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Numero do processo: 10380.727157/2012-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 27 15 7/ 20 12 -5 4 Fl. 509DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10380.727157/201254 Resolução nº 1301000.217 S1C3T1 Fl. 510 2 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, relativas aos anoscalendário de 2008 e 2009. Transcrevo, a seguir, relato feito em primeira instância acerca dos fatos apurados e das razões trazidas pela fiscalizada em sede de impugnação. [...] Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foram lavrados os autos de infração a seguir indicados: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, fls. 03/13, no valor total de R$ 13.169.704,60, incluídos encargos legais. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, fls. 14/23, no valor total de R$ 4.931.989,93, incluindo encargos legais. Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, fls. 24/42, no valor total de R$ 7.650.371,95, incluindo encargos legais. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, fls. 43/63, no valor total de R$ 1.660.936,05, incluindo encargos legais. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 05/06, e o Termo de Verificação Fiscal, fls. 64/72, foram apuradas as seguintes infrações: 1 – Omissão de Receitas (Saldo Credor de Caixa) Conforme Termo de Intimação Fiscal N° 3, a empresa foi intimada a comprovar, através de documentos hábeis e idôneos, o suprimento de caixa registrado na contabilidade em 15/02/08, em dinheiro, no valor de R$ 7.918.488,22, lançado em contrapartida da conta DUPLICATAS A RECEBER. Foi anexado a este processo o Razão da conta DUPLICATAS A RECEBER referente ao mês de fevereiro de 2008, no qual consta o referido lançamento. Ressaltese que na conta DUPLICATAS A RECEBER não havia saldo suficiente para comportar o suprimento de caixa mencionado. Também foi intimada a comprovar os direitos registrados junto à empresa RECICLAR RECICLADORA DE PLÁSTICO LTDA conta do Ativo 121010006, em relação ao ano de 2008, cujo saldo ao final do referido exercício era de R$ 4.217.531,34, e o suprimento de caixa, em dinheiro, no mesmo valor de R$ 4.217.531,34, registrado na contabilidade em 02/01/2009. A empresa não apresentou quaisquer esclarecimentos, conforme Termo de Constatação Fiscal de 10/05/2012. Não tendo a empresa apresentado documentação comprobatória dos elevados ingressos na conta CAIXA 111010001, nem das contrapartidas dos referidos Fl. 510DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10380.727157/201254 Resolução nº 1301000.217 S1C3T1 Fl. 511 3 lançamentos, a conta caixa foi recomposta desconsiderandose o ingresso dos referidos valores, R$ 7.918.488,22 (lançamento efetuado no dia 15/02/2008) e R$ 4.217.531,34 (lançamento efetuado no dia 02/01/2009). Com a recomposição da conta CAIXA, por meio do estorno dos referidos lançamentos contábeis, constatouse a existência de saldo credor de caixa, caracterizando a prática de omissão de receitas por parte da empresa, conforme previsto no inciso I do art. 281 do Decreto 3.000 de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda) c/c DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40. Conforme Termo de Intimação Fiscal 04 de 05/06/2012, recebido pelo Procurador e Contador da empresa no dia 13/06/2012, o contribuinte foi cientificado da constatação da prática de omissão de receitas, diante da existência de saldo credor de caixa, e do DEMONSTRATIVO DA RECONSTITUIÇÃO DA CONTA CAIXA (em anexo ao Termo), também tendo sido intimado a discriminar a quais produtos a receita omitida se refere. Decorrido o prazo de 05 (cinco) dias, a empresa não apresentou quaisquer esclarecimentos adicionais. Caracterizada a omissão de receitas, além do lançamento correspondente ao IRPJ, foram efetuados os lançamentos reflexos de CSLL, COFINS E PIS. As bases de cálculo utilizadas foram os maiores saldos credores da conta CAIXA, apurados em cada mês, abatendose os valores acumulados já utilizados como base de cálculo nos meses anteriores. Enquadramento Legal: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 279, 280, 281, inciso I, e 288 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000/99 RIR/99. 2 – Omissão de Receitas (Passivo Fictício) Conforme Termo de Intimação Fiscal N° 3, a empresa foi intimada a comprovar, através de documentos hábeis e idôneos, os lançamentos relacionados no demonstrativo LANÇAMENTOS CONTÁBEIS CUJOS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DEVEM SER APRESENTADOS, em anexo ao Termo, e o registro das obrigações para com as empresas MULTIUNIÃO COMÉRCIO DE USINAGEM LTDA conta contábil do Passivo 211010499 e PREMIX MULTIOLEFINAS COMERCIAL LTDA conta contábil do Passivo 211010570, referentes aos anos de 2008 e 2009, bem como a liquidação das referidas obrigações. Conforme Termo de Intimação Fiscal 04 de 05/06/2012, recebido pelo Procurador e Contador da empresa no dia 13/06/2012, a empresa foi reintimada e cientificada de que a não apresentação da documentação comprobatória das obrigações listadas no item 06 caracterizaria a omissão de receitas nos termos do art. 40 da Lei 9.430/96. Tratamse de lançamentos referentes a empréstimos contraídos junto a instituições financeiras, sem a devida comprovação. Também foi reintimada e cientificada de que a não comprovação das obrigações registradas na contabilidade junto às empresas MULTIUNIÃO COMÉRCIO DE USINAGEM e PREMIX MULTIOLEFINAS COMERCIAL LTDA também caracterizaria a omissão de receitas, tendo sido anexados os razões das duas contas. Decorrido o prazo de 05 (cinco) dias, a empresa não apresentou quaisquer esclarecimentos adicionais, o que caracteriza a existência de passivo fictício em sua escrituração contábil, conforme previsto no inciso III do art. 281 do Decreto 3.000 de Fl. 511DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10380.727157/201254 Resolução nº 1301000.217 S1C3T1 Fl. 512 4 1999 (Regulamento do Imposto de Renda) c/c DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 12, § 2° e Lei n° 9.430, de 1996, art. 40. Caracterizada a omissão de receitas, além do lançamento correspondente ao IRPJ, foram efetuados os lançamentos reflexos de CSLL, COFINS E PIS. As bases de cálculo utilizadas são os valores mensais das obrigações não comprovadas. Enquadramento Legal: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 279, 280, 281, inciso III, e 288 do RIR/99. 3 – Omissão de Receitas (Depósitos Bancários de Origem não Comprovada) Conforme Termo de Intimação Fiscal N° 3, a empresa foi intimada a comprovar, através de documentos hábeis e idôneos, os lançamentos relacionados no demonstrativo LANÇAMENTOS CONTÁBEIS CUJOS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DEVEM SER APRESENTADOS, em anexo ao Termo. Entre os lançamentos relacionados está o correspondente ao depósito efetuado no dia 28/03/2008, na conta 111020017 – UNIBANCO S/A AG.0373 CTA 2197359, no valor de R$ 1.344.000,00. Conforme Termo de Intimação Fiscal 04 de 05/06/2012, recebido pelo Procurador e Contador da empresa no dia 13/06/2012, a empresa foi reintimada a comprovar a origem dos recursos referentes ao referido depósito, com a documentação hábil e idônea. Também foi informada de que a não comprovação da origem dos recursos seria enquadrada como omissão de receitas nos termos do art. 42 da Lei 9430/96. Decorrido o prazo, a empresa não apresentou a referida documentação, caracterizando a existência de depósitos bancários de origem não comprovada, conforme previsto no art. 287 do Regulamento do Imposto de Renda, c/c art. 42 da Lei 9.430/96. Caracterizada a omissão de receitas, além do lançamento correspondente ao IRPJ, foram efetuados os lançamentos reflexos de CSLL, COFINS E PIS. A base de cálculo utilizada foi o valor de R$ 1.344.000,00, referente ao depósito não comprovado, conforme lançamento contábil efetuado no dia 28/03/2008, na conta 111020017 – UNIBANCO S/A AG.0373 CTA 2197359. Enquadramento Legal: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 279, 280, 287 e 288 do RIR/99. 4 – Incidência NãoCumulativa Padrão – Insuficiência de Recolhimento da Cofins Conforme Termo de Intimação Fiscal N° 3, a empresa foi intimada a justificar as diferenças apuradas quanto à COFINS, no DEMONSTRATIVO DE DIFERENÇAS APURADAS CONTRIBUIÇÕES, em anexo ao Termo. As bases de cálculo consideradas na apuração da COFINS, bem como os créditos apurados foram demonstrados no batimento em anexo ao Termo (EVIDENCIAÇÃO DA COFINS DEVIDA EM CADA COMPETÊNCIA). Fl. 512DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10380.727157/201254 Resolução nº 1301000.217 S1C3T1 Fl. 513 5 As bases de cálculo referemse a receitas escrituradas na contabilidade da empresa e os créditos referemse a notas fiscais apresentadas pela empresa à fiscalização. Os valores das contribuições que foram lançadas, são os relacionados no DEMONSTRATIVO DE DIFERENÇAS APURADAS CONTRIBUIÇÕES (em anexo ao Termo), obtidos com base na conta contábil 21301006 – COFINS A RECOLHER. Foram abatidos os valores declarados em DCTF. A empresa não apresentou quaisquer esclarecimentos sobre as diferenças apuradas. Para esta infração foi aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento). O enquadramento legal encontrase discriminado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 26/35. 5 – Incidência NãoCumulativa Padrão – Insuficiência de Recolhimento da Contribuição para o PIS/PASEP Conforme Termo de Intimação Fiscal N° 3, a empresa foi intimada a justificar as diferenças apuradas quanto ao PIS, no DEMONSTRATIVO DE DIFERENÇAS APURADAS CONTRIBUIÇÕES, em anexo ao Termo. As bases de cálculo consideradas na apuração do PIS, bem como os créditos apurados, estão demonstrados no batimento em anexo ao Termo (EVIDENCIAÇÃO DO PIS DEVIDO EM CADA COMPETÊNCIA). As bases de cálculo referemse a receitas escrituradas na contabilidade da empresa e os créditos referemse a notas fiscais apresentadas pela empresa à fiscalização. Os valores das contribuições que foram lançadas, são os relacionados no DEMONSTRATIVO DE DIFERENÇAS APURADAS CONTRIBUIÇÕES (em anexo ao Termo), obtidos com base na conta contábil 21301005 – PIS A RECOLHER. Foram abatidos os valores declarados em DCTF. A empresa não apresentou quaisquer esclarecimentos sobre as diferenças apuradas. Para esta infração foi aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento). O enquadramento legal encontrase discriminado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 26/35. Ao final do Termo de Verificação Fiscal, fls. 64/72, os autuantes “fazem” a seguinte conclusão: Tendo sido constada a existência de contribuições sociais a recolher (COFINS e PIS) e a prática, por parte da empresa fiscalizada, de omissão no registro de receitas foi efetuado o presente lançamento referente ao IRPJ, CSLL COFINS e PIS. As alíquotas utilizadas foram evidenciadas nos demonstrativos em anexo ao presente auto de infração. Quanto às infrações correspondentes à omissão de receita (saldo credor de caixa, passivo fictício e depósitos bancários de origem não comprovada), a multa aplicada foi de 150% (cento e cinqüenta por cento), qualificada nos termos do art. 44, Fl. 513DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10380.727157/201254 Resolução nº 1301000.217 S1C3T1 Fl. 514 6 inciso I e § 1º da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/2007, c/c art. 71 da Lei 4.502/64. Como ficou demonstrado, a empresa utilizou diversos artifícios para omitir o registro de suas vendas. É de se estranhar que a empresa não tenha se manifestado sobre o depósito milionário (R$ 1.344.000,00) na sua conta bancária junto ao Unibanco, realizado em 28/03/08. Também não se manifestou sobre os empréstimos junto ao Banco Guanabara (R$ 1.000.000,00) e BANRISUL (R$ 1.438.969,72). A empresa também não apresentou os documentos comprobatórios de seus direitos de credor junto à empresa RECICLAR RECICLADORA DE PLÁSTICO LTDA no valor, também milionário, de R$ 4.217.531,34. É importante ressaltar o pagamento desse elevado valor em um único dia, em dinheiro, por parte da RECICLAR RECICLADORA DE PLÁSTICO LTDA para a IBAP. A prova cabal de que todas essas práticas visavam omitir o ingresso de receitas da empresa é a baixa da conta DUPLICATAS A RECEBER, no valor de R$ 7.918.488,22, em contra partida da conta CAIXA no dia 15/02/08, conforme evidenciado no razão da conta DUPLICATAS A RECEBER referente ao mês de fevereiro de 2008 (em anexo). Para que isso acontecesse, todos os clientes da empresa deveriam ter pago suas duplicatas, em dinheiro, ao mesmo tempo. Mais grave do que isso é o fato de que não havia saldo para comportar esse valor. O saldo da conta DUPLICATAS A RECEBER, antes deste lançamento, era de R$ 4.862.209,04. A empresa adotou as práticas contábeis anteriormente mencionadas para ocultar a ocorrência dos fatos geradores de tributos decorrentes das receitas omitidas, tendo deixado de declarar os tributos devidos em DCTF e efetuar os recolhimentos respectivos. Por tudo que foi exposto restou clara a ação e/ou omissão do contribuinte acarretando a qualificação da multa ora imposta. Tais condutas do contribuinte também configuram, em tese, crime contra a ordem tributária nos termos dos artigos 1º e 2º da Lei 8.137/90. Inconformado com as exigências, das quais tomou ciência em 20/06/2012, fls. 04, 15, 24 e 44, o contribuinte apresentou impugnação em 20/07/2012, fls. 146/166, contrapondose aos lançamentos com base nos argumentos a seguir sintetizados. DO PASSIVO FICTÍCIO E DO SALDO CREDOR DE CAIXA. QUADRO HISTÓRICO Alega a defesa que, independentemente do mérito, a recomposição de Caixa manejou apenas a coluna de "entradas não comprovadas", que a autoridade lançadora chama "estornos realizados" (fls. 117/138 do arquivo pdf, de numeração não imprimível). Afirma que, se o saldo credor de caixa somente veio à tona porque a impugnante teria pago fornecedores com recursos que estavam efetivamente em seu caixa físico, tais recursos de caixa, ainda que oriundos de operações supostamente não contabilizadas, giravam DENTRO da empresa, de modo que, pago o tributo sobre o mais antigo valor acaso desvendado, esse mesmo valor há de ser transposto do "caixa físico" para o Caixa Contábil, sob pena de a tributação vir a incidir várias vezes sobre a mesma operação. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10380.727157/201254 Resolução nº 1301000.217 S1C3T1 Fl. 515 7 Considera fundamental trazer algumas explicações sobre o estouro de caixa (saldo credor), bem como sobre o passivo fictício que, a rigor se confundem na formação do lucro presumidamente omitido. Nesse sentido, a defesa faz um análise histórica das duas presunções legais – saldo credor de caixa e passivo fictício – com a transcrição da legislação pertinente e da jurisprudência administrativa, para, ao final, concluir que, fosse nos primórdios, antes do Decretolei 1.598/77; fosse sob a sua vigência, seja agora sob a Lei n° 9.430/96, o passivo fictício tem sido, e é – e sempre o será – , uma presunção, na medida em que outros ingressos podem lastrear os pagamentos não contabilizados. Outros ingressos? Sim, vejamolos: (i) dinheiro com problema no Direito de Família, da mulher, do pai, do filho, do sogro, de um parente, em que a conveniência familiar de não aparecer é maior do que o risco fiscal de ocultar; (ii) dinheiro de empréstimos de particulares. Deveras, quantas empresas não se socorrem dos agiotas quando perdem o crédito na rede bancária? Como contabilizar? Evidente que não há como. (iii) Também os dinheiros sob preconceitos: fiéis, religião, amantes, companheiro (a), em que o impedimento de aparecer, para alguns, é absoluto, armários, seitas e quejandos. (iv) Configurações outras, assustadoras, com origem no ilícito penal propriamente dito: quantas empresas foram abertas ou supridas de Caixa com o produto do roubo do Banco Central?! Evidente que não se trata de omissão de receitas, nem o assaltante confessará que o dinheiro suprido viajou no túnel do banco. E dos políticos, dizem os jornais. Entende a defesa que, em qualquer desses ingressos, nenhuma omissão de receitas, muitos menos a incidência de PIS e Cofins, mas real a omissão negocial, a grande diferença entre a presunção (possibilidade, probabilidade) e a verdade material cabalmente comprovada, o fato real. Em sendo o passivo fictício apenas uma presunção, há de se lhe aplicar o tipo nãopenal, na forma do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, matéria a ser demonstrada mais adiante, uma vez que a autoridade do lançamento aplicou a multa de 150%, que corresponde, não à presunção da omissão, mas à certeza da fraude, da sonegação ou do conluio. DO TIPO FISCAL DO PASSIVO FICTÍCIO: MANUTENÇÃO A defesa faz uma breve análise sobre qual seria o tipofiscal do Passivo Fictício, com transcrição de doutrina e dispositivos legais que tratam da referida presunção legal. Considera que, tanto pelo disposto no art. 12, § 2º, do DecretoLei nº 1.598/77 quanto pelo estabelecido pelo art. 40 da Lei nº 9.430/96, o tipofiscal é a manutenção. A partir da definição do que venha a ser manutenção «fazer perdurar em determinado estado» indaga: Perdurar por quanto tempo? Quando, o corte, no tempo? A lei específica nada diz. Dilo a Ciência Contábil: manutenção, em contabilidade, é a posição contábil levada ao encerramento do exercício, quando todas as contas transitórias são encerradas; e algumas, as contas mantidas, são transpassadas para o exercício seguinte. Em conclusão, uma situação passiva em janeiro e encerrada em janeiro não é conta mantida no balanço da empresa, porque transitoriamente encerrada. Uma posição contábil é transitória quando criada depois do balanço de abertura e encerrada no balanço final; é conta mantida quando vem a ultrapassar o balanço final Fl. 515DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10380.727157/201254 Resolução nº 1301000.217 S1C3T1 Fl. 516 8 para ser restaurada no balanço seguinte. O Parecer Normativo CST n° 108/78 é muito objetivo em esclarecer que transitórias são as contas abertas e encerradas até o balanço em curso; e permanentes (mantidas), as contas que ultrapassam o exercício seguinte. Na ausência de outro critério, a expressão legal «manutenção no passivo» há de ser tomada no sentido léxicológicocontábil, de conta que permaneceu (mantida), mas nada a ver com ativo permanente. Afinal, a lei tributária não pode subverter a linguagem (art. 110 do CTN). Considera que, se o suposto passivo fictício não representasse recursos de caixa entregues pelo proprietário ou controlador da companhia, e utilizados no efetivo pagamento de títulos da empresa, o tal passivo fictício jamais viria a ser encontrado, tudo por uma razão muito simples: encontrado foi pelo Fisco justamente porque DENTRO da empresa, no giro da empresa, ainda que não tenha hipótese que se diz apenas em prol do direito de argumentar , ingressado pela via contábil ao Caixa contábil da empresa. Na gaveta, sim; no Caixafiscocontábil, não. Em suma, a distribuição, ainda que presumida, do passivo fictício, situase no campo da impossibilidade contábil. Continuando a defesa faz os seguintes questionamentos e manifesta o seu entendimento. Impossibilidade contábil? Sim, isto mesmo, assim o vejamos. Admitase esteja a empresa a venderereceber, sem todavia fazer o registro de parte ou da totalidade dessa vendarecebimento. Obviamente, o dinheiro físico é desviado da empresa para o seu proprietário ou controlador. O proprietário ou controlador pode dar diversos destinos ao recurso que embolsou, digamos, viagens, mansões, fazendas, etc. Pode também devolver à empresa os recursos de caixa que dela desviou. E o faz por uma razão fundamental: a empresa necessita dos recursos justamente para pagar as duplicatas aos seus fornecedores. Recursos de caixa? Sim, os recursos de caixa, expressão fundamental da configuração do passivo fictício, assim o registro expresso do Decretolei n° 1.598/77. Vale mencionar que, anteriormente ao Decretolei 1.598/77, ainda em 1970, a CST – Coordenação do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal baixara o Parecer Normativo n° 214 (30.07.1970), explicitando que a «Importância tributada em poder da pessoa jurídica como "passivo fictício", em virtude de ação fiscal, pode ser considerada reserva livre para fins de aumento de capital», o que afasta de imediato o entendimento de que o valor presumidamente omitido fora também presumidamente distribuído. Evidente que um recurso de caixa encontrado DENTRO da empresa, justo porque a biópsia das suas entranhas demonstrara a existência da reserva de lucros formada por obrigações inexistentes, não pode ser considerado distribuído, exatamente porque encontrado dentro da empresa, ali mesmo, na empresa (pleonástico), girando dentro da empresa, sem qualquer distribuição; pelo contrário, em vez de distribuição, o aporte do seu valor pelo proprietário. Logo, repercutir o IRFonte sobre fato materialmente inexistente, inclusive do ponto de vista teórico, impossível de acontecer, porque os recursos foram utilizados no pagamento aos fornecedores equivale a cobrar tributo sob o formato do enriquecimento ilícito. Em seguida, a defesa passa a fazer uma análise do disposto no art. 12, § 3º, do DecretoLei nº 1.598/77, que trata da presunção legal de Suprimentos de Caixa efetuados por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10380.727157/201254 Resolução nº 1301000.217 S1C3T1 Fl. 517 9 Nesse sentido, conclui que, apenas para argumentar, seja dada a hipótese de, configurado o passivo fictício e/ou saldo credor de caixa, o contribuinte tem o direito ao arbitramento do lucro tributável da referida operação, na forma do § 3º do art. 12 do Decretolei n° 1.598/77. Sob que critérios? A legislação do Imposto de Renda dispõe de amplos critérios para segregar resultados, sem desprezar a escrita contábil. Exemplo: lucro da exploração, por atividades. Não seria, evidente, o caso de arbitrar todo o lucro, desprezando a escrita da empresa; mas apenas de segregar os «recursos de caixa fornecidos à empresa». Por que não o critério de 9,6% da empresa comercial/industrial, do critério geral de arbitramento, a incidir tãosó sobre os tais recursos de caixa fornecidos à empresa? DA COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL DO PASSIVO Afirma a impugnante que inexistiu qualquer passivo nãocomprovado. Existiu, sim, a efetiva dificuldade de administrar o fluxo de papéis à equipe fiscal. Considera que não é fácil levar papéis à autoridade lançamento em atividade externa, noutras empresas, noutros municípios, quando da intimação para comparecer à sede do Fisco. Tanto mais difícil ante a dificuldade de qualquer contato, seja pelo minguado expediente ao público (somente pela manhã, não antes das 09h nem depois das ll:30h); seja por conta das barreiras instransponíveis, crachás, senhas e agendamentos. Para evitar tais contratempos é que a lei estabelece a proibição de fiscalizar pela via postal. Alega que jamais recusou a apresentação de qualquer documento. Houve apenas o desencontro provocado pela infração, cometida pelo Fisco, da regra do art. 904 do RIR/99. Com estes esclarecimentos, eis a documentação das contas, comprovandoas: • Multiunião Comércio de Usinagem Ltda, anexo n° 1; • Premix Multiolefinas Comercial Ltda, anexo n° 2; • Banco Banrisul S. A., Banco Guanabara S. A. e Unibanco S. A., anexo n° 3. A discussão resumese, ante as comprovações, à recomposição do Caixa, valores antecipados (Duplicatas a Receber) e da conta Reciclar Recicladora de Plástico Ltda. A autoridade do lançamento agiu com absoluta correção na recomposição do saldo de Caixa; excluindo o valor dado como recebido, alocandoos de volta à medida do recebimento. O erro deuse apenas quando somou todos os saldos do mês, passando por cima da evidência de que se determinada parcela foi omitida como receita, mas tributada pelo Fisco, há de ser chamada ao Caixa, justamente porque permaneceu no giro da empresa, dentro da empresa, quitando os títulos da empresa. Mês/Ano Maior Saldo Parcela do Mês Saldo do Ano Jan/08 708.869,44 708.869,44 Fev/08 Mar/08 Abr/08 Mai/08 920.489,05 211.619,61 Jun/08 1.072.069,34 151.580,29 Jul/08 Fl. 517DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10380.727157/201254 Resolução nº 1301000.217 S1C3T1 Fl. 518 10 Ago/08 Set/08 Out/08 Nov/08 Dez/08 1.072.069,34 Jan/09 Fev Mar Abr Mai 1.840.130,12 768.060,78 Jun Jul Ago Set Out Nov Dez 768.060,78 Os valores acima, R$ 1.072.069,34 e R$ 768.060,78, para 2008 e 2009, constituem o resultado do "desprovimento de caixa", isto é, o efetivo saldocredor, na forma do art. 12, § 2º, do Decretolei n° 1.598/77, para o cálculo do IRPJ e da CSL, termo referencial de juros, jan/2009 e jan/2010, respectivamente. Quanto aos reflexos de PIS e Cofins, sim; os valores acima, base mensal, jan/08, R$ 708.869,44; mai/08, R$ fev/211.619,61; jun/08, R$ 151.580,29; mai/09, R$ 768.070,78. Para o IPI, não. Comprovarseá, no processo respectivo, inexiste previsão legal para levar a presunção do passivo fictício para o IPI. DO AGRAVAMENTO DA PENALIDADE Após mais uma vez fazer referência ao fato de que o lançamento estaria embasado em presunções, a defesa cita manifestação do STF no sentido de que não dá para levar alguém ao cárcere sob a presunção de que matou se não há sequer a certeza certa de que o "defunto" morreu. Por igual, na presunção da receita omitida com base na figura do passivo fictício, a lei elege uma presunção, que não pode ser tomada em sentido absoluto, posto que recursos outros podem ser oriundos de outras hipóteses, algumas até mais graves como o sequestro, o assalto, o roubo; ou, o mais comum e mais benigno, o socorro de amigos e familiares ou o tradicional empréstimo de agiotas. A lei exige para enquadrar o procedimento como tipo fiscal sujeito à penalidade agravada que o fato se enquadre numa destas três hipóteses, ou nas três, respectivamente artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10380.727157/201254 Resolução nº 1301000.217 S1C3T1 Fl. 519 11 Qualquer das hipóteses há de ficar cabalmente provada e comprovada. Nos autos, genericamente, apenas (fl. 23 do arquivo pdf): “Quanto às infrações correspondentes à omissão de receita (saldo credor de caixa, passivo fictício e depósitos bancários de origem não comprovada), a multa aplicada foi de 150% (cento e cinqüenta por cento), qualificada nos termos do art. 44, inciso I e § 19 da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/2007, c/c art. 71 da Lei 4.502/64. Como ficou demonstrado, a empresa utilizou diversos artifícios para omitir o registro de suas vendas”. A impugnante chama a atenção para o detalhe de que a autoridade do lançamento não tipifica o procedimento em qualquer dos artigos (71, 72 ou 73); nem num, nem no outro, tanto assim que não se refere especificamente a nenhum deles, optando pela capitulação a granel, no que apenas repete a dicção do art. 40, I, § 1º, da Lei n° 9.430/96. E, como se assim fosse suficiente, maneja representação criminal, sem tipificar o crime. O art. 73, a complicar, tipifica o conluio. Não há nos autos qualquer notícia. A lei exige o tipopenal; melhor dizendo, exige, não apenas a suposição (presunção legal), mas a comprovação mesma do tipo, assim o vejamos: Súmula CARF n° 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF n° 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Atentese que até mesmo na hipótese de movimentação bancária estranha ao movimento da empresa (hipótese inexistente nos autos), o CARF só autoriza a multa agravada se houver a interposta pessoa, que não é o caso dos autos: Súmula CARF n° 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. DAS DIFERENÇAS, VALORES LANÇADOS À vista da escrita fiscocontábil da empresa, a autoridade do lançamento encontrou diferenças a recolher. A objeção é apenas no sentido de que a impugnante tinha (e tem!) o direito aos vinte dias previstos no art. 47 da Lei n° 9.430/96 para quitar com multa de mora. Realmente, todos os dados apurados, foramno a partir da escrituração fisco contábil; mais exatamente, a partir dos livros fiscais da impugnante. Se o benefício alcançasse apenas os débitos lançados em DCTF, o dispositivo legal deixaria de ter qualquer sentido, posto que os débitos depois de lançados em DCTF saem do campo da multa de oficio. DOS PEDIDOS A impugnante pede que esta impugnação seja recebida em seu efeito suspensivo: (i) sejam aceitas as comprovações com base nos documentos anexados aos autos; Fl. 519DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10380.727157/201254 Resolução nº 1301000.217 S1C3T1 Fl. 520 12 (ii) seja recomposto o saldo de Caixa, como indicado em demonstrado específico; (iii) seja, nos termos do art. 12, parágrafo 3º, do Decretolei n° 1.598/77, arbitrado o lucro da presumida omissão de receitas, com manutenção porém da escrita da empresa e do seu regime de lucro real; (iv) seja desclassificada a penalidade típica de fraude, sonegação ou conluio, de 150% para 75%, com o consequente arquivamento da Representação para Fins Penais, processo n° 10380.727161/201212; (v) seja reaberto prazo para pagar as diferenças dos valores lançados na escrita fiscocontábil com o benefício do art. 47 da Lei n° 9.430/96; (vi) Pede, enfim, a insubsistência do auto de infração. Analisando a matéria, esta turma de julgamento decidiu pela conversão do julgamento em diligência, Resolução nº 2.427, de 21/11/2012, fls. 404/416, para que: a) verifique a idoneidade dos documentos às fls. 170/401; b) caso sejam idôneos, apure os reflexos que tais dados terão na apuração das infrações de que trata o presente litígio Em atenção, foi anexado ao presente o Relatório Fiscal – Diligência, fls. 418/420. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, Ceará, apreciando as razões trazidas pela defesa inaugural e a informação produzida pela diligência fiscal realizada, decidiu, por meio do acórdão nº 0826.075, de 02 de agosto de 2013, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante provas hábeis e idôneas. PASSIVO FICTÍCIO. No caso de presunção de omissão de receita com base em passivo fictício, relevante é perquirir a origem, fonte ou procedência dos recursos utilizados para cumprimento das obrigações. Tendo o contribuinte comprovado parte das obrigações no seu passivo, deve ser cancelada a cobrança correspondente. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em contacorrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. ARBITRAMENTO DO LUCRO. DESCABIMENTO. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10380.727157/201254 Resolução nº 1301000.217 S1C3T1 Fl. 521 13 Descabida a solicitação para o arbitramento da receita omitida, quando não verificadas as situações configuradoras previstas na legislação vigente. MULTA QUALIFICADA. Aplicável a multa de ofício qualificada quando constatada a intenção deliberada do contribuinte em obter benefícios em matéria tributária mediante uma série de práticas contábeis com o objetivo específico de ocultar a ocorrência dos fatos geradores de tributos. LANÇAMENTO. FALTA DE COMUNICAÇÃO DO DIREITO AO PRAZO PREVISTO NO ART. 47 DA LEI Nº 9.430/1996. O permissivo legal para pagamento até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, com acréscimos legais aplicáveis aos casos de procedimento espontâneo, é auto aplicável e abrange somente os tributos já declarados pelo contribuinte. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Diante da exoneração de parte do crédito tributário constituído, eis que acolheu a conclusão trazida por meio da diligência fiscal no sentido de que alguns passivos restaram comprovados, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 2.108/2.140, em que, renovando a argumentação expendida na peça impugnatória, adita que houve violação ao princípio da unidade processual, eis que o presente processo foi julgado por unidade distinta da que julgou o de nº 10830.727160/201278, que trata da mesma matéria. Alega que documentos entregues à unidade administrativa responsável pelo lançamento não foram juntados aos autos, e, atacando a numeração das folhas do processo, tece considerações acerca de uma denominada NÃO INTEGRIDADE PROCESSUAL. É o Relatório. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10380.727157/201254 Resolução nº 1301000.217 S1C3T1 Fl. 522 14 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos apelos. Cuida o presente de exigência de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, relativas aos anoscalendário de 2008 e 2009. À contribuinte fiscalizada foram imputadas as seguintes infrações: i) omissão de receitas, caracterizada por saldo credor de Caixa; ii) omissão de receitas, caracterizada por passivo fictício; iii) omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada; e iv) insuficiência de recolhimento de PIS e de COFINS. Os lançamentos tributários relativos ao PIS e à COFINS alcançaram os valores devidos em decorrência das omissões de receita apuradas (REFLEXOS) e as insuficiências de recolhimento detectadas. Para fins de determinação das referidas insuficiências de recolhimento das contribuições (PIS e COFINS), a autoridade fiscal apurou os valores devidos com base na contabilidade (receitas escrituradas) e nas notas fiscais apresentadas (créditos), e os confrontou com o declarado em DCTF. Observo, pois, que as infrações indicadas como INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA PADRÃO – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, apontadas como infração 1 nas peças acusatórias de fls. 24/63, têm natureza autônoma, isto é, não estão lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Assim, tratandose de infrações de natureza autônoma, escapa à competência desta Turma Ordinária processar e julgar o recurso voluntário da decisão de primeira instância, eis que não alcançadas pelo disposto inciso IV do art. 2º do Regimento Interno (ANEXO II). Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem aparte dos autos a infração identificada como INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA PADRÃO – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO (infração 1 das peças acusatórias de fls. 24/63), encaminhando as peças pertinentes em processo próprio à Terceira Seção deste Colegiado, e, posteriormente, retorne os presentes autos a esta Turma Ordinária para prosseguimento da apreciação da lide. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 522DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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Numero do processo: 10768.032569/95-32
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1994
ITR. ÁREA EFETIVAMENTE UTILIZADA.
Comprovado nos autos a área efetivamente utilizada pelo contribuinte, há que se acatar a pretensão do recorrente, devendo esta ser considerada no relatório que serviu de base para a emissão da notificação de lançamento, para fins de apuração do ITR e contribuições devidos na DITR/1994.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-003.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Vinicius Magni Verçosa, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1994 ITR. ÁREA EFETIVAMENTE UTILIZADA. Comprovado nos autos a área efetivamente utilizada pelo contribuinte, há que se acatar a pretensão do recorrente, devendo esta ser considerada no relatório que serviu de base para a emissão da notificação de lançamento, para fins de apuração do ITR e contribuições devidos na DITR/1994. Recurso voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Vinicius Magni Verçosa, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
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ÁREA EFETIVAMENTE UTILIZADA. Comprovado nos autos a área efetivamente utilizada pelo contribuinte, há que se acatar a pretensão do recorrente, devendo esta ser considerada no relatório que serviu de base para a emissão da notificação de lançamento, para fins de apuração do ITR e contribuições devidos na DITR/1994. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Vinicius Magni Verçosa, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 03 25 69 /9 5- 32 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de recurso voluntário interposto, em 08/10/2012, contra a decisão proferida pelo Acórdão nº 2.785, de 31/10/2002, fls. 145 a 149, cuja ciência foi dada ao contribuinte em 11/09/2012, diante do fato de o julgamento ter considerado procedente o lançamento consubstanciado na Notificação de Lançamento, fls. 29 (fls. 31 do processo digitalizado), a qual que exige o recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Rural – ITR e contribuições, relativo ao exercício de 1994. A questão discutida pelo recorrente envolve a inclusão da área de 592 ha, referentes a dois projetos, aprovados pelo IBAMA em 10/05/1991 e que alega estariam em execução à época. O efeito de tal inclusão interferiria diretamente o sobre o cálculo do grau de utilização da terra – GUT que de 21,1% passaria para 85,0%, com consequente redução da alíquota do imposto aplicada (1,9%) para 1,2%. Aduz o recorrente, ainda, que o formulário padrão do INCRA deveria ter sido devidamente analisado pela decisão recorrida, por ser mais detalhado que o do ITR e expressar a realidade da área utilizada que serviu de base para a apuração do GUT. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Pretende o recorrente que seja revisto o grau de utilização da terra alterando seu cálculo de 21,1% para 85,07%, uma vez que entende que à área então considerada (195,1 ha) deveria ser acrescida a parte que alega ter sido utilizada à época para a extração de madeira, equivalente 592 ha. Ou seja, pretende o recorrente que a área efetivamente utilizada seja equivalente a 787,1 ha. O assunto encontrase regulamentado à época pela Lei nº 9.393, de 1996, nos seguintes termos. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou Fl. 185DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10768.032569/9532 Acórdão n.º 2802003.202 S2TE02 Fl. 185 3 estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; III VTNt, o valor da terra nua tributável, obtido pela multiplicação do VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total; IV área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; b) de que tratam as alíneas "a", "b" e "c" do inciso II; V área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: a) sido plantada com produtos vegetais; b) servido de pastagem, nativa ou plantada, observados índices de lotação por zona de pecuária; c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; d) servido para exploração de atividades granjeira e aqüícola; e) sido o objeto de implantação de projeto técnico, nos termos do art. 7º da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993; VI Grau de Utilização GU, a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. § 2º As informações que permitam determinar o GU deverão constar do DIAT. (...) § 5º Na hipótese de que trata a alínea "c" do inciso V do § 1º, será considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. (...) Valor do Imposto Art. 11. O valor do imposto será apurado aplicandose sobre o Valor da Terra Nua Tributável VTNt a alíquota correspondente, prevista no Anexo desta Lei, considerados a área total do imóvel e o Grau de Utilização GU. (...)” Fl. 186DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Examinado a impugnação, a decisão recorrida concluiu que: O cálculo do grau de utilização da terra GUT, constante da notificação de lançamento do ITR/94, de fl. 29, e do "elementos de cálculo", de fl. 128, foram efetuados de acordo com os dados apresentados pelo Contribuinte, em sua declaração do ITR/94, de fl. 68 e, ainda, as normas contidas na Instrução Especial INCRA n° 19, de 28 de maio de 1980. Do exame da citada declaração de ITR/94 (DITR/1994), fls. 68 (fls. 74 do processo digitalizado), constatase que as áreas de pecuária e de cultura vegetal foram consignadas pelo contribuinte em valores equivalentes a 170,1 ha e 749 ha, respectivamente. Por sua vez, verificase do relatório “ELEMENTOS DE CÁLCULO”, mencionado pela decisão recorrida, fls. 128 (fls. 143 do processo digitalizado), que tais áreas constam registradas nos valores de 170,1 ha e 25,0 ha, respectivamente, totalizando como área efetivamente utilizada o montante de 195,1 ha. Diante destas constatações concluise que, diversamente do informado pela decisão recorrida, o Grau de Utilização da Terra GUT, constante da notificação de lançamento do ITR/94, fls. 29 (fls. 31 do processo digitalizado) não foi apurado tendo por base os dados apresentados pelo contribuinte em sua DITR/1994, haja vista que a área declarada como representativa da cultura vegetal restou inferior à declarada. O contribuinte durante o trâmite processual trouxe aos autos diversos documentos com o intuito de respaldar sua alegação de que faltou ao lançamento considerar a área de 592 ha correspondente a dois projetos aprovados pelo IBAMA em 26/02/91 (Manejo Sustentado em 300 ha N. 1893/91 e Exploração em 292 ha N. 1847/91, conforme certidões que anexa). Portanto, comprovado nos autos a área efetivamente utilizada pelo contribuinte, há que se acatar a pretensão do recorrente, devendo ser considerados no relatório denominado “ELEMENTOS DE CÁLCULO”, fls. 143/144 do processo digitalizado, os seguintes dados pleiteados pelo recorrente para fins de apuração do ITR e contribuições devidos na DITR/1994: a) área utilizada de 787,1 ha (setecentos e oitenta e sete vírgula um hectares); b) alíquota calculada 1,2% (um vírgula dois por cento), e; c) GUT equivalente a 85,07% (oitenta e cinco vírgula sete por cento). Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 187DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 23034.034087/2004-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/12/1995 a 30/06/2004
RECURSO INTEMPESTIVO
Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n(8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1( do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.(3048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-003.408
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso voluntário, pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Fábio Pallaretti Calcini, André Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Wilson Antonio de Souza Correa.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso voluntário, pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Fábio Pallaretti Calcini, André Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Wilson Antonio de Souza Correa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 03 40 87 /2 00 4- 69 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório O presente processo referese à Notificação para Recolhimento de Débito – NRD n.º 215/2005, lavrada pelo Ministério da Educação em 20/12/2005 e cientificada ao sujeito passivo em 29/12/2005, através de registro postal, fls.135, referente às contribuições devidas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. De acordo com o constante da Informação n.º 404/2005 – COARC, fls. 121/123 dos autos, o contribuinte sofreu inspeção dos técnicos da Coordenação Geral de Arrecadação de Cobrança e Inspeção – CGAGI, fls. 02/114, onde foi apurado débito de salário educação nas competências 12/1995 a 06/2004, por irregularidade nos recolhimentos e/ou na aplicação de recursos do Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental. A entidade apresentou defesa tempestiva alegando a nulidade Notificação devido à falta de cumprimento de requisitos formais para a constituição do crédito, a decadência até 12/2000 e a correção dos recolhimentos efetuados. Com e edição da Lei n.º 11.457, de 16/03/2007, o FNDE transferiu o processo para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, o qual foi julgado em primeira instância pela DRJ/RFB de Salvador/BA, que pugnou pela procedência em parte do lançamento, para aplicar o artigo 150,§ 4º do Código Tributário Nacional e excluir da notificação as competências até 11/2000, inclusive. A ciência do Acórdão se deu através de email endereçado ao contribuinte que optou pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE). A adesão ao DTE permite que sua Caixa Postal no eCAC também seja considerada seu Domicílio Tributário perante a Administração Tributária Federal. Assim, conforme consta dos autos, fls. 277, o Acórdão foi disponibilizado na Caixa Postal em 24/10/2012. Como o contribuinte não procedeu a abertura dos documentos, conforme as regras estabelecidas quando da opção pelo DTE, temse que a ciência lhe foi dada por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização, ou seja, em 08/11/2012. Inconformado com a decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) a tempestividade do recurso, porque tomou ciência do Acórdão em 20/11/2012; b) a nulidade da NRD porque não foi cumprido o artigo 293, do Decreto n.º 3.048/1999, já que não houve a determinação específica dos dispositivos legais tidos como violados, impossibilitando a ampla defesa da recorrente; c) que não consta a matrícula do coordenador geral de arrecadação, de cobrança e de inspeção o que importa em flagrante nulidade; Fl. 302DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.034087/200469 Acórdão n.º 2302003.408 S2C3T2 Fl. 305 3 d) que os valores apresentados pela fiscalização são desconexos em relação ao montante recolhido. Requer a nulidade do auto de infração, devendo ser julgado insubsistente, ou reconhecida a correção dos recolhimentos, conforme os documentos anexados aos autos. É o relatório. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora DA ADMISSIBILIDADE O recurso é INTEMPESTIVO, razão pela qual dele não se deve tomar conhecimento. Cientificado o sujeito passivo do Acórdão de fls. 263/273, em 08/11/2012, fls.277, através da disponibilização dos documentos na Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal.o prazo para interposição de recurso, que é de 30 (trinta) dias, conforme o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, combinado com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, iniciou em 09/11/2012, fruindo até 10/12/2012. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 19/12/2012, conforme protocolo de fls.287, configurandose sua intempestividade. Lei n° 8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) A recorrente alega que o recurso é tempestivo porque tomou ciência do Acórdão de primeira instância em 20/11/2012. Todavia, é de se ver que em tal data o contribuinte abriu os arquivos que lhe foram enviados para o Domicílio Tributário Eletrônico DTE, mas tal procedimento não significa que a ciência dos documentos pela abertura dos arquivos se deu no prazo legal concedido. A adesão do contribuinte ao DTE permite que sua Caixa Postal no eCAC também seja considerada seu Domicílio Tributário perante a Administração Tributária Federal. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.034087/200469 Acórdão n.º 2302003.408 S2C3T2 Fl. 306 5 É considerado domicilio tributário do sujeito passivo o endereço postal do seu cadastro junto à administração tributária ou o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, autorizado pelo sujeito passivo, na forma do artigo 23, §4º, do Decreto 70.235/72: § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Conforme consta das fls. 277, o Acórdão foi disponibilizado na Caixa Postal do contribuinte em 24/10/2012. Como o contribuinte não procedeu a abertura dos documentos, conforme as regras estabelecidas quando da opção pelo DTE, temse que a ciência lhe foi dada por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização, ou seja, em 08/11/2012. A Portaria nº 259 de 13 de março de 2006, que dispõe sobre a prática de atos e termos processuais de forma eletrônica, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, com as alterações promovidas pela Portaria RFB n.º 574, de 10 de fevereiro de 2009, traz no seu artigo 4º, inciso I, que a intimação por meio eletrônico será efetuada pela Receita Federal do Brasil mediante o envio ao domicílio tributário do sujeito passivo. E, o parágrafo 1º do mesmo artigo 4º, diz que considerase domicilio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo o autorize. A autorização se dá mediante envio pelo sujeito passivo à Receita Federal do Brasil de Termo de Opção, por meio do eCAC, e neste momento lhe são informadas as normas e condições de utilização e manutenção do seu endereço eletrônico (parágrafo 2º, do artigo 4º, da Portaria RFB n.º 259/2006, com a redação da Portaria n.º 574/2009). Seguem as transcrições: Portaria RFB n.º 259/2006 Art. 4° A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: ( Redação dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009 ) I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. § 2° A autorização a que se refere o § 1° darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do eCAC, sendolhe informadas as normas e condições de Fl. 305DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. (Redação dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009 ) Desta forma, o Acórdão de 1ª Instância foi disponibilizado na Caixa Postal do contribuinte, em 24/10/2012. O endereço foi por ele autorizado e lhe foi cientificado no ato, ou seja, quando do envio do Termo de Opção, de todas as normas e condições de utilização e manutenção do seu endereço eletrônico. Ao optar pelo “DTE”, o contribuinte se sujeita às regras estabelecidas pela Receita Federal do Brasil quanto às condições de uso do ambiente virtual que permite as intimações processuais. O artigo 6º, inciso I da Portaria RFB n.º 259/2006, traz que considerase feita a intimação por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo Art. 6º Considerase feita a intimação por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data: I registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, no caso do inciso I do art. 4º; II registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo, no caso do inciso II do art. 4º; ou III de publicação do edital, se este for o meio utilizado. Como o contribuinte não procedeu a abertura dos documentos, conforme as regras estabelecidas quando da opção pelo DTE, temse que a ciência lhe foi dada por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização, em 24/10/2012, ou seja, em 08/11/2012. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 19/12/2012, conforme protocolo de fls.287, configurandose sua intempestividade. Por todo o exposto e considerando o artigo 35, do Decreto n°70.235/72, que dispõe: “Art. 35. O recurso , mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Voto por não conhecer o recurso, por falta de requisito para sua admissibilidade, mantendo a decisão de primeira instância proferida. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 306DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.034087/200469 Acórdão n.º 2302003.408 S2C3T2 Fl. 307 7 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 11516.720693/2011-28
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2009
O CONTRIBUINTE PEDIU A DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO. INFORMOU TER QUITADO PARTE DO CRÉDITO E PARCELADO O RESTANTE.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2803-003.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da desistência do recorrente.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente COOPERATIVA AEROTÁXI DOS MOTORISTA PROFISSIONAIS PROPIETÁRIOS DE TÁXI AEROPORTO INTERNACIONAL HERCÍLO LUZ. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2009 O CONTRIBUINTE PEDIU A DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO. INFORMOU TER QUITADO PARTE DO CRÉDITO E PARCELADO O RESTANTE. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da desistência do recorrente. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 06 93 /2 01 1- 28 Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.720693/201128 Acórdão n.º 2803003.580 S2TE03 Fl. 1.079 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.308.8450, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de contribuintes individuais, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.308.8469, que objetiva o lançamento da contribuição para outras entidades e fundos terceiros, e, ainda, o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 37.325.0363, deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafo 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Para órgão gestor de mãodeobra, referente ao trabalhador portuário avulso: Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafos 10, 11 e 12, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, bem assim o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 37.325.0371, deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, como também, o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 37.325.0380, deixar a empresa, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2. e 3. da referida Lei, com a redação da MP 449, de 03.12/2008, combinado com o artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, assim como, o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 37.325.0398, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30, inciso I, alínea "a", e/ou dos segurados contribuintes individuais, conforme o disposto na Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4., "caput" e no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 216, inciso I, alínea "a", conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 67 a 85, com período de apuração de 01/2007 a 12/2008, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 58 e 59. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 29/06/2011, conforme Folha de Rosto dos Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, de fls. 05; 13, bem como da Folha de Rosto dos Autos de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, de fls. 21; 22; 23 e 24. Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.720693/201128 Acórdão n.º 2803003.580 S2TE03 Fl. 1.080 3 O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 182 a 202; 322 a 336; 456 a 473; 583 a 603; 713 a 723 e 881 a 891, recebidas, em 28/07/2011, estando acompanhada dos documentos, de fls. 203 a 321; 337 a 455; 474 a 582; 604 a 712; 724 a 880 e 892 a 1.000. As impugnações foram consideradas tempestivas, fls. 1.001 e 1.008. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0127.474 5ª, Turma da DRJ/BEL, em 17/10/2013, fls. 1.010 a 1.24. As impugnações foram consideradas improcedentes. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 25/11/2013, conforme AR, de fls. 1.027. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 1.029 a 1.057, recebida, em 23/12/2013, conforme carimbo, de fls. 1.029, acompanhada dos documentos, de fls. 1.058 a 1.074. As razões recursais não serão sumariadas, o que se explicará no voto. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 1.076. Os autos foram remetidos ao CARF, despacho de fls. 1.076. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 20/03/2014, fls. 1.077, Lote 01. Consta dos autos no eprocesso pedido de apensação de petição de desistência do recurso, recebida pelo CAC – DRFFNS, em 22/01/2014. Contudo, não promovi a aceitação da petição no sistema por falta de autenticação do referido documento. Todavia, a citada petição informa que o contribuinte quitou os débitos relativos aos DEBCAD’s 37.308.8469; 37.325.0363; 37.325.0371; 37.325.0380; 37.325.0398, bem como informa que parcelou o débito referente ao DEBCAD 37.308.8450, é inequívoca nos autos a manifestação do contribuinte em pedir a desistência do recurso. É o Relatório. Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.720693/201128 Acórdão n.º 2803003.580 S2TE03 Fl. 1.081 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele mereceria ser apreciado. Ocorre, entretanto, que como esclarecido no relatório a empresa pediu desistência do recurso voluntário, informando que quitou cinco dos débitos e pediu a inclusão do último remanescente no parcelamento da Lei 11.941/2009, reaberto pela Lei 12.856/2013, dessa forma com supedâneo no artigo 78, parágrafos 1º, 2º e 3º, da Portaria MF 256/2009 Regimento Interno do CARF o recurso não comporta julgamento. Assim com esses esclarecimentos e em razão do pedido de desistência, devido ao pagamento de parte do crédito e do parcelamento do restante, não há razão para conhecer do recurso. Não cabe a esse órgão julgador colegiado pronunciarse sobre pedido de declaração de extinção de crédito pelo pagamento e de determinação da suspensão da exigibilidade em razão de parcelamento, pois tais situações não se incluem na competência dessa instância. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo não conhecimento do recurso, tendo em vista ter havido pedido de desistência, que informa o pagamento de parte do crédito e do parcelamento da parte sobejante. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10945.720152/2010-04
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra.
