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Numero do processo: 15374.903520/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2004
Ementa:
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PAGAMENTO INDEVIDO. INOCORRÊNCIA.
Não tem natureza de indevido o pagamento efetuado com suporte em ato com força de lei, revelador de circunstância jurídica nova, distinta da existente à época em que foi prolatada a decisão judicial justificadora do pedido formulado pelo contribuinte. Nos termos do Parecer PGFN nº 492, de 2011, “alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da
prolação da decisão, esta naturalmente deixa de produzir efeitos vinculantes, dali para frente, dada a sua natural inaptidão de alcançar a nova relação jurídica tributária.”
Numero da decisão: 1301-001.032
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Valmir Sandri.
Nome do relator: Guilherme Pollastri Gomes da Silva
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PAGAMENTO INDEVIDO. INOCORRÊNCIA. Não tem natureza de indevido o pagamento efetuado com suporte em ato com força de lei, revelador de circunstância jurídica nova, distinta da existente à época em que foi prolatada a decisão judicial justificadora do pedido formulado pelo contribuinte. Nos termos do Parecer PGFN nº 492, de 2011, “alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão, esta naturalmente deixa de produzir efeitos vinculantes, dali para frente, dada a sua natural inaptidão de alcançar a nova relação jurídica tributária.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Valmir Sandri. (assinado digitalmente) Alberto Pinto de Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 35 20 /2 00 8- 61 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 1/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por GUILHERME POLLASTRI G OMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.903520/200861 Acórdão n.º 1301001.032 S1C3T1 Fl. 156 2 “assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jackson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 1/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por GUILHERME POLLASTRI G OMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.903520/200861 Acórdão n.º 1301001.032 S1C3T1 Fl. 157 3 Relatório Trata o processo da PER/DCOMP n° 08969.48965.040604.1.3.040713. Através do Despacho Decisório n° 763946465, não foi homologada a compensação declarada, diante de suposta inexistência de crédito, nos seguintes termos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." O interessado apresentou manifestação de inconformidade, tempestiva, onde alega, em síntese, que: a interessada é uma entidade fechada de previdência privada. em 04/07/1990 impetrou mandado de segurança para que lhe fosse reconhecida a imunidade na cobrança de todos os impostos. em 22/08/1991 transitou em julgado o acórdão que lhe conferiu a imunidade na cobrança de todos os impostos. os arts. 467 e 468 do Código de Processo Civil (CPC), estabelecem que a coisa julgada é imutável e tem força de lei entre as partes: "Art. 467 Denominase coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário". "Art. 468 A sentença, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões discutidas". a própria magistrada prolatora da sentença entendeu que a segurança tinha sido concedida de forma ampla e irrestrita, conforme se verifica: "SENHOR DIRETOR, Comunico a V.Sa. que a ordem mandamental proferida no Mandado de Segurança de n° 90.100712, impetrado pela • FUNDAÇÃO DE SEGURIDADE SOCIAL BRASLIGHT face ao DELEGADO DA RECEITA FEDERAL NO RIO DE JANEIRO, faz não nascer a obrigação tributária em relação a qualquer imposto, criado por qualquer lei, tudo de acordo com o despacho adiante transcrito: ...Oficiese, também, ao gerente do Banco Bradesco S/A comunicando que a ordem mandamental faz não nascer a obrigação tributária em relação a qualquer imposto, criado por qualquer lei. Segue em anexo cópia do Acórdão de fls. 293, certidão do trânsito em julgado de fls. 299 bem como da v. decisão de fls. 257/261, e do despacho de fls.302." (Ofício n° 1008/91 – 20ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro) Fl. 373DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 1/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por GUILHERME POLLASTRI G OMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.903520/200861 Acórdão n.º 1301001.032 S1C3T1 Fl. 158 4 porém em 30/04/2003 foi realizado por equívoco, o pagamento de R$ 243.280,07, referente a IRPJ. em 04/06/2004 requereu compensação do IRPJ recolhido indevidamente com IRRF de terceiros (cód.1708, 3223 e 0561), IOF (cód.7893), CSLL (cód.5987) e PIS/PASEP (cód.5979), nos montantes de R$ 321.705,15, R$ 1.471,04, R$ 130,45 e R$ 84,79. o art. 74 da Lei n° 9.430/96 e alterações posteriores garante ao contribuinte o direito de pleitear administrativamente a compensação de tributos de espécies diferentes sem qualquer restrição e no mesmo sentido, é a jurisprudência firmada pelo Conselho de Contribuintes. os créditos decorrentes de pagamento indevido devem ser acrescidos da taxa SELIC. A lª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o Despacho Decisório, alegando basicamente o seguinte: o imposto declarado na DCTF coincide com o informado na DIPJ, e era devido pelo contribuinte com base na MP n 2 2.222, de 04 de setembro de 2001. se já se sabia imune desde 1991 a todos os impostos sobre o patrimônio, rendas e serviços (art.150, inciso VI, alínea "c", da CF/1988), por que o interessado teria efetuado em 2002 o pagamento que hoje afirma indevido? em sessão de 08/11/2001, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu que as entidades de previdência privada não gozavam da imunidade de impostos de que trata a alínea "c" do inciso VI do art. 150 da CF (que é o mesmo dispositivo com base no qual o interessado ingressou no Judiciário para se eximir do IOF, e de cuja decisão transitada em julgado agora faz uso para requerer a compensação/restituição em exame, sublinhese). o advento da sobredita decisão de nossa Corte Suprema explica a razão pela qual o interessado efetuou o referido pagamento. conforme consulta no sistema em "Relação de Declarações", constatase que o interessado, que vinha apresentando Declarações Form. IMUNE, e a partir do ano calendário de 2002, passa a apresentar declarações Form. ISENTA. a coisa julgada se fundamenta na imperativa necessidade de se impor limites definitivos à lide. Todavia, não se verifica entre os seus atributos, notadamente em matéria tributária, a produção de efeitos eternos. a decisão judicial que transitou em julgado há mais de onze anos do recolhimento do crédito do interessado, não tem o condão de impedir que lei nova venha a reger, diferentemente, fatos ocorridos a partir de sua vigência. o Parecer PGFN/CRJN n° 1.277, de 17 de novembro de 1994, corrobora este entendimento, nos termos seguintes: Fl. 374DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 1/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por GUILHERME POLLASTRI G OMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.903520/200861 Acórdão n.º 1301001.032 S1C3T1 Fl. 159 5 ( ... ) se de uma decisão transitada em julgado, numa ação declaratória, que se coloca no plano da relação de direito tributário material, para dizer da inconstitucionalidade da pretensão do Fisco, decorre coisa julgada a impossibilitar a renovação, em cada exercício, de novos lançamentos e cobranças do tributo, impende ponderar, por outro lado, que tal efeito não prevalece na hipótese de advir mudanças das relações jurídicotributárias, pelo advento de novas normas jurídicas e de alterações nos fatos, com os seus novos condicionantes. Assim, a res judicata proveniente de decisão transitada em julgado em uma ação declaratória em que se cuidou de questões situadas no Plano do direito fiscal material, não impede que lei nova passe a reger diferentemente os fatos ocorridos a partir de sua vigência, tratandose de relação jurídica continuatíva, como preceitua o inciso I, do art. 471, do C.P.C. Sobre esse assunto, registrase ainda, por oportuno, parte da ementa do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, do recurso extraordinário n° 83.225SP, cujo teor preceitua, ipsis litteris: 2) A coisa julgada não impede que lei nova passe a reger diferentemente os fatos ocorridos a partir de sua vigência. o Despacho Decisório deve, então, ser mantido Intimado da decisão em 24/09/2009, apresentou recurso voluntário, tempestivo, em 16/10/2009, onde reitera os argumentos da manifestação de inconformidade, acrescendo ainda o seguinte: as decisões do MS nº 90.00100712 e do Agravo de Instrumento nº 199902010320250, reconheceram a imunidade à cobrança de qualquer imposto (nos termos do art. 150, IV, “c” da CF) de forma ampla e irrestrita até que o referido dispositivo constitucional seja modificado. eis o respectivo pedido inicial: "Ante o exposto e ouvido o Ministério Público espera a Impetrante seja, afinal, CONCEDIDA A SEGURANÇA para ver restabelecido o seu direito líquido e certo no sentido da não incidência do imposto acima referido na realização de suas operações, proclamada, uma vez mais, sua imunidade constitucional já reconhecida na via judicial." a sentença concedeu a segurança, nos seguintes termos: "ISTO POSTO, 'CONCEDO A SEGURANÇA, nos termos pedido, reconhecendo a imunidade da impetrante." o MM. Juízo, em seguida à concessão da ordem, e para darlhe a devida efetividade, exarou expressamente a seguinte decisão, da qual não se interpôs qualquer recurso: Fl. 375DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 1/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por GUILHERME POLLASTRI G OMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.903520/200861 Acórdão n.º 1301001.032 S1C3T1 Fl. 160 6 "Oficiese ( ... ) comunicando que a ordem mandamental faz não nascer a obrigação tributária em relação a qualquer imposto, criado por qualquer lei ." a 1ª Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região, manteve integralmente a sentença, pelo fundamento da imunidade (apelação em mandado de segurança AMS nº 9102048361), esse acórdão transitou em julgado em 22.08.1991 e a RECORRIDA não ajuizou ação rescisória visando desconstituir o referido acórdão. ainda que houvesse alguma dúvida quanto ao fato da imunidade da RECORRENTE, ser ampla e irrestrita, essa foi sanada com a decisão proferida e transitada em julgado, nos autos do AG ns 1999.02.01.0320250, de que foi relator o Desembargador Federal PAULO BARATA, que esclareceu que: a) a imunidade reconhecida à RECORRENTE tem índole constitucional, porque concedida com fundamento no art. 150, VI, c, da CF/88 e b) a alteração da legislação infraconstitucional não tem o condão de limitar a coisa julgada proferida no MS ns 90.00100712. eis o respectivo acórdão referido no item acima: "CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL MANDADO DE SEGURANÇA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA COISA JULGADA. 1. Reconhecida a imunidade tributária da recorrida por sentença transitada em julgada, proferida em mandado de segurança, com base em dispositivo constitucional, não pode a Fazenda Nacional exigir o recolhimento de IOF com base em legislação infraconstitucional superveniente. ................................................... 3. Agravo de instrumento desprovido e agravo regimental prejudicado." (D.J., Seção II, de 11.07.2002 grifo da RECORRENTE Doc. 08 acostado à manifestação de inconformidade.) nesse particular, vale transcrever trecho do voto condutor desse acórdão, que concluiu que somente a alteração do art. 150, VI, c, da CF/88, pode restringir o alcance da coisa julgada formalizada no MS ns 90.00100712 : “............................ Ao meu .ver, não .tem razão a ora agravante, pois, como salientou a juíza de 1º grau, a sentença transitada em julgado reconheceu ser a recorrida detentora de imunidade tributária, na forma prevista na Constituição Federal, sendo com ela incompatível a legislação infraconstitucional supramencionada . ................................................... O argumento da recorrente de que a coisa julgada não impede que lei nova passe a reger diferentemente os fatos ocorridos a partir de sua vigência não se aplica ao presente caso, já que se trata de legislação infraconstitucional, tendo sido declarada a imunidade tributária da recorrida, por sentença transitada em julgado, com base em dispositivo constitucional . .................................................... Fl. 376DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 1/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por GUILHERME POLLASTRI G OMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.903520/200861 Acórdão n.º 1301001.032 S1C3T1 Fl. 161 7 Diante do exposto, NEGO:" PROVIMENTO ao agravo de instrumento e JULGO PREJUDICADO o agravo regimental. É como voto.” ou seja, há decisão transitada em julgado reconhecendo que a RECORRENTE é imune e que a alteração da legislação infraconstitucional não afeta a coisa julgada que tem fundamento constitucional, a saber, o art. 150, VI, "c", da CF/88, que não foi alterado nem revogado. o fato de o STF, no julgamento do RE ns 202.7006DF, de que foi Relator o Ministro MAURÍCIO CORRÊA, ter decidido que as entidades de previdência privada não gozam da imunidade prevista no art. 150, VI, c, da CF/88 não descaracteriza a condição de imune da RECORRENTE, porque: a) esse julgamento produziu efeitos inter partes (apenas entre as partes litigantes), uma vez que o julgamento da inconstitucionalidade ocorreu em um caso concreto; e b) no caso, à RECORREN'T'E tem decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a sua imunidade de forma ampla e irrestrita . o pagamento do IRPJ realizado pela RECORRENTE nos termos da MP nº 2.222/2001 e a informação da RECORRENTE em sua declaração de que é "ISENTA" e não "IMUNE" não tem o condão de importar em reconhecimento de que o referido tributo era efetivamente devido nem de alterar os efeitos da decisão transitada em julgado. isso porque (i) a obrigação tributária decorre da lei e é independente da vontade das partes, nos termos do art. 113 do CTN e (ii) a decisão que julga definitivamente a lide tem força de lei entre as partes, nos termos do art. 468 do CPC. ora, se a recorrente nada devia, então todo o valor que pagou foi a maior, ou indevido, cabendo restituição, observados os preceitos da legislação. por fim, vale ressaltar que é inaplicável ao presente caso o RE n° 83.225 SP, de que foi relator o Ministro XAVIER DE ALBUQUERQUE, utilizado como razão de decidir pela DECISÃO, no caso, há decisão transitada em julgado reconhecendo que a RECORRENTE é imune e que a alteração da legislação infra constitucional não afeta a coisa julgada que tem fundamento constitucional, que não foi alterado nem revogado. É o relatório. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 1/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por GUILHERME POLLASTRI G OMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.903520/200861 Acórdão n.º 1301001.032 S1C3T1 Fl. 162 8 Voto Vencido Relator Guilherme Pollastri Gomes da Silva Conheço do recurso voluntário por tempestivo e preencher todos os requisitos do Decreto nº 70.235/72. Como pode se extrair do relatório que faz parte desta decisão, o cerne da questão deste processo é se a decisão definitiva do Mandado de Segurança impetrado pela Recorrente que garantiu sua imunidade fiscal tem o condão e caráter definitivo em face da Medida Provisória superveniente nº 2.222/2001, que estipulou nova tributação, inclusive sobre entidades de previdência privada, nos seguintes termos: “Art. 1 ° A partir de lo de janeiro de 2002, os rendimentos e ganhos auferidos nas aplicações de recursos das provisões, reservas técnicas e fundos de entidades abertas de previdência complementar e de sociedades seguradoras que operam planos de benefícios de caráter previdenciário, ficam sujeitos à incidência do imposto de renda de acordo com as normas de tributação aplicáveis às pessoas físicas e às pessoas jurídicas nãofinanceiras. ..... Art. 2° A entidade aberta ou fechada de previdência complementar, a sociedade seguradora e o administrador do Fundo de Aposentadoria Programada Individual FAPI poderão optar por regime especial de tributação, no qual o resultado positivo, auferido em cada trimestre calendário, dos rendimentos e ganhos das provisões, reservas técnicas e fundos será tributado pelo imposto de renda à alíquota de vinte por cento. ....... Art. 3º A opção pelo regime referido no art. 20 deverá ser efetivada até o último dia útil do mês de novembro de cada ano, produzindo efeitos para todo o anocalendário subseqüente. § 1' A entidade fechada de previdência complementar e o FAPI poderão optar pelo regime referido no art. 20 até o último dia útil do mês de dezembro de 2001, produzindo efeitos para o período de lº de setembro a 31 de dezembro de 2001.” Segundo a decisão da DRJ, a coisa julgada não impede que lei nova, no caso a MP 2.222, passe a reger diferentemente os fatos ocorridos a partir de sua vigência. Para chegarmos a uma conclusão sobre o caso em tela, temos que esclarecer primeiramente a diferença dos institutos da incidência, não incidência, imunidade e isenção, que tem alcances próprios e devem ser bem entendidas para serem corretamente aplicadas. Não é raro o legislador ou o julgador chamar de não incidência ou de isenção o que é imunidade e viceversa, o que gera problema de interpretação e aplicabilidade. Chamar de isenção (decorrente de lei ordinária) o que é não incidência (constitucionalmente prevista) Fl. 378DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 1/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por GUILHERME POLLASTRI G OMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.903520/200861 Acórdão n.º 1301001.032 S1C3T1 Fl. 163 9 pode induzir a erro como no caso em tela, pois a isenção pode ser revogada por lei, enquanto a não incidência ou a imunidade só o podem ser por emenda ou novo texto constitucional. O pagamento do IRPJ realizado pela RECORRENTE nos termos da MP nº 2.222/2001 e a informação da RECORRENTE em sua declaração de que é "ISENTA" e não "IMUNE" não tem o condão de importar em reconhecimento de que o referido tributo era efetivamente devido nem de alterar os efeitos da decisão transitada em julgado. O pedido feito pela Recorrente no referido Mandado de Segurança não deixa dúvida sobre sua imunidade, ao requerer no item 33 o seguinte: 33. Ante o exposto e ouvido o Ministério Publico espera a Impetrante seja, afinal, concedida a segurança para ver restabelecido o seu direito liquido e certo no sentido da não incidência do imposto acima referido na realização de suas operações, proclamada, uma vez mais, sua imunidade constitucional já reconhecida na via judicial. No caso subjúdice , tratandose de previdência privada, a mesma é contemplada com o princípio da imunidade do art. 150 , inciso VI , letra "C", da Carta Magna, que é norma constitucional e como tal irrevogável, não nascendo, pois , obrigação tributária, e em consequência não pode o legislador ordinário contrariar o comando determinando em legislação ordinária nova hipótese de incidência do tributo. Ainda mais no caso de Medida Provisória. A imunidade é uma exclusão constitucional ao poder de tributar. Tratase de proibição absoluta ao exercício desse poder. Emerge da Constituição, e as pessoas ou bens imunes tornamse inatingíveis pelas leis tributárias.” A Constituição Federal determina que o processo legislativo compreende a elaboração de Emendas Constitucionais, leis complementares, leis ordinárias, leis delegadas, medidas provisórias, decretos legislativos e resoluções. Assim, na hierarquia representada por Kelsen por uma pirâmide jurídica cujo ápice é ocupada pela Constituição. Como ensina o ilustre Professor Vittorio Cassone, em sua obra Direito Tributário, Ed. Atlas, 9ª Ed., 1996, às fls. 33: “A Constituição Federal é fonte primeira e mais importante, pois é ela que contém princípios reguladores de todo o sistema tributário brasileiro. Não cria tributos, mas é ela que estabelece a competência tributária, isto é, quais os tributos que a União, Estados, Distrito Federal e os Municípios podem instituir e arrecadar.” O art. 150 da CF é claro quando veda a União em seu inciso I, exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça e no IV, letra ‘c’, instituir imposto sobre patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei. O argumento da DRJ de que a coisa julgada não impede que lei nova passe a reger diferentemente os fatos ocorridos a partir de sua vigência não se aplica ao presente caso, Fl. 379DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 1/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por GUILHERME POLLASTRI G OMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.903520/200861 Acórdão n.º 1301001.032 S1C3T1 Fl. 164 10 que se trata de legislação infraconstitucional, pois a imunidade tributária da recorrida, foi declarada por sentença transitada em julgado, com base em dispositivo constitucional. Na lição do ilustre Professor Ruy Barbosa Nogueira, a imunidade é uma não incidência qualificada. O legislador não tem qualquer possibilidade de tributar bens, pessoas, serviços ou situações declaradas imunes pela Constituição. Na imunidade o fato gerador não pode se realizar, pois o fenômeno é excluído aprioristicamente pelo legislador constitucional de qualquer elenco de fatos objeto de tributação. Assim, independentemente da Contribuinte ter retificado ou não as declarações, não está impedido de requerer a devolução do imposto recolhido equivocadamente, sob pena de se ferir o princípio do enriquecimento sem causa. Assim, inalterada a finalidade para a qual foi constituída e que conduziu ao reconhecimento de sua imunidade tributária, a Recorrente permanece no abrigo da coisa julgada. Por todo o exposto, meu voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 380DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 1/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por GUILHERME POLLASTRI G OMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.903520/200861 Acórdão n.º 1301001.032 S1C3T1 Fl. 165 11 Voto Vencedor Em que pese a argumentação expendida pelo ilustre Conselheiro Relator, o Colegiado, por maioria, divergiu quanto ao mérito da controvérsia submetida à sua apreciação. O caso vertente, releva destacar, trata de pedido de compensação em que o crédito indicado deriva de pagamento espontâneo, efetuado em virtude das disposições da Medida Provisória nº 2.222, de 2001. A contribuinte, ao ter o seu pedido de compensação indeferido, haja vista que o pagamento foi devidamente alocado a débito declarado por ela própria em DCTF e em DIPJ, alegou ter incorrido em equívoco ao efetuar o citado pagamento, pois era imune, conforme decisão transitada em julgado em 22 de agosto de 1991 nos autos do Mandado de Segurança nº 90.00100712. O Colegiado, in limine, destacou que a Suprema Corte do país já se pronunciou sobre a ausência de imunidade das entidades previdência privada, eis que no RE nº 202700/DF, de 08 de novembro de 2001, relator o Ministro Maurício Correa, restou assentado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. PREVIDÊNCIA PRIVADA. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA. 1. Entidade fechada de previdência privada. Concessão de benefícios aos filiados mediante recolhimento das contribuições pactuadas. Imunidade tributária. Inexistência, dada a ausência das características de universalidade e generalidade da prestação, próprias dos órgãos de assistência social. 2. As instituições de assistência social, que trazem ínsito em suas finalidades a observância ao princípio da universalidade, da generalidade e concede benefícios a toda coletividade, independentemente de contraprestação, não se confundem e não podem ser comparadas com as entidades fechadas de previdência privada que, em decorrência da relação contratual firmada, apenas contempla uma categoria específica, ficando o gozo dos benefícios previstos em seu estatuto social dependente do recolhimento das contribuições avençadas, conditio sine qua non para a respectiva integração no sistema. Recurso extraordinário conhecido e provido. Restou esclarecido, também, que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional editou o Parecer PGFN nº 492, de 2011, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro da Fazenda e publicado no Diário Oficial da União em 26 de maio de 2011, do qual releva transcrever as seguintes conclusões: 1. A alteração das circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de uma dada relação jurídica tributária de trato sucessivo faz surgir uma relação jurídica tributária nova, que, por isso, não é alcançada pelos limites objetivos que balizam a eficácia vinculante da referida decisão judicial. Daí por que se diz que, alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão, esta naturalmente deixa de produzir efeitos vinculantes, dali para frente, dada a sua natural inaptidão de alcançar a nova relação jurídica tributária. (GRIFEI) 2. Possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os Fl. 381DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 1/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por GUILHERME POLLASTRI G OMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.903520/200861 Acórdão n.º 1301001.032 S1C3T1 Fl. 166 12 seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. 3. Os precedentes objetivos e definitivos do STF constituem circunstância jurídica nova, apta a fazer cessar, prospectivamente, eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhes forem contrárias. 4. A cessação da eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado operase automaticamente, de modo que: (i) quando se der a favor do Fisco, este pode voltar a cobrar o tributo, tido por inconstitucional na anterior decisão, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido; (ii) quando se der a favor do contribuinteautor, este pode deixar de recolher o tributo, tido por constitucional na decisão anterior, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido. Ressaltouse que a Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, que, entre outras providências, instituiu a Lei Orgânica da AdvocaciaGeral da União, vinculou os órgãos autônomos e entidades vinculadas aos pareceres da Consultoria Jurídica aprovados pelo Ministro de Estado1. Destacouse, ainda, que o presente caso trata de tentativa de repetição de indébito relativa a imposto incidente sobre fato ocorrido no anocalendário de 2003, período em que se encontrava vigente a Medida Provisória nº 2.222, que não foi objeto de discussão acerca da sua constitucionalidade. Ademais, a própria contribuinte tinha convicção acerca da procedência da incidência do imposto que agora tem como indevido, eis que o declarou à Receita Federal e promoveu o correspondente pagamento. Pelas razões expostas, decidiu o Colegiado negar provimento ao recurso. “assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Redator Designado 1 Nos termos do art. 13 da Lei Complementar nº 73, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional desempenha as atividades de consultoria e assessoramento jurídicos no âmbito do Ministério da Fazenda. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 1/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por GUILHERME POLLASTRI G OMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.903520/200861 Acórdão n.º 1301001.032 S1C3T1 Fl. 167 13 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/0 1/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por GUILHERME POLLASTRI G OMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10183.901084/2006-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA INDICAÇÃO DOS CRÉDITOS. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. EXAME ORIGINÁRIO PELA DRJ. IMPOSSIBILIDADE.
