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Numero do processo: 10280.722273/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
REGIME NÃO CUMULATIVO. DEDUÇÃO DE CRÉDITO. DEFINIÇÃO DE INSUMO.
1. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, enquadram-se na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no curso do processo de produção ou fabricação, mas que não se agregam ao bem produzido ou fabricado.
2. Também são considerados insumos de produção ou fabricação os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo de produção ou fabricação, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição.
ENERGIA TÉRMICA UTILIZADA COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Se utilizada como insumo, o custo de aquisição de energia térmica permite a apropriação de créditos da Cofins, ainda que o custo tenha ocorrido antes de 15/6/2007, data da vigência da nova redação do art. 3º, III, da Lei 10.833/2003, dada pela Lei 11.488/2007 (ADI SRF nº 2/2003).
ÓLEO COMBUSTÍVEL BPF. COMBUSTÍVEL UTILIZADO NA GERAÇÃO DE ENERGIA TÉRMICA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
É passível de apropriação de crédito da Cofins a aquisição do Óleo Combustível BPF utilizado como combustível na geração de energia térmica, utilizada como insumo de produção.
INIBIDOR DE CORROSÃO E ÁCIDO SULFÚRICO. PRODUTOS UTILIZADOS NOS EQUIPAMENTOS DO PROCESSO INDUSTRIAL. INSUMO DE PRODUÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
A aquisição dos produtos Inibidor de Corrosão e Ácido Sulfúrico aplicados, respectivamente, (i) na limpeza ácida dos equipamentos e trocadores de calor e (ii) na limpeza de dutos e trocadores de calor, desmineralização da água das caldeiras e o tratamento de efluentes, por serem insumos de produção, permite a apropriação de créditos da Cofins.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE REJEITOS INDUSTRIAIS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Cofins calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados na remoção de rejeitos industriais.
ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO INCENTIVADA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE.
1. A opção pela apropriação de créditos da Cofins sobre o valor mensal correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do custo de aquisição de máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, somente poderá ser exercida se os referidos bens forem utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.
2. O desconto de créditos da Cofins sobre o valor mensal correspondente a 1/12 (um doze avos) somente beneficia a aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados no Decreto 5.789/2006, destinados à incorporação ao ativo imobilizado de empresas em microrregiões menos desenvolvidas localizadas nas áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam.
3. Se não atendidos os requisitos legais, o contribuinte não faz jus aos créditos da Cofins calculados com base os valores mensais dos encargos de depreciação acelerada incentivada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3302-005.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer os créditos glosados calculados sobre o valor de aquisição do óleo combustível BPF, Inibidor de Corrosão e Ácido Sulfúrico.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 08/05/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud , José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Júnior, Raphael M. Abad, e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 REGIME NÃO CUMULATIVO. DEDUÇÃO DE CRÉDITO. DEFINIÇÃO DE INSUMO. 1. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, enquadram-se na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no curso do processo de produção ou fabricação, mas que não se agregam ao bem produzido ou fabricado. 2. Também são considerados insumos de produção ou fabricação os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo de produção ou fabricação, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição. ENERGIA TÉRMICA UTILIZADA COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Se utilizada como insumo, o custo de aquisição de energia térmica permite a apropriação de créditos da Cofins, ainda que o custo tenha ocorrido antes de 15/6/2007, data da vigência da nova redação do art. 3º, III, da Lei 10.833/2003, dada pela Lei 11.488/2007 (ADI SRF nº 2/2003). ÓLEO COMBUSTÍVEL BPF. COMBUSTÍVEL UTILIZADO NA GERAÇÃO DE ENERGIA TÉRMICA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. É passível de apropriação de crédito da Cofins a aquisição do Óleo Combustível BPF utilizado como combustível na geração de energia térmica, utilizada como insumo de produção. INIBIDOR DE CORROSÃO E ÁCIDO SULFÚRICO. PRODUTOS UTILIZADOS NOS EQUIPAMENTOS DO PROCESSO INDUSTRIAL. INSUMO DE PRODUÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. A aquisição dos produtos Inibidor de Corrosão e Ácido Sulfúrico aplicados, respectivamente, (i) na limpeza ácida dos equipamentos e trocadores de calor e (ii) na limpeza de dutos e trocadores de calor, desmineralização da água das caldeiras e o tratamento de efluentes, por serem insumos de produção, permite a apropriação de créditos da Cofins. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE REJEITOS INDUSTRIAIS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Cofins calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados na remoção de rejeitos industriais. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO INCENTIVADA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A opção pela apropriação de créditos da Cofins sobre o valor mensal correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do custo de aquisição de máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, somente poderá ser exercida se os referidos bens forem utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. 2. O desconto de créditos da Cofins sobre o valor mensal correspondente a 1/12 (um doze avos) somente beneficia a aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados no Decreto 5.789/2006, destinados à incorporação ao ativo imobilizado de empresas em microrregiões menos desenvolvidas localizadas nas áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam. 3. Se não atendidos os requisitos legais, o contribuinte não faz jus aos créditos da Cofins calculados com base os valores mensais dos encargos de depreciação acelerada incentivada. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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DEDUÇÃO DE CRÉDITO. DEFINIÇÃO DE INSUMO. 1. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, enquadramse na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no curso do processo de produção ou fabricação, mas que não se agregam ao bem produzido ou fabricado. 2. Também são considerados insumos de produção ou fabricação os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo de produção ou fabricação, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição. ENERGIA TÉRMICA UTILIZADA COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Se utilizada como insumo, o custo de aquisição de energia térmica permite a apropriação de créditos da Cofins, ainda que o custo tenha ocorrido antes de 15/6/2007, data da vigência da nova redação do art. 3º, III, da Lei 10.833/2003, dada pela Lei 11.488/2007 (ADI SRF nº 2/2003). ÓLEO COMBUSTÍVEL BPF. COMBUSTÍVEL UTILIZADO NA GERAÇÃO DE ENERGIA TÉRMICA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. É passível de apropriação de crédito da Cofins a aquisição do “Óleo Combustível BPF” utilizado como combustível na geração de energia térmica, utilizada como insumo de produção. INIBIDOR DE CORROSÃO E ÁCIDO SULFÚRICO. PRODUTOS UTILIZADOS NOS EQUIPAMENTOS DO PROCESSO INDUSTRIAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 22 73 /2 00 9- 18 Fl. 571DF CARF MF 2 INSUMO DE PRODUÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. A aquisição dos produtos Inibidor de Corrosão e Ácido Sulfúrico aplicados, respectivamente, (i) na limpeza ácida dos equipamentos e trocadores de calor e (ii) na limpeza de dutos e trocadores de calor, desmineralização da água das caldeiras e o tratamento de efluentes, por serem insumos de produção, permite a apropriação de créditos da Cofins. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE REJEITOS INDUSTRIAIS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Cofins calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados na remoção de rejeitos industriais. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO INCENTIVADA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A opção pela apropriação de créditos da Cofins sobre o valor mensal correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do custo de aquisição de máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, somente poderá ser exercida se os referidos bens forem utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. 2. O desconto de créditos da Cofins sobre o valor mensal correspondente a 1/12 (um doze avos) somente beneficia a aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados no Decreto 5.789/2006, destinados à incorporação ao ativo imobilizado de empresas em microrregiões menos desenvolvidas localizadas nas áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam. 3. Se não atendidos os requisitos legais, o contribuinte não faz jus aos créditos da Cofins calculados com base os valores mensais dos encargos de depreciação acelerada incentivada. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer os créditos glosados calculados sobre o valor de aquisição do óleo combustível BPF, Inibidor de Corrosão e Ácido Sulfúrico. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10280.722273/200918 Acórdão n.º 3302005.403 S3C3T2 Fl. 3 3 EDITADO EM: 08/05/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud , José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Júnior, Raphael M. Abad, e Walker Araujo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 374391 Tratase de declarações de compensação de créditos de Cofins Não Cumulativa formulada pela contribuinte acima identificada, relativos ao primeiro trimestre de 2006, no valor de R$ 9.388.335,99. A unidade de origem, após a realização de diligência destinada a apurar a liquidez e certeza do direito creditório a compensar, expediu o relatório fiscal e o auto de infração de fls. 264/269, seguidos do despacho decisório de fl. 272, do parecer de fls. 273/275 e do despacho decisório de fl. 276, por intermédio dos quais reconheceu apenas parcialmente o crédito invocado, no valor de R$ 3.903.911,49, homologando as compensações até o limite do mesmo. Foram os seguintes os fundamentos adotados: “(...) CRÉDITOS DECORRENTES DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS OBJETO DE GLOSA (Ficha 16A/16B/02): Através dos arquivos magnéticos recebidos (planilha excel) onde constam relações completas de todas notas fiscais de insumos adquiridos, bem como sua aplicação no processo produtivo, realizamos verificação de sua consistência pela análise física de algumas notas fiscais (solicitadas por amostragem) e constatamos a irregularidade dos valores alocados na ficha 16A/16B, item 02 da DACON, conforme detalhamento na planilha (10, 10A e 11) anexas “GLOSA DOS BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS”. A pessoa jurídica poderá se creditar de aquisições de insumos (bens ou serviços), inclusive combustíveis e lubrificantes, efetuadas no mês. Considerase como insumos a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Glosas Efetuadas nos Combustíveis/Carvão Energético utilizados como Energia Térmica no aquecimento das caldeiras, equipamentos e fornos, considerando que a lei 11.488/2007 só admitiu créditos a partir de 15/06/2007. A utilização de Combustíveis/Carvão na queima de caldeiras não podem ser considerados como insumos por não agir diretamente no processo produtivo; Glosas efetuadas em produtos/bens por não serem aplicados diretamente no processo produtivo; Fl. 573DF CARF MF 4 Glosas efetuadas nos produtos/bens por serem considerados como ativo imobilizado; Glosas efetuadas em produtos/bens por não conterem descrição detalhada do bem ou informação sobre sua aplicação no processo produtivo. Glosa dos fretes referentes aos produtos/bens glosados. (...) 11) CRÉDITOS DECORRENTES DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (Ficha 16A/03): Pela análise dos arquivos magnéticos recebidos, referente a aquisição de serviços, constatamos a existência de Serviços, considerados pela fiscalização, como não utilizados na produção dos bens, conforme detalhamento das glosas relacionadas nas planilhas (08 e 09). Solução de Divergência Cosit n° 12, de 24/10/2007 "Não se consideram insumos, para fins de desconto de créditos da contribuição para o financiamento da seguridade social Cofins, materias de limpeza de equipamentos e máquinas, graxas, pinos, tarraxas e ferramentas" 12) CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA (Ficha 16A/04): Pela análise dos arquivos magnéticos e verificação, por amostragem, das notas fiscais não constatamos irregularidades relacionadas a esse item. 13) BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO A DESCONTAR REFERENTE AO ATIVO IMOBILIZADO (Ficha 16A/16B/10): A empresa utilizou créditos decorrentes da aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado em duas modalidades: 1) Por aproveitamento do crédito no prazo de 4(quatro) anos correspondendo a 1/48 (quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem (Lei n° 10.833/2003, art 3º, §14, introduzido pela Lei n° 10.865/2004, art. 21 e Instrução Normativa SRF n° 457/2004, art. 1º, inciso I do § 2º e art. 2º, § 2º, inciso II do caput). Através dos arquivos magnéticos referentes às aquisições para o Ativo Imobilizado de maio/2004 a dezembro/2005, constatamos a existência de bens que não se enquadram como máquinas e/ou equipamentos utilizados na produção de bens destinados a venda. Efetuamos a glosa dos bens separandoos em duas categorias: 1)Máquinas, equipamentos e outros bens não utilizados na produção dos produtos destinados a venda. 2) Maquinas, equipamentos e outros bens considerados como Edificações, conforme detalhado nas planilhas 01 a 07B, em anexo. 1.1) Bens considerados pelo contribuinte com aproveitamento dos créditos no prazo de 04(quatro) anos e glosados pela fiscalização por considerar que tais bens não se enquadram como máquinas ou equipamentos ou não são aplicados diretamente na produção dos bens destinados à venda, conforme exigência legal para gozo do benefício. 1.2 Bens considerados pelo contribuinte com aproveitamento dos créditos o prazo de 04(quatro) anos e glosados pela fiscalização por considerar que tais bens caracterizamse como Edificações, não abrangidos pelos benefícios acima referidos embora sejam do ativo imobilizado. Em relação a construção da Expansão II, o contribuinte informou que a mesma só entrou em operação a partir de janeiro de 2006 e a Expansão III somente em 2008. Notas: a) Não foi concedido o benefício para os outros bens, senão máquinas e equipamentos, destinados ao Ativo Imobilizado utilizados na fabricação de produtos Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10280.722273/200918 Acórdão n.º 3302005.403 S3C3T2 Fl. 4 5 destinados a vendas, ficando fora do benefício a aquisição de: móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e outros não considerados máquinas ou equipamentos. b) A partir de 1°/12/2005, são também admitidos créditos em relação a outros bens incorporados ao ativo imobilizado desde que sejam utilizados na produção de bens destinados à venda, continuando fora do benefício a aquisição de : móveis, veículos, construção civil e outros bens que não sejam utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda. 2) Por aproveitamento do crédito no prazo de 12(doze) meses, contados da data de aquisição, sendo calculado, mediante a aplicação da alíquota de 7,6% sobre o valor correspondente a 1/12(um doze avos) do custo de aquisição do bem. O benefício é aplicável às máquinas, aos aparelhos aos instrumentos e aos equipamentos, novos, relacionados em regulamento e incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos entre 2006 e 2013, por pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional em microrregiões menos desenvolvidas localizadas em áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam. (...) Após análise dos arquivos contendo listagem dos bens com aproveitamento de crédito no prazo de 12(doze) meses constatamos diversas irregularidades na utilização dos referidos créditos. Elaboramos a Planilha n° 07D onde constam todas as glosas efetuadas e as Planilhas 07E, 07F e 07G resumindo os valores glosados. Abaixo segue codificação adotada para as glosas efetuadas na Planilha nº 07D: DT05 Glosados em virtude da data de aquisição (emissão nota fiscal) ser anterior à previsão legal, que só reconheceu o beneficio para bens adquiridos a partir de 2006. EDIF06 Glosados por serem considerados como Edificações do ano de 2006 . EDIF07Glosados por serem considerados como Edificações do ano de 2007 . N Glosados por não serem considerados como bens do ativo imobilizado e/ou não empregados no processo produtivo do adquirente. NCD Glosados por não estarem relacionados no Decreto 5.789/2006 mencionados no Decreto n° 5.988/2006. NREB Glosados por serem vendas equiparadas a exportações, não gerando direito a crédito (...).” Cientificada, a interessada apresentou tempestivamente a manifestação de inconformidade de fls. 293/344, na qual alega: a) Foram glosados créditos gerados sobre bens e serviços utilizados como insumos, particularmente sobre Óleo BPF, considerado pela fiscalização como gerador de energia térmica, Ácido Sulfúrico, considerado como material de limpeza, AntiEspumante, Inibidor de Corrosão, Aditivo Dispersante e outros materiais utilizados como insumos. Fl. 575DF CARF MF 6 Glosaràse, outrossim, créditos gerados por serviços empregados como insumos, mais especificamente o Transporte de Rejeitos Industriais: Lama vermelha, areia e crosta, sob o fundamento de que não se enquadrariam como bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção dos bens destinados à venda. Por derradeiro, foram glosados créditos relacionados a despesas ou encargos com Ativo Imobilizado para emprego na fabricação de produtos destinados à Venda ou Prestação de Serviços, inclusive máquinas, equipamentos e outros bens que foram incorporados ao Ativo Imobilizado. b) Ponto fundamental é o da definição e amplitude conceitual dispensadas aos insumos que gerariam o crédito da Contribuição e que seriam os bens e serviços que seriam utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, abrangendo mas não se restringindo ao universo das matériasprimas produtos intermediários e quaisquer outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produtos em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Também se reputam como insumos empregados na prestação de serviços os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Centrando a atenção ao presente processo, bem se vê que a requerente é sociedade empresária preponderantemente exportadora, de sorte que igualmente faz jus à apropriação de créditos, inclusive concernentes a estoque de abertura oriundos dos custos, despesas e encargos advindos das receitas resultantes de exportação dos produtos que industrializa e comercializa. Especificamente quanto aos serviços utilizados com insumos, a autoridade fazendária glosara serviços inegavelmente empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo produtivo, particularmente o de transporte de lama vermelha, areia e crosta. Naturalmente que não poderia furtarse a impugnante do creditamento dos valores desembolsados com o transporte destes rejeitos, que são sabidamente inerentes ao processo fabril do alumínio produzido e exportada por pessoa jurídica como a requerente. Os dispêndios com este transporte são, portanto, irrefutavelmente, dedutíveis. O mesmo raciocínio vale também para os insumos BPF, Carvão, Ácido Sulfúrico, AntiEspumante, Inibidor de Corrosão e Aditivo Dispersante. O óleo BPF, considerado pela fiscalização como gerador de energia térmica, destinase à queima em fornos adequados para a calcinação do hidrato e na geração de vapor nas caldeiras. A fiscalização glosou toda a utilização do BPF, tanto nas caldeiras como para calcinação. Em relação ao Ácido Sulfúrico, descabe glosa já que a fiscalização o está considerando como material de limpeza. O ácido sulfúrico é utilizado para limpeza dos trocadores de calor por onde passa o licor rico em alumina, limpeza esta fundamental para manter a eficiência de troca térmica e a estabilidade do licor para garantir a produtividade da planta. O ácido usado é utilizado na neutralização de afluentes cáusticos. A fiscalização glosou toda a aquisição deste insumo e frete, inclusive glosando fretes e duplicidade. Já a respeito do Inibidor de Corrosão, utilizado para formar uma película protetora contra corrosão nas tubulações de água de resfriamento, insta mencionar que sua ausência no rol das especificações compromete substancialmente a qualidade e quantidade da alumina produzida. Ora, com toda a necessidade de que tais insumos sejam empregados de modo direto, na geração do alumínio final que será objeto de exportação, não se vê como possamos acatar a glosa dos serviços de transporte dos itens em voga, como, igualmente nos termos da legislação vigente, insumo de aplicação direta, que, portanto, não podem ser recusados enquanto serviços creditáveis. Transcreve decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais. c) Quanto à glosa sobre bens adquiridos como Ativo Imobilizado, a fiscalização entendera pela glosa de tais bens, nada obstante haver acertadamente considerado a requerente que os valores gastos na aquisição de bens, inclusive máquinas, equipamentos e outros incorporados ao ativo imobilizado devem ser Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10280.722273/200918 Acórdão n.º 3302005.403 S3C3T2 Fl. 5 7 recuperados enquanto créditos dedutíveis das bases apuratórias da contribuição, não cabendo tal glosa. Transcreve solução de consulta. d) O que resta evidente da análise do tratamento legal é a completa ausência de amarras, restrições, condicionantes ao direito de desconto de créditos sobre os valores de COFINS a pagar, desde que os bens ou serviços reputados creditáveis pelo contribuinte, efetivamente, sejam insumos empregados na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, ensejam os descontos. Mesmo analisando as Instruções Normativas editadas pela Receita Federal, no afã de regulamentar os aludidos preceitos legais pertinente ao desconto de créditos de COFINS sobre certas despesas, aquisições e dispêndios, não há discrepância relevante que justifique a manutenção das glosas ora questionadas. A Jurisprudência do outrora denominado Conselho de Contribuintes não tergiversa em rever glosas como as que foram equivocadamente perpetradas no presente caso, especificamente mencionando a possibilidade de se creditar sobre os gastos havidos com a remoção de resíduos industriais, tal como sucede no caso vertente. Refere e transcreve excertos de julgados administrativos, concluindo que as despesas com remoção de resíduos industriais, enquanto vinculados à receita de exportação, geram créditos dedutíveis das bases de apuração da contribuição, haja vista que representam custos, gastos ou despesas vinculados ao produto ou serviço vendido. Aduz que, para o afastamento da glosa sobre Transporte dos Rejeitos Industriais, é de ser observado imperativamente o § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, uma vez que é uma sociedade empresária comercial exportadora. Ora, a dicção do § 3º do art. 6º em questão não permite que remanesça qualquer dúvida sobre quais os créditos passíveis de ressarcimento, como sendo os que são “apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação” e não apenas os que digam respeito aos insumos empregados no processo produtivo do alumínio exportado. Em várias outras ocasiões, ainda que se centrando mais no art. 3º da Lei 10833/2003, os órgãos judicantes do Ministério da Fazenda têm registrado que não se pode sustentar glosas que tenham sido levadas a efeito pela Fiscalização, sem que a mesma tenha logrado “motivar” tais glosas, a ponto de expor sua incompatibilidade legal. Refere julgados administrativos e judiciais – aduzindo que o critério fundamental para a concessão do crédito sobre insumos é o da essencialidade ao processo produtivo, excluindo naturalmente a generalidade dos custos industriais e comerciais que não geram crédito se não forem imprescindíveis – também transcrevendo soluções de divergência proferidas pela Cosit e salientando que, no caso concreto, mesmo que se admita que as soluções de consulta possam ser aplicadas em total desconexão com a ordem constitucional e a legislação ordinária, os bens e serviços glosados são inegavelmente insumos de aplicação direta, inclusive de contato físico com o produto final industrializado, de sorte que também sob tal viés não poderiam ter sido glosados. e) Cabe voltarnos com maior detença à glosa das máquinas e equipamentos adquiridos pela requerente e incorporados ao seu ativo imobilizado, a qual, com a devida vênia, causou estranheza, considerando, de plano, a permissão constante da Lei 10833/2003. A IN SRF nº 457/2004 veiculou a facultatividade do cálculo do crédito insculpido na lei ordinária, observada a periodicidade de quatro anos. O Decreto 5988/2006, que dispõe sobre o art. 31 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, instituiu depreciação acelerada incentivada e desconto da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no prazo de doze meses, para aquisições de bens de capital efetuadas por pessoas jurídicas estabelecidas em microrregiões menos favorecidas das áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM. A querela reside Fl. 577DF CARF MF 8 no fato de que a fiscalização, injustificadamente, glosou não menos que a totalidade dos créditos gerados sobre maquinas e equipamentos adquiridos e incorporados ao ativo imobilizado da requerente, sob o suposto fundamento de que a mesma não teria observado as exigências constantes da Lei 11.196/2005, ou seja, não teria considerado na periodicidade legal diferencial de apuração do crédito sobre ativo imobilizado, apenas as máquinas e equipamentos adquiridos sob o regime incentivado do RECAP, utilizandose ao revés da periodicidade excepcional dos 1/12 sobre a totalidade das máquinas e equipamentos adquiridos no período auditado. O fato, contudo, que, data vênia, desmantela a pretensão esposada pela Autoridade Fazendária é que a postulante, por uma questão de tempo real de depreciação das máquinas e equipamentos aplicados em seu processo de industrialização, não se apropria de tais créditos automaticamente, de modo que pelas suas especificidades, é evidente que a conduta apontada no Parecer, seria, como é, impraticável. Ante tal quadro, o mínimo que se poderia aceitar para a pretensa manutenção das glosas, seria a demonstração por parte da Fiscalização de que a requerente, efetivamente, se apropriou de créditos sobre máquinas e equipamentos adquiridos fora do regime diferenciado do RECAP, sem observar a periodicidade permitida pela lei e pela IN aplicáveis. A ocorrência supra, contudo, reiterese, não apenas é inexeqüível em face do processo produtivo e depreciação ordinária das máquinas e equipamentos empregados no mesmo, como ainda não fora minimamente exposta pela autoridade fazendária, pelo que, consoante as decisões colacionadas alhures, tais glosas também hão de ser inteiramente desconstituídas. Do que é possível inferir da sucinta exposição declinada pela autoridade fazendária, não teria sido reconhecido benefício para tais itens na medida em que não se enquadrariam no rol de máquinas e equipamentos, volvidos ao Ativo Imobilizado, empregados na fabricação de produtos para venda, restando excluídos assim móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e demais que estariam, segundo a inteligência esposada pela autoridade, ao largo do rol de máquinas e equipamentos que gerariam crédito consoante o ordenamento aplicável. Não há, contudo, nem reflexamente, uma clara indicação da razão pela qual e nem tampouco quais seriam estes itens específicos, ao menos referidos em uma planilha anexa ao parecer Seort que permita à postulante compreender o porquê da desconsideração de tais máquinas e equipamentos defendose objetivamente de tais glosas. O que se tem por certo é que os itens qualificados pela postulante como máquinas efetivamente foram incorporados ao ativo imobilizado e empregados na produção do alumínio destinado à venda, respeitada a periodicidade prevista nas normas aludidas. O Fiscal não se desincumbira de tal ônus mínimo, incorrendo não somente em cerceamento de defesa como ainda trazendo a lume mais uma glosa descabida. Logo, não há como se vislumbrar infringência à Lei nº 11.488/20087 (REIDI). f) Transcreve o que identifica como o entendimento doutrinário relativo ao regime da nãocumulatividade aplicado à Cofins, concluindo que a Constituição Federal previu o regime da nãocumulatividade originariamente para o ICMS e IPI, traçandolhes com precisão os limites em que tal regime poderia vigorar. Estendeu o pela EC 42/2003 à COFINS, remetendo sua regulamentação à legislação infraconstitucional, o que já havia sido levado a efeito antes da EC, pela Lei ordinária 10833/2003, que não apenas elencara quais setores da economia seriam autorizados a se apropriar de créditos sobre determinadas despesas e encargos, como ainda discriminara quais destes desembolsos permitiriam tal apropriação. As Instruções Normativas e normas complementares afins, por força do princípio da nãocumulatividade, por não gozar de envergadura constitucional, evidentemente, não podem a pretexto de regulamentar, restringir a restrição e muito menos ainda o AuditorFiscal, restringir a restrição da restrição, o que significaria o aniquilamento de uma determinação magna ao ponto de inverter a lógica interna do regime tornandoo mais oneroso que a própria cumulatividade. Nada obstante, o teor das mesmas não se choca com os procedimentos apuratórios da impugnante. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10280.722273/200918 Acórdão n.