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Numero do processo: 10166.004711/2005-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1999, 2000
EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL
Não podem ser excluídas da base de cálculo da COFINS, por falta de previsão legal, rubricas referentes a "pagamentos a fornecedores e de ICMS". Por conseguinte, não ocorreram pagamentos a maior da COFINS, passíveis de compensação.
Numero da decisão: 3301-004.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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FALTA DE PREVISÃO LEGAL Não podem ser excluídas da base de cálculo da COFINS, por falta de previsão legal, rubricas referentes a "pagamentos a fornecedores e de ICMS". Por conseguinte, não ocorreram pagamentos a maior da COFINS, passíveis de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 47 11 /2 00 5- 37 Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10166.004711/200537 Acórdão n.º 3301004.664 S3C3T1 Fl. 313 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Originariamente o contribuinte protocolou Pedido de Restituição formalizado no processo administrativo de n° l0120.007955/200417, juntado por apensação ao processo n" 10166.004714/200571, cujas cópias das peças de interesse ao presente processo foram anexadas por esta DRJ/BSB/DF às fl. 206/236. Neste pedido, à fl. 01 do referido processo, o contribuinte pleiteou restituição no valor de R$ 347.784,36, com o argumento de haver recolhido indevidamente, no período de fevereiro de 1999 a setembro de 2000, a contribuição para o PIS sobre receitas transferidas a outras pessoas jurídicas, não excluídas da base de cálculo. Por meio do Despacho Decisório proferido em 10/01/2005, à fl. 177 daquele processo, baseado no Parecer DRF/GO1/Saort n" 06, de 07/01/2005, às fl. 174/176 daquele, o Delegado da Receita Federal em Goiânia .indeferiu o pedido do interessado, considerandoo não formulado em função do meio utilizado ter sido inadequado: o contribuinte usou formulário quando deveria ter feito o pedido via programa eletrônico PER/DCOMP. O contribuinte foi cientificado do despacho em 20/01/2005, conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 180 daquele processo. Posteriormente a repartição verificou a existência de duas DCOMP apresentadas pelo contribuinte, de n° 218l6.67304.01 1204.1 .3.04903 1 e 30909.81393.141204.l.3.041973 (fl. 188/204 daquele), as quais informavam o referido processo como origem do crédito. Tais declarações foram baixados para o aquele processo para apreciação manual (fl. 183 verso, daquele). Após ciência em 13/09/2006, conforme AR à fl. 257 daquele processo, o contribuinte apresentou recurso denominado por ele de “Pedido de Extinção sob Condição Resolutória de sua Ulterior Homologação”, às fl. 258/260 daquele (com cópia às fl. 108/111 deste processo), em 06/10/2006, onde argumentou o que segue: Tendo em vista a decisão da DRF, para não ficar indevidamente tolhido de efetuar a compensação de seu crédito tributário, substituiu a compensação dos valores que estão sendo cobrados com os créditos constantes nos processos administrativos n° 10166.004714/200571 (o presente processo) e 10166.004711/200537; Como todas as cobranças indevidas foram regularmente compensadas com os referidos créditos, conforme comprovam as respectivas PER/DCOMP e ainda as DCTF, e como a compensação regularmente informada tem o condão de extinção do crédito tributário sob condição resolutória, devem ser imediatamente canceladas as cobranças. Conforme despacho às fl. 532/533 daquele processo, datado de 20/08/2008, em razão deste pedido, e de liminar em Mandado de Segurança, confirmada em sentença, que determinou que os pedidos de restituição fossem tidos como devidamente formalizados e apreciados, a DRF passou a analisar os dois novos processos, constatando que os débitos compensados no processos n° Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10166.004711/200537 Acórdão n.º 3301004.664 S3C3T1 Fl. 314 3 10120007955/200417 foram também compensados, parte no presente processo (a maioria), em que o pedido de restituição é dos pagamentos da contribuição ao PIS, e parte no processo n° 10120004711/200537, em que o pedido de restituição é dos pagamentos da contribuição Cofins. Frisese que neste processo consta despacho semelhante à fl. 122/123, datado de seis dias antes, 14/08/2008, que contém erro nas disposições finais, quais sejam: manda excluir do Profisc os débitos do presente processo, mantendo o daquele (10120.007955/200417), e determina a juntada do processo 10166.0047l4/200571 àquele (l0120.007955/200417), quando as providências tomadas foram exatamente 0 contrário, de forma coerente com o restante do texto do despacho. A DRF excluiu o processo substituído (10120.007955/200417) do sistema Profisc e juntouo ao de n° 10166004714/200571 por apensação, por se tratar de mesmo pedido, qual seja, crédito de PIS. Este último processo já foi objeto de julgamento por esta DRJ em 13/04/2009, tendo sido proferido o Acórdão n° 03 30.342, de 13 de abril de 2009, cuja cópia foi juntada aos autos do presente processo às 237/252. Tendo em vista o pedido de cancelamento do processo administrativo de n“ l0120.007955/200417, a DRF entendeu ser devido, por consequência, o cancelamento dos PER/DCOMP n" 2l816.67304.011204.13.049031 e 30909.81393.14l204.1.3.041973 que indicavam como origem do crédito o referido processo, apesar de não ter sido apresentado pelo contribuinte PER/DCOMP de cancelamento. Tratando, agora, do presente processo, de n° 10166.004711/200537, registre se que o pedido de restituição foi feito por formulário às fl. 01/04, em 14/04/2005, onde o contribuinte pleiteou a repetição do indébito tributário no valor de R$ 1.665.415,88, sob o argumento de haver recolhido indevidamente a contribuição para a Cofins sobre as receitas transferidas a outras pessoas jurídicas, em virtude de não as ter excluído da base de cálculo no Período de fevereiro de 1999 a setembro de 2000. O pedido de restituição foi instruído com planilha dos cálculos do suposto crédito de Cofins à fl. 05. Em 28/ 1 1/2005, o contribuinte apresentou requerimento para suspender os débitos Compensados referentes ao presente processo e ao processo n° l0166.0047l4/200571 (fl.08/O9), acompanhado de cópias de procuração para o advogado (fl. 10 e 18), de atas de assembléias (fl. 12/17), das PER/DCOMP n° 01440.04739.l20505.1.3.048806 (referente ao processo 10166004714/200571) e n° 27058.798l7.1305'05.1.3.040610 (referente ao presente processo) às fl. 22/39, das DCTF entregues (fl. 40/74), e dos extratos dos débitos (fl. 75/80). Requerimento semelhante já havia sido apresentado em 01/08/2005, referente apenas ao presente processo, mas anexado indevidamente no processo n° 10166004714/200571 (às fl. 06/07 do mesmo). Este documento original foi desentranhado do referido processo e anexado ao presente às fl. 190/191, deixando se cópia naquele. A DRF verificou que o crédito aqui tratado foi objeto de pedido de restituição não somente do PER/DCOMP n° 27058.798l7.l30505.1.3.040610, mas também das declarações n° 17034.83715.l50805.l.3.042802 e n° 380127590614110513.04 2631. Estas declarações foram baixadas aos autos para apreciação manual, conforme documentos às fl. 82/ 106. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10166.004711/200537 Acórdão n.º 3301004.664 S3C3T1 Fl. 315 4 Por meio de Despacho Decisório n° 083, de 06/O3/2006 proferido no processo n° l0166.004714/2005/71 (às fl. 170/175 do mesmo), cuja cópia foi juntada ao presente processo às fl. 200/205, o Delegado da Receita Federal em Goiânia considerou o pedido de restituição constante daquele processo não formulado, haja vista não ter sido requerido por meio de PER/DCOMP, conforme art. 31, da lN SRF n" 460/2004, bem assim considerou não declaradas as compensações de débitos constantes do PER/DCOMP respectivo. Na ordem de intimação do despacho, foi determinada a cobrança dos débitos confessados e foi salientado que o contribuinte não poderia apresentar manifestação de inconformidade perante a Delegacia de Julgamento. Em 20/06/2006 (conforme autenticação eletrônica) o contribuinte apresentou requerimento visando anteciparse à possibilidade de haver um julgamento semelhante ao do proferido no outro processo, com o intuito de ser levado em consideração o formulário de pedido de restituição ou, caso não acatado o pleito, de ser intimado previamente para esclarecimentos com base no art. 38 da Lei n", 9.781/99. Tal requerimento foi juntado indevidamente nos autos daquele processo (l0166.0047l4/200571), às fl. 239/242, razão pela qual houve o seu desentranhamento, sendo anexado ao presente às fl. 192/195. Naqueles autos foi deixada cópia do documento. Tendo em vista ciência de liminar e sentença em mandado de segurança obtidas pelo contribuinte, determinando que os pedidos de restituição entregues em formulário fossem tidos como devidamente formalizados e apreciados, a DRF elaborou o já mencionado despacho de 20/08/2008, cuja cópia foi juntada às fl. 235/236 do presente processo, e o despacho de 14/08/2008 (com comandos finais errados, conforme já tratado anteriormente) às fl. 122/123, onde determinou a exclusão dos débitos do processo de n° 10120.007955/200417 do Profisc e sua juntada ao processo 10166004714/200571, para apreciar o mérito dos pedidos de restituição tidos por formalizados pelo Poder Judiciário no referido processo e no presente. As cópias da liminar c da sentença no Mandado de Segurança n° 2006.35.00.0058823/GO estão às fl. 111/116 e 117/121, respectivamente. Em 26/08/2008, por meio do Despacho Decisório n” 754/2008 às fl. 127/137, a DRF/GOI se pronunciou quanto ao pedido de restituição e às compensações efetuadas pelos PER/DCOMP n" 270587981 7.1 30505.1 .3.040610, n° 1703483715.150805.1.3.042802 e n° 38012.75906.l41l05.l.3.042631, ressalvando que a análise do mérito decorreu da determinação judicial. A decisão foi para: Indeferir o pedido de restituição em função da inexistência do crédito tributário informado; Não homologar as compensações efetuadas nos PER/DCOMP referidos. Quanto ao pedido de restituição, a autoridade fiscal salientou inicialmente que o contribuinte pleiteou a repetição do indébito tributário de Cofins à fl. O1 do formulário, contudo, na sequência fez uma apreciação como se o pleito fosse referente a PIS. Entendeu que o contribuinte aparentemente utilizou o mesmo formulário elaborado para o pleito de restituição do PIS (constante do outro processo), modificando apenas o início do pedido para fazer referência à Cofins. Procedeu à análise do pedido aceitando como válida a informação contida à fl. 01. A autoridade fiscal destacou que não houve transferência de receitas na forma inicialmente pretendida pelo legislador e posta na norma então pendente de Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10166.004711/200537 Acórdão n.º 3301004.664 S3C3T1 Fl. 316 5 regulamentação (art. 3”, § 2°, Ill da Lei n” 9.718/98), como, por exemplo, nas subcontratações de obras por empreitadas. Informou que, conforme planilha á fl. O5, o contribuinte chamou de receita transferida os pagamentos a fornecedores de mercadorias e do ICMS. Salientou, ademais, que, ainda que tivesse ocorrido efetivamente a transferência de receitas pretendida pelo legislador, o que o contribuinte chamou de “Direito do contribuinte preconizado por Lei Art. 3°, § 2°, inciso 111 da Lei 9.718/98”, nada mais é do que uma mera expectativa de direito, vez que a sua eficácia dependia de regulamentação, que não ocorreu até a revogação do dispositivo pela MP n“ 1.199118/2000. Mencionou decisões do judiciário nesse sentido. Encerrou a análise do pedido de restituição alertando que o contribuinte pretendia, ainda, recuperar créditos sobre mercadorias adquiridas utilizando o critério da não cumulatividade, muito antes da existência de previsão legal para tanto. Quanto às compensações, esclareceu que para sua efetivação é necessária a existência de crédito, o que não ocorreu no presente caso. Cientificado da decisão em 28/10,/2008, conforme AR à tl. 165, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade às fl. 156/179 em 26/ll/2008, conforme autenticação eletrônica, instruída com os documentos às fl. 180/186, cujo teor resumo a seguir: A autoridade fiscal considerou que foi pleiteado crédito de R$ 1.665.415,88 a título de Cofins paga indevidamente, quando, na realidade, os autos tratam de crédito de PIS no importe de R$ 360.658,17; Para correta e justa apreciação do presente processo devem, antes de mais nada, ser fornecidas ao recorrente cópias das declarações de compensação citadas na decisão, quais sejam, n” l7034.837l5.l50805.l.3.042802 e n" 38012.75906.l4l l05.1.3.04263i; As compensações, embora não homologadas, não podem ser objeto de cobrança devido ao efeito suspensivo da Manifestação de Inconformidade estabelecido pelo art. 74 da Lei n” 9.430/96, com redação da Lei n” 10833/2003; A fim de evitar preclusão do seu direito, efetuará defesa nestes autos como se referente à Cofins, e não como realmente é a sua matéria, qual seja, PIS; É claro e cristalino o comando do art. 3°, § 2“, lll da Lei n" 9.718/98, que manda excluir da base de cálculo da Cofins os valores repassados para outras pessoas jurídicas, sendo tal comando autoaplicável; Muito embora o Poder Executivo tenha sido omisso em regulamentar o inciso, esta ausência não tem o condão de afastar a aplicação da norma, uma vez que é autoaplicável por não caber ao intérprete restringir o que a lei não o fez; É flagrante a ilegalidade de restrição imposta ao contribuinte de excluir da base de cálculo da contribuição os valores que, computados como receitas, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica. Tal situação viola o princípio da capacidade contributiva, pois obriga o contribuinte à tributação sobre uma renda que não lhe pertence; Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10166.004711/200537 Acórdão n.º 3301004.664 S3C3T1 Fl. 317 6 No presente caso, a inexistente regulamentação por parte do Executivo violaria o art. 97, IV do CTN, considerando que a lei possui elementos básicos da norma de tributação. A norma regulamentar somente serviria para operacionalizar a execução da lei, subordinandose aos seus mandamentos haja vista o princípio da legalidade; A jurisprudência judicial corrobora este entendimento; Além disso, não há que se falar em ausência de regulamentação pelo Poder Executivo, uma vez que a Lei n° 10.637/2002 e a Lei n° 10833/2003, que tratam da cobrança não~cumulativa do PIS,e da Cofins, respectivamente, vieram ratificar e regulamentar a questão do desconto dos créditos apurados; Estas leis podem retroagir para atingir operações anteriores ao seu advento, consoante art. 106, I do CTN, haja vista' caráter interpretativo. Nesse sentido decisão do STJ; Ofensa ao princípio da isonomia do art. 5° e do art. l94, § único, V da Constituição Federal (CF), vez que todos os demais contribuintes recolhem a contribuição nos termos da lei, sobre a receita real, sobre aquisições plenas de disponibilidade econômica e jurídica, o que não ocorreu com a recorrente, que recolheu essas contribuições sem a exclusão dos valores transferidos a outras pessoas jurídicas; Ofensa ao princípio do nãoconfisco previsto no art. 150, VI da CF; Requer que as compensações não sejam óbices à obtenção de Certidão Positiva com Efeito de Negativa, nos termos do art. 151, III e do art. 206 do CTN, bem assim que, enquanto pendentes de análise do recurso, não tragam quaisquer outras retaliações; Requer que seja procedida a verificação da matéria discutida nos autos, dos valores pleiteados, das compensações efetuadas, para que seja elaborada nova decisão, que efetivamente trate dos fatos ocorridos nestes autos. É o relatório." Em 17 de abril de 2009, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ em Brasília (DF) e o Acórdão n° 0330.467 foi assim ementado: "Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA o FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999, 2000 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. TRANSFERÊNCIA A TERCEIROS. NORMA NÃO EFICAZ. Consoante o AD n" 56/2000, não produziu eficácia o disposto no art. 3", § 2”, III da Lei n° 9.718/98, haja vista revogação pela MP n" 1.99118/2000 anterior à sua regulamentação. CUSTOS E DESPESAS NÃO REPRESENTAM TRANSFERÊNCIA DE RECEITA A TERCEIROS. Pagamentos a fornecedores de mercadorias, bem assim pagamentos de ICMS, representam custos e despesas da Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10166.004711/200537 Acórdão n.º 3301004.664 S3C3T1 Fl. 318 7 empresa, mas nunca transferência de receitas pertencentes a terceiros. A sua exclusão da receita bruta para fins de apuração da Cofins implica considerar que a base de cálculo deste tributo é o lucro, à semelhança do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre O Lucro Líquido, o que contraria frontalmente o conceito de faturamento disposto no art. 3° da Lei n° 9718/98. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. COMPENSAÇÃO NAO HOMOLOGADA. Inexistindo o crédito apontado, é devido considerar não homologada a compensação efetuada. Solicitação Indeferida" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: os débitos liquidados com os créditos não reconhecidos não podem ser cobrados, pois foram incluídos em programa de parcelamento; o PIS/COFINS não incidem sobre receitas transferidas a terceiros, por força do inciso III do § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, dispositivo que foi revogado por medida provisória, o que é inconstitucional; a tributação das receitas transferidas para terceiros fere os princípios constitucionais da isonomia e da capacidade contributiva; e que o recurso voluntário produza efeito suspensivo e devolutivo, enquanto pendente de julgamento. É o relatório. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10166.004711/200537 Acórdão n.º 3301004.664 S3C3T1 Fl. 319 8 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Em 26/08/08, por meio do Despacho Decisório n° 754/2008 (fls. 128 a 138), a DRF em Goiânia (GO) indeferiu o Pedido de Restituição de COFINS, de R$ 1.665.415,88, e não homologou as Declarações de Compensação a ele vinculadas, no montante de R$ 353.678,11. De acordo com o contribuinte, os créditos seriam oriundos de pagamentos de COFINS efetuados a maior, por indevida inclusão nas bases de cálculo de receitas transferidas a terceiros. A exclusão da base de cálculo estaria prevista no inciso III do § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, cuja revogação, a partir de 01/01/2000, pela MP n° 2.158 35/01, seria inconstitucional. Ademais, a incidência sobre receitas de terceiros não se encontraria dentre as hipóteses legais de incidência. A fiscalização, por sua vez, identificou que, na verdade, o contribuinte excluiu da base de cálculo da COFINS "pagamentos a fornecedores de mercadorias (antes da introdução do regime não cumulativo) e do ICMS", sem respaldo legal. Em seu recurso voluntário (fls. 274 a 285), o contribuinte defende a "exclusão de receitas pertencentes a terceiros", sem contestar as naturezas das exclusões identificadas no Despacho Decisório (fls. 128 a 138): "pagamentos a fornecedores de mercadorias e do ICMS". Em síntese, alegou o seguinte: os débitos liquidados com os créditos não reconhecidos não podem ser cobrados, pois foram incluídos em programa de parcelamento; o PIS/COFINS não incidem sobre receitas transferidas a terceiros, por força do inciso III do § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, dispositivo que foi revogado por medida provisória, o que é inconstitucional; as receitas pertencentes a terceiros não se encontram no campo de incidência da COFINS; a tributação das receitas transferidas para terceiros fere os princípios constitucionais da isonomia e da capacidade contributiva; e o recurso voluntário deve produzir efeito suspensivo e devolutivo, enquanto pendente de julgamento. MÉRITO Nos anos de 1999 e 2000, a recorrente estava sujeita ao pagamento da COFINS, nos moldes da Lei n° 9.718/98, cujo § 2° do art. 3° traz as hipóteses de exclusão da Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10166.004711/200537 Acórdão n.º 3301004.664 S3C3T1 Fl. 320 9 base de cálculo, como segue (redação vigente em 1999, com destaque para alterações que produziram efeitos nos anos de 1999 e 2000): "Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 1.99115, de 2000, produzindo efeitos a partir de 10 de março de 2000) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, a partir de 1 de janeiro de 2000) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. V a receita decorrente da transferência onerosa, a outros contribuintes do ICMS, de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1º do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 451, de 2008) (Produção de efeito)" Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10166.004711/200537 Acórdão n.º 3301004.664 S3C3T1 Fl. 321 10 Verificase que a exclusão da base de cálculo da COFINS efetuada pela recorrente não se encontra dentre as previstas § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718/98. Destaco que não temos de adentrar na questão da produção ou não de efeitos no mundo jurídico do inciso III, que tratava da não tributação de receitas transferidas para terceiros, haja vista que as exclusões efetuadas pela recorrente "pagamentos a fornecedores de mercadorias e do ICMS" não tinham natureza de receita, porém de custos ou despesas. Também não devemos apreciar alegações no sentido de que a vedação ao cômputo das exclusões ofenderia os princípios constitucionais da isonomia e do confisco, posto que fora do escopo de julgamento por este colegiado (Súmula CARF n° 2). O contribuinte alega ainda que o Fisco não pode cobrar os débitos liquidados por meio de compensação com os créditos não reconhecidos no presente processo, pois teriam sido incluídos em programa de parcelamento. A cobrança dos débitos e, inclusive, a verificação da regularidade de eventual adesão a parcelamento será realizada pela unidade de origem. Por fim, igualmente não merece apreciação o pedido de que o presente recurso seja recebido com efeito suspensivo e devolutivo, posto que tratase de previsão do § 11 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 e art. 151 do CTN, a ser observada pela unidade preparadora. Assim, de todo o exposto, ratifico o Despacho Decisório n° 754/2008 (fls. 128 a 138), que indeferiu o Pedido de Restituição da COFINS, no montante de R$ 1.665.415,88, e não homologou as Declarações de Compensação a ele vinculadas, no montante de R$ 353.678,11. É como voto. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 323DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10912.720393/2016-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO.
A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Elementos justificam na forma documental a data da ocorrência da situação alegada.
Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave.
A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a inocorrência da situação na data apontada no documento.
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE COMPROVAÇÃO. PROVAS DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO E DEVIDAMENTE JUNTADAS AO PROCESSO.
Documentação comprobatória de despesas médicas apresentam requisitos de idoneidade para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A documentação probatória está de acordo com o disposto na lei e devidamente juntada ao processo. Comprovação satisfaça a exigência da legislação tributária e foi juntada ao processo.
