afronta direta e abertamente os termos do § 7° e da alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei n° 9.393/1996. - Por outro lado, a RFB não provou que a declaração do Recorrente não é verdadeira, conforme exige o § 7º para imputar-lhe responsabilidade e refutar a sua declaração, pois se limitou a exigir o Ato Declaratório ao arrepio da Lei nº 9.393/1996. - O Ato Declaratório Ambiental não é exigível no caso de Reserva Legal, tanto em razão da expressa dispensa pelo § 7º do art. 10 da Lei 9.393/1996, quanto pelo fato de que a alínea “a” não faz referência a qualquer ato administrativo, ao contrário das hipóteses de áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (alínea “b” do inciso II do § 1º do art. 10) ou comprovadamente imprestáveis, declaradas de interesse ecológico (alínea “c”), para as quais há clara exigência de ato administrativo reconhecendo o interesse ecológico e a imprestabilidade. - A introdução do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393/1996 teve apenas o objetivo de esclarecer a inexigibilidade do ato declaratório ambiental prévio para excluir-se da tributação pelo ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente, o que já decorria com clareza das alíneas “a” do inciso II do § 1° do art. 10. - A expressão utilizada na Lei (caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira), significa: cabe ao fisco provar a falsidade da declaração do contribuinte. - O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, estabelece que “Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior” (art. 924). - A NL e o acórdão que indeferiu a impugnação tomaram como premissa que a não tributação das áreas de preservação permanente e de utilização limitada seria espécie de isenção, "benefício fiscal", a merecer interpretação literal, quando, em verdade, trata-se de hipótese de não incidência, posto presente limitação administrativo-ambiental de base legal, a qual impede a plena utilização econômica da parcela de 80% dos imóveis rurais incluídos na Amazônia Legal, nos termos do inciso I do art. 16 da Lei n° 4.771/1965 (e parágrafos). - Em decorrência, a tributação pelo Estado sobre áreas que a própria legislação estatal impede o proprietário de exercer em plenitude seu domínio, para obtenção de utilidade econômica, sobre ser um absurdo lógico, uma afronta ao senso comum, representa afronta aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e da não utilização de tributo com efeito confiscatório. - Menciona jurisprudência do STJ sobre a inexigibilidade do ADA e cita manifestações doutrinárias acerca do ônus probatório em processos administrativos. Área indígena - Desde 06 de novembro de 1991 a FUNAI, nos processos FUNAI/BSB/948/86 e FUNAI/BSB/115/89, com referência à área indígena APYTEREWA, por despacho do Sr. Presidente da FUNAI (DESPACHO nº 39, 06 de dezembro de 1991, publicado no Diário Oficial da União, em 10.12.91), aprovou a delimitação da área indígena e remeteu o processo de demarcação ao Ministério da Justiça (anexo 01). - O Sr. Ministro de Estado de Justiça, através da Portaria nº 267, publicada no Diário Oficial de 29 de maio de 1992, declarou como de posse permanente indígena, para efeito de demarcação, a área indígena APYTEREWA, determinando que a FUNAI promovesse a demarcação e proibindo o ingresso, o trânsito e a permanência de pessoas ou grupos de não índios dentro do perímetro a ser demarcado (anexo 02). - O Sr. Ministro da Justiça, através da Portaria nº 1192, de 31 de dezembro de 2001, publicada no Diário Oficial em 04 de janeiro de 2002, considerando que a terra indígena APYTEREWA ficou identificada nos termos do § 1º do art. 231 da Constituição Federal e inciso 1 do art. 17 da Lei 6.001/1973, como sendo tradicionalmente ocupada pelo grupo APYTEREWA, declarou como de posse permanente a área indígena APYTEREWA, com superfície de aproximadamente 773.000 ha (anexo 03). A Portaria 2581, 21 de setembro de 2004 declarou de posse permanente a área de 773.000 ha (anexo 04). - Em Decreto de 19 de abril de 2007, o Sr. Presidente da República homologou a demarcação administrativa promovida pela FUNAI da terra destinada à posse permanente do grupo indígena denominado APYTEREWA (anexo 05). - Não restam dúvidas de que a área em apreço estava, à época, ocupada por indígenas, sendo, portanto, inalienável e não possível de posse. - O imóvel - LOTE 14 - está situado à margem esquerda do Rio Bacajá, descrito no memorial constante do Decreto de 19 de abril de 2007 que homologou a demarcação (anexo nº 04) e a planta do LOTE 54 (anexo 06). Pedidos Ao final, requer a total procedência do recurso voluntário, face à inexigibilidade do ITR, como também a anulação da cobrança consubstanciada na notificação constante do presente processo. Por meio da Resolução nº 2801-000.314, desta 1ª Turma Especial, o julgamento foi convertido em diligência a fim de que o Recorrente comprovasse, exclusivamente com a apresentação de documento fornecido pelo órgão regional da FUNAI no Estado do Pará, em papel timbrado da Fundação, que a área total do imóvel objeto de tributação está inserida nos limites da terra indígena demarcada (Terra Indígena APYTEREWA), devendo constar do documento a identificação do proprietário e a área do imóvel. Após ser intimado (fl. 88), o Interessado se manifestou às fls. 90/92 e juntou aos autos os documentos de fls. 93/103. Em sua manifestação, aduz, em síntese, que: - Que não existe, atualmente, órgão regional da FUNAI no Estado do Pará. - Que as emissões dos documentos denominados Atestado Administrativo e Declaração de Reconhecimento de Limites, que se referem à localização de imóvel particular em relação a terras indígenas, serão processadas de acordo com as normas estabelecidas na Instrução Normativa FUNAI nº 3, de 20 de abril de 2012. - No sentido de comprovar que o imóvel objeto de tributação encontra-se localizado na área indígena APYTEREWA, anexa memorial descritivo, cálculo analítico de área, azimutes, lados, coordenadas, UTM e geográficas, bem como levantamento planimétrico, elaborados pela empresa Norte Engenharia. Ao final, requer seja admitida como prova de que o imóvel encontra-se situado na área indígena APYTEREWA os documentos elaborados pela empresa Norte Engenharia. Alternativamente, que seja estabelecido novo prazo de 45 dias para o atendimento das normas estabelecidas na IN FUNAI nº 3/2012, porquanto o prazo de 15 dias é insuficiente para tal mister.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 82.429,42, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 2 deste processo digital, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente e da área de reserva legal no imóvel rural, motivo pelo qual o Documento de Informação e Apuração do ITR - DIAT foi alterado, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, acostado aos autos à fl. 3. Acrescenta a Autoridade lançadora, ainda, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou, por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o Valor da Terra Nua - VTN declarado. Por esta razão, o VTN foi arbitrado tendo como base nas informações do Sistema de Preços da Terra – SIPT da RFB. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 30/38, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para serem excluídas do ITR, exige-se que essas áreas, informadas na DITR/2004 e glosadas pela autoridade fiscal, sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolado, em tempo hábil, junto ao IBAMA, além da averbação tempestiva da área de reserva legal. DO VALOR DA TERRA NUA - VTN. Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2004 pela autoridade fiscal com base no SIPT, por falta de laudo técnico de avaliação com ART, em consonância com a NBR 14.653-3 da ABNT, que atingisse fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridades desfavoráveis, que justificassem o valor declarado. Cientificado da decisão de primeira instância em 28/03/2012 (fl. 43), o Interessado interpôs, em 11/04/2012, o recurso de fls. 44/67, acompanhado dos documentos de fls. 68/78. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Inexigibilidade de Ato Declaratório Ambiental e inexistência de capacidade contributiva decorrente da limitação legal ao uso da propriedade em razão da reserva legal de 80% na Amazônia - Tanto a NL quanto o acórdão recorrido lastrearam o lançamento e sua manutenção na exigência de ADA para exclusão das áreas de reserva legal e de utilização limitada, mas tal exigência afronta direta e abertamente os termos do § 7° e da alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei n° 9.393/1996. - Por outro lado, a RFB não provou que a declaração do Recorrente não é verdadeira, conforme exige o § 7º para imputar-lhe responsabilidade e refutar a sua declaração, pois se limitou a exigir o Ato Declaratório ao arrepio da Lei nº 9.393/1996. - O Ato Declaratório Ambiental não é exigível no caso de Reserva Legal, tanto em razão da expressa dispensa pelo § 7º do art. 10 da Lei 9.393/1996, quanto pelo fato de que a alínea “a” não faz referência a qualquer ato administrativo, ao contrário das hipóteses de áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (alínea “b” do inciso II do § 1º do art. 10) ou comprovadamente imprestáveis, declaradas de interesse ecológico (alínea “c”), para as quais há clara exigência de ato administrativo reconhecendo o interesse ecológico e a imprestabilidade. - A introdução do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393/1996 teve apenas o objetivo de esclarecer a inexigibilidade do ato declaratório ambiental prévio para excluir-se da tributação pelo ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente, o que já decorria com clareza das alíneas “a” do inciso II do § 1° do art. 10. - A expressão utilizada na Lei (caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira), significa: cabe ao fisco provar a falsidade da declaração do contribuinte. - O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, estabelece que “Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior” (art. 924). - A NL e o acórdão que indeferiu a impugnação tomaram como premissa que a não tributação das áreas de preservação permanente e de utilização limitada seria espécie de isenção, "benefício fiscal", a merecer interpretação literal, quando, em verdade, trata-se de hipótese de não incidência, posto presente limitação administrativo-ambiental de base legal, a qual impede a plena utilização econômica da parcela de 80% dos imóveis rurais incluídos na Amazônia Legal, nos termos do inciso I do art. 16 da Lei n° 4.771/1965 (e parágrafos). - Em decorrência, a tributação pelo Estado sobre áreas que a própria legislação estatal impede o proprietário de exercer em plenitude seu domínio, para obtenção de utilidade econômica, sobre ser um absurdo lógico, uma afronta ao senso comum, representa afronta aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e da não utilização de tributo com efeito confiscatório. - Menciona jurisprudência do STJ sobre a inexigibilidade do ADA e cita manifestações doutrinárias acerca do ônus probatório em processos administrativos. Área indígena - Desde 06 de novembro de 1991 a FUNAI, nos processos FUNAI/BSB/948/86 e FUNAI/BSB/115/89, com referência à área indígena APYTEREWA, por despacho do Sr. Presidente da FUNAI (DESPACHO nº 39, 06 de dezembro de 1991, publicado no Diário Oficial da União, em 10.12.91), aprovou a delimitação da área indígena e remeteu o processo de demarcação ao Ministério da Justiça (anexo 01). - O Sr. Ministro de Estado de Justiça, através da Portaria nº 267, publicada no Diário Oficial de 29 de maio de 1992, declarou como de posse permanente indígena, para efeito de demarcação, a área indígena APYTEREWA, determinando que a FUNAI promovesse a demarcação e proibindo o ingresso, o trânsito e a permanência de pessoas ou grupos de não índios dentro do perímetro a ser demarcado (anexo 02). - O Sr. Ministro da Justiça, através da Portaria nº 1192, de 31 de dezembro de 2001, publicada no Diário Oficial em 04 de janeiro de 2002, considerando que a terra indígena APYTEREWA ficou identificada nos termos do § 1º do art. 231 da Constituição Federal e inciso 1 do art. 17 da Lei 6.001/1973, como sendo tradicionalmente ocupada pelo grupo APYTEREWA, declarou como de posse permanente a área indígena APYTEREWA, com superfície de aproximadamente 773.000 ha (anexo 03). A Portaria 2581, 21 de setembro de 2004 declarou de posse permanente a área de 773.000 ha (anexo 04). - Em Decreto de 19 de abril de 2007, o Sr. Presidente da República homologou a demarcação administrativa promovida pela FUNAI da terra destinada à posse permanente do grupo indígena denominado APYTEREWA (anexo 05). - Não restam dúvidas de que a área em apreço estava, à época, ocupada por indígenas, sendo, portanto, inalienável e não possível de posse. - O imóvel - LOTE 14 - está situado à margem esquerda do Rio Bacajá, descrito no memorial constante do Decreto de 19 de abril de 2007 que homologou a demarcação (anexo nº 04) e a planta do LOTE 54 (anexo 06). Pedidos Ao final, requer a total procedência do recurso voluntário, face à inexigibilidade do ITR, como também a anulação da cobrança consubstanciada na notificação constante do presente processo. Por meio da Resolução nº 2801-000.314, desta 1ª Turma Especial, o julgamento foi convertido em diligência a fim de que o Recorrente comprovasse, exclusivamente com a apresentação de documento fornecido pelo órgão regional da FUNAI no Estado do Pará, em papel timbrado da Fundação, que a área total do imóvel objeto de tributação está inserida nos limites da terra indígena demarcada (Terra Indígena APYTEREWA), devendo constar do documento a identificação do proprietário e a área do imóvel. Após ser intimado (fl. 88), o Interessado se manifestou às fls. 90/92 e juntou aos autos os documentos de fls. 93/103. Em sua manifestação, aduz, em síntese, que: - Que não existe, atualmente, órgão regional da FUNAI no Estado do Pará. - Que as emissões dos documentos denominados Atestado Administrativo e Declaração de Reconhecimento de Limites, que se referem à localização de imóvel particular em relação a terras indígenas, serão processadas de acordo com as normas estabelecidas na Instrução Normativa FUNAI nº 3, de 20 de abril de 2012. - No sentido de comprovar que o imóvel objeto de tributação encontra-se localizado na área indígena APYTEREWA, anexa memorial descritivo, cálculo analítico de área, azimutes, lados, coordenadas, UTM e geográficas, bem como levantamento planimétrico, elaborados pela empresa Norte Engenharia. Ao final, requer seja admitida como prova de que o imóvel encontra-se situado na área indígena APYTEREWA os documentos elaborados pela empresa Norte Engenharia. Alternativamente, que seja estabelecido novo prazo de 45 dias para o atendimento das normas estabelecidas na IN FUNAI nº 3/2012, porquanto o prazo de 15 dias é insuficiente para tal mister.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2143; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE01  Fl. 108          1 107  S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10218.720560/2007­77  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2801­000.349  –  1ª Turma Especial  Data  11 de março de 2015  Assunto  ITR  Recorrente  JOÃO SOARES ROCHA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.   Assinado digitalmente   Tânia Mara Paschoalin ­ Presidente.   Assinado digitalmente   Marcelo Vasconcelos de Almeida ­ Relator.   Participaram do  presente  julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin,  Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo  Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.   Relatório   Trata­se de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Propriedade  Territorial Rural – ITR por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 82.429,42,  incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora.  Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 2 deste processo  digital, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área  declarada a título de preservação permanente e da área de reserva legal no imóvel rural, motivo  pelo  qual  o  Documento  de  Informação  e  Apuração  do  ITR  ­  DIAT  foi  alterado,  conforme  Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, acostado aos autos à fl. 3.  Acrescenta a Autoridade lançadora, ainda, que, após ser regularmente intimado,  o  contribuinte  não  comprovou,  por  meio  de  laudo  de  avaliação  do  imóvel,  conforme     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 18 .7 20 56 0/ 20 07 -7 7 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10218.720560/2007­77  Resolução nº  2801­000.349  S2­TE01  Fl. 109            2 estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o Valor da Terra Nua ­ VTN declarado. Por esta razão,  o VTN foi arbitrado tendo como base nas informações do Sistema de Preços da Terra – SIPT  da RFB.  A  impugnação  apresentada  pelo  contribuinte  foi  julgada  improcedente  por  intermédio do acórdão de fls. 30/38, assim ementado:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR   Exercício: 2004   DAS  ÁREAS  DE  RESERVA  LEGAL  E  DE  PRESERVAÇÃO  PERMANENTE.  Para serem excluídas do ITR, exige­se que essas áreas, informadas na  DITR/2004  e  glosadas  pela  autoridade  fiscal,  sejam  objeto  de  Ato  Declaratório Ambiental ­ ADA, protocolado, em tempo hábil, junto ao  IBAMA, além da averbação tempestiva da área de reserva legal.  DO VALOR DA TERRA NUA ­ VTN.  Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2004 pela autoridade  fiscal com base no SIPT, por falta de laudo técnico de avaliação com  ART,  em  consonância  com  a  NBR  14.653­3  da  ABNT,  que  atingisse  fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o  valor  fundiário do  imóvel à época do  fato gerador do  imposto e suas  peculiaridades desfavoráveis, que justificassem o valor declarado.  Cientificado  da  decisão  de  primeira  instância  em  28/03/2012  (fl.  43),  o  Interessado interpôs, em 11/04/2012, o recurso de fls. 44/67, acompanhado dos documentos de  fls. 68/78. Na peça recursal aduz, em síntese, que:  Inexigibilidade  de  Ato  Declaratório  Ambiental  e  inexistência  de  capacidade  contributiva decorrente da limitação legal ao uso da propriedade em razão da reserva legal de  80% na Amazônia   ­  Tanto  a  NL  quanto  o  acórdão  recorrido  lastrearam  o  lançamento  e  sua  manutenção  na  exigência  de  ADA  para  exclusão  das  áreas  de  reserva  legal  e  de  utilização  limitada, mas tal exigência afronta direta e abertamente os termos do § 7° e da alínea "a" do  inciso II do § 1º do art. 10 da Lei n° 9.393/1996.  ­  Por  outro  lado,  a  RFB  não  provou  que  a  declaração  do  Recorrente  não  é  verdadeira, conforme exige o § 7º para imputar­lhe responsabilidade e refutar a sua declaração,  pois se limitou a exigir o Ato Declaratório ao arrepio da Lei nº 9.393/1996.  ­ O Ato Declaratório Ambiental não é exigível no caso de Reserva Legal, tanto  em razão da expressa dispensa pelo § 7º do art. 10 da Lei 9.393/1996, quanto pelo fato de que a  alínea “a” não faz referência a qualquer ato administrativo, ao contrário das hipóteses de áreas  de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (alínea “b” do inciso II do § 1º do art.  10) ou comprovadamente imprestáveis, declaradas de interesse ecológico (alínea “c”), para as  quais  há  clara  exigência  de  ato  administrativo  reconhecendo  o  interesse  ecológico  e  a  imprestabilidade.  Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10218.720560/2007­77  Resolução nº  2801­000.349  S2­TE01  Fl. 110            3 ­ A introdução do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393/1996 teve apenas o objetivo de  esclarecer a  inexigibilidade do ato declaratório ambiental prévio para excluir­se da tributação  pelo ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente, o que já decorria com clareza  das alíneas “a” do inciso II do § 1° do art. 10.  ­ A  expressão  utilizada  na  Lei  (caso  fique  comprovado  que  a  sua  declaração  não é verdadeira), significa: cabe ao fisco provar a falsidade da declaração do contribuinte.  ­  O  Regulamento  do  Imposto  de  Renda,  aprovado  pelo  Decreto  nº  3.000,  de  26/03/1999,  estabelece  que  “Cabe  à  autoridade  administrativa  a  prova  da  inveracidade  dos  fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior” (art. 924).  ­ A NL e o acórdão que indeferiu a impugnação tomaram como premissa que a  não  tributação das áreas de preservação permanente e de utilização  limitada seria  espécie de  isenção,  "benefício  fiscal",  a  merecer  interpretação  literal,  quando,  em  verdade,  trata­se  de  hipótese de não incidência, posto presente limitação administrativo­ambiental de base legal, a  qual  impede a plena utilização econômica da parcela de 80% dos imóveis  rurais  incluídos na  Amazônia Legal, nos termos do inciso I do art. 16 da Lei n° 4.771/1965 (e parágrafos).  ­ Em decorrência, a tributação pelo Estado sobre áreas que a própria legislação  estatal impede o proprietário de exercer em plenitude seu domínio, para obtenção de utilidade  econômica, sobre ser um absurdo lógico, uma afronta ao senso comum, representa afronta aos  princípios constitucionais da capacidade contributiva e da não utilização de tributo com efeito  confiscatório.   ­  Menciona  jurisprudência  do  STJ  sobre  a  inexigibilidade  do  ADA  e  cita  manifestações doutrinárias acerca do ônus probatório em processos administrativos.  Área indígena   ­ Desde 06 de novembro de 1991 a FUNAI, nos processos FUNAI/BSB/948/86  e  FUNAI/BSB/115/89,  com  referência  à  área  indígena APYTEREWA,  por  despacho  do  Sr.  Presidente  da  FUNAI  (DESPACHO  nº  39,  06  de  dezembro  de  1991,  publicado  no  Diário  Oficial da União, em 10.12.91), aprovou a delimitação da área indígena e remeteu o processo  de demarcação ao Ministério da Justiça (anexo 01).  ­ O Sr. Ministro de Estado de Justiça, através da Portaria nº 267, publicada no  Diário  Oficial  de  29  de  maio  de  1992,  declarou  como  de  posse  permanente  indígena,  para  efeito de demarcação, a área indígena APYTEREWA, determinando que a FUNAI promovesse  a demarcação e proibindo o ingresso, o trânsito e a permanência de pessoas ou grupos de não  índios dentro do perímetro a ser demarcado (anexo 02).  ­ O Sr. Ministro da Justiça, através da Portaria nº 1192, de 31 de dezembro de  2001, publicada no Diário Oficial em 04 de janeiro de 2002, considerando que a terra indígena  APYTEREWA  ficou  identificada  nos  termos  do  §  1º  do  art.  231  da Constituição  Federal  e  inciso  1  do  art.  17  da  Lei  6.001/1973,  como  sendo  tradicionalmente  ocupada  pelo  grupo  APYTEREWA,  declarou  como  de  posse  permanente  a  área  indígena  APYTEREWA,  com  superfície  de  aproximadamente  773.000  ha  (anexo  03). A Portaria  2581,  21  de  setembro  de  2004 declarou de posse permanente a área de 773.000 ha (anexo 04).  Fl. 110DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10218.720560/2007­77  Resolução nº  2801­000.349  S2­TE01  Fl. 111            4 ­ Em Decreto de 19 de abril de 2007, o Sr. Presidente da República homologou a  demarcação administrativa promovida pela FUNAI da  terra destinada à posse permanente do  grupo indígena denominado APYTEREWA (anexo 05).  ­  Não  restam  dúvidas  de  que  a  área  em  apreço  estava,  à  época,  ocupada  por  indígenas, sendo, portanto, inalienável e não possível de posse.  ­ O imóvel ­ LOTE 14 ­ está situado à margem esquerda do Rio Bacajá, descrito  no memorial constante do Decreto de 19 de abril de 2007 que homologou a demarcação (anexo  nº 04) e a planta do LOTE 54 (anexo 06).  Pedidos   Ao final, requer a total procedência do recurso voluntário, face à inexigibilidade  do  ITR,  como  também  a  anulação  da  cobrança  consubstanciada  na  notificação  constante  do  presente processo.  Por meio da Resolução nº 2801­000.314, desta 1ª Turma Especial, o julgamento  foi  convertido  em diligência  a  fim de que o Recorrente  comprovasse,  exclusivamente  com a  apresentação de documento  fornecido pelo órgão  regional da FUNAI no Estado do Pará, em  papel timbrado da Fundação, que a área total do imóvel objeto de tributação está inserida nos  limites  da  terra  indígena  demarcada  (Terra  Indígena  APYTEREWA),  devendo  constar  do  documento a identificação do proprietário e a área do imóvel.  Após ser intimado (fl. 88), o Interessado se manifestou às fls. 90/92 e juntou aos  autos os documentos de fls. 93/103. Em sua manifestação, aduz, em síntese, que:  ­ Que não existe, atualmente, órgão regional da FUNAI no Estado do Pará.  ­  Que  as  emissões  dos  documentos  denominados  Atestado  Administrativo  e  Declaração de Reconhecimento de Limites, que se referem à localização de imóvel particular  em  relação  a  terras  indígenas,  serão  processadas  de  acordo  com  as  normas  estabelecidas  na  Instrução Normativa FUNAI nº 3, de 20 de abril de 2012.  ­  No  sentido  de  comprovar  que  o  imóvel  objeto  de  tributação  encontra­se  localizado  na  área  indígena APYTEREWA,  anexa memorial  descritivo,  cálculo  analítico  de  área, azimutes, lados, coordenadas, UTM e geográficas, bem como levantamento planimétrico,  elaborados pela empresa Norte Engenharia.  