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Numero do processo: 11543.000969/2007-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. MATÉRIA SUMULADA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível o lançamento apenas para prevenção da decadência, e a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 01).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para reduzir o imposto suplementar remanescente para R$10.719,43, cuja cobrança deve ser mantida suspensa enquanto houver depósito ou medida judiciais suspensivos, mantendo-se os demais aspectos do lançamento.
Assinado digitalmente.
José Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 03/06/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Eivanice Canário da Silva e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente a Conselheira Núbia Matos Moura.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. MATÉRIA SUMULADA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível o lançamento apenas para prevenção da decadência, e a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 01). Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para reduzir o imposto suplementar remanescente para R$10.719,43, cuja cobrança deve ser mantida suspensa enquanto houver depósito ou medida judiciais suspensivos, mantendose os demais aspectos do lançamento. Assinado digitalmente. José Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 03/06/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 09 69 /2 00 7- 44 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11543.000969/200744 Acórdão n.º 2102002.331 S2C1T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Eivanice Canário da Silva e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente a Conselheira Núbia Matos Moura. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 46 a 49: Tratase de Notificação de Lançamento expedida em nome do contribuinte em epígrafe, relativa ao exercício de 2005 , anocalendário 2004, para cobrança de crédito tributário, no valor de R$ 24.127,79, já acrescido de multa e juros de mora, calculados de acordo com a legislação aplicável. O lançamento originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício em questão, onde foi constatada a seguinte infração: COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE no valor de R$ 5.944,76 relativo à fonte pagadora Cia. Siderúrgica de Tubarão CNPJ 27.251.974/000102 e do valor de R$ 10.719,43 relativo à Fundação de Seguridade Social dos Empregados da CST CNPJ 31.787.625/000179, totalizando R$ 16.664,19. Encontramse identificados nos demonstrativos de fls. 8/11 o enquadramento legal das infrações, as alterações na base de cálculo, bem como o valor do imposto suplementar apurado. Na impugnação apresentada, o impugnante alega em suma que efetivamente sofreu a retenção do valor de R$ 5.944,76 conforme documento que anexa à fl. 23. Com relação ao valor de R$ 10.719,43 afirma que havia e ainda há dúvida no que se refere à tributação dos rendimentos recebidos a título de bônus e elaborou a declaração de ajuste do imposto de renda segundo orientação recebida da FUNSSEST por meio do Informe de 13.04.2007. Colaciona diversos dispositivos da legislação tributária para concluir que tem direito à compensação pleiteada. Finalmente solicita o acolhimento da impugnação para cancelamento do débito fiscal reclamado. É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente em parte o lançamento, não conhecendo da impugnação no que se refere à compensação do imposto de R$ 10.719,43, depositado judicialmente, referente à fonte pagadora Fundação de Seguridade Social dos Empregados da CST, declarando definitiva na esfera administrativa a exigência fiscal, e julgando pela procedência da impugnação em relação ao valor de R$ 5.944,76 relativo à fonte pagadora Cia. Siderúrgica de Tubarão , cuja retenção foi comprovada., resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Fl. 110DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11543.000969/200744 Acórdão n.º 2102002.331 S2C1T2 Fl. 4 3 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM A ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto, implica em renúncia às instâncias administrativas e eventual petição do contribuinte sobre a matéria não será apreciada. GLOSA DE FONTE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O imposto retido na fonte pode ser deduzido na declaração de rendimentos até o montante retido se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 55 a 63, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. Não houve concomitância de ação judicial com a esfera administrativa para discutir o mesmo mérito. Por conseqüência, não houve subsunção do fato à norma prevista no ADN COSIT n° 3/96 no qual fundamenta a DRJ/BSB. Mesmo que, por hipótese, Impugnação versasse sobre a matéria de mérito, caberia a DRJ/BSB também glosar (excluir), da Declaração de Ajuste, o valor do rendimento de R$ 38.979,74 correspondentes ao valor do IRRF de R$ 10.719,43, o que não feito. Diante do atual estágio em que se encontra o processo, o Recorrente submete à apreciação o seguinte procedimento: "Excluir da Declaração de Ajuste Anual apresentada pelo Recorrente o valor do rendimento de R$ 38.979,74 (relativo ao Bônus) e o correspondente valor do IRRF de R$ 10.719,43, vez que, ambos são objeto de ação judicial" e II. O valor de R$ 4.705,00 referente ao Imposto de Renda Complementar (mensalão) foi desconsiderado, sem justificativa, pela DRJ/BSB em seu Acórdão, não procede, diante da prova em contrário anexa (docs.7 a 11). Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. CONCOMITÂNCIA DO VALOR DO IRRF DE R$ 10.719,43. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11543.000969/200744 Acórdão n.º 2102002.331 S2C1T2 Fl. 5 4 Como se conclui da leitura do relatório, o Recorrente levou a matéria objeto do presente lançamento à apreciação do judiciário, como está comprovado no final do Comprovante de rendimentos de fl. 22: O próprio RECORRENTE afirma em seu recurso voluntário, fl. 58: Diante do atual estágio em que se encontra o processo, o Recorrente submete à apreciação o seguinte procedimento: "Excluir da Declaração de Ajuste Anual apresentada pelo Recorrente o valor do rendimento de R$ 38.979,74 (relativo ao Bônus) e o correspondente valor do IRRF de R$ 10.719,43, vez que, ambos são objeto de ação judicial". Conforme Súmula nº 01 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Portanto, toda a matéria exposta no recurso voluntário, que debate a incidência do imposto sobre rendimentos recebidos não pode ser analisada pelo CARF. Deste modo, entendo que não deve ser conhecido o recurso, em virtude da concomitância com a esfera judicial. Como bem reconheceu o Poder Judiciário, os procedimentos administrativos não podem ser paralisados, em razão do que determina o art. 142 do CTN. Esclareçase que a interposição de ação judicial, seja qual for sua modalidade, não têm o condão de impedir o lançamento de oficio, vez que se trata de atividade vinculada e obrigatória, fazendose necessária sempre que presentes os pressupostos do art. 142 e § único do CTN, abaixo transcrito: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do falo gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11543.000969/200744 Acórdão n.º 2102002.331 S2C1T2 Fl. 6 5 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Dessa forma correto o lançamento, para prevenção da decadência, sem multa de ofício, da omissão referente ao valor do rendimento de R$ 38.979,74 correspondentes ao valor do IRRF de R$ 10.719,43, depositado judicialmente. VALOR DE R$ 4.705,00 REFERENTE AO IMPOSTO DE RENDA COMPLEMENTAR (MENSALÃO) Reclama o recorrente que o valor de R$ 4.705,00 referente ao Imposto de Renda Complementar (mensalão) foi desconsiderado, sem justificativa, pela DRJ/BSB em seu Acórdão. Bem, o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO anexo ao auto de Infração, mostra o seguinte: Observo que no valor de R$ 25.884,99 já está incluído o valor do imposto complementar de R$ 4.705,00, conforme mostra a DIRPF de fl. 16: Por sua vez, o Acórdão DRJ não conheceu da impugnação no que se refere à compensação do imposto de R$ 10.719,43, depositado judicialmente, referente à fonte Fl. 113DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11543.000969/200744 Acórdão n.º 2102002.331 S2C1T2 Fl. 7 6 pagadora Fundação de Seguridade Social dos Empregados da CST, declarando definitiva na esfera administrativa a exigência fiscal, e julgou pela procedência da impugnação em relação ao valor de R$ 5.944,76 relativo à fonte pagadora Cia. Siderúrgica de Tubarão , cuja retenção foi comprovada, consubstanciando o seu julgado na seguinte planilha de fl. 49: Contudo, conforme se verifica na tabela supra, faltou no cálculo da DRJ o valor de R$4.705,00 como imposto complementar, considerando isso, voto para reduzir o Saldo do Imposto Suplementar remanescente para o valor de R$ 10.719,43 (14.829,37 4.705,00+595,06). CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO, reduzindo o imposto suplementar remanescente para R$ 10.719,43, cuja cobrança deve ser mantida suspensa enquanto houver depósito ou medida judiciais suspensivos, mantendose os demais aspectos do lançamento Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10768.051120/93-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1988
DESPESAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR PROFISSIONAIS LIBERAIS. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO. Cabe ao contribuinte fazer prova da natureza, necessidade e efetividade das despesas contabilizadas para fins de dedução do lucro real. A simples apresentação dos RPA (Recibos de Pagamento de Autônomos) é insuficiente para esse fim, mormente quando a empresa foi regularmente intimada durante o procedimento fiscal a apresentar relatórios, laudos, estudos e quaisquer outros elementos comprobatórios desses serviços.
Recurso Especial Provido.
Numero da decisão: 9101-001.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso ao Recurso Especial, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente Convocado), Valmir Sandri e João Carlos de Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente Convocado), Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plinio Rodrigues de Lima.
Nome do relator: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1988 DESPESAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR PROFISSIONAIS LIBERAIS. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO. Cabe ao contribuinte fazer prova da natureza, necessidade e efetividade das despesas contabilizadas para fins de dedução do lucro real. A simples apresentação dos RPA (Recibos de Pagamento de Autônomos) é insuficiente para esse fim, mormente quando a empresa foi regularmente intimada durante o procedimento fiscal a apresentar relatórios, laudos, estudos e quaisquer outros elementos comprobatórios desses serviços. Recurso Especial Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso ao Recurso Especial, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente Convocado), Valmir Sandri e João Carlos de Lima Júnior. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente Convocado), Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plinio Rodrigues de Lima.
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GLOSA DE DESPESA. COMPROVAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO BRASCAN S/A (Nova denominação do Banco Capitaltec S/A) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1988 DESPESAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR PROFISSIONAIS LIBERAIS. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO. Cabe ao contribuinte fazer prova da natureza, necessidade e efetividade das despesas contabilizadas para fins de dedução do lucro real. A simples apresentação dos RPA (Recibos de Pagamento de Autônomos) é insuficiente para esse fim, mormente quando a empresa foi regularmente intimada durante o procedimento fiscal a apresentar relatórios, laudos, estudos e quaisquer outros elementos comprobatórios desses serviços. Recurso Especial Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso ao Recurso Especial, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente Convocado), Valmir Sandri e João Carlos de Lima Júnior. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente Convocado), Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plinio Rodrigues de Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 05 11 20 /9 3- 11 Fl. 518DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10768.051120/9311 Acórdão n.º 9101001.508 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório A PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL cientificada do Acórdão 10808.359, proferido na sessão de 15/06/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, apresentou RECURSO ESPECIAL À CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CSRF, com fulcro no artigo 5o, inciso I do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF n° 55/1998, vigente à época da aludida decisão. Aludido Recurso, protocolado em 17/01/2006,fls. 296 e seguintes, teve seguimento conforme Despacho 108009/2006 (fl. 301), assim redigido (verbis): “(...) O acórdão recorrido, no particular, está assim ementado (f. 275): GLOSA DE DESPESAS Somente são dedutíveis custos e despesas que, além de comprovados por documentação hábil e idônea, preencham os requisitos da necessidade, normalidade e usualidade. A Fazenda Nacional pretende restabelecer as exigências em relação à glosa de remuneração por serviços prestados, que foram afastadas em decisão não unânime, por entender que a decisão aceitou como provada realização de despesas não provadas. Tendo em vista que a Decisão não foi unânime e a alegação de contrariedade da decisão às provas dos autos, confirmo o cabimento ao recurso especial nos termos do art. 32, I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes.(...)” (Grifei). Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões em 21/12/2006, às fls. 309 e seguintes. O processo foi sorteado ao então conselheiro da CSRF Jose Carlos Passuelo, que deixou o colegiado sem indicálo a pauta. Em Julho de 2007 o processo retornou à Unidade de Origem, para saneamento de questão alheia à matéria em litígio na CSRF, em face de pleito do sujeito passivo (fls 373 e seguintes). Os autos foram volvidos ao CARF e o processo novamente distribuído, desta feita a este Relator. É o breve relatório. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10768.051120/9311 Acórdão n.º 9101001.508 CSRFT1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva, Relator. O Recurso Especial da Fazenda Nacional atende aos pressupostos Regimentais, vigentes a época da sua interposição, logo deve ser admitido e apreciado. Conforme relatado, tratase de recurso em face de decisão quanto a matéria que não alcançou unanimidade no colegiado ordinário. Ao fim e ao cabo, espera a Fazenda Nacional que as provas sejam reapreciadas pela Câmara Superior, sendo este o escopo do recurso disciplinado pelo art. 5o., inciso I, do Regimento Interno da CSRF aprovado pela Portaria MF 55/1998, Vejamos os fundamentos do acórdão recorrido quanto a matéria em litígio, às fls. 289/290: "4) Remuneração por prestação de serviços. O tópico em referência vinculase aos itens 2.3 e 2.4 do Auto de Infração, e serão apreciados conjuntamente nesta oportunidade, porquanto se referem basicamente aos mesmos fatos. Em breve relato, aduz a fiscalização a impossibilidade de ser reduzido do lucro líquido verificado ao final de 1988 os gastos incorridos no pagamento da prestação de serviços, dada a ausência de comprovação quanto a efetiva prestação dos mesmos, porquanto foram apresentados apenas Recibos de Pagamento a Autônomos RPA's desacompanhados de relatórios, contratos, ou outros documentos que servissem para demonstrar a realização dos serviços contratados. Entendo que, pelo menos em parte, merece ser, dado provimento. Às alegações da recorrente. Primeiramente, esclareçase que, a despeito da não apresentação dos RPA's pelo Contribuinte, deve ser aceita a alegação quanto à existência dos mesmos, na medida em que a própria fiscalização afirma terem sidos apresentados ao Fisco durante o procedimento fiscal. A legislação de regência não impõe qualquer vedação à comprovação das despesas incorridas a partir da apresentação de recibos de pagamento, notas físcais simplificadas, ou cupons de máquinas registradoras, desde que acusem a natureza do serviço prestado, possibilitando à Administração Fazendária aferir sua qualidade de dedutível, ou não, A exigência para apresentação de , relatórios ou outros documentos que evidenciem a prestação dos serviços é descabida, mormente se considerada a falta de amparo legal para tanto. Ademais, ressaltese que, consoante já exposto , no início deste voto, a apresentação de tais documentos pelo contribuinte nem sempre é Fl. 520DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10768.051120/9311 Acórdão n.º 9101001.508 CSRFT1 Fl. 5 4 possível, haja vista que nem toda prestação de serviço gera resultados materiais, que possam ser apresentados à fiscalização. Com efeito, já decidiu este Primeiro Conselho de Contribuintes que a comprovação quanto a não execução do serviço contratado cabe exclusivamente à fiscalização (isto, é claro, desde que a natureza do serviço seja necessária e usual à empresa), sendo certo que, na ausência desta, os documentos mantidos pelo contribuinte, inclusive recibos de pagamento, fazem prova a seu favor. Vejase, a propósito, ementa da decisão relativa ao Acórdão n° 1054624/90: (...) Pelo exposto, considerando ter o contribuinte apresentado documentos suficientemente hábeis a demonstrar os pagamentos e efetiva Prestação dos serviços; entendo que deve ser cancelada a glosa dos Valores. relacionados nos itens 2.3 e 2.4:do Auto de Infração, exceto no que se refere às despesas vinCuladas à serviços, de arquitetura e aulas de inglês;porquanto não justificada pela Recorrente à necessidade da contratação de tais serviços, os quais, por sua natureza, não estão ligados à sua atividade.” (Grifei) Em seu recurso especial, a PFN enfatiza que o entendimento majoritário neste Conselho é de que o contribuinte sempre deve faze prova da efetividade da prestação de serviços em consonância com a legislação de regência, confirmada em diversos acórdãos, a exemplo do 10318.112 (fl. 298). Pela análise do acórdão recorrido evidenciase que o litígio cingese mesmo à apreciação de provas, sendo que os três conselheiros vencidos firmaram entendimento no sentido de que o ônus da prova é da contribuinte, e que os documentos apresentados foram insuficientes à comprovação. Compulsando os autos verificase que a única prova apresentada em relação a essas despesas foram os Recibos de Pagamento de Autônomos (RPA), que aliás não foram juntados aos autos. Ocorre que, desde a auditoria fiscal foi solicitados ao contribuinte elementos para comprovar a efetividade da prestação desses serviços. Porém nada, absolutamente nada mais foi apresentado, seja junto a peça impugnatória, seja com o recurso voluntário. Aduz a recorrente que seria profissionais renomados e que nos pagamentos efetuou as retenções de IR Fonte. Ora a Fiscalização deixou claro que estava glosando integralmente o valor do item “tendo em vista que a empresa apresentou somente Recibos de Pagamento a Autônomos RPA's, relativos a supostas prestações de serviços de "Assessoria Financeira”, desacompanhadas de relatórios, estudos ou quaisquer documentos que fizessem prova da efetiva prestação destes serviços. A Fiscalização identificou, ainda, que estes serviços teriam sido realizados por Angelo F. Neto, Charles W. Maia, José Rodrigues Fernandes e Carlos Garcia, entre outros. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10768.051120/9311 Acórdão n.º 9101001.508 CSRFT1 Fl. 6 5 Ao contrário da Ilustre Conselheira Relatora Karem Jureidini Dias, à luz do art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), cuja matriz legal é a mesma desde 1964 (art. 47 da Lei 4.506), entendo que ônus da prova da efetividade da prestação de serviços profissionais é do contribuinte, sendo que o RPA constitui prova do pagamento e não da prestação do serviço propriamente dita. É certo que, diante da apresentação de documentos comprobatórios usuais desses serviços caberia à Fiscalização fazer prova da imprestabilidade dos mesmos. Porém, no presente caso, nada além dos RPA foi apresentado. Logo, sequer é possível verificar se tais despesas, ainda que pagas, foram mesmo necessárias à atividade da empresa. Conclusão. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e restabelecer as glosas de despesas relativas aos itens 2.3 e 2.4 do Auto de Infração. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Fl. 522DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001665/2002-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174 DE 2001 E LEI COMPLEMENTAR 105 DE 2001 - POSSIBILIDADE - ART - 144, § 1º -
Pode ser aplicada, de forma retroativa, ao lançamento, a legislação que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas.
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL
Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26).
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Rejeitar a preliminar
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), que acolhem a preliminar. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado).
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174 DE 2001 E LEI COMPLEMENTAR 105 DE 2001 - POSSIBILIDADE - ART - 144, § 1º - Pode ser aplicada, de forma retroativa, ao lançamento, a legislação que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Rejeitar a preliminar Recurso negado.
