Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
5517001 #
Numero do processo: 15374.003242/2001-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE No recurso especial fundado em contrariedade à lei cabe à Procuradoria da Fazenda indicar o dispositivo legal em seu entender contrariado, consistindo a “demonstração fundamentada” de que cuida o Regimento Interno na exposição dos motivos pelos quais, no entender da recorrente, ocorreu a mencionada contrariedade. Presentes esses requisitos, deve o recurso ser admitido, não cabendo dele não conhecer por discordância com aqueles argumentos, o que constitui o próprio exame de mérito. COFINS: RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. ISENÇÃO. DEPÓSITOS EM CONTA MANTIDA NO EXTERIOR. COMPOSIÇÃO HETEROGÊNEA. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS E RECEITAS DE JUROS. INGRESSOS DE DIVISAS NO PAIS COM ORIGEM NA REFERIDA CONTA. BASE DE CÁLCULO TRIBUTÁVEL. “CONTAMINAÇÃO” DAS EXCLUSÕES COM VALORES NÃO ISENTOS. COMPROVAÇÃO. A reinclusão na base de cálculo da contribuição do valor proporcionalmente correspondente aos juros e recuperações de despesas, que compõem o valor do ingresso de divisas no Pais, relativamente aos valores creditados em conta de depósitos mantida no exterior, evita a exclusão da base de cálculo de valores não isentos ou que não foram nela incluídos anteriormente. Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, I) pelo voto de qualidade, em conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos; e II) no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Maria Teresa Martínez López - Relatora Júlio César Alves Ramos - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Antônio Lisboa Cardoso, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201305

camara_s : 3ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE No recurso especial fundado em contrariedade à lei cabe à Procuradoria da Fazenda indicar o dispositivo legal em seu entender contrariado, consistindo a “demonstração fundamentada” de que cuida o Regimento Interno na exposição dos motivos pelos quais, no entender da recorrente, ocorreu a mencionada contrariedade. Presentes esses requisitos, deve o recurso ser admitido, não cabendo dele não conhecer por discordância com aqueles argumentos, o que constitui o próprio exame de mérito. COFINS: RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. ISENÇÃO. DEPÓSITOS EM CONTA MANTIDA NO EXTERIOR. COMPOSIÇÃO HETEROGÊNEA. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS E RECEITAS DE JUROS. INGRESSOS DE DIVISAS NO PAIS COM ORIGEM NA REFERIDA CONTA. BASE DE CÁLCULO TRIBUTÁVEL. “CONTAMINAÇÃO” DAS EXCLUSÕES COM VALORES NÃO ISENTOS. COMPROVAÇÃO. A reinclusão na base de cálculo da contribuição do valor proporcionalmente correspondente aos juros e recuperações de despesas, que compõem o valor do ingresso de divisas no Pais, relativamente aos valores creditados em conta de depósitos mantida no exterior, evita a exclusão da base de cálculo de valores não isentos ou que não foram nela incluídos anteriormente. Recurso Especial do Procurador Negado.

turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 15374.003242/2001-73

anomes_publicacao_s : 201407

conteudo_id_s : 5358727

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 9303-002.260

nome_arquivo_s : Decisao_15374003242200173.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ

nome_arquivo_pdf_s : 15374003242200173_5358727.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, I) pelo voto de qualidade, em conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos; e II) no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Maria Teresa Martínez López - Relatora Júlio César Alves Ramos - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Antônio Lisboa Cardoso, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.

dt_sessao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2013

id : 5517001

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:20 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046816256163840

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2266; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 1.849          1 1.848  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  15374.003242/2001­73  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9303­002.260  –  3ª Turma   Sessão de  08 de maio de 2013  Matéria  COFINS ­ Base de Cálculo  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  MOMSEM, LEONARDOS & CIA    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/2000  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  RECURSO  ESPECIAL.  ADMISSIBILIDADE   No  recurso  especial  fundado em contrariedade à  lei  cabe  à Procuradoria da  Fazenda indicar o dispositivo legal em seu entender contrariado, consistindo  a  “demonstração  fundamentada”  de  que  cuida  o  Regimento  Interno  na  exposição  dos  motivos  pelos  quais,  no  entender  da  recorrente,  ocorreu  a  mencionada  contrariedade.  Presentes  esses  requisitos,  deve  o  recurso  ser  admitido,  não  cabendo  dele  não  conhecer  por  discordância  com  aqueles  argumentos, o que constitui o próprio exame de mérito.  COFINS: RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. ISENÇÃO.  DEPÓSITOS  EM  CONTA  MANTIDA  NO  EXTERIOR.  COMPOSIÇÃO  HETEROGÊNEA.  RECUPERAÇÃO  DE  DESPESAS  E  RECEITAS  DE  JUROS.  INGRESSOS  DE  DIVISAS  NO  PAIS  COM  ORIGEM  NA  REFERIDA  CONTA.  BASE  DE  CÁLCULO  TRIBUTÁVEL.  “CONTAMINAÇÃO”  DAS  EXCLUSÕES  COM  VALORES  NÃO  ISENTOS. COMPROVAÇÃO.  A reinclusão na base de cálculo da contribuição do valor proporcionalmente  correspondente aos juros e  recuperações de despesas, que compõem o valor  do ingresso de divisas no Pais, relativamente aos valores creditados em conta  de  depósitos  mantida  no  exterior,  evita  a  exclusão  da  base  de  cálculo  de  valores não isentos ou que não foram nela incluídos anteriormente.  Recurso Especial do Procurador Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 32 42 /2 00 1- 73 Fl. 1951DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     2 Acordam os membros do Colegiado, I) pelo voto de qualidade, em conhecer  do  recurso  especial.  Vencidos  os  Conselheiros  Maria  Teresa  Martínez  López  (Relatora),  Antônio  Lisboa  Cardoso,  Rodrigo  Cardozo  Miranda,  Francisco  Maurício  Rabelo  de  Albuquerque  Silva  e  Susy  Gomes  Hoffmann.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  Conselheiro  Júlio César Alves Ramos;  e  II)  no mérito,  por unanimidade de votos,  em negar  provimento ao recurso especial.    Otacílio Dantas Cartaxo ­ Presidente    Maria Teresa Martínez López ­ Relatora    Júlio César Alves Ramos ­ Redator Designado    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres,  Antônio  Lisboa  Cardoso,  Júlio  César  Alves  Ramos,  Rodrigo  Cardozo  Miranda,  Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio  Pereira  Valadão,  Maria  Teresa  Martínez  López,  Susy  Gomes  Hoffmann  e  Otacílio  Dantas  Cartaxo.    Relatório  A Fazenda Nacional, por meio de  seu  I. Procurador,  com fulcro no art.  72,  inciso  I  e  no  art.15,  §  1º,  do  Regimento  Interno  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  apresenta  recurso  especial  contra  a  decisão  proferida  por  meio  do  Acórdão  n°  201­80.654,  proferida por maioria de votos, em sessão de 17 de outubro de 2007, do qual tomou ciência em  19 de março de 2008 (fl. 1.187), que está assim ementado:  (...)  Ementa:  RECEITAS  DE  EXPORTAÇÃO  DE  SERVIÇOS.  ISENÇÃO.  DEPÓSITOS  EM  CONTA  MANTIDA  NO  EXTERIOR.  COMPOSIÇÃO  HETEROGÊNEA.  RECUPERAÇÃO  DE  DESPESAS E RECEITAS DE JUROS. INGRESSOS DE DIVISAS  NO  PAIS  COM  ORIGEM  NA  REFERIDA  CONTA.  BASE  DE  CÁLCULO  TRIBUTÁVEL.  “CONTAMINAÇÃO”  DAS  EXCLUSÕES  COM  VALORES  NÃO  ISENTOS.  COMPROVAÇÃO.  A  reinclusão  na  base  de  cálculo  da  contribuição  do  valor  proporcionalmente correspondente aos  juros e  recuperações de  despesas, que compõem o valor do ingresso de divisas no Pais,  relativamente  aos  valores  creditados  em  conta  de  depósitos  mantida  no  exterior,  evita  a  exclusão  da  base  de  cálculo  de  Fl. 1952DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15374.003242/2001­73  Acórdão n.º 9303­002.260  CSRF­T3  Fl. 1.850          3 valores  não  isentos  ou  que  não  foram  nela  incluídos  anteriormente.  Recurso provido  Dessa decisão houve embargos de declaração por parte da D. Procuradoria da  Fazenda Nacional, onde, em síntese, se insurge quanto à adoção do resultado do julgamento do  processo de PIS neste (COFINS). Alega que:  Como  se  percebe,  mote  da  decisão  tomada  naquele  processo  foram as tabelas contidas nas páginas seguintes, omissas no bojo  desses autos. Faz­se lembrar de que a razão do julgado está no  anexo do voto: as  tabelas. Desse modo, para que o  julgado do  Recurso 126.335 se complete, necessário se faz a presença dessa  tabela também nesses autos, seja para a interposição de recurso,  seja para o caso de concordar com suas razões.  Ante  o  exposto,  requer  a União  sejam  conhecidos  os  presentes  Embargos  e  sanada  a  obscuridade  ora  apontada,  qual  seja,  ausência  da  tabela  que  deu  ganho  de  causa  à  contribuinte  em  processo idêntico ou, melhor, a produção de tabela semelhante.  Pelo Despacho de n° 201­273, de fl. 1.657, a seguir transcrito, os embargos  de declaração foram rejeitados.  7.  Tanto  o  presente  recurso  quanto  o  de  nº  122.952  são  decorrentes de uma mesma autuação. Este se refere ao auto de  infração da Cofins; aquele, ao da contribuição para o PIS,  8.  De  acordo  com  o  Relator,  a  divergência  de  entendimentos  entre o Fisco e a recorrente que gerou o litígio em discussão diz  respeito ao fluxo do dinheiro.  9. Assim, o Recurso n. ° 122.952 foi baixado em diligência com o  objeto de avaliar o quanto o método adotado pela recorrente se  ajusta ao entendimento da Fiscalização.  10.  Do  resultado  da  diligência  foi  possível  a  elaboração  das  tabelas  constantes  do  final  do  voto  proferido  naquele  recurso,  onde é demonstrada a comparação entre a apuração segundo os  critérios ali expostos e os valores reincluidos pela recorrente.  11.  A  conclusão  foi  no  sentido  de  que  “os  valores  excedentes  reincluidos 'a maior nos períodos anteriores abrangem com folga  os valores positivos apurados, o que significa que, considerando  todo  o  período  abrangido  pela  autuação,  não  houve  exclusões  indevidas  da  base  de  cálculo  da  contribuição.”  e  que,  “...tendo  havido  num  determinado  período  exclusão  da  base  de  cálculo  menor do que a poderia  ter  sido  efetuada, haveria,  obviamente,  recolhimento a maior da contribuição em tal período, o que não  pode  ser  desconsiderado  na  apuração  efetuada  em  períodos  seguintes”.  12. Quando do julgamento deste recurso, o Conselheiro­Relator  adotou  os  fundamentos  do  voto  por  ele  proferido  no  âmbito  daquele recurso, reproduzindo o seu teor, à exceção das tabelas  Fl. 1953DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     4 retrocitadas.  Referido  voto  foi  acolhido  por  maioria  do  Colegiado,  tendo  resultado  no  Acórdão  nº  201­80.654,  ora  embargado.  13.  Dessa  forma,  não  procede  a  alegação  de  existência  de  obscuridade no Acórdão nº. 201­80.654. Esta ocorre quando há  falta de clareza no julgado, tornando difícil a sua compreensão.  Não é o caso. Apesar de as tabelas não terem sido reproduzidas  nestes  autos,  as mesmas  foram  consideradas  no  voto  proferido  pelo  Conselheiro­Relator  que  trouxe,  ao  final,  todo  o  seu  detalhamento.  14.  Certo  é  que  são  dois  processos  distintos  de  uma  mesma  empresa  com dois  recursos distintos,  decorrentes de dois autos  de infração: um relativo à Cobris e outro à contribuição para o  PIS.  Também  é  certo  que  os  dois  decorreram  de  uma  mesma  autuação, em 6 de agosto de 2001.  15. A partir do retomo de diligência do Recurso nº. 122.952, com  conseqüente  retomo  ao  Relator,  um  e  outro  passaram  a  caminhar  juntos  até  o  julgamento  de  ambos,  conforme  andamento  constante  do  Sistema  de  Informações  Processuais  dos Conselhos de Contribuintes  ­  Sincon  (fls.  1.660/1661),  com  posterior  envio  à  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  para  ciência dos respectivos acórdãos, que também se deu na mesma  data: 14 de fevereiro de 2008.  16.  Veja  que  quando  da  devolução  deste  com  os  embargos  opostos  pela  Fazenda  Nacional  ás  fls.  1.648/1.650,  o  outro  recurso, de nº 122.952, em que constam as tabelas que serviram  para  a  decisão  daquele  e deste  recurso,  encontrava­se  naquele  órgão  17. Ante o exposto, na condição de Presidente da Câmara onde o  acórdão  foi  prolatado,  rejeito  os  presentes  embargos  declaratórios,  nos  termos  do  §  1º  do  art.  57  do  Regimento  Interno dos Conselhos de Contribuintes (Anexo I à Portaria MF  nº 147/2007).  18.  Encaminhem­se  os  autos  à  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional para ciência do  teor deste despacho, conforme o § 4º  do art. 57 do Regimento Interno acima citado.  Consta do Recurso da Procuradoria:  Data vênia, não obstante a louvável argumentação do voto  relator, entende a Fazenda Nacional que o acórdão merece  reforma,  porquanto  proferido  em manifesta  contrariedade  ao conjunto probatório constante dos autos, bem assim em  ofensa aos arts. 2°. e 3°. da Lei 9.718/98.  Em  síntese,  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  interpôs  recurso  especial  sustentando que  estaria  correto  o  procedimento  da  fiscalização  de  glosar  a  integralidade dos  recursos ingressados no País, pois não teria sido discriminada a origem de tais ingressos, além  do que a decisão recorrida teria cometido equívocos no cálculo por ela realizado.  E mais adiante, extrai­se do Recurso interposto pela D. procuradoria:  Fl. 1954DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15374.003242/2001­73  Acórdão n.º 9303­002.260  CSRF­T3  Fl. 1.851          5 PREMISSAS DO ACÓRDÃO E TABELA DE CÁLCULOS  Apenas ad argumentandum, no caso de não acolhida das razões  acima  e  da  manutenção  do  raciocínio  da  decisão  recorrida,  analisaremos os cálculos efetuados.  Inicialmente,  cabe  esclarecer  que  a  Fazenda  Nacional,  neste  ponto,  não  retomará  todo  o  complexo  universo  de  questões  levantadas  no  feito,  posto  que  a  decisão  recorrida  já  bem  realizou  tal  mister.  Limitar­nos­emos  a  abordar  diretamente  o  ponto de equivoco da decisão.  (...)  Pois bem. De posse de  tais elementos observa­se que o cálculo  efetuado  está  equivocado.  Peguemos  o  1.  mês  da  autuação  ­  JULHO/1997,  como  exemplo  do  período  anterior  a  Lei  n.  9.718/98. Dados (fls. 05; 34):  (...)  O  cálculo  acima  é  simples.  Trata­se  do  total  de  receitas  auferidas  (inclusive  aquelas  oriundas  do  exterior,  já  que  sua  “isenção”  fica  condicionada  ao  posterior  ingresso  de  divisas)  subtraído do total de ingressos (que correspondem ao envio das  “receitas isentas”).  A empresa ofereceu à  tributação  (doc. em anexo) exatamente o  valor que encontramos: R$ 490.297,36. Tudo estaria correto se  não  fosse  o  problema  da  “contaminação”  dos  ingressos  por  parcelas  de  juros  e  recuperação  de  despesas  (e  adiantamento  diversos  ­  parcela  não  referida  pelo  acórdão  recorrido)  que,  obviamente, não são “receitas de exportação”, não são  isentas  e, portanto, não podem compor o total a ser excluído.  Assim,  quando  foram  excluídos  R$  1.130.131,45,  da  base  de  cálculo, excluíram­se também parcelas não isentas ali inseridas.  Mas, quanto do total do ingresso foi indevidamente excluído?  Em  verdade,  a  empresa  não  contabilizou  em  separado  tais  valores  (juros,  recuperação  de  despesas  e  adiantamentos  diversos) e a decisão, entendendo que não havia obrigação legal  para tanto, calculou um percentual que demonstrasse quanto do  total recebido na conta no exterior correspondia a tais parcelas.  (...)  Portanto,  como demonstrado,  em  razão dos dados  equivocados  fornecidos; da não consideração dos “adiantamentos diversos”  e da não consideração dos percentuais de parcelas não isentas,  os cálculos da decisão recorrida precisam ser refeitos.  (...)  DA DIFERENÇA ENTRE OS PERÍODOS  Fl. 1955DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     6 No  período  anterior  à  vigência  da  Lei  nº  9.718/98,  maiores  questionamentos não há em relação à exclusão das parcelas não  isentas  da  base  de  cálculo  da  COFINS.  Como,  nesse  período,  tais  receitas  (juros,  recuperação  de  despesas  e  adiantamentos  diversos)  não  compunham  a  base  de  cálculo  da  contribuição,  fica bastante cristalino o equivoco da recorrida.  Quanto  ao  período  em  que  vigeu  a  Lei  nº  9.718/98,  é  possível  que surjam questionamentos quanto à natureza de tais parcelas.  De um lado os juros, que seriam receitas financeiras, insertas no  “indevido”  alargamento  da  base  de  cálculo;  de  outro  a  recuperação  de  despesas  e  os  adiantamentos  que  não  seriam  propriamente  receitas,  mas  meros  “ingressos”  destinados  ao  pagamento de despesas de outrem.  (...)  Portanto,  em  resumo,  temos:  se  a  Lei  nº  9.178/98  for  considerada inconstitucional, a exclusão dos juros insertos  no ingresso de divisas se compensa com a própria inclusão  dessa parcela na base de cálculo. Já se considerarmos que  a  recuperação/adiantamento  de  despesas  não  é  receita,  ainda  assim  a  exclusão  dessas  parcelas  insertas  no  ingresso de divisas é indevida. Por isso, a discussão quanto  natureza dessas últimas parcelas é inócua.  CONCLUSÕES  Por todo o exposto, a União (Fazenda Nacional) requer a  essa  Eminente  Corte  Superior,  que  se  digne  em  dar  provimento  ao  presente  recurso,  para  reformar  o  r.  acórdão recorrido e manter o lançamento fiscal.  Por  meio  do  Despacho  n°  201­338,  sob  o  entendimento  de  terem  sido  preenchidos os requisitos legais, o recurso foi admitido.  A  interessada  apresentou  contrarrazões  às  fls.  1.687  e  seguintes,  pedindo  a  manutenção do acórdão recorrido. Alega preliminarmente a ter ocorrido a intempestividade do  recurso apresentado, eis que os embargos de declaração foram intempestivos; No mais, pede a  manutenção de decisão recorrida, sob as alegações lidas em sessão.  É o relatório.    Voto Vencido  Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora  A  Interessada  foi  autuada  em  agosto  de  2001  em  relação  à  COFINS  que  supostamente  teria  deixado  de  ser  recolhido  nos  anos  de  1997  a  2000  sobre  valores  de  ingressos de divisas no Pais que, no entender da fiscalização, decorreriam, além de honorários  pela  prestação  de  serviços  para  o  exterior,  de  receitas  financeiras  e  de  recuperações  de  “despesas”.  Fl. 1956DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15374.003242/2001­73  Acórdão n.º 9303­002.260  CSRF­T3  Fl. 1.852          7 A  priori,  esclareço  que  quando  do  julgamento  do  recurso  voluntário  interposto  nos  autos  do  presente  processo  (COFINS),  o  conselheiro  relator  do  Acórdão  recorrido, reconhecendo que se tratava da mesma matéria objeto do Recurso nº 122.952 (PA nº  15374.003243/2001­18),  relativo  ao  PIS,  decidiu  dar  provimento  ao  recurso,  adotando  os  mesmos fundamentos da decisão proferida em relação ao caso de PIS.   A  Fazenda  Nacional,  por  meio  de  sua  D.  procuradoria,  recorreu  dos  dois  processos  administrativos.  Ambos  os  recursos  especiais  são  decorrentes  de  uma  mesma  autuação. Este se refere ao auto de infração da Cofins; aquele, ao da contribuição para o PIS.  Os dois processos foram a esta Conselheira sorteados.   Por  entender  caber  ao  relator  do  processo,  antes  de  efetuar  qualquer  apreciação de mérito, efetuar o controle dos requisitos formais de admissibilidade do recurso,  entre eles, a verificação de se os pressupostos processuais foram devidamente cumpridos, passo  preliminarmente à apreciação dos mesmos.  I) ADMISSIBILIDADE  Este  exame  preliminar  sobre  o  cabimento  do  recurso  denomina­se  juízo  de  admissibilidade, transposto o qual, em sentido favorável ao recorrente, passará o órgão recursal  ao juízo de mérito do recurso.  O primeiro requisito extrínseco a ser verificado é o da sua tempestividade. A  interessada alega em suas contrarrazões:  19.  A  extemporaneidade  do  recurso  extraordinário  decorre  da  intempestividade  dos  embargos  de  declaração  anteriormente  opostos,  que,  por  serem  intempestivos,  não  suspendem  o  prazo  para o recurso especial.  20.  A  intempestividade  dos  embargos  de  declaração  é  perfeitamente  demonstrada  pela  cronologia  dos  fatos  descritos  tanto nas informações processuais constates do site do Conselho  de Contribuintes (doc. 01), quanto do COMPROT (doc. 02)  21.  De  acordo  com  as  informações  processuais,  o  acórdão  recorrido foi  formalizado no dia 18 de dezembro de 2007 e em  21 de dezembro de 2007 já se encontrava disponível para ciência  da Procuradoria da Fazenda Nacional.  22.  Não  tendo,  todavia,  o  Procurador  da  Fazenda  tomado  ciência  da  decisão  no  prazo  de  quarenta  dias,  a  Secretaria  da  Primeira Câmara fez cumprir o artigo 63 do Regimento Interno  do Conselho de Contribuintes, segundo o qual:  “Art.  63.  Caso  o  Procurador  da  Fazenda  Nacional  não  seja  intimado  pessoalmente  em  até  40  (quarenta)  dias  contados  da  formalização do acórdão,  as Secretarias das Câmaras  remeterão  os autos à Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional, para fins da  intimação referida no art. 62.  (...)  Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     8 §3º  A  confirmação  de  recebimento  dos  processos  ocorrerá  mediante  a  assinatura  do  servidor  da  Procuradoria­Geral  da  Fazenda Nacional  na  Relação  de Movimentação  ­  RM  emitida  pelo  sistema  Comprot,  na  data  de  sua  entrega  naquela  repartição.”  23.  No  presente  caso,  o  processo  chegou  à  Procuradoria  da  Fazenda Nacional em 15 de fevereiro de 2008, de acordo com o  COMPROT.  24. Todavia, somente em 12 de março de 2008 o Procurador da  Fazenda Nacional Marcus Marques Rosa deu­se por ciente (fls.  1645),  tendo  protocolado,  em  13  de  março  de  2008,  ou  seja,  apenas  um  dia  depois,  embargos  de  declaração  (fls.  1648  a  1653) datados do próprio dia da suposta ciência, ou seja, de 12  de março de 2008.  25.  A  invejável  eficiência  aparentemente  demonstrada  pelo  Procurador  signatário  dos  embargos  de  declaração,  que  no  mesmo  dia  da  ciência  redigiu  recurso  sobre  matéria  de  certo  grau  de  complexidade,  só  foi  suplantada  pela  inacreditável  rapidez  demonstrada  pela  Procuradora  signatária  do  recurso  especial.  26. Com efeito, tendo sido o termo de intimação da decisão que  inadmitiu os embargos de declaração datado de 18 de junho de  2008 (fl. 1662), os autos do processo chegaram à Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  em  dois  de  julho  de  2008,  conforme  registro no COMPROT.  27. Não obstante o processo se encontrar na Procuradoria desde  dois de julho de 2008, apenas no dia 22 de julho a Procuradora  da Fazenda Nacional Maria Nely Bezerra de Oliveira deu­se por  ciente (fl. 1662), e – pasmem os eminentes Conselheiros – neste  mesmo  dia  redigiu  robusto  recurso  especial  sobre matérias  de  fato nada triviais, para protocolá­lo no dia seguinte.  28. Nesse contexto, a Recorrida lembra que as modificações na  sistemática  de  intimações  dos  Procuradores  da  Fazenda  Nacional introduzidas pelo atual Regimento Interno do Conselho  de Contribuintes  deram­se  justamente  para  eliminar  os  abusos  que  vinham  sendo  notoriamente  cometidos  no  âmbito  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  que,  amparada  por  sua  prerrogativa  de  ciência  pessoal  das  decisões,  simplesmente  dava­se por ciente na data que bem entendia.  29. Foi  justamente por  isso que o artigo 63 do atual regimento  interno deu o prazo mais do que razoável de quarenta dias após  a  formalização  do  acórdão  para  a  ciência  pessoal  do  Procurador,  findo  o  qual  a  Secretaria  da  Câmara  remete  o  processo para a Procuradoria da Fazenda Nacional para os fins  do artigo 62, ou seja, da ciência do Procurador.  30.  Ora,  apesar  das  alterações  promovidas  pelo  regimento  interno, alguns procuradores parecem tentar  transformá­las em  letra  morta,  ao  continuarem  dando­se  por  cientes  quando  bem  entendem, como ocorreu no presente caso.  Fl. 1958DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15374.003242/2001­73  Acórdão n.º 9303­002.260  CSRF­T3  Fl. 1.853          9 31.  Nestas  circunstâncias,  em  que,  com  a  devida  vênia,  não  merecem  fé  as  datas  de  ciência  apostas  pelos  Procuradores,  o  marco  inicial  dos  prazos  para  os  Procuradores  deve  ser  considerado a data do recebimento na Procuradoria registrada  no COMPROT, única data insuscetível de manipulação na qual,  indiscutivelmente  os  autos  do  processo  já  se  encontram  à  disposição do Procurador.  32. Caso assim não faça, o Conselho dos Contribuintes estará a  rasgar  seu  regimento  interno,  ao  permitir  que  continue,  do  mesmo modo que antes, a representação fazendária a não ter, na  prática,  que  cumprir  os  prazos  processuais  legal  e  regimentalmente estabelecidos.  33. No presente caso, como o processo com o acórdão recorrido  chegou  à  Procuradoria  em  15  de  fevereiro  de  2008,  conforme  registro no COMPROT, a oposição de embargos de declaração  no  dia  12  de  março  de  2008,  muito  além  dos  cinco  dias  regimentalmente previstos, é claramente intempestiva.  34.  Intempestivos  os  embargos  de  declaração,  os  mesmos  não  suspendem o prazo para o presente recurso especial, que resta,  ipso  facto,  extemporâneo,  consoante  pacífica  jurisprudência  do  Superior Tribunal de Justiça, comprovada mediante a leitura das  seguintes ementas:  “Recurso  Especial.  Embargos  de  Declaração  na  Origem.  Intempestividade.  Tema  de  Ordem  Pública.  Regularidade  Temporal  do  Apelo  Excepcional.  Prazo  Peremptório.  Vício  Reconhecido a Qualquer Tempo.  1.  Uma  vez  constatada  a  intempestividade  dos  embargos  de  declaração, opostos mais de dez dias depois de fluído o prazo do  art.  619  do  CPC,  deve  ser  reconhecido  a  sua  ineficiência  interruptiva  em  relação  aos  recursos  vindouros,  no  caso,  identificado no recurso especial. (Precedentes).  2. A discussão sobre prazo peremptório envolve  tema de ordem  pública,  de  admissibilidade  recursal,  invadindo,  inclusive,  a  regularidade do próprio apelo especial e a obediência, por parte  do julgador, ao princípio da paridade das partes, segundo o qual  não  pode  conceber  privilégios  ou  prerrogativas  sem  a  previsão  legal.  3.  Ademais,  não  se  pode  esquecer  que  a  intempestividade  promove o reconhecimento da preclusão processual, que equivale  a um fato, o qual, uma vez ocorrente nos autos opera seus efeitos  desde o dies a quo,  independentemente de apenas  ser declarada  tempos depois.  4. Recurso não conhecido.1  Processual Civil. Agravo Regimental  o Agravo de  Instrumento.  Embargos  de  Declaração Opostos,  Via  Fax,  no  Último  Dia  do                                                              1  Recurso Especial nº 254.319, julgado pela Sexta Turma.  Ementa publicada no DJ de seis de agosto de 2007.  Fl. 1959DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     10 Prazo,  mas  Após  o  Encerramento  do  Expediente  no  Tribunal.  Intempestividade.  Prazo  não  Suspenso.  Recurso  Especial  Intempestivo. Agravo Improvido.2  “Processual  civil.  Agravo  regimental  interposto  contra  decisão  proferida  em  embargos  de  declaração.  Embargos  declaratórios  considerados  intempestivos.  Prazo  para  outros  recursos  não  interrompido. Agravo regimental intempestivo.  I  – Os  embargos  de  declaração considerados  intempestivos não  interrompem o prazo para interposição de outros recursos.  Precedentes.  II – Agravo regimental não conhecido.”3  “Processual  Civil.  Embargos  Declaratórios  Intempestivos  não  Conhecidos. Não Interrupção do Prazo.  ­ Embargos declaratórios intempestivos não interrompem o prazo  para interposição de outro recurso.”4  35. Da mesma forma, além de extemporâneo o recurso especial  por  força  da  intempestividade  dos  embargos  de  declaração,  o  próprio  recurso  especial  revela­se  intempestivo,  na medida  em  que  a  data  de  recebimento  dos  autos  pela  Procuradoria  registrada  no COMPROT  foi  o  dia  dois  de  julho  de  2008,  e  o  recurso  especial  foi  protocolado no dia 23 de  julho,  já quando  passados,  portanto,  os  quinze  dias  regimentalmente previstos  a  título de prazo.  36.  Em  face  de  todo  o  exposto,  resta  demonstrada  a  intempestividade do recurso especial,  razão pela qual o mesmo  não deve ser admitido.  Passo  à  análise  da  questão  levantada  pela  interessada.  Penso  equivocado  e  entendimento externado pela contribuinte pelos seguintes motivos:  ­  A  tempestividade  dos  embargos  de  declaração  é  demonstrada  pela  cronologia dos fatos descritos pela interessada tanto nas informações processuais constantes do  site do Conselho de Contribuintes, juntado aos autos (abaixo parcialmente reproduzido) quanto  do próprio COMPROT . Confira­se:  18/12/2007 ­ Formalizado Na Secretaria Da Câmara, Câmara:  PRIMEIRA CÂMARA.  21/12/2007  ­  Acórdão  P/  Ciência  Pfn,  Câmara:  PRIMEIRA  CÂMARA.  14/02/2008 ­ Acórdão P/ Ciência Pfn, Procurador: CAT/PGFN ­  Coordenação­Geral de Assuntos Tributários.  13/03/2008 ­ Devolução Pin – Acórdão C/ Embargos, CAMARA:  TERCEIRA CÂMARA.                                                              2  Agravo Regimental no Agravo de Instrumento nº 1.002.777, julgado pela Quarta Turma.  Ementa publicada no  DJ de 15 de setembro de 2008.  3    Agravo  Regimental  nos  Embargos  de  Declaração  no  Recurso  Especial  nº  434.913,  julgados  pela  Terceira  Turma.  Ementa publicada no DJ de oito de setembro de 2003.  4  Recurso Especial nº 272.780, julgado pela Primeira Turma.  Ementa publicada no DJ de seis de maio de 2002.  Fl. 1960DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15374.003242/2001­73  Acórdão n.º 9303­002.260  CSRF­T3  Fl. 1.854          11 14/03/2008  ­ Devolução Pfn  ­ Acórdão C/ Embargos, Câmara:  PRIMEIRA CÂMARA.  ­  A  suposta  intempestividade  dos  embargos  interpostos  pela  Fazenda  Nacional,  no  entender  desta  conselheira,  deveria  ser  alegada  e  demonstrada  no momento  do  recurso,  enquanto  não  julgado  o  ato  que  com  ele  diz  respeito,  sob  pena  de  “preclusão  consumativa”. O fato de o embargante,  ter redigido “robusto recurso especial sobre matérias de  fato nada triviais, para protocolá­lo no dia seguinte” não é motivo suficiente para se duvidar que a  Embargante  tomou ciência  em dia  anterior  à protocolização da peça  recursal. Por outro  lado  inexistem indícios de que a data que constou nos autos (13/03) não seja a correta.  Afasto pois, a intempestividade alegada pela interessada.  Passo, no  entanto,  à análise dos demais pressupostos de  admissibilidade do  recurso especial interposto pela D. Fazenda Nacional.  A  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional,  discordando  do  Acórdão  dos  Conselhos,  interpôs  recurso  especial,  sustentando,  em  síntese,  que  estaria  correto  o  procedimento da fiscalização de glosar a integralidade dos recursos ingressados no Pais, pois  não teria sido discriminada a origem de tais  ingressos, além do que a decisão recorrida teria  cometido equívocos no cálculo por ela realizado. Alega ter ocorrido ofensa aos arts. 2°. e 3°  da Lei 9.718/98 (contrariedade à lei).  O recurso especial foi interposto com fundamento nos arts. 7º, inciso I, § 1º, e  artigo 15 do Regimento Interno da CSRF, em razão de suposta contrariedade à lei.  0 Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado por  meio da Portaria MF n. 147/2007, estabelece, verbis:  Art. 15. 0 recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional  ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida  ao  Presidente  da  Câmara  que  houver  prolatado  a  decisão  recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência  da decisão.  §  1°  Na  hipótese  de  que  trata  o  inciso  I  do  art.  7°  deste  Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a  contrariedade à lei ou a evidencia da prova e, havendo matérias  autônomas,  o  recurso  especial  alcançará  apenas  a  parte  da  decisão não unânime contrária a Fazenda Nacional.  No entender desta Conselheira, a recorrente deixou de atender ao disposto no  § 1° do artigo 15, no sentido de que “Na hipótese de que trata o inciso I do art. 7° deste Regimento,  o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou à evidência da prova.”.  Não  houve  qualquer  demonstração,  muito  menos  fundamentada,  de  contrariedade à lei, tendo a recorrente se limitado a escrever que:  Data  vênia,  não  obstante  a  louvável  argumentação  do  voto  relator,  entende  a  Fazenda  Nacional  que  o  acórdão  merece  reforma,  porquanto  proferido  em  manifesta  contrariedade  ao  conjunto  probatório  constante  dos  autos,  bem assim  em ofensa  aos arts. 2º e 3º da Lei 9.718/98.  Fl. 1961DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     12 A  Lei  nº  9.718/98  está  assim  redigida,  nos  dispositivos  citados  pela  Recorrente:  Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas  pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com  base  no  seu  faturamento,  observadas  a  legislação  vigente  e  as  alterações introduzidas por esta Lei.   Art.  3º  O  faturamento  a  que  se  refere  o  artigo  anterior  corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.  Consta do fundamento legal da autuação fiscal (fl. 136):  ENQUADRAMENTO LEGAL  Art. 2° da Lei Complementar n° 70/91;  Art. 1° da Lei Complementar n° 70/91;  Arts.  2°,3°  e  8°,  da  Lei  n°  9.718/98,  com  as  alterações  da  Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições;  Arts.  2°,  3°  e  8°,  da  Lei  n°  9.718/98,  com  as  alterações  da  Medida  Provisória  n°  1.807/99  e  suas  reedições,  com  as  alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e suas reedições.  Neste contexto, depois de se abster de fundamentar o cabimento do recurso  pela  suposta  contrariedade  à  lei,  a  recorrente  somente  afirma,  surpreendentemente,  que  “os  cálculos realizados estão equivocados”, referindo­se aos cálculos feitos pelo relator da decisão  recorrida  como  forma auxiliar de demonstrar que não  só  a  interessada não deve um centavo  como que  ela,  em  razão  do  absoluto  conservadorismo do  critério  de  apuração  adotado,  teria  pago tributo indevidamente.  Cabe  observar  que  não  compete  à  CSRF  reexaminar  matéria  que  diga  respeito  às  planilhas  e  cálculos  elaborados  pela  Diligência  efetuada  no  processo  do  PIS  (subsidiados para o presente processo da COFINS) e ratificados pela Câmara recorrida.  A  alegada  insuficiência  de  provas  para  desonerar  a  contribuinte  não  daria  margem ao recurso especial, na medida em que suposto equívoco na valoração das provas não  pode  ser  confundido  com  a  contrariedade  à  evidência  da  prova  capaz  de  deflagrar  o  recuso  especial.  Para que  se dê a  contrariedade  à  evidência da prova,  é necessário que uma  prova  INEQUÍVOCA existente nos autos demonstre, de  forma evidente,  que o  lançamento  é  procedente, o que não ocorre quando uma alegada (pela Procuradoria) insuficiência de provas  apresentadas pelo contribuinte gera a reforma do lançamento pela Câmara Baixa. Caso assim  não  se  entenda,  estar­se­á  a  transformar  a  via  estreita  do  recurso  especial  em  embargos  infringentes  para  uma  terceira  instância  processual,  competente  para  rever  toda  e  qualquer  valoração de provas pela Câmara Baixa com a qual a Fazenda não concorde.  De  fato,  se os  cálculos  estivessem equivocados  (já  fazendo  juízo de valor),  caberia  à  recorrente  ter  apresentado  embargos,  de  forma  a  esclarecer/corrigir  a  contradição  prolatada na decisão. Os embargos são apenas um meio formal de integração do ato decisório,  pelo  qual  se  exige  do  seu  prolator uma  sentença  ou  acórdão  complementar  que opere  a dita  integração. Supostos erros nos cálculos não são objeto de recurso à CSRF.  Fl. 1962DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15374.003242/2001­73  Acórdão n.º 9303­002.260  CSRF­T3  Fl. 1.855          13 No  que  diz  respeito  aos  embargos,  assim  dispõe  o  art.  57,  do  Regimento  Interno dos Conselhos, verbis:  Art.  57.  Cabem  embargos  de  declaração  quando  o  acórdão  contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e  os  seus  fundamentos,  ou  for  omitido  ponto  sobre  o  qual  devia  pronunciar­se a Câmara.  Na verdade, e aqui novamente fazendo juízo de valor, no que diz a prova de  isenção, não foi a interessada quem deixou de provar o atendimento das condições para o gozo  da isenção, mas sim, a própria fiscalização quem criou arbitrariamente requisitos não previstos  em lei, cujo não atendimento pela contribuinte não poderia, jamais, obstar seu legítimo gozo da  isenção.  II) ANÁLISE DO MÉRITO  Na  hipótese  de  ser  esta  Conselheira  vencida  quanto  ao  conhecimento  do  recurso  especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional,  no  mérito,  ratifico  integralmente  a  bem  elaborada decisão recorrida, lida em sessão.  Embora, esta Conselheira tenha se manifestado no mérito quando da análise  da preliminar, reitero o exposto anteriormente.   A  autuação  pautou­se  em  dois  fatos  claros:  contaminação  da  parcela  de  receita  a  ser  excluída  da  base  de  cálculo  por  receitas  financeiras  auferidas  no  exterior,  que  estariam  sujeitas  a  incidência  da  contribuição,  e  impossibilidade  de  conciliação  das  receitas  auferidas com as exclusões da base de cálculo.  A  interessada  é  sociedade  de  agentes  da  propriedade  industrial  que  presta  serviços  em  sua  maioria  a  clientes  estrangeiros,  e  destes  recebe  em  moeda  estrangeira,  geralmente mediante  depósito  em  sua  conta  corrente mantida  no  exterior,  mas  também  por  meio  de  cheques  a  ela  enviados,  no  Brasil,  e  no  País  convertido  em  reais.  Tais  receitas,  decorrentes de exportação de serviços, foram, pela interessada, excluídas da base de cálculo da  COFINS por expressa determinação legal.  Consta da decisão guerreada que:  Dessa  forma,  a  questão  que  se  trava  nos  presentes  autos  diz  respeito a um critério de análise do procedimento adotado pela  recorrente, que parte de uma premissa sólida.   Outra  questão  foi  a  levantada  pelo  Acórdão  de  primeira  instância,  relativamente  ao  que  se  chamou  de  conciliação  dos  resultados.  No que concerne ao controle indireto dos valores dos ingressos  por meio  da  individualização  dos  contratos  de  câmbio,  não  se  poderia  de  forma  alguma  exigir­se  tal  procedimento  da  interessada,  uma  vez  que  não  se  trata  de  questão  atinente  diretamente  ao  direito  tributário,  nem  se  trata  de  obrigação  acessória ou de outra conduta exigida pela legislação tributária.  Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     14 Quanto a conciliação, ainda que realizada sob outra modalidade  de controle, de fato, é bastante razoável que houvesse controles  contábeis  específicos  que  permitissem  a  exata  apuração  da  origem do numerário ingressado no Pais.  Nesse contexto é que parece situar­se a divergência levantada no  Acórdão  de  primeira  instância,  que,  entretanto,  não  deu  importância  ao  problema  da  “contaminação”  levantado  pela  Fiscalização.  Veja­se que, em principio, seria possível a recorrente apresentar  provas  que  afastassem,  ao  menos  em  parte,  a  exigência.  Entretanto,  ao  levantar  o  óbice  de  que  a  interessada  teria  de  haver  adotado  procedimentos  específicos,  além  do  controle  contábil,  em  relação  ao  ingresso  do  numerário  no  Pais,  o  Acórdão de fato exarou entendimento de que, ao assim proceder,  a  base  de  calculo  da  contribuição  teria  que  englobar  necessariamente a totalidade dos valores.  Há de se observar que os cálculos questionados pela D. Procuradoria, foram  originários de Diligência efetuada à Delegacia da Receita Federal de origem e confirmados na  Câmara  recorrida,  que  mostraram,  inclusive,  haver  crédito  em  favor  da  interessada.  Nesse  sentido:  10.  Do  resultado  da  diligência  foi  possível  a  elaboração  das  tabelas  constantes  do  final  do  voto  proferido  naquele  recurso,  onde é demonstrada a comparação entre a apuração segundo os  critérios ali expostos e os valores reincluidos pela recorrente.  11.  A  conclusão  foi  no  sentido  de  que  “os  valores  excedentes  reincluidos  'a  maior  nos  períodos  anteriores  abrangem  com  folga  os  valores  positivos  apurados,  o  que  significa  que,  considerando  todo  o  período  abrangido  pela  autuação,  não  houve exclusões indevidas da base de cálculo da contribuição.”  e  que,  “...tendo  havido  num  determinado  período  exclusão  da  base  de  cálculo  menor  do  que  a  poderia  ter  sido  efetuada,  haveria,  obviamente,  recolhimento  a maior  da  contribuição em  tal  período,  o  que  não  pode  ser  desconsiderado  na  apuração  efetuada em períodos seguintes”.  (...)  Conforme  já exposto anteriormente, não há disposição  legal ou  regulamentar  especifica  que  estabeleça  a  realização  de  uma  operação  de  ingresso  de  divisas  para  cada  nota  fiscal  de  serviços  emitida,  de  forma  que  o  procedimento  adotado  pela  recorrente,  nesse  aspecto,  não  pode  ser  motivo  suficiente  A  autuação pelo resultado integral de cada período.  Com  efeito,  considerando  que  a  Recorrida  excluía  da  base  de  cálculo  da  COFINS  os  valores  ingressados  no  País  em  determinado mês,  sempre  limitados  ao  total  do  faturamento para o exterior (receitas da prestação de serviços para o exterior) no mesmo mês, é  evidente  que  a  exclusão  se  limitava  sempre  aos  valores  relacionados  aos  honorários  pela  prestação  de  serviços  ao  exterior.  Inexistindo  “contaminação  de  receitas”  passam  a  estar  corretos os cálculos efetuados e demonstrados na Diligência fiscal.   Por  outro  lado,  a  reinclusão  na  base  de  cálculo  da  contribuição  do  valor  proporcionalmente correspondente aos juros e recuperações de despesas, que compõem o valor  Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15374.003242/2001­73  Acórdão n.º 9303­002.260  CSRF­T3  Fl. 1.856          15 do  ingresso  de  divisas  no  Pais,  relativamente  aos  valores  creditados  em  conta  de  depósitos  mantida  no  exterior,  evita  a  exclusão  da  base  de  cálculo  de  valores  não  isentos  ou  que  não  foram nela incluídos anteriormente.  Em  síntese,  restando  comprovado  pela  própria  administração  (retorno  de  Diligência),  que  o  procedimento  de  apuração  da  base  de  cálculo  da  COFINS  adotado  pela  interessada está correto,  tendo sido  indevida a glosa da  integralidade das  receitas  ingressadas  do exterior,  sob a alegação de que  estariam contaminadas por  receitas não  isentas, há de  ser  mantida a decisão recorrida.  CONCLUSÃO  Diante do acima exposto, voto no sentido de:  ­  Em  preliminar,  por  não  conhecer  do  recurso,  em  face  da  ausência  de  preenchimento de parte dos requisitos de admissibilidade; e  ­  Em  sendo  vencida  na  preliminar,  no mérito,  por  NEGAR  provimento  ao  recurso especial da Fazenda Nacional.    Maria Teresa Martínez López    Voto Vencedor  Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator Designado  Honrou­me a Presidência com a difícil  tarefa de redigir o acórdão prolatado  pelo colegiado na parte em que discordamos, por maioria, do ilustrado voto da relatora. Essa  disse respeito tão­somente à admissibilidade do recurso, a qual foi por ela negada.  Entendeu a maioria diferente, tendo eu me pronunciado primeiramente por ter  pedido vista dos autos na reunião passada. Dela concluí que a Procuradoria da Fazenda, neste  caso, se desincumbiu a contento das demonstrações que lhe competem nos casos de recursos  motivados em contrariedade à lei. Vale a ênfase de que tenho sido um dos mais rigorosos em  tais exames, mormente porque em muitos deles se argúi que a contrariedade estaria no fato de a  decisão não ter sido unânime. Não é, aliás, incomum que os despachos que os admitem assim  se  pronunciem.  Em  tais  casos,  já  deixei  consignado  que  a  contrariedade  à  lei  é,  em  meu  entender, um segundo atributo da decisão que se quer modificar, ao lado da não­unanimidade,  não sendo por ela implicado.  Assim, dúvidas não tenho de que cabe à Fazenda indicar qual o dispositivo de  lei – e há de ser lei em sentido estrito – foi, em seu entender, contrariado pela decisão atacada.  Tal demonstração consiste na indicação clara do dispositivo e dos motivos que comprovariam a  contrariedade. Obviamente, essa comprovação se dá na interpretação da Fazenda, que deve ser  por ela explicitada.  Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     16 Portanto,  para  que  seja  ele  aceito,  o  recurso  deve  trazer  o  dispositivo  legal  supostamente contrariado e as razões dessa contrariedade no entendimento do recorrente.  O acatamento pelo colegiado desse entendimento, matéria de mérito, leva ao  provimento do recurso, o contrário ocorrendo se não concordarmos com ele. Em qualquer caso,  porém,  ele  decorre  de,  preliminarmente,  dele  termos  decidido  conhecer.  Para  esta  última  providência, basta a verificação daqueles dois primeiros requisitos.  No caso concreto, a n. relatora entendeu que toda a argumentação expendida  pela Procuradoria da Fazenda entre  as mais de  vinte  folhas  em que  se  assenta o  seu  recurso  estaria voltada, unicamente, a combater os cálculos efetuados. Mas, em verdade, é de cálculos  –  imprestáveis no entender da fiscalização e corretos no da empresa – que  trata o auto. Com  efeito,  a  acusação  fiscal  é  de  que  a  empresa havia  excluído  da  base  de  cálculo  do  tributo,  a  título de receita de exportação de serviços, mais do que lhe permitiria a legislação por estarem  os  valores  “contaminados” por  parcelas  que  a  lei  não  identificaria  com  tais  receitas  (note­se  que as  exclusões da base de  cálculo  estão,  sim, previstas no art. 3º da Lei 9.718/98, um dos  dispositivos legais citados pela PFN). É exatamente para demonstrar que, em seu entender, a  fiscalização  está  correta  que  a  representação  fazendária  refaz,  a  título  exemplificativo,  os  cálculos, após ter assentado as premissas de que caberia à empresa a prova cabal da correção  das exclusões realizadas.  Nesses  termos,  entendi  cumpridos  adequadamente  os  requisitos  para  que  o  recurso fosse aceito, embora, no mérito, não devesse mesmo ser acolhido.  E esta é a parte do acórdão que me coube redigir.    Conselheiro Júlio César Alves Ramos                Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assina do digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO

score : 1.0
5540091 #
Numero do processo: 19515.005901/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INDEDUTIBILIDADE. Para que o ágio tenha efeitos no âmbito tributário, é necessário que ele seja gerado corretamente pela aquisição de participação societária por montante superior ao seu valor patrimonial e, após, deve haver a incorporação, fusão ou cisão, por meio da qual ocorre uma confusão patrimonial entre os patrimônios das antigas controladora e controlada. A inexistência da segunda operação descaracteriza a ocorrência de confusão patrimonial posterior, para fins de permitir a dedutibilidade da amortização do ágio gerado na primeira operação, caso válido.
Numero da decisão: 1202-001.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação a glosa referente às despesas de assessoria legal. O Conselheiro Geraldo Valentim Neto acompanhou pelas conclusões o voto referente à matéria glosa de despesas de amortização de ágio. Por maioria de votos, em excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (relatora) e Carlos Alberto Donassolo. Designado para redigir o voto vencedor, nessa parte, o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201402

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INDEDUTIBILIDADE. Para que o ágio tenha efeitos no âmbito tributário, é necessário que ele seja gerado corretamente pela aquisição de participação societária por montante superior ao seu valor patrimonial e, após, deve haver a incorporação, fusão ou cisão, por meio da qual ocorre uma confusão patrimonial entre os patrimônios das antigas controladora e controlada. A inexistência da segunda operação descaracteriza a ocorrência de confusão patrimonial posterior, para fins de permitir a dedutibilidade da amortização do ágio gerado na primeira operação, caso válido.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 19515.005901/2008-81

anomes_publicacao_s : 201407

conteudo_id_s : 5362837

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 1202-001.094

nome_arquivo_s : Decisao_19515005901200881.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : VIVIANE VIDAL WAGNER

nome_arquivo_pdf_s : 19515005901200881_5362837.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação a glosa referente às despesas de assessoria legal. O Conselheiro Geraldo Valentim Neto acompanhou pelas conclusões o voto referente à matéria glosa de despesas de amortização de ágio. Por maioria de votos, em excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (relatora) e Carlos Alberto Donassolo. Designado para redigir o voto vencedor, nessa parte, o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.

dt_sessao_tdt : Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014

id : 5540091

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:48 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046816279232512