No caso, não existe Laudo Técnico emitido por profissional sobre o valor da terra, que atenda aos requisitos legais (ABNT) para atribuir ao imóvel valor diverso do apurado na Notificação de Lançamento.
Além disso, a matéria não foi questionada na impugnação e foi considerada fora do litígio, nos termos do artigo 17 do PAF.
ALTERAÇÃO DA DITR APÓS A NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. CONHECIMENTO DE OFÍCIO.
Tendo em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitam-se a lançamento por homologação, o § 1º do art. 147 do CTN tem sido invocado e aplicado por analogia para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar livremente suas declarações. O § 1º simplesmente retira do contribuinte a possibilidade de tornar, por ato próprio, insubsistente a sua declaração originária, quando já notificado o lançamento. Não compromete, porém, o direitos de petição. Poderá o contribuinte, pois, a qualquer tempo, enquanto não decaído seu direito, peticionar administrativamente noticiando os equívocos e solicitando a revisão de ofício pela autoridade, forte no art. 149 do CTN, desde que apresente documentação hábil, idônea e inequívoca comprovando o erro.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para que seja calculada a exigência fiscal considerando a área total do imóvel de 13,3 hectares, conforme decidido pela 1ª instância, o valor de R$ 15.570,00 por hectare, para a terra nua, expresso na Notificação de Lançamento, e a alíquota aplicável de 1%, conforme estabelecido em lei, mantendo-se os demais dados conforme declarado, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada e José Valdemir da Silva.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2007 ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. No caso, não existe Laudo Técnico emitido por profissional sobre o valor da terra, que atenda aos requisitos legais (ABNT) para atribuir ao imóvel valor diverso do apurado na Notificação de Lançamento. Além disso, a matéria não foi questionada na impugnação e foi considerada fora do litígio, nos termos do artigo 17 do PAF. ALTERAÇÃO DA DITR APÓS A NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. CONHECIMENTO DE OFÍCIO. Tendo em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitam-se a lançamento por homologação, o § 1º do art. 147 do CTN tem sido invocado e aplicado por analogia para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar livremente suas declarações. O § 1º simplesmente retira do contribuinte a possibilidade de tornar, por ato próprio, insubsistente a sua declaração originária, quando já notificado o lançamento. Não compromete, porém, o direitos de petição. Poderá o contribuinte, pois, a qualquer tempo, enquanto não decaído seu direito, peticionar administrativamente noticiando os equívocos e solicitando a revisão de ofício pela autoridade, forte no art. 149 do CTN, desde que apresente documentação hábil, idônea e inequívoca comprovando o erro. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para que seja calculada a exigência fiscal considerando a área total do imóvel de 13,3 hectares, conforme decidido pela 1ª instância, o valor de R$ 15.570,00 por hectare, para a terra nua, expresso na Notificação de Lançamento, e a alíquota aplicável de 1%, conforme estabelecido em lei, mantendo-se os demais dados conforme declarado, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada e José Valdemir da Silva.
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VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. No caso, não existe Laudo Técnico emitido por profissional sobre o valor da terra, que atenda aos requisitos legais (ABNT) para atribuir ao imóvel valor diverso do apurado na Notificação de Lançamento. Além disso, a matéria não foi questionada na impugnação e foi considerada fora do litígio, nos termos do artigo 17 do PAF. ALTERAÇÃO DA DITR APÓS A NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. CONHECIMENTO DE OFÍCIO. Tendo em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse a lançamento por homologação, o § 1º do art. 147 do CTN tem sido invocado e aplicado por analogia para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar livremente suas declarações. O § 1º simplesmente retira do contribuinte a possibilidade de tornar, por ato próprio, insubsistente a sua declaração originária, quando já notificado o lançamento. Não compromete, porém, o direitos de petição. Poderá o contribuinte, pois, a qualquer tempo, enquanto não decaído seu direito, peticionar administrativamente noticiando os equívocos e solicitando a revisão de ofício pela autoridade, forte no art. 149 do CTN, desde que apresente documentação hábil, idônea e inequívoca comprovando o erro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 01 52 /2 01 0- 04 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 07 /10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 2 Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para que seja calculada a exigência fiscal considerando a área total do imóvel de 13,3 hectares, conforme decidido pela 1ª instância, o valor de R$ 15.570,00 por hectare, para a terra nua, expresso na Notificação de Lançamento, e a alíquota aplicável de 1%, conforme estabelecido em lei, mantendose os demais dados conforme declarado, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada e José Valdemir da Silva. Relatório Contra o contribuinte identificado foi lavrada Notificação de Lançamento, conforme folhas 12 e seguintes, onde foi exigido Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR suplementar, relativo ao exercício de 2007, no valor de R$ 16.400,78, acrescido de multa proporcional de 75%, no valor de R$ 12.300,58 e mais juros de mora calculados com base na taxa Selic, tendo por objeto o imóvel rural denominado “Parte do Imóvel Foz do Iguaçu”, cadastrado na RFB sob o nº 6.576.1510, com área declarada de 52,7 há e localizado no Município de Foz do Iguaçu/PR. Na “descrição dos fatos”, constante de fls. 13, narra a Autoridade Fiscal que efetuou o lançamento que, após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou o valor da Terra Nua declarado. O valor foi então arbitrado. Na “complementação”, o Auditor Fiscal demonstra que com base nos dados obtidos junto à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, arbitrou o valor de R$ 15.570,00 por hectare, considerando a área total declarada de 52,7 hectares, chegando ao total de R$ 820.539,00 para o valor da terra nua do imóvel. Verifico nas folhas 10/11 o Ofício da Secretaria Estadual com a informação do referido valor de R$ 15.570,00/ha. A DITR objeto da revisão fiscal está copiada na folha 02, entregue em 28/08/2007, sem informações sobre distribuição das áreas do imóvel, existência de áreas isentas ou áreas utilizadas. Na folha 06 consta cópia do Termo de Intimação, intimando o contribuinte a apresentar Laudo Técnico de Avaliação do Imóvel, com as especificidades, e a advertência que Fl. 66DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 07 /10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 3 a falta de comprovação do VTN ensejaria o arbitramento com base no Sistema de Preços de Terras da RFB – SIPT, pelos valores discriminados por tipo e situação da terra. Inconformado com o lançamento do crédito tributário, o contribuinte apresentou impugnação (folha 20 e seguintes). Tal manifestação foi conhecida e tratada pela DRJ/CAMPO GRANDE, nos seguintes termos, em resumo (fl. 38). Disse o Julgador de 1ª instância que: Na realidade, o interessado não impugnou a modificação do VTN. Informou, apenas, que a ATI havia sido declarada de forma incorreta na totalidade constante da matrícula, porém, apenas a dimensão de 13,3ha, seria de sua propriedade. Para embasar suas alegações apresentou matrículas do imóvel e dois contratos particulares, sendo um relativo à aquisição de 29,0 ha, firmado em 15/01/2003, e outro, firmado em 22/02/2005, referente à confirmação de quitação de parte dessa área adquirida, na dimensão de 13,3ha, retornando para a propriedade do vendedor a diferença não paga pelo interessado. Da análise dos argumentos e da documentação apresentada, verificase que, realmente, apenas os 13,3ha do imóvel seriam de propriedade do sujeito passivo no ano 2005, exercício 2006, fato que permite rever o lançamento para ajustar a ATI. Como já adiantado, não houve manifestação a respeito do VTN, apenas foi solicitado o reajuste com base na demonstração da ATI. Assim, esta questão se enquadra no art. 17, do Decreto nº 70.235/1972, que dispõe que deve ser considerada não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. É possível rever o lançamento para proceder a modificação da área total e dos demais dados conseqüentes, como GU, VTN e alíquota. Efetuandose novo cálculo de imposto com a utilização do programa oficial da Receita Federal, do qual se subtraindo o valor apurado na DITR, a nova Diferença de Imposto a Pagar passa de R$ 16.400,78 para R$ 2.160,81. Assim, decidiu o Acórdão recorrido “por unanimidade de votos, julgar procedente a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido,.... Regularmente cientificado dessa decisão, conforme Aviso de Recebimento em 18/04/2012 (fl. 46), o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 17/05/2012 (fl. 50) onde assim expõe suas razões, em síntese: 1 – Observando que não fora preenchida a ficha da DITR relativa à distribuição das áreas do imóvel, requer que sejam consideradas área de preservação permanente (APP) de 3,9 hectares, área de produtos vegetais de 2,2 hectares, áreas de pastagens de 7,0 hectares, alterandose o grau de utilização do imóvel para 97,9%, e também área imprestável de 0,2 hectares e área não utilizada na atividade rural de 0,2 hectare, apurandose o imposto conforme cálculo que então propõe. 2 – Baseiase em informação que encontrou no Acórdão recorrido de que “... é possível rever o lançamento para proceder a modificação da área total e dos demais dados conseqüentes, como GU, VTN e alíquota.” 3 – Referese ao documento denominado “quadro estatístico de uso do solo e formação de reserva legal”, com cópia nas folhas 21 e 58, para requerer as alterações. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 07 /10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 4 4 – Em relação ao VTN, transcrevendo o Termo de Intimação Fiscal, referente ao exercíco de 2006, diz que o Auditor citara o valor de R$ 12.515,19 por hectare, para fins de arbitramento, e que o Acórdão recorrido considerou, enfim, R$ 16.246,69,00 por hectare, na apuração que subsiste. Desta feita, REQUER que haja revisão do VTN utilizado e que seja observado o correto preenchimento da ficha de distribuição da área do imóvel rural e da área utilizada na atividade rural, refazendose os cálculos do imposto a pagar. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator Conheço do recurso, já que tempestivo, conforme relatado, e com condições de admissibilidade. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em arquivo eletrônico (formato .pdf). DA ALTERAÇÃO NO VTN. O procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Na fase anterior, em que a Fiscalização apura os fatos em procedimento de ofício, não existe contraditório. O contribuinte baseia seu recurso apontando Termo de Intimação Fiscal do exercício de 2006, tratado em outro processo. Aqui, no Termo que consta da folha 6, assim como na Notificação de Lançamento que consta da folha 12, a Fiscalização advertiu o contribunte que a não comprovação do VTN por meio de documento próprio, ensejaria o arbitramento com base em informação obtida junto á Secretaria Estadual de Agricultura e observo que o valor apontado foi de R$ 15.570,00 por hectare, conforme consta do cálculo (folha 13). Já é ponto pacífico, constante de diversas decisões, a possibilidade de utilização do VTN por aptidão agrícola, calculado a partir das informações sobre preços de terras referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas, para imóveis localizados em determinado Município, como base para arbitramento de valor da terra nua pela autoridade fiscal, uma vez que além de encontrar previsão legal, mostrase parâmetro que reflete a realidade e a peculiaridade do imóvel. Senão vejamos: Acórdão nº 2801002.942 – 1ª Câmara / 1ª Turma Especial (12/03/2013) VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 07 /10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 5 O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. Acórdão nº 2201001.945 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (22/01/2013) VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. UTILIZAÇÃO DOS DADOS DO SIPT. O VTN médio declarado por município, constante da tabela SIPT, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Assim, é importante trazer o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14, § 1º, in verbis: “Lei nº 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.”(grifei) No documento de folhas 10/11, consta Ofício expedido pela Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado do Paraná, onde verifico que, conforme informado por aquele órgão, o valor do VTN/há para terra roxa mecanizada, para o Município de Foz do Iguaçu/PR, em janeiro de 2007, era de R$ 15.570,00, portanto devidamente enquadrado nos ditames legais, para se proceder ao arbitramento. Pareceme que o contribuinte utilizou o mesmo Recurso, para recorrer de exercícios (2006 e 2007) e Notificações diferentes, sem proceder às correções devidas. Destaco que em relação à alteração procedida no VTN declarado do imóvel, não foi matéria contestada na Impugnação, e a teor do artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972 considerouse não impugnada e fora do litígio, conforme relatado. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 07 /10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 6 Segundo Marcos Vinicius NEDER e Maria Teresa Martinez LOPÉZ: “Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos respectivamente pelo ato de lançamento e pela impugnação....(grifei) A lei processual estabelece regras que deverão presidir as relações entre os intervenientes na discussão tributária. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética....Na lição de Calamandrei, “o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera,depois, deles um novo impulso....”Se no curso deste processo, constatarse a concordância de opiniões, devese por fim ao processo, já que o próprio objeto da discussão perdeu o sentido. Da mesma forma, não há o que julgar se o contribuinte não contesta a imposição tributária que lhe é imputada.(NEDER, Marcos Vinícius e LOPEZ, Maria Teresa Martinez. Processo Administrativo Fiscal Comentado. 2ª ed,. Dialética, São Paulo, 2004, p. 265/266) Dessa feita, precluiu o direito do contribunte questionar se seu imóvel não está, por exemplo, localizado em terra roxa mecanizada e “sem tocos”, como expresso na Notificação de Lançamento. Em suma, o que o contribuinte pode impugnar, e recorrer, é a Notificação de Lançamento, onde estão expressas as razões do lançamento e os enquadramentos legais, não impugna, ou recorre, do que está, previamente, em processo de apuração, expresso nos Termos de Intimação Fiscal, mormente os que se referem a outro exercício. ALTERAÇÃO DE DADOS INFORMADOS NA DITR, QUE NÃO FORAM OBJETO DE LANÇAMENTO. A existência da obrigação acessória de prestar declarações ao Fisco raramente diz respeito a um lançamento por declaração. Não é sua existência que define a modalidade de lançamento, mas quem efetua os cálculos e define o montante a pagar. Assim, o ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação e não por declaração. Tendo em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse ao lançamento por homologação, o § 1º do art. 147 do CTN tem sido invocado e aplicado por analogia para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar livremente suas declarações, com eficácia imediata. É de se citar LEANDRO PAULSEN: “... O § 1º simplesmente retira do contribuinte a possibilidade de tornar, por ato próprio, insubsistente a sua declaração originária, quando já notificado o lançamento...Não compromete, porém, os direitos de petição e de acesso ao Judiciário. Poderá o contribuinte, pois, a qualquer tempo, enquanto não decaído seu direito, peticionar administrativamente noticiando os equívocos e solicitando a revisão de ofício pela autoridade, forte no art. 149 do CTN. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 07 /10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 7 Poderá também ajuizar ação no sentido de ver anulado lançamento e cancelada inscrição indevidos...” (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1054) O STJ já reconheceu a possibilidade do contribuinte socorrerse da via judicial para anular crédito oriundo de lançamento eventualmente fundado em erro de fato, em que o contribuinte declarou base de cálculo superior à realmente devida para a cobrança de imposto. (STJ, 2ª T. Resp 1015623/GO, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, maio/2009). Assim, considerando o art. 145, III, e o art. 149, VIII, todos do CTN, em homenagem ao princípio da verdade material, seria possível conhecer de documentos eventualmente acostados aos autos, apresentados juntamente com a impugnação ou recurso, para analisálos. Veja o Recorrente que quando o Julgador de 1ª Instância disse que aceitava a revisão da área total do imóvel pertencente ao contribuinte e procederia a alteração, frisou com “os dados conseqüentes”. O contribuinte quer ter alterados dados que não foram informados na DITR, que não são conseqüentes da alteração da área total procedida, como APP, ARL e área de pastagens, dentre outros, e sem juntar os documentos necessários a que se comprove o erro de fato ao declarar e se possa proceder a alterações de ofício em sua DITR. O único documento em que se funda é um Mapa (fl. 21) que não está acompanhado de um Laudo emitido por profissional habilitado, com ART, com critérios estabelecidos em normas técnicas (ABNT NBR) para demonstrar e evidenciar especificamente a distribuição das áreas do imóvel. Em tal Mapa não consta sequer assinatura dos responsáveis pela elaboração e não verifico a data a que se refere. Não obstante esses critérios materiais, há ainda a ausência de formalidades para que se considere, por exemplo, as áreas isentas de reserva legal e preservação permanente. Vejamos. DA AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL NA MATRÍCULA DO IMÓVEL Para fazer jus à isenção, ao contrário do que afirma o Recorrente, deverá o sujeito passivo cumprir determinada exigência, especialmente em relação à reserva legal. Tratase da averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental, conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.166/67, de 24 de agosto de 2001, verbis: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (...) Fl. 71DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 07 /10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 8 §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifei) Bem, penso que a averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, tratase de ato constitutivo da própria área de reserva legal, documenta e cria um registro público da sua existência e faz surgir uma obrigação real de preservação. A Lei nº 9.393/1996, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, em seu artigo 10, que trata da apuração e pagamento do imposto, menciona que para efeitos de apuração do ITR considerarseá “área tributável” a área total do imóvel “menos as áreas de preservação permanente e de reserva legal”, previstas na Lei nº 4.771 de 15 de setembro de 1965, com redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. O tamanho da área tributável influi no cálculo e, conseqüentemente, no valor a pagar de ITR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) A apresentação do ADA – Ato Declaratório Ambiental, para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal, que outrora era exigida pela RFB com base em norma infra legal, surgiu no ordenamento jurídico com o art. 1º, da Lei nº 10.165/2000, que incluiu o art. 17O, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001: Art. 17O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) §1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (grifei) O Decreto regulamentador do ITR também possui determinação expressa. Decreto 4.382/2002: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II – de reserva legal, ... § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 07 /10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 9 § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e(grifei) Com essa declaração aos órgãos responsáveis, em busca da preservação ambiental dessas áreas, o Estado concede isenção tributária quanto ao ITR. Destaquese que a isenção tributária, como a incidência, decorre de lei. É o próprio poder público competente para exigir tributo que tem o poder de isentar É a isenção um caso de exclusão tributária, de dispensa do crédito tributário, conforme determina o I, Art. 175 do Código Tributário Nacional (CTN). CONCLUSÃO. O contribuinte não apresentou impugnação em relação ao VTN arbitrado, que se funda em informação fornecida pela Secretaria Estadual de Agricultura. A indicação de valor diverso em Termo de Intimação prévio e relativo a outro exercício não macula o lançamento, expresso na Notificação de Lançamento, essa sim, que externa o ato da Autoridade Fiscal e é passível de impugnação. Mantémse o VTN conforme arbitrado. A alteração posterior da DITR é possível quando comprovado erro de fato com base em documentos hábeis e idôneos. A falta de comprovação inequívoca não autoriza que seja retificada declaração, no curso de processo administrativo de exigência fiscal, mormente quando tais dados não foram objeto de lançamento. Verificando que existe equívoco na apuração efetuada pela DRJ (fl. 42) e, face ao exposto, VOTO por dar provimento parcial ao recurso para que seja calculada a exigência fiscal considerando a área total do imóvel de 13,3 hectares, conforme decidido pela 1ª instância, o valor de R$ 15.570,00 por hectare, para a terra nua, expresso na Notificação de Lançamento, e a alíquota aplicável de 1%, conforme estabelecido em lei, mantendose os demais dados conforme declarado (ver folha 14). Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 73DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 07 /10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN 10 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 07 /10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 10665.001451/2010-84
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA - APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2403-002.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurvo Voluntário com base na Súmula nº 01 do CARF.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Daniele Souto Rodrigues e Marcelo Magalhães Peixoto (ausente).