º 3302005.403 S3C3T2 Fl. 6 9 No caso vertente, convém ressaltar que a impugnante fora extremamente conservadora na medida em que seguira religiosamente as disposições da Lei 10833, apropriandose dos créditos gerados apenas pelas aquisições e despesas de aplicação direta listadas nos diplomas legais, conquanto seja irrefutável a natureza imperativa e irrestrita do comando constitucional pós EC 42/2003 para os setores previstos em lei, as contribuições serão nãocumulativas. Simples. Nada obstante, amargara as glosas inexplicáveis contra as quais ora se insurge. Cita posição doutrinária, concluindo que as glosas são insustentáveis, traduzindo por todos os motivos já declinados a inviabilização da não cumulatividade quer constitucional quer infraconstitucional. g) Protesta pela produção de prova pericial, via auditagem suplementar, considerandose a incompatibilidade entre sua escrita contábil do período e as razões de glosa suscitadas pela N. Fiscalização, esclarecendo que a finalidade é a de ratificar a efetiva utilização dos bens e serviços glosados como insumos de aplicação direta e efetiva em seu processo produtivo, desde já indicando Assistente técnico. Em 10 de abril de 2012, a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente foi, por unanimidade de votos, julgada improcedente, nos termos ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972, também se fazendo incabível a realização de perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. COFINS NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo do PIS NãoCumulativo somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. COFINS NÃOCUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na nãocumulatividade do PIS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, Fl. 579DF CARF MF 10 relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. DCOMP. CRÉDITO. HOMOLOGAÇÃO. LIMITE DO CRÉDITO. As declarações de compensação apresentadas pelo sujeito passivo somente podem ser homologadas no exato limite do direito creditório comprovado pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 16.04.2012 (fls. 393), a Recorrente foi cientificada da referida decisão. Inconformada, em 15.05.2012, protocolou o recurso voluntário de fls. 395494, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Na Sessão de 27 de fevereiro de 2014, por meio da Resolução nº 3302 000.399 (fls. 498507), o julgamento foi convertido em diligência, para que a autoridade fiscal, in verbis: a) informe se, ao efetuar a glosa dos créditos decorrentes da depreciação incentivada (art. 31 lei 11.196 1/ 48 e 1/12), foram considerados os créditos decorrentes da depreciação normal da Lei 10.833/03; a.1) em caso negativo, elaborar planilha demonstrando o valor dos créditos a que faria jus a Recorrente, considerandose a Lei 10.833/03, em relação aos bens do ativo imobilizado que entende passíveis de creditamento; b) intime a Recorrente para que esta apresente: b.1) informações sobre a utilização do produto “inibidor de corrosão”, declarando onde ele é utilizado e qual função desempenha no processo produtivo; b.2) descritivo detalhado dos bens (art. 3º VI da Lei 10.833) glosados pela fiscalização, informando suas principais características e seu emprego nas atividades da empresa e no processo produtivo; c.3) em relação a diversos serviços de manutenção glosados, quais entende se enquadrarem no conceito estabelecido na lei de “benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa”(art. 3º VII); Reunidas as informações acima requeridas deve a autoridade tecer as considerações que entender pertinentes ao bom deslinde do presente processo, intimando a Recorrente para manifestarse sobre o resultado da diligencia. Em 26/11/2014, por meio do Termo de Início de Diligência de fls. 514515, a recorrente foi intimada a: 1. Apresentar informações detalhadas sobre a forma de utilização do produto “inibidor de corrosão” dentro do processo produtivo da empresa; Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10280.722273/200918 Acórdão n.º 3302005.403 S3C3T2 Fl. 7 11 2. Apresentar descritivo detalhado dos bens (art. 3o VI da Lei 10.833) glosados pela fiscalização, informando suas principais características e seu emprego nas atividades da empresa e no processo produtivo; 3. Apresentar, em relação a diversos serviços de manutenção glosados, quais entenda se enquadrarem no conceito estabelecido na lei de “benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa (art. 3o VII); Em resposta, a intimada apresentou os seguintes esclarecimentos (fls. 517 523): a) em relação ao produto “inibidor de corrosão”, informou que se tratava “de um produto químico apresentado em forma líquida e utilizado no processo de limpeza química ácida, com objetivo de se evitar desgastes das paredes dos trocadores de calor da área de digestão; b) em relação à descrição detalhada dos bens, após apresentar um breve histórico do processo de expansão das suas atividades industriais e um resumo do seu processo produtivo, a recorrente passou a descrever os investimentos realizados nas 2ª e 3ª expansões do parque fabril e respectivos valores aplicados nas atividades de investimentos indiretos, serviços de obras civis, serviços de montagem de equipamentos e instalações, equipamentos e instalações; e c) em relação aos serviços de manutenção glosados, informou que eles não enquadravam “no conceito de Benfeitorias em Imóveis Próprios ou de Terceiros.” Com base nas informações prestadas pela recorrente, por meio do relatório fiscal de fls. 524528, a autoridade fiscal opinou pela manutenção integral das glosas, baseadas nos seguintes argumentos relevantes, que seguem transcritos: 1) O produto “Inibidor de Corrosão” era usado somente para limpeza ácida dos equipamentos e trocadores de calor, em nenhum momento ele é utilizado como “insumo” na produção da alumina, nunca é usado, em qualquer fase do processo produtivo, na mistura que gera o “licor” da bauxita até sua transformação em alumina. Fazendo uma comparação com o cotidiano, seria similar ao “aditivo” usado no radiador do carro para diminuir o efeito corrosivo da água sobre as paredes do radiador. Por ser um mero produto para “limpeza”, não participando efetivamente do processo químico de transformação da bauxita em alumina é que efetuamos a glosa dos créditos para o PIS/COFINS NãoCumulativo desses produtos. 2) Relativamente aos bens do art. 3 VI da Lei 10.833 “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”, que foram glosados pela fiscalização, o sujeito passivo somente transcreveu, de uma forma geral, os aspectos do funcionamento operacional da empresa. Não houve, em relação aos itens glosados, informações específicas sobre a aplicação/destinação de cada item dentro do processo produtivo. Considerando que só foram prestadas informações de forma genérica, é de se manter a glosa efetuada pela fiscalização. Fl. 581DF CARF MF 12 3) Quanto as glosas realizadas nos serviços de manutenção, o sujeito passivo não apresentou elementos que possibilitem sua alteração. Somente foi informado que as mesmas não se enquadram no art. 3o, VII da Lei 10.833. 4) No item "a" das Resoluções citadas, foi levantada a possibilidade, em tese, de aceitarse os créditos oriundos da depreciação normal incidente sobre os Itens que tiveram os encargos da depreciação incentivada (art. 21 da lei 10.865/2004, art. 31 da lei 11.196/05, 1/48 e 1/12) glosados pela fiscalização. Em atendimento ao requerido pelo CARF e considerando que não foram reconhecidos os encargos de depreciação normal quando das glosas, elaboramos diversas planilhas contendo os encargos de depreciação normal incidentes sobre os bens anteriormente glosados. As planilhas geradas com as respectivas taxas de depreciação e data de vigência estão contidas no CD anexo ao presente relatório. Está incluído no CD uma planilha com os bens que consideramos não passíveis de gerarem créditos relativos a encargos de depreciação normal, segue abaixo dados das planilhas: [...] Embora tenhamos efetuado os cálculos dos encargos de depreciação normal incidentes sobre os itens anteriormente glosados, seguindo as resoluções do CARF, não concordamos com o reconhecimento dos créditos incidentes sobre os citados encargos, conforme colocações abaixo: a) Em todos Demonstrativos de Apurações das Contribuições Sociais (DACONs), entregues pelo sujeito passivo só foram preenchidos os itens referentes a créditos sobre encargos de depreciação com base no “Valor de Aquisição” (leis 10.865/2004, 11.196/2005), Ficha 16 A/10, Ficha 16 B/07, Ficha 06 A/10 e Ficha 06 B/07; b) Os itens referentes às depreciações normais flei 10.833/2003) das referidas fichas, ficaram “em branco”; c) O contribuinte, espertamente, alocou todas aquisições do ativo imobilizado (veículos, maquinas, moveis, ferramentas, edificações...) na lei que lhe seria mais benéfica (dep. incentivada) não tendo qualquer cuidado em separar os bens que estariam beneficiados pelo incentivo dos demais bens sujeitos à depreciação normal; d) Como as leis são bem claras em relação aos bens incentivados, a conduta do sujeito passivo não pode ser considerada “erro de fato” no preenchimento das DACONs; Notas: Não foi concedido o benefício da depreciação incentivada para os outros bens, senão máquinas e equipamentos destinados ao Ativo Imobilizado e utilizados na fabricação de produtos destinados a vendas, ficando fora do benefício a aquisição de: móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e outros não considerados máquinas ou equipamentos. A partir de 1°/12/2005, são também admitidos créditos em relação a outros bens incorporados ao ativo imobilizado desde que sejam utilizados na produção de bens destinados à venda, continuando fora do benefício a aquisição de: móveis, veículos, construção civil e outros bens que não sejam utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda. Por aproveitamento do crédito no prazo de 12 (doze) meses, contados da data de aquisição, sendo calculado, mediante a aplicação da alíquota de 7,6% sobre o Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10280.722273/200918 Acórdão n.º 3302005.403 S3C3T2 Fl. 8 13 valor correspondente a 1/12(um doze avos) do custo de aquisição do bem. O benefício é aplicável às máquinas, aos aparelhos, aos instrumentos e aos equipamentos, novos, relacionados em regulamento e incorporados ao ativo imobilizado adquiridos entre 2006 e 2013, por pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional em mícroregiões menos desenvolvidas localizadas em áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam. (Lei 11.196/2005, art 31, e Decreto n° 5.988/2006). e) Como são atos legais distintos e com campos próprios para serem declarados nos DACOIMs, é de se aplicar o art. 832 do RIR/99 que veda a retificação de declaração após iniciado e concluído o processo fiscal de lançamento de ofício; As planilhas referenciadas no presente relatório estão contidas no CD/DVD anexo e foram autenticados e validados através do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (SVA) que pode ser acessado no site da Receita Federal. (grifos do original) Em 10/3/2015 (fls. 529530), a Recorrente foi regularmente cientificada do citado relatório fiscal, CD com as planilhas e recibo de entrega de arquivos digitais e lhe facultado, no prazo de 20 (vinte) dias, a apresentar manifestação, o que não ocorreu. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 15.02.2012 (fls.467) e protocolou Recurso Voluntário em 16.03.2012 (fls. 469536), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito A matéria de mérito objeto de análise referese a créditos COFINS do primeiro trimestre de 2006, que resultou no deferimento parcial do valor do crédito informado e, por conseguinte, na homologação parcial do débito compensado. Esta Turma de Julgamento já analisou a questão idêntica a tratada neste processo, quando do julgamento do PA nº 10280.004606/200672 (acórdão 3302004595), de relatório do i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, restando, decidido naquela processo, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário do 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 583DF CARF MF 14 contribuinte, para reconhecer o creditamento sobre óleo combustível BPF, inibidor de corrosão e ácido sulfúrico. Assim, considerando que a matéria objeto do recurso voluntário apresentado pela Recorrente já foi analisado em outra oportunidade, adoto como fundamento de decidir as razões apresentadas no voto do acórdão 3302004595, a saber: O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia cingese à glosa de créditos da Cofins do mês de maio de 2006, que resultou no deferimento parcial do valor do crédito informado e, por conseguinte, na homologação parcial do débito compensado. De acordo com relatório fiscal de fls. 289/293, as glosas limitaramse a parte dos créditos apropriados sobre (i) os custos de aquisição de bens e de serviços utilizados como insumos e (ii) os encargos de depreciação acelerada incentivada de bens registrados no ativo imobilizado. 1) Da Definição de Insumos. Em relação as glosas dos créditos calculados sobre os custos de aquisição de bens e serviços utilizados como insumo de fabricação, as razões jurídicas, de caráter geral, apresentadas pela autoridade fiscal foram as que seguem transcritas: A pessoa jurídica poderá se creditar de aquisições de insumos (bens ou serviços), inclusive combustíveis e lubrificantes efetuadas no mês. Considerase como insumos a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como desgaste, o dano ou a perda da propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. De outra parte, para a recorrente, insumo seria não apenas o que incorporado ao produto final a ser comercializado, mas tudo aquilo que concorresse na composição do processo produtivo desse produto, ou seja, cada um dos elementos imprescindíveis para a produção das mercadorias ou para a prestação dos serviços. Com base nos entendimentos apresentados pela autoridade fiscal e pela recorrente, fica evidenciado que a controvérsia gira em torno do significado e alcance do termo insumo, utilizado no art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, que permite a dedução de créditos calculados sobre a aquisição de insumos, nos termos a seguir reproduzidos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, [...]; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Fl. 584DF CARF MF Processo nº 10280.722273/200918 Acórdão n.º 3302005.403 S3C3T2 Fl. 9 15 § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)(Produção de efeito) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. [...] (grifos não originais) Como o referido diploma legal não há definição de insumo, duas correntes definem no de forma diferente. A primeira, capitaneada pelos integrantes da Administração tributária, considera insumo os bens que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem) e quaisquer outros que sofram alterações, tais como desgaste, desbaste, dano e perda de propriedades físicas ou químicas, em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou viceversa. Essa corresponde, em termos gerais, a definição de insumo prevista na legislação do IPI, especificamente, no veiculada no Parecer Normativo CST 65/1979. A segunda, representada por parte relevante da doutrina, considera insumo de produção os bens e serviços inerentes e essenciais ao regular funcionamento do processo de produção/fabricação da pessoa jurídica, o que inclui os bens e serviços utilizados na produção ou fabricação (custos), assim como aqueles necessários a manutenção da atividade da pessoa jurídica (despesas), que corresponde a definição custos e despesas da legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). No âmbito da jurisprudência deste Conselho, vem se firmando entendimento intermediário, que considera insumo (i) tanto as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados diretamente na produção ou fabricação do bem destinado à venda, que, em termos financeiros, equivalem aos custos diretos de produção ou fabricação, (ii) quanto os bens e serviços utilizados na produção ou fabricação dos bens aplicados diretamente na produção. Fl. 585DF CARF MF 16 Com a ressalva de que insumos e custos são termos que representam a mesma realidade de forma diferente, isto é, enquanto insumos representam os bens materiais ou imateriais (ou serviço), os custos representam a expressão financeira (o valor monetário) despendida na aquisição do respectivo bens. Ambos representam mesma realidade de forma distinta, ou seja, os insumos representam o fluxo físico dos bens, enquanto os custos representam o fluxo financeiro dos mesmos bens. E, no âmbito pessoa jurídica, enquanto o fluxo financeiro é relevante para a contabilidade, o fluxo físico interessa à administração e auditoria do estoque. No entendimento deste Relator, com a devida vênia aos que entendem de forma diferente, essa é a definição que melhor reflete o significado e alcance jurídico do termo insumo, contido no art. 3º, II, da Lei 10.833/2003. E com base nesse entendimento, podese asseverar que, no âmbito do regime não cumulativo da Cofins, enquadramse na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no processo de produção ou fabricação, que compreendem os insumos diretos de produção. Também são considerados insumos os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo produtivo, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição. Por outro lado, não integram a definição de insumo de produção ou fabricação os bens e serviços não aplicados ou consumidos no processo de produção ou fabricação. Em outras palavras, todos os bens ou serviços utilizados antes do início ou após a conclusão do processo de produção ou fabricação, que incluem os bens e serviços utilizados (i) na etapa anterior ao processo de produção ou fabricação, que, em termos financeiros, compreende às despesas préindustriais, ou (ii) na etapa posterior ao processo de produção ou fabricação, que, em termos financeiros, equivalem às despesas operacionais ou não operacionais da pessoa jurídica (as despesas de propaganda, administrativas, de vendas, financeiras etc.). Com base nesse entendimento, passase a analisar as glosas dos créditos apropriados sobre os custos de aquisição de bens e serviços utilizados como insumo de fabricação pela recorrente, especificamente, aqueles cujos créditos glosados foram objeto de contestação pela recorrente. E para facilitar a abordagem e a sua compreensão, analisarseá os pontos controversos, seguindo a mesma ordem dos tópicos apresentados no referido relatório fiscal. 2) Da Glosa dos Créditos Vinculados aos Bens Utilizados Como Insumos (Ficha 16A/16B/02 do Dacon). Na planilha de nº 10 (fls. 271/281), encontramse relacionados os tipos de bens, considerados pela fiscalização, como não utilizados na produção da alumina, o produto fabricado pela recorrente, cujos créditos foram glosados, a saber: a) Óleo Combustível BPF, utilizado como fonte de energia térmica, na queima em fornos de calcinação e geração de vapor nas caldeiras; b) Ácido Sulfúrico, utilizado na limpeza ácida dos trocadores de calor e neutralização de afluentes líquidos; e c) Inibidor de Corrosão, utilizado no tratamento de água potável e nas tubulações de resfriamento de água, e todos os bens com aplicações similares (antiespumante NALCO, v.g.). No recurso em apreço, de forma genérica, a recorrente alegou que os insumos glosados participavam “efetivamente do processo de industrialização da alumina, passíveis, por conseguinte, de restituição no esteio da nãocumulatividade da COFINS”. Fl. 586DF CARF MF Processo nº 10280.722273/200918 Acórdão n.º 3302005.403 S3C3T2 Fl. 10 17 Para facilitar a análise da controvérsia, revelase de todo oportuno que se tenha uma visão geral do complexo processo de fabricação da alumina, o produto industrializado no estabelecimento fabril da recorrente e destinado à venda parte no mercado interno e o restante no mercado externo. No documento de fls. 70/102, a recorrente assim descreveu o processo de fabricação da alumina, in verbis: Para se extrair a Alumina da Bauxita utilizamos o Processo Bayer desenvolvido, há cerca de 100 anos, pelo Austríaco KARL JOSEPH BAYER. Inicialmente, a Bauxita, misturada com uma solução de Soda Cáustica e Cal é moída formando uma polpa de Bauxita que é préaquecida antes de receber uma nova adição de Soda na qual a Alumina se dissolverá sob certas condições separandose das impurezas. Seguemse as etapas de Decantação, Separação de Lama e Filtração que eliminarão as impurezas remanescentes da Alumina dissolvida, obtemos a solução de Licor Rico em Alumina dissolvida de alta pureza. Em equipamentos chamados Precipitadores, a Alumina da solução de Licor Rico se precipitará através de um processo chamado "Cristalização por Semente", obtendo se o Hidrato de Alumina. O Hidrato é, então, classificado, lavado e calcinado, obtendose assim um pó fino branco denominado Alumina, sendo necessário 5 t de bauxita para uma de alumina, em média. Os fluxogramas geral e parcial do processo de produção do referido produto encontramse reproduzido na primeira página do citado documento. De forma específica, a recorrente contestou a glosa dos créditos apropriados sobre os valores de aquisição do Óleo Combustível BPF, que segundo a fiscalização era utilizado na geração de vapor das caldeiras para o processo e calcinação do hidrato. Não há controvérsia quanto ao fato de que a queima do óleo combustível BPF em fornos de calcinação destinase a produção de energia térmica sob a forma de vapor a ser consumido no processo industrial de produção da alumina, que é produto fabricado pela recorrente, conforme se extrai do excerto extraído do recurso voluntário em apreço, que segue transcrito: Não é admissível glosar a aquisição de um insumo no caso, o óleo combustível/BPF que é diretamente empregado na produção da alumina, com previsão serena e sem restrições na norma regente, pelo só fato de que sua aplicação no processo produtivo específico da alumina ocorre mediante processo havido no interior das caldeiras que resulta em energia a vapor. O fato é que a energia não foi adquirida pela postulante, e sim produzida a partir do insumo verdadeiro óleo combustível/BPF dentro dos equipamentos da refinaria. (grifos não originais) Essa afirmação esclarece que o referido produto não é insumo aplicado direta e imediatamente no processo produtivo da alumina. Ora, se o referido combustível era utilizado para produzir energia térmica, sob a forma de vapor, logo, o insumo diretamente utilizado no processo produtivo era a energia térmica resultante da queima do combustível e não o próprio combustível. De fato, o citado combustível era submetido a processo de combustão nas caldeiras, para fim de geração de energia térmica, sob a forma de valor, que era utilizado no processo produtivo da alumina, conforme demonstrado fluxograma geral do processo de produção colacionado aos autos. Fl. 587DF CARF MF 18 Assim, resta demonstrado que não o referido combustível não era utilizado como insumo de produção da alumina, mas do vapor gerado por sua queima nas respectivas caldeiras, que gera a energia térmica utilizada pela recorrente como insumo de produção. Cabe ressaltar, por oportuno, que no período de apuração dos créditos objeto da presente lide, só havia previsão de apropriação de créditos sobre custos na aquisição de energia elétrica. A extensão para a energia térmica somente ocorreu a partir de 15/6/2007, data da vigência da Lei 11.488/2007, que deu nova redação ao art. 3º, III, da Lei 10.833/2003. Acontece que a interpretação da anterior e nova redação do citado preceito legal, leva a conclusão que ele institui o direito de crédito sobre aquisição de energia elétrica, quando ela não é utilizada como insumo produção, ou seja, quando utilizada nas demais atividades do contribuinte. Se caracterizada como insumo de produção, o fundamento do direito de apropriação de crédito encontrase estabelecido no art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, vigente desde a instituição do regime não cumulativo. Esse é, inclusive, o entendimento da própria administração tributária, que se encontra explicitado Ato Declaratório Interpretativo (ADI) nº 2/2003, cujos excertos pertinentes seguem transcritos: Art. 1º A partir de 1º de dezembro de 2002, as pessoas jurídicas submetidas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep poderão descontar créditos calculados em relação a bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à: I venda; e II prestação de serviços. [...] Art. 3º Para os fatos geradores da contribuição para o PIS/Pasep, na modalidade nãocumulativa, ocorridos em dezembro de 2002 e janeiro de 2003: I a receita decorrente da venda de bens do ativo imobilizado da pessoa jurídica integra a respectiva base de cálculo; II não poderá ser descontado: a) o crédito do PIS/Pasep calculado em relação ao valor da energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, exceto quando se tratar de insumo utilizado na forma prevista no art. 1º; e [...] (grifos não originais). Assim, de acordo com a definição de insumo aqui adotado, inequivocamente, o custo de aquisição do referido combustível gera direito a crédito da Cofins. Cabe ainda ressaltar que, embora a recorrente não houvesse contestado, de forma específica, a glosa dos créditos apropriados sobre o custo de aquisição do produto “Inibidor de Corrosão”, por meio referida Resolução, este Colegiado converteu o julgamento em diligência, para que a recorrente, apresentasse informações detalhadas sobre a forma de utilização do citado produto dentro do processo produtivo da empresa. Em resposta, a recorrente prestou a seguinte informação: “Tratase de um produto químico apresentado em forma líquida e utilizado no processo de limpeza química ácida, com objetivo de se evitar desgastes das paredes dos trocadores de calor da área de digestão.” Fl. 588DF CARF MF Processo nº 10280.722273/200918 Acórdão n.º 3302005.403 S3C3T2 Fl. 11 19 No item 1 do citado relatório de diligência fiscal, a fiscalização assim descreveu o referido produto, in verbis: 1) O produto "Inibidor de Corrosão" é usado somente para limpeza ácida dos equipamentos e trocadores de calor, em nenhum momento ele é utilizado como "insumo" na produção da alumina, nunca é usado, em qualquer fase do processo produtivo, na mistura que gera o "licor" da bauxita até sua transformação em alumina. Fazendo uma comparação com o cotidiano, seria similar ao "aditivo" usado no radiador do carro para diminuir o efeito corrosivo da água sobre as paredes do radiador. Por ser um mero produto para "limpeza", não participando efetivamente do processo químico de transformação da bauxita em alumina é que efetuamos a glosa dos créditos para o PIS/COFINS NãoCumulativo desses produtos. (grifos não originais) Como o referido produto é utilizado para limpeza ácida dos equipamentos e trocadores de calor utilizados no âmbito do processo industrial, diferentemente do que entendeu a fiscalização, tratase de insumo de produção, portanto, a recorrente faz jus à apropriação dos créditos da contribuição. A mesma conclusão aplicase ao “Ácido Sulfúrico”, utilizado na limpeza de dutos e trocadores de calor, desmineralização da água das caldeiras e o tratamento de efluentes. Com base nessas considerações, por atender ao conceito de insumos, deve ser restabelecidos os valores dos créditos glosados calculados sobre o valor de aquisição do óleo combustível BPF, Inibidor de Corrosão e Ácido Sulfúrico. 3) Da Glosa dos Créditos Vinculados aos Serviços Utilizados como Insumos (Ficha 06A/03 do Dacon). Na planilha de nº 08 (fls. 266/268), encontramse relacionados os tipos de serviços, considerados pela fiscalização, como não utilizados na produção da alumina, o produto fabricado pela recorrente, cujos créditos foram glosados. No recurso em apreço, a recorrente limitouse a contestar a glosa dos créditos calculados sobre os serviços de transportes de rejeitos industriais, sob o argumento de que os dispêndios realizados com tais serviços, enquanto vinculados à receita de exportação, gerariam créditos, nos termos do art. 6º, §§ 1º e 3º, da Lei 10.833/2003. Sem razão a recorrente. Os referidos preceitos legais tratam da forma de apuração e utilização dos créditos vinculados às operações de exportação. As situações que a asseguram a apropriação de crédito da Cofins estão especificadas nos incisos I a XI da Lei 10.833/2003. Em julgamentos anteriores, tive a oportunidade de analisar os referidos preceitos legais e chequei ao entendimento de que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são assegurados somente em ralação aos serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como Fl. 589DF CARF MF 20 custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Os gastos com os serviços de transporte de rejeitos industriais, inequivocamente, não se enquadram em nenhuma das referidas condições. A uma, porque não são insumos aplicados no processo de produção ou fabricação. A duas, porque não representa serviço de transporte (frete) na operação de venda. Relativamente aos demais serviços, embora não tenha havido contestação, a descrição apresentada na planilha nº 8 revela que tais serviços não estavam relacionados com o processo produtivo da recorrente. Certamente, não foram aplicados na produção da alumina, dentre outros, os serviços de fornecimento de concreto usinado, palestras, manutenção de bicicletas, revisões efetuadas em veículos de passeio e assessoria técnico comercial nas compras de energia elétrica, serviços topográficos diversas áreas da Alunorte, chave de impacto 1, manutenção de elevadores e manutenção de pequenas obras civis. Em atenção ao pedido de informação sobre os serviços de manutenção glosados pela fiscalização feito pelo Colegiado, por meio da Resolução, que converteu o julgamento em diligência, a recorrente informou que os mesmos não se enquadravam no conceito de benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros. Por conseguinte, se tais serviços não atendem os requisitos do art. 3º, VII, da Lei 10.833/2003, não merece reparo a glosa dos referidos serviços realizada pela fiscalização. Com base nessas considerações, deve ser mantida a totalidade das glosas realizadas pela fiscalização. 4) Da Glosa dos Créditos Calculados Sobre Encargos de Depreciação Incentivada de Bens do Ativo Imobilizado (Ficha 06A/06B/10 do Dacon). A fiscalização procedeu a glosa dos créditos calculados sobre os encargos de depreciação incentivada acelerada, previstos no art. 3º, § 14, da Lei 10.833/2003 (4 anos ou 1/48 mensal) e no art. 31, II, da Lei 11.196/2005 (1 ano ou 1/12 mensal). Da glosa dos créditos calculados sobre encargos de depreciação incentivada a taxa 1/48 por mês. O primeiro tipo de glosa referese às aquisições dos bens do Ativo Imobilizado, realizadas no período de maio/2004 a dezembro/2005, por não serem máquinas e/ou equipamentos utilizados na produção de bens destinados a venda, conforme detalhado nas planilhas 01 a 07B (fls. 103/214). Essa glosa foi dividida em duas categorias: a) máquinas, equipamentos e outros bens não utilizados na produção dos produtos destinados à venda; e b) máquinas, equipamentos e outros bens considerados como edificações. Segundo a autoridade fiscal, até 30/11/2005, o referido benefício da depreciação incentivada foi concedido apenas para às máquinas e equipamentos destinados ao Ativo Imobilizado, utilizados na fabricação do bem destinado a venda, ficando de fora do benefício a aquisição os móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e outros não considerados Fl. 590DF CARF MF Processo nº 10280.722273/200918 Acórdão n.