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Numero do processo: 15374.003242/2001-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE
No recurso especial fundado em contrariedade à lei cabe à Procuradoria da Fazenda indicar o dispositivo legal em seu entender contrariado, consistindo a demonstração fundamentada de que cuida o Regimento Interno na exposição dos motivos pelos quais, no entender da recorrente, ocorreu a mencionada contrariedade. Presentes esses requisitos, deve o recurso ser admitido, não cabendo dele não conhecer por discordância com aqueles argumentos, o que constitui o próprio exame de mérito.
COFINS: RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. ISENÇÃO.
DEPÓSITOS EM CONTA MANTIDA NO EXTERIOR. COMPOSIÇÃO HETEROGÊNEA. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS E RECEITAS DE JUROS. INGRESSOS DE DIVISAS NO PAIS COM ORIGEM NA REFERIDA CONTA. BASE DE CÁLCULO TRIBUTÁVEL. CONTAMINAÇÃO DAS EXCLUSÕES COM VALORES NÃO ISENTOS. COMPROVAÇÃO.
A reinclusão na base de cálculo da contribuição do valor proporcionalmente correspondente aos juros e recuperações de despesas, que compõem o valor do ingresso de divisas no Pais, relativamente aos valores creditados em conta de depósitos mantida no exterior, evita a exclusão da base de cálculo de valores não isentos ou que não foram nela incluídos anteriormente.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, I) pelo voto de qualidade, em conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos; e II) no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Antônio Lisboa Cardoso, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE No recurso especial fundado em contrariedade à lei cabe à Procuradoria da Fazenda indicar o dispositivo legal em seu entender contrariado, consistindo a demonstração fundamentada de que cuida o Regimento Interno na exposição dos motivos pelos quais, no entender da recorrente, ocorreu a mencionada contrariedade. Presentes esses requisitos, deve o recurso ser admitido, não cabendo dele não conhecer por discordância com aqueles argumentos, o que constitui o próprio exame de mérito. COFINS: RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. ISENÇÃO. DEPÓSITOS EM CONTA MANTIDA NO EXTERIOR. COMPOSIÇÃO HETEROGÊNEA. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS E RECEITAS DE JUROS. INGRESSOS DE DIVISAS NO PAIS COM ORIGEM NA REFERIDA CONTA. BASE DE CÁLCULO TRIBUTÁVEL. CONTAMINAÇÃO DAS EXCLUSÕES COM VALORES NÃO ISENTOS. COMPROVAÇÃO. A reinclusão na base de cálculo da contribuição do valor proporcionalmente correspondente aos juros e recuperações de despesas, que compõem o valor do ingresso de divisas no Pais, relativamente aos valores creditados em conta de depósitos mantida no exterior, evita a exclusão da base de cálculo de valores não isentos ou que não foram nela incluídos anteriormente. Recurso Especial do Procurador Negado.
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RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE No recurso especial fundado em contrariedade à lei cabe à Procuradoria da Fazenda indicar o dispositivo legal em seu entender contrariado, consistindo a “demonstração fundamentada” de que cuida o Regimento Interno na exposição dos motivos pelos quais, no entender da recorrente, ocorreu a mencionada contrariedade. Presentes esses requisitos, deve o recurso ser admitido, não cabendo dele não conhecer por discordância com aqueles argumentos, o que constitui o próprio exame de mérito. COFINS: RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. ISENÇÃO. DEPÓSITOS EM CONTA MANTIDA NO EXTERIOR. COMPOSIÇÃO HETEROGÊNEA. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS E RECEITAS DE JUROS. INGRESSOS DE DIVISAS NO PAIS COM ORIGEM NA REFERIDA CONTA. BASE DE CÁLCULO TRIBUTÁVEL. “CONTAMINAÇÃO” DAS EXCLUSÕES COM VALORES NÃO ISENTOS. COMPROVAÇÃO. A reinclusão na base de cálculo da contribuição do valor proporcionalmente correspondente aos juros e recuperações de despesas, que compõem o valor do ingresso de divisas no Pais, relativamente aos valores creditados em conta de depósitos mantida no exterior, evita a exclusão da base de cálculo de valores não isentos ou que não foram nela incluídos anteriormente. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 32 42 /2 00 1- 73 Fl. 1951DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Acordam os membros do Colegiado, I) pelo voto de qualidade, em conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos; e II) no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora Júlio César Alves Ramos Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Antônio Lisboa Cardoso, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório A Fazenda Nacional, por meio de seu I. Procurador, com fulcro no art. 72, inciso I e no art.15, § 1º, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, apresenta recurso especial contra a decisão proferida por meio do Acórdão n° 20180.654, proferida por maioria de votos, em sessão de 17 de outubro de 2007, do qual tomou ciência em 19 de março de 2008 (fl. 1.187), que está assim ementado: (...) Ementa: RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. ISENÇÃO. DEPÓSITOS EM CONTA MANTIDA NO EXTERIOR. COMPOSIÇÃO HETEROGÊNEA. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS E RECEITAS DE JUROS. INGRESSOS DE DIVISAS NO PAIS COM ORIGEM NA REFERIDA CONTA. BASE DE CÁLCULO TRIBUTÁVEL. “CONTAMINAÇÃO” DAS EXCLUSÕES COM VALORES NÃO ISENTOS. COMPROVAÇÃO. A reinclusão na base de cálculo da contribuição do valor proporcionalmente correspondente aos juros e recuperações de despesas, que compõem o valor do ingresso de divisas no Pais, relativamente aos valores creditados em conta de depósitos mantida no exterior, evita a exclusão da base de cálculo de Fl. 1952DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15374.003242/200173 Acórdão n.º 9303002.260 CSRFT3 Fl. 1.850 3 valores não isentos ou que não foram nela incluídos anteriormente. Recurso provido Dessa decisão houve embargos de declaração por parte da D. Procuradoria da Fazenda Nacional, onde, em síntese, se insurge quanto à adoção do resultado do julgamento do processo de PIS neste (COFINS). Alega que: Como se percebe, mote da decisão tomada naquele processo foram as tabelas contidas nas páginas seguintes, omissas no bojo desses autos. Fazse lembrar de que a razão do julgado está no anexo do voto: as tabelas. Desse modo, para que o julgado do Recurso 126.335 se complete, necessário se faz a presença dessa tabela também nesses autos, seja para a interposição de recurso, seja para o caso de concordar com suas razões. Ante o exposto, requer a União sejam conhecidos os presentes Embargos e sanada a obscuridade ora apontada, qual seja, ausência da tabela que deu ganho de causa à contribuinte em processo idêntico ou, melhor, a produção de tabela semelhante. Pelo Despacho de n° 201273, de fl. 1.657, a seguir transcrito, os embargos de declaração foram rejeitados. 7. Tanto o presente recurso quanto o de nº 122.952 são decorrentes de uma mesma autuação. Este se refere ao auto de infração da Cofins; aquele, ao da contribuição para o PIS, 8. De acordo com o Relator, a divergência de entendimentos entre o Fisco e a recorrente que gerou o litígio em discussão diz respeito ao fluxo do dinheiro. 9. Assim, o Recurso n. ° 122.952 foi baixado em diligência com o objeto de avaliar o quanto o método adotado pela recorrente se ajusta ao entendimento da Fiscalização. 10. Do resultado da diligência foi possível a elaboração das tabelas constantes do final do voto proferido naquele recurso, onde é demonstrada a comparação entre a apuração segundo os critérios ali expostos e os valores reincluidos pela recorrente. 11. A conclusão foi no sentido de que “os valores excedentes reincluidos 'a maior nos períodos anteriores abrangem com folga os valores positivos apurados, o que significa que, considerando todo o período abrangido pela autuação, não houve exclusões indevidas da base de cálculo da contribuição.” e que, “...tendo havido num determinado período exclusão da base de cálculo menor do que a poderia ter sido efetuada, haveria, obviamente, recolhimento a maior da contribuição em tal período, o que não pode ser desconsiderado na apuração efetuada em períodos seguintes”. 12. Quando do julgamento deste recurso, o ConselheiroRelator adotou os fundamentos do voto por ele proferido no âmbito daquele recurso, reproduzindo o seu teor, à exceção das tabelas Fl. 1953DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 retrocitadas. Referido voto foi acolhido por maioria do Colegiado, tendo resultado no Acórdão nº 20180.654, ora embargado. 13. Dessa forma, não procede a alegação de existência de obscuridade no Acórdão nº. 20180.654. Esta ocorre quando há falta de clareza no julgado, tornando difícil a sua compreensão. Não é o caso. Apesar de as tabelas não terem sido reproduzidas nestes autos, as mesmas foram consideradas no voto proferido pelo ConselheiroRelator que trouxe, ao final, todo o seu detalhamento. 14. Certo é que são dois processos distintos de uma mesma empresa com dois recursos distintos, decorrentes de dois autos de infração: um relativo à Cobris e outro à contribuição para o PIS. Também é certo que os dois decorreram de uma mesma autuação, em 6 de agosto de 2001. 15. A partir do retomo de diligência do Recurso nº. 122.952, com conseqüente retomo ao Relator, um e outro passaram a caminhar juntos até o julgamento de ambos, conforme andamento constante do Sistema de Informações Processuais dos Conselhos de Contribuintes Sincon (fls. 1.660/1661), com posterior envio à Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência dos respectivos acórdãos, que também se deu na mesma data: 14 de fevereiro de 2008. 16. Veja que quando da devolução deste com os embargos opostos pela Fazenda Nacional ás fls. 1.648/1.650, o outro recurso, de nº 122.952, em que constam as tabelas que serviram para a decisão daquele e deste recurso, encontravase naquele órgão 17. Ante o exposto, na condição de Presidente da Câmara onde o acórdão foi prolatado, rejeito os presentes embargos declaratórios, nos termos do § 1º do art. 57 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (Anexo I à Portaria MF nº 147/2007). 18. Encaminhemse os autos à Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência do teor deste despacho, conforme o § 4º do art. 57 do Regimento Interno acima citado. Consta do Recurso da Procuradoria: Data vênia, não obstante a louvável argumentação do voto relator, entende a Fazenda Nacional que o acórdão merece reforma, porquanto proferido em manifesta contrariedade ao conjunto probatório constante dos autos, bem assim em ofensa aos arts. 2°. e 3°. da Lei 9.718/98. Em síntese, Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial sustentando que estaria correto o procedimento da fiscalização de glosar a integralidade dos recursos ingressados no País, pois não teria sido discriminada a origem de tais ingressos, além do que a decisão recorrida teria cometido equívocos no cálculo por ela realizado. E mais adiante, extraise do Recurso interposto pela D. procuradoria: Fl. 1954DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15374.003242/200173 Acórdão n.º 9303002.260 CSRFT3 Fl. 1.851 5 PREMISSAS DO ACÓRDÃO E TABELA DE CÁLCULOS Apenas ad argumentandum, no caso de não acolhida das razões acima e da manutenção do raciocínio da decisão recorrida, analisaremos os cálculos efetuados. Inicialmente, cabe esclarecer que a Fazenda Nacional, neste ponto, não retomará todo o complexo universo de questões levantadas no feito, posto que a decisão recorrida já bem realizou tal mister. Limitarnosemos a abordar diretamente o ponto de equivoco da decisão. (...) Pois bem. De posse de tais elementos observase que o cálculo efetuado está equivocado. Peguemos o 1. mês da autuação JULHO/1997, como exemplo do período anterior a Lei n. 9.718/98. Dados (fls. 05; 34): (...) O cálculo acima é simples. Tratase do total de receitas auferidas (inclusive aquelas oriundas do exterior, já que sua “isenção” fica condicionada ao posterior ingresso de divisas) subtraído do total de ingressos (que correspondem ao envio das “receitas isentas”). A empresa ofereceu à tributação (doc. em anexo) exatamente o valor que encontramos: R$ 490.297,36. Tudo estaria correto se não fosse o problema da “contaminação” dos ingressos por parcelas de juros e recuperação de despesas (e adiantamento diversos parcela não referida pelo acórdão recorrido) que, obviamente, não são “receitas de exportação”, não são isentas e, portanto, não podem compor o total a ser excluído. Assim, quando foram excluídos R$ 1.130.131,45, da base de cálculo, excluíramse também parcelas não isentas ali inseridas. Mas, quanto do total do ingresso foi indevidamente excluído? Em verdade, a empresa não contabilizou em separado tais valores (juros, recuperação de despesas e adiantamentos diversos) e a decisão, entendendo que não havia obrigação legal para tanto, calculou um percentual que demonstrasse quanto do total recebido na conta no exterior correspondia a tais parcelas. (...) Portanto, como demonstrado, em razão dos dados equivocados fornecidos; da não consideração dos “adiantamentos diversos” e da não consideração dos percentuais de parcelas não isentas, os cálculos da decisão recorrida precisam ser refeitos. (...) DA DIFERENÇA ENTRE OS PERÍODOS Fl. 1955DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 No período anterior à vigência da Lei nº 9.718/98, maiores questionamentos não há em relação à exclusão das parcelas não isentas da base de cálculo da COFINS. Como, nesse período, tais receitas (juros, recuperação de despesas e adiantamentos diversos) não compunham a base de cálculo da contribuição, fica bastante cristalino o equivoco da recorrida. Quanto ao período em que vigeu a Lei nº 9.718/98, é possível que surjam questionamentos quanto à natureza de tais parcelas. De um lado os juros, que seriam receitas financeiras, insertas no “indevido” alargamento da base de cálculo; de outro a recuperação de despesas e os adiantamentos que não seriam propriamente receitas, mas meros “ingressos” destinados ao pagamento de despesas de outrem. (...) Portanto, em resumo, temos: se a Lei nº 9.178/98 for considerada inconstitucional, a exclusão dos juros insertos no ingresso de divisas se compensa com a própria inclusão dessa parcela na base de cálculo. Já se considerarmos que a recuperação/adiantamento de despesas não é receita, ainda assim a exclusão dessas parcelas insertas no ingresso de divisas é indevida. Por isso, a discussão quanto natureza dessas últimas parcelas é inócua. CONCLUSÕES Por todo o exposto, a União (Fazenda Nacional) requer a essa Eminente Corte Superior, que se digne em dar provimento ao presente recurso, para reformar o r. acórdão recorrido e manter o lançamento fiscal. Por meio do Despacho n° 201338, sob o entendimento de terem sido preenchidos os requisitos legais, o recurso foi admitido. A interessada apresentou contrarrazões às fls. 1.687 e seguintes, pedindo a manutenção do acórdão recorrido. Alega preliminarmente a ter ocorrido a intempestividade do recurso apresentado, eis que os embargos de declaração foram intempestivos; No mais, pede a manutenção de decisão recorrida, sob as alegações lidas em sessão. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora A Interessada foi autuada em agosto de 2001 em relação à COFINS que supostamente teria deixado de ser recolhido nos anos de 1997 a 2000 sobre valores de ingressos de divisas no Pais que, no entender da fiscalização, decorreriam, além de honorários pela prestação de serviços para o exterior, de receitas financeiras e de recuperações de “despesas”. Fl. 1956DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15374.003242/200173 Acórdão n.º 9303002.260 CSRFT3 Fl. 1.852 7 A priori, esclareço que quando do julgamento do recurso voluntário interposto nos autos do presente processo (COFINS), o conselheiro relator do Acórdão recorrido, reconhecendo que se tratava da mesma matéria objeto do Recurso nº 122.952 (PA nº 15374.003243/200118), relativo ao PIS, decidiu dar provimento ao recurso, adotando os mesmos fundamentos da decisão proferida em relação ao caso de PIS. A Fazenda Nacional, por meio de sua D. procuradoria, recorreu dos dois processos administrativos. Ambos os recursos especiais são decorrentes de uma mesma autuação. Este se refere ao auto de infração da Cofins; aquele, ao da contribuição para o PIS. Os dois processos foram a esta Conselheira sorteados. Por entender caber ao relator do processo, antes de efetuar qualquer apreciação de mérito, efetuar o controle dos requisitos formais de admissibilidade do recurso, entre eles, a verificação de se os pressupostos processuais foram devidamente cumpridos, passo preliminarmente à apreciação dos mesmos. I) ADMISSIBILIDADE Este exame preliminar sobre o cabimento do recurso denominase juízo de admissibilidade, transposto o qual, em sentido favorável ao recorrente, passará o órgão recursal ao juízo de mérito do recurso. O primeiro requisito extrínseco a ser verificado é o da sua tempestividade. A interessada alega em suas contrarrazões: 19. A extemporaneidade do recurso extraordinário decorre da intempestividade dos embargos de declaração anteriormente opostos, que, por serem intempestivos, não suspendem o prazo para o recurso especial. 20. A intempestividade dos embargos de declaração é perfeitamente demonstrada pela cronologia dos fatos descritos tanto nas informações processuais constates do site do Conselho de Contribuintes (doc. 01), quanto do COMPROT (doc. 02) 21. De acordo com as informações processuais, o acórdão recorrido foi formalizado no dia 18 de dezembro de 2007 e em 21 de dezembro de 2007 já se encontrava disponível para ciência da Procuradoria da Fazenda Nacional. 22. Não tendo, todavia, o Procurador da Fazenda tomado ciência da decisão no prazo de quarenta dias, a Secretaria da Primeira Câmara fez cumprir o artigo 63 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, segundo o qual: “Art. 63. Caso o Procurador da Fazenda Nacional não seja intimado pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão, as Secretarias das Câmaras remeterão os autos à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, para fins da intimação referida no art. 62. (...) Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 §3º A confirmação de recebimento dos processos ocorrerá mediante a assinatura do servidor da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional na Relação de Movimentação RM emitida pelo sistema Comprot, na data de sua entrega naquela repartição.” 23. No presente caso, o processo chegou à Procuradoria da Fazenda Nacional em 15 de fevereiro de 2008, de acordo com o COMPROT. 24. Todavia, somente em 12 de março de 2008 o Procurador da Fazenda Nacional Marcus Marques Rosa deuse por ciente (fls. 1645), tendo protocolado, em 13 de março de 2008, ou seja, apenas um dia depois, embargos de declaração (fls. 1648 a 1653) datados do próprio dia da suposta ciência, ou seja, de 12 de março de 2008. 25. A invejável eficiência aparentemente demonstrada pelo Procurador signatário dos embargos de declaração, que no mesmo dia da ciência redigiu recurso sobre matéria de certo grau de complexidade, só foi suplantada pela inacreditável rapidez demonstrada pela Procuradora signatária do recurso especial. 26. Com efeito, tendo sido o termo de intimação da decisão que inadmitiu os embargos de declaração datado de 18 de junho de 2008 (fl. 1662), os autos do processo chegaram à Procuradoria da Fazenda Nacional em dois de julho de 2008, conforme registro no COMPROT. 27. Não obstante o processo se encontrar na Procuradoria desde dois de julho de 2008, apenas no dia 22 de julho a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Nely Bezerra de Oliveira deuse por ciente (fl. 1662), e – pasmem os eminentes Conselheiros – neste mesmo dia redigiu robusto recurso especial sobre matérias de fato nada triviais, para protocolálo no dia seguinte. 28. Nesse contexto, a Recorrida lembra que as modificações na sistemática de intimações dos Procuradores da Fazenda Nacional introduzidas pelo atual Regimento Interno do Conselho de Contribuintes deramse justamente para eliminar os abusos que vinham sendo notoriamente cometidos no âmbito da Procuradoria da Fazenda Nacional, que, amparada por sua prerrogativa de ciência pessoal das decisões, simplesmente davase por ciente na data que bem entendia. 29. Foi justamente por isso que o artigo 63 do atual regimento interno deu o prazo mais do que razoável de quarenta dias após a formalização do acórdão para a ciência pessoal do Procurador, findo o qual a Secretaria da Câmara remete o processo para a Procuradoria da Fazenda Nacional para os fins do artigo 62, ou seja, da ciência do Procurador. 30. Ora, apesar das alterações promovidas pelo regimento interno, alguns procuradores parecem tentar transformálas em letra morta, ao continuarem dandose por cientes quando bem entendem, como ocorreu no presente caso. Fl. 1958DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15374.003242/200173 Acórdão n.º 9303002.260 CSRFT3 Fl. 1.853 9 31. Nestas circunstâncias, em que, com a devida vênia, não merecem fé as datas de ciência apostas pelos Procuradores, o marco inicial dos prazos para os Procuradores deve ser considerado a data do recebimento na Procuradoria registrada no COMPROT, única data insuscetível de manipulação na qual, indiscutivelmente os autos do processo já se encontram à disposição do Procurador. 32. Caso assim não faça, o Conselho dos Contribuintes estará a rasgar seu regimento interno, ao permitir que continue, do mesmo modo que antes, a representação fazendária a não ter, na prática, que cumprir os prazos processuais legal e regimentalmente estabelecidos. 33. No presente caso, como o processo com o acórdão recorrido chegou à Procuradoria em 15 de fevereiro de 2008, conforme registro no COMPROT, a oposição de embargos de declaração no dia 12 de março de 2008, muito além dos cinco dias regimentalmente previstos, é claramente intempestiva. 34. Intempestivos os embargos de declaração, os mesmos não suspendem o prazo para o presente recurso especial, que resta, ipso facto, extemporâneo, consoante pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, comprovada mediante a leitura das seguintes ementas: “Recurso Especial. Embargos de Declaração na Origem. Intempestividade. Tema de Ordem Pública. Regularidade Temporal do Apelo Excepcional. Prazo Peremptório. Vício Reconhecido a Qualquer Tempo. 1. Uma vez constatada a intempestividade dos embargos de declaração, opostos mais de dez dias depois de fluído o prazo do art. 619 do CPC, deve ser reconhecido a sua ineficiência interruptiva em relação aos recursos vindouros, no caso, identificado no recurso especial. (Precedentes). 2. A discussão sobre prazo peremptório envolve tema de ordem pública, de admissibilidade recursal, invadindo, inclusive, a regularidade do próprio apelo especial e a obediência, por parte do julgador, ao princípio da paridade das partes, segundo o qual não pode conceber privilégios ou prerrogativas sem a previsão legal. 3. Ademais, não se pode esquecer que a intempestividade promove o reconhecimento da preclusão processual, que equivale a um fato, o qual, uma vez ocorrente nos autos opera seus efeitos desde o dies a quo, independentemente de apenas ser declarada tempos depois. 4. Recurso não conhecido.1 Processual Civil. Agravo Regimental o Agravo de Instrumento. Embargos de Declaração Opostos, Via Fax, no Último Dia do 1 Recurso Especial nº 254.319, julgado pela Sexta Turma. Ementa publicada no DJ de seis de agosto de 2007. Fl. 1959DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 Prazo, mas Após o Encerramento do Expediente no Tribunal. Intempestividade. Prazo não Suspenso. Recurso Especial Intempestivo. Agravo Improvido.2 “Processual civil. Agravo regimental interposto contra decisão proferida em embargos de declaração. Embargos declaratórios considerados intempestivos. Prazo para outros recursos não interrompido. Agravo regimental intempestivo. I – Os embargos de declaração considerados intempestivos não interrompem o prazo para interposição de outros recursos. Precedentes. II – Agravo regimental não conhecido.”3 “Processual Civil. Embargos Declaratórios Intempestivos não Conhecidos. Não Interrupção do Prazo. Embargos declaratórios intempestivos não interrompem o prazo para interposição de outro recurso.”4 35. Da mesma forma, além de extemporâneo o recurso especial por força da intempestividade dos embargos de declaração, o próprio recurso especial revelase intempestivo, na medida em que a data de recebimento dos autos pela Procuradoria registrada no COMPROT foi o dia dois de julho de 2008, e o recurso especial foi protocolado no dia 23 de julho, já quando passados, portanto, os quinze dias regimentalmente previstos a título de prazo. 36. Em face de todo o exposto, resta demonstrada a intempestividade do recurso especial, razão pela qual o mesmo não deve ser admitido. Passo à análise da questão levantada pela interessada. Penso equivocado e entendimento externado pela contribuinte pelos seguintes motivos: A tempestividade dos embargos de declaração é demonstrada pela cronologia dos fatos descritos pela interessada tanto nas informações processuais constantes do site do Conselho de Contribuintes, juntado aos autos (abaixo parcialmente reproduzido) quanto do próprio COMPROT . Confirase: 18/12/2007 Formalizado Na Secretaria Da Câmara, Câmara: PRIMEIRA CÂMARA. 21/12/2007 Acórdão P/ Ciência Pfn, Câmara: PRIMEIRA CÂMARA. 14/02/2008 Acórdão P/ Ciência Pfn, Procurador: CAT/PGFN CoordenaçãoGeral de Assuntos Tributários. 13/03/2008 Devolução Pin – Acórdão C/ Embargos, CAMARA: TERCEIRA CÂMARA. 2 Agravo Regimental no Agravo de Instrumento nº 1.002.777, julgado pela Quarta Turma. Ementa publicada no DJ de 15 de setembro de 2008. 3 Agravo Regimental nos Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 434.913, julgados pela Terceira Turma. Ementa publicada no DJ de oito de setembro de 2003. 4 Recurso Especial nº 272.780, julgado pela Primeira Turma. Ementa publicada no DJ de seis de maio de 2002. Fl. 1960DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15374.003242/200173 Acórdão n.º 9303002.260 CSRFT3 Fl. 1.854 11 14/03/2008 Devolução Pfn Acórdão C/ Embargos, Câmara: PRIMEIRA CÂMARA. A suposta intempestividade dos embargos interpostos pela Fazenda Nacional, no entender desta conselheira, deveria ser alegada e demonstrada no momento do recurso, enquanto não julgado o ato que com ele diz respeito, sob pena de “preclusão consumativa”. O fato de o embargante, ter redigido “robusto recurso especial sobre matérias de fato nada triviais, para protocolálo no dia seguinte” não é motivo suficiente para se duvidar que a Embargante tomou ciência em dia anterior à protocolização da peça recursal. Por outro lado inexistem indícios de que a data que constou nos autos (13/03) não seja a correta. Afasto pois, a intempestividade alegada pela interessada. Passo, no entanto, à análise dos demais pressupostos de admissibilidade do recurso especial interposto pela D. Fazenda Nacional. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, discordando do Acórdão dos Conselhos, interpôs recurso especial, sustentando, em síntese, que estaria correto o procedimento da fiscalização de glosar a integralidade dos recursos ingressados no Pais, pois não teria sido discriminada a origem de tais ingressos, além do que a decisão recorrida teria cometido equívocos no cálculo por ela realizado. Alega ter ocorrido ofensa aos arts. 2°. e 3° da Lei 9.718/98 (contrariedade à lei). O recurso especial foi interposto com fundamento nos arts. 7º, inciso I, § 1º, e artigo 15 do Regimento Interno da CSRF, em razão de suposta contrariedade à lei. 0 Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado por meio da Portaria MF n. 147/2007, estabelece, verbis: Art. 15. 0 recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § 1° Na hipótese de que trata o inciso I do art. 7° deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou a evidencia da prova e, havendo matérias autônomas, o recurso especial alcançará apenas a parte da decisão não unânime contrária a Fazenda Nacional. No entender desta Conselheira, a recorrente deixou de atender ao disposto no § 1° do artigo 15, no sentido de que “Na hipótese de que trata o inciso I do art. 7° deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou à evidência da prova.”. Não houve qualquer demonstração, muito menos fundamentada, de contrariedade à lei, tendo a recorrente se limitado a escrever que: Data vênia, não obstante a louvável argumentação do voto relator, entende a Fazenda Nacional que o acórdão merece reforma, porquanto proferido em manifesta contrariedade ao conjunto probatório constante dos autos, bem assim em ofensa aos arts. 2º e 3º da Lei 9.718/98. Fl. 1961DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 A Lei nº 9.718/98 está assim redigida, nos dispositivos citados pela Recorrente: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Consta do fundamento legal da autuação fiscal (fl. 136): ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 2° da Lei Complementar n° 70/91; Art. 1° da Lei Complementar n° 70/91; Arts. 2°,3° e 8°, da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições; Arts. 2°, 3° e 8°, da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e suas reedições. Neste contexto, depois de se abster de fundamentar o cabimento do recurso pela suposta contrariedade à lei, a recorrente somente afirma, surpreendentemente, que “os cálculos realizados estão equivocados”, referindose aos cálculos feitos pelo relator da decisão recorrida como forma auxiliar de demonstrar que não só a interessada não deve um centavo como que ela, em razão do absoluto conservadorismo do critério de apuração adotado, teria pago tributo indevidamente. Cabe observar que não compete à CSRF reexaminar matéria que diga respeito às planilhas e cálculos elaborados pela Diligência efetuada no processo do PIS (subsidiados para o presente processo da COFINS) e ratificados pela Câmara recorrida. A alegada insuficiência de provas para desonerar a contribuinte não daria margem ao recurso especial, na medida em que suposto equívoco na valoração das provas não pode ser confundido com a contrariedade à evidência da prova capaz de deflagrar o recuso especial. Para que se dê a contrariedade à evidência da prova, é necessário que uma prova INEQUÍVOCA existente nos autos demonstre, de forma evidente, que o lançamento é procedente, o que não ocorre quando uma alegada (pela Procuradoria) insuficiência de provas apresentadas pelo contribuinte gera a reforma do lançamento pela Câmara Baixa. Caso assim não se entenda, estarseá a transformar a via estreita do recurso especial em embargos infringentes para uma terceira instância processual, competente para rever toda e qualquer valoração de provas pela Câmara Baixa com a qual a Fazenda não concorde. De fato, se os cálculos estivessem equivocados (já fazendo juízo de valor), caberia à recorrente ter apresentado embargos, de forma a esclarecer/corrigir a contradição prolatada na decisão. Os embargos são apenas um meio formal de integração do ato decisório, pelo qual se exige do seu prolator uma sentença ou acórdão complementar que opere a dita integração. Supostos erros nos cálculos não são objeto de recurso à CSRF. Fl. 1962DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15374.003242/200173 Acórdão n.º 9303002.260 CSRFT3 Fl. 1.855 13 No que diz respeito aos embargos, assim dispõe o art. 57, do Regimento Interno dos Conselhos, verbis: Art. 57. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Câmara. Na verdade, e aqui novamente fazendo juízo de valor, no que diz a prova de isenção, não foi a interessada quem deixou de provar o atendimento das condições para o gozo da isenção, mas sim, a própria fiscalização quem criou arbitrariamente requisitos não previstos em lei, cujo não atendimento pela contribuinte não poderia, jamais, obstar seu legítimo gozo da isenção. II) ANÁLISE DO MÉRITO Na hipótese de ser esta Conselheira vencida quanto ao conhecimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, no mérito, ratifico integralmente a bem elaborada decisão recorrida, lida em sessão. Embora, esta Conselheira tenha se manifestado no mérito quando da análise da preliminar, reitero o exposto anteriormente. A autuação pautouse em dois fatos claros: contaminação da parcela de receita a ser excluída da base de cálculo por receitas financeiras auferidas no exterior, que estariam sujeitas a incidência da contribuição, e impossibilidade de conciliação das receitas auferidas com as exclusões da base de cálculo. A interessada é sociedade de agentes da propriedade industrial que presta serviços em sua maioria a clientes estrangeiros, e destes recebe em moeda estrangeira, geralmente mediante depósito em sua conta corrente mantida no exterior, mas também por meio de cheques a ela enviados, no Brasil, e no País convertido em reais. Tais receitas, decorrentes de exportação de serviços, foram, pela interessada, excluídas da base de cálculo da COFINS por expressa determinação legal. Consta da decisão guerreada que: Dessa forma, a questão que se trava nos presentes autos diz respeito a um critério de análise do procedimento adotado pela recorrente, que parte de uma premissa sólida. Outra questão foi a levantada pelo Acórdão de primeira instância, relativamente ao que se chamou de conciliação dos resultados. No que concerne ao controle indireto dos valores dos ingressos por meio da individualização dos contratos de câmbio, não se poderia de forma alguma exigirse tal procedimento da interessada, uma vez que não se trata de questão atinente diretamente ao direito tributário, nem se trata de obrigação acessória ou de outra conduta exigida pela legislação tributária. Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 Quanto a conciliação, ainda que realizada sob outra modalidade de controle, de fato, é bastante razoável que houvesse controles contábeis específicos que permitissem a exata apuração da origem do numerário ingressado no Pais. Nesse contexto é que parece situarse a divergência levantada no Acórdão de primeira instância, que, entretanto, não deu importância ao problema da “contaminação” levantado pela Fiscalização. Vejase que, em principio, seria possível a recorrente apresentar provas que afastassem, ao menos em parte, a exigência. Entretanto, ao levantar o óbice de que a interessada teria de haver adotado procedimentos específicos, além do controle contábil, em relação ao ingresso do numerário no Pais, o Acórdão de fato exarou entendimento de que, ao assim proceder, a base de calculo da contribuição teria que englobar necessariamente a totalidade dos valores. Há de se observar que os cálculos questionados pela D. Procuradoria, foram originários de Diligência efetuada à Delegacia da Receita Federal de origem e confirmados na Câmara recorrida, que mostraram, inclusive, haver crédito em favor da interessada. Nesse sentido: 10. Do resultado da diligência foi possível a elaboração das tabelas constantes do final do voto proferido naquele recurso, onde é demonstrada a comparação entre a apuração segundo os critérios ali expostos e os valores reincluidos pela recorrente. 11. A conclusão foi no sentido de que “os valores excedentes reincluidos 'a maior nos períodos anteriores abrangem com folga os valores positivos apurados, o que significa que, considerando todo o período abrangido pela autuação, não houve exclusões indevidas da base de cálculo da contribuição.” e que, “...tendo havido num determinado período exclusão da base de cálculo menor do que a poderia ter sido efetuada, haveria, obviamente, recolhimento a maior da contribuição em tal período, o que não pode ser desconsiderado na apuração efetuada em períodos seguintes”. (...) Conforme já exposto anteriormente, não há disposição legal ou regulamentar especifica que estabeleça a realização de uma operação de ingresso de divisas para cada nota fiscal de serviços emitida, de forma que o procedimento adotado pela recorrente, nesse aspecto, não pode ser motivo suficiente A autuação pelo resultado integral de cada período. Com efeito, considerando que a Recorrida excluía da base de cálculo da COFINS os valores ingressados no País em determinado mês, sempre limitados ao total do faturamento para o exterior (receitas da prestação de serviços para o exterior) no mesmo mês, é evidente que a exclusão se limitava sempre aos valores relacionados aos honorários pela prestação de serviços ao exterior. Inexistindo “contaminação de receitas” passam a estar corretos os cálculos efetuados e demonstrados na Diligência fiscal. Por outro lado, a reinclusão na base de cálculo da contribuição do valor proporcionalmente correspondente aos juros e recuperações de despesas, que compõem o valor Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15374.003242/200173 Acórdão n.º 9303002.260 CSRFT3 Fl. 1.856 15 do ingresso de divisas no Pais, relativamente aos valores creditados em conta de depósitos mantida no exterior, evita a exclusão da base de cálculo de valores não isentos ou que não foram nela incluídos anteriormente. Em síntese, restando comprovado pela própria administração (retorno de Diligência), que o procedimento de apuração da base de cálculo da COFINS adotado pela interessada está correto, tendo sido indevida a glosa da integralidade das receitas ingressadas do exterior, sob a alegação de que estariam contaminadas por receitas não isentas, há de ser mantida a decisão recorrida. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, voto no sentido de: Em preliminar, por não conhecer do recurso, em face da ausência de preenchimento de parte dos requisitos de admissibilidade; e Em sendo vencida na preliminar, no mérito, por NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Maria Teresa Martínez López Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator Designado Honroume a Presidência com a difícil tarefa de redigir o acórdão prolatado pelo colegiado na parte em que discordamos, por maioria, do ilustrado voto da relatora. Essa disse respeito tãosomente à admissibilidade do recurso, a qual foi por ela negada. Entendeu a maioria diferente, tendo eu me pronunciado primeiramente por ter pedido vista dos autos na reunião passada. Dela concluí que a Procuradoria da Fazenda, neste caso, se desincumbiu a contento das demonstrações que lhe competem nos casos de recursos motivados em contrariedade à lei. Vale a ênfase de que tenho sido um dos mais rigorosos em tais exames, mormente porque em muitos deles se argúi que a contrariedade estaria no fato de a decisão não ter sido unânime. Não é, aliás, incomum que os despachos que os admitem assim se pronunciem. Em tais casos, já deixei consignado que a contrariedade à lei é, em meu entender, um segundo atributo da decisão que se quer modificar, ao lado da nãounanimidade, não sendo por ela implicado. Assim, dúvidas não tenho de que cabe à Fazenda indicar qual o dispositivo de lei – e há de ser lei em sentido estrito – foi, em seu entender, contrariado pela decisão atacada. Tal demonstração consiste na indicação clara do dispositivo e dos motivos que comprovariam a contrariedade. Obviamente, essa comprovação se dá na interpretação da Fazenda, que deve ser por ela explicitada. Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 16 Portanto, para que seja ele aceito, o recurso deve trazer o dispositivo legal supostamente contrariado e as razões dessa contrariedade no entendimento do recorrente. O acatamento pelo colegiado desse entendimento, matéria de mérito, leva ao provimento do recurso, o contrário ocorrendo se não concordarmos com ele. Em qualquer caso, porém, ele decorre de, preliminarmente, dele termos decidido conhecer. Para esta última providência, basta a verificação daqueles dois primeiros requisitos. No caso concreto, a n. relatora entendeu que toda a argumentação expendida pela Procuradoria da Fazenda entre as mais de vinte folhas em que se assenta o seu recurso estaria voltada, unicamente, a combater os cálculos efetuados. Mas, em verdade, é de cálculos – imprestáveis no entender da fiscalização e corretos no da empresa – que trata o auto. Com efeito, a acusação fiscal é de que a empresa havia excluído da base de cálculo do tributo, a título de receita de exportação de serviços, mais do que lhe permitiria a legislação por estarem os valores “contaminados” por parcelas que a lei não identificaria com tais receitas (notese que as exclusões da base de cálculo estão, sim, previstas no art. 3º da Lei 9.718/98, um dos dispositivos legais citados pela PFN). É exatamente para demonstrar que, em seu entender, a fiscalização está correta que a representação fazendária refaz, a título exemplificativo, os cálculos, após ter assentado as premissas de que caberia à empresa a prova cabal da correção das exclusões realizadas. Nesses termos, entendi cumpridos adequadamente os requisitos para que o recurso fosse aceito, embora, no mérito, não devesse mesmo ser acolhido. E esta é a parte do acórdão que me coube redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 19515.005901/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE.
Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada.
DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INDEDUTIBILIDADE.
Para que o ágio tenha efeitos no âmbito tributário, é necessário que ele seja gerado corretamente pela aquisição de participação societária por montante superior ao seu valor patrimonial e, após, deve haver a incorporação, fusão ou cisão, por meio da qual ocorre uma confusão patrimonial entre os patrimônios das antigas controladora e controlada. A inexistência da segunda operação descaracteriza a ocorrência de confusão patrimonial posterior, para fins de permitir a dedutibilidade da amortização do ágio gerado na primeira operação, caso válido.
