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Numero do processo: 10640.000956/2002-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3102-000.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOSÉ FERNANDES DO NASCIMENTO, HELDER MASSAAKI KANAMARU, JOSÉ PAULO PUIATTI, MIRIAN DE FÁTIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, NANCI GAMA e RICARDO PAULO ROSA..
Nome do relator: MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. Ricardo Paulo Rosa - Presidente. Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOSÉ FERNANDES DO NASCIMENTO, HELDER MASSAAKI KANAMARU, JOSÉ PAULO PUIATTI, MIRIAN DE FÁTIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, NANCI GAMA e RICARDO PAULO ROSA..
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOSÉ FERNANDES DO NASCIMENTO, HELDER MASSAAKI KANAMARU, JOSÉ PAULO PUIATTI, MIRIAN DE FÁTIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, NANCI GAMA e RICARDO PAULO ROSA.. Relatório A contribuinte recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora, que julgou procedente em parte lançamento do tributo consubstanciado no Auto de Infração de PIS referente ao 2º trimestre de 1997, no valor histórico de R$ 12.349,00. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .0 00 95 6/ 20 02 -0 8 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 17/07/2014 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 10640.000956/200208 Resolução nº 3102000.311 S3C1T2 Fl. 208 2 Tratase de auto de infração lavrado em desfavor de FRIATEC DO BRASIL INDÚSTRIA DE BOMBAS LTDA., para exigir o pagamento de débitos da contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, acrescidos de juros de mora e multa de ofício. Conforme expresso no Auto de Infração (fls. 4248), na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o lançamento ocorreu por falta de recolhimento do tributo, em virtude de inconsistências verificadas na Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF, de abril, maio e junho de 1997. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 320) defendendo (i) a inexigibilidade do crédito tributário, no tocante às competências 04 a 06 do anocalendário 1997, ante a satisfação por meio de depósito judicial no valor integral do débito, no Mandado de Segurança nº 96.01.019774, que tramitou na 2ª Vara Federal de Juiz de Fora/MG; e (ii) a impropriedade da aplicação da taxa Selic como juros de mora; requerendo o cancelamento do Auto de Infração. O pedido da contribuinte foi julgado parcialmente procedente, conforme consubstanciado no Acórdão n° 940.822 da 2ª Turma da DRJ/JFA (fls. 9396), cuja ementa transcrevo abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1998 FALTA DE RECOLHIMENTO. Caracterizada falta de recolhimento deve persistir o lançamento efetuado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 1997 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força do disposto no art. 18 da Lei n.º 10.833/2003, com as alterações posteriores, e da retroatividade benigna estabelecida no art. 106 do CTN, é incabível a aplicação da multa de ofício em conjunto com tributo ou contribuição espontaneamente declarados em DCTF. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os acréscimos legais (juros e multa de mora) serão excluídos no momento da efetiva conversão do depósito em renda, observados os valores das contribuições depositadas/devidas e as datas dos depósitos/vencimento das contribuições. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora manteve o Auto de Infração e a exigência do débito referente ao PIS, com os acréscimos legais, com a utilização da taxa SELIC, e excluiu a multa de ofício aplicada, nos termos do voto do Conselheiro Relator Alcyr Vilardi (fls. 94 a 96): A recorrente alega que efetivou depósitos judicialmente, no montante integral, para os PA da autuação (abril a junho de 1997), na ação judicial nº 96.01019774/Juiz de Fora. A contribuinte, para fazer prova de suas alegações, juntou as Guias de depósito judicial, referentes aos períodos em valores correspondentes aos lançados no auto de infração. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 17/07/2014 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 10640.000956/200208 Resolução nº 3102000.311 S3C1T2 Fl. 209 3 Nos termos do artigo 151, II do CTN, o depósito do montante integral implica em suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Em decorrência, a partir da data de sua efetivação, o sujeito passivo não mais se sujeitará a novos acréscimos legais. Efetivado o depósito judicial antes da constituição do crédito tributário, o sujeito passivo não responderá por quaisquer acréscimos legais, observados os valores das contribuições depositadas/devidas e as datas dos depósitos/vencimentos das obrigações. Apenas no momento da conversão do depósito em renda, se devida, com a apropriação dos depósitos judiciais e sua comparação com os valores lançados de PIS, é que se poderá verificar se o depósito foi efetuado integralmente. Caso contrário, será cobrado do contribuinte a diferença e/ou os acréscimos legais (depósitos efetuados a menor e/ou após o vencimento da obrigação). Cientificada da referida decisão da DRJ/JFA em 08/10/2012 (AR a fls. 9899), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 06/11/2012 contrapondo os fundamentos do acórdão recorrido, no tocante à exigência do crédito tributário e acréscimos legais. Em suma, a Recorrente alega que: (i) o débito é inexigível ante a extinção do crédito tributário conferida pela conversão em renda da União dos valores depositados judicialmente, nos termos do art. 156, VI, do Código Tributário Nacional; (ii) não devem ser exigidos acréscimos legais tendo em vista o efetivo depósito judicial no montante integral do débito, independentemente da fase processual em que foi realizado. É o relatório. VOTO Conselheira Mírian Lavocat, Relatora. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche os requisitos legais, razão pela qual dele conheço. Depreendese, da leitura do auto lavrado pela Receita Federal, no Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados (anexo I do AI – fls. 44), a efetiva suspensão da exigibilidade do crédito tributário de PIS conferida por depósito judicial no montante integral do débito, realizado dentro do período de vencimento conforme comprovado pela contribuinte (fls. 7375). Os acréscimos legais não foram depositados em juízo porque incabíveis. Uma vez suspensa a exigibilidade do crédito tributário fica obstada a fluência dos juros e da imposição de multa de mora. Entretanto, a 2ª Turma da DRJ/JFA manteve a incidência dos acréscimos legais, por entender insuficiente a documentação acostada aos autos (guias de depósito judicial – fls. 7375) para comprovar a conversão dos depósitos judiciais em renda da União, nos valores e períodos de apuração indicados no demonstrativo que acompanha o Auto de Infração. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 17/07/2014 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 10640.000956/200208 Resolução nº 3102000.311 S3C1T2 Fl. 210 4 Nestes termos, necessária a efetiva comprovação da conversão em renda dos valores depositados judicialmente, que nesse momento processual, somente pode ser efetivada pela autoridade fiscal da origem, qual seja, a DRJ de Juiz de Fora – MG.. Por todo o exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência.para que a DRJ/Juiz de Fora comprove a verossimilhança da documentação acostada aos autos pela recorrente. Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz Fl. 210DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 17/07/2014 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RIC ARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.901635/2008-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DIPJ APÓS DESPACHO DECISÓRIO. SITUAÇÃO QUE NÃO ENSEJA O RETORNO DOS AUTOS PARA REEXAME DA MATÉRIA.
A compensação pressupõe a existência de crédito em favor do contribuinte indicado na DIPJ. A retificação da DIPJ após despacho decisório não enseja o retorno dos autos à origem para reexame da matéria.
É dever de quem realiza a compensação, quando do pedido de compensação, demonstrar a existência do crédito a ser compensado, fato que não foi observado no caso concreto.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Moises Giacomelli Nunes da Silva - Relator
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Cristiane Silva Costa, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DIPJ APÓS DESPACHO DECISÓRIO. SITUAÇÃO QUE NÃO ENSEJA O RETORNO DOS AUTOS PARA REEXAME DA MATÉRIA. A compensação pressupõe a existência de crédito em favor do contribuinte indicado na DIPJ. A retificação da DIPJ após despacho decisório não enseja o retorno dos autos à origem para reexame da matéria. É dever de quem realiza a compensação, quando do pedido de compensação, demonstrar a existência do crédito a ser compensado, fato que não foi observado no caso concreto. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva - Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Cristiane Silva Costa, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
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Recorrente SANDOZ DO BRASIL INDUSTRIA FARMACÊUTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DIPJ APÓS DESPACHO DECISÓRIO. SITUAÇÃO QUE NÃO ENSEJA O RETORNO DOS AUTOS PARA REEXAME DA MATÉRIA. 1. A compensação pressupõe a existência de crédito em favor do contribuinte indicado na DIPJ. A retificação da DIPJ após despacho decisório não enseja o retorno dos autos à origem para reexame da matéria. 2. É dever de quem realiza a compensação, quando do pedido de compensação, demonstrar a existência do crédito a ser compensado, fato que não foi observado no caso concreto. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Cristiane Silva Costa, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 16 35 /2 00 8- 44 Fl. 435DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10930.901635/200844 Acórdão n.