Numero da decisão: 2001-000.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Elementos justificam na forma documental a data da ocorrência da situação alegada. Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave. A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a inocorrência da situação na data apontada no documento. DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE COMPROVAÇÃO. PROVAS DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO E DEVIDAMENTE JUNTADAS AO PROCESSO. Documentação comprobatória de despesas médicas apresentam requisitos de idoneidade para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A documentação probatória está de acordo com o disposto na lei e devidamente juntada ao processo. Comprovação satisfaça a exigência da legislação tributária e foi juntada ao processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 91 2. 72 03 93 /2 01 6- 18 Fl. 112DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 6.006,79, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2013. A justificação do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento motivador da lavratura o fato de que a Recorrente deveria ter apresentado comprovação dos pagamentos de despesas médicas de acordo com a exigência da legislação tributária, para usufruir da dedução na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física. A lavratura do lançamento aponta a falta de comprovação de despesas médicas e não considerou a apresentação de Declaração Retificadora realizada pelo Recorrente, em vista da obtenção de laudo pericial que identifica doença grave com a consequente isenção do imposto. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere ao entendimento de que os comprovantes não se enquadram nas exigências da legislação em vigor à época da ocorrência, também passando ao largo do fulcro do motivo da Declaração Retificadora, nos termos seguintes: (...) O contribuinte retro identificado impugna o lançamento formalizado pela Notificação de fls.40/45, lavrada pela DRF/Curitiba/PR em 03/10/2016, decorrente da revisão efetuada pela autoridade lançadora em sua Declaração de Ajuste Anual IRPF/2014 Retificadora, cópia apensada às fls.49/58, que apurou “dedução indevida de despesas médicas”, no valor de R$ 35.434,37, resultando, em consequência, a apuração de imposto de renda suplementar (código 2904), no valor de R$ 6.006,79, acrescido de multa de ofício Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10912.720393/201618 Acórdão n.º 2001000.421 S2C0T1 Fl. 113 3 (passível de redução), no valor de R$ 4.505,09, e juros de mora, no valor de R$ 1.844,08, calculados até outubro de 2016. Conforme expresso no item “descrição dos fatos e enquadramento legal” da Notificação contestada, a autoridade fiscal assim justificou o procedimento adotado: Dedução indevida de despesas médicas. Glosa do valor de R$ 35.434,37 por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução. FUNBEP Fundo de Pensão Múltipatrocinado, CNPJ 76.629.252/000146: Valor Declarado: R$ 16.584,37. Valor Alterado: R$ 0,00. Arlindo Pedri, CPF 089.049.01987: Valor Declarado: R$ 18.850,00. Valor Alterado: R$ 0,00. . . . . . . O contribuinte apresentou comprovante emitido pelo FUMBEP com valores de reembolso. Não apresentou os comprovantes de pagamento ao fundo que administra o plano médico. O contribuinte não apresentou comprovantes de pagamentos realizados à Arlindo Pedri. (...) De acordo com o artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) vigente, cuja matriz legal é o artigo 8º, inciso II, alínea "a", da Lei nº 9.250/95: (...) Portanto, podem ser deduzidos os gastos efetuados com profissionais liberais da área de saúde e com entidades prestadores dos serviços de saúde, sendo imprescindível que, se exigido pelo Fisco, o interessado faça prova desses gastos com documentação hábil e idônea que traga informações que permitam a perfeita identificação: 1) do responsável pelo pagamento efetuado; 2) da data e condição de pagamento; 3) do tipo de serviço realizado; 4) do beneficiário do serviço, caso não seja o responsável pelo pagamento e 5) do emitente: nome, endereço, além de CNPJ, no caso de pessoa jurídica, e de CPF, registro de habilitação no Conselho Regional de sua classe e respectiva assinatura, no caso de profissional autônomo (pessoa física). Cumpre ressaltar que, segundo dispõe o artigo 73 do RIR/1999 vigente, “todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora”. (...) O notificado, apresentou, para apreciação da autoridade julgadora, os extratos de Movimentação de Conta Corrente / Poupança Automática, apensados às fls.06/17, relativos a sua conta/corrente (como titular) nº 658046 na agência 4011 do Banco ITAÚ S/A, no período de janeiro a dezembro de 2013. Da análise dos referidos extratos, observase o lançamento a débito, em todos os meses de 2013, dos valores R$ 532,76 (Contribuição Plano Saúde), R$ 518,78 (Agregado Plano Saúde) e R$ 310,80 Fl. 114DF CARF MF 4 (Padrão Dif. Assistência Médica), os quais, acrescidos dos lançamentos a débito efetuados somente em janeiro/2013 dos valores de R$ 66,12 (Dif. Contribuição Plano Saúde), R$ 64,39 (Dif. Agregado Plano Saúde), R$ 38,58 (Dif.Padrão Dif. Assistência Médica) e R$ 65,20 (Plano Saúde Fator Moderador), perfazem a importância de R$ 16.584,37 apontada como “despesas médicas” efetuadas com a FUNBEP Fundo de Pensão Múltipatrocinado, pelo impugnante em sua DIRPF/2014 sob análise. (...) Os extratos bancários de fls.18/29, relativos à conta/corrente nº 191901 na agência 0406 da Caixa Econômica Federal S/A, de titularidade da Sra. Iara Maria Braga Ulsom, nos quais se encontram assinalados pelo interessado valores de “cheques compensados” no período de janeiro a dezembro de 2013, no montante de R$ 18.850,00 – valor pleiteado como “despesa médica” efetuada com Arlindo Pedri – não são elementos hábeis para a comprovação pretendida pelo notificado porque, entre outras restrições, 1) a referida senhora não é dependente do contribuinte em sua DIRPF/2014 sob análise e, consequentemente, pagamentos efetuados por ela não podem ser incluídos na dedução de “despesas médicas” do impugnante e 2) sem a apresentação das cópias microfilmadas dos respectivos cheques, fornecidas pela CEF, não há como comprovar que o beneficiário dos pagamentos em foco é Arlindo Pedri. O impugnante requer ainda a expedição de ofícios pela Receita Federal ao FUNBEP e ao Sr. Arlindo Pedri, no intuito de se obter documentos comprobatórios das despesas questionadas pela autoridade revisora. Não compete tal função ao Fisco. O ônus da produção de provas a seu favor é do próprio contribuinte, que deve apresentálas juntamente com a impugnação, no prazo legalmente estipulado para isso. (...) Em face de todo o exposto, voto pela procedência parcial da impugnação apresentada pelo contribuinte. Assim, ao final, conclui a decisão de piso pela procedência parcial da impugnação mantendo em parte o lançamento em razão da não aceitação da comprovação de despesas médicas, especialmente aquelas comprovadas com extratos bancários e talão de controle de emissão de cheques, decisão que reduziu o valor do crédito tributário para R$ 4.230,51. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: Eu, Luiz Fernando Ulsom, após receber laudo médico pericial atestando a existência de Neoplasia maligna em 04/08/2014, preenchi a Declaração Retificadora Nº1 na data de 01/09/2014, pautado na própria legislação vigente da Receita Federal do Brasil quanto a isenção do pagamento de imposto de renda retroativo a data postulada no próprio laudo. Para minha surpresa a Receita Federal do Brasil simplesmente ignorou a retificação solicitada. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10912.720393/201618 Acórdão n.º 2001000.421 S2C0T1 Fl. 114 5 No entanto, em 2015 recebi da Secretaria da Receita do Brasil um Termo de Intimação Fiscal 2014/586024468774115 para apresentar em 15/12/2015 ás 14:45, no ARF São José dos Pinhais, os termos e documentos relativos a Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2014, anocalendário 2013. Num primeiro momento, até pensei que seria para consumar e viabilizar a minha isenção do imposto de renda no período que a legislação me concede. Engano meu, foi solicitado comprovante de despesas médicas e pagamento de plano de saúde. Diante desta situação agendei uma antecipação de análise da DIRPF Nº2014/010400131896, entreguei a documentação solicitada, e mais, entreguei os documentos periciais CARTA Nº 222/2014/APSSJP/GERÊNCIA EXECUTIVA CURITIBA E LAUDO MÉDICO PERICIAL INSS que me concedem por lei isenção do pagamento de imposto de renda. Como senão bastasse todo este pouco caso de minha situação, recebi uma Notificação de Lançamento 2014/842897642327250, inclusive sem data de remessa, propondo o recolhimento do DARF ou que recorresse a uma impugnação da notificação recebida. Não se conformando com a notificação de lançamento em referência, apresentei a impugnação Nº2014/010200079349. Agora não mais para minha surpresa, no Acórdão 0962504 – 4ª Turma da DRJ/JFA, decidiram relatar que a impugnação é procedente em parte e que o crédito tributário será mantido em parte. Relatório da 4ª Turma da DRJ/JFA: Alegaram que o FUNBEP FDO P JULTIPATROCINADO CNPJ 76.629252/000146 emitiu comprovante com valores de reembolso, porém conforme documentos anexos a este processo (documento do FUNBEP e extratos de conta corrente onde foram cobrados os valores) atestam como pagamento do Plano de Saúde. Quanto ao profissional liberal DR. Arlindo Pedri, CPF 089.049.019 87, terminado o tratamento odontológico protético negou o fornecimento de recibo do montante pago. Sem alternativa de comprovar com o referido documento, mesmo que o procurasse novamente, obrigueime utilizar dos recursos que tinha em mãos. Os canhotos de cheques com seus respectivos números, mais os extratos da conta bancária onde foram debitados os cheques. Obviamente negando o recibo, ele não efetuaria o saque e muito menos depositaria em conta, uma vez que ele não aceitava cheque nominal e nem cheque cruzado. No entanto, estive na Caixa Econômica Federal onde minha esposa Iara Maria Braga Ulsom e eu somos clientes e termos conta conjunta, compro que a despesa questionada pela Receita Federal do Brasil em3013 foi médica. Portanto, diante deste impasse postulado pelo Fisco, cabe a mim solicitar a esta Secretária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o foco principal de direito adquirido por lei que é a ISNENÇÃO DE PAGAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA por questões da doença de NEOPLASIA MALÍGNA, devidamente documentada. Fl. 116DF CARF MF 6 À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso par o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro da lide. De um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) Neste enfoque analítico do processo e no exame da documentação acostada, verificase que o Recorrente apresentou documentação comprobatória da despesa médica realizada que correspondente a comprovação do pagamento do profissional Arlindo Pedri, Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10912.720393/201618 Acórdão n.º 2001000.421 S2C0T1 Fl. 115 7 mediante identificação de valores nos extratos bancários, canhotos de cheques e a juntada de cópia de cheques microfilmado pela instituição financeira. Ressalto como válida a utilização da conta corrente em nome da esposa, porque conta conjunta, podendo por isso ser utilizada para pagamentos de um e de outro cotitular, o que é legalmente justificável. No que se refere aos pagamentos ao FUNBEP, embora no documento de identificação conste a expressão reembolso, na verdade os valores constantes no documento se referem a pagamentos do beneficiário. Não há que se confundir porque operações distintas, de vez que reembolso seria um recebimento do beneficiário ao contrário do que na realidade ocorreu que foi o pagamento das contribuições por parte do Recorrente, como posteriormente reconhecido, em parte, pelo julgamento de piso. Assim, entendo comprovadas as despesas médicas à vista dos documentos acostados ao processo, porém, o mais importante desta lide é que o Recorrente é portado de doença grave e por isso deve ser considerado isento, caso em que ambas as situações foram examinadas. O exame da lide deve partir do documento que deu causa ao lançamento, qual ser, a apresentação pelo Recorrente de Declaração Retificadora em razão da obtenção de laudo pericial de acometimento de moléstia grave, com o objetivo de usufruir da isenção motivada por essa ocorrência e a consequente restituição do imposto no valor de R$ 294,48, conforme fl. 57 deste processo. Ressaltese que por ocasião da apresentação da Declaração Retificadora, fl. 50, lá foi informado que o declarante é pessoa com doença grave, em resposta ao item próprio para essa identificação no formulário da DAARetificadora, referente ao anocalendário de 2013. Assim que a questão principal aqui tratada é de reconhecimento ao direito à isenção do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, para portadores de moléstia grave prevista em lei, devendo para isso preencher os requisitos básicos, cumulativamente, no mesmo período, de recebimento de rendimentos de aposentaria, reforma, reserva remunerada ou pensão com a existência da enfermidade que permite a isenção do imposto. O requisito de natureza legal conforme disposto na legislação tributária que rege a questão, especialmente o art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, com a redação da Lei nº 11.052, de 2004, assim estabelece: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. (grifei) Fl. 118DF CARF MF 8 Em sequência temse o previsto no inciso XXXIII, artigo 39 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, "não entrarão no cômputo do rendimento bruto": "XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);" O parágrafo 4º do mesmo dispositivo define as condições para reconhecimento de tal isenção: "§4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº9. 250, de 1995, art. 30 e § 1º)." Seguindo no disciplinar das condições para verificação de enquadramento de contribuintes nas regras isentivas, o artigo 5º do mesmo artigo assim dispõe: "§5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo pericial ou do parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." A matéria inclusive já se encontra sumulada no CARF: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10912.720393/201618 Acórdão n.º 2001000.421 S2C0T1 Fl. 116 9 Outro, o requisito de natureza comprobatória da existência da moléstia grave e a constatação da data de início da comprovação do direto ao benefício fiscal, apontado em laudo pericial específico, para esse fim elaborado, objeto da lide. Assim, os elementos comprobatórios para a concessão da isenção do Imposto sobre a Renda no caso de Moléstia Grave, cumulativamente no mesmo período, são: 1 – Ser o contribuinte portador de moléstia especificada na Lei; 2 – Ser o contribuinte recebedor de rendimentos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão; 3 – Dispor o contribuinte de Laudo que constate a Doença Grave, identificando a data do início da ocorrência e, na falta desta informação a que corresponda à realização dos exames definidores da moléstia. Postas as condições para concessão da desoneração tributária em lide cumpre analisar, no caso concreto, o enquadramento do Recorrente. O Contribuinte efetuou sua declaração do Imposto de Renda considerando os rendimentos de aposentadoria e/ou reserva remunerada (Súmula CARF 43) no item específico que isenta do tributo com base no inciso XIV, art. 6º, da Lei nº 7.713/88 e inciso XXXIII, do art. 39, do Decreto nº 3.000/99, e por essa providência usufruir do benefício fiscal da isenção em razão da existência de sua moléstia considerada grave. O exame do caso aponta de maneira fulcral para a questão da prova e data da constatação da moléstia e da data de início da efetiva causalidade do pressuposto básico e definidor do direito ao benefício da isenção com base nos dispositivos legais antes citados, em relação aos rendimentos oriundos de aposentadoria reforma ou reserva remunerada do Contribuinte. Foi juntada ao processo a decisão do Instituto Nacional de Seguro Social, Carta 222/2014/APSSJP/Gerência Executiva Curitiba, fl. 94, que reconhece o direito a isenção, pelo comunicado de que “após análise médica pericial dos documentos apresentados ouve direito ao benefício pleiteado”. Também foi juntada declaração médica, fl. 96, que identifica o diagnóstico da doença (CID10 C64), desde agosto de 2011, após realizado exames complementares de imagem e submetido a tratamento cirúrgico, na ocasião, para extirpação de lesão renal, com laudo antomopatológico em anexo a declaração, fl. 97. Informa ainda a declaração de que o paciente encontravase ainda em 2013, “sob supervisão médica em acompanhamento oncológico por período indeterminado”. Constatase afirmativamente que pela documentação acostada aos autos o Recorrente é portador de moléstia grave desde agosto de 2011, foi submetido à cirurgia e continuou em tratamento no anocalendário de 2013. Assim, em face da condição de aposentado do Recorrente e do reconhecimento pelo órgão próprio da existência de laudo oficial que identificam a moléstia grave, forçoso reconhecer o direito a isenção do imposto sobre a renda do Contribuinte no período do anocalendário de 2013, elementos que fazem válida a restituição do imposto, assim como constou na DAARetificadora. Fl. 120DF CARF MF 10 Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PROVIMENTO, para reconhecer a isenção tributária sobre os proventos de aposentadoria como constante na Declaração do Imposto sobre a Renda. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000048/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2004
IRPJ- SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS.
Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. IRPJ. PIS. COFINS. CSLL e INSS.
Apurada omissão de receitas, alteram-se, por mudança de faixa da receita acumulada, os percentuais utilizados para cálculo dos tributos devidos pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples. Tal mudança de percentuais acarreta insuficiência de recolhimento, sendo devidas as diferenças lançadas.
Numero da decisão: 1402-003.289
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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OMISSÃO DE RECEITAS. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. IRPJ. PIS. COFINS. CSLL e INSS. Apurada omissão de receitas, alteramse, por mudança de faixa da receita acumulada, os percentuais utilizados para cálculo dos tributos devidos pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. Tal mudança de percentuais acarreta insuficiência de recolhimento, sendo devidas as diferenças lançadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 00 48 /2 00 8- 01 Fl. 210DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 18471.000048/200801 Acórdão n.º 1402003.289 S1C4T2 Fl. 211 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 7a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro 1 RJ, que julgou IMPROCEDENTE a impugnação do contribuinte acima mencionado, ora recorrente. Da autuação: O presente processo versa sobre autos de infração relativos aos Simples Federal, referente a fatos geradores corridos no anocalendário de 2004, acrescidas de multa de ofício simples e mais os encargos moratórios de atualização. As autuações fiscais envolvem o montante de R$ 285.129,70, entre principal, multa e juros corrigidos até janeiro/2008. Em essência, decorreram de valores recebidos via cartão de crédito, conforme informações obtidas junto às administradoras via DECRED Declaração de Operações com Cartões de Crédito, o que ensejou o lançamento fiscal, mantida a recorrente na condição de optante do SimplesFederal. Abaixo, por bem retratar, transcrevo da decisão a quo, os detalhes que fundamentarem a autuação fiscal: Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 30/72, lavrados em 18/02/2008, pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro – DEFIC/RJ, por meio das quais estão sendo exigidos da interessada acima identificada o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ – SIMPLES, no valor de R$ 9.103,58 (fls. 30/48); a Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS – SIMPLES, no valor de R$ 9.103,58 (fls. 49/54); a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL SIMPLES, no valor de R$ 16.893,17 (fls. 55/60); a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS – SIMPLES, no valor de R$ 33.786,37 (fls. 61/66) e a Contribuição para a Seguridade Social – INSS – SIMPLES, no valor de R$ 58.771,08 (fls. 67/72), todos acrescidos de multa de 75% e juros de mora calculados até 31/01/2008. A autuação perfaz o montante de R$ 285.129,70, conforme demonstrativo de fl. 02. Junto aos autos de infração veio o Termo de Verificação e Constatação (fls. 28/29), que se resume: · através da intimação fiscal de fls. 26/27 foram constatadas diferenças entre a receita bruta informada pelo contribuinte através do sócio da empresa e o valor consignado na PJSI anocalendário 2004, no montante de R$ 1.352.469,50; · em virtude de tais diferenças o contribuinte foi intimado a esclarecer a razão da discrepância e a juntar documentação comprobatória (fls. 26/27); · a fiscalizada apresentou o Livro Diário contendo escrituração da receita no montante de R$ 1.791.414,63 (fls. 72/85), conforme consta do quadro demonstrativo (fl. 29); Fl. 212DF CARF MF 4 · em 15.01.2008 a empresa declarou ter se enganado no preenchimento do quadro relativo à receita e ratificou como receita bruta do ano de 2004 aquela representada pelos valores escriturados nos livros comerciais (fl. 27); · os valores apurados com base no livro diário foram os seguintes: valores apurados livro diário fls. 72/85 mês visanet (f1) visante (f2) Visanet (BB) total visanet redeshop master total cartões notas fiscais total geral jan/04 11.447,12 70.228,14 17.517,08 99.192,34 22.306,14 64.111,28 185.609,76 3.937,53 189.547,29 fev/04 51.483,89 8.867,35 6.226,49 66.577,73 9.152,15 45.478,11 121.207,99 2.571,31 123.779,30 mar/04 49.817,55 6.745,78 10.224,88 66.788,21 17.699,98 38.392,53 122.880,72 2.606,79 125.487,51 abr/04 44.372,42 7.828,88 9.853,85 62.055,15 9.352,45 41.388,49 112.796,09 2.392,86 115.188,95 mai/04 42.157,17 7.111,58 12.522,49 61.791,24 17.558,71 34.032,54 113.382,49 2.405,30 115.787,79 jun/04 45.143,20 6.407,59 13.700,48 65.251,27 17.831,77 38.969,50 122.052,54 2.589,22 124.641,76 jul/04 55.120,80 7.350,82 13.613,20 76.084,82 19.154,07 42.559,58 137.798,47 2.923,26 140.721,73 ago/04 65.770,39 10.256,78 14.676,59 90.703,76 25.993,21 46.365,87 163.062,84 3.459,22 166.522,06 set/04 9.430,07 70.622,33 19.201,63 99.254,03 16.901,94 58.889,76 175.045,73 3.713,42 178.759,15 out/04 56.572,32 8.580,29 14.081,41 79.234,02 15.218,44 49.202,03 143.654,49 3.047,49 146.701,98 nov/04 52.752,57 9.209,20 9.321,70 71.283,47 16.333,60 49.447,88 137.064,95 2.907,70 139.972,65 dez/04 85.220,92 15.785,15 21.477,60 122.483,67 51.428,96 45.732,28 219.644,91 4.659,55 224.304,46 TOTAL 569.288,42 228.993,89 162.417,40 960.699,71 238.931,42 554.569,85 1.754.200,98 37.213,65 1.791.414,63 · as diferenças encontradas entre o livro diário (fls. 72/85) e os valores declarados em DIPJ (fls. 05/22) foram as seguintes: diferenças livro diário X DIPJ – fls.07/18 mês total geral declarado (DIPJ) diferença jan/04 189.547,29 17.957,82 171.589,47 fev/04 123.779,30 13.081,96 110.697,34 mar/04 125.487,51 19.527,38 105.960,13 abr/04 115.188,95 14.054,49 101.134,46 mai/04 115.787,79 20.349,53 95.438,26 jun/04 124.641,76 21.706,68 102.935,08 Jul/04 140.721,73 19.938,76 120.782,97 ago/04 166.522,06 27.900,61 138.621,45 set/04 178.759,15 23.835,63 154.923,52 out/04 146.701,98 18.881,87 127.820,11 nov/04 139.972,65 28.393,80 111.578,85 dez/04 224.304,46 80.399,79 143.904,67 TOTAL 1.791.414,63 306.028,32 1.485.386,31 · em face das diferenças encontradas foram lavrados os autos de infração por omissão de receitas de imposto de sobre a renda de pessoa jurídica e demais contribuições decorrentes (PIS, COFINS, CSLL e INSS); · a base legal da autuação discriminada na autuação principal (IRPJ) foi a seguinte: art. 24 da Lei n° 9.249/95; arts. 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "a", 5°, 7°, § 1°, 18, da Lei n°9.317/96; art. 3° da Lei n° 9.732/98 e artigos 186, 188 e 199, do RIR/99. Em virtude das receitas omitidas apuradas pela fiscalização, também foi constatada insuficiência de recolhimentos, como decorrência da mudança dos percentuais aplicáveis à receita bruta acumulada. Como conseqüência, os valores recolhidos anteriormente pelo contribuinte a título de SIMPLES foram insuficientes, sendo constituído crédito tributário sobre as diferenças, que estão demonstradas às seguintes folhas: IRPJ (fls. 32); PIS (fl. 51); CSLL (fl. 57); COFINS (fl. 63) e INSS Fl. 213DF CARF MF Processo nº 18471.000048/200801 Acórdão n.º 1402003.289 S1C4T2 Fl. 212 5 (fl. 69). Compondo o auto de infração encontrase ainda o demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos (fls. 37/44). Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: Inconformada, a interessada apresentou, em 17/05/2000, a impugnação de fls. 112/129, onde sinteticamente aduz o que segue. DA INVALIDADE DA PROVA Com fundamento no parágrafo 4º, artigo 258, do Regulamento do Imposto de Renda sustenta que o livro Diário, para efeito de prova, deve conter, sem a menor sombra de dúvidas, respectivamente, na primeira e última página, termos de abertura e de encerramento, e ser registrado e autenticado pelas Juntas Comerciais ou repartições encarregadas do Registro do Comércio. Com base no exposto, como o livro diário (fls. 72/85) não possui termo de abertura, de encerramento, nem autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, tratarseia de uma documentação imprestável, da qual não poderia se valer a autuação. Em virtude da imprestabilidade da documentação caberia ao Fisco aprofundar a fiscalização e realizar as diligências necessárias, de modo a verificar o cumprimento das obrigações tributárias. Por tais elementos conclui que o lançamento deve ser cancelado, por estar fundado em documentação completamente inidônea. DA IMPROCEDÊNCIA DA MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO Sustenta que o Termo de Verificação e Constatação da Infração não deixa dúvida que a fiscalização considerou como omissão de receita as diferenças apuradas entre os valores das receitas constantes das cópias do livro Diário e os valores informados na declaração de imposto de renda (PJSI). Fundada nesta constatação, afirma que se os valores foram devidamente contabilizados e aceitos como verdadeiros pelo próprio Fisco, já que foram considerados como receita efetiva, que não teria havido omissão de receitas. Segundo o seu entendimento, e levandose em conta que tais diferenças fossem verdadeiras, teria havido somente falta de recolhimento do SIMPLES e preenchimento indevido da declaração, mas nunca omissão de receitas, haja vista que estas foram efetivamente declaradas. Nesta esteira, entende que em função dos fatos descritos dizerem respeito a uma infração (omissão de receita) diferentemente da que supostamente ocorreu (falta de recolhimento do SIMPLES), que o lançamento estaria inquinado de vício insanável, devendo ser anulado de plano. Postula ainda nulidade do lançamento em virtude na impropriedade dos dispositivos legais referidos na autuação e ainda pela equivocada descrição dos fatos, com evidente prejuízo ao seu direito de defesa. Fl. 214DF CARF MF 6 Cita doutrinadores, a lei 9.784 e o artigo 142 do CTN, para sustentar a nulidade do lançamento, por defeito de estrutura, cabendo a sua anulação. Alega que a descrição dos fatos é totalmente deficiente por expor uma motivação completamente diferente da situação real e por remeter o leitor para um enquadramento legal indevido (presunção de omissão de receita, artigo 199 do RIR/1999). Conclui pela nulidade do lançamento, por total inadequação e preterição do direito de defesa. DO ENQUADRAMENTO LEGAL Assevera que a Fiscalização descreveu os fatos, considerando a suposta infração como omissão de receita, mas utilizou enquadramento legal referente a presunção de omissão de receita, vale dizer o artigo 199 do RIR/1999. Em face da inadequação da descrição dos fatos e dos dispositivos legais apontados, afirma não saber de qual das infrações deveria se defender, pois não compreendeu a que se refere a autuação, indagando ao final: a autuação é relativa à falta de recolhimento? Trata de omissão de receitas? Ou se trata de presunção de omissão de receita? A fiscalização, como atividade plenamente vinculada, não pode promover lançamento do IRPJ e Contribuições sem elementos suficientes, sob pena de ferir os princípios da estrita legalidade tributária e tipicidade cerrada. Com base em doutrina e jurisprudência entende estar o presente lançamento em completa dissonância com os princípios constitucionais da legalidade estrita e da tipicidade tributária, não podendo prosperar. Não existe previsão legal para presunção de omissão de receita decorrente de diferença entre a receita escriturada nos livros comercias pelo contribuinte e os valores informados na PJSI. Os casos de presunção legal estão dispostos nos artigos 281 a 287 do RIR/99 (saldo credor de caixa, falta de escrituração de pagamentos efetuados, passivo fictício, suprimento de caixa, falta de emissão de notas fiscais, diferenças de estoque, depósito comprovação da origem). Como não existe a presunção utilizada pelo Fisco, a autuação não pode ser mantida, por falta de previsão legal. DA SUPOSTA OMISSÃO DE RECEITAS A fiscalização optou por caracterizar como omissão de receita a diferença entre os valores constantes das cópias de um livro Diário não registrado e da PJSI, considerando, por critério próprio, sem qualquer outro elemento de prova, como verdadeiros os valores lançados nestas cópias, ignorando por completo todos os demais documentos e esclarecimentos apresentados e colocados à disposição da fiscalização, os quais comprovam a veracidade dos valores constantes da declaração apresentada. A acusação de omissão de receita há que estar fundada em provas hábeis e concretas, de forma a demonstrar de maneira inequívoca a ocorrência de infração. A simples constatação de diferença entre o valor registrado na escrita comercial e o informado na declaração não constituem, de forma alguma, prova de omissão de receita. O Fisco para levar e efeito a autuação deveria ter se aprofundado na busca da verdade material, tendo optado entretanto por efetuar o lançamento de forma simplória e inconsistente. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 18471.000048/200801 Acórdão n.º 1402003.289 S1C4T2 Fl. 213 7 Em virtude de absoluta falta de busca da verdade material, o lançamento encontrase em total afronta com o artigo 142 do Código Tributário Nacional, que o lançamento é o procedimento administrativo "tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido...". Isto é, verificar a ocorrência do fato gerador, e não insinuar, dar a entender, presumir, como ocorreu no presente caso. Por tais razões, requer o cancelamento integral do auto de infração. DA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Propugna que seu direito de defesa restou preterido, pois não conseguiu identificar o Fisco apontou como irregularidade cometida, já que na folha de continuação do auto de infração aponta "Insuficiência de valor recolhido apurada conforme Termo de Verificação e Constatação que é parte integrante deste auto de infração”, não havendo no Termo de Verificação Fiscal, nenhuma menção, nenhuma referência a respeito da matéria autuada. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, entendeu por dar negar provimento integral à impugnação do contribuinte, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2004 IRPJ SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. CONTRIBUIÇÕES/SIMPLES PIS, COFINS, CSLL e INSS Ressalvados os casos especiais, os lançamentos reflexivos colhem a sorte daquele que lhes deu origem, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. IRPJ. PIS. COFINS. CSLL e INSS. Apurada omissão de receitas, alteramse, por mudança de faixa da receita acumulada, os percentuais utilizados para cálculo dos tributos devidos pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. Tal mudança de percentuais acarreta insuficiência de recolhimento, sendo devidas as diferenças lançadas. NULIDADE. AUTOS DE INFRAÇÃO. REQUISITOS PREENCHIDOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Fl. 216DF CARF MF 8 Descabe a alegação de nulidade, não tendo havido qualquer cerceamento do direito de defesa, uma vez que foi verificada a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, identificada a matéria tributável, e os autos de infração foram formalizados com fundamentação e enquadramento legal adequados, com a penalidade aplicável, tudo em estrita observância aos requisitos legais previstos no art. 142 do Código Tributário Nacional e no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, não tendo havido ofensa ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: não procedem as alegações de preterição do direito de defesa, pois a descrição dos fatos está devidamente detalhado, detalhando a apuração das omissões de receitas; não houve as nulidades evocadas e nenhuma infringência do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972; a alegação de que o livro diário apresentado pela própria recorrente está imprestável ofende o princípio de que ninguém pode se beneficiar da própria torpeza. Além dos mais, os valores de receitas escriturados estão atestados pelo próprio sócio em declaração apresentado no transcorrer do procedimento fiscal; a autuação fiscal decorre de prova direta da infração, aplicase os artigos 281 a 287 do RIR/1999; não houve nenhuma ofensa ao art. 142 do CTN e cerceamento de defesa quanto à infração da insuficiência de recolhimento. Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 07/12/2010, a recorrente apresentou recurso voluntário em 04/01/2011, ou seja, tempestivamente. Na sua peça recursal, praticamente repisa os mesmos elementos e argumentos da sua peça impugnatória, quais sejam, em apertada síntese: prova inválida livro diário seria imprestável e não deveria ter dado suporte ao lançamento fiscal em foco; a motivação do lançamento seria improcedente, pois a diferença entre os valores registrados no livro diário e dos declarados na declaração PJSI não seria uma omissão de receitas; o enquadramento legal estaria indevido, pois este foi de presunção de omissão de receita, e não ocorreu esta presunção; Fl. 217DF CARF MF Processo nº 18471.000048/200801 Acórdão n.º 1402003.289 S1C4T2 Fl. 214 9 não houve a suposta omissão de receitas, e nenhuma prova de tanto pela fiscalização; há ausência da descrição dos fatos quanto à infração da insuficiência de recolhimento. É o relatório. Fl. 218DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O recurso voluntário apresentado foi tempestivo, e atendeu os demais pressupostos para sua admissibilidade, do qual conheço. Da síntese dos fatos: O presente processo versa sobre autos de infração de impostos e contribuições sob a sistemática de recolhimento do SimplesFederal, e decorrem de valores apurados via informações das administradoras de cartão de crédito, inicialmente apresentados via DECRED, que foram cotejados com suas receitas escrituradas e declaradas. Durante o procedimento fiscal, acabou retificando seu livro diário. Foram identificados os montantes anuais de vendas por cartões de crédito de R$ 1.591.344,52, informado em PJSI de R$ 306.028,32, e escriturado como receitas no livro diário de R$ 1.791.414,63. Por conseguinte foi autuado em R$ 285.129,70 (impostos+multa+juros), sendo aplicada a multa simples, e não ocorrida a exclusão do Simples no presente processo. Na peça impugnatória entende que o livro diário apresentado pela própria deveria ser considerado imprestável, e a fiscalização deveria ter aprofundado a verificação de valores. Entende que não houve a omissão de receitas autuada, e mesmo que houvesse, seria apenas falta de recolhimento do Simples e preenchimento indevido da declaração. Alega também que a fiscalização considerou a infração como omissão de receita, mas se valeu de enquadramento legal de presunção de omissão de receitas (art. 199 do RIR/99). Alega também afronta ao art. 142 do CTN e cerceamento de defesa quanto à infração da insuficiência de recolhimento. A instância a quo decidiu não procedem as alegações de preterição do direito de defesa. Não procede nenhuma nulidade evocada. O livro diário que serviu como suporte para apuração das diferenças declaradas foi apresentado espontaneamente pela recorrente, e querer invalidálo seria querer se beneficiar da própria torpeza. A autuação decorre de prova direta da infração, aplicandose os artigos 281 a 287 do RIR/1999, e não houve nenhuma ofensa ao art. 142 do CTN e nem cerceamento de defesa quanto à infração da insuficiência de recolhimento. Na peça recursal repisa a mesma linha argumentativa da sua peça impugnatória, com os mesmos tópicos, agregando rechaços ao contraargumentado na decisão a quo. Das questões suscitadas na peça recursal Fl. 219DF CARF MF Processo nº 18471.000048/200801 Acórdão n.º 1402003.289 S1C4T2 Fl. 215 11 quanto a alegação da prova inválida, ao se basear no livro diário Alega a recorrente que o livro diário utilizado, apresentado pela mesma durante o procedimento fiscal, não estava autenticado no órgão competente do Registro de Comércio, sendo para tanto uma documentação imprestável, não tendo nenhuma validade jurídica. De tal sorte, a autoridade fiscal deveria ter realizado diligências e investigações necessárias para apurar sua exatidão, nos termos do art. 911 do RIR/1999. A autoridade julgadora a quo, condutora do voto no v. acórdão recorrido, consignou sobre o tema que tal pleito seria tentar se beneficiar da própria torpeza. Uma eventual discussão da ilicitude da prova obtida possui repercussão mais direta no direito penal, e no presente caso, a prova (o livro diário) foi regularmente obtido em resposta à intimação fiscal, e além do mais, houve ratificação dos valores contidos no livro pelo sócio da empresa. Nestes termos, consigna o acórdão recorrido: Portanto, se o próprio sócio, Luiz Carlos Berenbaum, detentor de 95% das quotas da empresa (fl. 19), acompanhado pelo procurador, Wildison Daniel Portela, responsável pelo preenchimento da declaração (fl. 06), afirmam e apresentam livro diário, indicando a percepção de receitas no valor de R$ 1.791.414,63, não havia a menor necessidade da fiscalização buscar outros elementos de prova para exigir os tributos correspondentes. Importa destacar que a declaração de fl. 27 não possui qualquer vício de consentimento, já que foi prestada livremente pelo sócio e o procurador, que em face da intimação, deliberaram respondêla, decidiram os termos que deveria conter o documento e por fim, o elaboraram e o assinaram, segundo sua própria vontade. Compulsando os autos, à efl. 28, constatase que a recorrente já alega que houve extravio documental, mas foram encontrados e foram contabilizados no livro diário, pelo real da suas vendas que é de R$ 1.791.414,63 e o livro diário expõe toda a realidade das receitas realizadas pela empresa. Tal valor total, que constava no livro diário apresentado e cujo valor foi ratificado em declaração da própria recorrente durante o procedimento fiscal, é que deu suporte ao cotejo com as receitas declaradas pela recorrente na sua declaração PJSI Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica. De forma sintética, temos os seguintes valores anuais (anocalendário de 2004) que serviram de cotejo para a autuação fiscal: valores baseados em planilhas de administradoras de cartões de crédito entregues pela própria recorrente.................. R$ 1.591.344,52 valores baseados na declaração entregue pela recorrente...R$ 306.028,32 Fl. 220DF CARF MF 12 valores apurados no livro diário entregue e ratificado por declaração do sócio da recorrente................ R$ 1.791.414,63 Ou seja, há substancial valor caracterizado como omissão de receitas que serviram de base de cálculo da autuação fiscal. É bem compatível que o real valor de vendas seja superior ao total recebido de vendas de cartões de crédito, como detalhado acima. Assim, bem crível, dentro da busca da verdade material, que realmente o livro diário esteja correto. A recorrente reconhece sua validade durante o procedimento fiscal, mas tenta invalidálo quando abre a discussão administrativa das autuações fiscais que lhe foram imputadas. Ora, todo o contribuinte sempre apregoa o princípio da busca da verdade material neste Conselho de Contribuintes. É um princípio que deve ser utilizado nas duas vias, tanto quando atingir os interesses dos contribuintes, quanto lhes forem contrários. Não vai ser uma mera falta de autenticação no Registro de Comércio, como alega a recorrente, que vai desnaturar a veracidade de um livro contábil/fiscal apresentado. Cabe destacar que atualmente, no ambiente SPED, já está superada a necessidade de autenticação da ECD (equivalente ao livro diário) nas juntas comerciais estaduais. Reputo bem válidos os rechaços apresentados que no v. acórdão recorrido que tal situação está em confronto com o princípio do nemo auditur propriam turpitudinem allegans ninguém pode se beneficiar da própria torpeza. Querer invalidar um livro fiscal apresentado e ratificado durante o procedimento fiscal é de sumo interesse oportunista, circunstancial e totalmente em desencontro ao que se apregoa neste Conselho de Contribuintes, que sempre esteve permeado pela busca da verdade material. Ademais, se não fosse entregue o livro diário, a autuação fiscal seria sobre os valores recebidos pelas vendas via cartões de crédito, e a diferença não seria muito significativa, como já demonstrado acima. A autoridade fiscal trouxe aos autos as informações das vendas com cartões de crédito, mas autuou sobre a própria informação espontaneamente registrada pela recorrente, algo natural dadas as circunstâncias encontradas. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO quanto a este item do recurso voluntário. quanto a alegação que a motivação do lançamento seria improcedente, e o respectivo enquadramento legal estaria indevido Alega a recorrente que o lançamento deve ser considerado imprestável, pois entendeu que já que os valores estão contabilizados, não haveria que se falar em omissão de receitas. Nesse caso, houve uma falta de recolhimento do Simples, preenchimento indevido da declaração de imposto de renda. Igualmente suscita nulidade pela falta de manifestação que se refere a infrações distintas omissão de receitas e falta de recolhimento do Simples. Ademais, alega que houve enquadramento equivocado, no art. 199 do RIR1/1999, que é sobre presunção de omissão de receitas, o que feriria os princípio da estrita legalidade tributária e tipicidade cerrada. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 18471.000048/200801 Acórdão n.º 1402003.289 S1C4T2 Fl. 216 13 Preliminarmente, em relação à nulidade suscitada, fica bem claro nos termos do v. acórdão decidido qual o posicionamento adotado, em consonância com a autuação fiscal, de que houve omissão de receitas. O embasamento legal está na imputação do art. 24 da Lei nº 9.249/19951, que fala explicitamente verificada a omissão de receita. No contexto apresentado, há uma omissão de receitas, pois apesar de estarem contabilizadas, não foram declaradas na declaração competente para tanto, aos optantes do simplesfederal à época PJSI. Esta diferença, entre o contabilizado, em livro que estava em posse da recorrente (e oportunamente, neste litígio tenta descaracterizar) e o declarado na PJSI, é indubitavelmente uma omissão de receitas, pois além de não declarada, não foi paga a tributação inerente. O contabilizado foi devidamente comprovado pelos valores recebidos das administradoras de cartão de crédito, conforme explicitado no tópico anterior, e estando contabilizados, há a assunção da própria recorrente de que são válidos. Desnecessário maiores investigações, principalmente porque a recorrente na fase inquisitória do procedimento fiscal, além de não contestar os valores contabilizados, os ratifica, como já também explicitado no tópico anterior. Assim, há uma omissão de receitas, que foi a autuação fiscal, e o enquadramento legal aplicado. Não cabe agora contestar tais fatos pois há menção a outros artigos legais, que seriam até discutíveis sua elasticidade se também não seriam aplicáveis ao caso, algo totalmente desnecessário de análise, pois há a tipificação já supracitada do art. 24 da lei nº 9.249/1995. O contexto probatório apresentado pela autoridade fiscal deu suporte ao livro diário, pois os valores repassados pelas administradoras de cartões de crédito é uma omissão de receitas presumida sim, pois eventualmente pode ser ilidido o fato gerador aplicado. Transita numa prova direta e presumida. Contudo, no contexto ratificada pelo diário da recorrente e sua declaração no transcorrer do procedimento fiscal. Tergiversar como faz a recorrente na sua peça recursal é tentar se valer de qualquer apego formal, ignorando deliberadamente os fatos, a verdade material constante nos autos, para tentar criar dúvidas e eventual a desconstituição do crédito tributário. 1 Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP Fl. 222DF CARF MF 14 Dado o todo posto acima, REJEITO A PRELIMINAR SUSCITADA e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto a este item. quanto a alegação de não houve a suposta omissão de receitas Alega a recorrente que o caso imputado não seria de omissão de receitas e sim de falta de recolhimento de tributos, pois os valores estavam contabilizados. Diz que os valores corretos de receita no anocalendário de 2004 foram realmente os apresentados na sua PJSI, e não consegue entender os motivos pelos quais, seu contador/procurador apresentou as cópias do apócrifo livro Diário onde constavam valores superiores (diferentes) de receita. Aqui já se abordou acima, da qualidade do livro diário estava suportado pelos totais recebidos das administradoras de cartões de crédito, em valores muito próximos, e há uma declaração do sócio da empresa o ratificando. A recorrente foi instada a justificar os valores no transcorrer do procedimento fiscal e silenciou, apenas se manifestando quanto à validade do seu livro diário e os valores ali contabilizados correspondiam à realidade. Agora, na discussão do mérito volta atrás, colocando a culpa no contador/procurador, e não trouxe nada, absolutamente nada comprovando o alegado. A resposta à intimação fiscal a efl. 28, que fala sobre a validade do livro diário e ratifica o montante das suas vendas em R$ 1.791.414,63, foi assinada pelo Sr. Luiz Carlos Berenbaum, que é o sócioadministrador da recorrente com 95% do seu capital social, conforme cópia da alteração contratual a efls. 118 a 121. O que dizer numa hora dessas? Os fatos, já discorridos no presente voto, nos seus tópicos, e falam por si. O caso é nitidamente de uma omissão de receitas, e os valores estão devidamente comprovados nos autos pela autoridade fiscal autuante, que inclusive foi zelosa e não se baseou apenas no livro diário, trazendo à tona os montantes de repasses recebidos pela recorrente das suas vendas com cartões de crédito. A alegada falta de recolhimento seria nos casos em que a declaração foi efetuada correta, com a apuração dos tributos devidos, mas não houve o seu pagamento ou qualquer outra forma extintiva do crédito tributário. É de muito longe o caso apurado nos autos e imputado à recorrente. Pelo todo o exposto acima, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário da recorrente quanto a este item. quanto a alegação da ausência da descrição dos fatos quanto à infração da insuficiência de recolhimento Alega a recorrente há ausência da descrição dos fatos quanto à infração da insuficiência de recolhimento. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 18471.000048/200801 Acórdão n.º 1402003.289 S1C4T2 Fl. 217 15 Verificase que o auto de infração, na sua descrição dos fatos, remete ao termo de verificação e constatação, contudo, não há ali uma análise deste fato. Contudo, o enquadramento legal aposto no auto de infração já remete a uma explicação do feito, ao remeter ao artigo 5º da lei nº 9.317/1996. Neste artigo, há um detalhamento dos percentuais escalonados aplicáveis conforme a receita bruta auferida. No caso concreto, no momento da identificação dos valores omitidos, o faturamento da recorrente muda de faixa, e aplicase novo percentual, agora majorado no caso, sobre o valor que declarou originalmente, e o mesmo percentual sobre as receitas omitidas. Fica latente pelo enquadramento legal tal situação, e descrever isso seria praticamente repetir o que já está dito na legislação aplicável supramencionada. Igualmente, mantida a autuação fiscal no que tange a autuação fiscal no que tange à omissão de receitas, e esta provocou a alteração de faixa, automaticamente aplicase tal situação de exigência fiscal sobre a diferença que fora apresentada originalmente e espontaneamente pela recorrente. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO quanto a este item do recurso voluntário. Conclusão: Voto por conhecer, REJEITAR A PRELIMINAR SUSCITADA e NEGAR PROVIMENTO integral ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 224DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.907680/2013-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2007
NULIDADE. AUSÊNCIA.
Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância.
Numero da decisão: 1302-002.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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AUSÊNCIA. Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 76 80 /2 01 3- 47 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 12448.907680/201347 Acórdão n.º 1302002.836 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 1150.037, de 30 de abril de 2015, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Não são passíveis de restituição nem compensação os créditos sobre os quais não resta comprovada sua liquidez e certeza." O presente processo cuida de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), por meio da qual a contribuinte pleiteou a restituição de crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), referente ao mês de fevereiro de 2007. O crédito em questão, no valor de R$ 2.790,61, originarseia de pagamento efetuado em 30/03/2008, e não foi reconhecido pelo Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a restituição foi indeferida. Cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual sustentou a nulidade do Despacho Decisório, por haver sido proferido em desobediência a decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2011.51.01.0135980, que determinou o recebimento em formulário de papel do pedido de restituição em questão, com as razões e fundamentações legais da causa de pedir, pelo que haveria, ainda, cerceamento do direito de defesa. Ressaltou que, até aquela data, permaneceria sem apreciação os pedidos de restituição realizados em formulário de papel pela Recorrente, no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. A decisão de primeira instância, após examinar o teor da ação judicial invocada, concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do crédito, tendo em vista que: a) o que foi determinado na decisão judicial proferida foi o recebimento e apreciação de pedidos de restituição formulados pela Recorrente em formulários de papel; b) por meio do processo administrativo nº 12448.732735/201278, a Recorrente solicitou a restituição de tributos incidentes na importação de mercadorias sobre as Fl. 67DF CARF MF Processo nº 12448.907680/201347 Acórdão n.º 1302002.836 S1C3T2 Fl. 4 3 quais foi aplicada pena de perdimento, de períodos de pagamentos de 17/11/2008 ou de 24/11/2008; c) em adição, por meio do processo administrativo nº 12448.732736/201212, pleiteou a restituição de 372 supostos pagamentos indevidos ou a maior, dentre os quais aquele objeto do Pedido Eletrônico de Restituição (PER) tratado nos presentes autos; d) não há que se falar em nulidade por descumprimento de decisão judicial, posto que a decisão determinava apenas que os pedidos de restituição formulados em papel fosse conhecidos e apreciados; e) a análise do crédito tratado neste processo, e também incluído no processo nº 12448.732736/201212, será realizada nos presentes autos; f) as razões de pedir constantes do processo administrativo nº 12448.732735/201278, de que se trataria de crédito pago em importação para a qual foi dada pena de perdimento, simplesmente não se aplicam ao caso em apreço, posto não se tratar de tributo incidente sobre a importação; g) considerando as razões de pedir constantes do processo administrativo nº 12448.732736/201212 ("que teve suas atividades de importador direto desclassificadas, e que por decorrência de tal tratamento nos lançamentos efetuados nos PAF 10074.000924/200942 e 10074.000926/200931 as importações realizadas pela requerente estariam sendo imputadas a terceiro, o que justificaria, no seu entender, a restituição dos tributos pagos em seu nome"), uma vez que os lançamentos referidos foram realizados contra a própria Recorrente, e não contra terceiros, não procede a alegação de afastamento da sujeição passivo, quanto mais em relação a tributos não incidentes sobre a importação, como no presente caso; h) o pagamento cuja restituição se pleiteia está vinculado a valor de débito confessado por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), a qual é meio hábil de confissão de dívida. A autoridade julgadora de primeira instância determinou, ainda, que o resultado do julgamento fosse informado no processo administrativo nº 12448.732736/2012 12, onde foi solicitada, por meio de formulário de papel, a restituição do mesmo crédito analisado nestes autos. Cientificado por meio eletrônico, em 17/05/2016, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 27/05/2016, no qual alegou que: a) o crédito pleiteado no Pedido Eletrônico de Restituição (PER) decorre de pagamento indevido, em vista da desclassificação, pelas autoridades tributárias, de todas as operações de comércio exterior realizadas pela Recorrente entre 2002 e 2008; b) sempre se considerou importadora por conta própria, tendo um único cliente, por opção negocial e por atuar no limite de sua capacidade operacional, todavia, "a Receita Federal do Brasil, depois de rumorosa operação policial, depois de fiscalizar as atividades da Recorrente, reclassificoua como importadora por conta e ordem de terceiros" (Mobilitá Ltda, CNPJ nº 32.121.766/007557); Fl. 68DF CARF MF Processo nº 12448.907680/201347 Acórdão n.º 1302002.836 S1C3T2 Fl. 5 4 c) em virtude da referida conclusão, teriam sido lavrados autos de infração, para cobrança de multas e diferenças de tributos aduaneiros, em relação às mercadorias que já haviam entrado em circulação comercial e não foram localizadas; d) foi, ainda, decretado o perdimentos de mercadorias, por suposta interposição fraudulenta, mesmo após o pagamento dos tributos aduaneiros, de modo que tais tributos seriam indevidos; e) "houve por bem solicitar a restituição de tributos que se revelaram indevidos ou pagos a maior em razão da reclassificação jurídica de suas operações"; f) teve, consequentemente, desconsiderado o valor agregado ou margem de lucro na comercialização das mercadorias importadas, quando às mesmas remetia à MOBILITA, o que teria afetado "para mais os tributos que incidiam na transferência das mercadorias da Recorrente para o adquirente, pois eram cobrados preços além do custo de importação e despesas de frete etc., a margem de comercialização"; g) por esta razão efetuou os pedidos de restituição de valores pagos a mais a título de IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto sobre Produtos Importados (IPI), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), os quais também incidiam "sobre essa verba relativa à margem de comercialização das mercadorias importadas"; h) após haver transmitidos 74 Pedidos Eletrônicos de Restituição (PER), e diante da impossibilidade de pleitear por tal via créditos recolhidos a mais de cinco anos, impetrou Mandado de Segurança, visando ao recebimento dos pedidos (apenas dois), por meio de fomulários em papel; i) o seu direito ao recebimento e processamento dos pedidos efetuados de tal forma foi reconhecido judicialmente, por decisão que teria transitado em julgado; j) o acórdão recorrido incorreria em equívoco, "quando alega que a Recorrente considera que a decisão da 14ª VRRJ teria mandado prover os pedidos de restituição no mérito, e que, por isso haveria descumprimento da sentença. Não se trata disso."; k) o que sustenta é que os processos administrativos nº 12448.732735/2012 78 e 12448.732736/201212 "suplantam os PER/DECOMP originalmente apresentados e que não podia, como não pode, haver pedidos paralelos a correr perante a administração"; l) os PER deveriam haver sido cancelados, posto que os processos administrativos os teriam substituído; m) ao contrário, os PER teriam sido processados, deixando de lado os pedidos formulados em papel, que se encontraria paralisados desde fevereiro de 2012; n) haveria ineficiência, irrazoabilidade, ilegalidade em se exigir a apresentação, para cada recolhimento a maior ou indevido, de um PER; o) não se estaria discutindo, nestes autos, o mérito, mas sim a forma dos pedidos de restituição, posto que o PER ora analisado estaria prejudicado, como todos dos Fl. 69DF CARF MF Processo nº 12448.907680/201347 Acórdão n.º 1302002.836 S1C3T2 Fl. 6 5 demais relativos ao mesmo fato, por força da decisão judicial exarada nos autos do citado Mandado de Segurança. Pleiteou, ao fim, a anulação de todo o procedimento, de modo que a discussão referente ao direito creditório pleiteado no PER sob análise fique vinculada unicamente aos pedidos de restituição formulados nos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.818, de 13/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 12448.907672/2013 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.818): "I DO CONHECIMENTO DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via eletrônica, em 12 de maio de 2016, tendo apresentado seu Recurso em 27 de maio de 2016, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao caso por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído nos autos. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II DA NULIDADE Conforme relatado, o Recurso apresentado não trata do mérito do PER analisado nestes autos, mas tãosomente pugna Fl. 70DF CARF MF Processo nº 12448.907680/201347 Acórdão n.º 1302002.836 S1C3T2 Fl. 7 6 pela declaração de nulidade de todo o procedimento de análise do direito creditório pleiteado no referido Pedido. A apreciação do Recurso deve ser realizada observando se o disposto nos arts. 12 a 14 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011: "Art. 12. São nulos (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59): I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1o A nulidade de qualquer ato só prejudica os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2o Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3o Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. Art.13. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 12 não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 60). Art.14. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 61)." Segundo a Recorrente, a nulidade se originaria no fato de que a análise do PER estaria em desacordo com a decisão judicial proferida nos autos de Mandado de Segurança por ele impetrado, e que o PER em questão se encontraria prejudicado pelos pedidos de restituição formulados em papel no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. A decisão recorrida, contudo, esclarece, detalhadamente, a questão e demonstra a improcedência dos argumentos da Recorrente. O conteúdo do Recurso, por outro lado, apenas revela o acerto da decisão guerreada e põe luz sobre o equívoco do raciocínio formulado pelo sujeito passivo. A Recorrente, pelas razões que esclarece em seu recurso, apresentou o PER que deu origem aos presentes autos. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 12448.907680/201347 Acórdão n.º 1302002.836 S1C3T2 Fl. 8 7 Posteriormente, ingressou com Mandado de Segurança "objetivando ordem no sentido de que a autoridade impetrada receba e processe o pedido de restituição de tributos" supostamente recolhidos por ela, de forma indevida. Importa destacar trecho da sentença exarada no processo judicial, que esclarece bem o seu escopo: "Como causa de pedir, sustenta, em síntese, que, na qualidade de importadora, recolheu diversos impostos e contribuições no período de 19/07/2002 a 19/11/2008; que alguns recolhimentos foram indevidos, tendo direito à restituição, nos termos do art. 165 do CTN. Alega que, apesar de ter preenchido o formulário aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 900/2008, para obter a restituição, as autoridades fiscais se negam a recebêlo, por se encontrar disponível no site da Receita Federal do Brasil formulário eletrônico para tal finalidade. Aduz, contudo, que o formulário eletrônico não aceita pedidos de restituição de tributos recolhidos há mais de cinco anos, contados da data do preenchimento do formulário; que o prazo para pleitear a restituição dos tributos sujeitos ao lançamento pelo regime de homologação é de dez anos e não de cinco anos, como aceito no formulário eletrônico." O conteúdo da citada decisão judicial, de outra parte, foi no sentido de "que a autoridade impetrada receba e processe o pedido de restituição da Impetrante, formulado em papel". Ou seja, como bem esclarecido pelo acórdão recorrido, não há, em absoluto, qualquer violação à referida decisão judicial no fato de que o pedido de restituição da Recorrente formulado por meio de PER seja analisado nos presentes autos. Ora, tal pedido foi apresentado, em meio eletrônico, em estrita obediência à legislação de regência dos pedidos de restituição e declaração de compensação, inexistindo qualquer vício que o invalide. A decisão judicial que favoreceu a Recorrente se limitou a determinar o recebimento e processamento dos pedidos de restituição formulados pela Recorrente em formulário de papel. E isto foi feito no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. O fato de o pedido formulado em papel abranger o crédito já pleiteado anteriormente em meio eletrônico será apenas mais um elemento a ser considerado pela autoridade administrativa quanto da análise daquele pedido. Jamais, há qualquer tipo de substituição, ou implicaria o cancelamento do PER. Tratamse de pedidos autônomos, com análises próprias. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 12448.907680/201347 Acórdão n.º 1302002.836 S1C3T2 Fl. 9 8 No caso, não há qualquer incompetência ou cerceamento do direito de defesa a atrair a incidência do art. 12 do Decreto nº 7.574, de 2011. Sequer se observa qualquer vício ou outro tipo de irregularidade nos presentes autos, razão pela qual deve ser rejeitada a alegação de nulidade formulada pela Recorrente. III DO PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO Não tendo sido deduzido no Recurso apresentado qualquer argumento ou pedido relacionado com o mérito do PER analisado nos presentes autos, devese considerar que a matéria não foi objeto de questionamento, mantendose incólume a decisão de primeira instância que não reconheceu o direito creditório. IV CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por rejeitar a alegação de nulidade e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, com a manutenção do indeferimento da restituição do crédito pleiteado no Pedido Eletrônico de Restituição de que tratam os presentes autos." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 73DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.906682/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
É do contribuinte o ônus da prova da liquidez e certeza do crédito por ele utilizado em Declaração de Compensação, o qual deve ser demonstrado cabalmente por meio da escrituração contábil e fiscal e de documentos hábeis e idôneos que a amparam.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2004
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS DOCUMENTAIS APRESENTADAS EM RECURSO VOLUNTÁRIO.
Em virtude do princípio da Verdade Material, pode o contribuinte, quando da apresentação do Recurso Voluntário, trazer aos autos prova documental do seu direito creditório, caso sejam essenciais para o deslinde da questão.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio.