Numero da decisão: 1202-001.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação a glosa referente às despesas de assessoria legal. O Conselheiro Geraldo Valentim Neto acompanhou pelas conclusões o voto referente à matéria glosa de despesas de amortização de ágio. Por maioria de votos, em excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (relatora) e Carlos Alberto Donassolo. Designado para redigir o voto vencedor, nessa parte, o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 RECURSO DE OFÍCIO. RESULTADO DE DILIGÊNCIA. CONFIRMAÇÃO. A exclusão parcial do crédito tributário com fundamentada no resultado de diligência realizada com os elementos disponibilizados pelo contribuinte e conferidos pela autoridade fiscal é confirmada quando inexistirem, no reexame necessário, elementos de convicção em sentido contrário. PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. As hipóteses de nulidade no processo administrativo fiscal encontramse previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, que compreende o cerceamento do direito de defesa, desde que comprovado que a recorrente não conseguiu se defender dos fatos que lhe foram imputados. A apresentação de uma defesa de qualidade, rebatendo todos os pontos da autuação, afasta a nulidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 DESPESAS COM ASSESSORIA LEGAL. PROVA. DEDUTIBILIDADE. Despesas efetivamente pagas e que guardem relação com a manutenção dos objetivos sociais da pessoa jurídica podem ser deduzidas na apuração do lucro líquido. As despesas com assessoria visando produzir informações que subsidiem as decisões institucionais são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ, desde que comprovadamente realizadas. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INDEDUTIBILIDADE. Para que o ágio tenha efeitos no âmbito tributário, é necessário que ele seja gerado corretamente pela aquisição de participação societária por montante AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 59 01 /2 00 8- 81 Fl. 10523DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 3 2 superior ao seu valor patrimonial e, após, deve haver a incorporação, fusão ou cisão, por meio da qual ocorre uma confusão patrimonial entre os patrimônios das antigas controladora e controlada. A inexistência da segunda operação descaracteriza a ocorrência de confusão patrimonial posterior, para fins de permitir a dedutibilidade da amortização do ágio gerado na primeira operação, caso válido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao lançamento reflexo o quanto decidido sobre o lançamento que lhe deu origem, por terem suporte fático comum. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação a glosa referente às despesas de assessoria legal. O Conselheiro Geraldo Valentim Neto acompanhou pelas conclusões o voto referente à matéria glosa de despesas de amortização de ágio. Por maioria de votos, em excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (relatora) e Carlos Alberto Donassolo. Designado para redigir o voto vencedor, nessa parte, o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Fl. 10524DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso de ofício e voluntário do contribuinte em face de decisão de primeira instância que julgou parcialmente procedente o lançamento de IRPJ e CSLL, com multas de ofício e isolada. Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 1781/1784), foram constatadas as seguintes infrações: Item 001 Exclusões a maior, no Livro de Apuração do Lucro Líquido – LALUR, relativas aos projetos de Furnas – Unidade ABS e Centrais Elétricas do Norte do Brasil; Item 002 Amortização indevida de ágio decorrentes de investimentos do ativo permanente; Item 003 Insuficiência de recolhimentos por estimativa; Item 004 diferença entre o valor registrado na contabilidade, os DARF´s recolhidos e os valores declarados em DCTF’s, apurada em Verificações preliminares. No Auto de Infração de IRPJ, há cinco itens infrações assim discriminadas: 001 – CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS – GLOSA DE DESPESAS – Enquadramento Legal – Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300, do RIR/99. 002 – AMORTIZAÇÃO – VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS – Enquadramento Legal – Art. 13, inciso III, da Lei nº 9.249/95; Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299, 324, §§ 2º e 4º, e 325, do RIR/99. 003 – EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – EXCLUSÕES INDEVIDAS – Enquadramento Legal – Art. 250, inciso I, do RIR/99. 004 – IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA – DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO E O DECLARADO/PAGO – Enquadramento Legal – Arts. 247 e 841 do RIR/99. 005 – MULTAS ISOLADAS – DIFERENÇA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO – IRPJ ESTIMATIVA – Enquadramento Legal – Arts. 222, 843 e 957, parágrafo único, inciso IV, do RIR/99. No Auto de Infração de CSLL, foram indicadas duas infrações: Fl. 10525DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 5 4 001 – CSLL – FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL – Enquadramento Legal – Art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/88; Art. 1º da Lei nº 9.316/96 e art. 28 da Lei nº 9.430/96; Art. 37 da Lei nº 10.637/02. 002 – CSLL – REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO – Enquadramento Legal – Art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/88; Art. 28 da Lei nº 9.430/96; Art. 273 do RIR/99; Art. 37 da Lei nº 10.637/02. Na impugnação, o contribuinte alegou, preliminarmente, a nulidade dos autos de infração, tendo em vista a imprecisa descrição dos fatos e fundamentos que ensejaram a autuação, o que teria prejudicado seu direito à ampla defesa. No mérito, alegou a improcedência da exigência fiscal pelas razões a seguir sintetizadas. Sobre o Item 001 do AIIM Custos ou Despesas não comprovadas: alegou que, com exceção das despesa no valor de R$ 388.215,00 e R$ 7.000,00, do anobase 2003, cuja origem não conseguiu rastrear, quanto às demais despesas questionadas pelas autoridades administrativas, foi capaz de comprovar documentalmente “(i) a existência das despesas com assessoria legal, bem como o efetivo pagamento efetuado pela Requerente; ou (ii) a contabilização e posterior estorno das despesas, comprovando que não foram deduzidas da base de cálculo do IRPJ, bem como que (iii) a D. Fiscalização exige a adição de valor lançado a crédito na conta glosada nos valores de R$ 8.801,36 e R$ 6.979,65”. Sobre o Item 002 do AIIM Amortização do ágio, alegou que apresentou toda a documentação solicitada por meio do Termo de Início de Fiscalização (fl.308), qual seja: “(i) laudo de avaliação e protocolo de justificação da incorporação do acervo líquido da empresa ALSTOM T&D Ltda.; (ii) protocolo de justificação do acervo líquido relativo às atividades transferidas em 31.8.2003 da ALSTOM BRASIL Ltda.; (iii) laudo de avaliação e protocolo de justificação do acervo líquido da ALSTOM ELEC S/A objeto de cisão parcial”, bem como apresentou petição (fl. 404, 422 a 832 dos autos) com toda documentação suporte em relação à conta de amortização do ágio sobre investimentos [conta 6224071030], durante os anos calendários de 2003 e 2004. Descreveu como se deu (a) Reorganização societária no grupo ALSTOM, a (b) Apuração do ágio aquisição e subscrição das ações da CEGELEC e (c) Apuração do ágio incorporação da ER pela ALSTOM T&D Ltda., justificando o seu procedimento. Sobre o Item 003 do AIIM "exclusões a maior no Livro de Apuração do Lucro Líquido LALUR, relativas aos projetos de Furnas Unidade ABS e Centrais Elétricas do Norte do Brasil", pretendeu demonstrar que a exclusão desses valores estava pautada na legislação em vigor, especialmente no art. 409 do RIR/99, que prevê o diferimento da tributação do lucro, bem como na jurisprudência pacífica dos Tribunais Administrativos. Alegou que “(i) recebeu os valores referentes às Notas Ficais questionadas em anosbase subseqüentes à 2004; (ii) não receberá parte destes valores definitivamente, seja porque foram baixados como perda, seja porque as respectivas "vendas" foram canceladas; ou (iii) ainda possui saldo em aberto em relação às respectivas Notas Fiscais” e apresentou tabelas indicando os números das notas fiscais referentes às vendas efetuadas à FURNAS e às Centrais Elétricas do Norte do Brasil questionadas, os valores efetivamente recebidos Fl. 10526DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 6 5 referentes à tais vendas e o histórico referente ao pagamento de cada nota fiscal ou o motivo que levou ao não recebimento destes valores (perda, venda cancelada ou saldo em aberto), além de cópia dos extratos bancários. Sobre o Item 004 do AIIM Diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago, alegou (a) a impossibilidade de se cobrar eventuais valores não recolhidos a título de antecipação com base em estimativas, como se tributo fosse, bem como (b) a impossibilidade de se lançar débitos de IRPJ com base em meros lançamentos contábeis, a partir da mera falta de correspondência entre os valores lançados a crédito na conta do Passivo "Provisão IRPJ" e os que foram declarados em DCTF e pagos pela contribuinte num determinado mês, sustentando a regularidade dos procedimentos adotados e a suficiência dos pagamentos efetuados a título de antecipações entre os anosbase 2004 e 2006. Sobre o Item 005 do AIIM Mu1tas isoladas, aduziu que não houve cometimento de infração que ensejasse a sua aplicação, bem como não há que se falar em aplicação de multa isolada após o encerramento do anobase, quando já estiver apurado o montante de IRPJ devido, nem, tampouco, de forma cumulativa com a multa de ofício. Por fim, estendeu os argumentos à CSLL e protestou por diligência para confirmar o alegado. Conforme o relatório da decisão recorrida, em razão das problemáticas levantadas, foram realizadas duas diligências, assim descritas: A primeira foi solicitada por meio do Despacho sem número, datado de 17/03/2009 (fls. 6010/6014 ND), cuja resposta deu se por meio da Informação Fiscal – fls. 9906/9916 – ND. Contra seu resultado, parcialmente favorável à empresa, foi apresentada a Manifestação de Inconformidade de fls. 9918/9933 – ND. Em seqüência, dessa vez por intermédio da Resolução nº 187 3º Turma da DRJ/SP1, de 04/11/2010, fls. 9995/9998 – ND, foram solicitados esclarecimentos adicionais somente no assunto tratado no item 004. A Auditora Autuante labutou em responder os questionamentos ali contidos, o que resultou na Informação Fiscal de fls. 10.021/10.023 – ND – e seus demonstrativos (fls. 10.024/10.030 ND). Houve a apresentação de nova manifestação de inconformidade – fls. 10.038/10.047 – ND , na qual a empresa afirma que da leitura do Termo de Encerramento de Diligência denotarseia a admissão de manifestos e insanáveis equívocos cometidos pela Fiscalização no momento da lavratura dos Autos de Infração, e solicita integral provimento à impugnação apresentada em 28/10/2008, dizendo não ser possível, outrossim, trazer aos autos novos elementos constantes do anexo ao Termo de Diligência, em razão de constituição por meio de lançamento de ofício. Diante disso, a decisão da DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação, nos termos da seguinte ementa: Fl. 10527DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 7 6 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 GLOSA DE DESPESAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL X TELAS DE SISTEMA INTERNO. DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. NOTAS FISCAIS. PROVA DA EFETIVIDADE DO PAGAMENTO. APRESENTAÇÃO. NECESSIDADE. Telas de sistema interno de contabilidade não substituem a apresentação dos livros obrigatórios pela legislação contábil e fiscal na parte em que se faz necessária a comprovação de lançamentos contábeis específicos. Ademais, a ocorrência dos fatos contábeis alegados devem ser comprovados com documentos hábeis e idôneos, como notas fiscais de serviços, comprovantes da efetividade do pagamento e outros, não sendo presumíveis esses elementos por demonstrativos. GLOSA DE DESPESAS. VALORES COMPROVADOS. Exonerase os valores lançados a título de glosa de despesas, cuja diligência afastou. GLOSA DE DESPESAS. ESTORNO X RECLASSIFICAÇÃO. Não há que se confundir o lançamento de estorno com o de reclassificação. Enquanto o primeiro tem como consequência anular o lançamento anterior, o segundo transfere o valor lançado a outra conta contábil. Mesmo que fossem apresentados elementos da escrituração contábil e não telas de sistema interno da empresa, manterseia a glosa originalmente feita, uma vez que não foi comprovado que a reclassificação deixou de reduzir o resultado, ao ser transferida. ÁGIO. INCORPORAÇÃO DE EMPRESAS. MESMO GRUPO ECONÔMICO. RENTABILIDADE FUTURA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO. FORMALIDADE DE ATOS. INSUFICIÊNCIA. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. A não observância da totalidade das formalidades previstas na legislação, entre partes independentes, afasta o direito ao gozo da dedutibilidade. Somado a isso, no presente caso, verificase, outrossim, que os requisitos legais e contábeis para o reconhecimento do ágio, de um livre e aberto ambiente negocial, ocorrido entre pessoas independentes e não relacionadas, e o efetivo pagamento do ágio não são atendidos. A observância de certas formalidades não é suficiente para a efetiva existência do ágio, mormente no sentido tributáriofiscal. As despesas consideradas dedutíveis para a legislação tributária são aquelas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa e, ainda, as despesas devem ser usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Fl. 10528DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 8 7 EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES AUTORIZADAS. APURAÇÃO DO LUCRO REAL. DIFERIMENTO DA TRIBUTAÇÃO. EXONERAÇÃO. Exonerase parcialmente a exigência, em razão do contribuinte comprovar parcialmente o diferimento da tributação do lucro até sua realização, nos casos de empreitada ou fornecimento contratado, nas condições dos arts. 407 ou 408 do RIR/1999, com pessoa jurídica de direito público, ou empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária, conforme atestado em diligência. EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL X TELAS DE SISTEMA INTERNO. DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. APRESENTAÇÃO. NECESSIDADE. Telas de sistema interno de contabilidade não substituem a apresentação dos livros obrigatórios pela legislação contábil e fiscal na parte em que se faz necessária a comprovação de lançamentos contábeis específicos. Ademais, a ocorrência dos fatos contábeis na forma alegada deve ser comprovada com documentos hábeis e idôneos, não sendo presumíveis esses elementos por demonstrativos e relatórios informatizados não regulamentados pela legislação. IRPJ. ESTIMATIVA MENSAL. DEVIDA E NÃO PAGA. LANÇAMENTO APÓS O TÉRMINO DO ANO. COBRANÇA. IMPOSSIBILIDADE. Após o término do anocalendário de apuração não é possível a cobrança das estimativas devidas e não pagas durante o ano calendário, mas sim da multa isolada de 50% sobre os valores não quitados. ESCRITURADO X DECLARADO. IRPJ. ESTIMATIVA MENSAL. APURAÇÃO. Não restando comprovado nos autos que a empresa obrigada a recolher estimativa mensal deixou de fazêlo, exonerase a exigência. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003, 2004 CSLL. DECORRÊNCIA. No que tange à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicamse as conclusões relativas ao julgamento do IRPJ, em razão da relação de causa e efeito existente entre os fatos que geraram esses lançamentos. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 Fl. 10529DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 9 8 JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÃO. NÃO APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE LEGAL. É dever dos julgadores que compõem as Turmas das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento observar as normas legais e regulamentares, bem como o entendimento da RFB expresso em atos normativos, não cabendo discutir, em sede de contencioso, alegações que remetam a questões de suposta ilegalidade e inconstitucionalidade desses atos. Inconformado, o contribuinte, cientificado em 30/03/2012, apresentou recurso voluntário ao CARF em 27/04/2012, em que questiona a manutenção parcial dos débitos relativos às despesas com prestação de serviços e exclusões (itens 001 e 003) e a manutenção integral dos débitos relativos às despesas com amortização de ágio (item 002). Repisa as razões da impugnação, pleiteando, em síntese, a nulidade do auto de infração, a dedutibilidade das despesas com assessoramento legal que não foram assim reconhecidas, a dedutibilidade dos ágios amortizados, a correção de todas as exclusões e compensações registradas no LALUR. Questiona, ainda, a impossibilidade de exigência da SELIC e juros moratórios sobre a multa de ofício. Em contrarrazões, a PGFN sustenta, em síntese: (1) a inexistência de nulidade do lançamento; (2) sobre os valores indevidamente deduzidos como despesas com assessoria legal, aponta correta a conclusão da decisão de primeira instância de que “uma vez não sendo comprovado que essas despesas foram efetivamente incorridas, elas não podem ser reconhecidas como dedutíveis”. Sustenta que, “no presente caso, deveria o recorrente ter trazido aos autos elementos que comprovassem que os valores remanescentes da diligência fiscal foram efetivamente desembolsados e se referiam às assessorias legais prestadas pelos escritórios citados”; (3) sobre os valores indevidamente considerados como exclusões/ compensações também deve ser mantida a glosa, visto que se o contribuinte não comprovou a motivação que o levou ao registro das exclusões/compensações remanescentes, não há como manter os seus efeitos fiscais; (4) sobre o primeiro ágio, afirma que a recorrente entende que parte da “mais valia” que foi paga pela ALSTOM BR1 quando da aquisição da participação societária da CEGELEC passou a ter a sua amortização dedutível a partir da subscrição e integralização do capital da ALSTOM T&D realizado pela ALSTOM BR1 com a participação societária da CEGELEC e que, segundo ela (recorrente), essa sequência de operações societárias se coaduna com o que prevêem os artigos 385 e 386 do RIR/99. Em contrapartida ao entendimento da recorrente, sustenta a validade da glosa; (5) sobre o segundo ágio, esclarece que a recorrente afirma que tanto o seu surgimento como a autorização para a dedução de sua amortização se justificam na incorporação das ações da empresa ER pela ALSTOM T&D. Em contrapartida ao entendimento da recorrente, sustenta a validade da glosa; Fl. 10530DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 10 9 (6) conclui que os ágios cuja amortização foi deduzida na apuração do lucro real não decorreram da aquisição de uma participação societária, seguida da absorção do patrimônio da controlada pela controladora, ou viceversa, devendo ser mantida a glosa dos correspondentes valores, visto que não há como esses ágios gerarem despesas dedutíveis segundo os arts. 385 e 386 do RIR/99. Entende que sequer se faz necessário abordar outros requisitos à dedutibilidade da amortização de um ágio, como a existência e tempestividade de laudo, participação de terceiros, propósito negocial, etc.; (7) aduz, subsidiariamente, a impossibilidade de dedução da despesa com a amortização do ágio na base de cálculo da CSLL, por falta de previsão legal, considerando que os aludidos artigos do RIR/99 são atos normativos infralegais, cujo fundamento de validade se encontra no Decretolei n° 1.598, de 1977, que se destina exclusivamente à apuração do lucro real. Como a regra é a indedutibilidade das despesas, a sua dedutibilidade é a exceção que deve vir expressamente prevista, o que não ocorre no caso da CSLL, mesmo se o ágio for considerado válido e dedutível para fins do IRPJ. Cita precedente nesse sentido (Acórdão nº 130200.834); (8) por fim, afirma que é legal e válida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. É o relatório. Fl. 10531DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 11 10 Voto Vencido Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora RECURSO DE OFÍCIO Conhecido o recurso de ofício em face da observância da Portaria MF nº 3, de 2008, cabe analisar as razões da exclusão de cada parcela do crédito tributário. Parte dos valores exonerados se deu em função do resultado da diligência determinada pela DRJ, como se vê dos seguintes trechos da ementa: “GLOSA DE DESPESAS. VALORES COMPROVADOS. Exonerase os valores lançados a título de glosa de despesas, cuja diligência afastou.” “EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES AUTORIZADAS. APURAÇÃO DO LUCRO REAL. DIFERIMENTO DA TRIBUTAÇÃO. EXONERAÇÃO. Exonerase parcialmente a exigência, em razão do contribuinte comprovar parcialmente o diferimento da tributação do lucro até sua realização, nos casos de empreitada ou fornecimento contratado, nas condições dos arts. 407 ou 408 do RIR/1999, com pessoa jurídica de direito público, ou empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária, conforme atestado em diligência.” Em relação à glosa de despesas consideradas comprovadas, assim como do diferimento da tributação do lucro até sua realização, nos casos de empreitada ou fornecimento contratado, nas condições dos arts. 407 ou 408 do RIR/1999, considerado parcialmente comprovado, pela própria autoridade autuante, durante procedimento de diligência determinada pela DRJ, cumpre chancelar a decisão que afastou a exigência dos respectivos valores. Considerando que a redução decorre de diligência realizada com os elementos disponibilizados pelo contribuinte e conferidos pela autoridade fiscal, e inexistem, no reexame necessário, elementos de convicção em sentido contrário, não há reparos à decisão recorrida. A DRJ também afastou o lançamento das estimativas mensais cobradas como se tributo fossem, como descrito abaixo: IRPJ. ESTIMATIVA MENSAL. DEVIDA E NÃO PAGA. LANÇAMENTO APÓS O TÉRMINO DO ANO. COBRANÇA. IMPOSSIBILIDADE. Após o término do anocalendário de apuração não é possível a cobrança das estimativas devidas e não pagas durante o ano calendário, mas sim da multa isolada de 50% sobre os valores não quitados. Fl. 10532DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 12 11 Confirmase essa decisão em reexame necessário, bastando referir a Súmula CARF nº 82, que dispõe: “Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas”. A decisão de primeiro grau ainda afastou a multa isolada lançada em razão da falta de comprovação da respectiva base de cálculo, nos seguintes termos: ESCRITURADO X DECLARADO. IRPJ. ESTIMATIVA MENSAL. APURAÇÃO. Não restando comprovado nos autos que a empresa obrigada a recolher estimativa mensal deixou de fazêlo, exonerase a exigência. Cabe transcrever o seguinte trecho da decisão exoneradora: No que tocante à multa isolada (item 005 da autuação), a Fiscalização não chegou a demonstrar sua base de cálculo na autuação. O valor de R$ 200.374,07 já aparecia no Auto de Infração, razão essa de se solicitar à AFRFB autuante quando da PRIMEIRA diligência que o fizesse. A resposta consta do item 5 do Informação Fiscal de fls. 9906/9916, o qual se transcreve abaixo, na íntegra: “5. MULTAS ISOLADAS DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO IRPJ ESTIMATIVA Fato GeradorValor Tributável ou Imposto 31/12/2004200.374,07 Apurada conforme planilha anexa: CALCULO DA MULTA ISOLADA RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS DO IRPJ COM BASE EM BALANÇOS/BALANCETES DE SUSPENSÃO ANO 2004 Histórico base de cálculo alíquota IRPJ imposto de renda em função das infrações apuradas 1.679.526,2615% 251.928,94 adicional 1.488.192,00 10% 148.819,20 total da insuficiência do recolhimento 400.748,15 valor da multa isolada=50% (imposto =adicional) 200.374,07 Obs: Os valores que podem ser excluídos do cálculo da multa o foram e são: valores do mês de dezembro já que a base de cálculo da estimativa se confunde com o lucro real (DIPJ X AI ) valor de 20.000,00 ao mês, já que a empresa ao fim do ano calendário de 2007 apresentou prejuízo e não lucro.” Em resposta, a empresa, quando de sua manifestação de inconformidade arguiu que: 47. Entretanto, não obstante o expresso questionamento formulado por esta D. Delegacia, a D. Fiscalização apenas indica que a multa isolada foi calculada com base na alíquota de 50% sobre o valor total da "insuficiência de recolhimento", que no caso seria de R$ 400.748,15. Para tanto, a D. Fiscalização aponta, de forma aparentemente aleatória, um valor que supostamente corresponderia à base de cálculo do IRPJ devido Fl. 10533DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 13 12 por estimativa no anobase 2004 e, a partir desse valor, calcula a multa a ser aplicada. 48. Notese que, apesar de a multa isolada ser aplicada em razão de um suposto não recolhimento das estimativas mensais, a D. Fiscalização na Informação Fiscal indica apenas um valor não recolhido para o anobase 2004, sem fazer qualquer indicação do mês em que teria ocorrido a insuficiência de recolhimento. Ou seja, não há como se aferir pela Informação Fiscal qual seria o (s) mês (es) em que ocorreu(ram) a suposta falta de recolhimento do imposto devido com base em estimativas, impossibilitando a apresentação de defesa pela Requerente. 49. Além disso, não há qualquer relação entre o valor que pautou a aplicação da multa e os valores correspondentes aos outros itens da autuação, o que também impossibilita a compreensão a respeito da penalidade aplicada em face da Requerente. Em suma, a Informação Fiscal apresentada pela D. Fiscalização só veio ratificar a improcedência da multa isolada aplicada. 50. Além disso, ainda que assim não fosse, a Requerente demonstrou ainda que no presente caso esta multa isolada também deverá ser cancelada pelo fato de estar sendo exigida (i) após o final do anobase, momento em que já foi apurado o imposto devido com base no lucro real e, portanto, não há que se falar mais em insuficiência de recolhimento de antecipações; e (ii) cumulativamente à multa de ofício também imposta à Requerente, acarretando na aplicação de penalidade em duplicidade, o que é veementemente rechaçado pela Jurisprudência administrativa. Devese concordar com a argüição de que não resta demonstrado de onde vem a base de cálculo. A demonstração em resposta à primeira diligência não é conectada ao mês de dezembro, e sim ao ano inteiro, o que não é possível, nem contabilmente, nem juridicamente, uma vez que a multa isolada incide sobre o valor da estimativa devida mensalmente que não foi paga ou compensada na forma da legislação. Quando da SEGUNDA diligência, não se fez uma pergunta direta sobre o item 005, mas se solicitou demonstrativos de todos os meses. À fl. 10.030, o demonstrativo traz um valor de R$ 4.720.609,74, o qual não coincide com o constante do documento de fl. 18 (Ficha 11 da DIPJ/2005 – AC2004 – mês de dezembro) dos autos. Nesse mês há DCTF, de fato, no valor de R$ 4.474.115,10, a qual foi retificada em 2009, fazendo coincidir com o da DIPJ (R$ 1.575.476,95) Mas não há qualquer fundamento probatório para esse valor (R$ 4.720.609,74). Talvez para o de R$ 4.474.115,10 (DCTF), o qual já foi considerado, como exclusão (Escriturado – DCTF), no Termo de Verificação Fiscal (fl. 1784) e no demonstrativo da Fl. 10534DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 14 13 última Informação Fiscal prestada pela Autoridade Fiscal (fl. 10.030 – ND). Houve um lançamento, na autuação, no valor de R$ 515.482,33, como se fosse estimativa declarada e não declarada ou paga (vide fl. 1784). Entretanto, esse valor é o resultado de R$ 6.038.970,56, que teria sido contabilizado, menos o valor de R$ 1.049.373,13, em decorrência de lançamento contábil retificador, menos o valor declarado em DCTF (R$ 4.474.115,10). Como a Fiscalização não considerou o IRRF – igual a R$ 639.476,95 (Ficha 11 da DIPJ/2005) , quitouse R$ 5.113.592,05 (R$ 639.476,95 + R$ 4.474.115,10) que é maior que R$ 6.038.970,56 – R$ 1.049.373,13 = 4.989.597,43. Ou seja, no que tange ao item 005, concluise que não restou demonstrado o que a empresa deixou de pagar/quitar para justificar a aplicação da multa de ofício de 50%, nem se vislumbra que seja ela justificável, frente aos dados trazidos aos autos nas diligências. Diante dos fatos descritos nos autos, é de se concordar com a conclusão da DRJ quanto ao lançamento da multa isolada, confirmandose a exoneração do respectivo crédito tributário. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso é tempestivo e assente em lei, sendo conhecido. Da preliminar de nulidade Afastase a preliminar arguida sobre a nulidade dos autos de infração em razão de imprecisa descrição dos fatos e fundamentos que ensejaram a autuação, o que teria prejudicado seu direito à ampla defesa. As hipóteses de nulidade no processo administrativo fiscal encontramse previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, que compreende o cerceamento do direito de defesa, desde que comprovado que a recorrente não conseguiu se defender dos fatos que lhe foram imputados, o que não ocorreu no caso concreto, haja vista a qualidade da defesa apresentada, rebatendo todos os pontos da autuação. Ademais, o item da autuação em que não houve a descrição clara e precisa dos fatos que ensejaram a cobrança de débitos, correspondente à base de cálculo da multa isolada, foi cancelado pela decisão recorrida e o cancelamento foi confirmado nesta. Com isso, afastase a preliminar de nulidade. Mérito O mérito da autuação remanescente cingese à glosa de despesas operacionais. Fl. 10535DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 15 14 Nos termos da legislação tributária, em especial o art. 299 do RIR/99, as despesas operacionais, para serem consideradas legítimas e passíveis de dedutibilidade na apuração do resultado tributável, devem guardar natural e íntima relação com a atividade da empresa e com a manutenção da respectiva fonte produtora. Diante disso, para fins de dedutibilidade da despesa na apuração do resultado tributável são exigidos os requisitos de necessidade e usualidade ou normalidade, observando que são necessárias as despesas essenciais para a consecução dos objetivos sociais, ainda que secundários, desde que vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos; são normais as despesas ordinariamente realizadas nas atividades e operações destinadas à manutenção da fonte produtora; e são usuais aquelas realizadas de maneira frequente ou habitual em determinado tipo de atividade ou operação. Assim, cabe ao contribuinte comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que não apenas suportem os lançamentos contábeis decorrentes, mas que justifiquem e atestem a dedutibilidade das despesas necessárias, normais e usuais à atividade da empresa. Item 001 Da glosa das despesas com assessoria legal Segundo a acusação fiscal, não existiram elementos que comprovassem que os valores remanescentes da diligência fiscal foram efetivamente desembolsados e se referiam às assessorias legais prestadas pelos escritórios citados. Para demonstrar que a despesa foi efetivamente incorrida devem ser apresentados, de forma simultânea, dois aspectos: que o pagamento foi realizado e que esse pagamento se refere ao serviço prestado em favor do contribuinte. Após o retorno da diligência, a DRJ justificou a manutenção de parte da glosa de despesas, nos seguintes termos: “não foram juntados comprovantes do efetivo pagamento ao escritório Peppe & Bonavita, nem notas fiscais de serviços, com relação a essas operações”. “Quanto à despesa de serviços prestados pelo Escritório Gaia, há um recibo referente ao pagamento da Nota Fiscal de honorários das Atividades T&D nº 0436. Entretanto não se sabe ao que se referem esses serviços, não tendo sido apresentadas notas fiscais, nem comprovantes do efetivo pagamento”. A recorrente, por sua vez, sustenta que estão devidamente comprovadas as despesas e junta tabelas em que aponta as folhas dos autos onde constam os documentos comprobatórios, esclarecendo que: 39. No que diz respeito ao anobase 2003, de acordo com a D. Fiscalização e com o V. Acórdão recorrido, não teria sido comprovada a ocorrência de 5 (cinco) despesas que totalizam o montante de R$ 30.500,00. Entretanto, como devidamente comprovado na Impugnação, tais despesas se referem a serviços legais efetivamente prestados. 40. Do total de R$ 30.500,00, a Recorrente ressalta que o valor de R$ 24.000,00 referese a serviços prestados pelo escritório Fl. 10536DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 16 15 Peppe & Bonavita, conforme comprovam o Instrumento Particular de Contrato de Prestação de Serviços celebrado em i°.Q.20oo e do Termo Aditivo n°. 3, de i0.4.2003, mediante o qual a Recorrente se comprometeu a realizar pagamentos mensais no valor de R$ 6.000,00 ao referido escritório pelos seus serviços. É importante indicar que a Recorrente também juntou aos autos recibos bancários que comprovam o pagamento de tais valores. 41. Por sua vez, o valor remanescente de R$ 6.500,00 se refere à despesa incorrida com serviços prestados pelo Escritório Gaia, Silva, Rolim & Associados, conforme atestam os documentos já juntados a estes autos. 42. No que diz respeito ao anobase 2004, de acordo com a D. Fiscalização e o V. Acórdão recorrido, a Recorrente não teria comprovado a ocorrência de (i) 7 (sete) despesas no valor total de R$ 42.000.00; e (ii) 1 (uma) despesa no valor total de R$ 184.867.60. 43. Nesse sentido, a Recorrente ressalta que essas 7 (sete) despesas no valor total de R$ 42.000,00 também se referem a serviços legais prestados pelo escritório Peppe & Bonavita, devidamente comprovados na Impugnação por meio do Instrumento Particular de Contrato de Prestação de Serviços celebrado em i°.Q.2000 e do Termo Aditivo n°. 3, de i°.4.2003 e dos recibos bancários. 44. Por sua vez, em relação à despesa incorrida no valor de R$ 184.867,69, a Recorrente demonstrou que tal despesa foi estornada da respectiva conta contábil, motivo pelo qual improcede a sua exigência fiscal. (grifos no original) Despesas efetivamente pagas e que guardem relação com a manutenção dos objetivos sociais da pessoa jurídica podem ser deduzidas na apuração do lucro líquido. As despesas com assessoria visando produzir informações que subsidiem as decisões institucionais são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ, desde que comprovadamente realizadas. No caso de honorários advocatícios, quando há prova da efetividade da prestação dos serviços, permitese sua dedução como despesa operacional. De fato, em relação aos serviços prestados pelo escritório Peppe & Bonavita, a recorrente logrou comprovar o pagamento e a efetiva prestação, através de documentos constantes dos autos (volume 11, fls.21512169), tais como borderôs de pagamentos, recibos, boletos bancários autenticados, correspondências eletrônicas e relatórios de acompanhamento de processos, assim como em relação aos serviços prestados pelo Escritório Gaia, Silva, Rolim & Associados (volume 10, fls.1969). – vide paginas na tabela anexa ao RECVOL Em relação ao alegado estorno, mantémse a decisão recorrida, pelos seus próprios fundamentos, os quais se adota, nos termos do art. 50, §1º, da Lei nº 9.784/99: “No tocante ao suposto estorno do valor de R$ 184.867,69, alegase que estaria comprovado à fl.2618. Nessa folha há o que seria, supostamente, cópia do Razão da conta nº 6124020020. Fl. 10537DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 17 16 Dizse supostamente pois como não é cópia do livro Razão, mas um relatório informatizado da referida conta. Além desse vício, temse que o Histórico do lançamento não é de estorno, mas de reclassificação, não tendo consistência o argumento. Quando se reclassifica o valor segue para outra conta contábil, mas não deixa de existir, cabendo questionar para qual conta contábil e quando foi transportado o valor, bem como a razão de tal lançamento. No caso do estorno o lançamento original é anulado, e, para todos os efeitos, é como nunca tivesse existido”. Nesse caso, a recorrente não logrou desconstituir a conclusão do julgador de primeira instância. Assim, dáse parcial provimento em relação ao item 001 para cancelar a glosa referente às despesas com serviços prestados pelos escritórios Peppe & Bonavita e Gaia, Silva, Rolim & Associados. Item 002 Da glosa de despesas com amortização de ágio A autuação referese à indevida amortização de ágio apurado pela recorrente em decorrência de operações societárias, nos montantes de R$ 1.504.632,74 e R$ 604.472,83, respectivamente relativos aos anoscalendário 2003 e 2004. Segundo a autoridade fiscal, o contribuinte foi intimado a justificar sua origem, bem como apresentar a documentação apta a dar suporte legal à operação e, em resposta, limitouse a juntar vários atos societários sem qualquer esclarecimento e laudo de avaliação. Alega a recorrente que teria direito ao diferimento do ágio gerado em operações societárias realizadas e sua conseqüente amortização, com base nos arts. 385 e 386 do RIR/99, afirmando que as operações que geraram o ágio seriam duas: I) Aquisição e subscrição das ações da CEGELEC II) Incorporação da ER pela ALSTOM T&D LTDA. As operações são assim descritas pela recorrente: I em 26.09.1999, a ALSTOM BR1 subscreveu e integralizou R$ 6.944.599,00 em sua sociedade controlada ALSTOM T&D Ltda., mediante a conferência de ações ordinárias e preferenciais da CEGELEC, de modo que esse valor, correspondente à aquisição de participação societária da ALSTOM T&D, foi registrado no Ativo Permanente da ALSTOM BR1 e alocado integralmente, em face do patrimônio líquido negativo da CEGELEC, como “ágio em investimentos”, de acordo com o art. 385 do RIR/99; II em 01.11.1999, a ALSTOM T&D Ltda. incorporou integralmente a empresa ER Equipamentos Elétricos de Alta Tensão Ltda. (“ER”), sua subsidiária integral, com o objetivo de simplificar a estrutura societária e reduzir custos administrativos, financeiros e operacionais. O valor pago pela ALSTOM T&D na aquisição do investimento na ER foi de R$ 3.297.125,73, que, segundo ela, representa o valor de ágio passível de amortização pela ALSTOM T&D, de acordo com o art. 386 do RIR/99. Fl. 10538DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 18 17 Quanto à primeira operação, sustenta a recorrente que a ALSTOM BRASIL 1 integralizou capital na empresa ALSTOM T&D Ltda., em setembro de 1999, com parte das suas ações detidas na CEGELEC, transferindo o respectivo investimento de R$ 6.944.559,00, tendo sido registrado ágio nessa integralização de capital, pois o Patrimônio Líquido da CEGELEC estava negativo, conforme Laudo de Avaliação Econômica de Rentabilidade Futura da Empresa CEGELEC S/A na Data Base de 16 de Novembro e 1º de Dezembro de 1998 (ANEXO V2 fls. 2793/2849), onde consta expressamente seu objetivo de: fundamentar através de prerrogativas econômicas o “sobrevalor”, ou “a mais valia inicial”, no valor de R$ 18.000.000,00 que a ALSTOM Brasil Ltda., pertencente a um conglomerado de empresas de origem francesa “ALSTOM”...desembolsou para a aquisição e subscrição de ações da “CEGELEC ENGENHARIA S.A.”, ocorridas em 16 de novembro e 1º de dezembro de 1.998 respectivamente. Em síntese, a recorrente entende que parte da “mais valia” que foi paga pela ALSTOM BR1 quando da aquisição da participação societária da CEGELEC passou a ter a sua amortização dedutível a partir da subscrição e integralização do capital da ALSTOM T&D realizado pela ALSTOM BR1 com a participação societária da CEGELEC, o que, segundo ela, estaria de acordo com os art. 385 e 386 do RIR/99. Equivocase a recorrente. Sobre a formação do ágio, por ocasião da aquisição, no caso de investimento em sociedade coligada ou controlada, a contabilização deve observar as regras do art. 385 do RIR/99, que trata do desdobramento do custo de aquisição: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Fl. 10539DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 19 18 § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). (destacouse) Do texto legal se extrai que se houver uma efetiva aquisição e o patrimônio líquido da adquirida se mostrar menor que o custo de aquisição do investimento, surgirá o ágio passível de amortização com efeitos na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, desde que a pessoa jurídica detentora da participação societária adquirida com ágio incorpore a investida ou viceversa, segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, fundamento legal do art. 385 do RIR/99, acima transcrito. Como se vê, de acordo com o art. 20, § 2º, do Decretolei nº 1.598, de 1977, o ágio pode ter fundamento econômico nas seguintes hipóteses: (a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ao custo registrado na sua contabilidade, (b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros ou (c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Em todas essas hipóteses, a mais valia deve estar caracterizada a fim de justificar o reconhecimento contábil do ágio gerado na aquisição. A legislação permite o reconhecimento destacado do ágio gerado na aquisição da participação societária por valor superior ao custo de aquisição, mas o fundamento econômico do ágio deve ser definido e comprovado no momento da aquisição societária. Ou seja, no momento da aquisição é que deve ficar demonstrado através de laudo devidamente formalizado, qual o valor real da participação a ser adquirida, de modo a justificar o pagamento a maior denominado ágio. Esse documento (laudo) deve ser arquivado como comprovante da escrituração (art. 385, §3º, do RIR/99). Num segundo momento, após o reconhecimento do ágio na contabilidade, nos termos do dispositivo acima transcrito, caso se trate de ágio gerado com base em rentabilidade futura, a pessoa jurídica que incorporar a coligada ou controlada poderá amortizar o ágio, observado o limite legal de 1/60 por mês, como se extrai do art. 386 do RIR/99: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): [...] III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; [...] Como se vê, a amortização do ágio, como regra geral, é indedutível para a apuração do lucro real, bem como da base de cálculo da CSLL. A possibilidade de deduzilo, prevista nos arts. 7º e 8º, da Lei nº 9.532/97, restringese à hipótese em que a pessoa jurídica absorve patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha Fl. 10540DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 20 19 participação societária adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. Para que o ágio tenha efeitos no âmbito tributário, é necessário que ele seja gerado corretamente pela aquisição de participação societária por montante superior ao seu valor patrimonial e, após, deve haver a incorporação, fusão ou cisão, por meio da qual ocorre uma confusão patrimonial entre os patrimônios das antigas controladora e controlada. Somente dessa forma estarão preenchidos os requisitos legais. Isso, todavia, não ocorre nos autos. Em relação ao ágio no valor de R$ 6.944.599,00, houve a aquisição de uma participação societária e uma posterior subscrição e integralização de capital onde foi utilizada parte dessa participação antes adquirida. Inexistiu qualquer tipo de absorção do patrimônio de uma sociedade pela outra (incorporação, fusão ou cisão), nos termos exigidos pelo art. 386 do RIR/99. Assim, ainda que fosse contabilmente válido o ágio gerado na operação com a CEGELEC, não se admitiria a possibilidade de deduzir a amortização, visto que inexistiria a necessária confusão patrimonial posterior. Como se vê, inexiste, nesse caso, a segunda operação exigida para a dedutibilidade da despesa de ágio (art. 386 do RIR/99). Antes disso, porém, é de se registrar que sequer a geração do pretenso ágio pode ser reconhecida, uma vez que, consoante referido no próprio laudo de avaliação (fl. 2796), a CEGELEC fazia parte do grupo ALSTOM. Ou seja, tratase de ágio gerado internamente, o qual não pode ser reconhecido contabilmente, como determinam as normas contábeis vigentes no país e, muito menos, para fins tributários, consoante esmagadora maioria da jurisprudência do CARF. Para ser considerada despesa dedutível, o ágio suportado pela empresa com a aquisição de uma participação societária deve ter como origem, concomitantemente, um propósito negocial, compreendido este como a motivação para adquirir um investimento por valor superior ao custo original, bem como um efetivo substrato econômico, decorrente da aquisição de negócio comutativo entre partes independentes, com dispêndio de recursos e previsão de ganho. Não é o que ocorre em relação a esse suposto ágio. Ainda que se enquadrasse nos requisitos legais, não se trataria de caso de amortização nos moldes do art.386, III, do RIR/99, mas de lançamento em contrapartida a conta de ativo permanente, e não amortizado, nos termos do art. 386, II, e § 3º, do RIR/99. Em relação ao segundo ágio, no valor de R$ 3.297.125,73, surgido, segundo a recorrente, na incorporação da ER pela ALSTOM T&D LTDA., inexiste sequer a mais valia exigida para o reconhecimento do custo de aquisição além do valor de patrimônio líquido. Na defesa da recorrente não se verifica qualquer menção de comprovar o efetivo surgimento de ágio nessa operação, mas apenas se pretende comprovar o direito à sua dedutibilidade. A recorrente pretende justificar o surgimento e a dedução do ágio com apenas uma única operação: a incorporação de uma sociedade pela outra. Nesse caso, contudo, verificase que existe a segunda operação exigida para a dedutibilidade da despesa de ágio (prevista no art.386 do RIR/99), mas não existe a primeira (a geração do ágio pela aquisição de participação societária por valor superior ao do patrimônio líquido, prevista no art. 385 do RIR/99). Inexiste a chamada “mais valia” que representa o ágio. Fl. 10541DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 21 20 Evidentemente, não se faz possível deduzir na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL aquilo que não existe no mundo jurídico. Como a Recorrente, em sua defesa, não logrou desconstituir os argumentos da autoridade fiscal, e diante da falta de caracterização, consoante os requisitos legais, da formação e dedutibilidade dos ágios alegados, outra não pode ser a conclusão senão pela indedutibilidade das despesas de ágio na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos no período fiscalizado. Em razão dessas considerações, mantémse a glosa. Item 003 Das exclusões/compensações indevidas No que tange às exclusões relativas ao saldo de contas a receber em aberto de clientes públicos, a recorrente sustenta que, corretamente, diferiu a tributação do lucro obtido com contratos firmados com órgãos públicos até a realização do efetivo pagamento, conforme autorizado no artigo 409 do RIR, tendo apresentado toda a documentação demonstrando e comprovando que os valores remanescentes se referem a tributos retidos na fonte e a baixas por devolução. Segue esclarecendo no recurso voluntário que: 102. O Item em questão diz respeito à glosa do valor total de R$ 1.178.671,00 (um milhão, cento e setenta e oito mil, seiscentos e setenta e um Reais) em razão de exclusões supostamente indevidas do lucro real relativas "aos projetos de Furnas Unidade ABS e Centrais Elétricas do Norte do Brasil". 103. Conforme exaustivamente demonstrado em sua Impugnação de fls., o referido valor decorre de contratos de fornecimentos de bens e serviços firmados com Furnas e Centrais Elétricas do Norte do Brasil ~ pessoas jurídicas de direito público. Desse modo, a Recorrente apenas se valeu do disposto no artigo 409 do RIR/99, segundo o qual a tributação do respectivo lucro poderia ser diferida para o períodobase em que a receita fosse efetivamente recebida (regime de caixa). 104. Portanto, não há dúvidas de que a Recorrente tem direito ao diferimento, nos termos da legislação em vigor, e, portanto, justificase a ausência de tributação no anobase de 2004. 105. Além disso, a Recorrente demonstrou que os valores questionados pela D. Fiscalização não foram oferecido à tributação em 2004 (anobase autuado) pelo fato de não terem representado efetivo ingresso de recursos em seu caixa naquele anobase. 106. Por meio da documentação contábil e fiscal juntada aos autos (does n° 11 e 12 da Impugnação), a Recorrente comprovou que os valores questionados pela D. Fiscalização (i) não serão mais recebidos, seja porque foram baixados como perda, seja em razão de vendas canceladas/devoluções; (ii) se referem a notas fiscais que ainda possuem saldo em aberto e que, portanto, não chegou o momento da tributação do seu lucro respectivo; (iii) Fl. 10542DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 22 21 foram adiantados pelos clientes antes do anobase 2004 e que este adiantamento já correspondia ao valor total a ser recebido pela prestação do serviço; ou, por fim, (iv) correspondem a tributos retidos na fonte pelos clientes. A DRJ, após a realização da diligência determinada, a reconheceu que parte dos valores não poderia ser exigida, em razão da comprovação documental apresentada pela Recorrente, tendo restado não comprovado o valor de R$ 555.223,30 (cinquenta e cinco mil, duzentos e vinte e três mil Reais e trinta centavos), em razão da "não apresentação de comprovantes de recebimento em data posterior (base de cálculo maior no diferimento)". Sustenta a recorrente “que o total dos débitos remanescentes se refere, na realidade, a (i) valores baixados como perda, seja em razão de vendas canceladas/devoluções; e (ii) correspondem a tributos retidos na fonte pelos clientes”, não podendo ser considerados para fins de apuração do IRPJ devido. Segundo a recorrente, a ausência de tributação no anobase de 2004 justifica se pelo direito ao diferimento, nos termos do (art. 409 do RIR/99). Sobre a motivação para o registro das exclusões/compensações remanescentes, a recorrente alegou ter demonstrado “que os valores questionados não foram oferecidos à tributação em 2004 (anobase autuado) pelo fato de não terem representado efetivo ingresso de recursos em seu caixa naquele anobase”. E sustenta que está tudo comprovado nos autos, haja vista que, “no curso dos trabalhos de diligência, a Recorrente foi intimada e obrigada a apresentar cópia, integral e autenticada, de seus Livros Diário e Razão de todo o período autuado”. Em relação a esse tópico, contudo, é de se concordar com a DRJ, que decidiu: Todavia, quanto a parte dos documentos juntados, trazidos para comprovar especificamente os lançamentos contábeis, há que se esclarecer, que não se pode aceitar simples telas impressas de computador, provenientes de sistema de contabilidade interno da empresa, como hábeis para os fins pretendidos. Seria necessário carrear aos autos os documentos de suporte referentes aos eventos narrados na sua defesa e resumidos no parágrafo acima, bem como elementos dos livros contábeis exigíveis pela legislação. Adotase a mesma fundamentação, consoante permissão do legislador no art. 50, §1º, da Lei nº 9.784/99. Como, no recurso voluntário, a recorrente não logrou comprovar tais elementos, negase provimento ao recurso nessa parte. Dos juros sobre a multa de ofício A recorrente ainda questiona a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Sem razão. Essa a matéria tem sido objeto de julgamento reiterado em sentido oposto, podendo ser referidos os acórdãos abaixo: JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. (Acórdão Fl. 10543DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 23 22 120200.138, de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes). JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. (Acórdão 140100.155, de 28/01/2010. Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto). Deste colegiado, pode ser referido o Acórdão nº 120200756, de 12/04/2012, cujo voto vencedor foi prolatado por esta relatora no seguinte sentido: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Igualmente, aqui, cabe utilizar os mesmos fundamentos registrados por esta relatora no voto vencedor do acórdão nº 9101.00539, de 11/03/2010, em que a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais manteve a incidência dos juros de mora, devidos à taxa Selic, sobre a multa de ofício. Os fundamentos podem ser sintetizados assim: (i) uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício; (ii) todavia, uma norma não deve ser interpretada isoladamente dentro do sistema tributário nacional, já que interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito.” (Juarez Freitas, 2002, p.70); (iii) interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema; (iv) no sistema tributário nacional, há de ser uniforme a definição de crédito tributário, considerado como “o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional).” (Hugo de Brito Machado, 2009, p.172); (v) o conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária; Fl. 10544DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 24 23 (vi) a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. (vii) a multa de ofício, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, é exigida “juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago” (§1º). (viii) no momento do lançamento, a multa de ofício agregase ao tributo, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal; (ix) a obrigação principal referente à multa de ofício convertese em crédito tributário a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1º, do CTN; (x) a penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado; (xi) os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União; (xii) o art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o “crédito” não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento; (xiii) o art. 61 da Lei n° 9.430/96, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente, o que contribui para afastar eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos juros e multa; (xiv) a partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário, que pode ser constituído, como se viu, pelo tributo mais a multa de ofício, passa a ser acrescido dos juros de mora, devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União, consoante a Súmula CARF nº 5: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” (xv) a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065/95, na cobrança do crédito tributário, entendimento esse vinculante desde a edição da Súmula CARF n° 4 (“A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”). Adotando a linha de raciocínio acima exposta, do ilustre Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias prolatou o voto vencedor no Acórdão nº 910101.191, da sessão de 17 de outubro de 2011 da mesma 1ª Turma da CSRF. Fl. 10545DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 25 24 Mais recentemente, a 1ª Turma da CSRF manifestouse no mesmo sentido, como se extrai do Acórdão nº 9101001.474, de 14 de agosto de 2012: Assunto: Juros de mora sobre multa de ofício. A melhor exegese da remissão feita pelo caput do art. 30 aos débitos referidos no art. 29, ambos da Lei n° 10.522/02, leva à conclusão que alcança todos os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, inclusive os relativos à multa de ofício. O redator designado, o ilustre conselheiro Alberto Pinto Júnior, ao elaborar o voto vencedor naquele caso, acrescentou os seguintes argumentos: Assim, vale analisarmos o art. 161 do CTN, o qual assim dispõe: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. ......................................................................................................." Notese que o termo crédito no caput do art. 161 vem desacompanhado do adjetivo "tributário", o que deixa clara a intenção do legislador de, nele, incluir também multas (ad valorem ou específicas). A mesma preocupação teve o legislador nos §§ 1° e 3° do art. 113 do CTN, pois, ao dispor que a penalidade se converte em obrigação qualificou apenas com o adjetivo principal (obrigação de dar), mas não com o adjetivo "tributário". Tal cuidado Por sua vez, não procede a alegação da contribuinte de que a expressão "sem prejuízo de outras penalidades cabíveis" levaria à conclusão de que a multa de ofício (punitiva) não estaria contida no termo "crédito". Ora, a referida expressão autoriza o legislador ordinário a criar multas de caráter moratório, pois, da simples leitura do dispositivo, verificase que a penalidade ali tratada tem como causa apenas a impontualidade. Daí porque toda a argumentação do contribuinte está correta, mas apenas no que tange à multa de mora. Realmente, à luz do caput do art. 161 do CTN não incidem juros de mora sobre multa de mora, logicamente, quando for o caso de sua aplicação. Agora, quanto à multa de ofício, cuja causa não reside na mera impontualidade, esta compõe o crédito devido e, por consequência, sofre a incidência dos juros de mora. Assim sendo, em caso de vazio normativo, incidirá, por força do § 1° do art.161, juros de mora à taxa de 1% a.m.. Cabe, então, agora, verificarmos se a matéria foi realmente disciplinada no art. 30 da Lei n° 10.522/02, para tanto, trago à colação tanto o art. 30 como o dispositivo a que ele se remete, in verbis: Fl. 10546DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 26 25 "Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. ......................................................................................................... Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1 de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Surge de plano uma questão a ser dirimida, qual seja, se a remissão feita, pelo caput do art. 30, aos débitos referidos no art. 29, limitase ou não aos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994. Ora, a remissão é técnica legislativa que visa abreviar o texto legal, evitando repetições desnecessárias. Todavia, há que ser cuidadosamente analisada, pois não pode levar a uma intepretação desarrazoada, resultante da absorção puramente mecânica e literal de uma norma pela outra. Desarrazoado é aquilo em que não se observa a lógica, a razão, é o despropósito. Logo, concordo com as colocações da Fazenda Nacional quando afirma que fere a lógica concluir que apenas as multas de oficio anteriores a 1995 sofreriam a incidência da taxa SEL1C, enquanto que as multas posteriores sofreriam a incidência de outra taxa de juros. Assim, entendo que a melhor exegese levanos a concluir que a remissão feita pelo caput do art. 30 alcança apenas a expressão "débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União", razão pela qual, no presente caso, concluo que incidem juros de mora à taxa Selic sobre as multas de ofício ad valorem. Vêse que todos os argumentos retro mencionados convergem para a conclusão de que é perfeitamente legal e válida a cobrança de juros moratórios sobre a multa de ofício lançada, aplicandose a taxa de juros Selic. DISPOSITIVO Em razão do exposto, negase provimento ao recurso de ofício e dáse parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a glosa referente às despesas assessoria legal. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 10547DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 27 26 Voto Vencedor Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Redator designado Trata o presente voto apenas do julgamento de juros sobre a multa de ofício, objeto de impugnação específica. Entendo necessária para o deslinde da controvérsia sobre a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício uma breve abordagem sobre a natureza jurídica destes institutos no direito tributário. Sobre a multa de ofício, valhome da seguinte lição do Professor Luciano Amaro (in Direito Tributário Brasileiro, São Paulo: Saraiva, 19ª ed., p. 458): Aí é que se põe a noção de infração, traduzida numa conduta (omissiva ou comissiva) contrária ao direito. (...) No direito tributário, a infração pode acarretar diferentes conseqüências. Se ela implica falta de pagamento de tributo, o sujeito ativo (credor) geralmente tem, a par do direito de exigir coercitivamente o pagamento do valor devido, o direito de impor uma sanção (que há de ser prevista em lei, por força do princípio da legalidade), geralmente traduzida num valor monetário proporcional ao montante do tributo que deixou de ser recolhido. Se se trata de mero descumprimento de obrigação formal (“obrigação acessória”, na linguagem do CTN), a conseqüência é, em geral, a aplicação de uma sanção ao infrator (também em regra configurada por uma prestação em pecúnia). Tratase das multas ou penalidades pecuniárias, encontradiças não apenas no direito tributário, mas também no direito administrativo em geral, bem como no direito privado. Portanto, a multa de ofício representa a sanção pelo descumprimento do dever legal de pagar o tributo. Por sua vez, os juros moratórios decorrem da demora por parte do devedor em adimplir a obrigação. Sobre o tema, leciona o Dr. Glauber Moreno Talavera (in Aspectos jurídicos controversos dos juros e da comissão de permanência, São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 128): Em síntese apertada, os juros moratórios consistem no montante previamente fixado ou apurado mediante aplicação de um percentual sobre o valor do principal, estipulado contratualmente ou decorrente da lei, devido pelo contraente que não adimpliu as obrigações assumidas no ato da celebração da avença. (...) Fl. 10548DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 28 27 Por conseguinte, na hipótese de incidirem juros moratórios sobre a multa de ofício, estes necessitam de expressa previsão legal, uma vez que fazem aumentar o valor da multa e esse aumento há de possuir amparo legal em obediência ao inciso XXXIX, do art. 5°, da Constituição de 1988. O STJ tem o seguinte entendimento sobre esse tema: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 PR (2012/01537730) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010.(g.n.o) 2. Agravo regimental não provido. Na mesma linha de raciocínio, esta Turma já se pronunciou sobre a controvérsia, por meio do Acórdão n° 1202000.972, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. SELIC. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.(g.n.o) Pela clareza dos fundamentos deste Acórdão, peço vênia para transcrevêlos: Voto Vencido Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator (...) Por fim, acerca da incidência dos juros sobre o valor exigido a título de multa de ofício, merece ser acolhida a alegação da Recorrente, consoante entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vejamos: “RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE – Os juros de mora só incidem sobre o Fl. 10549DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 29 28 valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada.” (CSRF, 1ª Turma, Acórdão nº 910100.722, data: 08.11.2010)(g.n.o) Neste mesmo sentido, são vários os acórdãos deste E. Conselho. Vejamos: [...] JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A Lei 9,430/96 não prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. O art. 161, § 1 ª, que se subordina ao caput, prevê supletivamente a aplicabilidade de juros de mora à taxa de 1% ao mês. O art.161, caput, do CTN prevê a incidência de juros de mora antes de imposição das penalidades cabíveis. Sobre a multa de oficio são inaplicáveis juros de mora. [...] (CARF 1ª Seção / 3a. Turma da 1a. Câmara / ACÓRDÃO 110300.193 em 18/05/2010 / Publicado no DOU em: 14.03.2011)(g.n.o) [...] INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício.(1º Conselho de Contribuintes / 1ª Câmara / ACÓRDÃO 10196.523 em 23.01.2008 / Publicado no DOU em: 11.12.2008)(g.n.o) [...] JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros com base na taxa Selic não devem incidir sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente, não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio. As polêmicas e controvérsias sobre esse assunto vem de longa data, o que já fragiliza a tese em favor da incidência, pois, tratandose de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal dar margem a tantas dúvidas. No âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não se verifica no texto normativo vigente. (CARF 1ª Seção / 2ª Turma Especial / ACÓRDÃO 180200.599 em 03/08/2010 / Publicado no DOU em: 28.03.2011)(g.n.o) Voto Vencedor Conselheira Viviane Vidal Wagner, Redatora designada A discordância do voto do ilustre relator limitase à questão da incidência dos juros de mora sobre a multa do ofício, na qual Fl. 10550DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 30 29 restou vencido, em que pese os argumentos expendidos e a clareza do seu raciocínio. Ocorre que a matéria tem sido objeto de julgamento reiterado neste e em outros colegiados, em sentido oposto, podendo ser referidos os acórdãos abaixo: JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. (Acórdão 120200.138, de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes). JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. (Acórdão 140100.155, de 28/01/2010. Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto). Deste colegiado, pode ser referido o Acórdão nº 120200756, de 12/04/2012, cujo voto vencedor foi prolatado por esta relatora no seguinte sentido: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Igualmente, aqui, cabe utilizar os mesmos fundamentos registrados por esta relatora no voto vencedor do acórdão nº 9101.00539, de 11/03/2010, em que a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais manteve a incidência dos juros de mora, devidos à taxa Selic, sobre a multa de ofício. Os fundamentos podem ser sintetizados assim: (i) uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício; (ii) todavia, uma norma não deve ser interpretada isoladamente dentro do sistema tributário nacional, já que interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, Fl. 10551DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 31 30 direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito.” (Juarez Freitas, 2002, p.70); (iii) interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema; (iv) no sistema tributário nacional, há de ser uniforme a definição de crédito tributário, considerado como “o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional).” (Hugo de Brito Machado, 2009, p.172); (v) o conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária; (vi) a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. (vii) a multa de ofício, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, é exigida “juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago” (§1º). (viii) no momento do lançamento, a multa de ofício agregase ao tributo, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal; (ix) a obrigação principal referente à multa de ofício convertese em crédito tributário a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1º, do CTN; (x) a penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado; (xi) os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União; (xii) o art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o “crédito” não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento; (xiii) o art. 61 da Lei n° 9.430/96, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente, o que contribui para afastar eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos juros e multa; Fl. 10552DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 32 31 (xiv) a partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário, que pode ser constituído, como se viu, pelo tributo mais a multa de ofício, passa a ser acrescido dos juros de mora, devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União, consoante a Súmula CARF nº 5: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” (xv) a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065/95, na cobrança do crédito tributário, entendimento esse vinculante desde a edição da Súmula CARF n° 5 (“A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”). Adotando a linha de raciocínio acima exposta, do ilustre Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias prolatou o voto vencedor no Acórdão nº 910101.191, da sessão de 17 de outubro de 2011 da mesma 1ª Turma da CSRF. Mais recentemente, a 1ª Turma da CSRF manifestouse no mesmo sentido, como se extrai do Acórdão nº 9101001.474, de 14 de agosto de 2012: Assunto: Juros de mora sobre multa de ofício. A melhor exegese da remissão feita pelo caput do art. 30 aos débitos referidos no art. 29, ambos da Lei n° 10.522/02, leva à conclusão que alcança todos os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, inclusive os relativos à multa de ofício. O redator designado, o ilustre conselheiro Alberto Pinto Júnior, ao elaborar o voto vencedor naquele caso, acrescentou os seguintes argumentos: Assim, vale analisarmos o art. 161 do CTN, o qual assim dispõe: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. ......................................................................................................." Notese que o termo crédito no caput do art. 161 vem desacompanhado do adjetivo "tributário", o que deixa clara a intenção do legislador de, nele, incluir também multas (ad valorem ou específicas). A mesma preocupação teve o legislador Fl. 10553DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 33 32 nos §§ 1° e 3° do art. 113 do CTN, pois, ao dispor que a penalidade se converte em obrigação qualificou apenas com o adjetivo principal (obrigação de dar), mas não com o adjetivo "tributário". Tal cuidado Por sua vez, não procede a alegação da contribuinte de que a expressão "sem prejuízo de outras penalidades cabíveis" levaria à conclusão de que a multa de ofício (punitiva) não estaria contida no termo "crédito". Ora, a referida expressão autoriza o legislador ordinário a criar multas de caráter moratório, pois, da simples leitura do dispositivo, verificase que a penalidade ali tratada tem como causa apenas a impontualidade. Daí porque toda a argumentação do contribuinte está correta, mas apenas no que tange à multa de mora. Realmente, à luz do caput do art. 161 do CTN não incidem juros de mora sobre multa de mora, logicamente, quando for o caso de sua aplicação. Agora, quanto à multa de ofício, cuja causa não reside na mera impontualidade, esta compõe o crédito devido e, por conseqüência, sofre a incidência dos juros de mora.(...) Destarte, entendem o STJ e o voto vencedor da decisão administrativa que a multa de ofício faz parte do termo “crédito” constante do art. 161, caput, do CTN, e do termo “débito” no art. 61, caput e §3º, da Lei n° 9.430, de 1996, e que, por isso, sofre incidência dos juros moratórios. Em que pesem os fundamentos dessa interpretação, ouso destes discordar. Nesse ponto, cabe, mais uma vez, transcrever os artigos naquilo que interessa à incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício: CTN TÍTULO III Crédito Tributário CAPÍTULO IV Extinção do Crédito Tributário SEÇÃO II Pagamento Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.(g.n.o) (...) § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Fl. 10554DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 34 33 Lei n° 9.430, de 1996. Capítulo IV PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Auto de Infração sem Tributo Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Capítulo V DISPOSIÇÕES GERAIS Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Observase, da leitura do art. 161, caput, do CTN, que, ao termo “crédito” deve ser qualificado o adjetivo “tributário”, uma vez que este artigo encontrase inserto no Título III do CTN CRÉDITO TRIBUTÁRIO, vedandose, por conseguinte, a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, a qual não faz parte do crédito tributário antes do Fl. 10555DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/200881 Acórdão n.º 1202001.094 S1C2T2 Fl. 35 34 vencimento. Este pensamento consta das lições do Professor Luciano Amaro, transcritas a seguir: (...) sem prejuízo da imposição de penalidades e da aplicação de medidas de garantia. Embora o dispositivo se reporte a “crédito tributário”, ele é aplicável também às situações em que não tenha havido lançamento (...) (op. cit p.418) O Código Tributário Nacional dedicou três artigos à responsabilidade por infrações tributárias (...), reportandose, ainda, à matéria, de modo fragmentário, noutras disposições: (...)m) art. 161 (cabimento de penalidades pelo inadimplemento do dever de recolher tributo)(g.n.o)(op. cit. p. 467). A partir desta determinação da Lei de Normas Gerais Tributárias, Lei Complementar, a expressão Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal no art. 61, caput e §3º, da Lei n° 9.430, de 1996, Lei de rito ordinário, não inclui a multa de ofício para fins de incidência dos juros moratórios,o que guarda coerência com a hierarquia das Leis e com a interpretação dos referidos artigos à Luz dos Direitos e Garantias Fundamentais e do Sistema Tributário Nacional referidos na Constituição de 1988. Por fim, esclarecenos o Professor Mauro Luis Rocha Lopes (in Direito Tributário, 4. ed. Rio de Janeiro: Impetus, p. 266): O cálculo dos juros em cima da multa, à evidência, agrava indevidamente a penalidade no tempo e a descaracteriza, transformandoa em instrumento de arrecadação estatal. Mutatis mutandis, é como se o condenado em processo criminal tivesse de se sujeitar ao agravamento de sua pena apenas em função da demora em se recolher ao cárcere, o que não faz o menor sentido. Estabelece a norma geral tributária do art. 161, caput, do CTN que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis, como a evidenciar que o crédito original, representado exclusivamente pelo montante do tributo não pago, figura, isoladamente, tanto como base para a contagem dos juros como para o cálculo da multa (...) Por conseguinte, pelas razões expostas, DOU provimento parcial ao presente recurso para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima. Fl. 10556DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 19706.000045/2007-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1997 a 31/05/2004
DECADÊNCIA -
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
SIMULAÇÃO
Na ocorrência de simulação, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN.
AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento.
CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS, DECLARADAS EM RAIS E/OU GFIP
A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados que lhe prestam serviços.
AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO
Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 3º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social.
GRUPO ECONÔMICO
Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizá-lo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes.
LISTA DE CO-RESPONSÁVEIS
Os diretores ou sócios somente poderão constar na lista de co-responsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN.
Numero da decisão: 2301-003.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/1998, anteriores a 12/1998, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, no que tange à suposta correção da multa, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete de Oliveira Barros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Luciana De Souza Espindola Reis, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzáles Silvério
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1997 a 31/05/2004 DECADÊNCIA - De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. SIMULAÇÃO Na ocorrência de simulação, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS, DECLARADAS EM RAIS E/OU GFIP A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados que lhe prestam serviços. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 3º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social. GRUPO ECONÔMICO Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizá-lo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes. LISTA DE CO-RESPONSÁVEIS Os diretores ou sócios somente poderão constar na lista de co-responsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2283; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 961 1 960 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19706.000045/200740 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301003.926 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de fevereiro de 2014 Matéria AFERIÇÃO INDIRETA Recorrente FRIGORÍFICO BOI BRASIL E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1997 a 31/05/2004 DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. SIMULAÇÃO Na ocorrência de simulação, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS, DECLARADAS EM RAIS E/OU GFIP A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados que lhe prestam serviços. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 70 6. 00 00 45 /2 00 7- 40 Fl. 961DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 3º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social. GRUPO ECONÔMICO Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizálo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes. LISTA DE CORESPONSÁVEIS Os diretores ou sócios somente poderão constar na lista de coresponsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/1998, anteriores a 12/1998, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, no que tange à suposta correção da multa, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Luciana De Souza Espindola Reis, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzáles Silvério Fl. 962DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19706.000045/200740 Acórdão n.º 2301003.926 S2C3T1 Fl. 962 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, à da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos Terceiros. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 118), constitui fato gerador das contribuições lançadas os valores pagos a empregados, aos administradores a título de pro labore e a autônomos Segundo a autoridade lançadora, em decorrência da não apresentação dos documentos solicitados, as bases de cálculo foram aferidas com base em valores das RAIS e GFIPs, encontrados nos sistemas informatizados do INSS. O agente notificante esclarece os critérios utilizados na apuração do débito, informando que, das contribuições apuradas foram deduzidas os valores parcialmente recolhidos nas GRPS/GPS, extraídas do conta corrente da empresa Observa que houve uma transferência, em tese, fraudulenta, da empresa para um endereço no qual ela nunca funcionou e expõe, a seguir, os motivos pelos quais entende que há formação de grupo econômico de fato entre a notificada e as empresas ali citadas, e fundamenta a solidariedade entre as integrantes do grupo no art. 30, inciso IX, da Lei 8.212/91. Salienta que, além dos coresponsáveis que constam do Contrato Social, estão sendo responsabilizadas outras pessoas físicas, com fundamento no art. 135, do CTN, e que os motivos que levaram a fiscalização a essa conclusão se encontram descritos no Relatório Geral, anexo da NFLD. No citado Relatório Geral, o agente fiscal expõe os motivos que o levaram a incluir, como responsáveis da empresa notificada, na condição de legítimos proprietários, os senhores ANTONIO JOSE DE OLIVEIRA, REGINALDO DA SILVA MAIA, GERALDO REGIS MAIA e GERALDO ARRUDA DE FREITAS, bem como os elementos de convicção da ocorrência de simulação e fraude nos contratos de arrendamentos, com a constituição de várias pseudoempresas. Traz o histórico das empresas que, segundo entende, integram o grupo econômico de fato, e ressalta que os sócios que constam dos seus contratos sociais não possuem nenhum patrimônio, nem rendimentos que possam comprovar a capacidade econômica para estabelecer uma empresa do porte de um frigorífico, nem indícios de que tenha exercido qualquer atividade profissional anterior no ramo ou na pecuária. Os Srs REGINALDO SILVA MAIA, GERALDO REGIS MAIA e ANTONIO JOSÉ DE OLIVEIRA, considerados pela fiscalização como coresponsáveis, apresentaram defesa e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio DecisãoNotificação nº 06.401.4/068/2006 (fls. 842), julgou o lançamento procedente. Fl. 963DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Cientificadas da decisão, somente o Sr. GERALDO REGIS MAIA apresentou recurso (fls. 891) , insurgindose contra sua manutenção como coresponsáveis pelo débito da pessoa jurídica, e alegando, em apertada síntese, ser pessoa estranha ao quadro societário, e reiterando os argumentos trazidos em sede de impugnação. Reitera a inexistência de relação entre o recorrente e os demais que constam na autuação e reafirma que não foi intimado do início da ação fiscal praticada contra a empresa autuada. Defende que, para que haja a situação descrita no art. 202, I, do CTN, de co responsabilidade, é mister que esse coresponsável que não é sócio e tenha praticado algum ato que faça com que a autoridade autuante descubra por ato contrário ao contrato social ou excesso de poder, o que não ocorreu no presente caso, em que a autoridade se limitou a fazer alegações hipotéticas, lançando sobre o recorrente débitos que jamais tivera a intenção de obter e nem concorreu para que eles ocorressem. Entende que não há motivo para se imputar solidariedade ao recorrente e, se assim se admitisse em tese, a responsabilidade do recorrente seria por subsidiariedade. Conclui que é nula a autuação contra a recorrente por débito. É o relatório. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19706.000045/200740 Acórdão n.º 2301003.926 S2C3T1 Fl. 963 5 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Inicialmente, impõe suscitar questão relativa ao prazo decadencial, não trazida pelo contribuinte no recurso tempestivo, mas que, por ser matéria de ordem pública, deve ser reconhecida de ofício. Verificase que a fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da Fazenda, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Fl. 965DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19706.000045/200740 Acórdão n.º 2301003.926 S2C3T1 Fl. 964 7 Contudo, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150 do CTN, apenas quando não for comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o que não é o caso presente, já que a fiscalização constatou e comprovou a ocorrência dessas situações, caso em que se aplica o prazo previsto no art. 173, do CTN, transcrito a seguir: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Julgados do Conselho de Contribuintes também se apresentam no mesmo sentido, ou seja, restando caracterizada nos autos a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I ambos do CTN. Abaixo transcrevo, a título de exemplificação, as ementas de alguns acórdãos: “1º Conselho – 8ª Câmara Recurso 146870 – Acórdão 10809631 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJAnocalendário: 1998 DECADÊNCIA. Para os tributos lançados por homologação, o início da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4º do artigo 150 do CTN. Configurados o dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial é realizada nos termos do art. 173, inciso I, do CTN” “1º Conselho – 7ª Câmara Recurso 152994 – Acórdão 10709311 Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999, 2000 IRPJ. DECADÊNCIA.. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nos lançamentos por homologação, a contagem do prazo decadencial, de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, não se aplica aos casos de dolo, fraude ou simulação; nesses casos, a contagem do prazo decadencial segue a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. FRAUDE. ART. 173, I, DO CTN. INAPLICABILIDADE DA LEI Nº 8212/91. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 Em matéria de decadência, inclusive nos casos das contribuições sociais, a norma aplicável é o Código Tributário Nacional. Não pode a lei 8212/91, lei ordinária, veicular norma de decadência, afastando a regra expressa do CTN, formalmente lei complementar. MULTA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. A falta de escrituração de parte expressiva das receitas, reiteradamente, em todos os meses de dois anoscalendário consecutivos, demonstra ter a autuada agido com dolo, caracterizando o evidente intuito de fraude, que dá ensejo à aplicação da multa por infração qualificada, no percentual de 150%.” Portanto, resta afastada a aplicação do § 4º do art. 150 para a aplicação do art. 173 inciso I, ambos do CTN. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito para as competências anteriores a 11/1998, inclusive, já que a cientificação do sujeito passivo se deu em 11/2004, por edital. Para a competência 12/1998, o tributo poderia ter sido recolhido em 01/1999, iniciandose a contagem do prazo em 01/01/2000, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal transcrito acima. Nesse sentido, reconheço a decadência parcial do débito. A empresa notificada e as demais indicadas como integrantes do grupo econômico de fato e, nessa condição, solidárias pelo débito, não insurgiramse contra o débito e não apresentaram recursos. Apenas o Sr. GERALDO REGIS MAIA, considerado pela fiscalização como legítimo proprietário do FRIGORÍFICO BOI BRASIL e, portanto, integrante do rol de co responsáveis, apresentou recurso tempestivo, no qual afirma não pertencer ao quadro societário da empresa notificada. Entretanto, a fiscalização constatou, e comprovou nos autos, que o Sr. Geraldo Regis Maia era o sócio de fato da empresa autuada na época da ocorrência dos fatos geradores. Verificase que o Sr Geraldo possuía procuração com todos os poderes para administrar a empresa, e os processos trabalhistas movidos contra a notificada, cujas sentenças constam dos autos, bem como os inquéritos policiais de Estelionatário revelam que ele é o sócio de fato do Frigorífico. A fiscalização relata que o Sr Geraldo Régis utilizou de cheque em nome da em no Termo de Declaração em inquérito policial, que o Frigorífico Boi Brasil pertence a seu pai, Geraldo Regis Maia. No Termo de Interrogatório nos autos de ação movida pelo Ministério Público, o sr Reginaldo reafirma que o Frigorífico Boi Brasil pertence a ele e a seu pai, sendo que o Sr Eudes e o Sr Waldir emprestaram seus nomes para contrato social da empresa, já que Fl. 968DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19706.000045/200740 Acórdão n.º 2301003.926 S2C3T1 Fl. 965 9 eles não poderiam ser titulares, devido à restrição de seus nomes nos órgãos de proteção de crédito. O Sr Waldyr, também interrogado no inquérito, afirmou que é apenas empregado e subordinado, e que concordou em ceder seu nome para abertura do Frigorífico, recebendo a quantia de R$1.000,00 por mês a título de agradecimento pela cessão de seu nome, mas que nunca praticou atos de gerência, já que era sócio apenas no papel. Várias testemunhas também confirmaram que o recorrente era o proprietário do Frigorífico Boi Brasil. Na ação que condenou o recorrente por crime de estelionatário (doc fls. 613), está clara a confissão do Sr Geraldo de que realmente fez uso de “laranjas” para esconder os reais proprietários do frigorífico, e que, após pressionado pela polícia e pela justiça, assumiu a responsabilidade, repassando imóvel adquirido com o produto de crime para algumas das vítimas. Cumpre observar que nenhuma dessas acusações fiscais foram negadas pelo recorrente em sua peça recursal, que também não negou, em momento algum, a autenticidade das cópias dos depoimentos prestados nos autos dos inquéritos policiais. Esses fatos, aliados aos demais fatos narrados pela fiscalização, e comprovado por meio de documentos juntados aos autos, levam à convicção de que o recorrente é, sim, o sócio gerente de fato da empresa notificada, devendo, nesta condição, constar do relatório de Coresponsáveis, anexo ao AI. O recorrente se limita a fazer afirmações genéricas, alegando a inexistência de relação entre o recorrente e os demais que constam na autuação e que não foi intimado do início da ação fiscal praticada contra a empresa autuada. No entanto, restou comprovado, por meio dos documentos juntados aos autos, a relação entre todas as pessoas, jurídicas e físicas, arroladas pela fiscalização. E o fato de o recorrente não ter sido intimado do início da ação fiscal não invalida o lançamento, uma vez que a ação fiscal se deu no Frigorífico Boi Brasil Ltda, pessoa jurídica da qual, conforme comprovado nos autos, o recorrente é o sócio de fato. Portanto, quem se encontrava sob ação fiscal era o Frigorífico Boi Brasil, e não seus sócios, motivo pelo qual a intimação se deu em nome da empresa notificada, pessoa jurídica. Cumpre reiterar que todas as alegações feitas pela recorrente poderiam ter sido comprovadas por meio da juntada de prova documental, conforme disposto no relatório IPC, ressaltando ainda que o contribuinte ainda dispunha do prazo de recurso para a apresentação de outros elementos. Porém, as empresas integrantes do grupo econômico de fato não se manifestaram, e o recorrente não trouxe outros elementos para serem analisados por este Conselho. Apenas alega, mas não prova, que não tinha relação com os demais relacionados no Relatório Fiscal. Fl. 969DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 10 Não afasta, pontualmente, as acusações fiscais, ou esclarece as declarações por ele mesmo prestadas nos autos dos inquéritos policiais, ou dos processos trabalhistas movidos contra a notificada. Contudo, não basta alegar. A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeitase às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. E a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados pela fiscalização e pela recorrente. Daí a necessidade de se juntar aos autos elementos comprobatórios dos fatos alegados. Há mandamento expresso na Lei 9.784/99 quanto ao ônus probatório, conforme segue: ART 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Não foram juntados ao recurso outros elementos que comprovem as afirmações do recorrente. Portanto, entendo que o Sr.GERALDO REGIS MAIA era o verdadeiro sócio da empresa notificada, tendo a autoridade fiscal agido em conformidade com as norma legais ao incluílos no relatório de CoResponsáveis, responsabilizando o recorrente pelo débito, com fundamento no art. 135, do CTN. Portanto, concluo que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Nesse sentido, Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do débito, por decadência, os valores lançados até 11/1998, inclusive. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relator Fl. 970DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19706.000045/200740 Acórdão n.º 2301003.926 S2C3T1 Fl. 966 11 Fl. 971DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 13746.000243/2003-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.668
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Pedro Souza Bispo, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Fenelon Moscoso de Almeida.
RELATÓRIO
Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido:
A empresa Nitriflex S/A Indústria e Comércio apresentou o requerimento de fls. 01, onde declara haver transmitido créditos para a filial 0029 da MAXIMILIANO GAIDZINSKI SA - ELIANE S A - REVESTIMENTOS CERÂMICOS, créditos esses que a Nitriflex S/A estaria autorizada judicialmente a transferir a terceiros em virtude de decisão favorável obtida no Mandado de Segurança n° 2001.02.01.035232-6 (processo originário 2001.51.1.0001025-0), onde foi pedido o afastamento dos efeitos da IN SRF n° 41, de 2000, que vedava a utilização de créditos de terceiros na compensação.
Utilizando-se destes créditos a MAXIMILIANO GAIDZINSKI S/A - ELIANE S A - REVESTIMENTOS CERÂMICOS acima qualificada apresentou através de seu procurador (fls.07), o formulário de fls. 02, com o objetivo de compensar o débito nele apontado, com créditos de terceiros, pertencentes a Nitriflex S/A e constantes do processo administrativo n° 10735.000202/99-70, apensado ao de n° 10735.000001/99-18. 0 Parecer Seort n° 388, de 2008 e respectivo Despacho Decisório (fls. 14/20) ambos proferidos pela Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ, concluíram em síntese que:
A sociedade empresária Nitriflex S/A Indústria e Comércio ajuizou ... a Ação Mandamental (Mandado de Segurança) n° 98.0016658-0 no sentido de reconhecer o seu direito ao crédito presumido de IPI ... referente as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagens isentos, não tributados ou que foram tributados a alíquota zero ..., bem como seu direito de compensá-lo com o imposto (IPI) a recolher no final do processo industrial, obtendo decisão favorável, transitada em julgado em 18.04.2001 após acórdão exarado pelo Tribunal Regional Federal da Segunda Região.
Como a decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança n° 98.0016658-0 somente lhe permitia utilizar o seu crédito ... com débitos relativos a este mesmo imposto, sociedade empresária Nitriflex S/A Indústria e Comércio impetrou junto à 5° Vara Federal de Sao João de Menti RJ um outro Mandado de Segurança (MS), o de n° 2001.5110001025-0, esse visando afastar a incidência dos efeitos da Instrução Normativa SRF n°41/2000, obtendo sentença favorável que, em 12.09.2003, também transitou em julgado no sentido de reconhecer e de declarar o seu direito de ceder parte do seu crédito a terceiros para que estes utilizem em compensação tributária.
... a sociedade empresária Nitriflex S/A ... realizou diversas compensações tributárias de débitos próprios e, além disso cedeu grande parte do saldo remanescente a terceiros...
... a Procuradoria ajuizou ... a Ação Rescisória n° 2198 visando desconstituir a sentença proferida no Mandado de Segurança n° 98.0016658-0 transitada em julgado, obtendo vitória parcial, uma vez que houve mudança no tocante ao período sobre o qual recaiu o direito ao crédito, que passou de 10 (dez) para 5 (cinco) anos, o que também reduziu em muito o valor primitivo do crédito.
Após ter sido proferida a sentença da ação rescisória e já na vigência da IN SRF n° 517, de 2005, a Nitriflex S A Indústria e Comércio pretendeu habilitar créditos junto Secretaria da Receita Federal para prosseguir realizando compensações tributárias com débitos de terceiros. O pedido de habilitação (processo n° 13746.000191/2005-51) foi indeferido administrativamente, sendo que, mais uma vez a Nitriflex S/A buscou na via judicial o reconhecimento do direito à habilitação do crédito, não obtendo êxito na lª instância de julgamento.
O Seort da DRF/Nova Iguaçu/RJ indeferiu o pedido de habilitação contido no processo n° 13746.000191/2005-51.
O Parecer Seort n° 388, de 2008, continua seu relato aduzindo que:
.... o ponto nevrálgico ... repousa em saber se o contribuinte pode ou não compensar seus débitos tributários mediante a utilização de crédito que lhe foi cedido pela Nitriflex S/A ..., pois numa época em que não havia lei mas apenas norma infralegal (IN/SRF n° 41/2000) vedando a utilização de crédito de um contribuinte para compensar débito de outro, a pessoa jurídica cedente do crédito obteve sentença transitada em julgado ... reconhecendo o seu direito de cedê-lo a terceiro.. ...sobre o assunto., a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Nova Iguaçu RJ se pronunciou no sentido de que a nova regra contida no artigo 74 da Lei n°9.430/96 após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da MP 66, de 29.08.2002 convertido no artigo 49 da Lei n° 10.637/02 tem o condão de restringir a utilização do crédito em questão, sem contudo ofender à autoridade da coisa julgada e sem que represente aplicação retroativa da lei.
Quando o Mandado de Segurança n° 2001.51.10.001025-0 foi ajuizado inexistia lei expressa que dispusesse sobre a compensação tributária de débito de um contribuinte mediante a utilização de crédito de terceiros, embora a Instrução Normativa SRF n° 41/2000 já vedasse esta espécie de compensação tributária.
Assim, ... somente os pedidos de compensação tributária formalizados antes do dia 29.08.2002, data da publicação da Medida Provisória n° 66/02 ... é que estão amparados pelo MS no 2000.5110001025-0 e, desta forma, somente naqueles pedidos é que pode ser utilizado crédito cedido pela sociedade empresária Nitriflex S/A.
A DRF/Nova Iguaçu - RJ, continua em sua decisão, transcrevendo partes do parecer expedido pela PSFN/Nova Iguaçu/RJ, dentre as quais cumpre evidenciar: quando ajuizado o MS 2001.51.10001025-0, vigorava a IN SRF n° 41/00, cujo artigo 1° vedava a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros, administrados pela SRF, sendo que a Lei n°9.430/96 em seus arts. 73 e 74, dispositivos estes expressamente mencionados no voto do relator, eram omissos a respeito, dai a razão pela qual ter o tribunal ad quem afastado a limitação imposta pela IN SRF 41/00.
Entretanto, os referidos arts. 73 e 74 sofreram total reformulação através do art. 49 da MP n°66/02, convertida na Lei n° 10.637/2002 ...
... se de uma decisão judicial decorre a coisa julgada, é certo que este efeito não prevalecerá se ocorrerem mudanças nas normas jurídicas que tratam da questão transitada em julgado. Hoje a situação fática-jurídica é diversa. A Lei n° 9.430/96 que era omissa sobre o tema, a partir de 30 de agosto de 2002 passou a ser clara ao prever como única possibilidade de compensação de tributos administrados pela SRF, inclusive os judiciais transitados em julgado, a efetividade entre créditos e débitos do próprio sujeito passivo.
... Assim, a coisa julgada não pode ser invocada quando direito superveniente repercute na relação jurídica sobre o qual a coisa julgada se operou.
Ressalvam-se, pois, os efeitos jurídicos dos pedidos de compensação efetivamente realizados por conta da decisão judicial considerados fatos consumados, até a edição da MP 66, de 29.08.2002, convertida na Lei n°10.637/2002.
Registre-se: a lei nova não esta a alcançar fatos passados, compensações efetivadas perante a ordem jurídica anterior e com espeque em decisão judicial transitada em julgado. A nova lei alcança, isto sim, os fatos novos ocorridos sob a sua égide e sobre a qual a coisa julgada não pode surtir efeitos, já que estamos diante de novos regramentos jurídicos. Logo, após as alterações da MP 66/02, convertida na Lei n° 10.637/02, as pretendidas compensações com débitos de terceiros não podem ser admitidas eis que não permitidas pela Lei, não sendo a mesma objeto de qualquer discussão judicial. Não há que se falar de violação coisa julgada e o suposto direito adquirido, como evidente, relaciona-se eis compensações requeridas fatos consumados sob efeitos da coisa julgada, jamais aos pedidos de compensação formulados depois das alterações legislativas supervenientes a coisa julgada.
Ao final o parecerista houve por bem adotar o entendimento da PGFN para propor a não homologação da compensação pleiteada.
O Despacho Decisório de fls. 20, aprovou integralmente o parecer e determinou fosse dada continuidade à cobrança e tomadas as demais providências cabíveis.
O processo foi encaminhado à ARF/Criciiima/SC, domicilio fiscal da interessada para ciência da decisão.
A interessada tomou ciência do Parecer Seort/DRF/NIU/RJ n° 388, de 2008 e respectivo Despacho Decisório em 25/07/2008 (fls. 24).
Pelo requerimento de fls. 25/26 e arrazoado de fls. 27/58, a interessada manifestou sua inconformidade alegando em síntese que:
Não se tratando de hipótese do art: 74, §12, da Lei 9.430/96, requer o processamento da presente com efeito suspensivo, de forma a manter suspensa a exigibilidade do crédito tributário na forma do §11 do citado dispositivo legal c/c art. 151, II, do CTN.
Nos termos do art. 74, § 7º, da Lei n° 9.430/96, alterada pelo art. 49, da Lei 10.637/02, a autoridade fiscal deve conceder o direito da Interessada de manifestar seu inconformismo quanto a decisão que não homologou a compensação, no prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência da referida decisão.
O MS 98.0016658-0 (Nitriflex) teve por objeto o reconhecimento do direito ao crédito de IPI, no período de 08/1988 até 07/1998, decorrente da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero...
... a Nitriflex lançou mão de medida judicial para afastar a aplicação da IN/SRF 41/00 (que passou a proibir a cessão de crédito para terceiros não optantes do REFIS). Foi impetrado o MS 2001.51.10.001025-0 para se alcançar tal desiderato...
Em 12/09/2003 transitou em julgado o v. acórdão proferido pelo E. TRF da 2º Região que, convalidando a medida liminar deferida initio litis e concedendo a ordem, decidiu pela irretroatividade da legislação enteio limitadora do direito plena disponibilidade do crédito (IN/SRF 41/00) para alcançar fatos consumados sob a égide de normas que o garantiam expressamente, a saber, art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei n.° 9.430/96, regulamentados pela 1N/SRF 21/97.
Por fim, foi ajuizada pelo Fisco, em 15/04/2003, a ação rescisória 2003.02.01.005675-8 visando a desconstituição da coisa julgada produzida no MS 98.0016658-0. Embora o pedido tenha sido julgado parcialmente procedente pelo E. TRF da 2a Região, foram interpostos pela Nitriflex recursos pendentes de análise, e não foi condedida tutela de urgência para suspender a execução da coisa julgada, que, por isto, continua produzindo efeitos.
Outra alegação trazida ao processo e que se refere à propriedade dos créditos foi assim aduzida: A coisa julgada ... reconheceu o direito ao crédito de IPI ... Ou seja, a coisa julgada reconheceu o direito à propriedade do crédito.
Definindo o conteúdo e alcance do direito a propriedade, ... o art. 1.228 do Código Civil ...
Não podendo a legislação tributária alterar o conteúdo e alcance dos institutos e conceitos de direito privado utilizados para fixar competências tributárias dos entes políticos (art. 110 do CT1V)
A propósito do mesmo tema, entende, ainda, a interessada, que a coisa julgada material impede a aplicação da Lei n s' 10.637, de 2002, que limita a disponibilidade do crédito do IPI, porque, no caso, esse crédito foi reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Alega que a limitação legal apontada no despacho decisório só é aplicável aos créditos nascidos posteriormente à sua entrada em vigor, acrescentando que, admitir o contrário, resultaria no descumprimento de uma ordem judicial, no desrespeito à coisa julgada material e aos princípios da não-cumulatividade do IPI e da irretroatividade das leis.
Ressalta, a requerente, que também foi proposto o Mandado de Segurança nº 2001.51.10.001025-0, para impedir que a IN SRF n'). 41, de 2000, obstasse a livre disposição do crédito do IPI, conquistado, em juízo, pela Nitriflex S/A Indústria e Comércio. Diz ainda que, em 12 de setembro de 2003, transitou em julgado acórdão proferido pelo TRF da Região, confirmando o direito de livre disposição do crédito decorrente da decisão judicial relativa ao processo n° 98.0016658-0.
Prosseguindo em sua contestação:
Noutros falares, o E. TRF da 2ª Região fundamentou sua decisão de afastar a aplicação da IN/SRF 41/00 com base no principio constitucional da irretroatividade das leis, segundo o qual a lei nova não pode retroagir para afetar fatos consumados antes de sua entrada em vigor. Entendeu a E. Corte que a instrução normativa, sobre ser ilegal, não poderia retroagir para afetar fatos consumados sob a égide de legislação que permitia a cessão para terceiros do crédito de IPI reconhecido no MS 98.0016658-0, no caso o art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, regulamentados pela IN/SRF 21/97. E dizer, a coisa julgada estabilizou, entre a Nitriflex e o Fisco, relação jurídica segundo a qual o crédito de IPI, no tocante ao seu aproveitamento, sujeita-se à legislação em vigor na época da ocorrência dos fatos geradores ( crédito), ocorridos entre 08/88 e 07/98.
A corroborar sua tese referente à irretroatividade da nova redação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, trouxe ao processo doutrina de Roque Antonio Carrazza, Geraldo Ataliba.
A reclamante se utilizou do principio constitucional que trata da irretroatividade da lei como base de argumentação a respaldar a não utilização, no caso concreto, da nova redação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, trazida pela Lei n° 10.637, de 2002, salientando trecho da ADI-MC 172, DJ 19/02/1993, p. 2.032, do Relator Min. Celso de Melo.
A reclamante transcreve, dentre outras, ementa do EREsp 488.992/MG, DJ 07/06/2004, p. 156, cuja relatoria pertenceu ao Min. Teori Albino Zavascki : inviável, na hipótese, apreciar o pedido a luz do direito superveniente, porque os novos preceitos normativos, ao mesmo tempo em que ampliaram o rol das espécies tributárias compensáveis, condicionaram a realização da compensação a outros requisitos, cuja existência não constou da causa de pedir nem foi objeto de exame nas instâncias ordinárias.