º 1402001.685 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório A empresa SANDOZ DO BRASIL INDUSTRIA FARMACÊUTICA LTDA. recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou improcedente seu pleito, requerendo sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Adoto o relatório da decisão de1a. instância: Este processo trata do despacho decisório nº de rastreamento 796757368 (fls. 45), que não homologou a compensação declarada nos diversos PER/DCOMP nele mencionados, todos com utilização do crédito demonstrado no PER/DCOMP nº 15623.16604.300404.1.3.027506 (fls. 0105), por ter sido constatado que não foi apurado saldo negativo, uma vez que, na DIPJ correspondente ao período de apuração do crédito informado no PER/DCOMP, consta imposto a pagar. A contribuinte foi cientificada em 07/11/2008 (fls. 46) e apresentou tempestivamente, em 05/12/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 4750, alegando que sofreu, no anocalendário de 2003, retenções de IRRF decorrentes de rendimentos de aplicações financeiras no montante utilizado para efetuar os demonstrativos de compensação, e que o despacho decisório decorre da superficialidade dos procedimentos de verificação e confronto dos dados existentes nos arquivos da RFB. Adiciona que, assim que recebeu o despacho decisório, constatou o cometimento de erro formal no preenchimento das informações de sua DIPJ 2004, que detalha, e que apresentou DIPJ retificadora, em 21/11/2008. Foram anexados os documentos de fls. 51185. Em 20/03/2009, apresentou a petição de fls. 188193, em que relata que informou incorretamente na sua manifestação de inconformidade o número do PER/DCOMP nº 15823.16804.300404.1.3.027506, e também que, ao preenchêlo, informou incorretamente que o débito no valor de R$ 70.037,66 seria de março de 2004, quando o correto é janeiro de 2004, e que por esse motivo foi apontada pela RFB a existência de “Débito/Pendências na Receita Federal”. Por tal razão, solicita que seja considerado o número correto, e que seja obstada a remessa do débito respectivo para inscrição em Dívida Ativa da União. A decisão recorrida está assim ementada: COMPETÊNCIA PARA APRECIAR COMPENSAÇÃO. A competência para apreciar a compensação e emitir o despacho decisório homologandoa, ou não, é da DRF. Tendo esta, em face da discrepância entre o saldo de IRPJ a pagar apurado na DIPJ e o saldo negativo informado no PER/DCOMP, proferido despacho decisório não homologando a compensação, após haver, debalde, intimado a contribuinte para promover as retificações necessárias, falece competência à DRJ para apreciar originariamente a compensação e emitir novo despacho decisório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Do Recurso Voluntário: Cientificada da aludida decisão em 14/6/2011 (fl. 242), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/7/2011 (fls. 272 e seguintes), cujas alegações estão a seguir transcritas: Fl. 436DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10930.901635/200844 Acórdão n.º 1402001.685 S1C4T2 Fl. 0 3 “ (...) Destarte, primeiramente pela análise dos extratos bancários em anexo, resta comprovada a efetiva retenção do IR sobre as aplicações financeiras, que ocosionaram o crédito objeto da compensação em tela. É certo que o contribuinte que declara uma dívida à autoridade tributária tem todo o direito de, identificando um equívoco na formação do fato gerador ou da obrigação tributária declarada, retificar sua declaração para fazer constar um valor menor. No caso em apreço verificase que na DlPJretificadora apenas corrigiu formalmente um equívoco formal da Recorrente que em nenhum momento desnaturou os petitorios iniciais de compensação. Como, contudo, a autoridade tributária homologa tacitamente o lançamento efetuado pelo contribuinte pelo pagamento antecipado e pela declaração em DCTF, em cinco anos da ocorrência do fato gerador (artigo 150, parágrafo 40) , o contribuinte teria até 31/12/2009 (e assim o fez no ano de 2008) para efetuar a retificação da DIPJ relativa ao anocalendário de 2004. (...) a Recorrente tem o direito líquido e certo de submeter à Administração a análise de seu pedido de retificação da declaração de compensação, ainda que importe na modificação da DIPJ que referencia o débito declarado a ser compensado e ainda que tal PERDCOMP já tenha sido objeto de análise pela autoridade fiscal. Repitase, tendo em vista a retificação da DIPJ, nada mais justo e legal a análise efetiva do direito creditório, atentandose sempre para a busca da verdade material, pilar mestre de processo administrativofiscal brasileiro. Ademais, enquanto não definitivamente decidida a impugnação ou eventual recurso por ele interpostos contra a decisão indeferitória, o débito não está plenamente constituido, permanecendo com a exigibilidade suspensa, fazendo jus o contribuinte à certidão de regularidade fiscal. Confiramse os precedentes: REsp 1072648/SC, EDcl no AgRg no AgRg no Ag 449.559/SC, REsp 1181598/SC, REsp 1187710/SP, Assim, concluise que, de regra, na rejeição da compensação tributária, tenha ela sido efetuada pelos moldes do artigo 66 da Lei 8.383/91, ou conforme o artigo 74 da Lei 9.430/96, o Fisco deve respeitar o devido processo legal, sendo que permanece com a exigibilidade suspensa o crédito decorrente de glosa ou indeferimento de compensação, enquanto pendente de decisão manifestação de inconformidade ou recurso apresentados pelo contribuinte, como é o presente caso. Do que foi exposto requerse o provimento do presente recurso de modo seja analisada a retificação da DIPJ levada à efeito pela ora Recorrente, para fins de deferimento das PERDCOMPs ora analisadas. Requerse também a suspensão da exigibilidade dos PAFs 10930.901.661/200872, 10930.901.678/200820, 10930.902.701/200801,10930.901.679/2008 74, 10930.902.702/200848, 10930.902.703/200892 e 10930.902.704/200837, processo de cobrança vinculado ao PAF creditório. Requerse outrossim a produção de todas as provas admitidas em direito, inclusive documentação contábil. É o Relatório. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10930.901635/200844 Acórdão n.º 1402001.685 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso manuseado pela parte interessada está previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, é tempestivo, encontrase devidamente fundamentado e foi interposto por quem tem interesse ver a decisão da DRJ reformada. Assim. conheçoo e passo ao exame do mérito. Tratase de não homologação de DCOMP em face de ter sido constatado a inexistência de crédito à data da apreciação pela Delegacia da Receita Federal. Conforme, asseverado na decisão recorrida, verificase às fls. 44 dos autos, que em 06/09/2006 foi entregue à contribuinte o Termo de Intimação reproduzido à fl. 43, cientificandoa de que não foi apurado saldo negativo na DIPJ/2004, e sim imposto a pagar no importe de R$ 1.096,17. No mesmo documento foi solicitado que a contribuinte promovesse as retificações cabíveis, e também foi esta intimada a sanar as irregularidades apontadas e advertida de que a falta de adoção das providências poderia implicar o indeferimento ou nãohomologação do PER/DCOMP. O despacho decisório, fl. 51, somente veio a ser emitido e cientificado à contribuinte em outubro/2008, dois anos depois, ou seja, em tempo mais do que suficiente para adoção das providências cabíveis. A contribuinte efetuou a retificação da DIPJ/2004 em dezembro/2008 para aflorar o alegado direito creditório (Saldo Negativo do IRPJ do anocalendário de 2003), ou seja, após a ciência do aludido Despacho Decisório. Portanto, descabe razão à Recorrente, isso porque inexiste no Perdcomp original qualquer registro da contribuinte de qual seria o motivo do alegado “direito creditório”. Repitase a DIPJ/2003 apresentava saldo de IRPJ a pagar e não crédito. Logo, ao apreciar o pleito a Autoridade Administrativa constatou a inexistência de créditos disponíveis para compensação e corretamente indeferiu o pleito por esse motivo. Por certo, a contribuinte apresentou os Perdcomp sem retificar a DIPJ para aflorar o direito creditório que pleiteava. Se o crédito estivesse indicado na DIPJ a Autoridade Administrativa encarregada da análise do pleito poderia verificar/questionar sua origem na apreciação e, se fosse o caso de indeferimento, justificar a não homologação. À luz do parágrafo único do artigo 142, do CTN, a atividade de lançamento, assim entendido como o procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido e identificar o sujeito passivo, é atividade administrativa vinculada e obrigatória. Seja nos casos de lançamento de ofício, seja nas hipóteses de lançamento por homologação em que o sujeito passivo, por conta própria, identifica a matéria tributável, a base de cálculo, a alíquota incidente, o quanto devido e realiza o pagamento, não há faculdade, em relação a nenhuma das partes, para exigir ou deixar de pagar tributo previsto em lei. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10930.901635/200844 Acórdão n.º 1402001.685 S1C4T2 Fl. 0 5 A garantia constitucional consagrada no artigo 150, I, da CF, que veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios “exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça”, também contém a obrigação do contribuinte de pagar, com exatidão, os tributos previstos no ordenamento jurídico. Tal comando constitucional advém do princípio da legalidade consagrado no artigo 5º, II, da Constituição de 1988, e não é novo em nosso direito, pois já se encontrava previsto nas Constituições anteriores e no artigo 97, do Código Tributário Nacional. Nos casos de pagamento a menor cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142, do CTN, por lançamento de ofício, exigir a diferença. Efetuado pagamento a maior, diante da impossibilidade de se exigir tributo além do montante fixado em lei, cabe à Administração proceder a restituição, que nos casos de pessoa jurídica pode darse mediante compensação, conforme previsto no artigo 170 do CTN. Ainda em relação à restituição e compensação, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as modificações introduzidas pela Lei nº 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, dispõe “in verbis”: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada ao caput pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002).” (grifei) Nos termos do artigo 147 e seguintes do Código Tributário Nacional, o lançamento pode darse por: a) declaração; b) homologação e c) de ofício. No caso, interessanos o lançamento por homologação que à luz do artigo 150, do CTN, ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de identificar a matéria tributável, apurar o quanto devido e realizar o pagamento, cabendo à autoridade administrativa homologar a atividade praticada pelo sujeito passivo ou, em discordando, efetuar o lançamento de ofício. Quando do julgamento, dado ao fato de que a retificação da DIPJ deuse dentro do prazo legal, na linha dos fundamentos contidos no Parecer PGFN/CAT/Nº 591/2014, que faz referência à Solução de Consulta nº 146, de 2006; ao REsp 901.311/RJ; AgRg no AREsp 30.272/MG e Resp 1111002/SP, minha proposta de voto era para que o feito retornasse à origem para reexame do mérito, observando no que diz respeito aos dados retificados, a suspensão do prazo, seguindo aqui o entendimento do STJ contido no Recurso Especial nº 1.374.127CE. Rel. Min. Mauro Campbell. No entanto, não foi este o entendimento trilhado Fl. 439DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10930.901635/200844 Acórdão n.º 1402001.685 S1C4T2 Fl. 0 6 pelos demais membros do colegiado que entenderam que isto abriria precedente que resultaria em tumulto nos processos de compensação. Destacouse, ainda, que se estivéssemos apreciando auto de infração que apontasse o montante exigido, sem a descrição da matéria tributável, estaríamos diante de um vício material insanável. O principio a ser aplicado ao caso é o mesmo, só que de forma inversa, o que resulta na improcedência do recurso. Com tais considerações, ressalvando meu entendimento pessoal, adiro ao entendimento da douta maioria para negar provimento ao recurso. ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso, confirmando o despacho que não homologou o pleito do contribuinte no processo principal de nº 10930.901635/200844. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Fl. 440DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 13710.002637/2002-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA NÃO COMPROVADA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE.