Ao final, requer seja admitida como prova de que o imóvel encontra­se situado  na  área  indígena APYTEREWA os  documentos  elaborados  pela  empresa Norte Engenharia.  Alternativamente, que seja estabelecido novo prazo de 45 dias para o atendimento das normas  estabelecidas  na  IN FUNAI  nº  3/2012,  porquanto  o  prazo  de  15  dias  é  insuficiente  para  tal  mister. Voto  Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator  Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade.  Fl. 111DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10218.720560/2007­77  Resolução nº  2801­000.349  S2­TE01  Fl. 112            5 Registro,  inicialmente,  que  os  documentos  juntados  pelo  Interessado  não  atendem ao objeto da diligência fiscal requerida por esta Turma de Julgamento, haja vista que a  determinação era para que o Recorrente comprovasse, exclusivamente com a apresentação de  documento fornecido pelo órgão regional da FUNAI no Estado do Pará, em papel timbrado da  Fundação,  que  a  área  total  do  imóvel  objeto  de  tributação  está  inserida  nos  limites  da  terra  indígena demarcada (Terra Indígena APYTEREWA).   Nada obstante, a Instrução Normativa FUNAI nº 3/2012, juntada aos autos pelo  Recorrente, revela a existência de um procedimento para emissão de documentos referentes à  localização  de  imóvel  rural  particular  em  relação  a  terras  indígenas,  cujas  regras,  aparentemente,  não  são  possíveis  de  atendimento  no  prazo  de  15  dias,  motivo  pelo  qual  o  Interessado pleiteia a concessão de um novo prazo de 45 dias para o atendimento das normas  estabelecidas na referida instrução normativa.   A  IN FUNAI  nº  3/2012 disciplina  a  emissão  de  dois  documentos:  o Atestado  Administrativo e a Declaração de Reconhecimento de Limites.  O § 1º do art. 1º estabelece que “O Atestado Administrativo se destina a atestar  a situação geográfica de imóveis de terceiros em relação às terras indígenas regularizadas ou  em  processo  de  demarcação”  e  o  §  2º  do  mesmo  artigo  preceitua  que  “A  Declaração  de  Reconhecimento de Limites se destina a fornecer, aos proprietários de imóveis rurais, a mera  certificação de que foram respeitados os limites com os imóveis confinantes de propriedade da  União e de posse permanente destinados a indígenas”.  A  leitura  dos  dispositivos  transcritos  evidencia  que  o  documento  que  aqui  interessa é o “Atestado Administrativo”, porquanto se destina a confirmar a situação geográfica  de imóveis particulares em relação a terras indígenas.  Ocorre  que o  art.  6º,  item  II.4,  da  IN FUNAI nº  3/2012 prevê que  “Não  será  emitido Atestado Administrativo para imóveis incidentes em Terra indígena homologada (com  os limites da demarcação homologados por decreto da Presidência da República)”.  Ora, se o “Atestado Administrativo” não é emitido para imóveis incidentes em  terra indígena homologada e se o imóvel objeto de tributação supostamente está localizado nos  limites de terra indígena APYTEREWA, homologada por decreto do Presidente da República  em 19/04/2007, por óbvio que a concessão do prazo de 45 dias para que o Recorrente obtenha  o “Atestado” será, em tese, infrutífera, em face da vedação normativa acima mencionada.  Observo,  contudo,  que  não  é  crível  supor  que  uma  entidade  da  administração  pública se negue a fornecer, a qualquer administrado, documento para a defesa de seus direitos,  seja qual for o nome atribuído ao documento (Atestado, Certidão, Declaração, dentre outros).  Mas  ainda  que  isto  aconteça,  o  ordenamento  jurídico  coloca  à  disposição  do  administrado  multiplicidade  de  instrumentos  para  que  o  seu  pleito  seja  atendido  liminarmente,  sendo  desnecessária,  aqui,  a  menção  a  qualquer  deles,  uma  vez  que  a  defesa  do  contribuinte  foi  elabora por profissional do direito, que, com certeza, saberá manejar o instrumento adequado  para fazer valer o direito do Interessado.   Anoto, ainda, por oportuno, que a afirmação do Recorrente de que não existe,  atualmente,  órgão  regional  da  FUNAI  no  Estado  do  Pará  se  mostra  em  desalinho  com  as  informações  disponibilizadas  no  sítio  eletrônico  da  referida  Fundação,  o  qual  aponta  a  Fl. 112DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10218.720560/2007­77  Resolução nº  2801­000.349  S2­TE01  Fl. 113            6 existência de quatro coordenações regionais no Estado, quais sejam: Tapajós, Centro Leste do  Pará, Baixo Tocantins e Kayapó Sul do Pará.  Nesse contexto, entendo ser razoável a concessão do prazo de 45 dias solicitado  pelo Interessado para apresentação de documento expedido pela FUNAI atestando que a área  do imóvel objeto de tributação está inserida nos limites da terra indígena APYTEREWA.  Saliento, entretanto, que o documento não precisa, necessariamente, ser emitido  pela FUNAI de Brasília, podendo sê­lo por uma das coordenações regionais no Estado do Pará,  mas  deste  que  em  papel  timbrado  da  Fundação,  atestando  que  o  Lote  14  da  Fazenda  Tucumanzeira, situado à margem direita do Rio Xingu (e não do Rio Bacajá) está localizado na  terra indígena demarcada (Terra Indígena APYTEREWA).   Por todo o exposto, proponho a conversão do presente julgamento em diligência  a fim de que a DRF de origem intime o Interessado a comprovar, no prazo de 45 dias, que o  Lote 14 da Fazenda Tucumanzeira, situado à margem direita do Rio Xingu, está localizado na  terra  indígena  demarcada  (Terra  Indígena  APYTEREWA),  mediante  a  apresentação  de  documento  fornecido  pela  FUNAI,  em  papel  timbrado  da Fundação,  seja  pelo  órgão  central  (Brasília), seja pela coordenação regional que jurisdiciona o imóvel do contribuinte no Estado  do Pará.  Após,  os  autos  deverão  retornar  a  este  Conselho  para  a  conclusão  do  julgamento.  Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos de Almeida    Fl. 113DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN

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Numero do processo: 15586.000738/2010-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO.DIÁRIAS. AJUDA DE CUSTO. Denominadas como diárias e ajuda de custo, as verbas pagas de forma habitual, sempre aos mesmos empregados, sem que se tenha havido comprovação mediante relatórios dos empregados com efetiva demonstração das despesas realizadas à luz dos respectivos recibos e notas fiscais, tais valores não se caracterizam indenização mas sim remuneração. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-002.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente. Ivacir Júlio de Souza - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elva e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     2 Relatório  Trata­se de crédito lançado pela fiscalização que de acordo com o Relatório  Fiscal (fls. 35), refere­se às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte  de TERCEIROS ( Salário Educação , INCA,SESC e SEBRAE) tomando como base de cálculo  os  créditos  constituídos  e  analisados  no  processo  principal  de  nº  15586.000732/2010­13  que  vincula a este por conexão julgado nesta mesma seção     Na  forma  do  sobredito  processo  principal  constituem  fatos  geradores  das  contribuições lançadas, as remunerações pagas aos segurados empregados (conforme planilha  anexa),  não  declarados  em  GFIP  ­  Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social  e  constante  em  Folhas  de  Pagamento,  nas  rubricas  "Ajuda  de  Custo"  e  "Diária Alim Moradia",  cujos  valores  foram discriminados  no Relatório  de Levantamentos  ­  RL anexo.Os fatos geradores foram designados pelos seguintes levantamentos:          ACI ­ Ajuda de Custo e;           DAI ­ Diária Alim Moradia.  DA IMPUGNAÇÃO  Conforme Impugnação de fls. 51, em apertada síntese a empresa alegou que :  ­ não passam de 12 funcionários da contribuinte nesta situação, e os valores  mensais devolvidos ao funcionários são diferentes mês a mês;  ­  a  empresa  apenas  devolve  o  valor  que  o  funcionário  gastou  com  alimentação, hospedagem e ajuda de custo (gasolina, etc)   ­  os  funcionários  utilizam  veículo  próprio,  que  não  são  residentes  no  município da empresa, e que se alimentam em viagem, à ordem da empresa, são reembolsados  pelos  valores  despendidos.  Note­se  que  não  há  neste  caso  contraprestação  para  o  serviço  restado, mas apenas recomposição do valor despendido pelo funcionário;  ­ não  é  porque  o  funcionário  tem  reembolso mensalmente  que  tais  valores  integram o conceito de salário/remuneração;   DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA  A  11ª  Turma  da  Delegacia  da  Receito  Federal  de  Julgamento  no  Rio  de  Janeiro 1 ( RJ) DRJ/ RJ 1, em 17 de março de 2001, exarou Acórdão de n°12­36.184, fls.101,  negando provimento.   DO RECURSO VOLUNTÁRIO.    Irresignada  a  Recorrente  interpôs  Recurso  Voluntário  às.  Fls.192,  onde  reitera as alegações que fizera em sede de impugnação.  É o Relatório.  Fl. 215DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.000738/2010­91  Acórdão n.º 1103­002.677  S1­C1T3  Fl. 3          3 Voto             Conselheiro Ivacir Júlio de Souza  DA TEMPESTIVIDADE  O recurso é  tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade.  Portanto, dele tomo conhecimento.  De plano, ressalte­se que o presente Auto de Infração está sendo julgado em  conjunto  com  os  processos  de  n°15586000735/2010­57(SEGURADOS)  e  n°  nº  15586.000732/2010­13  (PRINCIPAL)  por  estarem  reciprocamente  vinculados  aos  créditos  apurados.  DO MÉRITO  Enfrentando  as  reiteradas  alegações  quando  interpostas  em  sede  de  impugnação, a instância a quo manifestou efetivos argumentos para negar provimento, verbis:  "De  acordo  com  a  legislação,  a  ajuda  de  custo  que  não  integra  o  salário­de­contribuição  é  a  parcela  única,  recebida  exclusivamente  em  decorrência  de  mudança  de  local de  trabalho do empregado, na  forma do art.  470 da  CLT,  isto  é,  o  direito  dos  empregados,  em  caso  de  necessidade  de  serviço,  receberem  ajuda  de  custo  resultante  das  despesas  de  sua  transferência  para  localidade diversa da que resultar do contrato de trabalho.  Então, para fazer jus à  isenção sobre a ajuda de custo  deve a mesma constituir­se de  ressarcimento destinado a  reembolsar  o  empregado  exclusivamente  das  despesas  extraordinárias  decorrentes  da  mudança  de  local  de  trabalho, paga de uma só vez, eis que o § 9o do art. 28 da  Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 dispõe:  Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição: I ­ para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de Fl. 216DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     4 serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n" 9.528, de 10.12.97) C)  § 9" Não integram o salário­de­contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n" 9.528, de 10.12.97) (...)  g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT;(grifei) Conforme  se  constata  nas  planilhas  de  fls.  37/38,  a  empresa  efetuou  pagamentos  mensais  aos  mesmos  segurados empregados, a título de ajuda de custo, sem que  houvesse a comprovação da mudança do local de trabalho  dos  empregados,  além do que, o  fato de  tais  pagamentos  terem ocorrido mensalmente  descaracteriza  o pagamento  em  parcela  única,  o  qual,  para  estar  isento  das  contribuições previdenciárias, deveria ser exclusivamente  em  decorrência  de  mudança  de  local  de  trabalho  do  empregado.  Portanto, não assiste razão à impugnante ao afirmar que  não incidem contribuições previdenciárias sobre a rubrica  ajuda  de  custo  em  questão,  haja  vista  não  estar  comprovada a natureza  jurídica  indenizatória da mesma,  adquirindo  portanto  natureza  salarial,  e  integrando  o  salário­de­contribuição.  as Despesas com Viagens e/ou Deslocamento  Segundo  a  defendente,  os  funcionários  que  utilizam  veículo próprio, e que não são residentes no município da  empresa  são  reembolsados  pelos  valores  despendidos,  assim  como  a  alimentação  efetuada  por  funcionário  em  viagem, à ordem da empresa.  Verifica­se  que  a  defendente  apenas  afirma  efetuar  o  reembolso das despesas oriundas da utilização de veículo  próprio  por  parte  de  seus  empregados,  assim  como  da  alimentação  efetuada  em  viagem,  sem  apresentar  documentos que comprovem as referidas despesas, motivo  pelo  qual  o  presente  crédito  deverá  ser  mantido.  Se  a  parcela  é  paga  indiscriminadamente  ou  sem  comprovação, integra o salário de contribuição. Por outro  lado,  se  devidamente  justificado  e  evidenciado  o  caráter  Fl. 217DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.000738/2010­91  Acórdão n.º 1103­002.677  S1­C1T3  Fl. 4          5 ressarcitório  do  pagamento,  este  não  constituiria  em  remuneração."  Não obstante,  também, o art. 28, § 9°, "g" e "s" da Lei nº 9.528 ­ de 10 de  Dezembro De 1997 preceituou o abaixo :  "g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente  em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado,  na forma do art. 470 da CLT;  s)  o  ressarcimento  de  despesas  pelo  uso  de  veículo  do  empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a  legislação  trabalhista,  observado  o  limite máximo  de  seis  anos  de  idade,  quando  devidamente  comprovadas  as  despesas  realizadas"  Compulsado os autos, cumpre corroborar o decisium a quo em razão de que  denominadas  como  diárias  e  ajuda  de  custo,  as  verbas  pagas  de  forma  habitual,  sempre  aos  mesmos  empregados,  sem  que  se  tenha  havido  comprovação  mediante  relatórios  dos  empregados com efetiva demonstração das despesas realizadas à luz dos respectivos recibos e  notas fiscais, tais valores não se caracterizam indenização mas sim remuneração. Correta, pois,  a conclusão pela natureza salarial para fins de incidência da contribuição previdenciária.  CONCLUSÃO  Conheço do recurso, para NO MÉRITO NEGAR­LHE PROVIMENTO   É como voto    Ivacir Júlio de Souza ­ Relator                                Fl. 218DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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5839853 #
Numero do processo: 13637.000287/2010-13
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-003.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 10/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     2 Relatório  Trata­se de  lançamento de  Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício  2007, ano­calendário 2006, devido à reclassificação de rendimentos de isentos para tributados,  motivada pela não comprovação (a) de que os  rendimentos são proventos de aposentadoria e  (b) da condição de portador de doença grande que assegurasse direito a isenção.  A omissão  lançada  foi de R$158.542,02,  referente a  rendimentos pagos por  Banco  do  Brasil  S/A  no  bojo  de  ação  judicial,  após  dedução  de  honorários  advocatícios  e  exclusão de férias. (fls. 29)  Na  impugnação  foi  alegado  que  os  rendimentos  são  isentos  e  referem­se  a  proventos de aposentadoria, pensão ou reforma recebidos por portador de moléstia grave; que  os  rendimentos possuem lastro em ação  judicial a qual  levou em consideração a condição de  aposentado do impugnante.   O  acórdão  recorrido  reputou  comprovada  a  condição  de  proventos  de  aposentadoria,  mas  indeferiu  a  impugnação  por  não  haver  sido  comprovada  a  doença  nos  termos  da  legislação,  notadamente  pela  ausência  de  laudo médico  oficial,  o  qual  deveria  ter  sido  juntado  aos  autos  e  especificado  o  nome  e  a  data  de  início  da  doença  grave.  O  voto  condutor  cita  a  Solução  de  Consulta  Interna  –  SCI  nº  11,  de  28/06/2012,  que  explicita  o  conceito de laudo pericial emitido por Serviço Médico Oficial.  A  ciência  do  acórdão  ocorreu  em  20/08/2012  e  o  recurso  voluntário  foi  interposto  no  dia  11/09/2012  reiterando  a  alegação  da  isenção  por moléstia  grave,  desta  vez  informando que esse pleito já foi reconhecido pela RFB no processo 10680.004488/2001­85 e  juntou o laudo da junta médica do Ministério da Fazenda em Minas Gerais (fls. 50/53) e cópia  da solicitação dirigida ao Ministério da Agricultura para suspensão da retenção do imposto..  É o relatório.  Fl. 66DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13637.000287/2010­13  Acórdão n.º 2802­003.284  S2­TE02  Fl. 61          3 Voto             Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade,  dele deve­se tomar conhecimento.  Em primeira instância a natureza isenta dos rendimentos não foi reconhecida  por não existir o laudo médico oficial (fls. 44/45), o que é sanado com a juntada do documento  de fls. 50/53, o qual é uma Ata do Exame Médico, emitida pelo serviço Médico do Ministério  da Fazenda em Minas Gerais  e atesta a presença de cardiopatia grave, desde 05/11/1997 em  caráter definitivo (fls. 51).  Ademais,  cópia  do  despacho  decisório  proferido  no  processo  10680.004488/2001­85, alusivo à isenção para os anos­calendário 1998 e 1999, demonstra que  a condição de portador de cardiopatia grave já houvera sido reconhecida pela Receita Federal,  desde novembro de 1997 (fls. 55/57).  Afastado  o  único  óbice  assinalado  em  primeira  instância,  deve­se  DAR  PROVIMENTO ao recurso voluntário.   (Assinado digitalmente)  Jorge Claudio Duarte Cardoso                                Fl. 67DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

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5877824 #
Numero do processo: 10283.909682/2009-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA     2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Irene  Souza  da  Trindade  Torres Oliveira  (Presidente),  Luis  Eduardo Garrossino Barbieri,  Charles Mayer  de  Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.  Relatório  A  interessada  apresentou  pedido  eletrônico  de  compensação  de  débitos  próprios  com  crédito  oriundo  de  pagamento  a  maior  de  Imposto  de  Importação  –  II  e  de  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI,  com  origem  no  período  de  08/05/2001  a  12/12/2005.  A  compensação  não  foi  homologada,  ao  fundamento  de  que  o  DARF  a  indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal.  Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento  do  DARF,  os  autos  foram  baixados  em  diligência  pela  DRJ,  quando  se  constatou  que  o  presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/2006­04, por meio do qual  se  requereu a  restituição do crédito que se pretende compensar.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Fortaleza  julgou  improcedente  a manifestação de  inconformidade,  sob o  argumento de  inexistência do direito  creditório objeto do processo nº 10283.007613/2006­04.  No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de  defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto.  O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator.  O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão  pela qual dele se conhece.  A  Recorrente  apresentou  PER/DCOMP  objetivando  a  compensação  de  débito  próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do  processo administrativo n.º 10283.007613/2006­04.  Como  o  direito  à  restituição  foi  negado,  também  aqui  negou­se  o  direito  à  compensação.  Contudo,  nesta  mesma  sessão  de  julgamento  consideraram­se  indevidas  as  razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido  de  restituição,  motivo  pelo  qual  determinou­se  que  os  autos  do  processo  administrativo  n.º  10283.007613/2006­04  devem  retornar  à DRF  para  que,  ultrapassada  a  questão  decidida  no  julgamento, estime os valores a serem restituídos.  Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para  que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º  10283.007613/2006­04, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação.  Fl. 373DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909682/2009­99  Acórdão n.º 3202­001.549  S3­C2T2  Fl. 373          3 É como voto.  Charles Mayer de Castro Souza                                            Fl. 374DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA

score : 1.0
5877873 #
Numero do processo: 10283.909702/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA     2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Irene  Souza  da  Trindade  Torres Oliveira  (Presidente),  Luis  Eduardo Garrossino Barbieri,  Charles Mayer  de  Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.    Relatório  A  interessada  apresentou  pedido  eletrônico  de  compensação  de  débitos  próprios  com  crédito  oriundo  de  pagamento  a  maior  de  Imposto  de  Importação  –  II  e  de  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI,  com  origem  no  período  de  08/05/2001  a  12/12/2005.  A  compensação  não  foi  homologada,  ao  fundamento  de  que  o  DARF  a  indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal.  Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento  do  DARF,  os  autos  foram  baixados  em  diligência  pela  DRJ,  quando  se  constatou  que  o  presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/2006­04, por meio do qual  se  requereu a  restituição do crédito que se pretende compensar.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Fortaleza  julgou  improcedente  a manifestação de  inconformidade,  sob o  argumento de  inexistência do direito  creditório objeto do processo nº 10283.007613/2006­04.  No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de  defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto.  O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator.  O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão  pela qual dele se conhece.  A  Recorrente  apresentou  PER/DCOMP  objetivando  a  compensação  de  débito  próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do  processo administrativo n.º 10283.007613/2006­04.  Como  o  direito  à  restituição  foi  negado,  também  aqui  negou­se  o  direito  à  compensação.  Contudo,  nesta  mesma  sessão  de  julgamento  consideraram­se  indevidas  as  razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido  de  restituição,  motivo  pelo  qual  determinou­se  que  os  autos  do  processo  administrativo  n.º  10283.007613/2006­04  devem  retornar  à DRF  para  que,  ultrapassada  a  questão  decidida  no  julgamento, estime os valores a serem restituídos.  Fl. 381DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909702/2009­21  Acórdão n.º 3202­001.562  S3­C2T2  Fl. 381          3 Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para  que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º  10283.007613/2006­04, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação.  É como voto.  Charles Mayer de Castro Souza                                            Fl. 382DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA

score : 1.0
5884047 #
Numero do processo: 13896.910121/2012-18