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174 DE 2001 E LEI COMPLEMENTAR 105 DE 2001 POSSIBILIDADE ART 144, § 1º Pode ser aplicada, de forma retroativa, ao lançamento, a legislação que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 65 /2 00 2- 39 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Rejeitar a preliminar Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), que acolhem a preliminar. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado). Fl. 402DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001665/200239 Acórdão n.º 2202002.801 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, RONALDO MARQUES PASSOS, Infração de fls. 258/259, acompanhado dos demonstrativos de fls. 02, 260/261, do Termo de Verificação Fiscal de fls. 249/257 e do Termo de Encerramento de fls. 262, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 1997, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 504.289,70 (quinhentos e quatro mil, duzentos e oitenta e nove reais e setenta centavos), sendo R$ 191.686,83 referentes ao imposto, R$ 143.765,12, à multa proporcional, e R$ 168.837,75, aos juros de mora (calculados até 29/11/2002). Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 259), o procedimento teve origem na apuração da seguinte infração: Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários Não Comprovados. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de deposito ou de investimento, mantida(s) em instituição(Oes) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal, que faz parte integrante do presente Auto de Infração. Cientificado da autuação em 04/12/2002 (fls. 263), o contribuinte protocolizou, em 23/12/2002, a impugnação de fls. 265/278, alegando, em resumo, o que segue: Da Ilegalidade da Quebra do Sigilo Bancário. 4.1. No ano em que ocorreu a movimentação bancária, a legislação especifica (art. 11, § 3°, da Lei n° 9.311, de 24/10/1996) proibia a utilização de informações relativas à. CPMF como base para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos; 4.2. Assim, não se pode permitir que a Lei Complementar n° 105, de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724/2001, que permite a requisição, acesso e uso pela Secretaria da Receita Federal e seus agentes, de informações referentes a contas de depósitos e aplicações das instituições financeiras, seja utilizada em desfavor do contribuinte, dando ensejo à constituição de crédito tributário relativo a um período em que a mencionada legislação sequer existia; 4.3. A lei não pode retroagir no tempo, aniquilando a segurança jurídica de um Estado de Direito. Transcreve entendimento do consagrado professor Roque Antônio Carraza (in Curso de Direito Constitucional Tributário, 11 ed., São Paulo — Editora Malheiros, 1998, pp. 230/233) sobre o assunto; 4.4. Se a Lei Complementar n° 105/2001 não pode retroagir em prejuízo do contribuinte, resta evidente a impossibilidade da quebra do sigilo bancário, a qual somente poderia ter sido efetivada se autorizada judicialmente e em casos extremamente excepcionais; Fl. 403DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 4.5. Da maneira como foi realizada a quebra do sigilo bancário do contribuinte pela auditora fiscal, restou caracterizado o total desrespeito e intromissão aos direitos constitucionais e invioláveis do indivíduo, à intimidade e vida privada (art. 5°, X da CF), no qual o sigilo bancário se vê incluído. Reproduz parcialmente o voto do Ministro Relator do ST.1, Garcia Vieira, no Recurso Especial Da Impossibilidade dos Lançamentos Bancários Constituírem Base para o Lançamento de Impostos. 4.6. A teor do que estabelece a Sumula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, é ilegítimo o lançamento de imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários, podendose concluir que as informações advindas da Receita Federal obtidas coM base em movimentação bancária financeira, no ano de 1997, nunca gerarão crédito tributário e, por conseguinte, não haverá responsabilidade tributária; 4.7. Portanto, os depósitos ou extratos bancários são imprestáveis para o Fisco proceder ao lançamento do imposto de renda, mesmo porque depósito em conta bancária não pode ser considerado como auferimento de renda. Traz à colação jurisprudõncia administrativa e judiciária nesse sentido; 4.8. Como já exposto, não se pode afirmar que o recolhimento de urn valor a titulo de CPMF possa representar rendimento de valor "Y", pelo simples fato de a CPMF ser urn tributo cumulativo que onera, por diversas vezes, o mesmo capital. Dessa forma, um mesmo valor pode ingressar e sair por muitas vezes, numa mesma conta, gerando débitos a titulo de CPMF em todas estas saídas, sem que haja acúmulo de receitas; 4.9. De igual maneira, a Movimentação financeira representada por créditos bancários em contacorrente também não .se traduz necessariamente em renda, e, sim, tão somente, em movimentação de créditos, pois não há como negar a possibilidade de valores serem creditados temporariamente em uma conta corrente, seja porque servirão para pagamentos de contas de terceiros, seja porque foram creditados por equívocos bancários. Assim, por existirem inúmeras possibilidades a justificar tais depósitos, é que não se pode atribuir a eles constituição de renda; 4.10. Destarte, descabida, equivocada e precipitada a autuação da AFTN, que considerou como omissão de rendimentos tributáveis os recursos provenientes de depósitos bancários efetuados nas contascorrentes do contribuinte ou ainda em aplicações financeiras automáticas, o quanto o bastante para macular e tornar sem efeito o auto de infração. A DRJ ao apreciar as razões do interessado, julgou a impugnação improcedente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1997 PRELIMINAR. SIGILO BANCÁRIO. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001665/200239 Acórdão n.º 2202002.801 S2C2T2 Fl. 4 5 É licito ao Fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, independentemente de autorização judicial, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. PRELIMINAR. RETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente a ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. PRELIMINAR. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. JULGAMENTO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Compete a autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, não podendo decidir, em âmbito administrativo, pela inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos normativos validamente editados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove. mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Lançamento Procedente Cientificado, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, reiterando os argumentos da impugnação: Da quebra do sigilo bancário e a impossibilidade de autuação com base na CPMF; Da preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa; Da irretroatividade da LC 105/2001 Da ilegalidade do lançamento baseado em depósitos bancários; Da multa confiscatória. É o relatório. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado do pressuposto legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; Fl. 406DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001665/200239 Acórdão n.º 2202002.801 S2C2T2 Fl. 5 7 VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, Fl. 407DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. Da Preliminar de Nulidade Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. A autoridade fiscal ao constatar infração tributária tem o dever de ofício de constituir o lançamento. Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Relatório de Procedimento Fiscal, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. As razões para não se aceitar os argumentos do recorrente estão claramente demonstrados tanto no Termo de Verificação do Auto de Infração como na Decisão recorrida. Entendo que não procede a alegação de que a defesa teria sido prejudicada. Uma vez que isso não impediu que o contribuinte apresentase ampla defesa suscitando vários pontos. Na realidade no caso concreto não se percebe qualquer nulidade que comprometa a validade do procedimento adotado. Diante disso, é evidente que tal preliminar carece de sustentação fática, merecendo, portanto, a rejeição por parte deste Egrégio Colegiado. Da Irretroatividade da LC 105/2001 e da Lei nº 10.174/2001. O contribuinte se mostrou inconformado com a aplicação retroativa da Lei Complementar 105/2001 e da Lei 10.174/2001. Entendeu que ao proceder com base em tais instrumentos legais o Fisco acabou por obter provas de origem ilícita. Não procede tal argumento. O parágrafo 1º do art. 144 do CTN permite a aplicação de legislação posterior à ocorrência do fato gerador, que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização e ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas. Desta forma é notória a possibilidade de aplicação dos mencionados instrumentos legais de forma retroativa, uma vez que, tão somente, ampliam os poderes de investigação do Fisco. O STJ já manifestou o seu entendimento neste sentido no RESP 529818/PR e no ERESP 726778/PR. De igual modo o CARF já consolidou a posição sobre a suposta irretroatividade: Fl. 408DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001665/200239 Acórdão n.º 2202002.801 S2C2T2 Fl. 6 9 O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (Súmula CARF No. 35). Da presunção de omissão baseada em depósitos bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). Fl. 409DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Das Provas nos Autos É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas Fl. 410DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001665/200239 Acórdão n.º 2202002.801 S2C2T2 Fl. 7 11 demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente questiona o entendimento exarado pela autoridade fiscal. Entretanto, embora tenha se transcorrido um longo período desde que tomou conhecimento do relatório não demonstrou os seus argumentos. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Da Inconstitucionalidade das Normas – Multa Confiscatória No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, que determinariam a aplicação de multas e juros de natureza confiscatória, acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Cabe esclarecer o contribuinte que a falta de recolhimento do tributo ou declaração inexata, apurada em lançamento de ofício, enseja o lançamento da multa de 75%, prevista no art. 44, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não podendo a autoridade lançadora deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio.Nestes termos, como a multa de ofício está prevista em disposições literais de lei e como as instâncias julgadoras não podem negar validade a estas disposições, não se pode aqui acatar a alegação da contribuinte. É de se manter, assim, a penalidade de 75%. Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 411DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10670.001583/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 03/11/2003 a 31/05/2004
GESTOR DE ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE. ART. 41 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO.
A Lei 11.941/09 revogou o disposto no artigo 41 da Lei 8.212/91, de modo que, a teor da disposição contida no art. 106, II, do CTN, a lei nova retroage para que sejam excluídos da relação jurídico - tributária os dirigentes de órgãos públicos como responsáveis pelas multas decorrentes infrações à legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 03/11/2003 a 31/05/2004 GESTOR DE ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE. ART. 41 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO. A Lei 11.941/09 revogou o disposto no artigo 41 da Lei 8.212/91, de modo que, a teor da disposição contida no art. 106, II, do CTN, a lei nova retroage para que sejam excluídos da relação jurídico - tributária os dirigentes de órgãos públicos como responsáveis pelas multas decorrentes infrações à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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RESPONSABILIDADE. ART. 41 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO. A Lei 11.941/09 revogou o disposto no artigo 41 da Lei 8.212/91, de modo que, a teor da disposição contida no art. 106, II, do CTN, a lei nova retroage para que sejam excluídos da relação jurídico tributária os dirigentes de órgãos públicos como responsáveis pelas multas decorrentes infrações à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 15 83 /2 00 7- 31 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.001583/200731 Acórdão n.º 2401003.705 S2C4T1 Fl. 501 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra a pessoa física acima identificada, à qual foi imputada multa pessoal, nos termos do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, em razão de descumprimento da legislação previdenciária no âmbito do órgão público em que atuava como dirigente. Tendo sucumbido no julgamento administrativo de primeira instância, o autuado recorreu ao CARF. É o relatório. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A exclusão da responsabilidade do gestor Para análise das autuações pessoais dos gestores de órgãos públicos devese hodiernamente considerar a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 pela MP n.º 449, de 04/12/2008. Era exatamente o dispositivo retirado do ordenamento que permitia ao Fisco alcançar pessoalmente os dirigentes de órgãos públicos pelas infrações à legislação previdenciária. Assim, ao tratar da aplicação da lei tributária no tempo, o CTN dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: quando deixe de definilo como infração; (...) Vêse que, para esses dirigentes, a lei deixou de definir as faltas relativas ao cumprimento das obrigações acessórias previdenciárias como ilícitos administrativos. Por conseguinte, devese aplicar a lei nova aos processos ainda não definitivamente julgados, que se refiram às autuações lavradas com fulcro no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, cancelandose, assim, as penalidades decorrentes. Sobre essa questão não podemos deixar de transcrever excerto do Parecer PGFN/CDA/CAT n.º 190/2009, de 02/02/2009, até o momento não aprovado pelo Ministro da Fazenda, mas que já dá o tom de qual entendimento será adotado pela Administração Tributária: 22.Inicialmente, entendemos que nesse caso aplicase a regra do art. 106 do CTN, uma vez que com a revogação do dispositivo legal que dava fundamento ao lançamento contra a pessoa do dirigente, a lei deixou de definir tal conduta como infração. Em consequência, a aplicação da penalidade deverá ser em face da pessoa jurídica de Direito Público dotada de personalidade jurídica. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.001583/200731 Acórdão n.º 2401003.705 S2C4T1 Fl. 502 5 23.Em consequência, para os atos não definitivamente julgados administrativamente, deve a lei retroagir, implicando no cancelamento de todas as penalidades aplicadas com base no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991. Conclusão Voto pelo provimento do recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679918/2009-18
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 11/05/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE.
A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE.
Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
Numero da decisão: 3803-006.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 11/05/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1680; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 178 1 177 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.679918/200918 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.306 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de julho de 2014 Matéria COFINS IMPORTAÇÃO COMPENSAÇÃO Recorrente TIM CELULAR S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/05/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 99 18 /2 00 9- 18 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação servindose de crédito de Cofins Importação, decorrente de alegado pagamento a maior. Despacho Decisório do DRF/ indeferiu a DComp, tendo em vista que, a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível a compensar Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) possuir "elevada quantia creditícia" perante a RFB, a titulo de IRRF, CIDE, PISImportação e CofinsExportação, em valores que teria utilizado para quitar débitos de Cofins, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PeR/DComp; b) juntamente com o Despacho Decisório eletrônico em comento, foram emitidos outros cento e quarenta e sete, todos decidindo pela não homologação de compensações declaradas pela Contribuinte; c) deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE PISImportação e CofinsExportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações; d) mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB; f) o Despacho Decisório carece de fundamentação, em violação ao principio do contraditório e ampla defesa, alegando, ainda, que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida na dita decisão, entendendo ser nulo o ato ora impugnado; g) o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, pelo que reclamou que "se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta" ; h) qualquer agente fiscal que " ... analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tãosomente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa ora Impugnada"; i) declarara em DCTF débito que fora pago em DARF que, após revisão teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inexigível a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido; j) à luz dos princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material não admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alegou, além de acórdão do Conselho de Contribuintes; Fl. 179DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.679918/200918 Acórdão n.º 3803006.306 S3TE03 Fl. 179 3 k) foi exíguo o prazo para apresentar cento e quarenta e oito defesas em apenas trinta dias e informou que já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito; Por fim. requereu a suspensão da cobrança dos débitos declarados em PeR/DComp, a nulidade do despacho decisório e a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. Em 24/09/2010, enviou o que chama de complemento à manifestação de inconformidade, fls. 72/76, informando ter enviado DCTF retificadora e, por conseqüência, entende ter direito a homologação da compensação declarada. Em julgamento da lide a DRJ/Campo Grande argumentou que: a) ao contrário do que alegara a Manifestante, o despacho decisório neste processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções, sem preterimento do direito de defesa, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72; b) deveria ser óbvio para a Contribuinte que se ela apresenta DCTF informando determinado débito e efetua recolhimento desse debito, em DARF, no exato valor declarado em DCTF, não há apuração de qualquer pagamento a maior. Estando essa informação perfeitamente clara no citado despacho decisório, a Contribuinte pôde se defender amplamente, como o fez; c) quanto aos erros cometidos no preenchimento da DCTF e que uma vez sanados haveria o crédito que utilizou nas DComps, observou que a Contribuinte limitouse a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova; d) a retificação da DCTF para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida como argumento de defesa; e) a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da contribuinte, feita com base nas informações constantes dos Sistemas da Receita Federal prestadas pelos próprios contribuintes através das declarações fiscais. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 11/05/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF A1 PÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do Fl. 180DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 despacho deciSório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 24 de janeiro de 2011, irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 23 de fevereiro de 2011, em que reiterou todos os termos da manifestação de inconformidade, destacandose as alegações: a) de carência de fundamentação do despacho decisório; b) da violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade; e c) de ter executado um escorreito procedimento de compensação. Ao fim, requer que seja declarado nulo o Despacho Decisório ante a patente carência de fundamentação, caso assim não se entenda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a sua escrita fiscal, confirmandose a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente reconhece que o valor dos pagamentos do débito em DARF estava de acordo com o débito declarado em DCTF. Na sequência, sustenta que o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil, antes da transmissão das compensações, não pode lhe subtrair o direito ao crédito. Correta está a Recorrente em sua afirmação. Ocorre que a Administração Tributária somente veio a ter ciência de erro no preenchimento das DCTFs na manifestação de inconformidade. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Fl. 181DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.679918/200918 Acórdão n.