É improcedente o lançamento baseado em situação fática desconstituída por provas documentais adequadas colacionadas aos autos.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3102-002.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Helder Massaaki Kanamaru, José Paulo Puiatti, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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COMPROVADA A INEXISTÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA DO LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. É improcedente o lançamento “eletrônico” fundamentado no fato de que o processo judicial informado na DCTF não lhe pertence, se o contribuinte comprova, com documentação adequada, que é parte autora do referido processo judicial, em que fora discutido o direito creditório utilizado na compensação informada na referida Declaração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA NÃO COMPROVADA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. É improcedente o lançamento baseado em situação fática desconstituída por provas documentais adequadas colacionadas aos autos. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 26 37 /2 00 2- 46 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Helder Massaaki Kanamaru, José Paulo Puiatti, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 39/44), em que formalizada a exigência de crédito tributário no valor de R$ 1.799.08,82, sendo de R$ 675.097,40 de Cofins dos meses de julho a dezembro de 1997, R$ 506.323,05 de multa de ofício e R$ 617.662,37 de juros de mora (calculados até 31/5/2002). O lançamento originouse da realização de auditoria interna nas DCTF dos 3º e 4º trimestres de 1997, em que não foi confirmada a compensação sem Darf, vinculada ao processo judicial nº 91.01069390, com base na constatação de que o citado processo judicial pertencia a outro CNPJ. Em sede de impugnação, a autuada alegou que: a) os valores dos créditos utilizados na compensação dos referidos débitos eram decorrente do pagamento a maior do Finsocial, que fora reconhecido por decisão judicial, com trânsito em julgado, proferida no âmbito do processo judicial nº 91.01069390; e b) a compensação dos créditos da Contribuição para o Finsocial com os débitos da Cofins era legalmente reconhecida pelas disposições da Lei nº 8.383, de 1986, e pela jurisprudência do extinto Conselho de Contribuintes. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 51/52), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada procedente, sob argumento de que a ocorrência que deu origem à autuação, consistente no fato de que o processo judicial informado pertencia a outro CNPJ, não se comprovara, uma vez que a autuada efetivamente constava como autora na ação nº 91.01069390, informada na DCTF em questão. Por ter exonerado créidto superior ao limite, em conformidade com o disposto no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e o estabelecido na e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, o Presidente da Turma de Julgamento de primeiro grau submeteu, de ofício, a decisão à apreciação deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13710.002637/200246 Acórdão n.º 3102002.213 S3C1T2 Fl. 101 3 O recurso de ofício interposto trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os requisitos de admissibilidade estabelecidos na legislação de regência, portanto, deve ser conhecido. Consoante delineado no relatório precedente, o julgamento procedente da impugnação e cancelamento integral do crédito tributário lançado foi fundamento no argumento de que a ocorrência que deu origem à autuação, consistente no fato de que o processo judicial informado pertencia a outro CNPJ, não se confirmara, haja vista que a autuada, efetivamente, era uma das autoras da Ação Declaratória nº 91.01069390, informada na DCTF, e que tramitou perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro. Com efeito, compulsando os documentos de fls. 15/23 e 108, verificase que a autuada, efetivamente, era uma das autoras da referida ação judicial, o que ratifica o argumento de inexistente do motivo que resultou na lavratura do Auto de Infração em questão, consignado na decisão recorrida. Assim, se há nos autos a comprovação, com documentação adequada, de que não ocorreu o fato que motivou a autuação, consequentemente, o lançamento do crédito tributário deve ser cancelado, em razão da inexistência do fundamento fático que lhe serviu de suporte. Além disso, não se pode olvidar, que, nos termos do art. 10, III, a descrição do fato é elemento essencial do auto de infração. Por conseguinte, se a descrição do fato não representa a verdade retratada nos autos, inexoravelmente, a cobrança do crédito tributário lançado deve ser considerada indevida. Nesse sentido, tem se firmado a jurisprudência deste Conselho. A título de exemplo, trazse à colação recente decisão proferida pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), cujo enunciado da ementa segue transcrito: Assunto:ProcessoAdministrativoFiscal Períododeapuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado que o processo judicial informadona DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento “eletrônico” que tem por fundamentação “proc.jud. não comprova”. Recurso negado. (Acórdão n. 9303002.326, Rel. Cons. Henrique PinheiroTorres, unânime, sessão de 20 jun. 2013) – Grifos não originais. É pertinente ressaltar que, no presente caso, não se configurou a nulidade do autuação, por cerceamento do direito defesa, pois, conforme evidenciado nos autos, a autuada exerceu o seu direito de defesa a contento, tendo, inclusive, demonstrado que a conduta que lhe fora imputada na autuação, consiste no fato de que o citado processo judicial não lhe pertencia, não era verdadeira. Por essas razões, não merece qualquer reparo a decisão de primeiro grau, que julgou procedente a impugnação da autuada e determinou o cancelamento, in totum, da conbraça do crédito tributário lançado. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, para manter na íntegra a decisão recorrida. José Fernandes do Nascimento Fl. 143DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /07/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10920.911138/2012-50
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 38 /2 01 2- 50 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911138/201250 Acórdão n.º 3801003.335 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911138/201250 Acórdão n.º 3801003.335 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911138/201250 Acórdão n.º 3801003.335 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911138/201250 Acórdão n.º 3801003.335 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911138/201250 Acórdão n.º 3801003.335 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911138/201250 Acórdão n.º 3801003.335 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911138/201250 Acórdão n.º 3801003.335 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911138/201250 Acórdão n.º 3801003.335 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10510.900471/2012-65
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação.
INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO.
O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
Numero da decisão: 3803-006.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 04 71 /2 01 2- 65 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta contribuinte transmitiu declaração de compensação em que compensou o débito discriminado no referido PeR/DComp servindose de suposto crédito de pagamento a maior de PIS. Despacho Decisório da DRF/Aracaju reconheceu parcialmente o direito creditório e homologou parcialmente a DComp, por insuficiência de crédito. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Manifestante alegou que: a) a falta de retificação da DCTF não invalida o direito de proceder à compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior; b) discorreu sobre o direito à compensação administrativa, fazendo menção à legislação pertinente, tendo ainda tratado da retificação da DCTF e das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a Declaração de Compensação. Em julgamento da lide, a DRJ/Belo Horizonte consignou que o fato evidenciado pelo Despacho Decisório é que o crédito utilizado pela Contribuinte foi alocado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de compensação, além do montante já considerado na decisão. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 05/03/2014, 15 dias após a disponibilização da decisão na caixa postal eCAC, irresignada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/03/2014, em que identificou que a origem do crédito era pagamento indevido sobre as receitas decorrentes do fornecimento de medicamentos sujeitos à alíquota zero, com tributação concentrada no produtor, nos termos da Lei nº 10.147/00, com liminar deferida no processo judicial nº 2009.34.00.0314472, confirmada na segurança concedida, em trâmite na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal, ascendidos os autos ao TRF1ª Região em 02/05/2001 para o reexame necessário. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10510.900471/201265 Acórdão n.º 3803006.181 S3TE03 Fl. 79 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para admissibilidade, portanto dele conheço. Com efeito, na manifestação de inconformidade a Contribuinte não identifica a origem do crédito que utiliza na declaração de compensação e não anexa documentos nem sua escrita fiscal e contábil para comprovar a sua alegação de pagamento a maior. No recurso voluntário a Recorrente apresentase como substituída no mandado de segurança coletivo impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, ação que teve como objeto a exclusão da base de cálculo das contribuições apuradas por hospitais e clínicas das receitas obtidas com o fornecimento de medicamentos na prestação de serviços, uma vez que tais medicamentos estão sujeitos à incidência concentrada e da alíquota zero relativamente aos demais agentes da cadeia de circulação desses produtos. Anexa Certidão Narrativa de Objeto e Pé contendo o andamento do processo e em que é atestada a concessão de liminar, a posterior concessão da segurança, a subida dos autos para reexame necessário e seu estado de concluso para o relator. Com este argumento a Recorrente inova a sua defesa, trazendo questão que não foi posta perante o juízo de primeiro grau. Reza o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que o impugnante deve arguir na impugnação todas as questões de fato e de direito, bem como apresentar todos os documentos que fazem a prova das alegações. Os processos de restituição, ressarcimento e compensação são de iniciativa do interessado, que se constitui em sujeito ativo no processo fazendo a afirmação do seu direito ao crédito e à concomitante compensação, cabendo a ele, dessa forma, o ônus de instruir o processo com as provas dos fatos constitutivos do seu direito. No presente caso, além de o novo argumento repercutir na supressão da primeira instância, que deixou de apreciar o mérito ora colocado, a Recorrente trouxe apenas a prova quanto à certeza do seu crédito, decorrente da existência da ação judicial em que é parte na condição de substituída processual, com provimento do pedido reconhecendo o direito de não se submeter ao pagamento do PIS/Cofins, porém não se desincumbiu de demonstrar a sua liquidez, comprovandoo por meio de controle segregado dos produtos alvo da exclusão da base de cálculo, bem como, adicionalmente, por meio da escrita contábil e fiscal. Os argumentos da Recorrente apoiados apenas no documento apresentado corresponde à pretensão de obter o provimento do recurso voluntário com base no direito em tese. A prova da certeza do crédito é necessária, mas insuficiente, porquanto não assegura minimamente a existência do seu direito material. Desse modo, a Recorrente apresenta uma defesa que não tem força para lhe favorecer, pois é elementar que restasse provada a materialidade do direito alegado, sintetizada, pelo menos, num demonstrativo de recuperação de crédito, tecnicamente consistente e facilitador de uma possível diligência fiscal, de vez que apresentada apenas na segunda instância. Somente assim, poderia a Recorrente obter, quando menos, alguma parcela de êxito no presente julgamento. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Dessarte, a carência de elementos probatórios que ministrassem em favor da sua alegação realça tão só a inovação no argumento de defesa, que, ante a correção da decisão recorrida, não tem índole bastante para ser conhecida. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso por inovação no argumento de defesa. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.725299/2010-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTE EM DÉBITO. DEFINIÇÃO.