Não deve ser homologada a compensação quando inexistente o crédito informado na respectiva declaração. A correção do erro mediante apresentação de declaração retificadora não pode ser apreciada originariamente pela DRJ, que se manifesta apenas em grau de recurso, reexaminando decisão de mérito proferida pelo órgão de origem.
DECADÊNCIA. INTERRUPÇÃO. NORMA DE ORDEM PÚBLICA.
Os prazos de decadência são de ordem pública e só podem ser alterados por lei, não sendo dado nem ao contribuinte, nem à autoridade administrativa poderes para dilatar ou reduzir o prazo.
Numero da decisão: 1301-000.517
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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ERRO NA INDICAÇÃO DOS CRÉDITOS. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. EXAME ORIGINÁRIO PELA DRJ. IMPOSSIBILIDADE. Não deve ser homologada a compensação quando inexistente o crédito informado na respectiva declaração. A correção do erro mediante apresentação de declaração retificadora não pode ser apreciada originariamente pela DRJ, que se manifesta apenas em grau de recurso, reexaminando decisão de mérito proferida pelo órgão de origem. DECADÊNCIA. INTERRUPÇÃO. NORMA DE ORDEM PÚBLICA. Os prazos de decadência são de ordem pública e só podem ser alterados por lei, não sendo dado nem ao contribuinte, nem à autoridade administrativa poderes para dilatar ou reduzir o prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e André Ricardo Lemes da Silva. Fl. 477DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório do acórdão recorrido: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada contra decisão de fl. 06, que não homologou a compensação formalizada por meio da declaração n° 18768.04463.231003.1.3.040660, sob o fundamento de inexistência do crédito indicado, no valor de R$ 7.683,39. Alegou a requerente ter compensado débitos de IRPJ com saldo negativo do mesmo tributo, havendo, porém, erro formal quanto ao preenchimento da declaração, na qual equivocadamente foi indicado como origem do crédito o pagamento indevido ou a maior, quando o correto seria saldo negativo de IRPJ. O crédito, entretanto, malgrado o erro contido na declaração de compensação Dcomp, existiria e teria sido, segundo afirma a requerente, corrigido oportunamente e apresentado à autoridade administrativa. Disse ainda que, em vão, tentou retificar a Dcomp, pois a autoridade nem sequer a examinou. Insistiu em afirmar que o crédito pleiteado existe, que houve erro formal, que agiu de boafé e que o direito de retificar a declaração é autorizado pela Instrução Normativa SRF n° 600/2005. Concluiu sustentando que a decisão impugnada fere o princípio da razoabilidade. Citou precedentes do Conselho de Contribuintes. Ao final, pugnou sucessivamente pela homologação da compensação ou pelo acolhimento da declaração retificadora e, caso, não aceitos os pedidos anteriores, que lhe seja assegurado prazo de cinco anos, contados da decisão final do processo, para utilização do crédito. Em nova petição, a requerente reiterou a alegação de erro de preenchimento; aduziu, como fundamento, os princípios da verdade material e da isonomia; e invocou o art. 100, inciso III, do Código Tributário Nacional CTN, que eleva à condição de norma complementar as práticas reiteradamente observadas pela autoridade administrativa. A autoridade de primeira instancia decidiu a questão por meio do acórdão AC/DRJ/CGE 0417.988, de 26/06/2009, (fls.434), julgando improcedente a manifestação de inconformidade e conseqüentemente não homologando a compensação pretendida, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA INDICAÇÃO DOS CRÉDITOS. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. EXAME ORIGINÁRIO PELA DRJ. IMPOSSIBILIDADE. Não deve ser homologada a compensação quando inexistente o crédito informado na respectiva declaração. A correção do erro mediante apresentação de declaração retificadora não pode ser apreciada originariamente pela DRJ, que se manifesta apenas em grau de recurso, reexaminando decisão de mérito proferida pelo órgão de origem. DECADÊNCIA. INTERRUPÇÃO. NORMA DE ORDEM PÚBLICA. Fl. 478DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10183.901084/200657 Acórdão n.º 1301000.517 S1C3T1 Fl. 2 3 Os prazos de decadência são de ordem pública e só podem ser alterados por lei, não sendo dado nem ao contribuinte, nem à autoridade administrativa poderes para dilatar ou reduzir o prazo. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 479DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele Conheço. Na peça recursal a interessada repete as argumentações iniciais alegando, em síntese, ter compensado débitos de IRPJ com saldo negativo do mesmo tributo, havendo, porém, erro formal quanto ao preenchimento da declaração, na qual equivocadamente foi indicado como origem do crédito o pagamento indevido ou a maior, quando o correto seria saldo negativo de IRPJ. O crédito, entretanto, malgrado o erro contido na declaração de compensação Dcomp, existiria e teria sido, segundo afirma a requerente, corrigido oportunamente e apresentado à autoridade administrativa. Disse ainda que, em vão, tentou retificar a Dcomp, no entanto a autoridade nem sequer a examinou. Insistiu em afirmar que o crédito pleiteado existe, que houve erro formal, que agiu de boafé e que o direito de retificar a declaração é autorizado pela Instrução Normativa SRF n° 600/2005. Prossegue afirmando que, no caso em apreço, a retificação das declarações de compensação apresentada indiscutivelmente teve o escopo de refletir a verdade material da origem dos créditos que foram utilizados nas compensações. Sendo assim, a verdade material deve prevalecer no processo administrativo fiscal em epígrafe, uma vez que restou devidamente comprovado que os créditos utilizados nas compensações se referem aos créditos de saldo negativo de IRPJ/CSLL. Citou precedentes do Conselho de Contribuintes e da própria DRF/Cuiabá. Depreendese, no caso, que a lide gira em torno da origem do crédito que se pretende compensar: (i) se proveniente de pagamento indevido ou a maior, (ii) se resultado de saldo negativo do IRPJ. Da análise da DCOMP transmitida em 23/10/2003, fica claro que a pretensão, era compensar os valor recolhidos mensalmente do IRPJ/estimativas dos meses de julho (R$ 872,89), agosto (818,59) e setembro (966,97), totalizando o valor de R$ 2.658,45, com o crédito de IRPJ apurado em 30/06/2003 e recolhido em 30/09/2003 no total de R$ 7.683,39. O pretenso crédito, como bem afirmado na decisão de primeira instancia, tratase, na verdade, pagamento de IRPJ feito por estimativa, o qual não se confunde com o eventual saldo negativo apurado no fim do período base. Portanto, o direito creditório, se existente, nasce apenas quando do encerramento do ano e sua expressão econômica será a diferença entre o total dos valores antecipados (pagamentos por estimativa e retenções na fonte) e o valor devido, apurado no período compreendido entre os meses de janeiro a dezembro. Assim, ao indicar como crédito pagamentos por estimativa, a requerente consignou na declaração crédito inexistente, o que inviabiliza a compensação. O exame da Dcomp deixa entrever que o equívoco cometido não se prendeu apenas à forma, ele é de conteúdo. Não houve apenas preenchimento incorreto. A requerente indicou como crédito um valor que como tal não existe. Quando se examinam os dados inseridos na Dcomp referentes ao tipo de crédito, às datas de arrecadação e vencimento, ao valor do principal e por fim ao tributo, percebese claramente que a manifestação de vontade não se dirigia ao saldo negativo. O dado mais eloqüente, nesse sentido, é a data de transmissão da Dcomp, que se deu antes de findo o período base, ou seja, a iniciativa de compensar precede o nascimento do próprio saldo negativo. É fora de dúvida, por todas essas razões, que a intenção era compensar os valores pagos por estimativa, o que a lei não autoriza, salvo se o próprio pagamento por estimativa tivesse sido feito em desacordo com a lei. Fl. 480DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10183.901084/200657 Acórdão n.º 1301000.517 S1C3T1 Fl. 3 5 Desta forma, com a devida vênia, faço meus os argumentos despendidos na r.decisão recorrida para afastar as alegações suscitadas pela recorrente: Não pode ser acolhido, por outro lado, o argumento de que existe pela Administração prática reiterada que respalde a pretensão da requerente. O que foi trazido aos autos são decisões dos órgãos de jurisdição administrativas (conforme a dicção do CTN). Estas, entretanto, assumem a condição de norma complementar, segundo o art. 100, inciso II, do mesmo código, apenas se houver lei lhes atribuindo eficácia normativa, que no caso não existe. Além disso, quase todas as decisões mencionadas se referem à retificação de declaração de ajuste anual, que em vários aspectos diferem da declaração de compensação, o que desaconselha a utilização do mesmo entendimento por simples analogia, sem ponderar as peculiaridades que afastam as duas situações. Quanto à declaração retificadora, que a requerente pretende seja examinada, à DRJ falece competência para tanto, dado que a apreciação deve ser feita primeiramente pela unidade local, cabendo a este órgão de julgamento (DRJ) se manifestar em grau de recurso, reexaminando decisão de mérito já proferida. Finalmente, no que toca à pretensão de interromper o prazo de decadência, é necessário lembrar que as disposições que cuidam dessa matéria são de ordem pública sujeitas ao princípio da legalidade estrita, não podendo ser alteradas nem pelo contribuinte, nem pela autoridade administrativa. Pelo exposto e por tudo mais que dos autos consta, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 481DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 35011.003068/2005-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO
O sujeito passivo se opõe de maneira genérica ao ato administrativo de lançamento, deixando de contestar, de forma pormenorizada, a sua insurgência contra o levantamento tributário e as explicitações apresentadas quanto às folhas que serviram de base ao lançamento. restaram claramente explicitadas as bases de cálculo tomadas no lançamento.
CORRESPONSABILIDADE. RELATÓRIO DE VÍNCULOS
De acordo com a Súmula CARF nº 88, os nomes relacionados no relatório de vínculos não significa a caracterização da responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa.
Numero da decisão: 2401-005.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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EXCLUSÃO O sujeito passivo se opõe de maneira genérica ao ato administrativo de lançamento, deixando de contestar, de forma pormenorizada, a sua insurgência contra o levantamento tributário e as explicitações apresentadas quanto às folhas que serviram de base ao lançamento. restaram claramente explicitadas as bases de cálculo tomadas no lançamento. CORRESPONSABILIDADE. RELATÓRIO DE VÍNCULOS De acordo com a Súmula CARF nº 88, os nomes relacionados no relatório de vínculos não significa a caracterização da responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 01 1. 00 30 68 /2 00 5- 19 Fl. 200DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 1514.962 da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) – DRJ/SDR (fls. 87/93), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento fiscal, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001 SERVIDORES TEMPORÁRIOS. RGPS. VINCULAÇÃO. Vinculamse ao Regime Geral de Previdência Social os servidores temporários de órgão público. Lançamento Precedente O presente processo trata da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n° 35.782.8046 (fl. 04), lavrada em substituição a NFLD DEBCAD nº 35.546.7267, declarada nula conforme Decisão Notificação nº 03.401.4/0044/2005, no montante de R$ 420.988,09, consolidado em 09/12/2005, referentemente às contribuições sociais previdenciárias correspondentes à parte dos segurados empregados (não descontada) e à parte do órgão público, destinada ao Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, previstas na Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, correspondente a competência de abril de 2001. Segundo o Relatório da Notificação Fiscal de fls. 22 a 27: · O crédito se refere às contribuições incidentes sobre os serviços prestados pelos segurados contratados sob a égide da Lei Estadual n° 2.607, de 28 de junho de 2000, que dispõe sobre a contratação de pessoal por tempo determinado para atender necessidade temporária de excepcional interesse público, sob regime de Direito Administrativo, nos termos do art. 37, IX, da Constituição Federal e do art. 108, §1°, da Constituição do Estado, lotados na Secretaria de Estado da Educação e Qualidade do Ensino (SEDUC).; · O art. 12 da Lei Estadual nº 2.607/2000 dispõe que "os contratados são segurados obrigatórios do Regime Geral da Previdência Social"; · A Secretaria de Estado da Educação e Qualidade do Ensino do Amazonas não descontou, nem recolheu ao Instituto Nacional do Fl. 201DF CARF MF Processo nº 35011.003068/200519 Acórdão n.º 2401005.537 S2C4T1 Fl. 3 3 Seguro Social (INSS) contribuição dos segurados, assim como, também não recolheu a contribuição patronal; · Para a apuração do débito foram examinadas folhas de pagamento dos segurados contratados sob a égide da Lei Estadual n° 2.607/2000, e identificados no seu controle interno como "Vinculo F", Guias da Previdência Social (GPS) e Balancetes de Verificação. O Contribuinte tomou ciência da lavratura do Auto de Infração em 13/12/2005 (fl. 04) e, em 23/12/2006, apresentou tempestivamente sua impugnação de fls. 35 a 44, instruída com os documentos de fls. 45 a 54. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à Seção do Contencioso Administrativo da DRP/MANAUS, que, em 08/09/2006, emitiu o Despacho de fls. 62/63, determinando a baixa do processo em diligência, para complementação do Relatório Fiscal, de conformidade com o art. 37, da Lei n° 8.212/1991, e reabertura do prazo de 15 (quinze) dias para o Contribuinte apresentar suas alegações. Em atendimento ao referido Despacho, em 30/05/2007, foi emitido o Relatório Fiscal Complementar de fls. 66/67, com reabertura do prazo de impugnação, e o pronunciamento do fiscal de fls. 68/69. O Contribuinte tomou ciência do Relatório Fiscal Complementar em 11/06/2007 (AR – fl. 72) e, em 22/06/2007 apresentou defesa complementar de fls. 76 a 78. O Processo foi encaminhado para a DRJ/SDR para julgamento, onde a 6ª Turma, através do Acórdão nº 1514.962, julgou procedente o crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias apuradas na NFLD nº 35.782.8046, juntamente com os acréscimos legas correspondentes. Em 14/03/2008 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão exarado pela 5ª Turma da DRJ/BEL (AR – fl. 95) e, tempestivamente, em 14/04/2008 interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 96 a 99, instruído com os documentos de fls. 100 a 197, onde alega que: 1. Na competência (04/01), o pessoal temporário foi classificado como vinculo "E" e seu respectivo Resumo da Folha, no valor expresso de R$648.269,94, foi composto pelos valores extraídos daqueles dois processos administrativos (R$547.743,73 e 100.526,21), sendo as folhas de R$73.201,79 e R$80.244,61 estranhas a sua formação; 2. Inexiste a Coresponsabilidade do Procurador Geral do Estado. Conclui requerendo que o Órgão Julgador conheça do RV e o julgue procedente para o efeito de reformar parcialmente o lançamento, excluindo da base de cálculo as folhas de pagamento de R$ 73.201,79 e R$ 80.244,61. Requer também a exclusão do nome do Procurador Geral do Estado da Relação de Coresponsáveis e da Relação de Vínculos. É o relatório. Fl. 202DF CARF MF 4 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito Em argumentação recursal o contribuinte requer sejam excluídas da base de cálculo as folhas nos valores de R$73.201,79 e R$80.244,61, por considerar referidos valores estranhos à sua formação, bem como a exclusão do nome do Procurador Geral do Estado da relação de coresponsáveis e relação de vínculos. Exclusão das folhas de pagamento da base de cálculo Destarte, o Relatório Fiscal (fl. 25) destaca que para a apuração do débito foram examinadas as folhas de pagamento (processadas manualmente) dos segurados com filiação obrigatória ao Regime Geral da Previdência Social (RGPS). Cabe ressaltar que o processo foi convertido em diligência, ocasião em que foram realizados esclarecimentos por parte da fiscalização no que tange à base de cálculo e às folhas de pagamento utilizadas. Segue trechos a seguir transcritos: 2. A titulo de esclarecimento faço então um paralelo entre as duas Notificações: 2.1. A Base de Calculo da presente NFLD originouse de quatro folhas de pagamentos especiais totalizando R$797.409,02 (setecentos e noventa e sete mil, quatrocentos e nove reais e dois centavos), discriminadas no Relatório de Lançamento — RL, As fls. 06 dos autos, enquanto a Base de Cálculo da NFLD 35.782.8038 teve origem em duas folhas de pagamentos especiais totalizando R$738.408,04 (setecentos e trinta e oito mil, quatrocentos e oito reais e quatro centavos), (vide discriminação no Relatório de Lançamentos — RL, As fls. 06 daqueles autos); 2.2. Nas quatro folhas de pagamentos especiais que originaram a presente NFLD não foi efetuado, da remuneração dos segurados, o desconto da contribuição destinada ao Regime Geral da Previdência Social RGPS, tendo a mesma sido calculada a base de 8,00% sobre o montante pago. Porém, nas duas folhas de pagamentos especiais que originaram a NFLD 35.782.8038 foi feito, da remuneração dos segurados, o desconto da contribuição e o devido recolhimento para o RGPS, no valor de R$72.548,21 (setenta e dois mil, quinhentos e quarenta e oito reais e vinte e um centavos), (vide discriminação no Relatório de Lançamentos — RL, As fls. 06 daqueles autos); Fl. 203DF CARF MF Processo nº 35011.003068/200519 Acórdão n.º 2401005.537 S2C4T1 Fl. 4 5 2.3. Os fatos acima apontados levaramnos A lavratura de NFLD distintas. A NFLD 35.782.8038 referente A contribuição do órgão público destinada ao Fundo de Previdência e Assistência Social — FPAS e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho — RAT, uma vez que a contribuição descontada dos segurados havia sido devidamente recolhida (item 2 do Relatório Fiscal As fls. 30 daqueles autos). Por sua vez na NFLD 35.782.8046 constou a contribuição do órgão público destinada ao Fundo de Previdência e Assistência Social — FPAS e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho — RAT, bem como a contribuição não descontada dos segurados (item 2 do Relatório Fiscal As fls. 20 dos autos e item 1 acima), calculada a base de 8,00% sobre o montante pago. 3. Atentese, portanto, de acordo com o explicado acima, que existem seis folhas de pagamentos especiais no mês de 04/2001, duas com desconto das contribuições dos segurados (NFLD 35.782.8038) e quatro sem referido desconto (NFLD 35.782.8046). 4. Tal fato aconteceu porque a SEDUC, adotou como prática, quando da contratação dos servidores temporários, fazer as folhas de pagamento dos primeiros meses de trabalho de forma manual (datilografada), só informando as folhas dos meses seguintes A Empresa de Processamento de Dados do Estado do Amazonas — Prodam, para processamento eletrônico. 5. Dessa forma, os servidores contratados anteriormente ao mês 04/2001, só receberam suas remunerações referentes aos meses anteriores (não indicados nas folhas, por isso consideradas como 04/2001) naquela competência e não tiveram descontadas as contribuições devidas ao RGPS. Essas folhas originaram a NFLD 35.782.8046. Das remunerações referentes ao mês 04/2001 foi efetuado o desconto e o devido recolhimento das contribuições dos segurados para o RGPS. Estas folhas geraram a NFLD 35.782.8038. Consoante se percebe da leitura da peça recursal, o sujeito passivo se opõe de maneira genérica ao ato administrativo de lançamento, deixando de contestar, de forma pormenorizada, a sua insurgência contra o levantamento tributário e as explicitações apresentadas quanto às folhas que serviram de base ao lançamento. Inobstante os esclarecimentos perfectibilizados pela fiscalização, o contribuinte não se insurgiu contra o fato apontado pela fiscalização de que a SEDUC adotava como prática, quando da contratação dos servidores temporários, fazer as folhas de pagamento dos primeiros meses de trabalho de forma manual (datilografada), só informando as folhas dos meses seguintes à Empresa de Processamento de Dados do Estado do Amazonas, razão pela qual os servidores contratados anteriormente ao mês 04/2001, só recebiam suas remunerações referentes aos meses anteriores que não constaram nas folhas, por isso foram consideradas Fl. 204DF CARF MF 6 como da competência 04/2001. O Recorrente não apresenta argumentos sólidos para ilidir a acusação fiscal, o que reforça o acerto do lançamento. Dessa forma, restaram claramente explicitadas as bases de cálculo tomadas no lançamento, razão pela qual não acato o pleito do Recorrente quando à exclusão parcial da base indicada, devendo ser mantido o lançamento da forma como efetuado. Coresponsabilidade e relação de vínculos Requer o Recorrente a exclusão do Procurador Geral do Estado da relação de coresponsáveis do presente lançamento. De acordo com a Súmula CARF nº 88, os nomes relacionados no relatório de vínculos não significa a caracterização da responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Ademais, o lançamento foi constituído exclusivamente em nome da pessoa jurídica do Estado do Amazonas – Secretaria Estadual de Educação, como sujeito passivo tributário, razão pela qual, rejeito a exclusão requerida em virtude da sua finalidade meramente informativa. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 205DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914260/2012-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.880
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 60 /2 01 2- 73 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10980.914260/201273 Acórdão n.º 3201003.880 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 078.442, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10980.914260/201273 Acórdão n.º 3201003.880 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.914260/201273 Acórdão n.º 3201003.880 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.914260/201273 Acórdão n.º 3201003.880 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13312.002269/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
Ementa:
INTERMEDIAÇÃO. CONTA ALHEIA. COMISSÃO.
Para caracterizar-se como intermediário e, portanto, com atuação em nome alheio, deve o contribuinte demonstrar o recebimento de comissões.
NOTA FISCAL. NATUREZA DE COMPRA E VENDA.
O remetente estipulado em nota fiscal de venda é considerado vendedor para fins tributários e o respectivo valor do documento tido como receita tributável.