E prossegue em seus argumentos:
E sabido que em 25/02/2005 foi publicada a IN/SRF 517, que passou a exigir a habilitação de créditos reconhecidos por decisões judiciais transitadas em julgado.
Para não inviabilizar seus procedimentos de compensação é que a Nitriflex sujeitou-se à mencionada regra.
... a bem da verdade, a IN/SRF 517 só produz efeitos para fatos posteriores a entrada em vigor da regra. No presente caso, a decisão judicial transitada em julgado que reconheceu o direito ao crédito de IPI transitou em julgado em 18/04/2001, anteriormente a entrada em vigor da IN/SRF 517, por isto inaplicável.
Portanto, a inexistência de habilitação do crédito de IPI não é óbice para sua utilização.
No que tange à ação rescisória a empresa, em sua peça de defesa, argumentou transcrevendo o artigo 489 do CPC e concluindo que "somente o deferimento de tutela de urgência" ou "o trânsito em julgado da decisão rescindente tem o condão de impedir o cumprimento da decisão rescindida".
Ao final, pede a reforma da decisão com a conseqüente homologação das compensações e a extinção dos créditos tributários compensados.
Em despacho anexado às fls. 73, a DRF/Florianópolis/SC evidenciou a existência do processo administrativo n° 11516.002705/2004-18 com créditos de terceiros idênticos aos do presente processo e, às fls. 76/79, se encontra cópia do Despacho Decisório proferido pela DRF/Florianópolis/SC que decidiu o processo n° 11516.002705/2004-18, não homologando as compensações nele pleiteadas.
Tendo em vista que o processo n° 11516.002705/2004-18 se encontrava na DRJ/Ribeirão Preto/SP, o presente foi encaminhado também àquela DRJ.
A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP emitiu o despacho de fls. 74/75 onde concluiu que não detinha competência para apreciar o presente processo, ressaltando, ao final, que o processo administrativo de n° 11516.002705/2004-18 já havia sido objeto de julgamento no Acórdão n° 14-23.888 de 15/05/2009, exarado pela 2 Turma daquela Delegacia, "não podendo a decisão nele proferida ser aproveitada para os débitos vinculados ao presente, já que tratam de débitos diferentes e as compensações precisam ser analisadas individualmente, pois não houve pedido de restituição ou ressarcimento, já que o crédito esta sob tutela judicial" .
O presente processo retornou à DRF/Florianópolis/SC que, por sua vez, questionou a Superintendência da 9ª Região Fiscal a respeito dos procedimentos a serem adotados face à existência de dois processos com o mesmo pedido.
A DISIT da 9ª Região Fiscal exarou o documento de fls. 87/89 onde historia sobre ambos os processos administrativos e seus respectivos andamentos e que pode ser assim resumido: ... houve a apresentação de duas vias de cada pedido de compensação, uma perante a DRF-Nova lguaçu-RJ (domicilio fiscal do credor) e outra perante a DRF-Florianópolis-SC (domicilio fiscal do devedor). Pela sistemática da IN (art. 15, §4º), quem analisaria o pedido seria a DRF-Nova lguaçu-RJ, tendo a via entregue à DRF-Florianópolis apenas o caráter de comunicado.
A DRF-Nova lguaçu-RJ analisou os pedidos, não os homologando, com fundamento na impossibilidade de compensação do crédito de um com o débito de outro, eis que embora não aplicável a IN SRF 41-2000, sobreveio posteriormente a Medida Provisória n° 66, de 2002, convertida na lei 10.637, de 2002, vedando tal tipo de compensação. Ou seja, segundo a DRF-Nova Iguaçu, a coisa julgada não teria eficácia contra a vedação imposta por ato legal.
Contra tais decisões, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ competente para julgá-la seria a DRJ-Juiz de Fora-MG (eis que se trataria de decisão exarada na 7ª Região Fiscal relativa a crédito de IPI).
... a DRF-Florianópolis já havia julgado as suas vias dos pedidos apresentados pelo devedor-cedente ..., também não homologando as compensações, sendo que tendo ocorrido apresentações de manifestações de inconformidade seguiram para a DRJ-Ribeirão Preto (competente para as decisões exaradas na 8ª Região Fiscal). Em relação a estas manifestações de inconformidade, em alguns casos estão aguardando julgamento, sendo que em outros já foram julgadas, com a apresentação de recursos voluntários ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Por essa razão, dado o interelacionamento entre os processos (e de modo a se evitar julgamentos conflitantes), encaminhou também as manifestações de inconformidade que atacavam as decisões da DRF-Nova lguaçu-RJ para a DRJ Ribeirão Preto ...
A DRJ- Ribeirão Preto, por seu turno, devolveu os processos dizendo não ser competente para as causas que tenham por objeto decisões proferidas pela 7° Região Fiscal.
A Disit da 9ª Região Fiscal concluiu seu parecer determinando àquela DRF/Florianópolis/SC que encaminhasse o presente processo à DRJ/JFA e o de n°
11516.002705/2004-18 ao CARF e que fosse evidenciado em cada um dos mesmos a existência do outro.
Adotados os procedimentos acima, no tocante a este processo, o mesmo foi encaminhado a esta DRJ/JFA para apreciação.
A 3ª Turma de Julgamento da DRJ Juiz de Fora (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 09-28901, de 30 de março de 2010, cuja ementa abaixo reproduzo:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 07/03/2003 a 31/03/2003
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. TÍTULO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE
1. Não ocorre a homologação tácita em compensações baseadas em créditos de terceiros na vigência da Lei n° 10.637, de 2002. 2. As compensações declaradas a partir de 1 de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo com crédito de terceiros, esbarram em inequívoca disposição legal - MP n° 66, de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 2002 - impeditiva de compensações da espécie. É descabida a pretensão de legitimar compensações de débitos do requerente, com crédito de terceiros, declaradas após 1º de outubro de 2002, pretensão essa fundada em decisão judicial proferida anteriormente àquela data, que afastou a vedação, outrora existente, em instrução normativa.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Perfodo de apuração: 07/03/2003 a 31/03/2003
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA.
1. Não cabe apreciar questões relativas à ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da não-cumulatividade ou da irretroatividade de lei, competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2.
2. A doutrina trazida ao processo não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa
3. A jurisprudência administrativa e judicial colacionadas não possuem legalmente eficácia normativa, não se constituindo em normas gerais de direito tributário.
Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que:
Teve ciência do despacho decisório de não homologação das compensações após cinco anos da entrega das declarações, fato que determina a homologação tácita das declarações de compensação;
Ao contrário do decidido pela DRJ, a coisa julgada produzida no MS n.° 98.0016658-0 não só reconheceu o direito de crédito, como também sua plena disponibilidade, sendo certo que o MS n.° 2001.51.10.001025-0 só foi impetrado para preventivamente afastar a interpretação restritiva do Fisco, à época constante da IN/SRF n.° 41/00, e até então inexistente. É dizer: o direito de disponibilidade do crédito já havia sido reconhecido no bojo do MS n.° 98.0016658-0. A coisa julgada proferida no MS n.° 2001.51.10.001025-0 só veio confirmar aquele direito, afastando a limitação imposta pelo Fisco;
Tornando à questão jurídica sob nossos cuidados, mesmo que se pudesse abstrair o comando das coisas julgadas, a nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96 entrou em vigor 01/10/02, no que só pode afetar créditos desde então gerados. E mesmo que se empreste vigor à MP 66/02, somente créditos gerados a partir de 29/08/02 poderiam ser afetados pela novel regra. Os fatos jurídicos que enseiaram o direito creditório em tela são anteriores àquela data (08/88 até 07/98), não podendo, pois, ser afetados;
É inadmissível o Fisco justificar a não homologação dos pedidos de compensação pautado na falta de demonstração do saldo remanescente do crédito utilizado. A gerência do crédito cabe ao Fisco e caso realmente existisse suspeita de insuficiência de crédito, deveria a autoridade administrativa do domicilio fiscal da cedente (NITRIFLEX) apurar o valor e informar no r. Despacho decisório que considerou não homologadas as compensações.
Termina sua petição recursal pedindo a reforma do acórdão vergastado, para fins de que seja declarada a homologação tácita das declarações de compensação apresentadas contidas neste processo. Alternativamente, caso afastada a homologação tácita, que sejam homologadas as compensações com a consequente extinção e baixa dos débitos.
É o relatório.
VOTO
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decisao_txt : RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Pedro Souza Bispo, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Fenelon Moscoso de Almeida. RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido: A empresa Nitriflex S/A Indústria e Comércio apresentou o requerimento de fls. 01, onde declara haver transmitido créditos para a filial 0029 da MAXIMILIANO GAIDZINSKI SA - ELIANE S A - REVESTIMENTOS CERÂMICOS, créditos esses que a Nitriflex S/A estaria autorizada judicialmente a transferir a terceiros em virtude de decisão favorável obtida no Mandado de Segurança n° 2001.02.01.035232-6 (processo originário 2001.51.1.0001025-0), onde foi pedido o afastamento dos efeitos da IN SRF n° 41, de 2000, que vedava a utilização de créditos de terceiros na compensação. Utilizando-se destes créditos a MAXIMILIANO GAIDZINSKI S/A - ELIANE S A - REVESTIMENTOS CERÂMICOS acima qualificada apresentou através de seu procurador (fls.07), o formulário de fls. 02, com o objetivo de compensar o débito nele apontado, com créditos de terceiros, pertencentes a Nitriflex S/A e constantes do processo administrativo n° 10735.000202/99-70, apensado ao de n° 10735.000001/99-18. 0 Parecer Seort n° 388, de 2008 e respectivo Despacho Decisório (fls. 14/20) ambos proferidos pela Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ, concluíram em síntese que: A sociedade empresária Nitriflex S/A Indústria e Comércio ajuizou ... a Ação Mandamental (Mandado de Segurança) n° 98.0016658-0 no sentido de reconhecer o seu direito ao crédito presumido de IPI ... referente as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagens isentos, não tributados ou que foram tributados a alíquota zero ..., bem como seu direito de compensá-lo com o imposto (IPI) a recolher no final do processo industrial, obtendo decisão favorável, transitada em julgado em 18.04.2001 após acórdão exarado pelo Tribunal Regional Federal da Segunda Região. Como a decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança n° 98.0016658-0 somente lhe permitia utilizar o seu crédito ... com débitos relativos a este mesmo imposto, sociedade empresária Nitriflex S/A Indústria e Comércio impetrou junto à 5° Vara Federal de Sao João de Menti RJ um outro Mandado de Segurança (MS), o de n° 2001.5110001025-0, esse visando afastar a incidência dos efeitos da Instrução Normativa SRF n°41/2000, obtendo sentença favorável que, em 12.09.2003, também transitou em julgado no sentido de reconhecer e de declarar o seu direito de ceder parte do seu crédito a terceiros para que estes utilizem em compensação tributária. ... a sociedade empresária Nitriflex S/A ... realizou diversas compensações tributárias de débitos próprios e, além disso cedeu grande parte do saldo remanescente a terceiros... ... a Procuradoria ajuizou ... a Ação Rescisória n° 2198 visando desconstituir a sentença proferida no Mandado de Segurança n° 98.0016658-0 transitada em julgado, obtendo vitória parcial, uma vez que houve mudança no tocante ao período sobre o qual recaiu o direito ao crédito, que passou de 10 (dez) para 5 (cinco) anos, o que também reduziu em muito o valor primitivo do crédito. Após ter sido proferida a sentença da ação rescisória e já na vigência da IN SRF n° 517, de 2005, a Nitriflex S A Indústria e Comércio pretendeu habilitar créditos junto Secretaria da Receita Federal para prosseguir realizando compensações tributárias com débitos de terceiros. O pedido de habilitação (processo n° 13746.000191/2005-51) foi indeferido administrativamente, sendo que, mais uma vez a Nitriflex S/A buscou na via judicial o reconhecimento do direito à habilitação do crédito, não obtendo êxito na lª instância de julgamento. O Seort da DRF/Nova Iguaçu/RJ indeferiu o pedido de habilitação contido no processo n° 13746.000191/2005-51. O Parecer Seort n° 388, de 2008, continua seu relato aduzindo que: .... o ponto nevrálgico ... repousa em saber se o contribuinte pode ou não compensar seus débitos tributários mediante a utilização de crédito que lhe foi cedido pela Nitriflex S/A ..., pois numa época em que não havia lei mas apenas norma infralegal (IN/SRF n° 41/2000) vedando a utilização de crédito de um contribuinte para compensar débito de outro, a pessoa jurídica cedente do crédito obteve sentença transitada em julgado ... reconhecendo o seu direito de cedê-lo a terceiro.. ...sobre o assunto., a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Nova Iguaçu RJ se pronunciou no sentido de que a nova regra contida no artigo 74 da Lei n°9.430/96 após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da MP 66, de 29.08.2002 convertido no artigo 49 da Lei n° 10.637/02 tem o condão de restringir a utilização do crédito em questão, sem contudo ofender à autoridade da coisa julgada e sem que represente aplicação retroativa da lei. Quando o Mandado de Segurança n° 2001.51.10.001025-0 foi ajuizado inexistia lei expressa que dispusesse sobre a compensação tributária de débito de um contribuinte mediante a utilização de crédito de terceiros, embora a Instrução Normativa SRF n° 41/2000 já vedasse esta espécie de compensação tributária. Assim, ... somente os pedidos de compensação tributária formalizados antes do dia 29.08.2002, data da publicação da Medida Provisória n° 66/02 ... é que estão amparados pelo MS no 2000.5110001025-0 e, desta forma, somente naqueles pedidos é que pode ser utilizado crédito cedido pela sociedade empresária Nitriflex S/A. A DRF/Nova Iguaçu - RJ, continua em sua decisão, transcrevendo partes do parecer expedido pela PSFN/Nova Iguaçu/RJ, dentre as quais cumpre evidenciar: quando ajuizado o MS 2001.51.10001025-0, vigorava a IN SRF n° 41/00, cujo artigo 1° vedava a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros, administrados pela SRF, sendo que a Lei n°9.430/96 em seus arts. 73 e 74, dispositivos estes expressamente mencionados no voto do relator, eram omissos a respeito, dai a razão pela qual ter o tribunal ad quem afastado a limitação imposta pela IN SRF 41/00. Entretanto, os referidos arts. 73 e 74 sofreram total reformulação através do art. 49 da MP n°66/02, convertida na Lei n° 10.637/2002 ... ... se de uma decisão judicial decorre a coisa julgada, é certo que este efeito não prevalecerá se ocorrerem mudanças nas normas jurídicas que tratam da questão transitada em julgado. Hoje a situação fática-jurídica é diversa. A Lei n° 9.430/96 que era omissa sobre o tema, a partir de 30 de agosto de 2002 passou a ser clara ao prever como única possibilidade de compensação de tributos administrados pela SRF, inclusive os judiciais transitados em julgado, a efetividade entre créditos e débitos do próprio sujeito passivo. ... Assim, a coisa julgada não pode ser invocada quando direito superveniente repercute na relação jurídica sobre o qual a coisa julgada se operou. Ressalvam-se, pois, os efeitos jurídicos dos pedidos de compensação efetivamente realizados por conta da decisão judicial considerados fatos consumados, até a edição da MP 66, de 29.08.2002, convertida na Lei n°10.637/2002. Registre-se: a lei nova não esta a alcançar fatos passados, compensações efetivadas perante a ordem jurídica anterior e com espeque em decisão judicial transitada em julgado. A nova lei alcança, isto sim, os fatos novos ocorridos sob a sua égide e sobre a qual a coisa julgada não pode surtir efeitos, já que estamos diante de novos regramentos jurídicos. Logo, após as alterações da MP 66/02, convertida na Lei n° 10.637/02, as pretendidas compensações com débitos de terceiros não podem ser admitidas eis que não permitidas pela Lei, não sendo a mesma objeto de qualquer discussão judicial. Não há que se falar de violação coisa julgada e o suposto direito adquirido, como evidente, relaciona-se eis compensações requeridas fatos consumados sob efeitos da coisa julgada, jamais aos pedidos de compensação formulados depois das alterações legislativas supervenientes a coisa julgada. Ao final o parecerista houve por bem adotar o entendimento da PGFN para propor a não homologação da compensação pleiteada. O Despacho Decisório de fls. 20, aprovou integralmente o parecer e determinou fosse dada continuidade à cobrança e tomadas as demais providências cabíveis. O processo foi encaminhado à ARF/Criciiima/SC, domicilio fiscal da interessada para ciência da decisão. A interessada tomou ciência do Parecer Seort/DRF/NIU/RJ n° 388, de 2008 e respectivo Despacho Decisório em 25/07/2008 (fls. 24). Pelo requerimento de fls. 25/26 e arrazoado de fls. 27/58, a interessada manifestou sua inconformidade alegando em síntese que: Não se tratando de hipótese do art: 74, §12, da Lei 9.430/96, requer o processamento da presente com efeito suspensivo, de forma a manter suspensa a exigibilidade do crédito tributário na forma do §11 do citado dispositivo legal c/c art. 151, II, do CTN. Nos termos do art. 74, § 7º, da Lei n° 9.430/96, alterada pelo art. 49, da Lei 10.637/02, a autoridade fiscal deve conceder o direito da Interessada de manifestar seu inconformismo quanto a decisão que não homologou a compensação, no prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência da referida decisão. O MS 98.0016658-0 (Nitriflex) teve por objeto o reconhecimento do direito ao crédito de IPI, no período de 08/1988 até 07/1998, decorrente da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero... ... a Nitriflex lançou mão de medida judicial para afastar a aplicação da IN/SRF 41/00 (que passou a proibir a cessão de crédito para terceiros não optantes do REFIS). Foi impetrado o MS 2001.51.10.001025-0 para se alcançar tal desiderato... Em 12/09/2003 transitou em julgado o v. acórdão proferido pelo E. TRF da 2º Região que, convalidando a medida liminar deferida initio litis e concedendo a ordem, decidiu pela irretroatividade da legislação enteio limitadora do direito plena disponibilidade do crédito (IN/SRF 41/00) para alcançar fatos consumados sob a égide de normas que o garantiam expressamente, a saber, art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei n.° 9.430/96, regulamentados pela 1N/SRF 21/97. Por fim, foi ajuizada pelo Fisco, em 15/04/2003, a ação rescisória 2003.02.01.005675-8 visando a desconstituição da coisa julgada produzida no MS 98.0016658-0. Embora o pedido tenha sido julgado parcialmente procedente pelo E. TRF da 2a Região, foram interpostos pela Nitriflex recursos pendentes de análise, e não foi condedida tutela de urgência para suspender a execução da coisa julgada, que, por isto, continua produzindo efeitos. Outra alegação trazida ao processo e que se refere à propriedade dos créditos foi assim aduzida: A coisa julgada ... reconheceu o direito ao crédito de IPI ... Ou seja, a coisa julgada reconheceu o direito à propriedade do crédito. Definindo o conteúdo e alcance do direito a propriedade, ... o art. 1.228 do Código Civil ... Não podendo a legislação tributária alterar o conteúdo e alcance dos institutos e conceitos de direito privado utilizados para fixar competências tributárias dos entes políticos (art. 110 do CT1V) A propósito do mesmo tema, entende, ainda, a interessada, que a coisa julgada material impede a aplicação da Lei n s' 10.637, de 2002, que limita a disponibilidade do crédito do IPI, porque, no caso, esse crédito foi reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Alega que a limitação legal apontada no despacho decisório só é aplicável aos créditos nascidos posteriormente à sua entrada em vigor, acrescentando que, admitir o contrário, resultaria no descumprimento de uma ordem judicial, no desrespeito à coisa julgada material e aos princípios da não-cumulatividade do IPI e da irretroatividade das leis. Ressalta, a requerente, que também foi proposto o Mandado de Segurança nº 2001.51.10.001025-0, para impedir que a IN SRF n'). 41, de 2000, obstasse a livre disposição do crédito do IPI, conquistado, em juízo, pela Nitriflex S/A Indústria e Comércio. Diz ainda que, em 12 de setembro de 2003, transitou em julgado acórdão proferido pelo TRF da Região, confirmando o direito de livre disposição do crédito decorrente da decisão judicial relativa ao processo n° 98.0016658-0. Prosseguindo em sua contestação: Noutros falares, o E. TRF da 2ª Região fundamentou sua decisão de afastar a aplicação da IN/SRF 41/00 com base no principio constitucional da irretroatividade das leis, segundo o qual a lei nova não pode retroagir para afetar fatos consumados antes de sua entrada em vigor. Entendeu a E. Corte que a instrução normativa, sobre ser ilegal, não poderia retroagir para afetar fatos consumados sob a égide de legislação que permitia a cessão para terceiros do crédito de IPI reconhecido no MS 98.0016658-0, no caso o art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, regulamentados pela IN/SRF 21/97. E dizer, a coisa julgada estabilizou, entre a Nitriflex e o Fisco, relação jurídica segundo a qual o crédito de IPI, no tocante ao seu aproveitamento, sujeita-se à legislação em vigor na época da ocorrência dos fatos geradores ( crédito), ocorridos entre 08/88 e 07/98. A corroborar sua tese referente à irretroatividade da nova redação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, trouxe ao processo doutrina de Roque Antonio Carrazza, Geraldo Ataliba. A reclamante se utilizou do principio constitucional que trata da irretroatividade da lei como base de argumentação a respaldar a não utilização, no caso concreto, da nova redação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, trazida pela Lei n° 10.637, de 2002, salientando trecho da ADI-MC 172, DJ 19/02/1993, p. 2.032, do Relator Min. Celso de Melo. A reclamante transcreve, dentre outras, ementa do EREsp 488.992/MG, DJ 07/06/2004, p. 156, cuja relatoria pertenceu ao Min. Teori Albino Zavascki : inviável, na hipótese, apreciar o pedido a luz do direito superveniente, porque os novos preceitos normativos, ao mesmo tempo em que ampliaram o rol das espécies tributárias compensáveis, condicionaram a realização da compensação a outros requisitos, cuja existência não constou da causa de pedir nem foi objeto de exame nas instâncias ordinárias. E prossegue em seus argumentos: E sabido que em 25/02/2005 foi publicada a IN/SRF 517, que passou a exigir a habilitação de créditos reconhecidos por decisões judiciais transitadas em julgado. Para não inviabilizar seus procedimentos de compensação é que a Nitriflex sujeitou-se à mencionada regra. ... a bem da verdade, a IN/SRF 517 só produz efeitos para fatos posteriores a entrada em vigor da regra. No presente caso, a decisão judicial transitada em julgado que reconheceu o direito ao crédito de IPI transitou em julgado em 18/04/2001, anteriormente a entrada em vigor da IN/SRF 517, por isto inaplicável. Portanto, a inexistência de habilitação do crédito de IPI não é óbice para sua utilização. No que tange à ação rescisória a empresa, em sua peça de defesa, argumentou transcrevendo o artigo 489 do CPC e concluindo que "somente o deferimento de tutela de urgência" ou "o trânsito em julgado da decisão rescindente tem o condão de impedir o cumprimento da decisão rescindida". Ao final, pede a reforma da decisão com a conseqüente homologação das compensações e a extinção dos créditos tributários compensados. Em despacho anexado às fls. 73, a DRF/Florianópolis/SC evidenciou a existência do processo administrativo n° 11516.002705/2004-18 com créditos de terceiros idênticos aos do presente processo e, às fls. 76/79, se encontra cópia do Despacho Decisório proferido pela DRF/Florianópolis/SC que decidiu o processo n° 11516.002705/2004-18, não homologando as compensações nele pleiteadas. Tendo em vista que o processo n° 11516.002705/2004-18 se encontrava na DRJ/Ribeirão Preto/SP, o presente foi encaminhado também àquela DRJ. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP emitiu o despacho de fls. 74/75 onde concluiu que não detinha competência para apreciar o presente processo, ressaltando, ao final, que o processo administrativo de n° 11516.002705/2004-18 já havia sido objeto de julgamento no Acórdão n° 14-23.888 de 15/05/2009, exarado pela 2 Turma daquela Delegacia, "não podendo a decisão nele proferida ser aproveitada para os débitos vinculados ao presente, já que tratam de débitos diferentes e as compensações precisam ser analisadas individualmente, pois não houve pedido de restituição ou ressarcimento, já que o crédito esta sob tutela judicial" . O presente processo retornou à DRF/Florianópolis/SC que, por sua vez, questionou a Superintendência da 9ª Região Fiscal a respeito dos procedimentos a serem adotados face à existência de dois processos com o mesmo pedido. A DISIT da 9ª Região Fiscal exarou o documento de fls. 87/89 onde historia sobre ambos os processos administrativos e seus respectivos andamentos e que pode ser assim resumido: ... houve a apresentação de duas vias de cada pedido de compensação, uma perante a DRF-Nova lguaçu-RJ (domicilio fiscal do credor) e outra perante a DRF-Florianópolis-SC (domicilio fiscal do devedor). Pela sistemática da IN (art. 15, §4º), quem analisaria o pedido seria a DRF-Nova lguaçu-RJ, tendo a via entregue à DRF-Florianópolis apenas o caráter de comunicado. A DRF-Nova lguaçu-RJ analisou os pedidos, não os homologando, com fundamento na impossibilidade de compensação do crédito de um com o débito de outro, eis que embora não aplicável a IN SRF 41-2000, sobreveio posteriormente a Medida Provisória n° 66, de 2002, convertida na lei 10.637, de 2002, vedando tal tipo de compensação. Ou seja, segundo a DRF-Nova Iguaçu, a coisa julgada não teria eficácia contra a vedação imposta por ato legal. Contra tais decisões, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ competente para julgá-la seria a DRJ-Juiz de Fora-MG (eis que se trataria de decisão exarada na 7ª Região Fiscal relativa a crédito de IPI). ... a DRF-Florianópolis já havia julgado as suas vias dos pedidos apresentados pelo devedor-cedente ..., também não homologando as compensações, sendo que tendo ocorrido apresentações de manifestações de inconformidade seguiram para a DRJ-Ribeirão Preto (competente para as decisões exaradas na 8ª Região Fiscal). Em relação a estas manifestações de inconformidade, em alguns casos estão aguardando julgamento, sendo que em outros já foram julgadas, com a apresentação de recursos voluntários ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Por essa razão, dado o interelacionamento entre os processos (e de modo a se evitar julgamentos conflitantes), encaminhou também as manifestações de inconformidade que atacavam as decisões da DRF-Nova lguaçu-RJ para a DRJ Ribeirão Preto ... A DRJ- Ribeirão Preto, por seu turno, devolveu os processos dizendo não ser competente para as causas que tenham por objeto decisões proferidas pela 7° Região Fiscal. A Disit da 9ª Região Fiscal concluiu seu parecer determinando àquela DRF/Florianópolis/SC que encaminhasse o presente processo à DRJ/JFA e o de n° 11516.002705/2004-18 ao CARF e que fosse evidenciado em cada um dos mesmos a existência do outro. Adotados os procedimentos acima, no tocante a este processo, o mesmo foi encaminhado a esta DRJ/JFA para apreciação. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ Juiz de Fora (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 09-28901, de 30 de março de 2010, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 07/03/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. TÍTULO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE 1. Não ocorre a homologação tácita em compensações baseadas em créditos de terceiros na vigência da Lei n° 10.637, de 2002. 2. As compensações declaradas a partir de 1 de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo com crédito de terceiros, esbarram em inequívoca disposição legal - MP n° 66, de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 2002 - impeditiva de compensações da espécie. É descabida a pretensão de legitimar compensações de débitos do requerente, com crédito de terceiros, declaradas após 1º de outubro de 2002, pretensão essa fundada em decisão judicial proferida anteriormente àquela data, que afastou a vedação, outrora existente, em instrução normativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Perfodo de apuração: 07/03/2003 a 31/03/2003 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. 1. Não cabe apreciar questões relativas à ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da não-cumulatividade ou da irretroatividade de lei, competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2. 2. A doutrina trazida ao processo não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa 3. A jurisprudência administrativa e judicial colacionadas não possuem legalmente eficácia normativa, não se constituindo em normas gerais de direito tributário. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que: Teve ciência do despacho decisório de não homologação das compensações após cinco anos da entrega das declarações, fato que determina a homologação tácita das declarações de compensação; Ao contrário do decidido pela DRJ, a coisa julgada produzida no MS n.° 98.0016658-0 não só reconheceu o direito de crédito, como também sua plena disponibilidade, sendo certo que o MS n.° 2001.51.10.001025-0 só foi impetrado para preventivamente afastar a interpretação restritiva do Fisco, à época constante da IN/SRF n.° 41/00, e até então inexistente. É dizer: o direito de disponibilidade do crédito já havia sido reconhecido no bojo do MS n.° 98.0016658-0. A coisa julgada proferida no MS n.° 2001.51.10.001025-0 só veio confirmar aquele direito, afastando a limitação imposta pelo Fisco; Tornando à questão jurídica sob nossos cuidados, mesmo que se pudesse abstrair o comando das coisas julgadas, a nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96 entrou em vigor 01/10/02, no que só pode afetar créditos desde então gerados. E mesmo que se empreste vigor à MP 66/02, somente créditos gerados a partir de 29/08/02 poderiam ser afetados pela novel regra. Os fatos jurídicos que enseiaram o direito creditório em tela são anteriores àquela data (08/88 até 07/98), não podendo, pois, ser afetados; É inadmissível o Fisco justificar a não homologação dos pedidos de compensação pautado na falta de demonstração do saldo remanescente do crédito utilizado. A gerência do crédito cabe ao Fisco e caso realmente existisse suspeita de insuficiência de crédito, deveria a autoridade administrativa do domicilio fiscal da cedente (NITRIFLEX) apurar o valor e informar no r. Despacho decisório que considerou não homologadas as compensações. Termina sua petição recursal pedindo a reforma do acórdão vergastado, para fins de que seja declarada a homologação tácita das declarações de compensação apresentadas contidas neste processo. Alternativamente, caso afastada a homologação tácita, que sejam homologadas as compensações com a consequente extinção e baixa dos débitos. É o relatório. VOTO
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(assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Pedro Souza Bispo, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Fenelon Moscoso de Almeida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 46 .0 00 24 3/ 20 03 -2 7 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13746.000243/200327 Resolução nº 3402000.668 S3C4T2 Fl. 101 2 RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido: A empresa Nitriflex S/A Indústria e Comércio apresentou o requerimento de fls. 01, onde declara haver transmitido créditos para a filial 0029 da MAXIMILIANO GAIDZINSKI SA ELIANE S A REVESTIMENTOS CERÂMICOS, créditos esses que a Nitriflex S/A estaria autorizada judicialmente a transferir a terceiros em virtude de decisão favorável obtida no Mandado de Segurança n° 2001.02.01.0352326 (processo originário 2001.51.1.00010250), onde foi pedido o afastamento dos efeitos da IN SRF n° 41, de 2000, que vedava a utilização de créditos de terceiros na compensação. Utilizandose destes créditos a MAXIMILIANO GAIDZINSKI S/A ELIANE S A REVESTIMENTOS CERÂMICOS acima qualificada apresentou através de seu procurador (fls.07), o formulário de fls. 02, com o objetivo de compensar o débito nele apontado, com créditos de terceiros, pertencentes a Nitriflex S/A e constantes do processo administrativo n° 10735.000202/9970, apensado ao de n° 10735.000001/9918. 0 Parecer Seort n° 388, de 2008 e respectivo Despacho Decisório (fls. 14/20) ambos proferidos pela Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ, concluíram em síntese que: A sociedade empresária Nitriflex S/A Indústria e Comércio ajuizou ... a Ação Mandamental (Mandado de Segurança) n° 98.00166580 no sentido de reconhecer o seu direito ao crédito presumido de IPI ... referente as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagens isentos, não tributados ou que foram tributados a alíquota zero ..., bem como seu direito de compensálo com o imposto (IPI) a recolher no final do processo industrial, obtendo decisão favorável, transitada em julgado em 18.04.2001 após acórdão exarado pelo Tribunal Regional Federal da Segunda Região. Como a decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança n° 98.00166580 somente lhe permitia utilizar o seu crédito ... com débitos relativos a este mesmo imposto, sociedade empresária Nitriflex S/A Indústria e Comércio impetrou junto à 5° Vara Federal de Sao João de Menti — RJ um outro Mandado de Segurança (MS), o de n° 2001.51100010250, esse visando afastar a incidência dos efeitos da Instrução Normativa SRF n°41/2000, obtendo sentença favorável que, em 12.09.2003, também transitou em julgado no sentido de reconhecer e de declarar o seu direito de ceder parte do seu crédito a terceiros para que estes utilizem em compensação tributária. ... a sociedade empresária Nitriflex S/A ... realizou diversas compensações tributárias de débitos próprios e, além disso cedeu grande parte do saldo remanescente a terceiros... Fl. 301DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13746.000243/200327 Resolução nº 3402000.668 S3C4T2 Fl. 102 3 ... a Procuradoria ajuizou ... a Ação Rescisória n° 2198 visando desconstituir a sentença proferida no Mandado de Segurança n° 98.00166580 transitada em julgado, obtendo vitória parcial, uma vez que houve mudança no tocante ao período sobre o qual recaiu o direito ao crédito, que passou de 10 (dez) para 5 (cinco) anos, o que também reduziu em muito o valor primitivo do crédito. Após ter sido proferida a sentença da ação rescisória e já na vigência da IN SRF n° 517, de 2005, a Nitriflex S A Indústria e Comércio pretendeu habilitar créditos junto Secretaria da Receita Federal para prosseguir realizando compensações tributárias com débitos de terceiros. O pedido de habilitação (processo n° 13746.000191/200551) foi indeferido administrativamente, sendo que, mais uma vez a Nitriflex S/A buscou na via judicial o reconhecimento do direito à habilitação do crédito, não obtendo êxito na lª instância de julgamento. O Seort da DRF/Nova Iguaçu/RJ indeferiu o pedido de habilitação contido no processo n° 13746.000191/200551. O Parecer Seort n° 388, de 2008, continua seu relato aduzindo que: .... o ponto nevrálgico ... repousa em saber se o contribuinte pode ou não compensar seus débitos tributários mediante a utilização de crédito que lhe foi cedido pela Nitriflex S/A ..., pois numa época em que não havia lei mas apenas norma infralegal (IN/SRF n° 41/2000) vedando a utilização de crédito de um contribuinte para compensar débito de outro, a pessoa jurídica cedente do crédito obteve sentença transitada em julgado ... reconhecendo o seu direito de cedêlo a terceiro.. ...sobre o assunto., a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Nova Iguaçu — RJ se pronunciou no sentido de que a nova regra contida no artigo 74 da Lei n°9.430/96 após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da MP 66, de 29.08.2002 convertido no artigo 49 da Lei n° 10.637/02 tem o condão de restringir a utilização do crédito em questão, sem contudo ofender à autoridade da coisa julgada e sem que represente aplicação retroativa da lei. Quando o Mandado de Segurança n° 2001.51.10.0010250 foi ajuizado inexistia lei expressa que dispusesse sobre a compensação tributária de débito de um contribuinte mediante a utilização de crédito de terceiros, embora a Instrução Normativa SRF n° 41/2000 já vedasse esta espécie de compensação tributária. Assim, ... somente os pedidos de compensação tributária formalizados antes do dia 29.08.2002, data da publicação da Medida Provisória n° 66/02 ... é que estão amparados pelo MS no 2000.51100010250 e, desta forma, somente naqueles pedidos é que pode ser utilizado crédito cedido pela sociedade empresária Nitriflex S/A. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13746.000243/200327 Resolução nº 3402000.668 S3C4T2 Fl. 103 4 A DRF/Nova Iguaçu RJ, continua em sua decisão, transcrevendo partes do parecer expedido pela PSFN/Nova Iguaçu/RJ, dentre as quais cumpre evidenciar: quando ajuizado o MS 2001.51.100010250, vigorava a IN SRF n° 41/00, cujo artigo 1° vedava a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros, administrados pela SRF, sendo que a Lei n°9.430/96 em seus arts. 73 e 74, dispositivos estes expressamente mencionados no voto do relator, eram omissos a respeito, dai a razão pela qual ter o tribunal ad quem afastado a limitação imposta pela IN SRF 41/00. Entretanto, os referidos arts. 73 e 74 sofreram total reformulação através do art. 49 da MP n°66/02, convertida na Lei n° 10.637/2002 ... ... se de uma decisão judicial decorre a coisa julgada, é certo que este efeito não prevalecerá se ocorrerem mudanças nas normas jurídicas que tratam da questão transitada em julgado. Hoje a situação fáticajurídica é diversa. A Lei n° 9.430/96 que era omissa sobre o tema, a partir de 30 de agosto de 2002 passou a ser clara ao prever como única possibilidade de compensação de tributos administrados pela SRF, inclusive os judiciais transitados em julgado, a efetividade entre créditos e débitos do próprio sujeito passivo. ... Assim, a coisa julgada não pode ser invocada quando direito superveniente repercute na relação jurídica sobre o qual a coisa julgada se operou. Ressalvamse, pois, os efeitos jurídicos dos pedidos de compensação efetivamente realizados por conta da decisão judicial considerados fatos consumados, até a edição da MP 66, de 29.08.2002, convertida na Lei n°10.637/2002. Registrese: a lei nova não esta a alcançar fatos passados, compensações efetivadas perante a ordem jurídica anterior e com espeque em decisão judicial transitada em julgado. A nova lei alcança, isto sim, os fatos novos ocorridos sob a sua égide e sobre a qual a coisa julgada não pode surtir efeitos, já que estamos diante de novos regramentos jurídicos. Logo, após as alterações da MP 66/02, convertida na Lei n° 10.637/02, as pretendidas compensações com débitos de terceiros não podem ser admitidas eis que não permitidas pela Lei, não sendo a mesma objeto de qualquer discussão judicial. Não há que se falar de violação coisa julgada e o suposto direito adquirido, como evidente, relacionase eis compensações requeridas — fatos consumados sob efeitos da coisa julgada, jamais aos pedidos de compensação formulados depois das alterações legislativas supervenientes a coisa julgada. Ao final o parecerista houve por bem adotar o entendimento da PGFN para propor a não homologação da compensação pleiteada. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13746.000243/200327 Resolução nº 3402000.668 S3C4T2 Fl. 104 5 O Despacho Decisório de fls. 20, aprovou integralmente o parecer e determinou fosse dada continuidade à cobrança e tomadas as demais providências cabíveis. O processo foi encaminhado à ARF/Criciiima/SC, domicilio fiscal da interessada para ciência da decisão. A interessada tomou ciência do Parecer Seort/DRF/NIU/RJ n° 388, de 2008 e respectivo Despacho Decisório em 25/07/2008 (fls. 24). Pelo requerimento de fls. 25/26 e arrazoado de fls. 27/58, a interessada manifestou sua inconformidade alegando em síntese que: Não se tratando de hipótese do art: 74, §12, da Lei 9.430/96, requer o processamento da presente com efeito suspensivo, de forma a manter suspensa a exigibilidade do crédito tributário na forma do §11 do citado dispositivo legal c/c art. 151, II, do CTN. Nos termos do art. 74, § 7º, da Lei n° 9.430/96, alterada pelo art. 49, da Lei 10.637/02, a autoridade fiscal deve conceder o direito da Interessada de manifestar seu inconformismo quanto a decisão que não homologou a compensação, no prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência da referida decisão. O MS 98.00166580 (Nitriflex) teve por objeto o reconhecimento do direito ao crédito de IPI, no período de 08/1988 até 07/1998, decorrente da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero... ... a Nitriflex lançou mão de medida judicial para afastar a aplicação da IN/SRF 41/00 (que passou a proibir a cessão de crédito para terceiros não optantes do REFIS). Foi impetrado o MS 2001.51.10.0010250 para se alcançar tal desiderato... Em 12/09/2003 transitou em julgado o v. acórdão proferido pelo E. TRF da 2º Região que, convalidando a medida liminar deferida initio litis e concedendo a ordem, decidiu pela irretroatividade da legislação enteio limitadora do direito plena disponibilidade do crédito (IN/SRF 41/00) para alcançar fatos consumados sob a égide de normas que o garantiam expressamente, a saber, art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei n.° 9.430/96, regulamentados pela 1N/SRF 21/97. Por fim, foi ajuizada pelo Fisco, em 15/04/2003, a ação rescisória 2003.02.01.0056758 visando a desconstituição da coisa julgada produzida no MS 98.00166580. Embora o pedido tenha sido julgado parcialmente procedente pelo E. TRF da 2a Região, foram interpostos pela Nitriflex recursos pendentes de análise, e não foi condedida tutela de urgência para suspender a execução da coisa julgada, que, por isto, continua produzindo efeitos. Outra alegação trazida ao processo e que se refere à propriedade dos créditos foi assim aduzida: A coisa julgada ... Fl. 304DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13746.000243/200327 Resolução nº 3402000.668 S3C4T2 Fl. 105 6 reconheceu o direito ao crédito de IPI ... Ou seja, a coisa julgada reconheceu o direito à propriedade do crédito. Definindo o conteúdo e alcance do direito a propriedade, ... o art. 1.228 do Código Civil ... Não podendo a legislação tributária alterar o conteúdo e alcance dos institutos e conceitos de direito privado utilizados para fixar competências tributárias dos entes políticos (art. 110 do CT1V) A propósito do mesmo tema, entende, ainda, a interessada, que a coisa julgada material impede a aplicação da Lei n s' 10.637, de 2002, que limita a disponibilidade do crédito do IPI, porque, no caso, esse crédito foi reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Alega que a limitação legal apontada no despacho decisório só é aplicável aos créditos nascidos posteriormente à sua entrada em vigor, acrescentando que, admitir o contrário, resultaria no descumprimento de uma ordem judicial, no desrespeito à coisa julgada material e aos princípios da não cumulatividade do IPI e da irretroatividade das leis. Ressalta, a requerente, que também foi proposto o Mandado de Segurança nº 2001.51.10.0010250, para impedir que a IN SRF n'). 41, de 2000, obstasse a livre disposição do crédito do IPI, conquistado, em juízo, pela Nitriflex S/A Indústria e Comércio. Diz ainda que, em 12 de setembro de 2003, transitou em julgado acórdão proferido pelo TRF da Região, confirmando o direito de livre disposição do crédito decorrente da decisão judicial relativa ao processo n° 98.00166580. Prosseguindo em sua contestação: Noutros falares, o E. TRF da 2ª Região fundamentou sua decisão de afastar a aplicação da IN/SRF 41/00 com base no principio constitucional da irretroatividade das leis, segundo o qual a lei nova não pode retroagir para afetar fatos consumados antes de sua entrada em vigor. Entendeu a E. Corte que a instrução normativa, sobre ser ilegal, não poderia retroagir para afetar fatos consumados sob a égide de legislação que permitia a cessão para terceiros do crédito de IPI reconhecido no MS 98.00166580, no caso o art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, regulamentados pela IN/SRF 21/97. E dizer, a coisa julgada estabilizou, entre a Nitriflex e o Fisco, relação jurídica segundo a qual o crédito de IPI, no tocante ao seu aproveitamento, sujeitase à legislação em vigor na época da ocorrência dos fatos geradores ( crédito), ocorridos entre 08/88 e 07/98. A corroborar sua tese referente à irretroatividade da nova redação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, trouxe ao processo doutrina de Roque Antonio Carrazza, Geraldo Ataliba. A reclamante se utilizou do principio constitucional que trata da irretroatividade da lei como base de argumentação a respaldar a não utilização, no caso concreto, da nova redação do art. 74 da Fl. 305DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13746.000243/200327 Resolução nº 3402000.668 S3C4T2 Fl. 106 7 Lei n° 9.430, de 1996, trazida pela Lei n° 10.637, de 2002, salientando trecho da ADIMC 172, DJ 19/02/1993, p. 2.032, do Relator Min. Celso de Melo. A reclamante transcreve, dentre outras, ementa do EREsp 488.992/MG, DJ 07/06/2004, p. 156, cuja relatoria pertenceu ao Min. Teori Albino Zavascki : inviável, na hipótese, apreciar o pedido a luz do direito superveniente, porque os novos preceitos normativos, ao mesmo tempo em que ampliaram o rol das espécies tributárias compensáveis, condicionaram a realização da compensação a outros requisitos, cuja existência não constou da causa de pedir nem foi objeto de exame nas instâncias ordinárias. E prossegue em seus argumentos: E sabido que em 25/02/2005 foi publicada a IN/SRF 517, que passou a exigir a habilitação de créditos reconhecidos por decisões judiciais transitadas em julgado. Para não inviabilizar seus procedimentos de compensação é que a Nitriflex sujeitouse à mencionada regra. ... a bem da verdade, a IN/SRF 517 só produz efeitos para fatos posteriores a entrada em vigor da regra. No presente caso, a decisão judicial transitada em julgado que reconheceu o direito ao crédito de IPI transitou em julgado em 18/04/2001, anteriormente a entrada em vigor da IN/SRF 517, por isto inaplicável. Portanto, a inexistência de habilitação do crédito de IPI não é óbice para sua utilização. No que tange à ação rescisória a empresa, em sua peça de defesa, argumentou transcrevendo o artigo 489 do CPC e concluindo que "somente o deferimento de tutela de urgência" ou "o trânsito em julgado da decisão rescindente tem o condão de impedir o cumprimento da decisão rescindida". Ao final, pede a reforma da decisão com a conseqüente homologação das compensações e a extinção dos créditos tributários compensados. Em despacho anexado às fls. 73, a DRF/Florianópolis/SC evidenciou a existência do processo administrativo n° 11516.002705/200418 com créditos de terceiros idênticos aos do presente processo e, às fls. 76/79, se encontra cópia do Despacho Decisório proferido pela DRF/Florianópolis/SC que decidiu o processo n° 11516.002705/200418, não homologando as compensações nele pleiteadas. Tendo em vista que o processo n° 11516.002705/200418 se encontrava na DRJ/Ribeirão Preto/SP, o presente foi encaminhado também àquela DRJ. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP emitiu o despacho de fls. 74/75 onde concluiu Fl. 306DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13746.000243/200327 Resolução nº 3402000.668 S3C4T2 Fl. 107 8 que não detinha competência para apreciar o presente processo, ressaltando, ao final, que o processo administrativo de n° 11516.002705/200418 já havia sido objeto de julgamento no Acórdão n° 1423.888 de 15/05/2009, exarado pela 2 Turma daquela Delegacia, "não podendo a decisão nele proferida ser aproveitada para os débitos vinculados ao presente, já que tratam de débitos diferentes e as compensações precisam ser analisadas individualmente, pois não houve pedido de restituição ou ressarcimento, já que o crédito esta sob tutela judicial" . O presente processo retornou à DRF/Florianópolis/SC que, por sua vez, questionou a Superintendência da 9ª Região Fiscal a respeito dos procedimentos a serem adotados face à existência de dois processos com o mesmo pedido. A DISIT da 9ª Região Fiscal exarou o documento de fls. 87/89 onde historia sobre ambos os processos administrativos e seus respectivos andamentos e que pode ser assim resumido: ... houve a apresentação de duas vias de cada pedido de compensação, uma perante a DRFNova lguaçuRJ (domicilio fiscal do credor) e outra perante a DRFFlorianópolisSC (domicilio fiscal do devedor). Pela sistemática da IN (art. 15, §4º), quem analisaria o pedido seria a DRFNova lguaçuRJ, tendo a via entregue à DRFFlorianópolis apenas o caráter de comunicado. A DRFNova lguaçuRJ analisou os pedidos, não os homologando, com fundamento na impossibilidade de compensação do crédito de um com o débito de outro, eis que embora não aplicável a IN SRF 412000, sobreveio posteriormente a Medida Provisória n° 66, de 2002, convertida na lei 10.637, de 2002, vedando tal tipo de compensação. Ou seja, segundo a DRFNova Iguaçu, a coisa julgada não teria eficácia contra a vedação imposta por ato legal. Contra tais decisões, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ competente para julgála seria a DRJ Juiz de ForaMG (eis que se trataria de decisão exarada na 7ª Região Fiscal relativa a crédito de IPI). ... a DRFFlorianópolis já havia julgado as suas vias dos pedidos apresentados pelo devedorcedente ..., também não homologando as compensações, sendo que tendo ocorrido apresentações de manifestações de inconformidade seguiram para a DRJRibeirão Preto (competente para as decisões exaradas na 8ª Região Fiscal). Em relação a estas manifestações de inconformidade, em alguns casos estão aguardando julgamento, sendo que em outros já foram julgadas, com a apresentação de recursos voluntários ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Por essa razão, dado o interelacionamento entre os processos (e de modo a se evitar julgamentos conflitantes), encaminhou também as manifestações de inconformidade que atacavam as decisões da DRFNova lguaçuRJ para a DRJ Ribeirão Preto ... Fl. 307DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13746.000243/200327 Resolução nº 3402000.668 S3C4T2 Fl. 108 9 A DRJ Ribeirão Preto, por seu turno, devolveu os processos dizendo não ser competente para as causas que tenham por objeto decisões proferidas pela 7° Região Fiscal. A Disit da 9ª Região Fiscal concluiu seu parecer determinando àquela DRF/Florianópolis/SC que encaminhasse o presente processo à DRJ/JFA e o de n° 11516.002705/200418 ao CARF e que fosse evidenciado em cada um dos mesmos a existência do outro. Adotados os procedimentos acima, no tocante a este processo, o mesmo foi encaminhado a esta DRJ/JFA para apreciação. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ Juiz de Fora (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 0928901, de 30 de março de 2010, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 07/03/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. TÍTULO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE 1. Não ocorre a homologação tácita em compensações baseadas em créditos de terceiros na vigência da Lei n° 10.637, de 2002. 2. As compensações declaradas a partir de 1 de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo com crédito de terceiros, esbarram em inequívoca disposição legal MP n° 66, de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 2002 impeditiva de compensações da espécie. É descabida a pretensão de legitimar compensações de débitos do requerente, com crédito de terceiros, declaradas após 1º de outubro de 2002, pretensão essa fundada em decisão judicial proferida anteriormente àquela data, que afastou a vedação, outrora existente, em instrução normativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Perfodo de apuração: 07/03/2003 a 31/03/2003 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. 1. Não cabe apreciar questões relativas à ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da nãocumulatividade ou da irretroatividade de lei, competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2. 2. A doutrina trazida ao processo não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa Fl. 308DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13746.000243/200327 Resolução nº 3402000.668 S3C4T2 Fl. 109 10 3. A jurisprudência administrativa e judicial colacionadas não possuem legalmente eficácia normativa, não se constituindo em normas gerais de direito tributário. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que: a) Teve ciência do despacho decisório de não homologação das compensações após cinco anos da entrega das declarações, fato que determina a homologação tácita das declarações de compensação; b) Ao contrário do decidido pela DRJ, a coisa julgada produzida no MS n.° 98.00166580 não só reconheceu o direito de crédito, como também sua plena disponibilidade, sendo certo que o MS n.° 2001.51.10.0010250 só foi impetrado para preventivamente afastar a interpretação restritiva do Fisco, à época constante da IN/SRF n.° 41/00, e até então inexistente. É dizer: o direito de disponibilidade do crédito já havia sido reconhecido no bojo do MS n.° 98.00166580. A coisa julgada proferida no MS n.° 2001.51.10.0010250 só veio confirmar aquele direito, afastando a limitação imposta pelo Fisco; c) Tornando à questão jurídica sob nossos cuidados, mesmo que se pudesse abstrair o comando das coisas julgadas, a nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96 entrou em vigor 01/10/02, no que só pode afetar créditos desde então gerados. E mesmo que se empreste vigor à MP 66/02, somente créditos gerados a partir de 29/08/02 poderiam ser afetados pela novel regra. Os fatos jurídicos que enseiaram o direito creditório em tela são anteriores àquela data (08/88 até 07/98), não podendo, pois, ser afetados; d) É inadmissível o Fisco justificar a não homologação dos pedidos de compensação pautado na falta de demonstração do saldo remanescente do crédito utilizado. A gerência do crédito cabe ao Fisco e caso realmente existisse suspeita de insuficiência de crédito, deveria a autoridade administrativa do domicilio fiscal da cedente (NITRIFLEX) apurar o valor e informar no r. Despacho decisório que considerou não homologadas as compensações. Termina sua petição recursal pedindo a reforma do acórdão vergastado, para fins de que seja declarada a homologação tácita das declarações de compensação apresentadas contidas neste processo. Alternativamente, caso afastada a homologação tácita, que sejam homologadas as compensações com a consequente extinção e baixa dos débitos. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13746.000243/200327 Resolução nº 3402000.668 S3C4T2 Fl. 110 11 É o relatório. VOTO Conforme já relatado o recorrente busca compensar seus créditos tributários com créditos reconhecidos judicialmente que pertencem a terceiros. No pedido de compensação de crédito com débito de terceiro apresentado à fl. 02, identifico que o processo que contém o crédito pleiteado está pendente de decisão final. Já me posicionei em outras ocasiões no sentido de que processo que trate de compensação, cujo crédito a ser utilizado esteja sendo discutido em outro processo administrativo, deve esperar a decisão do processo conhecido como “mãe”, aquele que contém o crédito pleiteado, para então poder ter seu desfecho final. Em face dessa dependência, voto por converter o julgamento em diligência, determinando que acoste cópia da decisão definitiva proferida no processo nº 10735000202/99 70 e que seja elaborada planilha demonstrativa do valor do crédito a ser restituído de acordo com a decisão definitiva do processo acima citado. Depois de tomadas as providências requeridas, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Sala das Sessões, 22/07/2014 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Fl. 310DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10980.011220/2005-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.309
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na
atividade de sobrestado, conforme orientação contida no §3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada
a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
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Sobrestamento Recorrente SELMA CRISTINA MOREIRA MALUCELLI Recorrida FAZENDA NACIONLA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no §3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes e Pedro Anan Júnior. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10980.011220/200549 Resolução n.º 220200.309 S2C2T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 4ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, manteve autuação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF do exercício de 2004 relativo a omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada. Intimada (fls.16/17) a contribuinte não apresentou os extratos bancários, com isso foi expedida RMF Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (fls. 19/21 e 112/114). Auto de Infração (fls.161/162) e o Termo de Verificação Fiscal (fls. 167/170). A decisão recorrida de fls. 201/206, com ciência em 09/06/2008, manteve a autuação pela falta de comprovação da origem do depósito bancário efetuado em 29/08/2003, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Considerase omissão de rendimentos, por presunção, conforme autorização legal, os valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos correspondentes. ENTENDIMENTOS ADMINISTRATIVOS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquela objeto da decisão. Lançamento Procedente Recurso Voluntário de fls. 212/218, onde alega que não houve omissão de rendimentos. Conforme documento de fls. 149 a Recorrente realizou saque parcial no valor de R$ 100.000,00 em dezembro de 2002, e após retornou com o valor sacado na mesma instituição financeira, em agosto/2003. É o breve relatório. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10980.011220/200549 Resolução n.º 220200.309 S2C2T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator Cuidase de Recurso Voluntário da decisão que manteve o lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF sobre omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, apurada mediante Requisição da Movimentação Financeira – RMF do contribuinte juntos às instituições financeiras. O C. Supremo Tribunal Federal, no RE 601.314/SP, reconheceu a existência de Repercussão Geral para exame da constitucionalidade da quebra do sigilo bancário pela fiscalização, sem a prévia autorização judicial, conforme podemos ver da ementa da decisão monocrática: “CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 563). Brasília, 4 de agosto de 2011. Min. RICARDO LEWANDOWSKI – Relator” O Regimento Interno deste Conselho, aprovado da Portaria MF nº 256, de 2009, estabelece no art. 62A que deve ser sobrestado os recursos sobre a matéria com Repercussão Geral reconhecida pelo C. STF ou em Recurso Representativo da controvérsia, pelo E. STJ (arts. 543B e 543C, do CPC): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10980.011220/200549 Resolução n.º 220200.309 S2C2T2 Fl. 4 4 § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O C. STF, pelo Tribunal Pleno reconheceu a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancários, sem prévia autorização judicial no RE nº 389.808PR, Rel. Min. Marco Aurélio, j., 15.12.2010, mas há Embargos de Declaração com pedido de efeito modificativo ou infringentes pendente de decisão desse RE. Além do RE 389.808PR, com decisão de mérito pendente do transito em julgado, o C. STF vem sobrestando o julgamento de todos os Recursos Extraordinário sobre a quebra do sigilo bancário, sem à previa autorização judicial, pela existência de Repercussão Geral reconhecida no RE nº 601.314SP, conforme podemos confirmar pelas decisões abaixo: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, j. 09/02/2011, DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. (AI 691349 AgR, Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10980.011220/200549 Resolução n.º 220200.309 S2C2T2 Fl. 5 5 Rel.Min. MARCO AURÉLIO, j. 04/10/2011, DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01.CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgRAgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e Fl. 228DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10980.011220/200549 Resolução n.º 220200.309 S2C2T2 Fl. 6 6 seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator. Documento assinado digitalmente. (RE 602945, Rel. Min. LUIZ FUX, j.,01/08/2011, DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal – discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. (RE 479841, Rel.Min. CELSO DE MELLO, j., 21/05/2010, DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Em face do exposto, parece não existir dúvida sobre a existência da Repercussão Geral no C. STF, instaurado no RE 601.314SP sobre a quebra do sigilo bancário, sem a prévia autorização judicial. Assim, por se cuidar de Recurso Voluntário sobre lançamento realizado com extratos bancários obtidos mediante a Requisição da Movimentação Financeira – RMF do contribuinte, sem autorização judicial, é necessário sobrestar o julgamento destes autos, na forma do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, até a decisão do Recurso Extraordinário nº 601.314SP. Ante o exposto, pelo meu voto, determino o SOBRESTAMENTO destes autos, na forma do art. 62, § 1o e 2o, do RI deste Conselho, até a decisão do RE 601.314SP, do C. STF. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes, Relator. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 15504.723744/2011-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social.
CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. EMPRESAS URBANAS. LEGALIDADE
Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei nº 8.212/91. Tal contribuição social ostenta caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural, podendo ser exigida também do empregador urbano, conforme precedentes do STF e do STJ.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, a teor da Súmula CARF nº 2.
SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO.
A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, podendo ser exigidas de todas as empresas contribuintes do sistema SESI, SENAI, SESC, SENAC, e não somente das microempresas e das empresas de pequeno porte.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, a teor da Súmula CARF nº 2.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
Recurso Voluntário Negado
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-003.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício quanto às exclusões de obrigações tributárias nas competências de 11/2007, 12/2007 e 12/2008, já que os fatos geradores correspondentes houveram-se por lançados em duplicidade.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à verba Participação nos Lucros e Resultados, vencidos os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a verba não integra o salário de contribuição. Os Conselheiros André Luiz Mársico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes e Liege Lacroix Thomasi acompanharam pelas conclusões.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. EMPRESAS URBANAS. LEGALIDADE Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei nº 8.212/91. Tal contribuição social ostenta caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural, podendo ser exigida também do empregador urbano, conforme precedentes do STF e do STJ. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, a teor da Súmula CARF nº 2. SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, podendo ser exigidas de todas as empresas contribuintes do sistema SESI, SENAI, SESC, SENAC, e não somente das microempresas e das empresas de pequeno porte. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, a teor da Súmula CARF nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 37 44 /2 01 1- 63 Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Negado Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício quanto às exclusões de obrigações tributárias nas competências de 11/2007, 12/2007 e 12/2008, já que os fatos geradores correspondentes houveramse por lançados em duplicidade. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à verba Participação nos Lucros e Resultados, vencidos os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a verba não integra o salário de contribuição. Os Conselheiros André Luiz Mársico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes e Liege Lacroix Thomasi acompanharam pelas conclusões. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/201163 Acórdão n.º 2302003.178 S2C3T2 Fl. 1.575 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 Data de lavratura do Auto de Infração: 29/09/2011 Data da ciência do Auto de Infração: 30/09/2011 Tratase de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Belo Horizonte/MG que julgou procedente em parte a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.339.5647, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas a outras entidades e fundos (FNDE (2,5%), SENAI (1,0%), SESI (1,5%), SEBRAE (0,6%) e INCRA (0,2%)), incidentes sobre os valores pagos a segurados empregados a título de participação nos lucros, pagos em desacordo com a Lei nº 10.101/2000, não declarados em GFIP, conforme relatório fiscal de fls. 12/24. De acordo com a Resenha Fiscal, o Contribuinte efetuou pagamentos de valores a seus empregados, a título de participação nos lucros e resultados, baseados nos Acordos Coletivos de Trabalho ACT dos anos 2007/2008, em desacordo com as condições estabelecidas pela Lei nº 10.101/2000. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Sujeito Passivo ofereceu impugnação administrativa a fls. 695/747. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG baixou o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito de questões de fato arguidas pelo Sujeito Passivo em sede de defesa administrativa, conforme Despacho de Diligência a fls. 1460/1461. Em atendimento à diligência requestada por meio do Despacho de Diligência acima citado, a Autoridade Lançadora emitiu Relatório Fiscal Complementar a fls. 1495/1498, pugnando pela retificação do débito nas competências 11/2007, 12/2007 e 12/2008, na forma ilustrada na Tabela de Retificação, item 5.4 do Relatório Fiscal Complementar, a fl. 1497. Formalmente notificado do conteúdo do resultado da Informação Fiscal antes mencionada, o Sujeito Passivo, no prazo que lhe fora assinalado, apresentou aditamento à impugnação a fl. 1501. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0242.215 8ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 1503/1512, julgando procedente em parte o lançamento tributário, para dele fazer excluir as obrigações tributárias lançadas em duplicidade nas competências 11/2007, 12/2007 e 12/2008, na forma consignada na Tabela de Retificação, item 5.4 do Relatório Fiscal Complementar, a fl. 1497, e retificando o crédito tributário na forma descrita no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 1513/1514, recorrendo de ofício de sua decisão. Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 25/02/2013, conforme Avisos de Recebimento a fls. 1519/1524. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário a fls. 1526/1568, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que no pagamento dos valores a título de PLR foram atendidos todos os requisitos da Lei nº 10.101/2000; · Que nos acordos coletivos firmados pela Cemig com os diversos sindicatos da categoria havia regras claras a respeito do direito e da forma que seria feito o pagamento da PLR; · Desnecessidade de pactuação prévia quanto aos critérios e condições para o pagamento da PLR; · Que na Lei 10.101/2000 não há obrigatoriedade de fixação de programas de metas e de resultados para o cálculo da PLR. Aduz haver uma faculdade das partes de adotarem os critérios exemplificativamente listados na lei; · Que é possível à empresa abrir mão de fixar metas de produtividade e, ainda assim, distribuir lucros aos empregados. Nada disso afeta a natureza da verba percebida: ganho não habitual e desvinculado do salário, obtido em razão dos lucros da empresa; · Afirma que em razão dos resultados positivos obtidos restou assegurado nos acordos coletivos sempre um valor mínimo a distribuir, bem como foi estipulada uma parcela extraordinária em razão do desempenho empresarial. Dessa forma, ficou demonstrado que as exigências legais foram cumpridas. Alega que o artigo 7º, XI, da CF/88 dispõe expressamente que a participação nos lucros ou resultados é desvinculada da remuneração; · Que o valor pago a título de PLR não remunera o trabalho nem configura ganho habitual; · Que inexiste caráter remuneratório dos valores pagos como PLR, independentemente dos requisitos da Lei nº 10.101/2000; · Que são indevidas as contribuições para o INCRA e para o SEBRAE por violarem o §2º do art. 149 da CF/88; · Que deve ser revista a penalidade aplicada, de modo a excluir a multa de 75% prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da edição da MP nº 449/2008; Ao fim, requer a declaração de improcedência do Auto de Infração e o recalculo da multa de mora. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/201163 Acórdão n.º 2302003.178 S2C3T2 Fl. 1.576 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 25/02/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 27/03/2013, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA PLR Alega o Recorrente que no pagamento dos valores a título de PLR foram atendidos todos os requisitos da Lei nº 10.101/2000. Aduz que nos acordos coletivos firmados pela Cemig com os diversos sindicatos da categoria havia regras claras a respeito do direito e da forma que seria feito o pagamento da PLR. A empresa argumenta que na Lei nº 10.101/2000 não há obrigatoriedade de fixação de programas de metas e de resultados para o cálculo da PLR. Entende haver uma faculdade das partes de adotarem os critérios exemplificativamente listados na lei. Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 O Sujeito Passivo defende que é possível à empresa abrir mão de fixar metas de produtividade e, ainda assim, distribuir lucros aos empregados. Nada disso afeta a natureza da verba percebida: ganho não habitual e desvinculado do salário, obtido em razão dos lucros da empresa. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452/43 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) §1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do salário mínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante seguro saúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/201163 Acórdão n.º 2302003.178 S2C3T2 Fl. 1.577 7 §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de coabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, a “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, por todos os lançamentos efetuados em favor do trabalhador em contraprestação direta pelo trabalho efetivo prestado à empresa, acrescido dos “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”, parcela esta que abraça todas as demais rubricas devidas ao trabalhador em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Nessa perspectiva, todo e qualquer lançamento a conta de despesa da empresa representativa de rubrica paga, devida ou creditada a segurado obrigatório do RGPS, que tiver por motivação e origem o trabalho realizado pela pessoa física em favor do Contribuinte, ostentará natureza jurídica remuneratória, e como tal, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Na prática, inexiste dificuldade em tal discernimento. Basta hipoteticamente suprimir o trabalho realizado pela pessoa física na consecução do objeto social da sociedade. A importância que deixar de ser vertida a essa pessoa corresponderá, assim, à parcela do trabalho que o obreiro dedicou à empresa. Ao revés, a fração que ainda for devida à pessoa, independentemente do eventual labor físico ou intelectual por ela realizado, representará mera liberalidade do empregador. Como visto, o próprio Legislador Constituinte honrou deixar consignado no Texto Constitucional a real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque: as contribuições previdenciárias incidem não somente a “folha de salários”, como também, sobre os Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/201163 Acórdão n.º 2302003.178 S2C3T2 Fl. 1.578 9 “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência da base de incidência das contribuições previdenciárias aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Portanto, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 00053007520095070011 Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação" mas sim de "Adicional Compensatório de Perda de Função" Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 A norma constitucional acima citada não exclui da tributação as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Leinº8.212,de24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Em verdade, até mesmo a remuneração referente ao tempo ocioso em que o empregado permanecer à disposição do empregador não escapa da amplitude do conceito de salário de contribuição. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/201163 Acórdão n.º 2302003.178 S2C3T2 Fl. 1.579 11 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (grifos nossos) l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/201163 Acórdão n.º 2302003.178 S2C3T2 Fl. 1.580 13 dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no §8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que a alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatuiu, de forma expressa, que não integram o Salário de contribuição, as importâncias recebidas a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. O Programa de Participação nos Lucros ou Resultados PLR consubstanciase numa ferramenta de gestão que visa ao alinhamento das estratégias organizacionais com as atitudes e desempenho dos empregados dentro do ambiente de trabalho. Tratase de um instrumento gerencial bastante utilizado pelas empresas, mundialmente disseminado, que auxilia no cumprimento das metas e diretrizes das organizações, permitindo uma maior participação e empenho dos empregados na produtividade da empresa, além do seu esforço ordinário decorrente do contrato de trabalho, proporcionando, dessarte, atração, retenção, motivação e comprometimento dos funcionários na busca de melhores resultados empresariais. Constituise o PLR num tipo de remuneração variável a ser oferecida àqueles que efetivamente colaboram na obtenção de lucros e/ou no atingimento das metas préestabelecidas pelo empregador. Tratase de um Direito Social de matriz constitucional, tendo o Constituinte Originário, taxativamente, outorgado à lei ordinária a competência para a estipulação dos parâmetros legais da conformação do Direito dos trabalhadores, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Sendo um instrumento de integração capitaltrabalho e de estímulo à produtividade das empresas, buscase por meio da regra imunizante e da consequente redução da carga tributária proporcionar vantagens competitivas às empresas que, regularmente, implementam mecanismos efetivos de integração e participação de seus empregados, sem que, com isso, haja substituição da remuneração devida. Decorre daí a norma de desvinculação do pagamento a titulo de PLR da remuneração em geral. A Participação nos Lucros é norma constitucional de eficácia limitada. Nesse sentido dispõe o Parecer CJ/MPAS nº 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, ad litteris et verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Tais diretivas não atritam com entendimento esposado no Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99, cujo teor transcrevemos na sequência: DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita, portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/201163 Acórdão n.º 2302003.178 S2C3T2 Fl. 1.581 15 trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Tratandose de norma constitucional de eficácia limitada, esta depende da integração de documento normativo editado pelo órgão legislativo competente, para que suas disposições possam produzir os efeitos jurídicos colimados pelo Constituinte. Tal matéria já foi bater às portas da Suprema Corte Constitucional, cuja Segunda Turma, no julgamento do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n° 505.597, pacificou o entendimento que deve prevalecer nas situações desse jaez. EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. MP 794/94. Com a superveniência da MP n. 794/94, sucessivamente reeditada, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores no lucro das empresas [é o que extrai dos votos proferidos no julgamento do MI n. 102, Redator para o acórdão o Ministro Carlos Velloso, DJ de 25.10.02]. Embora o artigo 7º, XI, da CB/88, assegure o direito dos empregados àquela participação e desvincule essa parcela da remuneração, o seu exercício não prescinde de lei disciplinadora que defina o modo e os limites de sua participação, bem como o caráter jurídico desse benefício, seja para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento. (grifos nossos) Na mesma linha de entendimento: RE 398.284 / RJ Rel. Min. MENEZES DIREITO Órgão Julgador: Primeira Turma DJe de 19122008 Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. Deflui dos termos dos julgados suso transcritos que o exercício do direito social em debate sujeitase às disposições estabelecidas na lei disciplinadora, à qual foi confiada a definição do modo e dos limites de sua participação, bem como do caráter jurídico desse benefício, seja para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Atentese, por relevante, que o direito social estampado no inciso XI do art. 7º da CF/88 é dirigido à classe de trabalhadores que laboram mediante o vínculo jurídico de uma relação de emprego, não abraçando as pessoas físicas que, assumindo o risco da atividade econômica, exercem por conta própria, determinada atividade profissional de natureza urbana, como é o caso dos Diretores não empregados e demais segurados contribuintes individuais, eis que entre estes e as respectivas empresas não se formaliza vínculo empregatício. Das disposições plasmadas no caput do art. 2º do Diploma Legal acima desfiado ergue se como fato incontroverso que o direito social objeto de regulamentação abarca, tão somente, os empregados da empresa, assim compreendidos os trabalhadores vinculados mediante um liame empregatício com a entidade empresarial em questão, não irradiando efeitos sobre as demais categorias de obreiros, aqui incluídos os segurados contribuintes individuais. Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/201163 Acórdão n.º 2302003.178 S2C3T2 Fl. 1.582 17 A assertiva ora alinhada encontra amparo, igualmente, nas disposições insculpidas no §4º do art. 218 de nossa Lei Soberana, cuja norma de caráter programático prevê o apoio e estímulo às empresas que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. Constituição Federal de 1988 Art. 218 O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológicas. (...) §4° A lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. (grifos nossos) Com efeito, a Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional em testilha, honrou materializar na alínea “j” do §9º do seu art. 28 a hipótese de não incidência tributária assinalada no inciso XI, in fine, do art. 7º da CF/88, excluindo do campo de tributação das contribuições previdenciárias as importâncias pagas, creditadas ou devidas a título de PLR, sempre que estas verbas forem pagas de acordo com a lei própria de regência, in casu, a Lei nº 10.101/2000, como assim prevê a Norma Matriz. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28 – (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Relembrando, a edição da Medida Provisória nº 794/94 veio ao atendimento do comando constitucional em tela, introduzindo no Ordenamento Jurídico os primeiros traços definidores do direito social ora em debate, vindo a sofrer, ao longo do tempo, em suas reedições e renumerações, um volume pouco expressivo de modificações legislativas, até a sua definitiva conversão na Lei nº 10.101/2000. Lei nº 10.101 de 19 de dezembro de 2000 Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (grifos nossos) I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. (grifos nossos) Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. §4o A periodicidade semestral mínima referida no §2o poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. §5o As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. §1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. §2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. §3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. §4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/201163 Acórdão n.º 2302003.178 S2C3T2 Fl. 1.583 19 Colhemos dos princípios idealizadores da rubrica em pauta, que a verba paga a título de PLR tem por espírito e essência de sua instituição servir como um instrumento de incentivo à produtividade dos trabalhadores e, consequentemente, da empresa, mediante o pagamento de um plus remuneratório além do salário e dos demais benefícios devidos ao trabalhador, como forma de estimular o empregado a ter um rendimento operacional que exceda ao desempenho ordinário que lhe é exigido habitualmente como decorrência comum, inerente e direta do contrato de trabalho. O plano de incentivo à produtividade tem que traduzir, de maneira clara e objetiva, um fim extraordinário a ser alcançado pelo desempenho emproado do trabalhador, estimulado que está pela promessa de um ganho adicional remuneratório consistente na PLR. Nos termos do §1º, in fine, do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, tal fim extraordinário pode ser estabelecido como um índice de produtividade, de qualidade da produção ou de lucratividade da empresa. Pode, igualmente, ser traduzido por um programa de metas, de resultados ou de prazos, ou por qualquer uma outra ferramenta gerencial que, efetivamente, encoraje, deflagre e estimule o trabalhador a produzir mais e melhor do que aquele desempenho ordinário que ele vinha apresentando cotidianamente, decorrente do seu compromisso laboral celebrado no contrato de trabalho. Assim: · O desempenho regular e ordinário do trabalhador decorrente do compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho é remunerado mediante salário; · O desempenho extraordinário e túmido do trabalhador, visando a atingir objetivos de excelência fixados previamente pela empresa, e que excedam aos resultados históricos, é remunerado mediante participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, em valores previamente fixados nas negociações coletivas. Realizase, assim, a integração Capital vs Trabalho: A empresa ganha com o aumento da produtividade, qualidade, lucratividade, volume de produção, prazos, etc. O trabalhador ganha também, mediante o auferimento do plus remuneratório consubstanciado na PLR. Conforme dessai dos incisos I e II do §1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, optou o legislador infraconstitucional por não engessar na Lei os fins extraordinários a serem almejados nos planos de incentivo à produtividade, delegando às próprias empresas a prerrogativa de estabelecer nos seus planos de PLR os objetivos que melhor de adequem à realidade e às características intrínsecas de cada pessoa jurídica. Dentre tais fins extraordinários, elencou a lei, exemplificativamente, dentre outros possíveis e viáveis, os seguintes critérios e condições: · Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; · Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Mas não se iludam, caros leitores. Muito embora a legislação infraconstitucional não obrigue a empresa a seguir este ou aquele objetivo específico, a existência e delimitação clara e precisa, Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 no plano de PLR, de um fim extraordinário específico a ser atingido pelo quadro funcional da Entidade é mandatória e indispensável para a caracterização da PLR legal. Assim, mesmo que a empresa decline de optar por qualquer um dos critérios ilustrativamente descritos nos incisos I e II do §1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, ela tem que, necessariamente, descrever em detalhes, e de maneira prévia, um objetivo extraordinário específico a ser almejado pelo seu corpo funcional na consecução e realização do plano de participação nos lucros e resultados da empresa, sob pena de descaracterização da PLR legal. Almeja com isso a Lei um comprometimento efetivo dos empregados no sentido de oferecer uma dedicação, um cuidado e um empenho de excelência, superior ao ordinário, usual e cotidiano, na busca pela consecução dos objetivos fixados no acordo e na obtenção do direito subjetivo estipulado no plano. Isso porque, conforme já salientado, qualquer verba paga em razão do desempenho regular, comum e ordinário do trabalhador, decorrente unicamente do compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho, tem natureza jurídica de salário, remuneração direta e inescusável pelo labor rotineiro e usual oferecido cotidianamente pelo trabalhador à empresa e, nessas condições, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Dessarte, sem o estabelecimento prévio no plano de PLR de um objetivo especial, que incentive e alavanque a produtividade, a ser atingido pelo operariado, o qual, se atingido satisfatoriamente, tem o condão de premiar os trabalhadores que efetivamente envidaram esforços supranormais na sua consecução, o plano de PLR recai na tábula rasa do trabalho comum e ordinário, o qual é remunerado mediante salário, sofrendo a incidência, assim, das obrigações previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social. O pagamento de verba com o rótulo de PLR Legal em retribuição ao trabalho comum, ordinário, usual e cotidiano do empregado, desconectado a qualquer incentivo à produtividade, é expressamente vedado pela Lei nº 10.101/2000, cujo art. 3º obsta o pagamento de tal rubrica em substituição ou complementação à remuneração devida a qualquer empregado. As regras claras e objetivas quanto ao direito substantivo referemse ao direito dos trabalhadores de conhecerem, previamente, no corpo do próprio instrumento de negociação, o quanto irão receber a depender do lucro auferido pelo empregador, se os objetivos forem cumpridos, o que terá que fazer para receber tal quantia, e como irá recebêla. Quanto às regras adjetivas, deve o trabalhador ter ciência dos mecanismos de aferição de seu desempenho, de como aferilo em determinado momento e situação, das metas e índices de produtividade a serem alcançados e o que falta para alcançálos, etc. A inexistência de tais regras, de forma clara e objetiva, no instrumento de negociação, implica a sua estipulação e avaliação dos trabalhadores por ato unilateral do empregador, circunstância que colide com o objetivo almejado pelo legislador. A exigência de regras claras e objetivas justificase como forma de inviabilizar a discriminação de empregados e de se consumar a própria finalidade do instituto criado. Sendo o resultado finalístico almejado pela norma o fomento da produtividade da mão de obra, nada mais compreensível e pertinente que os empregados tenham o real conhecimento da exata dimensão do direito a eles concedido e do esforço e dedicação que eles devem empreender para alcançálo. Exige a Lei n° 10.101/00 que, no acordo, constem os “mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado", de modo a assegurar aos empregados a transparência nas informações por parte da empresa, o fornecimento dos dados necessários à definição das metas, a adoção de indicadores de produtividade, qualidade ou lucratividade que sejam compreendidos por todos, a possibilidade de fiscalização do regular cumprimento das regras pactuadas e o acompanhamento progressivo da constituição do direito em debate por parte do empregado. Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/201163 Acórdão n.º 2302003.178 S2C3T2 Fl. 1.584 21 Da pena de Sergio Pinto Martins (in Participação dos Empregados nos Lucros das Empresas, Editora Atlas, 2009, pág. 150) já se escreveu: "Os critérios da participação nos resultados não poderão ficar sujeitos apenas a condições subjetivas, mas objetivas, determinadas, para que todos as possam conhecer e para que não haja dúvida posteriormente sobre se o empregado atingiu o resultado almejado pela empresa". Exsurge a todo ver, que a regulamentação legal pautase no desígnio da proteção do trabalhador para que sua participação nos lucros seja concreta, justa e impessoal. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º da Lei de regência, têm liberdade para fixar os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. Visa o Legislador Ordinário a impedir que condições ou critérios subjetivos obstem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados ou que a empresa utilize a rubrica em foco como forma dissimulada de remuneração, o que é expressamente vedado pelo art. 3º do Diploma Legal Regulador. Assim, devem as regras conformadoras do direito em palco ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos objetivamente, de modo que o obreiro possa exigir do empregador o seu efetivo cumprimento, eis que, alcançados os termos assentados no acordo, o trabalhador passa a ser titular do direito subjetivo ao recebimento da importância a que faz jus. Concretizase, dessarte, a integração entre o capital e o trabalho e o incentivo à produtividade tão visados pela lei. Mas a Lei não se contenta só com a explicitação dos direitos objetivos dos trabalhadores. Ela exige que o instrumento de acordo coletivo especifique os critérios e procedimentos a serem seguidos para a mensuração do quanto do acordado já se houve por cumprido, bem como para a aferição de quanto cada empregado já contribuiu para o alcance das metas propostas. Em primoroso trabalho doutrinário, Kertzman e Cyrino (KERTZMAN, Ivan e CYRINO, Sinésio. In Salário de contribuição; Salvador, Editora Jus Podivm, 2ª edição, 2010) realçaram as notas características da hipótese de não incidência de contribuições previdenciárias ora em trato: “A exigência de regras claras é uma forma de impossibilitar a discriminação dos empregados e de alcançar a própria finalidade do instituto criado. Se o objetivo é estimular a produtividade dos empregados, nada mais correto do que se exigir que estes tenham conhecimento das regras do benefício proposto, pois, se assim não fosse, não seria possível a promoção de um esforço adicional para alcançar a meta estabelecida, e o programa seria apenas uma forma de remuneração disfarçada”. Diante dos aludidos dispositivos, deflui que o efeito sublime da desoneração prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei de Custeio da Seguridade Social somente toma vulto na exclusiva condição de as verbas pagas ou creditadas a título de participação nos lucros e resultados atenderem cumulativamente aos seguintes requisitos: · Que a empresa tenha efetivamente apurado lucro no período de apuração/avaliação referido pelo plano de PLR; · A verba paga a título de participação nos lucros e resultados da empresa tem que ser representativa de um plano gerencial de incentivo à produtividade, consoante art. 1º da Lei nº 10.101/2000. Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 · Tem que resultar de negociação formal entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, obrigatoriamente, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria ou de convenção/acordo coletivo; · Das negociações suso citadas, deverão resultar instrumentos formais que registrem o plano de incentivo à produtividade adotado pela empresa, os objetivos a serem alcançados na execução de tal plano, as regras claras e objetivas definidoras dos direitos substantivos dos trabalhadores, bem como a regras adjetivas, abarcando os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, etc. · A negociação entre empresa e trabalhadores tem que ser concluída previamente ao período de execução do plano, de modo que os empregados dele participem com a perfeita e exata noção do que, do quanto, do quando e do como fazer para o atingimento dos objetivos pactuados, do quanto receberão pelo seu sucesso, e de como serão avaliados para fazerem jus à PLR prometida; · O instrumento formal resultante do acordo em realce tem que ser arquivado previamente na entidade sindical dos trabalhadores; · A PLR não pode substituir, tampouco complementar a remuneração devida a qualquer empregado; · A PLR não pode ser distribuída em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil; No caso dos autos, colhemos dos Acordos Coletivos acostados a fls. 240/303, as seguintes condições. I PLR 2007 Acordo Coletivo firmado entre a Cemig e o Sindieletro, assinado em 11 de dezembro de 2007, ou seja, no último mês do período de apuração. a) A Cemig distribuirá 6,4 remunerações, em caráter excepcional e extraordinário, na forma proporcional aos salários ou, alternativamente, 6 remunerações na forma proporcional aos salários e 0,4 remunerações na forma linear, a que for mais vantajosa considerando a situação individual de cada empregado, a ser efetuada no dia 14/12/2007, e ainda uma parcela individual de R$ 1.000,00. Farão jus os empregados que estiverem com efetivo vínculo empregatício em vigor no dia 01/11/2007. Para os empregados admitidos em 2007, o pagamento será proporcional a 1/12 por mês trabalhado. b) A Cemig distribuirá 3% do ROC (Resultado Operacional da Cemig), composto por uma parcela fixa e outra variável, multiplicada pelo número de avos, na seguinte forma. · Parcela fixa = 50% do montante a ser distribuído, dividido pelo número total de empregados da empresa em 2007. Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/201163 Acórdão n.º 2302003.178 S2C3T2 Fl. 1.585 23 · Parcela variável = 50% do montante a ser distribuído, multiplicado pelo saláriobase de 2007, dividido pela folha de saláriosbase total da empresa em dezembro/2007. Farão jus os empregados que estiverem com efetivo vínculo empregatício ao longo do ano de 2007, que receberão na forma proporcional ao número de meses trabalhados. Ao tratar das metas, o acordo dispõe que as metas para o ano de 2007 são, dentre outras, aquelas definidas pelo Planejamento Estratégico Empresarial, que, caso alcançadas, implicará uma distribuição correspondente a 3% do ROC. Caso não alcançadas, ou sendo suplantadas, o valor será proporcional ao resultado obtido. II PLR 2007 Acordo Coletivo firmado entre a Cemig e o Sintec, assinado em 14 de dezembro de 2007, ou seja, no último mês do período de apuração. a) A Cemig distribuirá 6,4 remunerações, em caráter excepcional e extraordinário, na forma proporcional aos salários ou, alternativamente, 6 remunerações na forma proporcional aos salários e 0,4 remunerações na forma linear, a que for mais vantajosa considerando a situação individual de cada empregado, a ser efetuada no dia 14/12/2007, e ainda uma parcela individual de R$ 1.000,00. Farão jus os empregados que estiverem com efetivo vínculo empregatício em vigor no dia 01/11/2007. Para os empregados admitidos em 2007, o pagamento será proporcional a 1/12 por mês trabalhado. b) A Cemig distribuirá 3% do ROC (Resultado Operacional da Cemig), composto por uma parcela fixa e outra variável, multiplicada pelo número de avos, na seguinte forma. · Parcela fixa = 50% do montante a ser distribuído, dividido pelo número total de empregados da empresa em 2007. · Parcela variável = 50% do montante a ser distribuído, multiplicado pelo saláriobase de 2007, dividido pela folha de saláriosbase total da empresa em dezembro/2007. Farão jus os empregados que estiverem com efetivo vínculo empregatício ao longo do ano de 2007, que receberão na forma proporcional ao número de meses trabalhados. Ao tratar das metas, o acordo dispõe que as metas para o ano de 2007 são, dentre outras, aquelas definidas pelo Planejamento Estratégico Empresarial, que, caso alcançadas, implicará uma distribuição correspondente a 3% do ROC. Caso não alcançadas, ou sendo suplantadas, o valor será proporcional ao resultado obtido. Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 III PLR 2008, para pagamento em 2009 Acordo Coletivo firmado entre a Cemig e o Sindieletro, assinado em 11 de dezembro de 2007. a) A Cemig destinará valor cuja base de cálculo será de 3% do ROC (Resultado Operacional da Cemig), para distribuição na proporção de 50% de forma linear e 50% na forma proporcional aos salários. b) Havendo superação das metas pactuadas, a Cemig distribuirá, de forma proporcional às remunerações, um percentual do ROC adicional. Farão jus ao recebimento, os empregados lotados na base territorial do Sindieletro que não tenham sido contemplados pelos ACT assinados pelas demais entidades sindicais que negociam com a Cemig. IV PLR 2008, para pagamento em 2009 Acordo Coletivo firmado entre a Cemig e o Sintec, assinado em 14 de dezembro de 2007. c) A Cemig destinará valor cuja base de cálculo será de 3% do ROC (Resultado Operacional da Cemig), para distribuição na proporção de 50% de forma linear e 50% na forma proporcional aos salários. d) Havendo superação das metas pactuadas, a Cemig distribuirá, de forma proporcional às remunerações, um percentual do ROC adicional. Farão jus ao recebimento, os empregados pertencentes à categoria profissional de técnico industrial, que não tenham sido contemplados pelos ACT assinados pelas demais entidades sindicais que negociam com a Cemig. Extraímos dos acordos coletivos acima referidos as seguintes condições de contorno relativas ao pagamento da PLR ora em foco. 1) Em relação à PLR 2007, para pagamento a partir de 14/12/2007: · O acordo coletivo foi assinado em meados do último mês do período de apuração e avaliação, o que viola norma legal que determina que o acordo tem que ser prévio. Os trabalhadores percorreram o período de apuração e avaliação sem ter a mínima noção do que precisavam fazer, do quanto precisavam produzir, do como essa produção tinha que ser executada, de quando a produção tinha que estar concluída, de quais resultados excepcionais precisavam ser alcançados, de qual seria o seu ganho patrimonial caso tais resultados fossem atingidos, se teria ou não direito a algum ganho patrimonial, de como seriam avaliados, etc. etc. etc. Onde estariam as regras claras e objetivas ? · O acordo não estipula metas, ou qualquer outro fim extraordinário a ser alcançado pelos empregados, para o auferimento da vantagem patrimonial prometida, remetendo a um documento externo e estranho ao acordo; · O pagamento da parcela referente ao Resultado Operacional da Cemig independe do cumprimento de metas, uma vez que será sempre proporcional ao resultado alcançado, seja ele qual for; Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/201163 Acórdão n.º 2302003.178 S2C3T2 Fl. 1.586 25 · Não se encontra estabelecido no acordo qualquer critério ou mecanismo de acompanhamento do desempenho que possibilite aos empregados avaliar se as metas foram atingidas, ou mesmo que existiram metas. · As regras estampadas no acordo não promovem o incentivo à produtividade ou à dedicação de excelência pelo empregado, uma vez que o montante a distribuir será repartido proporcionalmente ao salário dos trabalhadores, inexistindo qualquer relação com a produtividade ou a eficiência do empregado. Se produziu pouco ou se produziu muito, é irrelevante. Se operou com substantiva eficiência ou se com total desmazelo, é indiferente também. Tais parâmetros não influenciam o quantum que cada trabalhador irá receber a esse título. Para receber, basta ser funcionário da Cemig. Onde estará o incentivo à produtividade exigido pela Lei ? Não há ! 2) Em relação à PLR 2008, para pagamento em 2009: · O acordo não estipula metas, ou qualquer outro fim extraordinário a ser alcançado pelos empregados, para o auferimento da vantagem patrimonial auferida. Basta ser empregado da Cemig para auferir a PLR; · Não se encontra previsto no acordo qualquer critério ou mecanismo de acompanhamento do desempenho que possibilite aos empregados avaliar se as metas foram atingidas, ou mesmo que existiram metas; · O acordo não estipula, de maneira clara e objetiva, os direitos substantivos dos trabalhadores, na medida em que dispõe: “havendo superação das metas pactuadas, a Cemig distribuirá, de forma proporcional às remunerações, um percentual do ROC adicional”. Não há metas pactuadas nem se sabe qual será esse percentual; · As regras estampadas no acordo não promovem o incentivo à produtividade ou à dedicação de excelência pelo empregado, uma vez que o montante a distribuir será repartido proporcionalmente ao salário dos trabalhadores, inexistindo qualquer relação com a produtividade ou a eficiência do empregado. Se produziu pouco ou se produziu muito, é irrelevante. Se operou com substantiva eficiência ou se com total desmazelo, é indiferente também. Tais parâmetros não influenciam o quantum que cada trabalhador irá receber a esse título. Para receber, basta ser funcionário da Cemig. Onde estará o incentivo à produtividade exigido pela Lei ? Não há ! · O pagamento da parcela referente ao Resultado Operacional da Cemig independe do cumprimento de metas, uma vez que será sempre proporcional ao resultado alcançado, seja ele qual for; A única regra existente nos acordos que vincula a quota que cada um irá receber tem relação direta com a fração do ano que cada trabalhador esteve vinculado à empresa. Se trabalhou o ano Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 inteiro, recebe o benefício integral, se trabalhou 03 meses, recebe 25% do valor do benefício, e assim por diante. Não procede a alegação de que é possível à empresa abrir mão de fixar metas de produtividade e, ainda assim, distribuir lucros aos empregados. É possível sim, desde que a empresa especifique e detalhe previamente no acordo de PLR as condições de contorno de um fim extraordinário específico a ser atingido pelos empregados abraçados pelo plano, o qual, para ser alcançado, dependa de um empenho maior do corpo funcional da empresa, de maneira que a verba paga a título de PLR desempenhe o papel de instrumento de incentivo à consecução de tais fins. A inexistência de um fim extraordinário específico detalhado previamente no bojo do plano de participação nos lucros e resultados da empresa descaracteriza a natureza da PLR legal. Assim, a remuneração pelo trabalho ordinário e comum realizado pelo trabalhador é efetuada mediante salário, Instituto de Direito do Trabalho, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Atentese que a condição de habitualidade no pagamento pode ter sua primazia na caracterização de uma rubrica como salário (Instituto de Direito do Trabalho), mas é totalmente irrelevante para a qualificação de remuneração. O conceito de remuneração é muito mais abrangente e compreende não somente o salário, mas, também, todos os demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços. De outro eito, decorre por dedução lógica e, principalmente, pelas disposições expressas na lei, que a definição e formalização em documento próprio das condições de contorno do plano de PLR têm que estar concluídas e tornadas públicas aos empregados previamente ao período de apuração dos objetivos pactuados entre as partes, de maneira que o trabalhador tenha o perfeito e exato conhecimento daquilo que precisa fazer, de como precisa fazer, do quanto e quando precisa fazer, de como serão mensurados e avaliados os objetivos estabelecidos pela empresa e de como o empregado será avaliado pela empresa para fazer jus ao ganho patrimonial especificamente consignado e prometido na negociação coletiva – são as tais REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. Tendo por finalidade a norma em tela a integração entre capital e trabalho e o ganho de produtividade, exige a lei a negociação prévia entre empresa e os empregados, mediante acordo coletivo ou comissão de trabalhadores, da qual resulte clareza e objetividade das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito substantivo). Deve ser enaltecido que o instrumento de acordo celebrado não figura como mera peça decorativa na indigitada lei específica, mas, sim, como documento formal para o registro dos fins extraordinários a serem alcançados pelo corpo funcional da empresa, das regras claras e objetivas referentes aos direitos substantivos dos empregados, ou seja, do incentivo contraprestacional que irão auferir caso atinjam os objetivos do plano, e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido §9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/201163 Acórdão n.º 2302003.178 S2C3T2 Fl. 1.587 27 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Dado à exegese restritiva exigida pelo CTN, somente serão extirpadas da base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas pagas sob o rótulo de participação nos lucros e resultados (PLR) que forem pagas ou creditadas a segurados empregados, e em estreita e inafastável consonância com a lei específica que rege o benefício em pauta. Do contrário, não. Permanecerão qualificadas como Salário de Contribuição. Aflora, no caso presente, que os valores pagos sob o rótulo de PLR 2007 foram estipulados unilateralmente pela empresa, na medida em vieram ao conhecimento dos empregados quando já se havia escoado mais de 17/18 avos do período de mensuração dos objetivos colimados pelo plano e de avaliação dos trabalhadores no cumprimento dos fins extraordinários fixados no acordo. Aqui, os trabalhadores laboraram mais de 94% do ano sem saber o que precisavam fazer, como precisavam fazer, quanto e quando precisavam fazer para obter o direito subjetivo a um ganho patrimonial que também não sabiam de quanto era, ou mesmo sequer se haveria algum. Além disso, ficaram às escuras os trabalhadores a respeito dos critérios e parâmetros de avaliação do seu desempenho supranormal dedicado à consecução dos fins extraordinários almejados pela empresa, que também, passados 17/18 do período de aferição, ainda não haviam sido estipulados, tampouco os elementos de aferição do cumprimento do acordado. Em outras palavras: A empresa conduziu a elaboração do seu plano de PLR 2007 exatamente na contramão do que prescreve a Lei nº 10.101/2000, que exige negociação prévia entre a empresa e seus empregados, que os fins extraordinários a serem alcançados pelos trabalhadores seja especificado com regras claras e objetivas nos instrumentos de acordo celebrado, o qual deve mencionar, igualmente, os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. O espirito da lei pautase na transparência, conhecimento e registro documental prévio dos direitos subjetivos dos trabalhadores na participação nos lucros e resultados da empresa, bem como das condições e dos fins extraordinários que deverão de ser atingidos, com o empenho incentivado pelo plano, para a consecução de tal ganho patrimonial. No caso em foco, tudo transcorreu na penumbra 94 % do tempo. Assim, o trabalhador não possui qualquer mecanismo objetivo apto a lhe informar e assegurar se terá ou não direito à participação nos resultados; qual será o resultado econômico de tal participação; Como se dará a apuração e a mensuração de tal resultado; o que ele trabalhador já realizou e o que ainda necessita produzir para auferir o direito subjetivo aos resultados da empresa; etc. etc. Omissão total. Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 Quanto à PLR 2008, O acordo não estipula metas, ou qualquer outro fim extraordinário a ser alcançado pelos empregados; não se encontra previsto no acordo qualquer critério ou mecanismo de acompanhamento do desempenho que possibilite aos empregados avaliar se as metas foram atingidas, ou mesmo que existiram metas; não há estipulação clara e objetiva dos direitos substantivos dos trabalhadores; as regras estampadas no acordo não promovem o incentivo à produtividade ou à dedicação de excelência pelo empregado, uma vez que o montante a distribuir será repartido proporcionalmente ao salário dos trabalhadores, etc. Que integração Capital vs Trabalho se obtém com tais Acordos ? Que incentivo à produtividade dessai de tal plano ? Deflui da simbiose dos fundamentos jurídicos e principiológicos dimanados dos dispositivos legais ora revisitados que o instrumento de negociação celebrado entre patrões e empregados seja arquivado PREVIAMENTE na entidade sindical da categoria, como garantia dos direitos dos trabalhadores, porquanto os sindicatos ostentam, como uma de suas principais funções, a defesa dos interesses econômicos, profissionais, sociais e políticos dos seus associados. Dessarte, enquanto não se promover o efetivo arquivamento do instrumento de acordo celebrado na entidade sindical dos trabalhadores, irregular, incompleta e em desacordo com a Lei nº 10.101/2000 estará a negociação entre patrões e empregados, circunstância que exclui toda e qualquer verba paga a título de PLR do campo de não incidência tributária delimitado na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Tais acordos, portanto, não se prestam como instrumento de integração entre o capital e o trabalho, muito menos como elemento de incentivo à produtividade, como assim exige o art. 1º da Lei nº 10.101/2000, uma vez que, para receber tal benefício, basta que o trabalhador tenha trabalhado na empresa, ou seja, realize pura e simplesmente aquilo que dele se espera em razão unicamente do contrato de trabalho. Tais verbas ostentam, portanto, natureza plenamente remuneratória, porquanto são devidas única e exclusivamente em razão do esforço ordinário e cotidiano do trabalhador inicialmente previsto no contrato de trabalho, inexistindo qualquer evidência de parcela que tenha sido resultante da motivação e comprometimento de excelência do empregado na busca por melhores resultados empresariais, de maior eficiência na utilização dos fatores de produção, de redução de prazos ou de incremento de qualidade da produção, etc. O conteúdo das cláusulas previstas nos Acordos Coletivos de Trabalho/Participação nos Resultados não contempla os objetivos colimados pela Lei nº 10.101/2000. Assim, a empresa fugiu ao abrigo da legislação que rege o direito social previsto no inciso XI do art. 7º da CF/88, uma vez que efetuou apagamentos sob o rótulo de PLR, sem, todavia, atender aos requisitos da lei específica de regência do beneficio em pauta. O pagamento de tais verbas, nas condições em que se consumaram, não possui as premissas básicas conformadoras da Participação nos Lucros ou Resultados assentadas na Carta de 1988. Ora, o pagamento de verbas, a título de PLR, pagas em ampla desconformidade com as normas tributárias fixadas na Lei nº 10.101/2000 transmuda a natureza jurídica da constitucional Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/201163 Acórdão n.º 2302003.178 S2C3T2 Fl. 1.588 29 Participação nos Lucros ou Resultados para mero prêmio, o qual não se encontra abraçado pela hipótese de não incidência tributária prevista Lex Excelsior. Frustramse então os objetivos da lei, que tem como inspiração maior o fomento à produtividade. Ao não atender aos requisitos impostos pela Lei nº 10.101/2000, fugiu a verba em questão da proteção do manto da não incidência prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, sujeitandose a importância paga sob o rótulo de participação nos lucros às obrigações tributárias fincadas na Lei de Custeio da Seguridade Social, A inobservância à aplicação de lei representaria, por parte deste Colegiado, negativa de vigência aos preceitos inseridos no inciso XI do art. 7º da CF/88 e nas Leis nº 8.212/91 e 10.101/2000, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, nas circunstâncias ora analisado, deve persistir o lançamento ora em debate. Em consequência, tais valores deveriam ter sido declarados como integrantes do Salário de Contribuição nas GFIP correspondentes. 2.2. DA CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA Alega o Recorrente serem indevidas as contribuições para o INCRA, por violarem o §2º do art. 149 da CF/88. Sem razão. Merece ser enaltecido, de plano, que uma contribuição pode ser conceituada como uma espécie de tributo, de natureza autônoma, caracterizada por uma destinação social particularizada em lei, desvinculada de atuação estatal específica, com hipótese de incidência própria, e não restituível. A doutrina elege três modalidades de contribuições: Sociais; coorporativas e interventivas. A investigação a respeito da natureza jurídica da contribuição para o INCRA tem sido por demais tormentosa ao longo dos últimos anos. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento de Ag. Regimental no Agravo de Instrumento de despacho que inadmitiu Rec. Extraordinário contra Acórdão do TRF da 3ª Região , ementado como se segue : TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AO INCRA E AO FUNRURAL – EMPREGADOR URBANO – CONSTITUCIONALIDADE. A exação de que trata o artigo 15, II da Lei Complementar nº 11/71, destinada parte ao FUNRURAL (2,4%) e parte ao INCRA (0,2%), pode ser exigida de empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55, em benefício do então criado Serviço Social Rural. Constitucionalidade. Precedentes Jurisprudenciais desta Corte. Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 Apelação Improvida. pacificou o entendimento no sentido da inexistência de qualquer empecilho constitucional que obste a cobrança das contribuições para o INCRA e para o FUNRURAL, consoante se depreende da ementa da decisão exarada: EMENTA: Contribuição para o FUNRURAL: empresas urbanas: acórdão recorrido que se harmoniza com o entendimento do STF, no sentido de não haver óbice a que seja cobrada, de empresa urbana, a referida contribuição, destinada a cobrir os riscos a que se sujeita toda a coletividade de trabalhadores: precedentes. (STF, AIAgRg nº 334.360/SP; Rel. Min. Sepúlveda Pertence; 1ª Turma; DJ 25.02.2005) O Superior Tribunal de Justiça, por seu turno, após um longo período em que oscilou sua jurisprudência, sedimentou o entendimento de que a contribuição destinada ao INCRA ostenta natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, no adorno moldado pelo art. 149 da CF/88, não sendo tal contribuição sujeita às normas inscritas nas Leis nº 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91. VIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEIS Nº 7.787/89 e 8.212/91. DESTINAÇÃO DIVERSA. EMPRESAS URBANAS. ENQUADRAMENTO. I A Primeira Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe qualquer óbice para a cobrança da contribuição destinada ao INCRA também das empresas urbanas. Precedentes: EDcl no AgRg no REsp nº 716.387/CE, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 31/08/06 e EDcl no REsp nº 780.280/MA, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 25/05/06. II Este Superior Tribunal de Justiça, após diversos pronunciamentos, com base em ampla discussão, reviu a jurisprudência sobre o assunto, chegando à conclusão que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta, nem com a Lei nº 7.787/89, nem pela Lei nº 8.212/91, ainda estando em vigor. III Tal entendimento foi exarado com o julgamento proferido pela Colenda Primeira Seção, nos EREsp nº 770.451/SC, Rel. p/ac. Min. CASTRO MEIRA, Sessão de 27/09/2006. Naquele julgado, restou definido que a contribuição ao INCRA é uma contribuição especial de intervenção no domínio econômico, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares. Assim, a supressão da exação para o FUNRURAL pela Lei nº 7.787/89 e a unificação do sistema de previdência através da Lei nº 8.212/91 não provocaram qualquer alteração na parcela destinada ao INCRA. IV Agravo regimental improvido. (STJ; AgRg no AgRg no REsp 894345 / SP; Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO; T1 PRIMEIRA TURMA; DJ 24/05/2007, p. 331) TRIBUTÁRIO. INCRA. CONTRIBUIÇÃO. NATUREZA. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 66, § 1º DA LEI Nº 8.383/91. INAPLICABILIDADE. 1. O INCRA foi criado pelo DL 1.110/70 com a missão de promover e executar a reforma agrária, a colonização e o desenvolvimento rural no País, tendolhe sido destinada, para a consecução de seus objetivos, a Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/201163 Acórdão n.º 2302003.178 S2C3T2 Fl. 1.589 31 receita advinda da contribuição incidente sobre a folha de salários no percentual de 0,2% fixada no art. 15, II, da LC n.º 11/71. 2. Essa autarquia nunca teve a seu cargo a atribuição de serviço previdenciário, razão porque a contribuição a ele destinada não foi extinta pelas Leis 7.787/89 e 8.212/91 ambas de natureza previdenciária , permanecendo íntegra até os dias atuais como contribuição de intervenção no domínio econômico. 3. Como a contribuição não se destina a financiar a Seguridade Social, os valores recolhidos indevidamente a esse título não podem ser compensados com outras contribuições arrecadadas pelo INSS que se destinam ao custeio da Seguridade Social. 4. Nos termos do art. 66, §1º, da Lei nº 8.383/91, somente se admite a compensação com prestações vincendas da mesma espécie, ou seja, destinadas ao mesmo orçamento. 5. Embargos de divergência improvidos. STJ; EREsp 770.451/SC; R.P/ACÓRDÃO Min. CASTRO MEIRA; DJ: 11/06/2007) Em aditamento ao voto proferido no EREsp 770.451/SC; a Min. Eliana Calmon sublinhou os traços fundamentais da espécie tributária em exame, rememorando magnífico trabalho doutrinário contido na tese apresentada pelo Dr. Luciano Dias Bicalho Camargo, em curso de doutorado da Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais, o qual pedimos venia para transcrevêlo. “As contribuições interventivas têm como principal traço característico a finalidade eleita e explicitada na consequência da norma de incidência tributária. (...) Assim, para a perfeita compreensão da norma de incidência tributária das contribuições de intervenção sobre o domínio econômico, especificamente aquelas que se prestam à arrecadação de recursos para o custeio dos atos interventivos, há de se prever uma circunstância intermediária a vincular a hipótese de incidência e a consequência tributária, sem a qual não há de se falar da existência de norma de incidência válida. Assim, nas contribuições de intervenção sobre o domínio econômico deverá coexistir, para a sua perfeita incidência, os dois núcleos da hipótese de incidência: o "fato do contribuinte", relacionado ao domínio econômico, e os atos interventivos implementados pela União. (...) Assim, no caso específico das contribuições para o INCRA, elas somente se mostram válidas na medida em que o INCRA, efetivamente, promove desapropriações para fins de reforma agrária (circunstância intermediária), visando alterar a estrutura fundiária anacrônica brasileira, conforme minudentemente visto no capítulo 3, aplicandose, assim, os recursos arrecadados na consecução dos objetivos constitucionalmente previstos: função social da propriedade e diminuição das desigualdades regionais. Salientese, por relevante, que as contribuições devidas ao INCRA, muito embora não beneficiem diretamente o sujeito ativo da exação (empresas urbanas e algumas agroindustriais), beneficiam toda a sociedade, por ter a sua arrecadação destinada a custear programas de colonização e reforma agrária, fomentam a atividade no campo, que é de interesse de toda a sociedade (e não só do meio rural), tendo em vista a redução das desigualdades e a fixação do homem na terra. Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 Não há que se falar da existência de uma referibilidade direta, que procura condicionar o pagamento das contribuições às pessoas que estejam vinculadas diretamente a determinadas atividades e que venham a ser beneficiárias da arrecadação. Ora, o princípio da referibilidade direta, como defendido por vários autores, simplesmente não existe no ordenamento jurídico pátrio, especialmente no que se refere às contribuições de intervenção no domínio econômico. Tratase de mera criação teórica e doutrinária, sem respaldo no texto da Constituição Federal. (...) Com efeito, a exação em tela é destinada a fomentar atividade agropecuária, promovendo a fixação do homem no campo e reduzindo as desigualdades na distribuição fundiária. Consequentemente, reduzse o êxodo rural e grande parte dos problemas urbanos dele decorrentes. Não pode ser negado que a política nacional de reforma agrária é instrumento de intervenção no domínio econômico, uma vez que objetiva a erradicação da miséria, segundo o preceituado no §1º do art. 1º da Lei nº 4.504/64 Estatuto da Terra. Dessa forma, a referibilidade das contribuições devidas ao INCRA é indireta, beneficiando, de forma mediata, o sujeito passivo submetido a essa responsabilidade”. Cumpre neste comenos destacar que escapa à competência deste Colegiado a sindicância relativa à adequação da norma legal aos princípios norteadores do ordenamento jurídicos que permeiam a Constituição Federal, eis que tal tarefa foi outorgada, por Ulisses et alli, ao Poder Judiciário, exclusivamente. A esta 2ª Seção foi deferida, tão somente, a competência para perscrutar a conformidade do lançamento formalizado pela autoridade fiscal à legislação tributária vigente e eficaz, em honra ao Princípio Constitucional da estrita legalidade. Assentado que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituemse prerrogativas outorgadas pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podem os agentes da Administração Pública imiscuíremse sponte propria nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Devese atentar para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/201163 Acórdão n.º 2302003.178 S2C3T2 Fl. 1.590 33 declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilhando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não se deve olvidar que é vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e propalar declarações de inconstitucionalidade, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 2.3. DA CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE Alega o Recorrente serem indevidas as contribuições para o SEBRAE, por violarem o §2º do art. 149 da CF/88. Sem razão, também. Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 34 A Contribuição para o SEBRAE foi instituída pelo §3º do art. 8º da Lei nº 8.029/90 com o objetivo exclusivo de atender a execução da política governamental de apoio às micro e às pequenas empresas, sendo exigida como tributo complementar às Contribuições para o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC, para o Serviço Social da Indústria SESI e para o Serviço Social do Comércio SESC, nos seguintes termos: Lei nº 8.029/90 de 12 de abril de 1990 Art. 8° É o Poder Executivo autorizado a desvincular, da Administração Pública Federal, o Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa CEBRAE, mediante sua transformação em serviço social autônomo. (...) §3º. Para atender à execução da política de Apoio às Micro e às Pequenas Empresas, é instituído adicional às alíquotas das contribuições sociais relativas às entidades de que trata o artigo 1º do DecretoLei nº 2.318, de 30 de dezembro de 1986, de: (redação dada pela Lei nº 8.154/90) a) 0,1% (um décimo por cento) no exercício de 1991; b) 0,2% (dois décimos por cento) em 1992; e c) 0,3% (três décimos por cento) a partir de 1993. §4º. O adicional da contribuição a que se refere o parágrafo anterior será arrecadado e repassado mensalmente pelo órgão competente da Previdência e Assistência Social ao CEBRAE. DECRETOLEI Nº 2.318 DE 30 DE DEZEMBRO DE 1986 Art. 1º Fica mantida a cobrança, fiscalização, arrecadação e repasse às entidades beneficiárias das contribuições para o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI, para o Serviço Nacional de aprendizagem Comercial SENAC, para o Serviço Social da Indústria SESI, e para o Serviço Social do Comércio SESC, ficam revogados: I o tetolimite a que se referem os artigos 1º e 2º do decretoLei nº 1.861, de 25 de fevereiro de 1981, com a redação dada pelo artigo 1º do Decreto Lei nº 1.867, de 25 de março de 1981; II o artigo 3º do DecretoLei nº 1.861, de 25 de fevereiro de 1981, com a redação dada pelo artigo 1º do DecretoLei nº 1.867, de 25 de março de 1981. Assim, a partir de janeiro de 1991, foi criada a contribuição destinada ao SEBRAE, a cargo das empresas que já contribuíam para o SESC, SENAC, SESI e SENAI (Lei nº 8029/90 e Lei nº 8154/90 e OS/INSS/DAF05/9l) mediante às alíquotas de 0,1% (1991), 0,2% (1992) e 0.3% (a partir de 1993) para cada uma das entidades acima citadas. No caso do Fundo de Previdência e Assistência Social – FPAS 5070, ao qual se vincula a empresa recorrente, esta passou a contribuir para o SEBRAE, em 1991 com adicional de 0,2% (0,1 % referente ao SESI e 0,1% referente ao SENAI); em 1992 com o adicional de 0,4% (0,2 % referente ao SESI e 0,2% referente ao SENAI) e a partir de 1993, com o adicional de 0,6% (0,3 % referente ao SESI e 0,3% referente ao SENAI). Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/201163 Acórdão n.º 2302003.178 S2C3T2 Fl. 1.591 35 Tal controvérsia já foi bater às portas da Suprema Corte de Justiça, que irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação da matéria ora tratada, conforme dessai do seguinte julgado assim ementado: REsp 892084/RJ Relator(a) Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 07/05/2009 Data da Publicação/Fonte DJe 18/05/2009 Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL AO SESC/SENAC E SESI/SENAI. CABIMENTO. 1. A falta de prequestionamento da matéria suscitada no recurso especial, a despeito da oposição de embargos de declaração, impede o conhecimento do recurso especial (Súmula 211 do STJ). 2. A controvérsia acerca da exigibilidade da contribuição para o SEBRAE, imposta pela Lei 8.029/90, foi decidida por fundamentos de natureza eminentemente constitucional, insuscetíveis de exame em recurso especial. 3. É devido o pagamento efetuado com base no adicional de 0,3% sobre cada uma das contribuições sociais devidas ao SESC/SENAC e ao SESI/SENAI. Precedentes: AgRg no REsp 500.634/SC, 2ª Turma, Min. Herman Benjamin, DJe de 31.10.2008; REsp 491.105/SC, 1ª Turma, Min. Francisco Falcão, DJ de 13.12.2004. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. É de sabença universal que o título nominativo de um instituto de Direito não tem o condão de lhe modificar a natureza jurídica. Nessa perspectiva, nada obstante a lei supramencionada têla rotulado como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais repassadas ao SESI, SENAI, SESC e SENAC, o Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento de que a contribuição para o SEBRAE consubstanciase numa contribuição de intervenção no domínio econômico, na concepção plasmada no art. 149, caput, da Constituição Federal, conforme consignado definitivamente no julgamento do Recurso Extraordinário RE 396.266/SC, cuja ementa pedimos a devida vênia para transcrevêla: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEI 8.029, DE 12.4.1990, ART. 8o, §3o. LEI 8.154, DE 28.12.1990. LEI 10.668, DE 14.5.2003. CF, ART. 146, III; ART. 149; ART. 154, I; ART. 195, §4º. I – As contribuições do art. 149, CF – contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas – posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isto não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, §4º, CF, decorrente de ‘outras fontes’, é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, §4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 36 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. (grifos nossos) II – A contribuição do SEBRAE – Lei 8.029/90, art. 8º, §3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 – é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do D.L. 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE, no rol do art. 240, CF. III – Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do §3º, do art. 8º, da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. IV – RE conhecido, mas improvido. (STF, RE 396266/SC, Tribunal Pleno, Rel. Min. Carlos Velloso, j. em 26 112003, DJU de 27/2/2004, p. 22) Por esse motivo, a contribuição ao SEBRAE não se inclui no rol do art. 240 da Constituição Federal, uma vez que se mostra totalmente autônoma e desvinculada das contribuições ao SESI/SENAI e ao SESC/SENAC, e não destas um mero adicional, conclusão que não discrepa do entendimento firmado no Excelso Pretório, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, §3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, §4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, §3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do §3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/201163 Acórdão n.º 2302003.178 S2C3T2 Fl. 1.592 37 V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Acrescentese, ainda, que o SEBRAE não presta serviços somente às micro e pequenas empresas, mas a todas as atividades empresariais conexas, atendendo ao bem comum de toda a sociedade. Assim, considerandose o princípio da solidariedade social que permeia o art. 195, caput, da CF/88, por se tratar de contribuição de intervenção no domínio econômico, a contribuição ao SEBRAE deve ser recolhida por todas as empresas, e não apenas pelas micro e pequenas empresas, não existindo, necessariamente, correspondência entre contribuição e prestação, nem tampouco entre o contribuinte e os benefícios decorrentes da exação. As vozes dimanadas do STF também produzem eco no Plenário da Corte Superior de Justiça, cuja consolidada jurisprudência não se mostra dissonante, consoante ressai do julgado referente ao Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n° 840.946/RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007, assim ementado: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Devese atentar para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilhando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 2.4. DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 38 O Recorrente argumenta que deve ser revista a penalidade aplicada, de modo a excluir a multa de 75% prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da edição da MP nº 449/2008. Convidamos o Recorrente a reler o Discriminativo de Débito a fls. 05/06. A multa pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício nas competências anteriores à edição da MP nº 449/2008 não foi de 75%, mas de 24%, conforme art. 35, II, da Lei nº 8.212/91. Para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio iuris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. Iluminese, inicialmente, que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/201163 Acórdão n.º 2302003.178 S2C3T2 Fl. 1.593 39 Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A questão ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Com efeito, o regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 40 III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado no Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.339.5647, referente a fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro/2007 a dezembro/2008. Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal acima indicado, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/201163 Acórdão n.º 2302003.178 S2C3T2 Fl. 1.594 41 Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que até o organismo cognitivo mais rudimentar em existência – o computador – consegue, sem margem de erro, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, determinar qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 42 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/201163 Acórdão n.º 2302003.178 S2C3T2 Fl. 1.595 43 geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora se encontram dispostos em separado, diga se, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 44 lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/201163 Acórdão n.º 2302003.178 S2C3T2 Fl. 1.596 45 encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Contudo, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Não é cabível, portanto, efetuarse o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), pois estarseia, assim, promovendo a comparação de nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’ do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 46 com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio, em que tal percentual é duplicado. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, tal crédito é inscrito em Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c" do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/201163 Acórdão n.º 2302003.178 S2C3T2 Fl. 1.597 47 Da conjugação das normas tributárias acima revisitadas concluise que, nos casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue: a) Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, observado o limite máximo de 75%, desde que não estejam presentes situações de sonegação, fraude ou conluio, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. b) Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. No caso dos autos, considerando não haver sido demonstrada a presença dos elementos objetivos e subjetivos de conduta que, em tese, qualificase como fraude e sonegação, tipificadas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, resulta que a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser aplicada de acordo com o art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, para as competências até novembro/2008, inclusive, e em conformidade com o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44, I da Lei no 9.430/96, para as competências a partir de dezembro/2008, inclusive, em atenção ao princípio tempus regit actum. 3. DO RECURSO DE OFICIO Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, dele conheço. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0242.215 8ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 1503/1512, julgando procedente em parte o lançamento tributário, para dele fazer excluir as obrigações tributárias lançadas em duplicidade nas competências 11/2007, 12/2007 e 12/2008, na forma consignada na Tabela de Retificação, item 5.4 do Relatório Fiscal Complementar, a fl. 1497, e retificando o crédito tributário na forma descrita no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 1513/1514, recorrendo de ofício de sua decisão. A decisão, todavia, merece reforma. A exclusão das obrigações tributárias nas competências 11/2007, 12/2007 e 12/2008, tem por fundamento a constatação, pela Fiscalização, em sede de Diligência Fiscal, de que os fatos geradores correspondentes houveramse por lançados em duplicidade. Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 48 De fato, após o exame da impugnação administrativa em face do lançamento, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG baixou o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito de eventuais erros na apuração da base de cálculo, nos termos arguidos pelo Sujeito Passivo em sede de defesa administrativa, conforme Despacho de Diligência a fls. 1460/1461. Em atendimento à diligência requestada por meio do Despacho de Diligência acima citado, a Autoridade Lançadora emitiu Relatório Fiscal Complementar a fls. 1495/1498, no qual restou consignado que o valor efetivamente recebido pelos trabalhadores nas competências 11/2007, 12/2007 e 12/2008, a título de PLR, foi a diferença entre o valor constante nas rubricas da folha de proventos “1033 – PLR”, “1040 – Adiantamento PLR” e “1043 – Diferença PLR”, menos a rubrica da folha de descontos “4016 desconto Adiantamento PLR” e “4019 – Desc. Diferença Adiantamento PLR”. Concluiu a Fiscalização que a base de cálculo original apurada ficou a maior, tendo em vista que não foram deduzidas as parcelas relativas ao desconto dos adiantamentos concedidos, cujos valores correspondentes ao respectivo lançamento foram lançados na presente autuação sob os códigos “P1 e P5 – Participação nos Lucros e Resultados – Empregados”, o que, em consequência, implicou a constituição do crédito tributário a maior nas referidas competências. A Fiscalização, examinando as folhas de pagamento, apurou os valores totais mensais relativos aos descontos de parcela paga a título de participação nos lucros e resultados, pugnando pela exclusão de tais valores no lançamento em apreço, conforme ilustrado nas tabelas expostas nos itens 5.3 e 5.4 do Relatório Fiscal Complementar, a fl. 1497, no que foi seguido pelo Órgão Julgador de 1ª Instância. Nessa perspectiva, considerando os esclarecimentos prestados pela Autuada a fls. 1464/1465 e pela Fiscalização em seu Relatório Fiscal Complementar, concluímos pelo acerto da DRJ/BHE na exclusão dos valores ora em destaque da base de cálculo das contribuições previdenciárias objeto do presente lançamento, motivo pelo qual pugnamos pela negativa de provimento ao Recurso de Ofício. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO dos Recursos Voluntário e de Ofício para, no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/201163 Acórdão n.º 2302003.178 S2C3T2 Fl. 1.598 49 Fl. 1622DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13896.002389/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO.
No caso de passivo fictício, o ônus da prova é invertido, passando a ser da Recorrente. No caso concreto, o contribuinte não logrou êxito em confirmar se os valores em aberto na contabilidade, considerados como passivo fictício pela autoridade lançadora, são originários dos adiantamentos recebidos e assim supostamente tributados.
Numero da decisão: 1401-001.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM DAR provimento PARCIAL ao recurso apenas em relação às contas do passivo 2.1.1.01.001 (Contas a Pagar Diversas) e 2.1.1.02.005 (One Travel Cp. Brasil).