Constitui débito valores não recolhidos e lançados em notificação fiscal de lançamento, auto-de-infração ou na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2402-004.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTE EM DÉBITO. DEFINIÇÃO. Constitui débito valores não recolhidos e lançados em notificação fiscal de lançamento, auto-de-infração ou na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. Recurso Voluntário Provido
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CONTRIBUINTE EM DÉBITO. DEFINIÇÃO. Constitui débito valores não recolhidos e lançados em notificação fiscal de lançamento, autodeinfração ou na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 52 99 /2 01 0- 62 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.725299/201062 Acórdão n.º 2402004.117 S2C4T2 Fl. 230 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a autuação fiscal lavrada em 10/11/2010 por exclusão da recorrente da sistemática do SIMPLES NACIONAL. Os fatos geradores das contribuições previdenciárias foram as remunerações pagas a segurados empregados e contribuinte individual ocorridos no período de 01/06/2007 a 31/12/2009. Foi excluída do lançamento a contribuição relativa ao mês 06/2007. Seguem transcrições de alguns trechos da decisão recorrida que melhor sintetizam os fatos: O relato fiscal informa também que, de acordo com informações constantes do cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, a empresa foi excluída do Simples Federal em 30/06/2007 e que não goza do benefício do regime especial unificado de arrecadação de tributos e contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte já que não faz parte do Simples Nacional instituído pela Lei Complementar nº 123/2006. A fiscalização esclarece, outrossim, que a empresa efetuou pedidos de inclusão no Simples Nacional em 31/01/2008 e 08/01/2010, os quais foram indeferidos em 14/03/2008 e 18/02/2010, por possuir débitos junto ao órgão fazendário. Contra a decisão, o recorrente reiterou suas alegações na impugnação; assim sintetizadas pela decisão recorrida: é microempresa e optante do Simples desde 2000 e que deve ser acolhida a nulidade do Ato Declaratório de Exclusão do Simples, por falta de intimação, pois nenhum dos representantes legais da impugnante foi intimado de sua exclusão; registrese que o contador da impugnante não tem poderes para receber qualquer tipo de intimação; Deve ser afastada a multa aplicada de 75%, eis que é desproporcional ao caso, somada ao fato do caráter confiscatório, além do mais na dosimetria sequer foi levada em consideração a primariedade da impugnante; Caso não sejam acolhidos os requerimentos anteriores, deve ser apresentado o respectivo termo de intimação por parte da Receita Federal, a fim de que seja esclarecido que nenhum dos administradores da impugnante recebeu qualquer tipo de intimação ou tenha tomado ciência com relação ao ato que exclui ela do Simples, fato importante que gera a nulidade do presente auto de infração; Deve ser aplicado o princípio da razoabilidade e proporcionalidade, para que, no caso concreto, seja afastada a perda do direito da impugnante em permanecer no Simples Nacional (então Simples) tão somente por ter havido um único não recolhimento em função de morte de funcionária que controlava referidos pagamentos; Seja suspensa qualquer representação fiscal ao Ministério Público antes da decisão final em processo administrativo, consoante o disposto no art. 83 da Fl. 231DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Lei 9.430/1996; Pelo exposto, deve ser declarado insubsistente o presente Auto de Infração; Por derradeiro, caso seja mantido o AI, requer seja autorizada a compensação dos valores pagos a título de contribuição social efetuados pela impugnante no sistema SIMPLES, para fins de deduzir o montante apurado pelo agente fiscal. Esta turma ordinária converteu o julgamento em diligência para que fossem esclarecidos alguns fatos: Antes do julgamento, são necessários alguns esclarecimentos e informações: a) sejam trazidos aos autos os termos de intimação das demais decisões de indeferimento; e b) seja informada a existência de Ato Declaratório Executivo de Exclusão, o número do processo e a atual fase de tramitação. Em resposta, a autoridade fiscal informe que não foi emitido ato declaratório para exclusão do SIMPLES e que, antes do deferimento de sua inclusão no SIMPLES NACIONAL, dois pedidos anteriores foram indeferidos, com ciência em 14/03/2008 e 16/12/2010, respectivamente: Pergunta a): sejam trazidos aos autos os termos de intimação das demais decisões de indeferimento. Resposta: cfe demonstrado, nas fls. 2010 a 2012, a empresa solicitou ingresso no Simples Nacional em 31/01/2008 e em 08/012010 e os respectivos Termos de Indeferimento foram registrados pela empresa em 14/03/2008 e em 18/02/2010. Pergunta b): seja informada a existência de Ato Declaratório Executivo, o número de processo e a atual fase de tramitação. Resposta: cfe. demonstrado, nas fls. 2013 a 2015, não foi localizado nenhum Ato Declaratório Executivo em nome da empresa, seja do Simples Federal, seja do Simples Nacional. Também se confirmou que a razão para o indeferimento foi a falta de recolhimento de uma diferença de R$ 478,53 relativa a 03/2007. A recorrente exerce o direito de manifestação reiterando sua ciência efetivamente em 16/12/2010 que a razão para o indeferimento foi a falta de recolhimento de uma diferença de R$ 478,53 por motivo de óbito da empregada encarregada de acompanhamento e quitação dos tributos, o que se mostra desproporcional e injusto. É o Relatório. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.725299/201062 Acórdão n.º 2402004.117 S2C4T2 Fl. 231 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Atendidos os pressupostos de admissibilidade do recurso, dele conheço e passo ao seu exame. Mérito Examinando as provas trazidas aos autos pela fiscalização, em especial o relatório fiscal, e as alegações da recorrente, suas contraprovas e a decisão recorrida, concluo que o lançamento constitui crédito desprovido de razoável certeza sobre a ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias. As intimações de indeferimento da migração do SIMPLES para o SIMPLES NACIONAL indicam a existência de débito correspondente a uma diferença não incluída em DARFSIMPLES, no valor de R$ 478,53. Para que esse valor pudesse ser considerado débito e, assim, fato impeditivo para a inclusão no SIMPLES NACIONAL, caberia a indicação de que essa diferença deixada de recolher espontaneamente tenha constituído crédito tributário, cuja exigibilidade não esteja suspensa, nos termos do artigo 17 da LC nº 123/2006: seja pelo lançamento de ofício ou pela homologação do valor declarado em GFIP: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: ... V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; No caso, somente lhe foi informado por intimação da existência de uma diferença de valor com as seguintes características: Código de Receita 6106, Período 03/2007 e Valor R$ 478,53. E que a exigibilidade não estava suspensa. Não há referência a qualquer ato administrativo que reconheça constitua formalmente o valor em crédito tributário. Entendo que não fora cumprido o procedimento previsto na LC nº 123/2006: Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: (...) § 2º Na hipótese do inciso V do caput do art. 17 desta Lei Complementar, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da Fl. 233DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 regularização do débito no prazo de até 30 (trinta) dias contado a partir da ciência da comunicação da exclusão. Quanto à definição de débito, embora não prevista na LC nº 123/2006, o Decreto nº 3.048/99 o traz para fins de cancelamento de isenção das contribuições previdenciárias, o que pode se prestar para essa finalidade: Art. 206 (...) §13.Considerase entidade em débito, para os efeitos do §12 deste artigo e do §3º do art. 208, quando contra ela constar crédito da seguridade social exigível, decorrente de obrigação assumida como contribuinte ou responsável, constituído por meio de notificação fiscal de lançamento, autodeinfração, confissão ou declaração, assim entendido, também, o que tenha sido objeto de informação na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social.(Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001). Entendo que a indicação de alguma diferença de contribuição não recolhida na época própria não constitui propriamente um débito, faltalhe uma das providências previstas no dispositivo acima. Em razão do exposto, voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 234DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10840.001796/2009-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
Ementa:
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. TABELA MENSAL.
O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido recebidos, observando a renda auferida mês a mês. Aplicação do Resp nº 1.118.429/SP (543-C do CPC), na sistemática prevista no art. 62-A do RICARF (Portaria nº 256/2009).
Numero da decisão: 2201-002.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 18/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. TABELA MENSAL. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido recebidos, observando a renda auferida mês a mês. Aplicação do Resp nº 1.118.429/SP (543C do CPC), na sistemática prevista no art. 62A do RICARF (Portaria nº 256/2009). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 18/06/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 17 96 /2 00 9- 26 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição do imposto sobre a renda, relativo ao anocalendário de 2006, no valor de R$ 73.426,65. De acordo com o relatório da autoridade recorrida (fl. 29): O contribuinte embasa seu pedido de restituição na alegação de que moveu ação ordinária contra o Instituto Nacional do Seguro Social, recebendo R$ 332.049,83, dos quais foram descontados na fonte R$ 9.961,49, resultado da alíquota de 3% a que se refere o art. 27 da Lei n.º 10.833/03. No entanto, afirma: o parágrafo 1º do referido artigo aduz que nos casos em que os rendimentos recebidos em cumprimento de decisão da Justiça Federal são isentos, ficará dispensada a retenção do imposto, o que fundamenta o presente pedido de ressarcimento, com o valor devidamente atualizado. Prosseguindo, alega que declarou para a Receita Federal imposto de renda a pagar de R$ 53.503,21. Porém, a cobrança do imposto de renda nesse caso é também indevida, uma vez que para a incidência do imposto devese observar a renda que teria sido auferida mês a mês pelo contribuinte, o que no caso acarretaria a isenção por não atingir o valor mensal tributável, e, portanto, não deveria incidir sobre o rendimento total acumulado recebido em virtude de decisão judicial, que só atingiu tal valor em decorrência do atraso no pagamento do benefício. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: reiterando, conforme se verifica no banco de dados da Receita Federal, de acordo com seus rendimentos mensais, estaria isento da tributação; seu pedido foi indeferido com base no art. 12A da Lei n.º 7.713/88, que foi inserido pela Lei n.º 12.350/2010, e segundo o disposto no §7º do artigo 12A da Lei n.º 7.713/88 essa nova regra de tributação somente se aplica aos rendimentos recebidos acumuladamente a partir da entrada em vigor da Medida Provisória que deu origem à Lei n.º 12.350/2010 e, somente poderá retroagir, excepcionalmente, a 1º de janeiro de 2010; tal decisão fere princípios constitucionais básicos, como o princípio da igualdade e o princípio da capacidade contributiva, além de ferir a segurança jurídica, uma vez que não houve prescrição tributária; porque é que a lei pode retroagir a 1º de janeiro de 2010 para um contribuinte que teve seus rendimentos retidos na fonte e não Fl. 50DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10840.001796/200926 Acórdão n.º 2201002.426 S2C2T1 Fl. 3 3 pode retroagir os cinco anos da prescrição tributária para outro contribuinte que sofreu igual lesão ao patrimônio? não há que se falar em regime de caixa, e sim aplicar os dispositivos e princípios constitucionais, pois só assim será feita justiça. A 4ª Turma da DRJ – São Paulo/SP II julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, conforme se observa da ementa abaixo transcrita: IRPF. RENDIMENTOS ACUMULADOS. AÇÃO JUDICIAL. REGIME DE CAIXA. A tributação dos rendimentos recebidos por pessoas físicas, inclusive quando se trata de rendimentos recebidos acumuladamente por meio de ação judicial, é feita pelo regime de caixa, aplicandose as tabelas e alíquotas vigentes no ano calendário em que os rendimentos foram efetivamente entregues ao contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado da decisão de primeira instância em 04/02/2012 (fl. 38), Luiz Amilton Lupino apresenta Recurso Voluntário em 06/03/2012 (fls. 41 e seguintes), portanto, tempestivamente, sustentando, em linhas gerais, os mesmos argumentos defendidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Cingese a controvérsia na tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente no anocalendário 2007. A autoridade fiscal, quando da lavratura da exigência, aplicou a tabela de imposto de renda sobre o total do rendimento recebido pelo recorrente, relativo às parcelas atrasadas de benefício previdenciário pago acumuladamente, por força de decisão judicial. Em seu apelo alega o recorrente, em linhas gerais, que caso fosse utilizada a tabela mensal seus rendimentos jamais seriam alcançados pela tributação. Pois bem, o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009), determinou que os Fl. 51DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Conselheiros deverão reproduzir as decisões proferidas pelo Superior Tribunal Justiça (STJ), na sistemática prevista pelo artigo 543C do Código de Processo Civil CPC. Vejase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Quanto aos rendimentos recebidos acumuladamente, referente às parcelas atrasadas de benefício previdenciário, o Superior Tribunal Justiça (STJ) ao apreciar o Resp nº 1.118.429/SP, na sistemática regime do art. 543C do CPC, assim determinou: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Do exposto, verificase que o Resp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas de benefício previdenciário recebidas acumuladamente. Nesse caso, devese aplicar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Ante ao exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 52DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10840.001796/200926 Acórdão n.º 2201002.426 S2C2T1 Fl. 4 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10840.001796/200926 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.426. Brasília/DF, 15 de maio de 2014 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 53DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 11052.000872/2010-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO SUPERVENIENTE. INSUFICIÊNCIA DE DEPÓSITO.
A aferição da integralidade do depósito deve ser realizada não somente na data do depósito, mas também em decorrência de fatos supervenientes. Constatado que o contribuinte utilizou-se de saldo negativo de IRPJ, referente a imposto de renda retido na fonte e recolhimentos de estimativas mensais, para declarações de compensações transmitidas em data posterior ao depósito, de modo que o depósito realizado não mais contempla a integralidade do crédito discutido, não subsiste a suspensão de exigibilidade do crédito, uma vez que não há mais que se falar em depósito do montante integral.
DEPÓSITO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESNECESSIDADE DO LANÇAMENTO.