Numero da decisão: 1302-002.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de não conhecimento dos documentos trazidos no recurso voluntário, suscitada de ofício pelo conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus da prova da liquidez e certeza do crédito por ele utilizado em Declaração de Compensação, o qual deve ser demonstrado cabalmente por meio da escrituração contábil e fiscal e de documentos hábeis e idôneos que a amparam. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2004 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS DOCUMENTAIS APRESENTADAS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. Em virtude do princípio da Verdade Material, pode o contribuinte, quando da apresentação do Recurso Voluntário, trazer aos autos prova documental do seu direito creditório, caso sejam essenciais para o deslinde da questão. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de não conhecimento dos documentos trazidos no recurso voluntário, suscitada de ofício pelo conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 66 82 /2 00 9- 82 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10580.906682/200982 Acórdão n.º 1302002.893 S1C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em relação ao Acórdão nº 03 53.901, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente." Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10580.906682/200982 Acórdão n.º 1302002.893 S1C3T2 Fl. 4 3 O sujeito passivo apresentou o Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DComp), por meio do qual compensa suposto crédito de sua titularidade, referente a pagamento indevido ou a maior a título de IRPJ, relativo ao 2º trimestre de 2004, com débitos relativos à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e à Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS/Pasep), período de apuração de setembro de 2006. Por meio do Despacho Decisório, a citada compensação não foi homologada, por inexistência do alegado crédito, uma vez que o pagamento invocado se encontraria inteiramente utilizado para quitação de débito confessado pelo sujeito passivo. Foi apresentada Manifestação de Inconformidade, na qual o sujeito passivo se limita a alegar a existência de erro no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) referente ao 3º trimestre, e que o valor efetivamente devido teria sido informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) relativa ao anocalendário de 2004. Informa, ainda, que promoveu a retificação da citada DCTF, para informar o valor do débito que entende correto. Pediu, por fim, a concessão de prazo adicional de 15 (quinze) dias, para apresentação de "maiores informações e documentos", bem como o direito a produção de provas, com anexação de novos documentos e, inclusive, perícia contábil. O Acórdão recorrido entendeu que a mera alegação de erro, juntamente com a retificação da DCTF, mas desacompanhada da escrituração contábilfiscal e dos documentos hábeis e idôneos que a embasaram, não é capaz de comprovar a liquidez e certeza do crédito informado. Registrou, ainda, que o prazo solicitado pelo sujeito passivo para a apresentação de informações e documentos se esgotou sem que qualquer novo elemento tenha sido anexado aos autos. Regularmente intimado por via postal, em 31/01/2014, da decisão de primeira instância, o sujeito passivo apresentou Recurso, em 05/03/2014, por meio do qual sustenta que: a) apurou e pagou a maior o IRPJ relativo ao referido trimestre, o qual teria sido corrigido por meio de DIPJ retificadora, juntamente com a apresentação de PER/DComp, na qual compensou o suposto indébito; b) após a não homologação da compensação, promoveu a retificação da DCTF, de modo a compatibilizála com a DIPJ; c) tendo em vista a decisão da DRJ, que considerou insuficiente como prova a DIPJ retificadora, apesar de apresentada antes do PER/DComp, juntou ao Recurso Voluntário outros documentos de amparam seu pleito (Demonstrativo do Lucro Real e Demonstração do Resultado transcrito no Livro Diário, bem como Termo de Abertura e Encerramento do referido Livro, contemporaneamente registrado na Junta Comercial); d) as normas que tratam da restituição do imposto pago a maior ou indevidamente não elencam documento obrigatório que seja prova suficiente da existência do direito creditório, ficando a depender do caso concreto; Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10580.906682/200982 Acórdão n.º 1302002.893 S1C3T2 Fl. 5 4 e) no caso sob análise, o Julgador considerou insuficiente a apresentação da DIPJ e não requereu as diligências necessárias para a produção de provas ou mera confirmação dos créditos, como determina a lei; f) os novos documentos juntados fariam prova da existência do crédito pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.890, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10580.906679/2009 69, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, inicialmente, como parte da solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento, contido no voto vencedor, que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.890), relativamente à preliminar de não conhecimento dos documentos trazidos no recurso voluntário, suscitada de ofício pelo conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo: "Ousase discordar do ilustre relator1 no ponto em que entendeu pela impossibilidade de o contribuinte juntar documentos aos autos, após a apresentação da impugnação administrativa. É que, o processo administrativo fiscal é regido por diversos princípios, dentre eles o da Verdade Material, que impõe a perseguição pela realidade dos fatos (prática do fato gerador) praticados pelo contribuinte, podendo o julgador, inclusive, de ofício, independentemente de requerimento expresso, realizar diligências para aferir os eventos ocorridos. A possibilidade de o julgador requerer diligência, em busca da realidade dos fatos está prevista expressamente no artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) 1 do Acórdão Paradigma. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10580.906682/200982 Acórdão n.º 1302002.893 S1C3T2 Fl. 6 5 A ilação do citado dispositivo do Decreto 70.235/72, que rege o processo administrativo, é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações e argumentos apresentados pelos contribuintes. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que, como mencionado, ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. É dever do julgador perseguir a realidade dos fatos. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10580.906682/200982 Acórdão n.º 1302002.893 S1C3T2 Fl. 7 6 Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ................................................................................................. ......................... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Não se pode olvidar que, no processo administrativo, não há a formação de uma lide propriamente dita. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. O que não restou feito no presente processo. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10580.906682/200982 Acórdão n.º 1302002.893 S1C3T2 Fl. 8 7 receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devese admitir a juntada de documentos, que, supostamente, confirmariam o direito creditório do contribuinte. Por todo o exposto, voto por afastar a preliminar suscitada de ofício pelo relator, para conhecer dos documentos acostados aos autos pelo contribuinte quando da apresentação do Recurso Voluntário." Relativamente à admissibilidade do recurso e às questões de mérito, transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento, que prevaleceu no voto do relator do Acórdão nº 1302002.890: "I DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 31 de janeiro de 2014 [...], tendo apresentado recurso em 05 de março de 2014 [...], dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996, uma vez que os dias 3 e 4 de março de 2014 foram ponto facultativo, conforme Portaria MPOG nº 2, de 3 de janeiro de 2014. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído [...]. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso I, e Art. 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. II DO MÉRITO Conforme explicitado pela própria Recorrente, a legislação que permite a compensação de créditos tributários exige a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10580.906682/200982 Acórdão n.º 1302002.893 S1C3T2 Fl. 9 8 Assim, na hipótese de apresentação de PER/DComp por parte do sujeito passivo é ônus deste a demonstração de tais requisitos em relação ao seu direito creditório. No caso da análise eletrônica e automática como a que gerou o Despacho Decisório que não homologou a compensação, a liquidez e certeza é aferida pela administração tributária, via de regra, pelo mero cruzamento das informações disponíveis em seu banco de dados, fornecidas seja pelo próprio sujeito passivo seja por terceiros. Incumbe, então, ao sujeito passivo a responsabilidade para que as informações por ele fornecidas à administração tributária sejam compatíveis com o direito creditório invocado. Nos presentes autos, a Recorrente apresentou o PER/DComp compensando suposto direito creditório proveniente de pagamento indevido ou a maior, mas as informações confessadas por ela própria em sua DCTF demonstravam a inexistência do alegado direito. Por esta razão, a compensação não foi homologada pelo Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador/BA. Com a apresentação da Manifestação de Inconformidade, e instauração do contencioso administrativo, a análise da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado passa a outro nível, sendo ônus do sujeito passivo comprovála cabalmente, por meio da adequada instrução documental. [...] A Recorrente, como relatado, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, limitouse a apresentar cópia da DCTF retificada para compatibilizar o valor do débito confessado ao informado na DIPJ, e que alega ser o correto; além de cópias dos comprovantes de arrecadação dos valores pagos e que suportariam o crédito compensado. [...] Os parcos elementos de prova juntados pelo sujeito passivo, de fato, não demonstram de modo algum que o novo valor de débito confessado na DCTF é o montante efetivamente devido, e não aquele confessado na primeira DCTF apresentada. [...] Não procede, também, a alegação trazida no Recurso Voluntário de que, em caso de dúvidas acerca da liquidez e certeza, o julgador se encontrava obrigado a determinar a realização de diligências. Os dispositivos invocados (arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972) revelam que a realização de diligências deve ser determinada pela autoridade julgadora apenas quando este Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10580.906682/200982 Acórdão n.º 1302002.893 S1C3T2 Fl. 10 9 entender necessárias e imprescindíveis à formação da sua convicção: "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." A diligência não pode ser utilizada como um meio para suprir a deficiência das provas carreadas pelo sujeito passivo aos autos. Portanto,[...] concluo que a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. O Julgador não poderia ter agido de outro modo, frente à ausência de demonstração do crédito invocado pelo sujeito passivo. [...] Ressalvo, apenas para demonstrar a ausência de zelo do sujeito passivo na busca de comprovar o direito creditório que invoca, que, [...] os novos documentos apresentados, nada trariam de prova inconteste do referido crédito. É que os elementos em questão se limitam a cópias simples dos Termos de Abertura e Encerramento de Livro Diário; cópia simples de uma folha (supostamente do referido Livro), na qual se apresenta a Demonstração do Resultado do trimestre relativo ao suposto crédito; cópia simples de uma folha do Livro de Apuração do Lucro Real do referido trimestre; e cópia do recibo de entrega e das Fichas 09A e 12A da DIPJ relativas ao ano calendário de 2004. É óbvio que tais elementos são um começo de prova em favor do direito creditório do sujeito passivo, mas estão longe de conferir a liquidez e certeza necessária, já que deveriam estar acompanhados das demais folhas do Livro Diário (e do Livro Razão) que comprovassem os valores que compõe a Demonstração do Resultado; do Livro de Apuração do Imposto sobre Mercadorias e Serviços que demonstrasse o montante de receitas auferidas no trimestre em questão; além dos esclarecimentos relativos ao erro supostamente cometido, uma vez que é gigantesca a disparidade entre os valores inicialmente confessados e aqueles posteriormente retificados, e isso para os 2º, 3º e 4º trimestres do anocalendário de 2004. Assim, [...]terseia a mesma situação em que se encontrou a DRJ, ou seja, parcos elementos de prova, sendo que a realização de diligência para a complementação documental não significaria mero esclarecimento de dúvida para a formação do Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10580.906682/200982 Acórdão n.º 1302002.893 S1C3T2 Fl. 11 10 convencimento do julgador, mas o suprimento da ineficiência da instrução probatória realizada pelo sujeito passivo. Os novos elementos apresentados em nada esclarecem qual foi o erro que motivou o suposto pagamento a maior. Quais foram os valores alterados na nova apuração? Não se sabe. Onde estão as provas hábeis a comprovar o indébito? A Recorrente não as apresentou. Concluise, portanto, que o sujeito passivo não provou a liquidez e certeza do crédito utilizado no PER/Dcomp de que tratam os presentes autos. Isto posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação realizada no PER/Dcomp apresentado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de rejeitar a preliminar de não conhecimento dos documentos trazidos no recurso voluntário, suscitada de ofício pelo conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 59DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.002614/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
JUNTADA DE LAUDO PERICIAL APÓS RECURSO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se admite a juntada de laudo pericial para basear o pedido de revisão após a apresentação do recurso voluntário em função da preclusão consumativa.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais a contribuinte titular, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Na presunção legal de omissão de receita inverte-se o ônus da prova, passando à contribuinte o encargo de comprovar a inocorrência de receitas mantidas à margem da tributação, sendo incabível a pretensão de transferi-la à administração tributária, sobretudo se, para comprovar a alegação de que os depósitos decorreriam de atividade de aquisição de títulos de crédito, são apresentados contratos cujos valores não permitem estabelecer uma relação com a receita declarada e com os depósitos questionados.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
CSLL. Tendo a fiscalização, na apuração do IRPJ lançado, considerado o prejuízo declarado para o período como redutor da base de cálculo autuada, impõe-se considerar, também na apuração da CSLL devida, a base de cálculo negativa declarada no ajuste final.
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA.
Em se tratando de exigências reflexas que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes.
Numero da decisão: 1401-002.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, preliminarmente, negar provimento à juntada de laudo pericial apresentado após a propositura do recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: Relator
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 JUNTADA DE LAUDO PERICIAL APÓS RECURSO. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite a juntada de laudo pericial para basear o pedido de revisão após a apresentação do recurso voluntário em função da preclusão consumativa. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais a contribuinte titular, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Na presunção legal de omissão de receita invertese o ônus da prova, passando à contribuinte o encargo de comprovar a inocorrência de receitas mantidas à margem da tributação, sendo incabível a pretensão de transferila à administração tributária, sobretudo se, para comprovar a alegação de que os depósitos decorreriam de atividade de aquisição de títulos de crédito, são apresentados contratos cujos valores não permitem estabelecer uma relação com a receita declarada e com os depósitos questionados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tendo a fiscalização, na apuração do IRPJ lançado, considerado o prejuízo declarado para o período como redutor da base de cálculo autuada, impõese considerar, também na apuração da CSLL devida, a base de cálculo negativa declarada no ajuste final. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Em se tratando de exigências reflexas que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 26 14 /2 01 0- 11 Fl. 1173DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, preliminarmente, negar provimento à juntada de laudo pericial apresentado após a propositura do recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) Relatório Inicio com a transcrição do relatório da decisão de Piso. Trata o presente processo dos Autos de Infração relativos a Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ, fls. 514/519), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS, fls. 520/527), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins, fls. 528/535) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL, fls. 536/541), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 15.337.851,73 (fls. 01), aí incluídos principal, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 29/10/2010, em decorrência da apuração, no anocalendário de 2005, de omissão de receita operacional caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários. As constatações que ensejaram a autuação foram contextualizadas no Termo de Verificação de fls. 511/513, como segue: No exercício das funções de AuditoFiscal da Receita Federal do Brasil e em procedimento de fiscalização, foi efetuado o presente trabalho respaldado pelo Mandado de Procedimento Fiscal 08128002008001394. Tratase de ação fiscal relativa ao IRPJ do ano calendário de 2.005, focada na significativa discrepância entre a Receita Bruta declarada, de R$ Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 13896.002614/201011 Acórdão n.º 1401002.748 S1C4T1 Fl. 1.174 3 110.564,28, e a movimentação financeira no mesmo período de R$ 18.765.662,63, ou seja uma Receita Bruta declarada de 0,6% da movimentação financeira. 0 procedimento fiscal teve início com a ciência, por via postal (Aviso de Recebimento A.R. datado de 19/05/2008) de Termo de Início de Fiscalização, lavrado em 12/05/2008. Nele eram solicitados ao sujeito passivo os Atos Constitutivos Consolidados e os Extratos Bancários referentes ao anobase de 2.005. Ao Termo de Início de Fiscalização seguiramse Termos de Ciência Continuação de Procedimento Fiscal TCCPF), como discriminados a seguir: TCCPF lavrado em 18/07/2008, com ciência pessoal na mesma data ; • TCCPF lavrado em 16/09/2008, com ciência pessoal na mesma data ; TCCPF lavrado em 17/11/2008, com ciência pessoal na mesma data; TCCPF lavrado em 30/12/2008, com ciência pessoal na mesma data ; TCCPF lavrado em 27/02/2009, com ciência pessoal na mesma data ; TCCPF lavrado em 27/04/2009, com ciência pessoal na mesma data ; TCCPF lavrado em 26/06/2009, com ciência pessoal na mesma data ; TCCPF lavrado em 26/08/2009, com ciência pessoal na mesma data ; TCCPF lavrado em 09/10/2009, com ciência por via postal, A.R datado de 16/10/2009 TCCPF lavrado em 14/12/2009, com ciência pessoal na mesma data ; Em 10/02/2010 foi lavrado Termo de Intimação Fiscal, com ciência pessoal na mesma data, solicitando os extratos bancários ainda não entregues à fiscalização até essa data. Em 23/02/2010 foi lavrado Termo de Reintimação Fiscal, com ciência pessoal na mesma data, reiterando o solicitado no Termo de Intimação Fiscal anterior. Em 19/03/2010, em face da não apresentação de todos os extratos bancários solicitados, foram emitidas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira do sujeito passivo no ano de 2.005 tendo por destinatários os bancos Bradesco, Santander Banespa, Pine e Safra (A.R. datados de 25/03/2010), conforme previsto no art. 33 da Lei n° 9.430/96. A partir de 28/04/2010, o procedimento fiscal passou a ser desenvolvido pelo AuditorFiscal Alberto Augusto Júnior em substituição ao AuditorFiscal Saulo Abreu de Souza. Tal alteração foi comunicada ao sujeito passivo por meio de Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal lavrado em 03/05/2010, com ciência por via postal (A.R. datado de 07/05/2010). Novo TCCPF foi lavrado em 30/06/2010, com ciência por via postal (A.R. datado de 06/07/2010). Fl. 1175DF CARF MF 4 Em 20/07/2010 foi lavrado Termo de Intimação Fiscal solicitando ao contribuinte a comprovação da origem dos valores depositados em suas contas correntes durante o ano de 2.005 e constantes de Anexo composto por 13 (treze) folhas.O contribuinte tomou ciência do referido Termo em 29/07/2010, pessoalmente. Foi concedido ao sujeito passivo um prazo de 20 (vinte) dias para que apresentasse suas comprovações. Em 10/08/2010 o sujeito passivo protocolou na DRF/Barueri solicitação de prorrogação do prazo por mais 20 (vinte) dias. Termo de Reintimação Fiscal lavrado em 20/08/2010, com ciência pessoal 23/08/2010, concedeu ao sujeito passivo um prazo adicional de 20 (vinte) dias. Em 14/09/2010 o sujeito passivo protocolou na DRF/Barueri nova solicitação de dilação do prazo, desta vez por 15 (quinze) dias. Termo de Intimação Fiscal lavrado em 16/09/2010, com ciência pessoal na mesma data, concedeu mais 15 (quinze) dias de prazo ao contribuinte. Em 05/10/2010 foi lavrado Termo de Reintimação Fiscal (ciência pessoal mesma data) estendendo o prazo dado ao contribuinte em mais 5 (cinco) dias. Finalmente, em 15/10/2010 o contribuinte apresentou documentação composta de 67 Contratos de Cessão de Crédito, esclarecendo na carta de apresentação de tais documentos que "obviamente tais valores [constantes dos contratos de cessão de crédito] não são iguais aos indicados por V.Sa. [na lista de depósitos composta por 13 folhas, anexa ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 20/07/2010], pois os recebíveis eram rateados em diversas contas bancárias." De fato, esta fiscalização não conseguiu estabelecer vínculos entre a documentação apresentada e a lista de depósitos já referida acima. Em função disso, foi marcada reunião com representantes da Empresa para 03/11/2010 na qual foi mais uma vez explicada a maneira como deveria ser apresentada a documentação comprobatória. Nessa reunião, os representantes do sujeito passivo apresentaram Livro Diário referente a 2.005 que também não permite que se esclareçam os depósitos a serem justificados. Não apresentaram quaisquer outros livros contábeis ou fiscais (Livro Razão, por exemplo). Diante do acima exposto, os representantes da Empresa foram informados de que seria lavrado Auto de Infração considerando como Omissão de Receita os depósitos da acima referida lista de depósitos nas contas correntes da Empresa. Foi a eles explicado, também, que a Empresa terá 30 (trinta) dias de prazo, a partir da ciência do referido Auto para apresentar impugnação composta por documentação preparada a partir da presente reunião. Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 13896.002614/201011 Acórdão n.º 1401002.748 S1C4T1 Fl. 1.175 5 Ao final da reunião, foi lavrado Termo de Constatação Fiscal do qual o procurador da Empresa tomou ciência e recebeu uma via. Por não ter a Empresa conseguido comprovar a devida contabilização dos depósitos a ela apresentados na lista de depósitos do Anexo já citado acima, foi lavrado Auto de Infração IRPJ considerando como Omissão de Receita os referidos depósitos. Acrescentamse ao Auto de Infração IRPJ outros Autos de Infração dele decorrentes, ditos reflexos, referentes a PIS, a COFINS e a CSLL. Este Termo de Verificação Fiscal faz parte integrante dos mencionados Autos de Infração. E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, em 02 (duas) vias de igual forma e teor, assinado pelo(s) Auditor(es)Fiscal( is) da Receita Federal do Brasil e pelo contribuinte/preposto, que neste ato recebe uma das vias. Em oposição aos lançamentos, a pessoa jurídica autuada, por seu procurador (o mesmo a quem cientificados os Autos de Infração, fls. 542, com instrumento de procuração às fls. 65 e 544) protocolizou, em 23/12/2010, a impugnação de fls. 549/550, acompanhada dos documentos de fls.551/ 843, com as razões de defesa a seguir transcritas: Tratase de ação fiscal relativa ao 1RPJ referente ao exercício de 2005 Aos fatos: Aponta a referida ação, conforme descrito no termo de verificação fiscal em anexo,discrepâncias entre receita bruta declarada e movimentação financeira. A esse apontamento esclarecemos: Que a movimentação financeira circulante por análise óbvia não pode ser vista como receita líquida, nem mesmo o fator percentual da receita bruta. Justifico: Tendo em vista que a empresa em questão tinha como atividade única a compra de ativos, melhor ainda, títulos recebiveis, duplicatas etc. atividade esta devidamente autorizada pelo Banco Central do Brasil, e ainda como objeto singular do contrato social da referida empresa H.R.A. Assessoria Administrativa Ltda. Como exemplo, explanamos de forma bastante simplória: Uma determinada empresa tinha em seu poder recebiveis a vencer, contudo havia necessidade de converter tais papéis em dinheiro, daí então a empresa H.RA. efetivamente comprava a vista tais títulos deduzidos os devidos custos financeiros em conformidade com a legislação. Fl. 1177DF CARF MF 6 Por consequência dava em adiantado o valor do título e mantinhao até a data da liquidação mencionada no mesmo descrito. Em seguimento ao termo de verificação fiscal e observado que em 19/03/2010, a Secretaria da Receita Federal requisita as informações sobre a movimentação financeira referente ao ano de 2005 da respectiva empresa H.R.A., tais pedidos foram feitos aos bancos Bradesco, Santander, Banespa, Pine e Safra. Em poder de tais extratos a Receita Federal solicitou à empresa H.R.A. em 20/07/2010 que comprove a origem dos valores depositados em suas contas correntes durante o ano de 2005. Análise dos referidos extratos: Podese facilmente verificar nas 13 folhas referentes aos extratos bancários que todo o capital movimentado é comprovadamente de uma conta da referida empresa para outra da mesma titularidade, provindas das chamadas contas garantidas oferecidas pelos bancos já mencionados, ou seja, uma operação absolutamente normal. Tal procedimento era realizado para cobrir saldo negativo ou o que se fizesse necessário. Acrescento ainda que o mais relevante no conteúdo dos extratos é também que 70% das movimentações são conforme histórico dos respectivos e de forma inequívoca movimentação de títulos em cobrança e liquidação de cobrança exatamente descritos nos extratos, obviamente quando da liquidação dos títulos os valores são parcialmente depositados em contas corrente. Devese esclarecer que: quando os títulos eram liquidados nas devidas datas de vencimento eram creditados nas contas/fundos garantidores dos bancos com a finalidade de cobrir parte do capital utilizado sendo que o restante era depositado nas contas da empresa H.R.A. de forma a balancear o que era utilizado dos bancos em compatibilidade com os recebíveis. Também faço lembrar que o capital social registrado da empresa H.R.A. era de R$ 2.700.000,00 (dois milhões e setecentos mil reais). Na sequência do termo de verificação fiscal, em 15/10/2010 a empresa H.R.A. apresentou os 67 contratos de cessão de crédito (contratos que formalizam a compra de ativos). Conforme o auditor que desenvolvia o procedimento fiscal o mesmo descreve o seguinte: "obviamente tais valores constantes dos contratos de cessão de credito não são iguais aos indicados na lista de depósitos (extratos bancários)", acrescenta ainda que "os recebíveis eram rateados em diversas contas conforme página 02 do T.V.F.".V.Sa. Auditor Alberto Augusto Júnior que assumiu o procedimento fiscal desde 20/04/2010 afirma de forma conclusiva, conforme o descrito acima, que o rateio dos valores compõe a forma operacional financeira da respectiva empresa não podendo em hipótese alguma ser de outra forma, deixa claro e entende como os valores foram lançados, fato que nos causa estranheza em virtude da autuação. Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 13896.002614/201011 Acórdão n.º 1401002.748 S1C4T1 Fl. 1.176 7 Esclareço: Em uma melhor análise o que certamente não foi feito, folhando se os contratos de cessão de crédito observase a relação discriminada dos vários títulos fracionados que compõem o valor principal do contrato. Ainda mais, tais contratos descrevem de forma absolutamente clara, o cedente, o cessionário e o avalista com respectivos endereços, CNPJ, CPF e as devidas assinaturas. Tais informações fortalecem ainda mais de forma inequívoca de onde se originam os valores descritos nos extratos bancários, lembrando sempre que a empresa H.R.A. tinha somente um único tipo de atividade. A análise do termo de verificação fiscal onde o auditor diz não haver vinculo entre a documentação apresentada e a lista de depósitos é equivocada e demonstra pouco comprometimento durante a análise dos documentos. Conclusão: Sabendo que foram apresentados todos os documentos que demonstram com extrema clareza a origem dos valores exibidos nos extratos bancários e, visto ter havido por parte do auditor responsável pelo procedimento fiscal uma inconsistência de análise aos documentos oferecidos ao mesmo, entendemos que a autuação é arbitrária e demonstra desprezo às provas apresentadas, portanto solicitamos a impugnação do auto de infração por estarmos absolutamente certos da licitude de nossos documentos assim como de uma conduta empresarial que respeita a legislação em vigor. Atenciosamente, A autoridade preparadora, conforme fls. 848, intimou a contribuinte a apresentar Cópia autenticada (ou cópia simples com apresentação da via original) do Ato Constitutivo (contrato social , estatuto e ata) e última alteração e Cópia autenticada (ou cópia simples com apresentação da via original) do documento de identificação do procurador "BRYAN WINGESTER ALVES", para conferência de assinatura. Tendo a correspondência retornado com a informação de “mudouse”, a intimação foi encaminhada ao sócio administrador, conforme fls. 853/854. Por meio do despacho de fls. 855, a autoridade preparadora, consignando ser a impugnação tempestiva, encaminhou o processo para julgamento. Da análise da impugnação apresentada a Delegacia de Julgamento julgou procedente em parte a impugnação excluindo apenas um pequeno valor do montante lançado. Cientificado do acórdão, apenas a empresa apresentou recurso voluntário em petição bastante sintética, acostada às fls. 1146/1147. O julgamento do processo foi sobrestado em razão da análise, por parte do STF, das normas que permitiam a utilização de dados da movimentação financeira sem autorização judicial. Fl. 1179DF CARF MF 8 Após o julgamento do feito pelo STF declarando constitucionais as normas que permitiram a obtenção por requisição administrativa dos dados da movimentação financeira o processo retornou para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Há de se destacar, da análise da peça recursal que conta com singelas duas páginas, pelo resumo do mesmo, aproveito para transcrever na íntegra o recurso apresentado. Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 13896.002614/201011 Acórdão n.