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2409; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T2  Fl. 2          1 1  S1­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.005901/2008­81  Recurso nº               De Ofício e Voluntário  Acórdão nº  1202­001.094  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de fevereiro de 2014  Matéria  Glosa de despesas  Recorrentes  ALSTOM GRID ENERGIA LTDA.              FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007  RECURSO  DE  OFÍCIO.  RESULTADO  DE  DILIGÊNCIA.  CONFIRMAÇÃO.  A  exclusão  parcial  do  crédito  tributário  com  fundamentada  no  resultado  de  diligência  realizada  com  os  elementos  disponibilizados  pelo  contribuinte  e  conferidos  pela  autoridade  fiscal  é  confirmada  quando  inexistirem,  no  reexame necessário, elementos de convicção em sentido contrário.  PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  As  hipóteses  de  nulidade  no  processo  administrativo  fiscal  encontram­se  previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, que compreende o cerceamento  do direito de defesa, desde que comprovado que a recorrente não conseguiu  se  defender  dos  fatos  que  lhe  foram  imputados.  A  apresentação  de  uma  defesa  de  qualidade,  rebatendo  todos  os  pontos  da  autuação,  afasta  a  nulidade.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007  DESPESAS COM ASSESSORIA LEGAL. PROVA. DEDUTIBILIDADE.   Despesas efetivamente pagas e que guardem relação com a manutenção dos  objetivos  sociais  da  pessoa  jurídica  podem  ser  deduzidas  na  apuração  do  lucro líquido. As despesas com assessoria visando produzir informações que  subsidiem  as  decisões  institucionais  são  dedutíveis  da  base  de  cálculo  do  IRPJ, desde que comprovadamente realizadas.   DESPESAS  COM  AMORTIZAÇÃO  DE  ÁGIO.  FALTA  DE  PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INDEDUTIBILIDADE.   Para que o ágio tenha efeitos no âmbito tributário, é necessário que ele seja  gerado  corretamente  pela  aquisição  de  participação  societária por montante     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 59 01 /2 00 8- 81 Fl. 10523DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 3          2 superior ao seu valor patrimonial e,  após, deve haver a  incorporação,  fusão  ou  cisão,  por  meio  da  qual  ocorre  uma  confusão  patrimonial  entre  os  patrimônios das antigas controladora e controlada. A inexistência da segunda  operação descaracteriza a ocorrência de confusão patrimonial posterior, para  fins de permitir a dedutibilidade da amortização do ágio gerado na primeira  operação, caso válido.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007  TRIBUTAÇÃO REFLEXA.  Aplica­se ao  lançamento  reflexo o quanto decidido sobre o  lançamento que  lhe deu origem, por terem suporte fático comum.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE.   Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor  da multa de ofício aplicada.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, em  rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para excluir  da tributação a glosa referente às despesas de assessoria legal. O Conselheiro Geraldo Valentim  Neto  acompanhou  pelas  conclusões  o  voto  referente  à  matéria  glosa  de  despesas  de  amortização de ágio. Por maioria de votos, em excluir a incidência dos juros de mora sobre a  multa de ofício,  vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner  (relatora) e Carlos Alberto  Donassolo.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor,  nessa  parte,  o  Conselheiro  Plínio  Rodrigues Lima.  (assinado digitalmente)  Carlos Alberto Donassolo – Presidente em exercício   (assinado digitalmente)  Viviane Vidal Wagner ­ Relatora  (assinado digitalmente)  Plínio Rodrigues Lima – Redator designado  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Alberto  Donassolo,  Viviane  Vidal  Wagner,  Plínio  Rodrigues  Lima,  Nereida  de  Miranda  Finamore  Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.  Fl. 10524DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 4          3 Relatório  Trata­se de recurso de ofício e voluntário do contribuinte em face de decisão  de primeira instância que julgou parcialmente procedente o lançamento de IRPJ e CSLL, com  multas de ofício e isolada.  Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 1781/1784), foram constatadas  as seguintes infrações:  Item  001­  Exclusões  a  maior,  no  Livro  de  Apuração  do  Lucro  Líquido  –  LALUR,  relativas  aos  projetos  de  Furnas  –  Unidade ABS  e  Centrais  Elétricas  do Norte  do  Brasil;  Item  002­  Amortização  indevida  de  ágio  decorrentes  de  investimentos  do  ativo permanente;  Item 003­ Insuficiência de recolhimentos por estimativa;  Item  004­  diferença  entre  o  valor  registrado  na  contabilidade,  os  DARF´s  recolhidos e os valores declarados em DCTF’s, apurada em Verificações preliminares.   No Auto de Infração de IRPJ, há cinco itens infrações assim discriminadas:  001  –  CUSTOS  OU  DESPESAS  NÃO  COMPROVADAS  –  GLOSA  DE  DESPESAS  –  Enquadramento  Legal  –  Arts.  249,  inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300, do RIR/99.  002  –  AMORTIZAÇÃO  –  VALORES  NÃO  AMORTIZÁVEIS  –  Enquadramento Legal – Art. 13,  inciso  III,  da Lei  nº 9.249/95;  Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299, 324, §§ 2º e 4º, e  325, do RIR/99.  003  –  EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES  NÃO  AUTORIZADAS  NA  APURAÇÃO  DO  LUCRO  REAL  –  EXCLUSÕES  INDEVIDAS  –  Enquadramento  Legal  –  Art.  250,  inciso  I,  do  RIR/99.  004  –  IMPOSTO  DE  RENDA  PESSOA  JURÍDICA  –  DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E  O  DECLARADO  E  O  DECLARADO/PAGO  –  Enquadramento  Legal – Arts. 247 e 841 do RIR/99.  005  – MULTAS  ISOLADAS  – DIFERENÇA ENTRE O VALOR  ESCRITURADO  E  O  DECLARADO/PAGO  –  IRPJ  ESTIMATIVA  –  Enquadramento  Legal  –  Arts.  222,  843  e  957,  parágrafo único, inciso IV, do RIR/99.  No Auto de Infração de CSLL, foram indicadas duas infrações:  Fl. 10525DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 5          4 001  –  CSLL  –  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DA  CSLL  –  Enquadramento Legal – Art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/88; Art. 1º  da Lei nº 9.316/96 e art. 28 da Lei nº 9.430/96; Art. 37 da Lei nº  10.637/02.  002 – CSLL – REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO – Enquadramento Legal – Art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/88; Art. 28  da  Lei  nº  9.430/96;  Art.  273  do  RIR/99;  Art.  37  da  Lei  nº  10.637/02.  Na impugnação, o contribuinte alegou, preliminarmente, a nulidade dos autos  de  infração,  tendo  em  vista  a  imprecisa  descrição  dos  fatos  e  fundamentos  que  ensejaram  a  autuação, o que teria prejudicado seu direito à ampla defesa.  No mérito, alegou a improcedência da exigência fiscal pelas razões a seguir  sintetizadas.   Sobre o  Item 001 do AIIM ­ Custos ou Despesas não comprovadas: alegou  que, com exceção das despesa no valor de R$ 388.215,00 e R$ 7.000,00, do ano­base 2003,  cuja origem não conseguiu rastrear, quanto às demais despesas questionadas pelas autoridades  administrativas, foi capaz de comprovar documentalmente “(i) a existência das despesas com  assessoria  legal,  bem  como  o  efetivo  pagamento  efetuado  pela  Requerente;  ou  (ii)  a  contabilização  e  posterior  estorno  das  despesas,  comprovando  que  não  foram  deduzidas  da  base de cálculo do IRPJ, bem como que (iii) a D. Fiscalização exige a adição de valor lançado  a crédito na conta glosada nos valores de R$ 8.801,36 e R$ 6.979,65”.   Sobre  o  Item  002  do AIIM  ­  Amortização  do  ágio,  alegou  que  apresentou  toda a documentação solicitada por meio do Termo de Início de Fiscalização (fl.308), qual seja:  “(i)  laudo  de  avaliação  e  protocolo  de  justificação  da  incorporação  do  acervo  líquido  da  empresa  ALSTOM  T&D  Ltda.;  (ii)  protocolo  de  justificação  do  acervo  líquido  relativo  às  atividades  transferidas  em  31.8.2003  da ALSTOM BRASIL  Ltda.;  (iii)  laudo  de  avaliação  e  protocolo de justificação do acervo líquido da ALSTOM ELEC S/A objeto de cisão parcial”,  bem como apresentou petição (fl. 404, 422 a 832 dos autos) com toda documentação suporte  em relação à conta de amortização do ágio sobre investimentos [conta 6224071030], durante os  anos calendários de 2003 e 2004.   Descreveu como se deu (a) Reorganização societária no grupo ALSTOM, a  (b) Apuração  do  ágio  ­  aquisição  e  subscrição  das  ações  da CEGELEC  e  (c) Apuração  do  ágio ­ incorporação da ER pela ALSTOM T&D Ltda., justificando o seu procedimento.  Sobre o  Item 003 do AIIM ­  "exclusões a maior no Livro de Apuração do  Lucro Líquido ­ LALUR, relativas aos projetos de Furnas ­ Unidade ABS e Centrais Elétricas  do Norte do Brasil", pretendeu demonstrar que a exclusão desses valores estava pautada na  legislação  em  vigor,  especialmente  no  art. 409  do RIR/99,  que  prevê  o  diferimento  da  tributação do lucro, bem como na jurisprudência pacífica dos Tribunais Administrativos.  Alegou que “(i) recebeu os valores referentes às Notas Ficais questionadas  em anos­base subseqüentes à 2004; (ii) não receberá parte destes valores definitivamente, seja  porque foram baixados como perda, seja porque as respectivas "vendas" foram canceladas; ou  (iii)  ainda  possui  saldo  em  aberto  em  relação  às  respectivas  Notas  Fiscais”  e  apresentou  tabelas indicando os números das notas fiscais referentes às vendas efetuadas à FURNAS e às  Centrais  Elétricas  do  Norte  do  Brasil  questionadas,  os  valores  efetivamente  recebidos  Fl. 10526DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 6          5 referentes à  tais vendas e o histórico referente ao pagamento de cada nota fiscal ou o motivo  que  levou  ao  não  recebimento  destes  valores  (perda,  venda  cancelada  ou  saldo  em  aberto),  além de cópia dos extratos bancários.  Sobre o Item 004 do AIIM ­ Diferença apurada entre o valor escriturado e o  declarado/pago, alegou  (a) a  impossibilidade de  se cobrar eventuais valores não  recolhidos a  título  de  antecipação  com  base  em  estimativas,  como  se  tributo  fosse,  bem  como  (b)  a  impossibilidade  de  se  lançar  débitos  de  IRPJ  com  base  em meros  lançamentos  contábeis,  a  partir da mera falta de correspondência entre os valores lançados a crédito na conta do Passivo  "Provisão  IRPJ"  e  os  que  foram  declarados  em  DCTF  e  pagos  pela  contribuinte  num  determinado mês, sustentando a  regularidade dos procedimentos adotados e a suficiência dos  pagamentos efetuados a título de antecipações entre os anos­base 2004 e 2006.   Sobre  o  Item  005  do  AIIM  ­  Mu1tas  isoladas,  aduziu  que  não  houve  cometimento  de  infração  que  ensejasse  a  sua  aplicação,  bem  como  não  há  que  se  falar  em  aplicação  de  multa  isolada  após  o  encerramento  do  ano­base,  quando  já  estiver  apurado  o  montante de IRPJ devido, nem, tampouco, de forma cumulativa com a multa de ofício.  Por  fim,  estendeu  os  argumentos  à  CSLL  e  protestou  por  diligência  para  confirmar o alegado.  Conforme  o  relatório  da  decisão  recorrida,  em  razão  das  problemáticas  levantadas, foram realizadas duas diligências, assim descritas:  A  primeira  foi  solicitada  por  meio  do  Despacho  sem  número,  datado de 17/03/2009 (fls. 6010/6014 ­ ND), cuja resposta deu­ se por meio da Informação Fiscal – fls. 9906/9916 – ND.  Contra  seu  resultado,  parcialmente  favorável  à  empresa,  foi  apresentada  a  Manifestação  de  Inconformidade  de  fls.  9918/9933 – ND.  Em seqüência, dessa vez por intermédio da Resolução nº 187 ­ 3º  Turma da DRJ/SP1, de 04/11/2010, fls. 9995/9998 – ND, foram  solicitados  esclarecimentos  adicionais  somente  no  assunto  tratado no item 004.  A Auditora Autuante  labutou em  responder os questionamentos  ali  contidos,  o  que  resultou  na  Informação  Fiscal  de  fls.  10.021/10.023 – ND – e seus demonstrativos (fls. 10.024/10.030  ­ ND).  Houve a apresentação de nova manifestação de inconformidade  –  fls.  10.038/10.047  – ND  ­,  na  qual  a  empresa  afirma  que  da  leitura do Termo de Encerramento de Diligência denotar­se­ia a  admissão  de manifestos  e  insanáveis  equívocos  cometidos  pela  Fiscalização no momento da lavratura dos Autos de Infração, e  solicita  integral  provimento  à  impugnação  apresentada  em  28/10/2008, dizendo não ser possível, outrossim, trazer aos autos  novos  elementos  constantes  do  anexo  ao  Termo  de Diligência,  em razão de constituição por meio de lançamento de ofício.  Diante  disso,  a  decisão  da  DRJ  julgou  parcialmente  procedente  a  impugnação, nos termos da seguinte ementa:  Fl. 10527DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 7          6 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ   Ano­calendário: 2003, 2004, 2005, 2006   GLOSA  DE  DESPESAS.  AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO.  ESCRITURAÇÃO  CONTÁBIL  X  TELAS  DE  SISTEMA  INTERNO.  DOCUMENTOS  HÁBEIS  E  IDÔNEOS.  NOTAS  FISCAIS.  PROVA  DA  EFETIVIDADE  DO  PAGAMENTO.  APRESENTAÇÃO. NECESSIDADE.   Telas  de  sistema  interno  de  contabilidade  não  substituem  a  apresentação dos  livros  obrigatórios  pela  legislação  contábil  e  fiscal  na  parte  em  que  se  faz  necessária  a  comprovação  de  lançamentos  contábeis  específicos.  Ademais,  a  ocorrência  dos  fatos  contábeis  alegados  devem  ser  comprovados  com  documentos  hábeis  e  idôneos,  como  notas  fiscais  de  serviços,  comprovantes da efetividade do pagamento e outros, não sendo  presumíveis esses elementos por demonstrativos.  GLOSA DE DESPESAS. VALORES COMPROVADOS.  Exonera­se  os  valores  lançados  a  título  de  glosa  de  despesas,  cuja diligência afastou.  GLOSA DE DESPESAS. ESTORNO X RECLASSIFICAÇÃO.  Não  há  que  se  confundir  o  lançamento  de  estorno  com  o  de  reclassificação.  Enquanto  o  primeiro  tem  como  consequência  anular  o  lançamento  anterior,  o  segundo  transfere  o  valor  lançado a outra conta contábil. Mesmo que fossem apresentados  elementos da escrituração contábil e não telas de sistema interno  da  empresa, manter­se­ia  a  glosa  originalmente  feita,  uma  vez  que não foi comprovado que a reclassificação deixou de reduzir  o resultado, ao ser transferida.  ÁGIO.  INCORPORAÇÃO  DE  EMPRESAS.  MESMO  GRUPO  ECONÔMICO.  RENTABILIDADE  FUTURA.  AUSÊNCIA  DE  FUNDAMENTO. FORMALIDADE DE ATOS. INSUFICIÊNCIA.  DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS.   A não observância da  totalidade das  formalidades previstas na  legislação, entre partes  independentes, afasta o direito ao gozo  da dedutibilidade. Somado a  isso, no presente caso, verifica­se,  outrossim,  que  os  requisitos  legais  e  contábeis  para  o  reconhecimento do ágio, de um livre e aberto ambiente negocial,  ocorrido  entre  pessoas  independentes  e  não  relacionadas,  e  o  efetivo pagamento do ágio não são atendidos. A observância de  certas formalidades não é suficiente para a efetiva existência do  ágio,  mormente  no  sentido  tributário­fiscal.  As  despesas  consideradas dedutíveis para a legislação tributária são aquelas  pagas  ou  incorridas­  para  a  realização  das  transações  ou  operações  exigidas  pela  atividade  da  empresa  e,  ainda,  as  despesas  devem  ser  usuais  ou  normais  no  tipo  de  transações,  operações ou atividades da empresa.  Fl. 10528DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 8          7 EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES  AUTORIZADAS.  APURAÇÃO  DO  LUCRO  REAL.  DIFERIMENTO  DA  TRIBUTAÇÃO.  EXONERAÇÃO.  Exonera­se parcialmente a exigência, em razão do contribuinte  comprovar  parcialmente  o  diferimento  da  tributação  do  lucro  até  sua  realização,  nos  casos  de  empreitada  ou  fornecimento  contratado,  nas  condições  dos  arts.  407  ou  408  do RIR/1999,  com  pessoa  jurídica  de  direito  público,  ou  empresa  sob  seu  controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua  subsidiária, conforme atestado em diligência.  EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES  NÃO  AUTORIZADAS  NA  APURAÇÃO  DO  LUCRO  REAL.  AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL X  TELAS DE  SISTEMA  INTERNO.  DOCUMENTOS  HÁBEIS  E  IDÔNEOS.  APRESENTAÇÃO. NECESSIDADE.   Telas  de  sistema  interno  de  contabilidade  não  substituem  a  apresentação dos  livros  obrigatórios  pela  legislação  contábil  e  fiscal  na  parte  em  que  se  faz  necessária  a  comprovação  de  lançamentos  contábeis  específicos.  Ademais,  a  ocorrência  dos  fatos  contábeis  na  forma  alegada  deve  ser  comprovada  com  documentos  hábeis  e  idôneos,  não  sendo  presumíveis  esses  elementos  por  demonstrativos  e  relatórios  informatizados  não  regulamentados pela legislação.  IRPJ.  ESTIMATIVA  MENSAL.  DEVIDA  E  NÃO  PAGA.  LANÇAMENTO  APÓS  O  TÉRMINO  DO  ANO.  COBRANÇA.  IMPOSSIBILIDADE.  Após o término do ano­calendário de apuração não é possível a  cobrança das  estimativas devidas  e não pagas  durante  o  ano­ calendário, mas sim da multa isolada de 50% sobre os valores  não quitados.  ESCRITURADO  X  DECLARADO.  IRPJ.  ESTIMATIVA  MENSAL. APURAÇÃO.   Não restando comprovado nos autos que a empresa obrigada a  recolher  estimativa  mensal  deixou  de  fazê­lo,  exonera­se  a  exigência.  Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL   Ano­calendário: 2003, 2004   CSLL. DECORRÊNCIA.  No  que  tange  à  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido,  aplicam­se  as  conclusões  relativas  ao  julgamento  do  IRPJ,  em  razão  da  relação  de  causa  e  efeito  existente  entre  os  fatos  que  geraram esses lançamentos.  Assunto: Normas de Administração Tributária   Ano­calendário: 2003, 2004, 2005, 2006   Fl. 10529DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 9          8 JUROS  DE  MORA.  MULTA  DE  OFÍCIO.  ILEGALIDADE.  INCONSTITUCIONALIDADE.  ALEGAÇÃO.  NÃO  APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE LEGAL.  É dever dos julgadores que compõem as Turmas das Delegacias  da Receita Federal do Brasil de Julgamento observar as normas  legais  e  regulamentares,  bem  como  o  entendimento  da  RFB  expresso em atos normativos, não cabendo discutir, em sede de  contencioso,  alegações  que  remetam  a  questões  de  suposta  ilegalidade e inconstitucionalidade desses atos.  Inconformado,  o  contribuinte,  cientificado  em  30/03/2012,  apresentou  recurso  voluntário  ao  CARF  em  27/04/2012,  em  que  questiona  a  manutenção  parcial  dos  débitos  relativos  às  despesas  com  prestação  de  serviços  e  exclusões  (itens  001  e  003)  e  a  manutenção  integral  dos  débitos  relativos  às  despesas  com  amortização  de  ágio  (item  002).  Repisa  as  razões  da  impugnação,  pleiteando,  em  síntese,  a  nulidade  do  auto  de  infração,  a  dedutibilidade  das  despesas  com  assessoramento  legal  que  não  foram  assim  reconhecidas,  a  dedutibilidade  dos  ágios  amortizados,  a  correção  de  todas  as  exclusões  e  compensações  registradas  no  LALUR.  Questiona,  ainda,  a  impossibilidade  de  exigência  da  SELIC  e  juros  moratórios sobre a multa de ofício.  Em contrarrazões, a PGFN sustenta, em síntese:  (1) a inexistência de nulidade do lançamento;  (2) sobre os valores indevidamente deduzidos como despesas com assessoria  legal, aponta correta a conclusão da decisão de primeira instância de que “uma vez não sendo  comprovado  que  essas  despesas  foram  efetivamente  incorridas,  elas  não  podem  ser  reconhecidas  como  dedutíveis”.  Sustenta  que,  “no  presente  caso,  deveria  o  recorrente  ter  trazido  aos  autos  elementos  que  comprovassem  que  os  valores  remanescentes  da  diligência  fiscal  foram efetivamente desembolsados  e  se  referiam às assessorias  legais prestadas pelos  escritórios citados”;  (3)  sobre  os  valores  indevidamente  considerados  como  exclusões/  compensações também deve ser mantida a glosa, visto que se o contribuinte não comprovou a  motivação que o  levou ao  registro das  exclusões/compensações  remanescentes, não há como  manter os seus efeitos fiscais;  (4) sobre o primeiro ágio, afirma que a recorrente entende que parte da “mais  valia”  que  foi  paga  pela  ALSTOM BR­1  quando  da  aquisição  da  participação  societária  da  CEGELEC passou a ter a sua amortização dedutível a partir da subscrição e integralização do  capital  da  ALSTOM  T&D  realizado  pela  ALSTOM BR­1  com  a  participação  societária  da  CEGELEC e que, segundo ela (recorrente), essa sequência de operações societárias se coaduna  com  o  que  prevêem  os  artigos  385  e  386  do RIR/99.  Em  contrapartida  ao  entendimento  da  recorrente, sustenta a validade da glosa;  (5) sobre o segundo ágio, esclarece que a  recorrente afirma que  tanto o  seu  surgimento  como  a  autorização  para  a  dedução  de  sua  amortização  se  justificam  na  incorporação  das  ações  da  empresa  ER  pela  ALSTOM  T&D.  Em  contrapartida  ao  entendimento da recorrente, sustenta a validade da glosa;  Fl. 10530DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 10          9 (6) conclui que os ágios cuja amortização foi deduzida na apuração do lucro  real  não  decorreram  da  aquisição  de  uma  participação  societária,  seguida  da  absorção  do  patrimônio  da  controlada  pela  controladora,  ou  vice­versa,  devendo  ser mantida  a  glosa  dos  correspondentes  valores,  visto  que  não  há  como  esses  ágios  gerarem  despesas  dedutíveis  segundo os  arts.  385  e 386 do RIR/99. Entende que  sequer  se  faz necessário  abordar outros  requisitos à dedutibilidade da amortização de um ágio, como a existência e tempestividade de  laudo, participação de terceiros, propósito negocial, etc.;  (7) aduz,  subsidiariamente, a  impossibilidade de dedução da despesa  com a  amortização do ágio na base de cálculo da CSLL, por falta de previsão legal, considerando que  os aludidos artigos do RIR/99 são atos normativos infra­legais, cujo fundamento de validade se  encontra no Decreto­lei n° 1.598, de 1977, que se destina exclusivamente à apuração do lucro  real. Como a regra é a indedutibilidade das despesas, a sua dedutibilidade é a exceção que deve  vir  expressamente  prevista,  o  que  não  ocorre  no  caso  da  CSLL,  mesmo  se  o  ágio  for  considerado válido e dedutível para  fins do  IRPJ. Cita precedente nesse  sentido  (Acórdão nº  1302­00.834);  (8) por fim, afirma que é legal e válida a incidência de juros de mora sobre a  multa de ofício.  É o relatório.        Fl. 10531DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 11          10 Voto Vencido  Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora  RECURSO DE OFÍCIO  Conhecido o recurso de ofício em face da observância da Portaria MF nº 3,  de 2008, cabe analisar as razões da exclusão de cada parcela do crédito tributário.  Parte  dos  valores  exonerados  se  deu  em  função  do  resultado  da  diligência  determinada pela DRJ, como se vê dos seguintes trechos da ementa:  “GLOSA  DE  DESPESAS.  VALORES  COMPROVADOS.  Exonera­se  os  valores  lançados  a  título  de  glosa  de  despesas,  cuja diligência afastou.”  “EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES  AUTORIZADAS.  APURAÇÃO  DO  LUCRO  REAL.  DIFERIMENTO  DA  TRIBUTAÇÃO.  EXONERAÇÃO.  Exonera­se  parcialmente  a  exigência,  em  razão  do  contribuinte  comprovar  parcialmente  o  diferimento da tributação do lucro até sua realização, nos casos  de  empreitada  ou  fornecimento  contratado,  nas  condições  dos  arts.  407  ou  408  do  RIR/1999,  com  pessoa  jurídica  de  direito  público,  ou  empresa  sob  seu  controle,  empresa  pública,  sociedade  de  economia  mista  ou  sua  subsidiária,  conforme  atestado em diligência.”  Em relação à  glosa de despesas  consideradas  comprovadas,  assim como do  diferimento da tributação do lucro até sua realização, nos casos de empreitada ou fornecimento  contratado,  nas  condições  dos  arts.  407  ou  408  do  RIR/1999,  considerado  parcialmente  comprovado, pela própria autoridade autuante, durante procedimento de diligência determinada  pela DRJ, cumpre chancelar a decisão que afastou a exigência dos respectivos valores.  Considerando  que  a  redução  decorre  de  diligência  realizada  com  os  elementos disponibilizados pelo contribuinte e conferidos pela autoridade  fiscal,  e  inexistem,  no reexame necessário, elementos de convicção em sentido contrário, não há reparos à decisão  recorrida.  A DRJ também afastou o lançamento das estimativas mensais cobradas como  se tributo fossem, como descrito abaixo:  IRPJ.  ESTIMATIVA  MENSAL.  DEVIDA  E  NÃO  PAGA.  LANÇAMENTO  APÓS  O  TÉRMINO  DO  ANO.  COBRANÇA.  IMPOSSIBILIDADE.  Após o término do ano­calendário de apuração não é possível a  cobrança  das  estimativas  devidas  e  não  pagas  durante  o  ano­ calendário, mas sim da multa  isolada de 50% sobre os valores  não quitados.  Fl. 10532DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 12          11 Confirma­se essa decisão em reexame necessário, bastando referir a Súmula  CARF nº 82, que dispõe: “Após o encerramento do ano­calendário, é incabível lançamento de  ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas”.  A decisão de primeiro grau ainda afastou a multa isolada lançada em razão da  falta de comprovação da respectiva base de cálculo, nos seguintes termos:  ESCRITURADO  X  DECLARADO.  IRPJ.  ESTIMATIVA  MENSAL. APURAÇÃO.   Não restando comprovado nos autos que a empresa obrigada a  recolher  estimativa  mensal  deixou  de  fazê­lo,  exonera­se  a  exigência.  Cabe transcrever o seguinte trecho da decisão exoneradora:  No  que  tocante  à  multa  isolada  (item  005  da  autuação),  a  Fiscalização  não  chegou  a  demonstrar  sua  base  de  cálculo  na  autuação.  O  valor  de  R$  200.374,07  já  aparecia  no  Auto  de  Infração, razão essa de se solicitar à AFRFB autuante ­ quando  da  PRIMEIRA  diligência  ­  que  o  fizesse.  A  resposta  consta  do  item  5  do  Informação  Fiscal  de  fls.  9906/9916,  o  qual  se  transcreve abaixo, na íntegra:   “5. MULTAS ISOLADAS DIFERENÇA APURADA ENTRE  O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO ­  IRPJ  ESTIMATIVA  Fato  Gerador­Valor  Tributável  ou  Imposto  31/12/2004­200.374,07 Apurada conforme planilha anexa:  CALCULO DA MULTA ISOLADA RECOLHIMENTO DE  ESTIMATIVAS  DO  IRPJ  COM  BASE  EM  BALANÇOS/BALANCETES  DE  SUSPENSÃO  ANO  2004  Histórico  base  de  cálculo  alíquota  IRPJ  imposto  de  renda  em  função  das  infrações  apuradas  1.679.526,2615%  251.928,94  adicional  1.488.192,00  10%  148.819,20  total  da  insuficiência  do  recolhimento  400.748,15  valor  da  multa  isolada=50%  (imposto =adicional) 200.374,07   Obs: Os valores que podem ser excluídos do cálculo da multa o  foram  e  são:  valores  do  mês  de  dezembro  já  que  a  base  de  cálculo da estimativa se confunde com o lucro real (DIPJ X AI )  valor  de  20.000,00  ao  mês,  já  que  a  empresa  ao  fim  do  ano­ calendário de 2007 apresentou prejuízo e não lucro.”  Em  resposta,  a  empresa,  quando  de  sua  manifestação  de  inconformidade arguiu que:  47.  Entretanto,  não  obstante  o  expresso  questionamento  formulado por esta D. Delegacia, a D. Fiscalização apenas indica  que a multa  isolada foi calculada com base na alíquota de 50%  sobre  o  valor  total  da  "insuficiência  de  recolhimento",  que  no  caso  seria  de  R$  400.748,15.  Para  tanto,  a  D.  Fiscalização  aponta,  de  forma  aparentemente  aleatória,  um  valor  que  supostamente  corresponderia  à  base  de  cálculo  do  IRPJ  devido  Fl. 10533DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 13          12 por estimativa no ano­base 2004 e, a partir desse valor, calcula a  multa a ser aplicada.  48. Note­se que, apesar de a multa isolada ser aplicada em razão  de  um  suposto  não  recolhimento  das  estimativas mensais,  a D.  Fiscalização  na  Informação  Fiscal  indica  apenas  um  valor  não  recolhido para o ano­base 2004, sem fazer qualquer indicação do  mês  em  que  teria  ocorrido  a  insuficiência  de  recolhimento. Ou  seja, não há como se aferir pela Informação Fiscal qual seria o (s)  mês (es) em que ocorreu(ram) a suposta falta de recolhimento do  imposto  devido  com  base  em  estimativas,  impossibilitando  a  apresentação de defesa pela Requerente.  49. Além disso, não há qualquer relação entre o valor que pautou  a  aplicação  da  multa  e  os  valores  correspondentes  aos  outros  itens da autuação, o que também impossibilita a compreensão a  respeito  da  penalidade  aplicada  em  face  da  Requerente.  Em  suma,  a  Informação  Fiscal  apresentada  pela  D.  Fiscalização  só  veio ratificar a improcedência da multa isolada aplicada.  50.  Além  disso,  ainda  que  assim  não  fosse,  a  Requerente  demonstrou  ainda  que  no  presente  caso  esta  multa  isolada  também deverá ser cancelada pelo fato de estar sendo exigida (i)  após  o  final  do  ano­base,  momento  em  que  já  foi  apurado  o  imposto devido com base no lucro real e, portanto, não há que se  falar mais  em  insuficiência  de  recolhimento  de  antecipações;  e  (ii)  cumulativamente  à  multa  de  ofício  também  imposta  à  Requerente,  acarretando  na  aplicação  de  penalidade  em  duplicidade,  o  que  é  veementemente  rechaçado  pela  Jurisprudência administrativa.  Deve­se  concordar  com  a  argüição  de  que  não  resta  demonstrado de onde vem a base de cálculo.  A  demonstração  em  resposta  à  primeira  diligência  não  é  conectada ao mês de dezembro, e sim ao ano inteiro, o que não é  possível, nem contabilmente, nem juridicamente, uma vez que a  multa  isolada  incide  sobre  o  valor  da  estimativa  devida  mensalmente  que  não  foi  paga  ou  compensada  na  forma  da  legislação.  Quando  da  SEGUNDA  diligência,  não  se  fez  uma  pergunta  direta sobre o item 005, mas se solicitou demonstrativos de todos  os meses.  À fl. 10.030, o demonstrativo traz um valor de R$ 4.720.609,74,  o  qual  não  coincide  com  o  constante  do  documento  de  fl.  18  (Ficha  11  da  DIPJ/2005  –  AC2004  –  mês  de  dezembro)  dos  autos. Nesse mês há DCTF, de fato, no valor de R$ 4.474.115,10,  a qual foi retificada em 2009, fazendo coincidir com o da DIPJ  (R$ 1.575.476,95)  Mas não há qualquer fundamento probatório para esse valor (R$  4.720.609,74). Talvez para o de R$ 4.474.115,10 (DCTF), o qual  já  foi  considerado,  como  exclusão  (Escriturado  –  DCTF),  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  (fl.  1784)  e  no  demonstrativo  da  Fl. 10534DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 14          13 última  Informação  Fiscal  prestada  pela  Autoridade  Fiscal  (fl.  10.030 – ND).  Houve um lançamento, na autuação, no valor de R$ 515.482,33,  como  se  fosse  estimativa  declarada  e  não  declarada  ou  paga  (vide fl. 1784).   Entretanto,  esse  valor  é  o  resultado  de  R$  6.038.970,56,  que  teria sido contabilizado, menos o valor de R$ 1.049.373,13, em  decorrência  de  lançamento  contábil  retificador,  menos  o  valor  declarado  em  DCTF  (R$  4.474.115,10).  Como  a  Fiscalização  não  considerou  o  IRRF  –  igual  a R$  639.476,95  (Ficha  11  da  DIPJ/2005)  ­,  quitou­se R$  5.113.592,05  (R$  639.476,95 + R$  4.474.115,10)  que  é  maior  que  R$  6.038.970,56  –  R$  1.049.373,13 = 4.989.597,43.  Ou  seja,  no  que  tange  ao  item  005,  conclui­se  que  não  restou  demonstrado  o  que  a  empresa  deixou  de  pagar/quitar  para  justificar  a  aplicação  da  multa  de  ofício  de  50%,  nem  se  vislumbra que seja ela justificável, frente aos dados trazidos aos  autos nas diligências.  Diante dos  fatos descritos nos autos, é de se concordar com a conclusão da  DRJ  quanto  ao  lançamento  da  multa  isolada,  confirmando­se  a  exoneração  do  respectivo  crédito tributário.  RECURSO VOLUNTÁRIO  O recurso é tempestivo e assente em lei, sendo conhecido.  Da preliminar de nulidade  Afasta­se  a  preliminar  arguida  sobre  a  nulidade  dos  autos  de  infração  em  razão de  imprecisa descrição dos  fatos  e  fundamentos que  ensejaram a autuação, o que  teria  prejudicado seu direito à ampla defesa.  As  hipóteses  de  nulidade  no  processo  administrativo  fiscal  encontram­se  previstas  no  art.  59  do  Decreto  nº  70.235/72,  que  compreende  o  cerceamento  do  direito  de  defesa, desde que comprovado que a  recorrente não conseguiu se defender dos  fatos que  lhe  foram  imputados,  o  que  não  ocorreu  no  caso  concreto,  haja  vista  a  qualidade  da  defesa  apresentada, rebatendo todos os pontos da autuação.   Ademais, o  item da autuação em que não houve a descrição clara e precisa  dos  fatos  que  ensejaram  a  cobrança  de  débitos,  correspondente  à  base  de  cálculo  da  multa  isolada, foi cancelado pela decisão recorrida e o cancelamento foi confirmado nesta.  Com isso, afasta­se a preliminar de nulidade.  Mérito  O  mérito  da  autuação  remanescente  cinge­se  à  glosa  de  despesas  operacionais.  Fl. 10535DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 15          14 Nos  termos  da  legislação  tributária,  em  especial  o  art.  299  do  RIR/99,  as  despesas  operacionais,  para  serem  consideradas  legítimas  e  passíveis  de  dedutibilidade  na  apuração do  resultado  tributável,  devem guardar natural  e  íntima  relação com a  atividade da  empresa e com a manutenção da respectiva fonte produtora.  Diante disso, para fins de dedutibilidade da despesa na apuração do resultado  tributável são exigidos os requisitos de necessidade e usualidade ou normalidade, observando  que são necessárias as despesas essenciais para a consecução dos objetivos sociais, ainda que  secundários,  desde que  vinculadas  com as  fontes produtoras de  rendimentos;  são normais  as  despesas  ordinariamente  realizadas  nas  atividades  e  operações  destinadas  à  manutenção  da  fonte  produtora;  e  são  usuais  aquelas  realizadas  de  maneira  frequente  ou  habitual  em  determinado tipo de atividade ou operação.  Assim,  cabe  ao  contribuinte  comprovar,  mediante  documentação  hábil  e  idônea, que não apenas suportem os lançamentos contábeis decorrentes, mas que justifiquem e  atestem a dedutibilidade das despesas necessárias, normais e usuais à atividade da empresa.  Item 001 ­ Da glosa das despesas com assessoria legal  Segundo a acusação fiscal, não existiram elementos que comprovassem que  os valores remanescentes da diligência fiscal foram efetivamente desembolsados e se referiam  às assessorias legais prestadas pelos escritórios citados.  Para  demonstrar  que  a  despesa  foi  efetivamente  incorrida  devem  ser  apresentados,  de  forma  simultânea,  dois  aspectos:  que o  pagamento  foi  realizado  e  que  esse  pagamento se refere ao serviço prestado em favor do contribuinte.  Após o retorno da diligência, a DRJ justificou a manutenção de parte da glosa  de despesas, nos seguintes termos:  “não  foram  juntados  comprovantes  do  efetivo  pagamento  ao  escritório Peppe & Bonavita, nem notas fiscais de serviços, com  relação a essas operações”.  “Quanto à despesa de  serviços prestados pelo Escritório Gaia,  há  um  recibo  referente  ao  pagamento  da  Nota  Fiscal  de  honorários das Atividades T&D nº 0436. Entretanto não se sabe  ao  que  se  referem  esses  serviços,  não  tendo  sido  apresentadas  notas fiscais, nem comprovantes do efetivo pagamento”.  A  recorrente,  por  sua  vez,  sustenta  que  estão  devidamente  comprovadas  as  despesas  e  junta  tabelas  em  que  aponta  as  folhas  dos  autos  onde  constam  os  documentos  comprobatórios, esclarecendo que:  39. No que diz respeito ao ano­base 2003, de acordo com a D.  Fiscalização  e  com  o  V.  Acórdão  recorrido,  não  teria  sido  comprovada a ocorrência de 5 (cinco) despesas que totalizam o  montante  de  R$  30.500,00.  Entretanto,  como  devidamente  comprovado na Impugnação, tais despesas se referem a serviços  legais efetivamente prestados.  40. Do total de R$ 30.500,00, a Recorrente ressalta que o valor  de  R$  24.000,00  refere­se  a  serviços  prestados  pelo  escritório  Fl. 10536DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 16          15 Peppe  &  Bonavita,  conforme  comprovam  o  Instrumento  Particular de Contrato de Prestação de Serviços celebrado em  i°.Q.20oo  e  do  Termo  Aditivo  n°.  3,  de  i0.4.2003, mediante  o  qual  a  Recorrente  se  comprometeu  a  realizar  pagamentos  mensais  no  valor  de  R$  6.000,00  ao  referido  escritório  pelos  seus  serviços.  É  importante  indicar  que  a Recorrente  também  juntou  aos  autos  recibos  bancários  que  comprovam  o  pagamento de tais valores.  41. Por sua vez, o valor remanescente de R$ 6.500,00 se refere à  despesa  incorrida com serviços prestados pelo Escritório Gaia,  Silva, Rolim & Associados, conforme atestam os documentos já  juntados a estes autos.  42. No que diz respeito ao ano­base 2004, de acordo com a D.  Fiscalização  e  o V.  Acórdão  recorrido,  a Recorrente  não  teria  comprovado a ocorrência de (i) 7 (sete) despesas no valor total  de  R$  42.000.00;  e  (ii)  1  (uma)  despesa  no  valor  total  de  R$  184.867.60.  43.  Nesse  sentido,  a  Recorrente  ressalta  que  essas  7  (sete)  despesas  no  valor  total  de  R$  42.000,00  também  se  referem  a  serviços  legais  prestados  pelo  escritório  Peppe  &  Bonavita,  devidamente  comprovados  na  Impugnação  por  meio  do  Instrumento  Particular  de  Contrato  de  Prestação  de  Serviços  celebrado em i°.Q.2000 e do Termo Aditivo n°. 3, de i°.4.2003 e  dos recibos bancários.  44. Por sua vez, em relação à despesa incorrida no valor de R$  184.867,69,  a  Recorrente  demonstrou  que  tal  despesa  foi  estornada  da  respectiva  conta  contábil,  motivo  pelo  qual  improcede a sua exigência fiscal. (grifos no original)  Despesas efetivamente pagas e que guardem relação com a manutenção dos  objetivos  sociais  da  pessoa  jurídica  podem  ser  deduzidas  na  apuração  do  lucro  líquido.  As  despesas com assessoria visando produzir informações que subsidiem as decisões institucionais  são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ, desde que comprovadamente realizadas.   No  caso  de  honorários  advocatícios,  quando  há  prova  da  efetividade  da  prestação dos serviços, permite­se sua dedução como despesa operacional.   De fato, em relação aos serviços prestados pelo escritório Peppe & Bonavita,  a  recorrente  logrou  comprovar  o  pagamento  e  a  efetiva  prestação,  através  de  documentos  constantes dos autos (volume 11, fls.2151­2169), tais como borderôs de pagamentos, recibos,  boletos bancários autenticados, correspondências eletrônicas e  relatórios de acompanhamento  de processos, assim como em relação aos serviços prestados pelo Escritório Gaia, Silva, Rolim  & Associados (volume 10, fls.1969). – vide paginas na tabela anexa ao RECVOL  Em  relação  ao  alegado  estorno, mantém­se  a  decisão  recorrida,  pelos  seus  próprios fundamentos, os quais se adota, nos termos do art. 50, §1º, da Lei nº 9.784/99:  “No  tocante  ao  suposto  estorno  do  valor  de  R$  184.867,69,  alega­se que estaria comprovado à fl.2618. Nessa folha há o que  seria,  supostamente,  cópia  do  Razão  da  conta  nº  6124020020.  Fl. 10537DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 17          16 Diz­se supostamente pois como não é cópia do livro Razão, mas  um relatório  informatizado da referida conta. Além desse vício,  tem­se que o Histórico do lançamento não é de estorno, mas de  reclassificação, não tendo consistência o argumento. Quando se  reclassifica  o  valor  segue  para  outra  conta  contábil,  mas  não  deixa de existir, cabendo questionar para qual conta contábil e  quando  foi  transportado  o  valor,  bem  como  a  razão  de  tal  lançamento.  No  caso  do  estorno  o  lançamento  original  é  anulado, e, para todos os efeitos, é como nunca tivesse existido”.  Nesse caso, a recorrente não logrou desconstituir a conclusão do julgador de  primeira instância.  Assim, dá­se parcial provimento em relação ao item 001 para cancelar a glosa  referente às despesas com serviços prestados pelos escritórios Peppe & Bonavita e Gaia, Silva,  Rolim & Associados.  Item 002 ­ Da glosa de despesas com amortização de ágio  A autuação refere­se à indevida amortização de ágio apurado pela recorrente  em decorrência de operações societárias, nos montantes de R$ 1.504.632,74 e R$ 604.472,83,  respectivamente relativos aos anos­calendário 2003 e 2004.   Segundo  a  autoridade  fiscal,  o  contribuinte  foi  intimado  a  justificar  sua  origem,  bem  como  apresentar  a  documentação  apta  a  dar  suporte  legal  à  operação  e,  em  resposta,  limitou­se  a  juntar  vários  atos  societários  sem  qualquer  esclarecimento  e  laudo  de  avaliação.  Alega  a  recorrente  que  teria  direito  ao  diferimento  do  ágio  gerado  em  operações societárias realizadas e sua conseqüente amortização, com base nos arts. 385 e 386  do RIR/99, afirmando que as operações que geraram o ágio seriam duas:  I) Aquisição e subscrição das ações da CEGELEC  II) Incorporação da ER pela ALSTOM T&D LTDA.  As operações são assim descritas pela recorrente:  I­  em  26.09.1999,  a  ALSTOM  BR­1  subscreveu  e  integralizou  R$  6.944.599,00 em sua  sociedade  controlada ALSTOM T&D Ltda., mediante a  conferência de  ações  ordinárias  e  preferenciais  da  CEGELEC,  de  modo  que  esse  valor,  correspondente  à  aquisição de participação societária da ALSTOM T&D, foi registrado no Ativo Permanente da  ALSTOM  BR­1  e  alocado  integralmente,  em  face  do  patrimônio  líquido  negativo  da  CEGELEC, como “ágio em investimentos”, de acordo com o art. 385 do RIR/99;   II­  em  01.11.1999,  a  ALSTOM  T&D  Ltda.  incorporou  integralmente  a  empresa  ER  Equipamentos  Elétricos  de  Alta  Tensão  Ltda.  (“ER”),  sua  subsidiária  integral,  com o objetivo de simplificar a estrutura societária e reduzir custos administrativos, financeiros  e operacionais. O valor pago pela ALSTOM T&D na aquisição do investimento na ER foi de  R$  3.297.125,73,  que,  segundo  ela,  representa  o  valor  de  ágio  passível  de  amortização  pela  ALSTOM T&D, de acordo com o art. 386 do RIR/99.  Fl. 10538DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 18          17 Quanto à primeira operação, sustenta a recorrente que a ALSTOM BRASIL 1  integralizou capital  na  empresa ALSTOM T&D Ltda.,  em  setembro de 1999,  com parte das  suas ações detidas na CEGELEC, transferindo o respectivo investimento de R$ 6.944.559,00,  tendo  sido  registrado  ágio  nessa  integralização  de  capital,  pois  o  Patrimônio  Líquido  da  CEGELEC estava negativo, conforme Laudo de Avaliação Econômica de Rentabilidade Futura  da  Empresa  CEGELEC  S/A  na Data  Base  de  16  de  Novembro  e  1º  de  Dezembro  de  1998  (ANEXO V2 ­ fls. 2793/2849), onde consta expressamente seu objetivo de:   fundamentar  através  de  prerrogativas  econômicas  o  “sobrevalor”,  ou  “a  mais  valia  inicial”,  no  valor  de  R$  18.000.000,00  que  a  ALSTOM  Brasil  Ltda.,  pertencente  a  um  conglomerado  de  empresas  de  origem  francesa  “ALSTOM”...desembolsou  para  a  aquisição  e  subscrição  de  ações da “CEGELEC ENGENHARIA S.A.”, ocorridas em 16 de  novembro e 1º de dezembro de 1.998 respectivamente.  Em síntese, a recorrente entende que parte da “mais valia” que foi paga pela  ALSTOM BR­1 quando da aquisição da participação societária da CEGELEC passou a ter a  sua amortização dedutível a partir da subscrição e integralização do capital da ALSTOM T&D  realizado  pela ALSTOM BR­1  com a  participação  societária  da CEGELEC,  o  que,  segundo  ela, estaria de acordo com os art. 385 e 386 do RIR/99.  Equivoca­se a recorrente.   Sobre a formação do ágio, por ocasião da aquisição, no caso de investimento  em sociedade coligada ou controlada, a contabilização deve observar as regras do art. 385 do  RIR/99, que trata do desdobramento do custo de aquisição:  Art. 385. O contribuinte que avaliar  investimento  em  sociedade  coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá,  por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de  aquisição em (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 20):  I ­ valor  de  patrimônio  líquido  na  época  da  aquisição,  determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e  II ­ ágio  ou  deságio  na  aquisição,  que  será a  diferença  entre o  custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso  anterior.  § 1º  O  valor  de  patrimônio  líquido  e  o  ágio  ou  deságio  serão  registrados  em  subcontas  distintas  do  custo  de  aquisição  do  investimento (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º).  § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os  seguintes,  seu  fundamento econômico  (Decreto­Lei nº 1.598, de  1977, art. 20, § 2º):  I ­ valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada  superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade;  II ­ valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base  em previsão dos resultados nos exercícios futuros;  III ­ fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas.  Fl. 10539DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 19          18 § 3º  O  lançamento  com  os  fundamentos  de  que  tratam  os  incisos  I  e  II  do  parágrafo  anterior  deverá  ser  baseado  em  demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante  da  escrituração  (Decreto­Lei  nº  1.598,  de  1977,  art.  20,  § 3º).  (destacou­se)  Do texto legal se extrai que se houver uma efetiva aquisição e o patrimônio  líquido da adquirida se mostrar menor que o custo de aquisição do investimento, surgirá o ágio  passível de amortização com efeitos na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL,  desde que a pessoa jurídica detentora da participação societária adquirida com ágio incorpore a  investida  ou  vice­versa,  segundo  o  disposto  no  art.  20  do  Decreto­Lei  n°  1.598,  de  26  de  dezembro de 1977, fundamento legal do art. 385 do RIR/99, acima transcrito.  Como se vê, de acordo com o art. 20, § 2º, do Decreto­lei nº 1.598, de 1977,  o ágio pode ter fundamento econômico nas seguintes hipóteses: (a) valor de mercado de bens  do ativo da coligada ou controlada superior ao custo registrado na sua contabilidade, (b) valor  de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios  futuros  ou  (c)  fundo  de  comércio,  intangíveis  e  outras  razões  econômicas.  Em  todas  essas  hipóteses, a mais valia deve estar caracterizada a fim de justificar o reconhecimento contábil do  ágio gerado na aquisição.  A  legislação  permite  o  reconhecimento  destacado  do  ágio  gerado  na  aquisição da participação societária por valor superior ao custo de aquisição, mas o fundamento  econômico do ágio deve ser definido e comprovado no momento da aquisição societária. Ou  seja,  no momento  da  aquisição  é  que  deve  ficar  demonstrado  através  de  laudo  devidamente  formalizado, qual o valor real da participação a ser adquirida, de modo a justificar o pagamento  a maior denominado ágio. Esse documento (laudo) deve ser arquivado como comprovante da  escrituração (art. 385, §3º, do RIR/99).  Num  segundo momento,  após  o  reconhecimento  do  ágio  na  contabilidade,  nos  termos  do  dispositivo  acima  transcrito,  caso  se  trate  de  ágio  gerado  com  base  em  rentabilidade futura, a pessoa jurídica que incorporar a coligada ou controlada poderá amortizar  o ágio, observado o limite legal de 1/60 por mês, como se extrai do art. 386 do RIR/99:  Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em  virtude  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  na  qual  detenha  participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado  segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art.  7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10):  [...]  III ­ poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de  que  trata  o  inciso  II  do  § 2º  do  artigo  anterior,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados  posteriormente  à  incorporação,  fusão  ou  cisão,  à  razão  de  um  sessenta  avos,  no  máximo,  para  cada  mês  do  período  de  apuração; [...]  Como se vê,  a amortização do ágio,  como  regra geral,  é  indedutível para a  apuração do lucro real, bem como da base de cálculo da CSLL. A possibilidade de deduzi­lo,  prevista nos arts. 7º e 8º, da Lei nº 9.532/97, restringe­se à hipótese em que a pessoa jurídica  absorve  patrimônio  de  outra,  em  virtude  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  na  qual  detenha  Fl. 10540DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 20          19 participação  societária  adquirida  com  ágio  fundamentado  em  rentabilidade  da  coligada  ou  controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros.   Para que o ágio tenha efeitos no âmbito tributário, é necessário que ele seja  gerado  corretamente  pela  aquisição  de  participação  societária  por montante  superior  ao  seu  valor patrimonial e, após, deve haver a incorporação, fusão ou cisão, por meio da qual ocorre  uma confusão patrimonial entre os patrimônios das antigas controladora e controlada. Somente  dessa forma estarão preenchidos os requisitos legais.  Isso, todavia, não ocorre nos autos.   Em relação ao ágio no valor de R$ 6.944.599,00, houve a aquisição de uma  participação societária e uma posterior subscrição e integralização de capital onde foi utilizada  parte dessa participação antes adquirida. Inexistiu qualquer tipo de absorção do patrimônio de  uma sociedade pela outra (incorporação, fusão ou cisão), nos termos exigidos pelo art. 386 do  RIR/99.  Assim,  ainda  que  fosse  contabilmente  válido  o  ágio  gerado  na  operação  com  a  CEGELEC, não se admitiria a possibilidade de deduzir a amortização, visto que inexistiria a  necessária confusão patrimonial posterior.   Como  se  vê,  inexiste,  nesse  caso,  a  segunda  operação  exigida  para  a  dedutibilidade da despesa de ágio (art. 386 do RIR/99).  Antes disso, porém, é de se registrar que sequer a geração do pretenso ágio  pode  ser  reconhecida,  uma  vez  que,  consoante  referido  no  próprio  laudo  de  avaliação  (fl.  2796),  a  CEGELEC  fazia  parte  do  grupo  ALSTOM.  Ou  seja,  trata­se  de  ágio  gerado  internamente,  o  qual  não  pode  ser  reconhecido  contabilmente,  como  determinam  as  normas  contábeis vigentes no país e, muito menos, para fins tributários, consoante esmagadora maioria  da jurisprudência do CARF.  Para ser considerada despesa dedutível, o ágio suportado pela empresa com a  aquisição  de  uma  participação  societária  deve  ter  como  origem,  concomitantemente,  um  propósito negocial,  compreendido este  como  a motivação para  adquirir  um  investimento por  valor  superior  ao  custo  original,  bem  como  um  efetivo  substrato  econômico,  decorrente  da  aquisição  de  negócio  comutativo  entre  partes  independentes,  com  dispêndio  de  recursos  e  previsão de ganho. Não é o que ocorre em relação a esse suposto ágio.  Ainda  que  se  enquadrasse  nos  requisitos  legais,  não  se  trataria  de  caso  de  amortização  nos  moldes  do  art.386,  III,  do  RIR/99,  mas  de  lançamento  em  contrapartida  a  conta de ativo permanente, e não amortizado, nos termos do art. 386, II, e § 3º, do RIR/99.  Em relação ao segundo ágio, no valor de R$ 3.297.125,73, surgido, segundo  a recorrente, na incorporação da ER pela ALSTOM T&D LTDA., inexiste sequer a mais valia  exigida para o reconhecimento do custo de aquisição além do valor de patrimônio líquido. Na  defesa da  recorrente não  se verifica qualquer menção de  comprovar o  efetivo  surgimento de  ágio  nessa  operação,  mas  apenas  se  pretende  comprovar  o  direito  à  sua  dedutibilidade.  A  recorrente  pretende  justificar  o  surgimento  e  a  dedução  do  ágio  com  apenas  uma  única  operação:  a  incorporação  de uma  sociedade pela outra. Nesse  caso,  contudo,  verifica­se  que  existe a segunda operação exigida para a dedutibilidade da despesa de ágio (prevista no art.386  do  RIR/99),  mas  não  existe  a  primeira  (a  geração  do  ágio  pela  aquisição  de  participação  societária por valor superior ao do patrimônio líquido, prevista no art. 385 do RIR/99). Inexiste  a chamada “mais valia” que representa o ágio.  Fl. 10541DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 21          20 Evidentemente, não se faz possível deduzir na apuração da base de cálculo do  IRPJ e da CSLL aquilo que não existe no mundo jurídico.   Como a Recorrente,  em  sua defesa, não  logrou desconstituir os  argumentos  da  autoridade  fiscal,  e  diante  da  falta  de  caracterização,  consoante  os  requisitos  legais,  da  formação  e  dedutibilidade  dos  ágios  alegados,  outra  não  pode  ser  a  conclusão  senão  pela  indedutibilidade das despesas de  ágio na  apuração das bases de  cálculo  do  IRPJ  e da CSLL  devidos no período fiscalizado.  Em razão dessas considerações, mantém­se a glosa.  Item 003 ­ Das exclusões/compensações indevidas   No que tange às exclusões relativas ao saldo de contas a receber em aberto de  clientes públicos, a recorrente sustenta que, corretamente, diferiu a tributação do lucro obtido  com contratos firmados com órgãos públicos até a realização do efetivo pagamento, conforme  autorizado  no  artigo  409  do  RIR,  tendo  apresentado  toda  a  documentação  demonstrando  e  comprovando que os valores remanescentes se referem a tributos retidos na fonte e a baixas por  devolução.  Segue esclarecendo no recurso voluntário que:  102. O Item em questão diz respeito à glosa do valor total de R$  1.178.671,00 (um milhão, cento e setenta e oito mil, seiscentos e  setenta  e  um  Reais)  em  razão  de  exclusões  supostamente  indevidas  do  lucro  real  relativas  "aos  projetos  de  Furnas  ­  Unidade ABS e Centrais Elétricas do Norte do Brasil".  103. Conforme exaustivamente demonstrado em sua Impugnação  de fls., o referido valor decorre de contratos de fornecimentos de  bens  e  serviços  firmados  com  Furnas  e  Centrais  Elétricas  do  Norte  do  Brasil  ~  pessoas  jurídicas  de  direito  público. Desse  modo, a Recorrente apenas se valeu do disposto no artigo 409 do  RIR/99, segundo o qual a tributação do respectivo lucro poderia  ser  diferida  para  o  período­base  em  que  a  receita  fosse  efetivamente recebida (regime de caixa).  104. Portanto,  não há dúvidas de que a Recorrente  tem direito  ao diferimento,  nos  termos da  legislação em vigor, e,  portanto,  justifica­se a ausência de tributação no ano­base de 2004.  105.  Além  disso,  a  Recorrente  demonstrou  que  os  valores  questionados  pela  D.  Fiscalização  não  foram  oferecido  à  tributação em 2004  (ano­base autuado) pelo  fato de não  terem  representado efetivo ingresso de recursos em seu caixa naquele  ano­base.  106.  Por  meio  da  documentação  contábil  e  fiscal  juntada  aos  autos (does n° 11 e 12 da Impugnação), a Recorrente comprovou  que os valores questionados pela D. Fiscalização  (i) não serão  mais recebidos, seja porque foram baixados como perda, seja em  razão de vendas canceladas/devoluções;  (ii) se  referem a notas  fiscais que ainda possuem saldo em aberto e que, portanto, não  chegou  o  momento  da  tributação  do  seu  lucro  respectivo;  (iii)  Fl. 10542DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 22          21 foram  adiantados  pelos  clientes  antes  do  ano­base  2004  e  que  este adiantamento já correspondia ao valor total a ser recebido  pela  prestação  do  serviço;  ou,  por  fim,  (iv)  correspondem  a  tributos retidos na fonte pelos clientes.  A DRJ, após a realização da diligência determinada, a reconheceu que parte  dos valores não poderia  ser  exigida,  em  razão da  comprovação documental  apresentada pela  Recorrente,  tendo restado não comprovado o valor de R$ 555.223,30 (cinquenta e cinco mil,  duzentos  e  vinte  e  três  mil  Reais  e  trinta  centavos),  em  razão  da  "não  apresentação  de  comprovantes de recebimento em data posterior (base de cálculo maior no diferimento)".  Sustenta  a  recorrente  “que  o  total  dos  débitos  remanescentes  se  refere,  na  realidade, a (i) valores baixados como perda, seja em razão de vendas canceladas/devoluções;  e (ii) correspondem a tributos retidos na fonte pelos clientes”, não podendo ser considerados  para fins de apuração do IRPJ devido.  Segundo a recorrente, a ausência de tributação no ano­base de 2004 justifica­ se pelo direito ao diferimento, nos termos do (art. 409 do RIR/99). Sobre a motivação para o  registro das exclusões/compensações remanescentes, a recorrente alegou ter demonstrado “que  os valores questionados não foram oferecidos à tributação em 2004 (ano­base autuado) pelo  fato de não terem representado efetivo ingresso de recursos em seu caixa naquele ano­base”.  E  sustenta  que  está  tudo  comprovado nos  autos,  haja  vista  que, “no  curso  dos  trabalhos  de  diligência, a Recorrente foi intimada e obrigada a apresentar cópia, integral e autenticada, de  seus Livros Diário e Razão de todo o período autuado”.  Em relação a esse tópico, contudo, é de se concordar com a DRJ, que decidiu:  Todavia, quanto a parte dos documentos juntados, trazidos para  comprovar especificamente os lançamentos contábeis, há que se  esclarecer,  que  não  se  pode  aceitar  simples  telas  impressas  de  computador, provenientes de sistema de contabilidade interno da  empresa, como hábeis para os fins pretendidos. Seria necessário  carrear  aos  autos  os  documentos  de  suporte  referentes  aos  eventos narrados na sua defesa e resumidos no parágrafo acima,  bem  como  elementos  dos  livros  contábeis  exigíveis  pela  legislação.  Adota­se a mesma fundamentação, consoante permissão do legislador no art.  50, §1º, da Lei nº 9.784/99. Como, no recurso voluntário, a recorrente não logrou comprovar  tais elementos, nega­se provimento ao recurso nessa parte.  Dos juros sobre a multa de ofício   A recorrente ainda questiona a incidência dos juros de mora sobre a multa de  ofício. Sem razão.  Essa  a matéria  tem  sido  objeto  de  julgamento  reiterado  em  sentido  oposto,  podendo ser referidos os acórdãos abaixo:  JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir  juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação  combinada  dos  artigos  43  e  61  da  Lei  n°  9.430/96.  (Acórdão  Fl. 10543DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 23          22 120200.138,  de  30/07/2009.  Relator  Conselheiro  Guilherme  Adolfo dos Santos Mendes).  JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto  no  art.  44  da  Lei  n°  9.430/96,  deverá  incidir  sobre  o  crédito  tributário  não  pago,  consistente  na  diferença  entre  o  tributo  devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de  que  somente  no  caso  do  parágrafo  único  do  art.  43  da  Lei  nº  9.430/96  é  que  poderá  incidir  juros  de  mora  sobre  a  multa  aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo refere­se  à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada  mais  lógico  que  venha  dispositivo  legal  expresso  para  fazer  incidir  os  juros  sobre  a  multa  que  não  torna  como  base  de  incidência  valores  de  crédito  tributário  sujeitos  à  incidência  ordinária  da  multa.  (Acórdão  140100.155,  de  28/01/2010.  Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto).  Deste colegiado, pode ser referido o Acórdão nº 1202­00756, de 12/04/2012,  cujo voto vencedor foi prolatado por esta relatora no seguinte sentido:  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO  A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de  ofício  proporcional.  Sobre  o  crédito  tributário  constituído,  incluindo  a  multa  de  ofício,  incidem  juros  de  mora,  devidos  à  taxa Selic.  Igualmente, aqui,  cabe utilizar os mesmos  fundamentos  registrados por esta  relatora no voto vencedor do  acórdão nº 9101.00539, de 11/03/2010,  em que a 1ª Turma da  Câmara Superior de Recursos Fiscais manteve a incidência dos juros de mora, devidos à taxa  Selic, sobre a multa de ofício. Os fundamentos podem ser sintetizados assim:  (i) uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96,  que  regula  os  acréscimos  moratórios  sobre  débitos  decorrentes  de  tributos  e  contribuições,  pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício;  (ii)  todavia,  uma  norma  não  deve  ser  interpretada  isoladamente  dentro  do  sistema  tributário  nacional,  já  que  interpretar  uma  norma  é  interpretar  o  sistema  inteiro:  qualquer  exegese  comete,  direta  ou  obliquamente,  uma  aplicação  da  totalidade  do  direito.”  (Juarez Freitas, 2002, p.70);  (iii)  interpretar  sistematicamente  implica  excluir  qualquer  solução  interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema;  (iv) no sistema tributário nacional, há de ser uniforme a definição de crédito  tributário, considerado como “o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o  Estado  (sujeito  ativo)  pode  exigir  do  particular,  o  contribuinte  ou  responsável  (sujeito  passivo),  o  pagamento  do  tributo  ou  da  penalidade  pecuniária  (objeto  da  relação  obrigacional).” (Hugo de Brito Machado, 2009, p.172);  (v) o conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta  tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária;  Fl. 10544DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 24          23 (vi) a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e  tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu  não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional.    (vii)  a  multa  de  ofício,  prevista  no  art.  44  da  Lei  nº  9.430/96,  é  exigida  “juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago” (§1º).  (viii)  no  momento  do  lançamento,  a  multa  de  ofício  agrega­se  ao  tributo,  tornando­se ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal;  (ix) a obrigação principal referente à multa de ofício converte­se em crédito  tributário a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1º, do CTN;  (x)  a  penalidade  pecuniária,  representada  no  presente  caso  pela  multa  de  ofício,  tem  natureza  punitiva,  incidindo  sobre  o  montante  não  pago  do  tributo  devido,  constatado após ação fiscalizatória do Estado;  (xi)  os  juros  moratórios,  por  sua  vez,  não  se  tratam  de  penalidade  e  têm  natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito  da União;  (xii) o art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito sobre o qual deve  incidir os juros de mora, ao dispor que o “crédito” não pago integralmente no seu vencimento é  acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento;  (xiii)  o  art.  61  da  Lei  n°  9.430/96,  ao  se  referir  a  débitos  decorrentes  de  tributos  e  contribuições,  alcança  os  débitos  em  geral  relacionados  com  esses  tributos  e  contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento reforçado pelo fato de o art.  43  da  mesma  lei  prescrever  expressamente  a  incidência  de  juros  sobre  a  multa  exigida  isoladamente,  o  que  contribui  para  afastar  eventual  alegação  de  incompatibilidade  entre  os  institutos juros e multa;  (xiv)  a  partir  do  trigésimo  primeiro  dia  do  lançamento,  caso  não  pago,  o  montante do crédito tributário, que pode ser constituído, como se viu, pelo tributo mais a multa  de ofício, passa a ser acrescido dos juros de mora, devidos em razão do atraso da entrada dos  recursos  nos  cofres  da União,  consoante  a Súmula CARF nº  5:  “São devidos  juros  de mora  sobre  o  crédito  tributário  não  integralmente  pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua  exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.”  (xv)  a  partir  de  abril  de  1995,  tem­se  a  taxa  Selic,  instituída  pela  Lei  nº  9.065/95,  na  cobrança  do  crédito  tributário,  entendimento  esse  vinculante  desde  a  edição  da  Súmula CARF n° 4  (“A partir de 1º de abril  de 1995, os  juros moratórios  incidentes  sobre  débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período  de  inadimplência, à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia  ­ SELIC  para títulos federais”).  Adotando  a  linha  de  raciocínio  acima  exposta,  do  ilustre  Conselheiro  Claudemir  Rodrigues  Malaquias  prolatou  o  voto  vencedor  no  Acórdão  nº  910101.191,  da  sessão de 17 de outubro de 2011 da mesma 1ª Turma da CSRF.   Fl. 10545DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 25          24 Mais  recentemente,  a 1ª Turma da CSRF manifestou­se no mesmo  sentido,  como se extrai do Acórdão nº 9101­001.474, de 14 de agosto de 2012:  Assunto: Juros de mora sobre multa de ofício.  A melhor  exegese  da  remissão  feita  pelo  caput  do  art.  30  aos  débitos referidos no art. 29, ambos da Lei n° 10.522/02,  leva à  conclusão  que  alcança  todos  os  débitos  de  qualquer  natureza  para com a Fazenda Nacional, inclusive os relativos à multa de  ofício.   O redator designado, o ilustre conselheiro Alberto Pinto Júnior, ao elaborar o  voto vencedor naquele caso, acrescentou os seguintes argumentos:  Assim, vale analisarmos o art. 161 do CTN, o qual assim dispõe:  "Art.  161.  O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis  e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária.  § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são  calculados à taxa de um por cento ao mês.  ......................................................................................................."  Note­se  que  o  termo  crédito  no  caput  do  art.  161  vem  desacompanhado  do  adjetivo  "tributário",  o  que  deixa  clara  a  intenção  do  legislador  de,  nele,  incluir  também  multas  (ad  valorem ou específicas). A mesma preocupação teve o legislador  nos  §§  1°  e  3°  do  art.  113  do  CTN,  pois,  ao  dispor  que  a  penalidade  se  converte  em  obrigação  qualificou  apenas  com  o  adjetivo  principal  (obrigação  de  dar), mas  não  com  o  adjetivo  "tributário".  Tal  cuidado Por  sua  vez,  não  procede a  alegação  da  contribuinte  de  que  a  expressão  "sem  prejuízo  de  outras  penalidades  cabíveis"  levaria  à  conclusão  de  que  a  multa  de  ofício (punitiva) não estaria contida no  termo "crédito". Ora, a  referida expressão autoriza o legislador ordinário a criar multas  de  caráter  moratório,  pois,  da  simples  leitura  do  dispositivo,  verifica­se que a penalidade ali tratada tem como causa apenas  a  impontualidade.  Daí  porque  toda  a  argumentação  do  contribuinte  está  correta, mas  apenas  no  que  tange à multa  de  mora.  Realmente, à luz do caput do art. 161 do CTN não incidem juros  de mora sobre multa de mora, logicamente, quando for o caso de  sua aplicação. Agora, quanto à multa de ofício, cuja causa não  reside na mera impontualidade, esta compõe o crédito devido e,  por consequência, sofre a incidência dos juros de mora.  Assim sendo, em caso de vazio normativo, incidirá, por força do  § 1° do art.161, juros de mora à taxa de 1% a.m.. Cabe, então,  agora,  verificarmos  se  a matéria  foi  realmente  disciplinada  no  art. 30 da Lei n° 10.522/02, para tanto, trago à colação tanto o  art. 30 como o dispositivo a que ele se remete, in verbis:  Fl. 10546DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 26          25 "Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda  Nacional  e  os  decorrentes  de  contribuições  arrecadadas  pela  União,  constituídos  ou  não,  cujos  fatos  geradores  tenham  ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto  de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos  em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base  no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997.  §  1°  A  partir  de  1°  de  janeiro  de  1997,  os  créditos  apurados  serão lançados em reais.  .........................................................................................................  Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como  aos  inscritos  em  Dívida  Ativa  da  União,  passam  a  incidir,  a  partir de 1 de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa  referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia –  Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último  dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no  mês de pagamento.  Surge  de  plano  uma  questão  a  ser  dirimida,  qual  seja,  se  a  remissão  feita,  pelo  caput  do  art.  30,  aos  débitos  referidos  no  art.  29,  limita­se  ou  não  aos  débitos  cujos  fatos  geradores  tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994. Ora, a remissão é  técnica  legislativa  que  visa  abreviar  o  texto  legal,  evitando  repetições desnecessárias. Todavia,  há que  ser  cuidadosamente  analisada,  pois  não  pode  levar  a  uma  intepretação  desarrazoada,  resultante  da  absorção  puramente  mecânica  e  literal de uma norma pela outra. Desarrazoado é aquilo em que  não  se  observa  a  lógica,  a  razão,  é  o  despropósito.  Logo,  concordo  com  as  colocações  da  Fazenda  Nacional  quando  afirma que fere a lógica concluir que apenas as multas de oficio  anteriores  a  1995  sofreriam  a  incidência  da  taxa  SEL1C,  enquanto  que  as  multas  posteriores  sofreriam  a  incidência  de  outra taxa de juros.  Assim, entendo que a melhor exegese leva­nos a concluir que a  remissão feita pelo caput do art. 30 alcança apenas a expressão  "débitos de qualquer natureza para  com a Fazenda Nacional e  os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União", razão  pela qual, no presente caso, concluo que incidem juros de mora  à taxa Selic sobre as multas de ofício ad valorem.  Vê­se  que  todos  os  argumentos  retro  mencionados  convergem  para  a  conclusão de que é perfeitamente legal e válida a cobrança de juros moratórios sobre a multa  de ofício lançada, aplicando­se a taxa de juros Selic.  DISPOSITIVO  Em razão do exposto, nega­se provimento ao recurso de ofício e dá­se parcial  provimento ao recurso voluntário para afastar a glosa referente às despesas assessoria legal.  (assinado digitalmente)  Viviane Vidal Wagner  Fl. 10547DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 27          26 Voto Vencedor  Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Redator designado  Trata o presente voto apenas do julgamento de juros sobre a multa de ofício,  objeto de impugnação específica.  Entendo  necessária  para  o  deslinde  da  controvérsia  sobre  a  incidência  de  juros moratórios sobre a multa de ofício uma breve abordagem sobre a natureza jurídica destes  institutos no direito tributário.  Sobre  a multa  de  ofício,  valho­me  da  seguinte  lição  do  Professor  Luciano  Amaro (in Direito Tributário Brasileiro, São Paulo: Saraiva, 19ª ed., p. 458):  Aí  é  que  se  põe  a  noção  de  infração,  traduzida  numa  conduta  (omissiva ou comissiva) contrária ao direito.  (...)  No  direito  tributário,  a  infração  pode  acarretar  diferentes  conseqüências.  Se  ela  implica  falta  de  pagamento  de  tributo,  o  sujeito ativo (credor) geralmente tem, a par do direito de exigir  coercitivamente o pagamento do valor devido, o direito de impor  uma  sanção  (que  há  de  ser  prevista  em  lei,  por  força  do  princípio  da  legalidade),  geralmente  traduzida  num  valor  monetário  proporcional  ao  montante  do  tributo  que  deixou  de  ser recolhido. Se se trata de mero descumprimento de obrigação  formal  (“obrigação  acessória”,  na  linguagem  do  CTN),  a  conseqüência é, em geral, a aplicação de uma sanção ao infrator  (também em regra configurada por uma prestação em pecúnia).  Trata­se  das multas  ou  penalidades  pecuniárias,  encontradiças  não  apenas  no  direito  tributário,  mas  também  no  direito  administrativo em geral, bem como no direito privado.  Portanto,  a  multa  de  ofício  representa  a  sanção  pelo  descumprimento  do  dever legal de pagar o tributo.  Por  sua vez, os  juros moratórios decorrem da demora por parte do devedor  em adimplir a obrigação. Sobre o tema, leciona o Dr. Glauber Moreno Talavera (in Aspectos  jurídicos  controversos  dos  juros  e  da  comissão  de  permanência,  São  Paulo:  Revista  dos  Tribunais, p. 128):  Em síntese apertada, os juros moratórios consistem no montante  previamente  fixado  ou  apurado  mediante  aplicação  de  um  percentual  sobre  o  valor  do  principal,  estipulado  contratualmente ou decorrente da lei, devido pelo contraente que  não adimpliu as obrigações assumidas no ato da celebração da  avença.  (...)  Fl. 10548DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 28          27 Por conseguinte, na hipótese de incidirem juros moratórios sobre a multa de  ofício,  estes necessitam de  expressa previsão  legal,  uma vez que  fazem aumentar o valor da  multa e esse aumento há de possuir amparo legal em obediência ao inciso XXXIX, do art. 5°,  da Constituição de 1988.  O STJ tem o seguinte entendimento sobre esse tema:  AgRg  no  RECURSO  ESPECIAL  Nº  1.335.688  ­  PR  (2012/0153773­0)  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA.  INCIDÊNCIA.  PRECEDENTES  DE  AMBAS  AS  TURMA  QUE  COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ.  1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira  Seção  do  STJ  no  sentido  de  que:  "É  legítima  a  incidência  de  juros  de  mora  sobre  multa  fiscal  punitiva,  a  qual  integra  o  crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira,  DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min.  Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010.(g.n.o)  2. Agravo regimental não provido.  Na  mesma  linha  de  raciocínio,  esta  Turma  já  se  pronunciou  sobre  a  controvérsia, por meio do Acórdão n° 1202000.972, com a seguinte ementa:  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.  SELIC.  A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de  ofício  proporcional.  Sobre  o  crédito  tributário  constituído,  incluindo a multa de ofício,  incidem juros de mora, devidos à  taxa Selic.(g.n.o)  Pela clareza dos fundamentos deste Acórdão, peço vênia para transcrevê­los:  Voto Vencido  Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator  (...)  Por fim, acerca da incidência dos juros sobre o valor exigido a  título  de  multa  de  ofício,  merece  ser  acolhida  a  alegação  da  Recorrente,  consoante  entendimento  da  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais. Vejamos:  “RECURSO  ESPECIAL  –  CONHECIMENTO.  Não  deve  ser  conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional  quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o  acórdão recorrido.  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA  DE  OFÍCIO  –  INAPLICABILIDADE  – Os  juros  de mora  só  incidem  sobre  o  Fl. 10549DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 29          28 valor  do  tributo,  não  alcançando  o  valor  da  multa  de  ofício  aplicada.”  (CSRF,  1ª  Turma,  Acórdão  nº  910100.722,  data:  08.11.2010)(g.n.o)  Neste mesmo sentido, são vários os acórdãos deste E. Conselho.  Vejamos:  [...]  JUROS  SOBRE MULTA DE OFICIO.  A  Lei  9,430/96  não  prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. O  art. 161, § 1 ª, que se subordina ao caput, prevê supletivamente a  aplicabilidade de juros de mora à taxa de 1% ao mês. O art.161,  caput,  do CTN  prevê  a  incidência  de  juros  de mora  antes  de  imposição das penalidades cabíveis. Sobre a multa de oficio são  inaplicáveis juros de mora. [...] (CARF 1ª Seção / 3a. Turma da  1a.  Câmara  /  ACÓRDÃO  110300.193  em  18/05/2010  /  Publicado no DOU em: 14.03.2011)(g.n.o)  [...]  INCIDÊNCIA  DE  JUROS  SOBRE  MULTA  DE  OFÍCIO  INAPLICABILIDADE  Não  incidem os  juros com base na  taxa Selic  sobre a multa de  ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua  incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições.  Igualmente  não  incidem  os  juros  previstos  no  artigo  161  do  CTN sobre a multa de ofício.(1º Conselho de Contribuintes / 1ª  Câmara  / ACÓRDÃO 10196.523 em 23.01.2008 / Publicado no  DOU em: 11.12.2008)(g.n.o)  [...]  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA  DE  OFÍCIO  INAPLICABILIDADE  Os juros com base na taxa Selic não devem incidir sobre a multa  de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n° 9.430/96 apenas impõe  sua  incidência  sobre  débitos  decorrentes  de  tributos  e  contribuições.  Igualmente,  não  incidem  os  juros  previstos  no  artigo  161  do  CTN  sobre  a  multa  de  oficio.  As  polêmicas  e  controvérsias  sobre  esse  assunto  vem  de  longa  data,  o  que  já  fragiliza  a  tese  em  favor  da  incidência,  pois,  tratando­se  de  norma punitiva,  com  implicação direta na  dimensão da  pena,  não  poderia  o  texto  legal  dar  margem  a  tantas  dúvidas.  No  âmbito  das  normas  jurídicas  de  natureza  punitiva,  nenhuma  pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo.  Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade),  a Lei deveria ser muito clara a  respeito, o que não se verifica  no texto normativo vigente. (CARF 1ª Seção / 2ª Turma Especial  /  ACÓRDÃO  180200.599  em  03/08/2010  /  Publicado  no  DOU  em: 28.03.2011)(g.n.o)  Voto Vencedor  Conselheira Viviane Vidal Wagner, Redatora designada  A discordância do voto do ilustre relator limita­se à questão da  incidência  dos  juros  de mora  sobre  a multa  do  ofício,  na  qual  Fl. 10550DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 30          29 restou  vencido,  em  que  pese  os  argumentos  expendidos  e  a  clareza do seu raciocínio.  Ocorre  que  a matéria  tem  sido  objeto  de  julgamento  reiterado  neste  e  em  outros  colegiados,  em  sentido  oposto,  podendo  ser  referidos os acórdãos abaixo:  JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir  juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação  combinada  dos  artigos  43  e  61  da  Lei  n°  9.430/96.  (Acórdão  120200.138,  de  30/07/2009.  Relator  Conselheiro  Guilherme  Adolfo dos Santos Mendes).  JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto  no  art.  44  da  Lei  n°  9.430/96,  deverá  incidir  sobre  o  crédito  tributário  não  pago,  consistente  na  diferença  entre  o  tributo  devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de  que  somente  no  caso  do  parágrafo  único  do  art.  43  da  Lei  nº  9.430/96  é  que  poderá  incidir  juros  de  mora  sobre  a  multa  aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo refere­se  à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada  mais  lógico  que  venha  dispositivo  legal  expresso  para  fazer  incidir  os  juros  sobre  a  multa  que  não  torna  como  base  de  incidência  valores  de  crédito  tributário  sujeitos  à  incidência  ordinária  da  multa.  (Acórdão  140100.155,  de  28/01/2010.  Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto).  Deste colegiado, pode ser referido o Acórdão nº 120200756, de  12/04/2012,  cujo  voto  vencedor  foi  prolatado  por  esta  relatora  no seguinte sentido:    JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO  A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de  ofício  proporcional.  Sobre  o  crédito  tributário  constituído,  incluindo  a  multa  de  ofício,  incidem  juros  de  mora,  devidos  à  taxa Selic.  Igualmente,  aqui,  cabe  utilizar  os  mesmos  fundamentos  registrados  por  esta  relatora  no  voto  vencedor  do  acórdão  nº  9101.00539,  de  11/03/2010,  em  que  a  1ª  Turma  da  Câmara  Superior de Recursos Fiscais manteve a incidência dos juros de  mora,  devidos  à  taxa  Selic,  sobre  a  multa  de  ofício.  Os  fundamentos podem ser sintetizados assim:  (i) uma  interpretação  literal e  restritiva do caput do art. 61 da  Lei  nº  9.430/96,  que  regula  os  acréscimos  moratórios  sobre  débitos  decorrentes  de  tributos  e  contribuições,  pode  levar  à  equivocada  conclusão  de  que  estaria  excluída  desses  débitos  a  multa de ofício;  (ii) todavia, uma norma não deve ser interpretada isoladamente  dentro  do  sistema  tributário  nacional,  já  que  interpretar  uma  norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete,  Fl. 10551DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 31          30 direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito.”  (Juarez Freitas, 2002, p.70);  (iii)  interpretar  sistematicamente  implica  excluir  qualquer  solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com  alguma norma do sistema;  (iv)  no  sistema  tributário  nacional,  há  de  ser  uniforme  a  definição  de  crédito  tributário,  considerado  como  “o  vínculo  jurídico,  de  natureza  obrigacional,  por  força  do  qual  o Estado  (sujeito  ativo)  pode  exigir  do  particular,  o  contribuinte  ou  responsável  (sujeito  passivo),  o  pagamento  do  tributo  ou  da  penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional).” (Hugo  de Brito Machado, 2009, p.172);  (v)  o  conceito  de  crédito  tributário,  nos  termos  do  art.  139  do  CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária;  (vi) a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do  fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como  a  penalidade  pecuniária  decorrente  do  seu  não  pagamento,  o  que inclui a multa de ofício proporcional.  (vii) a multa de ofício, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, é  exigida  “juntamente  com  o  imposto,  quando  não  houver  sido  anteriormente pago” (§1º).  (viii) no momento do lançamento, a multa de ofício agrega­se ao  tributo,  tornando­se  ambos  obrigação  de  natureza  pecuniária,  ou seja, principal;  (ix) a obrigação principal referente à multa de ofício converte­se  em crédito tributário a partir do lançamento, consoante previsão  do art. 113, §1º, do CTN;  (x) a penalidade pecuniária, representada no presente caso pela  multa  de  ofício,  tem  natureza  punitiva,  incidindo  sobre  o  montante  não  pago  do  tributo  devido,  constatado  após  ação  fiscalizatória do Estado;  (xi)  os  juros  moratórios,  por  sua  vez,  não  se  tratam  de  penalidade  e  têm  natureza  indenizatória,  ao  compensarem  o  atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União;  (xii) o art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito sobre  o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o “crédito”  não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros  de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento;  (xiii)  o  art.  61  da  Lei  n°  9.430/96,  ao  se  referir  a  débitos  decorrentes  de  tributos  e  contribuições,  alcança  os  débitos  em  geral  relacionados  com  esses  tributos  e  contribuições  e  não  apenas  os  relativos  ao  principal,  entendimento  reforçado  pelo  fato  de  o  art.  43  da  mesma  lei  prescrever  expressamente  a  incidência  de  juros  sobre  a multa  exigida  isoladamente,  o  que  contribui  para  afastar  eventual  alegação  de  incompatibilidade  entre os institutos juros e multa;  Fl. 10552DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 32          31 (xiv) a partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não  pago, o montante do crédito tributário, que pode ser constituído,  como  se  viu,  pelo  tributo  mais  a  multa  de  ofício,  passa  a  ser  acrescido  dos  juros  de  mora,  devidos  em  razão  do  atraso  da  entrada dos  recursos nos cofres da União, consoante a Súmula  CARF  nº  5:  “São  devidos  juros  de  mora  sobre  o  crédito  tributário  não  integralmente  pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua  exigibilidade,  salvo  quando  existir  depósito  no  montante integral.”  (xv) a partir de abril de 1995, tem­se a taxa Selic, instituída pela  Lei nº 9.065/95, na cobrança do crédito tributário, entendimento  esse vinculante desde a edição da Súmula CARF n° 5 (“A partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC  para títulos federais”).  Adotando  a  linha  de  raciocínio  acima  exposta,  do  ilustre  Conselheiro  Claudemir  Rodrigues  Malaquias  prolatou  o  voto  vencedor no Acórdão nº 910101.191, da sessão de 17 de outubro  de 2011 da mesma 1ª Turma da CSRF.  Mais  recentemente,  a  1ª  Turma  da  CSRF  manifestou­se  no  mesmo  sentido,  como se extrai do Acórdão nº 9101001.474, de  14 de agosto de 2012:  Assunto: Juros de mora sobre multa de ofício.  A melhor  exegese  da  remissão  feita  pelo  caput  do  art.  30  aos  débitos referidos no art. 29, ambos da Lei n° 10.522/02,  leva à  conclusão  que  alcança  todos  os  débitos  de  qualquer  natureza  para com a Fazenda Nacional, inclusive os relativos à multa de  ofício.  O redator designado, o ilustre conselheiro Alberto Pinto Júnior,  ao  elaborar  o  voto  vencedor  naquele  caso,  acrescentou  os  seguintes argumentos:  Assim, vale analisarmos o art. 161 do CTN, o qual assim dispõe:  "Art.  161.  O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis  e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária.  § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são  calculados à taxa de um por cento ao mês.  ......................................................................................................."  Note­se  que  o  termo  crédito  no  caput  do  art.  161  vem  desacompanhado  do  adjetivo  "tributário",  o  que  deixa  clara  a  intenção  do  legislador  de,  nele,  incluir  também  multas  (ad  valorem ou específicas). A mesma preocupação teve o legislador  Fl. 10553DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 33          32 nos  §§  1°  e  3°  do  art.  113  do  CTN,  pois,  ao  dispor  que  a  penalidade  se  converte  em  obrigação  qualificou  apenas  com  o  adjetivo  principal  (obrigação  de  dar), mas  não  com  o  adjetivo  "tributário".  Tal  cuidado Por  sua  vez,  não  procede a  alegação  da  contribuinte  de  que  a  expressão  "sem  prejuízo  de  outras  penalidades  cabíveis"  levaria  à  conclusão  de  que  a  multa  de  ofício (punitiva) não estaria contida no  termo "crédito". Ora, a  referida expressão autoriza o legislador ordinário a criar multas  de  caráter  moratório,  pois,  da  simples  leitura  do  dispositivo,  verifica­se que a penalidade ali tratada tem como causa apenas  a  impontualidade.  Daí  porque  toda  a  argumentação  do  contribuinte  está  correta, mas  apenas  no  que  tange à multa  de  mora.  Realmente, à luz do caput do art. 161 do CTN não incidem juros  de mora sobre multa de mora, logicamente, quando for o caso de  sua aplicação. Agora, quanto à multa de ofício, cuja causa não  reside na mera impontualidade, esta compõe o crédito devido e,  por conseqüência, sofre a incidência dos juros de mora.(...)  Destarte, entendem o STJ e o voto vencedor da decisão administrativa que a  multa de ofício faz parte do termo “crédito” constante do art. 161, caput, do CTN, e do termo  “débito” no art. 61, caput e §3º, da Lei n° 9.430, de 1996, e que, por isso, sofre incidência dos  juros moratórios. Em que pesem os fundamentos dessa interpretação, ouso destes discordar.  Nesse ponto, cabe, mais uma vez, transcrever os artigos naquilo que interessa  à incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício:  CTN  TÍTULO III  Crédito Tributário  CAPÍTULO IV  Extinção do Crédito Tributário  SEÇÃO II  Pagamento  Art.  161.  O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária.(g.n.o)  (...)  §  2º  O  disposto  neste  artigo  não  se  aplica  na  pendência  de  consulta  formulada  pelo  devedor  dentro  do  prazo  legal  para  pagamento do crédito.      Fl. 10554DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 34          33 Lei n° 9.430, de 1996.  Capítulo IV  PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO  Seção V  Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições  Auto de Infração sem Tributo  Art.  43. Poderá  ser  formalizada exigência de crédito  tributário  correspondente  exclusivamente  a  multa  ou  a  juros  de  mora,  isolada ou conjuntamente.  Parágrafo  único.  Sobre  o  crédito  constituído  na  forma  deste  artigo,  não  pago  no  respectivo  vencimento,  incidirão  juros  de  mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até  o mês anterior ao do pagamento  e de um por cento no mês de  pagamento.  Multas de Lançamento de Ofício  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  Capítulo V  DISPOSIÇÕES GERAIS  Seção IV  Acréscimos Moratórios  Multas e Juros  Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa  de  trinta  e  três  centésimos  por  cento,  por  dia  de  atraso.  (Vide  Decreto nº 7.212, de 2010)  § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros  de mora  calculados  à  taxa  a  que  se  refere  o § 3º  do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento  do  prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998)  Observa­se,  da  leitura do  art.  161,  caput,  do CTN,  que,  ao  termo  “crédito”  deve  ser  qualificado  o  adjetivo  “tributário”,  uma  vez  que  este  artigo  encontra­se  inserto  no  Título  III do CTN ­ CRÉDITO TRIBUTÁRIO, vedando­se, por conseguinte, a  incidência de  juros moratórios  sobre  a multa de  ofício,  a  qual  não  faz  parte  do  crédito  tributário  antes  do  Fl. 10555DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.005901/2008­81  Acórdão n.º 1202­001.094  S1­C2T2  Fl. 35          34 vencimento.  Este  pensamento  consta  das  lições  do  Professor  Luciano  Amaro,  transcritas  a  seguir:  (...) sem prejuízo da imposição de penalidades e da aplicação de  medidas de garantia. Embora o dispositivo se reporte a “crédito  tributário”,  ele  é  aplicável  também  às  situações  em  que  não  tenha havido lançamento (...) (op. cit p.418)    O  Código  Tributário  Nacional  dedicou  três  artigos  à  responsabilidade  por  infrações  tributárias  (...),  reportando­se,  ainda,  à  matéria,  de  modo  fragmentário,  noutras  disposições:  (...)m) art. 161 (cabimento de penalidades pelo inadimplemento  do dever de recolher tributo)(g.n.o)(op. cit. p. 467).  A  partir  desta  determinação  da  Lei  de  Normas  Gerais  Tributárias,  Lei  Complementar,  a  expressão  Os  débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal no art. 61, caput e §3º, da Lei  n° 9.430, de 1996, Lei de rito ordinário, não inclui a multa de ofício para fins de incidência dos  juros moratórios,o que guarda coerência com a hierarquia das Leis e com a interpretação dos  referidos  artigos  à  Luz  dos  Direitos  e  Garantias  Fundamentais  e  do  Sistema  Tributário  Nacional referidos na Constituição de 1988.  Por  fim,  esclarece­nos  o  Professor  Mauro  Luis  Rocha  Lopes  (in  Direito  Tributário, 4. ed. Rio de Janeiro: Impetus, p. 266):  O cálculo dos juros em cima da multa, à evidência, agrava indevidamente a penalidade  no tempo e a descaracteriza, transformando­a em instrumento de arrecadação estatal. Mutatis  mutandis, é como se o condenado em processo criminal tivesse de se sujeitar ao agravamento  de sua pena apenas em função da demora em se recolher ao cárcere, o que não faz o menor  sentido.  Estabelece a norma geral tributária do art. 161, caput, do CTN que o crédito tributário  não  integralmente pago no vencimento  é acrescido de  juros de mora,  seja qual  for o motivo  determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis, como a evidenciar  que o crédito original, representado exclusivamente pelo montante do tributo não pago, figura,  isoladamente, tanto como base para a contagem dos juros como para o cálculo da multa (...)  Por conseguinte, pelas razões expostas, DOU provimento parcial ao presente  recurso para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício.  (assinado digitalmente)  Plínio Rodrigues Lima.                Fl. 10556DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 24/07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA

score : 1.0
5558054 #
Numero do processo: 19706.000045/2007-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1997 a 31/05/2004 DECADÊNCIA - De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. SIMULAÇÃO Na ocorrência de simulação, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS, DECLARADAS EM RAIS E/OU GFIP A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados que lhe prestam serviços. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 3º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social. GRUPO ECONÔMICO Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizá-lo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes. LISTA DE CO-RESPONSÁVEIS Os diretores ou sócios somente poderão constar na lista de co-responsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN.
Numero da decisão: 2301-003.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/1998, anteriores a 12/1998, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, no que tange à suposta correção da multa, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente. Bernadete de Oliveira Barros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Luciana De Souza Espindola Reis, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzáles Silvério
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201402

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1997 a 31/05/2004 DECADÊNCIA - De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. SIMULAÇÃO Na ocorrência de simulação, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS, DECLARADAS EM RAIS E/OU GFIP A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados que lhe prestam serviços. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 3º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social. GRUPO ECONÔMICO Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizá-lo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes. LISTA DE CO-RESPONSÁVEIS Os diretores ou sócios somente poderão constar na lista de co-responsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 19706.000045/2007-40

anomes_publicacao_s : 201408

conteudo_id_s : 5366355

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 2301-003.926

nome_arquivo_s : Decisao_19706000045200740.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS

nome_arquivo_pdf_s : 19706000045200740_5366355.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/1998, anteriores a 12/1998, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, no que tange à suposta correção da multa, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente. Bernadete de Oliveira Barros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Luciana De Souza Espindola Reis, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzáles Silvério

dt_sessao_tdt : Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014

id : 5558054

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:29 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046816314884096

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2283; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 961          1 960  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19706.000045/2007­40  Recurso nº  999.999   Voluntário  Acórdão nº  2301­003.926  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de fevereiro de 2014  Matéria  AFERIÇÃO INDIRETA  Recorrente  FRIGORÍFICO BOI BRASIL E OUTROS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/05/1997 a 31/05/2004  DECADÊNCIA ­   De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei  nº  8.212/1991  são  inconstitucionais,  devendo  prevalecer,  no  que  tange  à  decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.  Nos  termos do  art.  103­A da Constituição Federal,  as Súmulas Vinculantes  aprovadas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial,  terão  efeito  vinculante  em  relação  aos  demais  órgãos  do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas  esferas  federal, estadual e municipal.  SIMULAÇÃO  Na  ocorrência  de  simulação,  aplica­se  o  prazo  decadencial  previsto  no  art.  173, do CTN.  AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA  Não  há  que  se  falar  em  nulidade  por  cerceamento  de  defesa  quando  os  relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua  lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da  contribuição  previdenciária,  elencando  todos  os  dispositivos  legais  que  dão  suporte ao procedimento do lançamento.  CONTRIBUIÇÃO  INCIDENTE  SOBRE  REMUNERAÇÃO  DE  SEGURADOS, DECLARADAS EM RAIS E/OU GFIP  A  empresa  está  obrigada  a  recolher  a  contribuição  devida  sobre  a  remuneração paga aos segurados que lhe prestam serviços.  AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO  Aplicável  a  apuração  do  crédito  previdenciário  por  aferição  indireta/arbitramento  na  hipótese  de  deficiência  ou  ausência  de  quaisquer     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 70 6. 00 00 45 /2 00 7- 40 Fl. 961DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA   2 documentos  ou  informações  solicitados  pela  fiscalização,  que  lançará  o  débito  que  imputar  devido,  invertendo­se  o  ônus  da  prova  ao  contribuinte,  com  esteio  no  artigo  33,  §  3º,  da  Lei  8.212/91,  c/c  artigo  233,  do  Regulamento da Previdência Social.  GRUPO ECONÔMICO  Ao  verificar  a  existência  de  grupo  econômico  de  fato,  a  auditoria  fiscal  deverá  caracterizá­lo  e  atribuir  a  responsabilidade  pelas  contribuições  não  recolhidas aos participantes.  LISTA DE CO­RESPONSÁVEIS  Os diretores ou  sócios  somente poderão  constar  na  lista de  co­responsáveis  do  lançamento  fiscal  como mera  indicação  nominal  de  representação  legal,  mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária,  visto  que  deverão  ser  observadas  as  condições  previstas  no  artigo  135,  do  CTN.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em dar  provimento  parcial  ao  recurso,  nas  preliminares,  para  excluir  do  lançamento,  devido  à  regra  decadencial  expressa  no  I,  Art.  173  do  CTN,  as  contribuições  apuradas  até  a  competência  11/1998, anteriores a 12/1998, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao  Recurso  nas  demais  alegações  da  Recorrente,  nos  termos  do  voto  do(a)  Relator(a);  II)  Por  maioria  de  votos:  a)  em  negar  provimento  ao  recurso,  no  que  tange  à  suposta  correção  da  multa,  nos  termos  do  voto  do(a)  Relator(a).  Vencidos  os  Conselheiros  Adriano  Gonzáles  Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso,  no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996,  se mais  benéfica à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas  demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).    Marcelo Oliveira ­ Presidente.     Bernadete de Oliveira Barros ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  Oliveira  (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Luciana De Souza Espindola Reis, Bernadete  de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzáles Silvério  Fl. 962DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19706.000045/2007­40  Acórdão n.º 2301­003.926  S2­C3T1  Fl. 962          3   Relatório  Trata­se  de  crédito  previdenciário  lançado  contra  a  empresa  acima  identificada,  referente  às  contribuições  devidas  à Seguridade Social,  correspondentes  à parte  dos  segurados,  à  da  empresa,  à  destinada  ao  financiamento  dos  benefícios  decorrentes  dos  riscos ambientais do trabalho e aos Terceiros.  Conforme Relatório Fiscal da  Infração  (fls.  118),  constitui  fato gerador das  contribuições  lançadas  os  valores  pagos  a  empregados,  aos  administradores  a  título  de  pro­ labore e a autônomos  Segundo  a  autoridade  lançadora,  em  decorrência  da  não  apresentação  dos  documentos solicitados, as bases de cálculo foram aferidas com base em valores das RAIS e  GFIPs, encontrados nos sistemas informatizados do INSS.  O agente notificante esclarece os critérios utilizados na apuração do débito,  informando  que,  das  contribuições  apuradas  foram  deduzidas  os  valores  parcialmente  recolhidos nas GRPS/GPS, extraídas do conta corrente da empresa  Observa que houve uma transferência, em tese, fraudulenta, da empresa para  um endereço no qual ela nunca  funcionou e expõe, a seguir, os motivos pelos quais entende  que  há  formação  de  grupo  econômico  de  fato  entre  a  notificada  e  as  empresas  ali  citadas,  e  fundamenta a solidariedade entre as integrantes do grupo no art. 30, inciso IX, da Lei 8.212/91.  Salienta  que,  além  dos  co­responsáveis  que  constam  do  Contrato  Social,  estão sendo responsabilizadas outras pessoas físicas, com fundamento no art. 135, do CTN, e  que  os  motivos  que  levaram  a  fiscalização  a  essa  conclusão  se  encontram  descritos  no  Relatório Geral, anexo da NFLD.  No citado Relatório Geral, o agente fiscal expõe os motivos que o levaram a  incluir,  como  responsáveis da  empresa notificada,  na  condição de  legítimos proprietários,  os  senhores  ANTONIO  JOSE DE OLIVEIRA,  REGINALDO DA  SILVA MAIA, GERALDO  REGIS MAIA e GERALDO ARRUDA DE FREITAS, bem como os elementos de convicção  da  ocorrência  de  simulação  e  fraude  nos  contratos  de  arrendamentos,  com  a  constituição  de  várias pseudo­empresas.  Traz  o  histórico  das  empresas  que,  segundo  entende,  integram  o  grupo  econômico  de  fato,  e  ressalta  que  os  sócios  que  constam  dos  seus  contratos  sociais  não  possuem  nenhum  patrimônio,  nem  rendimentos  que  possam  comprovar  a  capacidade  econômica para estabelecer uma empresa do porte de um frigorífico, nem indícios de que tenha  exercido qualquer atividade profissional anterior no ramo ou na pecuária.   Os  Srs  REGINALDO  SILVA  MAIA,  GERALDO  REGIS  MAIA  e  ANTONIO  JOSÉ  DE  OLIVEIRA,  considerados  pela  fiscalização  como  co­responsáveis,  apresentaram defesa e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio Decisão­Notificação nº  06.401.4/068/2006 (fls. 842), julgou o lançamento procedente.  Fl. 963DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA   4 Cientificadas  da  decisão,  somente  o  Sr.  GERALDO  REGIS  MAIA  apresentou recurso (fls. 891) , insurgindo­se contra sua manutenção como co­responsáveis pelo  débito  da  pessoa  jurídica,  e  alegando,  em  apertada  síntese,  ser  pessoa  estranha  ao  quadro  societário, e reiterando os argumentos trazidos em sede de impugnação.  Reitera a inexistência de relação entre o recorrente e os demais que constam  na autuação e reafirma que não foi intimado do início da ação fiscal praticada contra a empresa  autuada.  Defende que, para que haja a situação descrita no art. 202, I, do CTN, de co­ responsabilidade, é mister que esse co­responsável que não é sócio e tenha praticado algum ato  que  faça  com  que  a  autoridade  autuante  descubra  por  ato  contrário  ao  contrato  social  ou  excesso de poder, o que não ocorreu no presente caso, em que a autoridade se limitou a fazer  alegações hipotéticas, lançando sobre o recorrente débitos que jamais tivera a intenção de obter  e nem concorreu para que eles ocorressem.  Entende que não há motivo para se imputar solidariedade ao recorrente e, se  assim se admitisse em tese, a responsabilidade do recorrente seria por subsidiariedade.  Conclui que é nula a autuação contra a recorrente por débito.  É o relatório.  Fl. 964DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19706.000045/2007­40  Acórdão n.º 2301­003.926  S2­C3T1  Fl. 963          5   Voto             Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros  O  recurso  é  tempestivo  e  todos  os  pressupostos  de  admissibilidade  foram  cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento.  Inicialmente,  impõe  suscitar  questão  relativa  ao  prazo  decadencial,  não  trazida pelo  contribuinte  no  recurso  tempestivo, mas  que,  por  ser matéria  de ordem pública,  deve ser reconhecida de ofício.  Verifica­se  que  a  fiscalização  lavrou  a presente NFLD com amparo  na Lei  8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus  créditos extingue­se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele  em que o crédito poderia ter sido constituído.  No  entanto,  o  Supremo  Tribunal  Federal,  entendendo  que  apenas  lei  complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do  artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos  Extraordinários  nº  556664,  559882,  559943  e  560626,  em  decisão  plenária  que  declarou  a  inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,.  Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema,  publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo:  Súmula  Vinculante  8 “São  inconstitucionais  os  parágrafo  único  do artigo 5º do Decreto­lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei  8.212/91,  que  tratam  de  prescrição  e  decadência  de  crédito  tributário”  Cumpre  ressaltar  que  o  art.  62,  da  Portaria  256/2009,  que  aprovou  o  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  da  Fazenda,  veda  o  afastamento  de  aplicação  ou  inobservância  de  legislação  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se  aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do  Supremo Tribunal Federal:  Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou  Fl. 965DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA   6 Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da  Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após  o  prazo  decadencial  e  prescricional  previsto  nos  artigos  173  e  150  do  Código  Tributário  Nacional.   É  necessário  observar  ainda  que  as  súmulas  aprovadas  pelo  STF  possuem  efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103­A e parágrafos da Constituição Federal,  que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis:  “Art.  103­A.  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  mediante  decisão  de  dois  terços  dos  seus  membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,  aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à  sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.  § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a  eficácia  de  normas  determinadas,  acerca  das  quais  haja  controvérsia  atual  entre  órgãos  judiciários  ou  entre  esses  e  a  administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e  relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica.   §  2º  Sem  prejuízo  do  que  vier  a  ser  estabelecido  em  lei,  a  aprovação,  revisão  ou  cancelamento  de  súmula  poderá  ser  provocada  por  aqueles  que  podem  propor  a  ação  direta  de  inconstitucionalidade.  § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a  súmula  aplicável  ou  que  indevidamente  a  aplicar,  caberá  reclamação  ao  Supremo  Tribunal  Federal  que,  julgando­a  procedente,  anulará  o  ato  administrativo  ou  cassará  a  decisão  judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com  ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)."  Da leitura do dispositivo constitucional acima, conclui­se que a vinculação à  súmula  alcança  a  administração  pública  e,  por  conseqüência,  os  julgadores  no  âmbito  do  contencioso administrativo fiscal.  Ademais, no termos do artigo 64­B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela  Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob  pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal.  “Art.  64­B.  Acolhida  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  a  reclamação  fundada  em  violação  de  enunciado  da  súmula  vinculante,  dar­se­á  ciência  à  autoridade  prolatora  e  ao  órgão  competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar  as  futuras  decisões  administrativas  em  casos  semelhantes,  sob  pena  de  responsabilização  pessoal  nas  esferas  cível,  administrativa e penal”  O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de  lançamento em que o  sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplica­se o prazo previsto no § 4º  do  art.  150  do  CTN,  ou  seja,  o  prazo  de  cinco  anos  passa  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação.  Fl. 966DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19706.000045/2007­40  Acórdão n.º 2301­003.926  S2­C3T1  Fl. 964          7 Contudo, aplica­se o prazo decadencial previsto no art. 150 do CTN, apenas  quando  não  for  comprovada  a  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  o  que  não  é  o  caso  presente,  já que a fiscalização constatou e comprovou a ocorrência dessas situações, caso em  que se aplica o prazo previsto no art. 173, do CTN, transcrito a seguir:  Art.173  ­  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  à  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Julgados  do  Conselho  de  Contribuintes  também  se  apresentam  no  mesmo  sentido, ou seja,  restando caracterizada nos  autos a ocorrência de dolo,  fraude ou simulação,  deixa de  ser aplicado o § 4º do art. 150, para a  aplicação da  regra geral  contida no art. 173,  inciso I ambos do CTN.  Abaixo  transcrevo,  a  título  de  exemplificação,  as  ementas  de  alguns  acórdãos:  “1º Conselho – 8ª Câmara  Recurso 146870 – Acórdão 108­09631  Ementa: Assunto:  Imposto  sobre  a Renda de Pessoa  Jurídica  ­  IRPJAno­calendário: 1998  DECADÊNCIA. Para os  tributos  lançados por homologação, o  início da  contagem do prazo decadencial  é o da ocorrência do  fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude  ou  simulação,  nos  termos  do  §  4º  do  artigo  150  do  CTN.  Configurados o dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo  decadencial  é  realizada  nos  termos  do  art.  173,  inciso  I,  do  CTN”  “1º Conselho – 7ª Câmara  Recurso 152994 – Acórdão 107­09311  Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário  Ano­calendário:  1999,  2000  IRPJ.  DECADÊNCIA..  DOLO,  FRAUDE OU SIMULAÇÃO.  Nos  lançamentos  por  homologação,  a  contagem  do  prazo  decadencial,  de  cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador, não se aplica aos casos de dolo, fraude ou simulação;  nesses  casos,  a  contagem  do  prazo  decadencial  segue  a  regra  geral prevista no art. 173, I, do CTN.  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS.  DECADÊNCIA.  FRAUDE.  ART.  173, I, DO CTN. INAPLICABILIDADE DA LEI Nº 8212/91.  Fl. 967DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA   8 Em matéria de decadência, inclusive nos casos das contribuições  sociais, a norma aplicável é o Código Tributário Nacional. Não  pode a lei 8212/91, lei ordinária, veicular norma de decadência,  afastando  a  regra  expressa  do  CTN,  formalmente  lei  complementar.  MULTA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA.  A  falta  de  escrituração  de  parte  expressiva  das  receitas,  reiteradamente,  em  todos  os  meses  de  dois  anos­calendário  consecutivos,  demonstra  ter  a  autuada  agido  com  dolo,  caracterizando  o  evidente  intuito  de  fraude,  que  dá  ensejo  à  aplicação  da multa  por  infração  qualificada,  no  percentual  de  150%.”  Portanto, resta afastada a aplicação do § 4º do art. 150 para a aplicação do art.  173 inciso I, ambos do CTN.  Dessa  forma,  considerando  o  exposto  acima,  constata­se  que  se  operara  a  decadência  do  direito  de  constituição  do  crédito  para  as  competências  anteriores  a  11/1998,  inclusive, já que a cientificação do sujeito passivo se deu em 11/2004, por edital.  Para a competência 12/1998, o tributo poderia ter sido recolhido em 01/1999,  iniciando­se a contagem do prazo em 01/01/2000, que é o primeiro dia do exercício seguinte  àquele que o  lançamento poderia  ter  sido  efetuado, nos  temos do dispositivo  legal  transcrito  acima.   Nesse sentido, reconheço a decadência parcial do débito.  A  empresa  notificada  e  as  demais  indicadas  como  integrantes  do  grupo  econômico de fato e, nessa condição, solidárias pelo débito, não insurgiram­se contra o débito  e não apresentaram recursos.  Apenas o Sr. GERALDO REGIS MAIA, considerado pela fiscalização como  legítimo  proprietário  do  FRIGORÍFICO  BOI  BRASIL  e,  portanto,  integrante  do  rol  de  co­ responsáveis, apresentou recurso tempestivo, no qual afirma não pertencer ao quadro societário  da empresa notificada.  Entretanto,  a  fiscalização  constatou,  e  comprovou  nos  autos,  que  o  Sr.  Geraldo Regis Maia era o sócio de fato da empresa autuada na época da ocorrência dos fatos  geradores.  Verifica­se que o Sr Geraldo possuía procuração com todos os poderes para  administrar a empresa, e os processos trabalhistas movidos contra a notificada, cujas sentenças  constam  dos  autos,  bem  como  os  inquéritos  policiais  de  Estelionatário  revelam  que  ele  é  o  sócio de fato do Frigorífico.  A fiscalização relata que o Sr Geraldo Régis utilizou de cheque em nome da  em no Termo de Declaração em inquérito policial, que o Frigorífico Boi Brasil pertence a seu  pai, Geraldo Regis Maia.  No  Termo  de  Interrogatório  nos  autos  de  ação  movida  pelo  Ministério  Público, o sr Reginaldo reafirma que o Frigorífico Boi Brasil pertence a ele e a seu pai, sendo  que o Sr Eudes e o Sr Waldir emprestaram seus nomes para contrato social da empresa, já que  Fl. 968DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19706.000045/2007­40  Acórdão n.º 2301­003.926  S2­C3T1  Fl. 965          9 eles não poderiam ser  titulares,  devido  à  restrição de  seus nomes nos órgãos de proteção de  crédito.  O  Sr  Waldyr,  também  interrogado  no  inquérito,  afirmou  que  é  apenas  empregado e subordinado, e que concordou em ceder seu nome para abertura do Frigorífico,  recebendo a quantia de R$1.000,00 por mês a título de agradecimento pela cessão de seu nome,  mas que nunca praticou atos de gerência, já que era sócio apenas no papel.  Várias testemunhas também confirmaram que o recorrente era o proprietário  do Frigorífico Boi Brasil.  Na ação que condenou o recorrente por crime de estelionatário (doc fls. 613),  está clara a confissão do Sr Geraldo de que realmente fez uso de “laranjas” para esconder os  reais proprietários do frigorífico, e que, após pressionado pela polícia e pela justiça, assumiu a  responsabilidade,  repassando  imóvel  adquirido  com  o  produto  de  crime  para  algumas  das  vítimas.  Cumpre observar que nenhuma dessas acusações fiscais foram negadas pelo  recorrente em sua peça recursal, que também não negou, em momento algum, a autenticidade  das cópias dos depoimentos prestados nos autos dos inquéritos policiais.  Esses  fatos,  aliados  aos  demais  fatos  narrados  pela  fiscalização,  e  comprovado  por  meio  de  documentos  juntados  aos  autos,  levam  à  convicção  de  que  o  recorrente  é,  sim,  o  sócio  gerente  de  fato  da  empresa  notificada,  devendo,  nesta  condição,  constar do relatório de Co­responsáveis, anexo ao AI.  O  recorrente  se  limita a  fazer afirmações genéricas,  alegando a  inexistência  de relação entre o recorrente e os demais que constam na autuação e que não foi intimado do  início da ação fiscal praticada contra a empresa autuada.  No  entanto,  restou  comprovado,  por  meio  dos  documentos  juntados  aos  autos, a relação entre todas as pessoas, jurídicas e físicas, arroladas pela fiscalização.  E  o  fato  de  o  recorrente  não  ter  sido  intimado do  início  da  ação  fiscal  não  invalida o lançamento, uma vez que a ação fiscal se deu no Frigorífico Boi Brasil Ltda, pessoa  jurídica da qual, conforme comprovado nos autos, o recorrente é o sócio de fato.  Portanto, quem se encontrava sob ação fiscal era o Frigorífico Boi Brasil, e  não seus sócios, motivo pelo qual a intimação se deu em nome da empresa notificada, pessoa  jurídica.  Cumpre  reiterar  que  todas  as  alegações  feitas  pela  recorrente  poderiam  ter  sido comprovadas por meio da  juntada de prova documental,  conforme disposto no  relatório  IPC,  ressaltando  ainda  que  o  contribuinte  ainda  dispunha  do  prazo  de  recurso  para  a  apresentação de outros elementos.   Porém,  as  empresas  integrantes  do  grupo  econômico  de  fato  não  se  manifestaram,  e  o  recorrente  não  trouxe  outros  elementos  para  serem  analisados  por  este  Conselho. Apenas alega, mas não prova, que não tinha relação com os demais relacionados no  Relatório Fiscal.   Fl. 969DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA   10 Não  afasta,  pontualmente,  as  acusações  fiscais,  ou  esclarece  as  declarações  por  ele  mesmo  prestadas  nos  autos  dos  inquéritos  policiais,  ou  dos  processos  trabalhistas  movidos contra a notificada.  Contudo, não basta alegar. A parte que não produz prova, convincentemente,  dos fatos alegados, sujeita­se às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar.   E  a  convicção  da  autoridade  julgadora  advém,  no  processo  administrativo  fiscal,  dos  elementos  probatórios  carreados  pela  fiscalização  e  pela  recorrente.  Daí  a  necessidade de se juntar aos autos elementos comprobatórios dos fatos alegados.  Há  mandamento  expresso  na  Lei  9.784/99  quanto  ao  ônus  probatório,  conforme segue:   ART  36.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  sem prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão  competente  para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei.  Não  foram  juntados  ao  recurso  outros  elementos  que  comprovem  as  afirmações do recorrente.  Portanto, entendo que o Sr.GERALDO REGIS MAIA era o verdadeiro sócio  da empresa notificada, tendo a autoridade fiscal agido em conformidade com as norma legais  ao incluí­los no relatório de Co­Responsáveis, responsabilizando o recorrente pelo débito, com  fundamento no art. 135, do CTN.  Portanto,  concluo  que  a  NFLD  foi  lavrada  de  acordo  com  os  dispositivos  legais  e  normativos  que  disciplinam  a  matéria,  tendo  o  agente  notificante  demonstrado,  de  forma  clara  e  precisa,  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  contribuição  previdenciária,  fazendo  constar,  nos  relatórios  que  compõem  a  Notificação,  os  fundamentos  legais  que  amparam  o  procedimento adotado e as rubricas lançadas.  O  Relatório  Fiscal  traz  todos  os  elementos  que  motivaram  a  lavratura  da  NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais  que  dão  suporte  ao  procedimento  do  lançamento,  separados  por  assunto  e  período  correspondente,  garantindo,  dessa  forma,  o  exercício  do  contraditório  e  ampla  defesa  à  notificada.   Nesse sentido,  Considerando tudo mais que dos autos consta,   VOTO  no  sentido  de CONHECER  do  recurso  para,  no mérito, DAR­LHE  PROVIMENTO  PARCIAL,  para  excluir  do  débito,  por  decadência,  os  valores  lançados  até  11/1998, inclusive.  É como voto.  Bernadete de Oliveira Barros – Relator                Fl. 970DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19706.000045/2007­40  Acórdão n.º 2301­003.926  S2­C3T1  Fl. 966          11                 Fl. 971DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA

score : 1.0
5560880 #
Numero do processo: 13746.000243/2003-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.668
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Pedro Souza Bispo, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Fenelon Moscoso de Almeida. RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido: A empresa Nitriflex S/A Indústria e Comércio apresentou o requerimento de fls. 01, onde declara haver transmitido créditos para a filial 0029 da MAXIMILIANO GAIDZINSKI SA - ELIANE S A - REVESTIMENTOS CERÂMICOS, créditos esses que a Nitriflex S/A estaria autorizada judicialmente a transferir a terceiros em virtude de decisão favorável obtida no Mandado de Segurança n° 2001.02.01.035232-6 (processo originário 2001.51.1.0001025-0), onde foi pedido o afastamento dos efeitos da IN SRF n° 41, de 2000, que vedava a utilização de créditos de terceiros na compensação. Utilizando-se destes créditos a MAXIMILIANO GAIDZINSKI S/A - ELIANE S A - REVESTIMENTOS CERÂMICOS acima qualificada apresentou através de seu procurador (fls.07), o formulário de fls. 02, com o objetivo de compensar o débito nele apontado, com créditos de terceiros, pertencentes a Nitriflex S/A e constantes do processo administrativo n° 10735.000202/99-70, apensado ao de n° 10735.000001/99-18. 0 Parecer Seort n° 388, de 2008 e respectivo Despacho Decisório (fls. 14/20) ambos proferidos pela Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ, concluíram em síntese que: A sociedade empresária Nitriflex S/A Indústria e Comércio ajuizou ... a Ação Mandamental (Mandado de Segurança) n° 98.0016658-0 no sentido de reconhecer o seu direito ao crédito presumido de IPI ... referente as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagens isentos, não tributados ou que foram tributados a alíquota zero ..., bem como seu direito de compensá-lo com o imposto (IPI) a recolher no final do processo industrial, obtendo decisão favorável, transitada em julgado em 18.04.2001 após acórdão exarado pelo Tribunal Regional Federal da Segunda Região. Como a decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança n° 98.0016658-0 somente lhe permitia utilizar o seu crédito ... com débitos relativos a este mesmo imposto, sociedade empresária Nitriflex S/A Indústria e Comércio impetrou junto à 5° Vara Federal de Sao João de Menti — RJ um outro Mandado de Segurança (MS), o de n° 2001.5110001025-0, esse visando afastar a incidência dos efeitos da Instrução Normativa SRF n°41/2000, obtendo sentença favorável que, em 12.09.2003, também transitou em julgado no sentido de reconhecer e de declarar o seu direito de ceder parte do seu crédito a terceiros para que estes utilizem em compensação tributária. ... a sociedade empresária Nitriflex S/A ... realizou diversas compensações tributárias de débitos próprios e, além disso cedeu grande parte do saldo remanescente a terceiros... ... a Procuradoria ajuizou ... a Ação Rescisória n° 2198 visando desconstituir a sentença proferida no Mandado de Segurança n° 98.0016658-0 transitada em julgado, obtendo vitória parcial, uma vez que houve mudança no tocante ao período sobre o qual recaiu o direito ao crédito, que passou de 10 (dez) para 5 (cinco) anos, o que também reduziu em muito o valor primitivo do crédito. Após ter sido proferida a sentença da ação rescisória e já na vigência da IN SRF n° 517, de 2005, a Nitriflex S A Indústria e Comércio pretendeu habilitar créditos junto Secretaria da Receita Federal para prosseguir realizando compensações tributárias com débitos de terceiros. O pedido de habilitação (processo n° 13746.000191/2005-51) foi indeferido administrativamente, sendo que, mais uma vez a Nitriflex S/A buscou na via judicial o reconhecimento do direito à habilitação do crédito, não obtendo êxito na lª instância de julgamento. O Seort da DRF/Nova Iguaçu/RJ indeferiu o pedido de habilitação contido no processo n° 13746.000191/2005-51. O Parecer Seort n° 388, de 2008, continua seu relato aduzindo que: .... o ponto nevrálgico ... repousa em saber se o contribuinte pode ou não compensar seus débitos tributários mediante a utilização de crédito que lhe foi cedido pela Nitriflex S/A ..., pois numa época em que não havia lei mas apenas norma infralegal (IN/SRF n° 41/2000) vedando a utilização de crédito de um contribuinte para compensar débito de outro, a pessoa jurídica cedente do crédito obteve sentença transitada em julgado ... reconhecendo o seu direito de cedê-lo a terceiro.. ...sobre o assunto., a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Nova Iguaçu — RJ se pronunciou no sentido de que a nova regra contida no artigo 74 da Lei n°9.430/96 após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da MP 66, de 29.08.2002 convertido no artigo 49 da Lei n° 10.637/02 tem o condão de restringir a utilização do crédito em questão, sem contudo ofender à autoridade da coisa julgada e sem que represente aplicação retroativa da lei. Quando o Mandado de Segurança n° 2001.51.10.001025-0 foi ajuizado inexistia lei expressa que dispusesse sobre a compensação tributária de débito de um contribuinte mediante a utilização de crédito de terceiros, embora a Instrução Normativa SRF n° 41/2000 já vedasse esta espécie de compensação tributária. Assim, ... somente os pedidos de compensação tributária formalizados antes do dia 29.08.2002, data da publicação da Medida Provisória n° 66/02 ... é que estão amparados pelo MS no 2000.5110001025-0 e, desta forma, somente naqueles pedidos é que pode ser utilizado crédito cedido pela sociedade empresária Nitriflex S/A. A DRF/Nova Iguaçu - RJ, continua em sua decisão, transcrevendo partes do parecer expedido pela PSFN/Nova Iguaçu/RJ, dentre as quais cumpre evidenciar: quando ajuizado o MS 2001.51.10001025-0, vigorava a IN SRF n° 41/00, cujo artigo 1° vedava a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros, administrados pela SRF, sendo que a Lei n°9.430/96 em seus arts. 73 e 74, dispositivos estes expressamente mencionados no voto do relator, eram omissos a respeito, dai a razão pela qual ter o tribunal ad quem afastado a limitação imposta pela IN SRF 41/00. Entretanto, os referidos arts. 73 e 74 sofreram total reformulação através do art. 49 da MP n°66/02, convertida na Lei n° 10.637/2002 ... ... se de uma decisão judicial decorre a coisa julgada, é certo que este efeito não prevalecerá se ocorrerem mudanças nas normas jurídicas que tratam da questão transitada em julgado. Hoje a situação fática-jurídica é diversa. A Lei n° 9.430/96 que era omissa sobre o tema, a partir de 30 de agosto de 2002 passou a ser clara ao prever como única possibilidade de compensação de tributos administrados pela SRF, inclusive os judiciais transitados em julgado, a efetividade entre créditos e débitos do próprio sujeito passivo. ... Assim, a coisa julgada não pode ser invocada quando direito superveniente repercute na relação jurídica sobre o qual a coisa julgada se operou. Ressalvam-se, pois, os efeitos jurídicos dos pedidos de compensação efetivamente realizados por conta da decisão judicial considerados fatos consumados, até a edição da MP 66, de 29.08.2002, convertida na Lei n°10.637/2002. Registre-se: a lei nova não esta a alcançar fatos passados, compensações efetivadas perante a ordem jurídica anterior e com espeque em decisão judicial transitada em julgado. A nova lei alcança, isto sim, os fatos novos ocorridos sob a sua égide e sobre a qual a coisa julgada não pode surtir efeitos, já que estamos diante de novos regramentos jurídicos. Logo, após as alterações da MP 66/02, convertida na Lei n° 10.637/02, as pretendidas compensações com débitos de terceiros não podem ser admitidas eis que não permitidas pela Lei, não sendo a mesma objeto de qualquer discussão judicial. Não há que se falar de violação coisa julgada e o suposto direito adquirido, como evidente, relaciona-se eis compensações requeridas — fatos consumados sob efeitos da coisa julgada, jamais aos pedidos de compensação formulados depois das alterações legislativas supervenientes a coisa julgada. Ao final o parecerista houve por bem adotar o entendimento da PGFN para propor a não homologação da compensação pleiteada. O Despacho Decisório de fls. 20, aprovou integralmente o parecer e determinou fosse dada continuidade à cobrança e tomadas as demais providências cabíveis. O processo foi encaminhado à ARF/Criciiima/SC, domicilio fiscal da interessada para ciência da decisão. A interessada tomou ciência do Parecer Seort/DRF/NIU/RJ n° 388, de 2008 e respectivo Despacho Decisório em 25/07/2008 (fls. 24). Pelo requerimento de fls. 25/26 e arrazoado de fls. 27/58, a interessada manifestou sua inconformidade alegando em síntese que: Não se tratando de hipótese do art: 74, §12, da Lei 9.430/96, requer o processamento da presente com efeito suspensivo, de forma a manter suspensa a exigibilidade do crédito tributário na forma do §11 do citado dispositivo legal c/c art. 151, II, do CTN. Nos termos do art. 74, § 7º, da Lei n° 9.430/96, alterada pelo art. 49, da Lei 10.637/02, a autoridade fiscal deve conceder o direito da Interessada de manifestar seu inconformismo quanto a decisão que não homologou a compensação, no prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência da referida decisão. O MS 98.0016658-0 (Nitriflex) teve por objeto o reconhecimento do direito ao crédito de IPI, no período de 08/1988 até 07/1998, decorrente da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero... ... a Nitriflex lançou mão de medida judicial para afastar a aplicação da IN/SRF 41/00 (que passou a proibir a cessão de crédito para terceiros não optantes do REFIS). Foi impetrado o MS 2001.51.10.001025-0 para se alcançar tal desiderato... Em 12/09/2003 transitou em julgado o v. acórdão proferido pelo E. TRF da 2º Região que, convalidando a medida liminar deferida initio litis e concedendo a ordem, decidiu pela irretroatividade da legislação enteio limitadora do direito plena disponibilidade do crédito (IN/SRF 41/00) para alcançar fatos consumados sob a égide de normas que o garantiam expressamente, a saber, art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei n.° 9.430/96, regulamentados pela 1N/SRF 21/97. Por fim, foi ajuizada pelo Fisco, em 15/04/2003, a ação rescisória 2003.02.01.005675-8 visando a desconstituição da coisa julgada produzida no MS 98.0016658-0. Embora o pedido tenha sido julgado parcialmente procedente pelo E. TRF da 2a Região, foram interpostos pela Nitriflex recursos pendentes de análise, e não foi condedida tutela de urgência para suspender a execução da coisa julgada, que, por isto, continua produzindo efeitos. Outra alegação trazida ao processo e que se refere à propriedade dos créditos foi assim aduzida: A coisa julgada ... reconheceu o direito ao crédito de IPI ... Ou seja, a coisa julgada reconheceu o direito à propriedade do crédito. Definindo o conteúdo e alcance do direito a propriedade, ... o art. 1.228 do Código Civil ... Não podendo a legislação tributária alterar o conteúdo e alcance dos institutos e conceitos de direito privado utilizados para fixar competências tributárias dos entes políticos (art. 110 do CT1V) A propósito do mesmo tema, entende, ainda, a interessada, que a coisa julgada material impede a aplicação da Lei n s' 10.637, de 2002, que limita a disponibilidade do crédito do IPI, porque, no caso, esse crédito foi reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Alega que a limitação legal apontada no despacho decisório só é aplicável aos créditos nascidos posteriormente à sua entrada em vigor, acrescentando que, admitir o contrário, resultaria no descumprimento de uma ordem judicial, no desrespeito à coisa julgada material e aos princípios da não-cumulatividade do IPI e da irretroatividade das leis. Ressalta, a requerente, que também foi proposto o Mandado de Segurança nº 2001.51.10.001025-0, para impedir que a IN SRF n'). 41, de 2000, obstasse a livre disposição do crédito do IPI, conquistado, em juízo, pela Nitriflex S/A Indústria e Comércio. Diz ainda que, em 12 de setembro de 2003, transitou em julgado acórdão proferido pelo TRF da Região, confirmando o direito de livre disposição do crédito decorrente da decisão judicial relativa ao processo n° 98.0016658-0. Prosseguindo em sua contestação: Noutros falares, o E. TRF da 2ª Região fundamentou sua decisão de afastar a aplicação da IN/SRF 41/00 com base no principio constitucional da irretroatividade das leis, segundo o qual a lei nova não pode retroagir para afetar fatos consumados antes de sua entrada em vigor. Entendeu a E. Corte que a instrução normativa, sobre ser ilegal, não poderia retroagir para afetar fatos consumados sob a égide de legislação que permitia a cessão para terceiros do crédito de IPI reconhecido no MS 98.0016658-0, no caso o art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, regulamentados pela IN/SRF 21/97. E dizer, a coisa julgada estabilizou, entre a Nitriflex e o Fisco, relação jurídica segundo a qual o crédito de IPI, no tocante ao seu aproveitamento, sujeita-se à legislação em vigor na época da ocorrência dos fatos geradores ( crédito), ocorridos entre 08/88 e 07/98. A corroborar sua tese referente à irretroatividade da nova redação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, trouxe ao processo doutrina de Roque Antonio Carrazza, Geraldo Ataliba. A reclamante se utilizou do principio constitucional que trata da irretroatividade da lei como base de argumentação a respaldar a não utilização, no caso concreto, da nova redação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, trazida pela Lei n° 10.637, de 2002, salientando trecho da ADI-MC 172, DJ 19/02/1993, p. 2.032, do Relator Min. Celso de Melo. A reclamante transcreve, dentre outras, ementa do EREsp 488.992/MG, DJ 07/06/2004, p. 156, cuja relatoria pertenceu ao Min. Teori Albino Zavascki : inviável, na hipótese, apreciar o pedido a luz do direito superveniente, porque os novos preceitos normativos, ao mesmo tempo em que ampliaram o rol das espécies tributárias compensáveis, condicionaram a realização da compensação a outros requisitos, cuja existência não constou da causa de pedir nem foi objeto de exame nas instâncias ordinárias. E prossegue em seus argumentos: E sabido que em 25/02/2005 foi publicada a IN/SRF 517, que passou a exigir a habilitação de créditos reconhecidos por decisões judiciais transitadas em julgado. Para não inviabilizar seus procedimentos de compensação é que a Nitriflex sujeitou-se à mencionada regra. ... a bem da verdade, a IN/SRF 517 só produz efeitos para fatos posteriores a entrada em vigor da regra. No presente caso, a decisão judicial transitada em julgado que reconheceu o direito ao crédito de IPI transitou em julgado em 18/04/2001, anteriormente a entrada em vigor da IN/SRF 517, por isto inaplicável. Portanto, a inexistência de habilitação do crédito de IPI não é óbice para sua utilização. No que tange à ação rescisória a empresa, em sua peça de defesa, argumentou transcrevendo o artigo 489 do CPC e concluindo que "somente o deferimento de tutela de urgência" ou "o trânsito em julgado da decisão rescindente tem o condão de impedir o cumprimento da decisão rescindida". Ao final, pede a reforma da decisão com a conseqüente homologação das compensações e a extinção dos créditos tributários compensados. Em despacho anexado às fls. 73, a DRF/Florianópolis/SC evidenciou a existência do processo administrativo n° 11516.002705/2004-18 com créditos de terceiros idênticos aos do presente processo e, às fls. 76/79, se encontra cópia do Despacho Decisório proferido pela DRF/Florianópolis/SC que decidiu o processo n° 11516.002705/2004-18, não homologando as compensações nele pleiteadas. Tendo em vista que o processo n° 11516.002705/2004-18 se encontrava na DRJ/Ribeirão Preto/SP, o presente foi encaminhado também àquela DRJ. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP emitiu o despacho de fls. 74/75 onde concluiu que não detinha competência para apreciar o presente processo, ressaltando, ao final, que o processo administrativo de n° 11516.002705/2004-18 já havia sido objeto de julgamento no Acórdão n° 14-23.888 de 15/05/2009, exarado pela 2 Turma daquela Delegacia, "não podendo a decisão nele proferida ser aproveitada para os débitos vinculados ao presente, já que tratam de débitos diferentes e as compensações precisam ser analisadas individualmente, pois não houve pedido de restituição ou ressarcimento, já que o crédito esta sob tutela judicial" . O presente processo retornou à DRF/Florianópolis/SC que, por sua vez, questionou a Superintendência da 9ª Região Fiscal a respeito dos procedimentos a serem adotados face à existência de dois processos com o mesmo pedido. A DISIT da 9ª Região Fiscal exarou o documento de fls. 87/89 onde historia sobre ambos os processos administrativos e seus respectivos andamentos e que pode ser assim resumido: ... houve a apresentação de duas vias de cada pedido de compensação, uma perante a DRF-Nova lguaçu-RJ (domicilio fiscal do credor) e outra perante a DRF-Florianópolis-SC (domicilio fiscal do devedor). Pela sistemática da IN (art. 15, §4º), quem analisaria o pedido seria a DRF-Nova lguaçu-RJ, tendo a via entregue à DRF-Florianópolis apenas o caráter de comunicado. A DRF-Nova lguaçu-RJ analisou os pedidos, não os homologando, com fundamento na impossibilidade de compensação do crédito de um com o débito de outro, eis que embora não aplicável a IN SRF 41-2000, sobreveio posteriormente a Medida Provisória n° 66, de 2002, convertida na lei 10.637, de 2002, vedando tal tipo de compensação. Ou seja, segundo a DRF-Nova Iguaçu, a coisa julgada não teria eficácia contra a vedação imposta por ato legal. Contra tais decisões, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ competente para julgá-la seria a DRJ-Juiz de Fora-MG (eis que se trataria de decisão exarada na 7ª Região Fiscal relativa a crédito de IPI). ... a DRF-Florianópolis já havia julgado as suas vias dos pedidos apresentados pelo devedor-cedente ..., também não homologando as compensações, sendo que tendo ocorrido apresentações de manifestações de inconformidade seguiram para a DRJ-Ribeirão Preto (competente para as decisões exaradas na 8ª Região Fiscal). Em relação a estas manifestações de inconformidade, em alguns casos estão aguardando julgamento, sendo que em outros já foram julgadas, com a apresentação de recursos voluntários ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Por essa razão, dado o interelacionamento entre os processos (e de modo a se evitar julgamentos conflitantes), encaminhou também as manifestações de inconformidade que atacavam as decisões da DRF-Nova lguaçu-RJ para a DRJ Ribeirão Preto ... A DRJ- Ribeirão Preto, por seu turno, devolveu os processos dizendo não ser competente para as causas que tenham por objeto decisões proferidas pela 7° Região Fiscal. A Disit da 9ª Região Fiscal concluiu seu parecer determinando àquela DRF/Florianópolis/SC que encaminhasse o presente processo à DRJ/JFA e o de n° 11516.002705/2004-18 ao CARF e que fosse evidenciado em cada um dos mesmos a existência do outro. Adotados os procedimentos acima, no tocante a este processo, o mesmo foi encaminhado a esta DRJ/JFA para apreciação. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ Juiz de Fora (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 09-28901, de 30 de março de 2010, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 07/03/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. TÍTULO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE 1. Não ocorre a homologação tácita em compensações baseadas em créditos de terceiros na vigência da Lei n° 10.637, de 2002. 2. As compensações declaradas a partir de 1 de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo com crédito de terceiros, esbarram em inequívoca disposição legal - MP n° 66, de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 2002 - impeditiva de compensações da espécie. É descabida a pretensão de legitimar compensações de débitos do requerente, com crédito de terceiros, declaradas após 1º de outubro de 2002, pretensão essa fundada em decisão judicial proferida anteriormente àquela data, que afastou a vedação, outrora existente, em instrução normativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Perfodo de apuração: 07/03/2003 a 31/03/2003 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. 1. Não cabe apreciar questões relativas à ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da não-cumulatividade ou da irretroatividade de lei, competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2. 2. A doutrina trazida ao processo não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa 3. A jurisprudência administrativa e judicial colacionadas não possuem legalmente eficácia normativa, não se constituindo em normas gerais de direito tributário. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que: Teve ciência do despacho decisório de não homologação das compensações após cinco anos da entrega das declarações, fato que determina a homologação tácita das declarações de compensação; Ao contrário do decidido pela DRJ, a coisa julgada produzida no MS n.° 98.0016658-0 não só reconheceu o direito de crédito, como também sua plena disponibilidade, sendo certo que o MS n.° 2001.51.10.001025-0 só foi impetrado para preventivamente afastar a interpretação restritiva do Fisco, à época constante da IN/SRF n.° 41/00, e até então inexistente. É dizer: o direito de disponibilidade do crédito já havia sido reconhecido no bojo do MS n.° 98.0016658-0. A coisa julgada proferida no MS n.° 2001.51.10.001025-0 só veio confirmar aquele direito, afastando a limitação imposta pelo Fisco; Tornando à questão jurídica sob nossos cuidados, mesmo que se pudesse abstrair o comando das coisas julgadas, a nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96 entrou em vigor 01/10/02, no que só pode afetar créditos desde então gerados. E mesmo que se empreste vigor à MP 66/02, somente créditos gerados a partir de 29/08/02 poderiam ser afetados pela novel regra. Os fatos jurídicos que enseiaram o direito creditório em tela são anteriores àquela data (08/88 até 07/98), não podendo, pois, ser afetados; É inadmissível o Fisco justificar a não homologação dos pedidos de compensação pautado na falta de demonstração do saldo remanescente do crédito utilizado. A gerência do crédito cabe ao Fisco e caso realmente existisse suspeita de insuficiência de crédito, deveria a autoridade administrativa do domicilio fiscal da cedente (NITRIFLEX) apurar o valor e informar no r. Despacho decisório que considerou não homologadas as compensações. Termina sua petição recursal pedindo a reforma do acórdão vergastado, para fins de que seja declarada a homologação tácita das declarações de compensação apresentadas contidas neste processo. Alternativamente, caso afastada a homologação tácita, que sejam homologadas as compensações com a consequente extinção e baixa dos débitos. É o relatório. VOTO
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201407

camara_s : Quarta Câmara

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 13746.000243/2003-27

anomes_publicacao_s : 201408

conteudo_id_s : 5366763

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3402-000.668

nome_arquivo_s : Decisao_13746000243200327.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

nome_arquivo_pdf_s : 13746000243200327_5366763.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