Numero da decisão: 1402-003.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 Ementa: INTERMEDIAÇÃO. CONTA ALHEIA. COMISSÃO. Para caracterizar-se como intermediário e, portanto, com atuação em nome alheio, deve o contribuinte demonstrar o recebimento de comissões. NOTA FISCAL. NATUREZA DE COMPRA E VENDA. O remetente estipulado em nota fiscal de venda é considerado vendedor para fins tributários e o respectivo valor do documento tido como receita tributável.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1260; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 394 1 393 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13312.002269/200814 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.127 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2018 Matéria IRPJ Recorrente JOSE AURELIO LOIOLA SOBRINHO ME Recorrida FAZENDA PÚBLICA. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 Ementa: INTERMEDIAÇÃO. CONTA ALHEIA. COMISSÃO. Para caracterizarse como intermediário e, portanto, com atuação em nome alheio, deve o contribuinte demonstrar o recebimento de comissões. NOTA FISCAL. NATUREZA DE COMPRA E VENDA. O remetente estipulado em nota fiscal de venda é considerado vendedor para fins tributários e o respectivo valor do documento tido como receita tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 2. 00 22 69 /2 00 8- 14 Fl. 394DF CARF MF Processo nº 13312.002269/200814 Acórdão n.º 1402003.127 S1C4T2 Fl. 395 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 13312.002269/200814 Acórdão n.º 1402003.127 S1C4T2 Fl. 396 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que decidiu manter as exigências perpetradas no Auto de Infração. A Recorrente foi autuada para recolher o crédito tributário constituído relativo aos tributos abrangidos pelo Simples (IRPJ, contribuição para o PIS, CSLL, COFINS e Contribuição para a Seguridade Social INSS), multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2003 (janeiro a dezembro de 2003). A fiscalização iniciou os trabalhos devido a constatação de movimentação financeira em contas bancárias incompatíveis com os rendimentos declarados em sua Declaração de Pessoa Física. Em seguida, após a entrega de documentos a fiscalização pela Recorrente e informação e documentos obtidos junto aos clientes da autuada situados em Fortaleza, a fiscalização constatou receita omitida e não escriturada. Constatou também que o Recorrente exercia atividade comercial de venda de cereais e que no período em que ocorreram os fatos geradores tinha inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica CNPJ 07.731.847/000195, nome empresarial "JOSÉ AURÉLIO LOIOLA SOBRINHO ME", CNAE: 4711302 — "Comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios — supermercados", que foi baixada em 2004 e reaberta em 2005 com o CNPJ 07.297.710/000174. Devido a tal fato, a fiscalização considerou que o contribuinte exerceu atividade econômica de natureza comercial, com fim lucrativo, no ano de 2003 estando, portanto, equiparado a pessoa jurídica, conforme determina o art. 150, § 1 0, inciso II, e artigo 160, ambos do RIR/99. Os créditos exigidos nestes AIs foram arbitrados com base na receita encontrada escriturada em livro próprio do Recorrente e com as informações obtidas na circularização feita junto aos clientes da Recorrente. Sendo assim, a fiscalização considerou como receita bruta mensal auferida pela microempresa José Aurélio Loiola Sobrinho ME, CNPJ 07.731.847/000195, os valores abaixo discriminados, os quais estão sendo utilizados como base de cálculo para apuração do valor devido. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 13312.002269/200814 Acórdão n.º 1402003.127 S1C4T2 Fl. 397 4 Importante ressaltar que também foi lavrado Auto de Infração contra a pessoa física do Sr. José Aurélio Loiola, imputando infração de omissão de receita constatada por meio de depósitos bancários com origem não comprovada, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, os quais a fiscalização tomou o cuidado de separar os valores que pertenciam a receita da pessoa física e os valores que foram encontrados relativos a atividade comercial da Recorrente objeto deste Auto de Infração que acusa o Recorrente de omissão de receita não escrituradas e declaradas ao fisco. No presente Auto de Infração, não consta a infração relativa a insuficiência de recolhimento gerado pela alteração da alíquota do Simples quando incluída na base de cálculo os valores relativos a receita encontrada e também não trata de exclusão do SIMPLES. Por fim a Fiscalização aplicou multa de ofício de 75%. Para evitar repetições aproveito o bem elaborado relatório do v. acórdão recorrido. Trata o presente processo de cinco autos de infração realizados para exigircréditos tributários oriundos da insuficiência de pagamento do Simples no anocalendário 2003, conforme os valores da tabela abaixo (todos os valores monetários estão expressos em reais): De acordo com a descrição dos fatos contida no Termo de Verificação Fiscal (fl. 269/280), a ação fiscal é resultado de uma Fl. 397DF CARF MF Processo nº 13312.002269/200814 Acórdão n.º 1402003.127 S1C4T2 Fl. 398 5 auditoria realizada para pessoa física de José Aurélio Loiola Sobrinho, CPF 049.319.98372, tendo em vista a movimentação bancária realizada no ano 2003 em montante incompatível com os rendimentos por ele declarados. O contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos depósitos/créditos efetuados nas suas contas bancárias e, em resposta, apresentou a declaração de fls. 18/20, informando que é comerciante na região dos Inhamuns desde 1971 e com o passar dos anos começou a trabalhar como corretor, intermediando a compra de cereais (milho, feijão e mamona) dos pequenos produtores daquela região para depois repassálos aos compradores de Fortaleza. Nessa oportunidade, o contribuinte juntou aos autos (fls. 22/142) cópia de um caderno contendo anotações de vendas de cereais, cópias de recibos de pagamentos e cópias de documentos da Companhia de Alimentos do Nordeste — CIALNE. A auditoria prosseguiu por meio da realização de intimações aos clientes do contribuinte, com as quais foram identificados os depósitos vinculados a sua atividade comercial e também foram identificadas receitas não registradas no referido caderno de anotação de vendas. Com base nas mesmas intimações, a autoridade autuante concluiu que o contribuinte realizava vendas aos seus clientes e não uma intermediação, como queria fazer crer o autuado. Assim, foi efetuado o lançamento para o CNPJ nº 07.731.847/000195, pertencente ao autuado e que estava ativo em 2003, ano em que foram auferidas as receitas identificadas, apesar de o contribuinte já possuir outra inscrição no CNPJ (realizada em 2005) quando a autuação foi efetuada. Cientificado do lançamento em 03/11/2008, o contribuinte apresentou impugnação em 03/12//2008 (fls. 331/339). Em sua peça de defesa, o impugnante apresenta as seguintes alegações: i) a autuação assumiu como premissa que todos os depósitos decorrem de atividade lucrativa o que não é verídico, haja vista que se trata de fiscalização de pessoa física e não de pessoa jurídica; ii) a auditoria não buscou elementos que provassem a vinculação dos depósitos bancários com a suposta atividade lucrativa, baseandose apenas em extratos bancários; iii) os valores encontrados pela fiscalização decorreram da intermediação da compra de feijão e milho para empresas de Fortaleza, de forma que as quantias consignadas nos extratos jamais poderiam ser tidas como lucro, pois eram valores que as empresas depositavam para serem repassados aos agricultores; iv) os valores tomados como parâmetro de calculo na presente ação são os mesmos utilizados como parâmetro para determinar a renda supostamente omitida na ação fiscal iniciada contra a pessoa física de José Aurélio Loiola Sobrinho no processo de n° 13312.002241/200887, ocorrendo dupla tributação sobre os rendimentos do contribuinte; Fl. 398DF CARF MF Processo nº 13312.002269/200814 Acórdão n.º 1402003.127 S1C4T2 Fl. 399 6 v) a empresa autuada está inativa desde o ano 2003, não havendo qualquer tipo de movimentação financeira em suas contas ou qualquer movimento de caixa nesse período, não cabendo a equiparação entre pessoa física e pessoa jurídica; vi) os valores referentes a cheques devolvidos não foram deduzidos do montante dos valores considerados como omissão de receita; vii) considerando que ficou evidenciado que os depósitos serviram simplesmente de repasse das empresas compradoras para os agricultores de Tauá, fica claro que houve erro na identificação do sujeito passivo, em violação às determinações legais no que se refere ao §5º do artigo 42 da Lei 9.430/96. Esse parágrafo determina que quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertençam a terceiros, evidenciando a interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. Por fim, solicita a realização de perícia e a declaração de nulidade do feito fiscal. Ato contínuo, a DRJ proferiu v. acórdão mantendo integralmente a exigência do Auto de Infração, registrando a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 INTERMEDIAÇÃO. CONTA ALHEIA. COMISSÃO. Para caracterizarse como intermediário e, portanto, com atuação em nome alheio, deve o contribuinte demonstrar o recebimento de comissões. NOTA FISCAL. NATUREZA DE COMPRA E VENDA. O remetente estipulado em nota fiscal de venda é considerado vendedor para fins tributários e o respectivo valor do documento tido como receita tributável. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com o v. acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos da impugnação. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 13312.002269/200814 Acórdão n.º 1402003.127 S1C4T2 Fl. 400 7 Ato contínuo, os autos retornaram para o E. CARF/MF e foram distribuídos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 13312.002269/200814 Acórdão n.º 1402003.127 S1C4T2 Fl. 401 8 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Os Recursos Voluntário são tempestivos e possuem os requisitos previstos na legislação, motivo pelo qual devem ser admitidos. Da alegação de nulidades ou cerceamento do direito de defesa: Em relação a alegação de cerceamento do direito de defesa, entendo que não deve ser acolhida. A acusação está bem instruída com os documentos necessários para demonstrar a infração a legislação tributária de omissão de receita e a Recorrente não conseguiu comprovar que o montante encontrado não se refere a receita tributável, inexistindo assim cerceamento ao direito de defesa. Também entendo necessário se observar que as preliminares de nulidade do lançamento fiscal arguidas pela Recorrente não encontram amparo nas hipóteses previstas no artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal – PAF). Observa se que quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões cometidas em Auto de Infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o Sujeito Passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio, nos termos do art. 60 do mencionado decreto. Da leitura do Termo de Verificação Fiscal (fls. vol. 2) percebese que a Autoridade Autuante narrou as etapas do procedimento fiscal e os fatos verificados em consequência daquele, bem como a subsunção à presunção legal adiante versada. Constam do referido termo e dos documentos que compõem os Autos de Infração lançados os dispositivos legais nos quais se alicerçaram, estando ainda presentes no processo administrativo a composição analítica da base de cálculo e os demonstrativos dos tributos devidos. Por conseguinte, restaram adequadamente observadas as previsões estampadas nos incisos do art. 10, do Decreto nº 70.235/72, não merecendo prosperar as alegações da Recorrente em sentido contrário. Ademais, foram disponibilizadas cópias dos documentos integrantes da autuação à Autuada, tendolhes sido conferido tempo hábil, após regularmente cientificado dos lançamentos, para apresentar seus questionamentos, consubstanciados na Impugnação apresentada nos autos, da qual é possível se depreender que a Recorrente entendeu perfeitamente dos fatos que lhes foram imputados. Assim, não houve qualquer preterição do respectivo direito de defesa. Mérito: Fl. 401DF CARF MF Processo nº 13312.002269/200814 Acórdão n.º 1402003.127 S1C4T2 Fl. 402 9 As exigências indicadas nos Autos de Infração referemse à pessoa jurídica JOSE AURÉLIO LOIOLA SOBRINHO ME (CNPJ nº 07.731.847/000195), que têm como fundamento inicial a declaração do próprio Recorrente de que exercia atividade comercial (fl. 18), a escrituração/anotação no livro de vendas fornecido pelo próprio autuado (fls. 35/124) e recibos também fornecidos pelo autuado (125/147), declarações de clientes do autuado (fls. 158, 160 e 165), além de farta documentação contábil e fiscal por estes fornecida. Assim, tratase de lançamentos de omissão de receitas da atividade, conforme previsto nos artigos 186, 188 e 199, do Regulamento do Imposto de Renda. Ademias, como muito bem apontado no v. acórdão recorrido, a exigência destes AIs não se confunde com os lançamentos tributários formalizado nos autos do processo nº 13312.002241/200887 faca a pessoa física. De acordo com que se extrai do conteúdo que está relatado no Acórdão nº 0823.367, de 30 de abril de 2012, da 6ª Turma de Julgamento da DRJ/FOR (fls. 342/348) que julgou a impugnação do outro processo nº 13312.002241/200887, o lançamento se refere à pessoa física Jose Aurélio Loiola Sobrinho (CPF nº 049.319.98372) e tem como fundamento a existência de depósitos bancários de origem não comprovada e, por conseqüência, a presunção de omissão de receitas, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Apesar de ambos lançamentos refereremse ao mesmo anocalendário e terem sido conduzidos pela mesma autoridade fiscal, a fiscalização teve o cuidado de excluir da base de cálculo do IRPF (proc. nº 13312.002241/200887) todos os depósitos bancários que puderam ser associados a alguma receita da atividade comercial do contribuinte, levantada no presente processo, conforme relatado no acórdão supracitado (fl. 342/348 dos autos). Vejamos o trecho do acórdão onde aponta tal separação. Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração para formalização e cobrança do crédito tributário do exercício 2004, anocalendário 2003, relativo ao Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza de Pessoa Física, doravante mencionado simplesmente como Imposto sobre a Renda, no valor de R$.113.022,34, que somado à multa de ofício e aos juros de mora foi totalizado em R$.267.489,96. A infração apurada pela Fiscalização foi a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas mantidas pelas instituições financeiras Banco Bradesco S/A e Banco do Brasil S/A, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os montantes dos depósitos com origem não comprovada estão discriminados no Termo de Verificação Fiscal anexo ao Auto de Infração, no qual também consta que: Fl. 402DF CARF MF Processo nº 13312.002269/200814 Acórdão n.º 1402003.127 S1C4T2 Fl. 403 10 O contribuinte foi selecionado para fiscalização por ter sido detectada movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados. Ele foi intimado a apresentar os seus extratos bancários do ano calendário 2003, tendo entregado os referentes a duas contas correntes, uma do Banco Bradesco e outro do Banco do Brasil. De posse dos extratos bancários, o Auditor Fiscal excluiu os depósitos/créditos decorrentes de transferências entre as contas, bem como aqueles decorrentes de aplicações financeiras, estornos, etc. Ademais, devido à grande movimentação financeira, desconsiderou depósitos de valores inferiores ou iguais a R$ 100,00. DEPÓSITOS COM ORIGEM EM VENDAS DE CEREAIS E FEIJÃO Após intimação para comprovar os depósitos constante de planilha que lhe foi enviada, o contribuinte apresentou declaração de que é comerciante na região dos Inhamus desde 1971 e com o passar dos anos começou a trabalhar como corretor, intermediando compra de cereais dos pequenos produtores daquela região, para depois repassálos a compradores em Fortaleza. Citou nomes de compradores e dos motoristas dos caminhões que transportavam a mercadoria, bem como apresentou cópia de um caderno com anotações de vendas de cereais, cópias de recibos de pagamentos e de documentos da Companhia de Alimentos do Nordeste – CIALNE. O Auditor Fiscal intimou as pessoas citadas pelo contribuinte para ratificar as suas alegações e, como ficou comprovada a atividade de venda de cereais, considerou as anotações contidas no caderno apresentado como documento hábil a comprovar depósitos bancários. Do confronto das vendas anotadas com os valores depositados nas contas bancárias, considerou comprovados os depósitos constantes na planilha de fls. 371/376. A CIALNE realizou vários depósitos no ano de 2003 na conta bancária do contribuinte, cuja documentação comprova que essas operações consistiram em pagamento por milhos em grãos vendidos por ele. Assim, o Auditor Fiscal considerou esses depósitos como tendo origem comprovada. Dentre os documentos apresentados pelo contribuinte, constam declarações dos senhores João Marreiros da Rocha e Pedro Moreira Neto de que compraram feijão do contribuinte e que os pagamentos foram realizados por depósitos na conta do Banco Bradesco. Além disso, Maria de Fátima S. Rocha, esposa de João Marreiros da Rocha, informou à autoridade fiscal por contato telefônico que realizou transferências bancárias para o contribuinte para pagar os feijões adquiridos por seu marido. Ademais, o Sr. José Rodrigues Mendes, após intimado pela fiscalização, declarou que os depósitos efetuados por ele os quais não estavam anotados no caderno do contribuinte decorriam de compra e venda de feijão. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 13312.002269/200814 Acórdão n.º 1402003.127 S1C4T2 Fl. 404 11 Dessa forma, foi considerada comprovada a origem dos depósitos bancários cujos históricos identificavam essas pessoas. O Auditor Fiscal também entendeu comprovada a origem do depósito na conta do Banco Bradesco realizado pela Distribuidora de Bebidas e Cereais Ltda., pois considerou estar essa transação relacionada à atividade comercial do contribuinte. Excluídos os depósitos cujas origens foram elucidadas, o Auditor Fiscal intimou o contribuinte a esclarecer os restantes, tendo ele apresentado diversas alegações, porém desacompanhadas de documentação comprobatória. Mesmo assim, o Auditor Fiscal intimou as empresas mencionadas pelo contribuinte e a empresa Xerez Avícola Ltda. informou que no ano de 2003 comprara milho em grãos do contribuinte e juntou os respectivos recibo e nota fiscal. Confrontando esses documentos com os extratos bancários e após contato com a contadora da empresa, o Auditor Fiscal considerou comprovada a origem dos depósitos provenientes da conta corrente dessa empresa. DEPÓSITOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Contudo, as outras compradoras citadas pelo contribuinte após a última intimação, Granja EMAPE (EMAPE Alimentos Ibiapina S/A) e Granja Amanari (Torres de Melo Alimentos Ltda.) manifestaramse no sentido de não reconhecer nenhuma transação com o contribuinte, a primeira dizendo que suas atividades encerraramse em 1997 e a segunda informando que no ano de 2003 não comprou milho do contribuinte. Dessa forma, todos os depósitos com origem não comprovada nas contas correntes número 2.0141, Agência 07897 do Banco Bradesco e número 5.0458, Agência 1155X do Banco do Brasil no ano de 2003, conforme demonstrativo confeccionado pelo Auditor Fiscal foram considerados rendimentos omitidos. Notase que as receitas oriundas das atividades comerciais da Recorrente, cuja a origem foi comprovada, foi excluída da autuada face a pessoa física, e questionadas nos autos do processo cujo lançamento foi feito contra a pessoa jurídica. Ou seja, os rendimentos omissos da pessoa física estão sendo cobrados no outro lançamento de ofício e o rendimentos que foram omitidos/não escriturados da tributação relativos a atividade da pessoa jurídica são objeto deste Auto de Infração. Assim, não podem ser admitidos os argumentos do contribuinte que estão relacionados à confusão entre os dois Autos de Infração. A Recorrente também afirma que não realizava vendas, mas apenas exercia o papel de intermediário, sendo a sua receita somente a comissão associada a cada operação. Contudo, não há nos autos qualquer prova ou indício que corrobore essa afirmação. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 13312.002269/200814 Acórdão n.º 1402003.127 S1C4T2 Fl. 405 12 Pelo contrário, dois clientes do autuado (pessoas físicas) afirmaram que os pagamentos por eles realizados não se tratavam de adiantamento para que o autuado intermediasse alguma compra, mas sim de pagamento pela compra de cereais do autuado (fls. 158 e 160). No mesmo sentido apontam as notas fiscais emitidas por outros clientes do autuado (pessoas jurídicas), em que este é consignado como vendedor (fls. 194/240). O contribuinte possuía o ônus de impugnar com provas o lançamento tributário, ainda mais quando se trata de elementos probatórios que estão, ou deveriam estar, sob sua posse e, portanto, de fácil obtenção. Não havendo tal esforço, devese sustentar o lançamento. Ademais, da leitura do trecho do TVF acima, se pode extrair que a presente autuação não foi feita em nome da pessoa física, mas em nome da empresa por ter entendido a fiscalização que os valores encontrados na conta bancária da pessoa física/jurídica eram na verdade referentes a operações praticadas pela empresa e, por tal motivo, decidiu equiparar a pessoa física com a pessoa jurídica nos termo do inciso II, do parágrafo primeiro do artigo 150 do RIR/99, lavrando Auto de Infração contra a empresa. (importante ressaltar que a conta bancária estava em nome da pessoa física, mas também era utilizada pela pessoa jurídica). No caso, o Recorrente afirma que a empresa autuada está inativa desde o ano 2003, não havendo qualquer tipo de movimentação financeira em suas contas ou qualquer movimento de caixa nesse período, não cabendo a equiparação entre pessoa física e pessoa jurídica. Contudo, é farta a documentação juntada aos autos que comprova as transações comerciais realizadas pelo contribuinte, mesmo que a situação cadastral deste fosse de inatividade, a situação fática, levantada na auditoria, é de plena atividade, o que autoriza o lançamento. Portanto, também não deve ser provido esse argumento do contribuinte. Em relação as alegações de inconstitucionalidade da legislação referente a presunção de omissão de receita, insta esclarecer que nos termos da Súmula 2, este E. Tribunal não tem competência para analisar ou afastar aplicação de lei por entendêla inconstitucional. O contribuinte é optante do Simples que é um sistema que se constitui em uma forma simplificada e unificada de recolhimentos de tributos, por meio da aplicação e percentuais favorecidos e progressivos, incidentes sobre uma única base de cálculo, a receita bruta, que é considerado nos termos do artigo 186 do RIR/99 como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionalmente concedidos. Ressalvadas essas exclusões, é vedado, para fins da determinação da receita bruta apurada mensalmente procederse a qualquer outra exclusão ou individualização em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado, tais como, substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução de base de cálculo e isenção, aplicáveis as demais pessoas jurídicas não optantes ao Simples (Lei no 9.317 de 1996, art. 2°, § 2° e IN SRF n° 250/2002, art. 40, §1°, e art. 1'). Assinalese que a base de cálculo do Simples não é o acréscimo patrimonial, o resultado ou o lucro, ainda que este seja diminuto em comparação com a receita bruta, mas Fl. 405DF CARF MF Processo nº 13312.002269/200814 Acórdão n.º 1402003.127 S1C4T2 Fl. 406 13 sim esta última, que no caso da autuada foi constatada por meio dos créditos bancários cuja origem não foi comprovada pela contribuinte regularmente intimada. Observese que os conceitos de renda, acréscimo patrimonial ou lucro não interessam aos optantes do Simples, quer exista ou não lançamento de ofício, pois a base de cálculo dos tributos devidos em conformidade com este sistema simplificado de tributação é a receita bruta, conforme previsto no art. 5º da Lei nº 9.317/1996. Portanto, a base de cálculo para optantes do Simples é a totalidade das receitas auferidas pela empresa, não admitindo a exclusão dos valores relativos a gastos efetivados ou depósitos cuja a origem não foi identificada, bem como a individualização das bases tributáveis por imposto ou contribuição. Dando continuidade ao raciocínio, a autuação trata de omissões de receita de microempresas e empresa de pequeno porte, onde existe o artigo 18 da Lei 9.317/1996 que determina que aplicamse as presunções de omissão de receita existentes nas legislações específicas de regência dos impostos e contribuições. Vejamos o texto do dispositivo: “Art. 18. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. " Sendo assim, foi correta a aplicação da infração de omissão de receita com base no artigo 24 da Lei 9.249/95 quando encontrada receita não escriturada e apuradas mediante cotejo entre a Receita Bruta do Contribuinte apurada na ação fiscal e os valores por ele declarados na Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica (DSPJ). Quando detectada tal hipótese prevista no dispositivo acima indicado, cabe aos contribuintes demonstrar com documentos idôneos e hábeis o registro e a origem do depósitos não escriturados, quando questionados pela fiscalização, sob pena de serem considerados receita tributável. Portanto, verificada a ocorrência da hipótese descrita em lei, qual seja, a que o contribuinte recebeu pagamentos relativas a suas vendas, não os escriturou e eximiuse de comprovar mediante documentação hábil e idônea o ofereceu a tributação, correta está a autuação. Continuando o raciocínio, entendo importante ressaltar que os rendimentos omitidos pela Recorrente, serviram para apurar e recompor a receita bruta mensal auferida no período e compor a base de cálculo a ser tributada, nos termos do artigo 188 do RIR/991. 1 Este artigo 188 do RIR/99 preve exceção de como será determinada a receita bruta para as microempresas e empresas de pequeno porte inscritas no SIMPLES, conforme pode se verificar em seu texto abaixo colacionado. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 13312.002269/200814 Acórdão n.º 1402003.127 S1C4T2 Fl. 407 14 Desta forma, não verifico que a infração constante no Auto de Infração está imputando a Recorrente dupla tributação, eis que apenas foi recomposta a receita bruta mensal com base nos valores relativos as vendas não escriturados e não oferecido a tributação em relação a atividade comercial da Recorrente, sendo que o receita constatada relativa a pessoa física foi exigida em outro auto de infração. Sendo assim, entendo a infração indicada no Auto de Infração está correta, devendo ser mantida a acusação fiscal em seus termos. Pelo exposto e por tudo que consta processo nos autos conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. "art. 188. O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos percentuais e nas condições estabelecidas no art. 5, e seus parágrfos, da Lei 9.317/96, observado, quando for o caso, o disposo nos arts. 204 e 205." Fl. 407DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13052.000305/2003-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA
Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Numero da decisão: 9303-006.925
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CURTUME AIMORE S A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 20181.549, que, na parte de interesse, decidiu que os valores oriundos da cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 2. 00 03 05 /2 00 3- 17 Fl. 582DF CARF MF Processo nº 13052.000305/200317 Acórdão n.º 9303006.925 CSRFT3 Fl. 3 2 A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial requerendo a reforma da decisão a quo. Argumenta, em síntese, que os valores recebidos pela transferência de créditos do ICMS a terceiros constituem receita da empresa, tributável pelas contribuições. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara competente da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda. Na sequência, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.890, de 13/06/2018, proferido no julgamento do processo 11080.101559/200542, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.890): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67 do RICARF/2015, vez que comprovada a divergência. Quanto ao cerne da lide, especificamente à discussão acerca da incidência de PIS sobre as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS, vêse que deve ser reconhecida a ilegitimidade da inclusão na base de cálculo do PIS das r. receitas referentes à transferência de créditos de ICMS a terceiros. Ora, já houve decisão proferida no Recurso Extraordinário n° 606.107/RS que restou assim ementado: “IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos Fl. 583DF CARF MF Processo nº 13052.000305/200317 Acórdão n.º 9303006.925 CSRFT3 Fl. 4 3 dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos, imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. Fl. 584DF CARF MF Processo nº 13052.000305/200317 Acórdão n.º 9303006.925 CSRFT3 Fl. 5 4 IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Constatase que a decisão proferida no RE 606.107/RS, em sede de repercussão geral, deve ser aplicada de acordo com o disposto no RICARF: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo." Importante ressalvar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o acúmulo de créditos do ICMS também foi decorrente de exportações para o exterior. Todavia, neste processo a Recorrente foi a Fazenda, de sorte que a aplicação do decidido no paradigma quanto à matéria em foco implica a negativa de provimento ao especial fazendário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 585DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727635/2013-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 28/02/2008, 30/04/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO (DTE). CIÊNCIA DA INTIMAÇÃO.