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurvo Voluntário com base na Súmula nº 01 do CARF. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Daniele Souto Rodrigues e Marcelo Magalhães Peixoto (ausente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 14 51 /2 01 0- 84 Fl. 531DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 378 a 403, interposto pelo Recorrente – VICENTE DE PAULO CARVALHO contra Acórdão nº 0231.168 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG, fls. 368 a 374, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.253.9319, às fls. 01, com valor consolidado inicial de R$ 39.918,01. O crédito previdenciário se refere valores de contribuições destinadas à Seguridade Social relativas à parte dos segurados, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais, no período 01/2006 a 12/2009. Segundo Relatório Fiscal, às fls. 35 a 38, a peça introdutória deste processo consta do Auto de Infração debcad n° 37.253.9300, ao qual este se encontra apensado. O Relatório Fiscal informa que inicialmente a Auditoria Fiscal na empresa teve início com a emissão do Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, para apresentação da documentação exigida em 03/08/2010, sendo este TIPF emitido em nome do SERVIÇO REGISTRAL DE IMÓVEIS DA COMARCA DE BOM DESPACHO, CNPJ 20.221.198/000140. Posteriormente foi efetuada a matrícula CEI 70.004.06170/08, de ofício, haja vista o Cartório não ter personalidade jurídica e o débito tem que ser lavrado em nome do titular. Nesta matrícula foi emitido novo TIPF em 06/08/2010. Conforme o Relatório Fiscal o débito foi apurado sobre os valores pagos aos segurados empregados Maria do Rosário Coimbra, nomeada escrevente do Cartório de Registro de Imóveis em 26 de abril de 1984, e Domingos Sávio de Carvalho, nomeado escrevente substituto em 27 de abril de 1994. Estes segurados não foram inscritos como segurados empregados filiados ao Regime Geral de Previdência Social RGPS pelo Sr. Vicente de Paulo Carvalho, por considerá los filiados a Regime Próprio de Previdência (RPPS) do Estado de Minas Gerais, gerido pelo Estado e IPSEMG. Assinala o Relatório Fiscal que esta filiação da segurada Maria do Rosário Coimbra e do segurado Domingos Sávio de Carvalho ao RPPS está correta por um determinado período, pois com o advento da Lei n°. 8.935/94, os notários ou tabeliães, oficiais de registro ou registradores, escreventes e auxiliares admitidos antes da Lei n°. 8.935/94, deveriam continuar vinculados à legislação previdenciária que anteriormente os regia (RPPS), eis que não houve opção do seu regime jurídico para o da Consolidação das Leis do Trabalho CLT. No entanto, afirma o Relatório Fiscal que esta filiação foi alterada a partir da modificação do sistema de previdência social, com a Emenda Constitucional n°. 20, de 15 de dezembro de 1998, in verbis: "Art. 40 Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que Fl. 532DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10665.001451/201084 Acórdão n.º 2403002.650 S2C4T3 Fl. 532 3 preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo." Considera o Relatório Fiscal que como os segurados citados não são servidores titulares de cargo efetivo, os mesmos estão excluídos do Regime Próprio de Previdência Social e, pelo exercício de atividade remunerada, estão obrigatoriamente vinculados ao Regime Geral de Previdência Social –RGPS como segurados empregados, conforme previsto no artigo 7º, inciso X da Instrução Normativa INSS/DC n° 65 de 10/05/2002, no artigo 9º, inciso XIX da Instrução Normativa INSS/DC n° 100 de 18/12/2003, no artigo 6º, inciso XXI da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 e no artigo 6º, inciso XXI da Instrução Normativa RFB n° 971 de 13/11/2009. Ademais, o Relatório Fiscal informa que a partir da Lei Complementar do Estado de Minas Gerais n° 64/02, o IPSEMG presta somente assistência médica, hospitalar e odontológica aos servidores não titulares de cargo público. O Relatório Fiscal indica que foram também apuradas as contribuições devidas sobre os valores pagos a segurado contribuinte individual (contador da empresa). Não houve o desconto das contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais. No entanto, em função da não impugnação expressa do sujeito passivo, em sede de Impugnação, da defesa em relação especificamente ao levantamento relacionado ao contribuinte individual, tal crédito previdenciário foi desmembrado para o AIOP nº 37.316.0771, conforme o Termo de Transferência, às fls. 350 a 363. Ressalta o Relatório Fiscal, às fls. 35 a 38, que sobre as bases de cálculo foram aplicadas as seguintes alíquotas: a) segurados empregados 7,65%, 8,65%, 9,0% e 11,0%, conforme previsto no art. 20 da Lei n° 8.212/91, observando a tabela de contribuição dos segurados vigente à época de ocorrência do fato gerador; b) segurados contribuintes individuais 11,0%, conforme previsto no art. 30, II, §4°, da Lei n° 8.212/91. Em relação ao cálculo dos acréscimos legais, o Relatório Fiscal, às fls. 35 a 38, informa que foi feito o levantamento dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte, conforme o Anexo Comparativo da Multa às fls. 104 a 106, em função da disciplina da Lei 11.941/2009: 3.1 A Medida provisória 449, publicada em 04/12/2008 (convertida na Lei 11941 em 27/05/2009), revogou os §§ 4o a 7o do art. 32 da Lei 8.212/91 que estipulava a penalidade a ser aplicada pela não entrega, não informação de todos os fatos geradores em GFIP e erros de preenchimento da GFIP e acrescentou àquela Lei o art. 35A que prevê a penalidade a ser aplicada a partir da publicação da MP 449, em caso de lançamento de ofício 3.2 De acordo com o art. 106 do Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66 a Lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, em obediência a esta determinação legal, comparamos a penalidade prevista no artigo 32, inciso IV, §§ 4o a 7o da Lei 8.212/91 com a prevista na MP 449 e aplicamos a penalidade mais benéfica ao contribuinte. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 3.3 No caso da aplicação da penalidade prevista no artigo 32, inciso IV, §§ 4 o a 7 o da Lei 8.212/91, também seria aplicada a multa de mora prevista no art. 35, inciso II, alínea 'a' da Lei 8.212/91, de 24%, sobre os valores originários devidos. Portanto para determinar qual a penalidade menos severa ao contribuinte, somamos as penalidades previstas nos dois incisos citados acima com a determinada pela MP 449. Está em anexo o comparativo de multas aplicadas e aplicação da mais benéfica ao contribuinte. Foram utilizados os seguintes levantamentos: 8. Para as competências a partir de 12/2008, nos casos de lançamento de ofício, aplicase o disposto na Lei 9.430/96, artigo 44, citado no item 10.1 deste Relatório. Foram utilizados os levantamentos R1 RECIBO PGTO, para lançamento das contribuições dos segurados empregados e A2 PGTO AUTÔNOMO, para lançamento das contribuições do contador. A Recorrente teve ciência do TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, às fls. 30 a 33, na qual consta o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0610700.2010.00169. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo de Débito DD, às fls. 04, é de 01/2006 a 12/2009. O contribuinte teve ciência do AIOP em 26.08.2010, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, às fls. 39 a 61, na qual alega em síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: oferece impugnação parcial, pois os valores pagos ao contador da serventia não serão contestados; os funcionários que foram relacionados no Auto de Infração não são regidos pelo RGPS, por força do art. 48 da Lei Federal n° 8.935/94; os funcionários estariam vinculados ao RGPS se tivessem feito opção expressa nesse sentido, o que não se vislumbra no presente caso; o advento da emenda constitucional n° 20/98 não fez que os titulares e servidores de cartório que ingressaram na atividade cartorária antes da publicação da Lei Federal n° 8.935/94 perdessem o vínculo para aposentadoria com o Estado de Minas Gerais; não houve violação à legislação tributária, visto que o autuado não é obrigado a incluir em GFIP os pagamentos efetuados aos seus funcionários que estão submetidos a regime jurídico específico; Do Direito II. 1 Da não vinculação ao RGPS a Lei Federal n° 8.935/94 determinou que todos os novos servidores dos cartórios fossem contratados pelo próprio titular do cartório pelo regime da CLT a mencionada Lei, contudo, resguardou as situações consolidadas anteriormente, por meio do §2° do art. 48; Fl. 534DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10665.001451/201084 Acórdão n.º 2403002.650 S2C4T3 Fl. 533 5 os escreventes e auxiliares que já eram funcionários dos cartórios poderiam, caso não fizessem opção expressa em contrário, continuar regidos pelas normas aplicáveis aos funcionários públicos ou pelas editadas pelo Tribunal de Justiça respectivo, nos termos dos arts. 40 e 51 da Lei Federal n° 8.935/94; com fundamento nos dispositivos legais acima transcritos foi editada a Portaria MPASn° 2.701/95; o art. Io , "a", e §2°, da referida portaria, corrobora a tese defendida pela impugnante; o decreto do Presidente da República n° 3.048/99, que se encontra vigente na parte que interessa ao deslinde deste recurso, tem a mesma disposição contida na Portaria MPAS n° 2.701/95; a Instrução Normativa INSS/PRES n° 20/07, também seguiu as orientações da Lei Federal n° 8.935/94; reconhece que a Instrução Normativa INSS/DC n° 100/03 criou uma nova categoria de escreventes e auxiliares, contratados até 20 de novembro de 1994, sem relação de emprego com o Estado, conforme se depreende do art. 9o da norma referida; a interpretação que sempre foi feita pelos notários, registradores, auxiliares e escreventes em todo o Estado de Minas Gerais é a de que o termo sem relação de emprego com o Estado estaria relacionado apenas a eventuais Estados cuja legislação não assemelhasse em alguns aspectos os servidores de cartórios a servidores públicos, o que não é o caso de Minas Gerais; no Estado de Minas Gerais está em pleno vigor a Lei Complementar n° 70/03 que estabelece para os servidores e titulares de cartório que ingressaram até 1994 regras para a aposentadoria semelhantes às que são conferidas aos servidores efetivos; no âmbito da União, dois fatos reforçam o entendimento adotado pelo contribuinte: a) a concessão de benefícios, até a atualidade, somente consideram contribuintes empregadores aqueles servidores que ingressaram após a Lei Federal n° 8.935/94 ou aqueles que fizeram opção expressa pelo RGPS; b) não se tem notícia de a União ter autuado, antes do ano de 2009, qualquer titular de cartório em virtude de ter adotado interpretação idêntica à adotada pelo presente impugnante; II.2 Da razão da criação da regra de transição pela Lei Federal n° 8.935/94 em 500 anos de existência da atividade notarial e de registro no país, uma coisa é certa: ela sempre foi concebida como atividade estatal e remunerada de forma indireta pelo Estado; Fl. 535DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 as regras transitórias previstas na Lei Federal n° 8.935/94 se fizeram necessárias em virtude de que os titulares e servidores de cartórios sempre foram disciplinados como servidores públicos ou assemelhados e somente com o advento da Constituição de 1988 e regulação pela Lei n° 8935/94 é que se determinou que tal atividade estatal seria exercida em caráter privado; o estabelecimento de regras transitórias pela Lei Federal n° 8.935/94 tem como razão a existência de legislação federal e estadual que regiam anteriormente os titulares e servidores dos cartórios: a) decretolei n° 3.164/41; b) lei n° 1.906/59 do Estado de Minas Gerais; c) Constituição do Estado de Minas Gerais de 1967; d) Resolução n° 61/75 que tratava da Organização e da Divisão Judiciária do Estado de Minas Gerais; e) Lei n° 9.380/86 que dispunha sobre o Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais; o STJ já se manifestou sobre a necessidade de observância de outras regras transitórias insculpidas na Lei Federal n° 8.935/94; o TJMG tem reconhecido a plena aplicabilidade do §2° do art. 48 da Lei n° 8.935/94; os escreventes e auxiliares que não optaram por mudar para o regime celetista permaneceram subordinados ao regime estatutário ou especial; os servidores que não fizeram a opção têm o direito, desde 1994, às regras de aposentadoria então existentes no Estado de Minas Gerais; II.3 Da coexistência de diversos regimes após a Emenda Constitucional n° 20/98 é verdade que, após a edição da Emenda Constitucional n° 20/98, o ordenamento jurídico permitiu novas vinculações apenas ao RGPS ou RPPS; a publicação da referida emenda não fez que fossem extintos todos os regimes de direito administrativo ou previdenciário anteriores à emenda constitucional n° 20/98; coexistem no Brasil vários regimes de aposentadoria, tal como o Instituto de Previdência dos Congressistas e casos de empresas estatais privatizadas, sobretudo os bancos estaduais; o que tem ocorrido é a interpretação enviesada de que a Emenda Constitucional n° 20 extinguiu todos os regimes anteriores a sua edição, mesmo sem haver qualquer previsão nesse sentido no texto da Emenda; a impugnante não comunga com o entendimento da doutrina e jurisprudência de que as regras constitucionais possam atingir direitos adquiridos; a argumentação aqui trazida não afronta, em nenhum momento, o que foi decidido pelo STF na ADI n° 2.791 do Paraná, quando entendeu que as leis posteriores à Emenda Constitucional n° 20/98 não poderiam colocar os titulares e Fl. 536DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10665.001451/201084 Acórdão n.º 2403002.650 S2C4T3 Fl. 534 7 servidores dos cartórios no mesmo regime previdenciário dos servidores titulares de cargo efetivo; o que se defende é o direito dos servidores que já estavam em atividade antes da publicação da Lei n° 8.935/94 a permanecerem vinculados às regras legais existentes no Estado de Minas Gerais; II.3 da inexistência de descumprimento de obrigação tributária acessória a autuação ocorreu em função de o autuado ter deixado de cumprir obrigações acessórias decorrentes de supostos fatos geradores de contribuição social; acontece que todos os funcionários citados no auto de infração foram admitidos em período anterior a 21 de novembro de 1994 e estão vinculados ao IPSEMG; assim, por não ser a remuneração por eles auferida hipótese de incidência de contribuição social, não subsistem também as obrigações tributárias acessórias; III. Pedido pede e confia que seja julgado improcedente o presente auto de infração, ordenandose a sua baixa e o seu arquivamento. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0231.168 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 IMPUGNAÇÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. ESCREVENTES E AUXILIARES DE SERVIÇOS NOTARIAIS. VINCULAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RGPS. Enquadramse como segurados empregados no regime geral de previdência social os escreventes e auxiliares de cartório, independentemente da contratação ter sido efetivada antes da Lei Federal n° 8.935/94, ainda que tenha havido opção por permanecer no regime estatutário. A Emenda Constitucional n° 20/98 definiu de maneira específica que a proteção previdenciária pela via do regime próprio de previdência social está adstrita aos servidores titulares de cargo efetivo. REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL Regime próprio de previdência social, para que assim seja considerado, tem que prever, em lei, a concessão a seus filiados dos benefícios de aposentadoria e pensão por morte. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ACÓRDÃO Acordam os membros da 7a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 (trinta) dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972. Encaminhese à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para cientificar o contribuinte do inteiro teor deste Acórdão e demais providências. Sala de Sessões, em 01 de março de 2011. Da decisão de primeira instância, às fls. 368 a 374, destacamse algumas passagens: No que se refere à parte impugnada, o argumento central do contribuinte é o de que os empregados do cartório relacionados no Auto de Infração estão vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social mantido pelo Estado de Minas Gerais IPSEMG. Verseá, consoante argumentos adiante expostos, que não assiste razão à impugnante. Nos termos do art. 236 da Constituição da República de 1988, os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público. Ao regulamentar o art. 236 da Constituição da República, a Lei Federal n° 8.935/94 dispôs, em vários de seus artigos, sobre o regime trabalhista e previdenciário a serem observados. Art. 40. Os notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares são vinculados à previdência social, de âmbito federal, e têm assegurada a contagem recíproca de tempo de serviço em sistemas diversos. Parágrafo único. Ficam assegurados, aos notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares os direitos e vantagens previdenciários adquiridos até a data da publicação desta lei. Art. 48. Os notários e os oficiais de registro poderão contratar, segundo a legislação trabalhista, seus atuais escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial desde Fl. 538DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10665.001451/201084 Acórdão n.º 2403002.650 S2C4T3 Fl. 535 9 que estes aceitem a transformação de seu regime jurídico, em opção expressa, no prazo improrrogável de trinta dias, contados da publicação desta lei. § Io Ocorrendo opção, o tempo de serviço prestado será integralmente considerado, para todos os efeitos de direito. § 2° Não ocorrendo opção, os escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial continuarão regidos pelas normas aplicáveis aos funcionários públicos ou pelas editadas pelo Tribunal de Justiça respectivo, vedadas novas admissões por qualquer desses regimes, a partir da publicação desta lei. Art. 51. Aos atuais notários e oficiais de registro, quando da aposentadoria, fica assegurado o direito de percepção de proventos de acordo com a legislação que anteriormente os regia, desde que tenham mantido as contribuições nela estipuladas até a data do deferimento do pedido ou de sua concessão. Para tratar da situação previdenciária desses segurados, o então Ministério da Previdência e Assistência Social editou, em 24 de outubro de 1995, logo após a publicação da Lei Federal n° 8.935/94, a Portaria n° 2.701, que, em linhas gerais, estabeleceu a seguinte orientação. Art. Ia O notário ou tabelião, oficial de registro ou registrador que são os titulares de serviços notariais e de registro, conforme disposto no art. 5" da Lei n° 8.935, de 18 de novembro de 1994, têm a seguinte vinculação previdenciária: a) aqueles que foram admitidos até 20 de novembro de 1994, véspera da publicação da Lei n" 8.935J94, continuarão vinculados à legislação previdenciária que anteriormente os regia; b) aqueles que foram admitidos a partir de 21 de novembro de 1994, são segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, como pessoa física, na qualidade de trabalhador autônomo, nos termos do inciso IV do art. 12 da Lei n" 8.212/91. (...) Art. 2" A partir de 21 de novembro de 1994, os escreventes e auxiliares contratados por titular de serviços notarias e de registro serão admitidos na qualidade de empregados, vinculados obrigatoriamente ao Regime Geral de Previdência Social, nos termos da alínea a do inciso I do art. 12 da Lei n'ç 8.212/91. (...) O §12 e o caput do art. 40 da Carta Magna, já com as alterações promovidas pela referida emenda, assim disciplinaram o assunto: Fl. 539DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Art. 40 Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional n" 20, de 15/12/98). (...) § 12 Além do disposto neste artigo, o regime de previdência dos servidores públicos titulares de cargo efetivo observará, no que couber, os requisitos e critérios fixados para o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional n"20, de 15/12/98). O sentido que se extrai da cabeça do art. 40 do texto constitucional não deixa dúvida de que, a partir da alteração, o regime próprio de previdência social somente é dirigido aos servidores públicos titulares de cargo de provimento efetivo.. A Lei Federal n° 9.717/98, ao dispor sobre regras gerais para a organização e o funcionamento dos regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, não fugiu ao comando constitucional, determinando no inciso V do art. I o a exclusividade de cobertura do RPPS para os servidores públicos titulares de cargos efetivos. Art. 1" Os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal deverão ser organizados, baseados em normas gerais de contabilidade e atuaria, de modo a garantir o seu equilíbrio financeiro e atuarial, observados os seguintes critérios: (...) V cobertura exclusiva a servidores públicos titulares de cargos efetivos e a militares, e a seus respectivos dependentes, de cada ente estatal, vedado o pagamento de benefícios, mediante convênios ou consórcios entre Estados, entre Estados e Municípios e entre Municípios; Percebese, pois, que antes do advento da Emenda Constitucional n° 20/98 a Lei permitia que os regimes próprios de previdência social amparassem quaisquer trabalhadores (comissionados, celetistas, contratados, temporários), inclusive os funcionários de cartórios, oferecendolhes o mesmo tratamento dispensado ao servidor efetivo. Após a alteração da Constituição pela Emenda Constitucional n° 20/98, a situação definida na Lei Federal n° 8.935/94 vergase à interpretação constitucional e os escreventes e demais auxiliares de cartórios nomeados antes de 20/11/1994 passaram a ser abrangidos pelo regime geral de previdência social, justamente por não serem servidores públicos titulares de cargo efetivo, não Fl. 540DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10665.001451/201084 Acórdão n.º 2403002.650 S2C4T3 Fl. 536 11 se admitindo argüir que a eles foi assegurado o regime para aposentadoria existente anteriormente. Em perfeita aderência aos ditames previstos na Emenda Constitucional n° 20/98 e na Lei n° 9.717/98, a Orientação Normativa MPS/SPS n° 2, de 31 de março de 2009, publicada no Diário Oficial da União em 02/04/2009, por meio do inciso VI do art. 2o combinado com o caput do art. 11, expõe com propriedade que o regime próprio de previdência social abrange, exclusivamente, o servidor público titular de cargo efetivo, isto é, aquele cargo que é cometido a um servidor aprovado por meio de concurso público de provas ou de provas e títulos. (...) De acordo com os artigos 17 e 18 da Lei Estadual n° 9.380, de 18/12/1986, que dispõe sobre o IPSEMG, dentre os benefícios concedidos por esse Instituto, não está previsto o de aposentadoria, sob quaisquer modalidades, razão pela qual não podem seus filiados serem considerados como pertencentes a regime próprio de previdência social. Embora o Estado de Minas Gerais tenha editado a Lei Complementar Estadual n° 64/02, alterada posteriormente, inclusive pela Lei Complementar Estadual n° 70/03, e previsto a inclusão dos referidos funcionários dos cartórios no RPPS estadual, a Lei Federal n° 9.717/98 já trazia normas gerais sobre a organização dos regimes próprios, em perfeita sintonia com o texto constitucional. Como se sabe, a teor do disposto no art. 24, XII, da Constituição da República, a competência para legislar sobre previdência social é concorrente. Entretanto, o texto constitucional excepciona que cabe à União a edição de normas gerais e aos entes da Federação a edição de normas suplementares (...) Em harmônico entendimento aos comentários delineados nos últimos quatro parágrafos, frisese que a Advocacia Geral do Estado de Minas Gerais, por meio do Parecer AGE n° 14.938, de 10 de julho de 2009, concluiu pela inconstitucionalidade dos incisos V e VI do art. 3 o da Lei Complementar Estadual n° 64/02, acrescentados pelo art. I o da Lei Complementar Estadual n° 70/03, por ofensa ao art. 40 da Constituição da República, na redação dada pela Emenda Constitucional n° 20/98, bem como ilegais em contraposição aos delineamentos da Lei n° 9.717/98. (...) Quanto à assertiva do contribuinte de que o Estado de Minas Gerais tem custeado a aposentadoria dos escreventes e auxiliares contratados até 20 de novembro de 1994 e que não fizeram opção pelo regime celetista, temse a esclarecer que não cabe a esta Delegacia de Julgamento manifestarse sobre a Fl. 541DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 legalidade dos atos de aposentadoria expedidos por esse Estado da Federação. (...) Consoante os fatos narrados, agiu com acerto a Autoridade Fiscal ao considerar que os trabalhadores do cartório relacionados no Auto de Infração são segurados empregados submetidos ao regime geral da previdência social, tornandose irrelevante a opção pelo regime celetista, haja vista que a Emenda Constitucional n° 20/98 definiu de maneira específica que a proteção previdenciária pela via do RPPS somente está adstrita aos servidores titulares de cargo efetivo. (...) Não merece prosperar a alegação do contribuinte de que a autuação ocorreu em função de o autuado ter deixado de cumprir obrigações acessórias decorrentes de supostos fatos geradores de contribuição social, pois o presente crédito trata de uma obrigação tributária principal, ou seja, aquela que surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 378 a 403, combatendo a decisão de primeira instância fundamentadamente e reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação afirmando a não vinculação dos segurados objeto do AIOP ao RGPS, mas sim ao RPPS do Estado de Minas Gerais, o IPSEMG, observandose que em Sede de Preliminar aduz que: Cumpre esclarecer que o Sindicato dos Notários e Registradores de Minas Gerais — SINOREG/MG ajuizou Ação Declaratória em face do Estado de Minas Gerais e da União perante a Justiça Federal (18a Vara Federal de Belo Horizonte), com pedido de tutela antecipada, que foi inicialmente negado. Houve recurso em forma de Agravo de Instrumento ao TRF da Ia Região, ao qual a Desembargadora Mônica Sifuentes deu provimento, no sentido de suspender as autuações da Receita Federal contra os Notário e Registradores sobre a matéria aqui questionada. Em Sessão de Julgamento realizada em 10.07.2012, esta Colenda Turma de Julgamento do CARF resolveuse por baixar o processo em Diligência nos seguintes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente informe se o Recorrente é parte, por qualquer modalidade processual, da ação ordinária ajuizada na 18 ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, processo nº 002271823.2010.4.01.3800 e ainda se o Recorrente é atingido, a que título, pelos efeitos da tutela antecipada concedida no Agravo de Instrumento – AI nº 002869547.2010.4.01.0000/MG. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10665.001451/201084 Acórdão n.º 2403002.650 S2C4T3 Fl. 537 13 A Diligência realizada pela a unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente, retornou ao CARF informando o posicionamento do contribuinte de que é parte integrante do processo: 1. Foi emitido Termo de Intimação Fiscal, via postal, recebido pelo contribuinte em 26/02/2013. 2. O contribuinte foi intimado a: “Para fins de instrução nos Autos de Infração 37.253.9319, 37.253.9300, 37.253.9319 e 37.253.9327, nos quais o intimado é parte recorrente, informar por escrito, acompanhado de documentos comprobatórios: Se o Recorrente é parte, por qualquer modalidade processual, da ação ordinária ajuizada na 18 ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, processo nº 002271823.2010.4.01.3800. Se o Recorrente é atingido, a que título, pelos efeitos da tutela antecipada concedida no Agravo de Instrumento – AI nº 002869547.2010.4.01.0000/ MG.” 3. Está em anexo a reposta do contribuinte, que em síntese informa que é parte integrante do processo, porém não confirmou se é filiado aos autores do processo. O Contribuinte atravessou Manifestação, às fls. 625 a 628, Anexado ao processo administrativofiscal nº 10665.001450/201030, no sentido de ser parte integrante do processo na modalidade de substituído e/ou representado processualmente pelos autores na ação ordinária ajuizada na 18 ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, processo nº 002271823.2010.4.01.3800 o Sindicato dos Notários e Registradores de Minas Gerais SINOREG; o Sindicato dos Oficiais de Registro Civil das Pessoas Naturais do Estado de Minas Gerais RECIVIL; a Associação dos Notários e Registradores do Estado de Minas Gerais ANOREG/MG; e a Associação dos Serventuários de Justiça do Estado de Minas Gerais SERJUS. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 493. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES DA AUTUAÇÃO FISCAL Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 378 a 403, interposto pelo Recorrente – VICENTE DE PAULO CARVALHO contra Acórdão nº 0231.168 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG, fls. 368 a 374, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.253.9319, às fls. 01, com valor consolidado inicial de R$ 39.918,01. O crédito previdenciário se refere valores de contribuições destinadas à Seguridade Social relativas à parte dos segurados, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais, no período 01/2006 a 12/2009. Segundo Relatório Fiscal, às fls. 35 a 38, a peça introdutória deste processo consta do Auto de Infração debcad n° 37.253.9319, ao qual este se encontra apensado. O Relatório Fiscal informa que inicialmente a Auditoria Fiscal na empresa teve início com a emissão do Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, para apresentação da documentação exigida em 03/08/2010, sendo este TIPF emitido em nome do SERVIÇO REGISTRAL DE IMÓVEIS DA COMARCA DE BOM DESPACHO, CNPJ 20.221.198/000140. Posteriormente foi efetuada a matrícula CEI 70.004.06170/08, de ofício, haja vista o Cartório não ter personalidade jurídica e o débito tem que ser lavrado em nome do titular. Nesta matrícula foi emitido novo TIPF em 06/08/2010. Conforme o Relatório Fiscal o débito foi apurado sobre os valores pagos aos segurados empregados Maria do Rosário Coimbra, nomeada escrevente do Cartório de Registro de Imóveis em 26 de abril de 1984, e Domingos Sávio de Carvalho, nomeado escrevente substituto em 27 de abril de 1994. Estes segurados não foram inscritos como segurados empregados filiados ao Regime Geral de Previdência Social RGPS pelo Sr. Vicente de Paulo Carvalho, por considerá Fl. 544DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10665.001451/201084 Acórdão n.º 2403002.650 S2C4T3 Fl. 538 15 los filiados a Regime Próprio de Previdência (RPPS) do Estado de Minas Gerais, gerido pelo Estado e IPSEMG. Assinala o Relatório Fiscal que esta filiação da segurada Maria do Rosário Coimbra e do segurado Domingos Sávio de Carvalho ao RPPS está correta por um determinado período, pois com o advento da Lei n°. 8.935/94, os notários ou tabeliães, oficiais de registro ou registradores, escreventes e auxiliares admitidos antes da Lei n°. 8.935/94, deveriam continuar vinculados à legislação previdenciária que anteriormente os regia (RPPS), eis que não houve opção do seu regime jurídico para o da Consolidação das Leis do Trabalho CLT. No entanto, afirma o Relatório Fiscal que esta filiação foi alterada a partir da modificação do sistema de previdência social, com a Emenda Constitucional n°. 20, de 15 de dezembro de 1998, in verbis: "Art. 40 Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo." Considera o Relatório Fiscal que como os segurados citados não são servidores titulares de cargo efetivo, os mesmos estão excluídos do Regime Próprio de Previdência Social e, pelo exercício de atividade remunerada, estão obrigatoriamente vinculados ao Regime Geral de Previdência Social –RGPS como segurados empregados, conforme previsto no artigo 7º, inciso X da Instrução Normativa INSS/DC n° 65 de 10/05/2002, no artigo 9º, inciso XIX da Instrução Normativa INSS/DC n° 100 de 18/12/2003, no artigo 6º, inciso XXI da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 e no artigo 6º, inciso XXI da Instrução Normativa RFB n° 971 de 13/11/2009. DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO JUDICIAL Outrossim, o Recurso Voluntário, às fls. 378 a 403, em Sede Preliminar aduz que: Cumpre esclarecer que o Sindicato dos Notários e Registradores de Minas Gerais — SINOREG/MG ajuizou Ação Declaratória em face do Estado de Minas Gerais e da União perante a Justiça Federal (18a Vara Federal de Belo Horizonte), com pedido de tutela antecipada, que foi inicialmente negado. Houve recurso em forma de Agravo de Instrumento ao TRF da Ia Região, ao qual a Desembargadora Mônica Sifuentes deu provimento, no sentido de suspender as autuações da Receita Federal contra os Notário e Registradores sobre a matéria aqui questionada. A partir da cópia do Agravo de Instrumento nº 0028695 47.2010.4.01.0000/MG, às fls. 497 a 500, colacionado no Recurso Voluntário e em pesquisa no site do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (http://www.trf1.jus.br), consulta em 14.07.2014, temos as informações a seguir. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 Em relação à ação ordinária ajuizada na 18 ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, processo nº 002271823.2010.4.01.3800, temos: (i) ação ordinária autuada em 06.04.2010; (ii) site consultado em 14.07.2014: http://processual.trf1.jus.br/consultaProcessual/processo.php?trf 1_captcha_id=8154b4293e125c80c30dbde2ecd03925&trf1_capt cha=9t7r&enviar=Pesquisar&proc=00286954720104010000&s ecao=TRF1 (iii) PARTES: AUTOR: SINDICATO DOS NOTÁRIOS E REGISTRADORES DE MINAS GERAIS – SINOREG AUTOR: ASSOCIAÇÃO DOS NOTÁRIOS E REGISTRADORES DO ESTADO DE MINAS GERAIS ANOREG/MG AUTOR: SINDICATO DOS OFICIAIS DO REGISTRO CIVIL DAS PESSOAS NATURAIS DO ESTADO DE MINAS GERAIS REVICIL AUTOR: ASSOCIAÇÃO DOS SERVENTUÁRIOS DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS – SERJUS RÉU: UNIÃO FEDERAL RÉU: ESTADO DE MINAS GERAIS (iv) Conforme o Relatório da decisão agravada, em 13/04/2010: Cuidase de ação ordinária, via da qual a parte autora, composta por entidades representantes de classe, pretende que seja declarado o direito dos notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares de cartórios do Estado de Minas Gerais que já estavam em atividade em 20/11/1994 de permanecerem regidos pelas regras de aposentadoria do Estado de Minas Gerais, nos termos dos artigos 40, caput, e parágrafo único, 48, caput e § 2°, e 51, caput e parágrafos, todos da Lei Federal n° 8.935/94. Reclama o reconhecimento pelo Estado de Minas Gerais de todo o tempo de serviço posterior a 1998, para efeito de concessão de aposentadoria. Requer declaração judicial de que a União não tem o direito de cobrar contribuições previdenciárias federais dos notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares de cartórios que já estavam em atividade em 20/11/1994. Pede a extinção de todos os procedimentos de cobrança, autuação ou execução fiscal de autoria da União que tenham como objeto créditos previdenciários Fl. 546DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10665.001451/201084 Acórdão n.º 2403002.650 S2C4T3 Fl. 539 17 Em relação ao andamento processual no Tribunal Regional Federal da 1ª Região TRF 1: (i) Dados gerais Agravo de Instrumento impetrado, nº 002869547.2010.4.01.0000/MG: TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO AGRAVO DE INSTRUMENTO 286954720104010000/MG AGRAVO DE INSTRUMENTO N. 0028695 47.2010.4.01.0000/MG Processo Orig.: 002271823.2010.4.01.3800 RELATORA DESEMBARGADORA FEDERAL MONICA SIFUENTES AGRAVANTE SINDICATO DOS NOTÁRIOS E REGISTRADORES DE MINAS GERAIS – SINOREG AGRAVANTE SINDICATO 'DOS OFICIAIS DO REGISTRO CIVIL DAS PESSOAS NATURAIS DO ESTADO DE MINAS GERAIS REVICIL AGRAVANTE SINDICATO 'DOS OFICIAIS DO REGISTRO CIVIL DAS PESSOAS NATURAIS DO ESTADO DE MINAS GERAIS REVICIL AGRAVANTE ASSOCIAÇÃO DOS SERVENTUÁRIOS DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS – SERJUS AGRAVADO UNIÃO FEDERAL AGRAVADO ESTADO DE MINAS GERAIS (ii) da decisão veiculada no AI que concedeu a tutela antecipada: Insurgemse os agravantes contra decisão do MM Juiz de 1° grau (cópia às fls. 43/44), que indeferiu a antecipação de tutela pleiteada, em ação proposta contra a União Federal e o Estado de Minas Gerais, visando o reconhecimento de tempo de serviço/contribuição,, após 16 de dezembro de 1998, para fins de concessão de aposentadoria c o direito ao recolhimento das contribuições previdenciárias, independentemente do pagamento de multa e juros de mora, de todos os notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares de cartório do Estado de Minas Gerais. Pedem, ainda, que a União se abstenha de realizar qualquer procedimento administrativo de cobrança, autuação ou execução fiscal que tenha como objeto os créditos previdenciárias de responsabilidade pessoal ou patronal dos substituídos. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 Esclarecem que o Estado de Minas Gerais, ao editar o Decreto n° 45.172, em 14/09/2009, dispôs que. com base na Emenda Constitucional n° 20/98, os titulares e servidores de cartório que ingressaram na atividade antes da publicação da norma acima citada teriam sido migrados, com data retroativa a 16/12/98, para o Regime Geral de Previdência Social RGPS. com a perda do vinculo para aposentadoria com o Estado. Informam que o art. 236 da .Constituição Federal dispôs que lei" federal deveria disciplinai os serviços notariais e de registro. Em razão disso foi editada a Lei n° 8.935/94 que criou uma regra transitória, garantindo aos servidores, que já estavam em atividade, o direito de se aposentarem sob a responsabilidade do Estado de Minas Gerais, com fundamento nas regras existentes na data de sua publicação. • Requerem o deferimento da antecipação de tutela e o provimento do agravo Decisão A antecipação dos efeitos da tutela pressupõe, segundo disposto no art. 273 do CPC, prova inequívoca quanto à verossimilhança da alegação em que se funda o direito vindicado, alem de propósito procrastinatório do réu ou possibilidade de dano irreparável ou de difícil reparação. Os agravantes, em sua peça inicial, informam que "não se tem notícia de ter esse egrégio TRF 1 a Região ou qualquer outro Tribunal do Pais se debruçado sobre a questão veiculada neste recurso, tratandose de leading case, o que evidencia a complexidade da matéria em exame". A complexidade apontada certamente levou o MM. Juiz de 1° grau a aguardar a manifestação dos demandados, para melhor se inteirar da questão quando de possível reexame do pedido de antecipação dos efeitos da tutela. No.entanto, conquanto comungue do ..entendimento do magistrado de 1o. grau no tocante à cautela exigida para se julgar questão de tamanha complexidade, que envolve o regime de aposentadoria de todos os servidores e titulares de cartórios do Estado de Minas Gerais, como informado na peça recursal, creio que há pelo menos um ponto cuja reparação em sede cautelar se faz premente. ' Tratase da INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB N° 971, DE 13 DE NOVEMBRO DE 2009, que modificou substancialmente, e com efeitos imediatos e caráter retroativo, o regime de contribuição social.para a Previdência Social dos notários, tabeliães, oficiais de registro e servidores nomeados até 20 de novembro de 1994, como se vê dos seguintes dispositivos: Art. 6 º XXI (...) XXII (...) XXIII(...) Art. 9 º XXIII(...) XXIV(...) De fato, a Constituição Federal de 1988, no art. 236 (Ato das Disposições Constitucionais Gerais), estabeleceu que a atividade notarial fosse disciplinada por lei federal, que somente foi promulgada em 1994 Lei 8.935, de 18 de novembro de 1994 chamada de Lei,dos Cartórios;. Essa lei, por sua vez em vários dos seus dispositivos, assegurou os direitos e vantagens daqueles que estivessem em atividade na data da sua publicação. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10665.001451/201084 Acórdão n.º 2403002.650 S2C4T3 Fl. 540 19 (...) Na .esteira dessa lei, o próprio Ministro de Estado da Assistência e Previdência Social editou a PORTARIA MPAS N° 2.701, DE 24 DE OUTUBRO DE 1995 DOU DE 26/10/1995 que, "considerando a necessidade de esclarecer a situação previdenciária dos notários ou tabeliães, oficiais de registro ou registradores, escreventes e auxiliares em função do disposto na Lei n° 8.935, de 18 de novembro de 1994", distinguiu claramente, para fins de contribuição e nos termos da lei em vigor, a situação dos servidores e titulares de cartório admitidos até 20 de novembro de 1994 (...) (...) Desse modo, ao menos em juízo preliminar, parece fora de dúvidas que a Instrução Normativa 971/2009 inovou e destoou completamente dos termos fixados na Lei 9.935/94, ferindo ainda os princípios constitucionais da anterioridade e da irretroatividade, ao exigir contribuição dos titulares dos cartórios desde a data da entrada em vigor da Emenda Constitucional n. 20/98. O perigo de dano decorre da própria executoriedade da instrução Normativa em questão, sendo atual ou iminente a possibilidade de autuação e cumprimento dos procedimentos fiscais inerentes à cobrança da divida' fixada com base na referida Instrução. No tocante, no entanto, ao crédito tributário eventualmente apurado, há necessidade de que a suspensão seja antecedida do depósito dos valores questionados, nos termos da.jurisprudência já pacificada nesta Corte ((AC 2000,01.00.0853000/DF, Rei. Juiz Mário César Ribeiro, Quarta Turma.DJ p.149 de 22/01/2002). Ante o exposto, nos'termos do art. 273 do CPC, CONCEDO PARCIALMENTE a antecipação de tutela pleiteada, nos termos do pedido formulado no item 1, letra "c" da inicial do agravo (fl.31), devendose observar, quanto ao créditos já apurados, a necessidade do depósito dos valores questionados, para fins de suspensão. Dêse ciência ao ilustre prolator da decisão agravada, para as providências com vistas ao seu cumprimento. Intimese o(a) agravado(a) para apresentação de contraminuta. Publiquese. Intimese. Brasília, 11 de abril de2011. (iii) Em 07.11.2013 houve a redistribuição do processo por sucessão, estando concluso ao Relator para Relatório e Voto desde 14.03.2014. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 (iv) Em 06.02.2014, o TRF recebeu as Apelações das partes Autora e Ré (União): Recebo as apelações da parte autora e da ré União, tempestivamente interpostas, nos efeitos devolutivo e suspensivo. Tendo em vista que as contrarrazões já foram ofertadas pela parte ré, vista à parte autora para, querendo, responder no prazo legal. DA DILIGÊNCIA FISCAL REALIZADA A Diligência realizada pela a unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente, retornou ao CARF informando o posicionamento do contribuinte de que é parte integrante do processo: 1. Foi emitido Termo de Intimação Fiscal, via postal, recebido pelo contribuinte em 26/02/2013. 2. O contribuinte foi intimado a: “Para fins de instrução nos Autos de Infração 37.253.9319, 37.253.9300, 37.253.9319 e 37.253.9327, nos quais o intimado é parte recorrente, informar por escrito, acompanhado de documentos comprobatórios: Se o Recorrente é parte, por qualquer modalidade processual, da ação ordinária ajuizada na 18 ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, processo nº 002271823.2010.4.01.3800. Se o Recorrente é atingido, a que título, pelos efeitos da tutela antecipada concedida no Agravo de Instrumento – AI nº 002869547.2010.4.01.0000/ MG.” 3. Está em anexo a reposta do contribuinte, que em síntese informa que é parte integrante do processo, porém não confirmou se é filiado aos autores do processo. O Contribuinte atravessou Manifestação, às fls. 625 a 628, Anexado ao processo administrativofiscal nº 10665.001450/201030, no sentido de ser parte integrante do processo na modalidade de substituído e/ou representado processualmente pelos autores na ação ordinária ajuizada na 18 ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, processo nº 002271823.2010.4.01.3800 o Sindicato dos Notários e Registradores de Minas Gerais SINOREG; o Sindicato dos Oficiais de Registro Civil das Pessoas Naturais do Estado de Minas Gerais RECIVIL; a Associação dos Notários e Registradores do Estado de Minas Gerais ANOREG/MG; e a Associação dos Serventuários de Justiça do Estado de Minas Gerais SERJUS. DA RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS Fl. 550DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10665.001451/201084 Acórdão n.º 2403002.650 S2C4T3 Fl. 541 21 Verificase que a ciência do presente AIOP nº 37.253.9319 ocorreu em 26.08.2010, conforme fls. 01, e que a ação ordinária, processo nº 0022718 23.2010.4.01.3800, já havia sido anteriormente ajuizada posto que foi autuada na 18 ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais em 06.04.2010. Restou comprovado nos autos que a ação ordinária ajuizada na 18 ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, processo nº 002271823.2010.4.01.3800, possui objeto idêntico ao veiculado no presente processo administrativofiscal nº 10665.001451/201084 com o AIOP nº 37.253.9319, qual seja o de discutir a incidência de contribuições sociais previdenciárias dos notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares de cartórios que já estavam em atividade em 20/11/1994, além de que a ação ordinária ajuizada tem como pedido a extinção de todos os procedimentos de cobrança, autuação ou execução fiscal de autoria da União que tenham como objeto créditos previdenciários. Neste sentido, temse a Manifestação da Recorrente, às fls. 625 a 628, Anexado ao processo administrativofiscal nº 10665.001450/201030, no sentido de ser parte integrante do processo na modalidade de substituído e/ou representado processualmente pelos autores na ação ordinária ajuizada na 18 ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, processo nº 002271823.2010.4.01.3800. Desta forma, exsurge a aplicação da Súmula nº 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, de observância obrigatória nos termos do art. 72, caput, Anexo II, Regimento Interno do CARF: Anexo II, Regimento Interno do CARF Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, diante da coincidência de objetos verificados no presente processo administrativofiscal nº 10665.001451/201084 (AIOP nº 37.253.9319) e na ação ordinária ajuizada na 18 ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, processo nº 002271823.2010.4.01.3800, em função da aplicação da Súmula nº 1 do CARF não há matéria a se conhecer no presente processo administrativofiscal. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 CONCLUSÃO Voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Voluntário em função da aplicação da Súmula nº 01 do CARF. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 552DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15758.000022/2011-55
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009
IRPF. DEDUÇÃO. MOMENTO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
Somente são admissíveis as deduções pleiteadas no Ajuste Anual, o que impede admitir deduções somente pleiteadas na fase contenciosa.
IRPF. CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA PRIVADA.
São dedutíveis as contribuições à previdência privada declaradas e comprovadas por meio dos contracheques nos quais a fonte pagadora fez os respectivos descontos, limitada ao valor comprovado.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer dedução de contribuições à previdência privada de R$2.578,16, R$1.508,20 e R$2.724,60, nos ano-calendário 2006, 2007 e 2008, respectivamente, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 09/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Guilherme Barranco de Souza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009 IRPF. DEDUÇÃO. MOMENTO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Somente são admissíveis as deduções pleiteadas no Ajuste Anual, o que impede admitir deduções somente pleiteadas na fase contenciosa. IRPF. CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA PRIVADA. São dedutíveis as contribuições à previdência privada declaradas e comprovadas por meio dos contracheques nos quais a fonte pagadora fez os respectivos descontos, limitada ao valor comprovado. Recurso provido em parte.
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DEDUÇÃO. MOMENTO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Somente são admissíveis as deduções pleiteadas no Ajuste Anual, o que impede admitir deduções somente pleiteadas na fase contenciosa. IRPF. CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA PRIVADA. São dedutíveis as contribuições à previdência privada declaradas e comprovadas por meio dos contracheques nos quais a fonte pagadora fez os respectivos descontos, limitada ao valor comprovado. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer dedução de contribuições à previdência privada de R$2.578,16, R$1.508,20 e R$2.724,60, nos anocalendário 2006, 2007 e 2008, respectivamente, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 09/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Guilherme Barranco de Souza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 8. 00 00 22 /2 01 1- 55 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2007, 2008 e 2009, anoscalendário 2006, 2007 e 2008, decorrente de dedução indevida de despesas médicas, de pensão judicial, de despesas com instrução e de contribuição à previdência privada. Foi exigida multa de ofício qualificada (150%). Na impugnação não foi contestada a glosa de despesas com instrução, alegouse erro na informação de despesas médicas como pensão alimentícia e documentos comprobatórios de despesas foram apresentados, bem como se alegou que os comprovantes de rendimentos comprovavam a contribuição à previdência privada. O contribuinte pleiteou que fosse considerado para efeito de dedução por dependentes os genitores Sra. Maria Braz Cabreira Dias e Sr. Vicente de Paula Martins Dias e a esposa Cristye Conceição Lopes Dias, que já constaram da declaração do ano calendário 2006 e por um lapso não foram incluídos nos anos calendários 2007 e 2008. A impugnação foi deferida em parte. A alegação alusiva a dependentes foi rejeitada porque não houve glosa de dependentes, anotandose que na fase de fiscalização o contribuinte apresentou comprovação da relação de dependência das pessoas declaradas. Não foi admitida a dedução de contribuição à previdência privada porque o impugnante não apresentou comprovantes de rendimentos que alegara comprovar as referidas contribuições declaradas. Por outro lado, foram restabelecidas deduções de despesas médicas e excluídas as glosas de pensão alimentícia por ter sido comprovado que o contribuinte errou ao informar sob essa rubrica despesas médicas comprovadas. A ciência do acórdão ocorreu em 16/12/2011 e o recurso voluntário foi interposto no dia 12/01/2012. Na peça recursal alega que: 1. documentos anexos comprovam as contribuições à previdência privada (R$2.578,17, R$12.923,04 e R$17.286,66, nos anoscalendário 2006, 2007 e 2008, nessa ordem); 2. tem direito à dedução dos dependentes que por um lapso deixou de informar na declaração de ajuste anual dos anoscalendário 2007 e 2008, porém não perderam a qualidade de dependentes por esse fato; são eles a esposa, Srª Cristye Conceição Lopes Dias e os pais Maria Braz Cabreira Dias e Vicente de Paula Martins Dias; O processo foi distribuído a este Relator, por sorteio, durante a sessão de julho de 2014. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15758.000022/201155 Acórdão n.º 2802003.166 S2TE02 Fl. 172 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O recurso limitase à dedução de pais e esposa como dependentes, os quais não foram declarados nas Declaração de Ajuste Anual dos anoscalendário 2007 e 2008, e ao restabelecimento de dedução de contribuições à previdência privada, nos valores de R$2.578,17, R$12.923,04 e R$17.286,66, nos anoscalendário 2006, 2007 e 2008, respectivamente, com base em contracheques ora apresentados. Os contracheques emitidos pela fonte pagadora Polietilenos (fls. 131/162) e , a partir da referência outubro de 2008 por Quattor Química S/A (fls. 163/165) O contribuinte foi intimado pela Fiscalização a comprovar as contribuições declaradas como pagas a Itaú Previdência e Seguros S/A, nos valores de R$7.606,5, R$12.923,04 e R$17.286,66 (fls. 02/04), todavia não apresentou documentação correspondente (fls. 11/13), razão pela qual foram integralmente glosadas. Todavia, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 44) é descrito que os comprovantes de rendimentos foram apresentados e comprovaram a contribuição à previdência oficial declarada; não houve menção à comprovação ou não da contribuição à previdência privada com base nesses documentos. Nessas circunstâncias, é razoável admitir que os contracheques sejam documentos hábeis e idôneos para fins de comprovar contribuição à previdência privada, posto comprovado desconto pela fonte pagadora a esse título. Porém, não se pode admitir a dedução alegada porque os documentos apresentados com o recurso voluntário atestam valores inferiores ao alegado em sede recursal e ao declarado. fls. 131/142 fls. 143/153 154 e ss. Mês/anocalendário 2006 2007 2008 janeiro 404,5 94,47 225,36 fevereiro 404,5 94,47 225,36 março 404,5 94,47 225,36 abril 202,25 94,47 225,36 maio 204,14 94,47 225,36 junho 204,14 99,88 225,36 julho 204,14 Sem documento 225,36 agosto 204,14 99,88 225,36 setembro 81,65 199,76 225,36 outubro 81,66 199,76 225,36 novembro 91,27 211,21 225,36 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 dezembro 91,27 225,36 245,64 Total 2.578,16 1.508,20 2.724,60 Admitese a dedução até os valores comprovados: R$2.578,16, R$1.508,20 e R$2.724,60, conforme demonstrado acima. Quanto às deduções de dependentes alusivas a pessoas não declaradas como tal nas Declarações de Ajuste Anual, o apelo não deve prosperar. É na Declaração de Ajuste Anual que o contribuinte exerce seu direito a deduzir despesas, sujeitandose desta forma ao dever de comprovar à fiscalização quando intimado para tanto. Não é admitida a inclusão de deduções não pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual. Nesse sentido são os acórdãos unânimes desta Turma Julgadora cujas ementas são transcritas abaixo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2009 Ementa: IRPF. MATÉRIA NÃO QUESTIONADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. PRECLUSÃO. Não havendo, na fase impugnatória, questionamento acerca da glosa da dedução com despesa de instrução,na fase recursal, essa matéria encontrase preclusa. INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo, somente se restabelece a espontaneidade se, trascorridos mais de sessenta dias, sem outro ato escrito de autoridade que dê prosseguimento ao procedimento fiscal. Assim, estando o contribuinte sob procedimento fiscal, a apresentação de declarações retificadoras é um ato ineficaz. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física somente são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea e incluídas na Declaração de Ajuste Anual apresentada à Administração Tributária e que serviu de base à autuação fiscal, sendo descabida a inclusão de deduções por meio de declarações retificadoras entregues após o início do procedimento fiscal e quando cessado os efeitos da espontaneidade. Recurso negado.(Acórdão 280200.819, de 12/05/2011) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002, 2003 Ementa: Fl. 174DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15758.000022/201155 Acórdão n.º 2802003.166 S2TE02 Fl. 173 5 IRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. ADMISSÃO NA FASE RECURSAL. Tendo a glosa sido impugnada, a busca da verdade material e o princípio do formalismo moderado autorizam admitir a prova da dedução declarada no ajuste anual, ainda que na fase recursal, ausentes razões significativas para sua não aceitação. IRPF. DEDUÇÃO. MOMENTO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Somente são admissíveis as deduções pleiteadas no Ajuste Anual, o que impede admitir deduções somente pleiteadas na fase recursal. IRPF. DEDUÇÕES. Em relação aos dependentes e demais deduções declaradas no Ajuste Anual, uma vez comprovada com documentação hábil e idônea os requisitos de sua dedutibilidade, cabe afastar a glosa. Recurso provido em parte. (Acórdão nº 280201.425, de 12/03/2012)(grifos acrescidos) Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer dedução de contribuições à previdência privada de R$2.578,16, R$1.508,20 e R$2.724,60, nos anocalendário 2006, 2007 e 2008, respectivamente. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 175DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10314.013982/2009-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 06/01/2004 a 15/07/2004
PRAZO LEGAL LANÇAMENTO ART. 139 DO DECRETO-LEI 37/1966
Tratando-se de imposição de pena de perdimento ou de multa em face de interposição fraudulenta de terceiros, por se cuidar de infração de caráter administrativo (aduaneiro), aplica-se a regra de contagem do prazo na forma do artigo 139 do Decreto-lei nº 37/1966, de 5 (cinco) anos a partir da data da infração. À constituição de infração aplica-se prazo decadencial não prescricional.