dt_sessao_tdt : Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014

id : 5560880

ano_sessao_s : 2014

decisao_txt : RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Pedro Souza Bispo, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Fenelon Moscoso de Almeida. RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido: A empresa Nitriflex S/A Indústria e Comércio apresentou o requerimento de fls. 01, onde declara haver transmitido créditos para a filial 0029 da MAXIMILIANO GAIDZINSKI SA - ELIANE S A - REVESTIMENTOS CERÂMICOS, créditos esses que a Nitriflex S/A estaria autorizada judicialmente a transferir a terceiros em virtude de decisão favorável obtida no Mandado de Segurança n° 2001.02.01.035232-6 (processo originário 2001.51.1.0001025-0), onde foi pedido o afastamento dos efeitos da IN SRF n° 41, de 2000, que vedava a utilização de créditos de terceiros na compensação. Utilizando-se destes créditos a MAXIMILIANO GAIDZINSKI S/A - ELIANE S A - REVESTIMENTOS CERÂMICOS acima qualificada apresentou através de seu procurador (fls.07), o formulário de fls. 02, com o objetivo de compensar o débito nele apontado, com créditos de terceiros, pertencentes a Nitriflex S/A e constantes do processo administrativo n° 10735.000202/99-70, apensado ao de n° 10735.000001/99-18. 0 Parecer Seort n° 388, de 2008 e respectivo Despacho Decisório (fls. 14/20) ambos proferidos pela Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ, concluíram em síntese que: A sociedade empresária Nitriflex S/A Indústria e Comércio ajuizou ... a Ação Mandamental (Mandado de Segurança) n° 98.0016658-0 no sentido de reconhecer o seu direito ao crédito presumido de IPI ... referente as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagens isentos, não tributados ou que foram tributados a alíquota zero ..., bem como seu direito de compensá-lo com o imposto (IPI) a recolher no final do processo industrial, obtendo decisão favorável, transitada em julgado em 18.04.2001 após acórdão exarado pelo Tribunal Regional Federal da Segunda Região. Como a decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança n° 98.0016658-0 somente lhe permitia utilizar o seu crédito ... com débitos relativos a este mesmo imposto, sociedade empresária Nitriflex S/A Indústria e Comércio impetrou junto à 5° Vara Federal de Sao João de Menti — RJ um outro Mandado de Segurança (MS), o de n° 2001.5110001025-0, esse visando afastar a incidência dos efeitos da Instrução Normativa SRF n°41/2000, obtendo sentença favorável que, em 12.09.2003, também transitou em julgado no sentido de reconhecer e de declarar o seu direito de ceder parte do seu crédito a terceiros para que estes utilizem em compensação tributária. ... a sociedade empresária Nitriflex S/A ... realizou diversas compensações tributárias de débitos próprios e, além disso cedeu grande parte do saldo remanescente a terceiros... ... a Procuradoria ajuizou ... a Ação Rescisória n° 2198 visando desconstituir a sentença proferida no Mandado de Segurança n° 98.0016658-0 transitada em julgado, obtendo vitória parcial, uma vez que houve mudança no tocante ao período sobre o qual recaiu o direito ao crédito, que passou de 10 (dez) para 5 (cinco) anos, o que também reduziu em muito o valor primitivo do crédito. Após ter sido proferida a sentença da ação rescisória e já na vigência da IN SRF n° 517, de 2005, a Nitriflex S A Indústria e Comércio pretendeu habilitar créditos junto Secretaria da Receita Federal para prosseguir realizando compensações tributárias com débitos de terceiros. O pedido de habilitação (processo n° 13746.000191/2005-51) foi indeferido administrativamente, sendo que, mais uma vez a Nitriflex S/A buscou na via judicial o reconhecimento do direito à habilitação do crédito, não obtendo êxito na lª instância de julgamento. O Seort da DRF/Nova Iguaçu/RJ indeferiu o pedido de habilitação contido no processo n° 13746.000191/2005-51. O Parecer Seort n° 388, de 2008, continua seu relato aduzindo que: .... o ponto nevrálgico ... repousa em saber se o contribuinte pode ou não compensar seus débitos tributários mediante a utilização de crédito que lhe foi cedido pela Nitriflex S/A ..., pois numa época em que não havia lei mas apenas norma infralegal (IN/SRF n° 41/2000) vedando a utilização de crédito de um contribuinte para compensar débito de outro, a pessoa jurídica cedente do crédito obteve sentença transitada em julgado ... reconhecendo o seu direito de cedê-lo a terceiro.. ...sobre o assunto., a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Nova Iguaçu — RJ se pronunciou no sentido de que a nova regra contida no artigo 74 da Lei n°9.430/96 após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da MP 66, de 29.08.2002 convertido no artigo 49 da Lei n° 10.637/02 tem o condão de restringir a utilização do crédito em questão, sem contudo ofender à autoridade da coisa julgada e sem que represente aplicação retroativa da lei. Quando o Mandado de Segurança n° 2001.51.10.001025-0 foi ajuizado inexistia lei expressa que dispusesse sobre a compensação tributária de débito de um contribuinte mediante a utilização de crédito de terceiros, embora a Instrução Normativa SRF n° 41/2000 já vedasse esta espécie de compensação tributária. Assim, ... somente os pedidos de compensação tributária formalizados antes do dia 29.08.2002, data da publicação da Medida Provisória n° 66/02 ... é que estão amparados pelo MS no 2000.5110001025-0 e, desta forma, somente naqueles pedidos é que pode ser utilizado crédito cedido pela sociedade empresária Nitriflex S/A. A DRF/Nova Iguaçu - RJ, continua em sua decisão, transcrevendo partes do parecer expedido pela PSFN/Nova Iguaçu/RJ, dentre as quais cumpre evidenciar: quando ajuizado o MS 2001.51.10001025-0, vigorava a IN SRF n° 41/00, cujo artigo 1° vedava a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros, administrados pela SRF, sendo que a Lei n°9.430/96 em seus arts. 73 e 74, dispositivos estes expressamente mencionados no voto do relator, eram omissos a respeito, dai a razão pela qual ter o tribunal ad quem afastado a limitação imposta pela IN SRF 41/00. Entretanto, os referidos arts. 73 e 74 sofreram total reformulação através do art. 49 da MP n°66/02, convertida na Lei n° 10.637/2002 ... ... se de uma decisão judicial decorre a coisa julgada, é certo que este efeito não prevalecerá se ocorrerem mudanças nas normas jurídicas que tratam da questão transitada em julgado. Hoje a situação fática-jurídica é diversa. A Lei n° 9.430/96 que era omissa sobre o tema, a partir de 30 de agosto de 2002 passou a ser clara ao prever como única possibilidade de compensação de tributos administrados pela SRF, inclusive os judiciais transitados em julgado, a efetividade entre créditos e débitos do próprio sujeito passivo. ... Assim, a coisa julgada não pode ser invocada quando direito superveniente repercute na relação jurídica sobre o qual a coisa julgada se operou. Ressalvam-se, pois, os efeitos jurídicos dos pedidos de compensação efetivamente realizados por conta da decisão judicial considerados fatos consumados, até a edição da MP 66, de 29.08.2002, convertida na Lei n°10.637/2002. Registre-se: a lei nova não esta a alcançar fatos passados, compensações efetivadas perante a ordem jurídica anterior e com espeque em decisão judicial transitada em julgado. A nova lei alcança, isto sim, os fatos novos ocorridos sob a sua égide e sobre a qual a coisa julgada não pode surtir efeitos, já que estamos diante de novos regramentos jurídicos. Logo, após as alterações da MP 66/02, convertida na Lei n° 10.637/02, as pretendidas compensações com débitos de terceiros não podem ser admitidas eis que não permitidas pela Lei, não sendo a mesma objeto de qualquer discussão judicial. Não há que se falar de violação coisa julgada e o suposto direito adquirido, como evidente, relaciona-se eis compensações requeridas — fatos consumados sob efeitos da coisa julgada, jamais aos pedidos de compensação formulados depois das alterações legislativas supervenientes a coisa julgada. Ao final o parecerista houve por bem adotar o entendimento da PGFN para propor a não homologação da compensação pleiteada. O Despacho Decisório de fls. 20, aprovou integralmente o parecer e determinou fosse dada continuidade à cobrança e tomadas as demais providências cabíveis. O processo foi encaminhado à ARF/Criciiima/SC, domicilio fiscal da interessada para ciência da decisão. A interessada tomou ciência do Parecer Seort/DRF/NIU/RJ n° 388, de 2008 e respectivo Despacho Decisório em 25/07/2008 (fls. 24). Pelo requerimento de fls. 25/26 e arrazoado de fls. 27/58, a interessada manifestou sua inconformidade alegando em síntese que: Não se tratando de hipótese do art: 74, §12, da Lei 9.430/96, requer o processamento da presente com efeito suspensivo, de forma a manter suspensa a exigibilidade do crédito tributário na forma do §11 do citado dispositivo legal c/c art. 151, II, do CTN. Nos termos do art. 74, § 7º, da Lei n° 9.430/96, alterada pelo art. 49, da Lei 10.637/02, a autoridade fiscal deve conceder o direito da Interessada de manifestar seu inconformismo quanto a decisão que não homologou a compensação, no prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência da referida decisão. O MS 98.0016658-0 (Nitriflex) teve por objeto o reconhecimento do direito ao crédito de IPI, no período de 08/1988 até 07/1998, decorrente da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero... ... a Nitriflex lançou mão de medida judicial para afastar a aplicação da IN/SRF 41/00 (que passou a proibir a cessão de crédito para terceiros não optantes do REFIS). Foi impetrado o MS 2001.51.10.001025-0 para se alcançar tal desiderato... Em 12/09/2003 transitou em julgado o v. acórdão proferido pelo E. TRF da 2º Região que, convalidando a medida liminar deferida initio litis e concedendo a ordem, decidiu pela irretroatividade da legislação enteio limitadora do direito plena disponibilidade do crédito (IN/SRF 41/00) para alcançar fatos consumados sob a égide de normas que o garantiam expressamente, a saber, art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei n.° 9.430/96, regulamentados pela 1N/SRF 21/97. Por fim, foi ajuizada pelo Fisco, em 15/04/2003, a ação rescisória 2003.02.01.005675-8 visando a desconstituição da coisa julgada produzida no MS 98.0016658-0. Embora o pedido tenha sido julgado parcialmente procedente pelo E. TRF da 2a Região, foram interpostos pela Nitriflex recursos pendentes de análise, e não foi condedida tutela de urgência para suspender a execução da coisa julgada, que, por isto, continua produzindo efeitos. Outra alegação trazida ao processo e que se refere à propriedade dos créditos foi assim aduzida: A coisa julgada ... reconheceu o direito ao crédito de IPI ... Ou seja, a coisa julgada reconheceu o direito à propriedade do crédito. Definindo o conteúdo e alcance do direito a propriedade, ... o art. 1.228 do Código Civil ... Não podendo a legislação tributária alterar o conteúdo e alcance dos institutos e conceitos de direito privado utilizados para fixar competências tributárias dos entes políticos (art. 110 do CT1V) A propósito do mesmo tema, entende, ainda, a interessada, que a coisa julgada material impede a aplicação da Lei n s' 10.637, de 2002, que limita a disponibilidade do crédito do IPI, porque, no caso, esse crédito foi reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Alega que a limitação legal apontada no despacho decisório só é aplicável aos créditos nascidos posteriormente à sua entrada em vigor, acrescentando que, admitir o contrário, resultaria no descumprimento de uma ordem judicial, no desrespeito à coisa julgada material e aos princípios da não-cumulatividade do IPI e da irretroatividade das leis. Ressalta, a requerente, que também foi proposto o Mandado de Segurança nº 2001.51.10.001025-0, para impedir que a IN SRF n'). 41, de 2000, obstasse a livre disposição do crédito do IPI, conquistado, em juízo, pela Nitriflex S/A Indústria e Comércio. Diz ainda que, em 12 de setembro de 2003, transitou em julgado acórdão proferido pelo TRF da Região, confirmando o direito de livre disposição do crédito decorrente da decisão judicial relativa ao processo n° 98.0016658-0. Prosseguindo em sua contestação: Noutros falares, o E. TRF da 2ª Região fundamentou sua decisão de afastar a aplicação da IN/SRF 41/00 com base no principio constitucional da irretroatividade das leis, segundo o qual a lei nova não pode retroagir para afetar fatos consumados antes de sua entrada em vigor. Entendeu a E. Corte que a instrução normativa, sobre ser ilegal, não poderia retroagir para afetar fatos consumados sob a égide de legislação que permitia a cessão para terceiros do crédito de IPI reconhecido no MS 98.0016658-0, no caso o art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, regulamentados pela IN/SRF 21/97. E dizer, a coisa julgada estabilizou, entre a Nitriflex e o Fisco, relação jurídica segundo a qual o crédito de IPI, no tocante ao seu aproveitamento, sujeita-se à legislação em vigor na época da ocorrência dos fatos geradores ( crédito), ocorridos entre 08/88 e 07/98. A corroborar sua tese referente à irretroatividade da nova redação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, trouxe ao processo doutrina de Roque Antonio Carrazza, Geraldo Ataliba. A reclamante se utilizou do principio constitucional que trata da irretroatividade da lei como base de argumentação a respaldar a não utilização, no caso concreto, da nova redação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, trazida pela Lei n° 10.637, de 2002, salientando trecho da ADI-MC 172, DJ 19/02/1993, p. 2.032, do Relator Min. Celso de Melo. A reclamante transcreve, dentre outras, ementa do EREsp 488.992/MG, DJ 07/06/2004, p. 156, cuja relatoria pertenceu ao Min. Teori Albino Zavascki : inviável, na hipótese, apreciar o pedido a luz do direito superveniente, porque os novos preceitos normativos, ao mesmo tempo em que ampliaram o rol das espécies tributárias compensáveis, condicionaram a realização da compensação a outros requisitos, cuja existência não constou da causa de pedir nem foi objeto de exame nas instâncias ordinárias. E prossegue em seus argumentos: E sabido que em 25/02/2005 foi publicada a IN/SRF 517, que passou a exigir a habilitação de créditos reconhecidos por decisões judiciais transitadas em julgado. Para não inviabilizar seus procedimentos de compensação é que a Nitriflex sujeitou-se à mencionada regra. ... a bem da verdade, a IN/SRF 517 só produz efeitos para fatos posteriores a entrada em vigor da regra. No presente caso, a decisão judicial transitada em julgado que reconheceu o direito ao crédito de IPI transitou em julgado em 18/04/2001, anteriormente a entrada em vigor da IN/SRF 517, por isto inaplicável. Portanto, a inexistência de habilitação do crédito de IPI não é óbice para sua utilização. No que tange à ação rescisória a empresa, em sua peça de defesa, argumentou transcrevendo o artigo 489 do CPC e concluindo que "somente o deferimento de tutela de urgência" ou "o trânsito em julgado da decisão rescindente tem o condão de impedir o cumprimento da decisão rescindida". Ao final, pede a reforma da decisão com a conseqüente homologação das compensações e a extinção dos créditos tributários compensados. Em despacho anexado às fls. 73, a DRF/Florianópolis/SC evidenciou a existência do processo administrativo n° 11516.002705/2004-18 com créditos de terceiros idênticos aos do presente processo e, às fls. 76/79, se encontra cópia do Despacho Decisório proferido pela DRF/Florianópolis/SC que decidiu o processo n° 11516.002705/2004-18, não homologando as compensações nele pleiteadas. Tendo em vista que o processo n° 11516.002705/2004-18 se encontrava na DRJ/Ribeirão Preto/SP, o presente foi encaminhado também àquela DRJ. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP emitiu o despacho de fls. 74/75 onde concluiu que não detinha competência para apreciar o presente processo, ressaltando, ao final, que o processo administrativo de n° 11516.002705/2004-18 já havia sido objeto de julgamento no Acórdão n° 14-23.888 de 15/05/2009, exarado pela 2 Turma daquela Delegacia, "não podendo a decisão nele proferida ser aproveitada para os débitos vinculados ao presente, já que tratam de débitos diferentes e as compensações precisam ser analisadas individualmente, pois não houve pedido de restituição ou ressarcimento, já que o crédito esta sob tutela judicial" . O presente processo retornou à DRF/Florianópolis/SC que, por sua vez, questionou a Superintendência da 9ª Região Fiscal a respeito dos procedimentos a serem adotados face à existência de dois processos com o mesmo pedido. A DISIT da 9ª Região Fiscal exarou o documento de fls. 87/89 onde historia sobre ambos os processos administrativos e seus respectivos andamentos e que pode ser assim resumido: ... houve a apresentação de duas vias de cada pedido de compensação, uma perante a DRF-Nova lguaçu-RJ (domicilio fiscal do credor) e outra perante a DRF-Florianópolis-SC (domicilio fiscal do devedor). Pela sistemática da IN (art. 15, §4º), quem analisaria o pedido seria a DRF-Nova lguaçu-RJ, tendo a via entregue à DRF-Florianópolis apenas o caráter de comunicado. A DRF-Nova lguaçu-RJ analisou os pedidos, não os homologando, com fundamento na impossibilidade de compensação do crédito de um com o débito de outro, eis que embora não aplicável a IN SRF 41-2000, sobreveio posteriormente a Medida Provisória n° 66, de 2002, convertida na lei 10.637, de 2002, vedando tal tipo de compensação. Ou seja, segundo a DRF-Nova Iguaçu, a coisa julgada não teria eficácia contra a vedação imposta por ato legal. Contra tais decisões, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ competente para julgá-la seria a DRJ-Juiz de Fora-MG (eis que se trataria de decisão exarada na 7ª Região Fiscal relativa a crédito de IPI). ... a DRF-Florianópolis já havia julgado as suas vias dos pedidos apresentados pelo devedor-cedente ..., também não homologando as compensações, sendo que tendo ocorrido apresentações de manifestações de inconformidade seguiram para a DRJ-Ribeirão Preto (competente para as decisões exaradas na 8ª Região Fiscal). Em relação a estas manifestações de inconformidade, em alguns casos estão aguardando julgamento, sendo que em outros já foram julgadas, com a apresentação de recursos voluntários ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Por essa razão, dado o interelacionamento entre os processos (e de modo a se evitar julgamentos conflitantes), encaminhou também as manifestações de inconformidade que atacavam as decisões da DRF-Nova lguaçu-RJ para a DRJ Ribeirão Preto ... A DRJ- Ribeirão Preto, por seu turno, devolveu os processos dizendo não ser competente para as causas que tenham por objeto decisões proferidas pela 7° Região Fiscal. A Disit da 9ª Região Fiscal concluiu seu parecer determinando àquela DRF/Florianópolis/SC que encaminhasse o presente processo à DRJ/JFA e o de n° 11516.002705/2004-18 ao CARF e que fosse evidenciado em cada um dos mesmos a existência do outro. Adotados os procedimentos acima, no tocante a este processo, o mesmo foi encaminhado a esta DRJ/JFA para apreciação. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ Juiz de Fora (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 09-28901, de 30 de março de 2010, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 07/03/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. TÍTULO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE 1. Não ocorre a homologação tácita em compensações baseadas em créditos de terceiros na vigência da Lei n° 10.637, de 2002. 2. As compensações declaradas a partir de 1 de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo com crédito de terceiros, esbarram em inequívoca disposição legal - MP n° 66, de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 2002 - impeditiva de compensações da espécie. É descabida a pretensão de legitimar compensações de débitos do requerente, com crédito de terceiros, declaradas após 1º de outubro de 2002, pretensão essa fundada em decisão judicial proferida anteriormente àquela data, que afastou a vedação, outrora existente, em instrução normativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Perfodo de apuração: 07/03/2003 a 31/03/2003 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. 1. Não cabe apreciar questões relativas à ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da não-cumulatividade ou da irretroatividade de lei, competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2. 2. A doutrina trazida ao processo não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa 3. A jurisprudência administrativa e judicial colacionadas não possuem legalmente eficácia normativa, não se constituindo em normas gerais de direito tributário. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que: Teve ciência do despacho decisório de não homologação das compensações após cinco anos da entrega das declarações, fato que determina a homologação tácita das declarações de compensação; Ao contrário do decidido pela DRJ, a coisa julgada produzida no MS n.° 98.0016658-0 não só reconheceu o direito de crédito, como também sua plena disponibilidade, sendo certo que o MS n.° 2001.51.10.001025-0 só foi impetrado para preventivamente afastar a interpretação restritiva do Fisco, à época constante da IN/SRF n.° 41/00, e até então inexistente. É dizer: o direito de disponibilidade do crédito já havia sido reconhecido no bojo do MS n.° 98.0016658-0. A coisa julgada proferida no MS n.° 2001.51.10.001025-0 só veio confirmar aquele direito, afastando a limitação imposta pelo Fisco; Tornando à questão jurídica sob nossos cuidados, mesmo que se pudesse abstrair o comando das coisas julgadas, a nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96 entrou em vigor 01/10/02, no que só pode afetar créditos desde então gerados. E mesmo que se empreste vigor à MP 66/02, somente créditos gerados a partir de 29/08/02 poderiam ser afetados pela novel regra. Os fatos jurídicos que enseiaram o direito creditório em tela são anteriores àquela data (08/88 até 07/98), não podendo, pois, ser afetados; É inadmissível o Fisco justificar a não homologação dos pedidos de compensação pautado na falta de demonstração do saldo remanescente do crédito utilizado. A gerência do crédito cabe ao Fisco e caso realmente existisse suspeita de insuficiência de crédito, deveria a autoridade administrativa do domicilio fiscal da cedente (NITRIFLEX) apurar o valor e informar no r. Despacho decisório que considerou não homologadas as compensações. Termina sua petição recursal pedindo a reforma do acórdão vergastado, para fins de que seja declarada a homologação tácita das declarações de compensação apresentadas contidas neste processo. Alternativamente, caso afastada a homologação tácita, que sejam homologadas as compensações com a consequente extinção e baixa dos débitos. É o relatório. VOTO

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:37 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046816322224128

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1276; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 100          1 99  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13746.000243/2003­27  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3402­000.668  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  22 de julho de 2014  Assunto  RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO  Recorrente  MAXIMILIANO GAIDZINSKI S A ­ ELIANE S A ­ REVESTIMENTOS  CERÂMICOS  Recorrida  DRJ JUIZ DE FORA (MG)              RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª  turma ordinária da Terceira Seção  de  julgamento,  por  unanimidade  de  votos,  em  converter  o  julgamento  em  diligência,  nos  termos do voto do relator.    (assinado digitalmente)  GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto.        Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  João  Carlos  Cassuli  Junior, Pedro Souza Bispo, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz  da Gama Lobo D Eca e Fenelon Moscoso de Almeida.                  RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 46 .0 00 24 3/ 20 03 -2 7 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13746.000243/2003­27  Resolução nº  3402­000.668  S3­C4T2  Fl. 101          2   RELATÓRIO  Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita  Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido:  A  empresa  Nitriflex  S/A  Indústria  e  Comércio  apresentou  o  requerimento de fls. 01, onde declara haver transmitido créditos  para a filial 0029 da MAXIMILIANO GAIDZINSKI SA ­ ELIANE  S  A  ­  REVESTIMENTOS  CERÂMICOS,  créditos  esses  que  a  Nitriflex  S/A  estaria  autorizada  judicialmente  a  transferir  a  terceiros em virtude de decisão favorável obtida no Mandado de  Segurança  n°  2001.02.01.035232­6  (processo  originário  2001.51.1.0001025­0), onde foi pedido o afastamento dos efeitos  da IN SRF n° 41, de 2000, que vedava a utilização de créditos de  terceiros na compensação.  Utilizando­se  destes  créditos  a  MAXIMILIANO  GAIDZINSKI  S/A  ­  ELIANE  S  A  ­  REVESTIMENTOS  CERÂMICOS  acima  qualificada  apresentou  através  de  seu  procurador  (fls.07),  o  formulário de fls. 02, com o objetivo de compensar o débito nele  apontado, com créditos de terceiros, pertencentes a Nitriflex S/A  e constantes do processo administrativo n° 10735.000202/99­70,  apensado ao de n° 10735.000001/99­18. 0 Parecer Seort n° 388,  de  2008  e  respectivo  Despacho  Decisório  (fls.  14/20)  ambos  proferidos  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Nova  Iguaçu/RJ, concluíram em síntese que:  A  sociedade  empresária  Nitriflex  S/A  Indústria  e  Comércio  ajuizou  ...  a  Ação  Mandamental  (Mandado  de  Segurança)  n°  98.0016658­0 no sentido de reconhecer o seu direito ao crédito  presumido de IPI ... referente as aquisições de matérias primas,  produtos  intermediários  e material  de  embalagens  isentos,  não  tributados ou que foram tributados a alíquota zero ..., bem como  seu  direito  de  compensá­lo  com  o  imposto  (IPI)  a  recolher  no  final  do  processo  industrial,  obtendo  decisão  favorável,  transitada em julgado em 18.04.2001 após acórdão exarado pelo  Tribunal Regional Federal da Segunda Região.  Como  a  decisão  transitada  em  julgado  no  Mandado  de  Segurança n° 98.0016658­0 somente  lhe permitia utilizar o  seu  crédito ... com débitos relativos a este mesmo imposto, sociedade  empresária Nitriflex S/A Indústria e Comércio  impetrou  junto à  5° Vara Federal de Sao João de Menti — RJ um outro Mandado  de  Segurança  (MS),  o  de  n°  2001.5110001025­0,  esse  visando  afastar  a  incidência  dos  efeitos  da  Instrução  Normativa  SRF  n°41/2000,  obtendo  sentença  favorável  que,  em  12.09.2003,  também  transitou  em  julgado  no  sentido  de  reconhecer  e  de  declarar o seu direito de ceder parte do seu crédito a  terceiros  para que estes utilizem em compensação tributária.  ...  a  sociedade  empresária  Nitriflex  S/A  ...  realizou  diversas  compensações  tributárias  de  débitos  próprios  e,  além  disso  cedeu grande parte do saldo remanescente a terceiros...  Fl. 301DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13746.000243/2003­27  Resolução nº  3402­000.668  S3­C4T2  Fl. 102          3 ... a Procuradoria ajuizou ... a Ação Rescisória n° 2198 visando  desconstituir a sentença proferida no Mandado de Segurança n°  98.0016658­0  transitada  em  julgado,  obtendo  vitória  parcial,  uma vez que houve mudança no tocante ao período sobre o qual  recaiu o direito ao crédito, que passou de 10 (dez) para 5 (cinco)  anos,  o  que  também  reduziu  em  muito  o  valor  primitivo  do  crédito.  Após  ter  sido  proferida  a  sentença  da  ação  rescisória  e  já  na  vigência da IN SRF n° 517, de 2005, a Nitriflex S A Indústria e  Comércio  pretendeu  habilitar  créditos  junto  Secretaria  da  Receita  Federal  para  prosseguir  realizando  compensações  tributárias  com  débitos  de  terceiros.  O  pedido  de  habilitação  (processo  n°  13746.000191/2005­51)  foi  indeferido  administrativamente,  sendo  que,  mais  uma  vez  a  Nitriflex  S/A  buscou na via judicial o reconhecimento do direito à habilitação  do crédito, não obtendo êxito na lª instância de julgamento.  O  Seort  da  DRF/Nova  Iguaçu/RJ  indeferiu  o  pedido  de  habilitação contido no processo n° 13746.000191/2005­51.  O Parecer Seort n° 388, de 2008, continua seu relato aduzindo  que:  ....  o  ponto  nevrálgico  ...  repousa  em  saber  se  o  contribuinte  pode  ou  não  compensar  seus  débitos  tributários  mediante  a  utilização de crédito que lhe foi cedido pela Nitriflex S/A ..., pois  numa época em que não havia lei mas apenas norma infralegal  (IN/SRF  n°  41/2000)  vedando  a  utilização  de  crédito  de  um  contribuinte para compensar débito de outro, a pessoa  jurídica  cedente  do  crédito  obteve  sentença  transitada  em  julgado  ...  reconhecendo  o  seu  direito  de  cedê­lo  a  terceiro..  ...sobre  o  assunto.,  a  Procuradoria  Seccional  da  Fazenda  Nacional  em  Nova Iguaçu — RJ se pronunciou no sentido de que a nova regra  contida no artigo 74 da Lei n°9.430/96 após a alteração que lhe  foi dada pelo artigo 49 da MP 66, de 29.08.2002 convertido no  artigo  49  da  Lei  n°  10.637/02  tem  o  condão  de  restringir  a  utilização  do  crédito  em  questão,  sem  contudo  ofender  à  autoridade  da  coisa  julgada  e  sem  que  represente  aplicação  retroativa da lei.  Quando  o Mandado  de  Segurança  n°  2001.51.10.001025­0  foi  ajuizado  inexistia  lei  expressa  que  dispusesse  sobre  a  compensação tributária de débito de um contribuinte mediante a  utilização de crédito de terceiros, embora a Instrução Normativa  SRF  n°  41/2000  já  vedasse  esta  espécie  de  compensação  tributária.  Assim,  ...  somente  os  pedidos  de  compensação  tributária  formalizados  antes  do  dia  29.08.2002,  data  da  publicação  da  Medida Provisória n° 66/02 ... é que estão amparados pelo MS  no 2000.5110001025­0 e, desta forma, somente naqueles pedidos  é  que  pode  ser  utilizado  crédito  cedido  pela  sociedade  empresária Nitriflex S/A.  Fl. 302DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13746.000243/2003­27  Resolução nº  3402­000.668  S3­C4T2  Fl. 103          4 A  DRF/Nova  Iguaçu  ­  RJ,  continua  em  sua  decisão,  transcrevendo  partes  do  parecer  expedido  pela  PSFN/Nova  Iguaçu/RJ, dentre as quais cumpre evidenciar: quando ajuizado  o  MS  2001.51.10001025­0,  vigorava  a  IN  SRF  n°  41/00,  cujo  artigo  1°  vedava  a  compensação  de  débitos  do  sujeito  passivo  com créditos de terceiros, administrados pela SRF, sendo que a  Lei  n°9.430/96  em  seus  arts.  73  e  74,  dispositivos  estes  expressamente mencionados no voto do relator, eram omissos a  respeito, dai a razão pela qual ter o tribunal ad quem afastado a  limitação imposta pela IN SRF 41/00.  Entretanto,  os  referidos  arts.  73  e  74  sofreram  total  reformulação através do art.  49 da MP n°66/02,  convertida na  Lei n° 10.637/2002 ...  ...  se  de  uma  decisão  judicial  decorre  a  coisa  julgada,  é  certo  que  este  efeito  não  prevalecerá  se  ocorrerem  mudanças  nas  normas  jurídicas que  tratam da questão  transitada em  julgado.  Hoje a situação fática­jurídica é diversa. A Lei n° 9.430/96 que  era  omissa  sobre  o  tema,  a  partir  de  30  de  agosto  de  2002  passou  a  ser  clara  ao  prever  como  única  possibilidade  de  compensação  de  tributos  administrados  pela  SRF,  inclusive  os  judiciais  transitados  em  julgado,  a  efetividade  entre  créditos  e  débitos do próprio sujeito passivo.  ... Assim, a coisa julgada não pode ser invocada quando direito  superveniente repercute na relação jurídica sobre o qual a coisa  julgada se operou.  Ressalvam­se,  pois,  os  efeitos  jurídicos  dos  pedidos  de  compensação  efetivamente  realizados  por  conta  da  decisão  judicial considerados fatos consumados, até a edição da MP 66,  de 29.08.2002, convertida na Lei n°10.637/2002.  Registre­se:  a  lei  nova  não  esta  a  alcançar  fatos  passados,  compensações  efetivadas  perante  a  ordem  jurídica  anterior  e  com espeque em decisão judicial transitada em julgado. A nova  lei alcança, isto sim, os fatos novos ocorridos sob a sua égide e  sobre  a  qual  a  coisa  julgada  não  pode  surtir  efeitos,  já  que  estamos  diante  de  novos  regramentos  jurídicos.  Logo,  após  as  alterações  da  MP  66/02,  convertida  na  Lei  n°  10.637/02,  as  pretendidas compensações  com débitos de  terceiros não podem  ser  admitidas  eis  que  não  permitidas  pela  Lei,  não  sendo  a  mesma  objeto  de  qualquer  discussão  judicial.  Não  há  que  se  falar  de  violação  coisa  julgada  e  o  suposto  direito  adquirido,  como  evidente,  relaciona­se  eis  compensações  requeridas  —  fatos  consumados  sob  efeitos  da  coisa  julgada,  jamais  aos  pedidos  de  compensação  formulados  depois  das  alterações  legislativas supervenientes a coisa julgada.  Ao final o parecerista houve por bem adotar o entendimento da  PGFN  para  propor  a  não  homologação  da  compensação  pleiteada.  Fl. 303DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13746.000243/2003­27  Resolução nº  3402­000.668  S3­C4T2  Fl. 104          5 O  Despacho  Decisório  de  fls.  20,  aprovou  integralmente  o  parecer  e  determinou  fosse  dada  continuidade  à  cobrança  e  tomadas as demais providências cabíveis.  O  processo  foi  encaminhado  à  ARF/Criciiima/SC,  domicilio  fiscal da interessada para ciência da decisão.  A  interessada  tomou  ciência  do  Parecer  Seort/DRF/NIU/RJ  n°  388,  de  2008  e  respectivo  Despacho  Decisório  em  25/07/2008  (fls. 24).  Pelo  requerimento  de  fls.  25/26  e  arrazoado  de  fls.  27/58,  a  interessada manifestou sua inconformidade alegando em síntese  que:  Não  se  tratando  de  hipótese  do  art:  74,  §12,  da  Lei  9.430/96,  requer  o  processamento  da  presente  com  efeito  suspensivo,  de  forma a manter suspensa a exigibilidade do crédito tributário na  forma do §11 do citado dispositivo legal c/c art. 151, II, do CTN.  Nos termos do art. 74, § 7º, da Lei n° 9.430/96, alterada pelo art.  49, da Lei 10.637/02, a autoridade fiscal deve conceder o direito  da  Interessada  de  manifestar  seu  inconformismo  quanto  a  decisão  que  não  homologou  a  compensação,  no  prazo  de  30  (trinta) dias, a contar da ciência da referida decisão.  O MS 98.0016658­0 (Nitriflex) teve por objeto o reconhecimento  do direito ao crédito de IPI, no período de 08/1988 até 07/1998,  decorrente  da  aquisição  de  insumos  isentos,  não  tributados  ou  sujeitos a alíquota zero...  ...  a  Nitriflex  lançou  mão  de  medida  judicial  para  afastar  a  aplicação  da  IN/SRF  41/00  (que  passou  a  proibir  a  cessão  de  crédito para terceiros não optantes do REFIS). Foi impetrado o  MS 2001.51.10.001025­0 para se alcançar tal desiderato...  Em 12/09/2003 transitou em julgado o v. acórdão proferido pelo  E.  TRF  da  2º  Região  que,  convalidando  a  medida  liminar  deferida  initio  litis  e  concedendo  a  ordem,  decidiu  pela  irretroatividade da legislação enteio limitadora do direito plena  disponibilidade  do  crédito  (IN/SRF  41/00)  para  alcançar  fatos  consumados  sob  a  égide  de  normas  que  o  garantiam  expressamente, a saber, art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei  n.° 9.430/96, regulamentados pela 1N/SRF 21/97.  Por  fim,  foi  ajuizada  pelo  Fisco,  em  15/04/2003,  a  ação  rescisória  2003.02.01.005675­8  visando  a  desconstituição  da  coisa julgada produzida no MS 98.0016658­0. Embora o pedido  tenha sido  julgado parcialmente procedente pelo E. TRF da 2a  Região,  foram  interpostos  pela  Nitriflex  recursos  pendentes  de  análise, e não foi condedida tutela de urgência para suspender a  execução  da  coisa  julgada,  que,  por  isto,  continua  produzindo  efeitos.  Outra  alegação  trazida  ao  processo  e  que  se  refere  à  propriedade dos  créditos  foi  assim aduzida: A coisa  julgada  ...  Fl. 304DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13746.000243/2003­27  Resolução nº  3402­000.668  S3­C4T2  Fl. 105          6 reconheceu  o  direito  ao  crédito  de  IPI  ...  Ou  seja,  a  coisa  julgada reconheceu o direito à propriedade do crédito.  Definindo  o  conteúdo  e  alcance  do  direito  a  propriedade,  ...  o  art. 1.228 do Código Civil ...  Não  podendo  a  legislação  tributária  alterar  o  conteúdo  e  alcance  dos  institutos  e  conceitos  de  direito  privado  utilizados  para fixar competências tributárias dos entes políticos (art. 110  do CT1V)  A propósito do mesmo tema, entende, ainda, a interessada, que a  coisa julgada material impede a aplicação da Lei n s' 10.637, de  2002, que limita a disponibilidade do crédito do IPI, porque, no  caso, esse crédito foi reconhecido por decisão judicial transitada  em  julgado. Alega que a  limitação  legal apontada no despacho  decisório  só é aplicável aos créditos nascidos posteriormente à  sua  entrada  em  vigor,  acrescentando  que,  admitir  o  contrário,  resultaria  no  descumprimento  de  uma  ordem  judicial,  no  desrespeito  à  coisa  julgada  material  e  aos  princípios  da  não­ cumulatividade do IPI e da irretroatividade das leis.  Ressalta, a requerente, que também foi proposto o Mandado de  Segurança nº 2001.51.10.001025­0, para impedir que a IN SRF  n').  41,  de  2000,  obstasse a  livre  disposição  do  crédito  do  IPI,  conquistado,  em  juízo,  pela Nitriflex S/A  Indústria  e Comércio.  Diz ainda que, em 12 de setembro de 2003, transitou em julgado  acórdão proferido pelo TRF da Região, confirmando o direito de  livre  disposição  do  crédito  decorrente  da  decisão  judicial  relativa ao processo n° 98.0016658­0.  Prosseguindo em sua contestação:  Noutros falares, o E. TRF da 2ª Região fundamentou sua decisão  de afastar a aplicação da  IN/SRF 41/00 com base no principio  constitucional da  irretroatividade das leis, segundo o qual a lei  nova não pode retroagir para afetar fatos consumados antes de  sua  entrada  em  vigor.  Entendeu  a  E.  Corte  que  a  instrução  normativa,  sobre  ser  ilegal,  não  poderia  retroagir  para  afetar  fatos  consumados  sob  a  égide  de  legislação  que  permitia  a  cessão  para  terceiros  do  crédito  de  IPI  reconhecido  no  MS  98.0016658­0, no caso o art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei  n° 9.430/96, regulamentados pela IN/SRF 21/97. E dizer, a coisa  julgada estabilizou, entre a Nitriflex e o Fisco, relação  jurídica  segundo  a  qual  o  crédito  de  IPI,  no  tocante  ao  seu  aproveitamento,  sujeita­se  à  legislação  em  vigor  na  época  da  ocorrência dos fatos geradores ( crédito), ocorridos entre 08/88  e 07/98.  A  corroborar  sua  tese  referente  à  irretroatividade  da  nova  redação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, trouxe ao processo  doutrina de Roque Antonio Carrazza, Geraldo Ataliba.  A reclamante se utilizou do principio constitucional que trata da  irretroatividade da lei como base de argumentação a respaldar a  não utilização, no caso concreto, da nova redação do art. 74 da  Fl. 305DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13746.000243/2003­27  Resolução nº  3402­000.668  S3­C4T2  Fl. 106          7 Lei  n°  9.430,  de  1996,  trazida  pela  Lei  n°  10.637,  de  2002,  salientando trecho da ADI­MC 172, DJ 19/02/1993, p. 2.032, do  Relator Min. Celso de Melo.  A  reclamante  transcreve,  dentre  outras,  ementa  do  EREsp  488.992/MG, DJ 07/06/2004, p. 156, cuja relatoria pertenceu ao  Min.  Teori  Albino  Zavascki  :  inviável,  na  hipótese,  apreciar  o  pedido a luz do direito superveniente, porque os novos preceitos  normativos,  ao  mesmo  tempo  em  que  ampliaram  o  rol  das  espécies  tributárias  compensáveis,  condicionaram  a  realização  da compensação a outros requisitos, cuja existência não constou  da  causa  de  pedir  nem  foi  objeto  de  exame  nas  instâncias  ordinárias.  E prossegue em seus argumentos:  E  sabido  que  em  25/02/2005  foi  publicada  a  IN/SRF  517,  que  passou  a  exigir  a  habilitação  de  créditos  reconhecidos  por  decisões judiciais transitadas em julgado.  Para não inviabilizar seus procedimentos de compensação é que  a Nitriflex sujeitou­se à mencionada regra.  ... a bem da verdade, a IN/SRF 517 só produz efeitos para fatos  posteriores  a  entrada  em  vigor  da  regra.  No  presente  caso,  a  decisão judicial transitada em julgado que reconheceu o direito  ao  crédito  de  IPI  transitou  em  julgado  em  18/04/2001,  anteriormente  a  entrada  em  vigor  da  IN/SRF  517,  por  isto  inaplicável.   Portanto, a  inexistência de habilitação do crédito de IPI não é  óbice para sua utilização.  No  que  tange  à  ação  rescisória  a  empresa,  em  sua  peça  de  defesa,  argumentou  transcrevendo  o  artigo  489  do  CPC  e  concluindo que "somente o deferimento de tutela de urgência" ou  "o  trânsito em julgado da decisão rescindente  tem o condão de  impedir o cumprimento da decisão rescindida".  Ao  final,  pede  a  reforma  da  decisão  com  a  conseqüente  homologação  das  compensações  e  a  extinção  dos  créditos  tributários compensados.  Em  despacho  anexado  às  fls.  73,  a  DRF/Florianópolis/SC  evidenciou  a  existência  do  processo  administrativo  n°  11516.002705/2004­18  com  créditos  de  terceiros  idênticos  aos  do  presente  processo  e,  às  fls.  76/79,  se  encontra  cópia  do  Despacho  Decisório  proferido  pela  DRF/Florianópolis/SC  que  decidiu o processo n° 11516.002705/2004­18, não homologando  as compensações nele pleiteadas.  Tendo  em  vista  que  o  processo  n°  11516.002705/2004­18  se  encontrava  na  DRJ/Ribeirão  Preto/SP,  o  presente  foi  encaminhado também àquela DRJ.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Ribeirão Preto/SP emitiu o despacho de fls. 74/75 onde concluiu  Fl. 306DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13746.000243/2003­27  Resolução nº  3402­000.668  S3­C4T2  Fl. 107          8 que não detinha competência para apreciar o presente processo,  ressaltando,  ao  final,  que  o  processo  administrativo  de  n°  11516.002705/2004­18  já  havia  sido  objeto  de  julgamento  no  Acórdão  n°  14­23.888  de  15/05/2009,  exarado  pela  2  Turma  daquela Delegacia,  "não  podendo a  decisão  nele  proferida  ser  aproveitada  para  os  débitos  vinculados  ao  presente,  já  que  tratam  de  débitos  diferentes  e  as  compensações  precisam  ser  analisadas individualmente, pois não houve pedido de restituição  ou ressarcimento, já que o crédito esta sob tutela judicial" .  O presente processo retornou à DRF/Florianópolis/SC que, por  sua  vez,  questionou  a  Superintendência  da  9ª  Região  Fiscal  a  respeito  dos  procedimentos  a  serem  adotados  face  à  existência  de dois processos com o mesmo pedido.  A DISIT da 9ª Região Fiscal exarou o documento de  fls.  87/89  onde  historia  sobre  ambos  os  processos  administrativos  e  seus  respectivos andamentos e que pode ser assim resumido: ... houve  a  apresentação  de  duas  vias  de  cada  pedido  de  compensação,  uma perante a DRF­Nova lguaçu­RJ (domicilio fiscal do credor)  e  outra  perante  a  DRF­Florianópolis­SC  (domicilio  fiscal  do  devedor). Pela sistemática da IN (art. 15, §4º), quem analisaria  o  pedido  seria  a DRF­Nova  lguaçu­RJ,  tendo  a  via  entregue  à  DRF­Florianópolis apenas o caráter de comunicado.  A  DRF­Nova  lguaçu­RJ  analisou  os  pedidos,  não  os  homologando,  com  fundamento  na  impossibilidade  de  compensação do  crédito  de  um  com  o  débito  de  outro,  eis  que  embora  não  aplicável  a  IN  SRF  41­2000,  sobreveio  posteriormente a Medida Provisória n° 66, de 2002, convertida  na  lei  10.637,  de  2002,  vedando  tal  tipo  de  compensação.  Ou  seja,  segundo  a  DRF­Nova  Iguaçu,  a  coisa  julgada  não  teria  eficácia contra a vedação imposta por ato legal.  Contra tais decisões, o contribuinte apresentou manifestação de  inconformidade.  A DRJ  competente  para  julgá­la  seria  a DRJ­ Juiz de Fora­MG (eis que se  trataria de decisão exarada na 7ª  Região Fiscal relativa a crédito de IPI).  ...  a  DRF­Florianópolis  já  havia  julgado  as  suas  vias  dos  pedidos  apresentados  pelo  devedor­cedente  ...,  também  não  homologando  as  compensações,  sendo  que  tendo  ocorrido  apresentações  de  manifestações  de  inconformidade  seguiram  para  a  DRJ­Ribeirão  Preto  (competente  para  as  decisões  exaradas na 8ª Região Fiscal). Em relação a estas manifestações  de  inconformidade,  em  alguns  casos  estão  aguardando  julgamento,  sendo  que  em  outros  já  foram  julgadas,  com  a  apresentação  de  recursos  voluntários  ao  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais.  Por essa razão, dado o interelacionamento entre os processos (e  de  modo  a  se  evitar  julgamentos  conflitantes),  encaminhou  também  as  manifestações  de  inconformidade  que  atacavam  as  decisões da DRF­Nova lguaçu­RJ para a DRJ Ribeirão Preto ...  Fl. 307DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13746.000243/2003­27  Resolução nº  3402­000.668  S3­C4T2  Fl. 108          9 A  DRJ­  Ribeirão  Preto,  por  seu  turno,  devolveu  os  processos  dizendo  não  ser  competente  para  as  causas  que  tenham  por  objeto decisões proferidas pela 7° Região Fiscal.  A Disit da 9ª Região Fiscal concluiu seu parecer determinando  àquela  DRF/Florianópolis/SC  que  encaminhasse  o  presente  processo à DRJ/JFA e o de n°  11516.002705/2004­18  ao  CARF  e  que  fosse  evidenciado  em  cada um dos mesmos a existência do outro.  Adotados os procedimentos acima, no tocante a este processo, o  mesmo foi encaminhado a esta DRJ/JFA para apreciação.  A 3ª Turma de Julgamento da DRJ Juiz de Fora  (MG)  julgou  improcedente  a  manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 09­28901, de 30 de março de 2010,  cuja ementa abaixo reproduzo:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 07/03/2003 a 31/03/2003  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITO  DE  TERCEIROS.  HOMOLOGAÇÃO  TÁCITA.  INOCORRÊNCIA.  TÍTULO  JUDICIAL. INAPLICABILIDADE  1. Não ocorre a homologação tácita em compensações baseadas  em créditos de terceiros na vigência da Lei n° 10.637, de 2002.  2.  As  compensações  declaradas  a  partir  de  1  de  outubro  de  2002,  de  débitos  do  sujeito  passivo  com  crédito  de  terceiros,  esbarram em inequívoca disposição  legal ­ MP n° 66, de 2002,  convertida  na  Lei  n°  10.637,  de  2002  ­  impeditiva  de  compensações da espécie. É descabida a pretensão de legitimar  compensações  de  débitos  do  requerente,  com  crédito  de  terceiros, declaradas após 1º de outubro de 2002, pretensão essa  fundada  em  decisão  judicial  proferida  anteriormente  àquela  data,  que  afastou  a  vedação,  outrora  existente,  em  instrução  normativa.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Perfodo de apuração: 07/03/2003 a 31/03/2003  PRINCÍPIOS  CONSTITUCIONAIS.  DOUTRINA  E  JURISPRUDÊNCIA.  1.  Não  cabe  apreciar  questões  relativas  à  ofensa  a  princípios  constitucionais, tais como da legalidade, da não­cumulatividade  ou  da  irretroatividade  de  lei,  competindo,  no  âmbito  administrativo,  tão  somente  aplicar  o  direito  tributário  positivado. 2.  2.  A  doutrina  trazida  ao  processo  não  é  texto  normativo,  não  ensejando, pois, subordinação administrativa  Fl. 308DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13746.000243/2003­27  Resolução nº  3402­000.668  S3­C4T2  Fl. 109          10 3.  A  jurisprudência  administrativa  e  judicial  colacionadas  não  possuem  legalmente eficácia normativa, não se constituindo em  normas gerais de direito tributário.  Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF,  no qual argumenta, em síntese, que:  a)  Teve ciência do despacho decisório de não homologação  das  compensações  após  cinco  anos  da  entrega  das  declarações, fato que determina a homologação tácita das  declarações de compensação;  b)  Ao  contrário  do  decidido  pela  DRJ,  a  coisa  julgada  produzida no MS n.° 98.0016658­0 não só reconheceu o  direito  de  crédito,  como  também  sua  plena  disponibilidade,  sendo  certo  que  o  MS  n.°  2001.51.10.001025­0  só  foi  impetrado  para  preventivamente  afastar  a  interpretação  restritiva  do  Fisco, à época constante da IN/SRF n.° 41/00, e até então  inexistente.  É  dizer:  o  direito  de  disponibilidade  do  crédito  já  havia  sido  reconhecido  no  bojo  do  MS  n.°  98.0016658­0.  A  coisa  julgada  proferida  no  MS  n.°  2001.51.10.001025­0  só  veio  confirmar  aquele  direito,  afastando a limitação imposta pelo Fisco;  c)  Tornando à questão jurídica sob nossos cuidados, mesmo  que se pudesse abstrair o comando das coisas julgadas, a  nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96 entrou em vigor  01/10/02,  no  que  só  pode  afetar  créditos  desde  então  gerados.  E  mesmo  que  se  empreste  vigor  à MP  66/02,  somente  créditos gerados  a partir  de 29/08/02 poderiam  ser  afetados  pela  novel  regra.  Os  fatos  jurídicos  que  enseiaram  o  direito  creditório  em  tela  são  anteriores  àquela  data  (08/88  até  07/98),  não  podendo,  pois,  ser  afetados;  d)  É inadmissível o Fisco justificar a não homologação dos  pedidos  de  compensação  pautado  na  falta  de  demonstração  do  saldo  remanescente  do  crédito  utilizado.  A  gerência  do  crédito  cabe  ao  Fisco  e  caso  realmente  existisse  suspeita  de  insuficiência  de  crédito,  deveria a autoridade administrativa do domicilio fiscal da  cedente  (NITRIFLEX)  apurar  o  valor  e  informar  no  r.  Despacho decisório que considerou não homologadas as  compensações.  Termina sua petição recursal pedindo a reforma do acórdão vergastado, para fins  de  que  seja  declarada  a  homologação  tácita  das  declarações  de  compensação  apresentadas  contidas  neste  processo.  Alternativamente,  caso  afastada  a  homologação  tácita,  que  sejam  homologadas as compensações com a consequente extinção e baixa dos débitos.   Fl. 309DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13746.000243/2003­27  Resolução nº  3402­000.668  S3­C4T2  Fl. 110          11 É o relatório.      VOTO Conforme  já  relatado  o  recorrente  busca  compensar  seus  créditos  tributários  com  créditos  reconhecidos  judicialmente  que  pertencem  a  terceiros.  No  pedido  de  compensação de crédito com débito de terceiro apresentado à fl. 02, identifico que o processo  que contém o crédito pleiteado está pendente de decisão final.  Já me  posicionei  em  outras  ocasiões  no  sentido  de  que  processo  que  trate  de  compensação,  cujo  crédito  a  ser  utilizado  esteja  sendo  discutido  em  outro  processo  administrativo, deve esperar a decisão do processo conhecido como “mãe”, aquele que contém  o crédito pleiteado, para então poder ter seu desfecho final.  Em  face  dessa  dependência,  voto  por  converter  o  julgamento  em  diligência,  determinando que acoste cópia da decisão definitiva proferida no processo nº 10735000202/99­ 70 e que seja elaborada planilha demonstrativa do valor do crédito a ser restituído de acordo  com a decisão definitiva do processo acima citado.  Depois de tomadas as providências requeridas, que sejam devolvidos os autos ao  CARF para prosseguimento do rito processual.   Sala das Sessões, 22/07/2014  GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO  Fl. 310DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

score : 1.0
5492220 #
Numero do processo: 10980.011220/2005-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.309
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no §3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201209

camara_s : Segunda Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção

numero_processo_s : 10980.011220/2005-49

conteudo_id_s : 5354184

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 2202-000.309

nome_arquivo_s : Decisao_10980011220200549.pdf

nome_relator_s : ODMIR FERNANDES

nome_arquivo_pdf_s : 10980011220200549_5354184.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no §3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.

dt_sessao_tdt : Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012

id : 5492220

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:29 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046816344244224

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1675; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 1          1             S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10980.011220/2005­49  Recurso nº              Resolução nº  2202­00.309  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data              Assunto  IRPF. Depósito bancarios. Sigilo. Sobrestamento   Recorrente  SELMA CRISTINA MOREIRA MALUCELLI  Recorrida  FAZENDA NACIONLA    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  decidir  pelo  sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização  da Resolução,  o  processo  será movimentado  para  a Secretaria  da Câmara  que  o manterá  na  atividade de  sobrestado,  conforme orientação contida no §3º do  art.  2º  da Portaria CARF nº  001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada  a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.  (Assinado digitalmente)   Nelson Mallmann – Presidente  (Assinado digitalmente)  Odmir Fernandes – Relator.  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez,  Guilherme  Barranco  de  Souza,  Maria  Lúcia  Moniz  de  Aragão  Calomino  Astorga,  Nelson  Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes e Pedro Anan Júnior. Ausentes, justificadamente, os  Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes.     Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10980.011220/2005­49  Resolução n.º 2202­00.309  S2­C2T2  Fl. 2          2 Relatório   Trata­se  de  Recurso  Voluntário  da  decisão  da  4ª  Turma  da  DRJ  de  Curitiba/PR, manteve  autuação  do  Imposto  de Renda  Pessoa  Física  –  IRPF  do  exercício  de  2004 relativo a omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não  comprovada.   Intimada  (fls.16/17)  a  contribuinte  não  apresentou  os  extratos  bancários,  com  isso  foi  expedida  RMF  ­  Requisição  de  Informações  sobre  Movimentação  Financeira  (fls.  19/21 e 112/114).  Auto de Infração (fls.161/162) e o Termo de Verificação Fiscal (fls. 167/170).  A  decisão  recorrida  de  fls.  201/206,  com  ciência  em  09/06/2008, manteve  a  autuação pela falta de comprovação da origem do depósito bancário efetuado em 29/08/2003,  com a seguinte ementa:   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF  Exercício: 2004  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM NÃO COMPROVADA.  Considera­se  omissão  de  rendimentos,  por  presunção,  conforme  autorização  legal,  os  valores  depositados  em  conta bancária  para  os  quais  o  titular,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação hábil e idônea, a origem dos recursos correspondentes.    ENTENDIMENTOS ADMINISTRATIVOS E JUDICIAIS. EFEITOS.  As  decisões  administrativas  e  judiciais,  não  se  constituem  em  normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em  relação  a  qualquer  outra  ocorrência,  senão  aquela  objeto  da  decisão.  Lançamento Procedente  Recurso  Voluntário  de  fls.  212/218,  onde  alega  que  não  houve  omissão  de  rendimentos. Conforme documento de fls. 149 a Recorrente realizou saque parcial no valor de  R$  100.000,00  em  dezembro  de  2002,  e  após  retornou  com  o  valor  sacado  na  mesma  instituição financeira, em agosto/2003.  É o breve relatório.   Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10980.011220/2005­49  Resolução n.º 2202­00.309  S2­C2T2  Fl. 3          3   Voto  Conselheiro Odmir Fernandes ­ Relator  Cuida­se  de  Recurso  Voluntário  da  decisão  que  manteve  o  lançamento  do   Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  –  IRPF  sobre  omissão  de  rendimentos  caracterizados  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  apurada  mediante  Requisição  da  Movimentação Financeira – RMF do contribuinte juntos às instituições financeiras.   O C. Supremo Tribunal Federal, no RE  601.314/SP, reconheceu a existência de  Repercussão  Geral  para  exame  da  constitucionalidade  da  quebra  do  sigilo  bancário  pela  fiscalização,  sem a prévia  autorização  judicial,  conforme podemos ver da ementa da decisão  monocrática:    “CONSTITUCIONAL.  SIGILO  BANCÁRIO.  FORNECIMENTO  DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE  CONTRIBUINTES,  PELAS  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS,  DIRETAMENTE  AO  FISCO,  SEM  PRÉVIA  AUTORIZAÇÃO  JUDICIAL  (LEI  COMPLEMENTAR  105/2001).  POSSIBILIDADE DE  APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS  TRIBUTÁRIOS  REFERENTES  A  EXERCÍCIOS  ANTERIORES  AO  DE  SUA  VIGÊNCIA.  RELEVÂNCIA  JURÍDICA  DA  QUESTÃO  CONSTITUCIONAL.  EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 563).  Brasília, 4 de agosto de 2011.  Min. RICARDO LEWANDOWSKI – Relator”      O Regimento Interno deste Conselho, aprovado da Portaria MF nº 256, de 2009,  estabelece no art. 62­A que deve ser sobrestado os recursos sobre a matéria com Repercussão  Geral  reconhecida  pelo C.  STF  ou  em Recurso Representativo  da  controvérsia,  pelo E.  STJ  (arts. 543­B e 543­C, do CPC):  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, CPC, deverão ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos  no  âmbito do CARF.  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  até  que  seja  proferida  decisão nos termos do art. 543­B.  Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10980.011220/2005­49  Resolução n.º 2202­00.309  S2­C2T2  Fl. 4          4 § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo  relator ou por provocação das partes.  O C. STF, pelo Tribunal Pleno reconheceu a inconstitucionalidade da quebra do  sigilo  bancários,  sem  prévia  autorização  judicial  no  RE  nº  389.808­PR,  Rel.  Min.  Marco  Aurélio, j., 15.12.2010,  mas há Embargos de Declaração com pedido de efeito modificativo ou  infringentes pendente de decisão desse RE.    Além  do  RE  389.808­PR,  com  decisão  de  mérito  pendente  do  transito  em  julgado, o C. STF vem sobrestando o julgamento de todos os Recursos Extraordinário sobre a  quebra   do sigilo bancário, sem à previa autorização  judicial, pela existência de Repercussão  Geral reconhecida no RE nº 601.314­SP, conforme podemos confirmar pelas decisões abaixo:  DESPACHO:   Vistos.   O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo  fiscal  em  face  do  inciso  II  do  artigo  17  da  Lei  n°  9.393/96,  que  possibilitou  a  celebração  de  convênios  entre  a  Secretaria  da  Receita  Federal  e  a  Confederação  Nacional  da  Agricultura  ­  CNA  e  a  Confederação  Nacional  dos  Trabalhadores  na  Agricultura  –  Contag,  a  fim  de  viabilizar  o  fornecimento  de  dados  cadastrais  de  imóveis  rurais  para  possibilitar  cobranças  tributárias.  Verifica­se  que  no  exame  do  RE  n°  601.314/SP,  Relator  o  Ministro  Ricardo  Lewandowski,  foi  reconhecida  a  repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá  seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal  Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do  julgamento  do mencionado  RE  nº  601.314/SP.  Devem  os  autos  permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido  julgamento.  Publique­se.  Brasília,  9  de  fevereiro  de  2011.  Ministro  DIAS  TOFFOLI  Relator  Documento  assinado  digitalmente  (RE  488993,  Rel.  Min.  DIAS  TOFFOLI,  j.  09/02/2011, DJe­035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011)   REPERCUSSÃO  GERAL  ADMITIDA  –  PROCESSOS  VERSANDO  A MATÉRIA  –  SIGILO  ­  DADOS  BANCÁRIOS  –  FISCO  –  AFASTAMENTO  –  ARTIGO  6º  DA  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  105/2001  –  SOBRESTAMENTO.  1.  O  Tribunal,  no  Recurso  Extraordinário  nº  601.314/SP,  relator  Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral  do  tema  relativo  à  constitucionalidade  de  o  Fisco  exigir  informações  bancárias  de  contribuintes  mediante  o  procedimento  administrativo  previsto  no  artigo  6º  da  Lei  Complementar  nº  105/2001.  2.  Ante  o  quadro,  considerado  o  fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do  acórdão da Corte  de  origem ocorrido  anteriormente  à  vigência  do  sistema  da  repercussão  geral,  determino  o  sobrestamento  destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4.  Publiquem.  Brasília,  04  de  outubro  de  2011.  (AI  691349  AgR,  Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10980.011220/2005­49  Resolução n.º 2202­00.309  S2­C2T2  Fl. 5          5 Rel.Min.  MARCO  AURÉLIO,  j.  04/10/2011,  DJe­213  DIVULG  08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011)   REPERCUSSÃO GERAL. LC   105/01.CONSTITUCIONALIDADE.  LEI  10.174/01.  APLICAÇÃO  PARA  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS  TRIBUTÁRIOS  REFERENTES  À  EXERCÍCOS  ANTERIORES  AO  DE  SUA  VIGÊNCIA.  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  DA  UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO  PROCESSO  AO  TRIBUNAL  DE  ORIGEM  (ART.  328,  PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discute­se nestes  recursos  extraordinários  a  constitucionalidade,  ou  não,  do  artigo  6º  da  LC  105/01,  que  permitiu  o  fornecimento  de  informações  sobre  movimentações  financeiras  diretamente  ao  Fisco,  sem autorização  judicial;  bem como a possibilidade, ou  não,  da  aplicação da Lei  10.174/01  para  apuração de  créditos  tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência.  O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou  seguimento à  remessa  oficial  e  à  apelação  da  União,  reconhecendo  a  impossibilidade da  aplicação  retroativa  da LC  105/01  e da Lei  10.174/01.  Contra  essa  decisão,  a  União  interpôs,  simultaneamente,  recursos  especial  e  extraordinário,  ambos  admitidos  na  Corte  de  origem.  Verifica­se  que  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  deu  provimento  ao  recurso  especial  em  decisão  assim  ementada  (fl.  281):  “ADMINISTRATIVO  E  TRIBUTÁRIO  –  UTILIZAÇÃO  DE  DADOS  DA  CPMF  PARA  LANÇAMENTO  DE  OUTROS  TRIBUTOS  –  IMPOSTO  DE  RENDA  –  QUEBRA  DE  SIGILO  BANCÁRIO  –  PERÍODO  ANTERIOR  À  LC  105/2001  –  APLICAÇÃO  IMEDIATA  –  RETROATIVIDADE  PERMITIDA  PELO  ART.  144,  §  1º,  DO  CTN  –  PRECEDENTE  DA  PRIMEIRA  SEÇÃO  –  RECURSO  ESPECIAL  PROVIDO.”  Irresignado,  Gildo  Edgar  Wendt  interpôs  novo  recurso  extraordinário,  alegando,  em  suma,  a  inconstitucionalidade  da  LC  105/01  e  a  impossibilidade  da  aplicação  retroativa  da  Lei  10.174/01  .  O  Supremo  Tribunal  Federal  reconheceu  a  repercussão  geral  da  controvérsia  objeto  destes  autos,  que  será  submetida  à  apreciação  do  Pleno  desta  Corte,  nos  autos  do  RE  601.314,  Relator  o  Ministro  Ricardo  Lewandowski.  Pelo  exposto,  declaro  a  prejudicialidade  do  recurso  extraordinário  interposto  pela  União,  com  fundamento  no disposto no artigo 21,  inciso  IX, do RISTF. Com relação ao  apelo  extremo  interposto  por  Gildo  Edgar  Wendt,  revejo  o  sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau,  e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a  posteriori  pelo  AI  n.  503.064­AgR­AgR,  Rel.  Min.  CELSO  DE  MELLO;  AI  n.  811.626­AgR­AgR,  Rel.  Min.  RICARDO  LEWANDOWSKI,  e  RE  n.  513.473­ED,  Rel.  Min  CÉZAR  PELUSO,  determino  a  devolução  dos  autos  ao  Tribunal  de  origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543­B e  Fl. 228DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10980.011220/2005­49  Resolução n.º 2202­00.309  S2­C2T2  Fl. 6          6 seus  parágrafos  do  Código  de  Processo  Civil).  Publique­se.  Brasília,  1º  de  agosto  de  2011.  Ministro  Luiz  Fux  Relator.  Documento  assinado digitalmente.  (RE 602945, Rel. Min.  LUIZ  FUX,  j.,01/08/2011,  DJe­158  DIVULG  17/08/2011  PUBLIC  18/08/2011)   DECISÃO:  A  matéria  veiculada  na  presente  sede  recursal  – discussão  em  torno  da  suposta  transgressão  à  garantia  constitucional  de  inviolabilidade  do  sigilo  de  dados  e  da  intimidade  das  pessoas  em  geral,  naqueles  casos  em  que  a  administração  tributária,  sem  prévia  autorização  judicial,  recebe,  diretamente,  das  instituições  financeiras,  informações  sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes  ­  será  apreciada  no  recurso  extraordinário  representativo  da  controvérsia  jurídica  suscitada  no  RE  601.314/SP,  Rel.  Min.  RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta  Corte  reconheceu  existente  a  repercussão  geral  da  questão  constitucional.  Sendo  assim,  impõe­se  o  sobrestamento  dos  presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até  final  julgamento  do  mencionado  recurso  extraordinário.  Publique­se. Brasília, 21 de maio de 2010. (RE 479841, Rel.Min.  CELSO  DE  MELLO,  j.,  21/05/2010,  DJe­100  DIVULG  02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010)    Em  face  do  exposto,  parece  não  existir  dúvida  sobre  a  existência  da  Repercussão Geral no C. STF, instaurado no RE 601.314­SP sobre a quebra do sigilo bancário,  sem a prévia autorização judicial.  Assim,  por  se  cuidar  de  Recurso  Voluntário  sobre  lançamento  realizado  com  extratos  bancários  obtidos  mediante  a  Requisição  da  Movimentação  Financeira  –  RMF  do  contribuinte,  sem  autorização  judicial,  é  necessário  sobrestar  o  julgamento  destes  autos,  na  forma  do  art.  62­A,  do  Regimento  Interno  deste  Conselho,  até  a  decisão  do  Recurso  Extraordinário nº 601.314­SP.  Ante o exposto, pelo meu voto, determino o SOBRESTAMENTO destes autos,  na forma do art. 62, § 1o e 2o, do RI deste Conselho, até a decisão do RE 601.314­SP, do C.  STF.  (Assinado digitalmente)   Odmir Fernandes, Relator.      Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES

score : 1.0
5485168 #
Numero do processo: 15504.723744/2011-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. EMPRESAS URBANAS. LEGALIDADE Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei nº 8.212/91. Tal contribuição social ostenta caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural, podendo ser exigida também do empregador urbano, conforme precedentes do STF e do STJ. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, a teor da Súmula CARF nº 2. SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, podendo ser exigidas de todas as empresas contribuintes do sistema SESI, SENAI, SESC, SENAC, e não somente das microempresas e das empresas de pequeno porte. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, a teor da Súmula CARF nº 2. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Negado Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-003.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício quanto às exclusões de obrigações tributárias nas competências de 11/2007, 12/2007 e 12/2008, já que os fatos geradores correspondentes houveram-se por lançados em duplicidade. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à verba Participação nos Lucros e Resultados, vencidos os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a verba não integra o salário de contribuição. Os Conselheiros André Luiz Mársico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes e Liege Lacroix Thomasi acompanharam pelas conclusões. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201405