A intimação eletrônica ocorre quinze dias após as data registrada no comprovante de entrega do documento no domicílio tributário eletrônico do sujeito passivo ou na data que o documento eletrônico houver sido acessado, o que ocorrer primeiro. Recurso voluntário apresentado a destempo.
Numero da decisão: 2301-005.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (relator), Wesley Rocha e Juliana Marteli Fais Feriato, que conheciam do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Mauricio Vital.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
(assinado digitalmente)
João Mauricio Vital - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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INTEMPESTIVIDADE. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO (DTE). CIÊNCIA DA INTIMAÇÃO. A intimação eletrônica ocorre quinze dias após as data registrada no comprovante de entrega do documento no domicílio tributário eletrônico do sujeito passivo ou na data que o documento eletrônico houver sido acessado, o que ocorrer primeiro. Recurso voluntário apresentado a destempo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (relator), Wesley Rocha e Juliana Marteli Fais Feriato, que conheciam do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Mauricio Vital. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator (assinado digitalmente) João Mauricio Vital Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 76 35 /2 01 3- 41 Fl. 1395DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Trata o presente processo, formalizado em 06/09/2013 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília/DF, de ação fiscal direta, na qual a contribuinte acima identificada foi autuada em 13/12/2013 (fl. 1104), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo à Multa Isolada pela não retenção e recolhimento de Imposto de Renda Retido na Fonte referente a fatos geradores ocorridos em 2008 e 2009. Conforme descrito nos Autos de Infração e no Relatório Fiscal do Auto de Infração IRRF (fls. 1086 a 1103), a contribuinte cometeu a infração de Multa por Falta de Retenção na Fonte de Imposto ou Contribuição. Tendo em vista o apurado, foi lavrado, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, o seguinte Auto de Infração: Outras Multas Administradas pela RFB (fls. 3 a 7): Demais Infrações à Legislação dos Impostos e Contribuições Multa por Falta de Retenção na Fonte de Imposto ou Contribuição com base no artigo 9º da Lei nº 10.426/2002, com a redação dada pelo art. 16 da Lei nº 11.488/2007. O crédito tributário totalizou o montante de R$ 14.513.012,51. Irresignada com os lançamentos, em 9 de janeiro de 2014, a empresa apresentou a impugnação (fls. 7 a 35 do processo 10166.720145/201403, apensado a este conforme Termo de Apensação à fl. 1116), na qual alega, em síntese, o seguinte (títulos de acordo e na ordem em que apresentados no contraditório): I Prejudicial de Mérito – Decadência. O Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, em quaisquer de suas subespécies, é tributo sujeito a lançamento por homologação e, por via de conseqüência, está submetido à regra especial fixada pelo art. 150, § 4º, do CTN. Em assim sendo, considerando que a constituição do crédito (ciência da contribuinte) deuse em 12/12/2013, todos os "fatos geradores" ocorridos no exercício fiscal de 2008, com exceção ao ocorrido em 31/12/2008, foram fulminados pela decadência, razão pela qual não poderiam ter sido constituídos. (transcreve julgados do antigo Conselho de Contribuintes às fls. 14 e 15 em apoio à sua tese). II Mérito. Falta de Previsão Legal para a Aplicação da Multa Isolada. A multa isolada foi aplicada em decorrência da falta de retenção na fonte de imposto, enquadrada no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002 com redação dada pelo art. 16 da Lei n° 11.488, de 2007. Fl. 1396DF CARF MF Processo nº 10166.727635/201341 Acórdão n.º 2301005.279 S2C3T1 Fl. 3 3 Ocorre que, não há previsão legal para a aplicação de multa isolada no presente caso. A multa isolada pela falta de recolhimento, ou de recolhimento fora do prazo sem a multa de mora, de rendimentos retidos na fonte, foi introduzida pela Medida Provisória n° 16, de 27/12/2001, posteriormente convertida na Lei nº 10.426, de 2002, mencionada na autuação. Este dispositivo foi alterado pela Medida Provisória n° 321, de 2007, convertida na Lei n° 11.488, de 2007. Assim, se em determinado momento houve previsão legal neste sentido, legislação superveniente deixou de definir como hipótese de aplicação da multa isolada a falta de retenção e/ou recolhimento do imposto pela fonte pagadora. Inicialmente, foi a Medida Provisória n° 303, de 29/06/2006, que perdeu eficácia, e, pouco tempo depois, foi a Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, posteriormente convertida na Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007 e que reproduz o mesmo dispositivo da Medida Provisória n° 303. Essas normas alteraram também o art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, sendo sua nova redação introduzida pela art. 14 da referida Medida Provisória e da Lei n° 11.488, de 2007. O art. 9º da Lei n° 10.426, de 2002, em sua nova redação, previu apenas a aplicação da multa a que se refere o inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, aplicada juntamente com o imposto. Portanto, não previu a incidência da multa de que trata o inciso II, isolada e no percentual de 50%. Não resta dúvida, portanto, de que não há possibilidade de incidência da multa de que trata o inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, no caso de falta de retenção e recolhimento do IRRF, ou de recolhimento com atraso sem a multa de mora. Apenas no caso de falta de retenção e recolhimento do imposto é devida a multa do art. 9º da Lei n° 10.426, de 2001, que remete ao inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Ocorre que esta multa não pode ser aplicada, isoladamente, em situações em que o imposto não retido não é mais exigível da fonte pagadora. O inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, trata de multa exigida juntamente com o imposto, de multa incidente "sobre a totalidade ou diferença de imposto que deixou de ser pago ou recolhido" e, portanto, se não há mais imposto a ser exigido da fonte pagadora, se a responsabilidade da fonte pagadora cessou no momento em que o beneficiário passou a ter que declarar os rendimentos, não há multa de ofício a ser aplicada à fonte pagadora. Não se trata aqui de negar validade ao art. 9º da Lei n° 10.426, de 2001, com redação dada pelo art. 16 da Lei n° 11.488, de 2007. O dispositivo é aplicável a todas as situações em que o imposto não retido é exigível da fonte pagadora: se exigido antes do prazo para a entrega da declaração pelo beneficiário dos rendimentos, no caso de IRRF devido como antecipação; ou no caso de tributação definitiva da fonte. O Parecer Normativo COSIT nº 1, de 24/09/2002, é bastante esclarecedor no sentido de que não é mais exigível o imposto da fonte pagadora quando ultrapassado o prazo de entrega da DIRPF pelo beneficiário dos rendimentos sujeitos ao ajuste anual. (reproduz o citado dispositivo às fls. 18 e 19, e julgado do CARF à fl. 19). Fl. 1397DF CARF MF 4 Até por uma questão lógica, se não é mais exigível o imposto da fonte pagadora, sobre ela também não deve incidir a multa prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96. Até porque, a multa deve ser exigida juntamente com o imposto propriamente dito. Se da fonte pagadora não mais se exige o imposto pela falta de recolhimento, a respectiva penalidade também não deve ser aplicada. Inexistência do Fato Gerador (Inexistência de Pagamento de Rendimentos na Condição de Fonte Pagadora às Pessoas Físicas). Destaca o Auditor autuante que a matéria tratada nos presentes autos foi decorrência direta das informações e provas coletadas durante a ação fiscal anterior realizada contra a ora Impugnante, portanto, prova emprestada do PAF deflagrado pelo MPF 01.1.01.00 2010004367, para verificação do cumprimento das obrigações, principais e acessórias. Por conseguinte, de acordo com a própria Fiscalização, o assunto abordado nestes autos tem conexão material direta com os PAF 10166.722542/201321 e 10166.722543/201375. Repisa o autuante que, diante do comportamento do contribuinte de não colaborar com a fiscalização no sentido de comprovar o efetivo pagamento da comissão de venda aos corretores de imóveis, a auditoria foi obrigada a juntar, como elemento de prova, cópia do Relatório Fiscal lavrado pela fiscalização anterior (prova emprestada). Mais uma vez, aduz o douto Agente Fiscal que, dando continuidade à fiscalização anterior, emitiu outras intimações à contribuinte para que esta comprovasse os pagamentos realizados em favor dos corretores autônomos e a resposta da contribuinte foi sempre a mesma: "não existem comprovantes de retenções, uma vez que não houve pagamento de remunerações a pessoas físicas (corretores autônomos)". No Relatório Fiscal do AI – IRRF, a autoridade fiscal menciona que a Impugnante transferiu a responsabilidade pelo pagamento da comissão de venda ao corretor para o comprador de imóvel, e consequentemente, deixou de reter e recolher o IRRF, segundo os artigos 628, 674, 717 e 722 do RIR/1999. No sistema de fonte, não é o próprio beneficiário da renda que recolhe aos cofres públicos o respectivo imposto. Tal encargo cabe à fonte pagadora da renda, como responsável tributário. Ao fazer o pagamento dos rendimentos, a fonte pagadora retém o valor do tributo, pagando ao beneficiário o valor líquido do Imposto de Renda, e o recolhe aos cofres públicos nos prazos regulamentares. Fato é que, para que ocorra a hipótese de incidência legalmente descrita há a exigência da ocorrência no mundo real da efetivação de condutas que venham a concretizar a ocorrência do fato gerador em comento. A uma, por que o componente material da regra matriz de incidência exige peremptoriamente a conduta: PAGAR (verbo) rendimentos a pessoa física sujeita a ajuste na declaração anual (complemento). A própria autoridade fiscal, no Relatório Fiscal do presente AI e no Relatório Fiscal do auto de infração de contribuições previdenciárias, assevera que não foi a impugnante que efetuou os pagamentos aos corretores imobiliários autônomos. (transcreve os itens 24 e 127 dos Relatórios Fiscais às fls. 22 e 23). A duas, por que o sujeito passivo tem que necessariamente ser a fonte pagadora do respectivo rendimento. E a Impugnante, conforme afirma a própria autoridade fiscal, não foi nem é fonte pagadora das referidas pessoas físicas. Fl. 1398DF CARF MF Processo nº 10166.727635/201341 Acórdão n.º 2301005.279 S2C3T1 Fl. 4 5 Assim, o AI deve ser cancelado tendo em vista não ter ocorrido a premissa básica para a manutenção da exação: a realização do pagamento. Falta da Comprovação da Ocorrência do Pagamento de Rendimentos. A fiscalização partiu da falsa premissa de que a Impugnante não reteve na fonte, nem recolheu, o imposto sobre a renda de pessoa física referente a remunerações pagas ou creditadas a título de comissão de venda a profissionais corretores de imóveis. Exclusivamente com base na concepção subjetiva de que seria inadmissível a remuneração dos corretores de imóveis apenas pelos compradores, a fiscalização inferiu que houve omissão de pagamento pela recorrente da comissão de corretagem. Salientese que os documentos que não teriam sido apresentados e, portanto, justificaram o arbitramento, foram planilhas encomendadas pela fiscalização onde, dentre outras informações, deveriam ser indicadas as supostas comissões pagas pela recorrente e os recibos de pagamento dessas comissões; tudo mais que consta no Termo de Intimação para a Apresentação de Documentos foi disponibilizado à fiscalização. Ora, a Impugnante disponibilizou todos os registros obrigatórios de arquivamento e exibição para os órgãos competentes. O que desejara a fiscalização é que a recorrente confessasse uma suposta sonegação com base na presunção de que pagava parte das comissões. E, como não o fez, presumiu que a escrituração contábil não registrava todas as comissões pagas aos corretores, a desconsiderou e arbitrou as contribuições previdenciárias e a remuneração para efeito de imposto de renda retido na fonte. Durante toda a fiscalização a Impugnante informou que não pagava comissões aos corretores e comprovou através de documentos que os compradores de imóveis remuneravam esses profissionais. Também não houve qualquer constatação comprovada de remunerações omitidas, apenas presunções. O que a fiscalização não quer reconhecer é que a corretagem de compra é regularmente praticada no mercado imobiliário, e mais, não há qualquer vedação legal para esta prática, qual seja, que o ônus da corretagem de imóveis seja suportado pelos compradores, como é o caso. A fiscalização em seu extenso relatório fiscal repisa diversas vezes que a Impugnante deixou de fornecer os dados referentes à corretagem, especificamente, o valor pago pela Impugnante aos corretores de imóveis, identificandoos pelo CPF e pelo registro no CRECI. Ora, se não foram realizados pagamentos pela Impugnante e sim pelos compradores dos imóveis, como poderia fornecer estas informações? As demais informações foram prestadas, inclusive com o preenchimento das planilhas com as informações solicitadas pelo fisco, conforme fls. 910 a 963 do Anexo I. Falaciosa é a afirmação da autoridade fiscal no sentido de que a Impugnante se comportou perante o fisco sem compromisso com a verdade, conforme fls. 21 do Anexo I item 113 (processo 10166.722542/201321 (fl. 43) transcreve o referido item à fl. 24). O fato é que (1) os corretores que atuaram nessas intermediações são autônomos, sem qualquer relação direta ou vínculo com a Impugnante, e (2) o pagamento da Fl. 1399DF CARF MF 6 comissão ao corretor dáse diretamente do adquirente da unidade imobiliária ao respectivo corretor. Ao contrário do afirmado pela fiscalização, a adoção da prática da corretagem de compra em nada viola a Lei n° 6.530, de 1978, e respectivo regulamento (Decreto n° 81.871, de 1978). A fiscalização reconhece que, à vista dos esclarecimentos e documentos apresentados pelos adquirentes diligenciados, quem de fato efetiva os pagamentos aos corretores são os respectivos adquirentes, conforme fls. 24 do Anexo I item 127). (processo 10166.722542/201321 (fl. 46) transcreve o mencionado item à fl. 25). A seguir, detalhamse os documentos obtidos pela fiscalização em diligências realizadas junto a adquirentes dos imóveis, que comprovam cabalmente que o pagamento da corretagem dos imóveis foi suportado diretamente pelos respectivos adquirentes, destacando que das quatro diligências realizadas pelo fisco, em três delas há documentos juntados pela fiscalização que comprovam que os pagamentos foram realizados diretamente pelos adquirentes, ou seja, os "elementos de prova" carreados aos autos pelo autuante fazem prova contra o Fisco! (cita Recibos de pagamento de comissão e cópias de cheques emitidos por pessoas físicas diligenciadas pela fiscalização à fl. 26). Mister ressaltar: num universo de mais de mil vendas realizadas, o nobre AFRFB escolheu quatro casos para tentar comprovar sua "convicção", mas fez justamente o oposto, comprovou fato que aniquila por completo o presente lançamento, qual seja, efetivamente a comissão foi paga aos corretores pelos adquirentes. Repisese que nas razões do lançamento, no Relatório Fiscal do AI IRRF (fls. 18 fls. 9 do Relatório Fiscal item 24), a autoridade fiscal mencionou expressamente a aplicação do art. 674 do RIR/1999 (que por sua vez encontra embasamento legal no art. 61 Lei n° 8.981, de 1995), por entender que a aplicação da alíquota de 35% era aplicável pelo fato de a Impugnante não ter informado o nome, CPF e o valor pago a cada beneficiário (fls. 20 fls. 11 do Relatório Fiscal item 29). Ocorre que, a Solução de Consulta Interna n° 11 COSIT, de 11 de maio de 2013, é peremptória ao concluir que o lançamento do IRRF, em especial o motivado pelo pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, somente é cabível nas hipóteses em que haja a comprovação por parte da autoridade fiscal do efetivo pagamento. (transcreve trecho da referida SCI às fls. 27 a 29, e julgado do CARF à fl. 29). Ou seja, há de se concluir mais uma vez que o lançamento não merece prosperar, desta feita por não ter a fiscalização se desincumbido do ônus de comprovar o pagamento ensejador do suposto imposto de renda na fonte. E ainda, reafirmese que, se não foram realizados pagamentos pela Impugnante, e sim pelos compradores dos imóveis, como ela poderia fornecer estas informações? As demais informações foram prestadas, inclusive com o preenchimento das planilhas com as informações solicitadas pelo fisco, conforme fls. 910 a 963 do Anexo I. Base de Cálculo Arbitrada sem Indicação do Critério Adotado pela Fiscalização. De acordo com o Relatório Fiscal do AI – IRRF (fls. 19 fls. 10 do Relatório Fiscal item 27), em item próprio, intitulado 002 – Cálculo da Multa Qualificada , as bases de cálculo foram obtidas por aferição indireta pela fiscalização, em função de a empresa ter Fl. 1400DF CARF MF Processo nº 10166.727635/201341 Acórdão n.º 2301005.279 S2C3T1 Fl. 5 7 deixado de apresentar a documentação própria requerida diversas vezes no transcorrer da fiscalização anterior encerrada em 26/04/2013, e submetidas, na ação fiscal que culminou com o presente lançamento. Salientese, mais uma vez, que os documentos que não teriam sido apresentados e, portanto, justificaram o arbitramento, foram planilhas encomendadas pela fiscalização onde, dentre outras informações, deveriam ser indicadas as supostas comissões pagas pela recorrente e os recibos de pagamento dessas comissões; tudo mais que consta no Termo de Intimação para a Apresentação de Documentos foi disponibilizado à fiscalização. Ainda que a Impugnante tivesse praticado atos a darem ensejo ao arbitramento da base de cálculo, os critérios utilizados pela fiscalização para a apuração da base de cálculo deveriam ser levados ao conhecimento da Impugnante, a fim de possibilitar o pleno exercício de sua defesa. Conduta diversa configura cerceamento do direito de defesa, o que ocorreu no presente caso. (transcreve julgado do CARF às fls. 30 e 31). Portanto, em virtude da impossibilidade de saber como a fiscalização encontrou as bases de cálculo, há que se reconhecer o cerceamento do direito de defesa, devendo ser anulado o presente auto de infração. Descabimento da Aplicação da Multa Qualificada. Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. A autuação tomou por base a falsa premissa de que a Impugnante não reteve na fonte, nem recolheu o imposto sobre a renda de pessoa física referente a remunerações pagas ou creditadas a título de comissão de venda a profissionais corretores de imóveis. Para a qualificação da multa, a autoridade fiscal, no Relatório Fiscal do AI IRRF (fls. 20 fls. 11 do Relatório Fiscal item 30), limitouse a afirmar que: "Diante do que foi relatado para esta infração, ficou claro que em relação a infração objeto deste procedimento fiscal foi aplicada a multa qualificada de 150%, conforme dados nas planilhas supracitadas, pelo fato do contribuinte ter praticado, em tese, crime de sonegação, segundo os dispositivos legais abaixo ". A seguir, sem efetivamente narrar a conduta que considera ensejadora da aplicação da multa qualificada, simplesmente transcreve os dispositivos legais pertinente à aplicação da multa qualificada no percentual de 150%. Não se pode dizer que houve conluio, ou seja, que ocorreu o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando sonegar ou fraudar o fisco. Nos autos, a imputação da conduta foi feita apenas à Impugnante. Igualmente, não se comprovou a fraude, na forma do art. 72 da Lei n° 4.502/1964, que é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a Fl. 1401DF CARF MF 8 evitar ou diferir o seu pagamento. Não se especificou uma ação ou omissão dolosa a impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador do imposto de renda. Tampouco ocorreu uma conduta que poderia se subsumir à sonegação, que é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do imposto de renda ou das condições pessoais do contribuinte. No caso de sonegação, mister explicitar claramente o fato gerador do imposto sonegado, com as condutas dolosas que impediram ou retardaram o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte. Ou seja, não se pode afiançar que a Impugnante agiu com dolo, no intuito de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, notadamente porque o pagamento das comissões de corretagem foi realizado pelos adquirentes das unidades imobiliárias, e feito às claras, fato este, inclusive, reconhecido e comprovado pela própria fiscalização. Por óbvio, considerando as gravíssimas consequências da qualificação da multa, que ultrapassam a questão pecuniária, adentrando no terreno do direito penal tributário, não podem as condutas de sonegação, fraude ou conluio serem presumidas, devendo o Fisco expressamente justificar e comprovar a ocorrência destas condutas. (transcreve julgados do CARF às fls. 33 e 34). Com efeito, a autoridade lançadora não logrou demonstrar, com especificidade, a conduta adotada pela Impugnante tendente a sonegar tributos intencionalmente, com o fito de justificar a qualificação da multa em 150%, não se prestando à sua aplicabilidade a simples reiteração da conduta. Foi proferida decisão de primeira instância, julgando a impugnação improcedente e mantendo o crédito tributário lançado. O julgado restou assim ementado: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 28/02/2008, 30/04/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. INTERMEDIAÇÃO. COMISSÕES. RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Pagamentos das comissões, decorrentes da intermediação da venda, realizadas por corretores imobiliários, que se apresentam como representantes da empresa para comercialização de seus produtos, caracterizam rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício, cuja retenção na fonte do imposto de renda devido pelos beneficiários deve ser efetuada pela fonte pagadora, qual seja, a própria sociedade empresária que comercializa a unidade imobiliária. Por sua vez, caso a responsável tributária não cumpra com a sua obrigação, o comando do art. 9º, caput e parágrafo único da Lei nº 10.426, de 2002, dispõe sobre a sanção aplicável em razão do inadimplemento. Fl. 1402DF CARF MF Processo nº 10166.727635/201341 Acórdão n.