º 3302005.403 S3C3T2 Fl. 12 21 máquinas ou equipamentos. E a partir de 1/12/2005, foram também admitidos os créditos em relação a outros bens incorporados ao ativo imobilizado, desde que fossem utilizados na produção do bem destinado à venda, continuando fora do benefício a aquisição de móveis, veículos, construção civil e outros bens que não fossem utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda. Os valores dos produtos relacionados na planilha 1 foram glosados porque os bens ali descritos não foram aplicados na produção dos bens destinados à venda, como exige o art. 3º, VI, § 1º, III, combinado com o § 14 da Lei nº 10.833/04. Quanto à planilha 4, os bens relacionados constituem basicamente móveis como por exemplo: gaveteiros, colchões, painel divisor, armários, balcão de atendimento, mesa de reunião, mapoteca e cabideiro, lanches comerciais, café da manhã completo, desfibrilador, veneziana translúcida, condicionadores de ar, poltrona executiva diretor spider, execução de serviços de topografia, serviços de paisagismo das áreas dos restaurantes, veículo Toyota materiais elétricos diversos, entre outros. É óbvio que tais produtos não possuem aptidão para gerarem créditos, pois nem sequer são utilizados na produção da alumina. O entendimento da autoridade fiscal está em consonância com disposto no art. 3º, § 14, da Lei 10.833/2003, vigente na data dos fatos, a seguir transcritos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:[...] VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; [...] § 1o Observado o disposto no §15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caputo art. 2odesta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; [...] § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1º deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Em relação a essa modalidade de glosa, a recorrente se limitou em alegar, de forma genérica, que “os itens qualificados como máquinas foram efetivamente incorporados ao ativo imobilizado e empregados na produção da alumina destinada à venda”. Fl. 591DF CARF MF 22 Porém, em relação máquinas incorporadas ao ativo imobilizado e utilizadas na produção do bem destinado à venda, a fiscalização manteve o crédito apropriado pela recorrente. A glosa limitouse aos bens registrados no ativo imobilizado que não foram aplicados na produção do bem destinado à venda, porém, em relação aos referidos bens, discriminados nas citadas planilhas, a recorrente não apresentou qualquer elemento que comprovasse que eles foram utilizados na produção do bem destinado à venda. E a leitura das referidas planilhas revela que assiste razão a fiscalização, pois, na planilha nº 1 estão relacionados equipamentos de informática, móveis e utensílios, ferramentas elétricas, ferramentas diversas, sobressalentes nacionais, instalações provisórias para construção de canteiros, sistema monitor de câmeras da fábrica, equipamentos para restaurante, melhorias para tratamento de efluentes etc. Os valores dos encargos relacionados nas planilhas 2 e 5 foram glosados porque os bens ali descritos são edificações. Os bens descritos constituem partes de edificações, como estruturas metálicas, ou bens destinados à construção civil, como elevadores, mão de obra, “diversos materiais para construção civil” etc. E os bens relacionados na planilha 4, constituem basicamente móveis como por exemplo: gaveteiros, colchões, painel divisor, armários, balcão de atendimento, mesa de reunião, mapoteca e cabideiro, lanches comerciais, café da manhã completo, desfibrilador, veneziana translúcida, condicionadores de ar, poltrona executiva diretor spider, execução de serviços de topografia, serviços de paisagismo das áreas dos restaurantes, veículo Toyota materiais elétricos diversos, entre outros. No recurso em apreço, a recorrente apresentou apenas alegações genéricas, sem amparo em qualquer elemento de prova adequado. Em relação a esse ponto, a defesa da recorrente limitouse em transcrever e comentar a legislação sobre apropriação de créditos normais de depreciação, bem como transcrever textos de jurisprudência e de doutrina sem relação com o motivo da glosa dos créditos em apreço, ou seja, o não atendimento dos requisitos para exercer a indevida opção pela apropriação de créditos, calculados sobre os encargos de depreciação incentivada no prazo de 48 meses. Assim, com base nos tipos de bens descritos nas referidas planilhas fica demonstrado que eles não foram aplicados no processo de fabricação da alumina, portanto, deve ser integralmente mantida a glosa realizada. Da glosa dos créditos calculados sobre encargos de depreciação incentivada a taxa 1/12 por mês. O segundo tipo de glosa referese às aquisições dos bens do Ativo Imobilizado, realizadas no período de janeiro a dezembro de 2006. O valor, a descrição dos bens e o motivo da glosa encontramse detalhados na planilha nº 07D (fls. 217/255). O direito ao crédito calculado sobre o valor do encargo de depreciação acelerada (1/12 do custo de aquisição do bem), tratase de benefício fiscal previsto no âmbito do Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras (RECAP), destinado às pessoas jurídicas preponderantemente exportadoras, que somente se aplica às máquinas, aos aparelhos, aos instrumentos e aos equipamentos, novos, relacionados em regulamento e incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos entre 2006 e 2013, por pessoas jurídicas que tenham Fl. 592DF CARF MF Processo nº 10280.722273/200918 Acórdão n.º 3302005.403 S3C3T2 Fl. 13 23 projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional em microrregiões menos desenvolvidas localizadas em áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam, conforme estabelecido art. 31, II, da Lei 11.196/2005 (vigente na época dos fatos), a seguir transcrito: Art. 31. Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, para bens adquiridos a partir do anocalendário de 2006 e até 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional, em microrregiões menos desenvolvidas localizadas nas áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam, terão direito: [...] II ao desconto, no prazo de 12 (doze) meses contado da aquisição, dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam o inciso III do § 1odo art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o inciso III do § 1odo art. 3oda Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o § 4o do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, na hipótese de aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados em regulamento, destinados à incorporação ao seu ativo imobilizado. [...] (grifos não originais). O referido preceito legal foi regulamentado pelo Decreto 5.988/2006, do qual merece destaque o art. 3º, a seguir reproduzido: Art. 3º O direito ao desconto dos créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS mencionado no inciso II do art. 1º aplicase às máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados no Decreto nº 5.789, de 25 de maio de 2006, destinados aos projetos de que trata o caput do art. 1o. [...] (grifos não originais). Em conformidade com o citado preceito regulamentar, somente o custo de aquisição das máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados no Decreto 5.789/2006, podem ser apropriados como créditos das referidas contribuições, no prazo de 12 (doze) meses contado da aquisição. De acordo com a citada planilha 07D, os motivos da glosa dos créditos em apreço foram os seguintes: a) bens com data de aquisição (emissão nota fiscal) anterior a janeiro de 2006, ou seja, antes do início da vigência do benefício; b) edificações construídas no ano de 2006 e 2007; c) bens do ativo imobilizado e/ou não empregados no processo produtivo; d) bens não relacionados no Decreto 5.789/2006, conforme exige o art. 3º do Decreto 5.988/2006; e) vendas equiparadas a exportação, que não geram direito a crédito. Da análise do conteúdo da referida planilha e com base nos esclarecimentos apresentados no citado relatório fiscal, verificase que, diferentemente do alegado pela recorrente, a autoridade fiscal não só relacionou todos os bens que não atendiam os requisitos legais para gozo do referido beneficio fiscal, como apresentou os motivos das respectivas glosas. Assim, para contraditar os fundamentos da questionada glosa, cabia a recorrente manifestarse, especificamente, em relação aos itens objeto da glosa, bem como apresentar as razões e/ou os elementos probatórios adequados que infirmassem os motivos apresentados pela fiscalização. Porém, não foi o que Fl. 593DF CARF MF 24 ocorreu nas duas oportunidades em que a recorrente compareceu aos autos para se defender. Com efeito, da leitura das referidas peças defensivas, especialmente do recurso em apreço, extraise que a recorrente restringiuse em apresentar alegações genéricas, sem amparo em qualquer elemento de prova adequado, assim como em transcrever a legislação instituidora e regulamentadora do citado benefício fiscal, bem como textos de jurisprudência e de doutrina sem relação com a questão objeto da lide. No caso, se a recorrente alegou que os motivos da glosa não tinham procedência, cabialhe o ônus de apresentar e comprovar o alegado equívoco da fiscalização. Ao se limitar a apresentar argumentos meramente teóricos, para contraditar elementos de natureza fática, inequivocamente, a defesa apresentada deixa de ter relevância, por se tratar de uma peça de cunho meramente retórico. Do resultado da diligência fiscal. Em relação a esse tópico, cabe destacar ainda a resposta da autoridade fiscal à indagação formulada na referida Resolução, que determinou a conversão do julgamento em diligência, no sentido de que, ao efetuar a glosa dos créditos decorrentes da depreciação acelerada incentivada de 1/48 (art. 21 da Lei 10.865/2004) e 1/12 (art. 31 Lei 11.196) do valor de aquisição, não foram considerados os créditos decorrentes da depreciação normal da Lei 10.833/03. Mas, atendendo solicitação pelo Colegiado, a autoridade fiscal elaborou as planilhas com os respectivos valores da depreciação normal, que integram o arquivo não paginável anexado ao documento de fl. 662. Embora tenha apurados os valores da depreciação normal, calculados sobre os itens das referidas depreciações incentivadas que foram glosados, em cumprimento a determinação deste Colegiado, a autoridade fiscal manifestou a sua discordância quanto ao reconhecimento dos créditos incidentes sobre os citados encargos depreciação normal, com base nas razões a seguir reproduzidas: a) Em todos Demonstrativos de Apurações das Contribuições Sociais (DACONs), entregues pelo sujeito passivo só foram preenchidos os itens referentes a créditos sobre encargos de depreciação com base no "Valor de Aquisição" (leis 10.865/2004, 11.196/2005), Ficha 16 A/10, Ficha 16 B/07, Ficha 06 A/10 e Ficha 06 B/07; b) Os itens referentes às depreciações normais (lei 10.833/2003) das referidas fichas, ficaram "em branco"; c) O contribuinte, espertamente, alocou todas aquisições do ativo imobilizado (veículos, maquinas, moveis, ferramentas, edificações...) na lei que lhe seria mais benéfica (dep. incentivada) não tendo qualquer cuidado em separar os bens que estariam beneficiados pelo incentivo dos demais bens sujeitos à depreciação normal; d) Como as leis são bem claras em relação aos bens incentivados, a conduta do sujeito passivo não pode ser considerada "erro de fato" no preenchimento das DACONs; Além das pertinentes ponderações apresentadas pela autoridade fiscal, no recurso voluntário em apreço não existe nenhum pedido ou manifestação da recorrente, sequer em caráter alternativo, a respeito do direito de apropriação dos créditos sobre o valor dos encargos de depreciação normal. Fl. 594DF CARF MF Processo nº 10280.722273/200918 Acórdão n.º 3302005.403 S3C3T2 Fl. 14 25 Diante desta constatação, cabe decidir sobre a seguinte questão: pode este Colegiado conceder, de ofício, parcela de crédito que não foi pleiteada pela recorrente, ainda que houvesse amparo legal para apropriação em momento oportuno? Este Relator entende que não. Não se pode olvidar que a função deste Colegiado limitase a julgar as questões objeto do recurso de ofício e voluntário. Com a ressalva de que apenas as matérias de ordem pública podem ser apreciadas e resolvidas pelo Colegiado, o que não é o caso em tela. Cabe ainda ressaltar que, embora devidamente intimada a apresentar descrição detalhada das máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, cujos créditos da depreciação incentivada foram glosados, inclusive, informando suas principais características e seu emprego nas atividades da empresa e no processo produtivo, a recorrente limitouse apenas em transcrever, de forma genérica, determinados aspectos do funcionamento operacional da empresa, com destaque para a implantação/ampliação do parque fabril. Com base nessas considerações, propugnase pela manutenção integral das glosas dos créditos apropriados sobre os encargos de depreciação acelerada incentivada, conforme procedeu a fiscalização. 5) Da Conclusão. Por todo o exposto, votase por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para restabelecer os créditos glosados calculados sobre o valor de aquisição do óleo combustível BPF, Inibidor de Corrosão e Ácido Sulfúrico. III Conclusão Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto relator. (assinado digitalmente) É como voto. Walker Araujo Relator Fl. 595DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.733043/2014-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Lizandro Rodrigues De Sousa (em substituição do Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa), Ailton Neves da Silva (em substituição do Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves). Ausentes justificadamente os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator e Presidente em Exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Lizandro Rodrigues De Sousa (em substituição do Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa), Ailton Neves da Silva (em substituição do Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves). Ausentes justificadamente os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. RELATÓRIO Da autuação e da impugnação Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: O auto de infração de fls. 229255 exige R$6.062.338,00 a título de imposto de renda pessoa jurídica e, R$2.191.081,68 de contribuição RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 33 04 3/ 20 14 -1 7 Fl. 9774DF CARF MF Processo nº 12448.733043/201417 Resolução nº 1401000.503 S1C4T1 Fl. 541 2 social sobre o lucro líquido, acrescido de multa de ofício à razão de 75% e juros moratórios, perfazendo até 05/2015 o crédito de R$17.197.476,09. A infração imputada decorre da glosa de valores informados como despesas, as quais foram adicionadas à base de cálculo do Lucro Real, referentes a despesas de aluguel consideradas indedutíveis. 2. A exigência do IRPJ está amparada pelo artigo 3º da Lei nº 9.249, de 1995 e artigos 247 e 249, inciso I, combinados com o artigo 299 e artigo 351, §1º, inciso I, todos do Decreto nº 3.000, de 1999. Para a exigência da CSLL o enquadramento legal é o art. 2° da Lei n° 7.689, de 1988 com as alterações introduzidas pelo art. 2o da Lei n° 8.034 de 1990, o art. 57 da Lei n° 8.981, de 1995, com as alterações do art. 1o da Lei n° 9.065, de 1995, o art. 2° da Lei n° 9.249, de 1995, o art. 1o da Lei n° 9.316, de 1996; art. 28 da Lei n° 9.430 de 1996 e o art. 3o da Lei n° 7.689, de 1988, com redação dada pelo art. 17 da Lei n° 11.727, de 2008. 3. Conforme consta do Termo de Constatação Fiscal de fls.213228, a ora impugnante, em 01/12/2010, celebrou com a empresa ligada, Windsor Barra Hotéis Ltda, o Instrumento Particular de Contrato Atípico Para Fins Residenciais“Contrato” onde se comprometeu a pagar, a título de aluguel, a importância de R$2.728.392,00 por mês. 4. Nos seis primeiros meses de 2011, os valores foram repassados diretamente à locadora e, sempre em montante inferior àquele que fora estipulado. Conta do Razão Geral 4494 que registra os pagamentos mensais de aluguel: Data..................Valor (R$)..........Histórico 18.01.2011.........800.000,00.......Pg. aluguel referente a 02/11 28.03.2011.........425.000.00.......Valor que se transfere para pagamento de aluguel (*) 28 03.2011.......1.350.000,00.......Valor referente a débito conforme recibo 1°Trimestre....2.575 000.00 26.04.2011.......1.350.000.00........Valor referente a débito conforme recibo 30.05.2011.......1.350.000.00.........Valor referente a débito conforme recibo 15.06 2011.......2.700.000,00.........Valor referente a débito conforme recibo 2º Trimestre....5.400.000.00, (*) este pagamento tem como contrapartida a conta n° 860 Créditos com PJ ligadas, grifo nosso. 5. Por determinação expressa da locadora, os valores correspondentes aos meses subseqüentes, deveriam ser depositados em favor da empresa Brasilian Securities Companhia de Securitização, na conta mantida junto ao Banco ItaúUnibanco, Agência 0910, conta corrente 111426. Comprovouse o repasse desses valores para a conta da locadora, em seu extrato bancário. 6. Assim, contabilizou durante o ano calendário de 2011, como Despesas Operacionais, a título de aluguel – conta nº 4494, os seguintes valores: 1º Trimestre – R$ 2.575.000,00 2º Trimestre – R$ 5.400.000,00 Fl. 9775DF CARF MF Processo nº 12448.733043/201417 Resolução nº 1401000.503 S1C4T1 Fl. 542 3 3º Trimestre – R$ 8.185.176,00 4º Trimestre – R$ 8.185.176,00 7. Autuado, apresentou a impugnação de fls. 289298, onde alega que a autoridade fiscal não produziu prova alguma demonstrando que o aluguel estaria fora dos padrões de normalidade e usualidade, tendo adicionado ao lucro líquido a totalidade dos valores pagos a esse título, razão pela qual o lançamento não merece prosperar. 8. Prossegue sustentando que a glosa das despesas de aluguel é absurda posto que a ora Impugnante e a Locadora pactuaram livremente a assinatura do Contrato de Locação em 01/12/2010, tendo como referência laudo de avaliação do valor de venda do empreendimento, elaborado por empresa especializada em avaliação de bens, Apsis Consultoria Empresarial, inscrita no CREA/RJ sob o nº 82.2.006201 e no CORECON sob o nº RF/2.0524, laudo este de nº RJ0328/10, na data de 10/08/2010. 9. Conforme apurado pela Apsis, o valor do imóvel e das 68 vagas de garagem, considerando a operação do hotel foi de R$ 341.049.000,00 (trezentos e quarenta e um milhões e quarenta e nove mil reais), em 10/08/2010. 10. Desta forma, admitindose uma taxa de rentabilidade da locação mensal de 0.8% (oito décimos por cento), o valor do aluguel foi fixado em R$ 2.728.392,00 (dois milhões, setecentos e vinte e oito mil, trezentos e noventa e dois reais), conforme contrato de locação. Foi estipulada uma carência de 6 meses no aluguel, a qual foi revista para 3 meses em razão do início do desenvolvimento da atividade hoteleira. 11. Defende que a Impugnante e o locador (Windsor Barra Hotel Ltda.) não possuem e não possuíam à época dos fatos geradores a mesma composição societária (doc. 05 e 06, respectivamente), são empresas distintas, devendo ser resguardados os direitos da personalidade, conforme previsto no artigo 11 e 52, do Código Civil. Art. 11. Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos do personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária. Art 52. Aplicase às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos da personalidade. 12. Faz uso de doutrina para destacar que se a distinção é feita entre Pessoa Física e Pessoa Jurídica, por obvio se faz também a separação entre Pessoa Jurídica e Pessoa Jurídica. Transcreve o artigo 45 do Código Civil que dispõe: Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbandose no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. 13. Destaca que, mesmo que as empresas sejam consideradas pessoas ligadas, fato é que essa ligação não tem o condão de afastar a necessidade de comprovação por parte da autoridade fiscal que o Fl. 9776DF CARF MF Processo nº 12448.733043/201417 Resolução nº 1401000.503 S1C4T1 Fl. 543 4 aluguel pago está fora do valor de mercado, de acordo com o que estabelecem os artigos 464 e 465, do Decreto nº3.000/99: Art. 464. Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica (DecretoLei nº1.598, de 1977, art 60, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art 20, inciso II): (...) V paga a pessoa ligada aluguéis, royalties ou assistência técnica em montante que excede notoriamente ao valor de mercado; Art 465. Considerase pessoa ligada à pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art 60, § 3º, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art 20, inciso IV): (...) § 4º Se o valor do bem não puder ser determinado nos termos dos §§ 2º e 3º e o valor negociado pela pessoa jurídica basearse em laudo de avaliação de perito ou empresa especializada caberá à autoridade tributária o prova de que o negócio serviu de instrumento à distribuição disfarçada de lucros (DecretoLei nº 1.398, de 1977, art. 60, § 7º). 14. Além disso, na esteira do artigo 464, V, do Regulamento do Imposto de Renda, têmse que a glosa deveria ser somente do que de fato exceder o valor de mercado, sendo certo que a Fiscalização não realizou qualquer estudo para definir o correto valor de mercado e, absurdamente, glosou os valores totais dos aluguéis, inobservando, mais uma vez, o Regulamento do Imposto de Renda: Art. 467. Para efeito de determinar o lucro real da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 62, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, incisos VII e VIII): (...) IV no caso do inciso V do art. 464, o montante dos rendimentos que exceder ao valor de mercado não será dedutível; 15. A atuação, portanto, revelase em tudo e por tudo indiscutivelmente improcedente, pois caso a Fiscalização entendesse os aluguéis abusivos, deveria realizar a glosa dos valores que ela entendia exceder ao valor de mercado. 16. Acontece que a d. Fiscalização sequer apurou o valor de mercado do imóvel e das vagas de garagem objeto da locação, valendose do menor esforço e glosando arbitrariamente os alugueis deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Limitouse a considerar que "diante dos parâmetros que norteiam a DRE Demonstração do Resultado do Exercício há que se levar em conta que o aluguel contratado pelas partes, no valor de R$2.728.392,00 é excessivo". 17. Afirma que como justificativa para considerar o valor do aluguel excessivo, no Termo de Verificação Fiscal a autoridade fiscal caiu em contradição posto que, em determinado ponto afirmou que "a "locatária" não auferiu receita suficiente para cumprir o pagamento de aluguel pactuado" e na seqüência, sustentou que "este valor não onerou o locatário/devedor, ao contrário, beneficiandoo com elevada dedução Fl. 9777DF CARF MF Processo nº 12448.733043/201417 Resolução nº 1401000.503 S1C4T1 Fl. 544 5 na apuração da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social". 18. Prossegue afirmando que a autoridade fiscal deixou de observar o disposto no Parecer Normativo CST nº 396/70 que prevê: São dedutíveis do lucro operacional das firmas individuais os aluguéis pagos por estas, pela efetiva utilização de imóveis locados às firmas pelos respectivos titulares, excetuadas as parcelas que excederem o preço ou valor do mercado, as quais serão consideradas como distribuição disfarçada de lucros. 19. Além do Parecer Normativo CST n.° 416/70, que assim dispõe: As importâncias pagas pela pessoa jurídica a título de aluguel de bens, móveis ou imóveis, que utiliza, representam despesa operacional. Porém, quando a coisa locada pertence a um dos sócios, não se integram essas quantias nos limites legais dos mesmos (...), desde que realmente utilizada, pela locatária, a coisa alugada, e a preço não excedente do valor de mercado. Não obedecida a primeiro condição, os alugueres serão considerados distribuição disfarçada de lucros; infringida a segunda, terseão com tantas quantias que excederem o valor de mercado (RIR, art. 251, d). 20. Ou seja, todos estes pareceres comungam do seguinte entendimento: não há qualquer problema de empresas ligadas contratarem entre si a locação de imóveis e caso considerado abusivo o aluguel, o fisco deve glosar o valor EXCEDENTE e não o valor total. 21. Desta forma, temse como indiscutível a necessidade da dedução das despesas incorridas com o aluguel dos imóveis, essenciais para as atividades da Impugnante, conforme preconiza do artigo 351, do Regulamento do Imposto de Renda: Art. 351. A dedução de despesas com aluguéis será admitida (Lei nº4.506, de 1964, art 71): (...) II se o aluguel não constituir aplicação de capital na aquisição do bem ou direito, nem distribuição disfarçada de lucros, ressalvado o disposto no art. 356. (...) § 2º As despesas de aluguel de bens móveis ou imóveis somente serão dedutíveis quando relacionadas intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços ( Lei nº 9.249, de 1995, art.13, inciso II). 22. Ao final requer seja julgado improcedente o lançamento. 23. Juntou documentos. Da decisão de primeiro grau Fl. 9778DF CARF MF Processo nº 12448.733043/201417 Resolução nº 1401000.503 S1C4T1 Fl. 545 6 A decisão de primeiro grau (fls. 457469) negou provimento ao recurso, conforme o teor da sua ementa abaixo reproduzida: Procede a glosa das despesas de aluguel, por desnecessária, estabelecido entre locador e locatário pertencentes ao mesmo grupo econômico, tendo os mesmos sócios/coproprietários e porque, caso fossem observadas as regras normais de mercado, além de ultrapassar o valor usual a ser praticado, o montante contratado, somado às despesas operacionais exorbitaria o valor da receita líquida auferida para o período e tornaria inviável a atividade do contratante. É cabível o lançamento do imposto que deixou de ser recolhido quando restar comprovada a existência de planejamento tributário visando diminuir ou suprimir o recolhimento do imposto de renda, via contratação de aluguel que exorbitou o valor usual praticado no mercado. Fundamenta sua posição nos termos que se seguem. O prédio pertencia à própria empresa. Ambas as empresas, locatária e locadora, pertencem ao mesmo grupo econômico. As duas possuem os mesmos sócios majoritários. A pessoa jurídica Windsor Barra Hotel Ltda, locadora, firmou Escritura de Promessa de Venda e Compra Ad Corpus e Outras Avenças, em 27/05/2009, e obteve a posse do imóvel. Aduz que o esquema realizado pelo contribuinte não merece prosperar por diversas razões: 1) Não se caracteriza como um contrato denominado "buit to suit", pois este exige a pactuação para construção de uma obra para atender às exigências do locatário, enquanto este se compromete com a locação de longo prazo; 2) As despesas, em conformidade com o disposto no art. 299 do RIR, devem ser necessárias para poderem ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ, critério que não foi atendido. 3) O percentual do valor do aluguel em relação ao valor do imóvel (1,604%) é bem superior ao percentual que se adota para locações (05% a 1%); 4) Nos primeiros trimestres, o contribuinte não chegou a apropriar todo o valor da locação no seu resultado. Caso o fizesse, teria consumido quase a totalidade das suas receitas nesses períodos. 5) O negócio está fora dos padrões de normalidade e usualidade e jamais teria sido realizado se as partes não tivessem vínculo entre si; 6) Por fim, conclui: "restou demonstrado que as despesas de aluguel estão muito distantes do conceito de usualidade, devendo ser mantida a glosa. Desta forma Fl. 9779DF CARF MF Processo nº 12448.733043/201417 Resolução nº 1401000.503 S1C4T1 Fl. 546 7 restando comprovada a existência de planejamneto tributário com vistas a diminuir ou suprimir o recolhimento do imposto de renda, julgo por manter a exigência lançada. Do recurso voluntário Inconformado com a decisão de primeiro grau, o contribuinte ofereceu recurso voluntário tempestivo (fls. 504517), mediante o qual teceu as seguintes razões: 1) a fiscalização não produziu qualquer prova demonstrando que os valores dos alugueis não atenderiam aos critérios de usualidade e normalidade, sem verificar os valores de mercado e também glosou a integralidade dos valores pagos e não o eventual excesso em relação ao suposto valor de mercado; 2) o contrato de locação foi pactuado livremente entre as partes tendo como base laudo de avaliação do imóvel. A decisão recorrida, no entanto, ignorou completamente o referido laudo. No laudo, está consignado que o valor do imóvel era de R$ 341.049.000,00. Assim, o valor mensal da locação (R$ 2.728.392,00) corresponde a apenas 0,8% do valor do imóvel. Já o valor da compra e venda (R$ 170.000.000,00) foi estabelecido muito antes, em 2009. 3) O laudo avaliou o imóvel em R$ 240.000.000,00 e, depois de reformas empreendidas pelo locador, em R$ 341.049.000,00; 4) Locador e locatário são empresas distintas e, portanto, não podem ser considerados o mesmo sujeito passivo; 5) A fiscalização não produziu qualquer prova capaz de demonstrar que os valores estavam acima dos de mercado; 6) A glosa, se fosse o caso, somente poderia alcançar o suposto valor de mercado e não o montante integral dos alugueis; Da diligência O feito foi baixado em diligência por meio da Resolução nº 1401000.443, de 26 de janeiro de 2017. O voto condutor, assim, especificou o teor da diligência: A autuação tem por fundamento: (i) o caráter excessivo do valor pactuado de locação, que busca demonstrar pelo cotejo entre a despesa do aluguel em face das receitas; (ii) não se caracterizar como um contrato “buit to suit” apesar de ter sido assim designado; Fl. 9780DF CARF MF Processo nº 12448.733043/201417 Resolução nº 1401000.503 S1C4T1 Fl. 547 8 (iii) ter sido a estrutura de securitização de créditos imobiliários utilizada para que os valores recebidos com a emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários utilizados para fins de quitação da compra e venda; (iv) o fato de ambos, locador e locatário, possuírem os mesmos sócios, revelaria, na prática, se tratar de um mesmo sujeito passivo; (v) que os valores pagos a sócios a título de aluguel não podem superar o valor de mercado, segundo o § 1º do art. 351 do RIR/99; Para tecer tais considerações, a autoridade fiscal lança mão de um substancioso conjunto de documentos, como a escrituração, o contrato de locação (fl. 43 a 60), o termo de securitização (fl. 78 a 118) e o contrato de cessão e aquisição de direitos creditórios (fls. 132 a 161). No entanto, um dos principais documentos para o conjunto probatório do presente feito e para formar a convição deste julgador não foi carreado aos autos, qual seja, a “promessa de compra e venda”, por meio do qual se avença o preço do negócio e as suas condições, como o modo e o tempo do pagamento. Considero esse elemento, bem como todos os demais documentos relativos à transferência da posse e da propriedade do imóvel fundamentais para o deslinde da presente lide. Também considero necessário conhecer, concretamente, como foi quitado o preço avençado para a compra do imóvel. É relevante também destacar que o recorrente afirma que foram gastos significativos recursos pelo locador na reforma do imóvel. Para comprovar tal assertiva, apresenta laudo de avaliação. Entendo, porém, que essa prova deve ser realizada por meio documental, no mínimo, com base na escrituração do locador que incorpore tais gastos ao valor do imóvel em seus registros contábeis. Isso posto, voto para converter o feito em diligência com o fito de a autoridade local intimar o contribuinte para: (i) apresentar cópia do contrato de promessa de compra e venda do imóvel e documentos posteriores, como escrituras e registros imobiliários, relativos à transmissão da posse/propriedade do imóvel de “Rede Windsor de Hoteis” para “Windsor Barra Hoteis”; e (ii) para esclarecer como foi promovida a quitação do preço avençado, bem como para juntar cópia dos documentos que comprovem essa quitação. Também deve intimar o dito “locador”, ou seja, “Windsor Barra Hoteis” para que aponte o valor dos gastos para a reforma do imóvel e que os comprove. Por fim, deve encerrar a diligência por meio de um relatório circunstanciado e devolver o feito a este Colegiado com o fito de prosseguirmos no julgamento. É como voto. A diligência teve início pelo termo de fls. 549. Abaixo reproduzo seu teor integral: Fl. 9781DF CARF MF Processo nº 12448.733043/201417 Resolução nº 1401000.503 S1C4T1 Fl. 548 9 Após o termo, as peças que se seguiram foram documentos apresentados pelo contribuinte com a devolução do feito sem mais nenhuma manifestação da autoridade diligenciadora. É o relatório do essencial. Fl. 9782DF CARF MF Processo nº 12448.733043/201417 Resolução nº 1401000.503 S1C4T1 Fl. 549 10 VOTO Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Conforme podemos verificar do relatório, a diligência não foi plenamente realizada pela autoridade local. Em primeiro lugar, não intimou “Windsor Barra Hoteis” para que aponte o valor dos gastos para a reforma do imóvel e que os comprove. Em segundo, deixou de elaborar relatório circunstanciado de encerramento da diligência. Dessa arte, entendo que o julgamento deve ser novamente convertido em diligência para que a autoridade local complete a diligência anterior. Reitero que a autoridade deve intimar “Windsor Barra Hoteis” para comprovar, por meio da sua escrita contábil e fiscal e documentos que lhe dão suporte, usando as práticas de auditoria que julgar conveniente (verificação por amostragem dos documentos dos gastos que componham o custo), o custo do imóvel na época da locação e que faça constar no relatório circunstanciado a sua conclusão acerca da sua auditoria no referido custo. Por fim, deve dar ciência ao contribuinte do relatório circunstanciado e franquearlhe o prazo de 30 dias para se manifestar. Após, devolvase o feito para conclusão do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 9783DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.729061/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 28/02/2006 a 28/02/2007
AFERIÇÃO INDIRETA. UTILIZAÇÃO DA ALÍQUOTA MÍNIMA PARA A CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO.