º 1401002.748 S1C4T1 Fl. 1.177 9 Da análise do recurso apresentado verificase que a empresa não apresenta provas da origem dos depósitos realizados em suas contascorrentes a justificar o oferecimento à tributação de receitas equivalentes a apenas 0,6% dos valores movimentados em suas contas. Em verdade o recurso apresentado é até mais resumido do que a impugnação, que também foi elaborada em apenas duas laudas e se limitam, em ambos os casos, a apresentar a atividade que a empresa exercer e apresentar os mesmos documentos já disponibilizados à fiscalização sem fazer nenhum confronto entre os valores que diz apresentar em contratos e lista de créditos nas contas da empresa. Em resumo, não traz nenhum fundamento de fato ou de direito a justificar a discrepância entre a movimentação financeira e os valores declarados a fim de justificar a origem individualizada dos valores depositados. Assim, entendo desnecessário realizar uma análise deste pretenso recurso, vez que em nada acrescentou ao apresentado na impugnação e, de mais a mais, o acórdão da impugnação foi muito feliz, minuncioso e fundamentado a justificar a manutenção parcial da autuação. Da apresentação de Laudo Técnico após o RV A recorrente apresentou memorial às fls. 1171 em diante, no qual informa que o recurso foi feito sem o auxílio de profissional do direito e solicita que, em face disto, sejam aceitas as informações apresentadas no laudo técnico contábil anexado junto ao recurso. Existem posições neste CARF e, inclusive, nesta turma contra a favor da juntada posterior de documentação por parte do contribuinte. No particular tenho entendimento de que não se poder negar, de pronto, a análise documental apresentada após a impugnação. Há de se investigar o caso concreto de per si. Ocorre, entretanto, que no presente caso não houve juntada de alegações e provas nem na época da impugnação e nem na apresentação do recurso voluntário. Inobstante a justificativa do recorrente de que o recurso não foi apresentado por profissional capacitado, é responsabilidade da empresa zelar pela sua representação perante o fisco. No presente caso, nunca foi formado o contraditório em relação à parte probatória agora apresentada o que implicaria, no mínimo, em supressão de instância. Só que, neste caso, a supressão não foi causada pela administração tributária mas sim pelo contribuinte que não realizou sua defesa de forma adequada. Assim, considerando o caso concreto, entendo que não é possível a admissão do lauto técnico para fins de análise probatória em razão da preclusão processual de sua apresentação. Neste sentido rejeito a utilização do referido laudo como prova. Fl. 1181DF CARF MF 10 Ora, quanto ao mais, não havendo a apresentação de questionamentos quanto aos fundamentos de decidir apresentados pela Delegacia de Julgamento não se estabelece o contraditório a ser objeto de análise recursal. Assim, os recursos devem apresentar não os mesmos argumentos veiculados na impugnação. O Recurso Voluntário, como segunda instância do processo administrativo, tem o condão de se contrapor aos fundamentos e argumentos da decisão que não compartilharam com os elementos da impugnação. Ao não apresentar nenhum contraponto à decisão atacada, nem fundamentar os motivos pelos quais requer que a decisão seja modificada o recorrente não estabelece contraditório passível de análise recursal, ressalvese apenas o pedido de perícia que será analisado em separado. Para tanto, foi editada recentemente modificação do Regimento Interno deste CARF que trata desta hipótese. Vejamos o dispositivo. Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Referida regra foi editada com vistas ao atendimento ao princípio da economia processual aos casos em que se vislumbre que não existem novos argumentos ou elementos. Por esta razão, concordando este relator com os termos do acórdão formulado pela Decisão de Piso passo a, na forma do art. 57, § 3º, do Regimento Interno do CARF, transcrever e adotar os mesmos fundamentos da decisão de Piso em relação ao presente ponto. Início da Transcrição do Voto da Delegacia de Julgamento. Embora não se encontre nos autos notícia de atendimento da intimação de fls. 848 e 853, vêse que a assinatura do subscritor da peça de impugnação (fls. 550) corresponde àquela aposta para ciência dos Autos de Infração (fls. 513, 517, 525, 533, 539 e 542), bem como que a Fiscalização juntou aos autos cópias dos atos constitutivos de fls. 04/39 e procuração de fls. 65 e 544, esta última lavrada em Cartório, constituindo o procurador que foi cientificado das autuações e que apresentou impugnação. Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 13896.002614/201011 Acórdão n.º 1401002.748 S1C4T1 Fl. 1.178 11 Neste contexto e sendo a impugnação tempestiva, consideramse supridos os pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dela se toma conhecimento. Como relatado, o procedimento fiscal, iniciado em 19/05/2008, decorreu da constatação de significativa discrepância entre a Receita Bruta declarada, de R$ 110.564,28, e a movimentação financeira no mesmo período de R$ 18.765.662,63, ou seja uma Receita Bruta declarada de 0,6% da movimentação financeira. De posse dos extratos de contas corrente de titularidade da pessoa jurídica obtidos junto a instituições financeiras já que a empresa, embora reiteradamente intimada a apresentálos, não atendeu as intimações para tanto, a Fiscalização elaborou relação dos créditos constatados (fls. 67/79) e intimou a contribuinte, também de forma reiterada conforme fls. 66, 81, 83 e 84, a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contascorrentes, durante o ano de 2.005, conforme relação anexa (fls. 66/79). Após solicitações de prorrogação de prazo, foi apresentada resposta (fls. 85) nos seguintes termos: Segue a movimentação solicitada do exercício de 2005. Em anexo, os contratos de compra de ativos, devidamente autorizada pelo Banco Central, os quais justificam as assistidas movimentações financeiras. Obviamente tais valores não são iguais aos indicados por V.Sa., pois os recebíveis eram rateados em diversas contas bancárias. No mais, colocamonos ao inteiro dispor para eventuais esclarecimentos. Descreveu, então, a fiscalização que, em análise da documentação apresentada, não conseguiu estabelecer vínculos entre a documentação apresentada e a lista de depósitos já referida acima. Esclareceu ainda que, marcada reunião com representantes da Empresa para 03/11/2010 na qual foi mais uma vez explicada a maneira como deveria ser apresentada a documentação comprobatória, os representantes do sujeito passivo apresentaram Livro Diário referente a 2.005 que também não permitiu esclarecer a origem dos depósitos a serem justificados. Em conseqüência, foram formalizados Autos de Infração para exigência do IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS), sendo indicado, na fundamentação legal, entre outros dispositivos, o art. 42 da Lei 9.430/96, e sendo adotada, na apuração do IRPJ e CSLL, a forma de tributação pelo Lucro Real, em consonância com a declaração de ajuste apresentada pela contribuinte para o anocalendário de 2005, onde foram declarados prejuízo e base de cálculo negativa de CSLL no montante de R$ 208.849,16 (pesquisas juntadas às fls. 858/859) – prejuízo este considerado na apuração do valor lançado a título de IRPJ conforme demonstrativo de fls. 514. Já, na apuração da CSLL (fls. 536), a base negativa não foi considerada – procedimento que, Fl. 1183DF CARF MF 12 dada a incompatibilidade com o critério adotado para o IRPJ, deve ser reformulado, como segue: Registrese, neste ponto, que, conforme pesquisa juntada às fls. 860/861, verificase que o sistema SAPLI não foi atualizado com o resultado da autuação que reverteu, para base de cálculo positiva, o prejuízo e a base de cálculo negativa de CSLL, declarados para o anocalendário de 2005, cabendo à autoridade competente da unidade lançadora adotar as providências em conformidade com o Anexo 1, item 4, alínea “a”, e item 8, da Norma de Execução Cofis/Cosit/Cotec/Corat nº 05, de 06/11/2006. Em sua defesa, fazendo menção a sua atividade de compra de ativos – títulos recebíveis”a vista deduzidos os devidos custos financeiros, de empresas que necessitam converter tais papéis em dinheiro, adiantando o valor do título e mantendoo até a data da liquidação mencionada no mesmo descrito, alega a contribuinte que a movimentação financeira circulante por análise óbvia não pode ser vista como receita líquida, nem mesmo o fator percentual da receita bruta. Todavia, apenas a descrição da atividade, não é hábil a afastar a exigência, sendo necessária a apresentação de documentação coincidente em data e valor com os créditos identificados nas contas correntes e questionados pela fiscalização, bem como a demonstração do oferecimento à tributação de suas receitas. A Impugnante reportase a relação de 13 folhas referentes aos extratos bancários, argumentando que todo capital movimentado é comprovadamente de uma conta da referida empresa para outra da mesma titularidade, provindas das chamadas contas garantidas oferecidas pelos bancos já mencionados, ou seja, uma operação absolutamente normal. Neste aspecto, observese que, na relação dos créditos de fls. 67/79, elaborada pela Fiscalização e que ensejaram a exigência, não se identifica nenhum que tenha histórico no sentido de crédito proveniente de conta corrente garantida. Os créditos assim identificados nos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras, a exemplo daqueles constantes do Extrato do Banco Safra, às fls. 200/201 do volume Anexo que compõe o processo, não integram a relação de créditos questionados e conseqüentemente não estão contemplados na base de cálculo autuada. Observese, também, que se a pretensão da Impugnante é alegar que os créditos decorreriam de outras contas de sua própria titularidade, necessária seria a prova da saída de recursos, no mesmo valor e na mesma data, de outra conta de mesma titularidade e, ainda, que integrem a relação dos créditos Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 13896.002614/201011 Acórdão n.º 1401002.748 S1C4T1 Fl. 1.179 13 questionados (fls.67/79). Ausente identificação de eventuais saídas nessas condições, não há como afastar a exigência. Ainda alega a Impugnante que 70% das movimentações corresponde a movimentação de títulos em cobrança e liquidação de cobrança e que, quando da liquidação, os valores são parcialmente depositados em conta corrente. Acerca da questão observese que, em relação aos créditos listados pela Fiscalização, inclusive para aqueles com histórico “liquidação de cobrança” e “mov tit cobrança”, foi a contribuinte intimada a comprovar a origem dos recursos. Créditos sob tal histórico depreendese corresponderem ao pagamento de título pelo devedor em favor da contribuinte ora autuada, detentora do título, em cuja conta é depositado o valor pago. E, para afastar a autuação, deveria a impugnante identificar a origem dos recursos (identificando o contrato e o título nele discriminado, cujo pagamento teria ensejado algum dos depósitos questionados), demonstrando que não se tratam de receitas tributáveis ou se, tributáveis, que já foram oferecidas à tributação. Se a pretensão da impugnante é alegar que suas receitas corresponderiam a apenas parte dos recursos depositados em suas contas sob os históricos de liquidação de cobrança e movimentação de título de cobrança, deveria apresentar as correspondentes provas documentais. Mas, sua defesa é instruída apenas com contratos de aquisição de títulos. E, para comprovar que tais recursos corresponderiam àqueles objeto desses contratos de aquisição de títulos, necessária seria a demonstração da vinculação entre os valores dos títulos constantes dos contratos e os valores creditados em contascorrente. Tal demonstração, contudo, não foi feita pela Impugnante nem na fase do procedimento fiscal nem por ocasião da impugnação. De fato, reprisese que, no curso do procedimento, ao ser intimada a comprovar a origem dos valores depositados em suas contas correntes durante o ano de 2005 e constantes da relação elaborada pela Fiscalização composta por 13 (treze) folhas, a contribuinte, após solicitações de prorrogação de prazo, apresentou documentação composta de 67 Contratos de Cessão de Crédito, esclarecendo na carta de apresentação de tais documentos que "obviamente tais valores [constantes dos contratos de cessão de crédito] não são iguais aos indicados por V.Sa. [na lista de depósitos composta por 13 folhas, anexa ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 20/07/2010], pois os recebíveis eram rateados em diversas contas bancárias." E, em face da não coincidência de valores e datas, descreveu a fiscalização não ter conseguido estabelecer vínculos entre a documentação apresentada e a lista de depósitos já referida acima, tendo, então marcado reunião com Fl. 1185DF CARF MF 14 representantes da Empresa para 03/11/2010 na qual foi mais uma vez explicada a maneira como deveria ser apresentada a documentação comprobatória. Nesta ocasião, informa a Fiscalização que a interessada apresentou Livro Diário referente a 2.005 que também não permite que se esclareçam os depósitos a serem justificados, motivo pelo qual foi formalizada autuação, observando a forma de tributação do IRPJ e CSLL pela qual optou a contribuinte (Lucro Real). Na impugnação, não traz a interessada documentos de espécie distintas daqueles já submetidos à Fiscalização. Instrui sua defesa com cópias dos Autos de Infração e dos Termos lavrados pela Fiscalização e de contratos de cessão de créditos, como já havia apresentado no curso do procedimento. Para maior clareza, transcrevemse as cláusulas de um dos contratos que instruem a impugnação: Contrato de Cessão de Crédito nº 236/05, de 27 de janeiro de 2005, constante de fls. 617, do qual consta: I Pa r t e s : A) Como CEDENTE e dessa forma designada de ora em diante, a IAB ASSESSORIA TRIBUTARIA LTDA CNPJ 92.050.145/000115 Endereço Rua Siqueira Campos, 832 CEP: 90010000 Cidade:Porto Alegre UF: RS. B) AVALISTA/GARANTTDOR (S) e assim doravante designado (a): Nome: Alberto Wiebbelling CPF n°: 069.961.24034 Endereço: R. Santo Inácio, n° 222 apto 202 Porto Alegre R5 CEP: 90570150 Nome: Luciano Winterscheidt CPF n°: 404.084.37068 Endereço: Av. Bagé, n° 534 apto 301 Porto Alegre RS CEP: 90460080 C) Como CESSIONÁRIO (A) e assim designado (a): Nome: H.R.A ASSESSORIA ADMINISTRATIVA S.C. LTDA CNPJ: 05.359.430/000118 Endereço: Alameda Santos n" 905,7° andar CEP: 01419001 Cidade: São Paulo UF: SP. II ELEMENTOS DO CRÉDITO CEDIDO: A Valor Total: R$ 204.451,00 B Montante Transferido: R$ III Preço da Cessão: RS 173.496,00 IV CLAUSULAS E CONDIÇÕES: As partes de inicio nomeadas e qualificadas convencionam, entre si, a presente CESSÃO E TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO, que se regerá, no geral, pelas normas legais e regulamentares pertinentes e, em especial, pelas cláusulas e condições, mutuamente outorgadas e aceitas, a seguir enumeradas: Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 13896.002614/201011 Acórdão n.º 1401002.748 S1C4T1 Fl. 1.180 15 CLÁUSULA PRIMEIRA A CEDENTE é titular de créditos cujos elementos identificadores se encontram no Anexo I que, rubricados pelas partes, faz parte integrante e indissolúvel desse instrumento, no valor total indicado no item A do campo II do preâmbulo deste instrumento. CLÁUSULA SEGUNDA Pelo presente instrumento, a CEDENTE cede e transfere ao (à) CESSIONÁRIO (A) os créditos de que se fala na cláusula primeira precedente, no montante tal mencionado no item A do campo II do preâmbulo, ou parte dele, no montante indicado no item B do mesmo campo pelo preço certo e ajustado, mencionado no campo III do mesmo preâmbulo, pago, neste ato, pelo (a) CESSIONÁRIO (A), que recebe da CEDENTE, regular quitação. PARÁGRAFO PRIMEIRO: Incluemse na presente cessão, todos os direitos e garantias assegurados a CEDENTE na forma dos contratos que instrumentalizam os créditos parcialmente cedidos, por cuja existência e correta formalização responde a CEDENTE. PARÁGRAFO SEGUNDO: Fica o (a) CESSIONÁRIO (A), a partir deste momento, como o único e legítimo titular dos créditos ora cedidos e garantias constantes dos contratos firmados com os devedores respectivos. PARÁGRAFO TERCEIRO: O CESSIONÁRIO, por este instrumento, constitui a CEDENTE depositária, para que guarde, como se seus fossem, os contratos e garantias referidos no parágrafo anterior, encargo este que a CEDENTE aceita, com as responsabilidades previstas na legislação cabível comercial à espécie. CLÁUSULA TERCEIRA: A CEDENTE responde solidariamente ao (a) CESSIONÁRIO (A) pela pontual liquidação dos créditos objeto da presente cessão, obrigandose a pagar ao (a) CESSIONÁRIO (A), independentemente de qualquer aviso ou notificação, o valor de qualquer dos créditos no prazo de até 05 (cinco) dias úteis contados a partir da data do respectivo vencimento, conforme consta do anexo n° I ao presente contrato. Para garantir o completo cumprimento deste contrato, assina a CEDENTE e seus avalistas/garantidores uma Nota Promissória no valor total da presente cessão que fará parte integrante deste Contrato de Cessão de Crédito. CLÁUSULA QUARTA O (A) CESSIONÁRIO (A), pelo presente instrumento, nomeia e constitui, neste ato, a CEDENTE como sua mandatária para o fim especial de cobrar todos os créditos ora cedidos, podendo a CEDENTE recebêlos, dando a respectiva quitação, bem como em conseqüência autorizar a liberação e cancelamento das garantias respectivas. PARÁGRAFO ÚNICO: No prazo de até 05 (cinco) dias úteis decorridos a partir da data de vencimento dos créditos cedidos, a CEDENTE entregará ao (a) CESSIONÁRIO (A) o valor total de tais créditos, conforme consta do anexo I ao presente contrato, seja por força de seu efetivo pagamento pelos Fl. 1187DF CARF MF 16 DEVEDORES, seja em virtude da obrigação assumida na cláusula anterior, ficando a CEDENTE, na ocorrência desta ultima hipótese, subrogado em todos os direitos correspondentes. CLÁUSULA QUINTA: A CEDENTE e o (a) CESSIONÁRIO (A) se obrigam mutuamente a praticar todo e qualquer ato que seja ou que se tome relativo ou necessário ao desempenho dos respectivos direitos sobre os créditos ora cedidos, seja com seus titulares, seja na qualidade de mandatários, em caso de inadimplemento de qualquer DEVEDOR, em juízo ou fora dele. CLÁUSULA SEXTA: Caso a CEDENTE se constitua em mora, relativamente a qualquer de suas obrigações contratuais, ficará obrigado a pagar, ao (a) CESSIONÁRIO (A), juros moratórios calculados à razão de 1% am. (um por cento ao mês), além da responsabilidade pelas perdas e danos previstas em lei. CLÁUSULA SÉTIMA: O (A) CESSIONÁRIO (A) poderá declarar o presente contrato antecipadamente vencido se a CEDENTE: a) Tiver sua concordata declarada, falência decretada ou for objeto de intervenção judicial ou extrajudicial; b) Tornarse inadimplente, relativamente a quaisquer de suas obrigações contratuais. CLÁUSULA OITAVA: Fica, desde já escolhido pelas partes o foro da Comarca da Capital do Estado de São Paulo, como único competente para dirimir quaisquer dúvidas ou conflitos relativos ao presente contrato. E, por estarem assim justos e contratados, firmam o presente em 02 (duas) vias de igual teor e efeito, na presença de duas testemunhas abaixo identificadas. Como anexo ao referido contrato, consta: ANEXO I CONTRATO DE CESSÃO DE CRÉDITO Nº 239/05 CONDIÇÕES NEGOCIADAS Pelo presente instrumento, do contrato de cessão de crédito n° 239/05. As condições abaixo passam a partir desta integrar o contrato supra referido: Direitos Creditórios representados pelos seguintes: Títulos Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 13896.002614/201011 Acórdão n.º 1401002.748 S1C4T1 Fl. 1.181 17 Total de Títulos: 08 Valor total: R$ 60.000,00 Total de Cheques: 10 Valor total de Cheques: R$ 144.451,00 Total de Títulos e Cheques: 18 Valor Total de Títulos e Cheques: R$ 204.451,00 Fl. 1189DF CARF MF 18 Observese que não há, nos contratos apresentados, indicação de que tenham sido objeto de registro em Cartório de Títulos e Documentos e nem todos estão assinados por testemunhas. Além disso, como visto, a autuação foi justificada pelo fato de a Fiscalização não ter conseguido estabelecer vínculos entre a documentação apresentada e a lista de depósitos elaborada a partir dos extratos. De fato, em relação aos títulos relacionados nos contratos apresentados pela Impugnante não se encontram coincidências de datas e valores com os depósitos questionados. Tanto é assim que, como relatado e já exposto acima, a própria contribuinte, no curso do procedimento, esclareceu que obviamente tais valores [constantes dos contratos de cessão de crédito] não são iguais aos indicados por V.Sa. [na lista de depósitos composta por 13 folhas, anexa ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 20/07/2010], pois os recebíveis eram rateados em diversas contas bancárias." Com relação a cheques relacionados nos contratos é possível identificar, na relação de depósitos questionados, alguns valores coincidentes com aqueles indicados como direito creditório da contribuinte representado por cheques discriminados nos contratos apresentados, nos casos a seguir relacionados: Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 13896.002614/201011 Acórdão n.º 1401002.748 S1C4T1 Fl. 1.182 19 Apesar disso, cumpre observar que é considerada atividade de fomento mercantil (“factoring”) a atividade de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (art. 14, VI, da Lei nº 9.718, de 27.11.1998). E a pessoas jurídicas que exerçam a atividade de fomento mercantil ("factoring") em caráter permanente ou eventual, de forma principal ou acessória, cumulativamente Fl. 1191DF CARF MF 20 ou não, nas suas várias modalidades, deverão cadastrarse e manter seu cadastro atualizado no Conselho de Controle de Atividades Financeiras COAF (art. 2º, Resolução COAF nº 13, de 30.09. 2005). No presente caso, o Contrato Social, com a alteração datada de 16/11/2004 pela qual admitido como sócia a pessoa jurídica H R Auto Posto Ltda., indica como objeto (fls. 20) a prestação de serviços de: assessoria comercial, financeira, administrativa e promotora de vendas, exceto atividades que dependam de autorização de órgãos de classe (objeto mantido na alteração de 05/07/2005, fls. 30). Contudo, a atividade que alega exercer, decorrente dos contratos que apresenta, corresponde a aquisição de títulos de crédito. E, nessas circunstâncias, a exemplo do que ocorre com as empresas de fomento mercantil, a receita obtida, representada pela diferença entre a quantia expressa no título de crédito adquirido e o valor pago, deverá ser reconhecida, para efeito de apuração do lucro líquido do períodobase, na data da operação. Ou seja, a empresa registrará o valor das duplicatas, na conta "Duplicatas a Receber" do Ativo Circulante, pelo valor facial dos títulos de créditos. A contrapartida será (a) um crédito no Ativo Circulante (por exemplo, "Caixa" e "Banco Conta Movimento"), bem assim (b) uma receita na Conta de Resultado, representada pela diferença entre a quantia expressa no título de crédito adquirido e o valor pago. Mas, no caso, não comprova a contribuinte a contabilização acima descrita, de modo que, ainda que para os casos (cheques) acima relacionados fosse possível presumir a correspondência de valores com título de créditos mencionados nos contratos apresentados, ainda assim incabível afastar a correspondente parcela da exigência na medida que não comprovado o oferecimento à tributação da receita decorrente de tais operações, não sendo possível atestar a natureza do recebimento. Lembrese que a contribuinte declarou receita de prestação de serviços no anocalendário de 2005 de R$ 110.564,28 (fls. 857) e nada apresentou que permitisse associar esse valor à diferença entre a quantia expressa nos títulos de crédito que alega ter adquirido e o valor que teria pago por eles. E, nessas circunstâncias, não é possível afirmar que os créditos questionados corresponderiam a valores dos títulos que teriam sido adquiridos por meio dos contratos apresentados e não a atividades de assessoria comercial, financeira, administrativa ou de promoção de vendas, como previsto em seu objeto social. Ainda, cabível consignar que, apesar da alegação de que a movimentação financeira circulante por análise óbvia não pode ser vista como receita líquida, nem mesmo o fato percentual da receita bruta, a impugnante não traz aos autos comprovantes da origem dos recursos que permitam afastar a autuação. Limitase a instruir sua defesa com cópias do Auto de Infração e dos Termos lavrados pela Fiscalização e com contratos de cessão de créditos, como já havia apresentado no curso do procedimento. Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 13896.002614/201011 Acórdão n.º 1401002.748 S1C4T1 Fl. 1.183 21 Quanto à alegação de que a Fiscalização teria admitido que o rateio dos valores compõe a forma operacional financeira da respectiva empresa não podendo em hipótese alguma ser de outra forma, registrese que a descrição contida no Termo de Verificação acerca documentação composta de 67 Contratos de Cessão de Crédito espelha a simples reprodução de resposta à intimação apresentada pela contribuinte, constante de fls. 85, e não a conclusão fiscal após análise da documentação. Para maior clareza, transcrevese novamente o que exposto no Termo de Verificação: ... Finalmente, em 15/10/2010 o contribuinte apresentou documentação composta de 67 Contratos de Cessão de Crédito, esclarecendo na carta de apresentação de tais documentos que "obviamente tais valores [constantes dos contratos de cessão de crédito] não são iguais aos indicados por V.Sa. [na lista de depósitos composta por 13 folhas, anexa ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 20/07/2010], pois os recebíveis eram rateados em diversas contas bancárias." De fato, esta fiscalização não conseguiu estabelecer vínculos entre a documentação apresentada e a lista de depósitos já referida acima. ... Ainda alega a Impugnante ser equivocada a assertiva fiscal de inexistência de vínculo entre a documentação apresentada e a lista de depósitos, demonstrando pouco comprometimento durante a análise dos documentos. Neste ponto cabível lembrar que é a lei que caracteriza os valores creditados em conta corrente, quando o titular dos recursos não comprova sua origem, como receita omitida, autorizando a exigência de ofício dos tributos sobre ela incidentes. Tratase, pois, de presunção legal relativa, invertendo o ônus da prova, que passa a ser do sujeito passivo. Por conseguinte, é do sujeito passivo o ônus de provar que os valores depositados/creditados nas contas correntes não são receitas, ou que já teriam sido devidamente oferecidos à tributação. Tal preceito legal veio justamente dispensar o Fisco de despender esforços em investigações aprofundadas para produzir a prova do nexo de causalidade ou do liame entre os valores depositados/creditados e as receitas auferidas pela empresa. Basta ao Fisco intimar a empresa a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados e, diante da falta de comprovação, tornase juridicamente válida a imputação de omissão de receitas. Cumpre ao Fisco, em tais circunstâncias, tão só provar o indício, como, de fato, foi feito. A relação de causalidade, entre ele e a infração imputada, é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova e a conseqüente exigência atribuída à contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de receitas omitidas, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, que integra o enquadramento legal da autuação: Fl. 1193DF CARF MF 22 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; .... § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Vejase que a determinação legal para intimação individualizada dos créditos bancários objetiva, justamente, a identificação de eventuais valores não indicativos de receita, cumprindo à impugnante a sua segregação, seguida da efetiva demonstração de que referida movimentação é alheia à atividade empresarial da contribuinte ou que se trata de importâncias não tributáveis, a fim de formar a prova contrária à presunção estabelecida pela norma legal. Diante das expressas disposições legais, a autoridade fiscal fica autorizada a presumir a ocorrência de omissão de receitas, quando o titular de conta corrente bancária ou de investimento, apesar de regularmente intimado, não conseguir comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, mediante documentação hábil e idônea. Assim injustificável a pretensão de transferir à Fiscalização o encargo de identificar, nos contratos apresentados, a origem dos recursos movimentados nas contas correntes, sobretudo se, analisando as previsões contratuais acerca Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 13896.002614/201011 Acórdão n.º 1401002.748 S1C4T1 Fl. 1.184 23 do valor total do crédito cedido, do preço da cessão e dos valores e vencimentos de cada título adquirido, não é possível estabelecer uma vinculação desses valores com a receita declarada e com os depósitos questionados, mediante coincidência de valor e data. Por fim, registrese que, com exceção da adequação do lançamento de CSLL àquele de IRPJ (no qual considerado o prejuízo do período, como explicitado no início do voto), impõese a manutenção dos demais valores exigidos a título de CSLL, PIS e COFINS, tendo em vista referiremse a exigências reflexas que têm por base os mesmos fatos ensejadores da exigência principal, e que, contra elas, nenhuma razão de defesa específica foi apresentada, além daquelas já apreciadas e afastadas relativamente ao IRPJ. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de considerar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação, para MANTER as exigências relativas ao IRPJ, PIS e COFINS e MANTER EM PARTE a exigência de CSLL, conforme quadro resumo ao final deste voto. Final da transcrição do voto da Delegacia de Julgamento. À vista do exposto e concordando, na íntegra com os fundamentos de decidir apresentados pela Delegacia de Julgamento, voto no sentido de denegar o pedido de juntada de laudo pericial após a apresentação do recurso voluntário e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 1195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.000871/2011-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 13/12/2006
CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. PREVALÊNCIA DA INSTÂNCIA JUDICIAL EM DETRIMENTO DA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA N. 01 DO CARF.
Havendo concomitância de instâncias, deve prevalecer a instância judicial em detrimento da instância administrativa, haja vista a posição de prevalência da primeira em relação a segunda.
DEPÓSITO JUDICIAL ANTERIOR À EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO, CAUSA DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE JUROS DE MORA.
A existência de depósito judicial do montante exigível a título de tributo antes deste revestir-se de exigibilidade implica a sua suspensão, nos termos do art. 151, inciso II do CTN, desnaturando, por conseguinte, a mora do contribuinte e impedindo o lançamento de juros moratórios.
Numero da decisão: 3402-005.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a exigência dos juros moratórios do montante lançado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 13/12/2006 CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. PREVALÊNCIA DA INSTÂNCIA JUDICIAL EM DETRIMENTO DA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA N. 01 DO CARF. Havendo concomitância de instâncias, deve prevalecer a instância judicial em detrimento da instância administrativa, haja vista a posição de prevalência da primeira em relação a segunda. DEPÓSITO JUDICIAL ANTERIOR À EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO, CAUSA DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE JUROS DE MORA. A existência de depósito judicial do montante exigível a título de tributo antes deste revestir-se de exigibilidade implica a sua suspensão, nos termos do art. 151, inciso II do CTN, desnaturando, por conseguinte, a mora do contribuinte e impedindo o lançamento de juros moratórios.