º 2301005.279 S2C3T1 Fl. 6 9 RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. IMPOSTO DE RENDA. FALTA DE RETENÇÃO NA FONTE. RENDIMENTO REAJUSTADO. MULTA ISOLADA. Na impossibilidade de identificação dos beneficiários dos rendimentos que não tiveram a devida retenção na fonte por parte da fonte pagadora, a apuração do imposto de renda devido adotado como base de cálculo da multa isolada segue a regra estabelecida no art. 674 do RIR/1999. QUALIFICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. CONDUTA DOLOSA. Demonstrada a intenção da contribuinte, em ação tendente a impedir ou retardar o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador, na medida que, de maneira consciente, em atos planejados e ordenados, tenta transferir a responsabilidade do pagamento da comissão de vendas para o adquirente da unidade imobiliária, resta caracterizada a conduta dolosa, consubstanciando sonegação que impõe a qualificação da multa isolada lançada. Pela intimação n. 199/2014 (fls. 1146), seguiu em anexo para ciência cópia do Acórdão da DRJ, informando que ficava o interessado intimado a pagar, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência nos termos da legislação em vigor, os débitos constantes do demonstrativo em anexo, sendo facultado recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) no mesmo prazo. Segundo o Termo de Ciência por Decurso de Prazo (fls. 1149) emitido em 10 de julho de 2014, “foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal”, sendo que a data da disponibilização na Caixa Postal foi 24/06/2014, ao passo que a data da ciência por decurso de prazo foi 09/07/2014. Em 22 de setembro de 2014, foi emitida a CartaCobrança Especial n. 613/2014 (fls. 1158 e ss), pela qual o contribuinte foi intimado a efetuar a regularização do débito no prazo de 10 dias a contar do recebimento desta carta de cobrança. A cópia do aviso de recebimento da intimação da CartaCobrança Especial n. 613/2014 está na fl. 1165, sendo que consta como data de recebimento 30 de setembro de 2014. Em 7 de outubro de 2014, o contribuinte apresentou manifestação (fls. 1168) informando que a Receita Federal cometeu erro material no tocante à cartacobrança, pois o processo ainda se encontraria em fase de impugnação. Em comunicação s/nº da Receita Federal (fls. 1217), a manifestação escrita apresentada pelo contribuinte foi analisada, sendo que o auditor fiscal manifestou o entendimento que: O lançamento fiscal objeto do processo em referência foi impugnado em 9/1/2014. A peça impugnatória foi protocolizada através do processo nº Fl. 1403DF CARF MF 10 10166.720145/201403. Os processos foram apensados um ao outro e encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo SP (DRJ/SPO). Em 29/5/2014, a 2ª Turma da DRJ/SPO prolatou decisão nos termos do Acórdão nº 1658.293. Vossa senhoria foi cientificado do acórdão no dia 9/7/2014 da forma como preconiza o artigo 23, III, a, c/c §2º, III, a, do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Transcorrido o prazo para interpor recurso voluntário sem qualquer manifestação, constituiuse definitivamente o crédito tributário, consoante estabelece o artigo 42, I, do PAF. Assim, segundo disciplina o artigo 43 da legislação regente, o referido processo se encontra em fase de cobrança amigável. Esclarecidos esses pontos, reiteramse os termos da CartaCobrança Especial nº 613/2014. Segundo o Termo de Abertura de Documento (fls. 1218), o contribuinte tomou conhecimento (i) da Intimação de Resultado de Julgamento e (ii) do Acórdão de Impugnação, na data 27/10/2014 11:10h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Segundo o Termo de Abertura de Documento (fls. 1219), o contribuinte tomou conhecimento da Carta/aviso de cobrança, na data 27/10/2014 11:25h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Em manifestação constante nas folhas 1222 e seguintes, o contribuinte vem informar que o erro apontado em manifestação anterior já foi devidamente corrigido pelo Termo de Abertura de Documento (fls. 1218), de modo que solicita o cancelamento da Carta Cobrança Especial nº 613/2014. Em 13 de novembro de 2014, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 1229 e ss) trazendo os seguintes argumentos: (i) preliminar de tempestividade recursal diante do fato de que o contribuinte somente tomou conhecimento do Acórdão da DRJ em 27/10/2014 conforme Termo de Abertura de Documento; (ii) decadência dos créditos tributários relativos ao exercício de 2008, com exceção ao ocorrido em 31/12/2008; (iii) falta de previsão legal para a aplicação da multa isolada; (iv) inexistência do fato gerador (inexistência de pagamento de rendimentos na condição de fonte pagadora às pessoas físicas); (v) falta de comprovação da ocorrência do pagamento de rendimentos; (vi) base de cálculo arbitrada sem indicação do critério adotado pela fiscalização; e (vii) descabimento da aplicação da multa qualificada. No Despacho de Encaminhamento de 18 de novembro de 2014 (fls. 1274), consta a seguinte análise: “o interessado tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 9/7/2014 na forma do artigo 23, III, a, e §2º, III, a, do Decreto nº 70.235/1972. Em 13/11/2014, portanto, fora do prazo legal, interpôs recurso voluntário. Encaminho para análise”. Em 19 de abril de 2016, a Recorrente juntou acórdão do CARF (fls. 1283) no qual foi afastada a incidência da contribuição previdenciária sobre os pagamentos aos corretores autônomos diante da ausência de tais pagamentos. Fl. 1404DF CARF MF Processo nº 10166.727635/201341 Acórdão n.º 2301005.279 S2C3T1 Fl. 7 11 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Da Questão da Tempestividade Ainda que de acordo com o Termo de Ciência por Decurso de Prazo (fls. 1149) emitido em 10 de julho de 2014, “foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal”, sendo que a data da disponibilização na Caixa Postal foi 24/06/2014, ao passo que a data da ciência por decurso de prazo foi 09/07/2014", verificase que em documento da própria Receita Federal do Brasil, isto é, o Termo de Abertura de Documento (fls. 1218), que o contribuinte tomou conhecimento (i) da Intimação de Resultado de Julgamento e (ii) do Acórdão de Impugnação, na data 27/10/2014, às 11:10h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Cumpre ressaltar, ainda, que houve uma alternância dos meios pelo qual o contribuinte foi intimado, de forma que ao passo que o contribuinte foi intimado eletronicamente da intimação do resultado do julgamento, ele foi intimado postal (com aviso de recebimento) da Carta de Cobrança (fls. 1165). Tal alternância demonstra uma certa incongruência pela Receita Federal, o que pode causar sérios transtornos ao contribuinte. No caso em tela, vale notar que após a intimação da Carta de Cobrança, o contribuinte apresentou manifestação (fls. 1168) informando que a Receita Federal cometeu erro material no tocante à cartacobrança, pois o processo ainda se encontraria em fase de impugnação. Ora a mera leitura da referida manifestação demonstra que o contribuinte não estava sabendo que o Acórdão da DRJ já tinha sido julgado. Ademais, é importante lembrar que o contribuinte já tinha apresentado recurso voluntário em lançamento de contribuição previdenciária relativo aos mesmos fatos, de modo que ele já tinha documentos suficientes para apresentação do recurso voluntário se soubesse que o Acórdão da DRJ já tinha sido julgado. Vale ressaltar que os autos de infração relativos à contribuição previdenciária incidentes sobre os mesmos fatos foram cancelados nos Acórdãos 2301004326 e 2301004327 desta mesma Turma, de modo que já indicavam que havia uma razoável possibilidade de que o auto de infração discutido no presente processo administrativo também fosse cancelado. Em outras palavras, se o contribuinte tivesse efetivamente conhecimento de que o Acórdão da DRJ já tinha sido julgado, não haveria razão econômica ou moral para que ele não apresentasse ou postergasse a interposição do Recurso Voluntário. Não resta dúvida de que o contribuinte somente teve o efetivo conhecimento da intimação do resultado do julgamento da DRJ em 27/10/2014, às 11:10h, conforme Termo Fl. 1405DF CARF MF 12 de Abertura de Documento (fls. 1218), de modo que tendo em vista que o processo administrativo se funda em princípios como a ampla defesa, o contraditório, assim como a busca pela verdade material, entendo que a tempestividade deve ser considerada neste caso a ser contada a partir de 27/10/2014, ou seja, a data em que efetivamente o contribuinte teve intimação do resultado do julgamento do Acórdão da DRJ. Diante do exposto, entendo que o recurso é tempestivo, de modo que dele conheço e passo a analisar os argumentos. Por fim, caso o recurso não seja considerado tempestivo e, conseqüentemente, não seja conhecido, recomendo fortemente que a unidade de origem verifique se não se trata de caso de rever o lançamento de ofício diante dos argumentos trazidos no mérito do Recurso Voluntário e dos julgamentos das situações análogas relativas a contribuição previdenciária nos Acórdãos do CARF 2301004326 e 2301004327, nas quais os autos de infração foram cancelados. Da Decadência O Código Tributário Nacional traz duas diferentes regras decadenciais. A regra decadencial geral está esculpida em seu artigo 173, I, que assim dispõe: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Assim, o prazo inicial para contagem da decadência se iniciaria a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Por sua vez, há uma regra decadencial específica para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e Fl. 1406DF CARF MF Processo nº 10166.727635/201341 Acórdão n.º 2301005.279 S2C3T1 Fl. 8 13 definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Assim, no tocante aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, há a regra de que se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No caso do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), cumpre ressaltar que se trata de tributo cujo lançamento é feito por homologação, na medida em que o contribuinte efetua o cálculo do tributo e o recolhe, posteriormente identificando o beneficiário do rendimento na sua Declaração de Imposto de Renda na Fonte (DIRF). A dúvida da aplicação da regra decadencial do artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional deriva da necessidade específica de pagamento parcial do IRRF sobre o pagamento que gerou o IRRF, ou se bastaria que o contribuinte tivesse efetuado qualquer recolhimento de IRRF naquele período, tal qual o IRRF que é recolhido quando dos pagamentos de rendimento do trabalho assalariado. Vale lembrar qual é o entendimento do pagamento parcial para fins de apuração da decadência no caso de contribuições previdenciáris, que está sedimentado na Súmula CARF n. 99, "in verbis": Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Ainda que o entendimento manifestado na referida Súmula se aplique somente às contribuições previdenciárias, não vejo razão de ser diferente para o caso do IRRF. Assim, a partir da comprovação de que houve recolhimento de IRRF a qualquer título pelo contribuinte nos meses discutidos nesse processo administrativo, há que se aplicar a regra decadencial do artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, de modo que a contagem inicial da decadência se dá a cada mês. Considerando que os fatos geradores do presente processo administrativo abrangem os períodos de fevereiro de 2008 a dezembro de 2009, e que a ciência do auto de infração ao contribuinte foi dada em 13/12/2013 (fls. 1104), de forma que os fatos geradores ocorridos até novembro de 2008 (inclusive) estão decaídos. Da Questão da Falta de Previsão Legal para a Aplicação da Multa Isolada A aplicação da multa isolada no caso de não recolhimento do IRRF pela fonte pagadora tem sua base no artigo 9º da Lei n. 10.426/02, sendo que a redação do referido artigo ao tempo dos fatos geradores analisados no presente processo administrativo é a seguinte: Fl. 1407DF CARF MF 14 Art. 9o Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Dessa forma, o artigo 9º da Lei n. 10.426/02 dispõe que a multa aplicável no caso de não recolhimento é aquela disposta no artigo 44, I, da Lei n. 9.430/96, que assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal; a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. O modo de aplicação de multa isolada foi detalhado no Parecer Normativo Cosit n. 1, de 24 de setembro de 2002, que assim dispõe: IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora. Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica; exigindose do Fl. 1408DF CARF MF Processo nº 10166.727635/201341 Acórdão n.º 2301005.279 S2C3T1 Fl. 9 15 contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, caso este não tenha submetido os rendimentos à tributação. (...) Penalidades aplicáveis pela nãoretenção ou nãopagamento do imposto 15. Verificada, antes do prazo para entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a nãoretenção ou recolhimento do imposto, ou recolhimento do imposto após o prazo sem o acréscimo devido, fica a fonte pagadora, conforme o caso, sujeita ao pagamento do imposto, dos juros de mora e da multa de ofício estabelecida nos incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (art. 957 do RIR/1999), conforme previsto no art. 9º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, verbis: (...) 16. Após o prazo final fixado para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento do imposto passa a ser do contribuinte. Assim, conforme previsto no art. 957 do RIR/1999 e no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, constatando se que o contribuinte: a)não submeteu o rendimento à tributação, serlheão exigidos o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de ofício, e, da fonte pagadora, a multa de ofício e os juros de mora; b)submeteu o rendimento à tributação, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora. No caso concreto, alega a Recorrente que a redação vigente do artigo 9º da Lei n. 10.426/02 somente se refere a multa do artigo 44, I, da Lei n. 9.430/96, não alcançando a multa isolada de 50% prevista no artigo 44, II, da Lei n. 9.430/96. Notese que ao detalhar a aplicação de multa isolada, o Parecer Normativo Cosit n. 1, de 24 de setembro de 2002 analisou a matéria à luz da redação anterior do artigo 9º da Lei n. 10.426/02, que previa a aplicação das multas dos artigos 44, I e II, da Lei n. 9.430/96. Dessa forma, ao se analisar a redação vigente do artigo 9º da Lei n. 10.426/02 e se constatar que inexiste menção ao artigo 44, II, da Lei n. 9.430/96, há falta de base legal para aplicação de multa isolada, uma vez que a multa prevista no artigo 44, I, da Lei n. 9.430/96 não é uma multa exigida isoladamente. Ante o exposto, afasto a aplicação da multa isolada de 75% em função do não recolhimento do IRRF, uma vez que inexiste base legal para tal exigência. Fl. 1409DF CARF MF 16 Da Questões da Inexistência do Fato Gerador, da Falta de Comprovação da Ocorrência do Pagamento de Rendimentos e da Base de Cálculo Arbitrada sem Indicação do Critério Adotado pela Fiscalização O lançamento teve como motivação o entendimento da autoridade fiscal de que a Recorrente pagara indiretamente valores de comissão aos corretores de imóveis. Ocorre que os fatos que embasaram a referida autuação já foram analisados à luz das contribuições previdenciárias no Acórdão 2301004.326 desta mesma turma em 12 de fevereiro de 2015, conforme pode ser observado na ementa abaixo: Acórdão 2301004.326 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 (...) PAGAMENTO A CORRETORES POR PESSOAS FÍSICAS. DESNECESSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP. O lançamento teve como motivação o entendimento da Autoridade autuante de que a Recorrente pagara indiretamente valores aos corretores de imóveis. Assim, não ocorrendo os sobreditos pagamentos pela Recorrente nem diretamente e tampouco indiretamente, não se caracterizaram os fatos geradores descritos por aferição indireta no lançamento em comento, não ensejando, por consectário, a obrigatoriedade da contribuinte de informar tais valores em GFIP. DÚVIDAS SOBRE AS CIRCUNSTÂNCIAS MATERIAIS DO FATO. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. Em conformidade com o art. 112 do CTN, a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos. Vale ser mencionado ainda trecho do voto do Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior no referido Acórdão, que assim dispôs: De tudo que foi exposto, resta claro, que se os compradores dos imóveis pagaram as comissões, por óbvio, não tendo saído recursos do caixa da empresa para tal finalidade, esta não pode se utilizar desses valores para efetuar lançamentos na sua contabilidade como despesas ou custos e assim obter até mesmo benefícios das reduções na sua declaração de renda sob pena de em o fazendo como quer a Autoridade autuante cometer ilícitos seguramente passíveis de procedentes autuações fiscais . Se na operação de compra e venda, de pleno acordo ou sob eventual coação, os compradores dos imóveis, com seus recursos próprios que não foram não repassados de alguma forma pela Recorrente, assumiram pagar as comissões dos corretores, por total impossibilidade, não se pode atribuir que a recorrente os tenha efetuados de forma indireta. Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 10166.727635/201341 Acórdão n.º 2301005.279 S2C3T1 Fl. 10 17 O presente lançamento teve como motivação o entendimento da Autoridade autuante de que a Recorrente pagara indiretamente valores ao corretores de imóveis. Assim, não ocorrendo os sobreditos pagamentos pela Recorrente nem diretamente e tampouco indiretamente, não se caracterizaram os fatos geradores descritos por aferição indireta no lançamento em comento, não ensejando, por consectário, a obrigatoriedade da contribuinte de informar tais valores em GFIP. Não deve ser dado tratamento diferente no presente processo. Assim, diante da falta de pagamento de comissão aos corretores de imóveis pela Recorrente, há uma ausência de fato gerador (pagamento), de modo que não há que se falar em incidência do IRRF. Ademais, considerando que não ocorreram pagamentos da Recorrente aos corretores de imóveis, não há um clareza de qual foi o critério adotado pela autoridade fiscal para fins de determinação do montante que seria atribuível a título de comissões pagas aos corretores de imóveis. Por fim, cumpre salientar que em conformidade com o art. 112 do CTN, a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos. Diante do exposto, ante a ausência de ocorrência do fato gerador do IRRF, não há sequer em se falar no lançamento da multa isolada, de modo que todo o auto de infração deve ser afastado. Da Questão da Multa Qualificada Na hipótese em que o crédito tributário seja mantido, se faz fundamental a análise de qualificação ou não da multa isolada. A qualificação da multa está prevista no §1º do artigo 44 da Lei n. 9.430/96, conforme pode ser observado abaixo: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal; a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição Fl. 1411DF CARF MF 18 social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Vale ressaltar que a qualificação da multa deverá acontecer nos casos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64, isto é, quando houver sonegação, fraude ou conluio. No caso em tela, não há que se falar na prática de sonegação, fraude ou conluio pelo contribuinte, de modo que afasto a qualificação da multa. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Voto Vencedor Conselheiro João Maurício Vital Redator designado. Peço vênia para discordar do relator da questão atinente à tempestividade do recurso voluntário. O art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, disciplina a regra para a intimação do sujeito passivo, que pode ser pessoal (inc. I), por via postal ou telegráfica (inc. II) ou por meio eletrônico (inc. III), sem qualquer benefício de ordem, cabendo à Administração Tributária eleger o meio mais conveniente e oportuno, no exercício da discricionariedade dada pela lei. A intimação pode, ainda, ser feita ou por edital (§ 1º do art. 23), se improfícuos os outros meios. Foi a Medida Provisória nº 232, de 30 de dezembro de 2004, que deu nova redação ao inc. III daquele artigo, passando a prever a intimação pela via eletrônica. A Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, fez incluir naquele inciso a alínea a, de modo que a regra processual, ao tempo da intimação destes autos, era a que hoje vigora, ou seja, a intimação pode se dar por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante envio ao domicílio tributário do contribuinte. A Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013, alterou a regra para considerar feita a intimação eletrônica: 1) quinze dias após a disponibilização no endereço eletrônico do contribuinte ou 2) quando a correspondência for acessada, o que ocorrer primeiro. O domicilio tributário, como bem assevera o art. 127 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), é, preferencialmente, o que o sujeito passivo tenha elegido. O Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que o domicílio tributário é o endereço eletrônico atribuído, pela Administração Tributária, ao contribuinte e somente pode ser implantado com o expresso consentimento do sujeito passivo, que deverá observar as Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 10166.727635/201341 Acórdão n.º 2301005.279 S2C3T1 Fl. 11 19 normas e condições de utilização definidas pela Administração Tributária. Em outras palavras, cabe ao sujeito passivo eleger o seu domicílio tributário eletrônico que, então, passa a ser uma alternativa para que seja intimado, sem prejuízo dos outros modais. Não há dúvidas quanto à opção do sujeito passivo pelo domicílio tributário eletrônico, tampouco se contesta que, como bem descreveu o relator, a intimação foi disponibilizada na caixa postal eletrônica do contribuinte no dia 24/09/2014 (efl. 1149) e que o documento foi acessado no dia 27/10/2014 (efl. 1218). Ora, pela norma vigente, a intimação terá ocorrido quinze dias a partir de 24/09/2014, consumandose, pois, em 09/10/2014, já que esta data é anterior à abertura do documento; por conseguinte, a data limite para apresentação tempestiva do recurso voluntário foi 10/11/2014. O apelo foi impetrado em 13/11/2014 (efl. 1229), já a destempo, pois. Registrese que a ciência da intimação, para efeitos jurídicos, não guarda relação necessária com o processo de comunicação, que ocorre apenas quando a mensagem transmitida pelo emissor é recebida e compreendida pelo receptor. No Direito Processual, não se exige, em geral (com exceção de alguns atos solenes), que a mensagem seja lida pelo destinatário e muito menos que ele a compreenda. Basta, para os fins do Direito, que se comprove a entrega do documento que encerra a mensagem. No Direito Tributário também é assim. Na intimação pessoal ou na postal o termo a quo é sempre a data da entrega do documento, independentemente de quando ele será efetivamente lido pelo contribuinte, na intimação eletrônica vigora o mesmo princípio, ou seja, o termo a quo independe da efetiva leitura da mensagem. Admitir que a ciência da intimação eletrônica apenas ocorre quando a mensagem tenha sido, de fato, lida pelo destinatário seria equivalente a afirmar que uma intimação postal somente ocorreria no momento em que o envelope é aberto e a correspondência é lida pelo contribuinte, por exemplo. Ademais, traria uma situação absurda na qual bastaria que o contribuinte jamais abrisse a mensagem para que, assim, não fosse considerado intimado a cumprir uma exigência fiscal. O fato de o recorrente ter apresentado correspondência (efl. 1158), dirigida à Administração Tributária, de cujo teor se presume desconhecimento do julgamento de primeira instância não elide a regra processual. Voto, pois, por NÃO CONHECER do recurso voluntário por intempestivo. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Fl. 1413DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.929207/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
IRPJ. Lucro Presumido. Coeficiente de Presunção. Serviço de Empreitada com Fornecimento de Materiais.
É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais.