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1572; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 11          1 10  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13896.910121/2012­18  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3801­000.903  –  1ª Turma Especial  Data  28 de janeiro de 2015  Assunto  Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ­ COFINS  Recorrente  JPTE ENGENHARIA LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência, nos termos do presente voto.    (assinado digitalmente)  Flavio de Castro Pontes ­ Presidente.      (assinado digitalmente)  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel ­ Relator.    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Paulo  Sérgio  Celani,  Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo  Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.    Relatório  Trata­se  de  Manifestação  de  Inconformidade  contra  Despacho  Decisório  eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife, por meio do     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 12 1/ 20 12 -1 8 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910121/2012­18  Resolução nº  3801­000.903  S3­TE01  Fl. 12            2 qual foi não homologada a Declaração de Compensação DCOMP em que é indicado suposto  crédito a título de pagamento indevido ou a maior da COFINS.   Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Recife:  2.  A  não  homologação  da  compensação  se  deu  porque,  embora  localizado supradito pagamento, ele  fora integralmente utilizado para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para a compensação.  3. No  recurso, a defendente alega que  tem por objeto a prestação de  serviços  técnicos  no  ramo  de  engenharia  e  que  tem  como  principal  tomadora  de  serviços  o  Grupo  PETROBRÁS,  estando  submetida  ao  pagamento, dentre outros tributos, da COFINS e da contribuição para  o  PIS/PASEP,  relativamente  às  quais  as  Leis  nº  10.637/2002  e  10.833/2003 estabeleceram sistemática não cumulativa de pagamento,  que consiste “em deduzir, dos débitos apurados de cada contribuição,  os respectivos créditos admitidos na legislação”.  4. Transcreve a recorrente o art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, que prevê a  possibilidade de desconto de créditos da COFINS, e apresenta decisões  administrativas e judiciais que tratam do conceito de insumos para fins  de desconto de créditos desta  contribuição, após o que assevera que,  “fundamentada na legislação tributária e no entendimento dado pelos  Tribunais Pátrios, em decorrência de recolhimentos realizados a maior  no  exercício  de  liquidação  de  sua  carga  tributária  inerente  às  Contribuições  Sociais  em  comento,  razão  pela  qual  requereu­se  a  presente compensação administrativa”.  5.  Diz  ter  cumprido  todas  as  etapas  legais  estabelecidas  e  que  preencheu todos os  requisitos e que, desta  forma, não haveria que se  negar a homologação das compensações e muito menos ainda aplicar  multa.  6.  Argúi  que  a  alegação  do  Despacho  Decisório  recorrido  de  que  inexistiria  crédito  indicaria,  de  forma  clara,  erro  no  cruzamento  de  informações dos  sistemas que  impediu a  identificação do crédito, que  fala ser líquido e certo.  7.  Menciona  que,  para  sanar  quaisquer  dúvidas,  apresenta  Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON e de  Declaração de Débitos e Créditos – DCTF da DCOMP.  8. Ao final, diante das provas apresentadas, requereu o acolhimento da  defesa e que seja julgada “improcedente a autuação e, em decorrência,  cancelada a exigência”.  9.  Dentre  outros  documentos,  a  contribuinte  anexou  aos  presentes  autos cópia de DACON retificadora e este.     Analisando  o  caso,  a  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Recife  entendeu por bem julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, ao  Fl. 304DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910121/2012­18  Resolução nº  3801­000.903  S3­TE01  Fl. 13            3 argumento de que este não apresentou documentos que evidenciassem, de forma inequívoca, o  direito ao pretendido indébito. Transcreva­se a ementa da referida decisão:  TRIBUTO.  PAGAMENTO  ESPONTÂNEO.  RESTITUIÇÃO.  RECONHECIMENTO. REQUISITOS.  O  reconhecimento  do  direito  à  restituição/compensação  de  tributo  recolhido de acordo com confissão de dívida constante de DCTF ativa  quando  da  emissão  do  Despacho  Decisório  que  não  homologa  a  compensação  exige  a  comprovação,  pelo  sujeito  passivo,  de  erro  na  confissão e de que o pagamento realizado foi indevido ou a maior que  o  devido  em  face  da  legislação  aplicável  ou  das  circunstâncias  materiais do fato gerador efetivamente ocorrido.  DIREITO  CREDITÓRIO.  PROVAS.  MOMENTO  PARA  APRESENTAÇÃO.  Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto  nº  70.235/72,  as provas do  direito  creditório devem ser  apresentadas  por  ocasião  da  interposição  da  Manifestação  de  Inconformidade,  precluindo o direito de posterior juntada.  Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não  Reconhecido.    Diante  dessa  decisão,  o  contribuinte  apresentou  seu  Recurso  Voluntário,  alegando, em síntese, que não fora intimado para prestar qualquer esclarecimento ou apresentar  documentação  fiscal  que  atestassem  a  natureza  e  demonstrassem  inequivocamente  o  seu  crédito, tendo o seu pedido de compensação sido não homologado direto por meio de despacho  eletrônico.  Assim,  juntou  ao  Recurso  todos  os  documentos  contábeis,  fiscais,  relatórios,  planilhas demonstrativas, balancetes, que comprovam a natureza do crédito. Registrou também  disponibilizar  os  documentos  fiscais  e  contábeis,  que  poderão  ser  retirados  a  qualquer  momento  no  arquivo  central  da  empresa,  em  Barueri.  Argumentou  que  o  processo  administrativo  fiscal  possui  como  princípio  a  verdade  material  e  traz  jurisprudência  deste  Conselho e do Poder Judiciário sobre a necessidade e importância de sua aplicação.  É o relatório.  Fl. 305DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910121/2012­18  Resolução nº  3801­000.903  S3­TE01  Fl. 14            4   Voto  Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora  O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os  demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço.  Analisando  os  autos,  entendo  que  no  julgamento  da  Manifestação  de  Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Recife poderia, de  ofício,  independentemente  de  requerimento  expresso,  ter  realizado  diligências  para  aferir  autenticidade e correção dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo  18 do Decreto 70.235/72. Confira­se:  Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de  ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observando  o  disposto  no  art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é  de  que  deve  a Administração  Pública  se  valer  de  todos  os  elementos  possíveis  para  aferir  a  autenticidade  das  declarações  dos  contribuintes,  o  que, data  venia,  não  foi  feito  no  presente  caso.  Deve­se ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por  diversos  princípios,  dentre  os  quais  se  destaca  o  da  Verdade  Material,  cujo  fundamento  constitucional  reside  nos  artigos  2º  e  37  da  Constituição  Federal,  no  qual  o  julgador  deve  pautar  suas  decisões. Ou  seja,  o  julgador deve perseguir  a  realidade dos  fatos,  para  que  não  incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre  Professor James Marins:  A  exigência  da  verdade  material  corresponde  à  busca  pela  aproximação  entre  a  realidade  factual  e  sua  representação  formal;  aproximação  entre  os  eventos  ocorridos  na  dinâmica  econômica  e  o  registro  formal  de  sua  existência;  entre  a  materialidade  do  evento  econômico  (fato  imponível)  e  sua  formalidade  através  do  lançamento  tributário.  A  busca  pela  verdade material  é  princípio  de  observância  indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades  procedimentais  e  processuais.  (grifou­se).  (MARINS,  James.  Direito  Tributário  brasileiro:  (administrativo  e  judicial).  4.  ed.  ­  São  Paulo:  Dialética, 2005. pág. 178 e 179.)  No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade  e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido  ao  julgador administrativo,  inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos  judiciais, não  ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos  os elementos capazes de influir em seu convencimento.  Isto  porque,  no  processo  administrativo  não  há  a  formação  de  uma  lide  propriamente  dita,  não  há,  em  tese,  um  conflito  de  interesses.  O  objetivo  é  esclarecer  a  Fl. 306DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910121/2012­18  Resolução nº  3801­000.903  S3­TE01  Fl. 15            5 ocorrência  dos  fatos  geradores  de  obrigação  tributária,  de  modo  a  legitimar  os  atos  da  autoridade administrativa.  Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que  o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para  solução da lide. Confira­se:  IPI.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  PRINCÍPIO  DA  VERDADE MATERIAL.   Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao  sujeito  passivo  a  apresentação  de  elementos  probatórios  na  fase  impugnatória.  A  não  apreciação  de  documentos  juntados  aos  autos  ainda  na  fase  de  impugnação,  antes,  portanto,  da  decisão,  fere  o  princípio da  verdade material  com ofensa ao princípio  constitucional  da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da  verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente  ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade  da  tributação.  Deve  ser  anulada  decisão  de  primeira  instância  que  deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00­ 99,  Recurso  Voluntário  n°.  132.865,  ACÓRDÃO  203­12338,  Relator  Dalton Cesar Cordeiro de Miranda)  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  TRIBUTÁRIO  ­  PROVA MATERIAL  APRESENTADA  EM  SEGUNDA  INSTÂNCIA  DE  JULGAMENTO  ­  PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA  DA VERDADE MATERIAL ­ A não apreciação de provas trazidas aos  autos  depois  da  impugnação  e  já  na  fase  recursal,  antes  da  decisão  final administrativa,  fere o princípio da  instrumentalidade processual  prevista  no  CPC  e  a  busca  da  verdade  material,  que  norteia  o  contencioso  administrativo  tributário.  "No  processo  administrativo  predomina  o  princípio  da  verdade  material  no  sentido  de  que  aí  se  busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que  está em jogo é a  legalidade da  tributação. O  importante é saber se o  fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103­ 18789 ­ 3ª. Câmara ­ 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/03­04.371  RECURSO  VOLUNTÁRIO  PROVIDO.  (10950.002540/2005­65,  Recurso Voluntário n°.  136.880, Acórdão 302­39947, Relatora  Judith  do Amaral Marcondes)  IRPJ  ­  PREJUÍZO  FISCAL  ­  IRRF  ­  RESTITUIÇÃO  DE  SALDO  NEGATIVO  ­  ERRO  DE  FATO  NO  PREENCHIMENTO  DA  DIPJ  ­  PREVALÊNCIA  DA  VERDADE  MATERIAL  ­  Não  procede  o  não  reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo  negativo  de  IRPJ,  quando  comprovado  que  a  receita  correspondente  foi  oferecida  à  tributação,  ainda  que  em  campo  inadequado  da  declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 ­ Câmara:  Quinta  Câmara  ­  Número  do  Processo:  13877.000442/2002­69  –  Recurso Voluntário: 28/02/2007)  COMPENSAÇÃO  ­  ERRO  NO  PREENCHIMENTO  DA  DECLARAÇÃO  E/OU  PEDIDO  –  Uma  vez  demonstrado  o  erro  no  preenchimento  da  declaração  e/ou  pedido,  deve  a  verdade  material  prevalecer  sobre  a  formal.  Recurso  Voluntário  Provido.  (Número  do  Recurso:  157222  ­  Primeira  Câmara  ­  Número  do  Fl. 307DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910121/2012­18  Resolução nº  3801­000.903  S3­TE01  Fl. 16            6 Processo:10768.100409/2003­68  –  Recurso  Voluntário:  27/06/2008  ­  Acórdão 101­96829).  Assim,  devem  ser  considerados,  in  casu,  a  DACON  que  foi  retificada  pelo  Recorrente,  que,  a  princípio,  em  uma  análise  superficial,  demonstra  créditos  passíveis  de  compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Recife,  é  que  se  poderá  ter  certeza  de  que  os  créditos  utilizados  são mesmo  decorrentes  de  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos  na  sua  prestação  de  serviços  de  engenharia  e,  em  conseqüência, são passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente.  Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DACON retificada,  balancete,  documentação  fiscal  e  contábil  passível  de  verificação  do  direito  creditório.  Tal  documentação,  contudo,  não  foi  considerada  pela  DRJ/Recife,  sob  a  alegação  de  ter  sido  apresentada posteriormente ao indeferimento da compensação.  Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência  à DRF de Recife para:  1.  Apurar  se,  com  base  na  documentação  acostada  aos  autos,  os  valores  dos  créditos de bens  e  serviços utilizados  como  insumos na  sua  atividade declarado no DACON  retificado estão corretos;  2.  Caso se entenda que a documentação acostada aos autos não seja suficiente  para a verificação dos créditos, intimar a empresa a apresentar documentos adicionais para esse  fim específico, concedendo­lhe prazo para tal apresentação;  3.  Intimar  a  empresa  a  se manifestar  acerca  da  diligência  realizada,  se  assim  desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência;  4.  Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento.    Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel  Fl. 308DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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Numero do processo: 13161.720888/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1101-000.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. RELATÓRIO Cuida-se de Autos de Infração de IRPJ e de CSLL atinentes aos anos-calendários 2008, 2009 e 2010. Os lançamentos fiscais em apreço gravitam em torno da aquisição das ações representativas do capital da ora Recorrente, sendo que os seguintes trechos do r. Recurso Voluntário expõem com clareza os fatos relevantes do feito vertente, litteris: A Recorrente (“Usina Eldorado”) é uma, dentre outras pessoas jurídicas, controladas pela ETH Participações S.A. (“ETH”), holding das empresas produtoras de etanol, energia elétrica e açúcar, controlada pela Odebrecht S.A.. Até o início de 2008, as ações representativas do capital da Recorrente eram de propriedade dos senhores Marcelo Maçães Coutinho, Luis Ricardo Maçães Coutinho e Bruno Coutinho Gonçalves Fernandes e da Companhia Eldorado de Agronegócios, por eles controlada (conjuntamente denominados “FAMÍLIA COUTINHO”). À época, ETH já havia constituído a sociedade empresária NOVA BOIPEBA, com o objetivo angariar os recursos necessários, centralizar as negociações e tomar todas as medidas necessárias com o propósito de adquirir a participação societária na Recorrente. A FAMÍLIA COUTINHO, de sua parte, concordava em transmitir as ações da Recorrente à NOVA BOIPEBA, desde que por meio da permuta dos seus papéis por participação em outra empresa, sem que houvesse torna de recursos. Diante disso, a ETH, que, na mesma data de formação da NOVA BOIPEBA, havia constituído também outra sociedade – a Nova Mucuri Participações S.A. (“NOVA MUCURI”) –, capitalizou a NOVA BOIPEBA com parte dos recursos necessários para que esta, juntamente com os valores que captasse, aumentasse o capital de NOVA MUCURI no montante suficiente para viabilizar a permuta de ações. Nessa medida, os fatos que se sucederam até que houvesse a transferência da integralidade das ações da Recorrente detidas pela FAMÍLIA COUTINHO e ulterior incorporação de NOVA BOIPEBA podem ser assim resumidos: 27.02.08: Constituição de NOVA BOIPEBA e NOVA MUCURI, ambas de propriedade de ETH. 09.03.08: Subscrição de aumento de capital de NOVA BOIPEBA, pela ETH, com a previsão de aporte de R$ 150.000.000,00. 10.03.08: Subscrição de capital de NOVA MUCURI, pela NOVA BOIPEBA, com a previsão de aporte de R$ 234.539.000,00. 12.03.08: Transferência de recursos, no valor de R$ 150.000.000,00, pela ETH à NOVA BOIPEBA, a título de integralização de capital. 12.03.08: NOVA BOIPEBA contrai empréstimo, na modalidade de repasse de recursos captados no exterior, mediante a assinatura de Cédula de Crédito Bancário, com o Banco ABN Amro Real S.A.. 12.03.08: Transferência de recursos, no valor de R$ 234.539.000,00, pela NOVA BOIPEBA à NOVA MUCURI, a título de integralização de capital. 18.03.08: Subscrição de “Contrato de Permuta e Outras Avenças” entre, de um lado, ETH e NOVA BOIPEBA e, de outro, FAMÍLIA COUTINHO. Na mesma data, são formalizadas as transferências das ações de NOVA MUCURI à FAMÍLIA COUTINHO e das ações da Recorrente para ETH e NOVA BOIPEBA. 30.04.08: Uma vez concretizado o negócio para o qual havia sido constituída, NOVA BOIPEBA foi incorporada por sua controlada (ora Recorrente). Como o preço da permuta foi superior ao valor de patrimônio líquido contábil da Recorrente, NOVA BOIPEBA registrou a diferença a maior no seu custo de aquisição como ágio por expectativa de rentabilidade futura, na forma do artigo 385 do Decreto n. 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda – “RIR/99”), com fundamento em estudo econômico elaborado à época da transação. Em decorrência da última operação societária acima apontada, a Recorrente, na condição de sucessora por incorporação, passou a amortizar o ativo diferido formado pelo montante até então registrado a título de ágio, à razão de 1/60 avos ao mês, com fundamento nos artigos 7o e 8o da Lei n. 9.532/97 (art. 386 do RIR/99 e art. 75 da Instrução Normativa – IN n. 390/04), regulamentados pela IN n. 11/99. Pelo mesmo motivo, passou a apropriar no seu resultado as despesas com juros e variação cambial, oriundos do empréstimo originário do repasse de recursos captados no exterior, o que tem fundamento nos artigos 377 e 378 do RIR/99 e nos artigos 18, 73 e 74 da IN n. 390/04. (fls. 1278-1279) A fiscalização entendeu que todas essas operações materializam abuso de direito, tendo em vista que, a seu sentir, todos os negócios jurídicos formalizados serviram unicamente ao fim de mascarar uma operação de compra e venda da participação societária na Recorrente por parte da ETH. De fato, a r. autoridade autuante houve por bem constituir os créditos tributários em litígio lastreando-se nos seguintes fundamentos, extraídos do Termo de Verificação Fiscal, litteris: A aquisição pela ETH das participações societárias na Usina Eldorado resultou na geração do ágio no montante de R$ 159.151.115,17 (cento e cinquenta e nove milhões, cento e cinquenta e um mil, cento e quinze reais e dezessete centavos) fruto da aplicação de métodos e critérios legais e contábeis. Como vimos, a fiscalização não questiona se houve ou não o pagamento pela aquisição das participações. O que não pode ser aceito é o ágio pertencente ao investidor ETH, que é o verdadeiro titular, ter sido transferido por intermédio de uma engenharia de fatos societários que só existiram no papel para a Usina, que é a investida. A Usina é uma empresa operacional e com potencial para aproveitá-lo, porém, este ágio não lhe pertence. Outro fato, que do mesmo modo não pode ser aceito, são os custos financeiros decorrentes do empréstimo de US$ 100.000.000,00 (cem milhões de dólares americanos) realizados inicialmente em nome da Nova Boipeba e, transferidos para a Usina quando da incorporação às avessas. O empréstimo foi contraído com o objetivo de realizar o pagamento da aquisição da Usina – fato inquestionável. Ocorre que, os recursos necessários para a aquisição da investida (Usina) são de responsabilidade da investidora que é a ETH. Se a investidora ETH buscou capital junto a instituições financeiras para realizar a aquisição, cabe a ela arcar com os ônus decorrentes do empréstimo. Esses custos jamais poderiam ser artificialmente transferidos para a própria investida para serem por ela suportados, são despesas financeiras que não lhe pertencem. Para rememorar, cabe aqui um breve resumo dos principais fatos que justificam a autuação fiscal: Criação da Nova Mucuri e Nova Boipeva na mesma data, com diferença de 30 minutos, com sede no mesmo endereço, com os mesmos acionistas, com o mesmo capital social e estatuto, de duração efêmera e usadas como empresas veículos ou de passagem; Nova Boipeba nunca captou recursos de outros grupos econômicos, não se comportou como holding, o empréstimo realizado em seu nome foi feito pela Odebrecht; Os históricos contábeis dos lançamentos que registram a subscrição das ações da Nova Mucuri pela Nova Boipeba indicam “Aquisição Eldorado”, denunciam a verdadeira intenção da transferência; O único patrimônio da Nova Mucuri são os R$ 232.540.000,00 depositados no ABN Amro Real utilizados para realizar o pagamento pela aquisição; A Celebração do contrato denominado de “Permuta e Outras Avenças” divorciado da verdadeira realidade dos fatos. As diversas justificativas traçadas no “Protocolo de Incorporação e Justificação” foram uma a uma desmontadas pela fiscalização; O resultado final produzido pela sucessão de todos esses atos societários não alteram o resultado final. A ETH Participações sempre foi e continua sendo a verdadeira adquirente e proprietária da Usina; As Atas da Assembléia Geral Extraordinária assinadas em 30/04/2008 em São Paulo/SP e ao mesmo tempo em Rio Brilhante/MS, ambas secretariadas pelo Sr. Luciano Dequech, demonstram sua artificialidade; A criação da Nova Boipeba e Nova Mucuri e os atos societários praticados decorrentes de sua criação, não tiveram qualquer propósito negocial, não há qualquer substância econômica que possa ser extraída; O “nexo causal” está perfeitamente caracterizado: a operação real de compra e venda de ações com ágio, transformada artificialmente em operação de permuta com incorporação às avessas, com a finalidade de deduzir como despesa o ágio gerado pela aquisição de suas próprias ações e transferir os custos financeiros do empréstimo de US$ 100.000.000,00 que deveriam ser suportados pelos verdadeiros investidores (Grupo ETH) e, O princípio da verdade material que determina que a Autoridade Fiscal deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade. Considerando os fatos relatados os trabalhos fiscais concluíram por: não considerar como despesas dedutíveis o ágio aproveitado pela contribuinte nos anos-calendário de 2008, 2009 e 2010 e, não considerar os custos financeiros contabilizados como despesas financeiras decorrentes do empréstimo de US$ 100.000.000,00 (cem milhões de dólares americanos) contraídos junto ao ABN Amro Real S/A em nome da Nova Boipeba pela Odebrecht. (fls. 1137-1138) Acerca desse última questão, é importante trazer à balha o seguinte excerto do Termo de Verificação Fiscal, em que se declinam os parâmetros para a constituição do correlato crédito tributário, verbis: Em 12/03/2008 a Nova Boipeba Participações S/A, com garantias prestadas pela Odebrecht S.A., contraiu financiamento bancário junto ao Banco Real/ABN Amro Bank no valor de US$ 100.000.000,00 (cem milhões de dólares americanos) equivalente a R$ 169.080.000,00 (cento e sessenta e nove milhões e oitenta mil reais), conforme lançamento na conta 2.1.1.2.01.07. Em 30/04/2008, nesta mesma conta, em processo de incorporação, a obrigação foi transferida para a Usina Eldorado S.A.. Revelam-se como indedutíveis na base de cálculo do IRPJ e CSL os encargos financeiros decorrentes de parte do empréstimo contraído para adquirir a participação acionária na própria Usina Eldorado S.A. Foi usado na aquisição da Eldorado o valor de R$ 82.539.000,00 (oitenta e dois milhões, quinhentos e trinta e nove mil reais) que corresponde a 48,53% do empréstimo e transferido o valor de R$ 87.535.915,33 (oitenta e sete milhões, quinhentos e trinta e cinco mil, novecentos e quinze reais e trinta e três centavos) que corresponde a 51,47%. Devem ser glosados os valores dos juros deduzidos indevidamente (48,53%), bem como ajustada a variação cambial no Lalur (regime caixa), pelo percentual do valor efetivamente transferido (51,47%). Assim, as despesas de juros e variação cambial (caixa) decorrentes do valor que foi utilizado na aquisição das ações da própria Usina Eldorado S.A., não cumprem os requisitos de dedutibilidade do Artigo 299 do RIR/99, sendo, portanto, consideradas despesas desnecessárias. Os juros sobre o financiamento foram lançados nas contas: 302080201 – Juros s/Empréstimos e Financiamentos no ano-calendário 2008; 7550 – Juros sobre Empréstimos e Financiamentos no ano-calendário 2009 e 6.2.1.01.03 – Juros s/Financiamento no ano-calendário de 2010. Conforme planilhas anexas, fizemos o rateio efetuado a glosa dos valores considerados como despesas desnecessárias que correspondem a 48,53%, valor utilizado na aquisição da própria Usina Eldorado S.A.. (fl. 1139) É importante consignar que os lançamentos em apreço não carreiam qualquer exigência direcionada contra o sujeito passivo: deveras, a Recorrente apurou expressivos prejuízos fiscais e bases negativas nos períodos de apuração em testilha, resultados negativos esses que não foram revertidos com as glosas de que aqui se cuida, de modo que as autuações apenas engendraram a sua minoração. Digno de nota salientar que, a despeito de a autuação não encerrar qualquer acusação de falta de pagamento de tributo, a r. autoridade fiscal entendeu que, se tal falta de pagamento tivesse tido lugar, os correlatos créditos tributários exigidos seriam acompanhados de multa de ofício qualificada, consideração essa que ensejou a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais (Processo n. 13161.720889/2012-96). Regularmente intimado dos lançamentos em 27 de setembro de 2012 (fl. 1143), o sujeito passivo apresentou tempestiva Impugnação, cujos argumentos foram sintetizados no Relatório da r. decisão recorrida nos seguintes termos, verbis: a) as operações foram todas realizadas em conformidade com os objetivos da Lei nº 9.532/97; a.1) a concessão do benefício do art. 7º da Lei nº 9.532/97 às “holdings” puras, tornaria inócua a possibilidade de dedução do ágio, pois elas não teriam receitas tributáveis a contrapor as referidas despesas; a.2) não cabe ao Fisco questionar os atos praticados em conformidade com as normas vigentes, como ocorreu no caso; a.3) “tanto a forma jurídica proposta pela Fiscalização, quanto aquela adotada no caso concreto levariam ao mesmo desfecho, uma vez atendidos os pressupostos previstos na Lei 9.532/97: amortização do ágio pela impugnante”; a.4) “a postura do Fisco assemelha-se à dos contribuintes que se apegam à forma do negócio, desprezando sua real substância econômica”; b) “a transferência do ágio para a própria investida, mediante a incorporação da sua investidora, que efetuou o pagamento de dita importância, não revela anormalidade, caracterizadora do