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PREVALÊNCIA DA INSTÂNCIA JUDICIAL EM DETRIMENTO DA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA N. 01 DO CARF. Havendo concomitância de instâncias, deve prevalecer a instância judicial em detrimento da instância administrativa, haja vista a posição de prevalência da primeira em relação a segunda. DEPÓSITO JUDICIAL ANTERIOR À EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO, CAUSA DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE JUROS DE MORA. A existência de depósito judicial do montante exigível a título de tributo antes deste revestirse de exigibilidade implica a sua suspensão, nos termos do art. 151, inciso II do CTN, desnaturando, por conseguinte, a mora do contribuinte e impedindo o lançamento de juros moratórios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a exigência dos juros moratórios do montante lançado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 08 71 /2 01 1- 74 Fl. 827DF CARF MF 2 Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório 1. Por bem retratar os fatos aqui debatidos, utilizo como meu parte do relatório desenvolvido pela DRJ de Recife (acórdão n. 1142.182 fls. 569/578), o que faço nos seguintes termos: Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados para a prevenção de decadência, relativamente ao imposto de importação (II) e o imposto sobre produtos industrializados (IPI), incidentes sobre os bens importados pelo Lar da Mônica, em razão de o contribuinte ter impetrado Ação Declaratória de Reconhecimento Judicial de Isenção e/ou Imunidade Tributária dos Impostos e Contribuições incidentes sobre a Importação de Bens, com pedido urgente de antecipação parcial de tutela (nº 2006.34.00.0360078) para o desembaraço aduaneiro, com decisão prolatada em 05.12.2006, deferindo, em parte, a tutela pretendida apenas para que as mercadorias fossem liberadas do Porto de Santos para serem comercializadas na Feira Escandinava/2006. Em 06.12.2006, a entidade efetivou depósito na CEF, no valor de R$ 222.370,20. Em 13.12.2010, as Embaixadas Real da Dinamarca, Real da Suécia, da Finlândia e Real da Noruega registraram as Declarações Simplificadas de Importação (ainda em papel) nºs 1112806/0002187, 1112806/0002195, 1112806/00022209 e 1112806/0002217, tendo sido desembaraçadas as mercadorias em 14.12.2010 (por engano 2006 no AI). Sustentou a autora na ação judicial impetrada ser associação beneficente, com direito à imunidade tributária, nos termos do artigo 150, inciso VI, alínea “c” e § 4º da Constituição Federal (CF/88). Quanto à imunidade, a autoridade lançadora da Alfândega do Porto de Santos explica que o fato gerador do II é a entrada de produtos estrangeiros no território nacional (artigo 19 do CTN), enquanto o do IPI vinculado à importação é o seu desembaraço aduaneiro, quando o bem é de procedência estrangeira (artigo 46, inciso I, do CTN). Portanto o texto constitucional não inclui os impostos sobre o comércio exterior. Lembra, ainda, que, de acordo com o artigo 111, inciso II, do CTN, a isenção é interpretada literalmente. Foram, então, lavrados os dois Autos de Infração objeto do presente processo, relativamente às mercadorias constantes das DI mencionadas. O primeiro AI levantou a cobrança do imposto de importação (II), no valor de R$ 98.140,98, acrescido de juros Fl. 828DF CARF MF Processo nº 11128.000871/201174 Acórdão n.º 3402005.469 S3C4T2 Fl. 828 3 de mora no montante de R$ 39.452,32, totalizando este AI a soma de R$ 137.593,30; o segundo a cobrança do imposto sobre produtos industrializados (IPI), no montante de R$ 70.998,52, acrescido dos juros de mora, no montante de R$ 28.541,20, totalizando a soma de R$ 99.539,72. O valor consolidado do crédito tributário perfaz R$ 237.133,02, nos termos do Termo de Encerramento, à fl.50. (...). 2. Uma vez intimado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 356/402, a qual foi julgada improcedente pelo sobredito acórdão, conforme se observa da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 13/12/2006 Ação Judicial. II e IPI lançamentos. A propositura de ação judicial não impede a formalização do lançamento pela autoridade administrativa dos impostos devidos, que deve ser realizado, inclusive como meio de prevenir a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente a esses tributos, ficando o crédito constituído sujeito ao que vier a ser decidido, com trânsito em julgado, pela autoridade judicial. Concomitância de objeto com ação judicial. A propositura de ação judicial com o mesmo objeto da ação administrativa implica em renúncia a este litígio e, em conseqüência, no impedimento da apreciação, pela autoridade administrativa, das razões de mérito, no tocante à cobrança dos tributos incidentes sobre a importação dos bens. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/12/2006 Juros de mora. Exigibilidade. A exigibilidade do crédito tributário é suspensa pelo depósito judicial do seu montante integral, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN, composto pelos tributos devidos, acrescidos dos encargos legais cabíveis. Todavia, cabe o lançamento dos juros de mora na constituição do crédito tributário para prevenir a decadência, calculados da data do fato gerador dos tributos até a data em que se deu a suspensão de sua exigibilidade. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 3. Irresignado, o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 585/598, oportunidade em que voltou a discutir a sua imunidade tributária e, de forma subsidiária, Fl. 829DF CARF MF 4 protestou pela exoneração dos juros de mora, haja vista a existência de depósito judicial do montante aqui discutido a título de tributo. 4. Não obstante, após a interposição do citado recurso o contribuinte trouxe aos autos novas informações acerca da demanda judicial na qual discute a sua imunidade tributária (003499719.2006.4.01.3400, atualmente em trâmite perante o TRF da 1a Região), motivo pela qual, na qualidade de Relator do caso em com a concordância do então Presidente de Turma, abri vista a manifestação da Fazenda Nacional, o que redundou na apresentação da petição de fls. 819/825. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 6. O Recurso Voluntário interposto preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Da concomitância de instâncias 7. Conforme se observa do relatório acima desenvolvido e, em especial, do cotejo entre as causas de pedir e pedidos da ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária autuada sob o n. 003499719.2006.4.01.3400 e as causas de pedir e pedidos desenvolvidos no presente recurso voluntário, é possível constatar a concomitância entre as instâncias administrativa e judicial. 8. Isso porque, como visto, na citada ação judicial o contribuinte discute a imunidade dos impostos federais (dentre eles o II e o IPI) incidentes na operações com as embaixadas da Noruega, Dinamarca, Suécia e Finlândia (fls. 549/551), sendo exatamente tais operações o objeto do presente auto de infração (fls. 294/296). 9. Aliás, exatamente em razão de tal concomitância, o fiscal lançou apenas o valor de tributos, deixando de fora de tal exigência o importe de eventual multa de mora1. 10. Há, portanto, a concomitância entre a instância judicial e a instância administrativa, razão pela qual deve prevalecer aquela em detrimento desta, exatamente como prevê a Súmula n. 01 deste Tribunal Administrativo2. Logo, a decisão recorrida não merece reparo neste tópico em particular. II. Dos juros moratórios 11. Não obstante, de forma subsidiária e sem que haja concomitância com a discussão judicial, o contribuinte também se insurge contra a incidência dos juros moratórios incidentes no presente Auto de Infração, uma vez que, segundo o contribuinte, os valores aqui debatidos foram objeto de depósito judicial que antecedeu o presente lançamento, o que desnaturaria, por conseguinte, a suposta mora. 1 Os juros moratórios lançados serão objeto de tópico específico do presente voto. 2 "Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Fl. 830DF CARF MF Processo nº 11128.000871/201174 Acórdão n.º 3402005.469 S3C4T2 Fl. 829 5 12. Neste tópico em particular a decisão recorrida é absolutamente genérica, limitandose a discorrer, quase que "doutrinariamente", acerca do disposto no art. 161 do CTN e a respeito do art. 84, inciso I da lei . 8.981/95. 13. Acontece que a questão aqui debatida não diz respeito acerca da legitimidade ou não da incidência da SELIC para fins de correção do crédito tributário, mas sim se no presente caso havia ou não causa de suspensão da exigibilidade antecedente ao presente lançamento, de modo a afastar ou não a incidência dos juros moratórios. 14. Nesse sentido, convém destacar que a sobredita ação judicial (0034997 19.2006.4.01.3400) foi distribuída em 04 de dezembro de 2006, sendo que, em 06/12/2006, o contribuinte efetuou o depósito de R$ 222.370,20 na sobredita ação, conforme atesta o comprovante de depósito de fls 332. Por sua vez, no presente caso o montante de tributo exigido é de R$ 70.998,52 a título de IPI e R$ 98.140,98 sob a pecha de II, o que totaliza o importe de R$ 169.139,50. 15. O confronto de tais informações, bem como a análise do teor da citação ação judicial vis a vis do presente Auto de Infração (desenvolvida no tópico imediatamente anterior do presente voto), deixam claro que o valor depositado judicialmente pelo contribuinte contempla o montante aqui exigido. Ademais, resta claro também que tal depósito antecedeu a mora do contribuinte, o que implica a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151, inciso II do CTN3) e impede, por conseguinte, a exigência dos juros moratórios aqui discutidos. 16. Logo, deve ser afastada a pretensão fiscal em relação a incidência dos juros moratórios no presente caso. Dispositivo 17. Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte para afastar a exigência dos juros moratórios do montante lançado. 18. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro 3 " Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...); II o depósito do seu montante integral; (...)." Fl. 831DF CARF MF 6 Fl. 832DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.900757/2008-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-08-10T02:21:58Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-08-10T02:11:12Z; Last-Modified: 2018-08-10T02:21:58Z; dcterms:modified: 2018-08-10T02:21:58Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:4d0bd9f9-948a-4ce7-affe-9689f24dfe33; Last-Save-Date: 2018-08-10T02:21:58Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-08-10T02:21:58Z; meta:save-date: 2018-08-10T02:21:58Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-08-10T02:21:58Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-08-10T02:11:12Z; created: 2018-08-10T02:11:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2018-08-10T02:11:12Z; pdf:charsPerPage: 1762; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-08-10T02:11:12Z | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 2 1 1 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.900757/200821 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3001000.086 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Data 10 de julho de 2018 Assunto COFINS DCOMP COMPENSAÇÃO. Recorrente AUTOTRAC COMÉRCIO E TELECOMUNICAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. RELATÓRIO Por bem resumir os fatos, transcrevo o relatório da decisão recorrida (fls.356/359), verbis. Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de n° 14835.49175.110304.1.3.045086 (fls. 73/79), transmitida eletronicamente em 11/03/2004, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social —Coflns, tendo a contribuinte vinculado débitos no montante total de R$ 7.743,50. Em 24/04/2008, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 69),fundamentado nos termos dos artigos 165 e 170 do Código RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 00 75 7/ 20 08 -2 1 Fl. 676DF CARF MF Processo nº 10166.900757/200821 Resolução nº 3001000.086 S3C0T1 Fl. 3 2 Tributário Nacional e do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cuja decisão não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no 111 PER/DCOMP. Cientificado, via postal, dessa decisão em 06/05/2008 (fls. 80 e 81), bem como da cobrança dos débitos compensados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 04/06/2008, manifestação de inconformidade às fls. 01/08, acrescida de documentação anexa. A respeito do crédito nãohomologado, no valor de R$ 7.743,50, a manifestação de inconformidade alega, em síntese: "(.) tais créditos foram extraídos dos pagamentos efetuados a maior, através dos DARFs: R$ 360.388,13 recolhido em 14/03/2003 (valor devido R$ 352.174,01), R$ 441.873,45 recolhido em 15/04/2003 (valor devido R$ 432.306,09), R$ 421.995,45 recolhido em 13/06/2003 (valor devido R$ 416.573,69), R$ 450.730,61 recolhido em 15/07/2003 (valor devido R$ 445.424,77), R$ 588.481,94 recolhido em 15/08/2003 (valor devido R$ 587.462,18) e R$ 562.471,21 recolhido em 15/12/2003 (valor devido R$ 560.500,02), gerando saldos credores de R$ 8.214,12, R$ 9.567,36, R$ 5.421,76, R$ 5.305,84, R$ 1.019,76 e R$ 1.971,19, respectivamente. (..)"tlik" 2 DF CARF MF Fl. 355 Documento de 229 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0718.06567.CPXT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n2 10166.900757/200821 DIUBSA Acórdão n.° 0330.128 Fls. 92 Alega, ainda, que os valores devidos e pagos estariam também em conformidade com a DIPJ, cujos montantes teriam sido totalmente utilizados para pagamento complementar da Cofins, conforme a seguir: • débito deR$ 7.74350 compensação efetuada utilizando o créditode —R$ 8.214,12 em favor da Impugnante da seguinte forma: complemento da Cofins dos meses de abril de 2003 (R$ 77,27), agosto de 2003 (R$ 2.449,20), outubro de 2003 (R$ 2.949,72) e setembro de 2003 (R$ 2.267,31), totalizando R$ 7.743,50, adicionando os respectivos acréscimos legais, conforme restou esclarecido no PER/DCOMP mencionado. A contribuinte argumenta, também, que o PERJDCOMP estaria amparado pelos respectivos créditos, devidamente comprovados por meio do DARF e demonstrados em planilha, além de estarem ratificados pela apuração apresentada na respectiva DIPJ e documentos em anexo. Ao final requer que seja julgado insubsistente e/ou improcedente a exigência formulada através do Despacho Decisório ora impugnado. Intimado da decisão em 07.05.2009 (fls. 361/362), o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 05.06.2009 (fls. 363/65), ilustrado com farta documentação composta por procuração ao advogado, estatuto social e alterações, despachos decisórios diversos, Fl. 677DF CARF MF Processo nº 10166.900757/200821 Resolução nº 3001000.086 S3C0T1 Fl. 4 3 recibos de entrega de DCOMP, entre outros (fls. 366/458), com os seguintes fundamentos (fls. 364/365), verbis. 1. Trata este auto de lançamento por homologação, no qual a autoridade fiscal entendeu que a recorrente, ao promover a compensação do valor da COFINS pago a maior referente ao mês de fevereiro de 2003, teria se utilizado de crédito inexistente, no valor principal de R$ 8.214,12, e atualizado no valor de R$ 9.769,05. 2. O crédito, todavia, existiu; com efeito, na DCTF apresentada pela Recorrente referente ao mês de fevereiro de 2003, foi declarado, por estimativa, uma vez que ainda não era conhecida a base de cálculo definitiva, o débito apurado da COFINS no valor de R$ 360.388,13, conforme DARF anexo; no entanto, quando da revisão dos registros contábeis, foi constatada a diferença do imposto devido naquele mês, no montante acima indicado de R$ 8.214,12, cujo valor do imposto correto e definitivamente apurado foi de R$ 352.174,01. 3. Constatado o pagamento a maior, no valor de R$ 8.214,12 que, atualizado até o mês de março de 2004, atingiu o valor de R$ 9.769,05, a Recorrente promoveu a devida compensação, conforme PER/DCOMP (cópia anexa), enviada em 11/03/2004, aproveitando este crédito para a liquidação complementar da 010 COFINS referente aos meses de: (i) abril de 2003, no valor de R$ 77,27, e com os acréscimos legais no valor de R$ 104,38; (ii) agosto de 2003, no valor de R$ 2.449,20, e com os acréscimos legais no valor de R$ 3.127,62; (iii) outubro de 2003, no valor de R$ 2.949,72, e com os acréscimos legais no valor de R$ 3.678,88; e (iv) setembro de 2003, no valor de R$ 2.267,31, e com os acréscimos legais no valor de R$ 2.858,17, totalizado a compensação em R$ 8.214,12 e com as atualizações legais de cada pagamento o valor de R$ 9.769,05. 4. A autoridade julgadora de 1a instância entendeu que "o contribuinte não trouxe aos Autos material probatório que comprovasse o erro cometido no preenchimento da DCTF, o que demonstraria a existência do crédito alegado referente ao DARF recolhido, bem como a possibilidade de utilizálo para quitar os débitos apurados em outros períodos", acrescentando ainda que "apresentar apenas cópia da DIPJ, da DCTF e da planilha elaborada pela própria contribuinte, sem a devida escrituração, não é suficiente para comprovar as alegações da contribuinte, não sendo, portanto, capaz de desconstituir o que foi constituído pelo DespachoDecisório". 5. Data vênia, tal entendimento não se sustenta; a Recorrente se preocupou, para demonstrar o seu direito, em elaborar planilha de cálculo, contendo analiticamente os valores do tributo, por entender que, na atual sistemática de comunicação entre o contribuinte e o fisco, sempre por meio eletrônico, a PER/DCOMP, documento instituído pela própria RFB, contém as informações necessárias para a autoridade fiscal examine a regularidade do procedimento do contribuinte; a planilha anexada, portanto, teve o propósito de melhor esclarecer 110 o fato, quanto a DIPJ esta teve como objetivo demonstrar a base de cálculo e ratificar a escrituração dos registros contábeis da Recorrente. Fl. 678DF CARF MF Processo nº 10166.900757/200821 Resolução nº 3001000.086 S3C0T1 Fl. 5 4 6. Em homenagem, todavia, aos princípios da boa fé e da vedação do enriquecimento sem causa, que com certeza ocorrerá se for mantida a decisão de 1' instância, obrigando a Recorrente a pagar o que não deve, ou a abrir mão de crédito cuja restituição lhe é garantida pela lei, anexase a estas razões a DCTF RETIFICADORA do período em que foi demonstrado o crédito, verificandose, na página anexa, o valor correto da COFINS devido referente ao mês de fevereiro de 2003 e declarado na DCTF do 1° trimestre de 2003, que é de R$ 352.174,01 e o pagamento, conforme DARF também anexo, no valor total de R$ 340.388,13, de cuja diferença resulta o valor de R$ 8.214,12. 7. Anexase, também, a folha do balancete do mês de fevereiro de 2003, com o registro do grupo de receitas componentes da base de cálculo da COFINS, ratificando contabilmente os valores constantes da DIPJ, bem como o valor do 1110 imposto informado na DCTF retificadora. Diante do exposto, requer seja conhecido e provido este recurso, com a reforma da decisão impugnada, julgandose consequentemente procedente o pedido da Recorrente. Já neste Colegiado, foi negado provimento ao recurso voluntário do recorrente, em sessão de 22 de maio de 2012, através do Acórdão 380300.9503ª Turma Especial, com a relatoria do Conselheiro Carlos Henrique Martins de Lima (fls. 461/465), pelos fundamentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 461), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/04/2008 PROVA AUSÊNCIA DA ESCRITURAÇÃO A ausência nos autos de material comprobatório consistente na escrituração contábil e fiscal que justifique a redução da base de cálculo da contribuição na DCTF retificadora, impede formar convicção sobre as alegações de existência de crédito. Referido acórdão foi objeto de Embargos Declaratórios do recorrente (fls. 477/482), acolhidos através do Acórdão nº 380302.934, da 3ª Turma Especial, proferido em 22.05.2012 (fls. 510/513), e assim ementado (fls. 510), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/04/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tãosomente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. Fl. 679DF CARF MF Processo nº 10166.900757/200821 Resolução nº 3001000.086 S3C0T1 Fl. 6 5 Embargos Acolhidos Direito Creditório Não Reconhecido Em 17.08.2012, o recorrente ingressa com novos Embargos Declaratórios (fls. 539/547), ilustrado com farta documentação (fls. 539/547), alegando OMISSÃO pelos fundamentos que aponta, e requerendo (i) análise consistente na documentação apresentada para provar suas alegações; (ii) sanar contradição quanto a existência de documento assinado pelo seu contabilista atestando a fidedignidade do Balancete de Verificação extraído do Livro Razão; (iii) esclarecimento porque os documentos exibidos não foram aceitos pelo colegiado para comprovar a liquidez e certeza do seu direito, como alegado no v. Acórdão, para que seja dado provimento ao seu RV; e/ou, sucessivamente, caso se entenda que não cabe a esse colegiado a análise pormenorizada da documentação, requerse seja o julgamento convertido em Diligência para que a Unidade preparadora aprecie tal documentação (fl. 546/547). Em 21.09.2012, foi proferido o Despacho nº 3803000.155, em 21.09.2012, pelo Presidente da 3ªTE/3ª Seção, negando seguimento aos Embargos (fls. 615/618), que assim finalizou (fls. 617/618), verbis. Inexiste no acórdão embargado qualquer omissão a reclamar o acolhimento dos presentes embargos, pois tanto os fatos quanto os fundamentos da decisão foram expostos de forma clara, concisa e nítida. Digno de nota, a decisão recorrida enfrentou expressamente a questão, ao declinar que os documentos apresentados na manifestação de inconformidade não eram hábeis e suficientes para atestar a liquidez e certeza dos créditos opostos em compensação e que a documentação aportada aos autos juntamente com o recurso voluntário, ainda insuficiente para o mesmo fim, não seria conhecida em razão de sua intempestividade. Inexiste vício a sanar na decisão embargada. Conclusão Com essas considerações e sem mais delongas, nego seguimento aos presentes embargos. Nos termos do § 3º do art. 65 do RICARF, este despacho é irrecorrível. Intimese o embargante do seu teor. Notificado da decisão em 05.10.2012 (fls. 622/624), ingressou o contribuinte com RECURSO ESPECIAL em 11.10.2012 (fls. 630/643), objeto de despacho de comprovação da divergência jurisprudencial em 27.03.2015 (fls. 659/660), recebido por despacho do Presidente da 3ª Seção (fls. 661); seguindose contrarrazões da Fazenda Nacional opinando pelo não conhecimento (fl. 665/666); com julgamento na CSRF através do Acórdão 9303005.066 3ª T, de 16.05.2017 (fls. 674/680) que lhe deu provimento, por maioria de votos, para determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo, pelos fundamentos resumidos na seguinte ementa (fls. 654), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 RECURSO ESPECIAL DE Fl. 680DF CARF MF Processo nº 10166.900757/200821 Resolução nº 3001000.086 S3C0T1 Fl. 7 6 DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso Especial do Contribuinte Provido. O Relator do recurso na CSRF, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, destacou inicialmente em seu voto que: "O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.065, de 16/05/2017, proferido no julgamento do processo 10166.900706/200808, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado", e transcreveu como solução do litígio, nos termos regimentais, "os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.065)". Após reproduzir todos os fundamentos do voto do Acórdão paradigma proferido no processo 10166.900706/200808 relativamente à admissibilidade (fls. 676/680), prosseguiu em seu voto o ilustre Relator deste processo na CSRF, repetindo a parte final do voto condutor do Acórdão paradigma acima citado quanto ao mérito (fls. 680), verbis. Todavia, como este não foi o entendimento da Turma, aderimos à tese prevalecente quanto ao mérito do litígio, uma vez que, no caso, a Recorrente sequer foi intimada a apresentar provas do direito que alegava seu antes de proferido o Despacho Decisório, em desconformidade com o que preceitua o art. 3º, III, da Lei nº 9.784, de 1999. Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário. Finalizando seu voto o ilustre Relator do processo na CSRF reportouse à sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, para conhecer do recurso especial do Fl. 681DF CARF MF Processo nº 10166.900757/200821 Resolução nº 3001000.086 S3C0T1 Fl. 8 7 /contribuinte e, no mérito, darlhe provimento, determinando o envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário. É o relatório. VOTO Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator A tempestividade e os demais pressupostos de admissibilidade do Recurso Voluntário já foram aferidos pelo ilustre Relator do Acórdão nº 380302.943 (fls. 463). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução n° 3001000.085 de 10 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10166.900706/200808, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Nos termos regimentais, transcrevese aqui os argumentos que fundamentaram mencionada Resolução que determinou o retorno dos autos em Diligência à DRJ recorrida, quanto segue. Para uma completa e adequada compreensão dos demais Conselheiros, mister se faz um pequeno resumo dos fatos debatidos nas 684 páginas deste longo processo, na dicção do bem elaborado Relatório do v. Acórdão recorrido, proferido pela DRJ/DF, em 30 de março de 2009 (fls. 348/349), verbis. Trata o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de n° 00580.51727.110304.1.3.044099 (fls. 70/74), transmitida eletronicamente em 11/03/2004, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, tendo a contribuinte vinculado débitos no montante total de RS 8.956,83. Em 24/04/2008, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 69),fundamentado nos termos dos artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional e do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cuja decisão não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado, via postal, dessa decisão em 06/05/2008 (fls. 75 |e 76), bem como da cobrança dos débitos compensados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 04/06/2008, manifestação de inconformidade às fls. 01/08, acrescida de documentação anexa. A respeito do crédito não homologado, no valor de R$ 8.956,83, a manifestação de inconformidade alega, em síntese: "(...) tais créditos foram extraídos dos pagamentos efetuados a maior, através dos DARFs: RS 360388,13 recolhido em 14/03/2003 (valor devido RS 352.174,01), RS 441.873,45 recolhido em 15/04/2003 (valor devido RS 432.306,09), RS 421.995,45 recolhido em 13/06/2003 (valor devido RS 416.573,69), RS 450.730,61 recolhido em 15/07/2003 (valor devido RS 445.424,77), RS 588.481,94 recolhido em 15/08/2003 (valor devido RS 587.462,18) e R$ 562.471,21 recolhido em 15/12/2003 (valor devido RS 560.500,02), gerando saldos credores de RS 8.214,12, RS 9.567,36, RS 5.421,76, RS 5.305,84, RS 1.019,76 e RS 1.971,19, respectivamente. (...)"Alega, ainda, que os valores devidos e pagos estariam também em conformidade com a DIPJ, cujos montantes teriam sido totalmente utilizados para pagamento complementar da Cofins, conforme a seguir: Fl. 682DF CARF MF Processo nº 10166.900757/200821 Resolução nº 3001000.086 S3C0T1 Fl. 9 8 • débito de RS 8.956,83 compensação efetuada utilizando o crédito de RS 9.567,36 em favor da Impugnante da seguinte forma: complemento da Cofins dos meses de setembro/2003 (RS 7.294,68) e dezembro/2003 (R$ 1.662,15), adicionando os respectivos acréscimos legais, conforme restou esclarecido no PER/DCOMP mencionado. A contribuinte argumenta, também, que o PER/DCOMP estaria amparado pelos respectivos créditos, devidamente comprovados por meio do DARF e demonstrados em planilha, além de estarem ratificados pela apuração apresentada na respectiva DIPJ e documentos em anexo. Ao final requer que seja julgado insubsistente e/ou improcedente a exigência formulada através do Despacho Decisório ora impugnado. Como relatado, o processo foi negado provimento pelos julgadores da 2ª Turma da DRJ/DF ao fundamento de que o contribuinte não logrou demonstrar documentalmente a liquidez e certeza de suas alegações. Merece transcrição parte essencial dos fundamentos do r. acórdão recorrido (fls. 345), verbis. Conforme Luiz Henrique Barros de Arruda (apud Processo Administrativo.Fiscal, pág. 21), prova por definição, "é a demonstração de existência ou da veracidade daquilo que se alega como fundamento do direito que se defende ou que se contesta". Nesse sentido, jurisprudência da 1ª Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, dispõe ser inadmissível a simples alegação do erro no preenchimento da DCTF, de forma quer os dados informados reputamse verdadeiros até prova em contrário: DCTF ‐ ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO ‐ AUSÊNCIA DE PROVA ‐ os dados informados em DCTF reputam‐se verdadeiros, até prova em contrário. Inadmissível a simples alegação de erro no seu preenchimento, desacompanhada de comprovação cabal do lapso.1º CC. / 4a Câmara / ACORDÃO 104‐20.645 em 18.05.2005. Publicado no DOU em: 19.10.2005. Além disso, nos termos da IN n° 127, de 1998, a DIPJ é mera declaração informativa, de modo que não vale como confissão de dívida e nem é utilizada pela União para instrumentalizar a inscrição em dívida ativa. Tal papel, a partir de 1999, cabe à DCTF que representa instrumento hábil e suficiente para exigência do crédito tributário, conforme dispõem a IN n° 128, de 1998, e o Decreto‐lei n° 2.124, de 1984, art. 5°, §1°. No voto condutor do Acórdão que negou provimento ao recurso na 3ª Turma Especial, 3ª Seção de Julgamento deste Conselho (fls. 448/449), após reproduzir parte do Acórdão da 2ª Turma da DRJ/DF, assim concluiu o ilustre Relator, Conselheiro Carlos Henrique Martins de Limal (fls. 449), verbis. No caso em análise, a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte aponta para a possibilidade da contribuinte ter efetuado pagamento a maior através do DARF de R$ 441.873,45 recolhido em 15/04/2003 (valor devido de R$ 432.306,09), o que levaria a existência de um suposto crédito no montante R$ 9.567,36 em favor da Impugnante. Esse montante teria sido totalmente utilizado para pagamento complementar da Cofins dos meses de setembro de 2003 (R$ 7.294,68) e dezembro de 2003 (R$ 1.662,15), acrescido dos respectivos acréscimos legais. Encontram‐se . anexadas . ao processo: Fl. 683DF CARF MF Processo nº 10166.900757/200821 Resolução nº 3001000.086 S3C0T1 Fl. 10 9 • cópia da DIPJ 2004 com dados do cálculo da contribuição para a Cofins referentes a março de 2003 (fl. 81), que demonstra que a contribuição para a Cofins apurada no período, após as deduções, foi de R$ 432.306,09; • cópia da DCTF do 10 trimestre de 2003 (fls. 82/84), que demonstra a existência de um débito apurado no valor de R$ 441.873,45, referente ao mês de março de 2003, que se encontra vinculado a um pagamento efetuado por meio de DARF de mesmo valor; • planilha elaborada pela própria contribuinte (fl. 80) demonstrando as alegações feitas. No entanto, a contribuinte não trouxe aos Autos material probatório que comprovasse o erro cometido no preenchimento da DCTF, o que demonstraria a existência do crédito alegado referente ao DARF recolhido, bem como a possibilidade de utilizá‐lo para quitar os débitos apurados em outros períodos. Apresentar apenas cópias da DIPJ, da DCTF e da planilha elaborada pela própria contribuinte, sem a devida escrituração, não é suficiente para comprovar as alegações da contribuinte, não sendo, portanto, capaz de "desconstituir o que foi constituído" pelo Despacho Decisório. Diante ao exposto voto por NEGAR PROVIMENTO a pretensão aduzida no recurso voluntário. Ressaltese, ademais, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065, de 16 de maio de 2017 (fls. 654/664), deu provimento ao Recurso Especial do contribuinte, "com o retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655), e para determinar "o envio dos autos à câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de Recurso voluntário" (fls. 659), pelos argumentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 654), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 24.04.2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ‐ RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso especial do contribuinte provido Fl. 684DF CARF MF Processo nº 10166.900757/200821 Resolução nº 3001000.086 S3C0T1 Fl. 11 10 Verificase, porém, que a documentação e os fundamentos que foram trazidos com o apelo a este Colegiado e posteriormente reiterados e complementados nos Embargos Declaratórios subsequentes não passaram pelo crivo e apreciação da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília Distrito Federal, prolatora da primitiva decisão colegiada proferida através do v. Acórdão 0330.127, da 2ª Turma da DRJ/BSB, de 30 de março de 2009 (fls. 342/346). Entendo que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), criado para suceder o 1º, 2º e 3º Conselhos de Contribuintes, é composto pela própria Câmara Superior de Recursos Fiscais, pelas 1ª, 2ª e 3ª Seções de Julgamento e por suas respectivas Câmaras,Turmas Ordinárias e Extraordinárias, como se depreende da leitura do art. 15do Regimento Interno do CARF, in verbis: Art. 15. A presidência da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, das respectivas turmas e do Pleno será exercida pelo Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Registrese, por outro lado, que o Recurso Especial do contribuinte recorrente foi provido, à unanimidade, pela CSRF, determinandose o "retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655); e, no voto vencido, o relator aderiu à decisão da maioria, e, assim, concluiu o seu voto (fls. 659) : " Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário. Diante do exposto, coerente com o voto condutor do v. Acórdão da CSRF (fls. 654ko/659), tendo em conta principalmente a parte final da ementa do mencionado Acórdão (fls. 654), e para que não se alegue futuramente que houve supressão de instância, VOTO pela conversão do julgamento em Diligência para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303 005.065 3ª Turma (fls. 654/664). Diante da decisão paradigma proferida nos autos do processo número 10166.900706/200808, em que figura a mesma Recorrente, AUTOTRAC S/A, conforme Resolução nº 3001000.085, de 10.07.2018, aplicável ao presente processo em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, CONHEÇO do recurso voluntário do Contribuinte e VOTO PELA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, à Unidade de Origem, para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão por ele proferido, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF (Acórdão nº 9303005.076 CSRF/3ª Turma, de 16.05.2017 fls. 581/587). (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Fl. 685DF CARF MF
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Numero do processo: 37048.267000/2006-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
PROCESSO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. LIDE NÃO INSTAURADA
De acordo com o art. 14 do Decreto nº 70.235/72 a fase litigiosa do lançamento é instaurada com a impugnação. Não tendo a Recorrente apresentado a impugnação, não teria sido sequer instaurada a lide administrativa em relação a ela.
VÍCIO FORMAL - PRAZO PARA O LANÇAMENTO
O prazo de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após 5 anos, contados da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.
INCORPORAÇÃO. ARQUIVAMENTO DO ATO NÃO COMPROVADO.
Enquanto não comprovado o arquivamento do ato de incorporação no registro próprio, sucedida e sucessora continuam a ser, em relação a terceiros, pessoas jurídicas distintas, estando correta a legitimação tributária passiva daquela.
Numero da decisão: 2202-004.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (i) em não conhecer do recurso voluntário do contribuinte Companhia Siderúrgica Nacional, (ii) em conhecer do recurso voluntário do sujeito passivo solidário Braskem, (iii) em afastar as preliminaressuscitadas. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (relatora), Martin da Silva Gesto, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), que deram provimento ao recurso por entenderem decaído o lançamento. Votaram pelas conclusões no que tange ao não conhecimento do recurso da CSN os Conselheiros Waltir de Carvalho e Ronnie Soares Anderson. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 PROCESSO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. LIDE NÃO INSTAURADA De acordo com o art. 14 do Decreto nº 70.235/72 a fase litigiosa do lançamento é instaurada com a impugnação. Não tendo a Recorrente apresentado a impugnação, não teria sido sequer instaurada a lide administrativa em relação a ela. VÍCIO FORMAL - PRAZO PARA O LANÇAMENTO O prazo de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após 5 anos, contados da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. INCORPORAÇÃO. ARQUIVAMENTO DO ATO NÃO COMPROVADO. Enquanto não comprovado o arquivamento do ato de incorporação no registro próprio, sucedida e sucessora continuam a ser, em relação a terceiros, pessoas jurídicas distintas, estando correta a legitimação tributária passiva daquela.