Aplica-se a alíquota mínima no cálculo da contribuição social previdenciária do segurado empregado incidente sobre a remuneração da mão-de-obra indiretamente aferida.
AFERIÇÃO INDIRETA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
O uso da aferição indireta para apurar parcelas salariais tributadas, quando observados os requisitos legais, não acarreta nulidade nem cerceia o direito à ampla defesa. O descumprimento de intimação fiscal para o fornecimento de documentos justifica o uso da aferição indireta.
CONTRIBUIÇÃO PARA A PREVIDÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA SOBRE PAGAMENTOS DE REMUNERAÇÃO NÃO DECLARADOS. OBRIGATORIEDADE DE DECLARAR EM GFIP.
Incide contribuição previdenciária, patronal e dos trabalhadores, sobre os valores pagos a título de remuneração pelo trabalho. Sujeita-se ao lançamento de ofício os fatos geradores não declarados em Gfip e identificados pela fiscalização, através de documentos apresentados pela empresa.
GLOSA DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS DECLARADOS. ÔNUS DO DECLARANTE.
É correta a compensação, em Gfip, da contribuição previdenciária com créditos líquidos e certos da mesma contribuição. Cabe ao sujeito passivo a comprovação da liquidez e certeza dos créditos utilizados para compensação, cuja prova não se faz pela mera declaração em Gfip de créditos compensáveis. É correta a glosa de valores compensados quando não comprovados, os créditos, por meios hábeis.
PERÍCIA. DESNECESSIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
O indeferimento motivado de pedido de perícia não caracteriza cerceamento de direito de defesa. Não cabe perícia para fazer prova de fatos cujo ônus probante é da defesa e ela tem acesso às informações que pretenderia obter com a perícia. Nulidade do acórdão inexistente.
SALÁRIO INDIRETO. SALÁRIO UTILIDADE. VALE-TRANSPORTE. DESCONTO MENOR DO QUE O AUTORIZADO PELA LEI.
Não incide contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de vale-transporte. A lei autoriza, mas não obriga, o desconto de até 6% da remuneração do empregado para custeio do vale-transporte. A ausência de desconto ou o desconto menor do que o autorizado não implicam descaracterização do benefício.
SALÁRIO INDIRETO. SALÁRIO UTILIDADE. ALUGUEL. EMPREGADO TRANSFERIDO.
A habitação fornecida pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distinta de sua residência é isenta da contribuição previdenciária quando atendidos os requisitos legais. A transferência do empregado para outra localidade implica a alteração do seu domicílio e, portanto, da sua residência. Configura salário indireto o pagamento de aluguel a empregado transferido, nos termos da CLT, para outra localidade.
SALÁRIO INDIRETO. SALÁRIO UTILIDADE. CARTÃO DE PREMIAÇÃO.
Integra o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, a qualquer título, ao empregado e trabalhador avulso destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a forma. Excluem-se do salário de contribuição os ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. O pagamento habitual de valores a título de prêmio de produtividade, por meio de cartão de premiação, integra o salário de contribuição.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Aplica-se a legislação inovadora quando mais benéfica ao sujeito passivo. A comparação das multas previstas na legislação, para efeito de aferição da mais benéfica, leva em conta a natureza da exação, e não a sua nomenclatura. Em se tratando de lançamento de ofício por descumprimento de obrigação acessória e principal, a aplicação da multa prevista no art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, deve retroagir para beneficiar o contribuinte se resultar menor do que a soma das multas previstas nos artigos 32, §§ 4º e 5º, e 35, inc. II, da mesma lei.
Numero da decisão: 2301-005.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DENEGAR o pedido de perícia e REJEITAR as preliminares; no mérito, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores resultantes dos levantamentos VT e VT1, correspondentes à incidência de contribuições previdenciárias sobre as parcelas inferiores a 6% de desconto dos empregados a título de vale-transporte, vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Marcelo Freitas De Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato que davam provimento ao recurso voluntário em maior extensão.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital e Wesley Rocha.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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UTILIZAÇÃO DA ALÍQUOTA MÍNIMA PARA A CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO. Aplicase a alíquota mínima no cálculo da contribuição social previdenciária do segurado empregado incidente sobre a remuneração da mãodeobra indiretamente aferida. AFERIÇÃO INDIRETA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. O uso da aferição indireta para apurar parcelas salariais tributadas, quando observados os requisitos legais, não acarreta nulidade nem cerceia o direito à ampla defesa. O descumprimento de intimação fiscal para o fornecimento de documentos justifica o uso da aferição indireta. CONTRIBUIÇÃO PARA A PREVIDÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA SOBRE PAGAMENTOS DE REMUNERAÇÃO NÃO DECLARADOS. OBRIGATORIEDADE DE DECLARAR EM GFIP. Incide contribuição previdenciária, patronal e dos trabalhadores, sobre os valores pagos a título de remuneração pelo trabalho. Sujeitase ao lançamento de ofício os fatos geradores não declarados em Gfip e identificados pela fiscalização, através de documentos apresentados pela empresa. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS DECLARADOS. ÔNUS DO DECLARANTE. É correta a compensação, em Gfip, da contribuição previdenciária com créditos líquidos e certos da mesma contribuição. Cabe ao sujeito passivo a comprovação da liquidez e certeza dos créditos utilizados para compensação, cuja prova não se faz pela mera declaração em Gfip de créditos compensáveis. É correta a glosa de valores compensados quando não comprovados, os créditos, por meios hábeis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 90 61 /2 01 0- 11 Fl. 735DF CARF MF 2 PERÍCIA. DESNECESSIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. O indeferimento motivado de pedido de perícia não caracteriza cerceamento de direito de defesa. Não cabe perícia para fazer prova de fatos cujo ônus probante é da defesa e ela tem acesso às informações que pretenderia obter com a perícia. Nulidade do acórdão inexistente. SALÁRIO INDIRETO. SALÁRIO UTILIDADE. VALETRANSPORTE. DESCONTO MENOR DO QUE O AUTORIZADO PELA LEI. Não incide contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de vale transporte. A lei autoriza, mas não obriga, o desconto de até 6% da remuneração do empregado para custeio do valetransporte. A ausência de desconto ou o desconto menor do que o autorizado não implicam descaracterização do benefício. SALÁRIO INDIRETO. SALÁRIO UTILIDADE. ALUGUEL. EMPREGADO TRANSFERIDO. A habitação fornecida pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distinta de sua residência é isenta da contribuição previdenciária quando atendidos os requisitos legais. A transferência do empregado para outra localidade implica a alteração do seu domicílio e, portanto, da sua residência. Configura salário indireto o pagamento de aluguel a empregado transferido, nos termos da CLT, para outra localidade. SALÁRIO INDIRETO. SALÁRIO UTILIDADE. CARTÃO DE PREMIAÇÃO. Integra o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, a qualquer título, ao empregado e trabalhador avulso destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a forma. Excluemse do salário de contribuição os ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. O pagamento habitual de valores a título de prêmio de produtividade, por meio de cartão de premiação, integra o salário de contribuição. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Aplicase a legislação inovadora quando mais benéfica ao sujeito passivo. A comparação das multas previstas na legislação, para efeito de aferição da mais benéfica, leva em conta a natureza da exação, e não a sua nomenclatura. Em se tratando de lançamento de ofício por descumprimento de obrigação acessória e principal, a aplicação da multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, deve retroagir para beneficiar o contribuinte se resultar menor do que a soma das multas previstas nos artigos 32, §§ 4º e 5º, e 35, inc. II, da mesma lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DENEGAR o pedido de perícia e REJEITAR as preliminares; no mérito, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores resultantes dos Fl. 736DF CARF MF Processo nº 10580.729061/201011 Acórdão n.º 2301005.197 S2C3T1 Fl. 735 3 levantamentos VT e VT1, correspondentes à incidência de contribuições previdenciárias sobre as parcelas inferiores a 6% de desconto dos empregados a título de valetransporte, vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Marcelo Freitas De Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato que davam provimento ao recurso voluntário em maior extensão. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Relatório Tratase de lançamento de ofício, Auto de Infração nº 37.280.6120, para a exigência das contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais, incidentes sobre a remuneração paga. Conforme consta do Relatório Fiscal (efls. 55): 2.3 Este auto cobra as diferenças entre as contribuições dos segurados, incidentes sobre remunerações que a empresa deixou de considerar como base de cálculo, portanto, se referem às contribuições não descontadas e não declaradas, nem recolhidas. (Grifos do original.) O lançamento decorreu de ação fiscal, relativa ao período de 2/2006 a 2/2007, na qual a Autoridade Lançadora identificou que a empresa havia declarado, em Gfip, valores inferiores aos valores efetivamente devidos de contribuição previdenciária, parte patronal e dos segurados, bem como os valores reflexos relativos às contribuições a terceiros. Da ação fiscal, resultaram os seguintes autos de infração: Nº do auto de infração (Debcad) Período Valor Nº do PAF Matéria lançada 372806139 09/2010 1.000,00 10580.729062/201057 Multa por deixar de declarar em GFIP (art. 32A). 372806082 09/2010 1.431,79 10580.729053/201066 Multa por deixar de descontar contribuição devida pelos segurados (art. 92). 372806368 09/2010 551.239,15 10580.729052/201011 Multa por deixar de declarar em GFIP (art. 32, §§ 4º e 5º). 372806090 2/2006 a 2/2007 2.784.318,36 10580.729056/201008 Contribuições da empresa para a previdência social. 372806104 5/2006 a 2/2007 128.486,40 10580.729057/201044 Contribuições dos segurados descontadas, mas não declaradas e nem recolhidas. Fl. 737DF CARF MF 4 372806112 2/2006 a 2/2007 493.208,37 10580.729059/201033 Contribuições a terceiros. 372806120 2/2006 a 2/2007 957.210,48 10580.729061/201011 Contribuições dos segurados não descontadas, não declaradas e nem recolhidas. O processos encontramse vinculados, sendo que o processo principal é o de nº 10580.729056/201008, ao qual os demais estão apensos. Na ação fiscal, a Autoridade Lançadora constatou que a empresa não havia informado corretamente as bases de cálculo, contribuições e demais dados que deveriam constar das Gfip do período fiscalizado. Verificou, também, que o contribuinte não havia tributado os valores pagos a segurados relativos a despesas de alimentação por meio de empresa não inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), valetransporte, alugueis e cartão de premiação. A Fiscalização apurou, ainda, que a empresa possuía créditos e os considerou para efeito de cálculo do montante tributável, bem como levou em conta todos os pagamentos efetuados pelo contribuinte sob o CNPJ da matriz e das filiais. Em decorrência das constatações, a Autoridade Lançadora constituiu os pertinentes créditos tributários relativos a tais parcelas que, no seu entender, integrariam o salário de contribuição. Assim, surgiram os autos de infração para a constituição da contribuição previdenciária patronal e dos segurados, bem como das contribuições a terceiros e das multas relacionadas a incorreções nas Gfip. Inconformada com o lançamento, a Recorrente apresentou, em cada um dos processos, impugnações nas quais, em síntese, questionou a tributação das verbas tidas por salárioutilidade, alegou que seus créditos e pagamentos não haviam sido considerados pela Autoridade Lançadora e solicitou perícia para a verificação dos valores levantados pela Fiscalização. Também insurgiuse contra o cálculo das multas devidas. Por fim, a Recorrente pleiteou, em cada um dos processos, a anulação dos respectivos autos de infração e, subsidiariamente, a aplicação das multas na forma que, segundo a Recorrente, lhe seria mais benéfica. A instância a quo analisou as impugnações e, de tudo o que foi questionado, deu provimento ao pedido de exclusão dos valores pagos a título de despesas de alimentação, mantendo hígidas todas as demais infrações apontadas pela Autoridade Lançadora. A Recorrente, então, apresentou recursos voluntários repisando as alegações das impugnações. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital Inicialmente, registrese que a natureza de cada uma das verbas questionadas pela Recorrente foi objeto do Acórdão nº 0652.190, da 5ª Turma da DRJ/Curitiba, proferido nos autos do Processo nº 10580.729056/201008 que resultou da mesma ação fiscal e ao qual este processo está apenso. Por essa razão, em algumas passagens deste voto serão feitas referências àquele acórdão ou àquele processo. Fl. 738DF CARF MF Processo nº 10580.729061/201011 Acórdão n.º 2301005.197 S2C3T1 Fl. 736 5 1. Preliminar de nulidade: arbitramento da contribuição do segurado empregado pela alíquota mínima, vício formal e material A Recorrente alegou que, ao utilizar, no a aferição indireta para o cálculo da contribuição previdenciária do segurado, a Autoridade Lançadora aplicou a alíquota mínima, desconsiderando que alguns empregados encontravamse na faixa de alíquota máxima. Sustentou que esse fato teria maculado o lançamento com vício material, pelo quê pleiteou a nulidade do ato administrativo. Também argumentou que, ao não indicar a base legal que ampararia o uso da alíquota mínima, teria prejudicado a sua defesa, o que teria acarretado vício formal no lançamento. Não procede a alegação da Recorrente quanto à suposta falta de fundamentação legal da aferição indireta que, como afirma, teria lhe trazido prejuízo à sua defesa. Isto porque no documento Fundamentos Legais do Débito (efls. 52) está citado, no item Contribuições Devidas Apuradas por Aferição Indireta Empresas em Geral, o § 6º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, que assim verbera: § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Portanto, não se vê qualquer prejuízo à defesa por falta de fundamentação legal da aplicação da aferição indireta com os critérios utilizados pela Autoridade Lançadora, como previsto na lei. Sobre a alegação de que não caberia o uso da alíquota mínima, reproduzo o trecho do voto condutor do acórdão recorrido, que aplico como fundamento da razão de decidir: 7.6. E, em relação à aplicação da alíquota mínima de 8% (oito por cento) para a contribuição do segurado empregado incidente sobre a remuneração da mãodeobra indiretamente aferida, sem observância do teto, tal procedimento está respaldado no art. 449 da Instrução Normativa no 971, de 13 de novembro de 2009: Art. 449. No cálculo da contribuição social previdenciária do segurado empregado incidente sobre a remuneração da mãodeobra indiretamente aferida, aplicase a alíquota mínima, sem limite e, para os fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2007, sem compensação da CPMF. 7.7. Ademais, vale ressaltar que tal procedimento não acarretou prejuízo ou impossibilidade de o sujeito passivo defenderse dos fatos, de modo a justificar seu pedido de declaração de nulidade. Portanto, ao contrário do que alegou a Recorrente, não vislumbro vício qualquer pelo uso da alíquota mínima no cálculo da contribuição previdenciária do segurado e, por conseguinte, o acórdão recorrido não merece reparo, neste ponto. 2. Preliminar de nulidade por realização de aferição indireta pela Fiscalização Fl. 739DF CARF MF 6 A Recorrente alegou que o auto de infração deveria ser anulado porquanto a aferição indireta, no caso, não seria cabível porque feriria o regime de competência e, ainda, não teria havido justificativa para o uso daquele instituto e que isso teria inviabilizado o pleno exercício de seu direito de defesa. Destaquese que a Recorrente reproduziu, no recurso voluntário, quanto à matéria, os exatos termos que havia manifestado na impugnação. O colegiado a quo muito bem tratou da questão e peço vênia para reproduzir o pertinente trecho do voto do acórdão recorrido (efls. 653 e 654), com cuja conclusão concordo e cujos fundamentos também assumo como meus: 7. Em que pese o entendimento da impugnante, o Relatório Fiscal traz de forma clara e precisa, a matéria tributável (descrição dos fatos geradores), as contribuições devidas, o período do lançamento e todas as razões que ensejaram a lavratura do auto de Infração, indicando a origem das exigências lançadas, seus fatos geradores, o período a que se referem como foram apurados os valores lançados e as razões dos procedimentos adotados. 7.1. Especificamente, quanto ao critério da aferição indireta utilizada em relação aos levantamentos (VT, VT1, AL, AL1), foi constatado pela fiscalização por meio do exame da contabilidade da empresa, que a empresa forneceu salárioutilidade na forma de habitação a alguns de seus trabalhadores sem demonstrar que a moradia era necessária ao deslocamento do seu trabalho. Também foi informado no Relatório Fiscal que uma parte dos empregados da impugnante teria participado com apenas 1% (um por cento) de desconto sobre seu salário para o custeio do vale transporte, procedimento este em desconformidade com a Lei 7.418/85 que regula a concessão do Vale Transporte. 7.2. Assim, com o objetivo de identificar os fatos geradores e verificar a consistência dos registros contábeis e Folhas de Pagamento, a Fiscalização intimou o contribuinte, por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal e nos demais Termos de Intimação Fiscal, (fls.239/263), a prestar informações e fornecer cópias dos documentos (contratos de aluguel, esclarecimentos quanto aos beneficiários pelo pagamento, bem como sobre a destinação do imóvel locado, além dos comprovantes de fornecimentos de Vale transporte), que deram ensejo aos registros da contabilidade e folhas de pagamento, cujos lançamentos contábeis, no caso dos aluguéis estão relacionados no Relatório Fiscal. 7.3. No entanto, a empresa não atendeu a totalidade das intimações feitas no procedimento fiscal, obstando à ação da Fiscalização e impedindo a auditoria fiscal de identificar a totalidade dos atos e fatos da contabilidade. Assim, diante da recusa da empresa em apresentar a documentação solicitada, a autoridade fiscal não teve alternativa a não ser lançar de ofício a importância que reputou devida, considerando a totalidade dos pagamentos registrados nos lançamentos contábeis discriminados no item 4.4.8.3 do Relatório Fiscal (Salário Utilidade na modalidade de Aluguel – Conta Razão 31101040015 e 31201020013), e nas Folhas de Pagamento da Matriz, em relação ao valor de Vale Transporte concedido a Fl. 740DF CARF MF Processo nº 10580.729061/201011 Acórdão n.º 2301005.197 S2C3T1 Fl. 737 7 alguns empregados em percentual menor que o exigido em Lei, com base no art. 33, parágrafo 3º, da Lei 8.212/91, invertendose o ônus da prova, que passou a ser da autuada. Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(grifei) (...) §6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. 7.4. Vale destacar, ainda o que diz o Relatório Fiscal de Diligência em relação à rubrica Vale Transporte, fls. 2041/2046, sobre o qual a impugnante não se manifestou: “Para que fosse utilizado o método de aferição direta, seria necessário que a empresa tivesse disponibilizado o valor fornecido em vale transporte, empregado a empregado, mês a mês. Assim, a auditoria poderia aplicar ao valor do salário, o valor do vale transporte, verificando qual o percentual a ser ressarcido pelo empregado, ou seja, até o percentual máximo de 6% do salário e a seguir, confrontando esse percentual, com o valor da rubrica 046. A diferença encontrada, empregado a empregado, mês a mês, seria o valor do salárioutilidade considerado como base de cálculo”. 7.5. Desta forma, a aferição indireta, conforme praticados pela fiscalização no presente caso, estão completamente amparados na legislação vigente. ......................................................................................................... 7.8. Por fim, deve ser ressaltado também que os anexos “DD – Discriminativo do Débito”, fls. 5/19, “RL – Relatório de Lançamentos”, fls. 20/29, e os ANEXOS de fls. 140/451 do Relatório Fiscal, ao indicar a base de cálculo apurada, as Fl. 741DF CARF MF 8 alíquotas aplicadas, e as contribuições exigidas, por competência, propiciaram o pleno exercício do direito do contraditório e da ampla defesa, constitucionalmente assegurado aos litigantes em processo administrativo. (Grifos do original.) Entendo, pois, que não há nulidade no auto de infração em razão do uso de aferição indireta para apurar parcelas salariais tributadas, já que foram observados os requisitos legais para a sua aplicação, sem que tenha havido qualquer prejuízo à defesa da Recorrente. 3. Salárioutilidade valetransporte (levantamentos VT e VT1) No que concerne ao valetransporte, o acórdão recorrido entendeu procedente o lançamento porquanto o empregador não teria observado a legislação de regência quanto ao desconto de 6% do salário do empregado. É o que está nos seguintes trechos do voto condutor daquele julgado (efls. 660 a 662): 10.6. Observase, pela leitura de texto legal acima, que o empregador é obrigado a adquirir os valestransporte para fornecêlos aos seus empregados, ficando evidenciado ainda, que o empregador deverá participar do custeio do benefício com a parcela que exceder 6% do salário básico do trabalhador, o que significa dizer, que são proibidas quaisquer outras formas de prestação do benefício, entre elas, o fornecimento do vale transporte em espécie, além da participação do trabalhador em percentual inferior a 6% do seu salário básico. (Grifos do original.) ......................................................................................................... 10.8. Assim, a legislação transcrita não deixa dúvidas: o vale transporte, quando concedido nas condições e limites definidos na lei, possui natureza indenizatória, não incorporando a remuneração para quaisquer efeitos. ......................................................................................................... 10.10. Deste modo, a inobservância da legislação específica transforma o pagamento do vale transporte em verba salarial, que se incorpora à remuneração do empregado para todos os fins e efeitos. A lei que rege benefício é clara em seu artigo 2º, o qual afirma que o benefício não tem natureza salarial quando fornecido dentro dos limites por ela definidos, que no presente caso foram desatendidos. Porém, entendo que, neste ponto, reside razão à Recorrente. A questão dos autos é a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores descontados do empregado em percentual menor do que 6% do seu salário. Sob o raciocínio do colegiado a quo, estariam excluídos da base de cálculo da contribuição apenas os valores suportados pela empresa menos a parcela descontada dos empregados, à razão de 6% de seus salários, não mais e não menos. Porém, a correta exegese do parágrafo único do art. 9º do Decreto nº 95.247, de 17 de novembro de 1987, que regulamentou a Lei nº 7.418, de 16 de dezembro de 1985, é que o desconto do empregado é uma faculdade do empregador, e não um requisito legal: Fl. 742DF CARF MF Processo nº 10580.729061/201011 Acórdão n.º 2301005.197 S2C3T1 Fl. 738 9 Art. 9° O ValeTransporte será custeado: I pelo beneficiário, na parcela equivalente a 6% (seis por cento) de seu salário básico ou vencimento, excluídos quaisquer adicionais ou vantagens; II pelo empregador, no que exceder à parcela referida no item anterior. Parágrafo único. A concessão do ValeTransporte autorizará o empregador a descontar, mensalmente, do beneficiário que exercer o respectivo direito, o valor da parcela de que trata o item I deste artigo.(Sem grifo no original.) Assim, se o empregador optar por arcar, sozinho, com os custos de transporte de seus empregados, sem com eles dividilo ainda que autorizado, não terá desnaturado o benefício concedido pela lei, desde que os valores pagos sejam compatíveis com o custo do transporte do empregado de e para o trabalho. Portanto, entendo que os valores pagos ao empregado para a sua locomoção, mesmo que não tenha havido desconto de seu salário ou que esse desconto tenha sido menor do que 6%, subsumemse ao conceito de valetransporte e têm caráter indenizatório, razão pela qual entendo aplicarse, ao caso, Súmula Carf nº 89: Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba. (Sem grifo no original.) No mesmo sentido, decidiu unanimemente a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) no Acórdão nº 9202005.387, cujo voto condutor encerra: Assim, a partir da edição das Súmula CARFs e AGU citadas, a mera inexistência de desconto nas remunerações dos segurados, em percentual diferente, aquém dos 6% legalmente citados, não é suficiente para que se conclua acerca da incidência das contribuições previdenciárias, tal como se admitiu no Acórdão paradigma, uma vez, repitase, permitido, na forma das Súmulas, o recebimento em pecúnia para que os segurados, posteriormente, fizessem frente às suas despesas de transporte. Daí entender este Conselheiro que a tributação aqui baseada somente na existência de desconto em percentual diferente dos 6%, mesmo quando acompanhada, no paradigma, de rejeição do caráter indenizatório da verba não poderia, à luz da Súmula CARF no. 89, subsistir e, assim, voto, por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Entendo, pois, que os valores resultantes dos levantamentos VT e VT1 devem ser excluídos do lançamento por, a despeito do quantum descontado dos empregados, se tratarem de valetransporte, verba de natureza indenizatória consoante Súmula Carf nº 89, sobre a qual não incide contribuição previdenciária. 4. Salárioutilidade aluguel pago a empregados (levantamentos AL e AL1) No caso dos autos, a Fiscalização identificou, nos registros contábeis da empresa, o pagamento de alugueis. Intimada a apresentar os respectivos contratos de locação, Fl. 743DF CARF MF 10 informando, no caso de aluguel residencial, a quem se destinava a moradia, a empresa não apresentou os documentos. Por consequência, a Autoridade Lançadora considerou os valores dos pagamentos escriturados como salários indiretos. 4.1. Dos alugueis pagos a Reginaldo Moreno dos Santos Quanto aos pagamentos de aluguel a Reginaldo Moreno dos Santos, a Recorrente alega que ele nunca foi seu empregado, senão o locatário de um imóvel que locara para ser utilizado como canteiro de obras em ItamarajuBA. Entretanto, apesar de haver sido intimada, no curso da ação fiscal a apresentar o contrato de locação, e podendo fazêlo inclusive na fase impugnatória ou mesmo nesta fase recursal, a Recorrente em nenhum momento apresentou o documento ou qualquer outro elemento para comprovar a natureza do aluguel. O acórdão recorrido manteve o lançamento sob o seguinte argumento: 10.30. Com relação aos valores lançados de locação ao Sr. Reginaldo Moreno dos Santos, a impugnante afirma que esta pessoa nunca foi segurado da mesma, sendo, na realidade, apenas, proprietário de um imóvel situado na Avenida ACM, 1020, ItamarajuBA, o qual foi locado pela impugnante no período de 15/06/2006 a 15/11/2006 para utilização como canteiro de uma de suas obras. (Grifo do original.) 10.31. Contudo, verificase dos autos, que os recibos trazidos pela empresa, (fls. 2005/2010), vieram desacompanhados do contrato de locação, documento este que poderia comprovar suas alegações. 10.32. Neste sentido, cumpre destacar, novamente que as alegações da defesa que não estiverem acompanhadas da produção das provas competentes e eficazes desfiguramse e obliteram o arrazoado defensório, pelo que deve prosperar a exigibilidade fiscal. A parte que apenas alega, mas não produz prova, ou pelo menos indícios convincentes, dos fatos alegados, se sujeita às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. Para afastar o lançamento, são necessárias provas que infirmem o que consta do auto de infração, não bastando meras alegações, sobretudo quando os fatos são facilmente comprováveis e toda a eventual documentação estaria de posse da Recorrente. Bastaria apresentar o contrato de locação, ou outro elemento a confirmar que o imóvel teria sido destinado à instalação do canteiro de obras. Mas a Recorrente não logrou comprovar sequer se, de fato, teria havido uma obra naquela localidade. Ao omitir tais documentos, a Recorrente abre espaço para se rechaçar sua alegação e se admitir como absoluta a verdade apresentada pela Autoridade Lançadora. Portanto, em relação aos valores de aluguel pagos a Reginaldo Moreno dos Santos, constantes dos levantamentos AL e AL1, entendo correto o lançamento que os considerou de salário indireto. 4.2. Dos alugueis pagos a Almeida, Miyasaki & Cia. Ltda e ao Condomínio Edifício Marques de Herval A Recorrente admitiu, no recurso voluntário, que Neide Jane e Cristiano de Souza Bila eram seus empregados e que foram transferidos para a filial de MaringáPR, Fl. 744DF CARF MF Processo nº 10580.729061/201011 Acórdão n.