O depósito judicial configura verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontra-se constituído o crédito tributário, razão pela qual não há que se falar em necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Precedente do STJ no EREsp nº 898.992/PR. Portanto, devem ser deduzidos da exigência os valores depositados judicialmente.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
Embargos acolhidos com efeitos infringentes. Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 1402-001.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos declaratórios com efeitos infringentes para retificar o Acórdão 1402-001.570 e dar provimento parcial ao recurso voluntário, exonerando-se R$ 2.592.233,50 a título de IRPJ e R$ 1.031.621,17 a título de CSLL, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO SUPERVENIENTE. INSUFICIÊNCIA DE DEPÓSITO. A aferição da integralidade do depósito deve ser realizada não somente na data do depósito, mas também em decorrência de fatos supervenientes. Constatado que o contribuinte utilizou-se de saldo negativo de IRPJ, referente a imposto de renda retido na fonte e recolhimentos de estimativas mensais, para declarações de compensações transmitidas em data posterior ao depósito, de modo que o depósito realizado não mais contempla a integralidade do crédito discutido, não subsiste a suspensão de exigibilidade do crédito, uma vez que não há mais que se falar em depósito do montante integral. DEPÓSITO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESNECESSIDADE DO LANÇAMENTO. O depósito judicial configura verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontra-se constituído o crédito tributário, razão pela qual não há que se falar em necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Precedente do STJ no EREsp nº 898.992/PR. Portanto, devem ser deduzidos da exigência os valores depositados judicialmente. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. Embargos acolhidos com efeitos infringentes. Recurso voluntário parcialmente provido.
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CONHECIMENTO PARA SANAR OMISSÃO ESPECÍFICA OU SOBRE PONTO SOBRE O QUAL DEVERIA TER SE PRONUNCIADO A TURMA. EFEITOS INFRINGENTES. Conhecese dos embargos em caso do reconhecimento de omissão do acórdão embargado. Se da análise da matéria objeto da omissão advier alteração do resultado do julgamento, reconhecese os efeitos infringentes dos embargos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO SUPERVENIENTE. INSUFICIÊNCIA DE DEPÓSITO. A aferição da integralidade do depósito deve ser realizada não somente na data do depósito, mas também em decorrência de fatos supervenientes. Constatado que o contribuinte utilizouse de saldo negativo de IRPJ, referente a imposto de renda retido na fonte e recolhimentos de estimativas mensais, para declarações de compensações transmitidas em data posterior ao depósito, de modo que o depósito realizado não mais contempla a integralidade do crédito discutido, não subsiste a suspensão de exigibilidade do crédito, uma vez que não há mais que se falar em depósito do montante integral. DEPÓSITO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESNECESSIDADE DO LANÇAMENTO. O depósito judicial configura verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 08 72 /2 01 0- 69 Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 2 pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há que se falar em necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Precedente do STJ no EREsp nº 898.992/PR. Portanto, devem ser deduzidos da exigência os valores depositados judicialmente. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. Embargos acolhidos com efeitos infringentes. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos declaratórios com efeitos infringentes para retificar o Acórdão 1402001.570 e dar provimento parcial ao recurso voluntário, exonerandose R$ 2.592.233,50 a título de IRPJ e R$ 1.031.621,17 a título de CSLL, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000872/201069 Acórdão n.º 1402001.570 S1C4T2 Fl. 1.243 3 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ e CSLL exigidos em razão da dedução de amortização de ágio considerada indedutível pela autoridade autuante. Constatada a impetração de mandado de segurança sobre a mesma matéria em litígio, deixouse de analisar o mérito do lançamento (Súmula CARF nº 1). O contribuinte realizou depósitos judiciais que, somados aos valores de imposto de renda retido na fonte e estimativas recolhidas relativas ao período de apuração em questão, equivaliam ao montante integral do crédito em discussão. Contudo, posteriormente, transmitiu declarações de compensação utilizandose de imposto de renda retido na fonte e estimativas que comporiam pretenso saldo negativo de IRPJ/CSLL referente ao mesmo período de apuração objeto do lançamento. A esse respeito, assim me manifestei em meu voto: Conforme manifestação da própria autoridade fiscal responsável pela elaboração do relatório fiscal em atendimento a resolução deste Colegiado, não há dúvidas que, no momento de realização do depósito o montante correspondia à integralidade do crédito tributário discutido, desde que se deduzindo os valores retidos na fonte e pagamentos de estimativas realizados. Contudo, após a transmissão de pedidos de compensação utilizandose de saldo negativo de IRPJ e base negativa de CSLL referentes ao anocalendário de 2008, o depósito realizado deixou de ser suficiente para garantia do montante integral do crédito tributário em discussão. Reforcese que a declaração de compensação transmitida pelo contribuinte extingue o débito confessado, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996). A autoridade fiscal autuante realizou o lançamento somente após a manifestação do contribuinte em utilizar os supostos valores de IRPJ e CSLL pagos a maior em 2008 para compensar outros débitos perante a RFB. Não há dúvidas, portanto, que no momento do lançamento, o crédito tributário não mais estava com exigibilidade suspensa, pois os valores utilizados em declarações de compensação superavam, inclusive, os valores depositados pela Recorrente: o valor do pedido de restituição cumulado com compensação em relação ao IRPJ foi de R$ 3.971.812,05 e o depósito judicial foi de R$ 2.592.233,50, em relação à CSSL, os valores compensados e depositados foram de, respectivamente, R$ 1.055.471,81 e R$ 1.031.621,17 (fls. 11211122). A aferição da integralidade do depósito deve ser realizada não somente na data do depósito, mas também em Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 4 decorrência de fatos supervenientes. Constatado que o contribuinte utilizouse de saldo negativo de IRPJ, referente a imposto de renda retido na fonte e recolhimentos de estimativas mensais, para declarações de compensações transmitidas em data posterior ao depósito, de modo que o depósito realizado não mais contempla a integralidade do crédito discutido, não subsiste a suspensão de exigibilidade do crédito, uma vez que não há mais que se falar em depósito do montante integral. Contudo, este Colegiado entendeu de forma divergente, concluindo que a questão da utilização em duplicidade dos valores de IRRF e estimativas deveria se dar no bojo dos processos de compensação. O ilustre Conselheiro Leonardo de Andrade Couto foi designado redator do voto vencedor, cujo teor transcrevo a seguir: Minha discordância do I. Relator dirigese à questão da integralidade do depósito efetuado pelo sujeito passivo. O digníssimo colega reconhece que, no momento em que foi realizado, o depósito correspondeu à integralidade da exigência. Sobre essa fato, não há controvérsia. Entretanto, no entendimento do Fisco corroborado pelo Relator, a entrega de Declarações de Compensação utilizando como crédito o saldo negativo do IRPJ e a base de cálculo negativa da CSLL, apurados pela interessada no anocalendário de 2008, descaracterizaria a abrangência do depósito pois, na apuração do montante a ser depositado, o sujeito passivo deduziu as grandezas componentes daqueles valores. Assim, como as Declarações de Compensação foram entregues antes da autuação, quando da formalização da exigência o valor depositado não inibiria a incidência de juros e multa. A meu ver, o equívoco do sujeito passivo ocorreu na apresentação das Dcomps. A lavratura do auto de infração alterou o resultado apurado pela pessoa jurídica, com implicação direta no saldo devedor do IRPJ e na base de cálculo negativa da CSLL. Em outras palavras, não existiu a liquidez e certeza do crédito pleiteado, requisito indispensável à homologação da compensação. Caberia dessarte a rejeição dos pedidos de que tratam os processos 10860.902040/201263 e 10860.902041/201216 pela inexistência do crédito. Por outro lado, não se pode olvidar que o efeito imediato do pedido de compensação, como definido em lei, é a confissão dos débitos nele relacionados. No que se refere ao crédito, não vislumbro base para que a Dcomp tenha o condão de descaracterizar a situação jurídica consolidada decorrente do depósito no montante integral do débito, a não ser que já houvesse sido proferida decisão favorável ao sujeito passivo nos processos de compensação. Por esse motivo voto no sentido de excluir do lançamento a multa de ofício e os juros de mora. [grifos meus] Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000872/201069 Acórdão n.º 1402001.570 S1C4T2 Fl. 1.244 5 Ocorre que os processos relativos às declarações de compensação a saber, 10860.902040/201263 referente ao IRPJ, e 10860.902041/201216 concernente à CSLL já foram alvo de análise por parte da RFB. Os pedidos de compensação relativos ao crédito de IRPJ foram homologados parcialmente, sendo que os únicos pontos objeto de não homologação foram valores irrelevantes de IRRF cuja retenção não foi confirmada por parte da RFB. Apresentada manifestação de inconformidade, os autos aguardam julgamento perante a Delegacia de Julgamento competente. No que tange ao pedido de compensação atrelado à CSLL, houve homologação total dos pleitos por meio de despacho eletrônico. Nesse cenário, e considerando que a decisão deste Colegiado entendeu por bem exonerar a multa de ofício e juros de mora exigidos por ponderar que as declarações de compensação não deveriam ser homologadas, opus embargos de declaração, concluindo que a turma deveria se pronunciar sobre o tema, haja vista a impossibilidade prática no cumprimento do acórdão lavrado. Encaminhados ao ilustre Presidente da Turma, os autos foram a mim redistribuídos para relato e inclusão em pauta para submissão da controvérsia ao Colegiado. É o relatório. Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 6 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. Segundo o art. 65 do Regimento Interno do CARF, “Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma.” No presente caso, entendo estarmos diante de omissão sobre ponto que o colegiado deveria ter se pronunciado, uma vez que a turma julgadora deveria ter analisado a situação dos processos de compensação, sob pena de deferimento dobrado dos valores de IRRF e estimativas em questão (tanto para consideração da integralidade dos depósitos efetuados, quanto para fins de compensação). Isso posto, entendo cabíveis os presentes embargos, o que, por conseguinte, implica seu conhecimento. No mérito, conforme relatado, as compensações pleiteadas (processo de IRPJ nº 10860.902040/201263 e de CSLL nº 10860.902041/201216) já haviam sido alvo de análise por parte da DRF de origem na data do acórdão embargado. Em relação ao crédito de CSLL, houve reconhecimento integral do montante pleiteado, tendo as respectivas compensações sido homologadas. No que tange ao crédito de IRPJ, o crédito pleiteado foi quase que integralmente reconhecido, compensandose os débitos até o limite do crédito reconhecido. Em relação ao montante de crédito não reconhecido, tratase de ínfimos valores de imposto de renda retido na fonte que, na visão da autoridade fiscal, não foram devidamente comprovados. Nesse cenário, entendo que, diante da impossibilidade de se levar a efeito o decidido no acórdão embargado, devamos dar efeitos infringentes aos presentes embargos, passando a considerar que a questão da integralidade do depósito deva ser aferida durante todo o trâmite do processo judicial, e não somente no momento de sua realização. Nessa linha de raciocínio, reproduzo os fundamentos do excerto do meu voto então vencido, os quais sugiro que passem a compor o novo posicionamento deste colegiado: Conforme já relatado, a única discussão sobre integralidade do depósito judicial diz respeito a não utilização, por parte do Fisco, dos valores retidos na fonte e recolhidos a título de estimativa para cálculo do IRPJ e da CSLL devidos. No momento da realização dos depósitos, o montante colocado à disposição da União contemplava a integralidade do crédito tributário em discussão. No cálculo realizado pelo contribuinte levouse em consideração os valores de IRPJ e CSLL retidos na fonte, bem como as estimativas recolhidas durante o período. Para a Fiscalização, o fato de o contribuinte ter transmitido, antes da data de lavratura dos autos de infração, pedidos de compensação utilizandose do saldo negativo apurado em 2008, acabou por descaracterizar o depósito do montante integral, e, consequentemente, não há mais que se falar em suspensão da exigibilidade do Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000872/201069 Acórdão n.