LEI Nº 9.783/99. PRAZO PRESCRICIONAL. EXERCÍCIO DE AÇÃO PUNITIVA.
As regras trazidas pela Lei nº 9.783, de 23 de novembro de 1999, referem-se ao direito de exercer a ação punitiva do Estado, possível de ser exercida quando previamente se constituiu uma infração contra o contribuinte. Coexistência no sistema jurídico do disposto no artigo 139 do Decreto-lei nº 37/1966 e do artigo 1o da Lei no 9.783/99, visto que o primeiro refere-se à decadência e o segundo à prescrição. Inexistência de revogação tácita ou expressa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer que ocorreu a decadência, nos termos do voto da redatora designada. Vencidos os conselheiros Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Walber José da Silva, que entendiam tratar-se de prescrição. Designada a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
(Assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Redatora Designada
EDITADO EM: 19/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes. Ausente, justificadamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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E COM. IMP. E EXP. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 06/01/2004 a 15/07/2004 PRAZO LEGAL LANÇAMENTO ART. 139 DO DECRETOLEI 37/1966 Tratandose de imposição de pena de perdimento ou de multa em face de interposição fraudulenta de terceiros, por se cuidar de infração de caráter administrativo (aduaneiro), aplicase a regra de contagem do prazo na forma do artigo 139 do Decretolei nº 37/1966, de 5 (cinco) anos a partir da data da infração. À constituição de infração aplicase prazo decadencial não prescricional. LEI Nº 9.783/99. PRAZO PRESCRICIONAL. EXERCÍCIO DE AÇÃO PUNITIVA. As regras trazidas pela Lei nº 9.783, de 23 de novembro de 1999, referemse ao direito de “exercer a ação punitiva do Estado”, possível de ser exercida quando previamente se constituiu uma infração contra o contribuinte. Coexistência no sistema jurídico do disposto no artigo 139 do Decretolei nº 37/1966 e do artigo 1o da Lei no 9.783/99, visto que o primeiro referese à decadência e o segundo à prescrição. Inexistência de revogação tácita ou expressa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer que ocorreu a decadência, nos termos do voto da redatora designada. Vencidos os conselheiros Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Walber José da Silva, que entendiam tratarse de prescrição. Designada a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 39 82 /2 00 9- 66 Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. (Assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS – Redatora Designada EDITADO EM: 19/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes. Ausente, justificadamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte SERRA LESTE IND. E COM. IMP. E EXP., CNPJ 03.017.711/000167, em face da decisão proferida em 19 de abril de 2012 pela Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa, por meio do Acórdão nº 1637.906 proferido pela 23 ª Turma da DRJ/SP1, cujos membros, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do relatório e voto que integrou o julgado, consoante se demonstra pela ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/01/2004 Dano ao Erário, causado por ocultação do real adquirente de mercadorias importadas. Decorrido o prazo de sessenta dias, contado da ciência de intimação formulada pela SRF, sem o devido atendimento pela empresa, o procedimento especial será concluído sumariamente. Não comprovação da transferência lícita dos recursos empregados na importação, devendo o autuado suportar os efeitos previstos no artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10314.013982/200966 Acórdão n.º 3302002.690 S3C3T2 Fl. 11 3 Na origem trata do auto de infração de efls. 02/16, lavrado para a exigência da multa prevista no art. 23, §3.°, do DecretoLei n.° 1.455/76, com redação dada pela Lei n.° 10.637/2002, art. 59, combinado com o disposto no art. 81, III da Lei nº10.833/2003, no valor de RS 7.839.734,93. Transcrevese do Acórdão recorrido os argumentos e citações dos elementos de prova trazidos pela fiscalização que sustentaram a autuação: “O sujeito passivo acima identificado havia sido selecionado para a aplicação do procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, nos moldes da IN SRF n° 228/02. Durante esse procedimento especial, a empresa não atendeu às intimações fiscais e, por ter perdido a oportunidade de apresentar os documentos solicitados em termo, não logrou comprovar a origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos utilizados em suas operações de comércio exterior. Em decorrência disso, sua inscrição no CNPJ foi declarada inapta, mas por decisão judicial (Ação Ordinária n° 2005.61.00.0258531) anexada ao processo administrativo n° 10314.0053333/200568, foi revertida a inaptidão. Por não comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, presumese a interposição fraudulenta, e as mercadorias importadas sujeitas à pena de perdimento. O objeto da presente ação fiscal foi a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, por se tratar de alimentos perecíveis importados em 2004; Concluise pela conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro, pelo seu consumo ou não localização das mercadorias, nos termos da legislação vigente.” Cientificada do auto de infração, em 16/12/2009, pessoalmente (folhas 03), a contribuinte, protocolizou impugnação, na forma do artigo 56 do Decreto 7574 de 29/09/2011, em 11/01/201, de fls. 145 à 154, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento, argüindo, em síntese: ● Preliminar de decadência, com base nos arts. 138 e 139 do Decretolei n° 37, de 1966, com a redação dada pelo Decretolei n° 2.472, de 1988, fundamentando que as operações de importação ocorreram de 06/01/ a 15/07 de 2004, e o auto de infração foi lavrado em l6/12/2009, mesma data em que foi dada ciência á contribuinte; Traz à colação jurisprudência administrativa acerca da figura da decadência. ● No mérito, erro na apuração do valor do lançamento, não podendo a penalidade ser quantificada em 100% do valor aduaneiro das mercadorias, pois o art. 33 da Lei 11.488, de 2007, estabelece a aplicação da penalidade de 10% do valor da operação; ● Pugna pela nulidade. Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Antes de proferir a decisão, a 1ª Turma da DRJ/SPOII entendeu conveniente baixar os autos em diligência à autoridade preparadora, através da Resolução nº. 17001.021 de 25/05/2011, a fim de que a autoridade preparadora efetuasse juntada de alguns documentos, que menciona. Dada a devida oportunidade para a contribuinte manifestarse acerca da diligência, esta alega que foi comprovada a regularidade de todas as importações realizadas pela Recorrente com as declarações de importação e, sobretudo, pelos contratos de câmbio com a prova do pagamento aos exportadores, mediante débito na conta corrente da própria empresa.Que, assim, não há que se falar em irregularidade em operações de comércio exterior, já que comprovado em tais documentos que a origem dos recursos empregados em tais operações de comércio exterior são oriundas das atividades lícitas desenvolvidas pela Recorrente. A contribuinte foi cientificada da Decisão da DRJ/SP1 em 08/05/2012, conforme demonstra o Aviso de recebimento – AR de efl. 1240 e apresentou o seu Recurso Voluntário, em 05/06/2012, no qual reprisa seus argumentos de defesa, acrescentado novos argumentos para contrapor a fundamentação da decisão recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. Do Mérito Da prejudicial de decadência Nesta questão, decidiu o órgão julgador de 1ª instância que “A pena de perdimento decorre de um ilícito tipificado em Lei. Sendo a pena de perdimento uma pretensão que nasce para o Estado em função da prática de um ilícito por parte do importador da mercadoria, o instituto a ser considerado é o da PRESCRIÇÃO.” E que o Art. 139 do Decreto lei 37/66 traz em seu bojo o prazo prescricional em matéria aduaneira e, que, o prazo contase a partir da infração. Defende, então, que se considera cometida a infração aduaneira de caráter permanente, como se dá no caso de mercadoria importada internalizada irregularmente, no momento em que cessa a permanência, aplicandose por analogia, o disposto nos artigos 1º e 2º da Lei n° 9.873/99. E que, exatamente em face da inteligência do disposto no inciso I, do artigo 2º, da Lei 9.873/99, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a intimação do interessado para a devolução da mercadoria apenada com a pena de perdimento interrompe seu prazo prescricional. E ainda que, a não apresentação da mercadoria em decorrência de sua venda ou consumo e conseqüente conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, conforme disposto no § 3º, do artigo 23, do Decretolei n° 1.455/76, novamente interrompe a prescrição. Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10314.013982/200966 Acórdão n.º 3302002.690 S3C3T2 Fl. 12 5 Por sua vez, a recorrente persiste em sua tese de que o lançamento foi atingido integralmente pela decadência, com base nos arts. 138 e 139 do Decretolei n° 37, de 1966, com a redação dada pelo Decretolei n° 2.472, de 1988, fundamentando que as operações de importação ocorreram de 06/01/ a 15/07 de 2004, e o auto de infração foi lavrado em l6/12/2009, mesma data em que foi dada ciência à contribuinte. Para ela, a data da infração tem início a partir do registro da Declaração de Importação, consoante o artigo 54 do DecretoLei 37/66. “DecretoLei 37/66 Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto Lei. (Redação dada pelo DecretoLei n° 2.472, de 01/09/1988)” Como se vê, tanto a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa, quanto a recorrente entendem que a contagem do prazo para o lançamento da penalidade, no caso a multa substitutiva da pena de perdimento, subsumese à regra contida no artigo 139 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, reproduzido no art. artigo 669 do Decreto nº 4.543/2002, Regulamento Aduaneiro vigente à época do lançamento, que se transcrevem logo abaixo, sendo esta aplicação, portanto, incontrovertida: Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966 “Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. (grifo nosso) Decreto nº 4.543/2002 Regulamento Aduaneiro “Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei nº 37, de 1966, art. 139).” O litígio encontrase na definição de qual momento se dá a infração que conduz à aplicação da pena de perdimento, ou no caso de consumo ou não localização da mercadoria, a aplicação da multa de conversão e qual o instituto a que se refere o art. 139 do Decretolei nº 2.472, de 01/09/1988, se de decadência ou se de prescrição. Fazse a seguir a análise de cada uma dessas questões, por etapa: Do momento da ocorrência da infração para fins de aplicação da pena de perdimento ou de sua conversão em multa Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 A pena de perdimento de bens está prevista na Constituição federal de 1988 como medida sancionatória autônoma tendo por garantia o art. 5º, inciso XLVI, alínea “b”, sendo aplicada em qualquer instância: penal, civil ou administrativa. “Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XLVI a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade; b) perda de bens; c) multa; d) prestação social alternativa; e) suspensão ou interdição de direitos;” (grifei) Tratase o Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, de norma especial que cuidou inteiramente de matéria aduaneira e que abrange temas de caráter administrativo e tributário. Assim, sendo o Auto de Infração objeto do presente processo decorrente de conversão em multa de pena de perdimento, oriunda de infração à fiscalização aduaneira, deve ser aplicado o Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. A pena de perdimento prevista na legislação aduaneira constituise em ação punitiva da administração Pública Federal, no uso do seu poder de polícia, face à um ato ilícito previsto na respectiva legislação. Tal pena de perdimento não tem natureza tributária. O parágrafo 4º do art. 27 do Decretolei n° 1.455/76 institui instância única e com rito próprio para o julgamento de lides da área de mercadorias estrangeiras apreendidas. Porém, a Lei n.º 10.833/2003, em seu artigo 731, exigiu que a multa decorrente da conversão da pena de perdimento ocorra mediante lançamento de ofício e que seja processado e julgado nos termos da legislação que rege a determinação e exigência dos demais créditos tributários da União, qual seja, .o Decreto n.º 70.235/72. Não obstante, tal fato não desvirtua a igual natureza administrativa e punitiva que possui a multa substitutiva da pena 1 Lei nº 10.833/2003 Art. 73 . Verificada a impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua nãolocalização ou consumo, extinguirseá o processo administrativo instaurado para apuração da infração capitulada como dano ao Erário. § 1º Na hipótese prevista no caput , será instaurado processo administrativo para aplicação da multa prevista no § 3ºdo art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. § 2º A multa a que se refere o § 1º será exigida mediante lançamento de ofício, que será processado e julgado nos termos da legislação que rege a determinação e exigência dos demais créditos tributários da União. Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10314.013982/200966 Acórdão n.º 3302002.690 S3C3T2 Fl. 13 7 de perdimento equivalente ao valor aduaneiro, em face do consumo ou não localização das mercadorias. Desta forma, tendo em vista que a pena de perdimento de mercadorias convertida em multa configura pena de natureza administrativa, o prazo a ser obedecido é o de cinco anos a contar da data da infração, nos termos do art. 139 do Decretolei nº 37, de 1966. No caso da legislação aduaneira são diversas as infrações que conduzem à aplicação da pena de perdimento. O art. 618 do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento Aduaneiro de 2002, com a redação dada pelo o Decreto nº 4.765, de 24.6.2003 (que tem como base legal o Decretolei nº 37, de 1966, art. 105, e Decretolei nº 1.455, de 1976, art. 23 e § 1º, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, art. 59),vigente à época dos registros das DI, elenca 22 (vinte e duas) infrações definidas como dano ao Erário que cominam com a aplicação da pena de perdimento de mercadorias no comércio exterior, além das hipóteses previstas nos artigos. 619 a 625 do RA/2002. Assim, a verificação do momento em que se deu a infração, para fins de início de contagem de prazo, deve ser efetuada em cada caso concreto, pois tal momento estará vinculado ao tipo de infração cometida. Existem infrações cuja ocorrência se dá em momento certo. Outras, em que a infração se dá de forma continuada. É claro que para o caso da mercadoria importada, internada no território nacional por meio da prática dos crimes de contrabando e descaminho (CP, art.334), a infração persiste enquanto esta mercadoria encontrarse irregularmente no território nacional. Esta é uma infração continuada, cujo termo de início para o prazo da ação punitiva da administração da pena de perdimento dáse no momento em que cessa a infração, conforme previsto no art. 1º da Lei nº 9.873, de 23 de novembro de 1999. Mas, este não é o caso dos autos. A infração denunciada na formalização da exigência da multa substitutiva da pena de perdimento, como relatado, referese à interposição fraudulenta de terceiros, presumida em face da falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados em operações de comércio exterior, consoante o § 2o ao art. 23 do DecretoLei n° 1.455/76 acrescentado pela Lei n° 10.637, de 30.12.2002. Esta infração ocorre na data de registro da DI, ocasião em que o importador fornece as informações pertinentes. A fiscalização apresentou a relação das importações realizadas pela contribuinte, no total de 39, cuja primeira ocorreu em 06/01/2004 e a última em 15/07/2004, conforme relação por número de DI, data do registro e valor aduaneiro, sendo que as mercadorias em sua totalidade referemse a produtos perecíveis (arroz importado do Uruguai), sendo este ponto incontroverso. Cada uma dessas datas constitui o dia a quo para a contagem do prazo previsto no art. 139 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Do instituto previsto no art. 139 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966: decadência x prescrição Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 Praticando o administrado uma infração contra regras estabelecidas em lei federal, surge para a Administração Pública Federal a pretensão de agir. É a Ação Punitiva da Administração Pública Federal, no uso do seu poder de polícia, cujo prazo para agir encontra se regrado na Lei nº 9.873, de 23 de Novembro de 1999. O poder de polícia consiste na faculdade de que dispõe a Administração para criar restrições ao uso de bens e ao exercício de direitos pelo particular, visando ao bemestar da coletividade. Seu principal fundamento está na supremacia do Estado perante seus administrados. A doutrina enumera, em regra, 3 (três) atributos inerentes ao poder de polícia: a discricionariedade, a autoexecutoriedade e a coercibilidade. 2 Em determinados casos, tal como se dá na matéria em questão, a lei estabelece qual deverá ser a conduta do Estado, retirando a margem de discricionariedade inerente a esse poder. Nesses casos, dizse que o poder de polícia é vinculado, pois já se mostra estabelecida a postura a ser adotada pela Administração. A autoexecutoriedade caracterizase pela desnecessidade da Administração acionar o Poder Judiciário em processos de conhecimento. Vale dizer, os seus atos podem ser imediata e diretamente executados. O derradeiro atributo da coercibilidade caracterizase pelo o fato de ser o poder de polícia dotado de força coercitiva, podendo ser imposto coativamente ao administrado. Como dito acima, a pena de perdimento prevista na legislação aduaneira constituise, de fato, em ação punitiva da administração Pública Federal, no uso do seu poder de polícia, face à um ato ilícito previsto na respectiva legislação e que esta penalidade não tem natureza tributária. Que igual natureza administrativa e punitiva possui a multa de conversão dessa pena de perdimento., similar à ação punitiva regrada na Lei nº 9.873, de 23 de novembro de 1999. A Lei nº 9.873, de 23 de novembro de 1999, mencionada pela autoridade julgadora de 1ª instância administrativa em seu voto, estabelece expressamente prazo de prescrição para o exercício de ação punitiva pela Administração Pública Federal, direta e indireta, e dá outras providências. Diz a mencionada lei, em seu artigo 1º: “Art.1o Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado.” Como se constata, tal regra é similar à do art. 139 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, posto que a expressão “da data da prática do ato”, não é outra senão a “data da infração”, que foi a expressão utilizada no art. 139 do Decretolei nº 37/66. Apenas, o 2 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. São Paulo: Atlas, 2002 Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10314.013982/200966 Acórdão n.º 3302002.690 S3C3T2 Fl. 14 9 artigo 1º Lei nº 9.783, de 23 de novembro de 1999 complementa a regra para o caso de infração permanente ou continuada. O Art. 1ºA, menciona: “Art. 1oA. Constituído definitivamente o crédito não tributário, após o término regular do processo administrativo, prescreve em 5 (cinco) anos a ação de execução da administração pública federal relativa a crédito decorrente da aplicação de multa por infração à legislação em vigor. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). A inserção deste artigo pela Lei nº 11.941, de 2009 denota que a ação punitiva a que se refere o art. 1º referese à sanção emitida em processo administrativo. No caso da multa decorrente da conversão da pena de perdimento, como já dito acima, a Lei n.º 10.833/2003, em seu artigo 73 exige que a sanção ocorra mediante lançamento de ofício, processado e julgado nos termos da legislação que rege a determinação e exigência dos demais créditos tributários da União, qual seja, .o Decreto n.º 70.235/72. Verificase, aqui, a aplicação do atributo da autoexecutoriedade. O Art.5º da Lei nº 9.873, de 23 de novembro de 1999 estabelece que: “O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária”. Assim, tratandose de infrações de outras naturezas que não sejam as funcionais e de outros procedimentos que não sejam de natureza tributária, é de se aplicar as regras estabelecidas pela Lei nº 9.873, de 23 de novembro de 1999. Como dito acima, a pena de perdimento prevista na legislação aduaneira constituise, de fato, em ação punitiva da administração Pública Federal, no uso do seu poder de polícia, face à um ato ilícito previsto na respectiva legislação e que esta penalidade não tem natureza tributária. Que igual natureza administrativa e punitiva possui a multa de conversão dessa pena de perdimento. E, nesta condição, aplicase à tal ação punitiva, as regras contidas na Lei nº 9.873, de 23 de novembro de 1999. Cabe destacar a regra estabelecida no artigo 8º de referida lei, in verbis: “Art.8oFicam revogados o art. 33 da Lei no 6.385, de 1976, com a redação dada pela Lei no 9.457, de 1997, o art. 28 da Lei no 8.884, de 1994, e demais disposições em contrário, ainda que constantes de lei especial”.(grifei). Inexiste contradições das regras da contagem do prazo, pois como ressaltado acima a regra do art. 139 do Decretolei nº 37/66 é semelhante à do art. 1º da Lei nº 9.873, de 23 de novembro de 1999, sendo esta, no entanto, mais completa, ao definir a questão da infração continuada. E esta regra complementar, alcança, quando for o caso, as infrações de natureza aduaneira e/ou administrativa que ocorram de forma continuada. Considerando exatamente a regra atinente à infração continuada é que o TRF 1ªRF efetuou o seguinte julgado, que já foi destacado no Acórdão ora recorrido: Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 10 “MANDADO DE SEGURANÇA nº 1999.34.00.0256394 de Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Sétima Turma, 18 de Fevereiro de 2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. AUTO DE INFRAÇÃO. MERCADORIA ESTRANGEIRA DEPOSITADA NO PAÍS SEM PROVA DE REGULAR IMPORTAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. ART. 139 DO DECRETOLEI N. 37/66. INFRAÇÃO CONTINUADA OU PERMANENTE. DECADÊNCIA NÃO VERIFICADA. 1. A infração punida com a pena de perdimento, prevista no inciso X do art.105 do DecretoLei n. 37/66, perpetuase no tempo, enquanto o bem continuar no território nacional de forma irregular. 2. O prazo de decadência previsto no art. 139 do mesmo DecretoLei não retroage à data do fato gerador, por não se tratar de lançamento de tributo, iniciandose a contagem da data da infração. 3. Considerase cometida a infração aduaneira de caráter permanente no momento em que cessa a permanência. Aplicação, por analogia, do disposto na Lei n. 9.873/99 e no Código de Processo Penal sobre prescrição da pretensão punitiva do Estado. 4. In casu, a motocicleta reclamada pelo impetrante tem origem japonesa, é proveniente dos EUA e foi introduzida no país pela Zona Franca de Manaus em 1987, mas foi apreendida pela Polícia Civil do Distrito Federal na garagem da residência do impetrante em 1999, ocasião em que teve início o prazo de cinco anos para a extinção do direito da Receita Federal de aplicação da pena de perdimento. Decadência não verificada. 5. Apelação do impetrante não provida”. A Lei nº 9.873, de 23 de novembro de 1999 é clara ao dizer em seu preâmbulo que “Estabelece prazo de prescrição para o exercício de ação punitiva pela Administração Pública Federal”. Portanto, tratase de prazo de prescrição. É a própria lei quem assim define. Em sendo prazo prescricional, esta se interrompe, nos termos dispostos no art. 2º da Lei nº 9.873, de 23 de novembro de 1999, que assim estabelece: “Art. 2o Interrompese a prescrição da ação punitiva: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I – pela notificação ou citação do indiciado ou acusado, inclusive por meio de edital; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) II por qualquer ato inequívoco, que importe apuração do fato; III pela decisão condenatória recorrível. IV – por qualquer ato inequívoco que importe em manifestação expressa de tentativa de solução conciliatória no âmbito interno Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10314.013982/200966 Acórdão n.º 3302002.690 S3C3T2 Fl. 15 11 da administração pública federal. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(grifei). Portanto, consoante se verifica da descrição dos fatos constante do Auto de infração (efl. 04), em 21/03/2005, foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 08155002005001099 para a aplicação do procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, nos moldes da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal (IN SRF) n° 228, de 21 de outubro de 2002. E que, em 05/04/2005, a empresa foi cientificada do Mandado de Procedimento Fiscal n.° 08155002005001099 e da Intimação Fiscal n.° 359/2005, através dos Correios com Aviso de Recebimento (AR), para entrega de diversos documentos fiscais e comerciais necessários à verificação da origem dos recursos aplicados em suas operações de comércio exterior. Nesta data de 05/04/2005, nos termos do art. 2º da Lei nº 9.873, de 23 de novembro de 1999 acima transcrito, o prazo foi interrompido e, em conseqüência, o lançamento da multa punitiva substitutiva da pena de perdimento, no exercício do poder de polícia, foi efetuado dentro do prazo legal, não havendo como declarar o seu cancelamento. É de se rejeitar, portanto, a alegação de ocorrência de decadência do lançamento da multa. Do Direito A recorrente, quanto ao direito, aduz a existência de manifesto erro de direito quanto ao fundamento legal, da própria base de cálculo e determinação do quantum devido por ocasião do lançamento, redundando até mesmo em erro de direito na identificação do sujeito passivo principal, não podendo a penalidade ser quantificada em 100% do valor aduaneiro das mercadorias, pois o art. 33 da Lei 11.488, de 2007, estabelece a aplicação da penalidade de 10% do valor da operação, o que o contamina, devendose ser declarada a nulidade do lançamento. Não prospera tais alegações. De antemão, afastase a hipótese de nulidade do lançamento, posto que, de acordo com o art. 59, I, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19723, só se pode cogitar de declaração de nulidade do auto de infração – que se insere na categoria de ato ou termo –, quando esse for lavrado por pessoa incompetente (art. 59, I). Por sua vez, a nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, , somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode ocorrer em uma fase posterior à lavratura do auto de infração. 3 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 12 Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, a teor do art. 60 do Decreto nº 70.235, de 19724. Nesse contexto, uma vez que o auto de infração não foi lavrado por pessoa incompetente, mas por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, não há como se considerar a possibilidade de ser declarada a nulidade do lançamento. Consta dos autos que a empresa SERRA LESTE IND. E COM. IMP. E EXP.,em face do Ato Declaratório, oriundo do PAF 10314.005333/200568, foi declarada INAPTA com efeitos a partir de 04/04/05. A interessada, então, ajuizou,ação Ordinária que tramita sob n° 2005.61.00.0258531 na 5o Vara Cível Federal de São Paulo—SP a fim de obter sentença que determinasse a reativação da inscrição tida por inapta. Esta questão, entretanto, não faz parte do presente litígio. A tipificação eleita pelo auto de infração em face dano ao erário é a inscrita no art. 23, inciso V, do Decretolei 1.455/76. A Lei 10.637, em seu artigo 59 alterou a redação do artigo 23 do Decretolei nº 1.455 de 07 de Abril de 1976, que define infrações que causam dano ao Erário, acrescentandolhe um novo inciso além de três novos parágrafos, in verbis: "Art. 59. O art. 23 do Decretolei no 1.455, de 7 de abril de 1976, passa a vigorar com as seguintes alterações: Art. 23. (...) (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. §1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. §2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. §3º A pena prevista no §1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida." O art. 23, § 2º do Decreto nº 1.455/76, com a redação que lhe foi dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002, estabelece que se presume a ocorrência de interposição 4 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10314.013982/200966 Acórdão n.