º 3803006.306 S3TE03 Fl. 180 5 Declaração de Compensação (DComp), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. O Despacho Decisório emitido em resultado do procedimento eletrônico fez então registrar: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 17.012,94 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Não há previsão legal para a existência de contraditório no itinerário entre a transmissão da DComp, pelo contribuinte, e a análise do crédito e subsequente decisão administrativa, pois os procedimentos dãose em torno de dados do sistemas, alimentados pelo próprio contribuinte. O contraditório e o exercício da ampla defesa, segundo previsto no Decreto nº 70.235/72, ocorrem a partir do processo, que somente surge com a Manifestação de Inconformidade. O texto do Despacho Decisório possui clareza suficiente na descrição do fato verificado, de sorte que permite a sua compreensão por qualquer técnico de inteligência mediana que opera com DCTF, DARF, PERD/COMP, sendo elementar que sobre tal fato esta Contribuinte haveria de construir a sua ampla defesa. Reiterese que a declaração antes prestada pela Contribuinte, no exercício do seu ofício legal de apurar e antecipar o pagamento de tributos, no regime de lançamento por homologação procedimento que supre de dados os sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) , é o que a impediu de lograr êxito no seu procedimento de compensar débitos utilizando parcela de pagamento em DARF já alocado integralmente a outro débito, por si declarado. A declaração de compensação que o contribuinte transmite configura o uso de um direito potestativo, que, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, apura a existência de crédito perante a RFB. Pela natureza jurídica deste direito é que a compensação extingue o crédito tributário, independentemente de apreciação prévia do órgão fazendário, nada obstante sob a condição resolutiva de ulterior verificação da legitimidade do procedimento, no prazo de cinco anos. Uma demonstração da veracidade deste efeito é a possibilidade de o contribuinte extrair certidão negativa de débito momentos após a transmissão da DComp. Dada esta feição das relações FiscoContribuinte, neste particular, é que ao transmitir a compensação o contribuinte extingue o seu débito, mas o faz por conta e risco seu. Noutra vertente, outro efeito a compensar o ganho do contribuinte na agilidade da extinção do seu débito é que ao malograr no seu intento por se verificar inexistência de crédito é ele que tem que provar que possui o crédito com que quitara o seu débito. Não é a Fazenda que tem que ir lá esquadrinhar a sua contabilidade para buscar a verdade material do seu crédito. Não. Não nesta hipótese. Em auto de infração, por meio do qual a Fazenda acusa, sim. Neste caso, o dever de ir em busca da verdade dos fatos é da Fazenda. E assim dispõe o Decreto nº 70.235/72, em seu art. 16, verbis: Fl. 182DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Pelo que foi dito acima, não é nulo o despacho decisório e a Contribuinte não foi obstada no seu direito ao contraditório e à ampla defesa. A decisão de primeira instância, à míngua de provas que deveriam ter sido carreadas junto com a manifestação de inconformidade, consideroua improcedente e indeferiu a solicitação. E foi específica e pontual ao dizer que “Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa”. Entre ser verdadeira a afirmação da Contribuinte, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações , não lhe pode subtrair o direito ao crédito, e reconhecerlhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso voluntário contaria com a possibilidade de seu acolhimento em segunda instância. Ressaltese que, um ano e meio entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não lhe bastaram para conseguir coligir tais provas. Por fim, em nada repercute apenas proceder à retificação a destempo da DCTF, ausente dos documentos e demonstrações que a supriram de novos dados. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 23 de abril de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 183DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10925.000920/2009-04
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1103-000.150
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 2668/2698 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Florianópolis (fls. 2621/2658), que apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 ARBITRAMENTO DO LUCRO. CABIMENTO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .0 00 92 0/ 20 09 -0 4 Fl. 2707DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10925.000920/200904 Resolução nº 1103000.150 S1C1T3 Fl. 2.708 2 Nos termos do art. 530 do RIR/99, o imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando a escrituração a que estiver obrigada a contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando a contribuinte, regularmente intimada, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA. CHEQUES RECEBIDOS. No regime de caixa, as receitas devem ser reconhecidas no momento em que forem efetivamente recebidas, ainda que por meio de cheque. E ainda que o cheque seja "prédatado", sua natureza jurídica de ordem de pagamento A. vista não se altera, haja vista que o portador do cheque tem direito ao pagamento correspondente ainda que o apresente antes do dia indicado como data de emissão, nos termos do parágrafo único do art. 32 da Lei n2 7.357, de 2 de setembro de 1985. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. No caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em se verificando as circunstâncias de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTOS DECORRENTES. Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer n a. apreciação destes, desde que não .presentes arguições especificas ou elementos de prova novos. Dos Fatos. A ação fiscal foi desencadeada a partir da "Operação OuroVerde" promovida pela Polícia Federal. No processo judicial nº 2006.72.00.0105098, da Vara Federal Criminal da Seção Judiciária de Santa Catarina, em representação da autoridade policial, foi autorizado o compartilhamento das informações obtidas nas buscas e apreensões entre o Departamento de Policia Federal e a Secretaria da Receita Federal do Brasil. A Decisão proferida pela Juíza Federal Substituta Ana Cristina Kramer (fls. 265/271), relata que a empresa fiscalizada, COMPEF COMÉRCIO DE PNEUS E FILTROS LTDA (COMPEF), integra organização criminosa envolvida na prática de câmbio clandestino, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Fl. 2708DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10925.000920/200904 Resolução nº 1103000.150 S1C1T3 Fl. 2.709 3 Na esfera tributária, o Relatório de Atividade Fiscal de fls. 87/154 discorre sobre o resumo dos procedimentos investigatórios realizados pela Fiscalização: Dos procedimentos investigatórios realizados pela RFB no âmbito da "Operação OuroVerde" resultou o Relatório de Pesquisa e Investigação (RPI) que, sobre a empresa fiscalizada, discrimina as atividades ilícita (ao menos) em tese praticadas pela empresa. Seriam: a) evasão de divisas, com remessa de recursos ao exterior mediante operações dólarcabo; b) interposição fraudulenta na importação; c) contrabando/descaminho, tendo em vista o desvio da finalidade da importação de pneus usados que deveriam ser utilizados, segundo decisão judicial, apenas como matériaprima no processo de industrialização chamado remoldagem e que eram vendidos na mesma condição em que eram importados ao consumidor final; d) omissão de receitas com a prática de "Caixa 2"; e, por fim, e) formação de quadrilha, considerada as várias pessoas (físicas e jurídicas) que, tendo conhecimento ou razoável noção das irregularidades sendo levadas a cabo, participaram diretamente do esquema. Nesse contexto, foi identificada a ocorrência das seguintes infrações tributárias: 1) Não escrituração da movimentação financeira realizada em nome da empresa ao longo de todo o período sob fiscalização; 2) Falta de declaração e recolhimento de IRPJ e CSLL no 1° Trimestre de 2007, constatada no procedimento fiscal de verificações preliminares; 3) Omissão de Receita caracterizada por depósitos em contas bancárias para os quais a contribuinte, regularmente intimada, não conseguiu comprovar a origem; 4) Omissão de Receita caracterizada por não contabilização de cheques recebidos, encontrados nas buscas e apreensões judiciais e pela não comprovação da origem, apesar da regular intimação; 5) Diferença do valor tributável do IRPJ referente à mudança do regime de tributação do que era antes realizada pelo contribuinte com base no Lucro Presumido para o regime do Lucro Arbitrado; 6) Reflexos da Omissão de Receita sobre os tributos que tem como base de cálculo a Receita Bruta (PIS, COFINS e CSLL). Foi arbitrado o lucro, com fulcro no art. 530, inciso II, alínea "a" do RIR/99 (escrituração com evidentes indícios de fraudes ou vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancaria); A multa de ofício foi qualificada (150%), por entender a autoridade autuante que nas infrações cometidas pela contribuinte, foram encontrados padrões de conduta tipificados no art. 71 da Lei n° 4.502/64 como sonegação. Foi relacionado como responsável tributário o sócioadministrador da fiscalizada Sr. Bruno César Heberle, com base no art. 124 do CTN, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 2517/2518. Fl. 2709DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10925.000920/200904 Resolução nº 1103000.150 S1C1T3 Fl. 2.710 4 Foram lavrados os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins de fls. 07/86. A ciência para a COMPEF deuse por meio postal (“AR” fl. 2535), assim como para o responsável tributário (“AR” fl. 2537), em 01/07/2009. Da Fase Contenciosa. A COMPEF apresentou impugnação de fls. 2540/2563, que foi apreciada pela 3ª Turma da DRJ/Florianópolis, em sessão realizada no dia 09/03/2012. O Acórdão nº 0727.698, às fls. 2621/2658, julgou a impugnação procedente em parte, para afastar da base de cálculo dos lançamentos de ofício valores de cheques que foram computados em duplicidade ou que não se referiam à atividade comercial da contribuinte. Registra também a DRJ que não foi impugnada a responsabilidade tributária atribuída a Bruno César Heberle (fl. 2626). A decisão de primeira instância foi cientificada à COMPEF em 01/06/2012, por meio do “AR” de fl. 2666. Foi interposto pela COMPEF Recurso Voluntário em 03/07/2012 de fls. 2668/2698, no qual protesta sobre os seguintes aspectos: decadência dos tributos lançados por homologação; vício material na aplicação do coeficiente de arbitramento do lucro; ilegitimidade passiva da contribuinte (pessoa jurídica) em relação aos cheques encontrados no domicílio particular do sócioadministrador; aplicação de indevido arbitramento do lucro; incorreta apuração da omissão de receitas decorrente de depósitos bancários cuja origem não restou comprovada; inexistência de omissão de receitas referente aos cheques apreendidos no estabelecimento da empresa e no domicílio dos sócios; inobservância do regime de caixa adotado pela pessoa jurídica; impossibilidade de cobrança de cheques ultrapassado o período de apresentação do título de crédito; apuração indevida da diferença de imposto regularmente recolhido durante o procedimento fiscal; inaplicabilidade da multa qualificada, em razão da inexistência de situação qualificadora e do lançamento amparado em presunções; afastamento dos lançamentos reflexos de CSLL, PIS e Cofins, por seguirem o principal (IRPJ). É o relatório. Fl. 2710DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10925.000920/200904 Resolução nº 1103000.150 S1C1T3 Fl. 2.711 5 Voto Conselheiro André Mendes de Moura O recurso da pessoa jurídica COMPEF COMÉRCIO DE PNEUS E FILTROS LTDA foi interposto tempestivamente e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Por outro lado, antes de apreciar a matéria devolvida, considero relevante tecer considerações sobre atos processuais concernentes ao responsável tributário e sócio administrador Bruno César Heberle. Isso porque não consta nos autos nenhuma ciência da decisão de primeira instância encaminhada especificamente ao sujeito passivo indireto. Observase que, no que se refere à ação fiscal, encontrou dificuldades a Fiscalização em dar ciência dos autos de infração, conforme relato no “TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL SAFIS/DRF/JOASC N° 257/2009) de fl. 2533. Tendo tentado estabelecer contato com o sócioadministrador da empresa fiscalizada, nesta data, para a realização da cientificação do auto de infração, e obtido como resultado o não atendimento ás chamadas telefônicas, procedi à visita ao estabelecimento sede da empresa para o fim da cientificação. Verifiquei, nesta data, que o estabelecimento sede da matriz da empresa fiscalizada encontravase, como de costume fechado, estivemos no endereço indicado pelo seu sócioadministrador como seu atual endereço de correspondência (sua residência): Av. XV de Novembro, 999, apto 01, Centro, Joaçaba/SC. Nesse endereço nos foi informado, pelo interfone, pela Srta. Franciele Besen, que o sócioadministrador e sua esposa (procuradora da empresa) não se encontravam, que estavam viajando. Solicitada a Srta. Francielle a se apresentar pessoalmente no portão para prestar informações, não compareceu. Em seu lugar apresentouse a Sra. Vânia Vaccari de Vasconcelos, que identificouse verbalmente como irmã da procuradora da empresa, solicitada a apresentar o documento de identidade disse não possuir o documento de identidade consigo. Informounos que o sócioadministrador e a esposa não se encontravam, mas que repassaria a informação de que estivemos procurando o sócioadministrador e sua esposa nesta data. Em seguida, consta nos autos ciência, por meio postal, dos autos de infração e do termo de responsabilidade solidária, tanto para a contribuinte quanto o sujeito passivo solidário (“AR” de fl. 2535 e 2537, respectivamente), ambas no endereço “AV. XV DE NOVEMBRO, N° 999, APTO 01 – CENTRO”, em Joaçaba. A contribuinte apresentou impugnação, assinada pelo sócioadministrador Bruno César Heberle. Por outro lado, o responsável tributário (Bruno César Heberle) não apresentou nenhuma defesa. Registrese que, mesmo na impugnação da pessoa jurídica, não consta nenhum tópico referente à responsabilização tributária. No que concerne à ciência da decisão de primeira instância, consta apenas “AR” de fl. 2666, para o destinatário COMPEF, em 01/06/2012, no endereço “RUA Fl. 2711DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10925.000920/200904 Resolução nº 1103000.150 S1C1T3 Fl. 2.712 6 INDEPENDÊNCIA, 190, SALA 01, CENTRO”, em Herval D’OesteSC. Ou seja, não se encontram nos autos qualquer referência à ciência ao responsável tributário. Não há como se inferir a razão pela qual o responsável tributário não foi intimado da decisão da DRJ. Poderseia especular que, na medida em que o sujeito passivo indireto não apresentou impugnação, entendeu a unidade preparadora que seria revel, e por isso deixou de ser comunicado dos atos processuais posteriores. Contudo, não parece ser o caso, vez que não foi lavrado nenhum termo de revelia, conforme prevê o art. 54 do Decreto nº 7.574 de 2011 (Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável ...). Por outro lado, foi precisamente o sócioadministrador, responsável tributário, quem assinou o recurso voluntário interposto pela pessoa jurídica, sujeito passivo direto (fl. 2698). Ou seja, ainda que em nome da pessoa jurídica, o sr. Bruno César Heberle tomou ciência da decisão de primeira instância. Diante das especificidades do caso concreto, entendo que converter o julgamento em diligência, para solicitar à unidade preparadora que intime o sr. Bruno César Heberle sobre a decisão da DRJ/Florianópolis, seria medida redundante, porque, como já visto, o sócioadministrador tomou ciência do acórdão de primeira instância. Nesse sentido, passo à apreciação de prejudicial de mérito. Aduz a recorrente que, considerandose a ciência dos autos de infração em 01/07/2009 e a contagem prevista no art. 150, § 4º do CTN, os lançamentos de ofício de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, compreendidos entre o período de 01/01/2004 a 30/06/2004 estariam fulminados pela decadência. Como não restou demonstrada a ocorrência de dolo, não haveria que se aplicar o art. 173, inciso I, do CTN. E, ainda que se considerasse a contagem prevista no art. 173, os fatos geradores relativos ao primeiro trimestre do IRPJ e CSLL e janeiro a maio de 2004 para o PIS e Cofins estariam decaídos, vez que a exegese da regra contida no artigo deve ser no sentido de que o “primeiro dia do exercício seguinte” seja entendido como o primeiro dia do “trimestre seguinte”, vez que, com o regime de apuração trimestral do IRPJ e CSLL os “exercícios” também passaram a ser trimestrais. Cumpre esclarecer, a princípio, que para a devida contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, há que se observar entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC , apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62A, Anexo II do Regimento Interno do CARF. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 2712DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10925.000920/200904 Resolução nº 1103000.150 S1C1T3 Fl. 2.713 7 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(grifei) Ou seja, são dois os aspectos determinantes para verificar se cabe a contagem do prazo decadencial do art. 150, §4º ou do art. 173, inciso I, ambos do CTN: Fl. 2713DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10925.000920/200904 Resolução nº 1103000.150 S1C1T3 Fl. 2.714 8 1º) constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo, sendo que, caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC , apreciado sob a sistemática do artigo 543 C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62A, Anexo II do Regimento Interno do CARF; 2º) verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I do CTN. Quanto ao conceito de declaração prévia de débito, entendo, numa acepção geral, que se caracteriza por ato que implique em confissão da dívida por parte do sujeito passivo. Assim, podem também ser considerados, além do pagamento espontâneo, por exemplo, o debito confessado em DCTF, em compensação tributária ou parcelamento. Contudo, há que se fazer uma ressalta no caso de estimativas mensais de IRPJ e CSLL. Isso porque a Procuradoria da Fazenda Nacional já se pronunciou, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 1.658, de 2011, no sentido de que, não constituindo crédito tributário, o valor apurado por estimativa a título de antecipação do tributo não pode ser inscrito em Dívida Ativa da União, que pressupõe a existência de crédito tributário regularmente constituído e cingido dos atributos da certeza e liquidez, como se pode observar na ementa: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líqüido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Impossibilidade de inscrição das estimativas em Dívida Ativa da União. Inexistência de crédito tributário. Ausência de certeza e liquidez. São esclarecedores os fragmentos do parecer: 18. Daí que o valor apurado mensalmente por estimativa, a título de antecipação do tributo devido, não assume a natureza de obrigação e crédito tributários. (...) 22. É patente, assim, que, não constituindo crédito tributário, o valor apurado por estimativa a título de antecipação do tributo não pode ser inscrito em Dívida Ativa da União, que pressupõe a existência de crédito tributário regularmente constituído e cingido dos atributos da certeza e liqüidez. (grifos originais) Assim, em se tratando de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, não basta que estejam confessadas por meio de DCTF, parcelamento ou declaração de compensação. Como não podem ser inscritas em Dívida Ativa, devem estar efetivamente extintas, o que ocorre por ocasião de, por exemplo, pagamento espontâneo ou compensação homologada, situação que autoriza a contagem do prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN. Fl. 2714DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10925.000920/200904 Resolução nº 1103000.150 S1C1T3 Fl. 2.715 9 Enfim, há que se esclarecer que, ao contrário do que aduz a recorrente, não há que se confundir período de apuração com o termo “exercício” expresso no art. 173, inciso I, do CTN. A expressão “exercício” referese ao exercício financeiro, definido no art. 34 da Lei nº 4.320, de 1964, que se encerra ao final do anocalendário: TÍTULO IV Do Exercício Financeiro Art. 34. O exercício financeiro coincidirá com o ano civil. Por outro lado, o período de apuração trata do aspecto temporal do fato gerador, sendo seu encerramento o momento em se consuma a hipótese de incidência prevista na norma tributária. A obra Hipótese de Incidência Tributária, do doutrinador Geraldo Ataliba (6ª edição, 11ª Tiragem, p. 94/95) esclarece: 35. Aspecto temporal 35.1 A lei continente na h.i. tributária traz a indicação das circunstâncias de tempo, importantes para a configuração dos fatos imponíveis. Esta indicação pode ser implícita ou explícita. Na maioria das vezes é simplesmente implícita. (...) 35.7 Pode a lei mencionar uma data (no caso dos impostos imobiliários), uma circunstância determinável no tempo; isto se dá com o imposto sobre operações mercantis (ICMS).Sua h.i. é ra realização, por comerciante ou equiparado, de operação jurídica mercantil que importe (impulsione, provoque) circulação –entendida juridicamente como mudança de titular – de mercadoria. O aspecto temporal da h.i. é explicitamente disposto pela lei como sendo a sua saída do estabelecimento do sujeito passivo. A referência à saída é uma indicação – não da materialidade da h.i. – mas do momento em que deve ser reputado consumado o fato imponível. Se a lei assim não dispusesse expressamente, o momento a ser considerado seria o da prática do ato jurídico mercantil posto como aspecto material da h.i. 35.8 Enfim, é o legislador que discricionariamente estabelece o momento que deve ser levado em consideração para se reputar consumado um fato imponível. E esta indicação legislativa (que pode ser, repitase, explícita ou implícita) recebe a designação de aspecto temporal da h.i. Portanto, no caso do IRPJ e da CSLL, optou o legislador em estabelecer expressamente o aspecto temporal do fato gerador, conforme se observa nos arts. 1º e 28 da Lei nº 9.430, de 1996: Capítulo I IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Seção I Apuração da Base de Cálculo Período de Apuração Trimestral Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. (...) Fl. 2715DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10925.000920/200904 Resolução nº 1103000.150 S1C1T3 Fl. 2.716 10 Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1o a 3o, 5o a 14, 17 a 24B, 26, 55 e 71. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) Assim, a opção da contribuinte pelo regime de tributação do lucro presumido para o IRPJ e CSLL implica em período de apuração trimestral. Para o PIS e a Cofins, o período de apuração é o mensal, consoante previsto no art. 74 do Decreto nº 4.524, de 2002: TÍTULO I APURAÇÃO E PAGAMENTO CAPÍTULO I PERÍODO DE APURAÇÃO Art. 74. O período de apuração do PIS/Pasep e da Cofins é mensal (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 2º, e Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º). Não procede, portanto, interpretação apresentada pela recorrente, que confunde período de apuração com exercício. Esclarecidas questões de direito, podese avançar para a apreciação do caso concreto. Verificase que a ciência dos autos de infração deuse em 01/07/2009, conforme “AR” de fl. 2535/2536 (pessoa jurídica) e 2537/2538 (sóciogerente). A contribuinte, para os anoscalendário de 2004 a 2007, foi optante do lucro presumido, submetida ao regime de apuração trimestral para o IRPJ e a CSLL. Por sua vez, o PIS e a Cofins encontramse sob o regime de apuração mensal. Assim, caso se tomasse a contagem do art. 150, § 4º, do CTN, os lançamentos de IRPJ e CSLL, referentes ao primeiro e segundo trimestre de 2004, e de PIS e Cofins, relativos aos meses de janeiro a junho de 2004, estariam fulminados pela decadência. Portanto, há que se observar se, em tais casos, há que se falar na aplicação da contagem prevista no art. 173, inciso I, do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Na situação prevista no art. 173 do CTN, o termo inicial da contagem darseia no primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para o IRPJ e a CSLL do primeiro e segundo trimestres, e o PIS e a Cofins dos meses de janeiro a junho, o lançamento de ofício poderia ser efetuado ainda no decorrer do anocalendário de 2004, o que deslocaria o início da contagem para o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, 01/01/2005. Assim, o prazo decadencial se consumaria em 31/12/2009. Como a ciência à recorrente deuse em 01/07/2009, não haveria de se falar em decadência. E, como já visto, para se verificar o enquadramento ao art. 173, inciso I, do CTN, devese verificar, em um primeiro momento, se não houve pagamento espontâneo e tampouco declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo. No caso do IRPJ, constatase, pelo “Demonstrativo de Apuração” de fls. 19/20 do Auto de Infração, que a autoridade autuante constatou a ocorrência de pagamentos ou confissão do imposto de renda, tendo deduzido os valores do lançamento de ofício. Fl. 2716DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10925.000920/200904 Resolução nº 1103000.150 S1C1T3 Fl. 2.717 11 Nesse caso, há que se confirmar a ocorrência da segunda hipótese, qual seja, se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que ensejou a qualificação da multa de ofício no presente caso, para que a contagem do prazo decadencial pudesse ser deslocada para o art. 173, inciso I, do CTN. Por outro lado, para a CSLL, PIS e Cofins, constatase que no “Demonstrativo de Apuração” de cada um dos tributos, a autoridade autuante não deduziu nenhum valor do lançamento de ofício. Ocorre que, na DIPJ/2005, referente ao anocalendário de 2004, às fls. 1794 (CSLL), fls. 1796/1801 (PIS) e fls. 1808/1813, informou a contribuinte que teria tributos a recolher. No extrato de DCTF de fl. 1738, constatase que foram encaminhadas declarações referentes ao primeiro e segundo trimestres de 2004. Contudo, não consta nos autos detalhamento das DCTF, que possibilitaria verificar quais tributos foram confessados. Também, há que se registrar que na infração tributária referente a verificações preliminares, constatouse diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado ou pago apenas para o segundo trimestre de 2006 e primeiro trimestre de 2007 para o IRPJ, primeiro trimestre de 2007 para a CSLL, e P.A. de março/2007 para o PIS e a Cofins. Ou seja, em tese, não foi encontrada nenhuma divergência entre valores escriturados e valores declarados ou pagos para o anocalendário de 2004, o que se mostra como forte evidência de que valores de CSLL, PIS e Cofins foram confessados ou pagos. E, nos autos, os registros contábeis disponibilizados pela contribuinte, em atendimento à intimação da Fiscalização, de fls. 632/679, encontramse em formato de código previsto para a leitura do arquivo digital do SINCO – Arquivos Contábeis, não permitindo a identificação manual de nenhum lançamento contábil. Portanto, não é possível constatar, pela análise dos documentos acostados aos autos, se houve ou não pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo para a CSLL, PIS e Cofins. Nesse sentido, para prosseguir a análise referente ao termo inicial da contagem decadencial, entendo que será necessária diligência, no sentido de se verificar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito de CSLL, PIS e de Cofins. A análise deverá ser estendida a todo anocalendário em debate, de 2004 a 2007. Para o período de janeiro a junho de 2004, será útil para verificar a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN. E, para todo o período analisado, servirá para deduzir valores eventualmente pagos ou confessados dos lançamentos de ofício efetuados. A apreciação do segundo aspecto, referente à ocorrência da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a aplicação da contagem do art. 173, inciso I do CTN para a decadência, será realizada após o resultado da diligência. Fl. 2717DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10925.000920/200904 Resolução nº 1103000.150 S1C1T3 Fl. 2.718 12 Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de encaminhar os autos para a unidade preparadora, no sentido de verificar, para cada um dos fatos geradores compreendidos entre 01/12/2004 a 31/12/2007, se houve débito de CSLL, PIS e de Cofins: (1) pago espontaneamente ou (2) compensado ou (3) confessado em DCTF ou (4) parcelado. Os resultados deverão ser apresentados em relatório fiscal, com quadro demonstrativo detalhando se houve pagamento ou confissão de débito, para cada fato gerador, e com as telas de consulta dos sistemas internos da Receita Federal. A Recorrente deve ser cientificada do inteiro teor do resultado da diligência para, se assim o desejar, aditar o recurso voluntário, dispondo estritamente sobre o conteúdo diligenciado, no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011, findo o qual, o processo deverá ser devolvido ao CARF para julgamento. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Fl. 2718DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/10/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 16327.001732/2010-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o presente julgado em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem determine que, por meio de verificação da documentação contábil e fiscal, se necessário na sede empresa e, com a utilização subsidiária dos documentos juntados à impugnação e ao recurso voluntário, sejam apresentados esclarecimentos complementares, em relatório fundamentado, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
documento assinado digitalmente
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1677; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 11 1 10 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001732/201054 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.146 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 06 de agosto de 2013 Assunto IRPJ/GLOSA DE DESPESAS Recorrente BANCO BRADESCO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o presente julgado em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem determine que, por meio de verificação da documentação contábil e fiscal, se necessário na sede empresa e, com a utilização subsidiária dos documentos juntados à impugnação e ao recurso voluntário, sejam apresentados esclarecimentos complementares, em relatório fundamentado, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente. “documento assinado digitalmente” Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 73 2/ 20 10 -5 4 Fl. 9015DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 12 2 Relatório Conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF), em fiscalização empreendida junto à contribuinte supramencionada foram apurados os fatos descritos a seguir e, em decorrência lavrados auto de infração relativo a IRPJ (R$ 60.428.800,43) e CSLL (R$ 21.754.368,13, incluídos juros de mora calculados até 30/11/2010 e multa de ofício de 75%. 1. Da ação fiscal. A ação fiscal teve como objetivo verificar os valores informados na linha 30 – “Outras Despesas Operacionais” da ficha 05B – “Despesas Operacionais PJ Componente do Sistema Financeiro”, no valor de R$.2.503.606.463,14, da DIPJ do ano calendário 2005. A contribuinte foi intimada a apresentar a decomposição das contas que compõem o referido valor, e comprovar as despesas selecionadas em cada conta Cosif (relacionadas às fls.3134 e 5999). Após análise da documentação apresentada relativa às despesas operacionais em tela, a fiscalização constatou que a contribuinte não apresentou documentos que pudessem justificar os lançamentos nas correspondentes contas de despesas, ou então o fez de maneira insatisfatória. 2. Da não comprovação dos valores informados em “Outras Despesas Operacionais” Detalhase a seguir, as contas de despesas operacionais não comprovadas pela contribuinte (documentação em CD acostadas aos autos), com os respectivos valores por conta: 2.1) Conta Cosif 8.1.7.24.006 Despesas de Materiais. Relação (Rel.) 1: razão 0506, conta 00000116. Desp. Mat. Plásticos Outros Cart.(R$15.730.233,53): segundo a empresa, os valores referemse a apropriação de despesas pelas emissão dos cartões de crédito/débito dos clientes do Banco, tendo como contrapartida a conta do ativo de despesas antecipadas. Portanto, não se referem a provisões de despesas, mas ao registro contábil da despesa pelo regime de competência. A contribuinte apresentou Demonstrativos, fichas de controle de estoque (de parte dos valores) e notas fiscais de aquisição de materiais, as quais não correspondem aos valores contabilizados nessa conta. Rel. 2: razão 0506, conta 00000035. Despesas de Materiais Gráficos (R$229.786,30): segundo a empresa, os valores referemse a reclassificações contábeis entre as contas de despesas. Apresentou demonstrativos emitidos pelo Departamento de Cartões do Bradesco. Rel. 3: razão 0506, conta 00000019. Despesas de Materiais (R$548.234,90): a empresa enviou documentos de uso interno, referentes a ajuste contábil, reclassificação de lançamento, estorno parcial de lançamento, transferência entre contas e contabilização de provisão. Fl. 9016DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 13 3 Rel. 4: razão 0506, conta 00000019. Despesas de Materiais (R$8.399.849,11): segundo a empresa, os valores referemse ao consumo de materiais pela rede de agências e dependências administrativas do Banco. Apresentou extratos de contas contábeis, explicação da forma de contabilização e notas fiscais de entrada de estoque, todos sem relação com as despesas em tela. Posteriormente, a empresa enviou cópia do razão, notas fiscais e documentos referentes à aquisição de materiais, demonstração do fluxo contábil da aquisição, estoque e consumo dos materiais. Todavia: a) não foi apresentado o batimento do saldo de R$2.191.474,35 da conta Cosif 1.9.8.40.000 – “Materiais em Estoque” com as correspondentes notas fiscais de aquisição. b) não foram enviadas as notas fiscais que compõem esse saldo, nem as fichas de estoque por tipo de material (saldo em 03/01/2005) com os respectivos valores. c) não foram apresentadas todas as notas fiscais contabilizadas na conta de Material em Estoque, para comprovar a aquisição e dar suporte para as saídas através de requisições. A contribuinte apresentou apenas 31 notas fiscais, que envia a título de amostragem, as quais são escuras e contêm falhas, dificultando a leitura do inteiro teor desses documentos. d) não foram apresentadas fichas de estoque contendo a movimentação de entradas e saídas de materiais no ano de 2005, por tipo de material, cujos valores deveriam ser identificados com os contabilizados na conta Material em Estoque da agência 42307, razão 16/37, Conta 00000027. e) não foram apresentadas as requisições de materiais emitidas semanalmente pelas agências e dependências, as quais seriam consolidadas pelo Departamento de Materiais, conforme resposta da contribuinte às fls. 188. Rel. 5: razão 0505, conta 00000019. Despesas de Materiais (R$325.345,59): segundo a empresa, essas despesas são apropriadas pelo regime de competência em contrapartida à conta de provisão para despesas. Por ocasião do pagamento da despesa, o lançamento é revertido. A empresa enviou demonstrativo das contabilizações e respectivos razões contábeis. 2.2) Conta Cosif 8.1.7.66.002. Despesas de Transporte Rel. 6: razão 0573, conta 00000035 – Desp. De Transp.de Valores (R$327.709,20): não foi atribuído pela empresa nenhum histórico para esta conta. A empresa apresentou cópia de fatura parcialmente ilegível, não fazendo prova desse lançamento. Rel. 7: razão 0573, conta 00000035 – Desp. De Transportes de Valores (R$1.236.944,66): a empresa informou que contabilizou os serviços prestados em 12/2005 pelo regime de competência, ocorrendo os pagamentos em 2006. As notas fiscais anexadas pela empresa foram emitidas, em parte, no ano de 2006. tratandose de regime de competência, essas notas não podem ser aproveitadas no ano de 2005, pois referemse a outro período. Rel. 8: razão 0573, conta 00000035 – Desp. De Transp. Valores (R$1.996.592,49): a empresa apresentou documentos apenas de parte dos lançamentos. Além disso, os documentos apresentados pela empresa estão parcial ou totalmente ilegíveis, ou não Fl. 9017DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 14 4 conferem com os valores dos lançamentos, ou já haviam sido aproveitados para comprovação do mesmo valor de outro período. Rel. 9: razão 0573, conta 00000035 – Desp. De Transportes de Valores (R$10.886.387,19): segundo a contribuinte, essas despesas são apropriadas pelo regime de competência à contrapartida de conta de provisão de despesas. No pagamento da despesa é revertido o lançamento. Apresentou notas fiscais, razões das contas “Provisão Outras Despesas Administrativas” e “Despesas de Transportes de Valores”, demonstrativo contendo os lançamentos nessas contas, e extrato da conta “Provisão Outras Despesas Administrativas”. A documentação apresentada comprovou parte dos valores, restando pendente de comprovação o valor de R$10.886.387,19. Rel. 10: razão 0573, conta 00000213 – Desps. C Contratação de Transportes (R$3.719.614,55): segundo a contribuinte, essas despesas são apropriadas pelo regime de competência tendo como contrapartida a conta de provisão para despesas. Por ocasião do pagamento da despesa, o lançamento é revertido. Apresentou extrato contendo os lançamentos em questão. Rel. 11: razão 0573, conta 00000116 – Desp. Transp. Compensação Integra (R$24.188.926,89): a empresa informa que essa conta registra a despesa de malotes compartilhados relativos à compensação entre todas as instituições financeiras do território nacional. Anexou documentos, lançamentos contábeis e mapas de rateio da Febraban. A documentação apresentada não comprovou os lançamentos dessas despesas. Rel. 12: razão 0573, conta 00000035 – Desp. de Transportes de Valores (R$7.343.330,78): segundo a empresa, os valores referemse a despesas de transporte de numerário. Portanto, não se referem a provisões de despesas, mas sim ao registro contábil da despesa pelo regime de competência. Anexa comprovantes das despesas, ficha contábil, boletos de transporte, relatórios e planilhas de controle interno. Rel. 13: razão 0573, conta 00000035 – Desp. de Transportes de Valores (R$155.424,32): a contribuinte informa que houve reclassificação departamental, e apresentou documentos internos e extrato da conta Desp. de Transp. De Valores. Rel. 14: razão 0573, conta 00000035 – Desp. de Transp. Valores (R$2.932.231,72): a contribuinte apresentou documentos de parte das despesas apenas. Além disso, os documentos apresentados pela empresa estão ilegíveis, impedindo sua análise. Posteriormente, a empresa informou que as despesas são contabilizadas pelo regime de competência debitandose a conta de despesa e creditandose a conta de provisão. Por ocasião do pagamento, os lançamento são revertidos. Apresentou documentação interna, relações, planilhas e estorno de provisão. Rel. 15: razão 0573, conta 00000213 – Desp. C Contrat. Transp. (R$332.108,88): a empresa apresentou documentos apenas de parte dos lançamentos. Além disso, alguns documentos não conferem com os valores dos lançamentos, ou já haviam sido aproveitados para comprovação do mesmo valor de outro período. Posteriormente, a empresa apresentou ficha de despesas, relatórios de despesas sem comprovantes, planilhas, mapas, relações, Contrato de Coleta e Entrega de Malotes Via Transporte Terrestre firmado entre Transmalotes São Judas Ltda e Federação Brasileira de Bancos – Febraban, de 17/10/2010, Fl. 9018DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 15 5 sem assinatura das partes, e extratos das contas “Desp. de Transp. de Valores” e “Desp. C/Contratação de Transp.”. 2.3) Conta Cosif 8.1.9.99.006 Despesas Diversas Rel. 16: razão 0505, conta 0256 – Despesas Gerais – Perdas Diversas (R$1.760.067,82): a empresa apresentou extrato p/simples conferência do razão” contendo lançamentos com o histórico “Despesas de Lctos Internos”, cujo saldo diverge do valor de R$1.760.067,82. Rel. 17: razão 0505, conta 0213 – Repasse de Anuidade Cartões Afin (R$500.000,00): tratase de contrato para emissão de cartões afinidade firmado com a empresa Four Team Ltda. Para tanto, foi paga a importância de R$500.000,00 como adiantamento da venda de 50.000 cartões, sendo a 1ª parcela de R$250.000,00 (nota fiscal de serviço nº 173, emissão de 01/07/2003) e a 2ª parcela de R$250.000,00 (nota fiscal de serviço nº 180, emissão 15/07/2003). A contribuinte contabilizou tais valores como antecipação e somente quando houve a rescisão do contrato firmado em 30/05/2003, através do Instrumento Particular de Quitação Recíproca, de emissão de 13/07/2005, baixou o valor de R$500.000,00 da conta que representa a antecipação para a conta de despesas de Repasse de Anuidade Cartões em 07/2005. Analisando correspondência interna Bradesco de 10/06/2005, verificase que o objetivo do desembolso era um adiantamento para venda futura de 50.000 cartões, porém só foram vendidos 128 cartões até a 05/2005. Assim, essa despesa não foi incorrida, por não haver existido. O que houve foi apenas o registro contábil como despesas antecipadas no ativo, quando do pagamento, mas seu fato gerador não ocorreu (não foram incorridas) pelo fato já citado, o que torna essa despesa indedutível para efeitos fiscais. 2.4) Conta Cosif 8.1.9.99.006 – Desp. Bônus – Cartão Crédito Rel. 18: razão 0581, conta 86 – Bônus Programa Cartão Platinum (R$959.981,34): a empresa enviou cópias de tela de “Gerenciador de contas contábeis”, de detalhes da operação e de histórico do processo, e extrato da conta “Bônus Programa Cartão Platinum”. Rel. 19: razão 0581, conta 27 – Bônus Cartão Volkscard (R$503.384,37): a empresa informa que os portadores desse cartão acumulam pontos, os quais são usados para quitar parte do pagamento de veículos da marca Volkswagem. A Bradesco Cartões efetua os pagamentos dos regates de Bônus por meio de TED, mediante relação fornecida pela Volkswagem do Brasil Ltda. contendo os dados dos clientes. Apresenta (i) demonstrativo no qual consta provisão mensal Cartão Volkscard dos valores contabilizados como despesas, (ii) solicitação do Departamento de Cartões dirigida à Diretoria do Bradesco para emissão de TED para ressarcimento de certificados resgatados no Programa de Bônus desse cartão. Posteriormente, apresentou cópia dos TED para a Volkswagen e Instrumento Particular de Contrato de Emissão de Cartão de Crédito, firmado entre o Bradesco e a Volkswagen do Brasil Ltda, contendo cláusula de “bônus de 5% sobre o valor das compras realizadas pelo Associado com o Volkscard, cujo bônus deverá ser utilizado na compra de um veiculo novo marca Volkswagen” e “o Banco provisionará internamente 1% do valor das compras efetuadas com o Volkscard e efetivamente pagas.” Na documentação apresentada, a contribuinte não informa os modos de aferição do bônus de 5% sobre o valor das compras efetuadas pelos associados, e da provisão de 1% sobre o valor das compras efetivamente pagas, bem como não disponibiliza a contabilização das mesmas. Além disso, os TED apresentados não espelham a realidade da Fl. 9019DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 16 6 despesa, e os valores contabilizados como despesa não conferem em data e valor com os respectivos TED. 2.5) Conta Cosif 8.1.9.99.006 – Desp. c/ Cartões Crédito Rel. 20: razão 5506, conta 19 – Desp. Taxa Interc. C. Crédito (R$4.196.391,63): segundo a empresa, a conta registra os pagamentos efetuados à bandeira “Cartões Visa”, relativos aos custos mensais incorridos pela utilização dos cartões de crédito Visa pelos clientes do Bradesco. A contribuinte registra mensalmente pelo regime de competência as despesas incorridas, ocorrendo os pagamentos no dia 15 do mês subseqüente mediante débito em conta corrente do Bradesco no exterior. Apresenta faturas da Bandeira Visa, relatórios e extratos bancários da conta corrente do Bradesco no exterior. Não há nesses documentos vinculação com as despesas em tela, nem comprovação do efetivo pagamento a título “Cartão Visa”, tampouco comprovação de fechamento de câmbio. Os documentos apresentados em língua estrangeira, para terem legitimidade, necessitam de tradução em língua portuguesa por tradutor juramentado, conforme art.157 do Código de Processo Civil. Rel. 21: razão 5506, conta 35 – Tx Trim Cart. Crédito Visa (R$5.321.194,29): a empresa apresentou planilhas, lançamentos contábeis, correspondência interna, documento de transferência financeira do exterior, tabelas e demonstrativos. As datas e valores constantes de tais documentos, cuja maior parte é de natureza interna, não coincidem com os lançamentos contábeis. Rel. 22: razão 5506, conta 43 – Desp. Tx Trim. C. Créd. Ma (R$2.395.406,42): a empresa apresenta extrato das contas 40258 “Desp. Taxa Trimestral C. Créd. Ma” e 40258 “Provisão Pagto. Efetuar Taxa Trimestral”, planilhas, correspondência interna, boletos de pagamento e notas fiscais. As datas e valores das notas fiscais apresentadas divergem dos contabilizados na conta em questão. Além disso, a contribuinte enviou notas fiscais emitidas em 2006, sendo que o solicitado foram documentos do ano de 2005. Rel. 23: razão 5506, conta 78 – Desp. Tit. Capital Cartão de Crédito (R$600.952,95): a empresa foi intimada a comprovar tais despesas porém não encaminhou nenhum documento comprobatório desses valores. Rel. 24: razão 5506, conta 124 – Tx S Serviço Isa Visa (R$570.660,63): a empresa enviou planilhas e lançamentos contábeis. 