º 2301005.197 S2C3T1 Fl. 739 11 provenientes, respectivamente, de SalvadorBA e NiteróiRJ. Do recurso voluntário e da análise dos contratos locatícios (efls. 677 a 683 e 716 a 722) depreendese que a empresa locou dois imóveis na cidade de MaringáPR para habitação de seus empregados. Destaquese que os objetos de ambos os contratos são imóveis de uso residencial e que os locadores eram, em ambos os casos, representados pela imobiliária Almeida, Miyasaki & Cia. Ltda. Quanto aos valores pagos a Almeida, Miyasaki & Cia. Ltda e ao Condomínio Edifício Marques de Herval, a Recorrente sustentou que não integrariam o salário de contribuição, porquanto estariam enquadrados no que assevera o inc. XII do § 9º do art. 214 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, in verbis: §9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: ......................................................................................................... XIIos valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego; Não assiste razão à Recorrente. Conforme ela mesmo afirma, seus empregados foram transferidos para novo município, em outro estado da federação, a fim de trabalharem em uma filial da empresa. O art. 469 do DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) define que a transferência implica a mudança do domicílio do empregado, como se vê: Art. 469 Ao empregador é vedado transferir o empregado, sem a sua anuência, para localidade diversa da que resultar do contrato, não se considerando transferência a que não acarretar necessariamente a mudança do seu domicílio . (Sem grifo no original.) A regra isentiva estabelece que a habitação fornecida pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distinta de sua residência não integra o salário de contribuição. Entendese por residência o local onde a pessoa habitualmente é encontrada. O domicílio é, segundo o art. 70 do Código Civil Brasileiro, o lugar onde a pessoa estabelece a sua residência com ânimo definitivo. A residência é, pois, um dos elementos do domicílio. É como a doutrina assevera: O conceito de domicílio civil se compõe, pois, de dois elementos: o objetivo, que é a residência, mero estado de fato material; e o subjetivo, de caráter psicológico, consistente no ânimo definitivo, na intenção de aí fixarse de modo permanente. A conjunção desses dois elementos forma o domicílio civil. A residência é, portanto, apenas um elemento componente do conceito de domicílio, que é mais amplo e com ela não se confunde. (GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro, volume 1: parte geral. 10ª edição São Paulo: Saraiva, 2012.) Fl. 745DF CARF MF 12 A alteração do domicílio, por força do disposto no art. 469 da CLT, corresponde também à alteração da residência para o novo local de trabalho. A rigor, não é possível conceber que os empregados, saindo um de SalvadorBA e outro de NiteróiRJ para trabalharem em MaringáPR, município a centenas de quilômetros daqueles dois, não tenham transferido suas residências. Portanto, não se trata de habitação fornecida para empregado em razão de ele trabalhar distante de onde mora, mas de mudança da residência para próximo do novo local de trabalho, em razão da transferência do trabalhador, razão pela qual não se aplica o inc. XII do § 9º do art. 214 do Decreto nº 3.048, de 1999. Além disso, o fornecimento de habitação aos empregados em cidade onde não há limitação de moradia, como na hipótese dos autos, não ocorreu para o trabalho, mas pelo trabalho, o que caracteriza uma contraprestação e dá caráter salarial ao benefício, como já foi decidido por esta turma, em caso semelhante, no Acórdão n º 2301003.996, verbis: No que tange ao fornecimento de habitação e sua caracterização como salárioutilidade, o TST possui a Súmula 367 que esclarece em que situações a habitação fornecida pode ser considerada como salárioutilidade, in verbis: Súmula TST 367 Utilidades "in natura". Habitação. Energia elétrica. Veículo. Cigarro. Não integração ao salário. I A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares. II O cigarro não se considera salário utilidade em face de sua nocividade à saúde. O conteúdo da Súmula 367, portanto, o qual adotamos integralmente para o caso por conta da aplicação do art. 110 do CTN, exige que o fornecimento de habitação seja dispensável para a realização do trabalho. Tal dispensabilidade, em regra, depende de prova que o fisco deve providenciar, salvo os casos em que for fato notório. In casu, os contratos que constam dos autos apontam que os imóveis locados localizavamse em cidades com boa disponibilidade de imóveis, como Brasília. Como qualquer trabalhador, os diretores ao serem convidados para trabalhar fora de seu domicílio devem ter considerado se o novo salário tornaria vantajosa sua nova situação. Em cidades com ampla oferta de imóveis, dispondo de salário adequado, os diretores poderiam providenciar seu novo domicílio. Com relação às utilidades, boa parte da doutrina e da jurisprudência do TST se alinhou à teoria finalística – originalmente defendida entre nós por José Martins Catharino na década de 1950 – que distingue as utilidades fornecidas “para o trabalho” das utilidades fornecidas “pelo trabalho”. As primeiras , “para o trabalho”, seriam funcionais, instrumentais, verdadeiros equipamentos de trabalho e, portanto, sem natureza salarial; as segundas, “pelo trabalho”, seriam contraprestativas e com natureza salarial. Não nos parece que o fornecimento de habitação em cidades com boa oferta de imóveis possa ser considerado de maneira Fl. 746DF CARF MF Processo nº 10580.729061/201011 Acórdão n.º 2301005.197 S2C3T1 Fl. 740 13 similar a um equipamento de trabalho, pois a esmagadora maioria dos trabalhadores que lá trabalham arcam com o custo da habitação com seu próprio salário. Situação diferente seria o fornecimento de habitação em uma localidade inóspita e que não permitisse que o próprio trabalhador, de qualquer nível, acomodasse a si e a sua família. Concluo, portanto, existir nítido caráter contraprestativo no fornecimento de habitação para o caso em análise. Assim, entendo que a inclusão dos valores despendidos com habitação de diretores na base de cálculo da contribuição previdenciária atende aos desígnios da lei. Portanto, o lançamento está correto ao considerar os valores de habitação pagos a Almeida, Miyasaki & Cia. Ltda e ao Condomínio Edifício Marques de Herval, constantes dos levantamentos AL e AL1, como salários indiretos e integrálos à base de cálculo da contribuição previdenciária. 5. Salárioutilidade prêmio de incentivo (levantamentos CP, CP1, CM e CM1) Por intermédio da empresa Mark Up, a Recorrente realizou pagamentos a funcionários, a título de premiação, mediante crédito de valores em cartão magnético, cartões tais com disponibilidade de saque em terminais de atendimento bancário. Enfim, o pagamento dava em pecúnia, por meio de créditos disponíveis. Segundo a Recorrente, a premiação seguia critérios eminentemente meritórios, ou seja, o empregado estaria sendo remunerado pelo seu trabalho (efl. 714). Afirma, ainda, que tais verbas constituem mera liberalidade da empresa empregadora e que não foram diretamente foram pagas pela Recorrente, mas por meio de uma empresa especializada (efl. 715). Aduz que o pagamento não cria ou modifica direitos, que possui caráter excepcional vinculado ao alcance de metas e que, por isso, carece de habitualidade (e fl. 716), o que colocaria a verba fora do conceito de saláriodecontribuição. A Recorrente afirmou que as verbas pagas não seriam habituais, mas esporádicas, e, por conseguinte, estariam enquadradas na exclusão prevista no item 7 da alínea e do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, in verbis: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ......................................................................................................... 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; Não assiste razão à Recorrente. De acordo com o art. 28, inc. I, da Lei nº 8.212, de 1991, os valores pagos a qualquer título para retribuir o trabalho integram o salário decontribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, Fl. 747DF CARF MF 14 durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; A Recorrente faz a comum confusão entre eventualidade e habitualidade. De fato, as verbas recebidas eventualmente não estão sujeitas à contribuição previdenciária, sendo que o mesmo não acontece com as inabituais. Reproduzo o trecho do voto condutor do Acórdão nº 9202003.044 que assim abordou o tema: Como se vê, da leitura do art. 22, I e do art, 28,I da Lei nº 8.212/91 e do art. 201, § 1º do RPS, que somente é exigido o requisito da habitualidade no que diz respeito ao “salário in natura”, por incluir, expressamente, no conceito de remuneração os “ganhos habituais sob a forma de utilidades”, sem fazer menção ao requisito habitualidade para os pagamentos em espécie. Ou seja, no campo de incidência das contribuições previdenciárias encontramse: a) a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, inclusive gorjetas (salário em espécie); e b) os ganhos habituais sob a forma de utilidades (salário in natura). Podese, então, concluir que a lei, ao definir a hipótese de incidência da contribuição previdenciária, exige o requisito da habitualidade tão somente para o salário in natura. Por seu turno, o art. 28, § 9º , alínea “e”, item “7” prevê expressamente que as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais são isentas de contribuições sociais previdenciárias: “Não integram o saláriodecontribuição (remuneração) para os fins desta Lei, exclusivamente: (...)as importâncias: (...)recebidas a título de ganhos eventuais (...).” Assim sendo, podese afirmar que “a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho”, independentemente de serem ou não habituais, encontramse no campo de incidência das contribuições previdenciárias. Entretanto, “as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais” encontramse excluídas da sua base de cálculo por se tratarem de importâncias atingidas pela isenção. Entendo que está sendo criada uma grande confusão ao tentarem comparar os conceitos de "habitualidade com o de não eventualidade" ou o "não habitualidade com o de eventualidade". Para o Dicionário Michaelis, as definições são: Habitual 1 Que acontece ou se faz por hábito. 2 Frequente, comum, vulgar. 3 Usual. Fl. 748DF CARF MF Processo nº 10580.729061/201011 Acórdão n.º 2301005.197 S2C3T1 Fl. 741 15 Eventual 1 Dependente de acontecimento incerto. 2 Casual, fortuito. 3 Variável. De acordo com o Vocabuário Jurídico de Plácido e Silva: Habitualidade De habitual, entendese a repetição, a sucessividade, a constância, a iteração, na prática ou no exercício de certos e determinados atos, em regra da mesma espécie ou natureza, com a preconcebida intenção de fruir resultados materiais ou de gozo. Eventualidade De evento, significa o caráter e a condição do que é eventual, mostrando assim a possibilidade e a probabilidade do fato, cuja realização é esperada ou aguardada. A habitualidade, como requisito para que a prestação in natura, integre o saláriodecontribuição, diz respeito a freqüencia da concessão da referida prestação. Já a eventualidade, como elemento caracterizador da isenção prevista no art. 28, § 9º , alínea “e”, item “7”, ou seja, que decorram de importâncias recebidas a títulos de ganhos eventuais, dizem respeito a ocorrência de caso fortuito. No presente caso há de se assinalar, primeiramente, que foram realizados pagamentos em pecúnia, o que afasta a necessidade de se indagar a habitualidade com que o pagamento foi realizado. Entendo, pois, que o requisito da habitualidade não se aplica a recebimentos em pecúnia ocorridos em razão do trabalho. Mas, ainda que se aplicasse, não seria o caso dos prêmios pagos na hipótese dos autos. Esses prêmios, embora, em tese, fossem variáveis, nada tinham de eventuais e nem de inabituais; na verdade, eram pagos regularmente aos empregados, conforme se constata nos documentos dos autos. Em uma rápida análise, por amostragem, verificase que os empregados e respectivos valores recebidos se repetiram em praticamente todos os meses considerados na ação fiscal (2/2006 a 2/2007): eFolhas (do Proc. 10580.729056/201008) 292 a 329 330 a 385 399 a 465 466 a 517 Empregado Ângelo Mercury Garcia Ducineia Silva Conceição Jorge Lima de Deus Jaciara Balbino dos Santos Celso Antônio Majchrovicz Luiz Abrahao Filho Nivaldo Canella Antônio Carlos Fontana José Vogt fev/06 140,00 140,00 250,00 600,00 4.020,00 4.020,00 4.020,00 3.090,00 1.242,00 mar/06 140,00 140,00 250,00 600,00 4.982,79 4.020,00 3.090,00 1.242,00 abr/06 100,00 140,00 250,00 600,00 4.020,00 4.502,40 4.020,00 3.090,00 1.242,00 mai/06 100,00 200,00 250,00 600,00 4.020,00 4.502,40 4.020,00 3.090,00 1.242,00 jun/06 100,00 200,00 250,00 700,00 4.020,00 4.502,40 4.020,00 3.090,00 1.242,00 jul/06 100,00 200,00 250,00 700,00 4.020,00 4.502,40 4.020,00 3.090,00 1.242,00 ago/06 116,67 200,00 250,00 700,00 4.020,00 4.502,40 4.020,00 3.090,00 1.242,00 set/06 116,70 200,00 250,00 700,00 4.020,00 4.502,40 4.020,00 3.090,00 1.242,00 out/06 116,70 200,00 200,00 700,00 4.020,00 4.502,40 4.020,00 3.090,00 1.242,00 nov/06 116,70 200,00 250,00 933,34 4.020,00 4.502,40 4.020,00 3.090,00 1.242,00 dez/06 155,56 200,00 250,00 700,00 4.140,60 4.502,40 4.020,00 3.090,00 1.242,00 Fl. 749DF CARF MF 16 jan/07 116,67 200,00 250,00 700,00 4.140,60 4.502,40 4.020,00 3.090,00 1.242,00 fev/07 116,67 200,00 250,00 700,00 4.140,60 4.502,40 4.020,00 Essa modalidade de remuneração já foi, reiteradas vezes, objeto de análise no Carf, que coleciona vasta jurisprudência (a exemplo dos acórdãos nº 9201003.044, 2401 003.921 e 2301004.955) no sentido de considerar os cartões de premiação, exatamente como na espécie dos autos, como componente do saláriodecontribuição e, portanto, como elemento da base de cálculo da contribuição previdenciária, porquanto tratamse de rendimentos auferidos pelo trabalho, compondo, assim,a remuneração do empregado. Reproduzo a conclusão, na matéria, do voto condutor do acórdão recorrido (efl. 667), por bem expressar o meu entendimento: 10.39. Do exposto, entendese que os créditos em discussão foram pagos aos segurados, com habitualidade (02/2006 a 02/2007), em função do resultado de seus trabalhos junto à impugnante, sendo evidente que não se tratou de distribuição de premiação sem causa, mas de pagamentos com caráter tipicamente remuneratório, formalizados impropriamente por intermédio de cartões de incentivo, devendo sujeitarse em virtude disso à incidência de contribuição previdenciária. Portanto, o lançamento está correto ao considerar os pagamentos de cartão de premiação como saláriosdecontribuição. 6. Glosa na compensação de créditos de competências anteriores (levantamento CG) e pedido de perícia Por serem intrinsecamente relacionados, merecem uma análise conjunta os seguintes tópicos indicados pela Recorrente em sua peça recursal: a) glosa na compensação de créditos de competências anteriores (levantamento CG) e b) pedido de perícia. Nos termos do inc. IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, a Recorrente solicitou perícia, e indicou perito, para a) o refazimento dos cálculos constantes dos levantamentos MT e MT1, considerando os valores das Gfip que apresentara já sob o procedimento de ofício, e b) para esclarecer a origem dos valores e procedimentos adotados pela Fiscalização no caso do levantamento CG. Em relação aos valores identificados nos levantamentos MT (efls. 24 a 143) e MT1, a Recorrente não alegou, no recurso voluntário deste processo, nenhuma irregularidade (embora o tenha feito em outros processos resultantes da mesma ação fiscal). Ao analisar os levantamentos MT e MT1, constatase que a investigação fiscal não se baseou nas Gfip para efetuar o lançamento, mas diretamente nas situações que configuraram fatos geradores das contribuições. A partir daí, a Autoridade Lançadora determinou as bases de cálculo, calculou o tributo correspondente, deduziu os pagamentos informados e os créditos identificados e lançou as diferenças devidas. Sobre a matéria, assim se manifestou o acórdão a quo (efl. 657): 9.2. As bases de cálculo das contribuições foram extraídas das folhas de pagamento, cuja base foi comparada com as bases declaradas em GFIP’S, e as diferenças lançadas nos levantamentos DC e DM, para possibilitar a apropriação de possíveis sobras de guias. Nestes dois levantamentos, foram lançados os valores de remuneração, desconto de segurados, salário família, salário maternidade e compensação, conforme Fl. 750DF CARF MF Processo nº 10580.729061/201011 Acórdão n.º 2301005.197 S2C3T1 Fl. 742 17 declarados em GFIP. Nestes termos, as eventuais sobras de recolhimento, foram utilizadas para abatimento dos levantamentos MT e MT1, que contêm as diferenças entre as remunerações e as contribuições de segurados da matriz, constantes da Folha de Pagamento e as não declaradas em GFIP, bem como os demais levantamentos apurados nesta ação fiscal. 9.3. Assim, todos os créditos constantes no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil e os comprovados pela contribuinte durante a ação fiscal foram devidamente considerados e abatidos dos lançamentos vinculados aos Autos de Infração de descumprimento de obrigação principal, sendo que a autuada teve acesso a todas as informações necessárias ao oferecimento de sua defesa administrativa. (Sem grifo no original.) Ao que se vê, a Autoridade Fiscal foi diligente em buscar, a partir das fontes primárias, e não das Gfip, as bases de cálculo das contribuições e, em relação aos levantamentos MT e MT1, essas bases de cálculo não foram contestadas no recurso voluntário. O Fisco também agiu com correção ao considerar, em favor do contribuinte, todos os pagamentos apresentados e créditos que foram identificados. Alegou, a Recorrente, que seus pagamentos não teriam sido aproveitados. Não procede a alegação, pois os valores efetivamente recolhidos pela empresa a título de contribuição previdenciária foram devidamente considerados no lançamento, para efeito de calcular o montante devido. Os recolhimentos informados pela empresa constam do Relatório de Documentos Apresentados (RDA) (efls. 30 a 34) e do Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (Rada) (efls. 35 a 51). Os mesmos valores constam do auto de infração que está no processo principal, nº 10580.726056/201008, ao qual este processo encontrase apensado, na coluna de créditos, a reduzir o valor do tributo lançado (efls. 7 a 22 daquele processo). Também alegou, a Recorrente, que seus créditos não foram compensados no cálculo da contribuição devida. A alegação é descabida, pois o que se verifica no Levantamento CG, que corresponde ao item 4.4.10 e respectivos subitens (efls. 66 a 69) do relatório fiscal, é que os saldos remanescentes dos créditos informados foram integralmente aproveitados no Processo nº 10580.726056/201008. Observase, a partir das informações da Delegacia da Receita Previdenciária de Salvador (efls. 273 a 279 do Processo nº 10580.726056/201008) e do relatório fiscal, o seguinte: a) o contribuinte teve, nos processos nº 35013.003375/200661 e 35013.003667/200601, reconhecido o direito de compensar sobras de recolhimentos de vários estabelecimentos, no valor total de R$ 4.200.318,26, que foram integralmente utilizados na operação concomitante que consta do processo nº 35013.003667/200601; b) dos créditos reconhecidos, restaram inaproveitados quatro recolhimentos do estabelecimento 14.306.831/002063, no valor total de R$ 33.428,78 (item 4.4.10.2 do relatório fiscal, Tabela A, efl. 67); c) a empresa, ao invés de informar nas Gfip, para compensação, o saldo dos pagamentos inaproveitados na operação concomitante, informou valor muito maior, R$ Fl. 751DF CARF MF 18 135.203,86, além de informar, indevidamente, como compensações nas Gfip, valores que já haviam sido utilizados para a operação concomitante; d) a Autoridade Lançadora corrigiu o saldo dos créditos remanescentes (R$ 33.428,78), refez os cálculos das compensações e glosou o que estava em excesso. Notase, pois, que, ao contrário do afirmado pela Recorrente, os seus créditos foram aproveitados no procedimento fiscal. Destaquese que a Recorrente apresentou planilha intitulada Acompanhamento Saldo INSS Recuperar 2006 (efl. 1113 do Processo nº 10580.726056/2010 08), na qual constam valores muito diferentes dos que estão nos documentos emitidos pela Delegacia da Receita Previdenciária de Salvador. Porém, a Recorrente não apresentou qualquer comprovação dos valores que apontou e nem explicou, em seu apelo, qual a finalidade daquela planilha. A Recorrente solicitou perícia para levantar os valores refazer os cálculos dos levantamentos MT e MT1 e para verificar a origem dos valores constantes do levantamento CG. Ora, quanto aos levantamentos MT e MT1, os dados foram extraídos dos documentos fornecidos pela própria empresa e que estão nos autos, sendo absolutamente desnecessária qualquer perícia para esse fim pois os documentos fundamentais pertencem à Recorrente. Pretende, a Recorrente, que uma perícia venha considerar as Gfip entregues sob procedimento de ofício, quando, na verdade, esses documentos inexistem, para efeitos jurídicos, por força do disposto no parágrafo único art. 138 do CTN. O que parece querer, a Recorrente, é que sejam aproveitadas as informações de créditos compensáveis que constam das Gfip extemporâneas; mas, se os créditos são hígidos, caberia à Recorrente fazer prova deles, pois a Gfip (tempestiva ou não) não é documento hábil para provar a origem dos créditos utilizados em eventuais compensações. Os documentos que amparariam os créditos alegados nas Gfip intempestivas, se existem, deveriam estar sob a guarda da própria Recorrente. Quanto ao levantamento CG, os documentos e informações também constam dos autos, sobretudo a informação da Delegacia da Receita Previdenciária de Salvador que subsidiou o referido levantamento. Não há necessidade de perícia para evidenciar o que já está evidente. O que se percebe é que a Recorrente apenas alega que os créditos diligentemente buscados pela Fiscalização não estão corretos, sem apresentar qualquer contraprova e invocando uma perícia para que cumpra o papel que seria da Recorrente. Para bem fundamentar meu entendimento, socorrome do voto do que conduziu o Acórdão nº 2301005.129, desta turma, da lavra do Conselheiro João Bellini Júnior: A teor do disposto no o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, tais pedidos somente são deferidos quando necessários à formação de convicção do julgador. Ou seja, a perícia ou a diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo. Além do mais, descabe diligência ou perícia para averiguação de fato que possa ser comprovado com a juntada de prova documental, cuja guarda e comprovação está a cargo do sujeito passivo, como se dá no presente caso. Fl. 752DF CARF MF Processo nº 10580.729061/201011 Acórdão n.º 2301005.197 S2C3T1 Fl. 743 19 Portanto, indefiro o pedido de perícia, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, por considerála despicienda porquanto todos os elementos necessários à decisão já se encontram nos autos. 7. Aplicação das multas de mora e de ofício A Recorrente sustenta que a comparação das multas, para efeito de aplicação da retroatividade benigna, estaria incorreta porque compara multas de mora com multas de ofício. Alega que a comparação deveria se dar somente entre as sistemáticas de cálculo de multa de mora vigentes à época dos fatos geradores com as vigentes à época do lançamento, pois, sempre segundo a Recorrente, a legislação da época não previa a aplicação de multa de ofício. Para efeito de constatação da hipótese mais benigna, deverseia comparar a Segundo o seu entendimento, por ter havido entrega de Gfip contendo informações incorretas ou omissão de dados, deveria ser aplicada, no caso, a multa prevista no inc. I do art. 32A da Lei nº 8..212, de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009: Art.32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas, e ............................................................................................................. A Recorrente justifica, em seu apelo, que a multa devida seria a prevista no inc. I do art. 32A da Lei nº 8..212, de 1991, porque se trata de multa com a mesma natureza da penalidade anteriormente prevista para a hipótese de entrega de GFIP contendo omissão de dados (efl. 730) (sem grifo no original.). De fato, acerta a Recorrente ao afirmar que devem ser comparadas as multas de mesma natureza, mas essa comparação conduz a conclusão de que a multa aplicada no caso dos autos está correta e o raciocínio da Recorrente, por conseguinte, está equivocado. Confunde, a Recorrente, a natureza da multa com a sua nomenclatura. A multa aplicada no lançamento sob análise não teve caráter moratório, devida pelo pagamento do tributo a destempo, mas tratouse de multa resultante da ação estatal que, por meio da medida fiscal, efetuou o lançamento nos termos do art. 142 do CTN. No Direito Tributário, as multas se classificam em dois gêneros: as multas de mora e as multas punitivas. As multas de mora são destinadas a reparar a impontualidade do contribuinte que, embora a destempo, adimpliu, espontaneamente, sua obrigação tributária. Têm efeito desestimulador do pagamento em atraso, de modo a compelir o contribuinte a pagar o tributo no prazo legalmente previsto, sob pena de arcar com ônus econômico adicional. As multas Fl. 753DF CARF MF 20 moratórias não se confundem com os juros de mora, cuja finalidade é a remuneração do capital no tempo. Tanto as multas quanto os juros moratórios integram o crédito tributário. As multas punitivas são sanções aplicadas ao contribuinte que deixou de, espontaneamente, cumprir a obrigação tributária, seja ela acessória ou principal. São aplicáveis quando, em atividade plenamente vinculada, o poder público identifica o descumprimento da obrigação e procede ao lançamento, como previsto no art. 142 do CTN, o que implica a imposição legal de penalidade pecuniária, na forma de multa, que integra o crédito tributário. As multas punitivas possuem duas distintas espécies: a multa de ofício e a multa isolada. A multa de ofício surge com o descumprimento da obrigação principal e é a ela vinculada, geralmente representando um percentual do tributo não recolhido. A multa isolada decorre do descumprimento de obrigação acessória e, com o lançamento, convertese em obrigação principal. No caso dos autos, independentemente da nomenclatura utilizada pela legislação de fundamento ou pelo auto de infração (efl. 2), tratamse de multas aplicadas em decorrência do descumprimento de obrigações tributárias principais, consistentes no não recolhimento dos valores de contribuições previdenciárias devidas pela Recorrente, apuradas mediante ação fiscal. Portanto, não há dúvidas de que multas constantes do discriminativo do débito (efl. 5 a 19), que compõe o auto de infração, têm natureza de multas de ofício. Não se trata de recolhimento espontâneo de tributos ocorrido após o vencimento, o que descaracteriza a natureza moratória das multas. Diante da constatação de que o encargo é, materialmente, multa de ofício, vale invocar o posicionamento da CSRF sobre a matéria, cujo entendimento encontrase pacificado. Reproduzo, pois, parte do voto condutor do Acórdão nº 9202006.028, com cuja fundamentação concordo e assumo como parte das razões de decidir: De inicio (sic), cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS Fl. 754DF CARF MF Processo nº 10580.729061/201011 Acórdão n.º 2301005.197 S2C3T1 Fl. 744 21 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Pois bem, a Autoridade Fiscal, acertadamente, comparou, período a período, as multas calculadas sob as sistemáticas vigentes antes e depois da Medida Provisória nº 449, de 2008, conforme demonstrou Relatório Fiscal de Aplicação da Multa de Mora e da Multa Punitiva por Descumprimento das Infrações Relacionadas à Gfip (efls. 74 a 82), do qual destacase o seguinte trecho: O somatório das multas calculadas pela sistemática antiga (§5º do art. 32 da Lei 8.212/91; alínea “a” do inciso II do art. 35 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.876/99; e § 6° do art. 32, da lei n° 8.212/91) deve ser confrontado com a nova forma de cálculo introduzida pela Lei n° 11.941/09 (art. 35A na Lei 8.212/91 e art. 32A na Lei 8.212/91), aplicandose a multa menos gravosa. Ficou incontestemente evidenciado, nos cálculos nos itens onze e doze (efls. 78 e 79), que, dentre as duas opções possíveis, a Autoridade Lançadora utilizouse da mais benéfica ao contribuinte, retroagindo a aplicação da legislação inovadora apenas em relação às competências 2, 3 e 13 de 2006. Para as demais, manteve a legislação vigente quando do lançamento. Fl. 755DF CARF MF 22 Destaquese que essa comparação deverá ser feita novamente, quando do efetivo pagamento das contribuições. É o que estabelece a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4 de dezembro de 2009: Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Conclusões Por todo o exposto, voto no sentido dar parcial provimento ao recurso voluntário para: rejeitar a) a preliminar de cerceamento do direito de defesa por utilização da menor alíquota na aferição indireta da contribuição dos empregados, e b) a preliminar de nulidade em razão da utilização de aferição indireta, e negar o pedido de perícia, por desnecessária. No mérito, voto por a) excluir do lançamento os valores resultantes dos levantamentos VT e VT1, correspondentes à incidência de contribuições previdenciárias sobre as parcelas inferiores a 6% de desconto dos empregados a título de valetransporte, e b) negar provimento ao recurso nas demais matérias. João Maurício Vital Relator Fl. 756DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.901955/2014-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. No despacho decisório o direito creditório não foi reconhecido porque o pagamento em questão fora integralmente utilizado na quitação de débito devidamente declarado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 01 95 5/ 20 14 -1 9 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10675.901955/201419 Resolução nº 1201000.474 S1C2T1 Fl. 3 2 Foi protocolada manifestação de inconformidade em que foi alegado tratarse de pagamento de tributo já retido pela fonte pagadora. A manifestação foi considerada improcedente uma vez que, pelos elementos de prova carreados aos autos, não se observa ter ocorrido pagamento em duplicidade de tributo sujeito à retenção na fonte. O pagamento referese a tributo devido pela sistemática do lucro presumido, regularmente apurado e declarado. No Recurso Voluntário foi alegado: a) que houve prestação de serviços da recorrente e a fonte pagadora efetuou a retenção do imposto; b) a recorrente também recolheu imposto do período, ocasionando o recolhimento em duplicidade; c) foram produzidas provas que comprovam o recolhimento em duplicidade. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.457, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10675.901644/201441, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.457): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Segundo o recorrente, houve pagamento em duplicidade, uma vez a retenção na fonte relativamente aos serviços por ele prestados e, posteriormente, pagamento do imposto desse mesmo período. Ocorre que o valor pago referese ao imposto apurado no período trimestral pela sistemática do Lucro Presumido e, conforme pode ser visto desde o Despacho Decisório, esse pagamento corresponde ao valor apurado e devidamente declarado. Esse o motivo do indeferimento do pleito. Contudo, não consta dos autos a DIPJ do período correspondente, pelo que não é possível verificar se houve ou não a dedução do IRRF na apuração do imposto e, ainda, o resultado dessa apuração. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10675.901955/201419 Resolução nº 1201000.474 S1C2T1 Fl. 4 3 Fazse pois necessária a juntada aos autos da DIPJ do período e a demonstração do imposto a pagar apurado. Conclusão. Em face do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para: a) juntadas das cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação das retenções do IRRF; c) verificação quanto à dedução do imposto retido; d) que se apure eventual pagamento a maior (crédito passível de utilização). O contribuinte poderá ser intimado a prestar esclarecimentos, a juízo da autoridade diligenciante. A conclusão deverá constar de relatório circunstanciado do qual se dará ciência ao interessado para que, querendo, se manifeste no prazo de trinta dias. Com ou sem a manifestação do interessado, os autos deverão retornar a este colegiado para julgamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.934189/2009-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, José Carlos de Assis Guimarães, Gisele Barra Bossa, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli); ausentes justificadamente Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: 04845811391 - CPF não encontrado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, José Carlos de Assis Guimarães, Gisele Barra Bossa, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli); ausentes justificadamente Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Luis Fabiano Alves Penteado