º 3302002.690 S3C3T2 Fl. 16 13 fraudulenta na operação de comércio exterior quando não há comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. A teor do art. 23, V, § 1º, do Decretolei nº 1.455/76, com a redação que lhe foi dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002, a interposição fraudulenta de terceiro é uma das irregularidades que constituem dano ao erário, punível com o perdimento das mercadorias importadas irregularmente. Em caso de as mercadorias já haverem sido entregues a consumo ou não tendo sido localizadas, aplicase a pena substitutiva prevista no art. 23, § 3º, do Decretolei nº 1.455/76, com a redação que lhe foi dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias entregues a consumo. Não obstante a penalidade de perdimento, nos casos de interposição frudulenta presumida, afetar materialmente o acobertado, o lançamento dáse contra aquele que consta na Declaração de Importação. Posteriormente, foi emitida a Lei nº 11.488/2007, que previu a multa de dez por cento do valor da operação, aplicável à pessoa jurídica que cede o nome ao terceiro oculto. E que está hoje claramente regulamentado no Regulamento Aduaneiro em vigor – Decreto 6.759/09. “Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). (...) § 3º A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas” Esta multa, então, penaliza o encobertante. Por ser esclarecedora da questão, transcrevese a seguir ementa do voto proferido no Acórdão no 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30.jan.2014: “INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENALIDADES. CUMULATIVIDADE. MULTA. PERDIMENTO. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2º do Decretolei nº 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Em tal hipótese, não há que se cogitar da aplicação da multa pelo Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 14 acobertamento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1º da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do Decretolei nº 37/1966) e a multa por acobertamento afeta somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”.” (Acórdão no 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30.jan.2014) A Orientação Coana/Cofia/Difia s/n, datada de 11 de julho de 2007, que trata da aplicação de multa na cessão de nome a terceiro, em operações de comércio exterior e que foi citada pela recorrente sob a alegação de a mesma respaldar seu posicionamento, chega à seguinte conclusão: “Em resumo, concluise que se aplicam as seguintes disposições legais, às hipóteses abaixo enumeradas: Interposição fraudulenta presumida pela não comprovação da origem dos recursos: Pena de perdimento da mercadoria, com base no art. 23, inciso V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; Proposição de inaptidão da inscrição do CNPJ da pessoa jurídica (art. 81, § 1º, da Lei nº 9.430/96, e art. 41, caput e parágrafo único, da IN RFB nº 748/2007); Interposição fraudulenta comprovada, seja pela identificação da origem do recurso de terceiro, seja pela constatação da ocultação por outros meios de prova: Pena de perdimento da mercadoria, com base no art. 23, inciso V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; Multa de 10% do valor da operação acobertada, aplicada sobre o importador, conforme dispõe o art. 33 da Lei nº 11.488/2007.” Pelas conclusões acima destacadas e como já reconheceu a recorrente, a multa de dez por cento do valor da operação, prevista no art. 33, caput da Lei no 11.488, de 2007, aplicável à pessoa jurídica que cede o nome não revogou a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias aplicada nos casos de infração por interposição fraudulenta. E destacando exatamente o mesmo trecho da orientação COANA/COFIA/DIFIA sem número, específica em relação à aplicação da Lei 11.488/2007, concluise, diferentemente da conclusão a que chegou a contribuinte, que o lançamento da multa substitutiva da pena de perdimento, não obstante atinja efetivamente o real importador, é lavrado em face daquele que promoveu a importação, sem prejuízo de cumulatividade, quando for o caso, da multa de 10%. Vejamos: “Como se pode observar, a lei introduziu a previsão de Infração de prática do cessão do nome a terceiro, com penalidade pecuniária incidente diretamente sobre o agente de ação, ou seja, sobre aquele que fornece seu nome para acobertar Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10314.013982/200966 Acórdão n.º 3302002.690 S3C3T2 Fl. 17 15 operação de comércio exterior que, na realidade, tenha sido promovida por outra pessoa, física ou Jurídica. Como se sabe. é punível com a pena de perdimento de mercadoria, por presunção legal de dano ao Erário, a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação. Inclusive a Interposição fraudulenta de terceiros. A pena de perdimento, no caso em tela, tem caráter restritivo de direito da propriedade, e seus reais efeitos são sentidos não por quem Importa, mas por aquele que está oculto, tentando passar desapercebido aos olhos do Fisco, ou seja, o adquirente de fato. Este é quem, se utilizando de outra empresa, seja com ou sem seu conhecimento e consentimento, promove a importação de produtos de seu interesse. E sobre ele, portanto, recai a punição de perda do objeto do delito. Ocorre que, antes da lei em comento, ao se constatar tal conduta simulada e fraudulenta, o Fisco apenava apenas o adquirente de fato. responsável pela Infração, ainda que a autuação com proposta de aplicação de pena da perdimento fosse dirigida ao Importador, como agente direto da ação delituosa. Com o introdução da multa pelo artigo 33 acima transcrito, além do perdimento do bem,. a nova lei atribuiu penalidade pecuniária dirigida diretamente a quem agiu como Instrumento de irregularidade, ou seja, o importador. (...).”(grifei). Ressalvese que o dano ao erário será punido com a pena de perdimento das mercadorias que, no entanto, convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. A pena pecuniária prevista no art. 33 da Lei n° Lei n° 11.488, de 2007 veio apenas substituir a pena nãopecuniária de declaração de inaptidão e não a pena de perdimento. Lembrando que, no caso específico, a contribuinte, também, foi penalizada com declaração de inaptidão. Considerando ainda que , no caso de interposição fraudulenta por presunção legal, sequer se identifica o real importador, de modo que, o lançamento da multa substitutiva da pena de perdimento deve ser mesmo efetuado no importador ostensivo. Portanto,consoante demonstrado, tratandose de interposição fraudulenta com ocultação de terceiros.em face de presunção legal, encontrase correta a autuação de multa substitutiva de pena de perdimento aplicada sobre aquele que consta como importador. CONCLUSÃO Com base nos fundamentos acima postos, conduzo o meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 16 (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Voto Vencedor CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Pedi vista destes autos para melhor me inteirar acerca da matéria fática neles discutida. Conforme relatado, o cerne da questão referese à aplicação ao caso (i) do prazo decandecial previsto no artigo 139 do Decreto Lei no 37/66, que se refere à matéria aduaneira ou (ii) ao prescricional disposto na regra geral prevista na Lei no 9.873/99. Isto porque se o entendimento for por tratarse de hipótese de decadência, a discussão se resolve de em sede de preliminar. Conforme se verifica do voto da ilustre Conselheira Relatora5, seu entendimento é pela submissão da hipótese fática ao prazo prescricional. Entende a Relatora que a multa aqui aplicada não possui natureza tributária e que a Lei no 9.873/99 veio a substituir e revogar o artigo 139 do Decreto Lei no 37/66. Este fato é relevante para o caso em apreço porque a prescrição comporta interrupção de contagem de prazo, e seria justamente esta interrupção que garantiria a manutenção do auto de infração em análise. Assim, se o caso for de prescrição, o auto de infração se mantém, se for hipótese de decadência não. Ouso divergir da interpretação conferida ao caso pela d. Relatora. A primeira razão que me faz divergir do voto apresentado é que in casu está se discutindo o lançamento tributário, a constituição do auto de infração, e prazo para lançamento é sinônimo de decadência, enquanto prazo para execução é sinônimo de prescrição. A prescrição é o direito de agir – no caso do Fisco, não de constituir penalidade/tributo o que quer que seja. Como bem colocado pela Relatora, “A Lei nº 9.783, de 23 de novembro de 1999 é clara ao dizer em seu preâmbulo que ‘Estabelece prazo de prescrição para o exercício de ação punitiva pela Administração Pública Federal”. Portanto, tratase de prazo de prescrição. É a própria lei quem assim define.” Para a ocorrência do prazo prescricional,é preciso que exista uma “ação punitva” por parte da Administração Pública a ser exercida. O objeto da ação punitiva é a penalidade constituída, que se constitui antes da ação punitiva. Por impossibilidade de outro procedimento é esta a ordem, PRIMEIRO constituiuse a infração contra o contribuinte, CONSTITUÍDA a infração, EXIGESE o cumprimento da penalidade nela determinada. 5 Voto da Relatora “Assim, tratandose de infrações de outras naturezas que não sejam as funcionais e de outros procedimentos que não sejam de natureza tributária, é de se aplicar as regras estabelecidas pela Lei nº 9.783, de 23 de novembro de 1999, tais quais as infrações e procedimentos de natureza aduaneira e administrativas. Como dito acima, a pena de perdimento prevista na legislação aduaneira constituise, de fato, em ação punitiva da administração Pública Federal, no uso do seu poder de polícia, face à um ato ilícito previsto na respectiva legislação e que esta penalidade não tem natureza tributária. Que igual natureza administrativa e punitiva possui a multa de conversão dessa pena de perdimento. E, nesta condição, aplicase à tal ação punitiva, as regras contidas na Lei nº 9.783, de 23 de novembro de 1999, não por analogia, mas sim, por enquadrarse na situação ali prevista. Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10314.013982/200966 Acórdão n.º 3302002.690 S3C3T2 Fl. 18 17 De idêntica forma determina o art. 2º da Lei nº 9.783/99: “Art. 2o Interrompese a prescrição da ação punitiva: I – pela notificação ou citação do indiciado ou acusado, inclusive por meio de edital; II por qualquer ato inequívoco, que importe apuração do fato; III pela decisão condenatória recorrível. IV – por qualquer ato inequívoco que importe em manifestação expressa de tentativa de solução conciliatória no âmbito interno da administração pública federal.” A lei é clara quando determina a necessidade de existência prévia de uma “ação punitiva”. Desta forma, a meu ver, não se trata de revogação do artigo 139 do decreto Lei no 37/66 pela Lei no 9.783/99, porque os dispositivos normativos não se confundem e tratam de institutos distintos. Vejamos o que determina o Decreto Lei no 37/1966: “Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração.” É cristalina a diferença entre os dispositivos normativos. Enquanto a Lei no 9.783/99 referese à “ação punitiva” o Decreto Lei 37/66 menciona “direito de exigir tributo e de impor penalidade”. No caso em análise estamos analisando o prazo que se aplica ao lançamento tributário, à constituição do tributo, bem como da penalidade contra o contribuinte. Pareceme claro que a questão referese ao direito de impor penalidade, razão pela qual trata se de aplicação de prazo decadencial. Neste sentido podese citar precedentes deste Tribunal Administrativo Federal, tal como o acórdão 3403002.865, proferido pela – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de relatoria do Ilustre Conselheiro Rosaldo Trevisan, nos autos do processo administrativo no 13971.004624/200915, o qual restou da seguinte forma ementado: “(...) PENALIDADE ADUANEIRA. DECADÊNCIA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o art. 139 do DecretoLei n o 37/1966. (...)” destacamos Ante o exposto, ouso divergir da interpretação apresentada pela d. Conselheira Relatora por entender tratarse de prazo prescricional, sujeito ao artigo 139 do Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 18 Decreto Lei no 37/66, razão pela qual DOU PROVIMENTO ao recurso apresentado pela Recorrente cancelando o auto de infração. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/1 1/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA S ILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 13227.720154/2008-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00.
A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-O, §1º, da Lei n.º 6.938/81.
A partir do exercício de 2.002, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observando-se a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal.
A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto.
A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem referida exigência.
Hipótese em que o Recorrente não apresentou qualquer documento que pudesse comprovar o preenchimento dos requisitos legais.
ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). LAUDO DE AVALIAÇÃO. NECESSIDADE.
Para fins de comprovação do VTN, o contribuinte deve apresentar laudo técnico de avaliação acompanhado de ART anotada no CREA.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-002.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Odmir Fernandes e Heitor de Souza Lima Junior.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. A partir do exercício de 2.002, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observando-se a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal. A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto. A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem referida exigência. Hipótese em que o Recorrente não apresentou qualquer documento que pudesse comprovar o preenchimento dos requisitos legais. ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). LAUDO DE AVALIAÇÃO. NECESSIDADE. Para fins de comprovação do VTN, o contribuinte deve apresentar laudo técnico de avaliação acompanhado de ART anotada no CREA. Recurso negado.
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ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. A partir do exercício de 2.002, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observandose a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal. A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto. A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem referida exigência. Hipótese em que o Recorrente não apresentou qualquer documento que pudesse comprovar o preenchimento dos requisitos legais. ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). LAUDO DE AVALIAÇÃO. NECESSIDADE. Para fins de comprovação do VTN, o contribuinte deve apresentar laudo técnico de avaliação acompanhado de ART anotada no CREA. Recurso negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 01 54 /2 00 8- 74 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Odmir Fernandes e Heitor de Souza Lima Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 158/159) interposto em 01 de março de 2013 em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) (efls. 122/145), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de efls. 36/39, lavrado em 06 de outubro de 2008, em virtude da falta de recolhimento do ITR, verificada no exercício de 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 DO PROCEDIMENTO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E NULIDADE. O procedimento fiscal foi instaurado e realizado em conformidade com a legislação vigente, além de ter sido possibilitado ao interessado, por ocasião da entrega tempestiva de sua impugnação, exercer plenamente o seu direito de defesa, não havendo, portanto, que se falar em cerceamento do direito de defesa ou de qualquer outra irregularidade que pudesse implicar na nulidade da correspondente Notificação de Lançamento. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL As áreas de preservação permanente e de reserva legal, para fins de exclusão do cálculo do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo Fl. 166DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13227.720154/200874 Acórdão n.º 2101002.568 S2C1T1 Fl. 163 3 IBAMA ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do competente ADA; fazendose necessário, ainda, em relação à área de reserva legal, que a mesma esteja averbada à margem da matrícula do imóvel, em data anterior à do fato gerador do imposto. DO VALOR DA TERRA NUA SUBAVALIAÇÃO. Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha médio constante do SIPT, para o município onde se localiza o imóvel, por falta de documentação hábil comprovando o seu valor fundiário, a preços de 1º/01/2004, bem como a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar essa revisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (efl. 122). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de efls. 158/159, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Tendo em vista que a matéria no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) é recorrente, cumpre tecer alguns breves esclarecimentos antes de adentrar na questão especificamente debatida nestes autos. De fato, como é cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis: “Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município.” À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal n.º 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1º, como hipótese de incidência do tributo, a “propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município”. Sem adentrar especificamente na discussão a respeito da eventual ampliação do conceito de propriedade albergado pela Constituição Federal pelo disposto nos artigos citados, ao incluírem como fato gerador do ITR o domínio útil e a posse (cum animus domini), tema que não releva na análise do presente recurso, verificase que não há qualquer discussão a respeito da incidência do tributo no que toca às áreas de preservação permanente ou de reserva florestal legal. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Com efeito, muito embora em tais áreas a utilização da propriedade deva observar a regulamentação ambiental específica, disso não decorre a consideração de que referida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR. Isso porque, como se sabe, o direito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 5º da CF, possui limitação constitucional assentada em sua função social (art. 5º, XIII, da CF). Nesse sentido, consoante salienta Gilmar Mendes (et. al.), possui o legislador uma relativa liberdade para conformação do direito de propriedade, devendo preservar, contudo, “o núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e, fundamentalmente, pelo poder de disposição. A vinculação social da propriedade, que legitima a imposição de restrições, não pode ir ao ponto de colocála, única e exclusivamente, a serviço do Estado ou da comunidade.” (MENDES, Gilmar Ferreira (et. al.). Curso de direito constitucional. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 483). No que atine à regulação ambiental, deste modo, verificase que a legislação, muito embora restrinja o uso do imóvel em virtude do interesse na preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado, na forma como estabelecido pela Constituição da República, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela legislação cível. Com fundamento no exposto, não versando os autos sobre hipótese de não incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da base de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal n.º 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989” (grifei). Havendo referido dispositivo legal feito expressa referência a conceitos desenvolvidos em outro ramo do Direito, mais especificamente no que toca à seara ambiental, oportuno se faz recorrer ao arcabouço legislativo desenvolvido neste campo específico, na forma indicada pelo art. 109 do CTN, para o fim de compreender, satisfatoriamente, o que se entende por áreas de preservação permanente e de reserva legal, estabelecidas como hipótese de isenção do ITR (redução do correspondente aspecto quantitativo). A respeito especificamente da chamada “área de preservação permanente” (APP), dispõe o Código Florestal, Lei n.º 4.771/65, atualmente regulada, também, pelas Resoluções CONAMA n. 302 e 303 de 2002, o seguinte: “Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: Fl. 168DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13227.720154/200874 Acórdão n.º 2101002.568 S2C1T1 Fl. 164 5 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarse á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei.” Verificase, à luz do que se extrai dos artigos em referência, que a legislação considera como área de preservação permanente, trazendo à baila a lição de Edis Milaré, as “florestas e demais formas de vegetação que não podem ser removidas, tendo em vista a sua localização e a sua função ecológica” (MILARÉ, Edis. Direito do ambiente: doutrina, jurisprudência, glossário. 5ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 691). Vale notar, nesse sentido, que nas áreas de preservação permanente, consoante esclarece o disposto pelo §1º do art. 3º, citado supra, não há qualquer possibilidade de supressão das florestas, apenas excetuada tal regra nos casos de execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Não se confunde com a área de preservação permanente, no entanto, a chamada área de reserva legal, ou reserva florestal legal, cujos contornos são estabelecidos igualmente pelo Código Florestal, mais especificamente em seu art. 16, que, na redação vigente, isto é, com a redação que lhe foi dada pela MP 2.16667/2001, assim dispõe: “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13227.720154/200874 Acórdão n.º 2101002.568 S2C1T1 Fl. 165 7 § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da Fl. 171DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (...) Art. 44. O proprietário ou possuidor de imóvel rural com área de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, II, III e IV do art. 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 5o e 6o, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente: I recompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da área total necessária à sua complementação, com espécies nativas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual competente; II conduzir a regeneração natural da reserva legal; e III compensar a reserva legal por outra área equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento. § 1o Na recomposição de que trata o inciso I, o órgão ambiental estadual competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural familiar. § 2o A recomposição de que trata o inciso I pode ser realizada mediante o plantio temporário de espécies exóticas como pioneiras, visando a restauração do ecossistema original, de acordo com critérios técnicos gerais estabelecidos pelo CONAMA. § 3o A regeneração de que trata o inciso II será autorizada, pelo órgão ambiental estadual competente, quando sua viabilidade for comprovada por laudo técnico, podendo ser exigido o isolamento da área. § 4o Na impossibilidade de compensação da reserva legal dentro da mesma microbacia hidrográfica, deve o órgão ambiental estadual competente aplicar o critério de maior proximidade possível entre a propriedade desprovida de reserva legal e a área escolhida para compensação, desde que na mesma bacia hidrográfica e no mesmo Estado, atendido, quando houver, o respectivo Plano de Bacia Hidrográfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no inciso III. § 5o A compensação de que trata o inciso III deste artigo, deverá ser submetida à aprovação pelo órgão ambiental estadual competente, e pode ser implementada mediante o arrendamento de área sob regime de servidão florestal ou reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art. 44B. (...)” O Código Florestal estabelece, em sua essência, como lembra MILARÉ, a idéia de disciplinar a supressão tanto das florestas e demais formas de vegetação nativa, excetuadas as áreas de preservação permanente, vistas anteriormente, como, igualmente, das florestas não sujeitas ao regime de utilização limitada, ou já objeto de legislação específica (MILARÉ, Edis. op. cit. p. 702). Fl. 172DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13227.720154/200874 Acórdão n.º 2101002.568 S2C1T1 Fl. 166 9 Nesse sentido, lembra o referido ambientalista que “ao permitir tal supressão [de florestas] determina que se mantenha obrigatoriamente uma parte da propriedade rural com cobertura florestal ou com outra forma de vegetação nativa”, delimitando, assim, “a porção a ser constituída como Reserva da Floresta Legal” (Op. cit. p. 702). A reserva florestal legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa Antunes, “uma obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independentemente de sua pessoa ou da forma pela qual tenha adquirido a propriedade”, estando, assim, “umbilicalmente ligada à própria coisa, permanecendo aderida ao bem” (ANTUNES, Paulo de Bessa. Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça. In: Revista de Direito Ambiental n.º 21. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 120). À luz do exposto, verificase que as restrições ambientais, tanto nos casos de áreas de preservação permanente, como naqueles em que há reserva legal, decorrem, explicitamente, da ocorrência ou verificação, in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. Nesse passo, consoante se extrai da legislação ambiental trazida à baila, não há a exigência, para o cumprimento das normas relativas às áreas de preservação permanente ou de reserva legal, de qualquer ato público que as constitua, mas, apenas e tãosomente, da ocorrência das hipóteses legais previstas pelo Código Florestal, bem como pelos demais atos normativos primários que disponham sobre o tema. À guisa do exposto, portanto, a averbação à margem da matrícula do imóvel da área de reserva florestal legal, com a devida vênia daqueles que entendem de forma diversa, não tem natureza constitutiva, mas simplesmente declaratória, tendo em vista que, excetuadas as hipóteses especificamente mencionadas na legislação, a observância do percentual de 20% previsto em lei independe de qualquer averbação, estando apenas sujeita à aprovação da sua localização por órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65. Nesse sentido, oportuno afirmar que, muito embora a legislação preveja a necessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispõe o §8º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65, a sanção decorrente da falta de averbação da área de reserva legal, prevista pelo art. 55 do Decreto n.º 6.514/2008, encontrase atualmente prorrogada para 2011, de acordo com o que estatui o Decreto Federal n.º 7.029/2009, razão pela qual se infere que a legislação concedeu um período de adaptação aos proprietários, a fim de que possam cumprir referida determinação legal, deixando de cominarlhes qualquer penalidade em decorrência da falta de averbação de referida área. Por tais razões, especialmente por entender que a observância dos percentuais fixados em lei para exploração de área rural decorre de normas de ordem pública, que não podem ser afastadas pelo contribuinte pelo simples fato de que não procedeu este à competente averbação, tenho para mim que esta última possui caráter nitidamente declaratório, sendo necessária para conferir publicidade ao gravame fixado que, como já se verberou oportunamente, decorre diretamente da legislação ambiental. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Além da desnecessidade de averbação, para o fim específico de constituir as áreas de reserva florestal legal, igualmente não havia, até o exercício de 2000, qualquer fundamento legal para a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para o fim de reduzir a base de cálculo do ITR. Nesse sentido, aliás, dispunha o art. 17O, da Lei Federal n.º 6.938/81, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n. 9.960/2000, o seguinte: "Art. 17O. Os proprietários rurais, que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama 10% (dez por cento) do valor auferido como redução do referido Imposto, a título de preço público pela prestação de serviços técnicos de vistoria." (AC) "§ 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é opcional." Por esta razão, portanto, isto é, por inexistir qualquer fundamento legal para a entrega tempestiva do ADA, como requisito para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela legislação atinente ao ITR, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou a seguinte súmula, extraída do texto da Portaria n.º 106/2009: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.º 10.165/2000 alterouse a redação do §1º do art. 17O da Lei n.º 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: “Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejandose o texto aprovado quando da edição da Lei n.º 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei n.º 10.165/00, verificase que, para o fim específico da legislação tributária, passouse a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.º 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1º, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de uma análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. Importante gizar, outrossim, ainda no que concerne à obrigatoriedade de apresentação do ADA, que não há que se falar em revogação do referido dispositivo pelo §7º do art. 10 da Lei n.º 9.393/96, instituído pela Medida Provisória n.º 2.16667/01, tendo em vista que a inversão do ônus da prova prevista no referido dispositivo referese justamente às declarações feitas pelo contribuinte no próprio Ato Declaratório Ambiental (ADA), de modo Fl. 174DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13227.720154/200874 Acórdão n.º 2101002.568 S2C1T1 Fl. 167 11 que não estabelece referido dispositivo legal qualquer desnecessidade de apresentação deste último. Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.º 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveu se a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma “razoável efetividade da norma tributária” (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.º 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato sensu, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.º 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.º 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3º, I, do Decreto n.º 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, posterior à data da ocorrência do fato gerador, no caso que ora se trata. Querse com isso dizer, portanto, que, muito embora a legislação tratasse, de maneira inolvidável, a respeito da entrega do Ato Declaratório Ambiental, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não havia, sequer no âmbito do poder regulamentar, disposição alguma a respeito do prazo para sua apresentação, e, menos ainda, que possibilitasse à Receita Federal desconsiderar a existência de áreas de preservação permanente ou de reserva legal no caso de apresentação intempestiva do ADA. Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por instrução normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.º 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.º 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.º 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.º 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel de imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo da norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das Fl. 176DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13227.720154/200874 Acórdão n.º 2101002.568 S2C1T1 Fl. 168 13 demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico “ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio”, isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.º 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: “Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa.” De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. Poderseia sustentar, inclusive, que o ADA poderia ser substituído por outros documentos que comprovassem efetivamente as áreas de preservação permanente e de reserva legal, à luz do que se extrai do próprio “Manual de Perguntas e Respostas” do Ato Declaratório Ambiental (ADA) editado pelo IBAMA em 2010. De fato, de acordo com a pergunta e resposta n. 10, não seria possível a apresentação retroativa do ADA, o qual, a partir do exercício de 2007, tornouse anual. Assim, a pergunta e resposta n. 11 orienta o administrado a adotar o seguinte procedimento, em virtude da impossibilidade de apresentação retroativa do ADA: “Em virtude da impossibilidade de procederse à apresentação de ADA, de um ou mais Exercícios anteriores – por não haver retroatividade –, recomendase que seja efetuado o preenchimento do formulário referente ao Exercício em vigor, mesmo porque a apresentação, a partir do ADA – Exercício 2007 tornouse ANUAL. É necessário, também, munirse de mapa(s) georreferenciado(s) da propriedade e respectivos laudos técnicos, se disponíveis. Sua apresentação, em um primeiro momento, não é necessária ao Ibama, porém, caso haja notificação pela Receita Federal do Brasil ao proprietário rural – pela não apresentação do ADA no Exercício devido –, à ela deverão ser apresentados.” Mais adiante, em resposta à pergunta n. 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?”), o IBAMA relaciona os seguintes documentos: “● Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo; Fl. 177DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental; ● Certidão do Ibama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; ● Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; ● Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).” Podese concluir, portanto, que a própria Administração Pública, que não pode venire contra factum proprium, entende que tanto o ADA como a averbação da reserva legal têm efeito meramente declaratório, não sendo os únicos documentos comprobatórios das áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que remete a solução da controvérsia, nas hipóteses em que ausentes a apresentação do referido ADA ou a averbação da reserva legal, à análise de cada caso concreto. No presente caso, tratase de notificação de lançamento por meio da qual o Recorrente foi intimado a recolher crédito tributário referente ao ITR, exercício 2004, relativamente ao imóvel denominado “Seringal Bela Vista”. Depreendese dos autos que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) rejeitou a preliminar de nulidade suscitada pelo contribuinte em sua impugnação e, no mérito, julgou improcedente a referida defesa, por entender que não restou comprovada a averbação tempestiva da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis, nem tampouco o protocolo do Ato Declaratório Ambiental (ADA) em tempo hábil, junto ao IBAMA, referente à área de preservação permanente, além de não ter apresentado “Laudo de Avaliação”, com as exigências apontadas para fins de infirmar o VTN arbitrado. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13227.720154/200874 Acórdão n.º 2101002.568 S2C1T1 Fl. 169 15 Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário, fazendo remissão aos argumentos apresentados na impugnação, requerendo sejam considerados parte integrante do recurso. In casu, a DRJ analisou um a um os argumentos de defesa, não tendo o Recorrente apresentado em seu recurso qualquer elemento que pudesse infirmar as conclusões do acórdão recorrido, seja quanto à APP, seja quanto à averbação da área de reserva legal, ou mesmo ao arbitramento do VTN. De fato, como se expôs, tenho entendido que a APP poderia ser comprovada por meio de laudo técnico e que a reserva legal, em princípio, deveria ser aprovada pelo órgão ambiental competente, antes de sua averbação. No que se refere especificamente ao VTN, igualmente entendo que este poderia ser provado por meio de laudo técnico. Como no presente caso o Recorrente não apresentou nenhum dos documentos mencionados, o acórdão recorrido deve ser mantido por seus próprios fundamentos. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 179DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 15586.002511/2008-65
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS E VÍNCULOS - SÚMULA CARF 88 - PEÇA INFORMATIVA
A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, conforme o disposto na Súmula CARF nº 88.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CONCESSÃO DE BOLSA DE ESTUDO - CURSO SUPERIOR - ALTERAÇÃO LEGISLATIVA - NÃO INCIDÊNCIA
O salário-de-contribuição compreende a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho. Aplica-se aos fatos geradores em questão, com fundamento no art. 106, II, b, CTN, a redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011 ao artigo 28, § 9º, t da Lei 8.212/1991, que dispõe que não integra o salário-de-contribuição o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.576
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: (i) excluir a tributação incidente sobre o código de levantamento ENS - DESPESA EDUCAÇÃO SUPERIOR e; (ii) determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Daniele Souto Rodrigues, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Marcelo Freitas de Souza Costa (ausente).
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS E VÍNCULOS - SÚMULA CARF 88 - PEÇA INFORMATIVA A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, conforme o disposto na Súmula CARF nº 88. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CONCESSÃO DE BOLSA DE ESTUDO - CURSO SUPERIOR - ALTERAÇÃO LEGISLATIVA - NÃO INCIDÊNCIA O salário-de-contribuição compreende a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho. Aplica-se aos fatos geradores em questão, com fundamento no art. 106, II, b, CTN, a redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011 ao artigo 28, § 9º, t da Lei 8.212/1991, que dispõe que não integra o salário-de-contribuição o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: (i) excluir a tributação incidente sobre o código de levantamento ENS - DESPESA EDUCAÇÃO SUPERIOR e; (ii) determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Daniele Souto Rodrigues, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Marcelo Freitas de Souza Costa (ausente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS E VÍNCULOS SÚMULA CARF 88 PEÇA INFORMATIVA A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 25 11 /2 00 8- 65 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 finalidade meramente informativa, conforme o disposto na Súmula CARF nº 88. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONCESSÃO DE BOLSA DE ESTUDO CURSO SUPERIOR ALTERAÇÃO LEGISLATIVA NÃO INCIDÊNCIA O saláriodecontribuição compreende a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho. Aplicase aos fatos geradores em questão, com fundamento no art. 106, II, b, CTN, a redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011 ao artigo 28, § 9º, t da Lei 8.212/1991, que dispõe que não integra o saláriodecontribuição o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.002511/200865 Acórdão n.º 2403002.576 S2C4T3 Fl. 259 3 ACORDAM os membros do Colegiado, unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: (i) excluir a tributação incidente sobre o código de levantamento ENS DESPESA EDUCAÇÃO SUPERIOR e; (ii) determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Daniele Souto Rodrigues, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Marcelo Freitas de Souza Costa (ausente). Fl. 260DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – TVV TERMINAL DE VILA VELHA S.A. contra Acórdão nº 1227.750 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.184.1356, às fls. 01, com valor inicial de R$ 29.017,01. Segundo a AuditoriaFiscal, de acordo com o Relatório Fiscal o lançamento referese a as contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social, correspondentes a parcela dos segurados empregados incidentes sobre o valor pago pela empresa aos empregados referente às despesas com material escolar e sobre o valor pago pela empresa aos empregados referente às despesas com educação superior. O Relatório Fiscal aponta que na análise da folha de pagamento da empresa encontrouse pagamento feito a empregados referente a reembolso com Material Escolar e Educação 3º Grau (Educação Superior), constante nas rubricas 0077, 0159 e 1159. Em relação ao Acordo Coletivo de Trabalho acerca da cláusula de reembolso de despesas, aponta o Relatório Fiscal que a tributação incidiu sobre o valor efetivamente pago pelo TVV já deduzidos os valores custeados pelos empregados: 3.4 Conforme estabelecido no Acordo Coletivo de Trabalho 2003/2004 e 2004/2005 assinado entre o T\/V e o Sindicato dos Trabalhadores Portuário, Portuários Avulsos e com Vínculo Empregatício nos Portos no Estado do Espírito Santo SUPORT, as despesas custeadas pelo TVV com educação superior de seus empregados, seriam reembolsadas através de folha de pagamento, mediante apresentação do comprovante de pagamento do serviço prestado pela instituição de ensino. 3.5 O TVV reembolsou os empregados através de pagamento via folha de pagamento. 3.6 A remuneração considerada neste Auto de Infração, tanto de educação superior, quanto de material escolar, foi o valor efetivamente pago pelo TVV já deduzidos os valores custeados pelos empregados, isso porque o Acordo Coletivo de Trabalho estabeleceu limite para esses reembolsos. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 07, é de 01/2004 a 12/2004. A Recorrente teve ciência do AIOP no dia 29.12.2008, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou impugnação, conforme Relatório da decisão de primeira instância: 6.1. Preliminarmente, pugna pela exclusão dos diretores da empresa como responsáveis pelo crédito tributário, alegando que o arrolamento destes como responsáveis fere o artigo 135 do Código Tributário Nacional. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.002511/200865 Acórdão n.º 2403002.576 S2C4T3 Fl. 260 5 6.2. Em relação à incidência de contribuição sobre as verbas pagas a título de material escolar e reembolso de educação superior, afirma que celebrou Acordo Coletivo de trabalho em que previa que a Impugnante ofereceria estes benefícios aos empregados. As verbas relativas ao auxílioeducação não estão sujeitas à incidência de contribuição previdenciária, sendo que a legislação não exclui a educação superior do conceito de cursos de capacitação e qualificação profissionais. 6.3. Nos termos do artigo 444 da CLT, é livre a autonomia de vontade das partes no contrato de trabalho, quando vise a conceder aos empregados maiores vantagens. Assim, no exercício legítimo desta autonomia, a Impugnante concedeu maiores benefícios aos seus empregados, para o exercício do trabalho. O rol de definições de utilidades salariais é exemplificativo, e não taxativo, cabendo apenas questionar se a utilidade é dada para o trabalho ou pelo trabalho. 6.4. O artigo 458 da CLT dispôs expressamente que os valores pagos a título de mensalidade, anuidade, livros e material didático não tem natureza salarial. Por outro lado, o auxílio educação não pé fornecido gratuitamente ao empregado, pois este concorre também em parte com o custeio desta utilidade. Assim, os cursos custeados em parte pela Impugnante, bem como as despesas com material escolar não podem ser entendidos como rendimento do trabalho, e, deste modo, estão excluídos da incidência de contribuição previdenciária por força do artigo 195, I da Constituição Federal. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme a Ementa a seguir: Assunto: CONTRIBUIÇÕES Sociais PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS. A empresa deve arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, mediante desconto na remuneração, e recolher os valores aos cofres públicos, conforme prevê 0 art. 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei n.° 8.212 de 1991 SALÁRIO DE' CONTRIBUIÇÃO HIPÓTESES DE NÃO INCIDÊNCIA. As hipóteses de não incidência de contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados pelos empregadores aos segurados com os quais mantenha relação jurídica laboral estão definidas no Art. 28, § 9°, da Lei 8.212/91, em todas as suas redações. Os benefícios fiscais devem ser expressamente definidos, tendo como inspiração o Art. 111 do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS ADMINISTRADORES. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 O Relatório de Representantes legais REPLEG não atribui responsabilidade tributária aos dirigentes nele identificados, pois sua finalidade é meramente cadastral, consistente em enumerar os representantes legais e seus respectivos períodos de atuação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe (AI n° 37.184.1356), ACORDAM os membros da Turma, por unanimidade de votos, negar provimento à impugnação, nos termos do relatório e voto que este decisum passam a integrar, para considerar devido o crédito tributário, no valor principal de R$ 15.109,87, acrescido de juros e multa moratória a serem calculados na data da liquidação. Intimese para pagamento do crédito no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo. Inconformada com a decisão da Recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate a decisão de primeira instância e reitera os argumentos deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: : (i) Em sede preliminar Da impossibilidade de manutenção dos administradores da Recorrente como responsáveis pelo crédito tributário em sede de auto de infração (ii) Não incidência de contribuições previdenciárias sobre o pagamento de despesas com material escolar e auxílio educação Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.002511/200865 Acórdão n.º 2403002.576 S2C4T3 Fl. 261 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Inconstitucionalidades Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 264DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (B) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – TVV TERMINAL DE VILA VELHA S.A. contra Acórdão nº 1227.750 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.184.1356, às fls. 01. Segundo a AuditoriaFiscal, de acordo com o Relatório Fiscal o lançamento referese a as contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social, correspondentes a parcela dos segurados empregados incidentes sobre o valor pago pela empresa aos empregados referente às despesas com material escolar e sobre o valor pago pela empresa aos empregados referente às despesas com educação superior. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.013.6250 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 37.184.1356) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos Fl. 265DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.002511/200865 Acórdão n.º 2403002.576 S2C4T3 Fl. 262 9 fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das Fl. 266DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. REPLEG Relatório de Representantes Legais; g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. (i) Em sede preliminar Da impossibilidade de manutenção dos administradores da Recorrente como responsáveis pelo crédito tributário em sede de auto de infração Analisemos. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.002511/200865 Acórdão n.º 2403002.576 S2C4T3 Fl. 263 11 Tal matéria acerca do Relatório REPLEG, como parte integrante da autuação, encontrase pacificada no âmbito deste Egrégio Conselho, conforme o disposto na Súmula CARF nº 88, no sentido de que este Relatório tem finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. DO MÉRITO. (ii) Não incidência de contribuições previdenciárias sobre o pagamento de despesas com material escolar e auxílio educação Analisemos. (ii.1) Auxílioeducação referente à educação superior Em relação ao auxílioeducação, o Relatório Fiscal aponta o lançamento referese a as contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social, correspondentes a parcela dos segurados empregados incidentes sobre o valor pago pela empresa aos empregados referente às despesas com educação superior. Ora, a redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011 ao artigo 28, § 9º, t da Lei 8.212/1991, dispõe que não integra o saláriodecontribuição o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos Fl. 268DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) A seu turno, a Lei 9394/1996 em seu artigo 39, dispõe que a educação profissional abrange a educação profissional tecnológica de graduação e de pósgraduação: Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no cumprimento dos objetivos da educação nacional, integrase aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia. (Redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008) § 1o Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser organizados por eixos tecnológicos, possibilitando a construção de diferentes itinerários formativos, observadas as normas do respectivo sistema e nível de ensino. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) § 2o A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) I – de formação inicial e continuada ou qualificação profissional; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) II – de educação profissional técnica de nível médio; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) III – de educação profissional tecnológica de graduação e pós graduação. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Desta forma, no caso de verbas pagas pela empresa a segurados empregados a título de despesas com educação superior (3º grau), conforme reiterados julgados desta Colenda Turma de Julgamento, aplicase o disposto no artigo 28, § 9º, t da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 12.513, a fatos geradores ocorridos anteriormente a essa nova redação com fundamento no art. 106, II, b, CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Diante do exposto, prospera a argumentação da Recorrente para se afastar a tributação incidente nos valores pagos pela empresa a seus empregados referente às despesas com educação superior. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.002511/200865 Acórdão n.º 2403002.576 S2C4T3 Fl. 264 13 (ii.1) Despesas de material escolar Em relação aos valores pagos pela empresa a seus empregados referente às com material escolar, entendo que deve ser mantida a tributação incidente. Senão, vejamos. A isenção decorre, sempre, de lei que regule exclusivamente a matéria ou o correspondente tributo, conforme exigência expressa do art. 150, § 6º, da Constituição Federal e do art. 176, CTN: CRFB/1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) CTN Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. O art. 28, § 9º, da Lei 8212/1991 não excepciona o pagamento de despesas de material escolar da incidência de contribuições sociais previdenciárias: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) Por outro lado, o art. 111, II, CTN dispõe que em relação à outorga de isenção, a legislação tributária deve ser interpretada literalmente: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: Fl. 270DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Neste sentido, o posicionamento do STJ é o de que não cabe ampliação jurisprudencial das hipóteses de isenção arroladas no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91: Requalificação da verba em razão dos seus elementos essenciais, com enquadramento na norma de isenção. Possibilidade. “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. VERBA DE REPRESENTAÇÃO. 1. Em homenagem aos princípios de hermenêutica positivados nos arts. 108 e 111 do Código Tributário Nacional, não cabe ampliação jurisprudencial das hipóteses de isenção arroladas no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91. 2. Nada obsta, entretanto, que determinada verba inominada ou nominada em desacordo com a terminologia adotada pela legislação previdenciária venha a ser considerada isenta de contribuição se, em razão de seus elementos essenciais, puder ser enquadrada em uma das hipóteses de dispensa de tributo legalmente previstas. 3. Por outro lado, não se submetem à incidência da contribuição previdenciária as verbas de caráter indenizatório, pois a reparação por ato ilícito ou o ressarcimento de um prejuízo não configuram o fato gerador desse tributo. 4. Há casos em que a distinção entre verba remuneratória e verba indenizatória não se mostra clarividente. Tanto é assim que o legislador ordinário remete ao magistrado trabalhista, conforme se infere do art. 832, §§ 3º e 4º, da CLT, a tarefa de esclarecer por meio de decisão, cognitiva ou homologatória, quais são as verbas de natureza indenizatória, assegurando à autarquia previdenciária o direito de recorrer de tal decisão. 5. Em determinadas situações, é necessário apreciar as características da verba paga aos empregados, com o objetivo de melhor elucidar a natureza de remuneração, fato gerador da contribuição previdenciária. 6...” (STJ, Primeira Seção, EDivREsp 496.737, Min. Castro Meira, mai/04) Não se pode estender a isenção a situações não previstas. Impossibilidade de utilização da analogia em matéria de isenção. “ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. IMPOSSIBILIDADE... o Código Tributário Nacional (art. 97) é suficientemente claro ao dispor que somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão do crédito tributário (inciso VI), nesta constando a isenção (art. 175, inciso I). Sendo imperativo o comando que determina a interpretação literal da outorga de isenção (art. 111, inciso II), revelase necessária a edição de legislação específica que discipline o comando isencional às atividades desenvolvidas pelas organizações sociais sem fins lucrativos, que atendam ao interesse e à utilidade públicas, situação discutida nos presentes autos. VII – Inexistindo nos autos documentos que comprovem a existência de legislação distrital disciplinadora da isenção pretendida pela Recorrente, não há como deferila nos moldes Fl. 271DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.002511/200865 Acórdão n.º 2403002.576 S2C4T3 Fl. 265 15 pretendidos.” (STJ, 1ª T., RMS 22.371/DF, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, mai/07) Embora a Recorrente argumente que o previsto em Acordo Coletivo afaste a tributação incidente sobre os pagamentos de reembolso de despesas com material escolar, tal não pode prosperar por violação a dispositivos legais no âmbito da legislação tributária previdenciário. Assim, não se pode considerar para efeitos tributários o previsto em Acordo Coletivo para efeitos de isenção de contribuição social previdenciária incidente sobre verbas pagas a título de reembolso de despesas com material escolar por violação ao disposto no art. 150, § 6º, da CRFB/1988 c/c art. 176, CTN c/c art. 111, II, CTN c/c art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91. Desta forma, considero correto o lançamento efetuado pela AuditoriaFiscal posto que o pagamento de despesas com material escolar integra o salário de contribuição, posto não se enquadrar na hipótese de não incidência de contribuição social previdenciária conforme disposição expressa da redação do art. 28, § 9º, t, Lei 8.212/1991. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. DA MULTA DE MORA Analisemos. Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, dar provimento parcial ao recurso para: (i) excluir a tributação incidente sobre o código de levantamento ENS DESPESA EDUCAÇÃO SUPERIOR e; (ii) determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 273DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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