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AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. LIDE NÃO INSTAURADA De acordo com o art. 14 do Decreto nº 70.235/72 a fase litigiosa do lançamento é instaurada com a impugnação. Não tendo a Recorrente apresentado a impugnação, não teria sido sequer instaurada a lide administrativa em relação a ela. VÍCIO FORMAL PRAZO PARA O LANÇAMENTO O prazo de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após 5 anos, contados da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. INCORPORAÇÃO. ARQUIVAMENTO DO ATO NÃO COMPROVADO. Enquanto não comprovado o arquivamento do ato de incorporação no registro próprio, sucedida e sucessora continuam a ser, em relação a terceiros, pessoas jurídicas distintas, estando correta a legitimação tributária passiva daquela. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (i) em não conhecer do recurso voluntário do contribuinte Companhia Siderúrgica Nacional, (ii) em conhecer do recurso voluntário do sujeito passivo solidário Braskem, (iii) em afastar as preliminaressuscitadas. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (relatora), Martin da Silva Gesto, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), que deram provimento ao recurso por entenderem decaído o lançamento. Votaram pelas conclusões no que tange ao não conhecimento do recurso da CSN os Conselheiros Waltir de Carvalho e Ronnie Soares Anderson. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 04 8. 26 70 00 /2 00 6- 55 Fl. 336DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. (Assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, no que couber, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I (RJ) (fls. 127/130): Tratase de crédito lançado pela fiscalização (DEBCAD n° 37.048.2670) relativo às contribuições previdenciárias, correspondente à parte da empresa; à parte dos segurados (não descontadas pela empresa responsável); à destinada ao financiamento da complementação das prestações por acidentes de trabalho SAT (para competências até 06/1997); e à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT (para competências a partir de 07/1997), do período de 01/1998 a 12/1998. 2. Nos termos do “Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD”, de fls. 27/30, os seguintes fatos relevantes podem ser destacados: 2.1. O lançamento de débito em questão fora lavrado em substituição à NFLD n° 35.007.3546, cientificada ao sujeito passivo em 01/12/1999, e anulada pela 4° Câmara de Julgamento através do Acórdão n° 724/2005 Oficio n° 10/4° CAJ/CRPS, de 04/04/2006 em face da omissão no relatório de Fundamentos Legais do Débito do dispositivo legal que autoriza o levantamento do débito por arbitramento, como também pelo fato de a NFLD ter arrolado, de forma englobada, os 169 prestadores de serviço restando violados os direitos constitucionais do devido processo legal e da ampla defesa dos contribuintes. 2.2. O crédito tributário foi constituído, em decorrência do instituto da responsabilidade solidária, em nome do prestador do serviço (CEMAN CENTRAL DE MANUTENÇÃO LTDA) e, Fl. 337DF CARF MF Processo nº 37048.267000/200655 Acórdão n.º 2202004.365 S2C2T2 Fl. 331 3 também, em face do contratante (COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL CSN), nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, em sua redação original, vigente à época dos fatos geradores, ressaltando que as contribuições devidas a Terceiros deixaram de ser apuradas em cumprimento ao Parecer/CJ n° 1.710, de 05/04/99, aprovado pelo Ministro da Previdência e Assistência e Social em 07/04/99. 2.3. A empresa contratante elidirseia da responsabilidade solidária somente se comprovasse ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal, fatura ou recibo, através da apresentação das folhas de pagamento, juntamente com as respectivas cópias autenticadas das guias de recolhimento específicas para o tomador, sendo que não apresentou tais documentos à fiscalização quando formalmente intimada através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, de fls. 20, emitido em 27072006. 2.4. Porquanto não apresentados os citados documentos, e não comprovado 0 recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos empregados da empresa prestadora incluída em nota fiscal ou fatura de serviços, o débito foi lançado por aferição indireta, conforme parágrafo 3° do art. 33 da lei n° 8.212/91, mediante a aplicação do percentual de 40% obre o valor das notas fiscais, conforme disposto nas Ordens de Serviço INSS/DC 51, de 06/10/92, 165, de ll/07/97, e 176, de 05/12/97. 3. A Companhia Siderúrgica Nacional CSN não se manifestou nos autos, mesmo tendo sido regularmente notificada pelo aviso de recebimento às fls. 31, enquanto que a notificação, remetida por via postal à empresa CEMAN CENTRAL DE MANUTENÇÃO LTDA, foi devolvida pelos correios sem a especificação do motivo, conforme fls. 37. 4. Em 02062008, o Sr. José Roberto Gianotti sóciogerente do contribuinte, consoante tela de consulta de dados cadastrais, de fls. 35 se manifestou nos autos, às fls. 39/40, aduzindo o seguinte: 4.1. Que em 02052008 recebeu documentos relativos à “NFLD DEBCAD 37.048.2670”, datado de 11122006, os quais se referem à cobrança de débito movido contra a Companhia Siderúrgica Nacional CSN; 4.2. Que nos citados documentos não há qualquer informação quanto: 1) ao número do processo administrativo, mas somente à “NFLD DEBCAD 37.048.2670” que, ao ser informado à unidade da RFB, nada foi encontrado, tendo conseguido localizar o presente processo apenas através do seu CPF; 2) à sua relação com o presente caso, pois nunca Fl. 338DF CARF MF 4 trabalhou na CSN, confonne demonstra o relatório “CORESP”, nem mesmo há qualquer ordem ou determinação de sua notificação entre os documentos recebidos; e 3) ao prazo para apresentação de eventual defesa. 4.3. Que diante de tais fatos, a conclusão a que se pode chegar é a de que houve algum equívoco por parte da Administração ao enviar a notificação ao peticionante. Em caso contrário, postula desde logo 0 esclarecimento necessário, enviando elementos suficientes para conhecer do processo administrativo e a razão de sua notificação, a fim de possibilitar, se for o caso, sua defesa na esfera administrativa; 4.4. Que eventual esclarecimento/notificação futuro deverá ser encaminhado para o seu atual domicílio: Rua Manoel Gomes de Mendonça, 57, apto. 1002, Edf. Mansão Duque de Bergara, Loteamento Pituba Ville, Pituba, Salvador, Bahia, Cep 41810 820; 4.5. Requer, por fim, sua exclusão do processo administrativo em questão. 5. Haja vista ter restado improficua a tentativa de notificar a empresa CEMAN por via postal, esta foi cientificada do débito através do Edital n° 056/2008 (fls. 61), nos termos do art. 23, parágrafo 1°, inciso II e parágrafo 2°, inciso IV, do Decreto 70.235/72. Entretanto, o contribuinte novamente não se pronunciou nos autos. 6. Em 14/04/2009 (fls. 70) a empresa CSN foi cientificada, através da Intimação n° 129/2009 (fls. 66), do Termo de Revelia, de fls. 68. Por sua vez, considerandose que em consulta aos sistemas infonnatizados da RFB, conforme telas anexas às fls. 63/64, constatouse, posteriormente, que a empresa CEMAN foi incorporada pela empresa BRASKEM S/A, CNPJ 42.150.391/000170, esta foi cientificada do Termo de Revelia, de fls. 69, em 16042009 (fls. 71), através da Intimação n° 130/2009 (fls. 67). 7. Em 18/05/2009, a empresa BRASKEM S/A insurgiuse nos autos, às fls. 74/82, suscitando as seguintes questões: 7.1. Que embora não seja parte no processo, recebeu Termo de Revelia, lavrado em nome da CEMAN, para cobrança amigável; 7.2. Que em face do art. 142 do CTN e do art. 11 do Decreto 70.235/72, qualquer autuação deve conter, no mínimo, o nome e a qualificação correta do sujeito passivo, sendo que no caso em tela estes requisitos não foram observados pela autoridade fiscal, ao identificar como sujeito passivo da obrigação tributária a empresa "CEMAN Central de Manutenção Ltda" 7.3. Que em 31/03/1999 a empresa CEMAN foi incorporada pela empresa COPENE Petroquímica do Nordeste S/A, e esta, por sua vez, passou a ser denominada como BRASKEM S/A, desde 16/08/2002, confonne atos societários em anexo, cujos originais se requer prazo de 10 dias para juntada; Fl. 339DF CARF MF Processo nº 37048.267000/200655 Acórdão n.º 2202004.365 S2C2T2 Fl. 332 5 7.4. Que o Auto de Infração foi lavrado em 14/12/2006 e identificou como sujeito passivo empresa que não mais existe, o que acarreta a sua nulidade por vício formal; 7.5. Que em face da Súmula Vinculante n° 8, de 2008, o crédito já se encontra extinto pela decadência, visto que se refere ao período de 01/1998 a 12/1998 e somente foi constituído em 14/ 12/2006; 7.6. Que a ilegitimidade passiva e a decadência são matérias que devem ser conhecidas de oñcio pela autoridade julgadora. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 126): PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTERVENÇÃO DE TERCEIROS. INTERESSE JURÍDICO. POSSIBILIDADE. LEGITIMIDADE PASSIVA. INCORPORAÇÃO. ARQUIVAMENTO DO ATO NÃO COMPROVADO. DECADÊNCIA. NULIDADE POR VÍCIO FORMAL. TERMO INICIAL. DATA DA DECISÃO. VALOR DA MULTA. RETROATIVIDADE DE LEI MAIS BENÉF ICA. Terão legitimidade para impugnar a exigência ñscal, na qualidade de assistente simples, as pessoas que demonstrarem interesse jurídico na resolução do processo administrativo tributário. Enquanto não comprovado o arquivamento do ato de incorporação no registro próprio, sucedida e sucessora continuam a ser, em relação a terceiros, pessoas jurídicas distintas, estando correta a legitimação tributária passiva daquela. Em caso de declaração de nulidade do lançamento por vício formal, o crédito substitutivo deve ser lançado dentro do prazo de cinco anos a contar da data da decisão. Em matéria tributária a Lei nova que prevê multa mais benéfica ao infrator deverá retroagir para alcançar fatos pretéritos. Em 26/11/2009 foi emitido termo de intimação da referida decisão para a Companhia Siderúrgica Nacional (fls. 138), para Braskem (fls. 139) e para o Sr. José Roberto Gianotti (fls. 140). A Companhia Siderúrgica Nacional apresentou o recurso voluntário de fls. 158/178, no qual alega, resumidamente, o seguinte: a). os débitos lançados estão extintos, uma vez que o acórdão de nulidade lavrado pela 4a CJ do CRPS, nos autos da NFLD originária, trata de vício materal que não autoriza o deslocamento da regra decadencial para o art. 173 II do CTN. b) No mérito, alega que a responsabilidade solidária prevista no art. 31 da Lei 8.212/91, na redação vigente a época dos fatos geradores, deve ser observada no momento da exigibilidade do crédito, não na sua constituição, sendo obrigatória a averiguação, por parte da Fl. 340DF CARF MF 6 fiscalização, da efetiva inadimplencia da prestadora antes de efetuar qualquer lançamento contra a tomadora. c) De acordo com o art. 37 da Lei 8.212/91, somente pode ser lavrada notificação de débito se constatada pela fiscalização a ausência de recolhimento de contribuição. Sendo assim, a mera constatação de que a empresa prestadora não sofreu fiscalização a época em que prestou serviços a impugnante, não tendo sido sequer intimada para apresentar qualquer tipo de documento, não é suficiente para justificar o procedimento de apuração de débitos, eis que não foi efetuada, em momento algum, a análise da escrituração contábil da prestadora para fins de verificação da sua adimplência. A empresa Braskem apresentou o recurso voluntário de fls. 278/286, no qual reitera as alegações já suscitadas. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Os recursos são tempestivos e preenchem os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual, deles conheço. 1) PRELIMINARES 1.1) DA POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE RECURSO POR PARTE DA TOMADORA. Antes de analisarmos a preliminar de ausência de concomitância suscitada pela Recorrente, é importante verificar a admissibilidade ou não do recurso por ela interposto. Isso porque, conforme descrito no relatório da presente decisão, não foi apresentada a impugnação por parte da tomadora de serviço, ora Recorrente. De acordo com o art. 14 do Decreto nº 70.235/72 a fase litigiosa do lançamento é instaurada com a impugnação. Sendo assim, não tendo apresentado a impugnação por parte da Tomadora, não teria sido sequer instaurada a lide administrativa em relação à Recorrente. Todavia, a situação dos autos possui peculiaridades que merecem ser analisadas com cuidado. Isso porque, embora a empresa Recorrente (tomadora de serviços) não tenha apresentado impugnação, a devedora solidária (prestadora de serviço) apresentou. Sendo assim, há que se questionar se a impugnação apresentada pela devedora solidária teria o condão de instaurar a fase litigiosa em relação aos demais devedores solidários. A resposta, ao meu ver, está no vínculo estabelecido entre os devedores solidários que poderá ser distinto conforme a norma que dispõe sobre a solidariedade. Isso porque existem hipóteses em que a norma de solidariedade estabelece um listiconsório simples e, em outras, unitário. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 37048.267000/200655 Acórdão n.º 2202004.365 S2C2T2 Fl. 333 7 Haverá litisconsórcio simples quando a decisão, embora proferida no mesmo processo, puder ser diferente para cada um dos litisconsortes e unitário quando a decisão tiver que ser uniforme para todos os interessados. É o que dispõe o artigo 116 do CPC/2015: Art. 116. O litisconsórcio será unitário quando, pela natureza da relação jurídica, o juiz tiver de decidir o mérito de modo uniforme para todos os litisconsortes. A identificação da natureza do litisconsórcio estabelecido no presente processo (se simples ou unitário) é fundamental para verificarmos se é possível ou não ao Recorrente aproveitarse da Impugnação oposta pela devedora solidária. Isso porque, de acordo com o artigo 117 do CPC/2015: Art. 117. Os litisconsortes serão considerados, em suas relações com a parte adversa, como litigantes distintos, exceto no litisconsórcio unitário, caso em que os atos e as omissões de um não prejudicarão os outros, mas os poderão beneficiar. (grifamos) No mesmo sentido, o parágrafo único do artigo 509 do CPC/73, reproduzido no 1005 do CPC/2015, determina que: Art. 1.005. O recurso interposto por um dos litisconsortes a todos aproveita, salvo se distintos ou opostos os seus interesses. Parágrafo único. Havendo solidariedade passiva, o recurso interposto por um devedor aproveitará aos outros quando as defesas opostas ao credor lhes forem comuns. (grifamos) A solidariedade discutida nesses autos vinha prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91 que, em sua redação original, dispunha o seguinte: "Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados , exceto quanto ao disposto no art. 23. Com o advento das Leis 9.032, de 28 de abril de 1995 e 9.129, de 20 de novembro de 1995, o referido artigo passou a vigora as seguintes alterações: Art. 31 (...) § 2º Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos não relacionados diretamente com as a ividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) Fl. 342DF CARF MF 8 § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95) § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor , quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. . (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95)" (grifamos) Verificase, assim, que a situação que está no antecedente da norma de responsabilidade solidária é o seguinte: Antecedente Consequente Critério Material: Deixar de exigir do executor dos serviços cópia autenticada da guia de recolhimento e respectiva folha de pagamento; Critério Temporal: data da quitação da nota fiscal ou fatura; Critério Espacial: Território Nacional Critério Pessoal: Sujeito Ativo: União Federal. Sujeito Passivo: tomadores de serviço; Critério Quantitativo: contribuições não recolhidas pelos prestadores de serviço. Por sua vez, a norma de incidência relativa à prestadora de serviços é a seguinte: Antecedente Consequente Critério material: pagar salário Critério Temporal: no final de cada mês Critério Espacial: Território Nacional Critério Pessoal: Sujeito Ativo: União Federal. Sujeito Passivo: prestadores de serviço; Critério Quantitativo: Base de cálculo: folha de salário, Alíquota X. Dessa forma, não há que se falar em litisconsórcio unitário, uma vez que os antecedentes das normas são distintos. Com efeito, caso o devedor solidário tenha cumprido a obrigação acessória de exigir a guia de recolhimento e folha de salário, ainda que elas sejam falsas e, portanto, não correspondam a um recolhimento efetivo, não haverá a incidência da norma de responsabilidade solidária. De acordo com o artigo 116 do CPC/2016 "o litisconsórcio será unitário quando, pela natureza da relação jurídica, o juiz tiver de decidir o mérito de modo uniforme para todos os litisconsortes". Conforme demonstrado, é possível que se mantenha a obrigação da prestadora quanto ao pagamento das contribuições e não permaneça a obrigação solidária da Fl. 343DF CARF MF Processo nº 37048.267000/200655 Acórdão n.º 2202004.365 S2C2T2 Fl. 334 9 tomadora. Para tanto, basta que esta última tenha se desincumbido da obrigação de exigir do prestador as guias de recolhimento e a folha de salário. Em face de todo o exposto, não conheço do recurso voluntário, uma vez que, nos termos do artigo 14 do Decreto nº 70.235/72 não foi devidamente instaurado o contencioso administrativo, em face da ausência de impugnação por parte do Recorrente. 1.2) DO ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Em seu recurso a Braskem alega nulidade do lançamento, em razão de erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que em 31/03/1999 a empresa CEMAN já não mais existia em função de ter sido por ela incorporada, conforme comprovada pela cópia do Diário Oficial de 09/04/1999, com publicação da Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada pela COPENE, em 31/03/1999. Todavia, a decisão recorrida rejeitou a mencionada alegação sob o fundamento de que, para que houvesse a perfeita comprovação da incorporação, seria necessário demonstrar o respectivo arquivamento do ato na junta comercial, conforme se verifica pelos trechos abaixo transcritos: 16. No que conceme à primeira questão aventada, embora conste nos autos a Ata da Assembléia Geral Extraordinária, em que se aprovou o protocolo de intenções relativo à incorporação da CEMAN (fls. 98), e a Ata da Assembléia Geral Extraordinária, de 16/08/2002, alterando a denominação social empresa, ora incorporadora, que passou a se denominar BRASKEM S/A (fls. 99), forçoso concluir que não restou demonstrada, de forma inequívoca, a extinção da CEMAN, bem como a conclusão e eficácia do procedimento sucessório, conforme se verá. 17. Desta forma, o citado documento, de fls. 98, somente comprova que em 31/03/1999 foi concluída uma das etapas do processo de incorporação, qual seja, a aprovação do correspondente protocolo de intenções, o que não significa dizer que tal operação foi, de fato, concretizada naquela mesma data. Para que houvesse a perfeita c mprovação da rncorporaçao, sena necessário demonstrar o arquivamento do respectivo ato na Junta Comercial, a fim de que possa este produzir os seus efeitos em relação a terceiros, o que não ocorreu. O artigo 1.154 do Código Civil, abaixo transcrito, determina que os atos sujeitos à registro não podem ser opostos à terceiros antes do cumprimento das formalidades, salvo quando comprovado que estes o conheciam. Art. 1.154. O ato sujeito a registro, ressalvadas disposições especiais da lei, não pode, antes do cumprimento das respectivas formalidades, ser oposto a terceiro, salvo prova de que este o conhecia. Parágrafo único. O terceiro não pode alegar ignorância, desde que cumpridas as referidas formalidades. O registro mencionado no artigo 1157 do Código Civil é exigido para dar publicidade ao ato, a fim de que terceiros possam dele tomar conhecimento e, se for o caso, Fl. 344DF CARF MF 10 questionálo. No entanto, caso se comprove que terceiro teve acesso ao ato por outros meios, ele gerará todos os efeitos, ainda que não registrado. É exatamente por esse motivo, que o artigo menciona que o ato não poderá ser oposto ao terceiro, salvo prova de que este o conhecia. A Receita Federal tem acesso às informações do contribuinte, em razão das diversas obrigações acessórias a que este está submetido. Sendo assim, é corriqueiro que fiscalização tenha conhecimento dos diversos atos do contribuinte ainda que não realizado o competente registro. Dessa forma, o registro das operações perante a junta é irrelevante para determinar a tributação aplicável. Tanto é assim que diversas autuações fiscais desconsideram as operações registradas na Junta, sob o argumento de que, em seu conjunto, não seriam oponíveis ao fisco. O próprio relatório da decisão recorrida deixa fora de dúvida que a Receita Federal tinha conhecimento da incorporação ao afirmar que: Em 14/04/2009 (fls. 70) a empresa CSN foi cientificada, através da Intimação n° 129/2009 (fls. 66), do Termo de Revelia, de fls. 68. Por sua vez, considerandose que em consulta aos sistemas informatizados da RFB, conforme telas anexas às fls. 63/64, constatouse, posteriormente, que a empresa CEMAN foi incorporada pela empresa BRASKEM S/A, CNPJ 42.150.391/000170, esta foi cientificada do Termo de Revelia, de fls. 69, em 16042009 (fls. 71), através da Intimação n° 130/2009 (fls. 67).(grifamos) A jurisprudência desse Conselho tem decidido, reiteradamente, que o registro na Junta Comercial é irrelevante para que o ato possua efeitos perante à fiscalização. Nesse sentido, citese o Acórdão 1102001.206, de 24/09/2014, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1989, 1990 IRPJ. INCORPORAÇÃO. CRÉDITOS DA INCORPORADA. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DA INCORPORADORA. POSSIBILIDADE. A incorporação transfere débitos e créditos da incorporada para a incorporadora, a partir do momento em que aprovada pelos sócios o ato societário. O registro da Junta Comercial é mera formalidade que visa dar conhecimento do ato a terceiros para que estes possam questionálo nas hipóteses legalmente previstas. O Fisco, por exigências próprias, toma conhecimento da incorporação no momento da apresentação da declaração de encerramento da empresa. Inexigibilidade do registro para efeitos fiscais. (grifamos) Merece transcrição, pela clareza com que aborda a questão, os seguintes trechos do voto do Conselheiro Relator Francisco Alexandre dos Santos Linhares: O cerne da questão é saber se o crédito. utilizado pela Contribuinte lhe pertencia no momento da compensação' ou se era crédito de terceiro. A, 'contribuinte deliberou, assim como também deliberou a empresa incorporada, operação, de incorporação' da ,segunda pela primeira em' " , 15,03.2003 e Q registrou na JUCEES,em 18.03.2003, antes, portanto, da extinção 'do débito tributário' pela compensação. Também não Fl. 345DF CARF MF Processo nº 37048.267000/200655 Acórdão n.º 2202004.365 S2C2T2 Fl. 335 11 há, 'questionamento acerca do crédito utilizado. A operação; todavia, ainda não foi registrada na JUCERJA, em virtude de exigências formais da própria JUCERJA, Não consta' oposição de credores à incorporação. A dúvida é saber se o ato societário é suficiente para fins fiscais ou se, de fato, o registro, na JUCERJA condiciona à validade da operação. (...) A Lei 6.404/76, aplicável subsidiariamente aos casos da espécie, tem disposição semelhante:. . Art: 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes .sucede em todos'os direitos e obrigações. §1º A assembléia geral da companhia incorporadora. se aprovar. protocolo da operação, deverá autorizar o 'aumento de' capital a ser subscrito e realizado pela incorporada mediante versão do seu patrimônio .liquido, e nomear os peritos que o avaliarão. § 2º A sociedade que houver de ser. incorporada, se aprovar o protocolo da operação. autorizará seus administradores a praticarem;' os atos necessários' à . incorporação. inclusive a subscrição do aumento de capital da incorporadora. § 3 º Aprovados .pela assembléia. geral da incorporadora o laudo de avaliação e a incorporação: extinguese a incorporada, competindo à primeira promover o arquivamento e a publicação dos atos da incorporação. Em ambas as normas, apresentase claro que a extinção da pessoa jurídica se dá no' momento da aprovação do ato societário, que deverá a posteriori, ser.arquivado e publicado. A legislação fiscal não destoa deste entendimento. A Lei.9.430/96 considera o encerramento da empresa; para. fins fiscais, como 'a data do evento societário. Confirase: Art.1º I" A partir do ano calendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou' arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de. cada ano calendário, observada a'legislação vigente, com as alterações desta Lei. §1 º Nos' casos de 'incorporação, fusão ou cisão, a apuração da base de cálculo e do imposto de renda devido será efetuada na data do evento, observado o disposto no art. 21 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. §2°Na'extinção da pessoa jurídica, pelo encerramento da liquidação, a apuração da base de cálculo e do imposto devido será efetuada na data desse evento.' Fl. 346DF CARF MF 12 A lei 9.249/95, por sua vez, determina a apresentação do balanço' de encerramento da empresa sem fazer qualquer menção ao registro na Junta Comercial. (...) Por fim, o regulamento do imposto de renda mais uma vez fortalece a. interpretação de'que a extinção da pessoa jurídica incorporada se dá na data da deliberação, conforme se vê do artigo 235: Art. 235.A pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão deverá levantar balanço específico na data desse evento (Lei n° 9.249, de 1995, art. 21, e Lei . n° 9.430, de 1996, art. 1º, §1º ). §1ºConsiderase data do evento a data da deliberação que aprovar a incorporação, fusão. ou. cisão. Enfim, para fins fiscais, a data da incorporação, portanto a data em que a. incorporadora assume direitos e obrigações da incorporada, é a data do evento .societário que deliberou a extinção da pessoa jurídica. Não há uma só norma que condicione; a eficácia da incorporação ao registro do ato societário na . junta comercial. Nesta data,' a . pessoa jurídica' incorporadora, sucessora universal da incorporada, passa a figurar na relação obrigacional que tem .como contraparte a Fazenda Nacional e, portanto, a ser. titular do crédito .tributário surgido quando estava em funcionamento a incorporada. Sendo . titular do crédito, o crédito é seu, não de terceiros. Sendo seu o crédito (assim . como sãos seus os débitos da incorporada), pode compensálos com débitos seus também. Não há norma 'que vede a extinção do crédito. por esta modalidade. o registro; como muito bem frisado pela Contribuinte, serve para dar conhecimento a 'terceiros da decisão, para que estes possam oporse ao ato societário, acaso se sintam prejudicados. No caso do Fisco, o arquivamento (é. isto mesmo; mero arquivamento Lei 8.934/94, artigo 32) é absolutamente desnecessário para que ele tome conhecimento do ocorrido e possa se opor ao ato praticado. Isso porque o próprio Fisco impôs obrigações específicas para a. comunicação a ele do ato praticado. De posse da informação,pode manejar todas as ferramentas necessárias para impugnar o ato, caso seja lesivo aos seus interesses. Dessa forma, resta fora de dúvida o erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que à época do lançamento a empresa CEMAN Central de Manutenção Ltda já tinha sido incorporada pela empresa Braskem, deixando a notificação de lançamento de cumprir requisito básico previsto no artigo 11, inciso I do Decreto nº 70.235/72. O artigo 59 do Decreto 70.235/72, ao disciplinar as nulidades no processo administrativo tributário, é claro ao dispor, em seu inciso II, que são nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa, como é o caso dos autos. Todavia, o referido artigo prevê em seu §3º "quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir ato ou suprirlhe a falta." Fl. 347DF CARF MF Processo nº 37048.267000/200655 Acórdão n.º 2202004.365 S2C2T2 Fl. 336 13 1.3) DA DECADÊNCIA EM RAZÃO DA NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL NO PRIMEIRO LANÇAMENTO; Alega a Recorrente que o lançamento anulado pela 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, nos autos da NFLD nº 35.007.3546 continha vícios materiais, motivo pelo qual, não deveria ser reaberto o prazo de lançamento previsto no artigo 173, II do CTN, uma vez que este só se aplica às hipóteses de lançamento por vício formal. O primeiro lançamento foi anulado por em virtude de ausência fundamentação para aferição indireta e ausência de individualização e intimação dos prestadores de serviço, o que ofenderia os princípios da ampla defesa e do contraditórios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. A decisão recorrida entendeu que tais vícios eram formais, conforme se verifica pelo trecho abaixo transcrito: 27. Ademais, a aludida NFLD foi julgada nula pela 4º Câmara de Julgamento do CRPS, através do Acórdão n° 724/2005, de 20/04/2005. Portanto, muito embora o presente crédito substitutivo tenha sido lançado somente em 14/01/2009 (data da ciência por edital, consoante fls. 61), ele apenas está substituindo o lançamento anteriormente declarado nulo por vício formal. Logo, operouse a reabertura da contagem do prazo decadencial, nos tennos do disposto no art. 173, II, do CTN, transcrito a seguir, o que significa dizer que, em relação ao lançamento substitutivo, o prazo decadencial somente ocorreria em 21/04/2010 (mais de cinco anos após a decisão definitiva que anulou o lançamento por vício formal), não havendo que se falar, portanto, em extinção pela decadência: O critério essencial para distinguir se determinado lançamento padece de vício formal ou material reside na materialidade da obrigação. Em outras palavras, o lançamento substitutivo de que trata o artigo 173, II, não pode trazer qualquer elemento novo na obrigação anteriormente constituída. Nesse sentido, registrese a decisão proferida por este Conselho no julgamento do Acórdão 1402002.206, julgado na sessão de 08/06/2016, cuja ementa é a seguinte: ARTIGO 173, II, DO CTN. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PARA NOVO EXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. VICIO FORMAL. PRAZO DECADENCIAL PARA NOVO LANÇAMENTO. Tendo a Fazenda Pública, por força do art. 173, II, do CTN, readquirido o direito de constituir o crédito tributário dentro do prazo de cinco anos, contado a partir da data em que se tornou definitiva a decisão que anulou os lançamentos efetuados anteriormente, os novos lançamentos devem ser restritos às matérias e provas contidas na acusação original, sem inovação, mormente nas bases imponíveis das exações lançadas. Descumpridas tais regras, a contagem decadencial sujeitase ao definido nos artigos 150, § 4º ou 173, I, do Estatuto Tributário. Decadência estampada. Lançamentos cancelados (grifamos) Fl. 348DF CARF MF 14 Dessa forma, os elementos materiais do lançamento devem ser extraídos do artigo 142 do CTN ao dispor que: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifamos) Sendo assim, entendo que assiste razão à recorrente, pois o novo lançamento determinou a inclusão de sujeito passivo que não constava do lançamento originário. A 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça possui precente no sentido de que a inclusão de devedor solidário é de ordem material, conforme se verifica pela ementa da decisão proferida nos Embargos de Divergêcia em REsp nº 1.115.549SP, cuja ementa é a seguinte: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. SUBSTITUIÇÃO DA CDA PARA MODIFICAÇÃO DO POLO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 392/STJ. 1. Embargos de divergência pelos quais se busca dirimir dissenso pretoriano acerca da possibilidade de alteração do sujeito passivo da execução fiscal, mediante emenda da CDA, para cobrar daquele a quem a lei imputa a condição de co responsável da exação. 2. Caso em que a Fazenda municipal constituiu o crédito tributário de ISS apenas contra a empresa construtora (PLANEL) e tão somente contra ela ingressou com a execução fiscal. Somente depois de frustradas as tentativas de citação dessa empresa, no curso da execução, permitiuse, com base em legislação municipal que prevê hipótese de coresponsabilidade, a inclusão da empresa tomadora do serviço (SCANIA) no polo passivo da execução mediante simples emenda da Certidão de Dívida Ativa. 