2.6) Conta Cosif 8.1.9.99.006 – Despesas Diversas Rel. 25: razão 0505, conta 00000302 Desp. Regularização Documentos (R$1.865,00): a empresa apresentou documentos apenas de parte dos lançamentos. Além disso, os documentos apresentados referemse a classificação contábil e reclassificação de contas. Rel. 26: razão 0505, conta 00001023 – Emolumentos Judiciais Cartorário (R$25.594,38): a empresa não apresentou documentos para comprovar esse lançamento. Rel. 27: razão 0505, conta 00001023 – Emolumentos Judiciais Cartorário (R$14.970,80): a empresa não apresentou documentos para comprovar esse lançamento. Rel. 28: razão 0505, conta 00001015 – Associações de classes (R$1.430.501,91): a documentação apresentada pela empresa relativa à contribuição Fl. 9020DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 17 7 extraordinária Projeto Cisternas 2004 – parcelas de R$839.999,01 e R$108.416,29 é insuficiente para comprovação da dedutibilidade dessas parcelas. As despesas, para serem dedutíveis, devem ser necessárias, usuais e ter estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita. Com relação aos valores de R$25.240,00 e R$456.846,61, não foi apresentado nenhum documento para comprovar os valores em tela, os quais foram feitos por liberalidade da empresa, não sendo despesas dedutíveis na forma do art. 13 da Lei n° 9.249/95. Rel. 29: razão 0505, conta 00000302 – Desp. Regularização Documentos (R$2.627.010,38): a contribuinte apresentou documentos relativos a pagamentos de taxas no Detran de veículos em nome de terceiros e documentos internos (listagem de pagamentos, relatório de pagamentos, planilhas e pesquisas). Para comprovarem as despesas em tela, os documentos contábeis e fiscais devem ser emitidos em favor de quem efetivamente contratou o serviço ou adquiriu a mercadoria, devendo o documento ser hábil, idôneo e coincidente em datas e valores com as despesas contabilizadas, o que não ocorre no presente caso. A contribuinte também não comprovou a necessidade, usualidade ou normalidade dos valores em análise. Rel. 30: razão 0505, conta 00000280 – Desp. C Assim. P Consulta de Infor (R$164.290,80): a empresa informou essas despesas são apropriadas pelo regime de competência tendo como contrapartida a conta de provisão para despesas. Por ocasião do pagamento da despesa, o lançamento é revertido. A contribuinte não comprovou esse valor, limitandose a apresentar o extrato da conta Provisão Outras Despesas Administrativas e o fluxo de contabilização dessas despesas. 2.7) Conta Cosif 8.1.9.99.006 – Despesas de Perdas Diversas Rel. 31: razão 0528, contas: 006P – Desfalques c/c Ativa (R$1.626.371,75); 0426 Lançamentos Indev. em C/C (R$1.664.611,01); 5193 – DesfalquesTrib. e taxas s/CAG (R$1.219.178,36); e 5843 Furtos Recinto da AgênciaS/C AG (R$2.221.318,27): a empresa apresentou extrato contendo lançamentos e histórico “Bx.autorizada em Despesa”. A empresa não apresentou documentos para comprovar esse lançamento. No caso de desfalques ou furtos, há que ser observado ainda o art. 364 do RIR/99, que determina, para dedução dos prejuízos com desfalque, a apresentação de queixa perante a autoridade policial. Do exposto, constatase que, embora tenham sido dados prazos e condições suficientes para apresentação dos documentos solicitados, a empresa não comprovou, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores conforme determina a legislação de regência, os lançamentos efetuados nas referidas contas de despesas operacionais, no total de R$106.136.472,22. A manutenção da escrituração com observância das leis comerciais e fiscais é condição necessária, mas não suficiente, para a dedutibilidade de despesas. É necessário que os valores registrados na contabilidade sejam comprovados por documentos hábeis e idôneos, conforme o art.2º do Decreto nº 64.567/69, sob pena de serem desconsiderados pela fiscalização. A contabilidade e sua aplicação têm como normas balizadoras a rigorosa fidelidade aos fatos de gestão da empresa e o embasamento obrigatório em documentação hábil e idônea, conforme o art. 264 do RIR/99. Cabe exclusivamente à empresa a prova de que os registros efetuados em sua escrituração correspondem aos fatos realmente ocorridos em sua gestão, com base em Fl. 9021DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 18 8 documentação hábil e idônea pertinente à matéria. Ressaltese que documentos internos não fazem prova a favor da contribuinte. Assim, tornase necessária a constituição do correspondente crédito tributário para salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, em razão de constatação de infração à legislação do IRPJ e CSLL no ano calendário de 2005. Da Impugnação Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 360/414, acompanhada dos documentos de fls. 415/8788, alegando em síntese que: 1. Do cerceamento de defesa e da nulidade dos autos de infração A impugnante entregou os livros balancetes diários do ano calendário 2005 à fiscalização em 08/06/2010, permanecendo até o momento na posse desses livros. A prova de determinada despesa tem por base o documento retido pela fiscalização, porém a fiscalização não juntou cópia integral dos livros aos autos, impedindo a análise dos documentos pela empresa, a fim de que esta compreendesse a matéria de fato, elaborasse a defesa e comprovasse fatos cuja prova estaria nos livros retidos pela fiscalização. Houve cerceamento de defesa, sendo nula a autuação, a teor do art.59 do Decreto nº 70.235/72. 2. Da juntada de documentos após a apresentação da impugnação No caso dos autos, a prova documental pode ser juntada posteriormente à impugnação por motivo de força maior, conforme art.16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, pois os livros estavam em poder da fiscalização, impedindo a empresa de juntálos à impugnação e de confrontar os lançamentos contábeis com os documentos apresentados à fiscalização. Assim, protesta a impugnante pela juntada de prova documental a posteriori, após a devolução de seus livros pela fiscalização. 3. Do mérito O método de trabalho adotado pela fiscalização fere a legislação. Documentos emitidos por terceiros foram tratados como se fossem emitidos pela própria impugnante, os quais foram considerados inidôneos por serem de emissão própria. A fiscalização pinçou lançamentos específicos, tirandoos do contexto da conta em que estão inseridos e exigindo comprovantes discretos. Isso fez com que lançamentos a crédito fossem glosados com despesa, e que em certa conta a glosa fosse maior que o saldo da conta levada ao resultado do exercício. Toda a despesa de transportes da impugnante com os malotes de compensação integrada foi glosada, demonstrando que a glosa é ilegal, pois algum custo esse transporte terá tido. A escrituração da impugnante merece credibilidade, fazendo prova a seu favor conforme o § 1º do art.9º do Decreto Lei nº 1.598/77, pois, do total de despesas lançado na linha 30 da ficha 05B da DIPJ (R$2.503.606.463,14), apenas 4,23% (R$106.136.47,22) foram glosadas. Fl. 9022DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 19 9 A fiscalização não auditou os fatos contábeis reais, considerando como sem comprovantes despesas que foram legitimamente provadas. A apropriação de despesas pelo regime de competência exige a contabilização dos desembolsos no ativo. À medida em que o consumo acontece, esses valores vão sendo apropriados gradualmente ao resultado do exercício. No caso dos materiais de consumo, o custo será igual ao estoque inicial mais compras menos o estoque final. As despesas são distribuídas pelas respectivas agências, de modo que a contabilidade possa servir também como ferramenta de gestão. Ao se apropriarem as despesas por competência, essas despesas têm que ser distribuídas corretamente pelas agências, para que a gerência do negócio possa saber o resultado em cada uma delas. Para contabilizar a aquisição de materiais ou serviços a prazo, a impugnante constituía uma provisão para o pagamento do respectivo valor, lançando a despesa em contrapartida ao registro da obrigação no passivo. Para materiais de consumo o registro era feito na conta de estoques do ativo, da mesma forma que os serviços aproveitáveis em mais de um exercício eram registrados em despesas antecipadas no ativo. Tal lançamento refletia a despesa incorrida, ainda não paga, aparecendo no histórico como “provisão”, sendo uma provisão para pagamento, e não uma provisão de despesa (essa já foi incorrida). No pagamento eram efetuados dois lançamentos, sendo que o primeiro (histórico “estorno”), estornava o lançamento original feito no recebimento da mercadoria ou serviço, creditandose a conta de despesa ou de ativo anteriormente debitada e debitandose o valor provisionado no passivo para pagamento. Ao final, o lançamento original se anulava, não havendo efeito no resultado do exercício. O segundo lançamento (histórico “Contas a pagar SAP”) decorrente do pagamento registrava a saída de caixa do valor pago, em contrapartida a um débito na conta creditada no lançamento anterior para restabelecer, à conta de despesas (ou de estoque ou de despesas antecipadas), seu valor real e efetivo, respeitando o regime de competência. A fiscalização selecionou lançamentos com a palavra provisão, sem levar em conta que se tratavam de lançamentos provisórios, estornados, sem efeito no resultado do exercício. Para comprovar as despesas em tela, a empresa apresentou à fiscalização o sistema contábil utilizado e o contexto no qual se inseria cada lançamento objeto da intimação, com os respectivos documentos. Mostrou ainda notas fiscais de compras, requisições dos materiais aos estoques e a apropriação das despesas nas respectivas agências. Colocouse à disposição da fiscalização para abrir todo o sistema e apresentarlhe cada um dos documentos que desejasse. Em se tratando do manuseio de centenas ou milhares de documentos, é impossível separar os documentos para uma centena de lançamentos, devendo a fiscalização ser feita no local onde estão os documentos, por amostras que possam dar respaldo e certeza sobre o sistema e os procedimentos adotados. A fiscalização não examinou o sistema da impugnante para controle das despesas apropriadas pelo regime de competência, exigindo o impossível da contribuinte, e impondo a exação. Esse procedimento foi realizado na apuração dos valores constantes de 11 relações de lançamentos (a saber, relações 1 a 5, 7, 9, 10, 12, 25 e 30), num total de Fl. 9023DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 20 10 R$48.565.882,41, cujas glosas são baseadas na ausência de documentação comprobatória emitida por terceiros. Não existe nota fiscal, recibo ou documento assemelhado para a despesa que é baixada do ativo por competência. A fiscalização deveria analisar as planilhas de apropriação apresentadas pela empresa com as notas fiscais de aquisição e as planilhas dos estoques iniciais e finais, verificando que esses lançamentos estavam estornados. Para as outras 20 relações de lançamentos (total de R$57.570.589,81), embora tenham sido apresentados documentos que permitem sua dedutibilidade, a impugnante apresenta documentos adicionais. A seguir, analisase cada relação de lançamentos: Relação 1: a intimação de fls. 29 a 33 demonstra que o total das despesas da conta 00000116 é de R$15.109.348,17, porém a glosa efetuada foi de R$15.730.233,53. A fiscalização não identificou como a empresa controla as despesas com materiais de consumo. As compras de materiais são debitadas em uma conta de estoque em contrapartida ao provisionamento para pagamento. Na sequência, consumindose a mercadoria nas agências, creditase a conta de estoque no ativo e debitase a conta de despesas, correspondente ao custo da mercadoria consumida. Nas compras a prazo, a formação do estoque passa por três lançamentos: o primeiro no recebimento do material, o segundo por ocasião de seu pagamento, estornandose o lançamento original, e o terceiro em seguida para refletir o custo incorrido e pago. As remessas de material para as agências não têm correspondência em quantidades com as notas fiscais de compras. As compras são feitas em grandes volumes para abastecer a empresa como um todo, sendo impossível fazer corresponder esses valores de custo e quantidades da mercadoria remetida para a agência, com uma nota fiscal específica de compras. Esta “amarração” só é possível via sistema, através dos relatórios renegados pela fiscalização, que se recusou a emprestarlhes força probatória, e não os auditou. A empresa colocou à disposição da fiscalização os documentos que demonstram seu sistema de contabilização (fls. 02209 do CD e fls.145149 deste processo) relativamente aos lançamentos constantes da Relação 1 do Termo de Verificação Fiscal. Ali constam cópias de notas fiscais de compra, do livro razão das contas envolvidas, das fichas de controle de estoque e das requisições de materiais ao estoque. O valor contabilizado como despesa neste tópico é correto, como se demonstrará a seguir. A ficha razão da conta de estoque desse tipo de material mostra os saldos iniciais e finais do estoque, no caso R$6.322.962,81 e R$6.266.872,62, respectivamente. O material consumido foi de R$20.575.636,31. As compras foram de R$23.017.509,42 e anexamos a relação de cada compra, especificando número de lançamento contábil, número da nota fiscal, data, valor e fornecedor. O razão dessa conta demonstra ter havido estornos de R$2.497.963,30. Assim, o valor registrado na conta “00000116” é de R$15.109.348,17, conta que recebeu parte do consumo total de material. A outra conta é a “00000108”, que recebeu o restante do encargo no valor de R$3.128.921,49. O valor de R$2.337.266,65 que sobram são valores reclassificados para outras agências, como demonstram os lançamentos de estorno nas duas contas aqui mencionadas. Portanto, os materiais saíram exclusivamente para as duas Fl. 9024DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 21 11 contas citadas. A impugnante junta, por amostragem, cópias das Notas Fiscais de origem do estoque, referente ao mês de outubro de 2.005 (fls. 437542). Do exposto, fica demonstrada a improcedência da glosa. Documentos às fls.48415051. Relação 2: os 24 valores que totalizam R$229.786,30 são lançamentos contábeis da conta “Agência 40258, Despesa de Materiais Gráficos, Razão 0573, Conta 000000035”, e consistem em reclassificação de contas de despesa. Nesse caso, o documento é a ficha de lançamento, tendo a empresa atendido à fiscalização, entregando o solicitado. Documentos às fls.543603 e 50525084. Relação 3: os 5 valores que totalizam R$548.234,90 são lançamentos contábeis da conta “Agência 42307, Despesa de Materiais, Razão: 0506, Conta: 000000019” e consistem em reclassificação de contas de despesa. Nesse caso, o documento é a ficha de lançamento, tendo a empresa atendido à fiscalização entregando o solicitado. Anexa, por amostragem, cópias das Notas Fiscais de aquisição dos materiais que ensejaram a reclassificação das contas de despesa (fls. 604759). Documentos às fls. 50855114. Relação 4: os 57 valores que totalizam R$8.399.849,11 são lançamentos contábeis da conta “Agência 40308, Despesas de materiais, Razão: 0506, Conta: 00000019”. A glosa correspondeu a lançamentos na conta cujo histórico era "gastos materiais agenc" e ocorreu por falta de análise da documentação apresentada. Os elementos foram colocados à disposição e ignorados por não ter a empresa apresentado notas fiscais correspondentes ao valor do estoque inicial e do estoque final. Mas esses saldos decorrem de um processo histórico, desde o início de operação da empresa, não existindo um conjunto de notas fiscais que batam com o valor do estoque inicial ou final. O sistema contábil da empresa está em conformidade com o art.294 do RIR/99. A impugnante listou todas as entradas/compras em seu estoque de materiais, nota a nota, designando para cada compra o número de lançamento contábil, número da nota fiscal, data, valor e fornecedor, no valor de R$35.675.858,11 (total de despesas contabilizados nessa conta). Todo o valor lançado em despesas está amarrado ao sistema contábil da impugnante e lastreado em notas fiscais emitidas por fornecedor. A fiscalização não quis ver as notas fiscais de compras, quis apenas as relativas ao estoque inicial e ao estoque final, razão pela qual não procede a glosa dos R$8.399.849,11. A impugnante junta, por amostragem, cópias de notas fiscais de compras. Documentos às fls. 760976 e 51155193. Relação 5: o valor de R$325.345,49 provém de um lançamento contábil da conta identificada como “Agência 42501, Despesa de Materiais, Razão: 0505, Conta: 000000019”. A impugnante lança o material comprado a prazo no estoque, em contrapartida da constituição de uma provisão para pagamento do fornecedor. No pagamento ocorre o estorno da provisão, creditando a conta de estoque e debitando a provisão, e há um novo lançamento a débito do estoque e a crédito do caixa. Portanto, o lançamento inicial na conta de estoque, com o histórico “Prov. Desp S/inc CPMF”, é anulado pelo pagamento da fatura, sendo substituído pelo novo lançamento de estoque contra caixa, e não tendo qualquer impacto no resultado do exercício. Fl. 9025DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 22 12 A glosa efetuada duplica o estorno da despesa, vez que este estorno já foi feito pelo próprio contribuinte, anulandose o lançamento (fls. 242). Documentos às fls.51945201. Relação 6: o valor de R$327.709,20 provém de um lançamento contábil da conta “Agência 42528, Despesa de Transp Valores, Razão: 0573, Conta: 000000035”. A glosa foi efetuada por estar a nota fiscal rasurada e ilegível, de modo que a impugnante junta a nota fiscal legível e sem rasuras (fls. 978). Documentos às fls.52025203. Relação 7: o valor impugnado de R$1.236.944,66 consiste em lançamentos contábeis da conta “Agência 42528, Despesa de Transportes de valores, Razão: 0573, Conta: 00000035”. A glosa ocorreu porque a despesa foi apropriada em 12/2005 e as notas fiscais foram emitidas em 01/2006. Porém, embora as notas tenham sido emitidas em 01/2006, os serviços foram prestados em 12/2005, conforme informação constante das notas fiscais. Pelo regime de competência, o serviço efetivado em dezembro deve ser deduzido em dezembro, independente de seu pagamento. Além disso, mesmo se as despesas fossem dedutíveis em 2006, apropriálas antecipadamente apenas provocaria postergação de imposto. Documentos às fls. 52045386. Relação 8: o valor impugnado de R$1.996.592,49 são lançamentos contábeis da conta “Agência 43125, Despesa de Transp valores, Razão: 0573, Conta: 00000035”. A glosa ocorreu por não apresentação ou ilegibilidade dos documentos apresentados, de modo que a impugnante reapresenta os documentos legíveis e aptos à comprovação da despesa (fls. 979 1143 e 53875392). Relação 9: os 38 valores que totalizam R$10.866.387,19 são lançamentos contábeis da conta “Agência 43125, Desp. de Transportes de Val, Razão: 0573, Conta: 000000035”. O mecanismo de contabilização dessas despesas consta às fls.184185. Nos pagamentos a prazo, existem dois eventos: 1º) recebimento da fatura: a conta despesa com transporte de valores recebe um lançamento a débito com histórico “Prov Desp S/ CPMF"; 2º) pagamento da fatura: a mesma conta recebe dois lançamentos, sendo o primeiro, a crédito histórico é “Estorno Lanc”, e o segundo a débito, histórico “Contas a pagar SAP”. Esse débito é o que materializa a despesa, pois o primeiro débito é anulado com o crédito. Todos os lançamentos da relação 9 constituem o primeiro débito referente ao provisionamento da fatura, histórico “Prov Desp S/ CPMF”, ou seja, todos esses lançamentos foram anulados com o crédito, cujo histórico é “Estorno Lanc”, realizado por ocasião do pagamento da fatura. Assim, os valores glosados não tiveram impacto no resultado do exercício. Comparandose o valor total dos lançamentos de histórico “Prov Desp s/inc CPMF” com o valor total dos lançamentos de histórico “Estorno Lanc”, constatase que eles se anulam. No ano de 2005 os lançamentos com histórico “Prov Desp S/ inc CPMF” somaram R$24.842.243,89, e os de histórico “Estorno Lanc”, R$27.141.282,03. Portanto, o rol de lançamentos com este histórico não afetou o resultado do exercício, pois os lançamentos foram anulados. Os lançamentos da relação 9 são parte desses primeiros créditos que foram anulados. Não há nota fiscal ou comprovação para eles, pois tais lançamentos não compõem o resultado do exercício, são transitórios e foram anulados antes do fechamento do exercício. Os Fl. 9026DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 23 13 autos de infração glosam despesa que não foi apropriada, anulando uma despesa legítima da impugnante. Documentos apresentados às fls. 9793039 e 53935845. Relação 10: os 6 valores que totalizam R$3.719.614,55 são lançamentos contábeis da conta identificada como “Agência 48003, Despesa C contratação de Transportes, Razão: 0573, Conta: 