abuso, como imaginou a fiscalização, ao inverso”; b.1) “a formação de ativo diferido mediante ingresso do valor equivalente ao ágio no patrimônio da Impugnante e a sucessão de NOVA BOIPEBA mediante incorporação da investidora pela investida (incorporação às avessas) não são transações desprovidas de conteúdo e contrárias às finalidades perseguidas pelas normas fiscais envolvidas, como equivocadamente afirmou a fiscalização. Ao inverso, são medidas que vão ao encontro do fim almejado pelos artigos 7o e 8o da Lei n. 9.532/97”; b.2) “a união do ágio ao investimento que lhe deu causa é um imperativo para a sua ulterior amortização”; b.3) “a amortização do ágio após a incorporação da investidora pela investida (“incorporação às avessas”) também se explica no contexto das operações ora examinadas. O artigo 8º da Lei n. 9.532/97 é expresso em assegurar a aplicação de referido regime (previsto no artigo 7º do mesmo diploma) quando a controlada incorporar a controladora”; b.4) “os institutos de direito privado foram legitimamente utilizados de modo a alcançar seus objetivos e igualmente manter o tratamento estabelecido pela legislação fiscal”; c) a Lei Complementar nº 104/01 que introduziu o parágrafo único ao artigo 116 do CTN é norma de eficácia limitada, dependente de regulamentação por lei ordinária que ainda não existe; c.1) o Decreto nº 70.235/72 não contém a regulamentação para que essa norma seja aplicada; c.2) “a desconsideração dos atos praticados no caso concreto só seria admissível após a regulamentação do artigo 116, parágrafo único, do CTN, o que até hoje não ocorreu”; d) “em relação às despesas com juros e variação cambial na obtenção de empréstimo originário de recursos em moeda estrangeira, as razões extra tributárias que motivaram a formação de NOVA BOIPEPA explicam porque os gastos com o levantamento do capital eram necessários e usuais a suas operações”; d.1) “as apropriações dos juros e da variação cambial pela Impugnante, na condição de sucessora por incorporação da NOVA BOIPEBA, qualificam-se como despesas operacionais”; d.2) “tais dispêndios qualificam-se, em regra, como necessários e usuais, na forma do artigo 299 do RIR/99, pois envolvem o custo incorrido para a obtenção de capital para o financiamento das operações da pessoa jurídica”; d.3) “é incontroverso que o empréstimo foi tomado como meio a viabilizar a formação da integralidade dos recursos que, ao final, foram transferidos à FAMÍLIA COUTINHO em troca da integralidade das ações da Usina Eldorado... Em consequência, é indubitável que os juros e a variação cambial do crédito externo representam despesa operacional para a tomadora dos valores (NOVA BOIPEBA)”; d.4) “a devedora original do empréstimo (NOVA BOIPEBA) ... foi incorporada pela Impugnante. Por decorrência, a Impugnante tornou-se sua sucessora universal em ativos e passivos, o que compreendeu a responsabilidade por responder pelo adimplemento do empréstimo em moeda estrangeira e respectivos juros e variação cambial”; d.5) “por ter pago as despesas pela tomada do empréstimo, a Impugnante tinha o direito de apropriar referidos dispêndios como gastos operacionais, com fundamento nas normas do RIR 99 e da IN n. 390/04, antes citadas, da mesma forma que o eram para a tomadora original”; e) é descabido o tratamento dos fatos como fraudulentos (semelhantes aos apenados com a multa de 150%), já que os atos foram todos praticados às claras e levados ao conhecimento das autoridades competentes. (fl. 1242-1243) Em sessão havida em 2 de abril de 2013, a Colenda 2a Turma da DRJ de Campo Grande/MS houve por bem negar provimento à Impugnação em decisum que restou assim ementado, litteris: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. AMORTIZAÇÃO. A amortização de ágio na aquisição de participações societárias não é cabível em casos de planejamento tributário com a utilização de mecanismos tendentes a evitar o conhecimento do fisco relativamente à natureza ou circunstâncias materiais e às reais características essenciais do fato gerador. EMPRÉSTIMO EM MOEDA ESTRANGEIRA. JUROS E VARIAÇÃO CAMBIAL. DEDUTIBILIDADE. As despesas com juros e variação cambial decorrentes de empréstimo em moeda estrangeira só são dedutíveis se este é necessário e usual às atividades da tomadora. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. As Delegacias da Receita Federal de Julgamento não são competentes para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. CSLL. SIMILITUDE DOS MOTIVOS DE AUTUAÇÃO E DAS RAZÕES DE DEFESA. Aplicam-se à CSLL os mesmos argumentos esposados para o IRPJ em face da similitude dos motivos de autuação e das razões de defesa. (fl. 1239) Tendo sido intimado desse acórdão em 23 de abril de 2013 (fl. 1252), o sujeito passivo apresentou o Recurso Voluntário sub examen em 8 de maio de 2013 (fl. 1276), oportunidade em que repisou os argumentos deduzidos em Impugnação. É o relatório.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. RELATÓRIO Cuida-se de Autos de Infração de IRPJ e de CSLL atinentes aos anos-calendários 2008, 2009 e 2010. Os lançamentos fiscais em apreço gravitam em torno da aquisição das ações representativas do capital da ora Recorrente, sendo que os seguintes trechos do r. Recurso Voluntário expõem com clareza os fatos relevantes do feito vertente, litteris: A Recorrente (“Usina Eldorado”) é uma, dentre outras pessoas jurídicas, controladas pela ETH Participações S.A. (“ETH”), holding das empresas produtoras de etanol, energia elétrica e açúcar, controlada pela Odebrecht S.A.. Até o início de 2008, as ações representativas do capital da Recorrente eram de propriedade dos senhores Marcelo Maçães Coutinho, Luis Ricardo Maçães Coutinho e Bruno Coutinho Gonçalves Fernandes e da Companhia Eldorado de Agronegócios, por eles controlada (conjuntamente denominados “FAMÍLIA COUTINHO”). À época, ETH já havia constituído a sociedade empresária NOVA BOIPEBA, com o objetivo angariar os recursos necessários, centralizar as negociações e tomar todas as medidas necessárias com o propósito de adquirir a participação societária na Recorrente. A FAMÍLIA COUTINHO, de sua parte, concordava em transmitir as ações da Recorrente à NOVA BOIPEBA, desde que por meio da permuta dos seus papéis por participação em outra empresa, sem que houvesse torna de recursos. Diante disso, a ETH, que, na mesma data de formação da NOVA BOIPEBA, havia constituído também outra sociedade – a Nova Mucuri Participações S.A. (“NOVA MUCURI”) –, capitalizou a NOVA BOIPEBA com parte dos recursos necessários para que esta, juntamente com os valores que captasse, aumentasse o capital de NOVA MUCURI no montante suficiente para viabilizar a permuta de ações. Nessa medida, os fatos que se sucederam até que houvesse a transferência da integralidade das ações da Recorrente detidas pela FAMÍLIA COUTINHO e ulterior incorporação de NOVA BOIPEBA podem ser assim resumidos: 27.02.08: Constituição de NOVA BOIPEBA e NOVA MUCURI, ambas de propriedade de ETH. 09.03.08: Subscrição de aumento de capital de NOVA BOIPEBA, pela ETH, com a previsão de aporte de R$ 150.000.000,00. 10.03.08: Subscrição de capital de NOVA MUCURI, pela NOVA BOIPEBA, com a previsão de aporte de R$ 234.539.000,00. 12.03.08: Transferência de recursos, no valor de R$ 150.000.000,00, pela ETH à NOVA BOIPEBA, a título de integralização de capital. 12.03.08: NOVA BOIPEBA contrai empréstimo, na modalidade de repasse de recursos captados no exterior, mediante a assinatura de Cédula de Crédito Bancário, com o Banco ABN Amro Real S.A.. 12.03.08: Transferência de recursos, no valor de R$ 234.539.000,00, pela NOVA BOIPEBA à NOVA MUCURI, a título de integralização de capital. 18.03.08: Subscrição de “Contrato de Permuta e Outras Avenças” entre, de um lado, ETH e NOVA BOIPEBA e, de outro, FAMÍLIA COUTINHO. Na mesma data, são formalizadas as transferências das ações de NOVA MUCURI à FAMÍLIA COUTINHO e das ações da Recorrente para ETH e NOVA BOIPEBA. 30.04.08: Uma vez concretizado o negócio para o qual havia sido constituída, NOVA BOIPEBA foi incorporada por sua controlada (ora Recorrente). Como o preço da permuta foi superior ao valor de patrimônio líquido contábil da Recorrente, NOVA BOIPEBA registrou a diferença a maior no seu custo de aquisição como ágio por expectativa de rentabilidade futura, na forma do artigo 385 do Decreto n. 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda – “RIR/99”), com fundamento em estudo econômico elaborado à época da transação. Em decorrência da última operação societária acima apontada, a Recorrente, na condição de sucessora por incorporação, passou a amortizar o ativo diferido formado pelo montante até então registrado a título de ágio, à razão de 1/60 avos ao mês, com fundamento nos artigos 7o e 8o da Lei n. 9.532/97 (art. 386 do RIR/99 e art. 75 da Instrução Normativa – IN n. 390/04), regulamentados pela IN n. 11/99. Pelo mesmo motivo, passou a apropriar no seu resultado as despesas com juros e variação cambial, oriundos do empréstimo originário do repasse de recursos captados no exterior, o que tem fundamento nos artigos 377 e 378 do RIR/99 e nos artigos 18, 73 e 74 da IN n. 390/04. (fls. 1278-1279) A fiscalização entendeu que todas essas operações materializam abuso de direito, tendo em vista que, a seu sentir, todos os negócios jurídicos formalizados serviram unicamente ao fim de mascarar uma operação de compra e venda da participação societária na Recorrente por parte da ETH. De fato, a r. autoridade autuante houve por bem constituir os créditos tributários em litígio lastreando-se nos seguintes fundamentos, extraídos do Termo de Verificação Fiscal, litteris: A aquisição pela ETH das participações societárias na Usina Eldorado resultou na geração do ágio no montante de R$ 159.151.115,17 (cento e cinquenta e nove milhões, cento e cinquenta e um mil, cento e quinze reais e dezessete centavos) fruto da aplicação de métodos e critérios legais e contábeis. Como vimos, a fiscalização não questiona se houve ou não o pagamento pela aquisição das participações. O que não pode ser aceito é o ágio pertencente ao investidor ETH, que é o verdadeiro titular, ter sido transferido por intermédio de uma engenharia de fatos societários que só existiram no papel para a Usina, que é a investida. A Usina é uma empresa operacional e com potencial para aproveitá-lo, porém, este ágio não lhe pertence. Outro fato, que do mesmo modo não pode ser aceito, são os custos financeiros decorrentes do empréstimo de US$ 100.000.000,00 (cem milhões de dólares americanos) realizados inicialmente em nome da Nova Boipeba e, transferidos para a Usina quando da incorporação às avessas. O empréstimo foi contraído com o objetivo de realizar o pagamento da aquisição da Usina – fato inquestionável. Ocorre que, os recursos necessários para a aquisição da investida (Usina) são de responsabilidade da investidora que é a ETH. Se a investidora ETH buscou capital junto a instituições financeiras para realizar a aquisição, cabe a ela arcar com os ônus decorrentes do empréstimo. Esses custos jamais poderiam ser artificialmente transferidos para a própria investida para serem por ela suportados, são despesas financeiras que não lhe pertencem. Para rememorar, cabe aqui um breve resumo dos principais fatos que justificam a autuação fiscal: Criação da Nova Mucuri e Nova Boipeva na mesma data, com diferença de 30 minutos, com sede no mesmo endereço, com os mesmos acionistas, com o mesmo capital social e estatuto, de duração efêmera e usadas como empresas veículos ou de passagem; Nova Boipeba nunca captou recursos de outros grupos econômicos, não se comportou como holding, o empréstimo realizado em seu nome foi feito pela Odebrecht; Os históricos contábeis dos lançamentos que registram a subscrição das ações da Nova Mucuri pela Nova Boipeba indicam “Aquisição Eldorado”, denunciam a verdadeira intenção da transferência; O único patrimônio da Nova Mucuri são os R$ 232.540.000,00 depositados no ABN Amro Real utilizados para realizar o pagamento pela aquisição; A Celebração do contrato denominado de “Permuta e Outras Avenças” divorciado da verdadeira realidade dos fatos. As diversas justificativas traçadas no “Protocolo de Incorporação e Justificação” foram uma a uma desmontadas pela fiscalização; O resultado final produzido pela sucessão de todos esses atos societários não alteram o resultado final. A ETH Participações sempre foi e continua sendo a verdadeira adquirente e proprietária da Usina; As Atas da Assembléia Geral Extraordinária assinadas em 30/04/2008 em São Paulo/SP e ao mesmo tempo em Rio Brilhante/MS, ambas secretariadas pelo Sr. Luciano Dequech, demonstram sua artificialidade; A criação da Nova Boipeba e Nova Mucuri e os atos societários praticados decorrentes de sua criação, não tiveram qualquer propósito negocial, não há qualquer substância econômica que possa ser extraída; O “nexo causal” está perfeitamente caracterizado: a operação real de compra e venda de ações com ágio, transformada artificialmente em operação de permuta com incorporação às avessas, com a finalidade de deduzir como despesa o ágio gerado pela aquisição de suas próprias ações e transferir os custos financeiros do empréstimo de US$ 100.000.000,00 que deveriam ser suportados pelos verdadeiros investidores (Grupo ETH) e, O princípio da verdade material que determina que a Autoridade Fiscal deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade. Considerando os fatos relatados os trabalhos fiscais concluíram por: não considerar como despesas dedutíveis o ágio aproveitado pela contribuinte nos anos-calendário de 2008, 2009 e 2010 e, não considerar os custos financeiros contabilizados como despesas financeiras decorrentes do empréstimo de US$ 100.000.000,00 (cem milhões de dólares americanos) contraídos junto ao ABN Amro Real S/A em nome da Nova Boipeba pela Odebrecht. (fls. 1137-1138) Acerca desse última questão, é importante trazer à balha o seguinte excerto do Termo de Verificação Fiscal, em que se declinam os parâmetros para a constituição do correlato crédito tributário, verbis: Em 12/03/2008 a Nova Boipeba Participações S/A, com garantias prestadas pela Odebrecht S.A., contraiu financiamento bancário junto ao Banco Real/ABN Amro Bank no valor de US$ 100.000.000,00 (cem milhões de dólares americanos) equivalente a R$ 169.080.000,00 (cento e sessenta e nove milhões e oitenta mil reais), conforme lançamento na conta 2.1.1.2.01.07. Em 30/04/2008, nesta mesma conta, em processo de incorporação, a obrigação foi transferida para a Usina Eldorado S.A.. Revelam-se como indedutíveis na base de cálculo do IRPJ e CSL os encargos financeiros decorrentes de parte do empréstimo contraído para adquirir a participação acionária na própria Usina Eldorado S.A. Foi usado na aquisição da Eldorado o valor de R$ 82.539.000,00 (oitenta e dois milhões, quinhentos e trinta e nove mil reais) que corresponde a 48,53% do empréstimo e transferido o valor de R$ 87.535.915,33 (oitenta e sete milhões, quinhentos e trinta e cinco mil, novecentos e quinze reais e trinta e três centavos) que corresponde a 51,47%. Devem ser glosados os valores dos juros deduzidos indevidamente (48,53%), bem como ajustada a variação cambial no Lalur (regime caixa), pelo percentual do valor efetivamente transferido (51,47%). Assim, as despesas de juros e variação cambial (caixa) decorrentes do valor que foi utilizado na aquisição das ações da própria Usina Eldorado S.A., não cumprem os requisitos de dedutibilidade do Artigo 299 do RIR/99, sendo, portanto, consideradas despesas desnecessárias. Os juros sobre o financiamento foram lançados nas contas: 302080201 – Juros s/Empréstimos e Financiamentos no ano-calendário 2008; 7550 – Juros sobre Empréstimos e Financiamentos no ano-calendário 2009 e 6.2.1.01.03 – Juros s/Financiamento no ano-calendário de 2010. Conforme planilhas anexas, fizemos o rateio efetuado a glosa dos valores considerados como despesas desnecessárias que correspondem a 48,53%, valor utilizado na aquisição da própria Usina Eldorado S.A.. (fl. 1139) É importante consignar que os lançamentos em apreço não carreiam qualquer exigência direcionada contra o sujeito passivo: deveras, a Recorrente apurou expressivos prejuízos fiscais e bases negativas nos períodos de apuração em testilha, resultados negativos esses que não foram revertidos com as glosas de que aqui se cuida, de modo que as autuações apenas engendraram a sua minoração. Digno de nota salientar que, a despeito de a autuação não encerrar qualquer acusação de falta de pagamento de tributo, a r. autoridade fiscal entendeu que, se tal falta de pagamento tivesse tido lugar, os correlatos créditos tributários exigidos seriam acompanhados de multa de ofício qualificada, consideração essa que ensejou a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais (Processo n. 13161.720889/2012-96). Regularmente intimado dos lançamentos em 27 de setembro de 2012 (fl. 1143), o sujeito passivo apresentou tempestiva Impugnação, cujos argumentos foram sintetizados no Relatório da r. decisão recorrida nos seguintes termos, verbis: a) as operações foram todas realizadas em conformidade com os objetivos da Lei nº 9.532/97; a.1) a concessão do benefício do art. 7º da Lei nº 9.532/97 às “holdings” puras, tornaria inócua a possibilidade de dedução do ágio, pois elas não teriam receitas tributáveis a contrapor as referidas despesas; a.2) não cabe ao Fisco questionar os atos praticados em conformidade com as normas vigentes, como ocorreu no caso; a.3) “tanto a forma jurídica proposta pela Fiscalização, quanto aquela adotada no caso concreto levariam ao mesmo desfecho, uma vez atendidos os pressupostos previstos na Lei 9.532/97: amortização do ágio pela impugnante”; a.4) “a postura do Fisco assemelha-se à dos contribuintes que se apegam à forma do negócio, desprezando sua real substância econômica”; b) “a transferência do ágio para a própria investida, mediante a incorporação da sua investidora, que efetuou o pagamento de dita importância, não revela anormalidade, caracterizadora do abuso, como imaginou a fiscalização, ao inverso”; b.1) “a formação de ativo diferido mediante ingresso do valor equivalente ao ágio no patrimônio da Impugnante e a sucessão de NOVA BOIPEBA mediante incorporação da investidora pela investida (incorporação às avessas) não são transações desprovidas de conteúdo e contrárias às finalidades perseguidas pelas normas fiscais envolvidas, como equivocadamente afirmou a fiscalização. Ao inverso, são medidas que vão ao encontro do fim almejado pelos artigos 7o e 8o da Lei n. 9.532/97”; b.2) “a união do ágio ao investimento que lhe deu causa é um imperativo para a sua ulterior amortização”; b.3) “a amortização do ágio após a incorporação da investidora pela investida (“incorporação às avessas”) também se explica no contexto das operações ora examinadas. O artigo 8º da Lei n. 9.532/97 é expresso em assegurar a aplicação de referido regime (previsto no artigo 7º do mesmo diploma) quando a controlada incorporar a controladora”; b.4) “os institutos de direito privado foram legitimamente utilizados de modo a alcançar seus objetivos e igualmente manter o tratamento estabelecido pela legislação fiscal”; c) a Lei Complementar nº 104/01 que introduziu o parágrafo único ao artigo 116 do CTN é norma de eficácia limitada, dependente de regulamentação por lei ordinária que ainda não existe; c.1) o Decreto nº 70.235/72 não contém a regulamentação para que essa norma seja aplicada; c.2) “a desconsideração dos atos praticados no caso concreto só seria admissível após a regulamentação do artigo 116, parágrafo único, do CTN, o que até hoje não ocorreu”; d) “em relação às despesas com juros e variação cambial na obtenção de empréstimo originário de recursos em moeda estrangeira, as razões extra tributárias que motivaram a formação de NOVA BOIPEPA explicam porque os gastos com o levantamento do capital eram necessários e usuais a suas operações”; d.1) “as apropriações dos juros e da variação cambial pela Impugnante, na condição de sucessora por incorporação da NOVA BOIPEBA, qualificam-se como despesas operacionais”; d.2) “tais dispêndios qualificam-se, em regra, como necessários e usuais, na forma do artigo 299 do RIR/99, pois envolvem o custo incorrido para a obtenção de capital para o financiamento das operações da pessoa jurídica”; d.3) “é incontroverso que o empréstimo foi tomado como meio a viabilizar a formação da integralidade dos recursos que, ao final, foram transferidos à FAMÍLIA COUTINHO em troca da integralidade das ações da Usina Eldorado... Em consequência, é indubitável que os juros e a variação cambial do crédito externo representam despesa operacional para a tomadora dos valores (NOVA BOIPEBA)”; d.4) “a devedora original do empréstimo (NOVA BOIPEBA) ... foi incorporada pela Impugnante. Por decorrência, a Impugnante tornou-se sua sucessora universal em ativos e passivos, o que compreendeu a responsabilidade por responder pelo adimplemento do empréstimo em moeda estrangeira e respectivos juros e variação cambial”; d.5) “por ter pago as despesas pela tomada do empréstimo, a Impugnante tinha o direito de apropriar referidos dispêndios como gastos operacionais, com fundamento nas normas do RIR 99 e da IN n. 390/04, antes citadas, da mesma forma que o eram para a tomadora original”; e) é descabido o tratamento dos fatos como fraudulentos (semelhantes aos apenados com a multa de 150%), já que os atos foram todos praticados às claras e levados ao conhecimento das autoridades competentes. (fl. 1242-1243) Em sessão havida em 2 de abril de 2013, a Colenda 2a Turma da DRJ de Campo Grande/MS houve por bem negar provimento à Impugnação em decisum que restou assim ementado, litteris: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. AMORTIZAÇÃO. A amortização de ágio na aquisição de participações societárias não é cabível em casos de planejamento tributário com a utilização de mecanismos tendentes a evitar o conhecimento do fisco relativamente à natureza ou circunstâncias materiais e às reais características essenciais do fato gerador. EMPRÉSTIMO EM MOEDA ESTRANGEIRA. JUROS E VARIAÇÃO CAMBIAL. DEDUTIBILIDADE. As despesas com juros e variação cambial decorrentes de empréstimo em moeda estrangeira só são dedutíveis se este é necessário e usual às atividades da tomadora. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. As Delegacias da Receita Federal de Julgamento não são competentes para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. CSLL. SIMILITUDE DOS MOTIVOS DE AUTUAÇÃO E DAS RAZÕES DE DEFESA. Aplicam-se à CSLL os mesmos argumentos esposados para o IRPJ em face da similitude dos motivos de autuação e das razões de defesa. (fl. 1239) Tendo sido intimado desse acórdão em 23 de abril de 2013 (fl. 1252), o sujeito passivo apresentou o Recurso Voluntário sub examen em 8 de maio de 2013 (fl. 1276), oportunidade em que repisou os argumentos deduzidos em Impugnação. É o relatório.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 3            2   RELATÓRIO  Cuida­se  de  Autos  de  Infração  de  IRPJ  e  de  CSLL  atinentes  aos  anos­ calendários 2008, 2009 e 2010.  Os lançamentos fiscais em apreço gravitam em torno da aquisição das ações  representativas  do  capital  da  ora  Recorrente,  sendo  que  os  seguintes  trechos  do  r.  Recurso  Voluntário expõem com clareza os fatos relevantes do feito vertente, litteris:  A  Recorrente  (“Usina  Eldorado”)  é  uma,  dentre  outras  pessoas  jurídicas, controladas pela ETH Participações S.A. (“ETH”), holding  das  empresas  produtoras  de  etanol,  energia  elétrica  e  açúcar,  controlada pela Odebrecht S.A..  Até o início de 2008, as ações representativas do capital da Recorrente  eram  de  propriedade  dos  senhores  Marcelo  Maçães  Coutinho,  Luis  Ricardo Maçães Coutinho  e Bruno Coutinho Gonçalves Fernandes  e  da  Companhia  Eldorado  de  Agronegócios,  por  eles  controlada  (conjuntamente  denominados  “FAMÍLIA  COUTINHO”).  À  época,  ETH  já  havia  constituído  a  sociedade  empresária  NOVA  BOIPEBA,  com  o  objetivo  angariar  os  recursos  necessários,  centralizar  as  negociações e tomar todas as medidas necessárias com o propósito de  adquirir  a  participação  societária  na  Recorrente.  A  FAMÍLIA  COUTINHO,  de  sua  parte,  concordava  em  transmitir  as  ações  da  Recorrente  à  NOVA  BOIPEBA,  desde  que  por  meio  da  permuta  dos  seus  papéis  por  participação  em  outra  empresa,  sem  que  houvesse  torna de recursos.  Diante  disso,  a  ETH,  que,  na  mesma  data  de  formação  da  NOVA  BOIPEBA, havia constituído também outra sociedade – a Nova Mucuri  Participações  S.A.  (“NOVA  MUCURI”)  –,  capitalizou  a  NOVA  BOIPEBA  com  parte  dos  recursos  necessários  para  que  esta,  juntamente  com  os  valores  que  captasse,  aumentasse  o  capital  de  NOVA MUCURI no montante suficiente para viabilizar a permuta de  ações.  Nessa medida,  os  fatos  que  se  sucederam  até  que  houvesse  a  transferência  da  integralidade  das  ações  da  Recorrente  detidas  pela  FAMÍLIA  COUTINHO  e  ulterior  incorporação  de  NOVA  BOIPEBA  podem ser assim resumidos:  27.02.08: Constituição de NOVA BOIPEBA e NOVA MUCURI, ambas  de propriedade de ETH.  09.03.08: Subscrição de aumento de capital de NOVA BOIPEBA, pela  ETH, com a previsão de aporte de R$ 150.000.000,00.  