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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PASSIVO FICTÍCIO. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. No caso de passivo fictício, o ônus da prova é invertido, passando a ser da Recorrente. No caso concreto, o contribuinte não logrou êxito em confirmar se os valores em aberto na contabilidade, considerados como passivo fictício pela autoridade lançadora, são originários dos adiantamentos recebidos e assim supostamente tributados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM DAR provimento PARCIAL ao recurso apenas em relação às contas do passivo 2.1.1.01.001 (Contas a Pagar Diversas) e 2.1.1.02.005 (One Travel Cp. Brasil). (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 23 89 /2 00 7- 17 Fl. 758DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/200717 Acórdão n.º 1401001.212 S1C4T1 Fl. 545 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva Fl. 759DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/200717 Acórdão n.º 1401001.212 S1C4T1 Fl. 546 3 Relatório SPORT PROMOTION SOCIEDADE SIMPLES LTDA. recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto n° 70.235 de 1972 (PAF). Consoante relatório da decisão recorrida, tratase de Autos de Infração de fls. 86/105, relativos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, lavrados em 06/12/2007, na modalidade do Lucro Presumido, e cientificados à interessa em 10/12/2007, constituindo o crédito tributário total de R$ 987.656,54, já incluídos multa de ofício e juros de mora, estes calculados até 30/11/2007. A infração apurada está discriminada no Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, do auto de infração de IRPJ, às fls. 91, no seguinte teor: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE A PARTIR DO AC 93 Omissão de receitas da atividade, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo que faz parte integrante do presente Auto de Infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2002 R$ 3.132.881,17 75,00 Enquadramento Legal: Art. 528 do RIR/99. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 86/87, parte integrante do auto de infração, a autoridade fiscal deixou consignado o que segue: O contrato firmado pela empresa em epígrafe com a TV Globo Ltda., válido para o ano de 2.002, estabelece, em seu 5° item: "Constituirá a remuneração da SPORT PROMOTION por todos os serviços previstos neste contrato (i) as comissões que vier a obter das empresas de transporte, inclusive companhias aéreas, pela compra de passagens e (ii) o saldo remanescente do valor do adiantamento previsto na Cláusula 3.1, depois de encerrada cada temporada da Copa do Brasil e efetuadas todas as despesas a ela relativas." Considerando que a Copa do Brasil de 2.002 foi encerrada em meados de maio do mesmo ano, houve tempo suficiente para que fossem saldados no próprio anobase de 2.002 todas as obrigações a ela referentes, reconhecendose o saldo restante como receita do contribuinte. No máximo, entenderseia a quitação das obrigações ao longo do exercício seguinte, do ano de 2.003. Por outro lado, os saldos das contas do Passivo Circulante não puderam ser adequadamente justificados pelo contribuinte. Em um dos casos, o da conta do Livro Razão de código 2.1.1.01.003 CP J. Havelange SBTR, o saldo final do ano de 2.002, no valor de R$ 1.481.661,17, continua em aberto até a presente data e sem previsão para pagamento. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/200717 Acórdão n.º 1401001.212 S1C4T1 Fl. 547 4 Em relação à conta do Livro Razão de código 2.1.1.01.001 Contas a Pagar Diversas, o contribuinte logrou comprovar o pagamento, no início de 2.003, do valor de R$ 7.014,90. O saldo final apresenta o valor de R$ 245.507,62. Com respeito à conta do Livro Razão de código 2.1.1.02.005 One Travei Cp. Brasil, o contribuinte não conseguiu demonstrar cabalmente que pagamentos efetuados em exercícios posteriores foram efetivamente referentes a parcelas do saldo final de 2.002, no valor de R$ 1.412.727,28. Em apoio a nossa presunção de considerar como Omissão de Receitas os saldos finais de 2.002 das mencionadas contas do Passivo, de acordo com o Art. 281, inciso III do RIR/99 (decreto n° 3.000, de 29/03/1999), citamos Acórdão 10513.263, de 16/08/2000, da 5a Câmara do 1° Conselho de Contribuintes: "A ausência de comprovação integral dos saldos das contas representativas de obrigações existentes na data de encerramento de períodobase da pessoa jurídica, autoriza a presunção de omissão de receitas, no montante não comprovado. Tratandose de previsão legal, somente pode ser infirmada pelo sujeito passivo, mediante a prova da improcedência da presunção." Assim sendo, lavramos Auto de Infração IRPJ, graças à omissão de receitas acima caracterizada, com seus reflexos de CSLL, COFINS e PIS. Consta, ainda, dos autos, o Termo de Constatação Fiscal de fls. 11, de seguinte teor: No exercício das funções de Auditorfiscal da Receita Federal, em continuidade à ação fiscal iniciada em 08 de março de 2006 pelo AFRF MILTON DE SOUZA PINTO, de acordo com o disposto nos art. 904, 905, 910, 911 e 927 do Decreto n° 3.000 de 26 de março de 1999 (RIR/99), e com base em extratos bancários apresentados e de responsabilidade do contribuinte acima qualificado, CONSTATAMOS diferenças entre o montante de depósitos e/ou créditos e a receita bruta oferecida a tributação (DIPJ ex. 2003), identificados no Banco UnibancoAg. 095 Conta n° 1007467, acrescidos de investimentos no Banco Bradesco Ag. 28657C/C 302, no período de 2002, conforme detalhamento no "demonstrativo de Créditos em C/C e/ou Aplicações Financeiras", que integra o presente Termo. Neste ato, INTIMAMOS o contribuinte a prestar esclarecimentos por escrito e comprovar mediante documentos hábeis e idôneos no PRAZO DE 20 (VINTE) DIAS, a origem dos recursos utilizados nas operações de créditos relacionadas. As comprovações deverão ser efetuadas individualmente, ou seja, cada crédito/depósito e/ou investimento deverá ter sua origem justificada e comprovada de forma única. A não comprovação no prazo estabelecido poderá resultar em lançamento de ofício, a título de "omissão de receitas", nos termos do artigo 849 do Decreto n° 3000/99 (RIR/99), sem prejuízo de outras sanções legais cabíveis. Inconformada, a contribuinte, por intermédio de seu Sócio Administrador o Sr. José Francisco Coelho Leal apresenta, em 09/01/2008, impugnação de fls. 108/125, acompanhada dos documentos de fls. 126/344, com os fundamentos de fato e de direito a seguir expostos. De início, resume os fatos, acrescentando, já de saída, não haver base legal, ou mesmo comercial, para a afirmação da fiscalização de que as obrigações deveriam estar quitadas, no máximo, no anocalendário de 2003. A seguir, argumenta que a autoridade fiscal não detalhou quais os livros e documentos examinados. Considera, também, muito genérica a própria solicitação de documentos. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/200717 Acórdão n.º 1401001.212 S1C4T1 Fl. 548 5 Ressalta, preliminarmente, que não há notícia nos autos de que tenha ocorrido qualquer embaraço à fiscalização, no tocante à apresentação de livros e documentos, bem como que a autoridade fiscal teria descaracterizado, ainda que parcialmente, a contabilidade da interessada. Nesse contexto, diz que, contrariamente ao que afirmou a fiscalização, os lançamentos contábeis constantes dos livros razões, derivados dos livros diários, apontam seqüencialmente, todas as movimentações ocorridas nas contas contábeis até o encerramento. Passa a contrapor os tópicos enumerados pela fiscalização. Sendo assim, no primeiro deles, quanto ao encerramento da Copa do Brasil em meados de maio de 2002, assevera que: "o fato de a competição esportiva haver encerrado as suas partidas no exercício não significa que as despesas a ela inerentes obrigatoriamente se encerram no mesmo período. Não é incomum a ocorrência de remanejamento de rotas, vôos e datas em relação aquelas inicialmente previstas no calendário esportivo ................... , assim provocam alterações de todo o cronograma inclusive no que diz respeito a questões de natureza financeira, daí havendo necessidade de renegociação de valores junto às diversas companhias aéreas prestadoras de serviços ... Aduz que a fiscalização nem sequer considerou as inúmeras correspondências mantidas com as contratadas a fim de que se levassem a termo os encontros de contas correntes. A corroborar sua afirmação diz estar juntando algumas cópias das citadas correspondências. No tópico seguinte, acerca da conta do livro razão de código 2.1.1.01.003 CP J Havelange, elabora a planilha a seguir reproduzida, dizendo, ainda, estar juntando cópia de documentos que consolidam os lançamentos ali constantes, afirmando, mais uma vez, que o fiscal autuante limitouse ao livro razão de 2002. Data Histórico Débito Crédito Saldo Razão/fls. 01/01/2004 Saldo de abertura RS 600.012.73 ../.. Data Histórico Débito Crédito Saldo Razão/fls. 01/01/2002 Saldo de abertura R$ 1.998.535,17 2002/n.l3fls. 49 01/08/20 02 CH 111746 SBTR R$ (119.624,00) R$ R$ 1.878.911,1 7 2002/n.l3fls. 49 21/08/20 02 CH 111581 SBTR PARTE FATURA 82/00 R$ (250.000,00) R$ R$ 1.628.911,1 7 2002/n.l3fls. 49 11/09/20 02 CH 000973 SBTR PAGTO PARTE FTS JOÃO HAVELANGE R$ (100.000,00) R$ R$ 1.528.911,1 7 2002/n.l3fls. 49 17/09/20 02 CH 111622 SBTR FT R$ (47.250,00) R$ R$ 1.481.661,1 7 2002/n.l3fls. 49 31/12/2002 Saldo final R$ 1.481.661,17 2002/n.l3fls. 49 Data Histórico Débito Crédito Saldo Razão/fls. 01/01/2003 Saldo de abertura R$ 1.481.661,17 2003/n.l4/fls. 41 23/01/20 PARTE PAGTO FATURAS JOÃO R$ (50.000,00) R$ R$ 2003/n.l4/fls. SPORT PROMOTION conta contÁbil n° 2.1.1.01.003 Fl. 762DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/200717 Acórdão n.º 1401001.212 S1C4T1 Fl. 549 6 31/12/2004 Saldo final RS 600.012.73 ../.. Data Histórico 1 Débito Crédito Saldo Razão/fls. 01/01/2005 Saldo de abertura RS 600.012.73 31/12/2005 I Saldo final j RS 600.012.73 j ../.. Data Histórico Débito Crédito Saldo Razão/fls. 01/01/2006 Saldo de abertura RS 600.012.73 2006/n.l7/fls. 77 11/05/20 06 CH 114325 PARTE PAGAMENTO FATURAS JOÃO HAVELANGE RS (73.290,00) RS RS 526.722,73 2006/n.l7/fls. 77 14/Q6/20 06 CH 114399 PARTE PAGAMENTO FATURAS JOÃO HAVELANGE RS (102.217,95) RS RS 424.504,78 2006/n.l7/fls. 77 21/08/20 06 PARTE PAGAMENTO FATURAS JOÃO HAVELANGE RS (18.650,36) RS RS 405.854,42 2006/n.l7/fls. 77 11/09/20 06 CH 114547 PARTE PAGAMENTO FATURAS JOÃO HAVELANGE RS (19.987,66) RS RS 385.866,76 2006/n.l7/fls. 77 30/10/20 06 PARTE PAGAMENTO FATURAS JOÃO HAVELANGE RS (16.776,54) RS RS 369.090,22 2006/n.l7/fls. 77 Q1/11/20 06 PARTE PAGAMENTO FATURAS JOÃO HAVELANGE RS (9.160,00) RS RS 359.930,22 2006/n.l7/fls. 77 Q6/11/20 06 PARTE PAGAMENTO FATURAS JOÃO HAVELANGE RS (9.486,00) RS RS 350.444,22 2006/n.l7/fls. 77 Q6/11/20 06 Ch 114604 PARTE PAGAMENTO FATURAS JOÃO HAVELANGE RS (7.834,54) RS RS 342.609,68 2006/n.l7/fls. 77 Q1/12/20 06 PARTE PAGAMENTO FATURAS JOÃO HAVELANGE RS (9.486,00) RS RS 333.123,68 2006/n.l7/fls. 78 Q1/12/20 06 PARTE PAGAMENTO FATURAS JOÃO HAVELANGE RS (9.160,00) RS RS 323.963,68 2006/n.l7/fls. 78 11/12/20 06 CH 114774 PARTE PAGAMENTO FATURAS JOÃO HAVELANGE RS (5.559,32) RS RS 318.404,36 2006/n.l7/fls. 78 20/12/20 06 CH 114679 PARTE PAGAMENTO FATURAS JOÃO HAVELANGE RS (8.400,00) RS RS 310.004,36 2006/n.l7/fls. 78 20/12/20 06 CH 114682 PARTE PAGAMENTO FATURAS JOÃO HAVELANGE RS (73.000,00) RS RS 237.004,36 2006/n.l7/fls. 78 20/12/20 06 CH 114683 PARTE PAGAMENTO FATURAS JOÃO HAVELANGE RS (5.840,00) RS RS 231.164,36 2006/n.l7/fls. 78 20/12/20 06 PARTE PAGAMENTO FATURAS JOÃO HAVELANGE RS (144.964,36) RS RS 86.200,00 2006/n.l7/fls. 78 20/12/20 06 PARTE PAGAMENTO FATURAS JOÃO HAVELANGE RS (86.200,00) RS RS 0,00 2006/n.l7/fls. 78 31/12/2006 Saldo final RS 0.00 2006/n.l7/fls. 78 Fl. 763DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/200717 Acórdão n.º 1401001.212 S1C4T1 Fl. 550 7 Prosseguindo, quanto à Conta do livro razão de código 2.1.1.01.001 Contas a Pagar Diversas, prepara o quadro seguinte, demonstrativo da evolução da conta, ressaltando que junta documentos que consolidam os lançamentos: (....) TABELAS(....) Quanto ao direito, reproduz o artigo 281, inciso III, do RIR/99 para argumentar que o agente fiscalizador, ansioso, não estendeu a verificação na documentação contábil aos exercícios seguintes. Mais a frente, argumenta não ser prudente a um Auditor Fiscal valerse de simples presunções, a confirmar a ocorrência da omissão de receita. Nesse contexto, reafirma que não ocorreu a citada omissão de receita fundada em obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não pudesse ser comprovada. E acrescenta: O que efetivamente se deu, foram problemas de ordem comercial que levaram a impugnante a quitar seus compromissos em exercícios futuros, não havendo nenhum indício de omissão ou ocultação de receita, que pudesse ensejar o presente Auto de Infração. Ao final, pugna pela improcedência do auto de infração. A decisão recorrida está assim ementada: IRPJ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS SALDOS DAS CONTAS REPRESENTATIVAS DE OBRIGAÇÕES. OMISSÃO DE RECEITA. A nãocomprovação integral dos saldos das contas representativas de obrigações existentes na data de encerramento de períodobase da pessoa jurídica, mediante provas documentais da alegação de que os pagamentos teriam ocorrido em momentos futuros em relação a data de apuração dos saldos questionados, autoriza a presunção de omissão de receitas, no montante não comprovado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS.COFINS. A decisão proferida no lançamento principal de IRPJ é aplicável aos lançamentos reflexos, dada a estreita relação de causa e efeito que os vincula Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento nos seguintes termos (verbis): Desta forma e por lodo o exposto a RECORRENTE requer pela TOTAL IMPROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO, assim como de seus cansectánios legais, posto que inexistem elementos que consubstanciem a "presunção de omissão de receita", como ficou amplamente provado por se tratar de medida revestida da mais ampla JUSTIÇA. Protesta também pela a juntada da copia das páginas relacionadas nosquadros demonstrativos referentes aos livros razão do período compreendido pelos exercícios de 2002 a 2006, caso necessário, uma vez que pela leitura do Acórdão o mesmo dá entender que apenas teria sido aventada a juntada de documentos, o que não condiz com a realidade uma fez que de fato foram juntados e a Requerente mantém copia dos mesmos na integralidade da Impugnação que restou improvido, bem como, ainda de demais documentos que comprovam as suas assertivas que eventualmente se façam necessárias. O processo foi baixado em diligência por esta Turma. A referida diligência resultou no relatório de fls. 729/736. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/200717 Acórdão n.º 1401001.212 S1C4T1 Fl. 551 8 Intimada do resultado de diligência a Recorrente ratifica o resultado de diligência de fls. 743/753., sem fazer qualquer referência às considerações contrárias opostas pelo Fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a exigência decorre de apuração de omissão de receita por falta de comprovação dos seguintes saldos das contas de Passivo Circulante registrados no Livro Razão ao final do anocalendário de 2002: 2.1.1.01.003 CP J. Havelange SBTR, com saldo final do ano de 2.002, no valor de R$ 1.481.661,17, que a fiscalização constatou continuar em aberto até a data da autuação e sem previsão para pagamento; 2.1.1.01.001 Contas a Pagar Diversas, com saldo final de R$ 245.507,62, do qual o contribuinte logrou comprovar o pagamento, no início de 2.003, do valor de R$ 7.014,90, e 2.1.1.02.005 One Travel Cp. Brasil, com saldo final de 2.002, no valor de R$ 1.412.727,28, sendo que o contribuinte não conseguiu demonstrar cabalmente que pagamentos efetuados em exercícios posteriores foram efetivamente referentes a parcelas de tais saldos. O valor tributável de R$ 3.132.881,17, a título de receita omitida, sobre o qual foram lançados os valores de IRPJ, CSLL (apurados pelo lucro presumido), contribuição ao PIS e Cofins, decorre da soma dos três saldos acima indicados (R$ 1.481.661,17 + R$ 245.507,62 + R$ 1.412.727,28), diminuído do valor comprovado de R$ 7.014,90. A Fiscalização asseverou em seu Termo de Verificação que, de acordo com Contrato firmado entre a TV Globo Ltda. e a contribuinte, esta teria por remuneração por serviços prestados: (i) as comissões que vier a obter das empresas de transporte, inclusive companhias aéreas, pela compra de passagens e (ii) o saldo remanescente do valor do adiantamento previsto na Cláusula 3.1, depois de encerrada cada temporada da Copa do Brasil e efetuadas todas as despesas a ela relativas"" (grifei) No recurso voluntário, aduz a contribuinte que: "(...) Segundo sustentou o Sr. Auditor Fiscal, como a Copa do Brasil foi encerrada em meados de maio do ano de 2002, "houve tempo suficiente para que fossem saldados no próprio ano base de 2002 todas as obrigações a ela referentes, reconhecendose o saldo restante como receita do contribuinte." Fl. 765DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/200717 Acórdão n.º 1401001.212 S1C4T1 Fl. 552 9 Nesse ponto, de plano há que se ressaltar que o entendimento do mesmo não, está correto, isso justifica se pelo simples fato de que o encerramento dos jogos que compõem a referida competição esportiva, não encerra 'per si' as relações comerciais que envolvem o certame, posto que existem obrigações de curto, médio e longo prazo negociadas com terceiros, por vezes à débito e por vezes à crédito. Daí asseverar que "houve tempo suficiente para que fossem saldadas no próprio ano base 2002..." é interferir diretamente nas tratativas entre contratantes e contratados, tomador e fornecedor, extinguindo por interpretação e decisão unilateral do agente fiscal, relações comerciais préexistentes. Há visivelmente um abuso de autoridade da fiscalização, eis que lhes foram disponibilizados elementos que corroboram tal assertiva (correspondências de várias operadoras de turismo informado que com atraso estavam conseguindo aos poucos informações ante as companhias aéreas com o fito de promover o "encontro de contas"), entretanto, tais documentos simplesmente foram ignorados ,em nenhuma justificativa plausível, ora se aos olhos da fiscalização restasse dúvida quanto ao teor, veracidade e etc. bastava que o agente fiscal, que tem poder para tanto, diligenciasse junto àquelas empresas a fim de circularizar a informação de forma a espancar qualquer dúvida que sobejasse, nunca, simplesmente ignorálas, se houvesse sido diligente teria observado, por exemplo, que a correspondência que lhe foi à época disponibilizado, também juntada à impugnação de lavra da SBTR Passagens e Turismo Ltda. dava conta em 17/11/2003 que ainda não dispunham dos elementos necessários ao "encontro de contas", vejamos: "Em atenção a última correspondência enviada por vossa empresa, temos a obrigação de informar que as Cias. Aéreas alegam atraso nà*apresentação dos números, em razão do volume de viagens realizadas, bem como, pela contínua mudança e roteiros e/ou datas discordantes do planejamento inicial, o que ocasionou remanejamento de vôos para que pudessem atendimentos do calendário esportivo. Estamos cientes das suas necessidades, o que também vão de encontro com as nossas, posto que somente com o fechamento completo das operações, poderemos finalmente receber o que nos é devido. Desta forma solicitamos o imediato pagamento dos valores incontroversos." (sic) (grifamos e negritamos) Com essa rejeição a fiscalização que obrigar à Requerente a considerar como receita valores pertencentes a terceiros, que oportunamente foram liquidados à medida que as contas foram sendo prestadas 'forme disposto nos livros diário e razão, reprisese, escrituração e documentação de suporte, que restaram não desqualificadas técnica e pontualmente, portanto, válidas para os fins a que se destinam. Há que se ressaltar que acorde o quanto consta do Acórdão 0528.572 de lavra da 4a. Turma da DRJ/CPS, também a turma julgadora passa ao largo na questão se quer, tece, comentários acerca das referida correspondências, limitase tão somente nas exposições de fatos a mencionar a sua noticia (fls. 355): " Aduz que a fiscalização nem sequer considerou as inúmeras correspondências mantidas com as contratadas a fim de que se levassem a termo os encontros de contas correntes. A corroborar sua afirmação diz estar juntando algumas cópias das citadas correspondências." (... ) Fl. 766DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/200717 Acórdão n.º 1401001.212 S1C4T1 Fl. 553 10 Notem, Senhores Julgadores, não houve por parte da fiscalização nenhuma circularização, não houve pela fiscalização a promoção de qualquer diligência, o que houve, sim, foi um excesso no uso de suas funções promovendo ato arbitrário e presunção desprovidos dos elementos necessários que lhe assegurasse a adoção de tais medidas, o que acaba por afrontar os dispositivos constantes do Art. 2°., da Lei 9.784/99 , em especial dos incisos IV, VI, VIII, IX e XIII o que resulta na imposição de ônus desprovido de materialidade fática ao contribuinte. (... ) Ora Senhores Julgadores, se houvessem sido motivos de leitura e análise acurada, não estaríamos a perder tempo com o desfazimento de elucubrações fantasmagóricas, bastaria apenas observar que os próprios credores informaram que estariam promovendo diligencias com terceiros (Companhias Aéreas) a fim de encerrar as contas, e que, entretanto, estas não lhes davam uma data certa, indo mais, ainda, os credores dos saldos em conta corrente manifestaram o seu interesse e necessidade em receber os seus haveres, rogando pela liberação dos valores entendidos pela Requerente como incontroversos. (...)" Mais adiante, ainda no recurso voluntário, a recorrente questiona: "O QUE MAIS A REQUERENTE NECESSITARIA FAZER PARA PROVAR A LICITUDE DE SUA CONDUTA? Prestou contas às partes com os documentos que as embasaram, disponibilizaram à fiscalização os contratos, livros fiscais e contábeis, cópia de cheque, extratos de conta corrente. ... HÁ DOCUMENTO INIDÔNEO? QUAIS? POR QUE RAZÃO ASSIM FOI CONSIDERADO?" (destaques do original). Ao final, a recorrente conclui: "Protesta também pela a juntada da cópia das páginas relacionadas nos quadros demonstrativos referentes aos livros razão do período compreendido pelos exercícios de 2002 a 2006, caso necessário, uma vez que pela leitura do Acórdão o mesmo dá entender que apenas teria sido aventada a juntada de documentos, o que não condiz com a realidade uma fez que de fato foram juntados e a Requerente mantém cópia dos mesmos na integralidade da Impugnação que restou improvida, bem como, ainda de demais documentos que comprovam as suas assertivas que eventualmente se façam necessários. Pela análise dos autos formei convencimento de que se fazia necessário na ocasião converter o julgamento em diligência para verificar a veracidade das alegações da recorrente, mediante análise documental dos pagamentos contabilizados em 2003 a 2006, os quais afirma a contribuinte estariam à disposição do Fisco. Isso porque a autuação se deu por presunção legal de que tais valores não chegaram a ser pagos, daí se tratarem na realidade de receitas da empresa, conforme previsto em contrato. E assim foi feito. A referida diligência resultou no relatório de fls. 729/736. O fiscal resume os principais pontos relevantes da contenda 1. Concluiuse que a empresa Sport Promotion recebeu adiantamentos da TV Globo em 2002, para prestação futura dos serviços de promoção e organização de campeonatos esportivos; 2. Que esses adiantamentos eram para pagamentos aos fornecedores e que a remuneração da Sport Promotion se daria de duas formas: como parcela dos valores pagos; e pelo saldo remanescente ao final do período; Fl. 767DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/200717 Acórdão n.º 1401001.212 S1C4T1 Fl. 554 11 3. Que, portanto, dado que a receita da empresa dependia desses pagamentos aos fornecedores, o passivo relativo a esses deveria ser baixado em 2002, no máximo 2003, o que não ocorreu; 4. Que a empresa não justificou adequadamente o saldo das contas do passivo em aberto ao final do período; 5. Daí presumirse como receitas omitidas esses passivos não baixados e não justificados. O fiscal circulariza as empresas que estão dentro do escopo dessa autuação: CNPJ RAZÃO SOCIAL 33.252.156/000119 TV Globo LTDA 00.811.990/000148 Globosat Programadora LTDA 40.413.148/000172 SBTR Passagens e Turismo Ltda 02.633.346/000152 Pallas Operadora turística LTDA 30.482.103/000104 ONE TRAVEL TURISMO LTDA No dia 11 de abril foram abertos os MPF solicitados, e no dia 15 do mesmo mês todos os cincos diligenciados foram intimados a apresentar documentação relativa aos contratos comerciais mantidos com a Sport Promotion, sendo: • Para os veículos de comunicação (TV Globo e Globosat), foram solicitados os contratos e respectivas prestações de contas; • Para os demais, foram solicitados os documentos comprobatórios dos pagamentos efetuados pela Sport Promotion. Em 27 de maio foi apresentada pelo sujeito passivo, por meio do seu representante legal, parte dos documentos solicitados, sendo eles: • Arquivos digitais da contabilidade, de 2002 a 2006, bem como os livros contábeis impressos de 2002 a 2004; • Contrato de prestação de serviços da Copa do Brasil de 2002 com a TV Globo, posteriormente compartilhado com a Globosat Programadora; • Contrato de prestação de serviços da Copa João Havelange, de 2000. Embora tenha sido solicitada a prestação de contas prevista nos contratos, não houve apresentação desse importante documento à fiscalização As empresas Pallas e a One Travel, a despeito do pedido de prorrogação de prazo, e apesar de reintimadas em 4 de junho (Aviso de Recebimento de 7 de junho), não apresentaram nenhum documento à esta diligência. A Diigência dá conta do que foi feito para atender especificamente a solicitação do CARF, mas que não obteve sucesso. Eis as palavras do fiscal, naquilo que é relevante destacar: Esta diligência buscou então, primeiro junto ao sujeito passivo, e posteriormente junto aos demais envolvidos na transação comercial em questão, levantar evidências desses pagamentos, seja pela escrituração contábil, seja pela documentação comprobatória que deve acompanhala. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/200717 Acórdão n.º 1401001.212 S1C4T1 Fl. 555 12 De maneira simplificada, a Sport Promotion recebeu adiantamentos das empresas de comunicação (TV Globo e Globosat) para prestar serviços de promoção e organização dos campeonatos esportivos. Entre outros serviços, subcontratou empresas do ramo de turismo (One Travel, Pallas e SBTR) para a viabilização do transporte dos atletas. Portanto, dividimos nosso trabalho em três frentes, destinadas a coletar informações que pudessem comprovar as alegações do sujeito passivo: • Informações da própria Sport Promotion, dentre as quais, as mais relevantes deveriam ser a prestação de contas prevista e contrato e os documentos fiscais de pagamento aos fornecedores dos serviços; • Informações das contratantes TV Globo e Globosat que, por um lado, pudessem indicar a veracidade dos valores contratados e adiantados ao sujeito passivo e, por outro lado, que possibilitassem a apresentação da prestação de contas recebida da Sport; • Informações dos fornecedores de serviços de transporte (One travel, Pallas e SBTR), que mostrassem que efetivamente receberam pelos serviços prestados à Sport. Informações dos fornecedores de serviços de transporte Como dito anteriormente, não pudemos obter nenhuma informação relevante dessa fonte, pois a empresa SBTR nunca respondeu às intimações, e a One Travel e a Pallas apenas solicitaram mais tempo para atendelas sem, no entanto, o fazer. Assim, não pudemos obter confirmação das operadoras de turismo sobre os pagamentos da Sport Promotion a essas empresas. Informações dos contratantes do sujeito passivo: TV Globo e Globosat A TV Globo, bem como a Globosat, empresas do mesmo grupo, enviaram documentos confirmando a existência dos contratos apresentados pela Sport Promotion, igualmente sem a apresentação da prestação de contas desta última. Esses documentos foram enviados por seu representante legal, o sr. José Américo Pereira dos Santos Buentes, OAB/RJ 35.786/06. (...) Para comprovar o adiantamento dos valores, a TV Globo apresentou cópia de três (3) recibos, emitidos pela Sport Promotion, dando quitação dos exatos valores apresentados na planilha acima (R$ 1.200.000,00 em 28/2/2002; R$ 1.000.000,00 em 20/3/2002 e R$ 20.000,00 em 22/4/2002). A diferença foi justificada com um contrato de cessão de direitos entre Globo e Globosat. Em uma segunda alteração contratual em fevereiro de 2003, a Globosat foi incluída no contrato de prestação também para o ano seguinte, 2003, rateando os custos adiantados pela TV Globo na mesma proporção anterior (60% TVG, 40% GSAT), totalizando R$ 4.163.610,00, conforme segue: Para o ano de 2003, a Globo apresentou planilha desses valores, bem como recibos da Sport Promotion confirmando os adiantamentos (os mesmos R$ 626.502,50 em 28 de fevereiro, 20 de março, 20 de abril e 20 de maio de 2003). Fl. 769DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/200717 Acórdão n.º 1401001.212 S1C4T1 Fl. 556 13 Já em 2004, apresentou demonstrativo de adiantamentos em quatro parcelas iguais, no valor total de R$ 4.550.825,72, com recibos comprobatórios de valor R$1.137.706,43 em 16 de fevereiro, 20 de março, 20 de abril e 20 de maio de 2004. Esses foram os valores adiantados pela TV Globo à Sport Promotion ao longo de 3 anos (20022004), atingindo, assim, o montante de R$ 9.276.835,72. A Globosat em seu turno, enviou a esta diligência comprovantes de adiantamentos à mesma Sport Promotion, no montante de R$ 3.137.600,00 por dois anos de contrato (20022003), igualmente como previam os contratos e aditivos, além de cessões de crédito entre as empresas do grupo Globo. (...) Como se verifica nos contratos, a Sport Promotion, como empresa de "marketing esportivo com larga experiência na organização e promoção de competições esportivas" deveria, de posse dos valores adiantados, providenciar todos os serviços contratados passagens aéreas e terrestres, entre outros. As empresas de comunicação não apresentaram, em auxílio à Sport Promotion, a prestação de contas desta (item 4 do contrato de 2002), que poderia evidenciar o repasse desses valores adiantados pelas duas empresas de comunicação aos fornecedores dos serviços. Informações da própria Sport Promotion Por fim, intimamos igualmente o próprio sujeito passivo para que apresentasse as evidências dos pagamentos realizados com os recursos adiantados pelas contratantes, ainda que em períodos posteriores a 2002. A empresa não apresentou nenhum documento que ainda não constava do processo, que pudesse demonstrar a ocorrência dos pagamentos a fornecedores. Porém, apresentou cópias de notas fiscais (que já estavam, em sua maioria, escrituradas, conforme folhas 70 e 71 do Razão 13, folha 59 do Razão 14 e folhas 7980 do Razão 15) tendo como emitente a Sport Promotion e como sacadas a TV Globo e a Globosat. Com isso, quis demonstrar que, embora de forma heterodoxa (pois a operação entre Sport e Globo foi de adiantamento e prestação de contas e a operação comercial a ser comprovada era entre a Sport e as operadoras de turismo Pallas, One Travel e SBTR), houve o registro e recolhimento dos tributos sobre os valores recebidos em adiantamento, como se receitas fossem. O que teria ocorrido, então, segundo essa nova versão do sujeito passivo, é que à medida que os serviços foram sendo prestados, a Sport Promotion foi emitindo documentos fiscais para Globo e Globosat, concomitantemente ao recolhimento de tributos sobre esses valores. (destaquei) O fiscal em favor dessa versão colhe os seguintes elementos que a corroboram: Em favor dessa versão, verificase na ficha 43 da DIPJ 2003 da Sport Promotion (anocalendário 2002) que foram declaradas naquele ano receitas compatíveis com os valores recebidos como adiantamentos, e não apenas a diferença entre o recebido e o repassado aos fornecedores, que seria propriamente a receita da empresa. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/200717 Acórdão n.º 1401001.212 S1C4T1 Fl. 557 14 Nessa DIPJ foi declarada receita bruta de R$ 7.042.318,80 (ficha 14A), sendo R$ 6.548.498,00 provenientes dos adiantamentos da TV Globo (R$ 3.879.098,80) e Globosat (R$2.669.399,20), mas declarados como receita pelo sujeito passivo, como se vê abaixo: Ficha 43 Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte/DIPJ 2002 Ano Calendario 2002 ND 0980359 CNPJ 59.049.627/000180 01. CNPJ da Fonte Pagadora: 00.811.990/000148 Nome: GLOBOSAT PROGRAMADORA LTDA Código da Receita: 1708 Remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica Rendimento Bruto 2.663,399,20' Imposto de Renda Retido na Fonte 40.040,98 02.. CNPJ da Fonte Pagadora: 33.2 52.156/000119 Nome: TV GLOBO LTDA Código da Receita: 1708 Remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica Rendimento Bruto 3.879.098,80 Imposto de Renda Retido na Fonte 58.186,48 Na planilha abaixo, construída a partir da DIPJ, podese visualizar o total de débitos do contribuinte em 2002, incluindo o IRPJ e a CSLL trimestrais, e PIS e COFINS mensais: TABELA por produto, totalizando no final RS 940.675,69 de tributos pagos no anocalendário de 2002 (...) Em consulta às informações das DCTFs entregues em 2002, constatouse a presença dos débitos confessados trimestralmente pelo contribuinte, conforme planilha acima, em valores praticamente idênticos aos declarados em DIPJ. Foi possível verificar também, em consulta por amostragem aos sistemas internos da Receita Federal, que os pagamentos dos tributos confessados acima foram efetivados em 2002 e 2003. Portanto, valores adiantados por TV Globo e Globosat em 2002 foram declarados pela Sport Promotion como receita bruta, sendo oferecida à tributação tanto ao declarar em DIPJ, quanto ao confessar as dívidas em DCTF. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/200717 Acórdão n.º 1401001.212 S1C4T1 Fl. 558 15 Porém, faz a seguinte ressalva: Importante registrar que não foi possível confirmar se todos valores em aberto na contabilidade, considerados como passivo fictício pela autoridade autuadora, são originários dos adiantamentos recebidos. Isso porque há valores iniciais nas contas de passivo provenientes de contratos passados, cuja DIPJ não está mais disponível para o confronto desses valores, assim como se fez para 2002. Um exemplo disso é a conta 2.1.1.01.003 CP J Havelange, cujos fatos gerados se referem à competição esportiva realizada em 2000, e cujo saldo inicial em 2002 era já de R$ 1.998.535,17, conforme contabilidade do sujeito passivo. Importante notar também que as notas fiscais ora apresentadas não foram informadas à época da fiscalização, impossibilitando, portanto, o conhecimento desses fatos pela autoridade autuadora.. Igualmente relevante, registrese, foi a inércia do sujeito passivo, que não apresentou tais documentos em sua impugnação ao auto de infração, ao mesmo tempo em que insistiu em tese diversa a da quitação dos passivos em períodos posteriores. (...) Intimada do resultado de diligência a Recorrente ratifica as conclusões chegadas pelo fiscal, sem fazer qualquer referência às suas considerações contrárias. Como se vê, fato relevante foi trazido à baila, que, independentemente dos motivos pelos quais isso não tenha vindo à tona antes poder ser explicado, e por esse motivo se verificar incoerência no discurso de defesa da Recorrente, o importante é que tal fato relevante torna prejudicada toda a fundamentação do auto de infração, uma vez constatado pelo fiscal que todos os valores recebidos do contrato Globo/Globosat em 2002 foram declarados como valores recebidos e tributados, e não apenas a diferença entre o recebido e o repassado aos fornecedores, que seria propriamente a receita da empresa. Sendo assim, mesmo que não tenha ficado comprovada a destinação dos valores, o que importa para o caso concreto é que os valores recebidos foram tributados tanto na DIPJ 2013, folhas.70 e 71 do Livro Razão nª 13, folhas 59 do Livro Razão nº 14 e folhas 79 80 do Livro Razão nº15, não havendo, portanto, que se falar em omissão de receitas. Outrossim, a ressalva feita pelo fiscal é também muito pertinente e impeditivo de se levar a diante essa mesma ilação, ou seja que não foi possível confirmar se os valores em aberto na contabilidade, considerados como passivo fictício pela autoridade lançadora, são originários dos adiantamentos recebidos e assim supostamente tributados. É que no caso concreto o ônus da prova é da Recorrente, seja por conta dos contratos que prevêem que a não quitação dos passivos implicam em automático reconhecimento direta das receitas, seja pelo fato de se tratar de uma presunção legal de omissão de receitas, o ônus da prova fica invertido. E não se venha a alegar que faltou oportunidade de fazêlo, inclusive a diligência foi feita com esse mesmo propósito, e o que aconteceu foi o contribuinte somente agora mudar a natureza de sua defesa, o que enfraquece mais ainda a sua defesa nesse ponto específico. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/200717 Acórdão n.º 1401001.212 S1C4T1 Fl. 559 16 Por todo o exposto, DOU provimento parcial ao recurso apenas em relação às contas do passivo 2.1.1.01.001 Contas a Pagar Diversas, Conta 2.1.1.02.005 — One Travel — Cp. Brasil. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 773DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 13819.900989/2006-84
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
COMPENSAÇÃO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DE REVISÃO DE APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DESCABIMENTO.
Para que se possa avaliar se o saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), utilizado pela Recorrente nas compensações, é suficiente para quitar os débitos informados, é indispensável apurar-lhe a origem, ainda que esta remonte a períodos anteriores, já alcançados pela decadência ou prescrição.
COMPENSAÇÕES DE ESTIMATIVAS. NÃO EXTERIORIZAÇÃO AO FISCO. NÃO ACATAMENTO.
Não tendo sido as alegadas compensações de estimativas, componentes do saldo negativo pleiteado, validamente exteriorizadas ao Fisco - seja por Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), seja por Pedido de Compensação -, não produzem quaisquer efeitos, não podendo, pois, ser acatadas.
MULTA DE MORA. JUROS DE MORA. MÁ-FÉ.
Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, sem prejuízo da concomitante exigência de juros de mora e independentemente da constatação da ocorrência ou não de má-fé por parte do devedor.
Numero da decisão: 1803-002.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DE REVISÃO DE APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DESCABIMENTO. Para que se possa avaliar se o saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), utilizado pela Recorrente nas compensações, é suficiente para quitar os débitos informados, é indispensável apurarlhe a origem, ainda que esta remonte a períodos anteriores, já alcançados pela decadência ou prescrição. COMPENSAÇÕES DE ESTIMATIVAS. NÃO EXTERIORIZAÇÃO AO FISCO. NÃO ACATAMENTO. Não tendo sido as alegadas compensações de estimativas, componentes do saldo negativo pleiteado, validamente exteriorizadas ao Fisco seja por Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), seja por Pedido de Compensação , não produzem quaisquer efeitos, não podendo, pois, ser acatadas. MULTA DE MORA. JUROS DE MORA. MÁFÉ. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, sem prejuízo da concomitante exigência de juros de mora e independentemente da constatação da ocorrência ou não de máfé por parte do devedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 09 89 /2 00 6- 84 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13819.900989/200684 Acórdão n.º 1803002.266 S1TE03 Fl. 425 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13819.900989/200684 Acórdão n.º 1803002.266 S1TE03 Fl. 426 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 333 a 335): Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentados, por meio dos quais a interessada pleiteia o reconhecimento de direito creditório com origem em saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002, para a compensação dos débitos declarados. 2. A autoridade fiscal deferiu parcialmente o pleito da interessada, nos termos do Despacho Decisório de fl. 63, que se transcreve: “RELATÓRIO 1. Tratase de PER/DCOMPs, transmitidos pelo interessado em epígrafe, formulados como Declarações de Compensação, separados do fluxo eletrônico do Sistema de Controle de Créditos e Compensações – SCC, em face da impossibilidade de tratamento automático até a data de homologação, por disposição legal (fls. 01/31). 2. Referidos PER/DCOMP’s informam, como crédito, o saldo negativo de CSLL no exercício de 2003, anocalendário de 2002, na monta de R$ 379.497,14, e constituem a família indicada no quadro 01 abaixo: (...) FUNDAMENTAÇÃO (...) 6. A contribuição devida pelo interessado em sua DIPJ/2003 foi de R$ 1.432.879,47 (fl. 40). Deduziu, a título de estimativas pagas no anocalendário de 2002, o valor de R$ 1.821.376,61, culminando em saldo negativo de R$ 379.497,14 (fl. 41). 7. Observando o cálculo da CSLL por estimativa na Ficha 16 da DIPJ/2003 (FLS. 32/38), constatase que o contribuinte apurou contribuição mensal a pagar por estimativa com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços/balancetes de suspensão ou redução, resultando nos valores consolidados no mapa de fl. 42. 8. Em DCTF, informa compensações das estimativas mensais nos meses de Jan/02 a Abr/02, sem processo, com saldo negativo da CSLL apurada em 31/12/2001 e pagamentos nos meses de Mai/02, Jun/02 e Ago/02 a Nov/02 (fl. 42). 9. Os sistemas informatizados da RFB confirmam os pagamentos de estimativas no anocalendário de 2002, totalizando R$ 1.193.098,13 (fls. 43/45). 10. Verificouse que, no anocalendário de 2001, o interessado também informa compensações de estimativas com saldo negativo apurado em 31/12/2000. Então, para fins de verificação da idoneidade das aludidas compensações, iniciemos a análise pelo anocalendário de 2000. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13819.900989/200684 Acórdão n.º 1803002.266 S1TE03 Fl. 427 4 11. Na DIPJ/2001, relativa ao anocalendário de 2000, Ficha 17, o interessado apurou CSLL devida de R$ 701.698,33. Deduziu, a título de estimativas pagas, R$ 827.496,89, resultando em saldo negativo de R$ 125.798,56 (fls. 47/48). Na Ficha 16, apurou estimativas a pagar nos meses de Jan/00 a Set/00, totalizando R$ 827.496,89. Em DCTF, informou apenas a quitação das estimativas dos meses de Jun/00 a Set/00, por pagamentos que totalizam R$ 551.667,99, conforme mapa de fl. 42. Os sistemas de informação da RFB confirmam esses pagamentos, que somam R$ 551.667,99 (fls. 49/50), e não indicam a existência de pagamentos de estimativas para os meses de Jan/00 a Mai/00. Portanto, a parcela dedutível na apuração da CSLL está limitada ao valor de R$ 551.667,99, efetivamente pagos. Assim, não há direito creditório oriundo de saldo negativo de CSLL no ano calendário de 2000, exercício de 2001, para a compensação de estimativas em períodos subsequentes. 12. Na DIPJ/2002, relativa ao anocalendário de 2001, Ficha 17, o interessado apurou CSLL devida de R$ 1.216.093,60. Deduziu, a título de estimativas pagas, R$ 1.916.526,00, resultando em saldo negativo de R$ 700.432,40 (fls. 52/53). Em DCTF informa pagamentos que totalizam R$ 1.601.426,35 e compensações, sem processo, com saldo negativo da CSLL apurada em 31/12/2000, na soma de R$ 315.099,66, conforme mapa de fl. 42. Os sistemas de informação da RFB confirmam pagamentos de estimativas por meio de DARF no anocalendário de 2001, nos meses de Fev/01 a Nov/01, que somam R$ 1.601.426,35 (fls. 54/59). Conforme análise feita no item 11, não há saldo negativo no anocalendário de 2000 para aproveitamento em compensações. Portanto, as parcelas de estimativas dos meses de Jan/01 e Fev/01, indevidamente compensadas com aquele crédito inexistente, não constituem parcelas dedutíveis na apuração da CSLL no exercício de 2002. Então, deduzindose da CSLL devida de R$ 1.216.093,60 os pagamentos que somam R$ 1.601.426,35, apurase o saldo negativo de R$ 385.332,75, no ano calendário de 2001, exercício de 2002, passível de compensação em períodos subsequentes. 13. Procedeuse a imputação do saldo negativo ora confirmado para o ano calendário de 2001, ou seja, R$ 385.332,75, aos débitos de estimativas que se pretendia compensar no anocalendário de 2002, empregando o sistema NEO SAPO (fls. 60/62), resultando na quitação parcial dos referidos débitos, conforme quadro 02. Quadro 02: Anocalendário de 2002 CSLL apuração e forma de quitação das estimativas mensais Reais PA COD. Cálculo da DIPJ/2003 DCTF Pagamento Comp. Saldo Estimativa (DARF) Negativo Apuração Compensação Per. Ant. do SN Validada jan/02 2484 BBSR 93.268,71 93.268,71 93.268,71 31/12/2001 sim fev/02 2484 RBA 185.746,33 1º T 185.746,33 185.746,33 31/12/2001 sim mar/02 2484 RBA 146.366,20 146.366,20 121.326,97 31/12/2001 sim 25.039,23 31/12/2001 não abr/02 2484 RBA 193.897,24 193.897,24 193.897,24 31/12/2001 não mai/02 2484 RBA 223.363,02 2º T 223.363,02 223.363,02 jun/02 2484 RBA 214.534,89 214.534,89 214.534,89 jul/02 2484 BBSR ago/02 2484 BBSR 192.901,03 3º T 192.901,03 192.901,03 set/02 2484 BBSR 46.197,30 46.197,30 46.197,30 out/02 2484 BBSR 260.580,80 260.580,80 260.580,80 nov/02 2484 BBSR 255.521,09 4º T 255.521,09 255.521,09 dez/02 2484 BBSR Fl. 427DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13819.900989/200684 Acórdão n.º 1803002.266 S1TE03 Fl. 428 5 soma das parcelas confirmadas 1.193.098,13 400.342,01 14. Consequentemente, da CSLL devida no exercício de 2003, R$ 1.432.879,47, podem ser deduzidas as parcelas de estimativas pagas no ano calendário de 2002, R$ 1.193.098,13, e as parcelas que puderam ser compensadas com o saldo negativo apurado em 31/12/2001, R$ 400.342,01, culminando em saldo negativo de R$ 160.560,67. DECISÃO 15. De todo o exposto, em obediência às normas legais em vigência, proponho o reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado pelo contribuinte para a homologação de compensações, na monta de R$ 160.560,67 (...), oriundo do saldo negativo da CSLL no anocalendário de 2002, exercício de 2003.” 3. Cientificada do Despacho Decisório por meio do AR de fl. 130, em 08 de outubro de 2008, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em 05 de novembro de 2008, fls. 131/149, com as alegações que se seguem. 3.1. Diz que o Despacho Decisório questionado não respeitou, na constituição do crédito tributário, o prazo decadencial da CSLL, contribuição sujeita ao lançamento por homologação, cujo fato gerador se concretizou em 31 de dezembro de 2002, a teor do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Acrescenta que tal prazo também estaria decaído, nos termos do artigo 173, inciso I, também do CTN. Transcreve doutrina e jurisprudência, fls. 134/139. Em suas palavras: “18. Por fim, concluise que a decadência é matéria regida pelo Código Tributário Nacional, e não por Lei Ordinária, sendo assim, o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário decaiu no ano de 2007, sendo extemporâneo o comunicado expedido pelo Ilustre Agente Fiscal em 08 de outubro de 2008, devendo ser reformada a respeitável decisão, ora recorrida, reconhecendose, de plano, a total insubsistência do despacho decisório expedido contra a ora Impugnante.” 3.2. Aduz que, no mês de fevereiro de 2000, possuía um saldo de crédito a ser utilizado na compensação, relativo a prejuízos de períodos anteriores, no montante de R$ 430.996,65 (valor principal de R$ 222.465,80 mais juros de R$ 208.530,85). 3.3. Desse crédito, teria se utilizado de R$ 275.828,90 na compensação das estimativas dos meses de janeiro a maio de 2000. Além disso, foram recolhidos DARF no valor de R$ 551.667,99, totalizando estimativas de R$ 827.496,69, apurandose um saldo negativo de CSLL na importância de R$ 125.798,56, a ser compensada com débitos de exercícios posteriores. 3.4. No entanto, não indicou, nas DCTF respectivas, a formalização dessas compensações, que ocorreram com saldos negativos dos anoscalendário de 1993, 1994 e 1995, cujas DIRPJ estão na base de dados da RFB, pois entendia que não havia campo próprio para informação em DCTF dos valores compensados. Junta documentos 04, 05 e 07/09, visando comprovar o que alega. 3.5. Aduz que, no anocalendário de 2001, informou em DCTF a compensação das estimativas dos meses de janeiro e fevereiro com saldo negativo de CSLL apurada no anocalendário de 2000. No entanto, também teria se equivocado na formalização de tais compensações, pois, além de saldo negativo do AC 2000 (R$ 128.654,19) também foram utilizados saldos negativos dos AC 1993, 1994 e 1995 (total de R$ 147.138,89), IRRF decorrente de rendimento de empréstimo realizado com pessoa jurídica domiciliada na Argentina (R$ 31.554,29) Fl. 428DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13819.900989/200684 Acórdão n.º 1803002.266 S1TE03 Fl. 429 6 e CSLL recolhida a maior em janeiro de 1999 (R$ 7.752,59). Junta os documentos 04, 05, 06, 07 e 08. 3.6. Dessa forma, no anocalendário de 2001, as estimativas montam a R$ 1.916.526,00, sendo R$ 1.601.426,35 recolhidas por meio de DARF e R$ 315.099,66 compensadas, resultando em saldo negativo de R$ 700.432,40, a ser utilizado em exercícios posteriores. 3.7. Argumenta que os valores dos créditos então demonstrados em seus lançamentos contábeis e nas obrigações acessórias apresentadas, e que somente não conseguiu comprovar corretamente a existência do direito creditório em suas DCTF devido a erro material no preenchimento de tais documentos. Transcreve jurisprudência, fls. 143/144. 3.8. Diz que a importância de R$ 31.554,29 tem origem no recebimento de juros decorrentes de empréstimo formalizado com a sociedade Kostal Argentina S/A., conforme documento 07. 3.9. Aduz que, nos termos do artigo 15 da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com o artigo 21 da Medida Provisória nº 2.03721, o imposto pago no país de domicílio da pessoa jurídica contratante poderá ser compensado pela pessoa jurídica brasileira, desde que observados os requisitos previstos no artigo 26 da Lei nº 9.249, de 1995, os quais elenca na fl. 145. 3.10. Referese, ainda, ao artigo 395 do RIR/99, e afirma que a possibilidade de compensação do IRRF compensado no exterior com a CSLL entrou em vigor a partir de 1º de janeiro de 2000, de acordo com o previsto no artigo 21, parágrafo único, da MP 2.03721. E continua: “23. Considerando que, no Brasil, o IRPJ é calculado à alíquota de 25% (...) sobre o lucro líquido ajustado por adições e exclusões específicas, o imposto retido na fonte na Argentina, à época 31,5%, será compensável dependendo da lucratividade da empresa brasileira e do cumprimento dos requisitos acima expostos. 