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, José Carlos de Assis Guimarães, Gisele Barra Bossa, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli); ausentes justificadamente Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Luis Fabiano Alves Penteado 1 Relatório Trata o processo de Declaração(ões) de Compensação PER/DComp, transmitidas, em que o contribuinte requer o crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal para compensação de débitos. O crédito provém do recolhimento em 28/12/2006, de R$ 411.500,61 de 248401 CSLL Demais PJ que apuram o IRPJ com base em estimativa mensal, do mês 12/2006. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 34 18 9/ 20 09 -4 0 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10980.934189/200940 Resolução nº 1201000.423 S1C2T1 Fl. 3 2 2. O Despacho Decisório DD não homologou a compensação declarada porque: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. 3. E exige o total de débitos não compensados, com juros e multa de mora. 4. O contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, em relação à qual a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR DRJ/CTA emitiu o Acórdão, considerandoa improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2006 PER/DCOMP. NÃOHOMOLOGAÇÃO. PGTO INDEVIDO OU A MAIOR. PARCELA ESTIMATIVA IRPJ. NECESSIDADE DE DEDUÇÃO COM O DEVIDO NO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO OU COMPOR O SALDO NEGATIVO. VIGÊNCIA IN SRF 600/2005. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. 5. Cientificado, o contribuinte apresentou tempestivo recurso voluntário resumido a seguir. 6. Assevera que a DIPJ e DCTF comprovam o pagamento a maior da estimativa mensal; que a aplicação da IN SRF nº 600, de 2005, não tem sido recepcionada nas instâncias superiores de julgamento. 7. Descreve que, tanto as pessoas jurídicas como as pessoas físicas fazem a consolidação da renda auferida durante o ano para, conforme determinações legais, fazer o cálculo do ajuste anual do imposto devido ou imposto a ser restituído e compensado; que, para facilitar a gestão desses tributos, inclusive beneficiando o fluxo de caixa das empresas e do próprio Governo Federal, foi criada a sistemática de recolhimento antecipado do IRPJ e da CSLL, no regime de estimativas mensais pelo qual as Pessoas Jurídicas ficaram obrigadas a ANTECIPAR mensalmente valores de Imposto de Renda/ CSLL; e, uma vez apuradas e pagas as estimativas mensais, caso no final do período o imposto devido seja inferior ao recolhido mensalmente, o contribuinte poderá utilizar esse valor pago a maior na forma de "saldo negativo" do imposto/contribuição; e se o contribuinte recolher um valor a maior do que a estimativa apurada, é certo que esse pagamento será indevido, podendo o valor excedente ser restituído ao contribuinte. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10980.934189/200940 Resolução nº 1201000.423 S1C2T1 Fl. 4 3 8. Frisa que o pagamento indevido não está condicionado ao período de apuração anual, mas decorre do pagamento do imposto em valor superior ao efetivamente apurado para determinada estimativa. 9. Argumenta que, como esses pagamentos a maior não foram utilizados para a compensação das estimativas subsequentes e nem para a composição do saldo negativo do período, é líquido e certo o direito da Recorrente em utilizálos na compensação de outros tributos. 10. Aponta ilegalidade da IN SRF nº 600, de 2005, dado que, conforme comando inserto no art. 165 do Código Tributário Nacional, o sujeito passivo tem direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de pagamento espontâneo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributaria aplicável; da mesma forma, o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, garante a restituição de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal, cujo recolhimento tenha se mostrado superior ao exigível. 11. Transcreve Acórdãos do CARF e de DRJ em apoio à sua tese. 12. Reportase à IN SRF nº 900, de 2008, que veio corrigir o cenário, permitindo a compensação de pagamentos indevidos e não a condicionando ao uso dos valores na composição do saldo negativo, pois suprimiu o art. 10 da IN anterior; as autoridades administrativas passaram a decidir pela aplicação retroativa da IN SRF nº 900, de 2008. 2 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.417, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10980.934190/200974, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório requerido no presente processo tem como origem o DARF recolhido em 28/12/2006 , relativo ao 248401 CSLL Demais PJ que apuram o IRPJ com base em estimativa mensal, no valor de R$ 411.500,61. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.417): "2.1 LOTE. 13. O processo nº 10980.934190/200974, foi elaborado visando que sua análise e conclusões sirvam como paradigma para os Acórdãos a serem proferidos nos demais processos do Lote; são eles, conforme pesquisa no sistema eprocesso: 10980.932255/200947 10980.932260/200950 10980.932256/200991 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10980.934189/200940 Resolução nº 1201000.423 S1C2T1 Fl. 5 4 10980.932258/200981 10980.934191/200919 10980.932263/200993 10980.934189/200940 14. Verificouse que tanto os despachos decisórios como os Acórdãos DRJ destes processos que compõem o lote são de teor idêntico. 2.2 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. VALOR INDEVIDO OU A MAIOR. 15. A IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, determinava que: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. 16. O art supra foi suprimido pela IN SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que revogou a IN SRF nº 600, de 2005. 17. E a Solução de Consulta Interna Cosit nº 19 de 5 de dezembro de 2011, explicitou que: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa.Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005.A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10980.934189/200940 Resolução nº 1201000.423 S1C2T1 Fl. 6 5 originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa.Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. 18. Na sessão realizada em 10/12/2012, foi aprovada pela Primeira Turma da CSRF a Súmula CARF nº 84: Súmula Acórdãos paradigma Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 1101 00.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. 19. Reproduzse a seguir excertos do Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009, um dos que foram paradigma para a Súmula: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial do contribuinte para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir valores recolhidos a maior daqueles estabelecidos por lei a titulo de antecipação (estimativas) e, por conseguinte, determinar que sejam examinadas as demais questões de mérito inerente ao pedido de compensação formulada pelo contribuinte, inclusive no que se refere a correção das retificações de declaração e ao eventual aproveitamento do citado credito ao final do ano calendário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (...) No caso, entendo não ser possível homologar, desde já, a compensação declarada pelo Contribuinte, urna vez que a única questão submetida ao contraditório nos autos foi a da restituibilidade (ou não) da estimativa recolhida a maior . Tendo em vista que o Recorrente em um primeiro momento calculou em R$ 4.668.087,16 o valor de sua obrigação de antecipar a CSLL, no mês de junho de 2002 e, depois, informou que, por novo cálculo, referido valor seria de R$ 2.559.397,53, entendo que os referidos valores devem ser confirmados ou infirmados pela Fiscalização, para, somente após, haver a homologação do pleito do Contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso especial do contribuinte para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir valores recolhidos a maior daqueles estabelecidos por lei a titulo de antecipação (estimativas) e, por Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10980.934189/200940 Resolução nº 1201000.423 S1C2T1 Fl. 7 6 conseguinte, determinar que sejam examinadas as demais questões de mérito inerentes ao pedido de Compensação formulado pelo Contribuinte, no que se refere à correção das retificações de declaração e ao (eventual) aproveitamento do citado credito no ajuste do anocalendário. (Grifouse.) 20. À vista do exposto, evidenciase pacificada a questão quanto à possibilidade de restituição/compensação de valor recolhido indevidamente ou a maior de estimativas mensal. 2.3 DIREITO CREDITÓRIO. 21. O valor requerido se refere a estimativa mensal informada no processo nº [...] como tendo sido recolhida em [...], via DARF, no valor total de [...], mas cujo comprovante de arrecadação não consta do processo, e tampouco foi objeto de verificação/confirmação. O contribuinte anexou a Ficha 11 da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ do anocalendário e a ficha de totalização dos tributos e contribuições apurados no mês, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referentes à estimativa em pauta, ambas retificadoras. As datas de transmissão de todas as peças do processo são: a. PER/Dcomp [...]; b. DIPJ retificadora [...]; c. DCTF retificadora [...]; d. ciência do despacho decisório [...], portanto as declarações supra foram espontâneas. 22. Sobre declarações retificadoras, determina a IN SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1º A retificação da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. (...) § 2º A declaração retificadora referida neste artigo: I terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF No 094, de 24 de dezembro de 1999; II será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. Art. 2º A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais DCTF, deverá Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10980.934189/200940 Resolução nº 1201000.423 S1C2T1 Fl. 8 7 apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. Art. 3º Quando a retificação da declaração apresentar imposto maior que o da declaração retificada, a diferença apurada será devida com os acréscimos correspondentes. Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. 23. Consoante a IN SRF nº 166, de 1999, as declarações retificadoras substituem integralmente as originais, produzindo os mesmos efeitos; verificase que foram espontâneas, pois entregues antes da ciência do despacho decisório. 24. Porém, em se tratando do reconhecimento de direito creditório, e como a discussão se ateve ao direito ou não ao crédito referente a estimativa recolhida a maior ou indevidamente, verificase que não houve em momento algum a análise visando confirmar o direito creditório requerido. 25. Consta da DIPJ [...], da qual a Ficha [...], foi anexada, que a forma de determinação da base de cálculo foi em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução; eis que neste caso, na apuração da estimativa de cada mês, se deduz os valores de IRPJ /CSLL, respectivamente, devidos nos meses anteriores do mesmo ano, assim como os valores de IRPJ/CSLL, respectivamente, retidos na fonte. 26. Verificase no sistema eprocesso que constam para relatar 8 (oito) processos do contribuinte distribuídos para esta Turma, que requerem créditos de estimativas de recolhimento indevido ou a maior de estimativas de IRPJ e de CSLL, dos anoscalendário 2006 e 2005. 27. É necessário que sejam analisados todos os PER/Dcomp destes processos (sendo que pode haver ainda outros processos de teor análogo distribuídos a outras Turmas do CARF ou ainda nas DRJ's), que tratem dos mesmos créditos ou não, mas que sejam referentes a estes anoscalendário. 28. Há necessidade que: a. se confirmem os recolhimentos das estimativas que o contribuinte considera recolhidas a maior ou indevidamente, sendo que parte delas pode ter sido objeto de compensações (verificase que em algumas partes de DCTF anexadas nos processos do lote consta que o pagamento se deu mediante "Outras compensações", sem informar o PER/Dcomp onde tal compensação teria sido declarada), que devem ser verificadas; b. se refaçam as apurações das estimativas mensais dos anos calendário em pauta, para verificar se as estimativas quitadas foram ou não computadas nas apurações dos meses subsequentes e na apuração anual; c. consta da DIPJ que a determinação da base de cálculo foi em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, cabe portanto Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10980.934189/200940 Resolução nº 1201000.423 S1C2T1 Fl. 9 8 verificar ao menos por amostragem, se os dados da DIPJ efetivamente se baseiam em Balanços/Balancetes constantes da contabilidade do contribuinte; d. se verifique se eventuais saldos negativos anuais resultantes já não teriam sido objeto de Per/Dcomp; e. emitir Parecer acerca do pedido constante do PER/Dcomp em epígrafe, informando se e qual o valor do recolhimento indevido ou a maior da estimativa efetivamente recolhida ou compensada caracteriza crédito de recolhimento indevido ou a maior, passivel de ser reconhecido para compensação, em que a data do direito creditório deva ser computada a partir da respectiva data do recolhimento. f. cientificar o contribuinte, facultandolhe a apresentação de contestação. 3. Conclusão. Voto pela realização da diligência descrita no voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 122DF CARF MF
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Numero do processo: 13411.720065/2007-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004
Ementa:
PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente. Ademais, não restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Não tendo o contribuinte apresentado documentação hábil a comprovar a origem dos depósitos bancários, deve o lançamento ser julgado procedente.
Numero da decisão: 1301-002.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar argüida, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente. Ademais, não restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Não tendo o contribuinte apresentado documentação hábil a comprovar a origem dos depósitos bancários, deve o lançamento ser julgado procedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar argüida, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 41 1. 72 00 65 /2 00 7- 60 Fl. 678DF CARF MF Processo nº 13411.720065/200760 Acórdão n.º 1301002.988 S1C3T1 Fl. 679 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira e Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase o presente processo de autuação fiscal decorrente de omissão de receitas no anoscalendário de 2003 e 2004, o que culminou com a lavratura dos autos de infração, exigindo os créditos tributários no montante de R$ 1.224.095,63 relativos ao Simples. Conforme se depreende da autuação fiscal, às fls. 387/396, as infrações imputadas foram: 2.1. “001 OMISSAO DE RECEITAS. DEPOSITOS BANCARIOS NAO ESCRITURADOS”. Segundo a autoridade autuante, valores relativos a depósitos/ingressos bancários nas contascorrentes n.°s 10.4329 e 11.1589, do Banco Bradesco S/A (agência 11223), não tiveram a sua origem comprovada; 2.2. “OO2 DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO”. Valores decorrentes da escrituração a maior, no Livro Caixa, das receitas de faturamento efetivamente recebidas; 2.3. “003 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO”. Insuficiência de valores recolhidos/declarados, conforme Demonstrativo de Apuração dos Valores não Recolhidos. Baseada no termo de encerramento fiscal (fls. 439/443), a autoridade fiscal concluiu que: O procedimento fiscal teve origem em demanda do Ministério Público Federal. O período fiscalizado foi de janeiro de 2003 a dezembro de 2004; O contribuinte autuado tem, como atividade predominante, a locação de automóveis sem condutor e o comércio varejista de carros usados. É optante do Simples desde 01/01/2003. No anocalendário de 2004, manifestou inquestionável opção em alterar seu enquadramento, no Simples, de Microempresa ME para Empresa de Pequeno Porte EPP, de acordo com o Ato Declaratório Interpretativo ADI n.° 16, de 02/10/2002, conforme consta da Declaração Simplificada PJ SIMPLES, bem como nos recolhimentos com a definição do percentual incidente sobre a receita bruta, no caso da EPP; Entre os documentos entregues à fiscalização, consta uma declaração, assinada pelo contabilista do contribuinte, através da qual afirmou ter adotado o regime contábil de caixa, na apuração do Simples, no curso dos anoscalendário de 2003 e 2004; O contribuinte foi intimado a apresentar justificativas sobre os recursos movimentados nas contascorrentes n.°s 10.4329 e 11.l589, do Banco Bradesco Fl. 679DF CARF MF Processo nº 13411.720065/200760 Acórdão n.º 1301002.988 S1C3T1 Fl. 680 3 S/A (agência 11223). Em resposta, apresentou documentos que justificam apenas parcialmente a origem dos recursos financeiros que ingressaram nas referidas contas, especificamente operações de financiamento ou refinanciamento junto aos bancos DIBENS, UNIBANCO, FINANCEIRA SP, BANCO FINASA S/A e outros. O contribuinte reconhece a existência de receitas outras decorrentes de comissão sobre a intermediação de vendas/financiamento de veículos, sendo estas comprovadas em consulta às DIRFs que o apresentaram como beneficiário. Não se comprovou, através de documentação hábil e idônea, a origem dos ingressos referentes a descontos de cheques; Os valores relativos a ingressos bancários cuja origem não foi comprovada não estão escriturados no Livro Caixa. Inconformada a contribuinte apresentou impugnação (fls. 450/459), alegando em síntese: a nulidade dos autos de infração, ao fundamento de que depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos, havendo a necessidade de se comprovar o nexo causal entre os valores depositados e o fato gerador que representa a omissão de rendimentos, consoante decisões do Supremo Tribunal Federal ~ STF e do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, bem como da Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos e de acórdão da DRJ de Curitiba. No mérito, aduz, sem síntese: . Não foram excluídos, da base de cálculo, os seguintes valores relativos a rendas não tributáveis ou já tributadas: a) os já declarados nas DIPJs dos exercícios de 2003 e 2004, uma vez que as receitas já foram consideradas como ingressos de recursos em contacorrente bancária, com imposto devidamente pago, mas foram duplamente glosados conforme planilha de fl. 369, de modo que deve ser excluído o valor total já declarado, no montante de R$ 308.703,21 (tabela 1; acosta demonstrativo dos valores supostamente já tributados, através da emissão de notas fiscais, assim como cópia do Livro de Registro do Imposto sobre Serviço ISS); b) os descontos de cheques, no total de R$ 768.839,48 (tabela 1; afirma que tais valores referemse a ingressos relativos a desconto de cheques de terceiros, para os quais disponibilizou sua contacorrente para que se efetuassem os descontos, posteriormente repassados aos verdadeiros titulares ou por simples cortesia a seus clientes, ou apenas pela intermediação das transações de veículos usados que não foram objeto de financiamentos, ou seja, de particular para particular, utilizandose o seu estabelecimento apenas para as chamadas vendas em consignação, “onde os vendedores dos veículos apenas solicitavam que a autuada descontasse para ele os cheques recebidos, sendo os mesmos depositados na C/C PJ do autuado, uma vez que as taxas e encargos de descontos de cheques para PJ são mais baixos do que para PF”, c) os cheques devolvidos, no total de R$ 246.567,82 (tabela 3, resumidos na tabela 1); d) doações feitas pela irmã MARIA VILMANI BRANDÃO ARAÚJO, no total de R$ 195.000,00 (tabela 1; afirma que, “conforme já informado na defesa da PF”, a doadora dispunha de recursos para realizar a doação e tinha interesse no destino da empresa do irmão, “tendo em épocas anteriores mais precisamente em Fl. 680DF CARF MF Processo nº 13411.720065/200760 Acórdão n.º 1301002.988 S1C3T1 Fl. 681 4 1999 doado a importância de R$ 1.000.000,00 que foram devidamente declarados na declaração do imposto de renda PF do titular da autuada, recurso este proveniente de premiação em concurso da megasena que já tem o IR retido exclusivamente na fonte”, fato que pode ser constatado nas declarações de imposto de renda da doadora e do doador); e) doações feitas pelo irmão CARLOS LUIZ BRANDAO, no total de R$ 5.000,00 (tabela 1; afirma que o doador também foi contemplado com doação da irmã já referida, no valor de R$ 1.000.000,00 e na mesma época); Í) doações feitas pela esposa KILLIAN BRANDÃO, no total de R$ 10.000,00 (tabela 1); g) valores, no total de R$ 217.400,00, que não lhe pertencem. As pessoas físicas relacionadas na tabela 2 lhe solicitavam a indicação de veículos novos ou usados para que adquirissem, de modo que eram feitos depósitos ou transferências de valores para a sua contacorrente, que, por sua vez, os repassava para as empresas vendedoras dos veículos novos ou pessoas físicas proprietárias dos veículos usados (afirma reconhecer que descumpriu obrigação acessória, ou seja, emissão de notas fiscais de entrada e saída, e que as comissões recebidas foram reconhecidas no auto de infração. Afirma, também, que toda a receita declarada em 2003 e 2004, na DIPJ, decorreu exclusivamente da locação de veículos, conforme demonstram as cópias das notas fiscais anexadas e cópia do Livro de Registro de ISS); h) valores, no total de R$ 22.508,43, que se referem, também, a ingressos, na contacorrente, de créditos de vendas de carros usados e sua correspondente comissão na intermediação, “que, quando da justificativa por escrito apresentada, o fiscal autuante considerou quase a sua totalidade, glosando apenas as comissões, no entanto, ficou de fora da exclusão da base de cálculo a importância acima citada”); O demonstrativo da situação fiscal elaborado pela autoridade autuante, após a dedução dos valores mencionados, foi reduzida de R$ 1.224.095,63 para R$ 460.790,82 (incluindo multa e acréscimos legais), conforme demonstrativo reproduzido na tabela 4; . Na aplicação dos percentuais sobre a receita bruta, que já foram objeto de correção na tabela 4, o fiscal autuante equivocadamente majorou em 50% os percentuais aplicados na tabela, levando em conta que a atividade da autuada é de prestação de serviços, “sendo enquadrada no Simples onde auferiu receita bruta decorrente da prestação de serviços em montante igual ou superior a 30% da receita total”. Como consta dos atos constitutivos, a sua atividade foi exclusivamente a de locação de veículos sem motorista, conforme comprovam notas fiscais e livros relativos ao ISS. A Suprema Corte já emitiu entendimento de que as locações de bens móveis, porque envolvem obrigação de dar, não de fazer, não constituem serviço. Assim, decidiu pela inconstitucionalidade da expressão “locação de bens móveis”, constante do art. 79 da lista de serviços anexa ao Decretolei n.° 406/68, com as alterações dadas pela Lei Complementar n.° 56/87. No mesmo sentido, a Solução de Consulta n.° 274, publicada em 06/10/2004, elaborada pela 10” Região Fiscal; . Se a locação de bens móveis não é serviço, também não pode sofrer a incidência do PIS e da Cofins. O art. 2° da Lei Complementar n.° 70/91 prevê a incidência da Cofins sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta de vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza (anexou a tabela 5, na qual estariam excluídos, da base de cálculo, os percentuais de 2% da Cofins e os progressivos de 0,13 a 0,65% do Pis). Fl. 681DF CARF MF Processo nº 13411.720065/200760 Acórdão n.º 1301002.988 S1C3T1 Fl. 682 5 Ao final, após requerer o parcelamento de R$ 146.767,23 (tabela 6), suplica pela improcedência da autuação e protesta pela “juntada de prova e contraprova posteriormente. A DRJ, ao analisar a impugnação de fls 646/649, julgou improcedente, mantendo na integra a exigência fiscal. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (658/667), no qual repisa os argumentos da Impugnação e contesta os motivos que levaram à DRJ a julgar seu pedido improcedente. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Relator. O recurso voluntário foi tempestivamente interposto e atende os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Cuida o presente processo de auto de infração referente à créditos tributários no valor de R$ 146.767,23, relativo ao Simples Nacional. Conforme se apura do Relatório Fiscal às fl. 43, a empresa foi selecionada para fiscalização. A contribuinte entregou seus livros contábeis, bem como uma declaração assinada pelo seu contabilista de que o contribuinte adotou o regime contábil de caixa na apuração do Simples no curso dos anoscalendário de 2003 e 2004 (fls.93/94) A fiscalização intimou as empresas VOLKSWAGEN DO BRASIL IND. DE VEÍCULOS AUTOMOTORES LTDA, FIAT AUTOMÓVEIS SA, FORD MOTOR COMPANY BRASIL LTDA e GENERAL MOTORS DO BRASIL LTDA a apresentarem dentre outros documentos as notas fiscais de vendas de veículos à fiscalizada, fls. 13 a 22. Adiante intimou o contribuinte a apresentar os Extratos das contas bancárias e a retificação dos livros caixas entregues dos anos de 2003 e de 2004, tendo em vista a não observância da ordem cronológica dos lançamentos contábeis (fls. 23 e 26). A Recorrente por meio de seu auxiliar contábil Vilmar Freire da Silva apresentou 2 livros caixas (fl. 27) e extratos bancários as contas n° 10.4329 e n° 11.1589 da agência n° 11223 do Banco Bradesco referentes aos meses de 09/2003 a 12/2004, fls. 28. A fiscalização solicitou ao contribuinte alguns Livros Fiscais da sua filial CNPJ 04.240.801/000285 a comprovação através de documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores a origem dos recursos financeiros que ingressaram nas Contas Correntes n° 10.4329 e n° 11.1589 da agência n° 11223 do Banco Bradesco referentes aos meses de 09/2003 a 12/2004, fls. 31 a 89. Fl. 682DF CARF MF Processo nº 13411.720065/200760 Acórdão n.