10.03.08:  Subscrição  de  capital  de  NOVA  MUCURI,  pela  NOVA  BOIPEBA, com a previsão de aporte de R$ 234.539.000,00.  12.03.08: Transferência de  recursos, no  valor de R$ 150.000.000,00,  pela ETH à NOVA BOIPEBA, a título de integralização de capital.  Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 4            3 12.03.08:  NOVA  BOIPEBA  contrai  empréstimo,  na  modalidade  de  repasse  de  recursos  captados  no  exterior,  mediante  a  assinatura  de  Cédula de Crédito Bancário, com o Banco ABN Amro Real S.A..  12.03.08: Transferência de  recursos, no  valor de R$ 234.539.000,00,  pela NOVA BOIPEBA à NOVA MUCURI, a título de integralização de  capital.  18.03.08:  Subscrição  de  “Contrato  de  Permuta  e  Outras  Avenças”  entre,  de  um  lado,  ETH  e  NOVA  BOIPEBA  e,  de  outro,  FAMÍLIA  COUTINHO. Na mesma data, são formalizadas as  transferências das  ações  de  NOVA  MUCURI  à  FAMÍLIA  COUTINHO  e  das  ações  da  Recorrente para ETH e NOVA BOIPEBA.  30.04.08:  Uma  vez  concretizado  o  negócio  para  o  qual  havia  sido  constituída, NOVA BOIPEBA foi incorporada por sua controlada (ora  Recorrente).  Como  o  preço  da  permuta  foi  superior  ao  valor  de  patrimônio líquido contábil da Recorrente, NOVA BOIPEBA registrou  a  diferença  a  maior  no  seu  custo  de  aquisição  como  ágio  por  expectativa de rentabilidade futura, na forma do artigo 385 do Decreto  n.  3.000/99  (Regulamento  do  Imposto  de  Renda  –  “RIR/99”),  com  fundamento em estudo econômico elaborado à época da transação.  Em  decorrência  da  última  operação  societária  acima  apontada,  a  Recorrente,  na  condição  de  sucessora  por  incorporação,  passou  a  amortizar o ativo diferido formado pelo montante até então registrado  a  título  de  ágio,  à  razão  de  1/60  avos  ao mês,  com  fundamento  nos  artigos  7o  e  8o  da  Lei  n.  9.532/97  (art.  386  do  RIR/99  e  art.  75  da  Instrução Normativa – IN n. 390/04), regulamentados pela IN n. 11/99.  Pelo mesmo motivo, passou a apropriar no seu resultado as despesas  com  juros e variação cambial, oriundos do empréstimo originário do  repasse  de  recursos  captados no  exterior,  o que  tem  fundamento nos  artigos 377 e 378 do RIR/99 e nos artigos 18, 73 e 74 da IN n. 390/04.  (fls. 1278­1279)  A  fiscalização  entendeu  que  todas  essas  operações  materializam  abuso  de  direito,  tendo  em  vista  que,  a  seu  sentir,  todos  os  negócios  jurídicos  formalizados  serviram  unicamente ao fim de mascarar uma operação de compra e venda da participação societária na  Recorrente  por  parte  da ETH. De  fato,  a  r.  autoridade  autuante  houve por  bem constituir  os  créditos tributários em litígio lastreando­se nos seguintes fundamentos, extraídos do Termo de  Verificação Fiscal, litteris:  A aquisição pela ETH das participações societárias na Usina Eldorado  resultou na geração do ágio no montante de R$ 159.151.115,17 (cento  e cinquenta e nove milhões, cento e cinquenta e um mil, cento e quinze  reais  e dezessete  centavos)  fruto da aplicação de métodos e critérios  legais e contábeis.  Como  vimos,  a  fiscalização  não  questiona  se  houve  ou  não  o  pagamento  pela  aquisição  das  participações.  O  que  não  pode  ser  aceito  é  o  ágio  pertencente  ao  investidor  ETH,  que  é  o  verdadeiro  titular, ter sido transferido por intermédio de uma engenharia de fatos  societários que só existiram no papel para a Usina, que é a investida. A  Usina é uma empresa operacional e com potencial para aproveitá­lo,  porém, este ágio não lhe pertence.  Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 5            4 Outro  fato,  que  do  mesmo modo  não  pode  ser  aceito,  são  os  custos  financeiros  decorrentes  do  empréstimo  de  US$  100.000.000,00  (cem  milhões  de  dólares  americanos)  realizados  inicialmente  em  nome  da  Nova Boipeba e, transferidos para a Usina quando da incorporação às  avessas.  O empréstimo foi contraído com o objetivo de realizar o pagamento da  aquisição  da  Usina  –  fato  inquestionável.  Ocorre  que,  os  recursos  necessários  para  a  aquisição  da  investida  (Usina)  são  de  responsabilidade  da  investidora  que  é  a ETH.  Se  a  investidora ETH  buscou  capital  junto  a  instituições  financeiras  para  realizar  a  aquisição,  cabe a  ela arcar  com os ônus decorrentes do empréstimo.  Esses  custos  jamais  poderiam  ser  artificialmente  transferidos  para  a  própria  investida  para  serem  por  ela  suportados,  são  despesas  financeiras que não lhe pertencem.  Para rememorar, cabe aqui um breve resumo dos principais fatos que  justificam a autuação fiscal:  Criação  da  Nova  Mucuri  e  Nova  Boipeva  na  mesma  data,  com  diferença de 30 minutos, com sede no mesmo endereço, com os mesmos  acionistas, com o mesmo capital social e estatuto, de duração efêmera  e usadas como empresas veículos ou de passagem;  Nova  Boipeba  nunca  captou  recursos  de  outros  grupos  econômicos,  não se comportou como holding, o empréstimo realizado em seu nome  foi feito pela Odebrecht;  Os  históricos  contábeis  dos  lançamentos  que  registram  a  subscrição  das  ações  da  Nova  Mucuri  pela  Nova  Boipeba  indicam  “Aquisição  Eldorado”, denunciam a verdadeira intenção da transferência;  O  único  patrimônio  da  Nova  Mucuri  são  os  R$  232.540.000,00  depositados no ABN Amro Real utilizados para realizar o pagamento  pela aquisição;  A  Celebração  do  contrato  denominado  de  “Permuta  e  Outras  Avenças”  divorciado  da  verdadeira  realidade  dos  fatos.  As  diversas  justificativas traçadas no “Protocolo de Incorporação e Justificação”  foram uma a uma desmontadas pela fiscalização;  O  resultado  final  produzido  pela  sucessão  de  todos  esses  atos  societários não alteram o resultado final. A ETH Participações sempre  foi e continua sendo a verdadeira adquirente e proprietária da Usina;  As Atas da Assembléia Geral Extraordinária assinadas em 30/04/2008  em  São  Paulo/SP  e  ao  mesmo  tempo  em  Rio  Brilhante/MS,  ambas  secretariadas  pelo  Sr.  Luciano  Dequech,  demonstram  sua  artificialidade;  A  criação  da  Nova  Boipeba  e  Nova  Mucuri  e  os  atos  societários  praticados decorrentes de sua criação, não tiveram qualquer propósito  negocial,  não  há  qualquer  substância  econômica  que  possa  ser  extraída;  O “nexo causal” está perfeitamente caracterizado: a operação real de  compra  e  venda de  ações  com ágio,  transformada artificialmente  em  Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 6            5 operação de permuta com incorporação às avessas, com a  finalidade  de  deduzir  como  despesa  o  ágio  gerado  pela  aquisição  de  suas  próprias ações e transferir os custos financeiros do empréstimo de US$  100.000.000,00  que  deveriam  ser  suportados  pelos  verdadeiros  investidores (Grupo ETH) e,  O  princípio  da  verdade  material  que  determina  que  a  Autoridade  Fiscal deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam  na realidade.  Considerando os fatos relatados os trabalhos fiscais concluíram por:  não  considerar  como  despesas  dedutíveis  o  ágio  aproveitado  pela  contribuinte nos anos­calendário de 2008, 2009 e 2010 e,  não  considerar  os  custos  financeiros  contabilizados  como  despesas  financeiras  decorrentes  do  empréstimo  de  US$  100.000.000,00  (cem  milhões  de  dólares  americanos)  contraídos  junto  ao ABN Amro Real  S/A em nome da Nova Boipeba pela Odebrecht. (fls. 1137­1138)  Acerca desse última questão, é  importante  trazer à balha o  seguinte excerto  do  Termo  de  Verificação  Fiscal,  em  que  se  declinam  os  parâmetros  para  a  constituição  do  correlato crédito tributário, verbis:  Em  12/03/2008  a  Nova  Boipeba  Participações  S/A,  com  garantias  prestadas pela Odebrecht S.A., contraiu financiamento bancário junto  ao Banco Real/ABN Amro Bank no valor de US$ 100.000.000,00 (cem  milhões  de  dólares  americanos)  equivalente  a  R$  169.080.000,00  (cento  e  sessenta  e  nove  milhões  e  oitenta  mil  reais),  conforme  lançamento  na  conta  2.1.1.2.01.07.  Em  30/04/2008,  nesta  mesma  conta, em processo de incorporação, a obrigação foi transferida para a  Usina Eldorado S.A..  Revelam­se  como  indedutíveis  na  base  de  cálculo  do  IRPJ  e CSL  os  encargos  financeiros  decorrentes  de  parte  do  empréstimo  contraído  para adquirir a participação acionária na própria Usina Eldorado S.A.  Foi  usado  na  aquisição  da  Eldorado  o  valor  de  R$  82.539.000,00  (oitenta  e  dois  milhões,  quinhentos  e  trinta  e  nove  mil  reais)  que  corresponde  a  48,53%  do  empréstimo  e  transferido  o  valor  de  R$  87.535.915,33 (oitenta e sete milhões, quinhentos e trinta e cinco mil,  novecentos e quinze reais e  trinta e  três centavos) que corresponde a  51,47%.  Devem  ser  glosados  os  valores  dos  juros  deduzidos  indevidamente  (48,53%),  bem  como  ajustada  a  variação  cambial  no  Lalur (regime caixa), pelo percentual do valor efetivamente transferido  (51,47%).  Assim, as despesas de juros e variação cambial (caixa) decorrentes do  valor  que  foi  utilizado  na  aquisição  das  ações  da  própria  Usina  Eldorado S.A., não cumprem os requisitos de dedutibilidade do Artigo  299 do RIR/99, sendo, portanto, consideradas despesas desnecessárias.  Os juros sobre o financiamento foram lançados nas contas: 302080201  –  Juros  s/Empréstimos  e  Financiamentos  no  ano­calendário  2008;  7550 – Juros sobre Empréstimos e Financiamentos no ano­calendário  2009  e  6.2.1.01.03  –  Juros  s/Financiamento  no  ano­calendário  de  2010.  Conforme  planilhas  anexas,  fizemos  o  rateio  efetuado  a  glosa  Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 7            6 dos  valores  considerados  como  despesas  desnecessárias  que  correspondem a 48,53%, valor utilizado na aquisição da própria Usina  Eldorado S.A.. (fl. 1139)  É importante consignar que os lançamentos em apreço não carreiam qualquer  exigência  direcionada  contra  o  sujeito  passivo:  deveras,  a  Recorrente  apurou  expressivos  prejuízos fiscais e bases negativas nos períodos de apuração em testilha, resultados negativos  esses que não foram revertidos com as glosas de que aqui se cuida, de modo que as autuações  apenas engendraram a sua minoração.  Digno de nota salientar que, a despeito de a autuação não encerrar qualquer  acusação de falta de pagamento de  tributo, a r. autoridade fiscal entendeu que, se  tal  falta de  pagamento tivesse tido lugar, os correlatos créditos tributários exigidos seriam acompanhados  de multa de ofício qualificada, consideração essa que ensejou a formalização de Representação  Fiscal para Fins Penais (Processo n. 13161.720889/2012­96).  Regularmente  intimado  dos  lançamentos  em  27  de  setembro  de  2012  (fl.  1143),  o  sujeito  passivo  apresentou  tempestiva  Impugnação,  cujos  argumentos  foram  sintetizados no Relatório da r. decisão recorrida nos seguintes termos, verbis:  a)  as  operações  foram  todas  realizadas  em  conformidade  com  os  objetivos da Lei nº 9.532/97;  a.1)  a  concessão  do  benefício  do  art.  7º  da  Lei  nº  9.532/97  às  “holdings” puras, tornaria inócua a possibilidade de dedução do ágio,  pois  elas  não  teriam  receitas  tributáveis  a  contrapor  as  referidas  despesas;  a.2) não cabe ao Fisco questionar os atos praticados em conformidade  com as normas vigentes, como ocorreu no caso;  a.3) “tanto a forma jurídica proposta pela Fiscalização, quanto aquela  adotada  no  caso  concreto  levariam  ao  mesmo  desfecho,  uma  vez  atendidos  os  pressupostos  previstos na Lei 9.532/97: amortização do  ágio pela impugnante”;  a.4)  “a  postura  do  Fisco  assemelha­se  à  dos  contribuintes  que  se  apegam  à  forma  do  negócio,  desprezando  sua  real  substância  econômica”;  b)  “a  transferência  do  ágio  para  a  própria  investida,  mediante  a  incorporação  da  sua  investidora,  que  efetuou  o  pagamento  de  dita  importância,  não  revela  anormalidade,  caracterizadora  do  abuso,  como imaginou a fiscalização, ao inverso”;  b.1)  “a  formação  de  ativo  diferido  mediante  ingresso  do  valor  equivalente  ao  ágio  no  patrimônio  da  Impugnante  e  a  sucessão  de  NOVA BOIPEBA mediante incorporação da investidora pela investida  (incorporação às avessas) não são transações desprovidas de conteúdo  e  contrárias  às  finalidades  perseguidas  pelas  normas  fiscais  envolvidas, como equivocadamente afirmou a fiscalização. Ao inverso,  são medidas que vão ao encontro do fim almejado pelos artigos 7o e 8o  da Lei n. 9.532/97”;  Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 8            7 b.2)  “a  união  do  ágio  ao  investimento  que  lhe  deu  causa  é  um  imperativo para a sua ulterior amortização”;  b.3) “a amortização do ágio após a incorporação da investidora pela  investida (“incorporação às avessas”) também se explica no contexto  das  operações  ora  examinadas.  O  artigo  8º  da  Lei  n.  9.532/97  é  expresso  em  assegurar  a  aplicação  de  referido  regime  (previsto  no  artigo  7º  do  mesmo  diploma)  quando  a  controlada  incorporar  a  controladora”;  b.4) “os institutos de direito privado foram legitimamente utilizados de  modo  a  alcançar  seus  objetivos  e  igualmente  manter  o  tratamento  estabelecido pela legislação fiscal”;  c) a Lei Complementar nº 104/01 que introduziu o parágrafo único ao  artigo  116  do  CTN  é  norma  de  eficácia  limitada,  dependente  de  regulamentação por lei ordinária que ainda não existe;  c.1)  o Decreto  nº  70.235/72  não  contém  a  regulamentação  para  que  essa norma seja aplicada;  c.2) “a desconsideração dos atos praticados no caso concreto só seria  admissível após a regulamentação do artigo 116, parágrafo único, do  CTN, o que até hoje não ocorreu”;  d) “em relação às despesas com juros e variação cambial na obtenção  de empréstimo originário de recursos em moeda estrangeira, as razões  extra  tributárias  que  motivaram  a  formação  de  NOVA  BOIPEPA  explicam  porque  os  gastos  com  o  levantamento  do  capital  eram  necessários e usuais a suas operações”;  d.1)  “as  apropriações  dos  juros  e  da  variação  cambial  pela  Impugnante,  na  condição  de  sucessora  por  incorporação  da  NOVA  BOIPEBA, qualificam­se como despesas operacionais”;  d.2)  “tais  dispêndios  qualificam­se,  em  regra,  como  necessários  e  usuais,  na  forma  do  artigo  299  do  RIR/99,  pois  envolvem  o  custo  incorrido  para  a  obtenção  de  capital  para  o  financiamento  das  operações da pessoa jurídica”;  d.3)  “é  incontroverso  que  o  empréstimo  foi  tomado  como  meio  a  viabilizar  a  formação  da  integralidade  dos  recursos  que,  ao  final,  foram transferidos à FAMÍLIA COUTINHO em troca da integralidade  das ações da Usina Eldorado... Em consequência, é indubitável que os  juros  e  a  variação  cambial  do  crédito  externo  representam  despesa  operacional para a tomadora dos valores (NOVA BOIPEBA)”;  d.4)  “a  devedora  original  do  empréstimo  (NOVA  BOIPEBA)  ...  foi  incorporada pela Impugnante. Por decorrência, a Impugnante tornou­ se sua sucessora universal em ativos e passivos, o que compreendeu a  responsabilidade por responder pelo adimplemento do empréstimo em  moeda estrangeira e respectivos juros e variação cambial”;  d.5)  “por  ter  pago  as  despesas  pela  tomada  do  empréstimo,  a  Impugnante  tinha  o  direito  de  apropriar  referidos  dispêndios  como  gastos operacionais, com fundamento nas normas do RIR 99 e da IN n.  Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 9            8 390/04, antes  citadas,  da mesma  forma que o eram para a  tomadora  original”;  e) é descabido o tratamento dos fatos como fraudulentos (semelhantes  aos  apenados  com  a  multa  de  150%),  já  que  os  atos  foram  todos  praticados  às  claras  e  levados  ao  conhecimento  das  autoridades  competentes. (fl. 1242­1243)  Em  sessão  havida  em  2  de  abril  de  2013,  a Colenda  2a  Turma  da DRJ  de  Campo Grande/MS  houve  por  bem  negar  provimento  à  Impugnação  em  decisum  que  restou  assim ementado, litteris:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2008, 2009, 2010  ÁGIO  NA  AQUISIÇÃO  DE  PARTICIPAÇÕES  SOCIETÁRIAS.  AMORTIZAÇÃO.  A  amortização  de  ágio  na  aquisição  de  participações  societárias  não é cabível em casos de planejamento tributário com a utilização  de  mecanismos  tendentes  a  evitar  o  conhecimento  do  fisco  relativamente  à  natureza  ou  circunstâncias  materiais  e  às  reais  características essenciais do fato gerador.  EMPRÉSTIMO  EM  MOEDA  ESTRANGEIRA.  JUROS  E  VARIAÇÃO CAMBIAL. DEDUTIBILIDADE.  As  despesas  com  juros  e  variação  cambial  decorrentes  de  empréstimo  em  moeda  estrangeira  só  são  dedutíveis  se  este  é  necessário e usual às atividades da tomadora.  REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS.  As  Delegacias  da  Receita  Federal  de  Julgamento  não  são  competentes  para  se  pronunciar  sobre  controvérsias  referentes  a  Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.  CSLL.  SIMILITUDE  DOS  MOTIVOS  DE  AUTUAÇÃO  E  DAS  RAZÕES DE DEFESA.  Aplicam­se à CSLL os mesmos argumentos esposados para o IRPJ  em  face  da  similitude  dos  motivos  de  autuação  e  das  razões  de  defesa. (fl. 1239)  Tendo  sido  intimado  desse  acórdão  em  23  de  abril  de  2013  (fl.  1252),  o  sujeito passivo apresentou o Recurso Voluntário sub examen em 8 de maio de 2013 (fl. 1276),  oportunidade em que repisou os argumentos deduzidos em Impugnação.  É o relatório.    VOTO VENCIDO  Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR:  O Recurso Voluntário é tempestivo – ciência da decisão recorrida em 23 de  abril de 2013 (fl. 1252) e prática do ato processual em 8 de maio de 2013 (fl. 1276) –, de modo  que,  ante  a  presença de  todos  os  requisitos  legais  ínsitos  ao  inconformismo  em apreço,  dele  tomo conhecimento.  Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 10            9 Conforme  narrado  acima,  o  feito  em  vergaste  versa  sobre  dois  aspectos  relacionados à aquisição – por parte de sociedades do Grupo ETH – das ações representativas  do capital da ora Recorrente.  Com  efeito,  a  empresa  ETH  Participações  S/A  –  controlada  indireta  da  Odebrecht S/A, que detinha 66,66% da ETH Bioenergia S/A, que por sua vez detinha a íntegra  do capital da ETH Participações – constituiu tanto a Nova Mucuri S/A quanto a Nova Boipeba  S/A em 27 de fevereiro de 2008.  Posteriormente, a ETH Participações subscreveu aumento de capital da Nova  Boipeba no valor de R$ 150.000.000,00; em seguida, a Nova Boipeba contraiu empréstimo de  US$ 100.000.000,00, mútuo esse afiançado pela Odebrecht S/A.  Já na posse desses recursos, a Nova Boipeba subscreveu aumento de capital  na  Nova  Mucuri  de  R$  232.539.000,00,  de  modo  que  o  capital  dessa  passou  a  ser  de  R$  232.540.000,00, sendo que seu único ativo consistia nessa mesma importância depositada em  conta mantida em instituição financeira.  E  é  assim  que  se  fez  a  aquisição  da  participação  societária  da Recorrente:  seus  antigos  controladores  –  a  Família  Coutinho  –  permutaram  as  ações  representativas  da  Usina Eldorado pelas ações da Nova Mucuri detidas pela Nova Boipeba.  Tendo em vista que o Patrimônio Líquido da Recorrente era inferior aos R$  232.540.000,00  representativos  do  capital  da  Nova Mucuri,  a  diferença  entre  esse  valor  e  o  citado PL  foi  registrada,  na Nova Boipeba,  como  ágio,  na  esteira  das  disposições  legais  que  determinam a segregação do custo do investimento adquirido.  Ao  final,  a  ora  Recorrente  incorporou  a  sua  investidora,  após  o  quê  teve  início a amortização do ágio controvertida nesses autos.  É  preciso  dizer  que  o  valor  do  ágio  aqui  discutido  –  cujo  fundamento  é  a  rentabilidade  futura  da  Usina  Eldorado  –  tem  esteio  em  Laudo  confeccionado  experts  contemporâneo à  aquisição do  investimento em análise  (fls. 225­240),  laudo esse que  jamais  foi questionado pela r. autoridade autuante.  Outrossim,  também é  inquestionável  a assertiva de que o  ágio  em comento  efetivamente  foi  pago  a  parte  não  relacionada,  outro  fato  não  controvertido  pela  autoridade  fiscal.  Com efeito, o que determinou os lançamentos em análise foi o entendimento  de  que  as  operações  supracitadas  foram  todas  elas  tidas  como  abusivas,  como  se  toda  a  engenharia  de  fatos  societários  existisse  apenas  no  papel  para  maquiar  uma  verdadeira  operação  de  compra  e  venda,  engenharia  essa  que  teria  permitido  (i)  a  confusão  entre  o  investimento adquirido com ágio e a investida – engatilhando a amortização de ágio em apreço  –  e  ainda  (ii)  o  reconhecimento,  pela  Recorrente,  de  despesas  financeiras  atinentes  a  empréstimo contraído para a sua própria aquisição.  Em  síntese,  a  r.  autoridade  fiscal  afirma  que,  se  a  ETH  Participações  simplesmente tivesse adquirido as ações da ora Recorrente, a amortização do ágio em destaque  jamais teria lugar, sendo que as despesas financeiras relacionadas ao mútuo contraído deveriam  ser apropriadas pela própria ETH, que seria a verdadeira mutuária nesse negócio jurídico – o  Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 11            10 que  a  seu  sentir  seria  demonstrado  pelo  fato  de  a  Odebrecht  figurar  como  fiadora  nesse  empréstimo.  Os lançamentos em apreço são manifestamente improcedentes.  Inicio  a  demonstração  da  cogência  dessa  assertiva  pelo  exame  da  glosa  empreendida pela fiscalização sobre as despesas atinentes à amortização do ágio que surgiu por  ocasião da aquisição das ações representativas do capital da ora Recorrente.  Nesse mister,  trago à balha os  seguintes precisos  argumentos constantes do  Recurso  Voluntário  em  análise,  que  de  forma  contundente  espancam  as  ilações  centrais  da  acusação dirigida ao sujeito passivo, litteris:  Primeiro, porque  tendo o  legislador concedido um benefício  fiscal  condicionado  à  adoção  de  determinada  forma  jurídica  pelo  particular,  não  cabe  ao  Fisco  questionar  os  atos  praticados  em  conformidade com as normas pertinentes para usufruir a vantagem.  Como a própria lei concessiva do benefício exigia que se fizesse um  determinado  tipo  de  operação  societária  para  que  ele  fosse  aproveitado,  isso  significa  que  estava  pré­autorizada a  prática  de  todos  os  atos  necessários  para  que  tal  operação  se  concretizasse,  pois somente através dela o resultado (amortização do ágio) seria  alcançado.  Assim,  não  pode  o  particular  que  agiu  conforme  a  permissão legal ser posteriormente autuado, sob a alegação de que  deveria ter ele adotado outro “caminho mais curto e usual”, mas  que,  nada  obstante,  não  lhe  permitiria  atingir  o  resultado  (utilização  do  benefício  de  amortização  do  ágio)  que  lhe  é  facultado por lei.  Em  segundo  lugar,  mesmo  que  utilizado  o  “caminho”  que  a  fiscalização e a DRJ entendem deveria ter sido adotado (compra da  Usina Eldorado por ETH), o ágio poderia ter sido amortizado pela  Recorrente,  o  que  esvazia  por  completo  a  acusação  fiscal.  Ora,  bastava  ETH  ter  adquirido  as  ações  da  Recorrente  (em  vez  de  NOVA BOIPEBA fazê­lo) e, em seguida, ser parcialmente cindida  com  incorporação  do  patrimônio  vertido  (composto  pela  participação societária) na Usina Eldorado, a fim de que a última  passasse  a  amortização  o  ágio  envolvido  na  transação.  Caso  a  transação  se  desse nesses moldes,  o  regime  fiscal aplicável  seria  exatamente  o  mesmo  que  se  verificou  com  a  permuta  de  ações  praticada pela NOVA BOIPEBA e sua posterior incorporação.  Acrescente­se ser igualmente improcedente o argumento da DRJ de  que  a  aquisição  da  Usina  Eldorado  por  ETH,  seguida  da  cisão  parcial desta última, a empresa originada da operação de cisão não  poderia  amortizar  o  ágio  não  ser  “a  adquirente  original”  do  investimento,  na  medida  em  que  não  teria  “efetuado  pagamento  algum”.  Isso  porque  simplesmente  inexiste  na  legislação  fiscal  o  pressuposto  mencionado  na  decisão  recorrida  como  condição  à  amortização  fiscal  do  ágio.  Trata­se  de  conjectura  posta  pelo  acórdão  de  1o  grau,  o  qual,  justamente  por  não  estar  previsto  na  legislação, não obsta o regular exercício do direito à apropriação  da despesa.  Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 12            11 Ao inverso. O que prevê a legislação é que a sociedade que absorve  o patrimônio daquela que foi cindida “sucede a esta nos direitos e  obrigações relacionadas no ato da cisão” (art. 229, § 1o, da Lei n.  6.404/76  –  Lei  das  S/A). Por  consequência,  a  empresa  que  fosse  criada a partir da cisão parcial de ETH seria, nos termos da lei, a  sucessora  e  teria direito à amortização do ágio. Até porque se as  envolvidas tivessem sido fusionadas a pessoa jurídica que passaria  a amortizar o ágio necessariamente seria nova e distinta daquelas  que efetuaram a aquisição do  investimento (Lei das S/A, art. 228),  de  modo  que,  como  tal  hipótese  é  admitida  pela  norma  fiscal,  verifica­se  não  ter  nenhum  sentido  as  assertivas  declinadas  pela  decisão recorrida como pretexto para manter as autuações fiscais.  