000000213” e constituem uma provisão de despesa feita no recebimento de serviço de transporte de valores. Tais lançamentos serão estornados para contabilizar a despesa por ocasião do pagamento. A despesa é dedutível por ter sido incorrida, porém o vencimento das faturas ocorreu em 01/2006, quando foram efetuados os pagamentos, os estornos dos lançamentos apontados pela fiscalização e registrada a despesa. Cabe esclarecer que os documentos comprobatórios das despesas não são notas fiscais emitidas pelas empresas de transporte, mas sim comprovantes de pagamento (transferência bancária ao Banco do Brasil), em razão de convênio estabelecido com a Febraban. Documentos anexos às fls. 30403212 e 58465864. Relação 11: os 93 valores que totalizam R$24.188.926,89 são lançamentos contábeis da conta “Agência 48003, Desp. Transp compensação integra, Razão: 0573, Conta: 000000116”. Esse valor corresponde ao custo total que a impugnante teve com transportes para o serviço de compensação integrada dos cheques e ordens de pagamento. Esse serviço é coletivo e todos os bancos do sistema financeiro nacional participam, cada um assumindo parte do custo. A Febraban administra o sistema e o Banco do Brasil arca com os custos, repassando a cada banco o seu quinhão. É um serviço essencial à atividade bancária, de existência pública e notória. A Febraban cobra de cada banco seu quinhão, disponibilizando para cada banco os dados necessários ao pagamento através de sistema eletrônico, que emite um documento para funcionar como comprovação a cada participante. Os serviços são faturados pelos prestadores de serviço ao Banco do Brasil, que repassa a cada instituição financeira cópias das faturas. Mas o que cada banco paga é o valor demonstrado pela Febraban. Portanto, o Mapa de Malhas do Banco 237 não é um documento interno, é um documento eletrônico de emissão da Febraban como base da cobrança. A impugnante apresenta cópias dos convênios celebrados e relação dos pagamentos mensais efetuados ao Banco do Brasil (fls. 32133435). Comparandose os valores dos documentos eletrônicos emitidos pela Febraban com a relação de pagamentos emitida pelo Banco do Brasil verificase a correção do procedimento da impugnante. Documentos às fls.58656249. Relação 12: os 123 valores que totalizam R$7.343.330,78 são lançamentos contábeis da conta identificada “Agência 48003, Despesa de Transportes de Valores, Razão: 0573, Conta:000000035”. O valor dessa despesa na apuração de resultado do exercício foi de R$92.507.231,16, e o valor pago aos transportadores de numerários foi de R$96.340.622,93, conforme o razão apresentado à fiscalização, comprovando que o valor está coberto por documentos hábeis, consistentes nas notas fiscais dos transportadores emitidas contra a impugnante. A exigência da fiscalização de “amarrar” a despesa com a nota fiscal do fornecedor é uma exigência impossível, pois a nota fiscal agrupa muitos serviços prestados num período. Como a despesa é apropriada no período em que o serviço é prestado, e como a Fl. 9027DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 24 14 nota fiscal/fatura cobre todos os serviços de período determinado, não há correspondência entre o valor contabilizado em despesas e uma nota fiscal específica. Não há como questionar a dedutibilidade desses valores de uma instituição financeira, tratandose de serviço essencial à sua operação. Documentos às fls. 34364039 e 62506390. Relação 13: os 3 valores que totalizam R$155.423,52 são lançamentos contábeis da conta identificada como “Agência 492004, Conta: Desp de Transportes de Valores, Razão: 0573, Conta: 000000035”, consistindo em reclassificação de contas de despesa para alocálas de forma mais adequada aos centros de custo. Nesse caso, o documento é a ficha de lançamento, tendo a impugnante atendido à fiscalização, entregando os documentos solicitados. Documentos às fls.63916418. Relação 14: os 8 valores que totalizam R$2.932.231,72 são lançamentos contábeis da conta identificada como “Agência 48003, Conta: Desp de Transp de Valores, Razão: 0573, Conta: 000000035”. Dos oito lançamentos dessa relação, seis são a crédito na conta da despesa (total de R$2.518.641,36). A impugnante não apresentou nota fiscal para esses seis lançamentos a crédito, pois crédito em conta de despesa é estorno. A glosa de lançamentos a crédito na conta de despesas aumenta as despesas, não havendo sentido no procedimento da fiscalização, sendo totalmente improcedente o lançamento efetuado. Com relação aos dois lançamentos a débito (total de R$413.590,36), são eles parte da despesa registrada em contrapartida aos serviços de fornecedores (valor de R$96.340.622,93 discutido na análise da Relação 12). A impugnante junta nota fiscal de R$262.762,28 (Relação 14 fls. 34364039 e 64196494). Relação 15: os 3 valores que totalizam R$332.108,88 são lançamentos contábeis da conta “Agencia 48003, Desp C Contrat de Transp, Razão: 0573, Conta: 000000213”. Os valores de R$74.623,24 e R$140.205,04 (histórico “Contas a pagar SAP”) consistem em reclassificação de contas de despesa para alocação mais adequada aos centros de custo, conforme esclarecido à fiscalização (fls. 211218), e devidamente comprovado. Nesses casos, o documento apresentado é o único (ficha de lançamento), não cabendo a glosa. Com relação ao valor de R$117.260,60, corresponde a pagamento de serviço de malote compartilhado pelos bancos na região metropolitana de São Paulo e cidades adjacentes, executado pelo Banco do Brasil e coordenado pela Febraban, conforme esclarecido no item 11. O comprovante da despesa é o Mapa de Malhas do Banco 237, de emissão da Febraban, que cobra a cota de participação da impugnante, bem como o comprovante de pagamento ao Banco do Brasil sendo impertinente essa glosa. Ainda com relação ao valor de R$117.260,60, a impugnante havia apresentado contrato sem assinatura à fiscalização, tendo agora localizado cópia da via assinada pela prestadora dos serviços, porém não localizando a via do contrato assinada pela Febraban. A impugnante solicitou cópia do contrato assinado por todas as partes à Febraban, e aguarda sua disponibilização para juntada aos autos. Documentos anexos às fls. 42944305 e 64956554. Relação 16: o valor de R$1.760.067,82 provém de um lançamento contábil da conta “Agência 23720, Despesas Gerais Perdas Diversas, Razão: 0505, Conta: 000000256”, e corresponde ao valor de despesa registrada em contrapartida da constituição da Provisão para Contingências Trabalhistas. Tal valor foi adicionado ao lucro líquido para apuração do lucro Fl. 9028DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 25 15 real, conforme fls. 5657, nada mais havendo para ser comprovado. Documentos às fls. 6555 6558. Relação 17: o valor de R$500.000,00 provém de um lançamento contábil da conta “Agência 40258, Repasse de Anuidade Cartões AFIN, Razão: 0505, Conta: 000000213”. A discussão é sobre a efetivação ou não dessa despesa, em razão do Contrato firmado com a empresa Four Team Ltda para emissão de cartões de crédito com a marca “Sandy e Júnior”. No entanto, as partes deramse quitação mútua na rescisão do contrato, encerrandoo sem que houvesse a devolução de quaisquer valores, ou obrigação da devolução, até porque não havia cláusula contratual que previsse a devolução do valor pela Four Team. Tal caso não configura liberalidade, apenas o negócio não deu o resultado esperado e foi menos oneroso encerrar que continuar, o que foi feito com a perda dos valores antecipados pela impugnante para a Four Team Ltda, sendo a perda registrada, comprovada e dedutível, pois inerente ao negócio. Portanto, tal despesa não é indedutível. Documentos às fls.43104329 e 65596575. Relação 18: os 7 valores que totalizam R$959.981,34 são lançamentos contábeis da conta “Agência 40258, Bônus Programa Cartão Platinum, Razão: 0581, Conta: 000000086”, e constituem despesas decorrentes do pagamento, a terceiros, de bônus obtidos pelos clientes pelo uso do cartão de crédito. Esse bônus tem finalidades promocional e de incremento no faturamento. A impugnante reunirá os comprovantes de pagamentos a terceiros e os juntará aos autos, mesmo após a impugnação. Documentos às fls. 65766590. Relação 19: os 4 valores que totalizam R$503.384,37 são lançamentos contábeis da conta “Agência 40258, Conta: Bônus Cartão Volkscard, Razão: 0581, Conta: 000000027”, e referemse a contrato celebrado entre a impugnante e a Volkswagen do Brasil Ltda, para emissão de cartão afinidade e concessão de bônus aos clientes possuidores do cartão, para aquisição de veículos dessa marca. O bônus tem finalidades promocional e de acréscimo ao faturamento. Documentos às fls. 65916680. Se a Volkswagen concedeu ou não o bônus ao cliente é assunto que foge aos interesses e ao controle da impugnante. A despesa é necessária e foi paga, há o contrato entre as partes e consta dos autos a “relação de certificados do programa Volkscard para reembolso”, relacionando o cliente final e identificadoo. Documentos às fls. 43304352 e 65916680. Relação 20: os 13 valores que totalizam R$4.196.391,63 são lançamentos contábeis da conta “Agência 40258, Desp Taxa Interc C Credito, Razão: 5506, Conta: 000000019”, e corresponde a uma taxa de uso da bandeira Visa pelos clientes da impugnante, sendo uma despesa necessária ao negócio de cartões de crédito desenvolvido pelo banco. A fiscalização alega que os documentos estão em língua estrangeira. Ocorre que os pagamentos dos valores foram feitos com débito em conta corrente da impugnante no exterior, e o documento comprobatório desse débito é o extrato da mencionada conta corrente. O extrato bancário não é um documento interno e pode ser compreendido sem conhecimento de língua estrangeira. Documentos às fls.43534401 e 66816936. Relação 21: os 9 valores que totalizam R$5.321.194,29 são lançamentos contábeis da conta “Agência 40258, TX Trim Cart Credito Visa, Razão: 5506, Conta: 000000035” e correspondem a uma taxa trimestral pelo uso da bandeira Visa pelos clientes do impugnante, sendo uma despesa necessária ao negócio de cartões de crédito desenvolvido pelo banco. A fiscalização alegou que a comprovação teria ocorrido através de documentos internos. Entretanto, os pagamentos foram feitos mediante contratos de câmbio de remessa para o exterior (documentos anexos à resposta de fls. 195 e 196), contratados no Sistema Financeiro Fl. 9029DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 26 16 Nacional (Banco Central do Brasil), não sendo documentos de produção interna. Documentos às fls.44024441 e 69376968. Relação 22: os 11 valores que totalizam R$2.395.406,42 são lançamentos contábeis da conta “Agência 40258, Desp TX TRIM C CRED MA, Razão: 5506, Conta: 000000043”. Para essa despesa foram apresentadas à fiscalização as notas fiscais de prestação de serviço, os comprovantes dos pagamentos dessas notas, o razão da conta e quatro mapas demonstrando a "amarração" entre os valores da contabilidade, das notas fiscais emitidas pelo fornecedor e os respectivos pagamentos (fls. 21612164 do CD, cópias impressas às fls.4442 4577). Documentos às fls. 69697055. As notas fiscais emitidas e pagas nos primeiros dias de 2006 referemse aos serviços prestados no quarto trimestre de 2.005, estando claro que as despesas incorreram em 2005. Relação 23: o valor de R$600.952,95 provém de um lançamento contábil da conta “Agência 40258, Desp Tit Capital Cartão de Credito, Razão: 5506, Conta: 000000078”, e consiste em despesa de aquisição de títulos de capitalização da Bradesco Capitalização S/A. A impugnante junta contrato de aquisição, extrato da conta onde houve o débito do valor pago e respectivo relatório de resgate (fls. 45784588). Relação 24: os 2 valores que totalizam R$570.660,63 são lançamentos contábeis da conta “Agência 40258, TX S Serviço ISA VISA, Razão: 5506, Conta: 000000124”. A empresa junta relatórios e correspondências emitidos pela Visa Internacional para comprovação dessa despesa (fls. 45894607 e 70567067). Relação 25: os 3 valores que totalizam R$1.865,00 são lançamentos contábeis da conta “Agência 42307, iDesp Regularização Documentos, Razão: 0505, Conta: 000000302”. A impugnante está providenciando a localização de documentos que possam dar suporte à dedução, os quais serão juntados oportunamente. Documentos às fls. 70687078. Relação 26: o valor de R$23.594,38 provém de um lançamento contábil da conta “Agência 40401, Emolumentos Judiciais Cartorários, Razão: 0505, Conta: 000001023”. A impugnante está providenciando a localização de documentos que possam dar suporte à dedução, os quais serão juntados oportunamente. Relação 27: os 3 valores que totalizam R$14.970,80 são lançamentos contábeis da conta “Agência 40401, Emolumentos Judiciais Cartorário, Razão: 0505, Conta: 000001023”. A impugnante está providenciando a localização de documentos que possam dar suporte à dedução, os quais serão juntados oportunamente. Relação 28: os 4 valores que totalizam R$1.430.501,91 são lançamentos contábeis da conta “Agência 41009, Associações de classes, Razão: 0505, Conta: 000001015”. Os valores de R$839.999,01 e R$108.416,29 foram glosados, segundo a fiscalização, porque os documentos apresentados não permitiram avaliar a necessidade da despesa para a atividade da impugnante. Os valores de R$25.240,00 e R$456.846,61 foram glosados em razão da não comprovação das despesas. As contribuições para o Projeto Cisternas da Febraban foram glosadas. Contudo, a fiscalização não analisou os termos do Comunicado FB105/2004, pois a contribuição glosada não era opção da associada, mas sim uma imposição estatutária. A contribuição para o Projeto Cisternas é necessária pois é condição para ser associado da Febraban, tratandose de imposição estatutária e não contribuição voluntária e facultativa. A glosa dos outros dois valores por falta de documento comprobatório também não tem procedência, pois a contabilização da despesa está escudada em notas de débito emitidas pela Fl. 9030DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 27 17 Febraban, conforme documento 17 confirmado pela fiscalização. Documentos às fls. 7079 7133. Relação 29: os 78 valores que totalizam R$2.627.010,38 são lançamentos contábeis da conta “Agência 42307, Desp Regularização Documentos, Razão: 0505, Conta: 000000302”. Os documentos apresentados à fiscalização foram emitidos em nome de terceiros, e são comprovantes de pagamento de despesas de veículos financiados pela impugnante, cujo cliente não honrou os compromissos assumidos no contrato de financiamento, e a impugnante, como financiadora, exerceu seu direito sobre a garantia o próprio veículo financiado. A impugnante pagou taxas e regularizou a situação dos veículos, para poder alienálos, e parte dos documentos está vinculada aos leilões de venda desses veículos. Dessa forma, não há como se questionar a dedutibilidade desses valores, pois financiar é parte da atividade operacional da impugnante, não havendo como recolher, em nome da impugnante, tributos e taxas de veículos registrados em nome de terceiros e recuperados, sendo necessário o recolhimento em nome de quem o veículo esteja registrado, para regularização e posterior alienação do veículo. A impugnante junta, por amostragem, cópias dos autos de apreensão dos veículos e certificados de propriedade, em nome da impugnante, após a transferência, esclarecendose a razão do pagamento de despesas relativas a veículos em nome de terceiros (fls. 46084839 e 71348764). Relação 30: os 7 valores que totalizam R$164.290,80 são lançamentos contábeis da conta “Agência 43125, Desp C Assim P Consulta de infor, Razão: 0505, Conta: 000000280”. No recebimento do serviço, a impugnante constitui uma provisão para o pagamento, cujo histórico na conta de despesas é “Prov Desp s/ inc CPMF”. No pagamento, ocorrem dois lançamentos, um reverte o valor lançado em despesas (histórico “Estorno de Lançamento”), creditando a conta de despesa pelo valor da nota fiscal, e outro debita a conta de despesas em contrapartida à conta caixa (histórico “Contas a pagar SAP”). Essa conta recebeu débitos (“Prov Desp s/ inc CPMF”) de R$322.415,62, sendo glosado uma parte desse valor, e créditos de R$423.923,02 (“Estorno de lançamento”), sendo, portanto, estornado todo o valor da provisão. Assim, os valores glosados pela fiscalização também foram estornados. A impugnante anexa planilha para comprovar que os valores arrolados pela fiscalização foram estornados, não compondo o resultado do exercício. Documentos às fls. 11443039 e 8765 8783. A presente glosa distorce o resultado do exercício pois o valor que a fiscalização pretende expurgar do resultado já foi retirado pela contribuinte. Relação 31: os 4 valores que totalizam R$6.731.479,39 são lançamentos contábeis das contas “Desfalques C/C ativa, Lançamentos Indevidos em C/C, Desfalques Trib. e taxas” e decorrem de furtos e roubos havidos nas agências, desfalques ou débitos indevidos nas contas correntes dos clientes e desfalques nos pagamentos de taxas e tributos, tendo por finalidade ressarcir os clientes de danos sofridos, restituindolhes os valores subtraídos indevidamente. A impugnante somente contabiliza a despesa decorrente do prejuízo relacionado a desfalque, apropriação indébita ou furto após registrado o Boletim de Ocorrência, ou instaurado o competente inquérito trabalhista. A respectiva documentação será carreada aos autos em breve. Documentos às fls. 8784/8788. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/SPI) decidiu a questão por meio do Acórdão 1634.453, de 27/10/2011 (fls. 8848 e seguintes), julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Fl. 9031DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 28 18 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005 DESPESAS OPERACIONAIS. COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE E USUALIDADE. A contribuinte deve comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, os valores lançados como despesas operacionais dedutíveis na DIPJ. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2005 DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à CSLL dele decorrente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Descritos os fatos e apontadas pormenorizadamente as infrações que motivaram o lançamento fiscal, e tendo o sujeito passivo demonstrado pleno conhecimento das infrações ao impugnar o lançamento, não se verifica a nulidade por cerceamento do direito de defesa. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS A APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO À NORMA LEGAL. Há que ser indeferido o protesto genérico pela produção de provas, face ao não atendimento das condições previstas no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. ESCRITURAÇÃO. PROVA. SUPORTE POR DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. A escrituração mantida com observância das disposições legais somente faz prova a favor da contribuinte, dos fatos nela registrados, se tais fatos forem comprovados por documentos hábeis e idôneos. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. TRADUÇÃO JURAMENTADA. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada. Fl. 9032DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 29 19 É o relatório. Passo ao voto. Fl. 9033DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 30 20 Voto ConselheiroRelator Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. A peça recursal com algumas variações repete as argumentações trazidas na impugnação, aduzindo em relação a decisão da Delegacia de Julgamento que o Acórdão ignora todos os argumentos e documentos apresentados. Apresenta breve resumo da autuação que pretendeu glosar despesas no valor total de R$106.136.472,22, a qual inserida no universo analisado no total de R$2.503.606.463,14 lançado na Linha 30 da Ficha 5B (Despesas Operacionais) da DIPJ/2006, corresponde apenas a 4,23%, a qual, a seu ver, já demonstra o acerto e a absoluta regularidade da sua contabilidade. A glosa fiscal conforme descrita no TVF em 31 tópicos ou relação trazem como fundamentação ora a ausência de documentação probatória emitida por terceiros, ora a falta de documentação capaz de comprovar a necessidade da respectiva despesa. Sintetiza as referidas glosas em 05 grupos (1) despesas com a compensação integrada num total de R$27.908.541,44; (2) as despesas de transportes de valores totalizando R$25.280.729,24; (3) as despesas de materiais no montante de R$25.233.448,63; (4) despesas da operação cartão de crédito totalizando R$15.047.971,63 e (5) despesas diversas no valor total de R$.12.665.781,28. A seguir passa a discorrer sobre cada grupo, a saber: ia) Despesas com a compensação integrada: A compensação integrada, modalidade de serviço amplamente conhecida dentro e fora do mercado financeiro, em razão do aumento das transações eletrônicas, poderia, nos dias atuais, estar perdendo importância, mas, nos idos de 2005, época destes fatos, encontravase no auge. A compensação integrada de cheques em todo o território nacional é serviço essencial ao cidadão, serviço público, prestado pelo Estado. No Brasil, o serviço é disciplinado pelo Banco Central do Brasil, que emana suas regras e o controla. A execução do serviço está a cargo da Federação Brasileira de Bancos FEBRABAN sob a liderança do Banco do Brasil. Todo banco em funcionamento no território nacional, autorizado a funcionar pelo Banco Central do Brasil BACEN, tem que, necessariamente, aderir ao serviço de compensação e aceitar suas regras, regras essas, repetimos, emanadas pela autoridade do BACEN. A operacionalização do serviço de logística, extremamente complexa, em razão das distancias continentais do país e da segurança exigida pelo sistema como um todo, é feita pelo Banco do Brasil, que contrata os prestadores de serviço. Ao final do mês, repassa tais custos a todas às instituições financeiras participantes do sistema, na medida em que cada uma fez uso do serviço, através da Federação dos Bancos. Desde já, é possível imaginar os controles envolvidos, quer pelo Banco do Brasil, para distribuir adequadamente estes custos, quer pelo banco usuário do sistema, para que lhe seja atribuído o que de direito. Os serviços mensais são cobrados através de um sistema eletrônico mantido pela Federação dos Bancos e pagos ao Banco do Brasil por Fl. 9034DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 31 21 intermédio de transferência de reservas, que cada banco mantém no BACEN, o que gera um recibo de transferência interbancária. Pois bem, os autos de infração nascem do desconhecimento de tais fatos pela fiscalização. Temos neste processo afirmações de que o mapa pelo qual o Banco do Brasil, através da FEBRABAN, repassa os custos da compensação integrada de cheques ao banco participante do sistema é um mero documento de produção interna, feito pelo próprio fiscalizado, que o recibo interbancário, emitido pelo Banco do Brasil, atestando a transferência de reservas a seu favor, em reembolso dos custos que teve com o serviço, não configura um documento de pagamento emitido por terceiros, condição necessária à apropriação da despesa como dedutível. A fiscalização e a decisão recorrida queriam notas fiscais e cheques para aceitar a dedutibilidade dos valores registrados. Como poderia apresentar notas fiscais e cheques referentes a estas despesas? Exigiram do contribuinte o impossível. Destarte, começa a se explicar o elevado percentual de despesa sem suposta comprovação reportado pela fiscalização e pela decisão de primeira instância. Na verdade, não se trata de despesa sem comprovante, mas de um desconhecimento de fatos que era da sua obrigação conhecer. ib) Despesas de transportes de valores: / Neste grupo, encontramse as contas representativas dos custos da movimentação de moeda, seja para abastecimento de agências bancárias, caixas eletrônicos ou o movimento contrário de recolhimento de numerário em agências, postos ou caixas, serviço genericamente denominado de abastecimento de agências e PAB's. O serviço é complexo, na medida que sua execução demanda muitas modalidades de implementação do serviço e a segurança pertinente. O rol de prestadores de serviços é muito grande, e muito pulverizado, tudo sob um pesado sistema de controle, constituindose o sucesso ou o fracasso deste sistema um dos diferenciais da instituição. O princípio contábil/operacional do recorrente, por traz deste controle e do controle das despesas em geral, é a separação entre o momento da ocorrência da despesa e o momento do pagamento, com o sistema de contabilidade controlando os dois momentos. Um sistema contrata e atesta a execução do serviço, e o outro paga, liquida, funcionando o sistema contábil como elo de interligação entre ambos. Concretamente, na contratação e execução do serviço, o sistema contábil é alimentado mediante um lançamento à despesas com contrapartida numa conta de provisão para pagamento; quando o controle é passado para o sistema de contas a pagar, na sequência, quando o pagamento é feito, o sistema de contas a pagar reverte a despesa contabilizada pela provisão e registra a despesa, agora contra o pagamento efetivo. Na prática, a despesa registrada pelo departamento contratante é estornada e contabilizada de novo pelo contas a pagar. Assim sendo, cada despesa é contabilizada duas vezes, a primeira sendo estornada de modo a se levar ao resultado do exercício tão somente o valor efetivo da despesa incorrida e paga. A metodologia, que a primeira vista parece uma duplicação de trabalho, na verdade, permite uma divisão de tarefas, algo muito importante numa organização desse porte e um duplo controle sobre as despesas, algo também de fundamental importância, numa tarefa com esse tamanho e tantas pessoas envolvidas no processo. Esta a razão de tal metodologia. Fl. 9035DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 32 22 Na prática, para quem não está envolvido no sistema, se antevê muitas complicações para sua correta compreensão, sendo a primeira delas o fato que nem sempre o fornecedor faz a nota fiscal agrupando os serviços na forma que foram contabilizados, em geral, o faturamento tem a ver com o recebimento do preço dos serviços, portanto, é mais comum o fornecedor agrupar numa nota o que ele quer receber e tem direito pelo contrato, e não os serviços que prestou num mesmo momento e num mesmo lugar. Assim, não há uma relação unívoca e uniforme entre o primeiro lançamento, seu estorno e o novo lançamento, sobretudo quando se olha a posteriori sobre fatos consumados. Cabe ao sistema contábil garantir que a despesa contabilizada na sua ocorrência, seja estornada e contabilizada pela liquidação da fatura. Para quem olha os fatos a posteriori surge, ainda, um novo complicador que é a alocação das despesas pelos centros de gestão ou de custos. Quem analisa o razão de uma conta de despesa, vai encontrar alocado ali uma parte de uma nota. Quando um auditor externo pede que se comprove aquela despesa com uma nota fiscal, evidente que o valor não vai "bater", pois parte do valor da nota foi alocado num outro centro de custo. Mas não foi esse o grande problema enfrentado nesta fiscalização, relativamente a estas despesas. O problema foi que a fiscalização não entendeu, não acreditou, não aceitou o sistema do contribuinte. Não importa mais o motivo. Fato é que a fiscalização passou a exigir o impossível. [...] Em assim sendo, o modelo descrito e adotado respeita, integralmente, a lei. A mecânica do estorno e nova contabilização não interfere no resultado final do exercício, atendendo com perfeição a legislação em vigor, por ocasião dos fatos. [...] As notas fiscais entregues à fiscalização e outras, posteriormente, anexadas à Impugnação, não tiveram o objetivo de fazer comprovação em si dos lançamentos objeto das intimações, mas tinham sim o objetivo de mostrar o procedimento adotado pelo contribuinte, visando a que a fiscalização passasse a auditar a despesa efetiva e não lançamentos estornados. Quanto aos lançamentos objeto das intimações, não há como deles se fazer prova com notas fiscais, estas foram emitidas em data posterior e geraram o estorno dos débitos contra os quais a fiscalização se voltou. Ocorreram situações, inclusive, por coincidência de valores, em que a fiscalização deu lançamentos como comprovados com notas fiscais que na verdade eram comprovantes de outros débitos. Tomando estes débitos já estornados das contas de despesas, a fiscalização produziu um valor de glosa em cima das legítimas despesas, fazendo aparecer este disparate de afirmar que quase trinta por cento das despesas deste grupo são despesas sem comprovantes. Isto demonstra o absurdo da hipótese aventada pelos autos de infração e pela decisão de Primeira Instância. [...] No caso do sistema contábil em discussão, a palavra "provisão" fora usada para designar despesa incorrida e ainda não paga (uma previsão para desencaixe futuro). Dentro dos sistemas contábeis informatizados da época, os históricos tendiam a ser curtos e muito padronizados, assim, o lançamento da despesa incorrida, pelo serviço já ter sido executado, invariavelmente, tinha o histórico "Prov. Desp. S/inc. CPMF" o que Fl. 9036DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 33 23 chamou, sem dúvida, a atenção da fiscalização, e por isso a grande maioria dos valores intimados são, exatamente, estes lançamentos iniciais, que antes do encerramento do exercício foram estornados. Fato, contudo, é que tanto a fiscalização como a decisão de Primeira Instância se recusaram, terminantemente, a adentrar o sistema e os procedimentos adotados pelo contribuinte. Preferiram fazer glosas nas despesas do contribuinte calculadas com base em lançamentos já estornados. Do que ficou dito, o meio de prova do primeiro lançamento (depois estornado) não são notas fiscais, mas relatórios, boletins e contratos de prestação, emitidos pelos departamentos contratantes dos serviços. A nota fiscal, é, portanto, o instrumento que gerou o estorno do primeiro lançamento e a base do segundo. Assim, há nota fiscal para a totalidade do valor lançado como "despesa com transporte de valores", mas não existe nota fiscal para os lançamentos constantes das relações produzidas pela fiscalização.Atender, portanto, o que pediu a fiscalização, era impossível. ic) Despesas de Materiais: Neste grupo estão as contas representativas das despesas do contribuinte com material de expediente, papel, insumos de informática, o cartão plástico fornecido aos clientes e outros. Aqui a situação é muito parecida com a descrita no grupo anterior, no que tange ao sistema de contabilização e controle, a única diferença é que, neste grupo, as despesas referemse a mercadorias, enquanto que no grupo anterior, se tratava de serviços, e o serviço é de consumo instantâneo, enquanto a mercadoria permanece no estoque até seu efetivo consumo. Neste caso, para respeitar o mesmo regime de competência, há a necessidade de se criar um estoque dos insumos, para apropriálos a despesa, somente por ocasião do efetivo emprego do material. Com isto, a nota fiscal do fornecedor que, fisicamente, acompanha a entrega da mercadoria, é instrumento hábil para alimentar a entrada dos insumos nos estoques. Em empresas menores, com pequeno número de dependências, este tipo de material, em geral, é levado diretamente para despesa, pois não há sentido e se transforma num custo burocrático inútil o controle do material, e, neste caso, a nota fiscal que acompanha o produto funciona como comprovante da própria despesa. No caso do recorrente, contudo, em função do volume de materiais envolvidos, do número de dependências envolvidas, e do controle necessário, sobretudo para não faltar insumos, mormente, onde esteja envolvido atendimento diário ao público, bem como, para evitar o desperdício, há de haver uma sistematização mais sofisticada. A descrição do funcionamento não é complicada, embora a operacionalização não seja simples. Como já antecipamos, os insumos são adquiridos em lotes para atender a empresa como um todo. Na entrega do fornecedor, os produtos dão entrada, fisicamente, no estoque de materiais de expediente e são registrados contabilmente em conta de ativo representativa, justamente, deste estoque. Na medida que as dependências funcionais necessitam dos materiais, os requisitam a departamentos centralizadores que os remetem ao requisitante. Periodicamente, estes departamentos centralizadores agrupam requisições e dão baixa no sistema físico è contábil, em contrapartida ao registro da despesa correspondente, bem como providenciam o ressuprimento do estoque. Fl. 9037DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 34 24 Vêse, de pronto, que nesta sistemática a nota fiscal do fornecedor não é, por definição, o comprovante direto da despesa. Não haverá uma nota fiscal na quantidade e valor do insumo requisitada e remetida para a dependência, muito menos com essa data. Isso parece primário. Salvo uma coincidência absurda, ao se manusear o razão de uma conta de despesa com material de expediente, nunca se haverá de encontrar uma nota fiscal que "bata" com um débito nesta conta. Outra variável da sistemática, é a formação de estoques iniciais e finais do exercício. O estoque inicial corresponde aos insumos adquiridos em exercício anterior e não consumidos, por seu turno, o estoque final, são os insumos já \ adquiridos à disposição de exercícios subsequentes. Pedimos vênia por ter que recordar conceitos tão simplórios. Mas é possível ler ao longo dos presentes autos que a glosa se mantinha, pois havia se deixado de apresentar a nota fiscal comprobatória do valor lançado como estoque inicial. Afirmação deste teor é a própria negação da compreensão do sistema que está sob auditoria. id) Despesas da operação cartão de crédito: Neste grupo estão as contas representativas das despesas do contribuinte com a operacionalização dos cartões de crédito que disponibiliza a seus clientes. A maior parte das despesas deste grupo dizem respeito ao pagamento de direitos de uso de bandeira, feitos à Visa internacional. As despesas em si não sofrem qualquer questionamento feito pela fiscalização. Mais uma vez, a questão é o documento comprobatório, que num caso é um extrato bancário de uma conta que o recorrente mantinha, à data, em instituição financeira no exterior, e no outro, contratos de câmbio. Uma das despesas foi paga no exterior a partir de recursos lá depositados, do que faz prova o extrato da conta emitido pela instituição depositária do valor, o mesmo extrato que serviu de base para o recorrente contabilizar os recursos no seu ativo, diga se de passagem. A fiscalização no Termo de Verificação reconhece o extrato como comprobatório da despesa lançada, recusao, alegando que não serve de prova frente ao fisco do Brasil por estar vazado em língua estrangeira. Por seu turno e pela primeira vez, a decisão de Primeira Instância discorda do procedimento fiscal, afirmando que o valor do documento não corresponde ao valor do débito na conta de despesas, mas que mesmo que correspondesse não seria aceito por estar em língua estrangeira. Ocorre que, feitas as conversões cambiais corretas, os valores do débito na conta do recorrente e da despesa contabilizada são, absolutamente, equivalentes. Não se entende a diferença apontada na decisão recorrida, a menos que esta tenha considerado moedas diferentes como sendo a mesma. A outra despesa foi glosada porque os contratos de câmbio, regularmente emitidos dentro do sistema bancário brasileiro, foram celebrados pelo próprio Bradesco S/A, e, por este motivo, a fiscalização os viu como documento de produção interna. A decisão recorrida, mais uma vez, deu seu toque de originalidade e inovação, afirmando que os contratos de câmbio celebrados no sistema financeiro do Brasil eram Fl. 9038DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 35 25 documentos em língua estrangeira. Nem há como se comentar a assertiva da decisão recorrida. Resta a questão para nosso objetivo aqui, nos perguntar se um contrato de cambio celebrado regularmente no sistema bancário brasileiro pode ser tido como um documento de produção interna de uma empresa. Mais uma vez, não tem razão a fiscalização. Resumindo, os autos de infração, nos quatro tópicos analisados, diante dos procedimentos adotados pela fiscalização e pela decisão de Primeira Instancia, são, absolutamente, nulos, frente à nossa. legislação pátria, decorrendo a nulidade da insegurança na determinação da infração. A seguir a recorrente discorre individualizadamente (glosa a glosa), aduzindo que para facilitar a análise das trinta e uma relações objeto de questionamento fiscal, abordará em seis pontos que abrangem e resolvem todas as exigências para a dedutibilidade destas despesas, a saber: “Como forma de facilitar a análise deste E. Tribunal, para cada uma das trinta e uma relações objeto de questionamento fiscal, abordará o recorrente seis pontos que abrangem e resolvem todas as exigências para a dedutibilidade destas despesas: a) Será demonstrada a vinculação da despesa glosada com o histórico do lançamento com base no título da conta do razão contábil; b) Será demonstrada a necessidade da despesa para desenvolver a atividade fim da empresa, casa bancária autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil; c) Ficará evidenciada a forma de contabilização da despesa e o lançamento contábil do qual se exige o documento comprobatório; e) Evidenciarseá o atendimento ao regime de competência; f) Serão mostrados os documentos comprobatórios de cada um dos lançamentos questionados; g) Será feito um paralelo entre a atuação e a decisão de Primeira Instância.” Compulsando os autos verifico que o procedimento de fiscalização que resultou nos autos lavrados e constantes deste processo, constatase que, por meio do Termo de Intimação de 23/03/2010, (fls. 05) a contribuinte foi intimada a apresentar a decomposição das contas que compõem o valor de R$2.503.606.463,14, constante da DIPJ do ano calendário 2005 (Despesas Operacionais) e comprovar as despesas selecionadas em cada conta Cosif conforme relaciona e mais atos constitutivos, Livros de Apuração do Lucro Real e Razão do ano calendário de 2005. Em resposta a contribuinte apresenta: 1 Cópia dos Atos Constitutivos do Banco Bradesco; 2 Copia dos Livro de Apuração de Lucro Real do ano calendário de 2005; 3 Está a disposição desta fiscalização os 12 Livros Balancetes Diários ( Cada livro com aproximadamente 1.200 folhas ) do ano calendário de 2005. Fl. 9039DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 36 26 Quanto ao item 04 que solicita a composição da ficha 05B, Linha 30 Outras despesas operacionais no valor de R$ 2.503.606.463,14 do ano calendário de 2005, esclarecemos, que ainda não conseguimos concluir os arquivos, razão pela qual, solicitamos a prorrogação do prazo final para atendimento da citado item até o dia 15/04/2010. Em 15/04/2010 apresenta a planilha com a decomposição da conta Outras Despesas Operacionais (fls. 24/26). Em seguida (19/05/2010) vem novo Termo de Intimação Fiscal onde se requer com relação as contas relacionados no TVF o seguinte: Com base na análise inicial das contas COSIF do Razão ano calendário de 2005, encaminhadas em arquivo magnético através de sua correspondência de 15/04/2010, as quais totalizam o valor de R$.2.503.606.463.14 (Ficha 05Blinha 30 Outras Despesas Operacionais DIPJ/2006), selecionamos os valores relacionados abaixo, que deverão ser comprovados através de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, inclusive deverá ser fornecido notas explicativas e demais elementos necessários à análise das citadas despesas contabilizadas durante o ano calendário de 2005. Em 08/06/2010 a contribuinte apresenta resposta entregando 12 Livros Balancetes Diários e Balanços (com aproximadamente 1200 folhas cada). Posteriormente complementado as Notas Explicativas (fls. 36/54). Adiante constatase novas intimações ao longo da auditoria fiscal. É certo que o contribuinte apenas pode deduzir despesas que estejam devidamente comprovadas e, que sejam necessárias à atividade da empresa, cabendo a ele efetuar tal comprovação perante a fiscalização. Também é certo que existem dois momentos distintos para a produção dos elementos probantes (o ônus da prova); da autoridade fiscal na ora de fazer a acusação, salvo nas presunções legais, quando prova somente o fato, ou do contribuinte fiscalizado no curso da própria auditoria fiscal e após a instauração do litígio (impugnação). Analisando a argumentação da contribuinte no sentido de que a escrituração faz prova a favor da empresa e que não foram auditados os fatos contábeis reais, cabe, aqui, reproduzir trechos do voto condutor da decisão recorrida: A respeito das alegações da empresa, frisese que o trabalho da fiscalização consistiu em verificar a veracidade dos valores informados na linha 30 (outras despesas operacionais) da ficha 05B (despesas operacionais) da DIPJ 2006, referente ao ano calendário 2005 (fls.2627). Para tanto, a empresa foi intimada e reintimada a apresentar comprovação dos valores selecionados pela fiscalização no curso dos trabalhos de auditoria. No entanto, como a empresa não apresentou os documentos que justificassem os lançamentos nas correspondentes contas de despesas e informados na ficha 05B da referida DIPJ, ou o fez de maneira insatisfatória, a fiscalização discriminou os valores não comprovados no Termo de Verificação Fiscal e efetuou o correspondente lançamento de ofício. Com o devido respeito, ouso discordar do pronunciamento acima, que a meu ver merece reparos, explicando: O próprio voto combatido expressamente assinala e enfatiza: Fl. 9040DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 37 27 Por sua vez, a apuração do lucro real feita pela empresa sujeitase à fiscalização pela autoridade tributária, o que inclui a verificação dos respectivos livros e documentos da escrituração, os quais deve ser conservados em ordem pela contribuinte. Nesse sentido, os artigos 264 e art.276 do RIR/99, a seguir, estabelecem que: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto lei nº 486/69, art. 4º). Art. 276. A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita à verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova, observado o disposto no art. 922. (art. 9º do Decreto lei 1.598/77). Portanto, a contribuinte é obrigada a manter em boa ordem tanto a escrituração dos fatos contábeis como a documentação que suporta esses lançamentos. {...} Às fls. 437/542 e 4841/5051 a empresa junta razão, demonstrativos, extratos, listagens, mensagens eletrônicas e notas fiscais. Analisandose as notas fiscais apresentadas, constatase que seus valores e datas não coincidem com os dos lançamentos nas contas de despesas. Por sua vez, os documentos internos apresentados não servem, por si só, de prova para atestar a necessidade, usualidade e normalidade das alegadas despesas, tampouco comprovam a compra do material em questão, nem esclarecem como surgiu cada valor lançado como despesa e glosado pela fiscalização. Além disso, as planilhas, relatórios e demonstrativos apresentados pela impugnante são inconclusivos. Os demonstrativos apresentados (fls.458/475) contém relações de lançamentos conjugados com os correspondentes pedidos de compra e respectivas notas fiscais. No entanto, com relação à conta “Material em estoque”, verificase que os lançamentos nº 747, 843, 1195 e 1217 (fls.463, 464, 467 e 468) não possuem a indicação dos correspondentes pedidos de compra e nota fiscal. Pontuese também que tais lançamentos não foram objeto de estorno, conforme indica o razão fornecido pela empresa às fls. 440/442. Constatase que a impugnante não apresentou os documentos que originaram os referidos lançamentos efetuados como despesa. Ressaltese que a contabilidade faz prova a favor da contribuinte, mas somente se suportada por documentos hábeis a comprovar os respectivos registros contábeis. Tal é o comando do art.9.º, § 1.