24. Ademais, a Impugnante, através dos lançamentos contábeis, demonstra que o valor recebido decorrente do empréstimo entrou efetivamente em suas rubricas, sendo considerado para efeito de cálculo do lucro real. Novamente ressaltase que não pode a Impugnante ser prejudicada por Erro Material.” 3.11. Disserta sobre o princípio da verdade material. Colaciona doutrina, fls. 146/147. 3.12. Requer a exclusão da multa de ofício que teria sido imposta no lançamento tributário. Faz distinção entre a multa moratória e a punitiva. Em suas palavras: “3. A multa de mora aplicase em virtude da demora no pagamento do tributo. Por sua vez, a multa punitiva é utilizada para penalizar o contribuinte por adotar uma conduta caracterizadora de uma infração tributária. 4. Embora a multa moratória seja assim denominada, possui verdadeiro caráter punitivo. Isso porque não se destina a ressarcir ou indenizar o Fisco pelo prejuízo causado pelo atraso, o que é recomposto pela aplicação dos juros moratórios, mas objetiva reprimir e desestimular tal conduta. (...) Fl. 429DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13819.900989/200684 Acórdão n.º 1803002.266 S1TE03 Fl. 430 7 8. Assim, tendo em vista que os juros moratórios cumprem a função de recompor o patrimônio do Fisco, pelo prejuízo decorrente do atraso no pagamento, a multa moratória não teria a mesma natureza. De modo que tal sanção visa, verdadeiramente, punir a conduta ilícita, que no caso não ocorreu.” 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 332 e verso): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. REVISÃO DA APURAÇÃO EFETUADA PELA CONTRIBUINTE. DECADÊNCIA. Com o transcurso do prazo decadencial previsto nos arts. 150, § 4º, ou 173, I, do CTN, apenas o dever/poder de formalizar o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário (art. 156, V e VII, do CTN). Todavia, não se pode inferir, a partir daí, que, com o transcurso do prazo decadencial para efetuar o lançamento, estariam tacitamente homologados quaisquer outros fatos jurídicos tributários que pudessem repercutir em períodos de apuração futuros, inclusive a apuração de eventual saldo negativo do IRPJ, indicado pela contribuinte na declaração de rendimentos. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO. ART. 168 DO CTN. Nos termos do art. 168 do CTN, o direito de pleitear o reconhecimento de direito creditório, implícito nas Declarações de Compensação, visando à compensação de tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. CSLL. O reconhecimento de direito creditório relativo a saldo negativo da CSLL condicionase à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação da suficiência e da disponibilidade dos saldos negativos de períodos anteriores, aproveitados para liquidação das estimativas mensais, bem como da efetividade das compensações pretendidas. No presente caso, os documentos apresentados não comprovam as alegadas compensações com eventuais saldos negativos de períodos anteriores. IMPOSTO DE RENDA PAGO NO EXTERIOR. VALOR EXCEDENTE AO LIMITE COMPENSÁVEL NO BRASIL. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS FEDERAIS O saldo do imposto de renda pago no exterior, que exceder o valor compensável com o imposto de renda devido no Brasil sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, somente poderá ser compensado com a contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) devida em virtude da adição, à sua base de cálculo, dos lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior, Fl. 430DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13819.900989/200684 Acórdão n.º 1803002.266 S1TE03 Fl. 431 8 até o limite acrescido em decorrência dessa adição. Não há previsão legal para compensação de eventual saldo ainda remanescente, nos moldes do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. Não se reconhece o direito creditório em litígio e não se homologam as compensações pretendidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Cientificada da referida decisão em 09/09/2011 (fls. 351), a tempo, em 04/10/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 353 a 379, instruído com os documentos de fls. 380 a 387, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que não ocorreu a prescrição para restituição/compensação do indébito, sendo inaplicável a Lei Complementar nº 118, de 2005; e b) que não agiu com máfé, mas, sim, dentro da lei, devendo ser excluída a aplicação de multa, no caso vertente. Em mesa para julgamento. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13819.900989/200684 Acórdão n.º 1803002.266 S1TE03 Fl. 432 9 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Inicialmente, cumpre destacar que, no presente processo, não houve qualquer constituição de crédito tributário; mas apenas a mera cobrança de parte do valor confessado pela própria Recorrente em seus Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp). 5. Não se pode, no caso, confundir a decadência do direito de lançar tributo devido com a análise da certeza e liquidez de saldos negativos apurados na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), utilizados para compensação. 6. A autoridade administrativa, ao analisar a apuração do saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do anocalendário de 2002, cuja compensação com débitos próprios foi declarada pela Recorrente, simplesmente averigua a existência de créditos líquidos e certos, passíveis de compensação, em estrito cumprimento ao disposto na legislação que cuida da matéria (art. 170 do Código Tributário Nacional – CTN Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) (grifouse): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 7. Assim, para que se possa avaliar se o saldo negativo de CSLL, utilizado pela Recorrente nas compensações, é suficiente para quitar os débitos informados, é indispensável apurarlhe a origem, ainda que esta remonte a períodos anteriores, já alcançados pela decadência ou prescrição. 8. Esclareçase: o desiderato, com esse exame, é constatar a efetiva existência do crédito informado pela Recorrente, e não efetuar qualquer tipo de lançamento de ofício. 9. Nesse sentido, a decisão recorrida (fls. 335, destaques do original): 5. Inicialmente, cuida esclarecer à interessada que a exigência implementada por meio do presente processo decorre, simplesmente, da cobrança dos débitos confessados pela interessada em Declaração de Compensação, cuja compensação não foi integralmente homologada pela autoridade fiscal, não havendo de se falar em lançamento, tão pouco em prazo extintivo do direito de a Fazenda constituir o correspondente crédito tributário (decadência). [...]. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13819.900989/200684 Acórdão n.º 1803002.266 S1TE03 Fl. 433 10 9. E as exigências fiscais vinculadas a este processo referemse a débitos informados pela contribuinte em PER/DCOMP, cujas compensações não foram homologadas pela autoridade competente. Registrese: o ato praticado pela DRF de origem, no exercício da competência legalmente definida, foi de não homologação da compensação declarada, por falta de comprovação da existência do direito creditório, e não de constituição de ofício de crédito tributário. 10. Superado esse ponto, observase que a insuficiência de direito creditório de CSLL constatada no anocalendário de 2002 remonta ao anocalendário de 2000, quando os valores devidos de estimativa dos meses de janeiro a maio daquele ano deixaram de ser quitados, seja por pagamento, seja por compensação validamente exteriorizada ao Fisco. 11. Alega a Recorrente haver efetuado, tanto no anocalendário de 2000, quanto no anocalendário de 2001, compensações com supostos direitos creditórios oriundos dos anos calendário de 1993 a 1995. 12. Porém, não tendo sido essas alegadas compensações de estimativas, componentes do saldo negativo pleiteado, validamente exteriorizadas ao Fisco – seja por Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), seja por Pedido de Compensação –, não produzem quaisquer efeitos, não podendo, pois, ser acatadas, ainda que superada a questão da prescrição relativa aos anoscalendário de 1993 a 1995. 13. Como bem destacado pela decisão recorrida (fls. 337verso): 23. Portanto, era obrigação da contribuinte ter apresentado as DCTF referentes às estimativas dos meses de janeiro a maio de 2000, informando a forma de liquidação dos débitos apurados, e, se fosse o caso, as compensações com saldos negativos de períodos anteriores, indicando claramente as importâncias a serem compensadas, bem como os períodos de apuração em que teriam se originado tais saldos negativos utilizados. 14. Observase, por oportuno, que, como bem apontado pela decisão recorrida, não houve a apresentação de quaisquer lançamentos contábeis, seja no Diário, seja no Razão, das alegadas compensações procedidas, mas apenas a juntada de planilhas (fls. 340verso e 341): 37. A interessada apresenta os documentos de fls. 175, 177/185, 187/188, 190, 197/198, referidos como sendo de números 4 a 9, que passam a ser apreciados, individualizadamente, visando comprovar as compensações que alega, tanto de estimativas do anocalendário de 2000, como de 2001, com saldos negativos dos anoscalendário de 1993 a 1995. [...]. 45. Ademais, os saldos não estão indicados pelas datas respectivas, e não houve a apresentação do Livro Diário. Também não foram apresentadas as contas de razão relativas aos débitos que teriam sido supostamente compensados. [...]. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13819.900989/200684 Acórdão n.º 1803002.266 S1TE03 Fl. 434 11 46. Enfim, os documentos que se referem às contas números “11.13.08”, “150604” e “150070” mostramse desconformes a legislação aplicável, além do que são insuficientes para demonstrar a disponibilidade dos saldos negativos dos anos calendário de 1993 a 1995, bem como a efetividade das compensações das estimativas alegadas pela interessada. 47. Quanto aos demais, tratamse de simples planilhas e demonstrativos, que embora possam ter fins explicativos, são despidos de valor comprobatório da disponibilidade dos créditos alegados, bem como da efetividade das compensações pretendidas. 48. Ressaltese que não houve a apresentação dos documentos necessários a embasar os supostos lançamentos contábeis e fiscais que a contribuinte pretendeu demonstrar. 49. Diante desse quadro, não resta comprovado que a interessada tenha compensado as estimativas de janeiro a maio do anocalendário de 2000 com saldos negativos de períodos anteriores, incluindo do anocalendário de 1995, permanecendo a apuração efetuada pela autoridade fiscal, ou seja, de que naquele período de apuração houve saldo a pagar de CSLL no montante de R$ 140.030,34, e não saldo negativo a ser utilizado nos períodos subsequentes. [...]. 53. Ademais, observase nas DCTF respectivas [do ano calendário de 2001, esclareçase] que a interessada indicou a compensação exclusivamente com saldo negativo do ano calendário de 2000, e não de outros períodos de apuração. 15. Ainda, como bem frisado pela decisão recorrida, a Recorrente jamais poderia ter se utilizado do IRRF eventualmente retido no exterior para a compensação direta de estimativas do IRPJ ou da CSLL do anocalendário de 2001 (fls. 344): 70. O que a legislação permite é que, desde que as receitas respectivas tenham sido oferecidas à tributação, tanto na apuração do Lucro Real, como na base de cálculo da CSLL (Lucro Líquido Ajustado), os valores do IRRF retido possam ser aproveitados como dedução no encerramento do período de apuração, observadas as condições e limites previstos na legislação acima transcrita. 16. Por último, cumpre destacar o seguinte trecho da decisão recorrida, não contraditado (fls. 345verso): 89. Por fim, quanto ao alegado pagamento indevido na importância de R$ 6.599,94, que seria relativo à estimativa do mês de janeiro de 1999, não houve quaisquer esclarecimentos prestados pela interessada, no sentido de esclarecer as origens de tal importância, nem foram juntados os documentos de arrecadação que pudessem indicar a origem de tal crédito. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13819.900989/200684 Acórdão n.º 1803002.266 S1TE03 Fl. 435 12 90. Acrescentese que, em consultas aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal, não foram localizados recolhimentos referidos à estimativa do mês de janeiro do ano calendário de 1999, nem informações sobre tal débito no sistema DCTF. 17. Por fim, com relação à exigência da multa de mora no procedimento de não homologação de compensação declarada, está inteiramente de acordo com a legislação pertinente, sem prejuízo da concomitante exigência de juros de mora e independentemente da constatação da ocorrência ou não de máfé por parte do devedor, conforme segue (art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996): Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 435DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13819.900989/200684 Acórdão n.º 1803002.266 S1TE03 Fl. 436 13 Fl. 436DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10166.720116/2008-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido o conselheiro Walber José da Silva, relator. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, Fabíola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Jonathan Barros Vita e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido o conselheiro Walber José da Silva, relator. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente e Relator (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, Fabíola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Jonathan Barros Vita e Paulo Guilherme Déroulède. RELATÓRIO Contra a empresa BRASAL REFRIGERANTES LTDA foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de IPI, relativo a fatos geradores ocorridos entre 01/03/2003 e 31/12/2006, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a interessada escriturou, indevidamente, crédito ficto de IPI calculado sobre aquisições de insumos tidos como isentos, oriundos da Zona Franca de Manaus. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido nos seguintes termos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 20 11 6/ 20 08 -9 5 Fl. 2502DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10166.720116/200895 Resolução nº 3302000.420 S3C3T2 Fl. 2.503 2 1 o produto em relação ao qual a AUTORIDADE glosou os créditos de IPI (concentrado) não se sujeita à alíquota zero, mas sim a alíquota de 27% e é isento do IPI; 2 os créditos tributários exigidos no auto estão extintos por força da coisa julgada formada nos autos do Mandado de Segurança Coletivo (MSC) nº 91.0047834; 3 a AUTORIDADE decaiu do direito de lavrar o AUTO para exigir créditos tributários anteriores a 27.11.2003, porque NÃO efetuou o respectivo lançamento no prazo de cinco anos contados do fato gerador (art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional – CTN); 4 os dispositivos legais que fundamentam o AUTO não prevêem a glosa dos créditos relativos à aquisição de insumo isento e a IMPUGNANTE tem direito a esses créditos em razão do princípio da nãocumulatividade; e 5 a IMPUGNANTE também tem direito ao crédito relativo à aquisição do concentrado isento por força da disposição expressa do art. 6º do Decret0lei (DL) nº 1.435, de 16.12.1975. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de fora MG julgou improcedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 0924.537, de 19/06/2009, por entender que os insumos objeto da glosa enquadramse na situação previstas no art. 175 c/c art. 82, inciso III, ambos do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/02) – fls. 536/544. Da decisão a turma de julgamento recorre de ofício a este Colegiado. A Fazenda Nacional apresentou as “Razões ao Recurso de Ofício” de fls. 550/572, solicitando o provimento do recurso de ofício pelos seguintes fundamentos: 1 O produto objeto da glosa está sujeito à alíquota zero. A Fiscalização não identifica o produto envolvido e a informação de que tratase de “concentrado para a fabricação de refrigerantes” foi trazida pela autuada que, também indica o enquadramento do produto no “EX” 01 da posição 2106.90.10, cuja alíquota é de 27%. 2 A classificação fiscal adotada pela produtora vendedora do insumo, constante da única cópia de nota fiscal acostada aos autos, é 2106.90.10, sem indicação de exceção, cuja alíquota é zero. Esta informação não pode ser desconsiderada e reenquadrar o produto no “EX”. Se há erro na nota fiscal, não pode a autuada beneficiarse dele. 3 Sugere a Fazenda Nacional que o produto seja melhor classificado no “EX” 02 que fala em refrigerante e tem alíquota de 40%; 4 A empresa autuada não trouxe prova nos autos da correta classificação fiscal e nem solicitou a realização de diligência para tal fato; 5 Caso se entenda que o produto não tem alíquota zero, posição 2106.90.10, e sim 27%, por encontrarse no “EX” 01 da referida posição, devese anular a decisão recorrida que considerou as alegações do contribuinte sem qualquer respaldo para tanto; 6 Não há comprovação acerca do adequado cumprimento dos requisitos indicados no art. 82 do RIPI/02, ou seja, que os insumos objeto da glosa foram elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Fl. 2503DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10166.720116/200895 Resolução nº 3302000.420 S3C3T2 Fl. 2.504 3 7 No esteio da jurisprudência judicial e administrativa, somente podese creditar aquilo que foi efetivamente pago de IPI; 8 A medida judicial impetrada não alcança a presente autuação na medida em que o Mandado de Segurança foi impetrado tãosomente em face do Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro. A decisão judicial faz coisa julgada apenas em relação às partes envolvidas. No caso, não se trata, sequer, de eventual teoria da encampação. Não há subordinação hierárquicas dos demais delegados da RFB ao delegado do Rio de Janeiro. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. Posto em julgamento na sessão do dia 28/07/2010, foi o mesmo convertido em diligência à repartição de origem, nos termos da Resolução nº 330200.052, para as seguintes providências: 1 Dar ciência à recorrente desta Resolução; 2 Relacionar as matériasprimas objeto da glosa; 3 Intimar à autuada para comprovar, por meio de laudo técnico emitido por entidade pública, quais produtos agrícolas ou extrativos vegetais são utilizados, como matériaprima, na fabricação dos insumos objeto da glosa; 4 Intimar a autuada para comprovar quais dos produtos referidos no item 2 são produzidos na Amazônia Ocidental e, para estes, comprovar que o fabricante (Recofarma) os adquiriu exclusivamente de cultivo ou extração regional (Amazônia Ocidental); 5 Diante da resposta do itens 2 e 3, informar se os produtos relacionados no item 1 atendem às condições para o gozo da isenção prevista n inciso III do art. 82 do RIPI/2002. Se for necessário, intimar a recorrente para prestar outras informações sobre as condições a que se refere o inciso III do art. 82 do RIPI/2002. 6 Concluído a diligência, dar ciência à empresa autuada do seu resultado, abrindolhe prazo para manifestação. Realizado a diligência, a DRF/BSA apresentou as seguintes respostas as quesitos formulados: 1 Dar ciência à recorrente desta Resolução; Resp: Termo de Diligência Fiscal dado ciência a recorrente em 06 de agosto de 2012. 2 Relacionar as matériasprimas objeto da glosa; Resp: As matériasprimas objeto da glosa estão relacionadas como 005 – Outros Créditos nos Quadro Demonstrativos de números 001, 002, 003 e 004 anexos ao Termo de Diligência (fls. 603 a 615). 3 Intimar à autuada para comprovar, por meio de laudo técnico emitido por entidade pública, quais produtos agrícolas ou extrativos vegetais são utilizados, como matéria prima, na fabricação dos insumos objeto da glosa; Fl. 2504DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10166.720116/200895 Resolução nº 3302000.420 S3C3T2 Fl. 2.505 4 Resp: O Laudo Técnico foi emitido por entidade pública SUFRAMA tão somente em relação ao açúcar mascavo e álcool os quais foram adquiridos de produtores da Amazônia Ocidental. 4 Intimar a autuada para comprovar quais dos produtos referidos no item 2 são produzidos na Amazônia Ocidental e, para estes, comprovar que o fabricante (Recofarma) os adquiriu exclusivamente de cultivo ou extração regional (Amazônia Ocidental); Resp: O único insumo que compõe a industrialização do concentrado é o açúcar mascavo o qual representa 3,907% do total das Entradas de Insumo e Mercadorias conforme DIPJ/2007 (fls. 643). 5 Diante da resposta do itens 2 e 3, informar se os produtos relacionados no item 1 atendem às condições para o gozo da isenção prevista no inciso III do art. 82 do RIPI/2002. Se for necessário, intimar a recorrente para prestar outras informações sobre as condições a que se refere o inciso III do art. 82 do RIPI/2002. Resp: NÃO, o concentrado (NCM 2906.90.10 Concentrado com alíquota “0” sic) não foi industrializado com matériasprimas agrícolas e extrativas de produção regional, já que o açúcar mascavo representa apenas 3,907%, e, as principais matérias primas tem origem no exterior (641 a 642). Quando a recorrente efetua vendas no Brasil utiliza a classificação correta em todas as notas fiscais de saída do concentrado (2906.90.10 sic) inclusive nos produtos (Concentrado) exportados para a Venezuela e outros países (644 a 646). Para confirmar que tanto a Brasal quanto a Recofarma tem conhecimento de que a classificação correta é NCM 2906.90.10 (sic), a recorrente na tentativa de alterar a classificação fiscal do produto, emitiu vários anos depois da ocorrência do fato gerador do IPI que é a saída do estabelecimento industrial diversas cartas (fls. 647 a 658) com base no art. 395 do Decreto nº 7.212 de 15.06.2010. A recorrente não teve o cuidado de observar que o artigo 395 inciso I do Decreto nº 7.212 de 15.06.2010 contraria frontalmente a intenção da recorrente de alterar a correta classificação fiscal que é NCM 2906.90.10 com alíquota “0”. 6 Concluído a diligência, dar ciência à empresa autuada do seu resultado, abrindolhe prazo para manifestação. Foi dado ciência à empresa interessada do resultado da diligência e sobre ele se manifestou no dia 28/02/2013 para dizer, basicamente, que: 1 é isento do IPI o concentrado adquirido da Recofarma, conforme reconhecimento da Suframa feito com base em laudo técnico, e que o produto classificase no EX 01 do NCM 2106.90.10 2 é irrelevante para o deslinde da questão a informação de que o açúcar mascavo representaria apenas 3,907% dos insumos utilizados na fabricação do concentrado. Isto porque o benefício não pressupõe que o produto seja produzido exclusivamente com matériasprimas agrícolas e extrativistas vegetais de produção regional; 3 cabe à autoridade fiscal observar os legítimos atos da Suframa (Resolução CAS 387/93) e não glosar o crédito do IPI do adquirente do concentrado; 4 as cartas de correção não alteraram a natureza da operação e a mercadoria que, pela descrição na nota fiscal e regras de classificação, classificase no Ex 01 da posição Fl. 2505DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10166.720116/200895 Resolução nº 3302000.420 S3C3T2 Fl. 2.506 5 2106.90.10, posto que se destinam à fabricação de refrigerantes da posição 22.02. Não houve qualquer mudança no valor do imposto, que é isento. 5 mesmo que não seja aceitas as cartas de correção, o concentrado continua sendo classificado na posição 2106.90.10, EX 01, porque essa classificação não decorre da carta de correção, mas sim das próprias informações constantes das notas fiscais; 6 inexplicavelmente, a Informação Fiscal faz referência à classificação fiscal 2906.90.10, distinta da tratada nos autos; 7 a conclusão fiscal reconhece a utilização de matériaprima regional na produção do concentrado, requisito essencial para a fruição do incentivo previsto no art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75. Retornaram os autos para conclusão do julgamento. VOTO VENCEDOR Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, RedatorDesignado. A concessão dos benefícios fiscais previstos no Decretolei nº 288, de 1967 e Decretolei nº 1.435, de 1975, passa pela aprovação dos projetos industriais pelo Conselho de Administração da SUFRAMA e pela publicação de portaria interministerial pelos Ministros de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Ciência e Tecnologia, a teor das disposições abaixo transcritas: Decreto 72.423/73: Art. 1º Os órgãos deliberativos da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, da Superintendência do Vale do São Francisco SUVALE e do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas DNOCS, entidades de desenvolvimento subregional, como as define os artigos 12, 13, inciso I e II, e 14, do Decreto nº 66.882, de 16 de julho de 1970, passam a denominarse Conselhos de Administração. Art 6°. Parágrafo Único. Além das competências estabelecidas neste artigo, ao Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus compete, ainda a aprovação de projetos de empresas que objetivem usufruir dos beneficios fiscais previstos nos artigos 7° e 9° do DecretoLei n°288, de 28 de fevereiro de 1967, bem como estabelecer normas, exigências, limitações e condições para aprovação dos referidos projetos (acrescido pelo Decreto 76.801/75) Decretolei nº 288, de 1967, art. 7º, §6º, alterada pela Lei nº 8.383, de 1991: § 6o Os Ministros de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Ciência e Tecnologia estabelecerão os processos produtivos básicos no prazo máximo de cento e vinte dias, contado da data da solicitação fundada da empresa interessada, devendo ser indicados em portaria interministerial os processos aprovados, bem como os motivos determinantes do indeferimento. Fl. 2506DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10166.720116/200895 Resolução nº 3302000.420 S3C3T2 Fl. 2.507 6 Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 6º, §2º: Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. ... § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA. Já o Decreto nº 783, de 1993, definiu: Art. 5º Os Ministros de Estado da Integração Regional, da Indústria, do Comércio e do Turismo, e da Ciência e Tecnologia, fixarão, por portaria interministerial, os processos produtivos básicos para os produtos fabricados na Zona Franca de Manaus, não incluídos nos Anexos de I a XV deste decreto. Por sua vez, a Lei nº 10.176, de 2001, em seu art. 9º, dispôs: Art. 9o O Poder Executivo regulamentará, em até sessenta dias contados da data de vigência desta Lei, o procedimento para fixação do processo produtivo básico referido no § 6o do art. 7o do DecretoLei no 288, de 28 de fevereiro de 1967, modificado pelo DecretoLei no 1.435, de 16 de dezembro de 1975, pela Lei no 8.387, de 30 de dezembro de 1991, e por esta Lei, e no § 2º do art. 4º da Lei no 8.248, de 23 de outubro de 1991, introduzido pelo art. 1o desta Lei. Já o Decreto nº 4.401 de 2002: Art.2o Os Ministros de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Ciência e Tecnologia estabelecerão, em ato conjunto, os Processos Produtivos Básicos PPB para os bens industrializados na Zona Franca de Manaus e os procedimentos para suas fixações, nos termos do art. 9o da Lei no 10.176, de 11 de janeiro de 2001. ... Por fim, regulamentando a estrutura regimental da SUFRAMA, os Decretos nº 728, de 1993 e nº 4.628, de 2003: Decreto nº 728, de 1993: Art. 4° Ao Conselho de Administração da SUFRAMA compete: I aprovar: a) diretrizes gerais para elaboração dos planos anuais e plurianuais de trabalho; b) o seu Regimento Interno; Fl. 2507DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10166.720116/200895 Resolução nº 3302000.420 S3C3T2 Fl. 2.508 7 c) os projetos de empresas que objetivem usufruir dos benefícios fiscais previstos nos arts. 7° e 9° do DecretoLei n° 288, de fevereiro de 1967, com as modificações da Lei n° 8.387/91, bem assim estabelecer normas, exigências, limitações e condições para aprovação dos referidos projetos; d) normas e critérios gerais para a execução de planos, programas, projetos, obras e serviços a cargo da entidade, em especial; Decreto nº 4.628, de 2003 Art.4ºAo Conselho de Administração da SUFRAMA compete: I – aprovar: ... c) os projetos de empresas que objetivem usufruir dos benefícios fiscais previstos nos arts. 7º e 9º do DecretoLei nº 288, de 1967, com as modificações da Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991, especificando os incentivos a serem auferidos pela empresa, bem assim estabelecer normas, exigências, limitações e condições para aprovação, fiscalização e acompanhamento dos referidos projetos; Assim, cabe ao Conselho de Administração da SUFRAMA a aprovação dos projetos que objetivem usufruir dos incentivos fiscais regionais, especificando os incentivos a serem auferidos, resguardadas à Receita Federal as atribuições no sentido da possibilidade de verificar o cumprimento dos requisitos estabelecidos nas resoluções do Conselho e nas portarias interministeriais que estabelecem os processos produtivos básicos. A Resolução nº 387, de 1993, aprovando o Parecer Técnico 088/93 SAP DEPRO, previu apenas os benefícios fiscais do Decretolei nº 288, de 1967, mas não o do art. 6º do Decretolei nº 1.435, de 1975. O Parecer Técnico 035/97SAPDEPRODIPI, embora tenha ratificado que a isenção se estendia ao art. 6º do Decretolei nº 1.435, de 1975, não fora aprovado pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, órgão colegiado e deliberativo que detém a competência regimental para aprovar as condições para usufruir do referido benefício. Entretanto, o Parecer Técnico 035/97SAPDEPRODIPI, bem como o Parecer Técnico 088/93 SAPDEPRO, mencionam algumas resoluções anteriores à de nº 387, de 1993, que não constam do processo. Outrossim, não localizei a portaria que fixa o processo produtivo básico que objetivou usufruir dos benefícios fiscais dos Decretoslei nº 288, de 1967 e nº 1.435, de 1975. Assim, fazse necessária a juntada destes documentos ao processo. Quanto à classificação fiscal das matériasprimas glosadas, a diligência proposta na Resolução 330200.052 determinou, em seu item 2, que a relação das matériasprimas objeto da glosa fosse juntada aos autos. A autoridade fiscal que realizou as diligências assim respondeu ao questionamento: Resp: As matériasprimas objeto da glosa estão relacionadas como 005 – Outros Créditos nos Quadro Demonstrativos de números 001, 002, 003 e 004 anexos ao Termo de Diligência (fls. 603 a 615). Nas folhas 603 a 615 constam quadros com a descrição “aquisição de concentrados NF ...”, informação esta insuficiente para se determinar, precisamente, quais matériasprimas foram efetivamente glosadas. Há clara indefinição quanto à classificação fiscal Fl. 2508DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10166.720116/200895 Resolução nº 3302000.420 S3C3T2 Fl. 2.509 8 da matériaprima glosada, posto que a fiscalização utilizou o código da nota fiscal, 2106.90.10, cuja alíquota do IPI é zero; já a recorrente, por sua vez, afirma pertencer ao Ex 01, se sujeitando à alíquota de 27%, enquanto a Fazenda Nacional, em razões ao recurso de ofício, sugere a classificação no Ex 02, de alíquota 40%. Portanto, necessária a realização de diligência para que se relacione efetivamente as matériasprimas glosadas e sua correta classificação fiscal. Isto posto, voto no sentido de converter este julgamento em diligência para que a autoridade fiscal intime a recorrente a apresentar: 1. A Resolução nº 457, de 1988 e Parecer Técnico nº 094, de 1992, mencionados pelo Parecer Técnico nº 88, de 1993, a Resolução nº 350, de 24/09/92, e Resolução nº 098, de 05/03/93, mencionadas no Parecer Técnico 35, de 1997; 2. A portaria interministerial mencionada na Resolução nº 387, de 1993 que fixou o processo produtivo básico definitivo; 3. Outras resoluções ou portarias interministeriais que tenham concedido o benefício do art. 6º do Decretolei nº 1.435, de 1975, não juntadas aos autos; 4. Relação das matériasprimas glosadas, transcrevendo a descrição do item das notas fiscais; 5. Juntadas das notas fiscais mencionadas nos quadros das folhas 603 a 615; 6. Prova pericial a ser realizada pelo INT ou órgão congênere, para a definição dos aspectos técnicos das matériasprimas glosadas, especialmente quanto à capacidade de diluição mencionada nos textos dos Ex01 e Ex02 do código 2106.90.10. Concluída a diligência, elaborese relatório fiscal, facultando à interessada a oportunidade de se manifestar sobre o resultado no prazo de 30 dias, conforme art. 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574, de 2011, com posterior retorno dos autos a esta Câmara. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 2509DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 10880.928754/2010-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2004
COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO EM FONTE. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÃO POR PER/DCOMP DA FONTE PAGADORA. POSSIBILIDADE.
1. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF n° 80).
2. Para o reconhecimento do direito creditório do Contribuinte em relação a IRRF, se faz necessário apenas a comprovação da retenção dos valores discriminados, não havendo que se falar em demonstração de recolhimento pela fonte pagadora.
3. A apresentação de PER/Dcomp usada pela fonte pagadora para o adimplemento do débitos decorrentes de retenção de IR em fonte constitui documento hábil a comprovar a efetiva retenção do tributo, dando ensejo á utilização de tais valores, na forma de crédito compensável, pela parte que teve seu imposto retido.
NÃO DISCRIMINAÇÃO DE MULTA MORATÓRIA EM PER/DCOMP. INCLUSÃO DA MULTA EM BASE DE CÁLCULO DA COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. POSSIBILDIADE.
1. A mera ausência de discriminação quanto à multa de mora em PER/Dcomp não representa óbice à inclusão desse valor em base de cálculo da compensação paga em atraso.
CONSTITUIÇÃO DE DÉBITO POR PER/DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBLIDADE. NECESSIDADE DE AUSÊNCIA DE CONSTITUIÇÃO ANTERIOR DO DÉBITO POR DCTF.
1.Faz jus aos benefícios da denúncia espontânea o contribuinte que apresenta PER/Dcomp referente a débitos não confessados anteriormente por DCTF.
Numero da decisão: 1302-001.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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IMPOSTO DE RENDA RETIDO EM FONTE. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÃO POR PER/DCOMP DA FONTE PAGADORA. POSSIBILIDADE. 1. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF n° 80). 2. Para o reconhecimento do direito creditório do Contribuinte em relação a IRRF, se faz necessário apenas a comprovação da retenção dos valores discriminados, não havendo que se falar em demonstração de recolhimento pela fonte pagadora. 3. A apresentação de PER/Dcomp usada pela fonte pagadora para o adimplemento do débitos decorrentes de retenção de IR em fonte constitui documento hábil a comprovar a efetiva retenção do tributo, dando ensejo á utilização de tais valores, na forma de crédito compensável, pela parte que teve seu imposto retido. NÃO DISCRIMINAÇÃO DE MULTA MORATÓRIA EM PER/DCOMP. INCLUSÃO DA MULTA EM BASE DE CÁLCULO DA COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. POSSIBILDIADE. 1. A mera ausência de discriminação quanto à multa de mora em PER/Dcomp não representa óbice à inclusão desse valor em base de cálculo da compensação paga em atraso. CONSTITUIÇÃO DE DÉBITO POR PER/DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBLIDADE. NECESSIDADE DE AUSÊNCIA DE CONSTITUIÇÃO ANTERIOR DO DÉBITO POR DCTF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 87 54 /2 01 0- 00 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 1.Faz jus aos benefícios da denúncia espontânea o contribuinte que apresenta PER/Dcomp referente a débitos não confessados anteriormente por DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.928754/201000 Acórdão n.º 1302001.408 S1C3T2 Fl. 268 3 Relatório Tratase de recurso voluntário. Versam os presentes autos sobre pedido de compensação de crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004 com débitos de Imposto de Renda na forma Retida em Fonte (IRRF) referente a juros sobre capital próprio, devido em janeiro do ano calendário de 2005. Inicialmente, temse que a Recorrente se trata de Sociedade Anônima detentora de participação financeira na empresa Votorantim Participações S/A, auferindo anualmente rendimentos a título de Juros Sobre o Capital Próprio dessa última, os quais, na forma do artigo 668, do Decreto 3.000 de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR) – ficam sujeitos à dedução do Imposto de Renda Retido em Fonte (IRRF). Desta maneira, uma vez apurado prejuízo fiscal no anocalendário de 2004, a Recorrente apresentou Declaração de Compensação junto à Receita Federal do Brasil, através da PER/DCOMP n° 35036.57813.231209.1.7.027310 (fls. 03/05), requerendo a compensação dos valores retidos a título de IRRF naquele períodobase (2004), no montante de R$ 49.984.617,00 (quarenta e nove milhões, novecentos e oitenta e quatro mil, seiscentos e dezessete reais), com débitos tributários referentes a juros sobre capital próprio devidos em janeiro de 2005. No entanto, ao realizar a análise do referido pedido de compensação, entendeu a Receita Federal do Brasil (RFB) pela homologação parcial dos créditos pleiteados (R$ 44.154,54), uma vez que, conforme consulta realizada em sistemas da autoridade fazendária, não se verificou comprovação quanto à efetiva retenção de parte dos valores pleiteados. Em face disso, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 10/24, alegando, em síntese: i) A nulidade do despacho decisório que negou homologação aos créditos pleiteados, posto que a Recorrente não foi previamente intimada a prestar esclarecimentos sobre o crédito, tal como determina o artigo 65, da IN RFB n° 900/2008; ii) A necessidade de homologação dos créditos pleiteados, posto que constatada a efetiva retenção do IRRF pela fonte pagadora, conforme DIPJ da Votorantim Participações S/A; iii) A necessidade de afastamento da multa moratória, posto que, uma vez que essa não figura como objeto da compensação em comento, sua inclusão de ofício na base de cálculo da compensação acarretaria na violação do artigo 74, § 1° da lei 9.430/96; Fl. 269DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 iv) Ainda que não reconhecida a afronta ao artigo 74, § 1° da lei 9.430/96, devese afastar a multa moratória, tendo em vista que a apresentação de pedido de compensação se trata de modalidade de pagamento antecipado do débito, sendo, pois, forma de denúncia espontânea; No entanto, temse que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJSP) indeferiu os pedidos da ora Recorrente, conforme se vê da ementa da decisão a seguir transcrita (fls. 220/228): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. COMPENSAÇÃO. IRRF. A legislação tributária vincula a confirmação do IRRF passível de ser compensado ou restituído à apresentação do comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora. É necessária a comprovação do pagamento correspondente ao IRRF incidente sobre rendimentos pagos por sociedade controlada/coligada. DÉBITOS COMPENSADOS APÓS O VENCIMENTO. ENCARGOS MORATÓRIOS. Sobre o débito fiscal objeto de PER/DCOMP transmitido após seu vencimento, incidem encargos moratórios desde aquela data até a data da compensação. A declaração de compensação de débitos vencidos, não caracteriza a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN e será acompanhada da compensação, dos correspondentes acréscimos legais. Em seguida, insatisfeita com a decisão proferida pela DRJSP, a empresa fiscalizada apresentou o presente Recurso Voluntário (fls. 241/265), arguindo, em síntese: i) A necessidade de homologação dos créditos pleiteados, posto que constatada a efetiva retenção do IRRF pela fonte pagadora, conforme DIPJ da Votorantim Participações S/A; ii) Que a Votorantim Participações S/A efetuou o recolhimento dos débitos referentes ao IRRF em análise através de Declarações de Compensação juntadas às fls. 253/265; iii) A necessidade de afastamento da multa moratória, posto que, uma vez que essa não figura como objeto da compensação em comento, sua inclusão de ofício na base de cálculo da compensação acarretaria na violação do artigo 74, § 1° da lei 9.430/96; iii) Ainda que não reconhecida a afronta ao artigo 74, § 1° da lei 9.430/96, devese afastar a multa moratória, tendo em vista que a apresentação de pedido de compensação se trata de modalidade de pagamento antecipado do débito, sendo, pois, forma de denúncia espontânea; É o relatório. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.928754/201000 Acórdão n.º 1302001.408 S1C3T2 Fl. 269 5 Voto Conselheiro MARCIO RODRIGO FRIZZO Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. Do Direito Creditório da Recorrente Inicialmente, a Recorrente alega possuir direito creditório em relação a imposto de renda retido em fonte pela Votorantim Participações S/A (fonte pagadora), em virtude do pagamento de Juros sobre Capital Próprio (JCP), referente ao anocalendário de 2004, no qual apurou saldo negativo de Imposto de Renda. Em tempo, releva consignar que a homologação dos créditos requeridos em virtude de Imposto de Renda recolhido através de retenção em fonte, em verdade, depende da comprovação da efetiva retenção pela fonte pagadora, conforme se apreende da disposição do artigo 943 do Decreto 3.000 de 1999. Senão vejamos: Art.943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 977 e 987. (...) § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora (Lei nº 7.450/85, art. 55). Nesse mesmo sentido, aliás, caminha o entendimento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual já sedimentou, através da edição da Súmula CARF n° 80, que “na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto”. Saliento, por oportuno, que ambos os entendimentos são cristalinos ao se referir apenas à necessidade de comprovar a retenção, sendo, portanto, desnecessário perquirir, para fins de homologação da compensação, se a fonte pagadora efetuou, de fato, o recolhimento do tributo. Isso porque, a responsabilidade pelo recolhimento das quantias referentes ao IRRF devido em virtude de rendimentos auferidos por sociedades de investimento cabe unicamente à pessoa jurídica que realiza o repasse dos rendimentos, conforme se percebe da previsão contida no artigo 69, da Lei n.º 9.430, de 1996: Fl. 271DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Art. 69. É responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, incidente sobre os rendimentos auferidos pelos fundos, sociedades de investimentos e carteiras de que trata o art. 81 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, a pessoa jurídica que efetuar o pagamento dos rendimentos. Por esse motivo, entendo não ser razoável manter a fundamentação da DRJ, haja vista que a DIPJ da Votorantim Participações S/A (Ficha 06A, linha 35, fls. 123 / Ficha 50A – fls. 198) representa demonstração inconteste de que houve o repasse de valores à Recorrente a título de “Juros sobre o Capital Próprio”, bem como que houve a retenção de R$ 49.940.461,53 a título de tributo (IRRF). Ressalto que a responsabilidade pela retenção e pagamento é da fonte pagadora. Ademais, a fim de comprovar o efetivo recolhimento das retenções, a Recorrente juntou ao Recurso Voluntário ora apreciado as PER/Dcomp’s de n° 34969.74505110707.1.7.027355, 37634.27417.271005.1.3.570563 e 24288.43953.090107.1.3.025870 (fls. 253/265), pelas quais a Votorantim Participações S/A (fonte pagadora) teria efetuado a compensação dos débitos de IRRF que deram gênese aos créditos pleiteados. Assim, em face das provas apresentadas, fica impossível negar a conformidade da Recorrente em relação à legislação pertinente e ao entendimento deste Conselho, sendo imperativo reconhecer o direito creditório pleiteado. Logo, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório da Recorrente. 2. Da Inexistência de Violação ao Artigo 74, § 1° da Lei 9.430/96 Alega a Recorrente, outrossim, que a autoridade fiscalizadora teria procedido de maneira errônea ao realizar a compensação da parcela homologada do crédito pleiteado, posto que, em seu entender, deveria a autoridade realizar a mencionada compensação apenas em relação aos valores discriminados pela própria Recorrente em PER/Dcomp, quais sejam aqueles referentes ao valor principal do débito, acrescidos de juros. No entanto, nesse ponto em específico, assiste razão à Autoridade Julgadora da Receita Federal, na medida em que a normativa instituída pela IN SRF nº 600/05, a qual se encontrava vigente quando da compensação em tela, permite a incidência de “acréscimos legais” até a data da compensação, incluindose aí a multa de mora. Tal disposição encontrase positivada através do artigo 28, da mencionada IN SRF n° 600, de 2005, nos seguintes termos: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1 º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.928754/201000 Acórdão n.º 1302001.408 S1C3T2 Fl. 270 7 Assim, é inegável que o débito objeto deste processo era devido em tempo anterior a apresentação da PER/DCOMP, pelo que sua extinção através da compensação se deu em atraso, dando ensejo à incidência de multa de mora, mormente porque inexistiu denúncia espontânea, como melhor será fundamentado no tópico seguinte. Dessa maneira, temse que a mera falta de discriminação dos valores referentes à multa de mora não obstam que a autoridade fazendária que realiza a compensação o faça de forma a incluir tal multa em sua base de cálculo. Por esse motivo, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário neste ponto. 3. Da Denúncia Espontânea Por fim, alega a Recorrente no sentido de que a multa de mora cobrada pela Autoridade Fiscalizadora não seria devida em virtude da ocorrência de denúncia espontânea pela apresentação da Declaração de Compensação que deu gênese ao presente processo administrativo fiscal. Sobre o tema, é pacífico que tanto a DCTF quanto a declaração de compensação constitui declaração de dívida (art. 74, §6o, Lei n. 9.430/96, e art. 41, §4º, IN RFB 1.300/12). Este é, inclusive, o entendimento firmado através da Nota Técnica COSIT n.º 01, de 18 de janeiro de 2012, da qual destaco os seguintes excertos: Aplicabilidade da denúncia espontânea no caso de compensação 18. Com relação à aplicabilidade da denúncia espontânea na compensação de tributos, não se pode perder de vista que pagamento e compensação se equivalem; ambos apresentam a mesma natureza jurídica, seus efeitos são exatamente os mesmos: a extinção do crédito tributário. Como consequência, a compensação também é instrumento apto a configurar a denúncia espontânea. 18.1 Tanto é assim que o art. 28 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, ao dar nova redação ao art. 6° da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, conferiu à compensação o mesmo tratamento dado ao pagamento para efeito de redução das multas de lançamento de ofício. 18.2 Essa equiparação do pagamento e compensação na denúncia espontânea resulta da aplicação da analogia, prevista como método de integração da legislação pelo art. 108, I, do CTN. 18.3 Dessa forma, respondendo às indagações formuladas nas letras h e i do item 3 desta Nota Técnica: a) se o contribuinte não declara o débito na DCTF, porém efetua a compensação desse débito na Dcomp, sendo os atos de confessar e compensar concomitantes, aplicase o mesmo Fl. 273DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 raciocínio previsto no item 10, ou seja, neste caso resta configurada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN; b) se o contribuinte declara o débito na DCTF, e efetua a compensação posteriormente por meio da Dcomp, a situação é semelhante à dos tributos declarados, mas pagos a destempo (subitem 9.1), requerendo, em consequência, o mesmo tratamento ali previsto, ou seja, a incidência da multa de mora. [...] (grifo não original) Portanto, quanto à denúncia espontânea através de declaração de compensação, verificamse as seguintes situações: i) uma em que a DCTF é apresentada anteriormente à apresentação de pedido de compensação e ii) a outra em que inexiste DCTF referente ao débito tributário informado em PER/DCOMP. Na primeira hipótese, havendo DCTF anterior à apresentação de Pedido de Compensação, mostrase impossível reconhecer a ocorrência de Denúncia Espontânea, haja vista que o débito já se mostra perfeitamente constituído, sendo que a compensação se trataria, tão somente, de pagamento postergado da obrigação. Por outro lado, não havendo DCTF anterior à prestação da PER/DCOMP, a constituição do débito se daria pela própria requisição de compensação, a qual, concomitantemente, implicaria no pagamento do mesmo débito, caracterizando, assim, o instituto da denúncia espontânea. Noutros dizeres, a DCTF é instrumento hábil a constituir o crédito tributário, de sorte que a caracterização da denúncia espontânea pela prestação de PER/DCOMP apenas se verifica acaso inexista prévia confissão por meio de DCTF. De qualquer forma, importa frisar que o ônus da comprovação sobre a configuração da denúncia espontânea cabe ao Contribuinte, como já decidiu este Conselho: (...) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (Dctf) ou declaração equivalente, e afasta a exigência da multa de mora. (...) O ônus da prova de sua caraterização concreta cabe ao sujeito passivo. Portanto, se este não apresenta elementos suficientes para demonstrar a sua configuração, deve ser mantida a decisão recorrida. (CARF. Acórdão n.º 3802001.587. Rel. Solon Sehn. Sessão de 27/02/2013) DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIOORIUNDO DE MULTA MORA. NÃO COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. (...) para que se configure a denúncia espontânea nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, na forma do art. 150, §4o do Código Tributário Nacional, o pagamento deve preceder a constituição da obrigação tributária, ou seja, a entrega da DCTF. (...) (CARF. Acórdão n.º 1801001.303. Rel. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Sessão de 06/12/2012) Fl. 274DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.928754/201000 Acórdão n.º 1302001.408 S1C3T2 Fl. 271 9 Compulsando os autos e analisando a documentação juntada pela Recorrente, não é possível se certificar que a constituição do crédito tributário somente se deu através da PER/DCOMP. Portanto, entendo que não restou comprovada pela Recorrente a configuração da denúncia espontânea. Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, entendendo que a Recorrente não faz jus aos benefícios da denúncia espontânea. 4. Da Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto, para reconhecer o direito creditório relativo ao IRRF (item 1 da decisão) e Mantendo a incidência da multa moratória (item 2 e 3 da decisão). (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator Fl. 275DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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