Assim  é  indubitável  que,  tanto  a  forma  jurídica  proposta  pela  Fiscalização e pela DRJ, quanto aquela adotada no caso concreto  levariam  ao  mesmo  desfecho,  uma  vez  atendidos  os  pressupostos  previstos na Lei 9.532/97: amortização do ágio pela Recorrente. Em  outras palavras, para usufruir o benefício fiscal legalmente previsto,  a  ETH  poderia  tanto  ter  constituído  a  NOVA  BOIPEBA  para  concentração  de  atividades  necessárias  à  aquisição  da  Usina  Eldorado,  como  ter  adquirido  diretamente  a  Usina  Eldorado,  promovendo em seguida a  sua cisão parcial  com  incorporação na  Recorrente. Ambas as operações levam ao mesmíssimo resultado do  ponto  de  vista  tributário.  Até  porque:  “Considerando  que  o  fundamento  econômico  do  ágio  não  se  altera  em  virtude  da  interposição  de  outras  pessoas  jurídicas,  o  ágio  na  Empresa  A  deverá  ter  o  mesmo  tratamento  que  deve  ser  conferido  ao  ágio  registrado na Empresa H.  Do exposto, verifica­se que, no conjunto dos atos praticados, tanto  pelo  caminho  adotado  pela  sucedida  pela  Recorrente,  quanto  por  aquele  que  a  fiscalização  e  a  DRJ  alegam  ser  o  correto,  a  amortização  do  ágio  era  assegurada  à Recorrente,  na medida  em  que  a  própria  legislação  determina  a  junção  dos  patrimônios  da  investidora e investida de modo a subsistir uma só pessoa jurídica.  Os  lançamentos  atêm­se  exclusivamente  à  forma  ao  invés  da  substância  dos  atos  diversamente  do  declinado  como  justificativa  para a realização das autuações. Caso fosse considerada a verdade  material,  que  a  fiscalização  alegou  averiguar,  a  conclusão  seguramente seria pela legitimidade da amortização do ágio.  O que se nota é que o Fisco objeta a operação simplesmente porque  pretende arrecadar mais do que a lei permite. Não foi apresentada  qualquer  justificativa  econômica  que  sustente  sua  pretensão  de  reverter  a  base  negativa  e  o  prejuízo  fiscal  da  autuada  /  ora  Recorrente – Usina Eldorado. Alega­se, apenas, que, formalmente,  a NOVA BOIPEBA, por não ter realizado operações até a aquisição  das  ações  da  Recorrente,  não  teria  condições  de  ter  praticado  a  permuta com a FAMÍLIA COUTINHO, o que levaria a assumir que  quem  o  teria  feito  seria  a  ETH.  No  limite,  a  postura  do  Fisco  assemelha­se  à  dos  contribuintes  que  se  apegam  à  forma  do  negócio, desprezando sua real substância econômica. A diferença é  que os contribuintes normalmente invocam a prevalência da forma  sobre a substância para pagar menos tributos, enquanto, neste caso,  Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 13            12 o Fisco está utilizando a forma do negócio como justificativa para  cobrar mais!  Todavia,  a  usualidade  ou  não  da  forma  jurídica  adotada  é  irrelevante  para  o  deslinde  da  questão.  Para  este  efeito  importa  examinar  não  apenas  o  que  está  escrito,  mas  o  que  efetivamente  aconteceu  no  mundo  real,  vale  dizer,  se  houve  e  quem  adquiriu  participação  com  ágio  e  se  a  investidora  incorporou  ou  foi  incorporada  por  sua  investida. Como bem observa Marco Aurélio  Greco, para avaliar a legitimidade de determinado comportamento  praticado  pelo  contribuinte  deve  o  aplicador  da  lei  tributária  ter  presentes  os  fatos  subjacentes  à  forma  jurídica  adotada  e  não  o  contrário:  “o  ser  ‘diferente’  não  implica  estarmos  diante  de  situação  inaceitável. O diferente  em  si mesmo  considerado,  não  é  nem bom nem ruim, é apenas diferente. Cumpre ao Fisco ir além da  demonstração  da  atipicidade  da  conduta  do  contribuinte. Cumpre  provar tratar­se de operação com enquadramento diferente daquele  sustentado pelo contribuinte e que leve à exigência do tributo”.  Não  por  outra  razão,  o CARF,  ao  examinar  situações  análogas  à  presente, em que se tem a realização de operações mais complexas  (indiretas) que a compra e venda (direta), porém, sem resultar em  regime  fiscal  distinto  do  que  ocorreria  caso  esta  fosse  executada,  tem  reiteradamente  concluído  pela  improcedência  das  autuações  que glosaram as despesas de ágio amortizadas. Veja­se:  “o cerne da questão gira em torno de saber se haveria ou não ágio,  caso  a  operação  de  aquisição  de  participações  societárias  fosse  realizada diretamente, isto é, sem a presença de interpostas pessoas  (...) se a empresa Tyssenkrupp Industries Participações Ltda. tivesse  efetuado uma  compra direta  de  ações  da  empresa Elevadores Sur  S/A (Tyssen Sur S/A) e das quotas da Astel Ltda., pelo valor de R$  202.337.000,00,  constata­se  que  o  ágio  permaneceria  o  mesmo.  Portanto,  (...)  concluiu­se,  do  exposto,  que  independentemente  da  utilização  ou  não  de  interpostas  pessoas  para  a  transferência  do  controle acionário, o ágio persistiria” (fls.1286­1289; sem grifos  no original)   Chancelo integralmente tais considerações.  Com  efeito,  entendo  que  o  fato  de  o  Grupo  ETH  ter  constituído  a  Nova  Boipeba com vistas a centralizar os esforços atinentes à aquisição das ações da ora Recorrente  não encontra qualquer óbice na  legislação de  regência,  sendo  inquestionável que  tal entidade  não agiu enquanto agente meramente passivo durante todo o processo de aquisição.  Deveras,  é  certo  que  foi  a  Nova  Boipeba  não  foi  capitalizada  com  cifras  suficientes  à  aquisição  da Recorrente,  de modo que  foi  ela –  a Nova Boipeba,  e não  a ETH  Participações  –  que  buscou  no mercado  financeiro  empréstimo  cujo montante  extrapolava  o  investimento feito por sua controladora.  O  fato de que a Odebrecht S/A  tenha constado como fiadora nesse negócio  jurídico  apenas  revela  o  absurdo  de  uma das  considerações  tecidas  pela  r.  autoridade  fiscal:  obviamente, a instituição financeira mutuante jamais permitiria que um determinado mutuário  Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 14            13 fosse fiador de si mesmo, de modo que é absolutamente despropositada a assertiva no sentido  de que a Odebrecht,  e não a Nova Boipeba – que figura como mutuária no contrato –,  tenha  entabulado a avença em análise.  Saliente­se  que,  consoante  organograma  que  repousa  ao  fólio  n.  1220,  por  mais  que  a  Odebrecht  seja  controladora  da  ETH  Participações,  é  certo  que  uma  terceira  sociedade  detinha  1/3  das  ações  dessa  última  companhia  –  participação  essa  bastante  expressiva  –,  o  que  revela  o  desacerto  nas  equiparações  entre  a  ETH  Participações  e  a  Odebrecht, fiadora do contrato.  O  pressuposto  dos  lançamentos  em  destaque  consiste  na  afirmação  da  r.  autoridade  fiscal  no  sentido  de  que,  se  a  ETH  Participações  tivesse  adquirido  as  ações  da  Recorrente diretamente, o ágio em destaque não seria amortizável para fins fiscais.  No  modelo  proposto  pela  autoridade  fiscal,  a  participação  societária  adquirida  com  ágio  permaneceria  indefinidamente  no Ativo  da  ETH  Participações,  sem  que  ocorressem  quaisquer  das  hipóteses  de  reorganização  societária  a  que  alude  o  art.  386  do  RIR/99  e,  consequentemente,  sem  que  a  mais  valia  pudesse  ser  amortizada  para  fins  da  apuração do lucro real da investidora.  A afirmação é hialinamente falaciosa.  Com efeito, é certo que, se a ETH Participações tivesse adquirido as ações da  Recorrente diretamente, ainda assim o ágio de que aqui se cuida existiria, uma vez que o preço  ajustado  com  os  antigos  controladores  da Usina  extrapolava  o  valor  do  Patrimônio  Líquido  dessa.  Nesse  cenário  –  sendo  certo  que  a  mais  valia  em  questão  teve  como  fundamento a rentabilidade futura da Recorrente, o que jamais foi contestado pela r. autoridade  fiscal  –,  é  realmente  jocosa  a  consideração  da  autoridade  fiscal  no  sentido  de  que  jamais  ocorreria a confusão entre investimento e investida que ensejasse a amortização fiscal da mais  valia.  De fato, parece­me insustentável qualquer consideração no sentido de que o  administrador  da  ETH  Participações,  no  quadro  da  compra  direta  das  ações  da  Recorrente,  devesse  simplesmente  manter  o  ativo  diferido  de  que  aqui  se  cuida  inerte,  sem  que  diligenciasse com vistas à sua amortização.   Realmente,  o  ágio de que aqui  se  cuida é da ordem de R$ 159.151.115,17,  valor  que  representava  basicamente  o DOBRO do  Patrimônio Líquido  da  ora Recorrente  ao  tempo da aquisição da participação societária aqui discutida.  Assim  sendo,  penso  que  se  o  administrador  da  ETH  Participações  –  no  cenário  imaginado  pela  r.  autoridade  fiscal,  qual  seja,  compra  direta  das  ações  da  Usina  Eldorado  –  não  procedesse  a  um  rearranjo  societário  com  sua  investida  com  vistas  à  amortização  fiscal  do  ágio  em  análise,  estaria  ele  agindo  em  franco  descumprimento  dos  deveres de diligência ínsitos à sua posição, na esteira dos arts. 153 e 154 da Lei das S/A, que  rezam, verbis:  Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 15            14 Art. 153. O administrador da companhia deve empregar, no exercício  de suas funções, o cuidado e diligência que todo homem ativo e probo  costuma empregar na administração dos seus próprios negócios.  Art.  154.  O  administrador  deve  exercer  as  atribuições  que  a  lei  e  o  estatuto lhe conferem para lograr os fins e no interesse da companhia,  satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa.  Frise­se  que  é  a  própria  lei  que  estabelece  que  o  ágio  com  lastro  em  rentabilidade  futura pode ser  amortizado  fiscalmente SE, E SOMENTE SE, ocorrer uma das  hipóteses a que se refere o art. 386 do RIR/99.  Destarte,  é  óbvio  que  a  boa  gestão  da  ETH  Participações  envolveria  inequivocamente a prática dos atos societários a que alude o citado dispositivo com vistas ao  aproveitamento  das  vultosas  cifras  pagas  aos  antigos  controladores  que  sobejavam  o  patrimônio  líquido  da  investida.  Ainda  que  não  se  considere  que  a  norma  que  emerge  da  conjugação  dos  arts.  385  e  386  do  RIR/99  efetivamente  induza  os  agentes  econômicos  a  materializarem  os  atos  que  ativam  a  fruição  do  “benefício  fiscal”  em  referência,  revela­se  desconectada  de  qualquer  racionalidade  econômica  uma  reconstrução  de  eventos  que  não  encerre tais atos quando eles podem facilmente ser praticados e quando eles se constituem em  condição ao gozo da benesse fiscal.  Ou  seja,  na  reconstrução  dos  negócios  jurídicos  empreendida,  observa­se  claramente que a r. autoridade autuante parou um passo antes do que ordinariamente seria de se  esperar,  e,  ao  que  tudo  indica,  essa  reconstrução  parcial  do  que  ocorreria  normalmente  foi  assim parcial  apenas para que  a autoridade  fiscal atingisse  o  seu desiderato de provar que o  ágio em destaque não seria amortizável.  Caso  a  ETH  Participações  tivesse  adquirido  as  ações  da  Recorrente  e,  posteriormente,  tivesse  procedido  à  cisão  seguida  de  incorporação  a  que  se  referiu  o  contribuinte  no  excerto  de  seu  Recurso  Voluntário  supratranscrito,  é  inegável  que  a  amortização da mais valia ocorreria basicamente nos mesmos moldes daquela que  teve  lugar  após a incorporação da Nova Boipeba pela ora Recorrente, o que revela que a conclusão a que  chegou a r. autoridade fiscal é inconsistente com as próprias premissas que adota.  Dessa  forma,  percebe­se  que  o  ágio  aqui  controvertido  existiria  e  seria  amortizável ainda que a aquisição das ações da Recorrente não tivesse envolvido as sociedades  Nova Mucuri e Nova Boipeba, de modo que a situação em apreço amolda­se feito luva àquela  discutida  no  citado  precedente  transcrito  pelo  sujeito  passivo,  do  qual  extraio  as  seguintes  passagens, litteris:  De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 454/458) e auto  de infração (fls. 459/465), constata­se que a fiscalização descreveu,  minuciosamente,  em  ordem  cronológica  dos  fatos,  o  processo  de  constituição  de  empresas,  subscrição  e  integralização  de  capitais  sociais,  compra  e  venda  de  participações  societárias,  permuta  de  participações  societárias,  o  que  culminou,  efetivamente,  na  transferência das ações da Thyssen Sur S/A (Elevadores Sur S/A) e  das  quotas  da  Astel  Ltda.  para  a  Thyssenkrupp  Industries  e  Participações  Ltda.  que,  posteriormente,  em  31/12/1999,  foi  incorporada pelo interessado.  Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 16            15 Ainda  segundo  o  referido  Termo,  a  fiscalização  concluiu  que,  "caso  esta  operação  fosse  realizada  diretamente,  isto  é  sem  a  presença de interpostas pessoas, não haveria ágio". Ou seja, se as  ações da Thyssen Sur S/A (Elevadores Sur S/A) e as quotas da Astel  Ltda.  fossem  adquiridas  diretamente  pela Thyssenkrupp  Industries  Participações  Ltda.,  incorporada  posteriormente  pelo  interessado,  sem  que  tivessem  transitado,  antes,  pelas  empresas  constituídas  (interpostas pessoas), não haveria ágio.  Sendo  assim,  glosou  as  despesas  de  ágio  que  foram  amortizadas  pelo  interessado  nos  anos­calendário  de  2001  (R$  9.341.000,00),  2002  (R$  11.192.000,00),  2003  (R$  12.083.000,00)  e  2004  (R$  13.420.000,00).   Cabe registrar que o cerne da questão gira em torno de se saber se  haveria ou não ágio, caso a operação de aquisição de participações  societárias  fosse realizada diretamente,  isto é,  sem a presença de  interpostas pessoas. É o que será abordado a seguir.  Segundo o Termo de Verificação Fiscal (fls. 454/458), as operações  teriam ocorrido, em síntese, da seguinte forma:  Em 08/10/1998,  foi constituída a empresa 5246 Participações S/A,  cujo capital social era de R$ 1.000,00, dividido em 1.000 ações. Os  sócios eram Eduardo Duarte (99%) e Márcia Santos (1%).  Em 04/08/1999,  realizou­se uma Assembléia Geral Extraordinária  (AGE)  da  empresa  5246  Participações  com  as  seguintes  deliberações:  1°)  Desdobramento  das  ações  na  proporção  de  10.000  (dez  mil)  para  1  (um)  fazendo  com  que  os  sócios  passassem  a  possuir  10.000.000,00 de ações.  2) Emissão de 7.000.000 de ações, cujos subscritores destas foram  os  acionistas  da  empresa Elevadores  Sur  S/A  (Thyssen  Sur S/A)  e  quotistas da Astel Ltda., pertencente ao Grupo Aumonde.  3°) O Sr. Adroaldo Carlos Aumonde, do grupo Aumonde, assumiu o  cargo de presidente da empresa 5246 Participações S/A.  Cabe  registrar  que,  até  esta  data,  a  empresa  só  tinha  as  suas  próprias  ações  emitidas,  as  quais,  provavelmente,  estavam  em  tesouraria.  Em  15/08/1999,  houve  um  aumento  do  capital  na  empresa  5246  Participações  S/A,  sendo  que  o  capital  social  passou  a  ser  de  20.000.000 de ações. O aporte de 3.000.000 de ações foi feito com  as ações da empresa Elevadores Sur S/A (Thyssen Sur S/A) e quotas  da Astel Ltda. O valor do capital social desta empresa passou a ser  de R$ 36.655.040,00.  Então, nesta data, passou a deter a propriedade de:   Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 17            16 a)  20.000.000  de  ações  de  sua  emissão,  as  quais,  provavelmente,  estavam em tesouraria.  b) Ações da empresa Elevadores Sur S/A (Tlzyssen Sur S/A) e quotas  da  Anel  Ltda,  cujo  valor  patrimonial  eram,  respectivamente,  R$  35.918.201,04 e R$ 757.530,44, conforme consta no documento de  fls. 397/398.  Em 27/08/1999,  foi constituída a empresa Thyssenkrupp Industries  Participações Ltda., com capital social de R$ 100,00, composto de  100  ações,  sendo  99%  delas  pertencentes  à  espanhola  Thyssen  Industries S/A e I% a Thyssen Eletec Ltda.  Em 08/09/1999,  segundo  consta  na  peça  impugnatória  (fl.  492),  a  empresa espanhola Thyssen Industries S/A comprou 10.000.000 de  ações  de  emissão  da  empresa  5246  Participações  S/A,  as  quais  estavam  em  tesouraria,  pelo  valor  de  R$  202.337.000,00.  Nesta  mesma data, segundo o Termo de Verificação Fiscal (fls. 454/458),  foi alterado o contrato social da empresa Thyssenkrupp Industries  Participações  Ltda.,  tendo  sido  aumentado  o  capital  social  de R$  100,00  para  R$  226.920.901,00.  As  quotas  foram  subscritas  pela  sócia majoritária,  a  empresa  espanhola  Thyssen  Industries  S/A,  e  integralizadas da seguinte forma:  a) com 10.000.000 de ações da empresa 5246 Participações S/A, no  montante de R$ 202.337.000,00.  b) em dinheiro, no montante de R$ 3.782.000,00.  c) o saldo restante, em 24 meses, em dinheiro ou bens.  Cabe registrar que, nesta data, a empresa Thyssenkrupp Industries  Participações Ltda. passou a ser a proprietária das 10.000.000 de  ações da empresa 5246 Participações S/A.  Registre­se que, em 06/09/1999, ou seja, dois dias antes, a empresa  Thyssenkrupp Industries Participações Ltda, já tinha pactuado com  a empresa 5246 Participações S/A a seguinte permuta: transferia a  titularidade das 10.000.000 de ações de emissão da empresa 5246  Participações S/A para a própria empresa 5246 Participações S/A.  Em troca, recebia a titularidade das ações da empresa Elevadores  Sur S/A (Thyssen Sur S/A) e das quotas da Astel Ltda. Com isso, a  empresa  Thyssenkrupp  Industries  Participações  Ltda.  passou  a  deter o controle societário da Elevadores Sur S/A (Thyssen Sur S/A ­  98,66%) e da Astel Ltda. (99,99%).  Em  31/12/1999  a  empresa  Thyssenkrupp  Industries  Participações  Ltda. foi incorporada pelo interessado.  Feita a descrição das operações, cabe registrar que o ágio ocorreu,  em razão do seguinte:  Os valores patrimoniais das ações da empresa Elevadores Sur S/A  (Thyssen  Sur  S/A)  e  das  quotas  da  Astel  Ltda.  eram,  respectivamente,  R$  35.918.201.04  e  R$  751530,44,  conforme  Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 18            17 consta  no  documento  de  fls.  397/398.  Como  já  foi  dito,  estas  pertenciam à empresa 5246 Participações S/A e foram permutadas  pelas  10.000.000  de  ações  de  emissão  da  própria  empresa  5246  Participações S/A, cujo valor era de R$ 202.337.000,00. Então, se o  valor  da  aquisição  da Elevadores  Sur S/A  (Thyssen Sur S/A) e da  Astel Ltda. foi de R$ 202.331.000,00 e os valores patrimoniais das  referidas  empresas  eram  R$  35.918.201,04  e  R$  757.530,44,  está  configurado o ágio, que é, segundo dispõe o art. 385 do RIR/1999, a  diferença entre o custo de aquisição do investimento e o seu valor  patrimonial.  Passa­se,  agora, à análise da  transferência do  controle  societário  das  empresas Elevadores  Sur  S/A  (Thyssen  Sur  S/A)  e Astel  Ltda,  caso  a  operação  de  compra  fosse  realizada  diretamente,  sem  a  presença de interpostas pessoas, conforme pretende a fiscalização.  Se  a  empresa  5246  Participações  SM  não  existisse,  as  ações  da  empresa Elevadores Sur S/A (Thyssen Sur S/A) e as quotas da Astel  Ltda, ainda pertenceriam ao grupo Aumonde. Todavia,  ressalta­se  que os valores patrimoniais das mesmas permaneceriam inalterados  (Elevadores Sur S/A (Thyssen Sur S/A) ­ 35.918.201,04; Astel Ltda. ­  R$  757.530,44),  uma  vez  que  a  integralização  (na  empresa  5246  Participações SM) não tem o condão de alterar o valor patrimonial.  Portanto, se a empresa Thyssenkrupp Industries Participações Ltda.  tivesse  efetuado  uma  compra  direta  das  ações  da  empresa  Elevadores Sur S/A (Thyssen Sur S/A) e das quotas da Astel Ltda.,  pelo  valor  de  R$  202.337.000,00,  constata­se  que  o  ágio  permaneceria o mesmo. Ou seja, a diferença entre o custo do valor  do  investimento  (R$  202.331000,00)  e  o  valor  patrimonial  (Elevadores Sur S/A (Thyssen Sur S/A) ­ 35.918.201,04; Astel Ltda. ­  R$ 751530,44), segundo o disposto no art. 385 do RIR/99, é o ágio.  Portanto, além de a fiscalização não comprovar a alegação de que  "caso  esta  operação  fosse  realizada  diretamente,  isto  é  sem  a  presença de interpostas pessoas, não haveria ágio", e que por si só,  já seria suficiente para julgar improcedente a autuação, por falta de  provas  que  demonstrasse  (sic)  e  fundamentasse  (sic)  a  sua  conclusão,  uma  vez  que,  quem  alega,  tem  o  ônus  de  provar,  concluiu­se,  do exposto, que  independentemente da utilização ou  não  de  interpostas  pessoas  para  a  transferência  do  controle  acionário, o ágio persistiria.  Impende  esclarecer,  só  para  argumentar,  que  a  utilização  de  interpostas  pessoas  na  transferência  do  controle  acionário  beneficia,  não  o  interessado  que,  no  caso  dos  autos,  adquiriu  as  participações  societárias, mas  sim,  a  parte  vendedora. A  empresa  5246  Participações  S/A,  parte  vendedora,  vendeu  à  empresa  espanhola  Thyssen  Industries  S/A  10.000.000  de  ações  de  sua  emissão,  as  quais  estavam  em  tesouraria,  pelo  valor  de  R$  202.337.000, ações estas sem valor de mercado, ao invés de vender  as  ações  da  empresa  Elevadores  Sur  S/A  (Thyssen  Sur  S/A)  e  as  quotas  da  Astel  Ltda.,  estas  sim,  as  que  verdadeiramente  interessavam  a  compradora,  com  o  intuito  de  se  beneficiar  do  disposto no art. 442, inciso IV, do RIR/1999.  Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 19            18 O art. 442, inciso IV, do RIR/1999 reza que "não serão computadas  na  determinação  do  lucro  real  as  importâncias,  creditadas  a  reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia  receber  dos  subscritores  de  valores mobiliários  de  sua  emissão  a  título de lucro na venda de ações em tesouraria."  Então, ao invés do grupo Aumonde vender diretamente as ações da  empresa Elevadores Sur S/A (Thyssen Sur S/A) e as quotas da Astel  Ltda.,  o  que  ensejaria  a  tributação  do  ganho  de  capital  apurado,  optou  por  constituir  uma  empresa  (empresa  5246  Participações  S/A),  interposta  pessoa,  e  integralizar  o  capital  com  estas  ações/quotas.  Passo  seguinte  foi  a  venda  das  ações  da  empresa  5246 Participações S/A que estavam em tesouraria, sem tributar o  lucro  apurado  na  venda,  a  teor  do  disposto  no  art.  442,  IV,  do  RIR/1999, e, posteriormente, permutá­las com as ações da empresa  Elevadores Sur S/A (Thyssen Sur NA) e as quotas da Astel Ltda. Ou  seja,  é  a  parte  vendedora  quem  se  beneficia  da  utilização  de  interposta  pessoa.  Aí  tem  toda  aquela  discussão  se  teria  havido  simulação  nesta  operação,  se  poderia  tributar  valendo­se  da  interpretação  econômica,  mas  que  não  se  aplica  ao  presente  processo  e,  por  isso,  não  será  enfrentada,  já  que,  é  sempre  bom  lembrar,  o  sujeito  passivo  (interessado)  de  que  trata  o  presente  processo  é  a  parte  compradora,  adquirente  das  participações  societárias, e não a parte vendedora.  Cabe  ressaltar  que,  pelo  fato  de  a  fiscalização  ter  entendido  indevidamente,  como  já  exposto,  que  não  haveria  ágio,  glosou  as  amortizações  do  referido  ágio  efetuadas  pela  incorporadora  (interessado).  É  bom  deixar  claro,  tendo  em  vista  o  disposto  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  (fls.  454/458),  que  a  fiscalização  reconhece  que,  se  houvesse  ágio,  a  incorporadora  poderia  se  beneficiar do mesmo, já que afirma, à fl. 457 do referido Termo, que  "..., a incorporadora pode se beneficiar da amortização do ágio no  investimento, o que não é tributado." Donde se conclui que, para a  fiscalização, se houvesse ágio, o mesmo poderia ser amortizado pela  incorporadora, sem adentrar em maiores considerações a respeito  do tema.  No  caso  em  concreto,  de  acordo  com  o  auto  de  infração  (fls.  459/465), as amortizações de ágio glosadas nos anos­calendário de  2001, 2002, 2003 e 2004 se referem ao ágio apurado na aquisição  societária  da  empresa  Elevadores  Sur  S/A  (Thyssen  Sur  S/A),  conforme se depreende do demonstrativo de fl. 394. O montante de  ágio constante no referido demonstrativo de fl. 394, no total de R$ I  64.071.689,76,  está  fundamentado,  conforme  laudo  produzido  por  empresa especializada (fls. 556/605), no valor da rentabilidade da  Thyssen  Sur  S/A,  com  base  na  previsão  dos  resultados  dos  exercícios futuros (art. 385, II, do RIR/1999).  Cabe reproduzir trecho da Conclusão do laudo (ff 560), que, diga­ se, não  foi questionado pela  fiscalização. "...  somos da opinião de  que os procedimentos utilizados pela Diretoria da mesma [Thyssen  Sur  S/A]  para  definição  e  aplicação  de  premissas  e  cálculos  no  preparo das referidas demonstrações de resultado projetadas estão  adequados  e  atendem  ao  propósito  de  fundamentação  do  ágio  Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 20            19 apurado na aquisição do controle acionário da Thyssen Sur S/A, no  montante de R$ 164.071.689,76."  