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. EMPRESAS URBANAS. LEGALIDADE Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei nº 8.212/91. Tal contribuição social ostenta caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural, podendo ser exigida também do empregador urbano, conforme precedentes do STF e do STJ. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, a teor da Súmula CARF nº 2. SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, podendo ser exigidas de todas as empresas contribuintes do sistema SESI, SENAI, SESC, SENAC, e não somente das microempresas e das empresas de pequeno porte. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, a teor da Súmula CARF nº 2. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Negado Recurso de Ofício Negado

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 15504.723744/2011-63

anomes_publicacao_s : 201406

conteudo_id_s : 5352523

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 2302-003.178

nome_arquivo_s : Decisao_15504723744201163.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : ARLINDO DA COSTA E SILVA

nome_arquivo_pdf_s : 15504723744201163_5352523.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício quanto às exclusões de obrigações tributárias nas competências de 11/2007, 12/2007 e 12/2008, já que os fatos geradores correspondentes houveram-se por lançados em duplicidade. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à verba Participação nos Lucros e Resultados, vencidos os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a verba não integra o salário de contribuição. Os Conselheiros André Luiz Mársico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes e Liege Lacroix Thomasi acompanharam pelas conclusões. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.

dt_sessao_tdt : Wed May 14 00:00:00 UTC 2014

id : 5485168

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:14 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046816356827136