º 1402001.570 S1C4T2 Fl. 1.245 7 crédito tributário, uma vez que o contribuinte não obteve decisão judicial favorável. A questão é de suma importância, uma vez que a Primeira Seção do STJ já pacificou a matéria no julgamento EREsp n. 898.992/PR (acórdão publicado no DJ 27/08/2007), sob a relatoria do Ministro Castro Meira, de modo unânime, exarando o entendimento de que: [...] com o depósito do montante integral temse verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Se a Fazenda aceita como integral o depósito, para fins de suspensão da exigibilidade do crédito, aquiesceu expressa ou tacitamente com o valor indicado pelo contribuinte, o que equivale à homologação fiscal prevista no art. 150, § 4º, do CTN. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há mais falar no transcurso do prazo decadencial nem na necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Eis a sua ementa: PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ART. 151, II, DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONVERSÃO EM RENDA. DECADÊNCIA. 1. Com o depósito do montante integral temse verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Se a Fazenda aceita como integral o depósito, para fins de suspensão da exigibilidade do crédito, aquiesceu expressa ou tacitamente com o valor indicado pelo contribuinte, o que equivale à homologação fiscal prevista no art. 150, § 4º, do CTN. 2. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há mais falar no transcurso do prazo decadencial nem na necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. 3. "No lançamento por homologação, o contribuinte, ocorrido o fato gerador, deve calcular e recolher o Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 8 montante devido, independente de provocação. Se, em vez de efetuar o recolhimento simplesmente, resolve questionar judicialmente a obrigação tributária, efetuando o depósito, este faz as vezes do recolhimento, sujeito, porém, à decisão final transitada em julgado. Não há que se dizer que o decurso do prazo decadencial, durante a demanda, extinga o crédito tributário, implicando a perda superveniente do objeto da demanda e o direito ao levantamento do depósito. Tal conclusão seria equivocada, pois o depósito, que é predestinado legalmente à conversão em caso de improcedência da demanda, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, equiparase ao pagamento no que diz respeito ao cumprimento das obrigações do contribuinte, sendo que o decurso do tempo sem lançamento de ofício pela autoridade implica lançamento tácito no montante exato do depósito" (Leandro Paulsen, "Direito Tributário", Livraria do Advogado, 7ª ed, p. 1227). 4. Embargos de divergência não providos. Logo, se o depósito realizado realmente for suficiente para acobertar o montante integral do crédito tributário em litígio, não há que se falar em lançamento. A própria Fazenda Nacional vem se valendo de tal exegese em execuções fiscais nas hipóteses em que o contribuinte realizou o levantamento do depósito, como se pode observar no REsp nº 1216466 / RS em que a Fazenda ingressou com execução fiscal baseada na confissão de dívida via depósito judicial: TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL PRESCRIÇÃO INEXISTÊNCIA – DEPÓSITO CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LEVANTAMENTO INDEVIDO EXIGIBILIDADE TERMO A QUO. 1. O depósito do crédito tributário equivale ao lançamento tributário para fins de constituição da dívida. Precedentes. 2. O levantamento indevido de depósito judicial autoriza a cobrança da quantia percebida, no prazo de prescrição de 5 anos, contados da data da extinção do depósito. 3. Inexistência de prescrição se o ajuizamento ocorreu 3 anos após o levantamento indevido do depósito. 4. Recurso especial não provido. (REsp nº 1216466 / RS, Relatora Ministra Diva Malerbi – Desembargadora Convocada do TRF da 3ª Região, 2ª Turma, sessão de 20/11/2012, DJe de 04/12/2012) Mostrase imperioso analisar se o depósito realizado corresponde, ou não, ao montante integral do crédito tributário, pois, em caso afirmativo, o lançamento deve ser considerado insubsistente. Conforme manifestação da própria autoridade fiscal responsável pela elaboração do relatório fiscal em atendimento a resolução Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.000872/201069 Acórdão n.º 1402001.570 S1C4T2 Fl. 1.246 9 deste Colegiado, não há dúvidas que, no momento de realização do depósito o montante correspondia à integralidade do crédito tributário discutido, desde que se deduzindo os valores retidos na fonte e pagamentos de estimativas realizados. Contudo, após a transmissão de pedidos de compensação utilizandose de saldo negativo de IRPJ e base negativa de CSLL referentes ao anocalendário de 2008, o depósito realizado deixou de ser suficiente para garantia do montante integral do crédito tributário em discussão. Reforcese que a declaração de compensação transmitida pelo contribuinte extingue o débito confessado, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996). A autoridade fiscal autuante realizou o lançamento somente após a manifestação do contribuinte em utilizar os supostos valores de IRPJ e CSLL pagos a maior em 2008 para compensar outros débitos perante a RFB. Não há dúvidas, portanto, que no momento do lançamento, o crédito tributário não mais estava com exigibilidade suspensa, pois os valores utilizados em declarações de compensação superavam, inclusive, os valores depositados pela Recorrente: o valor do pedido de restituição cumulado com compensação em relação ao IRPJ foi de R$ 3.971.812,05 e o depósito judicial foi de R$ 2.592.233,50, em relação à CSSL, os valores compensados e depositados foram de, respectivamente, R$ 1.055.471,81 e R$ 1.031.621,17 (fls. 11211122). A aferição da integralidade do depósito deve ser realizada não somente na data do depósito, mas também em decorrência de fatos supervenientes. Constatado que o contribuinte utilizouse de saldo negativo de IRPJ, referente a imposto de renda retido na fonte e recolhimentos de estimativas mensais, para declarações de compensações transmitidas em data posterior ao depósito, de modo que o depósito realizado não mais contempla a integralidade do crédito discutido, não subsiste a suspensão de exigibilidade do crédito, uma vez que não há mais que se falar em depósito do montante integral. Contudo, devese manter a exigência somente em relação aos valores que superaram o valor depositado, devendo ser reformada a exigência nesses moldes. Considerandose que o valor do pedido de restituição cumulado com compensação em relação ao IRPJ foi de R$ 3.971.812,05 e o depósito judicial foi de R$ 2.592.233,50 (fls. 11211122), exonerase esse último montante, mantendose a exigência de R$ 1.379.578,55. Em relação à de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, considerandose que o valor do pedido de restituição cumulado com compensação em relação à CSLL foi de R$ 1.055.471,81 e o depósito judicial de R$ 1.031.621,17 (fls. 11211122), voto por exonerar esse último montante, mantendose a exigência de R$ 23.850,64. Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 10 CONCLUSÃO Isso posto, voto por acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário, exonerandose R$ 2.592.233,50 a título de IRPJ e R$ 1.031.621,17 de CSLL. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 11070.001902/2006-50
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2000
CSLL. PIS. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Tratando-se da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aplica-se a mesma decisão a todos os lançamentos decorrentes.
EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO.
Deverá ser excluída de ofício do Simples Federal a pessoa jurídica incorrer em prática reiterada de infração à legislação tributária.
Numero da decisão: 1801-002.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana de Barros Fernandes, Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques e Fernando Daniel de Moura Fonseca.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ATIVIDADE. Não poderá optar pelo Simples Federal a pessoa jurídica que realize operações relativas à prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra. EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO. Deverá ser excluída de ofício do Simples Federal a pessoa jurídica incorrer em prática reiterada de infração à legislação tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FATURAMENTO DE BENS. Os bens faturados pelo contribuinte em nota de prestação de serviços são, em princípio, de sua propriedade e a alienação destes deve compor a receita bruta, como operação de conta própria. Qualquer exceção a esta regra deve ser objeto de demonstração específica, acompanhada da documentação comprobatória correspondente. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2000 CSLL. PIS. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aplicase a mesma decisão a todos os lançamentos decorrentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 19 02 /2 00 6- 50 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001902/200650 Acórdão n.º 1801002.012 S1TE01 Fl. 305 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana de Barros Fernandes, Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques e Fernando Daniel de Moura Fonseca. Relatório J. B. DE ALMEIDA FILHO, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1807.066 (fl. 259), pela DRJ Santa Maria, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata do Ato Declaratório Executivo DRF/SAO nº 25, de 08/12/2006 (fl. 150), pelo qual o recorrente foi excluído do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Federal, com efeito retroativo a partir de 01/07/2001. No mesmo processo também estão sendo discutidos quatro autos de infração realizados para exigir créditos tributários relativos ao ano 2001, como consequência da referida exclusão, segundo os valores contidos na tabela seguinte: TRIBUTO PRINCIPAL JUROS MULTA (75% 150%)) TOTAL FLS. IRPJ 28.865,57 25.123,09 43.084,13 97.072,79 169 PIS 2.496,37 2.209,01 3.716,72 8.422,10 177 COFINS 11.415,94 10.103,58 17.074,73 38.593,75 185 CSLL 4.147,87 3.604,40 6.175,61 13.927,88 192 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001902/200650 Acórdão n.º 1801002.012 S1TE01 Fl. 306 3 Conforme o referido ADE DRF/SAO nº 25, de 08/12/2006, o contribuinte foi excluído do Simples Federal em face de exercício de atividade econômica vedada à opção (construção de imóveis, prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra) e em face de prática reiterada de infração à legislação tributária, configurada pela omissão de receitas. Os lançamentos tributários se deram em razão das mesmas omissões, conforme relatado no Termo de Constatação Fiscal (fl. 159): ... a ocorrência de omissão de receita apurada com base nas Notas Fiscais de prestação de serviço e comprovantes de pagamento fornecidos pela empresa ETE Engenharia de Telecomunicações S/A, no período de 06/2001 a 12/2001, bem como foi verificado que a empresa declarou situação de inatividade para o anocalendário de 2002 quando os documentos demonstram que a mesma se encontrava em atividade e auferia receitas de vendas e de prestação de serviços. O lançamento foi realizado com base no lucro arbitrado a partir das receitas omitidas, em razão de o contribuinte, apesar de intimado, não ter apresentado a sua escrituração. A fiscalização entendeu que a reiteração da omissão caracteriza crime contra a ordem tributária, razão pela qual qualificou a multa de ofício (150%) em relação às receitas omitidas e realizou representação fiscal para fins penais. Cientificado da autuação, o contribuinte ingressou com impugnação contra o ato de exclusão (fls. 206/212), alegando, em resumo, que: i) inconstitucionalidade do ADE que o excluiu do Simples, residente no seu efeito retroativo; ii) a norma que vedava a atividade do contribuinte no Simples (artigo 9º, XII, f, da Lei nº 9.317, de 1996) foi revogada pela MP n°. 2.15835, publicada em 27/08/2001 e com vigência a partir de 1º de janeiro de 2000; iii) não está caracterizada a reiteração de infração à legislação tributária, uma vez que isso somente ocorre quando um contribuinte é autuado pelo cometimento de uma determinada irregularidade e, no entanto, continua a cometer a mesma infração, o que não aconteceu no presente caso. O contribuinte também ingressou com impugnações contra os lançamentos tributários (fls. 215/255), alegando, em resumo, que: i) ilegalidade/inconstitucionalidade do ADE que o excluiu do Simples; ii) os autos de infração não poderiam ter sido lavrados enquanto o ato de exclusão do Simples estava sendo questionado administrativamente; iii) os valores destacados nas notas fiscais a título de material empregado na prestação dos serviços não poderiam compor a base de cálculo dos tributos porque não são receita tributária, uma vez que são despesas ressarcidas pelo tomador do serviço; iv) o valor do ICMS incidente sobre as peças de reposição utilizadas nos serviços deve ser excluído da base de cálculo da Cofins, conforme já decidiu o STF (RE nº 240.785); Fl. 306DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001902/200650 Acórdão n.º 1801002.012 S1TE01 Fl. 307 4 v) a fiscalização qualificou a multa de ofício mas não detalhou qual foi o fato delituoso que o ensejou, não identificou em qual dos três artigos, que tratam de comportamentos diferenciados, o contribuinte foi enquadrado; vi) o dolo somente pode ser apurado pelo Poder Judiciário, após exaustiva instrução processual; vii) a alíquota de 150% da multa aplicada caracteriza o confisco, defeso pela Constituição Federal. A DRJ Santa Maria julgou improcedente a impugnação, ementando assim a decisão: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Data do fato gerador: 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001 EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Declarando a menor seus rendimentos, a contribuinte tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. A prática sistemática adotada durante meses consecutivos, forma o elemento subjetivo da conduta dolosa e sujeita a pessoa jurídica à exclusão da sistemática do Simples pela prática reiterada de infração a legislação tributária. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. A exclusão do Simples pela prática reiterada de infração à legislação tributária gera efeitos a partir, inclusive, do mês que for verificada essa prática. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001,31/12/2001 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A apreciação de eventuais argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos administrativos está deferida ao Poder Judiciário, por força do texto constitucional. PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO. A prova documental será apresentada pelo contribuinte na impugnação, precluindolhe o direito de fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Fl. 307DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001902/200650 Acórdão n.º 1801002.012 S1TE01 Fl. 308 5 Data do fato gerador: 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001 LUCRO ARBITRADO. A Pessoa Jurídica excluída da Sistemática do Simples que não possuir escrituração regular do Livro Caixa ou Diário e Razão ficará sujeita à apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica com base no lucro arbitrado. OMISSÃO DE RECEITA. LUCRO ARBITRADO. Caracteriza omissão de receita a emissão de notas fiscais de prestação de serviço ou de venda de mercadorias não escrituradas e não oferecidas à tributação. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Declarando a menor seus rendimentos, a contribuinte tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. A prática sistemática adotada durante anos consecutivos, forma o elemento subjetivo da conduta dolosa. Tal situação fálica se subsume perfeitamente ao tipo previsto no artigo 71, inciso 1, da Lei n° 4.502, de 1964. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Lavrado o Auto principal, devem também ser lavrados os Autos reflexos, nos termos do art. 142, parágrafo único do CTN (lei n° 5.172/66), devendo estes seguir a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem. Apesar de a única comprovação nos autos da ciência dessa decisão ser o recibo de fl. 282, datado de 15/08/2007, o autuado apresentou recurso voluntário em 13/07/2007 (fls. 290/300). Na referida peça, o recorrente repisa os argumentos já trazidos em suas peças impugnatórias. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. 1. EXCLUSÃO DO SIMPLES O recorrente combate a sua exclusão do Simples alegando, inicialmente, a ilegalidade/inconstitucionalidade do respectivo ADE, residente no seu efeito retroativo. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001902/200650 Acórdão n.º 1801002.012 S1TE01 Fl. 309 6 Não procede a arguição de ilegalidade, uma vez que a retroação dos efeitos da exclusão está explicitamente prevista no art. 15 da Lei nº 9.317, de 19961. No que tange ao argumento de inconstitucionalidade, este está além do alcance da presente lide, uma vez que é defeso ao julgador administrativo afastar a aplicação de lei em razão de alegada inconstitucionalidade, nos termos do artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 19722. Tal entendimento é o objeto da Súmula Carf nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em seguida, o recorrente afirma que o dispositivo que fundamentou a sua exclusão, a alínea f do inciso XII do artigo 9º da Lei nº 9.317, de 1996, foi revogado pela Medida Provisória MP n°. 2.15835. Tratase de equívoco do recorrente, uma vez que referida MP revogou apenas a alínea a do inciso XII do artigo 9º daquela Lei, deixando intocado o seu inciso f 3. Assim, mantémse a prática de atividade defesa como fundamento da exclusão, o que já é suficiente. Todavia, o recorrente também ataca o outro fundamento do ADE, que é a reiteração de infração à legislação tributária (Artigo 14, V, da Lei nº 9.317, de 1996). O recorrente entende que somente pode ser caracterizada a reiteração de infração à legislação tributária quando um contribuinte é autuado pelo cometimento de uma determinada irregularidade e, no entanto, continua a cometer a mesma infração. Embora esta possa ser a lógica que modela a reincidência dos ilícitos penais, ela não é aplicável à espécie. A oficialidade e a autoexecutoriedade, que caracterizam os atos administrativos, dão à expressão “reiteração de infração” um contorno diferente do pretendido pelo recorrente. Tanto é assim que o legislador utiliza a expressão “prática reiterada”, para a qual é suficiente o reconhecimento dos atos ilícitos, sendo prescindível um ato prévio de jurisdição. Por tais razões, entendo que deve ser mantida a exclusão atacada. 2. AUTOS DE INFRAÇÃO 1 Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I omissis; II a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9º; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) 2 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 3 Art. 93. Ficam revogados: I omissis II omissis III a partir de 1º de janeiro de 2000, os §§ 1º a 4º do art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; IV o inciso XI e a alínea "a" do inciso XII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996; Fl. 309DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001902/200650 Acórdão n.º 1801002.012 S1TE01 Fl. 310 7 O primeiro argumento de defesa do recorrente em relação aos autos de infração é a afirmação de ilegalidade/inconstitucionalidade do ADE que o excluiu do Simples. Este argumento já foi apreciado no tópico acima, devendo ser afastado. Em seguida, o recorrente afirma que os autos de infração não poderiam ter sido lavrados enquanto o ato de exclusão do Simples estava sendo questionado administrativamente. É certo que não seria razoável obterse um resultado definitivo para o questionamento dos autos de infração antes de se saber o resultado definitivo da respectiva exclusão. Todavia, nada impede que os dois atos (exclusão e lançamento) sejam apreciados em conjunto, mormente porque possuem o mesmo fundamento fático. Esse entendimento já foi pacificado no âmbito dessa Corte Administrativa, por meio da Súmula CARF nº 77: Súmula CARF nº 77: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. Prossegue o recorrente afirmando que os valores destacados nas notas fiscais a título de material empregado na prestação dos serviços não poderiam compor a base de cálculo dos tributos porque não são receita tributária, uma vez que são despesas ressarcidas pelo tomador do serviço. Observase que os lançamentos ocorreram por meio do arbitramento do lucro, conforme previsto no art. 529 e seguintes do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99). Nesse caso, a base de cálculo será a aplicação de um percentual sobre a receita bruta, quando esta é conhecida, conforme dispõe o artigo 532 do RIR/99: Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, §11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). O art. 279 do RIR/99 traz o conceito de receita bruta: Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Assim, os bens faturados pelo contribuinte em nota de prestação de serviços são, em princípio, de sua propriedade e a alienação destes deve compor a receita bruta, como operação de conta própria. Qualquer exceção a esta regra deve ser objeto de demonstração específica, acompanhada da documentação comprobatória correspondente, o que não foi feito pelo recorrente. Assim, afastase a presente argumentação. O próximo argumento do recorrente afirma que o valor do ICMS incidente sobre as peças de reposição utilizadas nos serviços deve ser excluído da base de cálculo da Cofins, conforme decisão do STF (RE nº 240.785). Esse argumento também deve ser afastado, primeiro porque carece de fundamento legal. A base de cálculo da Cofins é o faturamento e deste apenas se desconta o Fl. 310DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001902/200650 Acórdão n.º 1801002.012 S1TE01 Fl. 311 8 ICMS quando este é cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, conforme o artigo 3º, §2º, I, da Lei nº 9.718, de 19984. No presente caso, foi configurada a venda direta, o que afasta a exceção legal. O argumento também carece de fundamento fático, uma vez que o recorrente não demonstra que recolheu ICMS sobre as referidas vendas. O recorrente combate a qualificação da multa de ofício alegando que a autoridade tributária não detalhou qual foi o fato delituoso que a ensejou e não fez o enquadramento legal necessário. Verificando o Termo de Constatação Fiscal (fls. 159/165), verificase que foi dedicado um esforço considerável para se demonstrar as receitas omitidas. Quando trata da qualificação da multa, o autor associa essa decisão com a caracterização de crime contra a ordem tributária: Considerando que os atos praticados pelo contribuinte são tipificados como crime contra a ordem tributária na forma da Lei n° 8.137/90 os débitos foram lançado de oficio com multa qualificada de 150%, o que também gerou Representação Fiscal para Fins Penais controlada no Processo Administrativo n° 11070.002011/2006 11. A referida representação fiscal está apensada ao presente processo. Naquela peça, o autor indica o crime que entende ter sido caracterizado (art. 1º da Lei nº 8.137, de 1990) e descreve os fatos tidos como caracterizadores do crime. Ademais, o dolo foi perfeitamente configurado no relato contido no parágrafo terceiro do referido Termo de Constatação Fiscal (fls. 159): Considerando que no procedimento de fiscalização foi constatado que o contribuinte desenvolveu atividades de construção de estações e redes de telefonia de comunicação externas (canalização) e prestou serviços de limpeza de caixas de água, atividades que constam do rol das vedações à opção de tributação do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES na forma preceituada nos incisos V e XII , letra "f" do art. 9° da Lei n°9.317/1996; e, verificado ainda, a ocorrência de omissão de receita apurada com base nas Notas Fiscais de prestação de serviço e comprovantes de pagamento fornecidos pela empresa ETE Engenharia de Telecomunicações S/A.no período de 06/2001 a 12/2001, bem como foi verificado que a empresa declarou situação de inatividade para o anocalendário de 2002 quando os documentos demonstram que a mesma se encontrava em atividade e auferia receitas de vendas e de 4 §2ºPara fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: Ias vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; Fl. 311DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001902/200650 Acórdão n.º 1801002.012 S1TE01 Fl. 312 9 prestação de serviços, situações que se caracterizam como prática reiterada de infração a legislação tributária, fatores que determinam a exclusão de ofício do SIMPLES, com base nas disposições da Lei n° 9.317/96 e alterações posteriores e da IN SRF n° 608/2006, foi feita representação fiscal para a exclusão do SIMPLES conforme descrito na REPRESENTAÇÃO FISCAL EXCLUSÃO DO SIMPLES (fls. 01 a 08). A exclusão do contribuinte da sistemática de tributação SIMPLES ocorreu a partir de 01/07/2001 conforme Ato Declaratório Executivo DRF/SAO n° 24 de 08 de dezembro de 2006 (fl. 148). Entendo que houve esforço suficiente da autoridade autuante para demonstrar o crime e, por consequência, o dolo contido na conduta do contribuinte. Deve ser salientado que o ilícito ao qual o contribuinte foi enquadrado tem como elemento subjetivo o dolo. Portanto, também deve ser afastada a presente argumentação. Prosseguindo, o recorrente defendese ainda da qualificação da multa afirmando que o dolo somente pode ser apurado pelo Poder Judiciário, após exaustiva instrução processual. Tal argumento carece de fundamento legal, uma vez que não há na Constituição Federal, ou mesmo na legislação pátria, reserva de jurisdição quanto à caracterização de infração de natureza dolosa. Pelo contrário, admitirse tal hipótese corresponderia a impedir que o Poder Executivo aplicasse qualquer sanção administrativa de natureza dolosa aos seus administrados, o que seria uma violação ao princípio republicado da divisão de poderes, insculpido no art. 2º da Constituição Federal. Por fim, o recorrente afirma que a multa qualificada para a alíquota de 150% caracteriza o confisco, defeso pela Constituição Federal. Mais uma vez, há que se afastar esse argumento, por estar está além do alcance da presente lide, uma vez que é defeso ao julgador administrativo afastar a aplicação de lei em razão de alegada inconstitucionalidade, nos termos do artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 19725. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque 5 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 312DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001902/200650 Acórdão n.º 1801002.012 S1TE01 Fl. 313 10 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10580.903612/2009-72
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA - SALDO NEGATIVO DE CSLL - ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCOMP
Os elementos nos autos indicam que o conteúdo do crédito pretendido é de saldo negativo de CSLL. É jurisprudência consagrada no CARF que a indicação como crédito de estimativa de CSLL deve ser aceita como saldo negativo de CSLL, ao se constatar que disso se trata. Autos que devem retornar à Turma julgadora da DRJ, para apreciação da pretensão como saldo negativo de CSLL.