Cabe ressaltar que, se a fiscalização não busca produzir provas que  questionem a validade do laudo, se limitando a afirmar, sem provas,  que  não  havia  ágio,  quando  ficou  provado,  pelo  exposto,  que,  independentemente  da  existência  ou  não  de  interpostas  pessoas,  haveria ágio, descabe a autuação.  Portanto,  pelo  exposto,  é  improcedente  a  autuação.  (Acórdão  n.  105­16.395;  Processo  n.  19515.000496/2006­43;  Rel.  Cons.  Irineu  Bianchi; Votação Unânime; j. 25.4.2007; sem grifos no original)  Importante  salientar  que,  de  acordo  com  informação  trazida  pelo  sujeito  passivo unicamente em seu Recurso Voluntário, a ETH Participações efetivamente foi extinta  em 2009, através de cisão, sendo que essa fração do seu acervo foi incorporada na Recorrente.  Essa  alegação  do  contribuinte  repousa  à  fl.  1290  dos  autos,  sendo  que  os  documentos  a  comprovar o alegado constam das fls. 1311 e seguintes.  Mister apontar, ademais, a completa infelicidade da r. decisão recorrida – da  qual não se extrai nada de aproveitável – ao fazer as seguintes assertivas, litteris:  Além  das  dificuldades  operacionais  apontadas,  o  ponto  crucial  é  que,  na  aquisição  da  Usina  Eldorado  por  ETH  e  posterior  cisão  parcial  desta,  a  nova  empresa,  originada  da  cisão,  não  poderia  amortizar o ágio, uma vez o destaque de o patrimônio ser o da já  empresa adquirida. Além disso, ela não seria a adquirente original  e,  dessa  forma,  não  poderia  cogitar  de  ágio,  uma  vez  não  ter  efetuado pagamento algum. (fl. 1246)  Penso  despiciendo  tecer  maiores  considerações  sobre  a  erronia  das  afirmações, sendo certo que o ágio deve acompanhar o investimento cuja aquisição determinou  seu surgimento e que a assertiva de que o ágio não seria aproveitável pelo fato de a sociedade  resultante  não  ter  efetuado  pagamento  significaria,  ao  fim  e  ao  cabo,  a  completa  impossibilidade de amortização fiscal de ágio em se tratando de incorporação às avessas, o que  obviamente fere de morte o texto de lei.  Por  todo  o  exposto,  mostra­se  completamente  descabida  a  glosa  da  amortização  do  ágio  levada  a  efeito  pela  r.  autoridade  autuante,  razão  pela  qual  acolho  o  Recurso Voluntário para cancelar as exigências de que aqui se cuida.  A mesma sorte devem ter as glosas dos juros e da variação cambial passiva  atinentes  à  parcela  do mútuo  de US$  100.000.000,00  que  foi  utilizada  para  a  aquisição  das  ações da ora Recorrente.  A glosa aqui discutida é maculada em sua essência.  Com efeito, os valores objetos de glosa correspondem às despesas de juros e  variação  cambial  passiva  relacionados  ao  mútuo  contraído  pela  Nova  Boipeba  de  US$  100.000.000,00;  mais  especificamente,  a  glosa  recaiu  sobre  os  juros  e  variação  passiva  correspondentes à fração do empréstimo (48,53%) que efetivamente foi utilizada na aquisição  das ações da ora Recorrente.  Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 21            20 Já se disse nesse voto que o fato de a Odebrecht S/A – controladora indireta  da ETH Participações – ter afiançado o empréstimo tomado pela Nova Boibepa não permite a  ilação  precipitada  da  r.  autoridade  fiscal  no  sentido  de  que  a  Odebrecht  seria  a  verdadeira  mutuária.  Ora, a instituição financeira, obviamente após uma análise de crédito, houve  por bem emprestar valores à entidade Nova Boipeba, sendo que o fato de a sua controladora  indireta constar como garante dessa avença não é suficiente para que a personalidade jurídica  do tomador seja desconsiderada, não dando o necessário suporte à especulação de que fiador e  afiançado correspondam a uma única sociedade.  Após a incorporação às avessas, a ora Recorrente naturalmente absorveu todo  o  patrimônio  da  Nova  Boipeba,  que  foi  extinta  nesse  mesmo  ato  societário,  assumindo  consequentemente  todo  o  passivo  da  incorporada,  que  também  era  composto  do  mútuo  em  destaque.  Assim sendo,  tendo em vista que a Recorrente não contraiu pessoalmente a  obrigação  a  que  se  ligam  os  juros  e  a  variação  cambial  em  destaque,  é  certo  que  o  exame  acerca  da  dedutibilidade  dessas  despesas  apenas  deve  gravitar  em  torno  da  origem  dessa  obrigação, é dizer, deve­se perquirir se a despesa era dedutível na sucedida.  De  fato,  observa­se que,  in  casu,  a  sucessora  realmente  teve que  fazer  face  aos juros atinentes a mútuo que não contraiu, trata­se de passivo formado por negócio jurídico  entabulado pela sucedida.  Se o negócio jurídico de que derivam os deveres de pagar  juros foi firmado  pela sucedida, pretender que sejam tais despesas necessárias, úteis ou usuais para a sucessora  acaba por revelar critério absurdo e perverso, a sociedade resultante é assume o patrimônio da  incorporada a título universal nos termos da lei.  Uma breve incursão pela situação inversa – qual seja, se a sucessora tivesse  assumido um mútuo ativo gerador de receitas financeiras – presta­se a elucidar a questão.  Poderia, nessa hipótese, a sociedade resultante simplesmente deixar computar  tais  juros ativos em seu  resultado pelo  simples  fato de que não foi ela que firmou o negócio  jurídico do empréstimo? A resposta é obviamente negativa, sendo certo que o sujeito passivo  imaginado não poderia  lançar mão desse argumento para fulminar uma autuação por omissão  de ditas receitas.  In  casu,  o  empréstimo  foi  inquestionavelmente  necessário  para  o  fiel  cumprimento dos propósitos da Nova Boipeba, e não há dúvidas de que a própria autoridade  autuante  jamais  questionou  a  imprescindibilidade  desse  financiamento  para  a  consecução  da  aquisição da participação societária da ora Recorrente.  Saliente­se que é completamente equivocada a afirmação de que os recursos  necessários para a aquisição da investida (Usina) são de responsabilidade da investidora que  é a ETH.  Realmente,  a  ETH  Participações  não  é  nem  mutuária  e  nem  fiadora  do  empréstimo  de  que  aqui  se  cuida,  posições  essas  assumidas  respectivamente  pela  Nova  Boibepa – sucedida pela Recorrente – e pela Odebrecht S/A.   Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 22            21 Destarte,  tendo em vista que  indubitavelmente não participou dessa avença,  não  se  consegue  vislumbrar  como  poderia  a  ETH  Participações  responder,  tributária  ou  civilmente, por tal negócio jurídico, o que apenas vem a corroborar o que restou dito nas linhas  anteriores.  Por  todo  o  exposto, DOU PROVIMENTO  integral  ao Recurso Voluntário,  com o integral cancelamento das autuações de IRPJ e CSLL sub examen.   É como voto.  (documento assinado digitalmente)  BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR ­ Relator    VOTO VENCEDOR   Conselheira EDELI PEREIRA BESSA  A autoridade  lançadora observa que o ativo representado pelo ágio amortizado  pertence  ao  investidor  ETH  Participações  S/A.  Embora  já  sendo  uma  holding,  esta  pessoa  jurídica  participou  da  constituição  de  outras  duas  com  a mesma  atividade,  sendo  que Nova  Boipeba Participações S/A existiu apenas no  interregno de 27/02/2008 a 30/04/2008, e Nova  Mucuri Participações S/A permaneceu sob seu controle de 27/02/2008 a 18/03/2008, até suas  ações serem permutadas com as da autuada. No curto período de sua existência, Nova Boipeba  Participações S/A e Nova Mucuri Participações S/A prestaram­se como caixa dos recursos que  se destinaram à aquisição da autuada, sendo que Nova Boipeba Participações S/A contraiu em  seu  nome  empréstimo  de  parte  do  valor  destinado  à  compra  da  autuada,  integrando  ao  seu  patrimônio,  para  posterior  incorporação  pela  autuada,  o  passivo  que  ensejou  as  despesas  financeiras objeto da segunda infração aqui consignada.  A  autoridade  lançadora  destaca  que  as  duas  pessoas  jurídicas  criadas  em  27/02/2008,  com  meia  hora  de  diferença  entre  os  atos  constitutivos,  tinham  por  sede  sala  comercial  na Av. das Nações Unidas,  4.777, 11o  andar,  em São Paulo/SP, e por diretores os  sócios  da  ETH  Bioenergia  S/A  (esta  com  participação  de  0,01%  no  capital  social  de  Nova   Boipeba  S/A,  cabendo  o  restante  a  ETH  Participações  S/A).  Observa,  também,  que  os  dois  únicos  pagamentos  realizados  na  contabilidade  da Boipeba,  não  foram por  ela  efetuados,  e  sim  pela  ETH  Participações,  e  isto  porque  a  Boipeba  existe  somente  no  papel,  e  não  tem  capacidade financeira e administrativa para se auto gerir e liquidar suas próprias obrigações.  Ademais,  na  referida  pessoa  jurídica não  há  qualquer  captação  de  recursos  de  outro  grupo  econômico,  nunca  se  comportou  como holding  e  o  único  investimento que possuiu  foram as  ações da Usina.  Outras inconsistências nos atos formalizados durante o processo de aquisição de  autuada  são mencionadas  pela  Fiscalização,  que  assim  concluiu  tratar­se  de  uma  construção  que  somente  existiu  no  papel,  ao  final  da  qual ETH Participações  e ETH Bioenergia S/A  se  revelaram como as efetivas adquirentes das ações da autuada. De outro lado:  Os  objetivos  da  operação  estão  claramente  traçados  e  definidos,  o  “nexo  causal”  está  perfeitamente  caracterizado:  a  operação  real  de  compra e venda de ações transformada artificialmente em operação de  Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 23            22 permuta  com  incorporação  às  avessas,  utilizando­se  da  empresa  veículo  NOVA  BOIPEBA,  de  existência  efêmera,  com  a  finalidade  específica de viabilizar a geração do ágio na aquisição do investimento  e o seu aproveitamento para redução do resultado tributável nos anos  seguintes.  Situação que não ocorreria  se o negócio  fosse  formalizado  de acordo com sua substância – a aquisição do controle acionário da  USINA ELDORADO S.A. diretamente pela ETH.  A recorrente assevera que foram observados os pressupostos para amortização  de  ágio  fixados  pela  legislação,  com a  preservação da  estrutura  organizacional  do  grupo  e  sem a  obtenção de  vantagem adicional  à  prevista  legalmente.  Isto  porque  a Lei nº 9.532/97  permite  o  aproveitamento  do  ágio  quando  a  investidora  incorpora  ou  seja  incorporada  pela  investida, medida que favorece as holdings puras, que não aproveitariam a dedução do ágio por  auferir basicamente receitas isentas (equivalência patrimonial e dividendos). Ademais, a junção  dos patrimônios permite que a dedução do ágio seja confrontada com as receitas que culminam  na formação do resultado esperado nos anos seguintes.   Defende  que  NOVA  BOIPEBA,  formada  pelo  grupo  ETH  como  sociedade  responsável  por  adotar  todas  as medidas  relacionadas  às  negociações  para  a  aquisição  da  Usina Eldorado, seguiu o scritp imposto pela Lei n. 9.532/97, e entende que o Fisco não pode  questionar  os  atos  praticados  em  conformidade  com  as  normas  pertinentes  para  usufruir  a  vantagem  exposta  na  lei  concessiva  do  benefício.  Ademais,  a  amortização  seria  possível  na  hipótese de ETH ter adquirido as ações da Recorrente (em vez de NOVA BOIPEBA fazê­lo) e,  em seguida, ser parcialmente cindida com incorporação do patrimônio vertido (composto pela  participação societária) na Usina Eldorado, a fim de que a última passasse a amortizar o ágio  envolvido na transação. A transação nestes moldes atrairia o mesmo regime fiscal aplicável às  operações realizadas.  Acrescenta  que  seria  equivocado  o  entendimento  da  autoridade  julgadora  no  sentido de que, na segunda hipótese acima aventada, a empresa originada da cisão não poderia  amortizar o ágio por não ser “a adquirente original”,  reportando­se ao art. 229, §1o da Lei nº  6.404/76 acerca da sucessão decorrente da cisão.   Argumenta,  assim,  que  caso  fosse  considerada  a  verdade  material,  que  a  fiscalização  alegou  averiguar,  a  conclusão  seguramente  seria  pela  legitimidade  da  amortização  do  ágio,  e  aduz  que  não  foi  apresentada  qualquer  justificativa  econômica  que  sustente  sua  pretensão  de  reverter  a  base  negativa  e  o  prejuízo  fiscal  da  autuada.  Em  conseqüência, o Fisco está utilizando a forma do negócio como justificativa para cobrar mais.  Reporta­se  às  razões  de  ordem  negocial  que  justificavam  a  criação  de  novas  empresas para possibilitar o aproveitamento do benefício de amortização do ágio, em vez da  aquisição  direta  da  participação  por  ETH,  com  sua  posterior  cisão  e  incorporação  pela  Recorrente, as quais seriam hábeis a afastar o alegado abuso de direito. E neste sentido diz que  a  formação  de  NOVA  BOIPEBA  buscou:  (1)  concentrar  os  atos  de  aquisição  da  Usina  Eldorado; (2) após a sua concretização, ser incorporada, a fim de amortizar o ágio resultante  da  transação;  e  (3)  ao mesmo  tempo manter  o  desenho  da  estrutura  organização  do  grupo  inalterada,  de modo  que ETH  se mantivesse  como  holding  das  demais  pessoas  jurídicas  do  grupo  dedicadas  ao mesmo  segmento  econômico,  e  não  precisasse  ser  cindida, mediante  os  complexos procedimentos necessários para tanto.  Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 24            23  Opõe­se  à  ocorrência  de  abuso de direito porque  as  transações praticadas não  são  desprovidas  de  conteúdo  e  contrárias  às  finalidades  perseguidas  pelas  normas  fiscais  envolvidas, mas sim vão ao encontro do fim almejado pelos artigos 7o e 8o da Lei n. 9.532/97,  mediante  união  do  ágio  ao  investimento  que  lhe  deu  causa. Mais  à  frente  acrescenta  que  a  existência  efêmera de NOVA BOIPEBA se explica porque encerrada a atividade para a qual  foi criada, reportando­se a doutrina e jurisprudência administrativa em seu favor.  O litígio sob análise é semelhante ao verificado no Caso Santander­Banespa, e a  recorrente  inclusive  cita  excertos  da  primeira  apreciação  por  este  Conselho  acerca  da  amortização do ágio  formado naquela aquisição. Todavia, esta Conselheira manifestou­se em  outro  sentido  ao  apreciar  o  segundo  lançamento  no  qual  foram  glosadas  amortizações  do  mesmo ágio, nos termos do voto condutor do Acórdão nº 1101­000.961:   As autoridades lançadoras, portanto, dentre outros aspectos, entendem  que  somente houve ágio pago na aquisição original do Banespa pelo  Santander Hispano, de modo que o ágio deve integrar o patrimônio da  sociedade  espanhola. Destacam,  inclusive,  que  o  ágio  lá  permaneceu  indiretamente,  depois  de  todas  as  operações  societárias  realizadas.  Asseveram, assim, que houve fraude para internalização do ágio aqui  amortizado,  justificando a glosa destas amortizações e a qualificação  da penalidade.  Esta Relatora já se manifestou contrariamente a este tipo de operação,  que busca superar os impedimentos práticos verificados no atendimento  às condições legais para dedução, na apuração do IRPJ e da CSLL, da  amortização do ágio antes da alienação do investimento.   Isto porque os efeitos das amortizações de ágio e deságio estão assim  disciplinados no Decreto­lei nº 1.598/77:  Art. 23. [...]  Parágrafo único ­ Não serão computadas na determinação do lucro  real  as  contrapartidas  de  ajuste  do  valor  do  investimento  ou  da  amortização  do  ágio  ou  deságio  na  aquisição,  nem  os  ganhos  ou  perdas  de  capital  derivados  de  investimentos  em  sociedades  estrangeiras  coligadas  ou  controladas  que  não  funcionem  no  País.(Incluído pelo Decreto­lei nº 1.648, de 1978).  [...]  Art.  33  ­  O  valor  contábil, para  efeito  de  determinar  o  ganho  ou  perda  de  capital  na  alienação  ou  liquidação  do  investimento  em  coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido  (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores:  I  ­  valor  de  patrimônio  líquido  pelo  qual  o  investimento  estiver  registrado na contabilidade do contribuinte;   II ­ ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha  sido  amortizado  na  escrituração  comercial  do  contribuinte,  excluídos os computados, nos exercícios  financeiros de 1979 e 1980,  na  determinação  do  lucro  real.  (Redação  dada  pelo  Decreto­lei  nº  1.730, 1979)   IV  ­  provisão  para  perdas  (art.  32)  que  tiver  sido  computada  na  determinação do lucro real.   §  1º  ­  Os  valores  de  que  tratam  os  itens  II  a  IV  serão  corrigidos  monetariamente.   Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 25            24 § 2º ­ Não será computado na determinação do lucro real o acréscimo  ou  a  diminuição  do  valor  de  patrimônio  líquido  de  investimento,  decorrente de ganho ou perda de capital por variação na porcentagem  de  participação  do  contribuinte  no  capital  social  da  coligada  ou  controlada.  (Redação  dada  pelo  Decreto­lei  nº  1.648,  de  1978).  (negrejou­se)  Dessa  forma,  as  amortizações  de  ágio  e  deságio  deveriam  ser  adicionadas ou excluídas na apuração do lucro real, e controladas na  parte  B  do  Livro  de  Apuração  do  Lucro  Real  –  LALUR,  para  posteriormente  compor a apuração do ganho de capital na alienação  ou liquidação do investimento. Mas, segundo a Lei nº 6.404/76:   Art. 219. Extingue­se a companhia:   I ­ pelo encerramento da liquidação;   II  ­  pela  incorporação  ou  fusão,  e  pela  cisão  com  versão  de  todo  o  patrimônio em outras sociedades.  Nestes termos, por vislumbrar distinção entre a hipótese do inciso II do  art. 219 da Lei nº 6.404/76 e de encerramento prevista no inciso I do  mesmo dispositivo, esta hábil a ensejar a aplicação do disposto no art.  33  do Decreto­lei  nº  1.598/77,  o  legislador  assim  fixou  na  seqüência  deste dispositivo:  Participação Extinta em Fusão, Incorporação ou Cisão  Art 34 ­ Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção  de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença  entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo  líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real  de acordo com as seguintes normas:  I  ­  somente  será dedutível  como perda de capital  a diferença entre o  valor  contábil  e  o  valor  de  acervo  líquido  avaliado  a  preços  de  mercado,  e  o  contribuinte  poderá,  para  efeito  de  determinar  o  lucro  real,  optar  pelo  tratamento  da  diferença  como  ativo  diferido,  amortizável no prazo máximo de 10 anos;   II ­ será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido  recebido  o  acervo  líquido  que  exceder o valor  contábil das ações ou  quotas  extintas, mas o  contribuinte poderá, observado o disposto nos  §§  1º  e 2º,  diferir  a  tributação  sobre  a parte do  ganho de  capital  em  bens do ativo permanente, até que esse seja realizado.   §  1º  O  contribuinte  somente  poderá  diferir  a  tributação  da  parte  do  ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se:   a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o  ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do valor  realizado em cada período­base; e   b)  mantiver,  no  livro  de  que  trata  o  item  I  do  artigo  8º,  conta  de  controle  do  ganho  de  capital  ainda  não  tributado,  cujo  saldo  ficará  sujeito  a  correção  monetária  anual,  por  ocasião  do  balanço,  aos  mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente.   § 2º ­ O contribuinte deve computar no lucro real de cada período­base  a  parte  do  ganho  de  capital  realizada  mediante  alienação  ou  liquidação,  ou  através  de  quotas  de  depreciação,  amortização  ou  exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional.   Nos casos em que a incorporação, fusão ou cisão ocorre em momento  próximo  à  aquisição  do  investimento  com  ágio,  o  valor  contábil  do  investimento é sempre superior ao acervo líquido contábil que substitui  Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 26            25 as  quotas/ações  extintas  em  razão  da  incorporação,  fusão  ou  cisão,  ensejando  perda  de  capital.  Para  que  esta  perda  fosse  dedutível,  em  interpretação  literal  do  texto,  necessário  seria  que  o  acervo  líquido  vertido  em  razão  da  incorporação,  fusão  ou  cisão  fosse  avaliado  a  preços de mercado.  De outro lado, caso atendido este requisito, qualquer ágio apurado na  aquisição de investimentos, quando esta fosse seguida de incorporação  da investida, ensejaria perda dedutível. A exposição de motivos da Lei  nº  9.532/97  expressa  preocupação  com  circunstâncias  semelhantes  a  esta, como a seguir transcrito:  O  art.  8o  estabelece  o  tratamento  tributário  do  ágio  ou  deságio  decorrente  da  aquisição,  por  uma  pessoa  jurídica,  de  participação  societária  no  capital  de  outra,  avaliada  pelo método  da  equivalência  patrimonial.  Atualmente, pela  inexistência de  regulamentação  legal  relativa a esse  assunto, diversas empresas utilizando dos já referidos “planejamentos  tributários”,  vêm  utilizando  o  expediente  de  adquirir  empresas  deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de  gerar  ganhos  de  natureza  tributária  mediante  o  expediente,  nada  ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária.  Com  as  normas  previstas  no  Projeto,  esses  procedimentos  não  deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses  de casos reais, tendo em visto o desaparecimento de toda vantagem de  natureza fiscal que possa  incentivar a sua adoção exclusivamente por  esse motivo.   Neste  contexto,  as  disposições  da  Lei  nº  9.532/97  podem  ser  interpretadas  como  um  instrumento  para  evitar  a  dedução  do  ágio  apurado  sem  fundamento  econômico,  o  qual  deveria  ser mantido  em  conta do ativo permanente, não sujeita a amortização, bem como uma  forma  de  parcelar  os  efeitos  tributários  do  ágio  pago  sob  outros  fundamentos:  Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  na  qual  detenha  participação  societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto  no art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide  Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003)  I ­ deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o  de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de  1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe  deu causa;  II  ­  deverá  registrar  o  valor  do  ágio  cujo  fundamento  seja  o  de  que  trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de 1977,  em  contrapartida  a  conta  de  ativo  permanente,  não  sujeita  a  amortização;  III ­ poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que  trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decreto­lei n° 1.598, de 1977,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados  posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta  avos,  no máximo,  para  cada mês  do  período  de  apuração;  (Redação  dada pela Lei nº 9.718, de 1998)  IV  ­ deverá  amortizar o valor  do deságio  cujo  fundamento  seja o de  que  trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de  1977,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados  durante  os  cinco  anos­calendários  subseqüentes  à  Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 27            26 incorporação,  fusão ou cisão, à  razão de 1/60 (um sessenta avos), no  mínimo, para cada mês do período de apuração.  § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem  ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de  depreciação, amortização ou exaustão.  §  2º  Se  o  bem  que  deu  causa  ao  ágio  ou  deságio  não  houver  sido  transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta  deverá registrar:  a)  o  ágio,  em  conta  de  ativo  diferido,  para  amortização  na  forma  prevista no inciso III;  b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma  prevista no inciso IV.  § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput:  a)  será  considerado  custo  de  aquisição,  para  efeito  de  apuração  de  ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou  na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução  de capital;  b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da  empresa,  se  comprovada,  nessa  data,  a  inexistência  do  fundo  de  comércio ou do intangível que lhe deu causa.  §  4º  Na  hipótese  da  alínea  "b"  do  parágrafo  anterior,  a  posterior  utilização  econômica  do  fundo  de  comércio  ou  intangível  sujeitará  a  pessoa  física  ou  jurídica  usuária  ao  pagamento  dos  tributos  e  contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora  e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente.  § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições  a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do  ativo, como custo do direito.   No mesmo sentido manifesta­se Luís Eduardo Schoueri, na obra Ágio  em Reorganizações  Societárias  (Aspectos Tributários), Dialética:  São  Paulo,  2012.  Depois  de  reportar­se  à  doutrina  que  se  posiciona  em  sentido contrário, diz o referido autor (p. 67):  Tal posicionamento não deixa de ser curioso. Afinal, se anteriormente  o  ágio  era  deduzido  integralmente,  a  imposição  de  restrições  não  poderia  ser  considerada  um  incentivo.  