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 49; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2407; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T2  Fl. 1.574          1 1.573  S2­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15504.723744/2011­63  Recurso nº  003.178   De Ofício e Voluntário  Acórdão nº  2302­003.178  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de maio de 2014  Matéria  Contribuições Sociais Previdenciárias ­ AIOP   Recorrentes  COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS ­ CEMIG              FAZENDA  NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS  PAGA  EM  DESACORDO  COM  A  LEI.  SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.  Os  valores  auferidos  por  segurados  obrigatórios  do  RGPS  a  título  de  participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados  em  desconformidade  com  a  lei  específica,  integram  o  conceito  jurídico  de  Salário  de  Contribuição  para  todos  os  fins  previstos  na  Lei  de  Custeio  da  Seguridade Social.  CONTRIBUIÇÃO  DESTINADA  AO  INCRA.  EMPRESAS  URBANAS.  LEGALIDADE  Dada  a  sua  natureza  de  contribuição  especial  de  intervenção  no  domínio  econômico,  a  contribuição  social  destinada  ao  INCRA  não  foi  extinta  pela  Lei  nº  8.212/91. Tal  contribuição  social  ostenta  caráter  de  universalidade  e  sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural, podendo  ser exigida também do empregador urbano, conforme precedentes do STF e  do STJ.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária, a teor da Súmula CARF nº 2.  SEBRAE.  EXIGIBILIDADE.  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  DE  INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO.  A  contribuição  social  destinada  ao  SEBRAE  tem  natureza  jurídica  de  contribuição de intervenção no domínio econômico, podendo ser exigidas de  todas as empresas contribuintes do sistema SESI, SENAI, SESC, SENAC, e  não somente das microempresas e das empresas de pequeno porte.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária, a teor da Súmula CARF nº 2.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 37 44 /2 01 1- 63 Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     2 AUTO DE  INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  PENALIDADE  PELO  DESCUMPRIMENTO.  PRINCÍPIO  TEMPUS REGIT ACTUM.  As multas  decorrentes  do  descumprimento  de obrigação  tributária  principal  foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação  ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35­A à Lei nº 8.212/91.   Na  hipótese  de  lançamento  de  ofício,  por  representar  a  novel  legislação  encartada no art. 35­A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um  tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso  II  do  art.  35  da  Lei  nº  8.212/91,  inexistindo,  antes  do  ajuizamento  da  respectiva  execução  fiscal,  hipótese  de  a  legislação  superveniente  impor  multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio  tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação  pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data  de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de  75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.  Recurso Voluntário Negado  Recurso de Ofício Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    ACORDAM  os  membros  da  2ª  TO/3ª  CÂMARA/2ª  SEJUL/CARF/MF/DF,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  Recurso  de  Ofício quanto às exclusões de obrigações tributárias nas competências de 11/2007, 12/2007 e  12/2008,  já  que  os  fatos  geradores  correspondentes  houveram­se  por  lançados  em  duplicidade.  Por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário  quanto  à  verba  Participação nos Lucros e Resultados, vencidos os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e  Juliana  Campos  de  Carvalho  Cruz,  por  entenderem  que  a  verba  não  integra  o  salário  de  contribuição.  Os  Conselheiros  André  Luiz  Mársico  Lombardi,  Leonardo  Henrique  Pires  Lopes e Liege Lacroix Thomasi acompanharam pelas conclusões.    Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma.     Arlindo da Costa e Silva ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Liége  Lacroix  Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice­presidente de turma),  André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz  e Arlindo da Costa e Silva.   Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/2011­63  Acórdão n.º 2302­003.178  S2­C3T2  Fl. 1.575          3   Relatório  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008  Data de lavratura do Auto de Infração: 29/09/2011  Data da ciência do Auto de Infração: 30/09/2011    Trata­se de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão  Administrativa  de  1ª  Instância  proferida  pela DRJ  em Belo Horizonte/MG  que  julgou  procedente  em  parte a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto  de  Infração  nº  37.339.564­7,  consistente  em  contribuições  sociais  previdenciárias  a  cargo  da  empresa,  destinadas a outras entidades e fundos (FNDE (2,5%), SENAI (1,0%), SESI (1,5%), SEBRAE (0,6%) e  INCRA (0,2%)), incidentes sobre os valores pagos a segurados empregados a título de participação nos  lucros,  pagos  em  desacordo  com  a  Lei  nº  10.101/2000,  não  declarados  em GFIP,  conforme  relatório  fiscal de fls. 12/24.  De acordo com a Resenha Fiscal, o Contribuinte efetuou pagamentos de valores a seus  empregados,  a  título  de  participação  nos  lucros  e  resultados,  baseados  nos  Acordos  Coletivos  de  Trabalho  ­  ACT  dos  anos  2007/2008,  em  desacordo  com  as  condições  estabelecidas  pela  Lei  nº  10.101/2000.   Irresignado  com  o  supracitado  lançamento  tributário,  o  Sujeito  Passivo  ofereceu  impugnação administrativa a fls. 695/747.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Belo  Horizonte/MG  baixou o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito de questões de  fato arguidas pelo Sujeito Passivo em sede de defesa administrativa, conforme Despacho de Diligência a  fls. 1460/1461.  Em  atendimento  à  diligência  requestada  por meio  do Despacho  de Diligência  acima  citado, a Autoridade Lançadora emitiu Relatório Fiscal Complementar a fls. 1495/1498, pugnando pela  retificação  do  débito  nas  competências  11/2007,  12/2007  e  12/2008,  na  forma  ilustrada  na  Tabela  de  Retificação, item 5.4 do Relatório Fiscal Complementar, a fl. 1497.   Formalmente  notificado  do  conteúdo  do  resultado  da  Informação  Fiscal  antes  mencionada, o Sujeito Passivo, no prazo que lhe fora assinalado, apresentou aditamento à impugnação a  fl. 1501.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou  Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 02­42.215 ­ 8ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 1503/1512,  julgando procedente  em parte o  lançamento  tributário, para dele  fazer excluir as obrigações  tributárias  lançadas em duplicidade nas competências 11/2007, 12/2007 e 12/2008, na forma consignada na Tabela  de Retificação, item 5.4 do Relatório Fiscal Complementar, a fl. 1497, e retificando o crédito tributário  na forma descrita no Discriminativo Analítico do Débito Retificado ­ DADR a fls. 1513/1514, recorrendo  de ofício de sua decisão.  Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     4  O  Sujeito  Passivo  foi  cientificado  da  decisão  de  1ª  Instância  no  dia  25/02/2013,  conforme Avisos de Recebimento a fls. 1519/1524.  Inconformado  com  a  decisão  exarada  pelo  órgão  administrativo  julgador  a  quo,  o  Sujeito  Passivo  interpôs  Recurso  Voluntário  a  fls.  1526/1568,  respaldando  sua  contrariedade  em  argumentação desenvolvida nos seguintes termos:   · Que no pagamento dos valores a título de PLR foram atendidos todos os requisitos  da Lei nº 10.101/2000;   · Que  nos  acordos  coletivos  firmados  pela  Cemig  com  os  diversos  sindicatos  da  categoria  havia  regras  claras  a  respeito  do  direito  e  da  forma  que  seria  feito  o  pagamento da PLR;   · Desnecessidade  de  pactuação  prévia  quanto  aos  critérios  e  condições  para  o  pagamento da PLR;   · Que na Lei 10.101/2000 não há obrigatoriedade de fixação de programas de metas e  de  resultados  para  o  cálculo  da  PLR.  Aduz  haver  uma  faculdade  das  partes  de  adotarem os critérios exemplificativamente listados na lei;   · Que é possível à empresa abrir mão de fixar metas de produtividade e, ainda assim,  distribuir  lucros  aos  empregados. Nada  disso  afeta  a  natureza  da  verba  percebida:  ganho  não  habitual  e  desvinculado  do  salário,  obtido  em  razão  dos  lucros  da  empresa;   · Afirma que em razão dos resultados positivos obtidos restou assegurado nos acordos  coletivos  sempre  um  valor  mínimo  a  distribuir,  bem  como  foi  estipulada  uma  parcela  extraordinária  em  razão  do  desempenho  empresarial.  Dessa  forma,  ficou  demonstrado que as exigências  legais  foram cumpridas. Alega que o artigo 7º, XI,  da  CF/88  dispõe  expressamente  que  a  participação  nos  lucros  ou  resultados  é  desvinculada da remuneração;   · Que o  valor  pago  a  título  de PLR  não  remunera  o  trabalho  nem  configura  ganho  habitual;   · Que  inexiste  caráter  remuneratório  dos  valores  pagos  como  PLR,  independentemente dos requisitos da Lei nº 10.101/2000;   · Que são indevidas as contribuições para o INCRA e para o SEBRAE por violarem o  §2º do art. 149 da CF/88;    · Que  deve  ser  revista  a  penalidade  aplicada,  de  modo  a  excluir  a  multa  de  75%  prevista no art. 35­A da Lei nº 8.212/91, em relação aos fatos geradores ocorridos  antes da edição da MP nº 449/2008;     Ao  fim,  requer  a  declaração  de  improcedência  do Auto  de  Infração  e  o  recalculo  da  multa de mora.    Relatados sumariamente os fatos relevantes.  Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/2011­63  Acórdão n.º 2302­003.178  S2­C3T2  Fl. 1.576          5   Voto             Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator.     1.   DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE   1.1.   DA TEMPESTIVIDADE  O  sujeito  passivo  foi  valida  e  eficazmente  cientificado  da  decisão  recorrida  em  25/02/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 27/03/2013, há que se reconhecer a  tempestividade do recurso interposto.  Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço.  Ante  a  inexistência  de  questões  preliminares,  passamos  diretamente  ao  exame  do  mérito.    2.   DO MÉRITO  Cumpre  de  plano  assentar  que  não  serão  objeto  de  apreciação  por  este  Colegiado  as  matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras,  assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas  pelo  sujeito passivo  em  seu  instrumento de Recurso Voluntário,  as quais  se presumirão  como  anuídas  pela Parte.  Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de  fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu  louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por  este  Conselho,  assim  como  as  questões  arguidas  exclusivamente  nesta  instância  recursal,  antes  não  oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª  Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do  Decreto nº 70.235/72.    2.1.  DA PLR   Alega  o  Recorrente  que  no  pagamento  dos  valores  a  título  de  PLR  foram  atendidos  todos os requisitos da Lei nº 10.101/2000. Aduz que nos acordos coletivos firmados pela Cemig com os  diversos  sindicatos  da  categoria  havia  regras  claras  a  respeito  do  direito  e  da  forma  que  seria  feito  o  pagamento da PLR.  A empresa argumenta que na Lei nº 10.101/2000 não há obrigatoriedade de fixação de  programas de metas e de resultados para o cálculo da PLR. Entende haver uma faculdade das partes de  adotarem os critérios exemplificativamente listados na lei.   Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     6  O  Sujeito  Passivo  defende  que  é  possível  à  empresa  abrir  mão  de  fixar  metas  de  produtividade  e,  ainda  assim,  distribuir  lucros  aos  empregados.  Nada  disso  afeta  a  natureza  da  verba  percebida: ganho não habitual e desvinculado do salário, obtido em razão dos lucros da empresa.    Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que  a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de  serviços  efetivamente  prestados  pelos  empregados.  A  retidão  de  tal  concepção  poderia  até  ter  sua  primazia aferida ao tempo da promulgação do Decreto­Lei nº 5.452/43 (nos idos de 1943), que aprovou a  Consolidação das Leis do Trabalho.  CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO ­CLT   Art. 457 ­ Compreendem­se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além  do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as  gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953)  §1º  ­  Integram  o  salário  não  só  a  importância  fixa  estipulada,  como  também  as  comissões,  percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador.  (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953)  §2º ­ Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que  não excedam de 50%  (cinquenta por  cento) do  salário percebido pelo empregado.  (Redação  dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953)  §3º  ­  Considera­se  gorjeta  não  só  a  importância  espontaneamente  dada  pelo  cliente  ao  empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas  contas,  a  qualquer  título,  e  destinada  a  distribuição  aos  empregados.  (Redação  dada  pelo  Decreto­lei nº 229, de 28.2.1967)    Art. 458  ­ Além do pagamento  em dinheiro, compreende­se no  salário,  para  todos os  efeitos  legais,  a alimentação, habitação,  vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa,  por  forca do contrato ou do costume,  fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum  será permitido o pagamento  com bebidas  alcoólicas ou drogas nocivas.  (Redação dada pelo  Decreto­lei nº 229, de 28.2.1967)  §1º  Os  valores  atribuídos  às  prestações  "in  natura"  deverão  ser  justos  e  razoáveis,  não  podendo  exceder,  em  cada  caso,  os  dos  percentuais  das  parcelas  componentes  do  salário­ mínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decreto­lei nº 229, de 28.2.1967)  § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes  utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)  I  –  vestuários,  equipamentos  e  outros  acessórios  fornecidos  aos  empregados  e  utilizados  no  local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)  II  –  educação,  em  estabelecimento  de  ensino  próprio  ou  de  terceiros,  compreendendo  os  valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela  Lei nº 10.243, de 19.6.2001)  III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou  não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)  IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante seguro­ saúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)  V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)  VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)  VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)  §3º ­ A habitação e a alimentação fornecidas como salário­utilidade deverão atender aos fins a  que  se  destinam e  não  poderão  exceder,  respectivamente,  a  25%  (vinte  e  cinco  por  cento) e  20% (vinte por cento) do salário­contratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994)  Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/2011­63  Acórdão n.º 2302­003.178  S2­C3T2  Fl. 1.577          7 §4º ­ Tratando­se de habitação coletiva, o valor do salário­utilidade a ela correspondente será  obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de coabitantes, vedada, em  qualquer  hipótese,  a  utilização  da  mesma  unidade  residencial  por  mais  de  uma  família.  (Incluído pela Lei nº 8.860/94)    Todavia,  como  bem  professava  Heráclito  de  Ephesus,  há  500  anos  antes  de  Cristo,  Nada  existe  de  permanente  a  não  ser  a  eterna  propensão  à  mudança. O mundo  evolui,  as  relações  jurídicas  se  transformam,  acompanhando...,  os  conceitos  evolvem­se... Nesse  compasso,  a  exegese das  normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A  sucessiva  evolução  na  interpretação  das  normas  já  positivadas  ajustam­nas  à  nova  realidade mundial,  resgatando­lhes  o  alcance  visado  pelo  legislador,  mantendo  dessarte  o  ordenamento  jurídico  sempre  espelhado às feições do mundo real.  Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas  recebidas  pelo  trabalhador  em  razão  direta  e  unívoca  do  trabalho  por  ele  prestado  ao  empregador.  Se  assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e  outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória,  já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro.  Paralelamente,  as  relações  de  trabalho  hoje  estabelecidas  tornaram­se  por  demais  complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem,  novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não  o  suor  e  o  vigor  dos  músculos.  Esses  ilustrativos,  dentre  tantos  outros  exemplos,  tornaram  o  ancião  conceito jurídico de remuneração totalmente démodé.   Antenada  a  tantas  transformações,  a  doutrina  mais  balizada  passou  a  interpretar  remuneração  não  como  a  contraprestação  pelos  serviços  efetivamente  prestados  pelo  empregado, mas  sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho.   Com  efeito,  o  liame  jurídico  estabelecido  entre  empregador  e  empregado  segue  os  contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal,  podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu  labor,  também  a  sua  imagem,  o  seu  não  labor  nas  empresas  concorrentes,  a  sua  disponibilidade,  sua  credibilidade  no  mercado,  ceteris  paribus.  Já  o  contratante,  por  seu  turno,  em  contrapartida,  pode  oferecer  não  só  o  salário  stricto  sensu  como  também  uma  série  de  vantagens  diretas,  indiretas,  em  utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo  de  mera  liberalidade,  todas  elas  ostentam,  em  sua  essência,  uma  nota  contraprestativa.  Todas  elas  colimam,  inequivocamente,  oferecer um  atrativo  financeiro/econômico para que o obreiro  estabeleça  e  mantenha vínculo jurídico com o empregador.   Por esse novo prisma,  todas aquelas  rubricas citadas no parágrafo precedente figuram  abraçadas  pelo  conceito  amplo  de  remuneração,  eis  que  se  consubstanciam  acréscimos  patrimoniais  auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito  embora  não  representem  contrapartida  direta  pelo  trabalho  realizado.  Nesse  sentido,  o  magistério  de  Amauri Mascaro Nascimento:  “Fatores  diversos multiplicaram  as  formas  de  pagamento  no  contrato  de  trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do salário­base há modos  diversificados  de  remuneração  do  empregado,  cuja  variedade  de  denominações não desnatura a sua natureza salarial ...  Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     8  (...)  Salário  é  o  conjunto  de  percepções  econômicas  devidas  pelo  empregador  ao  empregado não  só  como contraprestação pelo  trabalho, mas,  também,  pelos  períodos  em  que  estiver  à  disposição  daquele  aguardando  ordens,  pelos  descansos  remunerados,  pelas  interrupções  do  contrato  de  trabalho  ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho,  LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005.    Registre­se,  por  relevante,  que  o  entendimento  a  respeito  do  alcance  do  termo  “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele  conceito antiquado presente na CLT.   O  baluarte  desse  novo  entendimento  tem  sua  pedra  fundamental  fincada  na  própria  Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece:  Constituição Federal de 1988   Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma direta e indireta, nos  termos da lei, mediante recursos provenientes  dos  orçamentos  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios, e das seguintes contribuições sociais:   I ­ do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da  lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de  1998)  a)  a  folha  de  salários  e  demais  rendimentos  do  trabalho  pagos  ou  creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo  sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de  1998) (grifos nossos)     Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em  realce  não  é  mais  o  salário,  mas,  sim,  a  “folha  de  salários”,  propositadamente  no  plural,  a  qual  é  composta,  segundo  a  mais  autorizada  doutrina,  por  todos  os  lançamentos  efetuados  em  favor  do  trabalhador em contraprestação direta pelo  trabalho efetivo prestado à empresa, acrescido dos “demais  rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço,  mesmo  sem  vínculo  empregatício”,  parcela  esta  que  abraça  todas  as  demais  rubricas  devidas  ao  trabalhador  em  decorrência  do  contrato  de  trabalho,  de  molde  que,  toda  e  qualquer  espécie  de  contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontram­se  abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição.  Nessa  perspectiva,  todo  e  qualquer  lançamento  a  conta  de  despesa  da  empresa  representativa  de  rubrica  paga,  devida  ou  creditada  a  segurado  obrigatório  do  RGPS,  que  tiver  por  motivação e origem o trabalho realizado pela pessoa física em favor do Contribuinte, ostentará natureza  jurídica remuneratória, e como tal, base de cálculo das contribuições previdenciárias.   Na prática, inexiste dificuldade em tal discernimento. Basta hipoteticamente suprimir o  trabalho  realizado  pela  pessoa  física  na  consecução  do  objeto  social  da  sociedade. A  importância  que  deixar de ser vertida a essa pessoa corresponderá, assim, à parcela do trabalho que o obreiro dedicou à  empresa. Ao revés, a fração que ainda for devida à pessoa, independentemente do eventual labor físico  ou intelectual por ela realizado, representará mera liberalidade do empregador.  Como  visto,  o  próprio  Legislador  Constituinte  honrou  deixar  consignado  no  Texto  Constitucional  a  real  amplitude  da  base  de  incidência  da  contribuição  social  em  destaque:  as  contribuições  previdenciárias  incidem  não  somente  a  “folha  de  salários”,  como  também,  sobre  os  Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/2011­63  Acórdão n.º 2302­003.178  S2­C3T2  Fl. 1.578          9 “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste  serviço, mesmo sem vínculo empregatício”.  Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo  201  da  Constituição  Federal,  que  estendeu  a  abrangência  da  base  de  incidência  das  contribuições  previdenciárias aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título.  Constituição Federal de 1988   Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral,  de caráter contributivo e de  filiação obrigatória, observados critérios que  preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei,  a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)  (...)  §11.  Os  ganhos  habituais  do  empregado,  a  qualquer  título,  serão  incorporados  ao  salário  para  efeito  de  contribuição  previdenciária  e  consequente  repercussão  em  benefícios,  nos  casos  e  na  forma  da  lei.  (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)    Portanto,  a  contar da EC n° 20/98,  todas  as verbas  recebidas  com habitualidade pelo  empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional,  o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor  obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se  sujeitando  compulsoriamente  à  incidência  de  contribuição  previdenciária  e  repercutindo  no  benefício  previdenciário do empregado.  Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte  julgado:  TRT­7 ­ Recurso Ordinário:   Processo: RECORD 53007520095070011 CE 0005300­7520095070011   Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO   Órgão Julgador: TURMA 2  Publicação: 22/03/2010 DEJT  RECURSO  DA  RECLAMANTE  CTVA  ­NATUREZA  SALARIAL  ­ CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA.  A  parcela  CTVA,  paga  habitualmente  e  com  destinação  a  servir  de  compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial,  devendo  integrar  a  remuneração  para  todos  os  fins,  inclusive  para  o  cálculo da contribuição a entidade de previdência privada.   RECURSO  DO  RECLAMADO  CEF  ­CTVA.  Com  efeito,  se  referidas  gratificações  são  pagas  com  habitualidade  se  incorporam  ao  patrimônio  jurídico  do  reclamante,  de  forma  definitiva,  compondo  sua  remuneração  para todos os efeitos. Atente­se que a natureza de tal verba não mais será  de  "gratificação"  mas  sim  de  "Adicional  Compensatório  de  Perda  de  Função"    Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     10  A norma constitucional acima citada não exclui da tributação as rubricas recebidas em  espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO  (instituto  de  direito  do  trabalho)  todos  os  ganhos  habituais  do  empregado,  a  qualquer  título.  Ocorre,  contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito  mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto  de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS.  Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou  como  incentivos  salariais  ou  como  benefícios.  Em  ambos  os  casos,  porém,  integram  o  conceito  de  Salário  de  Contribuição,  nos  termos  e  na  abrangência  do  art.  28  da  Lei  nº  8.212/91,  observadas  as  excepcionalidades contidas em seu §9º.  Leinº8.212,de24 de julho de 1991  Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:   I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida  em  uma  ou  mais  empresas,  assim  entendida  a  totalidade  dos  rendimentos  pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a  retribuir o  trabalho, qualquer que seja a sua  forma,  inclusive as gorjetas,  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes  de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços  nos  termos  da  lei  ou  do  contrato  ou,  ainda,  de  convenção  ou  acordo  coletivo  de  trabalho ou  sentença normativa;  (Redação dada pela  Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos)  II ­ para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de  Trabalho  e  Previdência  Social,  observadas  as  normas  a  serem  estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e  do valor da remuneração;  III  ­  para  o  contribuinte  individual:  a  remuneração  auferida  em  uma  ou  mais  empresas  ou  pelo  exercício  de  sua  atividade  por  conta  própria,  durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação  dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  IV  ­  para  o  segurado  facultativo: o  valor  por  ele  declarado,  observado o  limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999).    Note­se  que  o  conceito  jurídico  de  Salário  de  contribuição,  base  de  incidência  das  contribuições  previdenciárias,  foi  estruturado  de molde  a  abraçar  toda  e  qualquer  verba  recebida  pelo  obreiro,  a  qualquer  título,  em  decorrência  não  somente  dos  serviços  efetivamente  prestados,  mas  também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato  de trabalho.  Advirta­se que o termo “remunerações” encontra­se empregado no caput do transcrito  art.  28  em  seu  sentido  amplo,  abarcando  todos  os  componentes  atomizados  que  integram  a  contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Em verdade, até mesmo  a remuneração referente ao tempo ocioso em que o empregado permanecer à disposição do empregador  não escapa da amplitude do conceito de salário de contribuição.  Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade  dos  enunciados  normativos  supratranscritos,  eis  que  o  texto  legal  revela­se  cristalino  ao  estabelecer,  como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”.  Nesses termos, compreendem­se no conceito legal de remuneração os três componentes  do gênero, assim especificados pela doutrina:  Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/2011­63  Acórdão n.º 2302­003.178  S2­C3T2  Fl. 1.579          11 1­  Remuneração  Básica  –  Também  denominada  “Verbas  de  natureza  Salarial”.  Refere­se à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua  força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira  regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora.   2­  Incentivos  Salariais  ­  São  programas  desenhados  para  recompensar  funcionários  com  bom  desempenho. Os  incentivos  são  concedidos  sob  diversas  formas,  como  bônus,  gratificações,  prêmios,  participação  nos  resultados  a  título  de  recompensa  por resultados alcançados, dentre outros.   3­  Benefícios  ­  Quase  sempre  denominados  como  “remuneração  indireta”.  Muitas  empresas,  além  de  ter  uma  política  de  tabela  de  salários,  oferecem  uma  série  de  benefícios  ora  em  pecúnia,  ora  na  forma  de  utilidades  ou  “in  natura”,  que  culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor  da  utilidade  recebida,  seja  pela  despesa  que  o  profissional  deixa  de  desembolsar  diretamente.    Nesse novel cenário, a  regra primária  importa na  tributação de  toda e qualquer verba  paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do  campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade  encontra­se estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância,  transcrevemos em sua integralidade:  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:   (...)  §9º  Não  integram  o  salário­de­contribuição  para  os  fins  desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97)  (grifos  nossos)  a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o  salário­maternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).   b) As ajudas de  custo e o adicional mensal  recebidos pelo aeronauta nos  termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973;   c)  A  parcela  "in  natura"  recebida  de  acordo  com  os  programas  de  alimentação  aprovados  pelo  Ministério  do  Trabalho  e  da  Previdência  Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976;  d)  As  importâncias  recebidas  a  título  de  férias  indenizadas  e  respectivo  adicional  constitucional,  inclusive  o  valor  correspondente  à  dobra  da  remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do  Trabalho ­CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).   e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei  nº 9.528, de 10.12.97)   1. Previstas no  inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais  Transitórias;   2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de  1988,  do  empregado  não  optante  pelo  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço ­FGTS;   3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT;   Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     12  4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889,  de 8 de junho de 1973;   5. Recebidas a título de incentivo à demissão;  6. Recebidas  a  título de abono de  férias na  forma dos arts.  143 e 144 da  CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  7.  Recebidas  a  título  de  ganhos  eventuais  e  os  abonos  expressamente  desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).   8. Recebidas a título de licença­prêmio indenizada; (Redação dada pela Lei  nº 9.711, de 1998).  9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238,  de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  f)  A  parcela  recebida  a  título  de  vale­transporte,  na  forma  da  legislação  própria;   g)  A  ajuda  de  custo,  em  parcela  única,  recebida  exclusivamente  em  decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do  art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).  h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por  cento) da remuneração mensal;   i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional  de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro  de 1977;   j) A participação nos  lucros ou  resultados da  empresa, quando paga ou  creditada de acordo com lei específica; (grifos nossos)   l)  O  abono  do  Programa  de  Integração  Social­PIS  e  do  Programa  de  Assistência ao Servidor Público­PASEP;  (Alínea acrescentada pela Lei nº  9.528, de 10.12.97)   m)  Os  valores  correspondentes  a  transporte,  alimentação  e  habitação  fornecidos  pela  empresa  ao  empregado  contratado  para  trabalhar  em  localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que,  por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas  de  proteção  estabelecidas  pelo  Ministério  do  Trabalho;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor  do  auxílio­doença,  desde  que  este  direito  seja  extensivo  à  totalidade  dos  empregados  da  empresa;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97)  o)  As  parcelas  destinadas  à  assistência  ao  trabalhador  da  agroindústria  canavieira,  de  que  trata  o  art.  36  da  Lei  nº  4.870, de  1º  de  dezembro  de  1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).  p)  O  valor  das  contribuições  efetivamente  pago  pela  pessoa  jurídica  relativo  a  programa  de  previdência  complementar,  aberto  ou  fechado,  desde  que  disponível  à  totalidade  de  seus  empregados  e  dirigentes,  observados,  no  que  couberem,  os  arts.  9º  e  468  da  CLT;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  q)  O  valor  relativo  à  assistência  prestada  por  serviço  médico  ou  odontológico,  próprio  da  empresa  ou  por  ela  conveniado,  inclusive  o  reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos,  despesas  médico­hospitalares  e  outras  similares,  desde  que  a  cobertura  abranja  a  totalidade  dos  empregados  e  dirigentes  da  empresa;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios  fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação  Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/2011­63  Acórdão n.º 2302­003.178  S2­C3T2  Fl. 1.580          13 dos  respectivos  serviços;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97)   s)  O  ressarcimento  de  despesas  pelo  uso  de  veículo  do  empregado  e  o  reembolso  creche  pago  em  conformidade  com  a  legislação  trabalhista,  observado  o  limite  máximo  de  seis  anos  de  idade,  quando  devidamente  comprovadas  as  despesas  realizadas;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528, de 10.12.97)   t) O  valor  relativo  a  plano  educacional  que  vise  à  educação  básica,  nos  termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de  capacitação  e  qualificação  profissionais  vinculados  às  atividades  desenvolvidas pela  empresa, desde que não  seja utilizado em  substituição  de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso  ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao  adolescente até quatorze anos de  idade, de acordo com o disposto no art.  64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº  9.528, de 10.12.97)   v)  Os  valores  recebidos  em  decorrência  da  cessão  de  direitos  autorais;  (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   x)  O  valor  da  multa  prevista  no  §8º  do  art.  477  da  CLT.  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)     Contextualizado nesses termos o quadro jurídico­normativo aplicável ao caso­espécie,  visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até  o momento foi apreciado, verificamos que a alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatuiu, de  forma  expressa,  que  não  integram  o  Salário  de  contribuição,  as  importâncias  recebidas  a  título  de  participação  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa,  quando  paga  ou  creditada  de  acordo  com  lei  específica.  O Programa de Participação nos Lucros ou Resultados  ­ PLR  consubstancia­se numa  ferramenta  de  gestão  que  visa  ao  alinhamento  das  estratégias  organizacionais  com  as  atitudes  e  desempenho  dos  empregados  dentro  do  ambiente  de  trabalho.  Trata­se  de  um  instrumento  gerencial  bastante utilizado pelas empresas, mundialmente disseminado, que auxilia no cumprimento das metas e  diretrizes  das  organizações,  permitindo  uma  maior  participação  e  empenho  dos  empregados  na  produtividade  da  empresa,  além  do  seu  esforço  ordinário  decorrente  do  contrato  de  trabalho,  proporcionando, dessarte, atração, retenção, motivação e comprometimento dos funcionários na busca de  melhores resultados empresariais.  Constitui­se  o  PLR  num  tipo  de  remuneração  variável  a  ser  oferecida  àqueles  que  efetivamente  colaboram  na  obtenção  de  lucros  e/ou  no  atingimento  das  metas  pré­estabelecidas  pelo  empregador.  Trata­se  de  um  Direito  Social  de  matriz  constitucional,  tendo  o  Constituinte  Originário,  taxativamente,  outorgado  à  lei  ordinária  a  competência  para  a  estipulação  dos  parâmetros  legais  da  conformação do Direito dos trabalhadores, in verbis:  Constituição Federal de 1988   Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que  visem à melhoria de sua condição social:   (...)  Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     14  XI ­ participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração,  e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido  em lei.     Sendo um instrumento de integração capital­trabalho e de estímulo à produtividade das  empresas,  busca­se  por  meio  da  regra  imunizante  e  da  consequente  redução  da  carga  tributária  proporcionar vantagens competitivas às empresas que, regularmente, implementam mecanismos efetivos  de integração e participação de seus empregados, sem que, com isso, haja substituição da remuneração  devida. Decorre daí a norma de desvinculação do pagamento a titulo de PLR da remuneração em geral.   A Participação nos Lucros é norma constitucional de eficácia  limitada. Nesse  sentido  dispõe o Parecer CJ/MPAS nº 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS,  ad litteris et verbis:   (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação  dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode  ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da  Silva, como de eficácia  limitada, ou seja,  aquela que depende "da  emissão  de  uma  normatividade  futura,  em  que  o  legislador  ordinário, integrando­lhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê  capacidade  de  execução  em  termos  de  regulamentação  daqueles  interesses".  (Aplicabilidade das  normas  constitucionais,  São Paulo,  Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos)    Tais  diretivas  não  atritam  com  entendimento  esposado  no  Parecer  CJ/MPAS  nº  1.748/99, cujo teor transcrevemos na sequência:   DIREITO  CONSTITUCIONAL  E  PREVIDENCIÁRIO  ­TRABALHADOR  ­ PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ­ ART. 7º ,  INC. XI DA CONSTITUIÇÃO  DA  REPÚBLICA  ­POSSIBILIDADE  DE  INCIDÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÃO SOCIAL.   1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende  aos  trabalhadores  o  direito  a  participação  nos  lucros  desvinculado  da  remuneração é de eficácia limitada.   2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426  estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de  dezembro  de  1994,  passou  a  ser  lícito  o  pagamento  da  participação  nos  lucros na forma do texto constitucional.   3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da  regulamentação ou  em desacordo  com  essa  norma,  integra  o  conceito  de  remuneração para os fins de incidência da contribuição social.  (...)  7.  No  entanto,  o  direito  a  participação  dos  lucros,  sem  vinculação  à  remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de  lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito.  8.  Necessita,  portanto,  de  regulamentação  para  definir  a  forma  e  os  critérios  de  pagamento  da  participação  nos  lucros,  com  a  finalidade  precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela.  9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794,  29  de  dezembro  de  1994,  que  dispõe  sobre  a  participação  dos  Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/2011­63  Acórdão n.º 2302­003.178  S2­C3T2  Fl. 1.581          15 trabalhadores  nos  lucros  ou  resultados  das  empresas  e  dá  outras  providências, hoje reeditada sob o nº 1.769­56, de 8 de abril de 1999.  10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos,  passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da  remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá  se atender os requisitos pré estabelecidos.  11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção  nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo  suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI,  da  Constituição  da  República,  referente  a  participação  nos  lucros  dos  trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da  medida provisória regulamentadora.  12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou:   O  mandado  de  injunção  pretende  o  reconhecimento  da  omissão  do  Congresso Nacional  em  regulamentar  o  dispositivo  que  garante  o  direito  dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art.  7º,  inc.  IX, da CF), concedendo­se a ordem para efeito de  implementar in  concreto  o  pagamento  de  tais  verbas,  sem  prejuízo  dos  valores  correspondentes à remuneração.  Tendo  em  vista  a  continuação  da  transcrição  a  edição,  superveniente  ao  julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136,  de  26  de  setembro  de  1995,  que  dispõe  sobre  a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa  e  dá  outras  providências,  verifica­se  a  perda  do  objeto  desta  impetração,  a  partir  da  possibilidade de os  trabalhadores,  que  se achem nas  condições previstas  na  norma  constitucional  invocada,  terem  garantida  a  participação  nos  lucros e nos resultados da empresa. (grifei)  14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de  regulamentação  da  norma  constitucional  (art.  7º,  inc.  XI),  ficando  o  pagamento  da  participação  nos  lucros  e  sua  desvinculação  da  remuneração,  sujeitas  as  regras  e  critérios  estabelecidos  pela  Medida  Provisória.  15.  No  caso  concreto,  as  parcelas  referem­se  a  períodos  anteriores  a  regulamentação  do  dispositivo  constitucional,  em  que  o Banco  do Brasil,  sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de  participação nos lucros.  16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração,  pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era  aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos)    Tratando­se de norma constitucional de eficácia limitada, esta depende da integração de  documento  normativo  editado  pelo  órgão  legislativo  competente,  para  que  suas  disposições  possam  produzir os efeitos jurídicos colimados pelo Constituinte.   Tal  matéria  já  foi  bater  às  portas  da  Suprema  Corte  Constitucional,  cuja  Segunda  Turma,  no  julgamento  do  Agravo  Regimental  no  Agravo  Regimental  no  Recurso  Extraordinário  n°  505.597, pacificou o entendimento que deve prevalecer nas situações desse jaez.  EMENTA:  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     16  SOBRE  A  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS.  ART.  7º,  XI,  DA  CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. MP 794/94.   Com a  superveniência da MP n. 794/94,  sucessivamente  reeditada,  foram  implementadas  as  condições  indispensáveis  ao  exercício  do  direito  à  participação dos trabalhadores no lucro das empresas [é o que extrai dos  votos  proferidos  no  julgamento  do MI  n.  102,  Redator  para  o  acórdão  o  Ministro Carlos Velloso, DJ de 25.10.02].   Embora  o  artigo  7º,  XI,  da  CB/88,  assegure  o  direito  dos  empregados  àquela  participação  e  desvincule  essa  parcela  da  remuneração,  o  seu  exercício  não  prescinde  de  lei  disciplinadora  que  defina  o  modo  e  os  limites de sua participação, bem como o caráter jurídico desse benefício,  seja  para  fins  tributários,  seja  para  fins  de  incidência  de  contribuição  previdenciária. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento.  (grifos nossos)     Na mesma linha de entendimento:  RE 398.284 / RJ   Rel. Min. MENEZES DIREITO   Órgão Julgador: Primeira Turma  DJe de 19­12­2008    Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição Federal. Necessidade de  lei para o exercício desse direito.   1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal  começa  com  a  edição  da  lei  prevista  no  dispositivo  para  regulamentá­lo,  diante da imperativa necessidade de integração.   2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data  em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo.   3. Recurso extraordinário conhecido e provido.    Deflui  dos  termos  dos  julgados  suso  transcritos  que  o  exercício  do  direito  social  em  debate  sujeita­se  às  disposições  estabelecidas  na  lei  disciplinadora,  à  qual  foi  confiada  a  definição  do  modo  e  dos  limites  de  sua  participação,  bem  como  do  caráter  jurídico  desse  benefício,  seja  para  fins  tributários, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária.  Atente­se,  por  relevante,  que  o  direito  social  estampado  no  inciso  XI  do  art.  7º  da  CF/88 é dirigido à classe de  trabalhadores que laboram mediante o vínculo  jurídico de uma relação de  emprego, não abraçando as pessoas físicas que, assumindo o risco da atividade econômica, exercem por  conta própria, determinada atividade profissional de natureza urbana, como é o caso dos Diretores não  empregados e demais segurados contribuintes individuais, eis que entre estes e as respectivas empresas  não se formaliza vínculo empregatício.  Das disposições plasmadas no caput do art. 2º do Diploma Legal acima desfiado ergue­ se  como  fato  incontroverso  que  o  direito  social  objeto  de  regulamentação  abarca,  tão  somente,  os  empregados  da  empresa,  assim  compreendidos  os  trabalhadores  vinculados  mediante  um  liame  empregatício com a entidade empresarial em questão, não irradiando efeitos sobre as demais categorias  de obreiros, aqui incluídos os segurados contribuintes individuais.  Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/2011­63  Acórdão n.º 2302­003.178  S2­C3T2  Fl. 1.582          17 A assertiva ora alinhada encontra amparo,  igualmente, nas disposições  insculpidas no  §4º do art. 218 de nossa Lei Soberana, cuja norma de caráter programático prevê o apoio e estímulo às  empresas que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário,  participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho.   Constituição Federal de 1988   Art. 218 ­ O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a  pesquisa e a capacitação tecnológicas.  (...)  §4°  A  lei  apoiará  e  estimulará  as  empresas  que  invistam  em  pesquisa,  criação  de  tecnologia  adequada  ao País,  formação  e  aperfeiçoamento  de  seus  recursos  humanos  e  que  pratiquem  sistemas  de  remuneração  que  assegurem  ao  empregado,  desvinculada  do  salário,  participação  nos  ganhos econômicos  resultantes da produtividade de  seu  trabalho.  (grifos  nossos)     Com efeito, a Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional em testilha,  honrou materializar na alínea “j” do §9º do seu art. 28 a hipótese de não incidência tributária assinalada  no  inciso  XI,  in  fine,  do  art.  7º  da  CF/88,  excluindo  do  campo  de  tributação  das  contribuições  previdenciárias  as  importâncias pagas, creditadas ou devidas  a  título de PLR,  sempre que  estas verbas  forem pagas de acordo com a lei própria de regência, in casu, a Lei nº 10.101/2000, como assim prevê a  Norma Matriz.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 28 – (...)  §9º Não integram o salário­de­contribuição:   (...)  j)  a  participação  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa,  quando  paga  ou  creditada de acordo com lei específica.     Relembrando,  a  edição  da  Medida  Provisória  nº  794/94  veio  ao  atendimento  do  comando constitucional em tela,  introduzindo no Ordenamento Jurídico os primeiros  traços definidores  do direito social ora em debate, vindo a sofrer, ao longo do tempo, em suas reedições e renumerações,  um  volume  pouco  expressivo  de  modificações  legislativas,  até  a  sua  definitiva  conversão  na  Lei  nº  10.101/2000.  Lei nº 10.101 de 19 de dezembro de 2000  Art.1o  Esta  Lei  regula  a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros  ou  resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o  trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI,  da Constituição.  Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos  procedimentos  a  seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (grifos nossos)   I  ­  comissão  escolhida  pelas  partes,  integrada,  também,  por  um  representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;  II ­ convenção ou acordo coletivo. (grifos nossos)   Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     18  §1º  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação  dos  direitos  substantivos  da  participação e das regras adjetivas,  inclusive mecanismos de aferição das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo  ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições:  I ­ índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa;  II ­ programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.  §2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical  dos trabalhadores.  (...)  Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a  remuneração  devida  a  qualquer  empregado,  nem  constitui  base  de  incidência  de  qualquer  encargo  trabalhista,  não  se  lhe  aplicando  o  princípio da habitualidade.  §1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir  como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos  lucros  ou  resultados,  nos  termos  da  presente  Lei,  dentro  do  próprio  exercício de sua constituição.  §2o  É  vedado  o  pagamento  de  qualquer  antecipação  ou  distribuição  de  valores  a  título  de  participação  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa  em  periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo  ano civil.  §3o  Todos  os  pagamentos  efetuados  em  decorrência  de  planos  de  participação  nos  lucros  ou  resultados,  mantidos  espontaneamente  pela  empresa,  poderão  ser  compensados  com  as  obrigações  decorrentes  de  acordos ou convenções coletivas de  trabalho atinentes à participação nos  lucros ou resultados.  §4o A periodicidade semestral mínima referida no §2o poderá ser alterada  pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais  impactos nas receitas tributárias.  §5o As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em  separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do  imposto  de  renda  devido  na  declaração  de  rendimentos  da  pessoa  física,  competindo  à  pessoa  jurídica  a  responsabilidade  pela  retenção  e  pelo  recolhimento do imposto.  Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados  da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizar­se dos seguintes  mecanismos de solução do litígio:  I – Mediação;  II – Arbitragem de ofertas finais.  §1º  Considera­se  arbitragem  de  ofertas  finais  aquela  que  o  árbitro  deve  restringir­se a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por  uma das partes.  §2º  O  mediador  ou  o  árbitro  será  escolhido  de  comum  acordo  entre  as  partes.  §3º  Firmado  o  compromisso  arbitral,  não  será  admitida  a  desistência  unilateral de qualquer das partes.  §4º  O  laudo  arbitral  terá  força  normativa  independentemente  de  homologação judicial.    Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/2011­63  Acórdão n.º 2302­003.178  S2­C3T2  Fl. 1.583          19 Colhemos dos princípios idealizadores da rubrica em pauta, que a verba paga a título de  PLR  tem  por  espírito  e  essência  de  sua  instituição  servir  como  um  instrumento  de  incentivo  à  produtividade  dos  trabalhadores  e,  consequentemente,  da  empresa, mediante  o  pagamento  de  um  plus  remuneratório além do salário e dos demais benefícios devidos ao trabalhador, como forma de estimular  o empregado a  ter um rendimento operacional que exceda ao desempenho ordinário que  lhe é exigido  habitualmente como decorrência comum, inerente e direta do contrato de trabalho.  O plano de incentivo à produtividade tem que traduzir, de maneira clara e objetiva, um  fim extraordinário a ser alcançado pelo desempenho emproado do trabalhador, estimulado que está pela  promessa de um ganho adicional remuneratório consistente na PLR.   Nos termos do §1º, in fine, do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, tal fim extraordinário pode  ser  estabelecido  como  um  índice  de  produtividade,  de  qualidade  da  produção  ou  de  lucratividade  da  empresa. Pode, igualmente, ser traduzido por um programa de metas, de resultados ou de prazos, ou por  qualquer uma outra ferramenta gerencial que, efetivamente, encoraje, deflagre e estimule o trabalhador a  produzir mais e melhor do que aquele desempenho ordinário que ele vinha apresentando cotidianamente,  decorrente do seu compromisso laboral celebrado no contrato de trabalho.   Assim:  · O  desempenho  regular  e  ordinário  do  trabalhador  decorrente  do  compromisso  laboral pactuado no contrato de trabalho é remunerado mediante salário;  · O desempenho extraordinário e túmido do trabalhador, visando a atingir objetivos de  excelência  fixados  previamente  pela  empresa,  e  que  excedam  aos  resultados  históricos,  é  remunerado  mediante  participação  dos  empregados  nos  lucros  e  resultados da empresa, em valores previamente fixados nas negociações coletivas.     Realiza­se, assim, a integração Capital vs Trabalho: A empresa ganha com o aumento  da  produtividade,  qualidade,  lucratividade,  volume  de  produção,  prazos,  etc.  O  trabalhador  ganha  também, mediante o auferimento do plus remuneratório consubstanciado na PLR.  Conforme dessai  dos  incisos  I  e  II  do  §1º  do  art.  2º  da Lei  nº  10.101/2000,  optou  o  legislador  infraconstitucional  por  não  engessar  na  Lei  os  fins  extraordinários  a  serem  almejados  nos  planos de  incentivo à produtividade, delegando às próprias  empresas a prerrogativa de estabelecer nos  seus planos de PLR os objetivos que melhor de adequem à realidade e às características  intrínsecas de  cada pessoa jurídica.  Dentre  tais  fins  extraordinários,  elencou  a  lei,  exemplificativamente,  dentre  outros  possíveis e viáveis, os seguintes critérios e condições:  · Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa;  · Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.    Mas não  se  iludam,  caros  leitores. Muito  embora  a  legislação  infraconstitucional não  obrigue a empresa a seguir este ou aquele objetivo específico, a existência e delimitação clara e precisa,  Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     20  no plano de PLR, de um fim extraordinário específico a ser atingido pelo quadro funcional da Entidade é  mandatória e indispensável para a caracterização da PLR legal.   Assim,  mesmo  que  a  empresa  decline  de  optar  por  qualquer  um  dos  critérios  ilustrativamente  descritos  nos  incisos  I  e  II  do  §1º  do  art.  2º  da  Lei  nº  10.101/2000,  ela  tem  que,  necessariamente, descrever em detalhes, e de maneira prévia, um objetivo extraordinário específico a ser  almejado  pelo  seu  corpo  funcional  na  consecução  e  realização  do  plano  de  participação  nos  lucros  e  resultados  da  empresa,  sob  pena  de  descaracterização  da  PLR  legal.  Almeja  com  isso  a  Lei  um  comprometimento  efetivo  dos  empregados  no  sentido  de  oferecer  uma  dedicação,  um  cuidado  e  um  empenho de excelência, superior ao ordinário, usual e cotidiano, na busca pela consecução dos objetivos  fixados no acordo e na obtenção do direito subjetivo estipulado no plano.  Isso  porque,  conforme  já  salientado,  qualquer  verba  paga  em  razão  do  desempenho  regular, comum e ordinário do trabalhador, decorrente unicamente do compromisso laboral pactuado no  contrato  de  trabalho,  tem  natureza  jurídica  de  salário,  remuneração  direta  e  inescusável  pelo  labor  rotineiro  e  usual  oferecido  cotidianamente  pelo  trabalhador  à  empresa  e,  nessas  condições,  base  de  cálculo das contribuições previdenciárias.  Dessarte, sem o estabelecimento prévio no plano de PLR de um objetivo especial, que  incentive  e  alavanque  a  produtividade,  a  ser  atingido  pelo  operariado,  o  qual,  se  atingido  satisfatoriamente,  tem  o  condão  de  premiar  os  trabalhadores  que  efetivamente  envidaram  esforços  supranormais na sua consecução, o plano de PLR recai na tábula rasa do trabalho comum e ordinário, o  qual  é  remunerado mediante  salário,  sofrendo  a  incidência,  assim,  das  obrigações  previstas  na  Lei  de  Custeio da Seguridade Social.  O pagamento de verba com o rótulo de PLR Legal em retribuição ao trabalho comum,  ordinário,  usual  e  cotidiano  do  empregado,  desconectado  a  qualquer  incentivo  à  produtividade,  é  expressamente  vedado  pela  Lei  nº  10.101/2000,  cujo  art.  3º  obsta  o  pagamento  de  tal  rubrica  em  substituição ou complementação à remuneração devida a qualquer empregado.  As  regras  claras  e  objetivas  quanto  ao  direito  substantivo  referem­se  ao  direito  dos  trabalhadores  de  conhecerem,  previamente,  no  corpo  do  próprio  instrumento  de  negociação,  o  quanto  irão receber a depender do lucro auferido pelo empregador, se os objetivos forem cumpridos, o que terá  que fazer para receber tal quantia, e como irá recebê­la. Quanto às regras adjetivas, deve o trabalhador ter  ciência dos mecanismos de aferição de seu desempenho, de como aferi­lo em determinado momento e  situação, das metas e índices de produtividade a serem alcançados e o que falta para alcançá­los, etc.  A inexistência de tais regras, de forma clara e objetiva, no instrumento de negociação,  implica a sua estipulação e avaliação dos trabalhadores por ato unilateral do empregador, circunstância  que colide com o objetivo almejado pelo legislador.   A  exigência  de  regras  claras  e  objetivas  justifica­se  como  forma  de  inviabilizar  a  discriminação de empregados e de se consumar a própria finalidade do instituto criado. Sendo o resultado  finalístico almejado pela norma o fomento da produtividade da mão de obra, nada mais compreensível e  pertinente que os empregados tenham o real conhecimento da exata dimensão do direito a eles concedido  e do esforço e dedicação que eles devem empreender para alcançá­lo.  Exige  a  Lei  n°  10.101/00  que,  no  acordo,  constem  os  “mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado",  de  modo  a  assegurar  aos  empregados  a  transparência nas  informações por parte da empresa, o  fornecimento dos dados necessários à definição  das  metas,  a  adoção  de  indicadores  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  que  sejam  compreendidos por todos, a possibilidade de fiscalização do regular cumprimento das regras pactuadas e  o acompanhamento progressivo da constituição do direito em debate por parte do empregado.   Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/2011­63  Acórdão n.º 2302­003.178  S2­C3T2  Fl. 1.584          21 Da  pena  de  Sergio  Pinto  Martins  (in  Participação  dos  Empregados  nos  Lucros  das  Empresas, Editora Atlas, 2009, pág. 150) já se escreveu:   "Os  critérios  da  participação  nos  resultados  não  poderão  ficar  sujeitos  apenas a condições subjetivas, mas objetivas, determinadas, para que todos  as possam conhecer e para que não haja dúvida posteriormente sobre se o  empregado atingiu o resultado almejado pela empresa".     Exsurge  a  todo  ver,  que  a  regulamentação  legal  pauta­se  no  desígnio  da  proteção  do  trabalhador  para  que  sua  participação  nos  lucros  seja  concreta,  justa  e  impessoal.  Os  sindicatos  envolvidos  ou  as  comissões,  nos  termos  do  artigo  2º  da  Lei  de  regência,  têm  liberdade  para  fixar  os  critérios  e  condições  para  a  participação  do  trabalhador  nos  lucros  e  resultados.  Visa  o  Legislador  Ordinário a  impedir que condições ou critérios  subjetivos obstem a participação dos  trabalhadores nos  lucros ou resultados ou que a empresa utilize a rubrica em foco como forma dissimulada de remuneração,  o que é expressamente vedado pelo art. 3º do Diploma Legal Regulador.   Assim, devem as regras conformadoras do direito em palco ser claras e objetivas para  que os critérios e condições possam ser aferidos objetivamente, de modo que o obreiro possa exigir do  empregador  o  seu  efetivo  cumprimento,  eis  que,  alcançados  os  termos  assentados  no  acordo,  o  trabalhador  passa  a  ser  titular  do  direito  subjetivo  ao  recebimento  da  importância  a  que  faz  jus.  Concretiza­se, dessarte, a integração entre o capital e o trabalho e o incentivo à produtividade tão visados  pela lei.  Mas  a  Lei  não  se  contenta  só  com  a  explicitação  dos  direitos  objetivos  dos  trabalhadores. Ela exige que o instrumento de acordo coletivo especifique os critérios e procedimentos a  serem seguidos para a mensuração do quanto do acordado já se houve por cumprido, bem como para a  aferição de quanto cada empregado já contribuiu para o alcance das metas propostas.  Em primoroso trabalho doutrinário, Kertzman e Cyrino (KERTZMAN, Ivan e CYRINO,  Sinésio.  In  Salário  de  contribuição;  Salvador,  Editora  Jus  Podivm,  2ª  edição,  2010)  realçaram  as  notas  características da hipótese de não incidência de contribuições previdenciárias ora em trato: “A exigência  de regras claras é uma forma de impossibilitar a discriminação dos empregados e de alcançar a própria  finalidade  do  instituto  criado.  Se  o  objetivo  é  estimular  a  produtividade  dos  empregados,  nada mais  correto do que se exigir que estes tenham conhecimento das regras do benefício proposto, pois, se assim  não fosse, não seria possível a promoção de um esforço adicional para alcançar a meta estabelecida, e o  programa seria apenas uma forma de remuneração disfarçada”.   Diante dos aludidos dispositivos, deflui que o efeito sublime da desoneração prevista na  alínea  ‘j’  do  §9º  do  art.  28  da Lei  de Custeio  da  Seguridade  Social  somente  toma  vulto  na  exclusiva  condição  de  as  verbas  pagas  ou  creditadas  a  título  de  participação  nos  lucros  e  resultados  atenderem  cumulativamente aos seguintes requisitos:  · Que a empresa tenha efetivamente apurado lucro no período de apuração/avaliação  referido pelo plano de PLR;  · A verba paga a título de participação nos lucros e resultados da empresa tem que ser  representativa de um plano gerencial de incentivo à produtividade, consoante art. 1º  da Lei nº 10.101/2000.  Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     22  · Tem  que  resultar  de  negociação  formal  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  por  comissão escolhida pelas partes,  integrada, obrigatoriamente, por um representante  indicado pelo sindicato da respectiva categoria ou de convenção/acordo coletivo;  · Das negociações suso citadas, deverão resultar instrumentos formais que registrem o  plano  de  incentivo  à  produtividade  adotado  pela  empresa,  os  objetivos  a  serem  alcançados  na  execução  de  tal  plano,  as  regras  claras  e  objetivas  definidoras  dos  direitos substantivos dos trabalhadores, bem como a regras adjetivas, abarcando os  mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado,  periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo,  etc.  · A negociação entre empresa e  trabalhadores  tem que ser concluída previamente ao  período de execução do plano, de modo que os empregados dele participem com a  perfeita  e  exata  noção  do  que,  do  quanto,  do  quando  e  do  como  fazer  para  o  atingimento  dos  objetivos  pactuados,  do  quanto  receberão  pelo  seu  sucesso,  e  de  como serão avaliados para fazerem jus à PLR prometida;   · O  instrumento  formal  resultante  do  acordo  em  realce  tem  que  ser  arquivado  previamente na entidade sindical dos trabalhadores;  · A  PLR  não  pode  substituir,  tampouco  complementar  a  remuneração  devida  a  qualquer empregado;  · A PLR não pode ser distribuída em periodicidade  inferior a um semestre civil, ou  mais de duas vezes no mesmo ano civil;    No  caso  dos  autos,  colhemos  dos  Acordos  Coletivos  acostados  a  fls.  240/303,  as  seguintes condições.  I­  PLR 2007 ­ Acordo Coletivo firmado entre a Cemig e o Sindieletro, assinado em 11  de dezembro de 2007, ou seja, no último mês do período de apuração.  a)  A Cemig distribuirá 6,4 remunerações, em caráter excepcional e extraordinário,  na  forma  proporcional  aos  salários  ou,  alternativamente,  6  remunerações  na  forma proporcional aos salários e 0,4  remunerações na forma  linear, a que for  mais  vantajosa  considerando  a  situação  individual  de  cada  empregado,  a  ser  efetuada no dia 14/12/2007, e ainda uma parcela individual de R$ 1.000,00.   Farão  jus  os  empregados  que  estiverem  com efetivo  vínculo  empregatício  em  vigor no dia 01/11/2007. Para os empregados admitidos em 2007, o pagamento  será proporcional a 1/12 por mês trabalhado.  b)  A Cemig distribuirá 3% do ROC (Resultado Operacional da Cemig), composto  por  uma  parcela  fixa  e  outra  variável,  multiplicada  pelo  número  de  avos,  na  seguinte forma.  · Parcela  fixa  =  50%  do montante  a  ser  distribuído,  dividido  pelo  número  total de empregados da empresa em 2007.  Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/2011­63  Acórdão n.º 2302­003.178  S2­C3T2  Fl. 1.585          23 · Parcela  variável  =  50%  do montante  a  ser  distribuído,  multiplicado  pelo  salário­base de 2007, dividido pela folha de salários­base total da empresa  em dezembro/2007.  Farão  jus  os  empregados  que  estiverem  com  efetivo  vínculo  empregatício  ao  longo  do  ano  de  2007,  que  receberão  na  forma  proporcional  ao  número  de  meses trabalhados.   Ao  tratar  das  metas,  o  acordo  dispõe  que  as  metas  para  o  ano  de  2007  são,  dentre  outras,  aquelas  definidas  pelo  Planejamento  Estratégico  Empresarial,  que, caso alcançadas, implicará uma distribuição correspondente a 3% do ROC.  Caso  não  alcançadas,  ou  sendo  suplantadas,  o  valor  será  proporcional  ao  resultado obtido.    II­ PLR 2007 ­ Acordo Coletivo firmado entre a Cemig e o Sintec, assinado em 14 de  dezembro de 2007, ou seja, no último mês do período de apuração.  a)  A Cemig distribuirá 6,4 remunerações, em caráter excepcional e extraordinário,  na  forma  proporcional  aos  salários  ou,  alternativamente,  6  remunerações  na  forma proporcional aos  salários e 0,4  remunerações na forma linear,  a que for  mais  vantajosa  considerando  a  situação  individual  de  cada  empregado,  a  ser  efetuada no dia 14/12/2007, e ainda uma parcela individual de R$ 1.000,00.   Farão  jus  os  empregados  que  estiverem  com efetivo  vínculo  empregatício  em  vigor no dia 01/11/2007. Para os empregados admitidos em 2007, o pagamento  será proporcional a 1/12 por mês trabalhado.  b)  A Cemig distribuirá 3% do ROC (Resultado Operacional da Cemig), composto  por  uma  parcela  fixa  e  outra  variável,  multiplicada  pelo  número  de  avos,  na  seguinte forma.  · Parcela  fixa  =  50%  do montante  a  ser  distribuído,  dividido  pelo  número  total de empregados da empresa em 2007.  · Parcela  variável  =  50%  do montante  a  ser  distribuído,  multiplicado  pelo  salário­base de 2007, dividido pela folha de salários­base total da empresa  em dezembro/2007.  Farão  jus  os  empregados  que  estiverem  com  efetivo  vínculo  empregatício  ao  longo  do  ano  de  2007,  que  receberão  na  forma  proporcional  ao  número  de  meses trabalhados.   Ao  tratar  das  metas,  o  acordo  dispõe  que  as  metas  para  o  ano  de  2007  são,  dentre  outras,  aquelas  definidas  pelo  Planejamento  Estratégico  Empresarial,  que, caso alcançadas, implicará uma distribuição correspondente a 3% do ROC.  Caso  não  alcançadas,  ou  sendo  suplantadas,  o  valor  será  proporcional  ao  resultado obtido.    Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     24  III­  PLR 2008, para pagamento em 2009 ­ Acordo Coletivo firmado entre a Cemig e o  Sindieletro, assinado em 11 de dezembro de 2007.  a)  A  Cemig  destinará  valor  cuja  base  de  cálculo  será  de  3%  do  ROC  (Resultado  Operacional da Cemig),  para distribuição na proporção de 50% de  forma  linear e  50% na forma proporcional aos salários.  b)  Havendo  superação  das  metas  pactuadas,  a  Cemig  distribuirá,  de  forma  proporcional às remunerações, um percentual do ROC adicional.  Farão jus ao recebimento, os empregados lotados na base territorial do Sindieletro que  não  tenham sido contemplados pelos ACT assinados pelas demais entidades sindicais  que negociam com a Cemig.    IV­ PLR 2008, para pagamento em 2009 ­ Acordo Coletivo firmado entre a Cemig e o  Sintec, assinado em 14 de dezembro de 2007.  c)  A  Cemig  destinará  valor  cuja  base  de  cálculo  será  de  3%  do  ROC  (Resultado  Operacional da Cemig),  para distribuição na proporção de 50% de  forma  linear e  50% na forma proporcional aos salários.  d)  Havendo  superação  das  metas  pactuadas,  a  Cemig  distribuirá,  de  forma  proporcional às remunerações, um percentual do ROC adicional.  Farão  jus  ao  recebimento,  os  empregados  pertencentes  à  categoria  profissional  de  técnico  industrial,  que  não  tenham  sido  contemplados  pelos  ACT  assinados  pelas  demais entidades sindicais que negociam com a Cemig.    Extraímos  dos  acordos  coletivos  acima  referidos  as  seguintes  condições  de  contorno  relativas ao pagamento da PLR ora em foco.  1)  Em relação à PLR 2007, para pagamento a partir de 14/12/2007:  · O  acordo  coletivo  foi  assinado  em  meados  do  último  mês  do  período  de  apuração e avaliação, o que viola norma legal que determina que o acordo tem  que ser prévio. Os trabalhadores percorreram o período de apuração e avaliação  sem  ter  a  mínima  noção  do  que  precisavam  fazer,  do  quanto  precisavam  produzir, do como essa produção tinha que ser executada, de quando a produção  tinha  que  estar  concluída,  de  quais  resultados  excepcionais  precisavam  ser  alcançados,  de qual  seria o  seu  ganho patrimonial  caso  tais  resultados  fossem  atingidos,  se  teria  ou  não  direito  a  algum ganho patrimonial,  de  como  seriam  avaliados, etc. etc. etc. Onde estariam as regras claras e objetivas ?  · O  acordo  não  estipula  metas,  ou  qualquer  outro  fim  extraordinário  a  ser  alcançado  pelos  empregados,  para  o  auferimento  da  vantagem  patrimonial  prometida, remetendo a um documento externo e estranho ao acordo;  · O  pagamento  da  parcela  referente  ao  Resultado  Operacional  da  Cemig  independe do cumprimento de metas, uma vez que será sempre proporcional ao  resultado alcançado, seja ele qual for;  Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/2011­63  Acórdão n.º 2302­003.178  S2­C3T2  Fl. 1.586          25 · Não  se  encontra  estabelecido  no  acordo  qualquer  critério  ou  mecanismo  de  acompanhamento do desempenho que possibilite aos empregados avaliar se as  metas foram atingidas, ou mesmo que existiram metas.   · As regras estampadas no acordo não promovem o incentivo à produtividade ou  à dedicação de excelência pelo empregado, uma vez que o montante a distribuir  será  repartido  proporcionalmente  ao  salário  dos  trabalhadores,  inexistindo  qualquer  relação  com  a  produtividade  ou  a  eficiência  do  empregado.  Se  produziu pouco ou se produziu muito, é irrelevante. Se operou com substantiva  eficiência  ou  se  com  total  desmazelo,  é  indiferente  também.  Tais  parâmetros  não influenciam o quantum que cada trabalhador irá receber a esse título. Para  receber,  basta  ser  funcionário  da  Cemig.  Onde  estará  o  incentivo  à  produtividade exigido pela Lei ? Não há !    2)  Em relação à PLR 2008, para pagamento em 2009:  · O  acordo  não  estipula  metas,  ou  qualquer  outro  fim  extraordinário  a  ser  alcançado  pelos  empregados,  para  o  auferimento  da  vantagem  patrimonial  auferida. Basta ser empregado da Cemig para auferir a PLR;  · Não  se  encontra  previsto  no  acordo  qualquer  critério  ou  mecanismo  de  acompanhamento do desempenho que possibilite aos empregados avaliar se as  metas foram atingidas, ou mesmo que existiram metas;   · O acordo não estipula, de maneira clara e objetiva, os direitos substantivos dos  trabalhadores,  na  medida  em  que  dispõe:  “havendo  superação  das  metas  pactuadas,  a  Cemig  distribuirá,  de  forma  proporcional  às  remunerações,  um  percentual do ROC adicional”. Não há metas pactuadas nem se sabe qual será  esse percentual;   · As regras estampadas no acordo não promovem o incentivo à produtividade ou  à dedicação de excelência pelo empregado, uma vez que o montante a distribuir  será  repartido  proporcionalmente  ao  salário  dos  trabalhadores,  inexistindo  qualquer  relação  com  a  produtividade  ou  a  eficiência  do  empregado.  Se  produziu pouco ou se produziu muito, é irrelevante. Se operou com substantiva  eficiência  ou  se  com  total  desmazelo,  é  indiferente  também.  Tais  parâmetros  não influenciam o quantum que cada trabalhador irá receber a esse título. Para  receber,  basta  ser  funcionário  da  Cemig.  Onde  estará  o  incentivo  à  produtividade exigido pela Lei ? Não há !  · O  pagamento  da  parcela  referente  ao  Resultado  Operacional  da  Cemig  independe do cumprimento de metas, uma vez que será sempre proporcional ao  resultado alcançado, seja ele qual for;    A única regra existente nos acordos que vincula a quota que cada um irá receber tem  relação direta com a fração do ano que cada trabalhador esteve vinculado à empresa. Se trabalhou o ano  Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     26  inteiro, recebe o benefício integral, se trabalhou 03 meses, recebe 25% do valor do benefício, e assim por  diante.   Não  procede  a  alegação  de  que  é  possível  à  empresa  abrir  mão  de  fixar  metas  de  produtividade  e,  ainda  assim,  distribuir  lucros  aos  empregados.  É  possível  sim,  desde  que  a  empresa  especifique e detalhe previamente no acordo de PLR as condições de contorno de um fim extraordinário  específico a ser atingido pelos empregados abraçados pelo plano, o qual, para ser alcançado, dependa de  um  empenho  maior  do  corpo  funcional  da  empresa,  de  maneira  que  a  verba  paga  a  título  de  PLR  desempenhe o papel de instrumento de incentivo à consecução de tais fins.   A inexistência de um fim extraordinário específico detalhado previamente no bojo do  plano de participação nos lucros e resultados da empresa descaracteriza a natureza da PLR legal. Assim,  a remuneração pelo trabalho ordinário e comum realizado pelo trabalhador é efetuada mediante salário,  Instituto de Direito do Trabalho, base de cálculo das contribuições previdenciárias.  Atente­se  que  a  condição  de  habitualidade  no  pagamento  pode  ter  sua  primazia  na  caracterização  de  uma  rubrica  como  salário  (Instituto  de  Direito  do  Trabalho),  mas  é  totalmente  irrelevante para a qualificação de remuneração. O conceito de remuneração é muito mais abrangente e  compreende não  somente o  salário, mas,  também,  todos os demais  rendimentos do  trabalho, pagos ou  creditados,  a qualquer  título,  à pessoa  física que  lhe preste  serviço, mesmo  sem vínculo  empregatício,  quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de  serviços.    De  outro  eito,  decorre  por  dedução  lógica  e,  principalmente,  pelas  disposições  expressas na  lei,  que a  definição  e  formalização em documento próprio  das  condições de  contorno do  plano de PLR têm que estar concluídas e tornadas públicas aos empregados previamente ao período de  apuração dos objetivos pactuados entre as partes, de maneira que o trabalhador tenha o perfeito e exato  conhecimento  daquilo  que  precisa  fazer,  de  como  precisa  fazer,  do  quanto  e  quando  precisa  fazer,  de  como serão mensurados e avaliados os objetivos estabelecidos pela empresa e de como o empregado será  avaliado pela empresa para fazer  jus ao ganho patrimonial especificamente consignado e prometido na  negociação coletiva – são as tais REGRAS CLARAS E OBJETIVAS.  Tendo por finalidade a norma em tela a integração entre capital e trabalho e o ganho de  produtividade, exige a lei a negociação prévia entre empresa e os empregados, mediante acordo coletivo  ou  comissão  de  trabalhadores,  da  qual  resulte  clareza  e objetividade  das  condições  a  serem  satisfeitas  (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito substantivo).   Deve ser enaltecido que o instrumento de acordo celebrado não figura como mera peça  decorativa  na  indigitada  lei  específica,  mas,  sim,  como  documento  formal  para  o  registro  dos  fins  extraordinários  a  serem  alcançados  pelo  corpo  funcional  da  empresa,  das  regras  claras  e  objetivas  referentes  aos  direitos  substantivos  dos  empregados,  ou  seja,  do  incentivo  contraprestacional  que  irão  auferir caso atinjam os objetivos do plano, e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das  informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência  e prazos para revisão do acordo.  Cumpre  observar  que,  nos  termos  do  art.  111,  II  do  CTN,  deve­se  emprestar  interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a  norma  tributária há pouco citada, para se excluir da regra de  incidência é necessária a fiel observância  dos termos da norma de exceção,  tanto assim que as parcelas  integrantes do supra­aludido §9º, quando  pagas ou creditadas  em desacordo com a  legislação pertinente, passam a  integrar  a base de cálculo da  contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis.  Código Tributário Nacional ­CTN   Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/2011­63  Acórdão n.º 2302­003.178  S2­C3T2  Fl. 1.587          27 Art.  111.  Interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária  que  disponha  sobre:  I ­ suspensão ou exclusão do crédito tributário;   II ­ outorga de isenção;    Dado  à  exegese  restritiva  exigida  pelo  CTN,  somente  serão  extirpadas  da  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias  as  verbas  pagas  sob  o  rótulo  de  participação  nos  lucros  e  resultados  (PLR)  que  forem  pagas  ou  creditadas  a  segurados  empregados,  e  em  estreita  e  inafastável  consonância  com  a  lei  específica  que  rege  o  benefício  em  pauta.  Do  contrário,  não.  Permanecerão  qualificadas como Salário de Contribuição.    Aflora,  no  caso  presente,  que  os  valores  pagos  sob  o  rótulo  de  PLR  2007  foram  estipulados  unilateralmente  pela  empresa,  na  medida  em  vieram  ao  conhecimento  dos  empregados  quando já se havia escoado mais de 17/18 avos do período de mensuração dos objetivos colimados pelo  plano e de avaliação dos trabalhadores no cumprimento dos fins extraordinários fixados no acordo.  Aqui,  os  trabalhadores  laboraram mais  de  94%  do  ano  sem  saber  o  que  precisavam  fazer,  como  precisavam  fazer,  quanto  e  quando  precisavam  fazer  para  obter  o  direito  subjetivo  a  um  ganho patrimonial que também não sabiam de quanto era, ou mesmo sequer se haveria algum.  Além disso, ficaram às escuras os trabalhadores a respeito dos critérios e parâmetros de  avaliação  do  seu  desempenho  supranormal  dedicado  à  consecução  dos  fins  extraordinários  almejados  pela empresa, que  também, passados 17/18 do período de aferição, ainda não haviam sido estipulados,  tampouco os elementos de aferição do cumprimento do acordado.  Em  outras  palavras:  A  empresa  conduziu  a  elaboração  do  seu  plano  de  PLR  2007  exatamente na contramão do que prescreve a Lei nº 10.101/2000, que exige negociação prévia entre a  empresa  e  seus  empregados,  que  os  fins  extraordinários  a  serem  alcançados  pelos  trabalhadores  seja  especificado com regras claras e objetivas nos instrumentos de acordo celebrado, o qual deve mencionar,  igualmente,  os  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo.  O espirito da lei pauta­se na transparência, conhecimento e registro documental prévio  dos direitos subjetivos dos trabalhadores na participação nos lucros e resultados da empresa, bem como  das condições e dos fins extraordinários que deverão de ser atingidos, com o empenho incentivado pelo  plano, para a consecução de tal ganho patrimonial.   No caso em foco, tudo transcorreu na penumbra 94 % do tempo.  Assim,  o  trabalhador  não  possui  qualquer mecanismo  objetivo  apto  a  lhe  informar  e  assegurar  se  terá  ou  não  direito  à  participação  nos  resultados;  qual  será  o  resultado  econômico  de  tal  participação; Como se dará a apuração e a mensuração de tal resultado; o que ele trabalhador já realizou  e o que ainda necessita produzir para auferir o direito subjetivo aos resultados da empresa; etc. etc.  Omissão total.    Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     28  Quanto à PLR 2008, O acordo não estipula metas, ou qualquer outro fim extraordinário  a ser alcançado pelos empregados; não se encontra previsto no acordo qualquer critério ou mecanismo de  acompanhamento do desempenho que possibilite aos empregados avaliar se as metas foram atingidas, ou  mesmo  que  existiram  metas;  não  há  estipulação  clara  e  objetiva  dos  direitos  substantivos  dos  trabalhadores; as regras estampadas no acordo não promovem o incentivo à produtividade ou à dedicação  de excelência pelo empregado, uma vez que o montante a distribuir será repartido proporcionalmente ao  salário dos trabalhadores, etc.    Que  integração  Capital  vs  Trabalho  se  obtém  com  tais  Acordos  ?  Que  incentivo  à  produtividade dessai de tal plano ?    Deflui  da  simbiose  dos  fundamentos  jurídicos  e  principiológicos  dimanados  dos  dispositivos legais ora revisitados que o instrumento de negociação celebrado entre patrões e empregados  seja  arquivado  PREVIAMENTE  na  entidade  sindical  da  categoria,  como  garantia  dos  direitos  dos  trabalhadores,  porquanto  os  sindicatos  ostentam,  como  uma  de  suas  principais  funções,  a  defesa  dos  interesses econômicos, profissionais, sociais e políticos dos seus associados.  Dessarte, enquanto não se promover o efetivo arquivamento do instrumento de acordo  celebrado  na  entidade  sindical  dos  trabalhadores,  irregular,  incompleta  e  em  desacordo  com  a  Lei  nº  10.101/2000 estará  a negociação entre patrões  e  empregados,  circunstância que exclui  toda e qualquer  verba paga a título de PLR do campo de não incidência tributária delimitado na alínea ‘j’ do §9º do art.  28 da Lei nº 8.212/91.  Tais acordos, portanto, não se prestam como instrumento de integração entre o capital e  o trabalho, muito menos como elemento de incentivo à produtividade, como assim exige o art. 1º da Lei  nº  10.101/2000,  uma  vez  que,  para  receber  tal  benefício,  basta  que  o  trabalhador  tenha  trabalhado  na  empresa, ou seja, realize pura e simplesmente aquilo que dele se espera em razão unicamente do contrato  de trabalho.   Tais  verbas  ostentam,  portanto,  natureza  plenamente  remuneratória,  porquanto  são  devidas única e  exclusivamente  em  razão do esforço ordinário  e cotidiano do  trabalhador  inicialmente  previsto no contrato de trabalho, inexistindo qualquer evidência de parcela que tenha sido resultante da  motivação  e  comprometimento  de  excelência  do  empregado  na  busca  por  melhores  resultados  empresariais,  de  maior  eficiência  na  utilização  dos  fatores  de  produção,  de  redução  de  prazos  ou  de  incremento de qualidade da produção, etc.  O  conteúdo  das  cláusulas  previstas  nos  Acordos  Coletivos  de  Trabalho/Participação  nos Resultados não contempla os objetivos colimados pela Lei nº 10.101/2000.  Assim,  a  empresa  fugiu  ao  abrigo da  legislação  que  rege o direito  social  previsto no  inciso XI  do  art.  7º  da CF/88,  uma vez  que  efetuou  apagamentos  sob  o  rótulo  de PLR,  sem,  todavia,  atender aos requisitos da lei específica de regência do beneficio em pauta.  O  pagamento  de  tais  verbas,  nas  condições  em  que  se  consumaram,  não  possui  as  premissas  básicas  conformadoras  da  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  assentadas  na  Carta  de  1988.  Ora, o pagamento de verbas, a título de PLR, pagas em ampla desconformidade com as  normas  tributárias  fixadas  na  Lei  nº  10.101/2000  transmuda  a  natureza  jurídica  da  constitucional  Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/2011­63  Acórdão n.º 2302­003.178  S2­C3T2  Fl. 1.588          29 Participação nos Lucros ou Resultados para mero prêmio, o qual não se encontra abraçado pela hipótese  de não incidência tributária prevista Lex Excelsior.   Frustram­se  então  os  objetivos  da  lei,  que  tem  como  inspiração  maior  o  fomento  à  produtividade.  Ao  não  atender  aos  requisitos  impostos  pela  Lei  nº  10.101/2000,  fugiu  a  verba  em  questão  da  proteção  do  manto  da  não  incidência  prevista  na  alínea  ‘j’  do  §9º  do  art.  28  da  Lei  nº  8.212/91,  sujeitando­se  a  importância  paga  sob  o  rótulo  de  participação  nos  lucros  às  obrigações  tributárias fincadas na Lei de Custeio da Seguridade Social,   A inobservância à aplicação de lei representaria, por parte deste Colegiado, negativa de  vigência aos preceitos inseridos no inciso XI do art. 7º da CF/88 e nas Leis nº 8.212/91 e 10.101/2000,  providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário.  Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo  dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, nas circunstâncias ora  analisado, deve persistir o  lançamento ora em debate. Em consequência,  tais valores deveriam ter sido  declarados como integrantes do Salário de Contribuição nas GFIP correspondentes.    2.2.  DA CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA  Alega o Recorrente  serem  indevidas  as  contribuições  para  o  INCRA,  por  violarem  o  §2º do art. 149 da CF/88.   Sem razão.    Merece ser enaltecido, de plano, que uma contribuição pode ser conceituada como uma  espécie de tributo, de natureza autônoma, caracterizada por uma destinação social particularizada em lei,  desvinculada de atuação estatal específica, com hipótese de incidência própria, e não restituível.  A  doutrina  elege  três  modalidades  de  contribuições:  Sociais;  coorporativas  e  interventivas.   A investigação a respeito da natureza jurídica da contribuição para o INCRA tem sido  por demais tormentosa ao longo dos últimos anos.   O  Supremo  Tribunal  Federal,  no  julgamento  de  Ag.  Regimental  no  Agravo  de  Instrumento  de  despacho  que  inadmitiu  Rec.  Extraordinário  contra  Acórdão  do  TRF  da  3ª  Região  ,  ementado como se segue :   TRIBUTÁRIO  –  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  AO  INCRA  E  AO  FUNRURAL – EMPREGADOR URBANO – CONSTITUCIONALIDADE.  A  exação  de  que  trata  o  artigo  15,  II  da  Lei  Complementar  nº  11/71,  destinada parte ao FUNRURAL (2,4%) e parte ao INCRA (0,2%), pode ser  exigida de empregador urbano,  como ocorre desde a  sua origem, quando  instituída  pela  Lei  2.613/55,  em  benefício  do  então  criado  Serviço  Social  Rural. Constitucionalidade. Precedentes Jurisprudenciais desta Corte.  Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     30  Apelação Improvida.    pacificou o  entendimento no  sentido da  inexistência de qualquer  empecilho  constitucional que obste  a  cobrança das contribuições para o INCRA e para o FUNRURAL, consoante se depreende da ementa da  decisão exarada:  EMENTA: Contribuição para o FUNRURAL: empresas urbanas: acórdão  recorrido que se harmoniza com o entendimento do STF, no sentido de não  haver  óbice  a  que  seja  cobrada,  de  empresa  urbana,  a  referida  contribuição,  destinada  a  cobrir  os  riscos  a  que  se  sujeita  toda  a  coletividade de trabalhadores: precedentes. (STF, AI­AgRg nº 334.360/SP;  Rel. Min. Sepúlveda Pertence; 1ª Turma; DJ 25.02.2005)    O Superior Tribunal de Justiça, por seu turno, após um longo período em que oscilou  sua  jurisprudência,  sedimentou  o  entendimento  de  que  a  contribuição  destinada  ao  INCRA  ostenta  natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, no adorno moldado pelo art. 149  da  CF/88,  não  sendo  tal  contribuição  sujeita  às  normas  inscritas  nas  Leis  nº  7.787/89,  8.212/91  e  8.213/91.    VIGÊNCIA  DA  CONTRIBUIÇÃO  AO  INCRA.  NATUREZA  DE  INTERVENÇÃO  NO  DOMÍNIO  ECONÔMICO.  LEIS  Nº  7.787/89  e  8.212/91.  DESTINAÇÃO  DIVERSA.  EMPRESAS  URBANAS.  ENQUADRAMENTO.  I  ­  A  Primeira  Seção  do  STJ,  na  esteira  de  precedentes  do  STF,  firmou  entendimento no sentido de que não existe qualquer óbice para a cobrança  da  contribuição  destinada  ao  INCRA  também  das  empresas  urbanas.  Precedentes:  EDcl  no  AgRg  no  REsp  nº  716.387/CE,  Rel.  Min.  HUMBERTO MARTINS, DJ de 31/08/06 e EDcl no REsp nº 780.280/MA,  Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 25/05/06.  II ­ Este Superior Tribunal de Justiça, após diversos pronunciamentos, com  base em ampla discussão, reviu a jurisprudência sobre o assunto, chegando  à  conclusão que a  contribuição destinada ao  INCRA não  foi  extinta,  nem  com a Lei nº 7.787/89, nem pela Lei nº 8.212/91, ainda estando em vigor.   III  ­  Tal  entendimento  foi  exarado  com  o  julgamento  proferido  pela  Colenda  Primeira  Seção,  nos  EREsp  nº  770.451/SC,  Rel.  p/ac.  Min.  CASTRO MEIRA, Sessão de 27/09/2006. Naquele  julgado, restou definido  que a contribuição ao INCRA é uma contribuição especial de intervenção  no  domínio  econômico,  destinada  aos  programas  e  projetos  vinculados  à  reforma agrária e suas atividades complementares. Assim, a supressão da  exação para o FUNRURAL pela Lei nº 7.787/89 e a unificação do sistema  de  previdência  através  da  Lei  nº  8.212/91  não  provocaram  qualquer  alteração na parcela destinada ao INCRA.  IV ­ Agravo regimental improvido. (STJ; AgRg no AgRg no REsp 894345 /  SP;  Rel.  Min.  FRANCISCO  FALCÃO;  T1  ­  PRIMEIRA  TURMA;  DJ  24/05/2007, p. 331)    TRIBUTÁRIO.  INCRA. CONTRIBUIÇÃO. NATUREZA. COMPENSAÇÃO.  IMPOSSIBILIDADE.  ART.  66,  §  1º  DA  LEI  Nº  8.383/91.  INAPLICABILIDADE.   1.  O  INCRA  foi  criado  pelo  DL  1.110/70  com  a  missão  de  promover  e  executar  a  reforma  agrária,  a  colonização  e  o  desenvolvimento  rural  no  País,  tendo­lhe  sido  destinada,  para  a  consecução  de  seus  objetivos,  a  Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/2011­63  Acórdão n.º 2302­003.178  S2­C3T2  Fl. 1.589          31 receita  advinda  da  contribuição  incidente  sobre  a  folha  de  salários  no  percentual de 0,2% fixada no art. 15, II, da LC n.º 11/71.  2.  Essa  autarquia  nunca  teve  a  seu  cargo  a  atribuição  de  serviço  previdenciário, razão porque a contribuição a ele destinada não foi extinta  pelas  Leis  7.787/89  e  8.212/91  ­  ambas  de  natureza  previdenciária  ­,  permanecendo íntegra até os dias atuais como contribuição de intervenção  no domínio econômico.  3. Como a contribuição não se destina a financiar a Seguridade Social, os  valores recolhidos indevidamente a esse título não podem ser compensados  com outras contribuições arrecadadas pelo INSS que se destinam ao custeio  da Seguridade Social.  4.  Nos  termos  do  art.  66,  §1º,  da  Lei  nº  8.383/91,  somente  se  admite  a  compensação  com  prestações  vincendas  da  mesma  espécie,  ou  seja,  destinadas ao mesmo orçamento.  5.  Embargos  de  divergência  improvidos.  STJ;  EREsp  770.451/SC;  R.P/ACÓRDÃO Min. CASTRO MEIRA; DJ: 11/06/2007)    Em  aditamento  ao  voto  proferido  no  EREsp  770.451/SC;  a  Min.  Eliana  Calmon  sublinhou  os  traços  fundamentais  da  espécie  tributária  em  exame,  rememorando  magnífico  trabalho  doutrinário contido na tese apresentada pelo Dr. Luciano Dias Bicalho Camargo, em curso de doutorado  da Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais, o qual pedimos venia para transcrevê­lo.   “As  contribuições  interventivas  têm  como  principal  traço  característico  a  finalidade  eleita  e  explicitada  na  consequência  da  norma  de  incidência  tributária.   (...)   Assim, para a perfeita compreensão da norma de incidência tributária das  contribuições de  intervenção  sobre o domínio econômico,  especificamente  aquelas que se prestam à arrecadação de recursos para o custeio dos atos  interventivos, há de se prever uma circunstância intermediária a vincular a  hipótese de incidência e a consequência tributária, sem a qual não há de se  falar da existência de norma de incidência válida.   Assim, nas contribuições de intervenção sobre o domínio econômico deverá  coexistir,  para  a  sua  perfeita  incidência,  os  dois  núcleos  da  hipótese  de  incidência: o "fato do contribuinte", relacionado ao domínio econômico, e  os atos interventivos implementados pela União.   (...)   Assim, no caso específico das contribuições para o INCRA, elas somente se  mostram  válidas  na  medida  em  que  o  INCRA,  efetivamente,  promove  desapropriações  para  fins  de  reforma  agrária  (circunstância  intermediária), visando alterar a estrutura fundiária anacrônica brasileira,  conforme  minudentemente  visto  no  capítulo  3,  aplicando­se,  assim,  os  recursos  arrecadados  na  consecução  dos  objetivos  constitucionalmente  previstos:  função  social  da  propriedade  e  diminuição  das  desigualdades  regionais.   Saliente­se,  por  relevante,  que  as  contribuições devidas  ao  INCRA, muito  embora  não  beneficiem  diretamente  o  sujeito  ativo  da  exação  (empresas  urbanas e algumas agroindustriais), beneficiam toda a sociedade, por ter a  sua arrecadação destinada a custear programas de colonização e reforma  agrária,  fomentam  a  atividade  no  campo,  que  é  de  interesse  de  toda  a  sociedade  (e  não  só  do  meio  rural),  tendo  em  vista  a  redução  das  desigualdades e a fixação do homem na terra.   Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     32  Não há que se falar da existência de uma referibilidade direta, que procura  condicionar  o  pagamento  das  contribuições  às  pessoas  que  estejam  vinculadas  diretamente  a  determinadas  atividades  e  que  venham  a  ser  beneficiárias  da  arrecadação.  Ora,  o  princípio  da  referibilidade  direta,  como  defendido  por  vários  autores,  simplesmente  não  existe  no  ordenamento  jurídico  pátrio,  especialmente  no  que  se  refere  às  contribuições  de  intervenção  no  domínio  econômico.  Trata­se  de  mera  criação  teórica  e  doutrinária,  sem  respaldo  no  texto  da  Constituição  Federal.   (...)   Com  efeito,  a  exação  em  tela  é  destinada  a  fomentar  atividade  agropecuária, promovendo a  fixação do homem no campo e  reduzindo as  desigualdades  na  distribuição  fundiária.  Consequentemente,  reduz­se  o  êxodo rural e grande parte dos problemas urbanos dele decorrentes.   Não  pode  ser  negado  que  a  política  nacional  de  reforma  agrária  é  instrumento de intervenção no domínio econômico, uma vez que objetiva a  erradicação da miséria, segundo o preceituado no §1º do art. 1º da Lei nº  4.504/64 ­ Estatuto da Terra.   Dessa  forma,  a  referibilidade  das  contribuições  devidas  ao  INCRA  é  indireta, beneficiando, de forma mediata, o sujeito passivo submetido a essa  responsabilidade”.     Cumpre  neste  comenos  destacar  que  escapa  à  competência  deste  Colegiado  a  sindicância relativa à adequação da norma legal aos princípios norteadores do ordenamento jurídicos que  permeiam a Constituição Federal, eis que tal tarefa foi outorgada, por Ulisses et alli, ao Poder Judiciário,  exclusivamente. A esta 2ª Seção foi deferida, tão somente, a competência para perscrutar a conformidade  do  lançamento  formalizado pela  autoridade  fiscal  à  legislação  tributária vigente  e  eficaz,  em honra ao  Princípio Constitucional da estrita legalidade.  Assentado  que  a  declaração  de  inconstitucionalidade  de  leis  ou  a  ilegalidade  de  atos  administrativos  constituem­se  prerrogativas  outorgadas  pela  Constituição  Federal  exclusivamente  ao  Poder  Judiciário,  não  podem  os  agentes  da  Administração  Pública  imiscuírem­se  sponte  propria  nas  funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência  exclusiva deste.  Sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando  os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e  eficazes, a  inobservância desses comandos  legais  implicaria negativa de vigência por parte do Auditor  Fiscal Notificante,  fato  que desaguaria  inexoravelmente em  responsabilidade  funcional dos  agentes do  Fisco Federal.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  assim  entendido  o  procedimento  administrativo  tendente  a  verificar  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar  o  sujeito  passivo  e,  sendo  caso,  propor a aplicação da penalidade cabível.  Parágrafo  único. A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada e  obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.    Deve­se atentar para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária  em  apreço,  até  o  presente  momento,  não  foram  ainda  vitimadas  de  qualquer  sequela  decorrente  de  Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/2011­63  Acórdão n.º 2302­003.178  S2­C3T2  Fl. 1.590          33 declaração  de  inconstitucionalidade,  seja  na  via  difusa  seja  na via  concentrada,  exclusiva  do Supremo  Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos.  Ademais, perfilhando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF  nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito  da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária.  Súmula CARF nº 2:   O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.    Não  se  deve  olvidar  que  é  vedado  aos  membros  das  turmas  de  julgamento  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  o  conteúdo  encartado  em  leis  e  decretos  sob  o  fundamento  de  incompatibilidade  com  a  Constituição  Federal,  conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de  22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda.  PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009  Art.  62.  Fica  vedado  aos  membros  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar tratado, acordo internacional,  lei ou decreto, sob  fundamento de  inconstitucionalidade.  Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de  tratado,  acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária  definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­ Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de  19 de julho de 2002;  b)  súmula  da  Advocacia­Geral  da  União,  na  forma  do  art.  43  da  Lei  Complementar n° 73, de 1993; ou  c)  parecer  do  Advogado­Geral  da  União  aprovado  pelo  Presidente  da  República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993.    Desbastada nesses talhes a escultura jurídica,  impedido se encontra este Colegiado de  apreciar  tais  alegações  e  propalar  declarações  de  inconstitucionalidade,  atividade  essa  que  somente  poderia emergir do Poder Judiciário.    2.3.  DA CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE  Alega o Recorrente serem indevidas as contribuições para o SEBRAE, por violarem o  §2º do art. 149 da CF/88.   Sem razão, também.    Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     34  A Contribuição para o SEBRAE  foi  instituída pelo §3º do  art.  8º  da Lei  nº 8.029/90  com  o  objetivo  exclusivo  de  atender  a  execução  da  política  governamental  de  apoio  às  micro  e  às  pequenas empresas, sendo exigida como tributo complementar às Contribuições para o Serviço Nacional  de Aprendizagem Industrial ­ SENAI, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial ­ SENAC,  para o Serviço Social da  Indústria  ­ SESI e para o Serviço Social do Comércio ­ SESC, nos seguintes  termos:  Lei nº 8.029/90 ­ de 12 de abril de 1990  Art.  8°  É  o  Poder  Executivo  autorizado  a  desvincular,  da  Administração  Pública Federal, o Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa  ­ CEBRAE, mediante sua transformação em serviço social autônomo.  (...)  §3º. Para atender à execução da política de Apoio às Micro e às Pequenas  Empresas,  é  instituído  adicional  às  alíquotas  das  contribuições  sociais  relativas às entidades de que trata o artigo 1º do Decreto­Lei nº 2.318, de  30 de dezembro de 1986, de: (redação dada pela Lei nº 8.154/90)    a) 0,1% (um décimo por cento) no exercício de 1991;  b) 0,2% (dois décimos por cento) em 1992; e  c) 0,3% (três décimos por cento) a partir de 1993.    §4º. O adicional da contribuição a que se refere o parágrafo anterior será  arrecadado  e  repassado  mensalmente  pelo  órgão  competente  da  Previdência e Assistência Social ao CEBRAE.    DECRETO­LEI Nº 2.318 ­ DE 30 DE DEZEMBRO DE 1986   Art.  1º  Fica mantida  a  cobrança,  fiscalização,  arrecadação  e  repasse  às  entidades  beneficiárias  das  contribuições  para  o  Serviço  Nacional  de  Aprendizagem  Industrial  ­  SENAI,  para  o  Serviço  Nacional  de  aprendizagem  Comercial  ­  SENAC,  para  o  Serviço  Social  da  Indústria  ­  SESI, e para o Serviço Social do Comércio ­ SESC, ficam revogados:  I ­ o teto­limite a que se referem os artigos 1º e 2º do decreto­Lei nº 1.861,  de 25 de fevereiro de 1981, com a redação dada pelo artigo 1º do Decreto­ Lei nº 1.867, de 25 de março de 1981;  II ­ o artigo 3º do Decreto­Lei nº 1.861, de 25 de fevereiro de 1981, com a  redação dada pelo artigo 1º do Decreto­Lei nº 1.867, de 25 de março de  1981.    Assim, a partir de janeiro de 1991, foi criada a contribuição destinada ao SEBRAE, a  cargo das empresas que já contribuíam para o SESC, SENAC, SESI e SENAI (Lei nº 8029/90 e Lei nº  8154/90 e OS/INSS/DAF­05/9l) mediante às alíquotas de 0,1% (1991), 0,2% (1992) e 0.3% (a partir de  1993) para cada uma das entidades acima citadas.  No  caso  do  Fundo  de  Previdência  e  Assistência  Social  –  FPAS  507­0,  ao  qual  se  vincula a empresa recorrente, esta passou a contribuir para o SEBRAE, em 1991 com adicional de 0,2%  (0,1  %  referente  ao  SESI  e  0,1%  referente  ao  SENAI);  em  1992  com  o  adicional  de  0,4%  (0,2  %  referente  ao  SESI  e  0,2%  referente  ao  SENAI)  e  a  partir  de  1993,  com  o  adicional  de  0,6%  (0,3 %  referente ao SESI e 0,3% referente ao SENAI).  Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/2011­63  Acórdão n.º 2302­003.178  S2­C3T2  Fl. 1.591          35 Tal  controvérsia  já  foi  bater  às  portas  da Suprema Corte de  Justiça,  que  irradiou  em  seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação da matéria ora tratada, conforme dessai  do seguinte julgado assim ementado:  REsp 892084/RJ  Relator(a) Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI  Órgão Julgador T1 ­ PRIMEIRA TURMA   Data do Julgamento 07/05/2009   Data da Publicação/Fonte DJe 18/05/2009   Ementa  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. ACÓRDÃO  RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA  CONSTITUCIONAL.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  AO  SESC/SENAC  E  SESI/SENAI. CABIMENTO.  1. A falta de prequestionamento da matéria suscitada no recurso especial, a  despeito da oposição de embargos de declaração,  impede o conhecimento  do recurso especial (Súmula 211 do STJ).  2. A controvérsia acerca da exigibilidade da contribuição para o SEBRAE,  imposta  pela  Lei  8.029/90,  foi  decidida  por  fundamentos  de  natureza  eminentemente constitucional, insuscetíveis de exame em recurso especial.  3.  É  devido  o  pagamento  efetuado  com  base  no  adicional  de  0,3%  sobre  cada  uma  das  contribuições  sociais  devidas  ao  SESC/SENAC  e  ao  SESI/SENAI.   Precedentes: AgRg no REsp 500.634/SC, 2ª Turma, Min. Herman Benjamin,  DJe  de  31.10.2008; REsp  491.105/SC,  1ª  Turma, Min.  Francisco Falcão,  DJ de 13.12.2004.   4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido.    É de  sabença universal  que o  título nominativo de um  instituto de Direito não  tem o  condão de lhe modificar a natureza jurídica. Nessa perspectiva, nada obstante a lei supramencionada tê­la  rotulado como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais repassadas ao SESI, SENAI, SESC  e SENAC, o Supremo Tribunal Federal  firmou o entendimento de que a contribuição para o SEBRAE  consubstancia­se numa contribuição de intervenção no domínio econômico, na concepção plasmada no  art. 149, caput, da Constituição Federal, conforme consignado definitivamente no julgamento do Recurso  Extraordinário RE 396.266/SC, cuja ementa pedimos a devida vênia para transcrevê­la:  CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO:  SEBRAE:  CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEI  8.029, DE 12.4.1990, ART. 8o, §3o. LEI 8.154, DE 28.12.1990. LEI 10.668,  DE 14.5.2003. CF, ART. 146, III; ART. 149; ART. 154, I; ART. 195, §4º.  I – As contribuições do art. 149, CF – contribuições sociais, de intervenção  no  domínio  econômico  e  de  interesse  de  categorias  profissionais  ou  econômicas  –  posto  estarem  sujeitas  à  lei  complementar  do  art.  146,  III,  CF, isto não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A  contribuição  social  do  art.  195,  §4º, CF,  decorrente  de  ‘outras  fontes’,  é  que,  para  a  sua  instituição,  será  observada  a  técnica  da  competência  residual  da União: CF, art.  154,  I,  ex  vi  do disposto no art.  195, §4º.   A  contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar  defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF,  art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ  Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     36  143/313;  RE  146.733/SP,  Ministro  Moreira  Alves,  RTJ  143/684.  (grifos  nossos)   II  – A  contribuição  do  SEBRAE – Lei  8.029/90,  art.  8º,  §3º,  redação das  Leis  8.154/90  e  10.668/2003  –  é  contribuição  de  intervenção  no  domínio  econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas  das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º  do D.L. 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se  inclui, portanto, a  contribuição do SEBRAE, no rol do art. 240, CF.  III – Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade,  portanto,  do  §3º,  do  art.  8º,  da  Lei  8.029/90,  com  a  redação  das  Leis  8.154/90 e 10.668/2003.  IV – RE conhecido, mas improvido.  (STF, RE 396266/SC, Tribunal Pleno, Rel. Min. Carlos Velloso,  j.  em 26­ 11­2003, DJU de 27/2/2004, p. 22)    Por  esse  motivo,  a  contribuição  ao  SEBRAE  não  se  inclui  no  rol  do  art.  240  da  Constituição Federal, uma vez que se mostra totalmente autônoma e desvinculada das contribuições ao  SESI/SENAI  e  ao  SESC/SENAC,  e  não  destas  um  mero  adicional,  conclusão  que  não  discrepa  do  entendimento  firmado  no  Excelso  Pretório,  conforme  julgamento  dos  Embargos  de  Declaração  no  Agravo de Instrumento n° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa  é abaixo transcrita:  PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  OPOSTOS  À  DECISÃO  DO  RELATOR:  CONVERSÃO  EM  AGRAVO  REGIMENTAL.  CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO:  SEBRAE:  CONTRIBUIÇÃO DE  INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei  8.029, de 12.4.1990, art. 8º, §3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de  14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º.   I.  ­  Embargos  de  declaração  opostos  à  decisão  singular  do  Relator.  Conversão dos embargos em agravo regimental.   II. ­ As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção  no  domínio  econômico  e  de  interesse  de  categorias  profissionais  ou  econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF,  isso  não  quer  dizer  que  deverão  ser  instituídas  por  lei  complementar.  A  contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é  que,  para  a  sua  instituição,  será  observada  a  técnica  da  competência  residual  da União:  CF,  art.  154,  I,  ex  vi  do  disposto  no  art.  195,  §4º.  A  contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar  defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF,  art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ  143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684.   III. ­ A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, §3º, redação das Leis  8.154/90  e  10.668/2003  é  contribuição  de  intervenção  no  domínio  econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas  das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º  do DL  2.318/86,  SESI,  SENAI,  SESC,  SENAC.  Não  se  inclui,  portanto,  a  contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF.   IV. ­ Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade,  portanto,  do  §3º  do  art.  8º  da  Lei  8.029/90,  com  a  redação  das  Leis  8.154/90 e 10.668/2003.   Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/2011­63  Acórdão n.º 2302­003.178  S2­C3T2  Fl. 1.592          37 V.  ­  Embargos  de  declaração  convertidos  em  agravo  regimental.  Não  provimento desse.    Acrescente­se, ainda, que o SEBRAE não presta serviços somente às micro e pequenas  empresas,  mas  a  todas  as  atividades  empresariais  conexas,  atendendo  ao  bem  comum  de  toda  a  sociedade. Assim, considerando­se o princípio da solidariedade social que permeia o art. 195, caput, da  CF/88, por se tratar de contribuição de intervenção no domínio econômico, a contribuição ao SEBRAE  deve ser recolhida por todas as empresas, e não apenas pelas micro e pequenas empresas, não existindo,  necessariamente, correspondência entre contribuição e prestação, nem tampouco entre o contribuinte e os  benefícios decorrentes da exação.    As vozes dimanadas do STF também produzem eco no Plenário da Corte Superior de  Justiça, cuja consolidada jurisprudência não se mostra dissonante, consoante ressai do julgado referente  ao Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n° 840.946/RS, publicado no Diário da Justiça em 29  de agosto de 2007, assim ementado:  TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC  RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES.  1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira  e da Segunda Turma desta Corte  se pacificou no sentido de  reconhecer a  legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para  as empresas prestadoras de serviços.   2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE  mero  adicional  sobre  as  destinadas  ao  SESC/SENAC,  devem  recolher  aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas.   3. Agravo regimental improvido.    Deve­se atentar para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária  em  apreço,  até  o  presente  momento,  não  foram  ainda  vitimadas  de  qualquer  sequela  decorrente  de  declaração  de  inconstitucionalidade,  seja  na  via  difusa  seja  na via  concentrada,  exclusiva  do Supremo  Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos.  Ademais, perfilhando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF  nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito  da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária.  Súmula CARF nº 2:   O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.    2.4.  DA  PENALIDADE  PECUNIÁRIA  PELO  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.    Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     38  O Recorrente argumenta que deve ser revista a penalidade aplicada, de modo a excluir  a multa de 75% prevista no art. 35­A da Lei nº 8.212/91, em relação aos fatos geradores ocorridos antes  da edição da MP nº 449/2008.  Convidamos o Recorrente a reler o Discriminativo de Débito a fls. 05/06. A multa pelo  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada mediante  lançamento  de  ofício  nas  competências  anteriores  à  edição  da MP  nº  449/2008  não  foi  de  75%, mas  de  24%,  conforme  art.  35,  II,  da Lei  nº  8.212/91.  Para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio iuris que ora se escultura,  atine­se que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua  natureza jurídica.    JULIET:  ”Tis but thy name that is my enemy;  Thou art thyself, though not a Montague.  What's Montague? it is nor hand, nor foot,  Nor arm, nor face, nor any other part  Belonging to a man. O, be some other name!  What's in a name? that which we call a rose  By any other name would smell as sweet;  So Romeo would, were he not Romeo call'd,  Retain that dear perfection which he owes  Without that title. Romeo, doff thy name,  And for that name which is no part of thee  Take all myself”.    William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600.    Ilumine­se,  inicialmente,  que  no  Direito  Tributário  vigora  o  princípio  tempus  regit  actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é  regido  pela  lei  vigente  à  data  de  ocorrência  do  fato  gerador,  ainda  que  posteriormente modificada  ou  revogada.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 144. O lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato gerador da  obrigação  e  rege­se  pela  lei  então  vigente,  ainda  que  posteriormente  modificada ou revogada.  §1º Aplica­se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência  do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração  ou  processos  de  fiscalização,  ampliado  os  poderes  de  investigação  das  autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou  privilégios,  exceto,  neste  último  caso,  para  o  efeito  de  atribuir  responsabilidade tributária a terceiros.  §2º  O  disposto  neste  artigo  não  se  aplica  aos  impostos  lançados  por  períodos certos de  tempo, desde que a respectiva  lei  fixe expressamente a  data em que o fato gerador se considera ocorrido.    Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/2011­63  Acórdão n.º 2302­003.178  S2­C3T2  Fl. 1.593          39 Nessa  perspectiva,  dispõe  o  código  tributário,  ad  litteram,  que  o  fato  de  a  norma  tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não  se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente.  O  princípio  jurídico  suso  invocado,  no  entanto,  não  é  absoluto,  sendo  excepcionado  pela  superveniência  de  lei  nova,  nas  estritas  hipóteses  em  que  o  ato  jurídico  tributário,  ainda  não  definitivamente  julgado,  deixar  de  ser  definido  como  infração  ou  deixar  de  ser  considerado  como  contrário  a qualquer  exigência de  ação ou omissão, desde que não  tenha  sido  fraudulento  e não  tenha  implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade  menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.  A  questão  ora  em  apreciação  trata  de  aplicação  de  penalidade  pecuniária  em  decorrência  do  descumprimento  de  obrigação  tributária  principal  formalizada mediante  lançamento  de  ofício.  Com  efeito,  o  regramento  legislativo  relativo  à  aplicação  de  aplicação  de  penalidade  pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do  período  de  apuração  em  realce,  encontrava­se  sujeito  ao  regime  jurídico  inscrito  no  art.  35  da  Lei  nº  8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99.   Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS,  incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos:  (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  I­  para  pagamento,  após  o  vencimento  de  obrigação  não  incluída  em  notificação fiscal de lançamento:   a)  oito  por  cento,  dentro  do mês  de  vencimento  da  obrigação;  (Redação  dada pela Lei nº 9.876/99).  b)  quatorze  por  cento,  no  mês  seguinte;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99).  c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da  obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).    II­  Para  pagamento  de  créditos  incluídos  em  notificação  fiscal  de  lançamento:  a)  vinte  e  quatro  por  cento,  em  até  quinze  dias  do  recebimento  da  notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  b)  trinta  por  cento,  após  o  décimo  quinto  dia  do  recebimento  da  notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido  de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão  do Conselho  de  Recursos  da  Previdência  Social  ­  CRPS;  (Redação  dada  pela Lei nº 9.876/99).  d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do  Conselho de Recursos da Previdência Social ­ CRPS, enquanto não inscrito  em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).    Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     40  III ­ para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa:   a)  sessenta  por  cento,  quando  não  tenha  sido  objeto  de  parcelamento;  (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  b)  setenta  por  cento,  se  houve  parcelamento;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99).  c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução  fiscal, mesmo que o  devedor  ainda  não  tenha  sido  citado,  se  o  crédito  não  foi  objeto  de  parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  d)  cem  por  cento,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  mesmo  que  o  devedor  ainda  não  tenha  sido  citado,  se  o  crédito  foi  objeto  de  parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo  de  vinte  por  cento  sobre a multa  de mora  a  que  se  refere  o  caput  e  seus  incisos.   §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo  devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não  incidirá  sobre a  multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.   §3º  O  valor  do  pagamento  parcial,  antecipado,  do  saldo  devedor  de  parcelamento  ou  do  reparcelamento  somente  poderá  ser  utilizado  para  quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que  for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre  o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo.   §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a  que  se  refere  o  inciso  IV  do  art.  32,  ou  quando  se  tratar  de  empregador  doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado  documento,  a  multa  de mora  a  que  se  refere  o  caput  e  seus  incisos  será  reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).    No  caso  vertente,  o  lançamento  tributário  sobre  o  qual  nos  debruçamos  promoveu  a  constituição  formal  do  crédito  tributário, mediante  lançamento  de  ofício  consubstanciado  no  Auto  de  Infração de Obrigação Principal nº 37.339.564­7, referente a fatos geradores ocorridos nas competências  de janeiro/2007 a dezembro/2008.  Nessa perspectiva, tratando­se de lançamento de ofício formalizado mediante o Auto de  Infração de Obrigação Principal acima indicado, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente  do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência  da MP  nº  449/2008,  de  acordo  com  o  critério  de  cálculo  insculpido  no  inciso  II  do  art.  35  da  Lei  nº  8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando  de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo  quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social  ­ CRPS, hoje CARF,  enquanto não inscrito em Dívida Ativa.  Por  outro  viés,  em  se  tratando  de  recolhimento  a  destempo  de  contribuições  previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for  resultante  de  lançamento  de  ofício,  o  montante  relativo  à  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em  relevo,  em conformidade com a memória de cálculo assentada no  inciso  I do mesmo dispositivo  legal  acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por  cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês  seguinte ao do vencimento da exação.  Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/2011­63  Acórdão n.º 2302­003.178  S2­C3T2  Fl. 1.594          41 Tal discrimen encontra­se tão claramente consignado na legislação previdenciária que  até o organismo cognitivo mais rudimentar em existência – o computador – consegue, sem margem de  erro,  com  uma  simples  instrução  IF  –  THEN  –  ELSE  unchained,  determinar  qual  o  regime  jurídico  aplicável a cada hipótese de incidência:    IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91   ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91.    Traduzindo­se do “computês” para o “juridiquês”, tratando­se de lançamento de ofício,  incide  o  regime  jurídico  consignado  no  inciso  II  do  art.  35  da  Lei  nº  8.212/91. Ao  revés,  nas  demais  situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso,  aplica­se o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal.    Com  efeito,  as  normas  jurídicas  que  disciplinavam  a  cominação  de  penalidades  pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas  pela  Medida  Provisória  nº  449/2008,  posteriormente  convertida  na  Lei  nº  11.941/2009.  Tais  modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator  no  caso  do  recolhimento  espontâneo  a  destempo  pelo  Obrigado,  porém,  mais  severas  para  o  sujeito  passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas.   Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009,  revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com  a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do  art.  11  da  Lei  nº  8.212/91,  das  contribuições  instituídas  a  título  de  substituição  e  das  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96.  Mas  não  parou  por  aí.  Na  sequência  da  lapidação  legislativa,  a mencionada Medida  Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social  o  art.  35­A que  fixou, nos  casos de  lançamento  de ofício,  a  aplicação de penalidade pecuniária,  então  batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição,  verbis:  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  35.  Os  débitos  com  a  União  decorrentes  das  contribuições  sociais  previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei,  das  contribuições  instituídas  a  título  de  substituição  e  das  contribuições  devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação,  serão  acrescidos  de multa  de mora  e  juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de  1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009).    Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições  referidas  no  art.  35  desta  Lei,  aplica­se  o  disposto  no  art.  44  da  Lei  no  Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     42  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.941/2009).    Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996   Art.  44. Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes  multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  I  ­ de 75%  (setenta e cinco por cento)  sobre a  totalidade ou diferença de  imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento,  de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei  nº 11.488/2007)  II ­ de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do  pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela  Lei nº 11.488/2007)  b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que  tenha  sido apurado prejuízo  fiscal ou base de  cálculo negativa para a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente,  no  caso  de  pessoa  jurídica.  (Incluída  pela  Lei  nº  11.488/2007)  §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será  duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488/2007)   I ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)   II ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)   III ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)   IV ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)   V  ­  (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998).  (Redação  dada pela Lei nº 11.488/2007)  §2o Os percentuais de multa a que se  referem o  inciso  I do caput e o §1o  deste  artigo  serão  aumentados  de metade,  nos  casos  de  não  atendimento  pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada  pela Lei nº 11.488/2007)  I  ­  prestar  esclarecimentos;  (Renumerado  da  alínea  "a",  pela  Lei  nº  11.488/2007)  II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei  no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova  redação pela Lei nº 11.488/2007)  III  ­  apresentar  a  documentação  técnica  de  que  trata  o  art.  38  desta Lei.  (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007)  §3º Aplicam­se às multas de que trata este artigo as reduções previstas no  art.  6º  da  Lei  nº  8.218,  de  29  de  agosto  de  1991,  e  no  art.  60  da  Lei  nº  8.383, de 30 de dezembro de 1991.  §4º As disposições deste artigo aplicam­se, inclusive, aos contribuintes que  derem  causa  a  ressarcimento  indevido  de  tributo  ou  contribuição  decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal.    Art.  61.  Os  débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos  Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/2011­63  Acórdão n.º 2302­003.178  S2­C3T2  Fl. 1.595          43 geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão  acrescidos  de  multa  de  mora,  calculada  à  taxa  de  trinta  e  três  centésimos  por  cento,  por  dia  de  atraso.  §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia  subsequente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para  o  pagamento  do  tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento.  §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.  §3º  Sobre  os  débitos  a  que  se  refere  este  artigo  incidirão  juros  de mora  calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia  do  mês  subsequente  ao  vencimento  do  prazo  até  o  mês  anterior  ao  do  pagamento e de um por cento no mês de pagamento.     Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964   Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária:   I ­ da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza  ou circunstâncias materiais;   II  ­  das  condições  pessoais  de  contribuinte,  suscetíveis  de  afetar  a  obrigação  tributária principal ou o crédito tributário correspondente.     Art.  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a  reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.     Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas,  visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.     Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de  obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas  hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa  promovida pela MP nº 449/2008, encontravam­se acomodados em um mesmo dispositivo legal, cite­se,  incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora se encontram dispostos em separado, diga­ se, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e  35­A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009.  Nesse  novo  regime  legislativo,  a  instrução  de  seletividade  invocada  anteriormente  passa a ser informada de acordo com o seguinte comando:    IF lançamento de ofício THEN art. 35­A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela  Lei nº 11.941/2009.   ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009.     Diante de  tal  cenário,  a  contar da vigência da MP nº 449/2008,  a parcela  referente  à  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada  mediante  Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     44  lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art.  35­A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a  incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa  de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.   Por  outro  viés,  em  se  tratando  de  recolhimento  a  destempo  de  contribuições  previdenciárias  não  resultante  de  lançamento  de  ofício,  o  montante  relativo  à  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributária  principal  há  que  ser  dimensionalizado  em  conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº  449/2008  e  convertida  na Lei  nº  11.941/2009,  que  estatui multa,  aqui  também denominada  “multa  de  mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.    Não  demanda  áurea  mestria  perceber  que  o  nomem  iuris  consignado  na  legislação  previdenciária  para  a  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu  a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da  Fazenda  houve­se  por  batizada  com  a  singela  denominação  de  “multa  de  ofício”,  art.  44  da  Lei  no  9.430/96  c.c.  art.  35­A  da  Lei  nº  8.212/91,  incluído  pela MP  nº  449/2008. Mas  não  se  iludam,  caros  leitores  !  Malgrado  a  diversidade  de  rótulos,  as  suas  naturezas  jurídicas  são  idênticas:  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada mediante  lançamento  de  ofício.  No  que  pertine  à  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal não  incluída  em  lançamento de ofício,  o  título designativo  adotado por  ambas  as  legislações  acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”.    Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico  instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa  para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que  o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99  (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna  prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, durante a fase do contencioso administrativo.  Código Tributário Nacional   Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:   I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a  aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de  tratá­lo como contrário a qualquer exigência de ação  ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em  falta de pagamento de tributo;  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente  ao tempo da sua prática.    Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento  de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008,  Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/2011­63  Acórdão n.º 2302­003.178  S2­C3T2  Fl. 1.596          45 encontrava­se disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Contudo, após o advento da MP nº  449/2008,  a  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada  mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35­A da Lei nº 8.212/91, incluído  pela citada MP nº 449/2008.  Não é cabível, portanto, efetuar­se o cotejo de “multa de mora”  (art. 35,  II da Lei nº  8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91,  com a redação dada pela MP nº 449/2008), pois estar­se­ia, assim, promovendo a comparação de nomem  iuris  com  nomem  iuris  (multa  de  mora)  e  não  de  institutos  de  mesma  natureza  jurídica  (penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada mediante  lançamento  de  ofício).  Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, a  qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu,  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada  mediante  lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967).   Reitere­se que não se presta o preceito  inscrito no art. 106,  II,  ‘c’ do CTN para fazer  incidir  retroativamente  penalidade  menos  severa  cominada  a  uma  infração  mais  branda  para  uma  transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só  pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e  diversas.    Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação  dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de  obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício.  Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento  de  ofício,  tanto  a  legislação  revogada  (art.  35,  II  da Lei  nº  8.212/91,  com a  redação  dada  pela Lei  nº  9.876/99),  quanto  a  legislação  superveniente  (art.  35­A  da  Lei  nº  8.212/91,  incluído  pela  MP  nº  449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser  aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio  jurídico  lex specialis derogat generali,  aplicável na solução de conflito aparente de normas.  Nessa  perspectiva,  nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  o  cotejamento  de  normas  tributárias para  fins  específicos de  incidência da  retroatividade benigna prevista no  art.  106,  II,  ‘c’ do  CTN  somente  pode  ser  efetivado,  exclusivamente,  entre  a  norma  assentada  no  art.  35­A  da  Lei  nº  8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35,  II  da  Lei  nº  8.212/91,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99,  uma  vez  que  estas  tratam,  especificamente,  de  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica.  Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratando­se o vertente caso de lançamento  de  ofício  de  contribuições  previdenciárias,  o  atraso  objetivo  no  recolhimento  de  tais  exações  pode  ser  apenado de duas formas distintas, a saber:  a)  Tratando­se de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De  acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que  implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91,  Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     46  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99,  na  razão  variável  de  24%  a  50%,  enquanto não inscrito em dívida ativa.  b)  Tratando­se de  fatos  geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De  acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a  inserção do art. 35­A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa  na incidência de multa de ofício de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou  conluio, em que tal percentual é duplicado.    Assim,  em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos  nas  competências  anteriores  a  dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas  revela que a multa de mora  aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se  mostrará  menos  gravoso  ao  contribuinte  do  que  a  multa  de  ofício  prevista  no  art.  35­A  do  mesmo  Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº  11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator.  Dessarte,  para  os  fatos  geradores  ocorridos  até  a  competência  novembro/2008,  inclusive,  o  cálculo  da  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada mediante  lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos  inscritos  no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99.  Na  mesma  hipótese  especifica,  para  os  fatos  geradores  ocorridos  a  partir  da  competência  dezembro/2008,  inclusive,  a  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada  mediante  lançamento  de  ofício  deve  ser  calculada  consoante  a  regra  estampada no art. 35­A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009.  O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação  de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o  valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função  da  fase  processual  em  que  se  encontre  o  Processo  Administrativo  Fiscal  de  constituição  do  crédito  tributário.   De  fato,  encerrado  o  Processo  Administrativo  Fiscal  e  restando  definitivamente  constituído,  no  âmbito  administrativo,  o  crédito  tributário,  não  sendo  este  satisfeito  espontaneamente  pelo  Sujeito  Passivo  no  prazo  normativo,  tal  crédito  é  inscrito  em  Dívida  Ativa  da  União,  pra  subsequente cobrança judicial.  Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento  de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%)  menos ferina, operando­se, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que  não tenha havido sonegação, fraude ou conluio.   Assim,  em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos  nas  competências  anteriores  a  dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106,  II,  "c"  do  CTN  concernente  à  retroatividade  benigna,  o  novo  mecanismo  de  cálculo  da  penalidade  pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento  de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a  multa poderá  alcançar,  in  casu,  75%, mesmo que o  crédito  tributário  seja objeto de  ação  de  execução  fiscal.  Nestas  hipóteses,  somente  irá  se  operar  o  teto  de  75%  nos  casos  em  que  não  tenha  havido  sonegação, fraude ou conluio.  Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/2011­63  Acórdão n.º 2302­003.178  S2­C3T2  Fl. 1.597          47 Da conjugação  das  normas  tributárias  acima  revisitadas  conclui­se  que,  nos  casos  de  lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da  obrigação  principal  deve  ser  calculada  de  acordo  com  a  lei  vigente  à  data  de  ocorrência  dos  fatos  geradores inadimplidos, conforme se vos segue:  a)  Para  os  fatos  geradores  ocorridos  até  novembro/2008,  inclusive:  A  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada  mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo  exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº  9.876/99,  observado  o  limite máximo  de  75%,  desde  que  não  estejam  presentes  situações  de  sonegação,  fraude  ou  conluio,  em  atenção  à  retroatividade  da  lei  tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN.  b)  Para  os  fatos  geradores  ocorridos  a  partir  de  dezembro/2008,  inclusive:  A  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada mediante  lançamento  de  ofício  deve  ser  calculada  de  acordo  com  o  critério  fixado  no  art.  35­A  da  Lei  nº  8.212/91,  incluído  pela MP  nº  449/2008,  convertida na Lei nº 11.941/2009.    No caso dos autos, considerando não haver sido demonstrada a presença dos elementos  objetivos  e  subjetivos  de  conduta  que,  em  tese,  qualifica­se  como  fraude  e  sonegação,  tipificadas  nos  artigos  71  e  72  da  Lei  nº  4.502/64,  resulta  que  a  penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento  de  obrigação  tributária  principal  formalizada mediante  lançamento  de  ofício  deve  ser  aplicada  de  acordo  com o art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, para as competências até  novembro/2008, inclusive, e em conformidade com o art. 35­A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº  449/2008, c.c. art. 44, I da Lei no 9.430/96, para as competências a partir de dezembro/2008, inclusive,  em atenção ao princípio tempus regit actum.    3.  DO RECURSO DE OFICIO  Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, dele conheço.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou  Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 02­42.215 ­ 8ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 1503/1512,  julgando procedente  em parte o  lançamento  tributário, para dele  fazer excluir as obrigações  tributárias  lançadas em duplicidade nas competências 11/2007, 12/2007 e 12/2008, na forma consignada na Tabela  de Retificação, item 5.4 do Relatório Fiscal Complementar, a fl. 1497, e retificando o crédito tributário  na forma descrita no Discriminativo Analítico do Débito Retificado ­ DADR a fls. 1513/1514, recorrendo  de ofício de sua decisão.  A decisão, todavia, merece reforma.    A exclusão das obrigações  tributárias nas  competências 11/2007, 12/2007 e 12/2008,  tem  por  fundamento  a  constatação,  pela  Fiscalização,  em  sede  de  Diligência  Fiscal,  de  que  os  fatos  geradores correspondentes houveram­se por lançados em duplicidade.  Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     48  De  fato,  após  o  exame  da  impugnação  administrativa  em  face  do  lançamento,  a  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Belo  Horizonte/MG  baixou  o  feito  em  diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito de eventuais erros na apuração da  base de cálculo, nos  termos arguidos pelo Sujeito Passivo em sede de defesa administrativa, conforme  Despacho de Diligência a fls. 1460/1461.  Em  atendimento  à  diligência  requestada  por meio  do Despacho  de Diligência  acima  citado, a Autoridade Lançadora emitiu Relatório Fiscal Complementar a fls. 1495/1498, no qual restou  consignado que o valor efetivamente recebido pelos trabalhadores nas competências 11/2007, 12/2007 e  12/2008, a título de PLR, foi a diferença entre o valor constante nas rubricas da folha de proventos “1033  – PLR”, “1040 – Adiantamento PLR” e “1043 – Diferença PLR”, menos a rubrica da folha de descontos  “4016­ desconto Adiantamento PLR” e “4019 – Desc. Diferença Adiantamento PLR”.   Concluiu a Fiscalização que a base de cálculo original apurada ficou a maior, tendo em  vista  que  não  foram  deduzidas  as  parcelas  relativas  ao  desconto  dos  adiantamentos  concedidos,  cujos  valores correspondentes ao respectivo lançamento foram lançados na presente autuação sob os códigos  “P1 e P5 – Participação nos Lucros e Resultados – Empregados”, o que, em consequência, implicou a  constituição do crédito tributário a maior nas referidas competências.  A Fiscalização, examinando as folhas de pagamento, apurou os valores totais mensais  relativos aos descontos de parcela paga a  título de participação nos  lucros e  resultados, pugnando pela  exclusão de tais valores no lançamento em apreço, conforme ilustrado nas tabelas expostas nos itens 5.3  e  5.4  do  Relatório  Fiscal  Complementar,  a  fl.  1497,  no  que  foi  seguido  pelo  Órgão  Julgador  de  1ª  Instância.  Nessa  perspectiva,  considerando  os  esclarecimentos  prestados  pela  Autuada  a  fls.  1464/1465  e  pela  Fiscalização  em  seu  Relatório  Fiscal  Complementar,  concluímos  pelo  acerto  da  DRJ/BHE na exclusão dos valores ora em destaque da base de cálculo das contribuições previdenciárias  objeto do presente lançamento, motivo pelo qual pugnamos pela negativa de provimento ao Recurso de  Ofício.    4.   CONCLUSÃO:  Pelos motivos expendidos, CONHEÇO dos Recursos Voluntário e de Ofício para, no  mérito, NEGAR­LHES PROVIMENTO.    É como voto.    Arlindo da Costa e Silva, Relator.                Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.723744/2011­63  Acórdão n.º 2302­003.178  S2­C3T2  Fl. 1.598          49               Fl. 1622DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI

score : 1.0
5519263 #
Numero do processo: 13896.002389/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. No caso de passivo fictício, o ônus da prova é invertido, passando a ser da Recorrente. No caso concreto, o contribuinte não logrou êxito em confirmar se os valores em aberto na contabilidade, considerados como passivo fictício pela autoridade lançadora, são originários dos adiantamentos recebidos e assim supostamente tributados.
Numero da decisão: 1401-001.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM DAR provimento PARCIAL ao recurso apenas em relação às contas do passivo 2.1.1.01.001 (Contas a Pagar Diversas) e 2.1.1.02.005 (One Travel Cp. Brasil). (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201406