Numero da decisão: 1301-003.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. SERVIÇO DE EMPREITADA COM FORNECIMENTO DE MATERIAIS. É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 92 07 /2 00 8- 19 Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10880.929207/200819 Acórdão n.º 1301003.142 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ que, negando provimento à manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, manteve o despacho decisório da DeratSP, em que a autoridade administrativa não reconhecia o direito creditório pleiteado e, assim, deixou de homologar a compensação formalizada em declaração compensação dcomp. A recorrente alega ser empresa do ramo de construção civil. Grande parte de suas receitas advém de contratos com a Administração Pública. Por força de tais contratos, se obrigou, juntamente com a prestação de serviços, a fornecer materiais. O mesmo se deu em relação aos serviços prestados a particulares. No período em questão, a recorrente apurou o IRPJ com base no lucro presumido, adotando 32% como coeficiente de presunção. Mais tarde, tomou conhecimento de que, respondendo a diversas consultas, a Receita Federal do Brasil RFB havia manifestado entendimento no sentido da aplicação do coeficiente de 8%, quando o serviço de empreitada fosse prestado com fornecimento de materiais. Diante disso, a recorrente recalculou o IRPJ devido, retificou a DIPJ e apresentou declaração de compensação dcomp. A Derat, embora acusando a existência do pagamento indicado como indevido, assinalou que parte dele já havia sido utilizada para quitação de débitos da contribuinte, e assim homologou parcialmente a compensação. MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. se insurgiu contra o despacho decisório em manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, por falta de prova dos fatos alegados, já que não teriam sido apresentadas a escrita comercial e a fiscal do período, nem os livros Diário e Razão, além da movimentação comercial, contratos de prestação de serviços e todas as notas fiscais emitidas, a fim de que se pudesse verificar se foram auferidas receitas sujeitas ao coeficiente de 8%. Foi interposto recurso. A recorrente, em preliminar, arguiu homologação tácita do crédito, porquanto o Fisco, dentro do prazo legal, não examinou os recolhimentos e as informações prestadas nas declarações. No mérito, afirmou ter consultado formalmente a RFB sobre a matéria, obtendo resposta por meio da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT nº 186, cuja ementa tinha a seguinte dicção: Para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda apurado com base no lucro presumido, aplicase o percentual de oito por cento sobre a receita bruta decorrente tão somente da prestação de serviços de construção civil por empreitada com fornecimento de materiais. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10880.929207/200819 Acórdão n.º 1301003.142 S1C3T1 Fl. 4 3 Disse que a DRJ, em respeito ao princípio da verdade material, deveria ter determinado o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que fosse realizada diligência, dando oportunidade à recorrente de comprovar, mediante a apresentação de documentos, o direito pleiteado. Aduziu que, ao prestar os serviços de construção civil, fornecera materiais, especialmente na execução dos contratos com a Administração Pública. Por isso, faria jus ao coeficiente de 8% na apuração do lucro presumido. Afirmou ter juntado laudo, produzido por peritos por ela contratados, com a finalidade de comprovar o fornecimento de materiais. Ao final, pediu a realização de perícia, formulando desde logo os quesitos e indicando o perito. Com essas alegações, pugnou pelo reconhecimento do direito e a subsequente homologação das compensações. É o relatório. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10880.929207/200819 Acórdão n.º 1301003.142 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.124, de 12/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.904015/2008 08, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.124): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. De início, cumpre rejeitar a preliminar de homologação tácita e de decadência. No caso, não ocorreu decadência, porque esta extingue o direito de constituir crédito tributário, mas não impede a verificação de fatos de que decorra direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Da mesma forma, não ocorreu homologação tácita, uma vez que a homologação tácita se dá com o decurso do prazo de cinco da transmissão da dcomp, tornando definitiva a compensação declarada. No caso em exame, porém, o despacho decisório foi proferido dentro do prazo legal. No mérito, a questão gira em torno de saber qual o coeficiente aplicável às receitas auferidas pela recorrente, na apuração do lucro presumido, se 8% ou 32%. Para tanto, é necessário verificar se os serviços de empreitada prestados pela recorrente envolviam fornecimento de materiais, bem como verificar qual a participação dessas receitas na receita bruta total auferida no período. No Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, a Receita Federal já havia se posicionado acerca do coeficiente de presunção aplicável aos casos de empreitada com fornecimento de materiais. Confirase: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10880.929207/200819 Acórdão n.º 1301003.142 S1C3T1 Fl. 6 5 Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; (g.n.) b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais.(g.n.) II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. O entendimento, quanto à aplicação do coeficiente de 8%, foi ratificado pela recente Instrução Normativa RFB nº 1.700/2017: Art. 33. A base de cálculo do IRPJ, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 26, auferida na atividade, deduzida das devoluções, das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. § 1º Nas seguintes atividades o percentual de determinação da base de cálculo do IRPJ de que trata o caput será de: I 1,6% (um inteiro e seis décimos por cento) sobre a receita bruta auferida na revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida: a) na prestação de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, fisioterapia e terapia ocupacional, fonoaudiologia, patologia clínica, imagenologia, radiologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, exames por métodos gráficos, procedimentos endoscópicos, radioterapia, quimioterapia, diálise e oxigenoterapia hiperbárica, desde que a prestadora desses serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); b) na prestação de serviços de transporte de carga; c) nas atividades imobiliárias relativas a desmembramento ou loteamento de terrenos, Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10880.929207/200819 Acórdão n.º 1301003.142 S1C3T1 Fl. 7 6 incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda e a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda; e d) na atividade de construção por empreitada com emprego de todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra; (g.n.) (...) Art. 215. O lucro presumido será determinado mediante aplicação dos percentuais de que tratam o caput e os §§ 1º e 2º do art. 33 sobre a receita bruta definida pelo art. 26, relativa a cada atividade, auferida em cada período de apuração trimestral, deduzida das devoluções e vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/ anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 Portanto, diante da interpretação adotada pela RFB, deve ser reconhecido à recorrente o direito de aplicação do percentual de 8% na apuração do lucro presumido, limitandose às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada pelos quais a recorrente se obrigou a fornecer materiais em qualquer quantidade, já que esse era o entendimento da Receita Federal ao tempo dos fatos. As receitas oriundas dos demais serviços ficam sujeitas ao coeficiente de 32%. Por último, cumpre ressaltar que a Solução de Consulta Cosit nº 8/2014 deixa claro que, até 2004, o entendimento oficial era no sentido de que o coeficiente de 8% aplicavase às receitas de construção por empreitada, com emprego de materiais em qualquer quantidade. Embora a Receita Federal tenha modificado o entendimento, a nova interpretação não tem aplicação retroativa, como deixa claro o inciso XIII, do parágrafo único do art. 2º da Lei nº 9.784/1999: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. (g.n.) Conclusão Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10880.929207/200819 Acórdão n.º 1301003.142 S1C3T1 Fl. 8 7 Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito ao coeficiente de presunção de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais. Os autos devem retornar à unidade de origem para retomar a análise do direito creditório, observando o disposto no art. 15, § 2º, da Lei nº 9.249/1995. À unidade de origem cabe realizar a verificação das receitas que se enquadrem nessa condição, observando, como limite máximo para o direito creditório, o valor informado na dcomp. Definido o valor do crédito, devem ser homologadas as compensações até esse limite. Na verificação, a autoridade fiscal poderá adotar os métodos usualmente empregados na fiscalização, inclusive a verificação por amostragem, se entender cabível." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 289DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.002353/00-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 202-01.023
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Ivan Allegretti (Suplente).
Nome do relator: Gustavo Kelly Alencar
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(atual denominação de MERCEDES BENZ DO BRASIL S/A) : DRJ em Campinas - SP Processo 112 Recurso n2 Recorrente Recorrida RESOLUÇÃO N° 202-01.023 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por DAIMLERCHRYSLER DO BRASIL LTDA. (atual denominação de MERCEDES BENZ DO BRASIL S/A). RESOLVEM os Membros da Segunda Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Ivan Allegretti (Suplente). Sala das essões, em 23 de maio de 2006. onto Carlos Atu Presidente MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conse1hn de Contribuintes CONFERE COM O 0 IGINAL7 Brasilia-DF, em I AY/0 euza akafuji Secretina da Segunda Camara Participaram, ainda, da presente resolução os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Nadja Rodrigues Romero, Simone Dias Musa (Suplente), Antonio Zomer e Maria Teresa Martinez López. euza a afuji Secretária da Segunda Camara kl. Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 13819.002353/00-17 Recurso e : 133.307 MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O QRIGIAL, Brasilia -DE. em / 5 170940 2, CC-MF Fl. Recorrente : DAIMLERCHRYSLER DO BRASIL LTDA. (atual denominação de MERCEDES BENZ DO BRASIL S/A) RELATÓRIO Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte pela falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, referente aos períodos de apuração de fevereiro e março de 1998 e com o crédito tributário de R$ 3.523.560,35. Originariamente havia o lançamento do PIS e da Cofins no mesmo processo, do que decorreu a lavratura do Acórdão 511, de 18 de fevereiro de 2002, fls. 187/192, julgando procedente o lançamento referente ao PIS e procedente em parte em relação à Cofins, excluindo- se o valor de R$ 2.105.628,84 e mantendo o lançamento de R$ 364.781,65. Porém os membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, ao analisar o Recurso Voluntário, no Processo n2 13819.003053/2002-80, entenderam que as exigências fiscais relativas ao PIS e à Cofins, objeto de dois Autos de Infração distintos e válidos não poderiam ser mantidos em um único processo administrativo e resolveram anulá-lo a partir da decisão singular, determinando que, após o apartamento dos autos de infração, fossem proferidas novas decisões, abrindo novamente prazo para a contribuinte apresentar recurso voluntário a este Conselho, conforme Acórdão n 2 202-14.932, de fls. 247/253, daquele processo cuja ementa se transcreve: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — AUTOS DE INFRA CÃO — CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS — Ent face do disposto no artigo 9° do Decreto n° 70.235/72, devem ser apartadas, em processos distintos, as exigências de créditos tributários correspondentes a cada contribuição. Processo que se anula a partir da decisão de primeira instancia, inclusive." Assim, a DRF em São Bernardo do Campo - SP, atendendo à determinação do Conselho de Contribuintes, manteve o Auto de Infração do PIS no processo original, ou seja, no Processo n2 13819.002353/00-17 e transferiu o Auto de Infração da Cofms para o Processo n 2 13819.003053/2002-80. Regularmente intimada a contribuinte alegou que (fls. 276/277): "(..) 3.1. em 13/06/96 protocolou pedido administrativo n2 13819.001447/96-67 com vistas ao reconhecimento de seu direito a compensação integral dos valores pagos a titulo de PIS nos meses de outubro/9I a julho/94 em conformidade com os Decretos-Leis 11 2s 2.445/88 e 2.449/88, cuja inconstitucionalidade foi declarada pelo Supremo Tribunal Federal e reconhecida em definitivo pela Resolução n 2 49/95 do Senado Federal com as parcelas vincendas da mesma contribuição, nos termos do art. 66, da Lei ,z2 8.383/91 c/c 39 da Lei n2 9.250/95; 3.2. tal processo foi indeferido na primeira insteincia e como conseqüência a contribuinte impetrou Mandado de Segurança tendo sido autorizada a compensação pretendida (11s. 99/102); Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo e : 13819.002353/00-17 Recurs° n2 : 133.307 MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conseiho de Contribuintes CONFERE COM 0 ORIGiNAL Brasilia-DF, em / / 7,6eb, za akafuji Secretária da Segunda Câmara 22 CC-N1F Fl. 3.3. não obstante o direito a compensa cão procedida estar amparado por sentença concedida em Mandado de Segurança e pelos pleitos administrativos formulados a D. fiscalização lavrou o auto de infração, alegando compensação indevida, por ter a contribuinte se aproveitado de período já prescrito; 3.4. os valores compensados foram objeto de pedido administrativo apresentado em 13/06/96, Processo n2 13819.001447/96-67, sendo passível de compensação os valores recolhidos a partir de junho de 1991; 3.5. ainda que por absurdo se admitisse a possibilidade de lavratura de auto de infração, jamais poderia se imputar à impugnante multa de 75% e juros de mora, devendo as mesmas serem excluídas de imediato conforme estabelecido pelo art. 63 da Lei 112 9.430/96 e ADN-CST 1/97. 4. Tendo em vista as alegações da contribuinte esta autoridade julgadora remeteu o processo em diligência para que a repartição autuante verificasse o porque de não ter considerado a compensação nos termos do Processo n2 13819.001447/96-67, analisando e efetivando a planilha de compensação, se fosse o caso dando ciéncia a contribuinte. 5. Conforme o Termo de Diligência de fls. 184/185 o fiscal autuante informou que não tinha conhecimento do Processo n2 13819.001447/96-67 quando iniciou o procedimento de fiscalização determinado pelo MPF 0811900.2000-00255-4, iniciado em 15/06/2000, no qual se objetivava tão somente a verificageio da exatidão das compensações efetuadas e que redundou no Auto de Infração constante do presente processo, onde teria constatado além da compensação de pagamentos que se supunha atingidos pela decadência, também erros na planilha de compensação dos créditos conforme se observa na planilha por ele elaborada As fls. 60 e que agora retificada quando adota a data de 13/06/1991, para inicio do referido prazo decadencial, já que o protocolo do processo supra referido se deu em 13/06/96. 6. Dentro do procedimento de diligência fiscal a empresa foi intimada a apresentar Demonstrativos da base de cálculo do PIS de períodos anteriores a janeiro de 1992 e se fosse o caso retificar a planilha das diferenças do PIS a restituir/compensar. 7. Após analisar a documentação apresentada pela contribuinte as fls. 167/169 o fiscal constatou: "08) Comparando-se a planilha retificadora «Is. 173/174) com a elaborada anteriormente (vide fls. 60/61), constatamos: a) A compensação referente ao COFINS de agosto de 1997 que, conforme item 08-a do TERMO DE CONSTATAÇÃO de fls.10 (e demonstrativo de fls. 60) havíamos considerado a maior em RS 2.470.410,49 (dois milhões quatrocentos e setenta mil, quatrocentos e dez reais e quarenta e nove centavos), fica reduzido para RS 364.781,65 (trezentos e sessenta e quatro mil, setecentos e oitenta e um reais e sessenta e cinco centavos). b) Permanecem como indevidas as compensações (item 8.b e 8.c) referentes ao PIS de março de 1998 no valor de RS 605.949,33 e de abril de 1998 no valor de RS 939.196,75. 09) Desta maneira, propomos a autoridade julgadora a retificação do Auto de Infração referente a Contribuição p/ Financiamento da Seguridade Social, considerando como valor exigível a importância de RS 364.781,65 ('trezentos e sessenta e quatro mil setecentos e oitenta e um reais e sessenta e cinco centavos) ao invés da importância de RS 2.470.410,49 considerada no Auto lavrado em 27/10/2000 3 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo ri2 : 13819.002353/00-17 Recurso n : 133.307 MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O ORIGINAL, Brasilia-DF, ern_21_6_110, €1 46 ,--t - •• euza a 4 afuil Secretaria da Segunda Camara 2 CC-MF Fl. 8. A contribuinte recebeu cópia do Termo de Diligência conforme ciência de seu procurador àfl. 185." Remetidos os autos à DRJ em Campinas — SP, foi o lançamento julgado procedente em acórdão assim ementado: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1998 a 31/03/1998 Ementa: ACRÉSCIMOS LEGAIS. Apurada falta ou insuficiência de recolhimento de PIS sem que a exigibilidade esteja suspensa, sua cobrança é devida com o acréscimo de multa de oficio e juros e mora. Lançamento Procedente". Inconformada, apresenta a contribuinte o Recurso Voluntário de fls. 283/300. o relatório. 4 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 13819.002353/00-17 Recurso n2 : 133.307 s Se bes Ti 23 de maio de 2006. A 0 KEAY ALENCAR MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conse1ho de Contribuintes CONFERE CON O 0_13IGINAL, Brasilia-OF. em / la2r40 euza a4fuji Secretaria da Segunda Câmara 22 CC-NIF Fl. VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR GUSTAVO KELLY ALENCAR 0 recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido pelo Colegiado. Realmente, na planilha de fls. 56/60 foram incluídos valores que remontam ao período de apuração relativo a outubro de 1991. No Termo de Diligencia de fls. 184/185 a fiscalização reconheceu que o Processo n2 13819.001447/96-67 foi protocolado em 13/06/1996 e que a contribuinte teria direito a créditos por pagamento indevido, realizados a partir de 13/06/1991, o que leva à conclusão de que é possível considerar na compensação os valores relativos aos meses de outubro e novembro de 1991 que foram consignados na planilha acostada, os quais a contribuinte disse que, por lapso seu, deixara de incluir nas planilhas de fls. 167 a 173, as quais foram apresentadas em resposta A intimação de fl. 165. Ainda no Termo de Diligência de fls. 184/185, a fiscalização atestou no item 5 (fl. 185) que os valores apresentados na planilha de fl. 56 são corretos e aceitáveis pois foram conferidos com os documentos que lhe dão suporte. A fl. 165 constam períodos de apuração a partir de dezembro de 1991 e esta planilha totaliza 13.546.829,69 Ufir, que é o mesmo valor que a fiscalização afirmou ter considerado no Termo de Diligencia de fls. 184/185. Portanto, aparentemente, a contribuinte tem razão quanto ao erro que alegou ter cometido, qual seja, não ter mencionado os valores de outubro e novembro de 1991 nas planilhas que apresentou em resposta A intimação de fl. 165. Entretanto, a apuração do crédito e o procedimento de realizar a compensação destes créditos confrontando-os com os débitos da contribuinte é competência da Delegacia da Receita Federal, não podendo ser feita pelo Conselho de Contribuintes. Desse modo, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de que a DRF em Sao Bernardo do Campo - SP verifique e informe se na quantidade de 13.546.829,69 Ufir estão ou não estão considerados os créditos de outubro e novembro de 1991. Caso não tenham sido considerados aqueles créditos e restando confirmado o lapso cometido pela contribuinte, efetuar a compensação do crédito eventualmente existente, informando conclusivamente se os créditos de outubro e novembro de 1991 são suficientes para fazerem desaparecer o PIS que foi mantido pela DRJ em Campinas - SP. Após o atendimento das diligencias solicitadas, deve a contribuinte ser intimada a se manifestar, devendo os autos então retornar a esta Câmara para julgamento, oportunidade na qual serão apreciadas as demais matérias objeto do recurso. como voto. 5
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005924/2009-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICO-TRIBUTÁRIO.
O conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do Decreto-Lei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, e trata-se de instituto jurídico-tributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica.
APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO.
São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformam-se em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão).
DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO.
A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constitui-se em espécie do gênero despesa, e, naturalmente, encontra-se submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendo-se aos testes de necessidade, usualidade e normalidade.
DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS.
Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica.
CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO.
A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontram-se atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica.
AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE.
Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Deve-se consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a investidora e a investida, consolida-se cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, toma-se o momento em que o contribuinte aproveita-se da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial.
CSLL. DECORRÊNCIA.
Aplica-se à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável.
Numero da decisão: 9101-003.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado para os impedimentos de conselheiros), Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICO-TRIBUTÁRIO. O conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do Decreto-Lei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, e trata-se de instituto jurídico-tributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO. São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformam-se em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constitui-se em espécie do gênero despesa, e, naturalmente, encontra-se submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendo-se aos testes de necessidade, usualidade e normalidade. DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO. A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontram-se atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Deve-se consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a investidora e a investida, consolida-se cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, toma-se o momento em que o contribuinte aproveita-se da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial. CSLL. DECORRÊNCIA. Aplica-se à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável.
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EM RECUPERACAO JUDICIAL. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICOTRIBUTÁRIO. O conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, e tratase de instituto jurídicotributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO. São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformamse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constituise em espécie do gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendose aos testes de necessidade, usualidade e normalidade. DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 59 24 /2 00 9- 77 Fl. 3030DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.031 2 A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontram se atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Devese consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a investidora e a investida, consolidase cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, tomase o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial. CSLL. DECORRÊNCIA. Aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator Fl. 3031DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.032 3 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado para os impedimentos de conselheiros), Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pelo Contribuinte em epígrafe contra decisão constante do Acórdão nº 1101000.899, onde se analisou a legitimidade do lançamento do IRPJ e CSLL e multas de 150%, consumado por entender a fiscalização ser indedutível das bases dos referidos tributos a amortização fiscal do ágio gerado em operação de aquisição de participação societária de terceiros, através da constituição de empresas chamadas "veículo". No procedimento fiscal foram analisadas duas aquisições de participações societárias, por empresas do grupo da Contribuinte em questão de terceiros independentes, e a posterior incorporação das sociedades adquiridas. Verificase dos documentos constantes dos presentes autos que a operação realizada teve a participação das seguintes pessoas, que realizaram os seguintes atos: ü Do lado comprador, grupo Bellsouth, composto, no Brasil, pela AVERDIN, controladora da MKV e APENINA, e ALIENA, controlada pela APENINA; ü Do lado vendedor, grupo abril, controlador da sociedade adquirida Listel; ü As sociedades MKV, APENINA e ALIENA realizaram a aquisição da LISTEL, registrando ágio; ü LISTEL incorpora MKV, APENINA e ALIENA, passando a controlada de AVERDIN e amortizando fiscalmente o ágio. A Fiscalização concluiu que a operação entre LISTEL, APENINA e MKV ocorreu em circuito fechado. O adquirente, terceiro estranho à investida, nesta operação, seria a AVERDIN, representante no Brasil do Grupo BellSouth. Para qualificar a multa a fiscalização entendeu estar presente nos fatos narrados a fraude trazida no artigo 72, da Lei 4.502/64. Impugnado o Auto de Infração, a DRJ decidiu pela improcedência dos argumentos de defesa. Assim, tempestivamente foi aviado Recurso Voluntário. Fl. 3032DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.033 4 A Turma a quo, ao analisar o Recurso Voluntário do Contribuinte entendeu que a amortização do ágio que passou a existir no patrimônio da investida, LISTEL, somente poderia surtir efeitos na apuração do seu lucro real caso se verificasse a extinção da investidora original (AVERDIN), mediante incorporação, fusão ou cisão entre elas promovida, por meio da qual o ágio subsistisse evidenciado apenas no patrimônio resultante desta operação, na forma do art. 7o da Lei nº 9.532/97. Concluiuse, ainda, que a criação da APENINA e da MKV teve por objetivo, apenas, construir um cenário que se assemelhasse à hipótese legal que autoriza a amortização do ágio pago na aquisição de investimentos, circunstância que, infringe os incisos II e IV do art. 1° e o inciso I do art. 2° da Lei n° 8.137/90; bem como o art. 72 da Lei n° 4.502/64. de modo que a multa qualificada deveria subsistir. Vale a transcrição da ementa da referida decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO POR EMPRESA VEÍCULO, SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. MULTA QUALIFICADA. Sujeitase a multa qualificada a exigência tributária decorrente da prática de negócio jurídico fictício, que se presta, apenas, a construir um cenário semelhante à hipótese legal que autoriza a amortização do ágio pago na aquisição de investimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro José Ricardo da Silva, nos termos de relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Cientificado dessa decisão o Contribuinte, tempestivamente, apresentou Embargos de Declaração, que foram rejeitados. Desse modo, houve regular e tempestiva apresentação de Recurso Especial de divergência, objetivando discutir as seguintes matérias: (i) "Da amortização do ágio quando da incorporação reveersa por empresa controlada por investidora que Fl. 3033DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.034 5 aportou capital que permitiu a compra do investimento com ágio"; (ii) "Da amortização do ágio participação de empresas distintas inexistência de simulação ou fraude"; (iii) "Da multa qualificada"; (iv) Aplicação de atos normativos da CVM a casos semelhantes; e (v) "Alteração dos fundamentos da autuação". O Recurso foi parcialmente conhecido pelo despacho de admissibilidade, reconhecendose apenas a divergência em relação à possibilidade de amortizar o ágio pago por empresa veículo (item i). O despacho de admissibilidade foi mantido pelo reexame necessário. Ato seguinte houve agravo, que foi rejeitado. Regularmente intimado da decisão e do Recurso d o Contribuinte a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, requerendo, em suma o não conhecimento do Recurso do Contribuinte e, se conhecido, seu não provimento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator CONHECIMENTO Diante o questionamento da admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte pela Fazenda Nacional, fazse importante sua análise. Aduz a Fazenda que não há similitude fática entre o recorrido e o paradigma analisado pelo despacho. Isso porque, no presente caso concreto houve a constituição de duas empresas apenas com o fim de amortizar o ágio, o que não ocorreu na decisão citada como paradigma Analisando o paradigma, entretanto, percebo que trata da mesma situação em que determinado contribuinte se utiliza de empresa intermediária para aquisição de participação societária, com posterior incorporação reversa, vejamos trecho do relatório do Acórdão nº 1201001.242, indicado como paradigma pelo recorrente: Relatório “No que concerne à formação do ágio e sua amortização, é elucidativa a transcrição do seguinte trecho contido no TVF (fl. 1144): Em 30/11/2007, o Societê Brasil aportou capital na Trancoso, no valor exato de R$ 930.523.599, permitindo então que fosse pago Fl. 3034DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.035 6 por esta empresa, na mesma data do aporte, o valor total de R$ 888.372.854,00 pela aquisição das quotas (100%) da CACIPAR, as quais tinham valor de patrimônio líquido de R$ 317.809.235,16 resultando um ágio de R$ 570.563.618,89. Além disto, aportou um aumento de capital na Trancoso, no valor de R$ 37.000.000,00 utilizados para pagamento de uma dívida que a CACIPAR tinha, resultando que o valor aportado pelo Societê Brasil na Trancoso foi o exato valor utilizado pela Trancoso na aquisição da CACIPAR. Em passo seguinte, em 31/10/2008, com base em balanço de 30/09/2008, a CACIPAR é incorporada pela investida Banco Cacique que também incorpora na mesma data a Trancoso. Tendose então por resultado, após as duas sucessivas operações de incorporações reversas, que o controle societário do Banco Cacique é transferido para o Societê Brasil e que o ágio pago pela Trancoso na aquisição da Cacipar é transferido por incorporação ao patrimônio do Banco Cacique, sendo amortizado no mesmo a uma razão de 1/120 mensais, sem adição ao lucro real. (...) Além disto, ficou comprovado que na verdade o adquirente do controle societário do Banco Cacique foi o Societê Brasil, sendo que as citadas operações de incorporação reversas tinham como intuito, única e exclusivamente, levar para a empresa investida Banco Cacique, parte do ágio, procedendo esta, em seguida, às conseqüentes amortizações do mesmo levando a uma diminuição indevida dos resultados nos próximos anos;” Como no caso do paradigma a glosa do ágio foi mantida, entendo estar comprovada a similitude fática e divergência de interpretação da legislação. Desse modo, conheço do Recurso do Contribuinte, nos termos do despacho de admissibilidade. MÉRITO POSSIBILIDADE DE AMORTIZAÇÃO FISCAL DO ÁGIO EM OPERAÇÕES COM EMPRESA VEÍCULO No entender da fiscalização a grande razão a justificar a invalidação da amortização fiscal do ágio realizada pelo Contribuinte em questão foi a ausência de propósito negocial na criação de empresa holding, cujo único objetivo de nascimento foi de servir como meio para cumprimento de requisito legal para aproveitamento fiscal do ágio, mediante incorporação de sociedades. Penso que não assiste razão à fiscalização nessa interpretação dos fatos e das normas em análise. Fl. 3035DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.036 7 Em minha concepção o instituto doutrinário chamado propósito negocial vem sendo indiscriminadamente utilizado pelas fiscalizações, sem se observar os pormenores de cada situação. O propósito negocial, cuja discussão no Brasil foi inicialmente atribuída ao Professor Marco Aurélio Greco, teve seus contornos delimitados, com o fito de tratar qualquer operação que tivesse como objetivo principal a economia de tributos como inoponível ao fisco, admitindose a desconsideração de seus efeitos e a consequente cobrança dos tributos. Penso que essa posição deve ser vista com ressalvas, principalmente ao se considerar que essa teoria é oriunda de países da common law. Um exemplo clássico que entendo que essa doutrina deve ser reavaliada é no caso de operações societárias que admitem a utilização fiscal do ágio. A possibilidade de amortização fiscal do ágio gerado por rentabilidade futura, após absorção de patrimônio de uma sociedade por outra, mediante incorporação, fusão ou cisão, inclusive da investidora (chamada operação reversa), surgiu em nosso ordenamento jurídico com o advento da Lei 9.532/97, artigos 7º e 8º, abaixo transcritos: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. Fl. 3036DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.037 8 Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Referida Lei veio ao mundo jurídico num contexto histórico de privatizações ocorridas no país. Como amplamente divulgado na época em que publicada a norma, o objetivo da permissão contida em seu inciso III, de amortização do ágio gerado com base em rentabilidade futura, era o de incentivar a aquisição de empresas públicas e sociedades de economia mista pelos investidores privados. Logo, no cálculo do retorno de seu investimento, no âmbito de sua análise de viabilidade, os investidores já contavam com o benefício fiscal. E nesse contexto, tal norma é tida como indutora de comportamentos dos contribuintes, na medida em que incentivou as operações de aquisições de empresas públicas, bem como as aquisições de participações em âmbito privado, tanto por investidores não residentes, que se interessaram enormemente por um mercado em recente abertura, como por investidores residentes no Brasil. E é aí que a teoria do propósito negocial deve ser vista sobre outro ângulo, afinal, como um investidor não residente poderia se valer de tal incentivo, sem se fazer presente no país através de uma sociedade aqui residente? Como sociedades nacionais reguladas por órgãos específicos poderiam usufruir do incentivo diante de proibição legal de incorporação de sociedades com outras atividades? Ora, excluir a possibilidade dessas pessoas e possibilitar outras a terem benefício fiscal seria ferir a isonomia. Logo, essas e outras sociedades tiveram que planejar a forma como seria possível investir no país e aproveitar o incentivo da amortização do ágio, nas mesmas condições que sociedades nacionais sem restrições assim o poderiam. Foi nesse contexto que se utilizaram de sociedades holdings, que lhes permitia organizar a etapa pré aquisição, bem como posteriormente se valer do incentivo de amortização fiscal do ágio. Tais sociedades foram informalmente denominadas "empresas veículo". Mas a questão que se põe é: a criação de empresas holdings para organização de investimentos e utilização de incentivos fiscais é um ato de evasão fiscal ou é lícita a economia fiscal mediante planejamento realizado previamente à ocorrência do fato gerador do tributo e estimulado por norma legal? Em minha concepção, mesmo dentro da teoria do propósito negocial a economia de tributos é permitida, desde que realizada mediante atos e negócios lícitos. E para mim não há qualquer ilicitude em se criar uma sociedade, efetuar sua capitalização, adquirir participação societária de terceiros e, posteriormente realizar as operações societárias induzidas pela lei para se obter a economia de tributos. Fl. 3037DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.038 9 Economia de tributos é sim algo legitimamente objetivado pelos empresários, que buscam a maximização de lucros em seus negócios, desde que obtida mediante atos e negócios lícitos. O negócio jurídico pretendido, qual seja a aquisição de participação societária de fato ocorreu, ou seja, não há que se falar em simulação, seja ela absoluta, seja ela relativa. E aliese a isso, no caso de ingresso no país de sociedades não residentes, como o presente, o objetivo de explorar o mercado brasileiro e outros vizinhos, eventualmente. Não há como negar que o principal interesse de empresas multinacionais é a exploração de diversos mercados ao redor do mundo e, acessoriamente, havendo a possibilidade, de maximização de lucros através de utilização de incentivos fiscais, assim proceder. Sobre a legitimidade da utilização de "empresas veículos" para fins de amortização de ágio sábias foram as palavras do Conselheiro Marcelo Cuba Netto, proferidas no acórdão 1201001.267, que abaixo tomo a liberdade de transcrever: São, como visto acima, duas as razões pelas quais o auditor se convenceu da ilegalidade do aproveitamento do ágio pela fiscalizada: (i) falta de propósito negocial, e; (ii) emprego de empresa veículo. Quanto à falta de propósito negocial, há que se distinguir dentre as operações levadas a efeito pelos interessados, aquelas que tiveram por objetivo ocultar o ganho de capital auferido pelos alienantes, daquelas cujo objeto foi a transferência do ágio para a autuada. As primeiras não interessam ao presente processo, e são objeto do PA nº 10380.726.493/201018, que trata do ganho de capital. As últimas foram realizadas com o propósito do aproveitamento do ágio na aquisição da participação societária, e estão amparadas na interpretação que esta Turma vem emprestando aos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, qual seja, a de que a finalidade daquelas normas é incentivar a absorção do patrimônio de empresas nacionais por outras, sejam nacionais, sejam estrangeiras. Em outras palavras, o propósito negocial foi exatamente o aproveitamento do ágio, propósito esse amparado pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Repare que a abusividade do planejamento tributário pode ter como característica (desde que não seja a única) justamente a ausência de propósito negocial. Entretanto, quando exista uma norma jurídica incentivando, sob o ponto de vista fiscal, a realização de um negócio jurídico, seria absurdo imaginarse que além do propósito de economia fiscal deveria haver também algum outro propósito. Esse é exatamente o caso dos presentes autos. Em relação ao emprego da chamada "empresa veículo" cumpre destacar que tal expressão tem sido utilizada pela fiscalização de uma maneira pejorativa, no sentido de um "mal em si mesmo". No entanto, como é cediço, não é possível sustentarse uma autuação fiscal lastreada na simples acusação de emprego de Fl. 3038DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.039 10 "empresa veículo", até porque o simples emprego de "empresa veículo" não é tipificado como infração à legislação tributária. Caberia então à fiscalização apontar a relação entre o emprego da "empresa veículo" e a prática de alguma infração à legislação tributária. E, no caso dos autos, como o autor da ação fiscal não se desincumbiu de seu ônus, isso já seria razão suficiente para afastarse, de pronto, a autuação. Todavia, tendo em vista que existem algumas decisões do CARF mantendo a glosa da amortização do ágio justamente pelo emprego de "empresa veículo" (vide, por exemplo, o Acórdão 1101001.113), entendo cabível o exame da matéria. Em breve síntese, aqueles que defendem a impossibilidade do aproveitamento do ágio nestas condições sustentam que o emprego de empresa veículo, que ao fim incorpora ou é incorporada pela investida, “oculta” o verdadeiro investidor, qual seja, aquele que fornece os recursos para que a empresa veículo faça o investimento. Desse modo, dizem eles, não há incorporação entre o “verdadeiro investidor” e a investida, sendo portanto inaplicável os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Pois bem, quanto a este argumento devese ter em conta que os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 foram originalmente criados com a finalidade de incentivo à aquisição de empresas públicas ou sociedades de economia mista por particulares, no âmbito do chamado Programa Nacional de Desestatização (Lei nº 9.491/97). E uma vez que pessoas físicas ou jurídicas estrangeiras têm direito a adquirir até 100% das ações ou quotas da empresa nacional objeto de desestatização (vide art. 12 da referida Lei nº 9.491/97), é de se perguntar: como poderia um investidor estrangeiro se beneficiar dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 senão por meio da constituição e capitalização de uma pessoa jurídica nacional que fizesse o investimento na empresa objeto da desestatização? Esse foi, de fato, o caminho adotado pelos investidores estrangeiros (vide também caso Celpe, Acórdão nº 120100.689). Ocorre que, de acordo com a teoria da "empresa veículo", ora sob exame, nem assim os investidores estrangeiros poderiam se beneficiar dos disposto arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 pois a pessoa jurídica nacional por eles constituída e capitalizada não seria considerada o "verdadeiro investidor" na empresa objeto de desestatização. Na mesma situação de impossibilidade de aproveitamento do disposto arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 estaria, por exemplo, um grupo de pessoas físicas nacionais que desejasse adquirir as ações ou quotas de uma empresa objeto de desestatização. Se fizessem o investimento diretamente, as pessoas físicas não Fl. 3039DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.040 11 poderiam se beneficiar das referidas normas (por óbvio, pessoa física não incorpora nem é incorporada por pessoa jurídica). A solução seria, novamente, a constituição e capitalização de uma pessoa jurídica justamente para que esta fizesse o investimento. Entretanto, de acordo com a aludida teoria da "empresa veículo", nem assim a pessoa jurídica criada pelo grupo de pessoas físicas poderia se beneficiar do disposto arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 pois não seria considerada o "verdadeiro investidor" na empresa objeto de desestatização. Também em idêntica situação de impossibilidade de aproveitamento do disposto arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 estariam as pessoas jurídicas nacionais que em razão de vedação contida em norma legal ou infralegal estejam impedidas de exercer atividades econômicas diversas daquelas previstas naquelas normas. Seria o caso, por exemplo, de um banco comercial adquirir as ações ou quotas de uma concessionária de energia elétrica. Tal aquisição é possível, desde que autorizada pelo Banco Central. O que não é juridicamente possível é a absorção do patrimônio da concessionária pelo banco comercial (ou viceversa) uma vez que o Banco Central proíbe que os bancos comercias exerçam atividades distintas daquelas previstas em Regulamento. A solução, mais uma vez, seria o banco comercial constituir e capitalizar uma pessoa jurídica a fim de que esta adquira as ações ou quotas da empresa objeto de desestatização. Ocorre que, segundo a mencionada teoria da "empresa veículo", nem assim a pessoa jurídica criada pelo banco comercial poderia se beneficiar do disposto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 pois não seria considerada o "verdadeiro investidor". Os exemplos acima, que a outros poderiam se somar, demonstram que a propalada teoria da "empresa veículo" aplicada aos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 ensejaria uma interpretação restritiva dessas normas no tocante à idéia de "verdadeiro investidor". Todavia, a interpretação restritiva, tal como as demais espécies interpretativas, não é fruto da vontade do intérprete. Ao contrário, deve ser juridicamente fundamentada. No caso dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 tal interpretação restritiva reduziria significativamente as hipóteses de aproveitamento fiscal da amortização do ágio ali prevista, algo que vai de encontro (e não ao encontro) à finalidade do Programa Nacional de Desestatização, o qual, como dito antes, incentiva a aquisição de empresas públicas ou sociedades de economia mista por particulares. Em outras palavras, a teoria da "empresa veículo" defendida por alguns é frontalmente contrária à finalidade para à qual foram criados os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, daí porque não pode ser acolhida. Por tais razões, entendo que o ágio gerado no presente caso o foi de forma legítima. Fl. 3040DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.041 12 Nesse contexto, voto por dar provimento ao Recurso do Contribuinte. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Não obstante o substancioso voto o I. conselheiro, peço vênia para discordar em relação ao mérito, na matéria relativa a despesa de amortização de ágio. Para a devida apreciação, propõese, inicialmente, discorrer sobre uma análise histórica e sistêmica sobre o tema, para depois tratar do caso concreto. 1. Conceito e Contexto Histórico Podese entender o ágio como um sobrepreço pago sobre o valor de um ativo (mercadoria, investimento, dentre outros). Tratandose de investimento decorrente de uma participação societária em uma empresa, em brevíssima síntese, o ágio é formado quando uma primeira pessoa jurídica adquire de uma segunda pessoa jurídica um investimento em valor superior ao seu valor patrimonial. O investimento em questão são ações de uma terceira pessoa jurídica, que são avaliadas pelo método contábil da equivalência patrimonial. Ou seja, a empresa A detém ações da empresa B, avaliadas patrimonialmente em 60 unidades. A empresa C adquire, junto à empresa A, as ações da empresa B, por 100 unidades. A empresa C é a investidora e a empresa B é a investida. Interessante é que emergem dois critérios para a apuração do ágio. Adotandose os padrões da ciência contábil, apesar das ações estarem avaliadas patrimonialmente em 60 unidades, deveriam ainda ser objeto de majoração, ao ser considerar, primeiro, se o valor de mercado dos ativos tangíveis seria superior ao contabilizado. Assim, supondose que, apesar do patrimônio ter sido avaliado em 60 unidades, o valor de mercado seria de 70 unidades, considerase para fins de apuração 70 unidades. Segundo, caso se constate a presença de ativos intangíveis sem reconhecimento contábil no valor de 12 unidades, temse, ao final, que o ágio, denominado goodwill, seria a diferença entre o valor pago (100 unidades) e o valor de mercado mais intangíveis (60 + 10 + 12 = 82 unidades). Ou seja, o ágio passível de aproveitamento pela empresa C, decorrente da aquisição da empresa B, mediante atendimento de condições legais, seria no valor de 18 unidades. Ocorre que o legislador, ao editar o DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977, resolveu adotar um conceito jurídico para o ágio próprio para fins tributários. Fl. 3041DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.042 13 Isso porque positivou no art. 20 do mencionado decretolei que o denominado ágio poderia ter três fundamentos econômicos, baseados: (1) no sobrepreço dos ativos; e/ou (2) na expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido e/ou (3) no fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. E, posteriormente, os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, autorizaram a amortização do ágio nos casos (1) e (2), mediante atendimento de determinadas condições. Na medida em que a lei não determinou nenhum critério para a utilização dos fundamentos econômicos, consolidouse a prática de se adotar, em praticamente todas as operações de transformação societária, o reconhecimento do ágio amparado exclusivamente no caso (2): expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido. O ágio passou a ser simplesmente a diferença entre o custo de aquisição e o valor patrimonial do investimento. Assim, voltando ao exemplo, a empresa C, investidora, ao adquirir ações da empresa investida B avaliadas patrimonialmente em 60 unidades, pelo valor de 100 unidades, poderia justificar o sobrepreço de 40 unidades integralmente com base no fundamento econômico de expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido. Na realidade, a legislação tributária ampliou o conceito do goodwill. E como darseia o aproveitamento do ágio? Em duas situações. Na primeira, quando a empresa C realizasse o investimento, por exemplo, ao alienar a empresa B para uma outra pessoa jurídica. Assim, se vendesse a empresa B para a empresa D por 150 unidades, apuraria um ganho de 50 unidades. Isso porque, ao patrimônio líquido da empresa alienada, de 60 unidades, seria adicionado o ágio de 40 unidades. Assim, a base de cálculo para apuração do ganho de capital seria a diferença entre 150 e 100 unidades, perfazendo 50 unidades. Na segunda, no caso de a empresa C (investidora) e a empresa B (investida) promoverem uma transformação societária (incorporação, fusão ou cisão), de modo em que passem a integrar uma mesma universalidade. Por exemplo, a empresa B incorpora a empresa C, ou, a empresa C incorpora a empresa B. Nesse caso, o valor de ágio de 40 unidades poderia passar a ser amortizado, para fins fiscais, no prazo de sessenta meses, resultando em uma redução na base de cálculo do IRPJ e CSLL a pagar. Naturalmente, no Brasil, em relação ao ágio, a contabilidade empresarial pautouse pelas diretrizes da contabilidade fiscal, até a edição da Lei nº 11.638, de 2007. O novo diploma norteouse pela busca de uma adequação aos padrões internacionais para a contabilidade, adotando, principalmente, como diretrizes a busca da primazia da essência sobre a forma e a orientação por princípios sobrepondose a um conjunto de regras detalhadas baseadas em aspectos de ordem escritural 1. Nesse contexto, houve um realinhamento das normas contábeis no Brasil, e por consequência do conceito do goodwill. Em síntese, ágio contábil passa (melhor dizendo, volta) a ser a diferença entre o valor da aquisição e o valor patrimonial justo dos ativos (patrimônio líquido ajustado pelo valor justo dos ativos e passivos). 1 IUDÍCIBUS, Sérgio de. Manual de contabilidade das sociedades por ações: (aplicável às demais sociedades), 1ª ed. São Paulo : Editora Atlas, 2008, p. 31. Fl. 3042DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.043 14 E recentemente, por meio da Lei nº 12.973, de 13/05/2014, o legislador promoveu uma aproximação do conceito jurídicotributário do ágio com o conceito contábil da Lei nº 11.638, de 2007, além de novas regras para o seu aproveitamento, que não são objeto de análise do presente voto. Enfim, resta evidente que o conceito do ágio tratado para o caso concreto, disciplinado pelo art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, alinhase a um conceito jurídico determinado pela legislação tributária. Tratase, portanto, de instituto jurídicotributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. 2. Aproveitamento do Ágio. Hipóteses Apesar de já ter sido apreciado singelamente no tópico anterior, o destino que pode ser dado ao ágio contabilizado pela empresa investidora merece uma análise mais detalhada. Há que se observar, inicialmente, como o art. 219 da Lei nº 6.404, de 1.976 trata das hipóteses de extinção da pessoa jurídica: Art. 219. Extinguese a companhia: I pelo encerramento da liquidação; II pela incorporação ou fusão, e pela cisão com versão de todo o patrimônio em outras sociedades. E, ao se tratar de ágio, vale destacar, mais uma vez, os dois sujeitos, as duas partes envolvidas na sua criação: a pessoa jurídica investidora e a pessoa jurídica investida, sendo a investidora é aquela que adquiriu a investida, com sobrepreço. Não por acaso, são dois eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformamse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). Podese dizer que os eventos (1) e (2) guardam correlação, respectivamente, com os incisos I e II da lei que dispõe sobre as Sociedades por Ações. 3. Aproveitamento do Ágio. Separação de Investidora e Investida No primeiro evento, tratase de situação no qual a investidora aliena o investimento para uma terceira empresa. Nesse caso, o ágio passa a integrar o valor patrimonial do investimento para fins de apuração do ganho de capital e, assim, reduz a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A situação é tratada pelo DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977, arts. 391 e 426 do RIR/99: Fl. 3043DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.044 15 Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). (...) Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. (...) (grifei) Assim, o aproveitamento do ágio ocorre no momento em que o investimento que lhe deu causa foi objeto de alienação ou liquidação. 4. Aproveitamento do Ágio. Encontro entre Investidora e Investida Já o segundo evento aplicase quando a investidora e a investida transformaremse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). O ágio pode se tornar uma despesa de amortização, desde que preenchidos os requisitos da legislação e no contexto de uma transformação societária envolvendo a investidora e a investida. Contudo, sobre o assunto, há evolução legislativa que merece ser apresentada. Primeiro, o tratamento conferido à participação societária extinta em fusão, incorporação ou cisão, atendia o disposto no art. 34 do DecretoLei nº 1.598, de 1977: Art 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será Fl. 3044DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.045 16 computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos; (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do valor realizado em cada períodobase; e (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito a correção monetária anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 2º O contribuinte deve computar no lucro real de cada períodobase a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) O que se pode observar é que o único requisito a ser cumprido, como perda de capital, é que o acervo líquido vertido em razão da incorporação, fusão ou cisão estivesse avaliado a preços de mercado. Contudo, para que se consumasse a perda de capital prevista no inciso I, o valor contábil deveria ser maior do que o acervo líquido avaliado a preços de mercado, e tal situação se mostraria viável, especialmente, quando, imediatamente após à aquisição do investimento com ágio, ocorresse a operação de incorporação, fusão ou cisão 2. Ocorre que tal previsão se consumou em operações um tanto quanto questionáveis por vários contribuintes, mediante aquisição de empresas deficitárias pagandose ágio, para, em logo em seguida, promover a incorporação da investidora pela investida. As operações ocorriam quase simultaneamente. 2 Ver Acórdão nº 1101000.841, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara do CARF, da relatora Edeli Pereira Bessa., p. 15. Fl. 3045DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.046 17 E, nesse contexto, o aproveitamento do ágio, nas situações de transformação societária, sofreu alteração legislativa. Vale transcrever a Exposição de Motivos da MP nº 1.602, de 1997 3, que, posteriormente, foi convertida na Lei nº 9.532, de 1997. 11. O art. 8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos "planejamentos tributários", vem utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária, mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo. Não vacilou a doutrina abalizada de LUÍS EDUARDO SCHOUERI4 ao discorrer, com precisão sobre o assunto: Anteriormente à edição da Lei nº 9.532/1997, não havia na legislação tributária nacional regulamentação relativa ao tratamento que deveria ser conferido ao ágio em hipóteses de incorporação envolvendo a pessoa jurídica que o pagou e a pessoa jurídica que motivou a despesa com ágio. O que ocorria, na prática, era a consideração de que a incorporação era, per se, evento suficiente para a realização do ágio, independentemente de sua fundamentação econômica. (...) Sendo assim, a partir de 1998, ano em que entrou em vigor a Lei nº 9.532/1997, adveio um cenário diferente em matéria de dedução fiscal do ágio. Desde então, restringiramse as hipóteses em que o ágio seria passível de ser deduzido no caso de incorporação entre pessoas jurídicas, com a imposição de limites máximos de dedução em determinadas situações. Ou seja, nem sempre o ágio contabilizado pela pessoa jurídica poderia ser deduzido de seu lucro real quando da ocorrência do evento de incorporação. Pelo contrário. Com a regulamentação ora em vigor, poucas são as hipóteses em que o ágio registrado poderá ser deduzido, a depender da fundamentação econômica que lhe seja conferida. 3 Exposição de Motivos publicada no Diário do Congresso Nacional nº 26, de 02/12/1997, pg. 18021 e segs, http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016. 