3. Independentemente de a lei contemplar mais de um responsável pelo adimplemento de uma mesma obrigação tributária, cabe ao fisco, no ato de lançamento, identificar contra qual(is) sujeito(s) passivo(s) ele promoverá a cobrança do tributo, nos termos do art. 121 combinado com o art. 142, ambos do CTN, garantindose, assim, ao(s) devedor(es) imputado(s) o direito à apresentação de defesa administrativa contra a constituição do crédito. Por essa razão, não é permitido substituir a CDA para alterar o polo passivo da execução contra quem não foi dada oportunidade de impugnar o lançamento, sob pena de violação aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, também assegurados constitucionalmente perante a instância administrativa. 4. A esse respeito: "'Quando haja equívocos no próprio lançamento ou na inscrição em dívida, fazendose necessária alteração de fundamento legal ou do sujeito passivo, nova apuração do tributo com aferição de base de cálculo por outros critérios, imputação de pagamento anterior à inscrição etc., Fl. 349DF CARF MF Processo nº 37048.267000/200655 Acórdão n.º 2202004.365 S2C2T2 Fl. 337 15 será indispensável que o próprio lançamento seja revisado, se ainda viável em face do prazo decadencial, oportunizandose ao contribuinte o direito à impugnação, e que seja revisada a inscrição, de modo que não se viabilizará a correção do vício apenas na certidão de dívida. A certidão é um espelho da inscrição que, por sua vez, reproduz os termos do lançamento. Não é possível corrigir, na certidão, vícios do lançamento e/ou da inscrição. Nestes casos, será inviável simplesmente substituir se a CDA.' (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka, in "Direito Processual Tributário: Processo Administrativo Fiscal e Execução Fiscal à luz da Doutrina e da Jurisprudência", Livraria do Advogado, 5ª ed., Porto Alegre, 2009, pág. 205)"(Recurso Especial Representativo de Controvérsia 1.045.472/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18/12/2009). 5. Incide, na espécie, a Súmula 392/STJ: "A Fazenda Pública pode substituir acertidão de dívida ativa (CDA) até a prolação da sentença de embargos, quando setratar de correção de erro material ou formal, vedada a modificação do sujeitopassivo da execução". 6. Embargos de divergência providos Do voto do Ministro Relator Benedito Gonçalves destacamse os seguintes trechos: Dessa forma, temse que, no caso dos autos, para buscar a cobrança do crédito da empresa solidária deve o fisco municipal, dentro do prazo decadencial, fazer novo lançamento. E, nesse particular, as próprias alegações da embargada demonstram a que substituição do sujeito passivo exige novo lançamento, pois defendeu que "a legislação tributária permite aalteração do lançamento por impugnação do sujeito passivo (cf. I, art. 145, do CTN) ou por meio de recurso de ofício, nos termos do art. 145 e 149 do CTN" (grifo adicionado). Como o período de apuração está compreendido entre 01/98 e 12/98 e o presente lançamento ocorreu apenas em dezembro de 2006, decaído está o direito do sujeito ativo constituir o crédito respectivo. Em face de todo exposto, acolho a preliminar de decadência por entender que se trata de anulação do lançamento por vício material, uma vez que a inclusão do sujeito passivo não se refere ao procedimento mas ao conteúdo da obrigação tributária. 3) CONCLUSÃO Em face de todo o exposto: a) não conheço do recurso voluntário apresentado pela Companhia Siderúrgica Nacional CSN em virtude de ausência de impugnação por parte do recorrente. Fl. 350DF CARF MF 16 b) reconheço a decadência suscitada no Recurso Voluntário da empresa Braskem. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Voto Vencedor Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Redatora Designada. Congratulo a i. Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, pelo brilhantismo com que fundamentou seu voto. Entretanto, peço vênia para divergir de seu posicionamento, em relação à nulidade por erro na identificação do sujeito passivo, e à decadência. DO ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INEXISTÊNCIA Conforme consulta às fls. 36, de 22/04/2008, a CEMAN ainda estava ativa nos cadastros da extinta Secretaria da Receita Previdenciária. Portanto, correta a fundamentação do julgador de primeira instância ao asseverar a necessidade de registro na Junta Comercial da ata de incorporação. Existem posicionamentos no CARF sobre o registro na Junta Comercial, cuja análise me leva a construir minha convicção sobre a imprescindibilidade desse registro, corroborado por demais documentos que o sustentem, a fim de que sirva como comprovação da veracidade dos fatos: Acórdão nº 1402002.732, de 16/08/2017 Dizendo de outro modo, o fato de os sócios da Batistel terem assinado "Distrato Social" desconstituindo a sociedade e o submetido a registro na Junta Comercial, só isso, per si, não implica em considerar que todos os efeitos irradiados pelas atividades da empresa ao longo do tempo de sua existência formal possam ser apagados como num passe de mágica. Assim fosse, bastaria uma empresa ter registro formal, realizar atos os mais diversos por certo espaço temporal e declararse extinta formalmente para se manter a salvo de eventuais imputações fiscais. Na verdade, o ato de contratar e distratar (matérias de nítido caráter do direito privado civil ou comercial), ainda que projetem reflexos nas relações inter partes não excluem os registros que se devem buscar nos órgãos tributários, até por ser esta obrigação acessória de cadastramento e baixa, o modo que o Poder Público, em última análise, a própria sociedade, tem para aferir e fiscalizar os agentes econômicos. Em outro exprimir, imaginarse que bastaria a baixa na Junta Comercial para eliminar os atos praticados pela sociedade Fl. 351DF CARF MF Processo nº 37048.267000/200655 Acórdão n.º 2202004.365 S2C2T2 Fl. 338 17 levaria ao absurdo de impedir que o próprio Estado, em um período médio de cinco, pudesse vir a verificar a correção dos procedimentos da empresa e, como no caso presente, encontradas irregularidades, imputar a penalização que a lei comina. [...] Presumivelmente por estes fatos incontestes é que seus sócios buscaram dar baixa formal nos seus registros. Porém, repita se, tal proceder, se irradiam reflexos nas áreas civil e comercial (típicos e clássicos ramos do direito privado) não alcançam o direito tributário e financeiro que regemse adicionalmente, para proteção dos interesses do Estado, por outros regramentos, dentre eles, como bem pontuado pela diligência, o cadastro no CNPJ, mantido incólume neste caso, ou seja, não baixado. Ademais, não obstante a Lei n° 11.598, de 3 de Dezembro de 2007, ao estabelecer as diretrizes e procedimentos para simplificação e integração do processo de registro e legalização de empresários e pessoa jurídicas tenha definido que "Art. O registro dos atos constitutivos, de suas alterações e extinções (baixas), referentes a empresários e pessoas jurídicas em qualquer órgão dos 3 (três) âmbitos de governo, ocorrerá independentemente da regularidade de obrigações tributárias, previdenciárias ou trabalhistas, principais ou acessórias, do empresário, da sociedade, dos sócios, dos administradores ou de empresas de que participem, sem prejuízo das responsabilidades do empresário, dos titulares, dos sócios ou dos administradores por tais obrigações, apuradas antes ou após o ato de extinção", foi objeto de VETO PRESIDENCIAL relativamente ao seu inciso V, do mesmo artigo 7o, vazado no seguinte teor: "Ouvido, o Ministério da Fazenda manifestouse pelo veto aos seguintes dispositivos: Inciso V do art T "Art. 7a...................................................................... V regularidade de obrigações tributárias, previdenciárias ou trabalhistas, principais ou acessórias, do empresário da sociedade, dos sócios, dos administradores ou de empresas de que participem, sem prejuízo da responsabilidade de cada qual por tais obrigações, apuradas antes ou após o ato de extinção. Razões do veto "Antes de outras considerações, importa registrar que a dispensa de comprovação de regularidade fiscal para fins de registro de atos de alteração/extinção societária ingressou em ordenamento jurídico veiculada nos art. 9" e 10 da Lei Complementar n" 123, de 14 de dezembro de 2006, o Estatuto Nacional da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte. Fl. 352DF CARF MF 18 Ocorre que, no caso das microempresas e de empresas de pequeno porte, a Constituição impôs tratamento especial e diferenciado. Ora, tais pressupostos, embora válidos para as microempresas e empresas de pequeno porte, não se aplicam ao caso de todas as demais pessoas jurídicas. A exigência de regularidade fiscal para a baixa é instrumento fundamental de garantia de recuperação de créditos tributários. E importante frisar que tanto o Novo Código Civil quanto a Lei das Sociedades por Ações condicionam a extinção da sociedade ao prévio levantamento do ativo e pagamento do passivo, restando afastada a possibilidade de extinção (de direito) de determinada sociedade com o conseqüente cancelamento de sua inscrição, sem que esta promova a anterior quitação de seus débitos, inclusive os fiscais. Objetivase, a toda a evidência, preservar e garantir a satisfação futura do crédito fiscal, obstando (ou pelo menos dificultando) a prática pelo devedor de atos que resultem, certamente, na dilapidação do seu patrimônio (extinção da empresa ou redução do capital social) e na sua conseqüente insolvência. Assim, a permanência do inciso V do art. T1 no texto do Projeto de Lei terá como conseqüência a fragilização da recuperação dos créditos tributários, pois há sério risco de a Fazenda Pública não conseguir provar em juízo o dolo ou a culpa dos sóciosgerentes, administradores e gestores da sociedade extinta, gerando prejuízos ao Erário Público" (negritouse). [...] De outro lado, antes que se alegue que o avanço nos convênios entre os órgãos do registro do comércio e os órgãos tributários permitiria uma conferência sumária das pendências fiscais, é bom lembrar que o Fisco detém competência legislativa de fiscalizar cinco anos pretéritos e que muitas obrigações fiscais não declaradas portanto não visíveis em um primeiro momento, na ocasião da baixa na Junta poderão só surgir anos depois, mediante ação fiscal específica. Cenário observado pelo próprio legislador da Lei n° 11.598/ 2007, no § Io, do artigo 7°A ao definir: § Ia A baixa referida no caput deste artigo não impede que, posteriormente, sejam lançados ou cobrados impostos, contribuições e respectivas penalidades, decorrentes da simples jaita de recolhimento ou da prática comprovada e apurada em processo administrativo ou judicial de outras irregularidades praticadas pelos empresários ou por seus titulares, sócios ou administradores. (Incluído pela Lei Complementar n° 147. de 2014) (Grifei) Acórdão nº 1201001.986, de 22/02/2018: Fl. 353DF CARF MF Processo nº 37048.267000/200655 Acórdão n.º 2202004.365 S2C2T2 Fl. 339 19 Pois bem. De acordo com o texto constitucional (art. 22, XXV), é a União a pessoa política competente para legislar sobre registros públicos. No plano normativo, coube à Lei n° 8.934/94 (Lei de Registros Públicos de Empresas Mercantis) a missão de regulamentar os aspectos formais e legais que devem ser observados quando da apresentação de atos societários de empresas mercantis (atuais sociedades empresárias) a registro. A finalidade principal do registro de atos societários, segundo a lei, é garantir a publicidade, a segurança e a eficácia dos atos jurídicos sujeitos a registro, entre sócios e perante terceiros, além de promover o cadastro de empresas nacionais e estrangeiras atuando no país e a proteção do nome empresarial. O registro público de atos empresariais é exercido enquanto função pública e, diante de sua autenticidade, validade e publicidade, busca conferir segurança jurídica não só as partes envolvidas, mas principalmente em relação a terceiros. A Lei de Registro de Empresas Mercantis determinou que os Serviços Públicos de Empresas Mercantis e Atividades Afins serão exercidos, em todo o território nacional, pelos seguintes órgãos: I o Departamento Nacional de Registro do Comércio (DNRC), órgão central, com funções supervisora, orientadora, coordenadora e normativa, no plano técnico; e supletiva, no plano administrativo; e II as Juntas Comerciais, como órgãos locais, com funções executora e administradora dos serviços de registro. Convém frisar, por oportuno, que todo ato, documento ou instrumento submetido a arquivamento, deve ser objeto de exame pela Junta Comercial, a quem compete fazer um juízo de admissibilidade e conformidade. Havendo identificação de algum vício, a Junta possui poderes para indeferir o pleito ou devolvêlo para saneamento. E dentre os atos necessários a esse rito encontramse justamente os eventos societários de fusão, cisão ou incorporação, nos termos do artigo 41, verbis: Art. 41. Estão sujeitos ao regime de decisão colegiada pelas juntas comerciais, na forma desta lei: I o arquivamento: [...] b) dos atos referentes à transformação, incorporação, fusão e cisão de empresas mercantis: [...] No que diz respeito ao prazo para apresentação dos atos societários para registro, o artigo 36 da Lei de Registro de Empresas Mercantis, utilizado como fundamento para a não Fl. 354DF CARF MF 20 homologação das compensações, prescreve que é de 30 (trinta) dias a contar da data da lavratura do ato. Nesses termos, se o ato for apresentado a registro dentro deste prazo, haverá efeito retroativo do registro. [...] Ocorre, porém, que a vinculação solene e formal do registro da cisão na Junta é pressuposto de validade e eficácia do ato perante o público. Nesse ponto, o referido artigo 36 é categórico: fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder. Nesse sentido, aliás, o Novo Código Civil (de 2002), ao regulamentar os atos empresariais sujeitos a registro público, previu que o ato sujeito a registro não pode ser oponível a terceiros até a efetivação do seu respectivo registro (art. 1.1541). Acórdão nº 3402004.605, de 26/09/2017: Dessa forma, em conformidade com o disposto no art. 32, II e 36 da Lei n° 8.934/94, arts. 8o a 12 da Instrução Normativa DNRC nº 88, de 2 de agosto de 2001, abaixo transcritos, entendeu a fiscalização, com razão, que a data a ser considerada para a incorporação era aquela que foi efetivada o registro na Junta Comercial da sede da incorporada 05/11/2008, do que até então não discordava a contribuinte, eis que foi esta a data que ela informou no DACON de novembro de 2008 para a incorporação: Art. 32. O registro compreende: I a matricula e seu cancelamento: dos leiloeiros, tradutores públicos e intérpretes comerciais, trapicheiros e administradores de armazénsgerais: II O arquivamento: a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas: (...) Art. 36. Os documentos referidos no inciso II do art. 32 deverão ser apresentados a arquivamento na junta, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento: fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder. Art. 8o Incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades, de tipos iguais ou diferentes, são absorvidas por outra que lhes sucede em todos os direitos e obrigações, devendo ser deliberada na forma prevista para alteração do respectivo estatuto ou contrato social. Art. 9o A incorporação de sociedade mercantil, de qualquer tipo jurídico, deverá obedecer aos seguintes procedimentos: I a assembléia geral extraordinária ou a alteração contratual da Fl. 355DF CARF MF Processo nº 37048.267000/200655 Acórdão n.º 2202004.365 S2C2T2 Fl. 340 21 sociedade incorporadora deverá aprovar o protocolo, a justificação e o laudo de avaliação do patrimônio líquido da sociedade incorporada, elaborado por três peritos ou empresa especializada, e autorizar, quando for o caso, o aumento do capital com o valor do patrimônio liquido incorporado; II a assembléia geral extraordinária ou o instrumento de alteração contratual da sociedade incorporada, que aprovar o protocolo e a justificação, autorizará os seus administradores a praticarem os atos necessários à incorporação; III aprovados em assembléia geral extraordinária ou por alteração contratual da sociedade incorporadora o laudo de avaliação e a incorporação, extinguese a incorporada, devendo os administradores da incorporadora providenciar o arquivamento dos atos e sua publicação, quando couber. (...) Art. 12. As sociedades envolvidas na operação de incorporação que tenham sede em outra unidade da federação, deverão arquivar a requerimento dos administradores da incorporadora na Junta Comercial da respectiva jurisdição os seus atos específicos: I na sede da incorporadora: o instrumento que deliberou a incorporação; II na sede da incorporada: o instrumento que deliberou a sua incorporação, instruído com certidão de arquivamento do ato da incorporadora, na Junta Comercial de sua sede. Entendo que não basta apenas o registro, assim como, não basta apenas os documentos, é necessária a concomitância de ambos, para que os atos estejam perfeitamente acabados. Considerando que à época dos fatos geradores a incorporação não havia sido registrada na Junta Comercial, a fim de que se aperfeiçoasse a baixa definitiva da CEMAN, não há razão para nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo. DA DECADÊNCIA EM RAZÃO DA NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL NO PRIMEIRO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA Conforme verificado no relatório da DRJ/RJ1, a nulidade da Notificação Fiscal foi em função de a auditoria ter arrolado de forma globalizada os 169 prestadores de serviço e pela falta do dispositivo legal que autoriza o levantamento do débito por arbitramento, no relatório de Fundamentos Legais do Débito. Portanto, entendo que nessa situação, não se tratou de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo, que dependendo do caso, poderia ser considerado nulidade por erro material. No caso dos autos, entendo que se tratou de nulidade por erro formal, visto que ocorreu um erro na forma de elaboração da emissão da NFLD. Em verdade, como existiam Fl. 356DF CARF MF 22 169 prestadores de serviço, a auditoria não deveria arrolálos em uma única NFLD, mas desmembrar essa NFLD em 169, como forma de facilitar o contraditório e a ampla defesa, vez que ela deveria ter sido também intimada da autuação, o que efetivamente ocorreu no segundo lançamento. Dessa forma, não houve a inclusão de dado novo, pois a prestadora de serviço CEMAN já estava arrolada na primeira NFLD anulada. E, como informa a auditoria, a matéria e a base de cálculo foram as mesmas constantes naquela NFLD. Observo a existência de decisão judicial (fls. 258/269), que faz referência à NFLD anulada no seguinte sentido: Ocorre que os lançamentos impugnados se reterem a parte de créditos que foram objeto de lançamento anterior que foi anulado pela Administração em razão de recurso administrativo da autora, ou seja, a NFLD nº 35.007.3546, que foi lavrada em 30/11/1999 e anulada, por decisão definitiva, em 20/04/2005 (fls. 53, 95 e 165) . Quando foi lavrada a NFLD nº 35.007.3546, já havia ocorrido a docadência do direito à constituição dos créditos tributários referentes às competências da março de 1993 a dezembro de 1993, referentes à NFLD nº 37.048.3553 e à parte da NFLD nº 37.048.3570. Em relação aos créditos relativos às competências iniciadas em janeiro de 1994, não ocorreu decadência, porquanto o prazo decadencial mais remoto terminaria em 1o de janeiro de 2000. Por outro lado, uma vez anulada a NFLD nº 35.007.3546, iniciouse novo prazo decadencial em abril de 2005, nos termos do artigo 173, inciso II, do CTN, que prescreve que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (Grifei) Tal julgado entendeu que a nulidade da primeira NFLD foi por erro formal, uma vez que não acatou a questão da decadência utilizando como fundamento o art. 173, II, do CTN. Assim, considerando a nulidade por erro formal, não há que se falar que tenha ocorrido o instituto da decadência, pois quando do novo lançamento não havia decorrido 5 anos, contados da data de nulidade do lançamento. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário conhecido. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 37048.267000/200655 Acórdão n.º 2202004.365 S2C2T2 Fl. 341 23 Fl. 358DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000214/2009-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2006 a 30/01/2007
INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
Numero da decisão: 2202-004.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 02 14 /2 00 9- 65 Fl. 1279DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10932.000179/200984, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou a impugnação improcedente. Conforme Relatório Fiscal, a fiscalização foi comandada para fins de verificação da regularidade do recolhimento das contribuições previdenciárias e devidas a outras entidades e fundos. Após intimada e reintimada a apresentar a Contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra, a empresa não a apresentou, o que levou a auditoria a efetuar o lançamento por aferição indireta nos termos do art. 33, §6º, da Lei nº 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e alterações posteriores. Os autos de Infração lavrados no procedimento fiscal foram discriminados pela fiscalização na seguinte planilha: DEBCAD N° LEVANTAMENTO REFERENTE REF. AO ESTABELECIMENTO 37.227.3645 Auto de Infração por falta de Matrícula CEI 56.473.317/000108 37.227.3653 Auto de Infração por Deixar de contabilizar em Títulos próprios 56.473.317/000108 37.227.3661 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.367 0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3688 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3696 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3700 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3718 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3726 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3734 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3742 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Oora 232 50.022.27644/77 37.227.3750 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3769 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3777 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3785 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 234 50.025.43828/73 37.227.3793 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3807 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3815 Auto de Infração de Emp/RAT reforente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3823 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3831 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3840 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3858 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3866 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3874 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.388 2 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 10932.000214/200965 Acórdão n.º 2202004.415 S2C2T2 Fl. 3 3 37.227.3890 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 37.227.3904 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 251G 50.022.22636/70 37.227.3912 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3920 Auto de Infração tíc Terceiros referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3939 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.231.6220 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6239 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.621/ Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6255 Auto de Infração dc Segurados referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6263 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6271 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6280 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 256 50.025.43742/79 37.231.6298 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6301 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6310 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6328 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 3/.231.6336 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6344 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6352 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6360 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6379 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6387 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6395 Auto de In'ração de Terceiros referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6409 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6417 Auto de Infração de Segurados referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6425 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 3/.231.6433 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6441 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 37.231.6450 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 Cientificado da autuação a recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, a improcedência e incorreção da aferição indireta. Diante das alegações da recorrente a autoridade julgadora de primeira instância, converteu o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização se pronunciasse sobre os argumentos levantados pela defesa. No resultado da diligência a fiscalização se manifestou sobre todos os processos gerados no procedimento fiscal, listando os seguintes: 10932.000171/200918 10932.000187/200921 10932.000205/200974 10932.000172/200962 10932.000190/200944 10932.000206/200919 10932.000173/200915 10932.000192/200933 10932.000207/200963 10932.000174/200951 10932.000189/200910 10932.000208/200916 10932.000175/200904 10932.000191/200999 10932.000209/200952 10932.000177/200995 10932.000193/200988 10932.000210/200987 10932.000176/200941 10932.000194/200922 10932.000211/200921 10932.000178/200930 10932.000197/200966 10932.000212/200976 Fl. 1281DF CARF MF 4 10932.000180/200917 10932.000200/200941 10932.000213/200911 10932.000179/200984 10932.000195/200977 10932.000214/200965 10932.000181/200953 10932.000196/200911 10932.000215/200918 10932.000183/200942 10932.000198/200919 10932.000217/200907 10932.000182/200906 10932.000199/200955 10932.000218/200943 10932.000184/200997 10932.000202/200931 10932.000219/200998 10932.000186/200986 10932.000204/200920 10932.000220/200912 10932.000185/200931 10932.000201/200996 10932.000221/200967 10932.000188/200975 10932.000203/200985 10932.000222/200910 10932.000223/200956 A auditoria reafirmou a procedência do lançamento por aferição indireta, de cujo Termo de Constatação extraio os seguintes trechos: “Ora, se a empresa possui controles analíticos de salários, se possui controles contábeis para identificação individual dos lançamentos dos encargos previdenciários, isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na documentação anexada como meio de prova, nesta fase de defesa administrativa, Todos os documentos apresentados nesta fase se referem a VALORES GLOBAIS, como o resumo da folha de pagamento GERAL e os tais relatórios de composição contábil, como detalharemos mais abaixo. Portanto, em nenhum momento desta defesa, o contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra de construção civil, dos fatos geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91.” A recorrente apresentou contrarrazões ao resultado da diligência, reafirmando a improcedência do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, cujo resultado foi levado à ciência da recorrente por meio da disponibilização na Caixa Postal, Módulo eCAC do Site da Receita Federal. Após ciência por meio da abertura dos arquivos disponibilizados, via Termo de Abertura de Documento, não houve manifestação dentro do prazo que teria para apresentação de Recurso Voluntário. Diante disso, lavrouse o respectivo Termo de Perempção e o processo foi encaminhado à PGFN. Nessa fase, passados mais de 100 (cem) dias desde a data da ciência do Acórdão da DRJ, pelo contribuinte, este protocolizou recurso voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa. O processo, então, retornou à fase administrativa para apreciação do recurso interposto, no qual se alega, em síntese: · Tempestividade. Admissibilidade do recurso. · Alteração da forma de intimação de meio papel para digital sem autorização do recorrente. · Falta de comprovação da intimação do resultado do julgamento de primeira instância. · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação. Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 10932.000214/200965 Acórdão n.º 2202004.415 S2C2T2 Fl. 4 5 Por fim, requereu o Recorrente o cancelamento da inscrição em dívida ativa e o retorno ao trâmite administrativo, para declaração de nulidade do auto de infração. É o relatório." Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10932.000179/200984, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pela Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, digna relatora da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é intempestivo, o que prejudica sua admissibilidade. Primeiramente, informo que a matéria tratada nos autos é a mesma discutida nos processos nº 10932.000187/200921, 10932.000190/200944, 10932.000192/200933, originados do mesmo procedimento fiscal, conforme relatado anteriormente, e que já foram julgados pelo CARF em 08/03/2016, tendo sido exarados os acórdãos nº 2201002.966, 2201002.965, 2201 002.964, respectivamente. Conforme relatórios constantes nos acórdãos citados, os processos foram baixados em diligência, a fim de que fosse comprovada a opção do recorrente pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), conforme trecho extraído do Acórdão nº 2201 002.966 (processo 10932.000187/200921): “O processo baixou em diligência para comprovar a opção do contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, apresentar as normas e condições de sua utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal. A DERAT/SP informou que a empresa realizou a opção pelo DTE em 13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013. Fl. 1283DF CARF MF 6 Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo SERPRO, cujo resultado encontrase nas fls. 13691373 e comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/00001 08 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012. De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a tela na fl. 1365 com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC Considerandose na fl. 1336 (última do Recurso Voluntário) a menção ao recebimento dos documentos naquela data, cujo carimbo está na fl. 1262 (primeira do Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos no SICOB, na JL1374 (campo data do Evento Recurso Voluntário), compreendese que a data de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal foi em 05/08/2013.” Restou comprovado, por meio de diligência naqueles processos, que a recorrente fez opção pelo DTE, o que levou o Colegiado de segunda instância a não conhecer dos recursos, conforme dispositivos dos acórdãos citados: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.". Diante da informação exarada nos acórdãos citados, a qual aproveito para análise do presente processo, entendo que a ciência do resultado do julgamento de primeira instância se deu pela Abertura dos Arquivos correspondentes no link Processo Digital, disponibilizados no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção Consulta Comunicados/Intimações, conforme Termo de Abertura de Documentos, nos termos da alínea "b" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235/72 (PAF): “Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Grifei).” Registrese, por relevante, que, mesmo que se adotasse o critério de ciência do contribuinte por decurso de prazo, previsto na Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 10932.000214/200965 Acórdão n.º 2202004.415 S2C2T2 Fl. 5 7 alínea "a" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, ainda assim o recurso voluntário interposto pelo Sujeito Passivo permaneceria infectado pelo vício da intempestividade, eis que, na data de sua interposição, o prazo recursal já se haveria exaurido há, pelo menos, dois meses. Portanto, como o Recurso Voluntário foi apresentado após o limite estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72, ele é extemporâneo. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Ana Maria Bandeira." Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 1285DF CARF MF
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