º 1301002.988 S1C3T1 Fl. 683 6 Em resposta, o contribuinte apresentou informações referentes às operações financeiras que manteve com o Banco FINASA, fls. 99 a 105, comprovando em parte que alguns ingressos se referiam a simples repasses referentes a financiamento e a refinanciamento de terceiros na venda de veículos efetuados pelo contribuinte na filial 0002. Também apresentou os documentos constantes às fls. 106 a 114 em que justifica parcialmente as origens dos recursos financeiros que ingressaram nas Contas Correntes n° 10.4329 e n° 11.1589 como sendo operações de financiamento ou refinanciamento junto aos Bancos DIBENS, UNIBANCO, FINANCEIRA SP, BANCO FINASA S/A e outras. Enfatizo que no mesmo documento, o contribuinte reconhece a ocorrência de receitas decorrentes de comissão sobre a intermediação de vendas/financiamento de veículos, sendo estas comprovadas em consulta as DIRF's que tiveram o contribuinte como beneficiário. Com efeito, Dentre suas alegações, o contribuinte não comprovou através de documentação hábil e idônea a origem dos ingressos referentes aos descontos de cheque. Assim, relacionamos todos os ingressos financeiros nas Contas Correntes n° 10.4329 e n° 11.1589 da agência n° 11223 do Banco Bradesco cuja comprovação através de documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores da origem dos recursos não se logrou êxito. fls. 343 a 368. A fiscalização destacou, ainda, que estes ingressos bancários não estão escriturados no Livro Caixa (fls. 210 e 262). Desse modo, as movimentações financeiras realizadas no período (valores creditados nas contas bancária do contribuinte) foram consideras como receitas omitidas pela fiscalização, por força do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Diante do exposto, foi constituído o respectivo crédito tributário, conforme tabela abaixo: Feita narrativa dos fatos, passemos as razões de defesa da Recorrente: PRELIMINAR A Recorrente questiona a disponibilidade jurídica ou econômica, de renda ou de proventos de qualquer natureza, com base na realização de depósitos em conta bancária a ele pertencente. Ressalta que os depósitos bancários, quando muito, poderiam configurar como mero indícios da aferição da renda, mas não como a própria renda ou provento exigido no caso em tela. Destaca que os depósitos bancários, por si só, não caracterizam o sinal de riqueza, necessitam de vários requisitos, a saber: perfeita identificação do sinal, fixação da Fl. 683DF CARF MF Processo nº 13411.720065/200760 Acórdão n.º 1301002.988 S1C3T1 Fl. 684 7 renda tributável relacionado com o sinal, demonstração da natureza tributável do rendimento, etc. Adiante, alega que, consoante a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), restou averbado ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base em apenas extratos ou depósitos bancários. Concluindo que, se não houver acréscimo patrimonial ou mesmo a indicação de que os valores movimentados foram consumidos, não é válida a presunção do artigo 42 da Lei 9.430/96, sendo indevidas as cobranças lançadas desse modo. Dessa forma, conclui que a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96 colide com as diretrizes do processos de criação das presunções legais, à medida em que não há nexo causal entre o depósito bancário e rendimento omitido, requerendo a NULIDADE do auto de infração. Tais argumentos não devem prosperar. Primeiramente destaco que a Súmula 182 foi proferida pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR , em 07/10/1985. Em conformidade com a legislação vigente à época da edição da Súmula 182, o arbitramento com base apenas em extratos ou depósitos bancários foi considerado ilegítimo por consistirem os depósitos bancários em mera movimentação financeira, sem traduzir o conceito de acréscimo patrimonial. Com o advento de legislações supervenientes, especificamente a Lei nº 9.430/96, a Súmula 182 do TRF tornouse inaplicável. O objeto da tributação deixou de ser os depósitos bancários em si, mas a omissão de receitas por eles representada e exteriorizada, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal legislação criou a presunção legal que vincula autoridade fiscal. Assim, quando presentes seus pressupostos, quais sejam, a intimação ao contribuinte e a não comprovação da origem dos recursos usados nos depósitos bancários, deve ser feito o lançamento tributando esses valores como omissão de receita., com base no referido artigo 42. Portanto, o objeto da autuação deixou de ser os depósitos bancários em si, mas sim a omissão de receita por eles representada e exteriorizada, nos termos do artigo 42 supra. Assim, as alegações da recorrente no sentido de que o lançamento com fulcro em depósitos bancários são ilegítimos pelo fato de não podermos conceituar tais atos jurídicos como renda tributável são improcedentes. Destaco, por oportuno, que o enquadramento legal utilizado nos autos de infração é o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Isso equivale dizer que omissão de receitas caracteriza pelos valores creditados em contas de depósito mantida perante as instituições financeiras, as Fl. 684DF CARF MF Processo nº 13411.720065/200760 Acórdão n.º 1301002.988 S1C3T1 Fl. 685 8 quais a contribuinte regularmente intimada não comprovou a origem dos recursos usados nos depósitos bancários. Desse modo, entendo ser correta a autuação fiscal, tendo em vista que o titular da conta bancária pessoa física, o qual foi regularmente intimado não comprovou, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta bancária, estando o Fisco autorizado a proceder o lançamento do imposto correspondente. Diante o exposto, não restam dúvidas quanto a correção do procedimento adotado pela fiscalização, sendo considerados os depósitos efetuados na conta corrente da Recorrente como receita omitida, em decorrência da presunção legal, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430/96, razão pela qual não merece nenhum reparo a autuação neste aspecto, combinado com o fato de que o interessado não apresentou qualquer tipo de prova que pudesse afastar a referida presunção de omissão de receitas. Destaco ainda que a nulidade de um auto de infração somente se daria em caso de ter sido lavrado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59, I e II), o que não foi verificado no presente caso Destarte, o auto de infração se serviu de todos os requisitos formais exigidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não invalidando o exercício da ampla defesa no processo, bem como apontando a capitulação legal e a descrição da infração cometida. Assim, julgo no sentido de não acatar a preliminar de nulidade argüida pela Recorrente. Passemos ao mérito. MÉRITO DOS VALORES A SEREM EXCLUÍDOS DA BASE DE CÁLCULO A Recorrente questiona que não foram excluídos da base de cálculo alguns valores considerados indevidamente, uma vez que sua origem foi de rendas não tributáveis ou que foram tributadas. Os valores declarados nas Declarações Simplificadas dos exercícios de 2003 e 2004. Conforme a narrativa do Termo de Encerramento acima exposta, apurouse que os valores omitidos em contacorrente bancária não foram escriturados no Livro Caixa, razão pela qual foi exigidos os tributos sobre a totalidade sobre tais valores omitidos. Os valores relativos a descontos de cheques A fiscalização constatou que não houve qualquer comprovação documental. Destacase, como bem ponderou a decisão a quo, que a Recorrente por não ser instituição financeira autorizada pelo Banco Central, é impedida de promover descontos de cheques de terceiros, seja porque motivo for. Valores relativos a cheques devolvidos Fl. 685DF CARF MF Processo nº 13411.720065/200760 Acórdão n.º 1301002.988 S1C3T1 Fl. 686 9 Conforme exposto pela decisão da DRJ, há um equívoco cometido pela Recorrente. Os cheques depositados em sua contacorrente, quando devolvidos, não foram considerados pela autoridade autuante no cômputo do cálculo, conforme se comprova com o cotejo entre as tabelas nas quais registrados os valores da movimentação financeira e os extratos bancários com base nos quais elaborados. Cita, a exemplo,: a tabela de fl. 36 não considerou o cheque devolvido, em 26/09/2003, no montante de R$ 16.216,20, informado no extrato de fl. 163); Valores não pertencentes à impugnante A Recorrente relata que as pessoas físicas relacionadas na tabela 2 solicitavam da empresa autuada que, pelo seu conhecimento e Know how indicava veículos novos ou usados para que essas pessoas físicas adquirissem, sendo assim, eram feitos depósitos ou transferências de valores para a conta corrente da autuada, que por sua vez repassava para as empresas vendedoras dos veículos novos ou pessoas físicas proprietários de veículos usados como forma de pagamento da transação, sendo que tais recursos depositados e os veículos não pertenciam à autuada, que apenas intermediava a negociação. Verificase que a própria Recorrente afirma que deixou de cumprir com a obrigação acessória, reconhecendo que as comissões recebidas pela intermediações não foram declaradas ao Fisco. Nesse mister, também não há documentação hábeis que comprove a sua alegação, até porque não foram registradas. Valores que se referem a ingressos, na contacorrente, de créditos de vendas de carros usados e sua correspondente comissão na intermediação Como já se consignou, apenas as justificativas com base em documento idôneo podem afastar a consideração, para efeito de determinação da omissão, daqueles valores creditados em contacorrente. A Recorrente nada trouxe aos autos que amparasse sua pretensão. Portanto, mantenho a decisão da DRJ nesse ponto. DA MAJORAÇÃO DE 50% DA ALÍQUOTA DO SIMPLES A Recorrente questiona a majoração em 50%, prevista no art. 2º da Lei 10.034/00, relativo a alguns percentuais referidos no art. 5º da Lei 9.317/96 referente a certas atividades relacionadas no art. 1º da referida Lei e às pessoas jurídicas que aufiram receita bruta decorrente da prestação de serviços em montante igual ou superior a 30% da receita bruta total. A Recorrente alega que a sua atividade foi exclusivamente a de locação de veículos sem motorista, conforme consta dos atos constitutivo, bem como das notas fiscais e livros relativo ao ISS. Adiante, ressalta que, em acréscimo, que o STF já emitiu entendimento de que as locações de bens móveis, por envolver apenas a obrigação de dar, e não de fazer, não constituem serviços, de forma que as receitas daí provenientes não poderiam ser computadas como tal (Solução de Consulta nº 274/04 10ª Região Fiscal). Ressalta que a citada Solução de Consulta prevê que, para efeito de determinação do percentual incidente sobre a receita bruta mensal, pelas pessoas jurídicas inscritas no Simples que aufiram receita bruta decorrente da prestação de serviços em montante Fl. 686DF CARF MF Processo nº 13411.720065/200760 Acórdão n.º 1301002.988 S1C3T1 Fl. 687 10 igual ou superior a 30% (trinta por cento) da receita bruta total, não constituem receitas da prestação de serviços as decorrentes da locação de bens móveis, pelo que, comprovado o argumento de defesa, deverseia excluir do cálculo do limite dos 30% (trinta por cento) os valores relativos à locação dos veículos. Todavia, como pondera a decisão da DRJ, a fiscalização ao examinar as notas fiscais por ela emitidas verificou que apenas correspondem a uma pequena parcela da receita bruta total auferida, conforme o Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis sobre a Receita Bruta (fl. 370). Destaca ainda, que no cálculo do referido percentual, os valores omitidos representam um percentual bem superior a setenta por cento da receita declarada. Igualmente a decisão observou que o simples fato de constar no ato constitutivo a atividade principal de locação de bens não se presume que toda a receita omitida derivou da mesma, até porque a própria Recorrente reconheceu que praticava outras atividade, como a exemplo a intermediação na compra e venda de veículos. Portanto, entendo ser irretocável a decisão da DRJ nesse ponto. DA EXCLUSÃO DO PIS E DA COFINS A Recorrente se insurge contra a incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas advindas de locação de bens móveis, com base no entendimento acima consubstanciado, no sentido de que tal atividade não caracteriza a prestação de serviço. Pois bem. Nesse ponto, a decisão asseverou que a inscrição no Simples, nos termos do § 4° do art. 3° da Lei n.° 9.317, de 1996, introduz a pessoa jurídica em forma de apuração unificada quanto aos tributos que compõem o seu pagamento, que leva em consideração, para a determinação do montante a ser recolhido, exclusivamente a receita bruta auferida, restando, por esse motivo, afastada qualquer pretensão quanto à subtração de valores da base de cálculo sobre a qual se determina o devido mensalmente a titulo do regime simplificado. Concordo com os argumentos trazidos pela decisão. Outrossim, ressalto que a Recorrente nada trouxe aos autos para corroborar sua alegação nesse sentido. Por fim, como bem ponderou a decisão da DRJ, a contribuinte, em sua defesa, não impugna a infração 002 (valores decorrentes da escrituração a maior, no Livro Caixa, das receitas de faturamento efetivamente recebidas), tratandose, portanto, de matéria não contestada. Situação esta replicada em sede de Recurso, a qual a Recorrente nada alega a este respeito. A este respeito a regra contida no artigo 17 do Decreto n° 70.235/ l972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal, dispõe: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo ímpugnante." Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, negolhe provimento. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 13411.720065/200760 Acórdão n.º 1301002.988 S1C3T1 Fl. 688 11 É como voto. Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 688DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.904920/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
RESSARCIMENTO. PENDÊNCIA JUDICIAL.
É vedado o ressarcimento à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado.
RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR.
Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp.
Numero da decisão: 3301-004.472
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri - Presidente Substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Liziane Angelotti Meira- Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
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PENDÊNCIA JUDICIAL. É vedado o ressarcimento à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri Presidente Substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Liziane Angelotti Meira Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 49 20 /2 01 1- 21 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10840.904920/201121 Acórdão n.º 3301004.472 S3C3T1 Fl. 356 2 Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida (fls. 186/192), abaixo transcrito: Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório Eletrônico de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil que não homologou a compensação declarada, no valor de R$ 31.850,07, por ser inexistente o crédito utilizado nesta compensação, em decorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. O Fisco esclareceu que a ação fiscal, que deu origem ao auto de infração (processo administrativo nº 13603.724419/201174), teve por objeto a verificação de créditos e compensações referentes a diversos pedidos de ressarcimento de créditos de lPI apresentados pelo contribuinte. Relatou que a empresa em comento ingressou com Ação de Rito Ordinário com pedido de Antecipação de Tutela em face da União (Fazenda Nacional) distribuída perante a 6a vara da Justiça Federal de São Paulo em 16/10/2003, sob n° 2003.61.00.0295233, visando o não recolhimento do IPI incidente sobre os produtos destinados à alimentação de cães e gatos fabricados por ela e acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10Kg, alegando flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade do Decreto n° 4.542/02 e posteriores, que viessem em dissonância ao Decreto Lei n° 400/68. Obtida a tutela antecipada e sentença favorável, o Fisco decidiu proceder ao lançamento para evitar o transcurso do prazo decadencial, já que a empresa não fez o destaque nem escriturou o IPI devido nas saídas em comento. Os valores de IPI não destacados em cada período foram utilizados no procedimento de reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, de modo a apurar os verdadeiros saldos devedores e/ou credores que deveriam estar escriturados nos Livros de Registro de Apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (LAIPI) no período fiscalizado.Os valores de IPI não destacados em cada período foram utilizados no procedimento de reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, de modo a apurar os verdadeiros saldos devedores e/ou credores que deveriam estar escriturados nos Livros de Registro de Apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (LAIPI) no período fiscalizado. Em decorrência do auto de infração, verificouse alterações nos saldos da escrita fiscal, resultando no aparecimento de saldos devedores até então inexistentes ou na redução de saldos credores apurados pelo contribuinte, o que teve influência nos valores de ressarcimento pleiteados. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10840.904920/201121 Acórdão n.º 3301004.472 S3C3T1 Fl. 357 3 Regularmente cientificada da nãohomologação da compensação, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual, em síntese, fez as seguintes considerações: 1. No que tange a saída de produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10Kg, a requerente, a partir do 3o decêndio de outubro/03, buscou autorização judicial para não incidência do IPI sobre esses produtos, face a flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação que o instituiu, qual seja, Decreto n° 4.542/02. Em razão disso, a requerente acumulou saldo credor de IPI, o que lhe permite, a cada trimestre calendário, utilizálo em compensações com débitos de outros tributos federais administrados pela Receita Federal do Brasil. Portanto é legítima a compensação, nos termos autorizados pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional, combinado com o artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com redação conferida pela Lei n° 10.637/02 e artigo n°. 26 e seguintes da Instrução Normativa SRF n° 600/2005, vigente à época das compensações. Deveria ser, portanto, declarada homologada a compensação dos créditos de IPI que a requerente efetuou com seu débito de COFINS de junho de 2006, vez que possuía saldo credor suficiente. 2. A Delegacia da Receita Federal, em 09/12/2011, lavrou o Auto de Infração e Imposição de Multa Processo Administrativo MPF n° 0611000/00639/11, visando prevenir a decadência do crédito tributário de IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos fabricados pela requerente, acondicionados em embalagens com capacidade superiora 10Kg, sendo assim, imperioso que o julgamento da presente Manifestação de Inconformidade aguarde o julgamento da referida Impugnação Administrativa, pois, certamente a mesma será julgada totalmente procedente, com o conseqüente cancelamento do Auto de Infração e o restabelecimento da Escrita Fiscal, o que ensejará a homologação da presente compensação em sua integralidade. 3. A Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233 em nada poderá alterar os valor pleiteado na presente compensação, vez que, conforme bem demonstrado anteriormente, o saldo credor utilizado pela requerente foi derivado de aquisição de matérias primas, produtos industrializados e materiais de embalagem, nos termos do artigo 11 da Lei n° 9.779/99, não tendo nenhuma pertinência com a referida Ação. É certo que se ao final a Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233 for julgada improcedente, a DRF terá o direito de exigir os valores de IPI não destacados nas Notas Fiscais de saída, motivo pelo qual a legislação prevê a possibilidade de se lavrar o Auto de Infração com a exigibilidade suspensa, com a finalidade de prevenir a decadência. 4. Evidente que a requerente, mediante autorização judicial a qual foi concedida em sede de antecipação de tutela, não deveria proceder ao destaque do IPI em suas Notas Fiscais de saída e por conseqüência, deveria seguir com sua Escrita Fiscal, sob pena de perder o objeto a referida Ação. Totalmente descabida a Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10840.904920/201121 Acórdão n.º 3301004.472 S3C3T1 Fl. 358 4 pretensão da DRF no sentido de que a Requerente não poderia utilizar os saldos credores apresentados ao final dos trimestres calendários, pois se assim fosse, estaria desconsiderando a decisão judicial que lhe foi concedida. 5. Da mesma forma, resta cristalino que a DRF está descumprindo determinação judicial contida na Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233, qual seja, absterse de exigir da Requerente o IPI sobre alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens acima de dez quilos. 6. Verificase que a compensação procedida pela Requerente está em consonância com a legislação pertinente sobre a matéria, haja vista ser o crédito legítimo. Por fim, solicitou seja recebida e acolhida a Manifestação de Inconformidade apresentada a fim de reformar integralmente o Despacho Decisório proferido nos autos, uma vez que amplamente comprovado que a Requerente possuía crédito de IPI passível de ser compensado e protestou pela produção de todas as demais provas admitidas em direito, inclusive, a oral. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), julgou improcedente, conforme Acórdão nº 1448.972 8ª Turma da DRJ/RPO, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 01/01/2008 a 31/03/2008 RESSARCIMENTO. PENDÊNCIA JUDICIAL. É vedado o ressarcimento à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Foi apresentado Recurso Voluntário, no qual se alegou, em síntese: · que a Recorrente estava amparada por decisão judicial que autorizava a não incidência do IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10 kg; · indevida reconstituição da escrita fiscal em razão da não incidência do IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10 kg; · impossível a glosa dos créditos de IPI em razão da mencionada decisão judicial; e Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10840.904920/201121 Acórdão n.º 3301004.472 S3C3T1 Fl. 359 5 · não incidência de IPI sobre produtos enquadrados na posição 2309.10.00 da TIPI; · inaplicabilidade do art. 20 da IN RFB no 600/2005; · necessidade de julgamento simultâneo ao processo no 0611000/639/11 Posteriormente, a Recorrente junta aos autos a informação de que, após a interposição do Recurso Voluntário, a Ação Anulatória no 0029523662003.4.03.6100 transitou em julgado de forma favorável às suas pretensões. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Quanto ao pedido de de julgamento simultâneo do processo no 0611000/639/11 (na verdade, este é o número do Mandado de Procedimento Fiscal), cumpre anotar que os processos conexos estão sendo julgamos neste mesma sessão, a saber: 13603.724419/201174 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904913/201120 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904915/201119 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904916/201163 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904917/201116 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904918/201152 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904919/201105 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904920/201121 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904921/201176 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904922/201111 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904923/201165 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904924/201118 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904925/201154 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904926/201107 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904927/201143 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904928/201198 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904929/201132 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904930/201167 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA A Recorrente alegou que o fato de possuir tutela antecipada na Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233 lhe garante o não destaque do IPI nas notas fiscais, a não escrituração destes valores no livro de apuração de IPI e o conseqüente saldo credor nele Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10840.904920/201121 Acórdão n.º 3301004.472 S3C3T1 Fl. 360 6 apurado para ressarcimento, ou seja, que tem o direito líquido e certo ao ressarcimento em discussão. Defende, nesse sentido, inaplicabilidade do art. 20 da IN RFB no 600/2005, e o seu direito de destacar o IPI em suas notas fiscais de saída, em decorrência da ação judicial. Cabe, contudo, colacionar o art. 20 da IN mencionada (que regulava a matéria na época): Art. 20. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Parágrafo único. Ao requerer o ressarcimento, o representante legal da pessoa jurídica deverá prestar declaração, sob as penas da lei, de que a pessoa jurídica não se encontra na situação mencionada no caput. Importante também transcrever o artigo que exige, mesmo para o caso de decisão judicial definitiva, a habilitação do crédito: Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo V desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; III a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; V a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10840.904920/201121 Acórdão n.º 3301004.472 S3C3T1 Fl. 361 7 VI a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. § 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV foi formalizado no prazo de 5 anos da data do trânsito em julgado da decisão; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas e os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 3º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a V do § 1º, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de ciência da intimação. § 4º No prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 3º, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I não forem atendidos os requisitos constantes nos incisos I a V do § 2º; ou II as pendências a que se refere o § 3º não forem regularizadas no prazo nele previsto. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Seguimos o entendimento da decisão recorrida de não há qualquer direito ao ressarcimento deferido pela sentença judicial não definitiva. De acordo com o art. 170A do CTN, é defeso efetuar compensações de débitos mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial em trâmite, ou seja, ainda não julgado definitivamente. Ou seja, só há crédito oponível à Fazenda Pública com o desfecho em definitivo favorável ao particular da demanda judicial. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10840.904920/201121 Acórdão n.º 3301004.472 S3C3T1 Fl. 362 8 Conforme se destacou na decisão recorrida, o direito pretendido com a ação judicial somente será liquido e certo quando a sentença, se favorável ao contribuinte, transitar em julgado e operar seus efeitos. No entanto, este direito, não respaldava o ressarcimento, que era expressamente vedado pelo art. 20 da IN SRF nº 600, de 2005 (disposição idêntica encontrase vigente no art. 42 da IN RFB nº 1717, de 2017). Dessa forma, adotase o entendimento da decisão recorrida de que somente é permitido o ressarcimento do imposto após a utilização dos créditos de IPI escriturados pelo contribuinte na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados, além de ser vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Portanto, a matéria discutida na ação judicial altera o valor do saldo de IPI apurado nos trimestres em referência e, consequentemente, correto o procedimento do Fisco que refez a escrita fiscal, incluindo os débitos discutidos judicialmente, para calcular o real saldo (devedor/credor) dos trimestres analisados. Por outro lado, mesmo que se concordasse com a Recorrente, contrariamente a determinação expressa da legislação, que ela poderia utilizar créditos com fulcro em decisão judicial não transitada em julgado, ela estaria sujeita à habilitação do seu crédito, o que não efetuou. O cumprimento dessa obrigação acessória é imprescindível para que o Fisco tenha conhecimento e controle deste crédito e é condição para o exercício do direito de creditamento. Portanto, ainda que se adotasse este entendimento, defendido pela Recorrente o qual não adotamos deveria ser mantida a glosa por falta de habilitação do crédito. Dessarte, mantémse, por seus próprios fundamentos, o entendimento constante da decisão recorrida. Quanto à informação juntada pela Recorrente de que houve trânsito em julgado em seu favor na Ação Anulatória no 0029523662003.4.03.6100, não há efeito direto sobre o presente processo administrativo. Não se pode tratar aqui do mérito levado ao Judiciário, pois, conforme a Súmula nº 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, proponho manter integralmente a decisão recorrida e voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10840.904920/201121 Acórdão n.º 3301004.472 S3C3T1 Fl. 363 9 Fl. 363DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.901141/2010-91
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE.
Comprovado o erro na publicação da pauta de julgamento, que inviabilizou a presença do advogado da recorrente à sessão de julgamento, impõe-se a anulação da decisão proferida e a realização de novo julgamento.
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.