4 SCHOUERI, Luís Eduardo. Ágio em reorganizações societárias (aspectos tributários). São Paulo : Dialética, 2012, p. 66 e segs. Fl. 3046DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.047 18 Merece transcrição o Relatório da Comissão Mista 5 que trabalhou na edição da MP 1.602, de 1997: O artigo 8º altera as regras para determinação do ganho ou perda de capital na liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor do patrimônio líquido, quando agregado de ágio ou deságio. De acordo com as novas regras, os ágios existentes não mais serão computados como custo (amortizados pelo total), no ato de liquidação do investimento, como eram de acordo com as normas ora modificadas. O ágio ou deságio referente à diferença entre o valor de mercado dos bens absorvidos e o respectivo valor contábil, na empresa incorporada (inclusive a fusionada ou cindida), será registrado na própria conta de registro dos respectivos bens, a empresa incorporador (inclusive a resultante da fusão ou a que absorva o patrimônio da cindida), produzindo as repercussões próprias na depreciação normal. O ágio ou deságio decorrente de expectativa de resultado futuro poderá ser amortizado durante os cinco anoscalendário subsequentes à incorporação, à razão de 1/60 (um sessenta avos) para cada mês do período de apuração. (...) Percebese que, em razão de um completo desvirtuamento do instituto, o legislador foi chamado a intervir, para normatizar, nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, sobre situações específicas tratando de eventos de transformação societária envolvendo investidor e investida. Inclusive, no decorrer dos debates tratando do assunto, chegouse a cogitar que o aproveitamento do ágio não seria uma despesa, mas um benefício fiscal. Em breves palavras, caso fosse benefício fiscal, o próprio legislador deveria ter tratado do assunto, como o fez na Exposição de Motivos de outros dispositivos da MP nº 1.602, de 1997 (convertida na Lei nº 9.532, de 1997). Na realidade, a Exposição de Motivos deixa claro que a motivação para o dispositivo foi um maior controle sobre os planejamentos tributários abusivos, que descaracterizavam o ágio por meio de analogias completamente desprovidas de sustentação jurídica. E deixou claro que se trata de uma despesa de amortização. E qual foram as novidades trazidas pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997? Primeiro, há que se contextualizar a disciplina do método de equivalência patrimonial (MEP). Isso porque o ágio aplicase apenas em investimentos sociedades coligadas e controladas avaliado pelo MEP, conforme previsto no art. 384 do RIR/99. O método tem como principal característica permitir uma atualização dos valores dos investimentos em coligadas ou controladas com base na variação do patrimônio líquido das investidas. 5 Relatório da Comissão Mista publicada no Diário do Congresso Nacional nº 27, de 03/12/1997, pg. 18024, http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016. Fl. 3047DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.048 19 As variações no patrimônio líquido da pessoa jurídica investida passam a ser refletidas na investidora pelo MEP. Contudo, os aumentos no valor do patrimônio líquido da sociedade investida não são computados na determinação do lucro real da investidora. Vale transcrever os dispositivos dos arts. 387, 388 e 389 do RIR/99 que discorrem sobre o procedimento de contabilização a ser adotado pela investidora. Art. 387. Em cada balanço, o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no art. 248 da Lei nº 6.404, de 1976, e as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 21, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso III): (...) Art. 388. O valor do investimento na data do balanço (art. 387, I), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no artigo anterior, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22). (...) Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV). (...) Resta nítida a separação dos patrimônios entre investidora e investida, inclusive as repercussões sobre os resultados de cada um. A investida, pessoa jurídica independente, em razão de sua atividade econômica, apura rendimentos que, naturalmente, são por ela tributados. Por sua vez, na medida em que a investida aumenta seu patrimônio líquido em razão de resultados positivos, por meio do MEP há uma repercussão na contabilidade da investidora, para refletir o acréscimo patrimonial realizado. A conta de ativos em investimentos é debitada na investidora, e, por sua vez, a contrapartida, apesar de creditada como receita, é excluída na apuração do Lucro Real. Com certeza, não faria sentido tributar os lucros na investida, e em seguida tributar o aumento do patrimônio líquido na investidora, que ocorreu precisamente por conta dos lucros auferidos pela investida. E esclarece o art. 385 do RIR/99 que se a pessoa jurídica adquirir um investimento avaliado pelo MEP por valor superior ou inferior ao contabilizado no patrimônio líquido, deverá desdobrar o custo da aquisição em (1) valor do patrimônio líquido na época da aquisição e (2) ágio ou deságio. Para a devida transparência na mais valia (ou menor valia) do investimento, o registro contábil deve ocorrer em contas diferentes: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e Fl. 3048DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.049 20 II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). (grifei) Como se pode observar, a formação do ágio não ocorre espontaneamente. Pelo contrário, deve ser motivado, e indicado o seu fundamento econômico, que deve se amparar em pelo menos um dos três critérios estabelecidos no § 2º do art. 385 do RIR/99, (1) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, (2) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros (3) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. E, conforme já dito, por ser a motivação adotada pela quase totalidade das empresas, todos os holofotes dirigemse ao fundamento econômico com base em expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida. Tratase precisamente de lucros esperados a serem auferidos pela controlada ou coligada, em um futuro determinado. Por isso o adquirente (futuro controlador) se propõe a desembolsar pelo investimento um valor superior ao daquele contabilizado no patrimônio líquido da vendedora. Por sua vez, tal expectativa deve ser lastreada em demonstração devidamente arquivada como comprovante de escrituração, conforme previsto no § 3º do art. 385 do RIR/99. E, finalmente, passamos a apreciar os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, consolidados no art. 386 do RIR/99. Como já dito, em eventos de transformação societária, quando investidora absorve o patrimônio da investida (ou vice versa), adquirido com ágio ou deságio, em razão de cisão, fusão ou incorporação, resolveu o legislador disciplinar a situação: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado Fl. 3049DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.050 21 segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração.(...) (grifei) Fica evidente que os arts. 385 e 386 do RIR/99 guardam conexão indissociável, constituindose em norma tributária permissiva do aproveitamento do ágio nos casos de incorporação, fusão ou cisão envolvendo o investimento objeto da mais valia. 5. Amortização. Despesa. Definido que o aproveitamento do ágio pode darse por meio de despesa de amortização, mostrase pertinente apreciar do que trata tal dispêndio. No RIR/99 (DecretoLei nº 3.000, de 26/03/1999), o conceito de amortização encontrase no Subtítulo II (Lucro Real), Capítulo V (Lucro Operacional), Seção III (Custos, Despesas Operacionais e Encargos). O artigo 299 do diploma em análise trata, no art. 299, na Subseção I, das Disposições Gerais sobre as despesas: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). Fl. 3050DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.051 22 § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Para serem dedutíveis, devem as despesas serem necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, e serem usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Por sua vez, logo após as Subseções II (Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado) e III (Depreciação Acelerada Incentivada), encontra previsão legal a amortização, no art. 324, na Subseção IV do RIR/99 6. Percebese que a despesa de amortização de ágio constituise em espécie do gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99. 6. Despesa Em Face de Fatos Construídos Artificialmente No mundo real os fatos nascem e morrem, decorrentes de eventos naturais ou da vontade humana. O direito elege, para si, fatos com relevância para regular o convívio social. No que concerne ao direito tributário, são escolhidos fatos decorrentes da atividade econômica, financeira, operacional, que nascem espontaneamente, precisamente em razão de atividades normais, que são eleitos porque guardam repercussão com a renda ou o patrimônio. São condutas relevantes de pessoas físicas ou jurídicas, de ordem econômica ou social, ocorridas no mundo dos fatos, que são colhidas pelo legislador que lhes confere uma qualificação jurídica. Por exemplo, o fato de auferir lucro, mediante operações espontâneas, das atividades operacionais da pessoa jurídica, amoldase à hipótese de incidência prevista pela norma, razão pela qual nasce a obrigação do contribuinte recolher os tributos. Da mesma maneira, a pessoa jurídica, no contexto de suas atividades operacionais, incorre em dispêndios para a realização de suas tarefas. Contratase um prestador de serviços, comprase uma mercadoria, operações necessárias à consecução das atividades da empresa, que surgem naturalmente. 6 Art. 324. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à recuperação do capital aplicado, ou dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, § 1º). § 1º Em qualquer hipótese, o montante acumulado das quotas de amortização não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem ou direito, ou o valor das despesas (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 2º). § 2º Somente serão admitidas as amortizações de custos ou despesas que observem as condições estabelecidas neste Decreto (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 5º). § 3º Se a existência ou o exercício do direito, ou a utilização do bem, terminar antes da amortização integral de seu custo, o saldo não amortizado constituirá encargo no período de apuração em que se extinguir o direito ou terminar a utilização do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 4º). § 4º Somente será permitida a amortização de bens e direitos intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). Fl. 3051DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.052 23 Ocorre que, em relação aos casos tratados relativos á amortização do ágio, proliferaramse situações no qual se busca, especificamente, o enquadramento da norma permissiva de despesa. Tratamse de operações especialmente construídas, mediante inclusive utilização de empresas de papel, de curtíssima duração, sem funcionários ou quadro funcional incompatível, com capital social mínimo, além de outras características completamente atípicas no contexto empresarial, envolvendo aportes de substanciais recursos para, em questão de dias ou meses, serem objeto de operações de transformação societária. Tais eventos podem receber qualificação jurídica e surtir efeitos nos ramos empresarial, cível, contábil, dentre outros. Situação completamente diferente ocorre no ramo tributário. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Impossível estender atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas, independente sua espécie, derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. A pessoa jurídica recebe tratamento diferenciado no sistema de tributação (com diferentes opções para apurar seus resultados) porque, essencialmente, tem um efeito multiplicador para a sociedade. A pessoa jurídica emprega pessoas, contrata fornecedores, movimenta a economia, multiplica os agentes de produção, e por isso dispõe de bases de cálculo e alíquotas diferentes das aplicadas para a pessoa física. Ora, as pessoas jurídicas devem fabricar produtos, e não despesas fictícias. Admitindose uma construção artificial do suporte fático, consumarseia um tratamento desigual, desarrazoado e desproporcional, que afronta o princípio da capacidade contributiva e da isonomia, vez que seria conferida a uma determinada categoria de despesa uma premissa completamente diferente, uma liberalidade não aplicável à grande maioria dos contribuintes. 7. Hipótese de Incidência Prevista Para a Amortização Realizada análise do ágio sob perspectiva do gênero despesa, cabe prosseguir com a apreciação da legislação específica que trata de sua amortização. Vale recapitular os dois eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida (investida) com ágio; (2) a investidora e a investida transformamse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). E repetir que estamos, agora, tratando da segunda situação. Cenário que se encontra disposto nos arts. 7º e 8º da Lei n° 9.532, de 1997, e nos arts. 385 e 386 do RIR/99, do qual transcrevo apenas os fragmentos de maior interesse para o debate: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, Fl. 3052DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.053 24 por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): (...) III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (...) (grifei) Percebese claramente, no caso, que o suporte fático delineado pela norma predica, de fato, que investidora e investida tenham que integrar uma mesma universalidade: A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio. A conclusão é ratificada analisandose a norma em debate sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária delineada pela melhor doutrina de GERALDO ATALIBA 7. 7 ATALIBA, Geraldo. Hipótese de Incidência Tributária, 6ª ed. São Paulo : Malheiros Editores, 2010, p. 51 e segs. Fl. 3053DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.054 25 Esclarece o doutrinador que a hipótese de incidência se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade. Ao se apreciar o aspecto pessoal, merecem relevo as palavras da doutrina, ao determinar que se trata da qualidade que determina os sujeitos da obrigação tributária. E a norma em análise se dirige à pessoa jurídica investidora originária, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, coordenou e comandou os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, e à pessoa jurídica investida. Ocorre que, em se tratando do ágio, as reorganizações societárias empreendidas apresentaram novas pessoas ao processo. Como exemplo, podemos citar situação no qual a pessoa jurídica A adquire com ágio participação societária da pessoa jurídica B. Em seguida, utilizase de uma outra pessoa jurídica, C, e integraliza o capital social dessa pessoa jurídica C com a participação societária que adquiriu da pessoa jurídica B. Resta consolidada situação no qual a pessoa jurídica A controla a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C controla a pessoa jurídica B. Em seguida, sucedese evento de transformação societária, no qual a pessoa jurídica B absorve patrimônio da pessoa jurídica C, ou vice versa. Ocorre que os sujeitos eleitos pela norma são precisamente a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) cuja participação societária foi adquirida com ágio. Para fins fiscais, não há nenhuma previsão para que o ágio contabilizado na pessoa jurídica A (investidora), em razão de reorganizações societárias empreendidas por grupo empresarial, possa ser considerado "transferido" para a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C, ao absorver ou ser absorvida pela pessoa jurídica B, possa aproveitar o ágio cuja origem deuse pela aquisição da pessoa jurídica A da pessoa jurídica B. Da mesma maneira, encontramse situações no qual a pessoa jurídica A realiza aportes financeiros na pessoa jurídica C e, de plano, a pessoa jurídica C adquire participação societária da pessoa jurídica B com ágio. Em seguida, a pessoa jurídica C absorve patrimônio da pessoa jurídica B, ou vice versa, a passa a fazer a amortização do ágio. Mais uma vez, não é o que prevê o aspecto pessoal da hipótese de incidência da norma em questão. A pessoa jurídica que adquiriu o investimento, que acreditou na mais valia e que desembolsou os recursos para a aquisição foi, de fato, a pessoa jurídica A (investidora). No outro pólo da relação, a pessoa jurídica adquirida com ágio foi a pessoa jurídica B. Ou seja, o aspecto pessoal da hipótese de incidência, no caso, autoriza o aproveitamento do ágio a partir do momento em que a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) passem a integrar a mesma universalidade. São as situações mais elementares. Contudo, há reorganizações envolvendo inúmeras empresas (pessoa jurídica D, E, F, G, H e assim por diante). Vale registrar que goza a pessoa jurídica de liberdade negocial, podendo dispor de suas operações buscando otimizar seu funcionamento, com desdobramentos econômicos, sociais e tributários. Fl. 3054DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.055 26 Contudo, não necessariamente todos os fatos são recepcionados pela norma tributária. A partir do momento em que, em razão das reorganizações societárias, passam a ser utilizadas novas pessoas jurídicas (C, D, E, F, G, e assim sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora originária (pessoa jurídica A) e da investida (pessoa jurídica B), e o evento de absorção não envolve mais a pessoa jurídica A e a pessoa jurídica B, mas sim pessoa jurídica distinta (como, por exemplo, pessoa jurídica F e pessoa jurídica B), a subsunção ao art. 386 do RIR/99 tornase impossível, vez que o fato imponível (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal. Em relação ao aspecto material, há que se consumar a confusão de patrimônio entre investidora e investida, a que faz alusão o caput do art. 386 do RIR (A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio...). Com a confusão patrimonial, aperfeiçoase o encontro de contas entre o real investidor e investida, e a amortização do ágio passa a ser autorizada, com repercussão direta na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Na realidade, o requisito expresso de que investidor e investida passam a compor o mesmo patrimônio, mediante evento de transformação societária, no qual a investidora absorve a investida, ou vice versa, encontra fundamento no fato de que, com a confusão de patrimônios, o lucro auferido pela investida passa a integrar a mesma universalidade da investidora. SCHOUERI8, com muita clareza, discorre que, antes da absorção, investidor e investida são entidades autônomas. O lucro auferido pela investida (que foi a motivação para que a investidora adquirisse a investida com o sobrepreço), é tributado pela própria investida. E, por meio do MEP, eventual acréscimo no patrimônio líquido da investida seria refletido na investidora, sem, contudo, haver tributação na investidora. A lógica do sistema mostrase clara, na medida em que não caberia uma dupla tributação dos lucros auferidos pela investida. Por sua vez, a partir do momento em que se consuma a confusão patrimonial, os lucros auferidos pela então investida passam a integrar a mesma universalidade da investidora. Reside, precisamente nesse ponto, o permissivo para que o ágio, pago pela investidora exatamente em razão dos lucros a serem auferidos pela investida, possa ser aproveitado, vez que passam a se comunicar, diretamente, a despesa de amortização do ágio e as receitas auferidas pela investida. Ou seja, compartilhando o mesmo patrimônio investidora e investida, consolidase cenário no qual a mesma pessoa jurídica que adquiriu o investimento com mais valia (ágio) baseado na expectativa de rentabilidade futura, passa a ser tributada pelos lucros percebidos nesse investimento. Verificase, mais uma vez, que a norma em debate, ao predicar, expressamente, que para se consumar o aproveitamento da despesa de amortização do ágio, os sujeitos da relação jurídica seriam a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, ou seja, investidor e investida, não o fez por acaso. Tratase precisamente 8 SCHOUERI, 2012, p. 62. Fl. 3055DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.056 27 do encontro de contas da investidora originária, que incorreu na despesa e adquiriu o investimento, e a investida, potencial geradora dos lucros que motivou o esforço incorrido. Prosseguindo a análise da hipótese de incidência da norma em questão, no que concerne ao aspecto temporal, cabe verificar o momento em que o contribuinte aproveita se da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, evento que provoca impacto direto na apuração da base de cálculo tributável. Registrese que a consumação do aspecto temporal não se confunde com o termo inicial do prazo decadencial. Isso porque, partindose da construção da norma conforme operação no qual "Se A é, B deveser", onde a primeira parte é o antecedente, e a segunda é o consequente, a consumação da hipótese de incidência localizase no antecedente. Ou seja, "Se A é", indica que a hipótese de incidência, no caso concreto, mediante aperfeiçoamento dos aspectos pessoal, material e temporal, concretizouse em sua plenitude. Assim, passase para a etapa seguinte, o consequente ("B deveser"), no qual se aplica o regime de tributação a que encontra submetido o contribuinte (lucro real trimestral ou anual), efetuase o lançamento fiscal com base na repercussão que as glosas despesas de ágio indevidamente amortizadas tiveram na apuração da base de cálculo, e, por consequência, determinase o termo inicial para contagem do prazo decadencial. 8. Consolidação Considerandose tudo o que já foi escrito, entendo que a cognição para a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos pela norma encontramse atendidos e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado. A primeira verificação parece óbvia, mas, diante de todo o exposto até o momento, observase que a discussão mais relevante inserese precisamente neste momento, situado antes da subsunção do fato à norma. Falase insistentemente se haveria impedimento para se admitir a construção de fatos que buscam se amoldar à hipótese de incidência de norma de despesa. O ponto é que, independente da genialidade da construção empreendida, da reorganização societária arquitetada e consumada, a investidora originária prevista pela norma não perderá a condição de investidora originária. Quem viabilizou a aquisição? De onde vieram os recursos de fato? Quem efetuou os estudos de viabilidade econômica da investida? Quem tomou a decisão de adquirir um investimento com sobrepreço? Respondo: a investidora originária. Ainda que a pessoa jurídica A, investidora originária, para viabilizar a aquisição da pessoa jurídica B, investida, tenha (1) "transferido" o ágio para a pessoa jurídica C, ou (2) efetuado aportes financeiros (dinheiro, mútuo) para a pessoa jurídica C, a pessoa jurídica A não perderá a condição de investidora originária. Podese dizer que, de acordo com as regras contábeis, em decorrência de reorganizações societárias empreendidas, o ágio legitimamente passou a integrar o patrimônio da pessoa jurídica C, que por sua vez foi incorporada pela pessoa jurídica B (investida). Fl. 3056DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.057 28 Ocorre que a absorção patrimonial envolvendo a pessoa jurídica C e a pessoa jurídica B não tem qualificação jurídica para fins tributários. Isso porque se trata de operação que não se enquadra na hipótese de incidência da norma, que elege, quanto ao aspecto pessoal, a pessoa jurídica A (investidora originária) e a pessoa jurídica B (investida), e quanto ao aspecto material, o encontro de contas entre a despesa incorrida pela pessoa jurídica A (investidora originária que efetivamente incorreu no esforço para adquirir o investimento com sobrepreço) e as receitas auferidas pela pessoa jurídica B (investida). Mostrase insustentável, portanto, ignorar todo um contexto histórico e sistêmico da norma permissiva de aproveitamento do ágio, despesa operacional, para que se autorize "pinçar" os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, promover uma interpretação isolada, blindada em uma bolha contábil, e se construir uma tese no qual se permita que fatos construídos artificialmente possam alterar a hipótese de incidência de norma tributária. Caso superada a primeira verificação, cabe prosseguir com a segunda verificação, relativa a aspectos de ordem formal, qual seja, se a demonstração que o contribuinte arquivar como comprovante de escrituração prevista no art. 20, § 3º do Decreto Lei nº 1.598, de 27/12/1977 (1) existe e (2) se mostra apta a justificar o fundamento econômico do ágio. Há que se verificar também (3) se ocorreu, efetivamente, o pagamento pelo investimento. Enfim, referese a terceira verificação a constatar se toda a operação ocorreu dentro de padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes, distante de situações que possam indicar ocorrência de negociações eivadas de ilicitude, que poderiam guardar repercussão, inclusive, na esfera penal, como nos crimes contra a ordem tributária previstos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 1990. 9. Sobre o Caso Concreto Feitas as considerações, passo a analisar o caso concreto. Tratase de operação envolvendo a aquisição do investimento LISTEL, por parte da AVERDIN, controlada pela BELLSOUTH (sede no exterior), com sobrepreço (ágio). Os fatos sob apreciação, em breve síntese, são os seguintes: A BELLSOUTH é controladora direta da AVERDIN; Em 17/03/1999 é constituída a MKV, com capital social de R$100,00; Em 14/05/1999 é constituída a APENINA, com capital social de R$100,00; Em 01/06/1999, a AVERDIN aumentou o capital social da MKV e da APENINA, passando a ser controladora das empresas. O capital social da MKV foi aumentado para R$96.778.950,00, e o capital social da APENINA é aumentado para R$100.204.750,00; Em 01/06/1999, com os recursos decorrentes do aporte financeiro promovido pela AVERDIN, a MKV e a APENINA fizeram a aquisição da LISTEL, com Fl. 3057DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.058 29 sobrepreço, tendo sido apresentado laudo datado de 28/08/2000 para justificar o ágio na aquisição com base na rentabilidade futura do investimento; Em 31/07/2000 a LISTEL incorporou a empresa MKV; Em 31/12/2003 a LISTEL incorporou a APENINA. A partir de 2004, passa a LISTEL passa a amortizar a despesa de ágio. São os fatos. Diante de todo o escrito no presente voto, a operação em análise não passa pela primeira verificação (vide item 8 do voto). Quanto ao aspecto pessoal, cabe verificar quem é efetivamente a pessoa jurídica investidora e a pessoa jurídica investida. A pessoa jurídica investidora é o AVERDIN, que efetuou o aporte de recursos para aquisição do investimento LISTEL com pagamento de sobrepreço, por ter sido realizado em valor superior ao do patrimônio líquido. É incontestável que foi a AVERDIN a empresa que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, coordenou e comandou os estudos de rentabilidade futura do investimento a ser adquirido e desembolsou os recursos para a aquisição (vide item 7 do voto). Por sua vez, a pessoa jurídica investida foi a empresa LISTEL. Ocorre que os eventos de incorporação deramse entre a MKV e LISTEL e a APENINA e a LISTEL, ou seja, sem a presença da real investidora, o AVERDIN. O fato de as empresas MKV e APENINA terem recebido o aporte de recursos do investidor AVERDIN não lhe conferem, na acepção do dispositivo normativo em análise, em nenhum momento, a condição de investidora. Nesse sentido, o aproveitamento da despesa de amortização de ágio promovido pela Contribuinte deuse sem respaldo legal, vez que não se consumou a hipótese de incidência prevista nos arts. 7º e 8·da Lei nº 9.532, de 1997. Por si só, tal aspecto já se mostra suficiente para restabelecer a glosa de despesa de amortização do ágio. De qualquer forma, merece registro a efemeridade e a artificialidade das empresas MKV e APENINA, que foram criadas com capital social de R$100,00, em 17/03/1999 e 14/05/1999, respectivamente. Ambas receberam aporte financeiro da AVERDIN em brevíssimo espaço de tempo, em 01/06/1999, e, na mesma data, promoveram a aquisição do investimento LISTEL. E, como já dito, posteriormente, a LISTEL incorporou tanto a MKV quanto a APENINA. Não restam dúvidas sobre utilização de empresas de papel (MKV e APENINA), com capital social ínfimo e sem quadro de funcionários necessário para promover um adequado funcionamento operacional, para consumar o aproveitamento de uma despesa fictícia. Empresa efêmera e sem nenhuma substância econômica. Há um completo desvirtuamento do instituto de pessoa jurídica, que foi criada apenas para fabricar uma Fl. 3058DF CARF MF Processo nº 19515.005924/200977 Acórdão n.º 9101003.465 CSRFT1 Fl. 3.059 30 despesa. Ora, empresas não se prestam a fabricar despesas, mas sim a fabricar produtos, gerar empregos, prestar serviços, mediante consecução de atividades reais. Constatase, com nitidez, a construção artificial do suporte fático, para que se pudesse amoldar à hipótese de incidência de despesa de amortização do ágio (item 6 do voto). É incontroversa a utilização de empresas sem nenhuma substância, MKV e APENINA, com o deliberado intuito de fabricar uma despesa com repercussão na base tributável. Portanto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 3059DF CARF MF
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