A  exposição  de  motivos  da  Medida  Provisória  no  1.602/1997  deixou  hialino  esse  instituto  de  restrição da consideração do ágio como despesa dedutível, mediante a  instituição  de  óbices  à  amortização  de  qualquer  tipo  de  ágio  nas  operações  de  incorporação.  Com  isso,  o  legislador  visou  limitar  a  dedução  do  ágio  às  hipóteses  em  que  forem  acarretados  efeitos  econômico­tributários que o justificassem.  Realizada a incorporação, na escrituração comercial, o acervo líquido  recebido  pelo  valor  contábil  anula  o  investimento  correspondente,  avaliado pela equivalência patrimonial, e remanesce no patrimônio da  sociedade  resultante  apenas  o  ágio/deságio,  classificado  em  Ativo  Diferido,  quando  fundamentado  em  rentabilidade  futura,  para  amortização no período pelo qual ela foi projetada. Com a edição da  Lei nº 9.532/97 a amortização do ágio com este fundamento passa a ser  dedutível,  na  apuração  do  lucro  real,  no  mesmo  momento  em  que  registrada  contabilmente,  desde  que  observado  o  prazo mínimo  de  5  (cinco) anos para amortização.  Quanto  ao  ágio  fundamentado  em  ativos  ou  em  outras  razões  econômicas, a doutrina contábil orienta em sentido semelhante ao da  Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 28            27 lei, pois no primeiro caso vincula seus efeitos no resultado à realização  do ativo incorporado, e no segundo caso determina sua baixa imediata,  por  não  ser  possível  associar  seu  pagamento  a  algum  critério  que  permita dimensionar sua amortização.  Esta  abordagem  não  autoriza  a  conclusão  de  que  a  Lei  nº  9.532/97  tenha instituído um benefício fiscal. A regra expressa em seus artigos 7o  e 8o, nos termos de sua exposição de motivos, prestou­se, em verdade, a  evitar planejamentos tributários que viabilizassem a dedução de ágios,  como perda de capital, qualquer que fosse seu fundamento.   Na  sistemática  vigente,  a  amortização  do  ágio  realizada  pela  investidora  permanece  indedutível  na  apuração  do  lucro  real,  e  somente gera efeitos na alienação ou liquidação do investimento. Já a  amortização  do  ágio  realizada  após  a  extinção  do  investimento  não  precisa  ser  adicionada  ao  lucro  real,  desde  que  o  ágio  esteja  fundamentado em rentabilidade futura e a amortização observe o limite  temporal mínimo estabelecido pela legislação.  Contudo, é fundamental que a incorporação se verifique entre investida  e  investidora,  com  conseqüente  confusão  patrimonial  e  extinção  do  investimento, para que a amortização do ágio gere efeitos na apuração  do  lucro  tributável.  Aqui,  porém,  ao  término  das  operações,  nada  mudou,  pois  o  Santander  Hispano  permaneceu  com  a  mesma  quantidade de ações e na mesma condição de controlador do Banespa.  Esta  distorção,  aliás,  é  reconhecida  pela  própria  Comissão  de  Valores  Mobiliários  (CVM)  ao  analisar  a  incorporação  promovida por meio de uma sociedade veículo, assim expondo na  Nota  Explicativa  à  Instrução  CVM  n°  349/2001,  que  alterou  a  redação da Instrução CVM n° 319/99:  A  Instrução CVM n°  319/99,  ao  prever  que  a  contrapartida  do  ágio  pudesse ser registrada integralmente em conta de reserva especial (art.  6o,  §  Io),  acabou  possibilitando,  nos  casos  de  ágio  com  fundamento  econômico baseado em intangíveis ou em perspectiva de rentabilidade  futura,  o  reconhecimento de um acréscimo patrimonial  sem a  efetiva  substância  econômica.  A  criação  de  uma  sociedade  com  a  única  finalidade de servir de veículo para transferir, da controladora original  para a controlada, o ágio pago na sua aquisição, acabou por distorcer a  figura  da  incorporação  em  sua  dimensão  econômica.  Esta  distorção  ocorre  em  virtude  de  que,  quando  concluído  o  processo  de  incorporação  da  empresa  veículo,  o  investimento  e,  conseqüentemente,  o  ágio  permanecem  inalterados  na  controladora  original.  Significa dizer que embora transferido o ágio par a empresa veículo, e  na  seqüência  para  a  incorporadora  desta,  os  efeitos  econômicos  do  ágio originalmente contabilizado na controladora subsistem. Assim, a  definição acerca do atendimento à finalidade dos arts. 7o e 8o da Lei nº  9.532/97  passa,  primeiramente,  pelo  exame  da  validade  da  transferência  do  ágio  originalmente  contabilizado  pela  investidora  para a Santander Holding, mediante  subscrição de  seu capital com o  investimento por ela detido no Banespa.  Não se exige, aqui, uma lei autorizadora de transferência de ágio por  meio de subscrição de aumento de capital. Se não há vedação legal e os  atos societários são realizados com observância dos requisitos formais,  e têm por objeto ágio efetivo e pago, seria necessário disposição legal  Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 29            28 específica  para  se  negar  validade  aos  atos  societários  no  âmbito  tributário. Contudo,  é  necessário  verificar  se  a  incorporação  entre  a  investida e esta empresa para a qual foi transferido o ágio atende aos  requisitos legais para que a amortização deste afete o lucro tributável.  Recorde­se o que diz a Lei nº 9.532/97:  Art.  7º A  pessoa  jurídica  que  absorver  patrimônio  de  outra,  em  virtude  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  na  qual  detenha  participação  societária  adquirida  com  ágio  ou  deságio,  apurado  segundo  o  disposto  no  art.  20  do  Decreto­Lei  nº  1.598,  de  26  de  dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003)  I ­ deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o  de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de  1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe  deu causa;  II  ­  deverá  registrar  o  valor  do  ágio  cujo  fundamento  seja  o  de  que  trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de 1977,  em  contrapartida  a  conta  de  ativo  permanente,  não  sujeita  a  amortização;  III ­ poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de  que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decreto­lei n° 1.598, de  1977,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão  de  um  sessenta  avos,  no  máximo,  para  cada mês  do  período  de  apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998)  IV  ­ deverá  amortizar o valor  do deságio  cujo  fundamento  seja o de  que  trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de  1977,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados  durante  os  cinco  anos­calendários  subseqüentes  à  incorporação,  fusão ou cisão, à  razão de 1/60 (um sessenta avos), no  mínimo, para cada mês do período de apuração.  [...]   Art. 8º O disposto no artigo anterior aplica­se, inclusive, quando:  a)  o  investimento  não  for,  obrigatoriamente,  avaliado  pelo  valor  de  patrimônio líquido;  b)  a  empresa  incorporada,  fusionada  ou  cindida  for  aquela  que  detinha a propriedade da participação societária. (negrejou­se)  Claro  está  que  as  empresas  envolvidas  na  incorporação  devem  ser,  necessariamente, a adquirente da participação societária com ágio e a  investida  adquirida.  Em  que  pese  a  lei  não  vede  a  transferência  consoante antes demonstrado, este procedimento não extingue, na real  adquirente, a parcela do investimento correspondente ao ágio, de modo  que  ao  final  dos  procedimentos  realizados,  com  a  incorporação  da  empresa  veículo  pela  investida,  a  propriedade  da  participação  societária  adquirida  com ágio  subsiste  no  patrimônio  da  investidora,  diversamente do que cogita a lei.  Em  tais  condições,  a  amortização  do  ágio  que  passou  a  existir  no  patrimônio  da  investida  (Banespa)  somente  poderia  surtir  efeitos  na  apuração do  seu  lucro  real  caso  se  verificasse a  sua extinção, ou da  investidora  (Santander  Hispano),  mediante  incorporação,  fusão  ou  cisão  entre  elas  promovida,  por  meio  da  qual  o  ágio  subsistisse  evidenciado apenas no patrimônio resultante desta operação, na forma  do art. 7o da Lei nº 9.532/97.   Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 30            29 Na medida em que tal não ocorreu, a dedutibilidade do ágio submete­se  à regra geral exposta no Decreto­lei nº 1.598/77:  Art. 23. [...]  Parágrafo único ­ Não serão computadas na determinação do lucro  real  as  contrapartidas  de  ajuste  do  valor  do  investimento  ou  da  amortização  do  ágio  ou  deságio  na  aquisição,  nem  os  ganhos  ou  perdas  de  capital  derivados  de  investimentos  em  sociedades  estrangeiras  coligadas  ou  controladas  que  não  funcionem  no  País.(Incluído pelo Decreto­lei nº 1.648, de 1978).  [...]  Art  33  ­  O  valor  contábil,  para  efeito  de  determinar  o  ganho  ou  perda  de  capital  na  alienação  ou  liquidação  do  investimento  em  coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido  (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores:  I  ­  valor  de  patrimônio  líquido  pelo  qual  o  investimento  estiver  registrado na contabilidade do contribuinte;   II ­ ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha  sido  amortizado  na  escrituração  comercial  do  contribuinte,  excluídos os computados, nos exercícios  financeiros de 1979 e 1980,  na  determinação  do  lucro  real.  (Redação  dada  pelo  Decreto­lei  nº  1.730, 1979)   IV  ­  provisão  para  perdas  (art.  32)  que  tiver  sido  computada  na  determinação do lucro real.   [...]  Pertinente  citar,  novamente,  abordagem  contida  na  obra  Ágio  em  Reorganizações Societárias (Aspectos Tributários), antes referida. Nela,  o autor Luís Eduardo Schoueri preliminarmente expõe o entendimento  de que o ágio, para o investidor, é custo que deve ser considerado em  caso  de  alienação  do  investimento. Os  resultados  auferidos  com  este  investimento  são  reconhecidos,  no  patrimônio  do  investidor,  como  resultados da equivalência patrimonial, não sujeitos a tributação nesta  ótica.  Seguindo  a mesma  lógica,  a  amortização  contábil  do  ágio  por  rentabilidade futura, por parte do investidor, também não deve afetar o  lucro tributável.   Diante  deste  contexto,  o  autor  reputa  incabível  afirmar  que  o  ágio,  ainda que fundamentado na rentabilidade futura, pode ser considerado  realizado antes da incorporação de uma das pessoas jurídicas envolvidas  (exceto  se  antes  disso  tiver  ocorrido  baixa  da  participação  societária  adquirida,  quando,  em  regra  o  ágio  será  realizado)  (Op.  cit.  p.  73). E  complementa mais  à  frente:  com  a  incorporação,  alerte­se,  já  não  há  mais  que  falar  em  investimento  nem  em  ágio.  Ambas  as  figuras  desaparecem (Op. cit. p. 74).  Entende  o  referido  autor  que  a  partir  da  incorporação,  os  lucros  passam  a  ser  tributados  na  investidora,  pois  antes  disso  no  máximo  haverá  receita  de  equivalência  patrimonial,  não  tributável  (Op.  cit.  p.  79). Aqui, porém, os lucros permanecem tributados na investida, que os  reduz  mediante  amortização  de  ágio  decorrente  de  investimento  que  subsiste no patrimônio da investidora original.   Caso  a  investidora  fosse  empresa  nacional,  a  provisão  determinada  pela  Instrução  Normativa  CVM  no  349/2001  impediria  que  a  equivalência  patrimonial  refletisse  no  seu  patrimônio  apenas  o  valor  líquido  dos  resultados,  restabelecendo  o  reconhecimento  bruto  dos  Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 31            30 resultados  da  investida,  sem  os  efeitos  da  amortização  do  ágio  na  investida, dado que a amortização do ágio se repetiria na investidora.  A diferença está na redução da carga tributária da investida que esta  manobra  permite,  em  desrespeito  ao  previsto  no  art.  7o  da  Lei  no  9.532/97.  Evidenciado,  portanto,  que  não  houve  a  extinção  do  investimento,  inadmissível a amortização fiscal do ágio.   [...]  A autoridade lançadora demonstra no Termo de Verificação Fiscal, às  fls.  395/398,  que  o  investimento  inicial  de  R$  9,6  bilhões  feito  pelo  Santander Hispano,  para aquisição do Banespa, permaneceu  sob  sua  titularidade  indireta,  ao  final  representado  por  investimento  na  controlada  Banco  Santander  S/A,  que  posteriormente  incorporou  o  Banespa. Portanto, o requisito legal de extinção do investimento não se  verificou,  subsistindo  ativas  a  investidora  e  a  investida,  e  por  conseqüência  os  valores  representativos  do  ágio  no  patrimônio  da  sociedade espanhola.  Em  tais  condições,  as  amortizações  promovidas  pelas  empresas  brasileiras são indedutíveis porque não representam despesas próprias,  mas sim despesas da adquirente original do investimento, que subsiste  ativa. As operações societárias realizadas, visando internalizar o valor  equivalente  ao  ágio  pago  pela  empresa  espanhola,  e  criar  uma  incorporação para supostamente atender ao requisito do art. 7o da Lei  nº 9.532/97, revelam que a contribuinte buscou, apenas, uma vantagem  tributária, sem alterar o controle societário da investida no Brasil.   Assim,  resta  comprovada  a  conduta  contrária  à  lei,  intencionalmente  praticada pelo contribuinte, mas que no entender da Fiscalização seria,  inclusive, hábil a  justificar a qualificação da penalidade. Ocorre que,  se  de  um  lado  não  apenas  as  omissões  de  dados  e  informações  constituem  o  dolo  necessário  para  caracterização  da  fraude,  verificando­se  esta  também  quando  o  sujeito  passivo  constrói  um  cenário  falso  para  aparentar  a  presença  dos  requisitos  legais  que  autorizariam a dedução por ele pretendida, não é possível afirmar que  a  conduta  da  autuada,  no  presente  caso,  tenha  alcançado  estes  contornos. O  grupo  empresarial  buscou  usufruir  do  que  entendia  ser  um benefício  fiscal  constituindo  empresa  veículo  para,  a  partir  dela,  formalizar uma incorporação que não realizou o objetivo final da lei,  qual seja, a união patrimonial entre  investida e  investidora. De outro  lado,  porém,  o  ágio  efetivamente  existiu  e  foi  pago  pela  empresa  espanhola  ao  Estado  Brasileiro,  em  procedimento  licitatório,  apenas  não  se  verificando  a  incorporação  entre  investidora  e  investida,  permanecendo  o  ágio  representado  no  patrimônio  da  investidora  espanhola.   Na medida em que somente a empresa espanhola detinha as condições  necessárias para a aquisição, a impossibilidade de aproveitamento do  ágio era uma desvantagem a ser considerada na decisão empresarial,  não  podendo  ser  posteriormente  brandida  com  fundamento  na  igualdade  entre  os  licitantes. Mas,  interpretando  de  forma  diversa  a  legislação,  a  contribuinte  praticou  os  atos  que  reputou  válidos  para  amortizar  o  ágio  pago na  aquisição  do Banespa,  atos  que devem ser  reprovados  com  a  conseqüente  exigência  do  crédito  tributário.  Contudo, não se vislumbra dolo suficiente à caracterização da fraude  Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 32            31 tributária, na medida em que o ágio existe e foi pago em procedimento  licitatório,  à  semelhança  de  outros  casos  práticos  que  ensejaram  o  aproveitamento do disposto no art. 7o da Lei nº 9.532/97, a motivar a  equivocada interpretação da contribuinte.   Por oportuno registre­se o destaque feito pelo Conselheiro José Sérgio  Gomes  durante  esta  sessão  final  de  julgamento,  reportando­se  aos  fundamentos do Conselheiro Antonio José Praga de Souza no Acórdão  no 1402­000.802 que, como já mencionado, tratou da mesma operação  aqui em análise:  Voltando  a  situação  versada  no  presente  processo,  constata­se  pela  DIPJ/2003,  regularmente  apresentada  dentro  prazo  e  posteriormente  retificada,  que  o  Banespa  auferiu  receitas  tributáveis  da  ordem  de  7,100 Bilhões de Reais em 2002. Por seu turno, a base de cálculo do  IRPJ  e CSLL  foi de aproximadamente 80 Milhões de Reais, ou seja,  em  pouco mais  de  1%  da  receita  total,  sendo  que  a  amortização  do  ágio  reduziu  em  R$  1,492  Bilhão  de  Reais.  Além  disso,  no  ajuste  anual a contribuinte apurou Saldos Negativos de Recolhimentos de 4  Milhões (IRPJ).  Ora,  uma  empresa  com  esses  números  certamente  estava  sujeita  ao  acompanhamento especial de que trata a Portaria SRF nº 448 de 2002.  Definitivamente  não  é  crível  que  a  dedução  pudesse  ser  ocultada  do  Fisco  na  contabilidade  ou  na DIPJ  da  recorrente,  o  que  em  verdade  não ocorreu.  Em suma, o Santander Hispano jamais abriu mão de seu controle sobre  o Banespa, e manteve integralmente em seu patrimônio o investimento  feito  no  Brasil  para  sua  aquisição.  Logo,  o  aporte  de  capital  na  Santander Holding,  representado  pelas  ações  detidas  pelo  Santander  Hispano  no  Banespa,  somente  duplica  o  ágio  que  subsiste  no  patrimônio da investidora original. Em conseqüência, não há ágio a ser  amortizado com efeitos  fiscais pelas empresas nacionais, efeitos estes  que somente se verificam na extinção do investimento, por alienação a  terceiros  ou  por  liquidação  recíproca  entre  investidora  e  investida.  Interpretando  equivocadamente  os  dispositivos  legais  que  tratam  a  matéria,  a  contribuinte  acabou  por  reduzir  indevidamente  as  bases  tributáveis,  de  modo  que  regular  é  a  exigência  dos  tributos  não  recolhidos.  Todavia,  não  há  justificativa  para  a  qualificação  da  penalidade.   No presente caso, ETH Participações S/A não figurou diretamente na aquisição  da autuada, mas a Fiscalização não só demonstrou que Nova Boipeba Participações S/A operou  por apenas 4 (quatro) meses, nos quais recebeu a integralização de seu capital pelo valor de R$  150.000.000,00  e  contratou  empréstimo  no  exterior  no  valor  de  de R$  169.080.000,00,  com  vistas  a  viabilizar  a  aquisição  da  autuada  pelo  grupo  empresarial  (48,53%  do  montante  recebido foi destinado ao pagamento dos alienantes da participação societária na autuada), e na  seqüência  foi  extinta por  incorporação pela autuada,  sequer dispondo de recursos  financeiros  para liquidar os dois únicos pagamentos escriturados no período de sua existência.   A  inexistência  de  capacidade  administrativa  e  financeira  evidenciada  pela  Fiscalização nestes autos conduz à conclusão de que Nova Boipeba Participações S/A não era,  propriamente,  uma  sociedade  empresária,  mas  apenas  uma  extensão  do  caixa  da  real  adquirente, ETH Participações S/A. Sua condição de pessoa jurídica recém criada, por sua vez,  não  lhe  permitiria  contratar  o  empréstimo  antes  mencionado,  não  fosse  a  responsabilidade  assumida por Odebrechet S/A, como relatado pela Fiscalização.   Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 33            32 De fato, a autoridade lançadora esclarece como esta pessoa jurídica poderia, sem  qualquer patrimônio captar referido empréstimo: A cédula de crédito bancário nr. 1005/08 tem  a resposta: Os recursos foram de fato captados pela Odebrechet S/A, CNPJ 05.144.757/0001­ 72  é  ela  a  devedora  solidária  na  referida  cédula,  fl.  273.  A  recorrente  entende  que  é  injustificável assim concluir tão só em razão da sua indicação como solidária na contratação  do  empréstimo,  por  ser  prática  usual  tais  medidas  acautelatórias  por  parte  das  instituições  financeiras.  Ademais,  a  obrigação  foi  quitada  pela  recorrente,  na  condição  de  sucessora  por  incorporação de Nova Boipeba Participações S/A, e esta pessoa jurídica, por sua vez, também  era uma holding, na mesma condição daquelas em favor das quais a autoridade julgadora de 1a  instância reconhece a normalidade na contratação de empréstimos para aquisição e participação  em empresas.   Ocorre  que  não  era  interessante,  do  ponto  de  vista  tributário,  que  ETH  Participações S/A contratasse em seu nome referido empréstimo, pois as despesas financeiras  daí decorrentes seriam confrontadas com as receitas isentas que, como reconhecido na defesa,  são por ela auferidas na condição de holding.   Ressalte­se  que,  em  tese,  tem  razão  a  recorrente  ao  defender  que  em  caso  de  aquisição direta por parte de ETH Participações S/A, sua posterior cisão em favor da autuada  permitiria  a  amortização  do  ágio.  Mas  isto  porque  a  cisão  resultaria  na  extinção  do  investimento escriturado em ETH Participações S/A, integrado pelo ágio pago na aquisição da  autuada,  em  contrapartida  à  redução  do  capital  social  da  investida  (autuada),  não  mais  subsistindo  a  hipótese  de  aproveitamento  posterior  daquele  custo  do  ativo.  Logo,  a  discordância em face do procedimento adotado pelo grupo empresarial não se prende à  forma  do negócio, mas sim aos efeitos materiais que dele decorrem.  Quanto  às  razões  negociais  alegadas  pela  recorrente,  importa  observar  que  a  pretensão  de manter  o  desenho  da  estrutura  organizacional  do  grupo  inalterada  significa,  apenas, que o Grupo ETH pretendia promover a aquisição sem extinguir o investimento, como  exigido  no  art.  7o  da  Lei  nº  9.532/97.  Daí  a  necessidade  de  constituição  de  Nova  Boipeba  Participações S/A justamente para atendimento ao segundo objetivo, de cunho exclusivamente  fiscal: após a aquisição da autuada, ser incorporada, a fim de amortizar o ágio resultante da  transação.  E,  com  referência  à  necessidade  de  concentrar  os  atos  de  aquisição  da  Usina  Eldorado,  considerando  a  ausência  de  autonomia  de  Nova  Boipeba  Participações  S/A,  demonstrada pela Fiscalização, somente se pode vislumbrar a vantagem tributária de alterar a  contratante do empréstimo antes referido, e, por conseqüência, deslocar a dedução das despesas  financeiras para a autuada depois da incorporação ao final realizada.  Por  tais  motivos,  na  medida  em  que  a  incorporação  não  se  verificou  entre  a  adquirente e a adquirida, a amortização do ágio com efeitos  fiscais não encontra amparo nos  arts. 7o e 8o da Lei nº 9.532/97, os quais, como antes exposto, não veiculam benefício fiscal, ao  contrário do que defende a recorrente.   Frente  a  tais  circunstâncias,  são  irrelevantes  os  argumentos  deduzidos  pela  recorrente acerca da incorporação da investidora pela investida estar prevista no art. 8o da Lei  nº 9.532/97, assim como é estranho ao litígio os eventuais efeitos decorrentes da formação de  NOVA MUCURI, sua capitalização e permuta com a FAMÍLIA COUTINHO.   De outro lado, subsidiariamente a recorrente acrescenta que ETH foi extinta em  2009, mediante  cisão,  por meio  da  qual  parte  do  seu acervo  foi  incorporada na Recorrente  (docs. J.). Referido documento evidencia que o investimento detido por ETH Participações S/A  Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13161.720888/2012­41  Resolução nº  1101­000.146  S1­C1T1  Fl. 34            33 foi  vertido  para  a  autuada,  apurando­se  a  diferença  de R$ 681,41  correspondente  a  ágio  por  rentabilidade futura, a ser registrado no ativo intangível da autuada, e isto porque a participação  societária  na  investida  estava  registrada  em  ETH  Participações  S/A  no  valor  de  R$  106.135.964,10,  justamente por desconsiderar a aquisição paga com parte do empréstimo que  foi  deslocado  para  contratação  por  Nova  Boipeba  Participações  S/A,  com  os  efeitos  antes  expostos (fls. 1332/1345).  Em  tais  condições,  como  antes  dito,  a  extinção  do  investimento mantido  pela  adquirente  na  adquirida  implementaria  o  requisito  legal  para dedução  fiscal  do  ágio pago na  sua aquisição. Por sua vez, como a autuada passaria a ser sucessora da cindida, a partir daquele  momento figuraria como efetiva devedora da totalidade do empréstimo a ser pago.  Trata­se, portanto, de fato relevante para a solução do litígio, mas que demanda  sua  confirmação  e  complementação.  Por  tais  razões,  necessária  se  faz  a  CONVERSÃO  do  julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal do domicílio do sujeito passivo:  · Confirme  a  cisão  noticiada  nos  documentos  juntados  às  fls.  1332/1345,  juntando aos autos os atos correspondentes e a evolução  contábil  do  investimento  mantido  por  ETH  Participações  S/A  na  autuada nos períodos fiscalizados;   · Informe  os  registros  contábeis  promovidos  por  ETH  Participações  S/A e a autuada por ocasião da cisão; e  · Demonstre  a  evolução  do  empréstimo  originalmente  contraído  por  Nova  Boipeba  Participações  S/A  e  posteriormente  sucedido  pela  autuada,  detalhando  seus  pagamentos  e  juros  incorridos  desde  sua  contratação até o último período autuado.  Ao  final  dos  trabalhos  a  autoridade  fiscal  deve  produzir  relatório  circunstanciado,  descrevendo  suas  análises  e  conclusões  daí  resultantes,  dele  cientificando  a  interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de  defesa.  (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA – Conselheira  Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA

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