Tendo sido apurado em diligência que o crédito total pleiteado na PER/Dcomp coincide com os montantes informados em DIRF pelas fontes pagadoras, impõe-se o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação das compensações pleiteadas até o montante do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1302-002.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em acolher os embargos opostos, com efeitos infringentes, para dar provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Embargante PERSONAL SERVICE RECURSOS HUMANOS E ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. Comprovado o erro na publicação da pauta de julgamento, que inviabilizou a presença do advogado da recorrente à sessão de julgamento, impõese a anulação da decisão proferida e a realização de novo julgamento. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Tendo sido apurado em diligência que o crédito total pleiteado na PER/Dcomp coincide com os montantes informados em DIRF pelas fontes pagadoras, impõese o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação das compensações pleiteadas até o montante do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em acolher os embargos opostos, com efeitos infringentes, para dar provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 11 41 /2 01 0- 91 Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10735.901141/201091 Acórdão n.º 1302002.666 S1C3T2 Fl. 497 2 Henrique Silva Figueiredo, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10735.901141/201091 Acórdão n.º 1302002.666 S1C3T2 Fl. 498 3 Relatório Tratase de embargos de declaração interposto em face do Acórdão nº 1801 001.308, de 06/12/2012 (fls. 431/438), mediante o qual o colegiado da 1ª Turma Especial da Primeira Seção do CARF, negou provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Admitidos os embargos, o mesmo colegiado houve por bem anular o acórdão embargado e proferir a Resolução nº 1801000.242, de 10/07/2013, mediante a qual determinou a realização de diligências pela unidade preparadora, com vistas a apurar a efetiva retenção do IRRF por parte das fontes pagadoras. Por bem descrever as questões em litígio, transcrevo o relatório constante da Resolução nº 1801000.242, de 10/07/2013, verbis: A empresa interpôs Embargos de Declaração porque não pode acompanhar o julgamento do litígio administrativo em decorrência de erro de informação do sítio do Carf, com relação à Turma em que se realizaria a sessão pertinente. Houve ainda a alegação de que a Conselheira Relatora não poderia ter proferido o voto nesta Primeira Turma Especial porque está vinculada à Primeira Câmara e não à Terceira Câmara, à qual vinculase a este colegiado, hierarquicamente. Aproveito o relatório e voto do acórdão embargado, os quais adoto integralmente, para historiar os fatos inerentes à lide administrativa. “A ora Recorrente apresentou Declarações de Compensação 1054.02326.130106.1.3.021251,41987.26576.100206.1.3.02493, 1004.19852.231006. 1.7.021667,02200.62646.010609.1.7.026895 e 04597.42401.101106.1.3.026239 por meio do qual compensou crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ referente ao 2° trimestre de 2005, com débitos nele declarados. O Despacho Decisório n° 869630983 emitido em 03/08/2010 pela DRF Nova Iguaçu/RJ, homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP, 02200.62646.010609.1.7.026895 e não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP 04597.42401.101106.1.3.026239, pois o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pela Recorrente, conforme o fundamento que transcrevemos: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificouse: [...]Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 850.416,16 Valor na DIPJ: R$ 850.416,16 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$909.762,19 IRPJ devido: R$ 59.346,03 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) — (IRPJ devida) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do Saldo negativo disponível: R$ 741.109,06. Portanto, a não homologação de parte do afirmado direito creditório oriundo do saldo negativo decorreu do não reconhecimento de retenções de fonte no valor de R$109.307,10. Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10735.901141/201091 Acórdão n.º 1302002.666 S1C3T2 Fl. 499 4 Na manifestação de inconformidade, a Recorrente constou, em síntese, que: (i) mantinha rígido controle sistematizado das retenções de fonte, somente procedendo à formação do saldo negativo de IRPJ para aquelas retenções efetivamente confirmadas com base nos valores líquidos recebidos; (ii) apresentou “anexo A” em que consignou as empresas em relação às quais não se confirmara as retenções de fonte, compondo o valor de R$109.307,10;(iii) apresentou “anexo B” em que relacionou os valores retidos informados, considerando os valores de faturamento bruto, retenções de impostos e contribuições, data de emissão das notas fiscais, data de recebimento dos valores faturados, e outros elementos necessários à indicação das operações ocorridas no segundo trimestre de 2005;(iv) alegou que fez prova de que de fato tem direito ao crédito integral de saldo negativo de IRPJ, e que as retenções estão demonstradas, devendo a Secretaria da Receita Federal, de posse das informações disponibilizadas, solicitar novas informações sobre as divergências aos CNPJ responsáveis pelas retenções; (v) apresentou as respectivas notas fiscais, dispostas no anexo C. A 1ª Turma da DRJ/RJ1 negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada, sob o fundamento de falta de comprovação do direito alegado, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA – IRPJ Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DCOMP. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Incumbe ao contribuinte a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, liquido e certo, que alega possuir junto A Fazenda Nacional. IRPJ RETIDA NA FONTE. COMPROVANTE DE RETENÇÃO. Incabível a dedução, na declaração de rendimentos, de IRPJ retido na fonte que não tenha sido informada em DIRF e, ainda, que não esteja confirmada por comprovante de retenção. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Na decisão ora recorrida afirmouse que para que o IRRF retido e recolhido possa ser deduzido do imposto devido para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado pelo beneficiário, a receita correspondente deve ter sido devidamente oferecida à tributação, ou seja, computada na determinação do lucro real no referido período de apuração.Nesse sentido, seria ônus da beneficiária do rendimento comprovar que os valores de IRRF referentes a pagamentos por serviços prestados foram efetivamente retidos pelas fontes pagadoras para deduzir o IRRF quando da apuração do resultado do exercício. E nos termos dos artigos 815, 942 e 943 do RIR/99, a documentação apresentada produzida pela própria interessada (Planilha intitulada “Total Faturamento Recebido Personal 2º Trimestre 2005 Anexo B fl. 60/74 e cópias de notas fiscaisAnexo C fl. 76/293), não seria suficiente para a demonstração pretendida. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10735.901141/201091 Acórdão n.º 1302002.666 S1C3T2 Fl. 500 5 Em sede de recurso voluntário, a ora Recorrente reiterou os argumentos expendidos na defesa anterior, acrescendo que: i. apesar da minuciosa demonstração das retenções na fonte que elaborou, a DRJ preferiu a forma ao conteúdo, entendendo que apenas as DIRFs e Informe de Rendimentos seriam hábeis a fazer a prova necessária; ii. aduziu que em nenhum momento foi negada a existência do direito creditório e, portanto, sob a égide da Verdade Material deveria ter sido aceita a robustez das provas apresentadas com a manifestação de inconformidade; iii. as DIRFs estão sujeitas a erros, especialmente no caso de contratantes do setor público; iv.a Recorrente não poderia depender de informações apresentadas por terceiros, as quais não tem acesso; v. as notas fiscais apresentadas veiculariam informações sobre o recebimento, data, retenções de tributos e não detêm natureza contábil, porém, fiscal, com reflexos contábeis; vi. não era condição para reconhecimento do direito à compensação do imposto retido na fonte o recolhimento do tributo retido pela fonte pagadora; vii. seja no despacho decisório, ou na decisão da DRJ, não foram invalidadas as informações prestadas na DIPJ referente ao período, não recebeu intimação sobre a sua irregularidade, o valor total das receitas sujeitas a retenções na fonte apresentadas no “anexo B” são compatíveis com as informações apresentadas na DIPJ e com o saldo negativo informado; viii. o art. 923/RIR determina que a contabilidade faz prova a favor do contribuinte, de sorte que não prosperaria a alegação de falta de comprovação das retenções, exceto se considerada a inércia e/ou falta de investigação da fiscalização, que não teria contestado as informações da DIPJ; ix. para corroborar as suas alegações, faz referência a diversos julgados dessa Corte Administrativa, em que se entende que a comprovação de retenções na fonte não se limita às DIRFs, sendo possível ao contribuinte demonstrar o seu direito creditório por outros elementos de convicção; x. afirma que, muito embora entenda que tenha apresentado suficientes provas para lastrear o seu direito, tendo em vista o fundamento inovador da decisão relativo à “tributação de receitas”, e que a efetividade das retenções poderia ser aferida nos seus registros, pugnou pela realização de perícia, formulando três quesitos a serem complementados no curso da demanda e indicando assistente técnico. Juntou ao recurso voluntário a respectiva DIPJ. Na apreciação dos embargos, a relatora acolheuos parcialmente reconhecendo a nulidade da primeira decisão, em face de erro na publicação da pauta da reunião que impedira o patrono de participar da sessão de julgamento, conforme se extrai do voto vencido, verbis: Conheço dos Embargos de Declaração, por tempestivo. I) Dos Embargos de Declaração Fl. 500DF CARF MF Processo nº 10735.901141/201091 Acórdão n.º 1302002.666 S1C3T2 Fl. 501 6 Com efeito, comprovado nos autos pelas telas copiadas do sítio, que houve o erro alegado, impedindo o patrono da recorrente de presenciar o julgamento, este realizarseá novamente. No que respeita à solicitação de nulidade do acórdão embargado porque a ConselheiraRelatora que recebeu os autos para relato e apreciação, por sorteio, não estava vinculada à 3ª Câmara, a indignação da embargante não merece prosperar. Não há no Regimento Interno do Carf – Ricarf (Portaria MF nº 256/09) qualquer dispositivo restritivo a este procedimento. A Conselheira Relatora, suplente da Primeira Seção, recebeu os autos pelo devido sorteio e possui plena competência para atuar nesta Turma ou em qualquer outra desde que na Primeira Seção. A vinculação inicial à Primeira Câmara é meramente formal e organizacional, sendo procedimento interno do Carf, que não lhe extrai a competência de julgar os litígios administrativos, por razão de distribuição em Turma diferente. [...] No mérito, a então conselheira relatora dos embargos votou por negar provimento ao recurso voluntário, adotando os fundamentos expendidos no Acórdão nº 1801 001.308, de 06/12/2012 (fls. 431/438), ora embargado. A relatora restou vencida em sua posição, tendo decidido a maioria do colegiado em converter o julgamento em diligência, nos termos da conclusão do voto vencedor, verbis: Por essas sucintas razões, meu voto é para converter o julgamento na realização de diligência para a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil, que jurisdiciona a Recorrente, completar seu relatório, conferindo a idoneidade e a consistência da prova acostada aos autos (notas fiscais, planilhas e tudo mais que julgar conveniente), bem como solicitar, caso entenda necessário, às fontes pagadoras os comprovantes das retenções realizadas, dando, ao final, ciência de tudo à Recorrente, para se manifestar, querendo. Encaminhados os autos à unidade preparadora, a autoridade fiscal encarregada das diligências produziu o despacho de diligência (fls. 484/486), no qual consta a seguinte conclusão: Para efeito de verificação dos valores informados em DIRF com aqueles informados nos documentos juntados ao processo, foi realizado, em 06/01/2015, novo batimento nos sistemas RFB. Do novo batimento, restou confirmado pelo sistema, os valores dispostos na tabela a seguir, conforme telas extraídas do sistema RFB e juntadas ao processo. Dessa forma opinamos procedente o IRRF no montante de R$ 909.762,19. Cientificada a recorrente dos termos da conclusão da diligência (fls. 490), foram os autos encaminhados ao CARF para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10735.901141/201091 Acórdão n.º 1302002.666 S1C3T2 Fl. 502 7 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Os embargos de declaração interpostos pela contribuinte foram regularmente admitidos por ocasião do julgamento realizado pela extinta 1ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, em que houve por bem anular o Acórdão nº 1801001.308, de 06/12/2012, e converter o processo em diligência, nos termos da Resolução nº 1801000.242, de 10/07/2013. A questão em litígio envolve o reconhecimento parcial de direito creditório consubstanciado em saldo negativo de IRPJ, do período de apuração de 01/04 a 30/06/2005. O crédito que deixou de ser reconhecido no Despacho Decisório referese à retenções na fonte que não foram informadas em DIRF, nem comprovadas pelo sujeito passivo mediante os comprovantes hábeis previstos na legislação. O crédito total pleiteado na PER/Dcomp de R$ 850.416,16, foi formado exclusivamente por IRRF retido pelas fontes pagadoras no montante de R$ 909.762,19, que descontado o IRPJ efetivamente apurado (R$ 59.346,03) perfaria o crédito pleiteado. No Despacho Decisório (fls. 3/6) havia sido confirmado o montante de R$ 800.455,09 a título de IRRF retido pelas fontes pagadoras, restando reconhecido o montante original de crédito de saldo negativo de R$ 741.109,06, homologandose apenas parcialmente as compensações pleiteadas em PER/Dcomp. Ocorre que na realização das diligências determinadas pela 1ª Turma Especial, a autoridade fiscal responsável por sua execução promoveu novo batimento entre os do IRRF valores informados em PER/Dcomp e os constantes das DIRF's apresentadas pelas fontes pagadoras, reconhecendo a existência de valores retidos no montante de R$ 909.762,19, ou seja, o exato montante informado pela contribuinte, ora embargante. Nesse diapasão, impõese reconhecer integralmente o valor do crédito de saldo negativo de IRPJ pleiteado, no montante original de R$ 850.416,16 e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido. Ante ao exposto, voto por acolher os embargos interpostos, com efeitos infringentes, para modificar o Acórdão nº 1801001.308, de 06/12/2012, e dar provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos acima examinados. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10735.901141/201091 Acórdão n.º 1302002.666 S1C3T2 Fl. 503 8 Fl. 503DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.935306/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.614
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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COFINS. Recorrente Sociedade Paranaense de Ensino e InformáticaSPEI Recorrida Fazenda Nacional Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da COFINS. Argumenta que tal RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 35 30 6/ 20 11 -1 5 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10980.935306/201115 Resolução nº 3301000.614 S3C3T1 Fl. 3 2 dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da COFINS.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de COFINS prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/01”. No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a homologação da compensação pleiteada. A 3ª Turma da DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06046.042. Em seu recurso voluntário, a empresa: § Reitera os fundamentos de sua manifestação de inconformidade; § Declara que se subsume à isenção do art. 14, X da MP n° 2.15835; § Aduz que “todos os valores que são aplicados no desenvolvimento da atividade da entidade sem fins lucrativos são receitas decorrentes de atividades próprias”. § Defende a inaplicabilidade da IN n° 247/2002; § Junta documentos que comprovariam sua condição de isenta. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10980.935306/201115 Resolução nº 3301000.614 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.589, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934789/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.589): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Os fundamentos da negativa do pleito da Recorrente pela DRJ foram: I. Na interpretação do art. 14, X da MP, entendeu o voto condutor que seriam receitas de atividades próprias das instituições a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532/97, apenas as receitas típicas dessas entidades, como as decorrentes de contribuições, doações e subvenções por elas recebidas, bem assim mensalidades ou anuidades pagas por seus associados, destinadas à manutenção da instituição e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional. A DRJ aplicou o art. 47, da Instrução Normativa n° 247/2002: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I – não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II – são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. II. Atendeu ao comando do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, aduzindo que se sujeitam à incidência da COFINS, as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços, inclusive as receitas de matrículas e mensalidades dos cursos ministrados pelas entidades educacionais, ainda que exclusivamente a seus Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10980.935306/201115 Resolução nº 3301000.614 S3C3T1 Fl. 5 4 associados e em seu benefício e, receitas de aplicações financeiras. Concluiu que estão sujeitas à COFINS, por força da Lei nº 9.718/98, as receitas de caráter contraprestacional, inclusive as mensalidades cobradas por instituições de educação e as receitas financeiras auferidas. A revisão dos dois pontos será feita a seguir. Isenção do art. 14, X, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 Prescreve o art. 14, X da MP n° 2.15835: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Por sua vez, o art. 13 do mesmo veículo normativo dispõe: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Notese que o art. 13, III da MP nº 2.15835/2001 ao fazer remissão ao art. 12 da Lei n° 9.532/1997, condiciona a Instituição ao cumprimento das exigências impostas por esta Lei. O art. 12 da Lei n° 9.532/1997, com redação vigente à época, exigia: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10980.935306/201115 Resolução nº 3301000.614 S3C3T1 Fl. 6 5 d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3º Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinando exercício, destine referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado. Ocorre que as mensalidades cobradas por instituições de educação estão ao abrigo da norma isentiva, como já pacificado pela Súmula CARF n° 107 e pelo REsp 1.353.111 RS, DJ 18/12/2015, julgado como recurso repetitivo, transitado em julgado desde 02/03/2016, verbis: Súmula CARF nº 107 A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. REsp 1.353.111 – RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10980.935306/201115 Resolução nº 3301000.614 S3C3T1 Fl. 7 6 a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.15835/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (...) 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade" , conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Logo, deve a decisão de piso ser reformada nesse ponto. A respeito do cumprimento dos requisitos do art. 12 da lei n° 9.532/97, aponta a Instituição os artigos do seu Estatuto Social que comprovam exatamente o exigido pela Lei n° 9.532/97 (art. 1°, 3°, 30, 32, 34), junta a DIPJ alegando que sua condição sempre foi de conhecimento do fisco e prossegue: Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10980.935306/201115 Resolução nº 3301000.614 S3C3T1 Fl. 8 7 Entendo que a prova do cumprimento dos requisitos é da Recorrente, contudo não foi instada a isso quando da edição do Despacho Decisório. No recurso voluntário, acostou documentos que merecem a análise da Delegacia de Origem. Alargamento da Base de Cálculo da COFINS – RE n° 585.235/MG RG Resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10980.935306/201115 Resolução nº 3301000.614 S3C3T1 Fl. 9 8 Logo, assiste razão à Recorrente quando alega que as receitas financeiras não podem compor a base de cálculo da COFINS. Conclusão Diante da plausibilidade do pleito da Recorrente, entendo necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação da tributação indevida pela COFINS sobre as receitas operacionais (“próprias”), bem como sobre as receitas financeiras. Isso porque a tributação sobre as “receitas próprias”, incluídas as mensalidades pagas por alunos, são isentas, nos termos do art. 14, X da Medida Provisória. Ao passo que a exclusão das receitas financeiras se dá com base na inconstitucionalidade do alargamento a base de cálculo da COFINS pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10980.935306/201115 Resolução nº 3301000.614 S3C3T1 Fl. 10 9 c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.919737/2009-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
EMBARGOS INOMINADOS. LAPSOS MATERIAIS. INTERPRETAÇÃO EQUIVOCADA DOS FATOS. PROVIMENTO.
Existência de equívocos na decisão caracterizada pela apreciação equivocada dos fatos e provas que constam dos autos impende o recebimento como embargos inominados.
Dá-se provimento aos embargos inominados admitidos, a fim de que seja saneado os autos com a correção dos lapsos materiais e retificação do acórdão com efeitos infringentes nas partes que com ele inconciliáveis.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Inocorrência da homologação tácita na hipótese da autoridade administrativa proferir despacho em data anterior ao término do prazo de cinco anos a contar da data do pedido/declaração.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ.
A restrição imposta pela IN/SRF nº 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas. Precedente do STJ retratado no REsp nº 993.164 (MG), julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL.
A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência.
Embargos Acolhidos
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-003.565
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos acolher os embargos com efeitos infringentes para dar parcial provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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LAPSOS MATERIAIS. INTERPRETAÇÃO EQUIVOCADA DOS FATOS. PROVIMENTO. Existência de equívocos na decisão caracterizada pela apreciação equivocada dos fatos e provas que constam dos autos impende o recebimento como embargos inominados. Dáse provimento aos embargos inominados admitidos, a fim de que seja saneado os autos com a correção dos lapsos materiais e retificação do acórdão com efeitos infringentes nas partes que com ele inconciliáveis. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Inocorrência da homologação tácita na hipótese da autoridade administrativa proferir despacho em data anterior ao término do prazo de cinco anos a contar da data do pedido/declaração. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ. A restrição imposta pela IN/SRF nº 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas. Precedente do STJ retratado no REsp nº 993.164 (MG), julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 97 37 /2 00 9- 30 Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10880.919737/200930 Acórdão n.º 3201003.565 S3C2T1 Fl. 3 2 Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência. Embargos Acolhidos Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos acolher os embargos com efeitos infringentes para dar parcial provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Trata o presente processo de julgamento de recurso voluntário proferido no Acórdão nº 3403002.795, de 25/02/2014, que deu provimento ao recurso do contribuinte, por ter considerado que as declarações de compensação albergadas neste processo foram atingidas pela homologação tácita. A ementa foi assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10880.919737/200930 Acórdão n.º 3201003.565 S3C2T1 Fl. 4 3 A autoridade administrativa tem cinco anos para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo, sob pena de que a homologação ocorra em face do fato extintivo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. Recurso voluntário provido. O processo foi enviado à origem para que o contribuinte fosse notificado do Acórdão e demais providências cabíveis, mas retornou com o despacho de fls. 277 dando conta de que a 3ª Turma da 4ª Câmara homologou tacitamente apenas dois PERDCOMP e não se manifestou sobre as outras DCOMPs vinculadas ao presente processo, no seguintes termos: "(...) PROCESSO/PROCEDIMENTO: 10880.919737/200930 INTERESSADO: OVETRIL OLEOS VEGETAIS LTDA DESTINO: SERETCEGAPCARFMFDF Receber Retorno de Processo DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Tendo em vista que o Acórdão 3403002.795 da 4ª Câmara, homologou tacitamente apenas 2 per/domps e não se manifestou sobre as outras dcomps vinculadas ao presente processo; encaminhese para as devidas providências. DATA DE EMISSÃO : 01/04/2016 (...)" O despacho de encaminhamento da unidade de origem foi apreciado por AuditorFiscal do quadro de Colaboradores da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF o qual constatou que os fatos, a seguir narrados, apontam para lapso material na decisão, e propôs que o despacho da Origem fosse tratado como embargos inominados a teor do art. 66 do RICARF: 1) Este processo versou sobre inúmeras Dcomps transmitidas entre 11/12/2003 e 12/08/2005, nas quais o contribuinte vinculou o crédito referente ao ressarcimento de IPI do 4º Trimestre de 2000, no valor de R$ 261.499,50, conforme se pode conferir às fls. 93/96; 2) A autoridade administrativa deferiu o crédito no montante de R$ 217.589,78, conforme se pode constatar nas fls. 96/97; 3) O contribuinte tomou ciência do despacho de decisório no dia 18/08/2009, conforme AR de fls. 101. Portanto, à luz do art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, as declarações de compensação que foram atingidas pela homologação tácita foram todas aquelas transmitidas até 18/08/2004. No Acórdão 3403002.795 verifiquei, entre outros erros, que o relator fez citações de folhas do processo que não correspondem aos fatos mencionados no voto; que o relator considerou indevidamente que o contribuinte tomara ciência do despacho de Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10880.919737/200930 Acórdão n.º 3201003.565 S3C2T1 Fl. 5 4 não homologação das compensações em outubro de 2007 e que, pelo contexto do voto, o colegiado imaginou estar deliberando apenas sobre três declarações de compensação (as quais teriam sido apresentadas durante o ano de 2000). Ocorre que na verdade o despacho decisório foi notificado ao contribuinte em 18/08/2009 e a autoridade administrativa arrolou inúmeras Decomp, transmitidas a partir de 2003, sendo que muitas delas não foram atingidas pela homologação tácita. Portanto, esses fatos revelam a existência de lapso manifesto do relator que merece ser saneado por meio do recurso previsto no art. 66 do RICARF1. Com esses fundamentos, opino no sentido de que o despacho da autoridade administrativa de fls. 277 seja tomado como sendo o recurso de embargos inominados do art. 66 do RICARF, pois não existe outra solução para este processo, a não ser um novo julgamento para que o colegiado delibere sobre a realidade fática dos autos. O Acórdão 3403002.795 é uma obra de ficção. Considerando que a Turma 3403 foi extinta pelo atual Regimento Interno do CARF e que o ilustre relator originário, Conselheiro Domingos de Sá Filho, não mais integra o quadro de conselheiros do CARF, opino no sentido de que este processo seja devolvido ao Sedis/Cegap, a fim de que seja incluído em lote de sorteio a ser efetuado no âmbito da Terceira Seção, com fulcro no que determina o art. 49, § 6º do RICARF. O Presidente da respectiva Câmara acatou a proposta e o processo foi redistribuído para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Admitidos os embargos por decisão do Presidente da Turma, o processo foi a mim distribuído, o qual incluí em pauta de julgamento. No art. 661 do RICARF há disposição quanto à possibilidade da correção das inexatidões materiais devido a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão. No despacho de saneamento (fls. 332/334) suscitouse lapsos materiais no relatório e voto, que entendo trataremse de erros de fato na decisão, pois o relator ignorou a existência de elementos que apontaria para premissas e conclusões diversas às assentadas no Acórdão. 1 Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10880.919737/200930 Acórdão n.º 3201003.565 S3C2T1 Fl. 6 5 O erro de fato que faz a decisão incorrer em vício é a decorrente da equivocada apreciação das provas que constam nos autos. Caracterizase pela ideia ou conclusão errônea sobre o que, no plano da realidade, ocorreu. Na lição de Humberto Theodoro Junior2, é o "erro cometido em face de documentos e fatos do processo". Constatado o erro material há de se corrigir o acórdão proferido em desacordo com o que se provou nos autos, por meio do reexame das provas. Deveras, o julgamento com erro de fato enquadrase na hipótese de (a) omissão, posto que as razões de decidir tornam despiciendo o enfretamento de outras matérias essenciais à solução do litígio; (b) obscuridade, quando as razões de decidir não encontram respaldo fático para subsunção da norma; e (c) contradição, posto que contrária à prova dos autos. In casu, foi apontado à folha 277 e repisado no despacho saneador, os seguintes vícios devido a lapsos materiais na decisão: Não foram analisadas as DCOMP com débitos em aberto; Nas Dcomps nº 18561.71031.110804.1.3.01.6466 e 03120.19348.180804.1.3.01.6730 que a Turma decidiu pela homologação tácita já haviam sido homologadas com os créditos parcialmente reconhecido no despacho decisório; As referidas DCOMPs foram apresentadas, respectivamente, em 11/08/2004 e 18/08/2004, e não em no mês de fevereiro de 2004; Erros nas datas de protocolo e de ciência da homologação parcial das DCOMPs pertencentes ao processo, que levou a conclusão equivocada da homologação tácita de todas as DCOMPs. Referência a DCOMP inexistentes no processo, supostamente apresentadas em 18/07/2000, 15/08/2000 e 28/09/2000 e com ciência em 17/10/2007, com menção a folhas 289 e 299, também inexistentes nos autos; Os pedidos de compensação foram todos protocolizados anteriormente à data de 01/10/2002, e, portanto, foram convertidos em declarações de compensação desde as datas dos respectivos protocolos; ausência de enfrentamento nas matérias de mérito, quais sejam: (i) crédito presumido do IPI nas aquisições de pessoa física; e (ii) atualização pela taxa Selic do crédito presumido na parcela indeferida. Inocorrência da Homologação tácita das DCOMPs 2 THEODORO JUNIOR, Humberto. Recursos: Direito processual ao vivo. vol.2, 2ª ed. Rio de Janeiro: Aide, 1996, p. 85. In FERNANDES, Luís Eduardo Simardi. Embargos de Declaração. 4ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2015. p. 103 Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10880.919737/200930 Acórdão n.º 3201003.565 S3C2T1 Fl. 7 6 Consta do acórdão embargado que todas as DCOMP encontramse homologadas tacitamente em razão da data de ciência (outubro/2007) ultrapassar em mais de 5 anos a data de protocolo da mais recente (setembro/2000), conforme excerto do voto (fl. 272): Assim, se a declaração de compensação mais recente neste processo foi protocolada em setembro de 2000 e o contribuinte só tomou ciência do Despacho Decisório de homologação parcial em outubro de 2007, é inequívoco que todas as compensações analisadas neste processo foram homologadas pelo fato extintivo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. As DCOMPs mencionadas no despacho decisório estão controladas no processo nº 10880.720.032/201009 (anexado a este principal) para efeito de controle dos débitos, no qual se constata que a DCOMP mais antiga teve protocolo em 11/08/2004 (fl. 13), e a mais recente, em 14/12/2005 (fl. 768). A data de ciência no despacho decisório que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI e homologou as compensações declaradas no processo até o limite do crédito concedido foi em 18/08/2009 (fl. 110). Assim, somente as DCOMPs transmitidas anteriormente à 18/08/2004 estariam homologadas tacitamente. Todavia, as únicas DCOMPs (18561.71031.110804.1.3.01.6466 e 03120.19348.180804.1.3.01.6730) que estariam alcançadas pela homologação tácita tiveram o reconhecimento de tal situação expressamente, conforme "Extrato do Processo" (fls. 140, 142, 153, 158, 160, 162 e 165). Todas as demais DCOMPs "em aberto" foram transmitidas em datas não anteriores a 05 (cinco) anos da data da ciência no despacho decisório, do que se conclui que as DCOMPs não homologadas não foram alcançadas pela decadência. Direito ao crédito presumido do IPI aquisições de pessoas físicas Matéria negada em sede de DRJ e não enfrentada no acórdão embargado, presente pois o erro material caracterizado pela omissão. Esta matéria já está pacificada pelo STJ no julgamento do REsp nº 993.164, julgado sob a sistemática do art. 543C do CPC, recursos repetitivos, fato que nos vincula por força do § 2º do art. 62 do anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Referido julgado possui a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10880.919737/200930 Acórdão n.º 3201003.565 S3C2T1 Fl. 8 7 DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10880.919737/200930 Acórdão n.º 3201003.565 S3C2T1 Fl. 9 8 subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Inclusive, o julgamento do STJ, acima citado, foi precedente para edição da Súmula STJ nº 494, na qual a sua redação não deixa margem a qualquer dúvida: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. Aos julgadores do CARF impõese a aplicação do que restar decidido pelo STJ e STF na sistemática do arts. 543B e 543C, do antigo CPC, a teor do que prescreve o disposto no caput do art. 62 da Portaria MF nº 343/2015 RICARF3 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) 3 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10880.919737/200930 Acórdão n.º 3201003.565 S3C2T1 Fl. 10 9 b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Aplicação da correção monetária taxa Selic Argui o contribuinte em seu recurso voluntário que o crédito apurado e concedido parcialmente no despacho decisório carece de atualização monetária pela taxa Selic desde o protocolo do pedido. Assiste parcial razão ao inconformismo. Não há previsão legal para a atualização monetária, pela Taxa Selic, nos pedidos administrativos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento de tal atualização decorre da decisão dos membros do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164, que, por força do art. 62 do RICARF, é de observância obrigatória por este conselho. Em síntese, esses julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Destarte, é a oposição constante de ato legal, administrativo ou normativo, que impede a utilização do direito do crédito de IPI que torna legítima a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. A interpretação que se faz para a incidência da correção pretendida principia com a exigência de um indeferimento por unidade da RFB do pedido de ressarcimento que posteriormente é revertido em sede de julgamento, concedendo o direito ao crédito do IPI e por, conseguinte, seu ressarcimento. Assim, sobre a parcela do direito negado por ato administrativo e concedido posteriormente em sede de outra decisão é que recai o direito à atualização monetária. Concernente ao prazo inicial da incidência da taxa Selic, recentes decisões da Câmara Superior deste Conselho são no sentido de tomálo a partir de 360 dias contados do protocolo do pedido, com supedâneo legal na aplicação do art. 24 da Lei nº 11.457/2007 que estabelece tal prazo como o de duração razoável ao processo administrativo, conforme assente pelo STJ no REsp nº 1.138.206, também proferido na sistemática de recurso repetitivo. Segue a ementa no acórdão nº 9303005.425, de 25/07/2017. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10880.919737/200930 Acórdão n.º 3201003.565 S3C2T1 Fl. 11 10 Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência. Portanto, voto por dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para estabelecer a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nesta instâncias de julgamento. Conclusão Por todo exposto, voto por ACOLHER os embargos inominados conhecidos, com efeitos infringentes, retificandose o Acórdão 3403002.795, e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para (i) conceder o crédito presumido do IPI nas aquisições de pessoas físicas, e (ii) estabelecer a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nesta instância de julgamento. Deverá a unidade de origem refazer os cálculos do crédito presumido e homologar as compensações até o limite do direito creditório, acrescido nesta decisão. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 347DF CARF MF
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