º do Decreto Lei 1.598/77, insculpido no art.923 do RIR/99. Com efeito, ressaltese que a competência da autoridade administrativa “julgadora”, no âmbito do processo administrativo fiscal, é de revisão do ato praticado pela autoridade fiscal lançadora e, conseqüentemente, é dever no julgamento de primeira instância verificar se a imputação feita contra a contribuinte encontrase devidamente consubstanciada em documentação de suporte e, se o procedimento que levou a tal imputação foi executado com fiel obediência aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, conforme preconizado pelo art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, aqui utilizada de forma subsidiária. Fl. 9041DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 38 28 Importa salientar que as razões de defesa, tanto na fase de impugnação como em recurso voluntário (vejase descrição dos 05 Grupos acima sintetizados), as principais argumentações trazidas pela empresa autuada, estão relacionadas (primeiro) aos estornos de lançamentos contábeis referente a despesas incorridas “provisionados” e (segundo) pela não apresentação de documentação probatória. Confirmese os trechos abaixo reproduzidos: Para contabilizar a aquisição de materiais ou serviços a prazo, a impugnante constituía uma provisão para o pagamento do respectivo valor, lançando a despesa em contrapartida ao registro da obrigação no passivo. Para materiais de consumo o registro era feito na conta de estoques do ativo, da mesma forma que os serviços aproveitáveis em mais de um exercício eram registrados em despesas antecipadas no ativo. Tal lançamento refletia a despesa incorrida, ainda não paga, aparecendo no histórico como “provisão”, sendo uma provisão para pagamento, e não uma provisão de despesa (essa já foi incorrida). No pagamento eram efetuados dois lançamentos, sendo que o primeiro (histórico “estorno”), estornava o lançamento original feito no recebimento da mercadoria ou serviço, creditandose a conta de despesa ou de ativo anteriormente debitada e debitandose o valor provisionado no passivo para pagamento. Ao final, o lançamento original se anulava, não havendo efeito no resultado do exercício. O segundo lançamento (histórico “Contas a pagar SAP”) decorrente do pagamento registrava a saída de caixa do valor pago, em contrapartida a um débito na conta creditada no lançamento anterior para restabelecer, à conta de despesas (ou de estoque ou de despesas antecipadas), seu valor real e efetivo, respeitando o regime de competência. A fiscalização selecionou lançamentos com a palavra provisão, sem levar em conta que se tratavam de lançamentos provisórios, estornados, sem efeito no resultado do exercício. Para comprovar as despesas em tela, a empresa apresentou à fiscalização o sistema contábil utilizado e o contexto no qual se inseria cada lançamento objeto da intimação, com os respectivos documentos. Mostrou ainda notas fiscais de compras, requisições dos materiais aos estoques e a apropriação das despesas nas respectivas agências. Colocouse à disposição da fiscalização para abrir todo o sistema e apresentarlhe cada um dos documentos que desejasse. Em se tratando do manuseio de centenas ou milhares de documentos, é impossível separar os documentos para uma centena de lançamentos, devendo a fiscalização ser feita no local onde estão os documentos, por amostras que possam dar respaldo e certeza sobre o sistema e os procedimentos adotados. A fiscalização não examinou o sistema da impugnante para controle das despesas apropriadas pelo regime de competência, exigindo o impossível da contribuinte, e impondo a exação. Esse procedimento foi realizado na apuração dos valores constantes de 11 relações de lançamentos (a saber, relações 1 a 5, 7, 9, 10, 12, 25 e 30), num total de R$48.565.882,41, cujas glosas são baseadas na ausência de documentação comprobatória emitida por terceiros. Não existe nota fiscal, recibo ou documento assemelhado para a despesa que é baixada do ativo por competência. A fiscalização deveria analisar as planilhas de apropriação apresentadas pela empresa com as notas fiscais de aquisição e as planilhas dos estoques iniciais e finais, verificando que esses lançamentos estavam estornados. Fl. 9042DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 39 29 Para as outras 20 relações de lançamentos (total de R$57.570.589,81), embora tenham sido apresentados documentos que permitem sua dedutibilidade, a impugnante apresenta documentos adicionais. [...]Mais uma vez, simplista e pueril a decisão adotada pela Turma Julgadora, pois, repitase, todo o valor da provisão foi estornado. Tendo sido tempestivamente estornados os valores arrolados pela fiscalização, não mais poderia recair sobre eles uma glosa, pois não compõem o resultado do exercício, e sobre este fato quedouse silente a Turma Julgadora. No caso em análise a autoridade fiscal concluiu a auditoria nos termos das fls. 319/320 do TVF, assim redigido: Tendo em vista que foi dado ao contribuinte, condições e prazos suficientes para apresentação dos documentos solicitados, e uma vez que o mesmo não os apresentou, até a presente data, tornase necessário a constituição do correspondente crédito tributário para salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, no que diz respeito ao instituto da decadência. Portanto, será constituído o correspondente crédito tributário discriminado acima, uma vez que foi verificada a existência de infração à legislação do IRPJ e CSLL, pela glosa das despesas no montante de R$.106.136.472,22 durante o ano calendário de 2005, conforme dispõem à legislação de regência. Com base nas razões expostas, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem determine que, por meio de verificação da documentação contábil e fiscal, se necessário na sede da empresa e, com a utilização subsidiária dos documentos juntados à impugnação e ao recurso voluntário, sejam apresentados esclarecimentos complementares, em relatório fundamentado, acerca dos seguintes itens: 1. comprovação documental, por amostragem dado ao grande volume de lançamentos e documentação apresentada, dos valores que constituíram o item OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS (FICHA 5A , linha 30, da DIPJ/2006). Inclusive, a análise da parcela no valor de R$.1.760.067,82, do Quadro Demonstrativo da Relação 16 (pagina 298 do processo) segundo a recorrente o valor referese a contrapartida da constituição da Provisão para Contingências Trabalhistas e foi adicionada ao lucro liquido por indedutível (Quadro Demonstrativo do LALUR demonstrado no item “Relação 16” do Recurso Voluntário); e 2. comprovação documental de que os montantes excluídos do lucro líquido a título de reversões contábeis de provisão para custo de ordem faturada em virtude de adição anterior, não afetaram o lucro real relativo ao ano calendário de 2005; 3. comprovação documental, mesmo de produção interna (planilhas, demonstrativos de compras e estoques, contratos, relatórios e extratos, etc), verificando se de fato as despesas lançadas são condizentes com a atividade da empresa ora recorrente. Fl. 9043DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.001732/201054 Resolução nº 1301000.146 S1C3T1 Fl. 40 30 A contribuinte deverá ser cientificada do relatório que ora se solicita para, se quiser, aditar razões. Em seguida retornese os autos do presente processo a esta Corte Administrativa para o julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 9044DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 15374.952947/2009-73
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
Numero da decisão: 1802-002.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Ausência justificada do conselheiro: Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN). DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Ausência justificada do conselheiro: Marciel Eder Costa.
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(Incorporada por ESHO EMPRESA DE SERVIÇOS HOSPITALARES S/A ) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 95 29 47 /2 00 9- 73 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Ausência justificada do conselheiro: Marciel Eder Costa. Relatório Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida (fl. 38) que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de compensação materializada pela declaração (Per/DComp) de fls. 02/06, transmitida à base de dados da Receita Federal em 04/10/2006, na qual a interessada acima qualificada empregou alegado crédito, no valor de R$ 205.568,34, oriundo de pagamento indevido ou a maior e referente ao ano calendário 2003. A compensação declarada foi homologada em parte porque, segundo o despacho decisório proferido eletronicamente (fls. 08), o pagamento informado teria sido parcialmente utilizado para quitação de outro débito. Fundamentouse a decisão nos seguintes dispositivos legais: art.165 e 170 da Lei n.º 5.172/66 (CTN) e art. 74 da Lei n.º 9.430/96. Inconformada com a denegação de seu intento, da qual tomou ciência em 01/09/2009 (fls. 07), a interessada interpôs, em 29/09/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 10, alegando, em síntese, que seu crédito não foi reconhecido por que fora produto de outra DComp, posteriormente cancelada. A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Rio de Janeiro/RJ) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1243.370, de 19 de janeiro de 2012 (fls.37/39), cientificado ao interessado em 05/03/2012. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15374.952947/200973 Acórdão n.º 1802002.345 S1TE02 Fl. 3 3 Fazse mister que os créditos empregados em compensação de tributos gozem de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 05/03/2012. A Recorrente alega que: apurou em 27/02/2004 saldo negativo de CSLL a pagar, no valor total a época de R$220.494,86 por meio do PER/DCOMP 19670.47467.041006.1.3.04.0559, e, R$645.015,63, pela PER/DCOM 31442.68795.041006.1.3.04.3003 (sic); o despacho decisório entendeu que os créditos supra citados teriam em verdade sido utilizados como pagamento de tributo de mesma espécie em valores idênticos aos pleiteados nos respectivos PER/DCOMP's, de modo que restaria ainda um debito a ser recolhido pela ora recorrente nos respectivos valores principais de R$120.097,50 e R$45.927,87, o que não pode a recorrente anuir; os créditos reclamados são líquido e certo, sendo tão somente indeferidos em razão de uma seqüência de erros materiais plenamente justificáveis; em ambos os créditos pleiteados o que de fato ocorreu fora o equivocado cancelamento dos PER/DCOMP's originais pelos subseqüentes supra citados, ao invés destes serem retificadores; todo lastro probatório desse direito fora apresentado em sua impugnação, restando assim plenamente comprovados os créditos a compensar nos valores de R$220.494,86 com o debito de R$120.097,50, bem como o credito de R$46.370,39 a ser compensado com o debito de R$45.927,87, não havendo assim saldo devedor como entendido no ora recorrido acórdão decisório. A Recorrente conclui que a compensação por ela efetuada encontra respaldo no artigo 165 do CTN, no artigo 66 da Lei nº 8.383/91, no artigo 34 da IN nº 900/2008 e na doutrina que menciona. Finalmente requer provimento do recurso voluntário e informa que receberá intimações na pessoa de seu procurador, Sr.Alexandre Arruda de Jesus, na Av. das Américas 4.200, bloco 3, 4o andar, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro RJ que subscreve a peça recursal. É o relatório. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. De início, vale esclarecer que a Recorrente faz referência a dois PER/DCOMPs: 19670.47467.041006.1.3.04.0559 e 31442.68795.041006.1.3.04.3003, todavia, o presente processo tem origem apenas no PER/DCOMP nº 19670.47467.041006.1.3.04.0559 (fls.02/06), transmitido em 04/10/2006, em que a contribuinte pretende compensar débito de CSLL: R$ 120.097,50, código 2484, relativo ao mês de Abril de 2004, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do CSLL no valor de R$ 205.568,34, código – 6773; Período de Apuração: 31/12/2003; Data de Arrecadação: 27/02/2004. O outro PER/DCOMP nº 31442.68795.041006.1.3.04.3003 é objeto do Processo nº 15374.952948/200918 que contém peça recursal semelhante ao recurso voluntário protocolizado nos presentes autos. Assim, a análise a seguir restringese aos fatos e documentos relativos ao PER/DCOMP nº 19670.47467.041006.1.3.04.0559. Consta do despacho decisório de fl.08, emitido em 24/08/2009 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP nº 19670.47467.041006.1.3.04.0559 de que tratam os presentes autos, foi localizado o pagamento no valor de R$ 220.494,86, mas parcialmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, no valor de R$ 220.494,85 restando saldo disponível de apenas R$ 0,01 para compensação dos débitos informados no PERDCOMP. De inicio, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 que alterou o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico), utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc). No caso, por se tratar de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado no PERDCOMP com a informação do débito constante na DCTF. 0 procedimento em tela constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débitos informado na DCTF. Dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, consta do conta corrente da Receita Federal do Brasil RFB crédito disponível para compensação de apenas R$ 0,01. A Recorrente simplesmente alega que há equivoco no PERDCOMP em virtude de equivocado cancelamento dos PER/DCOMP's originais pelos subseqüentes ao invés destes serem retificadores; e que, todo lastro probatório desse direito fora apresentado em sua impugnação, restando assim plenamente comprovados os créditos a compensar nos valores de R$220.494,86 com o debito de R$120.097,50, bem como o credito de R$46.370,39 a Fl. 183DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15374.952947/200973 Acórdão n.º 1802002.345 S1TE02 Fl. 4 5 ser compensado com o debito de R$45.927,87, não havendo assim saldo devedor como entendido no ora recorrido acórdão decisório. De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que demonstre suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC "Art. 333. 0 ânus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II — ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil e comparar com os valores declarados na DIPJ/2004 e DCTF. Em sua defesa, a interessada alega que seu crédito advém de uma DComp cancelada, mas o Per/DComp que contém a compensação pretendida deixa claro que a fonte de tal direito seria um pagamento indevido ou a maior, e o contribuinte não demonstra cabalmente os equívocos dito cometidos. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Como registrado acima, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente o contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 6 Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Como cediço, as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito e os equívocos dito cometidos. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PER/DCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 04/10/2006, tomou ciência do despacho decisório expedido em 24/08/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 29/09/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. A Recorrente informa que receberá intimações na pessoa de seu procurador, que subscreve a peça recursal, Sr.Alexandre Arruda de Jesus, na Av. das Américas 4.200, bloco 3, 4o andar, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro RJ. Sobre o assunto, a Súmula CARF nº 9, é suficiente para o indeferimento do pleito, vejamos: Fl. 185DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 15374.952947/200973 Acórdão n.º 1802002.345 S1TE02 Fl. 5 7 Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. O domicílio fiscal da pessoa jurídica é o constante do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), conforme Instrução Normativa (RFB) nº 1.183/2011. Assim, razão não há para que as intimações sejam encaminhadas para outros endereços que não seja o domicílio fiscal eleito pelo contribuinte indicado no CNPJ. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 10/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
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Numero do processo: 13153.000599/2007-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PENSÃO ALIMENTÍCIA. FALTA DE INSTRUMENTO JUDICIAL.
São dedutíveis, para fins da apuração do imposto de renda da pessoa física, os valores de pensão alimentícia paga por força de acordo ou decisão judicial homologada.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 26/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 PENSÃO ALIMENTÍCIA. FALTA DE INSTRUMENTO JUDICIAL. São dedutíveis, para fins da apuração do imposto de renda da pessoa física, os valores de pensão alimentícia paga por força de acordo ou decisão judicial homologada. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 26/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1683; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 2 1 1 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13153.000599/200764 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.573 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2013 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Recorrente ROBERTO JOSE ALVES DA CUNHA Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 PENSÃO ALIMENTÍCIA. FALTA DE INSTRUMENTO JUDICIAL. São dedutíveis, para fins da apuração do imposto de renda da pessoa física, os valores de pensão alimentícia paga por força de acordo ou decisão judicial homologada. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 26/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 15 3. 00 05 99 /2 00 7- 64 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13153.000599/200764 Acórdão n.º 2102002.573 S2C1T2 Fl. 3 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 34 a 37: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento (folhas 03 a 05) lavrada pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil João Rosa de Caravellas Neto no valor de R$ 5.304,93 consolidado em 09/2007, referente a Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2005, em razão de trabalho de malha onde foram verificadas as seguintes infrações: Dedução indevida de dependentes; Dedução indevida de pensão alimentícia judicial; Contribuinte intimado, não atendeu à intimação. Em sua impugnação de folhas 01 a 02, o interessado alega que: O valor correto pago a título de pensão alimentícia judicial é de R$ 14.290,10 e não 14.364,36, conforme comprova a cédula C onde consta o CPF dos dependentes; Encaminha documentos comprovando que Hyago Vinícius da Silva Cunha é filho legítimo e Regiane Fonseca da Silva é sua dependente; Em 07/11/2007, o escritório Alvorada fez retificação errônea dos valores na Declaração de Ajuste Anual de IRPF 2003; Assim, solicita o cancelamento da Notificação de Lançamento; É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente em parte o lançamento, restabelecendo as glosas dos 2 dependentes, fls. 36/37. Na parte remanescente, manteve o crédito consignado no auto de infração, considerando que a ausência de cópia da decisão judicial ou da sentença homologatória do acordo judicial fixando o valor da pensão alimentícia judicial, impede o reconhecimento dessa dedução, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 DEPENDENTES Pode ser deduzido como dependente o cônjuge e a filha, o filho até 21 anos. Comprovada a relação de dependência a glosa deve ser cancelada. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL Não tendo sido trazido aos autos a cópia do acordo homologado ou decisão judicial, a dedução da pensão alimentícia judicial não pode ser aceita. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13153.000599/200764 Acórdão n.º 2102002.573 S2C1T2 Fl. 4 3 Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 44 a 46, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo que sejam consideradas devidas as deduções de dependentes e de pensão alimentícia judicial. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Resta em litígio a questão da dedutibilidade de pensão alimentícia no valor de R$ 14.290,10, conforme mostra o Informe de Rendimentos de fl. 06: A DRJ indeferiu o pleito pela a ausência de cópia da decisão judicial ou da sentença homologatória do acordo judicial fixando o valor da pensão alimentícia judicial Cumpre destacar o que determina a legislação estabelecida no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Art.78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). Para suprir a falta indicada no acórdão recorrido, o interessado apresentou com o Recurso Voluntário os documentos de fls. 69 a 73; 74 e 75. No presente caso, concluo que os documentos acima juntamente com o Informe de Rendimentos de do Governo de Estado de Mato Grosso, fl. 06, compõem um conjunto probante suficiente para deferir o pleito do contribuinte, suprindo o requisitos legal, da prova do efetivo pagamento das pensões sob tutela judicial. Pelo exposto, voto pelo PROVIMENTO do recurso, para que seja aceita a dedução de R$ 14.290,10 a título de pensão alimentícia. Assinado digitalmente. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13153.000599/200764 Acórdão n.º 2102002.573 S2C1T2 Fl. 5 4 Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 10920.909596/2012-29
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 95 96 /2 01 2- 29 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909596/201229 Acórdão n.º 3801002.747 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909596/201229 Acórdão n.º 3801002.747 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909596/201229 Acórdão n.º 3801002.747 S3TE01 Fl. 5 4 indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909596/201229 Acórdão n.º 3801002.747 S3TE01 Fl. 6 5 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909596/201229 Acórdão n.º 3801002.747 S3TE01 Fl. 7 6 Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909596/201229 Acórdão n.º 3801002.747 S3TE01 Fl. 8 7 DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909596/201229 Acórdão n.º 3801002.747 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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