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. No caso de passivo fictício, o ônus da prova é invertido, passando a ser da Recorrente. No caso concreto, o contribuinte não logrou êxito em confirmar se os valores em aberto na contabilidade, considerados como passivo fictício pela autoridade lançadora, são originários dos adiantamentos recebidos e assim supostamente tributados.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Jul 14 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 13896.002389/2007-17

anomes_publicacao_s : 201407

conteudo_id_s : 5359562

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 1401-001.212

nome_arquivo_s : Decisao_13896002389200717.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO

nome_arquivo_pdf_s : 13896002389200717_5359562.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM DAR provimento PARCIAL ao recurso apenas em relação às contas do passivo 2.1.1.01.001 (Contas a Pagar Diversas) e 2.1.1.02.005 (One Travel Cp. Brasil). (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva

dt_sessao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014

id : 5519263

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:21 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046816416595968

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1657; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 544          1 543  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13896.002389/2007­17  Recurso nº  999.999   Voluntário  Acórdão nº  1401­001.212  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  04 de junho de 2014  Matéria  IRPJ/Reflexos  Recorrente  SPORT PROMOTION SOCIEDADE SIMPLES LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2002  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  PASSIVO  FICTÍCIO.  ÔNUS  DA  PROVA.  INVERSÃO.  No caso de passivo  fictício, o ônus da prova é  invertido, passando a ser da  Recorrente. No caso concreto, o contribuinte não logrou êxito em confirmar  se os valores em aberto na contabilidade, considerados como passivo fictício  pela  autoridade  lançadora,  são  originários  dos  adiantamentos  recebidos  e  assim supostamente tributados.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  EM DAR  provimento PARCIAL ao recurso apenas em relação às contas do passivo 2.1.1.01.001 (Contas  a Pagar Diversas) e 2.1.1.02.005 (One Travel Cp. Brasil).   (assinado digitalmente)  Jorge Celso Freire da Silva – Presidente    (assinado digitalmente)  Antonio Bezerra Neto ­ Relator         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 23 89 /2 00 7- 17 Fl. 758DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/2007­17  Acórdão n.º 1401­001.212  S1­C4T1  Fl. 545          2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto,  Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro,  Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva  Fl. 759DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/2007­17  Acórdão n.º 1401­001.212  S1­C4T1  Fl. 546          3     Relatório  SPORT  PROMOTION  SOCIEDADE  SIMPLES  LTDA.  recorre  a  este  Conselho  contra  a  decisão  de  primeira  instância  administrativa,  que  julgou  procedente  a  exigência,  pleiteando  sua  reforma,  com  fulcro no artigo 33 do Decreto n° 70.235 de 1972 (PAF).  Consoante relatório da decisão recorrida, trata­se de Autos de Infração de fls. 86/105, relativos  ao  Imposto  de Renda  da  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ, Contribuição  para  o Programa de  Integração  Social  ­  PIS,  Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­Cofins,  e  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  ­  CSLL,  lavrados  em  06/12/2007,  na  modalidade  do  Lucro  Presumido, e cientificados à  interessa em 10/12/2007, constituindo o crédito  tributário  total de  R$ 987.656,54, já incluídos multa de ofício e juros de mora, estes calculados até 30/11/2007.  A infração apurada está discriminada no Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal,  do auto de infração de IRPJ, às fls. 91, no seguinte teor:      001 ­ OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE ­ A PARTIR DO AC 93  Omissão  de  receitas  da  atividade,  conforme Termo  de Verificação  Fiscal  anexo  que  faz  parte  integrante do presente Auto de Infração.  Fato Gerador  Valor Tributável ou Imposto  Multa (%)  31/12/2002  R$ 3.132.881,17  75,00  Enquadramento Legal: Art. 528 do RIR/99.  No Termo de Verificação Fiscal de fls. 86/87, parte integrante do auto de infração, a autoridade  fiscal deixou consignado o que segue:  O  contrato  firmado  pela  empresa  em  epígrafe  com  a  TV Globo  Ltda.,  válido  para  o  ano  de  2.002, estabelece, em seu 5° item:  "Constituirá  a  remuneração  da  SPORT  PROMOTION  por  todos  os  serviços  previstos  neste  contrato  (i)  as  comissões  que  vier  a  obter  das  empresas  de  transporte,  inclusive  companhias  aéreas, pela compra de passagens e (ii) o saldo remanescente do valor do adiantamento previsto  na Cláusula  3.1,  depois  de  encerrada  cada  temporada  da Copa  do Brasil  e  efetuadas  todas  as  despesas a ela relativas."  Considerando que a Copa do Brasil de 2.002 foi encerrada em meados de maio do mesmo ano,  houve  tempo  suficiente  para  que  fossem  saldados  ­  no  próprio  ano­base  de  2.002  ­  todas  as  obrigações a ela referentes, reconhecendo­se o saldo restante como receita do contribuinte. No  máximo,  entender­se­ia  a  quitação  das  obrigações  ao  longo  do  exercício  seguinte,  do  ano  de  2.003.  Por  outro  lado,  os  saldos  das  contas  do  Passivo  Circulante  não  puderam  ser  adequadamente  justificados  pelo  contribuinte.  Em  um  dos  casos,  o  da  conta  do  Livro  Razão  de  código  2.1.1.01.003  ­  CP  J.  Havelange  ­  SBTR,  o  saldo  final  do  ano  de  2.002,  no  valor  de  R$  1.481.661,17, continua em aberto até a presente data e sem previsão para pagamento.  Fl. 760DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/2007­17  Acórdão n.º 1401­001.212  S1­C4T1  Fl. 547          4 Em  relação  à  conta  do  Livro  Razão  de  código  2.1.1.01.001  ­  Contas  a  Pagar  Diversas,  o  contribuinte  logrou  comprovar  o  pagamento,  no  início  de  2.003,  do  valor  de R$  7.014,90. O  saldo final apresenta o valor de R$ 245.507,62.  Com  respeito  à  conta  do  Livro  Razão  de  código  2.1.1.02.005  ­  One  Travei  ­  Cp.  Brasil,  o  contribuinte  não  conseguiu  demonstrar  cabalmente  que  pagamentos  efetuados  em  exercícios  posteriores  foram  efetivamente  referentes  a  parcelas  do  saldo  final  de  2.002,  no  valor  de  R$  1.412.727,28.  Em apoio a nossa presunção de considerar como Omissão de Receitas os saldos finais de 2.002  das mencionadas contas do Passivo, de acordo com o Art. 281, inciso III do RIR/99 (decreto n°  3.000,  de  29/03/1999),  citamos  Acórdão  105­13.263,  de  16/08/2000,  da  5a  Câmara  do  1°  Conselho de Contribuintes:  "A  ausência  de  comprovação  integral  dos  saldos  das  contas  representativas  de  obrigações  existentes na data de encerramento de período­base da pessoa jurídica, autoriza a presunção de  omissão de receitas, no montante não comprovado. Tratando­se de previsão legal, somente pode  ser infirmada pelo sujeito passivo, mediante a prova da improcedência da presunção."  Assim  sendo,  lavramos  Auto  de  Infração  ­  IRPJ,  graças  à  omissão  de  receitas  acima  caracterizada, com seus reflexos de CSLL, COFINS e PIS.  Consta, ainda, dos autos, o Termo de Constatação Fiscal de fls. 11, de seguinte teor:  No  exercício  das  funções  de Auditor­fiscal  da Receita  Federal,  em  continuidade  à  ação  fiscal  iniciada em 08 de março de 2006 pelo AFRF MILTON DE SOUZA PINTO, de acordo com o  disposto  nos  art.  904,  905,  910,  911  e  927  do  Decreto  n°  3.000  de  26  de  março  de  1999  (RIR/99), e com base em extratos bancários apresentados e de responsabilidade do contribuinte  acima qualificado, CONSTATAMOS diferenças entre o montante de depósitos e/ou créditos e a  receita bruta oferecida a tributação (DIPJ ­ex. 2003), identificados no Banco Unibanco­Ag. 095­  Conta n° 100746­7, acrescidos de  investimentos no Banco Bradesco Ag. 2865­7­C/C 30­2, no  período  de  2002,  conforme  detalhamento  no  "demonstrativo  de  Créditos  em  C/C  e/ou  Aplicações Financeiras", que integra o presente Termo.  Neste  ato,  INTIMAMOS  o  contribuinte  a  prestar  esclarecimentos  por  escrito  e  comprovar  mediante  documentos  hábeis  e  idôneos  no  PRAZO  DE  20  (VINTE)  DIAS,  a  origem  dos  recursos utilizados nas operações de créditos relacionadas.  As  comprovações  deverão  ser  efetuadas  individualmente,  ou  seja,  cada  crédito/depósito  e/ou  investimento deverá ter sua origem justificada e comprovada de forma única.  A não comprovação no prazo estabelecido poderá resultar em lançamento de ofício, a título de  "omissão de receitas", nos termos do artigo 849 do Decreto n° 3000/99 (RIR/99), sem prejuízo  de outras sanções legais cabíveis.      Inconformada, a contribuinte, por  intermédio de seu Sócio Administrador o Sr. José Francisco  Coelho  Leal  apresenta,  em  09/01/2008,  impugnação  de  fls.  108/125,  acompanhada  dos  documentos de fls. 126/344, com os fundamentos de fato e de direito a seguir expostos.  ­  De  início,  resume  os  fatos,  acrescentando,  já  de  saída,  não  haver  base  legal,  ou  mesmo  comercial,  para  a  afirmação  da  fiscalização  de  que  as  obrigações  deveriam  estar  quitadas,  no  máximo, no ano­calendário de 2003.  ­  A  seguir,  argumenta  que  a  autoridade  fiscal  não  detalhou  quais  os  livros  e  documentos  examinados. Considera, também, muito genérica a própria solicitação de documentos.  Fl. 761DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/2007­17  Acórdão n.º 1401­001.212  S1­C4T1  Fl. 548          5 ­  Ressalta,  preliminarmente,  que  não  há  notícia  nos  autos  de  que  tenha  ocorrido  qualquer  embaraço  à  fiscalização,  no  tocante  à  apresentação  de  livros  e  documentos,  bem como que  a  autoridade fiscal teria descaracterizado, ainda que parcialmente, a contabilidade da interessada.  ­  Nesse contexto, diz que, contrariamente ao que afirmou a fiscalização, os  lançamentos contábeis constantes  dos livros razões, derivados dos livros diários, apontam seqüencialmente, todas as movimentações ocorridas  nas contas contábeis até o encerramento.  ­  Passa  a  contrapor  os  tópicos  enumerados  pela  fiscalização.  Sendo  assim,  no  primeiro  deles,  quanto  ao  encerramento da Copa do Brasil em meados de maio de 2002, assevera que:  "o fato de a competição esportiva haver encerrado as suas partidas no exercício não significa que as despesas a  ela inerentes obrigatoriamente se encerram no mesmo período. Não é incomum a ocorrência de remanejamento  de rotas, vôos e datas em  relação aquelas inicialmente previstas no calendário esportivo ................... , assim provocam  alterações de  todo o cronograma  inclusive no que diz  respeito a questões de natureza  financeira, daí havendo  necessidade de renegociação de valores junto às diversas companhias aéreas prestadoras de serviços ...  ­  Aduz que a fiscalização nem sequer considerou as inúmeras correspondências mantidas com  as  contratadas  a  fim  de  que  se  levassem  a  termo  os  encontros  de  contas  correntes.  A  corroborar sua afirmação diz estar juntando algumas cópias das citadas correspondências.  ­  No tópico seguinte, acerca da conta do livro razão de código 2.1.1.01.003 ­ CP J Havelange,  elabora a planilha a seguir reproduzida, dizendo, ainda, estar juntando cópia de documentos  que  consolidam  os  lançamentos  ali  constantes,  afirmando,  mais  uma  vez,  que  o  fiscal  autuante limitou­se ao livro razão de 2002.  ­    Data      Histórico  Débito  Crédito  Saldo  Razão/fls.  01/01/2004 Saldo de abertura      RS 600.012.73  ../..  Data  Histórico  Débito  Crédito  Saldo  Razão/fls.  01/01/2002  Saldo de abertura  R$  1.998.535,17  2002/n.l3­fls. 49  01/08/20 02  CH 111746 SBTR  R$ (119.624,00)  R$  R$  1.878.911,1 7  2002/n.l3­fls.  49  21/08/20 02  CH 111581 SBTR PARTE  FATURA 82/00  R$ (250.000,00)  R$  R$  1.628.911,1 7  2002/n.l3­fls.  49  11/09/20 02  CH 000973 SBTR PAGTO  PARTE FTS JOÃO HAVELANGE  R$ (100.000,00)  R$  R$  1.528.911,1 7  2002/n.l3­fls.  49  17/09/20 02  CH 111622 SBTR FT  R$ (47.250,00)  R$  R$  1.481.661,1 7  2002/n.l3­fls.  49  31/12/2002  Saldo final  R$  1.481.661,17  2002/n.l3­fls. 49    Data  Histórico  Débito  Crédito  Saldo  Razão/fls.  01/01/2003  Saldo de abertura  R$  1.481.661,17  2003/n.l4/fls. 41  23/01/20 PARTE PAGTO FATURAS JOÃO  R$ (50.000,00)  R$  R$  2003/n.l4/fls.  SPORT PROMOTION ­ conta contÁbil n° 2.1.1.01.003 ­ Fl. 762DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/2007­17  Acórdão n.º 1401­001.212  S1­C4T1  Fl. 549          6 31/12/2004 Saldo final      RS 600.012.73  ../..    Data      Histórico  1   Débito  Crédito  Saldo  Razão/fls.  01/01/2005 Saldo de abertura      RS 600.012.73    31/12/2005 I Saldo final                    j RS 600.012.73 j   ../..    Data  Histórico        Débito   Crédito  Saldo  Razão/fls.  01/01/2006  Saldo de abertura  RS 600.012.73  2006/n.l7/fls. 77  11/05/20 06  CH 114325 PARTE  PAGAMENTO FATURAS JOÃO  HAVELANGE  RS (73.290,00)  RS  RS  526.722,73  2006/n.l7/fls.  77  14/Q6/20 06  CH 114399 PARTE  PAGAMENTO  FATURAS JOÃO HAVELANGE  RS (102.217,95)  RS  RS  424.504,78  2006/n.l7/fls.  77  21/08/20 06  PARTE PAGAMENTO FATURAS  JOÃO HAVELANGE  RS (18.650,36)  RS  RS  405.854,42  2006/n.l7/fls.  77  11/09/20 06  CH 114547 PARTE  PAGAMENTO  FATURAS JOÃO HAVELANGE  RS (19.987,66)  RS  RS  385.866,76  2006/n.l7/fls.  77  30/10/20 06  PARTE PAGAMENTO FATURAS  JOÃO HAVELANGE  RS (16.776,54)  RS  RS  369.090,22  2006/n.l7/fls.  77  Q1/11/20 06  PARTE PAGAMENTO FATURAS  JOÃO HAVELANGE  RS (9.160,00)  RS  RS  359.930,22  2006/n.l7/fls.  77  Q6/11/20 06  PARTE PAGAMENTO FATURAS  JOÃO HAVELANGE  RS (9.486,00)  RS  RS  350.444,22  2006/n.l7/fls.  77  Q6/11/20 06  Ch 114604 PARTE  PAGAMENTO  FATURAS JOÃO HAVELANGE  RS (7.834,54)  RS  RS  342.609,68  2006/n.l7/fls.  77  Q1/12/20 06  PARTE PAGAMENTO FATURAS  JOÃO HAVELANGE  RS (9.486,00)  RS  RS  333.123,68  2006/n.l7/fls.  78  Q1/12/20 06  PARTE PAGAMENTO FATURAS  JOÃO HAVELANGE  RS (9.160,00)  RS  RS  323.963,68  2006/n.l7/fls.  78  11/12/20 06  CH 114774 PARTE  PAGAMENTO  FATURAS JOÃO HAVELANGE  RS (5.559,32)  RS  RS  318.404,36  2006/n.l7/fls.  78  20/12/20 06  CH 114679 PARTE  PAGAMENTO  FATURAS JOÃO HAVELANGE  RS (8.400,00)  RS  RS  310.004,36  2006/n.l7/fls.  78  20/12/20 06  CH 114682 PARTE  PAGAMENTO  FATURAS JOÃO HAVELANGE  RS (73.000,00)  RS  RS  237.004,36  2006/n.l7/fls.  78  20/12/20 06  CH 114683 PARTE  PAGAMENTO  FATURAS JOÃO HAVELANGE  RS (5.840,00)  RS  RS  231.164,36  2006/n.l7/fls.  78  20/12/20 06  PARTE PAGAMENTO FATURAS  JOÃO HAVELANGE  RS (144.964,36)  RS  RS  86.200,00  2006/n.l7/fls.  78  20/12/20 06  PARTE PAGAMENTO FATURAS  JOÃO HAVELANGE  RS (86.200,00)  RS  RS 0,00  2006/n.l7/fls.  78  31/12/2006  Saldo final  RS 0.00  2006/n.l7/fls. 78    Fl. 763DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/2007­17  Acórdão n.º 1401­001.212  S1­C4T1  Fl. 550          7 ­  Prosseguindo,  quanto  à  Conta  do  livro  razão  de  código  2.1.1.01.001  ­  Contas  a  Pagar  Diversas, prepara o quadro seguinte, demonstrativo da evolução da conta, ressaltando que junta  documentos que consolidam os lançamentos:  (....) TABELAS(....)  ­  Quanto  ao  direito,  reproduz  o  artigo  281,  inciso  III,  do  RIR/99  para  argumentar  que  o  agente  fiscalizador,  ansioso, não estendeu a verificação na documentação contábil aos exercícios seguintes. Mais a frente, argumenta  não  ser  prudente  a  um Auditor  Fiscal  valer­se  de  simples  presunções,  a  confirmar  a  ocorrência  da  omissão  de  receita. Nesse contexto, reafirma que não ocorreu a citada omissão de receita fundada em obrigações já pagas ou  cuja exigibilidade não pudesse ser comprovada. E acrescenta:  O  que  efetivamente  se  deu,  foram  problemas  de  ordem  comercial  que  levaram  a  impugnante  a  quitar  seus  compromissos  em  exercícios  futuros,  não  havendo  nenhum  indício  de  omissão  ou  ocultação  de  receita,  que  pudesse ensejar o presente Auto de Infração.  Ao final, pugna pela improcedência do auto de infração.  A decisão recorrida está assim ementada:  IRPJ.  AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO  DOS  SALDOS  DAS  CONTAS  REPRESENTATIVAS DE OBRIGAÇÕES. OMISSÃO DE RECEITA. A não­comprovação  integral  dos  saldos  das  contas  representativas  de  obrigações  existentes  na  data  de  encerramento de período­base da pessoa jurídica, mediante provas documentais da alegação  de que os pagamentos teriam ocorrido em momentos futuros em relação a data de apuração  dos  saldos  questionados,  autoriza  a  presunção  de  omissão  de  receitas,  no  montante  não  comprovado.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA.  LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL.  PIS.COFINS. A  decisão  proferida  no  lançamento  principal  de  IRPJ  é  aplicável  aos  lançamentos  reflexos,  dada a estreita relação de causa e efeito que os vincula  Impugnação Improcedente    Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário,  no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória  e, ao final, requer o provimento nos seguintes termos (verbis):  Desta  forma  e  por  lodo  o  exposto  a  RECORRENTE  requer  pela  TOTAL  IMPROCEDÊNCIA  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO,  assim  como  de  seus  cansectánios  legais,  posto que inexistem elementos que consubstanciem a "presunção de omissão de receita", como  ficou amplamente provado por se tratar de medida revestida da mais ampla JUSTIÇA.    Protesta também pela a juntada da copia das páginas relacionadas nosquadros  demonstrativos referentes aos livros razão do período compreendido pelos exercícios de 2002 a  2006, caso necessário, uma vez que pela leitura do Acórdão o mesmo dá entender que apenas  teria sido aventada a juntada de documentos, o que não condiz com a realidade uma fez que de  fato foram juntados e a Requerente mantém copia dos mesmos na integralidade da Impugnação  que  restou  improvido,  bem  como,  ainda  de  demais  documentos  que  comprovam  as  suas  assertivas que eventualmente se façam necessárias.  O processo foi baixado em diligência por esta Turma.  A referida diligência resultou no relatório de fls. 729/736.  Fl. 764DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/2007­17  Acórdão n.º 1401­001.212  S1­C4T1  Fl. 551          8 Intimada  do  resultado  de  diligência  a  Recorrente  ratifica  o  resultado  de  diligência de fls. 743/753., sem fazer qualquer  referência às considerações contrárias opostas  pelo Fiscal.  É o relatório.    Voto               Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator.  O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento.  Conforme  relatado,  a  exigência  decorre  de  apuração  de  omissão  de  receita  por falta de comprovação dos seguintes saldos das contas de Passivo Circulante registrados no  Livro Razão ao final do ano­calendário de 2002:  ­  2.1.1.01.003 ­ CP J. Havelange ­ SBTR, com saldo final do ano de 2.002,  no valor de R$ 1.481.661,17, que  a  fiscalização constatou continuar em aberto  até  a data da  autuação e sem previsão para pagamento;  ­  2.1.1.01.001  ­  Contas  a  Pagar  Diversas,  com  saldo  final  de  R$  245.507,62, do qual o contribuinte logrou comprovar o pagamento, no início de 2.003, do valor  de R$ 7.014,90, e  ­  2.1.1.02.005 ­ One Travel ­ Cp. Brasil, com saldo final de 2.002, no valor  de  R$  1.412.727,28,  sendo  que  o  contribuinte  não  conseguiu  demonstrar  cabalmente  que  pagamentos  efetuados  em  exercícios  posteriores  foram  efetivamente  referentes  a  parcelas  de  tais saldos.  O  valor  tributável  de R$  3.132.881,17,  a  título  de  receita  omitida,  sobre  o  qual foram lançados os valores de IRPJ, CSLL (apurados pelo lucro presumido), contribuição  ao  PIS  e  Cofins,  decorre  da  soma  dos  três  saldos  acima  indicados  (R$  1.481.661,17  +  R$  245.507,62 + R$ 1.412.727,28), diminuído do valor comprovado de R$ 7.014,90.  A Fiscalização asseverou em seu Termo de Verificação que, de acordo com  Contrato  firmado  entre  a  TV  Globo  Ltda.  e  a  contribuinte,  esta  teria  por  remuneração  por  serviços  prestados:  (i)  as  comissões  que  vier  a  obter  das  empresas  de  transporte,  inclusive  companhias  aéreas,  pela  compra  de  passagens  e  (ii)  o  saldo  remanescente  do  valor  do  adiantamento previsto na Cláusula 3.1, depois de encerrada cada temporada da Copa do Brasil  e efetuadas todas as despesas a ela relativas"" (grifei)  No recurso voluntário, aduz a contribuinte que: "(...)  Segundo sustentou o Sr. Auditor Fiscal, como a Copa do Brasil foi encerrada  em  meados  de  maio  do  ano  de  2002,  "houve  tempo  suficiente  para  que  fossem  saldados  ­no  próprio  ano  base  de  2002  ­  todas  as  obrigações  a  ela  referentes,  reconhecendo­se o saldo restante como receita do contribuinte."  Fl. 765DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/2007­17  Acórdão n.º 1401­001.212  S1­C4T1  Fl. 552          9 Nesse ponto, de plano há que se ressaltar que o entendimento do mesmo não,  está correto, isso justifica se pelo simples fato de que o encerramento dos jogos que  compõem a referida competição esportiva, não encerra 'per si' as relações comerciais  que  envolvem  o  certame,  posto  que  existem  obrigações  de  curto,  médio  e  longo  prazo negociadas com terceiros, por vezes à débito e por vezes à crédito.  Daí  asseverar  que  "houve  tempo  suficiente  para  que  fossem  saldadas  ­  no  próprio ano base 2002..." é interferir diretamente nas tratativas entre contratantes e  contratados, tomador e fornecedor, extinguindo por interpretação e decisão unilateral  do  agente  fiscal,  relações comerciais pré­existentes. Há visivelmente um abuso de  autoridade  da  fiscalização,  eis  que  lhes  foram  disponibilizados  elementos  que  corroboram  tal  assertiva  (correspondências  de  várias  operadoras  de  turismo  informado  que  com  atraso  estavam  conseguindo  aos  poucos  informações  ante  as  companhias aéreas com o fito de promover o "encontro de contas"), entretanto, tais  documentos simplesmente foram ignorados ,em nenhuma justificativa plausível, ora  se aos olhos da fiscalização restasse dúvida quanto ao teor, veracidade e etc. bastava  que o agente fiscal, que tem poder para tanto, diligenciasse junto àquelas empresas a  fim de circularizar a informação de forma a espancar qualquer dúvida que sobejasse,  nunca,  simplesmente  ignorá­las,  se  houvesse  sido  diligente  teria  observado,  por  exemplo, que a correspondência que lhe foi à época disponibilizado, também juntada  à  impugnação  de  lavra  da  SBTR  Passagens  e  Turismo  Ltda.  dava  conta  em  17/11/2003  que  ainda  não  dispunham  dos  elementos  necessários  ao  "encontro  de  contas", vejamos:  "Em  atenção  a  última  correspondência  enviada  por  vossa  empresa,  temos  a  obrigação  de  informar  que  as  Cias.  Aéreas  alegam  atraso  nà*apresentação  dos  números,  em  razão  do  volume  de  viagens  realizadas,  bem  como,  pela  contínua  mudança e roteiros e/ou datas discordantes do planejamento inicial, o que ocasionou  remanejamento  de  vôos  para  que  pudessem atendimentos  do  calendário  esportivo.  Estamos  cientes  das  suas  necessidades,  o  que  também  vão  de  encontro  com  as  nossas, posto que somente com o  fechamento completo das operações, poderemos  finalmente receber o que nos é devido.  Desta  forma  solicitamos  o  imediato  pagamento  dos  valores  incontroversos."  (sic) (grifamos e negritamos)  Com essa rejeição a fiscalização que obrigar à Requerente a considerar como  receita  valores  pertencentes  a  terceiros,  que  oportunamente  foram  liquidados  à  medida  que  as  contas  foram  sendo  prestadas  ­'forme  disposto  nos  livros  diário  e  razão,  reprise­se,  escrituração  e  documentação  de  suporte,  que  restaram  não  desqualificadas  técnica  e  pontualmente,  portanto,  válidas  para  os  fins  a  que  se  destinam.  Há que  se  ressaltar  que  acorde  o  quanto  consta  do Acórdão  05­28.572  ­  de  lavra  da  4a.  Turma  da  DRJ/CPS,  também  a  turma  julgadora  passa  ao  largo  na  questão  se  quer,  tece,  comentários  acerca  das  referida  correspondências,  limita­se  tão somente nas exposições de fatos a mencionar a sua noticia (fls. 355):  "­  Aduz  que  a  fiscalização  nem  sequer  considerou  as  inúmeras  correspondências mantidas com as contratadas a fim de que se levassem a termo os  encontros  de  contas  correntes.  A  corroborar  sua  afirmação  diz  estar  juntando  algumas cópias das citadas correspondências."  (... )  Fl. 766DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/2007­17  Acórdão n.º 1401­001.212  S1­C4T1  Fl. 553          10 Notem,  Senhores  Julgadores,  não  houve  por  parte  da  fiscalização  nenhuma  circularização, não houve pela fiscalização a promoção de qualquer diligência, o que  houve,  sim,  foi  um  excesso  no  uso  de  suas  funções  promovendo  ato  arbitrário  e  presunção desprovidos dos elementos necessários que  lhe assegurasse a adoção de  tais medidas, o que acaba por afrontar os dispositivos constantes do Art. 2°., da Lei  9.784/99 , em especial dos incisos IV, VI, VIII, IX e XIII o que resulta na imposição  de ônus desprovido de materialidade fática ao contribuinte.  (... )  Ora  Senhores  Julgadores,  se  houvessem  sido  motivos  de  leitura  e  análise  acurada,  não  estaríamos  a  perder  tempo  com  o  desfazimento  de  elucubrações  fantasmagóricas, bastaria apenas observar que os próprios credores informaram que  estariam  promovendo  diligencias  com  terceiros  (Companhias  Aéreas)  a  fim  de  encerrar as contas, e que, entretanto, estas não lhes davam uma data certa, indo mais,  ainda,  os  credores  dos  saldos  em  conta  corrente  manifestaram  o  seu  interesse  e  necessidade  em  receber  os  seus  haveres,  rogando  pela  liberação  dos  valores  entendidos pela Requerente como incontroversos.  (...)"  Mais  adiante,  ainda  no  recurso  voluntário,  a  recorrente  questiona:  "O QUE  MAIS  A  REQUERENTE  NECESSITARIA  FAZER  PARA  PROVAR  A  LICITUDE DE SUA CONDUTA? Prestou contas às partes com os documentos que  as  embasaram,  disponibilizaram  à  fiscalização  os  contratos,  livros  fiscais  e  contábeis,  cópia  de  cheque,  extratos  de  conta  corrente.  ...  HÁ  DOCUMENTO  INIDÔNEO?  QUAIS?  POR  QUE  RAZÃO  ASSIM  FOI  CONSIDERADO?"  (destaques do original).  Ao final, a recorrente conclui: "Protesta  também pela a juntada da cópia das  páginas  relacionadas  nos  quadros  demonstrativos  referentes  aos  livros  razão  do  período compreendido pelos  exercícios  de 2002  a 2006,  caso  necessário,  uma vez  que pela leitura do Acórdão o mesmo dá entender que apenas teria sido aventada a  juntada de documentos, o que não condiz com a realidade uma fez que de fato foram  juntados e a Requerente mantém cópia dos mesmos na integralidade da Impugnação  que restou improvida, bem como, ainda de demais documentos que comprovam as  suas assertivas que eventualmente se façam necessários.  Pela  análise  dos  autos  formei  convencimento  de  que  se  fazia  necessário  na  ocasião  converter  o  julgamento  em  diligência  para  verificar  a  veracidade  das  alegações  da  recorrente, mediante  análise documental  dos pagamentos  contabilizados  em 2003 a 2006, os  quais afirma a contribuinte estariam à disposição do Fisco. Isso porque a autuação se deu por  presunção legal de que tais valores não chegaram a ser pagos, daí se tratarem na realidade de  receitas da empresa, conforme previsto em contrato.  E assim foi feito. A referida diligência resultou no relatório de fls. 729/736.  O fiscal resume os principais pontos relevantes da contenda  1.  Concluiu­se que a empresa Sport Promotion recebeu adiantamentos da TV Globo em 2002, para prestação  futura dos serviços de promoção e organização de campeonatos esportivos;  2.  Que  esses  adiantamentos  eram  para  pagamentos  aos  fornecedores  e  que  a  remuneração  da  Sport  Promotion se daria de duas formas: como parcela dos valores pagos; e pelo saldo remanescente ao final  do período;  Fl. 767DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/2007­17  Acórdão n.º 1401­001.212  S1­C4T1  Fl. 554          11 3.  Que, portanto, dado que a receita da empresa dependia desses pagamentos aos fornecedores, o passivo  relativo a esses deveria ser baixado em 2002, no máximo 2003, o que não ocorreu;  4.  Que  a  empresa  não  justificou  adequadamente  o  saldo  das  contas  do  passivo  em  aberto  ao  final  do  período;  5.  Daí presumir­se como receitas omitidas esses passivos não baixados e não justificados.    O fiscal circulariza as empresas que estão dentro do escopo dessa autuação:  CNPJ  RAZÃO SOCIAL  33.252.156/0001­19  TV Globo LTDA  00.811.990/0001­48  Globosat Programadora LTDA  40.413.148/0001­72  SBTR Passagens e Turismo Ltda  02.633.346/0001­52  Pallas Operadora turística LTDA  30.482.103/0001­04  ONE TRAVEL TURISMO LTDA  No dia 11 de abril foram abertos os MPF solicitados, e no dia 15 do mesmo  mês  todos  os  cincos  diligenciados  foram  intimados  a  apresentar  documentação  relativa  aos  contratos comerciais mantidos com a Sport Promotion, sendo:  •  Para  os  veículos  de  comunicação  (TV  Globo  e  Globosat),  foram  solicitados os contratos e respectivas prestações de contas;  •  Para  os  demais,  foram  solicitados  os  documentos  comprobatórios  dos  pagamentos efetuados pela Sport Promotion.  Em  27  de  maio  foi  apresentada  pelo  sujeito  passivo,  por  meio  do  seu  representante legal, parte dos documentos solicitados, sendo eles:  •  Arquivos digitais da contabilidade, de 2002 a 2006, bem como os livros  contábeis impressos de 2002 a 2004;  •  Contrato de prestação de serviços da Copa do Brasil de 2002 com a TV  Globo, posteriormente compartilhado com a Globosat Programadora;  •  Contrato de prestação de serviços da Copa João Havelange, de 2000.  Embora  tenha  sido  solicitada  a  prestação  de  contas  prevista  nos  contratos,  não houve apresentação desse importante documento à fiscalização  As empresas Pallas e a One Travel, a despeito do pedido de prorrogação de  prazo,  e  apesar  de  reintimadas  em  4  de  junho  (Aviso  de  Recebimento  de  7  de  junho),  não  apresentaram nenhum documento à esta diligência.  A  Diigência  dá  conta  do  que  foi  feito  para  atender  especificamente  a  solicitação  do CARF, mas  que  não  obteve  sucesso.  Eis  as  palavras  do  fiscal,  naquilo  que  é  relevante destacar:  Esta  diligência  buscou  então,  primeiro  junto  ao  sujeito  passivo,  e  posteriormente  junto  aos  demais  envolvidos  na  transação  comercial  em  questão,  levantar  evidências  desses  pagamentos,  seja  pela  escrituração  contábil,  seja  pela  documentação comprobatória que deve acompanha­la.  Fl. 768DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/2007­17  Acórdão n.º 1401­001.212  S1­C4T1  Fl. 555          12 De  maneira  simplificada,  a  Sport  Promotion  recebeu  adiantamentos  das  empresas de comunicação (TV Globo e Globosat) para prestar serviços de promoção  e  organização  dos  campeonatos  esportivos.  Entre  outros  serviços,  subcontratou  empresas do  ramo de  turismo  (One Travel, Pallas e SBTR) para a viabilização do  transporte dos atletas.  Portanto,  dividimos  nosso  trabalho  em  três  frentes,  destinadas  a  coletar  informações que pudessem comprovar as alegações do sujeito passivo:  •  Informações  da  própria  Sport  Promotion,  dentre  as  quais,  as  mais  relevantes deveriam ser a prestação de contas prevista e contrato e os documentos  fiscais de pagamento aos fornecedores dos serviços;  •  Informações das contratantes TV Globo e Globosat que, por um  lado,  pudessem  indicar  a  veracidade  dos  valores  contratados  e  adiantados  ao  sujeito  passivo e, por outro lado, que possibilitassem a apresentação da prestação de contas  recebida da Sport;  •  Informações  dos  fornecedores  de  serviços  de  transporte  (One  travel,  Pallas  e  SBTR),  que  mostrassem  que  efetivamente  receberam  pelos  serviços  prestados à Sport.  Informações dos fornecedores de serviços de transporte  Como dito anteriormente, não pudemos obter nenhuma informação relevante  dessa fonte, pois a empresa SBTR nunca respondeu às intimações, e a One Travel e  a Pallas apenas solicitaram mais tempo para atende­las sem, no entanto, o fazer.  Assim, não pudemos obter  confirmação das operadoras de  turismo  sobre os  pagamentos da Sport Promotion a essas empresas.    Informações dos contratantes do sujeito passivo: TV Globo e Globosat  A  TV Globo,  bem  como  a Globosat,  empresas  do mesmo  grupo,  enviaram  documentos  confirmando  a  existência  dos  contratos  apresentados  pela  Sport  Promotion,  igualmente  sem  a  apresentação  da  prestação  de  contas  desta  última.  Esses  documentos  foram  enviados  por  seu  representante  legal,  o  sr.  José Américo  Pereira dos Santos Buentes, OAB/RJ 35.786/06.  (...)  Para comprovar o adiantamento dos valores, a TV Globo apresentou cópia de  três  (3)  recibos, emitidos pela Sport Promotion, dando quitação dos exatos valores  apresentados  na  planilha  acima  (R$  1.200.000,00  em  28/2/2002;  R$  1.000.000,00  em 20/3/2002  e R$ 20.000,00  em 22/4/2002). A diferença  foi  justificada  com um  contrato de cessão de direitos entre Globo e Globosat.  Em  uma  segunda  alteração  contratual  em  fevereiro  de  2003,  a Globosat  foi  incluída  no  contrato  de  prestação  também para  o  ano  seguinte,  2003,  rateando  os  custos  adiantados  pela  TV Globo  na  mesma  proporção  anterior  (60% TVG,  40%  GSAT), totalizando R$ 4.163.610,00, conforme segue:  Para o  ano de 2003,  a Globo apresentou planilha desses valores, bem como  recibos  da  Sport  Promotion  confirmando  os  adiantamentos  (os  mesmos  R$  626.502,50 em 28 de fevereiro, 20 de março, 20 de abril e 20 de maio de 2003).  Fl. 769DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/2007­17  Acórdão n.º 1401­001.212  S1­C4T1  Fl. 556          13 Já  em 2004,  apresentou demonstrativo de  adiantamentos em quatro parcelas  iguais,  no  valor  total  de  R$  4.550.825,72,  com  recibos  comprobatórios  de  valor  R$1.137.706,43 em 16 de fevereiro, 20 de março, 20 de abril e 20 de maio de 2004.  Esses foram os valores adiantados pela TV Globo à Sport Promotion ao longo  de 3 anos (20022004), atingindo, assim, o montante de R$ 9.276.835,72.  A  Globosat  em  seu  turno,  enviou  a  esta  diligência  comprovantes  de  adiantamentos à mesma Sport Promotion, no montante de R$ 3.137.600,00 por dois  anos  de  contrato  (2002­2003),  igualmente  como  previam  os  contratos  e  aditivos,  além de cessões de crédito entre as empresas do grupo Globo.  (...)  Como  se  verifica  nos  contratos,  a  Sport  Promotion,  como  empresa  de  "marketing  esportivo  com  larga  experiência  na  organização  e  promoção  de  competições  esportivas"  deveria,  de  posse  dos  valores  adiantados,  providenciar  todos os serviços contratados ­ passagens aéreas e terrestres, entre outros.  As  empresas  de  comunicação  não  apresentaram,  em  auxílio  à  Sport  Promotion,  a  prestação  de  contas  desta  (item 4  do  contrato de  2002),  que poderia  evidenciar o repasse desses valores adiantados pelas duas empresas de comunicação  aos fornecedores dos serviços.  Informações da própria Sport Promotion  Por  fim,  intimamos  igualmente  o  próprio  sujeito  passivo  para  que  apresentasse  as  evidências  dos  pagamentos  realizados  com  os  recursos  adiantados  pelas contratantes, ainda que em períodos posteriores a 2002.  A  empresa  não  apresentou  nenhum  documento  que  ainda  não  constava  do  processo,  que  pudesse  demonstrar  a  ocorrência  dos  pagamentos  a  fornecedores.  Porém,  apresentou  cópias  de  notas  fiscais  (que  já  estavam,  em  sua  maioria,  escrituradas,  conforme  folhas  70  e  71  do  Razão  13,  folha  59  do  Razão  14  e  folhas  79­80  do  Razão  15)  tendo  como  emitente  a  Sport  Promotion  e  como  sacadas a TV Globo e a Globosat.  Com isso, quis demonstrar que, embora de forma heterodoxa (pois a operação  entre  Sport  e  Globo  foi  de  adiantamento  e  prestação  de  contas  e  a  operação  comercial a  ser comprovada era entre a Sport e as operadoras de  turismo  ­ Pallas,  One  Travel  e  SBTR),  houve  o  registro  e  recolhimento  dos  tributos  sobre  os  valores recebidos em adiantamento, como se receitas fossem.  O que  teria  ocorrido,  então,  segundo essa  nova  versão  do  sujeito passivo,  é  que  à medida  que  os  serviços  foram  sendo  prestados,  a  Sport  Promotion  foi  emitindo  documentos  fiscais  para  Globo  e  Globosat,  concomitantemente  ao  recolhimento de tributos sobre esses valores. (destaquei)  O  fiscal  em  favor  dessa  versão  colhe  os  seguintes  elementos  que  a  corroboram:  Em  favor  dessa  versão,  verifica­se  na  ficha  43  da  DIPJ  2003  da  Sport  Promotion  (ano­calendário  2002)  que  foram  declaradas  naquele  ano  receitas  compatíveis com os valores recebidos como adiantamentos, e não apenas a diferença  entre o recebido e o repassado aos fornecedores, que seria propriamente a receita da  empresa.  Fl. 770DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/2007­17  Acórdão n.º 1401­001.212  S1­C4T1  Fl. 557          14 Nessa DIPJ foi declarada receita bruta de R$ 7.042.318,80 (ficha 14A), sendo  R$ 6.548.498,00 provenientes dos adiantamentos da TV Globo (R$ 3.879.098,80) e  Globosat (R$2.669.399,20), mas declarados como receita pelo sujeito passivo, como  se vê abaixo:    Ficha 43 ­ Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte/DIPJ 2002  Ano Calendario 2002 ND 0980359 CNPJ 59.049.627/0001­80  01. CNPJ da Fonte Pagadora: 00.811.990/0001­48   Nome: GLOBOSAT PROGRAMADORA LTDA  Código da Receita: 1708 ­ Remuneração de serviços  profissionais  prestados por pessoa jurídica   Rendimento Bruto 2.663,399,20'  Imposto de Renda Retido na Fonte  40.040,98  02.. CNPJ da Fonte Pagadora: 33.2 52.156/0001­19   Nome: TV GLOBO LTDA  Código da Receita: 1708 ­ Remuneração de serviços  profissionais  prestados por pessoa jurídica  Rendimento Bruto 3.879.098,80  Imposto de Renda Retido na Fonte  58.186,48  Na planilha abaixo, construída a partir da DIPJ, pode­se visualizar o total de débitos  do contribuinte em 2002, incluindo o IRPJ e a CSLL trimestrais, e PIS e COFINS  mensais:  TABELA por produto, totalizando no final RS 940.675,69 de tributos pagos no ano­calendário  de 2002  (...)  Em  consulta  às  informações  das DCTFs  entregues  em  2002,  constatou­se  a  presença  dos  débitos  confessados  trimestralmente  pelo  contribuinte,  conforme  planilha acima, em valores praticamente idênticos aos declarados em DIPJ.  Foi  possível  verificar  também,  em  consulta  por  amostragem  aos  sistemas  internos  da  Receita  Federal,  que  os  pagamentos  dos  tributos  confessados  acima  foram efetivados em 2002 e 2003.  Portanto,  valores  adiantados  por TV Globo  e Globosat  em  2002  foram  declarados  pela  Sport  Promotion  como  receita  bruta,  sendo  oferecida  à  tributação  tanto  ao  declarar  em  DIPJ,  quanto  ao  confessar  as  dívidas  em  DCTF.  Fl. 771DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/2007­17  Acórdão n.º 1401­001.212  S1­C4T1  Fl. 558          15 Porém, faz a seguinte ressalva:  Importante registrar que não foi possível confirmar se todos valores em aberto  na contabilidade, considerados como passivo fictício pela autoridade autuadora, são  originários dos adiantamentos recebidos.  Isso porque há valores iniciais nas contas  de passivo provenientes de contratos passados, cuja DIPJ não está mais disponível  para o confronto desses valores, assim como se fez para 2002.  Um exemplo disso é a conta 2.1.1.01.003 CP J Havelange, cujos fatos gerados  se referem à competição esportiva realizada em 2000, e cujo saldo inicial em 2002  era já de R$ 1.998.535,17, conforme contabilidade do sujeito passivo.  Importante  notar  também  que  as  notas  fiscais  ora  apresentadas  não  foram  informadas  à  época  da  fiscalização,  impossibilitando,  portanto,  o  conhecimento  desses fatos pela autoridade autuadora..  Igualmente  relevante,  registre­se,  foi  a  inércia  do  sujeito  passivo,  que  não  apresentou  tais  documentos  em  sua  impugnação  ao  auto  de  infração,  ao  mesmo  tempo  em  que  insistiu  em  tese  diversa  ­a  da  quitação  dos  passivos  em  períodos  posteriores. (...)    Intimada  do  resultado  de  diligência  a  Recorrente  ratifica  as  conclusões  chegadas pelo fiscal, sem fazer qualquer referência às suas considerações contrárias.  Como  se vê,  fato  relevante  foi  trazido  à baila,  que,  independentemente dos  motivos pelos quais isso não tenha vindo à tona antes poder ser explicado, e por esse motivo se  verificar incoerência no discurso de defesa da Recorrente, o importante é que tal fato relevante  torna prejudicada  toda  a  fundamentação do auto de  infração, uma vez  constatado pelo  fiscal  que  todos os valores  recebidos do contrato Globo/Globosat em 2002  foram declarados como  valores  recebidos  e  tributados,  e  não  apenas  a  diferença  entre  o  recebido  e  o  repassado  aos  fornecedores, que seria propriamente a receita da empresa.  Sendo  assim,  mesmo  que  não  tenha  ficado  comprovada  a  destinação  dos  valores, o que importa para o caso concreto é que os valores recebidos foram tributados tanto  na DIPJ 2013, folhas.70 e 71 do Livro Razão nª 13, folhas 59 do Livro Razão nº 14 e folhas 79­ 80 do Livro Razão nº15, não havendo, portanto, que se falar em omissão de receitas.  Outrossim,  a  ressalva  feita  pelo  fiscal  é  também  muito  pertinente  e  impeditivo de se levar a diante essa mesma ilação, ou seja que não foi possível confirmar se os  valores  em  aberto  na  contabilidade,  considerados  como  passivo  fictício  pela  autoridade  lançadora, são originários dos adiantamentos recebidos e assim supostamente tributados.   É que no caso concreto o ônus da prova é da Recorrente, seja por conta dos  contratos  que  prevêem  que  a  não  quitação  dos  passivos  implicam  em  automático  reconhecimento  direta  das  receitas,  seja  pelo  fato  de  se  tratar  de  uma  presunção  legal  de  omissão de receitas, o ônus da prova fica invertido.  E  não  se  venha  a  alegar  que  faltou  oportunidade  de  fazê­lo,  inclusive  a  diligência  foi  feita com esse mesmo propósito,  e o que aconteceu  foi o contribuinte  somente  agora mudar a natureza de sua defesa, o que enfraquece mais ainda a sua defesa nesse ponto  específico.  Fl. 772DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002389/2007­17  Acórdão n.º 1401­001.212  S1­C4T1  Fl. 559          16 Por todo o exposto, DOU provimento parcial ao recurso apenas em relação às  contas do passivo 2.1.1.01.001 ­ Contas a Pagar Diversas, Conta 2.1.1.02.005 — One Travel  — Cp. Brasil.     (assinado digitalmente)  Antonio Bezerra Neto                                Fl. 773DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO

score : 1.0
5561156 #
Numero do processo: 13819.900989/2006-84
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DE REVISÃO DE APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DESCABIMENTO. Para que se possa avaliar se o saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), utilizado pela Recorrente nas compensações, é suficiente para quitar os débitos informados, é indispensável apurar-lhe a origem, ainda que esta remonte a períodos anteriores, já alcançados pela decadência ou prescrição. COMPENSAÇÕES DE ESTIMATIVAS. NÃO EXTERIORIZAÇÃO AO FISCO. NÃO ACATAMENTO. Não tendo sido as alegadas compensações de estimativas, componentes do saldo negativo pleiteado, validamente exteriorizadas ao Fisco - seja por Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), seja por Pedido de Compensação -, não produzem quaisquer efeitos, não podendo, pois, ser acatadas. MULTA DE MORA. JUROS DE MORA. MÁ-FÉ. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, sem prejuízo da concomitante exigência de juros de mora e independentemente da constatação da ocorrência ou não de má-fé por parte do devedor.
Numero da decisão: 1803-002.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201407

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DE REVISÃO DE APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DESCABIMENTO. Para que se possa avaliar se o saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), utilizado pela Recorrente nas compensações, é suficiente para quitar os débitos informados, é indispensável apurar-lhe a origem, ainda que esta remonte a períodos anteriores, já alcançados pela decadência ou prescrição. COMPENSAÇÕES DE ESTIMATIVAS. NÃO EXTERIORIZAÇÃO AO FISCO. NÃO ACATAMENTO. Não tendo sido as alegadas compensações de estimativas, componentes do saldo negativo pleiteado, validamente exteriorizadas ao Fisco - seja por Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), seja por Pedido de Compensação -, não produzem quaisquer efeitos, não podendo, pois, ser acatadas. MULTA DE MORA. JUROS DE MORA. MÁ-FÉ. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, sem prejuízo da concomitante exigência de juros de mora e independentemente da constatação da ocorrência ou não de má-fé por parte do devedor.

turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 13819.900989/2006-84

anomes_publicacao_s : 201408

conteudo_id_s : 5367269

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 1803-002.266

nome_arquivo_s : Decisao_13819900989200684.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : SERGIO RODRIGUES MENDES

nome_arquivo_pdf_s : 13819900989200684_5367269.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler.

dt_sessao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014

id : 5561156

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:40 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046816437567488