Numero da decisão: 1103-001.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL para determinar o retorno dos autos à DRJ de origem para apreciação da pretensão de R$ 6.768,58, como saldo negativo de CSLL de 2004, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA - SALDO NEGATIVO DE CSLL - ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCOMP Os elementos nos autos indicam que o conteúdo do crédito pretendido é de saldo negativo de CSLL. É jurisprudência consagrada no CARF que a indicação como crédito de estimativa de CSLL deve ser aceita como saldo negativo de CSLL, ao se constatar que disso se trata. Autos que devem retornar à Turma julgadora da DRJ, para apreciação da pretensão como saldo negativo de CSLL.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA SALDO NEGATIVO DE CSLL ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCOMP Os elementos nos autos indicam que o conteúdo do crédito pretendido é de saldo negativo de CSLL. É jurisprudência consagrada no CARF que a indicação como crédito de estimativa de CSLL deve ser aceita como saldo negativo de CSLL, ao se constatar que disso se trata. Autos que devem retornar à Turma julgadora da DRJ, para apreciação da pretensão como saldo negativo de CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL para determinar o retorno dos autos à DRJ de origem para apreciação da pretensão de R$ 6.768,58, como saldo negativo de CSLL de 2004, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 36 12 /2 00 9- 72 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 16/05/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10580.903612/200972 Acórdão n.º 1103001.062 S1C1T3 Fl. 141 2 Relatório DA DECISÃO DA DRF Tratase do indeferimento do declaração de compensação (Dcomp 02607.50847.290507.1.7.042490 transmitido em 29/5/2007), no montante de R$ 6.768,58, referente ao pagamento indevido ou a maior de CSL no período de apuração do dia 31/1/2004. Afirmouse que a não homologação derivou do fato de se ter identificado, por meio da análise do DARF discriminado na Dcomp, que um ou mais pagamentos foram utilizados, de forma integral, para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos presentes na Dcomp. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Irresignada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade de fls. 15 e 16 (eprocesso), em que aduz, em síntese, o que segue. Primeiramente, afirmou que, de acordo com a análise da DIPJ/2005, é possível concluir que há crédito em favor da recorrente. Isso porque houve um erro material no preenchimento da Dcomp, uma vez que é possível identificar nessa que o crédito que trouxe à compensação teve origem no pagamento indevido ou a maior, por ser proveniente do saldo negativo de CSL. Por fim, requereu que seja acolhida a manifestação de inconformidade, de modo a cancelar a cobrança imputada à recorrente. DA DECISÃO DA DRJ Em 30/3/2012, acordaram os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ de Salvador, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme o entendimento que se segue. Primeiramente, colacionou os artigos 220 e 232, do RIR e o artigo 28 da Lei 9.430/96, e afirmou que, de acordo com esses, o contribuinte que optar pelo lucro real, apuração anual, deve pagar mensalmente os impostos e CSL devidos por estimativa com base na receita bruta, aplicando um percentual determinado. Nesse sentido, consignou que se o contribuinte proceder aos balancetes mensais, explanando que o valor acumulado já pago excede ao valor do imposto, calculados com base no lucro real e/ou Base de Cálculo da CSL do período em curso, ele poderá suspender o pagamento do imposto e da CSL. Apontou que o crédito que a recorrente pretendia utilizar na Dcomp é proveniente do saldo negativo de CSL, e que ela reconheceu que o pagamento da estimativa mensal de CSL é devido, de acordo com trecho do acórdão da DRJ, fl. 34 (eprocesso) infratranscrito: Fl. 141DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 16/05/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10580.903612/200972 Acórdão n.º 1103001.062 S1C1T3 Fl. 142 3 “Assim, os recolhimentos obrigatórios de estimativas mensais, efetuados de acordo com as determinações legais, somente serão passíveis de configurarem pagamento indevido ou a maior, ao final do anocalendário, caso o contribuinte apure saldo negativo do imposto e/ou CSLL, este sim passível de restituição ou compensação. Por outro lado, no caso do recolhimento a título de estimativa, não previsto na legislação, ou com valor superior àquele determinado pela legislação, estaria caracterizado um pagamento indevido ou a maior. No presente caso, a própria Contribuinte reconhece ser devido o pagamento da estimativa mensal de CSLL, do período de apuração 01/2004, efetuado por meio do DARF discriminado no PER/DCOMP objeto do Despacho Decisório em litígio, quando alega ter havido erro no preenchimento do PER/DCOMP, pois o crédito que pretendia utilizar seria originário de saldo negativo de CSLL, que de fato existiria.” Acentuou que, de acordo com o artigo 77 da Instrução Normativa RFB 900/2008, só poderá ser feita a retificação ou cancelamento da Dcomp, pelo sujeito passivo, se essa estiver pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador gerado pelo Programa PER/Dcomp. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou, em 17/6/2013, recurso voluntário de fls. 37 a 45 (eprocesso), reiterando o alegado em sede de impugnação e ainda o seguinte. Apontou que a Dcomp 03395.19168.290405.1.3.041800 foi substituída pela Dcomp 02607.50847.290507.1.7.042490. Afirmou que a não homologação da compensação requerida pela recorrente derivou de um erro formal no preenchimento da Dcomp, que fez com que essa indicasse que o crédito utilizado para a quitação da CSL apurada é oriundo do “Crédito de Pagamento Indevido ou a Maior” decorrente do pagamento por meio de DARF, ao invés de indicar a origem correta, qual seja, “Saldo Negativo de CSL apurado na DIPJ de 2005”. Anotou que a decisão recorrida reconheceu a existência do crédito originário de saldo negativo de CSL. Com relação à maneira que foi apurada a CSL, aduziu que a DIPJ de 2005 demonstra que há um saldo negativo de CSL superior ao valor utilizado na Dcomp. Quanto a isso, colacionou o seguinte quadro demonstrativo (fl. 42 do eprocesso): Fl. 142DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 16/05/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10580.903612/200972 Acórdão n.º 1103001.062 S1C1T3 Fl. 143 4 Consignou que no presente caso há crédito tributário suficiente à quitação dos valores devidos, sendo os erros formais o único motivo para a não homologação da Dcomp. Nesse sentido, acentuou que a Dcomp deve ser homologada, pois no processo administrativo deve prevalecer a verdade material em detrimento da formal, devendo ser observado o princípio da supremacia da verdade material sobre a formal. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Acentuou que deve ser reconhecida a existência de saldo negativo de CSL capaz de ser utilizado para quitar os valores requeridos na Dcomp, pois esse saldo negativo é superior aos valores destacados de forma incorreta como pagamento indevido ou a maior. Por fim, requereu a homologação da Dcomp, de acordo com o artigo 156, II, do CTN. É o relatório. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 16/05/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10580.903612/200972 Acórdão n.º 1103001.062 S1C1T3 Fl. 144 5 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 36, 37, 46 a 58 – numeração do eprocesso). Dele, pois, conheço. Como se viu do relatório, a recorrente, desde a manifestação de inconformidade, alega que houve erro no preenchimento da Dcomp: ao invés de indicar como saldo negativo de CSL de 2004, acusou estimativa de CSL paga a maior de janeiro de 2004. Os elementos nos autos indicam que o conteúdo do crédito pretendido é de saldo negativo de CSL. É jurisprudência consagrada no CARF que a indicação como crédito de estimativa de CSL deve ser aceita como saldo negativo de CSL, ao se constatar que disso se trata. O pretenso saldo negativo de CSL (e não de estimativa de CSL paga a maior) decorre de adimplemento de estimativas de CSL e de retenções na fonte de CSL, cuja somatória supera a CSL devida no anocalendário de 2004. Conquanto com o inconformismo da recorrente tenha sido carreado aos autos quase nenhuma documentação para demonstrar sua pretensão, fato é que o acórdão a quo não a apreciou, ou, precisamente, não enfrentou a questão como saldo negativo de CSL. Sabese que a questão de supressão de instância, em matéria de compensação, só tem cabimento para o contribuinte, porquanto sendo reconhecida a compensação, mesmo no órgão julgador de origem, não cabe recurso de ofício, conforme o art. 27 da Lei 10.522/02 e o art. 71 do Decreto 7.574/11. Nesse cenário, para que não haja supressão de instância, os autos devem retornar à Turma julgadora da DRJ/Salvador, para que a pretensão da recorrente, como saldo negativo de CSL do anocalendário de 2004, seja apreciada. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial ao recurso, para que os autos retornem ao órgão julgador da DRJ, para apreciação da pretensão de R$ 6.768,58 como saldo negativo de CSL de 2004. É o meu voto. Sala das Sessões, em 8 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 144DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 16/05/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10580.903612/200972 Acórdão n.º 1103001.062 S1C1T3 Fl. 145 6 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 16/05/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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