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2163; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE03  Fl. 424          1 423  S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13819.900989/2006­84  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1803­002.266  –  3ª Turma Especial   Sessão de  30 de julho de 2014  Matéria  CSLL ­ COMPENSAÇÃO  Recorrente  KOSTAL ELETROMECÂNICA LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício: 2003  COMPENSAÇÃO.  PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DE REVISÃO DE  APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DESCABIMENTO.  Para que se possa avaliar se o saldo negativo de Contribuição Social sobre o  Lucro  Líquido  (CSLL),  utilizado  pela  Recorrente  nas  compensações,  é  suficiente  para  quitar  os  débitos  informados,  é  indispensável  apurar­lhe  a  origem,  ainda  que  esta  remonte  a  períodos  anteriores,  já  alcançados  pela  decadência ou prescrição.  COMPENSAÇÕES  DE  ESTIMATIVAS.  NÃO  EXTERIORIZAÇÃO  AO  FISCO. NÃO ACATAMENTO.  Não  tendo  sido  as  alegadas  compensações  de  estimativas,  componentes  do  saldo  negativo  pleiteado,  validamente  exteriorizadas  ao  Fisco  ­  seja  por  Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), seja por Pedido de  Compensação  ­,  não  produzem  quaisquer  efeitos,  não  podendo,  pois,  ser  acatadas.  MULTA DE MORA. JUROS DE MORA. MÁ­FÉ.  Os  débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos  na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa  de  trinta  e  três  centésimos  por  cento,  por  dia  de  atraso,  sem  prejuízo  da  concomitante  exigência  de  juros  de  mora  e  independentemente  da  constatação da ocorrência ou não de má­fé por parte do devedor.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 09 89 /2 00 6- 84 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13819.900989/2006­84  Acórdão n.º 1803­002.266  S1­TE03  Fl. 425          2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.    (assinado digitalmente)  Cármen Ferreira Saraiva – Presidente    (assinado digitalmente)  Sérgio Rodrigues Mendes ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Cármen  Ferreira  Saraiva, Victor Humberto  da  Silva Maizman,  Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur  José André  Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler.    Fl. 425DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13819.900989/2006­84  Acórdão n.º 1803­002.266  S1­TE03  Fl. 426          3   Relatório  Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório  do acórdão recorrido (fls. 333 a 335):  Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentados, por meio dos quais  a  interessada pleiteia o  reconhecimento de direito creditório com origem em saldo  negativo  de  CSLL  do  ano­calendário  de  2002,  para  a  compensação  dos  débitos  declarados.   2. A autoridade fiscal deferiu parcialmente o pleito da interessada, nos termos  do Despacho Decisório de fl. 63, que se transcreve:  “RELATÓRIO  1.  Trata­se  de  PER/DCOMPs,  transmitidos  pelo  interessado  em  epígrafe,  formulados como Declarações de Compensação, separados do  fluxo eletrônico do  Sistema  de  Controle  de  Créditos  e  Compensações  –  SCC,  em  face  da  impossibilidade  de  tratamento  automático  até  a  data  de  homologação,  por  disposição legal (fls. 01/31).   2.  Referidos  PER/DCOMP’s  informam,  como  crédito,  o  saldo  negativo  de  CSLL no exercício de 2003, ano­calendário de 2002, na monta de R$ 379.497,14, e  constituem a família indicada no quadro 01 abaixo:  (...)  FUNDAMENTAÇÃO  (...)  6.  A  contribuição  devida  pelo  interessado  em  sua  DIPJ/2003  foi  de  R$  1.432.879,47  (fl. 40). Deduziu, a  título de estimativas pagas no ano­calendário de  2002, o valor de R$ 1.821.376,61, culminando em saldo negativo de R$ 379.497,14  (fl. 41).   7. Observando o cálculo da CSLL por estimativa na Ficha 16 da DIPJ/2003  (FLS.  32/38),  constata­se que  o  contribuinte  apurou  contribuição mensal  a pagar  por estimativa com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços/balancetes  de suspensão ou redução, resultando nos valores consolidados no mapa de fl. 42.   8. Em DCTF,  informa  compensações das  estimativas mensais  nos meses  de  Jan/02  a  Abr/02,  sem  processo,  com  saldo  negativo  da  CSLL  apurada  em  31/12/2001 e pagamentos nos meses de Mai/02, Jun/02 e Ago/02 a Nov/02 (fl. 42).   9.  Os  sistemas  informatizados  da  RFB  confirmam  os  pagamentos  de  estimativas no ano­calendário de 2002, totalizando R$ 1.193.098,13 (fls. 43/45).  10.  Verificou­se  que,  no  ano­calendário  de  2001,  o  interessado  também  informa compensações de estimativas com saldo negativo apurado em 31/12/2000.  Então,  para  fins  de  verificação  da  idoneidade  das  aludidas  compensações,  iniciemos a análise pelo ano­calendário de 2000.   Fl. 426DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13819.900989/2006­84  Acórdão n.º 1803­002.266  S1­TE03  Fl. 427          4 11.  Na  DIPJ/2001,  relativa  ao  ano­calendário  de  2000,  Ficha  17,  o  interessado apurou CSLL devida de R$ 701.698,33. Deduziu, a título de estimativas  pagas, R$ 827.496,89, resultando em saldo negativo de R$ 125.798,56 (fls. 47/48).  Na Ficha 16, apurou estimativas a pagar nos meses de Jan/00 a Set/00, totalizando  R$ 827.496,89. Em DCTF,  informou apenas a quitação das estimativas dos meses  de Jun/00 a Set/00, por pagamentos que  totalizam R$ 551.667,99, conforme mapa  de  fl.  42.  Os  sistemas  de  informação  da  RFB  confirmam  esses  pagamentos,  que  somam  R$  551.667,99  (fls.  49/50),  e  não  indicam  a  existência  de  pagamentos  de  estimativas  para  os  meses  de  Jan/00  a Mai/00.  Portanto,  a  parcela  dedutível  na  apuração  da CSLL  está  limitada  ao  valor  de R$  551.667,99,  efetivamente  pagos.  Assim,  não  há  direito  creditório  oriundo  de  saldo  negativo  de  CSLL  no  ano­ calendário  de  2000,  exercício  de  2001,  para  a  compensação  de  estimativas  em  períodos subsequentes.   12.  Na  DIPJ/2002,  relativa  ao  ano­calendário  de  2001,  Ficha  17,  o  interessado  apurou  CSLL  devida  de  R$  1.216.093,60.  Deduziu,  a  título  de  estimativas pagas, R$ 1.916.526,00, resultando em saldo negativo de R$ 700.432,40  (fls.  52/53).  Em  DCTF  informa  pagamentos  que  totalizam  R$  1.601.426,35  e  compensações, sem processo, com saldo negativo da CSLL apurada em 31/12/2000,  na soma de R$ 315.099,66, conforme mapa de fl. 42. Os sistemas de informação da  RFB confirmam pagamentos de estimativas por meio de DARF no ano­calendário  de 2001, nos meses de Fev/01 a Nov/01, que somam R$ 1.601.426,35  (fls. 54/59).  Conforme  análise  feita  no  item  11,  não  há  saldo  negativo  no  ano­calendário  de  2000 para aproveitamento em compensações. Portanto, as parcelas de estimativas  dos  meses  de  Jan/01  e  Fev/01,  indevidamente  compensadas  com  aquele  crédito  inexistente, não constituem parcelas dedutíveis na apuração da CSLL no exercício  de 2002. Então, deduzindo­se da CSLL devida de R$ 1.216.093,60 os pagamentos  que somam R$ 1.601.426,35, apura­se o saldo negativo de R$ 385.332,75, no ano­ calendário  de  2001,  exercício  de  2002,  passível  de  compensação  em  períodos  subsequentes.   13. Procedeu­se a imputação do saldo negativo ora confirmado para o ano­ calendário  de  2001,  ou  seja,  R$  385.332,75,  aos  débitos  de  estimativas  que  se  pretendia  compensar  no  ano­calendário  de  2002,  empregando  o  sistema  NEO­ SAPO (fls. 60/62),  resultando na quitação parcial dos referidos débitos,  conforme  quadro 02.   Quadro 02: Ano­calendário de 2002 ­ CSLL ­ apuração e forma de quitação das estimativas mensais Reais  PA  COD.  Cálculo da  DIPJ/2003  DCTF  Pagamento  Comp. Saldo              Estimativa           (DARF)  Negativo  Apuração  Compensação                       Per. Ant.  do SN  Validada  jan/02  2484  BBSR  93.268,71    93.268,71  ­  93.268,71  31/12/2001  sim  fev/02  2484  RBA  185.746,33 1º T  185.746,33  ­  185.746,33  31/12/2001  sim  mar/02  2484  RBA  146.366,20    146.366,20  ­  121.326,97  31/12/2001  sim                   ­  25.039,23  31/12/2001  não  abr/02  2484  RBA  193.897,24    193.897,24  ­  193.897,24  31/12/2001  não  mai/02  2484  RBA  223.363,02 2º T  223.363,02  223.363,02  ­  ­  ­  jun/02  2484  RBA  214.534,89    214.534,89  214.534,89  ­  ­  ­  jul/02  2484  BBSR  ­     ­  ­  ­  ­  ­  ago/02  2484  BBSR  192.901,03 3º T  192.901,03  192.901,03  ­  ­  ­  set/02  2484  BBSR  46.197,30    46.197,30  46.197,30  ­  ­  ­  out/02  2484  BBSR  260.580,80    260.580,80  260.580,80  ­  ­  ­  nov/02  2484  BBSR  255.521,09 4º T  255.521,09  255.521,09  ­  ­  ­  dez/02  2484  BBSR  ­     ­  ­        ­  Fl. 427DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13819.900989/2006­84  Acórdão n.º 1803­002.266  S1­TE03  Fl. 428          5       soma das parcelas confirmadas  1.193.098,13  400.342,01       14.  Consequentemente,  da  CSLL  devida  no  exercício  de  2003,  R$  1.432.879,47,  podem  ser  deduzidas  as  parcelas  de  estimativas  pagas  no  ano­ calendário de 2002, R$ 1.193.098,13, e as parcelas que puderam ser compensadas  com o saldo negativo apurado em 31/12/2001, R$ 400.342,01, culminando em saldo  negativo de R$ 160.560,67.   DECISÃO  15.  De  todo  o  exposto,  em  obediência  às  normas  legais  em  vigência,  proponho o reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado pelo contribuinte  para a homologação de compensações, na monta de R$ 160.560,67 (...), oriundo do  saldo negativo da CSLL no ano­calendário de 2002, exercício de 2003.”  3. Cientificada do Despacho Decisório por meio do AR de fl. 130, em 08 de  outubro de 2008, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em  05 de novembro de 2008, fls. 131/149, com as alegações que se seguem.  3.1. Diz que o Despacho Decisório questionado não respeitou, na constituição  do  crédito  tributário,  o  prazo  decadencial  da  CSLL,  contribuição  sujeita  ao  lançamento por homologação, cujo fato gerador se concretizou em 31 de dezembro  de 2002, a teor do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Acrescenta que  tal  prazo  também  estaria  decaído,  nos  termos  do  artigo  173,  inciso  I,  também  do  CTN. Transcreve doutrina e jurisprudência, fls. 134/139. Em suas palavras:  “18.  Por  fim,  conclui­se  que  a  decadência  é  matéria  regida  pelo  Código  Tributário Nacional,  e  não  por Lei Ordinária,  sendo assim,  o  direito  da Fazenda  Nacional constituir o crédito tributário decaiu no ano de 2007, sendo extemporâneo  o  comunicado  expedido  pelo  Ilustre  Agente  Fiscal  em  08  de  outubro  de  2008,  devendo  ser  reformada  a  respeitável  decisão,  ora  recorrida,  reconhecendo­se,  de  plano,  a  total  insubsistência  do  despacho  decisório  expedido  contra  a  ora  Impugnante.”  3.2. Aduz que, no mês de fevereiro de 2000, possuía um saldo de crédito a ser  utilizado na compensação, relativo a prejuízos de períodos anteriores, no montante  de R$ 430.996,65 (valor principal de R$ 222.465,80 mais juros de R$ 208.530,85).   3.3. Desse  crédito,  teria  se  utilizado  de R$ 275.828,90  na  compensação  das  estimativas  dos  meses  de  janeiro  a  maio  de  2000.  Além  disso,  foram  recolhidos  DARF  no  valor  de  R$  551.667,99,  totalizando  estimativas  de  R$  827.496,69,  apurando­se  um  saldo  negativo  de CSLL  na  importância  de R$  125.798,56,  a  ser  compensada com débitos de exercícios posteriores.   3.4. No  entanto,  não  indicou,  nas DCTF  respectivas,  a  formalização  dessas  compensações,  que  ocorreram  com  saldos  negativos  dos  anos­calendário  de  1993,  1994 e 1995, cujas DIRPJ estão na base de dados da RFB, pois  entendia que não  havia  campo  próprio  para  informação  em DCTF  dos  valores  compensados.  Junta  documentos 04, 05 e 07/09, visando comprovar o que alega.   3.5.  Aduz  que,  no  ano­calendário  de  2001,  informou  em  DCTF  a  compensação das estimativas dos meses de  janeiro e  fevereiro com saldo negativo  de  CSLL  apurada  no  ano­calendário  de  2000.  No  entanto,  também  teria  se  equivocado na formalização de tais compensações, pois, além de saldo negativo do  AC 2000 (R$ 128.654,19) também foram utilizados saldos negativos dos AC 1993,  1994  e  1995  (total  de  R$  147.138,89),  IRRF  decorrente  de  rendimento  de  empréstimo realizado com pessoa jurídica domiciliada na Argentina (R$ 31.554,29)  Fl. 428DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13819.900989/2006­84  Acórdão n.º 1803­002.266  S1­TE03  Fl. 429          6 e CSLL recolhida a maior em janeiro de 1999 (R$ 7.752,59). Junta os documentos  04, 05, 06, 07 e 08.   3.6.  Dessa  forma,  no  ano­calendário  de  2001,  as  estimativas montam  a  R$  1.916.526,00,  sendo  R$  1.601.426,35  recolhidas  por  meio  de  DARF  e  R$  315.099,66  compensadas,  resultando  em  saldo  negativo  de  R$  700.432,40,  a  ser  utilizado em exercícios posteriores.   3.7.  Argumenta  que  os  valores  dos  créditos  então  demonstrados  em  seus  lançamentos contábeis e nas obrigações acessórias apresentadas, e que somente não  conseguiu comprovar corretamente a existência do direito creditório em suas DCTF  devido  a  erro  material  no  preenchimento  de  tais  documentos.  Transcreve  jurisprudência, fls. 143/144.   3.8. Diz que  a  importância de R$ 31.554,29  tem origem no  recebimento de  juros  decorrentes  de  empréstimo  formalizado  com  a  sociedade  Kostal  Argentina  S/A., conforme documento 07.   3.9. Aduz que, nos termos do artigo 15 da Lei nº 9.430, de 1996, combinado  com  o  artigo  21  da  Medida  Provisória  nº  2.037­21,  o  imposto  pago  no  país  de  domicílio da pessoa jurídica contratante poderá ser compensado pela pessoa jurídica  brasileira, desde que observados os requisitos previstos no artigo 26 da Lei nº 9.249,  de 1995, os quais elenca na fl. 145.   3.10. Refere­se, ainda, ao artigo 395 do RIR/99, e afirma que a possibilidade  de compensação do IRRF compensado no exterior com a CSLL entrou em vigor a  partir  de  1º  de  janeiro de 2000,  de  acordo  com o  previsto no  artigo  21, parágrafo  único, da MP 2.037­21. E continua:  “23. Considerando que, no Brasil, o IRPJ é calculado à alíquota de 25% (...)  sobre o lucro líquido ajustado por adições e exclusões específicas, o imposto retido  na  fonte  na  Argentina,  à  época  31,5%,  será  compensável  dependendo  da  lucratividade  da  empresa  brasileira  e  do  cumprimento  dos  requisitos  acima  expostos.   24.  Ademais,  a  Impugnante,  através  dos  lançamentos  contábeis,  demonstra  que  o  valor  recebido  decorrente  do  empréstimo  entrou  efetivamente  em  suas  rubricas,  sendo  considerado  para  efeito  de  cálculo  do  lucro  real.  Novamente  ressalta­se que não pode a Impugnante ser prejudicada por Erro Material.”  3.11. Disserta sobre o princípio da verdade material. Colaciona doutrina, fls.  146/147.   3.12.  Requer  a  exclusão  da  multa  de  ofício  que  teria  sido  imposta  no  lançamento  tributário. Faz distinção entre a multa moratória e a punitiva. Em suas  palavras:  “3.  A  multa  de  mora  aplica­se  em  virtude  da  demora  no  pagamento  do  tributo. Por sua vez, a multa punitiva é utilizada para penalizar o contribuinte por  adotar uma conduta caracterizadora de uma infração tributária.   4.  Embora  a  multa  moratória  seja  assim  denominada,  possui  verdadeiro  caráter punitivo.  Isso porque não se destina a ressarcir ou indenizar o Fisco pelo  prejuízo  causado  pelo  atraso,  o  que  é  recomposto  pela  aplicação  dos  juros  moratórios, mas objetiva reprimir e desestimular tal conduta.   (...)  Fl. 429DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13819.900989/2006­84  Acórdão n.º 1803­002.266  S1­TE03  Fl. 430          7 8.  Assim,  tendo  em  vista  que  os  juros  moratórios  cumprem  a  função  de  recompor o patrimônio do Fisco, pelo prejuízo decorrente do atraso no pagamento,  a  multa  moratória  não  teria  a  mesma  natureza.  De  modo  que  tal  sanção  visa,  verdadeiramente, punir a conduta ilícita, que no caso não ocorreu.”  2.  A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 332 e verso):  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2002  COMPENSAÇÃO.  REVISÃO  DA  APURAÇÃO  EFETUADA  PELA  CONTRIBUINTE. DECADÊNCIA.   Com o transcurso do prazo decadencial previsto nos arts. 150, § 4º, ou 173, I,  do  CTN,  apenas  o  dever/poder  de  formalizar  o  crédito  tributário  estaria  obstado,  tendo  em  conta  que  a  decadência  é  uma  das  modalidades  de  extinção  do  crédito  tributário (art. 156, V e VII, do CTN). Todavia, não se pode inferir, a partir daí, que,  com  o  transcurso  do  prazo  decadencial  para  efetuar  o  lançamento,  estariam  tacitamente homologados quaisquer outros fatos jurídicos tributários que pudessem  repercutir em períodos de apuração futuros, inclusive a apuração de eventual saldo  negativo do IRPJ, indicado pela contribuinte na declaração de rendimentos.   DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO. ART. 168 DO CTN.   Nos  termos  do  art.  168  do CTN,  o  direito  de  pleitear  o  reconhecimento  de  direito  creditório,  implícito  nas  Declarações  de  Compensação,  visando  à  compensação  de  tributos  ou  contribuições  administrados  pela  Receita  Federal  do  Brasil, extingue­se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da  extinção do crédito tributário.  INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.  A prova  do  indébito  tributário,  fato  jurídico  a dar  fundamento  ao  direito  de  repetição  ou  à  compensação,  compete  ao  sujeito  passivo  que  teria  efetuado  o  pagamento indevido ou maior que o devido.  COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. CSLL.  O  reconhecimento  de  direito  creditório  relativo  a  saldo  negativo  da  CSLL  condiciona­se à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a  comprovação da  suficiência  e da disponibilidade dos  saldos negativos de períodos  anteriores,  aproveitados  para  liquidação  das  estimativas  mensais,  bem  como  da  efetividade das compensações pretendidas.  No presente  caso,  os  documentos  apresentados  não  comprovam as  alegadas  compensações com eventuais saldos negativos de períodos anteriores.   IMPOSTO DE RENDA PAGO NO EXTERIOR. VALOR EXCEDENTE AO  LIMITE  COMPENSÁVEL  NO  BRASIL.  IMPOSSIBILIDADE  DE  COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS FEDERAIS  O  saldo  do  imposto  de  renda  pago  no  exterior,  que  exceder  o  valor  compensável com o imposto de renda devido no Brasil sobre os lucros, rendimentos  e  ganhos  de  capital  auferidos  no  exterior,  somente  poderá  ser  compensado  com  a  contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) devida em virtude da adição, à sua  base de cálculo,  dos  lucros,  rendimentos  e ganhos de  capital  oriundos do  exterior,  Fl. 430DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13819.900989/2006­84  Acórdão n.º 1803­002.266  S1­TE03  Fl. 431          8 até  o  limite  acrescido  em  decorrência  dessa  adição.  Não  há  previsão  legal  para  compensação de eventual saldo ainda remanescente, nos moldes do art. 74 da Lei nº  9.430, de 1996.  DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO.   Não  se  reconhece  o  direito  creditório  em  litígio  e  não  se  homologam  as  compensações pretendidas.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  3.  Cientificada  da  referida  decisão  em  09/09/2011  (fls.  351),  a  tempo,  em  04/10/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 353 a 379, instruído com os documentos de  fls.  380  a  387,  nele  reiterando  os  argumentos  anteriormente  expendidos  e  aduzindo mais  os  seguintes:  a)  que  não  ocorreu  a  prescrição  para  restituição/compensação  do  indébito,  sendo inaplicável a Lei Complementar nº 118, de 2005; e  b)  que não agiu com má­fé, mas, sim, dentro da lei, devendo ser excluída a  aplicação de multa, no caso vertente.  Em mesa para julgamento.  Fl. 431DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13819.900989/2006­84  Acórdão n.º 1803­002.266  S1­TE03  Fl. 432          9 Voto             Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator  Atendidos  os  pressupostos  formais  e  materiais,  tomo  conhecimento  do  Recurso.  4.  Inicialmente, cumpre destacar que, no presente processo, não houve qualquer  constituição  de  crédito  tributário; mas  apenas  a mera  cobrança  de  parte  do  valor  confessado  pela  própria  Recorrente  em  seus  Pedidos  de  Ressarcimento  ou  Restituição/Declaração  de  Compensação (Per/DComp).  5.  Não  se  pode,  no  caso,  confundir  a  decadência  do  direito  de  lançar  tributo  devido  com  a  análise  da  certeza  e  liquidez  de  saldos  negativos  apurados  na  Declaração  de  Informações Econômico­fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), utilizados para compensação.  6.  A  autoridade  administrativa,  ao  analisar  a  apuração  do  saldo  negativo  de  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL)  do  ano­calendário  de  2002,  cuja  compensação  com  débitos  próprios  foi  declarada  pela  Recorrente,  simplesmente  averigua  a  existência de créditos  líquidos e certos, passíveis de compensação, em estrito cumprimento  ao disposto na legislação que cuida da matéria (art. 170 do Código Tributário Nacional – CTN  ­ Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) (grifou­se):  Art.  170.  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos  tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos,  do sujeito passivo contra a Fazenda pública.  7.  Assim, para que se possa avaliar se o saldo negativo de CSLL, utilizado pela  Recorrente nas compensações, é suficiente para quitar os débitos informados, é indispensável  apurar­lhe  a  origem,  ainda  que  esta  remonte  a  períodos  anteriores,  já  alcançados  pela  decadência ou prescrição.  8.  Esclareça­se: o desiderato, com esse exame, é constatar a efetiva existência  do crédito informado pela Recorrente, e não efetuar qualquer tipo de lançamento de ofício.  9.  Nesse sentido, a decisão recorrida (fls. 335, destaques do original):  5.  Inicialmente,  cuida  esclarecer  à  interessada que a  exigência  implementada  por  meio  do  presente  processo  decorre,  simplesmente,  da  cobrança  dos  débitos  confessados  pela  interessada em Declaração de Compensação, cuja compensação  não  foi  integralmente  homologada  pela  autoridade  fiscal,  não  havendo  de  se  falar  em  lançamento,  tão  pouco  em  prazo  extintivo  do  direito  de  a  Fazenda  constituir  o  correspondente  crédito tributário (decadência).  [...].  Fl. 432DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13819.900989/2006­84  Acórdão n.º 1803­002.266  S1­TE03  Fl. 433          10 9. E as exigências fiscais vinculadas a este processo referem­se a  débitos  informados  pela  contribuinte  em  PER/DCOMP,  cujas  compensações  não  foram  homologadas  pela  autoridade  competente. Registre­se: o ato praticado pela DRF de origem, no  exercício  da  competência  legalmente  definida,  foi  de  não  homologação  da  compensação  declarada,  por  falta  de  comprovação  da  existência  do  direito  creditório,  e  não  de  constituição de ofício de crédito tributário.  10.  Superado esse ponto, observa­se que a  insuficiência de direito creditório de  CSLL  constatada  no  ano­calendário  de 2002  remonta  ao  ano­calendário  de  2000,  quando os  valores  devidos  de  estimativa  dos  meses  de  janeiro  a  maio  daquele  ano  deixaram  de  ser  quitados, seja por pagamento, seja por compensação validamente exteriorizada ao Fisco.  11.  Alega a Recorrente haver efetuado, tanto no ano­calendário de 2000, quanto  no ano­calendário de 2001, compensações com supostos direitos creditórios oriundos dos anos­ calendário de 1993 a 1995.  12.  Porém,  não  tendo  sido  essas  alegadas  compensações  de  estimativas,  componentes  do  saldo  negativo  pleiteado,  validamente  exteriorizadas  ao  Fisco  –  seja  por  Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), seja por Pedido de Compensação –,  não produzem quaisquer efeitos, não podendo, pois, ser acatadas, ainda que superada a questão  da prescrição relativa aos anos­calendário de 1993 a 1995.   13.  Como bem destacado pela decisão recorrida (fls. 337­verso):  23. Portanto,  era obrigação da contribuinte  ter apresentado as  DCTF referentes às estimativas dos meses de janeiro a maio de  2000, informando a forma de liquidação dos débitos apurados, e,  se  fosse  o  caso,  as  compensações  com  saldos  negativos  de  períodos  anteriores,  indicando  claramente  as  importâncias  a  serem compensadas, bem como os períodos de apuração em que  teriam se originado tais saldos negativos utilizados.  14.  Observa­se,  por  oportuno,  que,  como bem apontado  pela  decisão  recorrida,  não houve a apresentação de quaisquer lançamentos contábeis, seja no Diário, seja no Razão,  das  alegadas  compensações  procedidas, mas  apenas  a  juntada  de  planilhas  (fls.  340­verso  e  341):  37. A interessada apresenta os documentos de fls. 175, 177/185,  187/188, 190, 197/198, referidos como sendo de números 4 a 9,  que  passam  a  ser  apreciados,  individualizadamente,  visando  comprovar as compensações que alega,  tanto de estimativas do  ano­calendário  de  2000,  como  de  2001,  com  saldos  negativos  dos anos­calendário de 1993 a 1995.   [...].  45.  Ademais,  os  saldos  não  estão  indicados  pelas  datas  respectivas,  e  não  houve  a  apresentação  do  Livro  Diário.  Também  não  foram  apresentadas  as  contas  de  razão  relativas  aos débitos que teriam sido supostamente compensados.   [...].  Fl. 433DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13819.900989/2006­84  Acórdão n.º 1803­002.266  S1­TE03  Fl. 434          11 46.  Enfim,  os  documentos  que  se  referem  às  contas  números  “11.13.08”, “150604” e “150070” mostram­se desconformes a  legislação  aplicável,  além  do  que  são  insuficientes  para  demonstrar  a  disponibilidade  dos  saldos  negativos  dos  anos­ calendário  de  1993  a  1995,  bem  como  a  efetividade  das  compensações das estimativas alegadas pela interessada.  47.  Quanto  aos  demais,  tratam­se  de  simples  planilhas  e  demonstrativos,  que  embora  possam  ter  fins  explicativos,  são  despidos de valor comprobatório da disponibilidade dos créditos  alegados,  bem  como  da  efetividade  das  compensações  pretendidas.  48.  Ressalte­se  que  não  houve  a  apresentação  dos  documentos  necessários  a  embasar  os  supostos  lançamentos  contábeis  e  fiscais que a contribuinte pretendeu demonstrar.  49.  Diante  desse  quadro,  não  resta  comprovado  que  a  interessada tenha compensado as estimativas de janeiro a maio  do  ano­calendário  de  2000  com  saldos  negativos  de  períodos  anteriores, incluindo do ano­calendário de 1995, permanecendo  a  apuração  efetuada  pela  autoridade  fiscal,  ou  seja,  de  que  naquele período de apuração houve saldo a pagar de CSLL no  montante de R$ 140.030,34, e não saldo negativo a ser utilizado  nos períodos subsequentes.  [...].  53.  Ademais,  observa­se  nas  DCTF  respectivas  [do  ano­ calendário  de  2001,  esclareça­se]  que  a  interessada  indicou  a  compensação  exclusivamente  com  saldo  negativo  do  ano­ calendário de 2000, e não de outros períodos de apuração.   15.  Ainda, como bem frisado pela decisão recorrida, a Recorrente jamais poderia  ter  se  utilizado  do  IRRF  eventualmente  retido  no  exterior  para  a  compensação  direta  de  estimativas do IRPJ ou da CSLL do ano­calendário de 2001 (fls. 344):  70.  O  que  a  legislação  permite  é  que,  desde  que  as  receitas  respectivas  tenham  sido  oferecidas  à  tributação,  tanto  na  apuração  do  Lucro  Real,  como  na  base  de  cálculo  da  CSLL  (Lucro Líquido Ajustado), os valores do IRRF retido possam ser  aproveitados  como  dedução  no  encerramento  do  período  de  apuração,  observadas  as  condições  e  limites  previstos  na  legislação acima transcrita.  16.  Por  último,  cumpre  destacar  o  seguinte  trecho  da  decisão  recorrida,  não  contraditado (fls. 345­verso):  89.  Por  fim,  quanto  ao  alegado  pagamento  indevido  na  importância  de R$ 6.599,94,  que  seria  relativo  à  estimativa  do  mês  de  janeiro  de  1999,  não  houve  quaisquer  esclarecimentos  prestados pela  interessada, no sentido de esclarecer as origens  de  tal  importância,  nem  foram  juntados  os  documentos  de  arrecadação que pudessem indicar a origem de tal crédito.   Fl. 434DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13819.900989/2006­84  Acórdão n.º 1803­002.266  S1­TE03  Fl. 435          12 90. Acrescente­se que, em consultas aos sistemas informatizados  da  Secretaria  da  Receita  Federal,  não  foram  localizados  recolhimentos referidos à estimativa do mês de janeiro do ano­ calendário de 1999, nem informações sobre tal débito no sistema  DCTF.  17.   Por fim, com relação à exigência da multa de mora no procedimento de não  homologação  de  compensação  declarada,  está  inteiramente  de  acordo  com  a  legislação  pertinente, sem prejuízo da concomitante exigência de juros de mora e independentemente da  constatação da ocorrência ou não de má­fé por parte do devedor, conforme segue (art. 61 da  Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996):  Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.  § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subsequente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.   § 2º O percentual de multa a ser aplicado  fica  limitado a vinte  por cento.   § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros  de mora  calculados  à  taxa  a  que  se  refere o  §  3º do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subsequente  ao  vencimento  do  prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês de pagamento.  Conclusão  Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto  no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Sérgio Rodrigues Mendes                          Fl. 435DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13819.900989/2006­84  Acórdão n.º 1803­002.266  S1­TE03  Fl. 436          13   Fl. 436DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA

score : 1.0
5540498 #
Numero do processo: 10166.720116/2008-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido o conselheiro Walber José da Silva, relator. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente e Relator (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, Fabíola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Jonathan Barros Vita e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201407

camara_s : Terceira Câmara

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10166.720116/2008-95

anomes_publicacao_s : 201407

conteudo_id_s : 5363023

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3302-000.420

nome_arquivo_s : Decisao_10166720116200895.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : WALBER JOSE DA SILVA

nome_arquivo_pdf_s : 10166720116200895_5363023.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido o conselheiro Walber José da Silva, relator. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente e Relator (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, Fabíola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Jonathan Barros Vita e Paulo Guilherme Déroulède.

dt_sessao_tdt : Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014

id : 5540498

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:49 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046816442810368

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2003; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 2.502          1 2.501  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10166.720116/2008­95  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3302­000.420  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  22 de julho de 2014  Assunto  Solicitação de diligência  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  BRASAL REFRIGERANTES LTDA    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  converter  o  julgamento  em  diligência,  nos  termos  do  voto  do  redator  designado. Vencido  o  conselheiro  Walber José da Silva, relator. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir  o voto vencedor.  (assinado digitalmente)  Walber José da Silva   Presidente e Relator    (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède   Redator designado   Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Walber  José  da  Silva,  Fabíola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Jonathan  Barros Vita e Paulo Guilherme Déroulède.  RELATÓRIO   Contra  a  empresa  BRASAL  REFRIGERANTES  LTDA  foi  lavrado  auto  de  infração para exigir o pagamento de IPI, relativo a fatos geradores ocorridos entre 01/03/2003 e  31/12/2006,  tendo  em  vista  que  a  Fiscalização  constatou  que  a  interessada  escriturou,  indevidamente, crédito ficto de IPI calculado sobre aquisições de insumos tidos como isentos,  oriundos da Zona Franca de Manaus.  Inconformada com a  autuação  a  empresa  interessada  impugnou o  lançamento,  cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido nos seguintes termos:     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 20 11 6/ 20 08 -9 5 Fl. 2502DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10166.720116/2008­95  Resolução nº  3302­000.420  S3­C3T2  Fl. 2.503          2 1­  o  produto  em  relação  ao  qual  a  AUTORIDADE  glosou  os  créditos  de  IPI  (concentrado) não se sujeita à alíquota zero, mas sim a alíquota de 27% e é isento do  IPI;  2­  os  créditos  tributários  exigidos  no  auto  estão  extintos  por  força  da  coisa  julgada formada nos autos do Mandado de Segurança Coletivo (MSC) nº 91.004783­4;  3­  a  AUTORIDADE  decaiu  do  direito  de  lavrar  o  AUTO  para  exigir  créditos  tributários  anteriores  a  27.11.2003,  porque NÃO  efetuou  o  respectivo  lançamento  no  prazo  de  cinco  anos  contados  do  fato  gerador  (art.  150,  §  4º  do  Código  Tributário  Nacional – CTN);  4­  os  dispositivos  legais  que  fundamentam  o AUTO  não  prevêem  a  glosa  dos  créditos relativos à aquisição de insumo isento e a IMPUGNANTE tem direito a esses  créditos em razão do princípio da não­cumulatividade; e 5­ a IMPUGNANTE também  tem direito ao crédito relativo à aquisição do concentrado isento por força da disposição  expressa do art. 6º do Decret0­lei (DL) nº 1.435, de 16.12.1975.  A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de fora ­ MG julgou improcedente o  lançamento, nos termos do Acórdão no 09­24.537, de 19/06/2009, por entender que os insumos  objeto da glosa enquadram­se na situação previstas no art. 175 c/c art. 82, inciso III, ambos do  RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/02) – fls. 536/544.  Da decisão a turma de julgamento recorre de ofício a este Colegiado.  A  Fazenda  Nacional  apresentou  as  “Razões  ao  Recurso  de  Ofício”  de  fls.  550/572, solicitando o provimento do recurso de ofício pelos seguintes fundamentos:  1­ O  produto  objeto  da  glosa  está  sujeito  à  alíquota  zero. A  Fiscalização  não  identifica  o  produto  envolvido  e  a  informação  de  que  trata­se  de  “concentrado  para  a  fabricação de refrigerantes” foi trazida pela autuada que, também indica o enquadramento do  produto no “EX” 01 da posição 2106.90.10, cuja alíquota é de 27%.  2­ A classificação fiscal adotada pela produtora vendedora do insumo, constante  da única cópia de nota fiscal acostada aos autos, é 2106.90.10, sem indicação de exceção, cuja  alíquota  é  zero.  Esta  informação  não  pode  ser  desconsiderada  e  re­enquadrar  o  produto  no  “EX”. Se há erro na nota fiscal, não pode a autuada beneficiar­se dele.  3­ Sugere a Fazenda Nacional que o produto seja melhor classificado no “EX”  02 que fala em refrigerante e tem alíquota de 40%;  4­ A empresa autuada não trouxe prova nos autos da correta classificação fiscal  e nem solicitou a realização de diligência para tal fato;  5­ Caso se entenda que o produto não tem alíquota zero, posição 2106.90.10, e  sim 27%, por encontrar­se no “EX” 01 da referida posição, deve­se anular a decisão recorrida  que considerou as alegações do contribuinte sem qualquer respaldo para tanto;  6­  Não  há  comprovação  acerca  do  adequado  cumprimento  dos  requisitos  indicados no art. 82 do RIPI/02, ou seja, que os insumos objeto da glosa foram elaborados com  matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional.  Fl. 2503DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10166.720116/2008­95  Resolução nº  3302­000.420  S3­C3T2  Fl. 2.504          3 7­  No  esteio  da  jurisprudência  judicial  e  administrativa,  somente  pode­se  creditar aquilo que foi efetivamente pago de IPI;  8­ A medida judicial impetrada não alcança a presente autuação na medida em  que  o  Mandado  de  Segurança  foi  impetrado  tão­somente  em  face  do  Delegado  da  Receita  Federal  do Rio  de  Janeiro. A decisão  judicial  faz  coisa  julgada  apenas  em  relação  às  partes  envolvidas.  No  caso,  não  se  trata,  sequer,  de  eventual  teoria  da  encampação.  Não  há  subordinação hierárquicas dos demais delegados da RFB ao delegado do Rio de Janeiro.  Na  forma  regimental,  o  recurso  voluntário  foi  distribuído  a  este  Conselheiro  Relator.  Posto  em  julgamento  na  sessão  do  dia  28/07/2010,  foi  o  mesmo  convertido  em  diligência à repartição de origem, nos termos da Resolução nº 3302­00.052, para as seguintes  providências:  1­ Dar ciência à recorrente desta Resolução;  2­ Relacionar as matérias­primas objeto da glosa;  3­  Intimar  à  autuada  para  comprovar,  por  meio  de  laudo  técnico  emitido  por  entidade  pública,  quais  produtos  agrícolas  ou  extrativos  vegetais  são  utilizados,  como  matéria­prima,  na  fabricação  dos  insumos objeto da glosa;  4­ Intimar a autuada para comprovar quais dos produtos referidos no  item 2 são produzidos na Amazônia Ocidental e, para estes, comprovar  que o fabricante (Recofarma) os adquiriu exclusivamente de cultivo ou  extração regional (Amazônia Ocidental);  5­  Diante  da  resposta  do  itens  2  e  3,  informar  se  os  produtos  relacionados no item 1 atendem às condições para o gozo da isenção  prevista n inciso III do art. 82 do RIPI/2002. Se for necessário, intimar  a recorrente para prestar outras informações sobre as condições a que  se refere o inciso III do art. 82 do RIPI/2002.  6­  Concluído  a  diligência,  dar  ciência  à  empresa  autuada  do  seu  resultado, abrindo­lhe prazo para manifestação.  Realizado  a  diligência,  a  DRF/BSA  apresentou  as  seguintes  respostas  as  quesitos formulados:  1­ Dar ciência à recorrente desta Resolução;  Resp: Termo de Diligência Fiscal dado ciência a recorrente em 06 de agosto de  2012.  2­ Relacionar as matérias­primas objeto da glosa;  Resp: As matérias­primas objeto da glosa estão relacionadas como 005 – Outros  Créditos nos Quadro Demonstrativos de números 001, 002, 003 e 004 anexos ao Termo  de Diligência (fls. 603 a 615).  3­  Intimar  à  autuada  para  comprovar,  por meio  de  laudo  técnico  emitido  por  entidade pública, quais produtos agrícolas ou extrativos vegetais são utilizados, como matéria­ prima, na fabricação dos insumos objeto da glosa;  Fl. 2504DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10166.720116/2008­95  Resolução nº  3302­000.420  S3­C3T2  Fl. 2.505          4 Resp:  O  Laudo  Técnico  foi  emitido  por  entidade  pública  SUFRAMA  tão  somente  em  relação  ao  açúcar  mascavo  e  álcool  os  quais  foram  adquiridos  de  produtores da Amazônia Ocidental.  4­ Intimar a autuada para comprovar quais dos produtos referidos no item 2 são  produzidos na Amazônia Ocidental e, para estes, comprovar que o fabricante (Recofarma) os  adquiriu exclusivamente de cultivo ou extração regional (Amazônia Ocidental);  Resp: O único insumo que compõe a industrialização do concentrado é o açúcar  mascavo  o  qual  representa  3,907%  do  total  das  Entradas  de  Insumo  e  Mercadorias  conforme DIPJ/2007 (fls. 643).  5­ Diante  da  resposta  do  itens  2  e 3,  informar  se  os  produtos  relacionados  no  item  1  atendem  às  condições  para  o  gozo  da  isenção  prevista  no  inciso  III  do  art.  82  do  RIPI/2002.  Se  for  necessário,  intimar  a  recorrente  para  prestar  outras  informações  sobre  as  condições a que se refere o inciso III do art. 82 do RIPI/2002.  Resp: NÃO, o concentrado  (NCM 2906.90.10 Concentrado com alíquota “0”  ­  sic)  não  foi  industrializado  com  matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  de  produção  regional, já que o açúcar mascavo representa apenas 3,907%, e, as principais matérias­ primas tem origem no exterior (641 a 642).  Quando  a  recorrente  efetua  vendas  no Brasil  utiliza  a  classificação  correta  em  todas as notas fiscais de saída do concentrado (2906.90.10 ­ sic) inclusive nos produtos  (Concentrado) exportados para a Venezuela e outros países (644 a 646).  Para confirmar que tanto a Brasal quanto a Recofarma tem conhecimento de que  a  classificação  correta  é NCM 2906.90.10  (sic),  a  recorrente  na  tentativa  de  alterar  a  classificação fiscal do produto, emitiu vários anos depois da ocorrência do fato gerador  do IPI que é a saída do estabelecimento industrial diversas cartas (fls. 647 a 658) com  base no art. 395 do Decreto nº 7.212 de 15.06.2010.  A recorrente não teve o cuidado de observar que o artigo 395 inciso I do Decreto  nº  7.212  de  15.06.2010  contraria  frontalmente  a  intenção  da  recorrente  de  alterar  a  correta classificação fiscal que é NCM 2906.90.10 com alíquota “0”.  6­  Concluído  a  diligência,  dar  ciência  à  empresa  autuada  do  seu  resultado,  abrindo­lhe prazo para manifestação.  Foi dado ciência à empresa interessada do resultado da diligência e sobre ele se  manifestou no dia 28/02/2013 para dizer, basicamente, que:  1­  é  isento  do  IPI  o  concentrado  adquirido  da  Recofarma,  conforme  reconhecimento da Suframa feito com base em laudo técnico, e que o produto classifica­se no  EX 01 do NCM 2106.90.10 2­ é irrelevante para o deslinde da questão a informação de que o  açúcar  mascavo  representaria  apenas  3,907%  dos  insumos  utilizados  na  fabricação  do  concentrado.  Isto  porque  o  benefício  não  pressupõe  que  o  produto  seja  produzido  exclusivamente com matérias­primas agrícolas e extrativistas vegetais de produção regional;  3­  cabe  à  autoridade  fiscal  observar  os  legítimos  atos  da  Suframa  (Resolução  CAS 387/93) e não glosar o crédito do IPI do adquirente do concentrado;  4­  as  cartas  de  correção  não  alteraram  a  natureza da  operação  e  a mercadoria  que, pela descrição na nota fiscal e regras de classificação, classifica­se no Ex 01 da posição  Fl. 2505DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10166.720116/2008­95  Resolução nº  3302­000.420  S3­C3T2  Fl. 2.506          5 2106.90.10, posto que se destinam à fabricação de refrigerantes da posição 22.02. Não houve  qualquer mudança no valor do imposto, que é isento.  5­ mesmo  que  não  seja  aceitas  as  cartas  de  correção,  o  concentrado  continua  sendo  classificado  na  posição  2106.90.10,  EX  01,  porque  essa  classificação  não  decorre  da  carta de correção, mas sim das próprias informações constantes das notas fiscais;  6­  inexplicavelmente,  a  Informação  Fiscal  faz  referência  à  classificação  fiscal  2906.90.10, distinta da tratada nos autos;  7­  a  conclusão  fiscal  reconhece  a  utilização  de  matéria­prima  regional  na  produção do concentrado, requisito essencial para a fruição do incentivo previsto no art. 6º do  Decreto­Lei nº 1.435/75.  Retornaram os autos para conclusão do julgamento.  VOTO VENCEDOR  Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Redator­Designado.  A concessão dos benefícios  fiscais previstos no Decreto­lei  nº 288, de 1967 e  Decreto­lei nº 1.435, de 1975, passa pela aprovação dos projetos industriais pelo Conselho de  Administração da SUFRAMA e pela publicação de portaria interministerial pelos Ministros de  Estado do Desenvolvimento,  Indústria e Comércio Exterior e da Ciência e Tecnologia, a  teor  das disposições abaixo transcritas:    Decreto 72.423/73:  Art.  1º Os órgãos deliberativos da Superintendência da Zona Franca  de Manaus SUFRAMA, da Superintendência do Vale do São Francisco  ­  SUVALE  e  do Departamento Nacional  de Obras Contra  as  Secas  ­  DNOCS, entidades de desenvolvimento sub­regional, como as define os  artigos 12, 13, inciso I e II, e 14, do Decreto nº 66.882, de 16 de julho  de 1970, passam a denominar­se Conselhos de Administração.  Art 6°.  Parágrafo  Único.  Além  das  competências  estabelecidas  neste  artigo,  ao Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de  Manaus  compete,  ainda  a  aprovação  de  projetos  de  empresas  que  objetivem usufruir dos beneficios  fiscais previstos nos artigos 7°  e 9°  do  Decreto­Lei  n°288,  de  28  de  fevereiro  de  1967,  bem  como  estabelecer normas, exigências, limitações e condições para aprovação  dos referidos projetos (acrescido pelo Decreto 76.801/75)  Decreto­lei nº 288, de 1967, art. 7º, §6º, alterada pela Lei nº 8.383, de 1991:  § 6o Os Ministros de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio  Exterior  e  da  Ciência  e  Tecnologia  estabelecerão  os  processos  produtivos básicos no prazo máximo de cento e vinte dias, contado da  data  da  solicitação  fundada  da  empresa  interessada,  devendo  ser  indicados  em  portaria  interministerial  os  processos  aprovados,  bem  como os motivos determinantes do indeferimento.  Fl. 2506DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10166.720116/2008­95  Resolução nº  3302­000.420  S3­C3T2  Fl. 2.507          6 Decreto­lei nº 1.435, de 1975, art. 6º, §2º:  Art  6º  Ficam  isentos  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  os  produtos  elaborados  com  matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais  de  produção  regional,  exclusive  as  de  origem  pecuária,  por  estabelecimentos  localizados  na  área  definida  pelo  §  4º  do  art.  1º  do  Decreto­lei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967.   ...  §  2º  Os  incentivos  fiscais  previstos  neste  artigo  aplicam­se,  exclusivamente,  aos  produtos  elaborados  por  estabelecimentos  industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA.   Já o Decreto nº 783, de 1993, definiu:  Art.  5º Os Ministros de Estado da  Integração Regional,  da  Indústria,  do  Comércio  e  do  Turismo,  e  da  Ciência  e  Tecnologia,  fixarão,  por  portaria  interministerial,  os  processos  produtivos  básicos  para  os  produtos  fabricados  na  Zona  Franca  de  Manaus,  não  incluídos  nos  Anexos de I a XV deste decreto.  Por sua vez, a Lei nº 10.176, de 2001, em seu art. 9º, dispôs:  Art.  9o  O  Poder  Executivo  regulamentará,  em  até  sessenta  dias  contados da data de  vigência desta Lei, o procedimento para  fixação  do processo produtivo básico referido no § 6o do art. 7o do Decreto­Lei  no  288,  de  28  de  fevereiro  de  1967,  modificado  pelo  Decreto­Lei  no  1.435,  de  16  de  dezembro  de  1975,  pela  Lei  no  8.387,  de  30  de  dezembro de 1991, e por esta Lei, e no § 2º do art. 4º da Lei no 8.248,  de 23 de outubro de 1991, introduzido pelo art. 1o desta Lei.  Já o Decreto nº 4.401 de 2002:  Art.2o  Os  Ministros  de  Estado  do  Desenvolvimento,  Indústria  e  Comércio  Exterior  e  da  Ciência  e  Tecnologia  estabelecerão,  em  ato  conjunto,  os  Processos  Produtivos  Básicos  ­  PPB  para  os  bens  industrializados na Zona Franca de Manaus e os procedimentos para  suas fixações, nos termos do art. 9o da Lei no 10.176, de 11 de janeiro  de 2001.  ...  Por fim, regulamentando a estrutura regimental da SUFRAMA, os Decretos nº  728, de 1993 e nº 4.628, de 2003:  Decreto nº 728, de 1993:  Art. 4° Ao Conselho de Administração da SUFRAMA compete:  I ­ aprovar:  a) diretrizes gerais para elaboração dos planos anuais e plurianuais de  trabalho;  b) o seu Regimento Interno;  Fl. 2507DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10166.720116/2008­95  Resolução nº  3302­000.420  S3­C3T2  Fl. 2.508          7 c) os projetos de empresas que objetivem usufruir dos benefícios fiscais  previstos nos arts. 7° e 9° do Decreto­Lei n° 288, de fevereiro de 1967,  com as modificações da Lei n° 8.387/91, bem assim estabelecer normas,  exigências, limitações e condições para aprovação dos referidos  projetos;  d) normas e critérios gerais para a execução de planos, programas,  projetos, obras e serviços a cargo da entidade, em especial;  Decreto nº 4.628, de 2003  Art.4ºAo Conselho de Administração da SUFRAMA compete:  I – aprovar:  ...  c) os projetos de empresas que objetivem usufruir dos benefícios fiscais  previstos  nos  arts.  7º  e  9º  do  Decreto­Lei  nº  288,  de  1967,  com  as  modificações  da  Lei  nº  8.387,  de  30  de  dezembro  de  1991,  especificando os incentivos a serem auferidos pela empresa, bem assim  estabelecer  normas,  exigências,  limitações  e  condições  para  aprovação, fiscalização e acompanhamento dos referidos projetos;  Assim,  cabe  ao  Conselho  de  Administração  da  SUFRAMA  a  aprovação  dos  projetos que objetivem usufruir dos incentivos fiscais regionais, especificando os incentivos a  serem auferidos, resguardadas à Receita Federal as atribuições no sentido da possibilidade de  verificar  o  cumprimento  dos  requisitos  estabelecidos  nas  resoluções  do  Conselho  e  nas  portarias interministeriais que estabelecem os processos produtivos básicos.   A  Resolução  nº  387,  de  1993,  aprovando  o  Parecer  Técnico  088/93  SAP­ DEPRO, previu apenas os benefícios fiscais do Decreto­lei nº 288, de 1967, mas não o do art.  6º  do  Decreto­lei  nº  1.435,  de  1975.  O  Parecer  Técnico  035/97SAP­DEPRO­DIPI,  embora  tenha ratificado que a isenção se estendia ao art. 6º do Decreto­lei nº 1.435, de 1975, não fora  aprovado pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, órgão colegiado e deliberativo que  detém a competência regimental para aprovar as condições para usufruir do referido benefício.   Entretanto,  o Parecer Técnico  035/97SAP­DEPRO­DIPI,  bem  como o Parecer  Técnico 088/93 SAP­DEPRO, mencionam algumas resoluções anteriores à de nº 387, de 1993,  que não constam do processo. Outrossim, não localizei a portaria que fixa o processo produtivo  básico  que  objetivou  usufruir  dos  benefícios  fiscais  dos  Decretos­lei  nº  288,  de  1967  e  nº  1.435, de 1975. Assim, faz­se necessária a juntada destes documentos ao processo.  Quanto à classificação fiscal das matérias­primas glosadas, a diligência proposta  na  Resolução  3302­00.052  determinou,  em  seu  item  2,  que  a  relação  das  matérias­primas  objeto da glosa fosse juntada aos autos. A autoridade fiscal que realizou as diligências assim  respondeu ao questionamento:  Resp: As matérias­primas objeto da glosa estão relacionadas como 005  – Outros  Créditos  nos Quadro Demonstrativos  de  números  001,  002,  003 e 004 anexos ao Termo de Diligência (fls. 603 a 615).  Nas  folhas  603  a  615  constam  quadros  com  a  descrição  “aquisição  de  concentrados  NF  ...”,  informação  esta  insuficiente  para  se  determinar,  precisamente,  quais  matérias­primas foram efetivamente glosadas. Há clara indefinição quanto à classificação fiscal  Fl. 2508DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10166.720116/2008­95  Resolução nº  3302­000.420  S3­C3T2  Fl. 2.509          8 da matéria­prima glosada, posto que a fiscalização utilizou o código da nota fiscal, 2106.90.10,  cuja  alíquota  do  IPI  é  zero;  já  a  recorrente,  por  sua  vez,  afirma  pertencer  ao  Ex  01,  se  sujeitando à alíquota de 27%, enquanto a Fazenda Nacional,  em razões ao  recurso de ofício,  sugere  a  classificação  no  Ex  02,  de  alíquota  40%.  Portanto,  necessária  a  realização  de  diligência  para  que  se  relacione  efetivamente  as  matérias­primas  glosadas  e  sua  correta  classificação fiscal.  Isto posto, voto no sentido de converter este julgamento em diligência para que  a autoridade fiscal intime a recorrente a apresentar:  1.  A  Resolução  nº  457,  de  1988  e  Parecer  Técnico  nº  094,  de  1992,  mencionados pelo Parecer Técnico nº 88, de 1993, a Resolução nº 350, de  24/09/92, e Resolução nº 098, de 05/03/93, mencionadas no Parecer Técnico  35, de 1997;  2.  A  portaria  interministerial mencionada  na Resolução  nº  387,  de  1993  que  fixou o processo produtivo básico definitivo;  3.  Outras  resoluções  ou  portarias  interministeriais  que  tenham  concedido  o  benefício do art. 6º do Decreto­lei nº 1.435, de 1975, não juntadas aos autos;  4.  Relação  das  matérias­primas  glosadas,  transcrevendo  a  descrição  do  item  das notas fiscais;  5.  Juntadas das notas fiscais mencionadas nos quadros das folhas 603 a 615;  6.  Prova pericial a ser realizada pelo INT ou órgão congênere, para a definição  dos aspectos técnicos das matérias­primas glosadas, especialmente quanto à  capacidade de diluição mencionada nos  textos dos Ex01 e Ex02 do código  2106.90.10.  Concluída  a  diligência,  elabore­se  relatório  fiscal,  facultando  à  interessada  a  oportunidade  de  se  manifestar  sobre  o  resultado  no  prazo  de  30  dias,  conforme  art.  35,  parágrafo único do Decreto nº 7.574, de 2011, com posterior retorno dos autos a esta Câmara.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède    Fl. 2509DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE

score : 1.0
5492289 #
Numero do processo: 10880.928754/2010-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2004 COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO EM FONTE. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÃO POR PER/DCOMP DA FONTE PAGADORA. POSSIBILIDADE. 1. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF n° 80). 2. Para o reconhecimento do direito creditório do Contribuinte em relação a IRRF, se faz necessário apenas a comprovação da retenção dos valores discriminados, não havendo que se falar em demonstração de recolhimento pela fonte pagadora. 3. A apresentação de PER/Dcomp usada pela fonte pagadora para o adimplemento do débitos decorrentes de retenção de IR em fonte constitui documento hábil a comprovar a efetiva retenção do tributo, dando ensejo á utilização de tais valores, na forma de crédito compensável, pela parte que teve seu imposto retido. NÃO DISCRIMINAÇÃO DE MULTA MORATÓRIA EM PER/DCOMP. INCLUSÃO DA MULTA EM BASE DE CÁLCULO DA COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. POSSIBILDIADE. 1. A mera ausência de discriminação quanto à multa de mora em PER/Dcomp não representa óbice à inclusão desse valor em base de cálculo da compensação paga em atraso. CONSTITUIÇÃO DE DÉBITO POR PER/DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBLIDADE. NECESSIDADE DE AUSÊNCIA DE CONSTITUIÇÃO ANTERIOR DO DÉBITO POR DCTF. 1.Faz jus aos benefícios da denúncia espontânea o contribuinte que apresenta PER/Dcomp referente a débitos não confessados anteriormente por DCTF.
Numero da decisão: 1302-001.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201406

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2004 COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO EM FONTE. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÃO POR PER/DCOMP DA FONTE PAGADORA. POSSIBILIDADE. 1. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF n° 80). 2. Para o reconhecimento do direito creditório do Contribuinte em relação a IRRF, se faz necessário apenas a comprovação da retenção dos valores discriminados, não havendo que se falar em demonstração de recolhimento pela fonte pagadora. 3. A apresentação de PER/Dcomp usada pela fonte pagadora para o adimplemento do débitos decorrentes de retenção de IR em fonte constitui documento hábil a comprovar a efetiva retenção do tributo, dando ensejo á utilização de tais valores, na forma de crédito compensável, pela parte que teve seu imposto retido. NÃO DISCRIMINAÇÃO DE MULTA MORATÓRIA EM PER/DCOMP. INCLUSÃO DA MULTA EM BASE DE CÁLCULO DA COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. POSSIBILDIADE. 1. A mera ausência de discriminação quanto à multa de mora em PER/Dcomp não representa óbice à inclusão desse valor em base de cálculo da compensação paga em atraso. CONSTITUIÇÃO DE DÉBITO POR PER/DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBLIDADE. NECESSIDADE DE AUSÊNCIA DE CONSTITUIÇÃO ANTERIOR DO DÉBITO POR DCTF. 1.Faz jus aos benefícios da denúncia espontânea o contribuinte que apresenta PER/Dcomp referente a débitos não confessados anteriormente por DCTF.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10880.928754/2010-00

anomes_publicacao_s : 201406

conteudo_id_s : 5354352

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 1302-001.408

nome_arquivo_s : Decisao_10880928754201000.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : MARCIO RODRIGO FRIZZO

nome_arquivo_pdf_s : 10880928754201000_5354352.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.

dt_sessao_tdt : Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014

id : 5492289

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:30 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046816456441856

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2206; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 267          1 266  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.928754/2010­00  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1302­001.408  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  3 de junho de 2014  Matéria  Pedido de Compensação  Recorrente  HEJOASSU ADMINISTRAÇÃO S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Exercício: 2004  COMPENSAÇÃO.  IMPOSTO  DE  RENDA  RETIDO  EM  FONTE.  COMPROVAÇÃO  DE  RETENÇÃO  POR  PER/DCOMP  DA  FONTE  PAGADORA. POSSIBILIDADE.  1. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido  o  valor  do  imposto  de  renda  retido  na  fonte,  desde  que  comprovada  a  retenção  e  o  cômputo  das  receitas  correspondentes  na  base  de  cálculo  do  imposto (Súmula CARF n° 80).  2. Para o reconhecimento do direito creditório do Contribuinte em relação a  IRRF,  se  faz  necessário  apenas  a  comprovação  da  retenção  dos  valores  discriminados,  não  havendo que  se  falar  em demonstração  de  recolhimento  pela fonte pagadora.  3.  A  apresentação  de  PER/Dcomp  usada  pela  fonte  pagadora  para  o  adimplemento  do  débitos  decorrentes  de  retenção  de  IR  em  fonte  constitui  documento hábil  a comprovar  a  efetiva  retenção  do  tributo,  dando ensejo  á  utilização  de  tais  valores,  na  forma de  crédito  compensável,  pela  parte  que  teve seu imposto retido.  NÃO DISCRIMINAÇÃO DE MULTA MORATÓRIA  EM  PER/DCOMP.  INCLUSÃO DA MULTA EM BASE DE CÁLCULO DA COMPENSAÇÃO  HOMOLOGADA. POSSIBILDIADE.  1. A mera ausência de discriminação quanto à multa de mora em PER/Dcomp  não  representa  óbice  à  inclusão  desse  valor  em  base  de  cálculo  da  compensação paga em atraso.  CONSTITUIÇÃO  DE  DÉBITO  POR  PER/DCOMP.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  POSSIBLIDADE.  NECESSIDADE  DE  AUSÊNCIA  DE  CONSTITUIÇÃO ANTERIOR DO DÉBITO POR DCTF.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 87 54 /2 01 0- 00 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     2 1.Faz jus aos benefícios da denúncia espontânea o contribuinte que apresenta  PER/Dcomp referente a débitos não confessados anteriormente por DCTF.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade,  em  dar  provimento  parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.  (assinado digitalmente)  ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  MARCIO RODRIGO FRIZZO ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  ALBERTO  PINTO  SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA  ARAUJO,  MARCIO  RODRIGO  FRIZZO,  WALDIR  VEIGA  ROCHA,  GUILHERME  POLLASTRI GOMES DA SILVA.  Fl. 268DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.928754/2010­00  Acórdão n.º 1302­001.408  S1­C3T2  Fl. 268          3     Relatório  Trata­se de recurso voluntário.  Versam os presentes autos sobre pedido de compensação de crédito relativo a  saldo negativo de IRPJ do ano­calendário de 2004 com débitos de Imposto de Renda na forma  Retida  em  Fonte  (IRRF)  referente  a  juros  sobre  capital  próprio,  devido  em  janeiro  do  ano­ calendário de 2005.  Inicialmente,  tem­se  que  a  Recorrente  se  trata  de  Sociedade  Anônima  detentora  de  participação  financeira  na  empresa  Votorantim  Participações  S/A,  auferindo  anualmente  rendimentos  a  título de  Juros Sobre o Capital Próprio dessa  última, os quais,  na  forma do artigo 668, do Decreto 3.000 de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR) –  ficam sujeitos à dedução do Imposto de Renda Retido em Fonte (IRRF).  Desta maneira, uma vez apurado prejuízo fiscal no ano­calendário de 2004, a  Recorrente apresentou Declaração de Compensação junto à Receita Federal do Brasil, através  da PER/DCOMP n° 35036.57813.231209.1.7.02­7310 (fls. 03/05), requerendo a compensação  dos  valores  retidos  a  título  de  IRRF  naquele  período­base  (2004),  no  montante  de  R$  49.984.617,00  (quarenta  e  nove  milhões,  novecentos  e  oitenta  e  quatro  mil,  seiscentos  e  dezessete  reais),  com  débitos  tributários  referentes  a  juros  sobre  capital  próprio  devidos  em  janeiro de 2005.  No  entanto,  ao  realizar  a  análise  do  referido  pedido  de  compensação,  entendeu a Receita Federal do Brasil (RFB) pela homologação parcial dos créditos pleiteados  (R$  44.154,54),  uma  vez  que,  conforme  consulta  realizada  em  sistemas  da  autoridade  fazendária,  não  se  verificou  comprovação  quanto  à  efetiva  retenção  de  parte  dos  valores  pleiteados.  Em face disso, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade de  fls. 10/24, alegando, em síntese:  i)   A nulidade do despacho decisório que negou homologação aos créditos  pleiteados,  posto  que  a  Recorrente  não  foi  previamente  intimada  a  prestar  esclarecimentos sobre o crédito, tal como determina o artigo 65, da IN RFB  n° 900/2008;  ii)  A  necessidade  de  homologação  dos  créditos  pleiteados,  posto  que  constatada  a  efetiva  retenção do  IRRF pela  fonte pagadora,  conforme DIPJ  da Votorantim Participações S/A;  iii)   A necessidade de afastamento da multa moratória, posto que, uma vez  que essa não figura como objeto da compensação em comento, sua inclusão  de ofício na base de cálculo da compensação acarretaria na violação do artigo  74, § 1° da lei 9.430/96;  Fl. 269DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     4 iv)  Ainda que não reconhecida a afronta ao artigo 74, § 1° da lei 9.430/96,  deve­se  afastar  a  multa  moratória,  tendo  em  vista  que  a  apresentação  de  pedido de compensação se trata de modalidade de pagamento antecipado do  débito, sendo, pois, forma de denúncia espontânea;  No  entanto,  tem­se  que  a  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento em São Paulo (DRJ­SP) indeferiu os pedidos da ora Recorrente, conforme se vê da  ementa da decisão a seguir transcrita (fls. 220/228):  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA IRPJ  Ano­calendário: 2004  NULIDADE.  IMPROCEDÊNCIA.  Não  procedem  as  arguições  de  nulidade  quando  não  se  vislumbra  nos  autos  qualquer  das  hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72.  COMPENSAÇÃO.  IRRF.  A  legislação  tributária  vincula  a  confirmação do IRRF passível de ser compensado ou restituído à  apresentação  do  comprovante  de  retenção  emitido  pela  fonte  pagadora.  É  necessária  a  comprovação  do  pagamento  correspondente ao IRRF incidente sobre rendimentos pagos por  sociedade controlada/coligada.  DÉBITOS  COMPENSADOS  APÓS  O  VENCIMENTO.  ENCARGOS  MORATÓRIOS.  Sobre  o  débito  fiscal  objeto  de  PER/DCOMP  transmitido  após  seu  vencimento,  incidem  encargos  moratórios  desde  aquela  data  até  a  data  da  compensação.  A  declaração  de  compensação  de  débitos  vencidos, não caracteriza a denúncia espontânea prevista no art.  138  do  CTN  e  será  acompanhada  da  compensação,  dos  correspondentes acréscimos legais.  Em  seguida,  insatisfeita  com  a  decisão  proferida  pela  DRJ­SP,  a  empresa  fiscalizada apresentou o presente Recurso Voluntário (fls. 241/265), arguindo, em síntese:  i)  A  necessidade  de  homologação  dos  créditos  pleiteados,  posto  que  constatada  a  efetiva  retenção do  IRRF pela  fonte pagadora,  conforme DIPJ  da Votorantim Participações S/A;  ii)  Que a Votorantim Participações S/A efetuou o recolhimento dos débitos  referentes  ao  IRRF  em  análise  através  de  Declarações  de  Compensação  juntadas às fls. 253/265;  iii)   A necessidade de afastamento da multa moratória, posto que, uma vez  que essa não figura como objeto da compensação em comento, sua inclusão  de ofício na base de cálculo da compensação acarretaria na violação do artigo  74, § 1° da lei 9.430/96;  iii)   Ainda que não reconhecida a afronta ao artigo 74, § 1° da lei 9.430/96,  deve­se  afastar  a  multa  moratória,  tendo  em  vista  que  a  apresentação  de  pedido de compensação se trata de modalidade de pagamento antecipado do  débito, sendo, pois, forma de denúncia espontânea;  É o relatório.  Fl. 270DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.928754/2010­00  Acórdão n.º 1302­001.408  S1­C3T2  Fl. 269          5     Voto             Conselheiro MARCIO RODRIGO FRIZZO  Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo.  O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos  de admissibilidade, então dele conheço.  1. Do Direito Creditório da Recorrente  Inicialmente,  a  Recorrente  alega  possuir  direito  creditório  em  relação  a  imposto  de  renda  retido  em  fonte  pela  Votorantim  Participações  S/A  (fonte  pagadora),  em  virtude  do  pagamento  de  Juros  sobre  Capital  Próprio  (JCP),  referente  ao  ano­calendário  de  2004, no qual apurou saldo negativo de Imposto de Renda.  Em tempo, releva consignar que a homologação dos créditos  requeridos em  virtude de Imposto de Renda recolhido através de retenção em fonte, em verdade, depende da  comprovação da efetiva retenção pela fonte pagadora, conforme se apreende da disposição do  artigo 943 do Decreto 3.000 de 1999. Senão vejamos:  Art.943.  A  Secretaria  da  Receita  Federal  poderá  instituir  formulário  próprio  para  prestação  das  informações  de  que  tratam os arts. 977 e 987. (...)  § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou  ganhos  de  capital  somente  poderá  ser  compensado  na  declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o  contribuinte  possuir  comprovante  da  retenção  emitido  em  seu  nome pela fonte pagadora (Lei nº 7.450/85, art. 55).  Nesse  mesmo  sentido,  aliás,  caminha  o  entendimento  deste  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais, o qual já sedimentou, através da edição da Súmula CARF  n° 80, que “na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor  do  imposto  de  renda  retido  na  fonte,  desde  que  comprovada  a  retenção  e  o  cômputo  das  receitas correspondentes na base de cálculo do imposto”.  Saliento,  por  oportuno,  que  ambos  os  entendimentos  são  cristalinos  ao  se  referir apenas à necessidade de comprovar a retenção, sendo, portanto, desnecessário perquirir,  para  fins  de  homologação  da  compensação,  se  a  fonte  pagadora  efetuou,  de  fato,  o  recolhimento do tributo.  Isso porque, a responsabilidade pelo recolhimento das quantias referentes ao  IRRF  devido  em  virtude  de  rendimentos  auferidos  por  sociedades  de  investimento  cabe  unicamente à pessoa  jurídica que  realiza o  repasse dos  rendimentos, conforme se percebe da  previsão contida no artigo 69, da Lei n.º 9.430, de 1996:  Fl. 271DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     6 Art. 69. É  responsável  pela  retenção  e  recolhimento  do  imposto  de renda na fonte, incidente sobre os rendimentos auferidos pelos  fundos, sociedades de investimentos e carteiras de que trata o art.  81 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, a pessoa  jurídica que  efetuar o pagamento dos rendimentos.  Por esse motivo, entendo não ser razoável manter a fundamentação da DRJ,  haja vista que a DIPJ da Votorantim Participações S/A  (Ficha 06A, linha 35, fls. 123 / Ficha  50A  –  fls.  198)  representa  demonstração  inconteste  de  que  houve  o  repasse  de  valores  à  Recorrente a título de “Juros sobre o Capital Próprio”, bem como que houve a retenção de R$  49.940.461,53  a  título  de  tributo  (IRRF).  Ressalto  que  a  responsabilidade  pela  retenção  e  pagamento é da fonte pagadora.  Ademais,  a  fim  de  comprovar  o  efetivo  recolhimento  das  retenções,  a  Recorrente  juntou  ao  Recurso  Voluntário  ora  apreciado  as  PER/Dcomp’s  de  n°  34969.74505110707.1.7.02­7355,  37634.27417.271005.1.3.57­0563  e  24288.43953.090107.1.3.02­5870  (fls.  253/265),  pelas  quais  a Votorantim Participações  S/A  (fonte  pagadora)  teria  efetuado  a  compensação  dos  débitos  de  IRRF  que  deram  gênese  aos  créditos pleiteados.  Assim,  em  face  das  provas  apresentadas,  fica  impossível  negar  a  conformidade  da  Recorrente  em  relação  à  legislação  pertinente  e  ao  entendimento  deste  Conselho, sendo imperativo reconhecer o direito creditório pleiteado.  Logo,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  para  reconhecer o direito creditório da Recorrente.  2. Da Inexistência de Violação ao Artigo 74, § 1° da Lei 9.430/96  Alega a Recorrente, outrossim, que a autoridade fiscalizadora teria procedido  de maneira  errônea  ao  realizar  a  compensação  da  parcela  homologada  do  crédito  pleiteado,  posto que, em seu entender, deveria a autoridade realizar a mencionada compensação apenas  em  relação  aos  valores  discriminados  pela  própria  Recorrente  em  PER/Dcomp,  quais  sejam  aqueles referentes ao valor principal do débito, acrescidos de juros.  No entanto, nesse ponto em específico, assiste razão à Autoridade Julgadora  da Receita Federal, na medida em que a normativa instituída pela IN SRF nº 600/05, a qual se  encontrava  vigente  quando  da  compensação  em  tela,  permite  a  incidência  de  “acréscimos  legais” até a data da compensação, incluindo­se aí a multa de mora.  Tal disposição encontra­se positivada através do artigo 28, da mencionada IN  SRF n° 600, de 2005, nos seguintes termos:  Art.  28. Na  compensação  efetuada  pelo  sujeito  passivo,  os  créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os  débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da  legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de  Compensação.  § 1 º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição  administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na  mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais.    Fl. 272DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.928754/2010­00  Acórdão n.º 1302­001.408  S1­C3T2  Fl. 270          7 Assim,  é  inegável que o débito objeto deste processo  era devido em  tempo  anterior a apresentação da PER/DCOMP, pelo que sua extinção através da compensação se deu  em atraso, dando ensejo à  incidência de multa de mora, mormente porque  inexistiu denúncia  espontânea, como melhor será fundamentado no tópico seguinte.  Dessa  maneira,  tem­se  que  a  mera  falta  de  discriminação  dos  valores  referentes à multa de mora não obstam que a autoridade fazendária que realiza a compensação  o faça de forma a incluir tal multa em sua base de cálculo.  Por esse motivo, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário  neste ponto.  3. Da Denúncia Espontânea  Por fim, alega a Recorrente no sentido de que a multa de mora cobrada pela  Autoridade Fiscalizadora  não  seria  devida  em  virtude  da  ocorrência  de  denúncia  espontânea  pela  apresentação  da  Declaração  de  Compensação  que  deu  gênese  ao  presente  processo  administrativo fiscal.  Sobre  o  tema,  é  pacífico  que  tanto  a  DCTF  quanto  a  declaração  de  compensação  constitui  declaração  de  dívida  (art.  74,  §6o,  Lei  n.  9.430/96,  e  art.  41,  §4º,  IN  RFB 1.300/12).   Este é, inclusive, o entendimento firmado através da Nota Técnica COSIT n.º  01, de 18 de janeiro de 2012, da qual destaco os seguintes excertos:  Aplicabilidade da denúncia espontânea no caso de compensação  18.  Com  relação  à  aplicabilidade  da  denúncia  espontânea  na  compensação  de  tributos,  não  se  pode  perder  de  vista  que  pagamento  e  compensação  se  equivalem;  ambos  apresentam  a  mesma  natureza  jurídica,  seus  efeitos  são  exatamente  os  mesmos: a extinção do crédito tributário. Como consequência, a  compensação  também  é  instrumento  apto  a  configurar  a  denúncia espontânea.   18.1 Tanto é assim que o art. 28 da Lei nº 11.941, de 27 de maio  de 2009, ao dar nova redação ao art. 6° da Lei nº 8.218, de 29  de agosto de 1991, conferiu à compensação o mesmo tratamento  dado  ao  pagamento  para  efeito  de  redução  das  multas  de  lançamento de ofício.  18.2  Essa  equiparação  do  pagamento  e  compensação  na  denúncia espontânea resulta da aplicação da analogia, prevista  como  método  de  integração  da  legislação  pelo  art.  108,  I,  do  CTN.  18.3  Dessa  forma,  respondendo  às  indagações  formuladas  nas  letras h e i do item 3 desta Nota Técnica:  a) se o contribuinte não declara o débito na DCTF, porém efetua  a  compensação  desse  débito  na  Dcomp,  sendo  os  atos  de  confessar  e  compensar  concomitantes,  aplica­se  o  mesmo  Fl. 273DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     8 raciocínio  previsto  no  item  10,  ou  seja,  neste  caso  resta  configurada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN;  b)  se  o  contribuinte  declara  o  débito  na  DCTF,  e  efetua  a  compensação posteriormente por meio da Dcomp, a  situação é  semelhante  à  dos  tributos  declarados,  mas  pagos  a  destempo  (subitem  9.1),  requerendo,  em  consequência,  o  mesmo  tratamento ali previsto, ou seja, a incidência da multa de mora.  [...] (grifo não original)  Portanto,  quanto  à  denúncia  espontânea  através  de  declaração  de  compensação,  verificam­se  as  seguintes  situações:  i)  uma  em  que  a  DCTF  é  apresentada  anteriormente à apresentação de pedido de compensação e  ii) a outra em que inexiste DCTF  referente ao débito tributário informado em PER/DCOMP.  Na primeira hipótese,  havendo DCTF  anterior  à  apresentação de Pedido  de  Compensação,  mostra­se  impossível  reconhecer  a  ocorrência  de  Denúncia  Espontânea,  haja  vista que o débito já se mostra perfeitamente constituído, sendo que a compensação se trataria,  tão somente, de pagamento postergado da obrigação.  Por outro lado, não havendo DCTF anterior à prestação da PER/DCOMP, a  constituição  do  débito  se  daria  pela  própria  requisição  de  compensação,  a  qual,  concomitantemente,  implicaria  no  pagamento  do  mesmo  débito,  caracterizando,  assim,  o  instituto da denúncia espontânea.  Noutros dizeres, a DCTF é instrumento hábil a constituir o crédito tributário,  de sorte que a caracterização da denúncia espontânea pela prestação de PER/DCOMP apenas  se verifica acaso inexista prévia confissão por meio de DCTF.  De  qualquer  forma,  importa  frisar  que  o  ônus  da  comprovação  sobre  a  configuração da denúncia espontânea cabe ao Contribuinte, como já decidiu este Conselho:  (...)  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  TRIBUTO  LANÇADO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CARACTERIZAÇÃO.  AUSÊNCIA  DE  PROVA.  A  denúncia  espontânea  nos  tributos  lançados  por  homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do  Código  Tributário  Nacional,  é  caracterizada  sempre  que  o  pagamento  ocorre  antes  da  apresentação  da  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  (Dctf)  ou  declaração  equivalente, e afasta a exigência da multa de mora. (...) O ônus  da prova de sua caraterização concreta cabe ao sujeito passivo.  Portanto,  se  este  não  apresenta  elementos  suficientes  para  demonstrar  a  sua  configuração,  deve  ser  mantida  a  decisão  recorrida.  (CARF.  Acórdão  n.º  3802­001.587.  Rel.  Solon  Sehn.  Sessão de 27/02/2013)  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  DIREITO  CREDITÓRIOORIUNDO  DE  MULTA  MORA.  NÃO  COMPROVAÇÃO  DA  OCORRÊNCIA  DE  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  (...)  para  que  se  configure  a  denúncia  espontânea  nos  casos  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  na  forma do  art.  150,  §4o  do Código Tributário  Nacional,  o  pagamento  deve  preceder  a  constituição  da  obrigação  tributária,  ou  seja,  a  entrega da DCTF.  (...)  (CARF.  Acórdão n.º 1801­001.303. Rel. Ana Clarissa Masuko dos Santos  Araujo. Sessão de 06/12/2012)  Fl. 274DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.928754/2010­00  Acórdão n.º 1302­001.408  S1­C3T2  Fl. 271          9 Compulsando os autos e analisando a documentação juntada pela Recorrente,  não é possível se certificar que a constituição do crédito tributário somente se deu através da  PER/DCOMP. Portanto, entendo que não  restou comprovada pela Recorrente a configuração  da denúncia espontânea.  Assim,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  entendendo que a Recorrente não faz jus aos benefícios da denúncia espontânea.  4. Da Conclusão  Ante  ao  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário interposto, para reconhecer o direito creditório relativo ao IRRF (item 1 da decisão)  e Mantendo a incidência da multa moratória (item 2 e 3 da decisão).  (assinado digitalmente)  MARCIO RODRIGO FRIZZO ­ Relator                                Fl. 275DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR

score : 1.0